08/04/2024
INTRODUÇÃO AO
ESTUDO DO DIREITO
KELSEN, Hans. Teoria do Direito e do Estado
Direito e Justiça – a conduta humana como objeto de
regras
■ O direito é uma ordem da conduta humana
■ Uma ordem é um sistema de regras
■ Conjunto de regras = unidade = sistema
■ Relações que concatenam as regras específicas de uma ordem jurídica
■ Direito = ordem da conduta humana
■ Regra = assassinato = delito > morte como efeito
■ Morte em si não é um conduta humana = processo fisiológico
■ Os fatos que não fatos da conduta humana – fazem parte do conteúdo de
uma regra jurídica
Direito e Justiça – a conduta humana como objeto de
regras
■ Os fatos (naturais) apenas fazem parte do conteúdo jurídico,
quando relacionados com a conduta humana (condição ou
efeito).
■ Isso se aplica apenas ao direito dos povos civilizados
■ Direito primitivo: animais, plantas e objetos inanimados são
tratados como seres humanos, sendo punidos.
■ Diferença fundamental – seres humanos e outros seres =
perspectiva do homem civilizado, não existem para o homem
primitivo.
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Direito e Justiça – definição científica e definição política
de direito
■ Definição do conceito de direito: os fenômenos jurídicos apresentam
uma característica que os distinguem de outros fenômenos similares?
■ Direito: uso mais amplo do termo – um conceito com alcance mais
amplo é preferível em relação a mais restrito
■ Exemplo: o conceito de ordem jurídica pode incluir critérios de
liberdade pessoal e propriedade privada.
■ Resultado: as ordens sociais soviética, nazista e fascista seriam
ordens jurídicas.
■ O conceito aberto demonstra como a ordem política influencia o
direito.
■ O conceito de direito é elaborado para corresponder a um ideal
específico de justiça = democracia e liberalismo.
Direito e Justiça – definição científica e
definição política de direito
■ O conceito de direito não tem conotações morais, ele
designa uma perspectiva técnica específica de
organização social.
■ O problema do direito (ciência do direito) é um
problema de técnica social, mão moral.
■ Direito e Justiça são dois conceitos diferentes. O direito
considerado distinto da Justiça é o direito positivo.
Direito e Justiça – O conceito de direito e a ideia de
Justiça
■ Libertar o conceito de direito da ideia de justiça é difícil
■ Essa confusão corresponde à tendência ideológica de dar
aparências de Justiça ao Direito Positivo = justificar uma dada
ordem social.
■ É tendência política, não científica.
■ Uma teoria pura do direito – uma ciência – não pode responder
se uma ordem social é justa.
■ Ordem social justa, o que é?
■ Justiça é a felicidade social.
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Direito e Justiça – definição científica e definição
política de direito
■ A justiça como um julgamento subjetivo de valor
■ Não pode existir uma ordem social justa, que proporcione
felicidade a todos, caso o conceito de felicidade seja
individualizado.
■ A felicidade que uma ordem social é capaz de assegurar, pode
ser apenas de caráter coletivo. Reconhecida pela autoridade
social ou legislador (alimentação, vestuário, moradia).
■ Quais são as necessidade humanas básicas e qual sua ordem
de importância? A resposta não é de cognição racional, é
julgamento de valor.
■ Um julgamento de valor é a afirmação que declara algo como
um fim, um objetivo último. Este julgamento é determinado por
fatores emocionais.
Direito e Justiça – definição científica e definição política
de direito
A justiça como um julgamento subjetivo de valor
■ Os julgamentos de valor são subjetivos e, portanto, relativos.
■ Muitos indivíduos concordam em seus julgamentos de valor.
■ Um sistema positivo de valores não é uma criação arbitrária de
indivíduo isolado, é resultado de influências em grupo.
■ O fato de haver valores geralmente aceitos dentro de certa
sociedade não contradiz o caráter subjetivo e relativo destes
julgamentos de valor.
■ Que muitos indivíduos concordem com julgamentos de valor
não é prova de sua correção.
■ O critério de justiça, como o critério de verdade, não depende
da frequência com que são feitos julgamentos sobre a realidade
ou julgamentos de valor.
Direito e Justiça – definição científica e
definição política de direito
Direito natural
■ Cada pessoa ou grupo tende a apresentar seu próprio conceito
de justiça como sendo o único correto, o único absolutamente
válido.
