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Ebook04 Verbos

O documento discute os verbos na língua portuguesa, abordando tópicos como flexões verbais, formas nominais, classificação de verbos, emprego de tempos e modos verbais e correlação verbal.

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Ebook04 Verbos

O documento discute os verbos na língua portuguesa, abordando tópicos como flexões verbais, formas nominais, classificação de verbos, emprego de tempos e modos verbais e correlação verbal.

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verbos

Com Sérgio Nogueira,


o professor do Soletrando.
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Apresentação
Quer simplificar o português, aprender com mais prazer e acabar
com suas dúvidas?

Este e-book busca esclarecer questões comuns sobre verbos, espe-


cialmente quando se trata de correlação verbal, do emprego de verbos
irregulares, impessoais e defectivos e do uso do particípio.

As videoaulas ampliam o conteúdo do livro digital, discutem as dú-


vidas mais comuns e apresentam exemplos práticos para você enrique-
cer seu conhecimento.

É assim que o professor Sérgio Nogueira retoma os temas mais im-


portantes e mais cobrados em provas de concursos e vestibulares, para
que você possa (re)aprender sem dificuldades e sem traumas.

Tudo com a experiência de quem há mais de 40 anos aproxima os


brasileiros da língua portuguesa.

Bom proveito!
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Sumário
Os verbos............................................................................................... 4
Flexões verbais.................................................................................. 6
1. Pessoas e números........................................................................................... 6
2. Modos....................................................................................................................... 7
3. Tempos..................................................................................................................... 9
4. Vozes........................................................................................................................11

Formas nominais............................................................................12
1. Infinitivo................................................................................................................13
2. Gerúndio...............................................................................................................13
3. Particípio...............................................................................................................14

Classificação......................................................................................15
1. Auxiliar...................................................................................................................15
2. Principal................................................................................................................16
3. Regular...................................................................................................................17
4. Irregular.................................................................................................................17
5. Defectivo...............................................................................................................18
6. Abundante...........................................................................................................19
7. Pessoal....................................................................................................................22
8. Impessoal.............................................................................................................23

Emprego de alguns tempos e modos verbais...............25


1. Modo indicativo...............................................................................................26
2. Modo subjuntivo..............................................................................................33
3. Modo imperativo.............................................................................................35

Correlação verbal...........................................................................38
Dicas de conjugação....................................................................40
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Os verbos
Todo mundo sabe mais ou menos o que é um verbo. Sem muita
dificuldade, qualquer pessoa definiria verbo como uma palavra que
expressa ação, estado, fato ou fenômeno. Mas o que isso significa de
concreto na hora da comunicação?
Tente contar alguma coisa simples sem utilizar verbo; por exemplo,
como foi seu café da manhã.
Sentiu como é difícil?
Imagine, então, contar um dia inteiro, sem empregar nenhum verbo.
Parece impossível, não é mesmo? Não para Ricardo Ramos, que produziu
um texto interessantíssimo sem um único verbo. Confira.

Circuito fechado

Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental,


água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água,
cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo,
pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, telefone,
agenda, copo com lápis, caneta, blocos de notas, espátula, pastas,
caixa de entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis,
cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis,
telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos,
bilhetes, telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras,
esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta,
projetos de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro,
giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi. Mesa, toalha, cadeiras, copos,
pratos, talheres, garrafa, guardanapo, xícara. Maço de cigarros,
caixa de fósforos. Escova de dentes, pasta, água. Mesa e poltrona,
papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro, fósforo, telefone

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interno, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta,


chaves, lenço, relógio, maço de cigarros, caixa de fósforos. Jornal.
Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres, guardanapos.
Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira,
cinzeiro, papéis, externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel,
relógio, papel, pasta, cigarro, fósforo, papel e caneta, telefone, caneta
e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jornal, cigarro, fósforo,
papel e caneta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó,
gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos,
talheres, copos, guardanapos. Xícaras, cigarro e fósforo. Poltrona,
livro. Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo.
Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca, pijama, espuma,
água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.

(In: RAMOS, Ricardo. Circuito fechado. São Paulo: Globo, 2012.


© by herdeiros de Ricardo Ramos)

Perceba que, utilizando quase basicamente substantivos, o autor foi


capaz de contar o que aconteceu desde o amanhecer até o fim do dia. Por
meio da seleção de substantivos e da sequência em que aparecem, pode-
mos imaginar como se passou o dia do personagem – que deduzimos ser
um homem devido à enumeração de elementos próprios do sexo mascu-
lino, como creme de barbear, cueca, gravata, paletó.
Assim, com uma sequência muito bem elaborada, tomamos conheci-
mento de algumas de suas características e acompanhamos sua rotina,
um dia que termina como começa.
Também podemos notar que se trata de uma forma de comunicação
artística. Na comunicação natural de nosso dia a dia, é impossível elimi-
nar o verbo, pois ele é uma fonte importantíssima de informação.
Por ser a única palavra da língua portuguesa que aceita cinco flexões
– pessoa, número, modo, tempo e voz –, o verbo sozinho informa não só o
que aconteceu, mas também com quem, como e quando aconteceu.

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Flexões verbais

1. Pessoas e números
As flexões de pessoa e número andam sempre juntas. Ao determi-
narmos a pessoa em que o verbo está flexionado, automaticamente
devemos também informar o número, isto é, dizer se se trata do singu-
lar ou plural. Porque, convenhamos, há muita diferença entre dizer “Eu
ganhei na loteria” e “Nós ganhamos na loteria”.

O verbo pode flexionar-se em três pessoas: 1a, 2a e 3a, no singular ou


no plural. Veja o quadro abaixo:

Pessoa Singular Plural


1ª eu nós

2ª tu vós

3ª ele, ela eles, elas

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>> Quando o verbo está flexionado na 1a pessoa, sabemos que a


informação privilegia a pessoa que fala.
Eu canto e danço.
Nós esperamos mais do ensino público.

>> Quando o verbo está flexionado na 2a pessoa, sabemos que a


informação privilegia a pessoa que ouve.
Tu cantas e danças.
Tu esperas muito do ensino público.

