Batom Vernelho
Batom Vernelho
Vanessa de Cássia
Edição Digital
2013
Copyright @2013 – Todos os direitos reservados
Capa
Renato Klisman
Diagramação
Vanessa de Cássia
Revisão Final
Liliana Lacerda
1. Romance : Literatura Brasileira
Direitos desta edição totalmente concedidos a editora Literata. É proibida a copia
do material contido nesse exemplar sem o consentimento escrito da editora. Esse
livro é fruto da imaginação do autor e nenhum dos personagens e
acontecimentos citados nele tem qualquer equivalente na vida real.
Para
todas as amantes de
Batom
Vermelho...
Um texto repleto de
SENSUALIDADE,
envolvente, que nos leva
a reflexão sobre o AMOR.
Além dos TABUS que nos
cercam.
Nos faz refletir sobre o que
encontremos a felicidade e o
verdadeiro amor.
Perdoando, se doando,
Enfrentando MEDOS até o final.
“Batom Vermelho” é sem
Dúvida uma leitura
Delirantemente IRRESISTÍVEL.
Soninha Senra
ENCANTADOR. APAIXONANTE.
PERIGOSO. PROIBIDO.
Cris Santana
Uma história
SEDUTORAMENTE
bela.
SEXY e criativa.
Renata Doreto
ALTAMENTE VICIANTE!
Ellen Rangel
Uma palavra:
SURPREENDENTE.
Karina Marley
AMEI, não tem explicação!
um livro muito bom e
ninguém pode negar!
O amor realmente pode
ser VIVIDO de
várias MANEIRAS.
Amarylis Nicolau
Vanessa de Cássia
*Playlist: Couer De Pirate/ Garbage/ Sonic Youth/ Blur/ Joy Division/ The Stone Roses/ Joan Jett/ Amy Winehouse/ Siouxsie and
the Banshees/ My Bloody Valentine/ Duffy/ The sister of mercy/ Touch to go/ Depeche Mode/ Pantera/ Jason Mraz/ Adele/ Paula
Fernandes/ Ira/ Pitty.
Agradecimento
Agradeço a Deus por minha boa imaginação e por me libertar, deixar meus sentidos irem longe, além. Ao meu marido Itamar, que
sem ele isso nunca daria certo. Ele acredita em mim e, além disso, é minha melhor inspiração ao que escrevo. Serei sua eterna FEIOSA.
A Soninha Senra, minha “agente literária”, que passou madrugadas a fio comigo, vivendo e ajudando-me a construir uma história
cada vez melhor com sua visão de crítica e leitora.
A todos que leram com carinho antes mesmo de publicar, dando sugestões e criticando quando precisava. A vocês, meu imenso
carinho: Adriana Brazil, Amarylis Nicolau, Ellen Rangel, Nicole F. Weiss, Uill Cardoso, e minhas duas melhores amigas Karina e
Renata.
A Vanessa Bosso que, com todo carinho e paciência leu esse livro, ajudando-me em tudo, dando dicas preciosas que levarei para o
resto de minha vida. Lindo prefácio, obrigada xará!
Agradeço a paciência da Liliana Lacerda com a revisão do livro, sendo profissional e com suas dicas valiosas e comentários hilários.
Um dia, eu pago nossa dívida ao usar o nome do seu blog “ovelha negra”. Obrigada por sua imensurável ajuda!
Agradecimento em especial a todas as mulheres que participaram do concurso da “Garota Batom Vermelho”. Foi o máximo!
Minha família que, apesar de tudo, sempre me apoiou. Minha mãe sempre defendendo-me das más línguas. Obrigada por ter feito
tudo por mim.
Também quero mencionar meus amigos de letras, que me inspiram e me ajudam a cada encontro, onde levamos nossas histórias e
nossa alegria aos cantos do Brasil, quero agradecer imensamente cada um da Turnê Literária: Adriana Brazil, Samanta Holtz,
Mallerey Cálgara, Lu Piras, Ricardo Valverde, Maurício Gomyde. Desculpa a expressão que vou usar, meus queridos, mas esses
autores aqui são fodas! Sinto orgulho de fazer parte disso. Eu amo cada um de vocês! Obrigada por acreditar nessa ruiva!
Agradeço carinhosamente à Editora Literata que acreditou nesse meu sonho, apostou todas as fichas e agora tenho que ralar ainda
mais para nunca decepcionar vocês! Muito obrigada Eduardo Bonito pela oportunidade. Vamos levar histórias aos nossos leitores lindos!
E por falar neles, quero agradecer imensamente cada um dos meus leitores fiéis, que estiveram sempre comigo nessa jornada tão
árdua. Obrigada a todas as blogueiras (os) que sempre estão ajudando a divulgar meu trabalho! Amo vocês e sem vocês eu nada seria!
Para todos os ansiosos por essa obra, vocês me fazem sentir borboletas no estômago a cada recadinho: Kéziah Raiol, Klau Tks,
Larissa Sposito, Simone Pesci, Sara Beck, Mila Wander, Jacqueline Santos, Evany Bastos (minha Vanessete – tiéte – assumida),
Mariana Mortani, Mônica Quintelas, Mônica Fóes. Ao apoio de Andressa de Cássia, Teka, Patrícia, Tia Nalva, Shirley, Jack, Márcio
Brazil, Elisangêla Brás, Stephanie Souza, Maurício de Oliveira, Rafael Santos e Cris Santana (minha primeira fã desse livro). Renato
Klisman pela belíssima capa! E Gisele G. Garcia por sua magnífica diagramação.
Obrigada meus lindos, por me fazerem tão feliz.
Por fim, ao meu avô Antônio, que sempre estará em meu coração.
Fica a Dica: Quem não gosta de batom vermelho, mudará seus conceitos e passará a usar essa arma!
Crianças não leiam este livro!
Mulheres apreciem sem moderação... Homens conheçam o universo (sexo) feminino!
Beijos de Batom Vermelho a todos vocês...
Vanessa de Cássia
Nota do autor
Foi difícil, mas consegui!
Quem diria que um dia eu estaria escrevendo livros, levando minhas histórias e imaginações a tantas pessoas... E mais, quem diria
que tudo isso iria fluir livremente... É um sonho se realizando em cada obra, em cada momento que pronuncio: Sou escritora. Uma
realização sem igual. Entretanto, árdua.
É indescritível o quanto trabalhei nesse livro, o quanto eu chorei, sofri, quase desisti; mas voltei a sorri novamente, me ergui, mesmo
com alguns impasses, me levantei novamente e decidi: esse é meu sonho. E vou realizá-lo, querendo ou não. Sendo um sucesso ou não.
Eu fiz, eu corri atrás e, sim, me realizei pessoalmente.
Alguns aprenderão com os erros e acertos da Mel, passarão a ver com mais clareza o que a vida tem de melhor a nos oferecer.
Perdoem-me alguns erros, se não era o que esperava, eu tentei com todas minhas forças fazer o meu melhor. Se consegui, agradeço
a paciência de ter lido até o final. Se não consegui prendê-lo a história, prometo buscar meu melhor.
Ninguém sabe a aflição que passei por tanto tempo, com medo do que as pessoas diriam sobre esse livro. Enfim, agora eis a verdade.
Vamos aguardar!
Sinceramente, eu vejo a obra como algo simples e prazerosa. Um romance, um amor, uma loucura... Foi delirante e contagiante
escrevê-lo.
Espero que se sinta a vontade com a Mel. Dividem esses segredos e vivem esse proibido...
Um dia eu ouvi de minha querida amiga Soninha o seguinte:
“Quando tudo dá errado no começo, é porque virá algo muito bom a seguir...”
Vou aguardar ansiosamente esse lado bom...
Beijos carinhosos,
Vanessa de Cássia.
Prefácio
A história do batom remonta milênios. Foi há cinco mil anos, na Mesopotâmia, que o batom foi
criado como adorno para as bocas femininas.
No entanto, de acordo com os historiadores, foi no Egito que o batom ganhou status. As
egípcias criaram uma fórmula controversa que deixava as bocas vermelhas como carmim. O
resultado foi catastrófico, já que a substância era nociva aos seres humanos. Foi daí que surgiu o
termo O Beijo da Morte.
Os séculos passaram e o batom foi aperfeiçoado, tornando-se acessório indispensável para as
mulheres de bom gosto. A arma perfeita criada com o único intuito de embelezar e seduzir o sexo
oposto. E não é que a ideia deu certo?
Que atire a primeira pedra a mulher que disser não ter pelo menos um batonzinho em casa.
Impossível viver sem ele.
Já o batom vermelho é outra história. Para usá-lo, a mulher precisa não só de autoconfiança,
mas uma boa dose de coragem. É uma cor gritante, viva, pulsante que remete de imediato ao
poder, à sensualidade e à sexualidade feminina.
Não poderia haver outro título para a narrativa a seguir. A essência do batom vermelho marca
as próximas páginas, aquecendo corações e almas que anseiam por um grande, perfeito e sublime
amor.
Devo dizer que o batom vermelho é um dos protagonistas dessa obra, um objeto que seduz,
reluz e chega a queimar a pele do observador. Que homem resistiria aos encantos de uma boca
vestida de vermelho?
Leia e descubra do que um batom vermelho é capaz. Prepare-se para adentrar ao universo
feminino visto pelo ângulo de quem entende do assunto. Vanessa de Cássia foi uma grata surpresa
nessa narrativa. Sua sensibilidade textual me tocou de inúmeras formas. Senti-me marcada pelo
batom vermelho em diversos níveis.
Vanessa Bosso
Autora de O Imortal, Senhor do Amanhã, O Elemental, Possuída e 2012.
Prólogo
– Você não presta e quando ela crescer irá ser igual, sabe disso, não é? Sua bêbada
inconsequente. Tirei você da casa de seus pais, para quê? Para eu sustentar seu vício alcoólico...
– Ele gritava com minha mãe em seu quarto.
Meu pai não poderia nunca saber que estava escondida no guarda-roupa, senão ele me bateria
muito, mas estava ficando sufocada, então tossi. Ele se virou em direção ao guarda-roupa, minha
mãe sentada na cama, não fez nada.
– O que faz aí, sua pirralha? Já te disse milhares de vezes que não quero você no meu quarto! –
Ele puxava minha orelha e sua mão já estava direcionada ao meu rosto.
– Desculpa papai, eu estava brincando... – falei em soluços chorosos.
– Brincando? Brincando de quê? De putinha novamente! Olhe para você com essas maquiagens,
não enxerga que é nova demais e que não deve usar isso? Quantas vezes eu tenho que te dizer?
Vem cá. – foi me arrastando por minha camiseta fina e floral. – Vou te mostrar como deve ser! –
sentou-me em uma cadeira, pegou um tecido da gaveta de minha mãe, esfregou com força nos
meus lábios, arrancando o batom rosa dali. Quase arrancou meus lábios. Esfregou mais forte
ainda nas bochechas onde passei um pozinho rosa que me deixava como minhas bonecas. Ele
pegou a boneca que estava na cama e jogou no meu colo.
– Se quer brincar, vai brincar de boneca e não de ficar se melecando com as bobagens de sua
mãe. Ela nunca foi um bom exemplo pra você! Está vendo-a ali? – fiz que sim.
A expressão dela de cansaço era terrível, seu ar embriagado. Toda descabelada, pois eu o vi
batendo nela.
– Ela nunca foi uma mãe decente, sempre usou essas coisas, sabe para quê? Para mostrar aos
olhos masculinos de fora que é encantadora! Que é linda. Sim, ela é muito linda, mas tem que ser
somente para mim. E você, sua garotinha chata, arrogante e pirralha, você nunca será amada,
nunca fará alguém feliz, porque é desprezível como ela! Ninguém vai te amar e quando passar
essas coisas em sua cara, todos te olharão, mas pensarão que é uma putinha. Então, se quiser ser
decente, comece agora a ser gente. Nunca mais use esse tipo de cor no seu rosto. Já te disse que é
bonita sendo natural e não precisa disso e não precisa dessas coisas. Deus te deu olhos lindos. –
foi a única coisa que disse que me deixou feliz, mas ao mesmo tempo triste. – Então não acredite
nessa sociedade horrível, pois não existe amor por aparência, apenas desejos em comum. Está me
entendendo? – perguntou segurando forte meu rosto.
Meu medo ficou firme em todo meu corpo frágil. Ele bateu forte com o peito de sua mão. Senti
arder o coração. A cada tapa que levava minha alma fugia de mim. Essa palavra: amor, eu deixei-
a sair do meu coração. Meus pais não me amavam. Eu acho que fui o fruto podre. O que poderia
pensar? Tinha apenas oito anos. Ainda não sabia de nada. Todos os dias, meses, anos que se
passava ali, eu via minha mãe embriagada. Meu pai, batendo nela e em mim. Descontando sua
fúria...
[...] Jamais o perdoaria por tudo que me fez sentir e o que ela permitiu acontecer. Mais cedo ou
mais tarde eu viveria sossegada. Ganharia asas e voaria sozinha. Foi quando completei dezoito
anos. Eles se mudaram, eu fiquei. Fugi desse mundo horroroso em que existia embaixo das paredes
de minha casa.
Ele terrível, ela egoísta. Eu sozinha...
Quando o proibido se torna irresistivelmente atraente...
“Eu não conheço o amor, conheço o prazer.”
1- Foi assim...
“Senti tudo formigar dentro de mim. Não consegui compreender o que seria isso. Entretanto,
toda essa sensação era o que eu mais buscava nessa vida. Ter todo seu olhar sobre mim.”
Fui até meu quarto, vesti minha imensa e aconchegante camiseta branca que durmo, nela leem-se as
minhas nada delicadas palavras: Don’t hate me. Fuck me! Lembro-me do dia em que pedi para
estampar isso, aqui na lojinha próxima ao meu prédio, um garoto de apenas dezessete anos trabalhava
lá e, quando fui buscar a camiseta, ele me encarava, absorto.
***
Com essa lembrança tosca numa noite fria de domingo, deslizei pela cama no lençol de seda
bordô, senti uma sensação glacial tomar conta do meu corpo, quase estimulante nas minhas pernas
recém depiladas. Olhando para o teto, meu ventilador girando lentamente, fazendo o vento circular no
quarto. Eu estava a espera de algo, talvez algo maior do que poderia suportar. Até quem sabe um
homem a desejar...
Nisso tudo, lembrei-me: A mulher é uma grande educadora do homem: ensina-lhe as virtudes
encantadoras, a polidez, a discrição e essa altivez que teme ser importuna. Ela mostra para
alguns a arte de agradar, e a todos a arte útil de não desagradar.
Eu quero agradar.
Eu quero satisfazer.
Em tudo eu vejo tentação.
Beleza. Sexo.
Hey baby, calma aí, não me julgue. Não ainda.
Conheça-me.
Eu sou...
Eu sou uma mulher com cara de menina. E uma menina que gosta de prazer.
Minha beleza está com o prato cheio. E está para quem quiser ser servido.
Seja muito bem-vindo!
Para mim, seria mais uma segunda-feira chata, sem graça alguma. Deitaria o dia inteiro no sofá
vermelho à espera de algo bom. Assistiria algo maçante, comeria um chocolate ou talvez um pacote
inteiro de bolacha para me manter distraída. Apesar de adorar meu pequeno e aconchegante
apartamento – que não tem ar de familiar, pois sou só –, aqui é um ambiente acolhedor, neutro e
necessário. Básico, diria. É aonde eu me encontro, onde me vejo. Isso já basta.
Hoje será uma segunda-feira totalmente diferente de todas que passei por esses últimos meses.
Hoje começo em um novo trabalho. Não é tão legal quanto queria, mas já é de bom agrado. Pelo
menos terei algo para reclamar de verdade.
Sentei-me na beira da cadeira de modelo medieval com acento de tecido veludo vermelho – que eu
mesma forrei –, puxei minha gaveta e escolhi a dedo minhas maquiagens. Apesar de estarmos no
início do inverno, poderia arriscar algumas cores. Afinal, trabalharei em um prédio como
recepcionista, então terei que estar apresentável. Na agência, não disseram às claras, mas é quase
uma exigência usar maquiagens, estar sempre com um ar impecável. Para mim, isso nunca foi
problema, pois simplesmente adoro fazer isso. Meus olhos verdes-musgo têm o poder de fazer as
maquiagens mais simples ficar a mais perfeita possível, sendo uma sombra qualquer, um lápis e
rímel.
Tenho cílios belíssimos, longos, que com um bom rímel, ficam perfeitos. Não tenho do que
reclamar de meu rosto, sobrancelhas que nunca faço, pois parecem terem sido pinceladas; nariz
arrebitado; olhos marcantes em seu lindo brilho no tom esverdeado. Ah, e meus lábios, meus tão
cobiçados lábios, a parte que mais amo em meu ser. Num formato perfeito, nem tão grosso e nem tão
fino, esculpidos por um anjo, delicados, sensíveis, chamativos e o que eu mais gosto: sensuais e
majestosos em meu lindo batom vermelho.
Apesar de todo esse meu devaneio, tive uma lembrança agora que, provavelmente, foi a mais
fundamental de toda minha vida. A decisão. Depois de tudo que aconteceu comigo, passei a tomar
decisões que só me fariam o bem e que nada mais importaria. Somente a mim. Olhando ainda para as
maquiagens, senti a grande e grossa lágrima escorrer dos meus olhos. A tristeza da lembrança me fez
soltar. Não que eu sinta muito. Já senti. Só que hoje vejo a diferença da época e sei que tudo foi para
eu ser forte, uma mulher cheia de atitude, decidida. Hoje meus anseios ávidos são em primeiro plano.
Foi assim que me tornei a Mel Folk de hoje.
Segurei o batom em minhas mãos frias. Antes de passá-lo, lembrei...
Aos cinco anos, meu pai pegou-me à frente do espelho. Parecido com o qual eu estava diante
agora. Minha mãe era supervaidosa, linda e cuidadosa. Só que ela deixara algo em cima da
mesinha que me despertou um interesse arrebatador. Interesse que todas as meninas têm: A de
maquiagens!
Eu tinha a oportunidade, então queria aproveitar, apreciar cada instante ali. Sei que foi há
muitos anos, mas daquele dia em especial jamais me esquecerei. Minha primeira maquiagem.
Olhei com atenção cada um daqueles produtos, mas em especial um chamou a atenção, um
elemento fundamental e essencial a uma garota.
Um batom.
Só que não era um batom qualquer, não, com certeza um enorme não. Eu jamais saberia também
com que total efeito aquilo poderia transformar minha vida. Isso em minhas regras atuais, onde
me encaixo e sei do seu total poder sobre mim e sobre eles. O poderoso, estrondoso, inigualável,
magnífico batom vermelho...
Abri minha caixinha especial e vi todos eles ali em sua magnitude, mais de vinte tons diferentes de
vermelho, um para cada ocasião. Especial a mim e a eles. Para cada um dedico meu tom, onde acho
que serve. Eu sinto, provoco e gosto. Sei usar isso a meu favor. Sou imponente e poderosa quando
estou de batom, sinto o calor majestoso que ele causa em meus lábios. No jogo da sedução, eu sou
uma serpente a cercar minha presa. Eu domino. Eu dito as regras. Esse é o meu jogo.
Na minha inocência e pela beleza que ele esbanjava, deliciei-me ao seu verdadeiro encanto. Em
meus olhos de vidro, imaginava mamãe em seu sorriso brilhante quando saia de casa com o papai
para suas noites de negócios. Queria ser assim. Ter esse brilho e poder em meus lábios. Peguei
sem medo aquele pequeno objeto de um desejo reprimido. Impaciente, sorri na frente do espelho e
me lambuzei.
Experimentei pela primeira vez. Fascinante. Dizem que a primeira vez a gente nunca se
esquece. Total verdade. Uma experiência que levo comigo há anos, meu primeiro batom...
Só que ao fazer tal façanha, fiquei brincando ainda, meus pais não estavam em casa. Fiquei
sozinha com Lourdes, minha babá, que estava na sala vendo novela, eu acho. Brinquei com todos
os colares da mamãe, coloquei chapéu e sua camisola de seda roxa escuro e um salto também, bem
coisa de menina inocente. Adorava imitar a mamãe. Brincava feliz e falando sozinha para o
espelho, imitando as bravezas dela. Fingindo ser adulta e nem imaginava como isso é difícil de
verdade. Hoje queria fingir ser criança, talvez fosse mais fácil, ou não, adoro poder fazer o que
faço e ainda mais, gostar do que faço e bem feito!
Só que naquele dia, tudo mudaria, sim, eu poderia ter ficado no meu quarto, ter sido uma
menina boazinha, que brincava com suas bonecas, mas não, eu queria mais... Sempre mais... Até
que por destino, que naquele dia foi cruel, papai chegou mais cedo e entrou no quarto. Surtou
quando me viu naquele estado e o primeiro tapa levei. Doeu muito, sinto-o até hoje. Feriu minha
alma, meu ser. A pequena mulher que nascia ainda em mim. Ele dizia-me que parecia puta! O que
era puta a uma criança? Aquele tapa teria um efeito interno também maravilhoso. Deixou-me ser
mulher mais cedo. Foi um incentivo. Cresça e viva, seja uma mulher desejável. Eu não sabia o que
era isso, até conhecer o efeito que o batom traria alguns anos à frente. Onde eu saberia usar esse
charme. Sua raiva naquele dia deixou-me muito triste, minha mãe nem se fala, mas meu ego se
encheu dentro desse coração, expandiu por todo meu corpo, transformando-se em uma força
feminina incrível, fazendo-me uma grande guerreira.
Tudo bem, até hoje não me esqueço como tudo aconteceu, mas apenas sei de algo, bom e
certeiro. Aquele tapa que feriu a alma deixou um traço de felicidade. Você garota, saberá usar isso
a seu favor. Isso não muda dentro de mim e sim, aprendi com total alegria, com total felicidade, o
que um batom vermelho pode transformar sua vida. Seu ego...
“Hoje papai teria orgulho de mim... Só não gostaria de saber de cada historinha que vivi em
meus lindos lábios vermelhos...” – pensei com aspereza nessa lembrança sombria e com desgosto
daquele velho.
– Isso com certeza não, né! Seu velho babão! – respondi ao espelho, para quem eu contava meu
segredinho de infância. Por quantas vezes ele já ouviu essa minha história de vida chata?! Muitas, e
incontáveis vezes...
Tudo bem, vamos lá Mel! Vamos arrasar em seu primeiro dia de trabalho, seja forte, seja você,
mostre quem é você! Ok, respira e se arruma. Você tem muito a fazer! – finalizei a maquiagem em
azul claro para o escuro. Afinal de contas, o uniforme é um blazer e uma saia lápis comprida até os
joelhos, em azul marinho. Muito elegante, comportada, porém apertada. Ficarei um pouco discreta,
até conhecer melhor o ambiente, depois posso arriscar. Hoje será apenas um coral nos lábios. Já é o
suficiente.
Depois de toda lembrança chata e ridícula que presenciei, tentei esquecer e belisquei o pão de
queijo do dia anterior, coloquei no micro-ondas e o recheei com requeijão. Virei um copo de chá
gelado. Arrumei as coisas no lugar e verifiquei a bolsa, tudo pronto para o primeiro dia. Em meu
salto alto, saí confiante. Firme e linda.
No elevador, olhei de relance ao meu relógio, 8h15.
Tudo bem, eu poderia ter de tudo e ainda ser a pessoa mais feliz do mundo. Sim, eu posso. Meus
pais têm grana e empresas espalhadas pelo Brasil, mas não quero nada deles, há muito tempo moro
sozinha, ok, o apartamento foi presente de minha mãe, mas eu pago as contas. Também não sou
nenhuma rebelde ou mesmo mimada. Sou apenas eu e não é tão ruim assim.
Comecei a faculdade de direito uma vez e parei, não queria isso. Tenho meus dons, porém não sei
aproveitar. Um pouco, talvez um dia, eu me acho. Enquanto isso, vou me virando e tentando descobrir
vários lugares. Até poderia trabalhar em uma das empresas de meu pai, mas afinal, não falo com ele
e não quero essa proximidade. Eles estão morando no Rio de Janeiro. Bem, eu moro em São Paulo e
daqui não saio!
Ainda tenho que agradecer minha prima, enviei mensagens em agradecimento a ela pela
oportunidade. Óbvio que ela sabia que não tenho falado com meu pai, por isso apelou para o dela.
Meu tio Jorge, irmão do meu pai, tem uma boa parte de salas alugadas no prédio de onde tem também
uma parte. A Mariana tem seu escritório no mesmo prédio, onde tem todo seu charme único de uma
boa arquiteta, ela até me ofereceu de secretária, mas sabe, não quero ter algo diretamente com
“família”, pois sinto que meus pais estarão perto demais e, então aceitei de boa fé no prédio mesmo,
ali irei me divertir.
Mariana e eu nunca fomos muito próximas, apesar de termos crescido juntas, ela é aquela prima
que todo mundo baba por sua beleza – cabelos castanhos escuros longos e superlisos, olhos claros
num tom acima do meu. Mari é magra e sempre muito bem arrumada, também mimada, inteligente,
certinha, rica e chata. E eu, bem, sou a ovelha negra!
Depois que crescemos, ficamos um pouquinho – diria ainda quase nada – próximas, mas Mari teve
toda boa vontade de me ajudar. Então, agradecer é o que posso fazer.
Eu não teria necessidade nenhuma em ir de carro, por minha sorte, moro a dois quarteirões do meu
trabalho. Não haveria necessidade mesmo. Na manhã ainda bem fria, puxei meu casaco e encolhi os
braços. O vento batia e fazia aquele efeito gostoso do frio no rosto. Sorri. Sinto que hoje estarei em
meu destino, buscando ir além das minhas expectativas, mesmo tendo pouca coisa em mãos, estou
pressentindo que aqui minha vida tomará rumos inesperados. Eu, Mel Folk, estou atrás de uma
mudança brusca do destino. Quero algo além de mim, não sei o que é, mas percebo que vai mudar.
Meu consciente perverso diz isso.
– Bom dia, você é a funcionária nova, não é? Seja bem-vinda! – disse uma moça muito bonita,
radiante em seu sorriso largo. Estava com o mesmo uniforme elegante que eu. Apareceu na minha
frente assim que coloquei os pés na escada.
– Olá, sou sim. Mel, muito prazer! – abri um sorriso e estiquei minha mão direita congelante.
– Uau, está frio hoje, não é mesmo? Sou a Carla e serei sua companheira de recepção. – Ela tinha
um sorriso claro e era muito linda. Às vezes, penso como só trabalha moças bonitas na recepção?
Deve ser por que chama mais a atenção, não?! Será? Quando fiz a entrevista, o rapaz me olhava tanto
e sorria à toa, fiquei até sem graça perto de outras garotas que estavam ali para entrevista. Tudo bem,
ainda bem que eu consegui! – pensei rindo, com meus pensamentos tolos que tenho às vezes, fora o
sorriso rasgado e bobo.
Ela ficou me fitando em seu profundo olho azul. Com um rosto oval e delicado, estava com os
cabelos pretos presos num rabo de cavalo alto e um topete. Sua maquiagem estava bem chamativa,
mas ainda sim, perfeita em sua beleza. Estava com um salto alto lindo e era um pouco maior do eu,
apesar de também estar com um salto alto.
– Então, vamos, vou levá-la ao Caio. – esse é o tal carinha que me entrevistou.
– Bom dia Mel, seja bem-vinda ao seu primeiro dia no Plaza The Office. A Carla irá te
acompanhar e o que precisar é só perguntar a ela ou pode me procurar! – deu duas levantadinhas de
sobrancelhas. Está achando que caio nessa, pensei sorrindo com a piadinha boba.
Caio não é feio, de modo algum, mas seu comportamento é meio bobo. Aquele rapaz que fica cheio
de graça e segundas intenções. Não que eu não goste de segundas intenções, mas ele é babaca
demais para meu gosto.
– Obrigada. – falei apenas.
– Vamos. – Carla me puxou e saiu sorrindo. – Acho que alguém gostou de você! – brincou assim
que sentamos na recepção.
– Ele é sempre assim? – sussurrei ajeitando minha parte.
– Jamais, Caio é um chato e detesta que ligue para ele, mas deve ter gostado muito de você. –
sorria em zombaria. E por vezes cutucava-me quando ele passava.
– Pare com isso, ele pode ver e achar que estou gostando! – falei sorrindo e analisando um
protocolo da empresa. – Tenho que ler tudo isso? – falei fazendo graça.
Pronto, agora arrumei uma coleguinha de trabalho. Um sorriso e já era!
– Aham. Leve para casa, assim terá tempo. Ah, eu tenho que te mostrar umas coisas por aqui. Nove
horas começa a entrada dos funcionários, então temos pouco tempo! – bateu o dedo indicador no
relógio de pulso. Levantei e fui junto dela.
– Ok. – sorri e a acompanhei.
A recepção era muito charmosa e bem luxuosa. Com grandes vasos com flores coloridas dando um
ar leve e harmonioso. Nosso balcão feito de mármore rosado e cravado nele o nome do prédio.
Acima do balcão um vidro grosso. Atrás de nós, havia um mural com o nome de todas as empresas
que ali trabalhavam. Ao lado do balcão quatro catracas, duas para entrar, duas para sair. A nossa
frente, encostado na parede branquíssima e cheios de quadros de arte mediterrânea, havia um
confortável sofá preto de couro macio, aqueles sofás que você até afunda de tão macios.
– As pessoas que irão entrar nove horas são todos funcionários, o prédio é imenso como se pode
notar e, com o tempo, você também passará a conhecer todos. Cada um deles tem que ter o crachá
para poder entrar pelas catracas. É igual a esse, só que cada empresa tem seu logo acima. – mostrou-
me um dos crachás. – Você terá um de reserva, aqui não precisamos, temos acesso total, só que, às
vezes, é necessário um desse. O que mais recebemos aqui são representantes de empresas, o sistema
é fácil de usar, nada a temer, como no dia do seu treinamento. Muitos deles já são clientes, com
tempo também saberá quem é quem. – era tão charmosa em sua explicação. – Vamos voltar e ficar na
recepção, por essa semana, você aprenderá comigo e logo terá seu espaço, ok? Preste atenção ao
máximo em todos que entram, que saem, pois só assim saberá quem é funcionário ou não. Vamos lá. –
sentamos e aguardamos a abertura do prédio. E para o grande dia que se iniciará.
Pelo que pude perceber sobre a Carla, ela gosta muito de falar e conhece muitas pessoas. A cada
um que entrava, cumprimentava e me apresentava. Eu sempre com um sorrisinho discreto e bobo, não
sou de ficar com vergonha. O que há comigo? Logo mais eu até arriscaria em dizer: “olha, essa aqui
sou eu!” com um sorrisão escancarado, elegante, do jeito que gosto. Eles ainda irão me conhecer.
Disso, eu tenho certeza.
– Olá Carla. E aí? Amiga nova? – Um rapaz jovial cumprimentou Carla e me olhava com um
sorriso maroto.
– Oi Flávio, tudo bem. Essa é a Mel. – ela me apresentou e ele se aproximou ao meu lado do
balcão, pegou minha mão que estava boba e sem nada, levou aos lábios e a beijou leve. Fazendo um
pequeno estalo com os lábios e deixando um leve arrepio. Gostei dele. Simpático e bonito, ainda
mais charmoso em seu cabelo arrepiado com gel e uma covinha à toa no lado direito. Aparelhos nos
dentes, de roupa social e um perfume masculino gostoso. Assim que terminei de analisá-lo por cinco
segundos, Flávio também me fitava sem discrição.
– Olá Mel, sou o Flávio, seja bem-vinda e... Parabéns por sua beleza! – todo charmoso piscando
para mim.
– Obrigada e, muito prazer, Flávio. – fui singela.
– É linda, não é, Carla? – Ele foi saindo e falando alto. Corei. Não sei o que está acontecendo pra
eu corar desse jeito! Que saco!
– Já está fazendo um sucesso por aqui, hein, mocinha! – disse colocando as mãos na cintura. Ficou
rindo e eu claro, com vergonha! Vou me controlar melhor. Deve ser efeito do primeiro dia, só pode,
aliás, tem que ser! Não tenho um pingo de vergonha e agora com essa história de ficar rubra por
qualquer elogio!
Rá, vê se pode! – Minha mente perturbada balançava a cabeça desaprovando a minha atitude boba.
Calma, vou melhorar! – confortei-me.
Esperei ainda suas explicações, Carla apontava para os lugares e pessoas que passavam.
Literalmente, ela é muito comunicativa. Apesar de ser nova, acabei descobrindo que já é noiva aos
seus vinte e dois anos. Eu com vinte e quatro, já não penso assim! É porque também não encontrei
alguém para dizer: “Esse é para casar!”. E outra nem penso nisso tão cedo.
Estremeci com a ideia absurda de me prender a alguém.
– Mel, sabe? Você vai gostar de trabalhar aqui! Vai conhecer um monte de gente linda, tem uns
feios e chatos também, mas será muito legal, me sinto já à vontade com você! – interrompeu-me de
meus devaneios e voltei a olhá-la.
– Vou sim e você está sendo ótima! – falei com toda verdade.
Ela estava sendo um amor mesmo. Têm meninas que não aceitam novas pessoas no trabalho, mas
Carla aceitou-me muito bem e está sendo muito bacana. Olhei no relógio na tela do computador, era
ainda 9h50, teria muito até às 16h. Mas, pensando bem, esse horário também é tudo de bom.
Enquanto ela ainda falava, olhei para porta, que a cada um segundo abria para algum funcionário
entrar. Por incrível que pareça, meu mundo parou... Não havia mais ninguém ali. Apenas aquela
figura majestosa e bem arrumada que estava entrando por aquela porta. Sim, um lindo.
Puta merda, respire Mel!
Devagar tentei fazer meus sentidos voltarem ao normal, mas eu sentia tudo vibrar de uma forma
nova, diferente. Cruelmente perversa. Estrondosa. Pisquei fortemente para ver se era real. O que
seria isso? Uma visão? Sim, só pode. Um rapaz tão lindo, mas tão imponente que acabou de entrar,
fazendo-me ficar sem ar ao vê-lo sorrir ao falar no celular.
Que boca deliciosa!... – pensei e senti algo já em todo meu corpo. Vibrando impaciente. Ele
estava com uma calça jeans justa, moderna e preta, um sapato social, uma camisa azul marinho com
riscas brancas por baixo do seu blazer preto com a gravata no mesmo tom. Uau. Eu o olhava
detalhadamente, aquele corpo atlético, esguio, um tanto forte. Eu sei me controlar, mas desta vez, eu o
queria. Ali bem de pertinho para vê-lo melhor, tocá-lo se possível. Foi quando se aproximou do
balcão e se direcionou à Carla.
– Bom dia. – falou sério. E essa voz de veludo? Um pouco rouca e delirante!
– Bom dia, Sr. Richard. – respondeu alegremente e até o nome era de dar tesão. Fala sério! Ele
esperou algo dela, Carla abaixou na gaveta e eu não conseguia parar de olhá-lo. Sua barba rala bem
aparada, sua boca num sorriso tão encantador em seus lábios carnudos, eu estava ficando sem ar.
Respirei fundo. Ele me olhou. Ah!... Morri. Morri mil vezes por segundo e tudo ficou úmido lá
embaixo. Seu olhar castanho escuro encontrou-se com os meus indecifráveis. Que olhar é esse?
Selvagem, só pode. Sorriu e pegou a chave da mão da Carla. Saiu de perto do balcão e apenas
assentiu com a cabeça. Eu fiquei pasma! É, esse realmente eu diria: “Sim, esse é pra casar!” ou,
pelo menos, “fazer um belo banquete dele em minha cama!”.
– Mel, você está bem? – Carla me chacoalhou de leve.
– Aham. – pigarreei e voltei ao mundo real, Richard só pode ser um sonho!
– Richard é realmente lindo, não é? Quando eu o vi pela primeira vez, tive a mesma sensação. –
Ela falava rindo e fui voltando.
Meu rosto fervia junto ao meu corpo.
– É uma pena que ele é noivo.
Noivo? Como assim? Todo mundo é noivo? Como pode? – minha mente brigava comigo.
Oras, e eu lá tenho culpa!
– E ainda por cima, nem sei como ele a tolera, ela é uma chata! Não fala bom dia, não olha nem
pra nossa cara! Ninguém gosta dela por aqui, só ele, coitado, tão sedutor e com uma garota tão chata.
– Que pena, eu o faria muito feliz, sem dúvida, mas quem sabe ele não queira um dia provar meu
veneno... Chacoalhei a cabeça e tentei, apenas tentei voltar ao normal. Richard me deixou fora de
mim.
– É realmente uma pena. Bem, – pigarreei disfarçando, pois estava colhendo informações. – Ela
trabalha aqui? – perguntei e fui mexendo nos papéis para organizar meu espaço e mascarando minha
vontade de saber muito mais dele. Do Richard sedutor.
– Trabalha. Ambos trabalham juntos, são arquitetos. Ele sempre chega mais cedo, essa hora, mas
ela vem à hora que quer! Mas por sorte, Richard todos os dias vem pegar a chave que ela deixa ao
sair, eles nunca vão embora juntos. O cartão que ele pega aqui é provisório, nunca entendi o porquê
de ele não ter um fixo. – realmente ela sabe tudo.
– Ah, sim. – deixei de lado por enquanto o assunto e ajeitei as papeladas.
Cheguei até atender um rapaz que iria ao nono andar. O sistema adotado no prédio é simples e
prático. Gostei disso. Meu espaço estava tudo certinho. A Carla falava mais do que a boca. Contava-
me sobre sua vida, seu noivo, sua mãe, sua casa e tudo que podia me deixar a par da situação. Falava
dos funcionários que entrava, fofocamos a manhã inteira. Falando bem e mal de todos que entravam
por aquela catraca. De quem ela gostava e de quem não suportava olhar na cara. Era engraçado tudo
que dizia e ela só quer me ajudar, parece muito sozinha e carente.
– Você vai comer aonde? – perguntou.
– Em casa mesmo, moro aqui pertinho! Por quê?
– Ah, que legal, eu moro tão longe, mas como na padaria, o Thiago é gerente lá, então como na
faixa! – Thiago é o noivo dela. – Quando quiser pode ir comigo, falo com ele e poderá ter um
descontão! – dizia empolgada e eu percebia isso, pois seus olhos mudavam de cor com excitação.
– Sério?! Seria bem legal. Obrigada. – Ela assentiu feliz.
Fui para casa hoje sozinha, ela ficaria na padaria, quem sabe outro dia eu vá. Fui rápida, comi um
lanche que preparei e fiquei descansando um pouco com as pernas esticadas no braço do sofá. Ficar
na recepção nem é tão cansativo, eu já gostei. Ainda mais vendo um lindo passar por mim todos os
dias...
Comporta-se Mel, é seu primeiro dia! – Uma voz bondosa dizia.
E daí! Se ele estivesse aqui, duvido que ficasse calma, iria mostrar seus dons a ele... Safada! –
A perversa retrucou.
Balancei a cabeça, tentando apagar meus pensamentos terríveis. Não sou bipolar, ok? Só tenho
dois lados, um bondoso que me ajuda a controlar a sede de prazer e a perversa que me aguça a
querer mais e mais.
Assim que voltamos do almoço, Carla me ensinou a preencher um formulário e foi quando ela, do
nada, respirou forte e fez careta.
– O que foi? – perguntei discreta.
– É aquela ali a noiva do Richard! – fui para olhar discretamente, como se não fosse medi-la dos
pés à cabeça. Quero saber o que ela tem, para conseguir um desse!
– Mentira?! – abaixei rápido. Carla olhou-me assustada.
– Verdade, menina! Ela nem é tudo isso, não é mesmo? – falava e enquanto isso eu ria. Queria rir
alto. Ah, fala sério, eu não poderia ouvir isso. – Do que está rindo? Está doida?! – empurrou-me com
os ombros. A tal noiva estava entrando e apenas olhou-me de lado e poupou seu sorriso, mostrando-
me apenas uma linha fina. Eu fiz o mesmo. Bem, a tal noiva é minha prima! A que me arrumou o
emprego. Isso é brincadeira de mau gosto, só pode. Quero o emprego lá no escritório dela! Que
idiota que eu fui!
Está vendo, me dei mal! – concluí emburrada.
Quando ela me disse sobre o tal emprego, não queria que eu ficasse dizendo nada a ninguém,
lembro-me até de suas doces palavras: “Sabe? Eu não quero conversinha por aí, então nem vamos
nos falar direito, sei que me entende, esse povo fala demais!”. Tipo, o que eu tenho a ver com isso?
Só porque trabalho em uma recepção e ela é arquiteta? Grande merda. Agora eu poderia estar lá na
sala com eles, olhando-o o dia inteirinho. Bem, pensando melhor eu não me concentraria. Jamais.
Seria até torturante. Aqui está bom, por enquanto. A sedução é maior e será bem mais prazerosa de
ser conquistada. Gente, alguém me cale, por favor!
– Ela é minha prima. – falei bem baixinho e Carla arregalou os olhos.
– Hã?! Fala sério? Mesmo? – era engraçada sua cara. – Você é tão legal e me desculpa falar mal
dela assim. – ficou até corada.
– Não fique mal, ela é uma chata mesmo, mas eu não conhecia o noivo dela, aliás, nem nos falamos
direito. – outras verdades. E esse noivo, hein?
– Nossa, mas isso é bom, porque ela realmente é chata! Está vendo? Passou aqui e nem ao menos
falou com você! É da família! – Ela parecia inconformada. E eu nem aí.
– Pra você ver! – falei com semi desdém, mas por dentro eu ria sozinha.
Deixei o assunto de lado, mas o que não saiu de minha cabeça o restante da tarde foi Richard. Eu
não posso pensar nele, não que seja ruim, não mesmo. Às vezes, aquele olhar selvagem passava em
minha mente, eu sentia um choque rápido e uma sensação inebriante entre as pernas. Será que ele
sabe quem sou eu?
Ah, Richard, se você não fosse noivo da minha prima...
– Mel, vamos? Daqui a pouco virão os dois garotos que ficam à noite aqui. Pode pegar seu
relatório, vamos subir para entregar ao Caio. – Carla pegou todas as coisas dela e eu fiz o mesmo.
Ela entrou primeiro e esperei sentada num sofá verde confortável. A recepcionista da sala de
gerência estava ainda se preparando para ir embora também.
– Gostou de seu primeiro dia? – Caio saiu da sala junto de Carla que sorria.
– Gostei sim. – fui breve.
– Mel, tchau, até amanhã! – Carla me deu um tchauzinho e saiu, deixando-me com o Caio.
– Vem. – falou com um ar manhoso, acho que tentava ser sedutor ao dizer, eu queria rir.
O que será que ele quer ou pensa de mim? Vou descobrir.
– Sente-se e conte-me. O que achou do seu primeiro dia? – perguntou se balançando na cadeira.
Parecia inquieto, mas acho que não, queria apenas chamar atenção. Conheço alguns sinais, tenho um
faro impecável para a safadeza.
– Foi produtivo, Carla mostrou-me muitas coisas, acho que com o tempo irei pegar tudo. – fiz cara
de satisfeita com um sorriso singelo, mas que, para Caio poderia ser algo excitante. Ele piscou e
liberou-me assim que entreguei o relatório. Levantei e ele fez o mesmo. Veio em minha direção,
assenti um tchau e fui saindo. Ele só me olhava sorrindo. Ai, ai. Só quero ver onde isso vai dar.
Apertei o botão do elevador e esperei lentamente vir até meu andar. Oitavo.
Estava distraída olhando minhas unhas vermelhas e já pensando em que cor passaria depois,
pensando no dia agitado e diferente que tive. Conheci uma colega muito legal de serviço, tenho um
chefe com cara de bobo que tenta ser safado. Apreciei a beleza de um homem que, por sinal, é
deliciosamente atraente, porém o que jamais imaginaria é que esse pedaço de mau caminho é noivo
da minha prima. Sorte ou muita falta de sorte? Enfim, no final, fui muito objetiva em meu novo
serviço. É, os dias serão agitados daqui pra frente!
Ouvi o “pin” do elevador e assim que abriu, não poderia ser melhor, travei na frente dele. Richard
estava cabisbaixo mexendo ao celular, mas com a parada do elevador, levantou a cabeça. Sorriu
sublime. Meu corpo desfaleceu.
“Pare de ser lindo” – Minha mente perversa gritou pela primeira vez. Eu não conseguia me mover
e ele ainda olhava curioso para mim.
“Vamos, entre!” – tentei gritar com minhas pernas que não queriam se mover. Ele sorriu
novamente, parecendo confuso com minha atitude idiota de não me mover e eu apenas o olhava. Era
tão desesperadamente estupendo que mal conseguia me controlar, estava prestes a cometer uma
loucura. Quando o elevador foi se fechando, enfiei as mãos para segurá-lo e Richard fez o mesmo.
Nossas mãos se tocaram e com um baque de emoções me vi dele, entregue a ele. Senti tudo
formigar dentro de mim e não consegui compreender o que seria isso. Entretanto, toda essa sensação
era o que eu mais buscava nessa vida: ter todo o seu olhar sobre mim e foi o que ele fez. No mesmo
instante que entrei pela porta, fiquei sem jeito. Respirei forte e, cacete, ele era ainda mais lindo de
perto, seu cheiro era tentador.
Ah! Queria me deliciar dele ali mesmo... – meu lado bondoso me ajudou a conter.
– Quase! – Richard falou do meu lado. Sua voz rouca quase me levou ao delírio. Ainda bem que
minha roupa escondia meu arrepio, por apenas sua voz.
– Obrigada. – falei seca, sem emoção.
“Que é isso mulher?!” “Eu posso agarrá-lo aqui? Posso?” – pela segunda vez a voz do meu
lado perverso gritava dentro de mim, pedindo ele.
“Ele é noivo da sua prima!” – a bondosa lembrava-me para me tirar dessa tortura. Balancei a
cabeça em busca de me distrair. Peguei o fone do celular e liguei uma música bem alta. “Stupid Girl
– Garbage”. Propício, não é?
– Tenha uma boa noite. – falou olhando-me de soslaio ao sair do elevador.
Meu Deus... – gritei por dentro. Que voz é essa, Richard?
– A você também. – disse melosa demais, mas acho que não percebeu.
Uau, esse homem conseguiu me deixar de quatro por ele.
Richard saiu junto e cada um foi para seu lado. Ele para o estacionamento e eu pela calçada, rumo
a minha doce casa. Eu pensaria nele ainda, sem dúvidas. Richard é simplesmente sedutor e o que
mais me intriga nele é que nem encarou-me como qualquer homem encararia. Tudo bem, vou fazê-lo
pirar e não ficaria com remorso nenhum de apenas um dia, uma noite, fazê-lo provar o que tem de
bom nesse “mel” todo que sou...
E foi assim mais um dia de minha vida que está apenas começando... De novo!
“Agora ele estava marcado por mim.”
2- Mulher Fatal
“E foi subindo... Eu respirava forte e queria aquilo. Ao subir, puxou minha nuca, fazendo meu
corpo ir para frente e nisso nasceu um beijo violento. Sufocador. Arrebatando-me completamente.
Eu estava entregue a ele.”
Quando você quer estar bem, tudo flui a sua volta, já percebeu isso? Quando quer estar
linda, você se sente linda. Temos uma mente poderosa. Isso é fato. O poder da mente tem forças
atrativas muito inteligentes se souber usar. Só que, ultimamente, estou me sentindo linda, porém não
amada. Estou alguns meses sem namorado, bem, na verdade não “namoro”, eu “fico” por longo
prazo. Esse é apenas meu estilo de vida. Não é porque ninguém quer namorar comigo, não mesmo,
pois faço coisas incríveis.
É que não me vejo amarrada a ninguém, até hoje ninguém me segurou em um relacionamento. Bem,
Richard poderia me segurar como quisesse... na parede, no chão ou em qualquer lugar, eu juro que
não ligaria... – soltei um riso perverso.
Parei de ficar com o Vitor faz uns cinco meses e, desde então, estou sem nenhum beijinho, cheiro,
pegada. O arrepio que tanto gosto... Nunca fiquei tanto tempo! O que acontece? Pensei em mudanças
bruscas e nada? Preciso urgentemente de um homem! Jesus, ninguém merece! Já estou completando 1
mês no serviço e nada de homem em minha vida. Até vi alguns gatinhos que me agradaram, mas
nenhum deles é objetivo!
Nesse final de semana terá uma festinha dos amigos do noivo da Carla, vamos ver se lá faço algo
de bom. Poderia encontrar minha alma gêmea talvez, olha que isso já é bem complicado e muito,
diria muito difícil, mas pelo menos eu gostaria de achar alguém que me pegasse de jeito, já seria o
suficiente... Deixei os devaneios de lado, mais um dia maquiada e lá vamos nós ao Plaza The Office.
– Está radiante hoje. O que se passa? Saiu com alguém? – Carla perguntou cheia de graça, com seu
noivo ao lado.
– Queria eu! Isso tudo é um absurdo, sabia? Quero alguém para me amar! – falei fazendo beicinho
e os dois riram. – Se não quiser amar que, pelo menos, me satisfaça! – brinquei e com eles não tenho
mais vergonha.
– Eu vou te apresentar meu primo. – Thiago disse encarando-me com seu sorriso charmoso. – Já
falei de você e a Carla me disse que deveria fazer um esquema, vocês dois vão pegar fogo! – Ele ria
e beijava a Carla.
Eles são tão fofinhos juntos. Thiago é uma graça, lindo, carinhoso, atencioso com ela. Branquinho
dos olhos cor de mel. Sempre digo a ela que “os olhos dele combinam comigo!”. Carla nem liga,
sabe do amor de Thiago por ela e sabe que eu jamais olharia para ele. Falo só para encher o saco
dos dois. É um prazer ter a amizade deles e quanto carinho já tenho por eles.
– Nossa, onde ele está? Ele tem cinco minutos agora! – soltei uma risada alta. E sim, eu poderia
fazer isso! Uma rapidinha apetitosa. Meu corpo chegou a se contorceu de vontade.
Minha nossa Mel!
– A Mel fala sério, viu, Thi! – Carla empurrou-me de perto dela e resmungou. – Ela é uma tarada!
– os dois riram e fui para a recepção.
– Vou arrumar o esquema, ok? Fica esperta, ele também é um tarado! – Thiago foi se despedindo
da Carla e falando alto comigo.
– Adoro e diga a ele para tomar cuidado comigo! – fiz charme e sentei-me a espera de alguém
charmoso que me faz suspirar todos os dias quando passa pela recepção. O meu sedutor, Richard.
Depois de tanto tempo achei que ficaria bem com ele, mas ainda há um desconforto. Richard não
fala muito, apenas bom dia, boa tarde ou um simples tchau. Que é isso, um homem lindo desse, sendo
difícil! Apesar de ser novo, poderia ser mais descontraído, ele está sempre sério, compenetrado e um
tanto sedutor, deveria me dar bola, pelo menos, uma brecha. Eu não falei ainda com a Mariana, mas
acho que ela deve ter comentado de mim. Bem, eu acho. Ele não dá sinal nenhum de que saiba que
sou prima dela ou Richard disfarça bem ou Mariana o mandou fazer isso. Eu só queria conversar, sei
lá, conhecê-lo um pouquinho. Tudo bem que minha mente e o meu lado perverso pedem outra coisa,
ainda mais na minha situação atual! É muito cruel ver um gostoso assim todos os dias, sentir tudo
vibrar dentro da calcinha e não fazer nada! Nem paquerar. É um absurdo, mas vai passar. Tem que
passar.
– Um, dois, três... – contei alto até ele entrar pela porta.
“Esse um dia será meu...”
– Fala sério, ele sabe que é gostoso, não é mesmo? – perguntei de cabeça baixa, mostrando um
papel à Carla. – Vai ser lindo e gostosooo... – alonguei a palavra e travei, Carla pigarreou. – Assim
na minha cama... – falei no ouvido dela, Carla ficou rubra quando Richard estava na nossa frente.
Fiquei com a ponta da caneta nos lábios, fazendo charme. Ele sabe me deixar assim sem tocar,
imagina o que ele faria tocando-me...
Que foda esse homem.
– Bom dia. – esperou o cartão e a chave da sala, Carla o entregou e eu disfarçava. Sem conseguir
aguentar, subi os olhos novamente e encontrei os dele em mim. Sorri maliciosamente em sua direção,
ele retribuiu com um sorriso pacato, pegou o cartão com a chave. Richard poderia ficar ali, eu não
me importaria. Estou ficando nos nervos com toda essa dificuldade dele pra cima de mim. Seria tão
prático:
Oi, tudo bem? Vamos pra cama? Sei truques incríveis!
Pronto, sem dor, sem sofrimento. Quanta tortura, meu Deus!
– O Richard ouviu alguma coisa que eu disse? – perguntei rindo junto da Carla, quando ele já tinha
saído.
– Não sei bem, mas acho que sim, ou ele lê lábios! – Carla riu alto, sempre cheia de energia e
graça. Apertei os olhos, encarando aqueles olhos grandes e azuis incríveis dela.
– Shh! Fica quieta, pare com isso, o pessoal está olhando! – adverti. Às vezes, Carla extrapolava.
Richard não deveria ler meus lábios, ele deveria senti-los...
– Brincadeira, eu acho que não ouviu não, mas deve desconfiar que você fica toda acesa quando
está perto dele. Coitado, Richard nem sabe do perigo que corre! – Ela ainda ria.
– Palhaça! E não é pra ficar acesa com uma delícia dessas? Fala sério! – eu fervo. Surto só de
pensar nas possibilidades de nós dois nus num quarto...
– Bom dia! – Uma mulher se aproximou do balcão e fui atendê-la. Deixei de lado os pensamentos
perversos e tentei concentrar-me, esquecer o tesão que às vezes se concentra e amarra meu corpo.
Já estou ótima nisso. Aprendi tudo, agora é tão fácil e simples. As minhas manhãs e tardes passam
voando, nas quais estou me divertindo com cada um deles! Espero sempre o mesmo horário para
pegar o elevador, mas está difícil esbarrar com Richard. Parece que ele sentiu isso e está fugindo,
estou começando a pensar nisso seriamente. Acho que percebeu minha malícia para cima dele e, com
isso, foge disfarçadamente de mim. Esse medo dele fascina-me. Excita-me...
Depois de tantos pensamentos, os dias passam tão rápido que quando dou por mim, já está no fim
de semana. Agora com mais alguns amigos é bom. O vazio que estava sentindo foi sumindo com a
presença deles e a ausência de outros já estava quase curada.
Sexta-feira e tudo pronto para sair com os novos amigos. Peguei o endereço com a Carla, pois vou
a uma festa agitada. Espero beijar muito na boca e quem sabe tirar esse estresse e essa seca que me
dá. Fico bicuda, emburrada e chata comigo mesma. Nunca satisfeita, sou mulher e sinto necessidades
anormais, vamos dizer assim.
Coloquei uma roupa boa, aliás, muito boa, um vestido que tenho e há tempos não uso. Apertado e
muito chique, não vulgar, porém marca todas as minhas curvas, num pretinho básico. Quero deixar
alguém de queixo caído, babando por um beijo meu. Hoje vou de batom vermelho vivo, um novo,
sem dono para minhas marcas e quero que alguém arranque de meus lábios com beijos devoradores.
É assim que saí de casa: na vontade de ser amada, desejada, e quem sabe bem comida. Ao pensar
nisso, deixei a risada fluir de minha garganta e a satisfação de fazer algo bem feito veio à tona.
Perdoem-me.
Peguei o primeiro drinque e juntei-me a turma. Na verdade, a turma da Carla, a minha ainda não.
Era tudo bem bonito e moderno, um lugar amplo no centro de São Paulo e pelo jeito esse rapaz tem
muito bom gosto. O apartamento é do primo do Thiago, o tal que querem me apresentar. Nem o
conheci ainda e só quero ver o que eles estão aprontando. Deixei bem claro aos dois que não vou
sair com quem eu não quero, vou analisar e, se for com a cara, quem sabe uma boa conversa, uns
drinques e depois alguns beijos. Não prometi nada, vai que é um desajeitado e sem graça. Bem, pelo
que Carla me animou a manhã inteira, ele deve ter algo que vou gostar. Não quis saber muito dele,
quero ver com meus próprios olhos para ver se ele me merece.
– Está tão linda! – Carla disse abraçando-me e quase cantando as palavras.
– Você também! E aí, cadê o tal primo? – perguntei assim que fiquei próxima ao Thiago.
– Calma, ele acabou saindo, foi buscar uns amigos e já volta. Você vai gostar dele. E ele está
doido pra te ver! – dei de ombros, talvez nem me interessasse. Ou não. Analisei a festa, tinha alguns
gatos selvagens por ali, num canto conversando. Nem dei trela, depois de algumas bebidas posso
pensar no caso, se não me interessar ao tal primo. Bem, se fosse feio, a Carla não me deixaria na
enroscada. Carla queria porque queria me dizer tudo sobre ele, mas deixei tudo na incógnita, gosto
de descobrir, sentir e caçar. A perversa dentro de mim clamava por algo maior do que eu, algo
inexplicável, extasiante, erótico...
– Tudo bem, tempo é o que tenho, amanhã estou de folga! – dei uma risadinha safada. Carla
percebeu isso.
– Você é muito tarada, sabia? – Carla falou baixinho em meu ouvido. Apesar do som ambiente,
alguém poderia ouvir. Coisa da qual eu não ligo, sou mesmo. Quem não é? Pelo menos sou
verdadeira aos meus reais sentimentos. Não finjo ser santa. Eu quero é mais.
– É lógico que eu sei! – dei agora uma risada mais exagerada. E é claro que sei que sou assim.
Oras, é minha melhor arma!
– Credo! – empurrou-me e ficamos próximo ao som. Carla fala assim, mas vou ensinar a essa
garota o que é bom na vida!
Percebi algumas garotas nos fitando, analisando a situação em que estávamos. Ai, essas garotas
deveriam se garantir mais, se os machos delas ficam me olhando, elas deveriam fazer com que eles
olhassem para elas, e não perder o precioso tempo medindo-me inteira. Que saco!
Remexi um pouco o corpo no ritmo de algumas músicas eletrizantes, modernas. Tomei duas
garrafinhas de cerveja Stella e nada do tal primo. Bufei ansiosa.
– Estão comemorando o quê? – perguntei curiosa.
– É aniversário do Vasco! – Thiago disse empolgado.
– E quem é esse Vasco?
– A quem estou fazendo um favor... Para você também na verdade. Vasco é meu primo! – piscou
animado.
– Isso é o nome dele? – perguntei rindo.
– Não, sobrenome. – Thiago deu de ombros e bebia sua cerveja.
– E qual seria o nome dele? – perguntei mordendo o lábio já tentando imaginar esse tal rapaz.
– Ele mesmo poderá te dizer! – Thiago apontou com o queixo pra porta, de onde vinham risadas
altas.
Gosh!... – minha cabeça gritou. O que é isso?
– Uau. – sussurrei e voltei a eles. – É aquele de verde? – falei disfarçando.
– Aham! – Carla ria de mim por estar de boca aberta.
Valeu a espera! Puta que pariu. Fiquei em meu canto disfarçando e com o copo bobeando nas
mãos, ansiosa para ele chegar bem pertinho e poder analisar aquilo tudo. De vez em quando, eu dava
uns goles na minha bebida fazendo charme. Foi quando Vasco aproximou-se da nossa roda. Que
homem... – meu corpo vibrava ao olhar para ele. Minha nossa, eu quero tudo isso, agora! Respira
Mel.
– E aí pessoas? – Vasco chegou e cumprimentou a todos deixando-me por último e não poderia ser
melhor nossa ligação. Quando o olhei, ele mordia delicadamente o cantinho do lábio inferior, quase
me chamando, quase me querendo. Um rapaz branquinho com seus olhos azuis oceânicos, deixando-
me fora de mim. Respirei devagar e foi então que ele aproximou-se de mim, esbanjou um riso lindo,
branco e invejável. Seus cabelos escuros levemente arrepiados, seu corpo era esguio e apesar de
parecer magro, era muito musculoso. Aquela carne ali dentro da camiseta deve ser o paraíso. Estava
com uma camiseta verde escuro de gola v, mostrando sua clavícula definida e musculosa. Seus
braços tatuados com desenhos grandes e coloridos, do estilo que gosto. Calça jeans escura apertada,
onde concentrei-me em seu belo pacote protuberante.
Se oriente Mel! Eu o olhei de cima a baixo e Vasco fazia o mesmo em mim quando voltei a fitá-lo.
Que belo corpo! E essa boca sendo mordida? Ai, por todos os céus...
– Vasco, essa aqui é a amiga da Carla, a Mel! – Thiago estava cheio de graça, mesmo vendo nós
dois quase explodindo. Eu estava quase derretendo apenas de vê-lo. Quanta energia existia ali
naqueles músculos.
– Olá Mel, sou o Juan! – veio para bem perto de mim, segurou minha nuca e deu um beijo em meu
rosto. Senti seu cheiro incrivelmente perfeito e inebriante, tudo entrou em sintonia. Seus lábios
beijaram suavemente meu rosto, deixando um doce gosto de halls.
Aquela boca...
– Oi, sou a Mel. – apertei meus teimosos lábios vermelhos. Ao mesmo tempo em que queria
seduzi-lo, eu queria deixar um ar de mistério. A serpente dentro de mim estava pronta para abocanhá-
lo. Eu estava pronta para me entregar e derreter meu corpo junto ao corpo imenso e firme dele. O que
é isso?
– É um prazer enorme conhecê-la, Mel. – Juan encarou-me com um olhar de oceano, um oceano em
fúria, cheio de desejos. – Ela é incrivelmente mais linda pessoalmente! – falou educado e com uma
expressão delirante. Seu sorriso preso no canto daqueles lábios. Pareciam quentes... molhados.
– Obrigada. – falei educadamente e fazendo um esforço tremendo para me conter. Como ele era
lindo, charmoso em seu sorriso claro e suas piscadas precisas. Seu olhar era exatamente o que estava
querendo dele no momento. Juan me fitava com lascívia.
– Estou sendo sincero, depois de tudo que eles me disseram sobre você, a curiosidade foi maior,
fui surpreendido por tal beleza. – falou baixo próximo de mim. Ai, que lindo.
– Você também está me surpreendendo. Seu charme, você é sedutor... – fiz meu charme e ele
revirou os olhos em descrença do que estava acontecendo conosco. Nem eu acreditava que isso seria
possível. A ligação imediata de nossos corpos.
– É um prazer imenso tê-la aqui e valeu Thi! – olhou-os enquanto estavam ali vendo nossos corpos
em sintonia. – Fique completamente à vontade, Mel. Você deseja algo? – agora me pareceu muito
malicioso. Segurou seu sorriso exageradamente lindo, onde apareceu uma covinha igual a minha,
apenas no lado esquerdo.
– O que tem a me oferecer? – fiz o mesmo charme. Meu corpo reagia sem ao menos eu querer, na
verdade, eu queria, só não consegui segurar-me para não dar muito na cara, mas quer saber, eu o
quero. Carla e Thiago saíram de perto de nós, deixando-nos ao canto. Juan aproximou-se, olhando
diretamente em meus olhos. Podia ver sua pupila mais escura dilatar no azul infinito de seus olhos.
– Vem cá. – Juan puxou meu pulso levando-me para fora dali, abriu a porta de vidro que dava para
a varanda, ficou encostado no muro, aproximei-me rasteiramente. O vento gostoso batia em nossos
corpos, eu sentia o frio da brisa e o quente do corpo dele, bem pertinho de mim. É eletricidade pura
permanecer ao seu lado, é perigoso e excitante estar no campo de visão da minha presa. Na área
dele.
– Então?... – instiguei.
Juan encarou-me com um olhar de fogo, um olhar que jamais encontrei em nenhum homem até hoje,
ele respirava lentamente e analisava-me em vários pontos. Pensei que ficaria com vergonha, mas não
fiquei, nem um pouco. Juan tem um brilho diferente, um sorriso inocente e um tanto convincente. No
entanto, tem o olhar lascivo e também radiante. Que homem enigmático e energético! Eu podia sentir
isso nele. Juan não falava nada, apenas em seu olhar já era desejável. Continuei.
– Bonita a vista! – disse para distrair, mas ele acompanhou meu sorriso. Juan olhava para meus
lábios.
– Você é realmente linda! – sua voz estava melosa, Juan estava me bajulando. Não precisou de
muito, eu já queria beijá-lo e fazer loucuras. Apertei os lábios em provocação e senti sua tensão, sua
vontade pelo mesmo que eu.
– Você é realmente encantador. Juan é seu nome mesmo ou seria apenas por ser um “Don Juan”? –
tentei fazer graça e ele gostou. Fiquei ao seu lado, Juan estava de costas encostado ao muro baixo,
fiquei de frente encostada no mesmo, olhando os outros prédios. Ele me olhava por inteiro, com seus
braços imensos cruzados no peito e medindo cada palmo do meu corpo. Seu olhar era como se
tivesse tocando-me de verdade.
Céus, eu podia sentir...
– Só coincidência. Me chamo Juan! Gostou? Ou pode me chamar de Vasco como todos me
chamam. O que você achar melhor. – Ele tinha malícia em sua voz suave quando falava bem próximo
de mim. Revirei os olhos para seu sussurro.
Em minhas teorias de vida, sempre escolhi os homens, sempre fui à caça, mas desta vez, Juan
estava seduzindo-me, querendo-me, eu sentia isso. Sentia de pertinho e tudo dentro de mim gritava:
Agarra o Juan logo, pare de ser mole, mulher!
– Gostei sim... E você... – tentei fazer charme indo para sua frente, mas fui interrompida
bruscamente, Juan aproveitou minha brecha, puxou-me para o seu corpo, segurou com a mão direita
minha nuca e com a esquerda minha cintura, lascando um beijo forte e devorador em minha boca
vacilante. Deixando-me em seu mundo, o mundo quente que sempre busquei. Do jeito que eu queria e
precisava.
Minha nossa, tudo acendeu lá embaixo!
Juan tem um dom com seus lábios carnudos e fortes, um beijo sufocador e único dele. Eu queria
mais e mais, não queria largar aqueles lábios tão confortáveis. Ele segurava ainda minha nuca e
puxava às vezes apenas os lábios nos meus, sua língua brincava com a minha numa deliciosa
brincadeira sensual. Invadia-me fervorosamente e fazia tudo dentro do meu ser derreter, voltar,
reviver, reacender o fogo que tenho. O beijo mais esperado de uma vida toda. Ele depositou ali sua
energia, sua vontade e também seu medo do novo. O que poderíamos sentir apenas nesse beijo longo
e delicioso? Malícia e desejos a serem compartilhados, sem dever a ninguém. Nem a nós, pois
estávamos dando o que temos de melhor no outro, eu senti isso.
– Isso foi muito bom! – Juan disse assim que tentou soltar meus lábios, pois dava leves beijos
mordidos em meu lábio inferior e eu não conseguia ficar com vergonha.
– Pode continuar então! – falei firme encarando-o com meus olhos verdes que, tenho certeza de
uma coisa, estavam radiantes!
Fui até ele com mais vontade, suas mãos firmes seguravam minhas costas e, às vezes, deslizavam
por elas para conhecer meu corpo, indo até a marca da calcinha. Sentia em seus lábios um leve
sorriso. Com meus dedos, também passei a conhecê-lo, sentir seus músculos tensos nos ombros
fortes e largos, na nuca, nos cabelos. Ele parou de me beijar por um segundo e deu alguns beijinhos
no pescoço, cheirando-me, indo até o ouvido e sussurrando algo que não estava compreendendo pelo
momento de tensão. Mordeu de leve o lóbulo da orelha, e fez novamente o contorno de meu queixo
até chegar aos lábios, deixando um delicioso beijo quente e molhado. Juan beijava tão bem que não
havia necessidade de respirar, eu roubava ar dele e ele de mim. Pude sentir todo seu calor ali. Sentia
seu corpo e suas vontades, que também eram visíveis demais. Era apenas meu efeito, nosso efeito de
um beijo perfeito. Onde eu acharia isso? Somente no conforto dos braços fortes dele. Apenas aqui.
Até a batida de seu coração era diferente para mim, era rítmica e eletrizante.
Depois de uns dez minutos beijando aquele rapaz, percebi ter me surpreendido de uma forma
incrível: seus beijos deixavam-me em seu mundo. Juan envolveu-me em cada movimento, eram
carinhosos e poderosos seus lábios. Deixei envolver-me inteirinha, mas resolvi conversar. Ajeitei o
vestido que acabou subindo com seus apertões. Juan sorria satisfeito.
– Deixe do jeito que estava... – murmurou cheio de vontade. Já que ele mesmo com alguns toques
exagerados os puxou do meu corpo.
– Sei, não posso. Tem pessoas aqui ainda! – pisquei e Juan foi ao delírio.
– Posso mandar todos embora! – com seu tom parecia não brincar.
– Você tem alguém? – perguntei envergonhada. Era uma pergunta boba, mas vai saber?!
– O quê? Tipo, uma namorada? – perguntou confuso e rindo.
– É, uma namorada, sei lá, ficante? Alguém que esteja dando uns beijos. Têm tantas mulheres aqui
e têm algumas nos olhando! – olhei disfarçadamente para dentro do apartamento e muitas delas nos
olhavam feio.
– Não tenho ninguém. – chegou a fazer beicinho. – Agora, uma que eu esteja dando uns beijos, é
você... E por hora, está maravilhoso! – disse deixando-me derretida. Puxou meu corpo para perto
dele novamente. – Mas há tempos estou sozinho ou estava! – sua piscada acendeu novamente o fogo.
– Então elas tinham ilusão de estar onde eu estou? – perguntei rindo e olhando aqueles olhos azuis
tão profundos e sinceros.
– Elas devem estar bem bravas, mas nem ligo, não trocaria você por todas elas! – Minha nossa, ele
disse isso em meu ouvido. Que perfeito!
– Hum, adorei! – falei melosa.
– Vai adorar ainda mais o que tenho em mente! – Novamente piscou. Quase me matando de
desejos.
– E o que você tem em sua mente, Vasco? – sorriu, e seu olhar brincava de procurar cada parte do
meu corpo.
– Isso eu posso te mostrar se ficar por aqui!... – Uma proposta muito indecente, porém tentadora.
– Posso arriscar só pra ver! – nós dois sorrimos juntos. Fervendo. – Hoje é seu aniversário? –
perguntei puxando seu bolso da frente na calça jeans. Ele estava atiçado, mas ainda conseguia
disfarçar suas vontades, não que fosse errado, mas tinha gente ali. Observando-nos.
– É sim, estou ganhando um presente! – Juan apontou o indicador para mim, ele era tão sedutor e
sua cara de safado estava encantando-me. Deixando-me suada embaixo do vestido. Passei o polegar
em seus lábios limpando o pouco de batom que tinha ali e senti o quente dos seus lábios, que gostaria
de não parar de beijá-lo. Ele fez o mesmo em mim, como se estivesse retocando o meu e uma onda
gostosa surgiu em todo meu corpo, prendendo-me a ele. Que efeito!
– Feliz aniversário! – dei um beijo casto em seus lábios, Juan mordeu o meu lábio inferior
segurando-me mais alguns segundos por ali. Quanto tesão. Minha nossa, meu corpo pulsava
violentamente e tudo dentro de mim derretia em desejos por aquele homem. Eu o queria de todas as
formas sensuais possíveis...
– Obrigado. – deslizou seus longos dedos no meu queixo e foi subindo deixando um leve choque
até o lóbulo de minha orelha, onde esfregou entre os dedos lentamente. Que delícia. Mordi
novamente o lábio. – Essa sua cara, Mel, me chama... – sussurrou.
Então vem! – meu corpo se agitou da forma que mais conhece. O prazer.
– Sério?! – fiz outro charme com a voz melosa e cheio de vontades. Tentando conquistá-lo ainda
mais. Seduzi-lo. Meu olhar o queimava.
– Isso só pode ser loucura! – Juan inclinou a cabeça pra trás e sorria como menino. Um menino
cheio de vontades, eu acataria a todas elas.
– Deve ser mesmo, nem nos conhecemos e olhe onde estamos! – falei rindo e Juan ficou um
pouquinho sério.
– Se quiser, pode me conhecer melhor... – sua frase era maliciosa, sedutora e desejosa.
– Quantos anos está fazendo? – eu tinha que perguntar, mas a situação ainda estava quente entre
nós.
– Diga quantos anos me daria? – falou cheio de graça, pousando a mão em minha nuca, passando
seus dedos hábeis por entre alguns fios, era arrepiante. Quase estava me distraindo de tudo.
– Vinte e seis?! – falei na dúvida, deduzi mais ou menos pela minha.
– Hum, tenho cara de ser mais velho? Só por causa do meu tamanho? – falou rindo, depois fez
beicinho, o mordi. Juan aprovou, vi em seus olhos famintos. Azuis quentes.
– Por que tem menos? – disse assustada.
– Não muito, estou fazendo vinte e quatro! – falou orgulhoso, tentando ver minha reação.
– Hum, é meu número! – pisquei e iria aprontar com ele. – E vem cá, está fazendo sua decisão? –
brinquei passando a mão em seu ombro. Gostei dos ombros largos dele. Fortes. Cheguei mais perto
de Juan, encostando-me mais, quadril com quadril. Ele estava aprovando isso. Eu apenas roçava-me
ali na região favorita. Juan estava rijo com meus movimentos leves ao seu corpo. Céus...
– Eu sei bem do que gosto e do que quero! Eu gostei de você, sabia? – falou segurando a boca num
sorriso malicioso, fazendo aparecer sua covinha. – E a quero! – falou mais sério, piscou ganhando-
me de vez.
– Eu também gostei de você, mas me disseram que era para eu tomar cuidado com você! – alertei.
Nisso formou-se um vinco engraçado na testa dele.
– E o que você acha...? – falou bem próximo.
– Bem, falando a real, eu acho que você que deveria temer a mim! – grunhi perto de seu ouvido,
movi meus quadris para o mais próximo possível. Senti novamente a pulsação em seu jeans. Minha
nossa... Eu queimava por dentro e queria explodir no corpo dele. Agora, se possível.
– É disso que eu preciso! – agarrou-me novamente puxando forte minha cintura, quase encostando
suas mãos em minha bunda. Juan beijou-me fortemente, devorando cada espaço de meus lábios.
Passeando com as mãos em meu corpo. Deslizando e saboreando-me, eu queria que estivesse dentro
de mim, sem dó, sem piedade alguma.
Onde ele esteve todo esse tempo? Agora não posso perder essa oportunidade. Não hoje.
“Eu também preciso disso!” – gritou uma voz bondosa dentro de mim. Até o meu lado mais
docinho sabia de minhas necessidades, e de como eu poderia aproveitar bem disso tudo.
Tudo bem, não me aguentei, eu tive de beijá-lo, Juan todo charmoso e lindo pra cima de mim? Eu
não resisto! Nem tem por que, não tenho ninguém. Mereço ser amada, desejada, aclamada. Tenho
tanto amor para dar, por que me negar a isso? Não me entregar a isso? Não preciso ficar matutando
os por quês bobos e desnecessários, somos adultos e sabemos o que queremos! E o que é? Sim,
nossos corpos em um só...
– Eu disse que vocês dois não durariam muito tempo sem ter uma pegada no meio, dois tarados! –
Carla chegou apertando-me assim que Juan me largou um pouco e foi dar atenção aos outros em sua
festa.
– Ele é gostoso! Ah, me desculpa pela expressão, Thi! – brinquei e Thiago trouxe-me outra bebida.
– Aliás, muito obrigada por isso. Adorei! – falei agitada e com o corpo quente dos beijos de Juan.
Cada pedacinho fervia.
– Ele gostou de você, me agradeceu também. – Thiago disse animando-me.
– Hum, então já está na minha! – dei pulinhos imaginários.
– Faz tempo! Juan disse que queria que todo mundo fosse embora, menos uma pessoa... – Thiago
brincou cheio de graça.
– Ele quer que eu fique? – essa atitude não me assustaria.
– Acho que sim, vocês são adultos, vocês resolvem isso, me tire dessa! – os dois riram. Carla me
fitava alegre e sorria de orelha a orelha acompanhando meu sorriso. Talvez doida para saber
detalhes, mas só depois quando estivéssemos a sós eu daria minhas informações.
– Eu sei me virar mesmo! – assim que eu disse, Juan apareceu do meu lado, como se estivesse na
minha sombra. Que medo. Ao se aproximar o choque voltou e, dessa vez, carregado de adrenalina.
Acaba logo essa bendita festa!
– Sabe fazer o quê? – Juan perguntou baixo em meu ouvido.
– Muitas coisas... – sussurrei de volta com um sorriso rasgado e bobo. Mordi os lábios para não
sorrir daquela maneira. Juan soltou meu lábio do dente com o dedo indicador e balançou a cabeça
devagar.
– E lá vamos nós sair de novo, vocês deveriam se comportar, gente, têm pessoas aqui ainda! –
Carla falava rindo, inconformada com a ligação. Contudo, ela estava muito feliz com isso, sempre me
cobrou um namorado decente. Ela pegou nas mãos do Thi e foram saindo.
– Não precisa sair, não estamos fazendo nada, só conversando! Não é, Juan? – falei olhando para
ele, que sorria malicioso. Lançou um olhar ao Thiago que também sorriu de volta. Dois bobos.
– Eu poderia mandar todos eles embora, mas... Ainda não estamos fazendo nada! – Juan dizia
engraçadinho. Deu um cheiro abaixo da minha orelha. Arrepiante.
– Você é ligeiro... – murmurei já quase sem voz.
– E você com essa carinha sexy, mordendo seus lábios vermelhos... Isso não vai prestar... – dizia
tão próximo, que as palavras entravam em mim.
– Eu diria ao contrário, isso pode prestar! – Juan mordeu minha orelha e deu outro beijo abaixo
dela onde surgiu outro arrepio. Finalizou com um cheiro na nuca e saiu rindo alto. Como se estivesse
comemorando.
Bobo delicioso. – pensei.
Ficamos ali conversando besteiras, de vez em quando, eu o pegava me olhando, nossa ligação do
momento foi intensa demais, era como se já nos conhecêssemos. Era simplesmente enigmática. Eu
sentia minha pulsação correr e pulsar nos ouvidos, não sei como, mas o queria muito... E sinto
profundamente que ele também me quer.
Meu olhar começou seu jogo de sedução, meus olhos ferviam no corpo dele e até meu corpo reagia
em pequenas provocações. Remexendo os quadris, balançava as mãos em alguns movimentos, mordia
meus poderosos lábios vermelhos. Juan queimava-me em seu olhar selvagem. Um animal que sentia
fome e sede de sexo.
Eu quero satisfazê-lo como se fosse o melhor prato do mundo. O pedaço de carne mais saboroso
em seu paladar...
Na festa tinha até que bastante gente, o povo foi chegando aos poucos, mas eu nem queria saber
dos outros, queria saber dele. Umas garotas chamativas e lindas dançavam e faziam charme para
Juan. Quando ele parava para conversar, elas me fitavam feio quando o flagravam olhando-me
demais. Devem ter visto ele me beijando. Sei lá, vai entender essas patricinhas. Vai saber se não é
alguma garotinha apaixonada por esse gato?
Tô nem aí, ele está na minha, baby! – pensei com ar de perversa. Juan flagrou e mordia aqueles
benditos lábios longe dos meus.
– Mel, nós já vamos embora, você vai ficar? – a pergunta boba da Carla era até engraçada, por sua
cara de pau. Era travessa e divertida.
– Vou sim... – dei tchau aos dois e fiquei sentada no sofá de canto.
Juan de longe falou:
– Fique aí! – apontou para o sofá. Apenas concordei.
É hoje! – meu inconsciente até coçou as mãos uma na outra.
Olhando e observando algumas pessoas se remexendo num som agitado e pesado de guitarra, na
melodiosa e agraciada voz de Ian Curtis no embalo de Dead Souls de Joy Division. Engraçado Juan
gostar da mesma banda que eu, isso é estranhamente bom. Tocou quase todas as músicas da banda e
outras do mesmo estilo anos oitenta que tanto amo.
Fim de festa. Olhei cada um deles que estavam ainda ali, outros que se despediam. Fiquei somente
esperando cada um deles irem embora. E a minha vontade crescia dentro de mim, subia pelas minhas
pernas e escorregava pelo meu ego. De vez em quando, pegava Juan me olhando. Querendo. Eu
esperei o tumulto se dissipar. Devagar, mas todos partiram enfim.
– Então, só restamos nós dois... – falou apontando o indicador para mim e para ele, e veio quase se
arrastando. Eu estava sentada de pernas cruzadas à sua espera.
Ele perto da porta, encarando-me ali naquela posição. Ele torturava-me com sua beleza. Juan foi
tirando algumas coisas que estavam fora do lugar, um copo ali, uma garrafa aqui. Fechou as janelas
com as cortinas, a porta da varanda e puxou a maior cortina da sala. Fechando tudo. Deixando-nos
completamente a sós. Veio caminhando lentamente, como se estivesse contando os passos até onde eu
estava. Chegou bem perto de mim, se agachou ficando nos calcanhares, descansou os cotovelos em
minhas pernas cruzadas que, no mesmo instante, eu as desfiz para ficar com o corpo mais acessível.
Juan olhava descaradamente na entrada do meu vestido, eu queimava.
– Só nós dois... – consegui dizer.
Fui passando a mão em seu cabelo que ainda estava arrepiado, o deixei bagunçado. Era macio e
exalava um cheiro bom de perfume. Juan me fitava feroz, em chamas perfeitas e meu corpo refletia
em meu olhar, meus desejos libertinos. Nossas vontades estavam ficando cada vez mais explícitas.
– Eu fui rápido demais? – perguntou meio envergonhado.
Por quê? E eu? Eu estava ali! – bufei mentalmente.
– Não. – falei fraca. – Está tudo bem... – parecia que Juan estava lidando com uma virgem!
Assim que eu disse, foi como liberar meu corpo, Juan encostou os dedos na minha perna,
brincando com as pontas quentes de seus dedos e foi lentamente deslizando nela toda, suave e quente.
O arrepio fazia o percurso com ele. Fiquei confortável e realmente estava tudo tão bom, que senti
como se não fosse à primeira vez. Ele olhava-me ainda mais quente, eu sorria querendo, e
lembrando-me do que sempre busquei. Algo maior que eu, agora tinha em minha frente. Quando me
distraía, suas mãos faziam cócegas, mas não queria cócegas, sentia outra sensação igualmente boa,
onde tudo esquentava.
Tesão.
Dei uma risadinha e ele acompanhava-me. Deu dois beijinhos próximos ao joelho e foi subindo
com a língua... Com mordidas leves na coxa. Eu respirava forte e queria aquilo mais do que tudo na
face da terra. Queria prová-lo e queria que Juan me sentisse na minha melhor performance, onde eu
me concentro, na cama!
Ao subir puxou minha nuca, fazendo meu corpo ir para frente, nisso nasceu um beijo violento.
Sufocador. Arrebatando-me completamente. Eu estava entregue a ele. Subi o corpo e fiquei de frente,
minhas mãos passaram por sua camiseta, tirando-a devagar, analisando tudo que havia embaixo dela.
Que belo corpo! – consegui olhar de relance, pois ele já devorava-me em seus beijos fortes e
quentes. Sua mão corria por todo meu corpo, puxando o vestido grudado nas pernas. Encostou-me na
mesa da sala, empurrando tudo que tinha em cima dela. Apertou-me forte fazendo-me sentir como já
estava aceso, forte demais, rígido demais. Em outro puxão, deixou-me encostada na parede, onde eu
sentia cada músculo de seu corpo tatuado. Seu belo corpo firme encostado em todo o meu, frágil
perto dele. Eu o queria, apertei mais contra meu corpo e Juan soltou meus lábios, foi descendo com a
língua úmida e quente em busca de meus seios. Meus mamilos já estavam atentos, querendo ser
devorados. Juan apenas mordiscou em volta do decote, passando as mãos, apertando-os por cima do
vestido. Eu gemia baixinho puxando os cabelos dele. Tudo ali era real, seus apertões nos meus seios,
no meu bumbum, na minha cintura fina, nas minhas coxas subindo para o quente entre minhas pernas.
Ahhh...
Cravei as unhas fortes em suas costas largas, Juan gemia em minha pele arrepiada. Com a mão
direita, passei os dedos frios em volta de seu cós em seu jeans apertado, soltei o botão e, com
carinho, puxei um pouco o zíper, brinquei com a ponta dos dedos dentro de sua cueca cinza, Juan
sorria da minha brincadeira. Como estava quente sua ereção majestosa... Seus beijos envolventes
tiraram-me o juízo e eu nem queria saber deles. Queria era cada vez mais e mais, até que a mão dele
encontrou o lugar mais quente e úmido do meu corpo. Meu sexo latejava dentro da calcinha, Juan
passou os dedos e a palma da mão, nós dois gememos em uníssono. Num movimento rápido dele,
pegou-me no colo, soltei uma risada com o susto e ele carregou-me para um quarto. Bem, eu acho que
era dele.
– Você mora sozinho? – perguntei ainda ofegante quando colocou-me no chão.
– Aham! – Duas levantadinhas de sobrancelhas e um olhar pegando fogo. Juan não parecia brincar,
tudo era sério e excitante demais.
– Ah! – foi só o que eu disse.
– Sente aqui! – ordenou apontando uma cadeira giratória. Fiz o que pediu. E meu olhar foi:
Devora-me!
Ele entendeu meu olhar e o fez. Juan ajoelhou-se a minha frente, subiu as mãos em minhas coxas,
apertando-as carinhosamente, ajeitei-me mais deixando o meu corpo aberto para ele, descansando a
cabeça no encosto da cadeira, o calor estava insuportavelmente gostoso.
– Shh, não se mexa! – disse sério e continuou.
Tirou meu sapato beijando cada pé. Subiu, enquanto seus lábios beijavam minha coxa, suas mãos
vadiavam em busca de algo dentro do vestido. Minha calcinha! Apoiei as mãos em seu ombro e
levantei os quadris, ele puxou lentamente a calcinha e seus dedos faziam o percurso de toda a área,
Juan ficou mais do que satisfeito ao ver a pequena e fina peça vermelha em suas mãos. Seus olhos
brilharam. Passou por seu rosto, cheirando-a, seu sorriso mostrou-se satisfeito. Em seguida deixou a
pequena e delicada peça em seu bolso da frente. Seus dedos vieram brincando no caminho chegando
até meu sexo novamente.
Ah, pare com isso, é torturante demais, há quanto tempo estou sem isso! Que delícia... –
entreguei-me e o deixei fazer de mim seu brinquedinho sexual.
Juan subiu um pouco meu vestido e trouxe meu corpo mais para beirada da cadeira, cheirava e
beijava minhas partes íntimas, era demais a sensação de sua pele na minha. Eu gemia e contorcia-me
com uma dor erótica que aquilo estava me causando. Uma dor dentro do meu ser, por ficar tanto
tempo sem aquilo e Juan apenas provocando os meus desejos mais perversos. Assim que cessou sua
louca vontade de mim, tirando sua língua de meu corpo, levantei da cadeira e o agarrei, nossos lábios
mordiam um ao outro, com uma intensidade divina, ele estava com meu gosto em seus lábios e sorria
satisfeito por isso. Passou a língua em meu queixo, indo até a orelha, fazendo um caminho
pecaminoso.
– Vou tirar sua roupa! – Não era nem preciso pedir.
Com volúpia, foi puxando meu vestido grudado, com cuidado, mas sendo rápido em seu
movimento. Ele é bom nisso! Enquanto tirava, aproveitava cada espaço, com beijos e apertões, era
exatamente disso que eu estava precisando... Ser desejada da melhor forma masculina existente. Ele é
poderoso. Juan parou por um segundo, colocou a mão no queixo fitando meu corpo, eu estava
ofegante e queria logo, mas ele me analisava. Observava-me como uma peça rara. Chegou mais
perto, passou o nariz do meu pescoço, para o colo dos seios, desceu no meio deles, e os segurou com
as mãos cada um deles. Alisou com os polegares meus mamilos que já clamavam por ele.
– Isso é divino! – percebi sua boca salivar. Enfim, Juan degustava meus seios, um de cada vez,
mordiscando, desejando cada um deles. Era novidade, uma saborosa novidade para nós. Tudo era
incrivelmente diferente, mas a vontade estava maior do que o conhecimento. Era como se já
tivéssemos feito ardentemente esse amor louco. Juan tirou os lábios dele do meu corpo, passou a
olhar em meus olhos, e como era quente. Brinquei com as mãos em seu rosto, em seu sorriso. Juan
aproximou-se novamente tocando-me, sem soltá-los, deu um cheiro em meu pescoço e acabou
comigo. Eu era dele...
Na cama, eu acabaria com ele, sem dúvida. Iria mostrar a Juan, todo meu poder de sedução, aqui,
nesse momento é onde me sinto mais mulher, mais feminina, aqui é onde o universo entra em união
com os desejos mais fortes, nossas vontades mais escondidas, e Juan estava encontrando todas!
De repente, jogou-me na sua cama, tirou a calça e a cueca juntos com uma eficácia só dele e seu
majestoso pau deu o ar da graça. Apontando para mim, sim, é sua vez!
Vem, vem, vem...
Num golpe, ele estava em cima de mim, saboreando-me, meu pescoço, meus lábios só pra ele,
meus seios que estavam durinhos pelo seu toque, minha barriga, meu quadril, meu sexo... Que
latejava por ele.
Entre em mim, Juan...
Desceu as coxas, deixando seus dedos em meu sexo, sem penetrar, apenas sentindo-me. Estávamos
frenéticos, tensos, e um tesão enlouquecedor estava presente. Juan subiu em meu corpo, deixando
todo seu peso em cima. Roçava sua ereção lá embaixo, deixando-a babando por ele. Apertava-me na
cama e suas mãos passavam por todo meu corpo. Eu não estava aguentando mais, tudo vibrava. Sem
medir esforços, enquanto Juan beijava-me pacientemente, segurei com firmeza sua ereção e passei
devagar sobre meu sexo, sentindo-o deslizar, ele foi por si só no caminho da felicidade, do paraíso.
Apenas o senti em cada milímetro e Juan já estava dentro de mim. Gememos e nos arrepiamos juntos.
Juan inclinou a cabeça para trás em prazer total, vi em seu rosto. Mordia o lábio inferior, investindo
forte em mim.
Ah, como estava quente...
– Como você está quente e molhada... – gemeu em meu ouvido.
Minha nossa, arqueei as costas em cada movimento forte e preciso dele. Juan pegava-me de todos
os jeitos possíveis, deixando-me completamente preenchida por ele. Seu cheiro, seu gosto, seus
lábios. Jamais tive isso, eu o sentia. O sentia de todos os jeitos possíveis, inimagináveis, como se
Juan quisesse alcançar meu âmago, seu desejo e o tamanho de nosso tesão juntos. Suas mãos, seus
beijos nos lugares certos, nossos corpos suados, gemidos, investidas profundas, mordidas, apertões,
puxões leves e excitantes em meus cabelos, mordidas em meus ombros, um bom tapa gostoso e
ardido no meu bumbum... Contorcia-me toda e nosso clímax de primeira: o mais rápido e perfeito
orgasmo explodiu em nossos corpos. Ele sabia qual efeito tinha comigo, sentiu isso em todo meu
prazer por ele. Eu já era de Juan e ele tinha agora o meu sexo... O meu gosto.
Ah, quero mais...
– Eu precisava disso... – falei rindo exausta. Jamais imaginaria o quanto ele é ótimo nisso! Até
pensei, bem, vou acabar com ele. Mas não, ele acabou comigo! Fala sério, que saúde!
– Eu também... – soltou todo ar em mim, encostado em minhas costas.
– Você é bom! – falei para levantar sua moral.
– Você é ótima! – falou levantando a minha. Ficando de frente para olhar em meus olhos.
– Obrigada – soltei outro risinho. – Adorei suas tatuagens! – fui passando as mãos pelo tórax dele,
onde também tinha tatuagem.
– Gostei do seu beijo! – disse tocando meu pulso, em minha única tatuagem.
– Fiz há algum tempo.
– Um beijo de batom vermelho – beijou onde estava o beijo.
– É um dom – brinquei. – Meu charme! – Juan concordou.
Levantei e fui até minha bolsa, abri e peguei o batom da noite. O dele a partir de hoje. Passei nos
lábios já sem nenhum resquício de batom, ele o tirou todinho. Fui até ele.
– Vou brincar, pode? – perguntei e Juan estava sentado no meio da cama, encostado na cabeceira,
ainda nu. Que delícia. Rastejei pela cama, sempre mantendo o contato visual. Quando me aproximei
dele, Juan já estava com uma formosa ereção.
Céus!
Montei nele deixando sua ereção entre minhas pernas. Tudo já vibrava novamente. Por um
momento, deixei-o todo marcado de batom, no peitoral lindo, musculoso e tatuado, na cintura, em seu
oblíquo charmoso, no pescoço, no pulso e na boca! Minhas marcas. Agora ele estava marcado por
mim, por minha dose de sensualidade, de loucura. Apertei meu corpo contra o dele, saindo de cima.
Juan me fitou bravo, pois tinha saído de uma posição muito boa. Segurei firme sua ereção, passei a
língua em volta da ponta, depositei um beijinho, depois outro e outro. Na sequência, o beijei todinho.
Juan revirava os olhos em descrença.
– E aí, o que achou? – passei a língua nos lábios sentindo o seu sabor delicioso.
– Isso foi bom! Tenho que continuar o que começou... Você é literalmente charmosa. Eu sempre iria
arrancar esse batom de seus lábios lindos... – pronto, me ganhou! Já era.
– Você foi marcado por mim, jamais me esquecerá, jamais se esquecerá dessa noite, ficarei para
sempre em seus pensamentos... Minha marca, meu batom vermelho – falei séria encarando o olhar
azul dele, Juan olhava-me sério.
– Não esquecerei! – falou como se estivesse hipnotizado. Eu às vezes causo isso.
– Só quero ver. – Juan encarava-me firmemente e eu já estava com vontade de outra, e mais outra,
então me antecipei. – Eu tenho que ir! – falei bicuda, pois meu corpo já queria de novo e, de novo.
Mais e muito mais.
– Fique aqui. Sei que amanhã não irá trabalhar! – falou sorrindo, quase derreti, mas firmei meu
corpo e respondi certeira.
– Traíras! – comentei rindo, lembrando de quem contara a ele. Carla e Thiago.
– Thiago me contou mesmo! Eles querem nos ver juntos, não sei por que gata, mas gostei disso, e
você? – eu já estava de pé, tentando achar minhas coisas espalhadas por ele. Juan levantou e ficou de
joelhos na cama se aparecendo com sua ereção em minha direção. Estava todo imponente.
Minha nossa, pare com isso.
– Aham, claro que gostei, senão nem estaria aqui! – falei encaixando o vestido em meu corpo. Ele
se levantou já colocando a boxer cinza. Fiquei sem chão, sem ar. Pare com isso né, assim não vale!
– E por que não poderia ficar mais alguns minutos, já que você precisou de mim esses dias e
desejou apenas cinco minutos! Mostre-me o que faria em cinco minutos! – Juan ficou de frente me
desafiando. Mordendo aqueles lábios sedentos pelos meus.
– Não me desafie. Você ainda nem me conhece! – ameacei com a fala entredentes e a voz cheia de
vontade. Argh.
– E quero conhecer, na cama! – Juan puxou minha cintura deixando meu corpo bem próximo,
aproximou seus lábios em meu queixo e foi descendo, mordendo meu pescoço. Golpe baixo.
Empurrei-o, mas ele olhava-me com os olhos semicerrados e desejosos. Fui beijando todo seu tórax,
o arrepio nele era lindo. Abaixei sua boxer lentamente, fazendo-o provar minha tortura, o abocanhei
ali mesmo, mordi e Juan ficou concentrado. Subi até sua boca que vacilava sozinha, nossas línguas
aceitaram a brincadeira, saltei em seu colo e caímos de volta na cama. Sem mais delongas, eu
acabaria com ele por ter me desafiado. Sem dó!
Ele ficou estirado na cama, e ria alto, pois eu estava dominando-o. Estava por cima, Juan puxou
seu corpo mais para cima da cama e, com seus movimentos, brincava com os quadris no meio da
minha perna. Como era quente ali naquela região...
Minha nossa.
Levantei a cabeça para o teto curtindo cada toque dele em mim. Era como se Juan me conhecesse,
como se eu já fosse dele. Seus dedos hábeis deslizavam em meu corpo, mapeando o caminho do
prazer. Chegou ao meu monte, e ali, rendeu-se ao paraíso, segurando meus seios suspensos e
apontados para ele. Sua massagem erótica era de total carinho e até mesmo respeito. Eu era sua
divindade. Como poderia querê-lo sem ao menos saber algo dele? Sem conhecê-lo devidamente?
Juan parou de massageá-los, e foi descendo com seu toque suave e arrepiante em meu sexo molhado,
fez-me até perder o devaneio. Ele movia seu dedo freneticamente sem penetração alguma, apenas
deixando-me aflita por querer ficar ali só para ter mais prazer com ele.
– Ah, Juan! – explodi em um gemido.
– É assim que você gosta? – Sua voz era tentadora, dizia com aquela cara de pau mais sexy do
mundo.
– É, coloca! – grunhi. Tentei encaixar-me nele, Juan tirou e não penetrou. Ficou só no vaivém do
dedo, e com a palma da mão segurava sua gigantesca ereção. Na verdade, sua ereção se sobressaia,
como se quisesse dizer: oi, estou aqui, deixe-me entrar...
– Não Mel, você não queria ir embora? – aquela voz era tão convidativa que estava me enervando.
– Argh Juan, penetra-me!... – gritei pra ele. Juan só ria de mim. – Pare de rir, e faça o que estou
pedindo! – tentei encontrar sua ereção que ele encobria agora com as duas mãos, deixando seu dedo
entrou só uma parte dentro de mim.
– Você vai embora, Mel? – perguntou olhando-me, tirou uma das mãos e foi passeando em meu
seio e a outra torturava meu sexo molhado.
– Juan! Porra, não vou embora, eu quero você! – fiz mais fricção em seu corpo, iria machucar sua
mão se ele não fizesse algo logo. Estava muito quente, e mesmo com a mão dele, eu poderia atingir
um belo orgasmo. Ele viu minha intenção de me esfregar ali, tirou a mão do meu sexo e segurou-me a
cintura com as mãos firmes em cada lado. Com sua força, conseguiu subir meu quadril de seu corpo.
Vi sua intenção naqueles magníficos olhos azuis.
– Então toma!... – falou com a voz rouca.
Soltando meu corpo, segurou sua ereção só para mim. Não o deixei dizer mais nada e sentei-me
firme nele, forte, ele se curvava com cada cavalgada que eu dava.
Sim, é assim que eu gosto! Esse é meu sexo... – pensei sorrindo e vendo aqueles olhos alucinados
e descrentes em mim. Era a nossa noite. Irrá!
Eu gemia alto, Juan olhava-me maravilhado. Seu sorriso lascivo e sincero naquele momento de
puro prazer. Estendeu as mãos para mim, segurei, e suas estocadas foram precisas. Levando-me à
loucura completa e quase aos céus. Com o instante totalmente favorável, eu vi as estrelas em minhas
pálpebras fechadas, eu as sentia explodindo em meu corpo em pequenas partículas de puro êxtase. Eu
o sentia completamente entrando e saído de dentro do meu ser. Era como se nossos corpos fossem o
lego perfeito de ambos, e estávamos nos encontrando, nos encaixando perfeitamente.
– Vai Mel, faça-me gozar bem gostoso aí dentro!... – joguei a cabeça para trás. E veio. Intenso...
Agraciado... Desejado... Sim, gozamos prazerosamente juntos.
Suados e exaustos. Fiquei por muito tempo deitada em seu corpo, sentindo sua ereção ainda
latejando dentro de mim. Senti seu cheio, o cheiro do nosso sexo. Juan cheirava meu pescoço que
escorria minúsculas gotas de prazer.
– Que mulher é essa? – falou devagar em meu ouvido. Senti-me tão bem.
– Que homem é esse? – brinquei igualmente.
– Sem palavras. Você é fatal! Muito areia para mim, mas eu aguento, te enfrento, gata! Fica aqui, já
está muito tarde, daqui a pouco já está claro e poderei te levar. – quando ele é safado eu gosto, mas
quando é um doce, eu derreto. Como pode isso acontecer em apenas uma noite?
– Estou de carro e você é um lindo, safado, carinhoso, gostoso... Aliás, muito gostosooo... –
alonguei as palavras, saí de cima dele e fui esticando-me na cama, tentaria dormir um pouco. Estava
realmente acabada.
– Você é tudo isso e muito mais... Mas vamos descansar para um terceiro, quarto, quinto e sexto
round! – Ele não brincava.
Juan ficou do meu lado olhando-me com um olhar brilhoso e até carente, fechei devagar os olhos à
espera do sono. Em meus sonhos deixaria acontecer tudo aquilo que estava reprimindo há muito
tempo. Um novo amor.
– Bom dia! – acordou-me com uma bandeja de café da manhã. Era real? Sim, era real.
– Bom dia! – falei rouca. – Que lindo! Você sempre faz isso com suas hóspedes? – não era da
minha conta, mas uma piadinha às dez da manhã não mataria ninguém.
– Só com a que me deixa satisfeito e olha que não são muitas, diria quase nenhuma! – Ele falava de
um jeito que parecia até verdade.
– Que horror, seu mentiroso! – levantei e ajeitei meus cabelos tão bagunçados por ele na noite
passada. Fala sério, um cabelo pós-foda é tudo de bom.
– Estou falando sério! Mulheres como você já é raro de achar, eu curti minha noite com você,
gostei demais... Posso até pedir para você não sair daqui hoje, ou sei lá, voltar mais vezes... – era
engraçada sua cara, agora ele era cheio de verdades.
– Nem me conhece direito... E se eu fosse uma assassina devoradora de homens? Você poderia
estar morto a essa hora, não pensou nisso? – brinquei e fui levantando-me para ir ao banheiro. Estava
com uma camiseta dele. – Como isso parou em mim? – disse apontando a camiseta enorme.
– Eu! De nada – brincou. Fui ao banheiro no quarto dele. Chique esse homem lindo. – Têm
algumas coisas por aí, se quiser usar! – assenti e fui ajeitar as coisas.
Depois de recuperada em um banho, voltei novamente com a camiseta dele e Juan sentado só de
boxer (desta vez preta) na cama. Estava tão sedutor que me faltava ar, ainda mais pensando em tudo
que fizemos durante a noite. E ali, estava Juan a minha espera, assistindo algo que nem reparei, pois
minha visão racional estava toda voltada para ele, olhei-o tão lindo, um que sempre quis. Desse
jeito...
– O que eles falaram de mim? – perguntei voltando para cama ao lado dele.
– Que você era um mulherão! Linda e cheia de amor para dar. – Ele falava de um jeito sedutor e eu
já estava esquentando com sua voz.
– Eles exageraram? – perguntei sem olhar para ele, beliscando um pão de queijo.
– Nem uma vírgula! – puxou a gola da camiseta e começou a beijar meus ombros, foi subindo
devagar para o pescoço, passou as mãos por dentro dela até meus seios, eu me adiantei novamente.
– Tenho que ir! – falei e dessa vez fui confiante para colocar o vestido.
– Por quê?
– Porque tenho minhas coisas! – estranhei-me, o que eu tinha? Nada! Nada além do que ficar
sozinha em meu apartamento vendo televisão, em pleno sábado. Tá, tudo bem, que iria me virar, sei
lá, mas estaria sozinha. Um gato me pede isso e eu não faço nada, cadê a Mel? Mel?!
– Cadê a minha calcinha? – fiquei fuçando nas coisas e ele sorriu abertamente.
– Não tem nada pra fazer, está mentindo! – falou bravo como se conhecesse minha rotina.
Vê se pode!
– Ah, sua calcinha já era, é minha agora! – Ele sabia ser perverso também. Adorei.
– Vai dar uma de Wando?! – caímos na risada. – Faz coleção por acaso? – perguntei rindo muito
dele. Juan me fitou ainda mais quente.
Céus. Pare!
– Não! – riu lindamente.
– Sabe, vou te revelar um segredinho só meu, eu não durmo de calcinha... – fiz graça sussurrando.
– Shh! – Juan ficou de boca aberta. Por quê? É só uma calcinha, gente!
– Sério, nunca? – seu olhar era de um fascínio sexual adorável.
– Nunquinha... – segurei a barra da camisa fazendo charme. – Só uso para sair e olhe lá! –
acompanhou-me num sorriso rasgado.
– Vou ficar com essa porque é sua, só por isso. Quero você! – falou firme.
– Hum, tudo bem, mas realmente preciso ir, tenho algumas coisas! – confirmei novamente.
Por favor, alguém me faça calar a boca!
– Tem nada, fiquei sabendo de tudo sobre você, fica aqui... – falou arrastado para o manhoso.
Tentando me deixar mole. – Só mais um pouquinho... – roubou beijos da minha boca, leves e sem
pressão. Pronto caí. Como eu cedo fácil, santo Deus! Juan foi passando as mãos na camiseta tirando-
a.
– Só mais um pouqui... – beijou-me fervorosamente e acariciava-me gostosamente. Foi quando
voltamos ao mundo em que fundimos e moldamo-nos um ao outro...
Juan deliciou-me novamente, mas desta vez, amorosinho, quente e preciso. Num papai-e-mamãe
mais prazeroso da minha história.
Que poderoso!
– Seu descarado! – ataquei a camiseta nele.
– Eu me sinto bem demais com você, parece que nos conhecemos há tanto tempo! – agora tomou a
pílula do romantismo.
Sem essa, por favor!
– É legal essa conexão! – falei e dei de ombros, fucei alguns canais.
– Quer dar uma volta? – perguntou colocando uma camiseta.
– Você trabalha? – perguntei e vi que ao lado de uma escrivaninha, tinha um notebook e muitos
livros. Hum, pelo menos é culto. Sorri ligeiramente com esse pensamento.
– Trabalho – falou assim tão despreocupado. O que ele faria?
– Hum, isso é bom! – fingi indiferença.
– Pelo visto eles nem comentaram nada de mim ou você não quis saber? – parecia bem curioso,
ficou analisando-me um bom tempo.
– Um pouco dos dois. Eles não queriam estragar a surpresa, não me decepcionei. Por que a
pergunta? Você é um espião ou é da máfia? – brinquei e o fiz rir alto.
– Tenho cara de mafioso? – fez uma pose engraçada e cara de mal. Tipo um cara do hip hop. Eu ri.
– Um pouco, essas suas enormes tatuagens, o deixam com cara de mau!
– Você gostou pelo que me lembro! – retrucou brincalhão.
– Adorei. Então, o que você faz da vida? – perguntei, pois agora ele me deixou curiosa.
– Dentista. – falou abrindo o maior sorrisão branco. Invejável.
– Que chique! Então adora uma boca? – mordi os lábios em provocação.
– Muitooo... já comentei que seus lábios são ótimos? – piscou e mexeu na escrivaninha de costas
para mim.
– São? – perguntei dengosa, ele esperou mais de mim, mas preferi ficar calma por enquanto, voltei
e deixei entrar o assunto. – Por isso o tanto de produtos de higiene bucal no banheiro e aquele monte
de escovas? Pensei que fosse doido! – rimos juntos.
– É sim, ganho muitas coisas, então deixo tudo lá, à mercê! Vamos? Quer passar na sua casa antes?
– perguntou preocupado.
– Aham, me troco rápido – levantei num pulo, encaixando meu vestido.
– Se quiser posso te ajudar a tirar mais rápido! – foi rápido nessa.
– Eu adoraria sua ajuda, Doutor... – Ele aprovou minha resposta.
O que poderíamos fazer em um sábado cheio de frio e chuva? Seria bobagem de nossa parte tentar
sair para se conhecer depois de toda nossa experiência. Estávamos em seu carro, deixei o meu na
garagem e saímos para dar uma volta, apesar do tempo nublado e chuvoso hoje em São Paulo. Tudo
bem, é só uma volta, mas acabamos parando num drive-thru do Mc Donalds, próximo a praça. Eu
estava a fim de conhecê-lo, saber mais sobre ele. E Juan nem se fala, fazia-me tantas perguntas, mas
sua última fez-me cair na risada. Não era possível, ele não me perguntou isso? Perguntou?!
– Você tem namorado? – insistiu na pergunta, não consegui me conter, ri na cara dura.
– O que você acha? Se eu tivesse, acha que teria saído com você? – falei em gargalhadas, Juan
olhava-me sério.
– Sairia sim, eu te convenceria disso. Sou muito bom nisso! – uma piscadinha. Com certeza, você é
ótimo nisso, mas não direi, por enquanto.
– Rá! Engraçadinho. Eu não tenho, estou algum tempo sozinha, não sou muito ligada a
relacionamento, sou fria demais! – brinquei com o canudinho na boca, puxando o último gole de
suco.
– Que mentira! Desde quando você é fria? Ontem não me mostrou isso! Não mesmo... – é, eu
fisguei o gato.
– Devo agradecer? – virei um pouco o corpo no banco e o encarei.
– Com beijos! Pode ser? – Ele se ajeitou no banco aproximando-se de mim. Lento e cuidadoso,
agora era todo cauteloso comigo. É só de noite que vira selvagem? Então, chega a noite logo!
– Yes... – murmurei e sua boca já colou na minha. Ele sugava meus lábios deliciosamente. Tão
perfeito seu beijo encaixado ao meu e suas mãos bobas já estavam necessitadas de meu corpo, mas
ficou apenas na nuca, passando por entre meus cabelos ruivos soltos. Seu beijo foi morrendo no meu
pescoço carente.
– Vamos voltar... Para minha casa... – falou em minha pele arrepiada por seu beijo molhado.
– Eu tenho que ir, outro dia podemos nos encontrar... – jamais falaria isso, ainda mais sabendo de
seu efeito sobre mim, mas eu tinha que ir. Antes de algo inexplicável acontecer. Eu estava pela
primeira vez com medo. Por quê? Eu ainda não sei.
– Ok, vou deixá-la no seu apartamento, mas te digo uma coisa, Mel, eu não vou deixá-la em paz,
vamos nos ver novamente – seu olhar deu-me medo, além de me atiçar com suas palavras fortes e
vorazes.
– Não me deixe em paz... Deixe-me desconcertada! – Ele gostava quando falava assim. Sempre
com segundas intenções, mas desta vez, com ele agora era diferente. O que foi isso? Apenas uma
noite!
Voltamos e eu ri muito dele. Além de lindo, charmoso e gostoso, era engraçado, romântico, às
vezes, muito romântico. Tentou não demonstrar muito isso, mas sim, às vezes ele esquecia que era
nosso segundo encontro. Eu quero vê-lo de novo, sentir seu calor sem igual. De todos que provei até
hoje, ele é diferente, simplesmente senti isso. É algo que não controlei e nem quero controlar, como
eu disse, quero ficar fora de mim, quando estiver com ele. Juan saberá fazer isso, soube domar meu
corpo necessitado de tanto carinho, beijos e tesão. Sendo desejado da melhor forma possível.
– Tchau gata, se cuida e vou te ligar! – falou dando-me um cheiro gostoso e um beijo sufocador.
– Vou esperar. Eu não vou te procurar! Vou saber se gostou, pois assim deverá me procurar, caso
contrário, serei esquecida... Tchau. – olhou-me de ladinho e sorriu.
Voltamos para nossas vidas normais. Assim que entrei no meu apartamento, pulei na cama e fiquei
martelando. Como eu gosto disso? Por que não consigo ser normal? Juro, já tentei, mas não dá! Sou
certinha do meu jeito. Será que erro tanto assim? Sou uma pecadora de alma suja? Nem pensar! Sou
amadora! Apenas isso. Amo demais saber do dom e prazer que tenho...
Essa marca que carrego é para toda a vida, a minha marca do batom...
Ser fatal não é apenas ficar sexy ou pronta. Ser fatal é buscar seu poder interior, deixar juntar todas
as formas possíveis de se sentir amada. Provar o poder. Provar a mulher fatal que existe dentro de
nosso ego. Deixa-o inflar. Explodir. Arrebatar. Estilhaçar. De dentro para fora. Seu poder é único.
Não apenas fraco e ligeiro. É delirante. Em cada um empenhei meu molejo e meu desejo incomum.
Sou apenas dele, como se fosse a única. Destaco-me entre tantas apenas com o desejo de ser
inesquecível. De me tornar a mulher fatal na vida de um homem. Saber disso é o melhor prazer que
pode se encontrar em uma vida: amor e sexo.
Depois de um descanso que quase nem queria, ouvi meu celular vibrando na escrivaninha. Olhei e
sorri, ao ver quem “já” era.
– Alô? – falei fazendo uma voz tele sexy. Ele gemeu.
– Oi gata! Viu? Eu não esqueci e queria saber se quer algo? Tipo, hoje... você e eu? – sua voz
aveludada e sedutora deixava-me fora de mim.
– Nem faz tanto tempo que me deixou e já me quer Juan Vasco? – sussurrei.
– Quero! – falou firme sem balbuciar. – Passe essa noite novamente comigo, amanhã ainda é
domingo. Está tão frio aqui, quero você aqui na minha cama, para eu ficar dentro de você... Bem
gostosinho. Posso passar aí para te pegar? – não resisti.
– Pode, Doutor... – disse sussurrando e Juan gostou.
Como isso pode acontecer? Em apenas um dia, ser tão querida e desejada por esse alguém quase
tão perfeito como um sonho?! Não vou negar; ele me pegou de jeito. E que jeito...
Meu homem fatal!
“Vermelho são seus beijos, quase me queimam.”
3- Meus lábios poderosos
“Quando beijei seus lábios vermelhos, sedentos, fiquei louco. Tudo explodiu dentro de mim
como se algo fosse surreal.”
Eu poderia disfarçar, mas não quero encobrir algo que fiz com tanto prazer! Sim, fui amada por
mais de 24 horas seguidas... Desejada. Alimentada com toda a paixão. Juan deixou-me
desconcertada, toda dolorida, roxa em vários cantos e feliz, muito feliz! Isso sem dúvida.
– Bom dia, Srta. Safada! – Carla estava cheia do bom humor, com um doce sorriso rasgado de
orelha a orelha. Adoro ver minha amiga assim, ainda mais sabendo que o motivo sou eu.
– Bom dia. Bom dia. Bom dia! – cantarolei e tirei meus óculos escuros para ver aqueles olhos
azuis bem de pertinho. – Estou radiante e cheia de dor! – fingi dor nas costas, mas sinceramente,
eram bem reais as minhas dores.
– Pare de fingir! Eu sei muito bem que passou o final de semana todo com o Juan! Não atendeu
minhas ligações, ele não atendia as dele. Qual é? Vai me esconder isso? – Ela fazia beicinho para
descobrir minhas coisas. Eu adoro fazer isso. Suspense. – E por que está toda maltrapilha com essa
blusa fora da saia e casaco nas mãos? – vish, ela percebeu.
– Vamos lá docinho! Primeiro, eu acordei atrasada, já vou me ajeitar! Segundo, não vou esconder
nada, contarei tudinho. Sua curiosa! – apertei a bochecha dela, fazendo o apertão aparecer mais do
que seu próprio blush. Carla bufava ansiosa. – E terceiro, me deixa acordar do sonho do final de
semana... – falei melodiosa e seus olhos ficaram radiantes.
– Ai amiga, me diz aí, gostou dele? Juan é muito legal, por isso permiti que o Thi te apresentasse.
Você merece alguém como o Juan. Além de ser um gatão, é muito trabalhador! – nem precisava dizer
nada, ela já sabia de “quase” tudo.
– Além dessas qualidades que julgo muito importante, mas o essencial, é que o doutor passou na
prova do SexInmetro! – pisquei e ela empurrou-me da cadeira em zombaria.
– SexInmetro? Mel, só você mesmo! – adorou minha nova palavra. – Sua tarada, tarada, tarada! –
falou baixinho. Levantei e fui abrir o arquivo para pegar mais formulários. Carla como uma boa
curiosa que é, ficou atrás de mim esperando eu revelar tudinho.
