Fundamentos e Segurança em Eletricidade
Fundamentos e Segurança em Eletricidade
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Unidade 1
CONCEITOS DA ELETRICIDADE
Aula 1
Fundamentos da Eletricidade
É muito comum as pessoas se confundirem quando o assunto são as normas NR-10 e NBR
5410, pois ambas tratam de um assunto tão importante que é a eletricidade. Porém, elas
apresentam diferenças substanciais entre si. Neste vídeo você verá quais são as principais
diferenças entre essas duas normas tão importantes em eletricidade.
Introdução da Aula
Olá, estudante!
Você já imaginou como seria o mundo se não tivesse eletricidade? Difícil responder essa
pergunta, afinal, a eletricidade está presente todos os dias na nossa vida, no nosso cotidiano.
Podemos afirmar inclusive que a eletricidade está relacionada de modo direto ao nosso lazer e
bem-estar.
A palavra eletricidade tem origem no latim, em que electrum, em português, tem o significado de
“âmbar”. E você sabe por que tem esse nome? O filósofo grego Tales de Mileto percebeu que,
quando se esfregava um pedaço de pele de carneiro em uma resina vegetal fóssil, chamada
âmbar, ela atraía pequenos pedaços de madeira e palha, como se fosse um ímã. Esse feito foi
documentado por volta de 600 a.C.
Trabalhar com eletricidade não é fácil e pode ser até perigoso, exigindo experiência e segurança.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Bons estudos!
Conceitos de eletricidade
Caro estudante, no ano de 1752 um físico chamado Benjamin Franklin fez uma descoberta que
mudou a história da eletricidade. Ele realizou um experimento em uma tempestade de raios, que
consistia em um fio de metal preso em uma chave metalizada e uma pipa de seda. Vale ressaltar
que Franklin sabia dos riscos e perigos que corria quando realizou esse experimento.
Ele observou que a carga elétrica dos raios descia pelo dispositivo, provou que o raio é
uma corrente elétrica e concluiu que hastes de ferro quando estão ligadas à terra e posicionadas
próximo às edificações formavam condutores de descargas elétricas atmosféricas, e assim foi
criado o primeiro para-raios (TELLS; NETTO, 2018).
Agora você deve estar se perguntando, mas o que é carga elétrica? O que é corrente elétrica? De
forma simplificada, pois detalhadamente você verá nas próximas aulas, a corrente elétrica é o
fluxo ordenado de elétrons em um meio e a carga elétrica é um dispositivo que consome energia
elétrica na forma de corrente e a transforma em outras formas de energia, como calor, luz,
trabalho, etc. Para trabalhar com eletricidade é preciso entender alguns padrões e convenções. O
Sistema Métrico Internacional de Unidades e Dimensões, ou apenas SI (Système Internationale),
trata da padronização de unidades de medidas de grandezas físicas e foi adotado aqui no Brasil
pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e pelas principais sociedades de
engenheiros eletricistas do mundo.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
No estudo da eletricidade, alguns valores em elétrica são muito pequenos e outros muito
grandes para serem expressos convenientemente. Desse modo, utilizamos alguns prefixos nas
unidades, que alteram a notação para uma melhor compreensão da quantificação expressa,
conforme Tabela 2.
Há muitos padrões de segurança elétrica diferentes que precisam ser seguidos no local de
trabalho para proteger a integridade e garantir que os funcionários permaneçam seguros durante
o trabalho. Isso inclui a prevenção de choques elétricos, incêndios elétricos e outros problemas
relacionados a riscos elétricos. Os padrões de segurança elétrica normalmente são
desenvolvidos por empresas de segurança e agências governamentais.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Caro estudante, no último século, a eletricidade tem sido uma parte crucial do dia a dia de quase
todos nós, tanto em casa quanto no nosso local de trabalho. Ela é necessária para quase todos
os tipos de atividades. Embora a eletricidade tenha melhorado o mundo de vários modos, é
muito importante lembrar que ela pode ser muito perigosa. Manter o local de trabalho seguro
contra riscos elétricos é responsabilidade de todos que estão na instalação. Seja uma instalação
de manufatura, um laboratório, um escritório, uma sala de aula ou qualquer outro ambiente, a
eletricidade é muito útil, mas requer cuidados. Para não acontecer nenhum incidente ao se
trabalhar com eletricidade é preciso garantir que tudo esteja em conformidade com a segurança
elétrica. Os principais perigos do trabalho com eletricidade são:
Os choques elétricos também podem levar a outros tipos de lesões, por exemplo, causando uma
queda de escadas ou andaimes, etc.
Uma norma brasileira obrigatória quando se fala em eletricidade no Brasil é a NR-10: Segurança
em instalações e serviços em eletricidade. A norma NR-10 estabelece condições mínimas
e requisitos de segurança visando a implantação de medidas de controle e sistemas
preventivos de forma a garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores que direta ou
indiretamente interagem nas instalações elétricas. É importante ficar claro que qualquer máquina
e equipamento elétrico que for exportado para o Brasil deve estar em conformidade com a
norma NR-10.
Além da NR-10 também há outras normas importantes, como a ABNT NBR 5410/2004 –
Instalações elétricas de baixa tensão e a ABNT NBR 14039/2003 – Instalações elétricas de
média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Como vimos, é muito importante aprender sobre os requisitos específicos de cada setor para
trabalhos elétricos. Devido ao fato de que os padrões elétricos mudam com o tempo, também é
importante fazer um esforço para manter-se atualizado com os padrões e requisitos de
conformidade mais recentes.
Os EPIs fornecem requisitos para garantir que os trabalhadores que trabalham com eletricidade
estejam protegidos contra riscos elétricos. Os funcionários que trabalham com equipamentos
elétricos devem receber EPI elétrico apropriado e ter conhecimento sobre seleção, uso,
limitações, inspeção, colocação, retirada e manutenção dele.
Como você já viu, a NR10 é uma norma brasileira de segurança em instalações e serviços de
eletricidade. Essa norma também colabora no combate aos riscos existentes, ajudando a
proteger a saúde e segurança do trabalhador. A norma também prevê medidas de proteção
coletiva que devem ser tomadas antes do início das atividades em instalações elétricas. O item
[Link] da norma diz que: “as medidas de proteção coletiva compreendem, prioritariamente,
a desenergização elétrica conforme estabelece esta NR e, na sua impossibilidade, o emprego de
tensão de segurança” (NR-10).
Quando não é possível realizar o que diz o item [Link] da norma, algumas medidas devem ser
tomadas, como isolar as partes vivas, inserir obstáculos, barreiras e sinalização, bloquear o
religamento automático, entre outras.
Após todas as medidas de proteção coletivas forem tomadas e dependendo do risco, será
necessário adotar os EPIs, previstos em outra norma, a NR-6. Os principais EPIs usados pelos
eletricistas são:
Luvas de borracha que sejam isolantes tipo BT (baixa tensão) e AT (alta tensão).
Luvas de pelica que possuem uma proteção adicional a luvas de borracha.
Capacete classe B que é indicado para o uso com risco de choque elétrico.
Botina de segurança, tipo de botina capaz de isolar a eletricidade.
Manga isolante de borracha que protege os braços, proporcionando mais segurança para
atividades nas quais o risco é maior.
Cinto de segurança, usado quando se realiza algum serviço na altura e protege o
trabalhador do risco de choque elétrico.
Protetor facial contra arco elétrico.
Disciplina
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Outra norma muito importante para quem trabalha com eletricidade é a ABNT NBR 5410 –
Instalações elétricas de baixa tensão. Essa norma estipula as condições adequadas que devem
satisfazer as instalações elétricas de baixa tensão, ou seja, tensões até 1000 V em tensão
alternada, ou seja, a polaridade se alterna de acordo com a frequência e 1500 V em tensão
contínua, ou seja, não muda de polaridade com o tempo, como a pilha. Essa norma garante a
segurança de pessoas e animais e o funcionamento adequado da instalação.
É importante ficar claro que a NBR 5410 não aborda instalação em cercas elétricas, instalações
em minas, instalações de proteção contra queda diretas de raios, redes públicas de distribuição
elétrica, iluminação pública, instalações elétricas de veículos motores, carros elétricos,
instalações em aeronaves, embarcações, entre outros.
Seja no seu trabalho ou na sua casa, a prevenção de acidentes deve estar presente sempre. A
segurança tem que estar em todo lugar, você concorda?
