TEP/TVP
Data @March 18, 2024
Finalizado?
Introdução
Definição
Tromboembolismo venoso (TEV) = 1/3 TEP e 2/3 TVP
Trombose Venosa Profunda: é a formação de um trombo nas grandes
veias da perna no nível ou acima do joelho (veias poplítea, femoral e
ilíaca)
Tromboembolismo Pulmonar: é a impactação de um trombo no leito
arterial pulmonar
Epidemiologia e considerações:
TVP afeta anualmente 2 milhões de americanos e é a 3ª doença
cardiovascular mais comum, atrás somente de SCA e AVC
100.000 a 180.000 mortes por ano nos USA são causadas por TEP
⚠️ 50-60% dos pacientes com TVP terão TEP
Em mais de 95% dos casos, os êmbolos venosos originam-se de
trombos venosos profundos da perna acima do nível dos joelhos
TEP é responsável por cerca de 10 a 20% dos casos de morte
hospitalar e 15% das mortes em pós-operatório
Trombose Venosa Profunda
Classificação
TEP/TVP 1
1. TVP Proximal = veias poplíteas, femoral ou ilíacas (maior risco de TEP!)
2. TVP Distal = vasos distais até as veias poplíteas
Fatores de Risco
Fatores Hereditários Fatores Adquiridos
Deficiência de antitrombina Imobilidade/Imobilizações
Deficiência de proteína C ou proteína S Idade avançada
Resistência a ativação da proteína C
Cateter venoso central (TVP de MMSS)
com ou sem fator V de Leyden
Condição médica aguda (principalmente
Mutação do gene de protrombina
infecção)
Grandes cirurgias:
Disfibrinogenemia - Neurocirurgia
- Ortopédicas (quadril e joelho)
Deficiência de plasminogênio Trauma
Uso de heparina
Fatores de associação provável Uso de ACO ou TRH
Aumento de lipoproteínas a: Policitemia vera
- baixos níveis de inibidor de fator
Gestação e puerpério
tecidual
- níveis aumentados de homocisteína Síndrome do anticorpo antifosfolípide
- Níveis aumentados de fibrinogênio Trauma medular
- Níveis aumentados de inibidor de
Quimioterapia
fibrinólise mediado por trombina
Obesidade
Neoplasia maligna
OBS: Proteínas C e S fazem parte do sistema
anticoagulante natural. Sua deficiência predispõe a
eventos tromboembólicos
Achados Clínicos
TEP/TVP 2
Anamnese:
Mulheres: Uso de ACO, TRH ou antecedentes obstétricos
Dor em membro inferior:
Dor à palpação da musculatura da panturrilha (pode se estender
para a coxa)
Sinal de Homans (dor à dorsiflexão do pé)
Edema unilateral, assimétrico, geralmente depressível
se diferença de diâmetro entre as 2 panturrilhas > 3cm → alta
probabilidade de TVP
Eritema, calor local
Dilatação de veias superficiais não varicosas
Critérios de Wells para TVP:
0 ponto: baixa 1-2 pontos: 3 ou mais: alta
probabilidade probabilidade probabilidade
intermediária
TEP/TVP 3
🚨 Sequência de eventos na TVP:
- Virchow (lesão endotelial, estase e hipercoagulabilidade)
- Obstrução do sistema venoso profundo em diversos espectros
- Dificuldade de retorno venoso agudo → cronicidade
- Obstrução proximal → deslocamento do trombo
Exames Complementares
D-dímero
Produzido quando a enzima plasmina inicia o processo de
degradação de um coágulo de fibrina
Alta sensibilidade
Baixa especificidade (por isso não é capaz de diagnosticar TVP)
Outras situações podem aumentar o D-dímero (Hematomas
subcutâneos, feridas cirúrgicas, necrose cutânea, queimaduras,
efusões pleurais, ascite, neoplasias, isquemia coronariana,
insuficiência renal ou hepática, eclâmpsia ou cirurgia)
Valor normal: idade em anos x 10ug
🚨 Valor abaixo: DESCARTA TVP EM PACIENTES COM
BAIXA PROBABILIDADE
USG Doppler de MMII
Exame não invasivo de escolha; venoso
Quando realizar?