>> Quando o verbo está flexionado na 3a pessoa, sabemos que a


informação privilegia uma pessoa que não está presente na hora
da comunicação; trata-se da pessoa de quem se fala.
Ela canta e dança.
Eles esperam muito do ensino público.

2. Modos
As flexões de modo informam como o falante se sente em relação ao
fato que comunica. Ele pode ter certeza do fato, pode estar em dúvida
ou pode ordenar que o fato se cumpra. Temos, assim, três modos verbais:

Indicativo
Dizemos que o verbo está no modo indicativo quando o falante ex-
pressa um fato certo, quando ele tem certeza de que o fato ocorreu,
ocorre ou ocorrerá.

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Ontem, Marcos não jantou em casa.


(O falante tem certeza de que o fato ocorreu.)
Hoje, Marcos janta em casa.
(O falante tem certeza de que o fato é certo.)
Amanhã, Marcos jantará em casa.
(O falante tem certeza de que o fato ocorrerá.)

Subjuntivo
Dizemos que o verbo está no modo subjuntivo quando o falante
expressa uma dúvida, quando ele considera o fato uma possibilidade
ou um desejo.
Talvez Marcos jante em casa hoje.
(O falante expressa uma dúvida.)
Adoraria que Marcos jantasse em casa hoje.
(O falante expressa um desejo.)

Imperativo
Dizemos que o verbo está no modo imperativo quando o falante
expressa, basicamente, uma ordem, mas também pode expressar um
conselho ou um pedido.
Seja obediente! Jante em casa todos os dias.
(O falante expressa uma ordem.)

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3. Tempos
As flexões de tempo informam o mo-
mento em que determinado fato ocorreu.
Assim, dependendo da flexão temporal, sa-
bemos se o fato ocorre naquele momento
(presente), se já ocorreu (passado) ou se
ainda ocorrerá (futuro).

É difícil falar de tempo separado do


modo, pois cada modo tem sua divisão de
tempo. O indicativo, por exemplo, apresenta
seis tempos simples: presente, pretérito perfei-
to, pretérito imperfeito, pretérito mais-que-perfeito,
futuro do presente e futuro do pretérito; e quatro tempos compostos:
pretérito perfeito composto, pretérito mais-que-perfeito composto, fu-
turo do presente composto e futuro do pretérito composto.

O subjuntivo tem três tempos simples: presente, pretérito imper-


feito e futuro; e três tempos compostos: pretérito perfeito, pretérito
mais-que-perfeito e futuro composto.

É bom lembrar que chamamos de simples os tempos que são for-


mados por apenas um verbo, como: “acordei” (pretérito perfeito sim-
ples). Já os tempos compostos são formados pelos verbos auxiliares
“ter” ou “haver” seguidos do particípio do verbo principal, como: “te-
nho acordado” (pretérito perfeito composto do indicativo) ou “havia
acordado” (pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo).

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Confira, na tabela abaixo, os tempos e os modos verbais:

Tempo Indicativo Subjuntivo

Forma Forma Forma Forma


simples composta simples composta
(que eu)
Presente falo - -
fale

tenho tenha
Pretérito perfeito falei -
falado falado

(se eu)
Pretérito imperfeito falava - -
falasse

tinha tivesse
Pretérito mais-que-perfeito falara -
falado falado

terei (quando tiver


Futuro do presente falarei
falado eu) falar falado

teria
Futuro do pretérito falaria - -
falado

É interessante observar como os brasileiros, no dia a dia, acabam privile-


giando alguns tempos em detrimento de outros, principalmente quando se
trata do mais-que-perfeito. Preferimos a forma composta: “tinha (ou havia)
feito” em vez de “fizera”, “tinha partido” em vez de “partira”. As duas formas,
a simples e a composta, estão corretas. É mesmo só uma questão de gosto.
Quando cheguei, notei que esquecera a luz acesa na noite anterior. Ou
Quando cheguei, notei que havia esquecido a luz acesa na noite anterior.

Como também é uma questão de gosto substituir o futuro do presente


simples pela locução verbal formada pelo verbo “ir” seguido do infinitivo do
verbo principal, dizendo “ele vai sair” em vez de “ele sairá”.

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4. Vozes
Usamos as flexões de voz para evidenciar a relação que existe entre
o sujeito e a ação expressa pelo verbo, isto é, para privilegiar quem pra-
ticou a ação ou quem recebeu a ação.

Quando queremos privilegiar quem realizou a ação, usamos a voz


ativa. Analise a seguinte frase:
O temporal destruiu as plantações de soja.

Perceba que o foco da mensagem recai sobre o sujeito que praticou


a ação – nesse caso, a ação de destruir a plantação de soja.

Agora, analise outra frase:


As plantações de soja foram destruídas pelo temporal.

Observe que houve duas mudanças importantes na informação.


O foco da mensagem saiu de quem praticou a ação e recaiu sobre
quem sofreu a ação. E para que isso ocorresse, o verbo teve de variar
sua forma, isto é, sofreu uma flexão, que, nesse caso, foi de voz. Ele
mudou da voz ativa (destruiu) para a voz passiva (foram destruídas).

Não podemos esquecer do sujeito que pratica e, ao mesmo tem-


po, recebe a ação expressa pelo verbo. Estamos falando da voz re-
flexiva. Na frase: “O cozinheiro cortou-se”, podemos perceber que o
sujeito “cozinheiro” foi o agente e o alvo da ação de cortar, pois, ao
mesmo tempo em que praticou a ação de cortar, recebeu a ação, cor-
tando a si próprio.

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Formas
nominais

As formas nominais – infinitivo, gerúndio e particípio – não apresen-


tam nenhuma indicação de tempo ou modo. E recebem esse nome porque,
além de obviamente exercerem a função de verbo, desempenham funções
de nomes, isto é, funcionam como substantivos, advérbios ou adjetivos.

Analise os exemplos:

Em “O cantar dos pássaros alegra as manhãs de primavera”, temos o


infinitivo “cantar” desempenhando o papel de um substantivo.

Em “Ele se assustou com a luz piscando”, encontramos o gerúndio


do verbo “piscar” funcionando como adjetivo.