■ A necessidade de justificação racional de nossos atos
emocionais é tão grande que buscamos satisfazê-las mesmo
correndo o risco de autoilusão.
■ A autoilusão se assemelha à ideologia.
■ As ideologias ligadas ao direito natural afirmam que o
ordenamento da conduta humana provém da natureza.
■ A vontade de Deus é idêntica à natureza, para o direito natural.
A natureza é criação divina e o direito natural é expressão da
vontade de Deus.
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Direito natural
■ As leis que regulam a natureza têm, de acordo com essa doutrina, o
mesmo caráter das regras jurídicas emitidas por um legislador.
■ Direito natural – pode ser deduzido da natureza por operação
mental, através do exame dos fenômenos, em especial da natureza
do homem e de suas relações com outros homens, podendo
encontrar regras perfeitamente justas.
■ Os direitos e deveres são inatos / congênitos ao homem,
implantados pela natureza.
■ A natureza é manifestação de Deus, por isso, esses direitos e
deveres são sagrados.
O direito natural é regido por fórmulas vazias = suum cuique (a cada
um o seu). O que é o seu de cada um?
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Direito natural
■ Essa fórmula de justiça tem o efeito de justificar qualquer ordem
jurídica positiva, conferindo uma aparência de justiça.
■ As normas com caráter de lei da natureza ou justiça, quando
tem conteúdo definido, surgem como princípios generalizados
de um direito positivo, entendidos como absolutamente válidos
por serem declarados como leis naturais ou justas.
■ Exemplo: propriedade privada como direito natural. (Impossível
de ser provada essa doutrina, há períodos históricos e
ordenamentos jurídicos que restringem / ampliam o conceito de
propriedade privada). Sociedade primitivas, agrícolas, ...
■ Em alguns casos o direito natural se opõe ao direito positivo
(propriedade privada na União Soviética).
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Direito natural
■ Uma análise crítica demonstra que os princípios do direito
natural são expressão de certos interesses de grupo ou
classe.
■ A doutrina do direito natural pode ser conservadora,
reformista ou revolucionária.
■ Pode justificar o direito positivo proclamando sua
concordância com a ordem natural, racional ou divina, uma
concordância afirmada, mas não provada. Igualmente pode
contestar a validade do direito positivo, sugerindo
contradição com pressupostos absolutos.
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Direito e Justiça – definição científica e definição política de direito
Dualismo Direito natural e direito positivo
■ Semelhante ao dualismo platônico
■ Tudo no mundo visível possui seu padrão ideal ou arquétipo no outro
mundo, o invisível.
■ O dualismo pode ter caráter otimista conservador ou pessimista
revolucionário, conforme a ideia de concordância ou contradição
entre a realidade empírica e as ideias transcendentais.
■ O propósito dessa metafísica não é – como no caso da ciência –
explicar racionalmente a realidade, e sim, ao contrário, aceita-la ou
rejeitá-la emocionalmente.
■ Se o homem possuísse o discernimento completo do mundo das
ideias, sendo capaz de adaptar seu mundo, sua conduta seguiria o
padrão ideal.
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Direito e Justiça – definição científica e definição política de direito
Dualismo Direito natural e direito positivo
■ Caso houvesse uma justiça objetivamente reconhecível, não haveria Direito
positivo e, consequentemente, Estado; pois, não seria necessário coagir as
pessoas a serem felizes.
■ A ideia de que realmente existe uma ordem uma ordem natural,
absolutamente boa, mas transcendental e não inteligível, existe justiça
mas ela não pode ser definida claramente, é uma contradição.
■ JUSTIÇA E PAZ
■ Justiça é uma ideia irracional, não está sujeita à cognição.
■ A perspectiva de cognição racional apenas reconhece a existência de
interesses e conflitos de interesses.
■ A solução de conflitos pode ocorrer atendendo uma pretensão em
detrimento de outra ou alcançando um compromisso entre interesses
opostos.
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Direito e Justiça – definição científica e definição política de direito
Justiça e Paz
■ A cognição racional busca atos determinados objetivamente = Direito
Positivo.
■ A ciência demonstra o direito como ele é, sem chama-lo de justo.
