Capítulo 2
Capítulo 2
Jesus Cristo e
Sua Igreja
CRISTOLOGIA – DOUTRINA QUE ESTUDA
A PESSOA E A OBRA DE JESUS CRISTO
INTRODUÇÃO
Deus criou o ser humano perfeito para se relacionar e ter comunhão com Ele. Infeliz-
mente o homem falhou nessa missão e caiu em pecado. O que estava destinado agora para
o homem era a morte (Rm 6:23). Mas por Deus nos amar tanto, escolheu agir por meio de
Cristo, para nos resgatar e restaurar a nossa condição. A Bíblia diz que Deus prova seu amor
para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm 5:8). Sobre esse texto,
Champlin comenta:
Somos pecadores, isto é, ‘temos errado o alvo’ estabelecido por Deus para as nossas vidas, e por isso vive-
mos egoisticamente, imersos nas obras da carne, buscando o orgulho da vida (...). Foi nessa condição que
Cristo nos amou, não por causa do que éramos, porque nada somos, mas por causa daquilo em que poderia
transformar-nos.43
Como entender tão grande amor? Vale a pena estudar o que Cristo é e o que fez por nós.
É justamente isso que iremos focar neste texto. A Cristologia é a área da Teologia Sistemática
que estuda a pessoa e a obra de Jesus. E, diga-se de passagem, quando passamos a estudar esse
assunto, estamos bem no centro da teologia cristã.44 Compreender quem é Cristo é o centro
determinante da fé cristã. Por isso devemos nos dedicar, para alcançarmos uma Cristologia
sadia e baseada nas Escrituras Sagradas.
Vejamos, a partir de agora, o que a Bíblia diz sobre a pessoa e obra de Cristo.
1. A PESSOA DE CRISTO
No estudo sobre a pessoa de Cristo, iremos checar os textos bíblicos que nos falam so-
bre sua divindade, eternidade e sobre sua vida aqui na terra (humanidade, impecabilidade
e ministério).
A Bíblia Sagrada ensina que Jesus é Deus. Desde o princípio, a Igreja primitiva conside-
rava e adorava a Cristo como divino.45 Começaremos o nosso estudo sobre a pessoa de Cristo
enfatizando essa verdade. É de grande importância estudar a doutrina da plena divindade de
Cristo. Só alguém que fosse plenamente Deus poderia arcar com a pena dos pecados de todos
os que cressem nele. Qualquer criatura finita seria incapaz de realizar tal ato. Só alguém que
fosse plenamente Deus poderia ser mediador entre Deus e os homens (1Tm 2:5). Vamos, en-
tão, checar alguns textos bíblicos que comprovam e confirmam a divindade de Cristo.
O que Cristo pensava sobre si mesmo? Na Bíblia ele não faz nenhuma declaração direta,
como, por exemplo, “Eu sou Deus”. Todavia, como bem pontua o teólogo Millard Erickson,
Jesus usou algumas expressões impróprias para alguém que fosse algo menos do que o próprio
Deus.46 Antes de examiná-las, vejamos a mais clara afirmação de Jesus sobre sua divindade
que podemos encontrar nos evangelhos.47 Ela se encontra no evangelho de Mateus. Quando o
sumo sacerdote lhe disse, por ocasião do seu julgamento: Ordeno que jures pelo Deus vivo e diga-
-nos se tu és o Cristo, o Filho de Deus (Mt 26:63), Jesus respondeu: É como dissestes. Contudo,
digo-vos que de agora em diante vereis o Filho do homem assentado à direita do Poderoso (Mt 26:64
– grifo nosso). Essa afirmação de Jesus foi tão contundente que o sumo sacerdote rasgou as
próprias vestes, e disse que Cristo blasfemava: Então, alguns cuspiam-lhe no rosto e deram-lhe
socos (Mt 26:67).
Agora vejamos as expressões usadas por Jesus que indicam que ele não era nada menos
do que 100% Deus. Observe a expressão destacada no texto, quando disse que enviaria seus
anjos (Mt 13:41 – grifo nosso), em outros textos são chamados de anjos de Deus (Lc 12:8-9;
15:10). Em outra passagem das Escrituras, Jesus aparece perdoando pecados (Mc 2:5). Mas,
quem pode perdoar pecados senão um só, que é Deus? (Mc 2:7). Robert Stein observa que essa
reação dos escribas mostra que eles interpretaram a ação de Jesus “como o exercício de uma
prerrogativa divina”.48 Além dessas, Jesus também colocou suas palavras no mesmo nível das
Escrituras do Antigo Testamento (Mt 5:21-22; 27:28). E, por fim, igualmente indicou ter po-
der sobre a vida e a morte (Jo 5:21; 11:25), prerrogativas exclusivamente divinas.
Onipotência (Mt 8:26-27, 14:19; Jo 2:1-11). Eternidade (Jo 8:58; Ap 22:13). Onisciên-
cia (Mc 2:8; Jo 1:48; Jo 6:64; 2:25). Pedro declara que Jesus sabe todas as coisas (Jo 21:17).
O atributo da onipresença não é afirmado diretamente, mas olhando para o futuro da Igreja,
Jesus deixa subentendido esse atributo (Mt 18:20; Mt 28:20). Soberania (Mc 2:5-7; 5:22,
28, 32, 34, 39, 44). Imortalidade (Jo 2:19, 21-22; Hb 7:16). Digno de culto (Fp 2:9-11; Hb
1:6; Ap 5:12-13).
A Bíblia mostra claramente que Jesus é eterno. Paulo, escrevendo aos colossenses, diz:
Ele existe antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste (Cl 1:17). A base dessa afirmação de Paulo
é a declaração de Jesus no Evangelho de João, capítulo 8, versículo 58: Jesus lhes respondeu:
Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, Eu Sou. De acordo com Shedd e
Mulholland, quando Cristo faz esta afirmação, usando o termo “Eu Sou” (no grego, ego eimi)
referindo-se a si mesmo e dizendo que existia antes de Abraão, ele coloca-se a si mesmo acima
do tempo, no sentido em que os homens vivem; ele era sem início e sem fim.50 Jesus é eterno:
é o mesmo ontem, hoje e eternamente (Hb 13:8).
Não podemos confundir “eternidade” com “pré-existência”. Pré-existência traz a ideia de
que Jesus já existia antes do nascimento (Mt 1:25), o que para alguns autores não indica que
ele é eterno, por exemplo, Ário, um presbítero da igreja cristã do IV século, apesar de ter ensi-
nado a pré-existência de Cristo, não ensinou sobre sua eternidade. Embora os conceitos sejam
bem parecidos, e até usados muitas vezes como sinônimos, a definição de eternidade vai além.
Ela traz consigo não somente a ideia de que Cristo já existia antes do nascimento, ou mesmo
antes da criação, mas que ele sempre existiu.51 “Dizer que Jesus é eterno, então, significa dizer
que ele não tem começo, nem término, nem sucessão de momentos em seu próprio ser. O tem-
po jamais teve ou terá efeito sobre a sua natureza, as suas perfeições, os seus propósitos”.52
Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento confirmam a eternidade de Jesus. Em Isaías,
numa profecia que dizia respeito a Cristo, o profeta atribui-lhe o título de Pai da Eternidade,
com o sentido de alguém que possui eternidade. De forma semelhante, o profeta Miqueias,
também falando de Jesus, diz que as suas origens são desde os dias da eternidade (Mq 5:2b cf.
Mt 2:1-6). No Novo Testamento também são fartas as evidências onde encontramos alusões
à eternidade de Jesus (cf. Jo 1:1, 8:58, 17:5; Fp 2:5-6; Cl 1:17; Hb 13:8; 1Jo 1:1). Dentre esses
textos, um dos mais claros pode ser localizado no evangelho de João: antes de existir qualquer
coisa, Cristo já existia (...), Ele sempre esteve vivo (Jo 1:1 – BV). Nesse versículo João aponta a
eternidade de Jesus. Ele não “se fez” Verbo no princípio, Ele “era” o Verbo no princípio.53 Ele
não começou a existir a partir da encarnação (falaremos dela no tópico seguinte) e nem foi
criado, como alguns sugerem. Ele sempre existiu!
Jesus era 100% humano. Como ele podia ser ao mesmo tempo Deus e homem é um as-
sunto que trataremos no tópico logo mais à frente: “A encarnação de Cristo”. Por ora nosso
desejo é mostrar apenas a realidade da humanidade de Jesus. Pois bem, a sua vida aqui na
terra começou com o seu nascimento sobrenatural (cf. Mt 1:18). Deus entrou no mundo como
um bebê. Cresceu como uma criança judia normal. “Se o líder da sinagoga em Nazaré soubesse
quem estava ouvindo seus sermões...”54 talvez tivesse dado mais crédito a ele. Durante sua
vida sentiu o que eu e você sentimos. Derramou lágrimas (Jo 11:35). Sentiu medo (Lc 22:42).
