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Interoperabilidade e Colaboração no BIM

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INTEROPERABILIDADE E COLABORAÇÃO

1
SUMÁRIO

BIM (BUILDING INFORMATION MODELING) .......................................................... 3

CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS DO BIM .......................................................... 4

MODELAGEM PARAMÉTRICA ................................................................................. 6

COMUNICAÇÃO E COLABORAÇÃO NO PROCESSO DE PROJETO ..................... 9

COLABORAÇÃO, INTEGRAÇÃO E IPD (INTEGRATED PROJECT DELIVERY) ... 10

INTEROPERABILIDADE .......................................................................................... 12

O IFC........................................................................................................................ 15

ORIGEM DO IFC...................................................................................................... 16

PROPRIEDADES DO MODELO IFC ....................................................................... 17

EXEMPLO DE DEFINIÇÃO DE ENTIDADE IFC ...................................................... 22

DESAFIOS NO USO DO IFC ................................................................................... 23

REFERENCIAS ........................................................................................................ 25

1
FACULESTE

A história do Instituto FACULESTE, inicia com a realização do sonho de um


grupo de empresários, em atender a crescente demanda de alunos para cursos de
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a FACULESTE, como entidade
oferecendo serviços educacionais em nível superior.

A FACULESTE tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de


conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação
no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua.
Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que
constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de
publicação ou outras normas de comunicação.

A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma


confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica,
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido.

2
BIM (BUILDING INFORMATION MODELING)

Desde seu início até os dias atuais, a indústria da construção civil tem se
baseado em representações e desenhos bidimensionais (2D) para definir e executar
a sequência de atividades necessárias para a construção de uma edificação
(EASTMAN et al., 2011). A partir dos desenhos e informações associadas a eles,
documentos são gerados, assim como toda a estrutura que compõe um projeto.

Para o sucesso de um projeto é de fundamental importância que as


representações sejam perfeitamente compreendidas por todas as partes envolvidas
na construção, já que é baseado nelas que o planejamento e a execução das
atividades serão feitos. No entanto, as representações em 2D apresentam algumas
deficiências. Dentre elas, a de dependerem basicamente da interpretação e abstração
de quem as lê, já que são baseadas em linhas, arcos e outros elementos
bidimensionais para representar um objeto que na verdade é tridimensional, como
uma parede, por exemplo. Outro grande problema relacionado às representações em
CAD (computer-aided design) 2D é que as informações geradas não podem ser
interpretadas por computadores, não tendo, portanto, automação, que é um conceito
extremamente importante para evitar erros e facilitar atualizações de projetos.

Visando o aperfeiçoamento do processo de concepção de projeto, a indústria


da construção tem buscado o auxilio tecnológico com a utilização de recursos
computacionais que passaram a estar gradativamente disponíveis ao longo das
últimas décadas. Tem se buscado uma melhor representação do espaço construído
e uma melhor aplicação dos recursos computacionais na gestão de projetos,
utilizando a Tecnologia da Informação (TI) para melhorar não somente a elaboração
dos projetos, mas também a precisão das informações extraídas deles e o fluxo de
informações entre as equipes envolvidas.

Com os avanços trazidos pela computação, o advento do CAD e o surgimento


de diversas ferramentas auxiliares, algumas tarefas repetitivas no processo de
criação puderam ser automatizadas pelos projetistas. Entretanto, o modelo de criação
no qual se baseia todo o projeto mudou pouco, ainda tendo como base
representações bidimensionais que geram plantas, cortes, perspectivas e

3
documentos independentes (KYMMELL, 2008). Isso ocorre em grande parte do
mercado, que ainda desconhece e não utiliza o potencial da metodologia BIM.

Para se atingir um grau de eficiência, padronização e qualidade compatível


com outros setores, a construção civil precisa primeiramente mudar a forma como se
pensa e elabora suas obras. Nesse sentido, o BIM surge como um dos conceitos mais
revolucionários já criados no setor, pois rompe o modelo tradicional e propõe um
modelo completamente novo e integrado que trará grandes benefícios. Segundo
EASTMAN et al. (2011):

O BIM representa uma grande mudança de paradigma que trará grande


impacto e benefícios não apenas para a indústria da construção, mas para a
sociedade como um todo, já que as obras são executadas com menor consumo de
materiais, menos trabalho e menor custo.

A modelagem de informação da construção muda completamente o processo


de projeto e construção, saindo de uma realidade bidimensional para uma n-
dimensional (ADDOR et al., 2010). Não se trata de um programa ou ferramenta, mas
sim de uma metodologia que representa um grande potencial para reduzir erros
decorrentes de trocas de informações e melhorar todas as etapas no ciclo de vida de
um empreendimento.

CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS DO BIM

A modelagem de informação da construção consiste basicamente na


elaboração de um modelo virtual que contém informações sobre os elementos que
fazem parte da edificação. Aos elementos tridimensionais são associadas
informações que vão desde a geometria até informações sobre os materiais,
quantidades e outras mais. O modelo, depois de pronto, constitui-se em um
verdadeiro banco de dados sobre a construção, tendo grande utilidade no
planejamento, execução e manutenção de uma edificação. Na bibliografia disponível,
as definições sobre BIM mudam pouco. As principais definições segundo autores e
instituições ligadas ao setor da AEC são:

4
 "A modelagem de informações da construção é uma representação digital
das características físicas e funcionais de uma instalação. Como tal, serve como um
conhecimento compartilhado de recursos para obter informações sobre uma
instalação, formando uma base sólida para as decisões desde o início do seu ciclo de
vida em diante." National Institute of Building Sciences (NIBS, 2007).

