CEFAC
CENTRO DE ESPECIALIZAÇÃO EM FONOAUDIOLOGIA CLÍNICA
MOTRICIDADE ORAL HOSPITALAR
SÍNDROME DE DOWN
Atuação fonoaudiológica em instituições
ÂNGELA CRISTINA ROSSETTO MACHADO
LONDRINA
2001
CEFAC
CENTRO DE ESPECIALIZAÇÃO EM FONOAUDIOLOGIA CLÍNICA
MOTRICIDADE ORAL HOSPITALAR
SÍNDROME DE DOWN
Atuação fonoaudiológica em instituições
Monografia de conclusão do curso de
Especialização em Motricidade Oral
Orientadora: Mirian Goldenberg
ÂNGELA CRISTINA ROSSETTO MACHADO
LONDRINA
2001
SÍNDROME DE DOWN
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM INSTITUIÇÃO
Pretendeu-se, com esta pesquisa, verificar a importância da atuação
fonoaudiológica em instituições, atuando com pacientes portadores da Síndrome de
[Link]-se analisar como se encontra a aceitação dos outros profissionais de
áreas afins a respeito do trabalho fonoaudiológico.
Em um primeiro momento, foi definido o que é a Síndrome de Down,
causas, incidências, o desenvolvimento motor oral normal e patológico. Também foi
descrita a avaliação e o tratamento proposto para esta Síndrome. Foi abordado o
trabalho em conjunto com familiares, professores e profissionais de áreas afins como
neuropediatra, nutricionista, fisioterapeuta, psicólogo e pedagogo, que atuam nas
instituições públicas e privadas.
Um dos fatores interessantes, foi verificar o benefício que a integração
multiprofissional pode trazer para a família, o paciente e a própria instituição, visto
que com a maior interação destes, o ganho será do próprio paciente portador da
Síndrome de Down.
Este estudo foi realizado através de questionário aplicado aos
profissionais e pais, enfatizando o conhecimento que os mesmos tem a respeito do
trabalho fonoaudiológico; o porque da atuação do profissional dentro da instituição e
o benefício que este trabalho poderá trazer ao portador da Síndrome de Down.
Esta pesquisa, poderá contribuir para as instituições públicas e privadas,
pois trará um maior conhecimento para profissionais, pais e professores, sobre o
porque da atuação fonoaudiológica e a importância que este profissional tem para os
portadores da Síndrome de Down.
DOWN SYNDROME
PERFORMANCE FONOAUDIOLÓGICA IN INSTITUTION
Was intended with this research, to verify the importance of the
fonoaudiológica performance in institutions, acting with carrying patients of the
Syndrome of [Link]-if analyzing as if it finds the acceptance of the other
professionals of similar areas regarding the fonoaudiólogo work.
At a first moment, it was defined what it is the Syndrome of Down ,
causes, incidences, the normal and pathological verbal development mo-tor. Also he
was described the evaluation and the handling considered for this boarded
Syndrome. It was the work in set with familiar, professors and professional sof
similar areas as neuropediatria, nutritionist, physiotherapist, psychologist and
pedagogo, that they act in the public and private institutions.
One of the interesantes factors, was to verify the benefit thatThe
multiprofessional integration can bring for the family, the patient and the proper
institution, since with the biggest interaction of these, the profit will be of the proper
carrying patient of the Syndrome of Down.
This study it was carried through questionnaire applied to the
professionals and parents, emphasizing the knowledge that the sames ones has
regarding the fonoaudiológico work; Because of the performance of the
fonoaudiólogo professional inside of the institution and the benefit that this work will
be able to bring to the carrier of the Syndrome of Down.
This research, will be able to contribute for the public and private
institutions, therefore it will bring a bigger knowledge for professionals, parents and
professors, on because of the fonoaudiológica performance and the importance that
this professional has for the carriers of the Syndrome of Down.
Para Ângelo Rossetto e
Breno Machado, com amor.
Esta pesquisa é dedicada a pais e familiares de
crianças portadoras de necessidades
especiais, que lutam para uma sobrevida
melhor desse indivíduo; que se confrontam
com suas observações diárias e auxiliam a
equipe multidisciplinar, fazendo com que
possam ter uma vida menos sofrida com
maiores soluções e propósitos.
TERAPEUTA é...
