0% acharam este documento útil (0 voto)
35 visualizações13 páginas

Anemia

Enviado por

prime.adm.2023
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
35 visualizações13 páginas

Anemia

Enviado por

prime.adm.2023
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

S298 Jornal de Pediatria - Vol. 76, Supl.

3, 2000
0021-7557/00/76-Supl.S/S298
Jornal de Pediatria
Copyright © 2000 by Sociedade Brazileira de Pediatria

ARTIGO DE REVISÃO

Anemia ferropriva na
infância
Iron deficiency anemia in children
Suzana de Souza Queiroz1, Marco A. de A. Torres2

Resumo Abstract
Objetivo: Apresentar, à luz da literatura, os vários aspectos
Objective: To present the aspects involved in iron deficiency
envolvidos na anemia ferropriva em crianças e, além disso, abordar
anemia in children as well as the probabilities of minimizing its
as diversas possibilidades de minimização do problema.
nutritional effects.
Método: Foi utilizada extensa revisão bibliográfica associada à
Method: The authors made an extensive review of national and
experiência dos autores, neste campo de investigação. A abordagem
international literature, and associated findings to their own experi-
abrangeu desde aspectos gerais sobre o ferro, sua deficiência, até a
ence in this area. The study led to an overview that included general
instalação da anemia propriamente dita. Além disso, foram discuti-
aspects of iron metabolism, iron deficiency, and the mechanisms
das a situação atual dessa deficiência no Brasil, bem como as
that bring about the onset of iron deficiency anemia. In addition to
formas de tratamento e intervenção.
that, the authors focused on the current situation of iron deficiency
Resultados: A anemia ferropriva ainda é um dos maiores anemia in Brazil, as well as its prevention and treatment.
problemas de saúde pública no Brasil, apesar de todo o
Results: Iron deficiency is still one of the most serious public
conhecimen- to sobre as formas de intervenção. Os diversos
health concerns in Brazil, in spite of all the accumulated knowledge
trabalhos da literatura apresentam excelentes resultados, com o
about intervention measures. The studies found in the literature
estabelecimento de medi- das de prevenção e/ou tratamento
show excellent results obtained by the fortification of foodstuffs
adotadas como fortificação de alimentos e/ou suplementação
and/or iron supplementation, in association with nutritional
medicamentosa, medidas essas que sempre devem estar associadas
education.
à educação nutricional.
Conclusion: Despite the knowledge about iron deficiency ane-
Conclusão: Apesar do conhecimento sobre o problema da
mia in children and the fact that interventions can be very efficient,
anemia ferropriva em crianças e da existência de intervenções
there is, in Brazil, a lack of political will and focus in all
reconhecidamente eficazes, falta, no Brasil, decisão política em
governmen- tal levels (Federal, State and Municipal), as well as a
todos os âmbitos administrativos (federal, estadual e municipal),
lack of commitment on the part of health professionals, to enable
assim como maior comprometimento da equipe de saúde, para que
the effective reversion of the alarming prevalence rates of iron defi-
haja reversão efetiva das alarmantes prevalências de anemia ferro-
ciency anemia in our higher risk populations, mainly children.
priva em nossa população de maior risco, como as crianças.

J. pediatr. (Rio J.). 2000; 76 (Supl.3):S298-S304: anemia ferro-


J. pediatr. (Rio J.). 2000; 76 (Supl.3):S298-S304: anemia, iron-
priva, deficiência de ferro.
deficiency;

Definição
A anemia é definida como processo patológico no formação da hemoglobina, como ácido fólico, Vitaminas
qual a concentração de hemoglobina (Hb), contida nos B12, B6 e C e proteínas1. Entretanto, não resta dúvida de
glóbulos vermelhos, encontra-se anormalmente baixa, que a deficiência de ferro é a responsável pela maior parte
respeitando- se as variações segundo idade, sexo e das anemias encontradas, sendo denominada de anemia
altitude em relação ao nível do mar, em conseqüência de ferropriva.
várias situações como infecções crônicas, problemas
hereditários sanguíneos, ca- rência de um ou mais
nutrientes essenciais, necessários na Alguns aspectos sobre o metabolismo do ferro
O ferro pode ser encontrado sob 2 formas: ferrosa
1. Profa. Livre Docente e Adjunta. Diretora da Divisão de Pesquisa do Centro de
Referência de Nutrição, Alimentação e Desenvolvimento Infantil
(Fe++) e férrica (Fe+++) e seu conteúdo corpóreo é de 3 a
(CRSMNADI). Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. 5g, sendo que parte desempenha funções metabólicas e
2 Coordenador do Programa de Combate à Anemia Ferropriva da Divisão de oxida- tivas (70% a 80%) e outra encontra-se sob a
Pesquisa do CRSMNADI.
forma de
S298
Anemia ferropriva na infância - Queiroz SS et alii Jornal de Pediatria - Vol. 76, Supl.3, 2000

