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Fundamentos e Segurança em Eletricidade

Este documento discute conceitos básicos de eletricidade, incluindo história, unidades de medida, padrões de segurança e normas. Aborda definições de corrente elétrica, carga elétrica e experimentos pioneiros de Franklin. Explica prefixos usados em unidades elétricas e normas importantes como NR-10 e NBR 5410.

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Fundamentos e Segurança em Eletricidade

Este documento discute conceitos básicos de eletricidade, incluindo história, unidades de medida, padrões de segurança e normas. Aborda definições de corrente elétrica, carga elétrica e experimentos pioneiros de Franklin. Explica prefixos usados em unidades elétricas e normas importantes como NR-10 e NBR 5410.

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Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Unidade 1
CONCEITOS DA ELETRICIDADE

Aula 1
Fundamentos da Eletricidade

Videoaula: Fundamentos da eletricidade

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É muito comum as pessoas se confundirem quando o assunto são as normas NR-10 e NBR
5410, pois ambas tratam de um assunto tão importante que é a eletricidade. Porém, elas
apresentam diferenças substanciais entre si. Neste vídeo você verá quais são as principais
diferenças entre essas duas normas tão importantes em eletricidade.

Introdução da Aula
Olá, estudante!

Você já imaginou como seria o mundo se não tivesse eletricidade? Difícil responder essa
pergunta, afinal, a eletricidade está presente todos os dias na nossa vida, no nosso cotidiano.
Podemos afirmar inclusive que a eletricidade está relacionada de modo direto ao nosso lazer e
bem-estar.

A palavra eletricidade tem origem no latim, em que electrum, em português, tem o significado de
“âmbar”. E você sabe por que tem esse nome? O filósofo grego Tales de Mileto percebeu que,
quando se esfregava um pedaço de pele de carneiro em uma resina vegetal fóssil, chamada
âmbar, ela atraía pequenos pedaços de madeira e palha, como se fosse um ímã. Esse feito foi
documentado por volta de 600 a.C.

Trabalhar com eletricidade não é fácil e pode ser até perigoso, exigindo experiência e segurança.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Nesta aula você vai ver padronizações, normalização de segurança e convenções em


eletricidade.

Bons estudos!

Conceitos de eletricidade

Caro estudante, no ano de 1752 um físico chamado Benjamin Franklin fez uma descoberta que
mudou a história da eletricidade. Ele realizou um experimento em uma tempestade de raios, que
consistia em um fio de metal preso em uma chave metalizada e uma pipa de seda. Vale ressaltar
que Franklin sabia dos riscos e perigos que corria quando realizou esse experimento.

Ele observou que a carga elétrica dos raios descia pelo dispositivo, provou que o raio é
uma corrente elétrica e concluiu que hastes de ferro quando estão ligadas à terra e posicionadas
próximo às edificações formavam condutores de descargas elétricas atmosféricas, e assim foi
criado o primeiro para-raios (TELLS; NETTO, 2018).

Agora você deve estar se perguntando, mas o que é carga elétrica? O que é corrente elétrica? De
forma simplificada, pois detalhadamente você verá nas próximas aulas, a corrente elétrica é o
fluxo ordenado de elétrons em um meio e a carga elétrica é um dispositivo que consome energia
elétrica na forma de corrente e a transforma em outras formas de energia, como calor, luz,
trabalho, etc. Para trabalhar com eletricidade é preciso entender alguns padrões e convenções. O
Sistema Métrico Internacional de Unidades e Dimensões, ou apenas SI (Système Internationale),
trata da padronização de unidades de medidas de grandezas físicas e foi adotado aqui no Brasil
pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e pelas principais sociedades de
engenheiros eletricistas do mundo.

O SI foi estabelecido em 1960 na Conferência Geral de Pesos e Medidas realizada em Paris e é


composto por sete unidades básicas: quilograma (kg) para massa, metro (m), segundo (s) para o
tempo, ampere (A) para corrente elétrica, kelvin (K) para temperatura, mole (mol) para quantidade
de substância e candela (CD) para intensidade luminosa.

Antes de mostrar as unidades de medida de eletricidade, vamos entender grandeza e unidade de


medida. Grandeza pode ser definida como a propriedade de um fenômeno físico, que pode ser
expressa quantitativamente sob a forma de um valor numérico seguido de uma unidade de
medida que identifica essa grandeza. As unidades usuais podem ser deduzidas a partir das
unidades fundamentais e das unidades suplementares. A maioria das unidades utilizadas em
eletricidade é do tipo unidade derivada, conforme Tabela 1.

Tabela 1 | Principais unidades derivadas em eletricidade

Unidade Símbolo Grandeza Derivação


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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

volt V Tensão elétrica J/C


ohm Ω Resistência elétrica V/A
watt W Potência J/s
coulomb C Carga elétrica A∙s
joule J Energia N∙m

Fonte: elaborada pela autora.

No estudo da eletricidade, alguns valores em elétrica são muito pequenos e outros muito
grandes para serem expressos convenientemente. Desse modo, utilizamos alguns prefixos nas
unidades, que alteram a notação para uma melhor compreensão da quantificação expressa,
conforme Tabela 2.

Tabela 2 | Principais prefixos das unidades

Nome Símbolo Múltiplos


Giga G 109
Mega M 106
Quilo K 103
Mili m 10-3
Micro μ 10-6
Nano n 10-9
Pico p 10-12

Fonte: elaborada pela autora.

Há muitos padrões de segurança elétrica diferentes que precisam ser seguidos no local de
trabalho para proteger a integridade e garantir que os funcionários permaneçam seguros durante
o trabalho. Isso inclui a prevenção de choques elétricos, incêndios elétricos e outros problemas
relacionados a riscos elétricos. Os padrões de segurança elétrica normalmente são
desenvolvidos por empresas de segurança e agências governamentais.

Vimos alguns conceitos importantes de eletricidade e entendemos como a utilização de prefixos


de unidade é importante para expressar valores muito grandes ou muito baixos.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Aprofundando sobre segurança e convenções em eletricidade

Caro estudante, no último século, a eletricidade tem sido uma parte crucial do dia a dia de quase
todos nós, tanto em casa quanto no nosso local de trabalho. Ela é necessária para quase todos
os tipos de atividades. Embora a eletricidade tenha melhorado o mundo de vários modos, é
muito importante lembrar que ela pode ser muito perigosa. Manter o local de trabalho seguro
contra riscos elétricos é responsabilidade de todos que estão na instalação. Seja uma instalação
de manufatura, um laboratório, um escritório, uma sala de aula ou qualquer outro ambiente, a
eletricidade é muito útil, mas requer cuidados. Para não acontecer nenhum incidente ao se
trabalhar com eletricidade é preciso garantir que tudo esteja em conformidade com a segurança
elétrica. Os principais perigos do trabalho com eletricidade são:

Choque elétrico e queimaduras por contato com partes vivas.


Lesões por exposição a arcos elétricos, incêndios causados ​por equipamentos ou
instalações elétricas defeituosas.
Explosão causada por aparelhos elétricos inadequados ou eletricidade estática inflamando
vapores ou poeiras inflamáveis.

Os choques elétricos também podem levar a outros tipos de lesões, por exemplo, causando uma
queda de escadas ou andaimes, etc.

A padronização e normalização para a utilização da energia elétrica garante, além de resultados


em conformidade com os projetos, segurança nas operações de instalação e utilização da
energia elétrica. Para projetos elétricos eficientes, é indispensável a elaboração de diagramas
elétricos. O diagrama elétrico são desenhos, ou melhor, uma representação gráfica do projeto
elétrico utilizado ​para representar circuitos elétricos. Esses circuitos são representados usando
linhas e uma simbologia padronizada por normas técnicas.

Os diagramas elétricos mostram a fiação entre os componentes e a posição relativa dos


componentes. Através do esquema elétrico entendemos melhor os circuitos elétricos que são
utilizados nas edificações. Importante, os símbolos do diagrama de circuito diferiram de país
para país e mudaram ao longo do tempo, mas agora são em grande parte padronizados
internacionalmente.

Uma norma brasileira obrigatória quando se fala em eletricidade no Brasil é a NR-10: Segurança
em instalações e serviços em eletricidade. A norma NR-10 estabelece condições mínimas
e requisitos de segurança visando a implantação de medidas de controle e sistemas
preventivos de forma a garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores que direta ou
indiretamente interagem nas instalações elétricas. É importante ficar claro que qualquer máquina
e equipamento elétrico que for exportado para o Brasil deve estar em conformidade com a
norma NR-10.

Além da NR-10 também há outras normas importantes, como a ABNT NBR 5410/2004 –
Instalações elétricas de baixa tensão e a ABNT NBR 14039/2003 – Instalações elétricas de
média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Como vimos, é muito importante aprender sobre os requisitos específicos de cada setor para
trabalhos elétricos. Devido ao fato de que os padrões elétricos mudam com o tempo, também é
importante fazer um esforço para manter-se atualizado com os padrões e requisitos de
conformidade mais recentes.

Aplicação das normas

Caro estudante, como você viu, a padronização e normalização em eletricidade é muito


importante para se ter um resultado eficiente em um projeto, além de garantir a segurança dos
trabalhadores e das pessoas. Mas será que existe alguma norma de segurança individual para
quem trabalha com eletricidade? Se você pensou nos equipamentos de proteção individual
(EPIs), acertou.

Os EPIs fornecem requisitos para garantir que os trabalhadores que trabalham com eletricidade
estejam protegidos contra riscos elétricos. Os funcionários que trabalham com equipamentos
elétricos devem receber EPI elétrico apropriado e ter conhecimento sobre seleção, uso,
limitações, inspeção, colocação, retirada e manutenção dele.

Como você já viu, a NR10 é uma norma brasileira de segurança em instalações e serviços de
eletricidade. Essa norma também colabora no combate aos riscos existentes, ajudando a
proteger a saúde e segurança do trabalhador. A norma também prevê medidas de proteção
coletiva que devem ser tomadas antes do início das atividades em instalações elétricas. O item
[Link] da norma diz que: “as medidas de proteção coletiva compreendem, prioritariamente,
a desenergização elétrica conforme estabelece esta NR e, na sua impossibilidade, o emprego de
tensão de segurança” (NR-10).

Quando não é possível realizar o que diz o item [Link] da norma, algumas medidas devem ser
tomadas, como isolar as partes vivas, inserir obstáculos, barreiras e sinalização, bloquear o
religamento automático, entre outras.

Após todas as medidas de proteção coletivas forem tomadas e dependendo do risco, será
necessário adotar os EPIs, previstos em outra norma, a NR-6. Os principais EPIs usados pelos
eletricistas são:

Luvas de borracha que sejam isolantes tipo BT (baixa tensão) e AT (alta tensão).
Luvas de pelica que possuem uma proteção adicional a luvas de borracha.
Capacete classe B que é indicado para o uso com risco de choque elétrico.
Botina de segurança, tipo de botina capaz de isolar a eletricidade.
Manga isolante de borracha que protege os braços, proporcionando mais segurança para
atividades nas quais o risco é maior.
Cinto de segurança, usado quando se realiza algum serviço na altura e protege o
trabalhador do risco de choque elétrico.
Protetor facial contra arco elétrico.
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Vestimentas especiais, calças e camisas contra agentes térmicos provenientes do arco


elétrico.
Os funcionários devem usar EPI para os olhos e rosto sempre que houver perigo de
ferimentos por arcos elétricos, flashes ou objetos voadores resultantes de uma explosão
elétrica.

Outra norma muito importante para quem trabalha com eletricidade é a ABNT NBR 5410 –
Instalações elétricas de baixa tensão. Essa norma estipula as condições adequadas que devem
satisfazer as instalações elétricas de baixa tensão, ou seja, tensões até 1000 V em tensão
alternada, ou seja, a polaridade se alterna de acordo com a frequência e 1500 V em tensão
contínua, ou seja, não muda de polaridade com o tempo, como a pilha. Essa norma garante a
segurança de pessoas e animais e o funcionamento adequado da instalação.

É importante ficar claro que a NBR 5410 não aborda instalação em cercas elétricas, instalações
em minas, instalações de proteção contra queda diretas de raios, redes públicas de distribuição
elétrica, iluminação pública, instalações elétricas de veículos motores, carros elétricos,
instalações em aeronaves, embarcações, entre outros.

Seja no seu trabalho ou na sua casa, a prevenção de acidentes deve estar presente sempre. A
segurança tem que estar em todo lugar, você concorda?

Saiba mais

A norma NR-10 é uma norma brasileira muito importante que trata da segurança em instalações
e serviços em eletricidade. Essa norma regulamentadora foi originalmente editada pela Portaria
MTb nº 3.214, de 08 de junho de 1978, sob o título , e a última atualização ocorreu em 2019. Faça
a leitura desse texto e aprofunde ainda mais seus conhecimentos.

Referências

BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Secretaria de Inspeção do Trabalho. Norma


Regulamentadora nº 10: Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade. Brasília: MTE,
2004.

BRASIL. Portaria MTb nº 3.214, de 08 de julho de 1978. NR 10 - Segurança em instalações e


serviços em eletricidade. Disponível em: [Link]
br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-
trabalho/normas-regulamentadoras/[Link]. Acesso em: 5 fev. 2023.

TELLS, D. D.; NETTO, J. M. Física com aplicação tecnológica: eletrostática, eletricidade,


eletromagnetismo e fenômenos de superfície. Volume 3 de Física com aplicação tecnológica.
São Paulo: Editora Blucher, 2018.
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Aula 2
Lei de ôhm, Potência e energia

Videoaula: Fundamentos da eletricidade

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Neste vídeo você vai ver a segunda Lei de Ohm. Essa lei descreve quais grandezas físicas que
estão relacionadas com a resistência elétrica de um condutor. Conforme a lei, a resistência
elétrica de um condutor homogêneo é diretamente proporcional ao seu comprimento e
inversamente proporcional à área transversal desse condutor.

Introdução da Aula
Olá, estudante!

Sabe aquela lanterna que você usa quando acaba a energia em sua casa? Ela nada mais é que
um aparelho elétrico que possui um tipo de circuito elétrico bem básico. Você deve estar se
perguntando, mas o que é um circuito elétrico?

De um modo bem simples, um circuito elétrico ou como é mais conhecido apenas circuito, é o
caminho por onde a eletricidade passa.

Os circuitos elétricos são formados por três tipos de componentes: resistor, capacitor e indutor,
podendo ter apenas um desses componentes ou vários em um único circuito.

Você vai aprender o que é um circuito elétrico, o que é uma resistência, compreender a famosa
Lei de Ohm e entender as diferenças entre potência elétrica e energia elétrica.

Bons estudos!

Conceitos de eletricidade
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Caro estudante, os circuitos elétricos podem ser definidos como circuitos fechados ou caminhos
que formam uma rede de componentes elétricos por onde os elétrons podem circular. Esse
caminho é feito por meio de fios elétricos e é alimentado por uma fonte, como uma bateria. O
início do ponto de onde os elétrons começam a fluir no circuito elétrico é chamado de fonte,
enquanto o ponto onde os elétrons saem é chamado de retorno.

É importante conhecer as partes básicas de um circuito elétrico, vamos ver? Um circuito básico
compreende uma fonte de energia, condutores, uma chave e uma carga. A carga em um circuito
pode ser um motor que começa a funcionar quando se aperta um botão, uma lâmpada que
acende quando o circuito é ligado, um resistor, etc.

A fonte de energia elétrica faz com que os elétrons se movam. Essa fonte pode ser uma bateria,
uma célula solar, uma usina hidrelétrica, uma usina eólica, etc. Condutores são feitos de fios de
cobre sem isolamento. Uma extremidade do fio é conectada à carga à fonte de alimentação e a
outra extremidade do fio conecta a fonte de alimentação de volta à carga.

O interruptor pode ser definido como uma pequena lacuna no circuito. Um interruptor é um
componente elétrico usado para ligar e desligar qualquer equipamento, como televisão, forno de
micro-ondas, lâmpadas, etc. Quando o interruptor está desligado, o circuito está aberto e o fluxo
de elétrons é interrompido, portanto não há fluxo de corrente. A corrente fluirá quando o circuito
estiver fechado, ou seja, quando o interruptor estiver ligado.

Todo circuito elétrico tem alguma resistência ao fluxo de elétrons. Os elétrons colidem entre si e
com os átomos que compõem o fio e, desse modo, convertem parte de sua energia em calor.
Alguns materiais, como fios elétricos, apresentam pouca resistência ao fluxo de corrente e esse
tipo de material é chamado de condutor. Portanto, se esse condutor for colocado diretamente
em uma bateria, por exemplo, muita corrente fluirá. Em outros casos, outro material pode impedir
o fluxo de corrente, mas mesmo assim permitir a passagem de algum. Em circuitos elétricos,
esses componentes costumam ser chamados de resistores. No entanto, outros materiais não
permitem praticamente nenhuma corrente e são chamados de isoladores.

Em um circuito elétrico, a energia elétrica é continuamente convertida em outras formas de


energia. Por exemplo, imagine que você precisa utilizar o secador de cabelo para secar o seu
cabelo com rapidez suficiente para chegar à escola a tempo. Você tem um secador de cabelo
muito potente que seca o cabelo mais rápido do que um secador normal. E por que isso
acontece? Isso acontece porque um secador de cabelo mais potente transforma a corrente
elétrica em energia térmica mais rapidamente.

A primeira relação entre corrente, tensão e resistência é chamada de Lei de Ohm e foi descoberta
por Georg Simon Ohm e publicada em seu artigo de 1827, The Galvanic Circuit Investigated
Mathematically. A Lei de Ohm descreve a maneira como a corrente flui através de um material
quando diferentes níveis de tensão são aplicados.

Aprofundando sobre segurança e convenções em eletricidade


Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Caro estudante, como já vimos, um circuito elétrico nada mais é que um circuito fechado, ou seja,
começa e termina no mesmo ponto, e que todo circuito tem alguma resistência à passagem de
corrente.

Há dois tipos de circuitos: série e paralelo. O circuito em série consiste nos dispositivos
conectados um após o outro em apenas um único loop grande. Nesse tipo de circuito a corrente
que flui por todos os dispositivos é a mesma. Nos circuitos paralelos, os dispositivos são
organizados de modo que uma única fonte forneça tensão para separar os loops de fio. A tensão
em todos os dispositivos do circuito é a mesma.

Além da tensão e da corrente, há outro parâmetro importante relacionado aos circuitos elétricos,
que é a potência. A potência também pode ser definida como a taxa na qual a energia é
transferida. Voltando ao secador de cabelo, visto anteriormente, podemos calcular a potência
desse aparelho elétrico, ou de qualquer outro através da Equação 1:

P = V . i

É importante salientar que não é possível transferir energia de uma forma para outra sem perder
parte dessa energia na forma de calor.

A taxa na qual um dispositivo muda a corrente elétrica para outra forma de energia é chamada
de energia elétrica.

A Lei de Ohm descreve a maneira como a corrente flui através de um material quando diferentes
níveis de tensão são aplicados e é calculada através da Equação 2.

V = R . i

Onde R é a resistência dada em Ohms (Ω).

Você sabia que as unidades principais de medida em eletricidade são dadas de acordo com o
nome de um famoso pesquisador em eletricidade? A corrente é em homenagem ao francês
Andre M. Ampere, o volt em homenagem ao italiano Alessandro Volta e o ohm em homenagem
ao alemão Georg Simon Ohm.

Resistência é a capacidade dos materiais de impedir o fluxo de corrente (fluxo de carga elétrica),
onde o resistor é o elemento presente no circuito que modela esse comportamento (NILSSON;
RIELDEL, 2009). O resistor, como você já sabe, é um dispositivo elétrico que quando é percorrido
por uma corrente, transforma energia elétrica em energia térmica, dissipando a energia elétrica.
Esse fenômeno é chamado de efeito Joule. A Figura 1 apresenta o símbolo de circuito para um
resistor com uma resistência R.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 1 | Resistor com resistência R. Fonte: elaborada pela autora.

A resistência de um material deve-se principalmente à(ao): material, comprimento, área da seção


transversal e temperatura do material. Os três primeiros elementos relacionam-se de acordo com
a Equação 3.

l
R = ρ.
A

Onde ρ é a resistividade (Ω·m), l o comprimento do condutor (m) e A a área transversal do


condutor (m²).

Outros equipamentos que também apresentam o efeito Joule são os aquecedores, chuveiros
elétricos, secadores de cabelo, ferros de passar roupa, entre outros.

Quando você usa o seu secador de cabelo, ou um outro equipamento elétrico, durante um
determinado intervalo de tempo, é possível calcular a energia elétrica que foi consumida. Esse
cálculo é realizado através da Equação 4:

E = P . Δt

Onde E é a energia elétrica, P é a potência do equipamento e Δ é o tempo de funcionamento.

Agora você já sabe o que é a Lei de Ohm e como se calculam fatores importantes em
eletricidade como potência e energia.

Aplicação das normas


Caro estudante, um elemento básico ideal de circuito possui três atributos: tem apenas dois
terminais, é descrito matematicamente em termos de tensão e/ou corrente e não pode ser
subdividido em outros elementos (NILSSON; RIEDEL, 2008). Os elementos ideais podem ser
usados para modelar dispositivos e sistemas reais, porém não há elemento ideal na prática. A
Figura 2 representa um elemento básico ideal de circuito.
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Figura 2 | Elemento básico ideal de circuito. Fonte: Nilsson e Riedel (2008, p. 8).

Observando a Figura 2, notamos que a tensão nos terminais é representada por v e a corrente
por i, os sinais de mais e menos indicam a referência da polaridade e a direção de referência da
corrente é mostrada pela ponta da seta que indica o sentido do fluxo. Tanto a polaridade de
referência da tensão quanto a direção de referência da corrente são arbitrárias, porém o mais
usual é a convenção passiva de sinais, onde a corrente "entra" pelo terminal + da tensão.

Cálculos de potência e energia são tão importantes quanto corrente e tensão na análise de
circuitos elétricos. Isso acontece porque muitas vezes o resultado útil não é expresso em termos
elétricos, e sim em potência e energia. No cálculo da potência é importante entendermos se a
potência está sendo fornecida ou extraída dos terminais. Se utilizarmos a convenção passiva, a
Equação 1 estará correta desde que o sentido escolhido da corrente seja o mesmo da queda de
tensão entre os terminais do elemento. Se isso não acontecer, a equação deverá ser escrita com
um sinal negativo, conforme a Equação 5:

P = V . i
(5)

P = V . i

Se o sinal da potência for positivo, o circuito está absorvendo potência. Se o sinal da potência for
negativo, o circuito está fornecendo potência, conforme a Figura 3.
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Figura 3 | Referência de polaridade e expressão para potência. Fonte: adaptada de Nilsson e Riedel (2008, p. 9).

Como tudo isso funciona na prática? Imagine que o seu secador de cabelo seja o único
dispositivo elétrico em um circuito de 110 volts que transporta 12 amperes de corrente. A
potência do secador de cabelo será de 1,3 KW.

Há uma grande variedade de resistores fixos, variáveis e de tamanhos diferentes. Alguns são
grandes o suficiente para que o seu valor fique marcado no dispositivo, porém outros são bem
pequenos e, para conhecer o seu valor, é necessário utilizar um sistema de código de cores,
conforme Figura 4.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 4 | Código de cores. Fonte: Boylestad (2018, p. 85).

A primeira e segunda faixa no resistor representam, respectivamente, o primeiro e o segundo


dígito, representando os dois primeiros números. A terceira faixa representa a potência de 10, ou
seja, o número de 0 que irá seguir os dois primeiros dígitos, para resistores acima de 10Ω. A
quarta faixa é a tolerância do resistor fornecida pelo fabricante, a precisão no valor da
resistência. Caso o resistor não apresente a quarta faixa, foi convencionado o valor de 20%
(BOYLESTAD, 2018). A Figura 5 apresenta um exemplo de sequência para resistores fixos,
numerado com as respectivas faixas.

Figura 5 | Código de cores. Fonte: Boylestad (2018, p. 85).

O resistor da Figura 5 tem o valor de 20 x 10 = 200Ω. A faixa 4 representa a cor dourada com
tolerância de 5%. Para o cálculo vamos multiplicar o valor do resistor pelo valor da tolerância:
200 · 0,05 = 10 e então somaremos e subtrairemos esse valor do valor do resistor, assim temos o
valor máximo igual a: 200 + 10 = 210Ω e o valor mínimo igual a: 200 – 10 = 190Ω.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Assim, o intervalo será de 210Ω a 190Ω .

Saiba mais

Conhecer os tipos de resistências é importante para qualquer projeto que envolva eletricidade. O
capítulo 3 do livro Introdução à análise de circuitos trata desse assunto. É importante notar que
as resistências são fabricadas de formas diferentes para aplicações diferentes. Por exemplo, há
resistências de potência e de sinal, que suportam níveis diferentes de corrente e tensão.

Referências

BOYLESTAD, R. L. Introdução à análise de circuitos. 13. ed. São Paulo: Pearson, 2018. Disponível
em: [Link]
code=hlkyEKEjuVLRCX0f2YkmqSPMSXRFvgllsy1MKyoJPxcMkP+UEMLbBQzehJRfXurrh05WjwpI
0G64wZFpXovaTw==. Acesso em: 13 abr. 2023.

NILSSON, J. W.; RIEDEL, S. A. Circuitos Elétricos. 8. ed. São Paulo: Pearson, 2009.

Aula 3
Circuitos em série de corrente contínua

Videoaula: Circuitos em série de corrente contínua

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Os circuitos elétricos, simples ou complexos, podem ser descritos de várias maneiras. Um


circuito elétrico é comumente descrito através de palavras, como: "Uma lâmpada está conectada
a uma bateria", essa é uma quantidade suficiente de palavras para descrever um circuito simples.
Neste vídeo você vai ver alguns símbolos utilizados para representar os circuitos.

Introdução da Aula
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Olá, estudante!

Um circuito elétrico é a combinação de diferentes componentes que formam uma rede elétrica.

Quando há dois ou mais dispositivos elétricos em um circuito com uma fonte de energia, existem
alguns modos básicos de conectá-los. Você saberia dizer quais são esses modos?

Se você pensou em série e/ou paralelo acertou!

Sabe aquelas pequenas lâmpadas que nós colocamos na árvore de natal? Elas são um bom
exemplo de circuito em série, pois nesse tipo de circuito a corrente que percorre as lâmpadas é a
mesma. Porém, se uma lâmpada queimar, todas as outras lâmpadas da série não irão acender.

Nesta aula você vai ver a tensão, a corrente elétrica e a resistência em circuito série, o que é um
diagrama elétrico, como elaborar e interpretar e a polaridade e quedas de tensão por partes
proporcionais.

Bons estudos!

Iniciando circuitos em série e diagramas elétricos


Caro estudante, os dispositivos elétricos que estão presentes em um circuito juntamente com
uma fonte de energia podem ser conectados em série ou em combinações paralelas. Em uma
série de televisão, você recebe vários episódios, ou seja, um após o outro. Um circuito em série é
semelhante. Você obtém vários componentes um após o outro, ou seja, em um circuito em série
todos os elementos elétricos como fontes de tensão ou corrente, indutores, capacitores,
resistores, etc. são conectados em série, ou seja, há apenas um caminho para a corrente
percorrer.

Em um circuito em série não há fluxo de corrente no circuito em caso de quebra de circuito


porque todo o circuito ficará aberto. Essa é a principal desvantagem de um circuito em série. Por
exemplo, se muitas lâmpadas estiverem conectadas em um circuito em série, se uma lâmpada
queimar, as outras não irão acender, pois não irá passar corrente.

A corrente em um circuito em série e a mesma em cada componente do circuito, a resistência


total de um circuito em série é igual à soma das resistências individuais e a queda de
tensão total em um circuito em série é igual à soma das quedas de tensão individuais.

A Figura 1 apresenta um circuito elétrico básico, conectando uma bateria e uma resistência em
série. Enquanto a bateria estiver alimentando o circuito, a corrente não mudará de sentido nem
intensidade. Considerando o fio um condutor ideal, a diferença de potência V entre os terminais
do resistor será igual à tensão aplicada pela bateria. Por convenção, o sentido da corrente é o
oposto do sentido dos elétrons. A corrente I do circuito é calculada através da Lei de Ohm,
isolando a corrente I.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 1 | Circuito básico em série. Fonte: Boylestad, (2018, p. 147).

Na engenharia elétrica, eletrônica ou quem trabalha com eletricidade, utiliza-se diferentes tipos
de desenhos ou diagramas para representar um determinado sistema ou circuito elétrico. Esses
circuitos elétricos são representados por linhas para representar fios e símbolos ou ícones para
representar componentes elétricos e eletrônicos. Isso ajuda a entender melhor a conexão entre
diferentes componentes. Os eletricistas, por exemplo, contam com a planta elétrica (que
também é um diagrama elétrico) para fazer qualquer ficção do edifício. Um diagrama de circuito
também é conhecido como diagrama elétrico ou esquema eletrônico e representa graficamente
um circuito elétrico.

O diagrama esquemático de um circuito elétrico mostra todas as conexões elétricas entre os


componentes usando símbolos e linhas. Ao contrário do diagrama de fiação, ele não especifica a
localização real dos componentes, por exemplo, a linha entre os componentes não representa a
distância real entre eles. O diagrama elétrico ajuda a representar as conexões em série e em
paralelo entre os componentes e a conexão terminal exata entre eles.

Diante disso, você pôde aprender o que é um circuito em série e entender que o diagrama elétrico
representa o circuito por meio de linhas e símbolos.

Aprendendo um pouco mais sobre circuitos em série


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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Caro estudante, o principal objetivo de um circuito em série é calcular a corrente que atravessa
esse circuito e a queda de tensão em cada um dos componentes. A Figura 2 apresenta um
circuito puramente resistivo em série com uma única fonte de tensão.

