0% acharam este documento útil (0 voto)
28 visualizações41 páginas

A Igreja: Desafios e Motivos para Celebrar

Enviado por

Saulo Moraes
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
28 visualizações41 páginas

A Igreja: Desafios e Motivos para Celebrar

Enviado por

Saulo Moraes
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Aleluia!

A Noiva está sendo


Preparada
Por Ronaldo Lidório

Se agrupados, os motivos de preocupação e angústia com a Igreja nos dias


atuais produziriam uma lista mais extensa que as 95 teses expostas por Lutero
em 1517.

...O constrangedor mercantilismo da fé; a frenética busca por pomposos títulos


ministeriais; a manipulação da política eclesiástica para satisfações pessoais; o
desinteresse pela missão e a intencional distorção dos textos bíblicos são
apenas alguns -- entre muitos -- motivos de agonia ao olhar para a Igreja de
hoje. É momento de quebrar o coração e buscar o Senhor para um sério
compromisso de vida, renovo de alma e fidelidade no trato com as Escrituras.

Grandes motivos de celebração!


.. Há, porém, grandes motivos para celebração! Espantosamente, a Igreja tem
crescido nos lugares mais improváveis -- como Índia, Etiópia, Filipinas, China e
Nigéria[1] -- e em todo canto há uma busca cada vez mais intensa pela Palavra
de Deus. Milhares de anônimos levam diariamente a mensagem de Cristo para
as ruas, escritórios, universidades, cidades e campos em todo o mundo. A
Bíblia está traduzida, parcial ou totalmente, em mais de 2.500 línguas.[2] O
evangelho no Brasil tem sido anunciado, de forma crescente, entre os que
pouco ouviram -- como indígenas, ribeirinhos, quilombolas, ciganos, sertanejos,
imigrantes e surdos --, além de invadir as grandes e médias cidades. Em todo o
mundo, mais de 120 milhões de cristãos vivem e perseveram em regiões hostis
à sua fé.[3] O impressionante milagre da conversão se dá em incontáveis vidas
todos os dias. Em 1900 havia 100 milhões de protestantes no mundo e a
projeção para 2050 é de quase 700 milhões. Louvado seja o Cordeiro, que tem
preparado a sua noiva para o grande dia!

...Em 2012, empreendi uma viagem de pesquisa missionária ao longo do rio


Solimões a partir de Manaus, no Amazonas. Durante seis dias, subimos o rio
até a fronteira com a Colômbia em uma época de grande alagamento. Nos
primeiros três dias, não encontramos sequer uma comunidade, fosse de
palafita ou construída em terra firme, que não estivesse embaixo d’água. As
populações se refugiaram nas cidades maiores e algumas poucas famílias
tentavam subsistir em suas próprias casas em meio ao alagado. Parando em
diversas comunidades, encontramos lamento e choro, além de grande
frustração. Haviam perdido suas casas, roças e animais -- e também a
esperança.

...No fim do segundo dia de viagem, avistamos uma casa sobre palafitas
também coberta pela água até o meio das janelas. Três faces apareceram e,
para a minha surpresa, estavam sorridentes. Parando a voadeira, equilibrei-me
em algumas pranchas para entrar naquela casa. Em um canto da sala haviam
construído um esteio de madeira que era elevado à medida que o rio subia. A
família, formada por cinco pessoas, se apinhava naquele pequeno quadrado,
onde também atavam suas redes e mantinham as panelas, além de um
pequeno fogão e um saco de farinha. Expressei minha admiração por encontrá-
los sorridentes, ao que rapidamente mencionaram ter encontrado Jesus no ano
anterior -- e haviam concluído o momento devocional da família justamente
quando chegávamos. O marido mencionou que estudavam naquela manhã
sobre a bondade de Deus e estavam se lembrando dos muitos motivos de
louvor, como a vida, a família e a salvação. A esposa completou: “E também o
rio, que o Senhor segurou no limite”, não permitindo perderem a vida.
...Saí daquela casa agradecendo a Deus pelo testemunho, pois nenhuma
tragédia será maior do que a sua bondade em nossas vidas. E pela Igreja, que
apesar das inundações e lutas, segue caminhando.

Nossa natureza é Cristo


.. Vemos no Novo Testamento que a Igreja foi um resultado direto da vida e
dos ensinos de Jesus Cristo, portanto tem o seu DNA. Em Atos, lemos que a
Igreja era koinônica (orientada pela comunhão dos santos), kerygmática
(proclamadora do nome de Jesus), martírica (vivia segundo a sua fé), proséitica
(cultivava a oração), escriturística (amava e seguia a Palavra de Deus),
diácona (servia com amor aos necessitados), poimênica (pastoreava o povo) e
litúrgica (cuja vida era a adoração ao Pai).[4]

...Essa é a nossa identidade, quem somos em Cristo Jesus. E a nossa


natureza. Apesar das provações, perseguições, escândalos e esfriamento,
sempre seremos atraídos de volta às raízes, que a Palavra tão bem apresenta:
[5]
...A Igreja é um grupo de redimidos, originada por Deus e pertencente a Deus,
portanto formada por uma multidão de servos e um só Senhor (1Co 1.1-2).
...A Igreja não é uma sociedade alienante. Os que foram redimidos por Cristo
continuam sendo homens e mulheres, pais e filhos, fazendeiros e comerciantes
chamados para viver o evangelho no mundo e não longe dele (Mt 10).
. A Igreja é uma comunidade sem fronteiras. Portanto, fatalmente missionária.
É chamada a proclamar Jesus perto e longe -- e fazer discípulos (Rm 15.18-
19).
...A Igreja é chamada para viver Cristo e não apenas compreendê-lo. Quando
orientada pelas Escrituras e comprometida com Jesus, ela se torna um grande
testemunho para o mundo (Gl 2.20).

...A Igreja é Igreja quando segue a Palavra. Perseverar na doutrina dos


apóstolos implica compreensão e vida -- compreender a Palavra de Deus com
fidelidade e aplicá-la em nossa vida diária (At 2.42).

...A Igreja tem como propósito maior glorificar a Deus. Este é o nosso chamado
e para tanto é preciso nos desglorificarmos. Devemos lembrar-nos de que
nossa primeira missão é morrer (1Co 6.20; Rm 16.25-27).
Somos chamados para a perseverança
...A Palavra de Deus exorta-nos a perseverar. Aos Efésios, Paulo afirma que
devemos ser fortalecidos no Senhor (6.10) para não cair nas ciladas do diabo
(v. 11), resistir no dia mau (v. 13) e proclamar o evangelho (v. 19). O termo
“resistir” é tradução de uma palavra grega frequentemente usada para uma
estaca bem fincada que, após os ventos e chuvas, permanece firme. Alguns
anos atrás, rascunhei um exercício espiritual para sermos uma Igreja
fortalecida, o qual partilho a seguir:

-- Preocupar-nos um pouco menos com as loucuras feitas em nome de Cristo e


um pouco mais com o nosso próprio coração para que não venhamos a ser
desqualificados.

-- Seguirmos os desejos do Senhor sabendo que, para isso, quase sempre


estaremos na contramão do mundo.

-- Para cada palavra de crítica à Igreja -- autocrítica, se assim quiser -- termos


uma palavra ou duas de encorajamento.

-- Ouvirmos com zelo e temor os profetas que nos denunciam o erro, bem
como os pastores que nos encorajam a caminhar.

-- Buscarmos na Palavra de Deus o fortalecimento da fé e o alimento da alma.

-- Não perdermos de vista Jesus Cristo, Cordeiro vivo de Deus, para que a
tristeza advinda das frustrações não nos impeça de experimentar a alegria do
Senhor.

...Somos chamados a seguir caminhando. Lutero lembra-nos de que “esta vida,


portanto, não é justiça, mas crescimento em justiça. Não é saúde, mas cura.
Não é ser, mas se tornar. Não é descansar, mas exercitar. Ainda não somos o
que seremos, mas estamos crescendo nesta direção. O processo ainda não
está terminado, mas vai prosseguindo. Não é o final, mas é a estrada. Todas
as coisas ainda não brilham em glória, mas todas as coisas vão sendo
purificadas”.[6]

...Que o Altíssimo nos encoraje a perseverar até o fim, pois o que nos aguarda
é puro esplendor! “Regozijemo-nos, e exultemos, e demos-lhe a glória; porque
são chegadas as bodas do Cordeiro, e já a sua noiva se preparou” (Ap 19.7).
...Aleluia!

A Igreja é o Corpo de Cristo,


não a Cabeça do Mundo
Por Alexandre O. Chaves *
Não vos fieis em palavras falsas, dizendo: Templo do Senhor, templo do
Senhor, templo do Senhor é este (Jeremias 7:4).

...Quando surge o desejo de pensar a igreja, talvez um dos caminhos


adequados para começarmos nossa reflexão deva ser a consciência do
significado comum do termo “igreja” nos tempos de Jesus. Igreja ou eklésia no
grego era a palavra usada para significar um ajuntamento de pessoas com os
mais variados propósitos. Assim sendo, uma reunião de pessoas em torno de
qualquer assunto poderia receber a nomenclatura de igreja.

...Deste modo, este termo em si, não carregava o peso do valor e nem o
significado que ele passou a ter depois do advento de Cristo, em sua, em direta
relação com o Mesmo. Hoje, como fica claro para todos nós, o termo ganhou
outro significado, principalmente no ocidente. Seu uso pede exclusividade, e
seu significado só se aplica em tese à reunião daqueles que se unem em torno
de Jesus Cristo e Sua palavra.

...Outra questão que podemos levar em consideração para a reflexão está no


fato de que, a mudança de seu significado se dá por sua relação direta com
Jesus Cristo. Sua autoridade e sentido dependem exclusivamente desta
relação, e isto pode ser tanto fonte de poder e autenticidade quanto uma
desgraça e um atestado de óbito - como no caso da igreja de Sardes. E ao anjo
da igreja que está em Sardes escreve: Isto diz o que tem os sete espíritos de
Deus, e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives,
e estás morto. Apocalipse 3:1.

...A exortação feita por Jesus à igreja de Sardes demonstra que, ‘Aquele que
É’, está atento à relação das obras de Sua igreja com Ele mesmo. Ou seja, Sua
atenção está dedicada para ver se as obras da igreja em Sardes estão em
direta relação com as obras de Cristo, ou passou a ser simplesmente obra
humana. E no caso de Sardes, no que se refere às suas obras, o que podemos
perceber pelo texto é que elas se encontram em discordância.

...A discordância fica evidente nas palavras de Jesus porquanto, ainda que do
ponto de vista das percepções humanas - que se contentam com as
aparências - a fama e a identidade desta igreja apontassem para a sua
vivacidade, do ponto de vista do Senhor da vida - d’Aquele que é capaz de
sondar corações e ver através da máscara da face - o que os membros da
igreja de Sardes chamavam de vida, o próprio Cristo chama de morte; por esta
razão o atestado de óbito está lavrado.

...O importante é percebermos que, mesmo sendo denominada aqui, pelo


próprio Cristo, como igreja, ela não está se expressando mais como Igreja de
Cristo. E isto fica evidente pelo simples fato de que suas obras são
falsificações para suscitar nos outros a aparência mentirosa de vida, enquanto
esconde sua realidade de morte.

...Portanto, fica evidente que a mentira e a morte não podem representar


Aquele que é a Verdade e a Vida. Antes, recebe de Cristo sua exortação, um
chamado à vigilância e à integridade que, neste caso, é também a expressão
da Graça de Deus dando espaço para o retorno à sensatez. Sê vigilante, e
confirma os restantes, que estavam para morrer; porque não achei as tuas
obras perfeitas diante de Deus. Apocalipse 3:2.

...A meu ver, mais uma vez Deus usa os remanescentes. Quando Ele diz:
“confirma o restante, que estava para morrer”, está se referindo àqueles que
Ele destaca no verso quatro. Mas também tens em Sardes algumas poucas
pessoas que não contaminaram suas vestes, e comigo andarão de branco;
porquanto são dignas disso. Apocalipse 3:4. Ele está dizendo ao pastor da
igreja, ao anjo, para confirmá-los, não no caminho de morte em que muitos já
estavam, mas no caminho da fé, como em (Atos 14:22).

...Jesus sabe que a única esperança de uma igreja morta espiritualmente, é a


Igreja dentro da igreja. São aquelas poucas pessoas que não se contaminaram
com o humanismo das formas e das aparências, no qual o homem, com sua
capacidade e conhecimento, aos poucos se torna seu próprio redentor, ao
mesmo tempo em que se transforma em alguém que pretensamente mereça
ser admirado ou cultuado. Pelo contrário, estes ‘alguns poucos’ permaneceram
fiéis à fé simples do Evangelho. Eles poderão ser instrumentos de
arrependimento e vida para uma igreja nesta condição.

...Alguém poderia sugerir a seguinte questão! Como pode uma igreja que
deixou de representar Jesus Cristo, ou de se parecer com Cristo, gozar ainda
desta autoridade e relação, como se o representasse? Digo isto com temor,
porém não podemos negar a sensação que muitas vezes temos ao nos
depararmos com igrejas denominadas cristãs, onde a pergunta que surge é:
onde está Jesus, no meio de toda esta confusão? Aliás, a impressão que
temos é que, se o próprio Jesus aparecesse em um dos seus cultos seria
barrado. E se pregasse em um de seus púlpitos seria considerado um herege,
um louco ou até mesmo um endemoninhado, por atrapalhar o comércio com a
Palavra de Deus.

...O problema me parece estar no desconhecimento do Jesus bíblico e na


representatividade histórica dada à igreja por Jesus de Si mesmo. Sabemos
que, depois do pentecostes em Atos dois, e com as inúmeras conversões que
se seguiram, a partir deste acontecimento inigualável na história humana,
surgiu aquilo que chamamos Igreja de Cristo, e que por sua vez era formada
por discípulos de Jesus, aos quais é atribuída uma unidade de identidade com
Ele. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre
um monte. Mateus 5:14.

...Como fica claro no texto de Mateus logo acima, Jesus referiu-se a Seus
discípulos ou à igreja, nas mesmas categorias que as Escrituras usavam para
se referir ao próprio Jesus e, mais especificamente, nas palavras do próprio
Cristo: De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me
segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida. João 8:12.

...O que faz da igreja algo tão especial e impactante é justamente o fato de que
Jesus se identifica com ela a tal ponto que dá a ela o mesmo significado que
Ele tem para o mundo, ou seja, a condição de ser a luz do mundo. Além disto,
a igreja se torna o meio pelo qual Jesus se expressa e opera neste mundo, e
esta é a razão da igreja ser chamada nas Escrituras de: o Corpo de Cristo. Ora,
vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo. 1 Coríntios
12:27.

...É interessante notarmos que a primeira vez que os discípulos foram


distinguidos pela comunidade a sua volta como sendo cristãos foi em
Antioquia, como nos relata Atos onze, e algo é muito importante ressaltar: trata-
se da referência ao contexto em que isto aconteceu, um contexto de grande
perseguição à igreja. Então, os que foram dispersos por causa da tribulação
que sobreveio a Estêvão se espalharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não
anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus. Atos 11:19.

...Antes de nos atermos ao contexto referido acima, gostaria de deixar claro o


seguinte: Não podemos confundir Igreja de Jesus Cristo que é seu corpo, com
igreja. A Igreja de Cristo precisa necessariamente ser identificada com Ele, ou
seja, o corpo tem que estar de acordo com a cabeça. O Cabeça da Igreja é
Cristo e, portanto, a identidade da Igreja de Cristo reside justamente nesta
harmonia com o Cristo da Igreja, caso contrário, poderá até ser igreja no
sentido primário desta palavra (Um ajuntamento), mas não poderá ser Igreja de
Cristo.