Fazer aquilo do fundo da alma, tomando
medidas adequadas, sabendo aproveitar o
fracasso, para programar novos sucessos.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO..............................................................................................................1
2 A SÍNDROME DE DOWN ..........................................................................................2
2.1 INCIDÊNCIA ................................................................................................................2
2.1.1 IDADE MATERNA ......................................................................................................2
2.1.2 IDADE PATERNA .......................................................................................................3
2.1.3 SEXO............................................................................................................................3
2.1.4 GRUPOS RACIAIS E REGIÕES...............................................................................4
2.1.5 MÃES PORTADORAS DA SÍNDROME DE DOWN ..............................................4
2.1.6 PAI PORTADOR DA SÍNDROME DE DOWN.........................................................4
3 FISIOPATOLOGIA ......................................................................................................5
3.1 CARIÓTIPO .................................................................................................................6
3.1.1 TRANSLOCAÇÃO.......................................................................................................7
3.1.2 NÃO DISFUNÇÃO.......................................................................................................7
3.1.3 MOSAICISMO..............................................................................................................8
4 QUADRO CLÍNICO......................................................................................................9
5 DIAGNÓSTICO.......................................................................................................... 12
5.1 DIAGNÓSTICO DISFUNCIONAL ........................................................................... 14
5.2 PROGNÓSTICO ....................................................................................................... 17
6 DESENVOLVIMENTO MOTOR ORAL NORMAL................................................ 18
6.1 SUCÇÃO E DEGLUTIÇÃO..................................................................................... 18
6.2 PASTOSOS – DESENVOLVIMENTO DA ALIMENTAÇÃO COM COLHER.... 20
6.3 SÓLIDOS – DESENVOLVIMENTO DA MASTIGAÇÃO...................................... 21
6.4 O PROCESSO DE DEGLUTIÇÃO......................................................................... 22
7 TRATAMENTO......................................................................................................... 23
7.1 OBJETIVOS.............................................................................................................. 24
7.2 IMPLICAÇÕES NO TRATAMENTO ..................................................................... 25
7.2.1 SUCÇÃO.................................................................................................................. 25
7.2.2 PASTOSOS ............................................................................................................. 26
7.2.3 SÓLIDOS................................................................................................................. 26
8 ASPECTO MOTOR GLOBAL................................................................................ 27
8.1 OBJETIVO ................................................................................................................ 27
8.2 TRÊS PLANOS DE MOVIMENTO......................................................................... 27
8.3 O QUE É ALCANÇADO .......................................................................................... 28
9 ASPECTO MOTOR ORAL..................................................................................... 29
9.1 OBJETIVOS............................................................................................................. 29
9.2 TRATAMENTO........................................................................................................ 30
9.3 TIPOS DE TERAPIA.............................................................................................. 30
10 PESQUISA PRÁTICA.............................................................................................. 32
10.1 RESULTADOS OBTIDOS ...................................................................................... 33
10.1.1 RESPOSTAS DE PROFISSIONAIS DE ÁREAS AFINS E PROFESSORES.. 33
10.1.2 RESPOSTAS OBTIDAS DOS PAIS...................................................................... 37
11 CONSIDERAÇÕES FINAIS DA PESQUISA ........................................................ 41
12 COMENTÁRIOS FINAIS......................................................................................... 44
13 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................... 46
1 INTRODUÇÃO
A Síndrome de Down é determinada por alterações na distribuição
cromossômica, tendo um extra no par 21(trissomia). O portador apresenta uma
hipotonia muscular generalizada que causa um atraso no desenvolvimento das
funções psicomotoras, com o tempo a tendência é a normalização deste tônus.
Quanto ao desenvolvimento mental, existe uma variabilidade que pode
ser de nível baixo (sendo totalmente dependentes), até pacientes que se beneficiam,
consideravelmente, com medidas educativas especializadas.
Atualmente a fonoaudiologia vem crescendo profissionalmente no Brasil,
em suas diversas áreas de atuação, sendo estas desenvolvidas com qualificação em
vários setores, tanto particular, instituições públicas ou privadas.
Pretende-se neste trabalho, salientar a importância da atuação do
fonoaudiólogo em instituições; atuando em pacientes portadores da Síndrome de
Down e o benefício para o desenvolvimento motor oral, advindo deste procedimento.
Conhecer a rotina de trabalho do profissional de fonoaudiologia dentro das
instituições, e de como e em que áreas e setores o fonoaudiólogo se enquadra , e
como se processa esta atuação. Verificar, a partir deste estudo, a aceitação por
outros profissionais de áreas afins, do fonoaudiólogo num trabalho multiprofissional
que beneficie o portador da Síndrome de Down.
1
2 A SÍNDROME DE DOWN
Segundo LEFÉVRE (1989), a Síndrome de Down é uma entidade
nosológica, constituída por um conjunto de sinais e sintomas que caracterizam uma
anomalia não progressiva, ocasionada por uma falha na distribuição cromossômica
(trissomia 21), apresentando defeitos congênitos múltiplos associados ao retardo
mental por Langdon Down em 1866.
2.1 INCIDÊNCIA
2.1.1 IDADE MATERNA
De acordo com PUESCHEL (1993), a relação entre a idade materna e a
incidência da Síndrome de Down, segundo dados estatísticos, revelam que, quanto
mais avançada a idade materna, maior a probabilidade de crianças portadoras da
Síndrome de Down.
2
Segundo LEFÉVRE (1989) e PUESCHEL (1993), esta incidência foi
constatada em casos de trissomia simples (não disjunção), onde alterações
cromossômicas das células reprodutoras de indivíduos normais (principalmente do
sexo feminino), apresentam falha na distribuição cromossômica ou no
desenvolvimento do óvulo.
2.1.2 IDADE PATERNA
São raros relatos referentes à idade paterna, sendo que a idade provável
deste gerarem filhos com Síndrome de Down, é em torno de 45 a 50 anos, ou mais.
2.1.3 SEXO
A Síndrome de Down não apresenta relação direta com o sexo da criança.
3
2.1.4 GRUPOS RACIAIS E REGIÕES
Esta síndrome não apresenta predileção por grupos raciais e regiões específicas. A
freqüência aproximada é de 1 a 2 casos para cada 1.000 nascidos.
2.1.5 MÃES PORTADORAS DA SÍNDROME DE DOWN
Mães “mongólicas” são capazes de reproduzir filhos com igual chance de
serem afetados ou não, sendo que para cada gestação a incidência de nascidos
com Síndrome de Down é de 50%.
2.1.6 PAI PORTADOR DA SÍNDROME DE DOWN
Incidência bem menor que a de mães portadoras, porém, a bibliografia
não relata dados ponderáveis sobre a relação dessa incidência.
4
3 FISIOPATOLOGIA
“A Síndrome de Down é caracterizada por uma
falha na distribuição cromossômica que pode
ocorrer no desenvolvimento do espermatozóide
o óvulo ou durante as divisões do ovo
fertilizado”
Lefévre
As células do corpo humano são formadas por 23 pares de cromossomos,
onde 22 são autossômicos sendo semelhantes no homem e na mulher além desses
existe um último par que é referente ao sexo (cromossomos sexuais) que são
designados por letras (x, y).
