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Código de Processo Civil: Normas e Prazos

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LEI Nº 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015.

Mensagem de veto
Código de Processo Civil.
Vigência

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu


sanciono a seguinte Lei:

PARTE GERAL

LIVRO I

DAS NORMAS PROCESSUAIS CIVIS

TÍTULO ÚNICO

DAS NORMAS FUNDAMENTAIS E DA APLICAÇÃO DAS NORMAS PROCESSUAIS

CAPÍTULO I

DAS NORMAS FUNDAMENTAIS DO PROCESSO CIVIL

Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito.

§ 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei.

§ 2º O Estado promoverá, sempre que possível, a solução consensual dos conflitos.

§ 3º A conciliação, a mediação e outros métodos de solução consensual de conflitos


deverão ser estimulados por juízes, advogados, defensores públicos e membros do Ministério
Público, inclusive no curso do processo judicial.

TÍTULO V

DO MINISTÉRIO PÚBLICO

Art. 176. O Ministério Público atuará na defesa da ordem jurídica, do regime


democrático e dos interesses e direitos sociais e individuais indisponíveis.

Art. 177. O Ministério Público exercerá o direito de ação em conformidade com suas
atribuições constitucionais.

Art. 178. O Ministério Público será intimado para, no prazo de 30 (trinta) dias, intervir
como fiscal da ordem jurídica nas hipóteses previstas em lei ou na Constituição Federal e nos
processos que envolvam:

I - interesse público ou social;

II - interesse de incapaz;

III - litígios coletivos pela posse de terra rural ou urbana.


Parágrafo único. A participação da Fazenda Pública não configura, por si só, hipótese de
intervenção do Ministério Público.

Art. 179. Nos casos de intervenção como fiscal da ordem jurídica, o Ministério Público:

I - terá vista dos autos depois das partes, sendo intimado de todos os atos do processo;

II - poderá produzir provas, requerer as medidas processuais pertinentes e recorrer.

Art. 180. O Ministério Público gozará de prazo em dobro para manifestar-se nos autos,
que terá início a partir de sua intimação pessoal, nos termos do art. 183, § 1º .

§ 1º Findo o prazo para manifestação do Ministério Público sem o oferecimento de


parecer, o juiz requisitará os autos e dará andamento ao processo.

§ 2º Não se aplica o benefício da contagem em dobro quando a lei estabelecer, de forma


expressa, prazo próprio para o Ministério Público.

Art. 181. O membro do Ministério Público será civil e regressivamente responsável


quando agir com dolo ou fraude no exercício de suas funções.

CAPÍTULO III
DOS PRAZOS

Seção I
Disposições Gerais

Art. 218. Os atos processuais serão realizados nos prazos prescritos em lei.

§ 1º Quando a lei for omissa, o juiz determinará os prazos em consideração à


complexidade do ato.

§ 2º Quando a lei ou o juiz não determinar prazo, as intimações somente obrigarão a


comparecimento após decorridas 48 (quarenta e oito) horas.

§ 3º Inexistindo preceito legal ou prazo determinado pelo juiz, será de 5 (cinco) dias o
prazo para a prática de ato processual a cargo da parte.

§ 4º Será considerado tempestivo o ato praticado antes do termo inicial do prazo.

Art. 219. Na contagem de prazo em dias, estabelecido por lei ou pelo juiz, computar-se-
ão somente os dias úteis.

Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se somente aos prazos processuais.

Art. 220. Suspende-se o curso do prazo processual nos dias compreendidos entre 20 de
dezembro e 20 de janeiro, inclusive.

§ 1º Ressalvadas as férias individuais e os feriados instituídos por lei, os juízes, os


membros do Ministério Público, da Defensoria Pública e da Advocacia Pública e os auxiliares
da Justiça exercerão suas atribuições durante o período previsto no caput .

§ 2º Durante a suspensão do prazo, não se realizarão audiências nem sessões de


julgamento.
Art. 221. Suspende-se o curso do prazo por obstáculo criado em detrimento da parte ou
ocorrendo qualquer das hipóteses do art. 313 , devendo o prazo ser restituído por tempo igual
ao que faltava para sua complementação.