Teve sede (Jo 19:28). Fome (Mt 4:2). Cansou-se (Jo 4:6). Não viveu numa “separação elevada”,
mas “conosco”, como um de nós, no meio das multidões, ocupado, assediado. Jesus não este-
ve na terra disfarçado como um ser humano, nem foi parcialmente humanizado, mas se fez
humano de verdade, e, por essa razão, condicionou-se a todas as limitações da vida na terra.
Entretanto, além do Novo Testamento afirmar que Jesus Cristo era totalmente humano,
ele também testemunha da impecabilidade de Cristo. O autor de Hebreus diz que Ele foi em
todas as coisas em semelhança de nós, mas sem pecado (Hb 4:15). Todos os inimigos de Cristo não
tinham nenhuma vírgula para depor contra Ele. Numa ocasião, Jesus desafiou categoricamen-
te seus oponentes, que o acusavam, abertamente, de mentiroso e enganador, a convencê-lo de
pecado: Quem dentre vós me convence de pecado? (Jo 8:46). Esse é um forte apelo à impecabili-
dade de sua vida. Por isso, exceto por blasfêmia, não houve contra Jesus qualquer acusação.
Há muitas alegações na Bíblia Sagrada que confirmam que Cristo nunca cometeu pecado em
sua vida (Jo 6:69; 8:12,29; 15:10; 18:38; 2Pd 2:22; 1Jo 3:5; 2Co 5:21; Hb 7:26).
O ministério de Jesus foi caracterizado pela pregação, ensino e cura.55 Nós até podemos
chamar seu ministério de tríplice. Seu ministério foi peculiar. Jesus ministrava às necessida-
des físicas e espirituais do povo. Estava sempre preocupado com a vida integral de quem o
seguia. Veja como ele desenvolvia seu ministério: ...ensinando nas suas sinagogas, pregando o
evangelho do reino e curando todo o tipo de doenças e enfermidades (Mt 4:23). Os verbos “ensinan-
do”, “pregando” e “curando” resumem a obra de Cristo. E aqui não podemos confundir “ensi-
nar” com “pregar”. Embora uma boa pregação seja uma excelente fonte de ensino, ensinar é
explicar com detalhes aquilo que foi pregado. Jesus fazia isso. Ele foi mestre por excelência em
tudo o que fez! Sua vida é exemplo para a nossa vida.
2. A OBRA DE CRISTO
A parte da Cristologia que estuda a obra de Cristo analisa tudo o que ele fez, faz e fará
em favor do ser humano. Ela abrange desde a encarnação de Cristo até o seu retorno glorioso,
além de falar também sobre seus ofícios. Podemos dividir a obra de Cristo em dois períodos: o
período da humilhação e o período da exaltação. Vejamos cada um deles.
Mais de dois mil anos se passaram desde a primeira vinda de Cristo à Terra e ainda hoje há
quem duvide: Será mesmo que Deus se fez gente? Já houve alguns que negaram a encarnação
de Cristo, dizendo que ele não passava de um fantasma, tinha aparência de homem, mas que
tudo não passava de uma mera simulação.56 Difícil para esses é explicar as palavras de João,
que cintilam verdade, exalam alegria: Eu mesmo o vi com meus próprios olhos e o ouvi falar. Eu
toquei nele com as minhas próprias mãos (1 Jo 1:1 – BV).
A encarnação de Jesus é mencionada de maneira bem explícita em João: ...o Verbo se fez
carne (1:14). É isso mesmo! Você não leu errado. O unigênito do Pai, Jesus, se fez homem. Aque-
le que criou o mundo, que existia antes dele, veio participar de sua história. O Deus eterno
tomou a forma de um ser humano. Essa verdade está descrita em Filipenses, capítulo 2, versí-
culo 7, de forma bem clara. Ali lemos que ele assumiu a forma de escravo... Esse texto vai muito
além da nossa compreensão!
Como isso foi possível? De que maneira Jesus, sendo Deus, assumiu a forma de um escra-
vo? A palavra escravo nesse texto é doulos, na língua original grega. Ela é usada para se referir
a um tipo de escravo que não tinha nenhum direito. Cristo deixa de lado seu imenso poder e
glória para ser “doulos”. O maior esplendor da terra seria o mínimo perto do que Cristo aban-
donou. Mas, como isso foi possível? Será que Jesus teve de deixar de ser Deus na encarnação?
Qual o objetivo da encarnação de Cristo? É isso que veremos.
Como a encarnação foi possível? Tudo começou com o nascimento sobrenatural de Jesus
(cf. Mt 1:18). Ele entrou no mundo como um bebê. Agora é preciso entender muito bem as
implicações dessa afirmação. Ele se tornou um homem, mas não deixou de ser Deus. Leia no-
vamente o texto de João, capítulo 1, versículo 14, com atenção: O Verbo se fez carne, e habitou
entre nós... (Jo 1:14a – grifo nosso). O verbo se fez aqui tem um sentido especial. O texto afirma
que Jesus se tornou uma pessoa humana, histórica e real, mas não sugere que Ele deixou de ser
o que era antes.57 Jesus abriu mão da sua posição e não da sua divindade (Fp 2:5-6). Ele era ao
mesmo tempo Deus e homem.58 Um texto que muitas vezes é usado para dizer que Jesus abriu
mão da sua ivindade, por ocasião da encarnação, é o de Filipenses, capítulo 2, versículos do 5
ao 7. Ali Paulo escreve: De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo
Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si
mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens (grifo nosso). Será que esse
texto está ensinando que Jesus abriu mão da sua divindade? Será que o Espírito Santo inspirou
Paulo aqui para ensinar que Cristo se despojou de todo o seu poder? A resposta é não.
A palavra “esvaziou-se” no original grego é kenoo, cujo significado é esvaziar, tornar va-
zio, anular, despojar.59 A pergunta, então, é: do que Jesus se esvaziou? Em primeiro lugar,
em nenhum momento o texto diz que Jesus se esvaziou dos seus atributos divinos! O texto
claramente diz o que Jesus fez ao se “esvaziar”: tomou a forma de servo. Jesus não vivenciou
esse esvaziamento deixando alguns de seus atributos divinos, mas tomando a forma de servo.
Esse texto não ensina que Jesus deixou alguns dos seus atributos, mas que deixou a con-
dição e o privilégio que tinha no céu, isto é, não se apegou às “vantagens pessoais” como ser
divino, mas esvaziou-se dessa condição para poder viver como homem, e fez isso por nós.60
Os tradutores da Bíblia King James foram felizes em sua tradução: ...fez a si mesmo de
nenhuma reputação... É um erro muito grave afirmar que enquanto Cristo esteve aqui na Terra,
ele, voluntariamente, despiu-se e ficou sem poderes. Isso implicaria dizer que Cristo, enquan-
to esteve aqui, ficou sendo algo menos que 100 % Deus. Mas nem por um segundo Cristo foi,
nem é, ou será menos do que 100% Deus! Por quê? Porque isso é impossível. Como vimos no
estudo sobre Deus, é impossível que ele negue a si mesmo. Deus não pode negar nenhum de
seus atributos, sejam íntimos, em relação ao universo ou morais. Jesus Cristo era Deus, por-
tanto, era impossível deixar seus atributos.
Mas, se Jesus era 100% Deus, então, não era humano? Precisamos pensar um pouco
nisso. Segundo Charles C. Ryrie, em sua obra Teologia Básica, “podemos descrever a Pessoa
de Cristo encarnado como alguém totalmente divino e perfeitamente humano, sem mistura,
sem mudança, divisão ou separação em uma só Pessoa, eternamente”.61 Ryrie continua sua
explicação da Pessoa do Cristo encarnado e diz que os elementos chave dessa sua descrição
incluem: 1) “Totalmente divino”: não há diminuição de qualquer atributo da divindade. 2)
“Perfeitamente humano”. Note que ele usa “perfeitamente” e não “totalmente” para enfatizar
a impecabilidade de Cristo. 3) “Uma só pessoa” e não duas. 4) “Eternamente”, pois, mesmo
ressurreto, continua tendo um corpo (cf. At 1:11; Ap 5:6).62
Essa é a explicação mais lógica e, ao mesmo tempo, aceita teológica e biblicamente, para
a pessoa do Cristo encarnado. Ele era 100% homem e 100% Deus, em uma só pessoa, e assim
será para sempre.63 De fato, por mais que tentemos, nunca será possível compreendermos essa
verdade de modo completo. Sempre nos faltarão algumas respostas, afinal, nessa busca, nós
somos apenas seres finitos e limitados tentando compreender Deus, um ser infinito e ilimita-
do. Concluímos esta parte com uma frase extremamente sábia e oportuna de Louis Berkhof:
“A doutrina das duas naturezas numa só pessoa transcende a razão humana”.64
Há diversas razões por que Deus se fez homem. A intervenção de Jesus, o Verbo encarna-
do, tem objetivos bem definidos. O primeiro deles está relacionado com a “salvação”: Veio para
os que eram seus, mas os seus não o receberam, mas a todos os que o receberam, àqueles que creem no
seu nome, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus. Jesus se fez gente para que a salvação se
tornasse possível para o ser humano! Paulo concorda com essa verdade quando afirma: ... Cris-
to Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores (1Tm 1:15). Se por um homem entrou o pecado;
a graça de Deus, por um só homem, Jesus Cristo, abundou para muitos (Rm 5:15).