O material genético de cada célula é de fundamental importância para seu
funcionamento normal, sendo que qualquer perda ou acréscimo deste material irá
mudar completamente seu funcionamento. Daí a importância do estudo e análise
dos cromossomos.
5
3.1 CARIÓTIPO
O cariótipo é um arranjo dos pares de cromossomos obtidos a partir de
células sanguíneas, ou no caso de diagnóstico pré-natal, células de tecidos fetais
colhidos através de exame específico (aminiocentese).
Estas células passam por um processo de cultivação, onde são
preparadas para a análise dos cromossomos.
Na fase exata da divisão celular, estas reagem com uma substância que
interrompe a divisão. Os cromossomos são analisados microscopicamente sendo
montados aos pares, lado a lado, por ordem de tamanho decrescente.
Para BERKON e FLETCHER (1987), os pares autossômicos são
Numerados de 01 a 22, e o último par caracterizado por cromossomo sexual, sendo
designado por letras x/y.
Além de receberem denominação por números ou letras, são separados
de acordo com suas características, em sete grupos A, B, C, D, E, F e G.
De acordo com a variante cromossômica do par 21 (trissomia21) e
explicada mediante três teorias:
• Translocação;
• Não disfunção (trissomia simples);
• Mosaicismo.
6
3.1.1 TRANSLOCAÇÃO
Na translocação, a contagem cromossômica permanece inalterada, ou
seja, continuam existindo 46 cromossomos, porém, o material extra do cromossomo
21 se desloca para cromossomos não homólogos, persistindo a existência do 3º
cromossomo 21 na célula. Neste caso este terceiro cromossomo, não é um
cromossomo livre.
Em cerca de 2% das translocações, o cromossomo 21 (extra) está unido
ao cromossomo 14 (grupo D).
E em 1% dos casos, um outro cromossomo do grupo G é que participa da
translocação (cromossomo 22).
A média dos portadores da Síndrome de Down por translocação é de
aproximadamente 3% do total.
3.1.2 NÃO DISFUNÇÃO
Segundo LEFÉVRE (1989), a não disfunção (trissomia simples),
corresponde a grande maioria dos casos de Síndrome de Down, cerca de 95%. A
anormalidade cromossômica ocorre devido a uma falha durante as divisões
regulares ao ovo fertilizado, onde os dois cromossomos não se separam com se
7
espera numa divisão celular normal, e com isto têm-se a formação de trissomia do
21.
3.1.3 MOSAICISMO
O mosaicismo é o resultado de um erro em uma das primeiras divisões
celulares, onde o portador possui algumas células com 47 e outras com 46
Cromossomos, apresentando um tipo de quadro em mosaico, daí o termo
empregado.
Os pacientes portadores da trissomia 21 por mosaicismo, apresenta
ausência ou poucos traços físicos da Síndrome de Down, sendo crianças
clinicamente típicas, com números, tamanho e forma cromossômica aparentemente
normais, ou seja, pequeno excesso de material extra.
Independente da forma em que ocorra a trissomia do 21, esta sempre
está caracterizada por traços físicos específicos e função intelectual limida. Porém,
não se sabe como este material extra possa vir interferir no desenvolvimento do feto.
Os avanços da biologia molecular têm demonstrado que a Síndrome de
Down não se manifesta somente quando há trissomia de todo o braço longo do
cromossomo 21 à 22, trata-se de uma grande região cromossômica, com centenas
de genes, muito embora até o momento, somente cinco genes tenham sido
mapeados nesta região crítica para Síndrome de Down.
8
4 QUADRO CLÍNICO
É caracterizado por um conjunto de sintomas e sinais refletindo
desenvolvimento neurológico e físico anormais.
Dentre estes sintomas e sinais selecionados para caracterizar a Síndrome
de Down, normalmente não se observa a totalidade dos achados em um único caso,
pois ocorrem variações de caso para caso.
Na análise do quadro clínico de pacientes com Síndrome de Down vale
salientar que várias das características físicas encontradas nestes pacientes, são
comuns em outros pacientes com retardo mental de outra natureza e
ocasionalmente em indivíduos normais.
O mais importante no quadro clínico a ser salientado é o retardo físico e
mental, porém não se pode deixar de evidenciar as características físicas presentes
em neonatos com Síndrome de Down, descritas a seguir:
• Baixo peso;
• Apatia;
• Reflexos neonatais fracos;
9
• Dificuldades respiratórias freqüentes;
• Icterícia fisiológica prolongada;
• Tendência à policitemia;
• Hérnia umbilical;
• Estenose duodenal;
• Hiperflexibilidade das articulações;
• O crânio braquicefálico é pequeno com grandes fontanelas e suturas
bastante separadas, levando à diminuição na complexibilidade das
conexões sinápticas, interferindo no tônus muscular;
• Hipotonia muscular generalizada;
A hipotonia, com o avanço da idade tende a diminuir ou normalizar,
graças à capacidade de plasticidade de SNC (cérebro imaturo), associado aos
fatores ambientais, onde quanto mais favorável for o meio,melhores e mais precoces
serão as respostas para a normalização do tônus.
O desenvolvimento neuropsicomotor destes pacientes é nitidamente
retardado e o crescimento físico também, sendo os adultos significamente menores
10
que o “normal”. Os movimentos costumam ser lentos com pouca coordenação, e a
marcha instável com base alargada. Outros sinais aparecem com a evolução.
Todos os pacientes portadores da Síndrome de Down, apresentam
limitação de aprendizagem; sendo esta uma das poucas situações que é possível
estabelecer um diagnóstico de atraso mental em um recém-nascido.