Parágrafo único. Suspendem-se os prazos durante a execução de programa instituído


pelo Poder Judiciário para promover a autocomposição, incumbindo aos tribunais especificar,
com antecedência, a duração dos trabalhos.

Art. 222. Na comarca, seção ou subseção judiciária onde for difícil o transporte, o juiz
poderá prorrogar os prazos por até 2 (dois) meses.

§ 1º Ao juiz é vedado reduzir prazos peremptórios sem anuência das partes.

§ 2º Havendo calamidade pública, o limite previsto no caput para prorrogação de prazos


poderá ser excedido.

Art. 223. Decorrido o prazo, extingue-se o direito de praticar ou de emendar o ato


processual, independentemente de declaração judicial, ficando assegurado, porém, à parte
provar que não o realizou por justa causa.

§ 1º Considera-se justa causa o evento alheio à vontade da parte e que a impediu de


praticar o ato por si ou por mandatário.

§ 2º Verificada a justa causa, o juiz permitirá à parte a prática do ato no prazo que lhe
assinar.

Art. 224. Salvo disposição em contrário, os prazos serão contados excluindo o dia do
começo e incluindo o dia do vencimento.

§ 1º Os dias do começo e do vencimento do prazo serão protraídos para o primeiro dia


útil seguinte, se coincidirem com dia em que o expediente forense for encerrado antes ou
iniciado depois da hora normal ou houver indisponibilidade da comunicação eletrônica.

§ 2º Considera-se como data de publicação o primeiro dia útil seguinte ao da


disponibilização da informação no Diário da Justiça eletrônico.

§ 3º A contagem do prazo terá início no primeiro dia útil que seguir ao da publicação.

Art. 225. A parte poderá renunciar ao prazo estabelecido exclusivamente em seu favor,
desde que o faça de maneira expressa.

Art. 226. O juiz proferirá:

I - os despachos no prazo de 5 (cinco) dias;

II - as decisões interlocutórias no prazo de 10 (dez) dias;

III - as sentenças no prazo de 30 (trinta) dias.

Art. 227. Em qualquer grau de jurisdição, havendo motivo justificado, pode o juiz
exceder, por igual tempo, os prazos a que está submetido.

Art. 228. Incumbirá ao serventuário remeter os autos conclusos no prazo de 1 (um) dia e
executar os atos processuais no prazo de 5 (cinco) dias, contado da data em que:

I - houver concluído o ato processual anterior, se lhe foi imposto pela lei;
II - tiver ciência da ordem, quando determinada pelo juiz.

§ 1º Ao receber os autos, o serventuário certificará o dia e a hora em que teve ciência da


ordem referida no inciso II.

§ 2º Nos processos em autos eletrônicos, a juntada de petições ou de manifestações em


geral ocorrerá de forma automática, independentemente de ato de serventuário da justiça.

Art. 229. Os litisconsortes que tiverem diferentes procuradores, de escritórios de


advocacia distintos, terão prazos contados em dobro para todas as suas manifestações, em
qualquer juízo ou tribunal, independentemente de requerimento.

§ 1º Cessa a contagem do prazo em dobro se, havendo apenas 2 (dois) réus, é oferecida
defesa por apenas um deles.

§ 2º Não se aplica o disposto no caput aos processos em autos eletrônicos.

Art. 230. O prazo para a parte, o procurador, a Advocacia Pública, a Defensoria Pública
e o Ministério Público será contado da citação, da intimação ou da notificação.

