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Vistorias e Inspeções Navais no Brasil

Este documento descreve os procedimentos e conceitos relacionados às vistorias, inspeções e certificações de embarcações realizadas pela Marinha do Brasil. O documento aborda vários tipos de vistorias e inspeções, requisitos para certificados de embarcações, e responsabilidades da Autoridade Marítima.
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Vistorias e Inspeções Navais no Brasil

Este documento descreve os procedimentos e conceitos relacionados às vistorias, inspeções e certificações de embarcações realizadas pela Marinha do Brasil. O documento aborda vários tipos de vistorias e inspeções, requisitos para certificados de embarcações, e responsabilidades da Autoridade Marítima.
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MARINHA DO BRASIL

DIRETORIA DE PORTOS E COSTAS


ESPOC

MÓDULO III
ÍNDICE
1 – VISTORIAS

1.1 - Introdução 04
1.2 - Vistorias em embarcações estrangeiras 12
1.3 - Perícia para emissão de Cartão de Tripulação de Segurança 15
1.4 - Gerência de Vistorias e Inspeções e Perícias Técnicas - GEVI 18

2 – ATIVIDADE DE INSPEÇÃO NAVAL

2.1 - Conceitos e definições da LESTA 20


2.2 - Execução das Inspeções Navais - IN 22
2.3 - Dos fatos decorrentes da inspeção naval 27

3 – AMADORES

3.1 - Clubes e Entidades Náuticas 42


3.2 - Categorias de Amadores 49
3.3 - Procedimentos para habilitação 50
3.4 - Elaboração e divulgação de Programas Educativos 54

4 – INSCRIÇÃO E REGISTRO DE EMBARCAÇÃO

4.1 - Procedimentos para inscrição e registro de embarcação 59

5 – OPERAÇÃO DE EMBARCAÇOES ESTRANGEIRAS EM ÁGUAS


JURISDICIONAIS BRASILEIRAS (AJB)

5.1 - Introdução 71
5.2 - Procedimentos específicos para operar em AJB conforme a 82
embarcação

6 – TRÁFEGO E PERMANÊNCIA DE EMBARCAÇÃO EM AJB

6.1 - Definições relativas ao despacho 92


6.2 - Procedimentos para o despacho 94

7 – BENS AFUNDADOS, SUBMERSOS, ENCALHADOS E PERDIDOS EM


AJB

7.1 - Definições de pesquisa, remoção, demolição, exploração e 109


reflutuação
7.2 - Competência dos representantes da AM 110
7.3 - Bens soçobrados não pertencentes à União 112
7.4 - Bens soçobrados pertencentes à União 116
8 - OBRAS E DRAGAGENS EM ÁGUAS JURISDICIONAIS BRASILEIRAS
(AJB)

8.1 - Obras em AJB 127


8.2 - Procedimentos para execução de dragagem em AJB 136

9 - SERVIÇO DE PRATICAGEM

9.1 - Aplicação 143


9.2 - Competência 143
9.3 - Abreviaturas 144
9.4 - Definições 144
9.5 - Certificação, qualificação do praticante de prático e exame de 147
habilitação para prático
9.6 - Execução do serviço de praticagem 152
9.7 - Escala de rodízio única de serviço de prático 153
9.8 - Elaboração da escala de rodízio única de serviço de prático 154
9.9 - Deveres do prático 155
9.10 - Deveres do praticante de prático 158
9.11 - Deveres do comandante da embarcação com relação ao prático 158
9.12 - Afastamento do prático e do praticante de prático 159
9.13 - Plano de manutenção da habilitação 161
9.14 - Comprovação das fainas de praticagem realizadas 161
9.15 - Afastamento do prático pelo descumprimento do plano de 162
manutenção da habilitação
9.16 - Recuperação da habilitação 162
9.17 - Número de práticos por ZP 163
9.18 - Lotação e efetivo 163
9.19 - Exames médico e psicofísico 164
9.20 - Conselho nacional de praticagem – CONAPRA 165
9.21 - Atualização de práticos 166
9.22 - Lancha de prático, lancha de apoio e atalaia 166
9.23 - Zona de praticagem 168
9.24 - Navios de guerra e de estado estrangeiro em visita a portos 168
brasileiros em tempo de paz
UE
1.0

Embarcações Nacionais

1.1 – INTRODUÇÃO
Neste módulo, será apresentado u m a d a s t a r e f a s do exercício da
Autoridade Marítima para a manutenção da Segurança do Tráfego Aquaviário.
Ao iniciarmos este assunto, é interessante ressaltar que por meio da Lei nº 9.537, de
11 de dezembro de 1997 (LESTA), que dispõe sobre a segurança do tráfego
aquaviário em águas sob jurisdição nacional, a Autoridade Marítima (AM) é exercida
pelo Comandante da Marinha. Sendo assim, foi criada a estrutura da AM:

4
Cabe, ainda, antes de entrar no assunto propriamente dito desta
unidade, definir os enquadramentos que uma embarcação pode ter com respeito a
vistorias, tendo em vista a legislação em vigor.
Sociedade Classificadora - são empresas ou entidades autorizadas a
classificar embarcações de acordo com regras próprias e, quando reconhecidas pela
Autoridade Marítima Brasileira, poderão atuar em nome do governo brasileiro na
realização de vistorias e emissão de certificados e documentos previstos nas
convenções internacionais, códigos e resoluções adotados pelo país, assim como
nos regulamentos nacionais, conforme descrito nos acordos de delegação de
competência firmados

Embarcação Classificada

É toda embarcação portadora de um Certificado de Classe, de acordo


com o previsto nas NORMAM 01/DPC e 02/DPC. Adicionalmente, uma embarcação
que esteja em processo de classificação perante uma Sociedade Classificadora,
também será considerada como embarcação classificada.

Embarcações Certificadas (EC)


- São as embarcações não-SOLAS, podendo ser subdivididas em:
1) Classe 1 (EC1) - são aquelas enquadradas em uma das seguintes
situações:
I) Embarcações destinadas ao transporte de passageiros, com ou sem
propulsão, com AB > 50;
II) Flutuantes que operem com mais de 12 pessoas a bordo, com AB > 50;
III) Embarcações não destinadas ao transporte de passageiros, com ou sem
propulsão, com AB > 50; ou
IV) Flutuantes com AB > 100.
2) Classes 2 (EC2) - são as demais.

Embarcação SOLAS

São todas as embarcações mercantes empregadas em viagens marítimas

5
internacionais ou empregadas no tráfego marítimo mercantil entre portos
brasileiros, ilhas oceânicas, terminais e plataformas marítimas com exceção de:
1 - embarcações de carga com AB<500;
2 - embarcações de passageiros com AB<500 e que não efetuem viagens
internacionais;
3 - embarcações sem meios de propulsão mecânica;
4 - embarcações de madeira, de construção primitiva;
5 - embarcações de pesca; e
6 - embarcações com comprimento menor que 24 m.

Podemos, a princípio, entender que:

Vistoria – é uma ação técnico-administrativa, eventual ou


periódica, pela qual é verificado o cumprimento de requisitos
estabelecidos em normas nacionais e internacionais, referentes
à prevenção da poluição ambiental e às condições de segurança
e habitabilidade de embarcações e plataformas.

A vistoria periódica trata-se de uma ação programada e acertada entre o


Armador ou seu representante e o Agente da Autoridade Marítima, com o propósito
de manter a embarcação com a documentação legal exigida. Em embarcações que
arvoram a bandeira brasileira tem como principal objetivo enquadrá-la na legislação
em vigor e, caso esteja em conformidade, obtenha o Certificado de Segurança da
Navegação (CSN) que comprova tal cumprimento.
As embarcações nacionais que devem ser vistoriadas e possuir Certificado
de Segurança da Navegação (CSN), são as que:
a) possuam arqueação bruta igual ou maior que 50;
b) transportem a granel, líquidos combustíveis, gases liquefeitos inflamáveis,
substâncias químicas perigosas ou mercadorias de risco similar, com arqueação
bruta superior a 20;
c) efetuem serviço de transporte de passageiros ou passageiros e carga,
com arqueação bruta superior a 20; ou
d) sejam rebocadores ou empurradores, com arqueação bruta superior a 20.

6
TIPOS DE VISTORIAS
Vistoria Inicial (V0)
É a que se realiza durante e/ou após a construção, modificação ou
transformação da embarcação, com vistas à expedição do CSN. É realizada com
a embarcação em seco e flutuando.

Vistorias Periódicas
Podem ser de três tipos:

1) Vistorias de Renovação (VR)


São as que se efetuam para a renovação do CSN, sendo realizadas parte
flutuando e parte em seco, de acordo com as listas de verificação
constantes dos anexos correspondentes.

2) Vistorias Intermediárias (VI)


São as que se realizam para endosso do CSN, de acordo com as listas de
verificação constantes dos anexos correspondentes, sendo necessária a
docagem da embarcação (somente para o CSN NORMAM-01/DPC - mar
aberto).

3) Vistorias Anuais (VA)


São as que se realizam para endosso do CSN, de acordo com as listas de
verificação constantes nos anexos correspondentes, não sendo necessária
a docagem da embarcação (somente para o SCN Normam-01 mar aberto).

Vistorias Especiais
As aplicações e validades das vistorias especiais são definidas a seguir:
1) Para Realização da Prova de Mar
Será realizada com a embarcação flutuando, sempre que se faça necessária à
navegação (por exigência da Capitania, Delegacia ou Agência, Sociedade
Classificadora, GEVI ou requisição do estaleiro construtor), antes do término da
Vistoria Inicial. Deverá ser verificado se a quantidade dos equipamentos salva-
vidas coletivos e individuais é suficiente para todo o pessoal técnico que

7
normalmente embarca para a navegação. Além disso, para embarcações não
classificadas, deverão ser verificados todos os itens constantes das listas de
verificação inicial que se refiram a sistemas de detecção e combate a incêndio,
sistemas de geração de energia (principal e de emergência), sistemas de governo
(principal e de emergência), equipamentos de comunicação (necessários para a
área onde se realizará a navegação), sistemas de fundeio, luzes de navegação e
todos os equipamentos de navegação exigidos para a área onde se realizará a
prova. Não terá época e prazo, devendo ser solicitada pelo estaleiro construtor ou
pelo proprietário para este fim específico.
No caso de embarcações classificadas, a vistoria deverá ser realizada pela
Sociedade Classificadora ou Entidade de acordo com suas próprias regras e critérios.

2) Para Emissão, Renovação e Endosso de Certificados

a) Nacional de Borda-Livre
O vistoriador deverá verificar os itens constantes do próprio “Relatório das
Condições para Atribuição da Borda-Livre Nacional”.

b) Arqueação
O vistoriador deverá medir todos os parâmetros necessários para o cálculo
da arqueação bruta e líquida.
Caso o cálculo da arqueação tenha sido realizado por um engenheiro naval, o
vistoriador deverá verificar se as características principais e o volume existente
acima do convés estão de acordo com os valores utilizados no cálculo.

c) De Constatação
Antes da entrega da via do Certificado Nacional de Borda Livre ao
interessado, deverá ser efetuada uma vistoria para verificar se as marcas de borda-
livre foram permanentemente fixadas na posição determinada no Certificado. Essa
vistoria deverá ser efetuada pelo Órgão ou entidade responsável pela emissão do
certificado. Quando o certificado for emitido pela GEVI essa vistoria poderá ser
realizada pelas CP/DL/AG.Tal vistoria poderá ser efetuada junto com a vistoria para
emissão ou renovação do Certificado.

8
d) De Condição
É a vistoria estrutural e documental, objetivando atestar se o navio apresenta
condições satisfatórias para realizar carregamento de granel pesado e encontra-se
com sua documentação estatutária e de classe em dia. Deverá ser realizada vistoria
e condição em todo navio graneleiro e navio de transporte combinado (ore-oil ou
ore-bulk-oil) com idade igual ou superior a 18 anos, que demande porto nacional
para carregamento de granéis sólidos de peso específico maior ou igual a 1,78 t/m3.

e) Para Emissão de Laudo Pericial


Serão realizadas, sempre que julgadas necessárias para emissão de laudo
pericial, por peritos das CP/DL/AG, por membros do GVI (Grupo de Vistorias e
Inspeções) ou por outros peritos especialmente designados.

PERIODICIDADE DAS VISTORIAS

Aniversários
Para efeito de aplicação, deverá ser entendido como “aniversário” do
Certificado a data em que termine a verificação dos itens em seco que compõem
a Vistoria Inicial ou de Renovação, mesmo com pendências. Não coincidirá,
necessariamente, com a data de emissão do Certificado.

Cronogramas

As vistorias serão realizadas conforme cronograma estabelecido na NORMAM-


02/DPC.

Tolerância
As Vistorias Anuais deverão ser realizadas dentro dos 03 (três) meses anteriores
ou posteriores ao aniversário do CSN.
A Vistoria Intermediária deverá obrigatoriamente ser realizada durante o terceiro
ano de validade do Certificado.
A Vistoria de Renovação deverá ser realizada dentro dos 03 (três) meses
anteriores ao vencimento do CSN.

9
Embarcações SOLAS
As embarcações SOLAS estão sujeitas às vistorias relacionadas com os
Certificados estatutários, emitidos pelas Sociedades Classificadoras
reconhecidas pelo Governo Brasileiro. Isso significa que os Certificados Estatutários
substituem o Certificado de Segurança da Navegação – CSN.
São denominados de Certificados Estatutários os certificados emitidos por
Sociedade Classificadora que tenha vistoriado a embarcação sob os
fundamentos das Convenções Internacionais ratificadas pelo Brasil.

Basicamente, os Certificados Estatutários são os seguintes:

a) Certificado de Segurança de Construção........................................ SOLAS-74


b) Certificado de Segurança de Equipamento.......................................SOLAS-74
c) Certificado de Segurança Rádio..........................................................SOLAS-74
d) Certificado Internacional de Arqueação.............................................TON-69
e) Certificado Internacional de Borda-Livre.............................................LL-66
f) Certificado Internacional de Prevenção à Poluição por Óleo.........MARPOL 73/78

É interessante observar que os navios mercantes empregados na navegação


de longo curso, ou seja, em viagens entre portos nacionais e estrangeiros, terão
de portar Certificados Estatutários, nacionais e estrangeiros, isso porque esses
certificados têm cunho internacional, enquanto que o Certificado de Segurança da
Navegação, apesar de cobrir todos os tópicos dos Certificados Estatutários, tem
abrangência única e exclusivamente no território nacional.

Embarcações Classificadas NÃO SOLAS

As embarcações classificadas serão vistoriadas pela Sociedade Classificadora,


que também emitirá o CSN, com cópia para a Capitania dos Portos, Delegacia ou
Agência.

10
Flutuantes
Para efeito de vistorias e certificação, os flutuantes serão considerados
como embarcações. Entretanto, o seguinte procedimento deverá ser seguido para as
Vistorias de Renovação:

1) 1ª Vistoria de Renovação - não é necessária a docagem por ocasião da


primeira vistoria de renovação após a construção da embarcação, não
sendo necessária a verificação dos itens referentes à docagem, mas todos
os demais;

2) 2ª Vistoria de Renovação - os itens para inspeção em seco deverão ser


verificados através de vistoria subaquática; e

3) 3ª Vistoria de Renovação - será necessária a docagem da embarcação.

Após a Vistoria de Renovação em que se efetuar a docagem, será


considerado um novo ciclo para efeito da necessidade ou não de docagem.
Para os flutuantes em que forem utilizadas toras de madeira como casco
não será necessária a docagem.

Plataformas
As plataformas móveis, de qualquer bandeira, destinadas a operar em águas
territoriais brasileiras, sofrerão vistorias Iniciais e Anuais. Quando classificadas,
estarão sujeitas somente às vistorias previstas nos Certificados estatutários emitidos
pelas Sociedades Classificadoras reconhecidas pelo Governo Brasileiro.
As plataformas fixas não são consideradas como embarcações, sendo,
entretanto, aplicável a elas a obrigatoriedade de vistorias Iniciais e Anuais, da
mesma forma que as plataformas móveis, com as ressalvas pertinentes.
Não será obrigatória a docagem das plataformas móveis ou fixas.

Unidades Estacionárias (FPSO e FSU)


Os navios destinados a operar como FPSO (“floating production storage and
offloading facility”) ou FSU (“floating storage unit”) na navegação marítima, de
bandeira nacional, poderão ter seus prazos de docagem dilatados em função de

11
considerações especiais. O assunto será examinado caso a caso pela Diretoria de
Portos e Costas. Tais navios não necessitam portar um Certificado de
Segurança de Navegação.

TERMO DE RESPONSABILIDADE
As embarcações não sujeitas a vistorias e, consequentemente, não
obrigadas a portar o Certificado de Segurança da Navegação ou Certificados
estatutários, deverão possuir a bordo um Termo de Responsabilidade de
Segurança da Navegação. Nesse documento, o proprietário ou armador assumirá a
responsabilidade pelo cumprimento dos itens de dotação de segurança e requisitos
especificados para a sua embarcação pela legislação em vigor.
As embarcações miúdas sem propulsão a motor e, os dispositivos flutuantes
infláveis, sem propulsão, destinados a serem rebocados, com até 10m de
comprimento, estão dispensadas de portarem o Termo de Responsabilidade de
Segurança da Navegação.
O Termo de Responsabilidade deverá ser preenchido em duas vias, sendo
que a primeira ficará arquivada na Capitania, Delegacia ou Agência de inscrição
da embarcação e a segunda, devidamente protocolada, deverá ser devolvida ao
proprietário ou armador para que fique na embarcação. A Capitania, Delegacia ou
Agência onde houver sido assinado o Termo, caso não se trate do local de
inscrição, deverá enviar a segunda via para a OM de inscrição da embarcação.
O Termo de Responsabilidade será válido enquanto forem mantidas as
condições originais da embarcação, perdendo sua validade sempre que for alterada
qualquer das informações contidas no mesmo, incluindo uma reclassificação. Neste
caso, deverá ser apresentado um novo Termo de Responsabilidade.

1.2 - INSPEÇÕES EM EMBARCAÇÕES

ESTRANGEIRAS
Todas as Convenções Internacionais sob a égide da Organização Marítima
Internacional – IMO têm em seu escopo uma regra que prevê a fiscalização, pelo
Governo, de navios de outras Partes surtos em seus portos.

12
Na verdade, isso é uma forma legal de formar uma estrutura de fiscalização,
de modo que cada país possa fiscalizar os navios de outras bandeiras que estejam
em seus portos. O objetivo é verificar se estão sendo cumpridas as Convenções
Internacionais ratificadas pelo país do porto. Esse serviço de inspeção é
denominado internacionalmente como “Port State Control” (PSC).
Para exemplificar, a seguir está transcrita a regra 19 da Convenção
SOLAS, a qual trata do “Port State Control”.

Regra 19
Controle
a) Todo navio, quando estiver num porto de uma outra Parte, estará sujeito à
fiscalização por parte de funcionários devidamente autorizados por esse Governo,
devendo a fiscalização limitar-se a verificar se os Certificados emitidos em virtude
da Regra 12 ou da Regra 13 deste Capítulo estão dentro do período de validade.

b) Esses Certificados, se estiverem válidos, deverão ser aceitos, a menos que


haja motivos claros para acreditar que as condições do navio ou de seu
equipamento não correspondem consideravelmente aos detalhes fornecidos por
quaisquer dos certificados, ou que o navio e seus equipamentos não estão de
acordo com o disposto na Regra 11 a e b.

c) Na situação apresentada no parágrafo b, ou quando o período de validade de um


certificado tiver expirado, ou o certificado tiver perdido a sua validade, o funcionário
que estiver exercendo o controle deverá tomar as medidas necessárias para
assegurar que o navio não suspenda até que possa ir para o mar, ou deixar o porto
com a finalidade de dirigir-se ao estaleiro adequado, sem que haja perigo para o
navio ou para as pessoas a bordo;

d) No caso em que a fiscalização dê lugar a uma intervenção de qualquer espécie,


o funcionário que efetuar a fiscalização deverá informar, imediatamente e por
escrito, ao Cônsul ou, em sua ausência, ao mais próximo representante diplomático
do Estado cuja bandeira o navio está autorizado a arvorar, todas as circunstâncias
que fizeram considerar essa intervenção necessária. Além disso, os inspetores

13
designados ou as organizações reconhecidas responsáveis pela emissão dos
Certificados deverão também ser notificados. Deverá ser feito um relatório à
Organização sobre os fatos que motivaram a intervenção.

e) A autoridade competente do Estado a que pertence o porto deverá comunicar


todas as informações pertinentes em relação ao navio às autoridades do próximo
porto de escala, e à administração marítima do estado da bandeira assim como às
pessoas e organizações mencionadas no parágrafo d da presente Regra, se ela for
incapaz de tomar as medidas especificadas nos parágrafos c e d da presente Regra
ou se o navio tiver sido autorizado a prosseguir para o porto de escala seguinte.

f) No exercício da fiscalização, em virtude das disposições da presente Regra,


todos os esforços devem ser feitos para evitar, o máximo possível, reter ou retardar
indevidamente o navio. Todo navio que tenha sido retido ou retardado
indevidamente em consequência do exercício dessa fiscalização terá direito a uma
indenização pelas perdas ou danos sofridos.

Após a leitura do texto da Regra 19, podemos concluir alguns pontos


importantes a respeito Port State Control.

1. No primeiro momento a inspeção deve ser somente documental, ou


seja, o inspetor deverá verificar os Certificados do navio. Como dito na unidade
anterior, esses navios são portadores de Certficados Estatutários, e são eles que
devem ser verificados.
2. Caso haja indícios de que o navio não cumpre alguma Convenção
ratificada pelo Brasil ou tenha certificados vencidos ou cancelados, deve-se
proceder a uma inspeção mais detalhada.
3. O ato de reter ou retardar um navio só deve ocorrer em situações extremas e
fundamentais nas Convenções Internacionais. Neste caso, deve haver comunicação
oficial ao representante diplomático do país da bandeira do navio, assim como à
Sociedade Classificadora.

14
O SERVIÇO DE “PORT STATE CONTROL”
O Serviço de Controle de Navios pelo Estado do Porto (PSC) tem como
principal objetivo tirar de tráfego os navios de baixo padrão de segurança,
conhecidos internacionalmente como “substandard ship”.
Cabe observar que o Controle de Navios pelo Estado do Porto só se viabiliza
quando são possíveis acordos regionais, de modo que os navios de baixo padrão
não possam trafegar nos portos dos vários países que estejam sob o mesmo
acordo, fazendo com que não tenham para onde fugir.
Esse serviço começa a se efetivar na década de oitenta, quando países se
agregam em blocos para a realização dessa tarefa, e o primeiro acordo regional
nesse sentido acontece na Europa sob um documento denominado de
“Memorando de Paris”. Logo em seguida vêm outros acordos regionais, dentre
eles o realizado na América do Sul, do qual o Brasil faz parte, tendo como documento-
mestre o “Acordo de Viña del Mar”.
CONTROLE DE NAVIOS
Para o efetivo controle dos navios, as Capitanias, Delegacias e
Agências deverão informar prontamente à DPC a chegada, aos portos de sua
jurisdição, de navios enquadrados neste capítulo. A DPC divulgará periodicamente
listagem com navios inspecionados, via Internet.

1.3 - PERÍCIA PARA EMISSÃO DE CARTÃO DE

TRIPULAÇÃO DE SEGURANÇA
Toda embarcação ou plataforma, para sua operação segura, deverá ser
guarnecida por um número mínimo de tripulantes, associado a uma distribuição
qualitativa, denominado tripulação de segurança. A tripulação de segurança difere da
lotação. Lotação é o número máximo de pessoas autorizadas a embarcar, incluindo
tripulação de segurança, demais tripulantes, passageiros e profissionais não-
tripulantes.

15
SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA PARA EMISSÃO DO CARTÃO DE TRIPULAÇÃO DE
SEGURANÇA (CTS)
Caberá à empresa, proprietário, armador ou seu representante legal solicitar
à Capitania, Delegacia ou Agência de sua conveniência, a emissão do CTS nos
casos a seguir relacionados:
a) Por ocasião do pedido da licença de construção, a Capitania, Delegacia ou
Agência emitirá o CTS provisório com base nos planos da embarcação, antes
da emissão da Licença de Construção. Para isso será considerado o porte da
embarcação, tipo de navegação, potência total das máquinas, atividades e/ou
serviços a que se destina a embarcação, os diversos sistemas de bordo e
sua manutenção, peculiaridades do trecho a navegar e aspectos da operação
propriamente dita.
b) Para entrada em operação da embarcação, ocasião em que o CTS
provisório será cancelado e substituído pelo definitivo;
c) Nos casos de reclassificação ou alteração da embarcação, ou quando
ocorrer variação de qualquer parâmetro listados no item PERÍCIA PARA
TRIPULAÇÃO DE SEGURANÇA; e
d) Em grau de recurso, nos casos em que uma das partes interessadas não
concordar com a tripulação de segurança fixada pela Capitania,
Delegacia ou Agência.

PERÍCIA PARA TRIPULAÇÃO DE SEGURANÇA

A tripulação de segurança será estabelecida de acordo com o Laudo Pericial.


Na elaboração do Laudo Pericial serão considerados parâmetros, tais como: porte
da embarcação, tipo de navegação, potência total das máquinas, serviço ou
atividade em que será empregada, os diversos sistemas de bordo e sua
manutenção, peculiaridades do trecho a navegar e aspectos da operação
propriamente dita. Em função desses parâmetros, serão estabelecidos os níveis,
categorias e quantidades dos tripulantes, de acordo com suas habilitações.
No caso de embarcação em construção, estes dados serão levantados nos
planos, antes da emissão da Licença de Construção.
No final da perícia e após a emissão do Laudo Pericial, é emitido um

16
documento denominado Cartão de Tripulação de Segurança (CTS) que
estabelece o mínimo permitido de tripulantes necessários para que a embarcação
possa operar em segurança.
O CTS é emitido pelas Capitanias (CP), Delegacias (DL) e Agências (Ag).
Sempre que julgar necessário, a DPC poderá executar ou auditar a elaboração do
Laudo Pericial de uma embarcação.

EMBARCAÇÕES ISENTAS DO CTS

Para as embarcações com arqueação bruta (AB) até 10 não será emitido
CTS, devendo a tripulação de segurança ser fixada no Título de Inscrição da
Embarcação (TIE), no campo “tripulantes”.

VALIDADE DO CTS
Os CTS terão validade por tempo indeterminado, sujeito à manutenção
das condições de segurança observadas por ocasião da emissão do Laudo
Pericial, devendo ser reavaliado sempre que ocorrerem alterações/reclassificações
que afetem as condições de segurança. As embarcações dotadas de automação
na praça de máquinas deverão manter a respectiva Notação para Grau de
Automação para a Praça de Máquinas-NGAPM, dentro da validade, anexa ao CTS.

ELEVAÇÃO OU REDUÇÃO DO NÍVEL DE HABILITAÇÃO NO CTS

Se as condições de operação de uma determinada embarcação indicarem a


necessidade de elevação ou redução do nível de habilitação de seu Comandante
e/ou de outros tripulantes no Laudo Pericial, tornando imprescindíveis alterações
em relação aos critérios definidos nas normas da AM, a Capitania, Delegacia ou
Agência deverá fazê- lo através de inclusão nas Normas e Procedimentos para as
Capitanias (NPCP ou NPCF), mediante proposta encaminhada para aprovação pela
DPC. Os CTS que forem emitidos com variação do nível de habilitação deverão
conter uma observação informando a área para a qual esta variação está sendo
concedida, quando se tratar de uma concessão feita apenas para uma área
específica.

17
REVISÃO DO CTS
Sempre que solicitado, o CTS da embarcação poderá ser revisado; podendo o
proprietário, armador ou seu preposto solicitar revisão do CTS, por meio de
requerimento. Se a revisão for requerida em CP, DL ou AG que não a de inscrição da
embarcação, tal Organização Militar (OM) deverá solicitar à respectiva OM de
inscrição da embarcação o Laudo Pericial relativo ao CTS a ser revisto, a NGAPM
(caso pertinente) e qualquer outro tipo de informação/documento julgado necessário
para a elaboração do novo Laudo Pericial. Deverá ser enviada uma cópia do novo
CTS para arquivo na OM de Inscrição da embarcação, juntamente com o respectivo
Laudo Pericial.

RECURSO
O interessado poderá apresentar recurso à DPC, em última instância
administrativa da decisão da CP, DL ou AG, quanto à revisão do CTS. Para tal,
deverá dar entrada de requerimento ao DPC na CP, DL ou AG que efetuou a
revisão, apresentando a argumentação considerada cabível. A CP, DL ou AG
encaminhará o requerimento à DPC, devidamente instruído, contendo parecer, a fim
de subsidiar a decisão.

FIXAÇÃO DAS TRIPULAÇÕES DE SEGURANÇA


As quantidades mínimas de tripulação de segurança estão contidas nas
tabelas na NORMAM- 01/DPC e NORMAM-02/DPC, sendo que o nível e categoria
do tripulante a ser embarcado deverá estar em acordo com o preconizado na
NORMAM 13/DPC.

1.4 - GERÊNCIA DE VISTORIAS E INSPEÇÕES E

PERÍCIAS TÉCNICAS - GEVI


A GEVI – Gerência de Vistoria, Inspeções e Perícias Técnicas, faz parte da
estrutura organizacional da DPC, sendo composta por Vistoriadores Navais e
Inspetores Navais Nível 1, possuidores de nível superior, aprovados respectivamente

18
nos Cursos de Formação de Vistoriadores Navais e Inspetores Navais, devidamente
preparados para exercerem as atividades de vistoria e inspeção nos termos
estabelecidos pela LESTA, em seu Capítulo I Art. 2º. À semelhança da GEVI na
DPC, as CP/DL possuem os Grupos de Vistoria e Inspeção (GVI), diretamente
subordinados aos Titulares das CP/DL, exercendo suas atividades sob a supervisão
funcional da GEVI.

Segue abaixo as principais tarefas da GEVI:


- Exercer a supervisão funcional sobre as atividades de Perícias Técnicas,
Vistorias e Inspeções;
- Analisar os relatórios dos Peritos Vistoriadores Navais e Inspetores Navais;
- Exercer orientação técnica e coordenar a atuação dos Peritos Vistoriadores
Navais e Inspetores Navais;
- Realizar Visitas Técnicas nos GVI das OM do SSTA;
- Contribuir para atualização e aperfeiçoamento das NORMAM e NORTEC;
- Coordenar a realização de cursos de formação de Peritos Vistoriadores
Navais e Inspetores Navais;
- Coordenar as atividades do Acordo de Viña Del Mar; e
- Realizar Auditoria nas Entidades Especializadas (Sociedades Classificadoras
e Certificadoras).

19
UE
2.0

ATIVIDADE DE INSPEÇÃO NAVAL


2.1 - CONCEITOS E DEFINIÇÕES DA LESTA

Nesta unidade, trataremos dos conceitos e definições da Lei nº 9.537, de 11


de dezembro de 1.997-LESTA, a qual dispõe sobre a segurança do tráfego
aquaviário em águas sob jurisdição nacional.

CONCEITOS E DEFINIÇÕES DA LESTA

I- Amador - todo aquele com habilitação certificada pela autoridade marítima


para operar embarcações de esporte e recreio, em caráter não-profissional;

II- Aquaviário - todo aquele com habilitação certificada pela autoridade


marítima para operar embarcações em caráter profissional;

III- Armador - pessoa física ou jurídica que, em seu nome e sob sua
responsabilidade, apresta a embarcação com fins comerciais, pondo-a ou
não a navegar por sua conta;

IV- Comandante (também denominado Mestre, Arrais ou Patrão) - tripulante


responsável pela operação e manutenção de embarcação, em condições de
segurança, extensivas à carga, aos tripulantes e às demais pessoas a bordo;

V- Embarcação - qualquer construção, inclusive as plataformas flutuantes e,


quando rebocadas, as fixas, sujeita a inscrição na autoridade marítima e

20
suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não,
transportando pessoas ou cargas;

VI- Inscrição da embarcação - cadastramento na autoridade marítima, com


atribuição do nome e do número de inscrição e expedição do respectivo
documento de inscrição;

VII- Inspeção Naval - atividade de cunho administrativo, que consiste na


fiscalização do cumprimento desta Lei, das normas e regulamentos dela
decorrentes, e dos atos e resoluções internacionais ratificados pelo Brasil, no
que se refere exclusivamente à salvaguarda da vida humana e à segurança
da navegação, no mar aberto e em hidrovias interiores, e à prevenção da
poluição ambiental por parte de embarcações, plataformas fixas ou suas
instalações de apoio;

VIII- Instalação de apoio - instalação ou equipamento, localizado nas águas,


de apoio à execução das atividades nas plataformas ou terminais de
movimentação de cargas;

IX- Lotação é a quantidade máxima de pessoas autorizadas a embarcar;

X- Margens das águas - as bordas dos terrenos onde as águas tocam, em


regime de cheia normal sem transbordar ou de preamar de sizígia;

XI- Navegação em mar aberto - a realizada em águas marítimas


consideradas desabrigadas;

XII- Navegação Interior - a realizada em hidrovias interiores, assim


considerados rios, lagos, canais, lagoas, baías, angras, enseadas e áreas
marítimas consideradas abrigadas;

XIII- Passageiro - todo aquele que, não fazendo parte da tripulação nem
sendo profissional não-tripulante prestando serviço profissional a bordo, é
transportado pela embarcação;

21
XIV- Plataforma - instalação ou estrutura fixa ou flutuante, destinada às
atividades direta ou indiretamente relacionadas com a pesquisa, exploração e
explotação dos recursos oriundos do leito das águas interiores e seu subsolo
ou do mar, inclusive da plataforma continental e seu subsolo;

XV- Prático - aquaviário não-tripulante que presta serviços de praticagem


embarcado;

XVI- Profissional não-tripulante - todo aquele que, sem exercer atribuições


diretamente ligadas à operação da embarcação, presta serviços eventuais a
bordo;

XVII- Proprietário - pessoa física ou jurídica, em nome de quem a


propriedade da embarcação é inscrita na autoridade marítima e, quando
legalmente exigido, no Tribunal Marítimo;

XVIII- Registro de Propriedade da Embarcação - registro no Tribunal


Marítimo, com a expedição da Provisão de Registro da Propriedade Marítima;

XIX- Tripulação de Segurança - quantidade mínima de tripulantes necessária


a operar, com segurança, a embarcação;

XX- Tripulante - aquaviário ou amador que exerce funções, embarcado, na


operação da embarcação; e

XXI- Vistoria - ação técnico-administrativa, eventual ou periódica, pela qual é


verificado o cumprimento de requisitos estabelecidos em normas nacionais e
internacionais, referentes à prevenção da poluição ambiental e às condições
de segurança e habitabilidade de embarcações e plataformas.

2.2 - EXECUÇÃO DAS INSPEÇÕES NAVAIS


Nesta unidade veremos a execução para a ação eficaz da atividade de
inspeção naval.

22
Inspeção Naval - atividade de cunho administrativo, que consiste na
fiscalização do cumprimento da LESTA, das normas e regulamentos
dela decorrentes, e dos atos e resoluções internacionais ratificados
pelo Brasil, no que se refere exclusivamente à salvaguarda da vida
humana e à segurança da navegação, no mar aberto e em hidrovias
interiores, e à prevenção da poluição ambiental por parte de
embarcações, plataformas fixas ou suas instalações de apoio.

A competência da execução da Inspeção Naval é dos Comandantes de


Distritos Navais, nas suas respectivas áreas de jurisdição, podendo delegar esta
competência para os Agentes da Autoridade Marítima:

1 - Capitanias (CP), Delegacias (Del) e Agências (Ag) subordinadas; e

2 - Outras Organizações Militares subordinadas ou postas à sua disposição ou


ao seu controle operativo.

Considerando o disposto no Art. 6º da LESTA, a Autoridade Marítima poderá


delegar aos Municípios a fiscalização do tráfego e permanência de embarcações que
ponham em risco a integridade física de quaisquer pessoas nas áreas adjacentes às
praias, quer sejam marítimas, fluviais ou lacustres. A delegação será mediante
Convênio.

O Convênio é interessante porque estreita e incentiva a participação dos


munícipes na fiscalização e resolução de problemas locais, com maior incidência
na época do verão, com embarcações de pequeno porte e dispositivos flutuantes
de lazer, envolvendo inclusive banhistas, nas áreas adjacentes às praias.

DOS INSPETORES NAVAIS (IN)

Os Inspetores Navais são profissionais de diversos níveis, habilitados para


executarem a IN e designados por ato administrativo do titular das Capitanias dos
Portos, suas Delegacias ou Agências (CP/DL/AG) ou dos Comandantes dos Navios
da MB.

