Vigas PDF
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Bauru/SP
Abril/2024
APRESENTAÇÃO
Estas notas de aula atendem à disciplina 2123 – Estruturas de Concreto II, do curso de
Engenharia Civil da Universidade Estadual Paulista - UNESP – Campus de Bauru/SP. Deve ser
estudada na sequência da apostila “Ancoragem e Emenda de Armaduras”.
O objetivo principal do texto é apresentar o projeto de vigas de Concreto Armado, com
ênfase ao cálculo manual de vigas como elementos isolados da estrutura. O conhecimento deste
procedimento de projeto de vigas é muito útil no aprendizado inicial do estudante, por ser simples e
intuitivo, e facilita o entendimento futuro de modelos mais realísticos e sofisticados, que tomam
como base a análise da estrutura espacial (aplicados por programas computacionais de projeto
estrutural). Os modelos simples também auxiliam na checagem de resultados dos programas
computacionais.
Diversas prescrições contidas na NBR 6118/2023 (“Projeto de estruturas de concreto”) são
descritas, bem como o cálculo da ancoragem da armadura longitudinal de tração nos apoios de
vigas, o “cobrimento” do diagrama de momentos fletores, que permite definir o posicionamento,
extensão e detalhamento das armaduras longitudinais ao longo dos vãos, e a verificação de flecha e
fissuração. Para facilitar o entendimento do estudante está incluído um exemplo numérico. Outros
dois exemplos numéricos encontram-se em desenvolvimento, e quando finalizados serão
acrescentados ao texto.
Críticas e sugestões serão bem-vindas.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................................... 1
2 DEFINIÇÃO ......................................................................................................................................................... 1
3 MODELOS ESTRUTURAIS .................................................................................................................................... 1
3.1 ELEMENTOS INDIVIDUALIZADOS .................................................................................................................................... 3
3.2 PÓRTICO PLANO COM VIGAS E PILARES .......................................................................................................................... 5
3.3 GRELHA DE VIGAS ...................................................................................................................................................... 6
3.4 GRELHA DE VIGAS E LAJES ........................................................................................................................................... 6
3.5 PÓRTICO ESPACIAL ..................................................................................................................................................... 7
4 ANÁLISE ESTRUTURAL ........................................................................................................................................ 9
4.1 ANÁLISE LINEAR ........................................................................................................................................................ 9
4.2 ANÁLISE LINEAR COM REDISTRIBUIÇÃO .......................................................................................................................... 9
4.3 ANÁLISE PLÁSTICA ................................................................................................................................................... 10
4.4 ANÁLISE NÃO LINEAR ............................................................................................................................................... 10
4.5 ANÁLISE POR MEIO DE ELEMENTOS FÍSICOS .................................................................................................................. 10
4.6 HIPÓTESES BÁSICAS.................................................................................................................................................. 11
5 ANÁLISE LINEAR COM OU SEM REDISTRIBUIÇÃO ............................................................................................. 11
5.1 RIGIDEZ ................................................................................................................................................................. 11
5.2 RESTRIÇÕES PARA A REDISTRIBUIÇÃO ........................................................................................................................... 11
5.3 REDISTRIBUIÇÃO DE MOMENTOS FLETORES E LIMITES PARA CONDIÇÕES DE DUCTILIDADE...................................................... 11
6 APROXIMAÇÕES PERMITIDAS EM VIGAS DE ESTRUTURAS USUAIS DE EDIFÍCIOS ............................................. 13
7 GRELHAS E PÓRTICOS ESPACIAIS ...................................................................................................................... 20
8 ARREDONDAMENTO DO DIAGRAMA DE MOMENTOS FLETORES ..................................................................... 21
9 VÃO EFETIVO ................................................................................................................................................... 22
10 DEFINIÇÃO DA LARGURA E DA ALTURA ............................................................................................................ 22
10.1 LARGURA........................................................................................................................................................... 22
10.2 ALTURA............................................................................................................................................................. 25
11 INSTABILIDADE LATERAL .................................................................................................................................. 25
12 CARGAS SOBRE VIGAS ...................................................................................................................................... 26
12.1 PESO PRÓPRIO ................................................................................................................................................... 26
12.2 PAREDES ........................................................................................................................................................... 27
12.3 LAJES ................................................................................................................................................................ 28
12.4 OUTRAS VIGAS ................................................................................................................................................... 28
13. COBRIMENTO DO DIAGRAMA DE MOMENTOS FLETORES ................................................................................ 29
13.1 DECALAGEM DO DIAGRAMA DE FORÇA NO BANZO TRACIONADO.................................................................................. 29
13.1.1 Modelo de Cálculo I .............................................................................................................................. 29
13.1.2 Modelo de Cálculo II ............................................................................................................................. 30
13.2 PONTO DE INÍCIO DE ANCORAGEM ......................................................................................................................... 30
14. ANCORAGEM DE ARMADURA LONGITUDINAL DE TRAÇÃO EM SEÇÕES DE APOIO ........................................... 35
14.1 APOIO COM MOMENTO FLETOR POSITIVO ............................................................................................................... 36
14.2 APOIO EXTREMO DE VIGAS SIMPLES OU CONTÍNUAS.................................................................................................. 36
14.3 APOIO INTERNO.................................................................................................................................................. 41
14.4 ARMADURA NEGATIVA EM APOIO EXTREMO ............................................................................................................ 42
15 ARMADURA DE SUSPENSÃO ............................................................................................................................ 44
16. VERIFICAÇÃO DE FLECHA .................................................................................................................................. 45
16.1 ESTÁGIOS DO DESLOCAMENTO .............................................................................................................................. 45
16.2 PRESCRIÇÕES DA NBR 6118 ................................................................................................................................. 46
16.3 EFEITOS DA FLECHA ............................................................................................................................................. 47
16.4 MOMENTO FLETOR DE FISSURAÇÃO ....................................................................................................................... 47
16.5 COMBINAÇÕES DE SERVIÇO ................................................................................................................................... 49
16.6 POSIÇÃO DA LINHA NEUTRA E MOMENTO DE INÉRCIA NOS ESTÁDIOS I E II ..................................................................... 50
16.6.1 Seção Retangular .................................................................................................................................. 51
16.6.2 Seção T.................................................................................................................................................. 52
16.7 RIGIDEZ EQUIVALENTE ......................................................................................................................................... 53
16.8 EQUAÇÃO PARA CÁLCULO DA FLECHA IMEDIATA ....................................................................................................... 54
16.9 FLECHA DIFERIDA NO TEMPO ................................................................................................................................ 55
16.10 FLECHAS MÁXIMAS ADMITIDAS PELA NBR 6118 ...................................................................................................... 56
16.11 CONTRAFLECHA .................................................................................................................................................. 57
16.12 EXEMPLO 1 ........................................................................................................................................................ 58
16.12.1. Dimensionamento da Armadura Longitudinal de Flexão ..................................................................... 59
16.12.2. Momento Fletor de Fissuração e de Serviço ......................................................................................... 59
16.12.3. Posição da Linha Neutra e Momento de Inércia no Estádio II .............................................................. 60
16.12.4. Rigidez Equivalente............................................................................................................................... 61
16.12.5. Flecha Imediata e Final ......................................................................................................................... 61
16.12.6. Flecha Limite ......................................................................................................................................... 62
16.12.7. Flecha Calculada pelo Programa Ftool ................................................................................................. 62
17 VERIFICAÇÃO DA FISSURAÇÃO ......................................................................................................................... 63
17.1 EXEMPLO 1 ........................................................................................................................................................ 66
18 EXEMPLOS DE DIMENSIONAMENTO E DETALHAMENTO DE VIGA CONTÍNUA .................................................. 71
19 PROJETO DA VIGA VS1 ..................................................................................................................................... 74
19.1 ESTIMATIVA DA ALTURA E DEFINIÇÃO DA LARGURA ................................................................................................... 74
19.2 VÃOS EFETIVOS .................................................................................................................................................. 75
19.3 INSTABILIDADE LATERAL ....................................................................................................................................... 76
19.4 CARGAS NA LAJE E NA VIGA .................................................................................................................................. 76
19.5 ESQUEMA ESTÁTICO E VÍNCULOS NOS APOIOS .......................................................................................................... 78
19.6 ESFORÇOS SOLICITANTES NA VIGA .......................................................................................................................... 80
19.7 DIMENSIONAMENTO DAS ARMADURAS LONGITUDINAIS DE FLEXÃO .............................................................................. 82
19.7.1 Armadura Mínima ................................................................................................................................ 82
19.7.2 Armadura de Pele ................................................................................................................................. 82
19.7.3 Momento Fletor Negativo no Apoio Interno P2 ................................................................................... 83
19.7.4 Redistribuição dos Esforços Solicitantes ............................................................................................... 84
19.7.5 Momentos Fletores Negativos nos Apoios Extremos............................................................................ 85
19.7.6 Momentos Fletores Positivos ................................................................................................................ 86
19.8 CÁLCULO DA FLECHA ........................................................................................................................................... 87
19.8.1 Momento Fletor de Fissuração e de Serviço ......................................................................................... 87
19.8.2 Posição da Linha Neutra e Momento de Inércia no Estádio II .............................................................. 88
19.8.3 Rigidez Equivalente............................................................................................................................... 88
19.8.4 Flecha Imediata .................................................................................................................................... 89
19.8.5 Flecha Final ........................................................................................................................................... 90
19.8.6 Flecha Limite ......................................................................................................................................... 91
19.8.7 Contraflecha ......................................................................................................................................... 92
19.8.8 Flecha Determinada no Programa Ftool .............................................................................................. 92
19.9 VERIFICAÇÃO DA FISSURAÇÃO................................................................................................................................ 92
19.10 ARMADURA TRANSVERSAL PARA FORÇA CORTANTE ................................................................................................... 95
19.10.1 Pilar Interno P2 ..................................................................................................................................... 96
19.10.2 Pilares Extremos P1 e P3....................................................................................................................... 97
19.10.3 Detalhamento da Armadura Transversal ............................................................................................. 97
19.11 ANCORAGEM DAS ARMADURAS LONGITUDINAIS ....................................................................................................... 98
19.11.1 Armadura Positiva nos Pilares Extremos .............................................................................................. 98
19.11.2 Armadura Positiva no Pilar Interno P2 ............................................................................................... 101
19.11.3 Armadura Longitudinal Negativa nos Pilares Extremos P1 e P3 ........................................................ 102
19.12 COBRIMENTO DO DIAGRAMA DE MOMENTOS FLETORES........................................................................................... 103
19.13 DESENHO FINAL DA ARMAÇÃO DA VIGA ................................................................................................................ 105
20 PROJETO DA VIGA VS2 ................................................................................................................................... 107
20.1 ESTIMATIVA DA ALTURA E DEFINIÇÃO DA LARGURA ................................................................................................. 107
20.2 VÃOS EFETIVOS ................................................................................................................................................ 108
20.3 INSTABILIDADE LATERAL ..................................................................................................................................... 109
20.4 CARGAS NA LAJE E NA VIGA ................................................................................................................................ 109
20.5 ESQUEMA ESTÁTICO E VÍNCULOS NOS APOIOS ........................................................................................................ 109
20.6 ESFORÇOS SOLICITANTES NA VIGA ........................................................................................................................ 111
20.7 DIMENSIONAMENTO DAS ARMADURAS LONGITUDINAIS DE FLEXÃO ............................................................................ 112
20.7.1 Armadura Mínima .............................................................................................................................. 112
20.7.2 Armadura de Pele ............................................................................................................................... 112
20.7.3 Momento Fletor Negativo no Apoio Interno (P5) ............................................................................... 113
20.7.4 Redistribuição dos Esforços Solicitantes ............................................................................................. 114
20.7.5 Momentos Fletores Negativos nos Apoios Extremos P4 e P6 ............................................................. 115
20.7.6 Momentos Fletores Positivos nos Tramos .......................................................................................... 115
20.8 CÁLCULO DA FLECHA ......................................................................................................................................... 116
20.8.1 Momento Fletor de Fissuração e de Serviço ....................................................................................... 117
20.8.2 Posição da Linha Neutra e Momento de Inércia no Estádio II ............................................................ 118
20.8.3 Rigidez Equivalente............................................................................................................................. 118
20.8.4 Flecha Imediata .................................................................................................................................. 119
20.8.5 Flecha Final ......................................................................................................................................... 120
20.8.6 Flecha Limite ....................................................................................................................................... 121
20.8.7 Contraflecha ....................................................................................................................................... 121
20.8.8 Flecha Calculada no Programa Ftool .................................................................................................. 121
20.9 VERIFICAÇÃO DA FISSURAÇÃO.............................................................................................................................. 122
20.10 ARMADURA TRANSVERSAL PARA FORÇA CORTANTE ................................................................................................. 124
20.10.1 Pilar Interno P5 ................................................................................................................................... 124
20.10.2 Pilar Extremo P6 ................................................................................................................................. 125
20.10.3 Detalhamento da Armadura Transversal ........................................................................................... 125
20.11 ANCORAGEM DAS ARMADURAS LONGITUDINAIS ..................................................................................................... 126
20.11.1 Armadura Positiva no Pilar Extremo P4.............................................................................................. 126
20.11.2 Armadura Positiva no Pilar Interno P5 ............................................................................................... 130
20.11.3 Armadura Negativa nos Pilares Extremos P4 e P6 ............................................................................. 131
20.12 COBRIMENTO DO DIAGRAMA DE MOMENTOS FLETORES........................................................................................... 131
20.13 DESENHO FINAL DA ARMAÇÃO DA VIGA ................................................................................................................ 134
21 PROJETO DE VIGA SOBRE GARAGEM DE SOBRADO ........................................................................................ 135
21.1 ESTIMATIVA DA ALTURA DA VIGA ......................................................................................................................... 136
21.2 VÃOS EFETIVOS ................................................................................................................................................ 137
21.3 INSTABILIDADE LATERAL ..................................................................................................................................... 137
21.4 ESQUEMA ESTÁTICO E VÍNCULOS NOS APOIOS ........................................................................................................ 137
21.5 ESFORÇOS SOLICITANTES NA VIGA ........................................................................................................................ 139
21.6 DIMENSIONAMENTO DAS ARMADURAS LONGITUDINAIS............................................................................................ 139
21.6.1 Armadura Mínima .............................................................................................................................. 139
21.6.2 Armadura de Pele ............................................................................................................................... 139
21.6.3 Momento Fletor Negativo no Apoio Interno (P2) ............................................................................... 140
21.6.4 Momento Fletor Positivo no Tramo 1 ................................................................................................. 140
21.6.5 Momento Fletor Negativo no Apoio Extremo P1 ................................................................................ 141
21.6.6 Momento Fletor Positivo no Apoio Extremo P3 .................................................................................. 141
21.7 CÁLCULO DA FLECHA ......................................................................................................................................... 142
21.7.1 Momento Fletor de Fissuração e de Serviço ....................................................................................... 142
21.7.2 Posição da Linha Neutra e Momento de Inércia no Estádio II ............................................................ 142
21.7.3 Rigidez Equivalente............................................................................................................................. 143
21.7.4 Flecha Imediata .................................................................................................................................. 143
21.7.5 Flecha Final ......................................................................................................................................... 146
21.7.6 Flecha Limite ....................................................................................................................................... 147
21.7.7 Contraflecha ....................................................................................................................................... 147
21.7.8 Flecha Calculada no Programa Ftool .................................................................................................. 147
21.8 VERIFICAÇÃO DA FISSURAÇÃO.............................................................................................................................. 148
21.9 DIMENSIONAMENTO DA ARMADURA TRANSVERSAL ................................................................................................. 151
21.10 ANCORAGEM DAS ARMADURAS LONGITUDINAIS ..................................................................................................... 152
21.10.1 Armadura Positiva no Pilar Extremo P1 .............................................................................................. 152
21.10.2 Armadura Positiva no Pilar Interno P2 ............................................................................................... 156
21.10.3 Armadura Negativa no Pilar Extremo P1 ............................................................................................ 156
21.10.4 Cobrimento do Diagrama de Momentos Fletores .............................................................................. 157
21.10.5 Desenho Final da Armação da Viga .................................................................................................... 158
REFERÊNCIAS........................................................................................................................................................... 159
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR ............................................................................................................................. 160
ANEXO I – TABELAS ................................................................................................................................................. 161
ANEXO II – CÁLCULO DAS CARGAS NA VIGA COM LAJES MACIÇAS .......................................................................... 170
ANEXO III – CÁLCULO DE CARGA DE LAJES PRÉ-FABRICADAS UNIDIRECIONAIS SOBRE VIGAS LATERAIS (NA DIREÇÃO
DAS VIGOTAS DA LAJE)............................................................................................................................................ 172
ANEXO IV – CÁLCULO DOS MOMENTOS FLETORES NA LIGAÇÃO DA VIGA VS1 COM OS PILARES EXTREMOS
CONFORME AS EQUAÇÕES DA NBR 6118 ................................................................................................................ 172
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 1
1 INTRODUÇÃO
Este texto apresenta alguns itens da NBR 6118/20231 relativos a vigas contínuas de Concreto
Armado.2 A norma foi publicada em agosto de 2023 e substituiu a versão anterior, de 2014.
2 DEFINIÇÃO
Vigas são “Elementos lineares3 em que a flexão é preponderante.” (NBR 6118, item
[Link]), ver Figura 1. A principal função das vigas é a de transferir as cargas de um vão para os
apoios.
3 MODELOS ESTRUTURAIS
1
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Projeto de estruturas de concreto, NBR 6118. ABNT, 2023, 242p.
2
Outras apostilas também abordam assuntos relativos a vigas de Concreto Armado e podem ser visualizadas em:
[Link]/pbastos
3
Elementos lineares podem ser definidos como aqueles em que o comprimento longitudinal supera em pelo menos três vezes a maior
dimensão da seção transversal, sendo também denominados “barra”.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 2
Um modelo procura simular o comportamento da estrutura diante das ações que atuam na
edificação, de vários tipos e origens, como cargas verticais, forças do vento, de tremores de terra,
etc., e também aquelas causadas por variação de temperatura, retração do concreto, etc.
Neste texto apresenta-se um modelo simples que possibilita o cálculo manual de vigas de
edificações de pequeno porte. É muito útil na aprendizagem inicial do projeto de vigas, e serve como
base para o entendimento de modelos mais sofisticados, aplicados com programas computacionais a
estruturas de edificações de pequeno ou grande porte, e alto número de pavimentos.
O modelo estrutural é uma simulação da estrutural real, e por mais sofisticado que seja,
sempre é uma simulação. Por exemplo, uma edificação simples de dois pavimentos (sobrado), como
mostrada na Figura 2, com a estrutura do pavimento superior concebida com os três elementos
estruturais básicos (lajes, vigas e pilares), conforme a planta de fôrma mostrada na Figura 3. Para a
estrutura do sobrado vários modelos estruturais são possíveis, sendo que um modelo muito
sofisticado, atualmente empregado pelos programas computacionais de projeto estrutural, é o
tratamento das vigas e pilares formando um pórtico espacial (Figura 4). Com essa concepção
estrutural são determinados os esforços solicitantes, os giros e deslocamentos nas vigas e pilares, e a
Estabilidade Global.
pilar viga
cobertura
superior
térreo
Figura 2 – Esquema da estrutura convencional para uma edificação de dois pavimentos (sobrado).
45
16
284
L3 L4
VS4 (19 x 45)
P7 P8 19/30 P9 19/19
19/19
719 719
Figura 3 – Planta de fôrma do pavimento superior de uma edificação de dois pavimentos, com sistema
estrutural tradicional (lajes, vigas e pilares).
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 3
viga
pilar
Figura 4 – Modelo estrutural na forma de pórtico espacial para simular a estrutura real da edificação.
Este modelo é antigo, do século passado, onde cada elemento estrutural (laje, viga e pilar) é
analisado e dimensionado de maneira individual, separado dos demais elementos que compõem a
estrutura real,5 como mostrado na Figura 5. De modo geral os elementos estruturais são
dimensionados conforme o caminhamento das cargas verticais até as fundações, ou seja, das lajes
para as vigas, aos pilares e às fundações (Figura 6 e Figura 7). Portanto, primeiro são projetadas as
lajes, em seguida as vigas, os pilares e os elementos da fundação. É o modelo mais simples, fácil de
compreender, mas com a menor representatividade do trabalho conjunto e real da estrutura. No
entanto, não pode por isso ser desprezado, pois foi o mais tradicional e utilizado no século passado,
que proporcionou projetos de edificações seguras e eficientes atuando em serviço até os dias de hoje.
viga contínua
p = 25,04 kN/m
tramo 1 tramo 2
719 cm 719
Figura 5 – Estrutura convencional (lajes, vigas e pilares) e modelo estrutural
com elementos individualizados.
As lajes maciças eram calculadas manualmente, com auxílio de tabelas desenvolvidas com
base na Teoria da Elasticidade, como de Bares, Czerny, Hahn, etc., ou com as tabelas de Marcus,
4
Para um maior conhecimento sobre o projeto de estruturas de concreto recomendamos a leitura dos livros de Fusco (1976), que
apresenta os modelos estruturais usualmente aplicados no século passado, indicados no cálculo manual, e o de Kimura (2007), que
apresenta os modelos estruturais utilizados na atualidade, os quais exigem programas computacionais.
5
Este ainda é o modelo geralmente estudado nos cursos de graduação, pela sua simplicidade por fornecer uma boa base para o
entendimento de estruturas mais sofisticadas e dos programas computacionais para projeto.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 4
desenvolvidas segundo a analogia de laje como grelha.6 No caso de lajes pré-fabricadas eram
utilizadas tabelas dos fabricantes.7
Nas edificações de pequeno porte são mais comuns as lajes pré-fabricadas, e nas de médio e
grande porte as lajes maciças e nervuradas.
As lajes apoiam-se preferencialmente sobre vigas no contorno. No caso de lajes maciças as
cargas são distribuídas às vigas de apoio segundo o critério de área de influência, conforme o item
[Link] da NBR 6118. No caso de lajes pré-fabricadas, geralmente com vigotas em uma única
direção (unidirecionais, na direção do menor vão), as cargas sobre as vigas de apoio são
determinadas em função do esquema estático das vigotas, conforme opção do projetista
(consideradas biapoiadas ou engastadas sobre as vigas de apoio).
As vigas são usualmente projetadas por meio de modelos simplificados, como aquele
apresentado no item [Link] da NBR 6118, como viga contínua sobre apoios simples ou engastes
(perfeitos ou elásticos). Assim são determinados os esforços solicitantes, as flechas e as armaduras
(Figura 5).
laje maciça
viga
pilar
Figura 6 – Caminhamento das cargas verticais no sistema estrutural individualizado com laje maciça.
As cargas das vigas são transferidas para os pilares de apoio, que ficam submetidos a cargas
verticais e momentos fletores de 1a ordem. Os pilares são dimensionados conforme o item 17 da
NBR 6118.
6
As tabelas foram desenvolvidas de modo geral para lajes com forma retangular. No caso de formas poligonais os projetistas usavam
métodos manuais simplificados para projeto.
7
Hoje também existem disponíveis programas computacionais específicos. O engenheiro projetista da estrutura deve conferir as
especificações das lajes escolhidas via tabelas ou programas dos fabricantes. O ideal é que as características das lajes constem do
projeto estrutural que desenvolve, e não fiquem apenas a critério dos executores da edificação e dos fornecedores das lajes.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 5
laje pré-fabricada
vigota
pilar
Figura 7 – Caminhamento das cargas verticais no sistema estrutural individualizado com laje pré-fabricada.
Kimura (2007) apresenta alguns motivos para que hoje o modelo não seja mais utilizado em
estruturas que não sejam simples, como por exemplo a não interação entre os elementos, ligações
articuladas entre vigas e pilares,8 necessidade das lajes devem terem geometria regular (não
poligonal), o fato da distribuição das cargas nas vigas por área de influência da laje ser válida apenas
para lajes regulares, e que as cargas horizontais (vento por exemplo) não são considerados no
modelo. No entanto, como o modelo é simples, pode ser utilizado para a validação de resultados de
modelos sofisticados.
Este modelo representa uma ligação mais realista entre as vigas e os pilares em relação ao
modelo anterior, porque as vigas são calculadas em conjunto com os pilares de apoio, ocorrendo
assim uma melhor interação, como a transferência de momentos fletores para os pilares, além das
cargas verticais (Figura 8). O modelo é chamado “pórtico H”, é simples e de fácil compreensão, mas
requer o uso de um programa computacional de pórtico plano.
simulação
8
A estrutura real das edificações moldadas no local em Concreto Armado apresenta forte ligação entre as lajes, vigas, pilares e
fundações. Essa ligação não é levada em consideração entre as lajes e as vigas. No entanto, no caso da ligação das vigas com o pilares,
é possível melhorar o modelo com a consideração de engastes elásticos (ou parciais), por meio de rigidez de mola, que proporcionam a
transferência de momentos fletores das vigas aos pilares. Embora neste caso seja recomendado o uso de um programa computacional
para o cálculo dos esforços solicitantes e flechas na viga, como por exemplo o programa FTOOL.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 6
O modelo também pode ser aplicado a estruturas de vários pavimentos, sob atuação de ações
horizontais e verticais. As vigas dos pavimentos são analisadas em conjunto com os pilares, ao longo
da altura do edifício, na forma de pórtico plano (Figura 9). É um modelo que também necessita de
programa computacional de pórtico plano, o qual possibilita obter os esforços solicitantes nas
extremidades das barras (momentos fletores, forças normais e forças cortantes), além de reações de
apoio nas fundações e deslocamentos horizontais e verticais nas vigas e pilares (flechas e rotações de
apoios). Ações horizontais podem ser aplicadas, como forças do vento, por exemplo.
simulação
Neste modelo as vigas de um pavimento são analisadas em conjunto, como uma grelha. A
vantagem é que possibilita a interação entre as diversas vigas, que são consideradas como barras da
grelha (Figura 10). As cargas verticais sobre as barras advêm das lajes e de paredes sobre as vigas.
As características das vigas são consideradas nas propriedades das barras, como a área da seção
transversal e os materiais. A grelha pode ser aplicada de maneira simples com uso de um programa
livre de grelha, e possibilita obter os esforços solicitantes nas extremidades das barras (momentos
fletores e torçores e forças cortantes, além de reações de apoio e flechas e rotações de apoios). As
ações horizontais não são possíveis de análise com este modelo, o que pode ser contornado com a
aplicação conjunta com um programa de pórtico plano. Uma interação com os pilares também pode
ser obtida fazendo os apoios (pilares) como engastes parciais.
carga de laje
barra
nó
apoio
O conjunto formado por vigas e lajes de um pavimento é analisado como grelha, sendo feita
uma analogia de cada elemento (viga ou laje) como um conjunto de barras da grelha (Figura 11). As
barras simulam as lajes e vigas por meio de propriedades, determinadas conforme a área da seção
transversal e dos materiais. Diferentes tipos de lajes podem ser aplicadas. Os resultados são aqueles
proporcionados pela grelha, como os esforços solicitantes, flechas e rotações das barras. Há uma
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interação muito boa entre as diversas lajes e vigas do pavimento, e os esforços solicitantes são função
das rigidezes das barras. Engastes parciais nos apoios também podem ser utilizados. Ações
horizontais não podem ser aplicadas, sendo necessária a aplicação também do pórtico plano.9
barra de laje
barra
de viga
nó apoio
O modelo é a analogia com o pórtico, mas agora tridimensional (ou espacial), onde todas as
vigas e pilares da estrutura da edificação são simuladas por meio de barras do pórtico (Figura 12),
com propriedades para cada uma delas determinadas em função da área da seção transversal e dos
materiais. O modelo permite a aplicação simultânea de cargas verticais e ações horizontais.
As lajes dos pavimentos não compõem o pórtico, mas formam o chamado diafragma rígido,
que é um elemento de rigidez infinida no seu plano, que compatibiliza os deslocamentos horizontais
ao nível de cada pavimento. O aspecto interessante é que o modelo fornece os esforços solicitantes
de momentos fletores e torçores, forças normais e cortantes, nas vigas e pilares, bem como os
deslocamentos das barras e dos nós.
O modelo também facilita o entendimento do comportamento global da estrutura, isto é,
permite a análise da chamada Estabilidade Global da estrutura. É o modelo com o melhor
comportamento, aquele que mais se aproxima da estrutura real, pois há uma interação muito boa
entre as vigas e pilares de todos os pavimentos, com os esforços solicitantes e deslocamentos sendo
função das rigidezes das barras.
É o modelo mais usual nos escritórios de projeto estrutural, aplicado por meio de programas
computacionais comerciais. Pode ser aplicado tanto em estruturas de pequeno como de médio e
grande porte (edifícios altos), e com protensão no plano das lajes (pavimentos). No entanto, é mais
complexo e exige o conhecimento da análise de pórtico espacial e uso de programa computacional
sofisticado.
Os programas computacionais atuais, específicos para projeto estrutural, fazem uma
combinação dos modelos apresentados, sendo mais comum o pórtico espacial em conjunto com a
grelha de lajes e vigas. O primeiro proporciona o projeto das vigas e pilares, e o último o projeto das
lajes (Figura 13).
9
Há também a analogia das vigas e lajes de um pavimento por meio do chamado Método dos Elementos Finitos.
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viga
pilar
simulação
b) pórtico espacial.
Figura 13 – Modelos combinados de grelha de lajes e vigas e pórtico espacial.
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4 ANÁLISE ESTRUTURAL
No item 1410 a NBR 6118 apresenta uma série de informações relativas à Análise Estrutural,
como princípios gerais, hipóteses, tipos, etc., de elementos lineares e de superfície, além de vigas-
parede, pilares-parede e blocos. Segundo o item 14.2.1, “O objetivo da análise estrutural é
determinar os efeitos das ações em uma estrutura, com a finalidade de efetuar verificações dos
estados-limites últimos e de serviço. A análise estrutural permite estabelecer as distribuições de
esforços internos, tensões, deformações e deslocamentos, em uma parte ou em toda a estrutura.”
E no item item 14.2.2: “A análise estrutural deve ser feita a partir de um modelo estrutural
adequado ao objetivo da análise. Em um projeto pode ser necessário mais de um modelo para
realizar as verificações previstas nesta Norma. O modelo estrutural11 pode ser idealizado como a
composição de elementos estruturais básicos, conforme definido em 14.4, formando sistemas
estruturais resistentes que permitam representar de maneira clara todos os caminhos percorridos
pelas ações até os apoios da estrutura.
O modelo deve representar a geometria dos elementos estruturais, os carregamentos
atuantes, as condições de contorno, as características e respostas dos materiais, sempre em função
do objetivo específico da análise. A resposta dos materiais pode ser representada por um dos tipos
de análise estrutural apresentados em 14.5.1 a 14.5.5.
Análises locais complementares também devem ser efetuadas quando a não linearidade
introduzida pela fissuração for importante, como, por exemplo, na avaliação das flechas.”
No item 14.5 a NBR 6118 apresenta cinco métodos que podem ser aplicados na análise
estrutural em projeto, “que se diferenciam pelo comportamento admitido para os materiais
constituintes da estrutura, não perdendo de vista em cada caso as limitações correspondentes.” Os
métodos de análise “admitem que os deslocamentos da estrutura são pequenos.”
Conforme o item 14.5.3 da NBR 6118: “Na análise linear com redistribuição, os efeitos das
ações, determinados em uma análise linear, são redistribuídos na estrutura, para as combinações de
10
O item 14 contém diversas outras informações não apresentadas neste texto.
11
“No caso de modelos baseados no método dos elementos finitos, diferenças finitas ou analogia de grelha, entre outros, a
discretização da estrutura deve ser suficiente para não trazer erros significativos para a análise. Em casos mais complexos, a
interação solo-estrutura deve ser contemplada pelo modelo. No caso de estruturas protendidas, a análise estrutural deve considerar a
migração da protensão para elementos adjacentes. Para minimizar tal efeito, pode-se diminuir a rigidez desses elementos ou usar
procedimentos construtivos, de modo a garantir a deslocabilidade adequada à realização efetiva da protensão. Análises locais
complementares devem ser efetuadas nos casos em que a hipótese da seção plana não se aplica (ver Seções 21 e 22).” (NBR 6118,
item 14.2.2).
12
Usaremos a palavra “ductilidade” porque dutilidade não consta em dicionários de português.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 10
Conforme o item 14.5.4 da NBR 6118: “A análise estrutural é denominada plástica quando
as não linearidades puderem ser consideradas, admitindo-se materiais de comportamento rígido-
plástico perfeito ou elastoplástico perfeito. Este tipo de análise deve ser usado apenas para
verificações de ELU.” A Figura 14 e a Figura 15 ilustram os diagramas tensão-deformação dos dois
materiais.
y
y y
Conforme o item 14.5.5 da NBR 6118: “Na análise não linear, considera-se o
comportamento não linear geométrico e dos materiais. Toda a geometria da estrutura, bem como
todas as suas armaduras, precisam ser conhecidas para que a análise não linear possa ser efetuada,
pois a resposta da estrutura depende de como ela foi armada.
Condições de equilíbrio, de compatibilidade e de dutilidade devem ser necessariamente
satisfeitas. Análises não lineares podem ser adotadas tanto para verificações de estados-limites
últimos como para verificações de estados-limites de serviço.
