Técnicas Eficazes de Anotações
Técnicas Eficazes de Anotações
Sönke Ahrens
Índice personalizado
Legenda: Pág. 99 - IMP
Q - citação importante Pág. 100 - IMP
IC - ideia central Pág. 103 - IMP
IMP - informação importante
Pág. 106 - INF
INF - informação impactante
Pág. 110 - IMP
Introduction Pág. 10 - IMP
Pág. 6 - IMP
Pág. 7 - IMP
Pág. 8 - INF
Pág. 9 - IMP
Pág. 10 - IMP
Pág. 12 - IC
Pág. 16 - INF
Pág. 17 - IMP
Pág. 18 - IMP
Pág. 23-26 - IMP
Os quatro princípios subjacentes
Pág. 40 - IMP
Pág. 41 - IMP
Pág. 53 - Q / IMP
Os seis passos para uma escrita bem sucedida
Pág. 67 - IMP
Pág. 70 - IMP / IMP
Pág. 73 - IMP
Pág. 77 - INF
Pág. 78 - INF
Pág. 79 - IMP
Pág. 80 - IC / IMP
Pág. 86 - IMP / IMP
Pág. 87 - IMP
Pág. 89 - IC
1
Introdução
“Todo esforço intelectual começa com uma nota.” (pág. 1)
“Este livro pretende preencher esse vazio [da habilidade de escrita] mostrando como você
poderá, eficientemente, transformar seus pensamentos e descobertas em excetos convincentes de
leitura e construir um tesouro de notas inteligentes e interconectadas entre si no caminho.” (pág. 2)
“A qualidade de um trabalho e a facilidade com a qual ele é escrito depende, mais de que
qualquer coisa, do que você fez com a escrita mesmo antes de tomar a decisão sobre um tópico.” (pág.
3)
“O que realmente faz uma significativa diferença no decorrer de todo o espectro da inteligência
é algo mais: quanta disciplina e auto-controle alguém usa ao enfrentar as tarefas que têm.” (pág. 4)
“Disciplina ou auto-controle não são, contudo, o caminho fácil para alcançar força de vontade.
Força de vontade é, até onde sabemos, um recurso limitado que desaparece rapidamente e não pode ser
melhorado de maneira substancial no longo prazo.” (pág. 4 e 5)
“(…) disciplina ou auto-controle têm muito mais a ver com o ambiente do que com nós
mesmos e o ambiente pode ser mudado. (…) Ter uma tarefa significativa e bem definida é sempre
melhor que ter força de vontade.” (pág. 5)
1. Tudo que o que você precisa saber
O primeiro ponto importante é aprender a estruturar um bom fluxo de trabalho com ênfase no
panorama completo.
“‘Eu nunca me forço a fazer nada que eu não esteja com vontade de fazer. Quando eu estou
preso, eu faço algo diferente’. Uma boa estrutura permite que você faça isso, mover-se sem esforço
entre uma tarefa e outra - sem que isso ameace todo o arranjo ou tire o foco do objetivo final”. (pág. 5)
“Desmembrar a tarefa amorfa de ‘escrever um trabalho’ em pequenas e determinadas tarefas de
forma separada, você pode focar em uma coisa de cada vez, completando cada uma por vez e, então,
seguindo para a próxima. Uma boa estrutura permite o flow, estado em que você está tão imerso no seu
trabalho que perde a noção de tempo e pode continuar com ele uma fez que isso não requer mais
esforço.” (pág. 6)
“[a procrastinação e falta de motivação, muitas vezes vêm do] uso de técnicas problemáticas
que parecem tomar conta de nós invés de permitir que guiemos o processo na direção correta.” (pág.
6)
“Ter uma estrutura bem definida em que podemos trabalhar é completamente diferente de fazer
IMP planos sobre algo. Se você faz planos, você impõe uma estrutura sobre si; isso te faz menos
flexível.” (pág. 6)
“O desafio é estourar o fluxo de trabalho de forma que descobertas e novas ideias possam se
tornar forças que nos motivem a continuar trabalhando.” (pág. 6)
“Planejadores tendem a não continuar seus estudos após terminarem seus exames. Eles ficam
felizes em terminá-los. Experts, por outro lado, sequer cogitariam voluntariamente desistir de algo que
já se provou divertido e recompensador: aprender de uma forma que gere reais descobertas, seja
acumulativo e traga novas ideias.” (pág. 7)
“(…) um sistema é necessário para acompanhar a quantidade sempre crescente de informações,
IMP que permite combinar ideias diferentes de uma forma inteligente com o objetivo de gerar novas
ideias.” (pág. 7)
“Estudantes ordinários não possuem tais problemas. Enquanto mantiverem-se dentro dos
limites de sua disciplina e lerem apenas aquilo que são mandados (ou menos), nenhum sistema externo
2
é necessário e a escrita pode ser feita
com formulas comuns sobre escrita de
trabalhos acadêmicos. (pág. 7 e 8)
Efeito Dunning-Kruger:
“Estudantes ordinários não conhecem
suas próprias limitações - que
precisarem conhecer sobre a vasta
quantidade de conhecimento dispersa
que mostraria o quão pouco eles
sabem em comparação. Isso significa
que aqueles que não são muito bons
IN F em algo tendem a ser confiantes
demais, enquanto aqueles que se esforçaram tendem a subestimar suas habilidades. (pág. 8)
“Escrever não serve só para proclamar opiniões, mas é a principal ferramenta para atingir
descobertas realmente valiosas de se divulgar.” (pág. 8)
1.1 Boas soluções são simples - e inesperadas
“[o sistema] não é só sobre coletar pensamentos, mas sobre fazer conexões e desenvolver novas
ideias.” (pág. 9)
“A simplicidade de uma estrutura permite que a complexidade seja construída onde desejamos:
no conteúdo.” (pág. 9)
“[para fazer isso] Nós precisamos somente combinar duas ideias bem conhecidas e já provadas.
IMP
A primeira ideia é o coração desse livro, é a técnica da caixa de notas.” (pág. 9)
“A segunda ideia é igualmente importante. Mesmo a melhor ferramenta não vai melhorar sua
produtividade consideravelmente se você não mudar suas rotinas diárias em que a ferramenta se insere,
assim como o melhor carro não ajudará se você não tiver estradas apropriadas onde dirigi-lo.” (pág.
10)
“Rotinas precisam de tarefas simples, que possam ser repetidas com facilidade suficiente para
se tornarem automáticas e trabalharem em conjunto.” (pág. 10)
“Somente se não houver nada persistindo e toando recursos mentais valiosos em nossa
memória de trabalho é que podemos experimentar o que Allen chama de mind like water (“mente
IMP fluída” em tradução livre) - o estado em que podemos focar no trabalho diante de nós sem nos
distrairmos com outros pensamentos.” (pág. 10)
“A escrita que objetiva alcançar descobertas precisa então ser organizada de uma maneira
aberta.” (pág. 11)
“Escrever não é um processo linear. Constante tempos que ir e voltar entre diferentes tarefas.
Não faz sentido querermos nos controlar.” (pág. 11)
“O segredo para uma organização bem sucedida está na perspectiva holística.” (pág. 11)
“Somente se você confiar no seus sistema, somente se você realmente souber que tudo será
atendido, seu cérebro poderá deixar para lá e focar na tarefa em mãos. (pág. 12)
1.2 A Caixa de notas
A caixa de notas foi desenvolvida por Niklas Luhmann. Em seus estudos, sempre que se
deparava com algo digno de nota, ele fazia uma nota. Após fazer notas como muitos fazem,
comentando em margens de livros ou fazendo notas por tópico, Luhmann percebeu que seu sistema
não o esteva levando a lugar algum.
