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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ

3ª CÂMARA CRIMINAL

HABEAS CORPUS CRIME Nº 0064611-72.2022.8.16.0000 - DA COMARCA DE UMUARAMA


– 2ª VARA CRIMINAL

IMPETRANTE: RONALDO CAMILO

PACIENTE: HELOISE PEREIRA RAMOS

RELATOR: DES. JOSÉ CARLOS DALACQUA

HABEAS CORPUS. TRÁFICO E ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO DE


DROGAS. CONVERSÃO DA PRISÃO EM FLAGRANTE EM
PREVENTIVA. INSURGÊNCIA. ACOLHIMENTO. DECISÃO
COMBATIDA QUE SE REVELA GENÉRICA. AUSÊNCIA DE
FUNDAMENTAÇÃO ESPECÍFICA EM RELAÇÃO À PACIENTE E À
SUPOSTA PARTICIPAÇÃO NOS DELITOS. ELEMENTOS CONTIDOS
NOS AUTOS, ADEMAIS, QUE INDICAM A POSSIBILIDADE DE
CONCESSÃO DE LIBERDADE PROVISÓRIA MEDIANTE O
CUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES DIVERSAS DA PRISÃO. PACIENTE
PRIMÁRIA, SEM ANTECEDENTES E QUE NÃO FOI MENCIONADA NA
DENÚNCIA ANÔNIMA QUE RESULTOU NA ABORDAGEM POLICIAL
DOS ENVOLVIDOS. LIMINAR CONFIRMADA. ORDEM CONCEDIDA.

VISTOS, relatados e discutidos estes autos de ação de Habeas Corpus Crime sob nº 0064611-
72.2022.8.16.0000, da Comarca de Umuarama – 2ª Vara Criminal, em que é Impetrante
RONALDO CAMILO e Paciente HELOISE PEREIRA RAMOS.

I – RELATÓRIO

Trata-se de ação de HABEAS CORPUS impetrado em favor de HELOISE PEREIRA RAMOS,


mediante o qual se sustenta a existência de constrangimento ilegal em razão da decisão que
indeferiu o pedido de liberdade provisória formulado pela defesa da paciente, mantendo,
portanto, a decisão que homologou a prisão em flagrante e a converteu em prisão preventiva,
pela suposta prática dos delitos de tráfico e associação para o tráfico de drogas (seqs. 1.11/12).

Sustenta, em suma, que: a) a paciente é primária, possui residência fixa e ocupação lícita,
além de família constituída; b) a decisão que decretou a prisão preventiva não está
devidamente fundamentada, pois não justifica a necessidade do cárcere; c) a prisão deve ser
excepcional, sobretudo em razão da presunção de inocência; d) em caso de condenação, não
seria condenada ao regime fechado, sendo certo que a manutenção da preventiva seria
medida mais gravosa que a condenação; e) não há qualquer fato que evidencie que a paciente
está perturbando ou ameaçando a ordem pública, ou criando obstáculos para a instrução
processual, tampouco se furtando a eventual aplicação da pena, pois compareceu a todos os
atos para o qual foi intimada e constituído advogado nos autos; f) a concessão de liberdade
provisória, com ou sem fixação de outras medidas cautelares é suficiente no caso, além de ser
direito da paciente.

Pugna, ao final, pela concessão de medida liminar para decretar a liberdade provisória da
paciente, com ou sem imposição de medidas cautelares (seq. 1.1).

Juntou documentos (seqs. 1.2/31).

O pedido liminar foi deferido, para conceder a liberdade provisória à paciente mediante o
cumprimento de algumas condições (Seq. 11.1).

A douta Procuradoria-Geral de Justiça, na pessoa do eminente Procurador de Justiça Waldir


Franco Felix, manifestou-se pela confirmação da liminar e pela concessão da ordem em
definitivo (seq. 21.1).

É, em síntese, o relatório.

II – VOTO E SUA FUNDAMENTAÇÃO

Passando à análise do mérito do presente Habeas Corpus, aponto que a liminar deve ser
confirmada, com a consequente concessão da ordem pleiteada em definitivo.