23
a) Inspetor Naval Nível 1: Oficiais da Reserva Remunerada da MB
contratados, que tenham sido aprovados no Curso para Formação de
Inspetores Navais, Oficiais da Marinha Mercante aprovados em concurso e
contratados para prestação de serviços para a MB.
b) Inspetor Naval Nível 2: Oficiais e Praças da MB, da ativa ou da reserva
remunerada, lotados nas CP/DL/AG, que cumpriram os Estágios
Preparatórios para Oficiais e Praças que irão servir em CP/DL/AG (ESPOC e
ESPRAC).
c) Inspetor Naval Nível 3: Oficiais e Praças componentes das tripulações
dos Navios da MB.

DOS VISTORIADORES NAVAIS (VN)

Executam as Vistorias Navais e emitem os certificados correspondentes.

O PLANEJAMENTO DA INSPEÇÃO NAVAL


O sucesso das ações de IN depende do planejamento antecipado, buscando
a realização da fiscalização, em periodicidade adequada, de acordo com as
peculiaridades regionais, nas ocasiões em que haja expectativa de maior tráfego de
embarcações e nas áreas de realização de atividades marítimas e fluviais mais
relevantes da jurisdição.
Deverá ser elaborado um Programa de Inspeção Naval de sigilo reservado
(mensal, quinzenal ou semanal) que abranja as ações de fiscalização em prol da
segurança do tráfego aquaviário, da regularização da documentação, da formação e
da qualificação dos aquaviários e amadores. Nesse planejamento serão definidas as
áreas, os meios de deslocamento (viaturas e/ou embarcações), os recursos
financeiros, materiais e humanos a serem utilizados, a periodicidade de fiscalização
e a necessidade de realização de cursos em determinadas localidades.
O planejamento antecipado possui ainda os seguintes benefícios:
1) otimização dos meios disponíveis;
2) distribuição das ações ao longo de toda a jurisdição, garantindo a presença
constante da fiscalização;
3) distribuição da cota de combustível de forma equilibrada;

24
4) execução da manutenção preventiva e corretiva de embarcações e
viaturas; e
5) levantamento da necessidade de recursos para deslocamento do pessoal
empregado nas missões (diárias, etapas e similares).

EXECUÇÃO DA INSPEÇÃO NAVAL

A atividade da inspeção naval tem como propósito a segurança da navegação,


salvaguarda da vida humana no mar e a prevenção da poluição ambiental.

A ação da inspeção naval, inicialmente deve ser de esclarecimento,


correção e ensinamento. A autuação e subsequente aplicação de penalidades
deverão ser adotadas, com rigor, quando não houver resposta positiva à
ação educativa, na reincidência sistemática em infrações e no
comprometimento grave da segurança.

A abordagem, visita e inspeção de embarcação deverão ser de acordos os


preceitos abaixo:
a) Tratamento respeitoso;

b) Apresentar-se ao Comandante; (Bom dia! Marinha do Brasil trabalhando para


sua segurança!);

c) Evitar distrações;

d) Familiarização com as diversas situações decorrentes do ato de fiscalizar;

e) Conhecimento legal;

f) Truculência versus cortesia. Dúvida versus segurança. Desejo de punir versus


vontade de orientar;

g) Critério. Trato moderado, mas firme; e

h) Armamento + Comunicações confiáveis + Procedimentos complementares do


ComDN para a IN.

25
SITUAÇÕES ADVERSAS

Desacato, desobediência e resistência a ato legal do Inspetor


Naval.

São violações previstas no Código Penal (CP). O Inspetor está exercendo


legalmente as suas funções dentro do seu poder de polícia administrativa com fulcro
na LESTA.
Nessas situações o IN deverá alertar o infrator das consequências dos seus
atos em decorrência da violação dos artigos 329, 330 e 331 do CP.

Entorpecentes e substâncias psicotrópicas (tóxico, drogas e


matéria-prima para sua fabricação), Contrabando e Descaminho

Quando houver indícios do emprego de embarcações para o transporte de


tóxico, drogas ou entorpecentes por embarcações e/ou de carga ilegal, as
Autoridades Competentes deverão ser imediatamente comunicadas, solicitando-se
as suas presenças para lavratura do respectivo Auto de Prisão em Flagrante e
apreensão do material.
Na impossibilidade de agir conforme acima descrito e deparando-se com a
ação criminosa em andamento, o Inspetor Naval deverá efetuar a prisão em flagrante
dos tripulantes ou demais pessoas a bordo, porventura envolvidas no ilícito,
apreender a embarcação e o material ilegal entregando-as às Autoridades
competentes, nos termos dos artigos 301 a 310 do Código do Processo Penal, no
que couber.
Em nenhuma hipótese o mais antigo exporá sua equipe de Inspeção Naval a
riscos desnecessários, avaliando criteriosamente se dispõe dos meios necessários
para atuar contra os criminosos com segurança. De acordo com a situação, a equipe
deverá retrair manter monitoramento das embarcações envolvidas nos ilícitos e
solicitar apoio e instruções à CP/DL/AG.
Devem ser observadas as orientações determinadas pelos DN.

EXECUÇÃO DA INSPEÇÃO NAVAL POR NAVIO ESCOTEIRO OU FORÇAS


NAVAIS

a) Navios escoteiros ou forças navais da MB são empregados, eventualmente, na

26
realização da IN, especialmente em mar aberto ou em rios, nos pontos distantes
das sedes das Capitanias, Delegacias e Agências; e

b) Em caso de abordagem de embarcação, os navios poderão se utilizar do Grupo


de Visita e Inspeção (GVI), os quais efetuarão uma inspeção.

2.3 - DOS FATOS DECORRENTES DA INSPEÇÃO

NAVAL

Nesta unidade, abordaremos os fatos decorrentes da inspeção naval. Inicialmente,


cabe uma definição abrangente sobre infração para o SSTA.

As infrações praticadas deverão ser punidas conforme previsto na legislação


em vigor. Entretanto, cabe destacar que, para que possa fazer valer a punição
prevista, é imprescindível o correto enquadramento da infração, ou seja, a infração tem
que estar perfeitamente enquadrada no dispositivo legal que a prevê: lei,
regulamento, convenção internacional ou normas contidas em Portaria,
especificando claramente alínea, inciso e artigo correspondente.

Cabe destacar que o perfeito enquadramento evita o desgaste da autoridade


julgadora, especialmente no caso da apreciação de recursos em instâncias
superiores. É interessante ressaltar para os princípios da razoabilidade e
proporcionalidade no momento do julgamento.

DOS FATOS DECORRENTES DA INSPEÇÃO NAVAL

INFRAÇÃO E MEDIDAS ADMINISTRATIVAS

INFRAÇÃO
Constitui infração às regras do tráfego aquaviário a inobservância de
qualquer preceito estabelecido no Regulamento de Segurança do Tráfego

27
Aquaviário sob Jurisdição Nacional - RLESTA, de normas complementares emitidas
pela Autoridade Marítima e de atos ou resoluções internacionais ratificadas pelo
Brasil, sendo o infrator sujeito as penalidades indicadas no RLESTA.

ENQUADRAMENTO DE INFRAÇÃO E APLICAÇÃO DE PENALIDADES

a) Enquadramento
Segundo o art. 7º do RLESTA, "Constitui infração às regras do tráfego
aquaviário a inobservância de qualquer preceito deste Regulamento, de normas
complementares emitidas pela Autoridade Marítima e de ato ou resolução
internacional ratificado pelo Brasil, sendo o infrator sujeito às penalidades indicadas
em cada artigo”.
O infrator é o sujeito que pratica a infração e que, via de regra, suportará a
sanção.
Nos termos do art. 34 da Lei 9537/97, “respondem solidária e isoladamente
pelas infrações desta Lei:
I) no caso de embarcação, o proprietário, o armador ou preposto;
II) o proprietário ou construtor da obra;
III) a pessoa física ou jurídica proprietária de jazida ou que realizar pesquisa ou
lavra de minerais; e
IV) o autor material.
No inciso I, no caso de embarcação, cabe esclarecer que o comandante é o
preposto legal do armador e exerce atribuições de ordem pública e privada.
No inciso IV, no caso do autor material, considera-se como tal aquele que
executa a ação, diferente do intelectual que a planeja, nada impedindo que o autor
material seja também intelectual. O autor material é definido no art. 7º, § 3º, do
RLESTA, segundo o qual "Para efeito deste Regulamento o autor material da
infração poderá ser:
I) o tripulante;
II) o proprietário, armador ou preposto da embarcação;
III) a pessoa física ou jurídica que construir ou alterar as características da
embarcação;
IV) o construtor ou proprietário de obra sob, sobre ou às margens das águas;

28
V) o prático; e
VI) o agente de manobra e docagem.”
Assim, verificado o cometimento de infração relacionada à embarcação,
poderá o Agente da Autoridade Marítima notificar o proprietário, o armador ou o
preposto, e qualquer um deles responderá inteiramente pela infração cometida.
Não importa quem tenha sido ou não o real infrator, mas sim quem, nos termos da
lei, responda juntamente com este pela infração. Cabe ressaltar, contudo, que a
possibilidade de cobrança de multa será muito mais efetiva se efetuada ao
proprietário/armador. Reiterando que por preposto ou representante legal do
armador entenda-se o comandante da embarcação.
Destaca-se também que o art. 9º do RLESTA estabelece que "A infração e
seu autor material serão constatados:
I) no momento em que for praticada a infração;
II) mediante apuração; e
III) por inquérito administrativo.”
Assim, não sendo o Agente da Autoridade Marítima capaz de identificar o
autor material no momento em que for praticada a infração, poderá fazê-lo em
momento posterior, mediante apuração, situação em que irá notificar o autor
material, agora devidamente identificado.
Para efetuar a notificação/autuação duas questões básicas devem ser
observadas: que tipo de infração foi cometida e quem responde por esta infração.
Logo, os seguintes procedimentos devem ser observados:
1) A infração tem que estar perfeitamente enquadrada no dispositivo legal
que a prevê: lei, regulamento, convenção internacional (adotada por
Decreto) e normas contidas em Portaria especificando claramente alínea,
inciso e artigo correspondente. O perfeito enquadramento evita o desgaste
da autoridade julgadora, especialmente no caso da apreciação de recursos
em instâncias superiores.
2) Em se tratando de infrações relativas à embarcação a responsabilidade é
solidária e tal solidariedade envolve o proprietário da embarcação, o
armador ou seu preposto. Nesta hipótese, o Agente da Autoridade Marítima
poderá notificar e, posteriormente, autuar qualquer um deles ou até mesmo
todos.

29
3) Em se tratando do comandante, este é responsável solidário com o
proprietário da embarcação e com o seu armador, na condição de preposto
legal deste, no que se refere às infrações relacionadas com a embarcação; é
responsável pessoal por atribuições específicas e é responsável subsidiário
por infrações cometidas pela tripulação. Isso significa dizer que é de
fundamental importância aferir corretamente o tipo de infração cometida para
se assegurar de que o comandante, se responsável for, em que medida e
com que qualificação se dá a sua responsabilidade por infrações à
legislação citada.
4) Em se tratando de infração cometida por tripulante, deve ser este
identificado e notificado para prestar esclarecimentos e, posteriormente,
receber auto de infração, bem como exercitar a ampla defesa e o
contraditório. Não sendo possível identificar o tripulante, nem mesmo em
procedimento posterior, nos termos do art. 9º, II, do RLESTA, deverá o
comandante ser notificado e autuado, situação em que poderá apresentar as
exceções pessoais como a de que não descumpriu com os seus deveres e
de que nenhuma omissão praticou.
5) Em relação ao agente marítimo, por ser tão somente o mandatário do
armador e por não constar da LESTA como autor material ou responsável
solidário, não pode responder por infrações praticadas por este. Nesse
aspecto em especial, deve-se observar o seguinte:
- a notificação/autuação, no caso de embarcações, como visto
anteriormente, deve ser dirigida aos proprietários, aos armadores ou ao
comandante, ainda que seja recebida pela Agência de Navegação que os
representem, discriminando claramente o infrator;
- deve ser considerado como instrumento de mandato, não só para a
representação de atividades diversas, como também para efeitos do
acolhimento das infrações, quaisquer documentos que sejam apresentados
pelas Agências de Navegação demonstrando que foi contratada para cuidar
dos interesses do Armador/Proprietário;
- nos casos onde não é possível notificar ou autuar diretamente os infratores
representados, as Agências de Navegação devem se encarregar de
encaminhar formalmente os documentos afins aos seus representados; e

30
- no que concerne à contagem de prazos para apresentação de
defesas/recursos, o dia do início é o subsequente àquele em que o
infrator/autor material foi notificado diretamente, ainda que o tenha sido na
pessoa da Agência, desde que esta apresente documento que a autorize a
cuidar dos interesses do armador/proprietário.

b) Aplicação de penalidades
Conforme disposto no art. 25 da Lei 9537/97, "As infrações são passíveis
das seguintes penalidades:
I) multa;
II) suspensão do certificado de habilitação;
III) cancelamento do certificado de habilitação; e
IV) demolição de obras e benfeitorias.

Assim, seja qual for a norma infringida, a sanção a ser aplicada será sempre,
conforme o caso, multa, suspensão ou cancelamento do certificado de habilitação
ou demolição de obras e benfeitorias.
Na aplicação de penalidades, deverá ser rigorosamente observado, além do
contraditório e ampla defesa durante o Processo Administrativo, o Princípio da
Correspondência e Proporcionalidade, ou seja, deverá haver correspondência e
proporção entre a sanção aplicada e a infração cometida.
No caso de sanções que envolvam suspensão ou cancelamento de
certificados, bem como nos casos de demolição de obras, a penalidade só deverá
ser aplicada após o julgamento do recurso, se houver, e depois de esgotadas todas
as fases recursais.
Ressalta-se o previsto no Art.33 da LESTA, onde é vedada a aplicação de
sanções administrativas antes da decisão final do TM, sempre que uma infração for
constatada no curso de IAFN, com exceção de poluição nas águas.

NOTIFICAÇÃO PARA COMPARECIMENTO - AUTO DE INFRAÇÃO -


SISTEMA DE CONTROLE DE AUTO DE INFRAÇÃO (SISAUTO)

a) Notificação para Comparecimento

31
A notificação para comparecimento deverá ser utilizada para convocar o
responsável por eventual cometimento de infração para prestação de
esclarecimentos e obtenção de orientação nos casos de infringência à legislação
vigente afeta à segurança da navegação, salvaguarda da vida humana, no mar
aberto e em hidrovias interiores, e à prevenção da poluição ambiental. Nas
infrações afetas a poluição ambiental a OM emite a Notificação e comparece ao
local da ocorrência da infração para obter os esclarecimentos necessários e, tendo
em vista ser o tempo uma variável importante na verificação destas infrações, o
Auto de Infração deverá ser emitido imediatamente após a emissão da Notificação.
Este documento dará origem ao Auto de Infração a ser emitido nas Capitanias
dos Portos, Delegacias, Agências e nas Unidades Móveis da Marinha, pelo Sistema
de Controle de Auto Infração (SISAUTO), sendo, posteriormente, encaminhado
para julgamento do Oficial competente.
O Auto de Infração deverá ser emitido, mesmo que o responsável convocado
não compareça à CP/DL/AG, dentro do prazo de oito (8) dias úteis, contados a
partir da data da Notificação.
A respectiva notificação também deverá ser utilizada nas seguintes situações:
1) Quando for encontrada embarcação fundeada sem pessoa a bordo,
aparentando alguma irregularidade (nesse caso a notificação será colada na
embarcação);
2) Quando a embarcação abordada não configurar claramente uma situação de
infração e for necessária a apresentação de documentos ou provas que confirmem
posteriormente a existência ou não de irregularidade;
3) No caso de obras irregulares, quando inexistir no local pessoa capaz ou
credenciada para prestar os esclarecimentos requeridos para assinar o Auto de
Infração; e
4) Para convocar os responsáveis por embarcações pertencentes a órgãos
públicos, em atividade não comercial.
A OM deverá manter rigoroso controle das Notificações emitidas.

b) Auto de Infração
Constatada a infração será lavrado o competente Auto de Infração sem o qual
nenhuma penalidade poderá ser imposta. Após sua emissão o Auto deverá ser

32
entregue pessoalmente ao infrator ou a terceiro, desde que este apresente a
CP/DL/AG procuração que o autorize a receber o documento.
O Auto também poderá ser enviado para o infrator por intermédio do correio,
com o respectivo Aviso de Recebimento (AR). Caso o infrator não seja localizado o
Auto deverá ser divulgado por intermédio de Edital.
O Auto de Infração deverá ser, preferencialmente, assinado pelo infrator e por
testemunhas, se houver. Caso o infrator se recuse a assinar, o fato será tomado a
termo; caso não saiba assinar, o Auto será assinado a rogo.

c) Sistema de Controle de Auto de Infração - SISAUTO


É o sistema elaborado pela DPC que controla todo trâmite do processo
administrativo do Auto de Infração, após sua efetiva emissão. Tem por objetivo
auxiliar e agilizar o controle deste documento no âmbito das CP, DL e AG.
O SISAUTO efetua a abertura do auto, controla a apresentação da defesa
prévia, do recurso e seus prazos para apresentação, bem como os autos que
eventualmente venham a ser questionados na justiça.
Permite o controle do trâmite de entrega do auto ao infrator, vislumbrando a
possibilidade de entrega diretamente ao interessado, por correio com Aviso de
Recebimento (AR) ou por Edital.
Dispõe de um módulo nomeado como Análise do Auto, privativo do Oficial
responsável pelo julgamento do auto, que permite ao julgador visualizar,
eletronicamente, várias informações pertinentes ao documento e, dentre elas, se o
infrator é reincidente, o histórico do infrator dentro da OM e outros julgamentos já
efetuados.
Controla as situações nas quais os autos são passíveis de serem encaminhados
para inscrição na Dívida Ativa da União, elaborando e imprimindo os documentos
pertinentes para seu encaminhamento e, também, permite controlar os autos que
foram efetivamente quitados junto a Dívida Ativa.
O módulo Consulta/Relatórios possibilita ao usuário obter do sistema muitas
informações onde, dentre outras, podemos citar a Tabela de Infrações referente a
Lei no 9.537/97 (LESTA) e seu regulamento (Decreto no 2.696/98), a Lei no
9.966/00 e seu regulamento (Decreto no 4.136/02), relatório Estatístico de Auto de

33
Infração e Infrações, relatórios de Infratores, de Infratores Inscritos na Dívida Ativa
e de Embarcações Autuadas.

ROUBO OU FURTO DE EMBARCAÇÃO


No caso do recebimento de declarações, cartas ou ofício comunicando
roubo ou furto de embarcações ou seus pertences, a CP, DL e AG deverão adotar
as seguintes providências:
a) esclarecer ao interessado que a apuração do ilícito penal é da
competência da polícia judiciária, onde deverá ser registrada a ocorrência;
b) enviar mensagem para as demais CP, DL e AG contendo as seguintes
informações:
- nome, tipo, cor da embarcação;
- número de inscrição e porto de inscrição;
- características do motor;
- proprietário; e
- data da ocorrência.
As OM ao receberem a mensagem comunicando roubo ou furto de
embarcações deverão adotar as seguintes providências:
- manter junto ao setor de despachos, o nome e o número de inscrição da
embarcação, para evitar seu despacho para outra localidade; e
- informar seus dados as equipes de IN.
c) Localizada a embarcação furtada ou roubada, esta será apreendida,
mediante lavratura do competente auto de apreensão (ANEXO 4-D),
ficando à disposição de seu legítimo proprietário ou da justiça. Deverá ser
expedida mensagem à OM que comunicou o furto para contato com o
interessado, se for o caso, bem como para as demais OM, de modo a
cessarem as buscas; e
d) a CP/DL/AG que receber a informação da ocorrência, deverá lançar a
mesma no SISGEMB.

PROCEDIMENTOS PARA APREENSÃO, RETIRADA DE TRÁFEGO OU


IMPEDIMENTO DA SAÍDA DE EMBARCAÇÕES
Embarcações somente serão apreendidas, retiradas do tráfego ou

34
impedidas da saída (nesse último caso, retida, impedida de dar continuidade ou
iniciar uma singradura) pelas CP/DL/AG em decorrência da estrita competência da
AM contemplada na LESTA, com o propósito de assegurar a salvaguarda da vida
humana e a segurança da navegação, no mar aberto e em hidrovias interiores, e a
prevenção da poluição ambiental por parte de embarcações, plataformas ou de
suas instalações de apoio. Tais providências são medidas administrativas previstas
no Art. 16 da referida Lei e na NORMAM-07/DPC e, normalmente, são aplicadas
quando a infração praticada efetivamente caracterizar perigo ou risco potencial à
navegação, à salvaguarda da vida humana nas águas e/ou de poluição ambiental e
nas situações a seguir especificadas.

a) Apreensão por violações à LESTA/RLESTA:


Embarcações serão apreendidas mediante lavratura do Auto de Apreensão e
arrolado o seu material de acordo com o modelo do ANEXO 4-D, sempre que:
1) conduzidas por pessoas não habilitadas;
2) não forem inscritas;
3) estiver a embarcação estrangeira operando em águas sob jurisdição nacional
sem estar devidamente regularizada de acordo com o previsto na NORMAM-
04/DPC;
4) trafegando sem o cumprimento de exigências de vistorias que coprometam a
segurança, após o prazo estabelecido;
5) quando não classificada como de transporte de passageiros e/ou carga
estiver sendo utilizada para este fim;
6) que represente perigo à salvaguarda da vida humana no mar e nas águas
interiores, segurança da navegação e de poluição ambiental;
7) quando trafegando em áreas seletivas para navegação ou violando área de
segurança(conforme definidas NORMAM-03/DPC e NORMAM-07/DPC);
8) sendo utilizada para prática de crime;
9) conduzidas por pessoa em estado de embriaguez; e
10) para efeitos de aplicação desta Norma é considerado estado de embriaguez
aquele em que o condutor da embarcação esteja sob a influência de álcool ou
de qualquer substância entorpecente ou tóxica.
Os limites de teor alcoólico para fins de aplicação de procedimentos

35
administrativos ou para apresentação à Autoridade Policial competente são os
seguintes:
- Administrativo - limite de teor alcoólico seja até 3 (três) décimos de
miligramas por litro de ar expelido dos pulmões, com margem de tolerância
de um décimo de miligrama por litro de ar;
- Apresentação à Autoridade Policial - índice igual ou superior a 3 (três)
décimos de miligramas por litro de ar expelido dos pulmões, observando-se
a margem de tolerância de um décimo de miligrama por litro de ar. O infrator
será apresentado à Autoridade Policial competente com jurisdição sobre a
área ou o fato relatado àquela Autoridade, para adoção de medidas que
entender cabíveis (enquadramento como crime previsto no art. 261 do
Código Penal ou Art. 62 da lei de Contravenções Penais).

Nota: 6 (seis) decigramas de álcool por litro de sangue equivalem a 3 (três)


décimos de miligramas por litro de ar expelido dos pulmões.

b) Pedidos de busca, localização ou apreensão de embarcações, oriundas do


poder Judiciário.
Em alguns casos, os Agentes da AM recebem solicitações do Poder Judiciário
para efetuar busca, localização ou apreensão de embarcações por motivos
diversos. Nos casos em que sejam recebidas determinações judiciais expressas,
tais medidas devem ser cumpridas, mesmo que motivadas por outras razões não
contempladas na LESTA. No entanto, existindo tempo hábil ou oportunidade, a
Autoridade Judicial deve ser alertada dos seguintes aspectos:
1) Conforme visto anteriormente, a apreensão é decorrente da estrita
competência da LESTA;
2) O pedido de busca a embarcações em grandes áreas oceânicas e fluviais
implica em dispêndios vultosos para a MB. Igualmente, o pedido de apreensão
e de guarda das embarcações pelas CP/DL/AG, motivadas por outras razões
não contempladas na LESTA, implicam em alocação de recursos humanos e
materiais para guarnecê-las, realizar manutenção e assegurar permanente
vigilância, o que pode onerar, de forma inaceitável, as CP/DL/AG. As OM
devem alertar à Autoridade Judicial que medidas desse tipo não competem à

36
AM e devem ser executadas, preferencialmente, por Oficial de Justiça,
conforme prevê o Art. 143 do Código do Processo Civil (CPC). No entanto,
quando possível, buscando atender à desejável cooperação entre os poderes
públicos, havendo disponibilidade de meios ou oportunidade de realizar a
apreensão/retenção da embarcação, os Agentes da AM poderão atender à
Solicitação, requisitada por meio de mandado judicial (ou instrumento próprio),
desde que autorizado pelo ComDN e com a presença de oficial de justiça
acompanhando a equipe da CP/DL/AG, para que a ordem judicial seja
executada; e
3) Nos casos em que a Autoridade Judicial solicita ou determina a “retenção do
passe de saída” da embarcação, o Agente da AM deve então interromper o
processo de despacho, não emitir o passe de saída e/ou cancelar aqueles
emitidos por período, informando à Autoridade Judicial a localização atual da
embarcação e o cumprimento da solicitação.

c) Impedimento de saída da embarcação por violações à LESTA/RLESTA e


legislação correlata.
Esta medida é conhecida, de acordo as circunstâncias, como retenção ou
detenção. O primeiro termo pode ser empregado, por exemplo, para retenção do
passe de saída (ou impedimento de despacho) da embarcação ou ainda em casos
em que seja necessário realizar oitivas para apuração de IAFN. Já o segundo
termo é usado em legislação e acordos internacionais, quando Inspetores ou
Vistoriadores Navais constatam deficiências ou não-conformidades que justifiquem
a detenção das embarcações estrangeiras até que sanem tais discrepâncias.
O termo retirada de tráfego é oriundo da LESTA e aplicado, normalmente, às
embarcações nacionais e consolidadas por Portarias do CP ou decorrentes de
acórdão do TM.
No tocante ao cumprimento da LESTA e legislação correlata, as embarcações
serão retidas/detidas pelo tempo que for necessário para atendimento das
exigências requeridas, e sempre que requisitada por Autoridade Judicial, através de
mandado ou instrumento próprio.

37
d) Retenção e detenção de embarcações a pedido de outros órgãos públicos
(MPA, ANVISA, SRF, DPF, ANTAQ, Municípios e demais entes federativos).
É comum o recebimento de solicitações de outros órgãos/entes públicos
solicitando a retenção do passe de saída, impedimento de prosseguir viagem,
impedimento de despacho e/ou interdição das operações de embarcações (e até
mesmo de suas empresas). Sobre esse aspecto as CP/DL/AG devem observar o
seguinte:
1) A existência de Termo de Cooperação (TC) em vigor entre os ComDN e os
órgãos acima relacionados. Esses Acordos possuem, normalmente, cláusula
que prevê que a MB poderá prestar apoio logístico à agentes/funcionários
daqueles órgãos/entes para que estes efetuem as ações de
interdição/apreensão propriamente ditas das embarcações pelos motivos da
esfera de competência de seus órgãos;
2) Logo, a interdição/apreensão das embarcações deve ocorrer em
conformidade com o disposto nesses TC, com apoio da MB, representada pelos
ComDN e seus Agentes da AM, se necessário for, se os motivos não forem os
relacionados à LESTA;
3) Caso o ComDN julgue necessário, conveniente e oportuno poderá firmar
Convênio/Acordo específico de delegação de competência para exercer a
fiscalização e medidas administravas em nome desses Órgãos, nos estreitos
limites estabelecidos nesses instrumentos administrativos; e
4) Casos excepcionais de cooperação devem ser levados ao conhecimento e
decisão do ComDN, que levando em consideração o princípio de cooperação
entre os órgãos, a urgência e/ou a gravidade da situação e do pleito
apresentados, poderá autorizar a execução de tais medidas pelos Agentes da
AM. Nesses casos, as solicitações formais de retenção do passe de saída ou
apreensão de embarcação oriundos de órgãos extra MB, as CP/DL/AG após a
concretização do ato, deverão ser comunicadas ao órgão requisitante para que
ele adote as providências cabíveis na sua esfera de competência, tendo em
vista que o não desencadeamento das ações legais próprias do órgão
requisitante ensejará a liberação da embarcação, haja vista que, no âmbito da
MB, se não existir quaisquer infrações à RLESTA não se pode impedir a sua
liberação.

38
e) Outros procedimentos e recomendações:
1) A retenção ou apreensão de embarcação estrangeira, qualquer que seja sua
classificação, efetuada pelas CP/DL/AG, exceto as detenções realizadas pelo
Port State Control (PSC), por apresentar irregularidades na documentação ou
condições operacionais precárias, representando ameaça de dano ao meio
ambiente, à tripulação, a terceiros ou à segurança do tráfego aquaviário, deverá
ser seguida dos seguintes procedimentos:
a) comunicar o fato ao ComDN da jurisdição, participando as autuações que
serão efetuadas dentro da competência da OM;
b) comunicar, formalmente, o fato aos representantes regionais da Polícia
Federal, Receita Federal, Agência de Vigilância Sanitária e IBAMA (quando
for o caso), solicitando que tais instituições inspecionem a embarcação e sua
tripulação em conformidade com suas competências legais; e
c)informar o fato, também, ao Cônsul do país de bandeira da embarcação.
Na ausência deste na área de jurisdição da OM, o ComDN deverá ser
informado para que, juntamente com os motivos que justificaram a retenção
ou apreensão, participe o fato ao Estado-Maior da Armada (EMA), com cópia
para o ComOpNav, DGN e DPC, solicitando que a notificação da retenção ou
apreensão seja encaminhada pela via diplomática ao governo de país de
bandeira da respectiva embarcação.
Cabe ressaltar, que a agilidade da OM no trâmite dos procedimentos acima é
fundamental para a rápida solução da situação.
A irregularidade determinante da apreensão de embarcação deve ser sanada
no prazo de noventa dias sob pena da embarcação ser leiloada ou incorporada aos
bens da União de acordo com a legislação em vigor.
2) Quando a embarcação apreendida (nacional ou estrangeira) estiver
conduzindo passageiros, o chefe da Equipe de IN determinará o desembarque
dos passageiros em local adequado, após o que a embarcação será recolhida
ao cais da CP, DL ou AG, ou outro local determinado.

AFERIÇÃO DE ALCOOLEMIA DOS CONDUTORES DE EMBARCAÇÕES

Visando a segurança da navegação e a salvaguarda da vida humana no mar

39
aberto e hidrovias interiores, caberá aos Agentes da Autoridade Marítima, quando
no exercício da Inspeção Naval, e apenas quando presentes sinais característicos
de embriaguez de condutor de embarcação, adotar as REGRAS DE CONDUTA
PARA A INSPEÇÃO NAVAL QUANDO DA AFERIÇÃO DA ALCOOLEMIA DO
CONDUTOR DE EMBARCAÇÃO.

Relembra-se que consoante garantia constitucional, o condutor não é


obrigado a submeter-se ao teste do etilômetro.

DESIGNAÇÃO DE FIEL DEPOSITÁRIO

Quando não houver possibilidade de remoção da embarcação apreendida


para instalações da OM do SSTA, o encarregado da operação de IN deverá lacrar a
embarcação e designar um responsável, pessoa física ou jurídica,
preferencialmente o proprietário, o armador ou o seu preposto, nomeando-o fiel
depositário, lavrando-se o respectivo termo. É importante frisar que o ato de
designação de fiel depositário diferente dos retromencionados, pressupõe a sua
aceitação, assim a formalidade do ato somente é legal se o designado aceitar o
encargo.

NOTIFICAÇÃO DE RETIRADA E LIBERAÇÃO DA EMBARCAÇÃO

Caso as irregularidades não sejam sanadas pelo proprietário, este será


notificado para saná-las no prazo de noventa dias, sob pena de ter sua
embarcação leiloada ou incorporada aos bens da União.
No caso de embarcações estrangeiras a embaixada ou consulado do país de
bandeira deve ser informado.
a) A embarcação apreendida ou achada só será entregue ao legítimo proprietário
depois de comprovado o pagamento correspondente a:
1) despesas realizadas por aqueles que encontraram ou apreenderam a
embarcação; e
2) despesas realizadas com a conservação e guarda da embarcação.
b) A apreensão de uma embarcação deve ser interpretada pela OM, como uma

40
medida administrativa de caráter preventivo visando à segurança, mediante a sua
retirada temporária de tráfego, para que seja sanada uma irregularidade;
c) Não se deve manter retida uma embarcação por demora na execução dos
procedimentos burocráticos da OM; e
d) A liberação da embarcação apreendida está condicionada a uma declaração do
responsável, no Termo de Entrega de Embarcação, afirmando que recebe a
embarcação em perfeito estado de conservação, com todos os equipamentos e
sem constatar qualquer irregularidade.

LACRE
O lacre é um dispositivo através do qual o Inspetor Naval se certifica de que
a embarcação permanecerá fora de tráfego até que sejam solucionadas as
discrepâncias observadas.
A embarcação poderá ser lacrada, a critério do titular da OM que
determinou a sua apreensão ou retirada de tráfego. O lacre somente será retirado
por autorização de quem o determinou.

41
UE
3.0

AMADORES

3.1 - CLUBES E ENTIDADES NÁUTICAS

Os Clubes Náuticos, Marinas, Associações e outras entidades voltadas para


o esporte e/ou lazer náutico são na verdade centros naturais de informação e
formação a respeito da atividade náutica amadora de uma forma geral, ou seja, quem
é proprietário de um barco a vela ou uma lancha para pesca esportiva, certamente,
estará agregado a um iate clube ou marina, de modo que possa usufruir da
infraestrutura oferecida, assim como participar de atividades e eventos promovidos
pela organização.

Desta forma fica fácil entender que os Clubes, Marinas e Entidades


Náuticas são pontos focais para a formação de uma mentalidade de segurança
da navegação para amadores, assim como são espaços ideais para incutir,
principalmente nos jovens, a importância de uma mentalidade marítima nacional.

Outras Atividades Náuticas dentro deste contexto, o Agente da Autoridade


Marítima Local deverá estabelecer uma relação de co-responsabilidade com
essas organizações, de modo que possam, como sociedades organizadas que são,
colaborar ativamente com a formação de amadores e, consequentemente, com
a segurança do tráfego aquaviário local.

42
PESCA
REGATAS ESPORTIVA

Clubes náuticos
e marinas

MOTO- NÁUTICA Outras Atividades Náuticas

Para que se possa estabelecer esse relacionamento de corresponsabilidade,


é necessário que os clubes e entidades náuticas cadastrem–se junto ao Agente
Autoridade Marítima Local e sigam determinadas regras comuns. Vejamos como isso
deve ser feito:

CADASTRAMENTO DE CLUBES E ENTIDADES NÁUTICAS

As marinas, clubes e entidades desportivas náuticas deverão ser


cadastradas nas Capitanias, Delegacias e Agências de sua área de jurisdição,
visando a adoção de medidas preventivas para a salvaguarda da vida humana e a
segurança da navegação.
O cadastramento das marinas, clubes e entidades desportivas náuticas
estará condicionado à apresentação pelo interessado de documentos previstos na
NORMAM-03/DPC.
Após a verificação da documentação apresentada a CP/DL/AG emitirá o
Certificado de Cadastramento com 2 vias, sendo uma via entregue ao interessado,
permanecendo a outra arquivada na OM que o emitiu.