Para análise de esforços solicitantes no estado-limite último, os procedimentos aproximados
definidos na Seção 15 podem ser aplicados.”
Segundo o item 14.5.6 da NBR 6118: “Na análise através de modelos físicos, o
comportamento estrutural é determinado a partir de ensaios realizados com modelos físicos de
concreto, considerando os critérios de semelhança mecânica. A metodologia empregada nos
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experimentos deve assegurar a possibilidade de obter a correta interpretação dos resultados. Neste
caso, a interpretação dos resultados deve ser justificada por modelo teórico de equilíbrio nas seções
críticas e análise estatística dos resultados.
Se for possível uma avaliação adequada da variabilidade dos resultados, pode-se adotar as
margens de segurança prescritas nesta Norma, conforme as Seções 11 e 12. Caso contrário, quando
só for possível avaliar o valor médio dos resultados, deve ser ampliada a margem de segurança
referida nesta Norma, cobrindo a favor da segurança as variabilidades avaliadas por outros meios.
Obrigatoriamente, devem ser obtidos resultados para todos os estados-limites últimos e de
serviço a serem empregados na análise da estrutura.
Todas as ações, condições e possíveis influências que possam ocorrer durante a vida da
estrutura devem ser convenientemente reproduzidas nos ensaios.
Esse tipo de análise é apropriado quando os modelos de cálculo são insuficientes ou estão
fora do escopo desta Norma. Para o caso de provas de carga, devem ser atendidas as prescrições da
Seção 25.”
No item 14.6 a NBR 6118 apresenta as hipóteses básicas para estruturas de elementos
lineares: “Estruturas ou partes de estruturas que possam ser assimiladas a elementos lineares
(vigas, pilares, tirantes, arcos, pórticos, grelhas, treliças) podem ser analisadas admitindo-se as
seguintes hipóteses:
a) manutenção da seção plana após a deformação;
b) representação dos elementos por seus eixos longitudinais;
c) comprimento limitado pelos centros de apoios ou pelo cruzamento com o eixo de outro elemento
estrutural.”
No item 14.6.4 (“Análise linear com ou sem redistribuição”) a NBR 6118 apresenta diversas
informações que se aplicam a estruturas de elementos lineares onde se considera a análise linear,
com ou sem redistribuição dos efeitos das ações para a estrutura, determinados para as combinações
de carregamento do Estado-Limite Último (ELU). O item contém informações importantes relativas
às vigas e são aqui apresentadas.
5.1 Rigidez
“Para o cálculo da rigidez dos elementos estruturais, permite-se, como aproximação, tomar
o módulo de elasticidade secante (Ecs) (ver 8.2.8) e o momento de inércia da seção bruta de
concreto. Para verificação das flechas, devem obrigatoriamente ser consideradas a fissuração e a
fluência, usando, por exemplo, o critério de [Link].” (NBR 6118, [Link]).
Os momentos fletores negativos nos pilares internos de vigas contínuas resultam geralmente
muito maiores que os momentos fletores positivos nos tramos, o que não é favorável no projeto das
vigas. Por isso, uma redução dos momentos fletores negativos, com o consequente aumento dos
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momentos fletores positivos, que resulte em uma menor diferença entre os momentos fletores
negativos e positivos, pode ser muito interessante, pois leva a seções transversais menores e vigas
mais econômicas. A NBR 6118 permite que o momento fletor negativo no apoio interno seja
reduzido em até 25 %13 (ver Eq. 2).
A Figura 16 mostra a redução do momento fletor negativo no apoio interno da viga (de M( )
para M( )red), também chamada plastificação do momento fletor no apoio. A redução causa uma
redistribuição dos esforços solicitantes na viga, e alterações nas reações de apoio, nos deslocamentos
verticais e giros nos apoios, que devem ser considerados no projeto da viga14 (ver item 4.2, que
apresenta as prescrições da NBR 6118 para a “Análise Linear com Redistribuição”).
(-)
M
M(-)red
linha de fecho
(+)
Acréscimo no momento positivo ( M )
- Acréscimo no momento positivo
(+)
( M )
(+)
+ M
(+)
Plastificação do momento negativo M +
até o limite de 25 %
Quando o momento fletor negativo é de equilíbrio, como no caso de vigas em balanço por
exemplo, a plastificação ou redução do momento fletor não é permitida.
Conforme a NBR 6118 (item [Link]): “Quando for efetuada uma redistribuição, reduzindo-
se um momento fletor de M para M, em uma determinada seção transversal, a profundidade da
linha neutra nessa seção x/d, para o momento reduzido M, deve ser limitada por:
Pode ser adotada redistribuição fora dos limites estabelecidos nesta Norma, desde que a
estrutura seja calculada mediante o emprego de análise não linear ou de análise plástica, com
verificação explícita da capacidade de rotação das rótulas plásticas.”
Quando não é feita a redução e redistribuição de momentos fletores, ainda assim a NBR 6118
apresenta limites para garantir condições de ductilidade às vigas e lajes, afirmando que “A
capacidade de rotação dos elementos estruturais é função da posição da linha neutra no ELU.
Quanto menor for x/d, tanto maior será essa capacidade. Para proporcionar o adequado
comportamento dútil em vigas e lajes, a posição da linha neutra no ELU deve obedecer aos
seguintes limites:
13
Na versão de 1978 da norma (NB1/78) era permitido reduzir o momento fletor negativo em até 15 %.
14
A redução do momento fletor negativo no apoio interno é uma opção que o projetista tem no projeto da viga, não sendo obrigatória.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 13
Esses limites podem ser alterados se forem utilizados detalhes especiais de armaduras,
como, por exemplo, os que produzem confinamento nessas regiões.”
a) não podem ser considerados momentos positivos menores que os que se obteriam se houvesse
engastamento perfeito da viga nos apoios internos; (Figura 17);
vão extremo
M1,i M 3,i
vão interno
M 2,i
MB MC MD
MA
Esta verificação é particularmente importante no caso de vigas contínuas com vãos nos
tramos muito desiguais. Por exemplo, no caso de uma viga com vão pequeno no tramo extremo, os
momentos fletores positivos podem se situar somente nas proximidades do engaste elástico, e o
máximo ser de baixa intensidade (Figura 18). Neste caso a norma exige a consideração de um
momento fletor positivo mínimo para o tramo, conforme indicado na Figura 17. A ausência de
momento fletor positivo é comum no caso de viga com um tramo interno com vão pequeno,
relativamente aos vãos dos tramos adjacentes (Figura 18).
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 14
M máximo positivo no
apoio
ausência de momento
fletor positivo
Figura 18 – Dois casos de viga contínua onde o momento fletor positivo pode não existir
em um tramo ou ser de baixa intensidade.
“b) quando a viga for solidária com o pilar intermediário e a largura do apoio, medida na direção
do eixo da viga, for maior que a quarta parte da altura do pilar, não pode ser considerado o
momento negativo de valor absoluto menor do que o de engastamento perfeito nesse apoio;” (Figura
19);
b int
engaste perfeito
apoio simples
ef ef
para bint e/4
Figura 19 – Condições para vinculação nos apoios internos de vigas contínuas, com e sendo
a altura do pilar (ou o comprimento equivalente).
Quando um pilar interno tem dimensão elevada na direção do eixo longitudinal da viga, pode
ocorrer bint > e/4, e neste caso os dois tramos devem ser engastados no pilar (Figura 20). O diagrama
de momentos fletores negativos no pilar interno pode ser arredondado conforme apresentado na NBR
6118 (ver item 8).15
15
A critério do projetista uma única armadura negativa de flexão pode ser definida para os dois tramos, calculada com o maior
momento fletor negativo, principalmente se os momentos fletores não forem muito diferentes.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 15
M1
M2
- -
+ +
“c) quando não for realizado o cálculo exato da influência da solidariedade dos pilares com a viga,
deve ser considerado, nos apoios extremos, momento fletor igual ao momento de engastamento
perfeito multiplicado pelos coeficientes estabelecidos nas seguintes relações:” (ver Eq. 4, Eq. 5 e Eq.
6).
Este item refere-se à ligação de vigas com os pilares extremos, sendo muito útil no cálculo
manual de vigas e pilares. Como mostrado na Figura 21a, na definição do esquema estático das vigas
inicialmente consideram-se os pilares extremos como apoios simples, e os pilares internos seguem a
regra do item b (apoio simples ou engaste perfeito, Figura 19). Os momentos fletores são então
determinados e traçados para a viga esquematizada (Figura 21b). No entanto, falta neste esquema
considerar a solidariedade da viga com os pilares extremos, isto é, o trabalho conjunto da viga com
os pilares, ou o trabalho como pórtico.
A solidariedade da viga com os pilares extremos é obtida de maneira simplificada, de modo
muito simples. O tramo da viga adjacente ao pilar extremo é feito biengastado e proporciona o
momento de engastamento perfeito no pilar extremo (Meng , Figura 21c). Este momento fletor é
aplicado no nó viga-pilar extremo (Figura 22) e se redistribui conforme as rigidezes das barras
representativas da viga e dos lances superior e inferior do pilar. O momento fletor na viga, na ligação
com o pilar (Mvig , Figura 21d) é dado pela equação da norma:
rinf rsup
M vig M eng Eq. 4
rvig rinf rsup
Na sequência, para maior precisão as vigas podem ser projetadas com os esforços solicitantes
(M e V) recalculados impondo-se os momentos fletores (Mvig) nos apoios extremos.
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Mlig
Mlig -
- -
b) MMd d
+ +
c)
Meng - -
+
d)
M
Mlig - Mvig
vig
- -
+ +
Meng - -
+
Msup /2 i+1
lance superior
Msup
viga Minf pav. i
Msup viga
Meng Mvig
Minf
i 1
Minf /2
Figura 22 – Momentos fletores no pilar extremo devidos à ligação da viga com o pilar no pavimento i,
conforme critério simplificado da NBR 6118.
16
Fusco utiliza essas equações no dimensionamento de pilares e apresenta exemplos numéricos no livro: FUSCO, P.B. Estruturas de
concreto - Solicitações normais. Rio de Janeiro, Ed. Guanabara Dois, 1981, 464p.
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rsup
Msup Meng Eq. 5
rvig rinf rsup
rinf
Minf Meng Eq. 6
rvig rinf rsup
O comprimento i para a viga é o vão efetivo entre o pilar extremo e o apoio interno, e para o
pilar i é tomado como a metade da altura do lance do pilar (NBR 6118, item [Link]). É tomada a
metade da altura porque para o pilar supõe-se a linha deformada mostrada na Figura 23.
pav. i + 1
sup /2
lance superior
=
sup
i,sup sup
_____ vínculo fictício
2
sup /2
viga
viga pav. i
/2
pilar extremo
i,inf
= _____
inf
inf
2
inf
vínculo fictício
/2
lance inferior
inf
pav. i 1
vig
Figura 23 – Comprimento i nos pilares extremos (ver Figura 14.8 da NBR 6118).
Devido à continuidade do pilar ao longo dos pavimentos, os momentos fletores (Msup e Minf)
de um pavimento propagam-se para os pavimentos acima e abaixo (Figura 24). No caso de
pavimentos tipos os momentos fletores nos lances superior e inferior são iguais.
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M lig M sup
M i,sup + 21 M(i + 1),inf tipo ii
nível
M inf
Figura 24 – Momentos fletores na viga e no pilar extremo e superposição dos momentos fletores
no pilar em pavimentos tipos de edifício. (Fusco, 1981)
Como comentado, o método de cálculo com aplicação da Eq. 4, Eq. 5 e Eq. 6 é simples de ser
feito e não requer computadores e programas. E como opção, no item [Link] a NBR 6118 fornece
um outro procedimento que pode ser aplicado: “Alternativamente, o modelo de viga contínua pode
ser melhorado, considerando-se a solidariedade dos pilares com a viga, mediante a introdução da
rigidez à flexão dos pilares extremos e intermediários.” E ainda: “A adequação do modelo
empregado deve ser verificada mediante análise cuidadosa dos resultados obtidos. Cuidados devem
ser tomados para garantir o equilíbrio de momentos nos nós viga-pilar, especialmente nos modelos
mais simples, como o de vigas contínuas.”
O modelo da Figura 21 é alterado substituindo-se o apoio simples pelo engaste elástico nos
pilares extremos, com a opção de aplicar também nos pilares internos17 (Figura 25).
p = 25,04 kN/m
pilar extremo pilar extremo
pilar interno
tramo 1 P5 tramo 2 P6
engaste elástico apoio simples, engaste perfeito
engaste elástico
719 cm ou engaste elástico 719
A rigidez à flexão de pilares como engastamento elástico na ligação viga-pilar pode ser
analisada por meio da rigidez à flexão da mola (Kmola):18
sendo a rigidez à flexão função dos vínculos (apoio simples ou engaste perfeito) nas extremidades da
barra (pilar), Figura 26:
17
Nos pilares internos pode-se aplicar o engaste elástico ou o critério mostrado no item b (apoio simples ou engaste perfeito).
18
Este procedimento oferece dificuldade no cálculo manual.
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3EI 4EI
Kp Eq. 9 Kp Eq. 10
No caso do pilar apresentar curvatura reversa conforme mostrada na Figura 27, a rigidez dos
lances superior e inferior pode ser avaliada como barra biarticulada, com o coeficiente 3 (Eq. 9).
Sendo os lances com as mesmas características (seção transversal, concreto, altura, etc.), tem-se
Kp,sup = Kp,inf , o que ocorre em pavimentos tipos de edifícios.
pav. tipo i + 1
3EI 3EI
K mola K p,sup K p,inf Eq. 11
/2 /2
lance superior
/2 6EI
K mola Eq. 12
/2
lance inferior
pav. tipo i - 1
Se a viga não tem de flecha elevada no tramo adjacente ao pilar extremo e se deseja a atuação
de momentos fletores menores no pilar, a critério do projetista pode ser considerada uma curvatura
diferente para o pilar extremo, como mostrada na Figura 28. No caso de edificação de dois
pavimentos por exemplo, as rigidezes dos lances superior e inferior podem ser avaliadas como barras
biarticuladas ficando (ver Eq. 9):19
19
Esta solução fornece rigidez de mola menor que aquela calculada com a Eq. 11, e consequentemente momentos fletores menores no
pilar (Minf e Msup) e na ligação da viga com o pilar (M vig). Por outro lado a flecha na viga resulta maior no tramo adjacente ao pilar
extremo.
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cobertura
superior
com tomado igual à altura do
viga
pilar.
lance inferior
pav. térreo
tipo i + 1
3rinf 3rsup
M vig Meng Eq. 14
lance superior 4rvig 3rinf 3rsup
/2
3rsup
tipo i Msup Meng Eq. 15
viga 4rvig 3rinf 3rsup
/2
3rinf
Minf Meng
4rvig 3rinf 3rsup
lance inferior
tipo i - 1 Eq. 16
com /2 devido à curvatura reversa do
pilar extremo pilar intermo pilar.
Figura 29 – Equações da norma para cálculo dos momentos fletores atuantes no pilar extremo com a
rigidez da mola considerada com o pilar como barra biarticulada na altura /2.
Conforme a NBR 6118 ([Link]), “Os pavimentos dos edifícios podem ser modelados como
grelhas, para o estudo das cargas verticais, considerando-se a rigidez à flexão dos pilares de
maneira análoga à que foi prescrita para as vigas contínuas. De maneira aproximada, nas grelhas e
nos pórticos espaciais, pode-se reduzir a rigidez à torção das vigas por fissuração, utilizando-se 15
% da rigidez elástica, exceto para os elementos estruturais com protensão limitada ou completa
(classes 2 ou 3).
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Conforme a NBR 6118 (14.6.3), “O diagrama de momentos fletores pode ser arredondado
sobre os apoios e pontos de aplicação de forças consideradas concentradas e em nós de pórticos.
Esse arredondamento pode ser feito de maneira aproximada, conforme indicado na Figura 14.6.”
Ver Figura 30 e os valores seguintes:
R2 R1
M t Eq. 17
4
t
M1 R1 Eq. 18
4
t
M2 R2 Eq. 19
4
t
M' R Eq. 20
8
M M2 M'
M1 M'
M2
M1
t/2
/2 t/2
/2 t
R1 R 2
R
Figura 30 – Arredondamento de diagrama de momentos fletores (Figura 14.6 da NBR 6118).
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9 VÃO EFETIVO
O vão efetivo de vigas e lajes pode ser calculado pela expressão (NBR 6118, [Link]):
ef = 0 + a1 + a2 Eq. 21
t1 / 2 t2 / 2
com: a1 e a2
0,3 h 0,3 h
t1 t2
a1 a2
ef
vão efetivo
10.1 Largura
De modo geral procura-se fazer com que os elementos estruturais, principalmente vigas e
pilares, não fiquem visíveis ou aparentes na edificação, e para isso eles devem ficar embutidos nas
paredes divisórias ou de vedação da edificação. Para que isso ocorra a largura das vigas deve ser
escolhida em função da espessura final da parede na qual ela ficará embutida, ou seja, depende
basicamente das dimensões e da posição de assentamento das unidades de alvenaria da parede (tijolo
maciço, bloco furado, bloco de concreto, etc.), e da espessura da argamassa de revestimento
(reboco), nos dois lados da parede.21
Deve ser feita uma diferenciação entre edificação de pequeno e de grande porte, porque nas
de pequeno porte, geralmente as paredes são elevadas antes da execução das vigas e pilares (Figura
32). Quando a viga é executada sobre a parede já feita, o ideal é que a largura da viga coincida com a
largura da unidade de alvenaria da parede (bloco ou tijolo), pois assim as tábuas da fôrma da viga
podem ser simplesmente apoiadas nas superfícies laterais da unidade de alvenaria (Figura 32).22 No
20
Por simplicidade os dois apoios do tramo estão assumidos como simples e fixos.
21
O revestimento com argamassa tem usualmente a espessura de 1,5 cm a 2,0 cm, e quando com gesso em torno de 5 a 6 mm.
22
No caso de necessidade de uma maior largura para a viga, uma ripa ou sarrafo pode ser unido às tábuas na região em que se apoiam
na superfície da unidade de alvenaria.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 23
caso da viga não ter parede embaixo, há liberdade para escolha da largura, sendo geralmente neste
caso condicionada pela largura comercial de tábuas, do projeto da fôrma (se existir), e da largura dos
pilares de apoio da viga.
viga
vigota treliçada
de concreto
tábua
argamassa de
assentamento bloco cerâmico furado
da parede já executada
largura do
bloco
Figura 32 Execução de lajes e viga após a parede já construída, em edificação de pequeno porte.
Nas edificações de grande porte a estrutura é construída por meio unicamente de fôrmas,
antes da execução das paredes. No entanto, a escolha da largura continua dependente da largura da
parede embaixo da viga, no caso dela existir (Figura 33).
concreto
viga
sarrafo
compensados
da fôrma
escoramento
vertical
espaço da
parede a ser escoramento
construída vertical
Figura 33 Execução de lajes maciças e viga em edificação de grande porte, antes da execução da parede.
Na versão de 2003 da NBR 6118 a largura mínima para os pilares era de 12 cm, e por isso nas
edificações de pequeno porte era comum fazer as vigas com 12 cm de largura (b w), quando
embutidas em paredes de “meio tijolo”. Na versão de 2014 a NBR 6118 elevou a largura mínima dos
pilares para 14 cm,23 de modo que as vigas e os pilares vêm sendo projetados com largura de 14 cm,
embutidos em paredes construídas com blocos com essa largura. Podem ser utilizados blocos
cerâmicos com furos na direção horizontal24 ou vertical25, com uma dimensão sendo 14 cm (Figura
34), ou blocos de concreto (furos verticais) com largura de 14 cm.26
No caso de paredes de “um tijolo” é comum o uso de blocos cerâmicos ou de concreto com
largura de 19 cm, de modo que nas edificações de pequeno porte as vigas são projetadas também
com largura de 19 cm. Nessas edificações é comum a utilização do bloco cerâmico com furos
horizontais, assentados “deitados”, segundo a largura de 19 cm, como mostrado na Figura 32 e
Figura 35a. Também podem ser utilizados blocos com furos verticais com largura de 19 cm (Figura
35b). No caso de edifícios de vários pavimentos, como as paredes são construídas após a execução
das vigas, é comum as vigas e os pilares terem largura de 19 ou 20 cm.
Em resumo:
a) no caso de paredes de “meio tijolo” é comum utilizar blocos com largura de 14 cm, e as vigas
também com largura de 14 cm, tanto em edificações de pequeno quanto de grande porte;
b) para paredes de “um tijolo” é comum utilizar blocos com largura de 19 cm, e as vigas também
com largura de 19 cm nas edificações de pequeno e de grande porte, admitindo-se também
usualmente a largura de 20 cm para as de grande porte.
a) bloco com furos horizontais (14x19x29). (Fonte: b) bloco com furos verticais (14x19x39); (Fonte:
[Link] [Link]
blocos-ceramicos-de-vedacao-tijolos) ceramico-estrutural-vedacao-14x19x39/)
23
Essa largura mínima deve ser adotada, pois além de atender a norma, foi prescrita para proporcionar a adequada proteção às
armaduras do pilar contra a corrosão.
24
No comércio existem blocos cerâmicos com furos horizontais com as mais variadas dimensões, conforme o fabricante.
25
Os blocos com furos verticais são interessantes por permitirem a passagem de conduítes da fiação elétrica nos furos.
26
Os blocos e tijolos maciços cerâmicos e os blocos de concreto obedecem a normas brasileiras específicas: a) ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Blocos vazados de concreto simples para alvenaria – Requisitos, NBR 6136, ABNT,
2016, 10p. b) ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Componentes cerâmicos - Blocos e tijolos para alvenaria,
Parte 1: Requisitos, NBR 15270-1, ABNT, 2017, 26p.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 25
a) bloco com furos horizontais (9x19x24). (Fonte: b) bloco com furos verticais (19x19x39); (Fonte:
[Link] [Link]
os-ceramicos-de-vedacao-tijolos) o-ceramico-estrutural-vedacao-19x19x39/)
Figura 35 Blocos cerâmicos para parede de vedação de “um tijolo”. Medidas (cm):
largura x altura x comprimento.
10.2 Altura
A altura das vigas depende de diversos fatores, sendo os mais importantes o vão, o
carregamento e a resistência do concreto. A altura deve ser suficiente para proporcionar resistência
mecânica e deslocamento vertical aceitável (flecha). Uma indicação prática para a estimativa inicial
da altura de vigas simples e contínuas, para concretos até o C50 (fck = 50 MPa) e edificações de
pequeno porte,27 é dividir o vão efetivo por um fator numérico (Figura 36):
h1 h2
ef
h Eq. 22
ef, 1 ef, 2 10
h1 h2
ef ,1 ef , 2
h1 , h2 Eq. 23
ef, 1 ef, 2 12 12
11 INSTABILIDADE LATERAL
Segundo a NBR 6118 (item 15.10), “A segurança à instabilidade lateral de vigas deve ser
garantida através de procedimentos apropriados. Como procedimento aproximado pode-se adotar,
27
Vigas de edifícios altos de vários pavimentos podem requerer alturas mais elevadas, devido à atuação das forças horizontais
provenientes do vento e de desaprumo da edificação.
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para vigas de concreto, com armaduras passivas ou ativas, sujeitas à flambagem lateral, as
seguintes condições:”28
b 0 /50 Eq. 24
b fl h Eq. 25
0,40
b b
b b
0,20
Normalmente, as cargas (ações) atuantes nas vigas são provenientes de paredes, de lajes, de
outras vigas, eventualmente de pilares e, sempre o peso próprio. As cargas nas vigas devem ser
analisadas e calculadas em cada tramo, ou trecho por trecho do tramo se este conter trechos com
cargas diferentes.
O peso próprio de vigas com seção transversal constante é uma carga uniformemente
distribuída ao longo do comprimento da viga, sendo igual à área da seção transversal multiplicada
pelo peso específico do concreto:
gpp = kN/m;
γconc = 25 kN/m3 (NBR 6118, item 8.2.2);
28
A verificação da instabilidade lateral é importante em vigas invertidas, em vigas de cobertura, por exemplo, sem travamento
proporcionado por lajes, em vigas isoladas, etc.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 27
12.2 Paredes
Nas aberturas de portas geralmente não se aplicam as cargas de parede, mas a critério do
projetista uma carga estimada para a porta e da alvenaria sobre ela pode ser considerada, embora
muitas vezes nenhuma carga seja considerada no comprimento da porta. No caso de vitrôs, janelas e
outros tipos de esquadrias, devem ser verificados os valores de carga por metro quadrado a ser
considerados.29
Tabela 2 – Peso específico de alvenaria de vedação com blocos cerâmicos vazados com furos horizontais.
(parte da Tabela 2 da NBR 6120).30
Espessura Peso específico (kN/m2)
Alvenaria de
nominal do Espessura de revestimento por face (cm)
Vedação
elemento (cm) 0 1 2
Bloco cerâmico 9 0,7 1,1 1,6
vazado com furo 11,5 0,9 1,3 1,7
horizontal 14 1,1 1,5 1,9
(NBR 15270-1) 19 1,4 1,8 2,3
6,5 1,0 1,4 1,8
Bloco de concreto
9 1,1 1,5 1,9
vazado (Classe C
11,5 1,3 1,7 2,1
– ABNT NBR
14 1,4 1,8 2,2
6136)
19 1,8 2,2 2,6
Nota: na composição de pesos de alvenarias foi considerado o seguinte:
- argamassa de assentamento vertical e horizontal de cal, cimento e areia com 1 cm de
espessura e peso específico de 19 kN/m3;
- revestimento com peso específico médio de 19 kN/m3;
- proporção de um meio bloco para cada três blocos inteiros;
- sem preenchimento de vazios (com graute etc.).
A Tabela 3 apresenta uma parte da Tabela 1 da NBR 6120 com o peso específico de blocos e
alguns materiais, em kN/m3, que auxilia na determinação do peso específico de paredes em kN/m2.
Quando o peso específico da parede ( alv) é conhecido em kN/m3 a carga linear da parede
distribuída ao longo do seu comprimento é:31
29
Para janelas com vidros podem ser consideradas cargas de 0,5 a 1,0 kN/m2, dependendo do tipo e forma da esquadria.
30
Na Tabela 2 da NBR 6120 constam também os pesos específicos de Alvenaria Estrutural e de vedação com outros tipos de blocos.
31
A carga da parede será uniformemente distribuída quando a espessura e altura são constantes ao longo do comprimento.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 28
gpar = kN/m;
e = espessura final da parede (m);
h = altura da parede (m).
Tabela 3 – Peso específico aparente de materiais de construção (parte da Tabela 1 da NBR 6120).32
Peso específico
Material aparente γap
(kN/m3)
Blocos de concreto vazados (função estrutural, classes A e
14
B, ABNT NBR 6136)
Blocos cerâmicos vazados com paredes vazadas (função
12
estrutural, ABNT NBR 15270-1)
Blocos cerâmicos vazados com paredes maciças (função
14
estrutural, ABNT NBR 15270-1)
Blocos artificiais Blocos cerâmicos maciços33 18
e pisos
Blocos de concreto celular autoclavado (Classe C25 –
5,5
ABNT NBR 13438)
Blocos de vidro 9
Blocos sílico-calcáreos 20
Lajotas cerâmicas 18
Porcelanato 23
Terracota 21
Argamassa de cal, cimento e areia 19
Argamassa de cal 12 a 18 (15)
Argamassa de cimento e areia 19 a 23 (21)
Argamassa de gesso 12 a 18 (15)
Argamassas e
Argamassa autonivelante 24
concretos
Concreto simples 24
Concreto armado 25
NOTA: Os pesos específicos de argamassas e concretos
são válidos para o estado endurecido.
12.3 Lajes
As cargas das lajes sobre as vigas de apoio devem ser conhecidas, e necessitam ser
cuidadosamente avaliadas, conforme o tipo de laje e diversas outras características. 34 É muito
importante verificar se sobre o tramo da viga ocorre a carga de uma laje ou de duas lajes. Nos
exemplos numéricos apresentados será mostrado o cálculo de cargas de lajes pré-fabricadas
treliçadas unidirecionais e de lajes maciças.
Quando é possível definir claramente qual viga serve de apoio e qual viga está apoiada em
outra, a carga concentrada na viga que serve de apoio é igual a reação de apoio daquela que está
apoiada. Em determinadas situações a definição de qual viga apoia-se sobre qual fica difícil, e a
escolha errada pode se tornar perigosa. Para contornar este problema pode-se calcular os esforços
solicitantes e deslocamentos de todas as vigas em conjunto, por meio de analogia de grelha, com o
32
Na Tabela 1 da NBR 6120 constam os pesos específicos de diversos tipos de materiais.
33
Também chamado “tijolo maciço cerâmico”.
34
Cargas de lajes maciças em vigas de borda são apresentadas em: BASTOS, P.S. Lajes de Concreto Armado. Bauru/SP,
Universidade Estadual Paulista (UNESP), out/2023, 110p. Disponível em (25/03/24):
[Link]
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 29
auxílio de um programa computacional.35 Desse modo os resultados obtidos são excelentes e muito
próximos aos reais.
Neste item será apresentado como determinar a posição e extensão de barras longitudinais de
flexão ao longo do vão de um tramo da viga, ou seja, como fazer o detalhamento da armadura
longitudinal.
A decalagem ou deslocamento do diagrama de forças Rsd (MSd /z) deve ser feita para se
compatibilizar o valor da força atuante na armadura tracionada, determinada no banzo tracionado da
treliça de Ritter-Mörsch, com o valor da força determinada segundo o equilíbrio da seção transversal,
(forças Rcc e Rst), e conforme o diagrama de momentos fletores de cálculo.
Para determinação do ponto de interrupção ou dobramento das barras longitudinais nas peças
fletidas, o diagrama de forças Rsd na armadura deve ser deslocado, aplicando-se aos pontos uma
translação paralela ao eixo da peça, de valor a .
A NBR 6118 prescreve o seguinte (item [Link]): “Quando a armadura longitudinal de
tração for determinada através do equilíbrio de esforços na seção normal ao eixo do elemento
estrutural, os efeitos provocados pela fissuração oblíqua podem ser substituídos no cálculo pela
decalagem do diagrama de força no banzo tracionado. Essa decalagem pode ser substituída,
aproximadamente, pela correspondente decalagem do diagrama de momentos fletores.” O valor da
decalagem a deve ser adotado em função do modelo de cálculo escolhido no dimensionamento da
armadura transversal, conforme mostrado a seguir.
VSd , máx
a d (1 cot g ) cot g d Eq. 30
2 (VSd , máx Vc )
VSd , máx
a 0,5d d Eq. 31
(VSd , máx Vc )
35
Os programas computacionais específicos (comerciais) para projeto de estruturas de concreto possibilitam a análise do pavimento
com analogia de grelha.
36
O estribo é vertical quando a viga tem eixo longitudinal horizontal, ou seja, a viga não é inclinada.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 30
No caso do Modelo de Cálculo II a NBR 6118 (item [Link]) estabelece a equação para
determinação do deslocamento ou decalagem a a ser aplicada no “diagrama de momentos fletores”:
VSd , máx
a 0,5d (cot g cot g ) cot g d Eq. 33
(VSd , máx Vc )
VSd , máx
a 0,5d cot g d Eq. 34
(VSd , máx Vc )
“Permanece válida para o modelo II a alternativa para a obtenção da força de tração dada
em [Link]-c).”, ver Eq. 32.
Define-se a seguir em que ponto ao longo do tramo de uma viga pode-se retirar de serviço a
barra da armadura longitudinal de flexão. O procedimento resulta economia no consumo de aço.
No item [Link] a NBR 6118 define as regras a serem aplicadas na distribuição da armadura
longitudinal, ancoradas por aderência: “O trecho da extremidade da barra de tração, considerado
como de ancoragem, tem início na seção teórica, onde sua tensão s começa a diminuir (a força de
tração na barra da armadura começa a ser transferido para o concreto). Este deve prolongar-se
pelo menos 10 além do ponto teórico de tensão s nula, não podendo em caso algum, ser inferior
ao comprimento necessário estipulado em [Link]. Assim, na armadura longitudinal de tração dos
elementos estruturais solicitados por flexão simples, o trecho de ancoragem da barra deve ter início
no ponto A (ver Figura 18.3) do diagrama de forças RSd = MSd /z , decalado do comprimento a ,
conforme 17.4.2. Esse diagrama equivale ao diagrama de forças corrigido FSd,cor . Se a barra não
for dobrada, o trecho de ancoragem deve prolongar-se além de B, no mínimo 10 . Se a barra for
dobrada, o início do dobramento pode coincidir com o ponto B (ver Figura 18.3).” A Figura 37
ilustra o texto acima.
“Nos pontos intermediários entre A e B, o diagrama resistente linearizado deve cobrir o
diagrama solicitante (ver Figura 18.3). Para as barras alojadas nas mesas ou lajes, e que façam
parte da armadura da viga, o ponto de interrupção da barra é obtido pelo mesmo processo anterior,
considerando ainda um comprimento adicional igual à distância da barra à face mais próxima da
alma.” (NBR 6118, [Link].2).