Figura 2 | Circuito em série. Fonte: Costa (2013, p. 16).

Para calcular o valor da corrente desse circuito, devemos somar todas as resistências. À soma
dessas resistências nós damos o nome de resistência equivalente (Req) e podemos simplificar o
circuito, conforme Figura 3.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 3 | Circuito equivalente. Fonte: Costa (2013, p. 16).

As Figuras 2 e 3 apresentam a mesma relação tensão-corrente entre os terminais a e b. Para


obter o valor da corrente que percorre o circuito, basta usar a relação entre tensão aplicada e
resistência equivalente, Equação 1:

V
i =
R eq

Para calcular o valor da tensão em cada resistor que está em série, basta utilizar a Lei de Ohm
após calcular o valor da corrente que percorre o circuito em série.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Os engenheiros usam vários tipos de desenhos elétricos para destacar certos aspectos do
sistema. Existem quatro tipos básicos de diagramas elétricos: o diagrama esquemático, o de
fiação, de blocos e o pictórico.

O diagrama esquemático também é conhecido como diagrama de escada, destina-se a ser a


forma mais simples de um circuito elétrico. Esse diagrama mostra os componentes do circuito
em linhas horizontais sem considerar sua localização física. É usado para solução de problemas
porque é fácil entender a operação do circuito.

O diagrama de blocos também é conhecido como diagrama de blocos funcional e é a forma


simples de desenho elétrico, pois apenas destaca a função de cada componente e fornece o
fluxo do processo no sistema. Um diagrama de blocos é um tipo de desenho elétrico que
representa os principais componentes de um sistema complexo na forma de blocos interligados
por linhas que representam sua relação.

O diagrama de blocos é mais fácil de projetar e é o primeiro estágio na concepção de um circuito


complexo para qualquer projeto. Faltam informações sobre a fiação e a colocação de
componentes individuais. Ele representa apenas os principais componentes do sistema e ignora
quaisquer componentes pequenos, isso porque os eletricistas não confiam no diagrama de
blocos.

O diagrama de fiação representa o layout relativo dos componentes do circuito usando os


símbolos apropriados e as conexões dos fios. Embora um diagrama de fiação seja o mais fácil
de usar para fazer a fiação de uma instalação, às vezes é difícil entender a operação do circuito e
não é tão aplicável para a solução de problemas.

O diagrama pictórico mostra os componentes do circuito com mais detalhes, como eles
realmente são, e indica como a fiação está conectada. O diagrama não representa
necessariamente o circuito real. Na verdade, mostra a aparência visual do circuito e não pode ser
usado para entender ou solucionar problemas do circuito real. Normalmente esse tipo de
diagrama não é usado. Para alguém com menos conhecimento em elétrica, é impossível
entender como o circuito funciona e diagnosticá-lo.

Vimos, portanto, os diversos tipos de diagramas em eletricidade e como se calcula a corrente


total em um circuito elétrico série e a tensão em cada componente. Continue estudando!

Evoluindo para a prática

Caro estudante, anteriormente, você viu que quando uma diferença de potencial V é aplicada a
resistências que estão ligadas em série, a corrente que atravessa o circuito é a mesma em todas
as resistências, e a soma das diferenças de potencial das resistências é igual à diferença de
potencial aplicada V. As resistências que estão ligadas em série podem ser substituídas por uma
única resistência equivalente percorrida pela mesma corrente e com a mesma diferença de
potencial total que as resistências originais (HALLIDAY, 2016).
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Nos circuitos em série a queda de tensão nos componentes individuais não é a mesma, pois
depende de sua própria resistência, e quando conectamos vários resistores em série, a
resistência total do circuito aumenta.

Agora vamos ver alguns exemplos para que você tenha uma ideia clara de um circuito em
série. Você verá em luzes de fadas de cordas mais antigas, várias lâmpadas conectadas em
série. Essas lâmpadas são projetadas para operar de 3V a 5V. Mas uma luz de fada completa é
construída para operar com 110V ou 220V no Brasil. Por exemplo, uma luz de fada pode ser ​
construída com lâmpadas de 5V e tensão de entrada da fonte principal de 110V, assim, teremos
quase 22 números de lâmpadas conectadas em série. Se alguma dessas lâmpadas se danificar,
a linha inteira não funcionará. As luzes de fadas modernas são construídas com LEDs, onde na
maioria dos casos eles estão conectados em paralelo.

Outro exemplo do seu dia a dia é um interruptor, que está quase sempre conectado em série com
uma lâmpada ou qualquer outra carga. Um interruptor é conectado em série para abrir ou fechar
o circuito. Portanto, quando o circuito estiver na condição fechada, a lâmpada
funcionará. Quando acionamos a chave para desligar, o circuito estará aberto e a lâmpada irá se
desconectar da fonte de alimentação e não funcionará.

A maioria dos controles remotos possuem duas baterias. Essas baterias são conectadas em
série. Agora você sabe por que essas baterias estão conectadas em série? Quando conectamos
várias baterias em série, a tensão total geral aumenta. É por essa razão que essas baterias são
conectadas em série.

Vamos fazer um exemplo? Considere o circuito em série da Figura 4. Vamos calcular a corrente
que atravessa o circuito e a tensão em cada resistor?

Figura 4 | Circuito em série. Fonte: elaborada pela autora.


Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Para o cálculo da corrente vamos primeiramente encontrar a resistência equivalente, somando


todas as resistências do circuito, conforme a Equação 2:

R eq = R 1 + R 2 + R 3

R eq = 4 + 4 + 2 = 10Ω

Após calculamos a corrente que atravessa o circuito através da Equação 3:

V = R eq . i

V 10
i = = = 1A
R eq 10

Por fim, calculamos o valor da tensão em cada um dos resistores, usando a Lei de Ohm, Equação
4:

V 1 = R 1 . i = 4. 1 = 4V

V 2 = R 2 . i = 4. 1 = 4V

V 3 = R 4 . i = 2. 1 = 2V

Nota-se que somando os valores de V1, V2 e V3, temos exatamente o valor da fonte: 10V.

A Figura 4 representa um diagrama esquemático, o que geralmente usamos para representar os


circuitos elétricos, com os componentes e interconexões do circuito.

Para que você possa entender mais facilmente as diferenças de representações, observe a
Figura 5(a), que representa um diagrama de circuito pictórico, pois usa imagens simples de
componentes: bateria, lâmpada; e dois instrumentos de medida: amperímetro e voltímetro. A
Figura 5(b) representa o diagrama esquemático correspondente.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 5 | Diagramas (a) esquemático (b) pictórico. Fonte: Wikimedia Commons.

Saiba mais
O livro Introdução à análise de circuitos, de Robert L. Boylestad, apresenta no capítulo 5 teoria e
exemplos de circuitos elétricos em série. É recomendada a leitura das páginas 97 à página 100.
Trata-se de uma literatura fundamental dessa área, que contém aplicações e introduções a
assuntos próximos à teoria de circuitos.

Referências

BOYLESTAD, R. L. Introdução à análise de circuitos. 13. ed. São Paulo: Pearson, 2018. Disponível
em: [Link] Acesso em: 13 abr. 2023.

COSTA, V. M. da. Circuitos elétricos lineares: enfoques teórico e prático. Rio de Janeiro:
Interciência, 2013.

HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de Física. Vol. 3. Eletromagnetismo, 10. ed.
São Paulo: Grupo GEN, 2016. Disponível em:
[Link] Acesso em: 4 fev. 2023.

Aula 4
Circuitos em paralelo de corrente contínua
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Videoaula: Circuitos em paralelo de corrente contínua

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A unidade de condutância é o Siemens e recebe esse nome por ser uma homenagem a Werner
von Siemens, fundador da empresa alemã de eletrônica industrial e telecomunicações que leva
seu nome. Neste vídeo você vai ver um pouco mais sobre a condutância e como ela é trabalhada
nos circuitos paralelos.

Introdução da Aula
Olá, estudante! Os circuitos que são formados apenas por uma bateria e uma resistência de
carga em série são muito simples de analisar, porém em aplicações práticas não são
frequentemente encontrados. Normalmente, encontramos circuitos onde mais de dois
componentes estão conectados entre si. Há dois modos fundamentais de se conectar mais de
dois componentes de circuito: série e paralelos.

Você deve estar se perguntando, será que é possível combinar esses dois métodos? Sim! Esses
dois métodos básicos de conexão podem ser combinados para criar circuitos bem mais
complexos.

Nesta aula você vai ver como é a conexão em paralelo de circuitos e como se calcula a tensão, a
corrente elétrica, a resistência e a potência nesse tipo de conexão. Também vamos ver o que é a
condutância e como ela se relaciona com a resistência elétrica.

Bons estudos!

Circuitos em paralelo e condutância


Caro estudante, como você já viu, um circuito em série é um circuito onde os componentes estão
conectados de ponta a ponta em uma linha (Figura 1). A corrente que percorre todos os
componentes é a mesma, pois só existe um caminho para a corrente fluir.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 1 | Componentes ligados em série. Fonte: elaborada pela autora.

Em um circuito paralelo (Figura 2), todos os componentes compartilham os mesmos nós


elétricos. Portanto, diferentemente do circuito em série, o primeiro princípio a ser entendido
sobre circuitos paralelos é que a tensão é a mesma em todos os componentes paralelos e a
corrente total é a soma de todas as correntes individuais dos ramos.

Figura 2 | Componentes ligados em paralelo. Fonte: elaborada pela autora.

A característica que define um circuito paralelo é que todos os componentes estão conectados
entre o mesmo conjunto de pontos eletricamente comuns. Na Figura 2 é possível notar os
pontos A e B, onde as resistências R1, R2 e R3 estão conectadas entre esses pontos.

Do mesmo modo que nos circuitos em série, também aplicamos a Lei de Ohm nos circuitos em
paralelo. No circuito em série, a resistência total é a soma das resistências individuais e é,
portanto, sempre maior que qualquer um dos resistores individualmente. Já no circuito paralelo,
cada resistor paralelo adicionado a um circuito reduz a resistência equivalente total. No circuito
em paralelo a resistência equivalente é a soma das condutâncias, Equação 1. Mas o que é uma
condutância? A condutância é definida como a propriedade que um corpo apresenta em relação
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

à passagem da corrente elétrica. Ela é o inverso da resistência e representada por G. Desse


modo, no circuito em paralelo temos que (BOYLESTAD, 2018):

G eq = G1 + G2 + G 3 +. . . + G n

O símbolo da condutância é a letra “G” maiúscula, e a unidade é o mho, que é Ohm escrito ao
contrário, interessante, não acham? Apesar de sua adequação, a unidade do mho foi substituída
pela unidade da Siemens (abreviada pela letra maiúscula “S”).

Podemos calcular a condutância de acordo com a Equação 2. Lembrando que a resistência é o


inverso da condutância, assim temos:

1
G =
R

Substituindo a Equação 2 na Equação 1, temos a Equação 3 para o cálculo da resistência


equivalente em circuitos paralelos:

1 1 1 1 1
= + + +. . . +
R eq R1 R2 R3 RN

No circuito em paralelo o cálculo da potência total é do mesmo modo que do circuito em série,
assim, a potência dissipada pelos resistores e potência fornecida pela fonte pode ser calculada
através da Equação 4:

P = V. i

Caso você não tenha o valor da tensão, a Equação 4 pode ser rearranjada substituindo a tensão
do seguinte modo, Equação 5:

P = V. i

P = (r . i). i

2
P = r. i

O mesmo pode ser feito caso você não tenha o valor da corrente, Equação 6:

P = V . i

V
P = V. ( )
r

2
V
P =
r

Neste estudo, você viu a diferença entre uma ligação de circuito em série e paralelo. Aprendeu as
principais características de um circuito com ligação em paralelo e viu como se calcula a
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

resistência equivalente, que é diferente do circuito em série, e as diferentes variações da equação


para o cálculo da potência.

Aprofundando os conceitos de circuito paralelo

Caro estudante, você vai ver com um pouco mais de profundidade os três princípios que
envolvem o entendimento sobre circuitos paralelos: tensão, circuito e resistência. Como você já
viu, a tensão é igual em todos os componentes em um circuito paralelo, a corrente total do
circuito é igual à soma das correntes dos ramos individuais. Em um circuito em série, quando
adicionamos uma resistência, aumentamos a resistência total do circuito. Já no circuito em
paralelo, quando adicionamos uma resistência, diminuímos a resistência total. A Figura 3
apresenta um circuito paralelo com as marcações de corrente.

Figura 3 | Circuito em paralelo. Fonte: elaborada pela autora.

O primeiro princípio a ser entendido sobre circuitos paralelos é que a tensão é igual em todos os
componentes do circuito. Isso ocorre porque existem apenas dois conjuntos de pontos
eletricamente comuns em um circuito paralelo, os pontos A e B, representados na Figura 3. A
tensão medida entre esses pontos comuns deve ser sempre a mesma, Equação 7.

V = V R1 = V R2 = V R3

Observe que a tensão da fonte V é a mesma tensão que está em cada uma das resistências R1,
R2 e R3.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

O segundo princípio é sobre a corrente. Conforme a corrente total sai do terminal positivo (+) da
bateria e percorre o circuito, parte do fluxo se divide para passar por R1, outra parte se divide para
passar por R2 e o restante passa por R3. Para ficar mais claro para você, vamos imaginar que a
corrente é como um rio que se ramifica em vários riachos menores. Quando todas as vazões
desses riachos se juntarem, ela deve ser igual à vazão de todo o rio. O mesmo acontece com a
corrente, onde as correntes através de R1, R2 e R3 se unem para fluir de volta para o terminal
negativo da bateria (-). De acordo com a Figura 3, a Equação 8 ilustra esse princípio:

i = i1 + i2 + i3

O terceiro princípio é em relação à resistência dos circuitos em paralelo. Nesse circuito,


quando uma carga é desativada, desligada ou mesmo pare de funcionar, o restante da carga do
circuito continuará funcionando normalmente, por esse motivo os circuitos elétricos que fazem
parte da iluminação pública devem estar em paralelo.

Imagine se uma lâmpada que está na rua, na porta de sua casa queimar. Se ela estiver
conectada em série todas as outras que estiverem ligadas com ela irão também ficar apagadas,
já em paralelo as outras continuarão funcionando. O cálculo da resistência equivalente do
circuito da Figura 3 é dado pela Equação 9.

1 1 1 1
= + +
R eq R1 R2 R3

Podemos pensar também no circuito em paralelo, da Figura 3, em termos de condutância em vez


de resistência, Equação 10. A condutância de um circuito paralelo é a soma das condutâncias
dos ramos individuais, o circuito se torna mais condutivo conforme adicionamos mais caminhos
para o fluxo de correntes.

G eq = G 1 + G 2 + G 3

Os circuitos em paralelo têm um ponto negativo em relação à potência. Esse tipo de circuito
dissipa mais potência, portanto o consumo é maior.

Compreendemos, portanto, que um circuito paralelo é definido como aquele em que todos os
componentes estão conectados entre o mesmo conjunto de pontos eletricamente comuns e que
a corrente possui mais de um caminho, ou seja, ela se divide.

Teoria na prática
Caro estudante, você sabia que nas instalações elétricas residenciais, comerciais e industriais o
tipo de circuito elétrico mais utilizado é o circuito elétrico em paralelo?
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Isso acontece porque nesse tipo de circuito a tensão elétrica em todas as cargas sempre será a
mesma, por exemplo, 127V, 220V ou 380V, dependendo de onde o circuito estiver ligado. Além
disso, o circuito paralelo dissipa a máxima potência, pois a tensão é a mesma nas cargas e se
caso acontecer algum problema em uma das cargas e ela parar de funcionar, as demais irão
continuar funcionamento normalmente, diferente do circuito em série, em que todas iriam parar
de funcionar.

Há alguns modos fáceis de se identificar um circuito em paralelo, como utilizando um


multímetro. Mas como fazer isso? É simples. Como a tensão no circuito paralelo é a mesma para
todas as cargas, então se medirmos com o multímetro a tensão em uma delas e ela for idêntica
à tensão de alimentação, o circuito está conectado em paralelo.

Outro modo também simples é testando as cargas. Para isso, basta desligar ou retirar uma
carga, se o circuito estiver em série, todas as demais cargas do circuito vão parar de funcionar;
porém, se o circuito continuar funcionando, ele está ligado em paralelo.

Um outro circuito que devemos aprender é o circuito composto, que envolve tanto as conexões
em série quanto aquelas em paralelo, Figura 4.

Figura 4 | Circuito composto. Fonte: elaborada pela autora.

O circuito da figura apresenta conexões em série e paralelo. As lâmpadas L1 e L2 estão


conectadas em paralelo e as lâmpadas L3 e L4 estão em série.

Vamos fazer um exemplo?

Considere as lâmpadas do circuito da Figura 4 com resistência de 144Ω e ligadas em uma


tensão de 110V. Qual o valor da corrente que percorre o circuito e a resistência equivalente? Qual
o valor total da potência e em cima da lâmpada L1?
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Para calcular o valor da resistência equivalente, vamos primeiramente calcular o equivalente


entre as lâmpadas L1 e L2, que estão em paralelo.

1 1 1 1 1 1 2 1 1 1 1
= + = + = = = = 72Ω
RL L L1 L2 RL L 144 144 144 72 RL L 72 RL L
1 2 1 2 1 2 1 2

Agora, vamos calcular o valor das resistências que estão em série, L3 e L4.

RL = L3 + L4R L = 144 + 144R L = 288Ω


3 L4 3 L4 3 L4

O circuito após o cálculo das resistências entre L1 e L2 e entre L3 e L4 tem o formato mostrado
na Figura 5, ou seja, as lâmpadas estão em série.

Figura 5 | Circuito após o cálculo das resistências. Fonte: elaborada pela autora.

Agora vamos calcular a resistência equivalente do circuito.

R eq = R L + RL
1 L2 3 L4

R eq = 72 + 288

R eq = 600Ω

O cálculo da corrente é realizado através da Lei de Ohm:


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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

V = Rq . i

V 110
i = =
R eq 360

i = 0, 305A

Para o cálculo da potência total temos:

P = V. i

P = 110 . 0, 305

P = 33, 55W

Para o cálculo da potência em cima da lâmpada L1, observe a figura:

Figura 6 | Potência da lâmpada L1. Fonte: elaborada pela autora.

A corrente total nós já calculamos, i1, como as resistências L1 e L2 das lâmpadas são iguais, a
corrente se divide, portanto:

i1 0,305
i3 = i4 = = = 0, 1525A
2 2
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Com o valor da corrente e da resistência da lâmpada, calculamos a potência em L1, em que as


lâmpadas estão ligadas em paralelo:

2 2
P = V . iP = (r . i ) . iP = r . i P = 144 . (0, 1525) P = 3, 35W

Vimos, na prática, como calcular a corrente, resistência equivalente e potência em um circuito


composto.

Saiba mais
Quando calculamos o inverso da resistência, obtemos um parâmetro chamado condutância. Nos
circuitos em paralelo, encontrar a condutância facilita os cálculos. Saiba mais sobre esse
parâmetro no livro Introdução à análise de circuito, capítulo 3, página 60 e capítulo 6 página 128.
É interessante notar que alguns circuitos são mais fáceis de se resolver usando condutância
como parâmetro e isso é muito importante na área de transmissão de energia elétrica.

Referências

BOYLESTAD, R. L. Introdução à análise de circuitos. 13. ed. São Paulo: Pearson, 2018. Disponível
em: [Link]
code=D9C0loQ07gYa3YiVxbsTjLt6/Wercu83gn1bnGQNAidrmR6l2aXh/gf+AJiiP2qJpjh1QabeAuu
gK+nbq8afVw==. Acesso em: 13 abr. 2023.

Aula 5
Encerramento da Unidade

Videoaula: Revisão da unidade

Este conteúdo é um vídeo!


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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

A primeira Lei de Ohm diz que a diferença de potencial elétrico entre dois pontos de um resistor
elétrico é proporcional à corrente elétrica que o atravessa. Desse modo, sabemos que essa
resistência elétrica é constante. Porém, para que isso aconteça, é preciso que esse resistor
esteja em uma temperatura constante.
Neste vídeo você vai ver os resistores ôhmicos e os resistores não ôhmicos.

Circuitos séries e paralelo


Olá, estudante! Trabalhar com eletricidade exige alguns cuidados e o cumprimento de normas,
como a NR-10, que estabelece as condições mínimas e os requisitos de segurança visando a
implantação de medidas de controle e sistemas preventivos, de forma a garantir a segurança e a
saúde dos trabalhadores que direta ou indiretamente interagem nas instalações elétricas.

Os componentes de um circuito elétrico ou circuito eletrônico podem ser conectados de várias


maneiras, sendo que os dois principais para se conectar dois ou mais componentes são em
série e paralelo. Vamos primeiro ver um exemplo de circuito em série, Figura 1.

Figura 1 | Circuito série. Fonte: elaborada pela autora.

A figura apresenta três resistores: R1, R2 e R3, que estão conectados ao longo de um único
caminho que vai de um terminal da bateria ao outro. A característica que define um circuito em
série é que há apenas um caminho para o fluxo de elétrons, ou seja, a corrente é a mesma em
todos os resistores e a tensão no circuito é a soma das tensões em cada componente.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

A resistência total em um circuito em série é simplesmente a soma das resistências de


resistores individuais.

Agora, vamos ver uma configuração com os resistores em paralelo (Figura 2).

Figura 2 | Circuito paralelo. Fonte: elaborada pela autora.

Novamente, temos três resistores, porém agora eles formam mais de um caminho contínuo para
o fluxo de elétrons. A característica que define um circuito em paralelo é que todos os
componentes estão conectados entre o mesmo conjunto de pontos eletricamente
comuns. Olhando para Figura 2, vemos que os pontos a, b, c e d são eletricamente comuns,
assim como os pontos e, f, g e h. Observe que todos os resistores, bem como a bateria, estão
conectados entre esses dois conjuntos de pontos. Em um circuito paralelo, a tensão em cada um
dos componentes é a mesma e a corrente total é a soma das correntes em cada componente.

A resistência total em um circuito paralelo pode ser calculada através da soma das
condutâncias, sendo que a resistência é o inverso da condutância, Equação 1. A condutância em
um circuito paralelo é simplesmente a soma da condutância para cada componente individual.

1
G =
R

A condutância é dada em Siemens (S).

A Lei de Ohm é uma das leis mais importante quando se estuda eletricidade e é utilizada tanto
em circuitos com ligações em série quanto nos de ligação em paralelo, por isso é tão importante
conhecê-la e saber aplicá-la. A Lei de Ohm diz que a resistência é diretamente proporcional à
tensão, mas inversamente proporcional à corrente, Equação 2.

V = R. i

A tensão é dada em Volts (V), a corrente em Ampère (A) e a resistência em Ohms (Ω).
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Bons estudos!

Estudo de caso

Todos os dias nós estamos cercados por uma das inovações mais importantes de todos os
tempos e que se tornou fundamentou para nós, a eletricidade. As pessoas viveram por séculos
sem eletricidade e sobreviveram, mas será que hoje o ser humano conseguiria viver sem ela?
A eletricidade não é utilizada apenas para acendermos as luzes de casa e permitir que você
cozinhe, limpe e trabalhe como faria normalmente, ela é fundamental para o funcionamento e o
suporte de vários tipos de indústrias, inclusive a indústria tecnológica. Se não existisse a ideia da
eletricidade e o processo de criá-la, não haveria tecnologia e possivelmente a vida continuaria a
mesma.
Na nossa casa a eletricidade é importante para operar todos os aparelhos, entretenimento,
iluminação e, claro, toda a tecnologia. Quando vamos viajar, a eletricidade é importante para o
uso de trens elétricos, aviões e até alguns carros. Pensando nas escolas, nas instalações
médicas, como hospitais, é fundamental e indispensável, em lojas de varejo, todas precisam de
eletricidade para funcionar com eficiência. A eletricidade também é importante para a operação
de máquinas como computadores ou monitores.
Os circuitos elétricos podem ser definidos como um conjunto de dispositivos que são
conectados por meio de fios condutores e ligados em uma fonte de tensão elétrica como uma
bateria. Os circuitos elétricos possuem muitas funções e das mais diversas possíveis, como a
produção de calor, o armazenamento de cargas elétricas, a interrupção da passagem de corrente
elétrica, entre outras.
Para contextualizar sua aprendizagem, imagine que você trabalha em uma empresa que produz
aparelhos elétricos e eletrônicos. Uma das partes do seu trabalho é verificar e analisar os
circuitos elétricos dos aparelhos que são feitos pela empresa, com a finalidade de verificar suas
particularidades e características, como a condutância do circuito, condução de corrente, análise
da tensão, tipo de circuito, entre outros. Para realizar essa atividade, você deverá analisar dois
circuitos com cargas puramente resistivas e utilizar a teoria aprendida para o estudo.
De forma simplificada, considere as Figuras 1 e 2 em sua análise. você poderá analisar os
circuitos anteriores? Quais leis devem embasar suas análises sobre esses sistemas? Quais são
as peculiaridades e características de cada elemento nos respectivos circuitos elétricos?

Figura 1 | Circuito 1. Fonte: elaborada pela autora.


Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 2 | Circuito 2. Figura 2 | Circuito 2

Entender os circuitos elétricos é fundamental para entender como a eletricidade funciona. Para
que um circuito funcione, todos os componentes, fios, carga, uma fonte de energia devem estar
conectados. Quando todas as partes estão conectadas, o circuito é fechado e a corrente se
move.
No circuito em série a corrente flui por apenas um caminho e todas as partes estão conectadas
ao longo desse caminho, portanto, a corrente é a mesma em todas as partes. No entanto, a
quantidade de corrente para cada dispositivo em um circuito em série diminui à medida que mais
dispositivos são adicionados ao circuito. Por exemplo, conforme você adiciona lâmpadas a um
circuito em série, a luz vai ficando mais fraca do que antes.
Se um dispositivo em um circuito em série queimar ou for desconectado, todos os dispositivos
param de funcionar. Os circuitos em série são normalmente utilizados em dispositivos simples,
como lanternas e luzes de natal.
Um circuito paralelo contém vários caminhos ou ramificações, onde cada dispositivo está em
uma ramificação separada. A corrente que flui através desse circuito se divide ao atingir cada
ramificação, portanto a quantidade de corrente é diferente em diferentes pontos. Quando você
adiciona uma lâmpada a um circuito paralelo ela brilhará tão intensamente quanto as outras,
desde que cada nova lâmpada seja adicionada em seu próprio ramo.
Como cada ramo em um circuito paralelo é separado dos outros ramos, um dispositivo em um
ramo pode ser ligado ou desligado sem afetar os outros e caso um dispositivo quebrar ou for
desconectado, os dispositivos nas outras ramificações continuarão funcionando. Os circuitos
paralelos são usados ​em residências, escolas, escritórios, ou seja, em qualquer lugar onde seja
importante manter vários dispositivos funcionando mesmo quando um deles queima.

Olá estudante, chegamos ao encerramento da unidade!


Vamos realizar a experiência presencial que irá consolidar os conhecimentos adquiridos? É a
oportunidade perfeita para aplicar, na prática, o que foi aprendido em sua disciplina. Vamos
transformar teoria em vivência e tornar esta etapa ainda mais significativa. Não perca essa
chance única de colocar em prática o conhecimento adquirido.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

BOYLESTAD, R. L. Introdução à análise de circuitos. 13. ed. São Paulo: Pearson, 2018. Disponível
em: [Link]
code=hlkyEKEjuVLRCX0f2YkmqSPMSXRFvgllsy1MKyoJPxcMkP+UEMLbBQzehJRfXurrh05WjwpI
0G64wZFpXovaTw==. Acesso em: 13 abr. 2023.
HALLIDAY, David; RESNICK, Robert; WALKER, Jearl. Fundamentos de Física - Vol. 3 -
Eletromagnetismo, 10ª edição. Grupo GEN, 2016. Disponível em:
[Link] Acesso em: 04 fev. 2023.
Tells, Dirceu D’Alkmin, Netto, João Mongelli. Física com aplicação tecnológica: Eletrostática,
eletricidade, eletromagnetismo e fenômenos de superfície. Volume 3 de Física com aplicação
tecnológica Editora Blucher, 2018.
,

Unidade 2
LEIS E TEOREMAS

Aula 1
Lei de Kirchhoff para a tensão (LKT)
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Videoaula: Lei de Kirchhoff para a Tensão (LKT)

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Gustav Kirchhoff criou as Leis de Kirchhoff, que são fundamentais para realizar análise de
circuitos elétricos. Uma de suas leis, a LKT, Lei de Tensão, afirma que, para um caminho em série
de loop fechado, a soma algébrica de todas as tensões é igual a zero. Isso ocorre porque um
loop de circuito é um caminho de condução fechado, portanto, nenhuma energia é perdida. Neste
vídeo, você verá passo a passo como resolver um circuito utilizando LKT.

Introdução da Aula

Olá, estudante!

Nós encontramos circuitos elétricos todos os dias em nosso dia a dia, pois eles estão presentes
em todos os eletrônicos e eletrodomésticos que possuímos. Nós já vimos que um circuito possui
fonte de energia elétrica, dispositivos e um material condutor para fechar o circuito. Para analisar
os circuitos complexos, devemos usar além da Lei de Ohm, as Leis de Kirchhoff. Você deve estar
pensando, o que é isso?

São duas Leis de Kirchhoff e ambas são necessárias para calcular a corrente que atravessa em
um circuito ou a tensão sobre uma resistência em um circuito elétrico. Esses cálculos são
chamados de análise do circuito.

Nesta aula você vai ver a Lei de Kirchhoff para a tensão (LKT), comandos elétricos e elementos
elétricos.