Saiba mais
A norma NR-10 é uma norma brasileira muito importante que trata da segurança em instalações
e serviços em eletricidade. Essa norma regulamentadora foi originalmente editada pela Portaria
MTb nº 3.214, de 08 de junho de 1978, sob o título , e a última atualização ocorreu em 2019. Faça
a leitura desse texto e aprofunde ainda mais seus conhecimentos.
Referências
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Aula 2
Lei de ôhm, Potência e energia
Neste vídeo você vai ver a segunda Lei de Ohm. Essa lei descreve quais grandezas físicas que
estão relacionadas com a resistência elétrica de um condutor. Conforme a lei, a resistência
elétrica de um condutor homogêneo é diretamente proporcional ao seu comprimento e
inversamente proporcional à área transversal desse condutor.
Introdução da Aula
Olá, estudante!
Sabe aquela lanterna que você usa quando acaba a energia em sua casa? Ela nada mais é que
um aparelho elétrico que possui um tipo de circuito elétrico bem básico. Você deve estar se
perguntando, mas o que é um circuito elétrico?
De um modo bem simples, um circuito elétrico ou como é mais conhecido apenas circuito, é o
caminho por onde a eletricidade passa.
Os circuitos elétricos são formados por três tipos de componentes: resistor, capacitor e indutor,
podendo ter apenas um desses componentes ou vários em um único circuito.
Você vai aprender o que é um circuito elétrico, o que é uma resistência, compreender a famosa
Lei de Ohm e entender as diferenças entre potência elétrica e energia elétrica.
Bons estudos!
Conceitos de eletricidade
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Caro estudante, os circuitos elétricos podem ser definidos como circuitos fechados ou caminhos
que formam uma rede de componentes elétricos por onde os elétrons podem circular. Esse
caminho é feito por meio de fios elétricos e é alimentado por uma fonte, como uma bateria. O
início do ponto de onde os elétrons começam a fluir no circuito elétrico é chamado de fonte,
enquanto o ponto onde os elétrons saem é chamado de retorno.
É importante conhecer as partes básicas de um circuito elétrico, vamos ver? Um circuito básico
compreende uma fonte de energia, condutores, uma chave e uma carga. A carga em um circuito
pode ser um motor que começa a funcionar quando se aperta um botão, uma lâmpada que
acende quando o circuito é ligado, um resistor, etc.
A fonte de energia elétrica faz com que os elétrons se movam. Essa fonte pode ser uma bateria,
uma célula solar, uma usina hidrelétrica, uma usina eólica, etc. Condutores são feitos de fios de
cobre sem isolamento. Uma extremidade do fio é conectada à carga à fonte de alimentação e a
outra extremidade do fio conecta a fonte de alimentação de volta à carga.
O interruptor pode ser definido como uma pequena lacuna no circuito. Um interruptor é um
componente elétrico usado para ligar e desligar qualquer equipamento, como televisão, forno de
micro-ondas, lâmpadas, etc. Quando o interruptor está desligado, o circuito está aberto e o fluxo
de elétrons é interrompido, portanto não há fluxo de corrente. A corrente fluirá quando o circuito
estiver fechado, ou seja, quando o interruptor estiver ligado.
Todo circuito elétrico tem alguma resistência ao fluxo de elétrons. Os elétrons colidem entre si e
com os átomos que compõem o fio e, desse modo, convertem parte de sua energia em calor.
Alguns materiais, como fios elétricos, apresentam pouca resistência ao fluxo de corrente e esse
tipo de material é chamado de condutor. Portanto, se esse condutor for colocado diretamente
em uma bateria, por exemplo, muita corrente fluirá. Em outros casos, outro material pode impedir
o fluxo de corrente, mas mesmo assim permitir a passagem de algum. Em circuitos elétricos,
esses componentes costumam ser chamados de resistores. No entanto, outros materiais não
permitem praticamente nenhuma corrente e são chamados de isoladores.
A primeira relação entre corrente, tensão e resistência é chamada de Lei de Ohm e foi descoberta
por Georg Simon Ohm e publicada em seu artigo de 1827, The Galvanic Circuit Investigated
Mathematically. A Lei de Ohm descreve a maneira como a corrente flui através de um material
quando diferentes níveis de tensão são aplicados.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Caro estudante, como já vimos, um circuito elétrico nada mais é que um circuito fechado, ou seja,
começa e termina no mesmo ponto, e que todo circuito tem alguma resistência à passagem de
corrente.
Há dois tipos de circuitos: série e paralelo. O circuito em série consiste nos dispositivos
conectados um após o outro em apenas um único loop grande. Nesse tipo de circuito a corrente
que flui por todos os dispositivos é a mesma. Nos circuitos paralelos, os dispositivos são
organizados de modo que uma única fonte forneça tensão para separar os loops de fio. A tensão
em todos os dispositivos do circuito é a mesma.
Além da tensão e da corrente, há outro parâmetro importante relacionado aos circuitos elétricos,
que é a potência. A potência também pode ser definida como a taxa na qual a energia é
transferida. Voltando ao secador de cabelo, visto anteriormente, podemos calcular a potência
desse aparelho elétrico, ou de qualquer outro através da Equação 1:
P = V . i
É importante salientar que não é possível transferir energia de uma forma para outra sem perder
parte dessa energia na forma de calor.
A taxa na qual um dispositivo muda a corrente elétrica para outra forma de energia é chamada
de energia elétrica.
A Lei de Ohm descreve a maneira como a corrente flui através de um material quando diferentes
níveis de tensão são aplicados e é calculada através da Equação 2.
V = R . i
Você sabia que as unidades principais de medida em eletricidade são dadas de acordo com o
nome de um famoso pesquisador em eletricidade? A corrente é em homenagem ao francês
Andre M. Ampere, o volt em homenagem ao italiano Alessandro Volta e o ohm em homenagem
ao alemão Georg Simon Ohm.
Resistência é a capacidade dos materiais de impedir o fluxo de corrente (fluxo de carga elétrica),
onde o resistor é o elemento presente no circuito que modela esse comportamento (NILSSON;
RIELDEL, 2009). O resistor, como você já sabe, é um dispositivo elétrico que quando é percorrido
por uma corrente, transforma energia elétrica em energia térmica, dissipando a energia elétrica.
Esse fenômeno é chamado de efeito Joule. A Figura 1 apresenta o símbolo de circuito para um
resistor com uma resistência R.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
l
R = ρ.
A
Outros equipamentos que também apresentam o efeito Joule são os aquecedores, chuveiros
elétricos, secadores de cabelo, ferros de passar roupa, entre outros.
Quando você usa o seu secador de cabelo, ou um outro equipamento elétrico, durante um
determinado intervalo de tempo, é possível calcular a energia elétrica que foi consumida. Esse
cálculo é realizado através da Equação 4:
E = P . Δt
Agora você já sabe o que é a Lei de Ohm e como se calculam fatores importantes em
eletricidade como potência e energia.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Figura 2 | Elemento básico ideal de circuito. Fonte: Nilsson e Riedel (2008, p. 8).
Observando a Figura 2, notamos que a tensão nos terminais é representada por v e a corrente
por i, os sinais de mais e menos indicam a referência da polaridade e a direção de referência da
corrente é mostrada pela ponta da seta que indica o sentido do fluxo. Tanto a polaridade de
referência da tensão quanto a direção de referência da corrente são arbitrárias, porém o mais
usual é a convenção passiva de sinais, onde a corrente "entra" pelo terminal + da tensão.
Cálculos de potência e energia são tão importantes quanto corrente e tensão na análise de
circuitos elétricos. Isso acontece porque muitas vezes o resultado útil não é expresso em termos
elétricos, e sim em potência e energia. No cálculo da potência é importante entendermos se a
potência está sendo fornecida ou extraída dos terminais. Se utilizarmos a convenção passiva, a
Equação 1 estará correta desde que o sentido escolhido da corrente seja o mesmo da queda de
tensão entre os terminais do elemento. Se isso não acontecer, a equação deverá ser escrita com
um sinal negativo, conforme a Equação 5:
P = V . i
(5)
P = V . i
Se o sinal da potência for positivo, o circuito está absorvendo potência. Se o sinal da potência for
negativo, o circuito está fornecendo potência, conforme a Figura 3.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Figura 3 | Referência de polaridade e expressão para potência. Fonte: adaptada de Nilsson e Riedel (2008, p. 9).
Como tudo isso funciona na prática? Imagine que o seu secador de cabelo seja o único
dispositivo elétrico em um circuito de 110 volts que transporta 12 amperes de corrente. A
potência do secador de cabelo será de 1,3 KW.