– Mas é claro que sou! Se eu não for tarada, quem vai ser? – brinquei. – Além disso, ele é muito
gostoso, não poderia perder isso por nada, sabe, Carla o Juan faz com tanta intensidade... Jesus, me
arrepia só de lembrá-lo... – suspirei e iria continuar a contar nossas noites e tardes, mas ela
pigarreou uma vez, acho que eu havia falado demais, mas ela pode saber dessas minhas aventuras.
Sei que, apesar dela ser recatada, eu não escondo o que gosto de fazer, então continuei ignorando o
pigarro dela. – Deus de todo céu, menina, aquele corpo dele é de tirar o fôlego, ele me agarrava tão
forte naqueles braços cheios de tatuagens e com uma força descomunal, me jogava, me bati... – outro
pigarro dela e me virei.
– Que foi? Porra, me deixa termi... – fiquei sem chão.
Por toda luz divina! Fiquei sem cor. Aquele lindo dos meus sonhos estava bem ali na minha frente.
Será que Richard ouviu o que disse?
– Bom dia – falei com um fiapo de voz. Acho que corei até as orelhas.
Virei fingindo pegar um formulário na gaveta do arquivo, estava trêmula e com o corpo todo
querendo entrar em combustão. Além do prazer de vê-lo ali, estava com vergonha, vai saber o que
ele ouviu de mim? Peguei o formulário, analisei ainda fingindo, respirei devagar tentando achar o
equilíbrio para voltar a me sentar no meu lugar, assim que bati a gaveta, senti um puxão e algo sendo
rasgado!
Que porra foi essa?
Olhei para baixo e vi minha camisa social no lado toda rasgada e os botões soltos até a altura do
meu sutiã! Desviei os olhos para eles, Richard e Carla me fitavam absortos. Os olhos dele
percorreram meu corpo e sua boca estava entre aberta, ele parecia buscar apoio. Como eu estava de
frente, puxei a camisa e a gaveta travou com um pedaço lá. Vamos dizer assim que, por sorte, os
últimos dois botões ficaram quietinhos, não deixando tudo à vista. Ajeitei a camisa rasgada, porém
quando olhei para Richard, ele disfarçadamente fechou a boca. Hum, no flagra. Sorri e Carla jogou o
meu casaco desesperadamente.
– Ah Mel! – suspirou e estava mais corada do que eu. Carla olhava pra mim e para o Richard que,
invés de ir embora, estava ainda parado por ali, analisando-me.
– Droga! – praguejei assim que sentei. O pedaço havia ficado na gaveta, o restante rasgado em
meu corpo. Poderia ter sido uma situação bem diferente. Richard estava com um sorriso preso.
– Bem, tenham um bom dia, obrigado! – Richard enfim deixou a recepção, olhei de relance ele
saindo e rindo disfarçadamente.
Que safado.
– Que merda, ele ouviu o que eu disse? – falei apavorada assim que Richard tinha subido.
– Claro, sua louca, fiquei pigarreando, não escutou não?! Ficou gemendo dizendo: Jesus me
arrepia só de lembrar! Só você mesmo Mel! O que foi isso? – ela ria demais, eu estava pasma.
– Ai que vergonha! Sei lá, essa porra ficou presa! – apontei para camisa e para gaveta.
– Pare com isso, ele disfarçou, mas acho que se interessou pelo assunto e por sua camisa rasgada,
ficou te olhando um tempão! – piscou. – Vou buscar outra pra você lá em cima, espere aí!
– Espero que tenha escutado mesmo e assim saberá que sou quente! Quem sabe? – pisquei. Ela
subiu e quando voltou, contei a ela a história do excitante final de semana, assim que troquei a
camisa rasgada.
– E aí, Mel. – Thiago cumprimentou-me esperando na porta do prédio.
– Oi Thi, tudo bem? – dei um beijo no rosto dele.
– Mel, não quer ir tomar um café com a gente? Está tão frio, vem? – Carla me convidou fazendo
carinha de gato de botas. Tão fofa.
– Aceito sim – ajeitei meu casaco e fui com eles. Aliás, eu estava na minha área.
– Gostou do fim de semana? – assim que sentamos, Thiago veio cheio de gracinhas.
– Foi perfeito! Melhor impossível!... – pisquei para Carla, que já sabia de quase tudo. Não conto
alguns detalhes. Segredinho só meu.
– Então, como poderei deixar melhor? Já que é impossível!... – ouvi num sussurro atrás de meus
cabelos soltos. Num susto me virei até aquela voz aveludada. Encontrei um sorriso lindo e um rapaz
todo de branco. Gosh.
– Olá doutor! – falei manhosa, Juan deu-me um beijo bem gostoso no canto da boca. Cauteloso.
Poderia até ter beijado minha boca, eu não ligaria.
– Oi gata, posso? – apontou para cadeira do meu lado.
– Claro Doutor Vasco, fique à vontade! – olhei para cara de pau dos dois na minha frente que
sorriam mais do que tudo. – Saiu do serviço agora também? – perguntei sendo educada.
– Saí sim. E resolvi tomar um café, coincidência, não acha? – Cara de pau. Os três.
– Muita! Muita coincidência, não é gente? – falei e eles riram alto. Chutei a perna da Carla por
baixo da mesa, ela me olhou feio e caiu na risada.
Fingida.
– Ô, nem me fale! – Thiago se manifestou.
– Ela me chutou embaixo da mesa! – a fofoqueira e dedo duro disse alto! Corei e eles me olharam,
os três juntos.
– Mentira dela! – falei e fiquei olhando aquele sorriso encantador e aquela covinha charmosa de
Juan. Ele encarava-me sorrindo.
– Não precisa ficar vermelha, foi coincidência mesmo – Juan falou segurando o sorriso rasgado e
excitante.
– Não estou com vergonha, o que menos tenho na cara, é vergonha! – Ufa, voltei.
– Ui! Começou cedo, é ainda segunda-feira, sabe disso, não é? – Carla brincou.
– E daí? Não pode ficar sem vergonha na segunda-feira? – Nem olhei para ele, mas sabia que seu
olhar estava sobre mim.
– Vamos? – Thiago agilizou as coisas deles e deixaram-me de novo sozinha. Aliás, com o Doutor
Delícia.
– Mel, até amanhã – Carla falou e deu um risinho fino. Sem graça.
– Tchau, amanhã eu pego você, viu! – falei baixinho em seu ouvido, assim que abaixou para me dar
um beijo de tchau. Ela só piscou e os dois saíram.
– Se quisesse me ver, era só ligar, doutor! – disse sorrindo. Juan ficou com um sorriso sincero, até
tímido. Percebo que, durante o dia, Juan é tranquilo e sensível, mas também, mostra seu fogo através
de um olhar quente. Ele sabe me domar. Isso sem dúvidas, ele acende meu fogo de mulher em
segundos. É mágico.
– Eu iria ligar, mas meu celular apagou e tenho que arrumar, mas como eu disse, decidi tomar um
café, encontrei o Thi e resolvi fazer uma surpresa, não gostou? – falou devagar e arrastado próximo
ao meu ouvido, tirando uma mexa do meu cabelo e a colocando atrás da orelha, com um cuidado só
dele. Ficou mexendo com a ponta do polegar no meio da palma de minha mão, fazendo surtir um
efeito gostoso e delirante, onde lá na calcinha já surgia o efeito. Que demais...
– Gostei sim... – eu não estava me controlando em ficar tão próxima dele sem fazer nada, ainda
mais ele encostando-se em mim.
– Quer sair daqui? – perguntou afobado. Sua respiração estava tocando meu rosto.
– Só um minuto – peguei a bolsa e fui ao banheiro. Ajeitei-me rápido e passei um batom coral só
para ficar ajeitadinha, já que o meu saiu todo na xícara.
– Sempre linda em seus batons! Estava já com inveja dessa xícara que tem sua marca. – Uau, ele
está em conexão comigo! Pegou minha mão e saímos.
– Quer ir ao meu apartamento? – convidou.
– Vamos ao meu hoje, pode ser? – sugeri.
Ele aprovou. Para nossa sorte, eu morava pertinho. Como estava muito frio iríamos de carro, já
que Juan estava com o dele. E os dois corpos ficariam ainda mais quentes, um necessitado do outro.
– Entre! – assim que abri a porta fiquei à espera dele, todo de branco. Lindo numa camisa de gola
rolê, fina e colada ao seu corpo, já me sufocava de vê-lo tão sexy. Ele entrou todo charmoso. – Suas
pacientes devem ficar babando demais em cima de você. Haja saúde aí, hein rapaz! – brinquei e ele
sorria tão gostoso.
– Obrigado pelo elogio! – ficou de frente, encostei na parte de trás do sofá, Juan foi chegando
devagar, sem pressão. – Você me ganhou... – murmurou.
– Com certeza, você é irreal, só pode! – falei fraca.
– Eu diria o mesmo... – encostou seu corpo ao meu. Foi descendo seu rosto até meu pescoço. –
Cheirosa... – sussurrou em minha pele arrepiada. – Como não consigo tirar você dos pensamentos? –
seus beijos sugavam minha pele e sua mão corria em meu corpo. Eu não me mexia, o deixei fazer de
mim seu objeto de desejo. Juan puxou minha camisa “nova” de dentro da saia, e com seus dedos
hábeis, foi até o fecho do sutiã. Voltou fazendo o desenho dos meus seios.
– Eu diria o mesmo... – estava insuportável falar, eu não queria falar, queria ele em mim.
– Pensei em você o dia todo, desejei você em cada segundo... O que você fez comigo? – Juan
falava pausadamente e eu já estava extasiada por seus apertões e sentia o efeito de sua vontade em
seu corpo.
– Eu não sei, mas sei o que quero fazer agora...
Puxei o cabelo dele e trouxe seu rosto até o meu. Ele entendeu meu olhar. Empurrou meu corpo de
leve ficando atrás de mim, puxando meus cabelos para o lado, beijando minha nuca, cutucando-me
com sua ereção. Fomos para o centro da sala. Olhamos o tapete, ali, Juan me devoraria...
Com cuidado tirou peça a peça do meu corpo. Saia, blusa, sutiã e calcinha, seus dedos longos,
brincavam em minha pele fervendo emoções, vontades de apenas ser dele. De me entregar com alma
para aquele homem inovador. Trazendo à tona meus sentimentos mais escondidos. Não sei o que eu
atingia nele, mas Juan fazia algo inexplicável comigo.
O que foi que me aconteceu? De uma forma natural, queria senti-lo, eu o queria dentro de mim,
com calma, cautela e prazer lento. É assim que ele faz, com um jeitinho só dele, Juan me envolve nele
todinho, sendo apenas um só. Seus beijos direcionados aos lugares certos, apenas enlouquecendo-me
em cada beijo sufocante, molhado e bem dado. Na barriga, no pescoço, em meus seios sensíveis por
sua boca. Molhados... Eu estava molhada por seus beijos e por ele. Tudo em seu momento.
Eu já estava nua na sua frente, deitada no tapete. Juan ainda estava de roupa, e observava entre
minhas pernas abertas, segurando meus tornozelos. Assim que tirou os saltos, subiu mordendo minha
perna, num ritmo gostoso sua língua brincava comigo. Assim como brinquei com ele. Sugava minha
coxa próxima ao meu sexo, raspava sua pele do rosto com a barba crescendo, e em minha barriga, ele
se perdeu, sugando meu piercing. Eu só gemia baixinho, deixando as pontas dos meus dedos
enroscados no seu cabelo. Juan subiu e ficou em meus seios.
– Tão lindos, redondinhos e macios... Ah Mel, você é perfeita. Seu cheiro, eu adoro isso... – Juan
dizia sobre meu arrepio. Mordiscou meus mamilos mais algumas vezes e foi para o pescoço. Meu
ponto fraco. De todos os lugares, meu pescoço é o mais sensível.
– Tire a roupa – ordenei num sussurro melodioso e Juan o fez.
Ajudei na camisa, no botão e zíper, só para senti-lo em minhas mãos, em meu poder. Juan tirou
tudo e se encaixou em cima de mim. Sem penetrar, continuou com beijos no meu pescoço e mordia
levemente. Dizendo ao pé do ouvido:
– Você é demais. Você é perfeita. Vou entrar profundo dentro de você!
Era o que eu mais queria. No entanto, antes de fazer isso, eu o vi descendo, sugando minha pele e
chegando lá rapidamente. Vi suas costas tensas, pois estava com os braços apoiados no chão em
volta do meu corpo. Desceu para me torturar com sua brincadeira gostosa da língua em meu clitóris.
Minha nossa. Eu me contorci e segurei com força seu cabelo, ele gemia e mordicava. Sugava e
deixava sua língua entrar devagar dentro de mim. Era tão erótica sua brincadeira que eu já estava a
ponto de explodir. Ele me sentiu contraindo. Então, subiu novamente com meu gosto em seus lábios
maravilhosos, beijou-me amavelmente, deixando-me curtir sua língua habilidosa. Enfim, entrou em
mim lenta, muito lentamente... Ah lento demais. Eram lambidas, mordidas, apertões. Juan beijava-me
e apertava meu bumbum, tentando me trazer para o mais perto possível de seu quadril. Eu era sua...
Como pode? Como poderia ser tão erótica e deliciosa essa nossa troca? Devagar, devagar, o prazer,
o sexo... Era ali, onde eu me perderia e ninguém nunca me encontraria, mas Juan sim...
Ah, Juan!
Ele se apoiou firmemente com os braços no chão, e sua lentidão dentro de mim era a tortura mais
poderosa do mundo. Eu queria gritar, mas ele deixava-me ao ponto de explodir. Agarrei seu traseiro,
numa tentativa de fazê-lo se enterrar mais para dentro de mim, quando ele teimosamente deixava só a
ponta dentro latejando. Balançava os quadris em busca de entrar profundo e sair devagar. Seu sorriso
para mim era como um calmante, onde seus lábios tranquilizavam-me e seu olhar compenetrado
deixava-me ver sua alma, seu jubilo. Ele se divertia em ver meu prazer e eu sentia ainda mais prazer
em vê-lo me fazer pirar. Que troca era essa?
Era agora...
A graça do momento estava se transformando em um orgasmo limpo e voraz.
Vem... Vem... Vem... – eu gemia com total prazer.
– O que você é, Mel? – Juan gemeu, deixando sua cabeça inclinada pra trás, e enfiando
profundamente dentro de mim. Eu sentia o jorro de prazer, sentia as paredes de meu ventre se
contorcer em sua volta. Logo em seguida, senti o alívio... Todo meu corpo relaxado.
Juan ficou por uns cinco minutos ouvindo meu coração bater acelerado e meu estado era se como
ele estivesse dentro de mim, tocando minha alma, curtindo cada instante de minha plenitude...
– Ainda bem que aqui é quentinho... – resmungou no tapete e foi colocando a blusa.
– Vou tomar um banho, me espera? – falei assim que voltei do banheiro, onde deixei a banheira
enchendo.
– Vou te acompanhar! – piscou já arrancando a mesma blusa que segundos atrás tinha colocado e
eu não resisti.
– Isso nunca aconteceu comigo, sabia? – disse dando-me beijinhos molhados e esfregava-me com a
esponja cheia de sabonete líquido. Encharcava de água quente e apertava em mim, era excitante Juan
me lavando. Com a feição que me dirigia no momento, era algo novo, espero que não diga: “Estou
apaixonado por você!”
Agora não.
– Comigo também – fui fria, eu acho.
É isso que eu falo sobre ser fria. Ele nem percebeu.
– Você iria fazer alguma coisa hoje? – falou todo carente.
Ele gosta de conversar, isso também é bom, sinto-me tão só às vezes, que converso sozinha, mas
com ele agora, teria algo sempre a fazer. E como teria!
Ah, pensamentos coléricos e sórdidos que sempre me perturbam.
Eu sou uma tarada mestre. Fato.
– Não, iria tomar um banho relaxante e ficar embaixo das cobertas. E você, tinha algo? – perguntei
e fui secando meus cabelos. Vendo-o se secar até parei e mirei na visão privilegiada que tinha do
meu Adônis.
Hum, que belo corpo!
Juan encarava-me também: a sua garota nua como Vênus.
– Não, saí cedo hoje, meu pai ficou com duas pacientes minha – disse depois da secada que deu
em meu corpo, Juan ria sozinho.
– Trabalha com seu pai, ele é dentista também? – tentei me distrair do corpo dele para ser mais
exata.
– Aham, ele tem um consultório no Morumbi. Trabalho com ele – disse despreocupado.
– Hum, isso é bem chique! – brinquei e ele sorriu.
– Meu pai tem a fama dele, estou conquistando a minha. – Agora me pareceu orgulhoso.
– Sua fama de bom dentista ou de um dentista gostoso e sedutor? – soltou uma risada gostosa e eu o
acompanhei até meu quarto.
– Não sei, mas prefiro que seja de bom dentista! – Sei bem, boy.
– Você é charmoso, lógico que tem um monte de mulher por aí babando por você, até eu iria
inventar dores para passar com você! – acompanhei com os dedos os desenhos em seu corpo
perfeito.
– Temos muitas pacientes! – Ele ria do que eu falava. Senti uma pontinha de...
De nada! – balancei a cabeça tentando esquecer a voz dentro de mim.
– Está vendo, aposto que já saiu com um monte delas! – Não soou como... Ok, eu admito!
Acho que cheguei a fazer beicinho. Tentei me distrair olhando para o corpo dele, a vontade dentro
de mim agitou-se novamente, querendo mais. Contenha-se! – ordenei.
– Algumas sim, mas são meninas tão bobinhas! Nem vale a pena... – disfarçou.
– Sei, então é por isso que seu primo me disse para tomar cuidado, você era um tarado! – joguei a
toalha nele.
– Sou safado sim, mas com a pessoa certa. Não fico mexendo com mulheres na rua, eu as respeito.
Paquero muito, mas com você foi meio impossível ser certinho demais, eu a quis a partir do momento
em que a vi! Senti isso e quando beijei seus lábios vermelhos, sedentos, fiquei louco. Tudo explodiu
dentro de mim como se algo fosse surreal. Vermelhos são seus beijos, quase que me queimam de
tantos desejos que senti naquele exato momento. Foi puro tesão. Você é muito foda! – devorou-me em
um beijo sufocador assim que terminou. Brinquei com seus cabelos molhados deslizando entre meus
dedos, dando-me uma sensação de contentamento. Juan deitou o rosto em meu peito e sentia meus
batimentos ritmados e sorria ao senti-los descompassados.
– Pare de ser lindo! – brinquei com outro beijo. – Quer comer algo? – falei séria, mas ele levantou
as sobrancelhas e alargou seu sorriso perigoso. – É sério! – concluí sorrindo maliciosa. Agora eu
queria brincar.
– É sério Mel, nunca duvide disso! – saí rindo dele e fui até a cozinha. O que fazer para esse
rapaz? É tudo tão recente e é diferente fazer isso, jamais precisei realizar esse tipo de troca, mas
estava sendo delicioso passar por essa nova experiência. Faria com a maior decência tudo por ele.
Olhei em volta da cozinha, abri a geladeira sem muita novidade e o que eu faria? É melhor
perguntar do que arriscar e ele odiar a minha comida. Talvez eu o pegue pelo sexo e não pela boca!
Não que eu não cozinhe, mas vai saber as prioridades e gostos dele. Eu preciso saber.
– Quer lanche ou comida? – gritei da porta da geladeira de onde analisava as opções básicas, mas
me assustei quando eu nem tinha percebido que Juan já estava na cozinha comigo, olhando-me.
– Mulher prendada! – brincou puxando meus cabelos úmidos e bagunçados, ele os bagunçou ainda
mais fazendo uma massagem com as pontas dos dedos. Relaxei em suas poderosas mãos.
– Isso é bom... – Não sei se falei de mim ou da massagem.
– O que é bom? – até ele ficou confuso.
– Sua massagem, eu adoro massagens! – gemi sem querer.
– Minhas mãos poderosas... – sussurrou em meu ouvido. – Eu gosto dos seus lábios... – continuou
ainda mais delirante.
– Meus lábios poderosos... – fui até ele num beijo casto, dessa vez curtindo cada extensão, em
cada canto deliciando-me perdidamente em nosso audaz regozijo.
Acabei por não fazer nada depois do ataque repentino de Juan no meio da cozinha, ele pediu uma
pizza. Não queria que eu ficasse longe e também não queria que fizesse algo, a não ser beijá-lo.
– Tenho que ir, mas essa semana poderíamos nos ver, o que você acha? – perguntou-me todo
etéreo, educado e calmo, mas sua feição demonstrava um pouco de desespero por minha resposta.
– Pode ser, me liga, qualquer coisa estarei aqui... – fiz charme com o pezinho, encostada no batente
da porta. Eu não iria descer, estava muito frio e ele me pediu para ficar.
– Ok, eu te ligo assim que arrumar o celular. Beijos e sonhe comigo. – puxou-me novamente,
deixando seus lábios agarrarem os meus em um beijo profundo e doce, depois disso partiu. O frio
voltou de vez por aqui...
Pelo resto da semana, Juan não me ligou nenhum dia, fiquei só. Fria e abandonada. Eu não
procurei. Não vou fazer isso! Mesmo Juan merecendo. Ele era tão quente, tão real, mas acho que
deve ter conhecido alguém melhor... E me esqueceu assim tão rápido?
Quando desejo alguém, eu o tenho. Luto por isso até conseguir, mas ele já tinha minha marca, não
poderia sumir do nada. Alguma coisa aconteceu. Isso eu sinto.
Até que recebi uma mensagem e uma alegria tomou conta do meu ser, corri para ver esperançosa a
tal mensagem que tinha chegado, fui até eufórica demais, mas desanimei assim que vi que era da
operadora. Ódio.
Carla ficou três dias de folga essa semana, para compensar suas horas extras. Foi fazer uma curta
viagem com o Thiago até Vinhedo, onde o pai dele mora. Fiquei vazia. As únicas horas que
preencheram foram exatamente cinco minutos por dia. Os exatos cinco minutos que Richard esperava
para pegar a chave e o cartão provisório. Será que é regra da Mariana ou dele? Richard tem cara de
que obedece ela, mas também tem cara de que domina na cama. Que delícia de homem.
– Bom dia! – falei animada e com um sorriso frouxo na cara. – Tudo bem? – resolvi alongar o
assunto.
– Bom dia. Estou bem sim, obrigado. – falou tão sério que nem acreditei. Que homem é esse? Por
que tem tanto medo assim? Ou mesmo, que respeito todo é esse? O olhei indignada. Ele poderia
soltar alguma cantada barata, já me animaria, droga!
– A Carla deixou esse envelope do correio, Sr. Richard. – falei meio bicuda, estendi o envelope e
Richard olhou-me sorrindo – e que sorriso – quase despenquei da cadeira.
– Apenas Richard – disse com a voz aveludada. Pegou de meus dedos o envelope. Eu não queria
soltar, mas soltei por educação.
– Ok, tenha um bom dia Richard! – murmurei e encarei aquele homem delicioso na minha frente, já
sentia em minha calcinha seu efeito. Ele tinha uma cara de que fodia bem gostoso. Sorri e deixei
escapar um suspiro, Richard encarou-me diretamente, corei com meu pensamento ignóbil. Era como
se ele tivesse me escutado. Credo.
– A você também, Srta. Mel! – Não! Ele falou meu nome e ainda chamou-me de senhorita? Jura?!
Não consegui conter o riso, ele só balançou a cabeça em aprovação.
– Apenas Mel – arrumei força e disse, Richard passou pela catraca, sorrindo e olhando ainda em
minha direção.
– Ok, tchau Mel – desapareceu como fumaça.
Que é isso, Senhor? – permaneci me abanando o resto da manhã monótona.
O calor abusivo ficou a manhã toda de uma sexta-feira chata, mas a tarde logo passou rápido.
Aliás, voou. Estava tão atarefada que nem vi que tinha dado meu horário, só notei após o telefonema
do Caio. Ajeitei minha mesa para mais um fim de expediente. Agachei, peguei minha pasta de
relatórios e estava me preparando para ir embora, quando senti uma mão fria em cima da minha no
balcão.
– Que susto! – falei assim que subi o corpo. Havia uma surpresa bem na minha frente.
– Oi! – abriu o maior sorrisão branco e invejável. Senti saudades.
– Oi, e aí, Sr. Sumido?! – brinquei de mau humor.
Sim, eu estava chateada por ele ter sumido sem ao menos dizer algo. Poderia ter avisado, sei lá:
“olha não vamos mais sair, ok?”. Eu não ficaria à espera, não mesmo, nem mesmo chateada. Juan
viu isso em meu bico.
– Mel, teria um tempo para conversarmos? Eu espero. Já está saindo, não é? – Ele fazia cara de
que não estava arrependido, sei lá do quê? E por que ele estaria arrependido, sendo que não temos
nada?!
Ah, Mel, não se iluda! – Uma voz maldosa derramou seu veneno em mim.
– Claro, Juan, só uns minutinhos e pode me esperar aqui. – falei dando de ombros a sua presença
surpresa. Ele gosta disso. Eu não. Muito menos meu inconsciente que resolveu dar uma de Freud.
Não fale com ele, mande-o catar coquinho na esquina! – proclamou.
Vai falar sim! – meu lado perverso estava ativado também.
Shh! – repreendi meu falatório mental.
Fui caminhando até o elevador enquanto Juan olhava-me, esperando a resposta que era óbvia
demais, mas por minha involuntária consciência, eu estava tendo uma luta pessoal dentro do meu ser.
Ela vai dar pra ele! – meu lado perverso sabe o que quero. Fato. Revirei os olhos para minha
loucura mental.
– Ok. – Ele não disse mais nada. Subi e fiz todo o processo de finalização do dia com o Caio. Na
volta, Juan estava quietinho me esperando, como um bom garoto.
Ah, tão sedutor, tão lindo. Argh! – tentei controlar a emoção de vê-lo novamente.
Viu, já era, vai dar! – senti a perversa e a bondosa darem um risinho. Eu também gostei da ideia. E
como...
– Pronto, vamos? Aonde quer ir? – perguntei bicuda ainda, fazendo-me de durona, sendo que, na
verdade, eu estava sendo torturada por sua beleza.
– Meu carro está na garagem, vamos? – puxou minha mão, disfarcei e tirei. – Que foi? – perguntou
como se nada tivesse acontecido, como se ele tivesse ficado a semana toda sem falar comigo e agora
estava tudo bem? Hã?
– Nada. O que aconteceu? – cruzei os braços abaixo do peito para ele não tomar minhas mãos
novamente. Perguntei já descendo ligeiramente os degraus para garagem.
– Eu que te pergunto! Tentei te ligar um monte de vezes e você simplesmente não me atendeu... No
dia que saí da sua casa, cheguei a minha casa e meu pai ligou dizendo-me que teria que buscar o
material novo para o consultório. Tentei te avisar dessa viagem curta, mas nada... Você não me
atendeu! O que aconteceu com seu celular? Olhe aqui... – apontou o dele e foi mostrando todas as
chamadas para o meu, que por sinal estava bem errado.
– É por isso que não conseguiu, está errado. Estão invertidos os últimos números – encostou ao
carro e ficou olhando-me bravo. Não comigo, por ele.
– Que porra, deu pau no celular e achei que tinha decorado certo o número... Poxa, gatinha, fiquei
supertriste pensando que não queria me atender... – deixou os ombros relaxarem e soltou um ar de
alívio. – Desculpa, não deu para te avisar de outro jeito. Sinto muito, pensei demais em você, me
perdoa? – seu olhar era tão... Tão meigo e lindo. Eu não resisti ao seu charme de olhos azuis.
– É claro, eu que peço desculpas, você não me deve satisfações. Fiquei brava achando que já
estivesse em outra! – sorri envergonhada com minha imaturidade de ficar fazendo beicinho por isso.
– Vem cá, mate essa minha saudade de você... – Juan puxou a ponta do meu uniforme, encaixando-
me entre suas pernas grandes, apertou-me forte em seu abraço e beijou-me calmo, forte e preciso.
Entreguei-me totalmente ao seu beijo. Envolvemo-nos em um único beijo longo e divino. Juan
apertou-me passando sua mão quente em minhas costas, e uma delas mexia em meu cabelo,
desfazendo o penteado.
Por um momento, ficamos anestesiados até ouvir o alarme do carro ao lado sendo ativado. Ajeitei-
me desencostando do corpo quente de Juan e tentei sair da situação e ir para o outro lado, mas ao me
virar, dei de cara com quem? Sim, Richard, o charmoso. Richard levantou as sobrancelhas levemente
disfarçando e eu ruborizei até as orelhas. Estática e descabelada, fiquei. Tentei disfarçar ajeitando os
cabelos e o uniforme, Juan entrou no carro e quase teve que me puxar, pois fui me rastejando.
Richard não falou nada, mas apenas nos observou cauteloso e lindo. Ligou seu Honda Fit e foi
embora.
– Olha só, tenho que passar lá no consultório, meu pai deixou algo que preciso resolver. É rápido,
vai comigo? – sua expressão era demais, com um sorriso cheio de lascívia carnal e um desejo
arteiro.
– Tudo bem – dei de ombros e partimos.
No caminho, Juan explicou-me que, de vez quando, tem essas viagens rápidas. Ele foi buscar
material para o consultório e teria que ajeitá-los. Era bacana da parte dele compartilhar isso comigo,
contar mais de sua vida agitada e profissional.
Seria muito interessante essa nossa relação, trocando informações de tudo e como Juan é curioso!
Não sou muito de contar minhas coisas. Apesar de toda minha loucura, sou muito reservada, aprendi
com a vida os principais fatores de sobrevivência. Nunca falar demais, nunca revelar seus segredos
e, acima de tudo, suas fraquezas. Sou uma pessoa que gosta de fazer, agir no momento sem medir
consequências, mas faço apenas o que quero, sem influências. Muitos dos meus paqueras adoravam
isso, a simplicidade de poucas palavras.
Enquanto eu dizia o meu básico a Juan: Sou uma mulher que gosta de sexo, futebol, videogame,
não faço dieta e me amo! Ele retrucava: Você não existe!
O consultório deles era uma clínica supercharmosa e muito luxuosa para os padrões de clínicas
dentárias por aí. Um portão preto na frente e um jardim imenso, bem cuidado. Na parede uma placa
preta escrita os nomes deles em letras cursivas, Dr. Rubens Vasco e Dr. Juan Vasco, Clínico Geral e
Cirurgião. Acima da porta, o nome da clínica, OdontoVas.
Ele abriu a imensa porta de vidro fumê e acendeu a luz, estendeu as mãos para eu passar. O pai
dele já tinha ido embora pelo visto. Juan caminhou na minha frente e foi acendendo tudo. Como era
incrível e harmoniosa a clínica. Na recepção, um balcão em branco e azul bebê com um vidro na
bancada suspenso por pilastras de alumínio, que pegava todo o canto da sala, com dois computadores
e uma televisão de LED gigante atrás. Quadros e plantas deixavam o ambiente mais tranquilo. Com
dois sofás confortáveis em azul um pouco mais escuro que o balcão e dois banheiros ao fundo.
– Isso aqui é bem bonito! – elogiei e Juan sorria.
– Meu pai é caprichoso. Vem, vou te mostrar meu escritório. – pegou minha mão e levou-me pelo
corredor largo.
A ala dos corredores era imensa, nunca imaginaria que seria tão grande. Ele foi apontando cada
porta e dizendo o que havia em cada repartição. Logo que viramos à direita, havia um espaço com
uma máquina de café, um filtro de água e algumas prateleiras com biscoitos e alguns enfeites. Era
bem pitoresca e encantadora a decoração, todo o espaço tinha um ar muito familiar.
– Quer alguma coisa? – ofereceu.
– Não, obrigada!
– Aqui, é uma área de conforto para os clientes que fazem pequenas cirurgias, os deixamos aqui
para se recuperar das anestesias – era simplesmente encantador apresentando seu espaço. Ali dentro
Juan era um homem profissional e sedutor demais. O Doutor Juan Vasco.
Como ele ficava sexy de branco!
No pequeno espaço havia duas poltronas cinzas confortáveis, uma TV, alguns quadros e revistas,
era bem aconchegante. Olhei discretamente aquelas confortáveis poltronas e pensei por um breve
instante em safadeza. Sorri e não sei se ele compreendeu.
– Esse aqui é o escritório do meu pai, ele o deixa trancado, mas o meu que é mais importante! –
duas levantadinhas de sobrancelhas maliciosas. Adorei. – Essa porta da frente é a sala dele. O
consultório. – puxou uma porta branca larga, e ali, estava o consultório superchique do Dr. Rubens. –
Aqui, mais uma sala dele, é onde ele faz cirurgias. – olhei de relance, nem estava prestando mais
atenção nas salas, eu queria ele. Essa calmaria, esse lugar estava me excitando de uma forma
descontrolada. Juan passou a perceber minha agitação e a respiração acelerada.
– Você está bem, Mel? – perguntou segurando um sorriso atrevido.
– Não – saiu como um gemido.
– Minha nossa, Mel, estou fervendo de ver você assim! – beijou meus lábios, encostando-me em
outra porta. Olhei de relance e vi. Dr. Juan Vasco.
Abriu a porta, e sem tirar os lábios dos meus, foi empurrando-me até sua mesa. Uma mesa de canto
de madeira em bege com detalhes azuis. Juan tirou algumas pastas e papéis, colocando-me em cima
de sua mesa. Minha saia comprida não permitia que ficasse no meio das minhas pernas, então ele a
subiu até a altura da calcinha, tirando de dentro da saia a ponta da blusa e, calmamente, abriu botão a
botão, beijando-me, acariciando-me. Eram demais seus toques. Tirou a blusa e a deixou na cadeira
dos pacientes. Foi com seus dedos hábeis por dentro da saia e tirou a calcinha, o ajudei levantando
meus quadris. Gemi em seu pescoço e sentia sua respiração quente em meu ouvido.
– Mel, como pode você já estar assim? Tão quente, tão molhada... – Juan colocou a mão direita no
meio da minha perna. Por que ele não tirava logo o sutiã e a saia? Eu queria fazer aquilo logo! Estava
ofegante por isso. Puta merda, eu estava no consultório do Doutor-Que-Quer-Me-Comer-Aqui-
Deliciosamente-Gostoso!
Céus!
Com delicadeza, Juan puxou o cabelo da nuca fazendo-me inclinar a cabeça para trás, dando livre
acesso para beijar meu pescoço, ombros, colo dos seios... Ele mordiscava em volta do sutiã, isso me
enervava. Eu mesma estava quase arrancando aquilo. Quando pensei em fazer, Juan segurou minha
mão.
– Está com pressa, Melzinha? – encarou-me com o olhar fervendo e com o lábio inferior
pendurado naquela boca lasciva.
– Não, mas estou cheia de tesão! Pare de me torturar, Doutor! – gemi e tentei jogar o olhar mais
sedutor possível.
– Isso é ainda mais gostoso, Mel... – desceu para barriga e puxava meu piercing com mordidas. –
Fale de novo! – ordenou com os lábios em minhas coxas.
– Falar o-o q-quê? – eu estava quase explodindo.
– O que eu sou? – falou firme.
– Doutor – gemi.
– E o que você quer, Mel? – sua voz rouca roubava toda minha atenção.
– Quero você dentro de mim, Doutor... – inclinei ainda mais a cabeça para trás, apoiando-me com
as mãos na mesa. Deixei cair o porta-canetas. Ele nem ligou.
– Vem aqui! – Juan puxou-me de repente, levando-me para fora de sua sala, entrando em outra sala.
Sim, o consultório dele. Que tesão. Na cadeira do doutor! Ele abriu seu sorriso mais sexy, mais
perverso, eu fiz o mesmo, meus olhos brilhavam.
– Isso aqui é excitante... – gemi e quase dei pulinhos de alegria.
– Vou me lembrar disso todos os dias! – acendeu a luz. Levantou a cadeira do seu trabalho,
caramba, onde ficam os pacientes! Foi deixando-a esticada, apenas inclinou um pouco o encosto.
Veio até minha direção, tirou o sutiã e a saia, encarando-me absorto. Beijou-me em vários lugares e
me fitou com seu olhar lascivo. – Deite – ordenou, eu obedeci.
Ele sentou na sua cadeira e puxou para próximo da poltrona em que eu estava. Com a mão direita
no queixo, analisava meu corpo, foi tocando o pé, a canela, o contorno dos joelhos, atrás dos
joelhos... Seu toque estava ardido em minha pele, eu apenas gemia baixo. Seu olhar faminto e feroz
fazia-me babar por ele. Sedenta por seu sexo. Fez uma massagem na coxa e, ao chegar à virilha,
parou, pulou e foi para barriga. Seu olhar foi travesso, sorri com sua travessura. Chegou ao seio,
brincando com meus mamilos já excitados por seus toques. Ajeitou meu cabelo, prendendo-o bem
torto, mas deixando-o todo preso. Aproximou-se mais, olhei para seu corpo e via sua respiração
forte, seu desejo por mim. Estiquei a mão, e toquei em sua ereção. Encostou-se na cadeira e subiu o
quadril para apertá-lo em minha mão, apertei mais a palma contra o jeans branco impecável, Juan
deveria vir logo e acabar comigo ali naquele lugar, no seu meio de trabalho. Estava sentindo-me
como se estivesse dando para o chefe! Não que eu já tivesse feito isso, mas sentia que Juan era
assim, o meu boss!
Juan voltou a fazer o percurso agora com a língua. Subindo e descendo. Uma tortura erótica no
consultório do doutor mais gostoso que já vi. Sim, no seu consultório, ele iria me devorar, iria me
comer de todas as formas deliciosas que sabe. Com cuidado, tirou sua roupa, fez até charme para
mim. Sentou na cadeira em que estava deitada, deixando as pernas penduradas para fora. Puxou
minhas pernas em volta de seu quadril, arrastando-me até ele. Até sua majestosa e poderosa ereção.
Sem deixar encostar-se no seu membro, colocou um dedo em mim, buscando abrir caminho dentro do
meu corpo. Gemi alto e me contorci com o prazer que ele me proporcionava. Com todo cuidado,
enfiou mais um, deixando-me quase cair da cadeira, ao me virar e arquear as costas.
Puta merda! Com o polegar, ele massageava minha pequena e sensível área e estava muito
excitante. Juan abaixou-se e beijava meus seios. Abocanhou com malícia cada um deles, enquanto
mexia seus dedos vagarosamente, deixando-me a ponto do orgasmo, mas tirou-os assim que sentiu
tocar meu ponto G. Juan levantou-me apenas um pouco, até meu sexo encostar-se ao dele e sentiu
cada segundo... Meu gemido baixo e rouco. Enquanto ele penetrava-me lentamente, deliciosamente
devagar, eu curtia sua feição. Juan me pediu para ficar de olhos abertos para ele ver nosso prazer ali.
Como ele era envolvente, torturante! Abaixou minhas pernas e ficou sentado na poltrona, inclinou um
pouco mais sentando-me no seu colo, puxando com força – ainda que cuidadoso – meus quadris que
dançavam nele. A sensação era quente e apavorante. O cheiro de dentista, o cheiro do nosso sexo, o
nosso cheiro e Juan em mim...
Um pouco antes de chegar ao clímax, ele saiu de mim, deixando a cadeira novamente esticada.
Fiquei ofegante, sem compreender nada. Juan pediu para me apoiar na poltrona, ficando de quatro
com os joelhos na ponta. Não acredito que estou de quatro num consultório com um Doutor Delícia!
Ah, puta merda! Que tesão... Foi o tempo de duas estocadas certeiras e um gozo maravilhoso
chegar a nossos corpos.
Eu sentia seu coração em minhas costas e a sensação inebriante do sexo bem feito... Do melhor
orgasmo.
Plenamente satisfeita somente com ele: Juan.
E isso me deu medo.
– Isso foi extremamente excitante. Pra caralho! – falei rindo da expressão dele. Juan estava
derrotado por mim.
– Nem me fala! – Juan soluçou as palavras. Fracos, fomos catando cada peça espalhada ao chão.
Colocamos as roupas. Enfim arrumados, olhei bem no fundo daqueles olhos azuis e brincalhões, Juan
não fez nada do que deveria ter feito, ou seja, arrumar a aparelhagem do consultório.
– Você iria fazer algo aqui mesmo? – perguntei rindo pra ele, sua expressão era engraçada.
– É, é... Não! – Cacete, não mentiu, ele queria isso! Queria apenas um sexo comigo em seu
consultório? Será que ele pensava nisso enquanto estava aqui? Que ideia absurdamente excitante.
Caralho!
– Trouxe-me aqui só pra me comer?! – falei rindo ainda mais dele. Eu o deixei sem graça com
minha linguagem um tanto chula.
– Não fale assim, parece selvagem! – ria baixinho ainda sem jeito.
Foi o que fizemos não foi? – apenas pensei e sorri ao ver meu lado perverso dizendo ao meu lado
bondoso:
Não disse que ela iria dar pra ele?
Eles fizeram amor! – a bondosa me defendeu.
Não, nem pensar. Foi apenas um, um, um... Sexo gostoso. Pronto. Eu os calei e voltei ao doutor.
– Ok, uma brincadeira gostosa! – pisquei e ele aprovou. – Mas você veio pra isso? – insisti.
– Sim e foi demais. Você é muito boa! Que saudades eu senti de você... – ai, Deus do céu.
– Foi delicioso. – Ele todo romântico e eu? Perversa. – Faz isso com muita frequência? Ou sei lá,
fazia?
Cala essa maldita boca, não é da sua conta! – agora fui repreendida por meus pensamentos. A
bondosa e a perversa socaram-me fortemente.
– Não, não trago mulher nenhuma aqui, você foi a primeira. – disse bravo. Que é? Não posso
perguntar?
NÃO! – novamente ouvi um grito dentro de mim, até me assustei.
– Desculpa, isso não é da minha conta – falei mansinha. Juan apenas encarou-me sério demais.
Viu? Bem feito, idiota! Que tipo de pergunta é essa?
– Tudo bem. Depois que fiquei com você, não saí com mais ninguém, estou a fim de você! – falou
encarando-me ainda mais. Aqueles olhos azuis esperançosos concentrados nos meus verdes confusos.
– Eu também – confessei isso mesmo? Hã? Ele abriu um sorriso quente e sincero. – Você é demais,
inesquecível... – levantei sua moral.
– Obrigado. É por isso que eu a quero, Mel – fitou minha feição confusa, mas logo emendou para
não ficar estranho o clima. – E aí, vamos para o meu hoje? – brincou com a mão em minha nuca,
puxando alguns fios.
– Yes, doutor! – suspirei ao dizer.
No caminho, tentei esquecer-se do que tinha acontecido: da minha frase idiota, da frase sem
sentido dele, do medo que estava amarrando-me nesse exato momento... Eu não estava com o
controle sob meus sentimentos e isso está me assustando. Apesar de tudo, sinto ainda o arrepio da
nossa brincadeira, rá, e isso nem pensar em esquecer tão cedo! Eu seduzi esse homem...
Hum, que demais...
– Por que não resisto a você? – perguntei ajeitando-me na cama gigante e confortável dele.
– Por que não resisto a esses seus lábios tão poderosos? – rebateu.
– Você é maravilhoso! O que nos acontece, hein? – encarei seus olhos de oceanos.
– Talvez alguma coisa esteja planejada para nós e não devemos lutar contra isso, temos que ficar a
favor disso! – disse com um olhar quente, duvidoso, carente, envolvente e delirante.
Tudo era apenas Juan e eu em busca de respostas. Que talvez não devêssemos achar, pois estava
estampado, entalhado em nós. Envolta de nossas vontades arrebatadoras de nos perdermos
loucamente. Apaixonadamente. Deveríamos nos entregar em nossos sonhos remotos. Cheios de
loucuras, pecados e perdições, mas também, havia carinho a ser trocado. Em busca de nossos mais
remotos sonhos.
É apenas o que busquei em toda minha vida fria. Sempre fui quente na cama, mas na vida sou uma
pessoa fria, sem coração. Agora estava tendo um coração que batia tão forte na sua presença... Eu
queria, e gosto de sentir isso agora. Não quero uma paixão repentina. Quero só apenas seu desejo
sobre mim. Quero ser desejada como ele faz tão perfeitamente sincero. Não quero feri-lo com meus
sentimentos baratos. Quero que ele saiba disso. Não sou para amar. Sou para ser amada. Só não
quero vê-lo sofrer, mas quem disse que ele irá me amar? De onde estou tirando esses pensamentos
tolos?
Ele só quer meu corpo! Eu só quero o corpo dele! Eu só quero o sexo dele. Mas não, estou me
enganando. Estou redondamente enganada. Perdidamente enganada por mim mesma.
Ele me fitava com seus lindos olhos azuis, perdidamente confusos, profundos, intensos, assim
como eu. Intensidade pura, arrepiante, adoravelmente amarga. Não sei o que ele pensa, mas Juan está
com minha marca por todo seu corpo. Ele me tem a hora que quiser. Eu também carrego sua marca
comigo. Ele conseguiu passar por minhas barreiras que andei construindo tão vagarosamente. Tão
cuidadosamente. Está conseguindo quebrar meu gelo e deixar o meu coração voltar a bater
descompassadamente errado.
– Seus olhos são tão intensos. Talvez eu consiga sentir o que queira passar com eles e, isso me dá
certo medo... – finalizei meus pensamentos tolos.
– Por que tem medo? – falou sussurrando e prendendo seus lábios contra os meus. Eu estava
tentando disfarçar algo que já deixei escapar. – Por que você apenas não vive o momento? Sinta
isso... – ele me tira do sério, todo o gelo que tinha dentro de mim, derrete. Eu gosto da sensação.
Mordi o lábio em busca de conforto, Juan puxou minha mão e colocou em seu peito nu. – Sente isso?
– seus olhos não me deixam desviar.
– Sinto. Sua pele – respondi seca.
Ele esperou por mais.
– Não é disso que falei, Mel! Sente isso? – perguntou de novo. E de novo. Apertou meus dedos em
seu peito esquerdo.
– Não faça isso... – minha voz saiu fraca.
– Não estou fazendo, está acontecendo... – soltou suas doces palavras em mim. – Não tem como
voltar mais. Aconteceu! – finalizou sua frase encarando-me. Não me deixando escolhas para fugir.
Desviar a atenção disso tudo.
– E o que aconteceu? – minhas palavras não têm peso, mas estão carregadas de emoções.
Carregada de um orgulho que escondia e, que agora transpareceu.
– Estamos apaixonados! – seus olhos me fitaram na doçura.
Suas palavras são como brasas em minha pele fria. Eu sinto tudo derreter em fração de segundos.
Estou em outro mundo, um mundo que eu não conhecia.
Isso era tudo o que eu não poderia ouvir, mas estava louca para sentir...
“Onde eu estou?
No mundão dele.”
4- Coração valente
“Delicadamente... Deliciosamente... Cuidadosamente, ele fez de cada palavra, de cada canto, de
cada emoção que meu corpo transparecia sem eu pedir a ele. Deixando tudo em mim, frágil.”
Decidi que poderia me acostumar com a ideia louca dele. Apenas poderia reconsiderar seu
fetiche louco, mas, na verdade, era tudo tão real e verdadeiro, que mal podia acreditar.
Será que eu finalmente estaria apaixonada? Sim. Consideravelmente um sim, mas não posso dizer
agora. Ele poderá sumir de mim e isso eu também não quero. Não vou suportar perdê-lo depois de
tudo que me fez voltar ou recomeçar, ou mesmo, aprender a sentir.
Fiquei fingindo que estava dormindo. Até deixei soltar uns roncos falsos, Juan observava-me
quieto. Dormi sem dizer uma palavra depois do que ele disse: “Estamos apaixonados”. Deixei os
grossos fios dos meus cílios simplesmente caírem devagar, fingindo um sono bravo. Que nada, eu
fingia na cara dura. Sentia que ele ria de mim por isso, por saber que estava mentindo e também por
saber do meu medo de me apaixonar. De entregar-me a alguém verdadeiramente.
O que foi que nos aconteceu? É a pergunta que não se cala dentro de mim. Eu o conheço há poucos
dias. Como posso ter certeza disso? Como ele me fez acreditar nisso, em apenas algumas batidas
perfeitas de seu coração ao falar comigo? Eu tinha um coração forte, um coração valente que
enfrentava tudo sozinho. Onde ele se meteu no meio da minha caixa torácica que antes estava vazia?
Agora tem uma imensidão tudo junto, batendo forte... Isso é tão diferente agora. Tão acolhedor, tão
arrebatador.
– Vai continuar a fingir por quanto tempo, mocinha? – empurrou devagar meus ombros frágeis,
chegou bem perto soltando um riso encantador. Seu hálito ficou por mais tempo próximo, me remexi
manhosa.
– Hã? – soltei um gemido mais fingido ainda.
– Deixa disso, Mel, abra os olhos, quero ver seus lindos olhos verdes que não mentem pra mim,
abra! Agora – balançou-me mais forte e abri um olho só. Ele riu todo lindo.
– O que quer? Estou dormindo... Deixa-me descansar de você! Posso? – falei arrastado, mas minha
voz denunciava-me, a grande mentirosa.
– Sua cara de pau mais linda, mentirosa e, mesmo assim, toda sexy... – levei uma mordida forte no
pescoço, outra ligeira no braço e uma outra no colo dos seios. – Vou te deixar roxa se não abrir seus
olhos! – ameaçou. Cedi. Não posso ficar roxa.
– Golpe baixo – falei rindo e me cobrindo dele. Juan foi direto para a nuca, mas com beijos leves
e lambidas arrepiantes.
– Safadinha... – sussurrou e deu-me um tapa no bumbum descoberto. Virei finalmente para encarar
aqueles olhos azuis.
– Você que é safado, não me deixa dormir, nem recuperar minhas forças, onde já se viu isso?! –
falei tentando ser birrenta. Juan puxou meus cabelos soltos e lascou um beijão na boca. Sufoquei.
– Excita-me quando fica assim... – disse encostando seu quadril com sua poderosa ereção em
minha perna.
– Está vendo? Tarado! – apertei sua cueca, ele riu alto. Por alguns segundos, apenas fitava-me
olhando diretamente em meus olhos, como se quisesse tocar meu coração, ou mesmo minha alma.
Juan tem seus momentos de conquistador, mas também é extremamente romântico, e é isso, que talvez
eu não esteja acostumada, mas necessito. Sempre desejei o romance, mas nunca achei que teria. Não
tão rápido. Fiquei de lado olhando para ele deitado, agora quieto, suspirou longo e voltou a encarar-
me, seus olhos como duas bolinhas de gudes gigantes e brilhantes. Ainda mais encantador com os
sentimentos que estavam por vir.
– Vamos conversar? – perguntou de vez, pigarreei tensa. Conversar o quê?
– O que quer saber de mim? – falei tão baixo que eu mesma parecia não querer me escutar.
– Por que tem medo? – perguntou calmo, sem fazer pressão.
– Medo do quê? Não tenho medo, fui criada para não ter medo! – disse um tanto respondona.
– Não precisa ser forte o tempo todo, pode se entregar às vezes. Sabe disso, está sentindo isso... –
engasgou-se também.
– Eu era forte o tempo todo, mas você... – tossi. – Você derreteu um cubo gigantesco de gelo que
criei. Você destruiu o muro que cuidadosamente fiz por anos, sabia disso? – respondi brava. Seus
olhos mudaram de tom. Um tom diferente. Ofuscante. Feliz.
– Então, é verdade? Tem medo... – interrompi.
– Droga, do quê? – perguntei firme.
– De amar... – Suas duas palavras saíram como nuvem leve, como algodão doce. Ao mesmo tempo
em que pareciam pesadas, eram leves demais. Juan esperou a resposta encarando-me firmemente. Eu
queria voltar a dormir.
– Você não me conhece, não fui feita para isso... Não insista, não vai funcionar, entende? – eu
estava brava comigo por não conseguir aceitar com tanto esmero o que ele me oferecia com gratidão.
Para o inferno que eu não queria seu amor. Eu queria e necessitava mais do que tudo.
– Você está criando isso, Mel. Você estabeleceu essa regra, mas as coisas mudam sem pedirmos
mudança! – dizia firme, preocupado.
Tão cheio de esperança em fazer-me mudar de opinião e eu aqui pensando em fazer um sexo louco
agora mesmo, mas nem dá... Cadê o meu lado romântico, será que existe? Eu não sinto... mas
adoraria.
– Olha só Juan, eu crio minhas leis, minhas ordens e uma delas é... – agora foi a vez de ele me
interromper.
– Não se apaixonar! – falou bravo e sentou-se na cama. – Qual é a sua? Por que não se entregar a
isso? Alguém a feriu? – Ele falava sério, muito sério.
– Eu mesma me feri, tirei meu coração! – respondi ríspida.
Droga. Esse assunto não é pra mim.
– Por quê? – murmurou brando.
– Para justamente não me ferir... – é bem pior a dor, eu vivi isso. Queria poder dizer a ele: “Um
tapa me fez ver isso!”. A vida mostrou-me que o amor não é fácil de lidar. Ele pode destruir ao invés
de curar.
Não há amor nisso. Está vendo como um tapa pode mudar para sempre a vida de uma pessoa?
Repreender.
Eu me vi em meu abismo profundo... Caindo, escorregando em um poço sem fim...
Vem me buscar, Juan... – uma dor forte tomou posse de meu ser.
– Você não vai se ferir se amar, mas precisa deixar o amor entrar em sua vida. Você é linda e
jovem, deveria amar loucamente! – Juan é tão doce, é cheio de vida, esperança.
– Eu faço isso... – soltei um riso diabólico para quebrar o clima. Bem, achei que iria, mas a feição
dele mudou completamente. Ficou sombria.
– Não estou mencionando sexo! Não confunda as coisas, você não é um objeto sexual, não deve
pensar que sexo, é amar loucamente! – Juan dizia cada palavra amargamente. Sua voz estava firme e
rouca, cheia de dor. Ele é bom adivinho, sempre sabe o que eu penso. Não ligo. Dei de ombros. Não
queria continuar, mas sentia no ar que aquilo não havia acabado. Isso não acabou. Bufei e respondi.
– Mas para mim basta! – sinto que ele está muito chateado com tudo que disse. Virei e fiquei
encarando o teto, é melhor do que a expressão de dor dele.
– Eu não ouvi isso! – falou indignado. Eu disse que não queria magoá-lo, mas droga, ele que
insistiu nisso tudo. – Não quero estar com você só por sexo, Mel. Imaginou isso desde o início? –
perguntou magoado de verdade. Cadê o cara safado que conheci? Não é esse aqui, não mesmo!
Maldita conversa sobre relacionamentos.
– Quer que eu minta, doutor? – bufou nervoso, parei de falar.
– Mel, não pode ser verdade! Você não é assim, não quer ser assim, está fazendo uma personagem!
Quer mesmo acreditar nisso? – Sua voz era pura dor e isso estava causando-me dor. Eu não queria
isso.
– E você está realmente disposto a mudar isso? – falei enfim e o encarei.
– Estou, Mel! – grunhiu e me fitou atento. – Vou mostrar a você o quão está errada sobre a vida.
Não quero que sofra. Se não quiser ficar comigo, pelo menos, se dê ao luxo de se amar primeiro! –
Sua voz cheia de dor fez-me ver pela primeira vez a verdade. Eu sempre dei valor em mim, mas por
que não me dei oportunidade para isso? Para amar?
Emudeci.
– Não sei... – quando resolvi falar, não tinha palavras. Juan ficou de frente para mim e me fez
perder o fio da meada.
– Fica quieta, eu vou te mostrar! Vou fazê-la sentir, Mel... E não terá como negar isso. Eu pensava
de uma forma antes, não quero voltar a pensar, porque te conheci e hoje tudo está estranho dentro de
mim. Minha vida mudou completamente, eu sou feliz com você. E não quero que você destrua isso,
então vamos aprender juntos. Não vou deixar escolhas para você desistir, provarei ao seu coração
valente que tem amor aí dentro e você vai saborear a cada instante do meu lado, não vai querer mais
mudar de ideia, saberá exatamente do que estou dizendo... E irá me agradecer por estar aqui...
Sentindo-me... Tocando-me... Fazendo-me o homem mais feliz, porque eu vou fazer de você a mulher
mais feliz. Pode apostar! – isso deixou-me indefesa. Perdida.
Com seus beijos que vinham da nuca, passavam por entre meu colo, subiam no pescoço e morriam
nos lábios. Delicadamente... Deliciosamente... Cuidadosamente ele fez de cada palavra, de cada
canto, de cada emoção que meu corpo transparecia sem eu pedir a ele. Deixando tudo em mim, frágil.
Leve. E ainda mais confuso.
Eu aceito.
Meu coração valente disse e meus lábios entrelaçados ao dele também, assim que parou de me
beijar, sussurrei.
– Eu aceito – seu sorriso me faz ficar corada.
– Você vai ser minha namorada? – perguntou segurando-me, eu não tinha forças ainda em meu
corpo flácido. Gelatinoso.
– Não.
– Como não?! – falou confuso, deixando meu corpo derreter na cama.
– Não – repeti.
– Por que não? – agora deu ênfase a sua tese e ao meu “não”.
– Não sei se é uma boa ideia, sou péssima namorada! – falei sorrindo e desejando a boca dele. Fui
para beijá-lo, Juan se afastou encarando-me, esse assunto não tinha fim. Que porra!
– Você já namorou antes? – perguntou rápido.
– Não, apenas fiquei por alguns meses! O meu máximo. – eu achava graça, ele nenhuma.
– Então, não sabe nada de namoro e não sabe se é uma péssima namorada, coisa que eu duvido
muito, já que faz coisas incríveis!... – agora estava sendo malicioso. – Se todos os homens
soubessem de seu dom estaria cheia de pretendentes a serem seus namorados!
E quem disse que não tenho um monte? – pensei e não disse, mas ele adivinha meus pensamentos
sórdidos, só pode!
– Não precisa fazer cara de que tem um monte, já imaginava essa hipótese, eu mesmo me encantei
de primeira e estou disposto a lutar. Até sangrar! – ai, que horror.
– Não é boa ideia, não quero decepcioná-lo – alertei logo.
– Não se preocupe comigo, gata, se preocupe com você! – Sua feição dizia que estava me
provocando, e isso ele percebeu bem, eu não fujo.
– Eu topo, que vença o melhor! – deixei isso como uma disputa.
– Não, eu não quero!
Já desistiu, nossa.
– Está vendo? Nosso namoro não durou meio segundo! – falei em uma risada alta, ele se levantou e
deixou-me em pé na sua frente.
– Estou te pedindo para namorar comigo, não para disputar algo que está preso em seu coração
com amargura! Se for isso que quer, eu não aceito! Agora se quer algo sério, podemos aprender
juntos, namorando. – ele me segurava em meus braços, quase me abraçando com medo de minha
resposta. Que se fosse há uns dez minutos atrás seria: Nem pensar em namorar. No entanto, já que
tocou aqui onde existia um coração e está fazendo-o voltar... Eu posso tentar, não é?
– Eu aceito – falei em um sussurro envergonhado.
Por que sou tão oito ou oitenta? Uma hora eu sei e na outra não sei mais. Um eu quero e no outro
não quero mais. Que é isso? Safadeza! Só pode!
– Agora sim. Vem cá, eu vou te amar! – colocou-me de volta na cama e realmente me amou
diferente. Convincente. Amorosinho.
Um sexo lento, com gostinho de chocolate quente derretido em calda. Um papai-e-mamãe como
jamais fiz. Nunca, ninguém deixou-me tão aliviada, satisfeita, feliz e amada, em apenas algo simples.
Eu comecei a sentir que era ele o meu dono de verdade.
– Sentiu a diferença? – falou como uma música aos meus ouvidos. Ao amanhecer em seu quarto
quente e lá fora uma forte chuva a bater na janela.
– Obrigada – dei uma risadinha.
– Não precisa me agradecer – riu também.
– Obrigada por estar disposto a correr o risco da minha loucura...
– Mel, seu coração é maior do que pensa – ganhei um beijinho com hálito fresco da manhã. Era
como se o próprio vento soprasse em mim.
– Eu estou bafenta! – brinquei.
– Não mesmo, eu conheço! De longe – brincou beijando ainda mais meus lábios.
– Você sabe como agradar! – falei cobrindo o rosto. Já me levantei antes de qualquer ataque, fui
me ajeitar, e do banheiro voltei completa... até de calcinha.
Quando cheguei na cama, Juan levantou sua camiseta de meu corpo e soprava em diversos lugares,
uma tortura matinal deliciosa. Um belo café da manhã. No umbigo, em cada mamilo, pescoço,
mordendo meus lóbulos, deixando-os quentes com a língua e soprando na sequência. Dentro da
calcinha estava completamente úmido, era insuportável.
– Tem lábios lindos, dentes lindos, corpo perfeito, olhos intensos e lindos, como não poderia
agradar uma mulher assim? Não me apaixonar por você? – seus carinhos ainda eram constantes, eu
retribuí com a mão dentro de sua cueca, ele gemeu.
– Eu só queria deixar minha marca... – falei com toda a verdade que carrego por toda minha vida.
– E deixou, só que, dessa vez, foi profunda sua marca. E não tem como mudar isso... – sussurrou
com seus lábios encaixados em meu queixo.
– E o que se faz? – estiquei-me para ele ter todo acesso de meu corpo.
– O que você fez ontem, aceitando – olhava-me apaixonado ao dizer. Fiquei com o rosto perdido,
tentando acreditar.
– É simples assim?
– Não mesmo! – sorriu travesso.
Mordendo minha orelha, enfiou as mãos dentro da camisa, desceu puxando junto a calcinha, e ao
subir novamente, puxou a camisa completamente. Juan contemplava-me em seu olhar azul quase
infantil. Travesso e carinhoso. Deitou em cima de mim, deixando todo seu peso no meu corpo, estava
gostando demais desse ritmo todo. Dessa vez, ele não enrolou, deslizou para dentro de mim, e senti o
sorriso em seus lábios nos meus.
– Poxa vida, Mel, sempre pronta...
– Claro, doutor! – agarrei-o com as pernas em volta de seu corpo, trazendo-o mais para dentro de
mim. Juan ficou apenas sugando o sabor de meu pescoço, fazendo seus movimentos certeiros e lentos
dentro de mim. Sentia seu corpo descer e subir, levando-me junto na brincadeira matinal. Juan
soprava palavras lindas em meus ouvidos, falava meu nome como uma oração, eu gemia minhas
vontades.
Mais forte...
Mais lento...
Assim...
Acompanhou-me em cada trechinho de volúpia ardente em nossos corpos fumegantes de desejos.
Juan me virou de bruços e passei a sentir seus batimentos nas minhas costas, ah, era demais. Ele
sabia como chegar ao fundo, no mais profundo desejo, com suas mãos firmes na minha cintura. Eu me
abria ao amor de Juan por mim. Queria sentir em meu âmago o amor por aquele homem do sexo
perfeito. Aquele que me modificou, aquele que vai me ensinar o jogo que é o amor. Senti sua
vibração e sua respiração se acelerar, senti Juan mudar de ritmo, mais intenso, mais firme. Tocou-me
nos seios e, enfim, eu sabia onde daria. Era certeiro seu toque, caímos em um orgasmo perfeito. Eram
duas respirações amorosas, dois corações novos, cheios de paixões a serem compartilhadas, tudo
seria novo a partir de hoje.
Deixei-o deitado refletindo e fui contar no chuveiro os meus porquês...
– Há um mês, você não pensaria assim. O que aconteceu? – perguntou sorrindo em meu ombro.
– Não sei, você foi convincente, ok? – falei brava.
– Então, feliz dia dos namorados, minha namorada! – brincou com as rosas na minha frente. Um
lindo buquê de rosas vermelhas.
– Sem graça, é por isso que me trouxe num motel? – perguntei fazendo bico.
– Não seja chata, você tinha acabado de aceitar! – embicou o carro em um luxuoso motel.
– Poderíamos ter ficado em casa, me trouxe aqui para comemorar uma data boba! – ele fechou a
cara em desaprovação de minha brincadeira “verdadeira”.
– Comemorar nada, o dia dos namorados é só amanhã, hoje estamos comemorando um mês juntos!
– Deus, ele conta todos os dias.
– Vou ser boazinha!... – lancei um olhar de fogo. Hoje ele terá o melhor de mim.
– Não seja... Prefiro você má! – grunhiu segurando o cabelo da minha nuca.
Meu desejo libidinoso acendeu em chamas de dentro pra fora. Eu faria meu melhor por Juan.
Quando ele entrou e parou o carro na vaga do quarto, ali mesmo na pequena cabine do
estacionamento, abri seu zíper. Juan me fitou incrédulo, mas ele já estava bem atiçado. Massageei só
mais um pouco sua ereção fora da calça. Como se estivesse apenas batendo uma para meu namorado
na porta de casa. Juan encostou a cabeça no banco do carro, gemeu, mas minha atitude o fez olhar-me
novamente, e gemer ainda mais alto.
– Porra, Mel, que delícia!... – passei meus lábios nele todinho, sugando seu prazer sem fim. Juan
segurava meus cabelos com as mãos, para não cair em meu rosto, ele observava-me e ajudava-me
nos movimentos.
Movia os quadris e suas mãos abaixavam e levantavam minha cabeça com os dedos entre meus
cabelos. Brinquei com seu membro, meu prazeroso brinquedinho, aquele que me faz revirar os olhos
de prazer. Senti suas veias incharem e vibrarem em minha boca, o mordisquei e o apertava em fortes
sucções, sabendo que seu prazer estava bem próximo. Tirei a boca, encarei Juan nos olhos e
continuei nos movimentos até sentir o líquido quente e viscoso escorrer entre meus dedos...
Sorri alegre e satisfeita, Juan grunhia de prazer e sussurrava meu nome enquanto gozava, várias e
várias vezes. Dizendo que era pra mim aquele gozo quente e amistoso. Eu estava feliz, o fiz gozar
com veemência. Ele gemeu tão alto de surpresa e alegria. Seu olhar incrédulo com o que tinha
acabado de fazer. Juan era uma criança satisfeita, selvagem, harmoniosa e extasiante.
Sabe quando vem uma onda de alegria e prazer em sua vida, e ela permanece? Sim, a minha vida
estava assim. Indo bem no serviço e com meu novo e único namorado da minha vida. Acostumei a
chamá-lo assim. Ninguém sabe o quanto era estranho para mim, mas sim, hoje estou vivendo de novo.
Sentindo algo diferente, como ele diz. Acho que ainda não é amor, mas tenho vivido todos os dias
intensamente, mais do que vivia sozinha. Sendo superada e arrebatada a cada dia.
E sim, sabe aquele velho coração valente desconfiado de tudo e de todos? Então, ele ainda está
aqui, um pouco mais preenchido de algo que desconheço, mas que estou gostando de sentir. Ele ainda
fica sozinho, desconfiado, sombrio. Com um pé sempre atrás. Sempre na esquiva. De olho em cada
passo que dou e alertando-me: “não vai fundo”, ainda. Sempre me corrige, sendo o bom e velho
valente.
No entanto, quando Juan abre um sorriso, ou aperta minha mão ou tira o cabelo de meus olhos e
beija o meu rosto, eu emudeço. Fico fora do chão, é onde me desconheço novamente. É onde ele tira
todo meu foco e meu coração esquece o seu verdadeiro motivo de apreensão. Ele me trai e deixa a
desejar o encanto de ser forte. Torno-me fraca. Dele. Amada. Isso está me quebrando, mas não é algo
ruim, não, não mesmo. É sensacional a sensação de estar assim. Quebrada de paixão. Feita de açúcar.
Doce alegria. Gentil na dose certa. Eu sou a dose dele. Juan é a minha dose de amor e loucura, de
paixão ardente.
Onde eu estou? No mundão dele...
Estava voltando da padaria e na esquina de casa, fui surpreendida por uma moça de óculos
escuros, alta, magra, com os cabelos castanhos – em um tom de chocolate – presos num rabo de
cavalo comprido. Ela era muito bonita. Ficou na minha frente com os braços cruzados, com uma
expressão de poucos amigos.
– Mel?! Então, é você mesmo? A doce Mel! – disse com muita ironia.
– Te conheço? – perguntei olhando para os lados. Não havia ninguém por perto. Bosta.
– Não, mas deveria! – tirou os óculos e encarou-me com um olhar de fogo, seus olhos castanhos
claros, perfuravam-me.
– Desculpe-me, moça, deve ser engano! – tentei passar por ela, mas voltou a ficar na minha frente.
– Engano? Não mesmo, estou te observando há muito tempo, e claro, tenho meus informantes!
Então, é você a mais nova cachorrinha do Juan? Pensei que aquele filho da puta dizia: Não sou de
namorar! – seu tom de voz era repugnante e enfadonho.
Seria alguma desiludida?
– Queridinha, sinto muito se tomou um pé na bunda dele. Entenda, garota, nós estamos muito bem,
obrigada. Agora, se me der licença, Juan está me esperando! – deixei escapar um sorrisinho e talvez
tenha sido a maior besteira. Tomei um puta tapa no rosto, foi tão rápido o movimento que nem
consegui reagir, somente senti no canto dos lábios um gosto salgado. Sangue. Olhei nas mãos da
vadia, ela estava com um anel gigantesco de bigodinho. Hã? Como assim, gente?
– Não me irrita, sua putinha! – isso me fez lembrar-se de algo, algo que me afetava profundamente.
Putinha? Argh. Bufei e tentei passar por ela novamente. Ela não deixou e continuou. – Eu também
estava muito bem com ele. Vi você no apartamento daquele filho da puta no dia do aniversário dele,
vi que o desgraçado estava com você, e pelo jeito não largou mais! – limpei a boca, queria rir dela.
– Sinceramente... Você não deveria ter me batido e me chamado de putinha! – dei um passo até ela
com o punho fechado, preparando para dar um soco certeiro e fui surpreendida novamente. Ela
segurou meu braço atrás das costas e deu-me uma chave no pescoço. – Solta-me, sua louca, vou
chamar a polícia! Quem é você? – tentei me soltar e a maldita riu em minhas costas.
– Avise ao Juan que a Vanessa te encontrou. Pode chamar a polícia, estou bem aqui! – apontou seu
distintivo. Então, aproveitava para fazer esse tipo de abuso! Maldita, filha de uma puta. – Pare de
me provocar, há tempos eu queria te dar uma lição, desisti, achei que não valia à pena, mas acabei te
vendo passar e sei que ele está lá em cima, na sua cama. Então mande lembranças a ele! – soltou-me
finalmente. Fiquei na sua frente bufando.
– Ridícula! – falei nervosa.
– Não, eu poderia ser seu pior pesadelo! No entanto... Coisa melhor está te esperando e quando
esse dia chegar, gatinha, estarei atrás de você, nas suas costas rindo! Pode apostar, ruivinha! – assim
que ela disse, surpreendentemente, outro tapa ligeiro atingiu meu rosto. – E isso é por estar com ele!
– empurrou-me e foi embora. Fiquei em choque sem saber o que fazer. Vagabunda, acabou com meu
rosto. Saí batendo os pés e bufando como um touro. Ao subir, Juan veio me beijar e viu toda a
situação.
– O que foi isso, amor? – perguntou preocupado vendo o sangue no canto dos lábios e o corte
acima na bochecha. – Você caiu? – falou tentando me ver direito, pois eu estava tensa e andava de um
lado ao outro tentando raciocinar.
– Porra, Juan. Estou com cara de que caí? Não, né, caralho! Quem é a filha da puta da Vanessa?
Diga agora! – explodi num grito. Juan encarou-me assustado. Eu não deveria descontar minha fúria
nele, mas pensando bem, foi por causa dele que apanhei de graça na rua. Quem imaginaria que eu
ficaria levando socos à toa em plena luz do dia? Que ódio daquela vagabunda.
– O que ela fez? – bufei sem ele ver, além dela arrebentar meu rosto? O que mais ele queria que
ela fizesse? Juan correu até a cozinha enquanto eu desfilava de um lado ao outro no apartamento, com
uma dor do cacete no rosto. Ele pegou um pano de prato, molhou e veio para passar em meu rosto.
– Aquela vagabunda me chamou de putinha! Acredita nisso? De pu-ti-nha! – gritei soletrando como
se ele não tivesse entendendo. Juan observava-me contar a história enquanto limpava o sangue. – Ela
disse que me viu no dia do seu aniversário, estava com ela, Juan? – falei aos berros.
– Não Mel, fiquei uns dias com ela, mas não estava mais com aquela maluca! O que ela te fez? –
eu o encarei brava, de novo com essa pergunta inútil? Ah, não, Juan está de gozação com minha cara
estourada!
– Porra, além disso? Além de arrebentar meu rosto? – falei entredentes. Puxei o pano das mãos
dele e fui pra frente do espelho ver. Começava um roxo imenso perto do olho e no canto da boca.
– Desculpa, não foi isso que eu quis dizer. Onde a encontrou? – ele estava preocupado e não
queria brigar. Nem eu. Que saco!
– Ela me encontrou lá embaixo na esquina, disse coisas sem noção, e me deu dois tapas. Dois,
Juan! – disse como criança mostrando os dedinhos, até passou em minha cabeça rir, mas meu nervoso
dominava. – O que ela pensa? Só porque é policial pode sair batendo nos outros! Vagabunda! – eu
estava nervosa demais e estava descontando nele. Tentei acalmar os nervos e respirava forte,
buscando o momento zen. Algo que estava bem longe de mim.
– Ela te ameaçou? – perguntou tentando acalmar-me, mas estava bem difícil e longe disso
acontecer.
– Não, mas disse que tinha algo reservado pra mim, sei lá, eu estava apavorada, com medo, nem
prestei atenção, está doendo... – fiquei com vontade de chorar e com muito ódio.
– Vou encontrar com ela! – falou bravo.
– Não, não quero você perto dela! Não faça isso! Talvez seja o que ela quer! Deixa aquela vadia
pra lá... – ele me fez carinho e pegou-me no colo, ninando-me em seu corpo quente. Deu dois
beijinhos na boca e um na testa. Levou-me para o quarto, fazendo com que relaxasse na cama
espaçosa e aconchegante, enquanto ele colocava de vez em quando um gelo onde estava roxo.
Que porra, viu?
Que dor dos infernos. Que tapas mais bem dados!
Filha da puta.
O que será que aquela louca tinha para me dizer?
“Seus olhos famintos sentirão os meus fulminantes.”
5- Olhos Fulminantes
“Ao me flagrar olhando diretamente para ele, virou-se e disfarçou. Senti que ele me queria, só
não sabia como, mas eu sei... E talvez eu queira.”
Fiz um curativo disfarçado e fui trabalhar. Não tinha um filho de Deus que não olhava e
perguntava: Você caiu?
Que porra!
– Você acredita, menina? Que vadia! – falei indignada para Carla.
– Sério? Um anel de bigodinho? – Ela ria, apesar da minha real situação. Olhos totalmente
rebocados com maquiagens e, mesmo assim, não disfarçava muito bem. Na boa, se eu encontrasse de
novo com essa vaca, arrancaria os olhos dela.
– Cacete, uma porra de um anel de bigodinho! Tá certo que era lindo, mas porra, olha como me
deixou! – rimos juntas, mas eu fervia de ódio ainda.
– Hoje ele não passará por nós! – Carla disse baixinho. Eu estava à toa e distraída com meus
relatórios quando me cutucou.
– Quem? – perguntei.
– O bonitão! – falou baixo.
– Por quê? – já comecei a roer minhas unhas.
– Vai ter uma festa hoje aqui das empresas, não está sabendo ou se esqueceu? Acorda mulher! –
empurrou-me e quase caí da cadeira.
– É mesmo! Tinha me esquecido. Ele vai? – perguntei aflita, com não sei o quê!
– Sossega o facho! Tem namorado agora – brigou comigo, dando-me outro tapa, na cabeça desta
vez. Carla é uma abusada.
– Não estou fazendo nada, só perguntando. Ainda bem que não me viu assim, vou ter que usar uma
mega maquiagem hoje, mas não é uma porra ao quadrado?! – rimos como duas loucas
descontroladas, mas tivemos que cortar a risada, pois minha adorável prima estava passando.
– Bom dia meninas! – sorriu escandalosamente e, peraí, ela falou com a gente? Olhamos e
respondemos calmas e no medo. Ela pegou a chave com a Carla e três envelopes brancos. – Vão à
festa hoje a noite? – perguntou a nós duas.
– Sim – Carla falou áspera e entregou o papel para Mariana assinar sobre os envelopes retirados.
– Acho que sim – respondi sem olhar para ela, fiquei mexendo nos papéis. Ela aproximou-se de
mim e disse.
– O que aconteceu com seu rosto?! – disse do nada, dei de ombros sem responder. – Ah, você deve
ir, são muito boas as festas daqui! Te vejo por lá, beijinhos. – saiu sorrindo, eu e Carla ficamos sem
entender. O que ela quer?
– O que foi isso? – Carla perguntou com nojo.
– Sei lá, deixa a Mariana ser feliz! – dei de ombros e continuei com minhas tarefas do dia.
– Vamos a essa festa! – Carla disse indignada. – Só porque somos da recepção, ela tem que nos
tratar com indiferença? Idiota, rabugenta, vou colocar minha melhor roupa! – falou bicuda e ficou
resmungando como uma velha.
– Isso mesmo e vamos arrasar nessa festa! – tocamos as mãos por baixo do balcão, cliente à vista.
Os dias agora são bem fáceis e passam tão rápido. Ganhei uma boa companhia. A Carla é um anjo,
superatenciosa e dedicada. Ajuda-me muito e eu sempre a ajudo também. Além disso, meus dias frios
de um início de inverno, estão bem quentes junto ao Juan, esquentando-me sempre e a qualquer
momento. Estou curtindo essa fase com ele. Às vezes, fico com medo dessa tal “facilidade” que me
acerta em cheio. Estou bem protegida por Juan. Ele realmente me surpreendeu. Deve ser por isso que
me deixei envolver, ele é demais. Adoro esse homem.
E Juan, bem, eu acho que já está gamado em mim. Vou saber aproveitar muito disso tudo... E
esquecer aquele tapa idiota que levei...
– Pare de ser linda! – Juan advertiu-me. Eu apenas sorri em seus lábios que já encontravam os
meus. Os meus famosos lábios vermelhos.
– Já está tirando meu batom! – digo-lhe.
– Delícia! – deu uma piscadinha encantadora e lascou outro beijo sufocador. Ajeitei-me novamente
e retoquei o batom antes de outro ataque dele.
– Vamos! – entrei em sua frente, Juan apertou descaradamente minha bunda e partimos.
Na festa, estavam aqueles que eu vejo todos os dias. Bem, a festa é do prédio, em comemoração a
mais um aniversário de sucesso das empresas, então todas se reúnem nessa festa. A desse ano, pelo
que a Carla me disse, foi planejada pela minha prima e seu delicioso noivo. Vamos ver do que eles
são capazes!
Tudo bem, o ambiente estava impecável, isso sem dúvidas. Deixaram o espaço do terraço bem
dividido e ajeitado, diria um luxo sem igual. A decoração em vermelho, combinando com meus
lábios. Eles colocaram sofás e pufes espalhados pelo ambiente para dar mais conforto. Realmente
souberam deixar o espaço com ar amplo e uma bela iluminação feérica. Juan admirava o lugar e a
mim, dizendo-me ao pé do ouvido que tudo combinava comigo e que aquele lugar lhe dava vontades!
Achei pervertido, mas adorava sua ideia. E como.
– Por que você brinca com meus sentidos? – sussurrou leve e quente em meu ouvido, soltando uns
beijos na clavícula e lambidinhas abaixo da orelha. Fazendo-me derreter.
– Porque você merece... – brinquei beijando-o nos cantos dos seus lábios vacilantes.
– Mel, você é puro mel, faz jus ao seu nome – murmurou no pé do ouvido. Dando um beijo logo
abaixo da orelha, num ponto sensível e quase doloroso de prazer.
– E você é um verdadeiro conquistador, Juan Vasco... – isso saiu num gemido. Ele só me fitava,
enquanto fazia isso com ele. Esse momentinho de início de tesão foi interrompido por minha adorável
prima. E melhor, seu “apetitoso” noivo.
– Oi Mel, tudo bem? – pronunciou-se.
– Tudo sim, e você? – perguntei ajeitando o vestido.
– Estou ótima, está gostando da festa? Richard e eu que organizamos. A decoração em vermelho
foi ideia dele e, por falar nisso, eu nem o apresentei a você. Este é meu noivo, Richard! – Ela encheu
a boca para falar, porra, até eu me orgulharia dessa beldade! Mariana apenas apontou para ele que
estava atrás de sua sombra, como se estivesse com medo, caipira. Richard apenas acenou os dedos
no ar.
Sem graça.
– Oi Richard – falei com uma voz aveludada. Ninguém percebeu minha sedução. Ninguém, nem
mesmo ele. Idiota.
– Olá Mel – falou tão sem graça, mas sua voz... Aquela voz. Que me deixa sem fôlego quando
chega à recepção, só seu bom dia deixa-me assim... Suspirando e molhada. Isso me excita demais.
Essa distração dele comigo. Richard desviou o olhar quando encontrou o meu com segundas
intenções e meu sorriso se esticou um pouco mais. Richard novamente me olha e dessa vez percebe
meu jogo, mas mesmo assim, ele novamente desvia e não insiste. Ele não me olha. Não me toca. Não
deixa seus olhos dominadores caírem sobre mim. Meus olhos verdes vacilantes procuram os dele e
nada, nem ao menos um instante. Isso me encabula. De certa forma, deixa-me irritada e também cheia
de vontade desse romance proibido, mas Richard vacila e, em apenas dois segundos, me flagra. Eu
não desisto fácil.
Seus olhos fulminantes vão da minha sandália para o joelho, para a coxa à mostra, para a barra do
vestido, para o colado vestido azul royal, para minha cintura, para o colo rente ao decote, para meu
pescoço à vista, para meus lábios apertados, para minha respiração acelerada... Morrendo enfim em
meus olhos que faíscam. Numa explosão de desejos, nossas faíscas se uniram. Senti o prazer em seus
olhos. Senti a repulsa de não poder ter isso. Apenas em exatos dois segundos, só nós dois
presenciamos esse momento, curtimos isso. Contudo, já bastou para atear o fogo em nossos corpos...
– Esse aqui é Juan – disse toda simpática, assim que recuperei-me do incêndio e quebrei o
“silêncio”, sendo que, dentro de meu corpo, tudo explodia. Eu sentia o sangue correr e podia vê-lo
em suas manobras. Richard já não me olhava mais, porém eu podia vê-lo respirando forte. Quase
desejoso.
– Olá, prazer, Juan – ele sorria do meu lado, sua voz me fez voltar aos nossos corpos quentes.
Desviando-me do que não era meu e voltando só para ele.
– O prazer é nosso, fiquem à vontade. – Ela foi saindo e puxando Richard junto dela.
– A festa está ótima! – Juan disse para Mariana.
– Obrigada – Mari sorriu satisfeita e nos pediu licença para ir falar com os outros convidados.
Richard nem moveu um segundo sequer os olhos em nossa direção. Ou mesmo a mim.
– Deixa de ser puxa saco! – bati as mãos nos ombros de Juan, assim que saíram de nosso campo.
– Deixa de ser linda e brava! Falei por educação. Isso se chama boas maneiras – brincou.
– E eu não tenho boas maneiras? – falei num tom perverso. Quente e proibido.
– Você é incrivelmente perversa, distorce tudo e tem uma voz sexy que faz tudo parecer indecente...
– suspirou longo em meu ouvido. Deixando o calor dele ali se unindo ao meu calor. Por ele e por
Richard.
– Devo agradecer? – ele fez que sim, e seu sorriso era o mais excitante de todos. Faltava-me ar. –
Muito obrigada, Dr. Vasco – deixei escapar um riso e mordia os lábios com batom. – Queria sair
daqui... – falei baixo e com um olhar que ele gosta.
– Vamos ali atrás. Olha como estou! – levemente passou meus dedos da mão direita no jeans dele,
em seu pau magia, o meu brinquedinho ereto favorito.
– Depois eu que sou perversa – disse com um olhar de serpente. – Vamos aguardar um pouco,
quem sabe... – falei isso mesmo? Que loucura seria trepar aqui. Proibido e magnífico. Pensei
seriamente na ideia.
– Perfeito, vamos curtir! – Juan agarrou-me pela cintura e dançava colado comigo. Cheirava meu
pescoço carente e passava a língua devagar às vezes. Irritando-me por não estarmos a sós. Girava-
me e puxava novamente numa dança estranha, unicamente nossa. Fazendo quase todos do ambiente,
nos olhar com admiração e também inveja.
– Nossa, amiga, não tinha um vestido mais curto? – Ela chegou por trás, num abraço amigo.
– Boa noite Carlinha! Minha linda, e você, uau, não tinha um mais caro? Além de seu lindo Dolce
& Gabbana! – brinquei e ela estava deslumbrante num modelo lindo, vermelho, elegante, e claro, um
D&G! Eu posso aguentar essa metida?
– Tenho que aproveitar! – beijou-me no rosto. – Hum, disfarçou bem! – elogiou a maquiagem que
fiz para disfarçar os arranhões do tapa da maldita.
– Obrigada, fiz meu melhor! – puxei seu braço em uma voltinha para vê-la. – Você está
deslumbrante! Muito linda, a mais linda da noite! – elogiei e bati palminhas à Carla.
– Menina, pensei que a Mariana me colocaria pra fora quando me viu na porta, não foi, Thi? – seu
sorriso era encantador e fora sua maquiagem que estava perfeita. Ela prendeu os cabelos em um rabo
de cavalo com cachos que ela insiste em fazer nos longos fios lisos, mas se desfazem rapidinho.
Ficou lindo. Ainda finalizou com um topete que só ela sabe fazer. Seu modelo era incrivelmente lindo
no corpo modelado e magro cheio de curvas certinhas. Carla é uma linda mulher e sabe se comportar
bem com o que tem, não extravasa e nunca fica se aparecendo com o que lhe foi dado. Hoje, sua
maquiagem estava num azul escuro, dando destaque aos seus olhos azuis, que estavam brilhantes.
Tudo em sintonia.
– Verdade – confirmou. Thiago também estava lindo, todo de preto.
– Claro, coitada, olha só como ela se veste! Brega! – alfinetei a coitada. Com o indicador, molhei
na pontinha da língua e coloquei no bumbum, fazendo um barulhinho como se estivesse queimando.
Carla riu e os meninos ficaram sem entender a brincadeira de maldade.
– Sem chance! – Carla disse e ficou esnobe brincando. Desfilando na minha frente, batendo os
longos cabelos.
– Mulher é um bicho estranho, fala sério! Vestem-se para outras mulheres! – Juan disse de vez. –
Não é verdade? Vocês não estão preocupadas em ficar lindas para algum homem e sim se alguma
mulher irá notar se é “Chanel” ou “D&G”. Que hilário isso! – sorriu e o encarei com um sorriso
preso sobre sua tal teoria.
– Eu me visto para você! O que achou de hoje? – aticei meu corpo na sua frente.
– Acho que está perfeitamente gostos... – pigarreou e voltou. – Mas posso te dizer depois... – olhou
nossa platéia.
– É melhor mesmo! Eu tenho medo de vocês. Não queria nunca ser vizinha de vocês dois. Que
horror deve ser essa luxúria! – Carla se agitou.
– As peças de baixo são ainda melhores! – falei ainda na sua frente, Thiago não ouviu, eu acho, ou
disfarçou bem, apenas a Carla ficou estática.
– Jesus, quanta perversão! Vocês não se cansam? – Ela ficou até corada.
– Jamais! – nós dois dissemos juntos, todos riram.
Eu bebia tudo que Juan trazia e não estava nem me sentindo mal. Ainda. Fui até o banheiro retocar
a maquiagem e ver se ainda estava bem.
No banheiro, a Mariana estava lá esperando alguém sair do toalete e veio em minha direção com
um sorriso, diria, falso.
– Está gostando da festa? – perguntou. Ajeitou seu longo cabelo caramelo, acho que ela clareou um
pouco as pontas, estava bem mais claro e liso. Mariana o mexia entre os dedos. Ele também estava
bem brilhante, não podia negar, Mari era muito bonita. Seus olhos grandes e verdes escuros estavam
com muito rímel e sombra dourada, lápis preto na marca d’água dos olhos. Só esse vestido rosa que
era brega demais. Fora isso, até sua sandália Chanel era linda.
– Estou sim, a Carla já havia me dito que as festas são realmente boas – concluí o assunto, só que
ela queria mais.
– Ah, sua amiga da recepção, não é? Ela está encantadora, quase não a reconheci! – sorriu com
maldade e eu fechei o cenho.
– Carla é linda! – bufei e fui passar meu batom.
– Está namorando aquele rapaz? – perguntou baixo, ficando bem próxima de mim.
– Acho que sim – dei de ombros. Não queria que minha família soubesse de minha vida.
– Como assim, acha que sim? – falou confusa.
– Desde quando é noiva? Por que nunca me comentou? – falei olhando nos seus olhos para cortar o
assunto sobre meu relacionamento. Eu queria saber do dela. Mari desviou o olhar e se ajeitava,
buscando se distrair. Sorriu sem graça e disse.
– Ah, eu e o Richard não namoramos muito tempo, estou com ele há um ano e meio e decidimos
ficar noivos! Nos amamos! – falou apaixonada.
– Ele é tão bom assim? – Jesus, o que foi que eu disse?
Porra, Mel, cala essa maldita boca, você pirou? Cacete.
Ela só me olhou, ainda sorridente, respondeu.
– Muito, o melhor! – saiu sorrindo, eu fiquei estática. Ela nem percebeu nada e levou tudo na boa.
Se ele é o melhor, o que faz com ela? É que ele talvez não tenha tanta certeza e ainda não provou a
"melhor". Eu poderia fazer esse grande favor ao encantador Richard!
Você hein, Mel, sempre cheia de... – fui interrompida de meus surtos. Meus momentos que falo
sozinha ao espelho. Uma garota entrou no banheiro. Adeus – dei mais uma olhadinha em mim. Pisquei
em satisfação. Estava perfeita. Voltei para os braços de Juan.
– Esse seu vestido, queria rasgá-lo inteirinho... – Juan gemeu em meu ouvido.
– Ah, poderia, mas é tão lindo, ficaria com dó! – falei sem olhar para ele, minha atenção tinha se
voltado para alguns metros longe de mim: um olhar. Fiz graça balançando meu corpo em uma dança
sensual. Ao me flagrar olhando diretamente para ele, virou-se e disfarçou. Senti que Richard me
queria, só não sabia como, mas eu sei... E talvez eu queira...
– Você fazendo charme é uma delícia! – agora Juan agarrou-me por trás e cheirou-me a nuca. Em
meus pensamentos, isso estava perfeito, ele me abraçando e dizendo-me coisas loucas. O outro
disfarçando minha presença na sua frente. Meus olhos, ah, meus olhos desejando os dois e ninguém
na festa percebendo isso.
– Você é charmoso e estou me encantando com isso... – agora fiquei de frente para Juan e o beijei
calmamente, sem afobações. Eu até queria afobações, mas não queria ser o centro das atenções em
apenas um beijo longo e marcante.
– Vamos embora! – falou devagar, com olhos semicerrados.
– Vamos ficar só mais um pouco, daqui a pouco serei toda sua! – gemi e beijei a ponta do queixo
dele.
Continuei a dançar e Juan foi à caça de Thiago que conversava com o Caio num canto. Eles se
conhecem? A Carla chegou mais próxima e dançou junto comigo.
– Às vezes, eu acho que o Richard fica te olhando. Eu tenho essa leve sensação – Carla falou
baixinho em meu ouvido e dançava colada comigo, para disfarçar.
– Será? Para mim, ele é um idiota, nem ao menos me cumprimentou, sei lá, acho que não, deve ser
bem fiel a essa horrorosa! – brinquei e continuei nossa dança louca.
– E aí, está gostando de ficar com o Juan? – perguntou-me com um sorriso lindo e sincero. Carla é
a melhor amiga que já tive em toda minha vida, poderia classificá-la como única. Sorri com sua
pergunta e tudo esquentou dentro do meu ser, algo inexplicável e sensível. Era muito gostosa a
sensação.
– Aham, ele é tudo de bom, não vejo algo nele que não gosto, aliás, por enquanto não né! – nós
duas rimos.
– Ele fala muito de você para o Thi, realmente se apaixonou por você! – ela me fez cócegas.
– Sério, às vezes eu acho que não e, por muitas acho que sim, sei lá, ainda tenho receio, não quero
me deixar levar, mas ele está sendo teimoso e conquistando-me a cada segundo... – falei suspirando
olhando para o meu homem que estava do outro lado.
– Está vendo? Você deveria deixar-se levar... Vocês são perfeitos! – abraçou-me empolgada.
Fomos interrompidas por uma voz masculina.
– Olá meninas! – Caio veio nos cumprimentar.
– Olá Caio! Tudo bem? – fui apenas gentil.
– Melhor agora, estão lindas! – disse levando o copo a boca. – Não podem ficar assim sozinhas,
eu não deixaria! – disse piscando para mim. Fingi não ver.
– Obrigada, mas não estamos sozinhas! – cortei logo a alegria dele. – Juan! – o chamei e Caio fez
uma leve careta.
– Oi amor – chegou e já passou a mão em minha cintura, marcando território. Adorei.
– Querido, esse aqui é o Caio, meu chefe. Caio, este é Juan, meu namorado! – Caio abriu um
sorrisão e estufou o peito, que idiota, Thiago e Juan se olharam.
– E aí, beleza? Prazer – Juan apertou a mão dele.
– Beleza. É um prazer conhecê-lo – Caio disse sem graça. – Com licença, vou falar ali com um
pessoal.
– Ok. – falei e voltei a abraçar o Juan, que nem ligou para a presença do Caio.
– Você dança e esse vestido fica me atiçando, não estou aguentando isso! – apontou para todo meu
corpo. E fala sério, meu vestido hiper colado ao corpo, num modelo moderno e num tom azul royal
vivo, qualquer um me acharia! Foi proposital.
– Eu sei – provoquei e dançamos juntinhos.
Enquanto ele colava seu corpo ao meu, o puxava para mais próximo se fosse possível. Dançava e
apertava suas costas largas, sua curva perfeita. Passava as mãos em sua nuca e o puxava para um
beijo. Éramos tão excitantes e românticos dançando que muitos nos olhavam. Até que o flagrei
novamente. Pensei que viraria o rosto, mas não, não desta vez, Richard ficou me encarando firme.
Até sorriu. Um riso tímido e safado ao mesmo tempo. Seu olhar sobre mim era novidade, mas eu
quero que me olhe de frente... Encarar-me sozinho. Jamais. Seu medo não permitiria tal façanha.
Gostei da forma como tudo fluía, Juan beijava-me e tenho certeza que Richard deve ter imaginado o
gosto dos meus lábios...
As músicas eram variadas, mas sempre rock, um clássico, ou algo mais moderno, mais antigo, uns
dos anos 80 que tanto admiro. Agora, Stone Roses. I wanna be adored. A música que dancei ainda
mais colada ao Juan, deixando-o me sentir por completo, nossos lábios se entrelaçando com
perfeição até que, por algum respeito, despertamos e paramos de nos beijar, só para não chamar
atenção demais, pois o beijo estava esquentando pra valer.
Quando dei sinal de cansaço, Juan me chamou para um cantinho, onde me roubou de vez. Juan
segurava meu rosto entre suas mãos carinhosas e me beijava com tanta paixão que, ao fechar meus
olhos e me entregar ao seu beijo, era como se não houvesse mais um mundo ao nosso redor, era como
se tivesse apenas nós dois ali, ouvindo a guitarra com um baixo pesado ao fundo.
Eu respirava lentamente quando soltou meus lábios e eu me sentia tão confortável, tão dele. Era
pura magia seu delicioso beijo, quente e envolvente. Juan desceu a língua disfarçando, em meu
pescoço, ombros, voltava para o lóbulo da orelha, e sua mão esquerda escondida brincava com meu
mamilo atiçado. Juan atiçava ainda mais apertando-o contra o tecido grosso do vestido. Passou entre
a pele e o decote, chegando devagar e torturante ao meu mamilo por dentro do vestido. Tentei
adverti-lo, mas estava delicioso demais. Juan voltou a me beijar com veemência, como se
dependesse de meus beijos para sobreviver. Jamais imaginei alguém como ele, sim, eu sempre achei
que teria que ter um. E tenho. Ele é encantador e sufocadoramente gostoso. Não tenho o que reclamar
dele. Eu ficaria pelo resto de minha vida, só beijando-o, só curtindo ele me olhar, só deixando suas
mãos bobas vadiar em meu corpo. Deliciar-se ao corpo dele. Tão quente...
– Como você consegue me deixar extasiada? Como? – falei devagar que quase não saíram as
palavras.
– Penso o mesmo de você e nem acredito nisso! Por onde você andava, Mel? – ele ainda estava
colado em meu corpo, deixando-me contra a parede, apertava-me contra ela e sua ereção escondida
roçando em mim. Ele sorria ao fazer isso, fazendo-me senti-la no quadril.
– Estava perdida e confusa, sem rumo, sem norte, sem ninguém que me amasse dessa forma...
– Mas eu te achei... – outro beijo bem lento, em câmera lenta. – Eu aceitei esse encontro... Onde
não tenho nem um pinguinho de arrependimento... – sussurrou em meus lábios, mordendo-os devagar
e beijando-me novamente em seguida.
– Hum... – soltei extasiada.
– Vamos embora? – disse segurando meus cabelos na nuca, desceu até meu pescoço beijando.
Molhado e quente.
– Sim... – saiu num gemido. Queria que ele me carregasse, pois estava sem chão. Ele tinha esse
efeito sobre mim. – Vamos nos despedir do pessoal. – assim que soltou meu corpo, meu mundo
voltou. Aos poucos, mas volta. Olhei para o corpo dele e sua ereção estava ali. – Abaixe isso! – falei
séria. Juan me fitou rindo, apertou meu queixo em zombaria, mas acabou o ajeitando na calça antes
de irmos.
– Mariana? – ao me aproximar, chamei.
– Oi. – ela desgrudou do charmoso e me encarou. Richard me olhou também. Soltei uma leve
respiração e ele acompanhou.
– Estamos indo embora, obrigada e parabéns pela festa! – eu estava recuperada, mas quando
olhava para Richard faltava-me ar.
– Obrigada a vocês, boa noite! – veio para um abraço, cedi. Ela foi até Juan, ele também foi
simpático.
Fiquei de frente para Richard, ele sorriu e cedeu seus braços a mim, em forma de um abraço frio.
Eu mudaria isso. Fui de encontro a seus braços e envolvi os meus, quentes ainda do Juan, nele
todinho. Apertei e senti seu cheiro. Com uma leve respiração em seu pescoço, tenho quase certeza
que sentiu um arrepio. Contorceu-se um pouco, queria dizer qualquer coisa, mas nada saiu, além de
"tchau". Ele me soltou e meus braços pareciam arames em volta dele. Em um movimento rápido, dei
um beijo em seu rosto. Deixando uma leve marquinha vermelha.
– Ah, me desculpe por isso. – falei sem vergonha alguma, mas todos acharam que era porque
estava envergonhada. Levei os dedos até seu rosto liso já sem a barba e, devagar, tirei. Acho que ele
sentiu todo meu calor que passava através de meus dedos, pois vi seus olhos piscarem lentamente, só
nós dois ali, sentindo. Ele não me proibiu, ela não disse nada e Juan só sorria. Todos felizes. Imagine
a alegria que estava explodindo em meu corpo? Era como estrelas cadentes...
– Vamos? – Juan segurou minha cintura e sorri para Richard.
– Vamos, até mais ver! – despedi-me e cada um foi para seu lado.
Ainda com os dedos ardentes, sei apenas de uma coisa, ele me sentirá de verdade... Seus olhos
famintos sentirão os meus fulminantes em nossos corpos flamejantes...
– A festa foi boa, não? – Carla dizia e já ia arrumando suas coisas para irmos embora. O dia foi
meio estressante.
– Com certeza, foi ótima! – falei suspirando.
– Então, vamos lá? – ajeitamos nossas coisas, para mais um fim de expediente.
Deixamos tudo e, desta vez, Caio desceu junto. Fez até gracinha e deu os braços a nós duas. Cada
uma ficou em um lado dele. É melhor vê-lo sorrindo à toa do que rabugento.
– Meninas, não querem tomar um café? – perguntou gentilmente. Estávamos ainda de braços dados,
ele soltou o da Carla, e sinto que ficou de graça com seu braço encaixado ao meu, seu antebraço
roçava na lateral do meu seio, então disfarcei e soltei o braço dele. Na sequência, sem permissão,
ele colocou as mãos em minhas costas e foi descendo até a cintura. Dei um passo para trás, acho que
nem Carla estava percebendo isso, mas eu estava. Olhei de relance, proibindo-o de fazer aquilo, que
intimidade era essa?
– Não, obrigada, tenho um compromisso daqui a pouco, então deixa para outro dia – avisei. Eu iria
jantar com Juan.
– Eu também Caio, mas valeu! – Carla deu-me um beijo no rosto e desceu as escadas.
–Tchau e obrigada! – falei ao Caio e fui descendo.
– Ei, eu não mereço um beijo de tchau? – falou na maior cara de pau.
– Tchau Caio! – mandei de longe um beijo. Só isso o deixou feliz, ele mostrou um sorriso rasgado
no rosto. Desci mais dois degraus e meu coração se encheu de alegria.
– Oi meu amor! – falei e fui num abraço que Juan não retribuiu. – Que foi? – Juan ficou com o
braço cruzado e uma expressão brava.
– Aquele era seu chefe? – falou seco.
– Sim, por quê? – perguntei sem jeito.
– Então, agora ele fica cheio de graça com você? – esbravejou.
– Juan! – o que poderia dizer?
– Mel, ele estava com a mão na sua cintura, nas suas costas, e por que estava descendo de braço
dado com ele? Que intimidade é essa? E esse beijo que você mandou pra ele? Está me fazendo de
idiota? – Juan fez tantas perguntas que fiquei confusa e sem resposta pra cada uma delas. Ele viu meu
silêncio e deu as costas, tentei acompanhá-lo.
– Juan, pare com isso! Se não percebeu, eu me desvencilhei dele, Caio é um idiota! Não liga pra
isso, ei, espere, estou falando com você! – entrei em desespero indo atrás dele. Juan estava me
deixando ali.
– Ok, Mel – continuou a andar. Argh.
– Juan, não vamos mais jantar? – parei no meio da calçada, já com lágrimas.
– Não. Vou para casa, depois nos falamos – deixou-me ali. Completamente sozinha.
Por mais três dias não falou comigo. Deixando-me mais do que arrasada. Perdida e com muito
medo do que poderia acontecer com nosso relacionamento, percebi que já não aceitaria o fim assim,
não dessa forma.
– Cacete, eu não fiz nada! – falei beliscando uma baguete. Thiago e Carla me olhavam.
– Ele está com ciúmes, Mel, é normal – Carla dizia para me consolar.
– Mas poxa, três dias sem falar comigo! Eu ligo, mas ele nem atende... – disse com a voz chorosa.
As lágrimas já não existiam mais, de tanto que chorei sozinha em casa.
– Por causa do Caio? Ele ficou com ciúmes do Caio? – Thiago perguntou sério.
– Pra você ver! – falei rindo, mas não era nada engraçado.
– Com tanto cara pra ele ficar com ciúmes, não é? – Thiago disse e não entendi, mas não fiz
nenhum comentário.
– Fica tranquila, logo ele estará de volta. E vão se amar loucamente! – Carla tentou me animar.
– Eu fico morrendo de medo disso não acontecer. Dele não me querer mais, o que ele fez comigo?
Eu o quero agora! – falei brava. Bati os punhos na mesa, queria ir embora e sentir o calor do corpo
dele, como isso foi acontecer? Abaixei a cabeça e apoiei os cotovelos na mesa, encaixei a testa e
fiquei murmurando as minhas dores. Até ouvir uma voz atrás de mim.
– Estou bem aqui, Mel – ouvi um timbre que tanto eu conhecia. Virei rápido e o vi. Meus olhos
fitaram aquele lindo dos meus sonhos.
– Juan! – meus olhos se encheram de lágrimas alegres. Gotas de chuva num arco-íris.
– Mel. – Juan estava com a voz presa, com as mãos nos bolsos de seu jeans branco impecável. Tão
lindo e olhos ainda mais brilhantes.
– Perdoe-me, querido! – corri para seus braços e o abracei.
– Shh, vem cá. Vamos embora. Fui um idiota, estou morrendo de saudades de você! – puxou meu
corpo para perto do dele.
Como o quente de seu corpo era confortável!
– Tchau gente – virei e o rosto de Carla estava radiante.
– Não disse? – ela piscou e eu parti para amar aquele homem.
“Mate minha sede, minha fome de você!”
6- Cinco sentidos
“Ficar te olhando todo lindo, fazendo charme para mim. Sentir cada cheiro seu, tocar cada
desenho em seu corpo musculoso, ouvir seu sussurro entrar lentamente em meus sentidos. Deixar-
me enlouquecer em cada gosto de seus beijos.”
Se há uns seis meses, alguém dissesse para mim: Mel, sua vida vai mudar! Eu diria: Mentira!
Em uma noite fria, conheci a pessoa certa que esquentaria minhas noites, que teria o "amorzinho"
mais delicioso de toda minha vida. Juan me deixa sem fôlego, me surpreende, ele é o cara por quem
sonhava sem saber ao certo que deveria sonhar, imaginar, desejar... Eu sabia apenas que queria. Fato.
Agora o tenho todo apaixonado por mim e, bem, eu acho que ele me desestruturou. Desmoronou o
muro de gelo que construí em volta de meu tolo coração!
Juan de vez em quando tem as viagens importantes dele, o pai prefere passar tudo para ele, pois
tomará conta futuramente dos negócios, então tem que estar a par de tudo. Nessa brincadeira, ele fica
pelo menos uma vez por mês cinco dias fora. É cruel comigo, ele também detesta! Antes talvez nem
fosse problema, era diversão viajar sempre, mas agora tendo algo a que esperar, sempre é triste, e
quase nunca posso ir junto. É ainda pior.
Ele saiu na quarta-feira, hoje ainda é sexta, e ele voltará só no domingo à noite! Passar um final de
semana sozinha já é impossível!
– Que mudança! O que você fez comigo, Juan? – disse brava olhando para meu amigo espelho.
Continuei a faxina no apartamento do Juan. Resolvi fazer essa gentileza a ele, já que me retribui
com mais amor, carinhos e muitos beijos. Só que ficar aqui sozinha, sem ele para não me deixar
terminar é muita crueldade. Juan sempre me desconcentra de tudo, sempre me deixa perdida em seus
beijos e apertões, ficar aqui sem isso, ninguém merece!
Senti o celular vibrando no bolso, já que estava com o som ligado, deixei para ficar mais fácil, na
espera de ser Juan. Ele pressente quando penso nele ou sinto muito a sua falta, só pode.
– Alô? – falei manhosa e na doçura.
– Oi gata, estou morto de saudades...
– Imagina eu... – solucei as palavras, deixando-as mais dolorosas.
– O que está fazendo? – sua voz era curiosa e muito atenciosa.
– Limpando seu apartamento, sentindo seu cheiro por todos os lugares, ou seja, estou numa sessão
de tortura! Por sentir seu cheiro e não ter você aqui... – soltou uma risada adorável, que quase o
puxei pelo celular. – Não faz assim...
– Não faz você essa voz que me mata. Diga-me, meu amor, como está vestida? – perguntou
sussurrando, pois sabe como fico.
– Adivinha? – cantarolei manhosa.
– Com uma camiseta minha solta em seu delicioso corpo, de mini short, descalça, com seu pano
vermelho lindo em um laço na cabeça... Acertei? – Uau. O arrepio foi perfeito em meu corpo. – E
você deve estar fazendo seu incrível charme balançando o pé direito encostada no meu guarda roupa
com o rosto apoiado na porta...
O quê? Incrivelmente ele me descrevia, tipo, ele tem uma câmera aqui no quarto?
– O que seria isso? – falei bem baixinho e soltei o riso que ele adora.
– Já te disse como gosto dessas suas risadinhas?
Juan, case-se comigo! – minha mente perturbada gritou. Está louca, só pode!
– Aham...
– Então, poderei falar pessoalmente!... – sussurrou ao telefone.
– Mas você está tão longe... – suspirei e queria derreter meu corpo junto ao dele.
– Quem disse? Olhe... – falou e congelei. Virei devagar e Juan estava perto da porta do quarto.
Como eu não vi isso?
– Meu Deus! – gritei e joguei o celular na cama, corri para seu corpo que tanto senti a falta.
Juan agarrou-me, deixando minhas costas encostadas na parede fria.
– Como?
– Você desejou e agora estou aqui. Aproveite... – eu o beijava com carinho e desespero. – Está
linda! – sussurrou com seus lábios em minha clavícula.
– E você irresistível – murmurei em seu ouvido.
Juan olhou-me tão carinhoso com seu olhar azul de oceano calmo. Era muita saudade ficar dois
dias fora? Era sim, Juan segurou meu rosto em suas mãos e me beijava tão calmo, tão preciso nos
lábios, o queixo, a orelha, a bochecha, até meus olhos lacrimosos. Era como se necessitasse de meus
lábios nos dele. Meu corpo começou a reagir de forma grotesca, eu já não queria a calmaria, eu
queria explodir, fazer algo louco e selvagem, mas também cheio de trocas e carinhos. O nosso sexo
passou a ser isso. Meu corpo reagia firme junto ao dele. Queria deixar pegar fogo em todo meu corpo
junto ao dele. Nosso beijo aumentou a intensidade, sua língua passou a buscar a minha em desespero
e suas mãos a correr em todo o corpo. Saudade. Como era ruim ficar longe disso, ainda mais sabendo
o quanto que era tão bom ficar juntos e fazer o melhor amor, o melhor sexo.
Vem Juan, mate minha sede, minha fome de você...
Assim que nosso beijo ficou calmo, ele me colocou de volta ao chão. Sentei-me na beirada da
cama, ainda um pouco ofegante e o analisava tirando a camisa. Quando iria começar a conversar, ele
me tirou todo o foco do assunto e passei a avaliar cada pedacinho daquele corpo firme e forte, bem
desenhado em seus músculos macios, sua entrada charmosa próxima ao cós da calça jeans baixa,
mostrando-me tudo aquilo que era meu, o meu caminho da felicidade. Sua pele clara cheia de
desenhos coloridos para encher meu mundo de alegria... Juan sem camisa na minha frente era um
pecado e quase impossível de se resistir! Queria olhá-lo, tocá-lo, senti-lo, Juan é o meu paraíso.
Pigarreei para voltar do meu devaneio e tentei falar algo sensato.
– Por que voltou hoje? – respirei forte assim que ficou na minha frente. Abaixou e passei as mãos
em seus ombros, num carinho muito confortável, quase uma massagem. Com seus olhos brilhantes
olhava-me cheio saudades e fazia carinho em meu rosto com a ponta dos dedos.
– A reunião não deu certo, então será semana que vem em Floripa – falou em respirações fortes.
Sua vontade era de devorar-me agora mesmo, mas estávamos conversando. Eu não queria falar
também e o queria... dentro de mim...
– Vai ficar mais dias sem mim... – falei toda manhosa.
– Então, vamos aproveitar para matar todas as saudades...
Puxou-me para toda aquela cama imensa, deslizando com cuidado meu corpo, sempre mantendo
contato visual comigo, com seu amor incondicional depositado todo em meu corpo. Aquela boca
deliciosamente me beijava, desesperadamente necessitado de mim. Era atraente demais vê-lo me
desejar loucamente. Eu estava em desespero por desejar esse homem. O meu homem, o meu macho.
Suas mãos puxaram tudo de meu corpo, foi tudo muito rápido; o short e a camisa foram jogados ao
chão, Juan encarava-me e sua boca salivava por desejar todo meu corpo. Fiquei apenas com o laço
vermelho na cabeça, Juan sussurrou quente em meu ouvido.
– Minha Minnie! – seu olhar era divertido, sorria fazendo graça com aquela boca lasciva, carnuda,
minha fonte de prazer. Despiu-se cuidadosamente. Era sedutor ao fazer e ainda mais atraente vê-lo
tirar a roupa.
Juan subiu na cama ficando em cima de mim, analisando com cuidado. Seus olhos críticos e
certeiros já me deixavam cheia de vontades, ele nem precisava tocar, só seu olhar tinha um efeito
mágico sobre meu corpo, o meu domínio. Suas mãos massageavam algumas áreas sensíveis, o
arrepio tomava conta de cada espaço do meu corpo tão necessitado do dele. Eu passava as mãos
naquele tórax bem definido, colorido por desenhos encantadores, era tanta perfeição.
Seus longos beijos bem dados que me excitava, eu passaria a eternidade beijando sua boca macia,
molhada e quente. Eu queria saber o tamanho do poder que ele exercia sobre mim. Juan me domina
de uma forma tão inebriante, que sou viciada. Antes de penetrar, me tortura, sempre, e talvez seja
isso que me deixa mais anestesiada por querê-lo sempre. Seus longos dedos estavam em mim e meu
gemido em seu ouvido. Ele se arrepiava só com minha respiração próxima.
– Você está sempre pronta, Mel, como isso é gostoso. Vou te fazer delirar hoje, minha doce
mulher... – gemeu, e foi mais alto quando enfim me saciou, entrando em mim...
Ele não tinha dó nenhuma na hora do sexo. Ou era possessivo demais, ou era manso demais.
Quando queria brincar com meus sentidos, não media esforços, mas quando a saudade batia em nosso
ser, ele não pensava muito, apenas me possuía com alma.
– Ah, Juan, sempre, sempre por você... Mais forte...
Eu gemia em sua boca molhada colada na minha. Ele obedeceu. Juan segurava-me em seu braço
esquerdo e com o direito passeava em meu corpo. Arrepiava cada toque. Quanta saudade... Quanta
vontade tinha ali. Essa com toda certeza iria ser bem rápida, um papai-e-mamãe poderoso. Juan
beijava meu pescoço e dizia em minha pele palavras de amor. O quanto aquilo era gostoso, o quanto
ele necessitava de mim.
Eu também, meu amor... – pensei sozinha sem deixar as palavras escapar por meus lábios
molhados e meus olhos se encheram de lágrimas...
O poder e as investidas de Juan, lentamente dentro de mim, fizeram desse momento único tornar-se
ainda mais incomparável. Só nosso. Juan mordeu meu ombro devagar e passava sua língua em alguns
pontos delirantes. Eu sabia e sentia, estava vindo... Deixei meu corpo tenso até vir o mais desejado
momento. Sentia as paredes de meu ventre recebê-lo com carinho e tudo latejava memoravelmente
gostoso e, juntos sentimos todo o efeito de um delicioso orgasmo.
O arrepio, os batimentos rápidos, o sangue correndo forte. Juan era como meu sangue... Eu o
sentia...
Nosso corpo automaticamente teve seu relaxamento, o alívio maravilhoso...
– Está com fome? – perguntei na porta do banheiro enquanto Juan tomava um banho para relaxar
completamente. Ao vê-lo ali, era muita tentação junta e, com a minha pergunta sem segundas
intenções, passei a ter, por sua sensualidade, até terceiras intenções.
– Muita! – deu duas levantadinhas maliciosas de sobrancelhas na minha direção. Mostrando-me
como poderia ficar empolgado bem rapidinho.
– Hum, isso é demais! – dei uma piscadela bem safadinha. – Mas meu querido, você tem que se
alimentar, depois veremos o que vamos fazer com tudo isso aí! – apontei para todo seu corpo atiçado
embaixo da água. – Vou fazer algo, ok?
– Não precisa, vamos almoçar fora! – Por mim, melhor ainda!
– Perfeito.
O deixei terminar seu banho. Enquanto isso, separei uma roupa para ir almoçar com meu
namorado. Analisei uma parte do guarda-roupa de Juan e vi que já tinha milhares de peças minhas ali
no apartamento dele e no meu também há muitas peças dele. Uma troca gentil de ambas as partes.
Depois do almoço, passamos rápido no meu apartamento só para verificar se estava tudo certinho.