Conforme se verifica dos autos, a equipe da polícia militar recebeu uma denúncia anônima
dando conta de que um casal residente no Bairro Dom Pedro Primeiro estaria comercializando
entorpecentes, tanto na modalidade “delivery”, quanto na própria residência, bem como que o
casal coletava as drogas de um outro traficante morador do Conjunto Guarani.
Diante dessas informações, a equipe policial passou a monitorar ambas as residências, tendo
constatado, além da intensa movimentação de veículos na residência do casal, que eles
frequentemente se deslocavam até a outra residência localizada no Conjunto Guarani.

Durante as diligências, os policiais visualizaram uma mulher, posteriormente identificada como


sendo HIASMIM DE LIMA FERMIANO, saindo da residência localizada no Bairro Dom Pedro
Primeiro em uma motocicleta, quando resolveram abordá-la e, em busca pessoal, encontraram
em seu bolso 3,6g de cocaína e R$ 50,00 em espécie. Segundo os policiais, ela teria lhes
confirmado que estava indo vender a droga, a qual havia sido encomendada por terceiro.

Na sequência, a equipe policial se deslocou até a residência de HIASMIM, localizada no Bairro


Dom Pedro Primeiro, onde encontraram seu amásio GABRIEL PEREIRA VIANA, que, depois
de saber da prisão de sua companheira HIASMIM, informou aos milicianos que havia mais 0,6
g de cocaína no local, onde a equipe também encontrou 55,9g de maconha e R$ 90,00 em
espécie. Segundo os policiais, GABRIEL lhes confirmou a prática da traficância.

Em seguida, a equipe policial se deslocou até a residência localizada no Conjunto Guarani,


onde encontraram a ora paciente HELOISE PEREIRA RAMOS, que, ao ser informada da
denúncia da suposta associação para o tráfico, informou aos policiais que havia uma porção
de maconha sobre a sua geladeira. Diante desse relato, os policiais realizaram buscas na
residência, encontrando o entorpecente mencionado por HELOISE, qual seja 115g de
maconha.

Outrossim, segundo consta no boletim de ocorrência, nessa mesma residência também se


fazia presente a pessoa de WENDERSON VIANA DE MELO JUNIOR, que confirmou aos
policiais que recebia para armazenar os entorpecentes para HIASMIM. Em buscas no local, os
policiais ainda encontraram mais um tablete e meio de maconha, uma balança de precisão e
R$ 10,00 em espécie.

Os quatro investigados foram presos em flagrante e, após ouvir o Ministério Público, o Juízo
singular homologou o flagrante, decretou a prisão preventiva dos indiciados GABRIEL,
HELOISE e WENDERSON e, por se tratar de gestante e mãe de duas crianças, concedeu
liberdade provisória à indiciada HIASMIM.

A decisão que decretou a prisão preventiva dos indiciados GABRIEL, HELOISE e


WENDERSON está fundamentada na gravidade das circunstâncias que envolvem o fato, na
necessidade de se assegurar a ordem pública e, diante dos indícios de habitualidade da
conduta, na necessidade de se evitar a possível reiteração delitiva, veja:

“No que tange aos requisitos da prisão preventiva (CPP, art. 312), entende-
se que, neste caso em particular, faz-se necessária para garantir a ordem
pública.
O fato imputado aos autuados é grave (equiparado a hediondo), em
especial se considerado que, em princípio, estariam comercializando
diferentes tipos de droga (cocaína e maconha), em associação para o
tráfico. Além disso, a razoável quantidade de droga apreendida (mais de
1,6 kg de maconha; e 4 gramas de cocaína), instrumentos apreendidos
(faca, tábua, balança, celulares), dinheiro (R$ 150,00), tudo dividido em
duas residências diferentes e com monitoramento prévio indicando intenso
comércio ilícito, são demonstrativos de atividade reiterada, que vinha a
certo tempo e que abalou a ordem pública.

Aliás, pelas circunstâncias da prisão e do modus operandi do delito (acima


descrito), com indícios concretos de reiteração e habitualidade, autorizam
a segregação cautelar, segundo a jurisprudência (...)

