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Introdução à Contabilidade e Seus Princípios

Este documento discute a natureza, objetivo e finalidade da contabilidade. A contabilidade visa registrar transações financeiras de forma a fornecer informações sobre a situação financeira de uma entidade e apoiar a tomada de decisões. O documento também discute os objetivos da contabilidade e suas divisões principais.
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Introdução à Contabilidade e Seus Princípios

Este documento discute a natureza, objetivo e finalidade da contabilidade. A contabilidade visa registrar transações financeiras de forma a fornecer informações sobre a situação financeira de uma entidade e apoiar a tomada de decisões. O documento também discute os objetivos da contabilidade e suas divisões principais.
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1

Amigo(a) estudante!

Ao se iniciar o estudo de qualquer disciplina científica, é necessário definir primeiramente


o seu objecto do estudo, ou seja, que grandes questões a ela se colocam. Em contabilidade
também tem de se dar este passo.

Procuro que o estudante, de maneira fácil, vá apreendendo conceitos, designações e


resolvendo situações contabilísticas, de acordo com os princípios e normas estabelecidas
interna e externamente neste ramo do saber.

Para que tais propósitos possam ser atingidos, foram, em relação a cada unidade:

 Definidos os objectivos fundamentais a serem atingidos;


 Elaborados textos de natureza teórica em que se procurou, de forma clara e precisa,
explicar os princípios básicos da contabilidade;
 Apresentamos exercícios variados, relacionados com o texto, que deverá procurar
resolver aplicando os conhecimentos adquiridos.

Além de fornecer ao estudante deste ensino um elemento base de apoio para o estudo da
contabilidade, viso também todos os que, ao tratarem de assuntos com ela relacionados,
pretendam aumentar e aprofundar os seus conhecimentos.

O curso de contabilidade afigura-se de capital importância tendo em conta o actual estágio


da economia e das mudanças no ambiente de negócios em Moçambique. O aumento do
investimento privado, a tendência de formalização das actividades económicas e novos
desafios de integração regional vêm complexificando as actividades financeiras das
instituições. As novas dinâmicas do mercado de trabalho e as exigências profissionais daí
resultantes têm implicando novas necessidades de formação dos recursos humanos,
nomeadamente ao nível de contabilidade.

No final da cadeira espero que você seja capaz de:

 Elaborar o plano de organização contabilística no que respeita à planificação e


montagem da escrita, inventariação, revelações cronológicas e sistemáticas das
operações;
 Classificar documentos e lançamentos nos livros contabilísticos;
 Apurar os gastos e rendimentos e posterior determinação de resultados;
 Elaborar demonstrações financeiras e sua análise;
 Elaborar o orçamento e sua fiscalização;
 Preencher as declarações anuais sobre rendimentos;
 Preencher de livros selados;
 Fazer o fecho de contas.
2

Contabilidade, natureza, objectivo e finalidade

Natureza

A génese da contabilidade é explicada, segundo a maioria dos autores, pela necessidade


sentida pela pessoa de preencher as deficiências da memória, mediante um processo de
classificação e registo que lhe permite recordar facilmente as variações sucessivas de

determinadas grandezas, para que, em qualquer momento, possa saber da sua extensão.
Assim, a contabilidade primitiva, visava fundamentalmente suprir as limitações da memória

humana. Alem disso, desempenhava um papel importante; o de constituir um meio de prova


entre partes discordantes ou em litígio.
O grande desenvolvimento dos princípios contabilísticos, tal como hoje a conhecemos, deveu-

se fundamentalmente ao movimento económico – politico que foi a revolução industrial, aliás, é

o próprio desenvolvimento das unidades de produção capitalistas que vai determinar o


aperfeiçoamento do método contabilístico. Assim, com o desenvolvimento das técnicas de

gestão foi-se operando uma mudança no conceito tradicional da contabilidade para técnica
eficiente de gestão. Porém a gestão moderna não se limita a recordar o passado e a conhecer
o presente, também planeia as actividades para o futuro mediante uma pré-selecção, entre
diversas alternativas possíveis. O estabelecimento destas opções exige elementos que as
fundamentem e os dados da contabilidade constituem um importante auxiliar no fornecimento
desses elementos. Além disso, após seleccionados os objectivos, há necessidade de
estabelecer o controlo, sem o qual aqueles não teriam significado. Mais uma vez, a

contabilidade surge como precioso auxiliar, fornecendo os elementos indispensáveis e


procedendo o próprio controlo.