armazenamento como ferritina e hemossiderina no meses a 3 anos; 12 a 15mg,


fígado, baço e medula óssea (20% a 30%).
Mais de 65% do ferro corporal encontra-se na
hemoglo- bina, cuja principal função é o transporte de
oxigênio e gás carbônico. Na hemoglobina, um átomo de
ferro divalente encontra-se no centro do núcleo
tetrapirrólico (protoporfi- rina IX), formando-se o núcleo
heme. O ferro, portanto, é indispensável na formação da
hemoglobina2.
Além disso, o ferro participa na composição da
molécu- la de mioglobina do tecido muscular e atua como
cofator de reações enzimáticas no ciclo de Krebs
(responsável pelo metabolismo aeróbico dos tecidos) e na
síntese das purinas, carnitina, colágeno e
neurotransmissores cerebrais. O ferro faz parte da
composição das flavoproteínas e das heme proteínas
catalase e peroxidase (presentes nos eritrócitos e
hepatócitos). Essas enzimas podem ser apontadas como
responsáveis pela redução do peróxido de H+ produzido
no organismo3.
Atualmente, também pode-se estabelecer que o ferro
está envolvido nas reações de conversão do beta-caroteno
para a forma ativa da vitamina A, fato esse que explica,
em parte, a importante interação entre estes nutrientes4.

Necessidades e recomendações
Dada a grande importância do ferro, o organismo
apre- senta um mecanismo bastante eficaz, no sentido de
serem evitadas perdas desse micronutriente. Dessa forma,
seu teor é mantido dentro de determinados limites, com o
objetivo de adequar a sua utilização. Até mesmo o ferro
proveniente das hemáceas retiradas da circulação, cuja
meia vida é de 120 dias, é reaproveitado. As perdas
diárias do ferro situ- am-se em torno de 1 mg em
decorrência, principalmente, da descamação celular.
Além disso, pequenas quantidades são também perdidas
pela urina, suor e fezes. Outras situações como
menstruação, lactação e parasitoses, podem determi- nar
perdas adicionais de ferro2.
O trato intestinal tem um papel muito importante no
mecanismo de reciclagem do ferro corporal, pois a absor-
ção pode ser modificada conforme as necessidades do
organismo, ou seja, quando as reservas são baixas, ocorre
aumento significativo da absorção e, contrariamente,
quan- do altas, sua inibição.
Como as necessidades de ferro corporal estão relacio-
nadas às diversas etapas da vida, o grau de absorção
intestinal de ferro também está vinculado à faixa etária.
Exemplificando, uma criança de 12 meses apresenta
absor- ção quatro vezes maior do que outras de diferentes
grupos etários5.
Levando-se em consideração esses aspectos, pode-se
entender que as necessidades diárias de ferro são
pequenas e variam conforme a fase da vida. Dessa forma,
consideran- do-se absorção de 10%, a RDA
(Recommended Dietary Allowances)6 preconiza ingestão
diária de 10mg de ferro elementar para crianças de 6
S300 Jornal de Pediatria - Vol. 76, Supl.3, Anemia ferropriva na infância - Queiroz SS et alii
para adolescentes do sexo masculino e feminino,
respecti- vamente; 10mg para adultos masculinos e
femininos após cessarem as perdas menstruais; e 15mg
para o sexo femini- no em idade reprodutiva e nutrizes.
Para gestantes as necessidades diárias são de 30mg.

Fontes alimentares
O ferro é encontrado em vários alimentos, tanto de
origem animal (carnes de todos os tipos, leite e ovos),
como vegetal (verduras de coloração verde escura, feijão,
soja, entre outros). Entretanto, o que precisa ser
evidenciado é a capacidade do organismo em aproveitar
este ferro ofereci- do para exercer as suas mais diversas
funções, o que determina a sua biodisponibilidade7.

Absorção e transporte
A absorção do ferro no duodeno é dependente da
natureza do complexo de ferro presente no lúmen
intestinal, assim como da presença de fatores
facilitadores ou inibido- res na dieta, e de suas reservas
orgânicas.
Sabe-se que são duas as vias de absorção do ferro:
uma heme e outra não heme. O ferro ligado ao heme é
proveni- ente de fontes de alimentos de origem animal
(hemoglobi- na, mioglobina e outras heme proteínas).
Além de ser bem absorvido, devido a sua alta
biodisponibilidade, melhora a absorção do pool de ferro
não heme.
O ferro não heme está presente em alimentos de
origem vegetal, encontrando-se sob a forma de complexo
férrico, que durante a digestão é parcialmente reduzido
para a forma ferrosa, de mais fácil absorção, sob a ação
do ácido clorídri- co, bile e suco pancreático7.
Após o processo de digestão, a maior parte do ferro
forma um depósito intraluminal, sendo, portanto, sua absor-
ção determinada por fatores facilitadores (ácido
ascórbico, carnes em geral, aminoácidos como lisina,
cisteína e histi- dina, ácidos cítrico e succínico, açúcares,
como a frutose) ou inibidores (fitatos, presentes nos
cereais; compostos fenólicos como flavanóides, ácidos
fenólicos, polifenois e taninos, encontrados nos chás
preto e mate, café e certos refrigerantes; sais de cálcio e
fósforo, encontrados em fontes protéicas lácteas; as
fibras e a proteína do ovo)7.
Dessa forma, sempre deve ser levado em
consideração que existem alimentos de alto teor em ferro
como o feijão que, pela presença de fitatos e fibras,
apresenta baixa biodisponibilidade. Em contrapartida, as
carnes apresen- tam teores bem menores de ferro, porém
de alta biodispo- nibilidade. O leite também é outro
interessante exemplo de biodisponibilidade, pois o
materno e o de vaca apresentam- se com praticamente o
mesmo teor de ferro, porém o materno mostra-se com
alta absorção e o de vaca, em função dos teores de sais
de cálcio e fósforo, com baixa biodispo- nibilidade8.
O ferro absorvido pode ser armazenado no
citoplasma do enterócito de várias formas: conjugado
à ferritina, a
Anemia ferropriva na infância - Queiroz SS et alii Jornal de Pediatria - Vol. 76, Supl.3, 2000