Há uma grande variedade de resistores fixos, variáveis e de tamanhos diferentes. Alguns são
grandes o suficiente para que o seu valor fique marcado no dispositivo, porém outros são bem
pequenos e, para conhecer o seu valor, é necessário utilizar um sistema de código de cores,
conforme Figura 4.
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O resistor da Figura 5 tem o valor de 20 x 10 = 200Ω. A faixa 4 representa a cor dourada com
tolerância de 5%. Para o cálculo vamos multiplicar o valor do resistor pelo valor da tolerância:
200 · 0,05 = 10 e então somaremos e subtrairemos esse valor do valor do resistor, assim temos o
valor máximo igual a: 200 + 10 = 210Ω e o valor mínimo igual a: 200 – 10 = 190Ω.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Saiba mais
Conhecer os tipos de resistências é importante para qualquer projeto que envolva eletricidade. O
capítulo 3 do livro Introdução à análise de circuitos trata desse assunto. É importante notar que
as resistências são fabricadas de formas diferentes para aplicações diferentes. Por exemplo, há
resistências de potência e de sinal, que suportam níveis diferentes de corrente e tensão.
Referências
BOYLESTAD, R. L. Introdução à análise de circuitos. 13. ed. São Paulo: Pearson, 2018. Disponível
em: [Link]
code=hlkyEKEjuVLRCX0f2YkmqSPMSXRFvgllsy1MKyoJPxcMkP+UEMLbBQzehJRfXurrh05WjwpI
0G64wZFpXovaTw==. Acesso em: 13 abr. 2023.
NILSSON, J. W.; RIEDEL, S. A. Circuitos Elétricos. 8. ed. São Paulo: Pearson, 2009.
Aula 3
Circuitos em série de corrente contínua
Introdução da Aula
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Olá, estudante!
Um circuito elétrico é a combinação de diferentes componentes que formam uma rede elétrica.
Quando há dois ou mais dispositivos elétricos em um circuito com uma fonte de energia, existem
alguns modos básicos de conectá-los. Você saberia dizer quais são esses modos?
Sabe aquelas pequenas lâmpadas que nós colocamos na árvore de natal? Elas são um bom
exemplo de circuito em série, pois nesse tipo de circuito a corrente que percorre as lâmpadas é a
mesma. Porém, se uma lâmpada queimar, todas as outras lâmpadas da série não irão acender.
Nesta aula você vai ver a tensão, a corrente elétrica e a resistência em circuito série, o que é um
diagrama elétrico, como elaborar e interpretar e a polaridade e quedas de tensão por partes
proporcionais.
Bons estudos!
A Figura 1 apresenta um circuito elétrico básico, conectando uma bateria e uma resistência em
série. Enquanto a bateria estiver alimentando o circuito, a corrente não mudará de sentido nem
intensidade. Considerando o fio um condutor ideal, a diferença de potência V entre os terminais
do resistor será igual à tensão aplicada pela bateria. Por convenção, o sentido da corrente é o
oposto do sentido dos elétrons. A corrente I do circuito é calculada através da Lei de Ohm,
isolando a corrente I.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Na engenharia elétrica, eletrônica ou quem trabalha com eletricidade, utiliza-se diferentes tipos
de desenhos ou diagramas para representar um determinado sistema ou circuito elétrico. Esses
circuitos elétricos são representados por linhas para representar fios e símbolos ou ícones para
representar componentes elétricos e eletrônicos. Isso ajuda a entender melhor a conexão entre
diferentes componentes. Os eletricistas, por exemplo, contam com a planta elétrica (que
também é um diagrama elétrico) para fazer qualquer ficção do edifício. Um diagrama de circuito
também é conhecido como diagrama elétrico ou esquema eletrônico e representa graficamente
um circuito elétrico.
Diante disso, você pôde aprender o que é um circuito em série e entender que o diagrama elétrico
representa o circuito por meio de linhas e símbolos.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Caro estudante, o principal objetivo de um circuito em série é calcular a corrente que atravessa
esse circuito e a queda de tensão em cada um dos componentes. A Figura 2 apresenta um
circuito puramente resistivo em série com uma única fonte de tensão.
Para calcular o valor da corrente desse circuito, devemos somar todas as resistências. À soma
dessas resistências nós damos o nome de resistência equivalente (Req) e podemos simplificar o
circuito, conforme Figura 3.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
V
i =
R eq
Para calcular o valor da tensão em cada resistor que está em série, basta utilizar a Lei de Ohm
após calcular o valor da corrente que percorre o circuito em série.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Os engenheiros usam vários tipos de desenhos elétricos para destacar certos aspectos do
sistema. Existem quatro tipos básicos de diagramas elétricos: o diagrama esquemático, o de
fiação, de blocos e o pictórico.
O diagrama pictórico mostra os componentes do circuito com mais detalhes, como eles
realmente são, e indica como a fiação está conectada. O diagrama não representa
necessariamente o circuito real. Na verdade, mostra a aparência visual do circuito e não pode ser
usado para entender ou solucionar problemas do circuito real. Normalmente esse tipo de
diagrama não é usado. Para alguém com menos conhecimento em elétrica, é impossível
entender como o circuito funciona e diagnosticá-lo.
Caro estudante, anteriormente, você viu que quando uma diferença de potencial V é aplicada a
resistências que estão ligadas em série, a corrente que atravessa o circuito é a mesma em todas
as resistências, e a soma das diferenças de potencial das resistências é igual à diferença de
potencial aplicada V. As resistências que estão ligadas em série podem ser substituídas por uma
única resistência equivalente percorrida pela mesma corrente e com a mesma diferença de
potencial total que as resistências originais (HALLIDAY, 2016).
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Nos circuitos em série a queda de tensão nos componentes individuais não é a mesma, pois
depende de sua própria resistência, e quando conectamos vários resistores em série, a
resistência total do circuito aumenta.
Agora vamos ver alguns exemplos para que você tenha uma ideia clara de um circuito em
série. Você verá em luzes de fadas de cordas mais antigas, várias lâmpadas conectadas em
série. Essas lâmpadas são projetadas para operar de 3V a 5V. Mas uma luz de fada completa é
construída para operar com 110V ou 220V no Brasil. Por exemplo, uma luz de fada pode ser
construída com lâmpadas de 5V e tensão de entrada da fonte principal de 110V, assim, teremos
quase 22 números de lâmpadas conectadas em série. Se alguma dessas lâmpadas se danificar,
a linha inteira não funcionará. As luzes de fadas modernas são construídas com LEDs, onde na
maioria dos casos eles estão conectados em paralelo.
Outro exemplo do seu dia a dia é um interruptor, que está quase sempre conectado em série com
uma lâmpada ou qualquer outra carga. Um interruptor é conectado em série para abrir ou fechar
o circuito. Portanto, quando o circuito estiver na condição fechada, a lâmpada
funcionará. Quando acionamos a chave para desligar, o circuito estará aberto e a lâmpada irá se
desconectar da fonte de alimentação e não funcionará.
A maioria dos controles remotos possuem duas baterias. Essas baterias são conectadas em
série. Agora você sabe por que essas baterias estão conectadas em série? Quando conectamos
várias baterias em série, a tensão total geral aumenta. É por essa razão que essas baterias são
conectadas em série.
Vamos fazer um exemplo? Considere o circuito em série da Figura 4. Vamos calcular a corrente
que atravessa o circuito e a tensão em cada resistor?
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
R eq = R 1 + R 2 + R 3
R eq = 4 + 4 + 2 = 10Ω
V = R eq . i
V 10
i = = = 1A
R eq 10
Por fim, calculamos o valor da tensão em cada um dos resistores, usando a Lei de Ohm, Equação
4:
V 1 = R 1 . i = 4. 1 = 4V
V 2 = R 2 . i = 4. 1 = 4V
V 3 = R 4 . i = 2. 1 = 2V
Nota-se que somando os valores de V1, V2 e V3, temos exatamente o valor da fonte: 10V.
Para que você possa entender mais facilmente as diferenças de representações, observe a
Figura 5(a), que representa um diagrama de circuito pictórico, pois usa imagens simples de
componentes: bateria, lâmpada; e dois instrumentos de medida: amperímetro e voltímetro. A
Figura 5(b) representa o diagrama esquemático correspondente.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Saiba mais
O livro Introdução à análise de circuitos, de Robert L. Boylestad, apresenta no capítulo 5 teoria e
exemplos de circuitos elétricos em série. É recomendada a leitura das páginas 97 à página 100.
