2021
Princípios de Contabilidade
RESUMOS
CRISTINA GARCIA
Conteúdo
INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 2
Conceitos básicos ...................................................................................................................... 2
Funções básicas da Contabilidade............................................................................................. 2
Divisões da Contabilidade ......................................................................................................... 3
Princípios Contabilísticos........................................................................................................... 3
Conceitos Fundamentais ........................................................................................................... 4
Regras de movimentação das contas ........................................................................................ 5
Lançamentos ............................................................................................................................. 7
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS .................................................................................................. 8
Património ................................................................................................................................. 8
Balanço ...................................................................................................................................... 9
Factos Patrimoniais ................................................................................................................. 10
Demonstração de Resultados ................................................................................................. 11
CONTAS A RECEBER E A PAGAR .................................................................................................. 12
EXERCICIOS .................................................................................................................................. 14
Caso prático nº1 ...................................................................................................................... 14
Caso prático nº 2 ..................................................................................................................... 15
Caso prático nº3 ...................................................................................................................... 16
Caso prático nº 4 ..................................................................................................................... 17
Caso prático nº5 ...................................................................................................................... 18
INTRODUÇÃO
Conceitos básicos
Noção de Empresa
Uma empresa é um conjunto complexo e estruturado de recursos que exige uma direção e
organização e que exerce uma atividade remunerada através da produção e/ou distribuição de
bens e/ou serviços.
Atividade económica
A atividade económica é o conjunto de operações, realizadas pelos agentes económicos, que
consiste em utilizar os recursos disponíveis para a produção de bens e serviços e que se dirige
basicamente à satisfação das necessidades.
Os agentes económicos são: as famílias (consumo), as empresas (produção) e o Estado
(necessidades colectivas).
A actividade económica gera fluxos económicos que dão origem a fluxos reais e a fluxos
financeiros.
Fluxos reais:
De entrada;
De saída.
Fluxos financeiros:
De entrada;
De saída.
Contabilidade
A Contabilidade é uma técnica da revelação patrimonial, (Prof. Gonçalves da Silva) podendo
analisar-se em duas aceções:
“(…)stricto sensu equivale ao que antigamente se denominava escrituração, ou seja a
disciplina que ensina a representar as transformações por que passa o património (...)
(…) lato sensu ocupa-se dos processos descritivo-quantitativos utilizados na
observação, registo, interpretação e controlo dos factos de gestão.”
A Contabilidade é um processo de identificação, medição e comunicação de informação
económica que permite aos destinatários da informação tomar as melhores decisões possíveis,
Menéndez,(1997). O objecto material é a realidade económica e o objetivo global é a produzir
informação sobre aquele objecto.
Funções básicas da Contabilidade
Registo – registo dos factos que alteram o património da empresa;
Controlo – permite fazer um exame crítico das operações realizadas pela empresa;
Previsão – orçamentação (com base no histórico) permite efectuar um tableau de bord
Avaliação – é essencial neste campo pois é um importante suporte de análise. Permite:
Identificar custos;
Determinar os preços de venda;
Analisar a produtividade;
Efectuar análises comparativas intra- sectoriais
Divisões da Contabilidade
Contabilidade geral – regista as operações externas da empresa. No âmbito da actividade, tem
como preocupação:
O registo das operações de natureza comercial e financeira;
O apuramento do lucro ;
A elaboração do balanço;
A análise económico-financeira da empresa.
Contabilidade de custos – centra a sua análise nas operações de carácter interno – controlo de
custos. É essencial como suporte para o controlo de gestão, isto é, para que se possa efectuar
uma análise sobre o desempenho interno da empresa. É essencial para garantir a
competitividade da empresa no mercado, por via da optimização dos custos de produção,
armazenamento, etc.
Princípios Contabilísticos
Da continuidade – a empresa opera continuadamente num período futuro;
Da consistência – pressupõe a utilização dos mesmos princípios ao longo do tempo;
Da especialização – os rendimentos e os custos devem ser reconhecidos no momento da sua
efectivação, ou seja, nesse exercício;
Da prudência – dado o contexto de incerteza em que as unidades económicas vivem, a
contabilidade deve reflectir todas as perdas potenciais, ou as incorridas num exercício
anterior;
Do custo histórico – os registos devem ser realizados tendo por base uma realidade objectiva,
preço de aquisição ou custo de produção, e não valores aleatórios;
Da substância sobre a forma – prevalece a realidade financeira e a substância sobre a forma
legal;
Da materialidade – as demonstrações financeiras devem evidenciar todos os elementos
considerados relevantes e que possam afectar a decisão e avaliação de utentes interessados.