Art. 231. Salvo disposição em sentido diverso, considera-se dia do começo do prazo:

I - a data de juntada aos autos do aviso de recebimento, quando a citação ou a intimação


for pelo correio;

II - a data de juntada aos autos do mandado cumprido, quando a citação ou a intimação


for por oficial de justiça;

III - a data de ocorrência da citação ou da intimação, quando ela se der por ato do
escrivão ou do chefe de secretaria;

IV - o dia útil seguinte ao fim da dilação assinada pelo juiz, quando a citação ou a
intimação for por edital;

V - o dia útil seguinte à consulta ao teor da citação ou da intimação ou ao término do


prazo para que a consulta se dê, quando a citação ou a intimação for eletrônica;

VI - a data de juntada do comunicado de que trata o art. 232 ou, não havendo esse, a
data de juntada da carta aos autos de origem devidamente cumprida, quando a citação ou a
intimação se realizar em cumprimento de carta;

VII - a data de publicação, quando a intimação se der pelo Diário da Justiça impresso ou
eletrônico;

VIII - o dia da carga, quando a intimação se der por meio da retirada dos autos, em carga,
do cartório ou da secretaria.

IX - o quinto dia útil seguinte à confirmação, na forma prevista na mensagem de citação,


do recebimento da citação realizada por meio eletrônico. (Incluído pela Lei nº 14.195, de
2021)

§ 1º Quando houver mais de um réu, o dia do começo do prazo para contestar


corresponderá à última das datas a que se referem os incisos I a VI do caput .

§ 2º Havendo mais de um intimado, o prazo para cada um é contado individualmente.


§ 3º Quando o ato tiver de ser praticado diretamente pela parte ou por quem, de qualquer
forma, participe do processo, sem a intermediação de representante judicial, o dia do começo
do prazo para cumprimento da determinação judicial corresponderá à data em que se der a
comunicação.

§ 4º Aplica-se o disposto no inciso II do caput à citação com hora certa.

Art. 232. Nos atos de comunicação por carta precatória, rogatória ou de ordem, a
realização da citação ou da intimação será imediatamente informada, por meio eletrônico, pelo
juiz deprecado ao juiz deprecante.

Seção II
Da Verificação dos Prazos e das Penalidades

Art. 233. Incumbe ao juiz verificar se o serventuário excedeu, sem motivo legítimo, os
prazos estabelecidos em lei.

§ 1º Constatada a falta, o juiz ordenará a instauração de processo administrativo, na


forma da lei.

§ 2º Qualquer das partes, o Ministério Público ou a Defensoria Pública poderá


representar ao juiz contra o serventuário que injustificadamente exceder os prazos previstos
em lei.

Art. 234. Os advogados públicos ou privados, o defensor público e o membro do


Ministério Público devem restituir os autos no prazo do ato a ser praticado.

§ 1º É lícito a qualquer interessado exigir os autos do advogado que exceder prazo legal.

§ 2º Se, intimado, o advogado não devolver os autos no prazo de 3 (três) dias, perderá o
direito à vista fora de cartório e incorrerá em multa correspondente à metade do salário-mínimo.

§ 3º Verificada a falta, o juiz comunicará o fato à seção local da Ordem dos Advogados
do Brasil para procedimento disciplinar e imposição de multa.

§ 4º Se a situação envolver membro do Ministério Público, da Defensoria Pública ou da


Advocacia Pública, a multa, se for o caso, será aplicada ao agente público responsável pelo
ato.

§ 5º Verificada a falta, o juiz comunicará o fato ao órgão competente responsável pela


instauração de procedimento disciplinar contra o membro que atuou no feito.

Art. 235. Qualquer parte, o Ministério Público ou a Defensoria Pública poderá


representar ao corregedor do tribunal ou ao Conselho Nacional de Justiça contra juiz ou relator
que injustificadamente exceder os prazos previstos em lei, regulamento ou regimento interno.

§ 1º Distribuída a representação ao órgão competente e ouvido previamente o juiz, não


sendo caso de arquivamento liminar, será instaurado procedimento para apuração da
responsabilidade, com intimação do representado por meio eletrônico para, querendo,
apresentar justificativa no prazo de 15 (quinze) dias.

§ 2º Sem prejuízo das sanções administrativas cabíveis, em até 48 (quarenta e oito)


horas após a apresentação ou não da justificativa de que trata o § 1º, se for o caso, o
corregedor do tribunal ou o relator no Conselho Nacional de Justiça determinará a intimação do
representado por meio eletrônico para que, em 10 (dez) dias, pratique o ato.
§ 3º Mantida a inércia, os autos serão remetidos ao substituto legal do juiz ou do relator
contra o qual se representou para decisão em 10 (dez) dias.

