Índice
Introdução..................................................................................................................................1
Princípios Gerais........................................................................................................................2
A adopção....................................................................................................................................2
Requisitos do adoptante...............................................................................................................3
Quem pode ser adoptado...........................................................................................................3
Requisitos do adoptando..............................................................................................................3
Adopção com consentimento dos pais..........................................................................................3
Consentimento do adoptando.......................................................................................................4
Nacionalidade dos adoptantes.....................................................................................................4
Formas de Adopção....................................................................................................................4
Efeitos da Adopção Dupla............................................................................................................5
Efeitos da Adopção Unipessoal....................................................................................................5
Processo de Adopção..................................................................................................................5
Formas do Processo.....................................................................................................................5
Formas de Consentimento.........................................................................................................5
Consentimento dado pelos pais....................................................................................................5
Conselho de Família...................................................................................................................6
A Sentença..................................................................................................................................6
Revisão de Sentença.....................................................................................................................6
Considerações finais...................................................................................................................7
Bibliografia.................................................................................................................................8
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Introdução
Em 1924 a Assembleia da Liga das Nações adotou a Declaração de Genebra dos
Direitos da Criança, que não criou normas, antes instituiu princípios, no âmbito da
proteção da criança e dos seus direitos, face a necessidade de regulamentação
internacional para os direitos das crianças.
Posteriormente, com o surgimento do Fundo das Nações Unidas para a Infância -
UNICEF, fez elevar a consciência internacional para a situação da criança e dos seus
direitos.
Nos termos plasmados no artigo 1º da Convenção dos Direitos das Crianças
(CDC), a criança é todo aquele com idade inferior a 18 anos, sendo certo que
documenta internacionalmente a importância da infância, de onde verifica-se a
predominância do princípio da proteção integral da criança. Ora consta do seu
preâmbulo a luta pela justiça social, económica e pela igualdade.
Em linhas gerais podemos dizer que a CDC prevê o instituto da adoção nos seus
artigos 20.º e 21.º e 69.º, sem nunca nos esquecer do artigo 3.º que estipula o princípio
do superior interesse da criança.
Por isso, conseguimos observar a adoção como um direito humano das crianças
privadas de uma relação paterno-filho. Para entender a essência e os corolários do
direito a ser adotado (que não deve ser confundido com o direito a adotar alguém), se
faz necessária uma digressão sobre a natureza geral dos direitos fundamentais.
Ora o n.º 3 do artigo 20.º, dispõe que a criança possa ser privada do seu ambiente
familiar de forma permanente, no caso da adoção, para proteger o seu superior interesse
e fornecer-lhe uma família mais condizente como esse mesmo interesse.
A adoção é um instituto jurídico pelo qual se atribui a uma criança o estado de
filiação, desvinculado dos vínculos de consanguinidade.
O presente trabalho está divido em três partes, baseado no título VI do Código
da família, que dispõe sobre adopção:
1) Princípios Gerais (artº 197º a 204º);
2) Formas de Adopção (artº 205º a 211º);
3) Processo de Adopção (artº 212 a 219º).
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Princípios Gerais
A adopção
O que é a adopção?
O artigo 197.º do Código de Família nos fala dos fins da adopção.
Fins da Adopção
“A adopção visa a protecção social, moral e afectiva do menor, constituindo,
entre o adoptado e o adoptante, vínculo de parentesco igual àquele que liga os filhos aos
pais naturais” (artº 197º, CF).
Da filiação adoptiva derivam para o adoptado e o adoptante os mesmos direitos e
deveres que reciprocamente se estabelecem entre os filhos e os pais (n.º 1, artº 198º).
O parentesco derivado da filiação é extensivo aos descendentes do adoptado e
aos parentes do adoptante (n. º2, artº 198º).
A Lei 7/80, de 27 de Agosto, Lei da Adopção e Colocação de Menores, veio
revogar os artºs 1973º a 2002º, do Código Civil (cfr. artº 28º, da citada Lei) e aprovou
um novo quadro sobre adopção (1 – Código da Família anotado, Maria do Carmo
Medina, 2ª ed. 2005).