Contabilidade é uma ciência de natureza económica, cujo objecto é a realidade económica de


qualquer entidade pública ou privada, analisada em termos quantitativos e por método
específico com o fim de obter as informações indispensáveis à gestão dessa entidade,
nomeadamente ao conhecimento da sua situação patrimonial e dos resultados obtidos e ao
planeamento e controlo das suas actividades. (Pereira, J. 1991:27).

A contabilidade aparece pela necessidade sentida pela pessoa de preencher as deficiências da


memória, mediante um processo de classificação e registo que lhe permitisse recordar
facilmente as variações sucessivas de determinadas grandezas, para que, em qualquer

momento, possa saber da sua extensão.


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Os processos de registos utilizados, que inicialmente eram bastante simples, foram-se


generalizando e refinado, tendo chegado aos nossos dias sistematizados naquilo que se

designa método contabilístico. Esta método ‘e constituído por um conjunto de registos relativos
às grandezas que se pretendem observar e às variações aumentativas e diminutivas que essas
grandezas possam sofrer. Graficamente estas grandezas são usualmente apresentadas num

diagrama (em T) a que, se convencionou chamar conta:

Exemplo:

Título da conta
Lado esquerdo Lado direito

O grande desenvolvimento dos princípios contabilísticos, tal como hoje a conhecemos, deveu-

se fundamentalmente ao movimento económico – politico que foi a revolução industrial. É aliás,


o próprio desenvolvimento das unidades de produção capitalistas que vai determinar o
aperfeiçoamento do método contabilístico. De facto a crescente utilização de recursos
materiais, financeiro e humanos tornou inadequada a contabilidade tradicional, obrigando - a
adaptar-se às exigências do desenvolvimento verificado (Borges, A. 2001:21).

Em 1494, Lucas Paciolli (Italiano) com a publicação de “ Summa de Arithemética, Geometria,


Proportioni et proportionalita” dizia que a contabilidade servia como registo de operações, como
meio de prova, conhecimento da situação da empresa ou garantia dos seus credores. O

mesmo enunciou pela primeira vez o princípio de partidas dobradas onde “ um ou vários
débitos devem ser correspondidos por um ou vários créditos de igual valor”. Sobre este

princípio, vamos estudar e compreenderemos a contabilidade, com veremos adiante.

Já, a partir de 1920, Eugene Schmalenbach (Alemão) com a publicação do livro “ O Balanço
Dinâmico” dizia que a contabilidade servia para conhecer a realidade económica passada,

presente e futura, para a obtenção das informações indispensáveis a uma, consciente tomada
de decisão.

E no ano 1950, o Canadiano Richard Mattessich, no su livro “ Accounting and Analycal


Measuremente and Weath in the Micro and Macro Economy” a contabilidade serve para a
elaboração dos princípios contabilísticos, formalizando as suas posições, submetendo - as a

tratamento lógico e matemático par obter informações com maior potencialidade explicativa e
preditiva.
4

Objecto da contabilidade
A contabilidade tem como objecto de estudos o Património das Entidades, sejam elas

entidades de fins lucrativos ou não. Tem como Função Administrativa controlar o património
visando demonstrar a sua situação em um determinado momento e como Função Económica
visa apurar resultados a fim de demonstra-los periodicamente independente se positivos ou

negativos.

Objectivo e Finalidade da contabilidade

De seguida vamos analisar os objectivos e a finalidade da contabilidade geral na vida das


pessoas e empresas.