1. Alta probabilidade clínica do diagnóstico
2. Baixa ou moderada probabilidade associada a D-dímero +
Sensibilidade:
94% para TVP proximal
63% para TVP distal
TEP/TVP 4
Especificidade: 94%
Principal critério ultrassonográfico e como é realizado
Teste de compressão
Transdutor vascular nas veias femorais comum, superficial e
poplítea → compressão venosa
se compressão completa = exclui TVP
sem compressão = presença de trombo
Se alta suspeita clínica e teste de compressão negativo = repetir
Doppler em 1 semana, indicar flebografia ou angiorressonância
venosa
Pletismografia
Não invasivo
O paciente deve permanecer deitado enquanto um cuff é insuflado
e após desinsuflado rapidamente. A alteração da impedância nos
próximos 3 seg pode mensurar se existe obstrução ao fluxo venoso
Sensibilidade e especificidade > 90% (substitui o doppler)
Angiorressonância venosa
Mais caro, mas pode substituir o Doppler
AngioTC venosa
Uso experimental, mas parece ter performance similar ao Doppler
Venografia
Exame invasivo
⚠️ Padrão-ouro para diagnóstico de TVP, mas NÃO deve ser
realizado como exame inicial devido ao desconforto e à
dificuldade técnica
Abordagem sugerida para os exames complementares
TEP/TVP 5
1º Estimativa de probabilidade de TVP na avaliação inicial (Escore de
Wells)
Probabilidade Baixa ou Moderada
1º - D-dímero, se:
Negativo: encerrar investigação (Não é TVP)
Positivo: USG com doppler
Se portadores de condições que elevam D-dímero → USG com
doppler direto sem dosar D-dímero
Probabilidade Alta
USG com Doppler
Quando rastrear trombofilias?
1. TVP idiopática em pacientes < 50 anos
2. HF de TVP (parentes de 1º grau)
3. Mulheres com HF de TVP nas seguintes situações:
a. gestantes ou que pretendem engravidar
b. antes do início do ACO ou TRH
4. TVP recorrente
5. TVP em locais inusitados como veias portais, mesentéricas ou
hepáticas
6. Complicações com varfarina (como necrose cutânea sugestiva de
proteína C ou de proteína S)
Diagnóstico Diferencial
TEP/TVP 6
Tratamento
Objetivos:
prevenir a extensão do trombo
prevenir a ocorrência de TEP
impedir a recorrência de TVP
Quando realizar tratamento ambulatorial?
1. paciente estável com sinais vitais normais
2. ausência de alto risco de sangramento
3. ausência de insuficiência renal grave
4. capacidade de administrar a medicação e possibilidade de
monitorização posterior
Fase Inicial (primeiros 10 dias)
Anticoagulante inicial:
HBPM associada a varfarina
TEP/TVP 7
HBPM associada a dabigatrana
Monoterapia com rivaroxabana ou apixabana
Heparina de baixo peso molecular + associações
HBPM:
Atua como inibidor do fator Xa
Parenteral, por pelo menos 5 dias de HBPM
Indicada para indivíduos com função renal normal e
peso entre 40-120kg
se disfunção renal: monitorização da dosagem sérica de
heparina ou com inibição antifator Xa
Descontinuação: após RNI entre 2-3 por 2 dias
consecutivos
Varfarina:
Oral, com início conjunto no 1º dia
antagonista da vit K
dose inicial: 5mg, VO, em jejum, 1x ao dia (RNI entre 2-3)
Dabigratana:
inibidor direto da trombina
dose inicial: 150mg, VO, 12/12h (não precisa monitorizar
o RNI)
Heparina não fracionada
resposta deve ser monitorizada pelo TTPA
Fondaparinaux subcutâneo
Inibidores do fator Xa por VO (rivaroxabana ou apixabana)
TEP/TVP 8
Segunda fase (10 dias a 3 ou mais meses)
Medicações por VO
1. Inibidores diretos do fator Xa (rivaroxabana, apixabana ou
endoxabana) [ideal]
2. Antagonistas da vit K (varfarina) [mais utilizada]
3. Inibidores da trombina (dabigatrana)
Medicações via subcutânea
HBPM
Fondaparinaux
Tempo de tratamento
TEP/TVP 9
Causa do TVP Tempo de Tratamento
Cirurgia ou fator de risco
3 meses
transitório
Alto risco de sangramento - 3 meses
Risco pequeno ou moderado de
Sem fator precipitante
sangramento - >3 meses
+ AAS após interrupção de anticoagulação
Alto risco de sangramento - 3 meses
Episódio recorrente de TEV Risco pequeno ou moderado de
sangramento - >3 meses
Neoplasia maligna ativa No mínimo 6 meses
seriar imagens por 2 semanas e se não
TVP distal e poucos sintomas houver extensão da TVP não iniciar a
anticoagulação
TVP distal e sintomas graves ou
Anticoagular
fatores de risco para extensão
Risco de sangramento
🚨 Estratégia para paciente com risco de sangramento e não
pode ser anticoagulado: filtro de veia cava (pode manter até
15 dias; não impede a trombose, só sua ascensão)
TEP/TVP 10
Medidas Adjuvantes
Meias elásticas (30-40mmHg):
1. Início: 1 mês após o episódio agudo ou quando o paciente
reinicia a deambulação
2. Manutenção: 6 meses após o episódio inicial (redução de
síndrome pós-trombótica)
Filtros de veia cava (situações específicas):
1. episódio recorrente de TEV apesar de anticoagulação adequada
2. TVP proximal com contraindicação ao uso de anticoagulantes
3. adjuvante a anticoagulação em pacientes com neoplasia
maligna
Trombolíticos sistêmicos
NÃO é recomendado para tto de TVP, pois a maioria tem evolução
favorável sem complicações
Quando realizar a trombólise?