LEI Nº 13.140, DE 26 DE JUNHO DE 2015.

Dispõe sobre a mediação entre particulares


como meio de solução de controvérsias e sobre
a autocomposição de conflitos no âmbito da
Vigência administração pública; altera a Lei nº 9.469, de
10 de julho de 1997, e o Decreto nº 70.235, de
6 de março de 1972; e revoga o § 2º do art. 6º
da Lei nº 9.469, de 10 de julho de 1997.

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu


sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Esta Lei dispõe sobre a mediação como meio de solução de controvérsias entre
particulares e sobre a autocomposição de conflitos no âmbito da administração pública.

Parágrafo único. Considera-se mediação a atividade técnica exercida por terceiro


imparcial sem poder decisório, que, escolhido ou aceito pelas partes, as auxilia e estimula a
identificar ou desenvolver soluções consensuais para a controvérsia.

CAPÍTULO I
DA MEDIAÇÃO
Seção I
Disposições Gerais

Art. 2º A mediação será orientada pelos seguintes princípios:

I - imparcialidade do mediador;

II - isonomia entre as partes;

III - oralidade;

IV - informalidade;

V - autonomia da vontade das partes;

VI - busca do consenso;

VII - confidencialidade;

VIII - boa-fé.

§ 1º Na hipótese de existir previsão contratual de cláusula de mediação, as partes


deverão comparecer à primeira reunião de mediação.

§ 2º Ninguém será obrigado a permanecer em procedimento de mediação.


Art. 3º Pode ser objeto de mediação o conflito que verse sobre direitos disponíveis ou
sobre direitos indisponíveis que admitam transação.

§ 1º A mediação pode versar sobre todo o conflito ou parte dele.

§ 2º O consenso das partes envolvendo direitos indisponíveis, mas transigíveis, deve ser
homologado em juízo, exigida a oitiva do Ministério Público.

Resolução Nº 225 de 31/05/2016

CAPÍTULO I

DA JUSTIÇA RESTAURATIVA

Art. 1º. A Justiça Restaurativa constitui-se como um conjunto ordenado e sistêmico


de princípios, métodos, técnicas e atividades próprias, que visa à conscientização
sobre os fatores relacionais, institucionais e sociais motivadores de conflitos e
violência, e por meio do qual os conflitos que geram dano, concreto ou abstrato, são
solucionados de modo estruturado na seguinte forma:

I – é necessária a participação do ofensor, e, quando houver, da vítima, bem como,


das suas famílias e dos demais envolvidos no fato danoso, com a presença dos
representantes da comunidade direta ou indiretamente atingida pelo fato e de um ou
mais facilitadores restaurativos;

II – as práticas restaurativas serão coordenadas por facilitadores restaurativos


capacitados em técnicas autocompositivas e consensuais de solução de conflitos
próprias da Justiça Restaurativa, podendo ser servidor do tribunal, agente público,
voluntário ou indicado por entidades parceiras;

III – as práticas restaurativas terão como foco a satisfação das necessidades de todos
os envolvidos, a responsabilização ativa daqueles que contribuíram direta ou
indiretamente para a ocorrência do fato danoso e o empoderamento da comunidade,
destacando a necessidade da reparação do dano e da recomposição do tecido social
rompido pelo conflito e as suas implicações para o futuro.

