UNIDADE II
Análise de Discurso Crítica
Profa. Ma. Ana Lúcia Machado
Contexto contemporâneo
O período atual, chamado por alguns autores de pós-moderno, novo capitalismo e
capitalismo tardio, possibilita os processos intrínsecos relativos à linguagem, os quais
afetam, radicalmente, o discurso globalizado.
Essas características históricas precisam ser desveladas para que o estudo linguístico, na
perspectiva discursiva crítica, seja viabilizado.
Contexto contemporâneo
Três perspectivas sobre o contexto atual:
O fato de que vivemos em uma sociedade pós-industrial;
A ideia de que atingimos um período pós-moderno;
A teoria a respeito do fim da história.
Sociedade pós-industrial
Sociedade não se assenta, essencialmente, na industrialização.
Estaríamos entrando em uma fase de desenvolvimento que iria muito além dessa era.
A chegada de uma sociedade pós-industrial torna ultrapassada a antiga ordem industrial,
pelo desenvolvimento de uma nova ordem social.
Nova ordem social: baseada no conhecimento e na informação.
Mundo pós-moderno
A sociedade civil busca conquistar os objetivos de grupos ou segmentos da sociedade,
colocando-se, assim, em oposição à política moderna, que estava voltada para o Estado, e
buscava conquistar ou manter o poder estatal.
A política pós-moderna apresenta um indivíduo que cede o seu lugar aos grupos e cujas
finalidades não são mais universais – tornam-se micrológicas.
A política especifica-se, passando a ser atributo de quem faz parte de campos
setoriais de dominação: a dialética homem/mulher, antissemita/judeu, etnia
dominante/etnias minoritárias.
Mundo pós-moderno
Extinguiram-se os grandes atores políticos universais. Não existe mais um poder central
localizado no Estado, mas um poder difuso, que estende a sua rede por toda a
sociedade civil.
Desse modo, há uma pós-modernidade social que se dá a conhecer na vida cotidiana pela
onipresença do signo, do simulacro, do vídeo e da hipercomunicação.
Mundo pós-moderno
O período da pós-modernidade apresenta as ameaças ecológicas que a humanidade tem de
enfrentar – ameaças globais, que são um perigo para o planeta.
Os três principais tipos de ameaça ao ambiente são a produção de desperdícios, a poluição
e o esgotamento de reservas minerais.
Desencadeados pelo desenvolvimento e pela expansão global das instituições sociais
ocidentais, e associados à importância dada ao crescimento econômico.
Interatividade
O momento de transição de uma sociedade que não se assenta na industrialização, ou seja,
em uma sociedade pós-industrial, estabelece que:
a) A antiga ordem industrial tem como base a circulação do conhecimento e da informação.
b) A questão da sociedade industrial é afetada no âmbito econômico.
c) A concepção de uma sociedade pós-moderna tem como base a produção em massa.
d) O desenvolvimento econômico interfere no modo de processamento do conhecimento: na
antiga ordem industrial ele era processado de forma igualitária.
e) A antiga ordem social é ultrapassada se comparada à nova ordem social, baseada no
conhecimento e na informação.
Resposta
O momento de transição de uma sociedade que não se assenta na industrialização, ou seja,
em uma sociedade pós-industrial, estabelece que:
a) A antiga ordem industrial tem como base a circulação do conhecimento e da informação.
b) A questão da sociedade industrial é afetada no âmbito econômico.
c) A concepção de uma sociedade pós-moderna tem como base a produção em massa.
d) O desenvolvimento econômico interfere no modo de processamento do conhecimento: na
antiga ordem industrial ele era processado de forma igualitária.
e) A antiga ordem social é ultrapassada se comparada à nova ordem social, baseada no
conhecimento e na informação.
Mundo da pós-modernidade
Os riscos e os perigos devem ser vistos não como um momento de crise, mas como um estado
de coisas mais ou menos permanentes. Esse pensamento é complementado pelas questões
de insegurança, incerteza e periculosidade vivenciadas pela sociedade contemporânea, como:
Instabilidade em relação ao emprego;
Grande difusão da criminalidade;
Ataques terroristas;
Crise econômica mundial;
Desenvolvimento da internet como a rede de conexão planetária.
Crise
A crise que vivemos na pós-modernidade afeta, ao mesmo tempo, os comportamentos
econômicos, as relações sociais e as subjetividades individuais.
Se é verdade que um período de equilíbrio relativo, crescimento contínuo, políticas
transparentes e instituições legítimas faz com que um conjunto de categorias seja partilhado
pelo maior número de pessoas, não é menos verdade que a ruptura desse equilíbrio instaure
uma situação de crise, que provoca a mudança de normas, modelos e terminologia, ocasiona
a desestabilização de referências, denominações e sistemas simbólicos anteriores, e, em
última análise, toca em uma perspectiva crucial, a da subjetividade, ou seja, a do
funcionamento psíquico e das formas de individualidade.