Existe uma variabilidade grande no desenvolvimento mental, desde um
nível muito baixo, totalmente dependente e sem nenhuma comunicação, até um, em
que o paciente se beneficia consideravelmente com medidas educativas
especializadas.
Essa variabilidade ocorre devido a vários fatores, quer sejam ambientais
(idade de institucionalização e o grau de estimulação intelectual), quer por fatores
infecciosos associados e evolução precoce da demência senil, principalmente se
essa ocorrer antes da puberdade.
Ainda que com grande atraso, praticamente todos aprendem a nadar e a
falar, mesmo que apresentem vocábulos, e pronúncia limitados.
A maioria destes pacientes possui temperamento dócil, são afáveis,
alegres, carinhosos e gostam de imitar os adultos, sendo muito mais fácil educa-los
do que qualquer outra criança com mesmo grau de retardo mental.
11
5 DIAGNÓSTICO
Para um diagnóstico clínico da Síndrome de Down, são considerados
clássicos os sinais de Oster, além da deficiência mental, são eles:
• Microcefalia com ou sem braquicefalia;
• Olhos oblíquos ou pregas epicânticas (dobra interna);
• Língua protuberante e escrotal (fissurada);
• Mãos curtas com hipoplasia da falange média do 5º dedo;
• Aumento do espaço inter digital entre hálux e o 2º artelho;
• Orelhas mal formadas, pequenas e de implantação baixa;
• Palato ogival;
• Sulco médio palmar (prega simiesca);
12
• Pequena estatura.
Normalmente não se observa a totalidade destes achados físicos em um
único paciente, porém para um diagnóstico clínico seguro necessita-se da presença
de seis ou mais sinais. Entretanto o diagnóstico completo só pode ser confirmado
com o estudo do cariótipo.
Vale salientar que os sinais físicos da Síndrome de Down podem estar
presentes em pacientes com retardo mental de outra natureza e até mesmo em
indivíduos normais (citado no quadro clínico).
Além das características físicas presentes na Síndrome de Down, podem
ter evidências de patologias associadas (concomitantes) por mal formação, como:
• Patologias cardíacas (20 – 60% dos casos);
• Patologias gastrointestinais;
• Patologias da coluna vertebral;
• Patologia SNC, apresentando alterações macroscópicas e
microscópicas.
Além do exame físico, a patologia pode ser diagnosticada através de
exames complementares, como:
13
• Estudo cromossômico (cariótipo);
• Exame radiológico;
• ECT;
• Avaliação psicológica;
• Aminiocentese (diagnóstico precoce).
5.1 DIAGNÓSTICO DISFUNCIONAL
O diagnóstico disfuncional consiste desde alterações (anormais) às
estigmas físicos, dos quais pelo menos nove costumam estar invariavelmente
presentes.
Estas características físicas (sinais visíveis) já apresentavam-se no
recém-nascido, dentre esses termos:
• Faces típicas, como fenda palpebral oblíqua para cima e epicanto
interno;
14
• Manchas de Brushfiel (manchas esbranquiçadas e arredondadas que
aparecem na periferia da íris, tecido fibroso na sua camada
superficial);
• Orelhas com pequenas dobras superiores acentuadas e de
implantação baixa;
• Nariz pequeno, em sela;
• Boca com dentes mal formados e mal conservados, palato em ogiva e
língua hipotônica, geralmente protusa;
• Pescoço curto;
• Extremidades curtas, mãos largas, dedos curtos e grossos, dedo
mínimo recurvado para dentro com hipoplasia da falange média, prega
única palmar bilateral (prega simiesca);
• Os pés com grande afastamento entre o 1º e o 2º artelhos, sulco
plantar entre o 1º e o 2º artelhos e sindactilis (aderência dos dedos ou
artelhos-dedos ou artelhos de soldado) entre o 2º e o 3º artelhos;
• Abdomen globoso, flácido, com diástase dos musereto, hérnia
umbilical;
15
• Genitais pouco desenvolvidos;
As alterações de pele são comuns, como:a) xeroderma (pele
excessivamente seca); b) liquenificação: processo pelo qual a pele se torna
courácea e endurecida, freqüentemente resulta de prurido crônico (sensação
desagradável devido à irritação de um nervo sensitivo periférico, é mais comum
sintoma do que uma doença) e da irritação por coçar ou esfregar a pele
traumatizando-a;
• Hiperqueratótica crônica (90% dos casos): pertencente ou
caracterizado por hiperqueratose, podendo ser apresentada como
hipertrofia da córnea;
• Hipertrofia da córnea;
• Hipertrofia da camada córnea da pele, usualmente associada à
hipertrofia da camada granular e de células espinhosas.
Todas estas características são semelhante não importando a raça
nenhuma.
16
5.2 PROGNÓSTICO
O grau de retardo mental não apresenta nenhuma relação direta com as
alterações físicas.
Não existe nenhuma evidência real quanto ao melhor ou pior prognóstico
das funções intelectuais entre os pacientes com Síndrome de Down por mosaicismo
ou trissomia simples, sendo que o melhor prognóstico vai depender da idade em que
estes forem submetidos ao tratamento de estimulação.
O grau de retardo mental não apresenta nenhuma correlação direta com
as alterações físicas.
17
6 DESENVOLVIMENTO MOTOR ORAL NORMAL
No RN ação reflexa: reflexos de alimentação; busca os 4 pontos cardeais,
sucção/deglutição, reflexos de defesa, mordida e gag.
Desenvolvimento de acordo com a consistência de alimentos:
1ª etapa: alimentação com líquidos;
2ª etapa: semi-sólidos e colher;
3ª etapa: sólidos/desenvolvimento de mastigação.