A Contabilidade tem por objectivo:


 Quantificar o que ocorre numa unidade económica;
 Controlar, com vista a comunicar a realização dos planos, motivando o pessoal e
verificação da qualidade dos serviços executados pelos empregados;
 Planear – pela obtenção de informações que permitam formular novos programas de
acção.
Depois de conhecermos os objectivos da contabilidade vale a pena sabermos qual é a

finalidade da mesma, no prosseguimento das suas actividades.

A contabilidade tem em vista dar a conhecer:

1) A posição devedora ou credora da empresa em relação a terceiros;


2) A composição e valor do património;
3) Custo dos bens ou serviços vendidos;
4) A origem e a causa dos rendimentos obtidos;
5) A natureza e a importância dos resultados apurados;
6) A responsabilidade dos diversos agentes obrigados a prestar contas dos valores a si
consignados.

Divisões da Contabilidade.

A contabilidade na perspectiva empresarial, normalmente é dividida em duas grandes divisões:


 Contabilidade geral, Financeira ou Externa – regista as operações externas da empresa
e serve como base para a preparação das demonstrações financeiras (apura o
desempenho ou resultados de exploração da empresa e indica a sua posição financeira
ou patrimonial). Dá informações necessárias para fazer analises económicas e
5

financeiras, (rentabilidade, liquidez, capacidade de endividamento, períodos médios de


cobrança, rotação de inventários, entre outros)

Contabilidade de Analítica, Interna ou de Custos – regista operações internas da empresa,


apurando resultados por produto, por divisão, departamento, etc., permite um controlo mais

pormenorizado da rentabilidade da empresa e, por isso, torna-se, num bom auxiliar da gestão
na tomada de decisões

Funções da Contabilidade
Para iniciarmos o estudo da contabilidade é necessário interiorizar uma serie de conceitos
imprescindíveis a esse mesmo estudo.

Assim, uma função contabilística correctamente implementada deverá permitir o registo,

controlo, a avaliação e a análise da actividade empresarial em vários domínios.

 Função de registo - Contabilidade deve registar todos os factos que provocam alterações
no seu património através Documentos obrigatórios ou facultativos: Diário, Razão, Livro
de Inventário e Balanços para emitir Informações claras, precisas e concisas
 Função de controlo - Apreciar se a situação económica e financeira da empresa é boa ou
má Fazer a análise sobre o modo como os resultados foram obtidos Comparar os valores
obtidos pela empresa com os das empresas similares Fazer comparações entre as
previsões e a realidade
 Função de avaliação - Conhecer os custos da produção Determinar, com base nos preços
de custo, os preços de venda Determinar a quantidade, qualidade e valor das matérias-
primas e das matérias - subsidiárias, e Analisar a produtividade dos trabalhadores da
empresa com a de outras empresas similares.
 Função de previsão - A previsão é efectuada com base em orçamentos Gerais (todos os
sectores) Parciais (determinados sectores) Orçamento de vendas Orçamento de
compras, etc.

Interessados pela informação contabilística

Como toda ciência, a contabilidade desenvolveu-se não apenas para os fazedores mas sim

para um todo quando possível e estejam directa ou indirectamente interessados a informação


produzida dentro desse sistema.

Assim, é a forma básica de organização, direcção e gestão, considerando que os utentes da


informação contabilística são:
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 Gestores - Tomam decisões sobre a gestão de recursos da empresa;


 Proprietários - Tomam decisões sobre investimentos e controlam o seu património;
 Trabalhadores - Informarem-se sobre os êxitos e fracassos da empresa, para melhor
conhecimento da estabilidade da empresa;
 Fornecedores/Credores - Conhecerem o grau de solvabilidade ou liquidez da empresa
para poder fazer empréstimos;
 Clientes - Para controlarem o grau de confiança que podem depositar nos Fornecedores;
 Concorrentes - Para melhorarem as suas estratégias de negócios;
 Estado - Para planificar a economia nacional, adoptar políticas de impostos e fiscais etc.,
mais adequadas com a economia do país;
 Público em Geral - Para se informar sobre as actividades das empresas e dos benefícios
sociais que essas empresas podem dar;

O cálculo económico garante a utilização mais eficiente dos meios materiais e monetários, a
economia do trabalho (aumento da produtividade) e a obtenção dos maiores resultados com

menores despesas.

