Dançarino potiguar apresenta temporada inédita de um mês em São Paulo
artista potiguar e pesquisador de dança contemporânea Alexandre Américo inicia no
dia 7 de junho um momento inédito para a representação cultural do Rio Grande do
Norte no país. Durante todo o mês de junho, Américo apresenta o espetáculo solo
“Bípede Sem Pelo” no coração de São Paulo, o Sesc Avenida Paulista.
“Um espetáculo de dança solo é muito difícil de conseguir qualquer espaço, quanto
mais uma temporada mensal. Esse é um grande momento para a nossa dança. E ainda
mais que trago toda um trabalho de referências aos orixás, sou do Nordeste, um
homem negro e um artista com deficiência”, afirma Alexandre.
A peça de dança é fruto das pesquisas e experimentações que Alexandre Américo,
tendo “Bípede Sem Pelo”, que é dirigido pelo também potiguar Pedro Vitor, começado
sua montagem especificamente em 2021, dando seguimento ao trabalho “Cinzas ao Solo”
de 2016.
O espetáculo que será apresentado em Sâo Paulo também marca os dez anos do projeto
poético e de movimento desenhado por Alexandre a partir de sua convivência com a
epilepsia mioclônica juvenil, uma síndrome epiléptica generalizada caracterizada
por abalos involuntários nos membros, especialmente nos braços e nas mãos, e com o
TDAH.
“Fazem parte do escopo imagético de referências deste trabalho as imagens dos
orixás Omolu e Iansã com suas palhas-da-costa e seus ventos, o culto aos Egun-eguns
na Bahia, a dança dos orixás, estátuas de bronze encontradas no Egito Antigo, o
Manto do Bispo do Rosário, a figura do Cronos devorando o filho, bem como do Atlas
suspendendo a Terra, fotografias de pessoas em transe feitas por Pierre Verger e
sonoridades advindas do Oriente”, explica ele.
Sobre Alexandre Américo
Artista caiçara neurodivergente, pesquisador da Dança com Licenciatura em Dança e
Mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas (PPGARC), ambas pela
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Alexandre Américo foi aluno
especial de Doutorado em Estudos da Mídia (UFRN) e Diretor Artístico da Cia
GiraDança, de 2018 a 2023 (Natal-RN). No momento, dirige a Corpo Mudança
(Fortaleza-CE) e é atuante na área da investigação em Arte Contemporânea, com
enfoque em estruturas performativas, improvisação, Cripstemologia (teoria aleijada)
e seus desdobramentos dramatúrgicos. Com um perfil que transita com facilidade
entre a academia e o palco, Alexandre acredita que teoria e prática caminham de
mãos dadas, uma servindo à outra.
“Toda a minha formação no universo da dança cênica se deu, simultaneamente, dentro
e fora dos espaços acadêmicos, e por isso me empenho em borrar as fronteiras entre
o que é e o que não é academia. Penso que fazer dança é fazer conhecimento, e por
isso me interesso em tecer um diálogo constante entre autores dentro de minhas
criações. Para esta peça, em especial, tenho como suporte teórico o texto Bípedes
Sem Pelo: o caso das emoções, do Prof. Dr. Marcos Bragato, para me ajudar a pensar
o que é esse humano dentro da ciência em relação à dança. E com o Michel Maffesoli
e seu livro Ecosofia: uma ecologia para nosso tempo_, que me auxilia no
entendimento desse humano contemporâneo que busca se relacionar de maneira a não se
separar da natureza e seus processos”, reflete Américo.
Sinopse
“O Bípede perdeu os pelos, o cérebro, a razão. Ele gira e na gira faz do mundo a
carne de seu corpo”. Esta peça torce a ideia do animal humano, o Bípede Sem Pelo, e
revela, assim, feito um corpo-que-dança-em-transe-que-dança-corpo, um evento
estético que nos põe em continuidade com as coisas mundanas, em giros, saltos
cruzamentos e amarrações, devolvendo-nos um saber próprio das manifestações
culturais da terra.
FICHA TÉCNICA
Dança e Coreografia: Alexandre Américo
Direção: Pedro Vitor
Interlocução Cênica: Laura Figueiredo
Interlocução Coreográfica: Elisabete Finger
Cenografia: Ana Vieira e Jô Bomfim
Luz: Camila Tiago
Montagem de luz: David Costa
Operação de Luz: Nicholas Matheus e Pedro Vitor
Fotografia divulgação: Carol Pires, Cayo Vieira, JAN e Maria Antônia Queiroz
Design Gráfico: Yan Soares e Maria Antônia Queiroz
Produção: Listo Produções – Celso Filho e Corpo Rastreado – Lucas Cardoso
Comunicação: Paulo Nascimento
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques, Daniele Valério e Flávia
Fontes
Duração: 1h
Classificação indicativa: 16 (nudez).