Voltamos ao dele e ficamos a tarde toda lá, só matando as saudades. E quanta saudade tinha...
– Hoje é sábado. Quer fazer o quê? – perguntou quando ainda estava na preguiça.
– Ficar te olhando todo lindo, fazendo charme para mim. Sentir cada cheiro seu, tocar cada
desenho em seu corpo musculoso, ouvir seu sussurro entrar lentamente em meus sentidos. Deixar-me
enlouquecer em cada gosto de seus beijos... – disse séria e Juan, em pé, aprovava minhas palavras
em todos os sentidos.
– É por isso que eu te amo, Mel – falou docemente.
Eu me abalei. Juan nunca disse isso antes! Virei gelatina na cama e meus ossos não existiam mais.
Cadê eu? Faltou-me ar para sair qualquer tipo de palavra. Encolhi-me mais na cama e ele veio para
perto de mim, rastejando até meu corpo.
– Isso é o que estou sentindo, não posso mais esconder. É real o que sinto, Mel. Por que temer?
Meu amor, olhe para mim... – suas palavras eram como doce, minha boca se enchia de vontade, meu
coração de alegria, mas meu ser, no fundo, não queria soltar. Não era preciso, nunca para mim foi
preciso.
Por quê?
– Tudo que acabou de me dizer, só prova que sente o mesmo, mas você consegue transformar "eu
te amo" em outras palavras, que nos leva a outras coisas, que não deixa de ser uma forma de amar! –
falou em meu ouvido, não num sussurro, falou firme para eu compreender.
– Eu sei – falei apenas.
– Sabe o quê?
– Eu sinto, só não sei me expressar melhor... – eu não olhava para ele. Cobria o rosto vermelho.
– Por que tem medo? – sempre me pergunta isso.
Juan descobriu meu rosto, tirando minhas mãos dali, e fazia-me encará-lo.
– Droga, eu não tenho medo, antes só achava que ninguém seria digno do meu amor. Hoje eu sei
que você é merecedor, só não aprendi a dizer, jamais disse isso a alguém! Juan, não é medo... Hum,
só é novo. – Agora falei encarando aqueles olhos tão azuis... Tão azuis que pareciam um oceano,
profundos e brilhantes.
– Tente, se for de coração e de verdade, conseguirá. Senão, minha querida, minha gata, tudo tem
seu tempo, se você sente isso, bota para fora, diga se quiser... – seu sorriso era tão encantador, seus
lábios apertados fazendo a covinha aparecer só para mim. Passei os dedos nela e seu sorriso
aumentou e sua ansiedade por minha resposta, qualquer que fosse ela.
Eu me levantei e Juan ficou estirado na cama. Fiquei do seu lado esquerdo. Ele iluminava minha
vida por completo, como eu não poderia amá-lo? Ufa, não é difícil. Vamos lá. Farei de uma maneira
que sempre sonhei, em dizer de formas diferentes esse sentimento arrebatador. Hoje até posso dizer
que sinto de verdade, não é só fogo de palha. É um fogo que arde, que sinto, que vivo. A cada
instante ao lado dele.
Ajoelhei na cama e fiquei inclinada sobre ele. Olhei e procurei seu amor por mim em seus olhos,
foi o primeiro sinal.
Olhei e fixei meus lindos olhos verdes nos dele azuis. Com toda minha alma, empenhei em dizer a
ele com meu olhar brilhante: Eu te amo.
Uma gota formou, mas não saiu, apenas iluminou meus olhos, sorri, e ele não se mexia, sorriu junto
e sua lágrima escorreu. Nossos olhares diziam esse amor. Juan aprovou a primeira, vamos a mais
uma forma.
Como estava com os braços apoiados na cama entre ele, encarando aquele lindo, fui abaixando até
chegar ao seu ouvido esquerdo, dei um beijo, soltei minha respiração, sentia seu corpo subir e descer
buscando ar, seu riso em meus cabelos soltos espalhados nele. Fui começando no pescoço, sentindo
seu cheiro, que sempre foi tão bom. Beijinhos faziam esse percurso e era como se meus lábios
dissessem "eu te amo", em sua pele arrepiada. Cheirei seu cabelo, parei em seu rosto, em sua boca
fiquei roubando selinhos, ele queria beijão, deixei apenas leves beijos ardentes. Parei em seu tórax,
Juan respirava rápido, era sufocante. Tranquilizei-o com meu toque, passando meus dedos por entre
seus contornos perfeitos, seus desenhos tão coloridos e em seu peito esquerdo escrevi com a ponta
do dedo "eu te amo", logo em seguida, "eu" no tórax, "te" na boca do estômago, "amo" em seu
oblíquo. Ele estava delirante, apenas balançava a cabeça, com total prazer que aquilo estava lhe
dando e também os sentimentos verdadeiros que estavam sendo expostos por mim.
Deitei do seu lado e não deixei ele se mover, encaixei minhas pernas na dele, fiquei grudada do
seu lado, um braço passei por sua nuca, meus lábios encontraram seu ouvido novamente. Era agora a
hora da verdade, minha voz não poderia falhar, eu não queria falhar. Soltei leve e cheia de emoção.
– Juan...
– Hum... – gemeu de olhos fechados.
– Eu. Te. Amo. – murmurei em staccato. Um milhão de borboletas atingiu meu corpo inteiro, eu
tremia necessitada dele para me acalmar, queria seu toque, seu cheiro, seu gosto, seu olhar, tudo para
mim, para me recuperar, para voltar, para não sumir...
Ele acertou o momento, quando achei que não teria chão, o encontrei. Seus lábios roubando meus
beijos e carinhosamente suas mãos brincavam em meu corpo. Ele me encontrou...
– Eu te amo, Mel – deixei deliciar-me aos seus sentidos, em busca de todos os sentidos...
Ele seguiu uma carreirinha de leves beijos que começou na minha testa, passou em meus olhos
fechados e úmidos por nosso momento amoroso, na ponta do nariz, nos cantinhos ao redor dos meus
lábios sedentos, passou pela bochecha e seguiu até a orelha. Eu não consigo entender como uma parte
tão pequena de nosso corpo pode exercer tanto prazer. Nosso lóbulo é tão poderoso, e Juan
permaneceu sugando, mordendo e assoprando essa pequena delícia, e tudo, tudo mesmo em meu
corpo estava em combustão. Era tão simples e poderoso, seus lábios brincando comigo, me deixando
em puro prazer. Enquanto beijava, sua mão deslizava, nos seios, na barriga, na cintura bem
contornada, nos quadris, e lá... Bem onde mais fervia emoções...
Ah Juan.
Continue... Eu arfava com nosso prazer, eu não conseguia me mover, ele me prendia a ele.
Enroscados um ao outro nesse prazer sem fim.
Nossa pequena alegria.
– Você é uma delícia, não me canso de seu gosto, do nosso sexo, Mel, ah Mel, quanto prazer você
me proporciona... – gemia em meu ouvido e descia com a língua novamente.
Quando eu disse que sabia usar os cinco sentidos, eles estavam ativados e sinto que, no momento
certo, o prazer será o gozo da alegria, da vida em movimento.
No pescoço... Sim, sua boca deliciava-me ali, em círculos, em chupões longos e chegava ser
doloroso, mas delicioso. Juan tem um dom de puxar com os lábios beijos tão quentes e sua saliva faz
parte disso. Ele mordia da base da clavícula, até abaixo da orelha, descia e subia novamente.
Repetiu por várias e várias vezes esse processo. Eu explodia, pois seus movimentos dos dedos lá
embaixo imitavam o da língua, era intenso, saboroso e excitante...
– Juan... – eu me contorci na cama. Quase explodindo num orgasmo, mas ele tirou a mão de dentro
de mim para isso não acontecer, não agora. Cruzei as pernas, mas ele as desfez, voltando o carinho.
Desceu em meus seios, sua mão brincava com um e sua boca com o outro, contornando cada
espaço, cada milímetro de meu colo e gemia baixinho na minha pele. Desceu para barriga e, a cada
centímetro, eu era dele, sua língua corria cada superfície em minha pele lisa e sedosa, se perdendo
no piercing, puxando e mordicando cada pedacinho. Eu me contorcia segurando seu cabelo, enquanto
ele dizia sobre minha pele:
– Shh, gatinha... Relaxa...
Era impossível relaxar, com ele sendo tão gostoso em mim. Cintura, quadris, coxa... Agora era ali
e nada dele acabar... Ali, eu queria bem ali, em minha parte preciosa, a parte favorita dele.
– Isso! – gritei assim que seus lábios encontraram meu clitóris. Ele sugava, cheirava-me, sentia
meu gosto. E que demais era... Minha respiração estava tão ofegante, que parecia que estava em uma
maratona, mas peraí, eu estava numa maratona erótica e deliciosa.
Ah... Assim...
– É assim que você quer, minha gostosinha...? – olhou-me com aqueles profundos olhos azuis
enigmáticos.
– É! – gritei gemendo. Ele desceu toda a perna, passando atrás do joelho e chegando ao pé.
Cacete! Como poderia sentir prazer nos dedos? Ele mordia cada um e chupava, me levando ao
delírio total!
Gosh...
– Vem cá... – levantou-me e não entendi.
– Aonde vamos? – não tinha forças, estava em choque e ofegante, eu queria logo ele dentro de
mim.
– Coloca aquele laço da Minnie de novo! – ordenou com um ar tão sedutor. Fui até a gaveta e
peguei o tecido vermelho. Eu iria prender o cabelo, mas ele não deixou, então deixei solto e fiz o
laço pra ele. Sorriu de orelha a orelha. Pegou-me no colo e levou até a sala dele, tirou as coisas que
tinha em cima da mesa e me deixou ali estirada, completamente excitada e seria a nossa “sobre-a-
mesa”.
Que gostoso!
– Minha Minnie gostosa! – falou firme e forte, entrando em mim sem mais delongas, sem perder
mais tempo. O nosso tempo agora seria ali, em nosso sexo. Uau, como estava quente! Juan entrava e
saia, devagar, lento, e depois forte e rápido.
Ah, como isso é bom! – revirei os olhos e Juan segurava minhas mãos. Entrava e saia... Eu só me
concentrava em seu movimento que sentia cada milímetro que entrava e saia de dentro de mim.
Intensidade. Prazer.
Eu prestava atenção em tudo, apesar de sentir-me quase anestesiada e fora desse mundo – a sua
respiração ofegante, seu toque suave, seu beijo devorador, seu cheiro em mim, tão gostoso... Juan
deitou a cabeça em meu peito e fazia seus movimentos ficarem ainda mais fortes. Voraz. Faminto.
Erótico. Impudico. Carnal...
Ali era o nosso espetáculo voluptuoso.
– Geme pra mim, Minnie... – dizia gemendo em meu ouvido.
Ah... – apertei suas costas e quando empurrei meu corpo para frente para dar mais acesso a Juan,
veio o momento certo.
O arrepio junto ao quente, saboroso, frenético, delirante, devagar, forte e promíscuo...
Nosso orgasmo.
Eu não consegui ouvir mais, nem sentir, nem me mexer, era como se estivesse empedrada. Não era
ninguém...
Os cinco sentidos sumiram...
Junto ao gozo de Juan.
Ache-me querido... salve-me Juan... – meu ego gritava. Volte!
Com um beijo encaixado ao queixo, senti novamente a batida de nossos corações juntos.
Voltamos...
Levei mais uma vez meu homem para o aeroporto e, num restinho de domingo chato, fiquei sozinha.
Essa semana será osso.
– Bom dia, que tristeza é essa? Bota um sorriso lindo nesses lábios poderosos, logo mais vamos
assistir a uns filmes! O que acha? – Carla tentou me animar.
– Eu me desconheço às vezes, sabia? – fiz bico, pois estava com dor de cabeça. TPM à vista.
– Vish... Já sei, está chatona e de TPM! Parei! – rendeu-se erguendo as mãos para o alto. Bandeira
branca feminina.
– Desculpa, é que Juan não está aqui para me fazer massagens... – quase chorei ao dizer esse
absurdo de realidade por não tê-lo aqui.
– Pare de manha, quer comer chocolates comigo? É o que posso te oferecer! No máximo, um
cafuné – brincou piscando seus longos cílios naqueles olhos incrivelmente azuis. Fazia-me lembrar o
oceano que não estava aqui. Droga.
– É claro que aceito! – sorri mesmo sem vontade. Tomei dois remedinhos antes de sair de casa e
nada de fazer efeito. É hoje! Bufei desanimada.
Minha vida tem muitos sentidos e sou muito confusa, dividida, perdida, porém sempre Juan me
acha, se encaixa. Só que ele está longe, pelo que me lembro, e quando eu vejo aquele outro homem
igualmente delicioso entrar por aquela porta, esqueço até quem sou eu.
– Bom dia meninas! – falou com sua voz aveludada, poderia sussurrar um bom dia Mel em meu
ouvido, só para me deixar feliz.
– Bom dia! – dissemos juntas e Richard sorriu.
– Meu Deus... – gemi alto. Não fiquei com vergonha disso, os dois me olharam.
– Aconteceu algo? – Carla perguntou assustada, sabia que estava com dores, mas dessa vez não era
dor, era tesão.
– Isso realmente me mata! – O que estava acontecendo comigo? Não controlei, Richard disfarçou
mexendo no celular, mas eu via seu sorriso pendurado, ele parecia lutar para não sorrir abertamente.
Faça isso por mim, delícia...
– Está passando mal? – ela se aproximou ainda mais assustada. Encostou a mão em meus ombros
para ver se estava ruim mesmo. A Carla é tão inocente às vezes, mas vou mostrar a ela que estou
apenas brincando com o sedutor na nossa frente.
– Poderia, não é? – agora notou todo meu teatro e fechou a cara pra mim. Carla toda preocupada e
eu fazendo graça. Ela me perdoaria.
– Quer uma água? – Richard disse me encarando com olhos quentes, eu quase derreti.
"Não, eu quero sua boca, seu corpo, que tal?..." – A serpente estava pronta para o bote.
Contenha-se querida! – ordenei, ela voltou para toca.
– Não, obrigada, vai passar – jamais, até eu provar.
– Ok, obrigado Carla, tenham um bom dia! – outro sorriso. Ameacei cair da cadeira.
– Mel?! – gritou. Não me machuquei, eu só brinquei com ela. Richard já tinha passado e entrado no
elevador. – Sua grande idiota! – Carla me bateu.
– Pare com isso, só quero ver a reação dele! Sua boba... "Está passando mal..." – tentei imitá-la,
ela me beliscou.
– Ai, isso doeu, magoou! – mostrei-lhe a língua e nisso Flávio passou por nós.
– Bom dia gatas! Sempre estão lindas! Carla tem um charme próprio, e você Mel, ah, seu nome já
diz! – sua piscadinha encantadora e seu sorriso largo mostrando a covinha. Gosto de covinhas. Carla
corou e eu aproveitei.
– Carla é realmente linda, não é? – brinquei e ela me olhou brava.
– Oh, nem me fala, tenho que ver esse mulherão há tempos e não... Deixa quieto, vou subir, tchau
garotas! – aham, saquei.
– Ouviu isso? – perguntei empurrando-a.
– Pare sua louca! Está tarada e fica atiçando os outros. Já pensou se o Thi escuta isso? – ela estava
toda vermelha.
– Meu cabelo está refletindo em seu rosto, baby! Pare com isso, ele não precisa saber que tem um
paquera! Que medo todo é esse? Eu tenho um paquera, Juan não sabe e nunca saberá... Delícia! Os
dois são. Poderia ficar com os doi... – Carla deu-me um chacoalhão. Até me assustei.
– Cala a boca, sua pervertida! – tapou minha boca em brincadeira. – Só você para pensar nessas
coisas uma hora dessas! – disse bufando e suas bochechas estavam ainda mais vermelhas.
– Fala se não é bom! – cutuquei.
– Só você mesmo.
Voltamos ao normal, assim que começou a entrar o povo para trabalhar.
No almoço fomos até a padaria. Carla estava atiradinha, acho que está aprendendo comigo. Falei
via Skype com o Juan, que está cheio de saudades de sua ruiva.
Já no fim do expediente, Carla e eu combinamos para amanhã termos uma tarde das garotas. Com
direito a guloseimas e vinho a tarde toda. Trocamos a folga com os garotos e seríamos felizes com a
companhia da outra.
Entreguei tudo ao Caio que estava cheio de graça hoje, me chamando para um café.
Nem pensar, seu chato!
Já não basta a última vez que aconteceu – fiquei sem Juan por três dias. Caio deveria se comportar,
senão serei obrigada a ser grossa com ele.
Apertei o botão e aguardei. Olhei no relógio e, com certeza, Richard já tinha saído correndo.
Nunca mais trombei com ele nos elevadores, parece que tem medo de mim... Hum, é sempre excitante
esse medo todo...
Abriram os dois elevadores. Dei um passo disfarçado à frente, mas olhei no de trás só para
verificar.
Rá, quem estava ali?
Sim, o Richard delícia. Até parece que não iria entrar lá! Entrei no que ele estava na maior cara de
pau da história.
Richard estava concentrado em seu celular, dá vontade de qualquer dia jogar esse celular dele
longe e o agarrar. Não desgruda nenhum instante, será que na hora "h", ele fica falando ao celular "ai
amor, calma aí, alô?" "ui, amor, assim, alô?". Fiquei imaginando-o dizendo essas coisas. Poxa e ele
ali bem do meu lado sem nada a fazer.
– Está melhor? – perguntou e olhou para mim. Encontrei seu olhar penetrante.
– Melhor agora! – olha só, nem corei, mas ele... Faltou explodir. Olhei para frente. – É que não
estou muito bem, mas estou melhorando agora – tentei consertar não por mim, por ele.
– Que bom – falou sem graça. Uma das coisas que acho bom nele, bom mesmo, é que quase
Richard não fala, fica sério o tempo todo e quando fala, deixa-me sem ar. Se ele ficasse falando eu
derreteria ao seu lado, mas como estava quietinho, poderia agarrá-lo, agora! Sem medo ou remorso.
Na boa.
– Você é tão quieto, tão sério... – brinquei e ele deu de presente um sorriso encantador, me encostei
à parede buscando apoio, estava sendo derrotada com sua beleza masculina.
– Sério? É só impressão! – jogou um olhar sedutor. Meu corpo explodiu.
– E que impressão eu tenho de você... – não resisti, gemi as palavras numa voz melosa. Só que o
elevador abriu. Ódio.
– Bom descanso, Mel – falou assim que saiu, permaneci estática. Por que ele me deixa esse efeito?
– Igualmente, Richard. – o tom de minha voz melosa, só faltou a reverência na sua frente. Ele
sorriu e foi embora.
Fui relaxar em meu chuveiro em busca de conforto, tirar Richard da mente e pensar em meu
namorado tão distante. Fiquei por muito tempo, até enrugar os dedos.
Dormir sozinha antes não era problema. Antes de ter um corpo tão quente para me deixar calma e
confortável. Ele me acostumou, agora não está aqui. Levantei e tomei um cafezinho puro, logo mais a
Carla estaria aqui e iríamos ao mercado em busca de guloseimas, estava zerada disso.
Antes de ir ao mercadinho, limparia a casa para receber minha amiga. Liguei o som, já que há
tempo não faço isso – os celulares e iPods nos deixam mal acostumados. Deixei rolando para ver
algumas novidades, apesar de gostar de rock, gosto de dar a preferência em ser eclética. Até aceito
algumas das novidades, nem todas óbvio, pois esta geração é muito estranha em relação à música.
Gosto também de eletrônicos, acho que dá vida ao corpo para dançar, coisa que gosto muito de fazer.
Dançar liberta a alma, nos fortalece e, com toda certeza, é o melhor remédio para o tédio.
Comecei pelo meu quarto, apesar de não estar muito bagunçado, só dei um tapinha em tudo e
deixei as roupas para lavar. Fui para sala, aonde iria me concentrar e me divertir com a Carla.
Comecei a limpar a estante, não sou muito ligada a objetos, gosto da simplicidade nas coisas, então
não tenho muitos bibelôs para pegar pó, que é a única coisa para que servem. Fato. Ajeitei o sofá
trocando-os de lugar, gosto também de mudanças, é sempre bom inovar, mesmo que seja com as
mesmas coisas, mas um móvel fora do lugar já dá outra cara.
Em cada canto da casa em que eu passava, lembrava de Juan, em todos os lugares em que já
fizemos amor...
Por falar em Juan, estava tocando uma música que era bem legal, num estilo country com pop, se
eu não me engano é da Taylor Swift, me fez lembrar-se de quando comecei a namorar o Juan. Ele
deveria saber que eu era problema! Na verdade, se ele soubesse teria se apaixonado muito mais
rápido, porque parece que problemas e proibições são o que tornam relações ainda mais
irresistíveis.
Tiro por experiências próprias. Tudo bem, graças a Deus nunca tive uma decepção amorosa –
primeiro: porque nunca namorei; segundo: nunca me deixei envolver e terceiro: sou muito feliz
assim, obrigada.
Talvez se tivesse tido algo tão ruim em minha vida, seria mais recatada e muito mais idiota. Não
que agora amando e sendo muito apaixonada por meu namorado que sou uma idiota apaixonada, eu
sei meus limites e até onde vou, mas o ponto é que tem pessoas que se envolvem tão rápido com
alguém, entregam-se de alma e quando vê, foi a pior decepção da vida dela. Um fato que acontece
muito rápido com os seres humanos: nós somos tão inteligentes, mas às vezes, isso não funciona no
amor, aliás, quase sempre.
Caímos nas armadilhas do amor, fazer o quê? Um dia, quando acharmos a tal alma gêmea, aí sim,
tudo fica melhor. Enquanto isso não acontece, encontramos muitos espinhos pelo caminho a seguir e
esses espinhos, por vezes, acabamos por fingir que não dói, mas na verdade nos destrói por
completo. Quando nos ferimos uma vez, duas, até três, parece que nos tornamos ainda piores, pois já
que passamos uma vez, e pensamos “tudo passa”, na verdade sofremos à toa. Tive tantas dores em
minha vida, mas hoje não gosto de lembrá-las, gosto de mantê-las na escuridão, porque quando
descobrimos algumas verdades, parece que todo o resto foi uma mentira. Então, não quero passar a
desacreditar em quem fui e no que me tornei. Eu sou real e hoje tenho o Juan que me faz a mulher
mais satisfeita e feliz. Ele sem dúvidas é meu príncipe encantado, se é que existe... Apesar de
preferir que ele seja o lobo mau, combina mais com a gente.
Terminei a estante e comecei a varrer para passar um pano e deixar o apartamento enfim
cheirosinho e novo em folha. Ao começar a varrer, uma música chamou minha atenção, uma agitada e
com uma batida foda. Parei e aumentei o som, realmente curtindo a batida. Pela voz acho que deve
ser da Britney Spears, com aquela inconfundível voz de taquara rachada, mas a música é boa.
Aumentei mais um pouco e fui para o meio da sala. Meu corpo queria dançar e comecei a sentir a
vibe sozinha no meio da sala, aliás, com a vassoura nas mãos!
Puta merda, é dela mesma! Britney, bitch! Adorei.
Peguei o celular que estava no sofá e digitei no youtube para ver o nome da música, não demorei a
achar. Scream and Shout. Já coloquei pra baixar no celular. Voltei para a limpeza e à dança, junto à
vassoura que era o meu macho do momento. Fiquei como louca dançando e balançando o corpo por
toda sala enquanto varria. Adorei a batida e não tem coisa melhor do que ouvir música limpando a
casa!
Terminei quase junto da música e ouvi a campainha, mesmo com o som alto. Já deveria ser minha
visita! A música já estava no celular, então desliguei o rádio e conectei meu celular para tocar no
som, a música iria rolar mais algumas vezes e até vou dançar para o Juan quando ele voltar. Serei a...
Mel, bitch!
Fui até a porta rindo com a vassoura nas mãos para receber minha convidada de honra. Fiz alguns
passinhos até a porta e, ao abrir, Carla estava com uma cara de quem não estava me entendendo. Eu
dançando? Britney? Ela estranhou, tenho certeza.
– E aí gata, vai entrar ou vai ficar parada como um poste me olhando? – esperei Carla se recuperar
e entrar.
– Oi, o que se passa? Você ouvindo Britney Spears? Você está bem? – perguntou cheia de graça.
– Estou perfeitamente bem! Oras, não posso ouvir não?! – disse rindo e ajeitei mais algumas
coisas fora do lugar. – Espera aí, vamos ter que ir ao mercado, ok? – desliguei o celular, coloquei no
bolso. Levei as coisas para a lavanderia e a ouvi resmungar.
Quando voltei, Carla estava com as mãos na cintura a minha espera. Como se fosse minha mãe.
– Que foi? – falei imitando-a.
– Por que vamos ao mercado? – eu tinha prometido que faria tudo certinho, mas nem deu tempo, o
que ela tanto reclama? Santo Deus.
– Vamos comprar as guloseimas, eu não tenho nada aqui! – falei rindo dela.
– Não acredito que não tem nada na sua casa, nem bala? – advertiu-me.
– Uso tudo, meu bem! – brinquei logo cedo e ela fez cara de nojo.
– Ai Mel, pare com isso, pare de ser tão pervertida! É apenas onze da manhã! – empurrou-me para
dentro do elevador.
– E daí? Ah, deixa eu te falar, vamos passar na locadora, preciso ver meu amigo... Faz tempo! –
ela sabe de todas as aventuras loucas de Mel.
– Deixa o garoto em paz, fica só atiçando-o, quero só ver! Coitadinho.
– Coitadinha de mim que não posso fazer nada! Ele é bem gatinho, não é? Pena que é novinho...
Mas mesmo assim eu... – ela me bateu e cortou-me.
– Pervertida.
– Mel, bitch! – cantei igual à música, Carla caiu na risada.
– Sua doida.
Caminhamos um trecho e chegamos ao meu destino.
– Delícia... – falei pra ela na frente da locadora, onde ele estava. – Sentiu meu cheiro... – disse em
sua frente fazendo charme, ele sabe e Carla também.
– Olá gatinha, tudo bem? Quanto tempo, sumida! – veio em um abraço e me cheirou.
Ele também provoca, viu.
– Tá gata! – falou baixo em meu ouvido. Ele deve achar que sou novinha, uma garota, pois me trata
como uma.
– Você que está sempre bem, Fê!
Outro charme e uma piscadinha.
– Fernando, essa aqui é minha amiga, a Carla! – apresentei, apesar dela já saber quem é ele faz
tempo.
– Olá Fernando, tudo bem? – o cumprimentou e ele deu um beijo no rosto dela.
– Tudo bem. Amiga da Mel é minha amiga! – falou carinhoso.
Ele é tão lindinho, todo romântico e carinhoso. Apesar de ter dezoito anos, é alto, branquinho, um
sorriso lindo e olhos mel, combinando comigo, aliás, outro. Esse pode!
Ai Mel, você não pensa em outra coisa, não?
Não! – gritou uma voz em desespero dentro de mim. Eu ri.
– Que foi? – perguntou.
– Nada, só estava de passagem. Estou indo, qualquer coisa me envia uma mensagem, sei lá...
Beijos e foi bom te ver! – eu disse toda assanhada.
– Sempre é bom te ver! Passa aí qualquer dia. – ele tem uma voz rouca que é bem tentadora, se não
fosse tão novinho e eu não tivesse namorado, eu daria um jeitinho nele. O marcaria todinho de batom
vermelho.
– Passo sim, beijos. – abracei-o e outro cheiro eu ganhei. – Sempre e sempre gata! – disse
novamente só para mim, mas Carla sabia de nossas provocações que nunca deram em nada.
– Tchau amiga! – disse à Carla, ela só sorriu e me puxou, dei uma olhadinha ainda para trás e
enviei um beijo. Fernando revirou os olhos e colocou as mãos no coração. Eu acabo com esse garoto.
– Não perdoa mesmo, não é? Pelo amor de Jesus! – ela ria de mim e eu ria dela. Duas bobas.
Compras feitas. Até no mercado ninguém bonito escapa, sempre acho essas delícias perdidas por
aí! É o meu dom. Fazer o quê?
Enquanto esquentávamos a lasanha no micro-ondas, falei com o Juan e ela com o Thi. Duas moças
mimadas. Ela mais comportada em suas trocas e juras de amor. E eu, rá! Sempre doce, descarada e
pervertida, adoro quando ele fala assim para mim sussurrado: É excitante como você transforma
qualquer conversa em algo indecente! Sempre. E minha última foi: “Vou memorizar cada milímetro
de seu belo corpo com meus lábios, para nunca me esquecer de nenhum pedaço quando estiver
longe...”.
Eu apertava os lábios ao me lembrar de cada pedacinho... Essa é a euforia da beleza!
– Ai, comi demais! E aí, o que vai fazer no final do ano? Pretende ficar aonde? – Carla soltou o
botão de seu jeans e ficou jogada no meu sofá. Eu do outro lado, colocando uma música.
– Sabe que não sei? Nem falei ainda com o Juan, mas acho que vai querer ficar com a família dele
– dei de ombros e escolhi uma música do Joy Division, a melódica “Atmosphere”.
– Você está incluída nisso, não se esqueça, é namorada dele! Juan vai te querer perto. Ai, por que
escuta essas músicas de doido? – ela sempre reclama, até do meu iPod quando o pega. “Só tem
músicas boas”, é minha única resposta.
– Cale a boca! Isso é música e não os lixos que você escuta, vou te ensinar o que é música,
Carlinha, pelo amor de todos os deuses, minha linda, tem que aprender o que é música... – soltei uma
risada alta e ela me acompanhou. Levantou, mexeu em sua bolsa e pegou o pen drive e estendeu para
mim.
– Só hoje. Por favorzinho!... – fez cara de pidona, não vale. Não estou a fim de ouvir sertanejo!
Não mesmo.
– Ah, não me peça isso! – fechei a cara de brincadeira. – Olha só, essa aqui é show. Olha a batida
desse baixo! – falei e comecei a tocar um baixo imaginário ao ouvir Seven Nation Army. Carla
estava indiferente, como se não estivesse ouvindo a música mais foda do The White Stripes. Ela não
tem gosto mesmo e entortava os lábios em desaprovação. Continuei a fingir que estava tocando,
divertindo-me enquanto revezava na bateria quando tocava mais forte e no baixo. Carla sorria pelos
cantos dos lábios ao ver minha performance e, ao fim da música, fechei com a guitarra. Carla bateu
palmas para me agradar.
– Pronto, agora que já aguentei até um show à parte, coloca só umas... Larga de ser chata! Eu tenho
que aguentar ouvir isso e por que não ouvir algo sensível que entendemos? Ou pelo menos legal,
tipo: “lê lê lê se eu te pegar você vai ver...” – cantou e comecei a rir dela. Ficou dançando,
abraçando-se sozinha e uma mão fechada em punho na testa. Que dança é essa? Forever alone.
– Que é isso, mulher? – ela veio me abraçar e começou a dançar comigo. Coloquei o pen drive
dela e começou. Carla me agarrava e dançava, me ensinava os passinhos.
– Porra, quanta criatividade nessas músicas, hein? Já tocaram várias, mas todas levam a uma coisa
só, tudo disfarçado! Sexo, sexo e sexo. “Eu quero tchu, eu quero tcha!” – Que letra inteligente!
“Tchê tcherere tchê tchê” – eu tirava sarro, e Carla me olhava feio. Pulou a repetida que tanto queria
sexo.
– Olha essa. O que me diz? – colocou outra.
– Gostei do começo, mas a música não! Carla, olha que tudo, “Peguei em seu cabelo, você diz que
ficou louca, falei no ouvidinho, vou beijar na sua boca!” Hum, bem Mel... – comecei a rir.
– É sua cara mesmo! Cara de santa, mas não me engana não! – cantou a outra parte, e sim, é minha
cara! Fazer o quê?
– Se Richard me pega ãh, se eu o pego ãh, se ele me beija ãh ãh ãh... – cantei minha versão. Carla
caiu na risada.
– Sua descarada. Aqui, essa também é sua – dedo nervoso dessa mulher que fica trocando de
música toda hora!
– Bota aí! – sentei e ela ficou ao lado do som, tentando achar mais uma música horrorosa, mas não
posso falar nada.
– Gatinha assanhada, cê tá querendo o quê? – cantou junto e estava dançando sozinha de novo. –
Eu quero mexer... eu quero mexer! Vem dançar comigo, Mel? – chamou-me e fui para não fazer
desfeita.
– Canta de novo! – ordenei e já estava rindo. Ela me agarrou e dançava a baladinha dela.
– Gatinha assanhada cê tá querendo o quê? – cantou rodando-me e remexendo os quadris.
– Eu quero meter! Eu quero meter! – cantei e Carla me soltou, encarando-me de queixo caído. Até
parece que ela é inocente de não ver o que a música diz.
– Sua boba! – falou rindo, mas me agarrou e remexia na sala toda.
– Que é? É o que a música diz, oras, vai me dizer que não é? Só sou mais sincera! – era tudo
verdade. Convenhamos.
Carla arrastou-me por toda sala remexendo e fazendo-me dançar até cansar. Logo depois das
dançantes, começaram as melosas, e algumas me deram vontade de chorar de saudades. Essas letras,
viu!
– Quem canta? – perguntei curiosa, já que as duas músicas que tocaram me lembraram o Juan, e de
um sentimento bobo que agora sinto.
– Jorge e Mateus. Essa que está tocando é “De tanto te querer”, é antiga, mas é linda, não? Eu
adoro e até parece muito com vocês... – pensei o mesmo.
– É sim. – dei de ombros, mas estava prestando atenção na letra.
– Viu, você pode mudar esses seus gostos... – tentou parecer convencida, achou que tinha ganhado
fácil essa batalha, é ruim!
– Jamais! Mas posso admitir que a letra é muito bonita!
– Olha essa, também é sua cara! “Amo noite e dia”, até o nome combina! – me fez cócegas. –
Escuta. – fiquei quietinha deitada no sofá ouvindo.
– Teu jeito tão gostoso de me abraçar... Gostei – falei.
– Shh, escuta! – repreendeu-me. E olhava apaixonada ao ouvir a música.
– Ok – sussurrei.
– Coração no peito sofre sem você do lado... – que tudo! Não quero mais ouvir.
– Está vendo! – ela batia palminhas toda feliz.
– Desta vez tudo é real, nada de fantasia... Que é isso, que música é essa? – fiquei pasma.
– Linda! – gritou.
– Já chega, me fez ficar na fossa por não tê-lo aqui! Vou colocar um filme – levantei e arranquei o
pen drive dela, que fez lembrar-me do Juan. Não que eu não quisesse lembrar, só o queria ali. Que
mudança é essa?
– Quero assistir um bem romântico... – Carla suspirou e revirei os olhos. – Você deveria ser mais
romântica! O que pensa do amor? – ela cruzou os braços e esperou uma resposta minha.
– Eu nunca senti isso antes, tá legal? Então, não sei explicar, nunca achei que amor seria desta
forma, está tudo mudado em mim. Sinto coisas que não imaginei nunca sentir. Sinto falta dele como se
sentisse falta de um dente na frente, sabe... – ela riu de minha teoria. – Não ri, é sério, poxa, tá foda
ficar assim. Nunca quis me render, sei que pensa que tive uma porção de caras na minha vida, mas
não. Eu só me entreguei realmente para quem achei que merecia sentir meu prazer. É algo que sinto
tanto, é tanta intensidade, não faço só por fazer. Em cada um deles me entreguei de uma forma
diferente. Real, fantasiosa, generosa, quente, elegante, delirante e, até mesmo, angustiante. Já passei
por cada situação, mas nunca, nunca permiti me apaixonar. Sentir amor, até hoje, era sentir prazer.
Juan me mudou muito, aliás, pra caralho. Quando estava triste, sem ninguém, eu chorava, sim, sou
sensível. No entanto, eu pensava, daqui a pouco vai pintar alguém, Mel. Então, relaxa. Quando não
aparecia, eu me enfiava embaixo das cobertas e assistia a diversos filmes melosos, para entender o
que é esse temível “amor”. Juan me disse tantas coisas, me fez enxergar o que estava fazendo comigo
mesma. Trancando-me em um buraco, estava até pouco tempo tão só. Ele me tirou desse mundo,
arrancou a personagem que criei para não amar. E agora tudo que sinto é lindo, romântico, meu corpo
se inflama de algo tão bom, tão puro... Antes não, tudo que pensava era só físico, fake. Não tinha
nenhuma emoção. Apenas passageiro... – parei de falar e ela estava quase chorando. – Pare com isso!
– adverti.
– Isso foi a coisa mais linda que já ouvi de você! – chorou. E veio me abraçar.
– Sua grande boba! – fiquei engasgada com sua atitude.
– Eu gosto muito de você, Mel. Você tornou-se um exemplo para mim, adoro conversar com você,
de ver essa alegria que tem, mesmo sendo muito, mas muito pervertida, adoro isso em você.
Obrigada por ser minha amiga! – ela voltou a me apertar em um abraço amigo.
– Eu também adoro você! Sua bobinha que gosta de músicas ruins! – apertei-a também. Ela bufou
com minha última frase.
Assistimos a uns três filmes antes das duas caírem num sono profundo, e acordarmos depois de
meu celular berrar umas trinta vezes.
– Alô? – falei arrastando a voz de um sono profundo.
– Mel? – disse a outra voz.
– Sim, quem é? – não tinha nome no visor.
– É o Thiago, está tudo bem? Tentei ligar um monte de vezes e a Carla não atende ao telefone. O
que foi?
– Ah, me desculpe, acabamos dormindo, está tudo bem. Você vem buscá-la?
– Sim, fala pra ela que daqui uns vinte cinco minutos, estarei aí! – Thiago parecia bravo.
– Ok, eu aviso, beijos.
– Tchau.
– Carlinha, acorda mulher, seu mimado noivo está vindo te buscar! – puxei o pé dela. Ela morre de
cócegas, mas apenas remexeu-se no colchão.
– Caramba, capotamos – disse se cobrindo.
– Ele estará aqui em exatos “vinte e cinco minutos!” – imitei o Thiago dizendo.
– Boba.
– Vocês se dão bem na cama? – perguntei indo para o lado dela.
– Aham – falou tão simples que não me convenceu.
– Sério mesmo? E por que somente esse “aham”? – ela me olhava com seus imensos olhos azuis.
Parecia curiosa em relação à pergunta.
– Não sei. Queria que eu dissesse o quê? – ficou confusa. Senti isso.
– Pergunte-me a mesma coisa.
– Mel, para! Nem é preciso perguntar! – jogou uma almofada em mim.
– É sério, me pergunte! – aticei.
– Mel, você se dá bem na cama com o Juan? – revirou os olhos e queria tapar os ouvidos para
minha resposta.
– Sim, perfeitamente bem, nos envolvemos juntos, tudo é base de um conjunto perfeitamente
encaixado, quente e, acima de tudo, carinhoso. Juan me faz delirar com seus carinhos e apertões!... –
suspirei e lembrei-me de tudo, de que tudo era verdade. Já estava com vontade dele.
– Isso eu já sabia! – ela estava um pouco corada.
– Viu? – encarei-a.
– Viu o quê? – rebateu.
– A diferença! Quero que você sinta o que é isso! Já teve um orgasmo? – apesar de sermos amigas,
ela nunca me disse sobre esses assuntos, apenas eu digo a ela. Ou tem vergonha ou eles não estão
fazendo a coisa direito.
– Claro que já! – ela me encarou, eu vi que não estava mentindo, ufa, menos mal. – Eu tive poucas
amigas e nunca falamos sobre sexo, quando te conheci tudo mudou. Perdoa-me o desconforto que
sinto em falar sobre essas coisas, é que fui criada diferente, meus pais são evangélicos, então, sabe,
né! – Carla virou-se e encarava o teto, nervosa, ela mexia na ponta do edredom.
– Eles acham que você é virgem? – falei fazendo um carão.
– Minha mãe sabe, mas meu pai deve achar, ele é muito rígido! Eu só namorei o Thi, estamos
noivos e vamos nos casar! – ela sorria, mas eu sentia algo distante nela. Algo como se fosse
obrigação.
– É o que você quer ou que seus pais querem? – tive que saber.
– Eu quero! – eu acho que não. – Eu o amo, mesmo acontecendo algumas coisas... Ele me trata bem
e me ama. – senti de novo, algo que não estava certo.
– Como saiu apenas com ele, não tem curiosidade de outros caras?
– Já tive, mas passa – corou desta vez.
– Hum, essa sensação é boa, mas sempre nos preocupa, não é? Sinto isso o tempo todo, ainda mais
com o Richard... Não sei explicar, mas ele me tira o chão. E não é paixão, juro, eu queria só saber
como ele é na cama! – corou ainda mais, eu gosto disso. De falar besteira.
– Richard deve estar sentindo o mesmo, mas disfarça bem!
– Será? Ele é um idiota! – ela levantou-se para arrumar suas coisas.
– É mesmo! – concluiu meu pensamento, mas eu quero que ela saiba de mais. Então investi mais
pesado, Carla tem que saber que tem opções, possibilidades.
– Sabe, quando eu me envolvo com alguém, procuro algo profundo, por mais que haja minhas
loucuras, sempre faço algo que me deixa bem. Se os cinco sentidos fluírem bem, então é algo que foi
perfeito. De todos os meus, diria “amantes”, aqueles com que me empenhei o meu melhor, desde o
primeiro, procurei algo que me atingisse. Com cada um deles, atingiu um ponto. Nenhum deles tinha
feito os cinco sentidos funcionarem juntos. Por isso, acho que Juan é diferente, ele me fez atingir os
cinco e em uma delas foram os cinco de uma só vez!
– Como assim? – ela perguntou incrédula.
– Não sei explicar o que realmente acontece, mas é algo único. Ficar fora de si, como se sua alma
fundisse a dele e elas vivessem em um único mundo. Usar os cinco sentidos em um momento desses é
a melhor forma de expressar todo sentimento, todo carinho e tornar o sexo melhor possível. É difícil,
mas é a melhor coisa que se pode fazer. Curtir e aproveitar cada espaço, entre o real e o mundo em
que criamos nessa hora. A cada respiração tornar-se leve, acelerada, constante, provocando o
arrepio perfeito, aquele que sua alma sente. Passar a senti-lo com cuidado, a formação de cada
espaço em seu corpo, prestar atenção suficiente para tornar-se único. O paladar de cada beijo
envolvente, delirante. O beijo com certeza é o melhor de cada parte envolvida, um beijo bem dado,
bem desenvolvido pode transformar uma simples brincadeira numa noite inesquecível. O toque
certeiro, leve, mapeando cada centímetro, cada espaço desejado. A visão, a troca de olhares, um
olhar bem projetado, desejos em seus olhos, deixa tudo mais claro, verdadeiro. Os olhos nunca
mentem. A audição, o sussurro perfeito, a voz melodiosa, as falas certas, tudo isso deve existir. O
cheiro do verdadeiro carinho trocado. Isso não é apenas sexo, isso é uma troca verdadeira de
carinho, emoção, entrega. Tudo tem um sentido. Quando se usa todos esses sentidos na hora, chega o
clímax, se perde tudo de uma vez só. O mundo para só pra você e ele. Devemos saber usar nossos
sentidos, se todos soubessem disso seriam mais felizes e menos estressados! – brinquei para
finalizar, ela estava radiante em ouvir. – Ele já te deixou assim? – perguntei e ela fugiu da questão.
Seu celular tocou e ela atendeu.
– Já estou descendo, amor! – falou meiga. – Ele chegou, vou descer.
– Ele disse que era em “vinte e cinco minutos!” – lembrei-a.
– Ele já está lá embaixo, me ajuda aqui!
– Não, ele fez questão, agora espera! – fomos catando as coisas espalhadas e enfim juntou tudo.
– O que me disse, vou saber usar, ok? Obrigada! Você é demais! – falou em um abraço carregado
de emoções. – Ah, eu nem te ajudei a arrumar as coisas! – disse se desculpando.
– Que nada, amanhã você volta e me ajuda! – brinquei e me despedi na porta do prédio.
– Oi Thiago. – ele não desceu do carro e parecia bicudo. Ela colocou as coisas no banco de trás,
acenando já dentro do carro. Ele só me fitou e partiu. As coisas estavam estranhas. Senti o clima
pesados como elefantes.
Acabei nem arrumando nada. Capotei feito pedra. Tive sonhos loucos, comigo e com Juan, também
com Richard cheio de graça para cima de mim. Até acordei atiçada, mas voltei a dormir logo. O
último foi ainda mais sinistro: sonhei com a Carla traindo o Thiago. Ela tem que saber disso.
– Credo, não diga essas coisas! – fez sinal da cruz.
– É sério, o cara era um lindo e você estava gostando da pegada dele! – aticei mais, colocando
mais realidade.
– Só você mesmo com essas ideias às nove horas da manhã! E por falar nisso, eu e Thi brigamos
ontem... – disse bem sentida com a situação. Na mesma hora, lembrei que tinha sentido algo de
errado.
– Por quê? – questionei.
– Ele está com ciúmes! – não me olhava, mexia em seus papéis e sorria para quem entrava.
– De quem? De mim? – eu ria alto, ela me repreendeu.
– Sei lá! – deu de ombros e voltou a sorrir quando Flávio parou no balcão.
– Olá, está gata hoje, hein, Carlinha! – corou feito um farol vermelho. – Bom dia Mel! – ele sorria.
– Obrigada, Flávio! – derreteu sua voz, como melado.
– Bom dia gato! O que vai fazer hoje? – ela me fitou feio quando perguntei ao Flávio, hum, estou
achando um caminho.
– Nada gata! Só estudar mesmo, alguém tem que ter um futuro, não é mesmo? – respondeu
brincalhão.
– E a mulher que tiver a sorte de tê-lo será muito feliz! – cutuquei. Carla me olhava corada. Ele
ficou radiante.
– Queria que essa mulher soubesse rápido de minhas qualidades... – piscou e foi saindo.
– Ela vai saber! – falei baixinho, ele não me ouviu e Carla me olhava.
– O que foi isso? – perguntou brava, depois que ele saiu.
– Nada. Por que está brava? – provoquei.
– Não estou brava, quero saber o que se passa! – colocou as mãos na cintura, isso é sinal de
preocupação.
– Não se passa nada, ué! Tá doida?! – fiquei com o sorriso pendurado. – Por que a preocupação?
– Não estou preocupada! – bufou.
– Ah, então tudo bem! – pirracei e continuei meu serviço, mas eu a olhava de esguelha, Carla
estava ansiosa, nervosa e muito tensa.
– Tudo bem mesmo! – fechou o bico.
Sinto que devo saber mais e vou procurar saber. Ela que me aguarde. Vou saber usar tudo isso a
favor dela. Carla tem que provar o que a vida tem a oferecer a ela. Saber das opções. Saber que há
cores no mundo!
Provar um verdadeiro sexo cheio de carinho, amor e que não precisa ser proibido. Basta querer!
Deixar fluir todos os sentidos do seu corpo. Como uma bomba atômica erótica!
“Excitante é saber que estou sem calcinha...”
7- Segredos Íntimos
“Olhando todas elas, fiquei impressionada com a quantidade que tinha ainda ali. Muitas vezes,
eu nem usava! Principalmente se já tivesse alguém a minha espera. Cada um com seu objetivo. Seu
modo. Sua carícia. Ali, naquela gaveta, é onde escondo meus segredos mais íntimos.”
Maravilhoso! – suspirei ao ver uma foto dele num quadro em seu quarto. Juan todo
sorridente e lindo. Hoje teria seu sorriso de volta. Peguei o que precisava e fui para o aeroporto, vou
buscá-lo e matar minha saudade.
Meia hora se passou desde que fiquei no desembarque e, então, aparece meu encanto. Com ele,
uma emoção carregada de desconfiança.
Quem era ela?
– Amor! – Juan apertou-me em seu abraço sufocador. Estremeci.
– Oi. – eu o beijei, mas até o exato momento não sabia o que sentia. Que tipo de sentimento estava
aflorando? Ele sentiu isso em mim e logo falou.
– Mel, quero te apresentar minha colega de profissão, ela ficará aqui em São Paulo para uma
reunião, então viemos juntos. Essa aqui é a Laís Shertz. Ela é de Florianópolis! – ela sorria
abertamente e veio num abraço. Cedi.
– Olá Laís, tudo bem? – eu ainda estava me sentindo mal.
– Tudo sim, Vasco foi muito simpático, falou bastante de você! – sorriu e quem a mandou chamá-lo
de Vasco? Sorri disfarçando e voltei ao Juan, que estava me fitando. Achei lindo seu olhar e acabei
por esquecê-la.
– Juan é superatencioso mesmo. Então, vamos? – sugeri.
– Vamos sim. Amor, nós vamos dar uma carona a ela até o hotel que irá ficar, tudo bem? – agarrou-
me pela cintura e fomos saindo.
Eu tinha opção de escolha? Não, claro que não!
– Tudo bem – disse seca.
Laís ficou ao lado do Juan conversando enquanto íamos para o estacionamento. Entrei e abri o
porta-malas e os dois sorriam lá fora. Eu vi pelo retrovisor, meus olhos e, principalmente, meu
coração não queria ver aquilo.
Será que os dois... – balancei a cabeça para esquecer.
Ela era uma ruiva assim como eu, só que o dela era mais natural. Nossos tons de cabelos são bem
parecidos, num alaranjado diferente. Ela tinha algumas sardas em seu rosto branco e fino, lábios
rosados, olhos num tom esverdeado profundo. Laís até que é charmosa, mas é baixa e corpulenta,
com quadris largos. Ela deve ter a nossa idade também. Enquanto analisava a garota, eles entraram
no carro e enfim partimos.
Os dois conversavam sobre as tais reuniões e sobre os assuntos que não estava entendendo nada,
mas pelo que pude perceber, ela era dentista que cuidava apenas de crianças. Fiquei fora do assunto,
até ela sair de cena quando a deixei no hotel. Juan acompanhou Laís até o hall. Esperei bufando e
com a cabeça fervendo. Suspirei e relaxei os ombros tensos e nervosos. Ele não faria nada de errado,
faria?
Juan chegou e eu saí bicuda com o carro, no silêncio. Ele queria sorrir, senti isso. Passou diversas
vezes as mãos sobre as minhas. Eu não dizia nada. Até chegar em casa...
– O que se passa nessa mente? Posso saber, dona bicuda mais linda? – Juan deixou-me encurralada
na geladeira, onde fui à busca de algo gelado para baixar minha temperatura de raiva.
– Não foi nada! – falei birrenta e revirei os olhos assim que senti sua ereção em mim. Ele me
apertava mais e mais contra a geladeira.
– Está com ciúmes? – murmurou quente em meu ouvido e é claro que estava!
– Não. – falei e não olhei para Juan, meus olhos me traem quando estou com ele.
– Olhe para mim! – falou e puxou meu rosto. Quando meus olhos encontraram os dele, vi pura
luxúria e desejo por mim. Seu sorriso preso e travesso estava me encantando.
Céus, que homem lindo que eu tenho.
– Não estou. – pisquei várias vezes para disfarçar minha mentira.
– Por que está com ciúmes de uma mulher casada? Não viu a aliança no dedo dela? Laís tem duas
filhas, um marido apaixonado e louco por ela! – falou me olhando e vendo minha expressar mudar.
– Eu não iria adivinhar! Vocês não pararam de falar e não me incluíram em suas conversas, como
saberia?! – pronto, falei. Senti até um alívio, mas não total.
– Ah, é isso? – falou com um semi desdém, rindo da minha cara! Como assim? Por que estava
rindo? – Falamos sim com você, nem nos respondeu! Ela citou pelo menos umas dez vezes as filhas
dela e disse pelo menos umas vinte sobre o marido! Onde estava com a cabeça? – hã?
– Sério? – falei confusa.
– Aham!
– Perdoa-me, fiquei cega com tudo, aliás, surda, não é?! – soltei uma risada envergonhada.
– Minha linda, eu te amo e não quero outra pessoa. Quero você! Senti tanta sua falta, vem cá. Está
vendo o tamanho da minha falta? – Juan apertava seu quadril em mim para mostrar-me a sua
majestosa e desejosa ereção, sorria em meus lábios por sua safadeza descarada.
Que safado delicioso!
– Juan! – bati nos ombros dele, a sua perna direita foi abrindo a minha esquerda e seus beijos
ficaram em meu pescoço. – Pensa que vai me ganhar apenas assim, doutor? – falei entredentes e
apertei seu jeans onde estava sua ereção.
– Hum, aperta de novo! – falou sem tirar os lábios do meu pescoço.
– Seu ordinário! – brinquei e o fiz me olhar.
– O quê? – seus olhos me queimaram. Deu-me um friozinho de medo por seu olhar tão
compenetrado, tão abrasador.
– Isso mesmo! Eu tinha planejado algo, e você, Doutor, me deixou tensa, brava! Fiquei com raiva!
– fiz beicinho.
– Está com raiva, Mel? – sua voz era provocativa. Ele abriu quatro botões de minha blusa e
mordeu meu seio volumoso pelo sutiã.
– Estou. Você me deixou enciumada! – tentei ser firme, mas com ele ali mordendo e lambendo
meus seios, era totalmente impossível ficar concentrada em falar sequer uma frase certa.
– Isso é ainda mais excitante! A raiva. – Juan subiu mordendo toda a extensão do meu pescoço.
– Excitante é saber, Sr. Vasco, que estou sem calcinha! Isso é o auge de excitação! O que me diz
agora? – minha voz estava tão cheia de tesão que daria a ele ali mesmo, mas Juan vai ter que me
convencer de que me quer ali.
– Meu Deus Mel, como você pode ser tão gostosa? Puta que pariu! Eu amo você, mulher. – enfiou
a mão dentro da minha calça jeans para conferir e gemeu.
Não precisou me convencer, eu faria sem nenhum problema. Estava morta de saudade dele e cheia
de vontade por esse homem.
Juan encarou-me e, sem mais delongas, veio me devorar em beijos. Sua mão arrancou minha
blusinha, deixando-me só de sutiã. Beijou o pescoço, os seios, a barriga, e parou no cós da calça
jeans aberta, com apenas um botão e o minúsculo zíper. Juan me fitava com lascívia e eu não via a
hora dele me devorar.
– Vamos Juan, sem demora! – gemi cada palavra, estava com as mãos agarradas no armário, ao
lado da geladeira. Juan estava comigo no vão dos dois, bem apertadinho e gostoso.
Juan permaneceu ajoelhado, só deu uma olhadinha safada para cima, encarando-me cheio de
desejos. Sua língua correu toda minha barriga e mordia levemente minha cintura, desceu contornando
todo o cós da calça. Eu revirava meus olhos e se ele não fizesse algo logo, eu encharcaria meu jeans
de tanto tesão por ele.
– Ah Mel, o que eu faço com você? – sua voz soou rouca ao subir. Agarrou um tanto de cabelo e
sussurrava em meu ouvido.
– Apenas me devore, Doutor! – grunhi. Juan não pensou mais, só vi sua revirada de olhos e sua
respiração acelerar. Era agora!
Juan com total agilidade arrancou minha calça deslizando-a rapidinho do meu corpo, o baque
gostoso deixou-me ainda mais extasiada. Com tanto desespero, Juan apenas abaixou o zíper dele,
mostrando a mim, como era sua vontade de estar dentro de mim.
Minha nossa, arrepiei só com o olhar que lançou. Juan olhou para o chão da cozinha. Sorriu
tortinho com um ar travesso, fazendo-me entender o que ele queria. Duas levantadinhas de
sobrancelhas e um puxão na cintura, Juan deixou-me de quatro ali, com as mãos e os joelhos
apoiados ali no chão da cozinha.
– Assim Mel... – sussurrou atrás de mim. – É assim que vou devorar você! – sua voz rouca, estava
deixando-me fora de foco.
Juan com a mão direita agarrou meu cabelo e com a esquerda segurou minha cintura. Sem mais
delongas, entrou profundamente dentro de mim, fazendo-me gemer alto. Ele é tão bom no que faz e
nossa vontade é tão nítida que não há necessidades de mais nada. Apenas possuir, sentir o nosso
sexo. É assim. Não precisa de enrolação. Apenas assim...
Ah, ele investia demais em mim e soltava uns gemidos quentes em minhas costas, até meu nome era
como algo doce e erótico. Eu o tenho só pra mim, só em mim...
– Ah, doutor! – gemi e Juan puxou meu cabelo ainda mais, fazendo minha cabeça ir para trás.
– Ah Mel... Vem...
Assim que Juan disse meu nome, não aguentamos mais, o senti gemer e desejando ir ainda mais
fundo em todo meu ser, atingindo meu ponto G com total facilidade e fazendo-me atingir um
maravilhoso orgasmo, vindo em múltiplos... Múltiplos...
Senti seus batimentos em minhas costas e as pernas bambas de alegria. Um brinde à divindade
sexual.
– Já tem planos para as festas de final de ano? – perguntei escovando os cabelos lisos.
– Sim, e você está incluída em todos! – deu sua risada encantadora, me joguei nele.
– Isso é bom, o que vamos fazer?
– Meus pais vão fazer algo só no Natal, no Ano Novo irão viajar. Nós, meu bem, vamos decidir
em qual casa ficaremos! – falou animado.
– Hum, perfeito! Estando juntinho a você será tudo perfeito. – dei uma colherada no sorvete que
ele tomava. Fiz algo com a colher que fez Juan parar de respirar. Só porque puxei os lábios com
delicadeza, e passando a língua nela. O que há de mais nisso? Mas seu olhar era: Faz isso em mim...
– Só você mesmo, hein... – disse encarando-me já cheio de vontade.
– Mais tarde faço em você! – pisquei e fugi da situação.
– Adoraria que fosse agora! – e essa piscada pervertida dele que acende tudo lá embaixo?
– Depois... – avisei de novo, ele fez beicinho, não caí na dele. – Então... – assim que começaria a
mudar de assunto, Juan me interrompeu.
– Mel, posso te perguntar algo novamente? – xii... Eu já sabia, e não estava nem um pouquinho
afim dessa conversa.
– Aham – virei para o lado, sinal de irritação antes mesmo da pergunta. Juan percebeu.
– Não faz assim, eu só quero conversar e já está mais do que na hora de me contar, não acha? –
passou as pontas dos dedos frios nas minhas costas.
– Não quero falar e também não vou vê-los. Tenho você! – falei abafando a voz tristonha no
travesseiro.
– Por que você nunca quer falar de seus pais? – perguntou de vez.
– Porque eles são felizes sem mim e eu aprendi a conviver com isso. Não preciso de mentiras... –
engasguei.
– Mas, por que diz isso? Quanta tristeza... – ficou preocupado e veio me abraçar.
– Eles nunca ligaram para mim, por que devo me preocupar agora que sei me virar? – eu precisava
de um abraço, ele leu em meus olhos tristonhos.
– Vem cá, não fica assim... É pior, tente libertar esse rancor... Isso nunca é bom, Mel. Por isso que
é assim, medrosa, em relação ao amor?
– Também, eu acho que nunca recebi um gesto de carinho, o maior exemplo de amor que deveria
ter era do meu pai, ele deveria ter me amado... Por isso, não confio mais nele, ele nunca me amou,
deve ser por isso a minha carência também. Nada justifica, sou assim porque quero, estou mudando
porque quero! Não estou? – perguntei, me virando para ele.
– Com toda certeza, Mel, você está ainda mais linda, mais sexy, mais exuberante! Eu ficava
inconformado com as coisas que dizia. Hoje sei que mudou, mas ainda tem algo pequeno que impede
de ser total. – colocou a mão direita em meu peito e sentia meu coração acelerado.
– É realmente muito pequeno, quase nada, mas acho que nunca serei cem por cento, me desculpa. –
falei com um resquício de voz.
– Eu prometi que mudaria isso. E vou – falou sério e puxou-me em seus braços.
Adormeci novamente com seus beijos e carinhos. Quando acordei Juan estava num sono pesado.
Liguei a TV e nada de interessante passava, tomei duas taças de vinho e já fiquei atiçada, toda na
vontade ao vê-lo charmoso. Fiquei ali à toa, passando as mãos naquele corpo lindo ao meu lado,
olhando cada pedaço, cada desenho bem feito naqueles músculos fortes. É arrepiante. A melhor
distração que poderia encontrar em minha vida. Eu poderia passar anos aqui, apenas fazendo isso.
Admirando meu homem.
– O que você fez comigo, hein...? – sussurrei em sua pele macia, quente, sedosa e cheirosa com seu
incrível perfume masculino. Concentrei-me em mapear toda a região de seu imenso corpo, dei muitos
beijinhos em todos os lugares, Juan se mexeu e tenho certeza que estava para acordar, seu corpo dizia
isso.
– Hum... – falou manhoso se esticando. Voltou derrubando seu peso em cima do meu corpo.
– Está cansado, não é? – sussurrei na sua frente, puxando seu rosto sonolento.
– Não... – resmungou, e deixou-se entregar em minha brincadeira.
Como ele já estava exausto e iria se cansar ainda mais com que tínhamos em mente naquele
momento, percebi que Juan não iria desistir de fazer, mas como uma boa mulher, fiz o trabalho para
ele, poupei um tiquinho sua energia. Corri até a cozinha e trouxe num copo um pouco de sorvete de
morango. Ele sorria com as mãos na nuca, e todo necessitado de mim. Fiquei na beira da cama,
apenas olhando e deixando o sorvete derreter um pouco. Juan aprovou a brincadeira. Subi e fiquei ao
lado de seu corpo, puxei sua cueca branca que tanto me excita, levantei e sentei em suas pernas que
estavam um pouco abertas, passei de leve as mãos em seu membro que já estava muito excitado e
intumescido em minhas mãos. Quente e delicioso. Coloquei um pouco de sorvete em seu abdômen,
em seu umbigo e um pouco em seu tórax. Tirei a minha blusinha e os olhos de Juan brilharam e sua
boca salivava ao ver meus seios apontados pra ele. Abaixei e com a língua fui fazendo o rastro
chupando o sorvete e mordiscando seus músculos rígidos. Ele gemia baixinho e meus seios tocavam
seu corpo. Juan queria tocar.
– Não, sem tocar, Doutor Vasco! – o repreendi. Revirou os olhos e voltou com as mãos na nuca.
Desci o corpo, torturando-o com meu toque, despejei um pouco do líquido do sorvete que havia
derretido em seu pau, Juan gemeu mais alto. Sem me conter naquela tortura erótica, desci com meus
lábios nele, retribuindo todo carinho, todo tesão que ele me proporciona. Suguei, mordi e limpei com
a língua todo sorvete que tinha, ele movia os quadris para entrar mais ainda em minha boca.
– Mel... – Juan gemeu mais alto, puxando meu cabelo.
Ouvi a necessidade dele, sua voz prazerosa dizia que seu momento cálido, seu clímax vulcânico
estava próximo. Seu gemido estava ao auge de excitação, era entusiástico e todas as sensações
corriam por meus lábios. Então para dar mais emoção no que eu estava fazendo, sentei-me em cima
dele, roubando seu orgasmo só para mim...
Juan era meu menino feliz. Não existe sorriso mais lindo e incandescente do que o dele. Eu o amo
demais.
Depois de outro banho, deixei-me levar, voltamos a tentar dormir. Só que, Juan disse que seria um
pouco impossível, porque eu estava dormindo com a mão em sua cueca...
Na semana seguinte.
Estava relaxando ainda na banheira quando ouvi meu celular vibrar, mensagem chegando. Assim
que peguei, para minha surpresa, era uma mensagem de minha “adorável” prima.
“Olá galera, tenho ótimas novidades, semana que vem é meu aniversário e irei
comemorar aqui em casa! Conto com a presença de todos. Vai ser um arraso! Beijos
e tragam um lindo presente! xoxo”.
Idiota!
Praguejei e soltei uma risadinha. Contudo, adorei a genial ideia.
Festa. Bolo. Docinho. Juan. Richard. Tudo-de-bom!
– Oi... – disse manhosa e Juan adora isso.
– Oi minha gatinha manhosa! – não disse?
– Tudo bem, gato? Já está no consultório?
– Estou sim, acabei de chegar, e você?
– Estou saindo agora.
– Ah sim, vai dormir hoje comigo? – se fosse por Juan, eu dormiria todos os dias com ele, coisa
da qual não acho nem um pouco ruim. Já digo logo.
– Assim você me deixa mal acostumada, Juan! – brinquei, mas já estou louca de saudades do corpo
dele, do cheiro dele, daquela boca em mim...
Suspirei tentando voltar a se concentrar.
– E é pra deixar mesmo. Mel, por favor, pare de suspirar no bocal, já estou bem atiçado aqui –
disse com sua voz perversa. Tudo em mim formigou num prazer discreto.
– Ok baby! – gemi e ele bufou. – Olha só, tenho uma novidade! – acho que falei demais na
empolgação.
– Conte.
– Temos uma festa para ir semana que vem da minha prima – falei mais tranquila, sem mostrar
alegria por isso.
– Hum, bom, será aonde?
– Na casa dela.
– Sei, então tá, nós vamos! – se empolgou também. Ótimo.
– Ok, tenho que ir, beijos e saudades. Um cheiro para você! – falei melosa.
– Outro pra minha menina mimada! Ah, ou seria mais delicado chamá-la de Minnie... – gostei
muito disso.
– Hum. Yes, doutor... – gemi.
– Isso me excita logo cedo, Mel! Amo você – falou com a voz cheia de emoção.
– Eu também... – a minha mais para excitação.
Assim que desliguei fui trabalhar mais animada.
Eita, essa festa não vai prestar!
Levantei com a camisola de seda vermelho-sangue, fui para cozinha ver o que Juan
aprontava.
– Meu Deus Mel, você já acorda linda! – elogiou.
Juan não precisava dizer mais nada. Ele todo lindo e sexy, às sete horas da manhã com bons
planos. Encostado a pia, com uma camisa branca, colada em seu delicioso corpo, a sua calça jeans
branca, apertada nos lugares certos. Minha nossa, meu corpo gritava por ele.
Vem, Juan – a vontade apertou dentro de mim, querendo que fizesse charme. Apenas movi o corpo,
contorcendo-o. Ele leu isso em meus olhos.
– Que carinha é essa, Mel? – murmurou cheio de sedução e passou o dedo indicador em seu lindo
queixo com a barba rala.
Vem logo, Juan!
Queria gritar. Queria fazê-lo entender o que se passava dentro do meu corpo. Tudo fervia, tudo
ardia. Eu o queria de várias formas e jeitos. Eu o queria muito... Estava sem calcinha e sentia o meio
de minhas pernas úmidas só de vê-lo. Latejava violentamente por um único toque dele. Juan encaixou
os polegares no bolso do jeans, fiquei olhando aqueles dedos longos e hábeis.
Queria dentro de mim...
Suspirei e soltei um leve gemido. Juan sorriu e talvez sentisse o que o meu corpo pedia
ardentemente. Ele ficou se balançando nos calcanhares, para frente e para trás, bem lento os
movimentos, imitando os movimentos que queria fazer em mim. Mordia aqueles lábios só por
provocação, aqueles benditos lábios lascivos. Por longos segundos, nossa sedução ganhava espaço e
nossos corpos sentindo todo o efeito.
Então vem. Agora – meu olhar faminto e meus desejos sedentos expandiram-se de dentro para
fora. Juan veio rasteiramente até meu corpo. Não tocou e eu estava cheia de fome por aquele homem
de branco.
– Não me toque – sussurrei na frente dele. – Por favor, Juan, não me toque... – fechei os olhos e
gemi. Apesar de querê-lo violentamente, queria o toque ardido dele. Eu tinha outros planos em
mente. Juan apenas levantou meu queixo, deixando minha cabeça pendida para trás.
– E o que você quer agora, Mel? – murmurou quente deixando um gosto de seu hálito fresco
próximo aos meus lábios.
– Quero você dentro de mim. Só que sem beijo, sem toque. Apenas dentro de mim – consegui dizer
meu plano aos sussurros. Abri os olhos e os azuis dele estavam como água fervendo. Ele entendeu o
recado, mas Juan também tinha o plano dele. Puxou minha mão, levando-me até a lavanderia. Hã?!
– Que isso? – falei em desespero, eu queria fazer amor, o que fazia aqui?
– Shh, você vai gostar! – disse como brasa em meu ouvido. Fazendo ferver ali, sem me tocar.
Minha nossa. Eu fervia como uma labareda, sentia todo meu corpo inflamado, querendo apenas o
corpo abrasador dele sobre mim. Balancei de leve a cabeça e o acompanhei.
– Não tire nenhuma roupa! Apenas abre o necessário! O zíper – ordenei.
Juan assentiu. Virou-me de costas, fazendo-me apoiar as mãos na máquina de lavar. Ok, entendi,
esses dias Juan me viu aqui lavando roupas, e com toda certeza deve ter imaginado... Safado, mas
adorei a ideia e isso me atiçou ainda mais. Ao ouvir o barulho do zíper sendo abaixado, meu corpo
vibrou, eu estava totalmente com o corpo pedindo o dele. Como isso pode acontecer? Juan só me
olhou, não me tocou, e já bastou para tudo pegar fogo.
Soltei a respiração que estava um pouco ofegante e puxava o ar para tentar controlar a louca
vontade. Juan soltou um riso ao perceber minha concentração, olhei para trás em sua direção.
Acompanhei aquele sorriso rasgado e safado, mordi o lábio inferior fazendo minha melhor cara de
ninfeta. Juan respirou fundo e falou firme.
– Olhe pra frente, dona Mel! – agora foi a vez de ele dar as ordens.
Obedeci sem protesto, e por que ele demorava tanto? Ouvi Juan puxando algo do varal e não
compreendi, quando olhei de esguelha, estava com a tira do roupão nas mãos, passou em frente do
meu rosto mostrando-me seu objetivo. Eu ri dele e de sua cara de pau. Colocou em meus olhos e
amarrou com força. Era só um pedaço de tecido, mas que me deixou atiçada para caralho.
Juan levantou minha camisola de seda, fazendo o caminho ficar ainda mais lento e sensual. Sua
palma da mão acariciava meu bumbum, quase que por admiração. Inclinou meu corpo, separou
minhas pernas, e me fez colocar os cotovelos na máquina de lavar. Uma posição muito privilegiada
ao meu doutor.
Vai logo Juan, vai logo, porra!
Passeava com a mão no meu quadril, descendo para várias direções. Deixando um ardor em todo
percurso de minha pele, em flamas perfeitas, mas, porra, acho que Juan não tinha entendido que não
era para tocar, merda! Logo na sequência, mordeu minha bunda.
– Juan, eu disse sem tocar! – o repreendi. Quando pensei em me virar para encará-lo, Juan gemeu e
disse alto.
– Shh, silêncio gata! – levei outra mordida e um tapa forte. Acho que deve ter ficado a marca da
palma da mão dele.
Nossa, que maravilha! De novo! De novo! – queria gritar. Segurei a vontade.
Foi tão excitante sua brincadeira, que nem falei nada, apenas soltei um riso, Juan sabe que eu
gosto, conhece nosso sexo. Deslizou sua mão direita apertando minha carne, colocou o dedo no meio
da minha perna, em meu sexo. Encostou as costas dos dedos, movendo-o devagar, apenas atiçando,
apenas sentindo-me.
– Minha nossa Mel, eu nem toquei em você, e você está me agraciando desta forma? Vou fazer o
meu melhor, minha gostosa! – ai, esse sussurro eletrizante dele... Deixando-me arrepiada até o último
fio...
Vai Juan! – minha cabeça fervia e gritava. Entra!
Encaixou suas mãos em volta do meu quadril, apoiando-se firmemente seu corpo em mim. Veio
sem mais demoras, penetrou-me com tudo, senti centímetro a centímetro entrando em meu ser. Gemi
alto e levei mais um tapa na bunda, ardido. Gritei com a voz cheia de desejo, jubilo ao que estava
fazendo comigo, satisfazendo-me.
Agora Juan massageou onde acertou o tapa, mas também apertava-me forte contra seu corpo, às
vezes com seus movimentos vigorosos, meus joelhos batiam forte na máquina, mas não doía, era
excitante. Era completo, eu estava preenchida por seu amor e anseio de felicidade ao que tinha nesse
exato momento.
A dor transformada em prazer. Outra estocada forte e mais um tapa. Juan revezava entre um
possante tapa, um carinho gentil e uma estocada enérgica. Ele não tinha piedade. Era um abusado,
delicioso, potente, apimentado. Esse era o nosso sexo.
Juan gemia em minhas costas e, apesar de estar bruto, era o nosso melhor. Juan levou a mão direita
até meu cabelo, puxou levemente os fios na nuca. Apertou mais um pouco, puxando meu cabelo e meu
corpo no mesmo ritmo. Forte e quente. Quente e forte. Mais firme, mais forte, mais um tapa.
Apertou seus dedos em minha carne, como se quisesse sentir-me ainda mais fundo. Em meu ponto,
naquele ponto que faz tudo explodir... Juan puxou-me mais um pouco e gemeu da forma que faz
quando está perto do clímax. Eu sentia o meu e sentia o dele latejar dentro das paredes sensíveis de
meu ventre. Foi no próximo tapa eletrizante que gozamos juntos. Juan não parou nenhum instante de
me apertar contra a máquina. Era como se não tivesse fim...
Como se não quiséssemos parar nunca mais...
Depois de uma deliciosa manhã com uma das melhores rapidinhas que já fizemos, ainda brinquei
dizendo ao Juan que sempre é bom valorizar as rapidinhas, ainda mais aquelas que não se tiram nem
a roupa, ou mesmo antes de sair para trabalhar. Ele concordou sem pestanejar, dizendo-me que se
todos os casais fizessem isso com frequência, o dia seria mais animado e todos ficariam mais bem
dispostos e ainda confirmou que tinha lido em uma revista lá na clínica, que foi comprovado por um
estudo americano que fazer sexo, ou mesmo as famosas rapidinhas logo cedo, libera o dobro de
oxitocina, conhecida como hormônio do amor, que é liberada mais do que qualquer outro momento
do dia, isso faz superbem. Então, a partir de hoje deveríamos sempre fazer. Concordei na hora.
Depois de preparar minha comida leve, almocei sozinha. À tarde, quando fui receber meu amor
novamente, ele estava todo romântico.
– Eu te amo – ganhei um beijo casto nos lábios.
– Você me desestrutura, me deixa sem razão, fez de mim uma mulher apaixonada. E tudo no que
sempre tentei acreditar, você me faz ver que era pequeno demais... – sussurrei em seus lábios
carentes.
– E isso é ruim? – fez uma cara lindamente confusa.
– Sim, é terrivelmente ruim! – brinquei com ele.
– Como você é maldosa e terrível! – deu uma mordida em meus lábios e continuou. – Mel, esse seu
jeito deixa-me mais do que apaixonado, sei que esse sentimento só cresce dentro de mim, sou um
homem de sorte por tê-la em minha vida – esse é o meu homem. O homem que me ama, que me fez
conhecer isso. O amor.
– Eu também. É bom sentir-se assim, você sempre teve razão. Obrigada por me fazer melhor! –
agradeci com toda verdade que meu coração sentia.
– Obrigado a você por permitir que esse nosso calor infiltrasse nesse coração enorme que tem.
Você é perfeita!
– Somos perfeitos – concluí e voltamos a ficar juntinhos e quentinhos...
– Que horas quer ir a sua prima? – Juan perguntou se espreguiçando ao sofá do lado. Cada um
estava em num sofá, apenas relaxando os corpos.
– Mais tarde, ainda vou comprar algo pra ela – dei de ombros. Não estava nem um pouco a fim de
fazer as honras em comprar presente, mas teria, não é? Modos e etiquetas.
– Hum, então vou ajeitar minhas coisas. Quer vir ou quer ficar na preguiça? – perguntou vendo
como estava estirada, realmente na preguiça.
– Queria ficar junto... O mais junto possível de você... – falei manhosa e sedutora.
– Então vem cá... – falou sussurrando.
Pulei para o sofá em que estava deitado, montei em cima dele. Juan sorria tão lindo, cheio de
malícia e todo atiçado. Abaixei e beijei sua boca com carinho, cheirei seu pescoço com seu
delicioso cheiro masculino. Mordi o lóbulo de sua orelha e desci dando beijinhos até seus desenhos
no tórax. Seus olhos azuis já estavam radiantes.
– Assim está bom? – perguntei piscando meus olhos fazendo charme. Sentada no colo dele, eu já
sentia o quanto estava bom, aliás, bom demais. Na verdade bom não seria a palavra. Seria delirante.
– Ainda não, pode ficar melhor... – e o que ele disse, foi tudo bobagem.
Juan inverteu o jogo. Ficando em cima de mim, deitada no lugar em que ele estava. Virou seu rosto
barbado e passou por meu rosto, brincando e arranhando minhas bochechas suavemente, estava muito
excitante, e o peso todo de seu corpo sobreposto naquele sofá tão pequeno, mas ali, éramos um só.
Juan me despia em seu tempo recorde, assim como fazia com sua roupa.
O contato dos corpos nus dava-nos uma sensação ardida e prazerosa, Juan deliciava meus lábios e
sua boca era a fonte mais enérgica que já provei, era como um calor inexistente atingindo-se em
cheio nossos corpos. Eu me perguntava como poderia existir um fogo como esse? Como
aguentaríamos sempre e para sempre? Esse fogo é como se não existisse um fim e não existirá.
Sempre iremos encontrar o equilíbrio juntos, eu sou seu elo perfeito, somos o símbolo do infinito. Do
infinito desejo ao amor do outro, ao sexo do outro, ao nosso sexo.
O calor de nossos corpos estava ali, suados, em gotas perfeitas que saiam de nosso amor, nossos
corpos transpiravam amor e prazer.
A sensação inebriante de um hálito doce e quente passava em meu corpo, em meu pescoço
necessitado dele. Juan saboreava-me inteirinha, passeando com suas mãos em todo meu corpo, com
sua língua fazendo graça nos pontos mais sensíveis, em seus movimentos certeiros dentro de mim
onde meu corpo o acolhia. Seus apertões fazendo minha pele ficar vermelha e ardente. Tudo era
demasiadamente inebriante... Até a última gota de amor escorrendo por todo meu corpo arrepiante.
Ele sorria satisfeito com sua boa dose diária de amor.
Juan me amou ali tão profundamente, que fiquei sentindo arrepios e ondas elétricas pelo corpo a
tarde toda.
Eu nunca me canso dele.
Nunca.
Na volta do shopping, fiquei em casa arrumando a roupa para ir à festa, Juan foi embora e depois
viria me buscar. Comprei para ela, mesmo sem merecer, um lindo colar, que eu mesma quase estava o
colocando para ir à festa. Não gastei muito, mas queria marcar presença com um belo presente.
Olha que minha presença já era muito importante! Não a ela, mas para um todo que me cercava.
Iria fazer a diferença naquela noite. Eu iria mexer com os sentidos do noivo dela. É uma pena que
Richard descontaria nela. A fúria. O desejo sedento, mas enfim, eu despertaria o desejo nele de
alguma forma. Isso é questão de honra em fazer, só para ele provar meu veneno e o quanto sou boa.
Richard um dia terá meu gostinho...
– Está radiante, sexy, linda e muito cheirosa. Você me dá uma vontade enorme de te amar
loucamente. Como pode? – Juan abraçando-me e foi cheirando toda minha clavícula e meu pescoço à
vista, descendo... Nossa, e ele? Nem se fala, de tão lindo.
– Obrigada meu amor, pode me amar loucamente a hora que desejar... Você me deixa sem ar,
doutor... – ele não pensou duas vezes, agarrou-me levando meu corpo até encostar-se ao batente da
porta do quarto.
– Delirante... – sussurrava em meu ouvido. – Mel, seus beijos me deixam anestesiado. Queria
beijar sua boca até não aguentar mais... – e ao apertar contra seu corpo, eu já sentia o seu efeito.
Super rígido.
– Você pode, mas poderia ser mais tarde? Você vai desmanchar tudo que fiz e demorou tanto... – fiz
manha e ganhei um beijo forte.
– Ok, eu vou tentar me comportar em vê-la tão gostosa e ficar quietinho, mas te prometo uma coisa
Mel: quando chegarmos, vou arrancar isso tudo, vagarosamente... – Juan sussurrava em meu ouvido
sua promessa sedutora, eu estava derretendo ao ouvir e já sentindo os efeitos, mas ele se rendeu a
esperar e fomos a tal festinha.
– Olá prima, seja muito bem-vinda. Fico feliz que tenha vindo! – Mariana estava toda feliz. Só
ainda não compreendi essa história de me chamar de "prima"?
– Oi Mariana, feliz aniversário! – abracei-a e entreguei o presente.
– Oh, não precisava! – bobinha. Imagina se não.
– Ah querida, é só uma lembrancinha – brinquei sorrindo amarelo. Eu deveria ser atriz, faço umas
caras e bocas que ninguém percebe.
– Que isso? Uma lembrancinha da Vivara?! Demais, já imagino que será lindo. – realmente é lindo,
quase não entreguei. Queria dizer a ela.
– Pois é – recebi novamente o abraço dela. Quando me soltou, Mariana dava leves pulinhos de
alegria.
– Feliz aniversário! – Juan a cumprimentou.
– Obrigada! Fiquem à vontade. Vem, entrem.
Entramos de mãos dadas e ficamos próximos ao bar. Juan pegou alguns drinques para nós e
ficamos num canto só observando os movimentos da festa. Eu não tinha visto ainda aquele "alguém",
mas nem estava preocupada. Tempo era o que eu tinha.
A festa em si estava ótima, cheia de convidados, uma organização que só os Folks sabem fazer. A
casa dela é encantadora, imensa, e Mari é uma mulher de muito bom gosto. Algumas luminárias
faziam o ambiente ficar mais chiques e aconchegantes. Junto ao jardim, alguns balões brancos e
vermelhos. As mesas acrílicas espalhadas pelo jardim e por todo o salão improvisado que, na
verdade, é uma área coberta que fazem festa, então tudo era encantador aos olhos. Nessa mesma área,
havia o bar que montaram, e é onde permanecemos juntinhos apenas curtindo o som agitado em
eletrônicos diversos.
Pelo que percebi, Mariana não tinha muitos amigos. Sim, a festa estava cheia, mas não no sentido
de amigos, e sim, de interesses. Também só gente linda, tanto homens quanto mulheres! Ela soube
escolher a dedo quem estaria nessa festa. Como eu disse, ela tem bom gosto, e talvez senso algum de
ver o interesse de cada um, mas tudo bem, Mariana sempre foi assim.
Estava de costas para o pessoal agitado que dançava loucamente os eletrônicos na pista, fiquei
com os cotovelos apoiados no balcão do bar, um barman bem bonito e sarado veio na minha direção.
Juan havia ido ao toalete.
– Olá gata! Deseja algo especial? – piscou e tinha um sorriso elegante.
– O que sugere? – aticei, mordendo meus lábios vermelhos.
– Hum, já volto! – ficou de costas e foi preparando. De vez em quando, apontava alguma fruta, me
olhava, piscava e mordia os carnudos lábios.
Todo charmoso, olhos castanhos escuros profundos e brilhantes, cabelos arrepiados cheios de gel,
era alto e com braços fortes tatuados com tribais em preto e vermelho, sorriso encantador. Eu só o
fitava enquanto preparava meu drinque.
– Aqui está, gata! Espero que se delicie – falou com malícia. Sorri e provei o drinque.
– Hum, está deliciosa! – falei toda verdade ao provar seu belo e quente drinque de vodka com
frutas vermelhas. Havia outro segredinho também, que não consegui identificar, mas meu paladar
sentiu.
– Então acertei o que combinava com você! Realmente deliciosa! – ui...
Nem respondi, mas dei uma piscadinha de leve e ele foi ver os outros que estavam na fila. Fiquei
quieta, apenas deliciando meu drinque que tinha muitas misturas, mas estava incrivelmente delicioso
e em perfeita combinação. Ele havia me cantado na cara dura! Que safado!
– Já está se embriagando? – ouvi atrás de mim.
Virei devagar, pois não era a voz do Juan, e sim, daquele que me faz esquecer quem sou, mas teria
que me recuperar rapidinho. Engoli o restante do líquido no copo num gole longo, o morango deixou
um gosto excitante. Passei a língua entre os lábios, onde ele fitou cada movimento, e pude vê-lo
apertar seus lábios numa linha fina e sedutora, deveria estar sentindo vontades... Estou lendo seus
sinais.
– Olha quem chegou! – falei tentando tirar meu nervosismo absurdo perto dele.
– Eu já estava aqui. Só estava fazendo algumas coisas lá dentro. E você está se divertindo? – ele
estava diferente, engraçado, sorriso lindo e não estava tão sério.
– Estou sim, e você, Richard?
Eu poderia querer me divertir mais se você quisesse, não é? – pensei com a sedução nos olhos.
– Estou feliz por Mari estar feliz! – disse sorrindo.
Apesar de me afastar dele com essa estúpida frase, saí da cadeira em que estava e quase fui
derretendo ao seu lado. O cheiro dele rodeava. Tentei até ficar revezando a respiração entre o
respira-solta-segura-respira, só para não ficar sentindo a todo instante aquele cheiro bom e excitante
que exalava do corpo dele.
– Você é muito charmoso... – falei tão baixo que talvez não tenha escutado. Eu estava fora de mim
de novo, apenas me flagrei já dizendo e deixando a frase no ar.
Contenha-se Mel! – uma voz bondosa me chacoalhou e quase acertou um tapa no meio das fuças.
– Vou considerar como um elogio – outro sorriso encantador, e putz, ele ouviu.
Já chega! – gritei por dentro, estava sendo derrotada por um único sorriso. Por uma boca que
queria, sem saber o porque! Porra de homem, viu! Porra de boca linda e sedutora, porra de barba
rala que me fascina e deixa toda querendo. Argh. Respirei fundo e me concentrei na próxima frase.
– É sim – falei sem jeito desta vez por ele ter escutado. Seu olhar penetrante me deixava
desconcertada.
– Você também é bem charmosa – disse segurando seus lábios, isso estava enervando-me. – Aliás,
muito bonita! – completou. Sinceramente, estranhei.
– Obrigada! – agradeci já recuperando a perversa, aproximei-me mais dele e sussurrei só pra ele.
– E aí, como estão as coisas, já que não está tão sério hoje? Diga-me, Senhor Mistério! – brinquei.
Richard abriu um sorriso que quase desmaiei de tão sexy que era. Lá no fundo, senti uma pontada
forte, latejante.
– Essa é nova, mas não sou muito de falar – murmurou com sua voz rouca.
– Então é de agir? – dei duas levantadinhas de sobrancelhas junto a um sorriso sedutor. Richard
encarava meus lábios e tinha um ar sedutor. Seu olhar para mim é perturbador.
– Você é bem esperta e ligeira! – agora riu alto de minha malícia, mal sabe ele que é toda verdade.
Que sou assim... E que estou pegando fogo.
– Você ainda não viu nada! – sussurrei mais pertinho dele. Richard ficou me olhando toda. Apenas
na curiosidade.
– Vou ver se a Mari quer algo, ok? Fique à vontade – falou disfarçando minha frase e quebrando
totalmente o clima entre a gente. Quando Richard estava saindo, Juan chegou.
– Encontrei com dois caras da época de faculdade aqui, por isso demorei, depois vou te
apresentar! – Juan falou em meu ouvido. Um arrepio correu todo meu lado esquerdo só com seu
hálito. Richard havia ido embora e levado o meu fogo por ele, mas quando Juan estava por perto, não
havia ninguém que me atingisse, eu sou apenas dele.
– Aham – fui de encontro aos seus lábios para beijá-lo bem devagar, Juan sorria em meus lábios,
roçando e acariciando-os cheio de paixão.
Por que eu ainda me sentia assim com o Richard?
– Era o namorado de sua prima que estava aqui? – disse se afastando um pouco, mas eu o puxei de
volta.
– Noivo – corrigi. – Aham, veio me cumprimentar. – bufei mentalmente por Richard ter me
deixado.
– Ah sim, eu tinha falado com ele. – como assim? Richard estava fugindo de mim?
– Ah. – foi só o que saiu, mas seus beijos foram bem melhores do que as balelas de que estávamos
falando.
As músicas trocavam e a cada nova batida, mais a Mariana se esbaldava na pista junto às amigas
delas. Meus tios estavam viajando, foram ver algo lá no rancho da família, para a festa anual que se
aproximava.
Grande merda!
Percebi que umas amigas da Mariana fitavam o Juan, mas ele me agarrava e mostrava que tinha
dona. Seus gestos não eram para mostrar a elas que ele era lindo e que tinha pegada, era justamente
para mostrar que estava muito feliz comigo e, acima de tudo, satisfeito.
Nunca fui de ter ciúmes, porque nunca tive namoros longos, apenas casos. Agora é diferente, não
sei se é ciúme, mas cuido do que quero comigo. Mostrei a todas que Juan estava muito bem comigo.
Elas entenderam o recado dado.
As luzes baixas e som na caixa davam efeito de balada. Uma música eletrizante e sensual tocava e
tinha nossa cara. Juan abraçava-me por trás e nossos corpos faziam nossa dança. Sempre
acompanhando o ritmo da batida.
Passei a mão direita em seu rosto e ele me abraçou trazendo meu corpo para frente do dele.
Beijava-me calorosamente, deixamos nos envolver na pista só nossa. Eu nem ligava para meu vestido
curto, queria mais.
Olhei para um canto no escuro onde Richard estava escondido, mas uma luz de vez em quando
refletia seu rosto firme. Meus olhos piscaram pesadamente pelo efeito da luz e pelo álcool em meu
corpo. Tudo a minha volta era intenso demais. Juan dançando colado e sentindo todo meu corpo
ferver. Richard admirava-me ao longe, sem poder tocar, podendo apenas observar.
Seus olhos caçadores, suas mãos cerradas em punho. Seus lábios finos em uma linha dura. Seu
corpo desejando, seus instintos querendo ser arrebatados. Por um todo, era simples a visão. Era
apavorante. Era cruelmente desejável. São apenas seus desejos sedentos sendo expostos de uma
maneira loucamente delirante. Richard me desejava naquele momento, eu sentia em sua expressão.
Às vezes, levava à garrafinha de cerveja a boca e seus olhos voltavam para mim. Ninguém além de
Richard e eu sentíamos isso.
O poder da sedução fluindo em nossos corpos...
Depois de tudo que rolou na pista de dança, sem ninguém vendo as trocas de olhares, cantamos
parabéns à aniversariante. Richard fez um discurso épico a ela, fazendo-a chorar por cada palavra.
Até que é um homem de lindas palavras e bons pensamentos, mas o que eu queria mesmo era saber só
uma coisa: Qual é o seu potencial? Ele já teve a melhor da vida dele? Eu faria isso! Depois de todos
meus pensamentos inúteis, decidimos ir embora.
Levei comigo uns dez mini cup cakes, Juan só achou graça me chamando de formiguinha, mas mal
sabe ele o que iremos fazer com esse doce pecado...
Ao entrar no apartamento dele, Juan me agarrou na primeira oportunidade, todo aceso, todo
gostoso. Sem dar-me chance de escapar ou de pensar em algo diferente. Só que tenho uma
surpresinha... E tenho certeza de que Juan iria vibrar em minha brincadeira.
Para tentar cumprir com sua promessa de mais cedo, Juan tentou tirar minha roupa vagarosamente,
mas não deixei. Eu iria brincar, então tirei apenas a camisa dele, deixando-o só de jeans. Por
misericórdia, o que era esse homem? Um todo poderoso!
Admirei aquela barriga, aquele peitoral definido e colorido por seus imensos desenhos. Passei as
unhas de cima a baixo. Juan gemeu e me agarrou, colocando-me em seu colo, levando-me até o sofá.
Sem tirar nunca seus lábios dos meus, naquele beijo quente e com gosto de álcool. Tudo ainda estava
em efeito no corpo.
Eu não entendo ainda essa nossa fome, esse desejo sem fim. E também não me canso dessa
brincadeira... Do nosso sexo.
Assim que Juan soltou um pouco meus lábios, para percorrê-los em meu pescoço, afastei-me só um
pouco e o fiz deitar no sofá, sentei em seu colo e a delícia dele já estava imensa no meio de minhas
pernas. Como ele é cheio de tesão! Beijamo-nos feito louco. As mãos de Juan apertavam meu corpo,
forçando-me a tirar o vestido, novamente não deixei. Saí de mansinho, Juan tentou me segurar para
não parar, mas eu iria fazer algo que não esperava de mim.
Fui até a mesa, peguei alguns bolinhos e deixei ao lado dele, no braço do sofá. Juan sentou-se e
ficou me fitando, ajoelhei no chão em sua frente, passei a língua no creme do bolinho, deixando-o
todo em minha boca. Com todo charme e sedução, provoquei meu homem que me olhava com
desejos. Vontades de mim, do meu corpo. Juan estava encostado no sofá com as mãos na nuca e
revirava aqueles lindos olhos azuis. Dois oceanos, os quais tanto amo.
Em meus lábios, havia o creme doce, então ele puxou minha nuca e saboreou de meus lábios,
mordeu, e eu gemia baixinho, gostando da sensação de sua língua quente, buscando o prazer em nosso
beijo. Afastei-me novamente, Juan me fitou correr meus dedos em seu jeans apertado. Sorriu. Sabia
de minhas intenções. Eu estava de joelhos para ele, sendo a sua mulher. Sendo desejosa, a mais sexy.
Abri o botão e sentia seus pelos bem aparados do caminho da felicidade. Antes de continuar,
abaixei e beijei aquela pele lisa e firme. Seu abdômen contraiu fazendo ficar todo certinho seu belo
tanquinho. Mordisquei a barriga chegando até seu tórax arrepiado. Juan me encarava, querendo algo.
Eu daria a ele, o prazer.
Puxei seu zíper com classe, devagar, e fazendo sempre o contato visual. Analisando aquelas águas
ferventes que havia em seu tom azulado dos olhos. E seus lábios, ah, aqueles lábios molhados sendo
mordido por ele...
Gosh.
Por que ele tinha de ser tão tentador? Por que ele é tão perfeito para mim? Eu queria acabar com
ele agora mesmo até esgotar sua última energia. Puxei um pouco o jeans e meu brinquedinho
apareceu. Sorri rasgado e Juan me acompanhou. Ele estava sexy com suas mãos na nuca que parecia
uma pintura, uma obra de arte sensual e cheio de tesão. Por mim. Por nós.
Tirei toda a calça, trazendo junto a cueca. Juan sorria e mordia novamente aqueles lábios
ponderosos. Inclinei meu corpo na frente dele, Juan passava as mãos de leve em meus cabelos,
sentindo cada fio que escorria por entre seus dedos. De vez em quando, agarrava mais forte, puxando
e me fazendo soltar um riso sedutor. Peguei mais dois bolinhos e tirei todo creme de cima com o
dedo. Com a mão esquerda, segurei sua ereção majestosa só para mim e, com a direita, fiz nele um
enorme cup cake... Juan gemia fragoroso e eu estava extasiada com minha brincadeira gostosa.
– Ah Mel, puta que pariu, como você é gostosa!... – antes mesmo de eu começar, Juan já gemia.
Aprovou e sua cabeça estava para trás, já sentia todo o efeito que aquilo lhe traria. Levou as mãos no
rosto e se contorcia com meu toque, enquanto eu o deixava cheio de creme.
– Juan, olhe pra mim! – ordenei, ele tirou as mãos do rosto. – Me veja te devorar, baby! – gemi e
Juan acompanhou.
Comecei dando beijos molhados em suas coxas, subindo com a língua. Juan já gemia tanto que, às
vezes, seu corpo chacoalhava em desespero por querer minha boca logo ali. Com a língua, devagar
fui tirando o creme, de baixo até em cima, sem abocanhá-lo, somente por cima. Sem mal tocar em seu
membro e, quando a ponta da língua se aproximava, Juan dizia meu nome em glória.
Quase já sem o creme, segurei firme e deixei meus lábios escorregarem por toda a extensão de seu
membro. Eu o sentia vibrar dentro de minha boca e Juan empurrando mais e mais. Seu sabor de
creme, seu gosto de Juan e minha vontade dentro da calcinha pulsando.
Juan deixou os braços penderem ao meu lado sem quase ter mais forças, mas foi subindo devagar
dando pequenos choques em meus braços. Passou por meus ombros, chegando ao pescoço em
movimento contínuo. Segurou os cabelos da nuca, enquanto eu me concentrava em dar prazer a ele.
Somente isso que eu queria. Sentir o prazer dele em minha boca. Seu sabor era tão fascinante, que já
havia quase um líquido viscoso em minha língua. Ele estava chegando...
– Assim Mel... Sua boca é maravilhosa! – o mordi de leve. Juan se sobressaltou e puxou meu
cabelo da nuca fazendo-me olhar pra ele. – Deliciosa! Deixa eu te comer! – fiz que não. Ainda não. –
Por favor, eu vou explodir, mas quero explodir dentro de você... – gemeu, segurando meu cabelo,
para minha boca não voltar ali. Respirei forte e levantei do chão.
Juan me puxou, jogando-me na poltrona. Levantou meu vestido, arrastou a calcinha e me roubou de
vez, fazendo o que fiz com ele, mas era de uma forma violentamente prazerosa. Foram quase dois
minutos, pois eu estava no ponto de bala também, Juan percebeu meu gemido de piedade. Sem pensar
mais, colocou-me de quatro na poltrona, colocou todo seu poder devagar dentro de mim, só que não
estávamos mais aguentando de tanto prazer. Foi o tempo de duas fortes investidas e nós dois caímos
rendidos ao clímax do dia...
– Porra Mel, você é minha, a minha mulher gostosa... – grunhiu ao deixar todo seu líquido quente
dentro de mim.
– Bom dia, Carlinha! – cheguei animada. Lembrava-me de cada pedacinho louco de minha noite
cheia de sonhos e vontades.
– Hum, está animada? – abraçou-me e sentia minha energia.
– Muito, tive uma noite maravilhosa! – pisquei e na porta ele já pintava ali.
– Isso não é novidade! – ajeitou as coisas e já pegava a chave dele.
– Vem pra mim... – sussurrei.
– Pare com isso!
Opa, o sonho! Que é isso?
– Por que ele é tão... – ele chegou ao balcão em longas passadas. Lindo.
– Bom dia, meninas – aquela voz rouca...
Senhor de todos os céus, dê-me sabedoria, pois se me der liberdade, eu vou dar para esse
homem! Tenha piedade dessa mulher. Sou apenas uma humana fraca! – sorri com meu pensamento
absurdo.
Eu sei. Não me julgue!
– Bom dia! – acabei falado junto com a Carla, e isso estava bem sinistro, só faltava ele me chamar
para ir lá ao seu escritório! No entanto, ele partiu e nada disse.
– Então, Carla... – comecei a falar e fui interrompida por uma inesquecível voz, aquela do meu
profundo e sinistro sonho molhado.
– Mel? – assim que disse meu nome, meu estômago gelou. Era real? O foda seria se ele dissesse
honey. Eu o agarraria ali mesmo.
– Oi... – falei com medo e, no fundo, um tanto lascivo.
– Vem cá – sua voz roubava minha atenção, mesmo assim, arrumei forças e fui até o outro lado do
balcão.
– Que foi? – quase não saiu minha voz. Foi apenas um sussurro sedutor.
– Está tudo bem? – Richard perguntou, acho estava vendo como eu estava tensa e já cheia de
vontades ao lado dele. Ele me encarou e recomeçou. – A Mariana pediu para te dar um recado, o pai
dela vai até seu apartamento hoje, ok? – sorriu e fui derrotada por minhas ilusões. Richard poderia
ter me chamado e cumprido com o sonho. Estúpida! Rapidamente, meu lado pervertido ficou
indignado com tal atitude dele.
Que é? Queria o que porra?!
– Tudo bem – falei brava. Ele me fitou com um olhar de desculpa.
– Está tudo bem mesmo? – perguntou. Por que eu estava brava?
Ah sim, porque nada iria rolar.
– Está sim, obrigada pelo recado, caso fale com ela, avise que ele pode ir sim!
– Ok, tchau e bom serviço! – falou por educação. Apenas isso.
Não confunda, sua idiota!
Voltei bufando, Carla não entendeu, mas quando contei do sonho molhado, ela entendeu tudinho e
riu de mim o dia inteiro. Bobinha!
Sexta-feira de manhã.
– Amor, antes do almoço, passo aí para irmos, pode ser? – Juan ligou logo cedo.
– Doutor Juan Vasco, tem certeza de que quer ir mesmo nesse programa de índio no final de
semana?! É chato, já fui a vários! – tentei convencê-lo a ficarmos, mas ele queria ir de qualquer
forma. Não sei por que contei pra ele, mas também fui uma idiota, deixei o convite na estante da sala.
Argh.
– Amor, você prometeu! Será perfeito, estaremos juntinhos, vamos aproveitar cada pedacinho
daquele rancho... – Juan deixou a proposta sugestiva.
– Promete? – falei manhosa.
– Prometo. Segunda-feira irá me dizer se você se arrependeu! – sua alegria era contagiante, o
deixarei ser feliz. Mesmo isso causando-me dor do passado, só de estar lá.
– Tudo bem, vem...
Ajeitei as malas, mas a preocupação e o medo estavam juntos, nem sei o que fazer em relação a
tudo. O passado querendo ou não entrará em conflito com meu presente, mas quer saber, não quero
ficar pensando nisso, Juan estará lá para me fazer esquecer. Bem, o sedutor estará lá para me fazer
delirar em pensar ao menos, é o que posso fazer...
Por enquanto... – uma voz malvada sussurrou dentro de mim. Sorri. Abusada.
Juan chegou cheio de graça e disposição. Partimos ao tão esperado final de semana feliz com a
família da qual tanto fugi por anos. Juan terá que me recompensar e muito por me obrigar a ir, mas no
fundo, ele está adorando isso, sempre quis que eu falasse de minha família, que me aproximasse de
volta, mas eu nunca quis. Enfim, os velhos não estarão por lá, no mínimo, poderei aproveitar um
pouco. Em tese.
– Por que não queria ir? – Juan sabia a resposta, mas queria me fazer falar. Enquanto dirigia, às
vezes, passava a mão em mim com um carinho só dele.
– Porque não acho uma boa ideia ficar tão próximo. Novamente... – engasguei.
– Hum, entendi, mas vai ficar tudo bem, não vai? – afagou meu rosto.
– Acho que sim. – agora nós dois estávamos tensos e preocupados.
Há tempos não ia pra lá. Há tempos não queria contato, convivência, ou até mesmo uma
proximidade, mas parece que tudo trabalha a favor disso. Vou aguardar e ver onde isso vai dar.
O rancho fica próximo a Barretos. No caminho passamos por diversos lugares encantadores,
margeados por lindas árvores e com cheiro de verde, a natureza em seu pleno florescer, mas também
passamos por estradas sinuosas cheias de perigo. Juan foi bem tranquilo, sempre tomando cuidado,
acabou deixando-me refletir as lembranças...
Quando criança, eu adorava vir ao rancho. Era um lugar muito especial e que tinha vida e o
melhor: diversão não faltava. Eu corria esse rancho inteirinho com o Lucas, primo da Mari por parte
de mãe. Aprontávamos todas e, por muitas vezes, tentei judiar da Mari, mas ele como um bom puxa
saco dela, não deixava completar as traquinices. Já me machuquei muito caindo de árvores, até tenho
alguns pontos no topo da cabeça, também quase me afoguei no lago, numa brincadeira estúpida de
ficar na beirada fazendo graça. Se não fosse o meu tio, eu não estaria aqui para contar isso.
Eu era ótima nos esportes que praticava aqui junto a Mariana, mas como eu disse, nunca fui muito
ligada a ela, apesar de termos uma parte da infância juntas que foi até legal. Por assim se dizer,
enquanto não estava na presença infernal dos meus pais, fui feliz durante minha infância e
adolescência que passei aqui. Contudo, quando crescemos e decidimos as coisas de adulto, tudo
muda e, por muitas vezes para pior, ou melhor. Eu tive que tomar decisões cedo demais, mas que hoje
não me arrependo e tenho certeza de que foi o melhor para mim, pelo menos.
– Está pensativa – Juan puxou meu rosto, assim que chegamos à frente do imenso portão de
madeira em detalhes lindos esculpidos. O brasão da família. Estava ainda mais lindo com flores na
frente e a imensa placa: “Bem-vindos ao Rancho Folk”.
– Não, eu vou ficar bem – dei um beijo casto na boca dele e entramos.
– Uau! – Juan ficou surpreso assim que a porteira se abriu. – É só a entrada? – perguntou indignado
com o tamanho do lugar. – Isso aqui é o programa de índio que disse, Mel? – dizia sorrindo,
encarando-me.
– Você ainda não viu nada. Isso não tem fim! – sorri, disfarçando o nó na garganta.
Fomos com o carro até o lugar indicado, um estacionamento. O caminho estava ainda do mesmo
jeito, a estradinha de pedra, apenas com algumas coisinhas a mais. Flores, arbustos e muitas luzes em
volta do caminho, à noite deve ficar espetacular. Tudo aqui tem beleza, é muito chique e organizado
como a família Folk.
O estacionamento coberto é todo rústico. Lá ao fundo a imensa casa, uma linda casa de madeira,
estilo americana. Olhando-a agora bateu saudade de quando saía correndo para esse lugar mágico. O
caminho que dava para casa estava muito bem cuidado, cheio de flores coloridas e gramado
verdinho. Num caminho que era de pedra, fora substituído por piso de quartzo encantador. Juan me
olhava maravilhado com o lugar, até o ar era diferente, puro e harmonioso. A casa já estava cheia,
mas ainda chegavam alguns convidados. Assim que descemos outros três carros chegaram juntos.
Na porta de entrada, tia Estela já estava ali nos aguardando para fazer as honras.
– Olá minha querida. Como está linda! – falsa. – Seja muito bem-vinda! – ela abraçou-me forte.
– Oi tia, obrigada – olhei para dentro e meu tio recebia os puxa sacos dele. – Esse aqui é o Juan,
meu namorado – apresentei.
Quem diria que um dia minha família saberia disso!
Não que seja ruim, porque um dia todo mundo precisa sossegar e ter uma vida decente. Depois que
meus pais se mudaram para o Rio de Janeiro, parece que ficou uma espécie de responsabilidade nas
costas do meu tio. Em tudo e todos os momentos, eles tentavam ficar mais próximos, eu que fui
chatona em não deixar. Não era rebeldia, eu só queria ter meu espaço, minha vida, e apesar de toda
essa liberdade, eles sempre ficavam sabendo o que eu fazia, incrível! Não sei como, mas sabem de
minhas loucas aventuras por aí. Eles sabiam que eu saía com um monte de caras e que não queria
nunca me casar, ter uma família, ou até mesmo, desconfiavam que eu nunca quisesse ser alguém!
Deve ter sido um choque quando eles me ofereceram o emprego e eu aceitei.
– É um prazer tê-los aqui – apertou a mão dele, sinto que o analisava. – A Mariana está na quadra
com o Richard. Ajeitem suas coisas e fiquem à vontade, os dois! – cumprimentamos todos que
estavam ali, Estela nos mostrou o quarto que ficaríamos.
Tia Estela sempre foi muito falsa comigo, desde a infância. Ela detestava que a Mariana ficasse
muito tempo comigo, apesar do tio sempre ir me buscar para passear. Eu desconfio que Estela tinha
medo de Mari tornar-se uma moça como eu, bem, se ela fosse como eu, ela seria muito mais feliz.
Estela casou-se cedo com meu tio, e ela já veio de uma família podre de rica, sempre foi fresca e
rabugenta, agora quer me provar o contrário? Hã? Eu não caio mesmo nessa mudança dela. Só vou
respeitá-la porque está em sua casa, mas até o ar de forçada superioridade exala de sua pele cheia de
maquiagens e botox.
Depois desse momento “lembranças”, fomos até o grande quarto dos fundos. Ficaremos ao lado do
quarto da Mari. Estava bem diferente dentro da casa, reformaram deixando ainda mais luxuoso. Este
lugar respira luxo, glamour e dinheiro, tudo deve ter o dedo de Mariana. São diversos cômodos e
todos bem espaçosos. Cada cômodo traz seu estilo, mas nunca deixando de ter o lado rústico e
chique.
A sala era gigante, com um lindo lustre com estilo antigo divinamente ornamentado. Também havia
um TV imensa, uma estante cheia de livros, um encantador jogo de sofá em marrom escuro e uma
mesa de madeira trabalhada. Ao fundo, a sala de jantar com outra mesa que, bem, caberia umas trinta
pessoas!
A cozinha ficava ao lado da sala, bem generosa, toda planejada em marrom e bege, tendo um
brilho moderno e mobiliada com moveis rústicos dando-lhe o contraste. Passamos no corredor, com
os banheiros sociais, mais umas sete portas com alguns quartos e escritórios. Bem no fim, os dois
quartos em que os casais vinte ficariam. Mariana e Richard, Juan e eu. Isso pode não prestar...
Poderíamos fazer uma festinha, que tal?
Deixei os pensamentos sórdidos para mais tarde e analisava com cuidado os detalhes dos quais me
lembrava.
Como ainda é difícil me ver aqui...
Lembrando a infância, os momentos, os dias que eles sorriam para mim... E tudo me fazendo
lembrar os velhos! Argh. Apaguei a imagem deles sorrindo no meio de gente importante.
– Meu Deus, esse lugar é incrível! – Juan sorria encantado com o imenso quarto. – Olha isso! Essa
cama gigante, que foda, hum, já imaginou? À noite? – o safado já veio me agarrar. Eu ri dele.
– Cada segundo!... – aticei.
– Vou tomar um banho para cumprimentar o restante do pessoal, você me aguarda ou quer vir? –
seu olhar era sugestivo.
– Poderia ir, mas vamos guardar energia, pode ser? – pisquei e fui ajeitar as malas. Juan entrou no
banheiro e pude ouvi-lo falando sozinho, da imensidão do banheiro, do luxo, e tudo mais.
Eram apenas três dias.
Com a família.
Respira Mel e seja feliz.
Ajeitei as roupas, separei uma saia e uma blusinha vermelha. O dia lá fora estava lindo, mas
também calorento. Iríamos dar umas voltas para Juan conhecer o lugar. No quarto, percebi todas as
mudanças possíveis. Televisão de LED, aparelho de som, um guarda roupa embutido que pegava a
parede toda, alguns detalhes ricos que só dona Estela e Mari colocariam. Objetos de luxo. A janela
que dava para ver os fundos da casa e as duas piscinas. Até as árvores pareciam diferentes, com
vida. Bem lá trás, o espaço que eu mais gostava de ficar. Minha mesinha de pic nic ainda estava ali...
Depois de tudo pronto, ficaria confortável com tênis All Star, apenas Mari e tia Estela conseguem
ficar de salto no mato! Nem pensar que estragaria os meus aqui!
Sentei na beira da cama, esperando Juan sair para eu entrar e não poderia ser melhor minha visão:
vê-lo sair do banheiro, após um banho refrescante. Saiu com uma bermuda branca, sem camisa, ainda
com algumas gotas escorrendo de seu cabelo desgrenhado e também estava de All Star branco.
Perfeito.
– Apetitoso! – falei com a voz cheia de tesão. Juan mordia o lábio ao ver minha reação, mas antes
de qualquer ataque, Juan acertou a toalha em minha bunda, entrei rindo alto para um banho rápido.
Realmente até o banheiro ganhara vida e luxo. Estava com uma banheira imensa, todo decorado num
verde-bebê, com um ar leve e harmonioso.
Após o banho, saí fazendo graça pra ele, remexendo meu corpo na sua frente.
– Você está deliciosa com essa saia! – chegou pertinho e me agarrou. – Tenho planos... – sussurrou
em meu ouvido.
– Não é a única, trouxe várias, é mais fácil... – beijei a boca dele que estava vacilando em minha
frente. – E esses planos são para agora? – perguntei ainda mais atiçada com a ideia.
– Não, para mais tarde! – piscou e deixou-me na vontade. Colocou a camisa pólo azul-marinho.
– Juan. Agora! – ordenei batendo o pé. Ele se aproximou tocou embaixo da saia, passando a mão
na calcinha, indo até a parte de trás. Fazendo-me pirar.
– Mais tarde, honey! – puxou meu lábio inferior numa mordida leve. E saiu rindo. – Vamos, seus
familiares nos aguardam! – cara de pau.
– Argh! – bati o pé e parti junto dele. Assim que passei pela porta, recuperei as forças.
Passamos pela sala e alguns que haviam chegado nos cumprimentaram. Juan segurava minha mão e
sentia o frio nela quando algum idiota perguntava sobre meus pais. Ele estava ali para ajudar, para
me apoiar. Tio Jorge disfarçava e pediu para eu ver a Mariana lá na quadra de tênis.
– Riquinhos idiotas! – cuspi as palavras assim que saí da sala.
– Relaxa! – beijou meu rosto tentando me acalmar. Fomos até a quadra e ali estavam os dois.
Cansados da partida.
– Oi prima! – Mari largou a raquete e veio me abraçar. Retribuí o abraço. O gostoso do Richard
estava nos encarando. Na mesma hora veio o sonho em mente, balancei a cabeça e esqueci. – Que
bom que vieram. Será um belo final de semana! – disse convicta.
– Oi Mari, vai sim! E aí, já está se aquecendo? – lembrei-me de todas às vezes que ganhei dela.
Ela sempre chorava, queria ser a melhor em tudo. Agora poderia ter a revanche! Ela parecia ler meus
pensamentos, minhas lembranças toscas.
– Sempre! – piscou. – Olá Juan, espero que goste deste lugar que é tão especial para nós, não é
Mel? – Ela o abraçou e analisava minha feição.
– É sim, ele vai gostar! Oi Richard – falei apenas e ele acenou com as mãos.
– Olá Mel. – ah, puta merda! Por que ele faz isso? Disfarcei o choque que levei dentro da
calcinha e Juan o cumprimentou com um aperto de mão.
– Mel, vai mostrar ao Juan o lugar! – Mari sugeriu.
– Vou sim, depois quero uma partida, hein?! – deixei o desafio.
– Opa, estaremos aqui! – riu sem jeito. Richard e Juan me olhavam.
– Vai treinando – pirracei.
Agarrei a mão de Juan e fomos dar uma voltinha.
– Você é má! – Juan cutucou-me assim que saímos da visão deles.
– Por que diz isso? – sorri e ele me fazia cócegas.
– Sei. Até parece que não conheço esse ar de desafio seu! A Mariana ficou até com vergonha.
– Eu sempre ganhei dela, é por isso! – dei de ombros e ele me beijou com carinho.
Mostrei as três quadras, até me surpreendi com as tais mudanças. A coberta de vôlei, a de basquete
e o espaço com três cabines de tênis onde eles estavam. As piscinas. O imenso campo de golfe, onde
meu tio e seus amigos já jogavam. O campinho de futebol, o salão de jogos. E minha parte favorita, a
árvore de jabuticaba, que já estava carregada da fruta. Sentamos na mesinha onde eu tive bons
momentos felizes e ainda tinha meu nome, da Mari e Lucas, primo dela e meu paquerinha de épocas
boas.
– Isso aqui é lindo! – comentou.
– É sim, passei uma boa parte de minha infância aqui. Adoro esse espaço. Essa jabuticabeira é tão
antiga aqui e essa fruta é uma das minhas preferidas, por sorte, está na época! Depois pegaremos um
monte. – falei animada, talvez ele estivesse feliz com minha alegria. – Essa festa que acontece é
anual, desde que compraram aqui e já faz uns seis anos que não venho... – minha voz foi sumindo.
– Por que nunca me contou daqui? – passou as mãos em meu rosto.
– Não sei.
– Seus pais têm parte aqui?
– Tem – dei de ombros e olhava um ponto na jabuticabeira.
– E por que você não vem pra cá? Para passear pelo menos.
– Porque não é meu, é deles – calei e fiquei de cabeça baixa.
Queria parar de falar nesse assunto que chegava até eles. Juan compreendeu e não me perguntou
mais, deixou-me à vontade para dizer caso quisesse. O dia estava acabando, à noite chegando, mas
mesmo assim, o ventinho dizia que poderia mudar o tempo, estava com cara de chuva, mas o calor
ainda invadia à noite.