ligantes protéicos (mobilferrina) ou ligantes não protéicos de


(AMP, ADP, aminoácidos), responsáveis também pelo
transporte do ferro do interior do enterócito até a
membrana basolateral. Parte do ferro assim armazenado
pode retornar ao lúmen intestinal pelo processo de
descamação.
Na circulação, o ferro é transportado pela transferrina,
sendo que cada molécula de transferrina liga-se a dois
íons Fe+++. Dessa forma, a medida da saturação da
transferrina sérica (% da relação do ferro sérico e a
capacidade total de ligação do ferro) é considerada
importante indicador do status de ferro no organismo.
Para que ocorra o aproveitamento do ferro pelo
organis- mo, há necessidade de receptores específicos
existentes em grandes quantidades em tecidos que mais
necessitam do ferro (medula, fígado, placenta).
Normalmente, cerca de 70% a 90% do ferro é captado
pela medula óssea, para ser utilizado na produção da
hemoglobina.
No fígado, baço e medula, o ferro pode ser
depositado, ligado à ferritina e hemossiderina, até vinte
vezes acima de sua quantidade normal9.
Para o recém-nascido, as reservas de ferro formadas
durante a gestação são particularmente importantes, pois
constituirão importante fonte de ferro endógeno que,
junta- mente com a fonte exógena proveniente do leite
materno, garantirão as necessidades de ferro até os 4-6
meses de vida.
Dessa forma, a dosagem de ferritina sérica é
importante indicador dos estoques de ferro do organismo,
pois é diretamente proporcional à quantidade dos níveis
de ferro corporal.

Sinais clínicos e provas laboratoriais na detecção da


deficiência de ferro e anemia
Foram identificados três estágios na instalação da
defi- ciência de ferro. O primeiro estágio - a depleção de
ferro - ocorre quando o aporte de ferro é incapaz de suprir
as necessidades. Produz, inicialmente, uma redução dos
depó- sitos, que se caracteriza por ferritina sérica abaixo
de 12 µg/l, sem alterações funcionais.
Se o balanço negativo continua, instala-se a segunda
fase - a eritropoiese ferro deficiente - caracterizada por
diminuição do ferro sérico, saturação da transferrina
abaixo de 16% e elevação da protoporfirina eritrocitária
livre. Nessa fase, pode ocorrer a diminuição da
capacidade de trabalho.
No terceiro estágio - a anemia por deficiência de ferro
- a hemoglobina situa-se abaixo dos padrões para a idade
e o sexo. Caracteriza-se pelo aparecimento de microcitose
e de hipocromia.
A ocorrência da depleção de ferro nos estágios iniciais
é substancialmente maior que a da anemia propriamente
dita. A Organização Panamericana de Saúde (OPAS) /
Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, para
cada pessoa com anemia, exista, ao menos, mais uma com
deficiência de ferro. Assim, em uma população com 50%
S302 Jornal
crianças comdeanemia
Pediatria- como
- Vol. 76,
é oSupl.3,
caso do Brasil - 100%,
Anemia ferropriva na infância - Queiroz SS et alii

de fato, são deficientes em ferro10.


A definição operacional de anemia, em termos dos
níveis de hemoglobina, foi estabelecida pela OMS,
adotan- do o nível de 11,0 g/dl para crianças menores de
seis anos e gestantes. Para crianças de 6 a 14 anos e
mulheres adultas não grávidas, 12 g/dl e homens adultos,
13 g/dl1.
Os sinais clínicos de anemia são de difícil reconheci-
mento, muitas vezes passando despercebidos como pali-
dez, anorexia, apatia, irritabilidade, redução da
capacidade de atenção e déficits psicomotores11.