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 31
b,nec
a
10 Ø
diagrama de força de A
tração solicitante FSd,cor
B
R Sd
a a
a
RSd = MSd /z 10 Ø
B
Barra i
a A 10 Ø diagrama de
força de tração
resistente
b,nec b,nec
Barra i
Figura 37 – Cobertura do diagrama de forças de tração solicitantes pelo diagrama de forças resistentes.
(adaptação da Figura 18.3 da NBR 6118).
A viga mostrada na Figura 38 será utilizada para auxiliar no entendimento das regras da
norma. A viga é de um tramo e biapoiada sobre pilares, com carregamento uniformemente
distribuído que causa momentos fletores positivos ao longo do vão, e momentos fletores negativos
nos apoios extremos, considerados engastes elásticos. A viga tem um eixo de simetria na posição do
momento fletor máximo positivo (Mmáx). A figura mostra também o diagrama de momentos fletores
(MSd) decalado de a , onde a 1 é a decalagem determinada com a força cortante solicitante no apoio
esquerdo, e a 2 é determinada com a força cortante no apoio direito.
Para armadura longitudinal positiva no vão (A,vão) a viga tem seis barras de igual diâmetro,
que para efeito do “cobrimento” do diagrama de momentos fletores são agrupadas de duas em duas
barras (2N2, 2N3 e 2N4, Figura 38), posicionadas em duas camadas, dimensionadas para o momento
fletor positivo máximo (Mmáx). Existem também duas barras longitudinais superiores próximas aos
apoios (negativas, 2N1), responsáveis por proporcionar resistência aos momentos fletores negativos
existentes na ligação da viga com os pilares extremos.
No detalhamento das barras superiores (N1) existem algumas possibilidades. As barras
podem ser estendidas ao longo de todo o tramo, de apoio a apoio, e assim no trecho interno do vão as
barras atuam como “porta-estribos” (alternativa 1 na Figura 39). Em outra alternativa, mais
econômica, as barras N1 podem ser interrompidas e estendidas somente no trecho do momento fletor
negativo da ligação, e no trecho interno do tramo devem ser dispostas duas barras construtivas porta-
estribos37 – 2N5 da alternativa 2 na Figura 39), posicionadas nos vértices dos estribos a fim de
facilitar a sua amarração.38
37
Duas barras construtivas na região superior da viga é a quantidade mínima. Em vigas largas e com quantidades de armadura positiva
elevadas, mais barras podem ser dispostas.
38
No caso do momento fletor positivo máximo requerer armadura comprimida (A’s de Armadura Dupla), as barras N1 (estendidas ao
longo de todo o vão – alternativa 1) ou as barras N5 (alternativa 2) deverão atender à área A’ s necessária.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 32
No caso da armadura positiva ao menos duas barras devem ser estendidas até os apoios
extremos do tramo, para ancoragem nos apoios. Geralmente são estendidas as barras dos vértices dos
estribos (N2). As demais barras positivas podem ser interrompidas (“cortadas”) antes dos apoios,
conforme o “cobrimento” do diagrama de momentos fletores decalado de a , de acordo com as
regras da norma mostradas na Figura 37.
2N1
2N4
h
1
t1 0 t2
2N2 2N3
CORTE 1
b b
2N4
a a
2N3
2N2
ef
- -
+ Mmáx
a1 a2
a1 a2 MSd
a 1 a2
a 1 a2
a1 a2
Figura 38 – Viga biapoiada para análise do “cobrimento” do diagrama de momentos fletores positivos.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 33
2N1 (alternat.1)
b,nec b,nec
N1 N1
BN1 BN1
MSd
BN2 BN2
2N2
AN4 AN4
10ØN3 10ØN4 10ØN4 10ØN3
b b
2N3
a a
As barras N3 devem estender-se do comprimento b,nec além dos pontos AN3 , mas devem
prolongar-se pelo menos até as seções 10 além dos pontos BN3 . Se o comprimento b,nec ultrapassar
a seção distante 10 do ponto BN3 , as barras devem prolongar-se em b,nec , pois a distância mínima
39
O desenho do diagrama de momentos fletores é geralmente feito segundo duas escalas, uma para a direção vertical e outra para a
direção horizontal.
40
A norma prescreve o comprimento de ancoragem necessário ( b,nec), que altera o comprimento de ancoragem básico ( b) conforme a
relação entre as armaduras calculada e efetiva, no entanto, por simplicidade pode-se considerar o comprimento de ancoragem básico ao
invés do necessário, desde que a armadura efetiva não seja menor que a calculada.
41
Os pontos AN4 são aqueles onde os momentos fletores resistidos pelas barras N4 começam a diminuir (as tensões σ s começam a
diminuir), e os pontos BN4 são aqueles onde os momentos fletores resistidos pelas barras do grupo tornam-se nulos (as tensões σs nas
barras são nulas). Os pontos BN4 são também os pontos AN3 , pois nestes pontos os momentos fletores passam a ser resistidos pelas
barras do grupo N3.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 34
10 terá sido atendida. Isso ocorre para o caso das barras negativas N1 (alternativa 2 na Figura 39),
onde b,nec prolonga-se além da seção 10 do ponto BN1 .
A viga mostrada na Figura 40 apresenta os critérios da NBR 6118 para o “cobrimento” do
diagrama de momentos fletores negativos no apoio interno (P2), o qual define o comprimento das
barras da armadura longitudinal negativa sobre este apoio, ou seja, até quais seções ao longo dos dois
tramos da viga as barras negativas devem se estender. Para simplicidade de análise a viga mostrada
na Figura 40 é simétrica em geometria e carregamento, tem dois tramos e três apoios, simples no
pilar P2 e engaste elástico nos pilares extremos P1 e P3.
Supõe-se que a armadura longitudinal negativa, dimensionada para o momento fletor máximo
negativo na seção sobre o pilar P2, seja constituída por seis barras de mesmo diâmetro, dispostas na
seção transversal em duas camadas, conforme detalhe na Figura 40. Para fazer o “cobrimento” do
diagrama de MSd deve-se determinar de que modo as barras serão agrupadas. A indicação é que as
duas barras dos vértices dos estribos formem um grupo e tenham o maior comprimento entre todas as
barras negativas.42 As demais barras devem preferencialmente ser agrupadas de modo a resultar um
detalhamento simples e econômico, e que facilite a execução da armação da viga.
No cobrimento mostrado na Figura 41 as seis barras foram separadas em três grupos (2N1,
2N2 e 2N3), com cada grupo sendo responsável por resistir a uma parcela do momento fletor
máximo, proporcionalmente à área da armadura do grupo. No caso, como as seis barras têm igual
diâmetro, cada grupo de duas barras resiste a um terço do momento fletor máximo.
P1 P2 P3
2N2 2N1
p p
2N3
tramo 1 tramo 2
ef,1 ef,2
Mmáx -
Mmáx +
-
- -
+ +
Figura 40 – Viga para análise do cobrimento do diagrama de momentos fletores negativos no apoio P2.
As duas barras dos vértices dos estribos (N1) devem “cobrir” a parte inferior do diagrama de
MSd , pois assim resultam no maior comprimento entre as seis barras. As demais barras de outros
grupos terão comprimentos menores, por cobrirem as porções superiores do diagrama de MSd.
As duas barras N1 devem ter o comprimento definido com o comprimento de ancoragem
necessário ( b,nec) a partir do ponto AN1 , que é o ponto onde a tensão nas barras começa a diminuir,
pois o momento fletor que as duas barras resistem começa a diminuir. No entanto, as barras devem
ultrapassar o ponto BN1 em pelo o menos 10 . O ponto BN1 é o ponto onde a tensão nas barras
tornou-se nula, pois o momento fletor que as duas barras resistem tornou-se zero. As duas barras
devem se estender até a seção que resulte no maior comprimento, no caso 10 além de BN1 .
42
Essas barras dever ser as de maior diâmetro, no caso de existirem dois ou mais diâmetros diferentes para a armadura negativa no
apoio.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 35
Para as barras dos dois outros grupos o critério é semelhante quanto ao cobrimento do
diagrama, isto é, devem ser definidos os pontos A e B de cada grupo, e estendidas as barras até as
seções que resultem no maior comprimento ( b,nec além do ponto A ou 10 além do ponto B). Os
comprimentos das barras devem ser medidos no desenho, segundo a escala horizontal, e por
simplicidade podem ser adotados comprimentos múltiplos de 5 cm.
2N1
2N2
2N3
b,nec a 1 a 2 b,nec
N3 N3
Segundo a NBR 6118 (item [Link]), “Os esforços de tração junto aos apoios de vigas
simples ou contínuas devem ser resistidos por armaduras longitudinais que satisfaçam a mais severa
das seguintes condições:
1 / 3 (As, vão ), se M apoio for nulo ou negativo e de valor absoluto M apoio 0,5 M vão
As,apoio Eq. 35
1 / 4 (As, vão ), se M apoio for negativo e de valor absoluto M apoio 0,5 M vão
Apoio extremo pode ser definido como o apoio onde não ocorre a continuidade da viga,
geralmente o primeiro e o último (Figura 42). A ancoragem da armadura longitudinal positiva nos
apoios extremos de vigas simples ou contínuas é muito importante para a segurança estrutural,
devendo por isso ser cuidadosamente avaliada.
Md,apoio = Vd . a Eq. 36
FSd
VSd
a
M Sd
VSd
M d,apoio
diagrama deslocado
Para o momento fletor no apoio deve-se dispor uma armadura resistente, a ser
convenientemente ancorada no apoio. Tomando o equilíbrio das forças resultantes na seção de apoio,
o momento fletor deve ser igual à força resultante na armadura tracionada multiplicada pelo braço de
alavanca z:
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Vd . a = FSd . z
Quando puder existir uma força de tração (Nd) aplicada na viga na região do apoio, bem como
existir também um momento fletor positivo (Md), à Eq. 38 devem ser acrescentados os seus efeitos
(ver acima a letra b do item 14):
Md a
FSd Vd Nd
z d
“os valores de Md , Vd e Nd devem ser avaliados na extremidade do vão efetivo da viga e para a
mesma combinação;”
Considerando que o momento fletor positivo (Md) e a força normal de tração Nd não existam
no apoio, a área de armadura longitudinal a ancorar necessária para resistir à força FSd , é:
FSd 1 a a Vd
As,anc Vd Eq. 39
fyd fyd d d fyd
E no item 18.3.2.4c: “em apoios extremos e intermediários, por prolongamento de uma parte
da armadura de tração do vão (As,vão), correspondente ao máximo momento positivo do tramo
(Mvão), de modo que:”43
1
As, vão se M apoio 0 ou negativo de valor M apoio 0,5 M vão
3
As,anc
1 Eq. 40
As, vão se M apoio negativo e de valor M apoio 0,5 M vão
4
43
Geralmente a armadura a ancorar é composta por no mínimo as duas barras dos vértices dos estribos, da armadura positiva do vão
(As,vão). A armadura mínima é válida também nos apoios internos.
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1
a) As, vão
3
+
Mvão
1
b) As, vão
4
+
Mvão
As barras da armadura a ancorar no apoio, calculadas com a Eq. 39, obedecendo aos valores
mínimos da Eq. 40, devem ser convenientemente ancoradas a partir da face interna do apoio
(geralmente viga ou pilar), com o comprimento de ancoragem necessário ( b,nec). Como geralmente a
armadura escolhida a ancorar no apoio não é exatamente igual à área de armadura teórica a ancorar
calculada (As,anc), o comprimento de ancoragem necessário deve ser corrigido segundo a proporção
entre a armadura teórica e a armadura efetiva (As,ef):
As, anc
b, nec b Eq. 41
As, ef
O comprimento de ancoragem básico está apresentado na Tabela A-7 e Tabela A-8 (anexas),
com os valores das colunas “sem gancho”.
Inicialmente procura-se estender as barras dentro do apoio em um comprimento reto, como
mostrado na Figura 45 para apoio do tipo viga ou pilar. Para ser possível, o comprimento de
ancoragem efetivo do apoio ( b,ef = b – c) deve ser maior que o comprimento de ancoragem
necessário ( b,nec), onde c é a espessura do cobrimento de concreto e b é a dimensão do apoio na
direção da armadura a ancorar.44
44
A NBR 6118 ([Link].1) preconiza que a armadura deve adentrar no apoio o comprimento de ancoragem necessário ( b,nec).
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viga de apoio
b,nec
b
As,anc
A s,anc
c b,ef
b,nec
b
b
O comprimento de ancoragem necessário deve atender ao maior dos seguintes valores (NBR
6118, [Link].1):
b , mín
b , nec r Eq. 42
6 cm
com:
0,3 b
b , mín 10 Eq. 43
10 cm
b , mín
Geralmente os dois comprimentos ( b,gancho e b,ef) não são exatamente iguais, e na prática
costuma-se estender as barras até próxima à face externa do apoio, como indicado na Figura 46.
8Ø D Ø
A s,ef
c b,ef
0,7 b
As,corr As, anc Eq. 45
b, ef gr
com = 0,7;
b = comprimento de ancoragem básico (ver Tabela A-7 e Tabela A-8 anexas);
b,ef = comprimento de ancoragem efetivo do apoio (deve atender os valores mínimos da Eq. 42);
gr = diâmetro do grampo;
As,anc = armadura necessária a ancorar no apoio (Eq. 39).
c 100 Øgr
Grampos
D
8Ø Ø
b,ef A s,ef
Figura 47 – Ancoragem em apoio extremo com armadura longitudinal efetiva (com gancho)
e utilização de grampos.
45
Ver BASTOS, P.S. Ancoragem e emenda de armaduras. Bauru/SP, Universidade Estadual Paulista (UNESP), mar/2024, 26p.
Disponível em (26/03/24): [Link]
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 41
2 cm
a v, mín gr Eq. 47
0,5 d máx, agr
No caso de não se desejar colocar grampos, a armadura efetiva (As,ef) com as barras
longitudinais deve ser aumentada de forma a atender a área de armadura corrigida (As,corr).47 Ela deve
será ancorada no comprimento de ancoragem efetivo do apoio ( b,ef) e com gancho a 90 , conforme o
arranjo indicado na Figura 46. Ou seja, nessa solução o acréscimo de armadura a ancorar no apoio é
obtido com a extensão de mais barras da armadura longitudinal do vão (As,vão).
Entre as soluções apresentadas pode ser escolhida a de mais simples execução e de menor
custo (consumo de materiais, mão de obra, etc.).
Conforme o item [Link] da NBR 6118, nos apoios internos48 de vigas uma parte da
armadura longitudinal de tração proveniente do vão (As,vão) deve ser estendida até o apoio, devendo a
armadura a ancorar (As,anc) atender as seguintes condições impostas (já mostradas na Eq. 40):
1
As, vão se M apoio 0 ou negativo de valor M apoio 0,5M vão
3
As,anc
1 Eq. 48
As, vão se M apoio negativo e de valor M apoio 0,5M vão
4
46
Os grampos são geralmente montados por dentro dos estribos da viga, fixados nos lados internos dos ramos verticais.
47
Neste caso, a armadura As,corr pode ser calculada sem se considerar o diâmetro do grampo no denominador da equação.
48
Também chamados intermediários.
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DI
AG
R.
DE
SL
O
C.
BARRA 1
A
10 Ø
BARRA 1
Figura 48 – Ancoragem de armadura longitudinal em apoios internos com o ponto A fora do apoio.
a) b)
M p,sup
a) b)
49
Ver BASTOS, P.S. Ancoragem e emenda de armaduras. Bauru/SP, Universidade Estadual Paulista (UNESP), mar/2024, 27p.
Disponível em (26/03/24): [Link]
50
No caso de resistência à força cortante a barra longitudinal dobrada é o chamado “cavalete”, antigamente muito utilizado, com o
dobramento da barra longitudinal positiva em direção à borda superior da viga, de tal forma ao seguimento inclinado (geralmente a
45 ) resistir às tensões principais de tração que inclinam-se da borda inferior em direção à borda superior de vigas fletidas. Os
cavaletes deixaram de ser utilizados em torno da década de 70 do século passado, sendo a força cortante resistida unicamente por
estribos.
51
A ligação viga x pilar extremo é um nó de pórtico.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 44
-
A s = 0,5 A s
-
As
-
As
D
D = 15 para
10 cm
CA-50
2b + h
h
D
s estr
35 Ø
Ø
15 ARMADURA DE SUSPENSÃO
Segundo a NBR 6118 (item 18.3.6), “Nas proximidades de cargas concentradas transmitidas
à viga por outras vigas ou elementos discretos que nela se apoiam ao longo ou em parte de sua
altura, ou fiquem nela pendurados, deve ser colocada armadura de suspensão”.
As vigas de concreto transmitem as cargas aos apoios principalmente por meio de bielas de
compressão, na região inferior da viga, como mostrado na Figura 53, que mostra uma viga apoiada
sobre outra. A viga que atua como apoio recebe a maior parte da carga em sua região inferior, e por
isso há a necessidade de suspender a carga para a região superior, para coerência com o modelo de
treliça, ou seja, a força que a viga apoiada aplica sobre a viga de apoio deve ser transferida para a
região comprimida da viga de apoio. A suspensão é feita por meio de estribos (armadura de
suspensão). Os diferentes casos de apoio de viga sobre viga e equações para cálculo da armadura de
suspensão são apresentadas em Bastos (2024).52
Viga apoiada
o
oi
ap
de
ga
Vi
Estribo
Vd
Viga apoiada
Viga de apoio
Figura 53 – Transmissão do carregamento de uma viga para outra que lhe serve de apoio.
52
BASTOS, P.S. Dimensionamento de vigas de concreto armado à força cortante. Bauru/SP, Universidade Estadual Paulista
(UNESP), nov/2023, 77p. Disponível em (26/03/24): [Link]
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 45
O diagrama carga x deslocamento vertical de uma viga de Concreto Armado apresenta três
trechos, como mostrado na Figura 54.
As
Carga
I II III
Deslocamento
Figura 54 – Diagrama carga x deslocamento de uma viga de Concreto Armado. (Adaptado de Nawy, 2005).
53
O controle da fissuração, somado à escolha do cobrimento indicado pela norma e à especificação de concretos com características
adequadas para evitar sua deterioração pelos agentes agressivos do ambiente, podem proporcionar a proteção contra a corrosão das
armaduras.
54
As deformações do concreto podem ser classificadas em: a) independentes do tempo: causadas por retração, variação de temperatura, etc;
b) dependentes do carregamento: elástica imediata e por fluência.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 46
No trecho I a viga encontra-se no Estádio I (sem fissuras, Figura 55), o comportamento é elástico
linear e a tensão de tração máxima atuante ( t) não alcançou a resistência do concreto à tração na flexão,
e. A rigidez à flexão EcI da viga pode ser estimada com o momento de inércia da seção bruta. O trecho
termina quando em uma seção ao longo do vão a tensão atuante alcança a resistência do concreto à tração
na flexão, e a viga passa ao Estádio II, naquela seção. Isso pode ser avaliado por meio do momento fletor
de fissuração, como será visto adiante.
De modo geral as vigas encontram-se fissuradas trabalhando em serviço, no entanto o
conhecimento da variação da rigidez das vigas neste trecho é importante porque mesmo em uma viga
fissurada existem regiões não fissuradas ao longo do vão. (Nawy, 2005)
c c
x Rcc Rcc
LN
h d
As
Rct
Rst Rst
t t
bw
Estádio I Estádio II
No trecho II ocorrem na viga regiões com fissuras de flexão, e representa a maioria das vigas
trabalhando sob as cargas de serviço. As fissuras existentes apresentam variado grau de abertura e
extensão, dependendo do nível de tensão e deformação em cada seção ao longo da região. Quando a
fissura surge, a contribuição do concreto da região tracionada reduz-se significativamente, o que provoca
a diminuição da rigidez à flexão da viga (EI), devido à diminuição do momento de inércia da seção, ao se
desprezar (ou não considerar) a região tracionada de concreto. Isso se reflete na menor inclinação da reta
no trecho II do diagrama carga x deslocamento. O cálculo da posição da linha neutra e do momento de
inércia no Estádio II está mostrado adiante.
A avaliação da flecha nas vigas e lajes56 é feita de maneira aproximada, onde, segundo o item
[Link], “O modelo de comportamento da estrutura pode admitir o concreto e o aço como materiais
de comportamento elástico e linear, de modo que as seções ao longo do elemento estrutural possam
ter as deformações específicas determinadas no estádio I,57 desde que os esforços não superem
aqueles que dão início à fissuração, e no estádio II,58 em caso contrário. Deve ser utilizado no
cálculo o valor do módulo de elasticidade secante Ecs definido na Seção 8, sendo obrigatória a
consideração do efeito da fluência.”59
Os principais efeitos que a flecha causa nas estruturas ou nos elementos são:
a) inclinações: podem alterar o fluxo de água quando expostas ou sob efeito de líquidos, requerer
revestimentos adicionais, etc;
b) fissuras em paredes de alvenaria;
c) danos à caixilharia (portas, janelas);
d) flambagem de paredes ou pilares de apoio;
e) fissuras em ligações laje-parede;
f) vibrações.
As principais precauções são: a) altura adequada para a viga; b) diminuir a rotação nos apoios,
com apoios mais rígidos; c) aplicar o carregamento em idades mais avançadas do concreto; d)
cimbramento adequado e no tempo necessário; e) adoção de contraflecha.
Para o cálculo da flecha é necessário conhecer em qual Estádio (I ou II) a seção crítica
considerada se encontra, pois uma viga em serviço apresenta trechos no Estádio I e outros trechos no
Estádio II, como mostrado na Figura 56. É a comparação entre o momento fletor atuante na seção e o
momento fletor de fissuração que mostra em qual Estádio a seção se encontra.
tração
a)
compressão
a b
b)
a b
Figura 56 Seção
– Trajetórias
a-a das tensões principais e Estádios em uma viga de concreto biapoiada.
Seção b-b
c = ec E c
c
(Leonhardt e Mönnig, 1982). c c
c)
s
s t < ct,f s
56
O cálculo de flecha em lajes maciças está apresentado em: BASTOS, P.S. Lajes de Concreto Armado. Bauru/SP, Universidade
Estadual Paulista (UNESP), out/2023, 110p. Disponível em (26/03/24):
[Link]
57
As lajes maciças de CA comumente encontram-se no Estádio I em serviço, ou seja, não fissuradas.
58
As vigas de CA comumente encontram-se no Estádio II em serviço, ou seja, fissuradas.
59
Fluência é o aumento da deformação no concreto ao longo do tempo quando submetido à tensões de compressão permanentes e
constantes.
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Segundo a NBR 6118 (item 17.3.1), “Nos estados-limites de serviço as estruturas trabalham
parcialmente no estádio I e parcialmente no estádio II. A separação entre esses dois
comportamentos é definida pelo momento de fissuração. Esse momento pode ser calculado pela
seguinte expressão aproximada:
f ct I c
Mr Eq. 49
yt
f ct, m Ic
Mr Eq. 50
yt
f ctk,inf Ic
Mr Eq. 51
yt
“No caso da utilização de armaduras ativas, deve ser considerado o efeito da protensão no
cálculo do momento de fissuração.”
Na falta de ensaios o valor médio da resistência à tração direta (fct,m) pode ser avaliado em
função da resistência característica do concreto à compressão (fck), por meio de expressões (NBR
6118, item 8.2.5):
2
f ct , m 0,3 3 f ck Eq. 52
com:
fctk,inf = 0,7 fct,m , ou Eq. 53
Os valores fctk,inf e fctk,sup são os valores mínimo e máximo para a resistência à tração direta.
60
O “Estado-Limite de Deformações Excessivas” (ELS-DEF) é definido pela NBR 6118 (item 3.2.4) como o “estado em que as
deformações atingem os limites estabelecidos para a utilização normal, dados em 13.3.”.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 49
com fct,m e fck em MPa. Sendo fckj ≥ 7 MPa, a Eq. 52 e a Eq. 55 podem também ser usadas para
idades diferentes de 28 dias.
Se o momento fletor solicitante (Ma) de uma seção da viga é maior que o momento fletor de
fissuração, a seção está no Estádio II, ou seja, está fissurada. Neste caso a posição da linha neutra
deve ser calculada no Estádio II. Por outro lado, no caso do momento fletor solicitante ser menor que
o momento fletor de fissuração, a seção está no Estádio I, ou seja, não está fissurada, e as
deformações podem ser determinadas no Estádio I, com o momento de inércia da seção bruta de
concreto (Ic). Em resumo:
No item 11.8.3 a NBR 6118 apresenta a classificação das combinações de serviço: quase
permanentes, frequentes e raras. “São classificadas de acordo com sua permanência na estrutura e
devem ser verificadas como estabelecido a seguir:
a) quase permanentes: podem atuar durante grande parte do período de vida da estrutura, e sua
consideração pode ser necessária na verificação do estado-limite de deformações excessivas;
b) frequentes: repetem-se muitas vezes durante o período de vida da estrutura, e sua consideração
pode ser necessária na verificação dos estados-limites de formação de fissuras, de abertura de
fissuras e de vibrações excessivas. Podem também ser consideradas para verificações de estados-
limites de deformações excessivas decorrentes de vento ou temperatura que podem comprometer as
vedações;
c) raras: ocorrem algumas vezes durante o período de vida da estrutura, e sua consideração pode
ser necessária na verificação do estado-limite de formação de fissuras.”
61
As equações para combinações de serviço encontram-se também apresentadas em BASTOS, P.S. Fundamentos do Concreto
Armado. Bauru/SP, Universidade Estadual Paulista (UNESP), set/2023, 90p. Disponível em (26/03/24):
[Link]
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Rs = As s = As s Es = A s c Es
Rs = Ac,eq c Ec
Es
As c Es = Ac,eq c Ec , e isolando a área Ac,eq: A c, eq As
Ec
A dedução das equações da posição da linha neutra e do momento de inércia toma como base
a Hipótese de Bernoulli, a homogeneização, as leis de Hooke e de Navier e a consideração do
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 51
concreto resistir à tração.62 A seguir são apresentadas as equações para a posição da linha neutra e do
momento de inércia de seção retangular e seção T nos Estádios I e II.
a) Estádio I
Para a seção retangular da Figura 57 a posição da linha neutra (x1) é obtida fazendo o
momento estático da seção homogeneizada em relação à linha neutra igual a zero:
A’s
d’ A’c,eq
x
LN
h d
≡
As
Ac,eq
bw bw
Seção homogeneizada
x 12 h x1
bw e A s x1 d b w h x1 e A s d x1 0
2 2
0,5b w h 2 e As d As d
x1 Eq. 58
bw h e As As
2
bw h3 h 2 2
I1 bw h x1 e As d x1 e As x1 d Eq. 59
12 2
b) Estádio II
A posição da linha neutra (xII) é obtida fazendo também o momento estático da seção
homogeneizada em relação à linha neutra igual a zero:
x 2
b w II e As x II d e As d x II 0
2
2 e 2 e
x II2 As As x II As d As d 0 Eq. 60
bw bw
62
Ver dedução também em: CARVALHO, R.C. ; FIGUEIREDO FILHO, J.R. Cálculo e detalhamento de estruturas usuais de
concreto armado: segundo a NBR 6118:2014. São Carlos, v.1, Ed. EDUFSCar, 2014, 416p.
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3 2
b w x II x II 2 2
III b w x II e As d x II e As x II d Eq. 61
12 2
16.6.2 Seção T
bf
d’ hf
x
A’s
LN
h d
As
bw
a) Estádio I
2 2 hf
x12 e As e A's bf b w h f x1 e As d e A's d' bf bw 0
bw bw 2
Eq. 62
O momento de inércia é:
2 2
bf bw h f 3 bw h3 hf h 2 2
I1 bf b w h f x1 b w h x1 e As x1 d e As x1 d
12 12 2 2
Eq. 63
b) Estádio II
2
2 2 2 hf
x II e As e A's bf b w h f x II e As d e A's d' bf bw 0 Eq. 64
bw bw 2
a) para xII hf
bf x II3 2
III e As x II d e As x II d' 2 Eq. 65
3
3 3 2
b w x II bf bw hf hf 2 2
III bf b w h f x II e As x II d e As x II d'
3 12 2
Eq. 66
3 3
Mr Mr
(EI) eq, to E cs Ic 1 I II E cs I c Eq. 67
Ma Ma
Ma = momento fletor na seção crítica do vão considerado, ou seja, o momento fletor máximo no vão
para vigas biapoiadas ou contínuas e momento fletor no apoio para balanços, para a
combinação de ações considerada nessa avaliação.
Mr = momento fletor de fissuração do elemento estrutural, cujo valor deve ser reduzido à metade no
caso de utilização de barras lisas;
Ecs = módulo de elasticidade secante do concreto;
Es = módulo de elasticidade do aço.
O módulo de elasticidade secante pode ser obtido pelo método de ensaio da NBR 8522, ou
estimado pela expressão da NBR 6118 (item 8.2.8):
f ck
i 0,8 0,2 1,0 Eq. 70
80
63
Após a ocorrência da flecha imediata a viga tem um aumento de flecha ao longo do tempo, por efeito da fluência do concreto, ou
seja, a fluência causa o aumento da flecha ao longo do tempo.
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1/ 3
f ck
E ci 21,5 . 103 E 1,25 Eq. 72
10
“Para vãos de vigas contínuas, quando for necessária maior precisão, pode-se adotar, para a
rigidez equivalente, o valor ponderado com o critério estabelecido na Figura 17.3. (NBR 6118 (item
[Link].1)
1
(EI)eq (EI)eq,1 . a1 (EI)eq, v . a v (EI)eq,2 . a 2 Eq. 73
onde:
Em cada trecho, a rigidez equivalente deve ser calculada com EIII considerando as
armaduras existentes no trecho e com Ma igual a M1 , Mv e M2 respectivamente. Pode-se adotar a1/C
e a2/C aproximadamente iguais a 0,15.”
A equação da curvatura de uma barra submetida à Flexão Simples (Figura 60), tem a seguinte
forma:
1 d2y M
Eq. 75
r dx 2 EI
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c = 1
r
y<0
M M
d
h
A B
r+y y>0
C D
s
2
ds
A integração da Eq. 75 fornece equações para previsão da flecha imediata de vigas, e que se
apresentam como a equação seguinte, válida para seções constantes ao longo do vão:
p 4
ai Eq. 76
EI
A flecha diferida é aquela que leva em conta o efeito do tempo na deformação da viga, pois
o carregamento atua ao longo do tempo e o concreto sofre o efeito da fluência. Segundo a NBR
6118 (item [Link].2), “A flecha adicional diferida, decorrente das cargas de longa duração em
função da fluência, pode ser calculada de maneira aproximada pela multiplicação da flecha
imediata pelo fator f dado pela expressão:”
f Eq. 77
1 50
64
PINHEIRO, L.M. ; CATOIA, B. ; CATOIA, T. Tabelas de vigas: Deslocamentos e Momentos de Engastamento Perfeito. São
Carlos, Departamento de Engenharia de Estruturas, Escola de Engenharia de São Carlos - USP, fev/2010, 10p. Disponível em
(20/07/2021): [Link]
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A' s
Eq. 78
bw d
(t ) (t 0 ) Eq. 79
Pi t oi
to Eq. 82
Pi
Pi = parcelas de carga;
toi = idade em que se aplicou cada parcela Pi , em meses.
A flecha final (ou total, at) é obtida multiplicando a flecha imediata (ai) por 1 + f :
at = ai (1 + f) Eq. 83
As flechas máximas ou deslocamentos-limites como definidos pela NBR 6118 (item 13.3), “são
valores práticos utilizados para verificação em serviço do estado-limite de deformações excessivas
da estrutura.” Os deslocamentos limites são classificados em quatro grupos básicos, relacionados a
seguir:
65
A “aceitabilidade sensorial” é uma questão associada às pessoas poderem sentir-se inseguras e desconfortáveis diante de peças de
concreto com fissuras muito visíveis, que prejudicam o conforto e a estética.
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16.11 Contraflecha
Como sugestão, a contraflecha (ao) pode ser adotada como um valor intermediário entre a
flecha imediata (ai) e a soma da flecha imediata com metade da flecha devida à fluência:
fai
ai ao ai + Eq. 84
2
“a) As superfícies devem ser suficientemente inclinadas ou o deslocamento previsto compensado por contraflechas,
de modo a não se ter acúmulo de água.
b)
Os deslocamentos podem ser parcialmente compensados pela especificação de contraflechas. Entretanto, a
atuação isolada da contraflecha não pode ocasionar um desvio do plano maior que /350.
c)
O vão deve ser tomado na direção na qual a parede ou a divisória se desenvolve.
d)
Rotação nos elementos que suportam paredes.
e)
H é a altura total do edifício e Hi o desnível entre dois pavimentos vizinhos.
f)
Este limite aplica-se ao deslocamento lateral entre dois pavimentos consecutivos, devido à atuação de ações
horizontais. Não podem ser incluídos os deslocamentos devidos a deformações axiais nos pilares. O limite também
se aplica para o deslocamento vertical relativo das extremidades de lintéis conectados a duas paredes de
contraventamento, quando Hi representa o comprimento do lintel.
g)
O valor refere-se à distância entre o pilar externo e o primeiro pilar interno.”