Voltamos da caminhada e deixei Juan com meu tio e Richard. Eles ficaram próximos à casa do
lago. Tio Jorge falava de suas histórias aos dois. Fui até a quadra e fiquei sozinha batendo com a
raquete as bolinhas na parede. Fazia tempo que não jogava nada.
‘Tô toda enferrujada.
Depois de meia hora, suada e cansada, fui para a varanda, sentei para descansar e Mariana
aproximou-se.
– Lá vai meu pai alugar os dois! – sentou-se na cadeira ao lado.
– Deixa ele, isso aqui é a vida dele, é todo orgulhoso por ter feito tudo!
– É sim, fico orgulhosa de ele ser tão ativo! Tão cheio de vida! Se importar com as pessoas a sua
volta, é dedicado demais. E ele está muito feliz com sua presença – assim que ela terminou de falar,
senti a saliva tentando descer carregada de amargura e medo pela garganta.
– Estou feliz por estar aqui – falei seca. Sem emoção.
– Obrigada por ter vindo, de coração – passou a mão com carinho na minha que estava no braço da
cadeira. Pigarreei. Juan e Richard se aproximaram.
– Seu pai é um barato! – Juan disse a Mari.
– O que ele dizia? – ela beijou Richard e os dois sentaram conosco.
– Estava falando de toda reforma que passou, de como gosta daqui. Das loucas aventuras! –
Richard disse a ela e o flagrei olhando minhas pernas. Cruzei e o olhei, ele desviou o olhar.
– Estava combinando uma partida de pocker! – Juan disse alegre.
– Hum, perfeito! – Mariana se empolgou.
– Valendo o quê? As roupas? – dei um riso alto e Juan me encarou sorrindo. As caras de Richard e
Mari foram engraçadas. – Brincadeira! – Juan sabia que poderia ser verdade e adoraria a ideia, mas
só com ele.
– Depois do jantar, nós podemos ir lá ao salão e jogar! – Mari levantou e puxou Richard junto. –
Vou descansar um pouco, depois entrem para o jantar! – avisou.
– Tudo bem, obrigada – agradeci.
– Vamos dar uma voltinha? – Juan sussurrou em meu ouvido.
Convidativo.
– Tem certeza? – perguntei rindo.
– Claro.
Chegamos à mesma mesinha de pic nic. Sentamos e Juan tirou a camisa.
– Nossa, já? – perguntei rindo. – Não terá nem preliminares?! – brinquei e ele me fitou com um ar
de tarado.
– Está muito calor, queria fazer isso faz tempo, mas por respeito, fiquei com a camisa. Agora aqui,
somos só nós dois... – sua piscadinha encantadora. Juan começou a me beijar lentamente e puxava
meus lábios. A vontade já estava em nós. Ele se levantou e puxou meu corpo, sentando-me na
mesinha, não estava pra brincadeira e não queria esperar nada. Ele me queria ali.
– Juan, estou suada e salgada, estava jogando. Vamos entrar e tomar banho juntos! – sugeri. Só que
Juan lançou um olhar tão quente, me olhando inteira. Aproximou-se e deixou minhas pernas abertas.
Ficou com as mãos em minhas costas, indo até o fecho do sutiã. O tirou e colocou no bolso traseiro.
– Hum, então está do jeito que gosto, honey, molhada e salgada... – gemeu em meu ouvido,
passando a mão em minha perna já arrepiada. Ele adotou esse apelido e sempre que dizia me fazia
lembrar o sonho, mas quando toca em mim, é apenas ele. Só ele...
– Você é tão... – gemi.
– Gostosa... – sussurrou novamente puxando meu cabelo preso no rabo de cavalo.
– Apetitoso... – deixei rolar os beijos e o puxava mais próximo possível.
Ele me beijava forte, suas mãos entravam em contato comigo. Puxou um pouco meu corpo e tirou a
calcinha habilidosamente enfiou no outro bolso. Assim que puxou novamente um pouco mais para
frente, senti uns pingos em mim. Estava começando a chover.
– Juan, vamos entrar, está começando a chover! – ele parecia não me escutar, estava com os lábios
em diversas partes, me saboreando.
– Shh, é ainda melhor! Ninguém vê nada... – gemeu as palavras em meu ouvido. Isso era o auge da
excitação.
Ainda bem que ele é alto, pois ele deliciava meu corpo na mesinha, curtindo cada pedaço, a chuva
fazia nossa pele se arrepiar com cada pingo, os beijos dele eram quentes juntos ao frio de cada gota.
Era tão excitante... Ele só não podia tirar minha roupa, mas aproveitava cada espaço por baixo dela.
E me apertava contra ele... Senti sua firme ereção no short, eu roçava nele, estava cada vez mais forte
nossa vontade.
Não aguentando mais, Juan abaixou seu short, apenas na região necessária, puxou-me com cautela.
Sem tirar os olhos de mim, uma de suas mãos, alisava meu rosto, tirando as gotas de meu olho,
passava por meus lábios impacientes pelos dele, com toda paixão e doçura, encaixou-se
perfeitamente para ficar dentro de mim...
Ah, meu amor!
Que demais eram seus movimentos lentos, cautelosos, precisos. É disso que eu falo, o prazer
inigualável de ser desejada da melhor forma possível. O sexo nos aproxima em todas as formas e
jeitos. Um sexo feito com amor é melhor ainda. A sensação dos deuses... Juan sugava meu pescoço,
tirando-me do meu devaneio. Ele me trouxe novamente e curtia nosso precioso amor na chuva...
Ah, puta merda, como é gostoso fazer amor na chuva... – pensava enquanto ele preenchia-me cada
vez mais forte e lento em cima da mesa.
Forte...
Mais uma vez Juan...
Vem... – sussurrava no pé do ouvido dele, e podia ver o arrepio em sua pele. Era agora...
– Ah, Mel, eu amo você... – Juan gemeu nos entregando ao clímax no meio da chuva.
O prazer do gozo explodindo em nossos corpos...
Ele desabou em mim e a chuva nos curou desse momento mágico.
– Minha nossa, onde vocês estavam? – tia Estela veio até a porta com duas toalhas. Juan e eu
parecendo dois pintinhos molhados. Sorrimos juntos olhando na sala, Richard e Mari nos encaravam
sorrindo, como se soubessem de algo. Meu sutiã e minha calcinha estavam ainda nos bolsos do Juan,
eu não conseguiria colocá-los de novo, principalmente o sutiã. Então entrei tapando e segurando
meus seios, mas havia alguns olhares naquela direção. Richard deveria saber disfarçar. Só digo isso!
– Perto da jabuticabeira, começou a chover e até chegar aqui... – disfarcei, mas fazia uns vinte
minutos que chovia e de onde estávamos não levava nem dois para chegar.
– Vão tomar banho, antes que fiquem doentes! – tia Estela sorriu e talvez também saiba o que
fazíamos. Nem liguei. Depois de nos secar, fomos para o quarto e ficamos rindo da situação.
– Ainda bem que não tinha nenhum daqueles velhos! – falei rindo e Juan estava só de boxer. Lindo.
– Ainda bem mesmo, senão eles ficariam te olhando toda molhadinha e gostosa! – piscou e deitou
na imensa cama. Era tão lindo ele ali de bruços e todo cheiroso.
– Vou tomar banho, descanse para mais tarde! – beijei seus ombros e desci para o meio das costas
brincando com a língua.
– Isso é bom... – gemeu, mas fui antes dele se cansar mais.
A noite caiu logo, jantamos, comemos jabuticaba, jogamos, rimos e nos divertimos assistindo
algumas comédias românticas. O sono bateu logo, Juan e eu nos retiramos, Richard já dormia no colo
da Mariana. Deixamos para mais tarde nossas brincadeiras e dormimos bem.
O café da manhã bem recheado foi demais, ficamos a manhã inteira estufados de tanta coisa que
beliscamos. Mariana foi andar a cavalo, Richard e Juan foram jogar golfe com meu tio e o bando de
velhos ricos. Tia Estela decidiu fazer uma caminhada e mostrar seu lindo rancho às mulheres também
endinheiradas. Fiquei sozinha na quadra de tênis. À tarde, teria a partida com a metidinha.
Deixei tudo e fui vê-los jogar golfe. Era tão excitante ver Richard e Juan juntos. A visão do
paraíso. Fiquei de longe, Juan parecia bem concentrado em suas tacadas. Assim que jogou, me
aproximei deles.
– Oi amor! – ele parecia radiante.
– Que alegria é essa? – perguntei abraçando-o e dando beijos castos naqueles lindos lábios
macios.
– Por que não me disse que seu namorado era profissional? – tio Jorge perguntou.
– Hã? – fiquei sem entender.
– Que nada, foi pura sorte! – Juan dizia sorrindo.
– O que aconteceu? – perguntei ao grupo que estava ali.
– Seu namorado fez um incrível hole-in-one! – tio Jorge dizia orgulhoso.
– Jura? – falei brincando com ele. – Acertou de primeira?! – ele tem esse dom. Acertar de
primeira.
– Foi sorte! – Juan sorria e sei que adorou os elogios.
– Sei bem. – falei olhando quente pra Juan, meu tio não percebeu meu olhar, mas riu dele e
continuaram a partida.
O deixei jogando. Tomei um copo de suco e aproveitei para fazer uma caminhada. Cheguei até
correr um pouco. O sol estava agradável e estava quase perto da hora do almoço. Deu para aquecer e
suar um pouco, perder um pouco de calorias ganhas.
Olhei para o imenso campo em que aqueles homens sorriam ao ver a bolinhas brancas correr. Juan
havia trocado de grupo, agora estava com uns desconhecidos. Aproximei e o chamei fazendo charme
com uma frase de nossa canção favorita.
– Ton rire me crie de te lâcher... – falei para Juan, próxima ao grupo.
– Le bonheur aux lèvres, un peu naïvement, et on marche ensemble, d'un pas décidé, et moi je
t'aime un peu plus fort… – ele me abraçou com seu sotaque lindo e um francês invejável.
– Vem me ajudar aqui, Sr. Vasco... – falei manhosa e os velhos ficaram nos encarando. A juventude
do amor.
– Bien Sûr, mon amour – segurou minha mão e conduzindo-me a sua frente. Ouvimos ainda algum
deles dizer: Juventude, amor à flor da pele. Sorrimos com alegria.
– Onde estava? – perguntou me abraçando.
– Correndo.
– Hum, e o que quer? – duas levantadinhas de sobrancelhas, perfeitas.
– Tomar banho! Ali – apontei para o vestiário.
– Sério?
– Aham, vamos? – perguntei quase agarrando-o ali mesmo.
– Opa, tô dentro.
– Essa é a intenção! – pisquei e o puxei.
Juan entrou primeiro, logo em seguida puxou-me, encostando-me na parede. Não havia ninguém
ali. Aproveitamos. Ele me beijava em vários lugares, era sufocante não conseguir acompanhar
aquelas mãos que tiravam minha roupa, aqueles beijos...
Havia uma parede que parecia um box enorme, atrás dela tinha alguns chuveiros e uma bancada de
um grosso mármore de ponta a ponta na parede. Juan me colocou em cima dela e foi arrancando cada
parte de minha roupa, sendo ainda mais sedutor ao me despir. Tirou a camiseta e sua bermuda de
sarja solta mostrando sua entrada linda, seu caminho da felicidade. Beijei seu tórax, pescoço e Juan
brincava comigo. Só pode! Deixando sua língua percorrer cada milímetro de meu corpo necessitado
dele.
– Olha só que eu trouxe! – mostrou-me uma bolinha de gel vermelha.
– Hum, você quer brincar de quente ou frio? – agitei-me ainda mais ao ver a cápsula de gel do
prazer. Ao introduzi-la, a cápsula estoura dentro da vagina, proporcionando tanto o frio do gel quanto
o quente. É demais a sensação...
Juan me preparava com o dedo para colocá-la, apenas acariciando uma área que já estava bem
atiçada. Molhada...
– Onde arranjou isso? – perguntei intrigada.
– As mulheres lá do consultório estavam vendendo um monte de coisa, comprei também um gel... –
dizia me seduzindo.
– Que safadas suas funcionárias! São garotas por acaso? – perguntei brava e ele estava com a mão
no meio das minhas pernas, massageando meu sexo. Minha nossa...
– Não, são velhas! – falou firme.
– Velhas safadas! – falei rindo e gemendo.
– Você não viu nada! Elas falam cada coisa, que fico embasbacado! – beijou-me novamente. – Mas
agora fica quietinha honey, vou colocar... – enfiou devagar e analisando minha expressão. Eu
revirava os olhos com o prazer que ele me dava. Com seu carinho e cuidado.
– Minha nossa, Juan... – murmurei alto, gemendo.
– Shh, fala baixo... – voltou a me beijar.
Quando Juan decidiu tirar tudo, ouvimos um barulho, uma batida forte em algum armário que tinha
no vestiário e um chuveiro sendo ligado. Puta merda.
– Juan? – falei baixinho, ele tapou minha boca, porque comecei a rir.
– Quem está aí? – Juan perguntou e foi até a beira da parede, ficou com a metade do corpo
olhando.
– Juan... – sussurrei e ele abanou a mão para eu ficar ali. Mesmo assim fui encaixando a blusinha,
subindo o short e a bolinha dentro de mim, ela poderia estourar a qualquer momento, fiquei tensa e
estava sentindo muito prazer por isso, mas vai saber quem estava ali?
– Oi e aí?! – a voz disse e, cacete, era o Richard! – Não vi que estava aqui! – comentou. Ai, meu
Deus, será que estaria nu também? O chuveiro tinha sido ligado! Meu corpo vibrou e eu sentia a
bolinha.
Céus, quanto prazer...
– Pois é, a Mel estava passando mal... Estou dando um remédio a ela! – voltou a me olhar e sorriu.
Safado. Juan não tem nem vergonha de dizer isso. O chuveiro desligou.
– Ah, só vim tomar um banho antes do almoço! Depois faço isso... – ouvi Richard rindo.
Delícia.
Será que ele sabe que estou aqui? Será que ele me ouviu gemendo? – Ela está bem? – não sei se
foi por zombaria ou por preocupação, ouvi os dois rindo e Juan balançando a cabeça que sim. Hã?
– Ela só está com dor de cabeça! – Juan disse com sua voz de brincalhão. Porra, que merda esses
dois estão falando?
– Hum, sei. Dá um remédio que passa – senti que Richard ria de novo. Eu já estava constrangida
com isso.
– Espero que a cabeça passe! – Juan brincou, os dois riram.
– Juan! – sussurrei e ele abanou as mãos de novo.
– Ok, daqui a pouco eu volto então! – ouvi os passos do Richard.
– É só uma rapidinha! Quero dizer, é rapidinho! – Juan soltou uma gargalhada. Filho da puta!
Estava me zoando.
– Juan! – adverti um pouco mais alto.
Os dois riam. Dois bobos.
– Ok, tenho que ir! – Richard falou e Juan saiu da onde estava, colocou uma toalha dobrada na
frente do short e acho que acompanhou Richard até a porta.
– Valeu! – Juan trancou a porta e, ao voltar, veio com tudo!
Sem mais balelas, sem mais gracinhas. Ele queria mais de mim e teria... Seu olhar selvagem, sua
respiração entrecortada e aquela boca me devorando. Ele entrou e a bolinha explodiu dentro de mim
num prazer glacial, o frio me pegou de jeito e Juan mexia dentro de mim, com todo meu júbilo e
minha emoção ali. Era ainda mais excitante saber que tinha gente lá fora, que sabia o que nós aqui
dentro fazíamos um amor louco, selvagem, saboroso, tentador. Juan pegou meu ritmo. Nós dois
estávamos num movimento arrebatador, incrível, sensacional, sentia-me completamente preenchida
por aquele amor, por aquele sexo... Ele apertou com mais força meus quadris, parou de me beijar,
encarou-me firme e a sensação intensa pulsou em nossos corpos, tudo latejava... Juan me deixou tão
farta do meu orgasmo e logo em seguida, pendeu a cabeça para trás, enterrando seu corpo ainda mais
fundo ao meu... Estávamos entorpecidos e inundados por esse prazer sem fim...
Coloquei uma sapatilha baixa e um vestido floral curtinho. A noite estava agradável, apesar de que
mais tarde poderia chover novamente. Juan lindo em sua camisa pólo branca e uma bermuda jeans
escura. Estava sexy.
Na mesa de jantar, todos conversavam sobre seus negócios. Fiquei sentada com Juan na varanda
tomando um vinho, curtindo as estrelas. Na hora do discurso, tio Jorge foi épico. Como sempre,
falando bem e emocionando a todos. Mencionou meus pais e agradeceu minha presença e de Juan.
Que seríamos bem vindos a sempre estar ali. Servimo-nos de um bom jantar, cheio de risadas e muita
coisa boa e chique.
Descansamos tomando ainda vinho no salão localizado ao lado da casa, Mariana colocou um som
de fundo. Alguns já faziam alguns passinhos, Juan e eu já estávamos agitados. O vinho estava me
dando um efeito bom e nele também. Dançamos até quase meia-noite.
Foi à última vez que olhei no relógio. Quando dei por mim, estava no quarto e Juan na minha
frente, dando uma de gogo boy sexy fazendo strip-tease, não contive a risada. Ele continuou a dançar
e fazer graça. Tirou a camisa e jogou em mim. Do outro lado, ouvíamos um barulho da televisão,
apenas isso.
– Será que eles não fazem nada? – perguntei rindo. O álcool me deixou assim.
– Vamos mostrar a eles como faz! – deu duas levantadinhas de sobrancelhas, mostrando um pote de
Häagen Dazs, no sabor CherryVanilla, que tinha pego lá na cozinha.
Sorri com sua malícia e ele foi me puxando para a ponta da cama. Com minhas unhas poderosas,
arranhei seu peitoral tão lindo e sexy, ele gemeu. Abri com cuidado o botão de sua bermuda e, com
os dentes, abaixei o zíper, mordisquei toda a volta da cueca, fui subindo com a língua até seu pescoço
e desci novamente mordendo e fazendo círculos com a língua. Senti sua ereção. Dei uma colherada
no sorvete e o abocanhei, o gelado do sorvete e o quente de meus lábios, era uma mistura deliciosa,
Juan revirava os olhos e sua respiração saia por entre seus dentes, sua boca linda numa linha fina.
Segurando meus cabelos entre os dedos, fazendo-me mexer em movimentos leves. Juan gostava de
meus lábios, então aqui estavam eles, em seu membro que tanto amo, com gosto de baunilha e cereja.
Espalhei outra quantidade e suguei, Juan soltou um gemido alto e foi para trás, repreendendo-me
antes dele chegar ao clímax.
Deitou meu corpo na beira do colchão, na quina da cama, levantou a barra do vestido até a altura
dos meus seios, colocou uma colher cheia em meu umbigo, esperou derreter um pouco e lambia onde
o piercing estava, desceu sua boca em meu corpo, em meu sexo latejando por ele, sugando-me,
fazendo o mesmo que eu tinha feito em si, era tão excitante que gemia bem alto, alto demais, mordi o
lábio e Juan me olhava fascinado, puxou minhas pernas na altura dos quadris dele, entrando em mim.
Lentamente...
Torturando-me em cada movimento... E seus lábios com o meu gosto e do sorvete. Gelado e
quente. Sensual e casto. Era a mistura mais interessante dele.
Era muito lento, lento demais...
Ah, seus dedos ajudaram na brincadeira... Tanto embaixo, quanto em meus seios...
Gemi... Alto...
Não se passaram cinco minutos e ouvimos um gemido do outro quarto.
– Está funcionando! – beijei a boca dele e Juan me levantou.
– Acho que está todo mundo dormindo e outros estão ocupados, vamos à piscina terminar o que
começamos? – perverso e excitante.
– Só se for agora! – coloquei o biquíni para disfarçar e ele uma sunga. Saímos de fininho e lá no
quarto o bicho pegava. Passamos despercebidos e ali naquela água cristalina, sentei em seu colo,
cavalguei devagar, deliciando-me nele todinho, sentindo sua pressão e seu desejo por mim. Com seus
carinhos nos lugares certos, Juan me roubou de vez e terminou o que começou...
– Essa piscina é demais! – deu um beijinho em minha nuca e sussurrava entre meus cabelos soltos.
– Demais foi o que fez comigo!
Nadamos um pouquinho para disfarçar e voltamos ao quarto. No meio do caminho, encontramos
Mariana com um copo de água e toda descabelada.
– Olá, boa noite! – brinquei com ela.
– A-a-oi-oi. O que faz aqui? – perguntou vendo nós dois molhados.
– Estávamos na piscina! – falei rindo, ela enrubesceu.
– Ah sim, estão sem sono?
– Um pouco, por quê?
– Poderíamos jogar cartas, o que acha? – ofereceu.
– Boa! – Juan se manifestou.
– Então, vamos! Só vou colocar uma blusinha e nos encontramos aqui na sala! – voltamos para o
quarto. Coloquei apenas um short e uma blusinha por cima, Juan pediu para ficar sem camisa, estava
morrendo de calor, não reclamei em ficar vendo aquele belo corpo.
– E aí, o que vamos jogar? – assim que entramos na sala, eles já estavam lá e trocavam beijos.
Mariana deu uma bela secada em Juan, nem liguei, ele é lindo mesmo. E outra, eu olho para noivo
dela, sonho com ele, uma olhadinha não era nada! Assim como Richard me encarou, eu o encarei, só
que ele estava de regata e, uau, seu tórax é bem gostoso e musculoso, seus pelos bem aparados no
peito que tanto queria ver, sentir. E olha só, Richard tem uma tatuagem no braço esquerdo, eu só o
vejo com roupas sérias e agora, estava quase à vontade, poderíamos todos ficar à vontade! Nus!...
Irrá! – minha mente dava cambalhotas por esse pensamento. Seria a glória!
Começamos jogando buraco, jogou Mari e eu, Juan e Richard na dupla. Eles ganharam na primeira
e ganhamos as duas seguidas. Devoramos um pacote de amendoim, uma caixa de chocolate e uma
garrafa de coca. Não queria mais álcool, já estava bem curada de mais cedo.
Era quase perto das quatro da manhã, Juan pediu licença disse que estava muito cansado, Mari
estava capotada ao lado do Richard, eu e ele ficamos jogando dominó.
– Quer apostar que ganho essa, Senhor Mistério? – o desafiei.
– Ah é? Duvido! – sua olhada em mim foi fatal. Eu queria acabar com ele. E toda vez que me
olhava, fazia lembrar o maldito sonho. Argh.
Richard, pare com isso, porra! – tentei me acalmar.
– Apostar o quê? Uma peça de roupa?! – falei baixinho, pois a Mari estava ali.
– Você é direta! – sorriu, desarmando-me. – Aposto. – falou firme. Eu queria perder agora mesmo.
– Fechado! – ri e Richard fez o mesmo. Só para acabar comigo.
Filho da puta gostoso!
O jogo prosseguia e Richard me atiçava em cada pedra que virava, cheio de sedução. Ele acha que
não estou vendo o que está fazendo! Fazendo-me perder o juízo e, francamente, estava conseguido.
Puta merda. Concentre-se, Mel!
Eu queria ganhar, só para vê-lo tirar ao menos a camiseta. Ao mesmo tempo, queria perder, só para
ele me ver tirar uma peça que fosse! Seu olhar ficava muitas vezes perdido e Richard tem um charme
único, um olhar selvagem. Eu não conseguia muitas vezes me concentrar, parece que fazia de
propósito em me deixar anestesiada com seu encanto. Era impossível se concentrar, flagrava-me
muitas vezes de boca aberta e só percebia quando ele ficava por muito tempo olhando, esperando
minha vez de jogar. Esse sorriso. Aquela boca. O sonho! Argh.
Agarra-me baby e me chama de honey... – meu corpo gritava por dentro. Por essa vontade.
– Bati! – Richard falou baixinho, colocando sua última peça! Como não vi isso? Eu ainda estava
com duas em mãos.
– Hum, interessante! – falei, ele me olhava curioso.
– Por quê? – perguntou mordendo aquele lábio que parecia delicioso, molhado e macio.
O sonho. Honey... – tentei recuperar a voz e o juízo perdido na frente dele.
– Por nada, tudo bem, aposta é aposta! – disse com sinceridade. Richard travou no lugar. Estava
me encarando, segurando o sorriso.
Ah, Richard, você é um grande filho da puta! – sorri ao pensar isso dele. Coitada da mãe dele.
Como estava com uma blusinha apertada demais, dava pra segurar em ficar sem nada por baixo.
Apesar de ela estar ainda meio molhada do biquíni, mesmo assim enfiei a mão por baixo dela e puxei
o fecho do biquíni que estava por baixo. Como estávamos sentados no chão, Richard se ajeitou e
ficou segurando os joelhos, me olhava toda e sorria escancarado. Sem vergonha nenhuma naquela
cara linda. Abri e puxei o biquíni. Ele olhou diretamente aos meus seios que já estavam atiçados.
Encarei aqueles olhos castanhos vibrantes, diria até que estavam risonhos.
– Pronto, quer outra? – ralhei deixando a voz como desafio, eu queria ganhar desta vez!
– Ou-outra peça? – perguntou gaguejando e confuso.
– Não, outra partida! – falei rindo, pois ele parecida fascinado.
– Não será necessário, deixe para outro dia, estou exausto e já ganhei mesmo! – sorriu perverso.
– Você é esperto! – falei baixinho bem próximo dele.
– Sou. E sou muito, pois roubei e você nem percebeu! Boa noite, Mel... – sussurrou bem perto.
Tirando todo o juízo que me restava ao lado dele, apertou meu queixo e fechou minha boca aberta
com as pontas dos dedos e ao levantar, tocou a peça no qual tinha deixado errado para ganhar. Claro,
Richard roubou na cara dura, ele só queria ver uma peça fora, seria isso?
Safado.
– Vai ter o troco! – dei uma piscadinha, levantei e fui para o quarto. Sinto que ficou me olhando até
lá...
Logo de manhã, Mari e Richard estavam na quadra de tênis. Assim que Juan e eu chegamos,
Richard me encarou desconfiado, safado e segurava um sorriso. Ele estava de óculos, mas sinto que
me olhava inteira. Com a blusinha branca novamente apertada, fui para jogar. Hoje seria dois contra
dois. Jogou cada casal junto, depois trocamos e, na sequência, cada um ficou em uma quadra e
Richard veio jogar comigo.
– Vai querer apostar agora? – falei séria, mas queria rir dele.
– Você ganharia, não tem como manipular aqui! – disse baixo.
– Que ganhe o melhor! – falei e dei as costas.
Comecei sacando. Aquilo ali era fácil demais, parecia que Richard estava sim manipulando o
jogo, eu ganhava quase todas! Meu braço cansou de sacar, mas foi muito divertido.
– Daqui a pouco vamos embora. Queria sair depois do almoço, o que você acha? – perguntei
baixinho para o Juan.
– Perfeito. E aí, o que me fala do seu final de semana? – perguntou fazendo carinho em meu cabelo
bagunçado.
– Você me disse que era pra te dizer na segunda!
– É verdade! – beijou e entrou para um banho, antes do almoço. Eu fui até o vestiário, ali não teria
ninguém, o povo da festa ficava tão isolado e no campo de golfe, apostando muito dinheiro! As
mulheres ricas, nem sei qual seria a distração delas, o que tanto conversavam! Agora sim, nós jovens
aproveitamos muito.
Como o vestiário ficava atrás da casa, não entraria ninguém e se entrasse eu escutaria. Gostei
muito do chuveiro daqui, é tão relaxante, quente, a ducha bem forte. Fora o xampu daqui que era
delicioso e como poderia ter em um vestiário cremes da Victoria’s Secret? Só aqui mesmo!
Relaxada e cheirosa, sequei-me devagar, até as toalhas fofinhas eram diferentes de qualquer uma
que já vi em minha vida. Longas toalhas brancas, bordadas o sobrenome “Folk”. Eu teria direito
disso tudo, mas não é o que busquei e nem o que quero para minha vida. Apesar de todos terem sido
receptivos, eu só estou muito feliz e satisfeita com esse programa de final de semana com a família,
porque eles não estavam aqui! Só por isso, senão teria sido o inferno!
Deixei meu momento mulher-rebelde-pare-de-pensar-nisso, terminei de me secar, coloquei a
calcinha, sutiã e a toalha no cabelo. Fui até o banquinho que deixei a roupa e, ao sair do box, não
poderia ser verdade...
– Opa! – falou, porém não tirou os olhos de mim.
– Uau, o que faz aqui? – perguntei e seu olhar curioso estava sobre mim.
– Não sabia que estava aqui! – disse segurando o sorriso lascivo. E seu olhar estava brilhante.
Minha nossa, tudo vibrou dentro de mim.
– Não sabia, Richard? – coloquei a mão na cintura.
– Não, porém, é-é, Mel, você está... Uau... – apontou para meu corpo.
– Minha nossa! – peguei uma toalha de rosto que estava pendurada e coloquei na frente. Com seu
efeito em mim, tinha me esquecido que estava de sutiã e calcinha.
O sonho. Honey... – porra, de novo!
– Não vou me desculpar por isso... – Richard falou me encarando, abaixando os braços em direção
à bermuda jeans. Como se estivesse escondendo algo. Seria uma ereção?
Hum, que delicioso.
– Deveria! – falei sorrindo rasgado, só para perturbá-lo me aproximei.
– Mel? – ouvi entrando no vestiário. Olhamo-nos desesperados. No susto, empurrei Richard para
dentro do box, peguei minhas coisas e fui em direção à voz que entrava. Era Juan.
– Oi amor – tentei deixar a voz estável.
– Oi, me disseram que você tinha vindo pra cá! – beijou-me, fui logo colocando o vestido.
– Quem disse? – perguntei agoniada, se me viram entrando, vai saber se não viram o Richard?
– Um dos amigos de seu tio. E aí, está pronta, vamos almoçar?
– Vamos sim – falei desconfiada. Ajeitei tudo e fui embora deixando Richard lá dentro. Espero que
ninguém o veja saindo.
Fiquei tentando ver se alguém tinha visto algo, mas nenhum olhar desconfiado sobre mim. O
almoço foi um grande churrasco, delicioso e recheado de carnes nobres, muita salada e uma mesa
linda de frutas e sobremesas.
Depois do almoço, estava comendo um pedaço delicioso de quindim, Mari sentou do meu lado.
– Gostou do final de semana? – perguntou receosa.
– Gostei sim, obrigada por ter me convidado – falei agradecida.
– Sabe que aqui também é seu! Isso tudo nos pertence, Mel. – não a encarei, ela resolveu mudar de
assunto. – Você e o Juan são bem quentes, não é? – perguntou rindo e, nossa, que mudança de assunto!
– Por que diz isso? – encarei-a rindo.
– Vocês têm um calor que só de chegar perto, já se sente! – disse ficando rubra.
– Aprendi muito com ele, está me fazendo bem – falei suspirando.
Toda verdade, meu coração derreteu com essas verdades. E melhor, me mudou completamente,
antes eu ditava as regras, o que mais queria e desejava fazer, hoje, fazemos juntos. Do nosso jeito.
– Isso é maravilhoso e, me desculpa, mas vocês fazem de um jeito, hein! – corei ao vê-la dizer
isso. Tudo bem que sou uma descarada, mas ouvir assim, ela poderia ter deixado guardada essa.
– Céus, vocês ouviram alguma coisa? – fingi. Sei que ouviram, mas ela me dizendo é outra coisa!
– Aham, me desculpa dizer isso, mas foi empolgante! – ela sorria corada, fazendo-me rir também.
– É fogo não é?! – falei rindo.
– Ô, se é! – ela concluiu.
Segunda-feira.
– Então, o que me diz do seu final de semana com programas de índio? – disse Juan cheio de
graça.
– Bem, vamos lá: Primeiro, estou dolorida em diversos lugares, minhas pernas, minhas costas,
meus seios estão inchados e até o meio de minhas pernas, bem aqui ó, dói! – apontei meu sexo a ele.
Juan caiu na risada. – É sério! Tudo dói em uma proporção gigantesca. Tudo culpa sua, mas valeu
muito ter ido, foi delicioso! Segundo, fomos o casal mais apaixonado daquele rancho, inspiramos a
muitos. Um brinde a divindade sexual! Somos fodões! – concordou e brindamos taças invisíveis.
– Cheers – falamos juntos.
– E terceiro, foi incrível estar com você. Ah Juan, você é tudo de que eu preciso, meu amor, nunca
me cansarei de você... – Juan me abraçou trazendo-me novamente para seu mundão...
“Apenas deixei a mente ir longe, para bem longe...”
10- A prova de fogo
“O silêncio tinha me vencido. O medo também. Eu não queria pensar, mas a mente transbordava
informações desnecessárias naquele momento de dor...”
– Paixão, falta uma semana para o Natal, o que vamos realmente fazer a respeito? – Juan
abordou sobre o assunto.
– Iremos para casa de seus pais, não foi isso que havia me dito? – perguntei comendo uma lasca de
pão.
– Aham, então tudo bem?
– Claro! O Ano Novo nós ficaremos juntos!
– Não quer ir visitar seus pais? – falou com um medo enorme, mas mesmo assim mencionou o fato.
– Não – falei seca.
– Tem certeza?!
– Não acho que seria uma boa ideia, estou bem aqui.
– Eu sei, só queria que estivesse bem com eles...
– Estou bem comigo e com você! Isso é o que realmente importa, o resto é indiferente.
– Você quem sabe – deu de ombros, eu sei que só quer ajudar.
– E acabou o assunto.
– Ok.
Juan se trocou depois do almoço e teve que voltar ao seu expediente. Eu que estava de folga, não
ele.
Fiquei pelo resto da semana sozinha. Fui ao shopping e comprei um presente para ele. Uma camisa
verde de linho e uma calça preta. Iria ficar lindo. Ainda mais lindo.
Vamos ficar esse final de semana do Natal em casa, Caio nos liberou. Hoje era a despedida de
Natal de todos. Quando enfim deu meu horário, eu queria ir embora logo, Juan estaria em casa mais
tarde e tinha algumas coisinhas a fazer, mas não fui mal educada, fiquei para desejar boas festas.
– Ai, amiga, queria tanto passar com você! – Carla choramingava em meu ombro.
– Sua chata, poderia ficar comigo e deixar o Thiago de lado! – brinquei. – Mas vamos nos ver
logo!
– Feliz Natal então, que seja muito iluminado! – abraçou-me mais forte.
– A vocês também, que a luz do Natal encha sua vida de alegria e eu vou te encher de brilho! –
brinquei e entreguei o presente.
– Ah, sua boba, não era para fazer isso! – pegou o embrulho e quando abriu, seu queixo caiu. –
Nossa, que lindos! Obrigada, eu amo você! – outro abraço forte. – Vou usá-los no Natal! – dei a ela
um conjunto de brincos, pulseira e colar da Morana. Chique e lindos.
– Só para combinar e sempre lembrar os meus olhos! Já que sei que enjoou dos seus! – brinquei.
Seus lindos olhos azuis brilhavam.
– Aqui está o seu! – entregou-me um embrulho todo rosa.
– Ah, obrigada! – abri onde havia a fita e, para minha surpresa, era um vestido lindo, muito lindo,
apertado e curto, verde musgo! Posso com isso?!
– É só para combinar com seus delirantes olhos verdes! Bobinha! – Carla disse me abraçando
novamente.
– Ai, que lindo! Obrigada, eu amei!
– Mel, eu já estou indo, tenha um ótimo Natal! – Flávio veio me cumprimentar.
– A você também! Obrigada – abracei e ele virou até a Carla.
– Ê, Carlinha, mais um ano, hein... Obrigado por fazer minhas manhãs mais alegres em ver seu
sorriso a cada dia! Tenha um ótimo Natal! – ele a beijou bem lentamente em seu rosto, poderia sentir
o calor deles. Ela retribuiu o beijo em seu rosto, um pouco tímida, mas igualmente caloroso.
– Obrigada Flávio, agradeço de coração por tudo... – sua voz estava tão melosa. Vish, eu preciso
fazer algo, senão esses dois vão se perder.
– Isso é para você! Tchau, garotas, até semana que vem... – ele saiu e deixou o presente nas mãos
dela.
– Hum, que foi isso? – falei cutucando-a.
– Olha só, que lindos esses brincos! – mostrou o presente que Flávio deu, um lindo par de brincos
com uma pedra azul turquesa no meio.
– Combinando com seus olhos. Ele te quer, Carla! – falei séria e ela riu baixinho.
– Nossa, você viu? Ele quase beijou minha boca! – dizia toda boba.
– E você iria gostar? – cutuquei.
– Não sei... – saímos rindo e Thiago estava na porta, já estava bicudo.
– Oi Thi, feliz Natal, e cuide bem dela! – em todos os sentidos.
– Pra você também. Pode deixar... – ele nem sorriu, Thiago estava realmente estranho.
Fui embora e quem eu encontro todo de branco, fazendo charme na porta do prédio? Sim, meu
doutor gostoso.
– Que tempo é esse? – apertou-me em seus braços fortes, já que estava um vento frio em pleno o
verão.
– São Paulo é bipolar! – brinquei.
– Vamos subir, tenho algo ainda mais quente reservado pra você...
Só podia ser brincadeira gostosa, eu nem ligava!
“Obrigada Mel, por mais um ano de sobrevivência, mais um Natal. Obrigada por nunca desistir
de você!” – eu dizia ao meu espelho amigo.
Por tanto tempo sozinha aprendi a respeitá-lo. É minha forma, meu outro lado que ele mostra. A
verdade em que procuramos, mas quase nunca achamos. Nunca é tão verdadeiro como queríamos que
fosse, mas já basta ser real...
Ajeitei uma coisa aqui e ali. Coloquei o vestido que a Carla me deu que, aliás, ficou incrivelmente
irresistível. Perfeito em minhas curvas e a maquiagem que fiz. Gosh, eu estava radiante! Deixei na
estante a pequena bolsa vinho da Louis Vuitton que Juan me deu de presente. Um luxo sem igual.
– Eu poderia ficar aqui, só te observando passar de um lado para o outro, nesse salto que deixa
suas pernas torneadas, sua panturrilha encantadora e definida, quando para e levanta o pezinho de
leve para trás, isso acaba com meu ser... É algo que sinto incontrolável, é algo que desejaria te amar
o dia inteiro e nem se fala nesse vestido apertado, desejaria ser ele, na boa, estou com ciúmes dele
por estar mais próximo de você do que eu consigo. Quando levemente passa por sua pele e sobe
fazendo charme, que você delicada e educadamente desce mais, para não ser vulgar, amo isso. Sente
tudo isso também? – Juan falava manso e eu o fitava encostada na estante da sala. Queria agarrá-lo
também, mas já estávamos prontos para sair. Eu só queria voltar logo e fazê-lo sentir cada parte,
cada pedaço existente de carne e pele em meu corpo.
– Eu sinto... – consegui dizer.
– Isso, durante toda minha vida, e olha que sou novo, todas as garotas e mulheres que fiquei, isso
nem de perto cheguei a sentir... Sinto que é você!
– Nem de longe sentia se quer um formigamento ou coisa parecida com outro homem... Sinto que é
você!
Juan veio lentamente e grudou seu corpo ao meu, num encaixe perfeito, beijou minha boca
loucamente, delirante. Pavorosamente delicioso. Sua língua me deixava em outro mundo. No mundo
dele, eu me derretia em seus braços e sufocava em apenas um longo beijo envolvente.
Algo nos despertou, meu celular vibrou em cima da mesinha, fazendo esse momento único parar.
Tirei meus lábios do dele e ele segurou meu rosto.
– Deixa tudo de lado, vamos ficar por aqui... – eu não queria resistir... Se ele falasse mais uma
vez.
– Deixa só ver quem é... – ele desgrudou de mim.
– Alô? – eu vi quem era.
– Oi prima, tudo bem? Sabe, eu queria convidar você e o Juan para dar uma passadinha por aqui,
meus pais querem vocês aqui! Não negue isso a eles! – foi como uma intimação, meu estômago
revirou.
– Vou ver com Juan, qualquer coisa passo aí, ok? – eu não queria, mas ela me encheria até
conseguir.
– Ah, então você vem, vou avisar a eles, beijos e te esperamos!
– Ok, Mariana, obrigada pelo convite – falei sem emoção, mas Mariana desligou com empolgação.
– O que ela queria? – Juan beijava meu pescoço e eu não tinha força para falar.
– Queria... quer... que... eu... você... nós... passemos... por... lá... – falei em longas pausas,
anestesiada, cheia de tesão por ele.
– Vamos, senão iremos nos atrasar então! Passaremos com meus pais e depois iremos até lá... – ele
não me largava, não conseguíamos essa tal proeza.
– Aham... mas antes... – joguei-o contra a parede e mostrei para ele o meu verdadeiro beijo.
Devoramo-nos por longos minutos. Num encaixe perfeito de nossos lábios. Era como uma dança, às
vezes, uma valsa lenta e tranquila. Às vezes como tango, sensual e envolvente e por vezes,
eletrônico, agitado e eletrizante. É assim a doçura do nosso encantamento, as sensações de um beijo.
O beijo é a forma mais simples e pura do prazer, é a chave perfeita para a porta de um sexo
maravilhoso.
– Vish, já são 22h35! – falei passando batom já no carro. Ele só ria.
– Você que nos atrasou! – falou na cara de pau mais linda do universo.
– Eu?! – falei com ênfase.
– Sim! – concordou sem balbuciar.
– Por quê? – perguntei na cara de pau, igual a dele.
– Porque é tão gostosa que não consigo resistir! – concluiu.
– Nossa, que romântico você me dizer isso na noite de Natal! – caímos na risada.
– Minha linda! – falou carinhoso.
– Meu gostoso! – passei o peito da mão em seu rosto. Ele deitou o rosto e sentia meu cheiro.
– Vamos antes que minha mãe tenha um infarto!
Não era nada humilde a casa dos pais dele. Eu só tinha visitado eles uma vez. Falar, eu já falei
bastante, mas ir assim, numa noite de Natal, ainda sendo nosso primeiro, era diferente. Quase que
estranho.
Ele estacionou o carro e, na frente da vaga, havia uma placa escrita numa letra linda "Don Juan!".
Fiquei brincando e ele só dizia: "Foi minha mãe!" respondi: “Eu sei bem, seu conquistador!”. Ele
revirava os olhos e sabe de toda verdade que digo sobre ele ser um conquistador.
– Seja muito bem-vinda querida! – abraçou-me harmoniosa.
– Obrigada Sra. Vasco – falei educada a sua altura.
– Apenas me chame de Martha – disse educada. – Meu querido, ela é tão linda, não é, Juan? –
segurou forme minhas mãos frias e me olhava com doçura.
Uma mulher que aos seus 45 anos era muito chique, linda, encantadora e rica! Por que tantas
qualidades? Além disso, um doce e supersimpática. Juan é filho único, então sempre fez as coisas
para agradá-lo. Ela é nova, casou-se cedo e teve Juan. E sabe aproveitar bem isso. Martha me lembra
muito o jeito da Maitê Proença. A beleza muito parecida, radiante, cabelos com cachos naturais,
olhos azuis iguais aos do Juan, pele branca e delicada, quase sem rugas, expressão firme e confiante.
Ela é uma daquelas mulheres que te passa respeito apenas com o olhar. Enquanto eu a admirava, Juan
fazia graça com ela, apertando-a e beijando-a forte.
– Mãe, essa mulher é incrível! – falou alto e orgulhoso. Nisso, entrou seu pai na sala.
– Olha só quem se atrasou, como sempre! – Sr. Vasco tinha a voz grave, apesar de ser um senhor
alto e magro. Eu também já o conheço, por tantas vezes que fui ao consultório.
Ai, aquele lugar em que fizemos uma única vez um amor selvagem... Senti um arrepio de uma
lembrança magnificente. Precisamos voltar lá, urgentemente.
– Olá Mel, seja bem-vinda! Entrem, ou vão ficar na porta? – Sr. Vasco tirou-me do devaneio
erótico, trazendo-me de volta para realidade. Ele era supercauteloso, mas também um tanto
engraçado.
– Olá Sr. Vasco, é um prazer passar essa noite com vocês! – abraçou-me, e Juan somente nos
olhava com carinho.
– Apenas Rubens, e o prazer é nosso em tê-la na família. Vamos beber um bom vinho? – saiu e foi
até a mesa que estava superlotada no centro da sala. Isso era apenas para nós quatro.
O que eu mais admirava na casa do Juan era a sala incrivelmente planejada. No lado direito havia
um piano de calda, preto e lindo, lustrado cuidadosamente. E para chegar até esse piano, teria que
passar por uma ponte que montaram em cima de uma fonte ao chão. Luzes iluminavam o ambiente,
que era calmo e tranquilo, e barulho da água brincando na fonte era de uma beleza espetacular.
Quando vi pela primeira vez, perguntei ao Juan se era dele, e se tocava. O safado me disse que
não, que nunca gostou disso e que era da mãe dele, mas que a única coisa que ele amava tocar era
meu corpo, em especial meu sexo. Eu quase bati nele, uma surra erótica.
Hum, eu vou pensar mais nisso.
Novamente, entrei num mundo perverso. Voltei os olhos para sala e observei a beleza do ambiente.
Fora o mezanino que havia em volta da sala, que dava para o segundo andar da casa. Até a escada
era linda e bem desenhada.
Fiquei encantada. Era como um castelo dos sonhos. Apesar de eu nunca ter sonhado com príncipes
ou princesas, eu gostava era das más...
Senhor Rubens nos trouxe um cálice de rum, junto uma garrafa superchique do seu melhor vinho.
– Esse rum é poderoso! – riu ao servir.
– Hum, é muito agradável o sabor dele – elogiei.
– É especial! – retrucou.
– Meu pai apenas serve aos especiais! – Juan disse.
– Sem sombra de dúvidas! – Martha disse sorrindo, mas ninguém me contou o porquê. Eu apenas
degustei, sorrindo de tudo. Deve ser afrodisíaco, assim que bebi, senti ainda mais vontades... Mais
do que já estava. Juan piscou e percebi, é realmente por isso. Especial até demais, pois já estava
com vontade de sair dali com Juan. Gosh.
Beliscamos alguns petiscos e logo serviriam o jantar. Estava muito perfeito e agradável, o álcool
me deixava com um efeito leve e embriagante. Sentia vontades demais... Parei um pouco e deliciei
sucos que tinha à mesa. Abaixou um pouco a brisa e logo voltei ao espumante. Juan às vezes fofocava
em meu ouvido:
“Estou de olho em você!”. Saia rindo e depois voltava.
“Ah Mel, seu olhar me chama, um dia vou te comer aqui!”. Tudo vibrava dentro de mim. Eu
tentava me conter e quando me recuperava, Juan voltava.
“Estou com algo crescendo aqui dentro do jeans, pare de fazer essa cara e morder esse lábio.
Eu juro, vou te levar lá pro meu antigo quarto!”. Eu apenas disfarçava sorrindo. Juan me paga por
fazer isso. Martha nos fitava sorrindo com alegria, enquanto o filho dela falava sacanagens para
mim.
– Faltam apenas cinco minutos e logo nos serviremos! – Martha olhava ao relógio e todos sentados
divertindo-se as palhaçadas de Juan.
– Aqui, sempre tínhamos muitos amigos, todo Natal era uma festa, mas quando Juan mudou-se,
acabamos nem fazendo mais, ele cresceu e acabamos indo viajar sozinhos. Sinto falta de grandes
festas, sei organizar como ninguém, mas também curtimos muitos lugares, não é, Rubens? – ela falava
agraciada.
– Com toda certeza, a cada ano vamos para um lugar diferente, esse ano foi especial, foi Juan que
nos convidou a ficar e conhecê-la! E está sendo uma linda noite, estamos nos divertindo muito.
Obrigado por fazer meu filho um homem melhor do que ele já é! – Rubens levantou a taça. – Um
brinde a essa bela mulher! – falou. E todos levantaram a taça.
– Um brinde a única em que aprovei de primeira, olha que sou muito chata nesse quesito e não é
porque está aqui que não faria diferente. Eu adorei você, espero que faça meu filho ainda mais feliz!
Um brinde. – Martha delicadamente envolvia as palavras direcionadas a mim.
– Um brinde a essa incrível mulher que está na minha vida... Tenho que agradecer todos os dias
por ter te encontrado, você me completa, você é meu ser, minha energia, minha luz, meu ar, minha
respiração, minha pele, meu sorriso, meu olhar... Antes, sem você, eu não existia! Um brinde. – Juan
finalizou emocionado.
Assim que ele terminou, quase chorei, sussurrei eu te amo, ele retribuiu num beijo casto, calmo.
Eles só me olhavam, recuperei-me e falei.
– Um brinde a essa doce e encantadora família! Quero agradecer a vocês dois pela criação,
educação, carinho e, acima de tudo, por terem feito um filho tão perfeito. Juan foi moldado pra mim.
Obrigada por todo carinho e respeito, por permitirem nosso amor que nasceu de uma forma pura.
Antes de você, Juan, eu não acreditava no amor, hoje não sei viver sem ele. Você me transformou,
moldou-me em você. Hoje, eu sou você... E isso já nos basta, pois sei que será eterna minha gratidão,
meu amor... – falei engasgada e vi escorrer uma lágrima no rosto de Martha. Sorri e ele me beijou de
novo.
– Feliz Natal! – brindamos e depois nos abraçamos.
Os fogos faziam festa lá fora e as risadas continuaram aqui dentro conosco. Depois de muitas
conversas, das sobremesas deliciosas que serviram, nós teríamos que ir ainda à casa de meus tios.
– Foi tudo incrível, muito obrigada! – abracei-os na despedida.
– Ah, está cedo, fiquem mais um pouco! – Martha fazia manha.
– Temos que ir mãe. Mel vai passar nos tios dela, logo mais voltaremos. Beijos e amo vocês.
– Se cuidem.
Saímos abraçadinhos, ainda com efeito do álcool. Leve, mas ali ainda presente.
Apertei a campainha e aguardei, a festa estava agitada lá dentro, dava para ouvir a metros.
– Olá Mel, entre! – foi Luciana, prima da Mariana, por parte de mãe.
– Oi Luciana, feliz Natal! – abracei em cumprimento. – Esse é Juan, meu namorado. – uau, ela
faltou devorá-lo com seu olhar.
Sai fora daí bruaca, ele é meu.
– Prazer e feliz Natal! – ela o abraçou. Juan disfarçou e talvez tenha percebido o jogo dela.
Luciana nos conduziu para dentro. O primeiro que encontrei foi Lucas, um primo dela que era
apaixonadinho por mim, aliás, éramos uma pegação total!
– Uau, quem é vivo sempre aparece! – veio me abraçar cheio de graça. Lucas estava ainda mais
bonito e um olhar reluzente em cima de mim, como se eu fosse um diamante. Lucas é um ano mais
novo, mas é um lindo. Estava tão cheiroso e com sua covinha fofa que eu tanto gostava. Juan soltou
minhas mãos e olhava carinhoso. Ele não precisa saber de que aconteceu no passado.
– Olá Lucas, feliz Natal! – brinquei dando uma bela olhada, que estava até fortinho, numa camisa
vermelha e calça jeans preta. Seus cabelos arrepiados arrumados num corte moderno. Estava
realmente mais forte e muito lindo.
Aquela boca...
– Ê Mel, sempre linda! – falou em meu ouvido, me arrepiei e disfarcei.
– Esse aqui é meu namorado, Juan! – apontei ao lindo homem ao meu lado, que sorriu ainda mais
suntuoso, mostrando o quanto era lindo, sufoquei de vê-lo. Lucas teve uma leve mudança de humor,
mas não se deixou transparecer, percebi porque o conheço. Só por isso. Lucas fechou o cenho pra
mim, na hora.
– Olá cara, prazer, sou Lucas, fica à vontade! Feliz Natal. – Ele foi num abraço ao Juan, claro, que
todo educado, retribuiu.
– Minha gata está por aí, logo mais te apresento! – soltou uma piscadinha, me olhava inteira,
merda assim fica difícil.
Fomos entrando. Alguns olhares curiosos pairavam em cima de mim e do Juan, sempre cheia de
metidos a festa dela.
Que bosta! – pensei sorrindo e Juan me olhava.
– Quem era ele? – falou sorrindo, como se não tivesse enciumado.
– Primo da Mariana – falei rindo dele.
– Hum. – falou e ficou vendo o nível da festa. – Pensei que ele iria te comer com os olhos! –
disfarçou olhando para os lados, talvez não quisesse ver minha reação. Que foi neutra.
– Nada a ver! – disfarcei também. – Vamos procurar a Mari. – finalizei antes de qualquer assunto
ciumento.
Juan pegou meus dedos e entrelaçou aos dele. Andamos e encontramos mais alguns da família. Era
felicitações pra cá, como está crescida e linda pra lá, tudo falsidade. Eu só sorria. Juan sentia minha
tensão por estar ali.
– Minha nossa, como está linda! – tia Estela veio cheia da graça.
– Oi tia, tudo bem? Feliz Natal! – abracei-a sorrindo mais que tudo.
– Obrigada querida, feliz Natal a você também! Feliz Natal Juan! – ela o cumprimentou.
– Feliz Natal Sra. Estela. – Juan educadamente respondeu.
– Cadê a Mariana? – perguntei.
– Bem aqui! – chegou por trás, me dando um susto. – Feliz Natal, que bom que veio. Pai! – gritou e
ficou apontando para mim. – Ele está muito feliz que vocês vieram – contou baixinho.
– Olá mocinha. Como está linda! – veio num abraço apertado, senti conforto em seu abraço, coisa
que não me lembrava, engasguei e lembrei o velho babão. Os dois são os irmãos mais parecidos e
isso me aborrece um pouco, na verdade, de alguma forma, consome meu ser.
– Oi tio, sempre animado! – ele era mais engraçado que o velho. – Feliz Natal, obrigada por me
convidar pra sua festa, lembra do Juan, não é? – ele não esqueceria.
– Olá, feliz Natal, muito esplendorosa sua festa! – fico tão orgulhosa de Juan ser tão simpático,
lindo e saber lidar com diversas situações, assim como essa que estava passando. A prova de fogo.
– Fico feliz que tenham vindo! Seu pai me ligou hoje cedo e disse que sentia saudades... Perguntou
como você estava, Mari falou com ele. – ela me lançou um olhar, só a observei de esguelha com o
rosto fervendo. – Deveria ligar pra eles...
Isso não seria da sua conta!
Engoli a frase toda, letrinha por letrinha e tinha gosto de amargura, misturado com abandono e
estupidez. Recuperei assim que engoli e sorri.
– Claro. – Juan apertou minha cintura. Talvez como apoio. Sorri. Nisso veio o delícia da noite.
Eita, com um sorrisão lindo.
– Feliz Natal. – falou apertando a mão do Juan.
– Olá Mel, feliz Natal. – abraçou-me e tenho quase certeza de que me cheirou. Eu senti isso. Senti
o arrepio por sua deliciosa voz e por seu incrível cheiro de homem.
– Feliz Natal Richard! – sorri e dei uma leve quebradinha de perna.
– Fiquem à vontade! Querem comer, beber? – ofereceu Mariana, sinto que ela disfarçava.
– Estamos satisfeitos! Obrigada – falei por mim e por Juan.
Richard me encarou com um sorriso diferente. O flagrei me olhando de cima a baixo. Ele estava
encantador sem sua roupa de trabalho sério, estava despojado e chique, numa camisa pólo azul
marinho e calça jeans clara. Mariana com um vestido pink "brega" que pode ser de marca, mas é
brega!
Ficamos num canto observando a festa, Juan pegou bebidas e ficamos degustando. Às vezes, algum
chato vinha falar algo para nos agradar e minha mente só pensava "que desagradável!". No entanto,
eu sorria, sempre.
Flagrei Lucas me olhando, me querendo, como nos tempos passados. Sei todas as formas de um
homem desejar uma mulher, estudei cada uma delas. Todos com que fiquei tudo foi projetado, em
"antes, durante e depois". Eu sinto os sinais, e acho que isso deve ser o meu dom. Meus olhos tiram
pequenas fotos de expressões faciais e minha mente se torna um grande álbum, que recordo de cada
uma delas.
– Gostou de tudo hoje? – Juan falava baixinho, beijando meus cabelos em um penteado
maravilhoso que fiz. Não é bem um penteado, está apenas preso em uma falsa trança. Ficou show.
– Aham, estar com você é tudo do que precisava. Isso aqui, "o restante", está sendo apenas
preenchido por alguns segundos inválidos.
– Você está tão linda! E vejo que todos estão admirados por sua beleza, sinto-me honrado por estar
do seu lado! – Juan beijou minha boca num beijo casto e delicado. Puxando levemente meus lábios.
– Eu que me sinto honrada por tê-lo como namorado! Meu lindo. – ganhei mais um beijo, mas
fomos interrompidos.
– Com licença! Mel, essa aqui é minha namorada, Ana. – Lucas chegou para apresentar a tal
namorada.
– Olá Ana, é um prazer! – falei abrindo um sorrisão.
– Muito prazer Mel – falou sem emoção e acho que entortou a boca.
– Que linda Lucas, parabéns! – sorri e ele deu uma piscadinha pra mim.
Seu olhar foi da minha boca até os pés. Olhei para Juan sorrindo e ele olhava sério para o Lucas.
Santo Deus, esse dois. Lucas nem se quer disfarçava, como poderia defendê-lo dizendo que não
estava me olhando!
Safado, deve ser por isso que tal namorada estranha ficou de cara feia. Eles saíram logo e Juan
voltou a dizer.
– Esse cara nem disfarça! – deu um gole em sua bebida e voltou com outro sorriso rasgado. – Até
as mulheres estão te olhando, estão morrendo de inveja de sua beleza. Vamos dançar um pouco! –
puxou meus braços e me rodou leve. Assim chamando atenção de todos para mim. Todos mesmo.
Ficamos curtindo e fazendo nossa dança única. Até a Mari ficou me observando de braços cruzados.
O quê? Eu fazendo sucesso na festa dela? Coitada. Continuamos.
Todos se esbanjaram junto. Estava até que agradável, até mesmo o desconforto inicial, passou.
Juan foi pegar outras bebidas, foi então que o outro se aproximou.
– Gosta de dançar? – perguntou com sua voz delirante.
– Adoro, faz bem pra alma! – falei e continuei a olhá-lo. Com profundidade. – E você, não dança?
– perguntei.
– Não, não gosto, aliás, nem sei! – soltou uma risada tão gostosa que dei uma quebradinha
profunda de perna!
Sabe aquele momento que lhe falta chão, sim, as pernas tremem, essa é a sensação que sinto
quando ele está por perto. Sustentei apenas para não cair.
– Um dia posso te ensinar se quiser! – ofereci e não fiquei dessa vez com vergonha, aliás, como
sempre não tenho vergonha! Ele desviou o olhar. – Richard, por que você me evita? – falei baixo
assim que os olhos dele encontraram com os meus novamente por um deslize. Ele tem medo do meu
olhar faminto, sinto isso.
– Não estou te evitando – falou sério.
– Ok – dei de ombros. Talvez ele se sentisse muito. Deve ficar achando que estou loucamente
perdida por ele. Vai pensando então! Meu efeito pode acabar rapidinho se ele não souber usar. Idiota.
Voltei para pista assim que Juan chegou, dançamos mais um bocado e nisso eu só sentia Richard
com seu olhar frio, sobre minha pele fervendo emoções...
Mariana estava bicuda e já alterada de álcool. Nem me deu muita atenção e me olhava às vezes
furiosa! Que é? Ela me chama para festa e fecha a cara pra mim?
Ela e Richard estavam ao meu lado, Mari ficou encarando Richard e ele desviava sempre o olhar
de mim. Nem sei o por quê! De repente, a Mari esbarrou a mão na calça jeans dele, como se fosse
pegar o pau dele, até me assustei com essa atitude e ele também, Juan não viu. Richard disfarçou e
Mariana também. Que loucura esses dois. Posso com isso? Dois idiotas. Despedi de todos e fomos a
uma noite programada cheia de amor.
Cheguei em casa e esqueci o fato de serem tão idiotas e me concentrei no homem que estava me
olhando, desejando, despindo-me com os olhos. Fizemos uma dança na sala em uma música francesa
(Couer De Pirate) que achei no pen drive. Depois de uma dança envolvente, Juan me abraçava e eu
me sentei em seu colo, ele dava-me beijos calientes por todos os cantos. Sentia sua língua contra a
minha, numa mistura gostosa, lenta e delirante. Suas mãos brincavam em cada milímetro de meu
corpo arrepiante. Todos meus hormônios ardiam em desejos dele, eu sentia cada desejo seu em mim,
com beijos selvagens e quentes. Não precisava de ar, tinha todo o seu em cima de mim...
Sua respiração doce, quente, apavorante, desejável. Enquanto eu gemia devagar, seu pau estava
dentro de mim... Loucamente, uma única onda de prazer sem igual, ele me tomava aos seus braços e
me apertava contra seu corpo rígido. Ele é tão forte, tão brutal e, ao mesmo tempo, sempre cauteloso
e cuidadoso comigo. Ele sabe exatamente o que preciso, os pontos que me atinge.
Sabe, o tal ponto G? Sim, ele sabe onde tocar sempre, e sempre nosso orgasmo é único. É nosso.
Enquanto eu pensava em nosso momento, sempre adiava o clímax e, talvez ele adore isso, quanto
mais durar o prazer, mais gostoso vem nossos múltiplos...
Juan roubou um beijo e uma mordida em meu lábio inferior, passou a mão esquerda no centro de
minhas costas suadas, desceu até o cóccix, massageando. Com a direita, puxou alguns fios soltos na
nuca, fazendo-me pender a cabeça para trás, dando acesso ao pescoço, gemendo baixinho enquanto
me lambia...
Quando chega o momento, eu percebo, ele sempre puxa meu cabelo de leve, talvez seja uma dor
erótica prazerosa, e sim, Juan sugou meu lábio superior, passando a língua por meus dentes, eu gemi
primeiro, outro puxão mais forte no cabelo, Juan gemeu em meus lábios... Tão sexy e sensível...
Eu sou dele.
Ele é meu. Completamente meu...
Sempre e para sempre...
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– Mel? Você pode falar? – acordei no meio da noite assustada, quem me ligaria às cinco horas da
manhã?
– Quem é? – perguntei sonolenta e Juan dormia.
– É o Lucas. – o que ele queria?
– Lucas, olha só... – ele me interrompeu.
– Calma, não é nada disso, é que a Mariana e o Richard sofreram um acidente, por isso liguei, a tia
pediu para te avisar, Richard está bem, mas a Mari foi inconsciente para o hospital, assim que der e
se quiser, claro, pode vir até aqui... – ele tinha tristeza em sua voz tranquila.
– Ai, meu Deus, onde foi isso? – exaltei-me e Juan acordou.
– Foi quando eles estavam indo embora, ele não quis dormir aqui. Acho que brigaram, Mari quis ir
junto dele, ainda não tive chance de falar com Richard, mas vamos ao hospital daqui a pouco.
– Ok, me passa o endereço que eu vou depois, obrigada por avisar – peguei tudo certinho e Juan
me olhava com os olhos pequenos e inchados.
– O que foi, amor? – perguntou com a voz rouca, e tapando a vista da luz.
– A Mariana e o Richard sofreram um acidente! – falei sentada na cama com as mãos na cabeça.
– Putz! Sério? Mas foi grave? Onde foi? – sentou-se rápido e ficou me encarando.
– Não sei direito, o Lucas que ligou, a tia pediu, vamos lá daqui a pouco e saberemos de tudo.
– Claro, vou tomar banho. – ele se levantou e fiquei ainda pensando em tudo que poderia ter
acontecido aos dois... Puta merda!
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Assim que abri os olhos, vi que já tinha ambulâncias por todos os lados. Era real o que tinha
acontecido. Ela, enfurecida, causou todo o acidente. Eu estava fora do carro e deitado em uma
maca, minhas costas doíam, mas sentia tudo. Fiz uma rápida checagem até o dedo do pé. Olhei
para meu lado direito e vinha uma enfermeira falar comigo.
– Está tudo bem? Lembra seu nome? – sua voz tinha tranquilidade.
– Sim, Richard – falei devagar.
– E você se lembra do que aconteceu com vocês? – ela falava devagar e com pausas.
– Lembro. Onde está a Mariana? – perguntei. Tentei me mover, mas ela me impediu.
– Não, fique calmo, ela foi levada já ao hospital e estamos saindo com você, é só se acalmar. –
eu estava calmo, só queria levantar.
Colocaram-me dentro da ambulância e saíram em disparada. Assim que levantaram a maca, vi o
carro todo destroçado na calçada e o lado direito quase todo destruído. O que foi que tínhamos
feito? Era o que não saia da minha cabeça. Fechei os olhos e a cena se repetia milhares de vezes.
Ficou assim até chegar ao hospital. Eu estava consciente, isso é bom. Sei de tudo que aconteceu,
lembrou-me claramente. De toda discussão, das mãos dela puxando o volante, da embriaguez
absurda e de minha grande burrice...
Depois que apaguei por duas vezes, pelo que me recordo, vieram os policiais ver o que tinha
ocorrido. Contei tudo a eles. Fiquei com um peso enorme ao saber que Mari não está bem. Apesar
de tudo, eu a amo verdadeiramente e não quero perdê-la.
Tomei alguns remédios e já estava me sentindo melhor. Tive alta no mesmo dia. Depois de um
batalhão de exames, deixaram todos entrar.
Minha família, a dela, todos com a feição abatida e triste, mas ao mesmo tempo aliviados por
termos saído vivos.
Minha mãe chorava na beira da cama, eu só dizia: "está tudo bem, estou aqui...". A mãe da
Mari disse que ela não reagiu ainda e que estão fazendo muitos exames. Ela machucou muito o
rosto, quebrou o nariz, a mandíbula, alguns dentes, a clavícula e o braço do lado direito.
Exatamente onde mais o carro atingiu. Por sorte, foi apenas isso. Bem, é o que eles apenas
acharam, os exames revelaram os danos restantes.
Só amanhã poderei visitá-la, ela apenas fica sem se mover, minha mãe dizia em meus ouvidos "É
triste de ver" e eu sentia tudo isso dentro de mim.
Ao sair do meu quarto, vi a Mel sentada num canto de cabeça baixa e balançando impaciente as
pernas. Estava linda, mas no fundo meu coração, dizia: "A razão", Mari em minha cabeça dizia "A
causadora". Caminhei devagar e com o barulho das falas em minha volta, ela levantou-se e
dirigiu-se até nós.
– Oi, está tudo bem? – falou com a voz melosa. Eu gostava do timbre da voz dela, parecia
sempre sexy. Sorri para apagar a loucura que pensava.
– Bem não estou, mas estou vivo! – todos sorriram e eu falava para tirar o peso de mim.
– Isso é bom, vai descansar, Mari ficará bem! – Mel sorriu ao dizer sincera. Dessa vez, senti
que ela estava preocupada de verdade. Sinto que ela queria me dar um abraço, mas apenas
apertou meu braço, em conforto.
– Obrigado pela visita – falei sem emoção na voz.
Eu queria saber por que sou frio com uma pessoa quente! Ela transpira quentura em sua pele
branca e sedosa. Por que fico pensando nela quando acabei de sofrer um acidente horrível e a
minha noiva corre risco?
Que efeito essa mulher tem sobre mim?
Eu ainda não sei...
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Chegamos ao hospital, minha tia estava lá com a mãe do Richard que se apresentou para nós. Ele
estava bem, Mari ainda não tinha dado sinal, se fraturou inteira e os exames estavam sendo feitos.
Os primos estavam ali, tomei café no hospital e sentei esperando alguma resposta positiva.
Poderia durar o dia inteiro, mas dessa vez, fiquei realmente preocupada, não é porque não
convivemos hoje em dia que deveria abandoná-los nessa hora. A Mariana está passando por apuros e
só Deus sabe o que ela sente nessas horas.
Fiquei muito tempo distraindo minha tia, Juan me acompanhava, cuidando de mim. Até cheguei a
chorar quando meu tio mencionava o nome da filha com tanto ardor e carinho. Amor incondicional de
pai. Um amor que provei vendo dos outros. Nunca do meu. Contudo, isso não vem ao acaso no
momento, o que meu pai fez ou deixou de fazer já não me fere, já não me importa.
Juan aos poucos tentou me convencer de que deveria conversar com eles, acertar tudo, porque não
deveria ficar com o coração amarrado, amargurado, e só através do perdão que ficaria livre para
amar com mais força. Eu queria ter coragem de fazer isso, só por Juan, mas não tenho compaixão
suficiente, não agora. Hoje com essa família, tudo é novo e diferente. A cada carinho, a cada troca
que recebo, é tão cheio de esperança que meu coração se enche de alegria e também medo. Por eles
ficarem perto, e eu não saber lidar com isso. Só que vou lutar.
Quando todos entraram para ver o Richard, fiquei. Deixei o momento deles. Ele recebeu alta, então
a família foi vê-lo. Juan passava as mãos devagar entrelaçando nossos dedos, sorri quando nossos
olhares se encontraram.
Depois de muito tempo, ouvi as vozes saindo do quarto. Levantei-me e ele de pé, segurava o
sorriso.
– Oi, está tudo bem? – tentei deixar a voz estável, com doçura e calma. Richard sorriu assim que
falei e seu sorriso atingiu meu ser.
– Bem não estou, mas estou vivo! – todos riram de sua graça, Richard queria tentar esquecer, era o
que passava em sua voz.
– Isso é bom, vai descansar, Mari ficará bem! – tentei parecer muito sincera no que dizia,
realmente estava preocupada com eles. Eu queria abraçá-lo, mas segurei os braços para baixo.
Firmes, sem mover, mas a teimosa da minha mão passou pelo braço dele apertando em carinho, diria,
conforto.
– Obrigado – seu sorriso havia se apagado, mas sorri para encorajá-lo. Todos se foram e amanhã a
Deus pertence.
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Ao deitar em meu quarto escuro, a cena do acidente veio mais algumas vezes me perturbar.
Coloquei o travesseiro na frente do rosto e fechei os olhos. Ela veio me visitar em meus sonhos
perdidos...
O silêncio tinha me vencido. O medo também. Eu não queria pensar, mas a mente transbordava
informações desnecessárias naquele momento de dor. Cerrei os olhos, em busca de me distrair.
Nada. Apenas deixei a mente ir longe, para bem longe...
Lembrei de tudo, desde quando a vi pela primeira vez na recepção. Ela transpirava emoção.
Cheia de energia, eu podia sentir, era palpável. Seu sorriso me deixou louco. Ela não conseguia
disfarçar, então tentei me distrair com o celular. Um ponto forte para disfarçar meu nervosismo
absurdo que sinto perto dela. O celular é meu refúgio. Depois daquele dia que nos tocamos na
frente do elevador, sua energia me contagiou e senti como se levasse choques elétricos por todo o
corpo. A alegria dela em me cantar, de dar em cima de mim descaradamente, me deixa ainda mais
louco, mas eu não poderia nunca dar sinais de que gosto e de que fico louco. Tento ser frio
sempre. Quando a Mari me contou que sua prima iria trabalhar na recepção, jamais imaginaria
algo assim, eu estava bem antes dela, agora já não sei, mas o calor é insuportável, é foda.
Se ela me pegasse sozinho, não sei se resistiria. Isso é um grande dilema, o maior dos
problemas. Todas as vezes que encontrava seu sorriso, eu a queria. Ainda tinha aquela boca
incrivelmente vermelha.
Eu a quero, só não posso.
Às vezes, me pego lembrando alguma fala em segunda intenção dela.
"Meu Deus" "Isso me mata", ela fala com intensidade as coisas. Deixa tudo, todas as palavras
com segundas intenções. Se ela pensa isso, imagina o que faz?
Ela me deixa com tesão a cada vez que a encontro. Quando disse outro dia me chamando de
"Senhor Mistério", me fez perder o foco e quando falei que não era muito de falar, ela vai e me
solta outra para acabar comigo "É de agir?". Ela sabe fazer um charme único, deixa tudo
indecente. Fiquei mudo para não falar besteira e arrastá-la para longe e saborear cada pedacinho
daquele corpo...
Um dia tive que perder um pouco a atenção, ela toda gostosa e linda, outro ponto dela,
cheirosa. Nossa, sem querer deixei escapar um cheiro nela, com o olhar que me jogou, talvez tenha
percebido. Se percebeu, eu não ligo, queria arrancar a roupa dela e cheirá-la inteirinha...
Eu nunca sei o que esperar da Mel e isso me excita!
Caralho, tá foda!
Confesso que, de início, ela sempre pegava o mesmo elevador e tenho certeza que queria isso.
Fiquei por dias indo embora antes, só para não ter que ficar fervendo, porque toda vez que a Mel
fala comigo, joga um tipo de sedução só dela, nunca, jamais provei isso.
Naquela pegada dela no carro com o tal namorado, não poderia ter visto aquilo, agora toda vez
ela me provoca. O que será que pensa de mim? Ao mesmo tempo em que a desejo, também a quero
longe, só por não poder tê-la.
Tentação, mas também quando está por perto é tudo à prova de fogo. Sinceramente, eu não sei
até quando vou aguentar...
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“Múltiplos. Múltiplos. Múltiplos.”
11- O arrepio perfeito
“Era apenas questão de tempo, mas aquela sensação poderia durar a eternidade, juro, eu não
ligaria em sentir milhares e milhares de vezes. Eu o possuo.”
– Será que está tudo bem? Alguém te ligou? – Juan também ficou absorto com toda essa
história. Ficamos realmente chocados, poderia ser até mesmo nós, então, todo o carinho e atenção
não são demais. Todos do prédio perguntavam sobre ela, como estava, se eu tinha alguma notícia.
Apesar de meus tios não concordarem em dar notícias, eu apenas dizia: “Ela está se recuperando”.
Sendo que, na verdade, não tinha nem acordado ainda.
– Não ligaram não, mais tarde vou ligar para saber mais detalhes. Não falei com ninguém, só
minha tia que ligou ontem de manhã, mas falou o mesmo de sempre. Imagina como será pra eles
passarem a virada do ano com a filha praticamente em coma, é terrível.
– Nem me fale, o que aconteceu foi brutal demais. Você chegou a falar com algum primo seu? Para
saber a real?
– O Lucas disse que Mari estava discutindo com o Richard no carro, alterada e descontrolada,
todos viram isso. Quando ela acordar, saberemos como realmente foi. Richard já deu depoimento
para a polícia, coitado, ele parece muito abatido.
– Verdade, foi algo terrível, é para ficar mesmo – beijou-me a testa e continuou. – Meus pais te
mandaram um beijão, eles me ligaram cedo, já estão em Portugal curtindo! Esses velhos sabem o que
é bom na vida! – brincou e veio fazendo caminhos em minhas costas com beijos e mordidas.
– Vamos ficar quietinhos aqui, por essa noite toda. Abriremos champanhe na sua sacada linda,
podemos ver alguns fogos, o que acha? Sem comemoração, só apenas nossos corpos juntos, numa
virada de ano perfeita! O que me diz?
– Que te amo!... – continuou os beijos e o arrepio perfeito foi percorrendo meu corpo. Aqueles
toques aguçaram ainda mais os meus desejos.
– Eu te amo... – virei e encarei aquele rosto lindo e barbado, passando as pontas dos dedos. De
uma forma era tão excitante!
– Nem fiz... – brincou e foi passando a barba em mim, deixando um vermelhão na clavícula, no
colo dos seios...
– Eu gosto de barba, aliás, eu amo... Mostra o quanto é homem para me conquistar... – falei num
soluço, quando estava me provocando mais embaixo...
– Eu te conquistaria todos os dias, a cada dia seria sua perdição, sua vontade, seu homem! – disse
num sussurro rouco, com a boca em meu quadril.
– Hum, eu quero ser tudo isso pra você... Sua perdição, sua vontade e sua mulher... – Juan olhou
para cima, enquanto eu mantinha o contato visual com aqueles olhos azuis penetrantes.
– Quer tentar algo agora na virada? – seu olhar malicioso era mais do que excitante. Era certeiro.
– Tipo?
– Tipo, múltiplos na virada... O que me diz, honey? – eu já chegaria a um orgasmo só com essa
olhada safada dele.
Céus, quanto tesão desse homem!
– Faça seu melhor, baby! – desafiei. – Mas só quando estiver perto, falta muito ainda! – olhei no
relógio da cabeceira, era apenas nove horas da noite.
– Pode deixar. – beijou com carinho minha barriga e foi subindo fazendo um caminho de arrepio. –
Vamos só treinando... – ele não resiste.
Continuamos deitados, só ouvindo nossos corações bater juntos e Juan mapeando meu corpo com
seus longos dedos...
Ele ajeitou uma mesinha no quarto e fizemos nossa refeição comprada ali mesmo. Dois corpos
seminus, fazendo seu jantar de ano novo! Criatividade em alta.
– Tim tim! – levantei a taça de champanhe.
– Tim tim! – encostou a taça na minha e seus lábios nos meus.
– Está deliciosa essa comida! – elogiei.
– Fui eu quem colocou no prato! – piscou pra mim. Eu ri dele.
– E eu que tirei dos saquinhos! – fiz graça e ele me agarrou.
– Tenho algo pra você, não sei se vai aceitar, porque não combinamos isso, mas... – foi até a
escrivaninha dele, abriu a gaveta e voltou sorrindo com um sol imenso na boca. Em suas mãos, a “tal
caixinha”.
– Hum, “H Stern”! – brinquei para relaxar.
– Olha só, sei que já estamos há algum tempo juntos, mas passei e vi, achei sua cara. Você é tão
perfeita e muito curiosa! Como sabia? – será que achou que fucei nas coisas dele?
– Mesmo nunca tendo desejado casar, namorar, sei lá, noivar, nem sei quais os temas existentes em
relacionamentos... Toda mulher conhece essas caixinhas ou, pelo menos, deseja uma dessas! Está
certo que um dia eu entrei para ver uma corrente linda de ouro e acabei vendo essas caixinhas, então
meu filho, fala logo o que deseja! – brinquei e ele viu o quanto sou romântica.
– Uau, que romantismo todo é esse? Eu também te amo se é isso que quis dizer! – Juan sabe
adivinhar meus pensamentos, é por isso que eu o amo.
– Somos um corpo separado em duas almas puramente perfeitas, por isso, toda essa ligação! –
recitei.
– Acredita nisso agora? – falou incrédulo.
– Não, acredito em seu amor por mim! – hum, que lindo o que falei.
– Minha linda. Olha, arrepiei – mostrou o peito nu.
– Só para mostrar esse arrepio perfeito em seu lindo peitoral, tudo é para me provocar, não é? Seu
maléfico gostoso...
– Deixa eu te deixar arrepiada também... – falou baixinho. Ele ainda estava em pé, na frente da
cama, comigo estirada na mesma.
– Deve! – foi uma ordem. Ele veio gatinhando na cama, com seu olhar matador.
Poxa, já chega! Já estou arrepiada até...
Ele puxou meu dedo fino e colocou um anel lindo e delicado. Estendendo a sua para mim.
– Vou te surpreender, posso? – falei assim que veio a ideia.
– Que pergunta! – revirou os olhos.
– Só um minuto, tive uma ideia, quando for 23h15 eu volto e podemos fazer isso direito, ok? – Juan
olhou no relógio e ainda era 22h45.
– Mas ainda falta meia hora, aonde vai? – disse me encarando. Que homem apetitoso!
– Minha nossa, o que é isso? Só vou ali no outro cômodo! Fica aqui relaxando, recuperando suas
energias, pois vou roubá-las todinhas! – Ele veio se arrastando na cama, pegando minha perna,
desvencilhei dele e saí correndo, fugindo, antes que ele não deixasse. – Meia hora! – gritei.
– Meia hora! Tic tac, mocinha! – falou brincando. – Se não aparecer por aqui em meia hora, vou
atrás, honey! – disse ameaçando. Tudo brincadeirinha dele.
Entrei no outro quarto, onde tinha deixado uma surpresa que havia planejado, agora com a ideia,
ficaria ainda mais perfeito. Ajeitei as coisas e fui ao banheiro. Tomei um banho relaxante, para tirar
qualquer cansaço que pudesse ter ficado em mim.
Eita, homem que me ama. Que me consome.
Prendi os cabelos no alto, deixando apenas alguns fios soltos. Passei o perfume que ele tanto
adora, passei em excesso. Quero-o cheirando-me inteirinha. Fiz uma make apenas com delineador
marcante, blush rosinha em minha pele pálida, fica como se tivesse corado. E o batom dele, a marca
que fiz no nosso primeiro encontro. Fiz tão marcante, que ele arrancaria no primeiro beijo.
Coloquei cada peça delicadamente, com total cuidado. Olhei no celular, ainda tinha oito minutos.
Ouvi o barulho do chuveiro, Juan deve estar aproveitando. Puxei tudo diretinho e ali estava eu,
todinha de branco para ele. Para nossa noite de virada do ano, um novo ano a começar com o pé
direito. Na ponta do laço da lingerie, pendurei seu anel, só sairia dali se Juan puxasse o nó do laço.
– Tic Tac – gritou. Apaguei algumas luzes do quarto, deixei apenas das sancas. Acho que Juan se
assustou um pouco, mas sabia desse meu poder.
Respirei fundo e antes de entrar, coloquei no som uma música, poderia rolar a noite toda, não
ligaria, acharia até charmoso.
Ela já é linda de início, o piano sendo tocado. “Fondu au noir”, novamente “Couer De Pirate”,
ele gosta dessa banda também, então já sabia o que poderia esperar. Logo na sequência, deixei
programada para tocar a nossa preferida, “Comme Des Enfants”, Juan sabe até cantar, é lindo vê-lo
sussurrar com seu francês perfeito em meu ouvido... “Je t’aime”.
Entrei fazendo charme. Ele ficou pasmo e eu estava só vendo a hora dele pular em mim,
arrancando meu sobretudo branco para ver o que escondia. Na primeira oportunidade coloquei um pé
em cima da cama, Juan viu na ponta da meia, a cinta-liga. Percebi que tinha trocado de cueca, estava
com a preta e colocou uma branca. Ele viu minha confusão.
– Por que trocou de cueca? – murmurei.
– Cueca branca para um sexo gostoso... – sua piscadinha fez um efeito dentro da calcinha. Ele
mordia aqueles lábios deliciosos e Juan sabe a tara que tenho por cueca branca. Digno.
Puxei cada botão delicadamente. Ele via tudo que escondia e seu queixo caiu. Deixei escorregar o
casaco, para assim aparecer o conjunto lindo, num branco impecável, contrapondo em minha pele
igualmente pálida, mas meu calor transparecia em minha pele ardente, o corpete exaltando em minhas
curvas, minha cintura fina e delineada. O formato perfeito em meus seios fartos. Tudo era um
conjunto para ele. Moldado para ele. Foi quando Juan se perdeu em confusão, nossos corpos a partir
daquele momento buscavam a efusão...
Parei de frente e Juan veio com sua respiração fervente em busca da minha.
– Fale! – ordenei.
– O que quer, rainha? – sua voz cheia de vontades, era honrosa.
– Diga, aquela palavra... – dei uma piscadinha.
– Honey... – sussurrou quente e eu a senti em minha pele, como algo tóxico, como se sua própria
voz fosse um veneno, dos melhores.
Eu só queria aquele corpo, aqueles lábios, os deixaria inchados após uma longa noite de amor.
Assim que ficou de frente, mexeu em seu anel pendurado próximo ao meu seio, o qual já fervia por
seu toque.
– Puxe – sussurrei em seu ouvido e ele o fez.
Puxou o laço, pegou a aliança e com a ponta do dedo desfazia todo o trançado do corpete. As duas
alças da lingerie mostraram para ele o que tanto gosta em mim, meus seios. Seus olhos vidrados e
reluzentes focaram com vontades, suas mãos os contornaram com carinho. Peguei a aliança, puxei sua
mão direita e seu dedo anelar ficou esperando. Beijei sua mão e passei a língua devagar entre os
dedos longos. Juan fechou os olhos por um segundo, quando voltou a abrir, eram como águas
ferventes. Coloquei o anel nos lábios, segurando-o. Devagar fui com os lábios, sendo cuidadosa em
meu olhar fulminante. Com a boca em seu dedo anelar, encaixei o anel, foi diferente e excitante. O
anel encaixou-se e puxei os lábios e a língua brincando em seu dedo, meus olhos verdes focaram nos
dele azuis profundos de um desejo sem fim.
Juan saiu da cama encostando-me na parede, fazendo-me sentir todo seu calor, toda sua vontade.
Roubou minha atenção, levantou-me levemente com sua coxa, abrindo minhas pernas e se encaixando
ao meio do meu corpo. Forte e rígido como sempre, seus longos e fortes beijos me deixaram fora de
sistema.
Devora-me, Juan... – minha mente gritava e meu corpo explodia.
Ainda na parede, ele não tirou a calcinha, apenas a puxou com seu longo dedo, deixando-a de lado,
dando-lhe acesso ao meu sexo e se encaixou dentro de mim. Levantou minhas mãos no alto da cabeça
e mordia meu pescoço, enquanto me preenchia vagarosamente. Com suas investidas, roçava na
calcinha e parecia apertado, era muito excitante. Com a mão esquerda, segurou meus pulsos no alto,
prensando mais e mais, com a direita, apertava meu corpo, minha cintura e descia para dentro da
calcinha, fazendo-me gemer alto.
– Geme, honey, geme pra mim... – murmurou mordendo meus lábios.
Ele parou e saiu de dentro de mim. Eu o olhei ofegante, por que parou?
– Juan...? – murmurei.
– Estou admirando seu prazer, honey... Você é tão demais que não consigo me cansar disso... –
voltou para perto e enfiou a mão dentro da calcinha. Gemi novamente. Ele parou.
– Ah Juan, você é tão maldoso... – gemi dizendo, tentando arrumar forças.
Ele foi até a cômoda e pegou um pote de gel. Sorri de sua cara de pau. Juan parou de frente, tirou
de vez minha calcinha, mas num modo nada delicado. Ele a rasgou. Poxa vida, minha linda calcinha
branca, tudo bem, foi excitante ela sendo rasgada em mim.
– Fique quietinha, vou passar em alguns lugares, honey... – sua voz soava tão sensual, que se ele
dissesse algo a mais, eu chegaria ao orgasmo. Fechei os olhos e o senti.
Ele passou nos meus seios... Esquentou.
Passou perto de minha virilha...
Que prazer fervoroso...
Nela... Na minha molhadinha.
Ah, Juan!
Meu corpo estava adorando o quente espalhado, eu queria mais, muito mais.
Nas coxas... Com as mãos ainda meladas de gel, passou em meu bumbum. Apertando e deixando-
os mais e mais quentes. Esfregou as mãos uma na outra, logo em seguida pegando em seu pau
maravilhoso, fez alguns movimentos e na forma em que estava, era mais do que excitante, era um
momento de volúpia ardente. Torturante, por que ele não fazia em mim?
Pare com isso e volte para dentro! – queria gritar.
Juan atendeu meu pedido, voltamos para a cama e, com todo cuidado, assoprava onde passou o
gel, puta merda, era o prazer glacial, dolorosamente inebriante, um orgasmo mental atrás do outro.
Juan não tinha dó de mim, queria me ver sentindo o prazer dele. Ele desejava sentir meu prazer.
Mordia de leve meu pescoço, subia e descia fazendo o percurso da clavícula, nos seios, na barriga,
nela... Ah céus! Frio. Quente. Juan. Eu. Minha nossa, o prazer era demais, meu corpo vibrava abaixo
de Juan.
Seu olhar me trazia de volta à realidade. Sem mais, Juan veio com toda sua maestria, apertou-me
ali na cama, eu me contorcendo em seus toques frios e quentes, até que ele entrou quente, muito
quente, febril...
– Me segura forte... – sussurrei a ele sem forças e vi em seus olhos, bem lá no fundo, sua paixão
por mim. Em seu movimento forte e preciso em cima de mim...
– Assim... – conseguiu dizer, uma gota de seu suor escorria entre nossos corpos.
– Aham... É agora... – olhei diante da cama e vi aqueles números brilhantes, 00h00.
Fechei com cuidado os olhos e meus cílios rendados de sonhos e desejos sendo cumpridos de sua
missão... Uma gota de felicidade atravessou meu rosto, até a nuca... E aquele arrepio perfeito traçou
seu caminho – da nuca, onde morreu a gota, até a ponta de meus dedos. O choque elétrico, a efusão
dos corpos, a eletricidade irradiando do meu corpo e ele sentindo tudo isso dentro de mim. A energia
sugou nosso calor e usava isso a favor da beleza da combustão. O calor ficou ali em volta de nossos
corpos, que buscavam o prazer mútuo.
A nossa alegria estava vindo em... Múltiplos... Múltiplos... Múltiplos...
Era apenas questão de tempo, mas aquela sensação poderia durar a eternidade, juro, eu não ligaria
em sentir milhares e milhares de vezes. Eu o possuo.
Conseguimos...
– Evaporei... – soltei um riso em seu ombro.
– Você sugou toda minha energia, Mel, eu me sentia em você. Como pode isso? Essa força?
– Fizemos nosso melhor! – falei encarando-o.
– Uma dessa é apenas uma vez na vida! – falou sorrindo e ficou de bruços sem força. Seus braços
e suas pernas tremiam como varas verdes. – Eu não me sinto...
– Eu também não consigo me mover... – rimos dessa situação maluca. – Vamos relaxar até nos
recuperar. – dei um beijinho em sua boca.
– Quero tentar outras dessas! – falou.
– Hoje? – eu não me mexia.
– Quem sabe? Podemos tentar todos os dias! – piscou.
– Essa foi especial, acertamos 00h00 em ponto! – gabei-me.
– Sério, nem me lembrei disso. Estava muito concentrado.
– Eu também, mas meus olhos deslizaram bem na hora e vi mudar o horário.
– Os fogos pareciam que estavam saindo de nossos corpos, de dentro de nós! Caramba, que efeito
louco é esse?! – Ele não conseguia se virar. Permaneceu de bruços mesmo. Dei beijinhos em suas
costas musculosas suadas de nosso amor e em seus lindos e incríveis ombros.
– Tipo Firework da Katy?! – arrumei forças e brinquei.
– Pode ser!
Capotamos aliviados e muito, muito satisfeitos.
– Estou ficando louca ou realmente vi o céu em seus olhos? – falei ao vê-lo me encarando, olhando
nossas mãos com as alianças.
– As mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio de um olhar... – recitou e eu derreti. Puxei
seu lábio inferior com meus lábios.
– Todo homem é poeta quando está apaixonado... – brinquei.
– Eu já li muito e soltei essa, mas ficou perfeita, não foi? Só que o mais perfeito foi a forma que
colocou a aliança em meu dedo! Pensei em um monte de coisas, tentei ser romântico, mas sua cara na
hora... – sorriu me beijando.
– Foi sim, eu também pensei besteiras! – assim que terminei de beijá-lo, o celular tocou. Era o
Lucas.
– Alô – falei séria.
– Oi Mel, tudo bem? Tenho boas novas, a Mari acordou! Estamos correndo para o hospital, se
quiser visitá-la, fica à vontade! – aparentemente eles estavam bem felizes, fiquei aliviada.
– Hum, isso é uma ótima notícia, vamos mais tarde, ok? – deixei avisado, eles entenderam.
– Isso é muito bom. – Juan disse assim que saiu do banho.
– Oh se é, deve ter sido horrível, a ela e a todos eles. Nem quero imaginar se acontecesse comigo
isso, seria apenas você e eu... – falei com tristeza, antes não achava ruim ser só. Hoje, sinto que deve
ser triste.
– Confesso que, achei estranha sua atitude com ela. Achei que nem ligaria, estou sendo sincero –
nossa, será que tenho ainda comigo um coração de pedra?
– Alguns meses atrás, seria bem diferente, todo meu ponto de vista que tinha de tudo e todos, há
tempos não tinha contato com a família e nem ligaria, mas hoje, sei lá, sinto por ela, sinto por todos
eles – sorri com a loucura que falei.
– Você é uma pessoa incrível, só estava amargurada. É triste e horrível o que sentia. Agora tem a
mim, sempre.
– Eu sei.
Trocamo-nos e partimos para o hospital. Apenas uma visita rápida.
Mariana não falou nada, apenas seus olhos faziam o percurso em toda sala. Seu rosto inchado e
cheio de marcas, hematomas profundos, só que ainda mais profundo era a dor em seus olhos.
Várias e várias gotas escorriam por eles. Em dor, ou mesmo, em busca de conforto. Ela encontrava
isso quando seus pais a abraçavam. Richard ainda não estava por lá. Decidimos ir embora logo, pois
muitos queriam vê-la e não havia muito tempo. Despedi-me dela pegando em seu braço solto e
flácido na cama. Seus olhos eram profundos em mim, como se quisesse me dizer algo muito
importante, mas nada saía. Fui embora pensativa e com medo do que aqueles olhos dela queriam me
dizer.
A profundidade com que Juan me olha, faz-me perder o foco de tudo. Seu olhar queima minha pele
mesmo sem tocá-la. Sinto a felicidade invadindo algo que jamais pensei que funcionasse. Meu
coração.
Aliás, eu não queria que funcionasse, mas agora, não quero desligar essa louca vontade que ele me
dá. Essa louca sensação de bem-estar.
Tudo é novidade, mas ao mesmo tempo, parece que faz tempo que vivo isso. Eu sinto de verdade a
mudança repentina em mim. Antes era a Mel sendo desejada, hoje sou a Mel sendo amada. Antes era
a Mel que sorria para seduzir, hoje sou a Mel que sorri por ser seduzida. Antes, tinha que ir atrás de
algo desejável, hoje sou o alvo desejável. Só que, o que mais me perturba, é que ainda tenho um
tiquinho daquela Mel dentro de mim...
O Richard me perturba de uma forma descontrolada. Eu não me canso de vê-lo tão sexy, arrogante,
sério, lindo, fechado, silencioso, misterioso e, acima de tudo, um gostoso. Aquela barba quando a
esquece, aquele sorriso largo e sufocante, aquelas mãos naquele celular que me perturba. Será que
ele não se toca, não sente minha sedução? É intrigante isso e é isso que me deixa louca. Louca de
desejos.
Tudo que penso é supererrado, por isso a Mel de antes ainda está comigo, afinal, eu não tinha essa
preocupação, simplesmente me entregava. Ponto. Fácil e sem dor. Hoje, o que posso fazer é ter a
mísera vontade de apenas olhar, curtir e admirar, mas nunca é o suficiente a essa Mel. Que é meio de
antes, meio de hoje.
– Dona mocinha, hoje foi um dia muito corrido, não? – Carla estava com uma alegria diferente.
– Que foi Carla, viu o passarinho azul? – perguntei e ela corou.
– Não, não foi nada. Que foi? – Ela estava me escondendo algo.
– Me fale, agora! Que é? Vai esconder as coisas de mim? – falei brigando.
– Sua chata, eu iria te contar na sua casa, mas o que posso adiantar é isso! – apontou o bombom
entre os dedos.
– Hum, de um admirador... – e eu sabia bem quem era.
– Pare, depois te conto, está entrando uma cliente.
Ela foi mudando de assunto a cada vez que perguntava. Tudo bem, ela vai me falar mesmo. Fomos
ligeiras para casa comer. Depois que me disse que ficou tudo estranho entre ela e o Thiago, Carla
passou a comer mais na minha casa do que com ele. Fiquei cismada com cada coisa que me dizia,
mas acabei depois esquecendo para o bem dela. Carla disse que ele ainda está estranho e não conta,
nem compartilha isso com ela, até porque já tentou de tudo. Então, isso é só com o tempo.
Hoje ela trouxe lasanha de berinjela que a mãe dela fez, também purê de mandioquinha e arroz à la
grega. Estava muito chique nosso almoço. Rimos e nos alimentamos rápido. A fofoca tinha que ter
mais tempo.
– Mel, o Flávio hoje veio todo manhoso, todo lindo para cima de mim. Entregou o bombom e
beijou meu rosto num beijo longo, delicioso e arrepiante. O que posso fazer? Ai, ele está me
deixando com dúvidas... – Carla falava emburrada e não apaixonada.
– Você disse que o Thi nem liga mais para você, o que faz com ele? – falei de supetão.
– Eu sei, mas ainda gosto dele e Thiago sempre foi muito bom comigo, não entendo o que está
acontecendo com a gente. Eu já me imaginava na igreja, casando. Antes, era todo carinhoso, meigo,
agora nem sei quem é ele, parece que estamos nos conhecendo ou nem mesmo isso! – realmente
estava sentida com a relação dos dois.
– Carla, eu percebi isso também, poxa, quando conheci vocês pareciam perfeitos um ao outro.
Thiago está estranho até comigo!
– Ele te maltratou? – perguntou no susto.
– Não, mas não é o mesmo! Ele era todo simpático, alegre, agora mal fala comigo.
– É, ele está estranho... – suspirou e abriu o bombom. Assim que o fez, ela sentou rápido no sofá e
soltou um riso. Balançava a cabeça sem parar.
– O que foi?
– Flávio deixou um recado dentro do bombom! – ainda bem que o bombom é coberto, pensei.
– Sério, o que diz?
– Quer sair comigo? Com carinho e tem o número dele – Carla ficou com o sorriso preso no canto.
– Resolva sua vida com o Thiago, depois pode aceitar apenas um suco, café, sei lá... Quem sabe
depois mais para frente, um motel... – falei brincando, ela me atacou uma almofada.
– Descarada!
– Estou mentindo? – e não estava mesmo. Esse conselho estava bom, se fosse alguns meses atrás,
já diria: “vai nesse encontro e mostre todo seu poder, garota!”, Viu a evolução do amor?!
– Tudo bem, mas vou falar com ele, não é? Flávio merece uma explicação melhor.
– Claro, conversa, Flávio não vai se chatear e muito menos desistir.
– Aham, vamos, já está na hora! – levantou e calçou o sapato.
– Hum, está sendo paquerada por um gatinho... – fiz cócegas nela e fui escovar os dentes.
– Boba.
Ao voltar do almoço, me assustei com quem estava parado na recepção.
– Oi, tudo bem? Aconteceu algo? – falei preocupada.
– Oi Mel. Apenas dei uma passada para ver algo no escritório, mas está tudo bem – falou seco,
sem emoção, mas com aquela voz de veludo e delirante.
Richard havia feito a barba e o cheiro do produto pós-barba ainda exalava de sua pele. Queria me
aproximar e cheirá-lo até o anoitecer e o deixaria acabado depois de uma grande noite de amor. O
arrepio perfeito formou-se em meu corpo inteiro, me amarrando a ele.
– Ah sim, que bom – hum, voltei. Ufa. Às vezes, me bate esses devaneios absurdos.
Como eu poderia pensar nisso? Por que ele me deixa assim?
– A Mariana está bem? – perguntei logo. Ajeitando minha roupa, disfarçando minha louca vontade.
Apertei os lábios para me distrair e não olhar diretamente em seus olhos.
– Está melhorando, ainda não fala nada, apenas nos escuta, mas creio que ficará tudo bem, o pior
já passou. Amanhã ela fará alguns exames. Vamos aguardar – outro arrepio. Minha vontade é de
mandá-lo calar a boca e me devorar.
Como eu poderia se quer imaginar isso nessa situação?
Se oriente, Mel!
– Qualquer novidade, me avise – desviei mais uma vez de seu olhar. Ele sorriu quando enfim
consegui me mover.
– Ok, tchau Mel e obrigado por sua atenção conosco.
Santo Deus! Mil vezes misericórdia. O que foi que ele fez? Richard veio calmo e com cuidado,
apertou de leve meu braço e seus lábios vieram lentamente beijar meu rosto. Essa foi a primeira vez.
A primeira vez que ele me toca de verdade, com uma intensidade absurda em apenas alguns
segundos. Todos meus nervos entraram em conflito, quase derreti em sua mão. Minhas pernas
bambearam e tentei equilibrar-me no salto, segurei no balcão e Carla me fitou, com medo de eu
realmente cair. Meus cílios longos piscaram tão devagar que, achei que não veria o mundo de novo.
Richard me beijou rápido, mas que para mim, durou um século, e tudo fervia em sintonia a esse
arrepio.
Só que o que me deixa mais intrigada, é que ele não tem e nem mostra reação nenhuma. Sua mão
estava firme e sedutora em meu braço, como se realmente quisesse me tocar, seu olhar radiante, seus
lábios entreabertos logo após o doce e cauteloso beijo.
Mas porra, sua expressão, nada dizia!
Era como se eu fosse um papel em branco. Nada a escrever... Contudo, se ele quisesse rabiscar,
eu estaria pronta...
“Ele será libertado nesse beijo.”
12- Lábios ardentes
“Eu poderia não te deixar opções ou mesmo virar e ir embora, mas já que é assim, não quero
ter que escolher. Eu quero apenas uma coisa e essa coisa, é só você que sabe fazer melhor do que
ninguém... Mel, por favor, passe seu batom.”
****************************************************
Com tudo isso que aconteceu, até mesmo a última visita que Mel fez para Mariana, não
pude vê-la. Atrasei-me propositalmente, quando ouvi Lucas avisando a ela. Quando retornou a
ligação dizendo que estava saindo naquele momento, segurei-me aqui, poxa, não posso me
descontrolar, ainda mais naquele hospital, todos estavam ali.
Hoje mais cedo, assim que Lucas falou com ela, ele parecia intrigado e então decidi tentar
arrancar algo dele. Por que sempre queria ligar para ela? Por que ficava todo aceso e nervoso
quando alguém falava o nome dela? E também no dia da festa de Natal, na noite do acidente, o
flagrei olhando-a profundamente, com desejos.
Poxa, conheço os caras. Eu mesmo fiquei babando por aquele corpo perfeito. Às vezes, tento me
segurar, mas está cada vez mais difícil, diria, foda.
Quando não quero pensar mais nela, acabo pensando assim mesmo. Acho que ambos já
ficaram, ela soube deixá-lo também de quatro no mesmo dia. Vou descobrir o que há por trás
desse fogo todo. Fui até ele e o investiguei.
– E aí cara, está sentindo alguma coisa? – assim que me aproximei, ele me cumprimentou.
– Não, estou bem melhor, só fico preocupado com a Mariana, coitada, mas também... – fiquei
engasgado por lembrar. Meu Deus, ela estava destruída, tanto por dentro quanto fisicamente.
– Foi uma coisa muito horrível, mas ainda bem que vocês estão vivinhos da silva! – explodiu
numa alegria só dele.
Lucas é um cara extrovertido e também galanteador, deve ser por isso que conquistou a Mel.
Será que é esse o segredo, ser um conquistador ou engraçado? Acho que não. Ela seduz a
qualquer um. Quem ela quiser! Às vezes, sinto tanto que ela me quer e o que posso fazer?
Porra nenhuma.
– Verdade. E aí, alguma novidade com a namorada? – perguntei, já que ela nem deu as caras
por aqui.
– Acho que terminamos – sorriu para o que disse. – Ela parecia uma louca ciumenta! – sei. Já
até imagino, mas como quero saber, fingirei um pouco mais.
– Ah é, ciúmes do quê? – joguei um verde, falando com a maior cara de pau possível.
– Sabe a prima da Mari, a Mel? – bingo! Ele sorriu ao falar o nome dela com tanto ênfase e
prazer. Deve ser o mesmo que sinto.
Qual o sabor dessa mulher?
– Sei sim, o que aconteceu? – falei com falso desdém.
– Então, eu ficava com ela há muitos anos atrás, quando éramos muito jovens. Ela tinha um
charme incrível, isso porque éramos adolescentes, mas hoje em dia, está ainda mais gostosa! Eu
não resisto a ela... – Lucas balançava a cabeça como se estivesse inconformado com algo, meu
estômago revirou e falei.
– Mas vocês... Agora... Por esses dias... – não queria ouvir, mas queria saber.
– Não, ela não me permitiria tal façanha, cara, é o que mais quero, Mel é muito foda! Você não
tem noção do furação que é a Mel! Fala sério, não é possível que tenha tanto poder sobre mim... –
de mim também.
Fiz cara de paisagem.
– Mas então, o que sua namorada tem a ver? – instiguei mais.
– Ela percebeu o tanto que eu olhava para Mel, e ela já sabia do passado que há uns tempos
atrás eu havia falado, então ficou com ciúmes e foi embora!
– Posso ser sincero? – falei e me preparei.
– Claro.
– Bem, então, ela nem quer nada contigo! Senão ficaria aqui, tomando conta do que é dela!
– Disse tudo, falei isso a ela, foi nesse momento que se virou e foi embora. Cara, eu só estava
com ela há seis meses, nem deu para criar raízes. Ela é doida – caiu na risada. Fiz o mesmo.
– Mas a Mel tem um namorado, não tem? – voltei ao assunto que me interessava.
– Tem sim e está muito mudada. Fiquei com ela, muitas vezes. Muitas mesmo. Toda vez em que
eu voltava, sempre abria uma exceção. Íamos correndo para um quarto, mas desta vez, ela resistiu.
Incrível – falou abismado.
– Sério?! Ela nunca foi de namorar, quero dizer, não tinha namorados antes? – isso é novo.
– Não, a Mel sempre foi assim. Ela me contava algumas de suas aventuras, mas nunca namorou,
sempre em busca do próprio prazer. Por isso nos dávamos bem, ela me satisfazia e eu o mesmo –
uau.
Minha cabeça deu um giro de trezentos e sessenta graus com essa louca informação.
– Mas no fundo, ela é intensa demais, confusa demais. Esse ar de sedução dela que encanta
qualquer um. É difícil alguém prendê-la, esse foi um desafio a esse tal namorado. Ela me
apresentou ele como “namorado”, nem acreditei! Fiquei com muita raiva e, agora não consigo
esquecer, quero ir embora com pelo menos um beijo dela. Ela está me fazendo perder o sono! –
somos dois, meu caro, somos dois.
– É, por essa, eu não esperava – não esperava mesmo.
– Mas fica entre nós, ok? – falou sério e fechei meu bico.
– Do que mesmo você estava falando? – fiz graça e me levantei.
Eu agora tenho que planejar o que posso fazer para dominar essa mulher.
Será que é muito?
Como eu tinha que ir até o prédio pegar alguns papéis que deixei no serviço, iria vê-la e ela
ficaria feliz. Bem, eu acho. Para minha enorme decepção, Mel não estava na recepção. Fiquei até
bravo e cheguei a fazer cara feia para Caio, o chefe chato dela. Detesto esse cara, também não
pude sequer perguntar a ele sobre Mel, então subi, peguei as papeladas e iria resolvê-los em casa.
Era a única saída. Só Deus sabe quando irei voltar para o escritório. Até tudo se resolver com a
Mariana, e também, nem sei se a Mel vai visitá-la mais vezes ou se teremos algum encontro casual
por aí.
Ao descer, fui entregar a chave, quando virei, travei no lugar. Ela entrando toda linda, mas fingi
não sentir nem emoção. Ela sorriu e fez cara de preocupada. Perguntou sobre a Mari, respondi e
nem queria saber de mais nada, queria apenas olhar aquele sorriso coral, aquela boca poderosa
dela. Senti seu olhar percorrer meu corpo, era como se ela tivesse me tocando. Disfarcei e Carla
olhou para ela. Então é verdade, a própria amiga denunciou a vontade dela. Senti Carla sorrir e
corar ao mesmo tempo, Mel não tem vergonha na cara em pensar besteira bem na minha frente!
Que deliciosa essa mulher... Que tentação!
Conversamos como se tudo fosse normal. Como se meu corpo não necessitasse do dela naquele
momento. O mais estranho é que estamos falando da minha “noiva e prima” dela!
Quando o papo se encerrou, nem sabia o que fazer, aliás, eu queria fazer isso há muito tempo,
mas sempre tive receio do que poderia acontecer, mas dessa vez, não perderia a chance. Então, fui
até seu rosto liso e dei um beijo. Segurei de leve seu braço direito e meus lábios tocaram ardentes
em sua pele exalando emoção, quentura e desejos. Em um milhão de pedaços se desfez o meu
corpo, teria que sair dali recolhendo o que foi estilhaçado de mim. Não teria problema algum, mas
senti o que mais temia...
Como seria beijar aquela boca deliciosa dela e seu corpo encaixado ao meu?
Talvez a melhor queda do mundo...
A única coisa que sei é que ela sentiu o mesmo. Vi em seus olhos perdidos e confusos com minha
atitude repentina, enquanto se segurava ao balcão.
Eu poderia planejar a partir desse beijo eletrizante e contaria os dias exatos, até a glória.
Até conseguir esse beijo proibido...
****************************************************
– Carla, o que foi isso? – perguntei boquiaberta e quase sem ar.
– Esse cara é sinistro! – falou devagar, também surpresa pela atitude de Richard.
– Estranho. Isso é realmente muito estranho. Carla, ele nunca me cumprimentou assim, agora vem
com beijinhos? – mesmo depois do que aconteceu no rancho, Richard ainda era sério comigo.
– Vai entender esses homens lindos e sérios! – sorriu e fui voltando, na verdade, catando os
caquinhos que ficaram para trás, até completar a Mel do dia.
Fui embora ainda muito pensativa com a atitude repentina de Richard me dar um beijo. Apesar de
ele se encontrar num momento muito difícil e estar muito vulnerável, sentindo-se sozinho com toda a
pressão a sua volta... Talvez apenas me veja como prima de sua noiva e esse beijo seja somente um
carinho, para mostrar que eu não devo confundir as coisas, mas o que mais me intriga é que o olhar
dele parece querer dizer algo e não diz, fica somente ainda no mistério. Até quando?
Ao chegar em casa, Juan fazia nossa mesa, nossos pratos comprados prontos.
– Minha comida é tão ruim assim? – perguntei cheia de graça, depois de me recuperar do cansaço
de um longo dia no hotel. Nada melhor do que um banho superquente, saí até vermelha do chuveiro.
– Não queria vê-la cozinhando, quero você mais perto de mim. Então já comprei tudo pronto para
ter mais tempo! – beijou-me. – E esse vermelhão? Fica muito tempo sem usar o chuveiro, que nem
sabe mais a temperatura, a banheira deixa qualquer um preguiçoso! – falou beijando meus ombros
nus.
– É verdade, mas amanhã irei cozinhar pra você e não adianta dizer o contrário! Sinto falta – falei
fazendo beicinho.
– Combinado.
Jantamos e assistimos a um filme. Juan contou sobre seu dia e, que semana que vem, iria fazer uma
viagem. Fiz mais um beicinho triste, ele o desfez rapidinho, mas mesmo assim fiquei com raiva
dessas viagens chatas que tem que fazer sem mim.
No serviço, eu nem ficaria mais esperando por Richard. Talvez não o visse por muito tempo e isso
me causou tristeza. É bom ver gente bonita, mas ele em especial é de agraciar o dia de qualquer uma.
Não é apenas pela beleza, mas por tudo que sinto em relação a ele.
O que será que ele pensa sobre mim?
Realmente não tenho a mínima ideia!
Richard não dá sinal nenhum de que poderia ser algo físico.
Ok, vamos matar essa vontade!
No entanto, ele nem liga, talvez seja tão bobo que nem ao menos percebe minha malícia, meus
desejos. Se fosse outra época, antes do Juan e se eu ao menos não soubesse que era noivo da minha
prima, faria de tudo até conseguir. Hoje, não estou desistindo, veja bem, mas é cruel ter que ver, sem
ao menos ele me dar a atenção que necessito.
Tem vezes que consigo ver em seus olhos um desejo, um leve desejo, mas se ele sente algo, sabe
disfarçar bem. Se não sente nada, é porque realmente não fiz meu melhor.
Ou tenho que me conformar que não sou a melhor para todos.
– Acorda mulher! – Carla estalou os dedos na minha frente, fazendo-me interromper meus
devaneios matinais.
– Estou acordada – falei com a voz sonolenta.
– Vou dizer ao Juan para aliviar minha amiga. Parece tão cansada.
– Não do Juan, ele me fortalece – soltei uma risadinha.
– Ai, ai, só vocês mesmo, viu! – ficou de costas pegando os relatórios, nisso Flávio entrou
silenciosamente a observando de longe.
"Chega junto", falei sem emitir som e ele ficou sem entender, abanei as mãos para ir até ela. Até
que enfim entendeu.
– Olá, bom dia linda! – disse manso, com cuidado. Eu estava estática no lugar e com os ouvidos
apurados neles.
– Oi Flávio, bom dia – Carla disse sem jeito.
– Está tudo bem? – perguntou com a voz preocupada.
– Está sim – ela não o encarava. Disfarcei sentada mexendo em alguns papéis.
– Sobre o que eu... – Carla o interrompeu.
– Na hora do meu almoço, te envio uma mensagem, pode ser? – senti que ela estava me olhando,
fingi nem estar ali.
– Tudo bem, beijos e tenha um bom dia. – Flávio passava as mãos nas dela e subiu com um sorriso
radiante.
– Sua palhaça! – Carla sentou batendo em meus ombros. Tentei ficar séria.
– O que foi que eu fiz? – falei sem rir, mesmo querendo.
– Cínica! Vai pensando que me engana. Fica fingindo que está transparente! – a voz dela estava
tensa e muito nervosa. Carla está apreensiva com essa nova mudança.
– Queria eu! – rimos e ela ficou pensativa a manhã inteira.
Como estávamos muito ocupadas e com muitas coisas a fazer, quase nem conversamos, mas sentia
a mente dela atordoada, milhões de pensamentos passavam ali. Carla queria conversar, mas estava
tentando se concentrar em seu serviço. Fiz o mesmo e não a perturbei, deixei-a dizer por conta
própria e foi o que aconteceu. Depois de muito, muito tempo, ela voltou aos poucos e me
surpreendeu.
– Vou falar com o Thiago hoje! – falou brava. – Sabe, não aguento mais essa situação, eu tenho que
saber, não é? É meu direito! – bufou tacando uma pasta na mesa. Fiquei orgulhosa.
– Apoiada! – não brinquei, falei a verdade.
– E será hoje! – finalizou.
É hoje que vou preparar algo para meu gato. Quem diria? Eu cozinhando para um homem... Só ele
mesmo para me fazer delirar de amor e botar a mão na massa... Literalmente.
– O que vai fazer hoje? – Juan perguntou assim que entrei com as compras.
– Macarrone à la Mel! – inventei um nome na hora. – Minha especialidade. Vai gostar! – na
verdade, não é bem uma especialidade, é um macarrão simples que adoro fazer, mas dessa vez, farei
com mais carinho.
– Claro que vou, mas posso ficar por perto? – fez carinha de manhoso.
– Isso pode não prestar... – pisquei e fui para cozinha. – É preciso muita cautela para fazer esse
prato, é especial... – saí da cozinha deixando-o tirar as coisas da sacola, fui para o quarto colocar
uma roupa leve: um short e regata.
Assim que puxei a blusinha para vestir, vi ao fundo aquela camiseta que fazia parte dos meus
planos maléficos, minha camiseta da sorte. Separei dobrada, para a noite colocá-la, só quero ver a
reação do Juan. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e mãos à obra.
Quando cheguei à cozinha, Juan já estava sem camisa e com sua calça jeans pendendo no quadril
perfeito e musculoso, encostado na pia, lavando a salada. Ao ver aquilo, me faltou até ar...
Eu não posso com isso, não aguento vê-lo todo lindo sem camisa, suas costas largas e sua curva
perfeita. Ele virou-se e meu mundo desabou.
Seu olhar é tão quente, que me sinto pegando fogo. Apertei as mãos uma na outra e tentei voltar a
respirar, mas ele não me deixava. Juan me roubava toda a respiração e a atenção.
O que eu iria fazer mesmo?
– Você não vai mais cozinhar? – perguntou. Sinceramente, acho que Juan me escuta mesmo sem eu
ter falado, será possível?
– Eu me esqueci por um breve segundo... – falei bem baixinho e ele veio para perto tentar me
mover do lugar.
Juan chegou tão de mansinho, que me arrepiei inteirinha. Ele aproximou-se como se eu fosse sua
presa favorita, como se fosse me devorar.
Que máximo! Que homem...
Juan começou a beijar meu ombro, meu pescoço e passeou com as mãos frias por dentro da minha
blusinha, deslizando até as costas, sinto que estava começando a enfraquecer...