Bons estudos!

Início de análise de circuitos elétricos

Caro estudante, podemos dizer que o modo pelo qual vivemos está diretamente ligado à
eletricidade, pois ela é responsável pela comunicação a distância, o desenvolvimento das
indústrias e claro pela internet. Podemos dividir o estudo da eletricidade em grandes áreas de
atuação, que são a geração, a transmissão, a distribuição e o consumo de eletricidade.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Os comandos elétricos utilizam a energia, transformando-a em parte de um produto. Através dos


comandos elétricos acionamos diversos equipamentos e máquinas elétricas. Os comandos
elétricos são divididos em módulos ou circuitos, força (motores e equipamentos), ou seja, onde
ficam as cargas e o de comando ou controle onde se localiza os dispositivos de acionamento e
sinalização.

O circuito onde se encontram as cargas pode ser de três modos: monofásico, que significa
apenas uma fase; bifásico, ou seja, possuem duas fases; e trifásico, que significa três fases.
Existem aplicações de circuitos polifásicos, mas se restringem a máquinas elétricas específicas
com alta precisão.

O circuito elétrico é fundamental em todas essas áreas e para o estudo desses circuitos três leis
são fundamentais: a Lei de Ohm e as duas Leis de Kirchhoff.

A Lei de Ohm afirma que a tensão em um resistor é diretamente proporcional à corrente que
passa por ele (ALEXANDER; SADIKU, 2013), porém para a análise ser completa é necessário
conhecer as duas Leis de Kirchhoff. As duas leis formam um conjunto suficiente de ferramentas
para analisar uma série de circuitos elétricos.

Em 1847 o físico alemão Gustav Robert Kirchhoff introduziu as leis de Kirchhoff e elas são
conhecidas como Lei de Kirchhoff para Corrente (LKC, ou Lei dos Nós) e Lei de Kirchhoff para
Tensão (LKT, ou Lei das Malhas). Ambas as leis descrevem o comportamento de tensões e
correntes em todos os circuitos elétricos e são essenciais para entendermos como funcionam
os circuitos série, paralelo e série-paralelo.

Um dos principais elementos de um circuito elétrico são os resistores ou resistências que


possuem duas funções: converter a energia elétrica em energia térmica e limitar a passagem da
corrente elétrica.

Além dos resistores, outro componente elétrico bastante utilizado nos circuitos elétricos é o
capacitor, que é um elemento passivo que armazena energia em seu campo elétrico. Os
capacitores são muito utilizados em eletrônica, comunicações, computadores e sistemas de
potência.

Do mesmo modo que o capacitor, o indutor também é um elemento passivo que armazena
energia em seu campo magnético. Um indutor ideal pode armazenar energia indefinidamente
porque não apresenta nenhum tipo de perda. Os indutores são usados em diversas aplicações na
eletrônica, nos sistemas de potência, em fontes de tensão, transformadores, rádios, TVs, radares
e motores elétricos. Eles também são usados no filtro para altas frequências e para proteger o
circuito de grandes oscilações da corrente.

As fontes de alimentação também fazem parte do circuito, normalmente damos o nome de fonte
de alimentação às fontes de tensão, porém em um circuito também podem existir fontes de
corrente. Em uma fonte de tensão ideal, a tensão se mantém para qualquer variação de corrente,
já na fonte de corrente ideal é a corrente que se mantém para qualquer variação de tensão.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Até aqui, você pôde ver que, a partir dos comandos elétricos, acionamos diversos equipamentos
e máquinas elétricas e que os principais elementos de um circuito são os resistores, os
capacitores, os indutores e as fontes. Além disso, entendeu que, para se analisar um circuito
elétrico, é preciso aplicar as Leis de Ohm e as Leis de Kirchhoff.

Partes importantes de um circuito elétrico


Caro estudante, Gustav Robert Kirchhoff formulou as Leis de Kichhoff para circuitos elétricos em
1845 enquanto ainda era um estudante universitário. Para você entender as Leis de Kirchhoff, ou
LKT, ou Lei das Malhas, é preciso conhecer alguns conceitos básicos para que se possa resolver
e analisar os circuitos elétricos, tanto em corrente contínua quanto corrente alternada. Antes de
apresentar a LKT, vamos ver os elementos que formam um circuito elétrico e a diferença entre
corrente contínua e alternada.
Um circuito que possui uma pilha como fonte de alimentação, a direção da corrente é sempre a
mesma, assim como a sua intensidade é constante. Essa corrente é chamada de corrente
contínua (CC). Agora, a eletricidade que passa na tomada elétrica da sua casa não é de corrente
contínua, mas sim de corrente alternada (CA), pois a sua direção está sempre mudando.

O circuito elétrico possui algumas partes importantes que devemos reconhecer para realizar a
análise pelas Leis de Kirchhoff. Uma dessas partes é chamada de ramo. O ramo, Figura1, é
qualquer parte de um circuito elétrico composta por um ou mais dispositivos que estão ligados
em série (MARKUS, 2009).

Figura 1 | Representação de um ramo. Fonte: Markus (2009, p. 54).

Outra parte importante é o nó. O nó (Figura 2) é qualquer ponto de um circuito elétrico onde
existe a conexão de três ou mais ramos (MARKUS, 2009).
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 2 | Representação de um nó. Fonte: Markus (2009, p. 54).

Por fim, tem-se a malha. A malha é qualquer parte do circuito elétrico cujos ramos formam um
caminho fechado para a corrente (MARKUS, 2009).

Figura 3 | Representação de uma malha. Fonte: Markus (2009, p. 54).

O circuito elétrico possui um único sentido de corrente e um único valor para cada ramo. Após
serem definidos os sentidos e encontradas as intensidades das correntes em todos os ramos, é
possível determinar todas as tensões. Há vários tipos de dispositivos, sendo que os mais
comuns são botões, comutadores, microinterruptores, chaves seletoras, lâmpadas-piloto e
sinalizadores sonoros.

Os dispositivos elétricos são componentes de um sistema automatizado nos quais vão receber
os comandos do circuito elétrico, com a finalidade de acionamento das máquinas elétricas.
Os botões, as botoeiras e as chaves seletoras fazem parte de uma interface do usuário com os
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

acionamentos elétricos e as funções de uma máquina ou equipamento elétrico. Botoeiras em


comandos elétricos são chaves auxiliares que servem para estabelecer ou interromper a
passagem de corrente elétrica em linhas de um circuito de comando. As botoeiras são
comandadas de modo manual, local ou a distância.

De acordo com as normas, as botoeiras possuem cores definidas de acordo com a sua função
(FRANCHI, 2014):

Vermelho: significa que o equipamento deve parar, desligar ou serve como botão de
emergência.
Amarelo: iniciar um retorno, eliminar uma certa condição perigosa.
Verde ou preto: significa que vai acionar a máquina, vai ser dada a partida.
Branco ou azul: qualquer outra função que não foi mencionada.

Os dispositivos de comando são elementos de comutação que servem para permitir ou não a
passagem da corrente elétrica entre pontos do circuito. A chave impulso só vai permanecer
acionada se estiver sendo aplicada uma força externa sobre ela. Quando se retira essa força o
dispositivo volta à posição inicial. Nessas chaves há dois tipos de contato: normalmente aberto e
normalmente fechado.

Como vimos, para realizar a análise pelas Leis de Kirchhoff, é necessário reconhecer alguns
dispositivos elétricos de comando e outras partes igualmente importantes.

Aplicando a Lei de Kirchhoff


Caro estudante, agora que você já sabe reconhecer algumas partes importantes do circuito
elétrico, vamos ver a Lei de Kirchhoff para Tensão ou Lei das Malhas.

O primeiro passo é adotar um sentido arbitrário de corrente para a analisar uma malha e
considerar as tensões que elevam o potencial do circuito como positivas e as tensões que
causam queda de potencial como negativas. Agora podemos anunciar a Lei de Kirchhoff para
tensões, como: a soma algébrica das tensões em uma malha deve ser igual a zero, ou para
qualquer malha fechada, a soma das quedas de tensão ao redor da malha é igual à tensão
aplicada (Figura 4).
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 4 | Lei de Kirchhoff para Tensão. Fonte: Markus (2009, p. 55).

Você se lembra o que é uma queda de tensão? Uma queda de tensão é a diferença de potencial
que aparece sobre um componente, por exemplo, um resistor, devido ao fluxo de corrente que
passa através dele. Vamos fazer um exemplo? Considere o circuito da Figura 5, onde E é igual
20V, R1 é igual a 5Ω, R2 é igual a 10Ω e R3 é igual a 5Ω. Como encontrar os valores de U1, U2 e
U3?

Figura 5 | Circuito em série. Fonte: Waygood (2017, p. 58).


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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Os valores de U1, U2 e U3 serão determinados depois de encontrarmos o valor da corrente,


utilizando a Lei de Kirchhoff para Tensão. De acordo com a Lei de Kirchhoff e a Lei de Ohm,
temos na Equação 1:

+U 1 + U 2 + U 3 –E = 0 + U1 + U2 + U3 = ER 1 . i + R 2 . i + R 3 . i = Ei =
R

Lembrando que como todos os componentes estão ligados em série, a corrente é a mesma em
todo o circuito. Substituindo os valores da Equação 1, temos:

E 20 20
i = i = i = i − 1A
R 1 + R 2 +R 3 5 + 10 +15 20

Agora, vamos substituir o valor da corrente encontrada em cada componente para determinar a
tensão:

U 1 = R 1 . i = 5. 1 = 5V

U 2 = R 2 . i = 10. 1 = 10V

U 3 = R 3 . i = 5. 1 = 5V

Os elementos responsáveis pela continuidade da corrente elétrica em um circuito são os


contatos. Na maioria das vezes são fabricados em forma de pastilha de liga de prata, tanto nas
partes fixas como nas partes móveis, para acarretar um prolongamento da vida para os contatos.
Os tipos de contato são:

Contato normalmente aberto (NA): sua posição original é aberta e permanece assim até
que seja aplicada uma força externa. Em aplicações industriais, normalmente é chamada
de contato NO (normally open).
Contato normalmente fechado (NF): sua posição original é fechada e permanece assim até
que seja aplicada uma força externa. Em aplicações industriais, normalmente é chamada
de contato NC (normally closed).
Contato comutador: possui um contato comum em um lado e no lado oposto possui dois
contatos de saída, um NA e outro NF, permitindo uma comutação entres as duas saídas,
selecionando desse modo linhas de comandos diferentes no circuito elétrico.

Um exemplo de circuito de comando é um operador que aperta um botão resultando na partida


de um motor elétrico. Enquanto o motor estiver operando, uma lâmpada de sinalização acenderá
indicando ao operador que o motor está ligado. Quando o operador apertar outro botão, o motor
desliga e a lâmpada de sinalização se apaga.

A sinalização é fundamental em sistemas elétricos, pois é preciso sinalizar quando uma máquina
está operando, quando um sistema de painéis está energizado ou quando o equipamento parou
inesperadamente. Para sinalização, utilizamos indicadores luminosos de cores diferentes para
indicar uma situação: vermelha significa emergência ou condições perigosas, amarela indica
uma condição anormal, verde significa normalidade, azul e branca qualquer outra função não
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apresentada pelas outras cores. Um exemplo da cor azul seria funções diversas de preparação e
branca máquinas em movimento, um sistema energizado.

Saiba mais

Os dispositivos e circuitos de comando elétrico são formados pelos contatos elétricos para
chaveamento de correntes de baixa intensidade e elementos de sinalização, visual ou sonora.
Esses contatos podem ser acionados manualmente ou mecanicamente, em que o principal
dispositivo de chaveamento é o botão, e o principal dispositivo de sinalização é a lâmpada.

Saiba mais sobre esses dispositivos no Capítulo 2 do livro Comandos elétricos - componentes
discretos, elementos de manobra e aplicações

Referências
ALEXANDER, C. K.; SADIKU, M. N. O. Fundamentos de Circuitos Elétricos com Aplicações. Porto
Alegre: Grupo A, 2013. Disponível em:
[Link] Acesso em: 18 fev. 2023.

FRANCHI, C. M. Acionamentos Elétricos. São Paulo: Editora Saraiva, 2014. E-book. Disponível em:
[Link] Acesso em: 20 fev. 2023.

MARKUS, O. Circuitos Elétricos - Corrente Contínua e Corrente Alternada. São Paulo: Editora
Saraiva, 2009. Disponível em:
[Link] Acesso em: 19 fev. 2023.

WAYGOOD, A. Uma Introdução à Ciência Elétrica. São Paulo: Grupo GEN, 2017. E-book. Disponível
em: [Link] Acesso em: 20 fev.
2023.

Aula 2
Lei de Kirchhoff para a corrente (LKC)

Videoaula: Lei de Kirchhoff para a Corrente (LKC)

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Para realizar uma análise completa em circuitos elétricos, é preciso conhecer a Lei de Ohm e as
Leis de Kirchhoff. Neste vídeo você verá passo a passo de como resolver um circuito utilizando a
Lei dos Nós ou a Lei de Kirchhoff para Correntes, que afirma que a soma das correntes
individuais que se aproximam de um nó é igual à soma das correntes que saem desse nó.

Introdução da Aula

Olá, estudante!

Você já viu que encontramos circuitos elétricos todos os dias em nosso dia a dia, como nos
eletrônicos e eletrodomésticos e nas máquinas elétricas, como no motor e no gerador, por isso é
muito importante entendermos como aplicar as leis que regem a sua análise.

Se você está lendo este material a partir de um computador, possivelmente está usando um
mouse, que contém um sensor óptico. O sensor é um dos elementos de controle.

Nesta aula, você vai ver a Lei de Kirchhoff para a Corrente (LKC), o que são máquinas elétricas e
quais são os elementos de controle.

Bons estudos!

Introdução à LKC e máquinas elétricas

Caro estudante, como você já viu, as Leis de Kirchhoff para circuitos elétricos também são
conhecidas como leis das malhas e dos nós. Você se lembra da Lei de Kirchhoff para Tensões
(LKT)? Essa lei diz que a soma algébrica das tensões em uma malha deve ser igual a zero.
Porém, ela sozinha não é capaz de analisar todos os tipos de circuitos elétricos, assim nós
vamos ver a Lei de Kirchhoff para Correntes, ou como também é conhecida, Lei dos Nós ou LKC.

A LKC anuncia que após se definir arbitrariamente as correntes que chegam ao nó de um circuito
elétrico como positivas e as que saem do nó como negativas, a soma algébrica das correntes
desse nó é igual a zero ou a soma das correntes que chegam a um nó é igual à soma das
correntes que saem desse nó.

A análise de circuitos é aplicada em várias áreas da eletricidade, inclusive nas máquinas elétricas
que estão presentes tanto nas grandes indústrias quanto em nossas residências. As máquinas
elétricas, por exemplo, são responsáveis por acelerar um carro elétrico, por movimentar os robôs
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

industriais, pela geração da energia elétrica que usamos todos os dias e muitas outras
aplicações.

Uma máquina elétrica converte qualquer forma de energia em energia elétrica ou vice-versa e
pode ser classificada em três grandes grupos: transformadores, gerador elétrico e motor
elétrico. Grande parte das aplicações nas quais se envolve comando, destina-se ao acionamento
de motores elétricos.

O transformador é um dos equipamentos mais utilizados nas indústrias, no comércio, na


distribuição de energia e até mesmo nas residências. Em muitos casos, a aplicação na qual o
transformador se destina acompanha o nome, por exemplo, de transformador de medição,
transformador de corrente, etc. Importante dizer que em um transformador, tanto a entrada
quanto a saída são de energia elétrica, portanto não há nenhum tipo de conversão de energia.
O motor e o gerador também são dois equipamentos muito utilizados e importantes.

A principal aplicação de um motor de corrente contínua (CC) está relacionada ao controle de


velocidade com necessidade crítica de torque. Algumas aplicações dos motores de corrente
contínua são: abrir e fechar vidros, partir motores, no metrô e em muitas outras aplicações.
Um gerador CC nada mais é que uma máquina elétrica de corrente contínua, também chamada
de dínamo. Os geradores de corrente contínua atuam como fontes de tensão e sua estrutura
funciona através de um torque eletromagnético.

Quando você programa o seu micro-ondas por 10 minutos e pressiona o botão de iniciar, após a
passagem de tempo ele se desliga automaticamente, ou seja, sem a sua intervenção. A
temperatura interna da sua geladeira se mantém praticamente constante devido a um sistema de
controle automático, que irá ligar ou desligar o compressor, conforme for necessário.
Desse modo, o controle automático é aquele em que o próprio dispositivo consegue perceber
mudanças que afetam o sistema e decidir se deve realizar alguma ação corretiva, tudo sem
intervenção humana.

Até aqui, você viu as leis necessárias para analisar um circuito elétrico, seja em série, paralelo e
misto. Compreendeu, também, que uma máquina elétrica possui circuitos que precisam ser
analisados e que o controle automático está presente em nossas vidas.

Desenvolvendo a análise de circuitos e conhecendo um sistema de controle

Caro estudante, a Lei de Kirchhoff da Corrente diz que a soma das correntes individuais que se
aproximam de um nó é igual à soma das correntes que saem deste nó (WAYGOOD, 2017),
conforme o circuito com associação mista (série-paralelo) (Figura 1).
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Figura 1 | Circuito série – paralelo com indicações de corrente. Fonte: Waygood (2017, p. 59).

Observando a Figura 1, é possível notar que há três nós: A, B e C. A corrente I1 está entrando no
nó A, enquanto as correntes I2 e I3 estão saindo desse mesmo nó A. Nota-se que a corrente I1 é
a soma das correntes I2 e I3 , ou seja, I1 = I2 + I3 .

Continuando a análise, agora a corrente I2 está entrando no nó B, enquanto as correntes I4 e I5


estão saindo desse mesmo nó. Observe que a corrente I2 é a soma das correntes I4 e I5 , ou
seja, I2 = I4 + I5 .

Por fim, temos as correntes , I3 , I4 e + I5 entrando no nó C e a corrente I6 saindo do nó, isto é: I6


= I3 + I4 + I5 .

Observe que as correntes I1 I6 e são iguais.

Para resolver os circuitos que envolvem máquinas elétricas, nós também usamos as leis de
Kirchhoff, tanto em geradores quanto em motores. No gerador elétrico, a entrada é a energia
mecânica e a saída é a energia elétrica. No motor elétrico, a entrada é a energia elétrica e a saída
é a energia mecânica. As máquinas elétricas também podem ser classificadas como máquina
estática e máquina dinâmica. Um exemplo de máquina estática é o transformador; e o gerador e
o motor, máquinas dinâmicas.

Uma das classificações possíveis para os motores elétricos são os de corrente contínua e os de
corrente alternada, e os motores universais que funcionam em corrente contínua ou corrente
alternada. As máquinas elétricas operam baseadas nos princípios do eletromagnetismo. Porém
existe um outro tipo de motor, o de relutância variável, onde não há um campo magnético
permanente, como o motor de passo.
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Um outro assunto importante que envolve eletricidade são os sistemas de controle, que podem
ser de malha aberta ou de malha fechada. A principal diferença entre eles é a realimentação ou o
feedback para o processo, de modo que o monitoramento da variável que é controlada sirva de
parâmetro de entrada para que seja possível realizar alguma ação corretiva no processo
controlado. É importante salientar que o controle é intermediado pelos circuitos elétricos.

Um sistema de controle automático deve manter a variável que envolve o processo dentro de
uma faixa de valores. Só que para isso ocorrer o sistema deve ser capaz de produzir um sinal de
controle, que elimine possíveis desvios decorrentes de perturbações que são verificadas durante
o processo. Caso esses desvios não possam ser totalmente eliminados, é preciso que ele seja
reduzido a um valor muito pequeno, para que não afete a estabilidade do sistema. A Figura 2
apresenta um esquema de um sistema de controle automático que funciona em malha fechada.

Figura 2 | Esquema de um sistema em malha fechada. Fonte: Camargo (2014, p. 57).

Já nos sistemas que envolvem malha aberta, o controle não é ajustado de forma contínua
através da realimentação da variável controlada, porém esse ajuste é realizado através de uma
tentativa de antecipação do efeito dessa variável.

Vimos, portanto, a diferença entre malha aberta e malha fechada nos sistemas de controle, o que
é um motor e um gerador e a Lei de Kirchhoff de corrente de um modo mais aprofundado.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Passo a passo na análise de circuitos e conhecendo mais sobre elementos


de controle
Caro estudante, na maioria dos circuitos existe combinações mistas nos circuitos formadas por
resistores ligados em série e em paralelo. Nesses casos não há uma equação para o cálculo da
resistência equivalente, pois ela vai depender da configuração do circuito.
Caso o circuito tiver apenas uma fonte de alimentação e resistores, a sua análise pode ser
realizada aplicando apenas a Lei de Ohm e os conceitos de associação de resistores série e
paralela. E se você não souber nenhuma tensão ou corrente interna do circuito? Não tem
problema, basta seguir os seguintes passos:

Calcular a resistência equivalente do circuito (Figura 3).

Figura 3 | Cálculo da resistência equivalente. Fonte: Markus (2009, p. 305).

Calcular a corrente I fornecida pela fonte de alimentação (Figura 4).


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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 4 | Cálculo da corrente I. Fonte: Markus (2009, p. 305).

Voltar ao circuito original, desmembrando a resistência equivalente e calculando as


tensões e correntes em cada parte do circuito (Figura 5).

Figura 5 | Cálculo das tensões e correntes. Fonte: Markus (2009, p. 305).

A análise do circuito se torna bem mais simples caso se conheça alguma tensão ou corrente
interna do circuito, sendo que às vezes não é necessário o cálculo da resistência equivalente.

Você já parou para pensar como você consegue interagir tão bem com o mundo à sua volta? Isso
só é possível, pois você consegue percebê-lo e senti-lo tão bem. Os nossos sentidos estão
sempre transmitindo ao cérebro informações sobre o que está acontecendo à nossa volta e
comanda as ações que devem ser tomadas.

Assim, podemos dizer que o nosso corpo é um controlador completo, pois temos sensores
(visão, tato, etc.), controlador (cérebro) e atuadores (músculos, mãos, braços, pernas e pés)
(CAMARGO, 2014). A maioria dos sistemas de controle possui os seguintes elementos:

Sensores: fazem parte da nossa vida, por exemplo, quando você toca a tela do seu smartphone,
você usa sensores de toque. Mas o que é um sensor? Um sensor é um dispositivo que mede a
entrada física do ambiente, convertendo em dados que podem ser interpretados por um ser
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humano ou por uma máquina. Existem dois tipos de sensores: os discretos, que têm uma saída
binária (0 ou 1), e são usados para monitorar se um evento ocorre ou não; e os analógicos, que
são comumente utilizados em processos contínuos.

Controladores: realizam a comparação entre o valor que foi medido com o valor que se deseja
alcançar (setpoint) e enviam ao atuador a ação corretiva. Os controladores podem ser agrupados
conforme a energia que utilizam para funcionar e são classificados como: pneumáticos,
hidráulicos e eletrônicos. Nos dias de hoje os mais utilizados são os eletrônicos, porém há casos
nos quais a presença de eletricidade é indesejada como no uso em ambientes com atmosferas
explosivas.

Atuadores: são dispositivos que recebem um sinal de comando do controlador para atuarem no
processo controlado. Normalmente eles são compostos por válvulas direcionais.

Elementos finais de controle: são os dispositivos que de fato entregam trabalho mecânico ao
processo, através do movimento de cilindros e motores.

Existem processos nos quais o sensor e o controlador estão combinados em um único


dispositivo, como nos termostatos (controle na temperatura), nos umidostatos (controle na
umidade relativa) e nos pressostatos (controle no diferencial de pressão).

Neste estudo você viu que não existe um tipo melhor de sensor, de atuador, de controlador,
porém existe o mais adequado a cada caso. Em cada caso, sempre devem ser analisadas as
vantagens e as desvantagens no uso de um tipo ou de outro.

Saiba mais
Os sinais são elementos importantíssimos e essenciais em qualquer sistema de controle.
Compreender o que são os sinais e quais os tipos facilita o entendimento de como os diversos
dispositivos podem trabalhar cooperativamente para realizar a tarefa de controle. O Capítulo 3 do
livro Elementos de Automação trata dos sinais.

Referências

CAMARGO, V. L. A. de. Elementos de Automação. São Paulo: Saraiva, 2014. Disponível em:
[Link] Acesso em: 23 fev. 2023.

MARKUS, O. Circuitos Elétricos - Corrente Contínua e Corrente Alternada. São Paulo: Saraiva,
2009. Disponível em: [Link]
Acesso em: 23 fev. 2023.

WAYGOOD, A. Uma Introdução à Ciência Elétrica. São Paulo: Grupo GEN, 2017. Disponível em:
[Link] Acesso em: 23 fev. 2023.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Aula 3
As correntes de malha

Videoaula: As correntes de malha

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O método da análise de malhas não é usado somente em circuitos que possuem fontes de
tensão. Esse método também é usado com fontes de corrente, sejam dependentes ou
independentes. Além disso, a aplicação é mais fácil que a apresentada com fontes de tensão, já
que a presença de fontes de corrente reduz o número de equações. Neste vídeo, vamos ver um
exemplo de análise de malhas com fonte de corrente.

Introdução da Aula
Olá, estudante!

Após ter entendido e praticado a resolução de circuitos envolvendo a Lei de Ohm e as duas leis
de Kirchhoff LKC e LKT, você agora está preparado para aprender e aplicar essas leis através de
duas técnicas muito eficientes e muito utilizadas para análise de circuitos: análise nodal, que se
baseia na aplicação da Lei de Kirchhoff para Corrente, ou Lei dos Nós, e análise de malhas, que
se baseia na Lei de Kirchhoff para Tensão, ou Lei das Malhas.

Através dessas duas técnicas você terá condições de analisar qualquer circuito linear através da
obtenção de um conjunto de equações simultâneas que serão resolvidas para obter os valores
de corrente ou tensão.

Nesta aula você vai ver a utilização do método das correntes de malha, como resolver circuitos
mais complexos com essa técnica e o sistema de equações resultantes para todas as correntes
de malha.

Bons estudos!

Início do método das correntes de malha


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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Caro estudante, para analisar circuitos complexos, ou seja, que possuem mais de uma fonte de
tensão, podemos utilizar os métodos de análise nodal e o de malhas. O principal ponto da
análise do método dos nós é a verificação das tensões nos nós dos circuitos a partir da corrente
que o percorre e, da análise de malhas, é verificar as correntes conforme o sentido que você
adotará nas malhas, a partir das tensões dos resistores. Os dois métodos são derivações das
leis de Kirchhoff.

A análise de malha também pode ser encontrada pelos seguintes nomes: análise de laço ou
método malha corrente. A análise de malha fornece outro modo se analisar os circuitos
utilizando as correntes de malha como variáveis de circuito. A diferença desse método é que não
se usa as correntes de elementos como variáveis, assim, o número de equações que devem ser
resolvidas matematicamente é reduzido.

Um laço pode ser definido como um caminho fechado que passa uma única vez pelo mesmo nó
e não possui qualquer outro laço dentro de si. A análise de uma grande parte dos circuitos é
realizada através de uma fonte de tensão, responsável por fornecer energia para o circuito.
Porém, existem casos em que a análise é mais simples quando usamos fonte de corrente em vez
da tensão. A vantagem da fonte de corrente em relação à fonte de tensão é a manutenção da
corrente no seu ramo do circuito, independentemente do modo como os componentes estão
ligados externamente à fonte (COSTA; SEIXAS; FREITAS; LOPES, 2018).

Quando há mais de uma fonte de corrente no circuito e elas estão em paralelo, podemos
simplificar o circuito colocando apenas uma única fonte de corrente. A magnitude e a direção
dessa fonte resultante são realizadas somando todas as correntes que estão na mesma direção
e subtraindo as correntes que estão na direção oposta.

Vamos ver um exemplo de circuito com fontes de corrente para ilustrar essa situação (Figura 1).

Figura 1 | Circuito formado por resistores e fontes de correntes. Fonte: elaborada pela autora.

Observando a Figura 1, notamos que há três fontes de corrente: I1 , I2 e I3 . As fontes: I1 e I3


estão na mesma direção e a fonte I2 está na direção oposta, portanto, a fonte equivalente será
de:
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

I eq = I 1 + I 3 − I 2

I eq = 5 + 6 − 3

I eq = 8A

A fonte de corrente equivalente terá a mesma direção de I1 e I3 , pois a magnitude da corrente é


maior na direção dessas duas fontes. Sempre que tiver fontes de corrente independente prefira
calcular a fonte equivalente. Nesse circuito a resolução fica simples após calcular a resistência
equivalente, reduzindo o tamanho do circuito, pois todos os resistores estão em paralelo. Porém
nem sempre essa redução é simples, assim, o método das correntes de malhas é uma boa
opção para ser usada, pois apresenta um número de equações lineares menor.

Até aqui, você viu uma breve introdução sobre o método das correntes de malha e como calcular
uma fonte de corrente equivalente.

Desenvolvendo o método da corrente de malha

Caro estudante, o método das correntes de malha só se aplica a circuitos planares. Você deve
estar se perguntando, mas o que é um circuito planar? Um circuito planar é aquele no qual só
pode ser desenhado em um plano sem que dois fios de ligação se cruzem. A Figura 2 apresenta
um circuito não planar (DORF; SVOBODA, 2016).

Figura 2 | Circuito não planar. Fonte: Dorf e Svoboda (2016, p. 125).


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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Note na Figura 2 que não é possível remover o cruzamento assinalado desenhando o circuito de
outro modo. Já o circuito da Figura 3 possui quatro malhas simples, M1 ,M2 , M3 e M4 , em que a
malha 2 é formada pelos componentes R3, R4 e R5. Note que o resistor pertence tanto à malha 1
quanto à malha 2.