 “BIM é uma tecnologia de modelagem e um grupo associado de processos


para produção, comunicação e análise do modelo de construção.” (EASTMAN et al.,
2011).

 “BIM é uma simulação do projeto que consiste em elementos 3D do modelo


com links para todas as informações associadas ao planejamento, construção,
operação e desativação de uma edificação.” (KYMMELL, 2008).

 “BIM é a construção virtual de uma edificação ou estrutura que contém


objetos inteligentes em um único arquivo de origem e que, quando compartilhado
entre os membros da equipe do projeto, aumenta e melhora a comunicação e
colaboração.” (HARDIN, 2009)

Uma grande diferença entre um projeto feito em BIM para um feito no modelo
tradicional é que um modelo BIM constitui-se geralmente de um único arquivo que
simula a construção real. O modelo contém todas as informações necessárias, de
onde se pode extrair vistas, cortes e documentos sobre o projeto. Além disso, o
modelo BIM pode ser alimentado de forma simultânea por todos os envolvidos no
projeto, enquanto que no modelo tradicional isso ocorre de forma burocrática e lenta,
passando de um projetista para o outro.

O conceito de construção de um modelo virtual que simula o real é


extremamente poderoso, pois abre um leque de possibilidades não antes possíveis
aos projetistas e construtores. Dentre essas possibilidades estão:

 O modelo possibilita a extração de quantitativos de forma rápida e com maior


precisão, aumentando a confiabilidade das estimativas de custo.

 Permite a análise e visualização de modificações no projeto e suas


implicações, antes que elas sejam executadas.

5
 Permite a detecção de interferências de projetos de forma muito mais fácil e
eficiente.

 Realização de testes e análises de desempenhos acústico, energético, dentre


outros.

 Elaboração do planejamento 4D, permitindo aos construtores uma completa


visualização da obra em todas as suas fases.

A modelagem por objetos paramétricos e a interoperabilidade são as principais


características de um modelo BIM. São conceitos extremamente importantes e que
são a base dessa revolucionária metodologia. A modelagem paramétrica, como será
vista mais adiante, trata-se da representação computacional através de parâmetros e
atributos. Esse fato proporciona diversos dos benefícios do BIM para a construção
civil, em especial a capacidade de atualizações automáticas, que é um dos grandes
diferenciais em relação ao CAD 2D.

Já o conceito de interoperabilidade está diretamente relacionado à troca de


informações dentro do modelo. Com a adoção de um modelo único que é alimentado
por todas as equipes envolvidas, se torna fundamental que nenhuma informação seja
perdida, já que os softwares envolvidos são diferentes para cada equipe do projeto.
Ao final, o processo de formação do modelo único alimentado pelos distintos
softwares deve ser consistente, sem que haja perda de informações no caminho.

MODELAGEM PARAMÉTRICA

A modelagem paramétrica é a base que suporta a metodologia BIM e uma das


responsáveis pelos benefícios que o BIM proporciona à AEC. O conceito de
modelagem por objetos paramétricos é antigo e foi utilizado em outras indústrias
muito antes do que na construção civil. Ela é um requisito ao BIM e um dos fatores
que define o que é e o que não é tecnologia BIM.

A modelagem paramétrica é feita com base em objetos paramétricos, que são


aqueles construídos através de parâmetros e regras. Ela não representa objetos com

6
uma geometria fixa, mas sim através de propriedades e parâmetros definidos. Estes
parâmetros podem ser relações entre diferentes objetos, o que permite que o sistema
atualize de forma automática todo o projeto quando um objeto é modificado
(EASTMAN et al., 2011). Essa automação permitida pela modelagem paramétrica é
um dos grandes diferenciais que proporcionam inúmeras vantagens aos modelos
BIM.

Os parâmetros associados a um objeto podem ser valores ou simplesmente


características. Eles definem o comportamento gráfico do objeto, bem como sua
interação com outros objetos. Para tentar ilustrar melhor o conceito de objeto
paramétrico, eis um exemplo: uma parede de alvenaria é modelada como um
elemento composto de diversos blocos e argamassa. Em um modelo não
paramétrico, essa alvenaria teria dimensões e propriedades fixas. Se quisermos
aumentar o pé-direito do pavimento onde se encontra a parede, ela não mais tocará
a laje superior, já que sua altura é fixa. Quando modelamos essa parede como um
objeto paramétrico, podemos associar a ela a regra de que sempre esteja em contato
com a laje superior, por exemplo, o que faz com que uma modificação no pé-direito
gere automaticamente uma alteração na altura da parede, que se ajusta sem
necessidade de intervenção humana.

A automação, que é tão fundamental ao BIM, se deve principalmente à


modelagem paramétrica, já que ela confere aos modelos uma enorme capacidade de
atualização automática. A coordenação do modelo e de alterações se torna muito
mais rápida e fácil com as atualizações automáticas que dependem dos parâmetros
de um objeto. Em geral, os softwares trazem grupos de objetos que são chamados
de famílias e possuem parâmetros similares de interação com outros objetos.
Famílias comuns nos softwares modeladores em BIM são as paredes e escadas, por
exemplo.