3
“Invés de adicionar notas a categorias já existentes ou nos respectivos textos/livros, ele
escreveu todas em pequenos pedaços de papel, numerou cada um e as colocou em um lugar, a caixa de
notas.” (pág. 12)
IC
“Ele logo desenvolveu novas categorias para estas notas. Descobriu que uma ideia, uma nota
era tão valiosa quanto seu contexto, que não era necessariamente o contexto de que foi tirada.” (pág.
12)
A caixa de notas levou-o a entrar na academia. Um dia, ele pôs alguns dos pensamentos
armazenados nas notas em conjunto, fez um manuscrito e o entregou a Helmut Schelsky, um dos mais
influentes sociólogos da Alemanha. Após ler o trabalho, Schelsky sugeriu que Luhmann se torna-se
professor de sociologia na recém fundada Universidade de Bielefeld. Por mais atrativa e prestigiada
fosse a posição, Luhmann não era um sociólogo, não tinha sequer qualificação formal para se tornar
um assistente de um professor de sociologia. Não havia escrito uma habilitation (maior qualificação
acadêmica em muitos países da Europa), que se baseia no segundo livro após a tese de doutorado. Não
tinha um doutorado, tampouco um diploma de sociologia.
Mas isso não o impediu. Luhmann usou a caixa de notas e construiu uma tese de doutorado e
uma tese de habilitation em menos de um ano (enquanto assistia aulas de sociologia). Logo após isso
ele foi escolhido para se tornar professor na referida universidade, posição que ocuparia até o fim de
sua vida.
Luhmann produziu, em 30 anos, 58 livros e centenas de artigos. Após sua morte meia dúzia de
livros ainda foram publicados em seu nome.
Quando perguntado sobre seu segredo para tamanha produtividade Luhmann respondia:
“Eu só faço o que é fácil. Eu só escrevo quando eu sei imediatamente o que fazer. Se eu vacilar
por um momento, eu deixo a questão de lado e faço outra coisa.” (pág. 15)
“A melhor forma de manter a sensação de estar em controle é estando em controle. Para estar
em controle é melhor manter suas opções em aberto durante o processo de escrita invés de se limitar a
sua primeira ideia.” (pág. 16)
“(…) novas ideias surgem (…). Somente se o trabalho estiver estruturado de forma flexível
suficiente para permitir pequenos ajustes é que conseguimos manter o interesse, motivação e trabalho
alinhados - o que é uma condição para o estado de flow.” (pág. 16)
“Estudos feitos sobre pessoas muito bem sucedidas provam, de novo e de novo, que o sucesso
não é resultado de grande força de vontade e da habilidade de superar resistência, mas de ambientes de
trabalho inteligentes que evitam a resistência em primeiro lugar.” (pág. 16 e 17)
“Claro, você precisa ser inteligente para ser bem sucedido na academia e escrevendo, mas se
você não tiver um sistema externo onde pensar e organizar seus pensamentos, ideias e fatos coletados,
IMP ou não souber como inserir isso na sua rotina, a desvantagem é tão grande que não pode ser
compensada por um alto QI.” (pág. 17)
1.3 O manual da caixa de notas
“Luhmann tinha duas caixas de notas: a bibliográfica, onde mantinha referencias e breves notas
IMP
de conteúdo e literatura, e a principal, que coletava e gerava ideias, construída em consequência do que
lia.” (pág. 18)
“Ele [Luhmann] escrevia suas notas com o pensamento em notas já escritas. Ainda que fossem
breves, a notas de literatura (bibliográficas) eram escritas com bastante cuidado, em sentenças
completas com referências explícitas à literatura de onde havia extraído o material.” (pág. 19)
“Ele [Luhmann] não simplesmente copiava ideias ou citações dos textos que lia, mas fazia a
transição de um contexto para o outro.” (pág. 19)
4
“O truque é que ele não organizava suas notas por tópico, mas de um jeito abstrato, dando-as
números fixos, que serviam para identificar cada nota permanentemente. Se uma noa nota fosse
relevante ou fizesse referencia diretamente a uma nota já existente, como um comentário, correção,
adição, ele adicionada a nova nota imediatamente atrás da nota anterior (p. ex.: se a nova nota faz
referência direta a 21 de um total de 153 notas, esta nova nota seria inserida logo atrás da nota 21 com
o número 21a).” (pág. 19)
“Enquanto outros sistemas começavam com uma ordem preconcebida de tópicos, Luhmann
desenvolvia tópicos de baixo para cima, então adicionava outra nota à caixa de notas, em que ele
escolheria um tópico em ordem com os links existentes com outras notas relevantes.” (pág. 20)
“O ultimo elemento de seu sistema era um índice, em que ele referenciava notas que poderiam
servir de ponto de entrada em pensamentos ou tópicos. Notas ordenadas por coleção são, claro, bons
pontos de entrada.” (pág. 20)
2. Tudo o que você precisa fazer
“Escrever essas notas não é o trabalho principal. Pensar é. Ler é. Entender e desenvolver novas
ideias é. E é assim que deve ser. Essas notas são somente um resultado tangível disso.” (pág. 22)
“Escrever é, indubitavelmente, o maior facilitador para pensar, escrever, aprender, entender e
gerar as ideias que temos.” (pág. 22)
“Se você quer aprender algo no longo prazo, você precisa escrever. Se você quer realmente
entender algo, você precisa traduzir isso com suas próprias palavras. (…) Você precisa externalizar
IMP suas ideias, você precisa escrever. (…) E já que você precisa escrever de toda forma, por que não usar
sua escrita para construir recursos para futuras publicações?” (pág. 23)
2.1 Escrevendo um trabalho passo a passo
1. Notas efêmeras: sempre tenha em mãos algo com o que escrever para capturar todas as
ideias que vierem a sua mente. Não se preocupe muito com como ou onde escrever;
2. Notas de literatura: sempre que ler algo tome notas sobre o conteúdo. Escreva o que não
quer esquecer ou o que acha que pode usar no seu próprio pensamento ou escrita. Seja o
mais breve possível, seja extremamente seletivo e use suas próprias palavras. Seja ainda
mais seletivo com citações. Mantenha essas notas junto com detalhes bibliográficos.
3. Notas permanentes: agora volte-se à caixa de notas. Uma vez por dia (para que não
esqueça) use suas notas nos passos 1 e 2, veja como elas se relacionam com sua pesquisa,
pensamento ou interesses. A ideia não é coletar, mas desenvolver ideias, argumentos e
discussões. A nova informação contradiz, apoia ou acrescenta em algo ao que você já tem?
Você pode combinar ideias para gerar algo novo? Que questões surgem com elas? Escreva
exatamente uma nota ara cada ideia, como se estivesse escrevendo para outra pessoa: use
frases inteiras, apresente suas fontes, faça referências e tente ser o mais preciso, breve e
IMP claro possível.
4. Agora adicione novas notas permanentes à caixa de notas. Crie links entre as notas para que
sirvam como ponto de entrada para uma ideia ou tópico e como forma de achar notas
interconectadas (programas de computador fazem isso por você).
5. Desenvolva seus tópicos, questões e projetos de pesquisa de baixo pra cima dentro do
sistema. Ainda que você não tenha nada na sua caixa de notas ainda, nunca começamos do
zero - você já tem ideias a serem testadas em sua mente, opiniões a serem desafiadas e
questões a serem respondidas. Não force seu cérebro nesse tópico. Olhe dentro da caixa de
notas e procure onde correntes de notas se desenvolveram e ideais podem ter se formado.
Não se prenda a uma ideia se outra mais promissora surgir no momento.
5
6. Depois de um tempo, você vai ter desenvolvido ideias suficientes para decidir sobre que
tópico escrever. Seu tópico agora se baseia no que você tem, não numa ideia infundada
sobre o que você vai ler pode provar.