Figura 3 | Circuito não planar. Fonte: Dorf e Svoboda (2016, p. 125).

Agora que você já sabe o que é um circuito planar, vamos ver passo a passo como resolver um
circuito utilizando a análise de malhas (ALEXANDER; SADIKU, 2013):

De modo arbitrário atribua correntes de malha, estabelecendo, por exemplo, uma corrente
no sentido horário para cada malha interna no circuito. Importante você optar por qualquer
sentido, porém a convenção diz que seja atribuído o sentido horário.
Aplique a LKT a cada uma das malhas e use a lei de Ohm para expressar as tensões em
termos de correntes de malha indicando as polaridades da tensão em todos os resistores
do circuito.
Escreva as equações das malhas para cada malha na rede. Importante: os resistores que
são comuns às duas malhas vão ter duas quedas de tensão, uma para cada malha.
Resolva as equações lineares simultâneas para encontrar as correntes na malha.

Vamos fazer um exemplo? Considere o circuito formado por duas malhas e três resistores
apresentados na Figura 4. Como encontrar as correntes de malha?
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 4 | Circuito com duas malhas. Fonte: adaptada de Alexander e Sadiku (2013, p. 82).

O primeiro passo requer que as correntes de malha i1 e i2 sejam atribuídas às malhas 1 e 2 e


todas as tensões sejam inseridas em cima de cada resistor (Figura 5).

Figura 5 | Circuito com as correntes e as tensões marcadas. Fonte: adaptada de Alexander e Sadiku (2013, p. 82).

De acordo com a Figura 5, as correntes que entram e saem do no nó b são:

I1 = I2 + I3

Agora vamos deixá-las em função das correntes de malha i1 e i2 (3):


Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

I1 = i1 I3 = i2 I2 = I1 − I3 I2 = i1 − i2

O segundo passo é aplicar a LKT a cada malha. Aplicando a LKT à malha 1, temos (4):

−V 1 + V R1 + V R2 = 0 − V1 + R1 . I1 + R2 . I2 = 0 − V1 + R1 . i1 + R2 . ( i

Agora, vamos aplicar LKT à malha 2 (5):

V2 − V + V3 = 0V 2 − R2 . I2 + R3 . I3 = 0V 2 − R 2 . (i 1 − i2 ) + R3 . i2 =

A terceira etapa é determinar as correntes de malha, inserindo as Equações 4 e 5 na forma


matricial (6):

R1 + R2 −R 2
( )
−R 2 R3 + R2

i1 V1
( ) = ( )
i2 −V 2

Após resolver a Equação 4 você irá obter as correntes de malha i1 e i2 . É possível utilizar
qualquer técnica para encontrar a solução das equações simultâneas. Se um circuito possui n
nós, b ramos, o número de equações de tensões necessárias (I) é dada por (7):

I = b − n + 1

Um exemplo numérico
Caro estudante, agora que você já viu que a análise de malha se aplica somente às redes que são
planares e os passos de como resolver, vamos agora fazer um exemplo numérico para
consolidar o aprendizado.

Considere o circuito apresentado na Figura 6 com os seguintes valores: R1=5Ω, R2=5Ω, R3=7Ω,
V1=15V, V2=10 e V3=8V. O objetivo é encontrar o valor da corrente em cada ramo utilizando o
método das correntes de malha e as correntes que atravessam cada resistor.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 6 | Circuito com três fontes de tensão. Fonte: elaborada pela autora.

O primeiro passo para encontrar os valores da corrente é marcar as correntes e tensões em cada
resistor e atribuir as correntes de malha, i1 e i2 no sentido horário (Figura 7).
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 7 | Circuito com três fontes de tensão com as devidas atribuições. Fonte: elaborada pela autora.

De acordo com a Figura 7, as correntes que entram e saem do nó b pela Lei de Kirchhoff são:

I1 = I2 + I3

Agora vamos deixá-las em função das correntes de malha i1 e i2 (9):

I1 = i1 I3 = i2 I2 = I1 − I3 I2 = i1 − i3

O segundo passo é aplicar a LKT a cada malha. Aplicando a LKT à malha 1, temos (10):

−V 1 + V R1 + V R2 = 0 − V1 + R1 . I1 + R2 . I2 = 0 − V1 + R1 . i1 + R2 . ( i

Agora, vamos aplicar LKT à malha 2 (11):

V 3 − V 2 − V R2 + V R3 = 0

V3 − V2 − R2 ⋅ I2 + R3 ⋅ I3 = 0

V 3 − V 2 − R 2 ⋅ (i 1 − i 2 ) + R 3 ⋅ i 2 = 0

i 2 (R 3 + R 2 ) − R 2 ⋅ i 1 = V 2 − V 3

−R 2 ⋅ i 1 + (R 3 + R 2 ) ⋅ i 2 = V 2 − V 3

A terceira etapa é determinar as correntes de malha inserindo as equações (10) e (11) na forma
matricial, substituindo os valores numéricos (12):

(R 1 + R 2 ) ⋅ i 1 − R 2 ⋅ i 2 = V 1 − V 2
−R 2 ⋅ i 1 + (R 3 + R 2 ) ⋅ i 2 = V 2 − V 3
(5 + 5) ⋅ i 1 − 5 ⋅ i 2 = 15 − 10 2 −1 i1
−5 ⋅ i 1 + (7 + 5) ⋅ i 2 = 10 − 8 [ ][
10 ⋅ i 1 − 5 ⋅ i 2 = 5 (÷5) −5 12 i2
−5 ⋅ i 1 + (12) ⋅ i 2 = 2
2 ⋅ i1 − i2 = 1

Por fim, podemos resolver a matriz através da regra de Cramer. Para usar a regra de Cramer,
primeiramente vamos resolver o determinante da matriz completa:

2 −1
Δ = = 24 − (−5 ⋅ −1) = 19
−5 12

Em seguida substituiremos a primeira coluna pelos termos independentes no sistema e


calcularemos o novo determinante:
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

A corrente i1 é dada por:

o novo determinante:

A corrente i2 é dada por:


Δ1 =

Δ2 =


1

2
−1

i1 =

−5

i2 =
12

2
= 12 − (2 ⋅ (−1)) = 14

Δ1

Δ2

Δ
=

I 2 = 0,74 − 0,47
14

19

19

I 2 = 0,27A
= 0,74A

Agora substituiremos a segunda coluna pelos termos independentes no sistema e calcularemos

= 4 − (1 ⋅ (−5)) = 9

= 0,47A

A partir desses resultados, vemos que as correntes nos resistores R1 e R3 são respectivamente i1
e i2 . Para determinar a corrente no ramo de R2, combina-se as correntes na malha nesse
resistor:

I2 = I1 − I3

I2 = i1 − i2

Quando todos os nós são conhecidos, é fácil determinar outras grandezas, como a corrente e a
potência. Importante salientar que os resultados obtidos pela análise de malha são exatamente
os mesmos obtidos caso utilizássemos a análise das correntes nos ramos. Esse mesmo circuito
pode ser resolvido através do método da substituição. Nesse caso em particular, como só temos
duas equações e duas incógnitas, a resolução é simples.

A análise de malhas também pode ser aplicada a circuitos contendo fontes de corrente
(dependentes ou independentes). A sua aplicação é fácil, pois a presença de fontes de corrente
reduz o número de equações.

Neste estudo, você viu que para o circuito apresentado a análise de malha exige apenas a
aplicação da Lei de Kirchhoff das Tensões e a resolução de um sistema linear simples
envolvendo duas equações e duas incógnitas.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Saiba mais
O Método das Correntes de Malha é muito versátil e eficiente. Ele pode ser usado tanto com
fontes de tensão quanto com fontes de corrente. O Capítulo 4, sessão 4.6 do livro Introdução aos
Circuitos Elétricos trata da aplicação do Método das Correntes de Malha com Fontes de Corrente
e de Tensão Independente.

Referências
ALEXANDER, C. K.; SADIKU, M. N. O. Fundamentos de Circuitos Elétricos com Aplicações. Porto
Alegre: Grupo A, 2013. Disponível em:
[Link] Acesso em: 2 mar. 2023.

COSTA, L. A.; SEIXAS, J. L.; FREITAS, P. H. C.; LOPES, G. de L. L. Análise de circuitos elétricos.
Porto Alegre: Grupo A, 2018. Disponível em:
[Link] Acesso em: 2 mar. 2023.

DORF, R. C.; SVOBODA, J. A. Introdução aos Circuitos Elétricos. 9. ed. São Paulo: Grupo GEN,
2016. E-book. Disponível em:
[Link] Acesso em: 2 mar. 2023.

Aula 4
Tensões dos nós

Videoaula: Tensões dos nós

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ara estudar circuitos mais complexos, ou seja, aqueles que possuem mais de uma fonte de
tensão, utiliza-se os métodos de análise nodal e de malhas. Neste vídeo você verá uma resolução
completa do método das tensões dos nós que verifica as tensões nos nós a partir da corrente
que percorre o circuito. O método das tensões dos nós implementa a Lei de Kirchhoff para
Corrente ou como é mais conhecido LKC.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Introdução da Aula
Olá, estudante!

Você já ouviu falar no método das tensões dos nós? Esse método de análise é baseado na Lei de
Kirchhoff das correntes e incorporada no famoso simulador de circuitos, SPICE. Em um primeiro
momento, essa análise pode parecer estranha, pois substitui as fontes de tensão por fontes de
corrente equivalentes. Uma vez entendido, o método de tensão de nó pode fornecer uma técnica
simples para resolver rapidamente vários circuitos complexos.

Nesta aula você vai ver como utilizar o método das tensões dos nós, como resolver circuitos
através desse método e o sistema de equações resultante para todas as correntes de nós.

Bons estudos!

Definindo o método dos nós


Olá, estudante! Saber analisar um circuito elétrico é fundamental para qualquer profissional que
deseja trabalhar na área de eletricidade. Não importa qual procedimento você vai usar para
encontrar a solução do circuito elétrico, o problema é conseguir resolver as diversas equações
que são formadas em cada circuito complexo. Mesmo para circuitos mais simples, gerenciar
cada equação pode não ser um trabalho fácil, porém há modos de controlar essa tarefa para
deixá-la mais eficiente. O método da tensão no nó, ou análise nodal, é um dos procedimentos
mais eficientes que existe para analisar os circuitos que se baseiam em uma aplicação
sistemática da Lei de Kirchhoff para Corrente (LKC).

A análise nodal é um procedimento genérico para análise de circuitos elétricos utilizando


tensões nodais como variáveis de circuitos. A vantagem de se usar tensões nodais em
substituição a tensões de elementos é a redução do número de equações que se deve resolver
simultaneamente. Na análise nodal, estamos interessados em encontrar as tensões nos nós.

Antes de vermos o método das tensões dos nós, precisamos definir o que é uma tensão no nó.
Até o momento vimos o que é a tensão no elemento, que é aquela que aparece através dos
terminais de um componente. Ao utilizarmos o termo tensão no nó, estamos nos referindo à
diferença de potencial que existe entre dois nós de um circuito elétrico.

Para resolver o método das tensões dos nós vamos seguir algumas etapas (ALEXANDER;
SADIKU, 2013):

Selecionar um nó como referência.


Atribuir os nomes das tensões V1, V2, ..., Vn–1 aos n-1 nós restantes, onde as tensões são
medidas em relação ao nó de referência.
Aplique a LKC a cada um dos n-1 nós que não são de referência.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Resolva os nós mais fáceis primeiro, os que têm a fonte de tensão conectada ao nó de
referência.
Use a lei de Ohm para expressar as correntes nos ramos em termos de tensões nodais.
Resolva o sistema de equações simultâneas resultantes para obter as tensões nodais
desconhecidas.

A Figura 1 apresenta os símbolos mais comuns para indicar um nó de referência, onde (a) terra
comum, (b) terra e (c) terra (chassi).

Figura 1 | Nós de referência. Fonte: Alexander; Sadiku (2013, p. 72).

Um nó de referência é quase sempre chamado de nó de terra. O potencial do nó de terra é


definido como 0V e normalmente é desenhado na parte inferior do circuito.

A Figura 2 apresenta três circuitos, onde o circuito (a) apresenta um circuito com três nós, o (b)
apresenta o circuito depois que os nós foram rotulados e um nó de referência foi escolhido e
assinalado e o circuito (c) apresenta o uso de voltímetros para medir as tensões de nó.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 2 | Representação de circuitos com nó e sem nó de referência. Fonte: Dorf e Svoboda (2016, p. 111).

Na Figura 2b existem duas tensões de nó: a tensão do nó a em relação ao nó de referência (nó c)


e a tensão do nó b, também em relação ao nó de referência e na Figura 2c foram introduzidos
voltímetros para medir as tensões de nó.

Aqui, você viu uma introdução a um dos métodos de análise para circuitos resistivos que é a
análise nodal.

Detalhando o método dos nós


Caro estudante, para introduzir na prática a análise nodal vamos explicar e aplicar as etapas
mostradas anteriormente. O primeiro passo na análise nodal é selecionar um nó como nó de
referência, o terra (GND).

Após você ter escolhido um nó de referência, deve atribuir as designações de tensão aos outros
nós. Vamos ver um circuito para ilustração. Considere o circuito exemplificado na Figura 3.
Nesse circuito o nó de referência é o nó 0, ou seja, V = 0. Agora vamos nomear os nós 1 e 2
respectivamente por tensões V1 e V2, lembrando que as tensões nodais são sempre definidas
em relação ao nó de referência. De acordo com a Figura 3, cada tensão nodal é a elevação de
tensão a partir do nó de referência.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 3 | Circuito com fonte de corrente. Fonte: adaptada de Alexander e Sadiku (2013, p. 72).

O próximo passo é a aplicação da LKC a cada um dos nós que não são de referência do circuito.
A Figura 4 apresenta o circuito no qual foram adicionadas as correntes I1 , I2 e I3 que
atravessam respectivamente os resistores R1, R2 e R3. Assim, a LKC ao nó 1 é dada por (1):

I1 = I2 + i1 + i2

O mesmo procedimento é realizado no nó 2:

I2 + i2 = i3
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 4 | Circuito com as correntes que atravessam os resistores. Fonte: adaptada de Alexander e Sadiku (2013, p. 72).

Figura 4 | Circuito com as correntes que atravessam os resistores. Fonte: adaptada de Alexander
e Sadiku (2013, p. 72).

O próximo passo é aplicar a lei de Ohm para expressar as correntes que atravessam o resistor e
são desconhecidas i1, i2 e i3 em termos de tensões nodais. Como os resistores são elementos
passivos, ou seja, não fornecem energia ao circuito. Os elementos passivos só gastam ou
armazenam energia. Assim, nos resistores por convenção de sinal passivo a corrente irá fluir de
um potencial mais elevado para um potencial mais baixo conforme (3):

v maior −v menor
i =
R

Aplicando (2) para cada uma das correntes temos em (4):


Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

v 1 −0
i1 = ou i1 = G1 ⋅ v1
R1

v 1 −v 2
i2 = ou i 2 = G 2 ⋅ (v 1 − v 2 )
R2

v 2 −0
i3 = ou i3 = G3 v2
R3

Substituindo a equação (3) nas equações (1) e (2) temos, respectivamente (5) e (6):

v1 v 1 −v 2
I1 = I2 + +
R1 R2

v 1 −v 2 v2
I2 + =
R2 R3

As equações também podem ser obtidas em termos de condutância (7) e (8) respectivamente:

I 1 = I 2 + G 1 ⋅ v 1 + G 2 ⋅ (v 1 − v 2 )

I 2 + G 2 ⋅ (v 1 − v 2 ) = G 3 ⋅ v 2

Agora vamos encontrar as tensões nodais. Quando aplicamos a lei dos nós aos n-1 nós que não
são de referência, iremos obter n-1 equações simultâneas. Assim, para obter as tensões nodais
v1 e v2, é possível utilizar qualquer método-padrão, como o da substituição, da eliminação, a
regra de Cramer ou a inversão de matrizes. Lembrando que para utilizar a regra de Cramer ou a
inversão de matrizes, as equações simultâneas devem estar no formato matricial (9):

G1 + G2 −G 2 v1 I1 − I2
[ ][ ] = [ ]
−G 2 G2 + G3 v2 I2

As equações simultâneas podem ser resolvidas usando calculadoras ou softwares como o


MATLAB, Mathcad, entre outros.

Até o momento, você viu em detalhes o método dos nós que se baseia na Lei de Kirchhoff das
Correntes e que os benefícios desse método é o número menor de equações necessárias para
determinar valores desconhecidos.

Método dos nós na prática

Caro estudante, há dois métodos muito eficientes para se analisar um circuito elétrico, ou seja,
encontrar as correntes e as tensões, o método das correntes de malha e o método das tensões
do nó. Anteriormente, você viu em detalhes a teoria dos métodos dos nós, portanto, agora vamos
ilustrar esse método através de um exemplo prático. Considere o circuito representado na Figura
5 com os seguintes valores: I1=10ª, I2=5ª e I3=10ª, R1=10Ω, R2=20Ω e R3=40Ω.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 5 | Circuito elétrico. Fonte: adaptada de Alexander e Sadiku (2013, p. 73).

ara realizar essa análise vamos seguir alguns passos (ALEXANDER; SADIKU, 2013):

Selecione um nó de referência.
Se tiver fontes de tensão, converta em fontes de corrente equivalentes.
Determine as tensões nos nós e as correntes nos ramos, indicando as polaridades da
tensão em todos os resistores.
Aplique a Lei de Kirchhoff das correntes nos nós.

Após selecionado o nó de referência e nomeados os nós e as correntes dos ramos, vamos


aplicar o método com base na Figura 6.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 6 | Base para aplicação do método.​​Fonte: adaptada de Alexander e Sadiku (2013, p. 73).

Vamos aplicar LKC ao nó V1 e substituir os valores em (10):

I1 + I2 = i1 + i2

10 + 5 = i 1 + i 2

O mesmo procedimento é realizado no nó V2 e substituir os valores:

I3 + i2 = i3 + I2

10 + i 2 = i 3 + 5

O próximo passo é aplicar a lei de Ohm para expressar as correntes que atravessam os
resistores e que são desconhecidas i1, i2 e i3 em termos de tensões nodais (12).

v 1 −0
i1 =
R1

v 1 −v 2
i2 =
R2

v 2 −0
i3 =
R3

Substituindo a equação (12) nas equações (10) e (11) temos, respectivamente (13) e (14):
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

i 1 + i 2 = 15

v1 v 1 −v 2
+ = 15
R1 R2

v1 v 1 −v 2
+ = 15
10 20

2⋅v 1 +v 1 −v 2
= 15
20

3 ⋅ v 1 − v 2 = 300

i3 − i2 = 5

v2 v 1 −v 2
− = 5
R3 R2

v2 v 1 −v 2
− = 5
40 20

20⋅v 2 −(30⋅v 1 −30⋅v 2 )


= 5
800

20 ⋅ v 2 − 40 ⋅ v 1 + 40 ⋅ v 2 = 4000

60 ⋅ v 2 − 40 ⋅ v 1 = 4000 (÷20)

3 ⋅ v 2 − 2 ⋅ v 1 = 200

Assim, as duas equações que precisam ser resolvidas são:

3 ⋅ v 1 − v 2 = 300
{
−2 ⋅ v 1 + 3 ⋅ v 2 = 200

Temos um sistema com duas equações e duas incógnitas: v1 e v2. Portanto, basta resolver esse
sistema. Há vários modos de se encontrar a solução, sendo que um deles é multiplicando a
primeira equação por 3 e somar as duas equações.

3 ⋅ v 1 − v 2 = 300 (×3)
{
−2 ⋅ v 1 + 3 ⋅ v 2 = 600

9 ⋅ v 1 − 3 ⋅ v 2 = 900
{
−2 ⋅ v 1 + 3 ⋅ v 2 = 200

O resultado é uma equação com uma incógnita:

7 ⋅ v 1 = 1100

1100
v1 =
7

v 1 = 157,14V
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Agora, basta substituir v1 em uma das equações (13) ou (14). Substituindo em (13), temos:

3 ⋅ v 1 − v 2 = 300

3 ⋅ 157,14 − v 2 = 300

v 2 = 471,43 − 300

v 2 = 171,42V

As correntes podem ser encontradas substituindo v1 e v2 em (14):

v 1 −0 157,14−0
i1 = = = 15,7A
R1 10

v 1 −v 2 157,14−171,42
i2 = = = −0,714A
R2 20

v 2 −0 171,42−0
i3 = = = 4,28A
R3 40

O sinal negativo encontrado em i2 significa apenas que o sentido arbitrário que indicamos da
corrente está errado.

Até aqui, você viu como resolver um exemplo numérico de um circuito utilizando o método dos
nós na prática. O método dos nós nos permite obter a tensão em cada um dos n-1 nós de um
circuito, pois o n-ésimo nó é definido pela referência, na qual a tensão é definida como 0V. As n-1
variáveis são obtidas pela resolução de um sistema de n-1 equações algébricas linearmente
independentes, no qual são obtidas resumidamente aplicando a Lei de Kirchhoff das Tensões
aos nós do circuito. Essas equações podem ser resolvidas por muitos métodos, porém circuitos
que são muito complexos, ou seja, que envolvem muitos nós, é recomendado utilizar algum
software ou calculadora científica.

Saiba mais
A análise nodal é um importante método de resolução de circuitos elétricos. Uma das vantagens
desse método é o fato de precisar de menos equações para determinar valores desconhecidos.
A análise nodal também é uma das formas de se automatizar o cálculo de tensões e correntes
em circuitos e é uma aplicação comum de computação numérica. O Capítulo 3 do livro Curso de
circuitos elétricos trata desse assunto.

Referências
LEXANDER, C. K.; SADIKU, M. N. O. Fundamentos de Circuitos Elétricos com Aplicações. Porto
Alegre: Grupo A, 2013. Disponível em:
[Link] Acesso em: 27 fev. 2023.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

DORF, R. C.; SVOBODA, J. A. Introdução aos Circuitos Elétricos. 9. ed. São Paulo: Grupo GEN,
2016. Disponível em: [Link]
Acesso em: 27 fev. 2023.

Aula 5
Encerramento da Unidade

Videoaula: Revisão da unidade

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Na análise dos circuitos elétricos, estamos interessados em encontrar os valores de tensão e


corrente, pois a partir deles podemos definir as outras características. Esses valores podem ser
determinados através do método dos nós e do método das malhas. Neste vídeo você vai ver as
duas Leis de Kirchhoff e os método dos nós e das malhas que proporcionam um melhor
procedimento para o estudo dos circuitos elétricos.

Análise de circuitos

Olá, estudante! O modo pelo qual vivemos está diretamente ligado à eletricidade, pois ela é
responsável por tudo ao nosso redor: pela comunicação a distância, pelo desenvolvimento das
indústrias e até pela internet. Os comandos elétricos também estão presentes de forma direta
e/ou indiretamente em nossas vidas e utilizam a eletricidade, transformando-a em parte de um
produto. Através dos comandos elétricos acionamos diversos equipamentos e máquinas
elétricas. A eletricidade pode ser dividida em áreas de atuação que são geração, transmissão,
distribuição e consumo de eletricidade. Uma máquina elétrica converte qualquer forma de
energia em energia elétrica ou vice-versa e podem ser classificadas em três grandes grupos:
transformadores, gerador elétrico e motor elétrico.

Todos os equipamentos dessas áreas de atuação têm em comum pelo menos um circuito
elétrico e/ou eletrônico. O circuito elétrico é fundamental em todas essas áreas e para o estudo
desses circuitos três leis são fundamentais: a Lei de Ohm e as duas Leis de Kirchhoff.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

A Lei de Ohm afirma que a tensão em um resistor é diretamente proporcional à corrente que
passa por ele, ou seja,

V = R ⋅ i

As duas leis formam um conjunto suficiente de ferramentas para analisar uma série de circuitos
elétricos. A Lei de Kirchhoff da Corrente diz que a soma das correntes individuais que se
aproximam de um nó é igual à soma das correntes que saem desse nó, e a Lei de Kirchhoff para
Tensões afirma que a soma algébrica das tensões em uma malha deve ser igual a zero, ou para
qualquer malha fechada, a soma das quedas de tensão ao redor da malha é igual à tensão
aplicada.

Para aplicar as leis de Kirchhoff foram desenvolvidas duas técnicas para análise de circuitos:
análise nodal, que se baseia na Lei de Kirchhoff para Corrente (LKC), ou Lei dos Nós, e a análise
de malhas, que se baseia na Lei de Kirchhoff para Tensão (LKT), ou Lei das Malha. Através
dessas leis você tem condição de analisar qualquer circuito linear pela obtenção de um conjunto
de equações simultâneas que serão resolvidas para obter os valores de corrente ou tensão.

Estudo de caso

Os circuitos elétricos podem ser bem complexos e para qualquer tipo de análise precisamos
conhecer os valores de tensão e corrente, pois a partir deles podemos definir outras
características importantes, como potência e energia. Há métodos e leis para se analisar da
maneira mais eficiente esses circuitos, como a Lei de Ohm, que afirma que a tensão em um
resistor é diretamente proporcional à corrente que passa; e as duas leis de Kirchhoff: Lei de
Kirchhoff para Corrente (LKC, ou Lei dos Nós) e Lei de Kirchhoff para Tensão (LKT, ou Lei das
Malhas).
As duas leis, juntamente com a Lei de Ohm, formam um conjunto suficiente de ferramentas para
analisar uma série de circuitos elétricos. Para aplicar as leis de Kirchhoff há duas técnicas para
análise de circuitos: análise nodal, que se baseia e na Lei de Kirchhoff para Corrente e a análise
de malhas, que se baseia na Lei de Kirchhoff para Tensão.
Para contextualizar sua aprendizagem, imagine que você trabalha como o responsável técnico de
uma empresa que oferece soluções e manutenção elétrica para diversos equipamentos
eletroeletrônicos. Ao contratar a empresa que você trabalha, o cliente levou um equipamento e
informou que ele é responsável por acionar uma máquina, porém não está acionando. O cliente
também entregou um manual, no qual constava o esquemático elétrico do sistema (Figura 1),
porém não possuía o valor das correntes e das tensões em cada resistor.
Seu supervisor pediu para que você encontrasse todas as tensões e correntes do circuito. Como
resolver esse problema? Analise esse circuito montando um relatório para entregar ao seu
supervisor, apresentando todos os valores pedidos. Como o seu supervisor é muito desconfiado,
confirme para ele o resultado do cálculo das correntes, através da Lei de Kirchhoff, que os
valores encontrados estão corretos.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 1 | Circuito elétrico. Fonte: elaborada pela autora.


Dados: = 20Ω, = 20Ω, = 30Ω, = 15Ω, = 10Ω e =60V.

Qualquer circuito, é formado por uma combinação de resistores em série e/ou em paralelo,
porém por mais complexo que eles possam parecer, podem ser simplificados até se obter uma
única resistência equivalente. Feito isso, através da Lei de Ohm é possível calcular o valor da
corrente total e a corrente para cada ramo do circuito. Isso se aplica a circuitos que possuem
uma única fonte de energia, porém quando há duas ou mais fontes de eletricidade, a Lei de Ohm
não é mais suficiente para calcular os parâmetros elétricos. Para esse tipo de circuito é
necessário utilizar as leis ou os princípios de Kirchhoff.
Os princípios de Kirchhoff para circuitos elétricos são dois: um para nós e outro para malhas. Um
nó é considerado o encontro de três ou mais ramificações de um circuito, já uma malha é
definida como um circuito fechado, parte de um circuito complexo. Para resolver qualquer
problema com os princípios de Kirchhoff, é preciso montar um sistema de equações composto
por n-1 nós e n-1 malha.

Olá estudante, chegamos ao encerramento da unidade!


Vamos realizar a experiência presencial que irá consolidar os conhecimentos adquiridos? É a
oportunidade perfeita para aplicar, na prática, o que foi aprendido em sua disciplina. Vamos
transformar teoria em vivência e tornar esta etapa ainda mais significativa. Não perca essa
chance única de colocar em prática o conhecimento adquirido.

Um nó geralmente é indicado por um ponto no circuito. Se um curto-circuito (um fio de conexão)


conecta dois nós, os dois nós constituem um único nó.
O circuito apresentado na Figura 1 possui dois nós, A e B.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura | Circuito representando os nós A e B. Fonte: elaborada pela autora.


Observe que os três pontos que formam o nó B estão conectados pelo mesmo fio condutor,
portanto, constituem um único ponto. O mesmo se aplica ao nó A. Observando a Figura 2, você
pode notar que os dois circuitos são idênticos e de fato possuem apenas dois nós, A e B.

Figura | Circuito representando somente um nó A e um nó B. Fonte: elaborada pela autora.

ALEXANDER, C. K.; SADIKU, M. N. O. Fundamentos de Circuitos Elétricos com Aplicações. Porto


Alegre: Grupo A, 2013. Disponível em:
[Link] Acesso em: 18 fev. 2023.
CAMARGO, V. L. A. de. Elementos de Automação. São Paulo: Saraiva, 2014. Disponível em:
[Link] Acesso em: 23 fev. 2023.
COSTA, L. A.; SEIXAS, J. L.; FREITAS, P. H. C.; LOPES, G. de L. L. Análise de circuitos elétricos.
Porto Alegre: Grupo A, 2018. Disponível em:
[Link] Acesso em: 2 mar. 2023.
DORF, R. C.; SVOBODA, J. A. Introdução aos Circuitos Elétricos. 9. ed. São Paulo: Grupo GEN,
2016. E-book. Disponível em:
[Link] Acesso em: 2 mar. 2023.
FRANCHI, C. M. Acionamentos Elétricos. São Paulo: Editora Saraiva, 2014. E-book. Disponível em:
[Link] Acesso em: 20 fev. 2023.
LEXANDER, C. K.; SADIKU, M. N. O. Fundamentos de Circuitos Elétricos com Aplicações. Porto
Alegre: Grupo A, 2013. Disponível em:
[Link] Acesso em: 27 fev. 2023.
MARKUS, O. Circuitos Elétricos - Corrente Contínua e Corrente Alternada. São Paulo: Editora
Saraiva, 2009. Disponível em:
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

[Link] Acesso em: 19 fev. 2023.