...Para deixar mais claro o que quero dizer, pensaremos na seguinte ilustração.
Um cordeiro foi degolado. Em um segundo momento, tomamos a sua cabeça e
a religamos a um corpo com o propósito de restaurar-lhe a vida. Para isto, seria
imprescindível que o corpo, necessariamente, correspondesse à cabeça. Este
corpo, só poderia ser considerado corpo do cordeiro, se correspondesse à
cabeça do próprio cordeiro. Se não fosse assim, poderia até ser um corpo, mas
não corpo do cordeiro.

...Isto significa dizer que, não importa o quão grande e influente seja uma
instituição religiosa cristã, capaz de decidir eleições, por exemplo. Não importa
quão rica e pujante ela seja, capaz até de suscitar a ilusão da vida nos seus
espectadores. Se ela não carregar o sinais dos cravos, se ela não estiver em
harmonia com o Cabeça que é Cristo, não poderá ser Igreja cristã.

...Se ela não trouxer em si o atestado de loucura dado pelo mundo dos sãos,
que não podem compreender o Deus crucificado e nem ver o Santo Espírito,
então, não poderá ser luz do mundo. Além disto, se não representar um
escândalo por sua unidade com o Cristo que causou escândalo para a religião
dos bons deste mundo, ela estará usurpando o nome de cristã.

...A questão volta ao contexto do capitulo onze de Atos que nos referimos
acima, quando a Igreja pela primeira vez é reconhecida pela comunidade à sua
volta como sendo cristã. O contexto é de perseguição em virtude da fala de
rompimento de Estevão, como podemos perceber no verso 19. E os que foram
dispersos pela perseguição que sucedeu por causa de Estevão caminharam
até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão
somente aos judeus.
...A perseguição é o grande termômetro, pois é a marca do ministério de Cristo
e não tem como ser diferente na igreja. Lembrai-vos da palavra que vos disse:
Não é o servo maior do que o seu senhor. Se a mim me perseguiram, também
vos perseguirão a vós. João 15:20. Enquanto buscarmos plausibilidade
humana, aceitação do mundo e sua paz, precisaremos de uma versão light do
Evangelho. De uma versão que não apresente a radicalidade da Cruz e do
amor de Deus expresso nela. De um Evangelho que jamais anuncie a morte do
pecador e o fim do velho homem, antes busque um diálogo amigável, ainda
que usando os mesmos termos.

...Porém, se agirmos assim, chamaremos o mal de bem e abraçaremos a morte


como vida. Poderemos até viver em paz em Jerusalém, frequentando o templo
dos honrados, sem jamais sermos perseguidos. No entanto, jamais falaremos
por Jesus como se fosse uma única palavra. Se guardaram a minha palavra,
também guardarão a vossa. João 15:20b.

...Poderemos até ser a cabeça do mundo dirigindo seus passos na moralidade


oca, como cegos guiando cegos, mas jamais poderemos ser corpo de Cristo,
sal da terra e luz do mundo. Nem mesmo poderemos receber o nome de
cristãos sem que isto represente usurpação, pois o mundo já não verá Cristo
em nós. Que o Senhor tenha misericórdia de nós e confirme os que estão para
morrer.

A Igreja Efeminada
Por Stephen C. Perks *

Tradução e adaptação: Gaspar de Souza

...Recentemente fui questionado se seria correto dizer que, na história do


mundo, dinastias e civilizações inteiras de fato naufragaram na rocha da
homossexualidade. Minha resposta foi que não deveríamos pôr as coisas
desse modo. Claro, eu creio que a prática homossexual é imoral e proibida pela
Lei de Deus. Todavia, em Romanos 1.21 – 32, Paulo põe dessa forma:
deixaram de servir a Deus para servirem à criatura. Como uma consequência,
Deus entregou-lhes às paixões impuras. Homossexualidade é julgamento de
Deus sobre uma sociedade que abandonou a Deus e adora a criatura em vez
do Criador. A apostasia espiritual é a rocha na qual as culturas, incluindo a
nossa, foi fundada, e a homossexualidade é o julgamento de Deus sobre tal
apostasia. Esta é a razão porque a homossexualidade era uma prática comum
entre as antigas culturas pagãs; na verdade, é uma prática comum entre a
maioria das culturas pagãs, incluindo a nossa crescente cultura neo-pagã. Em
resumo, a ideia de que a tolerância da homossexualidade é um mal que
conduzirá ao julgamento de Deus não é bíblica, pois coloca o carro na frente
dos bois. É exatamente o contrário! A prevalência da homossexualidade em
uma cultura é um sinal seguro de que Deus já tem executado ou está
executando sua ira sobre a sociedade por sua apostasia. A causa deste
julgamento não é a prática imoral da homossexualidade (apesar dos atos
imorais homossexuais); mas sim, sua apostasia espiritual. A prevalência da
homossexualidade é o efeito, não a causa da ira de Deus visitando aquela
sociedade. E em uma sociedade cristã (ou talvez devesse dizer “pós-cristã”),
isso significa, inevitavelmente, que a prevalência da homossexualidade na
sociedade é julgamento de Deus sobre a igreja por sua apostasia, sua
infidelidade para com Deus, porque o julgamento de Deus começa com a Casa
de Deus (1Pe 4.17).

...Esta, decerto, não é uma mensagem popular aos cristãos. É fácil levantar o
dedo para os pecados e imoralidades grosseiros, mas a igreja está muito
menos disposta a considerar seu papel nos males sociais que maculam nossa
era. A apostasia espiritual que nos levou à presente condição começou na
igreja, e grande parte do fracasso da sociedade moderna, que os cristãos
corretamente lamentam pode, em alguma medida, ser atribuída a esta
apostasia da igreja como a causa fundamental. E mesmo agora a igreja
recusa-se a assumir sua responsabilidade para preservar a sociedade deste
mal tão sério, tendo abdicado de seu papel profético como porta-voz de Deus
para a Nação.

...Claro, isto não quer dizer que não deveríamos desafiar o lobby gay e não
trabalharmos para estabelecer uma moralidade bíblica em nossa sociedade.
Nós devemos. Mas, também devemos escolher as prioridades corretas; e eu
temo que a igreja tenha um diagnóstico equivocado destes problemas e tenha
escolhido errado as suas prioridades. A Igreja sofre com o flagelo
homossexual, tanto quando, e talvez mais, do que qualquer outro setor da
sociedade (com exceção da mídia e do mundo do entretenimento). Para maior
parte deste século, a igreja tem procurado um deus feminino para substituir o
Deus da Bíblia. Nós tivemos ministros que ensinaram, agiram e pregaram
como mulheres há muitos anos. O Ministério Pastoral de nossa geração é, no
geral, caracterizado pela feminilização. O crescente número de homossexuais
no ministério é, penso, simultaneamente uma causa e efeito relacionados a isto
e, ao mesmo tempo, uma manifestação do julgamento de Deus sobre a igreja.
Muitas vezes, é claro, o julgamento funciona numa relação de causa e efeito,
porque toda criação é obra de Deus; portanto, ela funcionada de acordo com
Seu plano e vontade. A igreja tem se tornado completamente efeminada por
causa de um clero efeminado. O Ministério hoje é dirigido primariamente por
mulheres, e ministros têm começado a pensar e agir como mulheres, porque o
Cristianismo tem se tornado naquilo que é chamado de “religião salva-vidas” –
mulheres e crianças primeiros. E o mundo vê isso bem adequadamente.

...Por exemplo, foi-me dito em mais de uma ocasião por pastores e presbíteros
que, quando eles visitam os membros de suas igrejas, se porventura o homem
da casa vem recebê-los à porta, frequentemente a primeira coisa que este
homem diz é: vou buscar a esposa. Pastores e Presbíteros estão ali para
mimar as mulheres e as crianças; ou então, como pensa o mundo, isto é
simplesmente porque o ministério na igreja é frequentemente dirigido
principalmente às mulheres e crianças, e não aos homens. Tenho observado o
mesmo tipo de coisa em reuniões das igrejas. Se alguém levanta uma questão
doutrinária ou mesmo assuntos sérios sobre a missão da igreja, o interesse é
quase nulo. No entanto, frequentemente tem havido, e continua havendo,
enormes problemas doutrinários e problemas relacionados ao entendimento da
igreja de sua missão no mundo, incomodando essas igrejas; apesar disso,
estas igrejas nem mesmo consideraram que isso merece discussões nas
reuniões de liderança da igreja. Os líderes da Igreja falarão de maneira
interminável sobre “relacionamentos” e afins, mas evitarão questões
doutrinárias [como evitam] a praga porque estes assuntos são considerados
causas de divisão e que dificultam os “relacionamentos”.

...Agora, no fundo eu creio que isto é um sério problema criado pela


feminização da liderança da igreja. A agenda da liderança, que é uma agenda
masculina, foi substituída por uma agenda feminina, que é um desastre para
liderança. A igreja tem abandonado o Deus das Escrituras pelo conforto de
uma divindade do tipo feminino que não requer líderes eclesiásticos que
exponham doutrinas bíblicas ou ajam com convicção de acordo coma Palavra
de Deus (ambos são percebidos, muitas vezes com razão, como causador de
divisão – Mt 10. 34ss); mas, em vez disso, exige líderes simplesmente para
mãe de suas congregações de uma forma feminina. Isso, naturalmente, produz
ministros efeminados e uma igreja efeminada. Mas, isto não é simplesmente
uma causa e efeito impessoal relacionadas. Deus age através de causas
secundárias em sua Criação para executar sua vontade. Um ministério
efeminado e uma igreja efeminada são a resposta de Deus para a
determinação de a igreja substituir o Deus da Escritura por um deus do sexo
feminino; e esta cruzada contra o Deus da Bíblia tem sido em sua própria
maneira, uma característica do evangelicalismo, como abertamente tem sido a
característica do liberalismo que os evangélicos dizem abominar, mas ainda
assim, estão dispostos a imitar.

...Este não é um problema apenas agora na igreja, mas porque está na igreja,
a sociedade em geral é agora feminizada e efeminada. Somos governados por
mulheres e homens que pensam e agem como mulheres. Mas, as mulheres
não fazem bons governos em geral. Em Margaret Thatcher tivemos uma
situação inversa: uma mulher que pensava mais como um homem deve
pensar, mas a exceção não anula a regra. Eu não estou discutindo um ponto
político aqui, nem endossando qualquer posição [política]; até porque eu
acredito que isto tudo é parte da situação em julgamento. O mundo está de
cabeça para baixo, porque os homens viraram de cabeça para baixo por sua
rebelião contra Deus. Jean-Marc Berthoud frisou bem este ponto em seu artigo
“Humanism: Trust in Man – Ruin of the Nations”, o qual eu recomendo em
relação a este tópico. Agora somos governados por mulheres e crianças (Is
3.4, 12).

...Mas, a Liderança não é feminina. Líderes Efeminados não governam bem,


seja o Estado, seja a Igreja. É vital que a Justiça seja temperada com
Misericórdia. Mas alguém não pode temperar a Misericórdia com a Justiça.
Quando a misericórdia é colocada antes da justiça, as sociedades sofrem
colapsos nas situações idiotas que temos hoje, onde os criminosos são libertos
e as pessoas inocentes são condenadas. Por exemplo, as punições infligidas
aos motoristas por inadvertidamente dirigirem um pouco acima do limite da
velocidade hoje, mesmo onde não há perigo envolvido, são muitas vezes mais
graves do que os castigos infligidos aos ladrões. E hoje um pai pode ser punido
por bater em um filho travesso – mesmo que tal castigo seja realizado num
ambiente de amor e disciplina e não haja perigo para criança – mas ainda
assim, alguém pode, com impunidade, assassinar os filhos ainda não nascidos.
O Estado ainda paga por esses abortos, fornecendo-lhes o Sistema Único de
Saúde.

...Creio que isto é o resultado final da feminização de nossa cultura. Pensa-se,


frequentemente, que a liderança feminina é mais compassiva, mais carinhosa.
Isto é um mito que a ideologia feminista tem trabalhado nas percepções
populares da realidade em nossa cultura. Pelo contrário, a cultura feminista é
uma cultura violenta, uma cultura que produz o aborto e ao mesmo tempo
exige que se extinga as coisas tipicamente masculinas. Uma situação mais
perversa é difícil de se imaginar. Em última análise, o feminismo é, na prática,
inerentemente violento, intrinsecamente instável, intrinsecamente perverso,
inerentemente injusto, porque ele é todas essas coisas em princípio, a saber, a
rejeição da ordem criada por Deus; e as consequências de um compromisso
religioso sempre se desenvolverão na prática. O Feminismo está, agora,
desenvolvendo as consequências práticas de sua visão religiosa da sociedade
(e isto é sua religião).

...As igrejas têm falhado em ver isso. Elas têm abraçado o feminismo
vigorosamente, e como consequência, se tornaram uma importante avenida
pela qual o Feminismo tem sido capaz de influenciar nossa cultura. O clero
estava envolvido na feminização da fé e da igreja bem antes do Movimento
Feminista tivesse se tornado consciente na percepção popular. E a feminização
de nossa cultura é um dos principais motivos para sua anarquia e violência. Por
exemplo, o resultado da feminização da sociedade tem sido a de que os
homens perderam o seu papel em muitos aspectos. O feminismo tem definido
homens em nada mais do que briguentos ou efeminados. Na perspectiva
feminista, estas são as duas alternativas para os Homens, embora isso não
possa ser entendido por muitas feministas; talvez normalmente não seja,
porque o Feminismo é ingênuo e não opera com base na razão, mas na
emoção; e estas coisas trazem-nos novamente ao problema da liderança e
governos femininos. Emoções não lideram ou governam bem. Para as
Feministas, os homens são governantes incapazes; as mulheres devem
governar.

...Agora nós temos o governo de mulheres e homens efeminados. O efeito de


colocar as virtudes femininas no lugar das virtudes masculinas, e as virtudes
masculinas no lugar das virtudes femininas tem sido a de subverter a ordem
criada. Como resultado, a justiça é desprezada e a misericórdia é transformada
e colocada em seu lugar. A Liderança é masculina, mas é preciso temperá-la
com as virtudes feministas. Quando as virtudes feministas estão na liderança,
as virtudes masculinas não podem funcionar; a masculinidade é feita
desnecessária. Isto é um dos problemas mais sérios da nossa sociedade. O
Feminismo tornou a liderança masculina na igreja e da nação obsoleta e,
agora, estamos colhendo as consequências espirituais e sociais disto. A
Justiça é uma vítima! A misericórdia cessa de ser misericórdia e torna-se
indulgência dos piores vícios. Violência, anarquia, desordem e uma sociedade
disfuncional são o legado da Feminização de nossa Sociedade, porque neste
sentido, nem as virtudes masculinas, nem as femininas podem desempenhar
apropriadamente seu papel. O mundo é posto de ponta cabeça. Até mesmo as
igrejas “crentes na Bíblia” são anestesiadas na sua apostasia em relação a
este e muitos outros assuntos em nossa sociedade. Temos uma igreja
efeminada, e uma sociedade efeminada e, portanto, a resposta de Deus tem
sido um ministério cada vez mais homossexual e uma crescente sociedade
homossexual. Este é o justo julgamento de Deus sobre nossa apostasia
espiritual.