REGRAS DE FUNCIONAMENTO
a) Regras Gerais

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No interesse da salvaguarda da vida humana nas águas e da segurança da
navegação são estabelecidas as seguintes regras de funcionamento para as
marinas, clubes e entidades desportivas náuticas:

- manter o registro das embarcações sob sua guarda ou responsabilidade;


- exigir dos proprietários, para efeito de guarda, a apresentação de prova de
propriedade e de legalização da embarcação na Capitania, Delegacia ou
Agência;
- remeter, quando solicitado, à Capitania, Delegacia ou Agência, a
relação das embarcações sob sua guarda, com os dados julgados
necessários;
- participar do Conselho de Assessoramento sempre que for convidado;
- obter e divulgar aos associados os avisos aos navegantes, as informações
meteorológicas e as demais informações de segurança marítima divulgadas
pela Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN) e outros órgãos;
- prestar auxílio aos seus associados para inscrição e regularização de
suas embarcações, para inscrição de candidatos aos exames de habilitação às
diversas categorias de amadores, para entrega e recebimento de
documentos diversos tais como TIE, Carteiras de Habilitação e outros, junto
às Capitanias, suas Delegacias e Agências. Para tanto deverão
credenciar um representante junto aos órgãos citados;
- exigir do associado que sair com sua embarcação a entrega do plano de
navegação ou aviso de saída;
- prestar auxílio, com embarcação de apoio ou permitindo a atracação, a
qualquer pessoa em perigo nas águas, desde que não se coloque em risco a
tripulação da embarcação de apoio ou que as condições técnicas de
calado e cabeços para amarração permitam a atracação;
- auxiliar na fiscalização do tráfego das embarcações de esporte e /ou
recreio, de maneira não coercitiva, mas educativa, contribuindo dessa forma
para a prevenção de acidentes da navegação;
- disseminar para os associados que:

I) as tripulações das embarcações atracadas ou fundeadas, são

44
obrigadas a se auxiliarem mutuamente nas fainas de amarração e em
qualquer outra que possa implicar acidente ou sinistro;
II) a velocidade de saída e chegada de embarcações nas áreas de apoio,
rampas, marinas, flutuantes etc. deve ser sempre reduzida (menos de
cinco nós). Especial atenção deve ser dada à presença de banhistas onde se
esteja trafegando, procedendo-se com a maior cautela possível. Atitude
idêntica deve ser adotada quanto à existência de embarcações atracadas
ou fundeadas, que poderão ser danificadas devido a marolas provocadas por
velocidade incompatível com o local. As embarcações que se aproximem de
praias devem fazê-lo no sentido perpendicular.

b) Formação de Amadores

1) As marinas, as entidades desportivas, as associações náuticas, os clubes e


as escolas náuticas cadastradas poderão organizar cursos para formação das
diversas categorias de amadores, em suas sedes, devendo o currículo do curso
atender, no mínimo, às instruções gerais e ao programa para o exame de amadores
na respectiva categoria. O cadastramento dessas entidades para efeito de formação
de amadores obedecerá, no que couber, ao previsto na NORMAM-03/DPC.
Adicionalmente, deverão ser apresentadas para o cadastramento as seguintes
informações com os respectivos documentos comprobatórios:
- Tipo de cursos a serem oferecidos;
- Relação dos instrutores e seus respectivos currículos e habilitações;
- Currículo do curso e cargas horárias; e
- Recursos instrucionais disponíveis.
Havendo número suficiente de candidatos, a entidade poderá solicitar à
CP/DL/AG a realização dos exames de habilitação em suas dependências ou
proximidades, de acordo com a conveniência e disponibilidade daquelas
Organizações Militares.
As entidades mencionadas poderão fornecer os atestados de treinamento de
aulas práticas, previstos na NORMAM-03/DPC, aos candidatos às categorias de
MTA e ARA, pré-requisito para a realização dos exames escritos, desde que
especialmente cadastrados para esse fim.

45
2) Os revendedores/concessionárias de moto aquática e as empresas
especializadas em treinamento e formação de condutores de embarcações, inclusive
moto aquática, devidamente cadastrado nas CP/DL/AG, também poderão fornecer o
atestado previsto na NORMAM-03/DPC, de modo a permitir a inscrição de
candidatos à categoria de MTA.
3) Especialmente para a categoria de Motonauta, as aulas práticas deverão
abordar os seguintes tópicos: limites operacionais do equipamento, técnicas de
pilotagem, cumprimento do RIPEAM quando na presença de outras embarcações,
regras para saída e aproximação segura de praias, cumprimento das áreas seletivas
para navegação e situações de emergência.

c) Embarcação de Apoio

As marinas, clubes e entidades desportivas náuticas que abriguem mais de 50


embarcações de esporte e/ou recreio deverão manter permanentemente aptas a
manobrar, uma embarcação para apoio e segurança para atender suas embarcações
filiadas nas águas interiores, conforme estabelecido nas Normas e Procedimentos para
as Capitanias dos Portos (NPCP/NPCF), num raio máximo de até 10 milhas de sua
sede, com capacidade para rebocar a maioria das suas embarcações, não somente
durante as competições e eventos, mas também em qualquer situação de emergência.
Essa embarcação para apoio e segurança poderá ser mantida em parceria com outras
marinas, clubes e entidades desportivas náuticas ou por meio de empresas
terceirizadas. A embarcação de apoio, além dos indispensáveis equipamentos de
comunicação VHF ou HF, deverá ser dotada sempre com excesso de equipamentos e
material de salvatagem e primeiros socorros, de modo a poder prestar a assistência que
for requerida em emergências. O serviço de apoio poderá ser indenizado de acordo
com o estabelecido no estatuto de cada entidade ou no contrato de terceiros, desde que
não se configure em salvaguarda da vida humana. As marinas, clubes e entidades
desportivas náuticas que abriguem menos de 100 e mais de 50 embarcações de
esporte e/ou recreio.

46
d) Serviço de Rádio

As marinas e clubes náuticos deverão possuir um serviço de rádio, em


condições de manter acompanhamento rádio durante todo o tempo em que um de
seus associados permanecerem nas águas, conforme previsão de seu plano de
navegação ou aviso de saída, exceto nos casos de se dirigir barra à fora, para
portos, fundeadouros, baías e áreas consideradas abrigadas pelas cartas náuticas e
roteiros. O serviço de rádio deverá estar equipado para atender as necessidades de
seus sócios. Caso existam associados com embarcações classificadas para mar
aberto, além dos equipamentos VHF, para contatos locais, a entidade deverá possuir
equipamentos HF, que permitam contatos a longas distâncias.

e) Embarcações Estrangeiras de Esporte e/ou Recreio

As marinas, clubes e entidades desportivas náuticas terão as seguintes


responsabilidades no tocante às embarcações estrangeiras de esporte e/ou recreio:
1) comunicar, pelo meio mais rápido, à CP/DL/AG a entrada e saída de
embarcações estrangeiras de suas sedes náuticas ou fundeadouros, informando as
características das mesmas, instruindo e auxiliando o Comandante da embarcação a
cumprir os procedimentos estabelecidos na NORMAM-03/DPC;
2) solicitar a visita das autoridades de Saúde dos Portos, Polícia Federal e
Receita Federal, quando se tratar do primeiro porto brasileiro que a embarcação
estrangeira fizer escala ou por ocasião da saída das AJB;
3) auxiliar o Comandante da embarcação no trato com as autoridades locais,
mantendo coordenação entre as mesmas;
4) designar o local para fundeio ou atracação em área autorizada pela
Capitania;
5) instruir o Comandante da embarcação sobre os locais de fundeios
autorizados; e
6) auxiliar as autoridades locais na fiscalização das possíveis transgressões
destas normas e das leis e regulamentos em vigor no país, alertando quanto à
realização de passeios em locais interditados pela CP/DL/AG e permanência da
embarcação por prazo superior ao constante do passaporte do proprietário ou

47
responsável.

f) Entidades Desportivas Náuticas

As entidades desportivas náuticas que se constituírem, apenas, em entidades


normativas, sem facilidades para uso dos associados, estão dispensadas de possuir
qualquer equipamento, devendo, entretanto, ao organizarem competições
providenciarem o necessário apoio de embarcação, equipamentos rádio, pessoal e o
que mais se fizer necessário, para assistência aos competidores, até o final do
evento.

Outro ponto importante para o estreitamento das relações entre os Clubes e


Entidades Náuticas e a Autoridade Marítima Local é o estabelecimento e a
manutenção de funcionamento de um Conselho de Assessoramento. Este fórum
tem como propósito estudar, analisar e, consequentemente, assessorar o Agente da
Autoridade Marítima Local quanto às formas e modelos que possibilitem aumentar o
grau de segurança do tráfego aquaviário local.CONSELHO DE ASSESSORAMENTO

As Capitanias, suas Delegacias e Agências criarão os Conselhos de


Assessoramento, coordenados pelo titular da OM e constituído por
representantes das marinas, clubes e entidades desportivas náuticas, autoridade
municipal e/ou estadual e demais segmentos da comunidade marítima local, que se
reunirão semestralmente, ou a critério dos Capitães dos Portos, Delegados ou
Agentes, para deliberarem sobre ações a serem implementadas, com o objetivo
de se desenvolver padrões elevados de comportamento do navegante.
Os seguintes temas poderão ser abordados nessas reuniões, além de outros
que as circunstâncias locais ou as ocorrências de momento forem exigidas:

a) debater com os representantes das marinas, clubes e entidades desportivas


náuticas e empresas de aluguel de embarcações as suas responsabilidades no
tocante à salvaguarda da vida humana, prevenção da poluição e à segurança da
navegação;
b) debater com as autoridades municipais competentes sobre as ações de

48
fiscalização compartilhadas, visando a incrementar a segurança, especialmente na
faixa de praias, margens de rios e lagos, de modo a proteger a integridade física
dos banhistas. Observar o que prescrevem os Planos Nacional, Estadual e
Municipal de Gerenciamento Costeiro, Plano Diretor, Plano de Zoneamento, Plano
de Uso e Ocupação etc, acerca das responsabilidades estaduais e municipais em
relação à área costeira, inclusive no que diz respeito à preservação do meio
ambiente, ao controle da poluição e à utilização das áreas ecologicamente
sensíveis;
c) definir junto às autoridades competentes as áreas destinadas à prática de
esportes náuticos, observadas as restrições impostas pelo meio ambiente e pela
necessidade de garantir a segurança da navegação;
d) debater sobre a necessidade de realização de campanhas educativas, dirigidas
aos praticantes dos esportes e lazer náuticos. Ressaltar a obrigatoriedade da
habilitação dos condutores de embarcações e as instruções para obtenção desse
documento;
e) debater sobre as ações adequadas para conscientização dos praticantes de
esportes e lazer náuticos para o uso do material de salvatagem. Divulgação da
existência de lista elaborada pela DPC que relaciona todo o material homologado
para uso a bordo (Catálogo de Material Homologado Disseminar a possibilidade de
serem apresentados novos itens de material de salvatagem, que poderão ser
empregados em lugar de outros já aprovados, produzindo o mesmo efeito a um
custo inferior para aquisição e/ ou manutenção, para análise e aprovação; e
f) debater com as autoridades competentes a necessidade da elaboração de um
programa de adestramento, a ser ministrado pela Capitania, Delegacia ou Agência,
ao pessoal dos órgãos municipais envolvidos na fiscalização do tráfego de
embarcações, especialmente da faixa adjacentes as praias e margens de rios e lagos.

3.2 - CATEGORIAS DE AMADORES

COMPOSIÇÃO DAS CATEGORIAS DE AMADORES

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Amador é todo aquele com habilitação certificada pelo Representante da
Autoridade Marítima para Segurança do Tráfego Aquaviário (DPC) para operar
embarcações de esporte e/ou recreio, em caráter não profissional.

Carteira de Habilitação do Amador – CHA - é o documento que credencia o


seu portador a conduzir embarcação de esporte e recreio. A obtenção desse
documento se faz por meio de exame.

CATEGORIAS DE AMADORES

CAPITÃO AMADOR (CPA) - apto para conduzir embarcações de esporte e


recreio entre portos nacionais e estrangeiros.

MESTRE AMADOR (MAS) - apto para conduzir embarcações entre portos


nacionais e estrangeiros nos limites da navegação costeira

ARRAIS AMADOR (ARA) - apto para conduzir embarcações de esporte e


recreio nos limites da navegação interior.

MOTONAUTA (MTA) - apto para conduzir moto aquática nos limites da


navegação interior.

VELEIRO (VLA) - apto para conduzir embarcações a vela sem propulsão a


motor , nos limites da navegação interior.

3.3 - PROCEDIMENTOS PARA HABILITAÇÃO

PROCEDIMENTOS PARA HABILITAÇÃO


a) Da Inscrição

Para efetuar sua inscrição, o candidato deverá apresentar a seguinte

50
documentação na CP/DL/AG ou no local estabelecido por essas Organizações
Militares:
1) Cópia autenticada de documento oficial de identificação, com fotografia e
dentro da validade. A autenticação poderá ser feita no próprio local de inscrição,
mediante comparação da cópia com o original;
2) Cópia autenticada do Cadastro de Pessoa Física (CPF). A autenticação
poderá ser feita no próprio local de inscrição, mediante comparação da cópia com o
original;
3) Comprovante de residência com CEP, expedido no prazo máximo de noventa
dias corridos, em nome do interessado ou com declaração do nome de quem constar
a fatura;
4) Recibo da Taxa de Inscrição (valor consta em anexo específico da NORMAM-
03/DPC);
5) Atestado médico, emitido há menos de um ano, que comprove bom estado
psicofísico, incluindo limitações, caso existam, como por exemplo:
- uso obrigatório de lentes de correção visual;
- estar acompanhado de outra pessoa;
- estar vestindo colete salva-vidas em qualquer situação; e
- uso obrigatório de aparelho de correção auditiva.

Observação: caso haja dúvida sobre a capacidade ou a habilidade motora do


interessado que possa restringir a segurança na condução da embarcação, deverá
ser apresentado laudo médico circunstanciado sobre as condições físicas do
interessado. A CP/DL/AG, agendará uma avaliação técnica para verificar se o
condutor atende requisitos mínimos de segurança para a condução de embarcação;

6) O atestado médico descrito no item anterior é dispensável para os candidatos


que apresentarem sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) dentro da validade. A
mesma observação do inciso anterior deve ser atendida;

7) Autorização dos pais ou do tutor para menores de dezoito anos, com firma
reconhecida em cartório, quando se tratar da categoria de VLA;

8) Para a categoria de MTA, declaração comprovando que realizou aulas

51
práticas com, no mínimo, três horas de duração, emitida por marina, entidade
desportiva náutica, associação náutica, clube náutico,
revendedores/concessionárias de moto aquática, empresas especializadas em
treinamento e formação de condutores de embarcações, inclusive de moto aquática,
ou de escola náutica, cadastrada; e

9) Para a habilitação na categoria de ARA, o interessado deverá apresentar


atestado comprovando que possui, no mínimo, seis horas de embarque em
embarcações de esporte e/ou recreio, ou similares, fornecido por: marina, entidade
desportiva náutica, associação náutica, clube náutico,
revendedores/concessionárias de moto aquática, empresas especializadas em
treinamento e formação de condutores de embarcações.

b) Do Exame de Habilitação

O exame é constituído de prova escrita, devendo o candidato saber ler e


escrever. No caso de reprovação não será permitida nova tentativa imediata. A nova
tentativa será realizada de acordo com programação estabelecida pela CP/DL/AG.
Os exames de habilitação obedecerão aos seguintes procedimentos:

1) Veleiro - o interessado deverá apresentar, na CP/DL/AG, declaração da


marina ou clube náutico, cadastrado, onde conste que o mesmo realizou, naquela
entidade, curso de vela que o habilite na condução de embarcação a vela de acordo
com o programa mínimo constante do anexo da NORMAM-03/DPC, que trata do
conteúdo programático.

2) Motonauta e Arrais-Amador - será constituída de prova escrita, a ser realizada


nas CP, DL e AG, ou nas instalações das marinas, clubes náuticos ou em outro local
designado.

3) Mestre-Amador - será constituída de prova escrita, a ser realizada nas CP, DL


e AG, ou nas instalações das marinas, clubes náuticos ou em outro local designado,
devendo o interessado já ser habilitado na categoria de Arrais-Amador.

4) Capitão-Amador - será constituída de prova escrita, a ser realizada nas CP,

52
DL e AG, devendo o interessado já ser habilitado na categoria de Mestre-Amador.

5) A partir de 2 de julho de 2012 os interessados em obter as habilitações de


MSA e CPA concomitantemente com a habilitação de MTA realizarão somente a
prova escrita de MSA ou CPA, conforme o caso, devendo apresentar para inscrição
os documentos previstos na alínea a), em especial a declaração constante em
anexo da NORMAM-03/DPC.

6) A partir de 2 de julho de 2012 os interessados em obter a habilitação de ARA


concomitantemente com a habilitação de MTA realizarão a prova escrita somente de
ARA, devendo apresentar para inscrição os documentos previstos na alínea a), em
especial as declarações constantes em anexo da NORMAM-03/DPC.

DISPENSA DA HABILITAÇÃO

Os condutores de dispositivos flutuantes e de embarcações miúdas sem


propulsão mecânica (não movimentadas por máquinas ou motores), utilizados para
recreio ou para prática de esporte, estão dispensados da habilitação.

EMISSÃO E RENOVAÇÃO DA CARTEIRA DE HABILITAÇÃO DO


AMADOR (CHA)

a) Emissão

A OM da jurisdição do candidato aprovado emitirá a CHA utilizando o


SISAMA. O próprio sistema gera o número de inscrição sequencial por OM. A CHA
tem validade em todo território nacional por um período de dez anos a partir da data
da emissão.

As OM deverão manter controle rigoroso das pessoas capacitadas a


operarem o SISAMA, a fim de ser evitado o acesso indevido ao sistema.

Deverão constar no campo observações da CHA as possíveis deficiências


físicas do amador, relatadas no atestado médico.

53
Para a aplicação de provas em locais distantes da sede da CP/DL/AG, as
equipes da OM deverão portar notebooks com capacidade de acesso ao “Portal de
Serviços da MB”, cumprindo os procedimentos preconizados na DCTIMARINST 3004-
B), de modo a acessar o SISAMA para a inclusão das notas das provas e a
emissão/impressão das CHA dos aprovados no local.

b) Renovação

O interessado na renovação da CHA deverá dirigir-se à CP, DL ou AG


apresentando a seguinte documentação:

1) Requerimento ao titular da OM solicitando a renovação;

2) Documento oficial de identificação, com fotografia e dentro da validade;

3) A CHA original vencida;

4) Comprovante de residência com CEP, expedido no prazo máximo de


noventa dias corridos, em nome do interessado ou com declaração do nome de
quem constar a fatura;

5) Atestado médico, emitido há menos de um ano, que comprove bom estado


psicofísico, incluindo limitações, caso existam, podendo ser substituído pela CNH
dentro da validade. Observar, no que couber, as recomendações contidas na alínea
a), subalínea 5) DO PROCEDIMENTO PARA HABILITAÇÃO;

6) Recibo da Taxa de Renovação; e

7) CPF.

No caso de renovação em CP/DL/AG diferente da responsável pela emissão da


CHA, deverá ser realizada consulta entre as OM antes de se efetivar a renovação.

3.4 - ELABORAÇÃO E DIVULGAÇÃO DE

PROGRAMAS EDUCATIVOS

54
O Sistema de Segurança do Tráfego Aquaviário tem como propósito não
somente inspecionar e vistoriar embarcações e instalações com vistas ao
cumprimento da legislação em vigor, mas também contribuir para o
desenvolvimento de uma consciência de responsabilidade. Neste sentido, a
contribuição deve ser por meio de programas educativos que irão estabelecer
e/ou reforçarem uma mentalidade de segurança aquaviária, assim como avivar a
cultura e atitudes responsáveis de um bom marinheiro.

Esta unidade tem o objetivo de propor um roteiro para que Capitanias,


Delegacias e Agências possam criar e estabelecer programas educativos
para o setor aquaviário, levando em consideração a cultura e atividades mais
típicas da jurisdição da OM.

Inicialmente, podemos afirmar que tais programas, para terem maior chance
de darem certo, devem nascer de projetos com a participação e apoio de um
ou mais segmentos da sociedade civil organizada, como prefeituras, indústrias,
escolas, colônias de pesca, clubes náuticos, federações de esportes náuticos e
outros segmentos que tenham interesse no assunto. Podemos concluir, portanto,
que o projeto deva nascer dos próprios anseios do Conselho de
Assessoramento.

ROTEIRO PARA ESTABELECER PROGRAMA EDUCATIVO

Para facilitar o entendimento, podemos dividir esse roteiro em cinco etapas


distintas, a saber:

a
1 Etapa – LEVANTAR AS NECESSIDADES

Esta primeira etapa deve acontecer dentro do Conselho de


Assessoramento ouvindo os segmentos participantes e verificando as
possíveis necessidades para aumentar a segurança do tráfego aquaviário. Nesta
etapa identificam-se:

55
• Os objetivos a serem alcançados.
• O público-alvo.
• A abrangência do programa.
• O período de vigência do programa.
• Os segmentos interessados em apoiar e produzir as ações do programa.

a
2 Etapa - DESENVOLVIMENTO DO PROJETO.

Identificadas as necessidades, entra-se na etapa de desenvolvimento


do projeto que viabilizará o programa. Isto é feito detalhando todas as ações
pertinentes ao projeto. Uma forma eficaz de se desenvolver um projeto é dividi-lo
em fases, de modo que se tenham todas as ações discriminadas e os objetivos a
alcançar em cada uma das fases que compõem o projeto, podendo, desta forma,
melhor gerenciar e, caso seja necessário, corrigir distorções que possam ocorrer
na sua implantação.
Nesta etapa deve estar bem claro quem faz o que, além de estarem
contabilizados os custos inerentes à realização das fases.

a
3 Etapa - LEVANTAMENTO DOS RECURSOS.

Nesta etapa, alocam-se os recursos necessários apresentados pelo projeto


de desenvolvimento do programa. Isso pode ser feito de três formas diferentes:

• buscar patrocínio junto a prefeitura, indústria, lojas, clubes náuticos ou outro


órgão que tenha interesse em vincular sua marca a ações como essa;
• solicitar os recursos à DPC via Distrito Naval, na forma de proposta de
atividade extraordinária. Nela deverá constar uma justificativa com os objetivos a
alcançar e o custo previsto. Deverá ser enviada com a maior brevidade possível,
cumprindo os prazos previstos para inclusão no PREPOM. A Superintendência do
Ensino Profissional Marítimo analisará as propostas com base na legislação vigente
que regulamenta o FDEPM, avaliando a pertinência com os propósitos estabelecidos

56
na legislação. A Superintendência de Apoio fará a previsão orçamentária,
encaminhando-a ao Diretor de Portos e Costas para decisão; ou
• obter os recursos de forma mista, de modo que parte seja bancado
pelo Fundo de Desenvolvimento do Ensino Profissional Marítimo (FDEPM) e outra
parte por instituições que tenham interesse em programas desse tipo.

a
4 Etapa - IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA.

Esta é a etapa decisiva, pois após o planejamento e alocação dos recursos,


acontece o momento da execução do que é o objetivo disso tudo, que é a
implantação do programa. Nesta etapa deve-se ter o cuidado de executar o que foi
planejado e, principalmente, executar dentro dos custos que foram
disponibilizados.
Cabe destacar a importância do Agente da Autoridade Marítima Local na
coordenação desses trabalhos, não só para dar o suporte técnico, mas
principalmente para dar a credibilidade necessária para o programa educacional dar
certo.
O sucesso da implantação do programa é diretamente proporcional à boa
confecção de seu projeto que, certamente, é fator fundamental da ação de
seus partícipes. Portanto, deve-se maisuma vez destacar a importância da
participação de todos os segmentos interessados.

a
5 Etapa - GESTÃO E CONTROLE.

Após o programa implantado, devem-se estabelecer formas de


gerenciamento e controle, de modo a assegurar dois fatores fundamentais, que são:

Primeiro - a continuidade do programa de modo a alcançar os objetivos


propostos.

Segundo - estabelecer instrumentos capazes de equacionar e corrigir

57
possíveis equívocos e distorções na implantação e execução do programa
proposto.
FLUXOGRAMA DO PROGRAMA

Conselho de
Assessoramento

1ª Etapa
Levantar as Necessidades

2ª Etapa
Desenvolvimento do Projeto

3ª Etapa
Levantamento de Recursos

4ª Etapa
Implantação do Programa

5ª Etapa
Gestão e Controle

58
UE
4.0

INSCRIÇÃO E REGISTRO DE
EMBARCAÇÃO

4.1 - PROCEDIMENTOS PARA INSCRIÇÃO E

REGISTRO DE EMBARCAÇÃO

INTRODUÇÃO

Todas as embarcações brasileiras estão sujeitas à inscrição nas Capitanias


dos Portos (CP), Delegacias (DL) ou Agências (AG), excetuando-se as pertencentes
à Marinha do Brasil.
As embarcações com arqueação bruta maior que 100, além de inscritas nas
CP, DL ou AG, devem ser registradas no Tribunal Marítimo.
As plataformas móveis são consideradas embarcações, estando sujeitas à
inscrição e/ou registro. As plataformas fixas, quando rebocadas, são consideradas
embarcações, estando, também, sujeitas a inscrição e/ou registro.
Para embarcações com comprimento igual ou menor a doze metros a
inscrição será simplificada.
As embarcações miúdas com propulsão a motor estão sujeitas à inscrição
simplificada, conforme prescrito no Capitulo 2 das NORMAM-01-02-03/DPC.
As embarcações de médio porte (com comprimento maior que 12 metros e
menor que 24 metros) estão dispensadas de registro no TM.

59
DEFINIÇÕES

a) Inscrição da embarcação: cadastramento da embarcação na Autoridade Marítima,


com atribuição do nome e do número de inscrição e expedição do respectivo
documento de inscrição;
b) Registro de embarcação: procedimento obrigatório junto ao Tribunal Marítimo (TM)
para embarcações com Arqueação Bruta (AB) maior que 100.
c) Longo curso: é a navegação realizada entre portos brasileiros e estrangeiros;
d) Cabotagem: é a navegação realizada entre portos ou pontos do território
brasileiro, utilizando a via marítima ou esta e as vias navegáveis interiores;
e) navegação interior: a realizada em hidrovias interiores, assim considerados rios,
lagos, canais, lagoas, baías, angras, enseadas e áreas marítimas consideradas
abrigadas;
f) Apoio marítimo: é a navegação realizada para o apoio logístico a embarcações e
instalações em águas territoriais nacionais e na Zona Econômica Exclusiva, que
atuem nas atividades de pesquisa e lavra de minerais e hidrocarbonetos;
g) apoio portuário: a navegação realizada exclusivamente nos portos e terminais
aquaviários para atendimento de embarcações e instalações portuárias;
h) Navegação costeira: é aquela realizada em mar aberto, até o limite de visibilidade
da costa, estabelecida em 20 (vinte) milhas náuticas. Para o apoio marítimo estende-
se a navegação costeira até o limite de 200 (duzentas) milhas náuticas da costa.
i) Porto de Permanência - é o Clube Náutico ou Marina ao qual a embarcação
encontra-se filiada.
j) Embarcação miúda: será considerada embarcação miúda qualquer tipo de
embarcação ou dispositivo flutuante:
1) Com comprimento inferior ou igual a cinco (5) metros; ou
2) Com comprimento total inferior a 8 m e que apresentem as seguintes
características: convés aberto, convés fechado mas sem cabine habitável e sem
propulsão mecânica fixa e que, caso utilizem motor de popa, este não exceda 30 HP.
Considera-se cabine habitável aquela que possui condições de habitabilidade.

60
LOCAL DE INSCRIÇÃO

As embarcações serão inscritas e/ou registradas, por meio de solicitação do


proprietário às CP, DL ou AG em cuja jurisdição for domiciliado ou onde a
embarcação for operar. Considera-se como área de operação da embarcação o seu
Porto de Permanência.
A comprovação de residência poderá ser realizada por meio da apresentação
dos seguintes documentos, de acordo com a Lei 6629 de 16 de abril de 1979.
a) Contrato de locação que figure como locatário; e
b) Conta de luz, água, gás ou telefone (fixo ou celular) correspondente ao
último mês.

PRAZO DE INSCRIÇÃO

Para embarcações com arqueação bruta maior que 100:


Os pedidos de inscrição e/ou registro deverão ser efetuados, de acordo com o
previsto na Lei nº 7.652/88, alterada pela Lei nº 9774/98 (Lei de Registro de
Propriedade), no prazo máximo de 15 (quinze) dias contados da data:
a) Do termo de entrega pelo construtor, quando construída no Brasil;
b) De aquisição da embarcação ou, no caso de promessa de compra e venda,
do direito e ação; ou
c) De sua chegada ao porto onde será inscrita e ou registrada, quando
adquirida ou construída no estrangeiro.
Adotar prazo de 60 dias para regularização de embarcações com Arqueação
Bruta (AB) menor ou igual a 100.

PROCEDIMENTO PARA INSCRIÇÃO E REGISTRO

A critério do Capitão dos Portos, Delegado ou Agente, poderá ser realizada


uma inspeção na embarcação, antes da realização de sua inscrição, de forma a
verificar a veracidade das características constantes no Boletim de Atualização de
Embarcação (BADE) ou no Boletim Simplificado de Atualização de Embarcação
(BSADE), conforme o caso. Os procedimentos para inscrição dependerão do porte

61
da embarcação, considerando-se para esse fim a sua AB.

Embarcações com Arqueação Bruta (AB) menor ou igual a 100

Para inscrição dessas embarcações o interessado deverá dirigir-se ao órgão


de inscrição (CP, DL ou Ag) para aquisição do Boletim de Atualização de
Embarcações (BADE), que deverá ser preenchido e no verso do qual estão
relacionados os documentos necessários à inscrição.
De posse do BADE, devidamente preenchido, e da documentação
pertinente apresentada, o interessado dará entrada em seu pedido no Órgão de
Inscrição, que expedirá o respectivo Título de Inscrição da Embarcação (TIE), que
deverá ser emitido pelo Sistema de Gerenciamento de Embarcações (SISGEMB).
Se por algum motivo o TIE não puder ser expedido de imediato ou, no
máximo, no dia útil seguinte ao da solicitação da inscrição, o protocolo da CP, DL, ou
AG será o documento que habilitará, por 30 dias, a embarcação a trafegar até o
recebimento do TIE.
Adicionalmente, para as embarcações com AB menor ou igual a 20, que
transportem qualquer número de passageiros, deverá ser apresentada uma foto
colorida da embarcação no tamanho 15 x 21 cm, datada (sob a responsabilidade do
proprietário), mostrando-a pelo través, de forma que apareça total e claramente de
proa a popa, preenchendo o comprimento da foto. Este procedimento é obrigatório
para as embarcações que solicitem inscrição, sofram alteração ou mudem de
proprietário a partir de 30 de junho de 2005.

Embarcações com Arqueação Bruta (AB) maior que 100

Para inscrição dessas embarcações o interessado deverá seguir


procedimento idêntico ao citado no item anterior, entretanto será emitido o TIE.
Para essas embarcações é obrigatório o registro no Tribunal Marítimo (TM).
Portanto, o órgão de inscrição, de posse do BADE preenchido e da documentação
pertinente, deverá proceder à inscrição e emitir, pelo SISGEMB, o Documento
Provisório de Propriedade (DPP).
Os referidos documentos deverão ser remetidos ao Tribunal Marítimo,

62
objetivando a prontificação da Provisão de Registro de Propriedade Marítima
(PRPM).
O Documento Provisório de Propriedade terá validade inicial de 1(um) ano,
a contar da data de sua emissão e deverá ser recolhido quando da entrega ao
interessado da PRPM expedida pelo Tribunal Marítimo. Caso a PRPM não seja
entregue dentro desse prazo, os órgãos de inscrição poderão prorrogar a validade
do DPP, desde que o proprietário não esteja incurso nas sanções previstas na
legislação pertinente pelo não cumprimento de exigências.
As embarcações já inscritas, e que por algum motivo tiverem de ser
registradas no TM, terão seus TIE cancelados pelos órgãos de inscrição, quando da
emissão da PRPM pelo TM. Nestes casos, os órgãos de inscrição farão também as
devidas alterações no SISGEMB.

Embarcações Miúdas

As embarcações miúdas com propulsão a motor estão sujeitas à inscrição


simplificada, cujo processo consistirá na entrega dos seguintes documentos à CP, DL
ou AG:
1) Requerimento do interessado ou ofício de solicitação de inscrição quando se tratar
de embarcações de órgãos públicos;
2) Procuração e documento oficial de identificação com foto do outorgado, (quando
aplicável);
3) Documento oficial de identificação, dentro da validade, com foto (se pessoa física)
ou Declaração de Registro na Junta Comercial, estatuto ou contrato social (se
pessoa jurídica) (cópia autenticada ou cópia simples com apresentação do original),
CPF para pessoa física ou CNPJ, quando se tratar de pessoa jurídica (cópia
autenticada ou cópia simples com apresentação do original para ambos os
documentos);
4) Comprovante de residência de acordo com o item 0203;
5) Boletim Simplificado de Atualização de Embarcações (BSADE) devidamente
preenchido, cujo modelo consta do Anexo 2-E;
6) Prova de propriedade da embarcação, em conformidade com o item 0208;
7) Prova de propriedade do motor (exceto para motores com potência igual ou

63
menor que 50 HP);
8) Catálogo/Manual ou Declaração do fabricante ou do Responsável Técnico
contendo as principais características da embarcação, tais como a lotação máxima,
motorização, comprimento, boca (largura), etc. Caso a embarcação tenha sido
construída pelo interessado, apresentar Declaração de Construção, conforme Anexo
2-O;
9) Título de aquisição e comprovante de regularização junto a RFB (Receita Federal
do Brasil) em se tratando de embarcação importada;
10) Guia de Recolhimento da União (GRU) com o devido comprovante de
pagamento (original e cópia simples) exceto para órgãos públicos; e
11) Uma foto colorida da embarcação no tamanho 15 x 21 cm, datada, mostrando-a
pelo través, de forma que apareça total e claramente de proa a popa, preenchendo o
comprimento da foto.

OBSERVAÇÃO:
Estão dispensadas de inscrição as seguintes embarcações:
1) os dispositivos flutuantes, sem propulsão, destinados a serem rebocados,
com até 10 (dez) m de comprimento;
2) as embarcações miúdas sem propulsão a motor; e
3) em se tratando de flutuantes destinados a operar ou funcionar como Cais
Flutuantes, Postos de Combustível Flutuantes, Hotéis Flutuantes, Casas Flutuantes,
Bares Flutuantes e outras estruturas flutuantes similares, a emissão do Título de
Inscrição de Embarcação estará condicionada ao cumprimento do disposto no
Capítulo 1 da NORMAM-11/DPC.

SEGURO OBRIGATÓRIO DE EMBARCAÇÕES

A Marinha do Brasil por meio de suas CP/DL/AG encontra-se desobrigada da


cobrança do mesmo, por ocasião da inscrição, registro e ações de fiscalização nas
embarcações.

64
PROVA DE PROPRIEDADE DE EMBARCAÇÃO

Os atos relativos às promessas, cessões, compra, venda e outra qualquer


modalidade de transferência de propriedade de embarcação, sujeita ao registro no
TM, serão obrigatoriamente feitas por escritura pública, lavrada por qualquer tabelião
de notas. A prova de propriedade necessária para inscrição e/ou registro da
embarcação tem as seguintes modalidades:

a) Por compra:
1) No país
I) Nota Fiscal ou instrumento público de compra e venda (escritura
pública ou instrumento particular de compra e venda transcrito em cartório de
registro de títulos e documentos);
II) Autorização de transferência de propriedade emitida pelo SISGEMB,
com reconhecimento por autenticidade das firmas do comprador e vendedor.
Observações:
- Para embarcações não inscritas, somente a Nota Fiscal e a Declaração
do proprietário serão aceitas como prova de propriedade.
- Os instrumentos públicos e o recibo particular, ou a autorização de
transferência de propriedade emitida pelo SISGEMB, somente poderão ser aceitos
como prova de propriedade para embarcações já inscritas e que possuam,
consequentemente, o documento de inscrição (TIE, TIEM ou PRPM).

Somente para embarcações nacionais e de construção artesanal, poderá ser


aceita uma Declaração do proprietário como prova de propriedade (essa declaração
não deve ser aceita para inscrição de moto aquática), que deverá ser registrada em
cartório de títulos e documentos, na qual deverá estar qualificado o declarante e
perfeitamente caracterizada a embarcação e seu motor.
Para aceitação dessa declaração, os procedimentos abaixo deverão ser
adotados pelas CP, DL ou AG:
I) realizar inspeção na embarcação, de forma a verificar a veracidade das
informações constantes na declaração;
II) realizar consulta ao SISGEMB, a fim de verificar a existência de

65
embarcação já inscrita com as mesmas características das informadas pelo
declarante;
III) realizar consulta às OM do SSTA, solicitando informar se há algum
fator que impeça a inscrição da embarcação (discriminar o tipo, comprimento, cor,
boca, marca, modelo, nº do motor, nº do chassi etc) no nome do declarante
(discriminar nome, endereço e CPF/CNPJ do declarante); e
IV) analisar a exposição de motivos, que deverá ser apresentada pelo
declarante, fundamentando a solicitação da inscrição da embarcação por intermédio
da declaração. As despesas adicionais de deslocamento decorrentes da inspeção
citada na alínea I correrão por conta do requerente, quando aplicável.
2) No estrangeiro
Além do comprovante de regularização da importação perante o órgão
competente, deverá ser apresentado o instrumento de compra e venda, de acordo
com a legislação do país onde se efetuou a transação.

b) Por arrematação
1) Judicial - Carta de Adjudicação ou de Arrematação do juízo competente;
2) Administrativa - Recibo da importância total da compra à repartição
pública passada na própria guia de recolhimento; ou
3) Em leilão público - Por escritura pública.

c) Por sucessão
1) Civil - Formal de Partilha ou Carta de Adjudicação extraída dos autos do
processo; ou
2) Comercial - Instrumento público ou particular registrado na repartição
competente da Junta Comercial ou departamento oficial correspondente.

d) Por Doação
Escritura pública onde esteja perfeitamente caracterizada a embarcação, o
seu valor, o doador e o donatário.
Para embarcações miúdas, a escritura poderá ser substituída pela
presença, no Órgão de Inscrição, do doador e donatário, munidos de uma
declaração de doação, na qual deverão estar perfeitamente caracterizados o

66
doador, o donatário e a embarcação.

e) Por Construção
Licença de Construção, Contrato de Construção e sua quitação de preço.
Para embarcações dispensadas de possuir licença de construção ou que
não possuam contrato de construção deverá ser exigida uma declaração do
proprietário de que construiu a embarcação, na qual deverá constar a discriminação
das características da embarcação (tipo, comprimento, cor, boca, marca, modelo, n.º
do motor, n.º do chassi etc.), ser subscrita por duas testemunhas com suas firmas
reconhecidas em cartório e constar o local e o período da construção.
As CP, DL ou AG poderão realizar uma inspeção na embarcação, de forma
a verificar a veracidade das informações constantes na declaração.
As despesas adicionais de deslocamento decorrentes da inspeção correrão
por conta do requerente, quando aplicável.
A falsidade nesta declaração ou no testemunho sujeitará o(s) infrator(es) às
penas da lei.
Na comprovada inexistência de cartório na localidade, o proprietário e as
testemunhas deverão comparecer pessoalmente na CP/DL/AG, munidos de
documentos de identidade oficiais, quando assinarão a declaração na presença do
titular da OM ou de seu preposto designado, que autenticará as assinaturas.

f) Por Abandono Liberatório ou Sub-Rogatório


Instrumento formal desse abandono.

g) Por Permuta
Instrumento público ou com a presença dos interessados munidos de
documentos de identidade e CPF/CNPJ com o respectivo documento de permuta.