A maioria dos softwares, além de ter famílias pré-definidas, permite também


ao usuário a liberdade de criar suas famílias de objetos com parâmetros de acordo
com as necessidades especificas do projeto, já que nem sempre os parâmetros dos
objetos fornecidos pelos softwares atendem bem ao usuário. Por isso, é importante
que o projetista crie novas famílias ou modifique as existentes, com o intuito de evitar
problemas não previstos nas famílias pré-definidas existentes em cada software.

7
Segundo EASTMAN et al. (2011), os objetos paramétricos podem ser
classificados de três maneiras:

 Objetos que interagem com outros objetos e tem um comportamento


paramétrico mais complexo, como por exemplo, paredes, pilares e lajes.

 Objetos que não interagem com outros e que não necessitam de modelagem
paramétrica, como elementos fixos de portas e janelas, por exemplo. São mais
facilmente criados e podem ser importados de outros programas.

 Objetos comerciais feitos por fabricantes para uso específico.

Os objetos paramétricos têm como base a geometria e relações entre


elementos, mas também precisam conter uma variedade de propriedades e
informações sobre os elementos que o constituem. Essas informações podem ser
interpretadas e utilizadas por outros aplicativos, formando dessa forma um verdadeiro
banco de dados sobre todos os elementos que existem dentro do modelo. Quanto
maior for a diversidade e qualidade das informações dos objetos, melhor será a
qualidade do modelo, já que seu comportamento simulado se assemelhará ao
comportamento da estrutura real. As informações podem ser acerca dos materiais,
propriedades físicas, dimensões, fabricantes e outras mais.

Em um modelo paramétrico, é possível a realização de análises diversas com


grande precisão e em fases iniciais do projeto. Tudo depende das informações
contidas nos objetos que integram o projeto. As análises fornecem aos construtores
e projetistas uma poderosa ferramenta, já que o modelo pode ser avaliado em
diferentes campos, como em relação ao desempenho acústico e energético, por
exemplo. Isso fornece à equipe de projetistas a capacidade de realizar modificações
no projeto de acordo com os resultados das análises feitas, possibilitando assim a
melhoria do produto final.

Como visto, um modelo em BIM é composto por uma grande quantidade de


objetos paramétricos, que contém parâmetros e informações acerca dos elementos
representados. Isso gera um grande banco de dados sobre toda a construção, mas
também gera um modelo único denso que exige uma grande capacidade de memória
e processamento dos computadores, já que em um modelo paramétrico as
atualizações ocorrem de forma automática. Quando se altera um elemento, vários

8
outros se ajustam automaticamente, o que exige grande capacidade de
processamento dos computadores. Quanto maior for o modelo, maior será a potência
exigida para rodá-lo, logicamente. Isso é um dos maiores problemas relacionados ao
BIM: a exigência de máquinas poderosas e caras para rodar e analisar os modelos.

COMUNICAÇÃO E COLABORAÇÃO NO PROCESSO DE PROJETO

Um dos principais problemas no desenvolvimento de sistemas BIM está na


falta de entendimento destes pelos profissionais da indústria da AEC. O BIM enquanto
processo de trabalho envolve, sobretudo, a comunicação e a colaboração entre
diferentes profissionais e empresas ligadas à AEC. Todavia, o que se observa é que
poucas empresas e profissionais que utilizam ferramentas BIM buscam a
padronização e a colaboração. Esta colocação é comprovada por Kiviniemi et al.
(2008) que demonstram que muitos dos profissionais da AEC utilizam softwares BIM
como ferramentas de CAD melhoradas, sem, contudo, mudarem os seus processos
de trabalho, já consolidados.

Esta tese, defendida pelos autores supracitados, é comprovada por uma


pesquisa realizada nos países nórdicos que mostra que o principal motivador para o
uso do BIM na atividade de projeto arquitetônico é a facilidade de geração de
quantitativos (aproximadamente 23% dos arquitetos geram quantitativos a partir dos
modelos BIM), seguido pela checagem de conflitos (cerca de 21%). A maioria das
tarefas executadas pelos arquitetos nos aplicativos BIM se limita àquelas
disponibilizadas internamente nos softwares utilizados, sendo pouco comum o uso de
arquivo visando à interoperabilidade. Apenas 1/3 dos arquitetos que usam o BIM
empregam arquivos no formato (IFC) (KIVINIEMI et al., 2008).

Khemlani (2007) mostra, a partir de dados de uma pesquisa realizada pela


AECbytes, que o mais importante critério na escolha do BIM é a habilidade de produzir
documentos finais de construção, sem precisar de usar outras ferramentas
complementares. A pesquisa aponta que questões relacionadas à integração, ao 4D
e ao IFC são consideradas como pouco expressivas.

9
Para Khemlani (2007), os principais critérios para a escolha de um software
BIM são: capacidade de uma produção completa de documentação do edifício (sem
necessitar de usar outros aplicativos); objetos inteligentes (que possibilitem uma
relação associativa e conectiva com outros objetos); e, disponibilidade da biblioteca
de objetos. Khemlani (2007) mostra que os arquitetos, muitas vezes, limitam as
tarefas àquelas que podem ser executadas por um único aplicativo BIM. Tarefas
colaborativas e capacidade de exportar e importar arquivos em formatos universais
não são critérios significativos para a escolha de aplicativos BIM.