flegmasia alba e cérulea dolens
TVP proximal ileofemural extensa muito sintomática
Pacientes com recorrência de TVP apesar de terapia
anticoagulante:
dabigrabana, endoxabana, apixabana ou antagonista de vit K:
trocar para HBPM
HBPM: aumentar dose de um quarto a um terço
Resumo dos Anticoagulantes e controles
Heparina não fracionada - TTPA
Enoxaparina
Varfarina - TP/RNI - vit K
Rivaroxabana
Apixabana
TEP/TVP 11
Dabigratana - Trombina
Tromboembolismo Pulmonar
Introdução e Definições
3ª maior causa de doença cardiovascular no mundo (SCA e AVC)
+ comum em homens >70 anos (700 casos para 100.000 hab/ano)
Sua gravidade depende de sua apresentação hemodinâmica:
Instáveis 4 a 5% dos casos; letalidade de até 45%
Estáveis com < 50 anos e sem outras comorbidades - letalidade
<1%
Além do TEP, existe o embolismo aéreo, gorduroso, tumoral e mais
raramente de outros materiais
Etiologia e Fisiopatologia
📌 Definição de embolia pulmonar: obstrução da artéria pulmonar e
seus ramos pela impactação de um ou mais êmbolos
TEP/TVP 12
Ocorre devido a presença de um dos elementos da Tríade de Virchow:
1. Lesão endotelial
2. Estase sanguínea
3. Hipercoagulabilidade
Classificação (Provocado x Não provocado)
1. Provocado
a. quando um fator precipitante é claro (cirurgia, imobilidade
temporária de membro, neoplasia maligna, etc)
b. 5% de recidiva em 1 ano
2. Não provocado
a. 20% dos casos
b. maior chance de associação com trombofilia
TEP/TVP 13
c. 15% de recidiva em 1 ano
Classificação Hemodinâmica
1. Instáveis
a. TEP maciço:
i. Hipotensão arterial (PAS <90mmHg ou queda da PAS >
40mmHg do basal) por > 15 min ou
ii. Hipotensão com necessidade de uso de inotrópicos
[aumentar o tônus e a contratilidade do músculo cardíaco]
2. Estáveis
a. Não preenche critérios de instabilidade
b. Podem ser assintomáticos até ter pressão arterial limítrofe e
disfunção de VD (TEP submaciço)
Sítios de origem
Veias pélvicas, poplíteas, femorais comum e superficiais
Fatores de risco
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Fisiopatologia
Sintomas a partir de oclusão de 20% da vasculatura pulmonar
Coágulos → obstrução pulmonar → aumento da
pressão arterial pulmonar e da resistência vascular
pulmonar → dilatação do VD [IC direita], redução da
pré-carga para o VE e lesão miocárdica → liberação de
troponina e de peptídeo natriurético tipo B
Relembrando:
TEP/TVP 16
pré-carga: pressão que o sangue faz no ventrículo quando
está cheio antes da contração, ou seja, antes da sístole
Mecanismo de morte por TEP:
→ oclusão abrupta da artéria pulmonar
→ efeito isquêmico no sistema de condução His-Purkinje
TEP em Sela ou “a cavaleiro”:
trombo alojado na bifurcação da artéria pulmonar → >
instabilidade hemodinâmica e mortalidade
Sequência de eventos no TEP:
TEP/TVP 17
🚨 Do ponto de vista respiratório:
- Oclusão vascular tromboembólica determina a ventilação
pulmonar em área pouco ou nada perfundida (espaço morto
intrapulmonar -
shunt D-E)
- A redução do fluxo sanguíneo determina lesão celular da
área afetada e liberação dos mediadores químicos que levam
à broncoconstrição local (compensatória)(sibilos e aumento
do trabalho para respirar)
- 2 a 3h depois, inicia-se a redução do surfactante pulmonar
- 15 a 24h após a oclusão vascular, ocorre o colapso alveolar
(atelectasia)
HIPOXEMIA ARTERIAL
*Para hipoxemia: efeito shunt
🚨 Do ponto de vista hemodinâmico:
- O TEP leva ao