E na frase “Ele tomava banho cantando”, o gerúndio do verbo “can-


tar” tem o valor de advérbio de modo.

Já em “O príncipe despertou a bela adormecida”, observamos o par-


ticípio do verbo “adormecer” exercendo a função de adjetivo.

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1. Infinitivo
O infinitivo apresenta o fato sem determinar o tempo, ou seja, sem
informar quando começa e quando termina o processo verbal. O infini-
tivo pode ser:

>> Impessoal: quando não se refere a nenhum sujeito.


É necessário proteger a natureza.

>> Pessoal: quando se refere a um sujeito diferente do sujeito da


oração anterior.
Acho importante os políticos discutirem questões relevantes para
o bem-estar social.

2. Gerúndio
>> O gerúndio apresenta o fato que está acontecendo, no momento
em que ele ocorre.
Ele está falando ao telefone agora.

>> Indica um processo em curso, uma ação prolongada.


Ele está contando histórias para viver.

>> Também pode indicar uma ação incompleta.


Todos estavam pulando quando a arquibancada cedeu.

O uso do gerúndio deve ser evitado em construções, muito comuns


hoje em dia, que transmitem a ideia de uma ação em curso no futuro.

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Assim, em vez de dizer “Vou estar pesquisando uma solução para


seu caso”, diga “Pesquisarei uma solução para seu caso”. Em vez de “Es-
taremos transferindo sua ligação”, diga “Iremos transferir sua ligação”.

3. Particípio
>> O particípio pode exprimir uma ação concluída, terminada.
O prédio havia desabado pela manhã.
Nada tinha restado para contar a história.

>> Quando desempenha a função de adjetivo, o particípio flexiona-


-se em gênero e número para concordar com o substantivo a que
se refere.
Aquela jovem é muito respeitada por todos.
Os idosos ainda são muito maltratados pela família.
Feitas as apostas, só restava torcer.

As formas nominais são facilmente reconhecidas por suas terminações.

Confira:

Forma nominal Terminação Exemplos


Infinitivo -r cantar, beber, partir

Gerúndio -ando, -endo, -indo cantando, bebendo, partindo

Particípio -ado, -ido cantado, bebido, partido

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Classificação

Há vários critérios de classificação de um verbo.

Se levarmos em conta sua função, o verbo pode ser:

1. Auxiliar
O verbo é chamado de auxiliar quando, em uma locução verbal ou
na formação de tempos compostos, perde seu significado original para
informar o tempo, o modo, a pessoa e o número do processo verbal. Os
principais verbos auxiliares são: ser, estar, ter e haver.
Estou amando meu curso de inglês.

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Temos vivido muitas aventuras juntos.


A direção havia comunicado as férias coletivas.

Outros verbos podem desempenhar essa função, como “ir”, “poder”,


“continuar”, “dever”, “precisar”.
Os funcionários vão sair cedo hoje.
Os diabéticos não podem comer doces.
As novelas continuam entretendo a população.

2. Principal
O verbo principal, em uma locução verbal ou na formação de tem-
pos compostos, é aquele que carrega a informação do processo verbal.
Apresenta-se sempre em uma das três formas nominais: infinitivo, ge-
rúndio ou particípio.
Os torcedores devem fazer muito
barulho na final do campeonato.
(infinitivo)
Ninguém está tomando sopa hoje.
(gerúndio)
Os condôminos têm respeitado as
regras estabelecidas na assembleia.
(particípio)

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Se analisarmos o verbo segundo sua flexão, ele pode ser:

3. Regular
O verbo regular respeita um modelo de conjugação; seu radical não
sofre nenhuma alteração ao ser conjugado.
Eu canto.
Ele cantou.
Nós cantaríamos.
Se eles cantassem.
Quando tu cantares.

Radical é a parte do verbo que guarda seu significado básico.


Para encontrar o radical, elimine as terminações -ar, -er e -ir do
infinitivo. Por exemplo, o radical do verbo “cantar” é cant, do
verbo “beber” é beb e do verbo “partir” é part.

4. Irregular
O verbo irregular sofre alteração no radical quando é conjugado.

Perceba, por exemplo, o que acontece com a conjugação do verbo


“trazer”. O radical desse verbo é traz. No entanto, em algumas formas,

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como “eu trago”, “ele trouxe”, “nós traríamos”, “se eles trouxessem”, “eu
trarei”, “quando tu trouxeres”, esse radical sofre mudanças.

É muito interessante notar a influência do modelo dos verbos regulares


nas crianças que estão aprendendo a falar. Quem nunca ouviu os pequenos
dizendo: “eu sabo” no lugar de “eu sei”? Ou “eu fazi” em vez de “eu fiz”?

E você já parou para pensar por que as crianças cometem todas os


mesmos erros? A culpa é dos verbos regulares, que, sendo a maioria,
acabam por “impor” seus modelos de conjugação aos verbos irregula-
res, que são menos frequentes.

Assim, por analogia, se a criança diz “eu bebo”, “eu como”, “eu cor-
ro”, ela vai dizer “eu sabo” e “eu cabo”. E se diz “eu pedi”, “eu comi”, “eu
dormi”, por que não dizer “eu fazi”, “eu di”, “eu ganhi”?

5. Defectivo
Verbo defectivo é aquele que não aceita ser conjugado em todas as
pessoas, tempos e modos. Isso ocorre por vários fatores. Pode ser para evi-
tar a confusão causada pela coincidência de som, como em “eu falo” (falar)
e “eu falo” (falir). Nesse caso, por uma questão de uso, aboliu-se a 1a pessoa
do verbo “falir”, que é muito menos utilizada que a forma do verbo “falar”.

Outros verbos perderam algumas flexões por um problema de eufo-


nia; em outras palavras, por provocarem uma sonoridade desagradável,
como o verbo “computar” nas três pessoas do singular, que ficaria: “eu
computo, tu computas e ele computa”.