CANCELAMENTO DE INSCRIÇÃO E/OU REGISTRO

Cancelamento do Registro

O cancelamento do registro de embarcações deverá preceder ao da

67
inscrição e será determinado “ex-ofício” pelo Tribunal Marítimo ou a pedido do
proprietário.

a) O cancelamento “ex-ofício” ocorrerá quando:


1) provado ter sido o registro feito mediante declaração, documentos ou
atos inquiridos de dolo, fraude ou simulação; e
2) determinado por sentença judicial transitada em julgado.
b) O cancelamento por solicitação do proprietário ocorrerá no prazo máximo de
dois (2) meses a partir da data dos seguintes eventos:
1) a embarcação deixar de pertencer a qualquer das pessoas (física
ou jurídica);
2) a embarcação tiver que ser desmanchada;
3) a embarcação perecer ou, estando em viagem, dela não houver notícia
por mais de seis (6) meses;
4) a embarcação for confinada ou apresada por governo estrangeiro; no
último caso, se considerada boa presa;
5) extinto o gravame que provocou o registro da embarcação; e
6) deixar de arvorar bandeira brasileira

O cancelamento do registro pelo proprietário da embarcação também poderá


ser solicitado pelo proprietário, no caso de alteração da legislação pertinente, a qual
desobrigue embarcações de determinadas características a serem registradas no
Tribunal Marítimo (TM). Neste caso deverão ser tomadas as seguintes providências:
I) O interessado deverá solicitar ao TM o cancelamento do registro da
embarcação, via CP/DL/AG na qual esteja inscrita;
II) Ao requerimento de cancelamento deverá ser anexada a PRPM; III)
Enquanto tramitar o processo no TM, a OM deverá emitir, pelo SISGEMB, o DPP,
cuja validade será a mesma de um ano;
IV) Recebendo a CP, DL ou AG o “deferido” do Tribunal Marítimo ao
processo, deverá ser recolhido o DPP e, posteriormente, emitido o TIE; e
V) Todo processo acima deverá ser registrado no campo “histórico” do
SISGEMB.

68
Cancelamento da Inscrição

O cancelamento da inscrição de embarcação ocorrerá obrigatoriamente


quando:

a) a embarcação deixar de pertencer a qualquer das pessoas (física ou jurídica);


b) houver naufragado;
c) for desmontada para sucata;
d) for abandonada;
e) tiver seu paradeiro ignorado por mais de dois (2) anos;
f ) tiver o registro anulado;
g) provado ter sido a inscrição feita mediante declaração, documentos ou atos
inquiridos de dolo, fraude ou simulação;
h) determinado por sentença judicial transitado em julgado; e.
i) deixar de arvorar a bandeira brasileira.

O pedido de cancelamento de inscrição é obrigatório, devendo ser


solicitado pelo proprietário ou seu representante legal em um prazo de 15 (quinze)
dias, contados a partir da data em que foi verificada a circunstância determinante do
cancelamento.
Caso o pedido de cancelamento não tenha sido feito e não haja
conhecimento do endereço do proprietário, o órgão de inscrição fará publicar ou
afixará editais para ser cumprido o estabelecido na legislação.
Depois de cancelada a inscrição, qualquer embarcação só poderá navegar
mediante requerimento para revalidar essa inscrição cancelada, pagamento de
multa, se houver apresentação dos documentos julgados necessários e
realização de vistoria (quando aplicável).
As embarcações sujeitas a vistorias e com paradeiro ignorado por mais de três
(3) anos terão suas inscrições canceladas e deverão ser excluídas do SISGEMB .

TRANSFERÊNCIA DE PROPRIEDADE

A transferência de propriedade deverá ser requerida pelo novo adquirente

69
todas as vezes que ocorrer a mudança de proprietário, dentro do prazo de quinze
(15) dias após a aquisição. A mudança de propriedade de embarcações não
acarreta nova inscrição, salvo se o proprietário ou seu representante legal residir em
jurisdição de outra CP, DL ou AG. Nesse caso, a transferência de propriedade
deverá ser requerida na CP, DL ou AG da área de jurisdição onde a embarcação
será utilizada, devendo ser anexados os documentos comprobatórios de
propriedade.
O número de inscrição da embarcação não será mudado.
Nos casos em que houver transferência de jurisdição, a CP/DL/ AG deverá:
a) solicitar os documentos da embarcação à Organização Militar onde ela era inscrita;
b) proceder nova inscrição, conforme explicitado no artigo 0204, sem alterar o
número de inscrição; e
c) expedir, pelo SISGEMB, um novo TIE (Título de Inscrição de Embarcação).
A organização Militar onde a embarcação era inscrita deverá executar pelo
SISGEMB os procedimentos afetos à transferência de jurisdição.
Para embarcações sujeitas a registro, os órgãos de inscrição ou de jurisdição
deverão, após a verificação da documentação pertinente, encaminhar o requerimento
ao TM.
Quando do envio ao TM da PRPM para as devidas alterações, deverá ser
emitido o DPP.

70
UE
5.0

OPERAÇÃO DE EMBARCAÇÕES
ESTRANGEIRAS EM ÁGUAS
JURISDICIONAIS BRASILEIRAS (AJB)

5.1 – INTRODUÇÃO

O propósito deste capítulo é apresentar os procedimentos administrativos


para a operação de embarcações de bandeira estrangeira em Águas Jurisdicionais
Brasileiras (AJB), com exceção das empregadas em esporte e/ou recreio, visando à
segurança da navegação, à salvaguarda da vida humana e à prevenção da poluição
no meio aquaviário.

AJB são as águas interiores e os espaços marítimos, nos quais o Brasil exerce
jurisdição, em algum grau, sobre atividades, pessoas, instalações, embarcações e
recursos naturais vivos e não vivos, encontrados na massa líquida, no leito ou no
subsolo marinho, para os fins de controle e fiscalização, dentro dos limites da
legislação internacional e nacional. Esses espaços marítimos compreendem a faixa
de duzentas milhas marítimas contadas a partir das linhas de base, acrescida das
águas sobrejacentes à extensão da Plataforma Continental além das duzentas milhas
marítimas, onde ela ocorrer.

A abrangência da operação de embarcação ou plataforma de bandeira

71
estrangeira em AJB deverá ser autorizada pela Autoridade Marítima, excetuando-se
aquelas empregadas na navegação de longo curso.

Embarcações de pesquisa ou investigação científica não autorizadas a


efetuarem essas atividades deverão comunicar ao governo brasileiro, por via
diplomática, com antecedência mínima de noventa dias, qualquer visita às AJB e a
portos brasileiros, conforme previsto no Decreto no 96.000/1988, sendo vedadas
quaisquer coletas de dados ou de informações científicas.

PROCEDIMENTOS PARA INSCRIÇÃO TEMPORÁRIA (IT)

a) a DPC ou a CP/DL analisará o processo de solicitação para operação de


embarcação estrangeira em AJB, conforme atividade da embarcação;
b) o armador, o afretador ou o representante legal da embarcação de bandeira
estrangeira deverá solicitar autorização para operar em AJB, antes da chegada da
embarcação em AJB, por meio de requerimento à DPC ou à CP/DL, além dos
documentos pertinentes;
c) após deferido o processo pela DPC ou CP/DL, o armador, o afretador ou o
representante legal da embarcação de bandeira estrangeira deverá solicitar o
agendamento da Perícia Técnica na CP/DL;
d) realizada a Perícia Técnica à bordo da embarcação, a CP/DL emitirá a
Declaração de Conformidade e o respectivo Atestado de Inscrição Temporária (AIT)
de Embarcação Estrangeira, documento sem o qual a embarcação não poderá
operar em AJB.

DISPENSA DE IT

Apesar de serem dispensadas da IT, as seguintes embarcações deverão


cumprir os requisitos previstos na NORMAM-04/DPC:

a) Embarcação de Pesquisa ou Investigação Científica

72
Embora seja dispensada de IT, deverá atender as instruções previstas na NORMAM-
04/DPC. A embarcação será submetida à Perícia Técnica no primeiro porto nacional
a que demandar.
b) Embarcação afretada por empresa brasileira de navegação para realizar uma ou
mais viagens (Voyage Charter), quando operando na navegação de cabotagem.
O responsável pela embarcação deverá apresentar, à CP/DL, o Certificado de
Autorização de Afretamento (CAA), emitido pela Agência de Transporte
Aquaviário(ANTAQ).
Toda embarcação afretada pelo regime citado acima terá prioridade para ser
submetida à inspeção do tipo PSC, devendo, sempre que possível, a referida
inspeção ser realizada antes do início da operação dessas embarcações em AJB.
Ressalta-se que essas embarcações, ao serem submetidas à inspeção do tipo
PSC, estão sujeitas, inclusive, a receberem “detenção”, caso seja constatado que
apresentem “CONDIÇÕES SUBSTANDARS” de operação, além das outras sanções
previstas na legislação nacional.
c) Embarcação afretada para operar em AJB por um período igual ou inferior a trinta
dias a cada doze meses, excetuando-se embarcação destinada às atividades de
levantamentos sísmico e hidrográfico.
Essa embarcação será submetida apenas à inspeção do tipo PSC.
d) Embarcação de passageiro em cruzeiro marítimo
Está dispensada da IT, desde que não esteja afretada por empresa brasileira
de navegação. Essa embarcação será submetida à inspeção do tipo PSC.
e) Embarcação que venha realizar reparo emergencial em cabos submarinos
A empresa brasileira responsável pelo reparo deverá solicitar autorização para
operação emergencial em AJB, via fax, informando os dados da embarcação, o
período de operação e o primeiro porto nacional que esta demandará, onde será
submetida à inspeção do tipo PSC.
f) Embarcação em atividade de salvamento
A CP/DL responsável pela jurisdição da área autorizará a operação mediante
conhecimento prévio do plano de salvamento. O requerente deverá manter a CP/DL
informada de todo o desenvolvimento da faina, conforme previsto na NORMAM-
16/DPC.
Este tipo de embarcação será submetida à inspeção do tipo PSC.

73
g) Embarcação de Estado Estrangeira sem finalidade comercial
Esse tipo de embarcação necessita de autorização específica da MB, mesmo
em condições de passagem inocente. Essa operação é regulamentada por normas
específicas do Estado-Maior da Armada (EMA).

DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA A INSCRIÇÃO TEMPORÁRIA (IT)

O armador, o afretador ou o representante legal da embarcação de bandeira


estrangeira, para obter a IT, deverá apresentar, à DPC ou à CP/DL (conforme o
caso), os documentos relacionados em anexo específico previsto na NORMAM-
04/DPC, de acordo com a atividade da embarcação.
Em adição aos documentos previstos para solicitação de operação em AJB,
deverão estar disponíveis a bordo, por ocasião da Perícia Técnica, os certificados
estatutários citados em anexo específico da NORMAM-04/DPC.
Nos processos em que for necessária a apresentação à CP/DL de
requerimento do interessado, deferido pelo DPC, para a realização da Perícia
Técnica e, posteriormente, a emissão do AIT, não se faz necessária a
reapresentação de todos os documentos, salvo aqueles previstos para solicitação
de Perícia.

PERÍCIA TÉCNICA PARA OPERAÇÃO EM AJB

Visando a emissão do AIT, as embarcações de bandeira estrangeira que


forem operar em AJB serão cadastradas no Sistema de Gerenciamento de Vistorias,
Inspeções e Perícias (SISGEVI).
Antes da emissão do AIT e do início da operação, a embarcação de bandeira
estrangeira, por solicitação do interessado, deverá ser submetida à Perícia Técnica
para Operação em AJB, a ser realizada por peritos navais da CP/DL, para
verificação das condições materiais, dos equipamentos, da habilitação da tripulação
e da documentação exigida pela legislação brasileira aplicável e por convenções
internacionais ratificadas pelo governo brasileiro e para estabelecimento do Cartão
de Tripulação de Segurança (CTS).

74
A solicitação de inscrição temporária compreende a solicitação da Perícia
Técnica para Operação em AJB, do laudo para emissão do CTS e da Declaração de
Conformidade para Operação em AJB, como aplicável, devendo ser empregado o
modelo de requerimento constante da NORMAM-04/DPC.
Caso a embarcação venha ser empregada no transporte a granel de petróleo,
seus derivados e biocombustíveis, deverá ser assinalado também o campo
correspondente à solicitação de Declaração de Conformidade para o Transporte de
Petróleo no modelo de solicitação de perícia. Nesses casos a perícia será única e
incluirá o escopo de ambas as atividades.
Para emissão do AIT para plataforma, navio sonda, FPSO ou FSO, deverá ser
assinalado também o campo correspondente à solicitação de declaração de
conformidade aplicável a esse tipo de atividade no modelo de solicitação de perícia.
Para autorização do início das operações em AJB de embarcações que
realizam pesquisa ou investigação científica, deverá ser solicitada a realização de
perícia para emissão de Declaração de Conformidade para Operação em AJB.
Essas embarcações, contudo, não estão sujeitas à emissão de AIT.
Independentemente da emissão do AIT, as embarcações citadas abaixo
deverão ser especificamente autorizadas pela DPC e atender aos requisitos
estabelecidos em Capítulos específicos da NORMAM-04/DPC:
I) navio graneleiro e navio de transporte combinado ore-oil ou ore-bulk-oil com
idade igual ou superior a dezoito anos, independentemente da bandeira ou do porte
do navio, para carregamento de granel sólido, de peso específico igual ou maior do
que 1,78 t/m3, tais como minério de ferro, bauxita, manganês e fosfato; e
II) embarcação empregada no transporte de petróleo, seus derivados e
biocombustíveis.
As embarcações para as quais é necessário o CAA serão periciadas após
apresentação do citado certificado ou de documento emitido pelo órgão oficial
competente, informando estar em andamento o processo para sua emissão. O AIT,
contudo, somente será emitido pela CP/DL após a apresentação do CAA. A
operação da embarcação só poderá ser iniciada após a emissão do AIT.

75
DECLARAÇÃO DE CONFORMIDADE PARA OPERAÇÃO EM AJB

Caso a Perícia Técnica não apresente deficiências, será emitida pela CP/DL
uma Declaração de Conformidade para Operação em AJB (Statement of
Compliance).
A validade da Declaração de Conformidade será de dois anos a contar da data
da realização da perícia.
A emissão e a validade das Declarações de Conformidade independem da
validade do AIT.
Caso as deficiências apontadas não representem risco para o navio ou
plataforma, poderá ser emitida pela CP/DL uma Declaração Provisória para
Operação em AJB. Esta declaração deverá ter anexa, uma lista com as exigências,
contendo a natureza e o prazo para cumprimento das deficiências apontadas. Os
modelos de Declaração Provisória para Operação em AJB constam em anexos
específicos da NORMAM-04/DPC, conforme o caso.
A validade da Declaração Provisória para Operação em AJB será de até
noventa dias. O maior prazo concedido para cumprimento de uma exigência não
deverá ser superior à validade da Declaração Provisória.
Após a retirada de todas as deficiências, será emitida a Declaração de
Conformidade. Essa Declaração terá validade de dois anos a contar da data da
realização da perícia e, será emitida pela CP/DL que efetuar a retirada da última
deficiência; contudo, no campo relativo à data e ao local da perícia constante na
Declaração de Conformidade, fará referência à data e ao local no qual foi realizada a
perícia inicial.
A retirada das deficiências apontadas na Perícia Técnica poderá ser solicitada
em qualquer CP/DL, devendo ser acompanhada do respectivo comprovante de
pagamento da indenização.
Para renovar a Declaração de Conformidade a embarcação deverá ser submetida a
nova Perícia Técnica.

PERÍODO DE VALIDADE DO AIT

O período de validade do AIT será igual ao menor dos seguintes prazos de

76
validade:
a) do documento do órgão federal competente que autorizou o afretamento; e
b) do contrato de afretamento.
O prazo de validade do AIT independe da validade da Declaração de
Conformidade.
Ao término do prazo concedido para a IT, a embarcação deverá paralisar a sua
operação.

Caso o interessado não pretenda paralisar a operação, deverá solicitar a


prorrogação de IT, com a antecedência necessária.

PRORROGAÇÃO DE IT

A prorrogação da IT poderá ser solicitada à DPC ou em qualquer CP/DL,


conforme o caso, por meio de requerimento, que deverá ter como anexos os
documentos que comprovem a prorrogação contratual (ex.: contratos de prestação
de serviços e de afretamento da embarcação, etc), e dos documentos inicialmente
apresentados que estejam com prazo de validade expirados. Não será necessária a
realização de nova Perícia Técnica para a prorrogação da IT, desde que a
Declaração de Conformidade anteriormente emitida esteja válida.

CANCELAMENTO DE IT

A IT será cancelada nos seguintes casos:


a) por término de validade: quando expirar a validade do AIT e não tiver sido
solicitada sua prorrogação;
b) por interrupção do afretamento ou arrendamento: quando o contrato de
afretamento ou arrendamento for interrompido antes do prazo inicialmente
acordado, a empresa responsável pelo afretamento/arrendamento deverá informar à
CP/DL, que efetuará o cancelamento da IT;
c) por poluição: quando a embarcação (proprietário, armador ou comandante) for
julgada responsável por acidente que resulte em poluição ambiental;
d) por responsabilidade em fato ou acidente da navegação: quando a embarcação

77
(proprietário, armador ou comandante) for julgada responsável por fato ou acidente
da navegação;
e) por dificultar investigação de fato ou acidente da navegação: quando a
embarcação (proprietário, armador ou comandante) dificultar a investigação de fato
ou acidente da navegação no qual esteja envolvida ou substituir seus tripulantes
sem autorização do encarregado da investigação;
f) por causar problemas de fronteira marítima ou fluvial com país vizinho: quando a
embarcação (proprietário, armador ou comandante) causar problemas de fronteira
marítima com países limítrofes ao Brasil; e
g) por não cumprimento da legislação brasileira: quando a embarcação (proprietário,
armador ou comandante) descumprir a legislação brasileira em vigor.

PERMANÊNCIA EM AJB APÓS O TÉRMINO DA AUTORIZAÇÃO DE


OPERAÇÃO

a) não será permitida a embarcação de bandeira estrangeira permanecer em AJB na


condição de embarcação desarmada (laid-up);
b) ao término da validade do AIT, o armador, afretador ou o responsável legal pela
embarcação de bandeira estrangeira que necessite permanecer em AJB, deverá
requerer autorização à CP/DL da área de jurisdição onde a embarcação for
permanecer, especificando os motivos da solicitação, no prazo máximo de dez dias
antes do término da validade do AIT;
c) o requerimento à CP/DL deverá, obrigatoriamente, conter as especificações
técnicas que fundamentam a solicitação (reparo, renovação contratual, mudança de
bandeira, etc), devendo ser anexados documentos comprobatórios (contrato(s) de
afretamento, contrato de reparo com estaleiro nacional, certificado de registro da
embarcação, seguro P&I com cláusula de remoção de destroços, e demais
documentos que a Autoridade Marítima julgar necessário);
d) a CP/DL, após análise da documentação apresentada, poderá autorizar a
permanência da embarcação por um período de até noventa dias consecutivos,
devendo informar à DPC. Após esse período, a embarcação somente poderá
permanecer em AJB autorizada pela DPC. Para tanto, o interessado deverá
encaminhar requerimento a DPC, via CP/DL, contendo as especificações técnicas

78
que fundamentam o pedido, bem como documentos comprobatórios pertinentes e a
sua avaliação técnica; e
e) expirado o prazo de permanência concedido, à CP/DL da área de jurisdição
comunicará, por escrito, o fato ao Departamento de Policia Federal e à Receita
Federal do Brasil.

MUDANÇA DE NOME E BANDEIRA DA EMBARCAÇÃO QUANDO EM


OPERAÇÃO EM AJB

a) a mudança de nome e bandeira não implicará em cancelamento da IT, sendo


necessário apenas atualização dos dados cadastrais da embarcação e da emissão
de novo AIT, devendo ser mantido o prazo de validade do AIT inicial;
b) a solicitação para as mudanças acima citadas deverá ser encaminhada por meio
de requerimento a uma CP/DL acompanhado da cópia do Certificado de Registro da
Embarcação com as alterações efetuadas, bem como dos demais documentos
citados em anexo específico da NORMAM-04/DPC; e
c) para a mudança de nome e/ou de bandeira de embarcação afretada, não será
necessária a realização de nova Perícia Técnica, devendo ser emitida nova
Declaração de Conformidade com a atualização dos dados cadastrais alterados e ser
mantido o prazo de validade da Declaração de Conformidade que estiver em vigor.

CONTROLE DE EMBARCAÇÕES AUTORIZADAS A OPERAR EM AJB

a) as embarcações de bandeira estrangeira autorizadas a operar em AJB, e para as


quais tenha sido emitido um AIT, estarão sujeitas à Inspeção Naval e, a todos os
outros tipos de controle e fiscalização aplicáveis às embarcações de bandeira
brasileira, não estando submetidas à sistemática de PSC.
b) as embarcações de bandeira estrangeira autorizadas a operar em AJB deverão
manter a bordo os seguintes documentos relativos ao processo de autorização para
operação em AJB, em adição àqueles estabelecidos na legislação em vigor:
I) AIT e CTS emitidos pela CP/DL, como aplicável (documento original);
II) Relatório da Perícia Técnica e registro da retirada das exigências
observadas; e

79
III) Declaração de Conformidade para Operação em AJB.
c) o despacho da embarcação é condicionado ao cumprimento das exigências
apontadas nos Relatórios da Perícia Técnica ou de Inspeção, observados os
respectivos prazos para seu cumprimento.

REQUISITOS PARA EMBARCAÇÃO OPERAR EM AJB

Toda embarcação de bandeira estrangeira, para obtenção de autorização para


operar em AJB, deverá atender aos seguintes requisitos:
a) cumprir todas as convenções e códigos internacionais ratificados pelo Brasil, bem
como a legislação nacional aplicável à embarcação brasileira de mesmo tipo,
atividade e área de navegação. Chama-se atenção especial ao cumprimento dos
procedimentos sobre tráfego marítimo em AJB, trâmites de entrada, despacho e
saída de embarcações nos portos brasileiros, previstos na NORMAM-08/DPC;
b) ter a sua arqueação bruta (AB) calculada em conformidade com a Convenção
Internacional para Medidas de Arqueação de Navios 1969 (Tonnage 69), constante
do Certificado Internacional de Arqueação da embarcação, para efeito de aplicação
dos requisitos das convenções e códigos internacionais ratificados pelo Brasil, em
especial as Convenções SOLAS 74/78 e a MARPOL 73/78;
c) as embarcações de bandeira estrangeira afretadas para operar em AJB, sujeitas
ao cumprimento da Convenção SOLAS 74-78 e/ou das Normas da Autoridade
Marítima, com exigência de possuírem Certificados de Classe, deverão estar
classificadas por Sociedade Classificadora de Navios, com representação no país,
que tenha delegação de competência para atuar em nome da Autoridade Marítima
Brasileira. Os certificados estatutários poderão ser emitidos pelas Sociedades
Classificadoras reconhecidas pelo seu país de bandeira, desde que atendam às
convenções e códigos ratificados pelo Brasil, além de atender a legislação nacional
aplicável. Para efeito destas normas, a embarcação classificada é aquela que possui
Certificados de Classe de Casco e de Máquinas, sem nenhuma condição de classe
que comprometa a segurança da embarcação;
d) as embarcações de pesca e as demais embarcações não sujeitas ao cumprimento
da Convenção SOLAS 74/78, poderão operar com os certificados estatutários
exigidos pelo país de bandeira, desde que atendam os requisitos contidos nas

80
Normas da Autoridade Marítima Brasileira. A Perícia Técnica para Obtenção da
Declaração de Conformidade para Operar em AJB verificara o cumprimento dos
requisitos nacionais aplicáveis às embarcações brasileiras de mesmo tipo, atividade
e área de navegação, constantes da lista de verificação para a vistoria flutuando
para renovação do Certificado de Segurança da Navegação (CSN) - NORMAM-
01/DPC ou NORMAM-02/DPC;
e) as embarcações de pesca, para as quais o país de bandeira aplique a Convenção
SOLAS 74/78 e que possuam certificados emitidos de acordo, deverão cumprir os
requisitos estabelecidos naquela convenção;
f) deverá, ainda, ser apresentado, por ocasião da Perícia Técnica, o relatório relativo
à última docagem da embarcação. A data da docagem deverá ser registrada na
Declaração de Conformidade, devendo ser exigido que a embarcação seja
submetida à nova verificação em seco, em intervalo idêntico ao exigido para as
embarcações brasileiras. Para as embarcações de casco metálico com mais de
quinze anos de idade, deverá ser apresentado Relatório de Medição de Espessura
abrangendo, pelo menos, o chapeamento do casco e do convés principal, contendo
o mínimo de dois pontos de medição para cada chapa, e uma declaração de um
engenheiro naval que faça referência ao relatório em questão, atestando que a
embarcação possui resistência estrutural satisfatória para a atividade na qual será
empregada;
g) as embarcações de pesca e as demais embarcações não sujeitas ao cumprimento
da Convenção Internacional de Linhas de Carga (Load Lines 1966), poderão operar
com o Certificado de Borda-Livre, ou documento similar que ateste o calado máximo
da embarcação, emitido pela Administração do país de bandeira. Essas
embarcações deverão, ainda, apresentar no costado as marcas de borda-livre
correspondentes ao calado máximo atribuído. No caso da existência de Certificado
de Borda-Livre, ou de documento similar emitido pelo país de bandeira, sem que a
embarcação apresente a devida marcação no costado, deverão ser adotadas as
marcas previstas nas NORMAM-01/DPC ou NORMAM-02/DPC, conforme o caso,
considerando-se os limites estabelecidos na certificação emitida pelo país de
bandeira. Caso a embarcação não possua documento que atribua sua borda-livre ou
seu calado máximo de operação, deverá ser atribuída uma borda-livre nacional,
devendo ser seguidos os procedimentos estabelecidos nas NORMAM-01/DPC ou

81
NORMAM-02/DPC, como aplicável;
h) nas situações constantes das alíneas d e g acima, nas quais está previsto a
embarcação de bandeira estrangeira operar em AJB com os certificados emitidos
pelo país de bandeira, mediante a realização de perícia baseada em requisitos
estabelecidos para emissão de CSN ou de Certificado de Borda-Livre nacional, não
serão emitidos Certificados de Segurança da Navegação ou de Borda-Livre para
essas embarcações;
i) a certificação da embarcação emitida em cumprimento à regulamentação do país
de bandeira e às Convenções e Códigos Internacionais ratificados pelo Brasil,
deverá ser mantida válida durante todo o tempo em que a embarcação de bandeira
estrangeira estiver operando em AJB; e
j) eventuais isenções concedidas às embarcações de bandeira estrangeira, pelas
suas respectivas bandeiras, somente serão válidas após terem sido submetidas e
ratificadas, para sua aplicação em AJB, pela DPC. As embarcações de bandeira
estrangeira, contudo, poderão gozar das mesmas isenções concedidas às
embarcações brasileiras, desde que obtenham a concordância das respectivas
bandeiras.

5.2 – PROCEDIMENTOS ESPECÍFICOS PARA

OPERAR EM AJB CONFORME A EMBARCAÇÃO

Todas as embarcações das atividades abaixo relacionadas deverão cumprir


os REQUISITOS PARA EMBARCAÇÃO OPERAR EM AJB, citados no item 5.1
deste Módulo.

TRANSPORTE DE PETRÓLEO, SEUS DERIVADOS E BIOCOMBUSTÍVEIS

a) compete à CP/DL autorizar o processo de IT, mediante à apresentação do CAA


emitido pela ANTAQ;
b) o interessado deverá apresentar à CP/DL requerimento de solicitação para operar

82
em AJB, especificando o período pretendido, e demais documentos listados em
anexo específico da NORMAM-04/DPC;
c) após análise documental pela CP/DL, e caso o processo seja deferido, o
requerente deverá agendar a Perícia Técnica;
d) realizada a Perícia Técnica, à CP/DL emitirá as Declarações de Conformidade
para Operação em AJB e para Transporte de Petróleo e o respectivo AIT.

Observação: A embarcação deverá aderir, antes do início da operação em AJB, ao


Sistema de Monitoramento Marítimo de Apoio às Atividades do Petróleo (SIMMAP),
conforme previsto na NORMAM-08/DPC.

TRANSPORTE DE CARGAS (QUE NÃO PETRÓLEO E DERIVADOS)


a) compete à CP/DL autorizar o processo de IT, mediante a apresentação do CAA
emitido pela ANTAQ;
b) o interessado deverá apresentar à CP/DL requerimento de solicitação para operar
em AJB, especificando o período pretendido, e demais documentos listados em
anexo específico da NORMAM-04/DPC;
c) após análise documental pela CP/DL, e caso o processo seja deferido, o
requerente deverá agendar a Perícia Técnica; e
d) realizada a Perícia Técnica, a CP/DL emitirá a Declaração de Conformidade para
Operação em AJB e o respectivo AIT.
Observação: Os navios graneleiros e os de transporte combinado ore-oil ou ore-
bulk-oil com idade igual ou superior a dezoito anos, independentemente da bandeira
ou do porte do navio, para carregamento de granel sólido de peso específico igual ou
maior do que 1,78 t/m3, tais como minério de ferro, bauxita, manganês e fosfato,
deverão cumprir o estabelecido na NORMAM-04/DPC.

APOIO MARÍTIMO

a) compete à CP/DL autorizar o processo de IT, mediante a apresentação do CAA


emitido pela ANTAQ;
b) o interessado deverá apresentar à CP/DL requerimento de solicitação para operar
em AJB, especificando o período pretendido, e demais documentos listados em

83
anexo específico da NORMAM-04/DPC;
c) após análise documental pela CP/DL, e caso o processo seja deferido, o
requerente deverá agendar a Perícia Técnica; e
d) realizada a Perícia Técnica, a CP/DL emitirá a Declaração de Conformidade para
Operação em AJB e/ou a Declaração de Conformidade para Transporte de Petróleo,
conforme estabelecido na NORMAM-04/DPC, caso a embarcação venha a ser
empregada no abastecimento de plataformas e outras unidades marítimas, de
combustíveis e outros derivados de petróleo, assim como o respectivo AIT.

Observação: A embarcação deverá aderir, antes do início da operação em AJB, ao


Sistema de Monitoramento Marítimo de Apoio às Atividades do Petróleo (SIMMAP),
conforme previsto na NORMAM-08/DPC.

PROSPECÇÃO, PERFURAÇÃO, PRODUÇÃO E ARMAZENAMENTO DE


PETRÓLEO (PLATAFORMAS, NAVIOS SONDA, FPSO e FSO)

a) compete à CP/DL autorizar o processo de IT, mediante a apresentação da Portaria


de concessão da ANP para exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e
gás natural para blocos publicada no Diário Oficial da União (DOU);
b) o interessado deverá apresentar à CP/DL requerimento de solicitação para operar
em AJB, especificando o período pretendido, e demais documentos listados em
anexo específico da NORMAM-04/DPC;
c) após análise documental pela CP/DL, e caso o processo seja deferido, o
requerente deverá agendar a Perícia Técnica; e
d) realizada a Perícia Técnica, a CP/DL emitirá as Declarações de Conformidade
para Operação em AJB e para Operação de Plataformas e o respectivo AIT.

Observações:
1) As plataformas, navios sonda, FPSO e FSO deverão atender aos requisitos do
MODU Code 79, sendo que as unidades construídas após 1° de maio de 1991
deverão atender aos requisitos do MODU Code 89; e
2) As plataformas de perfuração e os navios sonda deverão aderir, antes do início da
operação em AJB, ao Sistema de Monitoramento Marítimo de Apoio às Atividades do

84
Petróleo (SIMMAP), conforme previsto na NORMAM-08/DPC.

ATIVIDADES SUBAQUÁTICAS (APOIO A MERGULHO)

a) compete à CP/DL autorizar o processo de IT, mediante a apresentação do CAA,


emitido pela ANTAQ;
b) o interessado deverá apresentar à CP/DL requerimento de solicitação para operar
em AJB, especificando o período pretendido, e demais documentos listados em
anexo específico da NORMAM-04/DPC;
c) após análise documental pela CP/DL, e caso o processo seja deferido, o
requerente deverá agendar a Perícia Técnica;
d) realizada a Perícia Técnica, a CP/DL emitirá a Declaração de Conformidade para
Operação em AJB e o respectivo AIT.

PESCA

a) compete à CP/DL autorizar o processo de IT, mediante a concessão de licença,


permissão ou autorização de arrendamento de embarcação estrangeira para a pesca
em AJB, concedida pelo Ministério da Pesca e Aquicultura, por meio de Portaria
deste, publicada no DOU;
b) o interessado deverá apresentar à CP/DL requerimento de solicitação para operar
em AJB, especificando o período pretendido, e os demais documentos listados em
anexo específico da NORMAM-04/DPC;
c) após análise documental pela CP/DL, e caso o processo seja deferido, o
requerente deverá agendar a Perícia Técnica; e
d) realizada a Perícia Técnica, a CP/DL emitirá a Declaração de Conformidade para
Operação em AJB e o respectivo AIT.

Observações:
1) A embarcação autorizada a pescar em AJB, em decorrência de Acordos
Intergovernamentais, não tem direito a tratamento diferenciado das demais
embarcações de bandeira estrangeira contratadas para emprego na pesca; e
2) A embarcação de pesca obrigada a participar do Programa Nacional de

85
Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por Satélite (PREPS) deverá aderir ao
referido programa, antes do início da operação em AJB, conforme previsto na
NORMAM- 08/DPC.

TRANSPORTE DE PASSAGEIROS NA NAVEGAÇÃO INTERIOR

a) compete à CP/DL autorizar o processo de IT, mediante a apresentação do CAA


emitido pela ANTAQ;
b) o interessado deverá apresentar à CP/DL requerimento de solicitação para operar
em AJB, especificando o período pretendido, e demais documentos listados em
anexo específico da NORMAM-04/DPC;
c) após análise documental pela CP/DL, e caso o processo seja deferido, o
requerente deverá agendar a Perícia Técnica; e
d) realizada a Perícia Técnica, a CP/DL emitirá a Declaração de Conformidade para
Operação em AJB e o respectivo AIT.

TRANSPORTE DE PASSAGEIROS NA NAVEGAÇÃO EM MAR ABERTO

a) compete à DPC autorizar o processo de IT;


b) o interessado deverá apresentar à DPC requerimento de solicitação para operar
em AJB, especificando o período pretendido, e demais documentos listados em
anexo específico da NORMAM-04/DPC;
c) após análise documental pela DPC, e caso o processo seja deferido, o requerente
deverá agendar a Perícia Técnica; e
d) realizada a Perícia Técnica, a CP/DL emitirá a Declaração de Conformidade para
Operação em AJB e o respectivo AIT.

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TURISMO NÁUTICO

a) compete à DPC autorizar o processo de IT, mediante apresentação do Certificado


de Transportadora Turística (Cadastur), emitido pelo Ministério do Turismo;
b) o interessado deverá apresentar à DPC requerimento de solicitação para operar
em AJB, especificando o período pretendido, e demais documentos listados em

86
anexo específico da NORMAM-04/DPC;
c) após análise documental pela DPC, e caso o processo seja deferido, o requerente
deverá agendar a Perícia Técnica; e
d) realizada a Perícia Técnica, a CP/DL emitirá a Declaração de Conformidade para
Operação em AJB e o respectivo AIT.