aumento da resistência ao fluxo sanguíneo (obstrução física e
vasoconstrição reflexa), originando uma hipertensão pulmonar
secundária. Pode levar à IC direita, redução do débito
cardíaco (direito e, por consequência, esquerdo), diminuição
da perfusão coronariana e choque cardiogênico
- Estima-se que seja necessário um
comprometimento de pelo menos 50% do leito vascular
pulmonar para que ocorra elevação significativa da pressão
pulmonar e cor pulmonale
- O infarto pulmonar é uma complicação relativamente rara
(menos de 10% dos casos), evento este explicado pelas inter-
relações das circulações arterial pulmonar e brônquica
TEP/TVP 18
TEP/TVP 19
Achados Clínicos
Quadro clínico variável! (assintomáticos até hemodinamicamente instáveis)
Considerações iniciais
variável, frequentemente atípico e inespecífico
TEP/TVP 20
algumas vezes, o TEP não se manifesta clinicamente, sendo achado
de necropsia
os achados dependem do tamanho do êmbolo e do estado
cardiopulmonar preexistente no paciente
nenhum sintoma isolado, sinal ou combinação de achados clínicos
são específicos de embolismo pulmonar
Tríade clássica do TEP (DDH)
1. Dispneia
2. Dor torácica pleurítica
3. Hemoptise
*Ocorre na minoria dos casos (20%)
Sinais e Sintomas
1. Dispneia
a. diferenciar de: IC, atelectasias, pneumonias, estresse físico ou
mental
2. Dor torácica pleurítica (trombo periférico, próximo à pleura:
inflamação da região) ou subesternal (por sobrecarga aguda e/ou
isquemia do VD) [simula SCA]
a. relaciona-se à irritação pleural secundária ao infarto pulmonar,
diferenciando-se da pleurite, pneumonia e da neurite
3. Hemoptise
a. característica do infarto pulmonar, porém pode ocorrer na IC
grave ou na ruptura de um vaso brônquico
4. Dor referida (infarto pulmonar nos segmentos basais)
a. no ombro
b. dor similar à cólica ureteral
5. Sintomas neurológicos
a. convulsão ou confusão mental
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b. síncope
Obs: Quando forame oval patente: pressão do coração direito → fluxo
de material trombótico direita-esquerda nos átrios → embolização para
circulação cerebral [sintomas semelhantes ao AVC]
Exame Físico
TVP [edema assimétrico de MMII]
Hipertensão pulmonar [B2 hiperfonética e sopro em foco tricúspide]
Estresse cardiorrespiratório agudo [taquicardia, taquipneia, pulso
fino, baixa saturação de O2 e às vezes febre baixa]
Instabilidade hemodinâmica [PAS < 90mmHg]
Temperatura [pode ser > 38ºC]
Geralmente ausculta pulmonar limpa
Se sibilos ou estertores: dx diferencial com broncoespasmo ou
pneumonia
TEP/TVP 22
Diagnóstico diferencial
TEP Moderada: TEP Grave:
1. pneumonia 1. IAM
2. DPOC 2. pneumotórax
3. atelectasia 3. arritmias cardíacas
4. derrame pleural 4. edema agudo de pulmão
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5. bronquiectasia 5. choque séptico
6. hiperventilação 6. tamponamento cardíaco
7. bronquite aguda 7. dissecção da aorta
8. dor muscular 8. exacerbação da DPOC
9. pleurite aguda
10. pericardite
11. asma aguda
12. CA pulmonar
Exames complementares e diagnóstico
Como os achados clínicos do TEP são inespecíficos, torna-se necessária
uma investigação diagnóstica complementar, de maior ou menor
complexidade, segundo as disponibilidades do local. Sendo assim, pode-se
utilizar:
Suspeita clínica (cenário clínico e fatores de risco)
Radiografia de Tórax
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Na maioria das vezes é normal!