Estas considerações mostram que o uso de aplicativos BIM ainda aparece


como um evento fragmentado (TOBIN, 2008). Nesta interpretação, o
desenvolvimento do projeto do edifício aparece como uma atividade fragmentada,
estabelecida por produtos independentes produzidos por cada disciplina.

Segundo TOBIN (2008), o quadro atual retrata o estágio inicial do BIM,


denominado de BIM 1.0. Este se caracteriza por um franco crescimento e difusão do
uso de modelos BIM, ainda pouco vinculados a um crescimento nos padrões de
interoperabilidade entre os aplicativos. Nestes, as troca de dados ocorrem, muitas
vezes, baseadas em elementos puramente geométricos. Mesmo assim, a habilidade
e a confiabilidade na troca de dados entre diferentes aplicativos têm crescido
significativamente, nos anos recentes (KIVINIEMI et al., 2008).

COLABORAÇÃO, INTEGRAÇÃO E IPD (INTEGRATED PROJECT


DELIVERY)

Todo o processo de elaboração de projeto em BIM ocorre de maneira integrada


entre os profissionais envolvidos. São geradas inúmeras informações ao mesmo
tempo e em diferentes projetos. Embora todas as informações do projeto estejam
contidas em um modelo com banco de dados único, a integração entre os
profissionais ainda se faz quase que obrigatória.

Segundo Checcucci, Pereira e Amorin (2011), a colaboração trata de uma


forma de trabalho em equipe interdisciplinar, com a finalidade de organizar o processo
de projeto e construção visando padronizar as trocas de informações com a mínima

10
perda de dados entre profissionais de diferentes áreas. Desta forma, esta
padronização aliada à colaboração entre os agentes, consegue-se definir as
seguintes diretrizes: de quem serão produzidos os modelos; quem será responsável
por modelar cada item da edificação; qual profissional irá coordenar o processo de
modelagem e gerenciar a base de dados BIM (edifício virtual); o que e como deverá
ser representado e; quais informações deverão ser inseridas em cada fase do ciclo
de vida da edificação.

Com base em Eastman et al. (2014), percebe-se que o BIM, em relação ao


sistema CAD tradicional, facilita a operação simultânea entre diferentes disciplinas,
pois ainda que seja possível se coordenar um projeto apenas por desenhos, o fluxo
de trabalho reduz drasticamente e o mesmo é direcionado para uma rotina com
muitas repetições de processos e entradas de dados, levando os profissionais a um
esforço cognitivo muito grande.

Por consequência deste excesso do esforço mental do projetista, há um


significativo aumento do índice de erros, uma redução da possibilidade de
implantação de melhorias contínuas ao projeto e de redistribuição do tempo dos
projetistas. Também a ineficácia do projeto em termos de custos. Com isso, há uma
integração das ideias geradas em torno de um projeto, incentivando a colaboração
entre os profissionais envolvidos.

Desta maneira, o BIM acaba impondo uma necessidade de adaptação dos


profissionais, a uma nova forma de comunicação entre os mesmos, onde todos
devem manipular as informações de forma simultânea e integrada, como também de
forma clara, segura e objetiva (CLAYTON, 2008).

Neste contexto, Jacoski (2003) comenta que a falta de padronização das


informações, tanto em relação à comunicação, a armazenagem e a transferência, é
um dos pontos de maior dificuldade dos profissionais no processo de projeto de um
empreendimento. Logo, Dornelas (2013) relaciona o gerenciamento da integração
com o ambiente colaborativo BIM, salientando, dentre outros fatores, o
aprimoramento do escopo a partir da modelagem 3D realística e a verificação de
requistos e especificações. Também quanto a tempo e custos em função da rápida
exploração de alternativas e do trabalho simultâneo entre equipes. Tudo isto
priorizando a qualidade, que é reconhecida através de analises precisas,

11
planejamento e controle da produção coerente e compatibilização das
especialidades.

Com o surgimento de novos materiais e tecnologias, como o BIM, surgiu


também o IPD (Integrated Project Delivery). De acordo com Succar (2009), a
abordagem de desenvolvimento de projeto da entrega integrada (IPD) é um processo
de projetos que integra pessoas, sistemas, estruturas e práticas de negócios em um
processo colaborativo, explorando máximo aos talentos e ideias dos profissionais
envolvidos para obtenção de um melhor resultado final e juntamente com a
implementação do BIM, não tem como objetivo a exclusão de outras visões e sim, de
incluir todos os fundamentos e conceitos do BIM em conjunto com os seus.

Desta maneira, percebe-se que a adoção de uma gestão de projeto integrada,


apenas com o BIM ou em conjunto com o IPD, por parte de qualquer empresa de
construção civil, afeta principalmente o setor de arquitetura e engenharia.
Indiretamente também afeta os setores financeiros, de relações humanas, de
almoxarifado, entre outros, isto por consequência do grande contexto que este tipo
de gestão gera, para se conseguir abranger a todos os seguimentos de um projeto.

A colaboração é uma abordagem importante no processo com o BIM, por


envolver mais cedo e com maior frequência todos os envolvidos no projeto e na
construção do edifício. Para Eastman et al. (2014, p. 119), “o processo colaborativo
pode não gerar uma redução da duração do projeto ou um início mais cedo das obras
[...], mas ele garante a participação da equipe de construção incluindo fabricantes e
fornecedores”.