Como eu estava sem sutiã, ele viu seu efeito pela regata. Mordeu os lábios e me encarava, olho no
olho. Tocou por baixo do tecido chegando ao seio. Arfei baixinho. Com a ponta do dedo, puxou a
regata para baixo deixando meu colo à vista, deu três beijos molhados, sugando minha pele. Ele não
poderia fazer isso, era pura maldade. Apertou-me gostoso em um abraço, fazendo-me sentir o quanto
estava rijo e cheio de vontades...
– Por que você tem esse poder sobre mim? – falei em seus lábios vacilantes.
– Você tem o mesmo poder sobre mim... – diz ele retribuindo meu carinho.
– Nunca pensei que fosse assim... Que seria tão bom e perfeito... – estou sumindo, derretendo...
– Nem eu... Você foi uma das melhores coisas de minha vida.
– Idem.
Ele me puxou para perto da pia e sussurrou.
– Vamos cozinhar juntos!
Eu não iria conseguir! Fato.
Depois que o efeito tinha quase passado, Juan deixou-me contra a pia e pressionava o corpo em
minhas costas, apertando-me levemente contra a pia, ajudando-me a lavar os tomates com as mãos
brincando nas minhas e sussurrava no meu ouvido...
– Assim está perfeito! – era muito excitante, mas tentei me concentrar.
Quando enfim lavamos toda a salada, começamos a fazer o prato principal. Ele colocou a água do
macarrão para ferver e fui fazer o molho. Juan ajudou a cortar os ingredientes e, de vez em quando,
me sujava com algo.
Molho do macarrão quase pronto. O cheiro incrível. Macarrão escorrido por ele. Beijos à
vontade.
Fomos para a carne: fazer filé de frango à milanesa. Juan trouxe a farinha de trigo, os ovos, a
farinha de rosca, deixando tudo ajeitado, pois iria me ajudar no processo.
Quando fui passar o último filé na farinha para o ovo novamente, ele me encarou e olhou com uma
cara de que iria aprontar. E o fez. Assim que entreguei o último bife, ele deixou o bife de lado e foi
passando as mãos toda melada em mim, no rosto, nos braços, no colo dos seios, e como se já não
bastasse, jogou farinha de trigo, indo logo em seguida me temperar com seus beijos e me abraçava
forte, apertando-me contra seu corpo quente. Foi uma sujeira só, pois acabei o melando também, mas
entrei na festa, aproveitei minhas mãos sujas e fiz o mesmo em seu peito nu. Juan fazia cócegas e me
sujava mais. No fim, ficamos como duas crianças sujas.
– Maldade você jogar em meu cabelo! – falei rindo alto.
– É de brincadeira, vem cá... – saí correndo e ele foi atrás de mim. Prendeu-me ao batente da porta
e beijou-me loucamente. Fazendo-me perder o fio de juízo que ainda existia.
– Vamos comer. Agora! Juan, estou morta de fome! – empurrei seu rosto, mesmo não querendo.
– Não, dona Mel! Vamos tomar um banho e depois comeremos. Que tal? – assenti com um
beicinho, ele me pegou no colo e me levou ao banho, no caminho, foi devorando meu beicinho, eu
nem reclamei.
Banho tomado da melhor forma possível, Juan com suas passadas de mãos sem vergonha, um
banho perfeito. Jantar delicioso e bem apreciado por ele.
– Agora só você vai cozinhar.
Respondi:
– Não, agora não vou, vai ter que continuar a comprar!
Ele dizia que tanto faz, o importante era estarmos juntos, bem juntos.
O deixei na sala e fui até o quarto, coloquei minha camiseta branca, apenas ela. Sem peças íntimas.
Juan estava estirado no sofá maior e não tinha visto, estava concentrado no programa de luta.
Pigarreei e fiquei ao pé do sofá. Ele me fitou inteirinha em câmera lenta.
Uau. Que ligação, meu pelos do corpo se eriçavam apenas com seu olhar.
– Honey, o que seria isso? Quanta maldade sua! – falou com sua voz sedutora, cheia de desejo.
– É? O que me diz? – fui até a frente do seu corpo e já via o efeito em seu short largo.
Nossa, nós não nos cansamos? – pensei aflita em apenas ver sua ereção subindo cada vez mais.
– Acho que você não deve usar nunca essa camiseta por aí, deve ser somente comigo! – um toque
de ciúmes, mas cheio de excitação.
– Sei, ela estava bem escondida, tinha até me esquecido... – gemi abaixando-me aproximando dele.
– Muito bom... “Não me odeie, me foda”, você ganhou isso? – falou com seu olhar de águas
ferventes.
– Não, mandei fazer! – pisquei sedutoramente, mordendo o lábio.
Eu sei, sou perversa.
– Ok, o que você quer, honey? Um sexo amorosinho ou um sexo selvagem? – sua voz era quente
demais. Ele sentou-se ao sofá, bem na beirada. Apertava suas mãos uma na outra, estralando seus
longos dedos. Seu olhar faminto, direcionado aos lugares certos, e no meio de minhas pernas
fervia...
– Ah, Juan, don’t hate me, fuck me... – murmurei cheia de vontade, levantando de leve a barra da
camiseta pra ele ver que eu estava sem nada.
– Só se for agora, honey...
Juan levantou do sofá, apertou meu queixo entre seu polegar e o indicador. Apertou forte,
empurrando minha cabeça para trás. Olhou bem fundo em meus olhos e lascou um beijo lascivo e
quente, sua língua sem piedade forçou meus lábios a abrirem para ele me saborear. Largou o beijo e
foi para o pescoço, sugou, mordeu e desceu, rasgando minha pele. Eu gemia baixinho com o que ele
fazia. Enfiou a mão por baixo da camiseta solta em meu corpo, encontrando meu sexo babando.
– Porra Mel! – Juan viu que eu não estava de brincadeira. Eu não queria enrolação, eu queria um
sexo selvagem.
– Vem Juan, me coma! – grunhi.
Juan sorriu e abaixou a bermuda com uma classe erótica só dele. Voltou a sentar-se no sofá, puxou
com uma violência excitante minhas pernas, fazendo com que eu ficasse de frente para ele. Juan
levantou a camiseta e mordeu meu quadril, sua língua percorreu uma boa extensão ali embaixo.
Afastou minhas pernas e num movimento rápido deu-me um leve tapinha em meu sexo. Levei um
susto com sua atitude repentina, mas foi incrivelmente delicioso... Excitante.
Uau, vibrou tudo. Em outro tapa, gemi e me contorcia prazerosamente na sua frente, e sem mais
demora, Juan puxou meus quadris sentou-me em seu colo, colocando minhas pernas atrás dele, sem
tirar minha camiseta penetrou-me forte. Selvagem. Naquele sofá, ele deliciou-me completamente...
Assim como eu havia pedido.
Juan sabe de todas as formas de que gosto, toca meu âmago, minha ânsia por ele. Minha vontade
louca, nosso sexo louco. Ele me beijava e me mordia com vontade, me apertava contra seu corpo,
como se quisesse ir mais longe... Bem mais longe... Suas investidas eram tão prazerosas que, às
vezes, ele até parava, respirava, balançava a cabeça, se recuperava e voltava com força total ao seu
prazer!
Inverteu o jogo, colocou-me no braço do sofá e suas investidas eram ainda mais intensas,
saborosas, as ondas de prazer era demais, chegavam a todo meu corpo.
Ele me fazia revirar os olhos de prazer...
Mais fundo, mais longe...
Até tocar minha alma com sua vontade de mim...
Juan sentia o meu gosto, um gozo sem fim pra ele, Juan me completava... Com um prazer sem fim.
Na semana seguinte, Juan já estava ajeitando as coisas para viajar. Eu com um bico imenso de
pensar que ficaria sozinha por esses dias. Para completar um pouco mais a dor, ainda tive que levá-
lo ao aeroporto e vê-lo partir sem mim.
– Eu volto logo, te amo – disse várias e várias vezes.
Fiquei bicuda e chata a semana toda. Sem Juan e sem o step Richard, já que estava na correria e
preocupação com minha prima.
Para minha alegria, em plena sexta-feira – não seria possível, é apenas uma visão do paraíso! –,
tentei me convencer, mas não adiantou. Richard estava entrando e não sozinho, pois estava com Lucas
e há tempos que não resisto a ele. Antes, era apenas chegar perto, sussurrar em meu ouvido, que já
estava na cama com ele. Lucas é lindo, sedutor, engraçado e galanteador. Gosto disso nele e, de certa
forma, agora que voltou, está cada vez mais homem e charmoso, mas dessa vez, saberei me segurar.
– Bom dia Mel! – foi Lucas que veio todo assanhado.
– Bom dia Lucas, o que deseja? – juro que não falei com segundas intenções, mas ele aproximou-
se de mim com um sorriso largo. Eu já esperava sua resposta. Veio até meu ouvido, mas antes de
qualquer gracinha, me deu um beijo longo, quente e forte no rosto, fazendo formigar a garganta. Ele
sabe do poder dele em cima de mim. Filho da mãe. Enfim, disse em meu ouvido: "Você". Foi tão
baixo e quente, que o arrepio ficou escondido em minha blusa grossa.
– Que piada, Mel! – Lucas explodiu dizendo e ele mesmo riu de minha pergunta, esperando talvez
a resposta, fingi não ouvir. Mordi o lábio e encontrei os olhos de Richard em mim. Profundos e
curiosos.
– Tudo bem, Richard? – falei manhosa, ainda com o efeito falando-baixinho-no-ouvido.
– Tudo bem sim – para mim, seria melhor impossível. Dois lindos.
– Eu vim te falar que a Mariana talvez tenha alta semana que vem, os médicos estão esperançosos,
ela abriu os olhos novamente, mas ainda não diz nada, irão fazer mais alguns exames. Então, vamos
torcer, não é? – Lucas era um primo muito apegado à Mariana e a mim de outra forma, por isso essa
empolgação toda, ela era como uma irmã para ele.
– Hum, isso é muito bom! – soltei um sorriso sincero e vi os dois paralisarem como se tivesse me
desejando ao mesmo tempo. Fiquei sem graça e ajeitei o cabelo para buscar algo para me distrair
dos olhares, ainda mais do Richard. Ele anda estranho.
– Só que eu já vou embora no domingo. Vou fazer uma reunião, sei lá, uma festinha com os amigos
lá na casa da tia e quero muito que vá... – eu sabia que Lucas viria com alguma coisa para cima de
mim.
– Vou ver se dá – avisei apenas.
– Sei que vai dar pra ir sim! Seu namorado não está aqui, então poderá ir à vontade... – soltou uma
risadinha medonha. Lucas melhor do que ninguém sabe que detesto ser desafiada.
– Vou ver – digo enfim, me segurando para resistir.
– Sei que vai... – convencido. – Tchau, te espero lá! – saiu me encarando e mordendo aquela boca
de tempos passados. Respirei fundo e sorri.
– Tchau Mel – Richard despediu-se. Fiquei pasma no balcão.
– Eita, mulher cheia de mel... Mal saiu o Zangão e as abelhas já querem atacar! – Carla brincou
cheia de gracinha.
– Pois é, eu posso com tudo isso?
Não! – minha mente gritou. Alertando-me.
Assim que terminei de me vestir, ajeitei a make e meu batom. Estava pronta. Tudo bem, não
deveria ir até aquela festa, mas hoje eu sei o que posso fazer, sei meu limite, e também sei que não
posso brincar fogo, pois se me queimar, desta vez vai machucar.
Ok, já cheguei causando! Não tinha um que não olhava. Qual é? Só porque nunca fui família e
agora estou aqui? Posso mudar, não posso?
– Sabia que viria! – Lucas agarrou-me e lascou um beijo em meu rosto.
– Pare de me agarrar, senão vou embora – falei firme, mas ele ficou com o braço esquerdo em meu
pescoço.
– Antes você gostava, até me cobrava isso... O que aconteceu? – sussurrou em meu ouvido, sem
vergonha nenhuma naquela cara linda.
Lucas parecia triste, mas não estava.
– Muitas coisas. Agora eu namoro, deveria respeitar isso! – mostrei a aliança e ele sorriu. Cretino.
– Entendo, mas acontece que não tenho ciúmes! – sua graça atingiu meu ser, ele sabe como me
deixar caidinha por ele.
Droga, aquele cheiro maravilhoso dele! Argh. Respirei e ele continuou.
– E fique sabendo Mel, que eu não estou dormindo, pois a cada vez que te vejo, te quero e agora
nem ao menos me dá um beijo... Isso é cruel, você é do mal, passei minha vida toda iludido com
você! – falou bravo, nós estávamos em um canto, só nós dois.
– Está bêbado? – falei sorrindo e coloquei a mão na sua testa. – Está com febre? – brinquei de
novo.
– Não, mas estou fervendo... – puxou minha mão e tentou colocar no corpo dele, em seu
brinquedinho que estava volumoso. Naquele pau, inesquecível... Dei risada dele só para disfarçar a
vontade, Lucas fez o mesmo, mas no fundo, seus olhos me analisavam.
– Por acaso está com uma meia aí, rapaz? – brinquei olhando para as calças dele. Ele me fitou
curioso.
– Claro que não, sabe que sou potente! – e cheio de graça também. Ri mais alto ainda dele. – Pare
de rir, até seu sorriso me excita... É sério... – ele me abraçou e senti sua leve ereção.
– Palhaço – desgrudei do corpo dele e dei um leve tapa em sua cabeça. Tudo que faz é só sorrir,
com aquele sorriso de tirar o fôlego.
Resista!
– Quer beber algo? – ofereceu.
– Vai me encher a noite toda? – perguntei com as mãos na cintura.
– Mais ou menos – disse com o sorriso preso, fazendo aquele queixo dele ficar ainda mais sexy.
Fingi não olhar.
– Então um Jack Daniel’s! Puro, por favor. – Lucas revirou os olhos e saiu.
Fui cumprimentar os outros da despedida dele. Falei com minha tia e meu tio que pareceram
aliviados e felizes, por isso permitiram essa reunião. Senão, o clima não estaria pra festa. Quando
voltei para o meu lugar, encontro o gostoso da noite e dos meus sonhos.
– Boa noite Mel! – ele fez as honras, beijou meu rosto e com sua mão direita, tocou a palma da
minha mão e a soltou em seguida. A eletricidade atingiu em cheio todo meu corpo e entre minhas
pernas formigavam. Que tanto ele mexe comigo? Só de tocar já sinto isso, imagina tocando-me
inteira, me possuindo...
Ah, que maravilha seria essa boca dele em mim... – mordi o lábio, Richard me olhava inteira, e
seu olhar era quente... Fervente.
– Boa noite, Senhor Mistério! Está bem agora? – fingi que o choque não existiu e que não estou
fazendo charme ao ver seu olhar pegando fogo.
– Muito melhor. – Richard disse com sua voz rouca e sedutora, nisso meu muro desabou. – Tive
notícias da Mari! – e com o tapa invisível que levei, acordei e fui catando os caquinhos do muro. Eu
acho que ele viu minha expressão e resolveu falar dela. É claro!
Ai, como eu sou estúpida. Insensível.
– To-todos estão felizes – falei gaguejando.
– Com toda certeza. – Richard evitou me olhar.
– Parece tenso agora – falei, mas ele não me olhou.
Ele é tão inconstante, o que há? Droga. Uma hora me atiça, outra hora me ignora! Que porra de
homem.
– Estou bem! – não me parece.
Às vezes, acho que ele tem uma leve repulsa de mim e isso me deixa chateada. Brava. Enfurecida
demais. Bufei e Richard voltou a me olhar de soslaio. Talvez tenha percebido minha irritação.
– Gata, aqui está seu drinque! – Lucas chegou por trás de mim e entregou o copo.
– Não colocou nada, não é? – disse rindo dele.
– Putz, acabei me esquecendo, mas tenho aqui um daqueles: “Boa noite Cinderela”, quer? – deu
duas levantadinhas de sobrancelhas. Sei bem o que é isso, inventávamos muitas histórias, e “Boa
noite Cinderela” era seu charme. Naquela época era bom demais...
– Não, obrigada – falei sorrindo.
Richard nos pediu licença.
– Acho que ele me detesta! – falei assim que Richard saiu. Lucas me fitou curioso, mas deu de
ombros, olhava para todo meu corpo.
– Por quê? – sussurrou bem perto.
Ai, que porra, ele está me deixando tensa.
– Não sei, eu sinto – minha voz estava desestabilizada.
– Eu te detesto também... – falou baixo, dei um gole imenso na bebida.
– Pare com isso – o encarei.
O olhar risonho e travesso do Lucas, dizia-me que não desistiria fácil.
– Só um beijo escondido, ninguém precisa saber! Só nós dois... – piscou tentando me convencer.
– Seu teimoso, já disse que não! Contenha-se – bati na direção do seu brinquedinho. Ele esquivou-
se sorrindo.
Safado!
– Impossível! Vai me fazer ir embora sem ao mesmo ver você com o batom, deixando-me
marcado... – ele nunca esqueceu.
– Bobinho, o seu batom já acabou faz tempo! – soltei a risada que ele gosta.
– Quem disse? – Lucas me deixou intrigada. Segurei o lábio e ele me encarou tão de perto que
senti seu fervor exalando do corpo.
Uau, que saudade...
– Pare. Com. Isso! – grunhiu palavra por palavra. – Porra Mel, é sério, estou excitado pra caralho!
– disse quase gemendo. Bravo e cheio de vontades, eu também, mas tentei esconder.
– Ok, mas o que quer dizer com isso, do batom? – falei desconfiada, segurando o lábio.
– Isso... – antes de fazer qualquer coisa, Lucas me deu um tapa na mão, tirando meus dedos do
lábio. Sorriu balançando a cabeça como se estivesse apagando alguma lembrança. Tirou do bolso
traseiro uma caixinha colorida e pelo que me recordo, fui eu quem deu a ele.
Eu não acredito!
– Vermelho Tentação, se lembra? – perguntou com sua voz sexy.
– Não acredito! – quando abriu, o meu batom estava ali, aliás, três batons da mesma cor. – Você
guardou?
– Aham, pois sempre iria querer repetir... – eu havia dado a ele o restante do batom que sobrou e
acabamos com um batom inteirinho. Então, dei um a ele e deixei o outro guardado de recordação.
Pelo visto, ele como um bom garoto, foi e comprou outros iguais. Esperto.
– O que me diz? – Lucas estava abusando do seu poder com sua voz sedutora e do meu
autocontrole, que estava desmoronando.
– Que você é safado! E também um tanto esperto – pisquei.
Eu me rendi. Saco.
– Jamais me esqueceria de você, já vim preparado, só não esperava por isso, por esse balde de
água fria... – nem eu, realmente, nem eu.
Ele voltou a guardar a caixinha e foi beber, fiquei quietinha no meu canto, sem nada para fazer. Eu
o peguei me olhando muitas e muitas vezes. Fiquei até com dó e vontades demais. Richard sumiu de
vista, às vezes, eu o via conversando com alguém e fazendo as boas vindas aos convidados,
servindo-os. Só não veio a mim. Deixa, nem queria a atenção dele.
Ah, sim, eu queria sim!
Nossa, o que será que tenho que Richard não liga para mim? Será que eu não faço o tipo dele? Sei
lá, só para paquerinha, não precisava me comer!
“Ah, precisa sim” – sorri com a loucura.
Fala sério, só bastava ele me dar atenção, já valia. Poderíamos trocar, sei lá, algumas frases
maliciosas, só para esquentar a relação, mas porra, ele literalmente não me quer! Ponto.
Mel, vê se sossega essa periquita e se concentra em ficar sóbria e sem vontades.
No entanto, eu queria sentir essas vontades... Mas não posso, não posso, não posso... Mas queria...
Agora.
Entrei para ir ao banheiro, lavar o rosto e desfazer alguns devaneios inoportunos. Fiz o que tinha
pra fazer e quando saí, Lucas puxou-me para o quarto ao lado, no susto, deixei-me levar.
– Que susto, Lucas! – o empurrei e ele apenas me fitava bravo, um tanto embriagado.
– Me beija... Por favor... – seu rosto era incrivelmente fascinante, mas eu não poderia fazer isso.
– Meu Deus, que parte da história que “Eu não posso”, você não entendeu? – tentei ser engraçada,
mas ele não viu graça e aproximou-se mais. Aliás, colado em mim.
– Você não imagina como estou me sentindo. Pareço um idiota fazendo isso, coisa de adolescente,
mas estou louco... – gemeu em meu ouvido segurando meu rosto entre suas mãos quentes.
– Imagino, eu sei o quanto é difícil sentir isso, mas as coisas mudaram um pouco, não quero que
fique assim. Se fossem alguns meses atrás, eu não pensaria duas vezes em me aquecer e deitar com
você ali mesmo, mas hoje...
– Eu sei, mas um beijo não poderá causar mal nenhum, seria apenas uma despedida de bons
amantes. Eu juro, apenas um... – Lucas era doce em suas falas melosas. Estava me deixando de
coração mole.
– Eu não acho isso certo... – tentei convencê-lo, mas ele não queria me ouvir. Queria que eu agisse.
Droga!
– Eu poderia não te deixar opções, ou mesmo virar e ir embora, mas já que é assim, não quero ter
que escolher. Eu quero apenas uma coisa e essa coisa, é só você que sabe fazer melhor do que
ninguém... Mel, por favor, passe seu batom – falou firme. Sem medo e com toda coragem.
Bem, eu sei que posso estar louca, mas peguei o meu antigo batom da mão dele, fui até o espelho
que tinha no quarto. Passei e há tempos não me lembrava de como aquela cor combinava com a gente.
Virei e Lucas respirava forte, apertei os lábios um no outro, ele revirou os olhos. Fiquei de frente,
puxei seu punho e dei o primeiro beijo ali. Ele sorria, foi como da primeira vez. Deixei outra no
outro pulso e no peito da mão. Encarei aqueles olhos furiosos. Delirei. Queria esquecer o quanto foi
quente e bom comigo, mas não dava, eu também sou marcada por ele...
Queria fazer como das outras vezes, beijar o peito, a barriga, os oblíquos, mas nada disso poderia.
Puxei a gola de sua camiseta, e sussurrei: "Fique quietinho" – ele só balançou a cabeça num sim.
Lucas tremia, o arrepio só de me aproximar dele, tomou todo seu corpo. Beijei de leve seu
pescoço. Ele estremeceu e disse baixo: "Continue". Apenas atravessei na sua frente sorrindo de
nossas loucas aventuras, fui seguindo do outro lado, seus olhos acompanharam meu rosto passando
bem perto e o outro beijo dei próximo à orelha. Sussurrei novamente em seu ouvido: "Isso já é
suficiente?".
Fiquei sem medo encarando-o. Ele não se moveu, seus lábios estavam semiabertos, em busca de
algo para encaixar e fazer parte. Num movimento lento, Lucas puxou minha nuca, encarou-me, e o
brilho dele era diferente das outras vezes, ele realmente me sentiu durante muitos anos, eu não
poderia negar isso. Não deveria fazer, mas não poderia negar um beijo, os olhos dele sempre foram
minha segurança, se nada desse certo, eu correria para ele, e Lucas estaria por mim. Sempre.
Então deixei, respirei forte e concordei, eu não seria a única do mundo a errar em fazer isso, eu
não o amo, mas também não o desprezo. Eu amo o Juan e Lucas sentirá a mudança em meu beijo.
Saberá que verdadeiramente amo o Juan. Isso não será nada, será apenas nossa despedida de bons
amantes de anos.
Meu primeiro homem. Ele me tem em seu corpo, em seus lábios, em seu sexo. Nós dois nos
achamos e nos perdemos também, porque eu me apaixonei. Ele será libertado nesse beijo, ele
encontrará o amor depois disso, porque é exatamente que meus lábios irão fazer.
Libertá-lo.
Lucas fitava meus olhos enquanto eu devaneava. Com um leve aceno o deixei fazer o que tanto
queria, Lucas beijou-me como nunca havia feito.
Seus lábios ardiam nos meus, eram poderosos. Suas mãos grandes puxavam minha cintura, forte e
para o mais perto possível dele. Eram apenas dois lábios ardentes e um carinho carregado durante
toda uma vida. Fiquei aliviada com esse beijo. Sem dúvida, além de estar perfeito, diferente,
continuava muito delicioso...
Pare. Pare. Pare. Não pare... – gritei sozinha em minha mente. Em conflito com a realidade. Lucas
soltou, talvez o meu grito silencioso surtiu em algo no beijo, ele se afastou eufórico e com um sorriso
gigante.
– Sentiu a diferença? – falei e me estranhei. Eu estava feliz.
– Senti sim, você o ama, não é? – disse de cabeça baixa. – Mel, eu não deveria ter forçado você...
Desculpa ter feito você fazer isso... – desculpou-se, mas não arrependido.
– Não terá uma próxima vez, espero que entenda.
– Entendo. Agora eu sei Mel, você me beijou diferente, não foi o mesmo, mas quero que saiba que
ainda foi muito bom. Estou atiçado pra porra! – era ainda o meu Lucas. Apesar de ter respondido
cabisbaixo, eu sentia sua felicidade.
– Preciso ir. Tchau Lucas, até algum dia – falei o abracei forte e carinhoso. Lucas respondeu da
mesma forma. Não haveria arrependimentos e nem ficaria matutando algo que vivi, então apenas
parti. Mais uma vez virei e ele sorriu lindamente.
Eu não me arrependi. Lucas estava livre.
Assim que saí do quarto, vi Richard na ponta da escada. Ele me viu, mas desviou o olhar. Idiota.
Nem dei tchau e fui para minha casa. Antes que fizesse besteiras demais em um só dia.
Assim que atravessei o portão da casa, estava leve, sem remorso nenhum.
Como a Mel de antes.
Iria tomar um bom banho relaxante e ficaria bem. Foi apenas o que mesmo? Nossa, já esqueci...
Soltei uma risadinha e deitei na banheira relaxante...
****************************************************
O que ela pensa, hein? Por que não resistiu? Será que comigo seria a mesma facilidade?
Com toda certeza não! Esse último olhar dela era como se eu soubesse que estava errada e que
agora sabia também. Depois que saiu, Lucas estava radiante, outro cara, mas também nem me
contou nada, mas eu sabia...
Isso eu sabia. E estava muito irritado. Com os três.
Com a Mel por se deixar levar. Com Lucas por ter insistindo e conseguido, e com Juan porque a
deixou sozinha.
Os três são uns filhos da puta!
Depois do dia em que fomos até o prédio, ela sorria encantadoramente, era sufocante vê-la
perfeita. Lucas fazendo suas piadinhas e a Mel cheia de charme para nós dois. Senti isso. Ela
mordia os lábios para provocar ambos.
Será que ela sabe o efeito que tem sobre mim? Ou sou tão burro em não mostrar? Queria
apenas beijá-la loucamente. Apenas uma noite seria o suficiente para descarregar toda minha
energia, minha tensão, minha loucura sobre ela. Sinto que jamais esqueceria essa noite, seria
eternizada em meus pensamentos. Talvez eu seja esse objeto de desejo dela, mas como posso fazer
com que tudo se encaixe? Sem que ninguém nos condene por essa noite?
Pelo que pude ver, ela está muito apaixonada por Juan, desde as loucuras que presenciei no
rancho. Aqueles três dias que me torturou com sua beleza, cacete, me fez ouvir os gemidos do sexo
dela! Fez-me vê-la quase nua, e eu sabia a todo instante o que ela fazia com Juan. Na mesinha de
pic nic, na piscina, no quarto e no vestiário quando eu já estava lá.
Cheguei a perguntar ao Juan se ela estava melhor, sendo que, na verdade, perguntava se ela
estava ali, apontei para trás do box e claro que ela estava. Eu a ouvi gemendo, estava ali o tempo
todo e vi a hora que eles entraram.
Ela fazia de propósito!
Atiçava-me de uma forma cruel... Acabei descontando na Mariana toda minha vontade dela, Mel
gemia de um lado e Mariana em mim, não queria isso, mas foi excitante.
No jogo de dominó, roubei na cara dura, só para vê-la tirar algo, Mel ficou em choque com
minha ousadia e fiquei excitado quando tirou seu biquíni e aquele seio perfeito atiçado. Queria
encaixá-los na boca e deliciar-me de todo seu corpo...
No jogo na quadra, toda hora eu perdia só para vê-la sacar e ver seus belos peitos fartos se
movimentarem em sua blusa branca. Eram demais os movimentos, era muito excitante, Mel nem se
ligou no que eu fazia.
Isso já está passando dos limites, já não consigo não pensar nela. O que penso é que, se ela diz
que ama o Juan, como foi beijar o Lucas? Será que se sente mal por isso? Sua feição de mais cedo
dizia que não.
Então, como poderei sentir o gosto dela, se nem ao menos a deixo entrar em meu mundo? Vou
fazer isso aos poucos, se ela gostar, irá mergulhar de cabeça. Eu vou saber lidar e vou afundar
junto a ela...
****************************************************
O dia foi agitado no serviço, muita coisa aconteceu errado, mas no fim, Caio resolveu os
problemas e veio todo mole para mim e Carla.
– Vamos tomar um drinque, apenas um? Por minha conta, o dia foi cheio! E aí, meninas o que diz?
– Carla me fitou querendo concordar.
– Ok, vamos – falei, Caio abriu o maior sorrisão.
Carla avisou ao Thiago que estaria do lado da padaria, assim que ela fosse embora, avisaria. As
coisas não estavam bem mesmo para o lado dos dois. Thiago nem se importou muito. Ajeitamo-nos e
fomos tomar o drinque com o chefe idiota.
– Cadê seu namorado, Mel? Ele sempre vem te buscar, não? – perguntou curioso e me fitava com
um olhar malicioso. Desviei encarando a Carla.
– Ele está viajando. Chega amanhã – falei animada dando um gole na Stella gelada.
– Hum, ele parece bacana, não é mesmo? – por que ele fazia essas perguntas?
– É sim, ele é uma ótima pessoa. Eu o amo muito! – nossa, a Carla abriu um sorriso lindo ao me
ouvir falando isso. Sorri também.
– E você, Carla, quando se casa? – soltou um risinho falso. O que ele tinha?
– Isso eu ainda não sei... – Carla bebeu seu Martini e me fitava com seu olhar que dizia: que saco!
– Está gostando do serviço, Mel? – que cara chato, ele nos chama pra beber e nem tem assunto?
Qual é a dele?
– Claro, eu gosto muito dali e me divirto! – eu e a Carla lançamos um olhar feminino. Aquele que
só nós entendemos. Minha diversão tem nome: Richard.
– Oi. E aí, Carla, vamos? – Thiago chegou do nada e ela ficou sem entender.
– Eu disse que iria avisar. – falou calma, Thiago a fitou com uma cara de que chupou limão e não
gostou.
– Saí mais cedo, vamos, meu bem... – Thiago sorria agora e mais calmo, descontraído. Eu diria
que ele é, na boa, bipolar. Só pode.
– Mel, tudo bem? – Ela me perguntou. Jogando o olhar para o Caio.
– Aham, logo já vou também! – abracei-a e dei um beijo em seu rosto corado pela bebida.
– Ah, pelo menos uma saideira! – Caio intrometeu-se na conversa.
– Claro – concordei, mesmo não querendo.
– Tchau Caio, obrigada. – Carla saiu de mãos dadas, mas não parecia bem. Não por causa do
álcool, mas sim, pelo Thiago.
– Então Mel... – ele me olhou toda. – Acho você tão linda, foi um dos motivos de ter te contratado.
– ameacei a levantar, ele cessou a conversa. – Perdoe-me, não quis constrangê-la.
– Não faça isso, por favor – falei séria e bebi logo a cerveja. Ele viu que não gostei e mudou de
assunto. Tomamos mais uma garrafinha e enfim decidi ir embora antes que algo maior nos
acontecesse. Não com o perigo de me interessar, jamais, mas ele poderia ser um louco e ousado em
tentar algo.
– Eu já vou, obrigada pela cerveja! – sorri para ser simpática.
– Ao seu dispor. Não está de carro, não é? Está tarde, te dou uma carona! – ofereceu sendo amigo,
talvez não tivesse intenção alguma.
– Não precisa, moro aqui perto! Obrigada – apesar de parecer santo, eu não queria arriscar.
– Vem, não me negue, juro que não farei nada! – tentou me convencer, estava tarde mesmo e eu
estava um pouco tonta com a bebida. Aceitei. Era rápido e perto, ele não seria louco de tocar em
mim.
– Ok.
Ele me encaminhou até o estacionamento, acionou o alarme em seu Corsa Sedan preto. Entrei e o
olhar dele estava brilhante. No mesmo instante, fiquei com medo. Não havia mais ninguém ali e o frio
no estômago tomou conta de mim.
Senhor, me proteja. – era como um mantra.
Ele ligou o carro e partimos.
No caminho, por duas vezes, eu o senti trocando a marcha e tentando pegar em meu joelho, apertei-
me mais ao banco e, para minha sorte, morava bem perto. Ele parou em frente ao prédio, tentei abrir
a porta e ainda estava trancada.
– Está com medo de mim? O que fiz pra você? Quanta pressa! – sorriu e senti que ele também
estava meio embriagado.
– Não estou com medo, estou exausta, só quero entrar e dormir! – sorri para disfarçar.
– Ok, você venceu, tenha uma boa noite! Até amanhã, Mel.
Pulei do carro o mais depressa possível, que cara mais idiota, o que ele pensa?
Tomei um banho relaxante e deixei meus pensamentos longe disso tudo.
Tenho coisas mais importantes a pensar e fazer e Caio não fere em nada.
“Eu conseguia me ver em seus olhos lacrimosos.”
13- Olhos perdidos
“Como poderia não me sentir mal, com toda aquela situação na minha frente? Sei que, lá no
fundo, eu só queria enxergar a verdade, a qual meus olhos não queriam aceitar.”
Depois do dia em que fiz a minha despedida, não fiquei com peso na consciência. Não tenho
que me preocupar com isso ou mesmo remoer o acontecido. Só não quero pensar em coisas fúteis.
Isso que aconteceu, não chega nem aos pés do que ainda desejo e almejo...
– Amor! – ele me beijou e agarrou-me ainda no saguão do aeroporto.
– Senti saudades... – falei com a voz doce.
– Quase morri de saudades... – outro puxão e fomos com os braços entrelaçados até o carro.
– Como estão as coisas? – perguntei, saindo com o carro.
– Foram bem. Está bem puxado ficar fazendo essas viagens, eu sei amor, mas não posso deixar de
ir nesses lugares. É de total importância – ele falava como se eu cobrasse algo, não gosto, mas sei
que é para o profissional dele.
– Entendo Juan, é seu trabalho! Eu fico triste por ficar tanto tempo longe, mas sei que é algo
importante. Não sou tão ruim assim... – afagou minhas bochechas com os nós de seus dedos quentes.
– Eu te amo – falou cauteloso.
– Eu te amo, meu colorido – falei e o fiz sorrir.
– Colorido? – perguntou sorrindo. Antes que eu pudesse responder, sorri e escutei sua risada que
tanto me faz bem. Fiquei olhando pra ele, enquanto sorria e mostrava sua covinha.
– Isso vai além de suas tatuagens, eu sinto como se as suas cores saltassem de você, como se o
colorido de sua pele brincasse comigo. E seus olhos são uma imensidão de azul, tão azul, tão azul,
que mergulho neles quando me olha. – Juan encarou-me, observando o que eu dizia com carinho e
verdade.
– Você é especial, Mel. Você vê além das pessoas, você as sente melhor do que ninguém. Você
aprendeu isso, é como se fosse seu dom desvendar as pessoas. Sabia disso? – Juan perguntou sério e
eu o fitei, assim que parei o carro na porta de seu prédio.
– Sim, passei alguns anos estudando as pessoas – revelei. – Observei muitas pessoas pelo jeito de
agir. Sei quando elas gostam de mim, sei quando querem algo. Sinto o amor, sinto o ódio. Sinto cada
expressão facial – menos do Richard, queria dizer. – Depois de algumas surras que levei, aprendi
que essas expressões de dor, muitas vezes são as mesmas, mas a de sofrimento é bem pior. É um
conjunto cheio de expressões, só nos resta estudá-las – assim que disse, fiquei quieta.
Isso aprendi com a vida. Antes de pensar em me apaixonar, quando eu sentia que poderia ter esse
tipo de relação com alguém, mudava minha expressão. Eu o abandonava. Nunca quis isso, mas com
Juan foi diferente. Ele me desafiou a esse amor. Então queria provar só para que um dia pudesse
dizer: “Sim, eu conheci o amor, eu vivi um romance!”, mas isso não é o suficiente. Agora eu o quero
para sempre. Só que, para sempre é tanto tempo e eu não sei se ele vai me querer para todo o sempre.
– O que foi, amor? – virou meu rosto e viu meus olhos perdidos.
– Eu não sei. Às vezes, me bate um desespero, fico com medo de não tê-lo comigo... – uma
sinceridade que jamais pensei em dizer a alguém.
– Eu vou sempre estar com você! – falou sem hesitar.
– Sempre? – uma lágrima escorreu.
– Sempre e sempre. Mel, eu quero amá-la para sempre. Você entende isso? – segurou meu rosto e
olhava-me com profundidade. Eu conseguia me ver em seus olhos lacrimosos.
– Eu às vezes quero entender o que nos aconteceu, foi tão rápido, sem planejar... – continuei a
chorar, engasgada.
– Amor não se explica, se sente... E você sente isso, é o mais importante minha vida... Vem cá –
segurou-me firme. – Vamos subir e te faço um chamego. – deu-me um cheirinho.
O que acontece comigo? Por que estou tão sentimental?
Às vezes, a Mel de antes sabia desligar esse lado sentimental e pronto, mas a Mel de hoje só sabe
chorar, não de coisas ruins, não mesmo. O amor que sinto por esse rapaz lindo na minha frente me
deixa assim. Sensível e idiota.
– Te deixar uma semana sozinha, já fica assim, sensível e linda... – Ele me beijava calmo. – Mel,
quero que você entenda que nosso sentimento e meu amor por você são verdadeiros, que não precisa
temer nada, estarei aqui. Sempre. – disse olhando fundo em meus olhos verdes e os seus azuis eram
como cachoeiras brilhantes e abundantes.
– Eu entendo Juan, eu sinto – olhei para ele e seu olhar encontrou o meu.
– Então, qual é o medo?
– Acho que é porque fiquei sozinha, fiquei boba. Não é nada.
– Vem cá – deixou um sorriso maroto escapar.
Voltamos a sorrir nesse fim de tarde, com desejos e muita saudade sendo curada. Juan ficou a tarde
inteira me amando de um jeito carinhoso e fizemos amor docinho a tarde toda...
– Ah, agora o mau humor foi embora? – Carla falou rindo alto.
– Cala a boca! – brinquei.
– Nem vem, ficou a semana passada toda chatona, agora vem com um sorriso rasgado de orelha a
orelha! – falou com as mãos na cintura.
– Pare de me encher e volte a trabalhar, sua chata! – assim que falei, ela sentou-se. Avistamos
alguém entrando.
– Olá meninas! – Ele estava cada vez mais bonitinho, e essa idiota ao meu lado sem fazer nada.
Agora Flávio só passava e não parava mais, talvez tenha achado que estava incomodando.
– Oi gatinho! – pisquei e ela me fitou.
– Bom dia Flávio – Carla falou sem graça, ele foi embora. Talvez triste.
– O que foi isso? Por que ele não para mais? – falei.
– E que história é essa de gatinho?! – bobinha ciumenta.
– Eu sempre falei com ele assim, ok? Você o dispensou! – lembrei-a.
– Eu ainda namoro, ok? – falou brava. Não sei se foi comigo ou com ela mesma.
– Hã? Como? Reformula a frase! – assim que eu disse, ela ficou confusa.
– Por quê? – bufou nervosa.
– Pare de bufar! – encarei-a. – Porque você simplesmente disse “ainda” com ênfase e disse
“namoro” sendo que é noiva! – cutuquei.
– Ah. – deu de ombros e não fez nada. Ficou no silêncio, talvez pensando melhor em sua vida. Eu a
deixei em paz.
Pensei em dizer a ela, aconselhá-la, mas não queria fazer merda, cometer algo que não poderia,
bem, Carla não sou eu, então tem que aprender com os próprios erros e acertos. Assim como aprendi.
Na hora em que estava descansando do almoço, deitei e relaxei um pouco. Estava calor e não
queria ficar suando, então fiquei quietinha. Ouvi meu celular vibrando na mesa, nem corri, pois achei
que fosse Juan, mas não, assim que olhei era da casa da minha tia. Mãe da Mariana.
– Alô? – falei preocupada, queria saber porque me ligavam.
– Oi, é a Mel? – falou a voz feminina.
– Oi, é sim, quem é?
– Aqui é a Monique, trabalho aqui na casa da Mariana. Dona Estela pediu para avisar a você que a
Mariana teve uma recaída, se você puder passar lá no hospital, ela ficaria grata – ai, meu Deus.
– Agora? – falei rápido.
– Se possível.
– Tudo bem, passarei agora por lá. – assim que desliguei o telefone, liguei para o Juan, ele me
buscaria depois. Fui com o uniforme mesmo, liguei para o Caio e ele me liberou. Mandei mensagem
à Carla para avisá-la que não voltaria. Ela soltou uma frase ciumenta, mas sei que se preocupou.
Peguei um ônibus cheio, mas cheguei em vinte minutos no hospital.
– Oi Mel, obrigada por ter vindo! – foi meu tio que veio na minha direção. Minha tia estava
sentada chorando e do lado dela, o Richard, sério e sem expressão alguma. A dor parecia realmente
grande.
– O que aconteceu? – perguntei com medo.
– Fizeram alguns exames assim que ela acordou...
– Ah, mas isso é bom, ela acordou! – falei um pouco empolgada.
– Talvez não... – falou com olhos perdidos em lágrimas.
– Como não?
– Ela não está falando, eles achavam antes que era porque estava muito assustada, mas quando ela
voltou acordar de novo, não corresponde aos exames deles...
– E?
– E eles acham que ela perdeu a visão... – Ele me abraçou e chorou.
Apertei meus braços ao redor do meu tio, fiquei sem reação. Sem fala e com medo. Minha tia
chorava mais, em nos ver abraçados, e ele chorava feito criança em meus ombros. Richard me olhou
com carinho e assentiu. Mesmo que antes não existisse essa troca, ali estava sendo sincera.
– Meu Deus, mas vão fazer exames mais específicos para verificar? – falei tentando olhar para ele.
Tio Jorge foi recuperando e balançou a cabeça em um sim. Richard veio até nós.
– Olá Mel. Obrigado pela visita – sua voz me fazia sentir algo dentro de mim. Mesmo com toda
emoção ali, eu não conseguia esquecê-lo. Que raiva. Mordi os lábios tentando disfarçar, essa
sensação que me deixa tensa e insensata perto dele. Meu corpo chegou a formigar quando ele falou.
– De nada, então já avisaram sobre alguma coisa? – perguntei a ele e tentei disfarçar minha voz
distorcida, tanto pela emoção da notícia, quanto por ele estar tão perto.
– Ainda não, vão esperar o médico chegar e só assim saberemos. – Ele me olhava firme, cheio de
dor.
Eu queria abraçá-lo para deixar o sofrimento de lado, mas tenho medo de fazer isso e nunca mais
querer sair desse abraço.
– Jorge, vem comer alguma coisa, tomar um café, vem! – Richard puxou meu tio pelo braço.
Richard foi arrastando o tio, mas virou-se e piscou para mim, quase caí. Sua piscadinha ficou se
repetindo em minha cabeça, até eu sentar ao lado de minha tia.
– Ai, menininha, obrigada por estar aqui. Coitadinha dela, Mari não merecia isso, é tão nova!
Senhor, por favor... – tia Estela estava com o rosto todo marcado e vermelho de tanto chorar.
Apesar de toda a falsidade dela – aliás, de todos –, passei uma boa parte de minha infância indo na
casa deles, mas nunca consegui ser realmente amiga da Mariana e eles sempre me acharam a ovelha
negra da família. Meu tio talvez seja o mais diferente deles. Só que agora, que não tem ninguém aqui
com eles, e o que eu faço em relação a isso? Tudo é novo, até as sensações diversificadas que sinto.
Antes não tinha nenhum tipo de sentimento e agora tudo me toca profundamente. Realmente estou
sentindo muito por isso. É uma pena, uma moça ter sofrido tanto e ainda sofrerá muito mais, caso
perca a visão como eles disseram. Isso seria bem cruel.
– Fique calma, tia... – eu não tinha a palavra certa. Abracei-a. Acho que era isso que ela
precisava. Nisso, o tio sentou-se ao lado dela e a tomou nos braços. Fiquei sentada, olhando os dois.
Richard sentou ao meu lado, o calor invadiu aquele banco.
– Quer comer algo? Saiu agora do serviço, vem, vamos ali... – era real o que ele dizia? Antes de
não ser, eu me levantei e o acompanhei. Ele sorriu. Talvez achasse que não aceitaria, mas se não
quisesse que eu não aceitasse não teria me chamado, não é?
Ah, cala a boca Mel, relaxa, é só um café. Quanto drama! – briguei com meu interior.
– Obrigada.
– Não por isso... – sorriu ao dizer.
Pelo que então? O que foi essa resposta dele?
Ei, quem tem segundas intenções aqui sou eu, ok?
– Coitada, não é? – tentei sair do devaneio, mas falei sem olhar para ele, senti que me olhava na
curiosidade.
– Estou arrasado, ainda mais agora, nossa, imagina... Eu ainda me culpo por tudo... – abaixou a
cabeça. Minha mão levantou para afagar sua cabeça, mas que tipo de intimidade seria essa? Eu não
poderia fazer, então pousei a mão no balcão.
– Deve ser difícil pra todos. Pra ela, principalmente, mas o que aconteceu aquele dia? – minha
pergunta o fez levantar a cabeça depressa na minha direção e seus olhos imediatamente encontraram-
se com os meus. Era como um choque, nossos olhos em sintonia. Tentei desviar, mas não consegui.
Não consegui. Não mesmo. Ficamos ali, por longos segundos, até que conseguiu falar.
– Brigamos. Ela ficou tensa, brava e estava bêbada. Então, aconteceu... – falou simplesmente e não
desviou o olhar tenso de mim.
– Então, foi culpa dela? – encaramo-nos, ele uniu as sobrancelhas em dúvida.
– Achava que tudo tinha sido só culpa minha? – falou fraco.
– Não, mas... – eu não tinha argumento.
– Eu estava dirigindo, mas quem puxou o volante foi ela... – revelou calmo.
– Minha nossa... – levei as mãos à boca. – Isso foi loucura demais...
– Ela estava muito bêbada e magoada...
– Pela briga? – Isso não era da minha conta, mas queria saber.
– Aham – falou apenas. Decidi cessar as perguntas chatas. Seria pior para ele. – Desculpa se
algum dia te tratei mal... – De onde ele tirou isso?
– Hã?
– É que eu quase não gosto de ficar conversando, agora só estou desabafando... Perdoe-me por
isso, por esse momento. – Richard estava lindo se desculpando, respirei forte. Por que meus
teimosos olhos não ficavam fora do foco dele?
Merda. Que poder ele tem sobre mim? Sua boca estava semiaberta, como a do Lucas, como se
estivesse em busca de algo. Eu poderia completar, mas não, quando dei por mim, meu corpo estava já
um tanto inclinado, mas não sairia dali. Ele foi um pouco para frente, então movi o meu para trás.
Richard sorriu. Talvez do meu medo. Foi então que ele colocou sua mão quente em volta da minha.
Ambas formigavam. Seria possível ele sentir isso? Claro que não, estava pensando em outras coisas,
menos em mim.
– Mel? – ouvi uma voz atrás de mim, tirei minhas mãos debaixo das dele e me ajeitei na cadeira.
– Oi Juan, que bom que chegou! – Ele não viu nossas mãos juntas, mas talvez sentisse meu coração
bater rápido e minha voz desestabilizada, mas não percebeu, deu-me um beijo na testa e
cumprimentou Richard.
– E aí, o que aconteceu? – perguntou e sentou-se ao meu lado. Richard fez as honras em contar o
que estava acontecendo e algumas coisas do acidente.
Fiquei bem, porque quando Juan estava por perto, Richard se apagava. As faíscas não se viam
mais. Só o quente do Juan. É engraçado esse efeito, talvez seja a mais pura verdade, Richard seria
apenas a curiosidade, Juan o verdadeiro. Do meu lado esquerdo, Juan esquentava-me quando sorria
ou colocava as mãos em volta de minha cintura. Do lado direito, um sorriso apagado e um olhar
longe, Richard já não estava em sintonia comigo. Talvez Richard mesmo apagasse o lado sedutor
dele. Era muito melhor quando estava com brilho. Poderiam os dois me iluminar juntos...
Vimos o médico chegar e ir em direção aos pais dela. Levantamos e fomos ver também o que
acontecia.
– Boa noite. – Richard chegou e apertou a mão do médico.
– Boa noite, você deve ser o noivo? – falou com a voz rouca e pesada.
– Sou sim, e então? – cruzou os braços e esperou. Juan e eu ficamos a um passo atrás.
– Ela realmente não está dando sinais em nossos testes, faremos mais exames amanhã cedo, ainda
mais específicos. Com minha experiência e por tê-la analisado há cinco minutos, ela não perdeu cem
por cento a visão, apenas o lado direito dela não corresponde aos exames, o esquerdo demora, mas
ainda assim, diria cinquenta por cento. – O médico falou calmo para não assustá-los.
Minha tia ainda chorava.
– Vocês têm que ficar calmos, pois ela precisa da ajuda de todos. Caso isso seja confirmado
amanhã, ela vai precisar de vocês bem estabilizados. Se não, ela não aguentará, ok? Vocês precisam
ficar fortes, unirem forças. É muito difícil, agora é apenas enfrentar. Vou deixá-los vê-la. Uma boa
notícia é que ela nos respondeu e pediu para vê-los. Tem que ser rápido, pois temos que poupá-la
para o exame de amanhã. – Uma ótima notícia em meio a tantas ruins.
– Obrigado. – Richard agradeceu e os três acompanharam o médico.
Fiquei com Juan e assenti que apenas eles deveriam vê-la. Assim que a porta se abriu, saíram
apenas meus tios e tio Jorge veio até mim.
– Mel, ela quer ver você, eu disse que estava aqui, entre lá rapidinho. – fiquei assustada e com
medo. O que sentiria lá? Eu não sei.
– Tudo bem. – olhei para o Juan, ele disse em meu ouvido “vai lá, eu espero”.
Abri a porta branca e pesada do quarto. Entrei sem fazer barulho e num quarto claro, lá estava ela,
deitada e enfaixada. Seu rosto estava com alguns curativos no nariz. A boca com um curativo, por sua
mandíbula ter sido quebrada. Quando eles diziam que ela não falava, não era só porque estava
assustada, mas porque deveria sentir dores em toda parte do rosto. Não parecia a Mariana, mas não
demonstrei isso a ela. Aproximei-me, com Richard do outro lado sentado e segurando a mão direita
dela, cheia de faixas e fios, na sua.
– Oi Mariana. – falei fraca, quase não me ouvi.
Ela virou um pouco a cabeça e balançou os dedos da mão esquerda. Onde só tinha fios. Aproximei
da maca, vi ainda mais cortes e roxos por todos os lados. Passei minha mão nos dedos dela. Uma
lágrima queria escorrer de ver essa cena, era muito triste a situação dela. Eu não desejaria isso nem a
um inimigo.
– Oi. – soltou um gemido do fundo da garganta.
– Não fale, fique descansada, você vai ficar boa! – afaguei seus cabelos desgrenhados, no seu lado
direito estava raspado uma parte. Seu olho esquerdo procurou meu rosto. Talvez tenha achado.
– Fui... burra... achar... que... pudesse... ser... você... – hã? O que ela dizia? Richard se levantou e
ficou olhando para ela.
– Shh, fica calma, não precisa dizer nada! – cheguei mais perto dela e disse baixinho.
– Eu... quero... pedir... desculpas... – Richard me olhou e balançou a cabeça. Eu ainda não
entendia. – Ele... não... teve... culpa... – Uma lágrima escorreu dos olhos dela.
– Fique calma, amor, vai ficar tudo bem. – Richard beijou o rosto dela.
– Eu... poderei... ver... melhor... – falou apenas e fechou os olhos. Talvez a cansasse de ficar assim.
Com olhos sempre perdidos.
– Vai ficar tudo bem – falei. – Vou deixar você descansar, outro dia voltarei para uma visita! – fui
abaixar para beijar sua mão, ela puxou.
– Você... é... ainda... muito... bonita... eu... agora... posso... sentir... o que... ele... sente... –
apontou pra mim e depois para Richard.
O que ela falava? Ele parecia desesperado. Mas o quê? Ela não dizia nada com nada. Será que
achava que eu o queria? Ela sentiu isso o tempo todo antes do acidente? Como eu poderia não me
sentir mal, com toda aquela situação na minha frente? Eu sei que, lá no fundo, eu só queria enxergar a
verdade, a qual meus olhos não queriam aceitar. Ela sabia de algo...
Dei um beijo em sua mão e parti sem querer saber de nada. O que poderia saber ali? Fiquei com
medo das diversas respostas. Juan percebeu o quanto fiquei abalada. Não só por ela, mas por toda
situação que passou ali dentro. Eu tenho que saber do que ela tanto falava.
Talvez só Richard poderia dizer. Isso seria algo que acho não poderei fazer. Na verdade, não que
não pudesse fazer, talvez não aguente fazer. Ficar sozinha com ele.
Seria perigoso? E quem poderá me dizer isso...
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Ao vê-la partir cheia de medo, o meu ficou ainda maior. Fiquei ali com a Mariana, ela não dizia
mais nada. O médico entrou e pediu-me para deixá-la descansar. Foi o que fiz.
Hoje em especial quase deixei escapar minhas loucuras. Mariana quase fez o mesmo. Se Mel
soubesse de tudo, talvez nunca mais quisesse me ver ou poderia me torturar por saber que tenho
essa queda por ela, mas meu medo não é da segunda opção. É da primeira.
Se ela nunca mais quisesse nem me ver por tudo que aconteceu? Tudo ficaria bem pior... Ainda
mais com o problema da visão de Mariana... É cruelmente terrível. Todas as sensações dela, seus
olhares perdidos sobre nós dois ali... É como uma tortura eterna...
Mais cedo, quando chegou com seu olhar perdido e cheio de medo no hospital, senti seu carinho
real por sua família, seu estado condescendente. Isso é algo que não sentia antes nela, um calor
de carinho pelas pessoas. Antes ela parecia sempre fria, apesar de que, quando colocava os olhos
sobre ela, encontrando aqueles olhos verdes, era uma forma de dizer “Estou fervendo!”. O olhar
dela sempre diz isso. Em qualquer situação.
Hoje tenho certeza de que a deixo tensa. Até mesmo quando fui conversar, ela me parecia tensa.
Sinto quando está com os ombros pesados. Ou quando fica trocando o peso de seu corpo de lado
com as pernas. Sinal de nervosismo. Ela insiste em morder aqueles benditos e lindos lábios a todo
instante, fazendo-me pirar. Tudo dentro de mim inflama, pedindo o corpo quente dela como
remédio para meus anseios.
Antes era tudo calmo, mas quando a vi pela primeira vez, tudo ficou agitado. Essa situação que
estamos enfrentando, ela vai ficando aparentemente mais longe, porque seria um absurdo tentar
fazer algo. Mel não aceitaria de nenhuma forma. Eu me culpo sempre, todos os dias por estar
cada vez mais pensando nela. No entanto, se for ver, foi Mariana quem me atiçou ainda mais com
essa história. Eu pensava pouco, mas sempre estive ligado a essa estrondosa mulher de alguma
forma. Se não tivesse acontecido esse acidente, eu diria que estaria dando em cima dela.
Disfarçadamente, mas iria enfrentá-la.
Agora, com Mariana assim, porra, o que posso fazer? Nada. Simplesmente nada.
Quando a chamei para comer algo, o medo transpareceu em seu olhar brilhantemente verde.
Achei fascinante aquele olhar, mas aceitou de prontidão. Nem sei o que se passava na mente dela,
parecia com medo, mas também mostrava-se acessível. Só não consigo entender se realmente ela
quer algo comigo, se esse fogo é somente de curiosidade. Mel é tão misteriosa, ao mesmo tempo
profunda, intensa, enigmática e imponente. Diria que ela é uma mulher única.
Quando ela quer que eu saiba de seus desejos, apronta para cima de mim. Também quando quer
esconder, eu não posso fazer nada. Tentei ser um pouco atirado, mas acho que não percebeu minha
segunda intenção. Ela me cortou logo e falou da Mari. Será sempre assim? Quando quero que ela
fale algo que me deixe perdido, ela não diz. Talvez eu seja estúpido querendo que ela diga essas
coisas num hospital!
Que grande idiota eu sou.
Falei da Mari, do acidente que me perturbou de verdade, ela apenas ouviu silenciosa. Escutava
a tudo com uma feição leve, como de um anjo. Sinto paz quando ela sorri. Queria sentir o fogo que
ela exala. Então coloquei as mãos em cima das dela e tudo explodiu dentro de mim, seu olhar me
incendiou.
Queria abraçá-la para sentir tudo isso em câmera lenta. Sentir cada parte de nosso corpo pegar
em chamas, mas fui interrompido e tudo se transformou em gelo. É como atear água em fogo...
Juan chegou. Tudo mudou, até sua expressão. Ela realmente o ama. Seu fogo foge do meu. Sinto-
me tão pequeno. Ainda restava uma única pergunta dentro do meu ser...
Qual será sua real intenção comigo? Deixar-me louco?
Deve ser apenas isso...
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Dois dias se passaram depois de tudo, e o medo daquele olhar, às vezes me assombra. Juan estava
deitado na cama com a cabeça apoiada na mão, me fitando mexendo na prateleira. Eu estava com uma
camisa dele, branca e fresquinha que Juan usa, e quando a traz, sempre a coloco. Amo as camisetas
dele em meu corpo nu. Apesar dele também amar, Juan estava longe e me olhava frio, ao mesmo
tempo, queria dizer algo e disse.
– Mel, você saiu por esses dias enquanto estava fora? – falou bem sério e um frio transpassou por
minha espinha.
Festinha do Lucas. – Minha mente perturbada gritou.
– Saí. Por quê? – Não me virei pra ele.
– Hum, é que fiquei sabendo. Achei estranho não ter comentado. – virei e o encarei.
– Esqueci. – Não balbuciei, mas dei de ombros.
– Ok. Saiu com o chefe e esqueceu-se de me contar? – falou frio e ficou olhando pra mim.
Puta merda, era isso?
Quem contou? Fiquei com a expressão do mesmo jeito, tentando me manter calma.
– Realmente esqueci, Juan. Foi apenas um drinque e Carla foi comigo. – virei e continuei a
arrumar minhas coisas.
– Ele te trouxe?
Merda.
– Trouxe, já estava tarde, não vejo problema nenhum. – Juan respirou forte e estava bravo. Bem,
Juan bravo comigo? Novidade.
– Eu vejo, porque ele deve estar a fim de você! Como não poderia achar ruim? Um cara que te
convida pra tomar um drinque, te traz em casa. Vai me dizer que ele não está a fim? – Ele estava
fazendo drama demais.
– Eu não fiz nada – falei baixo.
– Por que aquele filho da puta tentou? – sentou-se na cama. Olhei para trás e vi Juan com a
expressão séria demais.
– Olha, eu sou bem grandinha, sei me virar e me cuidar, não me venha dizer isso! Não confia em
mim? Então sinto muito, baby, não posso sinceramente fazer nada! – bati o pé indo pra sala, ele veio
atrás.
– Mel, eu confio em você, só não confio nesses caras babacas que gostam de aproveitar de suas
funcionárias! – Ele veio dizendo, liguei a TV e o vídeo game. Iria me desestressar.
– Só que, Sr. Juan, eu sei me cuidar, sempre me cuidei muito bem, e não é nenhum babaca que vai
me levar pra cama. Será que ainda não me conhece?! Não sou tão fácil assim. Só porque dormi com
você no nosso primeiro encontro não quer dizer que qualquer babaca vai conseguir isso! – ufa, falei.
Ele estava com uma cara de bobo por ter escutado tudo isso. Deveria ter dormido sem essa,
doutor Vasco. Bufei.
– Não estou dizendo isso, só que você não pode confiar em qualquer um! – vociferou.
– Não confio em qualquer um! Sabe muito bem disso. – Eu estava brava. Poxa, quem será que
contou isso a ele? – Como sabe que eu saí, quem te contou? – perguntei encarando-o.
– Não desvia do assunto! – Ele estava realmente bravo.
– Não estou desviando assunto nenhum, que merda! – desliguei a TV e fui até a cozinha. Juan veio
atrás novamente.
– Olha Mel, eu sei qual é a intenção desse sujeito e não quero que fique dando trela pra ele. É só
isso que eu te peço! – olhei indignada para ele.
– Acha que fico dando trela pra ele? – perguntei engasgada, pois isso nunca nos aconteceu.
– É o que parece! – Juan estava de braços cruzados, cara fechada e encostado ao batente da porta.
Eu queria chorar, mas não fiz. Ele me deixou muito chateada em dizer isso. Será que não confia em
mim?
– Ok, Juan, obrigada! – falei séria e fui para o banheiro. Cacete, numa única discussão Juan me fez
andar em todos os cômodos do apartamento. Que merda. Que grande merda!
Encostei-me na porta e fiquei com o coração martelando forte. Minha nossa, foi apenas um
drinque. Apesar de que daquele inútil ter dito algumas bobagens, Juan não deveria se preocupar com
nada. Eu jamais faria algo com o Caio e quem ele deveria se preocupar, nem passa na mente dele!
Lavei o rosto para passar o choro engasgado. Não quero brigar com Juan, isso é duro demais.
Antes isso não era problema, mas eu o amo e agora é um enorme problema. Ele ali do outro lado,
sem mim, e eu aqui sem ele. Não precisa ser assim e não vai ser. Sequei o rosto e decidi. Vou fazê-lo
ver que não tem nada a ver!
Ajeitei os cabelos rebeldes como se o próprio Juan tivesse bagunçado. E ele vai. Ao abrir a porta,
Juan estava ali, agarrou-me pela cintura, beijando-me forte. Sua língua buscava a minha com uma
violência sedutora só dele. Suas mãos apertavam minhas costas e descia em meu corpo. Enfim soltou
meus lábios.
– Juan... – colocou o indicador em meus lábios. Empurrou a porta do banheiro com o pé, ela bateu
na parede com tudo. Minha nossa, eu já estava excitada.
– Shh, honey. Vou te amar, aqui! – trancou a porta do banheiro, sendo que, não tinha necessidade,
não havia ninguém em casa além dele e eu.
Tudo bem, dava um ar de sedução. Proibido.
Fiquei encostada na porta fechada. Ele me seduzia com seus braços tatuados e cruzados fortemente
ao peito sem camiseta, sua calça com o botão solto, mostrando a ponta da boxer cinza. Delicioso.
Eu estava ofegante. Mordi os lábios querendo-o, e Juan desejando-me ali. Bem ali. Voltou para
minha frente, passando as mãos na camiseta dele em meu corpo. Subiu sentindo o tecido fino da
malha, quase transparente em meu corpo nu e necessitado dele.
Como era excitante! Acabamos de brigar e agora iríamos fazer um amor (ou seria trepar?)
selvagem. Sim, esse era o olhar dele. Faminto e selvagem. Seus dedos voltaram para a barra da
camiseta e, num baque gostoso, o primeiro puxão rasgou uma parte dela. Uau, ele estava arrancando-
a de mim em rasgões! Mais um rasgo, até a altura de meus seios, outro e ficou a gola, num baque
rasgou-a inteira e eu estava com a peça dividida em meu corpo. Ele a tirou de mim. Sexy e torturante,
passando as mãos em todo meu corpo. Gemi baixinho só pra ele, sem tocá-lo.
Eu estava com raiva dele e com tudo que estava fazendo comigo, iria me deixar sem essa raiva.
Fechei a cara por lembrar as duras palavras dele: é o que parece!
Ah é Juan, então você verá!
Agarrei seu cabelo e puxei seu rosto até o meu, encarei aqueles olhos de águas ferventes, mordi
seu lábio inferior forte, ele gemeu em meu lábio.
– É pra morder, honey, posso te torturar a noite inteira assim!... – Juan encheu-me de mordida.
Gostoso. Eu o deixei ficar nessa brincadeira gostosa. E nada dele tirar aquela calça jeans para eu
brincar também. – Você é muito respondona! – disse em meu ouvido.
– Sou mesmo! – falei encarando-o e rindo dele.
– Então, precisa de uma lição! – vociferou novamente, mas dessa vez, cheio de tesão.
Juan pegou-me no colo e colocou-me em cima da pia. Bendita hora que troquei meu balcão do
banheiro, colocando um maior. Isso é demais. Ele se afastou um pouco e enfim abaixou só um pouco
o jeans, fazendo-me ver apenas seu caminho da felicidade todo aparadinho. Esse homem se cuida e é
tão lindo, delicioso...
– Ah, dona Mel... Revira esses olhos verdes pra mim, adoro quando estou dentro de você e você
faz isso... – gemeu.
Entrou, e automaticamente joguei a cabeça para trás, revirando os olhos de puro prazer,
empurrando meu corpo mais para ele. Forte, devagar, lento e sensual eram os movimentos dele.
– Vai Mel, vai, honey, mexe pra mim... – Juan sussurrava na minha frente, nós dois nos encarando,
nossos olhos faiscavam, mostrando nossos desejos e seus lindos lábios sendo mordidos por sua
vontade sem fim de mim.
Inclinei meu corpo ao dele, enquanto ele me preenchia com seu poder e apertava meus quadris.
Apertei sua nuca puxando seus cabelos e mordia seus lábios vacilantes, Juan gemia em minha pele e
desceu com seus lábios mordendo todo meu pescoço, forte demais...
Ah Juan, forte demais...
Duas estocadas e nós caímos em nosso clímax perfeito...
Suados e insaciáveis...
Entramos no chuveiro e Juan matou minha vontade mais uma vez. Num banho quente, fervoroso de
puro prazer e com sucessivos espasmos deliciosos...
Esse é o nosso sexo, nosso amor selvagem.
“Incontrolável. Incansável. Insaciável. Inebriante.”
14- Obsessão
“Passei a língua na boca e no dedo, tirando o excesso de creme do bolinho. Eu não conseguia
fazer nada, nada além de olhá-lo de cima a baixo, todo gostoso. Eu o quero agora, posso?”
– Mês que vem é meu aniversário, o que podemos fazer? – perguntei empolgada à Carla.
– Uma festa em seu apartamento! O que acha? – disse ainda mais empolgada.
– Com poucos e importantes convidados! – anunciei com classe.
– Yes! – soltou um gritinho.
Já mencionei como ela fica linda empolgada?
O calor permanecia a todo grau. Ainda bem que dentro do hotel tem ar condicionado, senão eu
morreria de tão quente que está! Santo Deus, é sempre tudo ao extremo. São Paulo, bendita terra da
garoa, mas cadê a garoa? Como costumo apelidar minha amável cidade: Bipolar.
Minhas manhãs ainda estão sem graça, por um pequeno período. Richard ainda não está vindo
trabalhar, deixaram a sala trancada. Agora, Richard tem que se dedicar quase cem por cento à
Mariana. Ela perdeu realmente a visão, fiquei triste por isso e por ser tão nova, cheia de vida e,
acima de tudo, mesmo não querendo admitir, ela é linda. Contudo, na vida nem sempre podemos
escolher o que pode nos acontecer. É destino. Isso não se muda, acontece.
Fui visitá-la assim que teve alta, quase não falava nada e ficava parada sem reação. Ainda está
recuperando-se de todas suas feridas, principalmente a do coração. Espero que supere a cada dia,
pois ficar da forma que está só a levará à morte.
Então, todos da família estão ali para ajudá-la. Em especial Richard, que está sendo uma ótima
pessoa. Quando estava lá, vi em seus olhos seu sofrimento, sua dor, mas ele sempre aparenta estar
forte para ela. Incentiva, dá voltas com ela pela casa. Tudo está começando a voltar de novo, Mari
vai superar tudo. Eu só queria vê-lo todos os dias, apenas para sentir o calor que o sorriso dele me
transmite. Já basta.
Por enquanto.
Chacoalhei a cabeça para esquecer todas as vezes que lembro ou penso nele. É terrível pensar nele
na situação dela.
Poxa vida...
– Amor, eu quero fazer uma festinha no meu aniversário, o que acha? – Juan desviou os olhos
vazios. – O que foi? – perguntei assustada com sua atitude.
– Terei que viajar no dia... É só à noite, passarei o dia inteiro com você. – falou desanimado e
cortou de vez minha empolgação.
– Ah, então deixa. – tentei não mostrar que fiquei chateada.
– Amor, é muito importante o que tenho que fazer, sabe disso, não é? Não quero que pare sua vida
por mim. É sua festa, ficarei aqui e irei depois da festa, ok? Não deixe de fazer, está me entendendo,
dona Mel? – segurou meu rosto e foi dando beijinhos leves.
– Mas... – tampou minha boca com um beijo sufocador.
– Shh! Vou te ajudar a fazer e não tem mais conversa! – seu sorriso me encantou, acabei cedendo.
– Tudo bem, bandeira branca!
– Assim está melhor. O que quer fazer?
– Eu não sei, só uma festa harmoniosa e pequena, não tenho muitos amigos, então serão os
próximos... – que também não eram muitos.
– Hum. Então vou te levar a um lugar para encomendar as coisas por minha conta! – quando pensei
em reclamar, ele me roubou a atenção e me amou...
Depois de tudo encomendado, faltando apenas uma semana, já poderia avisar a todos sobre a festa.
Juan ficaria comigo até às onze da noite, depois partiria. Não me deixou nem ao menos levá-lo,
chamaria um táxi para isso. Depois de tudo acabado, ficaria sozinha à noite...
Convidei poucos. Alguns do prédio de onde trabalho, alguns amigos novos, amigos do Juan. Fui
até a casa da minha tia, levei o convite à Mariana, mas ela não queria sair, agradeceu de bom agrado
o convite e disse que talvez Richard fosse marcar presença. Ele ficou indefinível, com seu rosto
barbado, lindo e charmoso. Eu gosto de ir lá, pois sempre o encontro. Meu corpo estremece apenas
de vê-lo...
Ele poderia fazer esse agrado para mim, juro que nem ligaria!
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Mariana chegou a pouco do hospital. Está calada desde que confirmaram as suspeitas. Ela
perdeu a visão total do olho direito e mais ou menos sessenta por cento da esquerda, mas tenta
sempre ficar com os dois fechados para descansar. Ainda enxerga algo, vultos, mas é bem pouco.
Isso é cruel de ver, uma moça tão linda, cheia de vida, assim deprimida, sem vontades. Ela se
recupera a cada dia dos hematomas e de todas as cirurgias que foram feitas, de todo sofrimento
que está sentindo tanto físico quanto psicológico. Acima de tudo, o melhor é que está viva. No
fundo, talvez, ela não se sinta assim...
Procurei por muitas e muitas vezes seu amor por mim, em seus olhos profundos de dor.
Encontrei apenas tristezas e um restinho de compaixão, talvez ela ache que é por isso que estou
aqui. Eu a amo e jamais a abandonaria nesse momento.
Isso está me consumindo, me corroendo aos poucos, pois ela consegue me deixar assim ao vê-la
cheia de dor e com dó dela mesma.
Mariana está me afastando, sinto que ela quer isso. Se ela quer que eu tenha piedade dela, não
terei. Vou ficar com ela até o fim.
Mari está sensível e agora parece enxergar as coisas com o coração. Está mais doce em suas
falas, está mudada da Mariana antes do acidente. Aquela que desprezava a própria sombra, caso
fosse feia. Está mais humana pelo que vejo e sinto dela. Isso a torna mais real, mais pura e é
também mais difícil eu me arriscar em uma aventura por aquela que vem aqui e deixa o espaço
que sinto dentro de mim, preenchido. Aquela que seu sorriso me deixa com sensações eletrizantes
por todo o corpo e sua malícia na voz deixando-me com um puta tesão. Aquela que sabe de seu
poder sobre mim, só não enxerga o tanto que eu grito por dentro...
Vem pra mim, Mel!
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– Bom dia, minha gatinha mais velha! – Juan veio com uma bandeja de café da manhã, deixando ao
lado, um lindo buquê de tulipas vermelhas, junto a uma caixinha redonda vermelha, pequena, cheia de
corações. Levantei devagar, admirando seu sorriso lindo.
– Bom dia meu lindo! Obrigada por existir...
– Obrigado por fazer parte de mim... Feliz aniversário!
Já no nosso primeiro beijo, eu ficaria pelo resto do dia amando-o em cada parte de seu lindo
corpo. Abri o presente, uma linda corrente com meu nome, em uma letra linda. Era perfeita.
– Amo seu sorriso. – falou encarando-me.
– Amo seus olhos. – retribuí o carinho.
– Amo seus lábios. – colocou delicadamente o dedo em meus lábios, fazendo queimar onde
passava, ferveu, o arrepio de um beijo bom.
– Amo quando me deseja sem fim, todo seu corpo se arrepiando, de quando seu toque leve brinca
com meus sentidos... – murmurei já extasiada por seus leves toques arrepiantes.
– Amo você... – voltou a deliciar-me.
O carinho que ele deposita em mim é como se fosse mágica. Um toque, um arrepio. Um cheiro,
uma carícia. Um beijo bom e bem dado, uma excitação diferente. Juan está me fazendo, pela primeira
vez na vida, ver o sexo como algo além de mim, é amor. Minha nossa, sexo também é amor, e amor é
sexo. Ele sabe cada ponto de mim, seu toque é doce e quente. Abrasador. Eu nunca me canso dele e
nem ele de mim.
É algo incontrolável, incansável, insaciável e inebriante, nosso conjunto perfeito. Juan está me
curando. Juan quer cem por cento do meu amor para ele. Nesses pequenos momentos juntos, está me
fazendo tornar totalmente dele. Totalmente curada. Tenho certeza de que sente todos esses efeitos.
Tanto em nosso corpo, como em seu coração e sua alma. Estamos nos amando profundamente.
Alma de apaixonados. Alma de amantes. Alma embriagante de um sexo perfeito, sem fim...
Juan me beijava com seus lábios molhados, um beijo doce, tranquilo, só que ao mesmo tempo,
devorador. Sugava-me. Deliciava-me. Era tranquilizador. Era como uma droga perfeita para meu
organismo. Sim, eu me achei, ele me achou, em cada orgasmo, éramos apenas nós. Nosso mundo se
fundia a isso. Nós não nos cansamos. Não importa há quantos orgasmos já me perdi, Juan sempre me
acha e me deseja de novo e de novo.
Ele encaixou seu quadril em mim, num papai-e-mamãe mais delicioso da história. Seus
movimentos leves e precisos dentro de mim. Ele quer me amar assim. Sedento e calmo. Forte e lento.
Juan me sentia a cada pressão que seu corpo fazia em cima do meu...
Ah, Juan, assim...
Explodimos lentamente, mas ele não saiu de mim, ficou escutando a batida de meu coração que
cantava para ele...
Eu amo você...
– Mel, eu amo você... – beijou meu queixo, pescoço. Seu prazer hoje estava sem limites, sem sair
de mim, eu o senti novamente me querendo, sua tortura sensual começou de novo, ainda mais quente e
saborosa... Lenta...
– Eu disse que te amaria o dia inteiro! Vai ficar até enjoada de mim! – falou baixinho.
– Jamais. Por mim passaria a eternidade nesse quarto com você. Sem me preocupar com nada.
– Sério? Vamos? – perguntou malicioso.
– Nem precisa perguntar de novo. Tenho essa louca obsessão por você!
– Eu também...
– Enquanto me amava gostoso, pensei num apelido legal pra nós! – falei rindo baixinho.
– Qual seria? – riu de minha risada.
– Somos um conjunto de perfeitos “4is”.
– 4is?! – perguntou lindamente confuso.
– Sim. Incontroláveis, incansáveis, insaciáveis e inebriantes. Não é verdade? Gostou? – seus olhos
brilharam.
– É perfeito e a mais pura verdade. Somos assim, moldados um ao outro. Amo tudo em você,
minha doce mulher furacão! – brincou.
– Hum, gostei dessa! Furacão! – ganhei um cheiro no pescoço.
– Sabe, eu não consigo pensar em nada quando fazemos amor, é como se me concentrasse somente
em você, querendo sempre fazer o meu melhor. – Juan disse baixinho, puxando alguns fios soltos dos
meus cabelos.
– Sempre fazemos nosso melhor, sabe por quê? Porque nos amamos. Ponto. Isso não é errado, se
cada um fizesse amor como nós, o mundo seria cor-de-rosa, todo mundo feliz! Apesar de que, se
fosse vermelho, seria mais sexy! – Juan aprovou e provou mais um tiquinho de meu amor vermelho.
Hot.
Assim que chegaram as coisas, deixei tudo para organizar em cima da mesa. Os cupcakes que
encomendou eram tão perfeitos e lindos. Ele pediu alguns com uns beijinhos vermelhos em cima do
creme, eram tão fofinhos e gostosos que, acho que nem vou colocar para o pessoal! Juan ria de tudo
que eu estava fazendo, dizia-me que parecia criança em sua festinha.
Ele foi até o quarto e arrumou as coisas dele. Deixei o som ligado num psy eletrônico e badalado.
Até coloquei a “Scream & Shout” e dancei para ele, cantando “Mel Bitch!”. Juan aprovou minha
dança sexy, chegou até me apertar em seu corpo, numa dança só nossa. Sensual e apimentada.
Depois das danças, fui preparando as coisas com calma. Um prato de petiscos ali, umas taças aqui.
Meus cupcakes no centro da mesa, em volta alguns deliciosos e caprichados docinhos, tudo estava
em harmonia. Olhei no relógio eram: sete horas da noite. Avisei o pessoal que seria às oito. Fui
tomar banho e quem já estava no chuveiro?
Sim, meu tudo...
Ganhei de aniversário um banho relaxante e muito atrevido, mas quer saber?
Diverti-me muito em ser banhada por Juan... Melhor presente de todos.
– Vou perder de te ver tirar esse vestido? Isso é cruel. Maldade sua... – beijou minha nuca
ajudando-me a colocar o colar que me deu.
– Pois é, está lindo, não é? – fiz graça em sua frente. Realmente tudo estava lindo, o vestido
vermelho, a maquiagem em dourado, o batom coral e o cabelo preso apenas de um lado.
– É melhor quando você está sem essa peça colada... – Juan sabe me agradar.
Por isso não me canso dele. Juan é, na verdade, a versão masculina de mim! Tudo que sempre quis
ouvir, sentir, ele faz. Sem ao menos eu ter que pedir ou implorar com a mente. Ele faz por conta
própria, como se lesse minha mente, ou sentisse a necessidade do meu corpo.
– Fica linda de vermelho! – ganhei um cheiro, junto com um arrepio no corpo inteiro.
– E você, não demore por lá... – choraminguei.
– Não vou. Dessa vez serão apenas três dias. – Um alívio para nós.
– Quando voltar, estarei aqui... – apontei para cama.
– Sempre...
A campainha tocou. Antes de atender, trocamos mais alguns beijos, pois acabaria ali nossa
privacidade. Eu teria que dar atenção a todos. Retoquei o batom, que sempre deixo em todos os
lugares – hoje no decote do vestido. Mas, Juan tirou de novo, na porta.
– Já está sem batom e mal começou a festa! – Carla observou. – Feliz aniversário, minha amiga
mais linda! Está tão radiante! – ela me abraçou forte entregando-me um pacote. – Abre depois –
avisou-me baixinho e piscou.
– Entrem. Obrigada sua linda! – retribuí forte o abraço.
– Parabéns Mel. – Thiago abraçou-me.
– Gente, entrem e fiquem à vontade, só não tirem a roupa! – Juan piscou, eles riram. – Aqui, só eu
e essa gostosa! – bateu forte em minha bunda. Esse homem além de ser lindo e romântico, é safado
quando precisa, mas educado.
– E aí, garota! Como está? – Carla aproximou-se. Abri um vinho e a servi.
– Cansada... – brinquei. – Sério! – ela riu.
– Jesus, o que tem com vocês? Não se cansam? Na boa, acho que já fizeram mais vezes em alguns
meses do que muitos casais que estão juntos há anos! – ela ria e olhava para o Thiago do outro lado
com Juan.
– E isso é ruim? – perguntei calma.
– Claro que não, é invejável... – sorriu, sinto que acabou dizendo dela mesma. Há tempos está
estranha com Thiago, Carla precisa de algo maior que ela.
– Juan é tão sufocante, gostoso, adorável, amável. Ele me ama de uma forma linda e natural.
– Dá pra ver – finalizou. Senti algo diferente nela. Não sei o quê, mas senti.
A campainha tocou novamente. Fui atender meus outros amigos que vieram prestigiar. Não
convidei o Caio, pois vai saber o que ele poderia fazer, não estava a fim de brigar com Juan.
Deixei todos aconchegados e à vontade. Juan conversava com todos, estava quase perfeito, só não
estava completo porque ele iria embora daqui a pouco. Isso me entristecia.
– O outro não virá? – Carla sussurrou em meu ouvido.
– Acho que não – falei manhosa. Sei que ela dizia sobre o delícia dos meus sonhos perdidos e
molhados.
– Ele está perdendo em não te ver linda e sexy...
Foi ela que disse isso mesmo?!
– Está doida! – soltei uma risada.
– Que é? Estou falando a verdade! – tomou mais um longo gole, deixando-me intrigada com sua
resposta.
– Eu adoraria que me visse, iria fazê-lo ficar doido só em me ver mexendo... – sussurrei no ouvido
dela e Carla me empurrou. – Vou fazer esse charme! – peguei um cupcake da mesa e passei a língua
no creme.
– Tarada! – disse rindo de minhas palhaçadas.
– Mel bicth! – cantei no ouvido dela. Quando paramos de rir, ouvi a campainha de novo. – Já volto
e falo mais, ok? – pisquei e fui abrir a porta aos demais convidados.
Ao abrir a porta, minhas pernas deram uma leve quebradinha, enfraqueceram pelo susto de vê-lo
tão lindo e cheiroso. Meu corpo reagia estranhamente. Sentia tudo queimar de baixo para cima e o
cheiro dele me tomou por inteiro. Passei a língua na boca e no dedo, tirando o excesso de creme do
bolinho. Eu não conseguia fazer nada, nada além de olhá-lo de cima a baixo. Todo gostoso.
Eu o quero agora, posso? Agarra ele, Mel! – tudo gritava dentro de mim, mas ele me trouxe de
volta.
– Olá Mel, fui convidado, então... Feliz aniversário! – falou num sussurro, eu não estava me
aguentando, tudo fervia. Para acabar ainda mais comigo, ele deu um passo e me abraçou. Uma mão na
cintura e outra nas costas. Um beijo molhado no rosto. Por que ele me tira do sério?
Porra, por que ele faz isso comigo? Cacete. – estremeci ao olhar em seus olhos. Tentando
recuperar o ar, disse:
– Entre Richard, obrigada por vir! E a Mariana como está? – consegui dizer.
– Está bem, pediu-me para entregar isso, ela fez questão de que eu viesse até aqui trazer. – então
ele não viria? Murchei, mas é claro que não viria só porque queria.
Idiota eu pensar assim! – aliás, eu e meu inconsciente bobo murchamos.
– Ah, não precisava, agradeça a ela por mim. Obrigada de coração – falei com a voz trêmula.
Pare com isso, reaja! – uma voz bondosa dizia.
– Você mesma poderia ir lá. Mariana fica uma boa parte sozinha. Espero que goste, fui eu que
escolhi! – Richard exclamou sem jeito.
– Não precisava se incomodar, vou gostar sim. Amanhã dou uma passadinha por lá. Vem, entre,
fica à vontade – recuperei-me.
– Não vou me demorar – disse próximo demais de mim. Ele poderia ficar a noite toda comigo!
Não me importaria só de olhá-lo.
Toquei em seu braço que formigou novamente, soltei. Ele compreendeu meu olhar, entrou sem dizer
nada. Juan veio cumprimentá-lo e fui até meu quarto deixar o presente. Carla acompanhou meu olhar
e veio junto.
– Porra, por que Richard me deixa sem ar? – falei assim que entrei, Carla trancou a porta.
– Hum, agora pode provocá-lo! – Ela veio gingando no quarto, fazendo graça.
– Pare com isso, minha prima e noiva dele esta péssima, eu nem tenho coragem às vezes, fico puta
por pensar assim! Argh. Olha, ele me deu, vamos ver!
– Gata, sinceramente eu acho que Richard finge que não te olha, que não te deseja. Outro dia eu o
vi te olhando, com cara de "vou te pegar, Mel!". Agora não me venha com essa, o que ele faz aqui,
hein? – Carla estava com sua mania de colocar a mão na cintura e bater os pés impaciente. Adoro
isso nela. É engraçado.
– Veio porque a Mariana pediu! – exclamei cheia de revolta por ser verdade, mas peraí, acabei
ficando na dúvida. Será que viria por ele mesmo?
– Aham, sei e você acreditou? – Carla não podia fazer isso! Deixar-me mais iludida com a
verdade que estávamos criando.
– Sim.
– Eu não! Nem um pouco. Abre logo, quero ver!
– Pare de ser atentada, fica me dizendo essas coisas, isso pode não prestar!
– Você não é casada e nem ele! – eu a empurrei de leve, Carla caiu na risada.
– Você não é minha amiga! Carla, você está aí dentro? Devolve minha amiga, sai desse corpo que
não te pertence! – brinquei.
– Pare sua boba, aprendi com você!
– Péssimo aprendizado! – pisquei.
Abri logo a caixinha de presente do Richard.
– Uau! – falamos juntas.
Era um belíssimo colar com a corrente fina e delicada, um pingente bem trabalhado. Um coração
como se tivesse pegando fogo, com uma pedra verde da cor dos meus olhos dentro dele.
– Viu? Ele sabe a cor profunda dos seus olhos, o coração dele está fervendo por você... – Carla
dizia, fazendo graça.
– É muito lindo! Encantador... – fiquei como boba segurando aquela peça nas mãos. Era realmente
perfeito.
– Está vendo, ele gosta de você, pensa em você!
– Não da forma que penso nele... – voltei a ser a Mel de antes, minha risadinha provocativa estava
comigo. – Isso é só um presente! – lembrei o fato.
– Uma forma de levar muitas para cama, mas com você, um amor louco e avassalador! – droga, o
que ela tinha?
– Você está me dando medo. – encarei aqueles olhos azuis cheio de verdades.
– Ah, pare com isso! Vamos voltar e provocá-lo.
– Aceito, ele nem ligará mesmo...
– Duvido. Vamos testá-lo!
Chegando à sala, avistamos todos se divertindo com a música que rolava. Assim que tive visão
dele, Richard levantou o copo leve, eu disse apenas com os lábios: "obrigada". Ele saberia do que
estava falando.
Juan falava com alguns amigos dele. Deixei, já que tive a tarde toda junto dele. Eu queria
aproveitar a minha chance. Hoje Carla estava assanhada demais, puxou-me para dançar, fazendo-me
remexer junto dela, fizemos uma dança sensual.
Alguns olhares de obsessão nos cercavam. Flagrei Flávio observando-a dançar. Juan me desejava.
Thiago olhava para nós duas, até estranhei. Richard, ah, esse aí eu flagrei mordendo o lábio e
desviando o olhar. Várias vezes, eu fazia caras e bocas na direção dele. Sim, eu mexo com seus
sentidos e quero provar cada um deles.
No meio da sala remexi mais e mais numa dança sexy, Carla fazia o mesmo. Peguei a taça de vinho
que tinha deixado e virei.
Alguns olhos libidinosos, na curiosidade, eram excitantes em cima de nós. Eu os queria para mim e
nessa dança, me envolveria facilmente com eles.
Essa é minha vontade, essa é minha obsessão...
– Mel, o Richard não para de te olhar... – Carla falou no meu ouvido.
– Sério? Pensei que nem estaria ligando... – dei de ombros, mas morrendo de vontade de encará-
lo.
– Está até com cara de excitado... – Carla ria já alterada.
– Está bêbada? – segurei o rosto dela e soltei uma risada junto.
– Quase... – grunhiu, mas nós duas caímos na risada.
– Vou pegar mais vodka, ok? – saí e deixei-a dançando. Thiago se aproximou dela, mas parecia
sério demais, os dois só ficaram conversando. Assim que me virei para pegar a bebida, dei de frente
com Richard.
– Ui, me perdoa! – falei encostada nele, seu tórax era firme, minha nossa! Seus olhos castanhos
profundos me fitaram.
– Eu que peço desculpas. A festa está muito boa.
Você também! Queria falar e digo.
– Você também. – Richard sorriu, mas não falou nada.
Saí rápido dali, antes de agarrá-lo. Nisso senti uma mão me agarrando.
– Amor, eu já vou! – Juan puxou-me para um canto, grudando-me na parede.
– Ah, fica mais um pouquinho... Só um pouquinho... – todo o calor dele se misturou com que acabei
de sentir do Richard, estava intenso e gostoso.
– Não posso, o táxi já está lá embaixo, me leva até lá? – olhei para o lado, a mala já estava junto
dele.
Agarrei-o. Para nossa despedida, nos devoramos num beijo longo. Quando saí da situação, peguei
Richard nos olhando.
Isso meu bem, sinta o meu poder!
Pedi licença aos convidados, Juan despediu-se e partiu.
Ao subir de volta, a festa estava animada, todos bebiam e dançavam. Richard estava num canto,
sozinho. Esperei seu olhar parar em mim, ele sorriu ao encontrar meu olhar nele.
Carla se remexia ainda. Thiago em outro canto flagrou-me olhando, sorri, ele só balançou a cabeça
negativamente. Está se tornando chato, que saco!
Flávio dançava olhando para Carla, às vezes, chegava até perto demais, aquele idiota do Thiago
nem percebia, merecia mesmo um belo par de chifres bem gostoso e bem dado.
Conversei com alguns que já estavam indo embora, Richard apenas me olhava. Quer saber? Vou
até lá conversar, estava tão sozinho. Bebendo apenas sucos.
– Meus sucos estão bons? – perguntei ao me aproximar.
– Estão sim, prometi a Mari que não beberia! Então... – disse com sua voz rouca, excitante demais.
Ele é tão sério que me enervava.
– É, deve ser difícil tudo que está enfrentando. – tentei ser complacente em minhas palavras, mas
minha voz ainda tinha sedução.
– É sim, mas o sorriso dela me deixa forte. – Richard falou acabando com minha alegria. Minha
expressão mudou, tentei me recompor. Toda vez que fala dela, me deixa fora dele.
– Isso é bom. – assim que disse, fui saindo, o que posso dizer?
– Ei, gostou do presente? – puxou meu braço, o choque voltou, a sensação gostosa também, voltei,
não resisti.
– Achei muito lindo, é realmente encantador... – disse já extasiada por ele novamente, com a
respiração entrecortada.
– Achei que combinaria com você! – Richard disse baixinho, isso me deixou querendo-o. Respirei
forte, não olhei para ele.
– Devo agradecer novamente...? – soltei a respiração.
Só de ficar ao lado dele, é visível meu desejo, minha obsessão de saber o gosto que ele tem... Seu
cheiro é tão fascinante, excita-me demais.
– Deve! – falou deixando-me sem ar. – Brincadeira, você está linda! Muito linda... – eu o encarei
dessa vez e minha respiração acelerou.
– Você é... – deixei o mistério, Richard segurou o riso. Balancei a cabeça, voltando a olhá-lo.
Richard me encarava, seu olhar era profundo, quente e sincero.
– Eu sou...? – perguntou sussurrando perto do meu ouvido. O arrepio tomou conta do meu corpo.
– Quem sabe eu te falo numa outra oportunidade? – mordi o lábio em provocação total. Passei a
mão no queixo dele, deixei-o me olhando.
Fui de encontro à Carla, que estava mais alterada.
– Eu vou embora! – exclamou brava.
– Dorme aqui – falei puxando o rosto dela para me olhar. – Vou te colocar lá em meu quarto, vou
falar com o Thi, pode ser?
– Aham... – deitou o rosto em meu ombro, enquanto a levava para meu quarto. Toda dengosa deitou
descansando da noitada. Cheguei à sala, Thiago estava com a cara fechada.
– Tenta ser compreensivo, você vai acabar perdendo-a! – minha frase tinha o sentido de sermão,
mas Thiago não parecia ter noção. Ele saiu emburrado, reclamando. Agora ficaram apenas alguns,
voltei a me sentar no sofá ao lado de Richard.
– Estava boa a festa, tudo está perfeito – elogiou. – Por que não cantou parabéns? – perguntou
curioso.
– Não gosto, mas você só ficou quietinho aí, observando... – virei para vê-lo melhor.
– Quem disse?! – já chega! Porra, ele deu um sorriso que me deixou... molhada. Uau! Ele
continuou cheio de charme. – Já conversei com a dona da festa algumas vezes, ela está muito
charmosa... – disse com sua voz delirante. Será que está tentando me deixar louca? Louca de desejos
por esse homem proibido...
E bem, encharcada! Só pode ser brincadeira. Que inferno!
– Se não tivesse bebido só sucos, diria que estava bêbado em me elogiar tanto, quase nem fala
comigo! Sempre achei que nem sabia que eu existia! – falei a verdade, talvez ele pense que seja
mentira. Apenas charme.
– Quem te disse isso? – perguntou agora confuso. Lindo. Delicioso. Tesão de homem. – Como eu
disse, não sou muito de falar... – sussurrou.
Por favor, Gosh, faz esse homem parar de ser lindo?! Pode ser?
– Então poderia começar a agir... – o que foi que saiu de mim?
Puta merda, o que ele pensaria de mim? Ah, quer saber, deixa-o pensar o que quiser. Estamos aqui
sozinhos, sem ninguém nos notar, é apenas uma conversa. Claro, cheia de sedução e tesão a mil, mas
esta valendo.
– Você é tão... – sorriu desviando o olhar de mim.
– Tão...? – aticei.
– Intensa. Eu sinto que suas palavras soam quentes de seus lábios... – sua voz estava cheia de
desejos.
– Sério?! – fingi que nem sabia disso. Ainda mais fingida, comecei a morder levemente meus
lábios vermelhos.
– Você sabe de seu poder... – sussurrou, quero mais...
– Sei?! – fiquei rindo dele e ele de mim.
– Claro que sabe! – uma piscadinha tentadora de sua parte.
– Eu não sabia que tinha poderes! – exclamei fazendo um charme irresistível, uma piscadinha,
Richard foi ao delírio.
– Tem e muitos... Por que está mordendo o lábio? – sua pergunta soou quente.
– Eu faço isso pra esquecer...
Esquecer meu tesão por você e também para provocá-lo! Que tal? Sei que funciona muito bem.
Vamos agora transar? Sorri com a loucura metal.
– Esquecer o quê? – perguntou como se quisesse me conhecer com seu olhar de chocolate quente.
– Viu, me esqueci!... – soltei uma risadinha, ele aprovou.
– Essa foi boa! – eu queria ser boa suficiente para você, Sr. Richard.
– E por que você me evita? – resmunguei pela segunda vez essa maldita frase.
– Porque você é um problema! – para acabar com minha sanidade, ele sorri.
– Por que não tenta resolvê-lo...? – murmurei melosa. Deixando tudo na cara dura, que sou
irresponsável, que sou quente, que sou tarada, que sou obcecada por ele. Richard sentiu cada palavra
minha vibrar em sintonia com meu corpo, que deseja o dele. Poderia ser agora... Vamos brincar?
– Isso também é um problema... – curvou a cabeça deixando seu olhar firme ao meu, isso me
desarmou. Eu sei de todos os problemas que nos cercam, mas poderíamos esquecer, não é?
– Richard, desculpa dizer essas coisas, é que não consigo me controlar perto de você. De alguma
forma, sinto algo incontrolável por você... Desculpa. – encarou-me assim que disparei as palavras.
Porra, não era pra falar isso!
– Não acho ruim... – é apenas o que diz. Levantou e com sua mão direita, tocou meu rosto. Eu o
encarei. – Me leve até a porta. – não queria que fosse embora, não mesmo. No entanto, depois disso,
como poderia encará-lo?
– Claro. – levantei sem coragem, mas quase o arrastei para o quarto.
Ele gosta do que eu faço...
Por que então sou um problema?!
Minha cabeça e meus desejos estavam em conflito.
– Obrigada por tudo, por ter vindo... – falei baixinho, acho que até envergonhada. Isso não é
comum.
– Estou custando a ir embora, Mel... – Richard estava com as mãos nos bolsos da frente.
– Então não vai... – sussurrei.
– Eu tenho, até a próxima...
Beijou devagar meu rosto segurando a nuca, senti tudo formigar. Meu corpo sendo amarrado ao
dele... Quero abraçá-lo e não deixá-lo escapar. Sufocar-me, fazê-lo deleitar-se em meu corpo, mas
resistimos.
– Isso tudo é demais, não acha? – falou olhando-me a poucos centímetros, o calor de sua boca
estava tão próximo, tão próximo, que estava sentindo o gosto dela. Sentia também um calor e uma
pulsação dentro da calcinha.
Eu o quero! – uma voz em minha cabeça gritou alto, deixando sair pelos meus lábios...
– Eu o quero... – só não sei se ele ouviu essa loucura.
– Você não presta e quando ela crescer irá ser igual, sabe disso, não é? Sua bêbada
inconsequente. Tirei você da casa de seus pais, para quê? Para eu sustentar seu vício alcoólico...
– Ele gritava com minha mãe em seu quarto.
Meu pai não poderia nunca saber que estava escondida no guarda-roupa, senão ele me bateria
muito, mas estava ficando sufocada, então tossi. Ele se virou em direção ao guarda-roupa, minha
mãe sentada na cama, não fez nada.
– O que faz aí, sua pirralha? Já te disse milhares de vezes que não quero você no meu quarto! –
Ele puxava minha orelha e sua mão já estava direcionada ao meu rosto.
– Desculpa papai, eu estava brincando... – falei em soluços chorosos.
– Brincando? Brincando de quê? De putinha novamente! Olhe para você com essas maquiagens,
não enxerga que é nova demais e que não deve usar isso? Quantas vezes eu tenho que te dizer?
Vem cá. – foi me arrastando por minha camiseta fina e floral. – Vou te mostrar como deve ser! –
sentou-me em uma cadeira, pegou um tecido da gaveta de minha mãe, esfregou com força nos
meus lábios, arrancando o batom rosa dali. Quase arrancou meus lábios. Esfregou mais forte
ainda nas bochechas onde passei um pozinho rosa que me deixava como minhas bonecas. Ele
pegou a boneca que estava na cama e jogou no meu colo.
– Se quer brincar, vai brincar de boneca e não de ficar se melecando com as bobagens de sua
mãe. Ela nunca foi um bom exemplo pra você! Está vendo-a ali? – fiz que sim.
A expressão dela de cansaço era terrível, seu ar embriagado. Toda descabelada, pois eu o vi
batendo nela.
– Ela nunca foi uma mãe decente, sempre usou essas coisas, sabe para quê? Para mostrar aos
olhos masculinos de fora que é encantadora! Que é linda. Sim, ela é muito linda, mas tem que ser
somente para mim. E você, sua garotinha chata, arrogante e pirralha, você nunca será amada,
nunca fará alguém feliz, porque é desprezível como ela! Ninguém vai te amar e quando passar
essas coisas em sua cara, todos te olharão, mas pensarão que é uma putinha. Então, se quiser ser
decente, comece agora a ser gente. Nunca mais use esse tipo de cor no seu rosto. Já te disse que é
bonita sendo natural e não precisa disso no seu rosto. Deus te deu olhos lindos. – foi a única coisa
que disse que me deixou feliz, mas ao mesmo tempo triste. – Então não acredite nessa sociedade
horrível, pois não existe amor por aparência, apenas desejos em comum. Está me entendendo? –
perguntou segurando forte meu rosto.
Meu medo ficou firme em todo meu corpo frágil. Ele bateu forte com o peito de sua mão. Senti
arder o coração. A cada tapa que levava minha alma fugia de mim. Essa palavra: amor, eu deixei-
a sair do meu coração. Meus pais não me amavam. Eu acho que fui o fruto podre. O que poderia
pensar? Tinha apenas oito anos. Ainda não sabia de nada. Todos os dias, meses, anos que se
passava ali, eu via minha mãe embriagada. Meu pai, batendo nela e em mim. Descontando sua
fúria...
Até o dia em que o vi transando com uma mulher podre na cama de minha mãe, uma puta
maquiada.
A deixou ali assistindo a tudo. Eu vi isso e senti uma repulsa forte. Um ódio que levaria comigo
para todo o sempre. Jamais o perdoaria por tudo que me fez sentir e o que ela permitiu acontecer.
Mais cedo ou mais tarde eu viveria sossegada. Ganharia asas e voaria sozinha. Foi quando
completei dezoito anos. Eles se mudaram, eu fiquei. Fugi desse mundo horroroso em que existia
embaixo das paredes de minha casa.
Ele terrível, ela egoísta. Eu sozinha...
Odeio ter esses flashes toda vez que ela me liga. É sempre a mesma porra que vem em mente. A
época perturbadora em que vivi com eles. Peguei um copo que estava ao lado da escrivaninha e o
estilhacei contra a parede próxima.
Juan não estava, eu não queria ligar chorando. Ficaria preocupado.
Isso vai passar, Mel. – disse acalmando meu coração.
É difícil me lembrar e não ficar com ódio, raiva, sentimentos ruins. Era difícil aguentar tudo que
passei. Eu tinha uma vida boa, digo, no sentido de que nunca me faltou nada “financeiramente”. Meu
pai tinha muito dinheiro e Lourdes foi algo que mais se aproximou da palavra amor. Se hoje ainda
tenho humanidade dentro de mim, é porque ela me ajudou neste quesito, senão, na boa, eu estaria em
algum puteiro fazendo o serviço bem feito. Em memórias ao velho. Contudo, isso eu mudei, não era
desejo, claro que não, foi um momento de puro ódio em meu coração. Jamais me estragaria dessa
forma.
Sim, tive alguns parceiros à toa, mas cada um deles me dediquei. Quando tive meu primeiro
homem, pensei: “Hum, isso é prazer?”, gostei da palavra “prazer”, era muito melhor do que “amor”.
Quando pensava em amor, lembrava de toda minha família. Com toda certeza a palavra “amor” não
era uma opção a seguir. Optei por “prazer”, mesmo sendo momentâneo, era prazer. Meu prazer sem
culpa. Meu prazer de momento. Meu prazer sem juras. A Mel era assim. Sem medo, sem culpa. Era
tudo apenas o momento certo, a hora certa, o cara certo.
Fiquei à tarde inteira chorando, lembrando coisas fúteis e de como me transformava em cada
segundo. Juan deixou-me assim, estou superando. Só não posso deixar esses sentimentos ruins me
devorarem, senão tudo pode voltar forte demais e posso acabar descontando em quem me deixou
mais leve, mais amável. Era melhor esquecer de que eles existiam. Desligar o botão “foda-se,
família podre” e ligar o “Mel feliz”.
...as lembranças magoam minha mente... Eu que sempre fiquei pensando que tudo iria melhorar
com o tempo... Curar-se, mas sempre que voltam, vêm com força total...
– Amor, que saudades... – Juan abraçou-me confortável, eu ainda estava com o efeito “Pós-
Telefonema-Traumático-Da-Mãe-Que-Diz-Me-Amar”.
– Saudades imensas de você... – abracei-o forte.
– Antes de você, o que eu era? – perguntou olhando-me com aqueles olhos ainda mais azuis. Toda
vez em que ficava longe eu sentia falta, mas quando voltava, pareciam ainda mais profundos e
apaixonantes.
– Nem sei o que eu era... – sempre estou me lembrando, mas não é tão bom quanto hoje.
– Eu não era nada. Mel, era apenas um homem normal... – Ele me segurava pela cintura e me
encarava.
– E o que você é hoje? – falei bem fraquinho, pois seu sorriso me roubava toda fala, toda atenção,
toda respiração.
– Um homem apaixonado, o homem mais feliz do mundo... – beijou-me com carinho. Amor divino.
– E olha que um dia eu ouvi: “Você nunca será feliz, nunca vai fazer alguém feliz, nunca vai
saber o que é amor”... – porra, falei sem pensar, Juan me fitou com um olhar perdido, confuso e
medonho.
– O que disse? – falou sério, como fugiria disso? Posso correr? Minha cabeça gritava: “corra
Mel, corra!” – Mel, eu te fiz uma pergunta! – repetiu me soltando e cruzando os braços.
– Vamos subir – peguei uma mala, Juan me seguiu bicudo.
Ele sempre quis saber do meu passado, eu nunca quis falar, sempre me esquivei, agora falaria só
uma parte e quem sabe um dia, a história completa.
– Então, me diga, o que aconteceu enquanto estava fora? Você está longe desde a hora que cheguei.
Eu sinto as coisas em você, Mel, não sei como, mas sinto! – Juan sentou-se no sofá, fiquei na
poltrona da frente.
– Minha mãe me ligou anteontem – falei sem emoção, desviando os olhos dele.
– Olhe para mim e me conte. – Juan implorava os com olhos. Deixei-me levar e contei quase tudo.
De meus medos, meus anseios, de uma infância difícil com muitos tapas e xingamentos por ser
quem eu era. Um passado sombrio demais, frio demais. Um abismo profundo, doloroso de meu
coração coberto por uma cera negra.
– Filho da puta! – vociferou levantando bravo, passava as mãos na cabeça, andando de um lado ao
outro.
– Por isso nunca quis te contar, nunca quis vê-lo assim, vem cá, estou bem agora, você está aqui. –
eu não chorava, mas ele sim.
– Mel, não sei como isso tudo aconteceu, digo, sobre nós, mas foi algo novo pra mim também, eu
apenas senti que você deveria ser minha. Sei que fui possessivo, ou mesmo, egoísta de forçá-la algo
comigo, mas sei que devo protegê-la. Deus sabe o quanto somos dignos desse amor. Temos muito a
aprender, todos os dias. Eu nunca senti isso antes, já tinha te dito, mas nunca passou em minha mente
o quanto sofreu com esse filho da puta do seu pai, me perdoe a expressão. Era por isso que nunca
acreditou no amor. Bem, eu não era muito diferente de você, não sabia como tinha sido sua vida até
nos conhecermos, não sei como se tratava, ou como sobrevivia, mas para mim é indiferente. Eu nunca
sofri nada com meus pais, pelo contrário, eles sempre me mostraram o que era o verdadeiro amor.
Mel, meus pais se amam muito, fazem tudo juntos, isso é um exemplo de amor. Mesmo antes nas
dificuldades do casamento, foram superando todas. Eu antes era apenas no físico, a que me agradasse
estava dentro. Sabe disso, te contei. Era um sedutor e safado, nada de amor. Quando me falaram de
você, o Thiago foi bem preciso. Deu-me os pontos certos, parecia que já iria me apaixonar por você.
Não sei como ele te descreveu tão bem, talvez tenha sido apenas a Carla dizendo o que poderia
chamar minha atenção e foi certeiro. Apaixonei-me assim que seu olhar cruzou com o meu. Nossa
troca de prazer naquele dia não foi em vão. Realmente deixou sua marca em mim. Não sei como, mas
aconteceu. Independente do que aconteça futuramente, estarei por você, pois jamais vou desistir de
nós, está me entendendo, meu amor? – Juan chorava suas palavras loucas de amor. Chorei por
acreditar no que estava ouvindo. Era como se todas aquelas palavras fossem novas em meu
vocabulário. Eu acredito em nós. Acredito nele.
– Obrigada por estar aqui por mim... – abracei-o bem forte. Juan ficou na minha frente, olhando-me
com seus olhos de oceano.
– Eu sou seu, meu amor... Completamente seu... – o seu beijo quente vinha junto com suas lágrimas
pesadas de verdade e amor.
– Não vou te falar o que eu fazia antes, isso é só meu, mas te digo que sempre fui má, amarga, sem
coração. Não acreditava em nada além do prazer. Acho que fomos moldados, hoje você é eu, e eu
sou você. Tivemos nossas vidas vividas igualmente, mas hoje somos um só novamente. Dependemos
um do outro para respirar. É só o que consigo sentir de verdade. Quando você me beijou, foi como se
estivesse quebrando a maldição que criei dentro do meu coração. Com seu beijo de amor verdadeiro,
eu renasci das cinzas Juan, você me deixa nesse mundo... – assim que disse tudo, ele parecia
chocado.
– Era realmente assim?
– Talvez pior... – soltei uma risada, ele me olhou curioso.
– Posso te perguntar uma coisa? – ai, meu Deus, isso fez meu estômago revirar.
– Pode, só não sei se vou te responder – fui sincera.
– Antes de mim, é... Já esteve com muitos homens? Quero dizer, se deitou com muitos homens? –
ficou vermelho, soltei uma risada baixa. Juan apenas me olhou no fundo dos olhos para ver se iria
mentir, pois sempre sente quando minto. Ele queria saber, mas no fundo, escondia sua real vontade:
não me conte!
– Não. Não muitos, mas o suficiente para me deixar aliviada. Digo, aliviada em dor, com cada um
tirava uma marca, um tapa, uma dor, uma raiva, um ódio. Mesmo apanhando muito, não foram muitos
meus companheiros de cama. Nunca namorei como já te disse. Beijar sim, fiquei com vários caras,
mas de cama não! – falei tranquila a verdade. Ele sentiu-se aliviado, percebi em seus ombros. Talvez
o número não seja assustador para mim, mas para ele, quem sabe? Juan não precisa de exatidão de
números, não é?
– Hum, sei, com cada um deles, teve o batom? – está esperto, mas sua voz dizia o quanto estava
com ciúme. Eu ri dele, mas não deixei-o perceber.
– Aham, com cada um deles – disfarcei e continuei. – Juan, eu tenho muitos batons. Assim que fui
morar sozinha, comecei a me dedicar a isso. Foi uma estratégia minha, talvez, na verdade, uma
vingança. Na época até mandaria para meu pai, cada cor de batom com seu devido cara, mas no fim,
decidi que nada de minha vida deveria ser dito a eles. Com dezoito anos, estudei cada desejo
incomum em um homem. O que eles gostavam em uma mulher, o que eles pensam sobre o sexo, o que
querem realmente com uma mulher na hora “h”. Suas expressões, seus desejos sendo expostos em
apenas um olhar. Sinto em cada rapaz que fiquei. Todos tiveram um motivo especial, algo que
chamasse atenção. Em nenhum deles foi iniciativa dos mesmos, sempre a minha, eu caçava. Quando
alguém vinha me caçar, mesmo que ficasse louca de vontade, não rolava, eu que tinha que escolher. –
Juan estava fascinado com minhas histórias, imagina se soubesse em detalhes.
– E no nosso caso? – perguntou com um sorriso encantador.
– No nosso caso, fomos apresentados, você até poderia querer me conhecer, mas nunca tínhamos
nos visto. Quando entrou rindo na sua sala naquele dia, senti que o cara em que eles falavam era o de
verde. Perguntei: “É o de verde?”, porque se não fosse, eu ficaria com o de verde! De qualquer
modo, me encantei por você e me tirou todo o foco dos outros na noite. Quando estou contigo em
qualquer lugar, você sempre me tira o foco de tudo, então é apenas você... – ele sabe que é verdade,
melhor, sente.
– Hum, então nunca vou me afastar de você...
– Por favor... – deixei o recado. Que realmente era verdade.
– Você nunca mais falou com seu pai? Ele nunca tentou te ligar? Como é isso? – ele não queria
fazer isso, mas tinha curiosidade.
– Desde que se mudou não. Ele já tentou entrar em contato e sempre faz a palhaçada em perguntar
para a Mariana, ou mesmo ao pai dela, mas nunca diretamente para mim. Não é louco! – Juan riu,
pois eu dizia séria e bufava.
– Sei, vamos parar de falar coisas tristes e fazer coisas boas...? – senti um ar de malícia nele.
Safadeza mutua, aliás.
Eu nem ligo, quero é sempre mais...
****************************************************
– Richard, você notou o quanto a Mari está diferente? – dona Estela falou, eu estava quase
cochilando.
Essa noite Mariana quase não dormiu de tanta dor, estou me sentindo preso nesse mundo dela.
Mari está tão agoniada que não consegue dormir, não sei se sente dores físicas ou se é apenas seu
medo tomando conta da escuridão em que vive.
– Diferente como? – tentei relaxar os ombros no sofá, mas sei que ela não sairá de lá, vou ter
que dar mais atenção do que gostaria no momento. Até hoje não sei quem é mais carente, ela ou a
filha.
– Diferente, antes ela não se sentia bem com nada, tudo tinha que estar combinando, era apenas
a beleza que importava. Era respondona e sempre mal humorada em casa. Agora, até agradece à
Monique, dá para acreditar? – que arrogância dessa velha em dizer isso. Povo mais sem coração.
Quando entrei para essa família, achava todos estranhos, mas a Mariana tinha me cativado de
alguma forma na primeira semana, logo vi quem ela era realmente. Por alguns tempos, por sua
beleza, Mariana me encantava, mas quando falava as merdas dela, eu ficava louco de raiva.
Agora, sua mãe fazendo o mesmo, sempre desprezando os outros, isso me irritava profundamente.
Aos poucos, fui mudando isso nela, mas sempre soltava umas. Essa velha é igualzinha. Quando a
filha realmente decide “mudar” porque a vida lhe mostrou como e por que, ela diz isso?
– Agora que perdeu a visão, ela vê o mundo diferente. Mari passou a sentir com o coração, dona
Estela. – falei inconformado, pois sua feição chegava a ser ridícula.
– Minha filha irá se recuperar. Meu marido fará de tudo, temos dinheiro para isso e ela voltará
a ser minha filha perfeita! – eu não ouvi isso! Queria chacoalhá-la e dizer: “Acorda mulher!”.
– Sua filha é perfeita. Tenha fé, é a única coisa que deveria ter neste momento. – ela ficou em
profundo silêncio. Depois de algum tempo, levantou-se emburrada. O que ela queria que eu
dissesse? Palhaçada.
Mariana decidiu dormir um pouco. Está muito agitada, pois quando cai em si, fica exaltada.
Não é para menos, perdeu um dos sentidos mais fundamentais. Ela pensa em sua profissão, em sua
vida daqui para frente, mas para tudo há adaptações. Terá que saber usar isso a favor dela
mesma.
No dia em que fui até a festa da Mel, Mariana me forçou a fazer isso, bem, pelo que me recordo,
não seria um martírio para mim. Eu queria tanto ir, mas não poderia deixá-la. Mari fez questão de
que eu fosse levar um presente e tudo. Na boa, não sei o que a Mari pretende com isso, sei lá,
provar que estava certa? Talvez, mas mal sabe ela que isso pode ser perigoso demais. A nós dois e
principalmente a todos nós.
Eu acho que ela fez isso porque a Mel veio aqui no dia do seu aniversário trazer presente. Mari
não gosta de ficar por baixo, deve querer provar que mesmo que estivesse ruim, poderia ser
superior. Me irritou um pouco essa mania dela, mas mesmo assim fui para ver a Mel. Se tornou
uma das coisas que jamais poderia me arrepender. Mel estava muito linda, que só de lembrar faz
meu corpo vibrar. Vibrar de tesão que aquela mulher causa em mim. Estou tanto tempo sem a Mari
e há tanto tempo desejando ao menos o olhar da Mel sobre mim que, a qualquer momento, meu
corpo vai explodir. Meu desejo por essa mulher me deixa irritado por não tê-la. Mel sabe me
deixar ainda mais tenso.
Acho que escolhi o presente certo. Foi uma das primeiras coisas que Mariana me perguntou: o
que eu tinha comprado. Claro, ela me deu a sugestão de um colar, porque a Mel tinha dado um
colar a ela. Então fui à caça e independente do custo, achei aquele colar chamativo, muito bonito
e com a cor dos olhos dela.