Pode apresentar achados inespecíficos:
cardiomegalia
atelectasia basal
infiltrado ou derrame pleural
áreas de hipoperfusão
elevação de hemicúpula diafragmática
Área de configuração triangular com ápice voltado para o hilo é
sugestiva de infarto, embora seja pouco frequente.
Podem sugerir TEP:
Sinal de Westermark: atenuação da circulação pulmonar de
localização periférica, que é correspondente à área de oligoemia
por obstrução
Corcova de Hampton: opacificação periférica em formato de
cúpula; infarto pulmonar
Sinal de Fleischner/signo de Palla: artéria pulmonar central
distendida
Gasometria arterial
hipoxemia
aumento da diferença alvéolo-arterial de O2
Hipocapnia e alcalose respiratória por hiperventilação
D-dímero
⚠️ Principal exame para excluir TEV (alta sensibilidade e baixa
especificidade)
Produto da degradação da fibrina
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Excluir se: D-dímero <1.000ug/mL em pacientes sem nenhum dos
seguintes achados:
sinais clínicos de TVP
Hemoptise
TEP não é a principal suspeita diagnóstica
ECG
⚠️ Deve ser realizado em todos os pacientes com suspeita de
TEP
Achados principais (inespecíficos):
1. Na presença de cor pulmonale:
a. Desvio do eixo elétrico para a direita
i. Distúrbio na condução do ramo direito
ii. Onda P pulmonale
iii. Fibrilação atrial
iv. S1Q3T3
2. S-Q3-T3 (clássico, mas incomum)
a. onda S profunda
b. elevação de pressões (sobrecarga) em câmaras direitas
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3. Taquicardia
4. inversão de onda T em V1
5. alterações no segmento ST em V1 a V4
6. Fibrilação atrial
Ecocardiograma
Não exclui diagnóstico de TEP e sua principal utilidade é na
estratificação do TEP (hipertensão pulmonar)
Pode apresentar sinais de sobrecarga de VD no TEP
Demonstra aumento das câmaras cardíacas direitas
Desvio do septo interventricular da direita para a esquerda
Insuficiência tricúspide
Cintilografia ventilação/perfusão
cintilografia pulmonar de ventilação e perfusão (V/Q)
Pode identificar defeito de perfusão em locais em que a
ventilação é normal
cintilografia de ventilação
TEP/TVP 27
utiliza-se gases radioativos. Serve para comparar as 2
cintilografias no sentido de identificar alterações na circulação
pulmonar
cintilografia de perfusão pulmonar
utiliza-se de macroagregados de albumina marcadas com
tecnécio 99. Ela é capaz de identificar áreas de obstrução. Sua
interpretação é feita comparando-a com a cintilografia de
ventilação ou simplesmente com o raio-x
quando normal, exclui TEP clinicamente significativo. Quando
alterada, segue-se a realização de outros exames
complementares
AngioTC de Tórax
TC helicoidal
Capaz de identificar um coágulo como um defeito de enchimento das
artérias pulmonares com contraste
Sensibilidade e especificidade >90%
Enquanto que uma cintilografia V/Q normal exclui TEP, o mesmo não
ocorre com uma TC helicoidal normal.