Eastman et al. (2014) enfatizam que com a construção conjunta do modelo


virtual, com ferramentas BIM, é possível construir, revisar e atualizar o modelo, uma
vez que grande parte das plataformas BIM possuem recursos de revisão e anotação
do modelo e também suporte para o trabalho a distância e para a troca de
informações.

INTEROPERABILIDADE

12
O processo de projeto envolve muitas fases e diferentes participantes. Estes
necessitam trocar informações ao longo de todo o clico de vida do projeto, da
construção e do uso. Porém, dificuldades na troca da informação, devido à baixa
interoperabilidade, aparecem como fatores limitantes do uso do BIM no processo de
projeto. A interoperabilidade é aqui entendida como a capacidade de identificar os
dados necessários para serem passados entre aplicativos (EASTMAN et al., 2008).
Se existe uma boa interoperabilidade se elimina a necessidade de réplica de dados
de entrada, que já tenham sido gerados, e facilita, de forma automatizada e sem
obstáculos, o fluxo de trabalho entre diferentes aplicativos, durante o processo de
projeto.

O conceito de BIM está diretamente ligado à colaboração entre os diversos


profissionais envolvidos em um determinado projeto. A construção de um modelo
único alimentado por diversos projetistas requer uma intensa troca de informações
entre as equipes e entre os diversos softwares envolvidos. A multidisciplinaridade e a
colaboração são requisitos fundamentais e ocorrem com maior intensidade na
metodologia BIM.

A interoperabilidade é a capacidade de se trocar informações de forma


eficiente entre os diversos aplicativos computacionais usados em um mesmo projeto,
sem que haja perda de informações. Em geral, cada projetista usa um determinado
software para modelar ou analisar o modelo, e as extensões de arquivos variam de
acordo com os fabricantes e modelos dos softwares utilizados. “Com a
interoperabilidade se elimina a necessidade de réplica de dados de entrada que já
tenham sido gerados e facilita, de forma automatizada e sem obstáculos, o fluxo de
trabalho entre diferentes aplicativos, durante o processo de projeto.” (ANDRADE &
RUSCHEL, 2009).

Para que se tenha uma boa interoperabilidade é de fundamental importância a


implementação de um padrão de protocolo internacional de trocas de dados nos
aplicativos e nos processos do projeto. O principal protocolo usado hoje é o Industry
Foudation Classes (IFC), que é um modelo de dados do edifício baseado em objetos,
não proprietário. Mesmo assim, o que se observa na prática, de acordo com Kiviniemi
et al. (2008), é que o uso de padrões IFC atende a requisitos para certas tarefas,
deixando, contudo, que muitas outras tarefas não sejam suportadas por este formato.
Um dos maiores obstáculos para a adoção do IFC é a perda de robustez na interface

13
disponível nos aplicativos, tornando isso um grande obstáculo para um amplo e
voluntário uso do IFC como protocolo preferido para troca de dados do edifício.

Desde então, o IFC passou por constantes melhorias, com diversas versões
lançadas. Atualmente o IFC é o modelo de dados mais utilizado no setor e se encontra
na versão IFC 2x4.

FIGURA 02 – Evolução IFC

Fonte: CARVALHO e SCHEER (2011)

Para a IAI, o IFC é um formato aberto, neutro e com especificações


padronizadas para o BIM. Além disso, o IFC é também um formato voltado para o
planejamento, projeto, construção e gerenciamento de uma edificação (ANDRADE &
RUSCHEL, 2009). O IFC representa um formato de arquivo padrão, onde os
fabricantes de softwares têm a oportunidade de converter suas distintas extensões
de arquivos no formato IFC. Se essa transformação for possível, o modelo criado a
partir de diversos softwares carregará muito mais informações anexadas aos objetos
(KYMMELL, 2008).

Ao mesmo tempo em que existe um desconhecimento por parte dos usuários


sobre quais são os propósitos do uso do IFC nos aplicativos disponíveis, parece haver
também um grande desinteresse das organizações vinculadas à indústria da AEC
pelo aperfeiçoamento do IFC. Isto, segundo Kiviniemi et al. (2008), é em decorrência
de que o conceito de BIM ainda não teve uma plena penetração no mercado e que o
reuso de dados ainda é uma tarefa muito limitada. A maioria das empresas da
indústria da AEC não considera o modelo baseado na integração como algo
importante.

14
O IFC

Para a passagem de dados entre aplicativos são utilizados arquivos baseados


em diferentes formatos de trocas. Alguns destes aplicativos apresentam maior
capacidade de interoperabilidade, outros se limitam à trocas internas. A necessidade
de troca de dados entre aplicativos não é algo recente na construção civil. Desde os
primeiros aplicativos CAD 2D já existiam formatos capacitados para troca de algum
tipo de dado.

Existem basicamente quatro diferentes maneiras de trocas de dados entre dois


aplicativos BIM (EASTMAN et al., 2008): ligação direta, formato de arquivo de troca
de proprietário, formatos de arquivos de trocas de domínio público e formatos de troca
baseados em XML. O primeiro acontece quando ocorre uma ligação direta entre dois
aplicativos, utiliza-se um formato binário de interface (exemplo: GDL, MDL). O formato
de arquivo de troca proprietário são formatos desenvolvidos por organizações
comerciais para estabelecerem interface entre aplicativos diferentes (exemplos: DXF,
3DS).