Etiologia da anemia ferropriva


De modo geral, a anemia instala-se em conseqüência
de perdas sangüíneas e/ou por deficiência prolongada da
in- gestão de ferro alimentar, principalmente em períodos
de maior demanda, como crianças e adolescentes que
apresen- tam acentuada velocidade de crescimento. Além
disso, a gestação e lactação também são períodos de
maior deman- da de ferro.
As causas de anemia ferropriva e deficiência de ferro
podem ter início ainda no período intra-uterino. As
reservas fisiológicas de ferro (0,5g/kg no recém-nascido
a termo) são formadas no último trimestre de gestação e,
juntamente com o ferro proveniente do leite materno,
sustentam a demanda do lactente até o sexto mês de vida.
Podemos, portanto, concluir que a prematuridade, pela
falta de tempo, e o baixo peso ao nascer, pela pequena
reserva, associados ao abandono precoce do aleitamento
materno exclusivo, são as causas mais comuns que
contribuem para a espolia- ção de ferro no lactente
jovem. Na primeira infância, o problema agrava-se em
decorrência de erros alimentares, principalmente no
período de desmame, quando freqüente- mente o leite
materno é substituído por alimentos pobres em ferro. O
leite de vaca é um exemplo, pois apesar de apresen- tar o
mesmo teor em ferro que o leite materno, sua biodis-
ponibilidade é muito baixa e, como se sabe, as mães
freqüentemente substituem uma refeição pela
mamadeira.
Além desses aspectos, como agentes agravantes e,
mui- tas vezes, determinantes da formação insuficiente
de depó- sitos de ferro, devem ser considerados o baixo
nível socio- econômico e cultural, as condições de
saneamento básico e de acesso aos serviços de saúde e o
fraco vínculo na relação mãe/filho12-14.
As perdas sangüíneas agudas ou crônicas espoliam as
reservas de ferro no organismo e podem ser
conseqüentes a patologias como o refluxo gastro-
esofágico, intolerância à proteína do leite de vaca e
parasitoses intestinais12. Parasitas como o Ancylostoma
duodenale ou Necator ame- ricanus podem determinar
perdas consideráveis de ferro, seja pelo próprio sangue
sugado pelo parasita, como pelo sangramento decorrente
da lesão na mucosa intestinal cau- sada pelo parasita. Já
por competição pelo alimento podem ser apontados o
Ascaris lumbricoides e a Giardia lamblia. Deve ser
lembrado, entretanto, que de modo geral, a faixa
Anemia ferropriva na infância - Queiroz SS et alii Jornal de Pediatria - Vol. 76, Supl.3, 2000

etária de maior incidência desses parasitas é a de maiores e, portanto, a mais vulnerável aos agravos nutricionais.
de 5 anos de idade. Em uma UBS

Prevalência da anemia ferropriva


A deficiência de ferro e a anemia carencial ferropriva,
devido a sua elevada prevalência, repercussões sobre o
crescimento e desenvolvimento, resistência às infecções e
associação com a mortalidade em menores de 2 anos, são
consideradas um dos principais problemas de saúde públi-
ca, sendo a deficiência nutricional mais comum em todo o
mundo15.
A anemia ferropriva tem uma distribuição universal.
Estima-se que 25% da população mundial é atingida pela
carência de ferro, e os grupos populacionais mais
atingidos são as crianças de 4 a 24 meses de idade, os
escolares, as adolescentes do sexo feminino, as gestantes
e as nutrizes16.
A anemia ferropriva afeta 43% dos pré-escolares em
todo o mundo, principalmente nos países em desenvolvi-
mento, que apresentam prevalências quatro vezes maiores
que as encontradas nos países desenvolvidos. Essa
elevada prevalência está relacionada com a falta de
saneamento básico, baixas condições socioeconômicas e
alta morbida- de na infância17.
Nas Américas, admite-se que aproximadamente 94
mi- lhões de pessoas apresentem deficiência de ferro ou
anemia ferropriva, principalmente no Caribe e nos Andes,
afetando cerca de 60% das gestantes em 199718.
Em encontro ocorrido em Buenos Aires em 1992,
foram apresentadas informações de diferentes estudos de
diversos países da América Latina (Argentina, Bolívia,
Brasil, Chi- le, Paraguai, Peru, Uruguai, Costa Rica,
Cuba, El Salvador, Venezuela, Haiti e Países do Caribe ).
A prevalência de anemia em gestantes variou de 13 a
61% e em pré-escolares, de 18 a 45%19. No Equador, em
estudo nacional, a anemia ferropriva ocorreu em 70% das
crianças entre 6 e 12 meses e em 45% entre os de 12 a 24
meses18.
No Brasil, não existem dados nacionais sobre a preva-
lência de anemia ferropriva. No entanto, por meio de
estudos pontuais em diversas regiões do país, tem-se
obser- vado nas últimas décadas aumento significativo da
preva- lência e gravidade de anemia ferropriva nos
grupos de risco, em todas as regiões do país,
independente de seu nível econômico. Na faixa etária de
menores de 2 anos, a propor- ção de anêmicos situa-se
entre 50% e 83%20-22.
Na cidade de São Paulo, a prevalência vem aumentan-
do. Em 1974, a anemia estava presente em 23% das
crianças com idades compreendidas entre 6 e 60 meses,
numa amostra representativa da população do
Município23. Em 1984, outro estudo registrou 36% de
anêmicos24, sendo que as maiores prevalências foram
encontradas entre os 6 e 11 meses (54%), e entre 12 e 24
meses (58%).
As Unidades Básicas do Setor Público de Saúde
(UBS) prestam serviços no atendimento à parcela da
população mais carente do ponto de vista socioeconômico
S304 Jornal de Pediatria - Vol. 76, Supl.3, Anemia ferropriva na infância - Queiroz SS et alii
do Recife, encontrou-se 85% de crianças com anemia na exceto nas crianças com fórmu- las infantis
faixa etária de 6 a 11 meses e 82% na de 12 a 23 meses fortificadas com ferro.
de idade25.
Em amostra de 2.992 crianças com idades
compreendi- das entre 6 e 23 meses, atendidas
dentro da demanda espontânea de 160 Unidades
Básicas de Saúde (UBS), em 63 municípios do Estado de
São Paulo, foram detectadas 59% das crianças com
dosagens de hemoglobina inferiores a 11,0 g/dl e, em
25%, valores inferiores a 9,5 g/dl21.