Sujeito pós-moderno
Sociedade: desestruturação dos saberes estabelecidos, no anonimato do modo de vida
atual, produzindo os laços sociais desarrumados e uma individuação extremada.
Essas características dão origem a um sujeito sem referência e sem valores pessoais, que
transita em uma civilização marcada pelo discurso da globalização.
A única coisa que vale é a lei do mercado.
O sujeito pós-moderno procura a sua completude no consumo de objetos.
Cultura da convergência
Vivemos em um mundo em que toda a história relatada a alguém passa por inúmeros
veículos: TV, cinema, celular etc.
O fluxo dessa história, portanto, é moldado por decisões tomadas tanto pelas companhias
que produzem o conteúdo, quanto pelos sujeitos que o recebem.
Cultura da convergência
O conteúdo idealizado pelo produtor é, apenas, uma parte do processo e, muitas vezes, não
é a principal.
Um programa de TV, por exemplo, depois de criado, será reeditado e redistribuído na
internet. Com certeza, o público vai falar sobre ele em diferentes redes sociais e novas
histórias serão escritas a partir dele. O conteúdo original torna-se, apenas, um ponto de
partida, com base no qual o consumidor cria novas experiências.
O foco, portanto, está em histórias conhecidas como
transmidiáticas: em cada mídia distinta, a história ganha uma
nova camada, que nos conta algo que não saberíamos
assistindo, apenas, ao programa na TV.
Cultura participativa
Participação das pessoas, impulsionada pelo avanço da tecnologia.
Mudança de comportamento: antes, apenas, recebíamos; atualmente, produzimos
e participamos.
Isso muda radicalmente a nossa vida, porque a comunicação está em tudo que realizamos.
Era pós-moderna
O estatuto do saber na sociedade pós-industrial: antes, fazia parte da formação de cada
indivíduo, para que este se tornasse um cidadão participante. Assim, o indivíduo entregava-
se ao processo de interiorização do saber. A escola e os professores eram os donos do
saber universal e os principais responsáveis pela transmissão do conhecimento aos alunos,
os quais, por definição, tinham um saber incompleto. O desnível justificava a autoridade do
professor e a obediência do aluno.
Saber X informação
A partir da informatização, o saber passa a viver uma explosiva exteriorização, tornando-se
abundante e acessível.
De modo geral, já não há mais o desnível entre o professor e o aluno quanto à informação. O
desnível ocorre no modo de utilização do conhecimento.
O saber perde a sua condição de uso e passa a ter um valor de venda, vinculando-se às
questões do poder econômico e político, ou seja, ele é a moeda que define, na cena
internacional, os jogos hegemônicos (entre as nações e entre as empresas multinacionais).
Interatividade
No período da pós-modernidade, a humanidade deve enfrentar três tipos de ameaça
ecológica: produção de desperdícios, poluição e esgotamento de reservas minerais.
Essas ameaças são desencadeadas:
a) Pelo desenvolvimento e pela expansão global das instituições sociais ocidentais, fatores
associados à importância atribuída ao crescimento econômico.
b) Por uma sociedade moldada pelos modos de produção.
c) Pela configuração das linhas de produção, com base na Revolução Industrial.
d) Por organizações centradas em um poder local.
e) Por organizações industriais constituídas de grandes aglomerados humanos.
Resposta
No período da pós-modernidade, a humanidade deve enfrentar três tipos de ameaça
ecológica: produção de desperdícios, poluição e esgotamento de reservas minerais.
Essas ameaças são desencadeadas:
a) Pelo desenvolvimento e pela expansão global das instituições sociais ocidentais, fatores
associados à importância atribuída ao crescimento econômico.
b) Por uma sociedade moldada pelos modos de produção.
c) Pela configuração das linhas de produção, com base na Revolução Industrial.
d) Por organizações centradas em um poder local.
e) Por organizações industriais constituídas de grandes aglomerados humanos.
ADC
Os discursos que circulam no período das novas tecnologias de informação e comunicação.
Eventos que não compreendemos plenamente e que parecem estar fora de controle nos
impõem um olhar para a natureza da própria modernidade.
Uma interpretação descontinuísta da modernidade, em contraposição às teorias
evolucionárias, revela um período em que as consequências da modernidade estão se
tornando mais radicalizadas e universalizadas do que antes.
Sociedade pós-moderna
Da separação do tempo e do espaço.
Do desencaixe dos sistemas sociais.