NOTAS:
1. “Todos os valores-limites de deslocamentos supõem elementos de vão suportados em ambas as extremidades
por apoios que não se movem. Quando se tratar de balanços, o vão equivalente a ser considerado deve ser o
dobro do comprimento do balanço.
2. Para o caso de elementos de superfície, os limites prescritos consideram que o valor é o menor vão, exceto
em casos de verificação de paredes e divisórias, onde interessa a direção na qual a parede ou divisória se
desenvolve, limitando-se esse valor a duas vezes o vão menor;
3. O deslocamento total deve ser obtido a partir da combinação das ações características ponderadas pelos
coeficientes definidos na Seção 11;
4. Deslocamentos excessivos podem ser parcialmente compensados por contraflechas.
5. Para determinação da flecha de longa duração, adotar a combinação quase permanente.”
16.12 Exemplo 1
p = 20 kN/m
80 cm
ef = 10 m = 1.000 cm
20
Resolução
Com E = 1,2 para brita de basalto o módulo de elasticidade inicial do concreto C20 é (Eq. 71):
66
O exemplo toma como base aquele apresentado em: SANTOS, Lauro Modesto. Flechas em vigas de Concreto Armado levando em
conta o efeito da fluência. In: I SIMPÓSIO EPUSP SOBRE ESTRUTURAS DE CONCRETO, 1, 1989, São Paulo. Anais, Escola
Politécnica - Usp, V.2, ago/1989, p. 633-658.
67
No exemplo de Lauro Modesto dos Santos foi considerado o concreto C18, com módulo de elasticidade E cs = 2.771 kN/cm2. Como
esse concreto não se encontra hoje normalizado, alteramos para o concreto C20.
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f ck 20
Ecs i Eci e 0,8 0,2
i 0,8 0,2 0,85
80 80
2
Ecs 0,85 . 30053 25.545 MPa = 2.554,5 kN/cm
b h3 20 . 803 4
Ic 853.333 cm
12 12
2
p 20 . 102
Mk 250 kN.m = 25.000 [Link]
8 8
b w d 2 20 . 77 2 20
Kc = 3,4
Md 35.000
conforme a Tabela A-4 uma opção é colocar 4 20 (12,60 cm2), sendo possível dispor as quatro
barras em uma única camada. A posição do centro de gravidade da armadura, considerando estribo
t = 5 mm, é:
acg = 2,0 + 0,5 + 2,0/2 = 3,5 cm , ok, muito próximo do valor adotado, de 3,0 cm
f ct I c
Mr
yt
Para a resistência do concreto à tração direta (fct) deve ser considerada a resistência média à
tração direta (fct,m - Eq. 52), que pode ser calculada em função da resistência característica do
concreto à compressão:
O fator deve ser adotado igual a 1,5 para seção retangular. A distância yt entre o centro de
gravidade da seção e a fibra mais tracionada é igual a h/2. O momento fletor de fissuração resulta:
10 . 102
Mg, k Mq, k 100 12.500 [Link]
8
Es 21.000
A razão modular e é (Eq. 68): e = 8,22
E cs 2.554,5
A posição da linha neutra no Estádio II é (Eq. 60):
2 e 2 e
x II2 As As x II As d As d 0
bw bw
Com a armadura positiva efetiva As,ef = 12,60 cm2, d = 77 cm e desprezando neste caso a
armadura comprimida (que é construtiva porta-estribo) no cálculo da flecha, ou seja, com A’s = 0,
encontra-se:
2 2 . 8,22 2 . 8,22
x II 12,60 x II 12,60 . 77 0
20 20
3 2
b w x II x II 2 2
III b w x II e As d x II e As x II d
12 2
2
20 . 22,583 22,58 2
III 20 . 22,58 8,22 . 12,60 77 22,58
12 2
3 3
Mr Mr
(EI )eq, to E cs Ic 1 I II E cs Ic
Ma Ma
3 3
7.072
(EI )eq, to 2.554,5 7.072 853.333 1 383.483 2554,5 . 853333
16.250 16.250
A flecha será calculada na seção do meio do vão. A equação da flecha imediata (ai) para
carga uniformemente distribuída, conforme a Tabela A-10 (caso 6), é:
5 p 4
ai
384 EI
A taxa de armadura comprimida ( ’) foi assumida como zero, e f , sendo (Eq. 79):
(t ) (t 0 )
68
No artigo de Lauro Modesto dos Santos a flecha imediata (ai) é 2,64 cm, calculada por procedimento diferente e com a carga total
g + q (20 kN/m = 0,20 kN/cm). Se aplicada essa carga a flecha imediata resulta ai = 2,42 cm, muito próxima a 2,64 cm. A principal
justificativa para esta diferença de flechas imediatas (1,57 e 2,64 cm) é devida ao fato da NBR 6118 atual preconizar o cálculo da
flecha com a carga da combinação quase permanente, que tem a carga variável reduzida pelo fator 2 .
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1.000
a 4,00 cm
250 250
A flecha final (at = 3,64 cm) mostra que a viga com altura de 80 cm é aceita para suportar a
carga total de 20 kN/m (2 tf/m) no vão efetivo de 10 m.
1.000
a 2,00 cm 1,0 cm a = 1,0 cm
500
Portanto, a viga claramente não tem altura adequada para atuar como suporte de parede, pois
a flecha superou em muito a flecha máxima permitida, de 10 mm. A recomendação neste caso é
aumentar a altura da viga, e refazer os cálculos de modo a atender ao valor limite da norma.70
O mesmo valor da flecha imediata (ai = 1,57 cm, ver Figura 62) foi obtido no programa
FTOOL, com a carga pd,serv = 13 kN/m. No entanto foi necessário fazer uma alteração no módulo de
elasticidade do concreto, de tal forma a refletir a rigidez equivalente calculada (EI)eq,to =
[Link] kN.cm2: com o momento de inércia da viga de Ic = 853.333 cm4 determina-se o
módulo de elasticidade equivalente:
[Link]
Eeq 1.264 kN/cm2
853.333
69
A flecha final calculada por Lauro Modesto dos Santos foi 3,25 cm, com o módulo de elasticidade secante do concreto de 2.771
kN/cm2, para o concreto C18 utilizado no artigo. A pequena diferença para a flecha final aqui obtida, de 3,64 cm, pode ser explicada,
excluídos alguns motivos, pela diferença entre as cargas consideradas, como já explicado na nota anterior, e os módulos de elasticidade
diferentes, de 2.554,5 kN/cm2 para o concreto C20 da NBR 6118 atual.
70
Se a altura da viga for aumentada para 100 cm (seção transversal 20 x 100), que corresponde a /10, a flecha final (at) diminui para
2,09 cm, que é ainda um valor elevado se considerada a hipótese da viga atuar como suporte de parede, pois supera em muito a flecha
limite (10 mm). Uma solução para o problema pode ser obtida com a seção 20 x 100 e o concreto C30 (módulo de elasticidade secante
Ecs = 3.220,6 kN/cm2), que resulta na flecha imediata (ai) de 0,50 cm e na flecha final (at) de 1,17 cm, que é apenas um pouco superior
ao valor limite de 10 mm. Neste caso pode ser aplicada uma contraflecha de:
f ai 1,32 . 0,50
ai ao ai + 0,50 ≤ ao ≤ 0,50 + 0,83 cm
2 2
Figura 62 – Deslocamento vertical máximo (cm) com o módulo de elasticidade do concreto corrigido.
(FTOOL, [Link] 71
E aplicando o efeito da fluência a flecha final resulta o mesmo valor do cálculo manual:
17 VERIFICAÇÃO DA FISSURAÇÃO
No item 13.4.1 a NBR 6118 informa que “A fissuração em elementos estruturais de concreto
armado é inevitável, devido à grande variabilidade e à baixa resistência do concreto à tração;
mesmo sob as ações de serviço (utilização), valores críticos de tensões de tração são atingidos.
Visando obter bom desempenho relacionado à proteção das armaduras quanto à corrosão e à
aceitabilidade sensorial dos usuários, busca-se controlar a abertura dessas fissuras.73
Nas estruturas com armaduras ativas (concreto protendido), existe também, com menor
probabilidade, a possibilidade de aparecimento de fissuras. Nesse caso as fissuras podem ser mais
nocivas, pois existe a possibilidade de corrosão sob tensão das armaduras.
De maneira geral, a presença de fissuras com aberturas que respeitem os limites dados em 13.4.2,
em estruturas bem projetadas, construídas e submetidas às cargas previstas na normalização, não
implicam em perda de durabilidade ou perda de segurança quanto aos estados-limites últimos.
As fissuras podem ainda ocorrer por outras causas, como retração plástica térmica ou devido a
reações químicas internas do concreto nas primeiras idades, devendo ser evitadas ou limitadas por
cuidados tecnológicos, especialmente na definição do traço e na cura do concreto.”74
E no item 13.4.2 a NBR 6118 apresenta o seguinte: “A abertura máxima característica wk das
fissuras, desde que não exceda valores da ordem de 0,2 mm a 0,4 mm (conforme Tabela 13.4), sob ação
das combinações frequentes,75 não tem importância significativa na corrosão das armaduras passivas.
Como para as armaduras ativas existe a possibilidade de corrosão sob tensão, esses limites devem
ser mais restritos e função direta da agressividade do ambiente, dada pela classe de agressividade
ambiental (ver Seção 6).
Na Tabela 13.4 são dados valores-limites da abertura característica wk das fissuras, assim
como outras providências, visando garantir proteção adequada das armaduras quanto à corrosão.
Entretanto, devido ao estágio atual dos conhecimentos e da alta variabilidade das grandezas
envolvidas, esses limites devem ser vistos apenas como critérios para um projeto adequado de
estruturas. Embora as estimativas de abertura de fissuras feitas em [Link] devam respeitar esses
71
FTOOL, versão 4.00.04 (jan/18). Disponível em (6/07/2021): [Link]
72
A flecha calculada pelo programa computacional neste caso resultou idêntica ao valor calculado manualmente. Porém, sem a
verificação via cálculo manual há necessidade de cuidado e conhecimento no uso do programa.
73
A “aceitabilidade sensorial” é uma questão associada às pessoas poderem sentir-se inseguras e desconfortáveis diante de peças de
concreto com fissuras muito visíveis, que prejudicam o conforto e a estética.
74
A cura deve fazer a água permanecer no concreto para a hidratação do cimento, principalmente nos primeiros dias, e é
especialmente importante para evitar o surgimento de fissuras quando a resistência do concreto ainda é baixa. Retração plástica é a
devida à perda de água do concreto durante seu estado fresco, por isso a importância de proteger o concreto à exposição ao sol, vento,
baixa umidade do ar e temperatura ambiente elevada. Retração térmica é a devida ao calor liberado na reação química de hidratação
do concreto, pois o calor o concreto expande inicialmente, mas ao se resfriar ocorre uma redução de volume.
75
Combinações frequentes são aquelas que repetem-se muitas vezes durante o período de vida da estrutura.
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limites, não se deve esperar que as aberturas de fissuras reais correspondam estritamente aos
valores estimados, isto é, fissuras reais podem eventualmente ultrapassar esses limites.”76
A Tabela 7 apresenta as exigências quanto à fissuração e proteção da armadura, somente para
estruturas de Concreto Armado.77
Nas combinações frequentes de serviço a ação variável principal Fq1 é tomada com seu valor
frequente ψ1Fq1k e todas as demais ações variáveis são tomadas com seus valores quase permanentes
ψ2Fqk (os fatores redutores ψ1 e ψ2 estão apresentados na Tabela 4):
No item 13.4.3 a NBR 6118 apresenta: “No caso das fissuras afetarem a funcionalidade da
estrutura, como, por exemplo, no caso da estanqueidade de reservatórios, devem ser adotados limites
menores para as aberturas das fissuras. Para controles mais efetivos da fissuração nessas estruturas, é
conveniente a utilização da protensão. Por controle de fissuração quanto à aceitabilidade sensorial,
entende-se a situação em que as fissuras passam a causar desconforto psicológico aos usuários, embora
não representem perda de segurança da estrutura. Limites mais severos de aberturas de fissuras podem
ser estabelecidos com o contratante.”
No item 17.3.3 a NBR 6118 apresenta o “Estado-limite de fissuração”, que “define os critérios
para a verificação dos valores-limites estabelecidos em 13.4 para a abertura de fissuras nos elementos
estruturais lineares, analisados isoladamente e submetidos à combinação de ações conforme a Seção
11.”
O controle da fissuração é feito por meio da limitação da abertura estimada das fissuras, que “pode
sofrer a influência de restrições às variações volumétricas da estrutura, difíceis de serem consideradas
nessa avaliação de forma suficientemente precisa. Além disso, essa abertura sofre também a influência
das condições de execução da estrutura.
Por essas razões, os critérios apresentados a seguir devem ser encarados como avaliações
aceitáveis do comportamento geral do elemento, mas não garantem avaliação precisa da abertura de
uma fissura específica.
Para cada elemento ou grupo de elementos das armaduras passiva e ativa aderente (excluindo-se
os cabos protendidos que estejam dentro de bainhas), que controlam a fissuração do elemento estrutural,
deve ser considerada uma área Acrí do concreto de envolvimento, constituída por um retângulo cujos
lados não distem mais de 7,5 do eixo da barra da armadura (ver Figura 17.4).
NOTA: É conveniente que toda a armadura de pele i da viga, na sua zona tracionada, limite a abertura
de fissuras na região Acrí correspondente, e que seja mantido um espaçamento menor ou igual a 15 .”
76
Os modelos de cálculo de estimativa da abertura de fissuras são imprecisos, pois são muitas as variáveis que interferem no
problema. Estruturas expostas a agentes agressivos, reservatórios de líquidos, estações de tratamento de água ou esgoto, etc., devem ter
uma atenção especial do engenheiro (a) projetista quanto à fissuração.
77
A Tabela 13.4 da norma também apresenta as exigências para o Concreto Simples e o Concreto Protendido.
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região de
7,5 i
envolvimento de i
com área Acrí
Linha Neutra
i
7,5 i
i
armadura de pele
tracionada da viga
i si 3 si
wk Eq. 86
12,5 1 E si f ct, m
i si 4
wk 45 Eq. 87
12,5 1 E si ri
si ,
, Esi , ri são definidos para cada área de envolvimento em exame;
i
Acrí = área da região de envolvimento protegida pela barra i (ver Figura 63);
Esi = módulo de elasticidade do aço da barra considerada, de diâmetro i ;
i = diâmetro da barra que protege a região de envolvimento considerada;
ri = taxa de armadura passiva ou ativa aderente (que não esteja dentro de bainha) em relação à área da
região de envolvimento (Acrí);
si = tensão de tração no centro de gravidade da armadura considerada, calculada no Estádio II;
1 = coeficiente de conformação superficial da armadura (agora chamado “coeficiente de aderência”,
conforme apresentado no item [Link] da NBR 6118 para armadura passiva), e substituído por p1
para armadura ativa, conforme [Link] da norma. O coeficiente de aderência é 1,00 para CA-25 e
CA-60, e 2,25 para CA-50.
M d ,ser
si ysi e Eq. 88
I II
78
A razão modular e também pode ser calculada, como Es / Ec .
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= Es / Ec (razão modular);
e
ysi = distância da armadura ou barra i até a linha neutra no Estádio II.
A NBR 6118 ([Link]) permite a verificação da fissuração sem o cálculo da abertura de fissuras:
“Para dispensar a avaliação da grandeza da abertura de fissuras e atender ao estado-limite de
fissuração (para aberturas máximas esperadas da ordem de 0,3 mm em concreto armado e 0,2 mm em
concreto com armaduras ativas), um elemento estrutural deve ser dimensionado respeitando as
restrições da Tabela 17.2 quanto ao diâmetro máximo ( máx) e ao espaçamento máximo (smáx) das
armaduras passivas, bem como as exigências de cobrimento (Seção 7) e de armadura mínima (ver
[Link]). A tensão si deve ser determinada no estádio II.” A Tabela 8 mostra a Tabela 17.2 da norma.
17.1 Exemplo 1
Verificar a abertura de fissura na seção do meio do vão de uma viga longarina biapoiada de
ponte, em Concreto Armado e moldada no local, mostrada na Figura 64. São conhecidos:
a) concreto C40 , aço CA-50;
b) momentos fletores positivos máximos atuantes: devido às cargas permanentes Mg,k = 325.250
[Link], devido à carga variável principal Mq,1k = 445.000 [Link];
c) armadura longitudinal positiva composta por 28 25 mm (As = 137,20 cm2), e armadura
longitudinal superior porta-estribos com 8 16 (A’s = 16,00 cm2);
d) viga de estrutura em Classe de Agressividade Ambiental III, wk,máx = 0,3 mm (ver Tabela 7);
e) cobrimento da armadura c = 3,5 cm,79 concreto com brita 1 (dmáx = 19 mm);
f) diâmetro dos estribos t = 8 mm;
g) momento de inércia e posição do centro de gravidade da seção transversal da viga seção T:
Ic = 38.958.000 cm4, ycg = 149,1 cm;
79
A NBR 6118 (item 7.4) permite que “Para concretos de classe de resistência superior à mínima exigida, os cobrimentos definidos
na Tabela 7.2 podem ser reduzidos em até 5 mm.” Conforme a Tabela 7.2 da norma, o cobrimento de concreto para viga de Concreto
Armado em classe de agressividade ambiental III é de 4,0 cm. E conforme a Tabela 7.1 a resistência do concreto dever ser C30.
Como neste exemplo está aplicado o concreto C40, o cobrimento do concreto pode ser reduzido em 5 mm, passando o cobrimento para
3,5 cm.
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laje do tabuleiro
25
viga longarina
200
170 550 cm 170
viga longarina
25
barra construtiva
= 8 mm estribo
t = 8 mm
12,5
3,5
16,4
12,5
= 25 mm 11,4
12,0
11,7
25,5
CG 25
20,5
acg = 13,5
7,9
15,5
10,5
5,5
3,5
3,5 3,3 3,35 3,35 3,3 4,45 4,45 3,3 3,35 3,35 3,3 3,5
2,5 2,5 2,5
50
Figura 65 – Posicionamento da armadura longitudinal positiva da viga longarina na seção do meio do vão.
Resolução
2 cm 2 cm
a h , mín 25 mm a v, mín 25 mm
1,2 d máx,agr 1,2 . 19 23 mm 0,5 d máx,agr 0,5 . 19 10 mm
ah 2,5 cm av 2,5 cm
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Com o cobrimento de 3,5 cm, diâmetro das barras longitudinais = 25 mm e quatro barras
8 na direção vertical (estribo e barras construtivas), observa-se no desenho da Figura 65 que em
uma camada é possível colocar 7 25.80 Para melhorar o adensamento do concreto na região inferior
da viga, na terceira e na quarta camada foram colocadas seis barras, sendo as duas do centro
deslocadas para a quinta camada, de modo que a distância livre de 11,4 cm permite que a ponta da
agulha do vibrador fique mais próxima das barras e da superfície inferior da viga, permitindo uma
melhor qualidade para o adensamento do concreto.
A posição do centro de gravidade (CG) da armadura pode ser calculado com a equação:
A i yi
a cg Eq. 90
Ai
Ai = área da barra i;
yi = distância do centro da barra i à fibra da base da viga.
Fazendo A como a área de uma barra 25 mm, a posição do CG das 28 barras mostradas na
Figura 65 resulta:
No item [Link] a NBR 6118 especifica que a força resultante na armadura longitudinal de
flexão pode ser considerada concentrada no CG das barras se a distância do CG ao centro da barra
mais afastada, medida normalmente à linha neutra, for menor que 10 % h. Na Figura 65 observa-se
que o CG da armadura está situado acg = 13,5 cm acima da fibra da base, e a distância do CG até o
eixo da barra mais afastada é de 12,0 cm (barras da quinta camada). Essa distância atende ao limite
da norma, de 10 % h = 0,10 . 200 = 20,0 cm, de modo que o detalhamento mostrado para a armadura
pode ser feito.
A análise da fissuração deve ser feita com a combinação frequente de serviço (ver Tabela 7
e Eq. 85):81
Fd,ser = Σ Fgik + 1 Fq1k + Σ 2 Fqjk
No item 23.5.2 da NBR 6118 tem-se 1 = 0,5 para vigas de pontes rodoviárias, e:
No cálculo de abertura de fissura a resistência do concreto à tração direta (fct) é assumida com
o valor inferior (fctk,inf , Eq. 53), e com a Eq. 52:
80
Para as barras longitudinais internas sem amarração em outras barras (estribos por exemplo) podem ser colocadas barras curtas
transversais construtivas, para servirem de apoio a essas barras.
81
No cálculo de abertura de fissura é necessário conhecer as parcelas do carregamento total relativas às cargas permanentes e
variáveis.
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Com = 1,2 para seção T, Ic = 38.958.000 cm4 e yt = ycg = 149,1 cm, encontra-se o momento
fletor de fissuração (Eq. 49):
25
área crítica
12,5
7,5 . 2,5 = 18,8 cm
6,8
18,8
19,3
7,5
12,5
44,3
25,5
CG
25
acg = 13,5
50 cm
As 137,20
r 0,07264
Acrí 1.888,8
M d,ser 547.750
si = 25,18 kN/cm2
0,85d As 0,85 . 186,5 . 137,20
82
A combinação frequente é aquela que se repete muitas vezes durante o período de vida da estrutura ou do elemento.
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Para barra de aço nervurada CA-50 o coeficiente de aderência é 1 = 2,25 (NBR 6118, item
8.3.2), e o módulo de elasticidade do aço é Es = 21.000 kN/cm2. As aberturas de fissura no tirante
equivalente são (Eq. 86 e Eq. 87):
i si 4 25 25,18 4
w k1 45 45 0,11 mm
12,5 1 Esi ri 12,5 . 2,25 21.000 0,07264
w k1 0,11 mm
wk wk = 0,11 mm
wk2 0,23 mm
Considerando que a viga está em Classe de Agressividade Ambiental III, na Tabela 7 tem-se que a
abertura máxima de fissura é wk,máx = 0,30 mm, de modo que a comparação permite concluir que a
fissura não causará problema na viga:
Es 21.000
e = 6,56
E cs 3.200
A posição da linha neutra para seção T é (Eq. 64):
2
2 2 2 hf
x II e As e A's bf b w h f x II e As d e A's d' bf bw 0
bw bw 2
Com As = 137,20 cm2, A’s = 16,00 cm2 (8 16 da região superior da viga), d = 186,5 cm,
d’ = 5,0 cm, bw = 25 cm, bf = 325 cm, hf = 20 cm, encontra-se:
2 2
x II 6,56 . 137,20 6,56 . 16,00 325 25 20 x II
25
2 202
6,56 . 137,20 . 186,5 6,56 . 16,00 . 5,0 325 25 0
25 2
3 3 2
b w x II bf bw hf hf 2 2
III bf b w h f x II e As x II d e As x II d'
3 12 2
2
25 . 30,903 325 25 203 20
III 325 25 20 30,90
3 12 2
d = 186,5 cm
A tensão na armadura longitudinal é:
ysi = 155,6
547.750
si 155,6 . 6,56 22,43 kN/cm2
24.928.131
25 22,43 4
w k1 45
12,5 . 2,25 21.000 0,07264
wk1 = 0,10 mm apenas 0,01 mm menor que a abertura determinada com o valor
aproximado da tensão si .
Nos itens seguintes são apresentados dois exemplos numéricos, com cálculos de
dimensionamento, flecha e fissuração das vigas contínuas VS1 e VS2, da estrutura de uma edificação
de pequeno porte de dois pavimentos (sobrado). A Figura 68, Figura 69 e a Figura 70 mostram a
planta de fôrma e a estrutura de concreto em três dimensões, da edificação com dois pavimentos
utilizáveis (térreo e pavimento superior).
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P1 P2 P3
19/19 19/30 19/30
L1 L2
523
45
16
VS2 (14 x 70)
P4 P5 P6
19/30 14/50 14/35
VS4 (19 x 45)
P7 P8 P9
19/19 19/30 19/30
719 719
São conhecidos:
- lajes apoiadas nas vigas do tipo pré-fabricada treliçada unidirecional, com altura total de 16 cm e
peso próprio de 2,43 kN/m2;83
- edificação em área urbana de cidade em região não agressiva (não industrial) e não litorânea.84
Neste caso pode-se definir a Classe de Agressividade Ambiental II,85 no entanto, considerando a nota
a) da Tabela 6.1 da NBR 6118, pode-se admitir um microclima com uma classe de agressividade
mais branda (uma classe acima), para “ambientes com concreto revestido com argamassa e pintura”.
Desse modo, será considerada a Classe de Agressividade Ambiental I, para a qual tem-se: concreto
≥ C20, relação a/c ≤ 0,65 (Tabela 7.1 da NBR 6118), cnom = 2,5 cm (Tabela 7.2 da NBR 6118). Neste
exemplo será adotado o concreto C30 (fck = 30 MPa), o qual atende ao mínimo exigido (C20), e
assim o cobrimento pode ser reduzido para cnom = c = 2,0 cm;86
- peso específico do Concreto Armado: conc = 25 kN/m3;
- coeficientes de ponderação: c = f = 1,4 ; s = 1,15;
- aço CA-50 (fyk = 500 MPa, fyd = fyk / s = 435 MPa = 43,5 kN/cm2), ou CA-60;
- conforme a NBR 6120: arg,rev = 19 kN/m3 (peso específico da argamassa de revestimento);
3
arg,contr = 21 kN/m (peso específico da argamassa de contrapiso ou de regularização);
- ação variável sobre as lajes de 2,0 kN/m2 (carga q conforme a NBR 6120);
- piso final em porcelanato87 sobre as lajes, com piso = 0,20 kN/m2;
83
Com fins didáticos são determinadas também as cargas sobre as vigas admitindo-se a hipótese das lajes serem do tipo maciça, o que
está apresentado no Anexo II.
84
Para todo o conjunto ou partes da estrutura, deve ser definida a classe de agressividade ambiental, em função da agressividade do
ambiente a que o elemento ou estrutura estiver submetida, de modo a fixar valores como a resistência à compressão do concreto (fck),
relação água/cimento máxima (a/c), cobrimento do concreto (c), etc., conforme a NBR 6118. Cuidado especial deve ser dado na
definição da classe de agressividade ambiental, especialmente nas regiões litorâneas, sob influência de agressividade marítima.
85
Ver a NBR 6118 ou BASTOS, P.S. Fundamentos do Concreto Armado. Bauru/SP, Universidade Estadual Paulista (UNESP),
set/2023, 90p. Disponível em (26/03/24): [Link]
86
A NBR 6118 (item 7.4.7) prescreve que: “Para concretos de classe de resistência superior ao mínimo exigido, os cobrimentos
definidos na Tabela 7.2 podem ser reduzidos em até 5 mm.” Portanto, como o concreto escolhido (C30) é de classe superior ao mínimo
exigido (C20), o cobrimento pode ser diminuído em 0,5 cm, ou seja, de 2,5 para 2,0 cm. Essa possível diminuição fica a critério do
projetista. Sabe-se que a espessura e a qualidade do concreto do cobrimento são os fatores mais importantes para garantir proteção à
armadura contra a corrosão.
87
Os pisos de porcelanato têm espessuras diferentes, em função do fabricante e principalmente das dimensões das peças, de modo que
o peso específico pode variar muito, devendo ser consultado com o fabricante.
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- a ação do vento e os esforços solicitantes decorrentes serão desprezados, por se tratar de uma
edificação de baixa altura (apenas dois pavimentos), em região não sujeita a ventos de alta
intensidade.88
A viga VS1 é do pavimento superior e pode ser visualizada na planta de fôrma (Figura 68) e
no corte esquemático que mostra o pórtico plano do qual a viga faz parte (Figura 71). A viga será
calculada como “viga contínua” e como um elemento isolado da estrutura, vinculada aos pilares
extremos por meio de engastes elásticos, conforme disposto no item [Link] da NBR 6118 (ver item
6).89
P1 P2 P3
19/19 19/30 19/30
300
240
tramo 1 tramo 2
19 255
300
694,5 30 683,5 30
A viga VS1 tem dois tramos e três apoios (pilares P1, P2 e P3). Os tramos não são iguais em
geometria (vão, posição, dimensão dos pilares, etc.), mas têm carregamentos iguais, como mesmo
peso próprio e cargas das lajes L1 e L2 iguais. A distância de centro a centro dos apoios (pilares) do
tramo 1 é 719 cm, e do tramo 2 é 713,5 cm (ver Figura 71 e Figura 72), de modo que devido à essa
proximidade os dois tramos podem ter a seção transversal com a mesma altura.90
Para estimativa da altura dos tramos por meio da Eq. 23 será considerado o vão maior, de 719
cm, e:
88
Segundo a NBR 6118 (item [Link]), “Os esforços solicitantes relativos à ação do vento devem ser considerados e recomenda-se
que sejam determinados de acordo com o prescrito pela ABNT NBR 6123, permitindo-se o emprego de regras simplificadas previstas
em Normas Brasileiras específicas.”
89
Outras formas de análise podem ser feitas, considerando-se por exemplo a viga VS1 como sendo parte de um pórtico plano, ou
compondo uma grelha com as lajes e vigas do pavimento. Neste caso haveria uma melhor interação com os demais elementos do
pavimento e com os pilares de apoio. Uma outra forma possível de cálculo seria considerar toda a estrutura como um pórtico
tridimensional (ou espacial), como pode ser feito com a aplicação de alguns programas computacionais comerciais de projeto de
estruturas de concreto.
90
As cargas nos dois tramos são iguais e também por isso a viga pode ter uma única altura. No caso de vigas contínuas com vários
tramos de vãos desiguais deve-se, na medida do possível, procurar padronizar a altura dos tramos, não se adotando cada tramo com
uma altura diferente.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 75
ef 719
h 59,9 cm tramo 1 tramo 2
12 12
P1 P2 P3
719 cm 713,5
h = 60 cm, para os dois
tramos
Figura 72 – Vãos considerados para estimativa da altura da viga VS1.
viga
VS1
vigota treliçada da tábua
laje pré-fabricada
Figura 73 – Desenho esquemático da execução de laje, viga e parede em edificação de pequeno porte,
com a parede já previamente executada.
Os tramos 1 e 2 da viga não têm vãos efetivos iguais devido às dimensões diferentes dos
pilares de apoio. Considerando as medidas mostradas na Figura 68 e na Figura 74, de acordo com a
Eq. 21 tem-se:
Tramo 1:
t1 / 2 19 / 2 9,5 cm t 2 / 2 30 / 2 15 cm
a1 a2
0,3 h 0,3 . 60 18,0 cm 0,3 h 0,3 . 60 18,0 cm
a1 = 9,5 cm a2 = 15 cm
91
Em edificações de pequeno porte geralmente as paredes de alvenaria são construídas antes da estrutura de concreto (vigas, pilares e
lajes), e para facilitar a execução é interessante que vigas e pilares tenham espessuras iguais às das paredes, pois assim as tábuas
utilizadas nas fôrmas podem ser montadas apenas encostadas ou apoiadas nos blocos da parede de alvenaria.
92
Quando as dimensões dos pilares na direção do eixo longitudinal da viga são pequenas, geralmente o vão efetivo resulta igual à
distância entre os centros dos pilares, como ocorreu neste caso.
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Tramo 2:
t1 / 2 t 2 / 2 30 / 2 15 cm
a1 a2 a1 = a2 = 15 cm
0,3 h 0,3 . 60 18,0 cm
P1 P2 P3
19/19 19/30 19/30
tramo 1 tramo 2
19 694,5 30 683,5 30
viga baldrame
Figura 74 – Distâncias para cálculo dos vãos efetivos dos tramos 1 e 2 da viga VS1.
Como existe laje apoiada na região superior da viga, na extensão onde ocorrem tensões
normais de compressão provocadas pelo momento fletor positivo, a estabilidade lateral da viga está
garantida pela laje. Na extensão dos momentos fletores negativos, onde a compressão ocorre na
região inferior da viga e não existe laje inferior travando lateralmente a viga, não deverá ocorrer
problema porque o banzo comprimido tem pequena extensão.93
O cálculo da carga total sobre a viga está feito segundo a hipótese das lajes serem do tipo pré-
fabricada treliçada unidirecional. Porém, a título de exemplo didático o cálculo da carga total
também está feito com as lajes supostas como maciças, o que está apresentado no Anexo II.
Como se pode observar na Figura 68, as lajes L1 e L2 do piso do pavimento superior apoiam-
se somente sobre as vigas VS1 e VS2, pois as lajes são do tipo pré-fabricada treliçada com vigotas
(ou trilhos) unidirecionais.94 O primeiro tramo da VS1 recebe parte da carga da laje L1, e o segundo
tramo parte da laje L2.
Para as lajes será considerada a altura total de 16 cm, com peso próprio de 2,43 kN/m2.(ver nota
95)
As argamassas de revestimento, nas superfícies inferiores e superiores das lajes,96 são previstas
respectivamente com as espessuras médias de 1,5 e 2,5 cm. O revestimento final do piso, em
porcelanato, tem carga estimada de 20 kgf/m2. Considerando os pesos específicos dados e a carga
variável q, a carga total (p) por m2 de área de laje está mostrada na Tabela 9.