■ A teoria pura do direito busca um direito real e possível, não um direito
correto. É radicalmente realista e empirista. Não avalia o direito positivo.
■ A teoria pode fazer uma afirmação com base na experiência: somente uma
ordem jurídica que não satisfaça apenas os interesses de uma parte,
achando um compromisso entre interesses opostos, é capaz de ser
duradoura.
■ A solução por meio do compromisso possibilita assegurar a paz social de
modo permanente.
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Direito e Justiça – definição científica e definição política de direito
Justiça e legalidade
■ Mudança no sentido de Justiça – justiça = legalidade
■ Justiça = aplicação de regra geral a todos os casos similares / injusto = aplicar a
regra em um caso e não aplicar em caso similar.
■ A justiça não se relaciona com o conteúdo de uma norma, mas com sua
aplicação.
■ A justiça é necessária a toda ordem jurídica positiva, seja ela democrática ou
autoritária. Justiça significa a manutenção de uma ordem positiva através da
aplicação regular das leis.
■ O comportamento de um indivíduo é justo ou injusto no sentido de legal ou ilegal.
A conduta corresponde ou não a uma norma jurídica.
■ Subordinação – fenômeno concreto + conceito abstrato → conduta e julgamento
de valor = julgamento objetivo de valor.
■ Justiça = legalidade.
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O critério de direito (o direito como uma técnica social
específica)
■ Função de toda ordem social – sociedade é uma ordem
social = motivar certa conduta recíproca dos seres
humanos.
■ Promover a prática de certas condutas, vistas como úteis e
desencorajar ações consideradas nocivas.
■ A motivação da conduta socialmente desejada é indicativo
da ordem social.
■ Arquétipos – tipos ideais – motivação específica para
estimular / desestimular condutas.
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■ Motivação: direta ou indireta
■ A ordem social pode vincular vantagens e desvantagens a
certas condutas
■ Princípio da recompensa e da punição – retribuição
■ Conduta favorável =/= contrária à ordem
■ A conduta social dos indivíduos é sempre acompanhada
por um julgamento de valor – agir conforme as leis é bom,
agir contra as leis é mau.
■ Aprovação / reprovação social
■ As sanções estabelecidas pela ordem social podem ter um
caráter transcendental ou social imanente.
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■ Toda ordem social é sancionada pela reação específica da
comunidade à conduta dos membros que se adequam ou
violam a lei.
■ As sanções de caráter transcendental guardam relação com
aspectos religiosos, sendo vantagens ou desvantagens
aplicadas por uma autoridade sobrenatural / sobre-humana.
■ O homem primitivo tem uma relação de integração com a
natureza, desconhecendo o dualismo.
■ Os espíritos (animismo) garantem a manutenção da ordem
social primitiva. As violações da lei são retribuídas com a
morte, doenças, escassez de alimentos,
■ A obediência aos ditames da ordem garantem saúde, boas
colheitas e vida longa.
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■ A retribuição advém da divindade, mas é materializada no
mundo físico.
■ A retribuição é princípio que guia as explicações cosmológicas
do homem primitivo.
■ Eventos vantajosos são recompensa e acontecimentos
desvantajosos são punição.
■ A ordem social primitiva apenas conhece sanções de caráter
religioso.
■ Com o desenvolvimento do processo histórico, as sanções
passaram a ser socialmente imanentes, organizadas.
■ A execução das sanções passaram a ser executadas por
indivíduo determinado.
■ A vingança de sangue foi a forma mais antiga de sanção
socialmente organizada – inicialmente intertribal.
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■ Posteriormente a divindade foi concebida como
pertencente a um domínio diferente, para além do
mundo material.
■ A ideia de céu e inferno fez com que a ordem social
perdesse o caráter religioso, funcionando de modo
adjacente / suplementar à ordem social.
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■ PUNIÇÃO E RECOMPENSA
■ A punição desempenha um papel de maior relevância na
realidade social.
■ As crenças do gênero humano, medo do inferno, tem
aspecto mais concreto no imaginário, que a ideia de um
paraíso futuro.
■ Socialmente, a ideologia religiosa reflete as crenças dos
grupos.
■ A organização social privilegia a punição, a recompensa é
significativa apenas nas relações privadas.
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■ O DIREITO COMO ORDEM COERCITIVA
■ A sanção organizada socialmente consiste em privação de
posses – vida saúde, liberdade ou propriedade.