Conceitos Fundamentais
Património - Conjunto de elementos materiais e não materiais, disponíveis em qualquer
unidade económica, que se tornam os meios utilizados pela gestão, para atingir os fins que se
propôs alcançar. A esse conjunto de elementos, designamos elementos patrimoniais.
Os elementos patrimoniais distinguem-se em:
Activos – bens ou direitos sobre terceiros;
Passivos – obrigações para com terceiros;
Situação Líquida – Valor do património, resulta da diferença entre Activo e Passivo.
Conjunto de valores que pertencem efectivamente aos proprietários.
Factos patrimoniais – operações que alteram o património em composição ou em valor.
Facto patrimonial permutativo – altera a composição do património;
Facto patrimonial modificativo – altera o valor do património.
Equação Fundamental da Contabilidade:
Activo (A) – Passivo (P) = Situação Líquida (SL)
Possíveis resultados:
Se A > P, então o Capital Próprio é Activo;
Se A = P, então o Capital Próprio é nulo;
Se A < P, então o Capital Próprio é passivo, logo a empresa encontra-se numa situação
de falência técnica.
Inventário - arrolamento e avaliação dos elementos patrimoniais.
A inventariação envolve as seguintes operações:
Identificação ou arrolamento;
Descrição;
Classificação;
Avaliação ou valoração.
A contabilidade transforma as matérias ou os objetos em valores, possibilitando a sua
comensurabilidade e a comparação entre si;
O registo, a classificação e controlo, não seriam de fácil execução, se a observação fosse feita
elemento a elemento patrimonial;
Assim, consoante a sua natureza ou função, os valores patrimoniais podem ser agrupados em
classes com características comuns.
Chegamos assim à noção de conta, que se define como um conjunto de elementos
patrimoniais expresso em unidade de valor.
Requisitos da conta:
Homogeneidade: cada conta deve conter elementos que obedeçam à característica
comum que ela define.
Integralidade: todos os elementos que apresentam características comuns devem
fazer parte da mesma conta.
ANOTAÇÕES NUMA CONTA
ABRIR uma conta: atribuir um título e realizar o primeiro registo.
DEBITAR: efectuar um registo no Deve.
CREDITAR: efectuar um registo no Haver.
SALDAR: anotar o saldo da conta no lado com o menor somatório para que o saldo
seja nulo.
REABRIR: anotar o saldo no lado oposto àquele em que se
anotou para saldar a conta.
Representação gráfica:
Saldo da conta = Débito (D) – Crédito (C)
D > C → Saldo devedor
D = C → Saldo nulo
D < C → Saldo credor
Documentos Contabilísticos:
Balanço - expressa a situação patrimonial da empresa, num dado momento
Demonstração de Resultados - é um mapa complementar ao Balanço. Evidencia a
formação do Resultado Líquido durante um certo exercício económico.
Mapa de Origem e Aplicação de Fundos (MOAF) - é um mapa complementar ao
Balanço. Evidencia a formação do Resultado Líquido durante um certo exercício
económico.
Demonstração de Fluxos de Caixa - reporta a informação relevante referente aos
fluxos de dinheiro gerados e utilizados pelas actividades operacionais
Regras de movimentação das contas
Contas do Ativo
As contas do Activo debitam-se pelos valores iniciais e pelos aumentos e creditam-se pelas
diminuições.
As contas do ativo:
Caixa - notas e moedas, cheque e vales postais;
Depósitos à Ordem - regista o movimento das contas bancárias;
Clientes Conta Corrente - dividas a receber, resultantes da venda de
produtos/serviços;
Clientes Títulos a receber - letras sacadas sobre os clientes c/c
Empréstimos concedidos - dividas a receber de terceiros;
Mercadorias - bens existentes na empresa com destino à venda e não sujeitas a
qualquer transformação, no seu preço de custo devem estar incluídas as despesas
adicionais de compra (transporte);
Investimentos Financeiros - participações de capital + títulos divida pública;
Equipamento Administrativo - mesas, cadeiras, estantes, máquinas de escritório…;
Edifícios e Outras Construções - edifícios fabris;
Equipamento de transporte - camionetas, motociclos ... para uso da empresa;
Activos Intangíveis - trespasses, patentes, marcas, alvarás, licenças…;
Contas do Passivo
As contas do Passivo creditam-se pelos valores iniciais pelos aumentos e debitam-se pelas
diminuições.
As contas do Passivo:
Fornecedores C/C - dívidas a pagar de aquisições, com excepção do destinado ao
imobilizado;
Fornecedores – Títulos a pagar - letras e outros títulos de crédito;
Empréstimos Obtidos - financiamentos contraídos pela empresa;
Estado e Outros Entes Públicos - IRS, IRC, IVA, Imposto Municipal, Taxa Social Única;
Outros Credores - dividas c/ terceiros não contempladas nas contas anteriores.