Aqueles olhos verdes que me encaram e me deixam fora de mim. Eu queria ter visto a reação
dela ao ver o colar, o que será que pensou? Ela não me disse, mas senti toda sua tensão ao abrir a
porta e me ver ali. Sinto que parou de respirar, observei o colo dos seios parar em seu vestido e
depois fortemente voltar. Ela segurava a porta em busca de apoio. Eu queria apoiá-la em meus
braços, mas quando olhei ao fundo, Juan olhava sorrindo em nossa direção. Um soco dos fortes,
do tipo, acorda seu idiota.
Eu queria ficar somente olhando-a, mas Juan me distraiu disso algumas vezes. Ficou
conversando comigo, poxa, o cara é bem bacana e a ama muito. Quando ele falava o nome dela,
fazia jus ao seu doce nome. Derretia tudo. Fervia tudo. Seu nome me deixa louco e quando é
falado com mais força, me faz lembrá-la de como é forte e intensa. Aquele lugar tinha o cheiro
dela espalhado em todos os lugares, tudo que eu tocava. Como os sucos tinham seu gosto, aliás,
deliciosos sucos que ela fez, Juan me contou.
Ela ainda esbarrou em mim. Eu provoquei isso. Só que ninguém percebeu, nem mesmo a
observadora Carla que dançava loucamente. Parecia infeliz com algo. Mel se desculpou e tentei
não rir. Só que ao elogiar a festa que estava boa, poderia dizer que ela estava boa, mas ela mesma
diz isso: “Você também”. Quando pensei dizer algo, ela me escapa novamente.
Mel fica com os olhos perdidos em sua verdade. Sim, ela me quer. Depois de tudo, tive que
presenciar seu beijo avassalador com Juan. Senti cada canto de seus lábios. Eu mordi os meus e
tentei deixar a mente longe, mas o cheiro dela não saiu do meu rosto e quando me mexia, o sentia
de leve brincar com meus sentidos. Ela me viu olhando, desviei o olhar e flagrei Carla rindo para
mim. Essa também parece que me persegue com o olhar, sempre que olho para Mel, Carla está à
espreita a observar tudo. Tenho que disfarçar bem.
Quando Mel voltou, aproveitei a chance: a deixaria feliz com ao menos uma cantada. Ela se
sentou ao meu lado e quando isso aconteceu, meu corpo queimou. Tentei me acalmar para ela não
perceber nitidamente minhas vontades, mas talvez a forma com que a olho, ela seja capaz de
sentir todo o calor.
Quando algo se refere à Mel, tudo é inesquecível: cada palavra dela, cada sentido que ela sabe
mexer com cuidado.
Ela voltou mais uma vez ao meu lado. Parece que é só para me provocar. Tentei ser educado
novamente falando o quanto estava tudo bom na festa. Mel é maliciosa e como é deliciosa a voz
dela...
Juro que me segurei para não devorá-la. Apertei as mãos e queria sentir o seu corpo quente
junto ao meu.
Pare de ser assim, Mel, por favor...
Meus olhos imploravam pela resposta certa a ela. Mel é tão linda sem graça. Quando falo as
coisas que a desarmam...
É hora de ir. Não queria, mas era melhor. Ela me agradeceu.
“Estou custando a ir embora...”, revelei também, assim que cheguei à porta.
“Não vai...”, ela quase chorou as palavras.
“Eu tenho, até a próxima...”, beijei seu rosto, segurando sua nuca quente e desejável.
Queria cheirá-la inteira, queria sentir seu corpo nu deslizando sobre o meu. A cada instante que
vem esses flashes desse dia com ela, penso que poderia ter levado-a comigo. Ou mesmo ter
acabado com ela naquela noite ali na porta mesmo, apertando-a inteira na parede, sugando seu
gosto, deliciando-me em seu corpo, saboreando seu paladar, me alimentando de cada investida...
Ou será que ela acabaria comigo?
Talvez me deixasse em pedaços e por dias ou anos, eu levaria a juntar. Sinto que com ela seria
assim... Inesquecível e formidável.
Desvio meus pensamentos e vou embora, mas ainda em minhas costas eu escutei baixo e cheio
de desejos sua doce voz:
“Eu o quero”.
Eu também Mel, eu também. Vamos achar o momento. Eu prometo.
Saí com essa promessa de nós somente em minha mente. Em silêncio na madrugada.
****************************************************
Coloquei uma camisa do Juan, uma cinza-chumbo de botões. Estava ainda nua e com o gosto de
Juan por todo meu corpo. Fui até a cozinha, tomei um copão de suco de maracujá, para me acalmar
depois de toda a revelação. Não gosto de ficar lembrando meu passado e de como tudo foi terrível. É
muito ruim, doloroso lembrar, mas o que me alegra é que hoje eu o tenho. Sim, Juan Vasco, meu
homem que me ama loucamente.
Liguei o Xbox dele, já tinha um jogo de luta. Era invejável a coleção dele de jogos. Eu tenho uns
mais cheios de historinhas, das quais adoro desvendar, principalmente Catherine. Toda a
sensualidade imposta naquele puzzle louco. É quase o que estou vivendo na vida real aqui, Catherine
seria o Richard em minha vida! Sorri com o pensamento enquanto carregava o jogo.
Sentei no meio do sofá, olhei de relance a estante de jogos dele, vi três letrinhas que iria fazer
minha raiva dissipar. UFC. Perfeito, peguei o jogo e coloquei. Vish, iria arrebentar a cara de alguém.
Toda a raiva iria embora com a diversão. Selecionei a luta, um combate bom, eu seria o Spider e
lutaria com Sonnen. Bem, não sei quais botões apertar para o combate, mas vou apertar todos, assim
algumas energias sairiam fácil.
Nossa, esses jogos são arrepiantes! Toda a performance antes de começar é espetacular! E lá
estava o Anderson Silva, sentado aguardando a batalha. Que perfeição! Estava me divertindo, até
que começou uma música eletrizante para a batalha, o público foi ao delírio. Levantei do sofá, dei
três pulinhos, aquecendo-me também para a grande luta. Ri de mim mesma fazendo isso. Aumentei
um pouco o som, aquela voz eletrizante do narrador do UFC estava ao fundo.
Vamos acabar com ele! – disse empolgada.
O delírio do público era eletrizante, parecia até real. E lá estava ele, Spider entrando, aquecendo-
se, eu imitava seus movimentos. Sentia-me como se estivesse naquela multidão enfurecida. Muito
louco!
Com a gritaria ao fundo, Spider parou, um cara passou algo no rosto dele, outro cara verificava as
luvas e o corpo. Eu me sentindo eletrizada. Anderson parou na entrada do octógono e acenou ao
público. Todos foram mais uma vez ao delírio.
Aêêê! – gritei daqui.
Entrou o Sonnen dando pulinho, fez o mesmo processo. O último anúncio e começaria a luta. O
frio invadiu meu corpo e o apresentador falava sobre as vitórias de cada um. Era muito engraçado
como o jogo era real. O apresentador veio com seu sotaque engraçado: Anderson Silva!
Uma morena entrou anunciando o primeiro round, mandou até beijinho. Fiz careta e começou o
jogo. Os dois tocaram as luvas, eu não perdi tempo, apertei todos os botões, muitos socos e chutes
foram disparados. Lutei firmemente contra meu oponente, iria acabar com ele!
Fight. Fight. Fight. – gritava sozinha, rindo de minha empolgação.
O narrador dizia os golpes e a gritaria me excitava. Puta merda, dei um chute e o carinha caiu! Não
sei como, Spider foi até o Sonnen no chão, tudo ficou em câmera lenta, apertei com violência alguns
botões, nisso vários socos surgiram, derrubando de vez o coitadinho do Sonnen. Então o juiz acabou
a luta. Como assim? Já?!
– Aêê! Toma essa, seu trouxa! Aqui é Anderson Silva! – gritei junto a multidão eufórica. Quando
olhei para porta, me assustei, Juan me olhava sorrindo. Estava de braços cruzados.
– Que delícia de mulher é essa na minha sala? – perguntou sem se mover e, apenas com sua
deliciosa voz, me excitei.
– Oi – falei segurando ainda o controle.
– Minha mulher sabe que tem uma gostosa aqui na minha sala, e melhor, está apenas com uma
camisa presa em um único botão, nua por baixo e, além disso, jogando videogame? – sua voz era
tentadora. Contorci só de ouvi-la.
Vem, pode vir...
– Eu acho que não... – fiz charme com os pés e mordi o lábio. Juan suspirava forte, senti sua
respiração forte e acelerada. Comecei a ficar ofegante também.
– Hum, se ela souber disso vai me matar, mas quer saber, morrerei feliz se você me deixar
deliciar-se de seu belo e tentador corpo! O que me diz sua intrusa deliciosa? Quer ser minha amante?
– sua voz surtia no meio de minhas pernas... Deixando-me úmida.
– Hum, é o que mais quero, mas antes, te desafio a uma luta, topa? – desafiei.
– Claro, como quiser, mas antes... – Juan veio com cuidado, ficou de frente com os lábios abertos,
passando a língua de leve nos dentes brancos e perfeitos, apenas me atiçando. Puxou a camisa e
fechou botão a botão.
Que pena!
– Tenho que me concentrar para ganhar! Assim não dá. – soltou todo ar de sua boca maravilhosa
em mim. Fechei os olhos e ele selecionou uma nova luta.
Isso estava desesperadamente atraente, só nós dois ali. Eu apenas com uma camisa dele, sem nada
por baixo. Juan apenas com uma samba canção vinho. Eu já via meu efeito ali. Ele sentado,
disfarçava sua louca vontade. Levantei e me espreguicei atiçando-o, pois assim que levantei os
braços, automaticamente a camisa subiu, mostrando a ponta do meu bumbum. Juan tossiu disfarçando
sua vontade mais uma vez. Curvei mais um pouco, fazendo a camisa deslizar um pouquinho mais.
Juan via meu corpo e delirava em passar a mão. Quando voltei a sentar do seu lado, ele me fitou com
seu olhar sombrio, enigmático e impaciente. Acho que não iríamos mais jogar, só com esse meu
joguinho de sedução ele deve ter mudado de ideia. Mordi os lábios e ele fechou os olhos.
A luta começaria, Juan colocou dois lutares que nunca vi, mas até no jogo eram bonitões os
jogadores. Sorri com meu pensamento bobo e partimos para a luta. Eu me remexia mais para o lado
dele, passava a coxa na perna dele, roçando. Juan só me observava e, com isso perdia a
concentração. Eu fazia de novo e de novo, aproveitando para socar a cara do lutador dele. Sorri, mas
vi seus olhos lascivos em mim, queria gritar para ele: se quer, vem! Mordi o lábio segurando o
sorriso, num susto, ele jogou o controle no chão e me puxou para cima de seu colo.
– Honey, você gosta de provocar... – mordeu meu lábio.
– Sim, eu gosto! Agora vai fazer o que tem que fazer ou vamos jogar? – eu estava ofegante e toda
úmida por baixo.
Juan colocou-me em pé no meio da sala, foi até o som e colocou uma música excitante. Seu toque
já deixou minha pele arrepiada.
– This Love, baby... Pantera, conhece? – disse num sussurro quente.
– Aham – murmurei.
Com a voz rouca ao fundo da música, Juan começou o processo torturante dele com a língua. Seu
beijo encaixado em meu queixo, sua língua contornando meu rosto, no queixo, até a ponta da orelha e
voltava. De um lado ao outro, a música fazendo parte disso tudo, eu vibrava em sua mão. O pesado
som me deixava nele... Juan sussurrava palavras em meu ouvido, deliciosamente, cada uma delas.
Mordeu meu lóbulo brincando com ele, voltando suas mordidas certeiras na base do pescoço, até o
primeiro botão. Encarou-me com aquele olhar de oceano de águas torrenciais. Era tão lindo e
sedutor, seus lábios abertos à espera dos meus, mas não me beijava na boca...
A guitarra soava ao fundo, mas foi num grito do vocalista que Juan arrancou a camisa, deixando os
botões voarem para todos os lados, seu puxão foi assustador e excitante. Meu corpo vibrava, Juan
apertou minha nuca puxando os fios dos meus cabelos soltos, devorando meus lábios com fome dos
meus beijos. Eu o apertava mais para mim. Seus beijos ficavam calmos, como a música, logo a
guitarra soava firme e Juan aumentava sua intensidade, mordia meu lábio e puxava a língua. Suas
mãos correram meu corpo inteiro, com beijos e apertões. Deitou-me no chão, entrando forte em mim,
como o ritmo da música. Eu gemia de prazer por suas investidas intensas. Seu olhar era tão
fascinante que me acalmava e dava prazer ao mesmo tempo. Segurei sua nuca e Juan forçava seu
corpo contra o meu. No ritmo da guitarra pesada.
Ah, era intensidade pura...
Meu corpo vibrava abaixo dele. Juan colocou a cabeça para trás e veio o orgasmo junto ao fim da
música. Contorci-me toda em seu corpo, sentindo toda a liberação de prazer, deixando todo meu
corpo reagir em seu arrepio perfeito...
Outra música eletrizante começou, eu estava do jeito que ela dizia: I’m broken. Estava quebrada
por esse amor cheio de alegria. Quebrada cheia de tesão. Quebrada por prazer que ele me dá. Juan
não pensou duas vezes, puxou-me para o sofá, depois que a música já tocava, sentou-me em seu colo
e sussurrou junto com a música, em sua voz delirante.
– That’s how. Look at me now! Quero você de novo, Mel... – encaixou meu corpo quebrado ao
dele, num movimento forte e lento, ele estava dentro de mim novamente. Eu parecia recuperada e já
cheia de vontade.
Não nos cansamos.
Devoramo-nos ao ritmo do novo som.
Era o nosso movimento.
Intenso.
Delicioso.
Robusto. Vigoroso.
Estávamos numa brincadeira só nossa, em nossos movimentos cadenciados e ligados um ao outro.
Ele apertava meu quadril e gemia em meu colo, eu estava ligada a sua alma, sentia ele me tocar ao
fundo, era mágico... Era nosso...
Ahhh Juan...
– That’s how. Look at us now! – cantou o último refrão me fazendo cair em seu corpo.
Relaxada, reforçada, recuperada e não mais quebrada...
“Quer mesmo falar do tempo ou prefere tirar a roupa?”
16- Flerte fatal
“Assim que desci do carro, minha respiração estava ofegante. Minha raiva não se continha, ele
já estava ali. Meu olhar o queimou, ele sentiu isso. Ela, ainda não sabia de nada, eu acho.”
À noite em casa, Juan apenas me ligou e disse que estava um pouco ocupado e que não poderia
passar lá. Um saco. Tomei um banho rápido, coloquei um short e uma blusinha leve. Fiz uma
comidinha simples e sem graça, já que ia comer sem ele. Na verdade, comi apenas saladas e um
copão de suco de laranja. Já me deixava leve.
Hoje apenas assistiria alguma temporada na TV e ficaria comendo um chocolate. Suspirando por
tantos vampiros lindos nessas séries de hoje. Queria apenas um aqui, já estava de bom tamanho.
Assisti a vários episódios contínuos que estavam passando e, para minha surpresa, a campainha
tocou. Eu, sem esperar ninguém, me assustei. Com tudo apagado, levantei e fui ver se era Juan que
tinha mentido que não passaria aqui. Olhei no olho mágico e não era Juan. Ele provavelmente queria
chorar as mágoas, mas a pergunta é: o que ele fazia aqui?
– Oi Thiago, o que foi? – falei me cobrindo um pouco já que estava à vontade em casa.
– Desculpa, eu avisei o porteiro que poderia subir. Sei que está tarde, mas posso conversar com
você? – como assim avisou meu porteiro? Vou averiguar isso mais tarde! Bem, acho que deu certo o
término, Carla conseguiu. Deu-me vontade de sorrir, mas me segurei. Thiago não estava com cara
para amigos sorridentes.
– Ok, entre. – fechei a porta e ele ficou na minha frente me encarando frio. Não parecia o Thiago
legal que conheci. O bom moço.
– Já deve estar sabendo, a Carla terminou comigo. – anunciou como se fosse culpa minha.
– Sim. – falei apenas e me sentei, ele ficou de frente.
– Eu gostava dela, mas ultimamente estava a fim de outra – revelou. Congelei, por que estaria me
dizendo isso? Deve ser joguinho dele para que eu pudesse contar a ela. Homens! Que idiota. Revirei
os olhos esperando ele continuar com a encenação.
– E por que não foi sincero com ela? Carla gostava de você, sofreu muito com isso e sentia o
quanto estava distante, não lhe custava nada ser sincero com ela! – falei minha verdade. Thiago
soltou uma risada medonha e irônica.
– Fala sério! Se eu falasse pra ela acabaria de vez com a coitada, ficaria ainda mais chateada.
Tudo que aconteceu não foi culpa dela, apenas aconteceu... – Ele não parecia sentido, talvez fosse até
um alívio ela ter feito isso.
– Você não parece chateado! – exclamei entredentes, me irritava a ironia dele.
– Estou e não estou. Fiquei chateado porque gostava dela e sei que é uma boa menina. Não como
outras que existem por aí, mas fico aliviado por não ter que forçar alguma situação ruim, no fim, foi
melhor que terminássemos. – Thiago estava frio.
– É realmente incrível o que diz, ainda bem que não fez nada a ela, pois gosto muito da Carla e não
quero mesmo o seu mal.
– Gosta mesmo muito dela? – cruzou os braços, ainda na minha frente. Ele esperava sorrindo por
minha resposta.
– É claro que gosto dela. Que pergunta! – idiota. Apertei minhas mãos uma na outra, me sentia
muito brava.
– Até onde iria sua sinceridade com ela? – não estava entendendo nada do que falava e isso me
irritava mais ainda.
– Do que está falando, Thiago? Sempre fui e sempre serei sincera com ela!
– Só achei que poderia te testar, mas estou vendo... Bem, eu queria saber se era realmente amiga
dela. – Thiago estava estranho, um olhar malicioso. Diferente de todo esse tempo que o conheço.
– Com toda certeza sou amiga dela. – falei firme, sem balbuciar.
– É que eu estou a fim de você! – o quê? Eu não me mexi no sofá e Thiago me fitou sorrindo.
Segurava aquele sorriso falso no rosto.
– O quê? – falei alto.
– Não precisa ficar assustada. Estou sendo sincero – deu de ombros. – Fiquei apenas curioso, se
poderia rolar, sem ninguém saber... – Thiago falou próximo de mim, levei alguns instantes para
acreditar no que ele dizia.
– Está bêbado ou louco? – cadê o bom garoto?
Transformou-se em um “bom-homem-mau”.
– Eu sei que parece loucura, mas eu quero, por isso estou te pedindo, sempre fui perfeito pra
Carla, mas agora, desde que te vi, sempre quis provar, quando falava suas coisas. Sei lá, tenho muita
curiosidade e, de repente, você poderia sentir o mesmo, falava umas coisas... – o interrompi aos
berros, me levantei e encarei-o.
– Agora está sendo um perfeito idiota! Eu jamais te olhei, cara, se toca, de onde tirou isso? – falei
brava aos berros.
– Entendo, mas como te conheço... Andei te estudando, desde que ajeitei as coisas para o Juan –
fez cara de nojo. Falso. – Pensei que poderíamos tentar, sei lá, e você não contar nada... – que idiota!
Que grande idiota. Eu estava a um fio de socar a cara dele. Babaca.
– Me conhece? Você não sabe nada sobre mim! Sai da minha casa! – gritei.
– Ah, não faz assim, sei que gosta de ser tratada assim... – sorriu ordinariamente e não parecia o
Thiago que sempre conheci. – Mel, você sempre foi louca por sexo, andei te estudando, escutando
suas conversas e meu primo fala de você com tanto tesão, que eu quero! – eu queria jogá-lo lá fora,
pela janela.
– Você só pode estar brincando, não é mesmo? Eu jamais faria isso com uma amiga e muito menos
dessa forma! Cara, você me apresentou ao seu primo que, por sinal, é meu NAMORADO! Como
pode falar dele assim e falar essas coisas de mim? Você não me conhece e não pode estar falando
sério! – eu queria enforcá-lo. Respirei fundo tentando me conter.
– Não. Eu falo supersério! E me arrependo muito de ter te apresentado ao sortudo do Juan, ele
sempre fica com as melhores! Vem cá... – agora ele abusou, tocou no meu braço direito, num
movimento sem noção, atingi em cheio com a mão esquerda em seu rosto, senti meu dedos ardendo na
sua cara de pau.
– Como ousa falar dele assim, seu louco? Sai. Agora! – falei séria e ele me olhava todo vermelho
de raiva.
– Você ainda vai me pagar por esse tapa! – foi em direção à porta.
– Não tenho medo de você! – fui para fechar a porta, ele a segurou.
– Mas deveria ter a partir de hoje! – fechei a porta em suas costas. Eu teria que ligar urgente para
Carla. Ela tem que saber e por mim.
Eu estava tremendo e com muita raiva dele. Como aquele filho da puta ousa vir em minha casa e
me afrontar assim? Imagina se o Juan descobre isso? Essa palhaçada que Thiago fez! Minha nossa,
não quero ver Juan bravo. Não vou iniciar uma guerra por causa disso. Sentei e tentei deixar a voz
estável, para poder me explicar melhor. Ou melhor, eu teria que vê-la. Agora. Peguei o telefone e
pude ver nos meus dedos trêmulos o nervosismo que esse abusado me causou.
Calma Mel, apenas respire e fale.
– Carla? – minha voz soou com urgência. Droga.
– Sim. – ela parecia sonolenta.
– Onde está? – perguntei no medo.
– Em casa, por quê? É a Mel? – ela parecia despertar ainda.
– Sim mulher! Preciso falar com você, agora! – disse desesperada. Cadê a voz estável? Sumiu,
tudo desmoronou em mim. O que aquele cara pensa de mim?
– Tá, pode ser, vai passar aqui?
– Aham. Em meia hora estarei aí!
– Te espero, beijos.
Saí disparada, teria que chegar logo. Minha agonia estava imensa em meu corpo. Fiquei apavorada
que nem avisei ao Juan que iria sair. Imagina quando ele souber! Eu não quero o Juan bravo por
causa de um idiota.
Ai, o que eu faço? Como falarei para ela?
Bem, ela é minha amiga, vai acreditar em mim. Assim espero.
Quando enfim cheguei a casa dela, desci do carro e minha respiração estava ofegante. Minha raiva
não se continha, Thiago já estava ali, meu olhar o queimou. Ele sentiu isso. Carla ainda não sabia de
nada, eu acho. O fitei com ódio, esse era um sentimento que eu conhecia bem, mas detestava senti-lo
hoje. Imbecil. Tentei deixar meu semblante neutro, não demonstrei medo, raiva, nada. Nada para ele
não se adiantar.
– Oi Mel, espere só um minuto. – Carla disse calma.
Fiquei aflita na porta do meu carro. Eu queria saber do que eles conversavam, mas não conseguia,
estava distante. Fiquei querendo roer as unhas, acabei só por tirar o esmalte vermelho. Minhas
pernas inquietas queriam me levar até lá para falar umas verdades na cara dele. Dizer que o que ela
tinha feito foi a melhor opção e que ele não prestava.
– Ela não presta, você ainda vai ver isso! – Thiago gritou e me olhou. Ela começou a chorar. Fui
até lá, assim que ele partiu com o carro. Antes de dizer qualquer coisa. Eu a abracei e Carla
retribuiu.
– Desculpa fazer você passar por isso! – sussurrei. Eu sentia as grossas gotas de choro escorrer
em meu braço.
– Eu que peço desculpas por ouvir o que ele acabou de dizer – encarou-me. – Acredito em tudo
que me disser, ok? Vamos entrar. – senti um alívio vindo do fundo do meu coração.
– Obrigada – murmurei engasgada.
Ela foi na frente. Passei pela sala onde estava a mãe e o pai dela. Cumprimentei os dois e fomos
para o quarto. A mãe só fez um comentário.
“Vai começar tudo de novo.”
Não compreendi e nem fiz comentário nenhum.
– O que ele veio fazer aqui? – perguntei assim que sentei.
– Veio dizer que você deu em cima dele e que não era para acreditar em nada do que você
dissesse. – falou firme e me olhava.
– E por que vai acreditar em mim? – eu queria chorar em vê-la toda sensível.
– Porque confio em você, sei que nunca faria isso. E se fosse verdade, ele jamais me falaria isso,
senti o medo dele. Assim que você me ligou, dizendo que queria falar comigo, senti sua tensão, só
não entendi. Cinco minutos depois, ele chegou. Então sabia que Thiago estava mentindo. Quando ele
te viu aqui, sabia que iria me contar tudo, então ficou supernervoso, tenso e gaguejando. O mandei ir
embora, já tinha terminado e não queria ele mais me enchendo. – Carla passava as mãos dela na
minha.
– Thiago foi a minha casa. Pensei que iria apenas lamentar porque tinham terminado, mas ele foi
tão frio, cruel, disse-me coisas horríveis – comecei a chorar. – A única coisa que queria fazer era
falar com você. Desculpa, Carla, eu nunca, jamais fiz algo para deixá-lo a fim de mim – ela me
abraçou.
– Eu sei. Já tinha desconfiado de que ele achava você atraente, mas só não achei que chegaria a ser
tão ridículo em fazer isso! – eu a encarei.
– Ele falou algo a você sobre mim? – falei confusa.
– Alguns elogios exagerados. E sinto que ele morria de ciúmes do Juan. Achei que era por sua
causa e era, não é? – Carla sorriu com dor.
– Sinto-me tão mal... – falei chorando de novo. – O Juan não pode saber disso, senão irá começar
uma briga à toa. – falei engasgada do choro.
– Relaxa, não contarei e Thiago não fará isso, não é tão louco assim! – Carla me abraçou um pouco
mais forte. Limpando meu rosto das lágrimas.
– Obrigada. – ficamos abraçadas ali.
Ela serviu um chá para me acalmar e ir embora. Teríamos uma longa estrada a percorrer com essa
loucura toda.
No dia seguinte tentei esquecer. No serviço, não fomos almoçar com Flávio, ela depois explicaria
algo a ele. Em casa, Juan sentia algo diferente em mim, ele sempre sente quando estou ruim.
– Por que está virada de barriga para cima? – Juan perguntou assim que deitei.
– Por quê? – perguntei e não me virei.
– Sempre fica de conchinha até dormir, apenas isso. Está preocupada? – apenas queria mostrar que
se preocupava.
– Não, estou só cansada! – menti e tenho certeza de que percebeu. Não falei mais nada, apenas me
virei para ele de conchinha.
– Seu pé está frio, quer uma meia? – disse preocupado, mas rindo.
– Não, apenas me esquente... – Juan se encaixou mais e colocou os pés junto aos meus. Dormimos
bem, aliás, tentei.
Há três semanas não vejo e nem escuto falar do Thiago. A Carla acha que ele foi para o interior,
para a casa do pai dele. Thiago já estava para tirar férias, então aproveitaria, espero sinceramente
que, fique por lá. Ela nem teve cabeça de sair ainda com o Flávio. Ele espera a atitude dela, mas o
que sinto de verdade, é que foi um alívio para ambos.
Ainda era três e quinze da tarde, estava demorando mais do que tudo a passar. Havia chegado um
envelope ao Sr. André e ninguém de lá passava aqui para eu entregar, então para distrair essa hora
chata, lá vou eu, levá-lo.
– Vou ao Senhor Bonitão! – avisei à Carla e dei uma piscadinha.
– Não perdoa nem o velhinho! – disse brincando.
– Ele é bem bonitão, lembra o Paulo Coelho. Charmoso! – revirei os olhos e ela riu.
– Vai logo, vai!
Carla estava superocupada, quase nem conversou comigo hoje. Estava fazendo o relatório do mês.
Apertei o botão, esperei pacientemente o elevador chegar. Entrei e apertei 2º andar. Dei uma
verificada em minhas unhas que precisavam ser feitas. Olhei no espelho meu rosto quase cansado,
com uma leve olheira.
Santo Deus, de onde veio isso?
Preciso de um dia de beleza, ando tão murcha e preocupada com tantas coisas que mal estou me
cuidando. Não posso ficar assim, Juan tem que me ver sempre linda. Pin. Cheguei ao andar e parei
com meus devaneios infantis.
– Olá Letícia, tudo bem? – disse assim que entrei na sala do Sr. André.
– Tudo sim, e você? O que faz por aqui? – essa moça é superchique para uma recepcionista,
sempre muito bem vestida. Seu chefe deve exigir isso.
– Tudo ótimo, trouxe esse envelope que chegou a pouco para o Sr. André, assine aqui para mim,
por favor.
– Obrigada. – assim que assinou o comprovante, saí sorridente, mas quase me arrastando.
Apertei o botão novamente, agora tudo estava me irritando. Aguardei desta vez impaciente. Senti o
celular vibrando, deixei-o no sutiã, pois não posso andar com ele por aí. Olhei no visor, o que Carla
queria?
– Que foi... – fiquei muda. Não terminei de falar e desliguei.
Assim que abriu o elevador, ele estava ali. Todo lindo, gostoso em seu blazer cinza, camisa cinza
mais clara, jeans escuro, óculos preto aviador.
Uau. Que visão!
Assim que me viu, tirou os óculos. Fitou-me com aquele olhar chocolate.
Prendi a respiração, enfiei o celular de novo no sutiã, já que como estava calor não trouxe casaco.
Ali é o único lugar para guardar. Ele não viu o movimento rápido, aliás, espero que não.
– Olá Mel! – sussurrou daquela forma delirante...
Será que eu ouvia assim ou fazia isso para provocar?
Segurou a porta do elevador, como da primeira vez.
– Oi Richard, está de volta? – soltei todo o ar que acumulou na boca.
– Ainda não, talvez daqui alguns dias. Vai subir? – não, mas iria mentir com toda certeza.
– Aham! – Richard viu a mentira em meus olhos. Entrei e fiquei no canto do elevador, ao lado dos
botões.
– Quanto tempo! – ressaltou.
– Verdade. – há tempos não o via, só por telefone falei com a Mari, agora ele ali tão pertinho...
Senhor, que delícia de homem!
Estava tão cheiroso. Tão lindo. Tão longe também...
– Está tudo bem? – Richard perguntou, e quando olhei para ele, seu sorriso era bem lascivo,
malicioso ao extremo. Que delícia de boca. Imaginei aquela boca me devorando, me comendo...
Lambi o lábio.
Contenha-se!
– Sim, por quê? – suspirei e ele me encarou de novo. Richard não tirava o olhar de mim.
Queimava cada vez que eu olhava.
– Por que está aí no canto? – Richard fez cara de interrogação. Lindamente confuso e perverso.
Será que eu estava vendo isso mesmo? Era ele?
– Porque não quero ficar ao seu lado! – falei sorrindo fazendo charme, mordendo o canto do meu
lábio inferior. Richard olhava minha boca.
– Nossa, obrigado pela parte que me toca! – sorriu gostosamente, desmoronei.
– É verdade. Sinto que não deveria ficar próxima demais... – sussurrei.
– Sério? E por que não? – prendeu sua risada e segurou o queixo.
Gostoso!
– Seriíssimo! – confirmei. – E aqui, onde estou, as câmeras não pegam... – pisquei e o esperei agir.
Vem logo, Richard... Vem... – meu corpo gritava.
– Hum, verdade. Bem pensado – ficou me olhando e não se moveu.
Vem, droga! – queria gritar!
– Está calor hoje, não é? – Richard disse do nada, mudando de assunto e fugindo do meu olhar.
– Quer mesmo falar do tempo ou prefere tirar a roupa? – falei séria e ele apenas soltou um riso
nervoso.
– Está flertando comigo, Mel? – disse com o sorriso preso.
– É o que parece? – fiz mais charme.
– É o que sinto.
– Meu flerte não foi bom? Geralmente é fatal!
– Você é boa!... – sussurrou. Sufocando-me com o seu sorriso e com seus olhos direcionados aos
lugares certos. Apertei mais meu corpo na parede do elevador.
– Poderia ser melhor... – quase não saía voz.
Vem logo, porra! Antes que me arrependa!
– Já é o suficiente – retrucou.
Richard parecia tão calmo e eu fervendo. Parece que os deuses brincavam com a gente!
Mostrando-me apenas o lado bom da coisa toda. Richard me faz ferver loucamente, preciso fazer
algo por ele, preciso deixá-lo fervendo também. Argh.
Enquanto devaneava, não poderia ser melhor ou pior, sentimos um tranco no elevador.
Ele parou!
O elevador ficou escuro por alguns segundos. O silêncio permaneceu por ali. Acendeu a luz de
emergência. Eu o encarei sem medo.
– Talvez não pra você... – disse e Richard foi se aproximando. Tudo em mim fervia.
– Sempre foi... – Richard sussurrou perto, perto demais de mim. Seus olhos grudados aos meus,
numa ligação enigmática. Ele percebeu minha respiração acelerada.
– E por que você é teimoso? Por que não age logo? – soltei com um resquício de voz fraca.
– Não fique assim... Tudo tem seu tempo, sua hora... Seja uma boa menina... – sussurrou tão
próximo, tão perto, que senti o gosto de sua saliva.
Mordi o lábio tentando esquecer o que se passava ali. A tortura. Seus lábios bem pertinho, eu
quase, quase o agarrei.
Seus dedos, de leve, passaram por meu rosto, desceram rasgando a pele até o decote do primeiro
botão da blusa. Sim, em meu colo do peito, na clavícula... Ele parou. Lá embaixo da minha saia tudo
se contorcia, pulsava. Eu não pensava direito. Richard levou o dedo em meu lábio inferior, fez o
contorno dele. Encarou-me, puxando-o, eu o mordia, não tinha controle perto dele.
– Pare de morder esse lábio – falou como brasa.
– Richard, você me tira do sério! – apertei os lábios novamente, tentando convencê-lo de me pegar
ali. Aproveitando que estava tão perto, movi meus quadris próximos aos dele. Richard sentiu e
sorriu. Eu senti o quanto estava... Necessitado.
Então, eu tinha algum efeito. Yes!
– Você nem imagina, Mel... – Ele deveria parar de morder esse lábio também tão perfeito. Isso me
enervava. Ele me pedia isso, mas fazia igual.
– Pare de morder esse lábio – o imitei, só que um pouco mais feroz.
– Ah, Mel... – sussurrou na minha frente, assim que ameacei a ir para frente, ele se afastou um
milímetro.
– Richard... – ele proibiu que dissesse qualquer coisa, ao me encarar e ficar com o dedo indicador
na ponta dos meus lábios abertos à espera dele.
– Não diga nada – falou sério.
Nisso a luz voltou e tudo voltar a funcionar. Ele desencostou de mim de vez. Apertou novamente o
andar dele. Fiquei encarando-o, ele colocou as mãos no bolso e sorria discreto, satisfeito. Safado.
Eu vi que o andar dele se aproximava e nada dele matar minha louca vontade. Apertei com raiva o
térreo, assim que Richard saísse, eu voltaria ao meu mundo, cheia de vontade. Apenas isso.
Richard riu do meu nervoso, vi sua vontade em sua calça, mas ele... Argh, ele não fez nada!
E acabou escapando por entre meus dedos.
– Tchau Mel, até mais... – disse para me provocar com aquela puta voz deliciosa. Bufei.
– Argh. Tchau. – bufei mais uma vez, Richard ficou vendo o elevador fechar e me levar de volta.
Sem ele ter feito nada. Nada além do que me perturbar ainda mais.
Desci extasiada.
– Que cara é essa? Encontrou o Richard? Tentei te avisar! – Carla falava desesperada.
– Encontrei e ele só me deixou com mais vontade. Argh! – grunhi, atacando a folha longe.
– Ele falou algo? – perguntou curiosa, fitando toda minha ira.
Meu corpo exalava raiva, vontade e muito, muito tesão.
– Não Carla, ele fez. – grunhi bufando e suando de desejos.
“É perigosa?”
17- Seduzindo
“Seu olhar cruzou, perfurou minha pele. De onde estava sentia o meu corpo as emoções que ele
queria me passar. Ele queria me tocar, mas seus olhos já faziam isso.”
Daqui a um mês vai fazer um ano que estou trabalhando. Já parece que faz tanto tempo... As
coisas ficaram mais fáceis, suaves, sem medos. Hoje Richard volta a trabalhar, pelo menos foi o que
ouvi Caio falar para Carla. Ela ainda não desceu, mas a chave dele está com ela – que deveria até
demorar por lá, pois ele ficaria mais tempo aqui comigo...
Minha contagem regressiva iria recomeçar agora...
– Três, dois, um... – entre, meu bem.
– Bom dia Mel! – seu sorriso que há tempos não via.
– Bom dia Richard, está de volta? – alonguei a conversa. Nada da Carla.
“Fique por lá, fique por lá.” Era o meu mantra.
– Estou bem sim e fico feliz em voltar! – opa, eu também.
– É bom ver seu sorriso novamente... – falei sem perceber, mas ele percebeu.
– Digo o mesmo! – Richard sorriu e olhou em volta. – Cadê a Carla? É com ela que devo pegar as
chaves, não é? – suas sobrancelhas se uniram, mas seu olhar era quente em cima de mim.
– Aham, logo ela estará descendo. Foi resolver algo – assim que eu disse, fiquei encarando-o. Ele
fez o mesmo. – Eu acho que te deixo com medo! – falei, Richard sorriu tão sedutor, segurando aquele
lábio molhado. Fiquei na ponta da cadeira e quase escorreguei direto ao seu corpo.
– Por que teria medo de você? – Ele já falava sério novamente e me encarava com seu olhar
perturbador. Ficou bem na minha frente, tirando meu restinho de juízo.
– Deveria ter ao menos! – disse sem-vergonha nenhuma, com um grande detalhe... Mordendo o
lábio. Acho que Richard deseja fazer o mesmo em mim, só não faz!
– É perigosa? – ajeitou os cotovelos no balcão, ficando cara a cara.
Santo Deus, dai-me juízo, por favor!
– Muito... – sussurrei e meus lábios vacilaram um pouco, eu queria sua boca encaixada na minha.
Richard os olhava atentamente.
– Então devo me preocupar? – ainda me encarava ao dizer.
– Sim.
– Sei, vou pensar nisso e começar a me prevenir... – sussurrou e levantou os cotovelos do balcão.
Ficando novamente longe.
– De mim? – falei assustada.
– Não. É... – Richard travou, pois a Carla apareceu. Saco, bem na hora que diria algo... O que ele
iria dizer? Fiquei encarando-o, Richard disfarçava.
– Olá, bom dia, Sr. Richard. – Carla falou cheia de graça. Fechei a cara pra ela. Carla e Richard
nem perceberam minha irritação. Dois tolos.
– Bom dia Carla, as chaves estão com você, não é? – disfarçou e não olhou mais, mas fiquei
encarando-o, eu queria saber o que iria dizer.
– Sim, aqui está.
– Obrigado. Tchau meninas, bom trabalho. – Richard abriu um sorriso tão rasgado e encantador
que, me perdi enquanto ele ia embora. Voltei assim que vi Carla na minha frente.
– Oi... – Carla acenou com as mãos em minha frente, trazendo-me de volta.
– Sua idiota, por que não demorou mais? – joguei uma bolinha de papel nela.
– Eu não sou vidente, não sabia que Richard estaria aqui! – desculpou-se.
– Já viu as horas? Seria óbvio que ele estaria aqui! – bufei ajeitando os papéis, estava bem
irritada.
– Por que está brava, estava seduzindo? – sorriu e me fez rir também.
– Mas é claro que estava! – Carla revirou os olhos e continuamos nosso trabalho.
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Até quando suportarei sentir o cheiro dela de longe? Por que essa mulher me atiça tanto? Como
vou conseguir aguentar tudo isso sozinho, vê-la todo santo dia? Sabendo a minha situação na
casa da Mari, é coisa demais para um ser humano apenas...
Hoje me segurei e todos os dias serão assim. Sei que ela me provoca e pensa que eu nem ligo.
Seria uma espécie de sedução dela, mas às vezes, acho até bom desconfiar que nem ligo, senão seu
jogo seria bem pior. Ela não sabe, mas me seduz até ao piscar os olhos, aqueles lindos e
brilhantes olhos verdes. Seu sorriso, segurando os lábios, num batom discreto, não sei descrever o
tipo de vermelho, quase da cor dos lábios dela, nem rosa nem vermelho, simplesmente a cor dela.
Seu perfume, que às vezes sinto em exagero, só não sei se é por provocação dela ou mesmo porque
sempre foi cheirosa. Sempre misteriosa em seu cheiro único, parece que é próprio...
Pensei que voltaria a trabalhar, mas mal consigo me concentrar em algum projeto ou mesmo
planejar algo novo. Ela me inspira e muito, fiz um projeto todo em vermelho, minha cliente ficou
satisfeita e aprovou na hora. O vermelho tem esse poder de sedução, assim como ela tem sobre
mim... É fatal. É delirante. É praticamente essencial vê-la me seduzindo. Preciso me aproveitar
disso...
Eu só preciso de algo concreto para não dar muito na cara, deixá-la achar que ainda precisa me
seduzir, senão acabará todo encanto. É até um pouco improvável, mas saberei usar a nosso favor.
Hoje sairei às quatro em ponto, quem sabe eu a encontre no elevador.
Sinto da mesma forma que ela me procura, sente minha presença, pois assim que apertei o
botão, estava descendo um. Meu corpo se agitou, imaginando o que encontraria dentro do
elevador e, obviamente ao abrir, avistei seu sorriso. Aquele que sufoca. Sim, eu quase empurrei-a
na primeira parede e me deliciei com seus beijos e seus carinhos, tiraria toda roupa e mostraria a
ela todo meu poder. Passaria a língua em cada parte de seu corpo, em seus lindos peitos, em seu
decote. O que essa mulher deve ter?
Mel, ah, Mel...
Ao entrar, seus olhos percorreram todo meu corpo, sinto que ela me tateia por inteiro. Eu não
nego fogo, faço o mesmo com ela. Tudo nela é excitante, extravagante, me envolve. Quero lutar e
pensar outras coisas, mas ela chama demais minha atenção. Não consegui... Não resisti... Olhei-a
por inteiro. Eu a quero. Chega a ereção começar, mas tentei me reter disso.
Todos os dias eu a desejo. Todos os dias ela tem um plano e eu não fujo mais. Também não dou o
braço a torcer em dizer: "Eu te quero, Mel". Por mais absurdo que seja minha verdade, eu farei
isso. Estou decidido. Só preciso de um dia e que assim seja feita minha vontade...
****************************************************
Durante algumas semanas, eu o vi, o desejei mais que tudo. Richard, só brincou comigo. Deixando
seu cheiro por onde passava. Aquele sorriso sério, às vezes, pairava em seu rosto, mas ainda tinha
aquele sorriso safado... Por muitas e muitas vezes ficou me atiçando, me convidando, me chamando...
No entanto, era apenas ali... Naquele prédio.
Em casa, eu mal me lembrava do ocorrido do dia, Juan tem o poder de me fazer até esquecer meu
nome!
O que mais me irrita é que quando chego no outro dia para trabalhar, meus sentidos estão buscando
novamente o Richard para paquerar e sentir todas as emoções do flerte. É apenas fogo de palha, mas
que é gostoso sentir, isso realmente é muito bom, sem dúvidas!
– Juan, vamos logo, estou atrasada! – gritei da sala e ele ainda na cozinha. Foi saindo com uma
Ana Maria de chocolate com baunilha na boca.
– Preciso de metade! – arranquei com uma mordida um pedaço.
– Tem mais aqui! – mostrou-me o saquinho e ficou rindo de boca cheia.
– Guloso! – fechei a porta e descemos rindo no elevador.
– Você tem que ter mais juízo, eu tenho horário, você não! – falei querendo estar brava, mas era
impossível! Ele me beijava e fazia graça enquanto me arrumava. No carro, ainda fui comendo Ana
Maria.
– Da próxima vez, chegará duas horas atrasada, sua linda! – deu-me um cheiro e ficou me olhando
até entrar, acenei um tchauzinho e mandei beijo. Parecíamos dois adolescentes loucamente
apaixonados.
– Hum, a noitada foi boa! – Carla sempre com graça.
– Maravilhosa! Eu não sei como agradecer por tê-lo perto de mim... Eu o sinto... – cheguei
suspirando.
– O Caio pediu para avisar que assim que chegasse, era pra você subir! – avisou com medo. Sinto
isso.
– Vish! – brinquei e dei um beijo no rosto dela. – O meu delícia já passou? – perguntei no ouvido
dela.
– Aham, tenho quase certeza que ficou curioso para saber onde você estava, não disse em
palavras, mas seus olhos disseram tudinho! – sorriu, fingi desmaiar.
– Qualquer dia eu o devoro! Rawn! – brinquei e fui até o Caio.
Nenhuma novidade no elevador. Agora já a cara do Caio...
– Oi, bom dia! – cheguei sorrindo, quebrou o clima rapidinho dele.
Depois de tudo que o aconteceu, depois de Juan ficar enciumado, conversei com o Caio pra parar
de ficar me abraçando ou qualquer contato. Ele entendeu e passou a me respeitar.
– Bom dia mocinha! Chegou agora? – Caio queria ser sério, mas eu sorria, ele não se aguentava.
– Aham, desculpa, o celular não despertou... – fiz uma cara de santinha, que enganava qualquer um.
– Sei, queria te avisar sobre suas férias, já que semana que vem, vence. Tenho umas datas aqui, dê
uma olhada e me avise, ok?
– Ah, sim. Vou dar uma verificada e amanhã te aviso, pode ser? – outro sorriso.
– Claro. – ele se derreteu.
– Ok, tchau. – assim que saí, o vi ainda me olhando. Eu causo esse efeito quando quero manipular.
Ao entrar no elevador, bem que poderia parar no 11º andar e tipo:
"Oh, errei o andar", mas nem colaria essa!
Deixei de lado essa hipótese, que poderia colar outro dia. Richard já sente toda minha sedução e
malandragem no elevador. Eu ficaria muito sem graça se aprontasse uma dessa. Vou deixar as coisas
acontecerem, mas para minha surpresa, o elevador parou de repente no sexto andar, olhei de relance
o andar e continuei a ver as datas que estavam para tirar as férias, mas um cheiro de perfume
totalmente conhecido por meus sentidos me fez levantar a cabeça e não pensar direito. Ergui devagar
e vi. Ele parado e sorrindo. Fazendo o que ali?
– Bom dia Mel, pensei que não tivesse vindo! – falou sorridente demais.
– Bom dia Richard! Pensei que não me notava! – falei para ver sua reação. Suas sobrancelhas se
uniram em discórdia e seu sorriso ficou preso no canto, envolta aquela barba rala tentadora.
Ai, eu morro com esse homem...
– Não, é claro que noto! Hoje não havia brilho na recepção. – disse com um lindo e charmoso
sorriso.
– Ah é, agora está me cantando? – sorri e não consegui não mostrar alegria por isso.
– Pode-se dizer que sim. – entrou e ficou ao meu lado. Sorrindo e olhando de soslaio.
Santo Deus, me dê juízo... Juízo. Juízo. Juízo. Era um mantra poderoso. Cheguei a fechar os olhos.
Quando abri, Richard me olhava.
– Vai descer? – perguntei, já que ele não apertou nenhum botão.
– Aham. Eu tenho algo pra você, mas como achei que não viria hoje deixei na minha sala. Na hora
de sair, me espere, tudo bem? – falou cravando seu olhar em mim.
– Eu espero sim, tchau. – saí e ele não saiu do elevador, apertou o andar dele e voltou. Está
ficando esperto demais esse homem delicioso. E eu estou começando a gostar demais disso...
Hoje a hora não passou, a cada instante eu olhava e nada de dar quatro horas!
Minha irritação era tanta que até a Carla xingou-me várias e várias vezes, dizendo-me para
aquietar o facho.
Enfim, ouvi o pin do elevador e Richard saiu todo lindo, encantador, magnífico... Fiz um ar de que
nem estava esperando por ele e que tinha acabado de sair, tipo, bem cara de pau!
E o prêmio da maior cara de pau e safada do ano vai para... Mel, bitch!
– Já está indo? – perguntou atrás de mim.
– Sim, Juan deve estar me esperando. – assim que falei, sua expressão mudou, será que ele queria
algo? Acho que não.
– Ah sim, mas pegue aqui, vou fazer uma reunião lá na casa da Mariana, é aniversário da sua tia,
não vamos fazer festa, é apenas uma reunião com alguns amigos. Chame também seu namorado. –
Richard fechou o cenho ao dizer, tenho essa leve impressão. Era apenas um cartão avisando sobre a
reunião. Eles são todos chiques.
– Obrigada! Eu vou sim, com o Juan. – soltei uma risadinha, provocando-o. Richard me encarou
sério e não desviou o olhar.
– Eu sei que vai, te espero lá. – seu sorriso queria dizer algo, mas não disse. Ainda.
No dia seguinte, ele não apareceu, deve ser um dos motivos para eu ir de qualquer jeito à festa.
Será mesmo que faz questão de que eu vá? Eu ainda não sei, mas apenas sei que vou.
Saí mais cedo, pedi ao Caio. Fui até o shopping e comprei um vestido, diria, decente. Juan
aprovou, seu olhar sobre mim dizia descaradamente o quanto estava linda. E eu, rá, a-do-rei!
Juan apertou a campainha e quem nos recebeu?
– Olá, que bom que vieram! – sua expressão quando me viu todinha era:
"Você está linda! Ainda bem que veio, a festa está um tédio!".
A festa estava quase silenciosa, apenas alguns conversando e Mariana num canto, sorrindo e
falando com sua mãe e sua sogra.
– Olá Richard, obrigada! – entrei primeiro.
Abracei-o carinhoso e quase não quis soltar aquele homem que estava cheiroso e sexy. Colocou
uma camisa de linho verde-musgo, será que era apenas para combinar com meus olhos? Óbvio. Uma
calça jeans escura, cabelos arrepiados e aquela barba rala, só para provocar! Richard sabe que fica
lindo com essa barba, que chegou a roçar em meus ombros quando me cumprimentou. Senti o arrepio
descendo e amarrando meu corpo ao dele. Magnífico.
– E aí, beleza? – Juan foi breve e educadamente lindo. Nós dois estávamos lindos e combinando.
Eu num vestido vinho, não muito curto e nem muito longo, apertado ao meu corpo, deixando-o
modelado, tomara que caia, sendo uma boa parte do desenho das costas em renda, delicado e sexy.
Juan com uma camisa gola v, bege com listras vinho, um calça preta justa ao seu lindo corpo
masculino. Perfeitamente lindos. Aliás, nós três estávamos.
– Venham, entrem... – Richard encostou de leve a mão em minhas costas, deslizando com cuidado,
mas eu sentia o choque por onde seus dedos tocavam na renda e outro choque igualmente forte
quando Juan tocou minhas mãos. Era incrível essa sensação. Imagina como seria igual ao meu
sonho... Por um segundo, fechei os olhos e desejei de coração, corpo e alma...
– Mel, se quiser alguma coisa, fica à vontade, você também, Juan. – Richard foi apenas simpático,
mas interrompeu a ligação que estava fazendo entre nós três. Era uma sensação única. Diria rara,
estrondosa. Juan sorriu e foi pegar uns drinques, fui até o canto onde havia uma garota de vestido
azul-marinho.
– Olá Mariana, tudo bem? É a Mel! – fiquei ao seu lado esquerdo, ela mexeu a mão até encontrar a
minha, sorriu e virou para mim.
– Oi prima, estou bem, e você como está? – sua voz era doce e não parecia mais aquela mimada de
antes.
– Estou bem, vejo que você está animada e linda! – beijei sua mão, ela afagou a minha.
– Obrigada, a vida segue, não é mesmo? – ela disse e calou-se em seguida pensativa. Juan ficou
perto de um sofá a minha espera. Do outro lado, Richard estava nos olhando. – Onde está o Richard,
já recebeu vocês? – ela perguntou preocupada.
– Já sim, ele está servindo os amigos. Estamos bem, eu vou até ali, depois venho mais um pouco,
ok? – dei um beijo em seu rosto e seu olhar perdido acabou me encarando.
– Você sempre está tão linda... – falou para minha surpresa. A tia sorriu e fingiu algo. A sogra dela
ficou encantada com que ela disse para mim. Agora Mariana enxergava com o coração.
– Obrigada! – beijei sua testa, cumprimentei a tia e saí dessa situação.
– Ela está bem? – Juan me abraçou e perguntou-me baixinho.
– Aham, bem demais, só achei estranho que isso a mudou completamente.
– Como assim?
– A pessoa amarga, metida, egoísta, presunçosa que existia nela, sumiu! Agora é outra mulher que
habita ali. Não sei se só eu percebi, mas fiquei comovida. – falei engasgada. Dei um gole na bebida
para disfarçar.
– Isso é bom.
– Sempre é bom ter mudanças boas em nossas vidas, mesmo que venha junto com alguma coisa
ruim, mas nos fortalece.
– Verdade. Esse eu peguei para você. Combina! – ganhei um beijinho e quando olhei para o lado,
Richard me olhava. Sorri, ele corou. Richard não imagina quantas vezes eu o pego me fitando, mas
adoro ver isso... Principalmente sentir...
Hoje já é diferente com Richard, ele está mudando comigo, agora consigo ver suas expressões que
antes não conseguia ler em seu rosto, Richard está me deixando entrar nele e eu estou gostando
demais dessa sensação...
Dançamos, bebemos e curtimos uma festa simples, porém marcante. Todos ali, em volta dela
apenas com cuidado, alguns amigos verdadeiros e já nem tinha tantos outros por status. É a vida, na
dificuldade que achamos nossos verdadeiros amigos. Aqueles que nos acompanharão na tristeza e na
alegria.
Fui até o banheiro retocar a maquiagem, já que Juan tirou todo meu batom, mas eu sempre adoro.
Passei um lenço que estava dentro da bolsinha no rosto, para tirar um pouco o suor, lavei as mãos e
retoquei o batom. Assim que abri a porta do banheiro, dei de cara com Richard. No susto, nós dois
nos encostamos perto da parede pequena ao lado do lavabo de fora.
Eram apenas duas respirações ofegantes e uma festa longe que, por sinal, estava distante demais e
Richard tão próximo...
Senti seus lábios quase em mim, soltos em busca dos meus, apertei a bolsa e me encostei mais na
parede, ele recuou um pouco.
– Quase! – brincou, eu fiquei sem fala. – Tem que tomar cuidado... – falou num sussurro próximo e
seu olhar cruzou, perfurou minha pele. Sentia em meu corpo as emoções que ele queria me passar.
Richard queria me tocar, mas seus olhos já faziam isso.
– Eu não quero tomar cuidado... – aticei ateando fogo novamente, eu vou esperar até ele se virar
para apagar.
– Pra falar a verdade, nem eu Mel, nem eu... – sussurrou em meu ouvido, eu fui sumindo,
derretendo e meu corpo evaporando... Eu queria seu toque, necessitava dele em mim, seu olhar me
queimava de uma forma nova.
Por que não agora?
Eu estava explodindo devagar... Devagar... Devagar.
– Posso usar o banheiro? – uma moça passou por nós e nem sei o que ela entendeu da cena.
Tentei me recuperar do fogo que subia por minhas pernas, passava por minha calcinha, atravessava
tudo, a barriga em chamas, o colo dos seios fervendo por seu toque, a nuca com gotinhas de suor e
meus lábios vermelhos chamuscando pelos dele.
Ah, puta merda, que sensação!
Ele só deu um passo para trás, com as mãos unidas em frente de seu corpo. Deve estar escondendo
algo dentro da calça!
Deixa-me ver... – pensei atiçada. – Senti-lo...
– Ah, claro, já estava de saída! – avisei.
Ela nos olhou curiosa, será que sentiu o clima que ali estava? Uns 50° na boa. Assim que ela
entrou no banheiro, olhei para o Richard e soltei um suspiro baixo. Encontrei em minha frente
Richard com a face totalmente relaxada e excitante, seus olhos castanhos, brilhantes e curiosos, nos
meus verdes confusos e desejáveis.
– Isso foi demais... Mas podemos ir mais longe... Se quiser... – falei, Richard me encarou e disse.
– Eu me arrisco. – O arrepio percorreu todo meu corpo com essas suas três palavras firmes.
Richard havia aceitado ou estava de brincadeira com minha cara? Trocamos sorrisos e eu voltei à
festa. Iria pensar numa estratégia.
– Juan...? – sussurrei na porta do quarto. Fazendo um charme com as pernas, o vestido subiu. Ele
estava ainda tirando a roupa em câmera lenta, da forma que eu sempre quis.
Meu corpo fervia por ter me arriscado mais cedo com o Richard. O que ele quer de mim? Meu
corpo? Assim como eu quero o dele?
Juan se aproximou, voltei só pra ele. Aqui, eu sou só dele.
– Mel, você é incansável! Eu amo isso, isso aqui e isso aqui também... – ele apontava meus seios,
minha boca e apertou por último minha bunda.
– Eu amo isso aqui também, isso e isso... – apontei seu tórax, ombros e na calça jeans volumosa.
– Esse vestido está sexy, fiquei fervendo a noite toda só para arrancá-lo, deslizá-lo para mostrar
seu belo corpo nu somente pra mim. – Juan gemia as palavras em meu ouvido.
– Fique à vontade. – respondi de prontidão, ele iria se surpreender quando o tirasse.
– Esse decote dele é perfeito. – passou as pontas dos dedos ali. Deixando leves choques. – Posso
fazer algo? – pediu.
– Deve – gemi baixinho.
Sei que dali sairia coisa boa. Juan foi até minha prateleira e trouxe um batom. Sorri e nem imaginei
o que ele queria fazer. Abriu o batom e o vermelho sangue estava ali. Ele pegou o mais vermelho de
todos.
– Abre os lábios – ordenou e eu obedeci.
Juan estava sem camiseta e sua calça só como botão aberto. Ele passou as mãos no cabelo e a
outra levou ao queixo, passando o indicador de um lado ao outro, parou, deu três toques com o dedo
no queixo, estava tenso e cheio de vontade. Ficamos ali em pé no meio do meu quarto, com ele
analisando-me, imaginando o que queria fazer comigo. Matutando meu prazer. Eu estava na beira da
cama, Juan na minha frente.
Passou o batom de leve em meus lábios, pintando-os com cuidado. Assim, bem gostoso e
cauteloso.
– É assim? – perguntou, fiz que sim com a cabeça sem dizer nada. Ele continuou.
Passou bem forte o batom. Senti isso. Juan foi até a porta do meu quarto, pegou o espelho imenso
que estava ali atrás, levou até a cama e o colocou deitado, pegando a cama toda, encostou o espelho
na cabeceira da king size. Veio até meu corpo, virou deixando-me de frente ao espelho.
– Está se vendo? – falou em minha nuca, mordiscando algumas partes.
– Estou. – Juan cessou os beijos e fez carinhos em círculos em minha nuca, puxando meus cabelos
de leve. Fechei os olhos, estava rendida.
– Fique com os olhos abertos – ordenou, abri novamente. – O batom está bom? É assim? –
perguntou em meu ouvido, num murmuro delirante.
– Está perfeito – gemi as palavras. Eu o queria. Agora.
– Ótimo, vire aqui novamente – ele mesmo fez isso, com uma força exageradamente gostosa. – Não
se mova – disse quente.
Obedeci.
– Beije aqui – apontou para o pescoço dele. Beijei. – Aqui – no tórax, beijei. – Aqui também – eu
estava adorando sua brincadeira. Sempre fiz isso, mas agora era ele que dominava. Dei um beijo
perto de sua calça jeans, em seu caminho da felicidade. – Está gostando? – puxou meu rosto e ficou
me encarando.
– Estou amando – sussurrei.
– Eu também, honey... – era tão excitante ele me chamando assim.
Juan pegou o batom novamente e me surpreendeu. Rabiscou em meu colo do seio no contorno do
vestido, onde eles estavam fartos e lindos no decote. Olhei pra baixo, o batom com a sensação
viscosa, me excitava, nunca fiz isso, somente neles, seria essa a sensação? Que delirante. Minha
nossa...
A palavra estava ali. Eu era dele. Juan. Foi a palavra escrita em meus seios. Assim que terminou
de escrever, beijou-me loucamente, arrancando o batom dos meus lábios. Ele havia pegado um batom
que transfere a cor, com seus lábios vermelhos, ele foi passando em toda minha pele, no pescoço,
braço, mãos...
Beijou-me novamente e ajoelhou-se na minha frente, beijou meu joelho, coxa, canela e tomou meu
pé em sua mão forte, beijou o peito do pé, deixando-o vermelho com o resto do batom. Agora eu
estava marcada por ele...
Subiu passando as mãos em meu corpo, tudo fervia. Eu estava excitada demais com sua nova
brincadeira. Sentia minhas pernas úmidas, sorri a ele, pois Juan enfiou as mãos no meio das minhas
pernas e viu a surpresa.
– Está sem calcinha?! – falou ofegante, só balancei a cabeça que sim, num sorriso travesso. –
Porra Mel, você é a mulher mais perfeita desse mundo! – grunhiu. Juan era meu macho...
– Sou? E de quem sou? – falei puxando seu cabelo deixando seu rosto colado ao meu.
– É minha! Somente minha – sua voz firme fez meu corpo arrepiar-se por inteiro.
– E o que você quer de mim? – murmurei.
– Quero. Pegar. Você. Por. Trás. – falou em meu lábio. Mordendo-o com força.
Juan me virou fazendo-me ficar novamente de frente ao espelho, eu olhava nossos corpos atiçados.
Eu toda marcada de batom vermelho. Incrível, meu feitiço ali em meu corpo. Minha arma usada
contra mim, ou seria a favor?
Pois eu adorei. Juan me puxou, levantando uma perna de cada vez, deixou-me de joelhos na cama.
Apoiei bem os braços e estava de quatro por ele. Olhei pelo espelho, vi sua feição maravilhada me
olhando com a mão no queixo, me desejando. Era tão deliciosamente sedutor. Juan com cuidado
puxou meu vestido até a cintura, gemi com seu toque. Apenas aquelas mãos fortes.
Ele olhava pelo espelho minha expressão, meu corpo à espera dele. Puxou-me mais para a ponta,
senti seu músculo rijo ainda dentro do jeans. Ele apenas deslizava as mãos em mim, com um carinho
erótico. Minha nossa. Pegou o batom novamente, começou a escrever em minha cintura, acima do
cóccix. Tentei acompanhar suas letras, mas a tensão era tanta que não compreendi, ele sussurrou com
a voz firme.
– Minha. É isso que escrevi Mel, minha! – novamente grunhiu como meu macho. Meu dominador.
Juan soltou um suspiro longo, como se não aguentasse esperar mais e nem precisaríamos esperar.
Tudo poderia começar agora mesmo, a luxúria estaria comendo solta, em nossos corpos.
Ouvi o zíper sendo aberto, fechei os olhos e esperei.
– Honey, fica de olhos abertos e nos veja. Quero ver seu prazer, amor... – sua voz era doce e
desejosa.
Alisou meu bumbum com carinho, massageando minha carne. Seu olhar encontrava o meu no
espelho, eu sentia até a sua respiração atrás de mim. Juan contava a minha, enquanto meu corpo subia
e descia. Só à espera dele. Com sua mão deslizando por meu corpo, como se estivesse conhecendo-o
pela primeira vez, mas na verdade, seu toque era único e meu corpo se abria só pra ele. Sua mão
quente chegou lá, bem lá onde fervia, de leve, passou seu dedo esguio e ágil dentro de mim, fazendo-
me arfar de prazer. Devagar, sem pressa, ele brincava. Colocava e tirava. Só vendo meu desejo.
Ah, Juan, não brinque comigo!
Arquei as costas tentando fazê-lo entrar e não sair... Juan saiu de perto de mim, o olhei pelo
espelho, ele pegava algo na gaveta, fiquei sem entender e, quando voltou, me virou novamente
deixando-me sentada na quina da cama.
– Hoje, você terá dois prazeres, honey, e eu vou fazer isso... – sussurrou beijando-me forte,
levantou o vestido e vi sua intenção; ele mostrou seus lábios. Estava com uma bala na ponta da boca.
Uma bala halls de menta. Caralho, halls preto!
Puta merda! Que tesão...
Assim que pensei, Juan desceu com os lábios em meu sexo, sugava, lambia e passava a bala ali...
A bala deixava um ardor fresco e muito excitante, Juan passava e assoprava na sequência, deixando-
me à beira do orgasmo. Sua língua percorria uma boa extensão e voltava quente... O frio da bala
proporcionava-me vários espasmos. Eu nunca tinha feito com bala halls de menta, mas puta que
pariu, é um tesão absurdo!
Juan não parou de investir, até sentir que eu arfava forte, estava chegando ao meu clímax. Queria
me agarrar em qualquer coisa, pois estava vindo violentamente prazeroso... Entreguei-me ao orgasmo
e Juan sorria com seus lábios molhados em minha bocetinha...
Que língua poderosa...
Sem ainda terminar os espasmos, Juan me colocou na mesma posição na cama, analisando todo
meu arrepio e os gemidos que saíam ainda dos meus lábios. Eu ainda estava um pouco fraca, mas
queria mais do que tudo que ele me preenchesse com seu poderoso mastro.
Vem Juan, vem... – meu olhar dizia e sem hesitar ele veio firme, me apertava, arfava, gemia. Sua
respiração pesada, sua feição a mais desejosa do mundo. Numa surpresa, Juan deu-me um tapa
gostoso no bumbum, fazendo-me revirar os olhos com sua brutal brincadeira erótica. Delícia. E de
novo, outro tapa, mais leve e gostoso, Juan massageava na sequência com carinho.
Isso Juan...
Ele puxou um pouco de cabelo e me segurava, apertava mais seu corpo ao meu, eu o sentia
profundo dentro de mim... Lento, gostoso e rijo.
Assim...
– Minha! – falou entredentes e me apertava.
Eu sentia a felicidade de estar ali. Juan passou os dedos onde havia o batom, contornou novamente
com o dedo indicador. Grunhindo...
– Minha Mel, só minha! – outro tapa leve, mais um puxão de cabelo.
Erótico. Juan. Meu.
Juan sem dó apertava minha cintura e via seus movimentos pelo espelho. O nosso sexo selvagem
com docinho. Era tão lindo ele me desejando. Seu olhar perdido, sua revirada de olhos quando seu
prazer chegava aos céus. Assim como o meu, às vezes, Juan atingia meu ponto por diversas
investidas seguidas. O prazer aumentava cada vez mais. Sem cessar, sem nunca querer parar. Eu
estava vendo-o me pegando. Alimentando-me dele.
Firme. Assim, Juan. Continue...
– Geme, minha gatinha... – outro puxão de cabelo. Eu era dele...
– Ah, Juan...
Com o puxão de cabelo e a investida mágica, meu mundo desabou... Eu via as estrelas, sentia meu
corpo explodir em pequenos fragmentos espaciais. Sentia arder tudo dentro de mim. Eu era somente
dele...
Como uma bomba atômica, numa explosão de prazer. Arfei até não ter mais forças e ele desabou
em minhas costas. Minhas pernas trêmulas caíram, derreteram como geléia...
Olhei para o espelho e ali estávamos nós dois, perfeitamente satisfeitos, ressudados e extasiados
nessa louca brincadeira sem fim...
Quanto prazer...
Meu macho...
Meu homem...
Minha!
Sim, sou sua...
Sou dele!
E também... Nos pensamentos do outro.
“Homem e mulher é sempre um jogo de sedução.”
18- Nove homens e um segredo.
“Você pode ter o homem que quiser, mas não é qualquer homem que pode tê-la.”
Ficar com a cabeça fervendo ninguém merece! Ainda mais quando alguém te perturba sem
saber! Isso pode parecer até ridículo, mas o que acontece comigo, bem aqui dentro, só eu consigo
sentir...
Richard deveria sair um pouco da minha cabeça. Pelo menos em casa consigo pensar menos, pois
Juan suga minha energia e acabo sendo só dele.
Esse mês ele não vai viajar, pois estarei de férias e será apenas ele e eu. Ainda não decidi a data
que sairei e nem o lugar que pretendo ir, vamos analisar com calma. Tudo vai se encaixar em nossos
planos.
Hoje Carla passará o dia comigo, estamos de folga, faremos uma tarde e noite das garotas. Juan
trabalharia até tarde, então fiz o convite a ela. Que jamais recusaria.
– Entre – atendi a porta, Carla estava cheia de sacolas e disposição.
– Hoje eu trouxe! – disse alegre.
– Está feliz? – perguntei assim que entrou com um sorriso de orelha a orelha.
– É claro que estou! O Flávio é um fofo, eu tenho a melhor amiga que come chocolates a tarde toda
comigo! O que mais preciso? – sua felicidade me contagia.
– É verdade, não precisamos de mais nada!
Ajeitamos a sala, coloquei um colchão para deitarmos e assistir alguns filmes. Quando estava
voltando da cozinha ela estava sentada, pensativa.
– O que foi? – indaguei.
– Não sei, fico com medo dos meus pais ficarem pensando mal de mim, por ter me separado do
Thiago e já estar com outro...
– Posso ser sincera? – tive de perguntar, pois o que iria falar poderia magoá-la.
– Pode – ela sabe que sempre sou.
– Carla, você já é maior de idade, estamos no século XXI, eles não têm que mandar na sua vida,
decidir com quem deve ficar. Claro, você deve todo respeito a eles, pois mora na casa deles, mas sua
vida quem deve decidir é você – ela só me olhava.
– Como foi com você? – ela sabia apenas de uma coisa:
Eu nunca falava deles.
– Me perdoa, sei que não gosta desse assunto, mas estamos a sós, me conte – sentei na frente dela e
me preparei para uma história de vida chata, misturada com algumas aventuras apimentadas da minha
parte.
– Bem, em relação aos meus pais, eu não gosto de falar, porque há tempos não converso com meu
pai. Quando decidi morar sozinha, ele brigou demais comigo, achou ruim, mas afinal acabou
cedendo, pois em casa era insuportável a nossa relação. Isso acontece desde quando era pequena.
Quando comecei a entender certos fatores da vida adulta. Aprendi cedo, confesso, cresci vendo
minha mãe sendo uma mulher linda e sempre forte, mas também, durante uns tempos, alcoólatra. Eu
não sabia direito, eles me escondiam muitas coisas, mas meu pai quando ficava bravo, acabava
revelando toda desgraça que acontecia. Isso tudo se devia ao dinheiro que sempre tiveram, sempre
viveram bem. Não reclamo disso, eu só não tive amor, eles me negaram isso e, acima de tudo, me
dizia que jamais alguém me amaria. Por isso sou assim. Aliás, eu era assim; amarga, sem amor,
apenas em busca momentânea de prazer. A meu ver, eu nunca errei por ser assim, mas quando conheci
Juan, mudei de uma forma gigantesca. Estrondosa. Quem me vê hoje, quase não me reconhece, de tão
fria que eu era. Não digo no sentindo de estar com alguém, mas no sentido de não me apaixonar por
ninguém. Meu pai fez isso – Carla arregalou os olhos. – Que foi? – perguntei antes de continuar.
– Ele não fez nada a você, não é? – perguntou no medo, mas entendi sua pergunta.
– Se ele abusou de mim? – ela balançou a cabeça com a expressão horrorizada. Grotesca. – Não,
isso graças a Deus não, mas talvez suas palavras, seus gestos, suas atitudes, tenham tido o mesmo
efeito. Eu não sei como ele está hoje e nem quero saber, só sei que suas lembranças não são as
melhores... A cada ano, fui me distanciando deles. Eu saía com a família, mas parecia que não fazia
parte, era uma estranha no meio deles. Meu avô deixou uma fortuna e as empresas ao meu pai, então
ele sempre viveu de luxo. Eu tinha minhas coisas, mas o que uma criança precisa, não é apenas
material e sim atenção, carinho, amor... Hoje posso aparentar ser carente, sim eu sou, mas tudo que
fiz, foi por amor a mim, para provar que sempre teria alguém para me desejar ou amar. Hoje, eles
podem parecer arrependidos, coisa que duvido muito, mas dessa vez, quem não liga sou eu. Não
estou dizendo para parecer forte, não, não mesmo, eu não sinto.
– Isso é pior do que pensava, eu imaginava que você tivesse sido rebelde em sair de casa, mas tem
seus motivos... – ela parecia sentida.
– Não, tudo que aconteceu apenas me deixou forte, imune a sentimentos podres e falsos. Por isso,
não tinha essa ligação, foi rompida cedo demais, no entanto, nunca é tarde para se conectar
novamente... – soltei um riso tristonho, Carla me olhava com carinho e ternura.
– Toda minha infância e juventude foram assim, vi coisas horríveis, brigas, mas tudo tentava me
superar, mostrar que era forte, mas acho que apenas guardei as lembranças comigo, isso doía demais.
Apanhei muito do meu pai, muito mesmo, surras quase todos os dias, até hoje não entendo, se eram
ciúmes por eu ser sua filha única, bonita ou se era por prazer dele, que também acho que seria na
época. Essa é minha maior decepção, pois acho que foi exatamente isso o tempo todo, prazer. Isso me
fez crer e ver que o prazer é melhor do que amor. A primeira vez já tinha sido marcada, mas a cada
ano que crescia, era diferente. Aprendi um pouco analisar os fatos, as sensações, as faces, tudo
através dos olhos dele. A cada segundo era um tipo de expressão, se eu tivesse sido rebelde,
malcriada, talvez nada tivesse acontecido, mas sempre fui calada, eu só queria estar arrumada e
apanhava por isso. Sempre. Não importava a situação, eu apanhava. Aos meus 13 anos, já estava
entendida de algumas coisas, na escola, tinha os garotos que me paqueravam, sempre fui quieta,
talvez isso os deixasse mais atiçados. Eles conversavam comigo e talvez eu dissesse o que eles
queriam ouvir. Era uma boa garota e uma boa amiga. Tive mais amigos homens do que mulheres, mas
sempre fui comportada. Nessa época, eu ia muito à casa da Mariana, mas nunca ficava com ela, Mari
já tinha suas amigas riquinhas e não entendo porque elas riam de mim. Mariana parecia ter vergonha,
nunca entendi bem isso. Era como se eu fosse a ruim da história, então só me sobrava o Lucas, que
estava sempre por lá – ela soltou uma risadinha. – É sério, nós apenas éramos amigos, ele sempre foi
supergentil, agradável, eu gostava um pouco dele, me sentia bem com sua atenção. Em um dia de
festa no rancho da família, era uma tarde agradável de sol, havia milhares de amigas chatas da Mari
por lá na piscina. Eu estava com um vestido floral, bem arrumadinha, cabelos presos no alto e
óculos. Sempre fui ajeitadinha, sempre em busca de deixar os outros com olhos em mim, sou muito
feminina – ela riu. – Nesse dia, Lucas estava com o braço enfaixado, ele tinha caído de skate e ficou
o tempo todo na sala, quieto. Eu o chamei para dar uma volta, ficamos sentados atrás da casa, onde
tinha uma sombrinha boa, ficamos atrás de uma árvore gigante que tem lá, uma jabuticabeira, ele me
contou alguns segredos dele e eu alguns a ele. Acabei seduzindo o garoto sem querer! Lucas já
gostava de mim e, sem noção alguma, agarrei o garoto e fiquei beijando-o! – nós duas caímos na
risada.
– Você já era danadinha! Quantos anos tinham?
– Eu estava com quatorze anos e ele tinha treze!
– Meu Deus... – dizia rindo.
– Coisa de criança, né? Era engraçado, eu já falava para ele: "Oh, não estamos namorando,
hein!". Essa época era tão boa, ninguém sabia de nossas ficadas, acredita?! Eu acho que, até hoje,
ninguém nunca soube, só a Mariana que nos pegou uma vez, na casa de praia, quando estávamos de
férias e ficamos nos pegando lá no fundo da casa! – eu me lembrando dessa parte da história até
sorria.
– Sempre nas moitas, hein? Sempre atrás das casas!
– Você não viu nada!
– Sério, me conte sobre eles... Seus homens! – Ela fazia uma carinha engraçada.
– Apesar de ser uma tarada, tive meus homens certos! Acredito que eles foram feitos para aqueles
momentos. Cada um foi especial, foi marcante e tenho a certeza absoluta que jamais se esquecerão de
mim, não me gabando, mas porque foi especial mesmo.
– Hum, femme fatale! – brincou batendo os ombros no meu.
– Mais ou menos isso – sorri com verdade. Lembrando todos eles.
– Apesar de tudo que me contou, te acho superconfiante, se ama, sempre alegre, de bem com a
vida! O que te motivou a ser assim? – perguntou ainda mais curiosa.
– O sexo! – Carla arregalou os olhos e sorri com minha verdade.
– Sério? Como assim? – disse confusa e já rubra.
Coitadinha, Carla precisa aprender tanto!
– Sério. Como eu disse, meu pai me fez amadurecer mais cedo, fez a garota que estava crescendo,
aprender esses truques. Quando ele me bateu a primeira vez, foi porque estava de batom vermelho,
desde então venho estudando seu poder. Aprendi muitas coisas, fui buscando muitas coisas. Mas
naquele tapa que me deu e brigou dizendo sobre o batom que estava usando, até hoje sei usar. Isso
pode soar louco para alguns, mas é a mais pura verdade. O olhar do meu pai, os tapas, isso me feriu
muito, todas as palavras proferidas com raiva. Ele sentia prazer em me deixar ali, sofrendo. Ele
queria me repreender, entende, só que eu fui libertada ao invés disso. Tudo que ele me proibiu a
fazer, só me fez querer fazer. Acho que ele queria ao mesmo tempo proteger e repreender, mas foi de
um jeito errado. Acho que é mais ou menos o que você me disse, não adianta falar pra alguém: Não
faça isso. O efeito pode surtir ao inverso, ele me prendia em tudo, porém eu faço hoje e muito bem
feito... – sorri ao ver que hoje sou feliz. Muito feliz.
– Como assim?
– Eu analisava os pensamentos masculinos. Como tinha amizade dos garotos, eles acabavam me
dizendo, ou mesmo eu sentia, via a forma deles admirar uma mulher, saber a forma que cada um
precisava. É um jogo. Homem e mulher é sempre um jogo de sedução. A alma feminina pede amor,
carinho, ser desejada da melhor forma possível e única. O sexo está acima disso, mas não são todas
que enxergam isso, são poucas que assumem a verdade de que se importa com o sexo, colocando-o
acima de muitas coisas. Não que deixem o romantismo de lado, não é isso, mas o sexo é parte de
nossa vida, deveríamos respeitar mais isso, sexo é vida. Agora já o homem é apenas sexo. Pode
apostar, uns com o tempo se apaixonam, mas primeiro sexo, depois amor.
– Mas funcionava esse método?
– Claro, olha onde eu estou? Sempre funciona você analisar. No meu caso, analisei cada um dos
meus homens, fui eu a seduzi-los e não o contrário. Você pode ter o homem que quiser, mas não é
qualquer homem que pode tê-la! – se toda mulher pensasse assim, cada uma teria seu príncipe!
– Ui... – ela me ouvia atentamente.
– A primeira vez que meu pai falou do batom, ele mencionou "puta" dizendo-me que parecia uma.
Eu não me esqueci, pois ele falou mais um monte de vezes. Quando estava maior, eu soube o efeito
que isso poderia me trazer. No dia em que fiquei com Lucas, estava usando um batom claro, um
rosinha, pois estava de dia, se meu pai visse, ele falaria um monte, o batom tinha gosto de morango.
Essa experiência foi bem gostosa. Lucas adorava me beijar de batom, então foi quando pensei, é meu
ponto forte. Saberei usar. Comecei a pegar alguns da minha mãe e a comprar outros nas perfumarias.
Fui fazendo o teste com o próprio Lucas e com outros com quem ficava, até que encontrei um
vermelho. Quando passei, nós tínhamos marcado um encontro e eu saberia onde daria esse encontro,
porque o Lucas não mora aqui, então ele vinha de vez em quando. Passei o vermelho depois que sai
de casa para o meu pai não ver. Lucas ficou encantado e me beijou tão profundo, ali foi a minha
marca, antes de fazer qualquer coisa com ele, foi bem engraçado, fui marcando-o inteirinho com
beijos, no pulso, pescoço, tórax, costas... Foi a nossa primeira vez.
– Deve ter sido diferente.
– E foi. Jamais imaginaria que de um beijo, nasceria algo tão extraordinário. Então, fui a fundo e
decidi que, a partir daquele dia, eu teria uma marca, o meu segredo aos meus homens, a marca de um
beijo proibido com batom vermelho. A cada um tive a minha cor, sem repetição. Fui comprando e
guardando cada cor, às vezes, eu uso e me lembro de cada um, mas as cores têm um nome que dei, ao
momento que passei e o tom. Nesse caso sempre uso vermelho, tenho apenas uma cor que ainda não
usei, ela está intacta...
– Hum, fez isso com o Juan?
– Com certeza, aquele vermelho que usei no dia em que o conheci, foi à primeira vez que usei,
acho que isso já criou um ritual. Às vezes, eu sinto quando que vou ter que usar um novo tom ou
quando irá surgir algo novo. Antes de entrar lá no hotel, comprei esses dois últimos vermelhos e, de
repente, me aparece o Juan e um que me deixa mais do que tentada, me sufoca... A única coisa que sei
é que eu o quero, não posso me negar a isso, não vou suportar em não provar ao menos o meu batom.
Esse último será dele. Eu tenho certeza.
– Está falando do Richard, não é?
– Aham – desviei o olhar e fiquei pensativa.
– Mas e o Juan? Você gosta dele, como fará isso?
– Eu ainda não sei, mas sinto que devo fazer... – minha cabeça fervia ao pensar.
– Posso te perguntar uma coisa? – Ela chegou a corar.
– Claro.
– Com quantos homens você já saiu? – sua expressão me pedia desculpas, sorri, levantei e ela me
acompanhou com os olhos. – Desculpa a indelicadeza, é só uma curiosidade... – soltou o riso preso.
– Entendo, vou buscar algo para você ver, espere aqui. – fui até meu quarto, peguei com cuidado
aquela caixinha preta que carrega meu segredo.
– Tudo que está aqui, cada um, é de um valor diferente, um valor sentimental, espero que me
entenda e não me julgue como louca! – sentei novamente e ela parecia uma criança fascinada.
– Isso é tão maravilhoso e, ao mesmo tempo, único. Meu Deus... – seus magníficos olhos azuis
brilharam tanto que ofuscavam o brilho e valor de minha caixinha.
– É sim, é única...
Comecei pegando alguns papéis de recordações, anotações dos homens que um dia teve o prazer
de se encontrar comigo e deixar uma lembrança, um momento de cada um. Ali estavam nas mãos de
uma desconhecida sobre o assunto, mas eu confiava nela. Isso sem a menor dúvida.
– Nunca ninguém viu isso, é a primeira. Nem mesmo cada um deles, nunca falei e nem mencionei
isso. Então, sinta-se lisonjeada por esse fato!
– Estou até emocionada! – olhou-me com olhos marejados. A reação dela era engraçada.
– Ah, pare com isso! – brinquei.
– É sério, nunca teve vontade de falar sobre isso, mostrar a alguém? Eu ficaria louca se não
contasse a ninguém! – Ela se agitava toda em dizer ao ver aquilo na sua frente. Era realmente demais.
– Pois é, como eu disse, fui criada assim, então não me fazia falta. Não tive amigas, porque sempre
me senti bem sozinha, não precisava que nenhuma garota quisesse disputar beleza comigo! – rimos e
ela mexeu em meus papéis.
– O que é isso? – pegou um bolinho de papel.
– Cada um deles escrevia algumas coisas, não namorei nenhum deles, apenas "ficava", mas todos
foram inesquecíveis... – suspirei me lembrando dessa época boa. – Sabe, Carla, eu tinha até minhas
regras, meus desejos. Seguia fielmente cada uma delas, só que no dia que conheci Juan, tudo mudou
de uma forma grotesca. Eu agia querendo ou não masoquistamente. Eu tirava uma dor, criando ao
mesmo tempo outra. Porque não queria nenhum tipo de ligação com nenhum deles, mas eu sentia falta
logo em seguida e saía para caçar novamente. Com cada um deles, saiu uma dor, um tapa, um
sentimento ruim e comigo ficava apenas o prazer momentâneo. Isso era ruim e bom ao mesmo tempo.
Por muitas vezes quis mudar, me apaixonar, mas não dava. Minhas regras eram as seguintes: Eu os
escolhia. Sempre. Não importava se algum gato chegasse perto de mim dando em cima, eu não faria
nada, teria que caçar. A escolha sempre foi minha. Outra, eu nunca, nunca beijava no primeiro
encontro, quando os via, fazia-os chegar até a mim. Não beijava e nem me entregava de primeira.
Fazia um tipo sedutor, isso os fazia ficar ainda mais atiçados e interessados. Eles no outro dia me
procuravam, aí sim, as coisas seriam diferentes. A regra, talvez, mais cruel era que eu não ficava
com ninguém além de cinco meses, meu limite. Depois disso, podia criar vínculos e isso eu não
queria. Mantinha-me firme durante todo esse tempo, mas cada um foi tão bondoso e complacente
comigo, entendendo minha teoria de vida, aceitando. Quando o tempo acabava, as emoções ficavam,
então eu pedia um pedacinho deles. É quando escreviam para mim. – era difícil falar disso hoje. Com
tudo que vivi.
– Posso ver algum? – pediu-me. Eu estava feliz com sua reação, nunca imaginei que seria assim,
ter uma amiga.
– Claro! – tirei o elástico que estava em volta e nem me lembrava direito de tudo. – Todos os
batons que foram usados estão aqui, mas sempre tenho dois, então em cada um deles, deixei algo
junto com o batom. E vou te contar uma coisa antes que veja tudo, esses dias o Lucas estava aqui, não
estava? – sua cara já dizia que sabia que eu tinha aprontado.
– Hum, sei... Continua – ela estava empolgada.
– Ele veio para cá, pra passar alguns dias, até que aconteceu tudo aquilo com a Mariana, mas
mesmo assim, ele me procurou. Ficou bravo por eu estar namorando, ele nem imaginava, pois é o
único que me conhece bem e sabe de quase toda história, menos dessa caixinha. Eu jamais deixaria
Lucas ver! Ele também está namorando, ou sei lá estava, mas mesmo assim trouxe o meu batom, a
nossa marca, você acredita?! Ele veio apenas com o intuito de ficar comigo, mais uma vez! – revirei
os olhos ao lembrá-lo. Eu deveria ter me apaixonado por ele, Lucas me conhece demais e deve ter
sido por isso que não rolou. Gosto de ser surpreendida, de ser revelada, descoberta aos poucos. Juan
fez isso logo de cara.
– Hã, e aí, o que aconteceu?
– Estava na festa que ele fez de despedida, então me levou até o quarto de visitas, me implorou
apenas um último beijo de despedida...
– E você?
– Acabei cedendo. Ah, não me arrependo, ele fez parte de tudo isso, foi com ele minha iniciação
de toda essa loucura, então não custava nada!
– Mas aí, rolou?
– Não, foi só um beijo, na verdade, foi muito forte, mas ficou apenas no beijo. Sinto que o libertei
e a mim também. Foi uma bela despedida, Lucas também sentiu no beijo que eu tinha me apaixonado
por Juan – falei orgulhosa.
– Minha nossa! Queria ter um por cento de sua coragem.
– Agora você tem! Já passou de um por cento, já está em outra e sendo muito feliz em sua decisão!
– É verdade. E então, me fale mais, pelo que estou vendo, é muita história! – ela remexia nos
batons dentro de cada saquinho. Tudo organizado. Eu sou prática!
– Muitas. Só que vou dizer apenas na forma de tudo, um resumo, senão ficaria te contando um mês
todas minhas loucuras, mas antes disso, vou te mostrar como tudo começou! – Carla ficou atenta em
minha explicação. Era até engraçado.
– O primeiro batom vermelho que passei, foi um vermelho aveludado e, quando fui crescendo,
usava uns tons de corais para disfarçar, mas também usava uns clarinhos. Só que fui estudando cada
textura, cada tonalidade, cada cor. Atingindo o meu máximo. Aos meus dezoito anos, quando provei
no sexo, isso me encantou. A partir daquele dia, sempre uso o vermelho para conquistar, seduzir e me
satisfazer. Eu tenho esse ritual e saiba que cada um deles nunca esqueceu e jamais se esquecerá de
mim. Essa é minha marca, mas quero que saiba uma verdade, até mesmo sendo assim, sabe qual é o
verdadeiro motivo? – ela fez que não. – Nós mulheres sempre queremos mais, sempre desejamos
estar lindas. Não só buscava o prazer, eu queria estar linda. Muitos podem me achar metida, super
alto astral, mas não sabem, não sentem o que passei para fazer isso, para provar a mim mesma o quão
eu sou bonita. Não é apenas luxo ou vaidade, quem é que gosta de ficar feia? Ninguém, acima de
tudo, está no ego de cada uma. Comigo é assim, com você é assim e, com qualquer mulher é assim.
Não adianta dizer que é mentira. Não, nós buscamos em nossa alma feminina o desejo, o brilho, o
olhar carinhoso e selvagem, nós buscamos dentro de nós a nossa própria beleza. Deixamos a interna
falar muitas vezes mais do que a externa, mas é óbvio que qualquer mulher quer ser e estar bela. É
onde me achei, nos batons. Usei como um dom. Passei a estudá-lo. Não sei se sabe, mas o formato do
batom em bastão foi feito justamente para atrair as mulheres! – ela me olhou confusa.
– Hã? Como? – perguntou.
– Há muitos anos atrás, há quem diga, não sabemos na história “quem”, que o batom foi baseado na
sexualidade feminina! Já nos mundos modernos, foi baseado em forma do membro masculino para
aumentar a sexualidade feminina e estimular as vendas com o formato inovador em bastão dando
mais prazer em fazer o uso! Tudo bem pensado, não é?! – peguei um batom e fiquei brincando e ela
começou a rir.
– Isso é sério mesmo? – ela não parou de rir.
– É muito sério! Assim que toda vez que pressiona o bastão para fora tocando-o em seus lábios,
daria mais prazer ao passá-lo! Já tinha imaginado isso? Por isso as propagandas! – caí na risada,
lembrando minhas pesquisas.
– Isso é bem interessante! Esses pensamentos devem ter sido coisa de homem!
– Ou não! Mulher pensa besteira igual a homem, sem diferenças! Só que algumas têm mais
vergonha, ou mesmo respeito, e nunca dizem, mas pensam! E têm as mais taradas e assanhadas como
eu! Que adora tudo escancarado e não nega fogo quando quer! Mulher tem que ter atitude, buscar seu
ego nessa hora, não satisfazer apenas os homens. Temos que nos valorizar em tudo.
– Isso é verdade.
– Busquei a fundo e isso vem de anos, muito anos. Antes o batom vermelho, era apenas algo
vulgar, tinha até como distinguir uma moça virgem das que não eram. Só pelo batom que usavam! As
virgens eram apenas os batons nos tons claros. Vai ver isso hoje...
– Eu não sou muito fã, mas acho lindo batom vermelho.
– Deixa eu te contar algo sobre o que mais me deixa fascinada, além desse meu poder que uso, a
meu favor, é que esse costume de colorir os lábios têm raízes no Egito. As esposas dos faraós
adornavam-se com um intuito de ficarem mais belas, sempre usando o tom vermelho. Pois ele é
simplesmente sexualmente apelativo, os lábios femininos tornam-se mais vermelhos depois de as
mulheres serem excitadas. Crê nisso? E é verdade, fiz todos esses testes! – eu ria da satisfação dela
em saber de tudo isso. Toda minha loucura.
– Você é entendida no assunto, então não é apenas por gostar, tudo tem seu método, seu jeito e,
acima de tudo, teorias lógicas! Eu adorei isso.
– Tem muitas histórias bacanas! Já teve épocas que não podia usar o batom vermelho, até deixaram
vários avisos de que, mulheres que seduzissem homens por meio de maquiagem teriam seu casamento
anulado e seriam julgadas como bruxas! Céus, era para eu estar mortinha! – caímos na risada. – Já
imaginou essa época, que tédio! No entanto, muitas atrizes de época conseguiram tirar a fama de
vulgar do vermelho e imortalizaram a cor como ícone de beleza e sensualidade. Os lábios de muitas
famosas ficaram marcados como os da Ava Gardner, Marilyn Monroe e Elizabeth Taylor. O batom
vermelho se tornou responsável por toda essa fama! – ela sorria ao ver a quantidade de informações.
– Mas você tem muito! Tem um preferido?
– Todos! – sorri, mas era verdade. – Tenho um carinho com todos, eles me respeitam por quem
sou. Fazem de mim melhor do que eu me sinto. Se é que me entende! Eu queria criar várias linhas e
tons de batons vermelhos! Seria bem chique, até Cleópatra teve sua própria criação, feita através de
besouros carmim, que eram esmagados com ovos de formiga e para dar efeito cintilante, utilizavam-
se escamas de peixe! E as gueixas no Japão esmagavam pétalas de açafrão para criar seus batons.
Aqui é cultura nos lábios. Lembra que eu disse que tinha um dom? – perguntei a ela.
– Aham. Seria esse, dona Mel dos lábios vermelhos?
– Também! Adoro tirar fotos e, quando ficava aqui sozinha, tirava muitas fotos de pin up. Eu adoro
e utilizava todos meus batons para isso! Elas estão todas aí no meio dessas cartinhas. – Carla foi
revirando e achou algumas.
– Isso é fascinante! Por que nunca fez um curso? Sei lá, são tão perfeitas! E olha que você tirou
fotos de você mesma! – ela foi vendo uma por uma e fazia seu comentário. Eu nunca tinha mostrado
tudo aquilo a ninguém. Era apenas meu segredinho, agora não mais. – O Juan já viu essas fotos?
– Não! Eu nunca mostrei a ninguém.
– Pois deveria! São perfeitas. Você é poderosa! – Carla tinha uma energia contagiante, tão positiva
que me deixava bem e não estranha como achei que ficaria.
– Obrigada – falei orgulhosa de mim.
– E seus homens? Conte-me sobre eles e me fale dos batons.
– Ah sim, deixa-me ver – peguei a caixinha dela e iria começar a apresentação. – Esse aqui é o
primeiro do Lucas, ele tem três batons desse, acredita?! É um louco! Então, esse foi um que comprei
e adorei a textura dele, que é um vermelho opaco, mais puxado para o coral intenso. É muito lindo! –
risquei o batom no peito da mão dela.
– Nossa, é incrível na pele, olhando assim todos os vermelhos parecem iguais, mas quando passa,
fica totalmente diferente.
– Fica sim, vou mostrar todos. Quando passei esse batom, Lucas pirou! Ele tem uma durabilidade
incrível, mas transfere, chega a manchar, então tem que tomar cuidado. Lucas brincava com o nome,
chamando-me de mulher perigosa. Ele sempre gostou – lembrei com carinho. – Eu chamava de
“Vermelho Tentação”, pois, todas as vezes que nos encontrávamos tínhamos essa sensação, a
tentação falava mais alto.
– Realmente é lindo. Como era o Lucas?
– Ele era muito especial, pois era também um amigo, mas na hora, esquecíamos disso e nos
entregávamos com fervor. Era engraçado e realmente muito intenso. Éramos novos, então
aproveitamos muito essa experiência. E outra coisa, quando me entreguei pela primeira vez, uma
parte de minha dor sumiu, comecei a perceber isso. Estava tirando o peso da minha dor. Lucas falava
tão bem de mim, éramos intensos em tudo, ele me deixou algo pela primeira vez e usei isso para
todas as outras, é uma cartinha, quer ver? Vou ler pra você! Ele tirou de uma embalagem de chá e
adaptou com meu nome! Olha só.
“Mel tem um ritmo sedutor. É insinuante por natureza. Na forma, no cheiro, no
sabor, em seus lábios vermelhos, em tudo ela envolve, chama para pertinho. Mel
gosta e não tem medo de atenção. Vive bem com mil olhares em cima. E, sempre que
pode, ainda desafia: Quem me prova quer a toda hora, todo dia...” Eu dizia isso para
ele, então escreveu.
– Uau, que legal! Que sensações hein! – Carla estava realmente fascinada.
– Oh, nem me fala! Arrepia. Carla, em cada um deles, busquei algo. Atingir meu máximo, tirar
alguma dor. Foi momentâneo, mas foram intensos. Sabe, eu não ligava para ser amada da forma que
todo mundo vê o amor, eu queria ser amada ali, desejada, saboreada... – respirei fundo, continuei. –
Pois um dia, aquele velho idiota disse-me que ninguém me amaria por usar aquilo. Provava a mim
mesma que era mentira. Eu era desejada, amada, sentida por cada um deles. Eu sentia
verdadeiramente isso. E sinto ainda, mas hoje sinto de verdade, é muito real e forte. Não chega nem
perto do que eu sentia antes. A parede contra o amor que construí, Juan desmoronou tão rápido, que
não tive tempo de reconstruir. Então deixei...
– Mas vocês são tão perfeitos! – disse toda meiga.
– Eu sinto nossa sintonia, nunca me vi dizendo isso. Sério, Juan me pegou em cheio. Foi algo
totalmente diferente, ele me fez quebrar todas as regras que criei – sorri com alegria pelo amor dele.
Depois de toda loucura revelada, comemos bem e ela capotou. Fiquei na janela, ouvindo
minhas loucas músicas, observando uma fina garoa cair, tomando um vinho Carbenet seco e ainda
tentando ser mais forte que poderia suportar. As revelações às vezes acabam comigo, me deixam
vulnerável. Frágil. Eu nunca havia contado a ninguém sobre meus segredos. Será que Carla me
acharia uma louca? Não me importo. Na boa, ela pode pensar o que quiser, mas eu nunca me
arrependi de nada.
Pensando e vendo a situação toda hoje, eu fui sentida, fui amada naqueles momentos e cada um
deles teve sentimentos por mim. Para sempre vão lembrar-se de mim. Em cada momento, em cada
batom, lembrarão da Mel que não tinha um coração e que levava tudo na brincadeira. No momento
em que lia aquelas declarações, eu não ligava. Apenas eram simples palavras, para mim o amor era
simples palavras. Hoje vejo cada palavra pesada de sentimentos. Eu não deveria ter brincado com
eles, mas agora é tarde. Sou forte e depois tudo passa, hoje dou valor a isso. Espero que eles tenham
sentido algo assim.
Sua garota estúpida! – adverti-me antes de dormir pesado.
– Bom dia minha preguiça mais linda! – acordei com um beijinho doce.
– Hum. O que poderia ser melhor do que isso? – falei virada para o travesseiro, estava de bruços e
Juan montou em mim. Aproveitando a situação e mexendo os quadris em cima da minha bunda.
– Vocês deveriam me respeitar! Só digo isso. – Carla não virou para ver, mas sabia que dali vinha
safadezas.
– Pi rin pin pin pi rin pin pin! – Juan imitou um despertador. – Acorda minha gostosinha! Olha aqui
para mim! – outros beijinhos e a situação estava ficando insuportável, eu tinha que respeitar minha
amiga! Carla estava ao meu lado. Ela poderia fingir, mas seria bem arriscado e totalmente estranho.
– Juan, está de brincadeira, não é?! – falei brava por não poder fazer nada e sentir aquilo tudo na
minha perna.
– Não! Vamos ao banheiro... – falou bem baixinho, mas a Carla ouviu e levantou correndo, mas
antes de sair do quarto, jogou dois travesseiros em nós.
– Desgruda! Cacete viu? Não preciso ver isso! Eu vou pra fora, fiquem à vontade, seu tarado
matinal! – Carla saiu batendo o pé e Juan não brincava mesmo. Em dois segundos, ele tirou a
camiseta e entrou embaixo do edredom.
– Bom dia! Vim passar o dia com você – sussurrou de conchinha. – Olha como estou! – Juan puxou
minha mão e colocou em seu pacote alegre.
Céus! Que tesudo esse homem!
– Isso é tão chato, você me acordar assim... – levantei indo para o banheiro. Fiz tudo que
precisava para me recuperar para aquele homem em minha cama.
Juan ficou do jeito que veio ao mundo. Nu e sedutor. Estava deitado com as mãos na nuca. Assim
que saí do banheiro, olhei aquilo tudo em minha cama. Era a visão do paraíso. Juan sem roupa e
escondendo minha preciosidade no edredom, eu via o volume e sua entrada naquela barriga sarada.
Às nove horas da manhã!
Que delícia, que beleza monumental essa tentação.
Era um pecado magnificente, estrondosamente vigoroso. Era uma das minhas torturas favoritas,
masoquistamente falando.
Ah, Juan, não brinque comigo, eu sei ser perigosa...
– Vem, me ame! – falei e com Juan nada é para depois, tudo é instantâneo. No ato.
Ele jogou todo edredom pra fora da cama, sentado, ficou me encarando. Fiz graça na beirada da
cama. Levantando a blusinha do conjunto. Sem sutiã. E ah, sem calcinha. Eu nem contei a Carla que
durmo sem, senão ela me faria colocar. Juan mordia aqueles lábios e eu queria aqueles lábios em
outros lugares...
– Pare de morder essa boca linda! – falei num rosnado.
– E quer que eu morda você...? – perguntou com sua voz rouca do dia.
– Inteirinha...
– Vem cá, neném... – Juan puxou minha mão, fiquei de quatro no colchão. Ajoelhei na sua frente,
com suas mãos imensas, ele tirou a blusinha, devagar, passando as mãos em todo meu corpo,
mordiscou a cintura, o piercing, o contorno de meus seios, ah, como era delicioso. Ele mordia
devagar e deixava sua língua passear por meu corpo. Ficou ajoelhado como eu de frente, e observava
a beleza dos meus seios. Com delicadeza, ele os segurava, passando os dedos nos mamilos
atiçados... Fechei os olhos e inclinei a cabeça para trás, dando acesso a ele ao meu pescoço. Foi o
que fez. Segurou os cabelos em minha nuca, veio mordendo da base da nuca, passando por todo o
pescoço, uma mordida deliciosa e excitante, tudo em mim vibrava e eu o queria logo dentro de mim.
Juan sabe como ninguém me torturar. Beijava meu queixo e suas mãos vadiavam em meu corpo
quente, desceu até o short, enfiando a mão. Abriu um grande sorriso malicioso e muito excitante. Foi
até meu ouvido.
– Ah, Mel, por isso eu amo você, sempre preparada pra mim... – seu sussurro era tão quente, que
me arrepiei inteira.
Ainda me beijando, Juan tirou meu short, ajudei no processi. Desceu mordendo a clavícula, o colo
dos seios, os seios...
Ah, ali ele poderia ficar a eternidade...
Seus lábios tão certeiros em tudo. Novamente, contornou de ponta a ponta. Juan conhecia de cor e
salteado todo meu corpo, toda minha expressão. Eu sou dele. Minha. – escreveu outro dia em meu
corpo e dizia sedutoramente.
– Sua... – respondi sem ele perguntar. Juan gostou.
– Você é de quem, Mel? – perguntou segurando um punhado de cabelo no alto.
– Sou sua – murmurei.
Juan foi apontando em cada parte do meu corpo. Todas. E perguntava de quem era tudo aquilo, eu
dizia aos soluços, pois a cada parte que apontava, beijava e mordia.
– Essa quentinha aqui é de quem, Mel? – Juan havia afastado minhas pernas, estava agachado na
cama, à espera de minha resposta. Seus dedos brincavam nela.
– Su-su-sua... – gaguejei pelo o que ele fazia com os dedos, fazendo de novo mais intensamente,
levando-me ao primeiro orgasmo sem estar dentro de mim. Despenquei e ele voltou a me torturar.
Ahhh Juan...
O carinho que sempre teve comigo era tão intenso, o respeito por meu corpo, ali era o nosso
mundo. Eu me sinto tão bem com Juan explorando tudo em mim. É a melhor das sensações... Ele não
parava de mexer em meu sexo, fiquei extasiada e feliz, queria rir bem alto quando Juan tocava em
mim. Era muito tesão pra uma pessoa só. Eu não conseguia ter controle do meu corpo. Também não
queria ter controle, queria que Juan me deixasse fora de mim. Queria que ele me matasse de tanto
prazer. Num sentido poderoso que só ele sabe fazer. A única forma que encontrei nele. O prazer sem
fim.
Ainda estava deitada, quando enfim me puxou com sua violência romântica e escorregou para
dentro de mim, recuperando toda vontade dele, toda a fome que sinto dele.
Forte.
Deliciosamente torturante.
Eu queria mais e mais. Não me canso dele. As expressões ao me possuir sempre eram divinas,
seus lábios deliciosamente esculpidos, sedentos. Sedutor. Maravilhoso. Excitante. Delirante. Juan me
ama de um jeito diferente. Nosso. Nosso tesão, nossa vontade.
– Geme Mel, agora... – sua força em meu corpo fazia as paredes por dentro de mim, vibrarem.
Eram como um elástico sendo esticado e voltava com tudo. As contrações que ele projetava ao meu
corpo, eu as sentia. Vibrações eróticas.
– Ah, Juan, vem amor... Geme pra mim... – apertei suas costas, sentia seus músculos abaixo dos
meus dedos, Juan me fitou com seu olhar fervente.
Era agora, nosso clímax...
– Puta merda, honey... – grunhiu, mordendo meu ombro direito, chegando ao clímax perfeito, os
dois juntinhos...
Juan caiu por cima de mim, ouvindo nossos corações que batiam freneticamente juntos...
Apaixonados.
Escolhi a data de minhas férias, Juan talvez esteja planejando algo, mas estou fazendo primeiro.
Aliás, nem sei se ele já planejava isso há muito tempo. Com ele é assim, a cada dia uma nova
surpresa. Então o que vir dele, é lucro para mim, ando sem ideias. Eu só quero estar o mais próximo
possível dele, isso já me basta.
Troquei-me rápido, hoje o dia teria que passar rapidinho no serviço, é o último dia e logo estarei
de folga! Ufa! Enfim, ficar trinta dias em descanso total. Se bem que não vou ficar mesmo! Com o
Juan aqui, ou no apartamento dele, iremos nos cansar até não poder mais, até não ter mais forças...
Deixei os devaneios para mais tarde, peguei tudo e fui para o serviço.
– Bom dia! – ouvi atrás de mim, num tom forte e assustador. Virei-me rápido com o susto e quando
meus olhos bateram naquela pessoa, o medo tomou conta do meu corpo inteiro. Um cubo de gelo não
me deixou falar.
– Eu disse que voltaria! – ficou na minha frente, impedindo-me de sair.
– O que faz aqui, Thiago? – consegui dizer e tentei mais uma vez sair.
– Eu quero falar com você! – anunciou com uma feição que não era dele.
– Volte depois, estou indo trabalhar e não tenho tempo, ok? – tentei sair da situação, mas ele me
encurralou na porta do apartamento. Segurando forte em meus braços.
– Não, entre agora! – Thiago falou próximo de meu rosto, desviei.
– Solta. Não vou falar com você agora, estou indo trabalhar, saia da minha frente! – empurrei-o,
mas Thiago segurou com mais força meus braços me encurralando contra a porta.
– Abra. Agora! – seu olhar estava furioso. Realmente deixou-me com medo. Eu ainda estava com
as chaves na mão, voltei a abrir e entrei. Thiago entrou atrás fechando a porta.
– Eu disse que voltaria e quero que me escute com atenção! – falou bravo, porém sua voz era firme
e assustadoramente lenta.
– O que aconteceu com você? Não era assim, não precisa ser assim! – eu já queria chorar. Estava
com ele ali sozinha e sentia muito medo. Não sei o que ele poderia fazer comigo.
– Fica quieta! Eu te dei uma chance e você, sua idiota, nem ligou para mim! – fiquei vermelha e ele
sentou-se ao sofá, apontando para eu fazer o mesmo. Não queria obedecê-lo, mas seu olhar dizia que
era melhor fazer o que me pedia.
– Por que eu? O que eu fiz? – estava muito tensa, minha voz fraca quase não saía. Esfreguei as
mãos de nervoso. Thiago não parecia nervoso, parecia decidido.
– Você deveria se perguntar o que não fez! – falou com ênfase o não. – Mel, era tão simples,
sempre foi, mas você deixou tudo complicado. Não precisava de nada disso. Pensei que fosse mais
esperta. Aliás, quando eu a vi pela primeira vez, pensei “hum, essa será fácil!”, mas caralho, você
não facilitou em nada! Planejei em te apresentar ao Juan, porque queria tirar algo dele. Já que era
uma safada, era minha oportunidade. – queria arrebentar a cara dele. Idiota. Olhei furiosa pra ele e
acho que isso era ainda mais excitante ao Thiago, então mudei a expressão de raiva para uma mais
suave.
– Sabe Mel, vou te falar algo que não sabe. O Juan sempre foi o conquistador da história, sempre
andei com ele, e só ele pegava todas, eu sempre fiquei em segundo plano! Vivi por muito tempo na
sombra dele. Até que conheci a Carla, que era de família, uma moça meiga e sincera. Realmente me
interessei, gostava mesmo dela, mas todas que Juan sempre pegou, ficavam como uma tara para mim.
Algumas delas até peguei depois que Juan as deixava. Ele sabia, porque elas contavam ou fazia
questão de mostrar, mas ele nem ligava. Juan nunca se apegou a ninguém, apenas beijava, às vezes
levava para cama, nunca com sentimentos. Era tudo apenas físico, apenas por prazer – acho que
encontrei minha alma gêmea...
Eu queria sorrir, mas não fiz. Fiquei muda e com a face congelada. Só prestando atenção, tentando
entender o que ele queria. Onde Thiago queria chegar?
– E quando você apareceu, pensei, “Ela é igual a ele”, a Carla às vezes falava algo e você não
tinha vergonha na cara em dizer certas coisas na minha frente. Achava que eu nem ligava, mas tudo
que dizia me deixava louco. É muito idiota em achar que falar besteira para qualquer homem, mesmo
sendo amigo, que ele não vai imaginar algo com você. Eu ficava louco, mas sempre me controlei e
quando tive a ideia de te apresentar ao Juan, foi justamente para deixá-lo de quatro por você. Fazê-lo
provar o gostinho da derrota, mas deu tudo errado, a coisa saiu ainda mais perfeita, não é? Se
apaixonaram! Porra, esse não era o plano. Era para vocês ficarem, ele se apaixonar e você não! Por
que você, sua safada, nunca se apaixonou! Não era assim?! Mas o Juan conseguiu, palmas pra ele.
Agora, o que tenho que fazer? Eu tenho um plano ainda, mas vai depender de você. Se quiser viver
feliz depois disso aconselho que me obedeça, senão a coisa pode ficar feia... – Thiago caiu na
gargalhada.
Eu não vi graça alguma. O medo voltou. Tudo isso foi por ciúmes do Juan? Ele planejou tudo isso,
mas a vida, o destino, desviou tudo que ele havia feito, e agora estava perdido, confuso. Fazendo
besteira.
– Não há necessidade disso. Você era feliz com a Carla, pode ter certeza que perdeu uma grande e
adorável mulher. Carla gostava muito de você, mas você não foi homem suficiente pra ela! – não
queria pirraçá-lo, soltei sem querer.
– Eu não ligo! Tentei fazer meu melhor, mas sempre com pensamentos em meus planos. O meu foco
é fazer isso com Juan e não será sua ladainha que me impedirá, Mel! Tenha isso em mente, não faça
nada errado, eu sei o que quero! E você terá que ter consciência disso, ok? – seu riso era de nervoso,
ele parecia possuído.
– Fazer o Juan sofrer estava acima de seu amor por ela? – perguntei engasgada.
– Está acima de tudo! – concluiu com um olhar diabólico. – Essa é a minha doce vingança atroz! –
sua gargalhada era falsa e medonha.
– Isso é terrível... – deixei escapar algumas lágrimas.
– Não, você não sente o que eu sinto em relação a ele. O meu ódio cresceu a cada dia. Isso
acontece comigo desde os meus treze anos. Quando comecei a andar e sair com ele. Juan sempre foi
o popular da escola e todas queriam apenas ele. Depois que passasse por ele, poderia chegar até
mim. Não existe coisa pior do que ser sempre o bagaço, sempre em segundo plano e, ainda pior,
saber que elas apenas ficavam comigo porque sabiam que ele iria ficar ciente. Isso era vingança
delas. Não tinha nenhum sentimento, vontade própria. Tudo era apenas para atingi-lo. Juan me
agradecia quando eu ficava com elas. Juan ria da minha cara, só que ele não sabia o quanto isso
crescia dentro de mim... – sua voz era arrepiante, medonha, cheia de ódio, rancor e dor. Era triste.
– Como você mesmo disse, talvez Juan não soubesse o quanto isso o magoava e ele não iria saber
que elas faziam para atingi-lo! – tentei confortá-lo.
– Pode até ser, Juan era distraído demais. Ele não teve sentimento com nenhuma delas. Por isso
não ligava e muitas vezes até me oferecia algumas delas, mas cansei disso. Decidi que ele sofreria a
dor que sempre senti, mas seria com uma que fosse igual a ele. Demoraram tantos anos, mas enfim
achei você e minha promessa não se quebrará. Eu tenho que fazer isso, Mel, eu juro que tenho. Só
assim ficarei em paz. Você não tem noção do quanto desejei isso... – sua voz tinha uma dose de
amargura, tristeza e infelicidade. Coitado. Eu estava realmente com dó dele.
O que eu faria?
– Mas não pode fazer isso, eu amo o Juan e ele me ama. Thiago, nós somos amigos, você deveria
esquecer tudo isso e tentar ser feliz... – chorei.
– Pare de chorar, está me irritando. Não, não vou desistir. Mel, eu quero que saiba que sei tudo
sobre você! – disse como uma ameaça e em seguida caiu na risada. – Amigos, essa é boa! – falou
com sarcasmo.
– Não, você não sabe de nada sobre mim... – falei engasgada.
– Sei, sim. Dos nove homens, dos batons, ah, e do Richard. Sempre soube de sua queda! – hã? O
frio percorreu todo meu corpo, dentro de mim senti a queda. O medo prendeu-me, como ele sabia
disso?
– A Carla te disse algo? – assim que disse, me arrependi, acabei me entregando.
Estúpida.
– Está vendo? É tudo verdade, e não, Carla nunca me falou nada. Tenho escutas por todos os
lugares! – ainda ria com vontade e satisfação.
– Hã? Está louco? – queria manter a calma, mas não estava conseguindo.
– Pode ser, hoje vou te pedir apenas uma coisa. Preste atenção, ok? Termine com o Juan! – Thiago
parecia calmo ao dizer esse absurdo. Caí na risada engasgada ao choro.
– Até parece! Tem noção do que acabou de dizer? – ri ainda e ele ficou com um semblante sério.
– Não estou brincando! É sério. Termine com ele e depois vou te falando os próximos passos. –
ouvi meu celular tocando, levantei para atender.
Thiago não deixou, mandou-me ficar sentada.
– Eu acho que não vai querer fazer pela parte mais difícil, não é? – ameaçou.
– Deixa-me ver quem é no celular? – deveria ser a Carla ou o Caio, até mesmo o Juan. Eu não
tinha ido trabalhar e Thiago estava ali me prendendo.
– Não, concentre-se no que eu te digo! Estou dizendo que é para terminar, assim feito, me ligue e
poderemos seguir... – psicopata.
– Isso tudo está sendo muito ridículo. Vai embora e me deixe em paz! Segue sua vida, Thiago, por
favor. – levantei-me e fui até a estante.
Ele veio em minha direção, empurrou meu corpo e me apertou com força na estante, segurando meu
braço, com a outra mão apertava meu rosto. Eu queria gritar, mas ele tapou minha boca e sussurrava
perto.
– Fique quietinha. Vai ser melhor, não quero feri-la, me obedeça, Mel. Ah, Mel, sinto seu cheiro...
– Thiago cheirava-me e passava seu rosto em mim. Fiquei agarrada à estante, com medo, com nojo,
pois algo lá em baixo surgia encostando-se em mim.
– Sempre imaginei seu gosto, seu beijo... Escolhe um batom perfeito pra mim... – mordeu seus
lábios e mostrava sua vontade. Estava com uma repulsa gigante dele. Seu olhar sombrio e repugnante.