Os formatos de arquivos de trocas de domínio público envolvem um padrão


aberto de modelo de construção. Estes carregam propriedades de objetos, materiais,
relações entre objetos, além das propriedades geométricas. São interfaces essenciais
para uso em aplicativos de análise e gerenciamento de construção (exemplos: IFC,
CIS/2). Os formatos de troca baseados em eXtensible Markup Language (XML) são
extensões do formato HTML, que é a língua base da Web. Permitem a criação de
esquemas definidos pelo usuário (exemplos: XML, gbXML).

Para Eastman et al. (2008) os dois principais modelos de troca de dados de


domínio público do produto da construção civil são CIMsteel Integration Version 2
(CIS/2) e o Industry Foundation Classes (IFC). O CIS/2, segundo estes autores, é um
formato desenvolvido para ser usado em projetos de estruturas em aço e na
fabricação. O IFC, segundo a International Alliance for Interoperability (2008), é um
formato aberto, neutro e com especificações padronizadas para o Building Information
Models. O IFC é um formato para ser usado no planejamento do edifício, no projeto,
na construção e gerenciamento. Para Fu et al. (2006), é um tipo de linguagem que
foca na modelagem do produto e processos da indústria da AEC/ FM (Facility

15
Management). O IFC é o principal instrumento pelo qual é possível estabelecer a
interoperabilidade dos aplicativos de software da AEC/ FM.

Bell e Bjǿkhaug (2007) colocam como formato base para ser usado num
edifício inteligente, IFC agregado ao Information Framework for Dictionary (IFD) e ao
Information Delivery Manual (IDM). Para Haagenrud et al.(2007) o IFD, consiste no
desenvolvimento de uma biblioteca internacional de objetos para a indústria da
AEC/FM que é compatível com o IFC e que pode ser utilizado para obter informações
mais detalhadas dentro e fora de um projeto de edifício. Estes autores acrescentam
que o IFD é uma identidade alternativa para o modelo conceitual da ISO 12006 Parte
3. Com o IFD é possível criar uma identidade própria ao objeto (identidade única) o
que facilita a interoperabilidade. O IDM, para Kiviniemi et al. (2008), é um padrão que
define qual especificação de uso um objeto deve ter.

O uso destas linguagens de comunicação tem permitido, paulatinamente, a


exploração dentro do BIM, de ferramentas capazes de ler dados referentes a
questões múltiplas de informação do projeto, como questões de acessibilidade,
sustentabilidade, eficiência energética, custeio, acústica, térmica, etc. (FU et al.,
2006).

ORIGEM DO IFC

Os primeiros esforços no desenvolvimento do IFC surgem entre as doze


principais organizações americanas ligadas à AEC, por meio da Industry Alliance for
Interoperability, em 1994. Em seguida é expandido para a International Alliance for
Interoperability (IAI) que é um consórcio internacional de empresas comerciais e
instituições de pesquisa. Esta, inicialmente contava com sete países consorciados.
Hoje conta com pelo menos vinte países (INTERNATINAL ALLIANCE FOR
INTEROPERABILITY, 2008a).

O objetivo da IAI, de acordo com Hyvärinen et al. (2006), é de buscar a


interoperabilidade de softwares da indústria da AEC/FM por meio de uma base
universal que permita a melhoria da comunicação, da produtividade, do tempo de
entrega, do custo e da qualidade, por todo o ciclo de vida do edifício. Visando isso, o

16
IFC foi desenvolvido especificamente como um meio de troca de dados, baseado em
um modelo, entre aplicativos da indústria da AEC/ FM (KHEMLANI, 2004). Atualmente
é solução presente nos aplicativos BIM e em muitos dos aplicativos de análise.

O IFC tem suas bases no padrão internacional conhecido como STEP


(Standard for Exchange of Product Model Data). Este último surge em 1984, a partir
de um esforço do International Standard Organization (ISO) em criar um padrão
internacional de troca, o ISO-STEP. Este tinha como objetivo criar um padrão para
representação e troca de informações de produto que seja internacional e de uso
geral. O ISO-STEP tinha como principal produto a linguagem EXPRESS. O IFC se
baseia na linguagem e nos conceitos da ISO-STEP EXPRESS para o
desenvolvimento e a definição dos modelos (KHEMLANI, 2004). O IFC foi projetado
pensando em atender a todas as informações do edifício, durante todo o ciclo de vida
da edificação.

Entre as diferentes versões do IFC cabe citar: IFC 1.5.1; IFC 2x (2000); IFC 2x-
add1 (2001); IFC 2x2–add1 (2004); IFC2x3 (2006); IFC2x3-TC1 (2007); IFC2x4 alpha
(2008); IFC2x4 beta1 e beta 2 (2009). O modelo do IFC2x3 (G) já agrega entidades
que contém sistemas de informações geográficas (Geographic Information System –
GIS).

PROPRIEDADES DO MODELO IFC

O IFC, de acordo com Haagenrud et al. (2007), é o termo usado para designar
um esquema básico e um conteúdo de dados, composto de acordo com um padrão
internacional, aberto e acessível ao público, para a estruturação e a troca de
informações entre aplicativos computacionais voltados para a indústria da AEC/FM.