Implantação de Sistema de Contabilidade

Como regra geral, o primeiro trabalho de contabilidade realizado para qualquer negócio, inclui o
desenvolvimento de um sistema de contabilidade. O contador estuda a natureza do negócio,
determina o tipo de transacções que provavelmente ocorrerão, e planeia ou selecciona os
formulários e fichas necessárias, nas quais as transacções do negócio podem ser registadas.
Quando um negócio cresce, costuma-se rever o sistema de contabilidade de tempos em
tempos e iniciar qualquer modificação ou ampliações desejáveis.

Manutenção de Registos

Após o sistema de contabilidade ter sido planejado e instalado, o resultado das transacções
comerciais é registado nos formulários de contabilidade e registo.

Preparação de relatórios financeiros

Em intervalos regulares o contabilista, usando os dados financeiros acumulados nos registos


de contabilidade, prepara relatórios, mostrando a posição financeira do negócio e o resultado
de suas operações. Esses relatórios fornecem importantes informações para a administração,

proprietários, banqueiros e órgãos governamentais.

Auditoria
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A Auditoria é um procedimento pelo qual os técnicos, examinam os registos financeiros e


relatórios para salvaguardar-se de fraude e de erros e para assegurar que esses registos e
relatórios foram preparados de acordo com os princípios contabilísticos. A auditoria pode ser:

A) Auditoria interna contínua

Os grandes negócios em geral têm sob seu emprego uma assessoria de auditores, cuja
obrigação é fazer verificações contínuas do trabalho realizado pelo departamento de

contabilidade.

B) Auditoria externa periódica

É realizada por auditores que não tem vinculação empregatícia com a empresa e feita
periodicamente.

Interessados pela informação contabilística

Como toda ciência, a contabilidade desenvolveu-se não apenas para os fazedores mas sim
para um todo quando possível e estejam directa ou indirectamente interessados a informação
produzida dentro desse sistema.

Assim, é a forma básica de organização, direcção e gestão, considerando que os utentes da


informação contabilística são:

 Gestores - Tomam decisões sobre a gestão de recursos da empresa;


 Proprietários - Tomam decisões sobre investimentos e controlam o seu património;
 Trabalhadores - Informarem-se sobre os êxitos e fracassos da empresa, para melhor
conhecimento da estabilidade da empresa;
 Fornecedores/Credores - Conhecerem o grau de solvabilidade ou liquidez da empresa
para poder fazer empréstimos;
 Clientes - Para controlarem o grau de confiança que podem depositar nos
Fornecedores;
 Concorrentes - Para melhorarem as suas estratégias de negócios;
 Estado - Para planificar a economia nacional, adoptar políticas de impostos e fiscais
etc., mais adequadas com a economia do país;
 Público em Geral - Para se informar sobre as actividades das empresas e dos
benefícios sociais que essas empresas podem dar;

Necessidade da informação contabilística


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A informação contabilística para que tenha validade no processo de gestão administrativa,


precisa ser necessária aos usuários finais, por tanto deve ser elaborada para atender às

necessidades desses usuários.

A informação representa a consolidação de poder na empresa, pois é o produto da análise dos

dados, devidamente registados, classificados, organizados, relacionados e interpretados dentro


de um contexto para transmitir conhecimento e permitir a tomada de decisão de forma

optimizada.

Portanto para satisfazer às necessidades de informação dos usuários, também é importante


verificar a qualidade da informação e considerar algumas características que a qualificam,
conforme se segue.

Qualidade da informação contabilística

O objectivo das demonstrações financeiras é proporcional informação financeira credível sobre


a posição financeira, alterações desta e os resultados das operações de uma empresa, que
seja útil a investidores, credores, Estado e outros utentes, para que os investimentos, a

concessão de crédito e a tomada de decisões possam ser efectuados de forma racional.

