UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAPÁ
CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PESCA - EPE 14.2
DISCIPLINA: ICTIOLOGIA
DOCENTE: NEUCIANE DIAS
JAIR PANTOJA
PAULO RONALDO
WILLIAM FELIX
DOURADA (Brachyplatystoma rousseauxii)
MACAPÁ-AP
2015
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAPÁ
CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PESCA - EPE 14.2
DISCIPLINA: ICTIOLOGIA
DOCENTE: NEUCIANE DIAS
JAIR PANTOJA
PAULO RONALDO
WILLIAM FELIX
DOURADA (Brachyplatystoma rousseauxii)
Trabalho apresentado à professora
Neuciane Dias, como requisito parcial
à aprovação na disciplina de Ictiologia,
referente ao curso de graduação em
Engenharia de Pesca, da Universidade
do Estado do Amapá (UEAP).
MACAPÁ-AP
2015
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 5
1.1. Classificação taxonômica da dourada ....................................................................... 6
2. ONTOGENIA .......................................................................................................... 7
3. MIGRAÇÃO ............................................................................................................ 7
4. HABITAT ................................................................................................................ 8
5. REPRODUÇÃO ...................................................................................................... 9
6. ALIMENTAÇÃO .................................................................................................. 10
7. CURIOSIDADES .................................................................................................. 10
8. CONCLUSÕES ..................................................................................................... 12
9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................ 13
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Indivíduo jovem de dourada - Brachyplatystoma rousseauxii. Escala = 20
cm. .................................................................................................................................... 5
Figura 2 - Migrações da Dourada (Brachyplatystoma rousseauxii). Fonte:
(PROVARZEA,.2005). .................................................................................................... 8
Figura 3 - Distribuição da dourada - Brachyplatystoma rousseauxii na Amazônia.
Fonte: (Goulding et al., 2003). ......................................................................................... 9
Figura 4 - Representação da fase de desenvolvimento. Fonte: (PROVARZEA., 2005).
........................................................................................................................................ 10
1. INTRODUÇÃO
Com uma bacia de drenagem em torno de 7.000.000 km2 de extensão geográfica
e incluindo o rio Amazonas/Solimões como o maior rio de água doce do planeta (IBGE,
1992; Araujo-Lima e Ruffino, 2003), a Amazônia, congrega a mais rica ictiofauna do
planeta. Estima-se que 2416 espécies (2072 endêmicas) de peixes estão descritas, sendo
que as estimativas indicam que este número pode ultrapassar a 5000 espécies (Lévêque
et al., 2008). Em razão desta diversidade e a variedade de espécies apropriadas para o
consumo humano, a pesca é uma das atividades economicamente mais importantes para
a região, como fonte de renda e de proteína de fácil acesso para as populações locais. As
espécies de peixes comercialmente explotadas na Amazônia, podem ser divididas em
dois grandes grupos: peixes de escamas, os representantes dos Characiformes,
Osteoglossiformes, Perciformes e Clupeiformes, e peixes lisos ou de couro, os bagres da
ordem Siluriformes (Barbosa, 1962; Roberts, 1972; Salati et al., 1983; Barthem e
Goulding, 1997; Lowe-Mcconnel, 1999). Diferenças culturais e regionais determinam
maior ou menor valor destas espécies nos diferentes mercados locais, ao longo da
Amazônia.
A dourada Brachyplatystoma rousseauxii, um Siluriforme que segundo
pesquisas nasce em rios como o Madeira, Purus, Juruá, Içá e Japurá e vão para o
Solimões. Desce o Amazonas rumo a região do estuário, em Belém, formando um
grande grupo de douradas. No estuário, alimenta-se de pequenos animais e permanecem
na região até atingirem 2 anos de idade. Em seguida, começam a subir o rio Solimões
numa viagem de volta, passando por Santarém, Manaus, Tefé, Alto Solimões até a
região do Peru, perto da Cordilheira dos Andes. Na viagem de volta, alimentam-se e
crescem até estarem prontos para reprodução (PROVARZEA, 2005).
B. rousseauxii (Figura 1) é conhecida como dourada no Brasil, zúngaro dourado
no Peru e plateado ou dourado na Colômbia.
Figura 1 - Indivíduo jovem de dourada - Brachyplatystoma rousseauxii. Escala = 20 cm.