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Há ainda o caso dos verbos unipessoais, que são aqueles que só se


usam normalmente na 3a pessoa do singular e do plural, pois seu significa-
do não aceita como sujeito um ser humano. É o caso de verbos como “acon-
tecer”, “aprazer”, “brotar”, “cariar”, “doer”, além de, obviamente, os verbos
que expressam sons de animais – não dizemos “eu lato”, “tu pias”, exceto se
quisermos ofender alguém ou conversar com animais de estimação.

Não podemos esquecer ainda os verbos impessoais, que apresen-


tam somente a 3a pessoa do singular. Diferentemente dos unipessoais,
os impessoais nunca têm sujeito. É o caso dos verbos que expressam
fenômenos da natureza, como “chover”, “nevar”, “amanhecer”.

Quando empregados em sentido figurado, os verbos impessoais po-


dem ser conjugados em outras pessoas – “O orador trovejou de raiva” –,
pois deixam de indicar fenômenos da natureza.

6. Abundante
É o verbo que apresenta mais de uma forma para a mesma flexão.
Muitas vezes, quando falamos em verbos abundantes, só lembramos
aqueles que apresentam dois particípios e esquecemos o verbo “ha-
ver”, por exemplo, que tem duas formas para a 1a pessoa do plural do
presente do indicativo – “havemos” e “hemos” – e duas formas para a 2a
pessoa do plural – “haveis” e “heis”.

No particípio, os verbos abundantes apresentam uma forma regu-


lar (caracterizada pelas desinências -ado e -ido) e outra irregular.

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Veja uma lista de alguns verbos abundantes com seus particípios:

Verbo Particípio regular Particípio irregular


aceitar aceitado aceito

acender acendido aceso

eleger elegido eleito

enxugar enxugado enxuto

expulsar expulsado expulso

fritar fritado frito

ganhar ganhado ganho

gastar gastado gasto

imprimir imprimido impresso

limpar limpado limpo

matar matado morto

morrer morrido morto

murchar murchado murcho

ocultar ocultado oculto

pagar pagado pago

pegar pegado pego

prender prendido preso

salvar salvado salvo

segurar segurado seguro

soltar soltado solto

suspender suspendido suspenso

tingir tingido tinto

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>> Os auxiliares “ter” e “haver” acompanham os particípios


regulares e exprimem sentido ativo.
Os soldados tinham (ou haviam) expulsado todos os invasores.

Observe que a frase tem um sentido ativo, pois os soldados (sujeito


da oração) realizaram a ação expressa pelo verbo.

>> Já os auxiliares “ser” e “estar” acompanham os particípios


irregulares e exprimem um sentido passivo.
Os invasores foram expulsos pelos soldados.

Note que, agora, a frase tem sentido passivo, pois os invasores (su-
jeito da oração) sofreram a ação expressa pelo verbo.

Observe alguns verbos que apresentam apenas a forma irregular


para o particípio:

Verbo Particípio
abrir aberto

cobrir coberto

dizer dito

escrever escrito

fazer feito

pôr posto

ver visto

vir vindo

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Tenha muito cuidado ao empregar o particípio dos verbos “trazer” e


“chegar”. Embora muitas pessoas insistam em criar a forma irregular, a
norma culta só aceita os particípios regulares “trazido” e “chegado”. As
formas “trago” e “chego” não podem ser empregadas como particípio.

O verbo também pode ser classificado segundo a existência do su-


jeito. Obedecendo a esse critério, o verbo pode ser:

7. Pessoal
É o verbo que tem um sujeito – que pode estar explícito ou implícito
na oração. Os verbos pessoais devem concordar em pessoa e número
com o sujeito a que se referem.
As moças rodopiavam no salão.

Note que o verbo “rodopiar” apresenta-se na


3 pessoa do plural para concordar em pessoa e
a

número com o sujeito a que se refere – “as moças”.

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8. Impessoal

É o verbo que não tem sujeito, pois a ação que ele exprime não pode
ser atribuída a nenhum ser. Por não terem um sujeito com quem con-
cordar, esses verbos devem ficar fixos na 3a pessoa do singular, com ex-
ceção do verbo “ser”, quando concorda com o número que indica hora
ou data. Os principais verbos impessoais são:

>> Verbos que indicam fenômenos da natureza, como “chover”,


“ventar”, “garoar”, “amanhecer”, “anoitecer”, entre outros.
Choveu muito no feriado de carnaval.

Não esqueça que, quando empregados em sentido figurado, esses


verbos tornam-se pessoais, pois passam a se referir a um sujeito.
Choveram cartas de apoio a seu projeto.

Observe que o verbo “chover” na frase acima deixa de ser impesso-


al, pois se refere a um sujeito – “cartas” – e concorda em pessoa e
número com ele.

>> Verbos “haver” (formal) e “ter” (coloquial) no sentido de “existir”


ou “acontecer”.
Havia muitas questões sem resposta.
Houve várias disputas por território na Amazônia.
Tinha pessoas muito inconvenientes na festa da Maria.

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>> Verbos “ser”, “estar”, “fazer” e “haver” quando indicam tempo.


É uma hora.
São 10 horas.
Era verão.
Está calor hoje.
Está muito tarde.
Fez dias e dias de calor nas férias.
Já faz duas semanas.
Não nos encontrávamos havia muitos anos.

Em uma locução verbal, o verbo impessoal transmite sua impessoa-


lidade ao verbo auxiliar, que fica fixo na 3a pessoa do singular.

Locução verbal
1442443
Vai fazer seis meses que não chove.
123 14243
verbo verbo
auxiliar principal

Locução verbal
144424443
Deve haver muitas pessoas desabrigadas.
14243 14243
verbo verbo
auxiliar principal

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Emprego de alguns
tempos e
modos verbais

Você já parou para pensar por que existem, por exemplo, no modo
indicativo, três tipos de passado: o perfeito, o imperfeito e o mais-que-
-perfeito? Será que um passado perfeito é aquele em que só coisas
boas aconteceram? Bem, se fosse assim, o mais-que-perfeito estaria
muito perto do paraíso!

Felizmente (ou infelizmente) essa classificação depende não de


nossas experiências passadas, mas da noção de desenvolvimento do
processo verbal, ou, em outras palavras, está ligada à noção de começo,
duração e término da ação.