A responsabilidade pela preparação e apresentação da informação financeira cabe ao órgão de


gestão da empresa, o qual deve implantar procedimentos administrativos e de controlo interno

de forma a garantir que a informação fornecida seja credível.

Para que a informação divulgada seja útil é necessário que seja entendida pelos utentes, o que
só acontecerá se reunir as seguintes características:

Compreensibilidade – A informação proporcionada pelas DF’s deve ser facilmente

compreendidas pelos utentes. Para esse fim, presume-se que os utentes tenham um razoável
conhecimento das actividade empresariais e económicas e da contabilidade e vontade de obter
informação com razoável diligência. Porem, a informação acerca de matérias complexas, que

devem ser incluídas nas DF’s dada a sua relevância para as necessidades de tomada de
decisões pelos utentes não deve ser excluída meramente com o fundamento de que ela possa
ser demasiado difícil para a compreensão de certos utentes.

Relevância – A informação deve ser relevante às necessidades dos utentes na tomada de

decisões. A informação é relevante quando influencia as decisões económicas dos utentes,


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ajudando-os a avaliar o impacto de eventos passados, presentes ou futuros, confirmando ou


corrigindo as suas avaliações.

Fiabilidade – A informação deve ser fiável, e tem qualidade de fiabilidade quando está livre de

erros relevantes e quando os utentes podem nela depositar confiança como representando

fielmente aquilo que ela espelha ou poderia razoavelmente esperar-se que ela espelhasse.

Comparabilidade – Os utentes da informação financeira devem poder comparar as DF’s da


empresa ao longo do tempo, a fim de identificar tendências na sua posição financeira e no seu

desempenho. Devem também ser capazes de comparar as DF’s de diferentes empresas, a fim
de avaliar, em termos relativos, a sua posição financeira, os resultados e as mudanças na
posição financeiras. Consequentemente, a avaliação e apresentação dos efeitos financeiros de

transacções e outros eventos semelhantes devem ser feitos de modo normalizado em todas as

empresas nos diversos períodos e de uma maneira consistente para empresas diferentes.

Representação fidedigna – A informação deve representar fidedignamente as transacções e


outros acontecimentos que pretende espelhar ou possa razoavelmente esperar-se que

espelhe. Assim, o Balanço e a DR’s devem representar fidedignamente as transacções e


outros acontecimentos de que resultem activos, passivos e capital próprio bem como custos e
proveitos da empresa, na data do relato, que satisfaçam os critérios de reconhecimento.

Neutralidade – A informação decorrente das DF’s tem de reflectir a imparcialidade, isto é, não
deve ser seleccionada ou apresentada de forma a influenciar a tomada de posição ou decisão

ou para se atingir um fim predeterminado.

Plenitude – A informação nas DF’s deve ser completa dentro dos limites da materialidade e de
custo. Uma omissão pode fazer com que a informação seja falsa ou enganadora e, por

conseguinte, não fiável e deficiente em termos de relevância.

Verificável – quando permite que dois ou mais usuários tenham a mesma interpretação sobre o
mesmo facto.

Princípios Contabilísticos Geralmente Aceites

Princípios contabilísticos geralmente aceites, são regras, normas e procedimentos que as

empresas no registo ou contabilização das suas transacções devem rigorosamente respeitar e


seguir a fim de dar uma imagem correcta da sua situação económica e financeira.
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Existem vários PCGA, que entre eles podemos destacar:

Da continuidade – A empresa é uma entidade que opera num âmbito temporal indefinido,
entendendo-se, por consequência, que não tenciona nem necessita de entrar em liquidação ou
de reduzir significativamente o volume das suas operações.
Da consistência – A empresa mantém as suas politicas contabilísticas durante vários
exercícios, devendo indicar no anexo as alterações consistentes materialmente relevantes.
Da prudência – A empresa deve acautelar nas suas contas a necessidade precaução para
fazer face às estimativas decorrentes da sua actividade, sem que dai resulte a constituição de
reservas ocultas ou provisões excessivas que afectem a quantificação de activo e proveitos por
defeito ou passivos e custos por excesso.
Da especialização dos exercícios – A empresa deve reconhecer os proveitos e os custos à
medida que eles ocorrem, tenham ou não sido recebidos ou pagos, devendo incluí-los nas
demonstrações dos exercícios a que respeitam.
Do custo histórico – A empresa deve efectuar os registos contabilísticos com base nos custos
de aquisição ou de produção.
Da substância sobre a forma – A empresa deve contabilizar as operações com base na sua
substância e realidade financeira, e não atender apenas à sua forma legal.
Da materialidade – As DF’s devem evidenciar todos os elementos relevantes conducentes à
sua correcta apreciação pelos utentes.
De não compensação de saldos – As operações de compra e venda realizadas com a mesma
entidade devem ser registadas em contas separadas de fornecedores e clientes
respectivamente.

A Normalização Contabilística
Não basta ter conhecimento do que é, e para que ser a contabilidade. É necessário criar um

conjunto de regras, conceitos, procedimentos, numa palavra, uma linguagem única, que
permita a comparabilidade e universalidade dos dados e uniformização ao nível de critérios.

Mas, nem sempre isso aconteceu.

Inicialmente, era estabelecido para cada empresa um plano que melhor se ajustava à
dimensão e aos recursos da mesma.

Fundamentalmente após a 2ª Guerra Mundial sentiu-se a necessidade de uma regulamentação


geral da organização contabilística da empresa, de modo a harmonizar as diversas

contabilidades empresariais.
11

Assim surge a Normalização Contabilística, com a finalidade de registo de determinadas


operações, com vista a respeitar imposições legais, de forma a garantir a autenticidade da

escrituração e a servir de prova perante terceiros. Para além disso a normalização


Contabilística é um processo que leva a que as várias empresas utilizem as mesmas contas, os
mesmos critérios de avaliação e os mesmos procedimentos de cálculo dos custos, entre outros.

Os principais objectivos da normalização contabilística podem ser sintetizados da seguinte

forma:

 Definição de um quadro de contas;


 Definição do âmbito ou contexto, regras de movimentação e inter-relações entre as
diversas contas;
 Concepção dos diversos mapas para as demonstrações financeiras;
 Definição de regras uniformes sobre a forma de avaliar os elementos patrimoniais e
determinação dos resultados;
 Comparabilidade no tempo, traduzida pela utilização dos mesmos procedimentos ao
longo dos vários exercícios.

A contabilidade como processo de recolha, análise, registo e interpretação de tudo o que afecta
a riqueza das unidades económicas é sem dúvida um dos mais se não mesmo o mais
poderosos suportes de informação para a administração. Normalização Contabilísticas consiste
em criar uma metodologia comum a ser seguida pelas unidades económicas visando, a
comparabilidade das inter - unidades, a universalidade dos dados recolhidos e a sua
compreensão pelos agentes económicos.

As informações prestadas pela contabilidade ultrapassam, em larga escala, o âmbito da

empresa e dos seus mais directos colaboradores, revestindo interesse para um vasto conjunto
de utilizadores (investidores, credores, financiadores, fisco, estatísticas nacionais e sectoriais,
etc.). Sendo assim as informações estatísticas, devem ser obtidas a partir de método e

procedimentos conhecidos e aceites para que se elaborem documentos susceptíveis de


interpretação e comparáveis com os de outras unidades. A contabilidade tem de ser feita em

língua portuguesa e em meticais. Os contabilistas devem cingir-se no plano geral de


contabilidade e agir de boa – fé.

Fases do trabalho Contabilístico

Antes do inicio de qualquer trabalho contabilístico, devemos ter em conta as seguintes fases:
12

A) Concepção - podemos distinguir as seguintes tarefas:


1. Definição clara dos termos a usar;
2. Definição dos critérios valorimétricos;
3. Formas de apresentação do Balanço, contas de resultados e balancetes, etc;
4. Que contas utilizar e sua nomenclatura;
5. Quais os meios humanos e materiais a utilizar;
6. Quais os circuitos dos documentos, como e onde arquivá-los;

Na elaboração de um plano de conta deve-se atender às necessidades de informação dos


gestores para que se possam obter os elementos necessários. Esta é a primeira tarefa de um

contabilista numa unidade económica (empresa).