Contas da Situação líquida/Capital Próprio
As contas:
Capital - capital nominal subscrito;
Reservas - retenção de lucros, aumento dos meios de ação;
Resultados - apuramento do resultado de cada exercício económico.
Contas de Rendimento
As contas de Rendimento creditam-se pelos valores iniciais e pelos aumentos e debitam-se
pelas diminuições
Contas de Gastos
As contas de Gastos debitam-se pelos valores iniciais e pelos aumentos e creditam-se pelas
diminuições.
Lançamentos
Chama-se lançamento à notação de qualquer facto patrimonial nos livros de contabilidade.
A um débito corresponde sempre um crédito de igual valor.
A contabilização de qualquer operação obedece forçosamente, a uma das seguintes 4 fórmulas
digráficas:
um débito = um crédito (Dep.Ordem + Caixa)
um débito = vários créditos (Fornecedores + DO + Caixa)
Vários débitos = um crédito (DO + Custos Financeiros + Empréstimos Obtidos)
Vários débitos = vários créditos (Edifícios e Out. Construções + Eq. Transporte. + DO +
Caixa)
Para se efetuar um lançamento deve-se:
1. analisar o facto patrimonial (documento)
2. verificar as contas afectadas pelo respectivo facto
3. constatar dos aumentos e/ou diminuições nas contas
4. aplicar a regra para o movimento das contas
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
Património
Numa aproximação simplista ao conceito contabilístico de património, poderemos dizer que
inclui o conjunto de:
Bens;
Direitos,
e Obrigações
gerido por uma dada organização, para a prossecução da sua missão e objetivos.
Uma primeira hipótese para formalizar o património é a de dividi-lo em elementos positivos
(que contribuem positivamente para a definição do valor do património) e negativos (que
contribuem negativamente para a definição do valor do património).
Os positivos são apelidados de elementos patrimoniais activos e o seu conjunto de ACTIVO. Os
negativos chamam-se elementos patrimoniais passivos e o seu conjunto de PASSIVO.
Definição:
ACTIVO: recurso controlado pela entidade como resultado de acontecimentos passados e do
qual se espera que fluam (…) benefícios económicos futuros.
PASSIVO: obrigação presente da entidade proveniente de acontecimentos passados, da
liquidação da qual se espera que resulte um exfluxo de recursos da entidade
Os elementos patrimoniais activos e passivos podem, ainda, dividir-se em: Correntes e Não
correntes.
Correntes - elementos que, tendencialmente, permanecem por períodos curtos no
património.
Não correntes - são os que, tendencialmente, permanecem por períodos longos:
o ‘Períodos curtos’: dentro do ciclo operacional da entidade (em princípio 1
ano);
o ‘Períodos longos’: extravasando o ciclo operacional da entidade.
As dívidas a terceiros podem classificar-se, atendendo à sua relação com o ciclo operacional da
empresa: Correntes e Não correntes
Quer, dentro de cada uma destas rubricas, atendendo à natureza do credor:
Fornecedores
Estado
Financiamentos obtidos
…
Mas o sistema de informação contabilística também se preocupa em concretizar o valor do
património – designado Capital Próprio.
Trata-se, portanto, de uma classe abstrata, por oposição ao Ativo e Passivo que constituem
classes de elementos patrimoniais concretos.
Balanço
Balanço (definição) - documento de síntese destinado a reportar sobre o património num
determinado momento.
Trata-se, portanto, de um mapa contabilístico reportado a um dado momento e que releva
stocks (em sentido lato): stocks de dívidas, de edifícios e equipamentos, de mercadorias, etc.
Documento que expressa a posição financeira de uma organização.
Equação fundamental do Balanço: Activo = Passivo + Capital Próprio
Exemplo de um Balanço:
Factos Patrimoniais
Factos patrimoniais - toda a alteração ocorrida no património, quer decorra de acções de
gestão, de operações (compra de bens, pagamento de dívidas, ...), quer de acontecimentos
(deterioração de bens, roubos, ...).
Podem classificar-se em:
Factos patrimoniais qualitativos - aqueles que, alterando a estrutura do património,
não conduzem a qualquer alteração do seu valor;
Factos patrimoniais quantitativos - aqueles que, para além de alterarem a estrutura do
património, implicam também alteração do seu valor.
Os factos quantitativos introduzem dois novos conceitos contabilísticos:
Gasto - representação contabilística de reduções do valor do património, decorrentes
de fenómenos quantitativos.
Rendimento - representação contabilística de aumentos do valor do património,
decorrentes de fenómenos quantitativos.