Prevenção
A prevenção da anemia ferropriva deve ser
estabelecida com base em quatro tipos de abordagens:
educação nutri- cional e melhoria da qualidade da dieta
oferecida, incluindo o incentivo do aleitamento materno,
suplementação medi- camentosa, fortificação dos
alimentos e controle de infec- ções.
Nas recomendações dietéticas infantis, alguns
cuidados podem ser tomados, visando a um melhor
aporte de ferro ao organismo, tais como manutenção do
aleitamento materno exclusivo até o 4o – 6o mês de vida
e introdução de alimentos complementares ricos em
ferro e dotados de agentes facilitadores de sua absorção
(carnes em geral, frutas cítricas). Por outro lado, devem
ser evitados, durante as refeições, os agentes inibidores
como chás preto e mate, café e refrigerantes. O ideal é
que as carnes sejam cozidas e não fritas, aproveitando o
caldo da cocção.
Dessa forma, a escolha correta dos alimentos
comple- mentares é de fundamental importância, pois há
necessida- de de a alimentação da criança ser
diversificada, balancea- da e rica em ferro de alta
biodisponibilidade.
A suplementação medicamentosa é bastante eficaz na
prevenção e controle da anemia. Entretanto, alguns
estudos já evidenciaram que esse tipo de intervenção
apresenta um entrave que reduz significativamente o
impacto sobre as condições hematológicas das crianças
acompanhadas, que é a falta de vínculo mãe/filho,
independentemente da con- dição nutricional. Como a
mãe não interage de maneira satisfatória com seu filho,
não percebe a gravidade dessa doença e,
conseqüentemente, acaba por não administrar o
medicamento à criança26. Portanto, somente a preconiza-
ção da suplementação medicamentosa com sulfato
ferroso não deve dar ao profissional de saúde a
segurança de que a criança está realmente recebendo o
suplemento.
A Sociedade Brasileira de Pediatria27 preconiza,
quan- to à suplementação profilática de ferro:
1) Recém-nascidos de termo, de peso adequado para a
idade gestacional: em aleitamento materno, a partir
do 6º mês, ou a partir do início do desmame
(considera-se desmame a introdução de qualquer
outro alimento em adição ao aleitamento materno),
até o 24º mês de vida, receberão 1 mg de ferro
elementar/ kg de peso/dia, ou dose semanal de 45mg,
Anemia ferropriva na infância - Queiroz SS et alii Jornal de Pediatria - Vol. 76, Supl.3, 2000