B) Registo das operações – o verdadeiro processo de contabilização dos factos


patrimoniais.
C) Exposição e interpretação dos dados obtidos – o contabilística tem de estar apto na
interpretação de tudo que anteriormente teria feito.

Para que seja possível todo processo anteriormente referidos, será necessário a adopção de
uma metodologia semelhante na recolha e tratamento dos dados, sem o qual, a

comparabilidade das informações obtidas seria colocada em causa.

Diremos então que será necessário definir um conjunto de princípios e critérios a serem

uniformizados pelas diversas unidades económicas na execução de sua contabilidade. Neste


sentido, deverão definir-se regras no que respeita à nomenclatura das contas, ao seu âmbito e

movimentação, às regras de valorização dos elementos, à determinação dos resultados e à


elaboração e apresentação das demonstrações financeiras ou seja, a normalização
contabilística consiste na definição de um conjunto de regras e princípios que visem:

a) Elaboração de um quadro de contas que devem ser seguidas pelas unidades económicas;
b) Definição de conteúdo, regras de movimentação e articulação das contas definidas no
quadro indicado em a);
c) Concepção de mapas - modelo para as demonstrações financeiras definidas para as
unidades económicas;
d) Definição dos princípios contabilísticos e dos critérios valorimétricos que devem ser
seguidos na contabilidade das diversas entidades envolvidas.

Depois de sabermos o que é a normalização contabilística, vamos ver, de seguida as suas


vantagens.
13

Vantagens da Normalização Contabilística

 Para as empresas, a normalização, é útil porque dispõe as estatísticas do sector que


mostrarão a sua posição relativa. Isso incentiva quem, colocado em situação mais
desfavorável, tenha de proceder a revisões e alterações para melhorar a sua posição e
produtividade;
 Para que os contabilistas, passam a dispor de um código de regras e procedimentos;
 O da didáctica e o da pedagogia, a normalização pode proporcionar orientações menos
discutíveis, evitando perdas de esforços, transferindo a energia desse esforço para a crítica
a remodelação posterior das normalizações efectuadas no que estas carecem de
correcções;
 O da análise macro – empresarial, para a qual passa-se a contar com os critérios
naturalmente mais validos, procedimentos mais convenientes, dados mais exactos,
terminologias uniformes, agregações menos erradas, favorecendo - se estatísticas
sectoriais, nacionais e possibilitando – se um melhor conhecimento da economia nacional.
As entidades oficiais e os próprios empresários tem mais instrumentos de análise e
previsão;
 O da tributação fiscal que assenta em procedimentos mais ortodoxos e certeiros,
possibilitando – se assim, um mais fácil controlo dos elementos que servem de base ao
estabelecimento da tributação das empresas.

Inconvenientes da Normalização Contabilística

Quanto maior for o campo da normalização, mais gerais terão de ser as regras e princípios que
se estabelecem.

Em síntese, diria que a normalização contabilística é vantajosa em todos os domínios do

registo, da análise, do estudo – comporta em si um grande inconveniente, até ao ponto em que

pode ser aplicada na empresa, sendo impraticável quando não se adapte às características e
necessidades reais das unidades económicas nos aspectos que se proponha uniformizar.

Normalização Contabilística em Moçambique

O decreto nº 70/2009, de 22 de Dezembro, aprova o sistema contabilístico para o sector


empresarial, abreviadamente designado por SCE1, baseado nas Normas internacionais de

Relato Financeiro (NIRF), e introduz ajustamentos no Plano Geral de Contabilidade, aprovado

pelo Decreto nº 36/2006, de 25 de Julho.