O segundo motivo pelo qual Deus se fez gente está relacionado com “identificação”. Se tra-
duzida literalmente do grego para o português, a expressão habitou entre nós (Jo 1:14) significa
“armou tenda ou barraca entre nós”. Jesus veio morar conosco para que um dia nós possamos
ir morar com Ele!65 Se existe uma pessoa que pode ser tomada como exemplo de verdadeira
empatia esse alguém é Jesus. Deus se fez gente para identificar-se com o ser humano. O Verbo
encarnado enfrentou os mesmos dilemas que eu e você enfrentamos, tais como: amargura (Lc
22:4), compaixão (Mt 9:36), indignação (Mc 3:5), angústia (Jo 12:27), rejeição (Mt 26:69-74).
Além dessas razões já pontuadas, Thiessen também apresenta mais algumas outras.66 Em
primeiro lugar, ele diz que a encarnação serviu para confirmar as promessas de Deus (Gn 3:15;
Is 7:14; 9:6; Mq 5:2). Em segundo lugar, para revelar o Pai (Jo 1:18). Em terceiro lugar, para
se tornar um fiel sumo sacerdote (Hb 2:10, 17-18; 5:1-5). Em quarto lugar, para aniquilar o
pecado (Hb 9:26; Mc 10:45; 1 Jo 3:5). Em quinto lugar, para destruir as obras do diabo (1 Jo
3:8; Jo 12:31; 14:30). Em sexto lugar, para nos dar um exemplo de vida santa (Mt 11:29; 1 Pd
2:21). Em sétimo e último lugar, para nos preparar para o segundo advento (Hb 9:28).
Cristo não veio ao mundo apenas para nos dar exemplo de como é viver uma vida sem
pecado, muito menos apenas para nos ensinar um novo modelo de vida, o principal objetivo
da vinda de Jesus era morrer por nós.67 Ele veio para dar a sua vida em resgate de muitos (Mc
10:45). Ele veio para buscar e salvar o que se havia perdido (Lc 19:10). Jesus se fez gente para
que a salvação se tornasse possível para o ser humano! Veio ao mundo para salvar os pecadores
(1 Tm 1:15). Através de sua morte, Ele nos comprou mediante seu precioso sangue (1 Pd 1:19).
A morte de Jesus na cruz é o evento central do Novo Testamento.68
Apesar de não ter cometido pecado, ele sofreu a morte, que é o salário do pecado (Rm
6:23a). Porque Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho Unigênito... (Jo 3:16). “Deus impôs
judicialmente a sentença de morte ao Mediador, desde que esse se incumbiu voluntariamente
de cumprir a pena do pecado da raça humana”.69 Os efeitos do pecado não atingiram somente
Adão e Eva. Jesus pagou o nosso pecado! Ele morreu para nos livrar da ira de Deus, que sempre
se revela para castigar aquele que se rebela contra sua palavra. “Em seu grande amor por nós,
o próprio Deus ofereceu o substituto, Jesus, o seu único e amado Filho”.70
Ele suportou a ira de Deus contra o pecado dos seres humanos! Não sofreu uma simples
morte, mas uma morte terrível! Um tipo de “execução reservada pelo Império Romano aos cri-
minosos mais execráveis”,71 uma sentença tão infame que não podia ser aplicada aos cidadãos
romanos. Era reservada somente à escória da sociedade. Sofrendo esse tipo de morte, Jesus se
fez maldição por nós (Dt 21:23; Gl 3:13), e fez isso por amor.
Quanta humilhação sofreu o Senhor Jesus! Mas, será que a sua morte foi o ponto final em
sua humilhação? Por incrível que pareça, não. Ainda tinha mais. Louis Berkhof diz que é eviden-
te que o sepultamento também faz parte da humilhação de Cristo.72 A sentença divina és pó, e ao
pó tornarás (Gn 3:19) também é uma punição por causa do pecado. No Salmo 16:10, nós lemos o
seguinte: Pois não deixarás a minha vida no túmulo, nem permitirás que o teu santo sofra deterioração.
O sepultamento também está relacionado com rebaixamento. Anos depois, em seu sermão no
dia de Pentecostes, Pedro cita Davi ao dizer: Davi previu isso e falou da ressurreição de Cristo, cuja vida
não foi deixada no túmulo e cuja carne não sofreu deterioração (At 2:31). “Ser sepultado é ir para baixo, é,
portanto, uma humilhação. O sepultamento dos cadáveres foi ordenado por Deus para simbolizar a
humilhação do pecador”.73
Como qualquer morto, Jesus também foi sepultado. A Bíblia diz que tomaram o corpo de Jesus, e
o envolveram em lençóis de linho com as especiarias (Jo 19:40). As especiarias formavam uma substância
pastosa que era aplicada ao pano. Cerca de cinquenta quilos de especiarias aromáticas foram usados no
corpo de Jesus.74 Depois disso, depositaram o corpo de Jesus em um sepulcro novo, que havia aberto na
rocha (Mt 27:60). Como se isso não bastasse, uma pedra de quase duas toneladas foi colocada na porta
do sepulcro. Agora pare um instante e pense no momento em que a pedra é colocada e todos se vão... O
corpo do Filho do homem fica ali, estendido sobre aquele sofá gélido, feito de alvenaria.
quela semana, o túmulo estava vazio, e “nenhum indício de prova foi ainda descoberto em fon-
tes literárias, arqueológicas ou de inscrições antigas que pudesse contestar essa afirmação”.75
Ele realmente ressurgiu. Nossa pregação não é vã (1 Co 15:14); por seu poder, Deus ressuscitou
o Senhor (1 Co 6:14)!
Depois de ressuscitado, Jesus permaneceu ainda por quarenta dias na terra (At 1:3). Por
fim, ele conduziu os discípulos para Betânia, fora de Jerusalém, e ali foi elevado ao céu (Lc
24:51 cf. At 1:9). A ascensão de Jesus foi o segundo passo no processo da sua exaltação. Por
ascensão queremos dizer a volta de Cristo ao céu em seu corpo da ressurreição.76 Sua partida
foi uma “subida”, assim como sua entrada ao mundo havia sido uma “descida”.
Jesus foi recebido no céu em glória (1 Tm 3:16). Paulo afirma em Filipenses, capítulo 2,
que Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo nome (v. 9). “E assim termi-
nou a história da vida terrena do Senhor Jesus, tendo Ele tido a mais profunda e extraordinária
vida jamais passada à face da terra; o mais puro, o mais poderoso, o mais nobre e justo de todos
os homens, de tal modo que quando pensarmos em grandeza logo nos lembraremos dele”.77
hoje, mesmo que não nos demos conta disso, ele se preocupa conosco: ...intercede por nós (Rm
8:34); está ao nosso lado (Mt 28:20); por isso, tranquilamente entreguem-se aos cuidados de
Cristo, seu Senhor (1 Pe 2:15 – BV).
Em primeiro lugar, sua vinda será visível. Jesus deixou bem claro que a sua vinda será
tão pública e visível como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente (Mt 24:27). Ele
ainda afirma que a sua chegada será percebida universalmente: Todos os povos da terra verão o
Filho do Homem descendo nas nuvens (Mt 24:30, NTLH). Após a ascensão de Jesus, dois anjos
apareceram e anunciaram que o seu retorno à Terra seria de forma visível: Homens da Galiléia,
por que vocês estão aí olhando para o céu? Esse Jesus que estava com vocês e que foi levado para o céu
voltará do mesmo modo que vocês o viram subir (At 1:11, NTLH). Em outras palavras disseram
que o seu advento jamais seria um evento encoberto ou misterioso. Ele partiu de forma visí-
vel, ele voltará de forma visível!
Em segundo lugar, sua vinda será pessoal. Na mesma linha, o apóstolo Paulo declara
também que o Senhor regressará de modo pessoal: Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua pala-
vra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus (I Ts 4:16).
O escritor de Hebreus destaca: assim também Cristo aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que
o aguardam para a salvação (Hb 9:28). O apóstolo João explica: eis que vem com as nuvens, e todo
olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele (Ap 1:7).