...A resposta é o arrependimento, voltar-se para Deus e abandonar nosso


caminho de rebelião contra a ordem divina da Criação. A igreja deve começar
isto. O julgamento começa com a igreja (1Pe 4.17) e o arrependimento
também. Eu não creio que resolveremos o problema homossexual até
reconhecermos sua causa. É o julgamento de Deus sobre a apostasia da
Nação. Liderando o caminho para esta apostasia estava a igreja.

...O que tenho dito acima não significa minimizar a seriedade do problema
homossexual, nem sua imoralidade. Mas devemos reconhecer isto como uma
manifestação do julgamento de Deus, como Paulo tão claramente ensina em
Romanos, capítulo um. A resposta está em combater as causas, enquanto não
deixamos de fazer as outras coisas. O que eu disse aqui não significa
promover uma diminuição da oposição cristã aos direitos homossexuais por
qualquer meio; mas significa encorajar a uma maior leitura do problema,
porque é nesta vasta leitura do problema que detectamos a causa e esperamos
a solução para o problema.

...Além disso, este assunto não um assunto isolado. É parte inseparável da re-
paganização de nossa sociedade, uma tendência de que a igreja, em grande
medida, não apenas tem tolerado, mas por vezes, estimulado, por sua
percepção míope de fé e sua negação prática de sua relevância para toda a
vida do homem, incluindo seus relacionamentos e responsabilidades. Enquanto
a crítica é necessária e vital na tarefa profética da igreja de levar a Palavra de
Deus para influenciar nossa sociedade, ela não é o bastante. Em vez disso, a
igreja também deve jogar fora o seu próprio consentimento na prática do
humanismo secular e praticar o pacto da vida da comunidade redimida no
momento que ela tenha qualquer efeito sobre nossa cultura. Portanto, o
julgamento continuará ininterruptamente até a igreja mais uma vez começar a
viver para fora, bem como falando a palavra de vida para sociedade em sua
volta. Somente então quando ela começar a manifestar o reino de Deus; e
apenas quando a igreja começar a manifestar o reino de Deus novamente,
nossa sociedade começará a ser liberta do julgamento de Deus.

Site: [Link]

A Igreja Primitiva Era Comunista?


Por Frank Brito
“Com grande poder os apóstolos davam testemunho da ressurreição do
Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. Pois não havia
entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam terras ou
casas, vendendo-as, traziam o preço do que vendiam e o depositavam
aos pés dos apóstolos. E se repartia a qualquer um que tivesse
necessidade”. (Atos 4:33-35)

...Aqui somos informados que, entre os cristãos de Jerusalém, “todos os que


possuíam terras ou casas” as vendiam, depositavam o valor “aos pés dos
Apóstolos” e que estes, por sua vez, repartiam com os necessitados.
Comunistas e socialistas frequentemente citam estes versos para justificar a
abolição ou relativização do direito a propriedade privada. Como
demonstraremos neste artigo, esta conclusão é absolutamente errada.

“NÃO ESTAVA O PREÇO EM TEU PODER?”


...“Mas um certo homem chamado Ananias, com Safira, sua mulher, vendeu
uma propriedade, e reteve parte do preço, sabendo-o também sua mulher; e
levando a outra parte, a depositou aos pés dos apóstolos. Disse então Pedro:
Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao
Espírito Santo e retivesses parte do preço do terreno? Enquanto o possuías,
não era teu? E vendido, não estava o preço em teu poder? Como, pois,
formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a
Deus“. (Atos 5:1-4)

...S. Pedro, por uma revelação extraordinária do Espírito, ficou sabendo que
Ananias, marido de Safira, estava mentindo sobre a doação. Aqui é muito
importante entender qual exatamente foi a crítica do Espírito, por meio do
Apóstolo: “Não mentiste aos homens, mas a Deus“. O pecado de Ananias,
então, foi contra o nono mandamento, “Não dirás falso testemunho”. No
contexto, “todos os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam o
preço do que vendiam e o depositavam aos pés dos apóstolos” (At 4:34).
Ananias disse estar fazendo o mesmo, mas na realidade “reteve parte do
preço” (At 5:2). E, segundo as claras palavras do Apóstolo Pedro, ele não tinha
qualquer obrigação de doar nada: “Enquanto o possuías, não era teu? E
vendido, não estava o preço em teu poder?” (At 5:4). Com estas palavras S.
Pedro defende o direito a propriedade privada. Ele argumentou que Ananias
não tinha qualquer necessidade de mentir porque antes de vender, aquela
propriedade pertencia a ele depois de vender o valor da venda continuava
estando sob seu poder. Ou seja, ele poderia simplesmente não vender e não
doar, caso quisesse. Todavia, ele preferiu mentir sobre a doação, com o
objetivo de se glorificado e exaltado pelos homens. Safira, sua esposa, era
cúmplice da mentira:

...“E perguntou-lhe Pedro: Dize-me vendestes por tanto aquele terreno? E ela
respondeu: Sim, por tanto. Então Pedro lhe disse: Por que é que combinastes
entre vós provar o Espírito do Senhor?” (Atos 5:8-9)
...Sendo assim, não é verdade, como muitos comunistas e socialistas
acreditam, que a Igreja Primitiva aboliu ou relativizou o direito a propriedade
privada. Pelo contrário, o direito foi abertamente confirmado e defendido por S.
Pedro quando ele repreendeu Ananias.

“NÃO PASSARÁ ESTA GERAÇÃO”


...Mas ainda precisamos responder uma segunda questão: se os cristãos de
Jerusalém não tinham a obrigação moral de fazer essas doações, se as
doações eram voluntárias, por que então faziam? Qual era a motivação? A
acusação que os judeus levantaram contra o diácono Estevão pode nos ajudar
a entender:

...“Levantaram-se, porém, alguns que eram da sinagoga chamada dos libertos,


dos cireneus, dos alexandrinos, dos da Cilícia e da Ásia, e disputavam com
Estêvão; e não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que falava. Então
subornaram uns homens para que dissessem: Temo-lo ouvido proferir palavras
blasfemas contra Moisés e contra Deus. Assim excitaram o povo, os anciãos, e
os escribas; e investindo contra ele, o arrebataram e o levaram ao sinédrio; e
apresentaram falsas testemunhas que diziam: Este homem não cessa de
proferir palavras contra este santo lugar e contra a Lei; porque nós o temos
ouvido dizer que esse Jesus, o nazareno, há de destruir este lugar e mudar os
costumes que Moisés nos transmitiu. Então todos os que estavam assentados
no sinédrio, fitando os olhos nele, viram o seu rosto como de um anjo”. (Atos
6:9-15)

...Evidentemente, as acusações eram falsas. De maneira alguma Estevão tinha


blasfemado contra Deus ou Moisés. Todavia, é importante entender que tais
falsas acusações eram uma versão distorcida da verdade: “Nós o temos ouvido
dizer que esse Jesus, o nazareno, há de destruir este lugar e mudar os
costumes que Moisés nos transmitiu”. Uma acusação parecida havia sido feita
contra o próprio Cristo em seu julgamento:

...“Levantaram-se por fim alguns que depunham falsamente contra ele,


dizendo: Nós o ouvimos dizer: Eu destruirei este santuário, construído por
mãos de homens, e em três dias edificarei outro, não feito por mãos de
homens“. (Marcos 14:57-58)

...Cristo de fato havia profetizado a destruição de Jerusalém e do santuário:


...“Ora, Jesus, tendo saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram
dele os seus discípulos, para lhe mostrarem os edifícios do templo. Mas ele
lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não se deixará aqui
pedra sobre pedra que não seja derribada“. (Mateus 24:1-2)

...“Ai de vós! porque edificais os túmulos dos profetas, e vossos pais os


mataram. Assim sois testemunhas e aprovais as obras de vossos pais;
porquanto eles os mataram, e vós lhes edificais os túmulos. Por isso diz
também a sabedoria de Deus: Profetas e apóstolos lhes mandarei; e eles
matarão uns, e perseguirão outros; para que a esta geração se peçam contas
do sangue de todos os profetas que, desde a fundação do mundo, foi
derramado; desde o sangue de Abel, até o sangue de Zacarias, que foi morto
entre o altar e o santuário; sim, eu vos digo, a esta geração se pedirão contas“.
(Lucas 11:47-51)

...“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que a ti são


enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta a
sua ninhada debaixo das asas, e não quiseste! Eis aí, abandonada vos é a
vossa casa. E eu vos digo que não me vereis até que venha o tempo em que
digais: Bendito aquele que vem em nome do Senhor”. (Lucas 13:34-35)

...“E quando chegou perto e viu a cidade, chorou sobre ela, dizendo: Ah! se tu
conhecesses, ao menos neste dia, o que te poderia trazer a paz! mas agora
isso está encoberto aos teus olhos. Porque dias virão sobre ti em que os teus
inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te apertarão de todos os
lados, e te derribarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem; e não
deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo da tua
visitação“. (Lucas 19:41-44)

...“E falando-lhe alguns a respeito do templo, como estava ornado de formosas


pedras e dádivas, disse ele: Quanto a isto que vedes, dias virão em que não se
deixará aqui pedra sobre pedra, que não seja derribada“. (Lucas 21:5-6)

...“Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei então que é


chegada a sua desolação. Então, os que estiverem na Judeia fujam para os
montes; os que estiverem dentro da cidade, saiam; e os que estiverem nos
campos não entrem nela. Porque dias de vingança são estes, para que se
cumpram todas as coisas que estão escritas. Ai das que estiverem grávidas, e
das que amamentarem naqueles dias! porque haverá grande angústia sobre a
terra, e ira contra este povo. E cairão ao fio da espada, e para todas as nações
serão levados cativos“. (Lucas 21:20-24)

...Ou seja, em Seu ministério público, Cristo deixou claro que, ainda naquela
geração, Jerusalém e o templo seriam destruídos por Deus. Isso se cumpriu
poucas décadas depois na Guerra Judaico-Romana. E segundo Jesus, quando
isso começasse a se cumprir, a situação ficaria tão feia que, em meio a fuga,
não haveria nem sequer tempo para salvar os próprios bens dentro de casa ou
para buscar a própria capa: “Quem estiver no eirado não desça para tirar as
coisas de sua casa, e quem estiver no campo não volte atrás para apanhar a
sua capa. Mas ai das que estiverem grávidas, e das que amamentarem
naqueles dias!” (Mt 24:17-20) Essa profecia continuou a ser anunciada pela
Igreja e essa era a base das acusações dos judeus contra Estevão: “Nós o
temos ouvido dizer que esse Jesus, o nazareno, há de destruir este lugar…”

...Tendo isso entendido, é preciso responder uma pergunta crucial:

...Se Jesus tivesse dito o mesmo sobre o Brasil, que ele seria destruído, não
daqui a muitas gerações, mas a qualquer momento ainda em sua geração,
você continuaria a planejar seu futuro aqui? Você planejaria comprar terras ou
casas aqui? E com os bens que você já tem, o que você faria?
...Isso explica a decisão dos cristãos de Jerusalém: “todos os que possuíam
terras ou casas, vendendo-as…” (At 4:34). Somente quem não cresse em
Jesus faria diferente. De que me serviria terras e casas em uma cidade que a
qualquer momento ficaria “desolada” (Lc 21:20)? Isso explica também porque
as outras igrejas, fora de Jerusalém, não faziam o mesmo.

Site: [Link]

Glorioso Corpo de Cristo


Por R. B. Kuiper

Capítulo 01

A ANTIGUIDADE E PERPETUIDADE DA IGREJA


SEU NASCIMENTO
...Quantos anos a igreja cristã tem?

...No conselho de Deus a igreja existe desde a eternidade. Num capítulo


posterior deste estudo da glória da igreja, examinaremos esta verdade. Por
enquanto, nossa preocupação girará em torno da igreja dentro do marco da
história. A pergunta obrigatória é: Quando a igreja teve a sua origem no curso
da história humana?

...Duas respostas tem sido dadas a esta pergunta. A teologia cristã em geral
afirma que a igreja teve sua origem no jardim do Éden, imediatamente depois
da queda do homem, quando Deus lhe prometeu um Salvador e o homem pela
fé aceitou tal promessa. Por outro lado, muitos afirmam que o derramamento
do Espírito Santo em Pentecostes, há pouco mais do que 1900 anos[1],
assinala, na realidade, o nascimento da igreja cristã.

...Qual destas duas respostas é a correta? Isso será determinado à luz da


definição da igreja. Se nossa definição for correta, não será difícil determinar se
na verdade a igreja existiu ou não antes do Pentecostes. Pois bem, o Credo
Apostólico define a igreja como "a comunhão dos santos". De igual modo, é
correto dizer que "é a comunhão dos crentes". Não havia, por acaso,
comunhão dos crentes nos tempos do Antigo Testamento? Certamente que
sim. Desde a queda do homem não tem havido mais que um Salvador, o
Senhor Jesus Cristo, e um só caminho para obter a salvação, isto é, através da
fé nEle. Assim como os crentes do Novo Testamento são salvos por sua fé no
Cristo da história, da mesma forma os crentes do Antigo Testamento foram
salvos através de sua fé no Cristo da profecia. O Cristo da profecia e o Cristo
da história são, com certeza, uma e a mesma pessoa. Assim, Isaías, Davi,
Abraão e muitos outros do Antigo Testamento foram membros do único corpo
de Cristo, a igreja. E se assumimos, como devemos fazer, que Adão e Eva
creram na promessa de Deus de que a semente da serpente feriria o calcanhar
da semente da mulher, e que a semente da mulher, por sua vez, feriria a
cabeça da serpente (Gênesis 3:15), então, pode-se afirmar que eles, Adão e
Eva, constituíram a primeira igreja cristã.

SUA MATURIDADE
...Não se deve pensar, nem por um instante, que a igreja foi madura desde o
seu nascimento. Nem chegou à maturidade até que o Espírito Santo foi
derramado sobre ela. Isto faz do Pentecostes o evento crucial na história da
igreja. Serve também para explicar o fato de que a glória da igreja sob a nova
dispensação é muito maior do que a da antiga dispensação.

...A igreja da nova dispensação tem uma revelação mais completa. Embora os
crentes do Antigo Testamento tinham que se contentarem com a sombra das
coisas que haveriam de vir, nós andamos na plena luz provida por Aquele que
é ao mesmo tempo o Filho de Deus, o resplendor da glória do Pai, a própria
imagem do Pai (Hebreus 1:3), e o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do
mundo (João 1:29). E foi Ele, Cristo, que no dia de Pentecostes cumpriu Sua
promessa de dar a Sua igreja o Espírito da verdade, para guiá-la a toda a
verdade (João 16:13).

...A igreja da nova dispensação goza de uma liberdade mais completa. Já não
está na condição de uma criatura que necessita que se lhe diga a cada instante
o que tem ou não tem que fazer, mas que já chegou a sua maioridade (Gálatas
4:1-7). Não somente foi abolida a lei cerimonial, que prescrevia a adoração do
antigo Israel; a liberdade da igreja do Novo Testamento tem a ver também com
a lei moral de Deus. É para ele, certamente, um dever sagrado guardar esta lei,
porém se regozija ao fazê-lo, e essa é a verdadeira essência da liberdade. Sem
dúvidas, tal liberdade não foi desconhecida pelos crentes do Antigo
Testamento, porque o salmista falou dos mandamentos de Deus como sendo
"mais doces do que o mel e o licor dos favos" (Salmos 19:10). Contudo, a igreja
do Novo Testamento goza desta liberdade em maior medida, porque o Espírito
Santo foi derramado sobre ela como nunca antes, "e onde está o Espírito do
Senhor, aí há liberdade" (2 Coríntios 3:17).