Vale dizer, ainda, que o autuado GABRIEL é reincidente específico, tendo


sido condenado por tráfico de drogas (...). Além disso, responde a outra
ação penal por tráfico (...) e recentemente foi flagrado em outra situação
indicativa de tráfico de drogas, quando teria realizado uma entrega de
entorpecentes (...), tudo a indicar que desde longa data vem se dedicando
à atividade ilícita.

Revela-se, deste modo, a necessidade de decretação da prisão cautelar


para a garantia da ordem pública como forma de conter a reiteração e
resguardar, assim, o princípio da prevenção geral e o resultado útil do
processo (...).

Apesar disso, ou seja, da presença dos requisitos da custódia cautelar,


impõe-se a concessão da liberdade provisória à HIASMIM DE LIMA
FERMIANO (...).

Quanto aos demais presos, diante da natureza do caso e consoante


fundamentação já externada, revelam-se inadequadas e insuficientes as
medidas cautelas diversas da prisão, porquanto nenhuma delas é
suficiente para acautelar a ordem pública e evitar a reiteração criminosa
por parte deles.” (Seq. 1.11).

Em seguida, a defesa da ora paciente HELOISE formulou pedido de liberdade provisória ao


magistrado singular, que indeferiu a pretensão, sob o fundamento de que ainda se faziam
presentes os pressupostos para a segregação cautelar, ressaltando, novamente, a gravidade
concreta das circunstâncias que envolvem o fato e a possibilidade de reiteração delitiva, essa
decorrente dos indícios de habitualidade das condutas, veja:
“No presente caso, verifica-se que as condições de admissibilidade e o
pressuposto atinente ao “fumus comissi delicti” foram declinados na
decisão que converteu a prisão em flagrante em preventiva, não havendo
alteração superveniente.

(...)

Destarte, existem indícios suficientes do perigo gerado pelo estado de


liberdade da imputada, o que autoriza a manutenção da prisão preventiva
para a garantia da ordem pública.

De mais a mais, a existência de condições favoráveis, como as alegadas –


primariedade e residência fixa - não é circunstância suficiente para afastar,
por si só, a necessidade da prisão preventiva, eis que a segregação
cautelar se mostra necessária em razão da gravidade concreta do delito e
dos indícios de habitualidade criminosa, nos termos da fundamentação
expendida acima e na decisão que decretou a prisão preventiva.” (seq.
1.12).

Ocorre que, como bem apontado pela defesa da paciente HELOISE, além de a decisão não
estar devidamente fundamentada em relação a sua condição específica, efetivamente não
subsistem motivos para a decretação, tampouco para a manutenção da segregação da
paciente.

Como se vê do boletim de ocorrência acostado aos autos, a equipe da polícia militar recebeu
uma denúncia anônima dando conta de que um casal residente no Bairro Dom Pedro Primeiro
estaria comercializando entorpecentes, bem como que esse mesmo casal coletava as drogas
de um traficante morador do Conjunto Guarani, veja:

“APÓS TER CIÊNCIA DE QUE UM CASAL ESTARIA REALIZANDO O


TRÁFICO DE DROGAS NAS MODALIDADES "DELIVERY" E VENDA NA
PRÓPRIA RESIDÊNCIA, EQUIPES DA POLICIA MILITAR
DILIGENCIARAM PARA OBTER MAIORES INFORMAÇÕES E
REALIZARAM O MONITORAMENTO DA REFERIDA RESIDÊNCIA (RUA
RICARDO REIS, 3043), BAIRRO DOM PEDRO PRIMEIRO, QUE A
INFORMAÇÃO TAMBÉM DAVA CONTA QUE OS REFERIDOS
DENUNCIADOS COLETAVAM A DROGA DE UM OUTRO TRAFICANTE
MORADOR DO CONJUNTO GUARANI.” (seq. 1.24).