1
Sistema contabilístico para o sector empresarial
14

O decreto nº 36/2006, de 25 de Julho revoga a resolução nº 13/84 de 14 de Dezembro

O SCE em Moçambique é composto por dois títulos2:

Título I – Plano Geral de Contabilidade com base nas NIRF (PGC – NIRF) composto por:

Capítulos

1.1 Introdução ao PGC – NIRF;


1.2 Quadro conceptual;
1.3 Regras para a primeira aplicação;
1.4 Normas de contabilidade e de Relato Financeiro;
1.5 Códigos de contas;
1.6 Modelos de demonstrações Financeiras;
1.7 Glossário de termos e expressões;
1.8 Tabelas de correspondências com as NIRF;

Título II – Plano Geral de Contabilidade (PGC – PE) compostos por:

1.1 Introdução ao PGC – PE;


1.2 Base, conceitos e princípios contabilísticos;
1.3 Mensuração dos elementos das Demonstração Financeiras;
1.4 Quadros e códigos de contas;
1.5 Modelos de Demonstrações Financeiras;
1.6 Conteúdo e movimentação de algumas contas.

Para melhor percepção do nosso normativo, o (a) estudante é obrigado (a) a possuir o Decreto
nº 70/2009, de 22 de Dezembro, sem o qual é quase impossível a execução da contabilidade

no território moçambicano.

Nisto, aconselha-se a leitura das NIRF’s adoptados pelo SCE Moçambicano.

O Plano Geral de Contabilidade (PGC)

A actividade económica moçambicana tem vindo a registar, ao longo dos últimos anos, ritmos

de crescimento significativos, na sequência da germinação dos esforços de construção


nacional que o clima de pacificação e de reestabilização social potenciou, e com isto o Plano
Geral de Contabilidade é um conjunto de normas, regras e princípios de organização que tem

por objectivo a uniformidade do tratamento contabilístico das empresas.

2
Decreto nº 70/2009, de 22 de Dezembro
15

A Contabilidade Geral utiliza as classes de 1 a 5 para as chamadas Contas de Balanço, uma


vez que os seus saldos constituem os elementos patrimoniais activos e passivos da empresa.

As classes 6 e 7 fazem parte das chamadas Contas de Exploração, permitindo que a diferença

entre os seus saldos indique-nos o resultado da empresa num determinado exercício

económico.

A classe 8 é de resultados. Esta conta serve para registar como contrapartida das contas de
exploração, de estimativa de impostos bem como de dividendos antecipados e de resultados

do exercício.

A Contabilidade Analítica está no Plano Oficial de Contabilidade reservada à classe 9. Esta é a

situação vigente noutros planos nacionais que, tal como o moçambicano, sofre a clara
influência da escola francesa que não vai ser objecto no nosso estudo.

As contas de ordem, implicitamente foram reservadas à classe Zero.

Contas do Balanço

Classe 1 - Meios Financeiros;

Classe 2 – Inventário de Activo Biológico;


Classe 3 – Investimentos de Capital;
Classe 4 – Contas a receber, contas a pagar, acréscimos e diferimentos;
Classe 5 – Fundos Próprios.
Contas de Exploração
Classe 6 – Gastos e Perdas;

Classe 7 – Rendimentos e Ganhos

Contas de Resultados
Classe 8 – Resultados
16

Caro(a) estudante!

Teste a sua percepção do que acabamos de abordar respondendo as seguintes questões!

1. Defina Contabilidade.
2. Indique a finalidade da contabilidade?
3. Indique dois objectivos da contabilidade que usa informação contabilística.
4. Quais são os grupos de pessoas e de interesse que necessitam da informação
contabilística da empresa?
5. Indique as divisões da contabilidade.
6. Faça breves considerações sobre a origem da contabilidade, destacando os aspectos que
caracterizam o contexto em que ela surgiu ou desenvolveu-se.
7. Faça um trabalho prático no máximo três paginas sobre a origem da contabilidade,

destacando os aspectos que caracterizam o contexto em que ela surgiu ou desenvolveu –se.
8. O que entende por princípio contabilístico geralmente aceite (PCGA)?

9. Qual é a diferença entre PCGA e características qualitativas das demonstrações


financeiras.
10. Diga por palavras suas, o significado do princípio de não compensação de saldos.

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