2) Prematuros e recém-nascidos de baixo peso: a partir Nessa pesquisa, onde os níveis de anemia, no início do
do 30º dia de vida, 2 mg/kg de peso/dia, durante 2 trabalho, foram de 66% e 73%, respectivamente, nas cre-
meses. Após esse prazo, mesmo esquema dos recém- ches e UBS, tiveram as prevalências reduzidas para 21%
nascidos de termo com peso adequado para a idade e 18%, respectivamente, após a introdução do leite
gestacional.
fortifica- do, além de melhora das condições
No âmbito de saúde pública, em locais como creches e nutricionais29,31.
escolas, a proposta semanal tem se mostrado com
Em experiência inédita com ferro aminoácido quelato,
melhores resultados que a diária, pois torna-se muito mais
num município do interior do Estado de São Paulo,
fácil a sua administração.
introdu- ziram-se 9mg de ferro e 2.000 UI de vitamina A
A utilização de alimentos fortificados é uma por litro de leite oferecido às crianças que faziam parte do
alternativa utilizada pelos países desenvolvidos há mais programa de combate à anemia. Com prevalência inicial
de 50 anos, com excelentes resultados. de 76%, o município apresenta, hoje, níveis compatíveis
A fortificação tem a grande vantagem de não aos dos paí- ses desenvolvidos, ou seja, prevalência de
necessitar a adesão das mães à proposta, de maneira que 4% nas crianças assistidas32.
ao se ingerir o alimento, há a certeza da ingestão do ferro. Esses resultados confirmam que a reversão do quadro
Na escolha dos alimentos a serem fortificados deve ser de anemia pode ser facilmente obtida, desde que a equipe
lembrado que os alimentos devem ser de fácil acesso, de de saúde esteja adequadamente conscientizada e
baixo custo e que pertençam à dieta habitual da região, envolvida e que haja, concomitantemente, decisão
sem ter seu paladar ou aspecto alterados, utilizando-se de política.
compostos com boa biodisponibilidade.
O Grupo de Consultoria Internacional sobre Anemias
de Origem Nutricional (INAGG) sugere as seguintes Tratamento
reco- mendações para o controle e prevenção das anemias O objetivo do tratamento da anemia ferropriva deve
nutri- cionais: ser o de corrigir o valor da hemoglobina circulante e
a) educação alimentar com incentivo ao consumo de ali- repor os depósitos de ferro nos tecidos onde ele é
mentos ricos em ferro, respeitando os hábitos armazenado.
alimenta- res da população associados a grande Recomenda-se a utilização de sais ferrosos,
incentivo dos programas de aleitamento materno; preferenci- almente por via oral. Os sais ferrosos (sulfato,
b) melhoria dos sistemas de saneamento básico e fumarato, gluconato, succinato, citrato, etc.) são mais
assistên- cia médica a todos, com controle de baratos e absor- vidos mais rapidamente, porém
parasitoses intesti- nais; produzem mais efeitos colaterais - náuseas, vômitos, dor
c) criação de programas de suplementação de ferro em epigástrica, diarréia ou obstipação intestinal, fezes
doses profiláticas aos grupos de risco, sob supervisão escuras e, a longo prazo, o aparecimento de manchas
e acompanhamento; escuras nos dentes. Sua absorção é maior quando
administrado uma hora antes das refeições.
d) criação e incentivo a programas de fortificação de
alimentos, considerada atualmente a melhor medida O conteúdo de ferro varia nos diferentes sais. A
preventiva a longo prazo, com menores custos. posolo- gia sugerida é de 3 a 5 mg de ferro elementar por
quilo de peso por dia, dividida em 2 a 3 doses33.
A utilização de fórmulas lácteas e leites fortificados
com sulfato ferroso, ferro quelato, ferro elementar em O medicamento deve ser ingerido, se possível,
crianças menores de 2 anos apresenta resultados acompa- nhado de suco de fruta rica em vitamina C,
gratifican- tes28,29. importante elemento facilitador da absorção do ferro.
Outra recomendação é que o medicamento não seja
Em Ribeirão Preto, interior do Estado de São Paulo, administrado juntamente com suplementos
foram estudadas 21 famílias carentes, num total de 88 polivitamínicos e minerais. Existem interações do ferro
crianças entre 1 e 6 anos de idade, que receberam água com cálcio, fosfato, zinco e outros elementos, diminuindo
fortificada com sulfato ferroso, na concentração de 10mg sua biodisponibilida- de. Outros fatores inibidores da
de ferro elementar por litro de solução, encontrando boa absorção do ferro como chá mate ou preto, café e
aceitação da água oferecida e melhora dos níveis de Hb30. antiácidos devem ser evitados durante ou logo após a
ingestão do medicamento.
Em experiência de combate à anemia ferropriva com
leite em pó fortificado com sulfato ferroso e vitamina C Para que a eritropoiese se restabeleça, é fundamental
foram avaliadas 107 crianças provenientes de 13 creches que a dieta oferecida durante o tratamento seja
municipais da grande São Paulo e 228 provenientes do balanceada, assegurando nutrientes suficientes,
atendimento de Unidade Básica de Saúde. O leite em pó principalmente proteí- nas, para garantir o fornecimento
continha 9mg de ferro e 65mg de vitamina C por 100g de dos aminoácidos essenci- ais à formação da hemoglobina,
pó, sendo oferecido às crianças por um período de 6 calorias, para evitar que estes aminoácidos sejam
meses. utilizados como fonte calórica e de alimentos ricos em
vitamina C, para aumentar a biodis- ponibilidade do ferro
S306 Jornal de Pediatria - Vol. 76, Supl.3, Anemia ferropriva na infância - Queiroz SS et alii
da dieta.
A resposta ao tratamento é rápida, e o tempo de
duração depende da intensidade da anemia. A absorção
do íon ferro
Anemia ferropriva na infância - Queiroz SS et alii Jornal de Pediatria - Vol. 76, Supl.3, 2000