Vamos ver, a seguir, os usos mais comuns de alguns tempos e modos.

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1. Modo indicativo

Presente
A primeira finalidade do presente do indicativo que nos vem à cabe-
ça é assinalar fatos que ocorrem no momento em que se fala.
Neste momento, uma forte chuva desaba sobre a cidade.
São seis horas da manhã e o sol desponta no horizonte,
indiferente aos acontecimentos da madrugada.

Entretanto, esse tempo verbal é muito versátil. Veja outras situa-


ções em que podemos empregar o presente.

>> Para expressar um fato habitual, um fato que ocorre


com frequência.

Nesse caso, é denominado presente habitual ou frequentativo.


Nado às terças e quintas no clube.
Almoço sempre ao meio-dia.

>> Para expressar uma verdade universal ou um estado


permanente, que não tem começo nem fim.

É o chamado presente durativo. Veja alguns exemplos:


Ao nível do mar, a água ferve a 100°C.
O Brasil é o maior país em extensão territorial da América Latina.
As abelhas produzem mel.

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>> Para expressar fatos passados.

Esse emprego do presente no lugar do pretérito tem como objetivo dar


maior realce à narrativa, fazendo com que o leitor se sinta mais perto
dos fatos narrados. O chamado presente narrativo ou presente histó-
rico é muito utilizado pela imprensa diária, principalmente nas man-
chetes, para dar impressão de que os fatos expostos são recentes. Veja:
Colombo chega à América em 1492.
Desabamento mata cinco e deixa vários desaparecidos.

>> Para expressar um fato futuro próximo.

Nesse caso, o falante utiliza o presente no lugar do futuro, pois tem


certeza de que o fato ocorrerá.
Viajo na próxima quinta-feira.
Em julho, vou a Paris.

>> Para substituir o modo imperativo.

Nesse caso, é uma tentativa de suavizar uma ordem ou um pedido,


procurando criar no interlocutor uma resposta afetiva.
Dizes que me ama.
Você fecha a porta quando sair, por favor.

É importante que você perceba que, ao empregar um tempo no lugar


de outro, o falante não o faz de forma despretensiosa. Por exemplo, se
opta por usar o tempo presente para expressar uma ação futura, ele
demonstra o desejo de que essa ação se concretize rapidamente.

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Pretérito imperfeito
Emprega-se o pretérito imperfeito do indicativo para designar um
fato que ocorreu no passado, mas que foi interrompido, não pôde ser
concluído.
Eu cantava no chuveiro quando a luz acabou.
O avião pousava quando perdeu a sustentação.

O pretérito imperfeito também é usado:

>> Para expressar uma ação passada habitual,


que se repetia constantemente.
Antigamente, eu andava de bicicleta todos os dias.
Quando ficava bêbado, cantava e dançava até cair.

>> Para iniciar narrativas, contos de fada.

Nesse caso, geralmente utiliza-se o verbo “ser”.


Era uma vez uma linda princesa...

>> Para substituir o futuro do pretérito.


Se ele abrisse a janela, podia ouvir os passarinhos cantando.
(“podia” no lugar de “poderia”)
Se quisesse, corria a maratona.
(“corria” no lugar de “correria”)

>> Para substituir o presente do indicativo.

Isso ocorre quando o falante quer suavizar o pedido.


Por favor, eu queria um café sem açúcar.
Você podia me fazer um grande favor?

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Pretérito perfeito
O pretérito perfeito é empregado quando se quer expressar um fato
concluído no momento em que se fala. Mas, mesmo dentro desse con-
ceito, podemos observar algumas características particulares de uso.
Assim, podemos destacar alguns empregos para o pretérito perfeito.
Ele pode, por exemplo, indicar:

>> Uma ação passada específica.


Ontem o presidente declarou
guerra à corrupção.
Meu primo escorregou e caiu.

>> Uma ação que ocorreu no


passado e durou certo tempo.
Ele morou na França por
muitos anos.
Eu estudei em escola pública
durante toda a vida.

>> Uma verdade universal, que não


se pode localizar no tempo.
O homem perdeu sua capacidade de sonhar com um
mundo mais justo.

Já a forma composta do pretérito perfeito expressa uma ação que


se prolonga até o momento presente.
As crianças têm visto muito filme violento.
Eu e meus amigos temos estudado todos os finais de semana.

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Pretérito mais-que-perfeito
Esse pretérito é chamado de mais-que-perfeito porque indica o passa-
do do passado. Em outras palavras, ele expressa uma ação que aconteceu
em um passado anterior a outra ação que também ocorreu no passado.
O suspeito confirmou ao delegado que, naquela noite,
não saíra de casa.

Perceba que a ação expressa pelo mais-que-perfeito “não saíra de


casa” ocorreu antes da ação expressa pelo pretérito perfeito “O suspei-
to confirmou ao delegado”.

Veja mais este exemplo:


Quando Mariazinha chegou ao ponto de ônibus, notou que
esquecera a bolsa em casa.

Observe como o pretérito perfeito indica uma ação passada: “Ma-


riazinha chegou ao ponto de ônibus e notou” e o mais-que-perfeito in-
dica um momento anterior: “esquecera a bolsa em casa”.

O pretérito mais-que-perfeito também é usado para:

>> Substituir o futuro do pretérito ou o pretérito imperfeito do


subjuntivo quando se pretende criar uma linguagem mais
sofisticada, mais literária.
“Mais servira, se não fora / Para tão longo amor tão
curta a vida.” (Camões)

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Nesse caso, foram utilizados o mais-que-perfeito “servira” no lugar


do futuro do pretérito “serviria” e o mais-que-perfeito “fora” substi-
tuindo o imperfeito do subjuntivo “fosse”.

>> Manifestar um desejo, uma vontade nas orações optativas.


Quisera eu fazer as pazes com ela.
Pudera ele entender melhor a vida.

Futuro do presente
O futuro do presente expressa um fato de ocorrência certa ou duvi-
dosa em um momento posterior ao momento em que o falante se refe-
re a ele. Ou seja, o fato ainda não existe no momento da fala.
O trem chegará dentro de 15 minutos.
Os candidatos debaterão seus planos de governo amanhã na tevê.