Para Eastman (1999), o IFC é o maior e mais elabora modelo de dados do


edifício desenvolvido para a indústria da AEC/FM. Este é resultado de um consenso
da indústria da construção sobre processos de projeto. Este modelo consiste em

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entidades que descrevem objetos físicos do edifício, conceitos abstratos, elementos
relacionados com a AEC, processos, atores, etc. Como exemplo de tipos de entidades
pode-se citar: a geometria, a topologia, os elementos do edifício, os equipamentos,
os mobiliários, as relações entre elementos da construção, os espaços e as estruturas
espaciais, os atores, os planos de trabalho, as classificações, a pesquisa e
recuperação de informações sobre produtos. Algumas entidades do IFC são de
domínio específico outros são genéricos (não fazem parte da plataforma).

Todas as entidades individuais são baseadas num IFC raiz (IfcRoot) e são
constituídos por três categorias fundamentais: objetos, propriedades e relações. Os
objetos estão associados à geometria. As propriedades são usadas para definir
materiais, desempenho, propriedades contextuais, como ventos, dados geológicos ou
de clima, etc. As relações existentes são entre objetos e entre objetos e propriedades.
Elas são definidas de acordo com classificações abstratas como: específicas,
decompostas, associadas, definidas, conectadas (Eastman et al., 2008).

Nas definições do IFC também existem duas entidades que foram


especificamente projetadas para aumentar a flexibilidade e a extensibilidade deste.
Estas são os ProxyObjects e os PropertySets. Os primeiros permitem criar novas
entidades que não tenham sido definidas nos modelos IFC. Estas entidades podem
ser definidas como uma representação geometria colocada no espaço. Podem ter um
significado semântico, serem definidas por atributos de nome, apresentarem
definições de propriedades, etc. Podem ser usadas para criação de entidades
específicas de uma localidade, como, por exemplo, peitoris ventilados. Os IFC
PropertySets têm a capacidade de acrescentar propriedades que são variáveis, como
códigos de edificação, classificações, etc., a uma entidade. Mesmo uma entidade que
tenha uma propriedade universal e inequívoca, como uma parede, pode exigir a
definição de uma série de outras propriedades que atendam as necessidades de
empresas ou de uma localidade (HYVÄRINEN et al. 2006).

A arquitetura do IFC foi desenvolvida utilizando-se um conjunto de princípios


de organização e estruturas. Estes princípios, de acordo com Haagenrud et al. (2007,
p.22), apoiam-se em requisitos básicos e podem ser resumidos como: prover uma
estrutura modular para um modelo de edifício; prover uma estrutura de
compartilhamento de informações entre diferentes disciplinas da AEC/FM; facilitar a
manutenção e desenvolvimento do modelo do edifício; habilitar modeladores de

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informação a reutilizar componentes de modelos; habilitar produtores de softwares
para reutilização de componentes de software; e, permitir melhorias continuadas nas
versões subsequentes de modelos de edifício.

A arquitetura do IFC é constituída de uma estrutura modular composta por


quatro camadas conceituais. Estas representam quatro principais níveis. Cada nível
constitui-se de uma série de categorias. É dentro de cada uma destas categorias que
as propriedades de uma entidade são definidas (EASTMAN, 1999). As camadas são:
camada de recursos, camada central, camada de interoperabilidade e camada de
domínio (Figura 2).

Figura 2: Arquitetura do modelo IFC.

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Fonte: Adaptado de INTERNATIONAL ALIANCE OF INTEROPERABILITY (2008b)

Camada de recursos

Esta camada contém categorias de entidades que representam as


propriedades básicas dos objetos. Nesta estão incluídas utilidade, geometria,
materiais, quantidades, medidas, datas e tempos, custos e todos aquelas que são
genéricas, não requerem acessos de outros dados ou definições (EASTMAN, 1999;
HYVÄRINEN et al., 2006). Muitos dos recursos usados nesta camada foram
adaptados do ISO-STEP. Como se pode ver na Figura 1 o IFC2x3 possui 26 módulos
na camada de recursos, cada um deles é definido como um esquema separado.

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Entre os vários módulos desta camada vale citar os recursos de propriedade e
geometria. Os recursos de propriedades (Property Resource) definem tipos não
técnicos e classes de objetos que tratam com materiais, classificação de uso, custo,
tempo, etc. Os recursos de geometria (geometry resource) adotam as entidades de
bases geométricas de localização, vetor, direção, ponto, curva e superfície.

Camada central

Esta camada contém entidades que representam especificações industriais e


não industriais e que fornece conceitos genéricos abstratos que são usados para
definir entidades na camada superior. Este também pode acessar recursos da
camada de baixo.

Entre os módulos desta camada destacam-se o cerne (kernel) e a extensão do


produto (product extension). O cerne define a mais abstrata parta da arquitetura do
IFC. O cerne direciona todos os níveis de objetos usuários, diferentes classes de
relações e níveis mais abstratos de ajuda de modelagem. Este define conceitos
centrais como ator, proposições gerais de mecanismos de agrupamento, seqüência
de processos no tempo, produto, localização relativa de produtos no espaço. É usado
nas entidades de mais alto nível dos modelos.