A Lei 1/88, de 20 de Fevereiro, que aprovou o Código da Família, no que se
refere à Adopção, integrou o essencial da Lei 7/80, e revogou os seus Capítulos I e II
(artºs. 1º a 22º), bem como o livro IV do Código Civil (artºs. 1576º a 2023º) – cfr. artº
10º, als. c) e g), da Lei 1/88, de 20 de Fevereiro – aprofundando, porém, o vínculo da
adopção, que no artº 8º, da Lei 1/88, é equiparado ao parentesco por laços de sangue.
Mais tarde, o Capítulo III, da Lei 7/80, de 27 de Agosto, veio, de igual modo, a
ser revogado – cfr. artº 28º, da Lei 9/96, de 19 de Abril (Lei do Julgado de Menores) –
pelo que, actualmente, em termos substantivos, no que diz respeito à Adopção, regem
apenas as normas constantes do Título VI, do Código da Família aprovado pela Lei
1/88, de 20 de Fevereiro.
A adopção é constituída por sentença judicial, a qual só produz efeitos ex nunc
(artº 212º, CF) – A sentença judicial é proferida em processo de jurisdição voluntária,
sendo o menor representado pelo Ministério Público.
Será efectuado inquérito judicial, para além das demais diligências legalmente
previstas, designadamente a audição obrigatória do menor com idade igual ou superior a
10 anos, que deve prestar consentimento para ser adoptado.
Os efeitos da adopção, quanto a:
a) Relação entre o Adoptante e o Adoptado – artºs 198º, 206º e 207º,
b) Nome e apelidos - artºs 208º e 209º,
c) Obrigação de Alimentos - artºs 249º, n.º 1 e 2, al. b) e c),
d) Efeitos sucessórios - artº 2133º, do Código Civil.
Considerando ainda os efeitos, importa referir:
A adopção constitui-se, também, numa forma de protecção à criança privada do meio
familiar, nos termos dos artºs 20º e 21º, da Convenção dos Direitos da Criança (C.D.C);
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Da adopção por nacional angolano deriva a aquisição da nacionalidade angolana, nos
termos do artº 11º, da Lei da Nacionalidade (Lei 1/05, de 1 de Julho).
Requisitos do adoptante
Os requisitos do adoptante constam do artº 199º e nos diz este artigo que o
adoptante deve reunir cumulativamente os seguintes requisitos:
a) Ter completado 25 anos de idade e estar no pleno gozo dos seus direitos civis;
b) Possuir idoneidade moral e bom comportamento social, especialmente nas relações
familiares;
c) Ter capacidade económica para prover ao sustento e educação do adoptando;
d) Ter saúde mental e física;
e) Ter pelo menos, mais 16 anos do que o adoptando.
Quando o adoptando é filho do cônjuge ou do companheiro de União de Facto,
apenas é exigível que o adoptante:
a) Tenha completado 25 anos de idade e esteja no pleno gozo dos seus direitos civis;
b) Que possua idoneidade moral e bom comportamento social, especialmente nas relações
familiares;
c) Tenha saúde mental e física.
Quem pode ser adoptado
Requisitos do adoptando
Os requisitos do adoptando constam do artº 200º e nos diz este artigo que o
adoptando deve ter menos de 18 anos de idade e encontrar-se numa das seguintes
condições:
Ser filho de pais desconhecidos ou falecidos;
Estar na situação de abandono, esteja ou não entregue a estabelecimento de assistência
pública.
O mesmo artigo, no seu ponto 2, define a situação de abandono dizendo
“considera-se em situação de abandono o menor em relação ao qual os pais e outros
parentes se tenham manifestamente desinteressado do exercício dos seus deveres, por
período superior a um ano”.
É importante referir que no caso do artº 200º, há dispensa de consentimento por
parte dos pais ou outros parentes.
Diz ainda a Prof.ª Dr.ª Maria do Carmo Medina, nas suas notas, que a situação
jurídica de abandono tem de ser objecto de averiguação directa pelo Tribunal e deve
obrigatoriamente constar de decisão proferida no próprio processo de adopção. E que
não se pode dar como verificada a situação de abandono quando ela tenha resultado de
factos de força maior que impeçam os progenitores de exercer a sua autoridade paternal.
