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introducao
eT RROD
pelo amortinha se tornado um ritual de afirmagio da graga do amor ja
no estava mais li para me acolher, contei para todo mundo
ppoderia ser gay. Talvez. € igualmente provivel que os homens
que espalharam tinta na parede tenham se ventida ameagados
por essa confissio piiblica do desejo de ser amado ~ um dese-
jo tho intenso que nio apenas precisava ser verbalizado, mas
também era deliberadamente buscado.
Depois de muito procurar, localize o artista e converse com
cle pessoalmente sobre o significado do amor. Falamos sobre a
forma como a arte piblica pode ser um velculo para compar-
tilhar pensamentos de airmago da vida, Ends dois expressa-
mos nosso pesar e nossa contrariedade com o fato-de-a cons-
‘trutora ter coberto insensivelmente uma mensagem de amor
{Wo poderosa. Para que eu me lembrasse dos muros, ele me dew
Fotografias do grafite. Desde que nos conhecemos, em todos
6s lugares onde morei, mantive as fotos sabre a pia da cazinha,
Toxlos os dias, quando bebo gua ou pego um prato no armatio,
Paro diante desse lembrete de que todos ansiamos por amor —
todos o buscamos —, mesmo quando nio temos esperanga de
ue ele possa ser de fato encontrado.
Nao ha muitos debates pablicos arespeito do amor em nossa
cultura hoje, No maximo, a cultura popular é 0 dominio em
‘que nosso desejo por amor ¢ mencionado. Filmes, misicas,
revista livros sio os locais para os quais nos voltamos para
cielsco tanto medo da dor da decepgio
No fir das cantas, 0
.ens so cinicos em relagdo a0 amor.
seem grande miss param corpo deco
do etraido
{Guando viajo pelo pals dando palestras sobre como aca-
bar com o racismo ¢ 0 machismo, © publico, especialmente
os jovens, fica agitado quando falo sobre o pape! do amor
fm qualquer movimento por justia social. Todos as gran
‘os ingénuos, os fracos, os romanticos incorrigivels. Sua ati-
‘tude se espelha na dos adultos, aos quais se dirigem pedindo
explicases. Como porta-voz de uma geragio desiludida, em
Bitch: In Praise of Difficult Women (Puta: um elogio a tmulhe-
‘res dificeis), Elizabeth Wurtzel afirma: “Nenhuma de nés esta
ficando melhor em amar, estamos ¢ ficando com mais medo,
Para comego de conversa, ndo nos ensinaram a ser habeis, €
as escolhas que fazemos tendem apenas a reforcar a sensa-
‘slo de que 0 amor ¢ iniitil e sem esperanga”. Suas palavras
ecoam tudo que costumo ouvir de uma geragio mais velha a
respeito do amor,
‘Ao falar de amor com pessoas da minha geragio, desco-
bri que elas ficavam nervosas ou assustadas, especialmente
quando eu comentava que nio me sentia amada o suficiente.
Em diversas ocasides em que falei de amor com amigos, eles
‘me aconselharam a fazer terapia. Entendi que alguns pou-
os estavam simplesmente cansades da minha insisténcia na
questo € achavam que se eu fizesse terapia eles teriam uma
folga. No entanto, a maioria ficava apavorada em relagio a0sgeralmente se sentem num estado constante de anseio, que-
cescritos:amor pelo qual meu coragao vinha procurande.
tural me ofereceu a oportunidade cons-
tho como eritica cul eee ean ai
pre ¢ da ordem da fantasia, Talverseja por isso que os homens
teaham produzido a maioria das teorias acerca do amor. A fan-
tasia tem sido-em grande parte dominio deles, tanto na esfera
da produgio cultural quanto no dia a dia. A fantasia masculina
é vista como algo capaz de criar realidade, enquanto a fantasia
€ 0 Ginico dominio em que as mulhe-
algum grau de autoridade. Entretanto,
quando os homens se apropriam do género das narrativas
romanticas, suas obras sJo muito mais reconhecidas que a
cscrita das mulheres. Um livro como As pontes de Madison? &
© exemplo supremo. Se essa historia de amor sentimental €
superficial (que, apesar disso, tem seus momentos altos) tives
se sido escrita por uma mulher, seria improvavel que ela se
tomasse um sucesso tio grande, cruzando todas as fronteiras
do género litersrio,
1 Romance de Robert James Waller adaptado:
— Pardo cinema em 1995 com
de Richard LaGravenese¢ dieydo de Clint Eastwood. {xr}£ daro que sio as mulheres as principais co
que foram amados. Eles falam a partir desse lugar. isso thes
ugar de falta, de no terem recebido o amor que desepvam.
‘Uma mulher que fala de amor é suspeita, Taves ise acorra
porque tudo que uma mulher esclarecida teria a dizer sobte o
amor representaria uma ameaga direta € um desafio is visGes
_que 1s foram oferecidas pelos homens. Aprecio o.que 0s escrr-
ores homens tém a dizer sobre o amot. Gosto de Rumi ¢ de
Rilke, poctas que nes comovem com suas palavras. Homens
igcralmente escrevem a respeito do amor recorrendo 3 fantasia,
20 que eles irnaginam ser pussivel, ¢ nio ao que sabem concre
‘tamente. Néx agora temes céncia de que Rilke no excreveu ex
consondncia com o que viveu, de que tantas palavras de amor
tas sobre os paptis de género. No entanto, em Gikuma andbise,‘que de amor. £ mais ficil articular a dor da auséncia do amor
seu significado em nossa vida.