O futuro do presente também


pode ser empregado:

>> Para enfatizar uma dúvida em


relação a um fato presente.
Será possível que ninguém vai
tomar uma atitude?
Haverá paz no Oriente Médio?

>> Para substituir o imperativo.


Não matarás.
Fará tudo o que o professor pedir.

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Já o futuro do presente composto indica:

>> Uma ação futura que será concluída antes de outra.


Quando ele perceber, já teremos partido.
Vocês colherão aquilo que terão plantado.

>> Uma certeza em relação a uma ação futura.


Ninguém terá descoberto quem é o assassino antes
do final da história.
Todos já terão saído quando o inspetor chegar.

>> Uma possibilidade diante de um fato ocorrido no passado.


Terá sido Cabral o primeiro europeu a chegar ao Brasil?
A vacina contra varíola terá erradicado a doença?

Futuro do pretérito
O futuro do pretérito caracteriza uma ação futura em relação a um
fato passado. Para entender esse conceito, vamos analisar duas orações:
Ele diz que não virá.
Ele dizia que não viria.

Na frase “Ele diz que não virá”, a primeira ação, representada pelo
verbo “dizer”, está no presente. Ora, se o segundo verbo (vir) expressa
um fato futuro em relação a um fato presente, devemos usar o futuro
do presente (virá).

Na segunda oração, o verbo “dizer” está no pretérito imperfeito do


indicativo (ele dizia). Nesse caso, devemos usar o futuro do pretérito (vi-

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ria), pois queremos caracterizar uma ação futura em relação a um fato


passado (dizia).

O futuro do pretérito também pode ser utilizado:

>> Para suavizar uma ordem ou um pedido, substituindo o presente


do indicativo.
Daria para fazer silêncio e prestar atenção?

>> Para expressar um fato incerto, duvidoso, uma possibilidade.


Seria um traumatismo craniano a causa da morte?

>> Para expor uma condição, um fato que tem sua realização
dependente da ocorrência de outro fato.
Ele passaria no exame, se tivesse estudado mais.

Em sua forma composta, o futuro do pretérito exprime:

>> Uma incerteza em relação a um fato passado.


O terremoto teria provocado o incêndio na cidade?

2. Modo subjuntivo

Presente
O presente do subjuntivo é geralmente empregado para expressar
um fato duvidoso, uma possibilidade.
Talvez ele confesse o crime.

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Também pode indicar um desejo, uma vontade.


Que vocês façam ótima viagem!

Pretérito imperfeito
O pretérito imperfeito do subjuntivo é usado para expressar uma
hipótese, uma condição. Nesse caso, aparece associado com o futuro
do pretérito do indicativo.
Se todos os eleitores anulassem seus votos, o que aconteceria?
Se você me amasse, eu me casaria com você.

Pretérito perfeito composto


O pretérito perfeito do subjuntivo só existe em sua forma compos-
ta. Ele expressa uma ação passada em relação a outra, representada
por um verbo no presente do indicativo.
Espero que você tenha encontrado paz em sua nova casa.

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Pretérito mais-que-perfeito composto


O pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo só existe em sua forma
composta. Ele indica uma ação que deveria ter ocorrido no passado,
antes de outro fato também passado.
Todos ficariam felizes se ele tivesse superado seus traumas.
Eu queria que ela tivesse passado no concurso.

Futuro
O futuro do modo subjuntivo expressa um fato futuro hipotético.
Sempre vem acompanhado de outro fato expresso por verbos no pre-
sente ou no futuro do indicativo.
Parto quando quiser.
Quando eles chegarem, saberemos o que aconteceu.

3. Modo imperativo
O modo imperativo é empregado pelo falante com a intenção de
influenciar, convencer o ouvinte a realizar o processo expresso pelo
verbo. Muitas vezes, a intenção da frase imperativa está estreitamente
ligada à entonação. Dependendo do tom de voz utilizado, o imperativo
pode exprimir uma ordem, uma instrução ou até mesmo uma súplica.

Assim, é comum que em um texto seja necessário levar em conta


informações contidas no contexto para entendermos a intenção da
frase imperativa.

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O imperativo pode exprimir:

>> Ordem
— Desligue já esse chuveiro! — gritou a mãe do Paulinho.

>> Conselho
— Só posso lhe dizer isso: estude mais para a próxima prova.

>> Solicitação
— Por favor, feche a porta ao sair — pediu a professora.

>> Convite
— Venham, vamos almoçar — chamou a mãe.

>> Instrução
Bata os ovos com o açúcar na batedeira até triplicar o volume.

Formação do imperativo
O afirmativo deriva do presente do subjuntivo, exceto a 2ª pessoa
do singular (tu) e a do plural (vós), que são formadas a partir do presen-
te do indicativo menos S.

O imperativo negativo é igual ao presente do subjuntivo.

O modo imperativo não possui a 1ª pessoa do singular. As terceiras


pessoas são substituídas por “você” e “vocês”.

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Veja:

Presente do Imperativo Presente do Imperativo


indicativo afirmativo subjuntivo negativo
Tu amas -s > Ama tu (Que) Tu ames > Não ames tu

Ame você < (Que) Ele/Ela ame > Não ame você

Amemos nós < (Que) Nós amemos > Não amemos nós

Vós amais -s> Amai vós (Que) Vós ameis > Não ameis vós

(Que) Eles/
Amem vocês < > Não amem vocês
Elas amem

Observação:

Verbos terminados em -ZER ou -ZIR podem perder o E final na 2ª


pessoa do singular do imperativo afirmativo: faze/faz (tu); conduze/
conduz (tu).

Exceção:

Verbo SER na 2ª pessoa do singular e do plural do imperativo afirma-


tivo: sê (tu) e sede (vós).

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Correlação
verbal

Chamamos de correlação verbal a articulação a que as formas ver-


bais devem obedecer em uma frase ou em uma sequência de frases. Os
verbos devem se apresentar segundo uma coerência temporal capaz
de produzir uma sequência lógica de ideias. É necessário, portanto, sa-
ber combinar os tempos e os modos verbais.