§ 1º Para efeitos desta Resolução, considera-se:

I – Prática Restaurativa: forma diferenciada de tratar as situações citadas no caput e


incisos deste artigo;

II – Procedimento Restaurativo: conjunto de atividades e etapas a serem promovidas


objetivando a composição das situações a que se refere o caput deste artigo;

III – Caso: quaisquer das situações elencadas no caput deste artigo, apresentadas
para solução por intermédio de práticas restaurativas;
IV – Sessão Restaurativa: todo e qualquer encontro, inclusive os preparatórios ou de
acompanhamento, entre as pessoas diretamente envolvidas nos fatos a que se refere
o caput deste artigo;

V – Enfoque Restaurativo: abordagem diferenciada das situações descritas no caput


deste artigo, ou dos contextos a elas relacionados, compreendendo os seguintes
elementos:

a) participação dos envolvidos, das famílias e das comunidades;

b) atenção às necessidades legítimas da vítima e do ofensor;

c) reparação dos danos sofridos;

d) compartilhamento de responsabilidades e obrigações entre ofensor, vítima, famílias


e comunidade para superação das causas e consequências do ocorrido.

§ 2° A aplicação de procedimento restaurativo pode ocorrer de forma alternativa ou


concorrente com o processo convencional, devendo suas implicações ser
consideradas, caso a caso, à luz do correspondente sistema processual e objetivando
sempre as melhores soluções para as partes envolvidas e a comunidade.

Art. 2º São princípios que orientam a Justiça Restaurativa: a corresponsabilidade, a


reparação dos danos, o atendimento às necessidades de todos os envolvidos, a
informalidade, a voluntariedade, a imparcialidade, a participação, o empoderamento, a
consensualidade, a confidencialidade, a celeridade e a urbanidade.

§ 1º Para que o conflito seja trabalhado no âmbito da Justiça Restaurativa, é


necessário que as partes reconheçam, ainda que em ambiente confidencial
incomunicável com a instrução penal, como verdadeiros os fatos essenciais, sem que
isso implique admissão de culpa em eventual retorno do conflito ao processo judicial.

§ 2º É condição fundamental para que ocorra a prática restaurativa, o prévio


consentimento, livre e espontâneo, de todos os seus participantes, assegurada a
retratação a qualquer tempo, até a homologação do procedimento restaurativo.

§ 3º Os participantes devem ser informados sobre o procedimento e sobre as


possíveis consequências de sua participação, bem como do seu direito de solicitar
orientação jurídica em qualquer estágio do procedimento.

§ 4º Todos os participantes deverão ser tratados de forma justa e digna, sendo


assegurado o mútuo respeito entre as partes, as quais serão auxiliadas a construir, a
partir da reflexão e da assunção de responsabilidades, uma solução cabível e eficaz
visando sempre o futuro.

§ 5º O acordo decorrente do procedimento restaurativo deve ser formulado a partir da


livre atuação e expressão da vontade de todos os participantes, e os seus termos,
aceitos voluntariamente, conterão obrigações razoáveis e proporcionais, que
respeitem a dignidade de todos os envolvidos.

CAPÍTULO IV

DO ATENDIMENTO RESTAURATIVO EM ÂMBITO JUDICIAL


Art. 7º. Para fins de atendimento restaurativo judicial das situações de que trata o
caput do art. 1º desta Resolução, poderão ser encaminhados procedimentos e
processos judiciais, em qualquer fase de sua tramitação, pelo juiz, de ofício ou a
requerimento do Ministério Público, da Defensoria Pública, das partes, dos seus
Advogados e dos Setores Técnicos de Psicologia e Serviço Social.

Parágrafo único. A autoridade policial poderá sugerir, no Termo Circunstanciado ou no


relatório do Inquérito Policial, o encaminhamento do conflito ao procedimento
restaurativo.

Art. 8º. Os procedimentos restaurativos consistem em sessões coordenadas,


realizadas com a participação dos envolvidos de forma voluntária, das famílias,
juntamente com a Rede de Garantia de Direito local e com a participação da
comunidade para que, a partir da solução obtida, possa ser evitada a recidiva do fato
danoso, vedada qualquer forma de coação ou a emissão de intimação judicial para as
sessões.

§ 1º. O facilitador restaurativo coordenará os trabalhos de escuta e diálogo entre os


envolvidos, por meio da utilização de métodos consensuais na forma autocompositiva
de resolução de conflitos, próprias da Justiça Restaurativa, devendo ressaltar durante
os procedimentos restaurativos:

I – o sigilo, a confidencialidade e a voluntariedade da sessão;

II – o entendimento das causas que contribuíram para o conflito;

III – as consequências que o conflito gerou e ainda poderá gerar;

IV – o valor social da norma violada pelo conflito.