93
No caso de “vigas invertidas” é importante verificar com cuidado a questão da instabilidade lateral.
94
As setas mostradas no interior das lajes na planta de fôrma indicam a direção das nervuras.
95
Peso próprio da laje fornecida pelo fabricante, em função das características geométricas, como distância entre eixos de vigotas, das
lajotas cerâmicas de enchimento, etc. O engenheiro estrutural deve verificar o peso próprio, pois o projeto é de sua responsabilidade.
A laje com enchimento em EPS (isopor) em substituição ao bloco cerâmico pode ser uma boa opção quando for importante ter uma
laje com menor peso próprio, além de melhor isolamento térmico.
96
Também chamado “contrapiso” ou “argamassa de regularização”.
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A carga que as lajes pré-fabricadas unidirecionais aplicam sobre as vigas de apoio depende
dos vínculos escolhidos para as nervuras (vigotas) nos apoios, sendo geralmente o apoio simples ou o
engaste perfeito. Quando não existe continuidade da laje com uma outra laje adjacente sobre uma
viga de apoio, as vigotas são consideradas sobre apoios simples. Este é o caso das lajes sobre as duas
vigas da periferia da edificação (VS1 e VS3). Quando existe continuidade da laje com outra laje
adjacente sobre uma viga de apoio, e as vigotas das duas lajes têm a mesma direção e o mesmo nível,
as vigotas podem ser consideradas engastadas umas nas outras na posição da viga de apoio, ou seja,
uma laje engastada na outra,97 como é geralmente feito no caso de lajes maciças contínuas. A
armadura negativa devida ao engastamento considerado para as vigotas é colocada próxima à face
superior da capa das lajes.98 É o caso dos pares de lajes L1 e L3 e L2 e L4 na posição da viga interna
da edificação (VS2).
No entanto, no projeto de lajes pré-fabricadas é muito comum desprezar-se a continuidade
entre as lajes e considerar as vigotas como simplesmente apoiadas (biapoiadas).99 Neste exemplo
será considerado que as vigotas são simplesmente apoiadas sobre as vigas VS1, VS2 e VS3.
Para efeito de cálculo da carga o vão das lajes L1 e L2 será tomado de centro a centro das
vigas de apoio VS1 e VS2: laje = 523 cm (ver Figura 68).
Considerando que os carregamentos que atuam na viga consistem de uma parede de vedação
apoiada sobre a viga em toda sua extensão (composta por blocos cerâmicos com furos horizontais,
com dimensões de 9 x 19 x 19 cm, assentados “deitados” – segundo a dimensão de 19 cm), com
espessura final de 23 cm(ver nota 100) e altura101 de 2,40 m (ver Figura 71), com carga por metro
quadrado de área de 2,3 kN/m2 (ver Tabela 2), valor esse que considera os diferentes pesos
específicos do bloco cerâmico e das argamassas de assentamento (espessura de 1,0 cm) e de
revestimento (2,0 cm em cada lado da parede), de uma laje pré-fabricada com carga total de 5,45
kN/m2 e comprimento de 5,23 m, e o peso próprio da viga (de seção transversal retangular 19 x 60
cm), o carregamento total atuante nos tramos 1 e 2 da VS1 está mostrado na Tabela 10.
97
Considerar as vigotas engastadas é interessante quando se necessita diminuir a flecha nas lajes pré-fabricadas treliçadas.
98
Esta armadura negativa pode ter as barras dispostas na capa e nas vigotas, ou somente nas vigotas (próximas à borda superior), ao
longo da laje na região adjacente à viga de apoio.
99
Neste caso, a fim de evitar um possível surgimento de fissuras na superfície superior de lajes contínuas, convém dispor uma
armadura negativa construtiva na capa da laje, como por exemplo 6,3 mm c/20 ou 25 cm.
100
A espessura final, real da parede, pode não coincidir com a espessura da parede especificada no projeto arquitetônico da edificação,
sendo comum as larguras de 15 e 25 cm nesses projetos. A espessura final depende da largura da unidade de alvenaria (bloco, tijolo
maciço, etc.) e da espessura dos revestimentos (reboco de argamassa, gesso, etc.).
101
A altura da parede é a distância da face superior da viga VS1 até a face inferior da viga da cobertura (VC1).
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pp == 22,62 kN/m
25,04 kN/m
tramo 1 tramo 2
P1 P2 P3
719 cm 713,5 cm
719
De acordo com a NBR 6118 deve ser obrigatoriamente considerada a ligação das vigas com
os pilares extremos. Isto garante um melhor trabalho da estrutura como pórtico, e pode ser feito por
meio da consideração dos pilares extremos como engastes elásticos. No caso dos pilares internos a
NBR 6118 fornece um critério (ver Figura 19) que permite definir se o pilar será considerado apoio
simples ou engaste perfeito.102
O vínculo da viga com o pilar interno (P2) é definido em função do comprimento equivalente
do lance inferior do pilar ( e , distância entre a meia altura das vigas no topo e na base do lance do
pilar, ver Figura 71): e = 255 + 60/2 + 30/2 = 300 cm.
A dimensão do pilar P2 na direção do eixo longitudinal da viga (bint) é 30 cm, menor que um
quarto do comprimento equivalente do pilar ( e/4 = 300/4 = 75 cm), isto é, bint = 30 cm < 75 cm, o
que implica que pelo critério da norma o pilar interno deve ser considerado como apoio simples103
(ver Figura 79).
No caso dos pilares extremos P1 e P3 será considerado o vínculo tipo engaste elástico. Como
os dois pilares têm seção transversal diferentes, as rigidezes das molas são diferentes, e podem ser
avaliadas com a Eq. 8:
O coeficiente de rigidez à flexão da mola pode ser adotado como 3 ou 4 (Eq. 9 e Eq. 10), em
função dos vínculos nas extremidades da barra (ver Figura 26). Considerando os lances inferior e
superior dos pilares extremos P1 e P3 como barras simplesmente apoiadas na base e no topo
(biarticuladas) e com as linhas de deformação mostradas na Figura 76, o coeficiente a ser tomado é
3,104 e conforme a Eq. 9:
Kp = 3EI/
com tomado como 300 cm conforme mostrado na Figura 71 e Figura 76 (distância entre os eixos
longitudinais das vigas da base e do topo).
102
A critério do projetista há também a possibilidade de considerar o pilar interno como um engaste elástico.
103
A viga deveria ser considerada engastada no pilar P2 caso b int resultasse maior que e/4. De acordo com a norma isso ocorreria se a
dimensão do pilar na direção da viga (bint) fosse grande o suficiente para que a sua rigidez pudesse impedir a rotação da viga nas suas
proximidades, ou seja, a viga seria considerada engastada no pilar P2. Neste caso, o comprimento do pilar P2 na direção da viga teria
que ser superior a 75 cm para a viga ser engastada no pilar.
104
No entanto, a fim de se obter uma menor flecha na viga VS1 é necessária uma maior rigidez para a mola, o que pode ser feito
aumentando-se as dimensões dos pilares ou adotando-se o coeficiente 4 ao invés do 3, isto é, considerando o pilar engastado em uma
das extremidades. Com essa solução o momento fletor de ligação da viga com o pilar extremo resulta um pouco maior, e
consequentemente também os momentos fletores nos lances superior e inferior do pilar, devendo esses momentos fletores serem
considerados no dimensionamento do pilar. Os dois elementos (viga e pilar), se corretamente dimensionados em função dos esforços
solicitantes resultantes da solução adotada, deverão se comportar, na estrutura em serviço, como supostos no modelo teórico.
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cobertura
= 300 cm
lance
superior
= 300
lance
inferior
P1
pav. térreo
Figura 76 – Vínculos e deformações dos pilares extremos P1 e P3 nos lances inferior e superior.
Como o concreto, a altura e a seção transversal dos pilares extremos não varia nos lances, as
rigidezes dos lances inferior e superior são iguais, a rigidez da mola é (Eq. 13, Figura 28):
3 EI 3 EI 6 EI
K mola K p,sup K p,inf
O módulo de elasticidade do concreto tangente na origem pode ser avaliado pela expressão
(NBR 6118, item 8.2.8):
com E = 1,2 para brita de basalto (também para diabásio). Supondo que a viga estará trabalhando
microfissurada em serviço (Estádio II), o módulo de elasticidade a ser considerado é o secante (Ecs):
f
Ecs = i Eci , com i 0,8 0,2 ck 1,0
80
30
i 0,8 0,2 0,875 1,0 ok!
80
a) pilar P1 b) pilar P3
b h3 19 . 193 4 b h3 19 . 303 4
Ip,sup = Ip,inf = 10.860 cm Ip,sup = Ip,inf = 42.750 cm
12 12 12 12
onde Ip é o momento de inércia em relação ao eixo baricêntrico de uma seção retangular cuja
dimensão h da seção é aquela correspondente à direção perpendicular ao eixo de flexão do pilar. Em
outras palavras o momento de inércia que interessa neste caso é aquele onde a dimensão do pilar
retangular elevada ao cubo é aquela na direção do eixo longitudinal da viga.
Com os lances inferior e superior considerados biarticulados, o comprimento equivalente dos
lances é a distância entre a meia altura das vigas no topo e na base dos lances. Assim, como mostrado
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na Figura 71, os comprimentos equivalentes dos lances inferior e superior à viga VS1 são iguais a
300 cm (Figura 71). As rigidezes das molas resultam:
a) pilar P1
6 EI 6 . 3221 . 10860
K mola = 699.601 [Link]/rad
300
b) pilar P3
6 EI 6 . 3221 . 42750
K mola = 2.753.955 [Link]/rad
300
cobertura
Mvig Mvig
VS1 superior
Minf erior Minf
Msup Msup
P1 P2 P3
térreo
O carregamento final na viga está mostrado na Figura 75. Para determinação dos esforços
solicitantes na viga foi aplicado o programa FTOOL.106 A Figura 78 mostra a tela do programa, e a
Figura 79 mostra o esquema estático com os vínculos, distâncias e carregamento na viga. A Figura
80 mostra os diagramas de forças cortantes e de momentos fletores (valores característicos) obtidos
no programa.
105
Como a rigidez das molas é maior no pilar P3, os momentos fletores na viga (M vig) e neste pilar (Minf e Msup) serão maiores que
aqueles devidos à ligação da viga com o pilar P1.
106
FTOOL, versão 4.00.04 (jan/18). Disponível em (6/07/2021): [Link]
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Figura 79 – Esquema estático com os vínculos, distâncias e carga uniformemente distribuída na viga VS1.
(FTOOL, [Link]
Figura 80 – Diagramas de forças cortantes (Vk , kN) e momentos fletores (Mk , [Link]) na viga VS1.
(FTOOL, [Link]
O dimensionamento dos pilares não está feito neste texto, porém, a título de exemplificação,
os momentos fletores atuantes nos lances inferior e superior dos pilares extremos podem ser
determinados em função das rigidezes dos lances. Fazendo apenas para o pilar P3, e considerando
que a seção transversal e a altura do pilar são iguais nos dois lances, os momentos fletores são iguais
e:
K p,inf 2.753.955 / 2
Minf M vig 2.843 1.422 [Link]
K mola 2.753.955
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K p,sup 2.753.955 / 2
Msup M vig 2.843 1.422 [Link]
K mola 2.753.955
cobertura
lance superior
Mvig 2.843
VS1 pav. superior
Minf 1.422
Msup 1.422
lance inferior
P1 P2 P3
pav. térreo
Figura 81 – Momentos fletores ([Link]) na viga VS1 e no pilar P3 calculados via engaste elástico.
Para seção retangular e concreto C30 a taxa mínima de armadura ( mín – ver Tabela A-2) é
0,15 % , portanto:
A armadura de pele não é obrigatória neste caso segundo a NBR 6118, pois a viga não tem
altura superior a 60 cm.108 No entanto, a fim de evitar fissuras de retração que podem surgir mesmo
em vigas com alturas inferiores a 60 cm, será colocada uma armadura de pele com área de 0,05 % Ac
em cada face da viga, que era a área de armadura de pele recomendada para vigas com alturas
superiores a 60 cm, na versão NB-1 de 1978, portanto:
107
Outros esforços solicitantes podem atuar no pilar devidos à consideração do vento e do desaprumo.
108
A NBR 6118 indica a armadura de pele para vigas com h > 60 cm.
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4 4,2 mm (0,56 cm2) ou 3 5 mm (0,60 cm2) em cada face (ver Tabela A-3 ou Tabela A-4),
distribuídas ao longo da altura109 (ver Figura 103).
O momento fletor negativo atuante (Mk) na viga na seção sobre o pilar P2 tem valor 13.538
[Link]. Este momento é 2,02 vezes maior que o menor momento fletor positivo máximo dos vãos, de
6.700 [Link] no tramo 2. Uma forma de diminuir essa diferença é adotar um menor valor para o
momento fletor negativo. A NBR 6118 permite reduzir o momento fletor negativo no apoio interno,
de M para δM, com δ ≥ 0,75 para estruturas de nós indeslocáveis (ver Eq. 2, item 5.3). Adotando δ =
0,85, tem-se:110
Para a altura da viga de 60 cm será adotada a altura útil (d) de 55 cm. A capa das lajes pré-
fabricadas, situada na região superior da viga, está tracionada pelo momento fletor negativo, e não
pode ser considerada para contribuir na resistência às tensões normais de compressão, provenientes
da flexão, de modo que a viga deve ser dimensionada como seção retangular (19 x 60):
b w d 2 19 . 552 3 12,5
Kc = 3,6
Md 16.110 acg
av =
2,0
da Tabela A-1 tem-se para o concreto C30: x = x/d = 0,21, Ks = c = 2,0
0,025 e domínio 2. Como foi feita a redução do momento fletor, ah = 5,1 3 12,5
A armadura resulta:
Md 16.110
As Ks = 0,025 7,32 cm2 ( As,mín = 1,71 cm2)112
d 55
na Tabela A-4 encontra-se a opção: 6 12,5 (7,50 cm2, escolha adequada para edificações de
pequeno porte113).
Considerando que no adensamento do concreto será aplicado um vibrador com diâmetro da
agulha de 35 mm, a distância livre horizontal entre as barras das camadas da armadura negativa deve
ser superior a 35 mm, com uma pequena folga. Para cobrimento de 2,0 cm, estribo suposto com
109
A armadura de pele a rigor deve ser colocada somente na região tracionada da seção transversal.
110
A redução do momento fletor negativo no apoio interno é um recurso que o projetista pode adotar, a seu critério, não sendo
obrigatória. Deve-se considerar principalmente o aumento da flecha nos vãos adjacentes que a redução acarreta.
111
O valor de x indica que uma redução ainda maior que 15 % do momento fletor negativo poderia ser considerada. No entanto, a
redução deste momento fletor no apoio interno causa um aumento nas flechas nos tramos adjacentes, como serão verificadas adiante.
112
Segundo a NBR 6118, a soma das armaduras de tração e de compressão (A s + A’s) não deve ter valor maior que
4 % Ac (As,máx = 0,04 . 19 . 60 = 45,60 cm2), muito superior à qualquer combinação de As com A’s ao longo da viga (A’s resulta nula
em todas as seções, ou seja, nenhuma seção com armadura dupla).
113
Em obras de pequeno porte é indicado utilizar barras de até 12,5 mm de diâmetro. No caso de edificações de médio e grande porte
geralmente existem profissionais específicos para montagem de armaduras, o “armador”, que corta, amarra e monta as armaduras, com
equipamentos e instalações adequadas, onde barras de diâmetro 16 mm ou superior não oferecem dificuldades. No entanto, o projetista
pode avaliar essa questão para cada situação, junto aos responsáveis pela execução da edificação.
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distância livre suficiente e com folga para a passagem da agulha do vibrador de 35 mm.114 A
distância livre mínima entre as barras das duas camadas, na direção vertical é (Eq. 47):
2 cm
a v, mín 1,25 cm av,mín = 2,0 cm
0,5 d máx,agr 0,5 . 1,9 1,0 cm
acg = 2,0 + 0,5 + 1,25 + 2,0/2 = 4,8 cm , ok, muito próximo ao valor adotado, de 5 cm.
Como o momento fletor negativo na seção sobre o pilar P2 foi reduzido de 13.538 [Link]
para 11.507 [Link], deve-se fazer uma redistribuição de esforços solicitantes na viga, pois a redução
altera todos os demais esforços solicitantes. O cálculo pode ser feito aplicando-se o momento fletor
reduzido na posição do apoio interno (P2), nos dois tramos adjacentes. A Figura 82 mostra a viga
com os carregamentos existentes.
Figura 82 – Viga VS1 para cálculo dos esforços solicitantes devidos à redução do momento fletor negativo
no pilar P2 (redistribuição de esforços). (FTOOL, [Link]
Os esforços solicitantes na viga são alterados para os valores da Figura 83, e devem ser
considerados no cálculo das demais armaduras da viga e elementos estruturais a ela ligados, como os
pilares P1, P2 e P3. Observa-se que os momentos fletores aumentaram, como o máximo positivo no
tramo 2, de 6.700 [Link] para 7.328 [Link].115 A diferença entre os momentos fletores calculada
anteriormente, de 2,02, diminuiu para 1,57 (11.507 / 7.328).
114
No caso de uso do vibrador com diâmetro da agulha de 25 mm seria possível colocar 4 12,5 na primeira camada, ficando 2 12,5
na segunda camada.
115
A redução do momento fletor no apoio interno aumentou os momentos fletores positivos nos tramos e também as flechas. O cálculo
da flecha depende da armadura longitudinal de flexão no vão, e por isso antes devem ser determinadas essas armaduras.
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Figura 83 – Diagramas de forças cortantes (Vk , kN) e momentos fletores (Mk , [Link]) resultantes da
redistribuição de esforços solicitantes na viga VS1. (FTOOL, [Link]
a) Pilar P1
2 10
b w d 2 19 . 572
Com d = 57 cm: K c = 37,7
Md 1.639 acg
Md 1.639
As Ks = 0,023 0,66 cm2 ( As,mín = 1,71 cm2) 19
d 57
b) Pilar P3
b w d 2 19 . 572
Com d = 57 cm: K c = 13,7
Md 4.511
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Md 4.511
As Ks = 0,023 1,82 cm2 ( As,mín = 1,71 cm2)
d 57
1 8
2
2 10 + 1 8 (2,10 cm )
19
a) Tramo 1
b w d 2 19 . 572
Kc = 5,0 19
Md 12.229
Md 12.229 acg
As Ks = 0,024 5,15 cm2 ( As,mín = 1,71 cm2)
d 57
4 12,5
A posição do CG da armadura é:
acg = 2,0 + 0,5 + 1,25/2 = 3,1 cm , ok, muito próximo ao valor adotado, de 3 cm.
b) Tramo 2
116
Nota-se que a Tabela mostra ser possível colocar 4 12,5 mm em uma única camada. Na escolha das 4 barras 12,5 foi admitida
uma tolerância de 5 % para menos na área da armadura calculada (0,95 . 5,15 = 4,89 cm2).
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b w d 2 19 . 572 19
Kc = 6,0
Md 10.259
As flechas nos tramos 1 e 2 não são iguais, e como a flecha no tramo 1 é maior que a do
tramo 2, para exemplificação apenas ela será calculada.
f ct I c
O momento fletor de fissuração é (Eq. 49): Mr
yt
A resistência do concreto à tração direta (fct) pode ser estimada em função da resistência
característica do concreto à compressão, e para verificação da flecha deve ser considerada a
resistência média fct,m (Eq. 52):
2 2
fct, m 0,3 3 fck 0,3 3 302 2,90 MPa = 0,29 kN/cm
O fator é 1,5 para seção retangular, e a distância yt entre o centro de gravidade da seção
transversal e a fibra mais tracionada é h/2. O momento de inércia e o momento fletor de fissuração da
viga são:
19 . 603 4 1,5 . 0,29 . 342000
Ic 342.000 cm , Mr 4.959 [Link]
12 60 / 2
laje 5,23
q VS1 q 2,0 5,23 kN/m
2 2
O carregamento total atuante na viga é p = 22,62 kN/m, e a carga variável de 5,23 kN/m
representa 23,12 % (5,23/22,62) do carregamento total. Esta porcentagem pode ser aplicada para
calcular os momentos fletores devidos às cargas permanentes e variável, considerando o momento
fletor máximo positivo no tramo (Mk = 8.735 [Link], obtido após a redistribuição, Figura 83):118
117
Nota-se que a Tabela mostra ser possível colocar 4 12,5 mm em uma única camada, de modo que a armadura escolhida também.
118
Os momentos fletores também podem ser obtidos no programa Ftool, considerando-se a carga variável na viga (5,23 kN/m), e com
a redistribuição de esforços solicitantes efetuada, devida à redução do momento fletor negativo no pilar interno P2.
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Md,serv = 7.321 [Link] > Mr = 4.959 [Link] a seção trabalha no Estádio II e EI = (EI)eq
Es 21.000
O valor de e é (Eq. 68): e = 6,52
E cs 3.221
A posição da linha neutra no Estádio II é (Eq. 60):
2 e 2 e
x II2 As As x II As d As d 0
bw bw
A armadura efetiva de flexão positiva no tramo é As = 5,00 cm2 (4 12,5, d = 57 cm, ver item
19.7.6), a armadura longitudinal superior comprimida é porta-estribo, adotada como 2 10 (A’s =
1,60 cm2, com d’ = 3,0 cm), e substituindo os valores numéricos encontra-se:
2 2 . 6,52 2 . 6,52
x II 5,00 1,60 x II 5,00 . 57 1,60 . 3,0 0
19 19
3 2
b w x II x II 2 2
III b w x II e As d x II e As x II d
12 2
2
19 . 12,023 12,02 2 2
III 19 . 12,02 6,52 . 5,00 57 12,02 6,52 . 1,60 12,02 3,0
12 2
3
3
Mr I Mr
(EI) eq E cs 1 III E cs I c
Ma c Ma
3 3
4.959
(EI )eq 3.221 4.959 342.000 1 77.804 3221 . 342000
7.321 7.321
A flecha imediata total será calculada no tramo 1 considerando a soma de cada flecha dos
casos mostrados na Figura 84.119
p
P2
+
1 2
P1 P2 P1 M
P1
3
M P2
A Figura 85 mostra o tramo sob a carga uniformemente distribuída e conforme a Tabela A-10
a equação da flecha é (caso 6):
p = 22,62 kN/m
5 p 4
a i, p
384 EI
1
719 cm
Na Tabela 4 tem-se 2 = 0,3 para edifícios, e a carga de serviço para combinação quase
permanente é (Eq. 57):
5 0,1896 . 7194
a i,p 1,28 cm
384 515.083.780
A Figura 86 mostra o tramo sob o momento fletor negativo aplicado no pilar P2, e conforme a
Tabela A-10 a equação da flecha é (caso 11):
119
No caso 1 o deslocamento vertical máximo (flecha) é calculado para a seção do meio do vão (0,5 ), e nos casos 2 e 3 a flecha é
calculada na seção a 0,423 do apoio, de modo que a flecha que será calculada é uma estimativa da flecha real.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 90
1 M 2
ai
9 3 EI 2
M
momento fletor Mk = 11.507 [Link] 719 cm
(Figura 83)
Figura 86 – Esquema para cálculo da flecha devida ao
momento fletor negativo aplicado na posição do pilar P2.
1 9645 . 7192
a i, M, I 0,62 cm
9 3 515.083.780
A Figura 87 mostra o tramo sob o momento fletor negativo aplicado no pilar P1, e conforme a
Tabela A-10 a equação da flecha é (caso 11):
1 M 2
ai
9 3 EI 3
M
momento fletor Mk = 1.171 [Link]
719 cm
1 981 . 7192
a i, M, II 0,06 cm
9 3 515.083.780
Flecha imediata total: ai,t = ai,p + ai,M,I + ai,M,II = 1,28 – 0,62 – 0,06 = 0,60 cm
ai,t = 0,60 cm
A' s 1,60
0,0014774
bw d 19 . 57
0,88
f 0,8195
1 50 . 0,0014774
Na Tabela 6 (Tabela 13.3 da NBR 6118, item 13.3) consta que a flecha limite para
“Aceitabilidade sensorial – visual”, como deslocamentos visíveis, é /250, e neste caso é 719/250 =
2,88 cm. Portanto, muito maior que a flecha final da viga:
Como a viga trabalha em serviço como suporte de parede, a norma preconiza verificar
“Efeitos em elementos não estruturais” (para elementos compostos por paredes de alvenaria,
caixilhos e revestimentos), e na Tabela 6 os valores-limites para a flecha são:
120
“O vão deve ser tomado na direção na qual a parede ou a divisória se desenvolve.” A parede se estende ao longo de todo o
tramo e foi tomado o vão para .
121
“Rotação nos elementos que suportam paredes.” Não foi determinada no exemplo, e o valor fornecido pelo Ftool será analisado
mais à frente.
122
Vigas que servem de apoio para paredes devem ter os deslocamentos-limites avaliados cuidadosamente, para evitar o surgimento de
fissuras indesejáveis na parede, por flecha excessiva. Geralmente, a solução mais comum para resolver problemas de flecha elevada é
aumentar a altura da viga.
123
Há também que observar que se a viga tem parede embaixo, ao se deformar ela apoia nesta parede, o que contribui por diminuir a
flecha teoricamente calculada, resultando assim uma flecha menor na viga.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 92
19.8.7 Contraflecha
Na hipóstese de se adotar uma contraflecha (ao) para a viga, esta pode ser estabelecida entre os
limites (Eq. 84):
f ai 0,8195 . 0,60
ai ao ai + 0,60 + 0,85 cm
2 2
O deslocamento vertical máximo (flecha) calculado no programa Ftool é 0,62 cm (Figura 88),
calculado com o módulo de elasticidade do concreto alterado para (Ecs)eq = (EI)eq/Ic =
515.083.780/342.000 = 1.506 kN/cm2, com as ações mostradas no item 19.8.4 (casos 1, 2 e 3), e para o
esquema com redistribuição de esforços solicitantes. O giro nas proximidades do pilar P1 é de 0,0030
rad. Observa-se que a flecha de 0,62 cm do programa é muito próxima à flecha imediata (ai,t)
calculada teoricamente aqui, de 0,60 cm. Portanto, uma ótima concordância neste caso. No entanto, o
giro fornecido pelo programa supera o limite da norma (0,0017 rad).
Figura 88 – Deslocamento vertical máximo (cm) com (Ecs)eq , com redistribuição dos esforços e ações de
serviço para combinação quase permanente. (FTOOL, [Link]
No caso de se considerar a viga com os dados iniciais e com redistribuição de esforços (ver
esquema da Figura 82), porém corrigindo-se o módulo de elasticidade do concreto para metade do
seu valor, isto é, (Ecs)corr = Ecs/2 = 3.221/2 = 1.610 kN/cm2, a flecha imediata resulta 0,64 cm (Figura
89), próxima ao valor determinado teoricamente, de 0,60 cm.
Figura 89 – Deslocamento vertical máximo (cm) com (Ecs)corr , com redistribuição dos esforços e
carregamento total. (FTOOL, [Link]
A viga tem três momentos fletores máximos importantes, os dois positivos nos tramos e o
negativo no pilar interno P2 (Figura 83). Para exemplificação a verificação da fissuração será feita
apenas na seção sobre o pilar P2, onde ocorre o maior momento fletor solicitante da viga.125
124
Supondo-se uma contraflecha de 8 mm, a flecha final teórica seria de 10,9 8 = 2,9 3 mm.
125
Vigas que atendem as prescrições da norma quanto aos limites de ductilidade e de flecha geralmente não apresentam taxas de
armadura longitudinal elevadas, e sendo assim não apresentam problemas de abertura de fissura excessiva.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 93
A análise deve ser feita com a combinação frequente de serviço, e conforme a Tabela 7 e a
Eq. 85:
Fd,ser = Σ Fgik + 1 Fq1k + Σ 2 Fqjk , e em termos de momentos fletores:
f ct I c
O momento fletor de fissuração é (Eq. 49): Mr
yt
No cálculo de abertura de fissura a resistência do concreto à tração direta (fct) é assumida com
o valor inferior (fctk,inf , Eq. 53):
2
fctk,inf = 0,7fct,m = 0,7 . 0,3 3 f ck2 0,7 . 0,3 3 302 2,03 MPa = 0,203 kN/cm
6 12,5
h1 = 2,0 + 0,5 + 1,25 + 2,0 + 1,25/2 = 6,4 cm
h1 =
h2 = 7,5 = 7,5 . 1,25 = 9,4 cm 6,4
av =
htir = 15,8
2,0
htir = h1 + h2 = 6,4 + 9,4 = 15,8 cm área do tirante h2 = 7,5
equivalente = 9,4
Área crítica referente as seis barras 12,5:
126
No cálculo de abertura de fissura é necessário conhecer as parcelas do carregamento total relativas às cargas permanentes e
variáveis.
127
A combinação frequente é aquela que se repete muitas vezes durante o período de vida da estrutura.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 94
M d,ser 9.911
si = 28,27 kN/cm2
0,85d As 0,85 . 55 . 7,50
As 7,50
r 0,024983
Acrí 300,2
Para barra nervurada aço CA-50 o coefiente de aderência é 1 = 2,25 (NBR 6118, item 8.3.2),
com módulo de elasticidade Es = 21.000 kN/cm2. Com a resistência média do concreto à tração
sendo:
2
f ct, m 0,3 3 f ck 0,3 3 302 2,90 MPa
i si 4 12,5 28,27 4
w k1 45 45 0,12 mm
12,5 1 Esi ri 12,5 . 2,25 21.000 0,024983
i 3 si
si 12,5 28,27 3 . 28,27
wk2 0,17 mm
12,5 1 Esi f ct, m 12,5 . 2,25 21.000 0,290
w k1 0,12 mm
wk wk = 0,12 mm
wk2 0,17 mm
Agora, a fim de exemplificar uma verificação mais precisa, a abertura da fissura será
recalculada a seguir com a tensão na armadura ( si) determinada em função da posição da linha
neutra e do momento de inércia no Estádio II. A posição da linha neutra é (Eq. 60):
2 e 2 e
x II2 As As x II As d As d 0
bw bw
Com a razão modular e = Es/Ecs = 21.000/3.221 = 6,52, armaduras tracionada As = 7,50 cm2
e comprimida A’s = 2,50 cm2 (2 12,5 da região inferior da viga ancoradas no pilar P2, ver Figura
103), d = 55 cm, d’ = 3,0 cm, substituindo os valores encontra-se:
2 2 . 6,52 2 . 6,52
x II 7,50 2,50 x II 7,50 . 55 2,50 . 3,0 0
19 19
128
Se considerada a Classe de Agressividade Ambiental II a abertura máxima de fissura é wk,máx = 0,30 mm.
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2
19 . 13,893 13,89 2 2
III 19 . 13,89 6,52 . 7,50 55 13,89 6,52 . 2,50 13,89 3,0
12 2
9.911
si 41,31 . 6,52 26,29 kN/cm2
101.548,0
i si 4 acg =
w k1 45 4,8
12,5 1 Esi ri
12,5 26,29 4
w k1 45
12,5 . 2,25 21.000 0,024983
y = 41,31
wk1 = 0,11 mm
60
apenas 0,01 mm menor que o valor calculado com a
tensão si aproximada.
LNII
xII = 13,89
2 12,5
19
Para viga de seção transversal retangular a indicação de Leonhardt e Mönnig (1982) é de que
o ângulo de inclinação das diagonais de compressão ( ) aproxima-se de 30 . Portanto, a armadura
transversal pode ser dimensionada aplicando o Modelo de Cálculo II com ângulo = 30 . No
entanto, por simplicidade e a favor da segurança será adotado o Modelo de Cálculo I ( = 45 ), pois a
armadura resultante será um pouco maior do que aquela do Modelo de Cálculo II com = 30 .
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 96
A força cortante que atua na viga à esquerda do pilar P2, após a redistribuição de esforços
solicitantes, está mostrada na Figura 92:130
Figura 92 – Diagrama de forças cortantes (Vk , kN) resultantes da redistribuição de esforços solicitantes na
viga VS1. (FTOOL, [Link]
Na Tabela A-5 anexa determina-se a força cortante máxima que a viga pode resistir para
concreto C30, e com d = 55 cm:
VSd = 134,0 kN VRd2 = 533,0 kN ok! não ocorrerá esmagamento do concreto nas
bielas comprimidas.
b) Cálculo da armadura transversal
Na Tabela A-5 (concreto C30) encontra-se a equação para determinar a força cortante
correspondente à armadura mínima:
129
No caso de forças cortantes máximas bem diferentes nos apoios, duas armaduras devem ser dimensionadas, uma para resistir às
forças cortantes que atuam à esquerda do pilar, e outra para as forças cortantes à direita do pilar.