7. Transforme suas notas em um manuscrito. Não simplesmente copie e cole suas notas no
manuscrito. Traduza elas em algo coerente e preencha-as no contexto do seu argumento
enquanto você o constrói a partir das notas. Detecte furos no seu argumento, preencha-os ou
mude seu argumento.
“O quão focado você quer ler depende de suas prioridades. Você não precisa ler nada que não
considere absolutamente necessário à finalização de um trabalho urgente, mas você ainda irá encontrar
muitas outras ideias e informações no decorrer do caminho. Usar um pouco de tempo para adicionar
tais ideias ao seus sistema faz toda a diferença, porque encontros acidentais representam a maioria do
que aprendemos.” (pág. 27)
3. Tudo o que você precisa ter
Certa vez a NASA precisou desenvolver uma caneta que funcionasse no espaço. Depois de
muitos testes foi desenvolvida uma caneta que pressionava a tinta no papel usando nitrogênio
comprimido. Os Russos enfrentaram o mesmo problema [gravidade]. Então eles usaram um lápis.
“A caixa de notas segue o modelo russo: foque no que é essencial, não complique as coisas
desnecessariamente.” (pág. 28)
3.1 A caixa de ferramentas
Você precisa de 4 ferramentas:
1. Algo para escrever e algo onde escrever;
2. Um sistema de gerenciamento de referências (melhores programas são gratuitos);
3. A caixa de notas (programas gratuitos);
4. Um editor (qualquer coisa funcione melhor para você: bons editores são gratuitos).
Mais que isso é desnecessário, menos é impossível.
1. Não use nada muito elaborado ou que precise gastar muito tempo ou energia (eles serão
deletados ou jogados fora de qualquer forma). A única função é servir de lembrete de um
pensamento, não capturar o pensamento em si, que requer tempo para desenvolver uma
frase própria e checar fatos;
2. Para coletar referências e facilitar sua vida durante a escrita você pode usar aplicativos
como o ZOTERO;
3. Alguns programas podem fazer o trabalho da caixa de notas (zettlekasten) como: Roam
Research (pago), Obsidian (gratuito), Notion etc.;
4. Se for usar o Zotero confira a compatibilidade com o editor (serve com Word).
6
Os quatro princípios subjacentes
5. Escrever é a única coisa que importa
“Estudar não prepara estudantes para pesquisa independente. É pesquisa independente.” (pág.
35)
“O estudo, devidamente feito, é pesquisa, porque é sobre descobertas que não podem ser
antecipadas e serão compartilhadas com a comunidade científica sob o escrutínio público.” (pág. 36)
“Você vai ler de uma maneira mais engajada, porque não pode traduzir, com suas palavras, algo
que não tenha compreendido.” (pág. 37)
“Você também precisa pensar além das coisas que lê, porque precisa transformar isso em algo
novo. Ao fazer tudo com o propósito claro de escrever sobre aquilo, você vai fazer isso
deliberadamente.” (pág. 38)
6. Simplicidade é primordial
Quando se usa qualquer método tradicional de tomar notas, como escrever em margens do
livro, em cadernos ou elaborando textos, a escrita faz com que nos tormentos altamente dependentes
do que nosso cérebro é capaz de lembrar e do lugar onde essas notas foram escritas.
“No sistema antigo, a questão é: sob que tópico eu devo guardar essa nota? No novo sistema, a
IMP
questão é: em que contexto eu quero me deparar com isso de novo?” (pág. 40)
“A maior vantagem em comparação com um sistema construído de cima para baixo organizado
por tópicos é que quando mais a caixa de notas cresce, mais valiosa ela se torna, em vez de se tornar
bagunçada e confusa.” (pág. 41)
“A caixa de notas foi projetada para entregá-lo ideias que você já tenha esquecido, permitindo
IMP que seu cérebro foque em pensar em vez de relembrar.” (pág. 41)
Para arquivar tantas informações importantes é necessário diferenciar 3 tipos diferentes de
notas:
1. Fleeting notes (notas efêmeras): são meros lembretes de informação, podendo ser escritas
de qualquer forma e em qualquer lugar;
2. Permanent notes (notas permanentes): aquelas que nunca serão descartadas, contendo a
informação necessária de maneira inteligível. São sempre guardadas da mesma forma.
3. Project notes (notas de projeto): notas relevantes apenas para um projeto particular,
devendo ser guardadas em uma pasta especifica que pode ser descartada ou arquivada após
a finalização do trabalho.
“(…) o benefício em tomar notas diminui com o número de notas que você mantém. Mais
notas farão com que seja mais difícil recuperar as corretas e trazer outras relacionadas a elas de
maneira dinâmica. Deve ser o oposto: quanto mais você aprende e coleta, mais benéficas suas notas se
devem se tornar, mais ideias vão se misturar e gerar novas - e mais fácil deve ser escrever um texto
inteligente com menos esforço.” (pág. 43)
“Notas efêmeras só são úteis se forem revisadas dentro de um dia ou dois e transformadas em
notas propriamente ditas. (…) Notas permanentes, por outro lado, são escritas de forma que possam
ser compreendidas ainda que se tenha esquecido o contexto onde foram tiradas.” (pág. 44)
“Uma boa indicação de que uma nota não foi processada por muito tempo é quando você não
mais compreende o que deveria ser banal.” (pág. 44)
“(…) cada nota permanente na caixa de notas deve ser elaborada o suficiente para ter potencial
de se tornar parte ou inspirar um texto, mas isso não pode ser decidido preliminarmente, uma vez que a
relevância de uma nota depende de futuras reflexões.” (pág. 45)
7
7. Ninguém nunca começa do zero
“Todo esforço intelectual começa com uma concepção preexistente, que pode, então, ser
transformada durante maiores reflexões e servir como um ponto de partida para esforços
seguintes.” (pág. 48)
“Um método de tomar notas apropriado raramente é ensinado ou discutido, não à toa que quase
todos os guias sobre escrita recomendam começar com um brainstorm (pensar em várias ideias sem,
de fato, escolher qual usar imediatamente). Se você não escreveu no decorrer do caminho, seu cérebro
é, de fato, o único lugar a que recorrer. Sozinho [o cérebro], não é uma grande escolha: não é objetivo
nem confiável - dois elementos bastante importantes para acadêmicos e escritores de não
ficção.” (pág. 49)
“Escrever não é um processo linear, mas circular: o problema de achar um tópico é substituído
pelo problema de ter muitos tópicos para escrever sobre. Ter problemas em achar o tópico correto é um
sintoma de uma tentativa errada de depender pesadamente das limitações do cérebro.” (pág. 50)
“Em vez de gastar seu tempo se preocupando em achar o tópico certo, você pode usar seu
tempo trabalhando em interesses já existentes e fazendo o que é necessário para tomar decisões
informadas - lendo, pensando e escrevendo. Ao fazer o trabalho, você pode confiar que questões
interessantes surgirão.” (pág. 51)
8. Deixe o trabalho levar você adiante
“Um bom fluxo de trabalho pode facilmente se tornar num circulo virtuoso onde a experiência
positiva nos motiva a seguir com a próxima tarefa.” (pág. 52)
“Quaisquer tentativas de nos enganarmos trabalhando com recompensas externas (como fazer
algo legal após terminar um capítulo) são apenas soluções de curto prazo sem prospecto de criar um
loop positivo de feedback. Estas são motivações muito frágeis. Somente se o próprio trabalho se tornar
recompensador, pode a dinâmica de motivação se tornar auto-sustentável e impulsionar todo o
processo adiante.” (pág. 52)
“Nada nos motiva mais do que a experiencia de nos tornarmos melhores no que
Q
fazemos.” (pág. 53)
“(…) a previsão mais confiável para o sucesso de longa duração é o ‘mindset de crescimento’.