Observações:
I) para embarcações com AB inferior a 500, a solicitação de IT deverá ser requerida
por empresa de navegação do ramo do turismo náutico, devidamente cadastrada no
órgão federal responsável pela atividade de turismo; e
II) as embarcações com AB superior a 500 serão consideradas como sendo
empregadas no transporte de passageiros e cumprirão o previsto, no que tange as
embarcações que transportam passageiros na navegação interior e em mar aberto,
conforme o caso.

OBRA DE INFRAESTRUTURA PORTUÁRIA, DRAGAGEM E/OU


EXTRAÇÃO DE AREIA

a) compete à DPC autorizar o processo de IT;


b) o interessado deverá apresentar na DPC requerimento de solicitação para operar
em AJB, especificando o período pretendido, e demais documentos listados em
anexo específico da NORMAM-04/DPC;
c) após análise documental pela DPC, e caso o processo seja deferido, o requerente
deverá agendar a Perícia Técnica; e
d) realizada a Perícia Técnica, a CP/DL emitirá a Declaração de Conformidade para
Operação em AJB e o respectivo AIT.

PESQUISA, EXPLORAÇÃO, REMOÇÃO E DEMOLIÇÃO DE COISAS OU BENS


AFUNDADOS, SUBMERSOS, ENCALHADOS E PERDIDOS

a) compete à DPC autorizar o processo de IT;


b) o interessado deverá apresentar à DPC requerimento de solicitação para operar

87
em AJB, especificando o período pretendido, tendo como anexo o deferimento do
processo de autorização para realizar o serviço de pesquisa, exploração, remoção
ou demolição de coisas ou bens afundados, submersos, encalhados ou perdidos,
sob domínio ou não da União, conforme o caso (em acordo ao previsto na
NORMAM-10/DPC), além dos demais documentos listados em anexo específico da
NORMAM-04/DPC;
c) após análise documental pela DPC, e caso o processo seja deferido, o requerente
deverá agendar a Perícia Técnica; e
d) realizada a Perícia Técnica, a CP/DL emitirá a Declaração de Conformidade para
Operação em AJB e o respectivo AIT.

LEVANTAMENTO HIDROGRÁFICO
a) compete à DPC autorizar o processo de IT, mediante apresentação da autorização
para execução de Levantamento Hidrográfico emitido pelo Centro de Hidrografia da
Marinha (CHM);
b) o interessado deverá apresentar à DPC requerimento de solicitação para operar
em AJB, especificando o período pretendido, e demais documentos listados em
anexo específico da NORMAM-04/DPC;
c) após análise documental pela DPC, e caso o processo seja deferido, o requerente
deverá agendar a Perícia Técnica;
d) realizada a Perícia Técnica, a CP/DL emitirá a Declaração de Conformidade para
Operação em AJB e o respectivo AIT; e

Observações: Durante o período de operação, o responsável pela embarcação


deverá cumprir as seguintes determinações:
I) alocar áreas compatíveis com a operação para um período máximo de três dias,
renovar sempre que necessário e cancelar a área quando a operação tiver sido
interrompida ou quando o navio encontrar-se no porto;
II) aderir ao Sistema de Informações sobre o Tráfego Marítimo (SISTRAM), quando
determinado pela CP/DL, devendo enviar informação periódica da mensagem de
posição e intenção de movimento, para as próximas vinte e quatro horas e suas
alterações, dentro da área alocada; e
III) informar à CP em cuja jurisdição será realizada a operação as áreas a serem

88
alocadas, incluindo os seguintes parâmetros:
1) nome do navio;
2) características do navio (cores do casco e superestrutura);
3) comprimento do dispositivo de reboque (caso haja);
4) rumos e velocidade média de deslocamento durante os serviços;
5) data do início e término dos serviços; e
6) área de trabalho delimitada (coordenadas geográficas– latitude / longitude).
Essas informações deverão ser encaminhadas à CP/DL com antecedência mínima
de sete dias úteis, de modo a possibilitar divulgação em Aviso aos Navegantes.

OBRAS DE ENGENHARIA SUBMARINA

a) compete à DPC autorizar o processo de IT, mediante apresentação da carta de


dispensa de CAA emitido pela ANTAQ;
b) o interessado deverá apresentar à DPC requerimento de solicitação para operar
em AJB, especificando o período pretendido, e demais documentos listados em
anexo específico da NORMAM-04/DPC;
c) após análise documental pela DPC, e caso o processo seja deferido, o requerente
deverá agendar a Perícia Técnica; e
d) realizada a Perícia Técnica, a CP/DL emitirá a Declaração de Conformidade para
Operação em AJB e o respectivo AIT.

AQUISIÇÃO DE DADOS RELACIONADOS A ATIVIDADE DO PETRÓLEO


E DO GÁS NATURAL (LEVANTAMENTO SÍSMICO)

a) compete à DPC autorizar o processo de IT, mediante apresentação da Portaria de


autorização da ANP para a realização da atividade de aquisição de dados sísmicos,
publicada no DOU;
b) o interessado deverá apresentar à DPC requerimento de solicitação para operar
em AJB, especificando o período pretendido, e demais documentos listados em
anexo específico da NORMAM-04/DPC;
c) após análise documental pela DPC, e caso o processo seja deferido, o requerente
deverá agendar a Perícia Técnica; e

89
d) realizada a Perícia Técnica, a CP/DL emitirá a Declaração de Conformidade para
Operação em AJB e o respectivo AIT.

Observações: A embarcação deverá aderir, antes do início da operação em AJB, ao


Sistema de Monitoramento Marítimo de Apoio às Atividades do Petróleo (SIMMAP),
conforme previsto na NORMAM-08/DPC. A empresa responsável pela embarcação
deverá cumprir as seguintes determinações, desde a chegada em AJB até o término
da operação:
I) alocar áreas compatíveis com a pesquisa para um período máximo de três
dias, renovar sempre que necessário e cancelar a área quando a operação tiver sido
interrompida ou quando o navio encontrar-se no porto;
II) quando encaminhar à DPC o requerimento de solicitação para operar em
AJB, e os documentos listados em anexo específico da NORMAM-04/DPC:
1) declaração da empresa detentora da autorização com as características do navio
e de todo o instrumental utilizado na operação e das embarcações de apoio, quando
aplicável;
2) frequências radioelétricas, tipos de emissão e potências de irradiação passíveis de
serem empregadas nas comunicações;
3) datas previstas para o início e término da operação, bem como para a instalação e
a retirada de equipamentos, quando aplicável;
4) datas previstas para escalas em portos nacionais;
5) número de vagas reservadas a bordo dos navios, no mínimo duas para Oficiais
observadores da MB, caso necessário;
6) declaração de garantia de acesso amplo e irrestrito a todos os espaços,
equipamentos, instrumentos e registros de bordo ao representante da MB designado
para acompanhar os serviços;
7) declaração de adesão ao SIMMAP; e
8) roteiro previsto para a execução da operação, apresentado em carta náutica de
escala conveniente, destacando-se a área autorizada pela ANP para o levantamento
sísmico;
III) aderir ao SISTRAM, devendo enviar informação periódica da mensagem de
posição e intenção de movimento, para as próximas vinte e quatro horas e suas
alterações, dentro da área alocada;

90
IV) informar à CP em cuja jurisdição será realizada a operação, as áreas a
serem alocadas, incluindo os seguintes parâmetros:
1) nome do navio;
2) características do navio (cores do casco e superestrutura);
3) comprimento do dispositivo de reboque (caso haja);
4) rumos e velocidade média de deslocamento durante os serviços;
5) data do início e término dos serviços; e
6) área de trabalho delimitada (coordenadas geográficas - latitude /
longitude).
Essas informações deverão ser encaminhadas à CP, com no mínimo
sete dias úteis de antecedência de modo a possibilitar a divulgação em Aviso aos
Navegantes; e
V) o representante legal do armador/afretador da embarcação de bandeira
estrangeira deverá entregar ao Comandante da embarcação as “INSTRUCTIONS
FOR SEISMIC SURVEY VESSEL” (em inglês), previsto em anexo específico da
NORMAM-04/DPC, e orientar a cumpri-las.

91
UE
6.0

TRÁFEGO E PERMANÊNCIA DE
EMBARCAÇÕES EM AJB

6.1 – DEFINIÇÕES RELATIVAS AO DESPACHO

Apresentaremos nesta Unidade os procedimentos administrativos para o


tráfego e permanência de embarcações de bandeiras brasileira e estrangeira em
Águas Jurisdicionais Brasileiras (AJB), visando à segurança da navegação, à
salvaguarda da vida humana e à prevenção da poluição no meio aquaviário.
Serão inicialmente apresentadas as definições relativas ao Despacho, de
modo no decorrer deste capítulo ter o entendimento do processo de despacho de
embarcações.

DEFINIÇÕES

Armador - Pessoa física ou jurídica que, em seu nome e sob sua


responsabilidade, apresta a embarcação com fins comerciais, pondo-a ou não a
navegar por sua conta.
Área Portuária - Considera-se à área geográfica situada em uma mesma
baía, enseada, angra, canal, rio ou lagoa da jurisdição de um mesmo OD.
Órgãos de Despacho (OD) - são as Capitanias dos Portos e suas Delegacias
e Agências subordinadas, responsáveis pelo processo de despacho de
embarcações sujeitas a este procedimento.

92
Aviso de Entrada - documento apresentado pelo representante legal da
embarcação, por meio do qual participa a chegada da embarcação em um porto ou
terminal aquaviário da área de jurisdição de um OD. Aplicável somente as
embarcações que realizam despacho por período.
Aviso de Saída - documento por meio do qual o representante legal da
embarcação participa ao OD a efetiva saída da embarcação. Aplicável somente as
embarcações que realizam despacho por período.
Comboio - é o conjunto de embarcações sem propulsão e agrupadas lado a
lado e/ou em linha, que navegam rebocadas ou empurradas por outra(s) dotada(s)
de propulsão.
Despacho - processo realizado pelos OD, mediante verificação de
documentos da embarcação, com intuito de liberar sua saída de um porto ou
terminal aquaviário. Este processo compreende a chegada, a estadia e a saída da
embarcação num determinado porto ou terminal aquaviário.
ICP-Brasil (Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira)- é um conjunto de
entidades, padrões técnicos e regulamentos elaborados para suportar um sistema
criptográfico com base em certificados digitais.
Parte de Entrada - documento apresentado pelo representante legal da
embarcação, por meio do qual participa a chegada da embarcação em um porto ou
terminal aquaviário da área de jurisdição de um OD. Aplicável somente as
embarcações que realizam despacho para o próximo porto.
Parte de Saída- documento por meio do qual o representante legal da
embarcação participa ao OD a efetiva saída da embarcação. Aplicável somente as
embarcações que realizam despacho para o próximo porto.
Passe de Saída para o Próximo Porto - documento expedido pelos OD, o
qual autoriza a saída da embarcação do porto ou terminal aquaviário localizado na
sua área de jurisdição, para o próximo porto (nacional ou estrangeiro).
Passe de Saída por Período - documento expedido pelos OD, o qual autoriza
a saída da embarcação do porto ou terminal aquaviário localizado na sua área de
jurisdição, por um determinado período.
Pedido de Despacho - processo pelo qual o representante legal da
embarcação solicita, ao OD da jurisdição, autorização de saída da embarcação do
porto ou terminal aquaviário.

93
Representante legal da embarcação - o Comandante, o Armador ou o
representante designado formalmente por documento oficial de procuração, no qual
deverá constar de forma explícita, a atribuição de poder a esse procurador.
SISDESP-WEB - Sistema de Despacho de Embarcações via internet.
Viagem de rota fixa - aquela viagem realizada por uma embarcação
empregada na navegação de cabotagem, unicamente, entre dois portos ou
terminais, em percurso rotineiro de ida e volta, sem que venha a demandar ao longo
da viagem qualquer outro porto.
Programa Nacional de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por
Satélite (PREPS) - programa para fins de monitoramento, gestão pesqueira e
controle das operações da frota pesqueira permissionada pelo Ministério da Pesca e
Aquicultura (MPA).
PORTO SEM PAPEL (PSP)- Projeto gerenciado pela Secretaria de Portos da
Presidência da República (SEP/PR), que tem por objetivo promover a
desburocratização dos procedimentos de estadia dos navios nos portos brasileiros,
de forma a otimizar os processos de importação e exportação, a partir de um Portal
de Informações Portuárias, integrando num único banco de dados as informações
de interesse dos agentes de navegação e dos diversos órgãos públicos que
operacionalizam e gerenciam as estadias de embarcações nos portos brasileiros.
TUF - Tarifa de Utilização de Faróis.
NPCP / NPCF - Normas e Procedimentos da Capitania dos Portos /Capitania
Fluvial.

6.2 – PROCEDIMENTO PARA O DESPACHO

EMBARCAÇÕES OBRIGADAS A EFETUAR DESPACHO

As seguintes embarcações são obrigadas a efetuar despacho:


a) de bandeira estrangeira;
b) de bandeira brasileira com Arqueação Bruta (AB) igual ou superior a vinte; e
c) PREPS.

94
As embarcações com AB menor que vinte empregadas na navegação de
apoio portuário e/ou na navegação interior poderão ser obrigadas pelos OD a
realizarem despacho, em função das peculiaridades locais.

EMBARCAÇÕES QUE NÃO REALIZAM DESPACHO

As embarcações de esporte e/ou recreio, os navios de guerra ou de Estado


não exercendo atividade comercial não realizam despacho.

ETAPAS DO PROCESSO DE DESPACHO DE EMBARCAÇÕES

O processo de despacho de embarcações é composto das seguintes etapas,


ordenadas desde a entrada até a saída da embarcação de um porto ou terminal
aquaviário:
a) Previsão de chegada da embarcação: quando a embarcação for oriunda de porto
estrangeiro, o representante legal da embarcação deverá comunicar a previsão de
chegada ao porto ou terminal aquaviário nacional, ao OD da jurisdição, por meio da
Notificação de Previsão de Chegada, nos seguintes prazos:
- para viagem com duração igual ou superior a noventa e seis horas: com
antecedência mínima de noventa e seis horas;
- para viagem com duração inferior a noventa e seis horas e maior ou igual a vinte e
quatro horas: com antecedência mínima de vinte e quatro horas; e
- para viagem com duração inferior a vinte e quatro horas: com antecedência
mínima de doze horas.
Caso haja alteração do porto informado anteriormente, o representante legal
da embarcação deverá encaminhar ao OD da jurisdição uma nova Notificação de
Previsão de Chegada.
b) Entrada da embarcação: comunicação ao OD da jurisdição da chegada da
embarcação no porto ou terminal aquaviário pelo seu representante legal, no prazo
máximo de duas horas após a atracação ou fundeio, por meio da Parte de Entrada
ou Aviso de Entrada, conforme o caso.
c) Movimentação de embarcação entre portos, terminais ou fundeadouros na
mesma área portuária: comunicação ao OD da jurisdição da movimentação da

95
embarcação dentro de uma mesma área portuária pelo seu representante legal, por
meio do Registro de Movimentação da Embarcação, num prazo máximo de duas
horas após o término da movimentação. Este processo só é aplicável às
embarcações que, ao escalarem portos nacionais, necessitem realizar
movimentação entre berços, terminais, atracadouros e fundeadouros durante a
estadia em uma mesma área portuária.
d) Pedido de Despacho: processo pelo qual o representante legal da embarcação
solicita, ao OD da jurisdição, autorização para saída da embarcação do porto ou do
terminal aquaviário.
e) Saída da embarcação: comunicação ao OD da jurisdição da saída da
embarcação do porto ou terminal aquaviário pelo seu representante legal, no prazo
máximo de duas horas após a saída, por meio da Parte de Saída ou Aviso de Saída,
conforme o caso. Este processo é antecedido pela emissão do Passe de Saída pelo
OD da jurisdição, que é o documento que autoriza a saída de uma embarcação do
porto, conforme competência legal da Autoridade Marítima.

VALIDADE DO DESPACHO

A validade do despacho poderá ser concedida pelo OD da jurisdição, como


segue:
a) até o próximo porto: para as embarcações empregadas na navegação de longo
curso.
b) por período de até noventa dias para as seguintes embarcações:
- de pesca;
- empregadas na navegação de apoio marítimo; e
- empregadas na navegação interior.

DESPACHO PARA O PRÓXIMO PORTO

Os procedimentos previstos neste item aplicam-se às embarcações


mercantes empregadas nas navegações de longo curso.
a) Previsão de chegada da embarcação:
Somente quando a embarcação for oriunda de porto estrangeiro, o representante

96
legal da embarcação deverá comunicar a previsão de chegada ao porto ou terminal
aquaviário nacional, ao OD da jurisdição, por meio da Notificação de Previsão de
Chegada, nos seguintes prazos:
- para viagem com duração igual ou superior a noventa e seis horas: com
antecedência mínima de noventa e seis horas;
- para viagem com duração inferior a noventa e seis horas e maior ou igual a vinte e
quatro horas: com antecedência mínima de vinte e quatro horas; e
- para viagem com duração inferior a vinte e quatro horas: com antecedência mínima
de doze horas.
Caso haja alteração do porto informado anteriormente, o representante legal
da embarcação deverá encaminhar ao OD da jurisdição uma nova Notificação de
Previsão de Chegada.
b) Entrada da embarcação:
O representante legal da embarcação deverá encaminhar a Parte de Entrada ao OD
da jurisdição, comunicando a chegada da embarcação no porto ou terminal
aquaviário, no prazo máximo de duas horas após a atracação ou fundeio da
embarcação, juntamente com os documentos listados a seguir:
- Declaração Geral e seus apêndices Lista de Tripulantes, Lista de Passageiros e a
Planilha de Dados do GMDSS;
- Formulário de Água de Lastro (Ballast Water Reporting Form), (versões em inglês
e português), somente para embarcações oriundas de portos estrangeiros;
-Termo de Responsabilidade do Representante Legal da Embarcação;
- Passe de Saída do porto anterior, somente para embarcações oriundas de portos
nacionais;
- Certificado Internacional de Proteção de Navios (ISPS Code), quando aplicável;
- Relatório de Inspeção do Port State Control (PSC) ou Flag State Control (FSC),
FORM “A” ou FORM “B”, este último, caso existam deficiências; e
- Declaração da Vistoria de Condição, para os navios graneleiros ou navios de
transporte combinado (Ore-Oil ou Ore-Bulk-Oil), com idade igual ou superior a 18
anos, que efetuarão carregamento de granéis sólidos de peso específico igual ou
maior a 1,78 toneladas por metro cúbico, de acordo com o previsto nas NORMAM-
01/DPC e NORMAM-04/DPC, conforme o caso.
Os documentos abaixo listados deverão estar disponíveis a bordo para

97
apresentação, quando solicitado:
- Declaração de Carga;
- Declaração de Bens da Tripulação;
- Declaração Marítima de Saúde; e
- Declaração de Provisões de Bordo.
As embarcações que transportem mercadorias perigosas e/ou carga no
convés deverão cumprir o estabelecido nas Normas da Autoridade Marítima,
devendo ser assinalado o campo pertinente no formulário Parte de Entrada.
c) Movimentação de embarcação entre portos, terminais ou fundeadouros na
mesma área portuária:
Sempre que houver movimentação da embarcação entre berços, terminais,
atracadouros e fundeadouros, etc, na mesma área portuária, o representante legal
da embarcação deverá encaminhar, ao OD da jurisdição, o Registro de
Movimentação de Embarcação, num prazo máximo de duas horas após o término da
movimentação.
d) Pedido de Despacho para o Próximo Porto:
O representante legal da embarcação deverá encaminhar o Pedido de Despacho
para o Próximo Porto ao OD da jurisdição, no período compreendido entre a
chegada e a saída da embarcação, juntamente com os documentos listados a seguir:
- Declaração Geral (Pedido de Despacho) e seus apêndices Lista de Tripulantes e
Lista de Passageiros;
- Manifesto de Mercadorias Perigosas, quando transportando esse tipo de
mercadorias, conforme previsto nas Normas da Autoridade Marítima;
- Termo de Responsabilidade para Transporte de Carga no Convés, quando
transportando carga no convés, conforme previsto na NORMAM-01/DPC;
- Comprovante de Pagamento da TUF, com a respectiva Guia de Recolhimento da
União, para as embarcações de bandeira; estrangeira, conforme previsto nas
NORMAM-31/DHN e Normas da Autoridade Marítima; e
- Extrato do Cartão de Tripulação de Segurança (CTS), para embarcações de
bandeira brasileira, ou do Minimum Safe Manning Document, para embarcações de
bandeira estrangeira.
As alterações de pessoal ocorridas entre o encaminhamento do Pedido de
Despacho para o Próximo Porto e, a emissão do Passe de Saída para o Próximo

98
Porto deverão ser informadas pelo representante legal da embarcação ao OD,
apresentando uma nova Lista de Tripulantes que não deverá descumprir o
estabelecido no CTS ou, conforme o caso, uma nova Lista de Passageiros.
e) Saída da embarcação:
I) Passe de Saída para o Próximo Porto:
Após análise pelo OD da jurisdição de toda a documentação encaminhada no
pedido de despacho, será emitido, caso não haja pendências, o Passe de Saída
para o Próximo Porto. O Passe de Saída tem validade de até quarenta e oito horas
contadas a partir da data-hora da partida prevista no Pedido de Despacho,
concedido a critério do OD da jurisdição.
II) Revalidação do Passe de Saída:
Não se concretizando a saída da embarcação, no prazo estabelecido para
suspender constante no Passe de Saída para o Próximo Porto, o representante
legal da embarcação deverá encaminhar ao OD um novo Pedido de Despacho para
o Próximo Porto. No campo “OBS”, de caráter obrigatório, deverá ser informado o
motivo do não cumprimento do prazo. Neste caso será necessária somente
apresentação dos documentos que porventura tenham sofrido alterações.
III) Parte de Saída:
A Parte de Saída deve ser encaminhada ao OD pelo representante legal da
embarcação, num prazo máximo de duas horas após a partida da embarcação. As
alterações de pessoal ocorridas após a emissão do Passe de Saída para o Próximo
Porto deverão ser informadas pelo representante legal da embarcação ao OD,
apresentando uma nova Lista de Tripulantes que não deverá descumprir o
estabelecido no CTS ou, conforme o caso, uma nova Lista de Passageiros.
f) Alteração de Destino:
Quando uma embarcação for despachada num OD e, já no decurso da viagem,
ocorrer alteração no destino, tal fato deverá ser comunicado pelo representante
legal da embarcação, da seguinte forma:
- alteração para outro porto nacional: comunicar ao OD da jurisdição do novo porto
de destino; e
- alteração para porto estrangeiro: comunicar ao OD da jurisdição do porto de saída.
Esta comunicação do interessado ao OD é realizada por meio do Registro de
Alteração de Destino.

99
O Comandante da embarcação deverá emitir mensagem ao COMCONTRAM,
conforme previsto no SISTRAM, de acordo com o estabelecido em capítulo
específico desta norma.
g) Procedimentos especiais:
Se no decurso da viagem, imediatamente anterior à escala prevista, ocorrer
qualquer das hipóteses abaixo discriminadas, o Comandante da embarcação de
bandeira brasileira encaminhará ao OD de destino um extrato devidamente
autenticado do lançamento da ocorrência no Diário de Navegação. O Comandante
da embarcação de bandeira estrangeira deverá cumprir tal procedimento, na
ocorrência das hipóteses 3 e 4, quando em AJB:
1) avaria de vulto na embarcação ou na carga;
2) insubordinação de tripulante ou passageiro;
3) observação da existência de qualquer elemento de interesse da navegação, não
registrado na carta náutica;
4) alteração no balizamento ou no funcionamento dos faróis;
5) ocorrência de acidente pessoal grave; e
6) ocorrência de fato importante durante a viagem, a critério do Comandante.

DESPACHO POR PERÍODO PARA EMBARCAÇÕES DE PESCA

Os procedimentos previstos neste item aplicam-se às embarcações de pesca,


a qual a validade do despacho é pelo período de até noventa dias, em função das
peculiaridades da operação dessas embarcações.
a) Entrada da Embarcação:
O representante legal da embarcação deverá encaminhar o Aviso de Entrada ao OD
da jurisdição, comunicando a chegada da embarcação no porto ou terminal
aquaviário, no prazo máximo de duas horas após a atracação ou fundeio da
embarcação, juntamente com o Termo de Responsabilidade do Representante Legal
da Embarcação.
O Aviso de Entrada deverá ser encaminhado ao OD da jurisdição toda vez que
uma embarcação de pesca entrar em um porto ou terminal aquaviário nacional,
independentemente da validade do Passe de Saída por Período.
b) Pedido de Despacho por Período

100
O representante legal da embarcação somente deverá encaminhar o Pedido de
Despacho por Período ao OD da jurisdição quando não possuir um Passe de Saída
por Período válido no período compreendido entre a chegada e a saída da
embarcação do porto ou terminal aquaviário, juntamente com os documentos
listados a seguir:
- Lista de Tripulantes e Lista de Passageiros;
- Extrato do Cartão de Tripulação de Segurança (CTS),
- Certificado de Segurança da Navegação (CSN), quando aplicável;
- Declaração de Adesão ao PREPS;
- Termo de Responsabilidade do Representante Legal da Embarcação;
- Seguro DPEM; e
- Licença de Estação de Navio, emitida pela Anatel.
As alterações de pessoal ocorridas entre o encaminhamento do Pedido de
Despacho por Período e a emissão do Passe de Saída por Período deverão ser
informadas pelo representante legal da embarcação ao OD, apresentando uma nova
Lista de Tripulantes que não deverá descumprir o estabelecido no CTS ou, conforme
o caso, uma nova Lista de Passageiros.
As embarcações PREPS quando efetuarem a comunicação de desativação
temporária do equipamento de rastreamento, somente serão despachadas após a
reativação do equipamento. Essas embarcações deverão cumprir integralmente o
contido na Instrução Normativa Interministerial n° 2, de 4 de setembro de 2006
(Marinha do Brasil, Ministério da Pesca e Aquicultura e Ministério do Meio
Ambiente).
c) Saída da embarcação:
I) Passe de Saída por Período
Após análise pelo OD da jurisdição de toda a documentação encaminhada
no pedido de despacho, será emitido, caso não haja pendências, o Passe de Saída
por Período, com validade de até noventa dias, a critério do OD. Durante a validade
do Passe de Saída por Período concedido pelo OD, a embarcação de pesca está
autorizada a trafegar em qualquer porto ou terminal aquaviário nacional, desde que,
na chegada e saída destes, sejam encaminhadas ao OD da respectiva jurisdição
onde a embarcação estiver os respectivos Avisos de Entrada e Saída.
O Passe de Saída por Período ficará automaticamente cancelado se forem

101
observadas pendências:
1) impeditivas decorrentes de Inspeção Naval, a serem sanadas antes de
suspender, durante o período de validade do Passe de Saída por Período; e
2) restritivas, com prazo para cumprimento, se tais pendências não forem sanadas
dentro do prazo estabelecido.
II) Aviso de Saída
O representante legal da embarcação deverá encaminhar o Aviso de
Saída ao OD da jurisdição, comunicando a efetiva saída do porto ou terminal
aquaviário, num prazo máximo de duas horas após a partida da embarcação. O
Aviso de Saída deverá ser encaminhado ao OD da jurisdição toda vez que uma
embarcação sair do porto ou terminal aquaviário nacional.

DESPACHO POR PERÍODO PARA EMBARCAÇÕES EMPREGADAS NA


NAVEGAÇÃO DE APOIO MARÍTIMO OU REALIZANDO VIAGEM DE ROTA FIXA

Os procedimentos previstos neste item aplicam-se às embarcações


empregadas na navegação de cabotagem e navegação de apoio marítimo ou que
realizem “viagem de rota fixa”, a qual a validade do despacho é pelo período de até
noventa dias, em função das peculiaridades da operação dessas embarcações.
a) Previsão de chegada da embarcação:
As embarcações provenientes de portos estrangeiros deverão cumprir os
procedimentos previstos nas alíneas a) e b) do item DESPACHO PARA O
PRÓXIMO PORTO, tendo em vista que estão empreendendo viagem de longo curso
até a chegada ao primeiro porto nacional.
b) Entrada da Embarcação:
O representante legal da embarcação deverá encaminhar o Aviso de Entrada ao OD
da jurisdição, comunicando a chegada da embarcação no porto ou terminal
aquaviário, no prazo máximo de duas horas após a atracação ou fundeio da
embarcação, juntamente com os documentos listados a seguir:
- Termo de Responsabilidade do Representante Legal da Embarcação;
- Certificado Internacional de Proteção de Navios (ISPS Code), quando aplicável; e
- Relatório de Inspeção do Port State Control (PSC) ou Flag State Control (FSC),
FORM “A” ou FORM “B”, este último caso existam deficiências.

102
O Aviso de Entrada deverá ser encaminhado ao OD da jurisdição, toda vez
que a embarcação entrar em um porto ou terminal aquaviário nacional,
independentemente da validade do Passe de Saída por Período.
As embarcações que transportem mercadorias perigosas e/ou carga no
convés deverão cumprir o estabelecido nas Normas da Autoridade Marítima,
devendo ser assinalado o campo pertinente no formulário Aviso de Entrada.
c) Movimentação de embarcação entre portos, terminais ou fundeadouros na
mesma área portuária:
Sempre que houver movimentação da embarcação entre berços, terminais
atracadouros e fundeadouros, etc, na mesma área portuária, o representante legal
da embarcação deverá encaminhar, ao OD da jurisdição, o Registro de
Movimentação de Embarcação, num prazo máximo de duas horas após o término da
movimentação.
d) Pedido de Despacho por Período
O representante legal da embarcação deverá encaminhar o Pedido de Despacho por
Período ao OD da jurisdição, somente quando não possuir um Passe de Saída por
Período válido, no período compreendido entre a chegada e a saída da embarcação,
juntamente com os documentos listados a seguir:
- Declaração Geral (Pedido de Despacho) e seus apêndices Lista de Tripulantes e
Lista de Passageiros;
- Termo de Responsabilidade do Representante Legal da Embarcação;
- Manifesto de Mercadorias Perigosas, quando transportando esse tipo de
mercadorias, conforme previsto nas Normas da Autoridade Marítima;
- Termo de Responsabilidade para Transporte de Carga no Convés, quando
transportando carga no convés, conforme previsto na NORMAM-01/DPC;
- Comprovante de Pagamento da TUF, com a respectiva Guia de Recolhimento da
União, para as embarcações de bandeira estrangeira, conforme previsto nas Normas
da Autoridade Marítima; e
- Extrato do Cartão de Tripulação de Segurança (CTS), para embarcações de
bandeira brasileira, ou do Minimum Safe Manning Document, para embarcações de
bandeira estrangeira.
As alterações de pessoal ocorridas entre o encaminhamento do Pedido de
Despacho por Período e, a emissão do Passe de Saída por Período deverão ser

103
informadas pelo representante legal da embarcação ao OD, apresentando uma nova
Lista de Tripulantes que não deverá descumprir o estabelecido no CTS ou, conforme
o caso, uma nova Lista de Passageiros.
e) Saída da embarcação:
I) Passe de Saída por Período
Após análise pelo OD de toda a documentação encaminhada no pedido
de despacho, será emitido, caso não haja pendências, o Passe de Saída por
Período, com validade de até noventa dias, a critério do OD, que liberará a
embarcação.
Durante a validade do Passe de Saída por Período concedido pelo OD:
1) a embarcação empregada na navegação de cabotagem e navegação de apoio
marítimo está autorizada a trafegar em qualquer porto ou terminal aquaviário
nacional, desde que na sua chegada e saída, sejam encaminhados ao OD da
jurisdição onde a embarcação estiver, os respectivos Avisos de Entrada e de Saída;
e
2) a embarcação que realiza “viagem de rota fixa” está autorizada a trafegar,
unicamente, entre dois portos, em percurso rotineiro de ida e volta, sem que venha a
demandar ao longo da viagem qualquer outro porto, desde que na sua chegada e
saída sejam encaminhados ao OD da jurisdição onde a embarcação estiver, os
respectivos Avisos de Entrada e de Saída.
O Passe de Saída por Período ficará automaticamente cancelado se
forem observadas pendências:
1) impeditivas decorrentes de Inspeção Naval, do tipo Port State Control (PSC) ou
Flag State Control (FSC) a serem sanadas antes de suspender, durante o período
de validade do Passe de Saída por Período; e
2) restritivas, com prazo para cumprimento, se tais pendências não forem sanadas
dentro do prazo estabelecido.
II) Aviso de Saída
O representante legal da embarcação deverá encaminhar o Aviso de
Saída ao OD da jurisdição comunicando a efetiva saída do porto ou terminal
aquaviário, num prazo máximo de duas horas após a partida da embarcação. O
Aviso de Saída deverá ser encaminhado ao OD da jurisdição toda vez que uma
embarcação sair do porto ou terminal aquaviário nacional.

104
f) Procedimentos especiais:
Se no decurso da viagem ocorrer qualquer das hipóteses abaixo
discriminadas, o Comandante da embarcação de bandeira brasileira encaminhará
ao OD da jurisdição onde estiver navegando, um extrato devidamente autenticado
do lançamento da ocorrência no Diário de Navegação. O Comandante da
embarcação de bandeira estrangeira deverá cumprir tal procedimento, na ocorrência
das hipóteses 3 e 4, quando em AJB:
1) avaria de vulto na embarcação ou na carga;
2) insubordinação de tripulante ou passageiro;
3) observação da existência de qualquer elemento de interesse da navegação, não
registrado na carta náutica;
4) alteração no balizamento ou no funcionamento dos faróis;
5) ocorrência de acidente pessoal grave; e
6) ocorrência de fato importante durante a viagem, a critério do Comandante.

DESPACHO POR PERÍODO PARA EMBARCAÇÕES EMPREGADAS NA


NAVEGAÇÃO INTERIOR

Os procedimentos previstos neste item aplicam-se às embarcações


empregadas na navegação interior, a qual a validade do despacho é pelo período de
até noventa dias, função das peculiaridades da operação dessas embarcações.
a) Entrada da Embarcação:
O representante legal da embarcação deverá encaminhar o Aviso de
Entrada ao OD da jurisdição, comunicando a chegada da embarcação no porto ou
terminal aquaviário, no prazo máximo de duas horas após a atracação ou fundeio da
embarcação, juntamente com o Termo de Responsabilidade do Representante Legal
da Embarcação.
O Aviso de Entrada deverá ser encaminhado ao OD da jurisdição toda
vez que a embarcação entrar em um porto ou terminal aquaviário nacional,
independentemente da validade do Passe de Saída por Período.
No caso de comboios, deverão constar no Aviso de Entrada
informações de todas as embarcações integrantes.
As embarcações que transportem mercadorias perigosas e/ou carga no

105
convés deverão cumprir o estabelecido nas Normas da Autoridade Marítima,
devendo ser assinalado o campo pertinente no formulário Aviso de Entrada.
b) Pedido de Despacho por Período
O representante legal da embarcação deverá encaminhar o Pedido de
Despacho por Período ao OD da jurisdição, somente quando não possuir um Passe
de Saída por Período válido, no período compreendido entre a chegada e a saída da
embarcação, juntamente com os documentos listados a seguir:
- Lista de Tripulantes e Lista de Passageiros;
- Termo de Responsabilidade do Representante Legal da embarcação;
- Manifesto de Mercadorias Perigosas, quando transportando esse tipo de
mercadorias, conforme previsto nas Normas da Autoridade Marítima;
- Termo de Responsabilidade para Transporte de Carga no Convés, quando
transportando carga no convés, conforme previsto na NORMAM-02/DPC;
- Extrato do Cartão de Tripulação de Segurança (CTS);
- Certificado de Segurança da Navegação (CSN);
- Seguro DPEM; e
- Provisão de Registro da Propriedade Marítima (PRPM) ou o Documento Provisório
de Propriedade (DPP), ou o Título de Inscrição de Embarcação (TIE), conforme a
arqueação bruta da embarcação.
Para despachos de embarcações operando em comboio, no campo
específico do Pedido de Despacho por Período deverá constar os dados de todas as
embarcações integrantes do comboio.
As alterações de pessoal ocorridas entre o encaminhamento do Pedido de
Despacho por Período e a emissão do Passe de Saída por Período deverão ser
informadas pelo representante legal da embarcação ao OD, apresentando uma nova
Lista de Tripulantes que não deverá descumprir o estabelecido no CTS ou, conforme
o caso, uma nova Lista de Passageiros.
c) Saída da embarcação:
I) Passe de Saída por Período
Após análise pelo OD de toda a documentação encaminhada no
pedido de despacho, será emitido, caso não haja pendências, o Passe de Saída por
Período, com validade de até noventa dias, a critério do OD. Durante a validade do
Passe de Saída por Período concedido pelo OD, a embarcação está autorizada a

106
trafegar em qualquer porto ou terminal aquaviário dentro dos limites da navegação
interior, desde que, na chegada e saída destes, sejam encaminhados aos OD da
jurisdição onde a embarcação estiver, os respectivos Avisos de Entrada e de Saída.
O Passe de Saída por Período ficará automaticamente cancelado se
forem observadas pendências:
1) impeditivas decorrentes de Inspeção Naval, a serem sanadas antes de suspender,
durante o período de validade do Passe de Saída por Período; e
2) restritivas, com prazo para cumprimento, se tais pendências não forem sanadas
dentro do prazo estabelecido.
II) Aviso de Saída
O representante legal da embarcação deverá encaminhar o Aviso de
Saída ao OD da jurisdição, comunicando a efetiva saída do porto ou terminal
aquaviário, num prazo máximo de duas horas após a partida da embarcação. O
Aviso de Saída deverá ser encaminhado ao OD da jurisdição, toda vez que uma
embarcação sair de um porto ou terminal aquaviário nacional. No caso de
embarcações operando em comboio, deverão constar no Aviso de Saída as
informações de todas as embarcações integrantes do mesmo.