6.1 SUCÇÃO E DEGLUTIÇÃO
A sucção e deglutição normal é reflexa, podem ser citados dois tipos:
Suckling – padrão mais primitivo:
18
• Primeiro padrão – envolve movimentos extensores e retratores de
língua; compressão da língua com lambidas rítmicas no mamilo,
associadas a abertura e fechamento da mandíbula;
• Pressão dos lábios – depende do grau da fome, no geral levemente
contraídos/pressionados.
O tipo de sucção tem relação com crescimento ósseo; mandíbula mais
retraída e lábio superior também. Este padrão permanece até 5/6 meses e nos
primeiros estágios com alimentação com colher.
Sucking – mais amadirecido; abaixamento e elevação rítmica do corpo da
língua para obter o alimento; mais atividade da musculatura intrínseca da língua;
elevação da ponta; maior independência da mandíbula x língua; maior
movimentação de mandíbula; lábios firmes, como conseqüência de lábios mais
vedados e rebaixamento da língua ocorre maior pressão negativa intra-oral e assim
esforço para adquirir e deglutir alimento é menor.
Esse padrão se inicia quando a criança inicia a alimentação com colher
(limpa o alimento usando o lábio superior que é mais ativo), a movimentação vertical
da mandíbula substitui a anterior que era antero-posterior.
19
Tragar de xícara ou copo:
1ª fase – derruba pequenos goles ou suga como na mamadeira, há perda
de líquido pela pouca atuação dos lábios. A mandíbula não é
estabilizada. Esta fase vai até mais ou menos um ano.
2ª fase – de 15 a 18 meses- estabiliza a mandíbula externamente, morde
o copo; os lábios são mais ativos, há menor perda de líquidos.
3ª fase – aos 2 anos – estabiliza a mandíbula com co-contração dos
músculos que controlam a ATM, copo entre os lábios.
6.2 PASTOSOS – DESENVOLVIMENTO DA ALIMENTAÇÃO COM COLHER
Ao ver o alimento a criança começa a sugar, os lábios no início se
adiantam para receber o alimento, mas não participam ativamente – só com 2
meses; com o desenvolvimento se gradua o volume de alimento x abertura da boca.
Deglutição – mesmo padrão que a deglutição de líquidos, gradativamente
a língua se eleva e os lábios fecham.
1ª fase – língua e mandíbula agem como um só bloco, língua entre as
arcadas não há elevação;
20
2ª fase – língua mais livre da mandíbula – a língua se eleva quando a
mandíbula se fecha; a língua permanece elevada quando a mandíbula
se abre;
3ª fase – língua pode ser elevada independentemente da mandíbula estar
rebaixada.
6.3 SÓLIDOS – DESENVOLVIMENTO DA MASTIGAÇÃO
O desenvolvimento da mastigação depende do controle da mandíbula /
língua e lábios.
No bebê até 3 ou 4 meses – reflexo de mordida : abertura e fechamento
rítmico da mandíbula quando toca as gengivas;
Aos 5 ou 6 meses – ruidosa : língua e mandíbula em movimento em
bloco; corpo da língua se eleva e tritura alimento do palato, não há lateralização. (é
uma combinação do reflexo de mordida fásica e a sucção).
Mastigação madura – lateralização da língua, primeiramente lateraliza
quando o alimento é colocado diretamente na lateral, mais tarde leva ao centro para
o lado, depois de um lado para o outro.
Mastigação – inicialmente no sentido posterior, depois vertical
e,finalmente, rotatório. (o vedamento labial melhora conforme consegue melhor
dissociação global).
21
6.4 O PROCESSO DE DEGLUTIÇÃO
O processo de deglutição pode ser dividido em três fases:
1. Fase oral – o alimento é mastigado, qualificado, misturado à saliva, e
unindo em um bolo alimentar coeso(bolus). O bolus alimentar é
deslocado para a região posterior da cavidade oral, principalmente
devido aos movimentos de pressão da língua contra o palato.
2. Fase faríngea – esta fase tem início com a resposta faríngea de
deglutição. O alimento entra na orofaringe e o palato mole se eleva. A
epiglote fecha a traquéia ao mesmo tempo em que a língua se move
para cima e para trás e a parede faríngea se move para frente. Estes
movimentos ajudam a empurrar o alimento para baixo no esôfago.
3. Fase esofágica – o bolus alimentar entra no esôfago, é levado ao
estômago pelos movimentos peristálticos do esôfago.
22
7 TRATAMENTO
O primeiro passo para o tratamento é a entrevista inicial com os pais
(quando possível), onde se obtém dados sobre o histórico da criança (quadro clínico
atual e anterior à internação) e escutar a família na sua relação com o filho.
Após a entrevista deve ser feita uma avaliação detalhada das
possibilidades do paciente, isto é, deve-se observar o que ele pode realizar apesar
do comprometi mento/lesão orgânico(a). Neste momento são avaliados:
• Grau de liberdade de movimentos dos OFAs (reação ao toque,
obtenção dos alimentos oferecidos);
• Sensibilidade intra e extra oral (toques, deslizamentos, aceitação do
alimento oferecido);
• Postura dos OFAs em repouso;
• Funções (quando possível); sucção (líquido e/ou pastoso); mastigação;
deglutição (líquido/pastoso/sólido). Caso o paciente não possa ingerir
nenhum tipo de alimento, deve ser feita uma estimulação para a
23
verificação do funcionamento dos grupos musculares envolvidos
nestas funções (estimulação não nutritiva);
• Ausculta cervical;
• Presença / ausência dos reflexos orais.
Além da entrevista e avaliação funcional, pode-se pedir também exames
complementares que auxiliarão no diagnóstico e tratamento, tais como,
videofluoroscopia da deglutição, nasofibrolaringoscopia.
7.1 OBJETIVOS
Ensinar um padrão mais amadurecido para o SNC.