Da ordenação e reordenação reflexiva das relações sociais pela contínua recombinação do
conhecimento produzido, e utilizado por indivíduos e grupos.
Relação espaço e tempo
Reorganização da sociedade globalizada sobre as questões de mídia, as formas de
mediação, e a configuração das relações espaciais e temporais.
Circulação da linguagem no ambiente do novo capitalismo apresenta-se em um movimento
de (des)marcação das relações espaciais e temporais.
Desencaixe, ou seja, o deslocamento das relações sociais de contextos locais de interação e
a sua reestruturação por meio de extensões indefinidas de tempo-espaço, o que interfere,
profundamente, na forma como a linguagem se reconfigura no período do novo capitalismo.
Comunicação em tempo real.
Relações pessoais
As pessoas, em suas atividades sociais, devem, a todo momento, provar o seu
conhecimento e o reconhecimento pelo grupo.
O especialista é levado, constantemente, a reforçar diante do leigo o seu saber, o que causa
grande procura por informações.
Fronteiras
Desterritorialização e reterritorialização:
Reorganização das fronteiras físicas, administrativas, jurídico-políticas e epistemológicas;
Determinadas maneiras de pensar, agir e sentir se tornem universais;
Por um lado, isso consolida a globalização dos mercados e a produção flexível do
capitalismo atual; por outro, contribui para a transformação das formas de sociabilidade e
solidariedade, entre os indivíduos e grupos, assim como da relação destes com o Estado, a
sociedade e a natureza;
Todos os níveis da vida social, em alguma medida, são alcançados pelo deslocamento ou
pela dissolução de fronteiras, raízes, centros decisórios e pontos de referência;
Desterritorializar significa dissolver ou deslocar o espaço e
o tempo.
Trabalho na sociedade contemporânea
O conceito de trabalho é inadequado para a análise das atuais situações de dominação.
O modo de produção está centrado na forma como os objetos que satisfazem às
necessidades humanas são produzidos e trocados, enquanto o modo de informação
está voltado à maneira como os símbolos são usados, para compartilhar os sentidos e
constituir os objetos.
A sociedade contemporânea, por meio da sofisticação tecnológica, caracteriza-se por
diferentes modos de informação, que alteram, radicalmente, as inter-relações sociais.
Fim da história
Fim da história refere-se não ao colapso da modernidade, mas ao seu triunfo em todo o
planeta, caracterizado pelo capitalismo e pela democracia liberal.
O fim da história significa o ponto final do desenvolvimento da ideologia e da universalização
da democracia ocidental, como forma última de governo da humanidade.
Não quer dizer que a história acabou, mas que não há mais oportunidade para o capitalismo
e a democracia liberal, que triunfaram anteriormente.
Interatividade
As transformações globais têm levado a uma nova forma de sociedade, definida por sociedade
em rede. De acordo com as análises desse período, afirma-se que foram marcos importantes
na emergência desse novo modelo de sociedade:
a) A rede mundial de computadores e os novos movimentos sociais.
b) Os fluxos globais de mão de obra e o capital industrial.
c) A revolução tecnológica da informação e a reestruturação do capitalismo.
d) O ciberespaço, as guerras e a fome, que aceleraram os fluxos migratórios.
e) O progresso material e moral.
Resposta
As transformações globais têm levado a uma nova forma de sociedade, definida por sociedade
em rede. De acordo com as análises desse período, afirma-se que foram marcos importantes
na emergência desse novo modelo de sociedade:
a) A rede mundial de computadores e os novos movimentos sociais.
b) Os fluxos globais de mão de obra e o capital industrial.
c) A revolução tecnológica da informação e a reestruturação do capitalismo.
d) O ciberespaço, as guerras e a fome, que aceleraram os fluxos migratórios.
e) O progresso material e moral.
Linguagem
Os espaços e as práticas sociais, em que as pessoas, como os cidadãos, dialogam sobre as
questões de interesse comum, de modo que possam afetar a política e provocar uma
mudança social.
De acordo com a ADC, falar em esferas públicas como práticas sociais significa que, apesar
de terem um momento discursivo, elas não são, simplesmente, discursivas.
São práticas de ação social e política, conjunturas em que as pessoas reúnem os recursos
para fazer algo sobre as questões ou os problemas.
Linguagem
Sistemas de comunicação eletrônica, como as linguagens determinantes da vida dos
indivíduos e dos grupos em todos os seus aspectos (social, econômico, cultural e político).
Os meios e as formas de comunicação constituem os tipos de discurso determinantes das
relações de poder e de dominação nas sociedades contemporâneas.
Modo de informação decreta uma reconfiguração radical da linguagem, que constitui os
sujeitos fora do padrão do indivíduo racional e autônomo.