Trata-se de uma literatura fundamental dessa área, que contém aplicações e introduções a
assuntos próximos à teoria de circuitos.
Referências
BOYLESTAD, R. L. Introdução à análise de circuitos. 13. ed. São Paulo: Pearson, 2018. Disponível
em: [Link] Acesso em: 13 abr. 2023.
COSTA, V. M. da. Circuitos elétricos lineares: enfoques teórico e prático. Rio de Janeiro:
Interciência, 2013.
HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de Física. Vol. 3. Eletromagnetismo, 10. ed.
São Paulo: Grupo GEN, 2016. Disponível em:
[Link] Acesso em: 4 fev. 2023.
Aula 4
Circuitos em paralelo de corrente contínua
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
A unidade de condutância é o Siemens e recebe esse nome por ser uma homenagem a Werner
von Siemens, fundador da empresa alemã de eletrônica industrial e telecomunicações que leva
seu nome. Neste vídeo você vai ver um pouco mais sobre a condutância e como ela é trabalhada
nos circuitos paralelos.
Introdução da Aula
Olá, estudante! Os circuitos que são formados apenas por uma bateria e uma resistência de
carga em série são muito simples de analisar, porém em aplicações práticas não são
frequentemente encontrados. Normalmente, encontramos circuitos onde mais de dois
componentes estão conectados entre si. Há dois modos fundamentais de se conectar mais de
dois componentes de circuito: série e paralelos.
Você deve estar se perguntando, será que é possível combinar esses dois métodos? Sim! Esses
dois métodos básicos de conexão podem ser combinados para criar circuitos bem mais
complexos.
Nesta aula você vai ver como é a conexão em paralelo de circuitos e como se calcula a tensão, a
corrente elétrica, a resistência e a potência nesse tipo de conexão. Também vamos ver o que é a
condutância e como ela se relaciona com a resistência elétrica.
Bons estudos!
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
A característica que define um circuito paralelo é que todos os componentes estão conectados
entre o mesmo conjunto de pontos eletricamente comuns. Na Figura 2 é possível notar os
pontos A e B, onde as resistências R1, R2 e R3 estão conectadas entre esses pontos.
Do mesmo modo que nos circuitos em série, também aplicamos a Lei de Ohm nos circuitos em
paralelo. No circuito em série, a resistência total é a soma das resistências individuais e é,
portanto, sempre maior que qualquer um dos resistores individualmente. Já no circuito paralelo,
cada resistor paralelo adicionado a um circuito reduz a resistência equivalente total. No circuito
em paralelo a resistência equivalente é a soma das condutâncias, Equação 1. Mas o que é uma
condutância? A condutância é definida como a propriedade que um corpo apresenta em relação
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
G eq = G1 + G2 + G 3 +. . . + G n
O símbolo da condutância é a letra “G” maiúscula, e a unidade é o mho, que é Ohm escrito ao
contrário, interessante, não acham? Apesar de sua adequação, a unidade do mho foi substituída
pela unidade da Siemens (abreviada pela letra maiúscula “S”).
1
G =
R
1 1 1 1 1
= + + +. . . +
R eq R1 R2 R3 RN
No circuito em paralelo o cálculo da potência total é do mesmo modo que do circuito em série,
assim, a potência dissipada pelos resistores e potência fornecida pela fonte pode ser calculada
através da Equação 4:
P = V. i
Caso você não tenha o valor da tensão, a Equação 4 pode ser rearranjada substituindo a tensão
do seguinte modo, Equação 5:
P = V. i
P = (r . i). i
2
P = r. i
O mesmo pode ser feito caso você não tenha o valor da corrente, Equação 6:
P = V . i
V
P = V. ( )
r
2
V
P =
r
Neste estudo, você viu a diferença entre uma ligação de circuito em série e paralelo. Aprendeu as
principais características de um circuito com ligação em paralelo e viu como se calcula a
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Caro estudante, você vai ver com um pouco mais de profundidade os três princípios que
envolvem o entendimento sobre circuitos paralelos: tensão, circuito e resistência. Como você já
viu, a tensão é igual em todos os componentes em um circuito paralelo, a corrente total do
circuito é igual à soma das correntes dos ramos individuais. Em um circuito em série, quando
adicionamos uma resistência, aumentamos a resistência total do circuito. Já no circuito em
paralelo, quando adicionamos uma resistência, diminuímos a resistência total. A Figura 3
apresenta um circuito paralelo com as marcações de corrente.
O primeiro princípio a ser entendido sobre circuitos paralelos é que a tensão é igual em todos os
componentes do circuito. Isso ocorre porque existem apenas dois conjuntos de pontos
eletricamente comuns em um circuito paralelo, os pontos A e B, representados na Figura 3. A
tensão medida entre esses pontos comuns deve ser sempre a mesma, Equação 7.
V = V R1 = V R2 = V R3
Observe que a tensão da fonte V é a mesma tensão que está em cada uma das resistências R1,
R2 e R3.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
O segundo princípio é sobre a corrente. Conforme a corrente total sai do terminal positivo (+) da
bateria e percorre o circuito, parte do fluxo se divide para passar por R1, outra parte se divide para
passar por R2 e o restante passa por R3. Para ficar mais claro para você, vamos imaginar que a
corrente é como um rio que se ramifica em vários riachos menores. Quando todas as vazões
desses riachos se juntarem, ela deve ser igual à vazão de todo o rio. O mesmo acontece com a
corrente, onde as correntes através de R1, R2 e R3 se unem para fluir de volta para o terminal
negativo da bateria (-). De acordo com a Figura 3, a Equação 8 ilustra esse princípio:
i = i1 + i2 + i3
Imagine se uma lâmpada que está na rua, na porta de sua casa queimar. Se ela estiver
conectada em série todas as outras que estiverem ligadas com ela irão também ficar apagadas,
já em paralelo as outras continuarão funcionando. O cálculo da resistência equivalente do
circuito da Figura 3 é dado pela Equação 9.
1 1 1 1
= + +
R eq R1 R2 R3
G eq = G 1 + G 2 + G 3
Os circuitos em paralelo têm um ponto negativo em relação à potência. Esse tipo de circuito
dissipa mais potência, portanto o consumo é maior.
Compreendemos, portanto, que um circuito paralelo é definido como aquele em que todos os
componentes estão conectados entre o mesmo conjunto de pontos eletricamente comuns e que
a corrente possui mais de um caminho, ou seja, ela se divide.
Teoria na prática
Caro estudante, você sabia que nas instalações elétricas residenciais, comerciais e industriais o
tipo de circuito elétrico mais utilizado é o circuito elétrico em paralelo?
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Isso acontece porque nesse tipo de circuito a tensão elétrica em todas as cargas sempre será a
mesma, por exemplo, 127V, 220V ou 380V, dependendo de onde o circuito estiver ligado. Além
disso, o circuito paralelo dissipa a máxima potência, pois a tensão é a mesma nas cargas e se
caso acontecer algum problema em uma das cargas e ela parar de funcionar, as demais irão
continuar funcionamento normalmente, diferente do circuito em série, em que todas iriam parar
de funcionar.
Outro modo também simples é testando as cargas. Para isso, basta desligar ou retirar uma
carga, se o circuito estiver em série, todas as demais cargas do circuito vão parar de funcionar;
porém, se o circuito continuar funcionando, ele está ligado em paralelo.
Um outro circuito que devemos aprender é o circuito composto, que envolve tanto as conexões
em série quanto aquelas em paralelo, Figura 4.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
1 1 1 1 1 1 2 1 1 1 1
= + = + = = = = 72Ω
RL L L1 L2 RL L 144 144 144 72 RL L 72 RL L
1 2 1 2 1 2 1 2
Agora, vamos calcular o valor das resistências que estão em série, L3 e L4.
O circuito após o cálculo das resistências entre L1 e L2 e entre L3 e L4 tem o formato mostrado
na Figura 5, ou seja, as lâmpadas estão em série.
Figura 5 | Circuito após o cálculo das resistências. Fonte: elaborada pela autora.