...A igreja da nova dispensação tem uma forma visível própria. Houve um
tempo em que a igreja estava ligada à família patriarcal. Posteriormente estava
ligada, ainda que não identificada, com o povo de Israel. Porém em
Pentecostes, a igreja chegou a sua maturidade, uma organização distinta.

...A igreja da nova dispensação é universal. Nos tempos do Antigo Testamento,


a igreja estava limitada quase exclusivamente ao povo israelita. Somente em
forma ocasional, e como uma exceção, foram recebidos gentios dentro dela,
Rute, a moabita, é um exemplo proeminente. Porém, em Pentecostes, línguas
repartidas como de fogo pousaram sobre as cabeças dos discípulos e no
mesmo instante, começaram a proclamar as grandes maravilhas de Deus em
muitas línguas. Homens de todo o mundo mediterrâneo estiveram presentes,
tanto judeus como prosélitos. Muitos deles se converteram e foram recebidos
por meio do batismo na igreja cristã. Aquelas foram as primícias da grande
colheita que mais tarde haveria de ser reunida dos campos do mundo.

SUA CONTINUIDADE
...Poderia ser dito muito mais com respeito à grande glória da igreja do Novo
Testamento. Longe de ter dito tudo o que se poderia dizer, resta ainda o fato de
que a igreja da nova dispensação é a continuação da igreja da antiga
dispensação, e ainda mais, o fato de que a igreja de Jesus Cristo em ambos
períodos é realmente gloriosa. O que merece ser acentuado é o fato de que a
mesma continuidade da igreja contribui grandemente para a sua glória.

...Disso, precisamente, escreveu o apóstolo Paulo aos cristãos gentios de


Éfeso numa linguagem vívida. Depois de recordar-lhes que eles uma vez
estiveram separados da comunidade de Israel, e estranhos ao pacto da
promessa, prosseguiu assim: "Mas agora, em Cristo Jesus, vós, que antes
estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Porque ele é a nossa
paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação
que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos
mandamentos contidos em ordenanças, para criar, em si mesmo, dos dois um
novo homem, assim fazendo a paz,e pela cruz reconciliar ambos com Deus em
um só corpo, tendo por ela matado a inimizade; e, vindo, ele evangelizou paz a
vós que estáveis longe, e paz aos que estavam perto;porque por ele ambos
temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito. Assim, pois, não sois mais
estrangeiros, nem forasteiros, antes sois concidadãos dos santos e membros
da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos
profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra da esquina;no qual
todo o edifício bem ajustado cresce para templo santo no Senhor" (Efésios
2:12-21).

...Como já se mencionou na introdução deste estudo, segundo o


dispensacionalismo[2], não existia a igreja antes do Pentecostes, e ainda
quando o Filho de Deus veio à terra, não teve a menor intenção de estabelecer
uma igreja. Veio para estabelecer um reino, porém, quando o povo judeu O
rejeitou como rei, decidiu postergar Seu reino até Sua segunda vinda e,
enquanto isso, fundar uma igreja. Assim a "era da igreja" vem a ser
relativamente insignificante, um mero parêntesis. A verdade é que a igreja foi
fundada no Éden e continuará até o fim dos séculos e, sim, pela eternidade.

...A igreja de Cristo continuará até o ponto da mais gloriosa perpetuidade. Ela
abraça todas as idades da história humana e se estenderá através das eras
sem fim da eternidade. Em vez de ser um substituto temporal de algo melhor,
ela constitui o coração do plano eterno de Deus. Em vez de abraçar aos
crentes de uns poucos séculos, é a comunhão dos eleitos de Deus de todas as
eras, a incontável multidão de todos aqueles cujos nomes estão escritos no
livro da vida do Cordeiro desde a fundação do mundo e que morarão
eternamente na cidade que não tem necessidade de sol nem de lua que
brilhem nela: porque a glória de Deus a iluminará, e o Cordeiro é a Sua
lâmpada (Apocalipse 21:23).

Tradução livre: Felipe Sabino de Araújo Neto


Cuiabá-MT, 17 de Julho de 2004
Site: [Link]

O Sofrimento do Mundo e o
Pessimismo da Igreja
Por Fernando Frezza

A natureza criada aguarda, com grande expectativa, que os filhos de Deus


sejam revelados.

...Pois ela foi submetida à futilidade, não pela sua própria escolha, mas por
causa da vontade daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria
natureza criada será libertada da escravidão da decadência em que se
encontra para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus. Romanos 8:19-21

...Sou bastante ignorante em relação à escatologia e posso me considerar no


momento um amilenista (por achar que não há acontecimentos programados
que devo esperar antes do fim), mas tenho que dizer que o pós-milenismo me
chama a atenção.. A ideia de que a sociedade pode experimentar uma
transformação qualitativa através da ação do próprio Deus nos corações das
pessoas e através do ministério da Igreja é pra mim fantástico, acho "o melhor
dos mundos", só não sei com certeza ainda se isso vai realmente acontecer.

...De qualquer forma, mesmo que nunca haja esse avivamento, não acho que a
mentalidade dos cristãos deveria ser outra senão a de tentar mostrar à
sociedade como um todo que o plano de Deus para o mundo é muito melhor do
que qualquer outra ideologia que adotem.. Aparentemente a maioria dos
cristãos vai dizer que concorda com essa ideia, mas na verdade não é bem
assim.

...Quando eu vejo tantos cristãos confundirem "divisão de Igreja e Estado" com


"o impedimento da Igreja (os cristãos) se envolver com política", fica claro pra
mim que a mentalidade da maioria é de que a Igreja deve se preocupar em
resgatar os eleitos para a vida eterna, mas que sua ação na esfera social deve
ser somente como 'auxiliar' e não com o intuito de expressar quais os padrões
ideais para a sociedade e realmente mudar o mundo.

...Quando esses cristãos reclamam que a sociedade vai de mal a pior, deviam
entender que, ao se omitirem segundo as falsas pressuposições acima, são
muito responsáveis por essa situação.. Esses cristãos acertam ao dizer que
não deve haver imposição, mas erram FEIO ao achar que o 'Estado' é
independente de Deus e que requerer D-E-M-O-C-R-A-T-I-C-A-M-E-N-T-E que
a vontade de Deus seja feita é algum tipo de imposição.
...Fica claro que 1) não entenderam bem o conceito de democracia ou que 2) o
pessimismo de sua escatologia fala mais alto na hora de tomar decisões.. Não
entenderam que na democracia as coisas são na teoria definidas pelo que uma
maioria escolhe, logo, não há imposição quando se opina de "forma x" ou
"forma y", são opiniões.. Não entenderam que ao abrirem mão de opinar
democraticamente, estão simplesmente dando 'boas vindas' a tudo o que
outras ideologias apresentarem à sociedade em termos de leis e regras.
...Ou seja, talvez o mundo seja como é justamente pela omissão dos cristãos
nessa área e por ser guiado por outras ideologias que nunca vão melhorá-lo..
Não que seja o único fator, mas não consigo desprezar que é algo muito
importante.. Alguns (não a maioria) chegam ao ponto de dizer que não devem
se preocupar em mudar na sociedade aquilo que não os afeta diretamente,
mas com isso somente demonstram egoísmo e total desprezo ou falta de
empatia no que diz respeito à ira de Deus sobre os pecadores.

...Indo um pouco mais além, esse pessimismo sobre o futuro do mundo é parte
de um 'pacote' muito danoso. Olhando pra 'massa evangélica' do nosso país
podemos com facilidade montar essa 'equação':

...Desigualdade social + corrupção + escatologia pessimista + teologia da


prosperidade+ infalibilidade pastoral / bispal / apostólica + 'tradições' baseadas
em experiências pessoais e extra-bíblicas = 'mundo evangélico' brasileiro.

...A vida em um país como o nosso, cheio de injustiças escancaradas pra


qualquer um ver e falta de oportunidades a tanta gente, somada a uma total
desesperança sobre o futuro nesse mundo se torna o ambiente ideal pra que a
"teologia" da prosperidade floresça e atraia pessoas e mais pessoas.. Esse
ensino infernal explora a ganância de muitos e o fio de esperança restante de
outros em busca de "vitórias" para as lutas em suas vidas sofridas (o que
segundo eles é recebido através de barganhas com Deus).
...Aqueles que disseminam essa 'teologia" do inferno usam a religiosidade e
ignorância bíblica de tantos evangélicos para lhes prometer o que Deus nunca
prometeu, e não satisfeitos em iludi-los ainda os extorquem para benefício
próprio.

...Enfim, esse artigo não é especificamente sobre escatologia, heresias ou


muito menos sobre reconstrucionismo ou teonomia, mas simplesmente sobre a
incoerência que eu vejo em se abrir mão do direito de opinar e reivindicar
melhorias na sociedade segundo o padrão bíblico devido a um pessimismo
sobre o futuro ou o entendimento errado sobre seus próprios direitos em uma
democracia; e também sobre alguns danos que isso traz.
...Espero que não ofenda ninguém com isso, e que não seja tomado como
menosprezo alguma outra visão do assunto.. Posso estar errado e estou
disposto a ser corrigido.

Noiva, Esposa ou Apenas


um Caso de Cristo?
Por Hermes C. Fernandes
Os capítulos 18 e 19 de Apocalipse expressam grandes contrastes entre si. Se
Apocalipse 18 é o capítulo dos “ais”, Apocalipse 19 é o capítulo dos “aleluias”.
Depois de anunciar a queda da Babilônia, chegara a hora de exultar, pois a
prostituta cedera lugar à virgem noiva do Cordeiro, a Nova Jerusalém.

...A exemplo do que acontecera à rainha Vasti, destituída por não atender ao
chamado do Rei Assuero, e substituída por Ester, Deus divorciou-se de Israel,
para contrair novas núpcias com Seu novo povo, a Igreja.

...Tal divórcio já havia sido predito: “Dei carta de divórcio à infiel Israel e a
despedi, por causa dos seus adultérios” (Jer.3:8a). Talvez seja este um dos
motivos porque Deus odeia o divórcio. Ele passou por um, e sabe o quanto dói.

...Uma vez divorciado, Ele estava livre para casar-Se novamente. A Nova
Aliança nada mais é do que novas núpcias entre Deus e o Seu povo.

...Jerusalém, a esposa infiel de Yahweh, fora finalmente julgada, recebendo a


sentença prescrita na Lei.[1] Agora, o caminho estava plenamente aberto para
que Deus acolhesse àquela que seria Seu novo Israel, Sua nova Jerusalém.

...Embora o juízo de Deus sobre Jerusalém tenha tardado cerca de 40 anos


após a Cruz, seu divórcio se deu no momento em que Cristo expirou. De
acordo com a Lei, somente a morte de um dos cônjuges seria capaz de
dissolver os laços do matrimônio. Com a morte de Cristo, Jerusalém ficou
viúva. Apocalipse 19:7 diz que a Grande Babilônia dizia em seu coração:
“Estou assentada como rainha, e não viúva, e de modo algum verei o pranto”.
Pobre cidade! Cumpriu-se cabalmente nela o que fora profetizado em forma de
lamentação pelo profeta Jeremias:

...“Como jaz solitária a cidade, outrora tão populosa! Tornou-se como viúva, a
que foi grande entre as nações! A princesa entre as províncias tornou-se
escrava!” (Lm.1:1).
...Viúva e escrava! Não foi em vão que Paulo chama a Jerusalém de seus dias
de “escrava juntamente com seus filhos” (Gl.4:25).

...Antes de ser anunciada as bodas do Cordeiro, encontramos a expressão


“aleluia”por quatro vezes.

...O primeiro “aleluia” parte de uma numerosa multidão, e é porque “a salvação


e a glória e a honra e o poder pertencem ao nosso Deus, pois verdadeiros e
justos são os seus juízos”. Portanto, trata-se da celebração da justiça de Deus.
Enquanto o motivo da celebração é explicado, um segundo aleluia, como que
espontâneo, é ouvido. Afinal, a causa dos mártires, profetas e apóstolos, era
vindicada. A grande prostituta havia sido julgada. O terceiro “aleluia” vem
precedido por um sonoro “amém”, e é proferido pelos lábios de seres celestiais.
O que indica uma perfeita harmonia entre o céu e a terra. Como dissera Jesus,
o que fosse concordado na terra, teria sido concordado no céu. Esse terceiro
“aleluia” vem acompanhado de uma exortação: “Louvai o nosso Deus, vós,
todos os seus servos, e vós que o temeis, assim pequenos como grandes”
(v.5). Agora, o coral estava completo, e reunia vozes oriundas de todos os
cantos do Universo, grandes e pequenos, visíveis e invisíveis, celestiais e
terrenos.

...O último “aleluia” parece ser dito em uníssono pelos habitantes da terra e do
céu, pois a voz que o pronunciava era “como a de uma grande multidão, como
a voz de muitas águas, e como a voz de fortes trovões” (v.6). Tudo isso pra
dizer: “Aleluia! Pois já reina o Senhor nosso Deus, o Todo-poderoso.
Regozijemo-nos, e exultemos, e demos-lhe a glória! Pois são chegadas as
bodas do Cordeiro, e já a sua noiva se aprontou. Foi-lhe dado que se vestisse
de linho fino, resplandecente e puro. O linho fino são os atos de justiça dos
santos” (vv.6-7).

...Para muitos intérpretes, as Bodas do Cordeiro são um evento futuro, que se


concretizará quando Cristo vier em glória para encontrar-Se com a Sua Noiva.
Temos, porém, fortes razões para acreditarmos que o casamento entre Cristo e
a Sua Igreja já ocorreu.
...Para entendermos melhor esta questão, precisamos compreender alguns
costumes judaicos que remontam o tempo dos patriarcas. Segundo as
tradições, o enlace matrimonial se dava em três estágios, conhecidos por
Shiduchin, Erusin e Nissuin.

...O Shiduchin era o primeiro passo no processo do casamento, sendo os


arranjos preliminares legais. Geralmente, cabia ao pai do noivo escolher uma
noiva para se filho. O casamento era visto como um ato de ligação de famílias,
tendo, às vezes um objetivo político. Às vezes o pai do noivo delegava essa
função a um Shadkhan (uma espécie de agente casamenteiro).[2] Tão logo a
noiva fosse encontrada, o próximo passo do Shiduchin era a apresentação da
proposta do Ketubah (“escrito” ou “recibo”, ou ainda, “testamento” ou
“contrato”). A Ketubah incluía as provisões, promessas e condições propostas
para o casamento. Era um tipo de acordo pré-nupcial, ou um contrato de
casamento. Nesse momento, o noivo promete sustentar sua futura esposa, e o
pai da noiva estipula o valor de seu dote. O processo só prossegue depois que
o noivo assume o compromisso de pagar o preço estipulado.

...O pagamento do dote, e assinatura do Ketubah inaugurava o segundo


estágio, o Erusin (desposar), também chamado de Kidushin (santificar). Antes,
porém, da cerimônia do Erusin, realizada sob uma tenda (huppah), era comum
a noiva e o noivo participarem de um ritual separado de imersão na água
(mikveh/batismo), que representava uma limpeza espiritual. O compromisso
era assumido e celebrado em uma refeição memorial com pão e vinho.