WAYGOOD, A. Uma Introdução à Ciência Elétrica. São Paulo: Grupo GEN, 2017. E-book. Disponível
em: [Link] Acesso em: 20 fev.
2023.
,

Unidade 3
PRINCÍPIOS DE C.A

Aula 1
Princípios de corrente alternada - Geração, Valores médios e eficazes, notação fasorial

Videoaula: Princípios de corrente alternada – geração, valores médios e


eficazes, notação fasorial

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Nesse vídeo, você vai aprender como realizar algumas operações com fasores, como a adição.
Os diagramas fasoriais são uma forma gráfica de representar a magnitude e a relação direcional
entre duas ou mais grandezas alternadas, como tensão e corrente. As formas de onda senoidais
que estão na mesma frequência podem ter uma diferença de fase entre si, que representa a
diferença angular das duas formas de onda senoidais.

Introdução da Aula
Olá, estudante!

Você conhece a banda de rock australiana AC/DC? Você sabe o que significa esse nome? Ele é a
abreviação, em inglês, de “corrente alternada” e “corrente contínua”! AC e DC descrevem tipos de
fluxo de corrente em um circuito.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Em corrente contínua (DC, na sigla em inglês, ou CC, na sigla em português), a eletricidade flui em
uma direção constante e/ou possuindo uma tensão com polaridade constante. Já em corrente
alternada (AC, na sigla em inglês, ou CA, na sigla em português), a corrente muda de direção
periodicamente. A tensão nos circuitos CA também se inverte periodicamente, porque a corrente
muda de direção.

Os circuitos elétricos podem trabalhar tanto com tensões e CC quanto com tensões e CA. Nos
mais diversos dispositivos, a forma de onda da corrente depende da forma de onda da tensão
que foi aplicada na entrada, além do tipo de dispositivo: resistor, indutor ou capacitor. Nesta aula,
você vai estudar os princípios da corrente alternada, o que são fasores e como realizar cálculos e
análises.

Bons estudos!

O que é corrente alternada?


Se conectarmos um osciloscópio a um circuito com CA e plotarmos sua tensão ao longo do
tempo, poderemos ver várias formas de onda diferentes. O tipo mais comum de CA é a onda
senoidal, mas podem existir outras formas, como triangulares e quadradas. Circuitos
alimentados por fontes com excitações senoidais são denominados circuitos CA. Uma corrente
senoidal é denominada corrente alternada e descreve o fluxo de carga que muda de direção
periodicamente e possui valores positivos e negativos alternados.

Como resultado, o nível de tensão também se inverte junto com a corrente. A fonte senoidal é
muito importante em circuitos elétricos, principalmente porque a tensão alternada senoidal é
gerada em usinas de energia elétrica e usada em diversas áreas como: transmissão, distribuição
e consumo de energia elétrica. A tensão variante no tempo é conhecida por tensão CA (SARAIVA
et al., 2020).

Existem razões importantes para a escolha da excitação senoidal. A natureza é tipicamente


senoidal, pois há variações senoidais na vibração de uma corda, no movimento de um pêndulo e
das ondas do oceano, por exemplo. Além disso, um sinal senoidal é simples de ser gerado e
transmitido. Por meio da análise de Fourier, qualquer sinal periódico pode ser representado por
uma soma de senoides, e uma senoide é fácil de ser tratada matematicamente.

A corrente contínua ou CC, por sua vez, sempre flui em uma única direção, como mostra a Figura
1.

Figura 1 | (a) Circuito CC, (b) tensão contínua e (c) corrente contínua.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Fonte: Albuquerque (2008, p. 29).

Já a corrente alternada (Figura 2) varia com o tempo. O termo “alternada” indica que o valor da
tensão ou da corrente varia no tempo entre dois níveis que são definidos previamente.

Figura 2 | Representação de uma corrente senoidal em função do tempo.

Fonte: adaptada pela autora a partir de Dorf e Svoboda (2016, p. 2).

Observando o gráfico da Figura 2, nota-se que a corrente I em CA tendem a começar a se mover


a partir​​do zero. Ela aumenta até um máximo e depois diminui de volta a zero, completando um
ciclo positivo. A corrente então inverte sua direção e atinge o máximo na direção oposta; em
seguida, ela retorna novamente ao valor original, completando um ciclo negativo. Os mesmos
ciclos são repetidos várias vezes. Uma onda quadrada também é considerada alternada, pois
sua corrente varia entre o positivo e o negativo.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Frequentemente, precisamos descrever uma onda senoidal em termos matemáticos, como uma
tensão CA ou corrente CA. Uma onda senoidal possui: amplitude, frequência e fase. Olhando
apenas para a tensão senoidal, podemos descrevê-la como uma função matemática
(ALEXANDER; SADIKU, 2013) (1):

v(t) = V m ⋅ sen(ωt + ϕ)

onde

Vm

ωt

A senoide é mostrada na Figura 3 (a) em função de seu argumento e na Figura 3 (b) em função
do tempo. Observando as figuras 3(a) e 3(b), notamos que a senoide se repete a cada T segundo;
assim, T é chamado período da senoide.
Figura 3 | Representação senoidal com fase igual a zero.

Fonte: Alexander e Sadiku (2013, p. 331).

A partir das Figuras 3(a) e 3(b), observamos que

ω ⋅ T = 2 ⋅ π

2⋅π
T =
ω

As senoides também podem ser expressas por meio dos fasores. Um fasor é um número
complexo que apresenta as informações de amplitude e ângulo de fase de uma função senoidal.

Corrente alternada e fasores


Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Os responsáveis por ajudar a estabelecer a CA como modo para transmissão e distribuição de


eletricidade foram Nikola Tesla e George Westinghouse. Atualmente, sabemos que a CA é um
modo eficiente e econômico para transportar energia a longas distâncias; porém, nem sempre foi
assim. No final da década de 1880, Thomas Edison e Nikola Tesla se envolveram em uma batalha
que ficou conhecida como a Guerra das Correntes. Thomas Edison desenvolveu a corrente
contínua e, durante os primeiros anos da eletricidade, ela era o padrão nos EUA. No entanto,
havia um problema: a corrente contínua não era facilmente convertida em tensões mais altas ou
mais baixas.

Tesla acreditava que a corrente alternada era a solução para esse problema, pois ela inverte a
direção um certo número de vezes por segundo e pode ser convertida em tensões através de um
transformador. Edison, não querendo perder os royalties que ganhava com suas patentes de CC,
fez uma campanha para desacreditar a CA, espalhando desinformação.

Em 1893, a Niagara Falls Power Company decidiu conceder à Westinghouse o contrato para
gerar energia a partir das Cataratas do Niágara. Embora alguns duvidassem que as cataratas
pudessem fornecer energia a toda Buffalo, Tesla estava convencido de que poderia fornecer
energia não apenas a Buffalo, mas também a todo o leste dos Estados Unidos. Em novembro de
1896, Buffalo foi iluminado pela CA das Cataratas do Niágara.

As tensões e correntes CA possuem diferentes fases e são defasadas entre si. Vamos examinar
duas tensões CA, representadas pelas senoides na Figura 4.

Figura 4 | Representação senoidal com fase igual e diferente de zero.


Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Fonte: Alexander e Sadiku (2013, p. 331).

Observando o eixo X (ωt) na Figura 4, o ponto de partida de

v2

v1

v2

v1

v1

v2

ϕ
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

ϕ ≠ 0

v1

v2

ϕ = 0

v1

v2

O período T de uma função periódica é o tempo de um ciclo completo, ou o número de segundos


por ciclo. O inverso do valor do período é chamado de frequência (f), ou seja, o número de ciclos
por segundo. Assim, temos (3):

1
f =
T

Podemos substituir o valor de T da equação (2) em (3):

2⋅π
T =
ω

1 2⋅π
=
f ω

ω = 2 ⋅ π ⋅ f

Outra característica importante da tensão (ou corrente) senoidal é o valor eficaz, ou RMS (root
mean square). O valor eficaz da tensão senoidal, equação (5), não depende da frequência nem do
ângulo de fase, depende apenas da amplitude máxima de v(t), Vm.

Vm
V ef icaz =
√2

Assim, um sinal senoidal pode ser totalmente descrito se a frequência, o ângulo de fase e a
amplitude (o valor máximo ou o valor eficaz) forem conhecidos.
Para analisar os circuitos lineares excitados por fontes senoidais, podemos utilizar os fasores.

Os diagramas fasoriais são uma forma gráfica de representar a magnitude e a relação direcional
entre duas ou mais grandezas alternadas. Geralmente, os fasores são definidos em relação a um
fasor de referência que sempre aponta para a direita ao longo do eixo x. Formas de onda
senoidais da mesma frequência podem ter uma diferença de fase entre si, que representa a
diferença angular das duas formas de onda senoidais.

Diagrama fasorial
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

As leis fundamentais de Kirchhoff e de Ohm também podem ser utilizadas em circuitos CA;
porém o nível de complexidade é maior, pois há dificuldade em realizar a formulação das
equações e cálculos no domínio dos números complexos. Quando você utiliza o diagrama
fasorial, as análises de circuitos elétricos lineares em regime permanente senoidal são
simplificadas. Obtém-se uma resolução mais simples.

Um fasor representa uma grandeza senoidal por meio de um número complexo, no qual módulo
e argumento são fornecidos, respectivamente, pela amplitude e pelo ângulo de fase da senoide.
Para os circuitos elétricos, os diagramas fasoriais apresentam as relações entre as tensões e as
correntes elétricas em cada componente do circuito, bem como as tensões e as correntes
resultantes de suas combinações. Como você deve se lembrar, um número complexo é formado
de uma parte real e uma parte imaginária. Para analisar o circuito elétrico, pense na parte real
como ligada a resistores que eliminam a energia na forma de calor, e na parte imaginária
relacionada à energia armazenada, como nos indutores e capacitores.

Figura 5 | Diagrama fasorial

Fonte: elaborada pela autora.

Na Figura 5 temos:
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

V x = V a ⋅ cos ϕ

V y = V a ⋅ senϕ

Antes de definirmos completamente os fasores, você precisa estar familiarizado com os


números complexos. Um número complexo Z na forma retangular pode ser escrito como (6):

Z = X + jY

Onde

j = √ −1

O número complexo Z também pode ser escrito na forma polar, do seguinte modo (7):

Z = r∠ϕ

E na forma exponencial (8):


Z = r ⋅ e

onde r é a magnitude de Z e

Dados X e Y, podemos obter r e

2 2 −1 Y
r = √X + Y e ϕ = tg
X

Se conhecermos r e

X = r ⋅ cos ϕ e Y = r ⋅ senϕ

Assim, Z é igual a:

Z = X + jY = r∠ϕ = r ⋅ (cos ϕ + j ⋅ senϕ )


Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Podemos realizar operações matemáticas com os fasores. A adição e a subtração de números


complexos são mais simples de serem feitas na forma retangular, já a multiplicação e a divisão
são mais simples na forma polar (12):

Z 1 + Z 2 = (X 1 + X 2 ) + j(Y 1 + Y 2 )

Z 1 − Z 2 = (X 1 − X 2 ) + j(Y 1 − Y 2 )

Z 1 ⋅ Z 2 = r 1 ⋅ r 2 ∠(ϕ 1 + ϕ 2 )

Z1 r1
= ∠(ϕ 1 − ϕ 2 )
Z2 r2

O fasor tem magnitude e fase (“sentido”), portanto, se comporta como um vetor. Há alguns
modos de se representar um vetor, por exemplo:


V


V = V m ∠ϕ


I = I m ∠ϕ

Figura 6 | Representação fasorial.


Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Fonte: adaptada pela autora a partir de Alexander e Sadiku (2013, p. 339).

Uma representação gráfica dos fasores é chamada de diagrama fasorial. Eliminado o fator de
tempo, a senoide é transformada do domínio do tempo para o domínio de fasores do seguinte
modo (13):


v(t) = V m cos(ωt + ϕ) ⇔ V = V m ∠ϕ

A expressão, equação (13), do lado esquerdo, tem a representação no domínio do tempo e, do


lado direito, a representação no domínio dos fasores. O domínio dos fasores também é
conhecido como domínio da frequência, pois a resposta depende de ω.

Vamos destacar alguns pontos importantes (ALEXANDER; SADIKU, 2013):


v(t) é a representação instantânea ou no domínio do tempo, e V é a representação em
termos de frequência ou no domínio dos fasores.

v(t) depende do tempo, já V não.

v(t) é sempre real, não há termo complexo, enquanto V geralmente é complexo.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

A análise de fasores só pode ser aplicada quando a frequência é constante e na manipulação de


dois ou mais sinais senoidais que estiverem na mesma frequência.

Saiba mais
Para estudar a análise de circuitos com fonte em corrente alternada (CA), é fundamental
conhecer as propriedades dos números complexos, pois as análises dos circuitos no regime
permanente senoidal são feitas no domínio da frequência. Desse modo, se o circuito está no
domínio do tempo, é necessário transformá-lo para o domínio da frequência e representar as
tensões e correntes por meio de fasores.

O apêndice B do livro Fundamentos de Circuitos Elétricos com Aplicações, página 828, apresenta
os números complexos.

Referências
ALBUQUERQUE, R. de O. Análise de Circuitos em Corrente Alternada. São Paulo: Editora Saraiva,
2008. Disponível em: [Link]
Acesso em: 10 maio 2023.

ALEXANDER, C. K.; SADIKU, M. N. O. Fundamentos de Circuitos Elétricos com Aplicações. Porto


Alegre: Grupo A, 2013. Disponível em:
[Link] Acesso em: 10 maio.
2023.

DORF, Richard C.; SVOBODA, James A. Introdução aos Circuitos Elétricos. 9ª edição. São Paulo:
Grupo GEN, 2016. Disponível em:
[Link] Acesso em: 10 maio
2023.

SARAIVA, Eduardo S.; LENZ, Maikon L.; SILVA, Cíntia A.; et al. Análise de Circuitos Elétricos e
Corrente Alternada. Porto Alegre: Grupo A, 2020. Disponível em:
[Link] Acesso em: 10 maio
2023.

Aula 2
Indutância, Reatância indutiva e Circuitos indutivos

Videoaula: Indutância, reatância indutiva e circuitos indutivos


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Os indutores na maioria das vezes vêm na forma discreta e tendem a ser mais caros e
volumosos. Porém há aplicações nas quais os indutores não têm nenhum substituto. Os
indutores são usados na prática em relés, circuitos de retardo, sensores, agulhas de toca-discos,
circuitos telefônicos, receptores de rádio e TV, fontes de alimentação, motores elétricos,
microfones e alto-falantes.

Introdução da Aula
Olá, estudante!

Os circuitos elétricos, além dos resistores, são formados por capacitores e/ou indutores.
Representados por equações diferenciais, eles recebem o nome de circuitos dinâmicos e são
capazes de armazenar energia. Os circuitos que não contêm capacitores e indutores são
representados por equações algébricas e são chamados de circuitos estáticos.

Você sabia que a energia pode chegar à sua casa, ao comércio e à indústria por meio dos
sistemas monofásicos, bifásicos ou trifásicos? A escolha por cada sistema de transmissão se
dá a partir do tipo de estabelecimento que receberá a energia elétrica e da quantidade total de
potência dos equipamentos que serão ligados à rede.

Nesta aula, você vai estudar os circuitos monofásicos (aqueles que possuem apenas uma fonte
de tensão) e os circuitos indutivos em série (o paralelo e misto).

Bons estudos!

Circuitos monofásicos e os indutores

Em um circuito de corrente contínua, a relação entre a tensão aplicada e a corrente que flui no
circuito é dada pela lei de Ohm. Porém, em um circuito com corrente alternada, essa relação não
é válida, pois as variações na corrente e na tensão aplicada estabelecem efeitos magnéticos e
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

eletrostáticos. Estes devem ser levados em consideração com a resistência do circuito quando
se determinam as relações quantitativas entre a corrente e a tensão aplicada.

Quando comparamos os circuitos de alta tensão com os de baixa, vemos que, nestes últimos, os
efeitos magnéticos podem ser muito grandes; no entanto, os efeitos eletrostáticos são
geralmente desprezíveis. Por outro lado, nos circuitos de alta tensão, os efeitos eletrostáticos
podem ser consideráveis tanto quanto os efeitos magnéticos.

O fornecimento de energia para um estabelecimento, seja residencial, comercial ou industrial,


pode ser realizado por meio dos sistemas monofásico, bifásico ou trifásico. Mas qual a diferença
entre eles?

No sistema monofásico, a rede é formada por dois condutores: uma fase e um neutro. A tensão
elétrica máxima que esse sistema suporta é de 127V ou 220V, podendo variar conforme a
concessionária de energia elétrica. Normalmente, consome no máximo 8KW.

O sistema bifásico já e formado por três condutores e o estabelecimento recebe dois condutores
de fase e um condutor neutro. A tensão de fase e linha varia entre 127/220V ou 220/380V,
conforme a concessionária de energia. Normalmente fornece no máximo 25KW de potência.

Já o sistema trifásico possui quatro condutores, sendo três condutores de fase e um condutor
neutro. As tensões de fase e linha variam entre 127/220V ou 220/380V. Fornece em média
potências de até 75KW.

Qualquer condutor de corrente elétrica possui propriedades indutivas; portanto, pode ser
considerado um indutor. O indutor é um elemento passivo que armazena energia em seu campo
magnético. Podemos encontrar os indutores em eletrônica e em sistemas de potência como em
fontes de tensão, transformadores, rádios, TVs, radares e motores elétricos (ALEXANDER;
SADIKU, 2013).

Um indutor usado na prática normalmente é formado por uma bobina cilíndrica com várias
espiras de fio condutor, para aumentar o efeito indutivo (Figura 1).

Figura 1 | Indutor.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Fonte: Alexander e Sadiku (2013; p. 199).

Quando se passa uma corrente atr​​avés de um indutor, constata-se que a tensão no dispositivo é
diretamente proporcional à taxa de variação da corrente. Assim, a relação entre tensão e corrente
em um indutor é dada por uma derivada em relação ao tempo (1):

di(t)
v(t) = L
dt

onde L é a constante de proporcionalidade chamada de indutância do indutor. A unidade de


indutância é o henry (H); 1 henry é igual a 1 volt-segundo por ampère.
A indutância é uma relação entre a variação de fluxo magnético e variação de corrente e
representa a propriedade pela qual um indutor se opõe à mudança do fluxo de corrente através
dele. Depende das dimensões físicas e da construção do indutor (2).
2
N ⋅μ⋅A
L =
l

onde N é o número de espiras, l é o comprimento, A é a área da seção transversal e µ é a


permeabilidade do núcleo.

Para elevar a indutância, podemos aumentar o número de espiras da bobina, introduzir núcleos
de materiais ferromagnéticos (como o ferrite), ampliar a área da seção transversal ou reduzir o
comprimento da bobina.

A Figura 2 apresenta o símbolo usado para representar indutores nos diagramas de circuitos
elétricos.

Figura 2 | Símbolo do indutor utilizado em circuitos elétricos.


Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Fonte: Dorf e Svoboda (2016, p. 275).

Circuitos com indutores

Os indutores também ser encontrados com os seguintes nomes: bobina e bobina de solenoide.
Eles podem ser fixos ou variáveis, e seu núcleo pode ser de ferro, aço, plástico ou ar. A Figura 3
apresenta os símbolos dos indutores usados nos circuitos para núcleo preenchido com ar,
núcleo de ferro e núcleo de ferro variável.

Figura 3 | Símbolos de indutores de acordo com o núcleo. Fonte: Alexander e Sadiku (2013, p. 200).
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

A corrente no indutor, ​i(t), pode ser obtida integrando a tensão do indutor do instante -∞ até o
instante t, por meio da equação (4).

1 t0
i(t) = ∫ v(τ )dτ
L −∞

Porém, para encontrar

i(t)

τ = −∞

τ = t

1 t
i(t) = i(t 0 ) + ∫ v(τ )dτ
L t0

Observando a equação, notamos que a corrente no indutor

i(t)

τ = t0

τ = t

t0

t0

A tensão em um indutor é zero quando a corrente é constante; assim, ele atua como um curto-
circuito em CC. O indutor, como já vimos, armazena energia em seu campo magnético e ela pode
ser obtida por meio da equação (6):

1 2
ω = ⋅ L ⋅ i
2

Diferente do resistor, a tensão e a corrente no indutor são defasadas por um ângulo de 90°. Ou
seja, a tensão está 90° adiantada em relação à corrente, ou a corrente está atrasada em 90° em
relação à tensão, Figura 4.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 4 | Diagrama fasorial do indutor. Fonte: Alexander e Sadiku (2013, p. 344).

A Figura 5 apresenta a relação entre tensão e corrente no domínio do tempo (a) e no domínio da
frequência (b).
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 5 | Domínio no tempo e na frequência. Fonte: Alexander e Sadiku (2013, p. 344).

A reatância indutiva (XL) é a oposição à passagem da corrente elétrica oferecida por um indutor
e é dada por (7):

XL = ω ⋅ L

XL = 2 ⋅ π ⋅ f ⋅ L

Onde, XL é a reatância indutiva em ohms (Ω), f é a frequência da corrente alternada que atravessa
o indutor em hertz (Hz) e L é a indutância do indutor em henrys (H).

Do mesmo modo que os resistores, os indutores podem ser conectados em série ou paralelo em
um circuito. Os indutores estão conectados em série quando são conectados de ponta a ponta
(Figura 6).
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 6 | Indutores conectados em série. Fonte: elaborada pela autora.

Note que, quando conectamos os indutores em série, estamos aumentando a indutância, pois, de
um modo simples, é como se nós aumentássemos o número de espiras de uma bobina. Desse
modo, a indutância equivalente (Leq) é igual à soma de todas as indutâncias individuais, equação
(8).

L eq = L 1 + L 2 + L 3

A corrente IT, que atravessa o primeiro indutor, é a mesma que percorre os outros dois; porém, a
tensão total do circuito é a soma das quedas de tensão em cada indutor.

Os indutores estão ligados em paralelo quando dois terminais de um indutor são conectados a
dois terminais de outro indutor, Figura 7. Assim, as tensões em todos os indutores são iguais.
Quando os indutores são conectados em paralelo, sua indutância efetiva diminui.

Figura 7 | Indutores conectados em paralelo. Fonte: elaborada pela autora.


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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

A indutância equivalente de uma associação de indutores em paralelo é obtida conforme


equação (9):

1 1 1 1
= + +
L eq L1 L2 L3

Caso no circuito haja apenas dois indutores em paralelo, a equação (10) fica:

L 1 ⋅L 2
L eq =
L 1 +L 2

Resolvendo circuitos indutores


Um indutor ideal não perde energia, ou seja, a energia armazenada nele pode ser recuperada. Já
um indutor real possui um componente resistivo, pois o material de que o indutor é constituído é
um condutor como o cobre, que possui resistência de enrolamento (Rw). Essa resistência fica
em série com a indutância do indutor, tornando-o um dispositivo armazenador e dissipador de
energia. Como Rw normalmente é muito pequena, na maioria dos casos ela é desprezada.

O indutor não ideal também possui uma capacitância de enrolamento (Cw) devido ao
acoplamento capacitivo entre as bobinas condutoras. Como a Cw é muito pequena, ela pode ser
desprezada na maioria dos casos, desde que não se trate de altas frequências.

Considerando os indutores ideais, vamos fazer um exemplo de cálculo de indutância equivalente.


A Figura 8 apresenta um circuito com indutores em série e paralelo.

Figura 8 | Circuito com indutores, exemplo 1. Fonte: elaborada pela autora.

O primeiro passo para calcular a indutância equivalente no circuito da Figura 8 é calcular as


indutâncias que estão em série: 20H, 15H e 5H, do seguinte modo:
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

L eq1 = 20 + 15 + 5

L eq1 = 40H

Essa nova indutância está em paralelo com 5H e pode ser calculada:

L eq1 ⋅5
L eq2 =
L eq1 +5

40⋅5
L eq2 =
40+5

L eq2 = 4,44H

Por fim a resistência equivalente Leq2 está em série com 2H e 10H por meio de:

L eq = L eq2 + 2 + 10

L eq = 4,44 + 2 + 10

L eq = 16,44H

Façamos outro exemplo. Considere o circuito representado pela Figura 9, onde

−10t
i(t) = 5 (2 − e )mA

i 2 (0) = −1,5mA
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 9 | Circuito com indutores exemplo 2. Fonte: elaborada pela autora.

O primeiro passo é calcular a indutância equivalente, onde as indutâncias 6H e 18H estão em


paralelo:

6⋅18
L eq1 =
6+18

L eq1 = 4,5H

O resultado está em série com 3H:

L eq = L eq1 + 3

L eq = 4,5 + 3

L eq = 7,5H

Agora vamos calcular i(0), substituindo t=0 em:

−10t
i(t) = 5 (2 − e )mA

−10⋅0
i T (0) = 5 (2 − e )mA

i T (0) = 5 (2 − 1)mA

i T (0) = 5mA

Como

i T (0) = i 1 (0) + i 2 (0)

i 1 (0) = i T (0) − i 2 (0)

i T (0) = i 1 (0) + i 2 (0)

i 1 (0) = i T (0) − i 2 (0)

i 1 (0) = 5 − (−1,5)

i 1 (0) = 6,5mA

Para o cálculo de v(t) temos:


Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

di
v(t) = L eq ⋅
dt

−10t
d(5(2−e ))
v(t) = 7,5 ⋅
dt

−10t
v(t) = 7,5 ⋅ 5 ⋅ (−1) ⋅ (−10)e

−10t
v(t) = 375e mV

Já V1(t):

di
v 1 (t) = 3 ⋅
dt

−10t
d(5(2−e ))
v 1 (t) = 3 ⋅
dt

−10t
v 1 (t) = 3 ⋅ 5 ⋅ (−1) ⋅ (−10)e

−10t
v 1 (t) = 150e mV

E por fim:

v(t) = v 1 (t) + v 2 (t)

v 2 (t) = v(t) − v 1 (t)

−10t −10t
v 2 (t) = 375e − 150e

−10t
v 2 (t) = 225e mV

Os indutores normalmente são conectados com outros dispositivos, como os resistores. A


Figura 10 apresente um indutor e um resistor em paralelo. Esse circuito apresenta

−20t
V (t) = 5e V

−20t
I (t) = −1,5e − 1,5A

I L = −2,5A
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 10 | Circuito misto. Fonte: elaborada pela autora.

Vamos começar aplicando a LKT a um dos nós do circuito:


Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

I L (t) + I R = I (t)

1 t v(t)
∫ v (τ )dτ + i (0) + = I (t)
L 0 R

Substituindo os valores:

v(t) 1 t
I (t) = + ∫ v (τ )dτ + i (0)
R L 0

−20t
−20t 5e 1 t −20t
−1,5e − 1,5 = + ∫ 5e dτ − 4
R L 0

−20t
−20t 5e 5 −20t
−1,5e − 1,5 = + (e − 1) − 4
R L(−20)

−20t −20t 5 1 1
−1,5e − 1,5 = e ( − ) + − 4
R 4L 4L

Igualando os coeficientes, obtemos:

−20t −20t 5 1 1
−1,5e − 1,5 = e ( − ) + − 4
R 4L 4L

1
−1,5 = − 4
4L
{
5 1
−1,5 = −
R 4L

1 1 1
−1,5 = − 4 → −1,5 + 4 = → 2,5 = → L = 0,1H
4L 4L 4L
{
5 1 5 1 5 1 5
−1,5 = − → = −1,5 + → = −1,5 + → = 1 → R = 5Ω
R 4L R 4L R 4⋅0,1 R

Portanto L=0,1H e R=5Ω.

Uma rede de distribuição de energia elétrica vai variar conforme as necessidades de cada local;
portanto, conhecer essas necessidades é fundamental para, evitar, por exemplo, a queima de
algum equipamento. Dependendo do número de aparelhos elétricos que estiverem ligados à rede
elétrica, pode ser que um tipo seja melhor o outro. Um sistema monofásico é uma rede com
potência reduzida, por esse motive é mais usada em residências. Uma vantagem desse tipo de
sistema é a economia na conta de energia, pois a eficiência garantida pelo circuito é o suficiente
para grande parte das necessidades.

Saiba mais

Nos circuitos que contêm capacitores e indutores, saber resolver equações diferenciais é muito
importante. O capítulo 5 do livro Curso de circuitos elétricos, do autor Luiz Orsini, trata do estudo
de redes de primeira ordem. Disponível em: Minha Biblioteca. Acesso em: 10 mar. 2023.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Referências

ALEXANDER, C. K.; SADIKU, M. N. O. Fundamentos de Circuitos Elétricos com Aplicações. Porto


Alegre: Grupo A, 2013. Disponível em:
[Link] Acesso em: 5 maio 2023.

DORF, R. C.; SVOBODA, J. A. Introdução aos Circuitos Elétricos. 9ª edição. São Paulo: Grupo GEN,
2016. Disponível em: [Link]
Acesso em: 5 maio 2023.

Aula 3
Capacitância, Reatância capacitiva e Circuitos capacitivos

Videoaula: Capacitância, reatância capacitiva e circuitos capacitivos

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Nesse vídeo, você verá que o capacitor é um dispositivo passivo muito utilizado em circuitos. É
muito útil por possuir as seguintes propriedades: capacidade de armazenar energia, pode ser
utilizado para gerar uma quantidade de corrente ou tensão por um período de tempo curto, se
opõe a qualquer mudança abrupta na tensão e é sensível à frequência. Você vai ver ainda a
resolução de um circuito misto no domínio da frequência.