DESPACHO DE EMBARCAÇÕES QUE REALIZAM NAVEGAÇÃO DE


TRAVESSIA OU TURISMO NÁUTICO NA MESMA ÁREA PORTUÁRIA

Os despachos de embarcações que realizam navegação de travessia ou


turismo náutico na mesma área portuária estarão a critério de cada OD, em função
das peculiaridades locais, e constarão das respectivas NPCP/NPCF.

IMPEDIMENTO DE ENTRADA, PERMANÊNCIA E SAÍDA DO PORTO

Qualquer embarcação poderá ser impedida de entrar, permanecer ou sair de


um porto ou terminal aquaviário nacional nas seguintes situações:
1) por decisão do OD da jurisdição, em conformidade com a legislação pertinente à
Autoridade Marítima Brasileira, em vigor; e
2) por Ordem Judicial, ficando o despacho condicionado à expressa liberação
judicial. Quando houver impedimento de despacho, o Passe de Saída não será

107
emitido, ficando a embarcação impedida de sair do porto.

TRAMITAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE DESPACHO DE


EMBARCAÇÕES

A tramitação de informações sobre despacho de embarcações, entre o


representante legal da embarcação e o OD deverá ocorrer na seguinte ordem:
a) via Porto Sem Papel (PSP), quando de uso obrigatório, à medida que forem
sendo implantados;
b) via SISDESP-WEB, quando o PSP não for aplicável;
c) via fac-símile; e
d)diretamente nas CP/DL/AG, quando não houver disponibilidade das opções
acima.

OBSERVAÇÃO: As formas de tramitação acima descritas poderão ser consultadas


com maiores detalhes na NORMAM-08/DPC.

108
UE
7.0

BENS AFUNDADOS, SUBMERSOS,


ENCALHADOS E PERDIDOS EM AJB

7.1 – DEFINIÇÕES DE PESQUISA, REMOÇÃO,

DEMOLIÇÃO, EXPLORAÇÃO E REFLUTUAÇÃO

Iniciaremos esta Unidade apresentando as definições relacionadas aos


procedimentos, para os processos de autorização de pesquisa, remoção, demolição
ou exploração de bens soçobrados pertencentes a terceiros ou a União em Águas
Jurisdicionais Brasileiras (AJB).

DEFINIÇÕES

a) Pesquisa
As atividades desenvolvidas em Águas Jurisdicionais Brasileiras (AJB) para
localização de bens afundados ou soçobrados e, avaliação do achado quanto à
viabilidade de sua exploração econômica.
b) Remoção
Retirada de bens soçobrados do local onde se encontram para outro, a fim de evitar
riscos para a navegação ou danos ao meio ambiente.
c) Demolição
Fracionamento de um casco ou bem soçobrado em partes menores, de modo a se

109
evitar riscos para a navegação.
d) Exploração
Ações desenvolvidas para resgate de cascos soçobrados, sua carga ou pertences.
e) Reflutuação
Recuperação de bem encalhado, afundado ou submerso, a fim de restaurar suas
condições e atividades originais, mediante operação de assistência e salvamento.
f) Assistência e Salvamento
Significa todo ato ou atividade efetuada para assistir e salvar uma embarcação,
coisa ou bem em perigo no mar, nos portos e nas vias navegáveis interiores.
g) Unidade de Conservação
Espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais
brasileiras com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder
Público com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de
administração ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção.

7.2 – COMPETÊNCIA DOS REPRESENTANTES DA

AM

COMPETÊNCIA DOS REPRESENTANTES DA AUTORIDADE MARÍTIMA


(RAM)

a) Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA):


1) autorizar a exploração, remoção ou demolição, no todo ou em parte, de
coisas ou bens afundados, submersos, encalhados e perdidos em águas sob
jurisdição nacional, em terrenos de marinha e seus acrescidos e em terrenos
marginais, em decorrência de sinistro, alijamento ou fortuna do mar, que tenham
passado ao domínio da União; e
2) designar a Comissão de Peritos para avaliação das coisas ou bens
resgatados quanto ao valor artístico, ao interesse histórico, cultural ou arqueológico
e atribuição dos seus valores.

110
b) Diretor de Portos e Costas (DPC):
Autorizar a pesquisa de coisas ou bens afundados, submersos, encalhados e
perdidos em águas jurisdicionais brasileiras, em terreno de marinha e seus
acrescidos e em terrenos marginais, em decorrência de sinistro, alijamento ou
fortuna do mar.
c) Comandantes dos Distritos Navais (DN):
1) autorizar a exploração, remoção ou demolição, no todo ou em parte, de
coisas ou bens afundados, submersos, encalhados e perdidos em águas sob
jurisdição nacional, em terrenos de marinha e seus acrescidos e em terrenos
marginais, em decorrência de sinistro, alijamento ou fortuna do mar que não
tenham passado ao domínio da União; e
2) coordenar, controlar e fiscalizar as operações e atividades de pesquisa,
exploração, remoção e demolição de coisas ou bens afundados, submersos,
encalhados e perdidos em águas sob jurisdição nacional, em terrenos de marinha e
seus acrescidos e em terrenos marginais, em decorrência de sinistro, alijamento ou
fortuna do mar.

LEGISLAÇÃO INTERRELACIONADA

a) Lei nº 7.542 de 26 de setembro de 1986 – Dispõe sobre a pesquisa, exploração,


remoção e demolição de coisas ou bens afundados, submersos, encalhados e
perdidos em águas sob jurisdição nacional, em terreno de marinha e seus
acrescidos e em terrenos marginais, em decorrência de sinistro, alijamento ou
fortuna do mar, e dá outras providências, alterada pela Lei nº 10.166 de 27 de
dezembro de 2000.
b) Lei nº 7.203, de 03 de julho de 1984 - Dispõe sobre a assistência e salvamento
de embarcação, coisa ou bem em perigo no mar, nos portos e nas vias navegáveis
interiores.
c) Decreto nº 96.000, de 02 de maio de 1988 - Dispõe sobre a realização de
pesquisa e investigação científica na plataforma continental e em águas sob
jurisdição nacional e sobre navios e aeronaves de pesquisa estrangeiras em visita
aos portos ou aeroportos nacionais, em trânsito nas águas jurisdicionais brasileiras
ou no espaço aéreo sobrejacente.

111
Embora este Decreto nada mencione acerca de cascos soçobrados, tem-se
observado que os meios utilizados para pesquisa de bens submersos dispõem,
comumente, de instrumentos que podem detectar recursos outros, tais como
minerais, o que requer autorização prévia das autoridades competentes.

PROPRIEDADE DOS BENS

Caracterizado o sinistro, ocorrem as seguintes situações no tocante à


propriedade dos bens afundados, submersos, encalhados ou perdidos em águas
sob jurisdição nacional:
a) permanecem na propriedade de seus donos originais até que:
- eles declarem seu perdimento; e
- transcorra o prazo de cinco anos.
b) passam para a propriedade da União, nas seguintes situações:
- após declaração de seus donos considerando perdido o bem; e
- após decorridos cinco anos do afundamento ou encalhe.

7.3 – BENS SOÇOBRADOS NÃO PERTENCENTES À

UNIÃO

DA PESQUISA, REMOÇÃO, DEMOLIÇÃO OU EXPLORAÇÃO DE BENS


SOÇOBRADOS NÃO PERTENCENTES À UNIÃO

SOLICITADA PELO PROPRIETÁRIO OU RESPONSÁVEL

O proprietário de coisa ou bem afundado, submerso, encalhado ou perdido


em águas sob jurisdição nacional poderá requerer, dando entrada na CP/DL/AG em
cuja área de jurisdição estiver o bem, licença para pesquisá-lo, removê-lo, demoli-lo
ou explorá-lo. A exploração poderá envolver a reflutuação do bem.

112
a) Da Pesquisa.
1) Da Autorização
Para obtenção da autorização o proprietário deverá apresentar as CP, DL ou
AG os seguintes documentos:
I) Requerimento ao DPC (Diretor de Portos e Costas), com a informação
da área de operação, solicitando a licença para pesquisa do bem, fundamentado no
artigo 4º da Lei no 7.542/86.
II) Cópia autenticada da carteira de identidade e CPF se pessoa física ou
do contrato social e Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) se pessoa
jurídica.
III) Relações dos meios (embarcações) disponíveis para execução dos
serviços, descrevendo suas características principais. Para cada meio, deve ser
informado o nº de vagas disponíveis para embarque de observadores.
IV) Relação de todos os equipamentos/instrumentos a serem empregados
na pesquisa, incluindo aqueles especializados para pesquisa, tais como veículos de
operação remota, sonares, gravímetros e detetores magnéticos, bem como os
destinados a execução da faina propriamente dita, tais como “beach-gear”, máquina
de reboque, reflutuadores e similares.
V) Memorial descritivo da faina, incluindo o método a ser empregado, a
data de início e término e o cronograma previsto dos principais eventos. Caso a
faina envolva atividades de mergulho, tal memorial descritivo deverá ser assinado
por mergulhador profissional devidamente habilitado.
VI) Parecer do órgão ambiental competente, quando o bem estiver situado
em área de Unidade de Conservação, como os Parques Marinhos, as Reservas
Ecológicas e Biológicas.
2) Encaminhamento
Os documentos serão encaminhados à DPC, para análise e despacho do
requerimento, retornando posteriormente ao interessado, por intermédio de ofício da
CP/DL/AG de onde deram entrada.
3) Fiscalização
A realização de pesquisa está sujeita à fiscalização do DN, podendo ser
designado um observador para acompanhamento das atividades desenvolvidas.
Para tanto, as embarcações que executam a pesquisa deverão dispor de

113
acomodações para, pelo menos, um observador, com condições compatíveis com o
seu nível.
NOTA: Sempre que o (a) permissionário (a) pretender utilizar
equipamentos/instrumentos diferentes daqueles relacionados por ocasião da
autorização da pesquisa, tal fato deverá ser submetido à DPC, via CP,DL ou AG por
onde deu entrada o processo inicial.

b) Da Remoção, Demolição ou Exploração


Para obter autorização o interessado deverá apresentar as CP, DL ou AG a seguinte
documentação:
1) Da Autorização
I) Requerimento ao ComDN (Comandante do Distrito Naval) , com a
informação da área de operação, solicitando a licença para remoção, demolição ou
exploração do bem, fundamentado no artigo 4º da Lei no 7.542/86.
II) Cópia autenticada da carteira de identidade e CPF se pessoa física ou
do contrato social e Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) se pessoa
jurídica.III) Cópia do documento que autorizou a pesquisa na área.
IV) Relação dos meios (embarcações) disponíveis para execução dos
serviços, descrevendo no caso de navios, todos os equipamentos existentes a
bordo, tais como veículos de operação remota, sonares, gravímetros e detetores
magnéticos, bem como os destinados a execução da faina propriamente dita, tais
como “beach-gear”, máquina de reboque, reflutuadores e similares.
V) Memorial descritivo da faina, incluindo o método a ser empregado, a
data de início e término e o cronograma previsto dos principais eventos.
VI) Parecer do órgão responsável pelo controle do meio ambiente, quando
o bem estiver situado em área de Unidade de Conservação, como os Parques
Marinhos, as Reservas Ecológicas e Biológicas.
VII) Relação do pessoal técnico que participará das operações.
2) Encaminhamento
Os documentos serão encaminhados ao DN, para análise e despacho do
requerimento, retornando posteriormente ao interessado, por intermédio de ofício da
CP/DL/AG de onde deram entrada.

114
CESSÃO A TERCEIROS

O proprietário poderá ceder a terceiros seu direito de dispor sobre os bens


submersos ou encalhados. Nesse caso, a licença para pesquisa, exploração,
remoção ou demolição será obtida acrescentando-se à documentação exigida na
NORMAM-10/DPC, o documento em que o proprietário consigna a cessão de
direitos ao requerente.

CONSTITUINDO PERIGO À NAVEGAÇÃO, AMEAÇA DE DANOS A


TERCEIROS OU AO MEIO AMBIENTE

Quando as coisas ou bens constituírem ou vierem a constituir perigo,


obstáculo à navegação ou ameaça de danos a terceiros ou ao meio ambiente, o DN
poderá adotar as seguintes linhas de ação:
a) determinar ao responsável pelas coisas ou bens submersos ou encalhados em
águas sob jurisdição nacional a sua remoção ou demolição, no todo ou em parte. A
determinação para remoção ou demolição será feita:
1) por intimação pessoal, quando o responsável tiver paradeiro conhecido no
País; e
2) por edital, como Autoridade Naval, quando o responsável tiver paradeiro
ignorado, incerto ou desconhecido, quando não estiver no País, quando se furtar à
intimação pessoal ou quando for desconhecido. A intimação de responsável
estrangeiro deverá ser feita por meio de edital, enviando-se cópia à Embaixada ou
ao Consulado de seu país de origem, ou, caso seu paradeiro seja conhecido, à
Embaixada ou Consulado do país em que residir. Em ambos os casos serão fixados
prazos para início e término da faina, que poderão ser alterados a critério da
Autoridade determinante.
b) assumir as operações de remoção, demolição ou exploração da coisa ou bem
submerso ou encalhado, por conta e risco de seu proprietário ou responsável, desde
que a situação vigente não esteja na competência da Administração do Porto
Organizado, conforme previsto no Art. 17, § 1º, inciso VII, da Lei nº 12.815/2013 a
quem caberá efetuar a respectiva operação. O DN poderá também autorizar
terceiros a realizar os serviços de remoção, demolição ou exploração de coisa ou

115
bem. Na autorização dada ou no contrato com terceiros, poderá constar cláusula
determinando o pagamento no todo ou em parte, com as coisas ou bens
recuperados ou removidos, ressalvado o direito do responsável de reaver a posse
até 30 (trinta) dias após a recuperação mediante indenização ao executor dos
serviços, conforme a legislação em vigor.

7.4 – BENS SOÇOBRADOS PERTENCENTES À

UNIÃO
DA PESQUISA

A pesquisa de coisas ou bens, pertencentes à União, encalhados ou


submersos em águas sob jurisdição nacional corre por conta e risco do interessado.
A pesquisa não dá direito ao interessado de alterar o local em que for encontrada a
coisa ou bem, suas condições ou de remover qualquer parte. A pesquisa precede a
exploração e garante ao pesquisador autorizado, que encontrou a coisa ou bem, a
preferência para explorá-lo. Poderá ser concedida autorização para realizar
operações e atividades de pesquisa de coisas e bens pertencentes à União, à
pessoa física ou jurídica nacional ou estrangeira com comprovada experiência em
atividade de pesquisa, localização ou exploração de coisas e bens submersos, a
quem caberá responsabilizar-se por seus atos perante o DN. A DPC poderá
autorizar, a seu critério, que mais de um interessado efetue pesquisa e/ou tente a
localização de coisas ou bens soçobrados pertencentes à União.

a) Documentos para obtenção de autorização para pesquisa


O interessado na obtenção de autorização para pesquisa deverá apresentar à
CP, DL ou AG, em cuja área de jurisdição estiver o bem, os seguintes documentos:
1) Requerimento ao DPC (Diretor de Portos e Costas), solicitando
autorização para realização de pesquisa numa determinada área (especificar a área
em longitude e latitude), identificando a coisa ou bem a ser pesquisado, bem como
apresentando seus dados históricos e suas respectivas referências bibliográficas,
além da última posição conhecida de tal coisa ou bem.

116
2) Cópia autenticada da carteira de identidade e CPF, se pessoa física, ou do
contrato social e CNPJ, se pessoa jurídica. No caso de estrangeiro, deverá ser
comprovada a regularidade de sua situação em território nacional, de acordo com a
legislação em vigor, emitida pelo órgão federal competente.
3) Relação dos meios (embarcações) disponíveis para execução da
pesquisa, descrevendo suas características principais. Para cada meio, deve ser
informado o nº de vagas reservadas para embarque de observadores.
4) Relação de todos os equipamentos/instrumentos a serem empregados na
pesquisa, tais como veículos de operação remota, sonares, gravímetros, detetores
magnéticos e similares, independente do meio a ser empregado.
5) Relação dos técnicos que embarcarão, com seus currículos e cursos, que
os qualifiquem para a atividade.
6) Memorial descritivo da faina, incluindo o método a ser empregado, a data
de início e término e o cronograma dos principais eventos, a ser assinado por perito
arqueólogo e mergulhador devidamente habilitado.
7) Planilha de custos, onde serão descritos os custos previstos para as
diversas etapas, bem como o custo total.
8) Parecer do órgão ambiental competente, quando o bem estiver situado em
área de unidades de conservação federal, estadual ou municipal, respectivamente.
9) Documentos que demonstrem experiência em atividade de pesquisa,
localização ou exploração de coisas e bens submersos, tais como currículos, outras
pesquisas realizadas e etc.
b) Encaminhamento
Os documentos serão encaminhados à DPC, para análise e despacho do
requerimento, retornando posteriormente ao interessado, por intermédio de ofício da
OM onde foram protocolados os referidos documentos.
c) Execução da Pesquisa
A pesquisa deverá ser executada no prazo fixado pelo DPC, conforme
despacho exarado no requerimento, devendo ser elaborado, mensalmente, e
entregue, até o 5o dia útil do mês subsequente, à CP, DL ou AG com jurisdição
sobre a área pesquisada, um relatório sobre as atividades desenvolvidas. O relatório
mensal deverá conter, necessariamente, um cronograma dos eventos realizados no
mês referência; resultados parciais alcançados, incluindo cópias dos documentos e

117
dados obtidos por intermédio da utilização dos equipamentos/instrumentos de
pesquisa, com a análise efetuada pelo técnico, e fotos do objeto localizado em seu
leito, caso existam; um cronograma-tentativo das atividades a serem realizadas no
mês seguinte, bem como os nomes e as características dos meios a serem
empregados. Para as pesquisas em “mar aberto”, deverão ser informados, mês a
mês, os pontos, em coordenadas geográficas, da derrota a ser percorrida pelo meio,
bem como identificar a(s) carta(s) náutica(s) a ser(em) utilizada(s). Quando não
ocorrerem atividades de efetiva pesquisa durante o mês a que se referir o relatório,
tal situação deve ser justificada.
NOTAS:
- Dependendo dos equipamentos/instrumentos a serem empregados na pesquisa,
os dados coletados/processados deverão ser apresentados conforme critérios
estabelecidos pelo Centro de Hidrografia da Marinha (CHM).
- Sempre que o (a) permissionário (a) pretender utilizar equipamentos/instrumentos
diferentes daqueles relacionados por ocasião da autorização da pesquisa, tal fato
deverá ser submetido à DPC, via CP,DL ou AG por onde deu entrada o processo
inicial.
- Após o término da pesquisa, em um prazo máximo de 90 (noventa) dias, deverá
ser entregue à CP, DL ou AG com jurisdição sobre a área pesquisada, o relatório
final dos trabalhos executados, contendo o resultado de todas as pesquisas
realizadas, a conclusão final a que se chegou e o custo efetivo da empreitada.
d) Fiscalização
A realização de pesquisa está sujeita à fiscalização do DN, podendo ser
designado um observador para acompanhamento das atividades desenvolvidas.
Para tanto, as embarcações que executam a pesquisa deverão dispor de
acomodações para, pelo menos, um observador, com condições compatíveis com o
seu nível.

DA REMOÇÃO OU DEMOLIÇÃO

A remoção ou demolição, quando não realizadas pela União, correrá por


conta e risco do interessado. Poderá ser concedida autorização para realizar
operações e atividades de remoção ou demolição de coisas e bens pertencentes à

118
União à pessoa física ou jurídica, nacional ou estrangeira (observadas as exigências
legais para estrangeiro), com comprovada experiência em atividade de remoção ou
demolição de coisas e bens submersos, a quem caberá responsabilizar-se por seus
atos perante o DN.
a) Documentos para Obtenção de Autorização para Remoção ou Demolição
O interessado na obtenção de autorização para remoção ou demolição
deverá apresentar à CP, DL ou AG, em cuja área de jurisdição estiver o bem, os
seguintes documentos:
1) Requerimento ao CEMA (Chefe do Estado-Maior da Armada), solicitando
autorização para remoção ou demolição do bem soçobrado ou encalhado (citar o
nome) e sua localização (especificar coordenadas em longitude e latitude). No caso
de remoção, especificar o novo posicionamento.
2) Cópia autenticada da carteira de identidade e CPF, se pessoa física, ou do
contrato social e CNPJ, se pessoa jurídica. No caso de estrangeiro, deverá ser
comprovada a regularidade de sua situação em território nacional, de acordo com a
legislação em vigor, emitida pelo órgão federal competente.
3) Relação dos meios disponíveis para os serviços, descrevendo todos os
equipamentos com suas principais características.
4) Memorial descritivo da faina, incluindo o método a ser empregado, a data de
início e término e o cronograma dos principais eventos. No caso de demolição,
descrever se a demolição será parcial ou total.
5) Parecer do órgão ambiental competente, quando o bem estiver situado em área
de unidades de conservação federal, estadual ou municipal, respectivamente.
6) Cópia do documento que autorizou a pesquisa na área.
7) Cópia do relatório final de pesquisa, com a comprovação do efetivo achamento
do objeto pesquisado.
8) Documentos que demonstrem experiência em atividade de remoção ou
demolição de coisas e bens submersos, tais como currículos, outras remoções ou
demolições realizadas e etc.
b) Encaminhamento
Os documentos serão encaminhados ao EMA, para análise e despacho do
requerimento, retornando posteriormente ao interessado, por intermédio de ofício da
OM onde foram protocolados os referidos documentos.

119
c) Relatório dos Serviços Executados
1) Quando o prazo fixado para execução dos serviços for menor do que 60
(sessenta) dias, o DN poderá, a seu critério, solicitar ao responsável pela execução
dos serviços a emissão de relatórios parciais referentes a seu andamento.
2) Quando o prazo for superior a 60 (sessenta) dias, tais relatórios deverão ser
emitidos mensalmente pelo responsável e encaminhados à CP, DL ou AG com
jurisdição sobre a área.
3) Ao término dos serviços, em um prazo máximo de 90 (noventa) dias, deverá
ser encaminhado à CP, DL ou AG um relatório dos trabalhos executados, com as
coordenadas da posição definitiva da coisa ou bem removido ou da situação e
espalhamento dos destroços, em caso de demolição. Deverão, preferencialmente,
serem anexadas fotografias que permitam acompanhar a evolução e as diversas
fases dos serviços.
d) Remoção ou demolição por interesse público
1) Publicação de Edital
Recebida a documentação, o EMA solicitará à OM de origem a publicação
de edital de intimação, às expensas do requerente. Destina-se o edital a oferecer
oportunidade ao antigo responsável pelo bem ou coisa, de manifestar seu interesse
na remoção ou demolição, em concorrência com o interessado autorizado a
pesquisar, e que tenha localizado a coisa ou bem. Estabelecerá o prazo de quinze
(15) dias, a partir da data de sua publicação, para manifestação dos interessados de
que trata o art. 16 da Lei 7.542/86.
2) Licitação
Havendo interesse público na remoção ou demolição de embarcações ou
quaisquer outras coisas ou bens, já incorporados ao domínio da União, e não sendo
realizada pela MB ou pelo pesquisador autorizado que localizou o bem, o EMA
determinará a abertura de processo licitatório ou hasta pública, a ser conduzido pelo
DN atinente.
Deverão constar no Edital de Licitação, além das determinações da
legislação específica da matéria, os seguintes condicionantes:
- o vencedor deverá apresentar documentos que demonstrem experiência
em atividade de remoção ou demolição de coisas e bens submersos, tais como
currículos, outras remoções ou demolições realizadas e etc;

120
- o vencedor deverá demolir ou remover o bem ou a embarcação no prazo
determinado pelo EMA;
- terá preferência na ordem de classificação, desde que ofereça iguais
condições para a União, aquele que, autorizado a pesquisar, localizou o bem; em
segundo lugar, o antigo proprietário; e
- do valor líquido apurado em favor do licitante vencedor será deduzida a
importância correspondente aos gastos efetuados pelo pesquisador para localização
do bem (o valor será estabelecido em função da planilha de custos apresentada para
autorização da pesquisa e do relatório final contendo o custo real da pesquisa
realizada).
e) Fiscalização
A remoção ou demolição de bem pertencente à União está sujeita à
fiscalização do DN, que acompanhará todo o processo por meio de ações de
inspeção naval.

DA EXPLORAÇÃO

A exploração de bens soçobrados ou encalhados pertencentes à União poderá


ser concedida a particulares, desde que o bem a ser explorado tenha sido localizado
por meio de pesquisa, devidamente autorizada.
As coisas ou bens localizados de valor artístico, de interesse histórico,
cultural ou arqueológico, cujo resgate tenha sido autorizado, são inalienáveis, não
sendo objeto de apropriação, doação ou adjudicação, permanecendo no domínio da
União, o que deverá constar do contrato ou de ato de autorização elaborado
previamente à remoção.
Poderá ser concedida autorização para realizar operações e atividades de
exploração à pessoa física ou jurídica nacional ou estrangeira com comprovada
experiência em atividade de exploração de coisas ou bens submersos, a quem
caberá responsabilizar-se por seus atos perante o DN.

a) Documentação para obtenção de autorização para exploração


O interessado na obtenção de autorização para exploração deverá
apresentar à CP, DL ou AG, em cuja área de jurisdição estiver o bem, os seguintes

121
documentos:
1) Requerimento ao CEMA (Chefe do Estado-Maior da Armada), com a
informação da área de operação, solicitando autorização para exploração do casco
(de madeira ou de aço), nome (se conhecido) ou dos bens localizados no ponto de
coordenadas (latitude e longitude).
2) Cópia do documento que autorizou a pesquisa na área.
3) Cópia autenticada da carteira de identidade e CPF, se pessoa física, ou do
contrato social e CNPJ, se pessoa jurídica. No caso de estrangeiro, deverá ser
comprovada a regularidade de sua situação em território nacional, de acordo com a
legislação em vigor, emitida pelo órgão federal competente.
4) Relação dos técnicos que embarcarão (museólogos, arqueólogos,
mergulhadores e similares) com seus currículos e cursos que os qualifiquem para a
atividade.
5) Relação dos equipamentos existentes a bordo para a execução da
atividade.
6) Memorial descritivo da faina, incluindo uma introdução contendo histórico
da coisa ou bem, o método a ser empregado na execução do trabalho, a data de
início e término e o cronograma de trabalho com os principais eventos.
7) Planilha de custos, onde serão descritos os custos previstos para as
diversas etapas, bem como o custo total.
8) Parecer do órgão ambiental competente, quando o bem estiver situado em
área de unidades de conservação federal, estadual ou municipal, respectivamente.
9) Documentos que demonstrem experiência em atividade de exploração de
coisas e bens submersos, tais como currículos, outras explorações realizadas e etc.
10) Cópia do relatório final de pesquisa, com a comprovação do efetivo
achamento do objeto pesquisado.
b) Encaminhamento
Os documentos serão encaminhados ao EMA para análise e despacho do
requerimento, retornando posteriormente ao interessado, por intermédio de ofício da
OM onde foram protocolados os referidos documentos.
c) Ações do EMA
Recebidos os documentos pelo EMA, será procedida sua análise e
classificação dentro dos seguintes parâmetros:

122
- coisas ou bens de valor artístico, de interesse histórico, cultural ou arqueológico; e
- demais coisas ou bens.
1) coisas ou bens de valor artístico, de interesse histórico, cultural ou
arqueológico.
Os processos relativos a esses bens serão submetidos à análise técnica
da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM), visando
à emissão de parecer sobre a exploração pretendida.
2) Demais coisas ou bens
I) Publicação de Edital
Recebida a documentação, o EMA solicitará à OM de origem a
publicação de edital de intimação, às expensas do requerente.
Destina-se o edital a oferecer oportunidade ao antigo responsável pelo
bem ou coisa, de manifestar seu interesse na exploração, em concorrência com o
interessado autorizado a pesquisar, e que tenha localizado a coisa ou bem.
Estabelecerá o prazo de quinze (15) dias, a partir da data de sua publicação, para
manifestação dos interessados de que trata o art. 16 da Lei 7.542/86.
II) Licitação
Havendo interesse público na exploração de embarcações ou
quaisquer outras coisas ou bens, já incorporados ao domínio da União, e não sendo
realizada pela MB, ou pelo pesquisador autorizado que localizou o bem, o EMA
determinará a abertura de processo licitatório ou hasta pública, a ser conduzido pelo
DN atinente.
Deverão constar no Edital de Licitação, além das determinações da
legislação específica da matéria, os seguintes condicionantes:
- o vencedor deverá explorar o bem ou a embarcação no prazo
determinado pelo EMA.
- terá preferência na ordem de classificação, desde que ofereça iguais
condições para a União, aquele que, autorizado a pesquisar, localizou o bem; em
segundo lugar, o antigo proprietário; e
- do valor líquido apurado em favor do licitante vencedor será deduzida
a importância correspondente, aos gastos efetuados pelo pesquisador para
localização do bem, (o valor será estabelecido em função da planilha de custos
apresentada para autorização da pesquisa e, do relatório final contendo o custo real

123
da pesquisa realizada).
d) Dos Bens Resgatados e da Partilha
1) Das coisas ou bens de valor artístico, de interesse histórico, cultural ou
arqueológico Os bens resgatados permanecerão sob a guarda e responsabilidade
de seu explorador, designado fiel depositário de bens da União. Findos os trabalhos,
as peças serão submetidas a uma Comissão de Peritos, que selecionará e
designará as coisas ou bens quanto ao valor artístico, de interesse histórico, cultural
ou arqueológico e para atribuição dos seus valores, para efeito de incorporação ao
Patrimônio da União. Essa Comissão de Peritos será designada por Portaria do
CEMA e será composta por três representantes da MB indicados pela DPHDM e
três membros indicados pelo Ministério da Cultura, com conhecimento nas áreas de
arqueologia, história da arte, museologia ou similares. A Presidência da Comissão
caberá a um dos representantes da MB. Na hipótese de não haver consenso entre
os membros da Comissão, a decisão será tomada por votação. Em caso de empate
na votação, caberá ao Presidente da Comissão a decisão final sobre o assunto. A
partilha ou a recompensa pela remoção dos bens serão feitas na forma do contrato
ou ato de autorização.
2) Das demais coisas ou bens, a partilha desses bens ou a recompensa pela
remoção desses bens serão feitas na forma do contrato ou ato de autorização.
e) Acompanhamento
O acompanhamento dos trabalhos realizados se fará de duas formas:
- por meio de relatório mensal a ser entregue até o 5o dia útil do mês
subsequente à CP, DL ou AG com jurisdição sobre a área. Nesse relatório, o
explorador autorizado descreverá os serviços realizados no mês anterior,
relacionará as peças e quantitativos resgatados, as dificuldades encontradas e as
soluções para não danificar o ambiente e as peças retiradas; e
– por meio da fiscalização a ser exercida por determinação do DN. A
CP/DL/AG deverá encaminhar uma cópia do relatório mensal de exploração para o
DN, DPC e EMA. Os relatórios mensais deverão ficar arquivados na CP/DL/AG,
juntamente com todo o processo.

124
PRORROGAÇÃO

Os prazos concedidos para pesquisa, exploração, remoção e demolição de


bens soçobrados poderão ser prorrogados, mediante apresentação de requerimento
do interessado à Autoridade competente, desde que devidamente justificados e com
antecedência de 60 (sessenta) dias da data de validade da autorização.
Quando se tratar de solicitação de prorrogação de pesquisa, o requerimento
deverá vir acompanhado de informações que demonstrem evolução da pesquisa em
desenvolvimento, obtidas com os equipamentos/instrumentos relacionados, além
dos documentos numerados de 3) a 7), inclusive, relacionados inicialmente no
processo DA PESQUISA. Tais informações deverão constar de uma síntese dos
resultados alcançados desde a autorização inicial até a penúltima prorrogação,
associadas às datas a que se refere tal período; e do relato dos resultados
alcançados, mês a mês, durante a última prorrogação.

CANCELAMENTO DE AUTORIZAÇÃO

As autorizações ou contratos para pesquisa, remoção, demolição ou


exploração de coisas ou bens soçobrados ou encalhados estarão automaticamente
cancelados sempre que:
a) o autorizado não der início às atividades dentro do prazo estabelecido no ato de
autorização ou, no curso das operações, não apresentar condições para lhe dar
continuidade;
b) no decorrer das operações venham a surgir riscos inaceitáveis para a segurança
da navegação, para terceiros (inclusive para os que estiverem trabalhando nas
operações) e para o meio ambiente;
c) tenham sido retiradas peças ou alterado o local durante as pesquisas;
d) for detectado que o processo utilizado para o resgate das peças está causando
ou possa vir a causar prejuízo ou danos às coisas ou bens de valor artístico, de
interesse histórico, cultural ou arqueológico ou danificar local que deva ser
preservado pelos mesmos motivos;
e) houver desvio de material pertencente à União; ou
f) não seja entregue, pelo segundo mês consecutivo, o relatório mensal das

125
atividades. Nenhum pagamento será devido ao autorizado pelo cancelamento da
autorização ou contrato, salvo quando já tenham sido recuperados coisas ou bens
desprovidos de valor artístico e de interesse histórico, cultural ou arqueológico,
situação em que tais coisas ou bens poderão ser adjudicados ou entregues o
produto de sua venda para pagamento e compensação de, pelo menos, parte das
despesas do autorizado.

DESPESAS DE FISCALIZAÇÃO E CONSTITUIÇÃO DE SEGURO

a) Despesas de Fiscalização
As despesas decorrentes de deslocamento, alimentação e pousada do(s)
fiscal(is) designado(s) pela MB serão da responsabilidade da pessoa física ou
jurídica autorizada a realizar pesquisa, remoção, demolição ou exploração de coisas
ou bens soçobrados ou encalhados pertencentes à União.
b) Constituição de Seguro
Será também da responsabilidade da pessoa física ou jurídica autorizada a
pesquisar, remover, demolir ou explorar coisas ou bens soçobrados pertencentes à
União, a constituição obrigatória de um SEGURO, em favor do(s) fiscal(is)
designado(s) para acompanhamento do(s) serviço(s), durante todo o período das
atividades. Tal seguro deverá compreender as coberturas e as importâncias
descritas em Anexo específico da NORMAM-10/DPC.

126
UE
8.0

OBRAS EM AJB

8.1– OBRAS EM AJB

A Marinha do Brasil por força de dispositivo legal, é responsável por


autorizar a execução de obras sob, sobre e às margens das águas jurisdicionais
brasileiras (AJB)

COMPETÊNCIA

A Marinha do Brasil avaliará a execução de obras sob, sobre e às


margens das AJB e emitirá parecer no que concerne ao ordenamento do espaço
aquaviário e à segurança da navegação, sem prejuízo das obrigações do
interessado perante os demais órgãos responsáveis pelo controle da atividade em
questão.
a) ao Diretor de Portos e Costas (DPC), como Representante da Autoridade
Marítima para a Segurança do Tráfego Aquaviário, compete:
1) determinar a elaboração de normas que orientem a emissão de Parecer
relativo às solicitações de cessão de águas públicas para a exploração da
aquicultura; e
2) determinar a elaboração das normas da Autoridade Marítima relativas à

127
execução de obras, dragagens, pesquisa e lavra de minerais sob, sobre e às
margens das águas sob jurisdição nacional, no que concerne ao ordenamento do
espaço aquaviário e à segurança da navegação.
b) ao Comandante do Distrito Naval (DN), como Representante da Autoridade
Marítima para a Segurança do Tráfego Aquaviário, compete:
1) determinar a emissão e aprovar o parecer da MB relativo à consulta para
o aforamento de terrenos de marinha localizados em suas áreas de jurisdição
(poderá subdelegar);
2) determinar a emissão e aprovar parecer relativo à cessão de uso de
espaços físicos de corpos d’água de domínio da União para fins de aquicultura, no
que concerne à segurança do tráfego aquaviário (poderá subdelegar); e
3) ordenar ou providenciar a demolição de obra ou benfeitoria e a
recomposição do local, quando realizadas em desacordo com as normas
estabelecidas pela Autoridade Marítima.