Adopção com consentimento dos pais
Também podem ser adoptados os menores cujos pais naturais prestem
consentimento à adopção (artº 201º).
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A constituição da adopção impede a declaração de filiação posterior por parte do
progenitor natural (artº 202º).
Consentimento do adoptando
O menor que tenha completado 10 anos de idade não pode ser adoptado sem o
seu consentimento (artº 203º).
O artigo 203º nos remete para o artº 158º, nº 3, do CF e para o artº 21º, da
C.D.C.
No âmbito das decisões e medidas necessárias à protecção dos menores e no
interesse destes, nos diz o artigo 158º, do Código de Família, que o Tribunal ouvirá o
menor que tenha completado 10 anos, nas causas a si respeitantes (o que não implica
que não possa fazê-lo com menor de idade inferior que tenha maturidade suficiente para
o efeito).
Porém, se o Tribunal decidir ouvir, no âmbito do processo de adopção, a criança
com idade inferior a 10 anos, a mesma não necessita de prestar o seu consentimento
para a adopção, pois a lei só impõe esse consentimento nos casos em que já completou
aquela idade.
Tratar-se-á, tão só, de proceder à audição da criança, num processo que lhe diz
directamente respeito, o que relevará para a apreciação do caso concreto e cumprirá, por
outro lado, as orientações decorrentes dos instrumentos internacionais quanto à audição
e participação das crianças e jovens.
Nacionalidade dos adoptantes
Os adoptantes podem ser nacionais (nacionalidade angolana) ou estrangeiros.
O menor, de nacionalidade angolana, pode ser adoptado por cidadão estrangeiro,
desde que tenha autorização da Assembleia Nacional (art. 204º, CF), prevista nas
competências genéricas que lhe atribui a Constituição da República de Angola.
Os condicionalismos legais são os constantes no artº 199º, CF. Atribui-se
relevância ao comportamento cívico, moral e familiar do adoptante, à sua capacidade
económica e saúde mental e física, tendo em vista que o adoptado é sempre um menor e
deve garantir-se um lar com condições onde ele possa ser criado e educado.
A exigência do mínimo de 16 anos de diferença de idade corresponde ao escalão
etário mínimo que se convenciona dever existir entre duas gerações.
A lei não impõe limites máximos de diferença de idade.
Formas de Adopção
Tipos de Adopção (artº 205º, CF):
a) Adopção Dupla
b) Adopção Unipessoal.
A adopção poderá ser constituída:
Por ambos os cônjuges, desde que não estejam separados de facto, ou por homem e
mulher que vivam em união de facto em condições de ser reconhecida (al. a), artº205º,
CF);
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Pelo cônjuge ou pelo homem ou mulher que vivam em união de facto relativamente ao
filho do outro (al. b), artº 205º, CF);
Individualmente por pessoa não casada (al. c), artº 205º, CF).
Efeitos da Adopção Dupla
A adopção dupla do menor faz extinguir os laços de parentesco entre o adoptado
e os seus parentes naturais, os quais só serão de atender para o efeito de constituírem
impedimento matrimonial (artº 206º, CF).
Efeitos da Adopção Unipessoal
Na adopção unipessoal, se o adoptante for homem substitui-se ao pai natural do
adoptado, e se for mulher substitui-se à mãe natural, cabendo ao adoptante exercer em
exclusivo a autoridade paternal sobre o adoptando, trata-se do exercício único da
autoridade paternal (artº 147º, CF) salvo quando o adoptado é filho do cônjuge ou
companheiro de vida em comum do adoptante, neste caso, a autoridade paternal será
exercida em conjunto com o progenitor natural (n.º 1, artº 207º, CF).
Subsistem as relações de parentesco do adoptado com o pai ou mãe natural, ou
seja, com aquele que não for substituído pelo adoptante (n.º 2, artº 207º, CF).