é muito maior nas primeiras semanas de tratamento. Esti- devem esperar mais tempo para receberem o que lhes é de
ma-se uma absorção de 14% do ferro ingerido durante a direito: a vida em todo o seu potencial.
primeira semana de tratamento, 7% após 3 semanas e 2%
após 4 meses. O primeiro mês de terapia é fundamental
para o sucesso do tratamento. Uma resposta positiva pode
ser medida com um incremento diário de 0,1 g/dl na
concentra- ção da hemoglobina, a partir do quarto dia de
tratamento. Observa-se aumento máximo da
reticulocitose entre o 5° e 10° dias de tratamento, e
elevação substancial da hemoglo- bina em torno da
terceira semana.
A oferta do medicamento deve ser continuada por
volta de 6 semanas após a normalização da hemoglobina,
para possibilitar a reposição das reservas orgânicas de
ferro.
A transfusão sangüínea somente está indicada em
crian- ças com hemoglobina inferior a 5g/dl ou com
sinais de descompensação cardíaca. Nessas situações é
aconselhável a utilização de 10 ml/kg de concentrado de
hemáceas, em venoclise lenta e monitoramento dos sinais
vitais.
Portanto, para o tratamento da anemia carencial ferro-
priva é necessária uma abordagem global do problema,
visando a adoção de medidas que transcendem em muito
a visão isolada do tratamento da deficiência de ferro.

Considerações finais
Por meio da revisão bibliográfica, pode-se claramente
verificar que são muitas as alternativas viáveis para a
minimização da anemia ferropriva. Também fica claro
que, qualquer que seja a medida escolhida
(suplementação me- dicamentosa, fortificação de
alimentos e/ou educação nu- tricional), a resposta é
sempre efetiva, embora com varia- ções no tempo de
resposta, em maior ou menor proporção. Entretanto, no
Brasil, a anemia ferropriva é um problema de saúde
pública que, infelizmente, ainda está longe de ser
resolvido, apesar de todo o conhecimento acumulado
sobre o assunto e, conseqüentemente, de serem muito
bem conhe- cidas as medidas de intervenção viáveis para
a sua minimi- zação.
Contudo, o que ainda não está suficientemente estabe-
lecido, e que é decisivo para qualquer modificação no
trágico quadro detectado em nosso País, é a decisão
política em todos os níveis da Nação – federal, estadual e
municipal
–, uma vez que somente com decisão política clara e
efetiva é que se obtêm resultados no âmbito de saúde
pública.
É evidente que não deve ser desprezada a
responsabili- dade da equipe de saúde com este grave
problema, pois o pouco compromisso é um fato que se
percebe, claramente, no transcorrer dos anos, com
resultante agravamento da situação em nossa população.
Esta situação de acomodação precisa ser modificada, pois
há muito a ser feito neste setor, e nossas crianças não
S308 Jornal de Pediatria - Vol. 76, Supl.3, Anemia ferropriva na infância - Queiroz SS et alii
Referências bibliográficas
1. World Health Organization. Nutritional anemias. Report of a
WHO Scientific Group. Technical Report Series n° 405. Gene-
bra; 1968.
2. De Angelis RC, Ctenas MLB. Biodisponibilidade de ferro na
alimentação infantil. Temas de Pediatria 52, Nestlé Serviço de
Informação Científica; 1993.
3. Bottoni A, Ciolette A, Schimitz BAS, Campanaro CM,
Accioly E, Cuvello LCF. Anemia ferropriva. Rev Paul Pediatr
1997;15: 127-34.
4. Wolde-Gebriel Z, West CE, Gebru H, Tadesse AS, Fisseha T,
Gabre P et al. Interrelationship between vitamin A, iodine, and
iron status in schoolchildren in Shoa region, Central Ethiopia.
Br J Nutr 1993; 70:593-607.
5. Dallman PR. Iron deficiency in the wealing: a nutritional prob-
lem on way to resolution. Acta Paediatr Scand 1985; 323:59-
67.
6. National Research Council (US). Subcommitee on Tenth Edi-
tion of the RDA. Recommended Dietary Allowances. National
Academy of Sciences; 1989.
7. Souza Queiroz S, Torres MAA. Anemia carencial ferropriva:
aspectos fisiopatológicos e experiência com a utilização do
leite fortificado com ferro. Ped Mod 1995; 31: 441-55.
8. Layrisse M, Martinez-Torres C, Roche M. The effects of inter-
action of various foods on iron absorption. Am J Clin Nutr
1968, 11:1175-83.
9. Dallman PR. Hierro. In: Conocimientos actuales sobre nutri-
ción. 6ª ed. Washington: OPAS/OMS; 1991.
10. Beard JL, Dawnson H, Pinero DJ. Iron metabolism: a compre-
hesive review. Nutr Rev 1996; 54:295-317.
11. Rivera F, Walter T. Anemia ferropriva en el lactente y el
desarrollo psicologico del escolar. J pediatr (Rio J.) 1997; 73:
S49-S54.
12. Dallman PR. Nutritional anemias. In: Rudolph AM. Pediatrics.
Norwalk: Appleton and Lange, 1991; p.1091-1106.
13. Sichieri R, Szarfarc SC, Monteiro CA. Relação entre dieta e
ocorrência de anemia ferropriva em crianças. J pediatr (Rio J.)
1988; 64:169-74.
14. Nóbrega FJ, Campos ALR. Distúrbios nutricionais e fraco
vínculo mãe /filho. Rio de Janeiro: Revinter; 1996. p.68.
15. DeMayer EM. Preventing and controlling iron deficiency
anaemia through primary care. Genebra: OMS; 1989.
16. Yip R. The epidemiology of childhood iron deficiency:
evidence for improving iron nutrition among US children. In:
Dobbing J, ed. Brain, behaviour and iron in the infant diet.
Virginia (USA): Springer-Verlag; 1992.p.27-39.
17. Finch CA. Iron nutrition: food and nutrition in health and
disease. Ann NY Acad Sci 1977; 300:221.
18. Freire WB. Strategies of Pan American Health Organization /
World Health Organization for control of iron deficiency in
Latin America Nutr Rev 1997; 55:183-8.
19. Gueri M. Deficiencia de hierro en America Latina y el Caribe.
In: Tercer Taller Regional sobre deficiencias de Vitamina A y
otros micronutrientes en America Latina y el Caribe. USAID;
1993.
20. Batista Filho M, Barbosa NP. Alimentação e nutrição no
Brasil: 1974 - 1984. Pró-Memória. Brasília: Ed. Canadá;
1985.
21. Torres MAA, Sato K, Souza Queiroz S. Anemia em crianças
menores de dois anos atendidas nas unidades básicas de saúde
no Estado de São Paulo, Brasil. Rev Saúde Pública 1994, 28:
290-4.
22. Szarfarc SC, Stefanini MLR, Lerner BR. Anemia Nutricional
no Brasil. Cad Nutr 1995, 9: 5-24.
23. Sigulem DM, Tudisco ES, Goldberg P, Athaide MMM, Vais-
man E. Anemia ferropriva em crianças no município de São
Paulo. Rev Saúde Publ 1978, 12: 168-78.
Anemia ferropriva na infância - Queiroz SS et alii Jornal de Pediatria - Vol. 76, Supl.3, 2000