130
A redução da força cortante nos apoios, possível de ser feita no cálculo da armadura transversal como indicada na NBR 6118, por
simplicidade não será adotada.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 97
20 f ct , m 2
Asw, mín bw , com f ct, m 0,3 3 fck 0,3 3 302 2,90 MPa
f ywk
Admitindo que o estribo terá diâmetro de 5 mm (mínimo) e com o aço CA-60 (fywk = 60
kN/cm2),132 a armadura mínima resulta:
20 . 0,290
Asw , mín 19 1,84 cm2/m
60
A maior força cortante que atua na viga nos apoios correspondentes aos pilares extremos P1 e
P3 é (Figura 92):
Com altura útil d = 57 cm (utilizada no cálculo da armadura de flexão nos pilares extremos)
tem-se os valores VRd2 = 552,3 kN e VSd,mín = 143,0 kN, e:
A armadura transversal é a mínima ao longo dos dois tramos, com valor 1,84 cm2/m. Para
estribo com dois ramos 5 mm (1 5 = 0,20 cm2) encontra-se:
131
Sendo o eixo longitudinal da viga horizontal, estribo com = 90 implica no estribo ser vertical.
132
Geralmente o diâmetro de 5 mm é produzido pelas siderúrgicas brasileiras apenas no aço CA-60.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 98
Asw 0,40
0,0184 cm2/cm 0,0184 s = 21,7 cm 30 cm ok!
s s
portanto, estribo com dois ramos 5 c/21 cm. A Figura 93 mostra a disposição dos estribos ao longo
da viga, com os estribos espaçados a cada 20 cm ao invés de 21 cm (arredondamento a favor da
segurança). Considerando ganchos com comprimento de 5 cm nas pontas, o comprimento do estribo
pode ser calculado:
C = 2 (15 + 56 + 5) = 152 cm
N1 - 35c/20 N1 - 34c/20 15
56
19 P1 694,5 P2 683,5 P3
30 30 N1 – 69 5
C = 152 cm
VSd (kN)
Como o pilar extremo P1 tem menor dimensão na direção da viga que o pilar P3, a
verificação da ancoragem será apresentada apenas para este pilar.
O valor da decalagem do diagrama de momentos fletores (a ) segundo o Modelo de Cálculo
I,133 para estribos verticais é (Eq. 31):
VSd , máx
a 0,5d d , com a 0,5d
(VSd , máx Vc )
Na Flexão Simples e para o Modelo de Cálculo I, com c = 1,4 e concreto C30, tem-se:
c c c 1,4
Com f = 1,4 e Vk = 66,9 kN no pilar P1 tem-se VSd,máx = 1,4 . 66,9 = 93,7 kN, menor que a
força Vc = 94,2 kN. Aplicando na equação a resulta um valor negativo, decorrente da viga ter seção
transversal elevada para a força cortante solicitante no apoio. Portanto, pode ser adotado o valor
mínimo (a = 0,5d = 28,5 cm), mas a favor da segurança será adotado o valor máximo (a = d = 57
cm), mesmo porque a diferença é pequena e pouco aumenta o consumo de aço.
133
Deve ser aplicada a equação do Modelo de Cálculo do dimensionamento dos estribos da viga.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 99
a VSd 57 93,7 2
As,anc = 2,16 cm
d f y d 57 50 / 1,15
A armadura calculada para o apoio deve atender à armadura mínima (Eq. 40):
1
As, vão se M apoio 0 ou negativo de valor M apoio 0,5M vão
3
As,anc
1
As, vão se M apoio negativo e de valor M apoio 0,5M vão
4
Sendo Md,apoio = 1,4 ( 1.171) = 1.639 [Link], e Md,vão = 1,4 . 8735 = 12.229 [Link], fica:
viga de apoio
b,nec
b
As,anc
A s,anc
c b,ef
b
b
4 12,5
O comprimento de ancoragem básico pode ser determinado na Tabela A-7 anexa. Para aço
CA-50, concreto C30, diâmetro 12,5 mm, na coluna sem gancho e região de boa aderência
encontra-se o comprimento de ancoragem básico ( b) de 42 cm. O comprimento de ancoragem
necessário é calculado segundo a proporção entre a armadura a ancorar e a armadura efetiva (As,ef),
Eq. 41:
As, anc 2,16
b, nec b 42 36,3 cm
As, ef 2,50
134
Se resultar As,anc menor que o valor mínimo deve-se seguir nos cálculos com As,anc igual ao valor mínimo (1/3 ou 1/4 do As,vão).
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 100
b ,mín
b , mín 12,6 cm
b
b , nec r 10,0 cm 19
6 cm
Figura 95 – Ancoragem da armadura efetiva
no comprimento de ancoragem necessário.
b,nec 12,6 cm
Verifica-se que mesmo com o gancho ainda não é possível fazer a ancoragem, pois o
comprimento de ancoragem com gancho resultou maior que o comprimento de ancoragem efetivo:
A próxima alternativa é aumentar a armadura longitudinal a ancorar no apoio, para As,corr (Eq.
45), e considerando que será utilizado grampo com diâmetro gr = 10 mm tem-se:
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 101
0,7 b 0,7 42 2
As,corr As,anc = 2,16 3,97 cm
b , ef gr 17,0 1,0
Portanto, a ancoragem pode ser feita com as duas barras 12,5 dos vértices dos estribos e
com grampo, com a área do grampo sendo a diferença entre a área de armadura a ancorar corrigida
(As,corr) e a área das duas barras 12,5 (2,50 cm2), o que resulta para a área de grampo (Eq. 46):
A armadura a ancorar fica: 2 12,5 + 2 10 (1 grampo com 1,60 cm2),135 com área total de
4,10 cm2, que atende As,corr (3,97 cm2). O detalhe da ancoragem está mostrado na Figura 96. Para o
comprimento do grampo é sugerido o valor 100 gr , e para melhor ancoragem ele deve ficar externo
aos ganchos das barras longitudinais. O grampo está mostrado no detalhamento final das armaduras
da viga (Figura 103).
Uma outra solução, menos econômica, seria estender até o pilar todas as barras da armadura
positiva do vão (4 12,5 mm, 5,00 cm2), sem o grampo.
O gancho em 90 das barras longitudinais deve ser no mínimo 8 , ou seja, 8 . 1,25 = 10 cm.
Foi adotado gancho com comprimento um pouco maior, 15 cm, a favor da segurança.136
c = 2,0
100 = 100 cm 2 10
gr
(1 grampo)
15
dobra do grampo
b,ef = 2 12,5
17,0
b = 19
Nos dois tramos adjacentes ao pilar P2, estendendo 2 12,5 (As,anc = As,ef = 2,50 cm2) dos
vértices dos estribos da armadura longitudinal positiva, esta armadura deve ser superior à mínima
mostrada na Eq. 48:
135
1 8 mm (0,50 cm2); 1 10 (0,80 cm2); 1 12,5 (1,25 cm2).
136
Por simplicidade o comprimento dos ganchos deve ser múltiplo de 5 cm.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 102
1
As, vão se M apoio 0 ou negativo de valor M apoio 0,5M vão
3
As,anc
1
As, vão se M apoio negativo e de valor M apoio 0,5M vão
4
Sendo Md,apoio = 1,4 ( 11.507) = 16.110 [Link], e Md,vão = 1,4 . 8735 = 12.229 [Link],
fica:
Md,apoio = 16.110 [Link] > 0,5Md,vão = 0,5 . 12.229 = 6.115 [Link]
As,anc = As,ef = 2,50 cm2 > 1/4 As,vão = 1,29 cm2 ok!
Nos dois tramos adjacentes ao pilar P2 as duas barras 12,5 mm devem se estender 10 além
da face interna do pilar (ver Figura 103).
No “cobrimento” do diagrama de momentos fletores será necessário decalar o diagrama em
a . Segundo o Modelo de Cálculo I, para estribos a 90 (Eq. 31) tem-se:
VSd , máx
a 0,5d d , com a 0,5d
(VSd , máx Vc )
Como já determinado, Vc = Vc0 = 94,2 kN, e d = 55 cm. Como as duas forças cortantes
máximas na posição do pilar P2 são muito próximas, o deslocamento a pode ser determinado em
função da força cortante maior, e adotado para os dois tramos da viga. Com f = 1,4, Vk = 95,7 kN e
VSd,máx = 1,4 . 95,7 = 134,0 kN, o deslocamento resulta:
134,0
a 0,5 . 55 92,6 cm ≤ d = 55 cm portanto, a = d = 55 cm
(134,0 94,2)
2 10 + 1 8
1 8 2 10
D = 15 = 15 cm
35 cm
35
14
P1 ou P3
As Figura 99, Figura 100, Figura 101 e Figura 102 mostram os “cobrimentos” dos diagramas
de momentos fletores, feitos para conhecimento da posição e comprimento das barras das armaduras
longitudinais de flexão, positivas e negativas. O “cobrimento” do diagrama pode ser feito sobre o
diagrama de momentos fletores de cálculo (MSd), decalado nos valores de a (57 e 55 cm como já
calculados).137
Os comprimentos de ancoragem básicos ( b , cm), para concreto C30, aço CA-50 e sem
gancho, conforme a Tabela A-7 anexa são:
Por simplicidade, a armadura de flexão negativa no apoio interno (P2), mostrada na Figura
98, foi separada em dois grupos,138 sendo 3 12,5 na primeira camada com comprimento idêntico
para as barras, e 3 12,5 na segunda camada, como mostrado na Figura 99, que toma como base o
diagrama de momentos fletores determinado pelo programa Ftool.
19
3 12,5 (Grupo 1) 2 10 (Grupo 1)
2 12,5
3 12,5 (Grupo 2) 1 8
(Grupo 2) (Grupo 2)
1 12,5 + 2 12,5
2 12,5 1 10 (Grupo 1)
(Grupo 1) (Grupo 2)
137
Os cobrimentos estão feitos sobre os diagramas determinados com o programa Ftool, e têm objetivo didático, sem preocupação
com a precisão das medidas dos comprimentos das barras.
138
Outros arranjos ou agrupamentos diferentes podem ser feitos, resultando comprimentos diferentes para as barras.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 104
216 225
137 140
60 60
b 3 12,5 (2) b
A2 A2
12,5 12,5
10 10
60 60
b
B2 3 12,5 B2
b
A1 (1) A1
12,5 12,5
10 10
a a
B1 B1
150 cm 158 cm
pilar P2
eixo do
transpasse construtivo
face externa do pilar P3
b
38
8
10 A2
a
B2 57
eixo do pilar P2
A armadura de flexão positiva do tramo 1 foi separada em dois grupos: o primeiro referente
às barras que serão estendidas até ambos os apoios do tramo (2 12,5), e o segundo com 2 12,5,
sendo estas duas barras “cortadas” antes dos apoios, conforme o “cobrimento” do diagrama de
momentos fletores (Figura 101). A armadura positiva do tramo 2 foi também separada em dois
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 105
grupos: o primeiro referente às barras que serão estendidas até ambos os apoios do tramo (2 12,5),
e o segundo com 1 12,5 + 1 8, sendo estas duas barras “cortadas” antes dos apoios (Figura 102).
a a
57 55
B2 2 12,5 (1) B2
face externa do pilar P1
12,5 12,5
eixo do pilar P2
10 10
2 12,5 (2)
A2 A2
530 160
728,5 cm
a a
55 57
2 12,5 (1)
10 10
A2 A2
A Figura 103 apresenta o detalhamento final das armaduras da viga, feito geralmente na
escala 1:50.139 O desenho do corte da seção transversal e do estribo é feito comumente nas escalas de
1:25 ou 1:20. Em um detalhe à parte podem ser colocados outros desenhos mostrando como devem
ser executados os ganchos, os pinos de dobramento, etc. Atenção máxima deve ser dispensada ao
desenho do detalhamento final, pois geralmente é apenas com ele que a armação da viga é executada.
139
O esquema de indicação ou posicionamento das armaduras é o mais comum na prática. No entanto, outros posicionamentos
diferentes para as armaduras longitudinais e para os estribos podem ser adotados. Por exemplo, as linhas de cota dos estribos podem
ser indicadas na parte inferior da viga, as armaduras longitudinais negativas podem ser mostradas acima do desenho da viga e as
armaduras positivas abaixo, configurando uma forma de desenho que tem a vantagem de separar melhor as armaduras longitudinais,
diminuindo possíveis confusões, embora esta forma seja menos comum na prática.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 106
3N6
2x3N7
P1 40 P2 A 40 P3
1N8
216 225
N3 - 3 12,5 C = 441 N4 - 2 10 C = 576
35
35
N2 - 2 10 C = 585 2N11
1N10
133 137 140 133
N5 – 1 8 C = 168 N6 - 3 12,5 C = 277 (2a cam)
35
35
N5 – 1 8 C = 168
15
N7 – 2 x 3 5 CORR
56
177 N1 - 69 5
N8 - 1 10 C = 463
160 177 C = 152
N9 - 2 12,5 C = 530 N10 - 1 12,5 C = 463
530
15
15
100 N11 - 2 12,5 C = 746 N11 - 2 12,5 C = 746
A
14
N12 - 1 10 C = 214
Os cálculos dos comprimentos das barras longitudinais deve ser feito tomando como base as
medidas contidas no desenho da planta de fôrma (repetida na Figura 104). Por exemplo:
a) barras N2: C = 719 + 19/2 2 216 + 40 + 35 = 585,5 585 cm
b) barras N4: C = 719 + 19/2 2 225 + 40 + 35 = 576,5 576 cm
c) barras N11: C = 719 + 19/2 2 + 15 + 5 = 746,5 746 cm
Para fazer a ancoragem no pilar interno P2 as barras N11 devem adentrar pelo o menos 10
(10 . 1,25 = 12,5 cm) a partir da face interna do pilar. Na viga as barras foram estendidas 5 cm além
do eixo do pilar, ou seja, adentram no pilar o comprimento 30/2 + 5 = 20 cm, o que garante a
ancoragem mínima de 12,5 cm. Os 5 cm além do eixo do pilar para as barras positivas N11 dos dois
tramos possibilita um transpasse de 10 cm, útil na montagem e amarração das barras da viga.
VS1 (19 x 60)
P1 P2 P3
19/19 19/30 19/30
L1 L2
523
45
16
L3 L4
523
P7 P8 P9
19/19 19/30 19/30
719 719
A viga VS2 pode ser visualizada na planta de fôrma (Figura 68), nas imagens da Figura 69 e
Figura 70 e no corte esquemático que mostra o pórtico do qual a viga faz parte (Figura 105).
A viga será calculada segundo a hipótese permitida pela NBR 6118 (item [Link]) de viga
contínua como elemento isolado da estrutura, vinculada aos pilares extremos por meio de engastes
elásticos (ver item 6).140
P1
P4 P2
P5 P6
P3
19/19
19/30 19/30
14/50 19/30
14/35
300
300
230
240
VS2 (14
VS1 70)
(19 x 60) pav. superior
60
70
tramo 1 tramo 2
684,5 245
255 50 668,5 35
295
19
300
694,5 30 683,5 30
A viga VS2 tem dois tramos e três apoios (pilares P4, P5 e P6). Os tramos não são iguais em
geometria (vão, dimensão dos pilares, posição, etc.), mas têm carregamentos iguais (as lajes L1, L2,
L3 e L4 são idênticas quanto às características geométricas e de carga). A distância de centro a
centro dos apoios (pilares) do tramo 1 é 719 cm, e do tramo 2 é 711 cm (ver Figura 105 e Figura
106), de modo que devido à essa proximidade os dois tramos podem ter a seção transversal com a
mesma altura.141
Para estimativa da altura dos tramos por meio da Eq. 23 será adotado o vão maior, de 719 cm,
e:
ef 719 tramo 1 tramo 2
h 59,9 cm
12 12 P4 P5 P6
719 cm 711
A altura estimada com a Eq. 23 considera o vão, mas não a carga atuante. No caso da viga
VS2 as cargas nos tramos são elevadas, pois suportam as vigotas de duas lajes pré-fabricadas (L1 e
L3 no tramo 1 e L2 e L4 no tramo 2). As vigas laterais (VS4, VS5 e VS6) pouco contribuem para
suporte das lajes, diferentemente de quando as lajes são do tipo maciça e armadas em duas direções.
140
Outras formas de análise podem ser feitas, como comentado em nota do exemplo da viga VS1.
141
As cargas nos dois tramos são iguais e também por isso a viga pode ter uma única altura. Na medida do possível deve-se procurar
padronizar a altura de vigas contínuas.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 108
Sendo assim, a viga será calculada inicialmente com uma altura maior que a resultante da Eq. 23, isto
é, com h = 70 cm.
Supõe-se que a parede embaixo da viga, posicionada no pavimento térreo e na qual a viga
VS2 ficará embutida, será confeccionada com blocos cerâmicos com furos horizontais com
dimensões 12 x 14 x 24 cm, assentados de modo que a dimensão de 14 cm é que proporcionará a
largura da parede (ver Figura 107). Em edificações de pequeno porte comumente as paredes são
elevadas antes da execução das vigas e pilares, e para facilitar a construção é indicado adotar largura
para a viga igual à largura da parede. Portanto, a viga deverá ter largura de 14 cm, o que também
permitirá o “embutimento” da viga na parede. Assim, a seção transversal adotada é 14 x 70 cm.
parede de vedação
confeccionada com
bloco furado assentado bloco cerâmico furado
segundo a dimensão de 14 cm 12 x 14 x 24
14 cm
largura da viga igual à
dimensão do bloco
Figura 107 – Desenho esquemático da execução das lajes, da viga VS2 e da parede embaixo da viga.
Os tramos 1 e 2 da viga não têm vãos efetivos iguais devido às dimensões diferentes dos
pilares de apoio. Considerando as medidas mostradas na Figura 105 tem-se (Eq. 21):
Tramo 1:
t1 / 2 19 / 2 9,5 cm t 2 / 2 50 / 2 25 cm
a1 a2
0,3 h 0,3 . 70 21,0 cm 0,3 h 0,3 . 70 21,0 cm
a1 = 9,5 cm a2 = 21 cm
Tramo 2:
t1 / 2 50 / 2 25 cm t 2 / 2 35 / 2 17,5 cm
a1 a2
0,3 h 0,3 . 70 21,0 cm 0,3 h 0,3 . 70 21,0 cm
a1 = 21 cm a2 = 17,5 cm
Como existem lajem apoiadas na região superior da viga na extensão onde ocorrem tensões
normais de compressão provocadas pelo momento fletor positivo, a estabilidade lateral da viga está
garantida pelas lajes.142
Como se pode observar na Figura 68, e considerando que as lajes são do tipo pré-fabricada
treliçada unidirecional, com as nervuras simplesmente apoiadas nas vigas VS1, VS2 e VS3, o
primeiro tramo da viga VS2 recebe as cargas das lajes L1 e L3, e o segundo tramo recebe as cargas
das lajes L2 e L4. A carga total por m2 de área de laje foi calculada e apresentada no item 19.4, e
tem o valor p = 5,45 kN/m2 para as quatro lajes.
Considerando que os carregamentos que atuam na viga consistem de uma parede de vedação
apoiada sobre a viga em toda sua extensão (composta por blocos cerâmicos com furos horizontais,
com dimensões de 12 x 14 x 24 cm), com espessura final de 18 cm e altura de 2,30 m (ver Figura
105), com carga por metro quadrado de área de 1,9 kN/m2 (ver Tabela 2),143 valor esse que considera
os diferentes pesos específicos do bloco cerâmico e das argamassas de assentamento (1,0 cm) e de
revestimento (2,0 cm em cada lado da parede), de duas lajes pré-fabricadas com carga total de 5,45
kN/m2 e vão efetivo de 5,23 m, e o peso próprio da viga (de seção transversal retangular 14 x 70 cm),
o carregamento total atuante nos tramos 1 e 2 da VS2 está mostrado na Tabela 11.
P4 tramo 1 P5 tramo 2 P6
719 cm
715 719
707
O tipo de vínculo da viga com o pilar interno (P5) será definido conforme o critério da NBR
6118 mostrado na Figura 19. O comprimento equivalente do lance inferior do pilar ( e , distância
entre os centros das vigas no topo e na base do lance do pilar, ver Figura 105) é 295 cm ( e = 245 +
70/2 + 30/2 = 295 cm). A dimensão do pilar P5 na direção do eixo longitudinal da viga (bint) é 50 cm,
142
Atenção especial deve ser dedicada a vigas biapoiadas invertidas, onde a região superior comprimida não tem lajes apoiadas.
Dependendo dos parâmetros de projeto da viga pode ser necessário fazer alguma forma de travamento lateral da região comprimida.
143
Valor fornecido na Tabela 2 da NBR 6120: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Cargas para o cálculo de
estruturas de edificações, NBR 6120. ABNT, 2019, 61p.
144
As vigotas das lajes pré-fabricadas foram consideradas biapoidas, com a hipótese de não existir continuidade entre as lajes. Ver as
considerações sobre as lajes no exemplo da viga VS1.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 110
menor que um quarto do comprimento equivalente do pilar ( e/4 = 295/4 = 73,8 cm), isto é,
bint = 50 cm < 73,8 cm. Portanto, o pilar interno P5 deve ser considerado como apoio simples.
A NBR 6118 prescreve que vigas contínuas calculadas de maneira isolada tenham a ligação
com os pilares analisada, especialmente com os pilares extremos.145 Neste exemplo a viga será
considerada vinculada aos pilares extremos P4 e P6 por meio de engastes elásticos, via rigidez de
mola (Figura 108).
As rigidezes das molas nos engastes elásticos dos pilares extremos P4 e P6 são diferentes,
pois os pilares não são iguais, e podem ser avaliadas com a Eq. 8:
O coeficiente de rigidez à flexão da mola pode ser adotado como 3 ou 4 (Eq. 9 e Eq. 10), em
função dos vínculos nas extremidades da barra (ver Figura 26). Considerando os lances inferior e
superior dos pilares extremos P1 e P3 como barras simplesmente apoiadas na base e no topo
(biarticuladas) e com as linhas de deformação mostradas na Figura 109, o coeficiente a ser tomado é
3, e conforme a Eq. 9:
Kp = 3EI/
cobertura
= 300 cm
lance
superior
lance
inferior
P4
pav. térreo
Figura 109 – Deformações e vínculos dos pilares extremos P4 e P6 nos lances inferior e superior.
O módulo de elasticidade secante do concreto (Ecs) foi calculado no item 19.5, com valor
3.221 kN/cm2. E como a seção transversal dos pilares extremos é constante da fundação à cobertura,
os momentos de inércia dos lances inferior e superior são iguais e:146
a) pilar P4 b) pilar P6
b h3 30 . 193 4 b h3 14 . 353 4
Ip,sup = Ip,inf = 17.148 cm Ip,sup = Ip,inf = 50.021 cm
12 12 12 12
145
Esta prescrição tem o objetivo de que as ligações entre vigas e pilares sejam realmente monolíticas e que os pórticos da estrutura
resultem menos deslocáveis, para obtenção de melhores índices relativos à Estabilidade Global das edificações. Em edificações de
pequeno porte, com baixa altura e incidência de forças do vento de pequena intensidade, a rigor esta prescrição tem menor
importância, o que justifica que no passado, antes do advento dos computadores e programas, os projetistas comumente considerassem
as vigas simplesmente apoiadas nos pilares. No entanto, prescreviam uma armadura negativa mínima na ligação das vigas com os
pilares extremos.
146
No caso da seção retangular a dimensão do pilar elevada ao cubo é aquela na direção do eixo longitudinal da viga.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 111
a) pilar P4
b) pilar P6
cobertura
Mvig Mvig
VS2 superior
Minf erior Minf
Msup Msup
P4 P5 P6
térreo
Figura 110 – Momentos fletores na viga VS2 e nos pilares extremos P4 e P6.
Para determinação dos esforços solicitantes na viga foi aplicado o programa FTOOL. A
Figura 111 mostra o esquema estático com os vínculos, distâncias e carregamento na viga. A Figura
112 mostra os diagramas de forças cortantes e de momentos fletores (valores característicos) obtidos
no programa.
147
Como a rigidez das molas é maior no pilar P6, os momentos fletores na viga (M vig) e neste pilar (Minf e Msup) serão maiores que
aqueles devidos à ligação da viga com o pilar P4.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 112
Figura 111 – Esquema estático com os vínculos, distâncias e carga uniformemente distribuída na viga VS2.
(FTOOL, [Link]
Figura 112 – Diagramas de forças cortantes (Vk , kN) e momentos fletores (Mk , [Link]) na viga VS2.
(FTOOL, [Link]
Para seção retangular e concreto C30 a taxa mínima de armadura ( mín – ver Tabela A-2) é de
0,15 % Ac , portanto:
A armadura de pele é obrigatória neste caso, pois a viga tem altura superior a 60 cm.148 A
armadura de pele em cada face vertical da viga é:
3 6,3 mm (0,95 cm2) ou 5 5 mm (1,00 cm2) em cada face (ver Tabela A-3 ou Tabela A-4),
distribuídas ao longo da altura149 (ver Figura 133).
148
A NBR 6118 indica a armadura de pele para vigas com h > 60 cm.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 113
O momento fletor atuante (M) na viga na seção sobre o pilar P5 é negativo e de valor 20.711
[Link]. Este momento é 2,01 vezes maior que o momento fletor positivo máximo no tramo 2, de
10.287 [Link], e uma forma de diminuir essa diferença é adotar um menor valor para o momento
fletor negativo. A NBR 6118 permite reduzir o momento fletor negativo no apoio interno, de M para
δM, com δ ≥ 0,75 para estruturas de nós indeslocáveis150 (ver Eq. 2, item 5.3). Adotando δ = 0,85,
tem-se:
δMk = 0,85 (– 20.711) = – 17.604 [Link]
Para a altura h da viga de 70 cm será adotada a altura útil (d) de 65 cm. A capa da laje pré-
fabricada, apoiada na região superior da viga, está tracionada pelo momento fletor negativo, e não
pode ser considerada contribuir na resistência às tensões normais de compressão, de modo que a viga
deve ser dimensionada como seção retangular (14 x 70):
b w d 2 14 . 652
Kc = 2,4
Md 24.646
da Tabela A-1 tem-se: x = x/d = 0,33, Ks = 0,026 e domínio 3. Como foi feita a redução do
momento fletor, a posição da linha neutra deve atender o valor limite dado pela Eq. 1, de modo a
garantir a necessária ductilidade à viga:
acg = 2,0 + 0,5 + 2,0 + 0,7 = 5,2 cm , ok, muito próximo ao valor adotado, de 5 cm.
Como o momento fletor negativo na seção sobre o pilar P5 foi reduzido de 20.711 [Link]
para 17.604 [Link], deve-se fazer uma redistribuição de esforços solicitantes na viga, pois a redução
altera todos os demais esforços solicitantes. O cálculo pode ser feito aplicando-se o momento fletor
reduzido na posição do apoio interno (P5), nos dois tramos adjacentes. A Figura 113 mostra a viga
com os carregamentos existentes.
Figura 113 – Viga VS2 para cálculo dos esforços solicitantes devidos à redução do momento fletor negativo
no pilar P5 (redistribuição de esforços). (FTOOL, [Link]
Os esforços solicitantes na viga são alterados conforme mostrados na Figura 114, e devem ser
considerados no cálculo das demais armaduras da viga e elementos estruturais a ela ligados, como os
pilares P4, P5 e P6. Observa-se que os momentos fletores aumentaram, como o máximo positivo no
tramo 2, de 10.287 [Link] para 11.248 [Link]. A diferença entre os momentos fletores (negativo no
pilar interno e positivo no vão) diminuiu de 1,91 para 1,57 (17.604/11.248).
Figura 114 – Diagramas de forças cortantes (Vk , kN) e momentos fletores (Mk , [Link]) resultantes da
redistribuição de esforços solicitantes na viga VS2. (FTOOL, [Link]
153
O adensamento do concreto é essencial para a obtenção de peças de concreto com qualidade, pois diminui a ar do concreto (diminui
a porosidade e aumenta a resistência), melhora a aderência aço-concreto, preenche a fôrma evitando nichos de concretagem, melhora o
aspecto visual das peças, etc. Mesmo em edificações de pequeno porte deve-se fazer o adensamento do concreto, com o equipamento
de agulha vibratória.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 115
a) Pilar P4
b w d 2 14 . 672 2 10
Com d = 67 cm: K c = 19,1
Md 3.293
acg
d 67 5 mm
14
2
2 10 mm 1,60 cm (Tabela A-4)
b) Pilar P6
acg = 2,0 + 0,5 + 1,25/2 = 3,1 cm , ok, muito próximo ao valor adotado.
a) Tramo 1
b w d 2 14 . 652 14
Kc = 3,2 , da Tabela A-1 tem-se:
Md 18.532
5 mm
Md 18.532 av =
As Ks = 0,025 7,13 cm2 ( As,mín = 1,47 cm2) 2,0
d 65 acg
4 16
4 16 8,00 cm2 (Tabela A-4)
A Tabela A-4 anexa mostra que podem ser colocadas apenas 2 16 em uma camada. A
estimativa da posição do CG da armadura é:
acg = 2,0 + 0,5 + 1,6 + 1,0 = 5,1 cm , ok, muito próximo ao valor adotado (5 cm).
b) Tramo 2
b w d 2 14 . 652 14
Kc = 3,8 , da Tabela A-1 tem-se:
Md 15.747
5 mm
Md 15.747 av =
As Ks = 0,025 6,06 cm2 ( As,mín = 1,47 cm2) 2,0
d 65 acg
3 16
3 16 6,00 cm2 (Tabela A-4)
acg = 2,0 + 0,5 + 1,6 + 0,5 = 4,6 cm , ok, muito próximo ao valor adotado (5 cm).
As flechas nos tramos não são iguais, e como a flecha no tramo 1 é um pouco maior, para
exemplificação será calculada apenas a deste tramo.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 117
f ct I c
O momento fletor de fissuração é (Eq. 49): Mr
yt
A resistência do concreto à tração direta (fct) pode ser calculada em função da resistência
característica do concreto à compressão, e para a verificação da flecha deve ser considerada a
resistência média fct,m (Eq. 52):
2 2
f ct f ct, m 0,3 3 f ck 0,3 3 302 2,90 MPa = 0,29 kN/cm
O fator deve ser adotado igual a 1,5 para seção retangular. A distância yt entre o centro de
gravidade da seção e a fibra mais tracionada é igual a h/2. O momento de inércia e o momento fletor
de fissuração são:
5,23 5,23
q VS2 2,0 10,46 kN/m
2 2
O carregamento total (p) atuante na viga é 35,32 kN/m (Tabela 11), e a carga variável
representa 29,6 % (10,46/35,32) do carregamento total. Esta porcentagem pode ser aplicada para
calcular os momentos fletores devidos às cargas permanentes e variável, considerando o momento
fletor positivo no tramo 1, de Mk = 13.237 [Link], obtido após a redistribuição de esforços
solicitantes (Figura 114):
Md,serv = 10.494 [Link] > Mr = 4.974 [Link] a seção encontra-se no Estádio II e EI = (EI)eq
154
Os momentos fletores também podem ser obtidos no programa Ftool, considerando-se a carga variável na viga (10,46 kN/m), e
com a redistribuição de esforços solicitantes efetuada, devida à redução do momento fletor negativo no pilar interno P5.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 118
Es 21.000
O valor da razão modular e é (Eq. 68): e = 6,52
E cs 3.221
A posição da linha neutra no Estádio II é (Eq. 60):
2 e 2 e
x II2 As As x II As d As d 0
bw bw
A armadura positiva efetiva no tramo 1 é As = 8,00 cm2 (4 16) com d = 65 cm. A armadura
longitudinal comprimida é construtiva (porta-estribo), e será adotada com 2 10 (A’s = 1,60 cm2 e d’
= 3,0 cm). Substituindo os valores numéricos encontram-se:
2 2 . 6,52 2 . 6,52 14
x II 8,00 1,60 x II 8,00 . 65 1,60 . 3,0 0
14 14
d’ = 3,0
x II2 8,942x II 488,814 0 xII = 18,09 cm
A’s = 1,60
O momento de inércia no Estádio II é (Eq. 61):
d = 65 cm
3 2
b w x II x II 2 2
III b w x II e As d x II e As x II d
12 2
2
14 . 18,093 18,09 2
III 14 . 18,09 6,52 . 8,00 65 18,09
12 2
2
acg = 5,1
Com Ma = Md,serv = 10.494 [Link], Mr = 4.974 [Link], Ic = 400.167 cm4, Ecs = 3.221 kN/cm2,
a rigidez equivalente da viga é (Eq. 67):
3 3
Mr Mr
(EI)eq E cs I 1 III E cs Ic
Ma c Ma
3 3
4.974 400.167 4.974
(EI )eq 3.221 1 144.782 3221 . 400167
10.494 10.494
A flecha imediata total será calculada no tramo 1 considerando a soma de cada flecha dos
casos mostrados na Figura 115.155
+
1 2
M 3
Figura 115 – Tipos de carregamentos considerados no cálculo da flecha no tramo 1 da viga VS2.
A Figura 116 mostra o tramo sob a carga uniformemente distribuída e conforme a Tabela A-
10 a equação da flecha é (caso 6):
p = 35,32 kN/m
5 p 4
a i, p
384 EI
1
715 cm
5 0,2801 . 7154
a i, p 1,72 cm
384 553.938.015
A Figura 117 mostra o tramo sob o momento fletor negativo aplicado no pilar P5, e conforme
a Tabela A-10 a equação da flecha é (caso 11):
1 M 2
a i, M, I
9 3 EI 2
M
momento fletor Mk = 17.604 [Link] 715 cm
Figura 117 – Flecha devida ao momento fletor negativo aplicado no apoio do pilar P5.