R eq = R L + RL
1 L2 3 L4
R eq = 72 + 288
R eq = 600Ω
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
V = Rq . i
V 110
i = =
R eq 360
i = 0, 305A
P = V. i
P = 110 . 0, 305
P = 33, 55W
A corrente total nós já calculamos, i1, como as resistências L1 e L2 das lâmpadas são iguais, a
corrente se divide, portanto:
i1 0,305
i3 = i4 = = = 0, 1525A
2 2
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
2 2
P = V . iP = (r . i ) . iP = r . i P = 144 . (0, 1525) P = 3, 35W
Saiba mais
Quando calculamos o inverso da resistência, obtemos um parâmetro chamado condutância. Nos
circuitos em paralelo, encontrar a condutância facilita os cálculos. Saiba mais sobre esse
parâmetro no livro Introdução à análise de circuito, capítulo 3, página 60 e capítulo 6 página 128.
É interessante notar que alguns circuitos são mais fáceis de se resolver usando condutância
como parâmetro e isso é muito importante na área de transmissão de energia elétrica.
Referências
BOYLESTAD, R. L. Introdução à análise de circuitos. 13. ed. São Paulo: Pearson, 2018. Disponível
em: [Link]
code=D9C0loQ07gYa3YiVxbsTjLt6/Wercu83gn1bnGQNAidrmR6l2aXh/gf+AJiiP2qJpjh1QabeAuu
gK+nbq8afVw==. Acesso em: 13 abr. 2023.
Aula 5
Encerramento da Unidade
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
A primeira Lei de Ohm diz que a diferença de potencial elétrico entre dois pontos de um resistor
elétrico é proporcional à corrente elétrica que o atravessa. Desse modo, sabemos que essa
resistência elétrica é constante. Porém, para que isso aconteça, é preciso que esse resistor
esteja em uma temperatura constante.
Neste vídeo você vai ver os resistores ôhmicos e os resistores não ôhmicos.
A figura apresenta três resistores: R1, R2 e R3, que estão conectados ao longo de um único
caminho que vai de um terminal da bateria ao outro. A característica que define um circuito em
série é que há apenas um caminho para o fluxo de elétrons, ou seja, a corrente é a mesma em
todos os resistores e a tensão no circuito é a soma das tensões em cada componente.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Agora, vamos ver uma configuração com os resistores em paralelo (Figura 2).
Novamente, temos três resistores, porém agora eles formam mais de um caminho contínuo para
o fluxo de elétrons. A característica que define um circuito em paralelo é que todos os
componentes estão conectados entre o mesmo conjunto de pontos eletricamente
comuns. Olhando para Figura 2, vemos que os pontos a, b, c e d são eletricamente comuns,
assim como os pontos e, f, g e h. Observe que todos os resistores, bem como a bateria, estão
conectados entre esses dois conjuntos de pontos. Em um circuito paralelo, a tensão em cada um
dos componentes é a mesma e a corrente total é a soma das correntes em cada componente.
A resistência total em um circuito paralelo pode ser calculada através da soma das
condutâncias, sendo que a resistência é o inverso da condutância, Equação 1. A condutância em
um circuito paralelo é simplesmente a soma da condutância para cada componente individual.
1
G =
R
A Lei de Ohm é uma das leis mais importante quando se estuda eletricidade e é utilizada tanto
em circuitos com ligações em série quanto nos de ligação em paralelo, por isso é tão importante
conhecê-la e saber aplicá-la. A Lei de Ohm diz que a resistência é diretamente proporcional à
tensão, mas inversamente proporcional à corrente, Equação 2.
V = R. i
A tensão é dada em Volts (V), a corrente em Ampère (A) e a resistência em Ohms (Ω).
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Bons estudos!
Estudo de caso
Todos os dias nós estamos cercados por uma das inovações mais importantes de todos os
tempos e que se tornou fundamentou para nós, a eletricidade. As pessoas viveram por séculos
sem eletricidade e sobreviveram, mas será que hoje o ser humano conseguiria viver sem ela?
A eletricidade não é utilizada apenas para acendermos as luzes de casa e permitir que você
cozinhe, limpe e trabalhe como faria normalmente, ela é fundamental para o funcionamento e o
suporte de vários tipos de indústrias, inclusive a indústria tecnológica. Se não existisse a ideia da
eletricidade e o processo de criá-la, não haveria tecnologia e possivelmente a vida continuaria a
mesma.
Na nossa casa a eletricidade é importante para operar todos os aparelhos, entretenimento,
iluminação e, claro, toda a tecnologia. Quando vamos viajar, a eletricidade é importante para o
uso de trens elétricos, aviões e até alguns carros. Pensando nas escolas, nas instalações
médicas, como hospitais, é fundamental e indispensável, em lojas de varejo, todas precisam de
eletricidade para funcionar com eficiência. A eletricidade também é importante para a operação
de máquinas como computadores ou monitores.
Os circuitos elétricos podem ser definidos como um conjunto de dispositivos que são
conectados por meio de fios condutores e ligados em uma fonte de tensão elétrica como uma
bateria. Os circuitos elétricos possuem muitas funções e das mais diversas possíveis, como a
produção de calor, o armazenamento de cargas elétricas, a interrupção da passagem de corrente
elétrica, entre outras.
Para contextualizar sua aprendizagem, imagine que você trabalha em uma empresa que produz
aparelhos elétricos e eletrônicos. Uma das partes do seu trabalho é verificar e analisar os
circuitos elétricos dos aparelhos que são feitos pela empresa, com a finalidade de verificar suas
particularidades e características, como a condutância do circuito, condução de corrente, análise
da tensão, tipo de circuito, entre outros. Para realizar essa atividade, você deverá analisar dois
circuitos com cargas puramente resistivas e utilizar a teoria aprendida para o estudo.
De forma simplificada, considere as Figuras 1 e 2 em sua análise. você poderá analisar os
circuitos anteriores? Quais leis devem embasar suas análises sobre esses sistemas? Quais são
as peculiaridades e características de cada elemento nos respectivos circuitos elétricos?
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Entender os circuitos elétricos é fundamental para entender como a eletricidade funciona. Para
que um circuito funcione, todos os componentes, fios, carga, uma fonte de energia devem estar
conectados. Quando todas as partes estão conectadas, o circuito é fechado e a corrente se
move.
No circuito em série a corrente flui por apenas um caminho e todas as partes estão conectadas
ao longo desse caminho, portanto, a corrente é a mesma em todas as partes. No entanto, a
quantidade de corrente para cada dispositivo em um circuito em série diminui à medida que mais
dispositivos são adicionados ao circuito. Por exemplo, conforme você adiciona lâmpadas a um
circuito em série, a luz vai ficando mais fraca do que antes.
Se um dispositivo em um circuito em série queimar ou for desconectado, todos os dispositivos
param de funcionar. Os circuitos em série são normalmente utilizados em dispositivos simples,
como lanternas e luzes de natal.
Um circuito paralelo contém vários caminhos ou ramificações, onde cada dispositivo está em
uma ramificação separada. A corrente que flui através desse circuito se divide ao atingir cada
ramificação, portanto a quantidade de corrente é diferente em diferentes pontos. Quando você
adiciona uma lâmpada a um circuito paralelo ela brilhará tão intensamente quanto as outras,
desde que cada nova lâmpada seja adicionada em seu próprio ramo.
Como cada ramo em um circuito paralelo é separado dos outros ramos, um dispositivo em um
ramo pode ser ligado ou desligado sem afetar os outros e caso um dispositivo quebrar ou for
desconectado, os dispositivos nas outras ramificações continuarão funcionando. Os circuitos
paralelos são usados em residências, escolas, escritórios, ou seja, em qualquer lugar onde seja
importante manter vários dispositivos funcionando mesmo quando um deles queima.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
BOYLESTAD, R. L. Introdução à análise de circuitos. 13. ed. São Paulo: Pearson, 2018. Disponível
em: [Link]
code=hlkyEKEjuVLRCX0f2YkmqSPMSXRFvgllsy1MKyoJPxcMkP+UEMLbBQzehJRfXurrh05WjwpI
0G64wZFpXovaTw==. Acesso em: 13 abr. 2023.
HALLIDAY, David; RESNICK, Robert; WALKER, Jearl. Fundamentos de Física - Vol. 3 -
Eletromagnetismo, 10ª edição. Grupo GEN, 2016. Disponível em:
[Link] Acesso em: 04 fev. 2023.
Tells, Dirceu D’Alkmin, Netto, João Mongelli. Física com aplicação tecnológica: Eletrostática,
eletricidade, eletromagnetismo e fenômenos de superfície. Volume 3 de Física com aplicação
tecnológica Editora Blucher, 2018.