🔥 Indicada em pacientes com probabilidade clínica pré-teste alta
ou com D-dímero +
Pode detectar diagnósticos alternativos, como pneumonia
é seguro e não invasivo
contribui para a estratificação de risco em pacientes com TEP
Arteriografia Pulmonar
Era considerada padrão-ouro para TEP, mas perdeu espaço para a
angio-TC de artérias pulmonares, pois é invasiva
TEP/TVP 28
💡 Mais utilizada para guiar terapêuticas invasivas, como
embolectomia
Avaliação de MMII
USG Doppler de MMII
Disponível, barato e pode ser realizado a beira do leito
Reservado para pcts pacientes com contraindicações para realizar a
angio-TC e/ou complementar e a cintilografia ou angioTC
inconclusivas
Útil para o dx de TVP em grandes veias
Venografia
Padrão-ouro, porém invasivo, para o dx de TVP
Oximetria de pulso e gasometria arterial
Oximetria de pulso média é menor em pacientes com TEP (93+/-
2% x 95 +/-3%)
Pressão parcial média de oxigênio no sangue arterial (PaO2) é
menor (73 +/- 19mmHg x 80 +/- 21mmHg)
Gradiente alvéolo-arterial é aumentado em pacientes com TEP
Pressão arterial parcial de CO2 (PaCO2) é baixa [aumento de 20-
50% na ventilação por minuto para compensar a perda de eficiência
pulmonar secundária ao aumento do espaço morto]
Outros exames
função renal
coagulograma
eletrólitos
para estratificar pacientes com TEP: troponina, BNP e
ecocardiograma
Abordagem Diagnóstica
TEP/TVP 29
Determinar a probabilidade pré-teste do paciente apresentar TEP
Escore de Wells
mnemônico: PIEDADE
P: Pulso >100bpm
I: Imobilização > 3 dias
E: Edema assimétrico de MMII
D: diagnóstico menos provável que TEP
A: antecedente de TEP/TVP
D: doença maligna
E: Escarro hemático
Escore de Geneva
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Para pacientes de baixo risco: Escore PERC
TEP/TVP 31
Pacientes de baixo risco e com um dos critérios de PERC ou em que
não foi possível TEP com a regra de Charlotte, o próximo exame
recomendado é a dosagem do D-dímero. Se o exame vier negativo não
é recomendado continuar com a investigação
TEP/TVP 32
Resumindo:
Estratificação dos Pacientes
O TEP é classificado em três categorias com base na gravidade: TEP
maciço, TEP submaciço e TEP de menor gravidade:
TEP maciço: PAS < 90 mmHg por mais de 15 minutos, PAS < 100mmHg
com história de hipertensão ou redução > 40mmHg na PAS basal
TEP submaciço: pressão arterial normal, mas com outras evidências de
estresse cardiopulmonar.
TEP de menor gravidade: Todos os outros casos.
Em pacientes com TEP confirmado é importante classificar e estratificar
o paciente de acordo com a gravidade do quadro (risco de mortalidade)
calculando o escore PESI
TEP/TVP 33
PESI I e II: baixo risco e podem ser elegíveis para
tratamento domiciliar ou alta precoce (antes de 5 dias
de internação hospitalar, o recomendado de
internação para TEP)
Se todas as respostas forem negativas e o paciente for classificado
como PESI I ou II, ele é um
candidato adequado para tratamento ambulatorial.
Nesses pacientes não é necessária dosagem de troponina e BNP.
Caso a dosagem seja inadvertidamente realizada e venha alterada, o
TEP/TVP 34
paciente é reclassificado como de risco intermediário baixo.
Para os pacientes classificados como classe III e IV, devemos
realizar:
- Dosagem de troponina e BNP.
- Aferição de disfunção de VD
(ecocardiograma ou tomografia computadoriza com contraste).
Caso apenas um dos dois acima venha alterado, o paciente é
classificado como de
risco intermediário baixo.
Os pacientes nessa classificação devem ser internados e
monitorizados. Caso os dois venham alterados, o paciente é
classificado como risco intermediário alto. Além de internação e
monitorização, deve-se ficar atento para a descompensação
hemodinâmica que indica a trombólise.
Outra forma de selecionar pacientes de baixo risco que poderiam
realizar todo o tratamento ambulatorial são os critérios HESTIA
Tratamento
Na ausência de exames complementares, a suspeita
clínica assume papel fundamental
TEP/TVP 35
A investigação disponível será realizada com o objetivo principal de excluir
outros diagnósticos, e não com o objetivo de confirmar TEP
Se um outro diagnóstico não for estabelecido, deve-se iniciar o tratamento
para TEP, mesmo sabendo que alguns pacientes serão tratados sem que
realmente tenham o diagnóstico correto
Contraindicações para anticoagulação inicial
Hemorragia ativa ou recente
Antecedente de plaquetopenia por heparina
Procedimentos invasivos recentes
Cirurgia cerebral/oftalmológica
Anestesia lombar
HAS grave
Percardite ou endocardite
Insuficiência renal grave
Insuficiência hepática grave
Cirurgia de grande porte recente
🚨 Anticoagulação:
- A anticoagulação não é um tratamento definitivo, mas uma
forma de prevenção secundária (formação de novos êmbolos)
- Dessa forma, ela retarda a formação de trombo adicional,
permitindo que os mecanismos endógenos de fibrinólise quebrem
o trombo existente
Suporte hemodinâmico
Principal causa de morte no TEP é falência de VD levando a baixo
débito cardíaco
Medidas recomendadas:
TEP/TVP 36
Cristaloide, em bolus de até 500mL em:
hipotensos, pode melhorar hipotensão e índice cardíaco, e
pode ser testado antes da introdução de drogas vasoativas.