1.1. Classificação taxonômica da dourada
A dourada foi originalmente classificada em 1855 por Castelnau e
taxonomicamente revisada por Lundberg e Littmann (2003) em função de dados
morfológicos, quando seu nome específico foi modificado de Brachyplatystoma
flavicans para Brachyplatystoma rousseauxii.
Após revisão de Lundberg e Akama (2005), a dourada tem a seguinte
classificação taxonômica:
Ordem: Siluriformes
Família: Pimelodidae
Tribo: Brachyplatystomatini
Gênero: Brachyplatystoma
Sub-gênero: Malacobagrus
Espécie: Brachyplatystoma rousseauxii
2. ONTOGENIA
A região conhecida como estuário é bastante grande, chegando a quase mil,
quilômetros. É uma região rica em alimentos e influenciada pelo mar e pelas marés. Os
peixes nascem e se reproduzem no alto das cabeceiras de vários afluentes do grande
Solimões-Amazonas e se alimentam até a fase jovem no estuário. No estuário, a maior
parte dos cardumes é de peixes jovens. São douradas menores de 40cm (PROVARZEA,
2005).
Os peixes se alimentam no estuário, em Belém, e crescem na Amazônia Central
(de Almeirim/Santarém até Manaus). Em seguida, começam a subir o rio Solimões
numa viagem de volta ao local de nascimento, passando por Santarém, Manaus, Tefé,
Alto Solimões até o Peru, perto da Cordilheira dos Andes. Neste regresso alimentam-se
e crescem até estarem prontos para reprodução. Nesta área, a maior parte dos peixes está
em fase de crescimento. São douradas entre 40 e 80cm. São peixes que ainda vão ficar
adultos e vão estar prontos para se reproduzirem (PROVARZEA, 2005).
Para a reprodução, os peixes migram numa viagem de volta aos afluentes
(Madeira, Purus, Juruá, Iça, Japurá), onde provavelmente nasceram. Nesta área, a maior
parte dos peixes é de adultos reprodutores: douradas maiores de 80 cm. Nesta área,
estão os peixes adultos, prontos para reprodução em locais próprios (PROVARZEA,
2005).
3. MIGRAÇÃO
Os movimentos migratórios de uma espécie justificam-se em função das áreas de
reprodução e criação não se sobreporem (Fonteles Filho, 1989; King, 1995). Com dados
biológicos e de pesca experimental Barthem e Goulding, (1997) sugerem que um único
estoque de dourada realiza grandes migrações, com áreas geograficamente distintas de
criação, alimentação e reprodução. Os adultos migram para as cabeceiras dos afluentes
do rio Solimões/Amazonas para reproduzir. Após a desova, larvas e juvenis são
carregados pela corrente, concentrando-se na região do estuário amazônico (área de
criação). Após 2 a 4 anos neste ambiente, incluindo a Amazônia Central (área de
alimentação dos adultos e pré-adultos), os indivíduos iniciam uma migração de mais de
4500 km para voltar às cabeceiras e desovar, completando o ciclo de vida. Durante esta
migração, dá-se o pico da captura, desde Belém no Brasil, até Pucallpa no Peru,
incluindo localidades na Colômbia, Bolívia e Guianas (Figura 2). Realizando uma das
mais longas migrações conhecidas para peixes de água doce do mundo.
Mckeown (1984) menciona que os peixes podem migrar para otimizar o
comportamento alimentar, evitar condições ambientais não favoráveis e aumentar o
sucesso reprodutivo.
Figura 2 - Migrações da Dourada (Brachyplatystoma rousseauxii). Fonte: (PROVARZEA,.2005).
4. HABITAT
Possuindo ampla distribuição na bacia Amazônica (Figura 4), a dourada é
encontrada desde as águas de baixa salinidade na região estuarina até as cabeceiras dos
tributários do Ucayali/ Amazonas/Solimões, especialmente os de águas brancas como os
rios Madeira, Purus e Juruá ambos da margem direita e os rios Napo, Japurá/Caquetá,
Iça/Putumayo e Branco da margem esquerda (Barthem e Goulding, 1997; Fabré et al.,
2000; Goulding et al., 2003; Barthem e Goulding, 2007). É encontrada também em
tributários do rio Negro, rio Tocantins e na Bacia do Orinoco (Leite, 1993; Garcia,
1995) e rios da Guiana Francesa. Sua distribuição envolve o território de pelo menos
sete países amazônicos (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Peru e
Venezuela) (Reis et al., 2003).