Ele não me soltava e me apertava mais. Meus braços estavam ficando bem vermelhos.
Em meus olhos, as lágrimas estavam descontroladas.
– Não será difícil, mas acho que queira um estimulante, que tal isso? Se não fizer o que te pedi, eu
conto ao seu namoradinho sua enorme queda pelo Richard! Posso ser capaz de inventar ainda mais
coisas, Juan não irá gostar disso e será pior, não acha? – soltou minha boca, mas segurava meu rosto
encostado na estante. Puxou minha mão direita e colocou em sua ereção nojenta. Apertou meus dedos
ali em seu jeans volumoso.
– Ele não vai acreditar em você! – grunhi com nojo dele.
– Vai sim. Juan confia em mim. Então vai por mim, eu juro, é só por um tempo! Até meu plano dar
certo, depois ele voltará correndo a você, e sei que como uma boa cadela, você irá fazer o mesmo! –
queria bater tanto na cara dele, até sangrar, mas ele me segurava como arame.
– Seu ridículo! – Ele sorriu, foi com seu rosto para mais perto do meu pescoço, mordeu de leve.
Um arrepio intrometido apareceu e isso o enfeitiçou.
– Sei que gosta... Olha só! Você é uma vadia! Não deveria ter mudado por causa dele! Era melhor
quando não tinha amor aí dentro, apenas tesão... Era isso que buscava, não era? – Thiago falava com
os lábios quase encostados aos meus. – Eu mereço um beijo por isso! – Thiago segurou meu cabelo
com força, puxando minha cabeça um pouco pra trás, para meu rosto ficar virado até ele, se
aproximou e mordeu meu lábio inferior, tentei empurrá-lo, ele apenas sorria.
– Deixa-me em paz... – choraminguei.
– Ficará. – Thiago passou as mãos em meu rosto e estava descendo. Descendo e descendo, para
todos os lugares...
Consegui empurrá-lo mais forte até ele desgrudar o corpo do meu.
– Tudo bem, serei paciente, mas eu sempre vou voltar. Sempre serei seu visitante surpresa. O
recado está dado. Vou te cobrar por isso. Beijos vadia e tenha ótimas férias, espero que sozinha... Ou
comigo quem sabe... E ninguém deve saber dessa minha visita, ok? Eu saberei! Lembre-se disso. –
Thiago foi saindo, bateu a porta atrás de si. Caí no chão... desolada.
Fiquei muda, sem rumo. O que deveria fazer? O celular tocava. Não queria ver quem era. Não
tinha voz para falar. Chorei por um bom tempo deitada no chão... E a cabeça não funcionava ainda.
Chorei como nunca chorei. Por nada e por ninguém.
Nada me fazia sofrer, mas agora isso é realmente terrível.
Eu não estou gostando de nada disso. Dessa dor.
Chorei. Chorei. E ainda choro...
Sempre tentei ser uma boa menina – sem coração –, mas ainda sim, uma boa menina, pois nunca fiz
mal a ninguém, nunca matei, nem roubei. Fui apenas uma garota feliz ao meu modo. Está certo que,
algumas vezes acabei magoando algumas pessoas inocentes com minhas teorias de vida. A ridícula
teoria de vida. Depois tudo passava e acabava sendo uma lição a cada um. Aprendi e aprendo todos
os dias. A vida nos empurra a certas atitudes. Quando num passado remoto, algo nos fere, depois
mais à frente, aprendemos a superar qualquer tipo de dor. Falamos "já passei por isso", só alguns
que ainda persistem nos próprios erros e, quando se dá conta, repetem e repetem a vida toda. Nunca
aprendem. Eu já sei de tudo que causei aos outros, pode ser que hoje esteja sofrendo as
consequências...
No entanto, não quero pensar assim, quero ter certeza de que fiz meu melhor, de que não vou me
deixar levar só por minhas bobagens, o que fiz passou, agora tenho que viver o hoje, e se estou com o
Juan é porque tem um motivo. Um destino traçado para nós dois. Não vou me deixar abater com
coisas pequenas. Vou resolvê-las, de algum jeito ou outro.
Depois de muito refletir, resolvi atender o telefonema do Caio, deveria dar uma satisfação.
– Alô? – falei com a voz presa, quase em silêncio.
– Bom dia dona Mel, suas férias seriam só a partir de amanhã, o que aconteceu? – Caio não estava
bravo ao falar.
– Desculpa, é que não acordei bem, vou ficar hoje, se quiser posso ir amanhã. – arrastei a voz para
dizer.
– Tudo bem, só fiquei preocupado. Faz o seguinte, volta um dia antes, pode ser? – Ele estava muito
compreensivo.
– Com certeza, obrigada por entender...
– Que isso, tenha boas férias... – fiquei com a impressão que ele queria dizer alguma coisa a mais,
mas não disse.
Eu poderia ligar para o Juan ou a Carla, mas ainda sinto que não devo falar, por enquanto vou
deixar a loucura passar, quem sabe depois comento algo.
Em casa, eu não poderia abrir o bico, porque pelo que me lembro, ele havia dito que tinha escutas,
será que ele seria louco em colocar aqui em casa? Quando? Onde? Levantei do chão frio e olhei em
lugares estratégicos, mas até o momento não tinha achado nada. O que deveria fazer agora? Meu
Deus, dai-me alguma solução...
Sem solução alguma em mente, dormi a tarde toda...
Acordei com o celular tocando novamente. Atendi.
– Oi Carla... – tentei não mostrar desânimo.
– Oi Mel, por que você não veio hoje? Suas férias não começariam amanhã? – a doce voz dela
estava me acalmando.
– Eram sim, é que eu estava um pouco enjoada, preferi ficar – menti.
– Enjôo? Vish...
– Não é o que está pensando, tenho certeza... Nessa área, sou bem cuidadosa... – era um alívio
mesmo.
– Ah sim, então tá, eu vou sair na sexta de férias, qualquer coisa passo aí para tomarmos algo,
pode ser? – ela ficava com a voz encantadora quando sentia vergonha ou quando achava que estava
sendo inconveniente.
– É claro que pode. Aliás, deve! Eu te aguardo. – tentei deixar a voz calma, ela não percebeu
nenhuma mudança. Ainda bem. Uma explicação a menos.
Depois que me despedi dela, eu poderia pensar em que fazer em três dias, sem falar nada a
ninguém, até ela aparecer por aqui, mas tinha alguém que viria, e esse alguém era o "principal"
atingido. Esse medo todo era principalmente como encarar Juan depois disso.
Fui bem durante os dias, sozinha ou quando Juan aparecia. Não tive notícias do Richard, pois saí
sem dizer que estaria de férias. Mesmo depois de tudo que trocamos em nossas frases com indiretas,
não o vi mais. Isso me causou ainda mais tristezas, eu gosto pelo menos de olhá-lo, mesmo sem poder
fazer nada, já era o suficiente. Mas esse "suficiente" já estava partindo para outros lados, que eu
poderia não aguentar mais... Digo por mim, já ele, todo misterioso, poderia ser mais direto. Bem no
tipo, "ou dá ou desce!". Richard não fala nada, isso me causa estresse à toa.
Vou logo ao mercado, pois estou quase sem nada e minha visita daqui a pouco estará aqui, gosto de
sempre deixá-la à vontade e satisfeita. Carla não é enjoada nem fresca, mas eu adoro fazer mimos.
Peguei minha bolsinha e, ao abrir minha porta, tudo em mim desmoronou. De vez. Meus olhos
focaram aquilo, com medo, com descrença, não poderia ser tão real, tão cruel. Eu jamais pensei
nessa hipótese e, agora, bem na minha frente, os dois... O que mais eu poderia fazer?
– O que fazem aqui? – perguntei com a voz embargada, nervosa e confusa.
– Oi filha, podemos entrar? – Ela disse.
– Oi Mel. – Ele falou sem emoção.
– O que fazem aqui? – repeti e não abri mais a porta.
– Nos deixe entrar. – proferiu mandão.
O Senhor-Folk-Velho-Babão não se toca que não manda aqui?!
– Só ficamos preocupados, recebemos uma ligação ontem, viemos para conversar e vamos
embora, nos deixe entrar, por favor, Mel. – Minha mãe parecia cansada e preocupada, não
embriagada.
– Entrem. – saí de frente da porta, eles passaram por mim. Encarando-me.
Meus pais na minha casa! Poderia existir algo pior, depois de tanto tempo?
Porra de visita, hein! – bufei e fechei a porta atrás de mim, encarei os dois.
– Ontem estava em meu escritório, recebi a ligação de alguém dizendo que você estava em perigo,
que estava sendo ameaçada e pediu para estarmos aqui hoje nesse horário. O que está acontecendo?
– eu sabia bem, mas quando iria dizer minhas verdades, a campainha tocou. Carla chegaria numa
péssima hora!
– Só um minuto! – avisei e fui abrir a porta. Outro frio percorreu todo meu corpo, me amarrando a
essa realidade cruel.
– Oi Mel, suas visitas já chegaram? – Ele friamente me olhava e sorria. – Não vou esperar você
me convidar a entrar, então, com licença! – passou por mim, mas antes voltou e sussurrou em meu
ouvido. – Fique quieta que tudo ficará bem. – só assenti. Meu medo estava me sufocando.
– Oi boa tarde, sou Thiago, o amigo da Mel. – aquele merda fingia muito bem.
– Oi, somos os pais dela. – Sra. Folk disse sorrindo. Do quê? Não existiam motivos para sorrir.
Eles estavam disfarçando também.
– Hum, que legal, seus pais? Ela nunca falou de vocês! – Thiago falou tão cínico, que eu queria
vomitar nele.
– Imagino... – O velho respondeu com um sorriso falso.
Eu era apenas silêncio.
Angústia.
Medo.
Raiva.
Pavor.
Um ódio crescendo dentro do meu coração...
Cadê o Juan nessas horas para me dar chão?
– Isso é muito feio Mel! – Thiago brincava, tirando-me do meu mundinho. – Mas então, o que
fazem aqui? Não é da minha conta, mas gostaria saber! – Thiago ria sozinho.
– Viemos a passeio. – O Velho-Que-Se-Diz-Meu-Pai falou brando. Eles estavam acreditando que
Thiago era meu amigo.
– E pretendem ficar? – Thiago alongou o assunto.
– Não, é só por hoje. Viemos resolver algo e já vamos! – Minha mãe disse.
– Ah, é uma pena, mas então, achei te tivesse dito que estaria a passeio? – O jogo dele estava
confundindo-os.
– Sim, passeamos, vamos resolver algo e partir. – Agora o velho foi mais firme. Thiago
gargalhava.
– Vocês são estranhos mesmo, deve ser por isso que ela não os aturou! Eu não conseguiria! –
Thiago ficou rindo sentado, minha mãe o olhava com descrença do que falava. O velho levantou do
sofá e foi para perto do Thiago. Cheguei para apartar qualquer tipo de reação de ambos os corpos.
– Pare com isso, Thiago, é melhor você ir embora! – falei com calma para não apavorá-lo.
– Mandei você ficar calada, não foi? – Thiago falou entredentes. Num rugido baixo.
– Então é você, seu malandro? Que está assombrando minha filha! – o Senhor-Que-Agora-É-Meu-
Pai tentou ir para cima do Thiago, fiquei na frente dele.
– Ela é uma vadia, sabe disso? Ficou assim por tua causa! Nunca deu amor a sua própria filha e
agora quer dar lição de moral? Enchendo a boca em dizer minha filha... Conta outra! Eu os chamei
aqui, pois quero dinheiro! Ou vocês fazem isso, ou ela sofrerá consequências brutais! E outra, tenho
amigos na polícia e uma delas está lá embaixo, não adianta fazer nada disso. Se tentarem algo, eu não
medirei esforços! – Agora Thiago parecia possuído. Ele levantou a camiseta e a ponta de um
revólver apareceu, estremeci. Os olhos dos meus pais arregalaram em choque.
– Pare com isso! Por que quis envolvê-los? – perguntei quase chorando, em descrença. – Por que
quer dinheiro? Eu te dou, tenho algumas economias, deixa-os de fora! – implorei e tudo que disse foi
como uma piada para Thiago, que caiu de volta no sofá rindo bem alto.
– Mel, você é uma idiota! Deixa-me aproveitar o que você nunca aproveitou! Diga a eles, o quanto
sente! O quanto não gosta deles e por que é assim. – Thiago estava me provocando, não iria cair na
dele. Os Folks não queriam saber de mim, eu nunca quis que eles soubessem da minha vida, mas
Thiago estava fazendo a lavagem de roupa suja.
– Do que ele diz? – Sr. Folk perguntou.
– Melzinha, pode deixar que falarei, meu bem. Fiquem sabendo que ela é obcecada por homem!
Usa seus batons vermelhos para seduzi-los! Isso começou quando você batia nela, para ela nunca
usar isso, que nunca seria amada dessa forma, bem, ela não é prostituta, relaxem, ela não ganha
dinheiro pra fazer isso, apesar de eu achar que seria mesmo um absurdo, sendo uma vadia. Ela não
sente amor por ninguém, talvez eu ache que nem por ela. Isso tudo que faz é apenas por prazer, é
terrível um pai saber disso, eu sei, é cruel, não é? Mas para mim, estar te dizendo tudo isso é bem
prazeroso, olha a cara dela... – Agora tenho certeza, a escuta está aqui em meu apartamento. O que
aquele infeliz estava fazendo? Acabando com minha vida.
– Ela decidiu o que é melhor a sua vida. Mel é adulta e sabe o que faz, nunca nos quis por perto, é
dona do próprio nariz, não nos interessa! – Minha mãe dizia firme, mas pelo que conheço dela, sofria
ao ouvir tudo isso. Quem não sofreria?
– Diga logo rapaz, o que quer? – Sua expressão fria mostrava o quanto estava digerindo toda a
informação. Eu me tornei o pesadelo dele. A putinha que tanto dizia. Era essa a expressão dele, pude
sentir. O velho sentou e esfregava as mãos, eles caíram no jogo do Thiago.
– Eu sei de alguns segredos seus, Sr. Roberto Folk. Sei de suas amantes e tudo! Isso eu poderia
colocar na primeira página de um grande jornal do Rio de Janeiro, São Paulo ou se preferir em todo
o Brasil, já que tem firmas e mais firmas espalhadas pelos quatro cantos do Brasil. Imagina a notícia:
"Dono de transportadoras e metalúrgicas é flagrado com várias amantes e deixa em casa sua
esposa alcoólatra e uma filha vadiando por aí, sem amor...". Isso é muita maldade! Então me pague
um preço justo e digno dessa reportagem! – Thiago havia parado de rir, encarava a todos nós. De
onde ele tirou tudo isso? Há quanto tempo nos observava? Nem eu sabia de tantas coisas assim. Bem,
nunca mais quis procurar saber, mas não seria novidade nenhuma.
– Seu moleque... – O velho levantou e foi para cima do Thiago, minha mãe gritou em desespero,
pois Thiago estava armado. Segurei o Thiago e ela o velho.
– Nem tente isso, estou mais preparado que você, não enrole muito, pois estou com pressa, tenho
toda certeza do mundo que a Mel não deseja a presença de vocês aqui. Seja breve, aqui está o cartão
com tudo que você precisa, caso fizer algo de errado, pode olhar só mais uma vez para esse rostinho
dela, pois amanhã essa vadia não estará mais sorrindo, estará comendo terra e os bichos comendo-a.
Que fique avisado, saia agora de São Paulo e não comunique a ninguém sobre tudo que aconteceu,
uma amiga vai acompanhar vocês, fiquem ciente que seus telefones estão grampeados. Vai logo, se
mandem e não olhem para trás. – Thiago foi preciso em suas palavras. Não balbuciava e nem
gaguejava. Eu não tinha mais chão. Nem sei em que mundo estava.
Os dois saíram. Minha mãe chorosa e meu pai raivoso. Olharam para minha face vermelha e cheia
de vergonha por tudo que aconteceu. Não é porque não me dou com eles, que teriam de saber minha
vida, principalmente, íntima. Ele abriu a porta e a fechou sem nem dizer tchau. Foi ainda muito pior.
Não sei o que pensaram de mim, se ficaram com medo ou o que vão fazer em relação a isso.
Eu não sei e nunca soube o valor do amor deles por mim...
– Agora eu vou embora, porque sua amiga vadiazinha júnior, sua aprendiz, já deve estar chegando.
Amanhã, você saberá o que vai acontecer e é melhor começar a agir, tudo bem? – Thiago segurou
meu rosto e mordeu minha orelha, forte. Cheirou-me e eu tentei empurrá-lo. – Shh, não viu que estou
armado? Está ficando louca? – agarrou meu rosto e mordeu meu lábio inferior, deixando quase
sangrando. Sugou minha boca, num beijo nojento e molhado. Puxando meu cabelo novamente, fitou
meu rosto cheio de medo. – Será que não consigo sentir seu tesão, por que você simplesmente não se
entrega pra mim, sua putinha de luxo? – mordeu novamente meu lábio e, na sequência, empurrou sua
língua dentro de minha boca, apertando seu corpo no meu, fazendo-me sentir sua vontade. Abraçou-
me fazendo sentir a arma e seu membro. Thiago sorria ao soltar meus lábios. – Você é melhor do que
esse beijo. Um dia eu te provo, Mel. Vou te foder todinha! – assim que disse, partiu. Olhando-me com
sua expressão mais nojenta, apertando seu jeans em minha direção.
– Inútil... – sussurrei chorando, assim que Thiago saiu pela porta.
Como o outro dia, sentei e chorei...
Uns quarenta minutos depois que já estava quase recuperada, havia tomado água com açúcar e um
relaxante para poder receber Carla. Quando ela chegou, eu estava com o rosto vermelho de chorar,
olhos e boca inchados.
– O que aconteceu? – perguntou assustada assim que entrou.
Eu não podia dizer nada, não porque não quisesse, mas porque ali tinha uma escuta que não havia
descoberto.
– Nada, é só uma dor de cabeça infernal que estou sentindo – menti na cara dura.
– Nossa, já tomou remédio? – Ainda bem que ela sempre acredita em mim.
– Aham, desculpa, nem comprei nada, quando ia sair, me deu uma pontada forte e resolvi esperar
você chegar! – menti novamente. Em partes.
– Ok, está tudo bem, eu trouxe pipoca para comer com leite condensado, chocolates e um pacote de
bolacha Calipso! Tem coisa melhor do que isso? – Ela me olhou desconfiada, pois se fosse algumas
horas atrás eu diria besteira, mas no meu estado de espírito, não consegui pensar em nada.
– Até tem... – arrumei forças para ela não ficar preocupada.
– Então, vamos assistir a um filme e comer bastante, essas férias prometem! – disse lindamente
empolgada.
Oh, nem me fala. – refleti sozinha.
Ah, minha amiga, queria tanto te contar o que se passa comigo...
– Eu não te falei antes, porque não perderia a chance de te ver pirar, mas vou te entregar agora! –
Carla fazia suspense, lambendo os dedos de chocolate e leite condensado.
– Fala logo, o que foi? – estava quase recuperada do susto, Carla me fez esquecer em partes.
– Calma aí, vou lavar a mão e vou te falar com calma... – Ela foi correndo para o banheiro
sorrindo, fui atrás dela.
– Vai me falando... – fiz cócegas nela.
– Lá lá lá lá lá... – cantarolava rindo de mim. – Você é muito curiosa, sabia? – lavou as mãos
enquanto me deixava ainda mais ansiosa.
– Aham, vai logo e não me esconda nada! – imaginei que era do Flávio e ela.
– Então... – eu a interrompi tapando a boca dela. – Que é isso? – falou afobada.
– Shh, vamos lá fora rapidinho. Vamos dar uma volta! – sorri, mas meu nervosismo ficou me
sufocando, ela não poderia dizer nada ali, eu não havia descoberto as escutas, então tinha que
prevenir.
– Está doida? Vamos ficar aqui! – puxou-me e ficou me encarando confusa.
– Não, pegue sua bolsa e vamos dar uma volta! – peguei a chave do carro e partimos. Deixei-a
começar a falar assim que parei o carro, bem longe de casa.
– O que é de tão importante? – brinquei revirando os olhos.
– Não precisa fazer essa cara, não é de mim que vou falar! – assustei-me agora.
– E de quem é?
– Do Richard! – Até o nome dele fez meu corpo esquentar.
– Sério, o que aconteceu? – perguntei aflita, ao mesmo tempo aliviada, por ela não ter contado
nada lá dentro.
– Ele perguntou de você! – falou com um sorriso imenso de alegria.
– Tá, o que ele falou?
– Perguntou o porquê de você não ter ido trabalhar, se estava doente, até confirmei sem muitas
frases, apenas um "sim", isso foi na terça. Na quarta, perguntou de novo, então avisei que você estava
de férias. Richard fez uma cara tão sentimental que fiquei com dó, era como uma notícia ruim, Mel, o
que você fez com ele? Na hora, o olhar dele revelou que precisava de você! Até fiquei até sem jeito,
mas ele soube disfarçar. Na quinta, pediu-me para te entregar isso! – Carla entregou-me um envelope
vermelho.
– Nossa, o que é isso? Richard deve ser meio louco! Ele me ignora, mal fala comigo, agora me
vem com essa? – Mesmo assim gamei! E seu cheiro estava ali em minhas mãos, meu coração batia
freneticamente na ponta dos meus dedos frios no envelope vermelho...
Vermelho!
“Para isso dar totalmente certo, eu fui sem batom.”
20- O dia, o local e a razão
“Espero que tenha gostado, estarei te esperando... Ah, não se esqueça: Passe seu batom
vermelho.”
- Gente, esse cara é um doido! – estava tensa com aquele envelope em minhas mãos frias.
Estava muito feliz apesar de tudo. Enfim, ele pensa em mim! De alguma forma pensava!
– Abre logo, estou morrendo de curiosidade! – Carla falou ansiosa demais.
– Ok, vou abrir! – puxei um adesivo de bolinha branca e ali estava tudo...
– Olha só isso, hum... – havia um cartão com o telefone dele.
– O que está escrito? – Ela começou a ficar tensa.
– É um cartão dele, lá do escritório e aqui atrás está assim:
“Olá Mel, senti sua falta por aqui! Liga-me para terminarmos aquela nossa última conversa, beijos. Richard.”
– Hum, que letra linda! – falei alto e disfarçando o que tinha acabado de ler.
– O que conversaram que não me contou? – Carla falou brava.
– Não conversei nada! – desconversei. Depois falaria tudo, se desse certo.
– Sua mentirosa! Você vai ver, viu! Vim até aqui só para te entregar esse envelope e não me diz
nada! – fez beicinho, sorri, pedindo que fosse mais complacente, que tudo teria sua hora.
– Não seja birrenta, vai saber na hora certa! – prometi com a voz doce e cheia de alegria por
aquele cartão.
– Mas ele deu em cima de você? – perguntou ainda cheia de curiosidade.
– Mais ou menos, eu que dou em cima dele descaradamente, só que dessa vez ele retribuiu! – Carla
escancarou a boca.
– Minha nossa! – ficou com seus olhos azuis intensos.
– Ah, não me olhe assim, pare com isso. Foi apenas uma vez, isso nem quer dizer que me levaria
para cama! Que não seria uma má ideia! – caímos na risada. Parti com o carro, antes de ela fazer
perguntas demais.
– Mel, hoje eu vou embora cedo, pois tenho umas coisas a resolver, marcamos durante a semana
para fazer algo, ok? – avisou.
– Pode ser! Obrigada por fazer meu dia feliz! – balancei o cartão.
– Sem-vergonha! – abraçou-me e partiu.
E eu fiquei no meu medo novamente...
Essa semana teria que programar algo diferente, um tanto inteligente e necessário. Jamais pensei
em passar por tudo isso, então o que mais eu poderia fazer? Já estava na merda mesmo...
Juan me ligou e disse que ficaria comigo por uma semana toda! Como uma mini férias, tudo para
ficar sentindo meu cheiro, meu sabor, para fazer muito amor, com nossa brincadeira incansável...
Palavras de Juan Vasco.
O idiota do Thiago não ligou e nem apareceu por aqui, não sei como me recuperei rápido de tudo
que aconteceu. Aliás, sinto que o pior está por vir.
Qual será o verdadeiro intuito dele em ter chamado meus pais para minha casa? Lógico, além da
grana, que nem sei se aconteceu! Aquilo consumiu meu ser mais do que a própria presença do
Thiago, as ameaças dele sem fundamento. Meus pais não retornaram nenhuma ligação. Nem para
dizer: "Oh, estamos bem, e você?". Eu os envolvi numa desgraça só, com direito até sair na primeira
página de um jornal, mas como conheço o Sr. Folk, ele daria seu jeito de calá-lo, não seria a
primeira vez dele. Por isso a tranquilidade.
Talvez até tenha pensado que eu estava junto com o Thiago nessa e não acreditou em mim, quer
saber, não tô nem aí! Da forma em que me olhou quando Thiago contou sobre minha vida particular,
aquela expressão de vergonha total... Se tudo isso acontecesse antes de conhecer o Juan, diria que
fiquei satisfeita com sua dor, sua descrença em ver tudo isso, mas apenas ele saberia que fui amada...
E sou!
Ouvi o interfone e fui atender.
– Srta. Mel, tem uma entrega aqui pra você! – O porteiro anunciou.
– Pode deixar subir. – avisei, o gelo voltou em meu corpo, uma corda me prendeu totalmente.
Aguardei, mas estava com muito medo. Seria do Thiago?
A campainha tocou e fui receber. Com um nó no corpo inteiro.
– Olá, bom dia! Srta. Mel Folk? – Um rapaz charmoso veio falando mole assim que me viu.
– Sim, o que seria? – Ele estava com uma caixa gigante ao lado e um lindo buquê de rosas na mão.
– Isso é para você, esse também, assine aqui, por gentileza! – estendeu um papel. Assinei, bati a
porta com o pé, puxei tudo para o centro da sala. Poderia ser uma bomba do Thiago, como eu
saberia?
Olhei as rosas lindas e me encantei. Derreti ao pegar o cartão e ver seu nome ali. "Juan Vasco".
Ufa, não morreria hoje.
Abri o cartão e ali estava a prova de todo seu amor.
Mel, eu te amo! Quando te vi pela primeira vez, o fogo acendeu nossos corpos e, numa explosão, foi nossa primeira noite. Desde
então, nunca mais a tirei da cabeça! Não sei o que fez comigo, mas sei que amo o seu jeito, seus olhos verdes brilhantes que sempre
dizem a verdade para mim. Nunca mentem. Seus lábios que me queimam a cada beijo... E seu corpo que tanto necessito ao meu lado.
Mel, obrigado por me deixar entrar em sua vida e fazê-la a mulher mais feliz, bem, eu acho que faço! Se não, tentarei pelo resto de
minha vida, ao seu lado se me permitir... Seremos eternos amantes... Eternos namorados. Porque sempre irei amá-la loucamente, de toda
minha alma. Meu amor, minha vida, minha perdição, minha tentação... Minha eterna paixão. Amo você.
Juan Vasco.
Seu lindo.
Abri a caixa e um monte de doces importados, uma lingerie vermelha linda, um arquinho com
orelhas as Minnie com laço vermelho e bolinhas brancas, e uma caixinha vermelha com uma fita
branca. Abri e, para minha surpresa, dez batons vermelhos, cada um de um tom diferente! Encantador.
Amei. Dentro da caixinha, o seguinte recado:
"Dia: Hoje à noite na minha cama! Quero você com meus presentes! A melhor de todas as razões, eu te amo!"
Minha felicidade o queria logo ao meu lado para beijá-lo e abraçá-lo, mas ele estaria ali
rapidinho, com apenas uma ligação.
– Oi... – falei manhosa. E já animada.
– Hum, esse sussurro é tudo de que preciso!
– Obrigada pelos presentes... Amei todos e estou muito afim de você aqui bem pertinho, já que
estou com um deles... – Juan soltou um leve gemido. – Amei esse arquinho... – murmurei.
– Minha Minnie gostosa! – gemeu. – Amor, irei perto da hora do almoço, vou levar uma comida
supergostosa como você! – falou de boca cheia.
– Ah, pensei que já estivesse pronto seu almoço aqui... – minha voz se tornou delirante ao ouvido
dele.
– Minha Minnie você minha sobremesa, honey! Vou levar algo apenas como complemento... Para
nos fortalecer depois... – rimos juntos. Juan não perderia por esperar.
– Ok, fico no aguardo... baby!
Ajeitei o apartamento, fiquei fuçando em tudo para ver se achava as tais escutas, nada!
12h15. A campainha tocou.
Uma respiração acelerada – dele.
Um coração batendo forte – meu.
Abri e vi seu rosto liso e maravilhoso. Juan estava com sua charmosa roupa branca.
Deliciosamente atraente. Estava apoiado com o braço esquerdo no batente da porta encarando-me
inteirinha. Sua boca sexy estava pendida só à espera dos meus lábios. Vagarosamente eu o vi
passando a língua nos dentes superiores entre os lábios, como se estivesse umedecendo-os. Seu olhar
parou em meu decote, queimou minha pele, eu já sentia seu efeito em meu corpo, como se estivesse
me tocando. No entanto, estava um pouco sério demais. Eu iria fazê-lo relaxar em meu corpo... Ou
em meus lábios vermelhos...
– O que aconteceu? – estava com o arquinho, uma blusinha vermelha de alcinha decotada,
mostrando o sutiã vermelho de bolinha branca, a saia branca que usei no rancho, sem calcinha.
Apesar de estar sexy, estava com medo da reação dele, uma expressão séria demais.
– Você tira todo meu foco. Rouba todo meu ar... Vem cá... – Juan puxou-me da porta e o alívio
escorregou sobre meu corpo. Assim que me agarrou e beijou minha boca como se fosse sua fonte de
energia. Eu me perdi em seu beijo molhado, em sua língua que brincava com a minha...
– Que susto, Juan! – ainda estava grudada em seu corpo. Ele me beijava puxando meus lábios.
Deliciosamente curtindo minha língua passear dentro de sua boca molhada.
– Já te disse o quanto é linda? – cantou em meu ouvido.
– Aham, eu já te disse isso hoje?
– Não... – fez beicinho o qual eu mordi.
– Meu gato, então vem cá, meu homem mais lindo e bicudo! – segurei em suas enormes mãos e o
levei até o quarto.
Ao deitar-se em minha cama, seu olhar passeou em todo meu corpo e me queimava. Era fulminante.
Juan ficou deitado, escorreguei as mãos em sua camisa branca, tirei com cuidado para não sujá-la ou
amassá-la, pois ele voltaria para o serviço. Era apenas um almoço, junto a uma rapidinha amorosa.
Não tirei a roupa e nem queria, Juan colocou três travesseiros nas costas junto à cabeceira da
cama, sentou-se no meio dela. Tirei seu sapato chique num branco invejável. Meu homem é todo
chique.
Enquanto eu tirava seu sapato, ele abria o zíper com todo cuidado do mundo, mordia aquele lábio
lindo e sorria torto. Seu olhar magnífico era quente, como águas ferventes.
Levantou o quadril e puxou a calça jeans, deslizei o restante dela. Dobrei e coloquei tudo na
poltrona do quarto. Sua boxer branca me atiçava tanto... Eu não consigo explicar, mas cueca branca é
minha tara. Só pode. Aquele pacote lindo em minha frente me atiçando e deixando minha imaginação
ir além. Subi deslizando minhas mãos em sua canela, passeando com os dedos em seus pelos macios.
Ele apertou-se contra a cama, fazendo sua panturrilha ficar invejável e firme. Linda. Brinquei com as
unhas e subi com um olhar matador. Mordi meu lábio já com um batom vermelho. Sim, eu já estava
com uma cor que ele me deu.
Beijei perto de seu pé, canela e joelhos. Juan tem joelhos tão lindos, enquanto ele movia os
músculos, eles ficavam tão definidos, mordi. Ele sorriu. Acho que fazia cócegas. Dei vários beijos
vermelhos nas coxas torneadas e musculosas dele. Belas pernas, aliás, deliciosas. Cheguei perto da
barra da boxer, Juan me fitava sorrindo, e sabia das minhas travessuras, minha tara por boxer. Ele faz
pra me pirraçar e atiçar. Ainda bem... Pulei meu brinquedinho volumoso, fui até sua barriga seca e
bem definida.
Minha nossa, como é dura e firme!
Mordi os pequenos músculos, perto do umbigo, desci com a língua o caminho da felicidade, que
daria no meu paraíso.
Daqui a pouco, relaxa, Juan... – dizia através do olhar.
Subi até seus desenhos, no peito que subia e descia na vontade. Estava ofegante. Beijei o pescoço,
seu pomo de adão, vários e vários beijos. Vermelho. Vermelho sangue. Vermelho sexy. Vermelho
penetrante. É assim nosso amor. Vermelho. Senti seu perfume em todos os lugares e em seu rosto de
barba feita, o cheiro de pós-barba.
Santo Deus, embaixo da saia estava fervendo...
Fui até seu ouvido, e sussurrei.
– Você me ama? – Juan se arrepiou todo.
– Amo, amo demais – sussurrou quente. Senti a quentura em minha pele sedosa. O toque dele
deixando o efeito luxuoso do arrepio.
– Ama demais quem? – grunhi no ouvido dele.
– Você... – Eu o torturava, estava sentada em seu colo, Juan sentia o quanto estava quente, ele
queria me tocar, segurei suas mãos. Ele sorriu.
– Eu quem? – fui com o ouvido até seus lábios. Ele queria se soltar e me apertar nele, mas eu
apertava meu quadril em seu pacote.
– Você, minha Minnie... Mel, deixa-me entrar em você? – dizia entredentes, cheio de vontade.
– Você quer isso, Doutor Vasco? – sussurrei em seu ouvido. Isso estava fazendo-o pirar, Juan subia
seu quadril para eu sentir seu poder.
– Quero muito Mel, deixa-me... – fechou os olhos, sussurrando em meu ouvido. Em minha pele o
arrepio só dele.
– Então é assim, Juan! – falei firme, deixei seus braços soltos, puxei sua cueca, e sentei em cima
dele. Tudo rápido, sem mais enrolar.
Céus, como ele estava quente!
Delicioso. Meu homem. O poder do meu homem...
– Ah, honey... Você é poderosa... – grunhiu cheio de prazer, e seu olhar em mim era tão prazeroso,
ele me desejando. Tomando-me em seu corpo.
Eu sou sua!
– Shhh... – o silenciei com um beijo. Uma mordida. E entrei mais fundo. Enterrando-me ao corpo
dele.
Eu o calei, fazendo todo o trabalho sozinha em cima dele, eu era poderosa! Em meus movimentos
firmes e lentos. Eu estava dominando meu homem, e Juan estava adorando isso. Segurou minha
cintura, tentando tirar minha roupa, puxou a barra da blusinha, tentou levantar a saia, mas meu olhar o
repreendeu. Juan ficou sem entender, mas não tentou tirar mais, eu era a Minnie gostosa dele. Era isso
que ele sussurrava, até nosso clímax.
– Geme Minnie, geme... – seu sussurro era prazeroso, delirante. Apelativo.
Juan me apertava mais e mais, levantava os quadris para dar mais forças, e acesso a mim. Era tão
excitante e gostoso cavalgar em meu homem. Eu dominava, era a dona da verdade. Do nosso sexo
sem fim.
– Quero beijar sua boca, vem cá... – gemeu baixinho, com seu olhar firme ao meu.
Cessei minhas investidas e fui até a boca dele, adiando nosso clímax, relaxei no quente do nosso
corpo junto, o dele já suado. Juan beijou-me tão forte, buscando minha energia naquele beijo, segurou
os fios de minha nuca, deixando-me presa a ele, naquele beijo sufocadoramente prazeroso, Juan deu
duas estocadas firmes e gozamos juntos...
Todo o latejar, o quente, a sensação arrepiante, estavam correndo em nossos corpos, olhei com os
olhos rendados e cheios de amor por ele e via seu prazer ao fazer isso, seus lábios num O perfeito.
Juan apertava-me em seu corpo, buscando atingir meu âmago e conseguiu... Caí derrotada...
Depois que relaxei, queria gritar com ele, queria bater tanto nele só por ele ter feito isso, roubar
minha cena. Ele me enganou, não dominei o momento. Caí fraca em seus braços, e ele sorria em meus
cabelos. Saboreado e satisfeito de sua vitória sobre nosso orgasmo magnífico.
– Você me enganou! – brinquei batendo de leve em seus ombros e beijei sua clavícula, na
sequência, o mordi forte.
– Ai, minha linda! Não faz assim, se for para morder, deixe comigo! – ameaçou. – Mas enfim,
consegui, hum, isso foi bom! – sussurrou puxando novamente meu cabelo, fazendo-me olhar para ele.
– Descarado! Eu estava dominando, sabe disso! – falei encarando a cara de pau mais linda dele,
ficou fingindo.
– Sei? Você me domina em todas, Mel, você é minha e eu sou completamente seu... – um beijo
caloroso ganhei. Com direito à mordida.
– É claro! – retribuí o beijo com outra mordida.
Saindo de cima dele, Juan me acolheu em seus braços, segurando-me como um neném. Apertou-me
em seu mundo, seu abraço, nosso mundo.
– Mel, durante todo esse nosso tempo juntos, aprendi muito com você e, às vezes, não sei como
tudo aconteceu tão rápido! Eu não consigo me lembrar de antes, digo, antes de você, é como se algo
tivesse apagado meu passado, e apenas existisse você... Vou te revelar alguns segredos, na verdade,
nem é segredo, mas nunca fui um cara romântico, não assim como sou com você. Nunca destratei uma
mulher, mas também nunca havia me apaixonado. Quando me falaram de você, houve de primeira
uma ligação, fiquei te imaginando por dias, é sério, não ria! – agarrou-me e deu beijinhos. Logo em
seguida, ficou de joelhos na cama, me olhando espreguiçar. Eu só queria ficar o resto do dia, ouvindo
cada palavra e o som de sua voz melosa.
– Mel, quando o Thiago falou de você, fiquei extasiado, por um bom tempo, tentei te imaginar, pois
ele me deu cada detalhe de você... E ele foi intenso. – era de se imaginar. – Quando te vi, era ainda
melhor do que minha imaginação! Eu sei que pode parecer loucura, mas quero ficar com você todos
os dias de nossas vidas, eu quero acordar com você, sentir seu cheiro, te beijar a hora que desejar.
Assim quando meus olhos bateram com os seus, senti que seria algo diferente, e juro a você, eu
jamais senti isso. – Os olhos azuis dele eram como tranquilizantes para mim. Estava entorpecida na
imensidão de suas palavras doces.
– Eu sinto o mesmo Juan, não sei se sabe algo do meu passado, algo que talvez não queira saber,
mas a única coisa que posso dizer é que talvez eu tenha sido um pouco pior no passado, amarga,
como quando você me conheceu e esteve disposto a mudar isso. Nunca namorei antes, pois nunca
quis me apegar a ninguém, nunca deixei alguém chegar tão próximo do meu coração, pois ele não
batia, não existia. Só que quando beijei você, ele começou a martelar devagar, com calma, até o dia
que me pediu em namoro. Aí, meu bem, explodiu o muro de concreto que tinha criado. O gelo
derreteu dentro de mim, pude sentir de verdade todo seu calor, seu amor intenso por mim, foi então
que comecei a mudar... – calei-me, lembrei tudo que Thiago estava programando fazer. Entristeci,
mas Juan estava com um lindo sorriso e isso poderia não me deixar fazer a escolha certa. Eu já tinha
um plano. Esse plano daria muito certo. É o que eu acho.
– Mudou para melhor, minha Minnie, mudou para melhor! – Juan começou a beijar das pernas e foi
subindo num ritmo gostoso. Ele tem um toque que é só dele, que me faz perder o ritmo da coisa toda,
e entrar só no ritmo dele. Ficamos deitados ouvindo nossa respiração entre cada beijo bem dado, até
a hora da fome bater de vez.
– Hum, lasanha! – minha boca encheu de água.
– Lasanha quatro queijos, medalhões de carne, deliciosas batatas ao forno e molho branco. Tudo
para nos fortalecer! – seu sorriso já me alimentava.
– Então vamos, estou faminta! De você... – pisquei e ele aprovou.
Eu jamais consegui cozinhar com ele, Juan não me larga um segundo, é beijo pra cá, apertões para
lá, a melhor das sensações.
O que eu poderia achar ruim nisso tudo? Ah, sim, a presença do Thiago em nossas vidas
perfeitas...
Quando estávamos voltando para o quarto, ouvi meu celular vibrando, mensagem à vista. Para
minha surpresa, era de um número desconhecido, mas a mensagem não era desconhecida.
"E aí, vai demorar por mais quanto tempo, eu não tenho todo tempo do mundo, termine logo,
antes de qualquer besteira! Thi."
Imbecil. – bufei mentalmente e apaguei antes de Juan ver. Era agora e tomara que meus planos
deem certo... Respirei fundo ao chegar no quarto, Juan já estava nas cobertas a minha espera.
– Se troca – falei baixo e sem emoção.
– O que foi? – perguntou desconfiado.
– Vem, vamos dar uma volta... – fui à caça de uma roupa e ele se trocou. Saímos num silêncio, Juan
ainda sem entender e eu matutando...
****************************************************
Semana dura. Sem ver a Mel e a Mariana cheia de "não me toques". Não sei mais o que fazer
para agradá-la! Meu Deus, o que foi que eu fiz para merecer isso? Não estou forçando a barra
com ela, só quero que ela saiba que estou aqui, sempre que precisar e que não desisti de nós.
Mariana está cheia de problemas e é claro que eu sei que ela perdeu a visão, está se
recuperando, mas poxa, só quero dar o máximo de atenção e ela só me ignora. Está parecendo que
não quer minha presença e está fazendo de tudo para parecer que estou ali apenas por dó.
Essa semana nós brigamos umas cinco vezes só porque eu queria ficar sentado ao lado dela,
passar as mãos nos seus cabelos, sentir o seu cheiro, apenas isso. Ela me vem com historinhas que
"estou necessitado" e ela não pode fazer nada! Ela pode sim, está viva! Será que sabe disso?
Isso está me corroendo de todas as formas dolorosas possíveis. A Mariana sempre foi uma
pessoa egoísta, só pensava nela, primeiramente "ela", depois os outros. Sempre enxergou a vida
como se tudo dependesse de grana! Ela tem dinheiro, sua família é rica, só queria pessoas ricas,
poderosas e lindas ao seu lado. Onde estão essas pessoas que tanto fazia questão de estar ao
lado? Ninguém agora está do lado dela... Somente eu.
Até sua mãe às vezes olha para ela com desprezo e sinto vontade de chacoalhar aquela velha.
Fica dizendo pelos cantos: "Onde está minha filha perfeita?". Caralho, ela não enxerga como está
a situação da garota? Ainda diz essas baboseiras!
Sumi da frente dela, só para não responder esse absurdo. O pai dela, o Sr. Jorge, é o único da
família que sempre está ali com ela. Um paizão. Ele nunca aprovou o que a filha fazia, em
desprezar algumas pessoas, deve ser por isso que hoje está sempre ao seu lado, ela passou a ver
com o coração.
Outro dia me deu vontade de chorar com que disse:
"Sabe Ri, hoje eu vejo que nunca tive amigos, fui tão cruel a vida toda, enxergava o lado bom, a
beleza, agora me sinto só, tenho um vazio aqui, e agora tudo é escuridão nos meus olhos..."
Isso me tocou, e faz com que eu não saia do seu lado. Mesmo desejando outra mulher, não
mudará em nada em relação à Mari, eu a amo, sinto de verdade muito que aconteceu e quero fazê-
la viver novamente. Ainda que eu mate meus desejos, não sei ao certo o que fazer, mas apenas sei
de algo: eu ainda quero a Mel em meus braços...
Na terça-feira fui até o escritório e nada dela por lá, fiquei tenso, tinha planejado algo, e não
deu certo, pois na quarta fiquei sabendo que estava de férias. Como poderia colocar meus planos
em prática? Fiz dois cartões, um com o dia, o local e a razão de estar fazendo tudo isso, e outro
apenas com um singelo cartão do escritório. Enviei pela Carla, que também iria sair de férias. Eu
sinto que Carla tenha me avisado, pois se caso quisesse algum contato com a Mel, ela faria. Foi
justamente o que fiz. Enviei através da Carla o envelope com um cartão no caso de ela querer
ligar ou mesmo nos encontrarmos. Quem sabe tudo isso se torne real?
Tenho quase certeza de que a Carla sabe de tudo, ela tenta nos ajudar, de alguma forma, sinto
isso. Ela apenas ri da situação. Tenho certeza de que verá o cartão, mas na boa, eu sei que não
nos ameaça em nada.
Nada da Mel ligar. Carla me disse que iria entregar na sexta-feira a ela e hoje, uma semana
depois, ainda nada. Eu deveria tentar conseguir o número dela. Quem sabe eu ligando, ela pode
acabar acreditando? Não, eu não farei isso! Decidi. Vou para a casa da Mari, lá tentarei esquecê-
la.
Como se fosse possível...
Essa mulher de fogo com lábios proibidos...
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Voltei solitária para casa. Juan voltou a trabalhar, ele tinha apenas o horário de almoço. Hoje,
sexta-feira, tem mais consultas ainda. Só durante a semana que vem teria a folga que tanto deseja
comigo, só não sei ainda se passará comigo...
Eu não tinha levado o celular, para não ter o desgosto em ver outra mensagem do Thiago, e foi o
que exatamente ele fez, tinha mais duas mensagens novas.
"Ainda não recebi nenhuma informação, vamos, tic tac... Gatinha... tic tac... Thi”
"Olá Mel, é o Richard, tudo bem? Você sumiu, aconteceu algo? Hoje estava
conversando com a Mariana, ela me perguntou de você! Está muito mudada e isso
está me surpreendendo a cada dia. Engraçado, eu estava pensando em você e ela
acabou me pedindo para te enviar uma mensagem! Claro, não li toda essa
mensagem para ela, mas quero que saiba que ainda espero por aquilo... Com
carinho. Richard.
Ah, vê se vem visitá-la, ela quer muito! Ps.: eu também... Beijos."
Oh gosh!
Só me faltava essa. Olhei o número que ele tinha enviado e foi o mesmo que me deu no cartão.
Eu sempre o paquerei descaradamente, agora Richard me vem com essa? Como posso resistir a
isso?
Relaxa Mel, relaxa... – Eu me abanava mesmo o frio que estava, meu corpo fervia emoções de
receber essa mensagem.
Resolvi retornar ao Richard.
"Oi Richard, estou bem sim, obrigada por avisar sobre a Mari, espero que esteja
bem. Mande beijos a ela. E o que poderia dizer sobre o que me enviou? Deixou-me
desconcertada. Ok, sempre dei descaradamente em cima de você, mas o que posso
fazer agora?"
Fiquei ansiosa por sua resposta, isso não era justo, não era certo. Mas fiz.
Dois minutos e a resposta.
"Li sua mensagem pra Mari, não toda, relaxa! Ela ficou feliz e espera uma visita,
assim como eu. Mel, quero que saiba de uma coisa, eu acho você linda. Poderíamos
sair para conversar a sós, o que me diz?"
"Onde?"
O que eu estava fazendo? Não era possível que isso estava acontecendo! Fui tomar um banho
rápido e fervente, assim como meu corpo...
Parti para meu encontro, apenas um encontro, não poderia fazer nada, por enquanto, e para isso
dar totalmente certo, eu fui sem batom.
Cheguei primeiro que o Richard, afinal moro a cinco minutos do shopping, mas não se passou
muito e logo ele estava estacionando na minha frente. Desci e o aguardei. Richard estava todo lindo,
com aquele sorriso preso e safado. Quando me viu sua feição mudou de tal forma que era algo
totalmente novo, seu olhar sobre mim totalmente diferente. Era como se estivesse... Querendo.
Esquece Mel... – disse ao meu interior.
– Oi – falei e ele se aproximou, ficando de frente.
– Olá Mel. – Richard disse aquele "olá Mel” que é só dele. Aproximou-se e beijou meu rosto.
Lento, quente e suave. Aquela barba rala só para me atiçar estava ali em seu rosto perfeito e lindo.
Ele me abraçou carinhoso e, deliciosamente, passava as mãos em minhas costas, roçando a barba em
meus ombros nus. Richard faz de propósito em me deixar inteira querendo o corpo dele, só pode. Eu
não aguento... Derreto. Talvez ele sentisse todo esse efeito em meu corpo quente e adorasse...
– Vamos? – Richard colocou a mão direita no meio de minhas costas e deslizou devagar até quase
o cós da calça jeans. O fogo correu seu percurso, traçava o caminho de sua mão.
– Aonde quer ir? – perguntei quase sem fôlego.
Por que ele me atiça tanto?
Era demais essa sensação, ainda mais sabendo que ele quer algo. Seu sorriso preso denunciava
isso.
Que delícia de homem...
– Vamos ao Fran's Café, pode ser? – seu sorriso atingiu várias vezes meu ser. Sua voz rouca
roubava toda minha atenção, como magia. Sinto-me em seu mundo, enfeitiçada por ele. Richard tem o
poder de me fazer esquecer tudo. Tudo que me cerca.
– Pode – consegui dizer. Richard encarou-me sedutoramente, sorriu, e aposto que ele sentia minha
tensão junto dele.
O silêncio prevaleceu. Eu apenas quero ainda acreditar que tudo é verdade, real. Essa tal verdade
me deixa perdida, confusa e, acima de tudo, cheia de vontades. Vontades inigualáveis de Richard.
Tentei o percurso inteiro manter a respiração controlada, para também ele não me achar uma doida
descontrolada ao seu lado. Preciso que ele me sinta, mas de um jeito sensual, não de um jeito
agitado.
Chegamos ao tal café, Richard fez as honras puxando a cadeira pra mim. Sentou-se na minha frente,
mas seu olhar estava perdido em meus lábios, em meu corpo... Eu já queria seu toque, seus lábios
macios. Sentir sua barba em todo meu corpo.
Tentação da porra! – chacoalhei a cabeça tentando esquecer o encantamento dele. Richard sorriu
quando me viu fazer isso, acho que ele tentava adivinhar meus pensamentos.
– O que aconteceu? – pigarreei para afastar o nervoso, Richard sorriu e me encarou com um olhar
de chocolate derretido, estava radiante e lindo.
Santo Deus.
Olhar esse homem de tão perto, é tentador demais... Deveria ser proibido.
– Está sem batom? – Richard falou num sussurro perfeito e perturbador. Deslizei meu corpo na
mesa, tentando ficar próxima para sentir seu cheiro de pertinho. Aquele cheiro arrebatador de
homem.
Pecado...
– Hum, você percebeu!... – fiz um charme e ele desviou o olhar. Ficou mexendo no saquinho de
açúcar com a mão direita e a esquerda coçando o queixo.
Aquela barba...
Fazia tudo dentro de mim... Explodir.
– Sempre. – Ele voltou a me olhar. Perdi o foco do que queria dizer, voltei a encostar à cadeira.
Relaxei o corpo e soltei meu melhor sorriso. Estava realmente feliz, ele sempre me percebeu! Uau.
– Então, por que você me evita? – falei e ele me encarou novamente. Agora nenhum dos dois
desviou o olhar, ficamos por longos segundos assim. Verde no castanho. Desejo no fogo. Calor no
gelo. Vermelho no apelo...
Richard talvez tenha gostado de minha pergunta. Seu olhar dizia isso, aquele olhar travesso,
risonho, que me olhava com olhos quentes, aquele olhar de chocolate quente. Um que busquei em
toda minha vida, apenas Juan tinha conseguido. Agora Richard fazia parte disso, eu lia as expressões
dele.
Richard me quer. Eu o quero.
– Não evito, só não queria causar problemas... – disse mexendo nos saquinhos, desviando de vez
nossos olhares. Precisava recuperar o olhar dele.
Não fuja... não agora, por favor... – minha mente implorava.
– Evita sim, Richard. Quando ficava ao meu lado sempre me evitou, ficava mexendo no celular e
agora que me chamou para conversar, fica aí todo tenso, mexendo nas coisas para evitar meu olhar...
– não falei brava, eu queria ver sua reação. – Qual é o seu problema? Sou eu? – falei firme e nos
encaramos.
– Talvez eu goste de problemas, talvez queira resolvê-lo, só não sei se posso... – soltou um sorriso
preso. Eu podia sentir sua respiração quente saindo entre seus lábios formosos.
Pare de me provocar, Richard...
– É? Como saberá? – fiquei tensa. Era demais olhar pra ele de pertinho, era cruel, torturante. Bem
no meio de minhas pernas, tudo vibrava.
– Não morda o lábio – falou firme. Eu nem havia reparado, talvez ele me faça fazer isso, já que faz
o tempo todo naquela boca dele!
Aquela bendita boca tentadora!
– Hum, realmente repara em mim. – brinquei passando a língua nos dentes e voltei a morder o
lábio. Se ele gosta de me torturar, eu também sei, meu bem...
– Com toda certeza, sempre reparei. Quer que eu numere? – encarou-me e soltou um leve riso.
– Um dia vou querer saber, mas você sempre fugiu de mim, eu não mordo, Sr. Richard – fiz charme
e Richard se aproximou um pouco.
– E o que está fazendo agora, Mel, está tentando me seduzir mordendo esse lábio? –sua voz rouca
fez tudo vibrar e acender lá embaixo. Cruzei as pernas, tentando esquecer o fogo que estava ali me
arrastando até ele.
– Com licença, já querem fazer o pedido? – a atendente não chegou numa boa hora, ela foi direto
nele. Abusada.
– Sim, um choconhaque, por favor. – pediu educadamente e sorria para mim com cara de
interrogação, talvez pela minha feição. Fiquei de cara feia olhando aquela abusada que olhava para o
meu Richard.
Hã? Quem é abusada agora? – Meu inconsciente alertava-me.
E daí, um dia ele pode ser meu... – respondi emburrada e voltei.
– O seu? – Ela virou para mim e entortou a boca. Idiota.
– Um cappuccino – falei seca. Eu não poderia beber algo que me deixaria com mais vontade do
que já estava por ele, apenas Richard na minha frente me levaria à loucura.
– Algo para comer? – ofereceu.
– Não, por enquanto não. A não ser que queira algo? – Richard disse calmo olhando para mim, mas
em meus ouvidos entrou com malícia. Eu poderia ter entendido, mas acho que não falou com
segundas intenções.
Eu queria ser seu lanchinho... – sorri maliciosa, acho que Richard entendeu. Minha nossa, outra
vibração passou dentro da calça.
– Ainda não – respondi, ele sorriu abertamente balançando a cabeça. A atendente sorriu também e
saiu para pegar nossos pedidos. Por ela ter sorrido, acho que entendeu minha malícia e não sei como
as mulheres sempre levam as coisas dessa forma, bem, digo mulheres descaradas como eu!
– Você tem um ar de mistério, encantador... – sussurrei.
– E você é doce como seu nome e também tem algo que fascina... Seu olhar, seus lábios, tudo é um
conjunto convidativo. – Ao ouvir ele me dizendo isso, senti uma vontade de arrancar a roupa e deixá-
lo me deliciar.
Vem Richard... Estou sempre pronta...
– Por que isso agora? – falei encarando-o, Richard me fitou curioso. Claro, eu nem deveria
perguntar nada, deveria deixá-lo apenas me elogiar e dizer o que quisesse, mas peraí, isso é meio
fácil demais, não é?
– Porque foi até onde aguentei... – sussurrou, pois a garota estava chegando com nossos cafés.
– Aqui, qualquer coisa, pode me chamar – falou melosa demais olhando o Richard.
Sai logo! – pensei com desdém.
– Está nervosa? – perguntou dando um gole no café e seus olhos me encaravam, brincando comigo,
só pode, não é, Richard?
– Por que estaria? – desafiei e lancei um olhar perturbador. Richard deixou com cuidado a xícara
no pires e me fitou bem no fundo dos olhos.
– Seus olhos dizem isso. – Ok, pasmei!
Como eu poderia me entregar dessa forma? Como eles podem saber de minhas ações, emoções e
sensações através dos meus olhos?
– Certo, meus olhos... – sorri e ele concordou.
– São lindos e realmente diferentes de tudo que já vi. – outro gole, e engasguei com sua
sinceridade.
Ah, qual é? Vamos embora... De preferência, para sua cama...
– Está sendo diferente, jamais me imaginei nisso, você nunca ligou para mim, nem sequer me
notava e agora está aqui dizendo essas coisas... Atiçando-me só com o olhar... – tentei deixar a voz
estável.
– Sente tudo isso? – fiz que sim com a cabeça e fiz um olhar sedutor por cima da xícara. Ele
apertou os lábios e continuou. – Como eu disse, sempre te achei linda, e... – meu celular começou a
tocar, não era possível! – Atende, pode ser importante – e era.
– Oi – falei assim que atendi.
– É hoje, honey... – sussurrou, deixando-me sem chão.
– Com certeza – sussurrei também.
Como eu poderia ficar assim com esses dois? Juan sussurrando em meu ouvido e Richard na minha
frente dizendo suas verdades escondidas!
Estou quase tento um ataque. Um ataque de tesão múltiplo!!!
– Eu te amo, quero que saiba disso. Beijos. – Juan disse.
– Eu te amo, beijos – despedi e voltei ao lindo na frente. – Era o Juan – disse disfarçando.
– Imaginei. – outro gole e mais uma encarada linda. Seu olhar e sua boca me fazendo pirar.
Richard tomava um gole e passava a língua nos lábios, os puxando de uma forma enlouquecedora,
deveria estar delicioso e quente naquele exato momento. Deixei meus lábios abertos apenas na
vontade. Ele me olhava inteira, via seus olhos correrem em mim. Dos olhos, para a boca, para os
ombros nus, no decote de minha blusinha tomara que caia, meus seios fartos, por fim, para minhas
mãos vazias em cima da mesa. Voltou, então, aos olhos.
– Por quê? – minha voz às vezes falhava quando estava com mais vontade.
– Por sua voz sexy... – Minha nossa, ele dizia ainda mais sexy. Posso ter um orgasmo só dele
falando. Quanto poder esse homem exerce sobre mim! Domina-me só com o olhar, sua voz rouca e
melosa.
– Tenho a voz sexy? – perguntei no charme, ele revirou os olhos e aproximou-se da mesa.
– É toda charmosa, sexy e irresistível... – murmurou e eu fui evaporando da mesa.
"Respira Mel, respira Mel", era o meu mantra.
– Se sou tudo isso, então Richard, me diga, o que quer de mim? – Ele não se moveu. Sorri e seu
sorriso acompanhou o meu. Richard olhou para os lados, mexeu no bolso tirando a carteira. Olhou-
me de novo, deixando-me tensa. Abriu e pegou um cartão dela, me fitou e começou em um sussurro.
– Mel, eu tenho que ir, mas adorei nossa tarde. Obrigado por isso. Você é sempre demais – falou
encarando-me. Deixou-me de boca aberta pelo que disse: eu tenho que ir. Que porra é essa?
Richard se levantou, beijou meu rosto perto da boca, um beijo dos seus lábios macios e quentes do
café. Apertou meu queixo, esfregando o polegar e o indicador nele, sentimos o choque juntos.
Eu estava furiosa, mas seu toque em mim foi arrebatador. Deixou um cartão em cima da mesa e o
dinheiro do café. Encarou meus olhos verdes com toda a loucura que deixamos escapar por poucos
minutos que esteve comigo.
Ele me chamou pra isso, e vai embora do nada?
Sim, Richard partiu antes de dizer qualquer coisa. Eu ainda o vi indo embora, olhando pra trás
com seu sorriso malicioso. O filho da puta me enganou, seria isso? Estava de brincadeira com minha
cara? Por que ele me trouxe até aqui? Para nada fazer?! Decidi ir embora também, paguei o café e a
vaca da atendente me fitou sorrindo, como se pensasse: ele te deixou, sua babaca!
Mal sabe ela, assim que peguei o cartão, para minha surpresa, ali estava:
Dia: 14 às 16 horas.
Local: Hotel Meliá Jardim Europa.
Razão: Você saberá e sentirá a verdadeira razão disso tudo. Fico no aguardo.
Richard.
"Espero que tenha gostado, estarei te esperando... Ah, não se esqueça: Passe seu
batom vermelho... Até, Mel. Beijos, Richard."
“Ele teve meu último suspiro...”
21- Adeus
“As lembranças magoam a minha mente, ferem meu coração... Eu não sabia que seria tão
difícil...”
A campainha tocou. Ele estava ali todo lindo, seu sorriso estonteante, porém em seus profundos
olhos azuis existia certa agonia, mas iria acabar, pois logo estaria em meus braços.
Desde que Juan entrou em minha vida, pude notar vários fatores que fui mudando durante todo o
tempo. Minhas manias ridículas, minha forma de amar falsa, e todo o meu ser. Hoje posso agradecer
por tudo que me fez, só não estou gostando do que o destino reservou para nossas vidas. Tudo bem,
nós superaremos.
Estava linda para ele, mas Juan tinha caprichado nessa noite. Ele veio com uma calça jeans escura,
uma blusa de linho vermelha carmim e um blazer moderno preto. Sua barba feita, cheiroso, um olhar
de fogo e uma boca a ser desejada a noite inteira.
Eu, bem, estava com um corselete vermelho, todo lindo e acinturado, puxei o máximo que
aguentaria, uma calça jeans clara e um salto vermelho, estava linda e toda chique. Meus cabelos em
uma traça moderna, e nem vou dizer que meu batom foi um acessório fundamental, junto apenas para
completar a make, um delineador. Isso já bastava, meu batom berrava.
Ele aprovou, trocávamos olhares e desejos ardentes. Havia apenas silêncio, mas dentro de nós,
tudo gritava. Gritava nosso amor.
– Oi amor – sussurrou.
– Oi, quer entrar? – fiquei toda cheia de charme.
– Você está incrivelmente linda. – Juan segurava sua vontade e eu ali na porta, apenas fazendo-o
ferver.
– Você que é um charmoso!
– Então, vamos? – Ele ficou sorrindo, eu quase o puxei para dentro. Quase.
– Aham, vou pegar minha bolsa.
Estava com medo, mas não deixaria isso estragar meus planos. Poderia ser arriscado, mas também
seria certeiro o que estava prestes a fazer.
– Tudo pronto. E vamos à la fiesta! – brinquei com um selinho apenas.
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Depois de tudo, ainda fiquei sem dormir pensando nela.
Qual teria sido sua reação a minha loucura?
Mel deve ter ficado assustada com minha atitude, mas com toda certeza, deverá pensar muito no
assunto. Quem sabe nós dois teríamos o que sempre desejamos em comum? Algo inexplicável. Um
amor louco de apenas algumas horas. Já seria o suficiente senti-la por inteiro.
Fiquei intrigado por ela não ter ido de batom, achei que colocaria para provocar, mas me
surpreendeu e fiz o mesmo com os elogios. Senti o corpo dela, só com apenas essa frase: "Está
sem batom?"
É o que quero dela. Seu olhar me instiga a fazer essas loucuras, jamais imaginei tamanha a
evolução que tive nessa tarde com ela. Seu cheiro, sua vontade tudo ali na minha frente, e agora
vou esperá-la naquele hotel, onde fiz questão de caprichar na escolha, num quarto perfeito.
Ainda tenho comigo de que ela pode não aparecer. Seria uma decepção, mas vou correr esse
risco, estou ficando sufocado de não tê-la.
Que mulher é essa?
Não me aguentei e enviei a mensagem que havia programado, mas sem saber que não estaria
com um batom, pedi a ela que estivesse com seu batom vermelho no dia marcado e eu daria tudo
nesse mundo para ver sua reação. Mel não me retornou, mas deve estar pensativa e quente a
minha espera.
É só esperar por esse final de semana e assim poderei dormir em paz, saciado de seus beijos. Eu
já posso imaginá-la me beijando, me desejando, eu a possuindo... Com força, devagar, com
carinho, cheio de tesão...
Ah, Mel, você me faz pensar além, fico até fazendo planos de como poderei agir na frente dela.
Não posso decepcioná-la. Não posso jamais.
Essa terá que ser inesquecível a ambos. Assim poderei voltar ao meu normal. Só que, ainda
tenho um medo, uma dúvida cruel. Em minha cabeça, desejo apenas uma única vez, mas se depois
de tudo, eu querer mais? E mais? E mais...
Isso eu ainda não tinha pensado.
Tomei um banho frio, apesar do frio que estava, queria baixar a temperatura do meu corpo. Vou
visitar a Mari e quero que ela sinta que tem cem por cento de mim. Mesmo eu estando com a
mente longe, darei o melhor de mim.
Ao chegar à casa dela, Mari já estava deitada. Isso já começou mal.
– Mari, vem, vamos descer, você precisa de um ar fresco nesse rosto lindo que Deus te deu!
Vamos logo, não quero chegar na sua casa e ter de vê-la deitada, chorando, se lamentando! Você
era cheia de vida, onde foi parar tudo isso? – tentei animá-la, mas ela não abriu nem um sorriso,
virou o corpo de lado.
– Não tenho mais motivo! – disse brava.
– E por que não? Está viva! Tem que acordar, sentir e viver novamente, você só precisa de
alguns ajustes e é pra isso que estou aqui! – tentei ser calmo, mesmo ficando chateado de ouvi-la
dizer isso.
– Você às vezes esquece que sou cega! Não posso fazer o que fazia e não sinto vontades, ok? –
virou-se e tinha um olhar perdido.
– Eu amo você, quero te ajudar! – falei para ela compreender.
– Acho que está apenas com dó e não quer me abandonar! – chorou baixinho. Eu me engasguei.
– Você não sabe o que diz. Não sente meu amor por você? Nunca precisei dizer a você, sempre
sentiu isso... – era toda verdade.
– Eu via em seus olhos, agora não vejo... Tenho medo por isso... – Mariana voltou a deitar de
lado, fui até sua cama e me encaixei nela de conchinha.
– Presta atenção, está sentindo, está ouvindo... – encostei meu peito em suas costas e deixei meu
coração dizer. Apesar de tudo que me aconteceu até hoje, sinto que a amo de verdade, quero que
ela saiba disso.
– Aham. – sorriu um pouco e virou-se para me beijar. Apenas encaixei minha boca na dela e
deixei esse momento novo ficar marcado. Como uma nova era.
– Fica sossegada, estarei sempre aqui... – falei em seu ouvido, ela deitou a cabeça em meu
peito.
– Eu não sei o que eu quero, Richard. – assustei-me com sua atitude.
– O quê? – Não a encarei, ela levantou a cabeça e tentou tocar meu rosto.
– Eu não sei se isso é justo com você. Deveria achar outra pessoa, uma que possa amá-lo do
jeito que você merece... – Seus olhos soltavam pequenas gotas de tristeza.
– O que está falando? Estou aqui com você! – falei um pouco mais alto e talvez ela sentiu meu
coração mais agitado.
– Eu quero ficar um tempo sozinha, deixar você refletir também, tem suas escolhas, não quero
ser um empecilho...
– Não tem nada a ver – falei firme.
– Você não pode me obrigar a ficar com você. Agradeço por tudo que já fez por mim, mas só
acho que não me merece desse jeito que estou... – Não queria ouvir isso, ela me abraçava como
uma despedida.
– Deixa-me ficar... – falei em seu ouvido.
– Quem sabe depois... Mas agora viva seu momento... – Ela parecia que sabia de algo.
– O que mais poderia fazer pra você? – estava ficando engasgado, não imaginei isso dela. Não
agora.
– Fique hoje aqui até eu dormir, gostei do som de seu coração. Obrigada por me amar. Eu sinto
de verdade agora... – olhei para o teto para não chorar. Aquilo era um adeus, e eu não estava
preparado para isso.
– Isso não parece real, de verdade.
– Na vida nem sempre vivemos da realidade, sempre há em nossas mentes a fantasia. E isso que
nos impulsiona a fazer o que achamos certo, viver no limite, ter nossas escolhas, vivenciar nossas
dúvidas, ir atrás de nossos desejos. É assim, não somos perfeitos... Agora estou experimentando
meus outros sentidos, e por usá-los, estou ficando melhor a cada dia – Mari disse engasgada.
– Você é especial – beijei a testa dela com carinho, abraçando-a.
– Hoje eu sei, antes era apenas luxo, hoje sou mais humana, tenho sentimentos reais. É
verdadeiro. Por isso te pedi isso, parece que todo esse tempo eu te segurei, te prendi em meu
mundo, agora o que mais quero é sua felicidade e acho que não está comigo... Não agora.
– Mas valeu passar por tudo isso? – perguntei com medo.
– Valeu sim.
– Eu voltarei... – falei baixinho em seu ouvido, brincando com seu cabelo que estava crescendo
de novo.
– Eu sei... – fiquei ali até ela pegar no sono, apenas beijei sua testa e passei as mãos em seu
rosto ainda com marcas.
Iria embora, mas sei onde encontrar meu conforto...
– Adeus Mariana... – murmurei assim que a beijei.
– Adeus Richard... – passou a mão em meu rosto e, de olhos fechados, ainda deixava as lágrimas
escorrerem por seu rosto, mas ela não estava sofrendo, estava aliviada...
****************************************************
Chegamos ao apartamento de Juan, pois combinamos antes de irmos jantar, iríamos fazer uma
brincadeira em seu apartamento. Eu já tinha tudo programado e estava tudo ajeitado para uma grande
noite, só não sei se terminaria da forma que nós dois gostaríamos...
Fui até o banheiro, coloquei uma saia bem curta que comprei algum tempo atrás, a saia é de
chiffon toda bordada de paetês preta. Com uma entrada dos dois lados, dando um molejo nas coxas.
Passei novamente meu batom, pois já estava bem claro, deixei o mais vermelho possível. Retoquei a
maquiagem num esfumado preto. Coloquei o arquinho da Minnie, mas fiquei com o corselete, apenas
acrescentei uma meia fina preta, junto ao salto quinze vermelho. Estava perfeita.
Só que para fazer o que iria fazer, coloquei por cima uma camisa branca de manga longa do Juan,
uma gravata carmim e um blazer dele.
Estava prontinha para a festa!
Apaguei as luzes do quarto, Juan estava na beira da cama, acendi apenas as sancas. Quando ele
bateu os olhos em mim, sua vontade foi imediata. Eu senti.
Deixei dois incensos queimando e algumas velas. Na mesinha, deixei um prato de morangos
cortados, uma lata de leite condensado e um spray de chantilly. Juan me olhava sorrindo de orelha a
orelha, com minha brincadeira. Fui até o som, eu havia escutado duas músicas que tinha me dado uma
ideia perversa.
Gravei num pen drive e liguei no som dele. Escutei diversas vezes, até treinei o que faria. Era uma
música que, para mim, soava: Striptease. Sensual e única. Com a primeira iria fazer meu show de
strip, a segunda para torturar Juan ao máximo.
(Touch and go – Straight To Number One)
Começou primeiro.
Fiquei de costas para ele.
A batida lenta e sensual da música começou. Remexi-me apenas um pouco, virei encarando Juan,
que estava com as mãos na coxa. Sorria e fervia. Senti o calor que exalava em seu corpo.
A música dizia o que eu queria no momento...
Dez. Beije meus lábios.
Fui devagar até ele, fazendo meu charme. Tirei o primeiro botão do blazer. Remexendo meu corpo
na sua frente, sem deixá-lo me tocar.
Nove. Passe a mão pelo meu cabelo.
Coloquei as mãos no joelho de Juan, fiz uns movimentos com os quadris, subi minha mão por meu
corpo, indo até o cabelo, arrancando o arco e o lacinho que prendia. Deixei os fios ruivos caírem,
passei os cabelos em seu corpo. Ele tocou e cheirou. Indo até a nuca, tirando uma parte e beijando
molhado a nuca. Fui para trás e tirei o blazer, joguei de lado. Fiz mais uma dança sensual, descendo
até o chão.
Oito. Acaricia-me. Lentamente... Lentamente...
Tirei a gravata e, de forma sensual, passei entre minhas pernas, exatamente em meu sexo. Juan
revirou os olhos querendo me tocar. Deixei a perna em cima da cama, com minha coxa bem do seu
lado. Juan a beijou por cima da meia fina, veio fazendo um caminho de mordidas leves, até minha
virilha. Ali estava quente...
Ele foi com os dedos até meu sexo, mas tudo impedia dele mexer, Juan olhou repreendendo-me,
querendo me tocar. Sorri e dancei no embalo da música.
Sete. Espere... Vamos direto...
Tirei a camisa, virei de costas para ele. Num movimento abaixei a meia fina. Tirando junto o salto.
Fiquei agachada com a saia, ele podia ver tudo. Todo meu corpo aberto as possibilidades de Juan...
Para seus desejos sedentos...
Ao número um...
O sussurro da música dizia repetidamente. Ao número um...
Queria tirar tudo... Só com a batida meu corpo mexia, encantadoramente, atiçando meu homem.
Mexendo com os sentidos dele, assim como eu o via.
Juan se mexeu na cama. Doido. Atiçado. Majestoso. Poderoso. Ansioso.
Seis... lábios.
Cinco... dedos.
Quatro... brinque.
Três... ao número um.
Sentei em sua poltrona e brinquei como a música. Chupei meu dedo médio, Juan me olhava
atordoado, pois deveria saber o que eu faria...
Lábios. Dedos. Saliva. No meio de minhas coxas...
Com uma mão, puxei a calcinha e joguei ao Juan. Brinquei passando meu dedo em meu sexo.
Devagar... Inclinei a cabeça para trás e me libertei na brincadeira prazerosa...
Ah, queria que fosse você, Juan.
Juan desejava mais do que tudo que fosse ele. Abri as pernas para ele me ver brincar. Juan
ameaçou a levantar. Fiz que não, mas continuei.
Beije meus lábios...
Implorei junto à música. Juan ameaçava a levantar e se contorcia sentado. Mordia aquela boca
molhada, que deveria estar em meu corpo. A música foi cessando, assim como eu. Parei e o encarei.
Ele olhando para meu corpo.
Parei de mexer, parei de brincar, não tentei nem chegar ao orgasmo, Juan faz isso melhor do que
eu.
A música trocou.
(Depeche Mode – Personal Jesus)
A guitarra ao fundo deu-me mais prazer e vontade de ver Juan brincar comigo. Dancei sexy, só
para ele.
Oh, gosh.
Como estava sendo maravilhoso provocá-lo. Remexi até seu colo e senti o tamanho de sua ereção
na palma de minha mão. Quase explodindo por mim. Tirei sua camisa, cheirei seu pescoço, descendo
para seu tórax. Seu peitoral lindo, forte e tatuado. As batidas me acompanhavam.
Que tesão olhar pra esse homem, que me deseja sem fim...
Juan levantou a mão direita e me tocou embaixo da saia. Gemeu baixinho, pois estava muito quente
e molhada. Por ele.
– Minha nossa, honey... – gemeu em meu ouvido.
Pedi pra ele tirar a calça e, com classe, Juan tirou calça e cueca juntas. Movi os cabelos em cima
dele, como se estivesse num mar de emoções, joguei-os para trás. Dançava sem parar, junto à batida
melosa da música.
Juan levantou e veio junto, numa dança sensual. Ele estava nu, eu de roupa. Juan desceu minha saia
enquanto me remexia, levou-me até a janela deixando minhas mãos apoiadas no batente, e com os
lábios, foi fazendo um caminho torturante em minhas costas. Encostando o corpo e seu membro rijo
em mim.
Desceu com seus lábios molhados e levemente mordeu meu bumbum. Virou-me de frente,
arrancando o batom dos meus lábios, num beijo sufocador. Ele mexia em meus cabelos, puxando-os.
Era doloroso, mas excitante.
Puxe mais... Arranque! – Minha mente gritava.
Ele voltou para a poltrona, sentou-se e fitou-me tirando o restante da roupa. Fiquei tirando botão a
botão do corselete, até que aparecesse meu corpo por completo para ele. Peguei a peça e a deixei ao
chão.
Juan inverteu a situação me colocando sentada na poltrona, deixando minhas pernas apoiadas nos
braços da mesma, deixando-me com as pernas abertas, dando livre acesso a ele. Foi então que,
mergulhou de cabeça, deliciando-me da orelha ao dedinho do pé. Subia e descia com a língua em
meu corpo numa brincadeira erótica excitante. Delirante. Mágica. Única. Nossa.
– Ah, Juan... – gemi alto.
Sua língua habilidosa descia em todo meu corpo arrepiado. Quando eu sempre quero torturá-lo,
acabo sendo torturada. Ele sugava meus seios, matando pouco a pouco minha fome dele. Desceu pela
minha barriga, chegando à virilha. Ah, sim, minha preciosidade esperava por ele. Juan sugava com
força, com vontade, deixando-me sem ar.
Gritei, gemi e ele não parava, deixando-me fraca. Subiu. Pegando-me pelos punhos e sentando-me
na beirada da cama. Eu estava mole, flácida, mas Juan me dava energia. Pegou o spray de chantilly,
entregou-me. Era minha vez!
Ficou de frente para mim com um sorriso rasgado. Recuperei minha energia, abri, espirrando uma
boa porção nele. Deixando-o ainda mais saboroso. Enfiei na boca e saboreei cada pedaço do seu
imenso pau. Juan gemia e grunhia de prazer. Entregamo-nos a nossa brincadeira, mas ele não queria
chegar ao fim rápido, deu um passo para trás, pegou meu arquinho, colocou em minha cabeça,
segurou meus cabelos entre os dedos, num movimento gostoso me ajudava, mexendo os quadris
deliciosamente. Lentamente...
– Minha Minnie mais gostosa... – gemia. Sua doce voz me arrepiava.
Novamente Juan foi para trás, pegou o prato de morango, deitou-me e foi me cobrindo de morango
e, por cima, jogou sem dó o leite condensado. Puta merda, eu iria fazer isso! Que poder desse homem
em cima de mim...
Um a um, Juan veio comendo, mordendo e lambendo o leite condensado com morango. Seu beijo
silvestre e selvagem me deixava quase perto do clímax. Virou-me de bruços, puxando meus quadris
para o alto, deixando minhas mãos apoiadas na cama. Passou as mãos meladas em minhas costas,
indo até o cabelo, os puxou deixando-os todo em sua mão, até que minha cabeça inclinasse para trás.
Passou a mão livre em minha cintura, bumbum, e veio...
Sem dó, quente, forte, rijo, só ele...
Encaixou-se perfeitamente ao ritmo da música que se repetia ao fundo. Um tapa de leve, um puxão
do cabelo, um movimento leve, torturante.
– Ah, Juan, forte... – gritei.
– Assim neném?... – outro tapa, outro puxão de cabelo, um movimento forte e lento.
– Yes, baby... – retribuí mexendo mais meus quadris nele. Arqueando mais a coluna, movendo-me
para frente e para trás. Ele gemeu. Outro tapa leve. Com uma estocada certeira, me fez enlouquecer.
Soltou meu cabelo e segurou minha cintura com as duas mãos.
– Assim baby... – gemeu, e acertou o momento.
Remexendo cada vez mais forte e preciso dentro de mim, Juan atingia várias vezes meu ponto.
Onde eu mais gostava, onde mais me dava prazer. Era ali. Mais um carinho, um tapa forte, um puxão
de cabelo. Ganhou-me...
Domou o ser erótico dentro de mim. Nosso orgasmo múltiplo juntos. Ele não parou de me apertar,
eu fazia o mesmo. Gemia alto e gostoso em seu colo. Juan estava com os joelhos dobrados na beira
da cama. Sentei sobre ele e continuei devagar, movendo-me para frente e para trás em busca de mais
prazer, em busca de mais múltiplos, até não ter mais forças...
Juan parou de se mexer e deixou-me continuar o meu processo de vaivém. Puxou-me para mais
perto de seu corpo suado, e sussurrou ao pé do ouvido.
– Mel, você é insaciável... Rebola... – fiz, ele aprovou.
Rindo em minha nuca, enquanto gemia em múltiplos... Eu não conseguia parar, minhas pernas já
estavam com uma cãibra horrível, mas não parei. Sentia o coração de Juan em minhas costas, então
movia mais forte os quadris. Ele segurava meu rosto com uma mão, seus dedos em minha boca
salivando por nosso sexo e, com a outra, foi até meu sexo molhado e acabado. Seus dedos me
aliviaram, caí novamente, mas agora estava quebrada de vez... Num orgasmo múltiplo... Múltiplos...
Quanto tesão Juan me proporcionava...
– Minha nossa... – gritei, pois não consegui mover minha perna. A cãibra pegou de vez.
– Relaxa, tente esticá-las. – Juan fazia massagens onde doía.
– Cacete, dói demais... – choraminguei.
– Vem cá! – Juan pegou-me no colo, sentando-me na cama, deixando minhas pernas esticadas. –
Vai passar. – Ele as balançava devagar.
– Obrigada – falei baixinho.
– Minha nossa, Mel, pensei que você não iria parar nunca mais. Você é uma explosão, mulher! –
falou rindo, beijando meus cabelos soltos.
– Você é demais, Juan. Não me canso de você...
Tomamos um bom banho juntos. Eu me arrumei toda novamente, mas agora iria botar o plano em
prática. Juan estava muito carinhoso e me bajulava muito. Até me senti uma verdadeira traidora com
tudo que estava em mente, mas enfim, era a única solução que achei e que faria sentido. Talvez a
única que desse certo. Fomos ao glorioso jantar a dois...
Depois de um jantar romântico em um restaurante chique que Juan me levou, fomos até o meu
apartamento. É o que estava ainda em meus planos...
Meu amor por ele era maior, mas eu tinha um plano e isso não escapou de nossa noite romântica,
tive de fazer. A grande oportunidade não poderia escapar.
Ao entrar em meu apartamento, Juan já estava impenetrável e inacessível as minhas verdades.
– Por que não disfarçou ao menos? – Juan falou bravo num tom acima do que sempre falou comigo.
– Disfarçar o que, Juan? Do que está falando? – falei com emoção e nervosismo.
– Do quê? Não seja cínica! – vociferou assustando-me.
– Não estou te entendendo e não grita comigo! – falei um pouco mais alto.
– Não está entendendo? – imitou-me fazendo gestos com as mãos no ar. – Você sempre foi assim,
não é? Sempre gostou da liberdade de ter olhos em cima de você! Adora isso, não é mesmo, Mel?
Sente falta? – Ele parecia frio ao dizer isso.
– Não preciso mais, estou bem com você e eu te amo! – queria chorar por tudo que estava
acontecendo exatamente agora. Droga.
– Não parece, ficou a noite inteira sorrindo para o cara da mesa ao lado! Por que não o atiçou
mais? E o que aquele Caio veio de novo falar com você? Está dando mole pra ele lá no serviço? –
Juan sentou no sofá e fiquei de pé na sua frente.
– Não me vem com essa, ok? Eu te falei muito bem do Caio, não tem nada a ver e você não
percebeu não que ele estava acompanhado?! Tem mais, eu não fiz nada, o cara ao lado sorriu, fui
apenas simpática! Queria que eu fizesse o quê? Mostrasse o dedo do meio pra ele? – queria rir, mas
Juan ficou sério.
– Olha Mel, sinceramente achei que tivesse mudado, mas no fundo sinto que não, estou
decepcionado com você! Ainda existe uma mina gigante em seu coração, ela se alojou aí e não sai...
– suspirou com tristeza ao dizer o que disse.
– Ah, é? Está arrependido? Cai fora então! Já que é assim, eu não posso ficar bonita, ninguém pode
me olhar que o senhor ficará com ciúmes? Então me deixa em paz que eu vou viver minha vida! –
assim que ouviu essas palavras, meu coração cortou e Juan ficou estarrecido.
– Ah, agora quer viver a vida?! Fez-me de idiota então? – interpelou. Voltou a ficar na minha
frente. Eu me calei, engoli o choro.
– É o que você está dizendo, que eu não presto! – disse em suas fuças. – Você realmente não me
conhece, não me conheceu em nenhum momento... – soltei meu último suspiro.
– Quer saber, não vou discutir mais, o que vi hoje foi demais, realmente não esperava isso de
você! – Juan estava transtornado, o plano funcionou.
– O que espera de mim? Sempre quer mais! E aí, me diz? – encarei-o de braços cruzados. Ele veio
até mim, descruzou meus braços e tudo voltou ao silêncio. Beijou-me forte e silencioso. Chegou a
puxar meus cabelos já soltos. Puxou meus lábios com vontade sem igual, era quase impossível
completar o plano. Eu o empurrei e Juan encarou-me com uma feição cheia de dor. Senti a dor ainda
mais forte no peito ao ouvir o que disse a seguir.
– Eu não vou ficar ao lado de uma mulher que fica se aparecendo para os outros homens! Essa não
foi a primeira vez, Mel! Eu já vi milhares de vezes, só queria ter certeza se realmente estava certo
em fazer o que vou fazer. Gostaria de estar errado, mas não estou. Infelizmente... Eu te amei, mas te
garanto que esse é o fim. – soltou-me e eu estava esbaforida, tanto pelo que disse quanto pelo beijo,
fiquei tentando recuperar o fôlego.
Fim.
É isso mesmo o que ele disse?
Eu não posso mais lutar...
– Então vai embora e me deixa em paz! Sempre fui abandonada e, quer saber, eu tive poucos
homens ainda, posso ter mais, posso inverter o jogo! Vai embora mesmo, o que está esperando? Se
for por falta de tchau, adeus querido! – cruzei os braços e seu olhar em mim era de uma tristeza
profunda.
Ter que ouvir tudo aquilo sem necessidade, mas ainda era parte do plano... Eu teria que dizer algo
para não voltar atrás.
– Fica aí nessa sua vidinha medíocre, coloca mais decote na próxima vez ou uma blusinha de botão
com os primeiros abertos, chama bastante atenção... Adeus Mel – disse por fim.
Juan saiu e bateu a porta atrás de si.
Caí sem chão, pois tudo que construí foi em ruínas, cedeu assim que ele passou pela porta, dali
Juan não voltaria...
Pouco depois das seis de uma manhã fria, cinzenta e cruel... Estava sozinha, acordada e chorando.
O que poderia fazer sem ele? Juan é meu tudo... Ou era...
Levantei e fiz um chá de maçã, belisquei um bolo que tinha guardado e tentei voltar a dormir. Lá
fora começou a chover e um tempo estava se armando dentro do meu quarto. Eu ficaria ali
eternamente...
Acordei assustada com o celular vibrando. Mensagem à vista. Já é o imbecil em busca de notícias,
como se ele já não soubesse de tudo.
“Querida Mel, eu sei que deve estar arrasada, mas se quiser, eu acalento seus
lúgubres lamentos... Não fica assim, nosso plano já pode seguir adiante! Tenho
outra missão a você. Já que não me quer e seria um abuso muito feio forçá-la,
apesar disso não ser ruim para mim, quero que faça outra coisa... Te aguardo!”
O que esse idiota está aprontando? Já não basta ter me feito acabar meu namoro! O que mais ele
quer? Reenviei outra mesmo sem querer, pois ele não teria fim, não pararia até acabar completamente
com meu ser. Deixaria mais e mais dores para lamentar o resto da vida.
“O que quer dessa vez? Eu já fiz o que me pediu, me deixa em paz!”
“Não senhora, terá agora sua missão, apesar de que sei que não acharia nem um
pouquinho ruim. Irá tentar conquistar o Richard! Claro, se é que já não fez isso!
Poupe meu tempo, senão até sua prima morrerá, eu falo sério! Tic tac, Mel.”
Eu ri de nervoso. Como ele pode ser assim? Acho que ele não quis forçar nada comigo para sair
como o certinho da história e eu a traíra. Tenho certeza de que vai contar ao Juan sobre isso, mas se
não fizer, até a Mariana sofrerá com ele.
– Filho de uma puta! – gritei nervosa e espero que tenha escutado.
Olhei aquele cartão do Richard e fiquei nervosa. Como Thiago mesmo disse: não seria nenhum
sacrifício, mas sim, um sacrifício gostoso...
Como eu poderia pensar nisso uma hora dessas?
No entanto, não seria tão ruim pensar dessa forma, eu continuaria com meus planos. Thiago está
confiante demais, ele deve achar que não tenho um plano, deve achar que sou alvo fácil; que está tudo
ganho, tão fácil. Ele que vai pensando! Babaca.
Peguei o cartão e o cheirei, era como se Richard estivesse na minha frente... Passei as mãos
naquela letra firme e quase senti o toque dele. Eu iria, mas antes de tudo isso se concretizar de
verdade, precisava passar uma importantíssima mensagem antes.
Além dos meus desejos e, acima de tudo, eu ainda tinha medo do que Thiago poderia fazer... Então,
de alguma forma, a verdade teria que vir na frente e esclarecer o porquê disso. Era o que estava
fazendo no exato momento. Isso era maior do que tudo que estava pra acontecer...
Até uma noite com o Richard.
Ao acordar hoje, deixei rolando umas músicas que me fariam esquecer, ou mesmo, lembrar minhas
dores. Estava vendo a cidade fria ao fundo e comecei a prestar atenção em uma música que sempre
gostei, mas que hoje me fez ver o quanto diz sobre o que passo... Voltei a música mais duas vezes e a
compreendi perfeitamente... A voz de Cat Power acabou socando-me para o mais fundo do meu ser...
“Eu quero ser uma boa mulher e quero que você seja um bom homem. É por isso que estou te
deixando, é por isso que não posso mais te ver... Eu sentirei saudades do seu coração tão
carinhoso. Eu vou amar esse amor pra sempre. E é por isso que estou te deixando, é por isso que
não posso mais te ver... Eu não quero ser uma mulher ruim, eu não posso suportar te ver sendo um
homem ruim. E é por isso que estou mentindo... Quando digo que não te amo mais, eu vou sentir
saudades do seu coração tão carinhoso, eu vou amar esse amor pra sempre. É por isso que estou
indo embora, é por isso que eu não posso mais te ver. Porque eu quero ser uma boa mulher. E
quero que você seja um bom homem, é por isso que estou indo embora, é por isso que eu não posso
mais te ver, é por isso que eu estou mentindo. Quando digo que eu não te amo mais...”
Chorei rios, por saber que um dia eu poderia ter sido sua boa mulher...
Será que um dia ainda serei?
Se sábado é ruim ficar sozinha, imagina no domingo! É um saco sem fim. Chuvoso, um frio de
lascar, uma saudade sem igual... Vontades. Sono. Medo. Juan longe. Richard quase perto. Thiago a me
assombrar. Parece que ele sente quando estou na pior, suas mensagens ficam ainda mais
horripilantes...
No entanto, o pior disso tudo foi dizer adeus ao Juan. Jamais senti tanta dor em minha vida, aliás,
nada se compara a essa dor que está me sufocando de uma forma que jamais pensei que pudesse
sentir. É como tirar meu coração de verdade. Da primeira vez em que o arranquei, não senti nada,
senti alívio. Só que, dessa vez, foi como se estivesse morrendo...
Fiquei com a ilusão de que tudo iria melhorar com o tempo, as lembranças magoam a minha mente,
ferem meu coração... Eu não sabia que seria tão difícil... Minha vontade de estar com ele é tanta que
chego a inventar sua presença ao meu lado, em mim... Sinto como se Juan estivesse encaixado aqui
em meu corpo, tocando minha alma, mas não, ele não está...
Chorei, morri e voltei ao ouvir o celular novamente, vi que eram duas mensagens daquele que meu
coração chama... Juan.
Abri a primeira.
“Mel, desculpa por estar te enviando essa mensagem, mas escutei uma música e
lembrei muito de nós, eu sinto muito... De verdade, nós não deveríamos estar
assim... O nome da música é “I won’t give up”. Quando puder ouvi-la, sentirá a
verdade dela. Eu te amo de alma, meu amor.”
As lágrimas já escorriam em meu rosto, sem mesmo ver os trechos, que tenho certeza de que
seriam dolorosos, mas abri para ver suas verdades...
Quando olho em seus olhos, é como assistir o céu noturno... Eles carregam tanta
coisa... Vejo que você evoluiu muito... Mesmo se os céus ficarem difíceis, estou te
dando todo meu amor... (E quando precisar de seu espaço para navegar um pouco,
estarei aqui pacientemente esperando...) Temos muito que aprender, Deus sabe que
somos dignos... E eu não desistirei de nós... Eu não quero ser alguém que vai
embora tão facilmente, estou aqui para ficar e fazer a diferença que eu posso fazer...
Eu te amarei independente de qualquer coisa Mel, sabe disso...
Beijos Juan Vasco.
Chorei um mar de emoções... Ainda mais com a frase em parênteses dando destaque ao que ela
dizia e o que ele sabia... Juan sentia... E sim, aquilo era nossa história, nossa vida. Assim como eu
havia escutado uma música que dizia algo importante sobre nós, Juan havia feito o mesmo, mas para
não ficar sem nada e sem resposta, fiz o mesmo. Não escrevi a música, apenas enviei.
“Obrigada por me amar Juan, sinto muito também... por tudo que causei a você.
Hoje ouvi uma canção que dizia muito sobre nós... Ouve “Good woman – Cat
Power”. Sinta-me nela. Beijos e amo você... para sempre.”
Levantei depois de um bom tempo, tentando recuperar meus pensamentos, fui caçar essa música, a
que ele me enviou. Eu a ouvi o domingo inteiro, até capotar e não ver mais nada...
A noite se fez longa demais, mas enfim chegou o dia. Eu não o tenho mais nas manhãs e, de
repente, voltou àquela velha sensação...
Aquela velha Mel que não tinha sentimentos, que tudo era racional demais, insensata...
Eu não posso evitar... Não hoje.
Segunda-feira.
Dia 14. É hoje.
Sem sorrir, eu fico na frente do espelho, aquele ao qual sempre falei os meus problemas. Sem rir,
eu sofro, pois ele teve o meu último suspiro. Meus arrependimentos continuam na sua cama e, se dói,
é porque ele não me vê mais...
Machuca saber que outros lábios vão me beijar. E que alguém vai me abraçar do jeito que você
costumava fazer...
Só o céu sabe o quanto sinto sua falta, eu não posso evitar... Eu ainda sou apaixonada por você...
Minhas histórias logo serão usadas.
Pessoas me dirão que sou pecadora, pessoas nos julgarão...
O que fiz de errado?
O que pretendo fazer errado?
Metade delas é inocente, a outra metade é esperta.
E essa porcaria toda não faz sentido, eu queria poder dizer a você uma mentira...
Só que não posso evitar...
Não posso dizer a verdade.
Sinto muito.
Eu me lembro dos segredos em fuga deixados em murmúrios no vazio dos meus braços, tão
pesados de tormentos. Assim, vou me cobrir de todos os olhares, e ficarei leve para outro.
De verdade e com verdade. Não sentirei culpa, pois sempre me sentirei renovada.
Ah, sim, eu acredito em todas as coisas que você já me disse, o que está por vir será melhor do
que já foi antes...
Corra para os braços da paixão ardente, do amante incandescente...
Vem Mel, vem.
Garota, apenas se entregue nessa louca aventura...
Perder-se também é o caminho...
“Olá Mel!”
22- Batom Vermelho
“A marca de um beijo proibido”
Não era mais uma menina com seu batom. Era uma mulher em busca de seu amante...
Sou uma mulher sendo desejada. Sou a alma feminina. Sou o momento certo, todas desejariam
estar em meu lugar, mas o medo as proíbem de fazer o errado? Aliás, isso é errado? Ser amada?
Onde? Eu não vejo... Só quero apenas sentir com toda verdade.
Muitas não fariam isso, e, ainda me julgariam como louca, mas se eu não fizer, serei punida por
mim pelo resto da vida. Não estou disposta a carregar esse fardo por não ter me entregado à volúpia
uma única noite. Não mesmo. Não quero sofrer em silêncio pelo resto da vida, posso até sofrer por
não ter feito mais e mais...
E que medo alegre é esse de chegar a hora logo?
Pensei muito nessa noite, no que seria melhor para mim? Para eles? Eu ainda não sei. Não estou só
em busca de prazer dessa vez, mas quero saciar minha sede dele. Não vou ficar achando e nem
deixar os outros pensarem que fui imoral. Não. O que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si
mesmo. Antes eu tinha feito isso, mas hoje não.
Eu sei quem sou, o que eu quero e o que desejo. Hoje irei sentir-me verdadeiramente entregue, em
cada peça de roupa tirada...
Antes eu não sabia o que era esse “amor”, eu era uma pessoa que amava sem alma. Amava o
prazer. Aprendi e sei o que quero atingir. Ainda sinto o sorriso de Juan, de cada um deles que
passaram por mim, deixando um rastro. Cada um me completou, deixou-me inteira.
Ontem reli cada palavra que me escreveram, passei a mensagem do Juan para o papel que agora
está junto à caixinha preta dos segredos dos batons. Reli cada linha incansavelmente, cada palavra
proferida.
Depois que cada um me deixava, eu tornava-me covarde, ingênua, sofria sozinha, mas me
recuperava em apenas um abraço, um beijo, um novo sexo. Também acabei deixando alguns
desfilarem em minhas próprias dores, porque achava que iria curar. Estava errada. Hoje me curei,
estou de volta. E das cinzas, você pode renascer como eu.
Já chega de palavras, promessas, das mentiras que ferem...
Parei com o devaneio traumático, concentrei-me no que tinha que fazer. O banho na banheira foi
quente, com direito a rosas e óleo, até acendi incensos para relaxar. Essa tarde teria algo que sempre
desejei com ardor e isso me dava medo. Medo de não fazer o meu melhor.
Tirei da gaveta um cigarro que fazia tempo que não fumava. Apesar de não gostar muito do gosto, o
cigarro deixava-me aliviada de alguma forma. Sempre fumava depois de um bom sexo, mas depois
fui parando, pois alguns não gostavam. Acendi um, na verdade, para tirar a ansiedade de que viria
nessa tarde fria, que talvez se tornasse uma tarde bem quente.
O que eu poderia esperar dele? Pode ser que não aconteça nada. Que Richard se arrependa e não
queira nada. A Mariana lá precisando dele e ele aqui fazendo planos comigo. Isso não era justo. Juan
lá do outro lado, tristonho. Eu tomando banho para outro. Que espécie de ser humano eu sou?
Acabei com muitas vidas de uma vez só, mas não me culpo cem por cento, tudo isso só aconteceu por
causa do Thiago, se ele não estivesse me ameaçando, nada disso estaria acontecendo.
A não ser essa tarde com Richard...
Ele escolheu isso e eu estou escolhendo fazer isso, aceitando, mesmo com todo peso que virá.
Entretanto, logo mais estarei aliviada e a única coisa que quero saber nesse exato momento é o que
devo fazer com Richard...
Pensei agora naquela frase tão fraca: “Querer está longe de poder”. Não está, porque hoje posso
tudo, hoje terei algo que aprendi a querer, hoje eu sou a tal!
Está em nossa natureza sentir as emoções e vivenciar as sensações. Então, só a partir do dia que
deixar as emoções e sensações fluírem, sentirá a verdadeira liberdade em todo seu ser.
Sinceramente, eu nunca quis prudência. Nunca quis bom senso, nem fazer o que as pessoas “com
mais experiência” me diziam para fazer. Isso fez com que me tornasse grande parte do que sou hoje.
Corro atrás do que realmente quero. Ser quem eu realmente sou e quero! Me apaixonar quando tiver
vontade – eu não escolhi –, mas aconteceu. Quebrar a cara quantas vezes for necessário para
aprender com os mesmos erros. Viver de verdade, sem pudores, sem medos, sem limitações, mesmo
havendo. Isso se chama insensatez. É onde nos encontramos. É ter coragem para se jogar na própria
vida. Acreditar que vai dar certo, mesmo quando os erros são maiores que os acertos. Ver soluções
quando os empecilhos são tão intensos. Sempre iremos querer que alguém siga nossos exemplos. Eu
quero ser exemplo de mudança. Vida. Alegria. Desejos. Vontades. Coragem. Quero ser mais do que
isso. Quero ser a alma feminina em evolução. Quero deixar as mulheres ainda mais mulheres, mais
confiantes. O verdadeiro significado disso tudo é: ser mulher.
O que busquei todo esse tempo em minha curta vida foi ser a Mel confiante, sexy, poderosa em
minha beleza interior e exterior (principalmente). Buscar o meu eu, amar o meu ser, esquecer algumas
emoções latentes, vivenciar o momento, fazer qualquer tipo de loucura, jogar-me à vida, acreditar no
que posso fazer, ir além de minhas expectativas, sentir-me livre e, acima de tudo, sentir-me mulher...
Está aí toda a graça de ser uma insensata.
Sorri para o espelho o qual transmitia minha alma. Estava sensível e muito pensativa. Deixando
aflorar minhas verdades em meus devaneios. Olhei de relance para a cama e minha roupa nova
estirada, cada peça espalhada na cama. Tudo cuidadosamente separado. Depois do banho e todo
pensamento refletido na frente do espelho, voltei a ser aquela Mel com o coração quente, mas com os
mesmos pensamentos e preparativos, tudo será perfeito, aliás, tem que ser, pois será uma única vez.
Não haverá uma segunda.
Se bem que fiquei pensando, e se eu gostar? E se eu quiser mais? A única resposta é: eu não
poderei. Richard terá tudo de mim hoje, terá que absorver tudo, sem deixar nada para trás. Porque
não terá outra chance.
Meu vestido branco, curto, agarrado, mostrando a ele todas as curvas do meu corpo, num modelo
que havia mandado fazer. Tem o formato de um tomara que caia, com uma grande entrada no meio dos
seios. A parte de cima toda trabalhada em uma renda fina que finalizava até a parte de trás, na curva
de minhas costas. A renda era cheia de rosas delicadamente bordadas. O vestido branco trazia
algumas dessas rosas bordadas nele todo. Com ricos detalhes, todos planejados por mim. Mal sabia
como iria usá-lo, quando o usaria e, principalmente, que seria hoje com o Richard.
Antes de colocá-lo, ajeitei tudo na frente do espelho. Sentei-me na poltrona vermelha, separei o
batom dele, o Vermelho Proibido. Sorri e minha covinha denunciava minha alegria e ansiedade.
Joguei o cabelo para o lado esquerdo e ajeitei o restante da maquiagem. Base. Pó. Delineador. Blush.
E ele, o batom vermelho. Tirei o roupão e acertei todos os detalhes restantes. Finalizei a maquiagem,
ainda sem o batom, que seria o último. Coloquei enfim o vestido, e um objeto que faria a diferença, o
colar que Richard e Mariana me deram de aniversário, encantador.
Ao me olhar no espelho, eu não acreditava que era a Mel. As duas encaravam-se. Uma apenas com
desejos e a outra em busca do carinho escondido atrás do desejo. Calcei o salto vermelho, um lindo
par de peep toe incrível. Se Juan me visse desse jeito, morreria de encantamento, de tão linda que
estou.
Confiante, peguei tudo e vesti um casaco para sair, não dava para sair apenas com o vestido e,
claro, ninguém deveria me ver assim, então o casaco preto me esconderia e junto com ele, meus
óculos.
Parei na frente do meu espelho mais uma vez, soltei o sorriso e me lambuzei. Senti até prazer em
passá-lo pela primeira vez. Ali teria meus segredos, e meus segredos agora seriam a parte principal
de nossa tarde. Parti.
Havia visto o endereço do hotel que era bem próximo, mas ainda tinha um medo amarrado ao meu
corpo. Fiquei tensa tamborilando os dedos no volante toda vez que parava em algum farol. Sempre
olhando para os lados, alguém poderia estar me seguindo, e não era de se duvidar.
Cheguei ao estacionamento do hotel, um rapaz veio para guardar o carro. Estava até de luvas.
Hum, o negócio aqui é todo chique.
Assim que desci, meu celular vibrou na bolsa, fiquei no canto e vi.
Será que ele sentiu meu cheiro? – pensei sorrindo. Era do Richard.
Será que o Richard é tão confiante assim, se eu não viesse? Agora me bateu o nervosismo.
Argh. Mel, relaxa, respira, sobe e arrasa! – pensei no último sorrindo, partindo para todo aquele
luxo. Eu não reenviei a mensagem, deixaria Richard na vontade e na espera...
Era totalmente diferente. Um hotel realmente encantador, luxuoso e esplêndido. Na recepção,
fiquei deslumbrada com uma escada linda em creme com detalhes em preto, ao lado duas poltronas
também creme, com luminárias que pareciam chamas acesas, coqueiros artificiais e uma mesa de
mogno escuro no centro com um lindo buquê de flores coloridas, lindas astromelias. Logo na
recepção fui bem tratada.
– Olá, seja bem-vinda ao Hotel Meliá Jardim Europa. – Uma moça falou encantadoramente. Fiquei
tensa, mas sorri e não me deixei levar por minhas loucuras. Tirei meus óculos e segui seus olhos, que
me fitavam curiosamente. Então, inspirei profundamente e falei.
– Reserva do Sr. Vellatto. – disse firme, sem mostrar medo ou tensão.
– Ok, ele já se encontra no local, quer que eu avise que a senhorita já chegou? – dizia calmamente
e sorria como se soubesse de algo.
– Não será necessário, ele já sabe. Obrigada. – agradeci, ela apenas apontou o elevador. –
Obrigada – falei novamente. Assim que apertei o botão do elevador, cacei meu celular, digitei
rápido.
“Andar Greenfloor”.
O elevador abriu, entrei e olhei para o painel dos botões e vi andar Greenfloor, apertei sem
mesmo terminar de ler.
“Por quê?!”
“Ok. ;)”
Safadinho, respondeu com a mesma piscadinha. Richard é uma delícia de homem, quero ver de
pertinho essa piscadinha dele...
O elevador estava rápido demais. O que seria esse andar? Por que não me deu o número do
quarto? Poxa vida.
Minha agonia em chegar logo, minha vontade de saber como tudo iria acontecer, tudo era demais.
Eu sentia em minha barriga o friozinho gostoso da primeira vez. Sim, nossa primeira e única vez...
Pin.
Olhei no espelho para verificar: batom perfeito, vontades a mil. Voltei a colocar os óculos, era
agora. Ao abrir o elevador, Richard estava de frente uma porta linda, a sensação não poderia ser
melhor no momento. Ao sair do elevador, senti aromas diversificados; uma flagrância me envolveu
por completo, um cheiro de flores e plantas silvestres, incrivelmente em harmonia, me envolvendo
completamente ao ambiente. Em minha frente, estava ele de braços cruzados, respirava forte, e não
havia indício nenhum de humor em sua expressão, mas eu sorri.
De repente estou perfeitamente consciente do que estou fazendo. É ele que está ali em minha frente,
encarando-me absorto, irresistível de barba rala, sorriso preso e olhar quente. Jamais pensei em ver
essa expressão nele. Eu jamais imaginei que ele me olhava. E agora Richard me quer!
Senti seu coração bater ao longe. Escutei sua saliva descendo rasgando sua garganta, que tanto
formigava por um beijo meu. O elevador se fechou atrás de mim, ele veio devagar... Meu corpo já
sentia os arrepios, mesmo sem ele me tocar, fiquei apenas tendo flashes de como poderia ser seu
toque sobre ela. Suave? Ardente? O que poderia sentir com ele? Mais próximo. Se quando ele ainda
não me tocava, eu derretia lentamente...
Senti uma sensação vigorosa, ao mesmo tempo, glacial e fervente, uma sensação quase dolorosa de
vê-lo e ainda não tocá-lo, bem na minha frente, aquele que é meu desejo sedento. Tudo é como uma
tentação de um doce...
– Olá Mel... – fechei os olhos e escutei seu sussurro. Só isso me deixava extasiada. É ainda mais
delirante sua voz com desejo. Eu queria agarrá-lo ali mesmo e fazê-lo provar meu mel.
– Olá Sr. Vellatto – tentei brincar, mas meu charme não deixava. Richard segurou o sorriso
tentando ser sério.
– Você é pontual – disse olhando no relógio. Enfim, tirei os óculos e o encarei. Aproximei-me e
tirei o relógio do pulso dele. Ele ficou sem entender.
– Hoje nenhum objeto irá tirar sua atenção de mim... – sussurrei em seu ouvido, o vi revirando os
olhos e, dessa vez, ele não segurou o riso.
– Pode apostar que sim – sorriu e fui derretendo.
– Isso aqui é perfeito! E esse aroma? – falei extasiada. Estávamos ainda no corredor.
– Esse andar é especial, uma área para não fumantes. É bem para quem curte algo como natureza e
quer um pouco de conforto, por isso Greenfloor. É aromatizado, gostou? – sorriu satisfeito com a
escolha, eu também. Belíssima escolha. E pensando nisso, ainda bem que fumei em casa! E não perto
dele, talvez não curta.
– Amei, boa escolha! – elogiei.
– Eu tenho um ótimo gosto! – piscou malicioso. Exatamente aquela piscadinha atraente.
Tremi cheia de vontades.
– Vem, vamos entrar! – Richard colocou a mão esquerda em minhas costas, me acompanhou até a
porta da frente. Ficou parado, esperando que eu entrasse. Senti enquanto me olhava na curiosidade.
– Estou vestida por baixo! – brinquei para relaxar, estávamos tensos. Ele riu alto, gostei do som de
sua risada.
– Juro que imaginei o contrário, mas tudo bem... – Ele estava de costas, não pude ver sua feição,
mas queria vê-lo. Cheguei próximo, Richard me encarou. Era tão sedutor seu olhar, sua boca carnuda,
ele todo é um conjunto de perfeição.
– Por que hoje? – falei lento, quase inaudível. Ficar próximo dele chega ser um absurdo de tão
gostoso.
– Porque é meu aniversário – falou com a voz tranquila, ao ouvir o que disse, fiquei corada.
Uau, nem imaginava. Serei um presente? Que gostoso!
– Sério? – ainda acho que é apenas uma desculpa.
– Aham, pensei que soubesse um pouco mais de mim... – disse um pouco decepcionado. – Eu disse
que tinha bom gosto. – Richard era realmente incrível de perto. Sorridente, engraçado, quente, muito
quente.
– Essa você me pegou, me perdoa, eu não sabia. Então, feliz aniversário! – cheguei mais perto
dele. Minha boca se abriu salivando, mas me contive e apertei sua mão que estava em cima do
balcão.
Tudo formigou ao toque...
– Se eu soubesse, teria me embrulhado! – pisquei sorrindo. Richard segurou aqueles lábios
sedosos, macios que pareciam quentes.
Santo Deus!
– Essa seria uma ótima ideia! – disse sorrindo. – Por enquanto pode me abraçar se quiser... –
murmurou malicioso. Estou gostando demais desse Richard.
Que tesão de homem...
– Posso?... – joguei mais um charminho.
– Deve! – ficou de frente esperando o abraço.
Eu fui... Devagar... Richard me envolveu em seus braços, num abraço tão gostoso que nunca mais
sairia dali. Ele afagou seu rosto barbado no meu, dando-me ainda mais vontade de nunca mais sair
dessa situação. Aquela barba dele era macia demais, era tesão demais para um único abraço.
Richard foi mais além, desceu sua boca até meu pescoço carente, seus lábios tocaram minha orelha,
fiquei sentindo sua respiração quente, indo e vindo.
Estremeci e estava a ponto de enlouquecer ali em seus braços. Suas mãos agora corriam por todo o
casaco sentindo meu corpo por baixo dele, o abraço não terminou, ele apertou-me mais um pouco,
encarando-me com aquele olhar sereno e, ao mesmo, tempo perverso. Eu já estava com os olhos
cerrados de tanta tensão que esse momento proporcionava. Richard beijou meu rosto próximo à boca,
fazendo-me sentir o choque percorrer dos meus lábios, indo direto formigar a garganta. Sentindo o
beijo molhado não dado direito, ele apenas puxava o beijo próximo do meu queixo, fazendo seus
lábios quentes se encaixar perfeitamente naquela região sensível. Eu não tinha mais voz, quase já não
existia...
Richard encarou-me com seu olhar por um bom tempo, nós dois ainda com os braços enroscados
um no outro. Uma de suas mãos passou na minha nuca, em meus cabelos arrumados, eu queria que ele
desfizesse todo, me despisse toda. Sua outra mão chegou ao meu casaco, mas não tirou. Subiu com o
dedo passando por meu pescoço, indo para o rosto, parou exatamente nos lábios.
– Veio com o batom... – arrumou forças para dizer. Sua voz estava melosa, eu a queria em meus
ouvidos.
– Por você uma cor nova, um novo prazer... “Vermelho proibido” – consegui dizer aos sussurros.
Richard brincou passando o indicador na linha fina dos meus lábios. Analisou a marca em seu dedo
e, logo em seguida, levou até a boca e sugou meu gosto.
Que excitante...
– Você é doce... – gemeu em meu ouvido. Fazendo-me ir ao delírio.
– Hum... – única palavra que consegui deixar escapar por meus lábios cheios de tesão por aquela
boca carnuda.
– E vou ganhar sua marca?
Será que ele sabia disso? Ou é apenas o momento?
– A marca de um beijo proibido...
Nós dois fomos ao delírio nessa frase. Foi notável. Diria até que, foi épico, meu clichê de filme.
Eu queria apenas arrancar a roupa e fazê-lo me amar loucamente até o amanhecer...
– Hum, eu sempre achei que seria proibido, mas estamos aqui, não? – falou no meu ouvido.
“Pare, pare, pare e me agarre...” – Minha mente gritava esbaforida.
– Estamos. O que temos a fazer? – recuperei de algum jeito o juízo.
– Posso começar por oferecer algo para beber – ofereceu educadamente. Ele quer ir aos poucos,
seduzindo... – O que acha? – seu olhar era penetrante.
Na boa, eu acho você uma delícia! – soltei uma risada de mim mesma.
– O que pensou para sorrir assim tão linda? – encarou-me e vou dizer sem vergonha nenhuma.
– Que você é uma delícia! – pronto disse. Alívio total em meu ser. Ufa.
– Hum, antes eu era apenas um mistério... – estava colocando nas taças um vinho.
Ah, fala sério! Como eu posso suportar minhas vontades assim?
Ainda mais ao lado dele e ainda tomando vinho. Tesão ao quadrado!
– Mas para mim, Richard, desde a primeira vez, você foi uma delícia! – entregou-me a taça e
brindamos.
– A você que também é uma delícia, sempre achei e é por isso que está aqui. – piscou fazendo seu
efeito vir como um tiro certeiro, eu quase caí, pois me faltou chão ao vê-lo sendo sedutor.
– A você que sempre foi meu desejo absurdo e por seu aniversário. Parabéns pela escolha! –
brinquei. Ele aproximou-se.
– Sabe Mel, vou te contar uma coisa muito séria... – ficou de frente encostado na mesinha de canto,
todo charmoso e sexy. Richard estava tão lindo, seus olhos vagavam nos lugares certos do meu
corpo. – Quando te vi, não achei que poderia ser tão perfeita. Você me fez ferver durante todo esse
tempo, com suas provocações, suas atiçadas. Você é um conjunto de perfeição. Imagina para um
homem ter que aguentar isso tanto tempo! Imagina o tanto que fui torturado por sua beleza? – sorriu
ao dizer, deu um gole em seu vinho. Uau, que revelação. Agora me sinto até mais relaxada, ele nunca
teve repulsa de mim.
Yes, agora mostra o seu melhor, garota! – queria dançar pra ele.
Mel, bitch!
– Sei bem o que é isso, não imagina como sofri com suas recusas! – fui sincera, dei um gole no
delicioso vinho. Ótima escolha, aliás, dia de ótimas escolhas.
– Tive que fazer isso para o nosso bem. Juro a você, em todos os lugares fervi e quase fiquei
louco. Lá no hotel, no elevador e, principalmente, no rancho! Mel, você deveria saber o quanto seria
perigoso, mas era excitante ver você me provocar, era o melhor momento. Além disso, tem suas caras
e bocas que faz, assim como agora! É foda de ver sem poder fazer nada! – falou firme, fazendo meu
corpo esquentar.
– Richard se quer saber, vivi tudo isso também, mas você sabia que eu provocava, eu que não
sabia de nada, achava que nem me notava! Cheguei a pensar que tinha repulsa de mim. Desculpe pelo
que vou dizer, mas vivia te chamando de idiota! – fui sincera com três goles de vinho. Meu Deus!