§ 2º. O facilitador restaurativo é responsável por criar ambiente propício para que os
envolvidos promovam a pactuação da reparação do dano e das medidas necessárias
para que não haja recidiva do conflito, mediante atendimento das necessidades dos
participantes das sessões restaurativas.

§ 3º. Ao final da sessão restaurativa, caso não seja necessário designar outra sessão,
poderá ser assinado acordo que, após ouvido o Ministério Público, será homologado
pelo magistrado responsável, preenchidos os requisitos legais.

§ 4º. Deverá ser juntada aos autos do processo breve memória da sessão, que
consistirá na anotação dos nomes das pessoas que estiveram presentes e do plano de
ação com os acordos estabelecidos, preservados os princípios do sigilo e da
confidencialidade, exceção feita apenas a alguma ressalva expressamente acordada
entre as partes, exigida por lei, ou a situações que possam colocar em risco a
segurança dos participantes.

§5º. Não obtido êxito na composição, fica vedada a utilização de tal insucesso como
causa para a majoração de eventual sanção penal ou, ainda, de qualquer informação
obtida no âmbito da Justiça Restaurativa como prova.

§6º. Independentemente do êxito na autocomposição, poderá ser proposto plano de


ação com orientações, sugestões e encaminhamentos que visem à não recidiva do
fato danoso, observados o sigilo, a confidencialidade e a voluntariedade da adesão
dos envolvidos no referido plano.
Resolução Nº 125 de 29/11/2010

CAPÍTULO I

DA POLÍTICA PÚBLICA DE TRATAMENTO ADEQUADO DOS CONFLITOS DE


INTERESSES

Art. 1º Fica instituída a Política Judiciária Nacional de Tratamento Adequado dos


Conflitos de Interesses, tendente a assegurar a todos o direito à solução dos conflitos
por meios adequados à sua natureza e peculiaridade. (Redação dada pela Resolução
nº 326, de 26.6.2020)
Parágrafo único. Aos órgãos judiciários incumbe, nos termos do art. 334 do Código de
Processo Civil de 2015, combinado com o art. 27 da Lei 13.140, de 26 de junho de
2015 (Lei de Mediação), antes da solução adjudicada mediante sentença, oferecer
outros mecanismos de soluções de controvérsias, em especial os chamados meios
consensuais, como a mediação e a conciliação, bem assim prestar atendimento e
orientação ao cidadão. (Redação dada pela Resolução nº 326, de 26.6.2020)

CAPÍTULO II

DAS ATRIBUIÇÕES DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA

Art. 5º O programa será implementado com a participação de rede constituída por


todos os órgãos do Poder Judiciário e por entidades públicas e privadas parceiras,
inclusive universidades e instituições de ensino.
Art. 6º Para o desenvolvimento da rede referida no art. 5º desta Resolução, caberá ao
Conselho Nacional de Justiça: (Redação dada pela Resolução nº 326, de 26.6.2020)

I - estabelecer diretrizes para implementação da política pública de tratamento


adequado de conflitos a serem observadas pelos Tribunais;

II – desenvolver parâmetro curricular e ações voltadas à capacitação em métodos


consensuais de solução de conflitos para servidores, mediadores, conciliadores e
demais facilitadores da solução consensual de controvérsias, nos termos do art. 167, §
1º, do Código de Processo Civil de 2015; (Redação dada pela Resolução nº 326, de
26.6.2020)

III - providenciar que as atividades relacionadas à conciliação, mediação e outros


métodos consensuais de solução de conflitos sejam consideradas nas promoções e
remoções de magistrados pelo critério do merecimento;

IV - regulamentar, em código de ética, a atuação dos conciliadores, mediadores e


demais facilitadores da solução consensual de controvérsias;