...O Erusin/Kidushin equivaleria a um tipo de noivado, mas que não podia ser
rompido, só mediante um divórcio. A seguir a noiva recebia um presente do
noivo que selava o compromisso entre os dois. O noivo então partia para
construir uma casa para a noiva, enquanto ela preparava um lindo vestido de
casamento como um símbolo de santidade e dedicação ao esposo. Após
algum tempo então, quando a casa estivesse pronta, o noivo voltava no meio
da noite, ao grito "Eis o noivo!"[3] e também ao toque do shofar (trombeta), e
levava a noiva para a câmara nupcial (cheder) onde então o casamento era
consumado. No erusin, os nubentes já estavam plenamente comprometidos
mutuamente, mas a consumação só se daria tempos depois, no terceiro
estágio do casamento, chamado de Nissuin, quando a noiva seria tirada da
casa dos pais, para coabitar com o seu marido.[4] A lua de mel no Cheder
durava um período de sete dias. Após estes sete dias o casal deixava o Cheder
e celebrava as bodas com os convidados, em uma grande festa com banquete,
dança e celebração, que durava sete dias.

...A celebração do Nissuin tem seu ápice quando os noivos compartilham de


uma taça de vinho em um brinde chamado de sheva b’rakhot, que significa
“Sete bênçãos”, ou “Plenitude da Bênção”. Essa taça difere da que é tomada
no Erusin.

...Entre Deus e Israel, o Shiduchin aconteceu quando Deus chamou a Abraão.


Ali Ele fez as promessas, comprometendo-Se com a descendência do
patriarca. Séculos mais tarde, Yahweh enviou Moisés ao encontro de Sua
amada, como um Shadkhan.

...O Erusin/Kidushin se deu quando o Cordeiro Pascal foi imolado, e os hebreus


foram retirados do Egito, sendo “batizados” na atravessia do Mar Vermelho.
Cinqüenta dias depois, aos pés do Monte Sinai, ocorreu o Nissuin, com a
outorga da Lei por intermédio de Moisés.

...Entre Cristo e a Igreja não foi diferente. Podemos identificar o Shiduchin com
o momento em que Cristo desceu às águas batismais. João Batista foi o
Shadkhan, o amigo do noivo, aquele que introduziu a noiva ao noivo. E isso ele
fez quando exclamou: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.

...O Erusin/Kidushin se deu na Cruz, quando Cristo pagou o dote por Sua
noiva. Paulo diz que “Cristo amou a sua igreja, e a si mesmo se entregou por
ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, a fim
de apresentá-la a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa
semelhante, mas santa e irrepreensível”(Ef.5:25b-27). Lembre-se que
“Kidushin” significa “santificar”. Na noite anterior à Cruz, Ele assumiu o
compromisso, e tomando o cálice e o pão, firmou os termos do Novo
Testamento, a Ketubah, prometendo aos Seus discípulos, que o próximo cálice
que eles tomariam juntos, seria no Reino de Deus. Por isso, Paulo identifica o
cálice tomado pelos crentes na Ceia do Senhor como o “cálice da bênção” (1
Co.10:16). Eis mais uma forte evidência de que estamos vivendo na Era do
Reino de Deus. Fomos transportados do império das trevas, para o Reino do
Filho do Seu Amor. Por isso, o cálice de que hoje bebemos, é o cálice, não do
Erusin, mas do Nissuin. É o cálice das “sete bênçãos”, ou simplesmente, da
“plenitude da bênção”. Era essa a certeza de Paulo ao avisar que chegaria a
Roma “com a plenitude da bênção de Cristo” (Rm.15:29). Fomos abençoados
com “toda a sorte de bênçãos”, e não apenas algumas.

...Nosso Nissuin se deu em Pentecostes. Ali nosso casamento com Cristo foi
consumado. Se nosso casamento com Cristo ainda não alcançara esse
estágio, teremos que concluir que Ele ultrapassou o sinal vermelho, cometendo
fornicação com a Sua noiva. Por que afirmo isso? Porque em Pentecostes, o
Espírito de Cristo foi profusamente derramado sobre a Sua Esposa. Houve
uma junção espiritual entre Cristo e a Igreja, análoga à junção carnal entre
marido e mulher, quando usufruem da plenitude dos direitos conjugais.

...A partir de Pentecostes, todo aquele que se une ao Senhor é um espírito com
ele, assim como marido e mulher se tornam uma só carne ao se unirem
conjugalmente (1 Co.6:17). Portanto, as Bodas do Cordeiro não são um evento
futuro, mas já realizado.

...Alguém poderá argumentar, dizendo que, se as Bodas já aconteceram,


então, já deveríamos ter sido tirados daqui, e levados para o céu. Afinal, Cristo
foi preparar lugar para a Sua noiva, porém, não voltou ainda para buscá-la para
seu novo lar. Defendemos, porém, que isso também já ocorreu. Ele voltou para
nós, quando enviou-nos o Seu Espírito, para que onde Ele estivesse,
estivéssemos também. Ao derramar do Seu Espírito, Ele nos fez assentar nas
regiões celestiais, e é justamente lá, nessas regiões (céu), que somos
abençoados com toda sorte de bênçãos. Por isso, Paulo testifica que agora
mesmo, estamos assentados nas regiões celestiais em Cristo Jesus (Ef.2:6).

...Lembremo-nos que nosso “novo lar” é a Nova Jerusalém, e de acordo com


Hebreus 12:22, já adentramos os seus portões, tendo chegado “a Jesus, o
Mediador de uma nova aliança”(v.24). Ele nos desarraigou desse mundo.

...Trata-se de algo espiritual, que foge aos sentidos carnais. Nossa lua-de-mel
começou em Pentecostes, e só vai terminar quando Cristo vier em glória, para
revelar Sua Esposa ao Mundo. Sairemos de nossa câmara nupcial, para nos
revelar ao Mundo. Dar-se-á início, então, ao Banquete das Bodas do Cordeiro.

...O que ainda está por vir não é o casamento entre Cristo e Sua Igreja, e sim o
Banquete das Bodas do Cordeiro.

Fonte: [Link]
Postagem feita Domingo, 5 de Agosto de 2012

___________________
Notas:
1. Pela lei, uma mulher adúltera deveria ser apedrejada e queimada.
2. Encontramos um exemplo disso no episódio em que Abraão envia seu servo
....Eliesér em busca de uma noiva para seu filho Isaque (Gn.24:1-4).
3. Na cerimônia tradicional judaica, o rabino fica no meio da tenda (huppah), e
....antes do noivo começar sua marcha, ele diz: “Baruch Habah B’shem
Adonai”,
....que significa “Bendito é aquele que vem em nome do Senhor”.
4. Foi por causa desse costume, que José não havia tido relações com Maria
....ainda, mesmo sendo “casados”. Era necessário que José esperasse o tempo
....certo, para o nissuin.
Repensando a Grande Comissão
com o Profeta Jonas
Por Marcelo Lemos

Comento: estou tendo o prazer de ler um livro fantástico sobre Escatologia


redigido pelo irmão Frank; texto que ainda não foi editado e publicado, mas
deveria sê-lo urgentemente! São 108 páginas - ainda sem edição, em
formato .Doc, de pura Teologia Reformada e Escatologia da Esperança, ou
seja, Pós-Milenismo! Morram de "inveja" vocês todos (risos)! O texto é
excelente, e comprova a grande habilidade teológica e intelectual do autor, um
jovem ainda (exemplo a ser seguido por outros, já que parece que nos
convenceram que jovem só serve para dar "dor de cabeça na Igreja"). Quero,
portanto, compartilhar um pequeno, mas belíssimo trecho do primeiro capítulo
da obra, que tomei a liberdade de renomear, nesta citação, como "Repensando
a Grande Comissão com o Profeta Jonas". Uma delícia de texto. Fé, ativismo e
esperança do começo ao fim!

...“E os homens de Nínive creram em Deus; e proclamaram um jejum, e


vestiram-se de saco, desde o maior deles até o menor. A notícia chegou
também ao rei de Nínive; e ele se levantou do seu trono e, despindo-se do seu
manto e cobrindo-se de saco, sentou-se sobre cinzas. E fez uma proclamação,
e a publicou em Nínive, por decreto do rei e dos seus nobres, dizendo: Não
provem coisa alguma nem homens, nem animais, nem bois, nem ovelhas; não
comam, nem bebam água; mas sejam cobertos de saco, tanto os homens
como os animais, e clamem fortemente a Deus; e convertam-se, cada um do
seu mau caminho, e da violência que há nas suas mãos... Mas isso
desagradou extremamente a Jonas, e ele ficou irado. E orou ao Senhor, e
disse: Ah! Senhor! não foi isso o que eu disse, estando ainda na minha terra?
Por isso é que me apressei a fugir para Társis, pois eu sabia que és Deus
compassivo e misericordioso, longânime e grande em benignidade, e que te
arrependes do mal”. (Jonas 3.5-8,4.1-2)

...Inicialmente, quando Deus enviou Jonas pra pregar aos moradores de


Nínive, ele recusou. “Ora veio a palavra do Senhor a Jonas, filho de Amitai,
dizendo: Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela, porque
a sua malícia subiu até mim. Jonas, porém, levantou-se para fugir da presença
do Senhor para Társis...” (Jonas 1.1-3) Não era por medo dos ninivítas que
Jonas fugiu do seu chamado, mas era por rancor aos ninivítas. Ele sabia que
se os ninivítas se arrependessem por meio de sua pregação, eles seriam
perdoados por Deus. Então Jonas fugiu. A sua fuga foi motivada pela sua
perspectiva em relação ao perdão que o Senhor concederia aos ninivítas. A
expectativa que Jonas tinha sobre o futuro dos ninivítas motivou a sua fuga.

...As últimas ordens dadas por Jesus Cristo antes de subir aos céus foi
semelhante à ordem que Deus deu a Jonas:

...“E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a


autoridade no céu e na terra. Portanto ide, ensinai todas as nações, batizando-
os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar
todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos
os dias, até a consumação dos séculos”. (Mateus 28.18-20)

...A diferença principal entre a ordem dada a Jonas e a ordem dada a Igreja,
conhecida como a Grande Comissão, é que a ordem dada a Jonas envolvia
uma única nação - Nínive. A transformação de Nínive foi tão grande que afetou
até o governo civil. O próprio rei decretou um jejum público em nome do
arrependimento da nação (Jonas 3.7). Então Deus perdoou e abençoou Nínive.

...Mas há outra diferença crucial entre Jonas e a forma com que muitos cristãos
contemporâneos encaram a Grande Comissão. Jonas cria que se ele pregasse
haveria uma transformação completa de Nínive. Jonas cria que sua pregação
surtiria efeito. Por isso ele fugiu. Ele queria que Nínive fosse destruída. Mas no
caso da Grande Comissão, a vasta maioria dos cristãos contemporâneos não
acredita que a pregação da Igreja possa surtir efeito para a transformação do
mundo. Diferente de Nínive, a vasta maioria dos cristãos contemporâneos
acredita que quanto mais a História avança, mais as nações se rebelam contra
o Senhor em desobediência a pregação da Igreja.

...A vasta maioria dos cristãos contemporâneos acredita que quanto mais o fim
da História se aproxima, devemos esperar que as coisas fiquem
progressivamente piores em todos os aspectos da vida até que Jesus volte
para nos salvar de toda destruição. Jonas cria que se ele cumprisse a ordem
de pregar em Nínive, aquela nação seria transformação. Mas a vasta maioria
dos cristãos contemporâneos não acredita que a pregação em todas as nações
não surtirá qualquer efeito para transformar tais nações e conduzi-las aos pés
de Cristo.

...Essa tem sido a mensagem incessante dos teólogos mais influentes na


Escatologia no Cristianismo contemporâneo.[1]

...A pergunta crucial que precisa ser feita no estudo da Escatologia é essa: A
Igreja será bem sucedida em cumprir as últimas ordens de Jesus ou não? Os
cristãos realmente conseguirão ensinar o mundo inteiro a observar o que Jesus
Cristo lhes ensinou? A Igreja de Jesus Cristo foi predestinada por Deus a
fracassar em seu propósito na História? A Grande Comissão acabará como o
Grande Fracasso pelo aumento progressivo do mal?

...A vasta maioria dos cristãos contemporâneos acredita que sim. Sendo assim,
quanto mais a História, mas a Igreja é marcada pelo fracasso em cumprir as
ultimas ordens de Jesus antes de subir aos céus. A existência de guerras,
fomes, desastre naturais, epidemias e falsos mestres é, para muitos cristãos, o
sinal de que já chegamos aos últimos dias. Ao ler na manchete do jornal sobre
mais uma guerra que estourou, mais uma epidemia que surgiu ou sobre mais
um falso profeta que conseguiu arrebatar multidões, um vasto número de
cristãos se alegram.

...Lamentam-se pelas desgraças é claro, mas se alegram porque acreditam


que tais desgraças são os sinais de que Jesus já está pra voltar a qualquer
momento. Por acreditar que tais coisas são necessárias, inevitáveis e passíveis
somente de aumentar, os cristãos têm uma justificativa teológica para não se
levantar e lutar. A Grande Comissão vira a Grande Omissão. Ou pelo menos o
Grande Sonho impossível. Conformam dizendo: “É assim que as coisas são. A
Bíblia avisou que isso aconteceria. Se ela disse que só aumentaria, o que
podemos fazer pra mudar a forma com que as coisas?”

...Deus é o primeiro e o último, o princípio e o fim. Toda sua Criação encontra


nele o propósito último de sua existência. As exigências feitas a sua Igreja
como um dos meios de cumprimento desse propósito foi revelado por Cristo
antes de subir aos céus “Ide, ensinai todas as nações... a observar todas as
coisas que eu vos tenho mandado”. (Mateus 28.19-20) Suas ordens não foram
dadas seguidas de revelações de que seriam ordens que não poderiam ser
cumprida. Pelo contrário, foram dadas em nome daquele que disse:

...“Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra”. (Mateus 28.18).

Fonte: [Link]
Data: 01 de Julho de 2011

Rompendo com o Igrejismo,


abraçando o Reinismo
Por Hermes C. Fernandes

A Igreja do Futuro não pode ser em-si-mesmada, isto é, voltada para si mesma,
mas para o mundo, tendo por objetivo primordial a implantação do Reino de
Deus. Ela tem que ser reinista, em vez de ser igrejista.

...Assim como o Espírito Santo não chama a atenção para Si, mas para Cristo,
a Igreja do Futuro não pretende ser o centro das atenções, mas projeta seus
holofotes para a nova humanidade, a ser edificada ao redor do Trono.

...A igreja contemporânea (salvo exceções), não passa de uma caricatura mal
acabada da verdadeira igreja de Cristo, cujo protótipo pode ser claramente
visto nas páginas de Atos dos Apóstolos.

...Urge reformularmos nossa concepção eclesiológica.

...A igreja enquanto instituição deveria ser vista como a placenta onde a nova
humanidade está sendo gestada. Quando chegar a hora do parto, a placenta
pra nada mais servirá, e será descartada.

...Por isso, não há templos na Sociedade Definitiva vislumbrada por João em


Apocalipse.
...A igreja é o andaime usado pelo Grande Construtor,que será removido tão
logo a obra tenha sido concluída.
...A Igreja que perdurará por toda a Eternidade é a Nova Humanidade, a
Civilização do Amor, que tem como Cabeça o Novo Adão, Jesus Cristo.