Com a ressalva de que sobrecarga volêmica pode piorar a
disfunção de VD
Drogas vasoativas são frequentemente necessárias para
melhorar o inotropismo cardíaco, elevar a pressão arterial e
garantir perfusão tecidual adequada.
Norepinefrina
aumenta a PAS e melhora a perfusão coronariana;
melhora a função de VD por ação inotrópica positiva
direta.
Para pacientes com choque cardiogênico
dose: 0,2 a 1,0 mcg/kg/min
Dobutamina
deve ser considerada em pacientes com índice cardíaco
reduzido, e costuma ser a primeira droga prescrita com
o intuito de melhorar o débito de VD
dose: 2-20mcg/kg/min
Suporte respiratório
Hipoxemia é geralmente reversível com a administração de
oxigênio, sendo indicada oxigenioterapia se SatO2 < 90%
Para reduzir o risco de hipotensão, se possível, outras técnicas
como cânula nasal de alto fluxo ou VNI devem ser tentadas antes da
instituição de ventilação mecânica invasiva
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Anticoagulação parenteral
📌 A anticoagulação não dissolve o trombo, mas evita o
crescimento dele
Mais utilizadas:
Heparina - controle laboratorial de TTPA
1. HBPM
Enoxaparina - fator Xa - 1mg/kg/12-12h
Não usar em caso de insuficiência renal!!!
Apresentam maior biodisponibilidade.
Características de respostas mais predizíveis.
Riscos iguais ou menores de hemorragias e trombocitopenia.
Simplificam o tratamento e permitem um tempo de internação
hospitalar menor.
Ação principal se dá através do fator Xa, com pouco ou nenhum
efeito sobre a trombina
2. Heparina não fracionada
Primeira escolha para o paciente em diálise ou com DRC avançada,
instabilidade hemodinâmica, extremos de peso e idade e pacientes
TEP/TVP 38
com alto risco de sangramento
⚠️ Qualquer que seja o esquema, será baseado no TTPa
(Tempo de tromboplastina parcial ativada)
3. Rivaroxabana VO
Se não houver certeza sobre a presença de TEP, a probabilidade pode
guiar a introdução de terapia com anticoagulação
Em pacientes com probabilidade pré-teste de TEP > 20%, é
recomendada a anticoagulação empírica, pois os benefícios excedem
os riscos (sangramento e trombocitopenia induzida por heparina)
Anticoagulação prolongada (cumarínicos e DOACs)
Cumarínicos:
O anticoagulante oral mais utilizado é a Warfarina
Ação anticoagulante é secundária à inibição da síntese dos fatores
de coagulação dependentes da vit K (fatores II, VII, IX e X)
TEP/TVP 39
⚠️ Monitorização de TP e RNI; vit K
⚠️ ANTÍDOTO: Vitamina K, Plasma Fresco Congelado e
Complexo Protrombínico
DOACs
ação anticoagulante é inibindo o fator Xa ou a trombina
muito caros
Não precisam de controle laboratorial!!
antídotos
Filtro de veia cava
Utiliza-se filtros transvenosos para filtrar trombos secundários à TVP.
Realizada em pacientes com contra-indicação absoluta ao uso de
anticoagulantes e trombolíticos e com recorrência de TEP.
Trombólise
🔥 Tratamento reservado apenas para pacientes com alto risco
de morte (TEP maciço), hemodinamicamente instáveis
Em pacientes graves, a resolução mais rápida do trombo pode ser
salvadora
A Estreptoquinase, a uroquinase e r-TPA (ativador tissular do
plasminogênio recombinante) aumentam os níveis de plasmina e
portanto diretamente dissolvem os trombos intravasculares
Desvantagens: custo mais elevado e aumento significativo de
complicações hemorrágicas graves
Contra-indicações: HAS não-controlada e cirurgia ou trauma nas
últimas 6 semanas
TEP/TVP 40
Em pacientes sem hipotensão ou hemodinamicamente estáveis, existe a
dúvida de iniciar ou não tratamento com trombólise. Um subgrupo de
pacientes com TEP submaciço pode apresentar critérios de gravidade
definidos por:
- Dilatação ou hipocinesia do ventrículo direito.
- Troponina elevada.
- Peptídeo natriurético tipo B ou hipoxemia persistente com desconforto
respiratório.