– Hum, isso é péssimo! Idiota? – perguntou incrédulo franzindo a testa, apenas fiz que sim sem
graça com a minha verdade. – Sim Mel, fui muito idiota, mas agora estamos aqui, não é? Poderemos
saber se valeu à pena esperar cada segundo de tortura... – colocou mais vinho para nós dois.
– Você ainda tem dúvida se valeu à pena? – perguntei ansiosa. Dei um longo gole, nem sei se
queria ouvir a resposta. Sorri sem jeito.
– Nenhuma! – disse rápido emendando o assunto. – Eu corri o risco, desejei você aqui hoje e você
está. Isso já me valeu à pena. Mel, se hoje você não quiser nada comigo, eu te convencerei de que sei
fazer bem gostoso... – piscou me seduzindo.
Com sua última frase, fez com que todo meu corpo explodisse.
Uma bomba erótica...
– Hum, está me seduzindo, Richard? – perguntei fazendo charme, deixando a voz derreter como
melado. Ele colou seu corpo ao meu.
– Sim, estou – falou firme.
– Ok, mostre seu poder! – Isso com certeza nem era preciso. Só essa piscadinha dele, essa
mordida no lábio, se ele ainda falasse meu nome sussurrado, pronto, eu era dele. No entanto, um
pouquinho de sedução não era demais, não é?
– Será um prazer, Mel... – e quanto prazer há nisso... Richard havia sussurrado a frase em meu
ouvido, ficou pertinho com seus lábios vacilando.
– Só Deus sabe o quanto você me tortura, Sr. Vellatto! – disse entredentes, soltando em seguida
todo o ar que acumulou em minha boca.
– Só eu sei o quanto quero isso, Mel... E vou te castigar por isso, por toda tortura que me fez. –
sorriu vitorioso, pois fui derretendo.
– Então hoje você poderia agir...? – brinquei com a taça nas mãos.
– Antes disso, eu não ganho um presente de aniversário? – cruzou os braços, sua respiração estava
acelerada, já estávamos ofegantes só com as provocações, imagina durante e depois do ato
consumado.
Minha nossa, eu sei o que ele quer, eu também quero. E muito.
Dei um passo e fiquei mais próxima do seu corpo, a temperatura no pequeno espaço estava
insuportável de tão quente. Deslizei minhas mãos até seus braços cruzados, os desfiz. Seu sorriso se
abriu charmoso, eu não esperei mais. Puxei sua nuca, aproximei meu rosto ao dele, encarando aquele
olhar fervente, deixando enfim nossos lábios molhados e necessitados se tocarem.
Forte, ardente e sufocadoramente, ele me beijou... Devorando-me. Estilhaçando-me. Deixando-me
fora de meu ser. Eu sentia o seu beijo, sua língua macia de encontro com a minha, entrelaçando
nossas vontades mútuas. Suas mãos em minha nuca segurando-me firme, eu não senti necessidade de
respirar, seu beijo me roubava e devolvia o ar ao mesmo tempo. Do molhado ao quente, Richard me
beijava devagar até puxar o último suspiro de mim, em uma mordida de leve acabar nosso beijo. O
primeiro, porém, marcante. Eu quero mais...
– Uau – disse ainda me segurando, dando alguns beijinhos por meu rosto, pescoço, outro leve na
boca. Richard tem o dom de puxar com os lábios pequenos beijos delirantes.
Por que tinha que ser assim tão perfeito?
– Isso foi delirante, sinceramente me deu medo de não querer mais sair daqui... – consegui dizer.
– Acabei de pensar o mesmo.
– Qual é o próximo passo? – perguntei inocente.
Acho que fiz besteira. Aliás, não, não mesmo. Richard enfim me puxou, encostando-me na parede,
demoradamente me beijou. Seu desejo por mim era palpável, suas mãos passaram a me conhecer por
todos os lugares acessíveis. Ele tentava encontrar meu corpo dentro do enorme casaco. Eu hoje sou
apenas dele, o vermelho proibido está sendo usado, nada nos impedirá.
– Posso? – perguntou assim que soltou meus lábios. Seus olhos indicaram o casaco.
– Vamos por partes, pode ser? – fiquei encostada na parede tentando me recuperar do incêndio que
aquele beijo me causou. De tanto que me apertou contra a parede, não duvidaria que tivesse a marca
de meu corpo ali. Todo seu poder sobre mim. Ajeitei-me e sentia todo meu corpo inflamado pela
vontade do corpo dele, mas respirei fundo, controlando-me um pouco.
Ele pegou novamente a taça, sentando-se na cama. Ficou encarando-me em seus goles longos.
Passei a observar o quarto, o luxuoso quarto de sua adorável escolha. Era confortável e acho que
eram pelo menos uns trinta metros quadrados. Uma cama king size gigantesca, na parede da cama um
luxuoso painel em madeira caramelo com dois criados mudos, luminárias lindas e chiques. O quarto
em si também tinha um aroma de lavanda com flores frescas, como se estivesse imitando o ar fresco
da manhã de um dia lindo, sendo que, lá fora através das cortinas abertas via-se um dia nublado. A
visão nos dava um contraste interessante.
Na gigante cama, lençóis de seda branquíssimos, com uma colcha em bege escuro. Os móveis
eram claros para dar ar de conforto, uma poltrona no mesmo tom da colcha de cama. Duas janelas
gigantes com cortinas em branco que pegavam do teto ao chão, com vista para o belo bairro de Itaim.
Uma mesa de trabalho, ao lado uma peça luxuosa com alguns quitutes e um frigobar completava o
quarto. À esquerda, uma porta também em caramelo que deveria ser o banheiro. Richard percebeu
meu silêncio, respeitou meu momento. Estava analisando o lugar, mas ele sorriu dizendo:
– Você está muito linda. – disse me olhando inteira, e que olhar divino!
– Você não viu nada... – Richard balançou a cabeça, eu queria saber o que pensava sobre tudo isso.
Sobre nós durante todo esse tempo.
– Eu ainda não acredito nisso... – falou subindo mais na cama, mas mantinha seu olhar sobre meu
corpo escondido. Seus olhos diziam que queria arrancar aquilo tudo, vagarosamente...
– Em quê? Em mim? Por quê? – fiz as perguntas rápidas, sorrindo nervosa em cada uma delas.
– Claro, eu surtei todos esses dias, quase nem dormia, agora você está aqui... – seus olhos diziam
que era verdade.
– Eu penso o mesmo... Pode ter certeza! – confirmei com uma piscada, aquela que o faz pirar.
– Eu sei bem, seus olhos nunca mentem... Você é a única mulher que conheci que faz umas
expressões faciais incríveis. Você não precisa dizer nada, seus olhos dizem por você.
– Já me disseram isso.
– É a verdade. Mel, sempre desejei estar com você... Eu não acho isso ruim... – disse sem
arrependimento ou preocupação.
– Diz por causa da Mariana? – não queria tocar no assunto, mas...
– Ela terminou comigo. Disse que era para seguir minha vida, que eu merecia encontrar a
felicidade que ela não poderia me dar. – Ele parecia triste.
– Isso não é mentira – não conseguiria mentir. – Mas acho que tudo tem seu momento, vamos
deixar o nosso acontecer... – não queria falar de outros e sim de nós.
– Tem razão. Quer mais vinho? – ofereceu.
Enquanto ele estava na mesinha, murmurei.
– Posso ficar à vontade? – Richard em câmera lenta virou, me olhando. – Já que não disse isso ao
entrar... – coloquei o dedo no primeiro botão do casaco. Senti sua respiração cessar, todo seu corpo
voltar a ficar de frente ao meu. Seu olhar ficou perdido em meus dedos. Os deslizei um por um sem
abrir, só esperando a resposta dele. – Posso? – parei, Richard voltou a me olhar nos olhos.
– Sinta-se à vontade, até poderia oferecer ajuda, se a senhorita permitir... – seu charme me
convenceu, cedi, ele abriu os botões. Sua respiração quente, desejável em cima de mim estava me
deixando mais atiçada. Seu cheiro estava inebriante.
– Você é perfeita... – Ele não conseguia dizer mais, apenas me olhava.
– Não sou, mas posso chegar próxima a isso... – Outro puxão dele e paramos perto da cama.
– O colar não ficaria perfeito em outra pessoa, foi feito pra você, Mel... – outro sussurro, estava
derretendo com sua voz em meu ouvido.
– Obrigada – disse quase sem voz.
– Deixa eu te ver... – sussurrou com seus lábios grudados nos meus.
– Você sabe muito bem como eu sou... – falei lembrando o fato no rancho, quando ele entrou no
banheiro e me viu de calcinha e sutiã.
– Mas agora quero ver e... Sentir! – disse quase me devorando.
– Não é preciso pedir de novo...
Richard todo gentil pegou em minha mão direita, deu uma volta inteira no meu corpo, analisando
maliciosamente cada pedacinho. Fiz charme, gostando da forma que ele me olhava, era demais sentir
isso... Por mais errado que fosse estar ali, eu não sentia remorso, estava sendo desejada da melhor
forma a qual busquei todo esse tempo. Ele me abraçava, beijando-me calmo, às vezes, mais forte, ou
mais intenso, mais gostoso a cada beijo. Quando largava meus lábios, eu sentia falta, queria mais,
deliciar-me nele todinho...
Eu iria me perder em seus beijos por todo o resto das horas que teria com ele.
– Sem você, esse vestido não teria um charme... – elogiou.
– É a primeira vez...
– Está realmente linda, incrível e muito gostosa! – a última palavra queimou em minha pele.
Gostoso. – Melhor eu não conseguiria imaginar... – seus elogios me tranquilizaram, davam-me paz e
atiçavam-me loucamente.
– Eu já te disse que é muito charmoso? – estava resistindo muito a sua tentação, faltava apenas uma
taça para o fim da primeira garrafa de vinho.
– Eu me lembro de cada palavra sua, de suas indiretas, seus olhares, suas histórias que ouvia "sem
querer", ou por vezes que ficava suspirando quando eu passava pela recepção... Cheguei a pensar por
horas: Será mesmo? – soltou uma risada gostosa.
– Fiquei em choque desde que te vi, quando ainda nem sabia seu nome! Sua voz delirante, sua
barba que me encanta... Você é um conjunto de perfeição, Richard! – elogiei também. Seu sorriso se
alargou naquele rosto lindo e masculino.
– Gosta de barba? – passou a mão por seu rosto tão lindo. Realmente uma das coisas que mais
chama minha atenção, que me deixa atiçada é a barba dele.
Santo Deus, como pode ser tão atraente?
– Amo... – sussurrei e Richard abriu seu maior sorriso sexy. Ganhei outro beijo, ele foi passando
de leve a barba pelo meu pescoço, indo para nuca, ficando atrás de mim, envolveu seus braços fortes
em minha cintura, deu-me mais beijos, até meu ouvido.
– Eu não estou aguentando mais... – sussurrou ao meu ouvido, o arrepio percorreu todo meu corpo.
– Você é maravilhosa, seu cheiro, seu corpo, sua voz. Mel, eu a quero demais... – sua fala em minha
pele era quente. Soltando vários beijos ardentes na minha nuca, sua mão brincava em minha cintura,
descendo... Descendo até a barra do vestido. Passou por minha coxa, até a parte detrás dela, quase
em meu bumbum. Respirei forte, ele me acompanhou. Minha mente ficou pervertida por um breve
lampejo.
Eu o quero agora!
Tentei me manter atenta, observando todo seu molejo e desejo comigo, mas sussurrei em seus
lábios.
– E o que você está esperando...? – murmurei, Richard apertou-me se preparando para o momento.
Era agora...
Fiquei leve ao seu toque, gostei muito do que vi em seu olhar e do que senti em seus toques
eletrizantes, era um desejo sem fim do meu corpo. Seus beijos foram intensos na nuca, junto às
mordidas leves e arrepiantes. Richard abriu a lateral do meu vestido, puxando a primeira parte. O
choque estava percorrendo na ponta de seus dedos, onde tocava era até doloroso o prazer, único.
Respirei fundo, deixando sua mão percorrer minha pele que ardia por ele. Richard ansiava meu
corpo, isso transpareceu em seus dedos que faiscavam minha pele. Ele não me pediu, apenas fez. Era
disso que eu precisava...
Com todo cuidado, foi puxando a parte de cima do vestido, onde havia renda ele beijava. Os seus
beijos estavam tirando o meu foco, eu queria ficar ligada, queria sentir cada instante. Ele passeava
também com sua barba por toda parte, deixando o arrepio junto com um rastro vermelho por onde
passava espetando. Sentia a alegria de saber o quanto desejava isso em mim, o quanto precisou de
mim nesse dia. Estávamos ali, em busca de proporcionar o maior e melhor prazer ao outro. Uma
troca justa, delicada e, acima de tudo, erótica. Richard me desejando, querendo estar dentro de mim,
eu mais do que tudo, ansiava por essa glória...
Puxou meu cabelo de leve, dando acesso a minha nuca, seus beijos intensos deixavam-me à beira
do ápice de loucura, eu queria logo, ah, como queria. Ele sentia meu cheiro, meu gosto, minha
vibração por estar ali. Richard encostou-se na parede, segurando minhas mãos frias. Virei todo o
corpo, ficando na sua frente. Ele abriu um pouco as pernas, me encaixei nelas. Minhas mãos
começaram a conhecer seu corpo, estavam até impacientes para tocá-lo com urgência. Tudo era novo,
desconhecido até então, a cada toque em seu rosto, sua nuca, sua barba rala em meus dedos, seus
lábios, ele me fitava com vontades, com fascínio. Voltou suas mãos ao meu corpo, rente à barra
apertada do vestido, com seus dedos longos buscando minha pele.
Dei um cheiro nele e como Richard era cheiroso... Passei os lábios devagar num percurso até sua
boca. Não beijei. Passei a língua no canto e no contorno perfeito de seus lábios de coração. Ele ficou
quietinho, mas seus olhos estavam em mim, todo foco no meu corpo. Desgrudei meu corpo do dele,
fui até bolsa, peguei o batom. Fiquei na frente do espelho e passei novamente só por precaução.
Voltei e ele ainda não dizia nada, mas queria sentir. Eu já sentia seu enorme efeito em seu jeans
apertado. Gostoso demais... Sorri com que pensava dele, e isso não seria nenhum absurdo, é meu
efeito, eu estou causando isso.
Que demais!
Puxei seu pulso, levantei sua blusa de linho preta colada ao seu corpo, que daqui alguns instantes
arrancaria para saciar minha curiosidade. A manga longa da blusa atrapalhava, então dobrei e
busquei seu pulso. Ali foi a primeira marca. Fiz o mesmo no outro, subi o olhar até ele.
Richard estava encantado, absorto em pensamentos lascivos, podia sentir suas vontades, ouvir seus
pensamentos perversos, pois deveriam ser os mesmos que os meus. Fui até seu pescoço, podendo até
sentir seu sangue correr mais forte, apertei os lábios em sua pele, minha marca estava ali.
Minha curiosidade não queria esperar, eu mesma poderia fazer isso, e fiz. Com meus dedos, puxei
a ponta da blusa, senti seu sorriso voltar, não precisei olhá-lo, me concentrei no que estava em baixo
daquela blusa. Em sua calça jeans escuro apertada. Sua ereção desejada, toda para mim.
Como ele é lindo...
Levantei um pouco e vi a ponta de sua boxer branca, naquela calça jeans apertada e volumosa.
Ele não poderia fazer isso comigo! Poderia colocar uma cueca branca? Poderia?! Claro, que
sim!
Coloquei minhas mãos dentro da blusa sem ver antes, senti cada parte, sua pele quente, arrepiada
ao meu toque em sua barriga definida. Meus lábios estavam ansiosos para beijá-lo, para sentir o que
minhas mãos sentiam. Queria mordê-lo, queria sentir cada pedacinho em minha língua. Subi até seu
tórax, mapeei cada parte dali, sentindo seu pelo bem aparado, espetando de leve meu dedo. Estava
encostada nele, com as mãos em seu corpo quente e necessitado.
Decidi tirar, para ver tudo aquilo. Levantei a sua blusa, ele me ajudou a tirá-la. Enquanto apenas se
distraía em me ajudar, foquei naquilo... Que perfeição era cada parte dele... Forte, certo, quente... Os
meus beijos vermelhos espalharam-se em cada parte, no pescoço, no peito, no tanquinho perfeito tão
próximo à cueca...
Minhas unhas o faziam arrepiar ao passar nele inteirinho.
Dei um apertão de leve na sua calça para sentir o que me aguardava, por essa ousadia, Richard não
esperava. Eu o surpreendi. Isso o faz revirar os olhos e me agarrar. Agora inverteu o jogo, eu estava
na parede e ele na minha frente.
Richard arrancou meu vestido, seu olhar era pura fúria, delírio, luxúria. Analisou todo o conjunto
em minha pele branca, suas mãos correram para minhas costas atrás do fecho do sutiã, soltou
sorrindo. Puxou com delicadeza as alças e as tirou. Analisou a beleza em sua frente, sua boca parecia
salivar por aquilo, mas suas mãos faziam o contorno de leve num choque excitante.
Fechei meus olhos, deixei-me levar. Sua barba raspava nas melhores partes, sua boca encontrou
meus mamilos já tão atiçados por ele. Richard não perdia tempo, passava sua boca, de cima no
pescoço até o início da minha calcinha. Seus lábios puxavam meu piercing devagar. Fiquei passando
de leve as mãos em seus cabelos macios.
– Mel, você é incrivelmente perfeita... Seu gosto é o melhor. Sua pele macia, lisa e quente. Mel, eu
vou te apreciar bem devagar... – Richard gemia encostado com seus lábios em minha pele.
Levantou-se ficando de frente. Segurou minhas mãos e seus dedos deslizavam em círculos no
centro das palmas, um choque gostoso e sensível.
Como poderia surtir um efeito desse jeito lá embaixo na calcinha?
Contorci-me sentindo contrações constantes em meu sexo, ele realmente tem o dom. Sabia
exatamente o que fazer, seu prazer para comigo era intenso demais. Outro apertão na parede e sua
mão já brincava perto da calcinha.
Ah, isso era demais... – pensei aflita de desejos quando ele me tocou, sorriu e sussurrou em meu
ouvido.
– Já está assim, Mel?
Como assim?
Meu bem, eu sou preparada!
Apenas sorri para sua pergunta, é claro que estava assim, atiçada e molhada, só para ele! A fome
se intensificou nos olhos castanhos de Richard, minha mente começou a fazer os planos, pervertida e
deliciando-se da maneira com que me olhava. Pegou-me no colo assim que analisou meu estado de
êxtase, me colocou na cama. Ele finalmente iria me conhecer!
Seu sorriso e sua vontade eram tão fascinantes que não havia pecado. Richard tirou com tanta
classe sua roupa, que fitei cada parte da cena.
Que demais ele era, uau!
Eu poderia chegar ao clímax em apenas olhar a beleza daquele homem, aquele belo corpo forte,
esguio, grande...
Fiquei deitada esperando tudo aquilo vir para mim e, quando veio, subiu com cuidado, beijando-
me forte, desejando-me apenas naqueles beijos bem dados. Soltando dos lábios e voltando ao corpo.
Era uma troca gostosa e rítmica. Dos lábios, aos seios, à barriga, ao meu sexo molhado.
Acompanhei seu olhar intenso, quente, malicioso em mim. Gemi e ele gostava, pois toda vez que
me tocava ou beijava em algum ponto, eu gemia implorando que nunca mais saísse dali, Richard
encarava-me sorrindo, apreciando e aproveitando cada extensão do meu corpo, sentindo meu sistema
nervoso implorando por prazer. Um sorriso rasgado e vermelho.
Puxei seu rosto até o meu e beijei sem parar aquela boca linda. Apertei em todos os lugares, suas
costas musculosas, seu peito, seus pelos macios.
Ele deitou, fiquei em cima dele. Beijando-o, fazendo tudo que Richard fazia em mim, uma troca
erótica. Richard gemia também, chamando por meu nome.
– Assim Richard... – sussurrei, enquanto ele enfiava os dedos entre meus cabelos soltos.
Ele inverteu as posições novamente, deixando-me presa a ele, Richard sabia me conduzir,
controlar o momento com todo cuidado, deixando o momento certo chegar. Em seus braços eu me
sentia dele. Richard sabia de seu poder, queria curtir cada pedaço de carne em mim, sentindo cada
sabor, deliciar-se do meu gosto.
Deixou-me estirada na cama, analisou a beleza que tinha em mãos, podia ver em seus olhos o
quanto estava extasiado por esse momento. Observava seu lindo corpo nu ao meu lado.
Richard beijou minha testa, desceu até a ponta do nariz, num beijo casto em meus lábios deixando
a língua correr na minha boca. Queixo e pescoço. Sussurrando palavras maravilhosas, o quanto era
deliciosa para ele, era o que repetia toda hora: você é deliciosa.
Meus fartos seios eram o alimento do momento, Richard encaixava os lábios devorando-os
lentamente, sua língua brincava com meus mamilos rijos e firmes.
Ficou segurando e mexendo devagar, enquanto sua boca percorria a extensão do meio do meu
corpo. Barriga, umbigo, piercing, chegando às coxas, também em meu sexo latejante já há tempos...
Vem Richard!
Sem ter noção do tanto que estava a fim, soltei leves sussurros implorando tudo, para ele não parar
por ali, ele me atendeu. Seus dedos firmes deslizaram para dentro de mim, conhecendo-me antes de
penetrar.
Que delícia era de ver seu desejo no olhar. Seus lábios disseram sem sair som: geme pra mim.
Obedeci prazerosamente... Seus lábios encontraram o meu sexo, Richard fez o seu melhor,
deixado-me à beira do abismo, era só escorregar e deixar a adrenalina fluir, mas antes de atingir o
ponto que necessitava, sua língua habilidosa parou, fazendo-me contorcer de prazer. Ele faria algo
melhor. Roubando meu orgasmo só pra ele, meu primeiro.
Em seus lábios macios e quentes, Richard esperou meu corpo amolecer e voltar ainda mais
intenso. Ao voltar com a respiração intensa e cheia de vontades, ele veio e, ao me possuir, senti todo
seu poder. Era algo tão incrível, seu olhar em mim era faminto. Selvagem. Richard movia os quadris
tão lentos num movimento único.
Minha nossa, ele é melhor do que eu pensava...
Gemi alto em puro prazer, revirava meus olhos, encarava aquele homem que me possuía com total
prazer. Tentei puxá-lo com mais força, mas sua lentidão era intensa dentro de mim. Deixava-me tão
bem, tão satisfeita...
Richard via todo o prazer em meus olhos, enquanto sussurrava suas vontades sobre mim, palavras
que saiam com tanta delicadeza de seus lábios poderosos. Sua língua que buscava a minha com tanta
intensidade, medindo cada canto dos meus lábios sedentos, que mal conseguia me controlar.
Apertava suas costas, puxando-o para o mais perto possível, Richard às vezes, me olhava no fundo
dos olhos buscando cada prazer, ele sabia o tanto que conseguia me dar, seus beijos, ah, que beijos
mais bem dados! Beijava-me feroz, doce e penetrava aumentando drasticamente o prazer em meu
corpo...
Era agora...
Ele queria adiar, mas também queria explodir...
Vem para Melzinha, vem...
Richard se entregou, vendo isso em meus olhos. Aquele olhar que sempre quis em mim, agora tinha
algo a ser dividido. Tínhamos nosso momento juntos. Eu me lembrei desde a primeira vez em que
desejei e vi esse homem. Eu estava ali, sendo alimentada por ele.
Agora Richard tinha minha marca, meu gosto, meu suor, minha sensibilidade, meu prazer, meu
sexo...
Gememos juntos por nosso prazer... Explodimos num mesmo deleite.
Ao nosso sexo.
Eu tive esse homem... Só pra mim...
– Você é demais... – sussurrou em meu ouvido, estava anestesiada na cama e um lençol de seda
branca em cima de mim.
– Estou sem fala... – murmurei fraca, na verdade, não sei como estou viva. Pelo que me lembro,
tudo explodiu... Num baque silencioso dentro de mim.
– Eu já não sei se te quero apenas uma única vez... Isso nunca me aconteceu. – Richard disse
encarando-me nos olhos.
– Eu causo esse efeito – soltei uma risada, ele me beijou.
– Por que não te encontrei antes do Juan? – Richard olhava para o teto em busca de respostas.
– Na verdade, encontrou, só não soube usar a oportunidade! – era toda a verdade.
– É verdade, agora estou arrependido... – falou sem deixar a voz sair alta, mas eu ouvi.
– Hã?! – levantei meu corpo para encará-lo.
– Não disso que aconteceu, me arrependo de não ter feito nada antes... – sorriu, deixando-me mais
calma. Passou o indicador nos meus lábios abertos, mordi de leve o dedo dele, Richard lançou um
olhar sexy. Exuberante.
– Ah, bom, que susto! – sorri retribuindo com um olhar carinhoso.
– Eu nunca senti isso antes... – encarou-me, deu medo suas palavras.
– Sério? – poderia ser só para me agradar.
– É sério, com nenhuma mulher. Não estou dizendo para te agradar, estou sendo sincero. – olhei
para ele, Richard parecia dizer a verdade.
– Mas você ama a Mariana? – assim que disse, não o encarei.
– Acho que sim.
– Como assim, você acha?
– Eu achava que com ela era perfeito, mas depois disso, já não sei...
– Não pode pensar assim – não mesmo.
– Eu não quero pensar assim. – seus olhos focaram os meus. Tão calmos e sinceros, mas no fundo
havia ainda um lado perverso.
– Sabe, posso te contar algo? – soltei uma risada ao dizer. Isso fez ele me encarar sorrindo, antes
de dizer agarrei-o num beijo, não queria parar mais, mas acabei largando, ele disse cheio de
contentamento.
– Claro. – Richard tinha o sorriso mais lindo e sincero no momento.
– Um dia estava conversando com a Mari sobre você, sem querer perguntei a ela: "O Richard é
tão bom assim?" – falei sem vergonha nenhuma, ainda fazendo charme mordendo o lábio.
– Sério? – sua reação foi engraçada, mas parou de rir, fitou minha boca e, sem medir esforços, nos
beijamos. Mordendo os lábios um do outro, que sensual esse homem... Consegui largar meus lábios e
continuar.
– Foi sim, se alguma garota me perguntasse isso, eu a socaria, mas ela nem se tocou e me
respondeu: "Sim, o melhor!". Desculpa pelo que vou dizer, mas pensei: "Hã, como assim? O que ele
faz com ela? Talvez ainda ele não tenha tido a melhor, eu poderia fazer isso por ele". Sem
remorso, juro que pensei nisso – nós dois rimos.
– E você com toda certeza foi a melhor! – disse sério olhando em meus olhos, até parei de rir.
– Quando conheci o Juan, eu não sentia amor, não tinha me apaixonado. Ele mudou meu ser, meu
mundo. Eu o amo, mas sentia uma vontade desigual por você, é por isso que estou aqui... E não me
arrependo – encarei seus olhos. – É realmente uma pena não ter me visto antes...
O silêncio permaneceu no quarto, ficando apenas o som rítmico dos nossos corações que fluíam
ali...
– Quer comer algo? – perguntou se levantando com sua cueca sexy branca. Demais. Apenas fitei,
mas ele entendeu meu olhar. Sentiu sem eu dizer nada, apenas por aquele olhar ele sabia.
"Vem pra mim!"
Richard voltou para cama e matou minha fome dele. Numa rapidinha em pé de frente para a janela,
nós dois olhando os movimentos lá em baixo. Ele todo gostoso em seus movimentos deliciosos e
poderosos. Fazendo-me sentir arrepios e dois orgasmos numa mesma brincadeira.
Ah, Richard, você é muito homem para mim...
E eu, meu bem...
Momentaneamente.
Sou toda sua...
Da janela já se via a cidade escurecer e a noite brindaria a nós seus lindos pontos luminosos.
Numa escuridão acima, assim como nossos pensamentos.
Dois amantes insaciáveis de desejos, mas era apenas ali.
Como seria depois desse quarto?
Como eu o veria depois disso?
Eu ainda tenho que descobrir...
– O que está pensando? – estava deitada no chão com as pernas em cima da poltrona, vendo a
escuridão lá fora, nua, apenas com o lençol em cima. Lá fora uma fina chuva caia e aqui dentro eram
apenas dois amantes de uma louca tarde de amor.
– Em um monte de coisas... – sussurrei, Richard sentou na poltrona, ficou fazendo círculos com os
dedos em minha perna.
– Está pensando em hoje? – Ele estava com medo de não ter feito o melhor.
– Também, e como serão as coisas daqui para frente... – levantei um pouco o rosto fitando aqueles
olhos radiantes.
– Pensei nisso na hora que estava tomando banho. – encostou e ficou pensativo.
– Deveria ter sido horrível... – dei risada, ele fez o mesmo.
– Não! Deveria ter sido como foi! Hoje foi um dia muito perfeito, Mel. – sua voz era doce ao
dizer, como um bálsamo.
Richard levantou, veio fazendo um caminho de beijos em toda minha perna, passando pela barriga
que descobriu do lençol, subiu o meio dos meus seios, enfim encaixando seus lábios em meu queixo.
Ficou de joelhos no chão em cima de mim, deixando uma perna minha de cada lado dele, fixou seus
olhos nos meus, deu uma piscadinha. Acabando comigo.
– É para ser o mais perfeito em cada uma delas. Darei meu melhor a isso, sei que você faz o
mesmo, o que nos aconteceu não é para haver arrependimentos. Mas, alegrias em lembrar, o frio na
barriga, o desejo de sempre querer mais e mais... – sussurrava quente ainda me encarando. Desceu
com seu rosto bem pertinho do meu, pude sentir sua respiração desejosa em mim.
– Sabe que não podemos, é apenas hoje... – falei, ele roubou um beijo assim que disse, era para eu
não esquecê-lo. Na verdade, não esqueceria nunca.
– Então, o dia ainda não acabou... – Richard olhou-me tão quente que, na sequência, senti tudo
derreter num líquido amistoso no meio de minhas pernas.
Ela molhada e ele crescendo...
Richard segurou minhas mãos, levantando o pouco meu corpo para me ajeitar, se encaixou quente
entre minhas pernas, soltou minhas mãos e foi deixando os seus dedos brincarem em meu corpo. Ele
movia os quadris, entrando e saindo numa sequência deliciosa e prazerosa. Segurava forte minhas
coxas, apertando-as contra seu corpo, aquele peito forte, lindo de se ver, sua tatuagem no braço,
fazendo-me às vezes lembrar Juan. Fechei os olhos e gemi, com dor e pela penetração maravilhosa
que Richard fazia em mim. Suas mãos iam para os lugares certos, quando enfim encontraram os meus
seios, brincavam com meus mamilos, os quais dolorosamente ele puxava, mas era gostoso, excitante
demais. Ele me encarava, rebatendo mais seu corpo contra o meu. Quando saiu da posição em que
estava, deixando minhas pernas caírem, ele entrou novamente, roubando-me com um tiro certeiro,
Richard gemeu em meu ouvido.
– Mel, eu sou seu nesse momento, deixa-me ser seu homem... Minha nossa, que tesão de mulher é
você? Goze pra mim, querida, geme pra mim...
Numa explosão, ele apertou mais meus quadris nele, gozamos juntos, num suor de nossos corpos
quentes e prazerosos... Richard sabe o que faz...
Deliciosamente ele abusou de mim ali mesmo, novamente naquela posição.
E quer saber, eu adorei...
Dois corpos nus insaciáveis...
– Richard, acho que vou embora... – era ruim dizer isso, estava tudo tão bom.
– Por quê? – Ele quase entrou em desespero.
– Como assim?! – falei rindo dele, da carinha que fazia. Gatinho de botas.
– Eu iria te convidar a passar noite aqui comigo... Só para durar mais tempo. – Ele não me deixava
opções para rejeitar.
O que poderia fazer?
Eu teria que ter esse prazer prolongado apenas por mais algumas horas... Então, não me sentirei
mal por isso.
Não por isso...
– Tudo bem, Sr. Mistério... – gemi e Richard me surpreendeu ao jogar-me na cama, deixando
minha cabeça próxima aos pés da cama. Fiquei sem entender, mas sua atitude me fez ver o que
desejava. Richard ficou na ponta e começou a me beijar ao contrário. Na testa, no nariz, nos lábios...
– Hum, Sr. Homem Aranha, quer me devorar assim? Peter Parker! – brinquei, pois sua brincadeira
seria excitante.
– Sim, minha ruiva, Mary Jane, nós vamos brincar ao contrário... O que me diz? – disse malicioso,
deixando seu sussurro em minha pele arrepiada.
– Que você é perverso, mas eu sou mais ainda...
Balelas, tudo isso era demais, eu não poderia sair dali naquele momento. Richard ainda iria me
provar...
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Poderia sem problemas querer mais e mais. Queria até que não houvesse mais forças, mas eu a
teria. Isso foi tão demais que não consigo acreditar que foi real. A todo instante pensava e
passava um flash: “É real?”. Sim, era real. Eu tive aquela mulher e agora sei exatamente qual é o
seu gosto...
Ela tem gosto de quero mais...
Mel tem um charme que me deixou fora de tudo. Aqui nesse quarto, onde nos sentimos a cada
instante. Eu não sei como seria a convivência com essa mulher, mas sei apenas que a cada
segundo ela me deixaria anestesiado, louco, satisfeito de uma forma incrível.
Como ela mesma disse: “Deveria ter sido ruim”. Uma parte até concordo, pois não quero
apenas uma vez, eu a quero mais algumas vezes...
Fiquei por um bom tempo ainda deitado na cama olhando o teto, refletindo os meus porquês
idiotas que nunca soube resolver. Agora é tarde, ela está apaixonada por Juan, o que posso fazer?
Deveria tentar conquistá-la, mas sei que é quase impossível brigar com isso. Apenas quero que ela
fique bem. Só não sei como vamos nos olhar daqui para frente. Isso será um mistério, mas será
impossível não olhar para ela e não lembrar-se de tudo que passamos nessas últimas 24 horas!
Até quando ainda ficaria com seu efeito em meu corpo?
Esse com toda certeza foi o melhor aniversário que passei em toda minha vida. Ajeitei todas
minhas coisas e fui para minha casa. Poderia pensar em tudo novamente. Brincar com as cenas
que de vez em quando me vem à mente. O nosso primeiro beijo, a sua marca por todos os cantos, e
que batom difícil de sair... Eu queria arrancá-lo dos beijos dela para que a cada vez ela passasse
mais e mais... Encantador e único. Ela é única. Um furacão de mulher.
A marca do beijo proibido é o que ela dizia.
Depois dessa noite que passei ao lado dela, vendo hoje como estou, parecia que eu vivia no
escuro e seus lábios me salvaram dali, trazendo-me para a vida. Toda mulher deveria ser como
ela. Mel, acima de tudo, se ama, valoriza-se na cama, ela é fogo! Vermelho excitante...
Sinto o frio e o quente juntos, em todo o meu ser, apenas ao pronunciar seu nome. Quero pensar
nisso e não desistir. De repente, posso ter uma esperança. Como ela me despertou, vou tentar
prolongar esse efeito, quem sabe poderá ainda dar mais certo?
“Obrigado Mel” – desliguei o celular sorrindo, deixando transparecer minha felicidade e
satisfação a todos que me olhavam. Eu a tive...
A proibida tem meu gosto.
E eu a sua marca...
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– Carla, você tem que me encontrar agora! – disse rápido ao celular, já fora de casa.
– O que foi mulher? – Ela parecia com voz de sono.
– Quero conversar com minha amiga, não posso? – falei brava, por que tantas perguntas?
– Ok, daqui a pouco te encontro na praça, pode ser? – disse rindo.
– Pode sim, não demore, tenho ótimas notícias! – estava ainda agitada com tudo, teria que contar a
ela. É minha melhor amiga.
Fiquei frenética até receber a ligação de volta, ela se aproximava. Ao pegar a minha chave do
carro, ouvi o celular vibrando, era uma mensagem dele, do Thiago.
Como ele poderia saber tanto de minha vida? Como assim? O medo ficou tão próximo que eu
sentia pavor. Saí rápido com o celular na mão, sem respondê-lo. Chegando ao encontro, já estava
chorando e teria que ficar em paz para não assustá-la. Já tinha envolvido muitas pessoas, não queria
que nada de ruim acontecesse com ela, Carla não merece isso.
– Que cara de ressaca é essa? – perguntei fazendo cócegas nela. Na verdade, tentando me distrair.
– Tive uma ótima noite! – fez charme e até a sua dancinha era estranha.
– Não me diga que você e o... – nem terminei a frase e o sorriso bobo e rasgado dela denunciava. –
Oh gosh! Que demais! – abracei-a e ela estava radiante. Estávamos, poderia até dizer.
– Aham. Ele é um fofo, muito perfeito... – Carla fazia abanos espasmódicos.
– E como foi? – perguntei e sentamos num banco longe de todos.
– Ah, me diga o que tinha pra dizer, depois eu conto! – seu sorriso era iluminado. Ela jamais
merecia sofrer, é como um anjo doce. Um amor de pessoa, coração tão puro e inocente. Sinto um
carinho enorme por ela, e apenas desejo sua felicidade.
– Não, me diga primeiro! – insisti.
– Ah, Flávio me chamou para sair, jantamos num barzinho ali na Vila Madalena, dançamos um
pouco, tomei vinho e já era... Quando dei por mim estava com ele em uma cama, mas foi tudo
perfeito. Além de tudo, ele é supertranquilo, mas quando quer fogo, meu Deus, esse rapaz tem
pique... – ficou até corada, parecia que sentia ainda os efeitos dele. Eu sentia também, ainda estava
com cheiro do Richard em mim.
– Malditos e poderosos vinhos! – brinquei para tirar a tensão.
– Por quê? O que andou fazendo com vinhos? – Droga, ela me conhece.
– Se eu te contar uma coisa, não irá me julgar por esse ato? – fez a cara de espanto.
– O que você aprontou, dona Mel? – sinceramente eu tinha medo quando precisava revelar algo
grave e Carla logo colocava as mãos na cintura, isso lembrava minha mãe.
– Não faz assim... – choraminguei.
– Então, o que aconteceu? – disse com a voz mais condescendente.
– Estou com o cheiro do Richard ainda em meu corpo... – consegui soltar um leve sorriso, e o
queixo dela quase chegou aos pés. – E ele com as marcas do meu batom...
– O proibido? – conseguiu dizer.
– Sim.
– Você é doida? O que aconteceu? Como aconteceu? Onde foi? – suas perguntas me deixaram
confusa, mas sua atitude era engraçada.
– Ele me convidou, lembra? Aceitei e ficamos 24 horas sendo amantes... – até me arrepiei em
lembrar, foi tudo muito intenso.
– E aí, gostou? Era o que imaginava? – agora ela queria saber.
– Minha nossa, olha isso! – mostrei o arrepio em meu braço.
– Nossa... Mas espera aí, e o Juan? – esbravejou.
Agora talvez seja à hora de algumas verdades latentes.
Carla me ouviu atentamente e concordou, mas ainda tinha alguns ajustes a serem feitos, nada
poderia sair errado. Uma corda amarrava todo meu corpo, e essa corda chamava-se: medo e
desespero.
Fui embora para meu lar, desolada. Como poderia viver assim? Sendo limitada a cada passo. Isso
estava muito pior do que um dia eu pudesse imaginar.
O silêncio deles ficou por dias... E sabe por quê? Desliguei tudo. Desliguei-me do mundo, de tudo
e todos. Deixei apenas um órgão sentimental ainda bater dentro dessa caixa torácica ridícula.
Estou me desconhecendo! Sempre fui forte, alegre e vivi sozinha com meus desejos, numa
felicidade sem fim. Agora? Tudo que tenho é uma bosta de medo que me perturba!
Sabe, às vezes fico pensando, se eu não tivesse aceitado o emprego, ainda estaria bem, e não teria
conhecido ninguém. Não seria amada loucamente por dois homens incrivelmente perfeitos, mas nada
disso está perfeito como pensei que ficaria. Não estou arrependida de nada, só a única coisa é tudo
isso de ruim que Thiago está plantando em minha cabeça, me perturbando sem ao menos ter merecido
isso. Bem, eu acho que a vida me empurrou a isso, e sim, talvez eu seja merecedora. Entretanto, todo
o resto não! Estou deixando pessoas sofrerem por causa de mim.
Isso não é justo.
Estava na minha última semana de férias. Que merda de férias que nem aproveitei nada. Aliás, eu
nem sei o que fazer em relação quando voltar, se ainda vou ficar ali... Pode ser que eu nem aguente.
Fiquei deitada perto da janela do meu quarto, que tinha uma visão incrível de toda São Paulo ao
fundo. Seus prédios enormes e um ar poluído. Era incrível para mim, meu coração estava coberto
com uma cera negra, agora olhando daqui tudo é sinistro. Num domingo agitado de inverno, às vezes,
um sol aparecia e outras se escondia atrás de nuvens cinza. Olhei do meu lado o celular, que tinha
voltado a ligar, deu sinal de vida. Uma chamada. De quem? Arrastei a mão direita para pegar e vi.
Meu corpo chegou a vibrar.
– Olá Mel...
Puta merda, ele fazia de propósito.
– Oi Richard... – também deixei a voz melosa. – Não faça isso pelo celular, é ruim... – não
consegui segurar.
– Hum, pensei o mesmo quando você estava falando! Sinto saudades, o que aconteceu que tentei te
ligar e nada? – Agora sua voz estava um pouco normal, mas ainda sim, gostosa.
– Dei um tempo de mim – falei num tom seco, quase brava. Não com ele, comigo.
– Por quê? Está arrependida? Fiquei sabendo que terminou com o Juan, foi depois daquele dia? –
Ele estava com uma voz de esperança.
– Não estou arrependida de nada, e é verdade, nós terminamos. Não foi depois, foi antes – Richard
suspirou forte, senti pelo telefone.
– E por que não me contou?
– Porque não queria que nada atrapalhasse naquele dia, seria apenas você e eu.
– É bom ouvir sua voz. Vamos nos ver? – disse tão sedutor.
– Não foi esse o plano – avisei calma, até sorrindo.
– E não estava nos planos que isso tudo não sairia de minha cabeça! Eu pensava: será incrível,
mas apenas ali dentro. O que se faz agora, hein, dona Mel? – ria do que falava, sua risada era doce e
sensual.
– Acontece que agora temos nossos caminhos, e não podemos desviar isso. Não agora – uma
verdade bem chata, mas enfim, não podemos.
– Você não sente o mesmo? Não tem mais vontade... – era tão fofo ele dizendo.
– Claro que sinto. Assim que atendi ao telefone, quando você disse só para me provocar: “Olá
Mel”, eu te puxaria pelo telefone! – falei e Richard soltou sua risada mais gostosa.
– Você é demais! Adorei tudo que nos aconteceu. É uma pena não rolar de novo...
– Quem sabe...
– Não diz isso, posso ficar esperançoso! – sua voz estava cada vez mais quente, era terrível ouvir
sem poder fazer nada.
– Vamos deixar rolar... – assim que terminei de dizer, lembrei das escutas. Será que teria em meu
quarto?
– Você não quer tomar um café hoje? – ofereceu, mas acho que ali tinha segundas intenções.
– Eu vou ver, qualquer coisa te ligo.
– Ok, eu vou fazer umas coisas, se quiser é só me avisar. Beijos e pense em mim... – isso não seria
difícil. As lembranças vêm a cada cinco segundos, junto delas, o arrepio bom...
– Beijos, quem sabe... – deixei novamente a frase.
Ele desligou num suspiro longo. Eu também.
Depois do almoço, abri uma lata de leite condensado e misturei com sorvete de chocolate. Gosto
de tomar sorvete no frio, é mais gostoso. Na hora me veio a lembrança de Juan com o sorvete.
Argh, que delícia.
Apaguei a linda imagem dele e toda saudade gigantesca que sentia de Juan. Estava deitada
assistindo a um filme bobo, novamente o celular tocou. Desta vez, número desconhecido.
– Alô? – falei séria.
– Então, preparada? – a voz disse rindo.
– Preparada para o quê? – perguntei brava, pois sabia que era o Thiago.
– Para o fim!
– Que fim, Thiago? Eu já fiz tudo que me pediu, o que mais você quer? – já disse com a voz
carregada de choro.
– Bem, meus planos estão no fim e hoje será minha vingança. Quero que me encontre lá no hotel,
sobe até o terraço, lá estará o fim. Não me desaponte, Mel, se não quer que outras pessoas sofram
por sua causa, não me decepcione. Estarei lá te esperando, hoje às 17h30. Estarei lá. Beijos.
Meu silêncio ficou no vazio. Olhei no relógio e eram apenas 15h37.
O que esse inútil teria para mim? O que esperar de um louco?
Estava apavorada, não sabia o que fazer, como agir! Isso já estava passando dos limites. Eu não
podia avisar ninguém, falar nada, fazer nada, além de ir até lá e conferir o que aquele louco queria.
Seria bem arriscado, mas é melhor apenas eu sofrer do que colocar em risco a vida das pessoas que
mais amo. Não posso me dar esse luxo, se é por causa de mim, resolverei. Ninguém irá se ferir, não
por mim.
Como ele havia programado, lá estava eu na frente do prédio às 17h25. Respirei fundo, mas estava
tão ansiosa com tudo, que parecia que tinha olhos a me vigiar. Olhei para trás, e sim, pode ter
certeza, havia olhos vingativos. Aquela mulher que me bateu na face, aquela que ameaçou e disse na
época:
“Eu poderia ser seu pior pesadelo, mas coisa melhor está te esperando”. Vanessa prometeu estar
nas minhas costas, e ali estava aquela figura. Ela sorria, até acenou um tchau. Então ela estava com o
Thiago o tempo todo.
Vagabunda, filha da puta! – pensei e parti, antes de Thiago se irritar, ela não poderia fazer nada.
Não levei meu celular, deixei desligado desde o momento em que falei com ele. Não queria ouvir
mais nada, nem sentir mais nada. Queria apenas acabar com tudo isso. Entrei no elevador, ainda sim,
pedi a Deus algo de bom, que tudo desse certo desta vez. Eu não sei como Thiago conseguiu entrar
aqui em pleno domingo, eu não estava entendendo nada.
– Você é a melhor mulher do mundo. Sabia disso? – Thiago estava encostado numa bancada no
terraço.
Eu não falei nada, apenas fiquei encarando-o.
– Sabe por que estou dizendo isso? – fiz que não. Fiquei paralisada no lugar. – Vem, entre, não se
acanhe! – ele estava calmo, numa expressão que ainda não sei explicar. Caminhei, ainda longe dele,
mas Thiago veio em minha direção. – Obrigado por isso. Agora pode ir, tenho que resolver muitas
coisas, já que você não foi muito útil com essa aqui. Devo agradecer a outro que a levou pra cama,
porque você é um chefe imprestável! – Thiago ria alto, eu não estava entendendo. Assim que olhei
para trás de mim, vi Caio. O quê? Eles estavam juntos?
Que filho da puta sem vergonha! – pensei aflita. Meus olhos o fuzilaram, Caio nem mostrou
sentimento algum.
– Não fale assim comigo! Eu fiz o que pude, mas ela é uma pessoa muito difícil, uma vadia do
caralho! – Caio disse com um olhar macabro. Não era possível que isso estava acontecendo, ele
sorria como o diabo.
– Vai logo porra, sai daqui, a Vanessa está com seu dinheiro lá embaixo, vai logo, antes que eu me
arrependa. – Thiago apontou uma arma, eu me encolhi e Caio desceu disparado. – Calma, neném,
isso por enquanto não é pra você!
Respirei forte, tentando ficar calada. O medo estava me corroendo.
– Você é pontual. De todas, eu nunca vi uma mulher pontual, as outras estão sempre em busca do
próprio brilho e se esquecem dos compromissos, mas você, Mel, sempre é pontual. Não é? – não
sabia o que responder. Não tinha dito ao menos uma palavra e ficaria assim até ele tentar tirar algo
de mim. – Mas, como estava dizendo, não fique acanhada! Pode me dizer tudo que estiver sentindo,
mas por enquanto sei que vai fazer o joguinho de mudo. Então, para deixar esse jogo mais
interessante, nós teremos companhias e antes de qualquer surpresa, sente-se, quer um vinho? –
caminhou até a mim. – Ah, sei que adora vinhos! Te deixa mais assanhada, não é? Não faz essa cara,
como eu disse, sei de tudo! – Thiago caiu na risada.
Havia duas garrafas de vinhos, duas taças, um som e outra arma, que me fez estremecer. Realmente
ele é um louco. Mexi em minhas mãos tentando achar algum tipo de conforto, não tinha ninguém ali
para me deixar tranquila. Para dizer em meu ouvido: “Vai ficar tudo bem” e que tudo era uma
loucura.
– Sabe, Mel, até peço desculpas, tudo se encaixou em meus planos. Encontrei com a Vanessa por
acaso, depois do aniversário do Juan, ela estava possessa contigo por ter ficado com ele. Só que, ela
não sabe que fui eu quem arrumou isso, shh, se ela souber, o negócio pode feder. Agora o Caio é um
trouxa, ofereci alguns trocados a ele, que aceitou de primeira, claro, quem não gostaria de te comer?
Quem não faria isso?! Eu mesmo estou doido, queria te pegar de jeito e fazer bem gostoso... Te foder
inteirinha como um louco... – aproximou-se de mim passando suas mãos nojentas em todo meu corpo.
– Eu quero muito isso! – Thiago deslizou as mãos apertando minha bunda e meu peito. Eu não pude
me mover, uma arma estava apontada pra mim.
Queria apenas fechar os olhos bem fortes e quando abrisse, isso seria tudo mentira, que fosse
apenas um pesadelo. O fiz, mas quando abri, ele estava ali ainda. Então, era uma realidade ruim.
– Não gosto de você silenciosa, apesar de ser linda, eu gosto quando fala. Adoro sua voz
maliciosa, você nunca teve noção nenhuma de quanto me feria ao dizer suas besteiras, não é mesmo?
Seria idiota de sua parte, achar que falar besteiras perto de um homem não iria atingi-lo! Já bati
muitas para você, Mel – riu com a taça em uma mão e com a outra fazia alguns movimentos nojentos,
como se estivesse se masturbando. Eu queria vomitar em cima dele. – Já fiz milhares de homenagens
a você, docinho... – Thiago olhou-me cheio de excitação, deu um longo gole e pegou uma taça pra
mim. – Tome e não recuse. Pode beber sossegada, não está envenenada! – Thiago já parecia estar
embriagado. Peguei e dei um gole.
Se morresse ali, seria muito triste. Morrer sozinha... Antes não seria problema, mas hoje tenho
pessoas que se importam comigo. Ele não.
– Tire sua camiseta! – falou firme na minha frente.
– Mas... Por favor... – já comecei a chorar.
– Não estou pedindo Mel, estou mandando! Fique tranquila, não vou te machucar, mesmo sonhando
em fazer isso. Sabe, eu sonhava com você em várias posições, te machucando muito, mas hoje não
farei isso, ainda não. Tire, agora – ordenou novamente. Fiz o que pediu, tirei a blusinha e Thiago
arrancou a blusa de minhas mãos jogando-a no chão.
Ficou analisando, enquanto tentava me esconder de seu olhar.
– Isso é o paraíso, sabia? Uau, o Juan é um cachorro filho da puta! – chegou perto demais de mim.
Descruzando meus braços.
Analisou-me com os olhos brilhantes. Estava morrendo de medo, ele apontava a arma para mim,
em alguns pontos do meu corpo. Thiago era uma pessoa tão linda e educada, amada, mas hoje vendo
o que fazia, era repugnante achá-lo lindo. Era realmente outra pessoa, um monstro.
Sem hesitar, Thiago desceu com os lábios em meus seios, puxando com a arma uma ponta do sutiã.
O arrepio apareceu por medo, não por prazer. Aquele cano frio passando por meu corpo era
apavorante. Thiago sugou meu seio, sem chegar ao mamilo. Minhas mãos coçavam para arrebentar a
cara dele. Eu queria socá-lo até ficar com os olhos roxos, quebrar cada dente dele, justamente
aqueles que me mordiam. Ele subiu com a língua, dos seios para a clavícula, e para o pescoço, o
qual cheirou e mordiscou forte, acho que tentava deixá-lo roxo. Nojento. Repulsa. Ódio. Amargura.
Sem coração. Era isso que passava em minha cabeça. Medo. Pavor. Angustia. Morte...
– Sente-se – obedeci prontamente e fiquei segurando o choro.
Tentei não olhar para ele, mas Thiago me forçava a olhar.
– Então, Mel, andei conversando com o Juan! – disse se ajeitando e recuperando o que acabou de
fazer em mim, mostrando seu efeito no jeans. Nojento, ordinário.
Mas só de ouvir o nome do Juan me fez ficar ereta e prestar atenção ao que dizia. Ele não poderia
feri-lo assim.
– Ele realmente está zangado com você, não quis nem saber de você! – riu baixinho tomando seu
vinho.
– O que você fez? – perguntei sem emoção. Eu não queria mostrar nervosismo, ele poderia agir
rápido e meu plano não daria certo.
– Disse que ele fez a escolha certa em te deixar. Você não presta! E mal sabe que foi você mesma
que terminou com ele. Juan está sofrendo e isso é maravilhoso! – seu sorriso era desprezível.
– Fiz o que me pediu! Agora está satisfeito? – dei outro gole. Disfarçando.
– Não, ainda não. Mas hoje talvez sim! – mostrou a taça pra mim, em cumprimento. – Se eu te
foder hoje aqui, sei lá, valeu a pena, não é mesmo? – caiu na risada, vindo novamente para minha
frente.
– E o que poderia deixar você ainda mais satisfeito? – queria mostrar a ele que estava em seu
jogo.
– Bem, vamos com calma, mas me diga, vamos voltar ao início! Quando te falei dele, fiz todo esse
planejamento. Te conheci e senti que seria a pessoa ideal, pois você não tinha sentimento nenhum, a
não ser sexualmente, porém, eu ainda apostava que isso acontecesse, que ambos se apaixonassem. Na
verdade, queria que somente ele se apaixonasse, mas não pensei que fosse rápido, tudo bem.
Demorou mais um pouco meu plano porque ambos se apaixonaram. Caralho, levei um ano pra me
acertar! Tem noção dessa porra toda, dessa agonia? Não! Deixei as coisas irem longe demais, perdi
meu foco. E porra, sua história com o Richard demorou demais. Esse cara é um tapado! – andou de
um lado para o outro.
Digeri cada frase, cada palavra dita por aquela boca maldita.
– Tentei de alguma forma fazer isso dar certo, mas acho que aconteceram algumas coisinhas a
mais... – não entendi e ele continuou. – Mas isso agora não tem tanta importância, pois será você a
carregar esse fardo. Essa culpa. – hã? Minha expressão mudava a cada assunto sem nexo dele, mas
fiquei neutra. Pelo menos tentei. – Mel, quer mais vinho? – agora tinha doçura na voz, até me fez
lembrar o antigo Thiago, o amigo, não o ameaçador.
– Não, obrigada.
Minha taça estava cheia ainda. Beberiquei mais um pouco para ele não se irritar, mas Thiago se
irritou com alguma coisa, sua expressão dizia isso. Veio até minha frente, guardou a arma na cintura,
passou o peito da mão em meu rosto. Fechei os olhos lembrando algo de minha infância. É a mesma
sensação terrível, era o mesmo olhar, o mesmo gesto. Eu não poderia aguentar. Meu coração disparou
com tal verdade que estava prestes a acontecer. Thiago bateu forte, fazendo-me lembrar do meu pai.
Segurei o primeiro choro, ele veio novamente e massageou onde havia batido. Puxou meu cabelo,
levantando meu rosto para me olhar nos olhos. Aqueles olhos eram puro ódio, sem alma, sem vida...
– É assim que seu pai fazia? – perguntou com desprezo. Eu queria chorar, tudo doía, as
lembranças, as dores estavam voltando. Meu coração apertava tanto que queria gritar bem alto, para
as lembranças não virem. Thiago estava me fazendo recordar das dores que já havia esquecido. –
Responda! – vociferou, puxando um punhado de cabelo.
– É, é... era assim – gaguejei e ele caiu na risada me largando.
– Isso é encantador Mel, eu vejo as dores em seus olhos. Então não fui o único a sofrer nessa vida.
Você foi inteligente em trocar suas dores, estou agindo em vingança, isso está me deixando mais leve
hoje. – Thiago prestava atenção nas minhas expressões, assim como eu fiz um dia. Ele sofreu, eu
sofri. Nós dois conhecíamos a dor.
– Não me machuque... – sussurrei cheia de dor. Thiago riu e me deu outro tapa mais forte no rosto,
cortando o canto dos meus lábios, senti o gosto de sangue. Choraminguei engolindo o choro.
– Pare de falar! Faço o que eu quiser, não me irrite, está me ouvindo? – colocou as mãos em meus
joelhos e me olhava olho no olho. – Está me ouvindo, sua putinha? – a dor do tapa se intensificou
com apenas uma palavra.
– Aham – foi só o que consegui, mas ele prosseguiu.
– Muito bem. Vou te contar como tudo aconteceu – puxou uma cadeira e sentou com ela virada,
Thiago apoiou os braços no encosto e continuou. – O tempo foi me mostrando cada coisa que tinha
planejado. No início fui focado em meus objetivos, mas você tem uma doçura, um charme, um “mel”
que atrai tudo pra você! Sabe disso, pois antes de se apaixonar pelo Juan, você criava suas metas,
suas caras e bocas de sedução. Quando ouvi a história do batom, fiquei fascinado com sua
criatividade. Aliás, Juan sabe dos batons? De seus nove homens, incluindo ele? E agora dez, com o
Senhor Mistério, O-Senhor-Babaca-Richard-Proibido. E aí, me conte, ele foi tão bom quanto
esperava? – queria rir dele, mesmo cheia de dor, mas tomei um gole de vinho para não falar ou fazer
merda e apanhar de novo.
Encarei seus olhos que sorriam como o diabo.
– Eu sei que foi bom, seus olhos disseram isso! É uma pena, deveria ter sido horrível, mas seus
desejos por ele eram intensos demais, não sei como o idiota do Juan nunca soube disso. Fiquei
enciumado com isso agora! Que gosto será que você tem? Hein? Diga! Hoje você pode sofrer ou não
com a presença de seus pais, mas no fundo você agradece por cada tapa ou palavra proferida a você,
pois se seu pai não tivesse feito isso, você jamais saberia de tudo do que faz, jamais teria seus dons.
O dom de amar sexualmente. Você faz com que cada um nunca mais se esqueça de você. Sabia disso
também? Hein, me responda! – encarou-me.
– Não, eu não sei disso – falei seca.
– Pois é, depois de sua história dos caras que ficou, fui atrás de cada um deles. Só não encontrei o
cigano, mas o restante era só dizer seu nome, que na hora eles já diziam: “A ruiva dos batons? Sim,
eu me lembro, ela era incrível...” – pasmei quando disse isso. Até que ponto ele iria? Foi atrás de
cada um? Eu só fiquei feliz com uma coisa: eles jamais me esqueceram!
– Não fez isso... – tentei fingir que estava calma, mas não estava, o que ele poderia fazer?
– Fiz sim, não foi difícil, mas isso não importa mais, o que importa é como terminará isso tudo.
Estou exausto, sabia? Fiquei toda minha adolescência na sombra do Juan. Ele foi muito cruel comigo,
sempre teve tudo do bom e do melhor, meu tio, o pai dele sempre se deu bem, já o meu sempre
trabalhou a vida toda e não tem nem a metade do que eles têm! – sua voz era triste, mas pior disso
tudo eram o rancor e inveja que carregava dentro de si. – O tio Rubens sempre me deu as coisas, mas
era por dó! Eu não queria que ninguém tivesse dó de mim. O dinheiro que peguei de seu pai, dei para
o meu, para que ele tivesse alguns trocados. Minha família estava falida, ninguém sabe disso, meu
pai trabalhou a vida toda para não ter nada! Isso é injusto! – e triste também.
A dor imensa que Thiago carregava, um drama familiar.
– A minha mãe saiu de casa quando isso aconteceu. Ela não aceitou, sempre viveu no luxo e
quando não tinha mais nada, sumiu! Ainda dizem que o amor supera tudo, isso é uma grande
palhaçada! Uma enorme mentira. Amor? Que tipo de amor é esse? Quem abandona o filho e marido
só por que não tem mais luxo? Coisas boas? Hein, me diga! – sua voz estava presa e eu não queria
dizer nada sobre drama familiar.
– Eu não sei, nunca tive amor dentro de casa – consegui dizer engasgada.
– Eu tive amor dentro de casa, só que era falso! Minha mãe nunca me amou, fui um erro. Tentei me
matar quando ela se foi, mas acho que nunca valeu à pena. Quando cresci com o Juan, eu sentia todo
o amor da família dele, meus tios sempre foram felizes, independente de qualquer coisa. Juan teve
amor por mim, só não sabia que me feria, ou talvez ele fizesse isso por vontade. Não é mesmo, Juan?
– Thiago perguntou olhando para trás, meus olhos o acompanharam. E nada eu vi. Thiago sacou a
arma da cintura. Levantou da cadeira e foi caminhando até mim, encarou-me e colocou o indicador na
boca, como se falasse pra ficar em silêncio.
Como ele falava isso? Thiago foi até atrás do balcão e agachou. Ao se levantar, Juan estava com as
mãos amarradas, com uma fita na boca. Eu queria correr e abraçá-lo, mas seus olhos eram de ternura
comigo, de bondade e perdão. Eu queria chorar, meu coração estava sufocado com a dor. Thiago
arrancou a fita da boca dele sem dó, Juan gemeu baixo pelo puxão, mas também continuou quieto.
Thiago pegou a faca que estava em cima do balcão e arrancou as cordas finas de trás que estavam
prendendo as mãos de Juan e das pernas também. Thiago pediu para ele ficar próximo à janela e Juan
o obedeceu. Estava ficando perdida e com medo do que poderia acontecer. Juan havia escutado toda
a conversa, estava ali o tempo todo.
Perdoe-me, meu amor... – meu olhar dizia. Juan só me olhava com amor, piedade e compaixão, era
a única coisa verdadeira ali naquele ambiente frio.
– Bem, como pôde notar, Juan ouviu tudo, já sabe de tudo sobre você! – Thiago fazia cara de
cínico.
– Juan... – levantei da cadeira e tentei falar algo, Juan não me olhou, desviou o olhar abaixando a
cabeça. Thiago riu, e me interrompeu.
Ao se aproximar, deu-me outro tapa na boca, ainda mais forte que o primeiro, senti sangrar por
dentro o mesmo corte. Juan tentou não se mexer, mas eu via em seus olhos a dor por mim.
– Cala essa boca e sente-se aí! Juan não quer saber de nada, o que ele precisava saber, já sabe!
Bem, sabe que eu queria feri-lo e consegui. Agora ele não irá te perdoar, porque meu plano era fazer
com que ele perdesse você, o babaca do Caio não conseguiu te comer antes, mas eu não saberia que
teria o tal de Richard envolvido, mas tudo saiu bem perfeito, porque mesmo se Juan descobrisse no
final que planejei e te chantageei você a terminar com ele, o trouxa aqui voltaria correndo pra você.
No entanto, como você o traiu, docinho, Juan não quer uma vagabunda com ele! – Juan me olhou e eu
não conseguia saber qual seria sua reação. Ele apenas piscou longamente e uma lágrima escorreu de
meus olhos, meu coração chorava. A lágrima de dor vinha do fundo do meu coração, e nisso veio a
lembrança de sua mensagem; eu naveguei em outros mares...
– Isso tudo foi plano seu! – tentei não dizer nervosa, mesmo estando uma pilha.
– Foi, mas você desejava dar pro Richard e não precisa mentir, tenho tudo gravado, se não fosse
meu empurrãozinho, você mais cedo ou mais tarde faria isso e ele também! Aquele babaca não se
aguentava mais... Não é, Richard? – hã?
Ele voltou para trás do balcão e puxou Richard do chão. Ele estava do mesmo jeito em que Juan
estava, amarrado e com a fita. Seus olhos bateram em mim, com desculpas. Eles não tinham culpa de
nada, eu era a errada.
– Richard... – falei com medo. Juan me olhou e talvez tenha sentido o que eu estava dizendo com
os olhos. “Sinto muito”.
– Está vendo Juan, o quanto ela sente por ele? E o que será depois? Ela realmente é uma vadia sem
coração. – Thiago deixou Richard ao lado do Juan.
Ambos mudos, sem reação nenhuma às provocações baratas do Thiago.
– Mas então, resolveremos esse triângulo amoroso! – ele achava tudo engraçado, todos com as
dores insuportáveis de ter que passar por tudo isso.
Eu olhava-os e pedia desculpas, cobria-me por estar só de sutiã. Estava me sentindo suja, já que
fui tocada por Thiago. Eu jamais queria causar isso, a dor. Era por isso que nunca quis amar, olha só
no que deu.
– Mel, vem aqui. E pare de se cobrir, todo mundo já botou a boca aí, então não se acanhe! –
debochou.
Ele me chamou e fiquei ao seu lado. Thiago segurou minhas mãos e ficou de frente para mim.
– Mel, linda Mel, você destruiu muitas coisas, sabe disso, está sentindo isso agora, mas ainda não
é nada comparado com que vou te revelar! – passou as mãos em meu rosto, desviei de seus toques,
mas Thiago me segurou firme, queria que eu o encarasse.
Ele sentiu o medo em meus olhos. Chegou bem pertinho de mim e sentiu o cheiro do meu rosto.
– Você está exalando medo. Se eu te provar agora não será como eles te provaram... Mas quero
algo diferente. Pena que não terá seu brilho... E ela não poderá ver, mas poderá sentir – o que ele
dizia agora? Thiago passou a língua próxima a minha boca, desceu para o pescoço, parando no colo
dos seios. Subiu novamente, indo para a orelha, mordendo forte o lóbulo. – Nada mal! – piscou e me
soltou.
Olhei de esguelha para os dois que estavam feitos estátuas. O medo deles é que Thiago estava
armado, isso seria um problemão. Foi para trás de uma parede que tinha no terraço, onde dava em
uma espécie de cozinha. Não demorou dois segundos e apareceu com a Mariana. O choque de todos
foi ao mesmo tempo. Coitada, o que ela fazia ali? Ela era parte do plano dele? Ou estava com ele?
Era o que queríamos saber!
– O que faz com Mariana? – perguntei engasgada.
– Bem, ela não poderá enxergar nada disso, pois perdeu a visão por sua culpa, Mel! – falou e
Mariana estava com o rosto vermelho, parecia ter chorado muito.
– Do que você está falando? – perguntei nervosa.
– Ah, você não sabe? Richard não te contou? Na hora, ele deve ter tido outras distrações, não é?
Ao invés de contar que a noiva dele só perdeu a visão no acidente que ela mesma, por idiotice,
causou! Porque eles tiveram uma briga por sua causa! – fiquei confusa e bateu um desespero. Olhei
para o Richard que me fitou triste. Seria verdade?
– Como assim?
– É muito revelador o que vou dizer agora, já que ninguém sabe disso, ok? Eu tinha percebido esse
seu desejo, claro, ajuda das escutas. Parabéns para mim! Como estava nos meus planos, e essa foi a
melhor ideia que tive, eu teria que plantar uma sementinha para instigar esse babaca aí, então enviei
uma carta a essa tonta dizendo que vocês poderiam estar atraídos, mas deixei claro que poderia ser
jogo seu, Mel, só que essa tonta brigou com ele, achando que ele dava em cima de você e que não era
o contrário! Então, causou o acidente. O acidente não estava nos meus planos, mas de alguma forma
funcionou – ele era frio, a Mariana chorava em silêncio. Ninguém dizia nada, pareciam todos
hipnotizados.
– Eu não acredito que fez isso! – Mariana disse.
– Ah, não me venha com essa! Eu não mandei ninguém falar. Quer que ela morra? – Thiago apontou
para mim.
Então era isso, uma palavra e eu estaria morta.
O silêncio valia minha vida.
– Isso é muito cruel, você não precisava fazer isso! – falei, Thiago encarou-me. Depois de alguns
segundos, começou a rir.
Veio até mim, outro tapa acertou. Isso estava ficando dolorido e muito ridículo, eu queria acabar
com a cara dele com chutes e socos. Os rostos de Juan e de Richard fecharam em raiva, assim que
Thiago me batia, ele mesmo acariciava. Deu um beijo no canto de minha boca sugando o sangue que
escorria. Eu queria cuspir na cara dele.
– Você é engraçada! Mas vamos para o que interessa. Richard vem cá! – Thiago ordenou e Richard
caminhou até nós.
Ele sentou Mariana na cadeira que eu estava, e os olhos dela estavam perdidos, sua face com um
medo transparecendo. Eu estava apavorada agora ao ver todos ali. Ele colocou Richard ao meu lado
e Juan permaneceu atrás do Richard, ao longe, mas quando o olhei, seus olhos encontraram-se com os
meus. Tranquilos oceanos. Encontrei minha alma ali.
– Agora Mel, aproxime-se – obedeci e estava de frente para Richard. Thiago nos observou ao
lado, nos encarando. Meu corpo estremeceu, então era agora...
– Quero as coisas direito, quero que seja como o primeiro; não adianta me enganar, eu saberei.
Quero que o Juan sinta a verdadeira dor. Quero que você o beije como beijou na primeira vez. Está
me ouvindo, Mel? – falou em meu ouvido e passava a arma em meu corpo. Puxou meu rosto para ver
dentro dos meus olhos. Eu não disse nada. – E você, Richard, beije-a como nunca beijou antes, quero
ver esse fogo todo, para ver se realmente valeu a pena! – nós nos encaramos. Richard e eu. O medo
era visível, e a derrota por fazer isso na frente de Juan, a dor era bem pior.
Obsessão. Desejos. Medos... Tudo estava reunido ali, agora era um de frente para o outro, verdade
explícita. Voltei a olhar para o Juan que de imediato olhou para baixo, inconformado com o que
estava prestes a acontecer, mas ao levantar novamente o rosto, encontrou meu olhar. Assentiu, era
como se me permitisse isso. Eu o amo tanto. Tentei dizer com meu olhar, Juan quase sorriu.
– Juan, vem aqui perto, quero que sinta o calor dos corpos deles – Juan aproximou-se e nos
encarou sério. Como se tudo isso não importasse a ele, mas estava assim por causa do Thiago e não
por mim. – Vamos, comecem – Thiago ordenou e ficou do nosso lado.
Richard me olhava com medo do que poderia nos acontecer. Não só comigo ou com ele, mas com
todos ali. Antes de beijá-lo, olhei de esguelha ao Juan que estava com o rosto sério, seus lábios em
uma linha fina e rígida, com a mandíbula tensa. Seu queixo demonstrava isso como se seus dentes
fossem estourar a qualquer segundo.
Aproximei-me do Richard, mas fiquei com os braços caídos e ele colocou a mão em minha nuca.
Isso não seria difícil antes, mas agora ali, estava quase impossível. Mesmo assim o choque nos
tocou, pois sua mão esquerda deslizou em minha pele nua das costas. Senti arder cada partícula
existente de meu corpo. Ele veio com o rosto para perto, puxou meu lábio inferior e meu corpo
vibrou...
Começou devagar, apenas pequenos beijos, selinhos sendo mordidos, para enfim, devorar em seu
beijo longo, quente e gostoso. Tentei não mexer meus braços, mas ele aproximou-se mais. Sentindo
meu corpo quase nu, apenas uma peça separando nosso corpo. Antes do beijo, eu vi Richard olhando
meus seios fartos no sutiã apertado, comprimiu os lábios para se conter.
Sua mão estava quase suando em minha pele quente, seus dedos gentilmente deslizavam no meio de
minhas costas. Enquanto me beijava forte, não largava meus lábios e seus beijos intensos estavam
começando a surgir os efeitos em nossos corpos, eu sentia um começo de ereção dele na minha
barriga desnuda.
Ainda num fundo, escutei o pigarro do Thiago e uma risada baixa. Ele passou a arma em nossos
corpos para nos separar, Richard soltou meus lábios sem querer parar e nossos olhos estavam
semicerrados de nossas vontades. O arrepio estava em todo meu corpo que era visível por estar
desnudo. Tremia pelo momento ofegante, e o dele era visível demais. Sua ereção atingida por mim.
– Está vendo, Juan? Como isso pegou fogo rápido demais? Olhe para ele! Controle suas emoções,
rapaz! Segura tua calça e sua ereção, porra! – Thiago grunhiu.
Disfarcei e não olhei, mas na hora senti tudo. Richard não parou de me encarar, e Mariana estava
cabisbaixa.
– Você sentiu, Mariana? Todo o calor aqui? Eu senti e muito... – Thiago empurrou Richard e ficou
de frente comigo. Eu respirava lentamente, ainda com os lábios anestesiados pelos lábios de
Richard, pegando fogo, querendo mais sem poder. Sem entender essa ligação, a excitação do
momento, mas assim que encontrei a dor nos olhos de Juan, meu mundo desabou e voltou ao dele.
Querendo ser ninada por ele, querendo todo seu carinho, respeito e amor por mim. Só ele me ama de
alma.
O que aconteceu a seguir foi uma atitude que eu não poderia rejeitar. Não porque não quisesse,
mas porque tinha uma arma apontada na minha direção. Thiago mordeu meus lábios, beijando-me
calmamente na sequência. Não movi os lábios, foi rápido, apenas um selinho longo e nojento.
– Isso foi sem emoção! – disse na minha frente. Agarrou-me pela cintura, fazendo meu corpo
inclinar um pouco, tentou roubar um beijo. Minha repulsa era tão grande, meu corpo denotava um
profundo nervosismo, seu perfume tinha um nauseabundo odor, minha repulsa completa a ele.
Ele sentiu isso, pois não encontrou minha língua, a sua viajava em minha boca, jogando de um lado
ao outro, eu me encolhi, não deixei o beijo fluir, ele não gostou. Ao me soltar do beijo mal dado,
bateu em minhas costelas com o cotovelo. Fazendo-me envergar e ficar sem ar e com uma dor
latejante. Ele me levantou novamente e apontou a arma na minha cabeça. Os rapazes estavam fazendo
um movimento em nossa direção. Thiago foi até a mesa e pegou o outro revólver. Chegou próximo de
mim, atingindo outro tapa pesado. Estava apanhando, sentindo muita dor e humilhação. Sem ninguém
podendo fazer nada. Arma em mim, arma neles. Tapas de graça, e uma dor na ferida já curada, só que
agora estava sendo aberta novamente...
– Mas ainda não terminou isso tudo. Já deixei o coração do meu querido primo ferido, agora quero
resolver uma questão particular! Com uma vadiazinha júnior sua! – na hora meu coração parou.
Eu tremia com medo de que fosse verdade, ela não poderia estar aqui.
Carla.
– Fique aqui, quieta. Senão já sabe! – ordenou e saiu. Foi em direção à mesma parede de fundo.
Ao voltar, ele estava com a Carla e o Flávio. Ela com os olhos inchados de tanto chorar e Flávio
com medo do que aconteceria.
– Carla! – gritei.
Thiago os deixou mais a frente, veio na minha direção e me atingiu mais um soco forte no rosto.
Juan se moveu e ele apontou a arma na minha cabeça.
– Shh, fica quieto, porra, isso é assunto particular! Todos ali! Agora – ordenou apontando a parede
atrás de mim, nós ficamos num canto. Eu, Juan e Richard. Meu plano tinha que funcionar o mais
rápido possível, se eu não colocasse em prática logo, estaria tudo perdido. Olhei de novo para Juan
que compreendeu meu olhar.
– Então, quer dizer que os dois pombinhos estão juntos? – ficou de frente aos dois, de mãos dadas.
– Isso não é mais da sua conta! – Carla exclamou chorando.
– Estava me traindo, sua vadia? – Thiago gritou.
– Não, não estava! Você me deixou, não queria mais nada, o que eu poderia fazer? Eu gostava de
você, e você seu cretino, só me usou! Por um plano idiota! Você é um doente! – não sei se Carla tinha
percebido que ele estava armado. Acho que a dor a deixou perdida.
– Você só se faz de forte, sua idiota nojenta, ridícula! Ele só quer te levar para cama! Não vê isso?
– Thiago ria alto, Flávio se manifestou.
– Não me confunda com você! – Flávio vociferou.
– Uiiii, que medo de você! Seu babaca viadinho! – Thiago gritou.
– Nos deixe em paz, você aprontou demais! Não deveria ter feito isso, sei que está arrasado, mas
não deveria ser assim... – Carla chorava ainda mais. – Eu fiz o que pude para tudo dar certo, mas
você agora tem que se tratar! – choramingou tentando mostrar a ele que poderia ajudar.
– Não, meu amor! Não tenho... – Thiago foi até a mesa, tomou mais vinho e ligou o som. – Essa é
em sua homenagem... – ele apontou a arma para mim. – Superstar, gosta de Sonic Youth, não é? E
olha só, bem música de final... – ele ouvia com cuidado a música melodramática. – Está ouvindo
Carla, dizia que me amava... Eu te amei, e ainda amo, mas meus planos estavam acima desse amor
todo, me desculpa. Meu amor é doente... – ele curtia a guitarra e fiquei pensando naquela voz
sussurrada da música. Medonho. – Você não fez o suficiente, amor... Baby... Eu realmente te amo... –
falou a Carla e a mim. Estava ficando ridículo tudo. – Olha só, pura verdade: Solidão é uma
ocupação tão triste... – disse com sua expressão consternada. Thiago no fundo era uma pessoa que só
estava infeliz, sozinho, sem amor próprio. Amargo. – Você a ama? – perguntou ao Flávio.
– Sim – Flávio respondeu.
A ação foi muito rápida. Com o movimento de seu braço ao levantar a arma, foi o tempo de Flávio
entrar na frente. Thiago atirou na direção da Carla, mas o atingido foi Flávio. Gritei e ele se virou
para mim, seu olhar encontrou-se com o meu. Congelei. Carla gritava agachada. O olhar do Thiago
rodou em todas as direções.
– Não faça isso! – gritei. Eu queria ver Flávio, caído ao chão. Carla chorava segurando ele e de
onde estava não podia ver os dois. Ele só gemia. Juan segurou meu braço, trazendo-me para trás
novamente.
– Você o ama, Mel? – Thiago me olhava com fúria.
Estava com um medo enroscado em todo meu corpo. Comecei a chorar com o que ele poderia
fazer, Juan congelou ao meu lado. Richard parecia preparado, Mariana à frente estava apavorada.
Não se via nada, apenas escutava toda a cena medonha. Ela chorava sem parar. As ações dele eram
rápidas, sem pensar. Thiago analisava a todos, um a um. O barulho da música me deixava presa nela,
mas eu queria me concentrar na voz do Thiago.
Reage Mel, faça algo urgente. Respondi.
– Sim – consegui dizer, mas Thiago nada fez. Voltou à música e tomou outro gole.
– Diga-me como? – sentou-se na cadeira e nos encarou.
– Thiago, o Juan me ama também e nada do que aconteceu vai mudar! – dei um passo para frente,
ficando em linha reta com eles.
Thiago soltou uma risada. Enfadonho.
– É verdade, Juan? – interpelou nervoso. Ele dirigiu-se o olhar a Juan, e segurava firme a arma
apontada para mim.
– Sim – Juan disse ao meu lado e todo o peso saiu de meus ombros.
O plano estava ativado.
– Então, você é o maior otário da história! Porra, não viu o que aconteceu? Seu idiota, então minha
vingança foi ainda maior! Sou foda mesmo! – riu alto e tomava o vinho.
– Não, Thiago, você não venceu! – falei.
– Quem disse que não? – Ele queria levantar, mas ficou encostado esperando uma resposta minha.
– Não venceu. O Juan sabia de tudo! Quando me ameaçou, contei tudo a ele, Juan sabia de cada
coisa que fazia. Eu não escondi nada dele! Ele sabia até mesmo com dor do que poderia acontecer
com sua proposta louca. Juan só não sabia que seria com o Richard, ele não precisava de detalhes,
mas soube... – agarrei a mão do Juan e Richard me encarou boquiaberto.
– Isso é tão nojento! Vocês são doentes! – ficou furioso, poderia fazer uma besteira maior.
Thiago levantou, mas ficou no lugar. Coçou a cabeça e ria de nervoso.
– Isso não estava em meus planos e é ridículo, vocês se merecem mesmo, mas não podem ficar
juntos! – vociferou, nos encarando.
Assim que disse, apontou a arma para mim, seus olhos encontraram os meus. Ele estava furioso
demais, não pensou mais e atirou na minha direção, me encolhi esperando o tiro chegar e atingir.
Rezei, pois sei que estaria estirada dali uns instantes, mas os gritos ao meu lado não permitiram que
o tiro chegasse...
Richard entrou na minha frente e foi atingido. Olhei de relance e o vi caindo lentamente, com sua
expressão cheia de dor. O que ele fez? Droga, como Richard poderia ter sido tão estúpido em fazer
isso, por mim? Mariana gritou sem saber ao certo, mas Thiago bufava nervoso, sem ter o que fazer e
quem atingir. Juan me pegou e abaixou-se, pois na porta atrás de nós, entraram os policiais gritando e
com armas apontadas por todos os lados. Eu não sabia que isso estava preparado, nem sabia ao certo
o que estava para acontecer. Fiquei sem entender, mas Juan sussurrou.
– Fique calma, acabou – tentou me tranquilizar, pois tudo havia acabado.
– Largue a arma, rapaz! – o policial na nossa frente disse ao Thiago e eu olhava Richard caído no
chão.
O tiro pegou no braço direito, um policial o atendia e outro foi na direção em que estava a Carla e
o Flávio. Olhei para o Thiago e sua expressão era de dor e horrorizada por nossa traição.
O que ele pensava?
Thiago não abaixou a arma. Os policiais gritavam com ele, mas Thiago estava agitado e não sabia,
não raciocinava direito, seu medo estava estampado em seu rosto cheio de dor. Thiago tinha muito
rancor e dores demais para um jovem. Ele não conseguiria enfrentar sozinho mais nada, ninguém
mais acreditaria nele. O que teria para ele? O que o mundo esperaria dele? Suas dores passadas,
suas dores do presente, ele queria apenas amenizá-las para não fazerem parte de seu futuro incerto,
mas não achava opções.
É mais fácil culpar alguém do que a si próprio...
Mas o que ele fez... O que Thiago pensava em fazer a si mesmo, era bem pior... Sua expressão
passou do medo para alívio, pois dali saiu um tiro certeiro em sua cabeça.
A loucura que fez...
Dar um tiro em si...
Eu gritei.
Mas já havia um corpo estirado ao chão...
Já sem vida, com seu olhar perdido. Uma cena horrível.
Juan segurou-me em seu colo, eu tremia demais. Tentou me acalmar com palavras doces e fazendo-
me ficar em silêncio, não chorar por medo. Havia acabado.
Acabou.
Era o que dizia. Richard conseguia me olhar com carinho de onde estava. Ele parecia consciente e
sorria em minha direção enquanto o policial o socorria. Richard salvou minha vida, senti meu corpo
vibrar com toda tensão que ali estava. Juan pegou-me no colo e tirou-me dali, encostei minha cabeça
em seu colo e grudei as mãos em sua nuca. Juan estava bem tenso e nervoso, era eu que estaria
estirada ali se não fosse o Richard.
Eu não queria sentir mais nada, apenas ouvir seu coração acelerado, batendo forte contra as
costelas, e a forte respiração dele em cima de mim. Juan cuidava de mim, seu coração passou a bater
junto ao meu.
E tudo isso foi só o fim de um dia agitado...
Depois de ter ido à delegacia, Juan e eu fomos ao hospital, onde estavam a Carla, Flávio e
Richard. Mariana tinha sido sequestrada por Thiago e já estava em casa. Não queria visitas, estava
exausta demais. Concordei, mas ainda iria visitá-la, ela merecia uma explicação, por mais tristezas
que causei a ela, quero que saiba que não fiz por mal. E que todas as picuinhas deveriam cessar. Não
quero mais ter amarguras, tristezas e incertezas em minha vida, quero deixar tudo de volta nos eixos.
Entrei na sala onde estava minha melhor amiga, a melhor pessoa que conheci em minha vida, e a
única em que não queria deixar-se envolver. Tinha dito a Carla também sobre tudo, eu a alertei para
ficar longe, mas era teimosa. Assim como eu.
– Carla, está mais calma, minha querida?
– Não, eu não paro de pensar na cena, eu o vi se matar! Tem noção do quanto estou chocada? Não
poderia ter visto aquilo... – Carla chorava desesperadamente e me abraçava forte.
– Estou chocada também, não imaginei que teria esse fim... – disse abraçando-a mais forte.
– Quando você me contou disso, fiquei esperta, mas ele me ameaçou também, e chamou cada um
sozinho. Ninguém sabia da existência do outro, só quando você chegou, ele nos reuniu. Para que
ficássemos sabendo quem era você... – Ela chorava muito.
– Agora fique calma, ficará tudo bem... – sei que não seria fácil, mas teria que ficar.
– O Flávio está em choque também... – Ele estava deitado na maca dormindo, foi atingido no baço,
perdeu muito sangue e agora dormia um pouco.
– Foi difícil para todos nós... – falei em seu ouvido. Dei um beijo casto em sua testa e a deixei
descansar. Ela teria um instante de paz e repensar em tudo que lhe acabou de acontecer. Um ex morto,
um atual ferido, uma amiga machucada por uma louca história. Eram informações demais para uma
única pessoa.
Juan estava lá fora resolvendo as coisas com os policiais, ele que havia os chamado. Eu tinha
enviado uma mensagem assim que Thiago me avisou, mas não sabia que todos eles estariam lá, nem
mesmo Juan, não deu tempo dele me avisar. Assim que estava combinando com os policiais, Thiago
chegou e o convidou a ir até lá. Mesmo sendo trágico, evitou mais mortes. Saí do quarto e deixei
Carla descansar também, ela não havia comunicado aos pais dela ainda e teria que arrumar forças
para isso.
O pai do Thiago já estava lá, com a família do Juan. Ele chorava muito, era de se esperar toda a
dor e o drama familiar que teria que enfrentar. A morte de um filho jovem, cheio de dor e
perturbações. Não há nada pior para um pai ver um suicídio de um filho. O trabalho dos policiais
ainda estava sendo feito, foram em busca da Vanessa e do Caio. Cúmplices de Thiago.
– Qual quarto que o Richard está? – perguntei para o Juan assim que saí.
– Nesse aqui – ele me fitou, mesmo sentindo muita dor, assentiu para eu ir até lá, afinal, Richard
salvou minha vida.
– Vou até lá, já volto. – falei com carinho, ele beijou-me a testa. Eu o abracei, Juan precisa
acreditar em meu amor por ele. Como eu sempre digo: quando estou com Juan, é apenas ele.
Empurrei a porta, mas ao entrar, Richard moveu-se na cama. Sorriu e pediu que entrasse, ali
também era meu mundo...
– Oi – falei sem jeito.
– Olá Mel... – sua voz era de dor, mesmo assim ele estava brincando. Seu sorriso denunciou isso.
– Não brinque! Eu vim te agradecer. Ah, Richard, olha só! – cheguei perto e sentei na beirada da
cama. O ombro direito dele foi atingido, mas estava melhor, a bala não estava mais ali.
– Pois é, mas logo passa! Foi por uma boa causa... – seu olhar era tão meigo, puxei sua mão direita
e a beijei.
– Muito obrigada, terei uma dívida eterna com você... – fiquei afagando sua mão e passei com a
outra em seu rosto.
– Olha que sempre posso cobrar... Com beijos... – sussurrou e deu sua piscada mais linda. Ele
deveria parar de fazer isso!
– Pare com isso! – corei.
– Você é linda, obrigado por estar aqui... – beijou minha mão. Abaixei e dei um beijo em seu rosto.
Ainda com cheiro de Richard, hospital e remédio. Era uma mistura diferente, mas o cheiro dele ainda
prevalecia.
– Cadê o Juan? – perguntou quando estava me levantando.
– Está lá fora. Por quê?
– Quero me desculpar com ele, por tudo... – ficou com os olhos perdidos no teto.
– Hum, será uma boa? – perguntei com medo.
– Não quero que ele fique com raiva de você – agora me encarou.
– Não vai, eu já tinha conversado com ele – dei de ombros, não queria entrar nesse assunto.
Richard percebeu.
– Agora são duas coisas que não me esquecerei de você! – brincou de novo, mudando de assunto,
bem melhor assim.
– Credo, uma delas é terrível – soltei uma risada e ele puxou minha mão.
– Apesar de todo o risco ali no momento, eu não consegui me controlar... – sussurrou.
– Percebi... – também sussurrei mais próximo de seu rosto.
– Foi bom? – perguntou, passando a língua naqueles lábios incríveis, estava tenso e sua boca seca,
eu poderia umedecê-la sem medo...
– Foi sim... Ótimo! – pisquei e ele me puxou. Fiquei milímetros de seu rosto.
– Pague sua dívida, me dê apenas um último beijo... Proibido – ele falava sério.
Isso era muito arriscado e proibido como dizia, mas não poderia negar, passei novamente a mão
em seu rosto. Desci o meu até o dele, com carinho, diria até com paixão, e o beijei devagar. Um beijo
quente e bom, passando a língua devagar naqueles lábios, nossas línguas brincavam por uma última
vez, uma pena, pois elas se identificaram muito, imperdoável que seria nosso último, sem
arrependimentos.
Ele salvou o dia. A minha vida.
– Obrigada – falei assim que ele soltou meus lábios. Demorou, mas soltou.
– Obrigado a você por tudo – dei um cheirinho nele e levantei da maca.
– Mas ainda poderemos nos ver, não é? Queria te dar algo, o que me diz? – disse sorrindo
lindamente. Fui em direção à porta, virei e o encarei sorrindo.
– Não sei, acho que sim. Se o destino ainda quiser e permitir, estarei por aí... Ah, se quiser me dar
algo, me dê uma carta, sobre nós... – ele gostou e me mandou um beijo no ar, agarrei o beijo e
coloquei no coração.
– Eu não vou esquecer... Tchau Mel! – foi sua última.
– E nem eu... Adeus Richard – abri a porta, aliviada.
Sem nada a temer, meu coração estava aliviado de verdade. Do outro lado, aqueles olhos azuis
oceânicos me esperavam. Juan com as mãos grudadas uma na outra e as balançando de ansiedade.
– E aí, podemos ir embora? – perguntei segurando seus braços, encarando aquele homem. O meu
homem. Eu precisava explicar-lhes algumas coisinhas, Juan entenderia, pois nos amamos.
– Sim – respondeu e me encarou com aquele olhar azul intenso, poderoso e sincero. Juan já
mostrava seu perdão. Então tudo já estaria nos eixos.
Só não sei se pensou que eu teria dado um beijo em Richard, nisso tudo só sei que ele me ama. O
que já vale por tudo.
A família de Carla aceitou bem o novo namorado dela, foi bem difícil de início, pois eles queriam
alguém que tivesse o mesmo segmento de sua religião, embora Thiago tivesse mentido sobre isso.
Ficaram chocados com o que descobriram do Thiago, ele era um exemplo de menino e, chegar aonde
chegou, foi muito trágico.
Carla e Flávio passaram por dias de adaptação à família rigorosa dela, mas tudo ficou bem e os
dois seriam felizes de verdade. Encontraram a felicidade e paz. Seus planos agora iriam longe, e
Carla teria sempre um parceiro de verdade, um verdadeiro homem em sua vida. Por tudo o que
passou com o Thiago, de vez em quando, ela me ligava e chorava. Triste por lembrar-se de seus dias
ao lado dele. Carla o amou, mesmo quando as coisas estavam estranhas. Flávio soube conduzir isso
muito bem, deixando-a esquecer aos poucos. Tornando-se seu único e verdadeiro amor. Ela merecia
muito mais e hoje tem seus dias felizes.
O pai do Thiago devolveu uma parte do dinheiro aos meus pais e usou a outra parte para fazer um
enterro digno ao filho. Apesar de tudo, ele sofria e ficou muito tempo com pensamentos ruins. O
sofrimento do pai era muito visível, o que Thiago fez foi algo doente, ninguém tinha conhecimento
dessa grandeza em que se programava. Seu pai contou que, alguns anos atrás, ele tinha tentado se
matar por culpa da mãe e não tinha tido coragem, a emoção dele estava fora de si, em casa já
demonstrava alguns sinais instáveis. O pai ficou com a culpa ainda maior em suas costas. Se
culpando por não estar ao lado de Thiago para ajudá-lo, agora era tarde demais. Tudo que tinha,
acabou por nada. A família de Juan tentou entrar em contato com a mãe, para contar o que tinha
acontecido, mas não acharam a mulher. Sr. Rubens cuidou do pai de Thiago e ficaria a par de tudo a
partir de agora.
Depois de tantos acontecimentos, meus pais viram que não era brincadeira, que eu não estava
envolvida em tirar dinheiro deles. Bem, eu pensei nessa hipótese, mas na verdade, não sei o que eles
pensaram. O dinheiro foi devolvido em partes para eles, até que os velhos fizeram algo de bom.
Vieram me visitar também. O perdão surgiu de minha parte e diria que foi uma experiência
diferente, torturante de certa forma. Juan me fez jurar que ficaria bem e que aceitasse que eles
estivessem aqui. Foi um luta pessoal muito forte. A conversa no geral nos rendeu muitos choros,
arrependimentos e perdão da parte do meu pai.
Sr. Folk pediu perdão com olhos lacrimosos e disse-me que tudo que fez comigo era para me
proteger desse mundo, mas o que fez era horrendo, cruel e que hoje sofria as consequências de não
poder nem me olhar com verdade. Foi difícil, mas consegui exercer com plenitude a verdade que me
engasgou por toda minha vida. Falei, falei e chorei muito. Para mim, na real, foi até mais difícil do
que amar, aceitar o amor. Amar Juan da forma mais linda e simples. Ele me fez uma pessoa melhor e
acreditou em nós. Jamais desistiu de nós.
Richard também não desistiu em reconquistar a Mariana, ela está superando a cada dia e realmente
tornou-se uma pessoa melhor. Ainda encontrei com eles, só que agora tudo é tão diferente, sim, eu
sinto alguns efeitos em minha pele, arrepios atrevidos. Richard também deve lembrar-se de algo, mas
estamos evitando e, principalmente, tentando superar tudo. Eles estão felizes, Mariana soube de tudo,
assim como Juan, não dos detalhes, mas souberam. E nos perdoaram por isso. Richard e Mariana
hoje se dedicam para alcançar a felicidade. Desejo o melhor do mundo aos dois.
Richard entregou-me uma carta cheia de emoção. A qual guardei na minha caixinha junto ao seu
colar e o Batom Vermelho Proibido. Foi uma carta carregada de emoções e sentimentos...
Todo mundo vê e qualquer um poderia concordar que você e eu estávamos errados. E tem sido dessa maneira por muito tempo.
Aceite a medida que vem, e seja grata quando terminar. Antes de você, as coisas não tinham sentido, era tudo em tons de preto, mas
agora depois daquelas 24 horas mágicas, muitas coisas mudaram.
Provei o vermelho com você. Veja bem, vermelho. Intenso. Poderoso. Robusto. Provei o que há de melhor em você, em uma mulher.
Eu te desejei e a tive. Veja se derramei uma lágrima de arrependimento? Jamais farei. Com você, eu vivi o vermelho. Porque antes
conhecia cores como o cinza, o preto... No entanto, minha cor, meu tom agora é vermelho. Sempre será.
As estrelas caíram do céu e as minhas lágrimas caíram no oceano. Agora estou procurando a razão pela qual você pôs meu mundo
em movimento, eu via apenas a escuridão e você veio, ligou as luzes e criou o que veio a ser meu novo mundo, agora estou cheio. Cheio
de amor, compaixão, cheio de vermelho. Embora eu estivesse andando entre as sombras, você estava comigo e me confortou.
Se eu morrer antes de acordar, saberei que você esteve aqui e me beijou amavelmente trazendo-me à vida. Doce, fogo, vermelho,
sensual, delirante. Proibida, é você, Mel...
De Richard Vellatto.
Ah, sim, Juan e eu estamos muito bem, bem demais... O nosso amor tornou-se tão único, tão limpo,
que não há rachaduras, medos, crises. Está ainda mais intenso, ele é meu, e eu sou dele. Apenas nos
sentimos verdadeiramente, pois tudo que nos aconteceu foi base para superarmos qualquer
dificuldade. Acreditamos no perdão e ele me fez acreditar no amor.
Tudo que eu tinha antes, nada valeu, era apenas o prazer da vaidade. Hoje ainda tenho e uso tudo
isso a meu favor, mas apenas Juan prova todo meu sabor. Vermelho.
Vermelho são meus beijos, minha dose de loucura, paixão e vaidade. Desta vez, tudo é real, chega
de ilusões e fantasias. Juan deleita-se de mim de noite, de dia, nas tardes quentes e nas madrugadas
quietas.
Perdão. Amor. Fé. Amizade. Compreensão. Foram todas essas palavras que nos manteve em pé,
que nos fortaleceu. Foi algo incrível que aconteceu em minha vida.
Transformação: diria que é essa a palavra. Eu não amava, não tinha sentimentos, mas hoje sou uma
pessoa em transformação a cada instante. Sabe por quê? Porque Juan me fez viver isso, me fez ver o
mundo. O meu mundo que é uma imensidão sem fim. Quando se acredita em si, tudo é imenso, nada
pode atrapalhar, basta crer em seu poder. Sentir o meu coração bater, viver e se apaixonar. O perdão
dele me fez ainda mais amável, hoje eu amo e não tenho medo.
Depois da noite incrível que tive com ele, eu não precisaria de mais nada. Tudo que acontecesse
dali para frente seria o destino que estaria impondo e não eu! Deixarei de ser um pouco assim,
sempre querendo saber o próximo passo.
Dentro da casa dele, sem seus pais que estavam viajando, Juan me fez uma enorme surpresa. Tapou
meus olhos deixando-me no meio da sala, apenas com a minha camiseta branca, aquela com minhas
escritas favoritas e escrotas, mas Juan a amava, assim como eu. Juan amava-me ver dizendo, foi o
que sussurrou no pé do meu ouvido.
– Diga honey, diga os dizeres... – lambeu minha nuca, chegando ao ouvido. Juan sem camiseta e só
de samba canção, eu já sentia seu efeito atrás de mim. Intumescido, só meu.
– Digo o que você quiser, doutor! – gemi e me contorci, assim que Juan enfiou o dedo em meu
sexo úmido só por ele.
– O que há em sua camiseta, honey? – grunhiu, mordendo minha nuca.
– Don’t hate me, fuck me... – gemi cada letrinha e Juan aproveitava apertando meu bumbum,
passando as mãos bem fortes e apertando-me ao seu corpo.
– Oh baby, é pra já! – Juan desvendou-me e pegou-me no colo. – Honey, eu vou te pegar ali, aqui e
lá também! – Juan apontou o sofá, o balcão que dividia a cozinha da sala de jantar e na escada.
Aquela escada encantadora.
– Vai me foder gostoso? – fiz charme e estávamos em nossos personagens eróticos. A Minnie
Gostosa e o Doutor Taradão.
– Como quiser, honey! Te prometo só uma coisa... – gemeu puxando meu cabelo para trás, dando
acesso ao meu pescoço, mordeu de leve, sugando meu sabor.
– O que seria, doutor? – perguntei inocente.
– Vai ser com força... – outro puxão. Estava em seu colo, pendurada em seus ombros, tomei um
bom tapa forte no bumbum.
Ah, puta merda! Que tesão...
Aqueles ombros fortes e deliciosos. Sorri com sua brincadeira e, antes de pensar, Juan me jogou
ao sofá fofinho e arrancou minha camiseta, com uma força exagerada, mas prazeroso demais. Soltei
um risinho, Juan olhou-me no fundo dos olhos.
– Com força, honey! – disse a frase enfaticamente.
Sim, eu repeti.
– Sem dó, doutor, com força! – grunhi. – Rawn...
Juan me fitou com um olhar que incendiava, abriu minhas pernas e analisou com doçura minha
pequena preciosidade. Aquele pequeno órgão molhado à espera dele, aquela que era sua fruta
deliciosa e preferida.
Juan sem dó e com força, desceu seu rosto em minha bocetinha, me devorando. Mordeu e saboreou
com gosto minha entrada úmida e delicada. Sentiu-me vibrando em seus lábios, até me contorcer...
Sua língua era delicada e voraz ao mesmo tempo. Deixando-me gemer baixinho e gritar seu nome
quando me mordia, mas Juan parou antes de chegar ao meu clímax. Puxou meus pulsos e me levou até
o balcão de mármore que dividia os ambientes. Juan sorriu e me deitou ali.
– Ainda não será aqui, baby, quero ver você vibrar a minha volta! – Juan deslizou as mãos em todo
meu corpo, deixando-me estirada no balcão como a melhor refeição dele.
Seu olhar era divino e carinhoso, perverso e travesso. Sua intenção era clara, apenas me torturar,
onde e quando ele entraria com força? Deixei-o apenas agir, queria tocar-lhe, sentir-lhe dentro de
mim, o quente. A sensação prazerosa que aquele membro imenso e forte me proporcionava, mas
deixei Juan agir.
Suas massagens em meu corpo eram divinas. Sua língua imitava seus dedos firmes. Sua boca
trabalhava agora em cima nos meus seios e sua mão embaixo fazendo-me delirar, sentia o quente nos
dois lugares. Seus movimentos imitavam um ao outro. Enquanto enfiava um dedo, mordia meu
mamilo, deixando-me a ponto de bala. Eu queria vibrar inteira, mas aguentei, pois assim que Juan me
via contorcendo, ele parava as investidas. Eu o fitava com raiva, pois queria que continuasse até
deixar-me gozar para ele. Abaixei minha mão esquerda, encontrando sua ereção, apertei e queria ver
até onde ele aguentaria. Sei que não iria aguentar me ver fazer aquilo, mas desisti de ver só ele me
dando prazer. Levantei e pulei do balcão, ordenei a ele:
– Agora doutor, fique quietinho aqui, eu vou lhe usar! – falei rindo, mas mordia meu lábio inferior,
queria muito aquilo e vou fazer Juan revirar aqueles olhos azuis.
– Ah, honey, sinta-se à vontade! – Juan pulou no balcão, abaixou a bermuda de seda, e seu mastro
delicioso estava apontado para mim. Suguei com força aquele membro intumescido, sentindo o sabor
dele em minha boca, deliciando-me com sua própria audácia. Seu sabor sem igual, sua vontade de
mim.
Juan acariciava meus cabelos enquanto sorvia sua força direto da fonte. Era excitante demais,
sentir seu gosto e tesão em minha boca, mas Juan desta vez puxou meu cabelo com mais força,
tirando-me do meu brinquedinho. Fiz beicinho, mas ele sorriu malicioso. Pegou-me no colo, me
levando para a escada.
Ah, agora era a hora!
– Agora sim, honey, com força! – Juan prometeu, e fez.
Deixou-me toda aberta pra ele, de quatro. As mãos no degrau de cima e as pernas no de baixo,
naquela escada com degraus largos. Sem piedade nenhuma se encaixando em mim.
Com força...
Pegando em cada parte quente de meu corpo, apertando-me todinha, fazendo-me gemer alto,
fragoroso, enquanto investia pesado, arqueando minhas costas e puxando meu cabelo. Bateu uma,
duas, três vezes em minha bunda, enquanto puxava forte meu cabelo.
– Yes honey, assim, com força! – gemia em minhas costas.
– Yes, doutor! Continue... – Juan investiu mais duas vezes, fazendo-me cair em seu corpo, derretida
em prazer, jogada e quebrada por meu orgasmo vibrante. Era um prazer sem fim, eu não queria parar,
não podia parar.
Juan percebeu minhas intenções, e ele também tinha. Virou-me de costas encostou-me no degrau,
olhando diretamente em meus olhos cheios de alegrias e vontades, ambos sorriram. E sim, queríamos
mais... mais, mais e, além disso, com força.
– Ah, Mel, você é minha menina incansável... – gemeu, entrando novamente em mim. Pude sentir
vibrar centímetro a centímetro dele dentro de mim. As paredes macias de meu ventre o acolheu
cheias de vontades, prontas novamente.
– Ah, doutor, você é meu homem insaciável... – gemi, sentindo todo o prazer num vaivém.
Era muito intenso, Juan deveria ser considerado um deus na cama, deus do sexo maravilhoso, meu
Dionísio. Meu deus grego divinamente sexual. Devagar e com suas investidas lentas, suas bombeadas
deixavam-me à beira do um novo orgasmo, mas Juan parava, respirava e continuava a tortura.
Remexendo-se dentro de mim, num prazer lento e saboroso.
Eu via através de seus braços tatuados e firmes que estavam a minha volta, seus músculos saltando
por seu esforço que fazia ao se segurar pelos braços, aquele corpo perfeito, musculoso e sarado.
Ah, sim, tatuado... – Minha maior tara nele.
E aquela boca aberta num formato de O, só por sentir meu prazer. Por sentir cada gemido, cada
vontade envolvida em meu corpo que ficava junto ao dele. Num movimento sem fim, prazerosamente
no vaivém de nossos ritmos juntos.
Enquanto eu o puxava mais para mim, minhas pernas estavam como arames segurando meu homem.
Vem todo em mim... Sinta meu prazer, baby...
Juan veio, entregou-se ao momento, deixando meu ser flutuar até o céu e voltar. Sem mais
investidas profundas ou com força, ele sentia calmamente o meu latejar. Era por ele, era somente por
Juan o nosso orgasmo perfeito, nosso momento de ligação...
Ambos na divindade sexual. Ambos em seu momento. O orgasmo lento e satisfatório...
Nosso sexo, nosso prazer, nossa troca.
Ainda dentro de mim, eu sentia seu coração bater forte, sua respiração mais do que acelerada,
parecia apavorado.
– O que foi Juan? – perguntei e dei beijinhos em seu ombro, os meus ombros tatuados favoritos.
– Estou pensando em algo, mas estou com um pouco de medo... – falou sorrindo tímido. O quê? O
Juan tímido?
– Diga, meu amor, estou aqui! – instiguei.
– Ok, hã... Mel, case-se comigo? – disse docemente olhando-me nos olhos, passando as mãos
quentes em meu rosto suado, ajeitando meus fios soltos e úmidos.
Céus, foi isso mesmo que ouvi?
– O quê? – puxei um pouco meu corpo, deixando-o sair de dentro de mim, mas não era preciso, ali
estava quente ainda, mas o que ele dizia era verdade mesmo?
– Case comigo... – sua feição agora era um tanto tímida como perversa, mas também sentimental.
Era verdade.
Ponderei todas as possibilidades que eu tinha. Não teria vida sem Juan. Não queria ficar mais
longe, então por que não me entregar? Sorri e senti seu desespero por alguns segundos. Juan queria
logo minha resposta e teria.
– Sim – disse sem medo.
– Jura? – apoiou-se e me encarava absorto. Não era nenhum absurdo, era?
– Sim, doutor – brinquei e logo em seguida o olhei mais séria, para dar credibilidade. – Juan, eu o
quero para sempre. Eu aceito – falei sorrindo, sem balbuciar em minhas palavras, eu disse sim.
Meu Deus!
– Ah, Mel, eu te amo tanto! – Juan beijou minha boca delicadamente, mas sua intensidade foi
aumentando, nossas línguas já buscavam o tesão de instantes atrás.
– Eu também, Juan! – mordi o lábio dele. – Não creio que me pediu em casamento deitado nu na
escada! – falei parecendo indignada, mas adorei a forma, o local e o motivo. O motivo era para
sermos eternos amantes.
– Pois é, juro que iria pedir bonitinho, mas já que estamos aqui, e essa posição é bem privilegiada,
sou o homem mais feliz desse mundo! Pode ter certeza, futura Sra. Mel Vasco – beijou meu pescoço,
subindo com a língua nele todinho, sentindo o sabor que saia em meu suor do nosso sexo
maravilhoso.
– Hum, isso foi o melhor dos melhores! – gemi. Meu coração estava tão feliz com esse pedido.
– Sempre serei seu melhor! Sempre. Eu prometo, honey... – sussurrou em meu colo dos seios.
– Promessa é divida, hein doutor! Vou cobrar para sempre – sorri quando seu olhar oceânico firme
e quente encontrou-se com os meus verdes sinceros e risonhos.
– Sempre com sexo, por favor! – sua piscadinha que acendeu tudo lá embaixo.
– Uau Juan... Serei a Sra. Vasco – brinquei puxando o cabelo dele, já que seus lábios estavam em
meus seios brincando e mordendo meu mamilo já atiçado novamente. Meu sexo estava babando por
ele. Juan também estava com seu efeito.
Isso mesmo, nós não nos cansamos, somos o conjunto perfeito de 4is.
Incansáveis, insaciáveis, inebriantes e incontroláveis.
– Enquanto o dia oficial não chega, deixa-me usar esse seu corpinho delicioso... Deixa-me
aproveitar o lugar em que mais amo estar... – sussurrou quente em meu ouvido. Ainda de brinde uma
leve mordida no lóbulo, uma sugada deixando-o quente, com sua respiração num sopro deixando-o
frio.
– Aonde? – sussurrei num gemido leve e arrepiante.
– Dentro de você, honey...
Seu gemido junto a sua voz rouca, deixou todos os pelos existentes de meu corpo arrepiados em
sintonia. Foi demais...
Que efeito o meu homem tem sobre mim... Deixei Juan deliciar-se de meu corpo, de sua mulher a
partir de hoje.
Minha... – era o que gemia.
Eu não precisei dizer mais nada, apenas senti meu homem fluir... E usufruir de meu corpinho, que
será apenas dele.
Juan Vasco.
Um ano depois...
Sim – Juan disse sorrindo.
Sim – falei soltando lágrimas de alegria.
Hoje era o nosso dia. O dia mais feliz de nossas vidas, aquele momento que achamos que não
existe alegria melhor, mas sim, existe. Encontrei a minha num olhar de oceano, encontrei minha alma
gêmea.
– Agora é oficial, você é minha mulher, a Sra. Vasco! – Juan dizia alto e todo empolgado,
mostrando a todos o enorme anel com um lindo diamante cravado, exagerado esse meu marido.
– Sim, sua mulher! – retribui o beijinho.
Olhava aquele meu homem, Juan estava tão divino, tão radiante, muito lindo em seu terno preto e
gravata vermelha carmim. Era o mais encantador dos homens, era excitante como estava vestido, eu o
queria a todo instante... Eu me contorcia embaixo do vestido só por imaginá-lo todo sexy, e meu
olhar verde risonho dizia isso a ele.
A festa toda estava numa decoração linda em vermelho e creme. Toda chique feita por nossa
família. Sim, meus pais estavam radiantes, todo mundo feliz e satisfeito com nossas escolhas.
Até meus tios marcaram presença e junto deles, a Mariana e Richard, que por todos os santos,
estava incrivelmente irresistível. Tive que me conter e arrumar forças do além para vê-lo todo lindo,
cheiroso e ainda quando fui abraçá-lo, ele sussurrou em meu ouvido:
“Olá Mel, está incrivelmente sexy nesse vestido...”
Quase enfartei, mas respirei fundo e fingi que estava tudo bem. Juan nos olhava, mas tenho certeza
que, no fundinho, ainda sentia ciúmes, mas era raro nos encontrarmos com eles. Hoje era nosso
casamento e nem tinha necessidade de nada disso, mas que me deixou atiçada para porra, isso sem
dúvidas!
Hoje era o dia mais perfeito de todos. Sem dizer o quanto eu estava linda em meu vestido de noiva
branco no modelo sereia, com um detalhe que Juan amou, pois na parte de cima era um corpete que
deu volume em meus seios e deixou minha cintura um luxo, era muito bem feito e trançado na parte
detrás e todo bordado com pedras Swarovski. Era divino e Juan iria arrancá-lo de meu corpo.
Com força, dizia ele.
A festa em si foi de uma beleza encantadora, digno de princesa, mas como eu gosto de ser má, fiz
minhas maldades atiçando meu rei. Juan só fervia quando me flagrava fazendo caras e bocas ou
mesmo quando o levei ao banheiro e queria aproveitar ali mesmo; uma rapidinha de casados, mas só
conseguimos ficar na pegação que também foi bem excitante, pois minha barrigudinha apareceu para
nos fazer parar.
– Vocês deveriam ter vergonha na cara, sabiam disso?! – ela dizia com as mãos na cintura, nunca
perdia seu jeito meigo e lindo de ser.
– Ah, madrinha, isso é impossível, sua amiga é muito gostosa, viu como ela está maravilhosa? –
Juan a encarava e Carla só mexia em sua barriga.
Sim, ela está com um barrigão de seis meses! Minha amiga linda e apaixonada está grávida de
Flávio, eles casaram apenas no cartório e vão planejar o casamento na igreja dos pais dela assim que
ganhar o bebê.
– Ah, Juan, seu eterno tarado! Vai pra lá, quero falar com a Mel! – Carla veio para pertinho, eu
estava ainda um pouco ofegante, Juan me devorou em mais um beijo e saiu do banheiro.
– Nem no dia do casamento vocês sossegam, poxa vida, deveriam guardar energias e esperar a lua
de mel! É bobeira eu dizer isso, não é? Já estou até vendo que será bem uma lua de Mel! – ela riu,
encostando seu barrigão em mim. – Está muito linda amiga! Eu amo você, e você sabe que desejo
toda a felicidade do mundo, não sabe? – Carla durante a gravidez ficou emotiva e muito chorona. Ela
já chorava de alegria. Santo Deus, meu sobrinho vai ficar muito manhoso assim.
– Claro que sei, minha barrigudinha! – foi o apelido carinhoso que dei a ela. – Eu amo você
também, e sem você nada disse estaria acontecendo! Obrigada Carla por estar presente em minha
vida, eu também sempre estarei com você! Darei muito amor, carinho ao meu sobrinho! Não é, Eric?
Mexe pra titia, mexe neném... – brinquei na barriga dela e, para nossa surpresa, ele mexeu fazendo o
vestido vermelho dela se mover. – Ah, meu pequenino, eu amo você! – beijei com carinho a barriga
dela, Carla passou a mão em meu rosto e seus olhos azuis já deixavam lágrimas escorrendo.
– Amo você! – Carla disse engasgada e cheia de emoção. Abraçamo-nos por longos minutos.
– Eu também Carlinha, eu amo todos vocês e jamais vou me esquecer de tudo que nos aconteceu.
Obrigada por fazer parte de minha vida. Te desejo também toda sorte do mundo. Conte sempre
comigo... – depois de nosso momento, voltamos ao salão e festejamos até tarde, até eu partir para
minha felicidade. Para minha louca lua de Mel...
– Juan, será que ninguém vai perceber? – sussurrei.
– Por que está sussurrando, Mel? – ele riu de mim e me segurava na parede do elevador. Juan
travou o elevador do hotel em que estávamos hospedados.
Uma loucura, mas não estávamos mais aguentando, e seria um sonho fazer isso no elevador, nunca
tínhamos feito, essa era a deixa! Perfeito.
– Não sei. Estou nervosa, sei lá... – caímos na risada.
Juan levantou um pouco a barra do meu vestido, ficou com sua perna segurando meu corpo, mas ao
ver o que estava ali, Juan quase me soltou.
– Porra Mel, eu não acredito que está assim?! – falou mais alto e me fitou com seu olhar fervente.
– Sim doutor, você sabe muito bem que não uso! – fiz charme encarando aquele olhar intenso, azul
e charmoso. Perverso...
Soltei alguns gemidos de prazer só de olhar seu desejo por meu corpo, em seus lábios vacilantes
na minha frente, mas Juan estava um tanto violento e selvagem, mordeu meu lábio inferior. Gemi
novamente e dei meu melhor sorriso de ninfeta.
– Certo, Sra. Vasco, você está sem calcinha! – gemeu em meu ouvido. Depois me encarou profundo
nos olhos. – Você. É. Perfeita. Agora Mel, eu vou te fazer delirar, honey, com força! – grunhiu cada
palavra em meu ouvido e veio com tudo me atacar...
Sem mais delongas, vem em mim, doutor... Com força!
Mel Folk
Música Batom Vermelho
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