Nota: são excluídas das definições anteriores as reduções/aumentos do valor do património que sejam
relacionadas com distribuições a/contribuições dos participantes no capital próprio. Para além de outras
situações mais específicas
Da diferença entre os Gastos e Rendimentos de um dado período resulta a variação do valor do
património associada ao desenvolvimento da atividade.
Resultado - consequência da diferença entre rendimentos e gastos:
Lucro se os rendimentos forem superiores aos gastos,
Prejuízo na situação inversa
Demonstração de Resultados
Há diversas formas de apresentar informação sobre os resultados
Por natureza;
Por funções
...
Se a estrutura da DR decorrer das opções de modelização contabilística atrás referidas (i.e.,
por natureza de gastos e rendimentos), teremos a seguinte apresentação:
CONTAS A RECEBER E A PAGAR
Clientes
Clientes - incluem-se as quantias de ativos financeiros relativos a dívidas a receber de
clientes, liquidas de perdas de imparidade acumuladas, à data de relato, cujo
tratamento contabilístico é efetuado pelas NCRF 20 – Rédito e NCRF 27 – Instrumentos
Financeiros.
Adiantamento de Clientes - quantias de passivos financeiros respeitantes a
adiantamentos de clientes da entidade em transações cujo preço não esteja
previamente fixado, cujo tratamento contabilístico se insere na NCRF 27 –
Instrumentos Financeiros.
Fornecedores
Fornecedores - quantias de passivos financeiros por dividas a pagar a fornecedores, à
data de relato, cujo tratamento é abrangido pela NCRF 27 - Instrumentos Financeiros.
Adiantamento a Fornecedores - quantias de ativos financeiros respeitantes a
adiantamentos a fornecedores de bens e serviços e de investimento, cujo preço não
esteja fixado, e cujo tratamento é abrangido pela NCRF 27 – Instrumentos Financeiros.
Pessoal
Nesta rubrica estarão evidenciados os encargos com ordenados, salários e outras
remunerações, bem como valores com outros devedores e credores, por exemplo os
sindicatos.
Estado e Outros Entes Públicos
Incluí os ativos ou passivos correntes por quantias a favor ou em dívida, resultantes de
impostos, taxas e contribuições obrigatórias derivadas de relacionamento das entidades com o
Estado e outros entes públicos com autoridade para lançar tributos.
Financiamentos Obtidos
Compreende as quantias referentes a passivos financeiros, classificados como correntes, tal
como estabelecido na NCRF 27 - Instrumentos Financeiros. Também abrange as quantias por
responsabilidades de um locatário numa locação financeira, nos termos na NCRF 9 – Locações.
Acionistas/Sócios
Destina-se a quantias correntes respeitantes às posições financeiras derivadas do
relacionamento da entidade com os seus detentores de capital, agindo nessa qualidade.
Outras Contas a Pagar ou Receber
Diz respeito a quantias de ativos ou passivos financeiros, correspondentes a contas a pagar ou
receber, que não estejam inseridas nas demais contas, e cujo tratamento é estabelecido na
NCRF 27 - Instrumentos Financeiros.
Diferimentos
Destina-se especificamente a evidenciar as quantias respeitantes a despesas e pagamentos
(Gastos a reconhecer), ou receitas e recebimentos (Rendimentos a reconhecer), que
antecedem o momento do uso ou consumo de recursos, ou à data de relato, devam ser
reconhecidos nos períodos seguintes.
Provisões
Compreende as quantias de provisões reconhecidas e mensuradas, cujo tratamento é definido
na NCRF 21 – Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes, bem como na NCRF 26 –
Matérias Ambientais.
EXERCICIOS
Caso prático nº1
Caso prático nº 2
Caso prático nº3
Caso prático nº 4
Caso prático nº5
1 a) FALSO, é um facto patrimonial permutativo porque não altera o valor do património, neste
caso, verifica-se apenas, uma alteração na composição do património através da redução das
obrigações e do ativo.
Pagamento a fornecedores de uma dívida é um facto patrimonial permutativo
Redução do ativo e do passivo
Credita-se a conta de ativo e debita-se a conta do passivo
1 b) FALSO, é um facto patrimonial modificativo porque altera o valor do património.
“Recebimento de juros da aplicação financeira” é um facto patrimonial modificativo positivo
que resulta num aumento de capital próprio.
Aumenta o ativo, aumentam os rendimentos
Debita-se a conta de ativo e credita-se a de rendimentos
1 c) FALSO, é um facto patrimonial modificativo negativo porque reduz o valor do património.
“A revisão de uma viatura de serviço” é um facto patrimonial modificativo negativo que resulta
numa diminuição de capital próprio.
Reduz-se o ativo, aumentam os gatos
Credita-se a conta de ativo, debita-se a conta de gatos
2 a) A alteração da composição do património
2 b) Factos patrimoniais modificativos