Introdução da Aula
Olá, estudante!

O capacitor, como o resistor e o indutor, é um dispositivo passivo; porém, diferentemente dos


resistores, que dissipam energia, os capacitores a armazenam.

Os capacitores são um dos componentes mais comuns usados ​em circuitos e são onipresentes
no mundo moderno. Você não os vê, mas esses componentes estão em sua casa em
praticamente todos os dispositivos elétricos e eletrônicos; por exemplo, no computador que você
usa para estudar.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Nesta aula, você vai estudar os capacitores, como associá-los em série e em paralelo e como
calcular alguns parâmetros nos circuitos mistos.

Bons estudos!

O que são capacitores?

O capacitor é um elemento passivo que armazena energia em seu campo elétrico. Assim como
os resistores, os capacitores são componentes elétricos comuns, sendo muito utilizados em
eletrônica, comunicações, computadores e sistemas de potência. O capacitor, assim como o
indutor, é um dispositivo reativo, isto é, reage às variações de corrente, mudando o seu valor
ôhmico conforme a velocidade da variação da corrente nele aplicada. Já um dispositivo resistivo,
como o resistor, resiste à passagem de corrente, mantendo o seu valor ôhmico constante tanto
para a corrente contínua como para a corrente alternada (MARKUS, 2009).

A reação às variações de corrente é chamada de reatância capacitiva, XC, medida em ohm. É


dada por (1):

1
XC =
ωC

1
XC =
2⋅π⋅f ⋅C

onde f é a frequência em Hz do sinal CA e C ​é a capacitância em farads (F). A capacitância é


uma variação do potencial elétrico em relação à carga.

Um capacitor é constituído por duas placas condutoras que são separadas por um isolante (ou
dielétrico), como mostra a Figura 1. As placas podem ser de folhas de alumínio e o dielétrico
pode ser composto por ar, cerâmica, papel ou mica.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 1 | Construção de um capacitor . Fonte: Alexander e Sadiku (2013, p. 190).

Quando uma fonte de tensão v é conectada ao capacitor, Figura 2, a fonte deposita uma carga
positiva q sobre uma placa e uma carga negativa –q na outra placa. Aplicando uma diferença de
potencial entre as placas do capacitor, a fonte deposita uma carga positiva q sobre a placa A e
uma carga negativa –q na outra placa B. A placa A cede elétrons para o polo positivo da fonte,
carregando-se positivamente, e a placa B, simultaneamente, atrai elétrons do polo negativo da
fonte, carregando-se negativamente. Forma-se um fluxo de elétrons (corrente i).
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 2 | Capacitor com tensão aplicada v. Fonte: Markus (2009, p. 92).

Assim, o capacitor armazena a carga elétrica. A quantidade de carga armazenada, representada


por

q = C ⋅ v

Observando a equação (2), você pode achar que a capacitância depende de q ou v, mas isso está
incorreto. A capacitância depende das dimensões físicas do capacitor. Para o capacitor de
placas paralelas, a capacitância é dada por (3):

ε⋅A
C =
d

onde A é a área de cada placa, d é a distância entre as placas e ԑ é a permissividade do material


dielétrico entre as placas.

Normalmente, três fatores determinam o valor da capacitância (ALEXANDER; SADIKU, 2013):

A área das placas: quanto maior a área, maior a capacitância.


O espaçamento entre as placas: quanto menor o espaçamento, maior a capacitância.
A permissividade do material: quanto maior a permissividade, maior a capacitância.

Os valores dos capacitores se encontram na casa dos picofarads (pF) a microfarads (mF) e são
descritos de acordo com o material dielétrico com que são feitos e pelo tipo: variável ou fixo.

A Figura 3 mostra os símbolos para os capacitores fixos (a) e variáveis (b).


Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 3 | Símbolos de um capacitor. Fonte: Alexander e Sadiku (2013, p. 191).

Corrente, tensão e capacitância em série e paralelo

Analisemos, agora, em detalhes, o comportamento da tensão e da corrente nos capacitores.


Considere a Figura 4, na qual a chave S está aberta e o capacitor inicialmente descarregado, ou
seja, Vc = 0. Graficamente, essa situação está representada na Figura 5(a).

Figura 4 | Circuito com chave aberta e capacitor descarregado. Fonte: elaborada pela autora.

No instante t=0, a chave S é fechada. Nesse momento, a tensão entre as placas do capacitor
começa a crescer exponencialmente até atingir o seu valor máximo, que acontece quando a
tensão no capacitor se torna igual à tensão na fonte, isto é, Vc = V, figura 5(b). Note que a tensão
em um capacitor não pode mudar abruptamente.

Inicialmente, as placas do capacitor estão descarregadas e a corrente flui pelo circuito, chegando
no valor máximo i = I. Após fechar a chave, a corrente vai caindo exponencialmente até chegar a i
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

= 0, figura 5(c). O período entre o fechamento da chave e a estabilização da tensão, recebe o


nome de transitório, pois, apesar de rápido, não é instantâneo (MARKUS, 2009).

A medida da velocidade de crescimento da tensão no capacitor é chamada de constante de


tempo (

τ = R ⋅ C

Figura 5 | Comportamento da tensão e corrente no capacitor. Fonte: adaptada pela autora a partir de Markus (2009, p. 93).

A relação entre corrente e tensão para um capacitor linear é dada pela equação (5):

dv
i = C ⋅
dt

A relação tensão-corrente de um capacitor linear pode ser obtida através da equação (6):

1 t
v(t) = ∫ i(τ )dτ + v(t 0 )
C t0

Onde

v(t 0 )

t0
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

q(t 0 )
v(t 0 ) =
C

Também é possível calcular a potência instantânea liberada por um capacitor por meio da
equação (8) e a energia armazenada em joules por meio da equação (9):

dv
p = v ⋅ i = C ⋅ v
dt

2
1 2 q
w = ⋅ C ⋅ v ou w =
2 2C

A equações (8) e (9) representam a potência e a energia armazenada no campo elétrico que
existe entre as placas do capacitor. Como um capacitor ideal não dissipa energia, ela pode ser
recuperada. Um capacitor real, ou seja, que não é ideal, possui uma resistência de fuga em
paralelo com a capacitância.

Em um circuito, do mesmo modo que os resistores e os indutores, os capacitores também


podem ser conectados em série e/ou em paralelo. A Figura 6 apresenta um conjunto de N
capacitores ligados em paralelo.

Figura 6 | Capacitores em paralelo. Fonte: elaborada pela autora.

Para determinar o valor da capacitância equivalente dos capacitores ligados em paralelo,


usamos a equação (10):

C eq = C 1 + C 2 + C 3 + ... + C N

Note que a capacitância equivalente de N capacitores que estão ligados em paralelo é a soma de
suas capacitâncias individuais.

A Figura 7 apresenta um conjunto de N capacitores ligados em série.


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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 7 | Capacitores em paralelo. Fonte: elaborado pela autora.

Para determinar o valor da capacitância equivalente dos capacitores ligados em série, usamos a
equação (11):

1 1 1 1 1
= + + + ... +
C eq C1 C2 C3 CN

Note que a capacitância equivalente dos capacitores conectados em série é o inverso da soma
dos inversos das capacitâncias individuais.

Você viu que, quando o capacitor está totalmente descarregado, a fonte o enxerga como um
curto-circuito, ou seja, Xc=0. Já quando o capacitor está totalmente carregado, a tensão da fonte
e a tensão entre as placas são iguais e a fonte o enxerga como um circuito aberto, assim i=0 e Xc​
=∞.

Circuitos puramente capacitivos e mistos na prática

Quando aplicamos uma corrente contínua em um capacitor, a tensão demora um certo tempo
para atingir o valor máximo; portanto, no capacitor, a corrente está adiantada em relação à
tensão. Se aplicarmos uma tensão senoidal no capacitor, a corrente, também senoidal, ficará
adiantada da tensão em 90°.

A Figura 8 apresenta o diagrama fasorial da tensão e corrente no capacitor quando é aplicado


uma tensão de fase inicial igual a 0°.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 8 | Diagrama fasorial do capacitor. Fonte: Alexander e Sadiku (2013, p. 345).

A Figura 9 apresenta a relação entre tensão e corrente no domínio do tempo (a) e no domínio da
frequência (b).
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 9 | Domínio no tempo e na frequência. Fonte: Alexander e Sadiku (2013, p. 345).

Resolvamos um exemplo. Uma tensão de

v = 20 cos(60t + 45°)V

Considere o capacitor

→ →
I = j ⋅ ω ⋅ C ⋅ V

ω = 60 rad/s


V = 20∠45° V


−6
I = j ⋅ 60 ⋅ 50 × 10 ⋅ 20∠45°


I = 0,003∠90°⋅20∠45°


I = 0,06∠135°


I = 60∠135°mA

Para o domínio do tempo:

i(t) = 60 cos(60t + 135°)mA


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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Resolvamos outro exemplo. Qual o valor da corrente no circuito da Figura 10 e qual o seu
diagrama fasorial?

Figura 10 | Capacitor em série. Fonte: elaborada pela autora.

O primeiro passo é calcular o valor da reatância:

1
XC =
2⋅π⋅f ⋅C

1
XC = −6
2⋅3,14⋅60⋅0,45×10

X C = 5,89KΩ

A intensidade da corrente é dada por:

V
I =
XC

110
I = 3
5,89×10

I = 18,67mA

Como a fase da tensão é de 120°, a corrente no capacitor está 90° adiantada. Assim, a fase da
corrente é de 210° e o diagrama fasorial é apresentado na Figura 11.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 11 | Diagrama fasorial do exemplo. Fonte: elaborada pela autora.

Os circuitos RC são aqueles que contêm os componentes resistores e capacitores. Nesse tipo de
circuito, as correntes e os potenciais variam com o tempo e as fontes que alimentam estes
circuitos, apesar de serem independentes do tempo, geram efeitos dependentes do tempo
devido ao capacitor. Estes efeitos são importantes para o controle do funcionamento de
máquinas e motores.

A Figura 12 apresenta um circuito RC. Vamos calcular a corrente que atravessa esse circuito e as
tensões em cima do resistor e do capacitor. Considere R=50Ω e XC=40Ω.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 12 | Circuito RC . Fonte: elaborada pela autora.

Para calcular a corrente, precisamos encontrar a impedância total do circuito.

Como o resistor e o capacitor estão em série na forma cartesiana, o capacitor é representado por
-jXc, portanto temos:

Z C = R − jX C

Substituindo os valores:

Z C = R − jX C = 50 − j40Ω

Podemos calcular a impedância na forma polar e a fase respectivamente por 12 e 13:

2 2
Z C = √R + X
C

XC
ϕ = arctg
R

Substituindo os valores:

2 2 2
= √ 50 + 40 = 64,03Ω
2
Z C = √R + X
C

−X C −40
ϕ = arctg = arctg = −38,66°
R 50

Z C = 64,03∠ − 38,66Ω

A corrente que atravessa o circuito:


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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

V 100∠0°
i = = = 1,56∠38,66°A RM S
ZC 64,03∠−38,66°

A tensão no resistor:

V R = R ⋅ i = 50∠0 ⋅ 1,56∠38,66 = 78∠38,66 V RM S

A tensão no capacitor:

V C = X C ⋅ i = 40∠ − 90 ⋅ 1,56∠38,66 = 62,4∠ − 51,34 V RM S

Saiba mais
Os capacitores mais simples são os formados por placas paralelas e utilizados para o
armazenamento de cargas elétricas. Já a capacitância mede a quantidade de cargas que um
capacitor pode armazenar em um uma determinada diferença de potencial elétrico. Saiba mais
sobre os capacitores e a capacitância no capítulo 17 do livro Uma Introdução à Ciência Elétrica.

Referências

ALEXANDER, C. K.; SADIKU, M. N. O. Fundamentos de Circuitos Elétricos com Aplicações. Porto


Alegre: Grupo A, 2013. Disponível em:
[Link] Acesso em: 10 maio
2023.

MARKUS, O. Circuitos Elétricos - Corrente Contínua e Corrente Alternada. São Paulo: Editora
Saraiva, 2009. Disponível em:
[Link] Acesso em: 10 maio
2023.

Aula 4
Circuitos Monofásicos (RLC série e paralelo)

Videoaula: Circuitos monofásicos (RLC série e paralelo)

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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

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Neste vídeo, você estudará os circuitos RLC, que são formados por três componentes elétricos:
um resistor (R), um indutor (L) e um capacitor (C). Eles podem ser conectados em série ou
paralelo entre si. O nome do circuito é derivado das letras usadas para descrever os
componentes.

Introdução da Aula

Olá, estudante!

Até agora você já viu os circuitos puramente resistivos, puramente capacitivos e puramente
indutivos. Mas você sabe o que é um circuito RLC? Como o nome indica, o circuito RLC consiste
nos elementos passivos resistor, indutor e capacitor, que podem ser ligados de vários modos. Os
mais usuais são os modos em série e paralelo.

Estudando e entendendo o comportamento desses componentes passivos, podemos projetar


filtros, osciladores, etc. Assim, os circuitos RLC desempenham um papel importantíssimo no
projeto de circuitos elétricos. Nesta aula, você vai aprender a analisar os principais parâmetros
de um circuito RLC, com os seus componentes ligados em série ou paralelo.

Bons estudos!

Introduzindo os circuitos RLC


Os circuitos RLC também são conhecidos como circuitos ressonantes e circuitos sintonizados.
Eles consistem em um resistor, um indutor e um capacitor que estão conectados entre si em
série ou em paralelo, com uma fonte tensão. O nome do circuito é derivado das letras usadas
para descrever os componentes. A ordem ou disposição dos componentes do circuito RLC
podem variar. Todos esses elementos são lineares e passivos por natureza. Os componentes
passivos, como já vimos, são aqueles que consomem energia ao invés de produzi-la, e os
lineares são aqueles que possuem uma relação linear entre tensão e corrente.

Em um resistor ôhmico puro, as formas de onda de tensão estão em fase com a corrente. Em
uma indutância pura, a forma de onda da tensão está adiantada em relação à corrente em 90°.
Em uma capacitância pura, a forma de onda da tensão está atrasada em relação à corrente em
90°. O Quadro 1 apresenta as impedâncias dos dispositivos R, L e C.

Quadro 1 | Impedância dos dispositivos R, L e C.


Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Elemento do Resistência Reatância Impedância


Circuito (R) (X) (Z)

Resistor R 0 ZR = 0

Z R = R∠0°

Z L = jωL
Indutor 0 ωL
Z L = jX L

Z L = ωL∠90°

1
ZC =
jωC

Capacitor 0 1

ωC
Z C = −jX C

1
ZC = ∠ − 90°
ωC

Fonte: elaborado pela autora.


O circuito RLC é um circuito ressonante do mesmo modo que um circuito LC; porém, no RLC, a
oscilação desaparece rapidamente em comparação com o circuito LC devido à presença do
resistor no circuito. Quando um resistor, indutor e capacitor são conectados em série com a
fonte de alimentação, o circuito formado é chamado de circuito RLC em série. Nesse circuito, a
corrente é comum a todos os elementos e a tensão de alimentação será dividida entre os
elementos passivos.

O circuito RLC paralelo é exatamente o oposto do circuito em série; contudo, a análise


dos circuitos RLC paralelos pode ser um pouco mais complicada matematicamente que para os
em série. Em vez de a corrente ser comum aos componentes do circuito, a tensão aplicada agora
é comum a todos e a corrente de alimentação será dividida entre os elementos passivos.

Existem dois parâmetros fundamentais que descrevem o comportamento dos circuitos RLC: a
frequência de ressonância e o fator de amortecimento.

Os circuitos ressonantes possuem muitas aplicações, especialmente para circuitos oscilantes e


em rádio e comunicação. Eles podem ser usados ​para selecionar uma certa faixa estreita de
frequências do espectro. Por exemplo, os rádios AM/FM com sintonizadores analógicos
normalmente usam um circuito RLC para sintonizar uma frequência de rádio. Mais comumente,
um capacitor variável é anexado ao botão de sintonia, o que permite alterar o valor de C no
circuito e sintonizar estações em diferentes frequências.

Um circuito RLC é chamado de circuito de segunda ordem, pois qualquer tensão ou corrente nele
pode ser descrita por uma equação diferencial de segunda ordem para análise de circuito.

Analisando circuitos RLC


Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Um circuito é designado como “de segunda ordem” quando ele é formado por resistores e o
equivalente de dois elementos de armazenamento. Esse tipo de circuito é caracterizado por uma
equação diferencial de segunda ordem. Vamos começar analisando um circuito RLC conectado
em série (Figura 1).

Figura 1 | Circuito RLC série. Fonte: elaborado pela autora.

As reatâncias XL e XC estão sempre defasadas em 180o entre si, de modo que a reatância de
maior valor elimina o efeito da outra, reduzindo ou anulando o efeito reativo total do circuito.
A impedância


Z

−jX C

jX L


Z

Em relação à impedância, o circuito RLC série pode ter três comportamentos distintos (Figura 2).
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 2 | Diagrama fasorial da impedância do RLC série. Fonte: Markus (2009, p. 218).

O módulo e a fase de um circuito RLC em série são calculados respectivamente por meio das
equações (1) e (2).

2
2
Z = √ R + (X L − X C )

(X L −X C )
φ = arctg
R

Agora vamos analisar a tensão. A tensão


V




→ → → →
V = VR + VL + VC

Vamos considerar a corrente


I


I = I ∠θ inicial = I ∠0°A

Desse modo,


I



VR
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL


I

Em relação à corrente


I


V

Figura 3 | Comportamento do circuito RLC série. Fonte: Markus (2009, p. 218).

O módulo e a fase da tensão do gerador no circuito RLC em série são calculados


respectivamente por meio das equações (5) e (6).

2 2
V = √V R + (V L − V C )

(V L −V C )
φ = arctg
VR

Podemos generalizar as tensões para a corrente com fase diferente de zero (


I = I ∠θ i
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL


Gerador : V = Z ⋅ I ∠(θ i + φ)



Re sistor : V R = R ⋅ I ∠(θ i )


I ndutor : V L = X L ⋅ I ∠(θ i + 90)


Capacitor : V C = X C ⋅ I ∠(θ i − 90)

No circuito ressonante em série, quando

XL = XC

f0

1
f0 =
2⋅π√ L⋅C

Abaixo da frequência de ressonância, a impedância é capacitiva (

XC > XL

Acima da frequência de ressonância, a impedância é indutiva (

XL > XC

Vamos resolver um exemplo?

Considere um circuito RLC série no qual R=200Ω, L=2mH, C=0,2µF e tensão na fonte (gerador)

20∠0°V

a)

1 1
f0 = = = 7,96KH z
−3 −6
2⋅π√ L⋅C 2⋅π√ 2×10 ⋅0,2×10

b)

V 20
I = = = 0,1A
Z 200

c) Como na ressonância o circuito é puramente resistivo, a defasagem é zero.


Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

d)

2
2
Z = √ R + (X L − X C )

2
2 3 −3 1
Z = √ 200 + (2 ⋅ 3,14 ⋅ 10 ⋅ 10 ⋅ 2 ⋅ 10 − 3 −6
)
2⋅3,14⋅10⋅10 ⋅0,2⋅10

Z = 205,21Ω

(X L −X C )
φ = arctg =
R

3 −3 1
2⋅3,14⋅10⋅10 ⋅2⋅10 −
3 −6
2⋅3,14⋅10⋅10 ⋅0,2⋅10
φ = arctg
200

125,6−79,61
φ = arctg
200

φ = arctg0,23

φ = 12,95°

Assim,

Z = 205,21∠12,95°Ω

V
I =
Z

20∠0°
I =
205,21∠12,95°

I = 97,46∠ − 12,95°mA

Circuito RLC paralelo

A mesma análise feita no circuito RLC em pode ser feita para o paralelo (Figura 4). As reatâncias
XL e XC estão defasadas de 180o entre si, de modo que a reatância de menor valor elimina o
efeito da outra, reduzindo ou anulando o efeito reativo total do circuito.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 4 | Circuito RLC em paralelo. Fonte: elaborada pela autora.

A impedância


Z


Z


1 1 1 1
= + j( − ) ou Z = Z∠φ
→ R XC XL
Z

A impedância o circuito RLC paralelo pode ter três comportamentos distintos (Figura 5).

Figura 5 | Diagrama fasorial da impedância do RLC paralelo. Fonte: Markus (2009, p. 220).

O módulo e a fase de um circuito RLC em paralelo são calculados respectivamente por meio das
equações (10) e (11).
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

2
1 1 1 1
= √ 2
+ ( − )
Z R XC XL

R⋅(X C −X L )
φ = arctg
X L ⋅X C

Agora vamos analisar as correntes que atravessam o circuito da Figura 4. A corrente da fonte


I


IR


IC


IL


→ → → →
I = IR + IL + IC

Diferentemente do circuito RLC em série, agora vamos supor que a tensão


V


V = V ∠θ inicial = V ∠0°A

Desse modo,


V



IR


V

Em relação à tensão


V


I
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

A defasagem entre a tensão do gerador e a corrente que ele fornece ao circuito pode ser positiva,
nula ou negativa (entre -90o e +90o). A Figura 6 representa os três comportamentos do circuito
RLC paralelo.

Figura 6 | Diagrama fasorial da corrente do RLC paralelo. Fonte: Markus (2009, p. 221).

O módulo e a fase da corrente do gerador no circuito RLC em paralelo são calculados


respectivamente por meio das equações (14) e (15).

2 2
I = √I R + (I L − I C )

(I L −I C )
φ = arctg
VR

Podemos generalizar a fase

θV


V = V ∠θ V


V
Gerador : I = ∠(θ V − φ)
Z



V
Re sistor : IR = ∠(θ V )
R


V
I ndutor : IL = ∠(θ V − 90)
XL


V
Capacitor : IC = ∠(θ V + 90)
XC
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

As expressões utilizadas para encontrar a frequência de ressonância no circuito série são as


mesmas para o circuito em paralelo.

Do mesmo modo que o circuito RLC série na ressonância

ω0

Abaixo da frequência de ressonância, a impedância é indutiva (

XL > XC

Acima da frequência de ressonância, a impedância é capacitiva (

XC > XL

A figura de mérito ou fator de qualidade de um indutor também é chamada de fator Q. O fator de


qualidade está associado à seletividade de um circuito, ou seja, quanto maior é o Q, melhor será
a capacidade do circuito se separar frequências próximas. O fator de qualidade da bobina,

QL

X Lo
QL =
RB

Onde

X Lo

RB

X Lo
Q =
RT

Onde

RT

Vamos resolver um exemplo?

Considere um circuito RLC paralelo no qual R=2KΩ, L=400H, C=1KF e tensão na fonte (gerador)

20∠0°V

a) O cálculo das correntes que atravessam o circuito é realizado por:


Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL



V 20∠0°
IR = = 3
= 10∠(0°)mA = 10mA
R 2×10


V 20∠0°
IL = = = −50∠(−90)mA = −j50mA
XL 400∠90°


V 20∠0°
IC = = 3
= 20∠90°mA = j20mA
XC 1×10 ∠−90°

→ → → →
I = I R + I L + I C = 10 − j50 + 20j = (10 − j30)mA = 31,62∠ − 56,3°mA

2 2
I = √ 10 + (−30) = 31,62mA

−30
φ = arctg = −56,30°
20

a) Para o cálculo da impedância, basta dividir a tensão pela corrente:

V 20∠0°
Z = = −3
= 632,51∠56,3°Ω
I 31,62×10 ∠−56,3°

c) O diagrama fasorial apresenta a tensão no gerador e as correntes que atravessam o circuito.


Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 7 | Diagrama fasorial do circuito RLC paralelo do exemplo. Fonte: elaborada pela autora.

Saiba mais
O conceito de fasores e diagramas fasoriais também pode ser aplicado a circuitos elétricos RLC.
As relações entre tensão e corrente dos dispositivos passivos nos circuitos elétricos podem ser
representadas no domínio da frequência. A página 116 do livro Análise de circuitos elétricos
apresenta os diagramas fasoriais em circuitos RLC.

Referências

ALBUQUERQUE, R. de O. Análise de Circuitos em Corrente Alternada. São Paulo: Editora Saraiva,


2008. Disponível em: [Link]
Acesso em: 10 maio 2023.

MARKUS, O. Circuitos Elétricos – Corrente Contínua e Corrente Alternada. São Paulo: Editora
Saraiva, 2009. Disponível em:
[Link] Acesso em: 10 maio 2023.

Aula 5
Encerramento da Unidade

Videoaula: Revisão da unidade

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Nesse vídeo, você vai ver um pouco mais sobre os componentes e o circuito RLC. Em um circuito
RLC, os dispositivos fundamentais são: resistor, indutor e capacitor. Eles são conectados
normalmente em série ou paralelo através de uma fonte de tensão. Todos esses dispositivos são
lineares e passivos. Os elementos passivos são aqueles que consomem energia e os lineares,
aqueles que possuem uma relação linear entre tensão e corrente.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Corrente alternada e circuitos com resistor, capacitor e indutor

Olá, estudante! A eletricidade pode se manifestar de duas formas: em corrente alternada (CA) ou
em corrente contínua (CC). Ambas são essenciais para viabilizar o funcionamento dos nossos
aparelhos eletrônicos. Elas descrevem tipos de fluxo de corrente em um circuito. Em CC, a
corrente flui apenas em uma direção e é linear; já em CA, a corrente muda de direção
periodicamente.

A eletricidade padrão que sai das tomadas elétricas de nossas casas é em CA. Define-se como
um fluxo de carga que exibe uma mudança periódica de direção. O fluxo de corrente CA muda
entre positivo e negativo. Quando a CA apresenta-se na forma senoidal, o movimento é
semelhante a uma onda; isso significa que a energia CA pode viajar mais longe do que a energia
CC. Esta é uma grande vantagem quando se trata de fornecer energia aos consumidores.

A energia CC é muito mais consistente em termos de fornecimento de tensão, o que significa


que a maioria dos eletrônicos depende dela e usa fontes de energia CC, como as baterias. Os
dispositivos eletrônicos também podem converter a energia CA das tomadas em energia CC
usando um retificador, geralmente embutido na fonte de alimentação do dispositivo. Um
transformador também é usado para aumentar ou diminuir a tensão para um nível adequado ao
dispositivo em questão. Muitos eletrodomésticos, como lâmpadas, máquinas de lavar e
geladeiras, usam energia CA, que é fornecida diretamente da rede elétrica por meio de tomadas
elétricas.

Podemos dividir os componentes eletrônicos em duas grandes categorias: os componentes


ativos e os componentes passivos. Os componentes passivos incluem o resistor, o capacitor e o
indutor. Esses são os três componentes mais usados ​em circuitos eletrônicos; você pode
encontrá-los em quase todos os circuitos de aplicação. Um resistor é um elemento que dissipa
energia principalmente na forma de calor. Um capacitor é um elemento que armazena energia
temporariamente na forma de campo elétrico e resiste a mudanças de tensão. Os indutores
também armazenam energia, mas na forma de campo magnético; eles resistem a mudanças de
corrente.

Quando esses resistores (R), capacitores (C) e indutores (L) são colocados em conjunto,
podemos formar circuitos, como os RC, RL e RLC. Eles exibem respostas dependentes de tempo
e frequência, que serão úteis em muitas aplicações CA. Circuitos RC, RL e RLC podem ser usados
como filtro, oscilador, etc.

Em alguns casos, em uma determinada frequência (denominada como “de ressonância”), a


reatância indutiva do circuito torna-se igual à reatância capacitiva, o que faz com que a energia
elétrica oscile entre o campo elétrico do capacitor e o campo magnético do indutor. Isso forma
um oscilador harmônico para a corrente. No circuito RLC, a presença do resistor faz com que
essas oscilações desapareçam ao longo do tempo; isso é chamado de efeito de amortecimento
do resistor.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Estudo de caso
Os circuitos RLC são denominados como “de segunda ordem”, pois suas respostas são descritas
por equações diferenciais com derivadas de segunda ordem. Além do RLC, um circuito de
segunda ordem pode apresentar várias outras configurações, como um capacitor e um indutor,
ou dois indutores e nenhum capacitor, ou dois capacitores e nenhum indutor. Porém o circuito de
segunda ordem mais comum é o RLC, com os três tipos de elementos passivos: resistor,
capacitor e indutor. Os circuitos RLC são ressonantes; encontram-se em praticamente todos os
equipamentos de telecomunicações. Todos os objetos possuem uma frequência própria de
vibração e essa frequência é a frequência de ressonância.
Para contextualizar sua aprendizagem, imagine que você trabalha para uma empresa como
responsável técnico na área de manutenção de circuitos elétricos e eletrônicos e foi contratado
para avaliar um circuito de ressonância. Sabemos que um circuito ressonante possui alto fator
de qualidade e é bastante utilizado em sistemas receptores de sinais eletromagnéticos, como
rádios e televisões. Porém, o cliente informou que o circuito parou de funcionar e exalou um
cheiro forte de queimado. Além do circuito, o cliente apresentou a você o manual, que continha o
esquemático elétrico conforme mostra a Figura 1.

Figura 1 | Circuito ressonante. Fonte: elaborada pela autora.