,
Unidade 2
LEIS E TEOREMAS
Aula 1
Lei de Kirchhoff para a tensão (LKT)
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Gustav Kirchhoff criou as Leis de Kirchhoff, que são fundamentais para realizar análise de
circuitos elétricos. Uma de suas leis, a LKT, Lei de Tensão, afirma que, para um caminho em série
de loop fechado, a soma algébrica de todas as tensões é igual a zero. Isso ocorre porque um
loop de circuito é um caminho de condução fechado, portanto, nenhuma energia é perdida. Neste
vídeo, você verá passo a passo como resolver um circuito utilizando LKT.
Introdução da Aula
Olá, estudante!
Nós encontramos circuitos elétricos todos os dias em nosso dia a dia, pois eles estão presentes
em todos os eletrônicos e eletrodomésticos que possuímos. Nós já vimos que um circuito possui
fonte de energia elétrica, dispositivos e um material condutor para fechar o circuito. Para analisar
os circuitos complexos, devemos usar além da Lei de Ohm, as Leis de Kirchhoff. Você deve estar
pensando, o que é isso?
São duas Leis de Kirchhoff e ambas são necessárias para calcular a corrente que atravessa em
um circuito ou a tensão sobre uma resistência em um circuito elétrico. Esses cálculos são
chamados de análise do circuito.
Nesta aula você vai ver a Lei de Kirchhoff para a tensão (LKT), comandos elétricos e elementos
elétricos.
Bons estudos!
Caro estudante, podemos dizer que o modo pelo qual vivemos está diretamente ligado à
eletricidade, pois ela é responsável pela comunicação a distância, o desenvolvimento das
indústrias e claro pela internet. Podemos dividir o estudo da eletricidade em grandes áreas de
atuação, que são a geração, a transmissão, a distribuição e o consumo de eletricidade.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
O circuito onde se encontram as cargas pode ser de três modos: monofásico, que significa
apenas uma fase; bifásico, ou seja, possuem duas fases; e trifásico, que significa três fases.
Existem aplicações de circuitos polifásicos, mas se restringem a máquinas elétricas específicas
com alta precisão.
O circuito elétrico é fundamental em todas essas áreas e para o estudo desses circuitos três leis
são fundamentais: a Lei de Ohm e as duas Leis de Kirchhoff.
A Lei de Ohm afirma que a tensão em um resistor é diretamente proporcional à corrente que
passa por ele (ALEXANDER; SADIKU, 2013), porém para a análise ser completa é necessário
conhecer as duas Leis de Kirchhoff. As duas leis formam um conjunto suficiente de ferramentas
para analisar uma série de circuitos elétricos.
Em 1847 o físico alemão Gustav Robert Kirchhoff introduziu as leis de Kirchhoff e elas são
conhecidas como Lei de Kirchhoff para Corrente (LKC, ou Lei dos Nós) e Lei de Kirchhoff para
Tensão (LKT, ou Lei das Malhas). Ambas as leis descrevem o comportamento de tensões e
correntes em todos os circuitos elétricos e são essenciais para entendermos como funcionam
os circuitos série, paralelo e série-paralelo.
Além dos resistores, outro componente elétrico bastante utilizado nos circuitos elétricos é o
capacitor, que é um elemento passivo que armazena energia em seu campo elétrico. Os
capacitores são muito utilizados em eletrônica, comunicações, computadores e sistemas de
potência.
Do mesmo modo que o capacitor, o indutor também é um elemento passivo que armazena
energia em seu campo magnético. Um indutor ideal pode armazenar energia indefinidamente
porque não apresenta nenhum tipo de perda. Os indutores são usados em diversas aplicações na
eletrônica, nos sistemas de potência, em fontes de tensão, transformadores, rádios, TVs, radares
e motores elétricos. Eles também são usados no filtro para altas frequências e para proteger o
circuito de grandes oscilações da corrente.
As fontes de alimentação também fazem parte do circuito, normalmente damos o nome de fonte
de alimentação às fontes de tensão, porém em um circuito também podem existir fontes de
corrente. Em uma fonte de tensão ideal, a tensão se mantém para qualquer variação de corrente,
já na fonte de corrente ideal é a corrente que se mantém para qualquer variação de tensão.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Até aqui, você pôde ver que, a partir dos comandos elétricos, acionamos diversos equipamentos
e máquinas elétricas e que os principais elementos de um circuito são os resistores, os
capacitores, os indutores e as fontes. Além disso, entendeu que, para se analisar um circuito
elétrico, é preciso aplicar as Leis de Ohm e as Leis de Kirchhoff.
O circuito elétrico possui algumas partes importantes que devemos reconhecer para realizar a
análise pelas Leis de Kirchhoff. Uma dessas partes é chamada de ramo. O ramo, Figura1, é
qualquer parte de um circuito elétrico composta por um ou mais dispositivos que estão ligados
em série (MARKUS, 2009).
Outra parte importante é o nó. O nó (Figura 2) é qualquer ponto de um circuito elétrico onde
existe a conexão de três ou mais ramos (MARKUS, 2009).
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Por fim, tem-se a malha. A malha é qualquer parte do circuito elétrico cujos ramos formam um
caminho fechado para a corrente (MARKUS, 2009).
O circuito elétrico possui um único sentido de corrente e um único valor para cada ramo. Após
serem definidos os sentidos e encontradas as intensidades das correntes em todos os ramos, é
possível determinar todas as tensões. Há vários tipos de dispositivos, sendo que os mais
comuns são botões, comutadores, microinterruptores, chaves seletoras, lâmpadas-piloto e
sinalizadores sonoros.
Os dispositivos elétricos são componentes de um sistema automatizado nos quais vão receber
os comandos do circuito elétrico, com a finalidade de acionamento das máquinas elétricas.
Os botões, as botoeiras e as chaves seletoras fazem parte de uma interface do usuário com os
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
De acordo com as normas, as botoeiras possuem cores definidas de acordo com a sua função
(FRANCHI, 2014):
Vermelho: significa que o equipamento deve parar, desligar ou serve como botão de
emergência.
Amarelo: iniciar um retorno, eliminar uma certa condição perigosa.
Verde ou preto: significa que vai acionar a máquina, vai ser dada a partida.
Branco ou azul: qualquer outra função que não foi mencionada.
Os dispositivos de comando são elementos de comutação que servem para permitir ou não a
passagem da corrente elétrica entre pontos do circuito. A chave impulso só vai permanecer
acionada se estiver sendo aplicada uma força externa sobre ela. Quando se retira essa força o
dispositivo volta à posição inicial. Nessas chaves há dois tipos de contato: normalmente aberto e
normalmente fechado.
Como vimos, para realizar a análise pelas Leis de Kirchhoff, é necessário reconhecer alguns
dispositivos elétricos de comando e outras partes igualmente importantes.
O primeiro passo é adotar um sentido arbitrário de corrente para a analisar uma malha e
considerar as tensões que elevam o potencial do circuito como positivas e as tensões que
causam queda de potencial como negativas. Agora podemos anunciar a Lei de Kirchhoff para
tensões, como: a soma algébrica das tensões em uma malha deve ser igual a zero, ou para
qualquer malha fechada, a soma das quedas de tensão ao redor da malha é igual à tensão
aplicada (Figura 4).
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Você se lembra o que é uma queda de tensão? Uma queda de tensão é a diferença de potencial
que aparece sobre um componente, por exemplo, um resistor, devido ao fluxo de corrente que
passa através dele. Vamos fazer um exemplo? Considere o circuito da Figura 5, onde E é igual
20V, R1 é igual a 5Ω, R2 é igual a 10Ω e R3 é igual a 5Ω. Como encontrar os valores de U1, U2 e
U3?
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
+U 1 + U 2 + U 3 –E = 0 + U1 + U2 + U3 = ER 1 . i + R 2 . i + R 3 . i = Ei =
R
Lembrando que como todos os componentes estão ligados em série, a corrente é a mesma em
todo o circuito. Substituindo os valores da Equação 1, temos:
E 20 20
i = i = i = i − 1A
R 1 + R 2 +R 3 5 + 10 +15 20
Agora, vamos substituir o valor da corrente encontrada em cada componente para determinar a
tensão:
U 1 = R 1 . i = 5. 1 = 5V
U 2 = R 2 . i = 10. 1 = 10V
U 3 = R 3 . i = 5. 1 = 5V
Contato normalmente aberto (NA): sua posição original é aberta e permanece assim até
que seja aplicada uma força externa. Em aplicações industriais, normalmente é chamada
de contato NO (normally open).