155
No caso 1 o deslocamento vertical máximo (flecha) é calculado para a seção do meio do vão (0,5 ), e nos casos 2 e 3 a flecha é
calculada na seção a 0,423 do apoio, de modo que a flecha que será calculada é uma estimativa da flecha real.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 120
1 13956 . 7152
a i, M, I 0,83 cm
9 3 553.938.015
A Figura 118 mostra o tramo sob o momento fletor negativo aplicado no pilar P4, e conforme
a Tabela A-10 a equação da flecha é (caso 11):
1 M 2
a i, M, II
9 3 EI M 3
1 1865 . 7152
a i, M, II 0,11 cm
9 3 553.938.015
A' s 1,60
0,001758
bw d 14 . 65
Na Tabela 6 (Tabela 13.3 da NBR 6118, item 13.3) consta que a flecha limite para
“Aceitabilidade sensorial – visual”, como deslocamentos visíveis, é /250, isto é, 715/250 = 2,86 cm,
portanto:
Como a viga trabalha em serviço como suporte de parede, a norma preconiza verificar
“Efeitos em elementos não estruturais” (alvenaria, caixilhos e revestimentos), e na Tabela 6 tem-se:
20.8.7 Contraflecha
Na hipóstese de se adotar uma contraflecha (ao) para a viga, esta pode ser estabelecida entre os
limites (Eq. 84):
156
Onde é o comprimento da parede. Como a parede estende-se por todo o tramo, por simplicidade o comprimento foi suposto igual
ao vão efetivo.
157
É importante o projetista comparar as flechas teóricas calculadas com as flechas efetivamente medidas após a execução da
estrutura, para calibragem do projeto da estrutura.
158
A parede embaixo da viga em toda sua extensão também contribui para diminuir significativamente a flecha determinada.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 122
Figura 119 – Deslocamento vertical máximo (cm) com (Ecs)eq , com redistribuição dos esforços e
carregamento total. (FTOOL, [Link]
A viga tem três momentos fletores importantes, dois positivos nos tramos e o negativo no
pilar interno P5. A verificação da fissuração será feita apenas na seção sobre o pilar P5, onde ocorre
a maior armadura.159 O momento fletor negativo é Mk = 17.604 [Link], e considerando que a carga
variável representa 29,6 % do carregamento total, tem-se:
A análise deve ser feita com a combinação frequente de serviço, e conforme a Tabela 7 e a
Eq. 85:
Fd,ser = Σ Fgik + 1 Fq1k + Σ 2 Fqjk
f ct I c
O momento fletor de fissuração é (Eq. 49): Mr
yt
No cálculo de abertura de fissura a resistência do concreto à tração direta (fct) é assumida com
o valor inferior (fctk,inf , Eq. 53):
2
fct = fctk,inf = 0,7fct,m = 0,7 . 0,3 3 f ck2 0,7 . 0,3 3 302 2,03 MPa = 0,203 kN/cm
159
Vigas que atendem as prescrições da norma quanto aos limites de ductilidade e de flecha não têm taxas de armadura longitudinal
elevadas, e de modo geral não apresentam problemas de abertura de fissura excessiva.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 123
htir = 19,3
h2 = 2 16
A área crítica referente a todas as quatro barras
12,0
é: área do tirante
2 equivalente
Acrí = bw . htir = 14 . 19,3 = 270,2 cm
5 mm
14
As 10,30
r 0,03812
Acrí 270,2
Para aço CA-50 o coeficiente de aderência é 1 = 2,25 (NBR 6118, item 8.3.2), módulo de
elasticidade Es = 21.000 kN/cm2. Com a resistência média do concreto à tração fct,m = 0,290 kN/cm2,
as aberturas de fissura no tirante equivalente são (Eq. 86 e Eq. 87):
i si 4 20 25,44 4
w k1 45 45 0,13 mm
12,5 1 Esi ri 12,5 . 2,25 21.000 0,03812
w k1 0,13 mm
wk wk = 0,13 mm
wk2 0,23 mm
Considerando que a viga está em Classe de Agressividade Ambiental I, na Tabela 7 tem-se que a
abertura máxima de fissura é wk,máx = 0,40 mm, de modo que a comparação permite concluir que a
fissura não causará problema na viga:
Nota-se que a fissura é muito menor que a máxima permitida, e não há necessidade de uma
verificação mais precisa da tensão na armadura, como exemplificado na viga VS1 (item 19.9).
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 124
Como apresentado no cálculo da viga VS1, por simplicidade e a favor da segurança será
adotado o Modelo de Cálculo I.160 Na Figura 114 estão mostradas as forças cortantes máximas
atuantes na viga obtidas após a redistribuição dos esforços solicitantes.
A análise do diagrama apresentado na Figura 114 mostra que as forças cortantes atuantes na
viga na posição dos pilares extremos P4 e P6 são muito próximas (104,9 e 107,0 kN), de tal modo
que a armadura transversal pode ser dimensionada apenas para a força maior (107,0 kN no pilar P6),
e repetida nas proximidades do pilar P4. Na posição do pilar interno P5 ocorrem duas forças
cortantes muito próximas (147,6 kN à esquerda e 142,8 kN à direita), de modo que o
dimensionamento pode ser feito apenas para a força cortante maior, e a armadura transversal repetida
para a força menor.
A força cortante que atua na viga à esquerda do pilar P5, após a redistribuição de esforços
solicitantes, está mostrada na Figura 114:161
Na Tabela A-5 anexa determina-se a força cortante máxima que a viga pode resistir para
concreto C30, e com d = 65 cm:
VSd = 206,6 kN VRd2 = 464,1 kN ok! não ocorrerá esmagamento do concreto nas
bielas comprimidas.
Da Tabela A-5 e com C30 a equação para determinar a força cortante correspondente à
armadura mínima é:
VSd = 206,6 kN > VSd,mín = 120,1 kN portanto, deve-se calcular a armadura transversal,
pois será maior que Asw,mín .
VSd 206,6
Asw 2,55 0,22 b w 2,55 0,22 . 14 5,03 cm2/m
d 65
A armadura mínima, a ser aplicada nos trechos da viga onde a força cortante solicitante é
menor que a força cortante correspondente à armadura mínima, é:
160
A resolução será feita com as equações simplificadas apresentadas em BASTOS, P.S. Dimensionamento de vigas de concreto
armado à força cortante. Bauru/SP, Universidade Estadual Paulista (UNESP), nov/2023, 77p. Disponível em (26/03/24):
[Link]
161
A redução da força cortante nos apoios, possível de ser feita no cálculo da armadura transversal como indicada na NBR 6118, por
simplicidade não será adotada.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 125
20 f ct , m 2
Asw, mín bw , com f ct, m 0,3 3 fck 0,3 3 302 2,90 MPa
f ywk
20 . 0,290
e com o aço CA-50: Asw , mín 14 1,62 cm2/m
50
E como esperado, Asw = 5,03 cm2/m > Asw,mín = 1,62 cm2/m, é a armadura a ser disposta no
trecho ou região da viga próxima ao pilar P5 (ver Figura 121).
VSd = 149,8 kN < VRd2 = 478,4 kN não ocorrerá o esmagamento do concreto nas
diagonais comprimidas.
VSd = 149,8 kN > VSd,mín = 123,8 kN portanto, deve-se calcular a armadura Asw
VSd 149,8
Asw 2,55 0,22 b w 2,55 0,22 . 14 2,62 cm2/m ( Asw,mín = 1,62 cm2/m)
d 67
b) espaçamento máximo
162
Como já comentado, nas proximidades do pilar P4 será adotada a armadura transversal calculada para o pilar P6.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 126
Com estribo vertical composto por dois ramos e diâmetro de 5 mm (1 5 mm = 0,20 cm2):
Asw 0,40
0,0503 cm2/cm 0,0503 s = 8,0 cm 30 cm
s s
portanto, estribo com dois ramos 5 c/8 cm (como opção tem-se estribo com dois ramos 6,3 c/12
cm).
Asw 0,40
0,0262 cm2/cm 0,0262 s = 15,3 cm 30 cm
s s
portanto, estribo com dois ramos 5 c/15 cm (como opção tem-se estribo com dois ramos 6,3 c/24
cm). Para a armadura mínima de 1,62 cm2/m e 5 mm tem-se:
Asw 0,40
0,0162 cm2/cm 0,0162 s = 24,7 cm 30 cm
s s
portanto, estribo com dois ramos 5 c/24 cm. A Figura 121 mostra a disposição dos estribos ao
longo do tramo 1 da viga, com 5 mm.
9
14
N1-30 c/20 N1-8 c/13
N1-20c/8 N1-8 c/13 N1-30 c/20
N1-5c/15 N1-22c/20
104 104
75 160
55
65
19
19 684,5
700 50
19
ef = 715
N1 –- 76
47 5 mm
C=148cm
C=158 cm
VSd,mín = 123,8 kN
122,3
VSd,mín= 120,1 199,9
147,9 146,9 VSd (kN)
105,1
49 146,9 105,1
206,6 149,8
298
300
17570,2
417
419
Como o pilar extremo P4 tem menor dimensão na direção da viga que o pilar P6, a
verificação da ancoragem será apresentada apenas para este pilar.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 127
VSd , máx
a 0,5d d , com a 0,5d
(VSd , máx Vc )
Na Flexão Simples e para o Modelo de Cálculo I, com c = 1,4 e concreto C30, tem-se:
c c c 1,4
Com f = 1,4 e Vk = 104,9 kN no pilar P4 tem-se VSd,máx = 1,4 . 104,9 = 146,9 kN, maior que
a força Vc = 81,6 kN. Aplicando na equação a resulta:
146,9
a 0,5 . 67 75,4 cm d = 67 cm a = d = 67 cm
(146,9 81,6)
a VSd 67 146,9 2
As,anc = 3,38 cm
d f y d 67 50 / 1,15
A armadura calculada para o apoio deve atender à armadura mínima (Eq. 40):
1
As, vão se M apoio 0 ou negativo de valor M apoio 0,5M vão
3
As,anc
1
As, vão se M apoio negativo e de valor M apoio 0,5M vão
4
Sendo Md,apoio = 1,4 . 2.352 = 3.293 [Link], e Md,vão = 1,4 . 13.237 = 18.532 [Link], fica:
163
Deve ser aplicada a equação do Modelo de Cálculo do dimensionamento dos estribos da viga.
164
Se resultar As,anc menor que o valor mínimo, deve-se seguir os cálculos com As,anc igual ao valor mínimo (1/3 ou 1/4 do As,vão).
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 128
14
viga de apoio
b,nec
b
As,anc
A s,anc
2 16
c b,ef
b
b
P4 2 16
O comprimento de ancoragem básico pode ser determinado na Tabela A-7 anexa. Na coluna
sem gancho, concreto C30, aço CA-50, diâmetro da barra 16 mm e região de boa aderência,
encontra-se o comprimento de ancoragem básico ( b) de 53 cm. Como a área de armadura escolhida
para a ancoragem no apoio (As,ef , 2 16) não é exatamente igual à área da armadura calculada
(As,anc), o comprimento de ancoragem básico deve ser alterado para b,nec (ver Eq. 41):
As,anc 3,38
b, nec b 53 44,8 cm
As,ef 4,00
b , mín
b , nec r 12,8 cm b
6 cm 19
Verifica-se que mesmo com o gancho ainda não é possível fazer a ancoragem, pois o
comprimento de ancoragem com gancho resultou maior que o comprimento de ancoragem efetivo:
A próxima alternativa é aumentar a armadura longitudinal a ancorar no apoio, para As,corr (Eq.
45). Considerando que não será utilizado grampo na ancoragem, tem-se:165
0,7
As, corr b
As, anc = 0,7 53 3,38 7,38 cm2
b, ef gr 17,0
Portanto, estender até o apoio somente 2 16 (4,00 cm2) dos vértices dos estribos não é
suficiente para atender As,corr . Uma solução simples é estender todas as 4 16 (8,00 cm2) positivas
até o apoio, área que atende à As,corr . Nesta ancoragem a utilização de grampos não é interessante
economicamente, porque estender as 2 16 da segunda camada até o pilar, terminando em gancho,
resulta em menor consumo de aço. O detalhe da ancoragem está mostrado na Figura 124.
O comprimento do gancho na extremidade das barras 2 16 deve ser de no mínimo 8 a
partir do centro do pino de dobramento: 8 . 1,6 = 12,8 cm, adotado igual a 20 cm como mostrado na
Figura 124.
c = 2,0
a
2 16 (2 cam)
20
b,ef =
17,0 2 16
b = 19
165
No caso de não ser necessário colocar grampo, o diâmetro ( gr) não necessita ser considerado no denominador da equação.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 130
No caso do pilar extremo P6, que tem comprimento de 35 cm na direção da viga VS2, o
comprimento efetivo é: b,ef = 35 – 2,0 = 33,0 cm. Considerando que a ancoragem seja feita com 2
16 com gancho, e como válido também para este pilar o comprimento de ancoragem com gancho
calculado para o pilar P4 ( b,gancho = 31,4 cm),166 tem-se: b,gancho = 31,4 cm < b,ef = 33,0 cm, o que
significa que é suficiente fazer a ancoragem da armadura longitudinal positiva estendendo-se apenas
as duas barras 16 mm dos vértices dos estribos, terminando com gancho próximo à face externa do
pilar (ver Figura 133), e sem grampos.
VSd , máx
a 0,5d d , com a 0,5d
(VSd , máx Vc )
Na Flexão Simples e para o Modelo de Cálculo I, com c = 1,4, concreto C30, d = 65 cm,
tem-se:
f ctk,inf 0,7 f ct, m 0,7 . 0,3 3 0,7 . 0,3 3 2
f ctd f ck 2 = 30 1,45 MPa = 0,145 kN/cm
2
c c c 1,4
206,6
a 0,5 . 65 52,7 cm ≤ d = 65 cm
(206,6 79,2)
166
Existe uma pequena diferença devido as forças cortantes nos dois apoios (pilares) serem um pouco diferentes.
167
A verificação da ancoragem nos pilares internos deve ser feita para os dois tramos que se apoiam no pilar.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 131
2 10
2 10
D = 15 = 15 cm
35 cm
35
14
P4
2 12,5
2 12,5
D = 15 = 19 cm
44 cm
35
14
P6
As Figura 129, Figura 130, Figura 131 e Figura 132 mostram os “cobrimentos” dos
diagramas de momentos fletores, feitos para conhecimento da posição e comprimento das barras das
armaduras longitudinais de flexão, positivas e negativas. O “cobrimento” do diagrama pode ser feito
sobre o diagrama de momentos fletores de cálculo (MSd), decalado nos valores de a (53 e 67 cm
como já calculados).
Os comprimentos de ancoragem básicos ( b , cm), para concreto C30, aço CA-50 e sem
gancho, conforme a Tabela A-7 anexa são:
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 132
A armadura de flexão negativa no apoio interno (P5), mostrada na Figura 127, foi separada
em dois grupos,168 sendo 2 20 da primeira camada e dos vértices dos estribos como um grupo, e 2
16 da segunda camada como um segundo grupo, a fim de gerar economia no consumo de aço, pois as
barras do segundo grupo resultarão mais curtas que as duas barras do primeiro grupo. O mesmo foi
feito para as armaduras positivas dos tramos 1 e 2, com as barras dos vértices dos estribos formando
um grupo separado das demais barras (Figura 127). As armaduras longitudinais negativas nos pilares
extremos estão mostradas na Figura 128.
2 20 (Grupo 1)
2 16
(Grupo 2)
1 16
(Grupo 2)
2 16
(Grupo 2)
2 16 2 16
(Grupo 1) (Grupo 1)
2 10 2 12.5
a) armadura negativa no pilar extemo P4. b) armadura negativa no pilar extemo P6.
Figura 128 – Armaduras longitudinais de flexão nos pilares extremos.
168
Outros arranjos ou agrupamentos diferentes podem ser feitos, resultando comprimentos diferentes para as barras.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 133
223 232
138 141
76 76
b a =53 2 16 (2) b
A2 A2
16,0 16,0
10 10
95 95
b B2 B2 b
A1 2 20 A1
(1)
20,0 20,0
10 10
a =53 a =53
B1 B1
150 cm 157 cm
pilar P5
eixo do
transpasse construtivo
face externa do pilar P6
A armadura de flexão positiva do tramo 1 foi separada em dois grupos: o primeiro referente
às barras da primeira camada que serão estendidas até ambos os apoios do tramo (2 16), e o
segundo com 2 16 da segunda camada, também estendidas até o pilar P4 (para compor a
ancoragem), mas “cortadas” antes do pilar interno P5, conforme o “cobrimento” do diagrama de
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 134
momentos fletores (Figura 131). A armadura positiva do tramo 2 foi também separada em dois
grupos: o primeiro referente às barras que serão estendidas até ambos os apoios do tramo (2 16), e
o segundo com 1 16 da segunda camada, “cortada” antes dos apoios (Figura 132).
a a
63 53
2 16 (1) B2
face externa do pilar P4
16,0
eixo do pilar P5
2 16 (2) 10
A2
157
728,5 cm
a a
53 63
1 16 (2)
16,0 A2 A2 16,0
10 10
185 447
728,5 cm 96,5
A Figura 133 apresenta o detalhamento final das armaduras da viga, feito geralmente na
escala 1:50. O desenho do corte da seção transversal e do estribo é feito comumente nas escalas de
1:25 ou 1:20.169
169
Em um detalhe à parte podem ser colocados outros desenhos mostrando como devem ser executados os ganchos, os pinos de
dobramento, etc. Atenção máxima deve ser dispensada ao desenho do detalhamento final, pois geralmente é apenas com ele que a
armação da viga é executada.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 135
2N7
P4 40 P5 A 40 P6 2x3N8
223 232
N3 - 2 10 C=474 N4 - 2 20 C=455 N5 - 2 10 C=427 N6 - 2 12,5 C=191
35
N2 - 2 10 C=145
44
138 141
N7 - 2 16 C=279 (2a cam) 1N10
2N12
10
N8 - 2 x 3 6,3 CORR
66
20
157 185
N9 - 2 16 C=590 (2a cam) N10 - 1 16 C=447 (2a cam)
20
20
N11 - 2 16 C=752 N12 - 2 16 C=752
A N1 - 94 5
C=162
A viga da Figura 134 faz parte da estrutura da fachada de um sobrado residencial e vence o
vão de uma garagem. O projeto completo da viga é apresentado, com cálculo dos esforços
solicitantes, dimensionamento e detalhamento das armaduras e verificação da flecha e fissuração. Por
questões arquitetônicas a viga não pode ser invertida e não deve ter altura superior a 65 cm.
São conhecidos:
- lajes apoiadas na viga do tipo pré-fabricada treliçada unidirecional, com altura de 4 cm para a capa
de concreto;
- edificação em área urbana de cidade em região não agressiva (não industrial) e não litorânea, e
neste caso pode-se definir a Classe de Agressividade Ambiental II.170 Para esta classe tem-se:
concreto ≥ C25, relação a/c ≤ 0,60 (Tabela 7.1 da NBR 6118), cnom = 3,0 cm (Tabela 7.2 da NBR
6118). Neste exemplo será adotado o concreto C45 (fck = 45 MPa), o qual atende ao mínimo exigido
(C25), e assim o cobrimento pode ser reduzido para cnom = c = 2,5 cm;171
- peso específico do Concreto Armado: conc = 25 kN/m3;
- coeficientes de ponderação: c = f = 1,4 ; s = 1,15;
- aço CA-50 (fyk = 500 MPa, fyd = fyk / s = 435 MPa = 43,5 kN/cm2), ou CA-60;
- a ação do vento e os esforços solicitantes decorrentes serão desprezados, por se tratar de uma
edificação de baixa altura (apenas dois pavimentos), em região não sujeita a ventos de alta
intensidade;
- seção transversal retangular adotada: bw = 25 cm ; h = 65 cm;
- ação variável qk = 20 % de pk (pk = carga total);
- t = tempo quando se deseja o valor da flecha diferida = 70 meses (5,8 anos);
170
Como a viga faz parte da fachada da edificação e tem contato com intempéries, a nota a) da Tabela 6.1 da NBR 6118 não será
considerada, diferentemente dos exemplos numéricos das vigas VS1 e VS2, ou seja, não será admitido microclima com uma classe de
agressividade mais branda (uma classe acima).
171
A NBR 6118 (item 7.4.7) prescreve que: “Para concretos de classe de resistência superior ao mínimo exigido, os cobrimentos
definidos na Tabela 7.2 podem ser reduzidos em até 5 mm.” Portanto, como o concreto escolhido (C45) é de classe superior ao mínimo
exigido (C25), o cobrimento pode ser diminuído em 0,5 cm, ou seja, de 3,0 para 2,5 cm.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 136
Resolução
O primeiro tramo da viga vence vão livre de 7,40 m e tem em carregamento elevado, com três
forças concentradas totalizando 112,1 kN (11,21 tf), além da carga uniformemente distribuída de 21
kN/m (ver Figura 134), de modo que o primeiro tramo da viga é muito suscetível à ocorrência de
flecha elevada.
Outras duas características importantes são: a altura máxima permitida para a viga é 65 cm, e
como a viga é suporte de parede, a NBR 6118 prescreve que a flecha máxima não pode superar 10
mm (além de outros valores limites, mostrados adiante). Considerando essas condições o concreto foi
especificado com resistência elevada para o fck , de 45 MPa, com o objetivo de que a viga apresente
uma flecha aceitável diante do vão, do carregamento e das exigências da NBR 6118.172
A viga será calculada com a hipótese de viga contínua como um elemento isolado da
estrutura, vinculada aos pilares extremos por meio de engastes elásticos, como permitido pela norma
(ver item 6).
P1 tramo 1 P2 tramo 2 P3
20/40 20/30 20/30
740 cm 20 193
65
20 20
760 cm 213
Para o tramo com o vão maior, entre os pilares P1 e P2, com distância de centro a centro dos
pilares de 760 cm, a altura da viga pode ser adotada como (Eq. 23):
ef 760
h 63,3 cm
12 12
O primeiro tramo da viga vence o vão de uma garagem, sem parede embaixo (no pavimento
térreo), de modo que a largura da viga pode ser maior que as larguras padrões de 14 e 19 cm (ou 20
cm), e como o carregamento sobre a viga é elevado, a largura será adotada igual a 25 cm. Como uma
172
As estruturas de concreto de edificações moldadas no local são projetadas na maioria das vezes com concretos C25, C30, C35 e
eventualmente C40. A viga em questão é um caso que justifica a aplicação de um concreto com resistência superior, no caso o C45.
Porém, é importante verificar se há disponibilidade desses concretos de resistências mais elevadas.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 137
primeira tentativa de projeto173 a seção transversal retangular será adotada 25 x 65 cm, sendo que
esta altura atende à máxima permitida neste caso.
Conforme as medidas mostradas na Figura 134 verifica-se que as medidas t1 e t2 são iguais para
os dois tramos da viga, portanto (Eq. 21):
t1 / 2 t2 / 2 20 / 2 10,0 cm
a1 a2 a1 = a2 = 10,0 cm
0,3 h 0,3 . 65 19,5 cm
A viga tem lajes apoiadas em sua região superior, na extensão onde ocorrem tensões normais
de compressão provocadas pelos momentos fletores positivos, de modo que a estabilidade lateral da
viga está garantida pelas lajes.
Em função das dimensões do pilar interno P2 e das prescrições da NBR 6118 (ver Figura 19,
item 6) o pilar será considerado como apoio simples. Os pilares extremos P1 e P3 serão vinculados à
viga por meio de engastes elásticos, com os cálculos das rigidezes de mola como indicados a seguir.
O módulo de elasticidade do concreto tangente na origem é (NBR 6118, item 8.2.8):
f ck
Ecs = i Eci , com i 0,8 0,2 1,0
80
45
i 0,8 0,2 0,9125 1,0 ok!
80
O pilar P1 tem dimensões 20/40 e o P3 tem dimensões 20/30 cm (Figura 134), ambos com
estas seções nos lances inferior e superior à viga em estudo. Os momentos de inércia dos pilares são:
b h3 40 . 203 4
P1 Ip,sup = Ip,inf = 26.667 cm
12 12
b h3 30 . 203 4
P3 Ip,sup = Ip,inf = 20.000 cm
12 12
173
A flecha resultante no vão é que indicará se a seção é adequada e suficiente.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 138
onde a dimensão do pilar retangular elevada ao cubo é aquela na direção do eixo longitudinal da
viga.
A rigidez da mola nos engastes elásticos representativos dos pilares extremos P1 e P3 é
avaliada com a Eq. 8: Kmola = Kp,sup + Kp,inf . O coeficiente de rigidez da mola é 3 ou 4 (Eq. 9 e Eq.
10), conforme os vínculos na base e no topo do pilar (ver Figura 26).
No caso de se considerar o pilar como barra biarticulada como mostrado na Figura 135a (ver
também Figura 27), a rigidez dos lances superior e inferior é tomada com o coeficiente 3. No
entanto, com o objetivo de diminuir a flecha no tramo 1 da viga, será adotado o coeficiente 4, pois
uma maior rigidez para a mola diminui a flecha no vão. Assim, os lances inferiores e superiores dos
pilares extremos P1 e P3 serão considerados engastados ao nível do pav. superior e articulados à
meia altura dos lances (Figura 135b),174 com a Eq. 10 tomando = /2:
4 EI
Kp =
/2
cobertura cobertura
lance superior
= 300 cm
= 300 cm
lance superior
/2 /2
pav. superior pav. superior
= 300 cm
P1 ou P1 ou lance inferior
P3 lance inferior P3
pav. térreo pav. térreo
Como a seção transversal e a altura dos pilares não varia nos dois pavimentos, as rigidezes
dos lances inferior e superior são iguais, e a rigidez proporcionada pelo pilar é (Eq. 10):
4 EI 8 EI
Kp,sup = Kp,inf = K mola K p,sup K p,inf
/2 /2
8 EI 8 . 4113 . 26667
P1 K mola = 5.849.673 [Link]
/2 300 / 2
8 EI 8 . 4113 . 20000
P3 K mola = 4.387.200 [Link]
/2 300 / 2
174
Com essa hipótese os momentos fletores de ligação da viga com os pilares extremos resultam um pouco maiores, e
consequentemente também os momentos fletores nos lances superior e inferior dos pilares, devendo esses momentos fletores serem
considerados no dimensionamento dos pilares.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 139
A Figura 136 mostra o desenho do programa FTOOL para a viga, com os vínculos nos pilares
de apoio, os carregamentos, vãos efetivos e os diagramas de forças cortantes e momentos fletores
obtidos com o programa Ftool.175
Figura 136 – Esquema estático com os vínculos, distâncias, carregamentos na viga e diagramas de forças
cortantes (Vk , kN) e momentos fletores (Mk , [Link]). (FTOOL, [Link]
Para seção retangular e concreto C45, a taxa mínima de armadura ( mín – ver Tabela A-2) é de
0,194 % Ac , portanto:
A armadura de pele é obrigatória neste caso, pois a viga tem altura superior a 60 cm. A
armadura de pele em cada face vertical da viga é:
175
FTOOL, versão 4.00.04 (jan/18). Disponível em (6/07/2021): [Link]
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5 6,3 mm 1,55 cm2 em cada face (Tabela A-4), distribuídas ao longo da altura (ver o
detalhamento final das armaduras na Figura 153).
O momento fletor negativo atuante (Mk) na viga na seção sobre o pilar interno P2 é 19.779
[Link] (Figura 136). Este momento fletor não é muito superior ao momento fletor positivo máximo
no vão, de 16.457 [Link] (19.779/16.457 = 1,20), de modo que não será feita a redução do momento
fletor negativo.176 E ainda muito mais importante é que na viga deste exemplo a flecha no tramo 1 é
um problema crítico,177 o que justifica a não redução do momento fletor negativo, pois sua redução
implica em aumento da flecha no tramo.
Para a altura da viga de 65 cm será adotada a altura útil (d) de 60 cm. As lajes pré-fabricadas
encontram-se apoiadas na região superior da viga e não contribuem na resistência às tensões normais
de compressão, devendo o cálculo ser feito com a seção retangular (25 x 65):
4 16
2 2
bw d 25 . 60
Kc = 3,3 , na Tabela A-1 tem-se: acg
Md 27.691 ah
av =
2,0
Md 27.691
As Ks = 0,024 11,08 cm2 ( As,mín = 3,15 cm2)
d 60
uma opção é (Tabela A-4):178 6 16 (12,00 cm2).179 Com cobrimento de 2,5 cm e estribo t = 6,3
mm, a posição do centro de gravidade da armadura pode ser estimada como:180
acg = 2,5 + 0,63 + 1,6 + 0,5 = 5,2 cm , ok, muito próximo ao valor adotado, de 5 cm.
O detalhamento final desta armadura e das seguintes está mostrado na Figura 153.
176
A redução do momento fletor negativo no apoio interno é um recurso que o projetista pode ou não adotar, a seu critério.
177
A flecha no tramo 1 condiciona o projeto desta viga, devido ao grande vão, cargas elevadas e limitação na altura da viga.
178
Em obras de pequeno porte é indicado utilizar barras de até 12,5 mm de diâmetro, no entanto, neste exemplo é necessário utilizar
barras de 16 mm, em função do grande vão do tramo 1 e das cargas elevadas.
179
Uma segunda opção, entre outras, seria: 2 20 + 2 16 + 1 12,5 (6,30 + 4,00 + 1,25 = 11,55 cm2).
180
A posição do centro de gravidade das 6 barras foi estimada situar-se 0,5 cm abaixo da superfície inferior das barras da primeira
camada.
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viga contínua, como mostrado na Figura 17 (ver verificação a do item 6). No caso em questão esta
verificação não está aqui demonstrada porque o momento fletor da viga contínua supera o momento
fletor do tramo isolado.
O momento fletor positivo máximo no tramo 1 é 16.457 [Link] (Figura 136). A contribuição
da capa (mesa) da laje pré-fabricada não será considerada porque sua espessura é pequena (4 cm). O
momento fletor de cálculo é: Md = f . Mk = 1,4 (16.457) = 23.040 [Link]. Com d = 61 cm tem-se:
b w d 2 25 . 612 25
Kc = 4,0 , da Tabela A-1 tem-se:
Md 23.040
Md 23.040 acg
As Ks = 0,024 9,06 cm2
d 61
Valor que atende à armadura mínima (As,mín = 3,15 cm2). Uma opção de arranjo de barras é
5 16 (10,00 cm2, ver Tabela A-4).181 Estimativa da posição do CG da armadura:
acg = 2,5 + 0,63 + 1,6/2 = 3,9 cm , ok, próximo ao valor adotado (4 cm).
O momento fletor negativo é Mk = – 7.271 [Link] (Figura 136). Momento fletor de cálculo:
Md = f . Mk = 1,4 (– 7.271) = – 10.179 [Link], e com d = 61 cm:
b w d 2 25 . 612
Kc = 9,1 , da Tabela A-1 tem-se: 2 16
Md 10.179
Md 10.179
As Ks = 0,023 3,84 cm2
d 61
25
O momento fletor é positivo Mk = 1.116 [Link] (Figura 136).182 Momento fletor de cálculo:
b w d 2 25 . 612
Kc = 60,0 , da Tabela A-1 tem-se:
Md 1.562
181
Nota-se que a Tabela mostra ser possível colocar 5 16 mm em uma única camada.
182
O momento fletor das vigas nos apoios extremos geralmente é negativo. Neste caso resultou positivo porque o tramo 2 tem vão
pequeno, comparado ao vão do tramo 1.
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Md 1.562 25
As Ks = 0,023 0,60 cm2 ( As,mín = 3,15 cm2)
d 61
f ct I c
O momento fletor de fissuração é (Eq. 49): Mr
yt
A resistência do concreto à tração direta (fct) pode ser calculada em função da resistência
característica do concreto à compressão, e para a verificação da flecha deve ser considerada a
resistência média fct,m (Eq. 52):
2 2
f ct f ct, m 0,3 3 fck 0,3 3 452 3,80 MPa = 0,38 kN/cm
O fator deve ser adotado igual a 1,5 para seções retangulares. A distância yt entre o centro
de gravidade da seção e a fibra mais tracionada é igual a h/2. O momento fletor de fissuração, com o
momento de inércia de 572.135 cm4, é:
Md,serv = 14.153 [Link] > Mr = 10.034 [Link] a seção trabalha no Estádio II e EI = (EI)eq
2 e 2 e
x II2 As As x II
As d As d 0
bw bw
Es 21.000
O valor de e é (Eq. 68): e = 5,11
E cs 4.113
A armadura positiva efetiva é As = 10,00 cm2 (5 16, com altura útil d = 61 cm), e a
armadura comprimida, porta-estribo neste caso, será considerada composta por 3 8 (A’s = 2,40
cm2, d’ = 3,5 cm), substituindo os valores numéricos encontra-se:
2 2 . 5,11 2 . 5,11
x II 10,00 2,40 x II 10,00 . 61 2,40 . 3,5 0
25 25
3 2
b w x II x II 2 2
III b w x II e As d x II e As x II d
12 2
2
25 . 13,573 13,57 2 2
III 25 . 13,57 5,11 . 10,00 61 13,57 5,11 . 2,40 13,57 3,5
12 2
3 3
10.034
(EI)eq 4.113 10.034 572.135 1 137.022 4113 . 572135
14.153 14.153
183
A flecha calculada é apenas uma estimativa da flecha real, pois o maior deslocamento vertical não ocorre na seção do meio do vão.
