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Introdução à Citopatologia e Papanicolau

Este documento apresenta uma introdução à citopatologia, descrevendo o que é esta ciência, seus objetivos e limitações. Também descreve os principais exames citopatológicos, como a citologia esfoliativa e aspirativa, com foco no Papanicolau. Apresenta breve histórico da especialidade e detalhes sobre a coleta e análise das células cervicais no exame.
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Introdução à Citopatologia e Papanicolau

Este documento apresenta uma introdução à citopatologia, descrevendo o que é esta ciência, seus objetivos e limitações. Também descreve os principais exames citopatológicos, como a citologia esfoliativa e aspirativa, com foco no Papanicolau. Apresenta breve histórico da especialidade e detalhes sobre a coleta e análise das células cervicais no exame.
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CITOLOGIA CLÍNICA

Profa. Dra. Maysa Braga


[email protected]
INTRODUÇÃO À CITOPATOLOGIA

KYTOS = célula PATHOS= doença, sofrimento LOGOS= estudo

 Ciência que estuda as doenças através das modificações celulares, considerando as suas
características citoplasmáticas e nucleares.
INTRODUÇÃO À CITOPATOLOGIA

 Objetivos:

- Identificação de doenças clinicamente não suspeitas.

- Confirmação de doenças clinicamente suspeitas.

- Acompanhamento da evolução ou resposta ao tratamento de determinada doença.

 Limitações:

- Tempo excessivamente longo na interpretação das amostras;

- Natureza subjetiva da interpretação dos achados citológicos (depende do analista);

- Impossibilidade de assegurar a invasão ou extensão da invasão no caso de malignidade

(TRIAGEM).

Confirmar com exames complementares (ex: histologia).


INTRODUÇÃO À CITOPATOLOGIA

 Vantagens:
 Desvantagens:

• Procedimento de menor grau invasivo;


• Resultado inconclusivo em amostras escassas
• Dispensa anestesia;
ou com artefatos;
• Menores taxa de complicação durante e
• Má interpretação diagnóstica (ausência de
após a coleta;
arquitetura tecidual);
• Baixo custo;
• Dificuldade de acesso em certos órgãos;
• Fácil acesso;
• Obscurecimento dos elementos celulares pela
• Simplicidade técnica;
presença de sangue.
• Eficácia diagnóstica.
EXAMES CITOPATOLÓGICOS
 Exames citopatológicos dividem-se:

• Citologia esfoliativa
- Espontânea  urina, escarro.
- Artificial  raspado da ectocérvix, escovado brônquico.

• Citologia aspirativa
EXAMES CITOPATOLÓGICOS
• Citologia esfoliativa Artificial  PAPANICOLAU
CITOPATOLOGIA: UMA VISÃO HISTÓRICA

• Sec. XIX - Microscópio composto - estudo detalhado das células e dos


tecidos.

• Sec. XIX - publicação Atlas de Donné e livro de Pouchet (ilustrações


sobre as células vaginais).

• Sec. XX – Descrições morfológicas dos tecidos humanos normais


(praticamente completas).

• Sir Julius Vogel (1843) – primeiro relato quanto a aplicação da citologia como meio
diagnóstico - identificação de células malignas em líquido de fistula de tumor mandibular.

• Henri Lebert (1845) registrou o aspecto morfológico de células aspiradas de tumores.

• Donaldson (1853) reportou a aplicação prática do microscópio para diagnóstico de câncer –


características citológicas de amostras obtidas da superfície de cortes de tumores.

• Lionel S. Beale e Dr. Lambl (1850) – descreveram células malignas em escarro e urina.
CITOPATOLOGIA: UMA VISÃO HISTÓRICA
• Segunda metade sec. XX – Citopatologia como ciência

 Pai da citopatologia.

Georgios Papanikolaou

Dr George Papanicolaou (1883-1962)


CITOPATOLOGIA: UMA VISÃO HISTÓRICA

• Médico grego
• atou na pesquisa – phD na Alemanha
• convocado para o exército grego –
migrou para os EUA.
• Diretor do Instituto de câncer de Miami
(Instituto de Pesquisa de câncer
Papanicolaou)
George Papanicolaou (1883-1962)

• Encontrou acidentalmente células


malignas – antevendo a possibilidade da
mesma técnica ser empregada na rotina
de diagnóstico câncer de colo uterino.
CITOPATOLOGIA: UMA VISÃO HISTÓRICA

1943 – monografia “ Diagnóstico de câncer uterino pelo esfregaço vaginal”

Introdução da técnica para diagnosticar câncer uterino e lesões precursoras

Pap test (teste de Papanicolau)


TESTE DE PAPANICOLAU

Esfregaço cervicovaginal e colpocitologia oncótica cervical.

 Importância:
• Teste de triagem.
• Detecção precoce de alterações nas células do colo do útero.
• Permite que o diagnóstico reduza a mortalidade por câncer.

Câncer cervical (Câncer de colo uterino)


• 3º tumor mais frequente na população feminina;
• 4ª causa de morte de mulheres por câncer no Brasil;
• Estimativas de novos casos: 16.590 (2020-2022);
• Número de mortes: 6.526 (2018).
TESTE DE PAPANICOLAU
Prevenção do câncer de colo do útero

 Detecção precoce das lesões precursoras;

 Citologia convencional 1 vez ao ano (disponível no SUS);

 Vacina contra HPV (Prevenção de lesões genitais pré-cancerosas de colo do útero, vulva e

vagina e câncer do colo do útero).


REVISÃO: Órgãos do Sistema Reprodutor Feminino
1- Ovários: produção dos hormônios ovarianos (estrógeno e progesterona)  importantes para
a maturação do epitélio uterino.
2- Tubas uterinas.
3- Útero. Fundo do útero
4- Vagina.