■ A sanção tem o caráter de medida de coerção.
■ Ordem social: coercitiva.
■ Há um contraste entre as ordens: a ordem que atua com
base na coerção, e a ordem a se estruturar na obediência
voluntária.
■ Técnica da motivação indireta: punição / recompensa
■ Técnica da motivação direta: obediência voluntária.
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■ O Direito é uma ordem coercitiva, pois, possibilita a
retirada de posses do indivíduos através do uso da força
física.
■ O elemento comum que permite a denominação de
Direito ser aplicada a diversas ordens sociais diversas é
sua condição de técnica social de caráter coercitivo.
■ Direito: a técnica social que consiste em obter a conduta
social desejada dos homens através da ameaça de uma
medida de coerção a ser aplicada em caso de conduta
contrária.
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■ DIREITO, MORALIDADE, RELIGIÃO
■ O Direito em contraste com outras ordens sociais específicas
persegue objetivos similares, com métodos diversos.
■ O Direito, a moralidade e a religião proíbem o homicídio.
■ A violação de norma jurídica implica uma medida coercitiva,
enquanto resposta a uma conduta proibida.
■ A moralidade se limita a vedar o homicídio. As sanções são
ligadas desaprovação de seus pares, não havendo pena
previamente determinada.
■ A sanção jurídica é socialmente organizada e pré-estabelecida.
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■ As normas religiosas proíbem o homicídio e atribuem à conduta
uma punição originária de autoridade divina.
■ As sanções religiosas são de caráter transcendental, não
organizadas socialmente, ainda que estabelecidas por ordem
religiosa.
■ A sanção de caráter religioso possui eficiência, muitas vezes,
maior que as de cunho jurídico, todavia, pressupõe a crença na
existência e no poder de autoridade sobrenatural.
■ O delito é a terminologia jurídica destinada a classificar a
conduta de violação à lei penal, gerando sanção socialmente
organizada.
■ Uma vez caracterizado o delito, a reação da comunidade fica
sob a responsabilidade de um indivíduo que atua como agente
da ordem jurídica.
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■ A sanção legal é atribuição da comunidade jurídica.
■ A sanção transcendental é ligada a uma reação de
autoridade sobre-humana, supra-social.
■ O direito enquanto técnica social de características
coercitivas instrumentaliza atos sancionatórios similares
aos atos que busca prevenir.
■ A sanção a uma conduta danosa é igualmente uma
conduta danosa.
■ Este caráter de retributivo, provocando ameaça / perda de
vida, liberdade, saúde ou propriedade objetiva a abstenção
dos indivíduos em praticar condutas danosas.
■ A força é empregada para prevenir e coibir o uso da força
na sociedade.
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■ A ausência de uma ordem coercitiva, que rejeita o Direito como
forma de organização é conhecida como anarquia, anarquismo
(indicando uma obediência voluntária dos mandamentos).
■ A antinomia dos postulados jurídicos é apenas aparente.
■ O Direito é visto como uma ordenação que tem como finalidade
a promoção da paz social, proibindo o uso da força nas relações
entre os membros de uma sociedade.
■ O uso da força, contudo não é completamente excluído: o
Direito é uma organização do uso da força.
■ A força fica vinculada à ação de determinados indivíduos, e
restrita a certas circunstâncias.
■ Existe a possibilidade de autorização de conduta entendida
como proibida.
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■ O indivíduo que age autorizado pelo Direito e faz uso da
coerção é agente da ordem jurídica.
■ O Direito faz do uso da força um monopólio da comunidade,
neste sentido, pacifica a sociedade.
■ A paz é uma condição na qual não há o uso da força, a paz
assegurada pelo Direito é de caráter relativo, não absoluto,
pois, reserva o emprego da força a estruturas
monopolizadoras.
■ A vida em sociedade somente é possível se cada indivíduo
respeitar a esfera de interesses alheios, se abstendo de
interferir pela força nas esferas de vida, liberdade, saúde e
propriedade de terceiros.
■ O Direito é o responsável por induzir o indivíduo a se abster de
determinadas condutas, sob pena de ser retribuído com
privações semelhantes.
29
■ A interferência na esfera de interesses de outrem pode
significar um ato ilegal (ex. delito) ou sanção a conduta
indesejável (pena).