Linguagem
A linguagem é entendida como performativa, retórica, como um veículo ativo na construção e
no posicionamento do sujeito.
Agente do processo de comunicação mediado pelo computador, como alguém que se
constitui enquanto um outro, pois está em um ambiente dinâmico, sujeito a ser reconfigurado
em diferentes pontos do espaço e do tempo.
Os meios de comunicação de massa desempenham um papel importante na constituição de
novas escalas e na transformação das relações entre elas, na reescala das entidades
espaciais, e na construção e consolidação da nova
“dificuldade”, entre um regime de acumulação e um
modo de regulamentação social.
Os meios de comunicação de massa e a mediação na globalização
Os meios de comunicação de massa são um elemento crucial na difusão de informação e de
reações para a sua interpretação, assim como de novas estratégias, discursos, ideias,
práticas, normas e valores para as atividades econômicas, os sistemas políticos, as
instituições sociais, as organizações etc. Mensagens sobre todos os aspectos da vida social
circulam globalmente.
As mensagens são mediadas, o que significa que qualquer elemento da vida social é
representado no meio de comunicação de massa e passa por códigos semióticos,
convenções, normas e práticas de mídias específicas, sendo a sua forma e o seu sentido
transformados no processo. A análise de discurso crítica
pode contribuir para analisar esses códigos, as convenções, as
normas e as práticas.
Os meios de comunicação de massa e a mediação na globalização
O domínio global de corporações da mídia transnacional e a conexão íntima com os centros
de poder, na política e na economia, mostram que é possível usar os meios de comunicação
de massa, a fim de disseminar as mensagens que concorram para as
estratégias particulares.
O impacto dos meios de comunicação de massa depende da recontextualização da mídia.
Características estruturais, históricas, institucionais, sociais e culturais, específicas e
circunstanciais, moldam a recepção.
Os meios de comunicação de massa e a mediação na globalização
A globalização dos meios de comunicação de massa tem contribuído para a construção de
um público e uma opinião pública globais, igualando a esfera comum cosmopolita na qual
são gerados os debates, as ações e as mobilizações em uma base global. Entretanto, esse
fenômeno, ainda, é limitado e emergente por várias razões, incluindo a continuidade da
centralidade da escala nacional para a imprensa e a radiodifusão.
A ADC pode produtivamente ser usada para mostrar como os meios de comunicação de
massa constroem e contribuem, para construir certos eventos globais e audiências como
um público global.
Linguagem: comunidade virtual
Comunidades tradicionais fundamentavam-se no compartilhamento de valores e na
organização social. Muitas delas eram baseadas, substancialmente, em raízes espaciais, na
proximidade física – por exemplo, as pessoas que moravam no mesmo bairro, na mesma
rua; os alunos que estudavam na mesma escola, na mesma sala etc.
Comunidades virtuais: nasceram de escolhas estratégicas de indivíduos, e grupos sociais e
familiares. Os usuários da rede selecionam os grupos virtuais de sociabilidade
(comunidades) que vão aderir e têm a prerrogativa de criar outros grupos voltados para os
seus interesses. Portanto, as comunidades virtuais são formas de sociabilidade construídas
em torno de interesses específicos.
Interatividade
Quanto às mudanças relacionadas ao processo de informatização na sociedade pós-moderna:
a) Observa-se um processo de interiorização do saber centralizado na figura do professor.
b) Constata-se que, dada a exteriorização, abundante e acessível, o saber perde a
sua condição de uso e, relacionado às questões do poder econômico e político,
passa a ter um valor de venda.
c) Compete aos detentores do saber universal determinar a informação a ser compartilhada
por meio da escola e dos professores.
d) É preciso que a transmissão do conhecimento aos alunos
permaneça sob responsabilidade da escola que, ao limitar a
possibilidade de ampliação do conhecimento de mundo,
protege as novas gerações.
e) O conhecimento deve ser desvinculado das questões
econômicas e de poder.
Resposta
Quanto às mudanças relacionadas ao processo de informatização na sociedade pós-moderna:
a) Observa-se um processo de interiorização do saber centralizado na figura do professor.
b) Constata-se que, dada a exteriorização, abundante e acessível, o saber perde a
sua condição de uso e, relacionado às questões do poder econômico e político,
passa a ter um valor de venda.
c) Compete aos detentores do saber universal determinar a informação a ser compartilhada
por meio da escola e dos professores.
d) É preciso que a transmissão do conhecimento aos alunos
permaneça sob responsabilidade da escola que, ao limitar a
possibilidade de ampliação do conhecimento de mundo,
protege as novas gerações.
e) O conhecimento deve ser desvinculado das questões
econômicas e de poder.
ATÉ A PRÓXIMA!