V - buscar a cooperação dos órgãos públicos competentes e das instituições públicas


e privadas da área de ensino, para a criação de disciplinas que propiciem o
surgimento da cultura da solução pacífica dos conflitos, bem como que, nas Escolas
de Magistratura, haja módulo voltado aos métodos consensuais de solução de
conflitos, no curso de iniciação funcional e no curso de aperfeiçoamento;

VI - estabelecer interlocução com a Ordem dos Advogados do Brasil, Defensorias


Públicas, Procuradorias e Ministério Público, estimulando sua participação nos
Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania e valorizando a atuação na
prevenção dos litígios;

VII - realizar gestão junto às empresas, públicas e privadas, bem como junto às
agências reguladoras de serviços públicos, a fim de implementar práticas
autocompositivas e desenvolver acompanhamento estatístico, com a instituição de
banco de dados para visualização de resultados, conferindo selo de qualidade

VIII - atuar junto aos entes públicos de modo a estimular a conciliação, em especial
nas demandas que envolvam matérias sedimentadas pela jurisprudência; (Redação
dada pela Emenda nº 2, de 08.03.16)
XI - criar parâmetros de remuneração de mediadores, nos termos do art. 169 do Novo
Código de Processo Civil; (Incluído pela Emenda nº 2, de 08.03.16)

XI – criar parâmetros de remuneração de mediadores, nos termos do art. 169 do


Código de Processo Civil de 2015; (Redação dada pela Resolução nº 326, de
26.6.2020)

XII - monitorar, inclusive por meio do Departamento de Pesquisas Judiciárias, a


instalação dos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania, o seu
adequado funcionamento, a avaliação da capacitação e treinamento dos
mediadores/conciliadores, orientando e dando apoio às localidades que estiverem
enfrentando dificuldades na efetivação da política judiciária nacional instituída por esta
Resolução. (Incluído pela Emenda nº 2, de 08.03.16)

CAPÍTULO III

DAS ATRIBUIÇÕES DOS TRIBUNAIS

Seção II

DOS CENTROS JUDICIÁRIOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS E CIDADANIA

Art. 8º Os tribunais deverão criar os Centros Judiciários de Solução de Conflitos e


Cidadania (Centros ou Cejuscs), unidades do Poder Judiciário, preferencialmente,
responsáveis pela realização ou gestão das sessões e audiências de conciliação e
mediação que estejam a cargo de conciliadores e mediadores, bem como pelo
atendimento e orientação ao cidadão. (Redação dada pela Emenda nº 2, de 08.03.16)
§ 1º As sessões de conciliação e mediação pré-processuais deverão ser realizadas
nos Centros, podendo as sessões de conciliação e mediação judiciais,
excepcionalmente, serem realizadas nos próprios juízos, juizados ou varas
designadas, desde que o sejam por conciliadores e mediadores cadastrados pelo
Tribunal (inciso VII do art. 7º) e supervisionados pelo juiz coordenador do Centro (art.
9º). (Redação dada pela Resolução nº 326, de 26.6.2020)

§ 2º Nos Tribunais de Justiça, os Centros deverão ser instalados nos locais onde
existam dois juízos, juizados ou varas com competência para realizar audiência, nos
termos do art. 334 do Código de Processo Civil de 2015. (Redação dada pela
Resolução nº 326, de 26.6.2020)

§ 3º Os Tribunais poderão, enquanto não instalados os Centros nas comarcas,


regiões, subseções judiciárias e nos juízos do interior dos estados, implantar o
procedimento de conciliação e mediação itinerante, utilizando-se de conciliadores e
mediadores cadastrados. (Redação dada pela Resolução nº 326, de 26.6.2020)

§ 4º Nos Tribunais Regionais Federais e Tribunais de Justiça, é facultativa a


implantação de Centros onde exista um juízo, juizado, vara ou subseção, desde que
atendidos por centro regional ou itinerante, nos termos do § 3º deste artigo. (Redação
dada pela Resolução nº 326, de 26.6.2020)

§ 5º Nas comarcas das capitais dos estados, bem como nas comarcas do interior,
subseções e regiões judiciárias, o prazo para a instalação dos Centros será
concomitante à entrada em vigor do Código de Processo Civil de 2015. (Redação
dada pela Resolução nº 326, de 26.6.2020)