O circuito apresentado no manual deve entrar em ressonância na frequência de f = 1000 Hz, a
partir de um indutor de 0,02 H e com um fator de qualidade Q de 200. Porém, esse manual está
danificado, não apresenta todas as folhas e alguns dispositivos estão sem valor, como o da
resistência interna do indutor, assim como o capacitor. O que se sabe é que o capacitor suporta
um valor de tensão máxima de 250V e que a corrente que passa por ele é de aproximadamente
1mA.
Ao analisar o circuito, você observou que o capacitor está danificado; possivelmente o cheiro de
queimado exala-se dele. Assim, você deve determinar os parâmetros do circuito e verificar:
resistor, tensão e corrente e o efeito de escolha deste capacitor. Escreva um relatório com os
cálculos identificando onde está o problema desse circuito e como resolvê-lo.

Um circuito série de sintonia é composto por um indutor em série com um capacitor e


alimentado por uma fonte de sinal. Na prática, o circuito LC série deve ser tratado como um
circuito RLC série (Figura 2), no qual Rs é o equivalente série das resistências espúrias do
circuito. Nesse circuito, Rs é basicamente a resistência série do fio do indutor.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 2 | Circuito série de sintonia. Fonte: elaborada pela autora.


Nesse caso, serão desprezadas algumas resistências, como a do dielétrico do capacitor, dos
terminais dos componentes, das soldas e das trilhas de cobre da placa de circuito impresso.
Também há a indutância espúria do capacitor e a capacitância espúria dos fios do indutor, mas
esses fatores só serão considerados em frequências muito altas.
O módulo e a fase da impedância do circuito série de sintonia são dados respectivamente pelas
2 (X L −X C )
equações do seguinte modo: Z = √R s
2
+ (X L − X C ) eφ = arctg
Rs

Na prática, a capacitância espúria que as bobinas possuem pode ser minimizada enrolando-as
com as espiras bem separadas.

Olá estudante, chegamos ao encerramento da unidade!


Vamos realizar a experiência presencial que irá consolidar os conhecimentos adquiridos? É a
oportunidade perfeita para aplicar, na prática, o que foi aprendido em sua disciplina. Vamos
transformar teoria em vivência e tornar esta etapa ainda mais significativa. Não perca essa
chance única de colocar em prática o conhecimento adquirido.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 3 | Diagrama fasorial. Fonte: elaborada pela autora.


Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

ALBUQUERQUE, R. de O. Análise de Circuitos em Corrente Alternada. São Paulo: Editora Saraiva,


2008. Disponível em: [Link]
Acesso em: 10 maio 2023.
MARKUS, O. Circuitos Elétricos – Corrente Contínua e Corrente Alternada. São Paulo: Editora
Saraiva, 2009. Disponível em:
[Link] Acesso em: 10 maio 2023.
,

Unidade 4
GERADORES, MOTORES E TRANSFORMADORES

Aula 1
Triângulo das Potências

Videoaula: Triângulo das potências

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Nesse vídeo, você estudará a relação entre energia reativa e o fator de potência. Os motores, os
transformadores e outros equipamentos que possuem enrolamentos, para funcionarem,
precisam de energia ativa e reativa. A energia reativa é necessária, pois produz o fluxo magnético
nas bobinas dos equipamentos, e, assim, os eixos dos motores giram. Já a energia ativa executa
de fato as tarefas; ela é responsável pelos motores girarem para realizar o trabalho do dia a dia.
A energia reativa é necessária, porém deve ser a menor possível.

Introdução da Aula
Olá, estudante!

Você se lembra como é calculada a potência em um circuito de corrente contínua? Em CC, a


potência é dada pelo produto da tensão vezes a corrente. Porém, nos circuitos CA, a potência
consumida é calculada de um modo diferente.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

A energia elétrica normalmente é fornecida sob a forma de tensões e correntes em formato


senoidal, gerando uma corrente alternada. Essa alternância gera diferenças de potencial, dando
origem a diferentes variáveis, como: potência instantânea, potência ativa e potência reativa. A
soma vetorial das potências ativa e reativa resulta na potência aparente. Essas variáveis
contribuem para o cálculo de um importante indicador na análise de potência CA: o fator de
potência, que é uma expressão da eficiência energética.

Parece complicado? Não se preocupe: nesta aula, você poderá compreender todos esses
conceitos.

Bons estudos!

Introdução às potências
Em um circuito CC, as tensões e correntes normalmente são constantes; portanto, não existe
variação na potência. Ou seja, ela não varia com o tempo, pois não há uma forma de onda
senoidal associada à alimentação. Já em circuitos CA, os valores instantâneos de tensão,
corrente e, portanto, a potência estão em constante mudança, já que são diretamente
influenciados pela fonte de tensão. Assim, o modo de se calcular a potência nos circuitos CA não
é o mesmo dos circuitos CC.

Há diferentes tipos de potência, como instantânea, média e complexa. Vamos começar a estudar
a potência instantânea. Ela é que o produto, no domínio do tempo, da tensão e da corrente que
são associadas a um componente ou a um conjunto de componentes de um circuito. A potência
instantânea é obtida por meio da equação (1):

p(t) = v(t) ⋅ i(t)

A potência instantânea

p(t)
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 1 | Exemplos de tensões e correntes típicos. Fonte: Dorf e Svoboda (2016, p. 498).

Também podemos calcular a potência média (P). O valor médio de uma função periódica do
tempo é dada pela integral da função para um período completo, dividida pelo período. Assim, a
potência média é dada pela equação (2):

1 t o +T
P = ∫ p(t)dt
T to

Onde t0 é o instante inicial escolhido arbitrariamente e T é o período.

Dependendo da impedância, a tensão

v(t)

φ
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

i(t)

v(t) = V P ⋅ cos(ωt + φ)

i(t) = I P ⋅ cos(ωt)

p(t) = v(t) ⋅ i(t)

p(t) = V P ⋅ cos(ωt + φ) ⋅ I P ⋅ cos(ωt)

p(t) = V P ⋅ I P ⋅ cos(ωt + φ) ⋅ cos(ωt)

Onde

VP

IP

p(t) = V ⋅ I ⋅ cos(φ) + V ⋅ I ⋅ cos(2ωt + φ)

Observando a expressão (4), vemos que o primeiro termo

V ⋅ I ⋅ cos(φ)

V ⋅ I ⋅ cos(2ωt + φ)

A parcela constante da expressão da potência instantânea é o seu valor médio, e a potência


média é conhecida como potência ativa ou potência real de um circuito, sendo denominada por

P = V ⋅ I ⋅ cos(φ)

Toda a potência fornecida pelo gerador é ativa, pois ela é sempre positiva.

Além da potência ativa, o circuito CA possui mais dois tipos de potência: a reativa e a aparente. A
potência reativa representa a parte da potência que é aplicada para as cargas capacitivas e
indutivas. Sua unidade de medida é volt ampère reativo (VAr). A potência aparente é a potência
total que é entregue à carga, e é medida em volt ampère (VA). A potência aparente é formada
pela combinação das potências ativas e reativa. Juntas, formam o triângulo de potências.

Potências ativa e aparente


Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Em um circuito puramente indutivo ou puramente capacitivo, não existe potência ativa, mas
reativa, pois a potência fornecida ao indutor e ao capacitor é devolvida ao gerador. Durante a
devolução, é como se o dispositivo fosse um gerador. A potência reativa (

−v ⋅ i

+v ⋅ i

Alguns autores se referem à potência reativa como “potência sem watts” ou “potência
imaginária”. Você deve estar pensando: mas o que é uma potência imaginária? Ela existe? Sim,
ela existe. A palavra imaginário significa quadratura, ou seja, ângulos retos. No nosso contexto,
significa que é criada por uma corrente de carga que está atrasada ou avançada em relação à
fonte de tensão em 90° (WAYGOOD, 2017).

Em eletricidade, a parte real dos números complexos está associada às resistências e à potência
ativa; já às reatâncias e à potência reativa, é atribuída a parte imaginária.

O produto do fasor eficaz, ou seja, a tensão na carga pelo conjugado do fasor eficaz que
representa a corrente nessa carga, nos dá a potência complexa fornecida pela carga, com a
equação (6):

→ →
*
P complexa = V ⋅ I

Onde

P complexa

O módulo da potência complexa é a potência aparente, equação (7), e o argumento é a diferença


entre as fases da tensão e da corrente.

|S| = V ⋅ I

A potência ativa se relaciona com a potência complexa por meio da equação (8):

P = V ⋅ I ⋅ cos φ = Re(S)

A potência reativa é a parte imaginária da potência complexa, equação (9):

Q = V ⋅ I ⋅ senφ = Im(S)

A potência reativa é uma medida de troca de energia entre a fonte e a parte reativa da carga.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Como já explicado, os capacitores e os indutores são armazenadores de energia; assim, não


dissipam nem absorvem energia, mas trocam energia com o restante do circuito. Do mesmo
modo, a potência reativa é transferida entre a carga e a fonte. A consequência direta de
elementos armazenadores de energia é que eles fazem circular potência e, portanto, corrente nos
circuitos sem que seja usada. Assim, desperdiça-se pelo efeito das resistividades, além de piorar
o formato da senoide, já que as correntes circulam mais em circuitos que podem ter não
linearidades.

Lembre-se de que, em cargas indutivas, a corrente é atrasada em relação à tensão;

Quando Q = 0, o circuito só possui cargas resistivas e o fator de potência (FP) é igual a um. Se

Q < 0

Q > 0

P
fp =
S

A potência aparente também é definida como o produto da tensão eficaz, ou RMS (

V ef

I ef

S = V ef ⋅ I ef

O fator de potência é um parâmetro muito importante, porque, através dele, temos a indicação da
eficiência do uso da energia. O que isso significa? Um alto fator de potência indica uma eficiência
alta; porém, um baixo fator de potência indica perda de energia elétrica na forma de calor.

As três potências são relacionadas por meio da equação (12):

2 2
S = P + jQ ou |S| = √ P + Q

O argumento é dado por (13):

Q
φ = arctg
P

Fique atento com os sinais de P e Q quando for calcular o argumento.


Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Triângulo e fator de potência

Há um outro modo de representar as potências S, P e Q, que é através do triângulo de potência,


figura 2(a). Esse triângulo é muito similar ao triângulo que representa a relação entre Z, R e X,
conforme figura 2(b).

Figura 2 | (a) triângulo de potência e (b) relação entre Z, R e X. Fonte: Alexander e Sadiku (2013, p. 421).

Observando o triângulo de potência da Figura 2(a), notamos que ele possui as potências:
aparente, real e reativa, e o ângulo do fator de potência. A partir de dois desses parâmetros, os
outros dois podem ser obtidos a partir do triângulo.

Outra análise que se pode realizar por meio das potências está ilustrada na Figura 3. Observe
que, quando S está no primeiro quadrante, há uma carga indutiva e um fator de potência
atrasado. Quando S está no quarto quadrante, a carga é capacitiva e o fator de potência está
adiantado. A potência complexa também pode ficar no segundo ou terceiro quadrantes, porém
isso só acontece em circuitos ativos.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 3 | Diagrama fasorial das potências. Fonte: Alexander e Sadiku (2013, p. 421).

A Resolução ANEEL 456/2000 determina que o fator de potência deve ser o mais próximo de 1,
porém, a legislação estabelece que o valor mínimo deve ser de 0,92.

Quando o fator de potência apresenta um valor baixo, isso significa que a energia está sendo mal
aproveitada, o que pode ocasionar um aumento das perdas elétricas internas da instalação,
queda de tensão na instalação, condutores aquecidos, dentre outros problemas.

No entanto, é possível corrigir o baixo fator de potência, por exemplo, reduzindo as perdas de
energia elétrica por meio do dimensionamento correto de motores e equipamentos, instalação de
capacitores ou banco de capacitores (de preferência, próximo à carga), instalação de motores
síncronos em paralelo com a carga, entre outros.

A maior parte das cargas domésticas, comerciais e industriais é resistivo-indutiva. As cargas


resistivas são cargas de iluminação e aquecimento e as cargas indutivas, como motores, relés
etc., porém a maioria das cargas possuem fatores de potência atrasados.

A Figura 4 representa um circuito equivalente para uma carga R-L.


Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 4 | Circuito R-L . Fonte: Waygood (2017, p. 255).

A Figura 5 é o diagrama fasorial para este circuito. Observe que corrente está atrasada em
relação à tensão de fonte por algum ângulo, Φ; portanto, o circuito possui um fator de potência
atrasado.

Figura 5 | Diagrama fasorial do circuito da Figura 4. Fonte: Waygood (2017, p. 255).


Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Agora, vamos adicionar um capacitor em paralelo, como na Figura 6. Quando isso acontece,
afeta-se o valor da corrente de carga do circuito exigida da fonte.

Figura 6 | Circuito acrescido de um capacitor. Fonte: Waygood (2017, p. 255).

A Figura 7 apresenta o diagrama fasorial do efeito da adição do capacitor. Observe o que


acontece com a corrente.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 7 | Diagrama fasorial com a adição do capacitor. Fonte: Waygood (2017, p. 255).

A corrente do capacitor está adiantada em relação à tensão de fonte e no sentido oposto da


corrente do indutor. Desse modo, age para reduzir a corrente reativa total do circuito e, assim,
reduz o ângulo de fase e, o valor da corrente de fonte.

Portanto, adicionar capacitores em paralelo com a carga ajusta o fator de potência atrasado, ou
seja, há uma correção do fator de potência.

O resultado da melhoria do fator de potência é reduzir o tamanho da corrente de carga e, assim,


reduzir o tamanho dos equipamentos de alimentação, como cabos, comutadores,
transformadores, etc.

Saiba mais

O cálculo do fator de potência é muito importante para promover o uso racional da energia
reativa excedente. Para realizar o cálculo, basta dividir a potência ativa pela potência total ou
aparente do sistema. O artigo Avaliação do fator de potência em instalações elétricas
residenciais trata desse assunto.

Referências
ALEXANDER, C. K.; SADIKU, M. N. O. Fundamentos de Circuitos Elétricos com Aplicações. Porto
Alegre: Grupo A, 2013. Disponível em:
[Link] Acesso em: 21 mar. 2023.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

DORF, R. C.; SVOBODA, J. A. Introdução aos Circuitos Elétricos. 9ª edição. São Paulo: Grupo GEN,
2016. Disponível em: [Link]
Acesso em: 21 mar. 2023

WAYGOOD, A. Uma Introdução à Ciência Elétrica. São Paulo: Grupo GEN, 2017. E-book. Disponível
em: [Link] Acesso em: 21 mar.
2023

Aula 2
Geradores e Motores de Controle Alternada

Videoaula: Geradores e motores de corrente alternada

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De acordo com o NEC (National Electric Code) há algumas informações que são necessárias,
importantes e devem estar presentes na placa de identificação de um motor. Outras
informações, apesar de importantes, não são obrigatórias. Neste vídeo, você verá mais a fundo
algumas dessas informações obrigatórias e opcionais.

Ponto de Partida

Olá, estudante!

Você sabe que as máquinas elétricas possuem um papel importantíssimo nas indústrias. Por
exemplo, há os geradores elétricos, que convertem energia mecânica em energia elétrica,
fornecendo a energia para alimentar as indústrias, comércios e as nossas casas.

Uma das primeiras coisas que fazemos quando chegamos em casa é acender as luzes, ligar a
televisão ou qualquer outro aparelho que esteja ligado à tomada. Quando fazemos, isso
podemos estar usando uma energia que foi gerada por uma máquina elétrica que está
funcionando como gerador. As máquinas elétricas, além de serem usadas como gerador,
também podem ser utilizadas como motores elétricos, por exemplo, nas indústrias em esteiras
rolantes e em nossas casas, nos eletrodomésticos, como a televisão, e a máquina de lavar.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Nesta aula, você vai estudar os motores e os geradores.

Bons estudos!

Introdução às máquinas elétricas

Você sabe o que é uma máquina elétrica? Trata-se de um dispositivo capaz de converter energia
elétrica em energia mecânica ou energia mecânica em energia elétrica que possa ser utilizada
em uma variedade de aplicações e ambientes, desde as indústrias e residências até espaços
públicos.

As máquinas elétricas, nas indústrias possuem muitas aplicações, desde grandes ventiladores,
correias transportadoras, bombas, elevadores, guindastes, laminadores, esteiras, até máquinas
como furadeiras, fresas, tornos, misturadores ou braços robóticos. Devido à grande variedade de
usos, esses mecanismos foram especializados e divididos em diferentes categorias,
dependendo do tipo de corrente utilizada ou de suas funções.

Quando o dispositivo converte energia mecânica em energia elétrica, ele é chamado de gerador;
já quando o dispositivo converte energia elétrica em energia mecânica, ele é denominado de
motor. Uma máquina elétrica é capaz de fazer a conversão da energia em ambos os sentidos,
portanto qualquer máquina elétrica é capaz de ser usada como gerador ou como motor. Na
prática, podemos dizer que praticamente todos os motores fazem a conversão da energia de
uma forma em outra pela ação do campo magnético (CHAPMAN, 2013).

No nosso quotidiano, as máquinas elétricas estão presentes em muitos lugares. Por exemplo,
em nossas casas, os motores elétricos acionam as geladeiras, os freezers, os aspiradores de ar,
processadores de alimentos, aparelhos de ar-condicionado, e muitos outros eletrodomésticos
similares. Nas indústrias, os motores produzem a força motriz para mover praticamente todas as
máquinas e quem fornece a energia utilizada por esses motores são os geradores.
Quase todas as máquinas elétricas giram em torno de um eixo, que é chamado de eixo da
máquina.

Quando nos referimos a um motor, precisamos pensar no tipo de alimentação: corrente contínua
(CC) ou alternada (CA). A tensão aplicada ao motor tem a finalidade de energizar os
enrolamentos no motor, produzindo polos eletromagnéticos que formam a força magneto motriz.
O motor de CC tem como principal aplicação o controle de velocidade com necessidade crítica
de torque; ou seja, esse tipo de motor é muito bom quando precisamos manter um torque
considerável, mesmo variando a velocidade.

Atualmente, também é possível variar a velocidade de motores CA por meio de inversores de


frequência; porém, há situações em que o motor CA não atende às condições de torque
necessárias, além de gerar outros problemas, como a poluição da rede.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Um motor série CC pode ser conectado a uma rede CA; contudo, ele vai sofrerá fortes limitações,
já que, em CA, a reatância indutiva presente nos enrolamentos apareceria e limitaria a corrente
neles. Os motores CC são encontrados em vários lugares no nosso dia a dia, como quando
abrimos e fechamos os vidros, no metrô, em brinquedos de controle remoto, entre outras
inúmeras aplicações.

Os geradores são acionados por meio de uma fonte de potência mecânica, que chamamos de
máquina motriz do gerador. Essa máquina motriz pode ser uma turbina a vapor, um motor a
diesel e até um motor elétrico. O processo de geração de energia está ligado aos fenômenos
eletromagnéticos, descritos pela lei do eletromagnetismo, que trata da diferença de potencial
resultante nas extremidades de um condutor pela sua ação dentro de um campo magnético
(NASCIMENTO JR., 2020).

Identificação de motores

Há duas classes principais de máquinas CA: as síncronas e as assíncronas. As máquinas


síncronas são os motores e geradores cuja corrente de campo magnético é fornecida por uma
fonte de potência CC separada. Já as assíncronas são os motores e geradores de indução cuja
corrente de campo é fornecida por indução magnética nos seus enrolamentos de campo
(semelhante aos transformadores). Os motores de indução são fabricados em alta tensão,
superior a 2000V quando são aplicados em alta potência. São superiores a centenas ou milhares
de KW. Os de baixa tensão normalmente são fabricados para operar até 440 volts.

O motor de indução CA representa mais de 90% da capacidade de motores instalados e


possuem as configurações monofásica e trifásica em tamanhos que podem variar de frações de
potência a dezenas de milhares de cavalos de potência.

A principal diferença entre os motores CA e CC é o campo magnético gerado pelo estator. Nos
motores CA, o campo magnético gira; esse campo girante é fundamental para o funcionamento
de todos os motores CA. O motor trifásico possui duas partes principais: o rotor e o estator.

O campo magnético que foi criado no estator vai girar eletricamente em torno de um círculo e
outro campo magnético que foi criado no rotor vai seguir a mesma rotação deste campo padrão,
pois é atraído e repelido pelo campo do estator. Como o rotor tem a liberdade de girar, ele segue
o campo magnético rotativo no estator (PETRUZELLA, 2013).

Os motores CA mais utilizados são o do tipo gaiola de esquilo, representado na Figura 1. Esse
motor é chamado assim devido à gaiola de alumínio ou de cobre que está dentro do rotor de
ferro laminado. É importante destacar que não existe conexão elétrica física com a gaiola de
esquilo; a corrente no rotor é induzida pelo campo magnético rotativo do estator.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 1 | Motor gaiola de esquilo. Fonte: Petruzella (2013, p. 44).

O enrolamento de rotor do tipo bobinado é trifásico e fechado internamente em estrela,


diferentemente da gaiola de esquilo, que tem o formato de barras. O estator é a parte fixa do
motor trifásico e é formado por uma carcaça, que é uma estrutura de suporte para todo o
conjunto do motor trifásico. Internamente, é formado por chapas magnéticas que possui a
mesma função do núcleo do rotor: concentrar as linhas de indução criadas pelos condutores,
quando ligadas à CA.

Através da placa de identificação do motor, Figura 2, é possível obter informações sobre a


ligação e utilização do motor. Um ponto importante que possibilita a substituição de motores é
as informações da placa de identificação serem comuns entre os fabricantes.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 2 | Placa de identificação do motor. Fonte: Petruzella (2013, p. 51).

As informações que são necessárias na placa de identificação segundo o NEC (sigla em inglês
de National Electric Code, que significa “Código Elétrico Nacional”) são: fabricante do motor,
tensão nominal, corrente nominal, frequência de linha nominal, especificação de fase, velocidade
nominal do motor, temperatura ambiente, elevação de temperatura permissível, classe de
isolamento, regimes de serviço, ou ciclos de trabalho, potência nominal, classificação NEC e letra
de identificação do projeto (as mais comuns são A, B, C, D e E). O B é o motor padrão industrial,
que possui torque de partida razoável com corrente de partida moderada e bom desempenho
geral para a maioria das aplicações industriais.

Motores CA na prática
Há dois modos de definir a velocidade de um motor CA: por meio da velocidade síncrona e pela
velocidade real. A síncrona é a velocidade de rotação do campo magnético do estator; é teórica,
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

poi​​s o rotor vai girar sempre com uma velocidade um pouco menor. Já a velocidade real é aquela
em que o eixo gira. A placa de identificação da maioria dos motores CA mostra a velocidade real,
Figura 3. Importante reforçar que a velocidade do campo girante pode não ser exatamente uma
velocidade de rotação do seu vetor magnético resultante no espaço; essa diferença se deve ao
número de polos.

Figura 3 | Velocidade real e síncrona. Fonte: Petruzella (2013, p. 140).

A distribuição dos polos dentro da máquina não é discreta; geralmente as espiras são
espalhadas de forma que os polos se formam na média e não em pontos claros, exceto para os
polos salientes.

A velocidade do campo magnético girante é diretamente proporcional à frequência da fonte de


alimentação (

120⋅f
S =
P

Como já vimos, o motor gaiola de esquilo é o mais utilizado na indústria e apresenta as seguintes
características de funcionamento:
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Opera em velocidade constante e próxima à síncrona.


Exige grandes correntes de partida que podem ocasionar variações na tensão de linha.
A permuta entre quaisquer duas das três linhas de alimentação do motor inverte o sentido
de rotação.

A tensão nominal na placa dos motores pode ter uma especificação simples, ou, para motores de
dupla tensão, uma especificação dupla. A NEMA (sigla em inglês de National Electrical
Manufacturers Association, que significa “Associação Nacional dos Produtores Elétricos”)
determina que o motor deve ser capaz de desenvolver sua potência nominal para o valor da
tensão de placa ±10%, sem necessariamente aumentar a temperatura nominal.

Quando o motor dá a partida, ele permanecerá girando como um motor monofásico. A corrente
drenada das duas linhas restantes vai aumentar e o motor superaquece. Com o motor em
repouso e sem uma das fases, a partida não ocorre, o rotor não gira na velocidade síncrona, e
tende a escorregar. O escorregamento permite que o motor gire. A diferença entre a velocidade
da rotação do campo magnético e do rotor de um motor de indução é conhecida como
escorregamento, e é calculada por meio da equação (2):

í
V elocidade s ncrona−V elocidade real
Escorregamento = ⋅ 100
í
V elocidade s ncrona

Exceto as usinas solares, todas as outras formas de geração de energia que envolvem conversão
eletromecânica dependem da operação dos geradores CA. Os geradores CA podem ser
construídos de dois tipos: síncronos e assíncronos (de indução). Os dois tipos de geradores são
parecidos, externamente formados por carcaça, estator, rotor, mancais e ventiladores, redutores
de ruídos, rolamentos. É possível reconhecer se o gerador é síncrono ou assíncrono por meio da
análise do rotor e do estator, pois os geradores de indução possuem rotores estilo gaiola de
esquilo ou bobinados, e os síncronos, rotores de material ferromagnético ou de magneto
permanente e totalmente arredondado (polos lisos) ou com pequenas saliências entre cada polo
(de polos salientes).

Nos geradores CA, o enrolamento da armadura, no qual a tensão elétrica vai ser induzida, pode
ficar tanto no rotor quanto no estator; porém, a mais comum e a armadura estacionária e campo
rotativo. As perdas de um gerador CA são:

No circuito elétrico: perdas no cobre do enrolamento da armadura e de campo.


No circuito magnético: perdas no ferro do núcleo do estator e do rotor.
Mecânicas (rotacionais): perdas por atrito nos mancais, nas escovas e com o ar.

A eficiência (

Ef

ê
P ot ncia Sa da í
E f (%) = × 100%
ê
P ot ncia Entrada
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Vimos, portanto, os geradores e as principais característica do motor mais utilizado na indústria:


gaiola de esquilo.

Saiba mais

A máquina síncrona, do mesmo modo que a máquina CC, pode operar no modo gerador ou
motor. Gerador síncrono é uma máquina de corrente alternada que também é chamada de
alternador. No livro Máquinas Elétricas, capítulo 7, você vai ver o princípio de funcionamento e os
aspectos construtivos do gerador síncrono.

Referências

CHAPMAN, S. J. Fundamentos de máquinas elétricas. Porto Alegre: Grupo A, 2013. Disponível


em: [Link] Acesso em: 24 mar.
2023.

NASCIMENTO JR., G. C. do. Máquinas Elétricas. São Paulo: Editora Saraiva, 2020. E-book.
Disponível em: [Link] Acesso em:
24 mar. 2023.

PETRUZELLA, F. D. Motores elétricos e acionamentos. Porto Alegre: Grupo A, 2013. E-book.


Disponível em: [Link] Acesso em:
24 mar. 2023.

Aula 3
Transformadores

Videoaula: Transformadores

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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Nesse vídeo, você verá um pouco mais sobre os autotransformadores, também chamados de
ATRAFOS. Eles podem ser utilizados em uma ampla gama de potências e de tensões, cobrindo
desde alguns VAs até potências da ordem dos MVAs. Os autotransformadores de potência são
usados em muitas aplicações, que vão desde a baixa tensão para alimentar eletrodomésticos e
cargas de pequena potência, em telecomunicações, nos receptores e transmissores de ondas de
rádio, até aquelas com média e alta tensão, em níveis elevados de potências, operando como
unidades monofásicas, trifásicas ou especiais.

Ponto de Partida
Olá, estudante!

Os transformadores são muito importantes, seja como componentes ou como equipamento


auxiliar em diferentes tipos de circuitos elétricos e eletrônicos. Eles operam desde baixas
tensões e correntes presentes em aparelhos eletrônicos, até altas tensões e correntes presentes
nos sistemas de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica.

Você já viu um transformador? É muito provável que sim, já que eles estão presentes, por
exemplo, no alto dos postes da rede elétrica. Lá, têm a função de abaixar o potencial elétrico da
corrente que é conduzida pelos fios, levando-a para as nossas casas com tensões de 110 V ou
220 V. Nesta aula, você vai aprender o que são os transformadores, como identificá-los e ligá-los,
e como é feita sua instalação, partida e manutenção.

Bons estudos!

Introdução aos transformadores

Um transformador é definido como um dispositivo elétrico que utiliza o princípio da indução


eletromagnética para transferir energia de um circuito elétrico para outro. Os transformadores
são projetados para aumentar ou diminuir a corrente ou tensão CA entre os circuitos em um
sistema elétrico, sem alterar a frequência da onda fundamental. Eles o fazem sem nenhuma
conexão condutiva entre os dois circuitos. Isso é possível por meio da aplicação da Lei de
Indução de Faraday, que descreve como um campo magnético interage com um circuito elétrico
para produzir força eletromotriz.

A construção do transformador pode ser considerada simples e não possui nenhuma peça móvel
ou desgastável; por esse, motivo pode-se dizer que o seu tempo de vida é infinita. O
transformador pode ser encontrado suspenso em uma estrutura de transmissão ou de
distribuição de energia elétrica, ficando exposto às circunstâncias imprevistas do tempo, e ainda
cumprir sua finalidade sem precisar de nenhuma condição especial. Portanto, exige pouca
manutenção. A eficiência de um transformador é alta; eles possuem uma vida prolongada.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Um transformador básico possui três componentes: o núcleo magnético, o enrolamento primário


(N1) e o enrolamento secundário (N2), como ilustrado na Figura 1. O fluxo magnético Φ na Figura
1 foi representado com apenas um sentido, mas ele sempre acompanha o sentido imposto pela
tensão aplicada ao primário.

Figura 1 | Esquemático de um transformador. Fonte: Filippo Filho (2013, p. 24).