Outrossim, consta no aludido boletim de ocorrência, que quando da abordagem policial, os


indiciados HIASMIM, GABRIEL e WENDERSON teriam confessado a prática delitiva, o que
não se verifica em relação a ora paciente HELOISE, veja:
“AO SER INDAGADA HIASMIM DISSE QUE ESTARIA INDO FAZER A
VENDA DO ENTORPECENTE, QUE TERIA SIDO ENCOMENDADA E
QUE VENDERIA TAL PORÇÃO PELO VALOR DE 240,00 REAIS PARA
UMA MULHER.

(...)

A EQUIPE DESLOCOU ATÉ SUA RESIDÊNCIA (...) NO LOCAL FOI


REALIZADO CONTATO COM SEU AMÁSIO GABRIEL (...) AO SER
QUESTIONADO (...) ESSE VEIO A CONFIRMAR A TRAFICÂNCIA DE
ENTORPECENTES.

(...)

QUANTO AO SEGUNDO CASAL (...) FOI REALIZADO CONTATO COM A


PESSOA DE HELOISE (...) DENTRO DA CASA TAMBÉM FOI
ENCONTRADA A PESSOA DE WENDERSON (...) QUESTIONADOS
QUAL SERIA A LIGAÇÃO DO CASAL COM GABRIEL E HIASMIM,
WENDERSON DISSE QUE RECEBIA PARA GUARDAR
ENTORPECENTES PARA HIASMIM.” (Seq. 1.24).

O que se vê, portanto, é que além de a denúncia anônima mencionar apenas a participação de
um casal e de um outro traficante, segundo consta no auto de prisão em flagrante e no boletim
de ocorrência, todos os indiciados, com exceção da paciente HELOISE, confirmaram a prática
delitiva quando foram abordados pelos policiais.

Com efeito, no auto de prisão em flagrante e no boletim de ocorrência não consta qualquer
menção de que a denúncia anônima incluía a participação da paciente, tampouco de que ela
teria admitido a prática delitiva quando foi abordada, ao contrário do que constou
expressamente nesses documentos em relação aos demais investigados.

Outrossim, da análise das decisões proferidas pelo juízo singular, ademais, constata-se que
não houve qualquer menção, tampouco a devida fundamentação em relação à situação
específica da paciente acerca dos fatos delitivos apurados.

Em relação aos indiciados HIASMIM, GABRIEL e WENDERSON, o magistrado consignou na


decisão o fato de eles terem confessado a prática delitiva quando foram abordados pelos
policiais, bem como que o acusado GABRIEL se trata de reincidente específico e está
respondendo a outra ação penal pelo mesmo delito.

Contudo, em relação à paciente HELOISE, o magistrado consignou na decisão apenas o fato


de que, quando ouvida perante à autoridade policial, ela negou a prática delitiva e afirmou que
seu companheiro WENDERSON era envolvido com o tráfico de drogas.
Com efeito, a decisão combatida, relativamente a ora paciente HELOISE, é extremamente
genérica, pois em nenhum momento o magistrado esclarece as razões pelas quais a
segregação provisória se faz necessária.

Como é cediço, compete ao magistrado fundamentar o decreto de prisão preventiva em


elementos concretos, não se mostrando idônea a motivação que faz referência a meros
conceitos vagos e abstratos, tais como a gravidade do delito ou a repercussão social.

A respeito do tema, destaco os seguintes precedentes do Superior Tribunal de Justiça:

“Não se pode decretar a prisão preventiva baseada apenas na gravidade


genérica do delito, no clamor público, na comoção social, sem a descrição
de circunstâncias concretas que justifiquem a medida extrema.” (AgRg no
HC n. 753.765/RJ, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quinta Turma,
julgado em 27/9/2022, DJe de 30/9/2022).

“Exige-se, ainda, na linha inicialmente perfilhada pela jurisprudência


dominante deste Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal
Federal e agora normatizada a partir da edição da Lei n. 13.964/2019, que
a decisão esteja pautada em motivação concreta de fatos novos ou
contemporâneos, bem como demonstrado o lastro probatório que se ajuste
às hipóteses excepcionais da norma em abstrato e revelem a
imprescindibilidade da medida, vedadas considerações genéricas e vazias
sobre a gravidade do crime.” (AgRg no RHC n. 169.576/RR, relator
Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 6/9
/2022, DJe de 13/9/2022).