O que esses textos têm em comum? Todos reforçam e repetem a mesma questão: haverá um
retorno pessoal do Senhor, isso implica uma vinda literal e visível ao mundo todo, ao mesmo
tempo. As afirmações são muito explícitas, não dando margem à ideia de que a vinda do Se-
nhor acontecerá impessoalmente.
Em terceiro lugar, sua vinda será gloriosa. Sobre seu segundo aparecimento, os evan-
gelhos de Mateus, Marcos e Lucas dizem a mesma coisa: o Filho do homem há de vir na glória
Curso para diáconos e diadonisas da
46 Igreja Adventista da Promessa
de seu Pai, com os seus anjos (Mt 16:27, Mc 8:38 e Lc 9:26). Aparecerá sobre as nuvens do
céu, com poder e muita glória (Dn 7:13, Mt 24:30, Mc 13:26, Lc 21:27, 1 Ts 4:17, 2Ts 1:7-8,
Ap 1:7). Através da sua crucificação e ressurreição, Jesus alcançou vitória sobre o poder dos
governos espirituais malignos, derrotando-os e humilhando-os publicamente (Cl 2:15). Mas
será em seu glorioso retorno que nosso Senhor concretizará a sua vitória! Em sua gloriosa
segunda vinda, sua grandeza e senhorio serão universalmente reconhecidos: todo joelho se
dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai (Fp 2:10-11).
Vencendo vem Jesus! Aleluia!
Em primeiro lugar, Cristo voltará para acertar as contas. A parábola dos dez talentos,
contada por Jesus em Mt 25:14-30, de modo amplo pode ser entendida como uma síntese
da história humana. Assim como os servos da história contada, cada ser humano recebeu de
Deus preciosas oportunidades. Sendo assim, o nosso tempo de vida, quer seja pouco, quer seja
muito, deve ser utilizado ao máximo em função das coisas que não perecem. Hebreus 9:27
afirma: cada pessoa tem de morrer uma vez só e depois ser julgada por Deus. Quando uma pessoa
falece, o “livro da sua vida” é encerrado, e sobre sua história Deus pronuncia seu julgamento.
Saberemos o resultado do julgamento na vinda do Senhor, que diz: comigo está o galardão que
tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras (Ap 22:12).
Em segundo lugar, Cristo voltará para renovar a criação. O efeito da queda de Adão e
Eva recaiu sobre toda a criação de Deus: A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos
filhos de Deus. Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que
a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liber-
dade da glória dos filhos de Deus (Rm 8:19-22). Na volta de Jesus, a velha Terra, que agora existe
com toda a sua violência, pobreza e injustiça, passará (2 Pd 3:7-10; Ap 21:1), pois Deus fará no-
vas todas as coisas (Ap 21:4): Na nova Terra, Deus enxugará dos nossos olhos todas as lágrimas:
Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor. As coisas velhas já passaram (Ap 21:4).
Em terceiro lugar, Cristo voltará para receber a noiva. Na sua primeira vinda, o
Noivo amou a sua Noiva e se entregou por ela. O Noivo fez isso para que na sua volta
pudesse trazê-la para perto de si em toda a sua perfeição, sem máculas e sem defeitos (Ef
5:25-27). Mas, entre a partida e o retorno do Noivo, a Noiva foi espancada, foi perseguida,
foi machucada, foi hostilizada, foi desprezada. Os que se diziam amigos do Noivo tenta-
ram seduzir a Noiva, para depois possuí-la e destruí-la (Jo 3:29). Mas a Noiva não largou o
QUANTO AOS DIÁCONOS... 47
Noivo, até que ouviu o grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro! Fiquemos alegres e felizes! Por-
que chegou a hora da festa de casamento do Cordeiro, e a noiva já se preparou para recebê-lo (Mt
25:6, Ap 19:7). Felizes os que foram convidados para a festa de casamento do Cordeiro!
Nesta parte final do nosso estudo, vamos fazer, ainda que de forma bem resumida, uma
abordagem sobre os ofícios de Jesus. Às vezes a obra de Jesus é vista como uma divisão tripla:
os ofícios de Cristo como profeta, sacerdote e rei.79 Esses eram os três cargos mais importantes
no Antigo Testamento. O profeta revelava; o sacerdote oferecia sacrifícios, orações e louvores
a Deus em favor do povo e o rei governava.80 Cristo preenche os requisitos dessas três funções
ou ofícios. Segundo Grudem, como profeta Ele revela Deus a nós, como sacerdote Ele se ofe-
rece em sacrifício e nos reconcilia com Deus, e como rei Ele governa a Igreja e o Universo.81
Berkhof ainda diz que, como Profeta, Cristo representa Deus para com o homem; como Sacer-
dote, ele representa o homem na presença de Deus; e como Rei, ele exerce domínio e restabe-
lece o domínio original do homem.82
O testemunho dos profetas dizia que o Messias seria um profeta (Dt 18:15-18; Is 42:1 cf.
Rm 15:8). Os evangelhos, em várias ocasiões, apresentam Jesus como profeta (Mc 6:15; Jo
4:19; 6:14; 9:17; Mc 6:4; 1:27).83 Ele mesmo disse que era um profeta, quando seu ministério
não foi recebido em Nazaré (Mt 13:57). Na sua entrada triunfal em Jerusalém, as multidões
disseram que Ele era um profeta (Mt 21:11). Pedro indica Jesus como aquele que foi predito
por Moisés (At 3:22). Em muitas outras passagens Ele é revelado como profeta (Mt 16:14; Lc
9:8, 7:16; Jo 7:40). Jesus é o Cristo-profeta, que ilumina as nações.84
ceu um sacrifício perfeito pelos nossos pecados (Hb 10:4; 9:26; 7:27; 9:12, 24-28; 10:1-2, 10,
12, 14; 13:12). Jesus não era apenas o sacrifício, mas também o sacerdote que o oferecia (Hb
4:14; 9:24). Jesus é o Cristo-sacerdote que se ofereceu como sacrifício pelas nações.85
No Antigo Testamento, o Rei tinha autoridade para governar a nação. Isaías profetizou a
respeito de um governante (Is 9:7). Jesus nasceu para ser o Rei dos judeus (Mt 2:2). Na entra-
da triunfal, os discípulos clamavam, dizendo que Jesus era Rei (Lc 19:38). Jesus disse que se
assentaria num trono glorioso (Mt 19:28). Após a ressurreição, Deus Pai deu a Jesus autorida-
de sobre a Igreja e sobre o Universo (1 Co 15:25). Quando Cristo voltar, Ele será reconhecido
como Rei (Ap 19:16).86 Jesus é o Cristo-rei que governa sobre as nações.87
CONCLUSÃO
Concluímos que Jesus Cristo é 100% Deus e 100% homem, tudo isso em uma só pessoa.
Ele passou por um período de humilhação, na encarnação, morte e sepultamento, mas hoje é
exaltado! Está assentado à destra de Deus Pai e um dia voltará para buscar a sua Igreja. Ainda
dissemos que Cristo trabalhou como profeta, sacerdote e rei. Como profeta Ele revela Deus
a nós, como sacerdote Ele se oferece em sacrifício e nos reconcilia com Deus, e como rei Ele
governa a Igreja e o Universo!
Jesus é o centro da história, soberano, absoluto, dominante sobre tudo e sobre todos, em
todos os tempos! Ele é o eixo da Escrituras! A Bíblia Sagrada não é o livro da história religiosa
da civilização humana, mas a revelação escrita, cujo tema central é o Filho de Deus.88 É tempo
de voltarmos à mensagem mais poderosa do Cristianismo: a mensagem da Cruz (I Cor 1:17-18).
Cristologia nunca será uma matéria fora de moda, no dia em que isso acontecer, a igreja pode
fechar suas portas, porque ela deixará de ser igreja! Como brilhantemente escreveu Paulo:
Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, pois nele foram cria-
das todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias,
poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas
as coisas, e nele tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, que é a igreja; é o princípio e o primo-
85. Ibidem.
86. Grudem (1999:527).
87. Pearlman (2006:169).
88. Lições Bíblicas. São Paulo: GEVC.
QUANTO AOS DIÁCONOS... 49
gênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a supremacia. Pois foi do agrado de Deus
que nele habitasse toda a plenitude, e por meio dele reconciliasse consigo todas as coisas,
tanto as que estão na terra quanto as que estão nos céus, estabelecendo a paz pelo seu sangue
derramado na cruz (Cl 1:15-20).