IMP
Buscar e apreciar o feedback, seja ele positivo ou negativo, é um dos fatores mais importantes para o
sucesso (e felicidade) no longo prazo.” (pág. 53)
“Abraçar a mentalidade de crescimento significa sentir prazer em mudar para melhor.” (pág.
53)
“Ler com uma caneta à mão nos força a pensar sobre o que lemos e conferir nossa
compreensão.” (pág. 54)
“A habilidade de expressar o que entendemos com nossas próprias é uma competência
fundamental para todos que escrevem - e somente exercitando isso é que temos a oportunidade de
notar nossa falta de conhecimento e, assim, nos tornamos melhores.” (pág. 54)
“O mesmo poder ser dito sobre escorre notas permanentes, que possuem outro mecanismo de
feedback em loop embutido: expressando nossos próprios pensamentos em escrita nos faz analisar se
eles foram bem pensados. No momento em que tentamos combinar eles com nota anteriores, o sistema
vai nos mostrar eventuais contradições, ambiguidades ou repetições.” (pág. 55)
8
Os seis passos para uma escrita bem sucedida
9. Separando e interligando tarefas
9.1. Dê a cada tarefa sua atenção completa
Deixe o celular longe, resolva o que for necessário para que quando iniciar sua tarefa seu
atenção esteja inteiramente dedicada a ela.
9.2. Multi-tarefa não é uma boa ideia
Estudos comprovam que, apesar daqueles que fazem multi-tarefa sentirem-se (ilusoriamente)
mais produtivos, sua produtividade cai - e muito. Não só em quantidade como também em qualidade
há uma grande diferença entre os multi-tarefas e aqueles que enfrentam uma tarefa de cada vez.
“(…) fazer algo muitas vezes nos faz acreditar que nos tornamos bons naquilo - completamente
independente da nossa atual performance. Nós, infelizmente, tendemos a confundir familiaridade com
habilidade.” (pág. 59)
9.3. Dê a cada tarefa o tipo certo de atenção
A revisão, por exemplo, requer um tipo de atenção diferente da escrita. Enquanto na primeira
eu tenho que me distanciar do meu ponto de vista e agir como alguém de fora, no segundo posso
enfrentar essa tarefa sem me preocupar com isso.
“É um problema comum durante discussões com meus alunos: quando eu aponto problemas
num argumento, um termo mal definido ou uma passagem ambígua, eles geralmente tentam explicar o
que eles queriam dizer em primeiro lugar. Mas o que eles pretendiam dizer é completamente
irrelevante para a comunidade científica [o que importa é o que foi efetivamente dito].” (pág. 61)
“Se a crítica interfere constante e prematuramente sempre que uma sentença não estiver
perfeita, nós nunca colocaríamos nada no papel. Nós precisamos primeiro colocar nossos pensamentos
no papem para, então, olharmos para eles [referência ao tipo de atenção específico que deve existir
para cada tarefa].” (pág. 61 e 62)
9.4. Torne-se um expert em vez de um planejador
“O momento em que paramos de fazer planos é o momento em que começamos a
aprender.” (pág. 64)
“Para que possamos nos tornar experts precisamos da liberdade para fazer nossas próprias
decisões e erros que nos ajudarão a crescer.” (pág. 65)
“Professores tendem a confundir a habilidade de seguir (suas) regras com a habilidade de fazer
escolhas em situações reais.” (pág. 66)
“Experts, por outro lado, internalizaram o conhecimento necessário para que não precisem ficar
pensando ativa e conscientemente sobre as escolhas que fazem. (…) Suas decisões em situações
complexas não são feitas pelo raciocínio racional-analítico, mas pelo instinto.” (pág. 66)
“Jogadores de xadrez parecem pensar menos que iniciantes. Eles identificam padrões que os
permite serem guiados pela experiência do passado em vez de tentar calcular movimentos no
futuro.” (pág. 67)
“Mas, assim como o enxadrista profissional, a intuição de acadêmicos profissionais e escritores
de não ficção só pode ser adquiria por meio da exposição sistemática a loops de feedback e
IMP experiência, o que significa que o sucesso na escrita acadêmica depende, em grande grau, na
organização do seu lado prático.” (pág. 67)
9.5. Conclua
9
“Atenção não é nosso único recurso limitado. Nossa memória de curto prazo também é
limitada. Precisamos de estratégias para não desperdiçar sua [memória de curto prazo] capacidade com
pensamentos que podem ser melhor delegados a um sistema externo.” (pág. 68)
Aprender é sobre fazer conexões. “Coisas que entendemos estão conectadas, seja por regras,
teorias, narrativas, pura lógica, modelos mentais ou explicações. Construir esses tipos de conexões
significativas é o trabalho da caixa de notas.” (pág. 69)
“Uma vez feita uma conexão significativa com uma ideia ou fato, é difícil não lembrar daquilo
quando pensamos naquilo com o que ele/ela [fato/ideia] se conecta.” (pág. 69)
“Zeigarnik reproduziu com sucesso o que agora é conhecido como efeito Zeigarnik: tarefas em
aberto tendem a ocupar nossa memória de curto prazo - até que sejam feitas. É por isso que nos
distraímos tão facilmente por pensamentos sobre tarefas não finalizadas, independentemente de sua
IMP importância. Mas graças à pesquisa de Zeigarnik, nós também sabemos que não precisamos de fato
terminar as tarefas para convencer nossos cérebros a parar de pensar sobre elas. Tudo o que precisamos
fazer é anotar um lembrete de forma que nos convençamos que aquilo será cuidado.” (pág. 70)
“O primeiro passo é fracionar a tarefa amorfa de “escrever” em pequenos pedaços de diferentes
tarefas que podem ser finalizadas “de uma vez”. O segundo passo é garantir que sempre escrevamos os
resultados de nossos pensamentos, inclusas possíveis conexões para posteriores investigações.
Conforme o resultado de cada tarefa é escrito e possíveis conexões se tornam visíveis, é fácil retomar o
trabalho a qualquer tempo sem que tenhamos que manter aquilo em nossas mentes. Possíveis tarefas
subsequentes são tarefas abertas ou conexões com outras notas, que podemos elaborar além ou não.
Também serve como lembrete explícito como ‘revisar este capítulo e conferir redundâncias’ que
pertence a pasta ‘notas de projeto’. Ou a terceira opção que é o simples fato de que alguma coisa ainda
está na nossa caixa de notas esperando para ser transformada numa nota permanente - o nota rápida e
ainda não acabada em nosso caderno, ou notas de literatura ainda não arquivadas no sistema de
referência.” (pág. 70 e 71)
“Tudo isso nos permite retornar a tarefa adiante no exato lugar de onde paramos, sem que
precisemos ficar lembrando que há algo a terminar. Essa é uma das principais vantagens em pensar e
escrever - tudo está externalizado [e registrado, sem depender da memória interna].” (pág. 71)
9.6 Reduza o número de decisões
“Junto com atenção e a memória de curto prazo, o terceiro recurso limitado que temos é a
motivação ou força de vontade. Aqui, também, o design ambiental do nosso fluxo de trabalho faz toda
a diferença.” (pág. 71)
“Atualmente, força de vontade é comparada a músculos: um recurso limitado que se esvai
rapidamente e precisa de tempo para se recuperar. Aperfeiçoamento através de treino só é possível até
certo ponto, mas requer tempo e esforço.” (pág. 72)
“Em vez de nos forçar a fazer algo que não sentimos vontade de fazer, precisamos achar um
jeito que nos permita fazer o que permite que nosso projeto se desenvolva.” (pág. 72)
“Um ambiente confiável e padronizado cobra menos de sua atenção, concentração e força de
vontade. É bem conhecido que a tomada de decisões é uma das tarefas mais cansativas, é por isso que
pessoas como Barack Obama ou Bill gates só usam dois tipos de roupas. Isso significa que eles têm
uma decisão a menos para fazer na manhã, deixado os recursos para decisões que importem.” (pág.