Contato normalmente fechado (NF): sua posição original é fechada e permanece assim até
que seja aplicada uma força externa. Em aplicações industriais, normalmente é chamada
de contato NC (normally closed).
Contato comutador: possui um contato comum em um lado e no lado oposto possui dois
contatos de saída, um NA e outro NF, permitindo uma comutação entres as duas saídas,
selecionando desse modo linhas de comandos diferentes no circuito elétrico.
A sinalização é fundamental em sistemas elétricos, pois é preciso sinalizar quando uma máquina
está operando, quando um sistema de painéis está energizado ou quando o equipamento parou
inesperadamente. Para sinalização, utilizamos indicadores luminosos de cores diferentes para
indicar uma situação: vermelha significa emergência ou condições perigosas, amarela indica
uma condição anormal, verde significa normalidade, azul e branca qualquer outra função não
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
apresentada pelas outras cores. Um exemplo da cor azul seria funções diversas de preparação e
branca máquinas em movimento, um sistema energizado.
Saiba mais
Os dispositivos e circuitos de comando elétrico são formados pelos contatos elétricos para
chaveamento de correntes de baixa intensidade e elementos de sinalização, visual ou sonora.
Esses contatos podem ser acionados manualmente ou mecanicamente, em que o principal
dispositivo de chaveamento é o botão, e o principal dispositivo de sinalização é a lâmpada.
Saiba mais sobre esses dispositivos no Capítulo 2 do livro Comandos elétricos - componentes
discretos, elementos de manobra e aplicações
Referências
ALEXANDER, C. K.; SADIKU, M. N. O. Fundamentos de Circuitos Elétricos com Aplicações. Porto
Alegre: Grupo A, 2013. Disponível em:
[Link] Acesso em: 18 fev. 2023.
FRANCHI, C. M. Acionamentos Elétricos. São Paulo: Editora Saraiva, 2014. E-book. Disponível em:
[Link] Acesso em: 20 fev. 2023.
MARKUS, O. Circuitos Elétricos - Corrente Contínua e Corrente Alternada. São Paulo: Editora
Saraiva, 2009. Disponível em:
[Link] Acesso em: 19 fev. 2023.
WAYGOOD, A. Uma Introdução à Ciência Elétrica. São Paulo: Grupo GEN, 2017. E-book. Disponível
em: [Link] Acesso em: 20 fev.
2023.
Aula 2
Lei de Kirchhoff para a corrente (LKC)
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
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aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet.
Para realizar uma análise completa em circuitos elétricos, é preciso conhecer a Lei de Ohm e as
Leis de Kirchhoff. Neste vídeo você verá passo a passo de como resolver um circuito utilizando a
Lei dos Nós ou a Lei de Kirchhoff para Correntes, que afirma que a soma das correntes
individuais que se aproximam de um nó é igual à soma das correntes que saem desse nó.
Introdução da Aula
Olá, estudante!
Você já viu que encontramos circuitos elétricos todos os dias em nosso dia a dia, como nos
eletrônicos e eletrodomésticos e nas máquinas elétricas, como no motor e no gerador, por isso é
muito importante entendermos como aplicar as leis que regem a sua análise.
Se você está lendo este material a partir de um computador, possivelmente está usando um
mouse, que contém um sensor óptico. O sensor é um dos elementos de controle.
Nesta aula, você vai ver a Lei de Kirchhoff para a Corrente (LKC), o que são máquinas elétricas e
quais são os elementos de controle.
Bons estudos!
Caro estudante, como você já viu, as Leis de Kirchhoff para circuitos elétricos também são
conhecidas como leis das malhas e dos nós. Você se lembra da Lei de Kirchhoff para Tensões
(LKT)? Essa lei diz que a soma algébrica das tensões em uma malha deve ser igual a zero.
Porém, ela sozinha não é capaz de analisar todos os tipos de circuitos elétricos, assim nós
vamos ver a Lei de Kirchhoff para Correntes, ou como também é conhecida, Lei dos Nós ou LKC.
A LKC anuncia que após se definir arbitrariamente as correntes que chegam ao nó de um circuito
elétrico como positivas e as que saem do nó como negativas, a soma algébrica das correntes
desse nó é igual a zero ou a soma das correntes que chegam a um nó é igual à soma das
correntes que saem desse nó.
A análise de circuitos é aplicada em várias áreas da eletricidade, inclusive nas máquinas elétricas
que estão presentes tanto nas grandes indústrias quanto em nossas residências. As máquinas
elétricas, por exemplo, são responsáveis por acelerar um carro elétrico, por movimentar os robôs
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
industriais, pela geração da energia elétrica que usamos todos os dias e muitas outras
aplicações.
Uma máquina elétrica converte qualquer forma de energia em energia elétrica ou vice-versa e
pode ser classificada em três grandes grupos: transformadores, gerador elétrico e motor
elétrico. Grande parte das aplicações nas quais se envolve comando, destina-se ao acionamento
de motores elétricos.
Quando você programa o seu micro-ondas por 10 minutos e pressiona o botão de iniciar, após a
passagem de tempo ele se desliga automaticamente, ou seja, sem a sua intervenção. A
temperatura interna da sua geladeira se mantém praticamente constante devido a um sistema de
controle automático, que irá ligar ou desligar o compressor, conforme for necessário.
Desse modo, o controle automático é aquele em que o próprio dispositivo consegue perceber
mudanças que afetam o sistema e decidir se deve realizar alguma ação corretiva, tudo sem
intervenção humana.
Até aqui, você viu as leis necessárias para analisar um circuito elétrico, seja em série, paralelo e
misto. Compreendeu, também, que uma máquina elétrica possui circuitos que precisam ser
analisados e que o controle automático está presente em nossas vidas.
Caro estudante, a Lei de Kirchhoff da Corrente diz que a soma das correntes individuais que se
aproximam de um nó é igual à soma das correntes que saem deste nó (WAYGOOD, 2017),
conforme o circuito com associação mista (série-paralelo) (Figura 1).
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Figura 1 | Circuito série – paralelo com indicações de corrente. Fonte: Waygood (2017, p. 59).
Observando a Figura 1, é possível notar que há três nós: A, B e C. A corrente I1 está entrando no
nó A, enquanto as correntes I2 e I3 estão saindo desse mesmo nó A. Nota-se que a corrente I1 é
a soma das correntes I2 e I3 , ou seja, I1 = I2 + I3 .
Para resolver os circuitos que envolvem máquinas elétricas, nós também usamos as leis de
Kirchhoff, tanto em geradores quanto em motores. No gerador elétrico, a entrada é a energia
mecânica e a saída é a energia elétrica. No motor elétrico, a entrada é a energia elétrica e a saída
é a energia mecânica. As máquinas elétricas também podem ser classificadas como máquina
estática e máquina dinâmica. Um exemplo de máquina estática é o transformador; e o gerador e
o motor, máquinas dinâmicas.
Uma das classificações possíveis para os motores elétricos são os de corrente contínua e os de
corrente alternada, e os motores universais que funcionam em corrente contínua ou corrente
alternada. As máquinas elétricas operam baseadas nos princípios do eletromagnetismo. Porém
existe um outro tipo de motor, o de relutância variável, onde não há um campo magnético
permanente, como o motor de passo.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Um outro assunto importante que envolve eletricidade são os sistemas de controle, que podem
ser de malha aberta ou de malha fechada. A principal diferença entre eles é a realimentação ou o
feedback para o processo, de modo que o monitoramento da variável que é controlada sirva de
parâmetro de entrada para que seja possível realizar alguma ação corretiva no processo
controlado. É importante salientar que o controle é intermediado pelos circuitos elétricos.
Um sistema de controle automático deve manter a variável que envolve o processo dentro de
uma faixa de valores. Só que para isso ocorrer o sistema deve ser capaz de produzir um sinal de
controle, que elimine possíveis desvios decorrentes de perturbações que são verificadas durante
o processo. Caso esses desvios não possam ser totalmente eliminados, é preciso que ele seja
reduzido a um valor muito pequeno, para que não afete a estabilidade do sistema. A Figura 2
apresenta um esquema de um sistema de controle automático que funciona em malha fechada.
Já nos sistemas que envolvem malha aberta, o controle não é ajustado de forma contínua
através da realimentação da variável controlada, porém esse ajuste é realizado através de uma
tentativa de antecipação do efeito dessa variável.