■ A interferência imposta na esfera de interesses dos
indivíduos é permitida apenas como reação da
comunidade contra conduta legalmente proibida.
■ O monopólio da interferência nos interesses dos indivíduos
define a esfera de proteção do Direito.
■ Somente quando o Direito se apropria das esferas de
interesses, há proteção.
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■ A coerção exercida pelo Direito é de caráter objetivo. Uma lei é
uma regra geral da ação humana externa, efetivada pela força
de uma autoridade política soberana.
■ A regra jurídica determina que a sanção seja aplicada pelo
órgão apropriado. Este incidência ocorre apenas quando o
indivíduo viola determinações legais.
■ A sanção aplicável é prevista no ordenamento jurídico, para
casos concretos.
■ A coerção, enquanto o medo de sofrer as consequências
advindas da desobediência de determinações jurídicas, é de
natureza similar àquelas do domínio da moral e da religião.
■ As normas morais e religiosas são coercitivas, ao implicar
comportamentos de acordo com elas, por força das ideias de
sanção.
31
■ As motivações do comportamento lícito não podem ser
conhecidas enquanto psiquismo.
■ É plausível que o comportamento em acordo com a lei não
seja apenas medo de sanções, especialmente quando os
comandos jurídicos estão em conformidade com os ideais
morais e religiosos.
■ Benefícios não relacionados com a conduta lícita também
podem ser uma motivação para o agir em conformidade
com a lei, a exemplo do bom pagador, que passa a ter
mais crédito no mercado.
■ Dizer que uma ordem jurídica é eficaz significa que a
conduta das pessoas está de acordo com a ordem jurídica.
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VALIDADE E EFICÁCIA
■ Coação – elemento essencial ao Direito.
■ Atos específicos de coerção – sanções – casos
específicos pelas regras que formam a ordem jurídica.
■ Coerção é elemento da norma jurídica, de acordo com a
determinações legais.
■ Psicologismo =/= normativismo.
■ O comportamento em acordo com a norma e a
concretização da sanção jurídica são questões ligadas à
eficácia do Direito.
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08/04/2024
■ Natureza da validade do Direito =/= eficácia.
■ A validade de regra permanece mesmo quando sem eficácia.
■ A regra conserva a validade mesmo quando a aplicabilidade
resta comprometida.
■ Validade = existência específicas de normas.
■ Validade = força de obrigatoriedade.
■ As regras jurídicas, quando válidas, são normas.
34
■ Norma e comando.
■ Lei / regra – comando.
■ Lei – espécie de comando.
■ Comando – comando é expressão da contade ou desejo de
um indivíduo, objetivando a conduta de outro indivíduo.
■ Nem todo comando é norma válida.
■ Comando é norma quando for obrigatório para o
destinatário.
■ A obrigatoriedade de um comando depende do fato de ser o
indivíduo que comanda ser competente para emitir o
mandamento.
■ A expressão da vontade tem o caráter de obrigação.
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■ O comando de um criminoso, durante um roubo, não é
obrigatório, mesmo que o agente tenha poder para impor
sua vontade.
■ Um comando é obrigatório por estar autorizado, investido
do poder / competência de emitir comandos de natureza
obrigatória.
■ A ordem normativa autoriza / investe de poder apenas se
uma ordem normativa concede este direito.
■ As regras jurídicas são comandos obrigatórios, a
legitimidade reside nos comandos porque eles são
emitidos por autoridades competentes.
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■ As regras de direito são comandos em sentido bastante
vago.
■ Um comando, propriamente dito, existe apenas quando um
indivíduo estabelece e expressa um ato de vontade.
■ Comando =
■ 1) ato de vontade - conduta de outrem como objeto
■ 2) expressão do mandamento por palavras, gestos ou sinais
■ O comando obrigatório subsiste mesmo sem com o fim de
um ato de vontade.
■ Ex. a última vontade, manifesta em um testamento, tem
obrigatoriedade, mesmo após o falecimento do testador.
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■ A vontade expressa em um contrato obrigatório é resultado de
acordo entre dois indivíduos, conduta recíproca. Há um acordo de
vontades.
■ A validade do contrato permanece, mesmo que uma parte mude
de ideia e não mais queria cumprir as obrigações pactuadas.