ECLESIOLOGIA89
INTRODUÇÃO
Mais do que simples tendência, a proliferação das igrejas evangélicas, há alguns anos, já chama
a atenção como fenômeno sociológico. Nos anos 90, o Instituto Superior de Estudos da Religião
(Iser) debruçou-se sobre os números e chegou a uma conclusão de espantar: só no Grande Rio, cinco
novas igrejas surgiam... por semana! E as coisas só aumentaram de lá para cá. Números confiáveis
não existem, mas levantamentos realizados por entidades missionárias apontam para a existência
de cerca de 150 mil templos e casas de culto evangélicas no país. “Hoje, há uma média de 1,5 mil
pessoas por igreja no Brasil”, diz o pesquisador Louranço Kraft, do Serviço para a Evangelização
da América Latina (Sepal). Claro, elas concentram-se nos centros urbanos. Em regiões como a
Amazônia ou o interior do Nordeste, a presença evangélica permanece extremamente rarefeita.91
xaram de engrandecer a Deus para confortar o homem. Isso é preocupante! A cada dia cresce
o número da lista dos que se dizem “ex”-evangélicos, frustrados com as igrejas. Desanimados
com a obra do Senhor e com o Senhor da obra. Mas, por que isso acontece? Mulholland, em
sua análise, chegou à seguinte conclusão: as igrejas estão em crise. “Esta crise é de identidade:
o que é igreja? É possível que tenhamos dedicado tanto esforço em agir como igreja que não
sabemos mais o que é igreja”.92
Por isso, se existe uma matéria que merece a nossa atenção no nosso tempo, mais do que
nunca, é a Eclesiologia. Precisamos voltar o nosso olhar para as Escrituras. Qual o real motivo
para a existência da igreja? Qual a sua missão? O que é igreja? Enquanto não entendermos a
natureza da igreja, não seremos capazes de atuar segundo a vontade de Deus no mundo em
que vivemos. A Eclesiologia, matéria que ora nos propomos a estudar, trata do estudo da natu-
reza, dos propósitos, das características e do futuro da Igreja de Cristo. Por isso, abra o seu en-
tendimento para a Palavra do Senhor! A Igreja precisa de reavivamento e ele deve ser bíblico!
Definir igreja não é tarefa fácil, mas é preciso. Por isso, nesta parte, iremos apresentar a
definição, a visibilidade, o alcance, a distinção e a sublimidade da Igreja de Cristo.
Jesus foi o primeiro a fazer uso dessa palavra no Novo Testamento. Brow diz que ela deriva
de um outro termo grego: Ek-kaleo. Este último era empregado para a convocação do exército
para reunir-se.95 Na “Septuaginta”,96 a palavra ekklesia ocorre cerca de 100 vezes! Ela é usada
como principal substituta para a palavra hebraica qahal, que provavelmente se relaciona com
qol, “voz”, e significa uma convocação para uma assembleia, uma reunião para revista.97 Nesse
sentido,o termo Ekklesia é usado para se referir às multidões de modo geral (Gn 49:6; Nm
22:4) como também quando se refere à “assembleia dos israelitas perante Deus para ouvir a
lei, confessar pecados, mostrar arrependimento e renovar a aliança (Dt 4:10, 33; Js 8:33-35;
Jz 20:1 e 2; 1 Cr 28:8; 2Cr 20:5; 23:3; 29:20-31; Ne 8)”.98
Considerada do ponto de vista de quem a vê, a igreja cristã é classificada em: igreja invisível
e igreja visível. Mas como assim? Vamos por partes, primeiro vejamos o que é a igreja invisível.
Em um dos seus aspectos, a Igreja de Cristo é chamada de invisível “porque é essencialmente es-
piritual e, em sua essência espiritual, não a pode discernir o olho humano; e porque é impossível
determinar infalivelmente quem não lhe pertence”;99 corrobora com isso o fato das bênçãos da
salvação, tais como a regeneração, conversão, fé verdadeira e a comunhão espiritual, serem invisí-
veis. Agora, “a igreja visível é a igreja como o homem a vê...”.100 (cf. 1 Sm 16:7b; 1 Rs 8:39b). Como
a maneira de ver do homem nem sempre coincide com a maneira de ver de Deus, concluímos que,
neste caso, somente o Senhor conhece os que são seus (2 Tm 2:19), de fato, porque ao contrário do
homem, que julga pela aparência externa, Deus vê e conhece o que está no interior de cada pessoa.
É comum classificar-se a igreja, quanto ao seu alcance, em dois tipos: universal e local. A
igreja universal é constituída por todos os fiéis cristãos de todos os tempos e lugares, inde-
pendentemente de estarem ou não reunidos em algum local. Quando o Novo Testamento se
refere à igreja no seu sentido universal, emprega o termo “igreja” no singular (1 Co 10:32; At
20:28).Todavia, Igreja local é o nome que damos a um agrupamento de cristãos circunscri-
tos a uma determinada área geográfica. Para distingui-la da universal, o Novo Testamento
normalmente usa o termo no plural, como nos exemplos seguintes: 1 Co 11:16; cf. At 9:31;
15:41; 16:5; 1 Co 14:33 e Ap 2:11. Advertimos, porém, que o fato de usarmos designações
diferentes não significa que estamos nos referindo a duas igrejas, mas a dois aspectos dife-
rentes da mesma igreja. Lembremo-nos também de que o termo “igreja” não deve ser apli-
cado ao templo, mas aos que nele se reúnem.
A igreja pode ser uma instituição ou um organismo, dependendo da maneira como for
considerada. Há distinção entre instituição e organismo, mas a distinção aí existente difere
da que fazemos, por exemplo, entre igreja visível e igreja invisível. Trata-se de dois aspectos
diferentes da igreja visível, pois, dependendo da maneira como for considerada, a igreja
pode ser tanto uma instituição como um organismo. “Sociologicamente, é ingenuidade di-
zer que a igreja não é uma instituição em nenhum sentido. Qualquer padrão de comporta-
mento coletivo que se torna habitual e costumeiro já é uma instituição”.101 Quando vemos
a igreja como um organismo, destacamos principalmente o seu funcionamento, através dos
ofícios que Deus instituiu. Tanto a igreja-instituição como a igreja-organismo têm o seu
pano de fundo na igreja invisível. A igreja como organismo é a união ou comunhão dos fiéis,
unidos pelo vínculo do Espírito, enquanto a igreja como instituição é a mãe dos fiéis, um
instrumento de salvação, uma agência para a conversão dos pecadores e para o aperfeiçoa-
mento dos santos (1 Co 12:12, 14, 25-28).102
A igreja tem muito valor para Deus. Veja o que Paulo afirmou nesse sentido em Efésios:
...Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, a fim de santificá-la, tendo-a purificado
com o lavar da água, pela palavra, para apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem man-
cha, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, mas santa e irrepreensível (5:25-27 – grifo nos-
so). A palavra “gloriosa” (gr. eudoxon) nesse versículo pode ser uma alusão ao belo vestido de
uma noiva, visto que essa palavra é usada para se referir a roupas. Entretanto, aqui significa
mais do que isso. John Stott diz que a palavra grega doxa é o irradiar de Deus, o brilho e a
manifestação do seu ser. Assim também é a natureza da verdadeira igreja. Hoje a igreja está
na terra, em trapos e farrapos, manchada e feia, desprezada e perseguida. Mas, um dia,
porém, será vista como ela é! Nada menos do que a noiva de Cristo, “sem mácula, sem ruga,
sem qualquer deformação”, bela e gloriosa.103
É com essa finalidade que Cristo tem trabalhado e continua trabalhando na igreja,
a fim de apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa. A igreja é um povo chamado para
ser semelhante a Cristo (Rm 8:29). Essa é sua identidade. Deus a criou e a valorizou,
dando-lhe esse alto e sublime propósito. 104 Podemos afirmar isto por pelo menos mais
três razões:
Em primeiro lugar, a Igreja de Cristo é sublime porque tem um dono incomparável. Não é cor-
reto associar o nome da igreja ao de uma pessoa humana qualquer, por mais célebre que seja
essa pessoa; também não se deve confundi-lo com uma denominação religiosa. A igreja é o
corpo de Jesus Cristo e ele mesmo é a cabeça desse corpo (Ef 1:22-23). Somente Cristo deve
ser honrado pelo que fez e continua fazendo pela igreja. Ele é o dono da igreja. Foi ele quem se
sacrificou por ela: Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa
semelhante, mas santa e irrepreensível (Ef 5:27).
Em segundo lugar, a Igreja de Cristo é sublime porque tem um preço incalculável. O apóstolo
Pedro diz: Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados
da vossa maneira de viver que por tradição recebestes dos homens, mas com o precioso sangue de
Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado (1 Pe 1:18-19). Por isso Cristo, que a
comprou com o seu próprio sangue, a constituiu como a responsável pela disseminação do
conhecimento de Deus no mundo, pois só ela sabe quanto é preciosa aos olhos daquele que
a resgatou (Ef 3:7-12).
Em terceiro lugar, a Igreja de Cristo é gloriosa porque tem um segredo admirável. Uma das
coisas que tornou a igreja uma instituição confiável foi o fato de Deus lhe ter feito compre-
ender os mistérios do seu reino, constituindo-a como despenseira desses mesmos mistérios.