Além disso, as flechas calculadas conforme as equações para os tipos diferentes de carregamento não são todas para a seção do meio
do vão.
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p P1 P2 P1
+
1 2
+
3 4
MP2 MP1
A Figura 138 mostra o tramo sob a carga uniformemente distribuída e conforme a Tabela A-
10 a equação da flecha é (caso 6):
p = 21,0 kN/m
4
5 p
a i, p
384 EI
1
760 cm
A carga de serviço para a combinação quase permanente é (Eq. 57), a ser aplicada no
cálculo da flecha imediata, é:
5 0,1806 . 7604
a i, p 0,65 cm
384 [Link]
A Figura 139 mostra o tramo sob a carga concentrada no centro do vão e conforme a Tabela
A-10 a equação da flecha é (caso 9):
1 P 3 P2 = 43,9 kN
a i, P 2
48 EI
2a
força P2 = 43,9 kN
380 380
1 37,74 . 7603
a i, P 2 0,29 cm
48 [Link]
A Figura 140 mostra o tramo sob as duas cargas concentradas e conforme a Tabela A-10 a
equação da flecha é (caso 27):
Pa 2
a i, P, II 3 4a 2 P1 P1
24EI
2b
forças P1 = 34,1 kN
190 380 190
29,34 . 190
a i, P1 3 . 7602 4 . 1902 0,31 cm
24 . [Link]
A Figura 141 mostra o tramo sob o momento fletor negativo aplicado no pilar P2, e conforme
a Tabela A-10 a equação da flecha é (caso 11):
1 M 2
a i, M, I
9 3 EI 3
MP2
momento fletor MP2 = 19.779 [Link] 760 cm
1 17010 . 7602
a i, MP 2 0,52 cm
9 3 [Link]
A Figura 142 mostra o tramo sob o momento fletor negativo aplicado no pilar P1, e conforme
a Tabela A-10 a equação da flecha é (caso 11):
1 M 2
a i, M, II
9 3 EI 4
MP1
momento fletor MP1 = 7.271 [Link]
760 cm
1 6253 . 7602
a i, MP1 0,19 cm
9 3 [Link]
A' s 2,40
0,00157377
bw d 25 . 61
0,88
f 0,8158
1 50 . 0,00157377
760
a 3,04 cm
250 250
Como a viga trabalha em serviço como suporte de parede, a norma preconiza verificar
“Efeitos em elementos não estruturais” (alvenaria, caixilhos e revestimentos), e na Tabela 6 tem-se:
at = 9,8 mm a = 10 mm ok!
21.7.7 Contraflecha
A fim de diminuir a flecha que ocorrerá na viga, uma contraflecha (ao) pode ser adotada entre
os limites (Eq. 84):
0,54 cm ao 0,76 cm uma contraflecha pode ser adotada igual a 0,7 cm = 7 mm.
184
Onde é o comprimento da parede. Por simplicidade foi suposto igual ao vão efetivo do tramo.
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A viga tem dois momentos fletores importantes, o positivo no tramo 1 e o negativo no pilar
interno P2. Por simplicidade, a verificação da fissuração será feita apenas na seção sobre o pilar P2,
onde ocorre o maior momento fletor solicitante na viga. Por outro lado, vigas que atendem as
prescrições da norma quanto aos limites de ductilidade (Eq. 1 e Eq. 3) e que não apresentem flechas
elevadas, não têm taxas de armadura longitudinal elevadas, e de modo geral não apresentam
aberturas excessivas de fissura, isto é, de modo geral as vigas atendem às aberturas máximas
permitidas pela norma.185
O momento fletor negativo na viga sobre o pilar P2 é Mk = 19.779 [Link], e considerando
que a carga permanente representa 80 % da carga total e a carga variável os restantes 20 %, tem-
se:186
Mgk = 80 % Mk = 0,8 ( 19.779) = 15.823 [Link]
A análise da fissuração deve ser feita com a combinação frequente de serviço (ver Tabela 7
e Eq. 85):
Fd,ser = Σ Fgik + 1 Fq1k + Σ 2 Fqjk , e em termos de momentos fletores:
f ct I c
O momento fletor de fissuração é (Eq. 49): Mr
yt
No cálculo de abertura de fissura a resistência do concreto à tração direta (fct) é assumida com
o valor inferior (fctk,inf , Eq. 53):
2
fct = fctk,inf = 0,7fct,m = 0,7 . 0,3 3 fck2 0,7 . 0,3 3 452 2,66 MPa = 0,266 kN/cm
185
Existem situações de projeto, como estruturas de concreto para reservatórios de líquidos por exemplo, que podem justificar limites
de abertura de fissuras menores que as preconizadas pela NBR 6118, e que requerem uma maior atenção do projetista nesta análise.
186
No cálculo de abertura de fissura é necessário conhecer as parcelas do carregamento total relativas às cargas permanentes e
variáveis.
187
A combinação frequente é aquela que se repete muitas vezes durante o período de vida da estrutura.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 149
A área de envolvimento das seis barras da armadura (6 16) representa a área do tirante
equivalente (ver Figura 144), definida conforme o critério da NBR 6118 mostrado na Figura 63 (item
17). Com o cobrimento c = 2,5 cm, estribo t = 6,3 mm, av = 2,0 cm calculam-se as distâncias:
htir = 19,5
4,2
2,0
htir = h1 + h2 = 7,5 + 12,0 = 19,5 cm 15,5 h2 =
área do tirante 12,0
equivalente
Área crítica das seis barras 16:
t = 6,3
As 12,00
r 0,024615
Acr 487,5
Para barra 16 mm nervurada aço CA-50 o coeficiente de aderência é 1 = 2,25 (NBR 6118,
item 8.3.2), e com módulo de elasticidade do aço de Es = 21.000 kN/cm2, as aberturas de fissura no
tirante equivalente são (Eq. 86 e Eq. 87):
i si 4 16 28,44 4
w k1 45 45 0,16 mm
12,5 1 Esi ri 12,5 . 2,25 21.000 0,024615
w k1 0,16 mm
wk wk = 0,16 mm
wk2 0,17 mm
Considerando a viga em Classe de Agressividade Ambiental II, na Tabela 7 tem-se que a abertura
máxima de fissura é wk,máx = 0,30 mm, de modo que a comparação permite concluir que a fissura não
causará problema na viga:
2 e 2 e
x II2 As As x II
As d As d 0
bw bw
Es 21.000
O valor de e é (Eq. 68): e = 5,11
E cs 4.113
Com As = 12,00 cm2, A’s = 4,00 cm2 (2 16 da região inferior da viga ancorados no pilar P2,
ver Figura 153), d = 60 cm, substituindo os valores numéricos encontra-se:
2 2 . 5,11 2 . 5,11
x II 12,00 4,00 x II 12,00 . 60 4,00 . 4,0 0
25 25
3 2
b w x II x II 2 2
III b w x II e As d x II e As x II d
12 2
2
25 . 14,383 14,38 2 2
III 25 . 14,38 5,11 . 12,00 60 14,38 5,11 . 4,00 14,38 4,0
12 2
4
65
i si
w k1 45
12,5 1 Esi ri
16 26,13 4
w k1 45 LNII
12,5 . 2,25 21.000 0,024615
xII = 14,38
2 16
wk1 = 0,15 mm
Com d = 60 e da Tabela A-5 anexa determina-se a força cortante máxima que a viga pode
resistir para concreto C45:
VSd = 213,2 kN VRd2 = 1.065,0 kN ok! não ocorrerá esmagamento do concreto nas
bielas comprimidas.
Da Tabela A-5 (C45), a equação para determinar a força cortante correspondente à armadura
mínima é:
VSd = 213,2 kN < VSd,mín = 259,5 kN portanto, a armadura transversal será a mínima
(Asw,mín)
A armadura mínima é:
20 f ct , m
Asw, mín bw (cm2/m), com fct, m 0,3 3 fck
2
0,3 3 452 0,38 MPa
f ywk
20 . 0,38
e com o aço CA-50: Asw , mín 25 3,80 cm2/m
50
Conforme se pode observar na Figura 136 todas as demais forças cortantes atuantes nos
outros apoios (pilares) são inferiores à força cortante de 152,3 kN, de modo que a armadura
transversal mínima deve ser aplicada ao longo de toda viga, ou seja, nos dois tramos.
188
A resolução será feita com as equações simplificadas apresentadas em BASTOS, P.S. Dimensionamento de vigas de concreto
armado à força cortante. Bauru/SP, Universidade Estadual Paulista (UNESP), nov/2023, 77p. Disponível em (26/03/24):
[Link]
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 152
Para a armadura mínima de 3,80 cm2/m e estribo 5 mm com dois ramos, sabendo que 2 5
tem área de 0,40 cm2, tem-se:
Asw 0,40
0,038 cm2/cm 0,038 s = 10,5 cm 30 cm
s s
portanto, estribo com dois ramos 5 mm c/10 cm. No caso de estribo 6,3 mm (2 6,3 0,62 cm2)
encontra-se:
0,62
0,038 s = 16,3 cm 30 cm
s
portanto, estribo com dois ramos 6,3 c/16 cm. A Figura 146 mostra a disposição dos estribos ao
longo da viga, com estribo 6,3. Ver o detalhamento final das armaduras da viga na Figura 153.
N1 – 46 c/16 N1 – 12 c/16 20
60
tramo 1 tramo 2
P1 P2 P3
740 cm 193
N1 - 58 6,3
C = 170
VSd (kN)
189
BASTOS, P.S. Ancoragem e emenda de armaduras. Bauru/SP, Universidade Estadual Paulista (UNESP), mar/2024, 26p.
Disponível em (26/03/24): [Link]
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 153
VSd , máx
a 0,5d d , com a 0,5d
(VSd , máx Vc )
Vc = Vc0 = 0,6fctd bw d
c c c 1,4
167,2
a 0,5 . 61 761,1 cm ≤ d = 61 cm
(167,2 173,9)
portanto, neste caso adota-se o valor mínimo: a = 0,5d = 0,5 . 61 = 30,5 cm. A armadura a ancorar
no apoio é:
1 M vão
As, vão se M apoio 0 ou negativo de valor M apoio
3 2
As,anc
1 M vão
As, vão se M apoio negativo e de valor M apoio
4 2
o momento fletor no apoio é Mk,apoio = 7.271 kN/cm e Md,apoio = 1,4 . ( 7.271) = 10.179 kN/cm,
e no vão é Mk,vão = 16.457 kN/cm e Md,vão = 1,4 . 16.457 = 23.040 kN/cm, ficando:
Neste caso deve-se ancorar o valor mínimo, com As,anc = 3,02 cm2. A ancoragem no pilar
extremo P1 deve ser feita com o comprimento de ancoragem necessário b,nec (Figura 147). A
armadura positiva do tramo 1 é composta por 5 16 mm (ver item 21.6.4), sendo que as duas barras
posicionados nos vértices dos estribos devem obrigatoriamente estender-se até os apoios (P1 e P2),
ver Figura 152). Portanto, inicialmente pode-se considerar que a armadura efetiva a ancorar no apoio
(As,ef) compõe-se das duas barras dos vértices (2 16), com área de 4,00 cm2, que atende à área
calculada a ancorar de 3,02 cm2 (As,anc).
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 154
b
25
VIGA DE APOIO
b,nec
b
As,anc
A s,anc
c b,ef 5 16
b
P1
O comprimento de ancoragem básico pode ser determinado na Tabela A-7 anexa. Na coluna
sem gancho, considerando concreto C45, aço CA-50, diâmetro da barra de 16 mm e região de boa
aderência, encontra-se o comprimento de ancoragem básico ( b) de 41 cm.
Como a área de armadura escolhida para a ancoragem no apoio (As,ef = 2 16) não é
exatamente igual à área da armadura calculada (As,anc), o comprimento de ancoragem básico deve ser
modificado para b,nec (Eq. 41, ver Figura 95):
As,anc 3,02
b, nec b 41 31,0 cm
As,ef 4,00
b ,mín
b , nec r 12,8 cm
6 cm Figura 148 – Ancoragem da armadura
b,nec 16,0 cm efetiva no comprimento de ancoragem
corrigido.
Tem-se que b,nec = 31,0 cm > 16,0 cm ok!
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Verifica-se que mesmo com o gancho ainda não é possível fazer a ancoragem, pois o
comprimento de ancoragem com gancho resultou maior que o comprimento de ancoragem efetivo:
A próxima alternativa é aumentar a armadura longitudinal a ancorar no apoio, para As,corr (Eq.
45), e considerando que será utilizado grampo com diâmetro gr = 10 mm tem-se:
0,7 b 0,7 41 2
As,corr As,anc = 3,02 5,25 cm
b, ef gr 17,5 1,0
Portanto, estender até o apoio somente as barras 2 16 dos vértices dos estribos (área de 4,00
cm2) não é suficiente para atender As,corr . Uma solução é estender as duas barras dos vértices e uma
barra da segunda camada, ou seja 3 16, com área de 6,00 cm2, que atende à As,corr . Uma outra
solução é estender somente 2 16 até o apoio e acrescentar grampo, com a área de grampo sendo a
diferença entre a área de armadura a ancorar (As,corr) e a área de armadura do vão estendida até o
apoio. A área de grampo é (Eq. 46):190
A armadura a ancorar neste caso pode ser: 2 16 + 2 10 (1 grampo, 1,60 cm2)191, com área
total de 5,60 cm2, que atende As,corr de 5,25 cm2. O detalhe da ancoragem está mostrado na Figura
149. Ver o detalhamento final das armaduras da viga na Figura 153.
O comprimento do gancho na extremidade das barras 2 16 deve ser de no mínimo 8 a
partir do centro do pino de dobramento: 8 . 1,6 = 12,8 cm, adotado igual a 20 cm como mostrado na
Figura 149.
190
A solução a ser escolhida deve ser aquela mais econômica e de mais simples montagem na viga.
191
1 8 mm (0,50 cm2); 1 10 (0,80 cm2); 1 12,5 (1,25 cm2), 1 16 (2,00 cm2).
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 156
c = 2,5
100 gr = 100 cm 2 10 (1 grampo)
20
dobra do grampo
2 16
b,ef = 17,5
P1
b = 20
Estendendo 2 16 (dos vértices dos estribos) da armadura longitudinal positiva do vão até o
pilar interno (As,anc = As,ef = 4,00 cm2), esta armadura deve ser superior à mínima. O momento fletor
no apoio é Mk,apoio = 19.779 kN/cm e Md,apoio = 1,4 . ( 19.779) = 27.691 kN/cm, e no vão é
Mk,vão = 16.457 kN/cm e Md,vão = 1,4 . 16.457 = 23.040 kN/cm, ficando:
VSd , máx
a 0,5d d , com a 0,5d
(VSd , máx Vc )
Com d = 60 cm tem-se o valor Vc = Vc0 = 0,6 . 0,190 . 25 . 60 = 171,0 kN.193 Com VSd = 1,4 .
152,3 = 213,2 kN no apoio do pilar P2, encontra-se:
213,2
a 0,5 . 60 151,6 cm d = 60 cm portanto, a = d = 60 cm
(213,2 171,0)
192
Como a viga tem eixo longitudinal horizontal, pode-se dizer que os estribos são verticais.
193
Para a altura útil d foi aplicado o valor utilizado no cálculo da armadura de flexão negativa no pilar interno P2.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 157
possuir um gancho longo direcionado para baixo, com comprimento de ao menos 35 . O diâmetro do
pino de dobramento deve ser de 15 para aço CA-50, como indicado na Figura 150.
2 16
2 16
D = 15 = 24 cm
56 cm
35
25
P1
1
2 16 (Grupo 2) 2 16 (Grupo 1) 25
2 16 (Grupo 1)
2 16
(Grupo 3)
25
3 16 (Grupo 2)
194
Outros arranjos ou agrupamentos diferentes podem ser feitos, resultando comprimentos diferentes para as barras.
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 158
223
169
111 107
face externa do pilar P1
a 1 2 16 3 8 (porta-estribos) A2 2 16 (Gr. 2)
B2
a1 a1 10 =16 A1 2 16 (Gr.1)
tramo 1 a2
B1 tramo 2
B2 2 16 (Grupo 1) B2
P1 a1 a2 P2
10 =16 10 =16 P3
A2 a 1 a2 A2 3 16 (Grupo 2)
70 122
20 740 cm 20 193 20
Figura 152 – Diagrama de momentos fletores de cálculo (Md) e “cobrimento” do diagrama para
definição das medidas (cm) das barras longitudinais.
2N5
V... (25 x 65) 2N4
2N6
N1 - 46 c/16 N1 - 12 c/16
2x5N7
P1 P2 3N8 2N9
P3
40 40
160 225 20
170
N5 - 2 16 C = 390
60
110 110
N6 - 2 16 C = 220 (2a cam)
N1 - 58 6,3
N7 – 2 x 5 6,3 C = CORR
C = 170
70 120
N8 - 3 16 C = 580
20
20
N9 - 2 16 C = 1028
100
181
18
N10 - 1 10 C = 218
O desenho da Figura 154 auxilia a visualizar os cálculos dos comprimentos das barras
longitudinais. Por exemplo:
195
Para o desenho da armadura final algumas medidas do cobrimento de momentos fletores foram arredondadas.
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P1 tramo 1 P2 tramo 2 P3
20/40 20/30 20/30
740 cm 20 193
20 20
REFERÊNCIAS
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set/2023, 90p. Disponível em (26/03/24):
[Link]
BASTOS, P.S. Flexão normal simples - Vigas. Bauru/SP, Universidade Estadual Paulista (UNESP), out/2023,
74p. Disponível em (26/03/24): [Link]
BASTOS, P.S. Dimensionamento de vigas de concreto armado à força cortante. Bauru/SP, Universidade
Estadual Paulista (UNESP), nov/2023, 77p. Disponível em (26/03/24):
[Link]
BASTOS, P.S. Ancoragem e emenda de armaduras. Bauru/SP, Universidade Estadual Paulista (UNESP),
mar/2024, 26p. Disponível em (26/03/24): [Link]
CARVALHO, R.C. ; FIGUEIREDO FILHO, J.R. Cálculo e detalhamento de estruturas usuais de concreto
armado: segundo a NBR 6118:2014. São Carlos, v.1, Ed. EDUFSCar, 2014, 416p.
FUSCO, P.B. Estruturas de concreto: fundamentos do projeto estrutural. São Paulo, Ed. McGraw-
Hill/Editora da Universidade de São Paulo, 1976.
FUSCO, P.B. Técnica de armar as estruturas de concreto. São Paulo, Ed. Pini, 1995, 382p.
FUSCO, P.B. Estruturas de concreto - Solicitações normais. Rio de Janeiro, Ed. Guanabara Dois, 1981,
464p.
NAWY, E.G. Reinforced concrete – A fundamental approach. Englewood Cliffs, Ed. Prentice Hall, 2005, 5a.
ed., 824p.
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
MACGREGOR, J.G. ; WIGHT, J.K. Reinforced concrete – Mechanics and design. 4a ed., Upper Saddle
River, Ed. Prentice Hall, 2005, 1132p.
PFEIL, W. Concreto armado, v. 2, 5a ed., Rio de Janeiro, Ed. Livros Técnicos e Científicos, 1989, 560p.
SÜSSEKIND, J.C. Curso de concreto, v. 1, 4a ed., Porto Alegre, Ed. Globo, 1985, 376p.
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ANEXO I – TABELAS
Tabela A-1 – Valores de Kc e Ks para o aço CA-50 (para concretos do Grupo I de resistência –
fck ≤ 50 MPa, c = 1,4, γs = 1,15).
FLEXÃO SIMPLES EM SEÇÃO RETANGULAR - ARMADURA SIMPLES
x Kc (cm2/kN) Ks Dom.
x 2
d C20 C25 C30 C35 C40 C45 C50 (cm
CA-50/kN)
0,01 103,4 82,7 68,9 59,1 51,7 47,8 44,5 0,023
0,02 51,9 41,5 34,6 29,6 25,9 24,0 22,4 0,023
0,03 34,7 27,8 23,2 19,8 17,4 16,1 15,0 0,023
0,04 26,2 20,9 17,4 14,9 13,1 12,1 11,3 0,023
0,05 21,0 16,8 14,0 12,0 10,5 9,7 9,1 0,023
0,06 17,6 14,1 11,7 10,0 8,8 8,1 7,6 0,024
0,07 15,1 12,1 10,1 8,6 7,6 7,0 6,5 0,024
0,08 13,3 10,6 8,9 7,6 6,6 6,1 5,7 0,024
0,09 11,9 9,5 7,9 6,8 5,9 5,5 5,1 0,024
0,10 10,7 8,6 7,1 6,1 5,4 5,0 4,6 0,024
0,11 9,8 7,8 6,5 5,6 4,9 4,5 4,2 0,024
0,12 9,0 7,2 6,0 5,1 4,5 4,2 3,9 0,024
0,13 8,4 6,7 5,6 4,8 4,2 3,9 3,6 0,024
0,14 7,8 6,2 5,2 4,5 3,9 3,6 3,4 0,024
2
0,15 7,3 5,8 4,9 4,2 3,7 3,4 3,1 0,024
0,16 6,9 5,5 4,6 3,9 3,4 3,2 3,0 0,025
0,17 6,5 5,2 4,3 3,7 3,2 3,0 2,8 0,025
0,18 6,2 4,9 4,1 3,5 3,1 2,8 2,7 0,025
0,19 5,9 4,7 3,9 3,4 2,9 2,7 2,5 0,025
0,20 5,6 4,5 3,7 3,2 2,8 2,6 2,4 0,025
0,21 5,4 4,3 3,6 3,1 2,7 2,5 2,3 0,025
0,22 5,1 4,1 3,4 2,9 2,6 2,4 2,2 0,025
0,23 4,9 3,9 3,3 2,8 2,5 2,3 2,1 0,025
0,24 4,7 3,8 3,2 2,7 2,4 2,2 2,0 0,025
0,25 4,6 3,7 3,1 2,6 2,3 2,1 2,0 0,026
0,26 4,4 3,5 2,9 2,5 2,2 2,0 1,9 0,026
0,27 4,3 3,4 2,8 2,4 2,1 2,0 1,8 0,026
0,28 4,1 3,3 2,8 2,4 2,1 1,9 1,8 0,026
0,29 4,0 3,2 2,7 2,3 2,0 1,9 1,7 0,026
0,30 3,9 3,1 2,6 2,2 1,9 1,8 1,7 0,026
0,31 3,8 3,0 2,5 2,2 1,9 1,8 1,6 0,026
0,32 3,7 3,0 2,5 2,1 1,8 1,7 1,6 0,026
0,33 3,6 2,9 2,4 2,1 1,8 1,7 1,5 0,026
0,34 3,5 2,8 2,3 2,0 1,8 1,6 1,5 0,027
0,35 3,4 2,7 2,3 2,0 1,7 1,6 1,5 0,027
0,36 3,3 2,7 2,2 1,9 1,7 1,5 1,4 0,027
0,37 3,3 2,6 2,2 1,9 1,6 1,5 1,4 0,027
0,38 3,2 2,6 2,1 1,8 1,6 1,5 1,4 0,027
0,40 3,1 2,5 2,0 1,8 1,5 1,4 1,3 0,027
0,42 2,9 2,4 2,0 1,7 1,5 1,4 1,3 0,028 3
0,44 2,8 2,3 1,9 1,6 1,4 1,3 1,2 0,028
0,45 2,8 2,2 1,9 1,6 1,4 1,3 1,2 0,028
0,46 2,7 2,2 1,8 1,6 1,4 1,3 1,2 0,028
0,48 2,7 2,1 1,8 1,5 1,3 1,2 1,1 0,028
0,50 2,6 2,1 1,7 1,5 1,3 1,2 1,1 0,029
0,52 2,5 2,0 1,7 1,4 1,2 1,2 1,1 0,029
0,54 2,4 1,9 1,6 1,4 1,2 1,1 1,0 0,029
0,56 2,4 1,9 1,6 1,4 1,2 1,1 1,0 0,030
0,58 2,3 1,8 1,5 1,3 1,2 1,1 1,0 0,030
0,60 2,3 1,8 1,5 1,3 1,1 1,0 1,0 0,030
0,62 2,2 1,8 1,5 1,3 1,1 1,0 1,0 0,031
0,63 2,2 1,7 1,5 1,2 1,1 1,0 0,9 0,031
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Tabela A-2 – Taxas mínimas de armadura de flexão para vigas (Tabela 17.3 da NBR 6118).
(a)
Forma Valores de mín (%)
da seção
20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90
Retan-
0,150 0,150 0,150 0,164 0,179 0,194 0,208 0,211 0,219 0,226 0,233 0,239 0,245 0,251 0,256
gular
(a) Os valores de mín estabelecidos nesta Tabela pressupõem o uso de aço CA-50, d/h = 0,8, c = 1,4 e s = 1,15. Caso esses
fatores sejam diferentes, mín deve ser recalculado.
mín = As,mín /Ac
Tabela A-3 – Área e massa linear de fios e barras de aço (NBR 7480).
Diâmetro (mm) Massa Área Perímetro
Fios Barras (kg/m) (mm2) (mm)
2,4 - 0,036 4,5 7,5
3,4 - 0,071 9,1 10,7
3,8 - 0,089 11,3 11,9
4,2 - 0,109 13,9 13,2
4,6 - 0,130 16,6 14,5
5 5 0,154 19,6 17,5
5,5 - 0,187 23,8 17,3
6 - 0,222 28,3 18,8
- 6,3 0,245 31,2 19,8
6,4 - 0,253 32,2 20,1
7 - 0,302 38,5 22,0
8 8 0,395 50,3 25,1
9,5 - 0,558 70,9 29,8
10 10 0,617 78,5 31,4
- 12,5 0,963 122,7 39,3
- 16 1,578 201,1 50,3
- 20 2,466 314,2 62,8
- 25 3,853 490,9 78,5
- 32 6,313 804,2 100,5
- 40 9,865 1256,6 125,7
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 163
Ø
Br. 1 = brita 1 (dmáx = 19 mm) ; Br. 2 = brita 2 (dmáx = 25 mm)
Valores adotados: t = 6,3 mm ; cnom = 2,0 cm
Para cnom 2,0 cm, aumentar bw,mín conforme: av
Tabela A-5 – Equações simplificadas segundo o Modelo de Cálculo I para concretos do Grupo I.
Modelo de Cálculo I
(estribo vertical, c = 1,4, s = 1,15, aços CA-50 e CA-60, Flexão Simples).
Tabela A-6 – Equações simplificadas segundo Modelo de Cálculo II para concretos do Grupo I.
Modelo de Cálculo II
(estribo vertical, c = 1,4, s = 1,15, aços CA-50 e CA-60, Flexão Simples)
Tabela A-9 – Diâmetro dos pinos de dobramento (D) (Tabela 9.1 da NBR 6118).
Bitola Tipo de aço
(mm) CA-25 CA-50 CA-60
< 20 4 5 6
20 5 8 -
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 167
Tabela A-10
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 169
Tabela A-10
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 170
Com objetivo didático e para efeito de comparação a carga total (p) sobre a viga será agora
calculada com a hipótese das quatro lajes do pavimento serem do tipo maciça de concreto, como
indicadas na planta de fôrma da Figura 155.
P1 P2 P3
19/19 19/30 19/30
L1 L2
523
45
h = 12 h = 12
16
12
VS2 (14
(19xx70)
70)
P4 P5 P6
19/30 19/35
14/50 19/35
14/35
VS4 (19 x 45)
h = 12 h = 12
P7 P8 P9
19/19 19/30 19/30
719 719
Para as lajes maciças será considerada a altura de 12 cm, e para as demais cargas os mesmos
valores aplicados na laje tipo pré-fabricada (ver Tabela 9). Considerando o novo peso próprio das
lajes, a carga total por m2 de área da laje está indicada na Tabela 12:
Na Figura 156 estão mostradas as reações de apoio das lajes maciças do pavimento superior,
com a carga total p = 6,02 kN/m2. Para efeito de cálculo das reações de apoio foi considerada a
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 171
continuidade entre todas as lajes,196 e as lajes L1 e L2 têm os vãos efetivos tomados de centro a
centro das vigas de apoio, com x = 523 cm e y = 719 cm.197
8,75 8,75
L1 L2
6,83
6,83
12,85 12,85
12,85 12,85
6,83
6,83
L3 L4
8,75 8,75
Figura 156 – Reações de apoio (kN/m) das lajes maciças do pavimento superior.
O primeiro tramo da viga VS1 recebe carga da laje L1, e o segundo tramo recebe carga da
laje L2, com o mesmo valor de 8,75 kN/m. Considerando a nova carga das lajes sobre a viga, e para
as demais cargas os mesmos valores já aplicados (peso próprio e parede, ver Tabela 10), o
carregamento total atuante nos tramos 1 e 2 da VS1 está mostrado na Tabela 13.
pp =17,12
= 25,04kN/m
kN/m
tramo 1 tramo 2
719 cm 719
Observa-se que a carga total na viga com lajes pré-fabricadas é maior que a carga no caso de
lajes maciças, 22,62 kN/m contra 17,12 kN/m. O motivo é que as lajes pré-fabricadas, sendo
unidirecionais e apoiadas teoricamente apenas nas vigas VS1 e VS2, aplicam cargas maiores, 14,25
kN/m contra 8,75 kN/m das lajes maciças, pois estas distribuem sua carga total sobre as quatro vigas
de borda. Por outro lado, as lajes maciças aplicam cargas sobre as vigas laterais (VS4, VS5 e VS6)
muito maiores que as baixas cargas aplicadas pelas lajes pré-fabricadas, de 2,85 para 6,83 kN/m.
Portanto, as lajes pré-fabricadas unidirecionais exigem vigas maiores para apoio das vigotas, mas
aliviam as vigas laterais, e as lajes maciças, quando armadas em duas direções, distribuem a carga
para as quatro vigas de borda, aliviando assim as duas vigas mais exigidas pelas lajes treliçadas.
196
As lajes foram consideradas com bordas engastadas na existência de continuidade entre elas.
197
Para cálculo de reações de apoio de lajes maciças, ver: BASTOS, P.S. Lajes de Concreto Armado. Bauru/SP, Universidade
Estadual Paulista (UNESP), out/2023, 110p. Disponível em (26/03/24): [Link]
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 172
h x
tg 20 h tg 20 viga de apoio
x /2 2
20
viga lateral
- força vertical resultante na área do triângulo:
P
x
2
x h x x x
P p p tg 20 p tg 20 20
2 2 2 4
viga de apoio
2
P 0,10p x
Figura 158 – Cálculo simplificado da carga
- carga da laje uniformemente distribuída sobre da laje pré-fabricada unidirecional sobre as
as vigas laterais:199 vigas laterais.
P
V 0,10p x
x
No caso do momento fletor na ligação da viga com o pilar extremo ser calculado com a
equação da NBR 6118, o momento fletor é (Eq. 4):
rinf rsup
M vig M eng
rvig rinf rsup
Fazendo apenas para o pilar P3 e considerando o tramo extremo da viga como biengastado,
ou seja, engastado neste pilar e no pilar interno P2, o momento fletor de engastamento perfeito é:
198
Outros valores para o ângulo podem ser adotados.
199
No caso das vigas laterais VS4, VS5 e VS6 a carga das lajes pré-fabricadas resulta:
P
V 0,10p x 0,10 . 5,45 . 5,23 2,85 kN/m = 285 kgf/m
x
UNESP - Bauru/SP Vigas de Concreto Armado - Dimensionamento, Flecha e Fissuração 173
p 222,62 . 7,1352
Meng 100 9.596 [Link]
12 12
19 . 603
Rigidez da viga: rvig = I/ ef = 12 479,3 cm3
713,5
Como a seção transversal e a altura do pilar P3 são iguais nos lances inferior e superior, as
rigidezes são iguais:200
19 . 303
rp,inf = rp,sup = I/ = 12 142,5 cm3
300
3 . 142,5 3 . 142,5
M vig 9.596 2.960 [Link]
4 . 479,3 3 . 142,5 3 . 142,5
Os momentos fletores nos lances inferior e superior do pilar P3 são iguais, e as Eq. 5 e Eq. 6
podem ser aplicadas com os coeficientes apresentados nas Eq. 15 e Eq. 16:
3 . 142,5
Minf Msup 9.596 1.480 [Link]
4 . 479,3 3 . 142,5 3 . 142,5
A Figura 159 mostra os momentos fletores calculados, na viga VS1 e no pilar P3.
cobertura
lance superior
Mvig 2.960
VS1 pav. superior
Minf 1.480
Msup 1.480
lance inferior
P1 pav. térreo P2 P3
Figura 159 – Momentos fletores ([Link]) na viga e no pilar P3 conforme critério simplificado da NBR 6118.
200
Com tomado como o comprimento equivalente dos lances, de 300 cm, em função de se ter considerado o pilar como barra
biarticulada na altura dos lances.