Processo de Adopção
O processo de adopção do Código de Família é completado pelo procedimento
do processo de adopção, regulado no Decreto n.º 417/71 de 29 de Setembro, e
compreende os artigos que vão desde o artigo 84º, CF, ao artigo 90º, CF, não sendo,
contudo, aplicáveis os artigos 88º e 89º, CF.
Formas do Processo
a) A adopção é constituída por sentença judicial proferida em processo de jurisdição
voluntária (n.º 1, artº 212º, CF).
b) Será efectuado inquérito judicial que averigue as circunstâncias de facto em que se
fundamenta o pedido (n.º 2, artº 212º, CF).
c) O menor será representado pelo curador de menores (Magistrado do Ministério Público)
ou pela entidade que por lei o substitua (n.º 3, artº 212º, CF).
d) A sentença deverá descrever detalhadamente os factos e circunstâncias em que se
fundamenta e os motivos que determinam a constituição da adopção e decidirá quanto
aos apelidos do adoptado (n.º 4, artº 212º).
e) No caso de adopção de menor abandonado, deverá a sentença declarar a situação de
abandono (n.º 5, artº 212º, CF).
Formas de Consentimento
Consentimento dado pelos pais
O consentimento à adopção por parte do progenitor natural é de natureza pessoal
e deve ser prestado perante o Tribunal ou em documento autêntico em que se identifique
a pessoa do adoptante (artº 213º, CF).
Consentimento na falta dos pais
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Na falta de pais do menor, o consentimento será prestado perante o Tribunal, por
ordem de preferência, pelos seus avós, irmão maiores ou tios, preferindo, em igualdade
de circunstâncias, o parente que tenha o menor a seu cargo (n.º 1, artº214º, CF).
O consentimento dos parentes referidos no ponto anterior pode ser suprido
pelo juiz, quando o considere conveniente para o interesse do menor, ou dispensado,
quando se verifique grande dificuldade na sua obtenção, devendo, neste caso ser
justificada especialmente na decisão a causa do suprimento ou da dispensa do
consentimento (n.º 2, artº 213º, CF).
Conselho de Família
Pode o Tribunal, sempre que o julgue conveniente, tendo em vista a salvaguarda
do interesse do menor, ouvir o Conselho de Família (artº 215º, CF).
A audição do Conselho de Família é da iniciativa do Tribunal e de carácter
facultativo.
A Sentença
Revisão de Sentença
A sentença que decrete a adopção pode ser revista quando (artº 216º, CF):
a) Se verifique ter havido erro essencial quanto à pessoa do adoptado;
b) Haja falta de consentimento ou este tenha sido prestado sob coação.
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Considerações finais
O presente trabalho teve como objetivo geral demonstrar que a abordagem da
adoção é revertida para o benefício das crianças, sendo certo que independentemente da
forma como se inicia o processo da adoção, o resultado será sempre em prol das
crianças, face aos seus superiores interesses em viver numa família harmoniosa, na
concretização de um direito humano.
Assim, podemos concluir que a adoção tem por subjacente um vínculo que
proporcione à criança privada de uma família o meio adequado à realização do seu
interesse superior – direito fundamental de encontrar uma solução familiar alternativa
que promova as necessidades do seu desenvolvimento integral, equilibrado e
harmonioso.
Por fim, frisa-se que o princípio do melhor interesse da criança, absolutamente
utilizado no nosso ordenamento jurídico, representa relevante proveito ao processo da
adoção. Isto, porque implica a necessidade de se apreciarem as reais vantagens para o
adotado, o que impõe um rigoroso processo para que se tenha efetivado o pedido.
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Bibliografia
ATALAIO, R. J. E. (2017). A Adoção Internacional e o Superior Interesse da Criança.
Dissertação Orientada pela Prof.ª Doutora Maria Margarida Silva Pereira. Mestrado
Profissionalizante. Ciências Jurídico-Forenses. Universidade de Lisboa. Faculdade de Direito.
Lisboa. Portugal.
Código de Família anotado, 2ª Ed. Revista e Actualizada.
Decreto n.º 417/71 de 29 de Setembro.
Notas da Professora Maria do Carmo Medina.