Portanto, a compreensão e a comunicação desse segredo fizeram da igreja uma instituição
gloriosa. Paulo fala do papel que lhe coube como parte desse corpo, sobretudo em relação ao
mundo gentio, para que pudesse demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério que desde
os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou (Ef 3:8-12).
-la através da perseguição (At 4:1-31), da corrupção (At 5:1-11) e da distração (At 6:1-4).105
Desses três, o mais astuto ataque foi o último: o da distração. Se conseguisse distrair os
apóstolos com a ação social, que não era o foco da sua missão, eles descuidariam do minis-
tério da Palavra e deixariam a igreja sem defesa contra as heresias. Ainda hoje, a igreja corre
este risco: deixar de lado sua missão e começar a fazer o que é preciso, mas não vital. Mas
qual é, então, a missão ou propósito da Igreja de Cristo? De acordo com a Bíblia Sagrada, a
igreja existe por pelo menos cinco razões.
Adorar a Deus é a maior missão da igreja! A adoração precede qualquer outra missão.
A Bíblia mostra, de forma muito clara, que essa é a principal finalidade da igreja. Tudo o
que ela faz deve fazê-lo de forma que em todas as coisas Deus seja glorificado (1 Pe 4:11 –
NVI). A adoração precede qualquer outra missão da igreja porque é o que move os crentes
a fazerem o que Cristo lhes ordenou. Não evangelizamos, não ensinamos, não ofertamos,
não amparamos os necessitados, sem que, primeiramente, tenhamos a consciência de
que servimos a um Deus que merece nosso amor e nos capacita a servi-lo, e sem que te-
nhamos um coração desejoso de glorificá-lo. É essa consciência da pessoa de Deus e esse
sentimento a respeito dele que nos movem a ofertar-lhe nosso serviço. Isso vem antes de
tudo e se chama adoração.
Nas palavras de Grudem, adoração “é a atividade de glorificar a Deus em sua presença
com nossa voz e com nosso coração”.106 Existem pelo menos duas maneiras pelas quais cum-
primos essa missão. Em primeiro lugar, a igreja deve adorar a Deus de maneira contínua. A Palavra
de Deus nos ensina que o nosso culto deve ir além das paredes do templo, deve ser contínuo,
a exemplo da adoração de Davi, que disse: Bendirei ao Senhor em todo o tempo, o seu louvor es-
tará sempre nos meus lábios (Sl 34:1 cf. Cl 3:16). Em segundo lugar, a igreja deve adorar a Deus de
maneira agradecida. Um aspecto importante da adoração da igreja: precisa ser oferecida com
gratidão. Observe o texto: ... louvando a Deus, com salmos e hinos e cânticos espirituais, com gra-
tidão, em vossos corações (grifo nosso).
Em adoração, os servos de Deus, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, sempre
mostraram reconhecimento pela pessoa de Deus e por seus feitos (cf. 1Cr 16:8,34; 2Cr 20:21;
Sl 7:17, 30:4, 35:18, 50:14, 52:9, 57:9, 92:1; Is 51:3; Mt 11:25; Lc 2:38; Rm 1:21, 7:25), porque
sabiam que a gratidão é agradável a Deus e a ingratidão é por ele reprovada. Deus, por ser Se-
nhor de tudo e Senhor das nossas vidas, merece nossa gratidão.
A Igreja de Cristo tem a missão de proclamar o evangelho: Jesus disse: Ide por todo o
mundo, e pregai o evangelho a toda criatura (Mc 16:15). A proclamação do evangelho é missão
da igreja! Isso é tão importante que as palavras usadas para “pregação” no Novo Testamento
se repetem mais de 115 vezes! Essa tarefa também é chamada de “evangelizar”. Mas o que é
isso? Em muitas igrejas, esse verbo perdeu seu verdadeiro e bonito significado. Evangelizar
é “apresentar Jesus Cristo no poder do Espírito Santo, de tal maneira que os homens pos-
sam conhecê-lo como Salvador e servi-lo como Senhor, na comunhão da igreja e na vocação
da vida comum”.107
É importante ressaltar que a Bíblia não manda a igreja “converter” o mundo, isso não
é tarefa sua, o fruto da evangelização vem de Deus. Todavia, a Bíblia é clara em dizer que a
igreja tem de “proclamar as boas novas” incansavelmente. A evangelização era um dos pontos
fortes da Igreja primitiva. Eles obedeceram à ordem de Jesus de proclamar o evangelho e por
isso todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que iam sendo salvos (At 2:47). A Igreja
atual também precisa ser uma proclamadora das boas novas, onde estiver: Como um perfume
que se espalha por todos os lugares, deixemo-nos ser usados por Deus para que Cristo seja conhe-
cido por todas as pessoas (2 Co 2:14 – NTLH).
pela santificação tanto quanto pela conversão...”.109 É missão da igreja nutrir os salvos para
que sejam verdadeiros discípulos de Cristo! A pregação é o ministério do recrutamento e o
ensino, o ministério do amadurecimento.110
Glória a Deus porque esta vida não é tudo o que nos resta! Existe algo mais. Paulo es-
creveu: A nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o Salvador, o
Senhor Jesus Cristo (Fp 3:20); Pedro também: ...portem-se com temor durante a jornada terrena
de vocês (I Pe 1:17b). Caminhamos nesta terra com uma esperança: ...em breve, muito em breve,
“Aquele que vem virá...” (Hb 10:37). A Igreja de Cristo precisa constantemente alimentar essa
esperança. Às vezes nos envolvemos tanto na evangelização, na edificação, na compaixão, que
até perdemos de vista o regresso do noivo da Igreja. A Igreja Adventista da Promessa não é
adventista por acaso. Acreditamos no advento! Esperamos o advento! Anunciamos o advento!
Jesus voltará! Amém. Vem, Senhor Jesus! (Ap 22:20).
O que faz com que uma igreja possa ser assim chamada e, de fato, ser uma igreja? O que é ne-
cessário para existir uma igreja? Não há dúvida de que a Bíblia deixa bem claro que existem falsas
igrejas (1 Co 10:20; 12:2; Ap 2:9; 3:9).114 A pergunta então é: como podemos saber se uma igreja
é verdadeira? Quais são as características distintivas de uma igreja? Em primeiro lugar, a
Igreja de Cristo tem a sua missão fundamentada na Bíblia. Como já tratamos dos propósi-
tos da igreja no tópico anterior, não os mencionaremos aqui. Nesta parte do nosso estudo,
veremos outras características peculiares da igreja, a saber: a unidade, a pureza, o poder, os
oficiais e as ordenanças da Igreja de Cristo. Todas essas marcas estarão presentes na verda-
deira Igreja de Cristo.
A unidade sempre foi um grande desafio para a Igreja de Cristo! Isso em virtude de
sermos tão diferentes uns dos outros. Tanto é assim que esse tema recebeu grande ênfase
no Novo Testamento. O próprio Jesus, em sua oração sacerdotal, focou suas petições na
unidade da igreja (Jo 17:1-16). Todavia, entre os autores sagrados, é Paulo quem mais
aborda o assunto. Em sua carta aos Efésios, capítulo 4, versículos 1 a 16, ele nos ensina a
andarmos em unidade: Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno
da vocação a que fostes chamados (Ef 4:1). Esse não é um apelo à coletividade, mas para cada
membro em particular. Paulo nos chama a reconhecermos, individualmente, nossa parte
no corpo de Cristo, mostrando que cada um precisa e deve contribuir para a construção e
preservação da unidade da igreja.
O apóstolo está nos convocando a entrar numa “luta pela paz” e, para isso, ele nos apre-
senta as armas necessárias. Que armas são essas? Paulo nos mostra que o que sustenta a uni-
dade da igreja não são os métodos humanos, mas os princípios da Palavra de Deus. Sem Bíblia,
a unidade é falsa! Como uma casa, ela deve ser construída em cima e em torno de bases sóli-
das, ao contrário, ela cairá! O que nos une como igreja? Quais as colunas que sustentam nossa
unidade? Paulo cita sete: um só corpo, um só Espírito, uma só esperança, um só Senhor, uma
só fé, um só batismo e um só Deus e Pai (Ef 4:4-6). Esses são os elementos básicos que unem
todos os cristãos verdadeiros! Observe que três desses elementos fazem alusão às pessoas da
Trindade e os quatro restantes referem-se ao nosso relacionamento com as pessoas divinas.115
“O Espírito Santo é o agente da unidade; o Filho é Aquele em quem nós estamos unidos; o Pai
é Aquele cujos propósitos são expressos por meio da unidade do corpo”.116
A unidade da igreja é algo possível! Porém, não é algo fácil! Só é possível no poder de Cris-
to. Ela não acontece automaticamente. Precisamos nos esforçar em amor para sermos unidos.
Mas vale a pena o esforço. Como diz o salmista: Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os
irmãos! (Sl 133:1). Essa é a primeira característica distintiva da Igreja de Cristo: sua unidade.