73)
“Na forma como organizamos nossa pesquisa e escrita, podemos reduzir significativamente a
quantidade de decisões que precisamos fazer. Enquanto decisões relacionadas ao conteúdo precisem
IMP ser feitas, a maioria das decisões organizacionais podem ser feitas de plano, de uma só vez, ao decidir
por um sistema. Usando sempre o mesmo notebook para fazer notas, sempre extraindo notas da mesma
10
forma, sempre transformando-as em notas permanentes do mesmo tipo, que serão trabalhadas da
mesma maneira, o número de decisões durante uma sessão de trabalho pode ser substancialmente
reduzido.” (pág. 73)
“Intervalos são muito mais que oportunidades de descansar. Eles são cruciais para o
aprendizado. Permitem que o cérebro processe a informação, transfira para a memória de longo prazo
e se prepare para novas informações.” (pág. 73)
10. Leia para entender
“Eu sempre aconselho que você leia com uma uma caneta em mãos e que insira em um
pequeno livro pequenos palpites do que você sente que é comum ou que possa ser útil; pois este é o
melhor método de fixar essa porta-levadiça em sua mente” (Benjamin Franklin)
10.1 Leia com uma caneta em mãos
“Para escrever um bom trabalho, você só precisa reescrever um bom rascunho; para escrever
um bom rascunho, você só precisa transformar uma série de notas num texto contínuo. E uma série de
notas é só um rearranjo de notas que você já possui na caixa de notas, tudo o que você precisa fazer é
ter uma caneta em mos quando for ler.” (pág. 74)
“A série de notas na caixa de notas se desenvolve como argumentos, que são moldados por
teorias, ideias e modelos mentais que existem na sua cabeça. E as teorias, ideias e modelos mentais na
sua cabeça também são moldados pelas coisas que você lê.” (pág. 74)
“O caminho da caixa de notas para o texto final é bem direto. (…) As notas precisam ser
colocadas em ordem linear. (…) Escolher notas da caixa é mais um diálogo com ela do que um ato
INF mecânico. (…) a ideia não é copiar [quando estamos lendo algo], mas ter um diálogo significativo com
os textos que lemos.” (pág. 75)
“Mais comum do que parece, ler não é acompanhado da tomada de notas, que significa, em
termos de escrita, algo tão valioso como não ter lido.” (pág. 77)
“Você precisa de alguma forma de nota de literatura que capture sua compreensão do texto,
para que você tenha algo diante de você enquanto está fazendo a nota permanente.”
A nota de literatura é, então, uma forma de compreender o contexto em que permite a escrita da
nota permanente (permite, também, a compreensão do contexto em que a nota permanente foi escrita,
INF
apesar dessa dispensar o contexto para sua completa compreensão).
Um estudo elaborado com estudantes que tomavam notas escrevendo num papel e outros que
escreviam em computadores mostrou que, apesar da quantidade de informações guardada ser parecida,
os estudantes que tomavam notas no papel mostraram um nível de compreensão do que leram/ouviam
(palestra) muito maior. (pág. 78)
Uma explicação rápida para isso é o fato de quem a escrita num computador permite correção
de erros e uma digitação mais rápida, o que faz com que os estudantes tentam capturar tudo que ouvem
(palestra) sem de fato se preocupar se estão compreendendo. Ao passo que os alunos que usavam o
papel precisavam focar em expressões e ideias-chave, o que fazia seus cérebros trabalhar processando
e filtrando as informações para selecionar apenas o essencial para q fosse possível capturar o máximo
de informações possível.
10.2 mantenha a mente aberta
“Enquanto a seletividade é a chave para a tomada de notas inteligentes, é igualmente
importante ser seletivo de forma inteligente. Infelizmente nossos cérebros não possuem um padrão
IMP inicial muito inteligente para selecionar informações. Enquanto devemos buscar argumentos e fatos
que refutem ou desafiem nosso modo de pensar, somos naturalmente atraídos por tudo que nos faz
sentir bem.” (viés de confirmação) (pág. 79)
11
“Charles Darwin se forçava a escrever (logo, elaborar) os argumentos que fossem mais críticos
às suas teorias.” (pág. 80)
“O viés de confirmação deve ser enfrentado em dois passos: primeiro, transformando todo o
processo de escrita em sua cabeça, segundo, mudando os incentivos de achar informações
IC convincentes para uma coleta indistinta de informações relevantes, não importando que argumentos
elas reforcem.” (pág. 80)
“Se descobertas se tornarem uma ameaça para sua escrita ou sucesso acadêmico, você está
IMP fazendo isso errado.” (pág. 80)
Em vez de ter uma hipótese em mente todo o tempo, nos queremos:
1. Confirmar que separamos tarefas e focar em entender o que lemos;
2. Garantir que fizemos uma real reflexão sobre o conteúdo;
3. Achar pontos relevantes no que lemos e fazer conexões.
“O que estamos procurando são fatos e informações que podem acrescer em algo e, portanto,
enriquecer a caixa de notas.” (pág. 81)
“No momento em que começamos a focar no conteúdo da caixa de notas, informações
desconformes, que refutam o que pensamos, passam a ser, subitamente, bastante atrativas, porque
abrem mais possibilidades de conexões e discussões na caixa de notas, enquanto informações que
meramente confirmam o que pensamos não.” (pág. 81 e 82)
10.3. Capture a essência
“A habilidade de distinguir o que é relevante do que é menos relevante é outra habilidade que
só pode ser aprendida na prática. É a prática de procurar pela essencial e distingui-la de meros detalhes
de apoio. (…) Quanto mais fazemos e quanto mais focados estamos, mais virtuosos nos
tornamos.” (pág. 82)
“Com a habilidade de detectar padrões nós podemos entrar num circulo virtuoso: ler se torna
mais fácil, nós identificamos a essencial mais rápido, lemos mais em menos tempo, podemos
identificar padrões mais rápido e melhorar nossa compreensão sobre eles.” (pág. 83)
“Mas essa dinâmica só pode começar se nós deliberadamente decidirmos iniciar a tarefa de
leitura e de ser seletivos sobre ela, apoiando-se somente em nosso próprio julgamento sobre o que é
importante ou não.” (pág. 83)
“Ter coragem de usar a própria compreensão’ é, portanto, o lema do Iluminismo.” (Kant) (pág.
83)
“Reescrever o que já está escrito nos treina automaticamente a mudar nossa atenção para
molduras, padrões e categorias em observações ou condições/pressuposições.” (pág. 84)
“Com prática vem a habilidade de achar as palavras certas para expressar algo na melhor
maneira possível, o que significa de forma simples, mas não simplificada. Não só os leitores de seus
textos não apenas apreciarão sua habilidade de explicar com clareza, mas também as pessoas com
quem você conversa se beneficiarão dessa habilidade, que não se limita à escrita.” (pág. 84)
“A habilidade de identificar padrões, questionar molduras usadas e detectar distinções feitas
por outros, é a condição necessária ao pensamento crítico e busca do que está por trás de afirmações de
um texto ou fala. Ser capaz de reenquadrar questões, afirmações e informações é ainda mais
importante que ter um conhecimento extenso, porque, sem essa habilidade, não somos capazes de usar
nosso conhecimento.” (pág. 84)
“Tomar notas inteligentes é praticar deliberadamente essas habilidades. A mera escrita,
sublinhar frases e esperar lembrar do conteúdo, não.” (pág. 85)
12
10.4 Aprenda a ler
“Se voe não pode dizer algo de maneira clara, é porque você mesmo não compreendeu”. (John
Searle) (pág. 85)
“A vantagem mais importante de escrever é que nos ajuda a nos confrontar quando não
compreendemos algo da maneira como acreditamos compreender.” (pág. 85)
“Reler é especialmente perigoso por causa do efeito da mera exposição: no momento em que
IMP nos familiarizamos com algo, acreditamos que também entendemos aquilo. Além disso, tendemos a
gostar mais também.” (pág. 86)
Entender não é só uma condição para aprender algo. Em certo grau, aprender é compreender. E
os mecanismos não são tão diferentes: nós só podemos melhorar nosso aprendizado se testarmos nosso
IMP progresso. (…) Somente a real tentativa de recuperar a informação nos mostrará se aprendemos algo
ou não.” (pág. 86)
“(…) reler e sublinhar frases para futura releitura são métodos quase completamente inúteis. E
a maioria das pessoas escolhe esse método, mesmo quando são ensinados que aquilo não funciona.