Ensinados a ac lugar do aprendizado &
‘de nés pensamas que 0 ato
autores continuam apegados a um sistema de crengas que
entre homens ¢
de falar de amor com qualquer intensidade emocional sera
tengo para o fato de que sua falta & mais comum que sua
presenga, para o fato de que muitos de nds no temas cert
za do que estamos dizendo quando falamos de amor ou de
‘como expressi-lo,
‘Todo mundo quer saber mais sobre 0 amor. Queremos
saber 0 que significa amar, 6 que podemos fazer em nosso dia
«a dia para amarmos ¢ sermos amados. Queremos saber como
sedurir aqueles que continuam fidis falta de amor e abrir a8,
portas de seu coragio para que deixem o amor entrar. forga
de nosso desejo nto muda o poder de nossa incerteza cultural.
Em todos os lugares aprendemas que o amor ¢ importante,
‘mas somos bombardeados por seu fracasso. No dominio da
politica, entre religiosos, em nossas familias € em nossa vida,
afetiva, vemos poucos indicios de que 0 amor serve de hase
para decisées, fortalece nosso entendimento da comunidade
‘ou nos mantém juntos. Essa imagem desoladora nio altera,
de modo algum, a natureza de nosso desejo. Nés ainda temos
cesperanga de que 0 amor prevalecerd. Nés ainda acreditamos
nna promessa do amor.
Assim como o grafite proclamava, nossa esperanca reside
no fato de que muitos de nés continuamos a acreditar no
poder do amor. Acreditamos que ¢ importante conhecer 0
amor. Acreditamos que ¢ importante buscar as verdades do
amor. Em indmeras conversas privadas ¢ debates publices, de
€ ouvi testemunhos sobre o erescente desamor em nossa cul” |
tura¢ sobre o medo que inno desperta no coragio de wos.)
Esse desespero em relagdo ao amor fax par cam o cinismode falar de amor com qualquer mtensidade emocional sera
percebido como fraqueza ¢ irracionalndade. E ¢ especialmer
te dificil falar de amor quando.o que temos a dizer chama a
atengdo para o fato de que sua falta & mais comum que sua
presenga, para 0 fato de que muitos de nos no temos certe-
za do que estamos dizendo quando falamos de amor ou de
como expressi-lo.
Todo mundo quer saber mais sobre o amar. Queremas
saber 0 que significa amar, 0 que podemos fazer em nosso dis
a dia para amarmos e sermos amados. Queremos saber como
seduurir aqueles que continuam fis falta de amor ¢ abrir as
portas de seu corasao para que deivem 0 atnot entrar. A forga
de nosso desejo ndo muda o poder de nossa incerteza cultural,
Em todos os lugares aprendemos que © amor é importante,
‘mas somos bombardeados por seu fracasso, No dominio da
politica, entre religiosos, em nossas familias ¢ em nossa vida
afetiva, vemos poucos indicios de que © amor serve de base
para decisées, fortalece nosso entendimento da comunidade
‘ow nos mantém juntos. Essa imagem desoladora nao altera,
de modo algum, a natureza de nosso desejo. Néw ainda temos
cesperanga de que 0 amor prevaleceré. Nés ainda acreditamoy
tmutheres sio relativamente silenciosos quanto ao tema: NSS
silencio nos protege da incerteza. Queremos conhecer 0 am05:
E temos medo de que 0 desejo de saber muito sobre ele n08
tura ¢ sobre o medo que isso desperta no
relagio ao amor fax pat com © SamsmneCepsiieniteinilg einem wntemente:nos lea
a fechar nosso coragao, tornando impossivel retribuirmos ow
recebermos o amor que nos ¢ dado. Para abrirmos nosso cora-
‘Gio mais plenamente para o poder ea graga do amor, devemos
‘ousar reconhecer qui pouco sabemos sobre ele na teoriae na
pritica. Devemos encarara confusio ea decepcio em relaglo
a
=.
fato de que muito do que nos foi ensinado a respeito da
natureza do amor nio faz sentido quando aplicado a vida coti-
diana. Observando a pritica do amor no dia a dia, pensando
sm como amamos € no que é necessirio para que a nossa cul
tura se torne uma cultura em que a presenga sagrada do amor
possa ser sentida em todo lugar, escrevi esta reflexdo.
Camo o titulo Tudo sobre o amor: novas perspectivas indica,
queremos viver numa cultura em que 0 amor possa florescer.
‘Ansiamos por acabar com o desamor, tio prevalente em nossa,
sociedade. Este livro nos diz como regressar a0 amor. Tudu
sobre o amor: novas perspectivas oferece Formas novas ¢ radical
de pensar a arte de amar, apresentando uma perspectiva espe:
rangosa e alegre sobre o poder transformador do amor. Ele nos
permite saber o que precisamos para amar de novo, Reunindo
1a sabedoria do amar, ele nos possibilita saber o que devemos
fazer para sermos tocados por sua gray