Técnica – método neuroevolutivo (BOBATH)
Sensorial – motor
Inibição – facilitação
24
Manuseio
7.2 IMPLICAÇÕES NO TRATAMENTO
7.2.1 SUCÇÃO
Importante trabalho para desenvolver percepção de quantidade de líquido
(como no bebê – que deglute após um volume x de leite). Para se conseguir
evolução do suckling para o sucking, trabalhar para melhorar a atividade labial, já
que o amadurecimento é dependente de concentração a fim de obter maior pressão
intra oral.
No desenvolvimento normal há gradativo aumento da estabilização de
mandíbula, portanto, convém estabilizar manualmente a mandíbula para que a
criança consiga independência de movimentos de língua e lábios x mandíbula.
25
7.2.2 PASTOSOS
A inibição do movimento de sucção de língua deve preceder o vedamento
de lábios na colher, assim trabalhar com controle de antecipação e movimento de
língua para melhorar a movimentação de lábios. Elevação da língua depende da
elevação mecânica a medida que a mandíbula é fechada,assim trabalha com
controle mandibular com alimentação por colher para facilitar a elevação da língua.
7.2.3 SÓLIDOS
A mastigação ruidosa é a base para a mais amadurecida, é composta de
reflexo de mordida fásica e sucção (se a criança tem um destes padrões falhos, não
amadurece a mastigação, assim recomenda-se trabalhar com mordida rítmica e
desenvolver o padrão sucking. Trabalhar com alimento na lateral para facilitar a
lateralização da língua. A mastigação não depende dos dentes.
26
8 ASPECTO MOTOR GLOBAL
8.1 OBJETIVO
• Movimento
• Estabilidade
• Mobilidade + estabilidade
8.2 TRÊS PLANOS DE MOVIMENTO
• Sagital
• Lateral
27
• Diagonal
8.3 O QUE É ALCANÇADO
• Maior harmonia de movimentação – trabalhando os componentes do
movimento (rotação/ transferência de peso/ reações de equilíbrio);
• Possibilidades de melhor movimentação / postura das estruturas orais;
• Prevenção de aspiração;
• Para manuseio – alinhamento biomecânico + alongamento e
movimentação.
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9 ASPECTO MOTOR ORAL
9.1. OBJETIVOS
• Alerta
• Sensibilidade
• Organização
• Dissociação
• Mobilidade
• Coordenação
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9.2. TRATAMENTO
• Toques / estimulação digital
• Deslizamentos
• Estímulos técnico / pincel
• Seringa (início de alimentação V.O)
• Gaze (sucção / mastigação)
• Estimulação da NUK
• Escovação
9.3 TIPOS DE TERAPIA
• Terapia indireta – estimulação da movimentação, adequação da
sensibilidade sem uso de alimentos.
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• Terapia direta – estimulação da movimentação, adequação da
sensibilidade e uso de alimento (variação da consistência, textura e
temperatura).
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10 PESQUISA PRÁTICA
Realizou-se na instituição Raio de Luz (APAE) de Mundo Novo/MS,
entrevistas, apartir de um questionário dirigido à pais, professores e profissionais de
áreas afins, com as seguintes questões:
• O que é fonoaudiologia?
• O que a fonoaudiologia pode ajudar no tratamento ou na vida do
portador da Síndrome de Down?
• O que é ser excepcional?
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10.1 RESULTADOS OBTIDOS
10.1.1 RESPOSTAS DE PROFISSIONAIS DE ÁREAS AFINS E PROFESSORES
1) Nome: B.W.S.M. Id: 27
Prof.: Zootecnista
• Trabalha com a fala e a audição.
• Ajudará num melhor relacionamento com as pessoas.
• Não é um defeito, é uma diferença / incomum.
2) Nome: M.S.M. Id: 37
Prof.: Fisioterapeuta
• Profissional da fala, voz, audição.
• Reabilitará a flacidez da musculatura da face, hipotonia da língua e reduzir a
Saliva.
• Ser especial.
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3) Nome: G.P.B. Id: 23
Prof.: Cirurgiã dentista
• Tratar de problemas da fala e audição.
• Vai ser melhor entendido e entender.
• Portador de algum tipo de restrição e limitações.
4) Nome: N.T. Id: 40
Prof.: Fisioterapeuta
• Reabilitação de pacientes com alteração da fala e problemas auditivos.
• Estimular a fala e a maneira dela se comunicar.
• Ser diferente.
5) Nome: L.G.P Id: 44
Prof: Psicóloga
• Especialidade médica que trata das patologias do ouvido e garganta, associada a
fala e audição.
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• Atua principalmente na respiração e na fala, lembrando da característica da
língua.
• São crianças com atraso motor ou cognitivo.
6) Nome: E.H.H. Id: 44
Prof.: Médico
• Profissional que trabalha com a fala e audição, auxiliando outros profissionais no
diagnóstico.
• Reabilita mais a fala, para ume expressão e compreensão melhor.
• Um alguém que não está dentro dos padrões normais, apresentando algum
déficit significativo limitando este indivíduo.
7) Nome: M.S. Id: 39
Prof.: Professor
• Abrange parte da fala, audição , voz e respiração.
• Ajuda no falar, respirar e na comunicação dessa criança.
• Pessoa que precisa de um tratamento especial.
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8) Nome: R.A.P.C. Id: 37
Prof.: Professora
• É a ciência que estuda o desenvolvimento da linguagem.
• Desenvolvimento motor, psíquico e da linguagem.
• Criança com uma doença que não se adapta a sociedade.
9) Nome: R.A.P. Id: 37
Prof.: Professora
• Trabalha com voz, audição, mastigação e fala.
• Vai ajudar a falar melhor e respirar melhor.