Conscientemente, nós provavelmente escolheríamos a mesma coisa, mas o que realmente importa são
as várias pequenas coisas, escolhas implícitas que temos que fazer todos os dias, que são feitas, em sua
maioria, inconscientemente.” (pág. 87)
10.5. Aprenda através da escrita
“Aprender, por si só, requer prática deliberada, estou me referindo ao real aprendizado que nos
ajuda a potencializar nossa compreensão sobre o mundo, não apenas aprender para fazer um teste e
passar.” (pág. 87)
“Aprender requer esforço, porque precisamos pensar para entender e precisamos ativamente
recuperar conhecimentos antigos para convencer nossos cérebros a se conectar com novas
ideias.” (pág. 87)
“Quando tentamos responder a uma pergunta antes de sabermos como, no futuro lembraremos
melhor da resposta, ainda que a tentativa falhe.” (pág. 88)
“(…) o melhor e mais bem sucedido método de aprendizado já pesquisado é a elaboração. (…)
IC Elaboração não significa nada além de pensar sobre o significado do que lemos, como aquilo pode
informar diferentes perguntas e tópicos e como pode ser combinado com outro conhecimento.” (pág.
89)
“A caixa de notas cuida do trabalho de guardar fatos e informação. Pensar e compreender é o
que ela não pode tirar dos seus ombros, por isso faz sentido focar nessa parte do trabalho.” (pág. 90)
“Trabalhar com a caixa de notas não significa armazenar informações nela em vez de na sua
cabeça, ou seja, não aprender. Pelo contrário, ela facilita o real aprendizado de longo prazo.” (pág. 90)
“Escrever, tomar notas e pensar sobre como ideias se conectam é exatamente o tipo de
elaboração necessária ao aprendizado.” (pág. 89)
“A caixa de notas toma conta dos detalhes, referências e serve como uma fonte de memória de
longo prazo que mantém a informação objetivamente inalterada. Isso permite que o cérebro foque no
essencial, a compreensão profunda e no trabalho como um todo, o que nos liberta para sermos
criativos.” (pág. 90)
11. Tome notas inteligentes
“Uma habilidade é crítica na escrita: a de pensar para além da moldura delimitada pelo
texto.” (pág. 91)
13
“Leitores acadêmicos experientes geralmente leem um texto com questões em mente e buscam
relaciona-las com outras possíveis abordagens (…) O que bons leitores podem fazer é identificar as
limitações de uma determinada abordagem e ver o que não é mencionado num texto.” (pág. 91)
“Escrever breves notas sobre as principais ideias de um texto é melhor que coletar citações.
(…) mas é necessário fazer algo com essas ideias - pensar sobre como elas se conectam com outras
ideias de diferentes contextos e como podem levantar questões que não estão compreendidas nas
perguntas inicias do autor do respectivo texto.” (pág. 91)
“Isso é exatamente o que fazemos quando damos o próximo passo, em que escrevemos e
adicionamentos notas permanentes à caixa de notas. Nós não simplesmente jogamos com ideias em
nossas mentes, mas fazemos algo muito concreto com elas: nós pensamos sobre o que significam para
outras linhas de pensamento, então escrevemos isso explicitamente no papel e as conectamos com
outras notas.” (pág. 91)
11.1 Faça uma carreira, uma nota por vez
“A técnica de escrever uma certa quantia todos os dias foi aperfeiçoada por Anthony Trollope,
um dos mais populares e produtivos autores do século XIX.” (pág. 92)
“Mais notas significa mais conexões possíveis, mais ideias, mais sinergia entre diferentes
projetos e, portanto, um maior grau de produtividade. A caixa de notas de Luhmann continha
aproximadamente 90 mil notas, o que parece ser um numero incrivelmente grande. Mas só significa
que ele escrevia seis notas por dia desde o dia que começou a trabalhar até o dia de sua morte.” (pág.
93)
“Uma certa quantidade de notas por dia é um objetivo razoável para uma escrita acadêmica.
(…) Você pode, então, medir sua produtividade pelo número de notas escritas.” (pág. 94)
11.2 Pense fora do cérebro
“Qualquer pensamento de certa complexidade requer escrita. Argumentos coerentes requerem
linguagem para serem fixados e somente se algo é escrito é fixado o suficiente para ser discutido
independentemente do autor.” (pág. 94)
“Quando escrevemos de olho em notas já existentes, levamos em conta mais do que a
informação disponível na nossa memória interna. Isso é extremamente importante, porque nossa
memória interna recupera informação não de uma forma racional ou lógica, mas de acordo com regras
psicológicas. O cérebro também não armazena informação de forma neutra e objetiva. Nós
reinventamos e reescrevemos nossa memória cada vez que tentamos recuperar alguma informação [do
nosso cérebro]. O cérebro funciona através de regras automáticas e faz as coisas parecerem que se
encaixam, ainda que não se encaixem. Ele se lembra de eventos que nunca aconteceram, conecta
episódios sem relação com narrativas convincentes e completa imagens incompletas.” (pág. 94 e 95)
A série documental “Explicando: a mente” da plataforma Netflix, em seu primeiro episódio,
intitulado “Memória”, explica como nossa memória é frágil e pode, muitas vezes, nos levar a acreditar
que presenciamos fatos que não existiram ou até mesmo sofrer alguma forma de “implante” de
memória. Isso reafirma o poder e a importância da caixa de notas como um dispositivo que mantém a
informação ou fato armazenado de forma objetiva e inalterada.
“Luhmann coloca de maneira clara: não é possível pensar sistematicamente sem
escrever.” (pág. 95)
“Quase todos [estudiosos] concordam, atualmente, que pensar de verdade requer algum tipo de
externalização, especialmente na forma de escrita.” (pág. 96)
“Use perguntas como: por que o que eu escrevi capturou minha atenção? (…) escreve possíveis
conexões e volte a elas depois.” (pág. 98)
14
“Ao escrever explicitamente como algo se conecta ou leva a outra coisa, nos forçamos a
esclarecer e diferenciar ideias umas das outras.” (pág. 98)
11.3 Aprenda sem tentar
“Nós vimos no primeiro passo que a elaboração, por meio da tomada de notas de literatura
inteligentes, aumenta a probabilidade de que lembraremos de algo que lemos no longo prazo. Mas esse
é apenas o primeiro passo. Transferir essas ideias para uma rede de nossos próprios pensamentos,
nossas teorias, conceitos e modelos mentais na caixa de notas é o próximo nível. Agora nos
elaboramos essas ideias em diferentes contextos e as conectamos com outras ideias de uma forma
duradoura. Essas notas de literatura serão arquivadas, o que significa que as ideias seriam perdidas no
sistema de referências se não fizéssemos algo com elas.”