...Enquanto a "igreja" insistir em trabalhar voltada para si mesma, e para a


manutenção de seus projetos, ela estará fadada a perder a relevância no
Mundo. A igreja precisa converter-se ao Mundo, pois foi para o benefício dele
que ela foi levantada.
...Paradigma Igrejista x Paradigma Reinista

...O neologismo “igrejismo” aponta para a concepção eclesiológica vigente em


nossos dias, onde a igreja se confunde com o próprio Reino de Deus, e se
acha o centro das atividades divinas entre os homens.

...O igrejismo é mais do que uma concepção, é uma postura promotora de


alienação e sectarismo. A igreja acaba por se tornar um gueto religioso, com
sua própria subcultura, repleta de jargões e clichês.

...Já o neologismo “reinismo” pretende resgatar uma concepção eclesiológica


bíblica e condizente com os anseios da pós-modernidade, onde se mantém a
distinção entre o Reino e a Igreja, e o foco deixa de ser as atividades religiosas
para ser o agir de Deus na História, envolvendo todas as dimensões da
existência humana.

...Ser reinista não é apenas pertencer a uma agremiação eclesiástica, mas ser
um agente do Reino de Deus, empenhado na transformação do Mundo por
intermédio da implementação do conjunto de valores e princípios ensinados por
Jesus.
...Neste contexto, a igreja é o farol, a humanidade é o navio, e o Reino de Deus
é o Porto Seguro.

...Um farol não pode apontar sua luz para si mesmo. Seu papel é iluminar o
caminho, possibilitando ao navio chegar seguro ao porto. Assim, a igreja tem a
missão de ser paradigma civilizatório, a fim de que as nações andem à sua luz.
A igreja deve ser uma espécie de microcosmos, de protótipo, de amostra grátis,
de plano piloto. Ela, portanto, não é um fim em si mesma.

...A Igreja do Futuro deve ser proativa, em vez de reativa. Deve antecipar-se,
como fez a mulher que derramou o perfume sobre Jesus. Deve ser
vanguardista. O Mundo deve conformar-se aos valores por ela apregoados, e
não vice-versa. Ela deve estar sempre um pé à frente, e isso com respeito a
qualquer questão de interesse humano. Ela não apenas responde questões
pertinentes ao seu tempo, como prevê questões que ainda surgirão, e busca
respondê-las ainda antes que se tornem pertinentes.

...Embora sua origem seja celestial, ela emerge da realidade em que está
inserida. Portanto, ela só pode ser emergente, se for antes, imergente. Ao
emergir, ela atrai para si, não os holofotes, mas a responsabilidade por tudo o
que diz respeito à condição humana e suas demandas. Por isso, ela é
convergente. Sua cosmovisão é ampla e abarca a realidade como um todo,
desde a cultura, a educação, as ciências, a justiça social e o meio-ambiente
Futuro Glorioso da Igreja
Por Hermes C. Fernandes

O evangelho de Jesus Cristo é a única mensagem que traz esperança para o mundo.
Às vésperas de 2012, a mensagem mais em voga nos púlpitos de todo o globo é “o fim
do mundo”. Pregadores bem intencionados exortam o rebanho a que esteja preparado
para o arrebatamento da igreja. Segundo eles, os sinais proféticos estão se
cumprindo, e a qualquer momento, a besta emergirá do mar, o Anticristo subirá ao
trono, e se iniciará a grande tribulação. Acontecimentos recentes como a queda do
muro de Berlim, o Mercado Comum Europeu, a quebra das bolsas de valores em todo
o mundo, a globalização, o avanço tecnológico sem precedentes, a clonagem de
animais, e muitos outros, são elevados à posição de sinais dos tempos, e servem de
gancho às admoestações acerca do fim. Isso sem contar os cataclismos naturais,
como furacões, terremotos, erupções vulcânicas, o efeito estufa e outros.

Afinal, que esperança podemos ter com respeito a este mundo, se tudo o que o espera
é destruição, e nada mais ?

Se o mundo está perto do fim, então, por que muitos cristãos teimam em lutar em
favor da justiça social, engajando-se na política, criando organizações
nãogovernamentais e envolvendo-se nos mais diversos projetos sociais? Não será
isso um contra-senso? Não creio que valha a pena lutar por algo que está perto do seu
fim. Se o fim está próximo, como advogam alguns, comamos e bebamos, porque
amanhã morreremos.

Será que a mensagem do evangelho é realmente pessimista quanto ao futuro do


mundo?

E quando Cristo retornar à Terra, que situação Ele encontrará aqui? Será que Ele Se
deparará com uma Igreja apóstata, e um mundo perdido, ou com uma Igreja triunfante,
e um mundo transformado pelo Evangelho?

Para respondermos a estas questões, precisamos recorrer à infalível Palavra de Deus,


em vez de recorrermos às tradições religiosas. Infelizmente, muito daquilo que tem
sido ensinado em nossos púlpitos não passa de tradição de homens. E o pior, é que o
rebanho aceita passivamente qualquer ensinamento sem se dá o trabalho de examiná-
lo à luz das Escrituras.

Leia com atenção o relato bíblico acerca da visão que Deus deu a Nabucodonozor,
narrada no livro de Daniel acerca do futuro do mundo:

“Estavas vendo isto, quando uma pedra foi cortada, sem auxílio de mãos, a qual feriu
a estátua nos pés de ferro e de barro, e os esmiuçou. Então foi juntamente esmiuçado
o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, os quais se fizeram como a palha das eiras
no estio, e o vento os levou, e não se achou lugar algum para eles. MAS A PEDRA
QUE FERIU A ESTÁTUA SE FEZ UM GRANDE MONTE, E ENCHEU TODA A
TERRA...Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu levantará um reino que não será
jamais destruído. Este reino não passará a outro povo, mas esmiuçará e consumirá
todos estes reinos e será estabelecido para sempre.” DANIEL 2:34-35, 44.
Após ver uma grande estátua que representava quatro grande impérios mundiais,
Nabucodonozor viu uma pedra que era arremessada contra ela, derrubando-a. Esta
pedra representa o reino de Deus, como deixam claro os versículos 44 e 45. Ao
derrubar a grande estátua, ferindo os seus pés, ela cresce e se torna uma enorme
montanha. Aos poucos, esta montanha vai enchendo toda a terra!

Jesus veio trazer esta pedra, sobre a qual a igreja foi edificada. Ele disse a Pedro:

“Bem-aventurado és tu, Simão Bar-jonas, pois não foi carne e sangue quem to
REVELOU, mas meu Pai que está nos céus. E também eu te digo que tu és Pedro, e
sobre ESTA PEDRA edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão
contra ela.” MATEUS 16:17-18.

Não era Pedro a pedra sobre a qual a igreja seria edificada. Era a Revelação que ele
acabara de ter que seria o fundamento da Igreja do Senhor Jesus por todas as eras.
Pedro havia acabado de declarar que Jesus era o Cristo, o Filho do Deus Vivo. Era
esta declaração a pedra que estaria sendo arremessada contra os reinos deste
mundo, derrubando-os, e ao mesmo tempo, seria ela o fundamento sobre o qual a
Igreja seria edificada.

Essa pedra, ou essa revelação, haveria de tornar-se uma montanha que encheria toda
a terra.

A Igreja edificada sobre a pedra da revelação, seria a Cidade edificada sobre o


monte, iluminando todas as nações da Terra (Mt.5:14-16 e Ap. 21:24).

É desta Cidade que o salmista diz que “o seu FUNDAMENTO está nos MONTES
SANTOS”. Como que num êxtase espiritual, ele exclama: “...Coisas gloriosas se dizem
de ti, ó cidade de Deus” (Salmo 87:1,3).

Diante disto, não nos resta alternativa a não ser nutrirmos a esperança de que o
mundo há de ser iluminado pela Cidade de Deus, que é a Igreja do Deus Vivo.

Aquela pedra arremessada contra os reinos deste mundo está crescendo a cada dia.
Ela é a responsável pela queda do muro de Berlim e do comunismo em todo o mundo.
Foi essa mesma pedra que está derrubando o capitalismo selvagem que domina
nossa economia. Nenhum sistema deste mundo pode impedir a expansão do reino de
Deus. Desta maneira, cumpre-se a promessa de Jesus de que “aquele que cair sobre
ESTA PEDRA se despedaçará, mas aquele sobre quem ela cair será reduzido a pó”
(Mt.21:44).

A mesma pedra que reduziu a pó os impérios da antiguidade, está despedaçando


todas as fortalezas que tentam impedir o avanço do Reino de Deus.

Gradativamente, o que era apenas uma pedra, vai tornando-se em um gigantesco


monte, e este vai enchendo toda a terra

Jesus não veio destruir o “mundo”, e sim despedaçar os sistemas deste mundo. À
medida que estes sistemas são reduzidos a pó, o reino de Deus vai tomando o seu
espaço.
E isto se dá, através da revelação, do conhecimento de Deus. Isaías profetiza acerca
deste avanço do conhecimento:

“Não se fará mal nem dano algum em todo o MONTE da minha santidade, pois A
TERRA SE ENCHERÁ DO CONHECIMENTO DO SENHOR, como as águas cobrem o
mar.” ISAÍAS 11:9.

Quando a Cidade de Deus é erigida no Monte, Sua luz é vista por todas as nações. E
esta luz diz respeito ao conhecimento, à revelação do evangelho. Quando esta luz é
emitida do alto do monte de Deus, as trevas da ignorância são dissipadas, e o
conhecimento é multiplicado (Dn.12:4).

Neste início de milênio, a Igreja de Jesus precisa levantar-se, e cumprir o seu papel de
alumiar as nações. Temos que deixar o ostracismo, a inércia, a apatia, e levantarmos,
a fim de que a luz de Deus seja manifestada nos mais escusos lugares da Terra.
Isaías profetiza: “Levanta-te, resplandece, pois já vem a tua luz, e a glória do Senhor
vai nascendo sobre ti. As trevas cobrem a terra, e a escuridão os povos; mas sobre ti o
Senhor vem surgindo, e a sua glória se vê sobre ti. AS NAÇÕES CAMINHARÃO À
TUA LUZ, e os reis ao resplendor que te nasceu.” (Isaías 60:1-3).

Se há trevas sobre a terra, e a escuridão cobre os povos, é porque não estamos


cumprindo o nosso papel.

A glória de Deus está sobre nós, o que é que estamos esperando? (ver 2 Co. 4:6 ).

As nações esperam por nós. Elas só poderão caminhar à nossa luz. Elas somente se
desenvolverão com justiça e paz se a Igreja refletir a luz da glória de Deus.

Assim que as nações forem iluminadas pela luz emitida por nós, a Cidade de Deus,
elas virão e se prostrarão ante à glória do Senhor e ao Seu conhecimento.

Veja o que diz o profeta:

“Nos últimos dias se firmará o MONTE DA CASA DO SENHOR no cume dos montes,
e se engrandecerá por cima dos outeiros; concorrerão a ele todas as nações.” ISAÍAS
2:2.

As nações somente poderão obedecer aos mandamentos de Jesus, quando forem


iluminadas pelo resplendor da Igreja.

Se não houver revelação, não haverá obediência. Quando emitimos a luz do Senhor,
as vendas caem, e olhos são iluminados. E é o Espírito Quem remove as vendas,
dando revelação. Segundo Paulo, o Espírito de Deus “é poderoso para vos confirmar
segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a REVELAÇÃO do
mistério que desde tempos eternos esteve oculto, mas se manifestou agora, e foi dado
a conhecer pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento de Deus, a TODAS
AS NAÇÕES PARA OBEDIÊNCIA DA FÉ” ( Rm.16:25-26 ).

Veja que a revelação do mistério de Deus não deveria ser monopolizada pela Igreja.
Deus desvendou-nos os olhos para que víssemos a luz, e a refletíssemos a todas as
nações para obediência da fé. Não podemos esperar que as nações se convertam ao
evangelho, se não estamos cumprindo o nosso papel.

Cabe à Igreja irradiar a luz de Cristo, e ao Espírito Santo conceder revelação. “Pois
Deus que disse: Das trevas resplandecerá a luz, é quem brilhou em nossos corações,
para ILUMINAÇÃO DO CONHECIMENTO da glória de Deus, na face de Jesus Cristo”
(2 Co.4:6).

Lembre-se que esta revelação começou com uma pequena pedra, a confissão da
Divindade de Cristo. Agora, paulatinamente, esta revelação foi se ampliando, até
tornar-se num monte.

A Igreja está edificada sobre o Monte da Revelação. Se a Igreja tem revelação, ela
está apta a refletir a glória de Deus às nações e povos da terra. À medida que eles são
iluminados, eles concorrem ao Monte de Deus e lá, recebem revelação.

Primeiro, as nações devem ser atraídas ao Monte de Deus, através da luz irradiada
pela Cidade de Deus. Sua luz é realmente atrativa. Porém, para subir à Cidade de
Deus (que é a Igreja), os homens precisam subir o Monte de Deus. É lá no Monte do
Senhor que a revelação é dada. De acordo com a profecia dos lábios de Isaías, Deus
“destruirá neste MONTE a máscara do rosto, com que todos os povos andam
cobertos, e O VÉU com que TODAS AS NAÇÕES SE ESCONDEM. Aniquilará a morte
para sempre, e assim enxugará o Senhor Deus as lágrimas de todos os rostos; tirará o
opróbrio do seu povo de toda a terra. O Senhor o disse” (Is. 25:7-8).

Que véu é este, atrás do qual as nações se escondem? O véu da ignorância espiritual.
Porém, “em Cristo ele é abolido” (2 Co.3:14b). “Quando um deles se converte ao
Senhor então o véu é-lhe retirado” (v.16).

A partir daí, com o rosto descoberto, o homem já pode compreender os mandamentos


de Deus, e praticá-los. Sem que este véu seja removido, o homem não está apto a
obedecer à Palavra de Deus.

Quando o véu nos é retirado, não apenas somos iluminados, recebendo revelação,
como também passamos a refletir a luz que recebemos. Paulo complementa seu
argumento, afirmando que, “todos nós, com o rosto descoberto, REFLETINDO A
GLÓRIA DO SENHOR, somos transformados de glória em glória na mesma imagem,
como pelo Espírito do Senhor” (II Co. 3:18).

Jamais as nações poderão andar à nossa luz, se teimarmos em ocultar a glória em


nós revelada.

Não podemos impedir o acesso ao Monte do Senhor. Não temos o direito de


monopolizar o conhecimento de Deus. Ele não é monopólio de quem quer que seja. O
cristianismo não é uma religião de mistério, como aquelas que povoam o Oriente. O
cristianismo é o veículo da revelação de Deus para o mundo. Qualquer um que
desejar conhecer os mistérios de Deus deve ter acessos a eles. Se Ele desejar
revelar, Ele o fará. O que nós não podemos é ocultar o que Deus nos tem mostrado.

Tal qual Filipe que se tornou um poderoso instrumento de Deus para levar a luz do
Evangelho aos Samaritanos, a Igreja precisa proclamar as Boas-Novas do Reino
àqueles povos que ainda não foram alcançados. Segundo o relato bíblico, “houve
grande alegria naquela cidade” onde Filipe proclamou a Verdade Eterna (At.8:8). É
esta alegria que haverá em cada cidade da Terra, quando o conhecimento de Deus
inundar as nações do mundo.