CONSULTA PRÉVIA

Dependerá de consulta prévia às Capitanias (CP), Delegacias (DL) e


Agências (AG) o início da execução das obras públicas ou particulares localizadas
sob, sobre e às margens das AJB, que a partir daqui serão chamadas apenas de
obra(s), exceto aquelas realizadas em rios que não constem como navegáveis e em
trechos não navegáveis de rios navegáveis nas Normas e Procedimentos das
Capitanias dos Portos (NPCP). Os requerimentos para realização de obras em
rios/trechos de rios que não constem como navegáveis serão despachados como
isentos de parecer da Autoridade Marítima, ressaltando que não exime o interessado
das obrigações perante os demais órgãos responsáveis pelo controle da atividade em
questão.

INTERDIÇÃO DE ÁREA AQUAVIÁRIA EM FACE DA REALIZAÇÃO DE


OBRAS, DRAGAGENS, ATERRO OU DE PESQUISA E LAVRAS DE MINERAIS

Quando a área for interditada à navegação, qualquer tipo de embarcação


não poderá trafegar nos limites da área aquaviária interditada, conforme divulgado

128
em Avisos aos Navegantes.

Segue abaixo exemplos de Obras em AJB.

a) PORTOS OU INSTALAÇÕES PORTUÁRIAS, CAIS, PÍERS, MOLHES,


TRAPICHES, MARINAS OU SIMILARES;
I) Essas construções se caracterizam como obras sobre água e podem ser
precedidas de aterro que, dependendo das dimensões, poderão provocar alterações
sensíveis no regime de água da região, tendo como resultado um assoreamento de
tal monta que poderá prejudicar a navegação local com alterações de profundidades.
Para esses casos, deverá ser exigido como documento adicional ao
processo de obras, um estudo detalhado e criterioso das alterações que poderão
trazer danos à navegação, propiciando condições seguras à emissão do parecer da
MB. Tal estudo poderá ser obtido pelos interessados junto a órgãos, instituições de
ensino e pesquisa, empresas de reconhecida capacidade técnica em engenharia
costeira. Este estudo, também, deverá ser exigido quando da construção de cais ou
píeres de estrutura maciça, ou enrocamentos e molhes.
II) Os píeres ou trapiches construídos sobre estacas de madeira ou
concreto estão dispensados desse estudo, devendo, entretanto, dispor de um parecer
da Administração Portuária, caso a obra se situe nas proximidades de instalações
portuárias, canal de acesso ou áreas de manobra ou fundeio.
III) Para obras que envolvam construção/ampliação de portos e terminais
em águas restritas, tais como canais de acesso, bacias de evolução e de berços,
poderá ser exigido, adicionalmente, estudos que avaliem as possíveis restrições
operacionais motivada pela obra pretendida. Entre esses estudos incluem-se os de
manobrabilidade, simulações e congêneres, e devem ser realizados por
órgão/empresa de reconhecida capacidade técnica, que considere, dentre outros
fatores, o ambiente operacional, aí incluído as instalações portuárias e sinalização
náutica existentes, canais de acesso, bacias de evolução, áreas de fundeio,
batimetria atualizada, obstáculos e interferências, as condições ambientais
predominantes da área (ventos – influência sobre as “águas mortas” e correntes –
influência sobre as “obras vivas”); a obra pretendida; o tráfego existente no local; e as

129
características operacionais dos navios que transitam na área e os que farão uso do
local da obra, incluindo suas dimensões principais, velocidades máxima e mínima,
aceleração e desaceleração, curvas de giro, efeito squat, folgas. Como literatura
básica para esses estudos, sugere-se utilizar as publicações PTC II-30 –
“APPROACH CHANNELS A GUIDE FOR DESIGN” do PERMANENT
INTERNACIONAL ASSOCIATION CONGRESSES (PIANC) ou a NBR-13246
–“Planejamento Portuário – Aspectos Técnicos”.
IV) Para obras em que os pareceres da Autoridade Marítima tiverem de
ser apresentados à ANTAQ, conforme previsto no Decreto nº 8.033/2013, os
interessados deverão se certificar da necessidade de apresentação de
documentos/estudos adicionais, conforme elencado acima. Toda documentação
exigida será recebida sob um mesmo protocolo.

Píer Molhe Trapiche

b) VIVEIROS PARA AQUICULTURA


De acordo com a legislação em vigor, as seguintes definições são
estabelecidas:
I) Área Aquícola – é o espaço físico contínuo em meio aquático, delimitado,
destinado a projetos de aquicultura, individuais ou coletivos;
II) Parque Aquícola – espaço físico contínuo em meio aquático, delimitado,
que compreende um conjunto de áreas aquícolas afins, em cujos espaços físicos
intermediários podem ser desenvolvidos outras atividades compatíveis com a pratica
da aquicultura;
III) Faixas ou Áreas de Preferência – aquelas cujo uso será conferido
prioritariamente a determinadas populações;
IV) Unidades de Pesquisa – são áreas destinadas ao desenvolvimento, à
pesquisa, à avaliação e à adequação tecnológica voltadas para as atividades

130
aquícolas; e
V) Unidades Demonstrativas – estrutura de cultivo destinada ao
treinamento, capacitação e transferência de tecnologias em aquicultura.

Situações Especiais de Restrição de Acesso e Tráfego


Nos espaços físicos intermediários entre áreas aquícolas ou seus conjuntos,
circunscritos aos limites dos parques aquícolas, não será gerada nenhuma restrição
de acesso e de tráfego, ou outra, devendo essa circunstância ser enunciada no
projeto de delimitação dos parques e áreas aquícolas e ratificada no parecer do
Representante da Autoridade Marítima.
Caso haja necessidade de restrição a quaisquer atividades que venham afetar
a segurança da navegação, a salvaguarda da vida humana no mar, a prevenção da
poluição por embarcação e o ordenamento do tráfego aquaviário, deverá haver
previsão no projeto específico encaminhado pelo MPA e anuência expressa no
parecer conclusivo emitido pelo Representante da Autoridade Marítima. Essas
restrições deverão estar, prévia e formalmente, em conformidade com o Zoneamento
Ecológico e com o respectivo Plano de Gestão Costeira dos Planos de
Gerenciamento Costeiro Estadual e Municipal.
Em situações especiais, onde houver comprometimento total da segurança da
navegação e da preservação da normalidade do tráfego aquaviário, a princípio, não
será emitido parecer favorável às instalações de criatórios, viveiros ou equipamentos
similares utilizados na aquicultura.
O início e término dos serviços deverão ser informados à CP, DL ou AG, para
divulgação em Avisos aos Navegantes.

c) LANÇAMENTO DE PETRECHOS PARA ATRAÇÃO E/OU CAPTURA DE


PESCADO
A efetiva instalação ou retirada desses petrechos deverá ser comunicada à CP
ou OM subordinada, que encaminhará mensagem ao CHM, para efeito de divulgação
em Avisos aos Navegantes.
Em situações especiais onde houver comprometimento da segurança da
navegação e da preservação da normalidade do tráfego aquaviário, a princípio, não
será emitida manifestação favorável ao lançamento de petrechos para atração e/ou

131
captura de pescado.
O início e término dos serviços deverão ser informados à CP, DL ou AG, para
divulgação em Avisos aos Navegantes.

d) LANÇAMENTO DE CABOS E DUTOS SUBMARINOS OU ESTRUTURAS


SIMILARES
Quando o lançamento de cabos e dutos envolver mais de uma jurisdição com
vários pontos de entrada e saída destes, o requerimento de solicitação de
autorização deverá ser encaminhado à CP de onde chegará ou partirá, pela primeira
vez, o dispositivo, inclusive daqueles provenientes ou com destino a outros países e
continentes. Tal CP coordenará os processos de autorização junto às demais OM
(CP/DL/AG) envolvidas na questão, até a autorização final ao interessado no
empreendimento. O início e o término dos serviços deverão ser informados à CP, DL
ou AG, para divulgação em Avisos aos Navegantes.

e) CONSTRUÇÃO DE PONTES RODOVIÁRIAS OU SIMILARES SOBRE ÁGUAS


O interessado na execução da obra, quando da elaboração do projeto, para
estabelecimento do vão livre entre pilares e da altura livre, deverá atender aos
seguintes parâmetros:
1) proporcionar um retângulo de navegação compatível com a navegação
existente e sua perspectiva de desenvolvimento, independentemente de restrições
artificiais já existentes na ocasião (pontes ou outras obras). Deverá estar posicionado
sobre o canal navegável e sempre cortar transversalmente o canal navegável, de tal
modo que as correntes existentes incidam sobre as embarcações pela sua proa ou
popa. O vão livre do retângulo de navegação deverá ser estabelecido a partir da
largura dos pilares, abatendo o valor das respectivas dimensões das proteções

132
contra colisões;
2) a boca e a altura (distância entre o ponto mais alto da embarcação e a
sua linha de flutuação, considerada a embarcação com seu calado mínimo) das
embarcações de maior porte que trafegam no local;
3) quando estiver situada em rio, considerar os níveis das mais altas águas
navegáveis quando conhecidos ou os níveis correspondentes aos das enchentes
históricas dos últimos 50 (cinquenta anos). Esse cálculo deverá ser baseado em
dados transpostos de séries hidrológicas existentes para o local ou de postos
hidrométricos vizinhos; e
4) quando situada em águas sujeitas à influência da maré, deverá ser
considerado o nível da maré de sizígia, obtido das Tábuas de Marés, publicação
editada anualmente pela DHN.
O início e término dos serviços deverão ser informados à CP, DL ou AG,
para divulgação em Avisos aos Navegantes.

Ponte JK Brasília

f) CABOS E DUTOS AÉREOS E ESTRUTURAS SIMILARES


No caso de travessia aérea, sobre águas, deverá ser observada a distância de
segurança, que considerará a altura das embarcações de maior porte que trafegam
no local, a maior preamar de sizígia ou o nível das mais altas águas locais e a
margem de segurança estabelecida nas normas da Associação Brasileira de Normas
Técnicas (ABNT), Norma NBR 5422:1985 – Projeto de Linhas Aéreas de
Transmissão de Energia Elétrica.
O início e término dos serviços deverão ser informados à CP, DL ou AG, para
divulgação em Avisos aos Navegantes.

133
g) PLATAFORMAS E UNIDADES DE PRODUÇÃO DE PETRÓLEO OU GÁS
O início e término dos serviços de estabelecimento da plataforma, bem como
as coordenadas da posição final de locação da mesma, e respectivo datum, deverão
ser informados à CP, DL ou AG, para divulgação em Avisos aos Navegantes e
atualização das cartas náuticas.

h) FLUTUANTES OU OUTRAS EMBARCAÇÕES FUNDEADAS NÃO


DESTINADAS À NAVEGAÇÃO
Na impossibilidade de amarrar o posicionamento da estrutura flutuante à rede
topohidrográfica existente, quer seja pela inexistência de marcos nas proximidades
da obra ou a distância dos mesmos impossibilite o estabelecimento do dispositivo em
função do custo-benefício, poderão ser utilizados outros instrumentos para se
determinar a posição, tais como, GPS diferencial ou outro método que garanta o
posicionamento adequado.
Estas estruturas deverão ser sinalizadas por luz fixa amarela, com alcance
mínimo de duas milhas náuticas, estabelecida no seu tope ou em local de melhor
visibilidade para o navegante.
Informar o início e término dos serviços à CP, DL ou AG, para divulgação em
Avisos aos Navegantes.

134
j) BOIAS DE AMARRAÇÃO DE EMBARCAÇÃO
Quando do estabelecimento efetivo da boia, tal fato deve ser informado,
imediatamente, à CP, DL ou AG, para divulgação em Avisos aos Navegante.
O Capitão dos Portos, Delegado ou Agente despachará o requerimento
sumariamente, a seu critério, caso a localização pretendida não comprometa o
ordenamento do espaço aquaviário e a segurança da navegação. Uma cópia dos
processos deferidos será encaminhada ao CHM quando for necessária a atualização
de documentos náuticos.

k) BOIAS DE AMARRAÇÃO PARA NAVIOS DE CRUZEIRO E OUTROS


Quando do estabelecimento efetivo da boia, tal fato deve ser informado,
imediatamente, à CP, DL ou AG para divulgação em Avisos aos Navegantes.
O Capitão dos Portos, Delegado ou Agente despachará o requerimento
sumariamente, a seu critério, caso a localização pretendida não comprometa o
ordenamento do espaço aquaviário e a segurança da navegação.

INSPEÇÃO NO LOCAL DA OBRA

Estando a documentação de acordo com estas instruções, a OM, caso julgue


necessário, deverá convocar o interessado para a realização de inspeção no local da
obra, a fim de fundamentar seu parecer. Todas as despesas decorrentes desta

135
inspeção correrão por conta do interessado, bem como exigir a apresentação de
estudos complementares de acordo com a obra a ser realizada.
A inspeção deverá ser efetuada no prazo de até 30 (trinta) dias, a partir do
início do processo junto a OM, exceto para as obras de que trata o Art. 33 do Decreto
nº 8.033/2013, que deverá ser efetuada no prazo de até 5 (cinco) dias. Caso haja
indisponibilidade, por parte do requerente, para a execução da inspeção no prazo
determinado, o requerimento poderá ser indeferido.

REFORMA E MANUTENÇÃO DE OBRAS REALIZADAS

Qualquer reforma em obras ou "equipamentos" anteriormente discriminados,


deverá ser precedida de comunicação formal à CP, DL ou AG que tenha dado parecer
favorável à sua realização, que avaliará a necessidade da realização de novo
processo de apreciação dependendo de seu vulto. As manutenções podem ser
executadas independente de comunicação formal à CP, DL ou AG, desde que não
implique em alteração na obra ou “equipamento” que já possua parecer favorável.

REGULARIZAÇÃO DE OBRA

a) São consideradas obras irregulares quanto à exigência de consulta prévia à MB e


passíveis das sanções previstas na legislação em vigor, aquelas que se enquadram
nas seguintes situações:
1) obra concluída sem parecer da MB ou com processo iniciado e não
concluso; e
2) obra em andamento sem parecer da MB ou com processo iniciado e não
concluso.
b) Os interessados em regularizar obras que se encontrem nas situações
supracitadas deverão procurar a CP, DL ou AG da jurisdição e apresentar a
documentação prevista na NORMAM-11/DPC.

UNIDADES DE CONSERVAÇÃO (UC)

Para qualquer obra localizada em unidade de conservação, situada sob, sobre

136
e às margens das Águas Jurisdicionais Brasileiras (AJB), a Autoridade Marítima
emitirá parecer no que concerne, única e exclusivamente, aos aspectos relacionados
ao ordenamento do espaço aquaviário e à segurança da navegação, não eximindo o
interessado de obrigações perante outros órgãos competentes, inclusive ambientais.
No entanto, a critério da CP, e sob orientação da DPC, poderão ser exigidos
documentos complementares e/ou apresentação prévia de parecer do órgão
ambiental competente.

Quando houver uma solicitação para autorização de obra em


AJB, a qual não esteja enquadrada nas citadas anteriormente, a
referida obra será enquadrada como “Obras em Geral”.
Os processos das obras citadas acima são munidos de uma série
de documentos e procedimentos a serem seguidos. Maiores
detalhes sobre os documentos exigidos e os procedimentos,
poderão ser verificados na NORMAM-11/DPC.
NORMAM-11

8.2 – PROCEDIMENTOS PARA EXECUÇÃO DE

DRAGAGEM EM AJB

DEFINIÇÕES

a) Dragagem
Ato de retirada de material do leito dos corpos d’água, com finalidade específica;
b) Dragagem de Implantação
É aquela executada para implantação, ampliação ou aprofundamento de canais de
navegação, bacias de evolução e em outras obras ou serviços de engenharia em
corpos de água;
c) Dragagem de Manutenção
É aquela executada para restabelecer total ou parcialmente as condições
originalmente licenciadas;
d) Dragagem de Mineração
É aquela executada para efeito de exploração e aproveitamento econômico de

137
recursos minerais. Para este tipo de dragagem, devem ser observados, apenas, os
procedimentos
previstos em Capítulo específico da NORMAM–11/DPC;
NORMAM
e) Dragagem de Recuperação Ambiental
É aquela executada para melhoria das condições ambientais ou para proteger a
saúde humana;
f) Autoridade Marítima
Autoridade exercida diretamente pelo Comandante da Marinha, responsável pela
salvaguarda da vida humana e segurança da navegação no mar aberto e hidrovias
interiores, bem como pela prevenção da poluição ambiental causada por navios,
plataformas e suas instalações de apoio.
g) Órgão Ambiental Competente
Órgão ambiental de proteção e controle ambiental do poder executivo federal,
estadual ou municipal, integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente–
SISNAMA, responsável pelo licenciamento ambiental, no âmbito de suas
competências;
h) Material Contaminado
É aquele que apresenta características físicas, físico-químicas, químicas e
biológicas nocivas à saúde humana ou ao meio ambiente;
i) Unidade de Conservação
Espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais
brasileiras com características materiais relevantes, legalmente instituído pelo poder
público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de
administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção; e
j) Área de Despejo do Material Dragado
Local onde serão despejados os materiais resultantes das atividades de dragagem,
onde possam permanecer por tempo indeterminado, em seu estado natural ou
transformado em material adequado a essa permanência, sem prejudicar a
segurança da navegação, nem causar danos ao meio ambiente ou à saúde humana.

AUTORIZAÇÃO PARA DRAGAGEM

A autorização para a execução das atividades de dragagem de implantação,

138
de manutenção, de mineração e de recuperação ambiental será concedida pelo
Capitão dos Portos, após a obtenção, pelo interessado, do respectivo licenciamento
ambiental junto ao órgão ambiental competente.

PROCEDIMENTOS RELATIVOS À AUTORIZAÇÃO DA ATIVIDADE DE


DRAGAGEM

A autorização para dragagem será concedida pelo Capitão dos Portos, após
o cumprimento dos seguintes procedimentos:
a) Pedido Preliminar de Dragagem
Antes de iniciar o processo junto ao órgão ambiental competente para a obtenção
da licença ambiental, o interessado solicitará, por requerimento ao Capitão dos
Portos, via DL ou AG quando for o caso, da área de jurisdição onde será realizada a
atividade de dragagem um “pedido preliminar de dragagem”, para verificar se, a
princípio, haverá comprometimento da segurança da navegação ou do ordenamento
do espaço aquaviário, anexando ao requerimento as seguintes informações:
1) traçado da área a ser dragada e da área de despejo de material dragado
com a identificação de suas coordenadas geográficas em carta náutica de maior
escala editada pela Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN) ou, na inexistência
de carta náutica, em carta de praticagem, croquis de navegação ou mapa, editados
por órgão público. Na inexistência dos documentos anteriormente citados, poderão
ser utilizadas plantas de situação e localização, elaboradas por profissional
habilitado;
2) volume estimado do material a ser dragado;
3) duração estimada da atividade de dragagem, citando as datas previstas de
início e término;
4) profundidades atuais e/ou estimadas da área a ser dragada e, quando
couber, da área de despejo;
5) profundidade desejada na área a ser dragada;
6) tipo de equipamento a ser utilizado durante os serviços; e
7) tipo de sinalização náutica a ser empregada para prevenir acidentes da
navegação na área da dragagem.
No caso de dragagem em áreas situadas em local de tráfego de navios ou

139
tráfego intenso de outras embarcações, deverá ser procedida a delimitação da área
a ser dragada por boias luminosas, de acordo com o previsto nas Normas da
Autoridade Marítima para a Sinalização Náutica - NORMAM-17/DHN.
Após verificar as informações anexadas ao requerimento, a CP convocará o
interessado para a realização de inspeção no local da dragagem.
Para as obras de que trata o Decreto nº 8.033/2013, caso precedidas de
dragagem, a inspeção deve ocorrer em no máximo 5 (cinco) dias da data de entrada
do Pedido Preliminar de Dragagem, mesma data em que devem ser protocolizados
os documentos da obra.
Após a inspeção, a CP despachará o requerimento de Pedido Preliminar de
Dragagem e, se não tiver havido oposição à sua realização, participará tal fato por
mensagem ao CHM e, conforme o caso, ao SSN-4/SSN-6.
b) Licença Ambiental
Caso a CP, em seu despacho ao Pedido Preliminar de Dragagem, não tenha
se pronunciado contrariamente à realização da dragagem o interessado solicitará,
junto ao órgão ambiental competente, a Licença Ambiental para a atividade de
dragagem em questão.
c) Autorização para início da Atividade de Dragagem
Após a obtenção da Licença Ambiental, o interessado solicitará, por
requerimento ao Capitão dos Portos, via DL ou AG quando for o caso, autorização
para início da atividade de dragagem, informando as datas previstas para seu início
e término, e anexando ao requerimento uma cópia da Licença Ambiental. Esta
solicitação deverá ser feita com antecedência mínima de 15 dias úteis do início
previsto da dragagem.

Para as atividades de dragagem de pequeno porte e de interesse público, em


vias/áreas não navegáveis, como dragagens em canais de irrigação ou para alívio
de águas em época de chuvas, ou vias/áreas não hidrografadas o Capitão dos
Portos poderá, a seu critério, simplificar a documentação exigida anteriormente
mencionada, não dispensando, no entanto, o licenciamento ambiental, o qual
também poderá ser simplificado a critério do órgão ambiental competente.

140
PROVIDÊNCIAS DURANTE E APÓS A DRAGAGEM

Deverão ser observadas as seguintes providências pelo interessado, durante


e ao término das atividades de dragagem:
a) Em vias/áreas navegáveis e hidrografadas:
1) encaminhamento, à CP, DL ou AG, de Relatório Parcial de
acompanhamento dos serviços realizados, constando, dentre outras, informações
sobre a natureza e o volume do material dragado, bem como as dificuldades
encontradas, quando o período previsto de duração da dragagem for igual ou
superior a sessenta dias; quando o período previsto for inferior, ficará a critério do
Capitão dos Portos, a necessidade de envio desse relatório;
2) realização, após a conclusão da dragagem, de um Levantamento
Hidrográfico (LH) de “fim de dragagem” da área dragada e, quando hidrografada, da
área de despejo. Estes levantamentos deverão atender aos requisitos de LH da
Categoria “A”, conforme estabelecido nas Normas da Autoridade Marítima para
Levantamentos Hidrográficos - NORMAM 25/DHN. Quando a área de despejo
ocorrer em área não hidrografada, deverá ser observado a alínea 2, do subitem b),
abaixo;
3) até 30(trinta) dias após a conclusão da dragagem, encaminhamento à
Capitania, Delegacia ou Agência de uma cópia da Folha de Sondagem da área
dragada(e área de despejo, se for o caso), informando o volume efetivamente
dragado; e
4) nos casos de dragagem em caráter permanente, em que não é possível a
caracterização temporal de sua “conclusão”, ou de dragagens com duração superior
a 6 (seis) meses, as providências descritas nas subalíneas 2) e 3) acima devem ser
tomadas, no mínimo, a cada 6 (seis) meses após o início das operações.
b) Em vias/áreas não navegáveis ou não hidrografadas:
1) encaminhamento, à Capitania, Delegacia ou Agência, de relatório Parcial
de acompanhamento dos serviços realizados, constando, dentre outras,
informações sobre a natureza e o volume do material dragado, bem como as
dificuldades encontradas, quando o período previsto de duração da dragagem for
igual ou superior a 60(sessenta) dias; quando período previsto for inferior, ficará a
critério do Capitão dos Portos, a necessidade de envio desse relatório;

141
2) realizar, após a conclusão da dragagem, um Levantamento Hidrográfico
(LH) de “fim de dragagem” da área dragada e , quando couber, da área de despejo.
Este levantamento deverá atender aos requisitos de LH de Categoria “B”, conforme
estabelecido nas Normas da Autoridade Marítima para Levantamentos Hidrográficos
- NORMAM 25/DHN; e
3) até 30 (trinta) dias após a conclusão da dragagem, deverá ser
encaminhada à CP, DL ou AG uma cópia da Folha de Sondagem da área dragada (e
da área de despejo, se for o caso), informando o volume efetivamente dragado.

NOTA: Especificamente sobre portos organizados, ressalta-se que a legislação em


vigor institui responsabilidades para as Administrações dos Portos (Autoridade
Portuária-AP), cabendo a Autoridade Marítima a coordenação das atividades das AP,
no que diz respeito ao estabelecimento de suas limitações operacionais,
principalmente do calado máximo, dimensões dos navios e velocidade de evolução
nos trechos navegáveis, que podem sofrer alterações significativas em função de
dragagens realizadas. Desta forma, com o propósito de contribuir para a otimização
de resultados, é recomendado:
1) Que o contratante da dragagem dedique atenção na sua execução, de
forma a manter o foco no resgate/obtenção dos parâmetros de projeto da geometria
da via navegável que está sendo dragada, em especial as cotas batimétricas dos
canais de aproximação e de acesso, das bacias de evolução e de berço; o
alinhamento do eixo do canal; a largura do canal em seu leito, inclusive nas curvas;
e as dimensões da bacia de evolução. Esta recomendação tem por objetivo prevenir
que a empresa executante da dragagem tenha que voltar ao local para a conclusão
dos trabalhos após a avaliação do LH de “fim de dragagem” ou que, na falta desta
ação, sejam geradas restrições operacionais aos portos, inclusive pela possibilidade
de comprometer o posicionamento de balizamento existente ou inviabilizar
aprovação de alteração deste, bem como o estabelecimento de novos,
considerando o fim a que se destinam.
2. Que a empresa executante do LH de “fim de dragagem” observe
atentamente o contido nas Normas da Autoridade Marítima para Levantamentos
Hidrográficos - NORMAM 25/DHN nas fases de planejamento, execução e
encaminhamento dos dados coletados e documentação produzida, em especial aos

142
critérios técnicos relativos à LH de Categoria “A”. Esta recomendação tem por
objetivo alertar que somente dados oriundos de Levantamentos Hidrográficos da
Categoria “A” validados pelo Centro de Hidrografia da Marinha (CHM) serão
considerados pelos Capitães dos Portos como subsídios na avaliação de
estabelecimento/alteração de parâmetros operacionais dos portos.

143
UE
9.0

PRATICAGEM

9.1 - APLICAÇÃO
Aplica-se a todos os Serviços de Praticagem e, de maneira especial, aos
Práticos, aos Praticantes de Prático e aos usuários do Serviço de Praticagem nas
Águas Jurisdicionais Brasileiras (AJB)

9.2 - COMPETÊNCIA
Compete à Diretoria de Portos e Costas, como Representante da
Autoridade Marítima para a Segurança do Tráfego Aquaviário, regulamentar o
Serviço de Praticagem, estabelecer as Zonas de Praticagem (ZP) em que a
utilização do Serviço é obrigatória ou facultativa e especificar as embarcações

144
dispensadas de utilizar o Serviço de Praticagem.

9.3 - ABREVIATURAS
As abreviaturas abaixo representam:
1) AG – Agência da Capitania dos Portos ou Agente da Capitania dos Portos.
2) CP – Capitania dos Portos ou Capitão dos Portos.
3) DL – Delegacia da Capitania dos Portos ou Delegado da Capitania dos
Portos.
4) DPC – Diretoria de Portos e Costas ou Diretor de Portos e Costas.
5) NPCP – Normas e Procedimentos da Capitania dos Portos.
6) NPCF – Normas e Procedimentos da Capitania Fluvial.

9.4 - DEFINIÇÕES
ATALAIA
É a estrutura operacional e administrativa organizada de formar a prover,
coordenar, controlar e apoiar o atendimento do Prático à embarcação em uma Zona
de Praticagem (ZP). Também é denominada de Estação de Praticagem.

CERTIFICADO DE HABILITAÇÃO DE PRATICANTE DE PRÁTICO


É o documento que atesta a habilitação do portador como Praticante de
Prático em uma determinada ZP.

CERTIFICADO DE HABILITAÇÃO DE PRÁTICO


É o documento que atesta a habilitação do portador como Prático de uma
determinada ZP.

CONSELHO NACIONAL DE PRATICAGEM - CONAPRA


É uma associação profissional, sem fins lucrativos, que congrega Práticos
brasileiros, tendo por finalidade representá-los perante autoridades governamentais
e entidades representativas de setores do meio marítimo nas questões ligadas à
Praticagem. É reconhecido pela Autoridade Marítima como Órgão de Representação

145
Nacional de Praticagem, possuindo as tarefas específicas previstas nestas Normas e
em outros documentos emitidos pela DPC.

ENTIDADE DE PRATICAGEM
Termo de uso geral empregado para designar cada organização que congrega
Prático(s) na ZP, constituída sob qualquer das formas previstas no caput do art. 13
da Lei nº 9.537, de 11/12/1997 - Lei de Segurança do Tráfego Aquaviário (Lesta).

ENXÁRCIA
É a estrutura fixa instalada na proa da Lancha de Prático que tem como
propósito auxiliar o embarque/desembarque do Prático na embarcação.

FAINA DE PRATICAGEM
É a atividade que envolve a realização de manobra(s) de praticagem e/ou
navegação de praticagem em uma ZP.
A faina de praticagem é computada para efeito da manutenção da habilitação
do Prático e do cumprimento do Programa de Qualificação de Praticante de Prático.

HABILITAÇÃO DE PRÁTICO
É o nível mínimo de capacitação técnica exigida de um Prático.
A manutenção da habilitação requer a execução de uma quantidade mínima,
mensal e semestral, de fainas de praticagem, estabelecida no Plano de Manutenção
da Habilitação elaborado pela CP com jurisdição sobre a ZP.

IMPRATICABILIDADE
É a situação que se configura quando as condições meteorológicas, o estado
mar, acidentes ou fatos da navegação ou deficiências técnicas implicam em
inaceitável risco à segurança da navegação, desaconselhando a realização de fainas
de praticagem, o tráfego de embarcações e/ou o embarque/desembarque do Prático.

LANCHA DE PRÁTICO
É a embarcação homologada pelo CP com jurisdição sobre a ZP, para ser
empregada no deslocamento e no transbordo do Prático para o

146
embarque/desembarque na embarcação.

MANOBRAS DE PRATICAGEM
São as manobras de atracar/desatracar, fundear/suspender, amarrar à
bóia/largar da bóia, entrar/sair de dique/carreira e alar ao cais, quando executadas
com a assessoria de Prático.

NAVEGAÇÃO DE PRATICAGEM
É a navegação realizada no interior de uma ZP com assessoria de um ou
mais Práticos embarcados.

PONTO DE ESPERA DE PRÁTICO


É o ponto estabelecido em coordenadas geográficas na ZP, onde é efetuado o
embarque/ desembarque do Prático por ocasião do início ou fim de uma faina de
praticagem.

PRATICANTE DE PRÁTICO (PRP)


É o profissional aquaviário não tripulante, selecionado por meio de Processo
Seletivo conduzido pela DPC, portador do Certificado de Habilitação de Praticante de
Prático e aspirante à categoria de Prático.

PRÁTICO (PRT)
É o profissional aquaviário não tripulante que presta Serviços de Praticagem
embarcado.

REPRESENTANTE ÚNICO DO SERVIÇO DE PRATICAGEM (RUSP)


É o Prático dirigente da Entidade de Praticagem que reúne todo o efetivo de
Práticos de uma ZP e que representa a Praticagem junto à CP/DL/AG. Quando
houver mais de uma Entidade de Praticagem será aquele indicado por consenso
entre as existentes. Não havendo o consenso caberá ao CPDL/AG a escolha.
A designação do Representante Único do Serviço de Praticagem será
formalizada por meio de Portaria do CP/DL/AG.

147
SERVIÇO DE PRATICAGEM
É o conjunto de atividades profissionais de assessoria ao Comandante,
requeridas por força de peculiaridades locais que dificultem a livre e segura
movimentação da embarcação. É constituído de Prático, de Lancha de Prático e de
Atalaia.

ZONA DE PRATICAGEM (ZP)


É a área geográfica delimitada por força de peculiaridades locais que
dificultem a livre e segura movimentação de embarcações, exigindo a constituição e
funcionamento ininterrupto de Serviço de Praticagem para essa área. Compete à
DPC estabelecer as ZP.

9.5 - CERTIFICAÇÃO, QUALIFICAÇÃO DO

PRATICANTE DE PRÁTICO E EXAME DE

HABILITAÇÃO PARA PRÁTICO

CERTIFICAÇÃO
a) O Prático e o Praticante de Prático somente poderão estar certificados, nas
respectivas categorias, em uma única ZP.
b) O prazo de validade do Certificado de Habilitação de Praticante de Prático será de
21 (vinte e um) meses a contar da data de sua emissão, que será a estabelecida, no
Edital de Homologação do Resultado Final do Processo Seletivo, para a
apresentação do candidato, selecionado para primeiro grupo, na CP/DL/AG com
jurisdição sobre a ZP para onde foi distribuído.
c) O prazo de validade será o mesmo para os candidatos selecionados para os
demais grupos, sendo a data de emissão do Certificado de Habilitação de Praticante
de Prático estabelecida na futura convocação a ser publicada no Diário Oficial da
União (DOU) e na página da DPC na Internet.

148
d) Para o Prático e Praticante de Prático selecionados, o prazo de validade do
Certificado de Habilitação de Praticante Prático será o mesmo, mas a data de
emissão será a da apresentação nas CP/DL/AG com jurisdição sobre as ZP para
onde foram distribuídos, considerando o contido nas alíneas e) e f) abaixo.
e) O Prático selecionado deverá, no prazo estabelecido na Norma, requerer:
1) Ao DPC, via CP/DL/AG com jurisdição sobre a sua ZP, o seu afastamento
definitivo como Prático, anexando o original do seu Certificado de Habilitação de
Prático ao requerimento; ou
2) Ao CP/DL/AG com jurisdição sobre a sua ZP, o seu afastamento temporário como
Prático; ou
3) Ao DPC, via CP/DL/AG com jurisdição sobre sua ZP, autorização para realizar o
Programa de Qualificação do Praticante de Prático cumulativamente como o
exercício das atividades de Prático.
f) O Praticante de Prático selecionado deverá, no mesmo prazo estabelecido na
Norma, requerer, ao CP/DL/AG com jurisdição sobre sua ZP, o seu afastamento
definitivo, anexando o original do seu Certificado de Habilitação de Praticante de
Prático ao requerimento.
g) Despachado o requerimento, como estabelecido acima, a DPC ou a CP/DL/AG
informará, por mensagem e imediatamente, à CP/DL/AG para onde o Prático ou
Praticante de Prático foi distribuído, com informação para a CP/DL/AG de origem e
para a DPC, respectivamente.
h) O Prático e o Praticante de Prático selecionados têm até 40 (quarenta) dias
corridos, contados da data da publicação em DOU do Edital de Homologação do
Resultado Final do Processo Seletivo ou da futura convocação, para se apresentar
nas CP/DL/AG para onde foram distribuídos, desde que atendido o contido na alínea
e) ou f) dentro do prazo estabelecido.
i) Para Prático ou Praticante de Prático selecionado, o CP somente emitirá o
Certificado de Habilitação de Praticante de Prático após ser recebida a mensagem
citada na alínea g).
j) O Praticante de Prático selecionado, enquanto não convocado, poderá continuar
se qualificando na sua ZP, assim como realizar o Exame de Habilitação para Prático.
Quando convocado, caso tenha se tornado Prático, deverá atender à alínea e), ou,
caso ainda esteja certificado como Praticante de Prático, à alínea f).

149
QUALIFICAÇÃO DO PRATICANTE DE PRÁTICO
a) A qualificação do Praticante de Prático seguirá um programa de treinamento
estabelecido pela CP com jurisdição sobre a ZP, denominado Programa de
Qualificação do Praticante de Prático, a ser iniciado imediatamente após a
Certificação, sendo seu cumprimento confiado a Entidade(s) de Praticagem
existente(s) na ZP, indicada(s) pela CP.
b) O prazo para a conclusão do Programa de Qualificação será de, no mínimo, 12
(doze) meses e, no máximo, de 18 (dezoito) meses, contados da data de emissão do
Certificado de Habilitação de Praticante de Prático. Excepcionalmente, o prazo
mínimo para a conclusão do Programa de Qualificação poderá ser alterado pela
DPC, para uma ou mais ZP.
c) O prazo mínimo de 12 (doze) meses advém da necessidade do Praticante de
Prático treinar durante todas as estações do ano.
d) O Programa de Qualificação deverá ser dimensionado de forma que, completadas
as fainas de praticagem estipuladas pelo mesmo, o Praticante de Prático continue a
acompanhar, pelo menos, o número mínimo mensal de fainas de praticagem
estabelecido para Prático da ZP, até a realização do Exame de Habilitação para
Prático.
e) As Entidades de Praticagem, por meio de seus componentes, em especial os
Práticos, terão a responsabilidade de transmitir aos Praticantes de Prático todo o
conhecimento técnico que possuem.
f) Cada Praticante de Prático terá um Prático em atividade para acompanhar o
desenvolvimento do Programa de Qualificação, atuando como monitor.
g) O Praticante de Prático acompanhará os Práticos nas atividades de bordo
relativas ao Programa de Qualificação, sendo recomendável que acompanhe fainas
de praticagem de todos os Práticos da ZP, independentemente da Entidade onde for
apresentado.
h) O Programa de Qualificação estará encerrado com a obtenção pelo Praticante de
Prático de avaliação satisfatória por parte da(s) Entidade(s) de Praticagem que o
ministrou(ram), observados os prazos previsto em norma.
i) Caso haja divergência entre a Entidade de Praticagem e o Praticante de Prático no
que se refere à avaliação acima mencionada, o caso deve ser levado à decisão do
DPC, via CP, atendido o prazo previsto em norma.