A extensão de produto (product extension) define os conceitos básicos de


objetos usados dentro do IFC para obter o significado destes conceitos como os
usados na indústria da AEC/FM. Estes incluem elementos, espaços e a hierarquia de
agregação de bases usadas no IFC, como sítio, edifício, pavimento, espaço e
elementos no pavimento (EASTMAN, 1999; HYVÄRINEN et al. 2006).

Camada de interoperabilidade

Esta camada fornece definições para objetos que são compartilhados entre
diversos aplicativos utilizados na construção do edifício e no gerenciamento de
facilidades.

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Entre os módulos desta camada pode-se citar o modelo de compartilhamento
de elementos do edifício (shared building elements) e o modelo de compartilhamento
de facilidades de elementos (shared facilities elements). O primeiro possui uma
definição completa de uma série de altos níveis de objetos que herdam todas as
propriedades dos elementos do edifício e os classifica de acordo com o tipo, como
vigas, colunas, paredes, portas, janelas, etc.

O modelo de compartilhamento de facilidades de elementos tem definições de


entidades de posse, ocupação, tipo de mobiliário, etc. (EASTMAN, 1999;
HYVÄRINEN et al. 2006).

Camada de domínio

A camada de domínio carrega definições de objetos que são necessários para


domínios específicos, como arquitetura, engenharia estrutural, gerenciamento de
facilidades, HVAC (Heating Ventilation e Air-conditioning). No domínio de arquitetura,
por exemplo, fornece informações sobre o programa, com os espaços individuais,
sobre adjacências (entre pares de espaços), etc.; em estrutura, fornece número de
pavimentos; em HVAC informações sobre caldeiras, resfriadores, etc. (EASTMAN,
1999; HYVÄRINEN et al. 2006).

EXEMPLO DE DEFINIÇÃO DE ENTIDADE IFC

Para elucidar como funciona uma entidade IFC cita-se aqui um exemplo
apresentado por Khemlani (2004) para a representação da estrutura geral de duas
entidades simples que são parede e espaço, representadas individualmente.

A entidade Parede (IFCWall) é definida como um subtipo da entidade Elemento


de Construção (IFCBuildingElement), que por sua vez é subtipo da Entidade

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Elemento (IFCElement), que é subtipo da Entidade Produto (IFCProduct), que é
subtipo da Entidade Objeto (IFCObject), que é subtipo da Entidade Raiz (IFCRoot).

Os atributos estão associados a cada tipo de entidade, de forma que a entidade


parede herde todos os atributos das entidades superiores. Todos os supertipos são
entidades abstratas, de forma que não pode ser criada uma instância desse tipo de
entidade. Já a parede (wall) não é abstrata e está instanciada para criar um único
objeto parede localizada no modelo do edifício.

A maioria dos atributos de uma parede (tipo, forma, localização, quantidade,


conexões, aberturas, etc.) é primeiramente definida pelo seu supertipo Elemento. No
caso do espaço, segue-se uma lógica parecida: Entidade Espaço (IFCSpace),
Entidade Elemento de Estrutura Espacial (IFCSpatialStructureElement), Entidade
Produto (IFCProduct), este último apresenta a mesma entidade hierárquica da
parede. Da mesma forma como na parede, a entidade Espaço, em si, não é abstrata
e pode ser instanciado para criar um objeto particular no modelo do edifício
(KHEMLANI, 2004, p.4).

Entre estas duas entidades podem existir associados vários tipos de


relacionamentos. Por exemplo, é possível estabelecer um relacionamento específico
de confinamento (IFCReal ContainedSpatialStructure) entre a parede e espaço. Esta
relação acontece no nível do IFCElement (parede) e IFCSpatialStructureElement
(espaço), o que significa que qualquer elemento (parede, viga, pilar, porta, etc.) pode
estar associado com estruturas espaciais (espaço, pavimento, lugar, etc.)
(KHEMLANI, 2004, p.4).

DESAFIOS NO USO DO IFC

Um aspecto fundamental do modelo IFC é que este é aberto e projetado para


trabalhar com qualquer aplicativo. Por esse motivo ele é abstrato. Entidades de
diferentes aplicativos podem ser combinadas e relacionadas de maneira única, de
acordo com definições particulares. Mesmo os aplicativos BIM que são adaptados
para trabalhar com o IFC, por apresentarem estruturas de organização de dados

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diferentes, quando importam um arquivo IFC, muitas vezes, apresentam problemas
de tradução. Além do mais, estes aplicativos podem gerar arquivos grandes.

Outro aspecto importante, colocado por Khemlani (2004), é que, como as


estruturas de dados de diferentes aplicativos nem sempre são as mesmas, pode
haver problemas na tradução de dados por falta de repertório. Assim, o aplicativo vai
ler e importar, a partir do modelo IFC, todas as entidades que fazem parte de seu
repertório, mas aquelas que não existem no seu repertório não serão reconhecidas.
Por outro lado, como o modelo IFC ainda não apresenta uma completude de todos
os sistemas e processos da AEC, pode deixar de incorporar informações do modelo.

O resultado é que apesar do IFC já atender a uma grande variedade de áreas


da AEC (projeto arquitetônico, projeto estrutural, HVAC, integração de projetos,
simulações, etc.) e poder ser utilizado por uma quantidade significativa de aplicativos,
este ainda apresenta perdas que podem acontecer tanto na importação quanto na
exportação do arquivo no formato IFC.

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