Esse mesmo Filipe, após abalar Samaria, “levantou-se, e foi. No caminho viu um
etíope, eunuco e alto funcionário de Candace, rainha dos etíopes, o qual era
superintendente de todos os seus tesouros, e tinha ido a Jerusalém para adorar.
Regressava, e assentado no seu carro, lia o profeta Isaías. Disse o Espírito a Filipe:
Chega-te, e ajunta-te a esse carro. Correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e
perguntou: Entendes tu o que lês? Ele respondeu: COMO PODEREI ENTENDER, SE
ALGUÉM NÃO ME ENSINAR?” (At.8:27-31a).

Por que o Espírito não deu revelação ao eunuco acerca do que ele lia? Simplesmente
porque o veículo usado por Deus para difundir o conhecimento é a Igreja. O Espírito, a
Palavra e a Igreja formam um tripé onde repousa a revelação de Deus. O Espírito não
trabalha senão pelo canal escolhido por Deus, a Igreja. É por ela que a multiforme
sabedoria de Deus é manifesta. Até o anjos, se desejarem conhecer os mais
profundos mistérios de Deus, terão que atentar para a Igreja. No caso de Filipe e o
eunuco, o Espírito Santo trabalhou em cumplicidade com o evangelista.

Quantos “eunucos”, altos funcionários de governos estão recebendo a revelação de


Deus atualmente?

A Igreja de Jesus precisa promover o evangelismo em massa como Filipe fez em


Samaria. Mas também precisa promover o evangelismo pessoal como Filipe fez com o
eunuco. Além disso, a Igreja precisa promover um evangelismo de influência. O que é
isso? Aquele eunuco era um alto funcionário do seu governo. Era, sem dúvida, alguém
muito influente em seu país.

Evangelizando-o, Filipe estaria atingindo um número maior de pessoas do que em


suas campanhas em Samaria.

Pense comigo: A reforma protestante atingiu não apenas o “povão”, mas os mais
influentes homens da Europa. Foram esses que deram abrigo a Lutero quando o clero
o perseguia.

Pensando assim, podemos dizer que quem pregou o Evangelho a Paulo foi o
responsável direto pela conversão de milhares de pessoas em todo o mundo. Ainda
que Ananias tenha sido um cristão simples, sem fama, quase anônimo, ele foi o
instrumento de Deus para levar o Evangelho ao maior apóstolo de todos os tempos.

O mesmo Pedro que numa noite lançou a rede e pescou cento e cinqüenta e três
grandes peixes, recebeu de Cristo a ordem que lançasse o anzol, a fim de que
pescasse um único peixe, dentro do qual haveria o dinheiro necessário para pagar os
impostos dele e de Jesus. Não podemos desperdiçar nenhuma oportunidade.

Cada pessoa que aproximar-se de nós, deve ser conduzida ao Monte do Senhor.

A promessa de Deus é esta:


“Aos estrangeiros que se chegarem ao Senhor para o servirem, e para amarem o
nome do Senhor, sendo deste modo servos seus...também os levarei ao meu SANTO
MONTE, e os alegrarei na minha casa de oração. Os seus holocaustos e os seus
sacrifícios serão aceitos no meu altar, pois a minha casa será chamada CASA DE
ORAÇÃO PARA TODOS OS POVOS.” ISAÍAS 56:6-7.

Não podemos esperar que Deus faça tudo sozinho. Ele deseja trabalhar através de
nós. Ele bem que poderia usar os anjos, mas preferiu usar a Igreja para levar às
nações o conhecimento do mistério da fé.

Está chegando o dia em que “virá toda a humanidade a adorar na minha presença, diz
o Senhor”
( Is.66:23 ).

“Os que forem sábios” disse o anjo do Senhor a Daniel, “RESPLANDECERÃO como o
fulgor do firmamento, e os que a muitos ENSINAM A JUSTIÇA refulgirão como as
estrelas sempre e eternamente... Muitos correrão de uma parte para outra, e o
CONHECIMENTO SE MULTIPLICARÁ” (Dn.12:3, 4b).

Se realmente almejamos esse dia, temos de resplandecer a luz da glória de Cristo,


ensinando a justiça aos povos, promovendo a multiplicação do conhecimento.

Foi por isso que o último mandamento de Jesus aos Seus discípulos foi: “Ide e fazei
discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito
Santo, ENSINANDO-OS a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado. E
certamente estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” (Mt. 28:18-
20).

Os sistemas deste mundo estão feridos de morte; os poderosos deste mundo estão
sendo reduzidos a nada. Este é o momento propício para que discipulemos as nações,
levando-as à obediência da fé.

A mensagem do Evangelho é de esperança, e não de derrota. Jesus não será


recebido por uma Igreja derrotada, incapaz de levar a cabo o Seu Ide.

Muitos advogam a idéia de que estas profecias dizem respeito a um tempo específico
chamado Milênio, quando Cristo viria reinar sobre a terra. Porém, não é esta a posição
encontrada nas Escrituras. Assim como pela Igreja a sabedoria de Deus é conhecida
pelos principados e potestades, será por meio dela que Cristo encherá a Terra do Seu
conhecimento.

O pensamento predominante no meio evangélico contemporâneo é que Cristo virá a


Terra num tempo em que a apostasia estará dominando a Igreja. Eles se baseiam em
algumas passagens mal interpretadas, como aquela em que Jesus pergunta: “Quando,
porém, vier o Filho do homem, achará fé na terra?” (Lc.18:8).

A prova da inconsistência desta interpretação é óbvia. Se Cristo não vai encontrar fé


na terra, então, quem Ele vem encontrar?

Seria viagem perdida vir à Terra sem que houvesse alguém com quem Ele pudesse
encontrar-Se.
Nesta passagem, Jesus não está falando sobre a Sua Vinda, e sim sobre a resposta
ao clamor de alguém que deseja ver a justiça de Deus manifesta em sua vida.

Ele havia acabado de contar uma parábola que falava acerca de uma viúva que
clamava pela intervenção de um certo juiz iníquo. De tanto insistir, sem esmorecer na
fé, aquela mulher acabou sendo atendida. Segundo Jesus, Deus está sempre disposto
a fazer justiça aos Seus escolhidos, mesmo que os faça esperar. É neste contexto que
pergunta: Quando vier o Filho do homem, achará fé na terra? Isto é, quando Sua
justiça se manifestar, a pessoa que a buscou se manterá firme na fé?

Lembre-se que no começo deste capítulo, Lucas deixa bem claro que o assunto que
Jesus estava introduzindo através desta parábola era “o dever de orar sempre, sem
jamais esmorecer”. Portanto, o que estava em pauta não era o Seu Retorno, e sim a
manifestação da Sua justiça, em resposta às súplicas dos Seus escolhidos. O verbo
grego traduzido por “vir” neste texto pode ser traduzido por “manifestar”.

Quando retornar à Terra, Jesus vai encontrar uma Igreja Viva e Poderosa, que há de
recebê-lO nos ares, como o grande Imperador do Universo, Rei dos reis, Senhor dos
senhores.

É por isso que este evento é chamado em grego de parousia. Esta palavra era usada
para definir a chegada triunfal de um imperador romano. Quando ele estava à portas,
chegando de uma batalha ou de uma viagem, seu povo saía ao seu encontro para
recebê- lo com vivas e júbilo. Assim também, quando nosso Senhor vier para assumir
pessoalmente os reinos deste mundo, nós O recebermos nas nuvens com júbilo e
gozo.

Naquele dia, poderemos cantar o salmo 48, que diz:

“Grande é o Senhor e mui digno de louvor, na CIDADE DO NOSSO DEUS, NO SEU


SANTO MONTE...A ALEGRIA DE TODA A TERRA...” SALMO 48:1-2.

Sabe por quê houve grande alegria entre o povo de Samaria quando Filipe lhes
pregou a Cristo? Porque aquele povo foi conduzido ao Monte Santo de Deus.

Quando Ele vier, a pedra aqui deixada, terá se tornado em um grande monte, e sobre
ele estará a Cidade de Deus, e esta trará alegria a toda a Terra.

Ele não vem em busca de uma igreja foragida, covarde e incompetente. Ele vem ao
encontro de uma Igreja poderosa, fervorosa e triunfante !

O pequeno grão de mostarda, terá se tornado numa grande árvore, que aninhará
todos os pássaros. A pequena quantidade de fermento terá levedado toda a farinha, e
o reino de Deus terá se expandido por toda a Terra ( ver Lucas 13:18-21 ).

Todos os inimigos terão sido vencidos. Somente a morte terá sido deixada para o final
da batalha. E esta será completamente derrotada pela ressurreição dos mortos (ver
ICo. 15: 24-28, 53-55).

Quando Ele vier, todas as nações da Terra terão sido discipuladas, e estarão andando
à luz da Cidade de Deus. Esta é a nossa esperança!

À vista destas verdades, o que é que podemos fazer?

É tempo de nos levantarmos e aproveitarmos cada oportunidade que se nos


apresenta. Nunca a Igreja foi tão equipada como agora. Os recursos fornecidos pela
tecnologia nos oferecem a oportunidade de alcançarmos o mundo inteiro com
Evangelho de Cristo em tempo recorde. Se os apóstolos conseguiram evangelizar
todo um continente em apenas dois anos, o que não poderíamos com as facilidades
das quais dispomos. Temos que fazer uso de cada recurso. A internet, por exemplo,
pode ser uma bênção para a Igreja do século XXI. E o que dizer dos meios de
comunicação de massa, tais como TV, rádio, imprensa escrita e outros? Deus não nos
terá por inocente se não aproveitarmos as chances que nos são dadas hoje.

Creio que Deus permitiu o avanço tecnológico deste século para o uso da Igreja. Não
tenho a menor dúvida sobre isso.

Imagine se os apóstolos vivessem hoje, se eles desperdiçariam as oportunidades que


nosso tempo oferece. Se não levarmos isto a sério, sofreremos prejuízos em nossos
galardões, e a censura de Cristo diante do Seu tribunal.

Louvado seja Deus pela eletricidade, pela telefonia, pela informática, pelas linhas
aéreas, pelas auto-estradas, pelas vias férreas, pelos grandes cruzeiros marítimos,
pela internet, por cada satélite que orbita a Terra, possibilitando a comunicação à
distância. Graças a Deus pela enorme possibilidade que a Igreja tem hoje de encher a
Terra com o conhecimento de Deus.

Pelo jeito, este não é o fim, e sim o começo de um novo tempo. Aproveitemos as
possibilidades oferecidas por este novo tempo, e avancemos na conquista das nações
para Cristo. Afinal, são as nações a Herança de Deus para o Seu Filho Amado, com o
qual somos co-herdeiros. Ele nos tem mostrado o poder das suas obras, dando-nos a
herança das nações ! (Sl.111:6).

Escrito por Hermes C. Fernandes Site: [Link]

Triunfo da Igreja: Uma Defesa Bíblica do Pós-


Milenismo
William Einwechter

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

Desde os seus primeiros dias, e por toda a sua história, a igreja tem enfrentado um
mundo hostil, que deseja a sua destruição. Hoje, a igreja é confrontada com inimigos
de todos os lados, e a perseguição de crentes em várias nações. No Ocidente, a igreja
não é mais um fator respeitado ou dominante na sociedade; pelo contrário, ela é
desprezada e ridicularizada.

O mal cresce a cada dia e uma cosmovisão pagã aprisionou as mentes de jovens e
velhos, à medida que a influência da cosmovisão cristã diminuiu. O Estatismo tem
atraído as nações do mundo, e os homens têm rejeitado o verdadeiro Messias para
um Estado messiânico; a salvação é vista em termos do poder do governo civil e da
legislação, e não em termos do poder do sangue expiatório de Cristo. As leis de Deus
foram trocadas pelas leis dos homens. O evangelho é pregado em muitas terras e há
muitas “profissões” de fé, mas o evangelho que é pregado freqüentemente é destituído
de um chamado ao arrependimento e submissão ao senhorio de Cristo. Na maioria
das igrejas, o modelo de discipulado é aquele do pietismo, a teologia é arminana e
antropocêntrica, e a perspectiva sobre o futuro é pessimista. À medida que a igreja se
aproxima do século 21, ela recua, praguejada por falsa doutrina, divisão e
mundaneidade. Os lugares onde a igreja está exercendo uma influência cultural ampla
são poucos, se é que algum. Os inimigos de Deus estão rindo diante da queda da
igreja em irrelevância e impotência.

Dado esse triste estado das coisas, parece haver pouco espaço para otimismo para os
seguidores de Jesus Cristo. Os dispensacionalistas nos dizem que estamos
testemunhando o inevitável “fracasso do Cristianismo” e que a “era da igreja”
terminará em apostasia na igreja e o triunfo do mal no mundo.

John Walvoord declara que nesta “era de graça… as coisas estão ficando cada vez
pior. Haverá mais opressão, injustiça, perseguição e imoralidade com o passar dos
anos.” Em termos dos futuros prospectos da igreja antes do fim dessa era, os
dispensacionalistas dizem que as coisas ficarão realmente piores do que já estão
agora. Os dispensacionalistas ensinam que na história e antes da Segunda Vinda, “o
poder do reino” é negado à igreja, e, portanto, a igreja está “à mercê dos poderes
deste mundo.” Por conseguinte, a igreja não sobrepujará os seus inimigos; antes, seus
inimigos a perseguirão e quase esmagarão a igreja (apenas um pequeno
remanescente será resgatado por Jesus no arrebatamento).

Mas os dispensacionalistas (e quaisquer outros que sustentem visões pessimistas


sobre os prospectos da igreja nesta era) estão seriamente enganados. Sim, a igreja
está num estado geral de fraqueza e declínio em nossos dias. Contudo, essa condição
não persistirá; de acordo com a Escritura, tanto do Antigo como do Novo Testamento,
a igreja de Jesus Cristo triunfará na história e antes da Segunda Vinda. Uma breve
análise de uns poucos textos selecionados confirma os gloriosos prospectos futuros da
igreja antes do retorno do Senhor Jesus Cristo no fim da era.

Predições de Triunfo do Antigo Testamento

A importância do Antigo Testamento para entender o triunfo terreno da igreja é


baseada no ensino do Novo Testamento que a igreja é o novo Israel, ou “o Israel de
Deus” (Gl. 6:16). O apóstolo Paulo afirma que os crentes em Jesus Cristo são a
verdadeira semente de Abraão (Gl. 3:16-17, 26- 29), que os judeus e gentios eleitos
são um corpo em Cristo (Ef. 2:11-3:7), que as distinções pactuais do Antigo
Testamento entre eles foram removidas na igreja (Ef. 2:11-3:7), e que a igreja do Novo
Testamento é a herdeira das promessas dadas a Israel (Ef. 2:12, 19-22, 3:7). Por
conseguinte, as promessas do novo pacto dadas a Israel são cumpridas na igreja (cf.
Jr. 31:31-34 com Mt. 26:18; 2Co. 3:6; Hb. 8:7-13; 10:12-18). Jesus Cristo mesmo
declarou que o reino de Deus seria tomado de Israel e entregue à Igreja (Mt. 8:10-12;
21:19, 43; Lc. 20:9-16). Além disso, como o novo Israel de Deus, a igreja é designada
pela mesma terminologia que foi usada para Israel no Antigo Testamento (cf. 1Pe. 2:9;
Gl. 3:29). Hoekema declara:

Não é abundantemente claro… que a igreja do Novo Testamento é agora o verdadeiro


Israel, em quem e através de quem as promessas feitas ao Israel do Antigo
Testamento estão sendo cumpridas?