🔥 Pacientes com indicações clínicas, mas com contraindicação
à trombólise, podem ser eventualmente tratados com
embolectomia
A trombólise direcionada por cateter é realizada através da
cateterização da artéria pulmonar. É indicada por diretrizes nas
seguintes condições:
1. Pacientes de alto risco com ou falha da trombólise como persistência
de instabilidade hemodinâmica apesar de trombólise sistêmica, risco de
morte antes de a trombólise sistêmica ter iniciado seus efeitos.
2. Paciente com contraindicação a trombólise por alto risco de
sangramento.
Contraindicações a trombólise
TEP/TVP 41
Embolectomia
🔥 A embolectomia cirúrgica é uma opção em pacientes jovens
com TEP grande e proximal acompanhado de hipotensão.
As diretrizes da European Society of Cardfiology recomendam a
embolectomia em pacientes com TEP de alto risco com falha ou
contraindicação a trombólise.
Realizada em pacientes com choque refratário à terapêutica clínica.
Procedimento com alto percentual de mortalidade. O índice de
mortalidade pode chegar até 70%.
TEP subsegmentar
Manejo do TEP instável:
TEP/TVP 42
Métodos de prevenção
Heparina (HNF) utilizada 2 horas antes da cirurgia, até a alta hospitalar.
(12 – 12 horas);
HBPM, dose única (facilitando a administração), menos sangramento,
eficácia igual ou maior que a HNF;
Warfarina: administrado na noite anterior à cirurgia;
Dextrana 70: administrado imediatamente antes e mantida durante a
cirurgia.
Casos Clínicos
Caso 1
Paciente de 18 anos, portadora de LES com envolvimento Renal (GMN) e
Cardíaco(Cardite). Internada em descompensação de IC e da função
renal. Desenvolve dia 25/05 edema maior na perna direita (com dor à
dorsiflexão do pé).
Suspeita de TVP:
Abordagem diagnóstica: USG Doppler
Tratamento: Enoxaparina 1mg/kg/12-12h
Caso 2
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Paciente de 18 anos, portadora de LES com envolvimento Renal(GMN) e
Cardíaco(Cardite). Internada em descompensação de IC e da função
renal. Desenvolve dia 25/05 edema maior na perna direita. Iniciado
esquema FIDO. Em 26/05 há piora do edema e fica dispneica.
Suspeita de TEP com esquema FIDO [subcutâneo]:
Abordagem diagnóstica: Angio-TC
Tratamento: Enoxaparina
Evolução para choque - o que fazer?
Choque no TEP: única indicação absoluta para trombólise
(alteplase)
alta - anticoagulação:
Tratamento profilático em casa: cumarínico [warfarina] com
controle de TP/RNI; se não conseguir controle, DOACs [fator Xa]
por 90 dias
Caso 3
Estudante de medicina, terceira década de vida, logo ao subir a escada da
enfermaria, evolui com dor torácica, abafamento e tontura. Acolhida pelo
serviço de enfermagem, é monitorizada. Tem PR 120bpm, PS 80/60mmHg
e sat 90% em ar ambiente, pele fria.
Abordagem diagnóstica: AngioTC
Tratamento: Enoxaparina 1mg/kg/12-12h
Por que não trombolizou??
Caso 4
Paciente sexo feminino, 22 anos, branca, lúpica, natural e procedente de
Gandu. Foi admitida no Pronto Socorro com quadro de dispneia aos
mínimos esforços, iniciada há 5 horas, dor torácica ventilatório-
dependente à esquerda e dor em MMII há 1 semana. No atendimento
inicia, apresentava agitação psicomotora, taquipnéica, baixa saturação de
O2.
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Ao exame físico, apresentava FC de 145 bpm, com ritmo regular, FR de 36
ipm, PA de 110×75 mmHg, Sat O2 de 88%, T = 38°. A ausculta cardíaca
mostrava ritmo regular, 2T, com hiperfonese de B2 em foco pulmonar, sem
sopros. No exame pulmonar, expansibilidade diminuída em bases, macicez
em base esquerda com crépitos e aumento do FTV e MV diminuídos
difusamente. Abdome sem alterações. Apresentava edema em MMII,
sendo maior no direito (+++/IV) mole e indolor, sem dor a dorso-flexão,
presença de varizes em MMII. Teve 01 parto há 1 mês, cesariana com
complicação e hospitalização por 1 semana.
Possíveis diagnósticos: TVP e TEP
Conduta diagnóstica: AngioTC, USG Doppler de MMII, Ecocardiograma
Terapia:
Sinais de gravidade no paciente com TEP: hipotensão, disfunção de VD
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