“Quanto aos pacientes (...), da análise da decisão transcrita, portanto,


permite reconhecer a ocorrência de flagrante ilegalidade, uma vez que os
fundamentos que dão suporte à prisão cautelar dos pacientes não se
ajustam à orientação jurisprudencial desta Corte, porquanto a simples
invocação da gravidade genérica do delito não se revela suficiente para
autorizar a segregação cautelar com fundamento na garantia da ordem
pública.” (AgRg no HC n. 742.364/SP, relator Ministro Jesuíno Rissato
(Desembargador Convocado do Tjdft), Quinta Turma, julgado em 21/6
/2022, DJe de 29/6/2022).

Outrossim, em relação à paciente HELOISE também não é suficiente o fundamento da


possibilidade de reiteração delitiva, pois além de não haver qualquer menção em relação a ela
na denúncia anônima recebida pelos policiais, segundo consulta realizada por este magistrado
no sistema Oráculo, a paciente é primária e não possui antecedentes criminais, sendo os fatos
que resultaram na prisão ora combatida, a única ocorrência constante em seus registros
criminais.
Além de não ter sido mencionada na denúncia anônima, de ser primária e de não possuir
antecedentes criminais, a declaração e o holerite acostados aos presentes autos demonstram
que a paciente possui trabalho fixo de atendente na Loja de Doces Bia Fiaux (Seqs. 1.13 e
1.15) e a conta de energia elétrica evidencia que possui endereço certo.

Logo, considerando o fato de a paciente ter constituído advogado nos autos, bem como as
circunstâncias específicas em relação a sua pessoa que foram antes destacadas, conclui-se
que não há evidências de que ela colocará em risco a ordem pública ou econômica, a
instrução processual ou mesmo a aplicação da lei penal, sendo suficiente, portanto, a
concessão da liberdade provisória mediante o cumprimento de algumas condições.

Nesse sentido, confiram-se os precedentes desta Corte:

“HABEAS CORPUS. PACIENTE PRESO EM FLAGRANTE (...)


CUSTÓDIA CONVERTIDA EM PREVENTIVA, PARA PRESERVAR A
ORDEM PÚBLICA. PECULIARIDADES DA CAUSA QUE AUTORIZAM
SUA COLOCAÇÃO EM LIBERDADE, COM IMPOSIÇÃO DE MEDIDAS
CAUTELARES SUBSTITUTIVAS, EM ULTIMA RATIO (...) ORDEM
CONCEDIDA, COM FIXAÇÃO DE INJUNÇÕES E EXPEDIÇÃO DE
ALVARÁ DE SOLTURA.” (TJPR - 1ª C.Criminal - 0059569-
42.2022.8.16.0000 - Londrina - Rel.: DESEMBARGADOR MIGUEL
KFOURI NETO - J. 08.10.2022).

“AÇÃO DE HABEAS CORPUS – TRÁFICO ILÍCITO DE DROGAS –


ANÁLISE DE PROVA – VIA IMPRÓPRIA DE DISCUSSÃO – PRISÃO
PREVENTIVA – MEDIDA INAPROPRIADA – CONDIÇÕES PESSOAIS
FAVORÁVEIS – ADEQUAÇÃO E SUFICIÊNCIA DAS LIMITAÇÕES
ALTERNATIVAS PREVISTAS NO ART. 319, DO CÓDIGO DE
PROCESSO PENAL – ORDEM PARCIALMENTE CONCEDIDA (...) Nada
obstante o Juízo de primeiro grau tenha mencionado fatos concretos aptos
a justificar a prisão preventiva, a segregação se mostra desproporcional ao
caso, sendo suficiente a aplicação de medidas cautelares diversas.” (TJPR
- 5ª C.Criminal - 0047248-72.2022.8.16.0000 - Curitiba - Rel.:
DESEMBARGADOR JORGE WAGIH MASSAD - J. 22.09.2022).