Corpo do útero

Colo do útero
Região de coleta do Papanicolau.
CÉRVICE UTERINO (COLO UTERINO)
Parede
vaginal

Coloração normal: rosada

Dois locais de coleta do Papanicolau (2 epitélios


diferentes)  análise mais completa.
Ectocérvice: células escamosas
Endocérvice: células glandulares endocervicais
COLETA DE CÉLULAS CERVICAIS

Espéculo vaginal: abertura do canal vaginal Espátula de Ayre: coleta do


para visualização do colo do útero. ectocérvix (externo).

Escova endocervical:
coleta do endocérvice Lâmina de vidro Tubo com fixador
(interno). (ex: álcool absoluto)
CÉLULAS CERVICAIS

Endocérvice: epitélio colunar simples  células glandulares.

Ectocérvice: epitélio estratificado pavimentoso não


queratinizado  células escamosas.
CÉLULAS CERVICAIS

Ectocérvice
Endocérvice
Junção escamo-colunar
Epitélio estratificado pavimentoso
Epitélio colunar simples
(JEC)
não queratinizado (células
(células glandulares).
escamosas).
Local de transição entre o
epitélio ectocervical e o Local de infecção pelo HPV.
epitélio endocervical.
CÉLULAS CERVICAIS

Hormônio dependente
CÉLULAS CERVICAIS
Células escamosas

Células redondas

Células poligonais: apresentam pontas


Grande volume citoplasmático e núcleo pequeno (cel.
Intermediária o núcleo é maior que a superficial).
CÉLULAS CERVICAIS
Células escamosas
 Pequeno aumento
CÉLULAS CERVICAIS
Células escamosas
 Grande aumento aumento

- Células superficiais:
• Estrutura nuclear condensada (núcleo picnótico).
• Presença de grânulos.

Citoplasma eosinofílico (rosa) Citoplasma basofílico (azul)


CÉLULAS CERVICAIS
Células escamosas
 Grande aumento aumento
Células intermediárias:
- Células superficiais x células intermediárias núcleos maiores com menor
condensação da cromatina
CÉLULAS CERVICAIS
Células escamosas
 Grande aumento aumento

- Células intermediárias x Células imaturas

Bactérias

Leucócitos Célula imatura


CÉLULAS CERVICAIS
Células escamosas
 Grande aumento aumento

- Células maduras x Células imaturas Maduras

Célula superficial eosinofílica


Imaturas
CÉLULAS CERVICAIS
Células escamosas

 Predomínio de células imaturas  atrofia (pacientes que pararam de receber o estímulo


hormonal para a maturação, ex: menopausa, radioterapia, remoção dos ovários).
CÉLULAS CERVICAIS
Células glandulares endocervicais

- 1 único tipo de célula, sem maturação


- Se diferem pela posição na lâmina
(deitadas – paliçada; em pé – favo de mel)
CÉLULAS CERVICAIS
Células glandulares endocervicais

Núcleo na região basal


Citoplasma na região apical

Paliçada
CÉLULAS CERVICAIS
Células glandulares endocervicais

Paliçada

Favo de Mel
CÉLULAS CERVICAIS
Células glandulares endocervicais

 Favo de Mel

Células escamosas basofílicas


CÉLULAS CERVICAIS
Células glandulares endocervicais

 Paliçada
CÉLULAS CERVICAIS
 Metaplasia: transformação de um tipo de epitélio por outro.
- Metaplasia escamosa: substituição de um tipo de epitélio por outro.

Epitélio glandular (1 camada) é substituído por um epitélio escamoso (mais camadas).

Metaplasia escamosa imatura


CÉLULAS CERVICAIS
Metaplasia escamosa madura: presença de célula escamosa madura.
CÉLULAS CERVICAIS
Metaplasia escamosa madura: presença de célula escamosa madura.

1 – Células glandulares endocervicais


2- Células sendo substituídas por células escamosas (várias camadas)
CÉLULAS CERVICAIS
Células metaplásicas escamosas
CÉLULAS CERVICAIS
Células metaplásicas escamosas

- O citoplasma pode apresentar dupla coloração.


CÉLULAS CERVICAIS
Células metaplásicas escamosas

- A fenda (risco no núcleo) nuclear pode ser confundida com uma célula transformada (tumoral).
TESTE DE PAPANICOLAU
 Papanicolau (1940), utilizou um sistema de cinco grupos para classificar as alterações
observadas no exame.
TESTE DE PAPANICOLAU
 Classificação

NIC: Neoplasia Intraepitelial Cervical


LSIL: lesão intraepitelial cervical de baixo grau
HSIL: lesão intraepitelial cervical de alto grau
AIS: Adenocarcinoma in situ
TESTE DE PAPANICOLAU
Lesão intraepitelial escamosa de baixo grau (LSIL)

- Células escamosas maduras apresentam uma grande cavitação perinuclear  efeito citopático
do HPV.

Maior aumento
TESTE DE PAPANICOLAU
Lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL)
- Núcleo aumentado: - Citoplasma densamente queratinizado
(comum em uma infecção por HPV):

- Núcleo multinucleado:
TESTE DE PAPANICOLAU
Lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL)
- Células imaturas atípicas
TESTE DE PAPANICOLAU
AIS: Adenocarcinoma in situ
TESTE DE PAPANICOLAU
AIS: Adenocarcinoma in situ
TESTE DE PAPANICOLAU
AIS: Adenocarcinoma in situ

Anisocariose: variação de tamanhos de núcleos.


TESTE DE PAPANICOLAU
AIS: Adenocarcinoma in situ

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