150
j) O Praticante de Prático que não obtiver a avaliação satisfatória no cumprimento do
Programa de Qualificação será afastado definitivamente e terá cancelado seu
Certificado de Habilitação de Praticante de Prático.

EXAME DE HABILITAÇÃO PARA PRÁTICO


a) O Exame de Habilitação para Prático e sua eventual repetição deverão ser
realizados dentro do prazo de validade do Certificado de Habilitação de Praticante de
Prático.
b) A solicitação para realizar o Exame será feita formalmente pelo Praticante de
Prático, mediante requerimento ao CP com jurisdição sobre a ZP, até 90 (noventa)
dias corridos antes do encerramento do prazo de validade do Certificado de
Habilitação de Praticante de Prático, acompanhado da(s) Declaração(ões) de
Avaliação Satisfatória em Programa de Qualificação de Praticante de Prático.
c) O Exame deverá ser iniciado até 45 (quarenta e cinco) dias corridos após a data
do protocolo do requerimento, sendo a data de início e a programação comunicada
ao Praticante de Prático por documento formal da CP.
d) O Exame será realizado a bordo de embarcação, versando, obrigatoriamente,
sobre:
1) Navegação de praticagem;
2) Manobras de praticagem e serviços correlatos às fainas de fundeio, suspender,
atracar, desatracar e mudar de fundeadouro;
3) Manobras com rebocadores;
4) Serviço de amarração e desamarração; e
5) Ordens de manobra e conversação técnica no idioma inglês.
e) O Exame consistirá na avaliação de uma ou mais fainas de praticagem, a ser (em)
escolhida (s) aleatoriamente pela CP e publicadas em Portaria.
f) Não há necessidade de ser realizado o Exame em todos os portos, terminais e
berços de uma ZP.
g) A Banca Examinadora do Exame de Habilitação para Prático será designada e
presidida pelo CP e composta por um Prático da ZP e por um Capitão de Longo
Curso da Marinha Mercante (CLC). O CLC poderá ser substituído por um Oficial
Superior, da ativa ou da reserva remunerada, do Quadro de Oficiais da Armada da
Marinha do Brasil. A Banca deverá ter, pelo menos, um Prático da ZP como membro

151
suplente. O Prático que atuou como monitor do Praticante de Prático não pode fazer
parte da Banca.
h) Não sendo possível contar na composição da Banca Examinadora com o Capitão
de Longo Curso (ou o oficial da MB), deverá ser designado um outro Prático da ZP.
i) A Banca Examinadora somente poderá funcionar completa.
j) O resultado do Exame, qualquer que ele seja, constará de Ata assinada pelos
membros da Banca Examinadora, a cada um sendo destinada uma cópia, assim
como ao Praticante de Prático. Ainda, será formalmente comunicado à DPC por meio
de cópia da Ata e da Ordem de Serviço pertinente.
k) O Praticante de Prático reprovado no Exame poderá, no prazo máximo de 5
(cinco) dias corridos a contar da data em que lhe foi comunicada a reprovação,
requerer ao CP a realização de um segundo e último Exame.
l) O novo Exame deverá ser marcado pela CP para ocorrer no prazo de até 30
(trinta) dias corridos a contar da data do protocolo de recebimento do requerimento,
devendo ser cumpridos os mesmos procedimentos descritos nas alíneas d) a j).
m) Em caso de nova reprovação, o Praticante de Prático será afastado
definitivamente e terá seu Certificado de Habilitação de Praticante de Prático
cancelado.
n) O Praticante de Prático aprovado no Exame de Habilitação para Prático será
habilitado como Prático, sendo tal ato formalizado por meio de Portaria e emissão do
competente Certificado de Habilitação de Prático pela DPC.
o) Caso o Praticante de Prático seja Prático em outra ZP, a habilitação somente será
oficializada após a concessão do afastamento definitivo da ZP de origem. O
Praticante de Prático terá até 20 (vinte) dias corridos, a contar da data em que lhe for
comunicada oficialmente a aprovação no Exame de Habilitação, para requerer ao
DPC, via CP com jurisdição sobre a sua ZP, o seu afastamento definitivo, condição
“sine qua non” para ser habilitado como Prático da nova ZP. Terá 40 (quarenta) dias
corridos, a contar da mesma data da comunicação de aprovação, para se apresentar
na sua nova ZP, quando então será certificado como Prático.
p) No caso de comprovada inexequibilidade do cumprimento, durante o período da
qualificação, de alguma faina de praticagem típica da ZP, deverá constar no verso do
Certificado de Habilitação de Prático tal restrição, que deverá ser superada tão logo
as circunstâncias o permitam, não devendo exceder o prazo de 24 (vinte e quatro)

152
meses.

9.6 - EXECUÇÃO DO SERVIÇO DE PRATICAGEM


ORGANIZAÇÃO
Os Serviços de Praticagem serão organizados por estados, com exceção da
ZP-01 FAZENDINHA(AP) - ITACOATIARA(AM), Bacia Amazônica Oriental, que
abrange mais de um estado. Em cada estado haverá uma ou mais ZP, em função de
suas particularidades.
Os Práticos poderão atuar dos seguintes modos:
1) Individualmente
O Prático que assim optar deverá cumprir todas as exigências previstas para o
Serviço de Praticagem.
2) Sociedade Econômica Simples ou Empresária
Nesta forma de atuação os práticos atuarão em sociedade, prestando
exclusivamente os Serviços de Praticagem, configurando-se como sociedade
simples, sendo o contrato social inscrito no Registro Civil das Pessoas Jurídicas.
Poderão ainda atuar como sociedade empresária, constituindo-se segundo um dos
tipos societários regulados no Código Civil, tendo seus atos constitutivos inscritos na
Junta Comercial.
3) Contratado por Empresa de Praticagem
O Prático poderá ser contratado por sociedade econômica simples ou empresária,
consoante a legislação trabalhista.
Lancha de Prático
Os Práticos, independentemente da sua forma de atuação, poderão:
1) utilizar sua própria Lancha de Prático, devidamente homologada; ou
2) contratar os serviços de Lancha de Prático homologada de outras
Entidades.
Atalaia
A Atalaia deverá ser estruturada para atender de maneira eficiente e
ininterrupta às necessidades do Serviço de Praticagem. Nos casos em que houver
mais de uma Atalaia, será estabelecida uma coordenação entre as Entidades de

153
Praticagem, ratificada pelo CP/DL/AG, de modo que apenas uma das Atalaias atue
como Estação de Praticagem da ZP, para atender às solicitações das embarcações.

9.7 - ESCALA DE RODÍZIO ÚNICA DE SERVIÇO

DE PRÁTICO
É estabelecida especificamente para cada ZP e inclui todos os Práticos
habilitados e aptos em atividade na ZP, independentemente da sua forma de
atuação, por meio da qual os Práticos são divididos, obrigatoriamente, entre os
seguintes grupos:
1) Práticos em Período de Escala;
2) Práticos em Período de Repouso; e
3) Práticos em Período de Férias.
Essa escala visa garantir a disponibilidade ininterrupta do Serviço de
Praticagem e evitar a fadiga do Prático na execução das fainas de
praticagem.Adicionalmente, contribui para a manutenção da habilitação do Prático.
Período de Escala é o número de horas ou de dias consecutivos durante os
quais o Prático está à disposição para ser requisitado a realizar fainas de
praticagem.

Esse período é subdividido em Período de Serviço e Período de Sobreaviso.

1) Período de Serviço é aquele, dentro do Período de Escala, durante o qual o


Prático está efetivamente em faina de praticagem. A faina de praticagem começa a
ser contada, em termos de tempo, a partir do início do deslocamento da embarcação
com o Prático a bordo. O tempo de espera do Prático a bordo, por qualquer motivo,
desde que devidamente acomodado, será considerado sobreaviso (Prático à
disposição do Armador, a bordo).
2) Período de Sobreaviso é aquele, dentro do Período de Escala, durante o qual o
Prático não está atuando efetivamente em fainas de praticagem, porém está à
disposição para ser requisitado. Na faina de praticagem de longa duração, o período
de descanso do Prático, por motivo de revezamento, também é considerado Período

154
de Sobreaviso.
d) Período de Repouso é o período de tempo ininterrupto, que antecede ou sucede a
um Período de Escala, durante o qual o Prático não está disponível para ser
requisitado a realizar faina de praticagem, a não ser em caso de emergência ou na
situação em que há risco para a vida humana.
e) Período de Férias é o período, nunca inferior a trinta dias em cada ano, dos quais
pelo menos quinze dias consecutivos, durante o qual o Prático não está disponível
para ser requisitado a realizar faina de praticagem em quaisquer circunstâncias.

9.8 - ELABORAÇÃO DA ESCALA DE RODÍZIO

ÚNICA DE SERVIÇO DE PRÁTICO


A distribuição dos Práticos, consolidada somente na Escala de Rodízio Única
de Serviço de Prático, deverá proporcionar o revezamento dos Práticos, em Períodos
de Serviço pré-estabelecidos, de modo a manter o atendimento das embarcações de
forma contínua, ou seja, cada faina de praticagem será realizada por Prático(s)
perfeitamente identificado(s) nessa Escala.
O Representante Único do Serviço de Praticagem, sob a supervisão da
CP/DL/AG, levará em conta as peculiaridades locais de cada ZP para a elaboração
da Escala.
As seguintes regras deverão ser observadas para elaboração da Escala de
Rodízio:
1) O Prático só poderá permanecer em Período de Serviço por, no máximo, seis
horas consecutivas. Caso a faina de praticagem demore mais do que seis horas,
deverá ocorrer revezamento do Prático. O Prático substituído nessa situação entra
em Período de Sobreaviso, que não poderá ser inferior a duas horas. A cada 24
horas consecutivas, o Prático somente poderá permanecer em Período de Serviço
por, no máximo, doze horas. Consideradas as peculiaridades locais, o CP/DL/AG
poderá
determinar o número mínimo de Práticos a bordo ou permitir uma tolerância para o
período máximo de seis horas consecutivas de serviço.
2) Nas ZP com navegação de praticagem inferior a trinta milhas, o Prático poderá

155
permanecer em Período de Escala por, no máximo, quatorze dias. Ao final do
Período de Escala, o Prático deverá permanecer, pelo menos, um dia de Período de
Repouso para cada quatro dias que tenha figurado em Período de Escala.
3) Nas ZP com navegação de praticagem igual ou superior a trinta milhas, o Prático
poderá permanecer em Período de Escala por, no máximo, 21 dias. Ao final do
Período de Escala, o Prático deverá permanecer, pelo menos, um dia em Período de
Repouso para quatro dias que tenha figurado em Período de Escala.
4) O Período de Serviço não pode exceder o limite de 120 horas a cada quatorze
dias, ou 180 horas a cada 21 dias.
5) O Prático deverá concorrer mensalmente a, pelo menos, um Período de Escala,
exceto quando interferir no seu Período de Férias.
6) O número de Práticos em Período de Escala deve ser sempre suficiente para que,
cumpridas as regras acima, não ocorram falhas ou atrasos no atendimento às
solicitações de fainas de praticagem, mesmo nos momentos de maior intensidade de
movimentação de embarcações.
d) Nas ZP onde existam duas ou mais Entidades de Praticagem, a Escala de Rodízio
Única de Serviço de Prático deverá ser elaborada pelo Representante Único do
Serviço de Praticagem, devendo a referida Escala ser entregue, com, no mínimo,
cinco dias de antecedência da data de vigência, para ratificação da CP/DL/AG.
e) As trocas de serviço entre Práticos devem ser comunicadas, com a antecedência
estabelecida pela CP/DL/AG, para ratificação. Caso haja troca de serviço ocorrida
por motivo de força maior, sem conhecimento da CP/DL/AG, esta deverá ser
informada oportunamente ou quando do término do Período de Escala, com as
devidas justificativas.
f) Em circunstâncias especiais, em que for identificada a necessidade de alteração
na sistemática de elaboração da Escala de Rodízio Única de Serviço de Prático, o
CP deverá submeter as modificações pretendidas à apreciação da DPC,
apresentando as respectivas razões.

9.9 - DEVERES DO PRÁTICO


Compete ao Prático no desempenho das suas funções:
1) Assessorar o Comandante da embarcação na condução da faina de praticagem,

156
atendendo, com presteza e de forma eficiente, as exigências do Serviço de
Praticagem;
2) Manter-se apto a prestar o Serviço de Praticagem em todos os tipos de
embarcações e em toda a extensão da ZP, observada a restrição prevista em norma;
3) Estabelecer as comunicações que se fizerem necessárias com outras
embarcações em trânsito na ZP, de modo a garantir a segurança do tráfego
aquaviário;
4) Comunicar à CP/DL/AG as variações de profundidade e de correnteza dos rios,
canais, barras e portos, principalmente depois de fortes ventos, grandes marés e
chuvas prolongadas, assim como quaisquer outras informações de interesse à
segurança do tráfego aquaviário;
5) Comunicar à CP/DL/AG qualquer alteração ou irregularidade observada na
sinalização náutica;
6) Comunicar, com a maior brevidade possível, ao Comandante da embarcação e à
CP/DL/AG, a existência de condições desfavoráveis ou insatisfatórias para a
realização da faina de praticagem e que impliquem risco à segurança da navegação;
7) Manter-se atualizado quanto às particularidades do governo, da propulsão e das
condições gerais das embarcações, a fim de prestar com segurança e eficiência o
Serviço de Praticagem;
8) Manter-se atualizado quanto às alterações promovidas nos diversos documentos
náuticos e nas características dos faróis, balizamentos e outros auxílios aos
navegantes na ZP;
9) Cooperar nas atividades de busca e salvamento (SAR) e de levantamentos
hidrográficos na sua ZP, quando solicitados pela CP/DL/AG;
10) Assessorar a CP/DL/AG nas fainas de assistência e salvamento marítimo,
quando por esta solicitado;
11) Manter atualizados seus dados pessoais junto à CP/DL/AG com jurisdição sobre
a ZP;
12) Integrar Bancas Examinadoras pertinentes ao Processo Seletivo à Categoria de
Praticante de Prático e ao Exame de Habilitação para Prático, quando designado
pela DPC ou pela CP;
13) Executar as atividades do Serviço de Praticagem, mesmo quando em
divergência com a empresa de navegação ou seu representante legal, devendo os

157
questionamentos serem debatidos nos foros competentes, sem qualquer prejuízo
para a continuidade do Serviço. Divergências relativas a assuntos técnico-
operacionais referentes à segurança do tráfego aquaviário, à salvaguarda da vida
humana nas águas e à prevenção da poluição hídrica serão dirimidas pela
Autoridade Marítima;
14) Cumprir a Escala de Rodízio Única de Serviço de Prático ratificada pela
CP/DL/AG;
15) Cumprir o número mínimo de fainas de praticagem estabelecido para manter-se
habilitado;
16) Submeter-se aos exames médicos e psicofísicos de rotina, estabelecidos nas
Normas;
17) Portar o colete salva-vidas na faina de transbordo lancha/embarcação/lancha;
18) Cumprir as Normas da Autoridade Marítima (NORMAM, NPCP/NPCF) e
comunicar à CP/DL/AG sempre que, no desempenho da função de Prático, observar
o seu descumprimento;
19) Manter-se em disponibilidade na ZP, durante todo o Período de Escala, para
atender a qualquer faina de praticagem. Em caso de necessidade de afastamento da
ZP por motivo de força maior, o Prático deverá ser substituído na Escala e o fato
informado à CP/DL/AG na primeira oportunidade;
20) Contribuir para a qualificação dos Praticantes de Prático da ZP, conforme
estabelecido pela CP;
21) Realizar o Curso de Atualização para Práticos (ATPR) de acordo com as
Normas; e
22) Apresentar-se para a faina de praticagem em perfeitas condições de higidez
física e mental, não tendo ingerido substâncias ou medicamentos que possam vir a
comprometer o desempenho de suas atividades, especialmente o tempo de reação e
de julgamento.
Os Práticos que não fazem parte do efetivo da ZP, conforme preconizado na
norma, poderão requerer ao DPC, via CP, a sua dispensa para uma específica área
da ZP, em decorrência de fainas de praticagem mais severas. A solicitação terá
caráter definitivo e não eximirá o Prático do cumprimento dos subitens 14), 15) e 19)
acima, ressalvadas as determinações do CP.

158
9.10 - DEVERES DO PRATICANTE DE PRÁTICO
Cumprir o Programa de Qualificação de Praticante de Prático estabelecido
pela CP, sempre orientado por um Prático;
Não interromper o cumprimento do Programa de Qualificação de Praticante de
Prático, exceto no caso de afastamento temporário previsto em norma; e
Cumprir os deveres do Prático, especificamente os descritos em norma.

9.11 - DEVERES DO COMANDANTE DA

EMBARCAÇÃO COM RELAÇÃO AO PRÁTICO


A presença do Prático a bordo não desobriga o Comandante e sua tripulação
dos seus deveres e obrigações para com a segurança da embarcação, devendo as
ações do Prático serem monitoradas permanentemente.
Compete ao Comandante da embarcação, quando utilizando o Serviço de
Praticagem:
1) Informar ao Prático sobre as condições de manobra da embarcação;
2) Fornecer ao Prático todos os elementos materiais e as informações necessárias
para o desempenho de seu serviço, particularmente o calado de navegação;
3) Fiscalizar a execução do Serviço de Praticagem, comunicando à CP/DL/AG
qualquer anormalidade constatada;
4) Dispensar a assessoria do Prático quando convencido que o mesmo está
orientando a faina de praticagem de forma perigosa, solicitando, imediatamente, um
Prático substituto. Comunicar à CP/DL/AG, formalmente, no prazo máximo de 24
horas após a ocorrência do fato, as razões de ordem técnica que o levaram a essa
decisão;
5) Alojar o Prático a bordo em condições semelhantes às oferecidas aos seus
oficiais. Na situação de necessidade de embarque de 2 (dois) práticos, a critério do
Comandante e de acordo com a disponibilidade de acomodações a bordo, os
Práticos poderão ocupar camarotes individuais ou compartilhar camarote entre si;
6) Cumprir as regras nacionais e internacionais de segurança, em especial aquelas
que tratam do embarque e do desembarque de Prático; e

159
7) Não dispensar o Prático antes do ponto de espera de Prático da respectiva ZP,
quando esta for de praticagem obrigatória, observado o contido na norma.

9.12 - AFASTAMENTO DO PRÁTICO E DO

PRATICANTE DE PRÁTICO

PRÁTICO
O afastamento definitivo e o consequente cancelamento do Certificado de
Habilitação de Prático ocorrem pelos seguintes motivos:
1) Falecimento;
2) Incapacidade psicofísica definitiva, atestada por meio de laudo exarado por Junta
de Saúde da Marinha do Brasil;
3) Por penalidade aplicada em decorrência de falta apurada em Inquérito
Administrativo;
4) Por decisão irrecorrível do Tribunal Marítimo;
5) Por deixar de exercer a profissão por mais de 24 meses; ou
6) Por decisão do Prático em requerimento ao DPC, encaminhado via CP com
jurisdição sobre a ZP.
O afastamento temporário, caracterizado quando igual ou inferior a 24 meses,
e a consequente suspensão do exercício da atividade ocorrem pelos seguintes
motivos:
1) Perda temporária da capacidade psicofísica, atestada por meio de laudo exarado
por Junta de Saúde da Marinha do Brasil;
2) Deixar de apresentar o Laudo de Avaliação Médica e Psicofísica do Prático na
época estabelecida;
3) Penalidade aplicada em decorrência de falta apurada em Inquérito Administrativo;
4) Imposição de medida administrativa de apreensão do Certificado de Habilitação;
5) Por decisão irrecorrível do Tribunal Marítimo;
6) Deixar de cumprir o Plano de Manutenção da Habilitação;
7) Deixar de realizar o Curso de Atualização para Práticos dentro da periodicidade
estabelecida; ou

160
8) Por decisão do Prático em requerimento ao CP, especificando a razão e o prazo
do afastamento.

DO PRATICANTE DE PRÁTICO
O afastamento definitivo e o conseqüente cancelamento do Certificado de
Habilitação de Praticante de Prático ocorrem pelos seguintes motivos:
1) Falecimento;
2) Incapacidade psicofísica definitiva, atestada por laudo exarado por Junta de
Saúde da Marinha do Brasil;
3) Quando reprovado duas vezes em Exame de Habilitação para Prático;
4) Decurso de prazo de 18 (dezoito) meses da emissão de Certificado de Habilitação
de Praticante de Prático, sem que tenha requerido a realização do Exame de
Habilitação para Prático;
5) Por decisão do Praticante de Prático em requerimento ao CP com jurisdição sobre
a ZP. A DPC deverá ser informada imediatamente dessa situação; ou
6) Decorrente de penalidade de cancelamento do Certificado de Habilitação.

O afastamento temporário e a interrupção do Programa de Qualificação ocorre


pelos seguintes motivos:
1) Perda temporária da capacidade psicofísica atestada por laudo exarado por Junta
de Saúde da Marinha do Brasil, que indicará o(s) período(s) necessário(s) de
afastamento do Praticante de Prático;
2) Decorrente de penalidade de suspensão do Certificado de Habilitação ; e
3) Por decisão do Praticante de Prático em requerimento ao CP, especificando a
razão.
Esse afastamento será concedido na forma de um período único igual ou inferior a
12 meses.

Nota: O afastamento do Praticante de Prático superior a sessenta dias corridos


obriga a uma reavaliação do seu treinamento, sendo elaborado um novo Programa
de Qualificação pelo CP, auxiliado pela(s) Entidade(s) de Praticagem. Qualquer
período de afastamento autorizado implicará na adoção das seguintes medidas pelo
CP:

161
1) Alteração do prazo de conclusão do Programa de Qualificação; e
2) Revalidação do Certificado de Habilitação de Praticante de Prático.
A DPC deverá ser informada quanto a quaisquer solicitações deferidas.

9.13 - PLANO DE MANUTENÇÃO DA

HABILITAÇÃO
O Plano de Manutenção da Habilitação tem como objetivo ambientar o Prático
em sua ZP após um determinado período de afastamento, independente da
motivação, e será elaborado pelo CP, devendo ser observado o número mínimo de
fainas de praticagem estabelecidas na norma.
O detalhamento do referido Plano deverá constar nas NPCP/NPCF.

9.14 - COMPROVAÇÃO DAS FAINAS DE

PRATICAGEM REALIZADAS
Semestralmente, até o dia dez dos meses de janeiro e de julho, cada Prático
deverá encaminhar à CP/DL/AG com jurisdição sobre ZP uma declaração
detalhando as fainas realizadas no semestre anterior, conforme estabelecido na
NPCP/NPCF. Os Práticos que atuam organizados em Sociedades poderão
encaminhar as respectivas declarações por meio das mesmas, respeitando a
periodicidade prevista.
O Comprovante de Faina de Praticagem, a ser preenchido pelo Prático
responsável pela faina e assinado pelo Comandante da embarcação atendida,
deverá ficar sob a guarda do respectivo Prático, à disposição da CP/DL/AG, por um
período de dois anos.
A partir de 01DEZ2015, concomitantemente com o preconizado nos subitens
acima, será obrigatório o lançamento individual das fainas de praticagem executadas
no “Módulo de Lançamento das Fainas de Praticagem”. O prazo limite para o envio
dos dados será de dez (10) dias corridos a partir da data de cada faina e de mais
dez (10) dias corridos para retificações.
Cada Prático deverá possuir, preferencialmente, um e-mail pessoal para

162
contato, registrado na DPC, via CP/DL/AG, o qual será utilizado para:
- envio da senha inicial de acesso;
- recuperação de senha; e
- troca de informações com o responsável técnico pelo sistema na DPC
([email protected] ou 21-2104-5200/5401/5676).
e) O acesso ao Módulo de Lançamento das Fainas de Praticagem será através do
link http://www3.dpc.mar.mil.br/sisgevi_prat/.

9.15 - AFASTAMENTO DO PRÁTICO PELO

DESCUMPRIMENTO DO PLANO DE

MANUTENÇÃO DA HABILITAÇÃO
O Prático que deixar de cumprir o Plano de Manutenção da Habilitação deverá
comunicar formalmente, exceto se por motivo de força maior, a sua situação de
indisponibilidade à CP com jurisdição sobre a ZP, sendo então enquadrado no
respectivo item da norma e afastado temporariamente do Serviço de Praticagem pela
CP (a comunicação também poderá ser feita pelo RUSP ou empresa de praticagem).
O Prático deverá informar ao CP quando pronto para voltar a praticar,
permitindo assim que seja estabelecido o Plano de Recuperação de Habilitação,
onde este irá atuar como “assistente” na faina de praticagem de um Prático
qualificado da ZP.

9.16 - RECUPERAÇÃO DA HABILITAÇÃO


A recuperação da habilitação é condicionada ao cumprimento de um Plano de
Recuperação de Habilitação que considerará o período em que o Prático tiver
deixado de cumprir o Plano de Manutenção da Habilitação, conforme indicado:
a) Por um período de um trimestre - participar como assistente no trimestre
subsequente de, no mínimo, 25% do número de fainas previsto na norma. Esta
situação não desobrigará o PRT de executar, após a recuperação, o número mínimo
de fainas do respectivo trimestre na Escala, reduzido do número de manobras que
executou como assistente.

163
b) Por um período de dois trimestres consecutivos - participar como assistente no
trimestre subsequente de, no mínimo, 50% do número de fainas previsto na norma.
Esta situação não desobrigará o PRT de executar, após a recuperação, o número
mínimo de fainas do respectivo trimestre na Escala, reduzido do número de
manobras que executou como assistente.
c) Por um período de três a sete trimestres consecutivos - participar como assistente
no trimestre subsequente de, no mínimo, 75% do número de fainas previsto na
norma. Esta situação não desobrigará o PRT de executar, após a recuperação, o
número mínimo de fainas do respectivo trimestre na Escala, reduzido do número de
manobras que executou como assistente.
Obs.:
1) o CP, a seu critério e com o auxílio do RUSP, poderá, além do estabelecimento de
um número de fainas superior ao mínimo preconizado, discriminar as fainas de
praticagem a serem cumpridas pelo Prático na condição de assistente.
2) nas situações b) e c), antes de se dar início ao Plano de Recuperação de
Habilitação, o Prático deverá apresentar novo exame médico e psicofísico, conforme
previsto na norma, cujo respectivo Laudo servirá para a verificação da normalidade
de suas condições físicas e mentais.
3) o mês de janeiro é a referência para início da contagem dos trimestres.

9.17 - NÚMERO DE PRÁTICOS POR ZP


A DPC estabelecerá a lotação de Práticos por ZP, considerando-se, dentre
outros aspectos: volume esperado do tráfego de embarcações, tempo despendido e
grau de dificuldade para a realização das fainas de praticagem, necessidade de
manutenção da habilitação e períodos de escala e repouso.
Sempre que julgar necessário, considerando-se as expectativas, projeções e
modificações ocorridas no tráfego aquaviário, a DPC corrigirá eventuais distorções
nas lotações, visando adequá-las às necessidades do Serviço de Praticagem.

9.18 - LOTAÇÃO E EFETIVO


Lotação é o número de Práticos necessário para uma ZP. Efetivo é o número

164
de fato de Práticos, com menos de setenta anos de idade, em exercício na ZP.
O efetivo de Práticos de uma ZP não deve ser inferior a três, tendo em vista
que a Escala de Rodízio deverá observar o mínimo de um Prático de serviço, um
Prático de sobreaviso e um Prático em repouso.

A Lotação de Práticos por Zonas de Praticagem é elaborada para garantir a


segurança da navegação, a permanente disponibilidade do Serviço e a
manutenção da habilitação.

9.19 - EXAMES MÉDICO E PSICOFÍSICO

a) Controle Periódico
1) O exercício das atividades de Prático requer do aquaviário condições físicas e
mentais dentro de um padrão mínimo de saúde e higidez física que permita máxima
atenção em fainas de praticagen por longas horas, horários irregulares de trabalho,
embarque e desembarque a bordo no mar em condições meteorológicas adversas e
outras adversidades inerentes ao Serviço de Praticagem.
2) Para que o Prático possa desempenhar com segurança as suas atividades,
deverá estar com sua aptidão física e mental em condições aceitáveis para o serviço,
atestadas por um profissional médico, com especialização em Medicina do Trabalho
ou em Medicina de Tráfego, e ser credenciado pela CP/DL/AG com jurisdição sobre
ZP.
3) Inexistindo médico com uma dessas especializações na localidade, o laudo
poderá ser emitido por médico de outra especialidade, desde que credenciado pela
CP/DL/AG com jurisdição sobre ZP.
4) A aptidão do Prático deverá ser atestada por meio de emissão do Laudo de
Avaliação Médica e Psicofísica do Prático. O médico credenciado deverá observar
rigorosamente os parâmetros estabelecidos nesta Seção, sempre considerando as
exigências das atividades do Serviço de Praticagem descritas no referido Anexo,
sendo competente apenas para emissão de laudos de aptidão.
5) Na hipótese de identificação de condição médica que não atenda aos parâmetros

165
estabelecidos e/ou implique em incapacidade para a atividade do Serviço de
Praticagem, o médico credenciado deverá sugerir ao CP/DL/AG da ZP o
encaminhamento do Prático para Junta de Saúde da Marinha do Brasil, descrevendo
os motivos que impediram a aptidão.
6) Caberá a cada Prático apresentar ao CP/DL/AG com jurisdição sobre a ZP,
conforme previsto na norma e na periodicidade na tabela abaixo, o respectivo Laudo
de Avaliação Médica e Psicofísica. O Prático não poderá concorrer à Escala de
Rodízio Única de Serviço de Prático quando deixar de apresentar o respectivo Laudo
de Avaliação Médica e Psicofísica, devendo comunicar o fato, imediatamente, à
CP/DL/AG e ao dirigente da respectiva Entidade de Praticagem, se for o caso.

IDADE PERIODICIDADE
ATÉ 50 ANOS TRIENAL
DE 51 A 70 ANOS BIANUAL
MAIS DE 70 ANOS ANUAL

9.20 - CONSELHO NACIONAL DE PRATICAGEM

- CONAPRA
Quando determinado pela DPC, atuará como:
1) Auxiliar no controle e na fiscalização do exercício profissional do Prático e na
aplicação do Curso de Atualização de Práticos (ATPR);
2) Auxiliar no controle e fiscalização do exercício profissional das Entidades de
Praticagem;
3) Auxiliar como assessor/moderador nos acordos regionais sobre fixação de preços
de praticagem nas diversas ZP; e
4) Homologar as atalaiais e as tripulações das Lanchas de Prático e realizar as
inspeções e laudos periciais para homologação do serviço de Lancha de Prático.

9.21 - ATUALIZAÇÃO DE PRÁTICOS

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A atualização do Prático consiste na realização do Curso de Atualização para
Práticos (ATPR), aprovado pela DPC para atender à Resolução A.960 (XXIII) da
Organização Marítima Internacional.
O Prático deve cursar o ATPR a cada ciclo de cinco anos, contados a partir de
sua criação em janeiro de 2005.
Cabe ao CONAPRA o controle, o gerenciamento e a coordenação do ATPR.
Deverá prestar à DPC, anualmente, até 15 de dezembro, as seguintes informações:
1) Eventuais dificuldades e discrepâncias observadas na aplicação do ATPR; e
2) Relação atualizada dos Práticos que realizaram o curso.
No final de cada ciclo de cinco anos, o Prático que não realizou o ATPR fica
impedido de concorrer à Escala de Rodízio Única de Serviço de Prático, sendo
afastado temporariamente da atividade, até que seja aprovado no curso.

9.22 - LANCHA DE PRÁTICO, LANCHA DE

APOIO E ATALAIA

IDENTIFICAÇÃO VISUAL
a) O casco da lancha deve ser pintado de vermelho e a superestrutura de branco.
b) Deve ser pintada na superestrutura, em ambos os bordos, por ante a ré do acesso
à cabine de governo, a letra P, que significa Prático (“Pilot”). Deve ser utilizada tinta
preta do tipo refletora. As dimensões mínimas das letras devem ser: altura de 30 cm
e largura de 15 cm.

EMPREGO
A Lancha de Prático é de uso específico do Serviço de Praticagem.
Entretanto, poderá ser empregada em outras atividades quando requisitada pela
Autoridade Marítima, como para emprego em ações de socorro e salvamento ou
fiscalização do tráfego aquaviário.

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DOTAÇÃO
O número mínimo de Lanchas de Prático será o necessário de modo a manter
o Serviço de Praticagem ininterrupto, com a obrigatoriedade de estarem prontas para
atender às solicitações permanentemente (24h p/dia).

HOMOLOGAÇÃO DA LANCHA DE PRÁTICO


a) O CP homologará, dentro da sua jurisdição, a Lancha de Prático que atender aos
requisitos constantes da norma.
b) A qualquer momento, a constatação do descumprimento de algum requisito
poderá implicar em perda da homologação.
c) A homologação será concedida por meio do Certificado de Homologação da
Lancha de Prático. O CP/DL/AG manterá o registro e arquivo da 2a via do Certificado
concedido.
d) O CONAPRA, com delegação de competência da DPC, realizará as inspeções
necessárias e emitirá os laudos periciais pertinentes à homologação da Lancha de
Prático.

LANCHA DE APOIO À PRATICAGEM - EMPREGO


a) As Entidades de Praticagem estão autorizadas a utilizar Lanchas de Apoio à
Praticagem que possibilitem efetuar o transporte do Prático para navios atracados,
fundeados ou amarrados à bóia em águas abrigadas.
b) A Lancha de Apoio à Praticagem não substituirá, em nenhuma condição, a Lancha
de Prático. Poderá ser empregada em outras atividades a critério da Entidade de
Praticagem e quando requisitada pela Autoridade Marítima, como para emprego em
ações de socorro e salvamento ou fiscalização do tráfego aquaviário.

IDENTIFICAÇÃO VISUAL
a) A Lancha de Apoio à Praticagem deverá ter o casco na cor vermelha e a
superestrutura em branco.
b) Deve ser pintada na superestrutura, em ambos os bordos, por ante a ré do acesso
a cabine de governo, a letra “P”, que significa Prático (“Pilot”). Deve ser utilizada tinta
preta do tipo refletora. As dimensões mínimas das letras devem ser: altura de 30 cm
e largura de 15 cm.

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HOMOLOGAÇÃO DA ATALAIA
O CONAPRA, com a delegação de competência da DPC, realizará as
inspeções necessárias e homologará a(s) Atalaia(s), por meio do Certificado de
Homologação da Atalaia, com cópia para a CP/DL/AG.
A qualquer momento, a constatação do descumprimento de algum item acima
citado poderá implicar em perda da homologação, por decisão da CP/DL/AG.

9.23 - ZONA DE PRATICAGEM

RELAÇÃO DAS ZONAS DE PRATICAGEM


As ZP, com os respectivos limites geográficos, encontram-se listadas na
norma.

PREÇOS DOS SERVIÇOS DE PRATICAGEM


A fixação dos preços dos serviços de praticagem, pela DPC, dar-se-á na
conformidade das disposições estabelecidas pelo Decreto no 7860, de 6 de
dezembro de 2012.
Os procedimentos metodológicos utilizados para a definição das tabelas de
preços máximos dos serviços de praticagem são aqueles aprovados por Resolução
da Comissão Nacional para Assuntos de Praticagem - CNAP. Essa Metodologia,
dado o seu caráter pioneiro, poderá sofrer alterações ao longo do tempo, assim
como as Tabelas aprovadas.

9.24 - NAVIOS DE GUERRA E DE ESTADO

ESTRANGEIROS EM VISITA A PORTOS

BRASILEIROS EM TEMPO DE PAZ


A Marinha do Brasil adota, em princípio, o critério da reciprocidade para
oferecer facilidades aos navios de guerra e de estado estrangeiros em visita a portos

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brasileiros em tempo de paz, não engajados em visitas de caráter comercial.
Quando a Entidade de Praticagem for designada para atender a navio de
guerra ou de estado estrangeiro, deverá, antecipada e formalmente, consultar o
CP/DL/AG sobre o oferecimento de facilidades e isenções ao navio.

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