O próprio Jesus disse que um reino dividido não pode subsistir (Lc 11:17). A tendência humana é
criar facções e limitar a unidade que Cristo almeja para a sua igreja.117 Estejamos atentos! Que
todos nós sejamos unidos no mesmo pensamento e no mesmo parecer (1 Co 1:10).
Além da unidade, uma segunda característica da verdadeira Igreja de Cristo é sua pureza.
A igreja precisa e deve ser santa. A Igreja de Cristo deve zelar por sua pureza. A Bíblia está
repleta de imperativos nesse sentido. No Antigo Testamento, a palavra “santo” e todos os
seus correlatos, tais como: “santidade”, “santificação”, “santificado”, “santificar”, “santíssimo”
aparecem quase quinhentas vezes. Santidade é a qualidade mais usada para descrever a fé em
Deus e também é a qualidade mais repetidamente enfatizada no que diz respeito à natureza
divina.118 (cf. Lv 19:2; 20:26; Is 6:3; Sl 99:3,5,9; Os 11:9; Am 4:2).
Já no Novo Testamento, o número de vezes que a palavra “santo” e seus correlatos se
repetem é bem menor, mas um tanto quanto significativa: mais de duzentas vezes! E ao exa-
minarmos as passagens referentes ao assunto, descobriremos que a santificação pessoal é en-
carada como uma exigência para o povo de Deus. A igreja deve buscar continuamente a santi-
dade, a pureza. Destacamos dois textos a seguir.
O primeiro deles, e talvez o mais enfático dentre os dois, é o texto de Hebreus 12:14. Nele
lemos: Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor. Essa passagem
é muito clara quanto à necessidade absoluta de santidade. A palavra “segui” é uma palavra
enfática e expressa algo do esforço, da determinação na perseguição da caça.119 Esse verbo
está no modo imperativo, ou seja, é uma ordem! Segundo o texto, duas são as virtudes que
devem ser buscadas e entre elas está a santificação. Santificação pessoal “não é algo opcional
ou extra na vida cristã, mas algo que pertence a sua essência”.120 Sem a santificação “ninguém
verá o Senhor”, diz o texto, afinal, Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santificação
(1 Ts 4:7). Lembremo-nos sempre: Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para a
santificar (Ef 2:25b-26a).
Um segundo texto que merece destaque nesta abordagem é o texto de 1 Pedro 1:15-
16,onde lemos o seguinte: Como é santo aquele que vos chamou, sede também santos em toda a
vossa maneira de viver, porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo (1 Pe 1:15-16).
Com base nesse texto podemos elencar pelo menos duas razões pelas quais a santidade deve
ser buscada pela igreja:121 em primeiro lugar, devemos ser santos por causa da “santidade di-
vina”: Como é santo aquele que vos chamou..., e em segundo lugar, por causa da “ordem divina”:
sede também santos.
Observe que tanto no texto de Hebreus 12:14, “segui”, quanto no texto de 1 Pedro 1:15-
16, “sede”, a santidade não é encarada como opcional ou como um convite, mas sobretudo
como uma ordem, uma exigência de Deus, um mandamento. É bom lembrar também que no
versículo 16 de 1 Pedro, capítulo 1, o apóstolo utiliza o texto de Levítico 11:44 e 19:2 para
mostrar que o povo de Deus sob o novo pacto “deve ter o mesmo padrão de santidade que
obedecia quando ainda estava sob o antigo pacto”.122
Vimos que a igreja precisa ser santa, mas quem é que deve lutar pela santidade e pureza
da igreja? A resposta é: todos! Não é só o pastor. Todos precisam trabalhar e batalhar diligen-
temente pela pureza da igreja da qual são membros (1 Co 5:7; Gl 6:1-2, 10). Muitos, porém,
ignoram completamente essa responsabilidade espiritual. Outros tratam ligeiramente do as-
sunto. Outros ainda lidam com o assunto da impureza só depois de criado um escândalo que
não pode ser ignorado (1 Co 5:1), só depois que o fermento já levedou ou já fermentou toda a
massa (1 Co 5:6). Lutemos pela pureza da igreja!
Até agora vimos que a unidade e a pureza são características distintivas da igreja. Agora,
vejamos mais uma: o seu poder. “Quando olhamos para os governos do mundo e para outras
organizações educacionais e empresariais que possuem influência, e então consideramos nos-
sas igrejas locais, ela pode parecer-nos fraca e ineficiente”,123 mas não é! A Igreja do Senhor é
poderosa. Nós somos fortes! Entretanto, para não se corromper, a igreja precisa saber de onde
vem o seu poder, qual a origem da sua força. Será que o poder da igreja vem do Estado? Da
instituição? É bélico? Político? Secular? Cerimonial? É certo que não, nenhuma dessas alter-
nativas está correta. A Bíblia Sagrada tem a verdadeira resposta para essa pergunta. Vejamos
a fonte, a natureza e a finalidade do poder da igreja.
Em Mateus, capítulo 16, versículos 18 e 19, na primeira menção que Jesus fez à igreja, ele
prometeu capacitá-la com poder. Ele disse: ...edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não po-
derão vencê-la. Eu lhe darei as chaves do reino dos céus... As “chaves”, mencionadas nesse versículo,
são símbolo de poder (cf. Is 22:15-22). “Jesus Cristo não somente fundou a igreja, mas também
a revestiu do necessário poder e autoridade”.124 Não são as autoridades civis que conferem poder
à igreja. O poder da igreja não vem de baixo (da terra), ele vem de cima (do céu, de Deus). Jesus,
antes de ser ascenso aos céus, disse: ficai na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder (Lc
24:49). A Igreja de Cristo não é de “esquerda” e nem de “direita”, ela é do alto! Falando para a igreja
de Éfeso, Paulo alertou: No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder (Ef
6:10 – grifo nosso). A igreja deve sempre se lembrar de que a fonte do seu poder está no Senhor.
Como é o poder da igreja? Como são as armas que devem ser usadas pela igreja? A Bíblia
responde: ...embora vivamos como homens não lutamos segundo os padrões humanos. As armas
com as quais lutamos não são humanas, ao contrário, são poderosas em Deus (2Co 10:3-4 – NVI).
As armas da igreja não são físicas, mas espirituais. A igreja não anuncia o reino de Deus ar-
mada com espadas, mas pelo poder de Deus. O poder da igreja é espiritual. Ninguém deve ser
levado a fazer parte da igreja ou acreditar naquilo que ela acredita à força, de maneira repres-
siva, mas pelo poder do Espírito Santo.
Veja que Paulo admite, no texto de 2 Coríntios 10:3-4, que ele vive no mundo, entretan-
to, “não luta contra o mundo pecaminoso aplicando padrões do mundo; ele luta segundo os
padrões que Deus estabeleceu”.125 Jesus disse, em mais de uma ocasião, que a administração
do seu reino aqui na terra envolve um poder espiritual e não civil (Lc 12:13; Mt 20:25-28; Jo
18:36-37). A igreja, que somos nós, está no mundo, mas não é dele. “Nós não temos cidade
permanente aqui; a igreja não pode ser identificada com os reinos deste mundo (Hb 13:14)”.126
A igreja é governada com medidas espirituais e não físicas (Mt 16:19; Ap 3:7).
Já vimos, até agora, que o poder da igreja vem de Deus, e que é espiritual e não físico.
Agora, veremos para que serve o poder da igreja. É preciso meditar seriamente nisso. Será
que Deus capacitou a igreja para acabar com a fome no mundo ou tomar o lugar da ONU e
resolver o conflito entre as nações? É certo que não! Na época de Jesus, os judeus esperavam
um Messias que os libertasse da dominação romana, mas ele não fez isso. Jesus não reuniu os
judeus para se oporem aos romanos, e muito menos esvaziou as prisões da Palestina.127 Para
que serve, então, a força da igreja?
Depois de dizer que o poder da igreja é espiritual, Paulo informa o objetivo desse poder:
... para derrubar as fortalezas do diabo (2 Co 10:4b – BV). A verdadeira luta da igreja não é contra
seres humanos, mas (...) contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais (Ef 6:12 – NVI). A
igreja precisa enxergar além do que é visível. Nossa luta não é contra os meios de comunica-
ção, contra o governo; a luta da igreja do passado não foi contra o comunismo.128 Sendo assim,
o objetivo da força da igreja é “livrar os homens da escravidão espiritual, infundindo-lhes o
conhecimento da verdade, cultivando neles graças espirituais, e elevando-os a uma vida de
obediência aos preceitos divinos”.129
estava limitada ao tempo quando a Igreja primitiva foi fundada. Entretanto, os dois outros, os
ofícios de presbítero e diácono, continuaram por toda a história da igreja.131 Tanto os presbíte-
ros quanto os diáconos eram ordenados com imposição das mãos (At 6:6; 1Tm 5:22). Vejamos.