§ 6º Os Tribunais poderão, excepcionalmente: (Redação dada pela Resolução nº 326,


de 26.6.2020)

I – estender os serviços do Centro a unidades ou órgãos situados em outros prédios,


desde que próximos daqueles referidos no § 2º deste artigo; e (Incluído pela
Resolução nº 326, de 26.6.2020)

II – instalar Centros Regionais, enquanto não instalados Centros nos termos referidos
no § 2º deste artigo, observada a organização judiciária local. (Incluído pela Resolução
nº 326, de 26.6.2020)

§ 7º O coordenador do Centro poderá solicitar feitos de outras unidades judiciais com


o intuito de organizar pautas concentradas ou mutirões, podendo, para tanto, fixar
prazo. (Redação dada pela Resolução nº 326, de 26.6.2020)
§ 8º Para efeito de estatística de produtividade, as sentenças homologatórias
prolatadas em processos encaminhados ao Centro, de ofício ou por solicitação, serão
contabilizadas: (Redação dada pela Resolução nº 326, de 26.6.2020)

I – para o próprio Centro, no que se refere à serventia judicial; (Redação dada pela
Resolução nº 326, de 26.6.2020)

II – para o magistrado que efetivamente homologar o acordo, esteja ele oficiando no


juízo de origem do feito ou na condição de coordenador do Centro; e (Redação dada
pela Resolução nº 326, de 26.6.2020)

III – para o juiz coordenador do Centro, no caso de reclamação pré-


processual. (Redação dada pela Resolução nº 326, de 26.6.2020)

§ 9º Para o efeito de estatística referido no art. 167, § 4º, do Código de Processo Civil
de 2015, os Tribunais disponibilizarão às partes a opção de avaliar câmaras,
conciliadores e mediadores, segundo parâmetros estabelecidos pelo Comitê Gestor da
Conciliação. (Redação dada pela Resolução nº 326, de 26.6.2020)
Art. 9º Os Centros contarão com um juiz coordenador e, se necessário, com um
adjunto, aos quais caberá: (Redação dada pela Resolução nº 326, de 26.6.2020)
I – administrar o Centro; (Incluído pela Resolução nº 326, de 26.6.2020)

II – homologar os acordos entabulados; (Incluído pela Resolução nº 326, de


26.6.2020)

III – supervisionar o serviço de conciliadores e mediadores. (Incluído pela Resolução


nº 326, de 26.6.2020)

§ 1º Salvo disposição diversa em regramento local, os magistrados da Justiça


Estadual e da Justiça Federal serão designados pelo Presidente de cada Tribunal
entre aqueles que realizaram treinamento segundo o modelo estabelecido pelo
Conselho Nacional de Justiça, conforme Anexo I desta Resolução. (Redação dada
pela Resolução nº 326, de 26.6.2020)

§ 2º Caso o Centro atenda a grande número de juízos, juizados, varas ou região, o


respectivo juiz coordenador poderá ficar designado exclusivamente para sua
administração.(Redação dada pela Resolução nº 326, de 26.6.2020)

§ 3º Os Tribunais de Justiça e os Tribunais Regionais Federais deverão assegurar que


nos Centros atue ao menos um servidor com dedicação exclusiva, capacitado em
métodos consensuais de solução de conflitos, para triagem e encaminhamento
adequado de casos. (Redação dada pela Resolução nº 326, de 26.6.2020)

§ 4º O treinamento dos servidores referidos no § 3º deste artigo deverá observar as


diretrizes estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça, conforme Anexo I desta
Resolução. (Incluído pela Resolução nº 326, de 26.6.2020)

Art. 10. Cada unidade dos Centros deverá obrigatoriamente abranger setor de solução
de conflitos pré-processual, de solução de conflitos processual e de
cidadania. (Redação dada pela Resolução nº 326, de 26.6.2020)

Art. 11. Nos Centros poderão atuar membros do Ministério Público, defensores
públicos, procuradores e/ou advogados.

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