O enrolamento primário, N1, é conectado a uma fonte ativa de energia CA. Isso produz um campo
magnético alternado que envolve o enrolamento. Isso induz uma força eletromotriz no
enrolamento secundário. Se o circuito do enrolamento secundário estiver fechado, a corrente CA
fluirá através dele. Esses enrolamentos compartilham o núcleo magnético, que geralmente é feito
de chapas de aço laminadas e fornece um caminho de baixa relutância para o campo
magnético. A relação entre a tensão de saída e a de entrada é a mesma que a relação do número
de espiras entre os dois enrolamentos. Em um transformador abaixador, o enrolamento
secundário terá menos voltas que o primário e, em um transformador elevador, terá mais.

O primeiro transformador foi inventado em 1884 na Inglaterra e foi usado pela primeira vez na
primeira estação de energia CA, a usina de energia movida a vapor Rome-Cerchi, em 1886.
Usando o transformador, a energia CA poderia ser gerada e fornecida em alta tensão (1400 a
2000V) e depois reduzida para uma voltagem mais segura e utilizável para uso em residências e
empresas.

Esse projeto ainda é usado hoje, porém, os transformadores modernos são utilizados ​para uma
grande variedade de aplicações; por exemplo, os transformadores de sinal e de áudio, bem
menores que os de potência, são usados ​para combinar a saída de microfones e outros
dispositivos de áudio com a entrada de amplificadores.

A maioria desses transformadores menores usam transformadores monofásicos. Este tipo de


transformador possui um enrolamento primário e um enrolamento secundário. Porém, existem
os transformadores trifásicos, que possuem três conjuntos de enrolamentos. Estes são usados ​
para alimentar cargas industriais e gerar energia trifásica.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Relações com transformadores

Graças ao sistema de estação central de geração e distribuição de energia elétrica, é possível


que a energia seja produzida em um local para ser usada imediatamente nele ou em outro a
quilômetros de distância. Essa distribuição de energia a longas distâncias é realizada usando
altas tensões através dos transformadores, pois, sem eles, ela seria impossível. A Figura 2
apresenta como a utilização de alta tensão reduz a intensidade da corrente de transmissão para
uma dada carga.

Figura 2 | Transformador na transmissão. Fonte: Petruzella (2013, p. 63).

Por meio dos transformadores, é possível gerar eletricidade no maior nível de tensão que seja
adequado; ao mesmo tempo, esta tensão pode ser alterada a um nível maior e mais econômico
para a transmissão. Os transformadores reduzem o valor de tensão para uma forma mais segura,
adequada para uma determinada carga.

Para elevar ou abaixar a tensão, usam-se os transformadores de linha de transmissão, que


realizam a conversão entre tensões altas e baixas e, portanto, entre as correntes baixas e altas.
Os sistemas de energia elétrica monofásicos geralmente são fornecidos para consumidores
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

residenciais; já os sistemas trifásicos são fornecidos para consumidores comerciais e


industriais.

Quando alimentamos o primário do transformador com uma tensão alternada, é produzido um


fluxo magnético variável que, ao agir no interior do núcleo, atinge o secundário, provocando o
aparecimento de uma tensão alternada nesse enrolamento, em razão da indução magnética. A
tensão que aparece no secundário, como resultado do fluxo magnético variável gerado pelo
primário, é chamada de induzida. Ela é proporcional ao número de espiras da bobina e à indução
magnética que a provocou, podendo ser calculada por meio da relação de transformação,
equação (1):

V1 N1
=
V2 N2

Onde

V1

V2

Quando o primário e o secundário tiverem o mesmo número de espiras, a tensão que sai no
secundário terá o mesmo valor da tensão de entrada no primário, assim tem-se um
transformador de isolamento.

O número de espiras do primário pode ser calculado por meio da equação 2:


8
V 1 ⋅10
N1 =
4,44⋅f ⋅SL⋅B

Onde

SL

A relação entre o número de espiras e a corrente que circula no enrolamento é inversamente


proporcional, equação (3):

I1 N2
=
I2 N1

A relação entre corrente e tensão no transformador está associada à potência aparente, que
deve ser aproximadamente a mesma tanto para o primário quanto para o secundário
(desconsiderando as perdas). Um modo de ligar o transformador está apresentado na Figura 3.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 3 | Ligação básica de um transformador. Fonte: Nascimento Jr. (2020, p. 14).

O transformador p​​ossui algumas perdas além das de correntes parasitas. A primeira é a perda no
cobre do enrolamento das bobinas; os fios de cobre esmaltado de que são feitas apresentam
resistência, que aquece, dissipando potência. A segunda perda é por histerese magnética, que
provoca o atraso entre o campo magnético e a indução magnética. Faz parte das perdas no
ferro. Transformadores de pequeno porte são feitos de lâminas coladas de condutor com resina
isolante entre eles; isso faz que as correntes parasitas sejam forçadas a serem menores. As
lâminas são posicionadas na direção de propagação do campo, para maximizar tal efeito.

Rendimento e autotransformador

O total das perdas do transformador deve ser considerado no projeto, caso contrário, teremos
um transformador que, na teoria, vai fornecer uma potência irreal, ou seja, bem menor. O
rendimento do transformador a 20°C é calculado por meio da equação (4):

PS
Re nd =
P S +P cu +P f e

Onde

PS

P cu

Pf e
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Nos transformadores, existe uma marcação nos terminais dos enrolamentos que se refere ao
sentido relativo ou polaridade da tensão induzida entre os terminais de alta e de baixa tensão. A
ABNT recomenda que os terminais de tensão superior (alta tensão) sejam marcados com H1 e
H2 e os de tensão inferior (baixa tensão) com X1 e X2, como indicado na Figura 4.

Figura 4 | Polaridade no transformador. Fonte: Petruzella (2013, p. 78).

Por convenção, H1 e X1 possuem a mesma polaridade, ou seja, quando H1 é positivo, X1


também é. Essas marcas são usadas na conexão adequada dos terminais quando
transformadores monofásicos são conectados em paralelo, em série ou em configuração
trifásica.
Um transformador possui polaridade aditiva quando o terminal H1 é diagonalmente oposto ao
terminal X1 e tem polaridade subtrativa quando o terminal H1 é adjacente ao terminal X1. A
Figura 5 ilustra as marcações nos terminais de um transformador aditivo e subtrativo junto com
um circuito de teste que pode ser usado para verificar as marcações.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 5 | Polaridade no transformador. Fonte: Petruzella (2013, p. 78).


Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Os transformadores podem operar em paralelo desde que se sigam algumas regras: as unidades
transformadoras que vão ficar em paralelo devem ter tensão nominal primária e relação de
transformação iguais, portanto, a tensão secundária em vazio (sem carga) será igual.

A vantagem dos transformadores em paralelo é o aumento da capacidade transformadora da


instalação, maior segurança no fornecimento de energia elétrica com o uso da capacidade
transformadora adequada e com a manutenção devida, já que se pode dispor de unidades de
reserva para possível troca. As unidades transformadoras devem ter a mesma defasagem
angular ou o mesmo deslocamento de fase de secundário em relação ao primário; devem ter
também a mesma impedância porcentual, que é dada pela equação (5):

V CC
BT
Z% =
VF N
N
BT

Onde

V CC
BT

VF N
N
BT

Em algumas ocasiões, é preciso realizar apenas pequenas alterações nos níveis de tensão
devido a quedas que ocorrem em sistemas de potência que estão muito distanciados dos
geradores. Nesses casos, seria um desperdício e um custo alto produzir um transformador com
dois enrolamentos completos, cada um especificado para aproximadamente a mesma tensão.

Em vez disso, podemos usar um transformador chamado autotransformador. A principal


desvantagem dos autotransformadores é que existe uma ligação física direta entre os circuitos
primário e secundário; portanto a isolação elétrica entre os dois lados é perdida. Se não for
necessária a isolação elétrica, o autotransformado é um modo de baixo custo para conectar
duas tensões aproximadamente iguais.

O transformador compensador de partida é um tipo usado para partidas de motores de indução,


sendo necessário ajustar as derivações da tensão nominal para evitar a sobrecarga da linha de
alimentação. Na hora da partida, o primário do transformador é alimentado com tensão nominal
e o secundário vai alimentar o estator do motor. Após a partida, o transformador é desligado e o
motor é conectado imediatamente na rede de alimentação.

Saiba mais

O estudo dos transformadores é vasto e muito importante. O capítulo IV do livro


Transformadores, de Rubens G. Jordão, trata dos principais tipos de transformadores e dos
elementos de sua construção.
Disciplina

ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Referências
FILIPPO FILHO, G. Motor de Indução. São Paulo: Editora Saraiva, 2013. E-book. Disponível em:
[Link] Acesso em: 24 mar. 2023.

PETRUZELLA, F. D. Motores elétricos e acionamentos. Porto Alegre: Grupo A, 2013. E-book.


Disponível em: [Link] Acesso em:
24 mar. 2023.

NASCIMENTO JR., G. C. do. Máquinas Elétricas. Editora Saraiva, 2020. E-book. Disponível em:
[Link] Acesso em: 27 mar. 2023.

Aula 4
Circuitos Trifásicos

Videoaula: Circuitos trifásicos

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Neste vídeo, você vai aprender como se realiza a ligação do wattímetro em um circuito
monofásico e como se calcula a potência. O wattímetro é um dispositivo que realiza a leitura da
potência média de um sistema formado por uma bobina de corrente, que apresenta uma
impedância baixa e é conectada em série com a carga, e uma bobina de tensão, que apresenta
alta impedância e é conectada em paralelo com a carga.

Ponto de Partida

Olá, estudante!

O sistema trifásico é aquele que utiliza três fios para geração, transmissão e distribuição.
Atualmente, praticamente toda a geração e a maior parte da transmissão de energia elétrica no
mundo ocorrem na forma de circuitos CA trifásicos. Eles são formados por geradores trifásicos,
linhas de transmissão e cargas.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Os sistemas de potência CA possuem uma grande vantagem sobre os sistemas CC, pois os seus
níveis de tensão podem ser alterados utilizando transformadores, o que permite a redução das
perdas de transmissão. O entendimento básico de circuitos trifásicos é essencial para o estudo
de sistemas elétricos de potência. Nesta aula, você vai estudar os sistemas trifásicos, a potência
em cargas trifásicas equilibradas, e os equipamentos de manobra, proteção e medição.

Bons estudos!

Introdução aos sistemas trifásicos

Em eletricidade, há dois tipos de sistemas disponíveis: o monofásico e o trifásico. No circuito


monofásico, há apenas uma fase, ou seja, a corrente flui apenas por um fio e o retorno será pelo
fio neutro, completando o circuito.

Em 1882, um novo sistema surgiu: o sistema polifásico. Ele possui mais de uma fase que pode
ser usada para gerar e transmitir eletricidade, e carregar o sistema. Um exemplo é o circuito
trifásico, no qual três fases são enviadas juntas do gerador para a carga; cada uma está
defasada em 120°.

A sequência de fase de tensões é geralmente assumida como a – b – c, de tal forma que a


tensão da fase “a” está adiantada em relação à fase “b” em 120°, e a fase “b” adiantada em
relação à fase “c” em 120°. Note que, na sequência das tensões a – b – c, Figura 1(a), primeiro
Van alcança seu pico positivo; então Vbn alcança seu pico positivo 2π/3 radianos depois, e
assim sucessivamente. As tensões no formato fasorial estão representadas na figura 1(b) e as
tensões simétricas conforme equação (1) (MOHAN, 2016):



V an = V ph ∠0°



V bn = V ph ∠ − 120°



V cn = V ph ∠ − 240°

Onde

V ph
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 1 | Tensões trifásicas no domínio temporal (a) e fasorial (b). Fonte: Mohan (2016, p. 13).

Para as tensões simétricas da equação (1), em qualquer instante, a soma dessas tensões de
fase é igual a zero, conforme equação (2):




→ → →
V an + V bn + V cn = 0 e v an (t) + v bn (t) + v cn (t) = 0

Cada uma das três fases pode ser usada como monofásica, portanto, se a carga for monofásica,
uma fase pode ser retirada e o neutro pode ser usado como terra para completar o circuito
trifásico. O sistema trifásico consiste em uma fonte de tensão trifásica conectada a uma carga
trifásica por meio de transformadores e linhas de transmissão. O sistema trifásico possui uma
eficiência melhor e mais alta em comparação com o sistema monofásico. Dois tipos de
conexões são possíveis: conexão delta (Δ) e conexão estrela ou Y. A carga e a fonte podem estar
em delta ou estrela e a linha de transmissão estará em conexão delta.

Na ligação em estrela, Figura 2, a corrente no condutor neutro é a soma fasorial das correntes de
linha quando a carga é equilibrada, ou seja, quando as três impedâncias são iguais (mesma
magnitude e ângulo de fase) e a corrente no neutro for nula. Nesse caso, a instalação do neutro
não é necessária, porém é recomendada, devido à função de proteção de cargas
desequilibradas.

Nesse tipo de ligação, a corrente de cada fio da linha é igual a corrente da fase que está ligada,
ou seja,
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

IL = IF

V LL = V F ⋅ √ 3

Figura 2 | Conexão em estrela. Fonte: Chapman (2013, p. 633).

A outra conexão possível é chamada de ligação em triângulo ou delta (Δ), Figura 3. Nela, os três
geradores são ligados de modo que o terminal positivo de um é ligado no terminal negativo do
próximo.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 3 | Conexão em triângulo ou Δ. Fonte: Chapman (2013, p. 635).

Observando a Figura 3, notamos que, a cada carga, é aplicada a tensão de linha

VL

V LL = V F



→ → →
I a = I ab − I ca

I L = I F ⋅ √3

IL

IF

Aprofundando o conhecimento nos sistemas trifásicos

As expressões para o cálculo das potências em uma carga ligada em estrela ou em triângulo são
as mesmas. A Figura 4 mostra uma carga ligada em Y equilibrada. A impedância de fase é dada
pela equação (3):



Z ϕ = Z∠θ°
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Figura 4 | Conexão em triângulo ou Δ. Fonte: Chapman (2013, p. 637).

As tensões trifásicas aplicadas a essa carga são dadas pela equação (4):

v an (t) = √ 2V senωt

v bn (t) = √ 2V sen(ωt − 120°)

v cn (t) = √ 2V sen(ωt − 240°)

e as correntes trifásicas que circulam na carga pela equação (5):

i a (t) = √ 2I sen(ωt − θ)

i b (t) = √ 2I sen(ωt − 120°−θ)

i c (t) = √ 2I sen(ωt − 240°−θ)


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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Sendo

V
I =
Z

Com tudo que você aprendeu até agora, você saberia dizer quanta potência está sendo fornecida
pela fonte à carga? A potência instantânea fornecida para uma fase qualquer da carga é dada
pela equação (5):

p(t) = v(t) ⋅ i(t)

Desse modo, após algumas manipulações matemáticas, a potência instantânea fornecida para
cada uma das fases é dada pela equação (6):

p a (t) = V I [cos θ − cos(2ωt − θ)]

p b (t) = V I [cos θ − cos(2ωt − 240°−θ)]

p c (t) = V I [cos θ − cos(2ωt − 480°−θ)]

A potência total fornecida à carga trifásica total é a soma das potências fornecidas para cada
uma das fases individuais e é dada pela equação (7):

p total (t) = 3 ⋅ V ⋅ I ⋅ cos(θ)

A potência total fornecida a uma carga trifásica equilibrada é constante todo o tempo, portanto,
essa é uma das principais vantagens quando a comparamos com as fontes de potência
monofásicas.

As linhas de transmissão estão sujeitas a faltas envolvendo uma ou mais fases além da terra.
Essas faltas causam problemas no serviço da rede e, caso não haja alguma proteção, podem
causar algum dano permanente ao equipamento de transmissão, à linha de transmissão e aos
transformadores.

Uma das causas comuns de falhas são as quedas de galhos de árvores sobre as linhas de
transmissão, causando curto-circuito com a terra. Outra inclui as descargas elétricas que
ocorrem quando a torre de uma linha de transmissão ou um dos cabos de terra é atingido por um
raio (milhares de kA). Essa altíssima corrente flui através da base da torre e pode aumentar o
potencial acima do aterramento local. Caso não haja para-raios, a cadeia de isoladores pode
produzir faíscas e descargas elétricas.

A corrente do raio dura pouco tempo, cerca de algumas dezenas de µs. O problema é que o arco
já estabelecido em razão das faíscas e das descargas elétricas nos isoladores resulta em um
curto à terra com frequência da rede através do arco voltaico. Quando as correntes de curto-
circuito não são detectadas pelo dispositivo de proteção, a corrente na frequência da rede
continua fluindo até danificar seriamente o equipamento. Caso sejam detectadas, o relé envia o
sinal para abrir o disjuntor e interromper essas correntes. Assim, é primordial que as faltas sejam
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

detectadas e os disjuntores as interrompam o mais rápido possível. Após a falta ter sido
eliminada, alguns ciclos depois os disjuntores podem ser fechados e operação ser retomada.

O relé de controle de tensão trifásica é um dispositivo de proteção que foi projetado para garantir
a operação dos consumidores CA trifásicos em caso de flutuações inaceitáveis ​da tensão de
alimentação, falha de fase e desequilíbrio elétrico, aglomeração e interrupção da sequência de
fases. Em caso de variação de tensão na rede, ou seja, valores admissíveis de tensão acima ou
abaixo da redução do nível mínimo, qualquer motor elétrico de uso industrial ou eletrodoméstico
pode ficar fora de serviço.

Aplicando os conhecimentos

A energia para as cargas é fornecida pela rede elétrica através de circuitos que contêm
dispositivos de manobra. Estes atuam para manobrar a carga, ou seja, ligar ou desligar, aumentar
ou reduzir a potência, etc. Você saberia reconhecer algum dispositivo de manobra? O interruptor
é um desses dispositivos, além dos contatores.

As manobras são executadas por meio de comandos, porém, os dispositivos de proteção atuam
sem a presença de um comando. A ação de manobra dos dispositivos de proteção ocorre
sempre que houver algum risco para a integridade física do circuito ou da carga. Os principais
dispositivos de proteção são os fusíveis, disjuntores e relés térmicos. Se for percebida uma
corrente elétrica excessiva, esses dispositivos interrompem a ligação autonomamente.

Os circuitos possuem também dispositivos de seccionamento que têm a função de isolar a


alimentação do circuito da carga. A diferença entre os dispositivos de manobra e de
seccionamento é o acionamento com a presença ou ausência de corrente. Os dispositivos de
manobra são acionados na presença de corrente elétrica, circulando pelo circuito, enquanto os
dispositivos de seccionamento só devem ser acionados sem circulação de corrente elétrica. A
Figura 5 apresenta um diagrama esquemático de circuito.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

Figura 5 | Diagrama de circuito: carga e dispositivo. Fonte: Filippo Filho e Dias (2014, p. 13).

As cargas de baixa potência podem ser manobradas por meio de um comando que atua
diretamente no dispositivo de manobra, por exemplo, o interruptor que acende ou apaga uma
lâmpada com o comando manual. A chave de fluxo aciona as resistências de um chuveiro
elétrico de modo automático, bastando ter o fluxo de água.

Quando as cargas possuem potências elevadas, a corrente elétrica é mais intensa; assim, o
comando direto dos dispositivos de manobra não é adequado e a manobra é feita através do
comando indireto. Nesse caso a ação de comando é feita através de um circuito auxiliar,
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL

chamado circuito de comando, que funciona com um nível baixo de potência e de corrente,
chegando até a valores de tensão menor que a tensão do circuito principal. Essas ações podem
ser manuais ou automáticas.

A medição de potência em um circuito CA é medida através de um wattímetro, que é formado por


duas bobinas: de corrente e de potencial. Há métodos ​para medir a potência trifásica com base
no número de wattímetros usados, como o método de três wattímetros e o de dois wattímetros.

O método com três wattímetros obtém a potência média total para circuitos em configurações
estrela ou triângulo e a leitura tanto para sistemas equilibrados quanto para os desequilibrados;
porém, é de alto custo, pois necessita de um wattímetro para cada fase. A potência ativa total
consumida pela carga é igual à soma das potências ativas consumidas em cada fase, medida
por meio da conexão de um wattímetro. Quando a carga for equilibrada, basta ligar um
wattímetro, que medirá um terço da potência total, e multiplicar a leitura por três para obter a
potência total consumida.

O teorema de Blondel postula que, em um sistema polifásico com “m” fases e “n fios, a potência
ativa total é obtida pela soma da leitura de n-1 wattímetros. A Figura 6 apresenta o método de
dois wattímetros, que é o mais utilizado, para um circuito trifásico.

Figura 6 | Método de dois wattímetro para circuito trifásico. Fonte: Saraiva et al. (2020, p. 175).
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A potência média total para a Figura 6 é dada por (8):

PT = P1 + P2

P T = V L ⋅ I L ⋅ cos(θ + 30°) + V L ⋅ I L ⋅ cos(θ − 30°)

A potência reativa é dada por (9):

Q T = √ 3(P 2 − P 1 )

Saiba mais

O sistema elétrico de potência é dividido em três grupos: geração, transmissão e distribuição.


Uma ponta desse sistema é a geração, que, na verdade realiza a transformação de uma forma de
energia em energia elétrica. Já na outra extremidade, temos a distribuição, que para os
consumidores. Quem liga isso tudo, são os sistemas de transmissão, que, podem percorrer
longas distâncias entre a geração e a distribuição. Saiba mais sobre os componentes dos
sistemas elétricos de potência no livro Sistemas Elétricos de Potência, da página 19 à 26.

Referências
CHAPMAN, S. J. Fundamentos de máquinas elétricas. Porto Alegre: Grupo A, 2013. E-book.
Disponível em: [Link] Acesso em:
29 mar. 2023.

FILIPPO FILHO, G. E. F.; DIAS, R. A. Comandos Elétricos – Componentes Discretos, Elementos de


Manobra e Aplicações. São Paulo: Editora Saraiva, 2014. E-book. Disponível em:
[Link] Acesso em: 29 mar. 2023.

FRANCHI, C. M. Sistemas de Acionamento Elétrico. São Paulo: Editora Saraiva, 2014. E-book.
Disponível em: [Link] Acesso em:
29 mar. 2023.

MOHAN, N. Sistemas Elétricos de Potência – Curso Introdutório. São Paulo: Grupo GEN, 2016. E-
book. Disponível em: [Link]
Acesso em: 29 mar. 2023.

SARAIVA, E. S.; LENZ, M. L.; SILVA, C. A.; et al. Análise de Circuitos Elétricos e Corrente Alternada.
Porto Alegre: Grupo A, 2020. Disponível em:
[Link] Acesso em: 29 mar. 2023.
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Aula 5
Encerramento da Unidade

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Nesse vídeo, você vai aprender um pouco mais sobre as máquinas elétricas na indústria. Uma
máquina elétrica é capaz de converter energia elétrica em mecânica e vice-versa; ou transformar
energia elétrica para que possa ser utilizada em uma ampla gama de aplicações e ambientes,
desde indústrias e residências até espaços públicos. As máquinas elétricas, no campo industrial,
são usadas em múltiplas aplicações, desde grandes ventiladores, correias transportadoras,
bombas, elevadores, guindastes, laminadores, até máquinas como furadeiras, fresas, tornos,
misturadores ou braços robóticos.

Ponto de Chegada

Máquinas elétricas

Olá, estudante!

As máquinas elétricas convertem energia mecânica em energia elétrica e vice-versa. São


classificadas em máquinas elétricas estáticas, como os transformadores, e máquinas elétricas
rotativas, como os motores (que convertem energia elétrica em mecânica) e os geradores (que
convertem energia mecânica em elétrica).

Os transformadores são usados ​para transformar a corrente alternada de um nível de tensão ou


corrente para outro. Consistem em duas bobinas, sendo uma de enrolamento primário e outra de
secundário; elas são acopladas usando um núcleo magnético. Nos transformadores trifásicos,
estarão presentes dois conjuntos de bobinas por fase. Esses dois enrolamentos são isolados um
do outro e acoplados magneticamente através do núcleo de ferro. A relação de transformação é
dada por:
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N1 V1 I2
= =
N2 V2 I1

Quando a tensão secundária for maior que a primária, o transformador é elevador; quando a
tensão primária for maior que a secundária, o transformador é abaixador.

Há três tipos básicos de máquinas elétricas rotativas: máquinas elétricas DC (motores e


geradores), as síncronas (geradores e motores) e os motores de indução, também chamados de
máquinas assíncronas.

Todas as máquinas elétricas rotativas têm duas partes básicas em comum. A primeira é a
rotativa, conhecida como rotor; a segunda é a estacionária, chamada estator. Essas peças são
feitas de material magnético altamente permeável, como o aço silício.

Os motores de indução são amplamente utilizados em todas as indústrias; sua maior vantagem
é não precisar de uma fonte de alimentação separada para o rotor. Os motores de indução
possuem enrolamento trifásico no estator. A velocidade do rotor é sempre menor que a
velocidade síncrona da tensão aplicada no estator. Portanto, esses motores são conhecidos
como motores assíncronos. A diferença entre a velocidade síncrona e a velocidade real do rotor é
conhecida como escorregamento.

O fator de potência de um sistema de energia elétrica CA é definido como a razão entre


a potência ativa (real), medida em watts, e a potência aparente, medida em volt-
amperes (VA). Esta é a tensão em um sistema CA multiplicada por toda a corrente que flui nele. A
potência aparente é a soma vetorial das potências ativa e reativa. A potência reativa é medida em
volt-amperes reativos (VAR); trata-se da energia armazenada e descarregada por motores
indutivos, transformadores e solenoides.

O fator de potência é dado como o cosseno do ângulo de fase entre a tensão e a corrente ou a
razão entre a potência ativa e a potência aparente. Um baixo fator de potência é o resultado de
cargas indutivas, como transformadores e motores elétricos.

Cargas indutivas consomem energia reativa com forma de onda de corrente atrasada em relação
à tensão; e as cargas capacitivas geram potência reativa com a fase da corrente adiantada a
tensão.

É Hora de Praticar!

Motores estão presentes em diversos dispositivos; por exemplo, em nossa casa, nos aparelhos
domésticos, nos ventiladores de teto, no freezer, no aspirador de pó, entre outros. Esses motores
são monofásicos. Outro tipo de motor, o de indução, também chamado de assíncrono, está
presente em mais de 99% dos acionamentos industriais. Mais da metade da energia produzida é
consumida por motores elétricos.
Imagine que uma grande empresa do setor industrial está modernizando suas operações. O
objetivo de realizar essa modernização é melhorar a produção por meio da adequação de seus
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motores e outros equipamentos para cada tipo de aplicação, além da capacitação dos
funcionários que trabalham no setor.
Neste contexto, a empresa criou um programa de estágio no setor máquinas e manutenção, no
qual o candidato aprovado passará por todas as áreas deste setor para que possa ser qualificado
e esteja apto para trabalhar com todos os tipos de máquinas elétricas disponíveis na indústria.
Imagine que você acabou de ser contratado como estagiário nessa grande empresa e vai
trabalhar no departamento de manutenção. No primeiro dia de trabalho, o seu supervisor
explicou como seria o programa de estágio e iniciou uma palestra com todos os demais
estagiários, explicando a importância dos técnicos e engenheiros de manutenção para garantir o
perfeito funcionamento da fábrica e a segurança de todos os funcionários.
Após a palestra, o seu supervisor lhe apresentou alguns motores; dentre eles, alguns não
possuíam manual técnico, como um dos motores de indução.
A sua primeira tarefa como estagiário é elaborar um manual técnico explicando o que é um
motor de indução, o seu funcionamento e suas vantagens e desvantagens. Além disso, você
deve apresentar, nesse manual, os dados nominais que se encontram na placa de identificação.
Portanto, para que você cumpra integralmente a sua primeira tarefa, é necessário que você
consulte a placa de identificação do motor de indução. Ela se encontra na Figura 1. Você deve
transcrever as informações. Há um problema, contudo: essa placa não contém o número de
polos do motor. Desse modo, você precisa identificar o número de polos no manual técnico antes
de iniciar a transcrição. Como você resolveria esse problema? Apresente o manual completo
com o número de polos do motor para o seu supervisor.
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Figura 1 | Placa de identificação do motor de indução. Fonte: Chapman (2013, p. 408).


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O motor de indução funciona com base no princípio de indução. Em um sistema trifásico, há três
linhas monofásicas com uma diferença de fase de 120°. Portanto, o campo magnético rotativo
tem a mesma diferença de fase que fará o rotor se mover. A máquina de indução é o tipo mais
comum de motor usado em ambientes industriais, comerciais ou residenciais. Suas principais
características são:

Construção simples e robusta.


Baixo custo e manutenção mínima.
Alta confiabilidade e eficiência.
Não precisa de motor de partida adicional e não precisa ser sincronizado.

Os motores de indução são classificados em dois tipos: motor de indução monofásico e motor
de indução trifásico. Como o próprio nome sugere, um motor de indução monofásico é
conectado a uma fonte de alimentação CA monofásica, enquanto o de indução trifásico pode ser
conectado a uma fonte de alimentação CA trifásica.
Se considerarmos três fases – a, b e c – quando a fase “a” for magnetizada, o rotor se moverá
em direção ao seu enrolamento; no próximo momento, a fase “b” será magnetizada e atrairá o
rotor; depois, a fase “c” fará o mesmo. Assim, o rotor continuará girando.

Olá estudante, chegamos ao encerramento da unidade!


Vamos realizar a experiência presencial que irá consolidar os conhecimentos adquiridos? É a
oportunidade perfeita para aplicar, na prática, o que foi aprendido em sua disciplina. Vamos
transformar teoria em vivência e tornar esta etapa ainda mais significativa. Não perca essa
chance única de colocar em prática o conhecimento adquirido.

Fonte: elaborada pela autora.


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CHAPMAN, S. J. Fundamentos de máquinas elétricas. Porto Alegre: Grupo A, 2013. E-book.


Disponível em: [Link] Acesso em:
30 mar. 2023.

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