Representam uma categoria de servidores que, de acordo com 1 Timóteo 3:10-13, devem
ser primeiramente provados para servirem depois, se forem achados irrepreensíveis. Enquan-
to os presbíteros lidam primeiramente com as necessidades espirituais, os diáconos, ou diaco-
nisas, lidam com as necessidades materiais das igrejas.132
3.4.2. O Presbítero
3.4.3. O pastor
No Novo Testamento, a composição das igrejas locais era bem simples: diáconos e presbí-
teros. Estes últimos, os presbíteros, também eram chamados de bispos ou pastores (At 20:17,
28). Esses três termos eram sinônimos. Ao que parece, também nas igrejas do Novo Testamen-
to existia um grupo de presbíteros que desempenhavam suas funções na igreja em período in-
tegral e recebiam por isso, enquanto que outros serviam a Deus e continuavam com suas ocupa-
ções normais (1 Tm 5:17-18). Em todo caso, como é uma questão apenas relacionada a títulos, a
Igreja Adventista da Promessa chama os presbíteros que são responsáveis por uma igreja, quer
assalariado ou não, de “pastor”, termo também usado para se referir a líderes da igreja.
3.4.4. A Missionária
131. Ibidem.
132. Newton (2007:34).
133. Doutrinal (2000:77).
QUANTO AOS DIÁCONOS... 63
3.5.1. O Batismo
O batismo também é uma ordenança de Cristo a sua igreja. Ele disse: Ide, portanto, fazei
discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensi-
nando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado (Mt 28:19-20). A palavra “batismo”
vem do grego baptizo, que significa: imergir, mergulhar.134 Esse vocábulo era usado antiga-
mente para descrever a imersão de tecidos nos corantes e o ato de submergir uma vasilha, a
fim de enchê-la de água. Entretanto, podemos concluir que o significado mais evidente, a ser
aplicado ao batismo cristão, é “imergir”. Esse significado enquadra-se perfeitamente no sim-
bolismo empregado por Paulo, ao se referir ao batismo (Rm 6:3-4; Cl 2:12). Portanto, a Igreja
Adventista da Promessa acredita no batismo por imersão e o pratica em nome da Trindade,
conforme ensinado por Cristo.
3.5.2. O Lava-pés
Era costume que os pés fossem lavados antes da refeição, contudo, lavar os pés de
alguém era ato muito humilhante, somente o mais inferior dos escravos podia fazê-lo135.
Não havendo um escravo para executar tal tarefa, os discípulos poderiam lavar os pés uns
dos outros, mas seus corações orgulhos os impediam. Ao contrário, à mesa eles disputa-
vam entre si quem era o maior (Lc 22:24). Precisavam encarecidamente de uma lição de
humildade! E o Mestre lhes ensinou. De repente, Jesus se levantou da mesa, tirou a capa,
cingiu-se com uma toalha e foi fazer o trabalho de um escravo. 136 Passou a lavar e enxugar
os pés dos discípulos (Jo 13:4-5).
Que bela lição! Num simples gesto, o Mestre ensinou humildade, igualdade, amor fra-
ternal e serviço cristão (v. 14-17), e nisso ele é o maior exemplo, sendo o padrão da conduta
cristã 137 (Fl 2:1-11). E, depois de lavar os pés dos seus discípulos, Jesus passou a explicar-lhes
o que acabara de fazer e o que queria lhes ensinar. Então, deu-lhes este mandamento: Ora,
se eu, sendo Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros (Jo
13:14). O lava-pés é uma ordenança de Cristo a sua igreja e deve ser praticado por nós hoje
(vv.13-17). Embora seja um ato distinto da ceia, está fortemente ligado a ela. Note que foram
instituídos por Jesus na mesma noite. Um é preparação para o outro.
Além do lava-pés, Jesus instituiu a ceia do Senhor propriamente dita. A igreja verdadeira pre-
cisa praticá-la. De acordo com a Palavra de Deus, ela foi ministrada com dois elementos simples:
o pão e o vinho (suco de uva). Qual o significado ou simbolismo deles? Jesus deixou isso claro: Ele
tomou o pão e depois de ter dado graça, partindo-o, deu-o aos seus discípulos, dizendo: Isto é o
meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim (Lc 22:19). Em seguida fez o mesmo com
o cálice e disse: Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós (Lc 22:20).
Os componentes da ceia do Senhor apontam para a cruz de Cristo e os seus significados
estão centrados na morte expiatória e no sacrifício dele138. O pão simboliza seu corpo que foi
ferido por nós. O cálice simboliza seu sangue derramado no Calvário. Ela é um memorial! Dis-
se Jesus: ...façam em memória de mim (Lc 22:19). Cada vez que a celebrarmos, devemos pensar
em Cristo, pensar em tudo que ele fez por nós e pela fé nos apropriarmos dessas bênçãos. Ela
não é simplesmente uma refeição compartilhada pelos homens; é a comunhão com o próprio
Cristo, em sua presença e sentados à sua mesa.139
Qual será o destino da Igreja de Cristo? A matéria que estuda os acontecimentos relacio-
nados ao futuro da igreja, com detalhes, se chama “Escatologia”. Aqui faremos apenas uma
abordagem, de maneira geral, mostrando que a Igreja de Cristo, de acordo com a Bíblia, terá
um final feliz. Para nossa abordagem, tomaremos por base o texto de Apocalipse 19, versículos
do 7 ao 9, que diz: Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe glória, porque são chegadas as bodas do
Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplan-
decente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos. Então, me falou o anjo:
Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E acrescentou:
são estas as verdadeiras palavras de Deus.
Conforme já estudamos, a noiva é uma das imagens atribuídas à Igreja de Cristo. Na
cultura dos hebreus, um casamento ocorria basicamente em duas fases: o noivado e o casa-
mento140. O noivado se iniciava com um compromisso sério firmado entre os pais dos noivos.
Daquele momento em diante, mesmo sem ter nenhuma intimidade, eles já eram considerados
legalmente casados. “Qualquer infidelidade durante o noivado era considerada adultério”. 141
Só depois de certo tempo é que ocorria o casamento propriamente dito, quando o noivo ia,
em procissão, até a casa da noiva e a levava para a casa dele e lá ocorria um grande banquete.
É essa a imagem que a Bíblia usa no texto em estudo (Ap 19:7-9).
Veja como o texto começa: Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe glória, porque são chegadas
as bodas do Cordeiro... (Ap 19:7a). Os verbos “alegrar” e “exultar” no original comunicam a ideia
de “ser feliz” e “regozijar-se exuberantemente”.142 Eles aparecem juntos somente mais uma vez
na Bíblia: Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram
os profetas que viveram antes de vós (Mt 5:12). Nas duas citações, a mensagem é a mesma: os
dias podem ser difíceis e escuros, o rosto pode estar molhado de lágrimas, mas ainda não é o
fim. Dias melhores virão! Alegre-se, o Noivo está chegando!
Cristo está voltando para buscar a sua noiva, que é a Igreja. Esse será o dia mais feliz do mun-
do! Sabemos que, ao redor do mundo, em meio a diversas culturas e muitas gerações, encontramos
costumes diferentes em torno do casamento, contudo, independente do tempo e do lugar, há um
sentimento sempre presente nessa festa. Sabe qual é? É a alegria! Será assim também nas bodas do
Cordeiro. A festa de um casamento judaico poderia demorar muitos dias, mas a do casamento de
Cristo com a Igreja permanecerá por toda a eternidade, numa alegria que nunca se acaba!143
Em conclusão, o anjo acrescentou: São estas as verdadeiras palavras de Deus (Ap 19:9b).
Diante das constantes aflições que a Igreja enfrenta aqui na terra, a cena descrita por João
poderia lhe parecer uma “miragem no deserto” ou “um sonho utópico”. Mas o mensageiro ce-
leste faz questão de lembrar-lhe que tudo aquilo é uma promessa de Deus e que ele é fiel para
cumprir as suas promessas144. O próprio Deus declarou isso (Ap 19:9b – BV). A promessa de sua
vinda é repetida, só no Novo Testamento, mais de 300 vezes145. É a maior certeza cristã!
Portanto, podemos confiar: o Cordeiro não esqueceu sua noiva, e logo ele virá para buscá-
la. Ele mesmo disse: Não fiquem aflitos. Creiam em Deus e creiam também em mim (...) e eu vou
preparar um lugar para vocês (...) voltarei e os levarei comigo para que onde eu estiver vocês estejam
também (Jo 14:1-3 – NTLH). Que esperança maravilhosa! Estaremos nas bodas do Cordeiro,
portanto, alegremo-nos, exultemos e demos-lhe glória... (Ap 19:7). Os descrentes podem até de-
bochar das promessas de Deus, mas o Senhor quer que seu povo saiba que pode confiar nelas!
CONCLUSÃO
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