• Alguém que tem algumas dificuldades.
10) Nome: R.D.M. Id: 32
Prof.: Pedagoga
• Desenvolver a fala, audição, voz e linguagem.
• Trabalha com a comunicação geral melhorando a sua fala.
• Criança com problemas na alimentação, fala, motor e comportamento.
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10.1.2 RESPOSTAS OBTIDAS DOS PAIS
1) Nome: N.T.B. Id: 39
Prof.: Pai
• Trabalha com pessoas que não escuta e não fala.
• A fono vai ajudar as crianças falar e comer.
• É a criança que não sabe se comportar e falar.
2) Nome: J.L.V. Id: 40
Prof.:Mãe
• Meche com garganta, ouvido e fala.
• Na vida e na fala.
• Uma pessoa que não é normal, mais difícil de lidar.
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3) Nome: A.M.S. Id: 24
Prof.:Mãe
• Estudo da voz, ouvido e da fala.
• Ajuda nos movimentos do corpo e da fala.
• É uma criança com problema, que tem dificuldade na sua fala, mas pode estar
trabalhando.
4) Nome: I.T.T. Id: 31
Prof.:Serviços gerais (mãe)
• Tratamento para o desenvolvimento da voz, problemas da língua, audição e fala.
• Trabalhar coordenação da língua, fala e comunicação para poder se expressar.
• Criança especial, que requer uma atenção especial da sua família.
5) Nome: C.Z.O Id: 50
Prof.: Mãe
• Trabalhar com pessoas que não ouvem e não falam.
• Ajuda ler, escrever e ter coordenação motora.
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• Criança com problema mental que já nasce.
6) Nome: C.L.S.M. Id: 22
Prof.: Mãe
• Ensinar as crianças a falar direito.
• Melhorar para falar e me entender.
• Pessoa com problema, que precisa de bastante cuidado.
7) Nome: E.B.F. Id: 29
Prof.: Mãe
• Trabalha na área da audição, fala e voz.
• Ajuda na sua vida, recuperando as deficiências.
• É ser o máximo/incomum.
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8) Nome: T.B.D. Id: 28
Prof.: Pai
• Trabalha com respiração, deglutição e fala.
• Melhorar músculos da face, respiração e desenvolver sua concentração.
• Dificuldade a mais que a pessoa tem.
9) Nome: R.E.M. Id: 46
Prof.: Pai
• Trabalha com problemas de fala.
• Ajuda na respiração e na fala.
• Ser sempre uma criança.
10) Nome: A.C.R. Id: 25
Prof.: Mãe
• Trabalha a pronúncia da fala.
• Prevenir que tenha uma vida mais comunicativa.
• Pessoa limitada, sem exigir demais.
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11 CONSIDERAÇÕES FINAIS DA PESQUISA
Em minha trajetória de trabalho, observei que muitos profissionais de
áreas afins e pais de portadores da Síndrome de Down, não entendiam a atuação do
profissional fonoaudiólogo dentro das instituições públicas e privadas.O
fonoaudiólogo ao mesmo tempo em que atua com luvas e máscaras, esta também
com sulfites e canetinhas, entre outros materiais. Foi neste momento que tomei a
decisão de optar por este tema.
Portanto, esta pesquisa teve o objetivo de sanar dúvidas a respeito da
atuação do fonoaudiólogo dentro das instituições e seu trabalho multidisciplinar,
mostrando o benefício que este pode trazer para os portadores da Síndrome de
Down. Sendo esta síndrome uma patologia neurológica, tem a necessidade da
atuação de vários profissionais, desde o nascimento até a idade adulta, para uma
sobrevida dentro da normalidade.
Ao iniciar a pesquisa, meu objetivo estava voltado para um estudo
comparativo entre pacientes portadores da Síndrome de Down, onde iria avaliar e
tratar três casos, verificando no final o benefício do tratamento fonoaudiológico, para
esses três pacientes, atuando diretamente na musculatura orofacial, intra e extra
oral, e em seguida, verificar o resultado obtido. Mas, no decorrer, foi se destacando
a dificuldade de compreensão dos pais, profissionais e professores no que o
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fonoaudiólogo faz, dentro de uma instituição. Assim, minha trajetória sofreu um
desvio, para a pesquisa em informações, em até que ponto essas pessoas
compreendem o trabalho de fonoaudiólogo.
Resolvi buscar informações sobre a Síndrome de Down, sua definição,
causas, incidência, diagnóstico diferencial, desenvolvimento motor oral normal e
patológico. Também foi descrita a avaliação e o tratamento proposto para esta
síndrome, quais os profissionais que atuam em conjunto nesta patologia.
Busquei informações a ajudar sanar as dúvidas a respeito da Síndrome
de Down.
Sabe-se a dificuldade de comunicação que o portador desta síndrome
apresenta, onde a fala, deglutição, mastigação e respiração estão prejudicados, e
também a falta de concentração para o aprendizado. No entanto,nota-se, ao se
trabalhar com esta patologia, que muitos profissionais não se empenham o suficiente
por ser Síndrome de Down.O professor que poderia buscar maiores informações e
conhecimentos à respeito desta patologia, muitas vezes se atém somente ao que
tem em mãos, e não procuram recursos melhores para o tratamento ou trabalho.
Para tanto, realizei um questionário com pais, professores e profissionais
de áreas afins de instituições públicas e privadas, enfatizando o conhecimento que
os mesmos tem a respeito do fonoaudiólogo, sua atuação e o benefício que este
pode trazer para os portadores da Síndrome de Down. Observei o interesse de
muitos dos questionados em contribuir para esta pesquisa, pois muitos pais que não
tinham a noção do que faz e no que atua o fonoaudiólogo, puderam verificar o ganho
que essas pessoas que apresentam a síndrome terão com a atuação do
fonoaudiólogo nesta patologia. Estes pais sugeriram maiores informações sobre as
áreas de atuação do profissional, e não só na atuação da síndrome. Já os
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profissionais se propuseram a realizar reuniões, para estudo de casos, palestras
dirigidas, para se integrarem melhor sobre o trabalho fonoaudiológico.