Portanto, os textos do Antigo Testamento que predizem o triunfo de Israel, Sião ou


Judá devem ser aplicados à igreja, isto é, eles predizem o triunfo da igreja do Novo
Testamento.

Gênesis [Link] “… e tua descendência possuirá a porta dos seus inimigos”. Essa
predição aparece na palavra de promessa do Senhor a Abraão, em resposta à sua fé
e obediência ao estar disposto a seguir o mandamento do Senhor de sacrificar o seu
único filho, Isaque. No contexto, essa profecia é uma parte do plano abrangente de
Deus para a descendência de Abraão: ela multiplicaria e seria tão numerosa quanto as
estrelas do céu; a descendência de Abraão possuiria o portão dos seus inimigos; ela
seria o meio de benção a todas as nações da terra (Gn. 22:17-18). Assim, três
aspectos distintos do plano de Deus para a descendência de Abraão são declarados:
crescimento fantástico, triunfo sobre os seus inimigos, e benção às nações através
dela. Note cuidadosamente a predição de triunfo. Ela é tão importante e distinta como
as outras duas predições.

A palavra hebraica para “possuir” (yarash) significa tomar, herdar, tomar posse,
desapropriar ou ocupar. A palavra era comumente usada em referência à posse de
Israel da terra de Canaã ao conquistar os habitantes e ocupar sua terra (Dt. 31:3). O
objeto específico a ser possuído nessa predição é o portão dos seus inimigos. A
palavra “portão” é cheia de significado no Antigo Testamento. O portão era importante
para guerra, comércio e governo civil. Na guerra, se alguém penetrasse os portões de
uma cidade, sua vitória era quase assegurada; o controle dos portões determinava o
destino do conflito. No comércio, aqueles que controlavam os portões determinavam
quem poderia e quem não poderia entrar na cidade para fazer negócio. No governo
civil, o portão era o lugar onde os anciãos e governadores do povo se sentavam para
estabelecer um tribunal e exercer outros aspectos do governo civil.

Portanto, “possuir o portão” de seu inimigo é conquistá-lo e tomar controle de sua


cidade, comércio e governo civil. Assim, Gênesis 22:17 é uma predição poderosa do
triunfo completo de Cristo e sua igreja (a descendência de Abraão) sobre todos os
seus inimigos. Na perspectiva do Novo Testamento, isso promete à igreja domínio
completo sobre os gentios e possessão de todas as nações da terra, isto é, todas as
nações serão conquistadas pelo evangelho de Cristo e serão disciplinadas na fé cristã.
Os crentes em Jesus Cristo desapropriarão os inimigos de Deus e controlarão o
“portão” em todas as nações.

Salmo 110. Esse salmo messiânico é uma declaração do reino vitorioso de Cristo.
Esse salmo de Davi prediz o triunfo completo do Cristo exaltado e do seu povo sobre
os inimigos de Deus. O salmo contém 3 seções: a exaltação do Messias e do reino
vitorioso prometido (v. 1); o domínio, o povo e o sacerdócio do Messias (v. 2-4); a
guerra vitoriosa do Messias (v. 5-7). Cada seção enfatiza o poder de Cristo e sua
conquista de todos os que se opõem ao seu reino a partir da destra do Pai. Esse
salmo é crucial para entender o fato que o reino de Jesus Cristo triunfará na história
antes do retorno de Cristo. O texto estabelece que Cristo não deixará seu lugar à
destra do Pai no céu até que todos os seus inimigos sejam colocados debaixo dos
seus pés (v. 1). Cristo foi exaltado à destra do Pai no tempo de sua ascensão (At.
2:34-35; Hb. 1:13), e não retornará até o tempo da ressurreição no último dia, quando
o último inimigo, a morte, será destruído (1Co. 15:20-28). Portanto, no “dia do teu [de
Cristo] poder” (v. 3), quando Jesus sairá para governar e conquistar no meio dos seus
inimigos, é o período inter-advento. O reino de Jesus Cristo triunfará e todas as
nações se submeterão ao seu reino durante essa era. O retorno de Cristo marca o fim
de seu reino mediatório (1Co. 15:24-25), e as promessas de domínio dadas a Cristo
nas Escrituras proféticas serão cumpridas antes da sua Segunda Vinda.

A igreja é especificamente identificada com Cristo e sua vitória no versículo 3. O texto


diz: “O teu povo será mui voluntário no dia do teu poder; nos ornamentos de
santidade, desde a madre da alva, tu tens o orvalho da tua mocidade”. Aqui
aprendemos que Cristo não estará sozinho no conflito, mas que ele tem um exército
de seguidores leais. Esse exército do Senhor é descrito como sendo vestido em
roupas santas e como possuindo a força da mocidade. Durante o dia do seu poder
(essa era presente) Cristo será servido por um exército de seguidores dispostos, que
irão com ele para a batalha. A guerra vitoriosa do Messias e do seu povo é descrita
em terminologia gráfica nos versículos 5-7. Em Apocalipse 19:11-21 o cumprimento do
Salmo 110 é apresentado a João numa visão de Jesus Cristo saindo para conquistar
seus inimigos. Nessa visão, como em Salmo 110:3, Cristo é seguido por um exercito
vestido em roupas santas (Ap. 19:14, 19). Esse exército é a igreja. A igreja sai, sob
Cristo o Rei, e um dia compartilhará de sua vitória sobre todos os inimigos de Deus.

Isaías 2:2-4. Essa profecia de Isaías também contém uma predição gloriosa do triunfo
da igreja. A passagem começa: “E acontecerá nos últimos dias que se firmará o
monte da casa do Senhor no cume dos montes, e se elevará por cima dos outeiros; e
concorrerão a ele todas as nações” (v. 2). O “monte da casa do Senhor” é uma
referência a Sião. No Antigo Testamento, Sião é freqüentemente usado numa forma
figurativa para se referir ao trono, reino ou povo de Deus. Isaías usa Sião num sentido
não-literal para se referir ao trono e reino de Jeová (8:18; 33:5, 20; 52:1-2; 24:23;
31:9). Ele também usa Sião para denotar o povo de Judá (10:24) e aqueles que são
participantes da salvação do Senhor (12:6; 60:14), os quais, portanto, são o povo do
pacto de Deus (51:16). Em adição, Hebreus 12:22 identifica “monte Sião” como a
igreja de Jesus Cristo. Por conseguinte, podemos concluir que a profecia de Isaías
concerne ao reino de Deus em geral, e a igreja de Jesus Cristo em particular. A
declaração que o monte da casa do Senhor será exaltado sobre os montes e colinas
indica o estabelecimento do domínio soberano do reino de Deus sobre todas as
nações, e o triunfo de Cristo e sua igreja sobre todas as falsas religiões e idolatrias.

Além do mais, o texto diz que “todas as nações correrão” para Sião, a fim de
aprenderem a lei de Deus, de forma que possam ser capacitados a andar nos
“caminhos” de Deus. Esse é um retrato glorioso das nações vindo à igreja para
aprenderem a palavra de Deus! Ele prediz a conversão das nações à fé cristã.
Naquele dia a igreja será o centro para a propagação fiel da verdade de Deus; pois “de
Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor” (v. 3). Por causa da conversão
das nações à adoração e serviço de Jesus Cristo, as guerras cessarão na Terra (v. 4).

Que essa profecia espera o triunfo da igreja é confirmado pela declaração de abertura,
onde lemos que a exaltação de Sião e a conversão das nações acontecerão “nos
últimos dias”. Essa frase é freqüentemente usada no Antigo Testamento como um
termo técnico para designar os dias do Messias e seu reino (Gn. 49:1; Nm. 24:14; Dn.
2:28; Os. 3:5; Mc. 4:1-3). O Novo Testamento confirma esse uso e identifica
explicitamente a era entre a Primeira e Segunda Vinda de Cristo como os “últimos
dias” (cf. Hb. 1:1-2; Atos 2:16-17; 2Tm. 3:1; Tg. 5:3; 1Jo. 2:17; 2Pe. 3:3-4). No Novo
Testamento, os “últimos dias” não se referem aos dias diretamente anteriores à vinda
de Cristo, nem a um reino milenar futuro após Cristo retornar, mas sim a todo o
período inter-advento. Portanto, todos os detalhes de Isaías 2:2-4 devem ser
cumpridos em e através da igreja do Novo Testamento nessa presente era.

Predições de Triunfo do Novo Testamento

O Novo Testamento não somente estabelece que a igreja é o Israel de Deus e a


herdeira das promessas do Antigo Testamento concernente à ascendência do povo do
pacto de Deus sobre todos os seus inimigos. O Novo Testamento também prediz
diretamente o triunfo da igreja. Além dos textos que apresentam em termos gerais a
natureza invencível da igreja, há também o ensino explícito sobre a vitória do reino e
do povo de Cristo.

Mateus 28:18-20. A Grande Comissão não é normalmente entendida como uma


predição do sucesso da igreja em converter as nações, mas deveria. O plano da
Grande Comissão é que a igreja discipline todas as nações. É vontade de Cristo que
todos os povos e terras sejam levados a crer nele e se submeterem à sua autoridade,
através do ministério da igreja, capacitada pelo Espírito Santo. A igreja deve pregar o
evangelho e discipular os conversos, para que a lei de Deus se torne a lei dos homens
e nações. A vontade de Cristo será cumprida? Com absoluta certeza, pois toda a
autoridade foi dada a ele no céu e na terra, de forma que pode conquistar seus
inimigos e colocar todas as nações debaixo do seu governo (cf. Sl. 2:8; 110:1-3)! Visto
que Cristo tem toda autoridade nos céus e na terra, e a igreja sai em seu nome e com
seu poder, quem ou o que pode deter a igreja de cumprir sua tarefa? Cristo promete
especificamente à igreja sua presença até o fim dos tempos, para que a igreja possa
ser assegurada que pode e cumprirá sua missão divina. A Grande Comissão dá a
perspectiva do Novo Testamento sobre como as promessas do Antigo Testamento da
conversão das nações será cumprida: isso acontecerá à medida que a igreja sair no
poder de Jesus Cristo para pregar o evangelho e discipular as nações na lei-palavra
de Deus!

A Grande Comissão para a igreja não é o Grande Desapontamento para o Senhor


Jesus Cristo (o que deveria ser, se a igreja falhasse em discipular as nações). Antes, a
Grande Comissão é a declaração do Senhor soberano dos céus e da terra, quanto ao
que ele pretende realizar através da sua igreja nesta era. A Grande Comissão é uma
grande predição do triunfo da igreja por meio do poder do Cristo ressurreto.

Mateus 13:31-43. As parábolas do reino ensinadas por Jesus durante os dias do seu
ministério terreno predizem o triunfo do reino de Cristo nesta era. As parábolas do
fermento e da semente de mostarda indicam que o reino de Cristo terá um pequeno
princípio, mas crescerá para abranger toda a terra e todas as nações. Observe que o
crescimento é um processo contínuo, começando nos dias de Cristo e os apóstolos e
continuando até aquele ponto na história quando todas as nações ficarão debaixo do
reino de Cristo. Após Cristo ascender ao céu, ele enviou sua palavra e Espírito para a
igreja, de forma que ela pudesse continuar a obra que ele tinha começado e ser seu
agente para o cumprimento das parábolas do reino. A igreja, através do poder de
Cristo, atua sem cessar por toda a história para fermentar o mundo com a verdade da
palavra de Deus. O resultado final do ministério da igreja é claramente revelado aqui –
todas as nações serão convertidas e entrarão no reino de Deus em Cristo. Esse é o
triunfo da igreja!

A parábola do trigo e joio (Mt. 13:24, 36-43) também é uma predição do sucesso
mundial do reino de Cristo. Observe, primeiro, que o campo é o mundo e o campo
pertence a Cristo. Segundo, considere que a “boa semente” (crentes) está em cada
parte do campo, indicando conversos a Cristo em todas as nações. Terceiro, entenda
que no fim dos tempos o mundo não será um campo de joio com uns poucos trigos
espalhados nele, mas um campo de trigo com alguns joios presentes! É verdade, a
parábola ensina que nem todo indivíduo será convertido a Cristo; mas também ensina
que cada nação será parte do campo de trigo, isto é, parte do reino de Cristo.

Romanos 11:11-36. Esse texto delineia o grande propósito de Deus concernente ao


Israel ético e as nações durante a era do Novo Testamento. Primeiro, Israel
permanecerá “endurecido em parte… até que a plenitude dos gentios haja entrado” (v.
25). Israel será endurecido na incredulidade (exceto um remanescente segundo a
eleição [Rm. 11:1-7]), até que a plenitude dos gentios se complete. A frase “plenitude
dos gentios” fala do tempo quando o Evangelho terá convertido as nações à fé em
Cristo (como predito no Antigo Testamento e por Cristo). Segundo, Israel será
provocado ao ciúme pela conversão das nações, e então haverá uma conversão em
massa entre os judeus e “todo o Israel será salvo” (v. 26-27). Os judeus serão
convertidos e incorporados à igreja. Terceiro, o resultado da conversão de Israel será
“a reconciliação do mundo” e a “vida dentre os mortos” (v. 15). Essas duas frases
falam do futuro glorioso para o mundo, à medida que as nações do mundo (incluindo
Israel) chegam à fé em Jesus Cristo. Naquele tempo na história, o mundo
experimentará verdadeiramente “vida dentre os mortos” e as grandes profecias do
Antigo Testamento de benção mundial por meio de Cristo e sua igreja (e.g., Is. 2:2-4)
serão cumpridas!

Conclusão

O testemunho da palavra de Deus é claro com respeito ao triunfo futuro do Senhor


Jesus Cristo e da sua igreja. É difícil crer às vezes que tal futuro glorioso aguarda a
igreja. Em nossos dias, a igreja é assaltada por problemas de todos os lados e está
num estado de declínio e recuo. Muitos ensinam que os melhores dias da igreja estão
em nosso passado, e que tudo o que podemos esperar é o aumento do mal e o triunfo
da impiedade com o passar dos anos. Mas não creia numa única palavra disso! A
Escritura declara que os melhores dias para a igreja residem no futuro; de fato, um
futuro muito glorioso aguarda os seguidores de Cristo! Alguns têm desistido, e olham
para Cristo somente para resgatá-los da confusão presente (e fracasso da igreja) pelo
arrebatamento. Mas não seja como eles. Sirva fielmente ao Senhor Jesus Cristo, pois
a vitória é nossa por meio daquele que nos ama. A igreja triunfará em seu nome sobre
todos os inimigos da verdade e justiça. Cristo está trabalhando por sua igreja nesse
exato momento, lançando o fundamento para um grande ressurgimento da Fé.
Sabemos isso não por vista, mas por fé na palavra de Deus, que proclama o triunfo da
igreja no mundo e na história.

William O. Einwechter é presbítero docente na Immanuel Free Reformed Church.


Graduou-se no Washington Bible College (B.A.) e Capital Bible Seminary (Th. M.), e
foi ordenado ao ministério do evangelho em 1982. Ele é vice-presidente do National
Reform Association e editor do periódico “The Christian Statesman”. É o autor dos
livros “Ethics and God's Law: An Introduction to Theonomy”, “English Bible
Translations: By What Standard?” e editor do livro “Explicitly Christian Politics”. Seus
escritos têm aparecido no “The Christian Statesman”, “Chalcedon Report”, e
“Patriarch”. Ele e sua esposa Linda são pais de 10 crianças

Você também pode gostar