“Transferir ideias para a memória externa também permite que nos esquecemos dela. E, ainda
que isso soe paradoxal, esquecer, na verdade, facilita nosso aprendizado de longo prazo. É importante
entender a razão, porque existem muitos alunos que que passam longe de usar a memória externa. Eles
P
IM têm receio de ter que escolher entre lembrar das coisas em suas cabeças (que dispensaria uma memória
externa) ou na memória externa (o que faria com que esquecessem em suas mentes). Esse é um falso
dilema e isso se torna evidente no momento em que compreendemos como a memória realmente
funciona.” (pág. 99)
“Para que sejamos capazes de relembrar tudo sem ter que recorrer a qualquer mecanismo
externo de memória parece inicialmente excelente [mas não é].” (pág. 100)
O autor narra, então, a história de um famoso detetive que nunca tomava notas porque
conseguia lembrar de absolutamente tudo que via e ouvia. O grande problema disso? O detetive não
esquecia nada. As coisas importantes se perdiam no meio das irrelevantes que, involuntariamente,
surgiam em sua mente. Ainda que fosse excelente em lembrar de fatos, ele era quase incapaz de
capturar a essência das coisas, os conceitos por traz de particularidades e distinguir o relevante dos
meros detalhes.
Uma vez ele tentou comprar um sorvete, mas uma palavra do vendedor serviu de gatilho e
trouxe tantas memórias e associações ao mesmo tempo, tornando a experiência tão esmagadora que ele
teve de deixar a loja.
“(…) para o pensamento e leitura acadêmica, o dom de poder lembrar de tudo é um sério
IMP
risco.” (pág. 100)
“Esquecer, então, não seria uma perda de memória, mas erguer uma barreira mental entre a
mente consciente e a memória de longo prazo.” (pág. 100)
É necessário diferenciar entre dois tipos de forças que trabalham em nossas memórias:
1. Força de armazenamento;
2. Força de recuperação [de memórias].
“Aprender não seria sobre guardar informações, como num disco rígido, mas sobre construir
conexões e pontes entre pedaços de informações para contornar o mecanismo de inibição [barreira
construída entre a mente consciente e a memória de longo prazo] no momento correto. É sobre garantir
que as ‘pistas’ corretas ativem as memórias corretas, sobre como podemos pensar estrategicamente
para lembrar as informações mais importantes que precisamos.” (pág. 100 e 101)
“Se forcamos na ‘força de recuperação’, instantaneamente começamos a pensar
estrategicamente sobre que tipos de pistas podem ativar a recuperação de uma memória. Não existem
pista naturais: todo pedaço de informar pode se tornar um gatilho para outro pedaço de informação.
Esses gatilhos podem ser associações como um aroma de um doce (…), mas nesse caso o flashback é
15
chamado de ‘memória involuntária’, pela razão de que não podemos acessá-la de propósito. Temos
também as memórias acidentais, que são aquelas que se anexam à informações quando lembramos
algo em um ambiente particular.” (pág. 102)
“Obviamente não queremos ter que depender de pistas e do ambiente para podemos lembrar de
algo. Isso não só é impetico, como muito enganador: se nos testarmos repetidamente no mesmo
contexto e ambiente em que aprendemos, nos tornaríamos super-confiantes, porque o contexto e
ambiente provavelmente não vai existir quando precisarmos da informação.” (pág. 102)
“O que, de fato, ajuda o bom aprendizado, é conectar um fragmento de informação ao maior
número de contextos significativos possíveis, que é o que fazemos quando começamos nossas notas
IMP
com outras notas na caixa de notas. Fazer essas conexões deliberadamente, significa construir uma
rede auto-sustentável de ideias e fatos interconectados que funciona reciprocamente como pistas e
gatilhos mentais umas para as outras.” (pág. 103)
“Truques de memorização são muletas artificiais. No que diz respeito ao pensamento
acadêmico, nós não precisamos disso, uma vez que escolhemos construir e pensar em contextos
significativos. Informação abstrata como referencias bibliográficas podem ser armazenadas
externamente - não há benefício em decora-las. Todo o resto tem significado.” (pág. 104)
“O primeiro passo para elaborar (elaboração) é pensar o suficiente sobre o fragmento de
informação para que possamos ser capazes de escrever sobre ele. O segundo passo é pensar sobre o
que ele [fragmento de informação] significa em outros contextos [além daquele de onde foi
retirado].” (pág. 104)
“[elaboração] enquanto método, tem se provado ser mais bem sucedido que qualquer outra
abordagem.” (pág. 104)
“Se você focar seu tempo e energia em entender, você não pode evitar aprender. Mas se você
focar tempo e energia em aprender sem tentar compreender, você não só não vai entender, como
também não vai aprender. Os efeitos são cumulativos.” (pág. 105)
“[Feynman, Nobel de Física] não suporta manuais cheios de pseudo-explicações e professores
que tentavam fazer o aprendizado ficar mais fácil para os estudantes por meio de exemplos artificiais
da “vida real, em vez de usar sua prévia compreensão sobre o assunto.” (pág. 105)
“A caixa de notas nos força a elaborar inúmeras questões: o que isso significa? Como isso se
conecta a …? Qual a diferença entre …? Com o que se assemelha? O fato da caixa de notas não ser
organizada por tópicos é uma condição necessária à construção de conexões entre notas. Conexões
podem ser feitas entre notas heterogêneas - enquanto elas fizerem sentido.” (pág. 106)
“O fato de que ordem/organização demais impede o aprendizado é algo cada vez mais
IN F conhecido.” (pág. 106)
11.4 Adicionando notas permanentes à caixa de notas
O funcionamento da caixa de notas agora pode ser simulado por programas que utilizam
inteligência artificial para nos ajudar a armazenar as informações e identificar conexões entre notas
sem que precisemos cuidar de todo o trabalho.
Aplicativos como Roam Research, Obsidian, Notion etc..
É importante, contudo, que quando for escrever uma nota, use bons identificadores (gatilhos)
para que possa encontrá-las no momento certo. Uma pergunta interessante que você deve se fazer para
escolher uma tag apropriada é: em que momento eu quero me deparar com essa nota? (ou) o que eu
devo ler para que que o gatilho faça eu lembrar dessa nota?
Assim, adicionamos tags que interconectam notas, criando links visíveis, enquanto o programa
faz a busca de conexões entre palavras, expressões e frases quedos mesmos não notamos.
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12. Desenvolva ideias
“Idealmente, novas notas são escritas com referência expressa a notas já existentes.
Obviamente, isso nem sempre é possível, especialmente no começo.” (pág. 107)
“Uma sequência inicial que atrai mais e mais notas seguidas pode facilmente se tornar um
tópico com muitos sub-tópicos no decorrer do tempo. A caixa de notas (zettlekasten) digital tornas as
coisas mais fáceis: numeração automática, mais sequencias podem ser construídas a qualquer tempo e
uma nota pode se conectar com várias ao mesmo tempo.” (pág. 108)
“Pelo fato da caixa de notas não pretender ser uma enciclopédia, mas uma ferramenta com a
qual pensar, não precisamos nos preocupar com sua completude. Não precisamos escrever tudo só para
preencher lacunas numa sequência de notas. Só escrevemos se ajudar com o nosso próprio
pensamento. As lacunas com as quais precisamos nos preocupar são aquelas nor argumentos no
manuscrito final - mas estas só se tornarão evidentes no próximo passo, quando usarmos as notas
relevantes num argumento fora da rede da caixa de notas, alinhando-a num rascunho inicial.” (pág.