24. Monteiro CA. Saúde e nutrição das crianças de São Paulo:


31. Torres MAA, Sato K, Lobo NF, Souza Queiroz S. Efeito do uso
Diagnóstico, contrastes sociais e tendências. São Paulo: L.
de leite fortificado com ferro e vitamina C sobre os níveis de
Hucitec / Ed. USP; 1988.
hemoglobina e condição nutricional de crianças menores de 2
25. Romani SAM, Lira PIC, Batista Filho M, Sequeira LAS, Freitas anos. Rev Saúde Pública 1995; 29: 301-7.
CLC. Anemias em pré-escolares: diagnóstico, tratamento e ava-
32. Torres MAA. Programa de fortificação do leite pasteurizado e
liação, Recife, Pe, Brasil. Arch Latinoam Nutr 1991; 67:159-
de atividades de educação em saúde e nutrição, na prevenção e
67.
recuperação da anemia carencial ferropriva em crianças meno-
26. Torres MAA, Sato K, Souza Queiroz S. Terapêutica com doses res de dois anos [tese]. São Paulo: Centro de Referência de
profiláticas de sulfato ferroso, como medida de intervenção no Nutrição, Alimentação e Desenvolvimento Infantil - SES/SP;
combate à carência de ferro, em crianças atendidas em unidades 2000.
básicas de saúde. Rev Saúde Pública 1994; 28: 410-5.
33. Braga JAP, Fisberg M. Anemias carenciais. In: Nóbrega FJ, ed.
27. Comite de Nutrologia Pediátrica. Preconização da profilaxia de Distúrbios da nutrição. Rio de Janeiro: Revinter; 1996.
ferro em lactentes. Atualidades SBP 1995; 4: 12-20.
28. Torres MAA, Sato K, Souza Queiroz S. O leite em pó fortifica-
do com ferro e vitamina C como medida de intervenção no
combate a anemia carencial ferropriva em crianças atendidas
em Unidade Básica de Saúde. Arch Latinoam Nutr 1996; 46:
Endereço para correspondência:
239-45.
29. Torres MAA, Lobo NF, Sato K, Souza Queiros S. Fortificação Dra. Suzana de Souza Queiroz
do leite fluido na prevenção e tratamento da anemia carencial Rua Maranhão, 101 - apto 92
ferropriva em crianças menores de 4 anos. Rev Saúde Pública CEP 01240-001 – São Paulo – SP
1996; 30:350-7. Fone/Fax: 11 214.2347
30. Dutra de Oliveira JE. El água de bebida como vehiculo del
E-mail: ssqueiroz@[Link]
hierro para el control de la anemia. In: Tercer Taller Regional
sobre deficiencias de Vitamina A y otros Micronutrienter en
America Latina y el Caribe. USAID; 1993.

Você também pode gostar