Analise a frase abaixo:


Se houvesse mais vontade política, não haveria tanta miséria.
1442443 1442443
pretérito imperfeito futuro do pretérito
do subjuntivo do indicativo

A primeira ocorrência do verbo “haver” (houvesse) expressa uma dú-


vida, uma incerteza, uma possibilidade (de haver vontade política). Para
completar essa ideia, foi utilizado o futuro do pretérito (haveria), que
aqui expressa uma condição, pois depende de que algo aconteça (haver
vontade política) para se realizar (não existir tanta miséria).

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Veja a seguir alguns casos de correlação verbal.

>> Presente do indicativo com presente do subjuntivo:


Eu desejo que ele desapareça.

>> Pretérito perfeito do indicativo com pretérito imperfeito


do subjuntivo:
Eu desejei que ele desaparecesse.

>> Presente do indicativo com pretérito perfeito composto


do subjuntivo:
Eu desejo que ele tenha desaparecido.

>> Pretérito imperfeito do indicativo com pretérito mais-que-


-perfeito composto do subjuntivo:
Queria que ele tivesse desaparecido.

>> Futuro do subjuntivo com futuro do presente do indicativo:


Quando eu quiser, ele desaparecerá.

>> Pretérito imperfeito do subjuntivo com futuro do pretérito


do indicativo:
Se eu quisesse, ele desapareceria.

>> Pretérito mais-que-perfeito composto do subjuntivo com futuro


do pretérito composto do indicativo:
Se eu tivesse desejado, ele teria desaparecido.

>> Futuro do subjuntivo com futuro do presente composto


do indicativo:
Quando eu quiser, ele terá desaparecido.

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Dicas de
conjugação

Certamente você já deparou com algumas formas verbais aparente-


mente estranhas, dessas que sempre deixam dúvidas no ar. Afinal, será
que elas existem ou não?

Eu ADIRO ou ADERO?
O presente do indicativo do verbo “aderir” na 1a pessoa do singular
é “adiro”.

Observação 1:

Quando um verbo é irregular na 1a pessoa do singular do presente


do indicativo (aderir = eu adiro), todo o presente do subjuntivo é irregu-
lar. Veja a tabela a seguir:

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Presente do indicativo Presente do subjuntivo


Eu adiro (Que) Eu adira

Tu aderes (Que) Tu adiras

Ele/Ela adere (Que) Ele/Ela adira

Nós aderimos (Que) Nós adiramos

Vós aderis (Que) Vós adirais

Eles/Elas aderem (Que) Eles/Elas adiram

Observação 2:

A irregularidade de mudar a vogal “e” em “i” (na 1a pessoa do sin-


gular do presente do indicativo e em todo o presente do subjuntivo)
ocorre também com outros verbos:

Advertir (advirto) Investir (invisto)

Aferir (afiro) Mentir (minto)

Competir (compito) Preterir (pretiro)

Despir (dispo) Refletir (reflito)

Discernir (discirno) Repetir (repito)

Divergir (divirjo) Seguir (sigo)

Ferir (firo) Sentir (sinto)

Impelir (impilo) Servir (sirvo)

Ingerir (ingiro) Vestir (visto)

Inserir (insiro)

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Eu ARREIO ou ARRIO?
As duas formas estão corretas. “Eu arreio” é do verbo “arrear” (pôr
os arreios); “Eu arrio” é do verbo “arriar” (abaixar, descer).

Observação 1:

Todos os verbos terminados em “-ear” (arrear, cear, frear, passear,


pentear, recear, recrear, saborear...) são irregulares: fazem um ditongo
“ei” nas formas rizotônicas (1a, 2a, 3a do singular e 3a do plural, nos tem-
pos do presente):

Presente do indicativo Presente do subjuntivo


Eu arreio (Que) Eu arreie

Tu arreias (Que) Tu arreies

Ele/Ela arreia (Que) Ele/Ela arreie

Nós arreamos (Que) Nós arreemos

Vós arreais (Que) Vós arreeis

Eles/Elas arreiam (Que) Eles/Elas arreiem

Observação 2:

Os verbos terminados em “-iar” (arriar, anunciar, copiar, miar, pre-


miar, variar...) são regulares, exceto “ansiar”, “incendiar”, “odiar”, “me-
diar”, “intermediar” e “remediar”, que são irregulares (formam ditongo
“ei” nas formas rizotônicas).

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Observe a diferença:

Presente do indicativo
ARRIAR (verbo regular) ANSIAR (verbo irregular)

Eu arrio Eu anseio

Tu arrias Tu anseias

Ele/Ela arria Ele/Ela anseia

Nós arriamos Nós ansiamos

Vós arriais Vós ansiais

Eles/Elas arriam Eles/Elas anseiam

Presente do subjuntivo
ARRIAR (verbo regular) ANSIAR (verbo irregular)

(Que) Eu arrie (Que) Eu anseie

(Que) Tu arries (Que) Tu anseies

(Que) Ele/Ela arrie (Que) Ele/Ela anseie

(Que) Nós arriemos (Que) Nós ansiemos

(Que) Vós arrieis (Que) Vós ansieis

(Que) Eles/Elas arriem (Que) Eles/Elas anseiem

Portanto, o certo é:

Ele anseia, incendeia, odeia, medeia, intermedeia e remedeia


(= irregulares)...

Ele arria, anuncia, copia, premia, varia... O verbo “maquiar” (maqui-


lar) também é regular: maquio, maquias, maquia...

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Eles DETERAM ou DETIVERAM?


O certo é “detiveram”. O verbo “deter”, como todos os derivados do verbo
“ter” (abster, ater, conter, manter, obter, reter...), deve seguir o modelo do ver-
bo primitivo:

Ele/Ela teve Ele/Ela deteve, absteve, manteve, reteve...

Eles/Elas tiveram Eles/Elas detiveram, abstiveram, mantiveram, retiveram...

Se ele/ela tivesse Se ele/ela detivesse, abstivesse, mantivesse, retivesse...

Se eles/elas detivessem, abstivessem,


Se eles/elas tivessem
mantivessem, retivessem...

Quando eu tiver Quando eu detiver, abstiver, mantiver, retiver...