108)
“Sendo uma extensão da nossa própria memória, a caixa de notas é o meio em que pensamos,
não um meio sobre o que pensamos.” (pág. 108)
12.1 Desenvolvendo tópicos
“Depois de adicionar uma nota à caixa de notas, precisamos garantir que ela possa ser
encontrada novamente. É para isso que o índice serve. Nos programas digitais palavras e números
podem ser adicionados como (hash)tags com facilidade. Elas [tags] precisam ser escolhidas com
cuidado e escassez. Luhmann usava uma ou duas (raramente mais que isso). O motivo pelo qual ele
era tão econômico com palavras chave e pelo qual devemos ser tão seletivos com elas está no
funcionamento da caixa de notas. Ela não deve ser usada como um arquivo, de onde apenas retiramos
algo, mas como um sistema para pensar com (…)” (pág. 109)
“A caixa pode fazer muito mais do que simplesmente lhe entregar o que requer. Ela pode
surpreender e lembrar informações há muito esquecidas e despertar novas. (…) A maioria das notas
serão achadas por meio de outras notas. A organização das notas está na rede de referências na caixa de
notas, então, tudo o que precisamos no índice são pontos de entrada.” (pág. 109)
“A forma como estruturamos um tópico está também nas notas - e não num critério de nível
meta-hierárquico.” (pág. 110)
“A forma como as pessoas escolhem palavras-chave mostra com clareza se elas pensam como
um arquivador ou como um escritor. Eles se perguntam como guardar uma nova ou como recupera-la?
IMP Os arquivadores se perguntam: que palavra-chave é mais apropriada? Os escritores perguntam: em
quais circunstâncias eu vou querer me deparar com essa nota, ainda que eu me esqueça dela? É uma
diferença crucial.” (pág. 110)
“Podemos olhar na nossa caixa de notas por linhas de pensamento já existentes e pensar sobre
questões e problemas já em nossas mentes que uma nova nota pode contribuir.” (pág. 110 e 111)
“Palavras-chave devem sempre ser designadas pensando em tópicos sobre os quais você esteja
trabalhando ou interessado, nunca pensando em uma nota isoladamente. (…) Boas palavras-chave
geralmente são aquelas que não foram mencionadas na nota.” (pág. 111)
“Designar palavras-chave é muito mais que um trabalho burocrático. É parte crucial do
processo de pensar, que geralmente leva a uma elaboração mais profunda da própria nota e a conexões
com outras notas.” (pág. 112)
12.2 Faça conexões inteligentes
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Luhmann usava quatro tipos de referências cruzadas na sua caixa, contudo, com a zettlekasten
digital apenas duas delas nos interessam.
1. Links (tags) que possibilitem uma visão geral sobre o tópico;
2. Links (tags) que façam conexões entre notas.
12.3 Compare, corrija e diferencie
“[por vezes] a grande nova ideia que você está prestes a adicionar à caixa de notas já está lá.
Ou pior, às vezes a ideia não era nem sua, mas de outra pessoa. (…) trabalhar com a caixa de notas é
uma desilusão, mas, ao mesmo tempo, aumenta as chances de um real progresso em nosso pensamento
rumo a territórios desconhecidos, em vez de só sentir que estamos progredindo.” (pág. 115)
“Comparar notas nos ajuda a detectar contradições, paradoxos ou oposições - importantes
facilitadores para novas descobertas. Quando percebemos que costumamos aceitar duas ideias
contraditórias como igualmente válidas, vemos que existe um problema - e problemas são bons porque
agora temos algo a resolver. (…) a construção de opositores é o método mais confiável para gerar
novas ideias.” (pág. 116)
12.4 Reuna uma caixa de ferramentas para pensar
“Só em trabalhar com a caixa de notas, recuperamos ideias e fatos costumeiramente e
conectamos eles com novas informações.” (pág. 117)
Recomendações para uma boa leitura de aprendizado:
1. Preste atenção a o que deseja lembrar;
2. Codifique a informação que deseja manter (isso inclui pensar em possíveis pistas/gatilhos);
3. Pratique recuperação (tentar recuperar a memória sem usar nada além de sua mente).
12.5 Use a caixa de notas como uma maquina de criatividade
12.6. Pensando dentro da caixa
“Pessoas criativas são melhores em reconhecer relacionamentos, fazer associações e conexões
e em ver coisas de uma forma original - vendo coisas que os outros não podem ver.” (pág. 123)
“Comparar, diferenciar e conectar notas são as bases de uma boa escrita acadêmica, mas jogar e
ajustar ideias é o que de fato leva a descobertas e a textos excepcionais.” (pág. 123)
Uma história que retrata bem essa habilidade é a de um matemático, que na Segunda Guerra foi
convocado para descobrir que partes dos aviões eram mais vulneráveis. Em vez de contar os buracos
nos aviões que retornavam do combate, ele recomendou que os aviões fossem reforçados nos lugares
em que os aviões não haviam sido atingidos.
Os membros da força aérea foram pegos no pensamento chamado viés de sobrevivência. Os
outros aviões que não voltaram provavelmente haviam sido atingidos nas partes que o matemático
sugeriu proteção reforçada. Os aviões que retornavam apenas mostravam o que era menos relevante.
Pensadores extraordinários levam ideias simples a sério.
12.7 Facilitando a criatividade através da escrita
“Eu recomendo enfaticamente que as notas digitais sejam tratadas como se o espaço fosse
limitado. Ao restringir-nos a um formato, nós também restringimos a uma ideia e nos forçamos a ser o
mais preciso e breves possível. A restrição de uma ideia por nota também é condição para recombina-
las livremente depois.” (pág. 130)
“A maior ameaça à criatividade e ao progresso cientifico é (…) a falta e estrutura e de
restrições.” (pág. 131)
13. Compartilhe suas descobertas
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13.1 Do brainstorm para o “caixastorm”
“Enquanto queremos achar tópicos que sejam importantes, interessantes e que possam ser
trabalhados com o material disponível, o cérebro prioriza ideias que estão facilmente disponíveis no
momento.” (pág. 133)
“No momento em que a caixa de notas crescer um pouco, podemos substituir nossos
pensamentos sobre o que é interessante e sobre o que pensamos ser relevante com um olhar
pragmático na caixa, onde podemos ver com clareza o que realmente se provou interessante
(…)” (pág. 135)
13.2 De cima para baixo para de baixo para cima
“Desenvolver tópicos e questões a partir do que temos e uma grande vantagem. As ideias que
decidimos não são retiradas do nada, mas já embutidas num rico contexto que são acompanhadas de
material que podemos usar. Temos outra grande vantagem: nos tornamos mais abertos a novas
ideias.” (pág. 136)
“(…) sem que elaboremos intensamente sobre o que sabemos, teríamos problemas em detectar
limitações, o que está faltando ou o que está possivelmente errado.” (pág. 136)
13.3 Resolvendo as coisas ao seguir seus interesses
“(…) não escolhemos informação de acordo com nossos interesses. Ao elaborar sobre o que
encontramos, nós também descobrimos aspectos que não conhecíamos antes e, por isso,
desenvolvemos nosso interesse no decorrer do caminho.” (pág. 138)
“ A habilidade. De manter o controle sobre o trabalho e mudar o curso se necessário se torna
possível pelo fato de que a grande tarefa de “escrever um texto” foi fragmentada em várias pequenas e
concretas tarefas, o que nos permite fazer exatamente o que é necessário em determinado momento e
seguir para o próximo passo. Não é só sobre se sentir em controle. Quanto mais controle temos para
guiar nosso trabalho rumo ao que consideramos interessante e relevante, menos força de vontade
precisamos gastar para resolver as coisas. Só então que o trabalho em si pode se tornar a fonte de
motivação crucial para se tornar sustentável.” (pág. 138)
13.4 Finalizando e revisando
“A chave é estruturar o rascunho de forma visível. Não é tanto sobre decidir definitivamente o
que vai em cada capitulo ou parágrafo, mas o que não precisa ser escrito em determinada parte do
manuscrito.” (pág. 139)
“Outra chave: tente trabalhar em mais de um manuscrito diferente ao mesmo tempo [de outro
trabalho].” (pág. 140)
“(…) isso nos permite alterar entre projetos sempre que nos sentimos presos ou
entediados.” (pág. 141)
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