No entanto, verifiquei que a fonoaudiologia deve ser mais divulgada não
só para pais, pessoas na maioria leigas, mas também para profissionais que
apresentam o terceiro grau completo. Pretendo dar continuidade a esta pesquisa
realizando palestras em escolas, instituições públicas e privadas, hospitais; levando
informações sobre o que é a fonoaudiologia, em que área atua, em que locais e com
quais patologias. Observei a ansiedade por mais conhecimentos por parte dos pais,
em como lidar com seu filho, o que fazer ou quem procurar. Porque logo que o bebê
nasce, ocorre aquele impacto “MEU FILHO É DEFICIENTE”, e muitas vezes, há
instituições que não apresentam um profissional capacitado, como o psicólogo para
trabalhar com esta família, que se vê impotente frente ao problema. Pois, a
orientação será um grande alicerce neste momento,para a aceitação do caso.
Vemos que a fonoaudiologia ainda se encontra desconhecida em vários
setores, e há a necessidade de lutarmos para conseguirmos ser respeitados pelos
diferentes profissionais.
Somos capacitados para atuar em várias áreas da saú[Link] não
mostrarmos que somos capazes, nossa classe – A FONOAUDIOLOGIA, não sairá
das entrevistas e avaliações. Temos que provar que estamos aptos a propiciar que o
indivíduo chegue o mais perto possível da normalidade, possibilitando sua
independência no dia a dia.
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12 COMENTÁRIOS FINAIS
De início poderíamos questionar qual seria as diferenças entre a atuação
fonoaudiológica privada e pública; especificamente na relação com a criança
portadora da Síndrome de Down.
Vemos que ainda não foi estabelecido um critério de diferenciação dentro
da fonoaudiologia, assim enquanto na clínica/instituição,o trabalho terapêutico terá a
possibilidade de tornar-se contínuo e duradouro, e a participação da família se
tornará mais progressiva no processo; ao passo que, no meio hospitalar por seu
pouco tempo de internação, nem sempre o paciente quando sai do hospital tem o
tratamento continuado, em geral continua o tratamento com o clínico ou com outro
profissional fonoaudiólogo.
No entanto a família, logo após o diagnóstico clínico sindrômico da
criança, deverá ser orientada e apoiada por um profissional capacitado, para
aceitação do caso, uma vez que, a insegurança e a ansiedade são as primeiras
manifestações observadas por parte da família ,e os familiares são importantes na
melhora do quadro do paciente.
Num primeiro momento a criança portadora da Síndrome de Down poderá
permanecer hospitalizada, devido às diversas cirurgias (que leveram a anoxia);
broncopneumonias de repetição, convulsões, e outras patologias, onde as
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preocupações são na maioria das vezes referentes à prognóstico(transformações no
quadro atual, necessidade e conseqüência do uso de sondas); aspectos relativos á
alimentação, nutrição, sentimento de impotência frente ao problema.
Compreender a angústia da família, reduzir suas necessidades, perceber
qual a necessidade do paciente na família são aspectos tão importantes quanto ao
uso de técnicas específicas empregadas na recuperação do paciente.
Sendo assim, verifica-se que o atendimento hospitalar/clínico, abrange
tanto a intervenção com o paciente para adequar a motricidade e a sensibilidade
oral, quanto ao apoio à família, e a integração do trabalho fonoaudiológico com o da
equipe profissional, principalmente o neuropediatra, nutricionista, fisioterapeuta e o
psicólogo.
O tipo de intervenção fonoaudiológica é determinada principalmente pelas
características, alterações motoras e sensoriais de cada paciente, nem tanto pela
patologia em si; assim, um paciente que apresenta a Síndrome de Down, pode
sofrer o mesmo tratamento que um paciente cuja lesão central resultou em
hipotônia.
Os aspectos da Síndrome de Down, comprometem o aparelho motor oral,
interferindo na movimentação adequada necessária para a realização das funções
neurovegetativas e a articulação dos fonemas. Em função destas alterações os pais
devem ser orientados e o portador da Síndrome ser atendido o mais precoce
possível, para que possa se desenvolver o mais adequado possível, amenizando
suas limitações.
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13 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BLAKISTON. Dicionário médico. [Link].São Paulo: Andrei,1987.
FRAZÃO, Yasmim Salles. Síndrome de Down: Paralisia Cerebral. Apostila Curso
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Atheneu,1987.
FONTES, José Américo S. Perinatologia social. São Paulo: BYK, 1987.
LEFÉVRE, Beatriz H. Mongolismo – Estudo psicológico e terapêutica
multiprofissional da Síndrome de Down. [Link]. São Paulo: Sarvier, 1981.
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LEFÉVRE, Aron Diament. Neurologia Infantil. [Link]. Rio de Janeiro: Atheneu,1989.
MANUAL MERCK DE MEDICINA: Diagnóstico e tratamento. [Link]. São Paulo:
Roca, 1987.
PUECHEL, Siegfried. Síndrome de Down. Guia para pais e educadores. São Paulo:
Papirus, 1993.
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dois portadores da Síndrome de Down. Revista Brasileira de Pesquisa
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ROBBINS, Stanlely L. e col. Patologia estrutural e funcional. [Link]. Rio de
Janeiro:Guanabara Koogan,1996.
ROSEMBERG, Sergio. Neuropediatria. São Paulo: Sarvier,1992.
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