“HABEAS CORPUS – HOMICÍDIO QUALIFICADO – PRISÃO


PREVENTIVA DECRETADA – DECRETO FUNDADO NA GARANTIA DA
ORDEM PÚBLICA, CONVENIÊNCIA DA INSTRUÇÃO CRIMINAL E
APLICAÇÃO DA LEI PENAL – PERICULUM LIBERTATIS NÃO
DEMONSTRADO – CONDIÇÕES PESSOAIS FAVORÁVEIS QUE DEVEM
SER VALORADAS – PECULIARIDADES DO CASO CONCRETO QUE
AUTORIZAM A SUBSTITUIÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA PELAS
MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS DA PRISÃO – APLICAÇÃO DAS
MEDIDAS PREVISTAS NO ART. 319, CPP – CONSTRANGIMENTO
ILEGAL – EVIDENCIADO – ORDEM CONCEDIDA.” (TJPR - 1ª C.Criminal
- 0039856-81.2022.8.16.0000 - Curitiba - Rel.: JUIZ DE DIREITO
SUBSTITUTO EM SEGUNDO GRAU SERGIO LUIZ PATITUCCI - J.
29.08.2022).

Desse modo, a liminar deve ser confirmada, pois evidente o constrangimento ilegal pelo qual a
paciente foi submetida, sobretudo porque presentes os pressupostos para a liberdade
provisória mediante o cumprimento das condições que já foram impostas na liminar.

Observe-se que a liberdade do indivíduo durante a investigação ou instrução criminal, quando


ausentes os requisitos da prisão preventiva ou possível a substituição por outras medidas
cautelares, não significa impunidade ou conivência do Judiciário com os referidos delitos, mas
respeito ao Estado Democrático de Direito, tendo em vista que a punição de autores de ilícitos
é realizada somente ao final da ação penal, com a aplicação, na sentença condenatória, das
penas previstas em lei.

Isso não significa, contudo, a impossibilidade de nova decretação da prisão preventiva ou que
a paciente ficará impune pelos supostos fatos cometidos, vez que a culpa deve ser julgada ao
fim da ação penal.

Portanto, considerando o princípio da razoabilidade, bem como as peculiaridades do caso


concreto em relação à paciente HELOISE, a prisão preventiva realmente se mostra ilegal, pois
é suficiente, para o resguardo da ordem pública, da instrução processual e mesmo da
aplicação da lei penal, a fixação de condições diversas da prisão.

Ante ao exposto, há que se conceder a ordem em definitivo, para revogar o decreto de prisão
preventiva e conceder a liberdade provisória à paciente, mediante o cumprimento das
condições que já lhe foram impostas na decisão liminar, quais sejam:

“a) comparecimento a todos os atos do processo (CPP, art. 327);

b) proibição de mudar de residência, sem prévia permissão da autoridade


judicial, ou se ausentar por mais de 08 (oito) dias de sua residência, sem
comunicar o lugar onde poderá ser encontrada (CPP, art. 328).”

Ressalte-se, novamente, que o descumprimento de qualquer das condições impostas implicará


na decretação da prisão preventiva da paciente, nos termos do artigo 312, §único, do Código
de Processo Penal.

Igualmente, caberá ao juízo singular alterar ou revogar as condições fixadas na presente


decisão, caso verifique que os motivos que ensejaram na imposição não mais subsistam.

Ante ao exposto, meu voto é pela confirmação da medida liminar, concedendo-se a ordem em
definitivo à paciente.
III – DISPOSITIVO

ACORDAM os Desembargadores integrantes da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do


Estado do Paraná, por unanimidade de votos, em conhecer do writ e, no mérito, conceder a
ordem, nos termos do voto do relator.

A Sessão foi presidida pelo Desembargador José Carlos Dalacqua.

Participaram da Sessão e acompanharam o voto do Relator Excelentíssimos Senhores


Desembargador Mario Nini Azzolini e a Juíza Substituta de Segundo Grau Doutora Ângela
Regina Ramina de Lucca.

Curitiba, 09 de dezembro de 2022.

DES. JOSÉ CARLOS DALACQUA

Relator

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