■ O contrato obriga o pactuante que pretende desistir, contra sua
vontade.
■ A força da obrigatoriedade não reside na vontade.
38
■ Um estatuto votado pelo Legislativo, em acordo com as
formas prescritas, tem uma ideia Iato sensu comando.
■ O estatuto votado se deve ao procedimento legislativo,
não consistindo na vontade real dos membros do órgão.
■ A existência de norma jurídica não é fenômeno
psicológico.
■ O jurista considera a existência do estatuto, a partir de
sua introdução no ordenamento jurídico, independente da
vontade do legislador.
■ O ato de vontade que cria a regra jurídica não precisa
estar de acordo com a totalidade dos membros.
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■ Um estatuto é aprovado por determinação do Parlamento,
autoridade competente para dar força de lei ao texto
normativo.
■ A aprovação ocorre mesmo com os votos contrários de uma
minoria, ou seja, ao revés dos que não querem o estatuto.
■ O estatuto vincula a todos, até mesmo àqueles a rejeitá-lo.
■ Votar um projeto de lei não implica em querer efetivamente
o conteúdo do estatuto.
■ Não há relação entre a vontade (psicológica) do Legislador
e a aprovação de um estatuto. O texto normativo aprovado
não é um comando em sentido estrito.
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■ A metáfora que afirma uma regra jurídica como comando fica
mais evidente, em seu caráter figurativo, quando considerado o
direito consuetudinário.
■ No direito consuetudinário as regras são estabelecidas por
força dos costumes. Não há uma vontade ou comando que
estabeleça os padrões adotados.
■ Os fatos particulares, juntos, estabelecem a existência do
costume, criando regra geral que se aplica a casos similares.
■ A existência do costume não envolve uma vontade que tenha
determinado o conteúdo de regra.
■ A norma tem sua origem no adir dos membros de uma
comunidade, o Tribunal local aplica os parâmetros costumeiros
para fundamentar suas decisões.
41
■ Dever ser
■ A lei enquanto comando ou expressão da vontade do
legislador ocorre em sentido figurado, por analogia.
■ A regra jurídica estipula, prescreve, prevê uma conduta
humana, de modo similar a um indivíduo que expressa
sua vontade na forma de um comando.
■ A regra jurídica é obrigatória mesmo sem a vontade em
sentido psicológico.
■ Uma norma expressa normatiza o agir de um indivíduo,
sem que isso implique a vontade de alguém.
■ A comparação entre o dever ser de uma norma e o
comando se dá na obrigatoriedade de obediência.
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08/04/2024
■ A lei, quando denominada comando, é pelo fato de seu
caráter de norma.
■ O contrato também é obrigatório, condição de norma que
vincula / obriga as partes contratantes.
■ O comando não se dirige ao seu próprio emissor, ao
contrário da norma, que vincula até mesmo seus criadores.
■ As leis em um Estado Democrático não podem ser
consideradas comandos.
■ A norma, em sentido figurado, seria um comando
impessoal e anônimo.
43
■ A norma é expressão de algo que deve ocorrer,
determinado a conduta de indivíduos, de maneira geral.
■ Dizer que um indivíduo deve ser comportar de acordo com
uma norma diz que a conduta se encontra prescrita por
regras de cunho jurídico, religioso ou moral.
■ O dever ser expressa o sentido específico em quie a
conduta humana é determinada pela norma.
■ O dever ser é conteúdo normativo, não afirmando sobre a
realidade natural.
■ Uma norma expressa a possibilidade de ocorrência de
determinado fenômeno, a materialização não influencia
sua validade.
44
■ A norma obriga o indivíduo, prescrevendo a conduta.
■ A norma é válida independente da vontade de indivíduos,
existindo para além da vontade.
■ Mesmo que um agente não se comporte de acordo com a
conduta normativamente estabelecida, não há
comprometimento da validade da norma.
■ O direito é comporto por normas, regras jurídicas, diferindo
das leis da natureza.
■ As leis da natureza são enunciados descritivos, sobre o
curso de eventos. As regras jurídicas versam sobre
condutas humanas.
45
08/04/2024
■ Direito como norma, nomenclatura mais específica.
■ O termo regra é mais geral e ligado às ciências da
natureza.
■ A regra ocorre de modo similar, quando um fenômeno tem
as mesmas condições que ensejam se encadeamento.