Eles EXPORAM ou EXPUSERAM?


O certo é “expuseram”. O verbo “expor”, como todos os derivados do ver-
bo “pôr” (apor, compor, depor, dispor, impor, propor, supor...), deve seguir o
verbo primitivo:

Eu ponho Eu exponho, disponho, suponho, deponho...

Eu pus Eu expus, dispus, compus, impus, propus, supus...

Eles/Elas puseram Eles/Elas expuseram, dispuseram, compuseram, propuseram...

Se ele/ela pusesse Se ele/ela expusesse, dispusesse, impusesse, depusesse...

Se eu puser Se eu expuser, dispuser, compuser, depuser, propuser...

Eu punha Eu expunha, dispunha, supunha, propunha...

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Ele INTERVIU ou INTERVEIO?


O certo é “interveio”. O verbo “intervir”, como todos os derivados do verbo
“vir” (advir, convir, provir, sobrevir...), deve seguir o verbo primitivo:

Eu venho Eu intervenho, convenho, provenho...

Ele/Ela vem Ele/Ela intervém, convém, provém...

Eles/Elas vêm Eles/Elas intervêm, convêm, provêm...

Eu vim Eu intervim, convim, provim...

Ele/Ela veio Ele/Ela interveio, conveio, proveio...

Eles/Elas vieram Eles/Elas intervieram, convieram, provieram...

Se ele/ela viesse Se ele/ela interviesse, conviesse, proviesse...

Quando ele/ela vier Quando ele/ela intervier, convier, provier...

Observações:

>> Ele “vem” (singular sem acento); eles “vêm” (plural com acento).
>> Para os verbos derivados:
Ele intervém, provém, convém... (singular com acento agudo)
Eles intervêm, provêm, convêm... (plural com acento circunflexo)

Ele REQUEREU ou REQUIS?


O certo é “requereu”. O verbo “requerer” não é derivado de “querer”, não
é “querer de novo”. “Requerer” significa “pedir por meio de requerimento”:
Eu requeiro (presente indicativo)
(Que) Eu requeira (presente do subjuntivo)

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No pretérito e no futuro, “requerer” é regular:


Eu requeri, tu requereste, ele requereu, eles requereram (pretérito
perfeito do indicativo)
Se eu requeresse (pretérito imperfeito do subjuntivo)
Quando ele requerer (futuro do subjuntivo)

Nos tempos do passado e do futuro, o verbo “requerer” deve ser usa-


do segundo o padrão dos verbos regulares da 2a conjugação:

Temer Vender Requerer


Pretérito perfeito
temeu vendeu requereu
do indicativo

Pretérito imperfeito
temesse vendesse requeresse
do subjuntivo

Futuro do subjuntivo temer vender requerer

Quando você VER ou VIR o filme?


O certo é “quando você vir o filme”. O futuro do subjuntivo do verbo
“ver” é “vir”:
Quando eu vir, tu vires, ele/ela vir, nós virmos, vós virdes,
eles/elas virem

O futuro do subjuntivo do verbo “vir” é “vier”:


Quando eu vier, tu vieres, ele/ela vier, nós viermos, vós vierdes,
eles/elas vierem

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Observação:

Os derivados do verbo “ver” (antever, prever, rever...) seguem o verbo primitivo:

Eu vejo Eu antevejo, prevejo, revejo...

Ele/Ela vê Ele/Ela antevê, prevê, revê...

Eles/Elas veem Eles/Elas anteveem, preveem, reveem...

Eu vi Eu antevi, previ, revi...

Ele/Ela viu Ele/Ela anteviu, previu, reviu...

Eles/Elas viram Eles/Elas anteviram, previram, reviram...

Se eu visse Se eu antevisse, previsse, revisse...

Quando eu vir Quando eu antevir, previr, revir...

Na linguagem coloquial, é frequente ouvirmos a frase: “Quando


a gente se ver de novo...”. O correto é: “Quando nós nos vir-
mos de novo...”. Coloquialmente, podemos dizer: “Quando
a gente se vir de novo...”.

VIMOS ou VIEMOS?
Depende do que queremos dizer. Veja:
Ontem nós vimos a peça. (pretérito
perfeito do indicativo do verbo “ver”)
Ontem nós viemos à festa. (pretérito
perfeito do indicativo do verbo “vir”)
Vimos, por meio deste,
reivindicar... (presente do
indicativo do verbo “vir”)

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Concepção e realização: Gold Editora


Coordenação geral: Isabel Moraes

LIVRO DIGITAL
Texto: Sérgio Nogueira, Carla Tullio (redatora assistente)
Assistência editorial: Ana Beraldo
Arte: LIT Design
Foto de capa: Bel Pedrosa
Ilustrações: Marcos Müller
Revisão: Sandra Miguel

VIDEOAULAS
Apresentação: Sérgio Nogueira
Roteiro: Sérgio Nogueira, Carla Tullio, Bárbara Mello

EQUIPE DE ESTÚDIO
Produtora contratada: Uzumaki Comunicação
Direção: Jefferson Gorgulho Peixoto
Fotografia: Rodolfo Figueiredo
Som direto: Luiz Fujita Jr.
Produção e TP: Tainah Medeiros
Maquiagem: Luciana Sales

EQUIPE DE EXTERNAS
Fotografia: Christian Puig
Produção: Ana Beraldo
Assistência de produção: Luciana Sutil

EQUIPE DE EDIÇÃO E PÓS-PRODUÇÃO


Edição: Priscila Viotto, Christian Puig, Luciana Sutil
Locução: Ângela Benhossi
Ilustrações: Marcos Müller
Motion designer: Tiago Almeida Santos
Revisão: Bárbara Mello, Kiel Pimenta

ISBN: 978-65-80225-01-9

R. Elvira Ferraz, 250, conj. 505 – 04552-040 – São Paulo – SP


CNPJ 04.963.593/0001-42
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1. Ortografia 6. Análise sintática

2. Uso das palavras 7. Pontuação

3. Classe de palavras 8. Concordância

4. Verbos 9. Regência

5. Pronomes 10. Construção de texto

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