Figura 3 - Distribuição da dourada - Brachyplatystoma rousseauxii na Amazônia. Fonte: (Goulding et al.,
2003).
5. REPRODUÇÃO
Os movimentos migratórios de uma espécie justificam-se em função das áreas de
reprodução e criação não se sobreporem (Fonteles Filho, 1989; King, 1995). Com dados
biológicos e de pesca experimental Barthem e Goulding, (1997) sugerem que um único
estoque de dourada realiza grandes migrações, com áreas geograficamente distintas de
criação, alimentação e reprodução. Os adultos migram para as cabeceiras dos afluentes
do rio Solimões/Amazonas para reproduzir. Após a desova, larvas e juvenis são
carregados pela corrente, concentrando-se na região do estuário amazônico (área de
criação). Após 2 a 4 anos neste ambiente, incluindo a Amazônia Central (área de
alimentação dos adultos e pré-adultos), os indivíduos iniciam uma migração de mais de
4500 km para voltar às cabeceiras e desovar, completando o ciclo de vida.
O ciclo de vida dos peixes é o período que vai desde a fecundação, nascimento,
crescimento até a reprodução (PROVARZEA, 2005).
Fecundação: os machos lançam o líquido seminal sobre a desova das
fêmeas, causando a fecundação. O ovo fecundado é chamado de embrião.
Nascimento: rapidamente o embrião se desenvolve e se transforma em
larva, e depois em alevino.
Crescimento: é a fase de desenvolvimento do peixe até ficar adulto e
estar pronto para se reproduzir. No caso da dourada, este período dura de
dois a três anos.
Reprodução: nesta fase, os peixes estão adultos, prontos para se
reproduzirem, recomeçando o ciclo de reprodução.
Figura 4 - Representação da fase de desenvolvimento. Fonte: (PROVARZEA., 2005).
6. ALIMENTAÇÃO
O período de águas baixas caracterizado por uma maior disponibilidade de
alimento para espécies predadoras, tais como a dourada, devido as populações de peixes
predados estão concentrados no canal principal do rio por causa da descida das águas,
tornando-se mais vulnerável à espécie predada (Agudelo et al., 2000). Além disso,
algumas vezes entra na várzea para se alimentar. Este período Também coincide com o
período de reprodução da dourada em Loreto (Garcia et al., 2009a), período durante o
qual os peixes precisam de grandes quantidades alimento para sustentar o gasto de
energia relacionada com a maturação das gônadas.
A dourada por ser uma espécie basicamente piscívora se alimenta de uma grande
variedade de peixes. GARCIA et al,(2009) encontrou em sua pesquisa 12 famílias:
Curimatidae, Characidae, Pimelodidae, Hypophtalmidae, Engraulidae,
Prochilondontidae, Cynodontidae, Loriicaridae, Anostomidae, Auchenipteridae,
Cetopcidae e Dorididae. Os peixes das famílias Curimatidae e Characidea, representam
os principais componentes da dieta da dourada.
7. CURIOSIDADES
A metade das fêmeas de douradas, pescadas no período de entressafra, de
fevereiro até abril, está cheia de ovas, pronta para se reproduzir. A maior parte das
douradas pescadas na região que vai de Almeirim até Manaus, é de peixes jovens. Isto
significa que as maiores partes das douradas pescadas nesta área estão em fase de
crescimento e ainda não se reproduziram (PROVARZEA, 2005).
A importância comercial das espécie no alto da bacia Amazônica não é tão
elevada para o consumo interno, entretanto para as indústrias de pesca, que exportam a
espécie, e para o consumo interno na região estuarina, sua importância econômica é
bastante elevada (VIANA, 2006).
As frotas artesanal e industrial pescam peixes menores na área de criação. Além
disso, a pesca de arrasto, na pesca industrial, causa problema nas presas dos bagres
(PROVARZEA, 2005).
8. CONCLUSÕES
O presente trabalho serviu de subsídio para coletas de informações literárias
mais profundadas sobre o tema. Além disso podemos observar que falta desenvolver
bastante pesquisa na área de reprodução da Brachyplatystoma rousseauxii, pois tem
poucas pesquisas publicadas a respeito da mesma. Portanto, este trabalho fortaleceu o
nosso conhecimento a respeito da espécie nos principais aspectos a serem pesquisados.
9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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