■ O direito é composto de normas gerias e individuais,
determinado a conduta da coletividade e do indivíduo,
respectivamente.
■ Normas particulares – decisões dos tribunais.
■ A força de obrigatoriedade do direito está relacionada ao
seu caráter normativo.
46
■ As normas jurídicas têm a forma de enunciados hipotéticos.
■ As sanções são estipuladas sob determinadas condições.
■ Uma norma jurídica individual também pode ter forma
hipotética.
■ O direito regula sua própria criação, as normas jurídicas
estipulam a criação de novas normas e regulam os atos
jurídicos.
■ O ato criador de uma norma jurídica é determinado pela ordem
jurídica.
■ Um ato é jurídico por sua origem legalmente determinada.
■ O direito é composto de normas jurídicas e atos jurídicos
determinados por essas normas.
47
■ Validade e eficácia do Direito
■ Validade – as normas jurídicas são obrigatórias, os
homens devem se conduzir como prescrevem as normas
jurídicas.
■ Obedecer e aplicar as normas.
■ Eficácia – os homens se conduzem, de fato, como
determinado pelas normas jurídicas.
■ As normas são efetivamente aplicadas e obedecidas.
■ A validade é uma qualidade do Direito
■ A eficácia é uma qualidade dos homens, em conformidade
com as normas.
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08/04/2024
■ Validade e eficácia são fenômenos completamente diferentes.
■ A norma de validade certa é um esquema de interpretação.
■ O indivíduo que não obedece aos comandos contradiz as
normas. (A e não-A)
■ Existe uma relação importante entre validade e eficácia: uma
norma é considerada válida apenas com a condição de
pertencer a um sistema de normas, a uma ordem que é, no
todo, eficaz.
■ A eficácia é uma condição de validade, não a razão de
validade.
■ Uma norma não é valida porque não é eficaz, ela é válida se a
ordem jurídica à qual pertence, for eficaz.
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■ As normas têm validade no tempo e no espaço.
■ É preciso determinar como se deve conduzir e onde os
comportamentos são esperados.
■ O que deve ser feito e evitado.
■ Algumas leis são dotadas de retroatividade.
■ A regra geral impede a retroatividade das leis.
■ O desconhecimento da lei não exime o agente de culpa,
especialmente se há possibilidade de seu conhecimento.
■ A pressuposição indica o conhecimento da lei pelos
indivíduos sobre os quais há incidência normativa.
50
■ As normas jurídicas estipulam ato coercitivo, sanção.
■ As normas gerais devem ser normas nas quais certa sanção é
tornada dependente de certas condições, estas expressas
pelo conceito de dever ser.
■ A tarefa da ciência do direito é descrever o direito de uma
comunidade, o material produzido pela autoridade jurídica no
procedimento legislativo, na forma de enunciados (Se P, então
Q).
■ Os enunciados das ciências jurídicas descrevem o direito, são
diferentes das normas produzidos pelas autoridades
legislativas.
■ Normas jurídicas – autoridades legislativas;
■ Regras de direito – ciência jurídica (descritivas)
51
08/04/2024
■ Regra de direito – sentido descritivo = julgamento
hipotético, vinculando consequências a condições.
■ Como a regra de direito, as leis da natureza também
relacionam fatos entre si, como condição e consequência.
■ Relação de causalidade.
■ A maneira de conexão entre o direito e as leis da natureza
diferem no sentido do ser e dever ser (A é B), (se A, deve
ser B).
■ A regra de Direito é uma norma (em sentido descritivo)
■ Ciência natural = causalidade
■ Ciência jurídica = normatividade
52
■ A norma não é enunciado de realidade, nenhum enunciado de fato
pode estar em contradição com a norma.
■ Uma conduta não fere a norma, pois, viola a conduta prescrita pela
norma.
■ A norma jurídica pode ser aplicada:
■ 1) No sentido de ser executada pelo órgão ou obedecida pelo sujeito
■ 2) Como base para um julgamento específico de valor: lícita ou ilícita
■ Julgamentos de valor especificamente jurídicos.
■ Direito natural: a norma de Justiça é imanente à natureza, o homem
pode apenas aprender, não influenciar essa norma.
■ O direito positivo corresponde a uma realidade social, com valoração
objetiva
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