Vimos, portanto, a diferença entre malha aberta e malha fechada nos sistemas de controle, o que
é um motor e um gerador e a Lei de Kirchhoff de corrente de um modo mais aprofundado.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
A análise do circuito se torna bem mais simples caso se conheça alguma tensão ou corrente
interna do circuito, sendo que às vezes não é necessário o cálculo da resistência equivalente.
Você já parou para pensar como você consegue interagir tão bem com o mundo à sua volta? Isso
só é possível, pois você consegue percebê-lo e senti-lo tão bem. Os nossos sentidos estão
sempre transmitindo ao cérebro informações sobre o que está acontecendo à nossa volta e
comanda as ações que devem ser tomadas.
Assim, podemos dizer que o nosso corpo é um controlador completo, pois temos sensores
(visão, tato, etc.), controlador (cérebro) e atuadores (músculos, mãos, braços, pernas e pés)
(CAMARGO, 2014). A maioria dos sistemas de controle possui os seguintes elementos:
Sensores: fazem parte da nossa vida, por exemplo, quando você toca a tela do seu smartphone,
você usa sensores de toque. Mas o que é um sensor? Um sensor é um dispositivo que mede a
entrada física do ambiente, convertendo em dados que podem ser interpretados por um ser
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
humano ou por uma máquina. Existem dois tipos de sensores: os discretos, que têm uma saída
binária (0 ou 1), e são usados para monitorar se um evento ocorre ou não; e os analógicos, que
são comumente utilizados em processos contínuos.
Controladores: realizam a comparação entre o valor que foi medido com o valor que se deseja
alcançar (setpoint) e enviam ao atuador a ação corretiva. Os controladores podem ser agrupados
conforme a energia que utilizam para funcionar e são classificados como: pneumáticos,
hidráulicos e eletrônicos. Nos dias de hoje os mais utilizados são os eletrônicos, porém há casos
nos quais a presença de eletricidade é indesejada como no uso em ambientes com atmosferas
explosivas.
Atuadores: são dispositivos que recebem um sinal de comando do controlador para atuarem no
processo controlado. Normalmente eles são compostos por válvulas direcionais.
Elementos finais de controle: são os dispositivos que de fato entregam trabalho mecânico ao
processo, através do movimento de cilindros e motores.
Neste estudo você viu que não existe um tipo melhor de sensor, de atuador, de controlador,
porém existe o mais adequado a cada caso. Em cada caso, sempre devem ser analisadas as
vantagens e as desvantagens no uso de um tipo ou de outro.
Saiba mais
Os sinais são elementos importantíssimos e essenciais em qualquer sistema de controle.
Compreender o que são os sinais e quais os tipos facilita o entendimento de como os diversos
dispositivos podem trabalhar cooperativamente para realizar a tarefa de controle. O Capítulo 3 do
livro Elementos de Automação trata dos sinais.
Referências
CAMARGO, V. L. A. de. Elementos de Automação. São Paulo: Saraiva, 2014. Disponível em:
[Link] Acesso em: 23 fev. 2023.
MARKUS, O. Circuitos Elétricos - Corrente Contínua e Corrente Alternada. São Paulo: Saraiva,
2009. Disponível em: [Link]
Acesso em: 23 fev. 2023.
WAYGOOD, A. Uma Introdução à Ciência Elétrica. São Paulo: Grupo GEN, 2017. Disponível em:
[Link] Acesso em: 23 fev. 2023.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Aula 3
As correntes de malha
O método da análise de malhas não é usado somente em circuitos que possuem fontes de
tensão. Esse método também é usado com fontes de corrente, sejam dependentes ou
independentes. Além disso, a aplicação é mais fácil que a apresentada com fontes de tensão, já
que a presença de fontes de corrente reduz o número de equações. Neste vídeo, vamos ver um
exemplo de análise de malhas com fonte de corrente.
Introdução da Aula
Olá, estudante!
Após ter entendido e praticado a resolução de circuitos envolvendo a Lei de Ohm e as duas leis
de Kirchhoff LKC e LKT, você agora está preparado para aprender e aplicar essas leis através de
duas técnicas muito eficientes e muito utilizadas para análise de circuitos: análise nodal, que se
baseia na aplicação da Lei de Kirchhoff para Corrente, ou Lei dos Nós, e análise de malhas, que
se baseia na Lei de Kirchhoff para Tensão, ou Lei das Malhas.
Através dessas duas técnicas você terá condições de analisar qualquer circuito linear através da
obtenção de um conjunto de equações simultâneas que serão resolvidas para obter os valores
de corrente ou tensão.
Nesta aula você vai ver a utilização do método das correntes de malha, como resolver circuitos
mais complexos com essa técnica e o sistema de equações resultantes para todas as correntes
de malha.
Bons estudos!
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Caro estudante, para analisar circuitos complexos, ou seja, que possuem mais de uma fonte de
tensão, podemos utilizar os métodos de análise nodal e o de malhas. O principal ponto da
análise do método dos nós é a verificação das tensões nos nós dos circuitos a partir da corrente
que o percorre e, da análise de malhas, é verificar as correntes conforme o sentido que você
adotará nas malhas, a partir das tensões dos resistores. Os dois métodos são derivações das
leis de Kirchhoff.
A análise de malha também pode ser encontrada pelos seguintes nomes: análise de laço ou
método malha corrente. A análise de malha fornece outro modo se analisar os circuitos
utilizando as correntes de malha como variáveis de circuito. A diferença desse método é que não
se usa as correntes de elementos como variáveis, assim, o número de equações que devem ser
resolvidas matematicamente é reduzido.
Um laço pode ser definido como um caminho fechado que passa uma única vez pelo mesmo nó
e não possui qualquer outro laço dentro de si. A análise de uma grande parte dos circuitos é
realizada através de uma fonte de tensão, responsável por fornecer energia para o circuito.
Porém, existem casos em que a análise é mais simples quando usamos fonte de corrente em vez
da tensão. A vantagem da fonte de corrente em relação à fonte de tensão é a manutenção da
corrente no seu ramo do circuito, independentemente do modo como os componentes estão
ligados externamente à fonte (COSTA; SEIXAS; FREITAS; LOPES, 2018).
Quando há mais de uma fonte de corrente no circuito e elas estão em paralelo, podemos
simplificar o circuito colocando apenas uma única fonte de corrente. A magnitude e a direção
dessa fonte resultante são realizadas somando todas as correntes que estão na mesma direção
e subtraindo as correntes que estão na direção oposta.
Vamos ver um exemplo de circuito com fontes de corrente para ilustrar essa situação (Figura 1).
Figura 1 | Circuito formado por resistores e fontes de correntes. Fonte: elaborada pela autora.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
I eq = I 1 + I 3 − I 2
I eq = 5 + 6 − 3
I eq = 8A
Até aqui, você viu uma breve introdução sobre o método das correntes de malha e como calcular
uma fonte de corrente equivalente.
Caro estudante, o método das correntes de malha só se aplica a circuitos planares. Você deve
estar se perguntando, mas o que é um circuito planar? Um circuito planar é aquele no qual só
pode ser desenhado em um plano sem que dois fios de ligação se cruzem. A Figura 2 apresenta
um circuito não planar (DORF; SVOBODA, 2016).
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Note na Figura 2 que não é possível remover o cruzamento assinalado desenhando o circuito de
outro modo. Já o circuito da Figura 3 possui quatro malhas simples, M1 ,M2 , M3 e M4 , em que a
malha 2 é formada pelos componentes R3, R4 e R5. Note que o resistor pertence tanto à malha 1
quanto à malha 2.
Agora que você já sabe o que é um circuito planar, vamos ver passo a passo como resolver um
circuito utilizando a análise de malhas (ALEXANDER; SADIKU, 2013):
De modo arbitrário atribua correntes de malha, estabelecendo, por exemplo, uma corrente
no sentido horário para cada malha interna no circuito. Importante você optar por qualquer
sentido, porém a convenção diz que seja atribuído o sentido horário.
Aplique a LKT a cada uma das malhas e use a lei de Ohm para expressar as tensões em
termos de correntes de malha indicando as polaridades da tensão em todos os resistores
do circuito.
Escreva as equações das malhas para cada malha na rede. Importante: os resistores que
são comuns às duas malhas vão ter duas quedas de tensão, uma para cada malha.
Resolva as equações lineares simultâneas para encontrar as correntes na malha.
Vamos fazer um exemplo? Considere o circuito formado por duas malhas e três resistores
apresentados na Figura 4. Como encontrar as correntes de malha?
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Figura 4 | Circuito com duas malhas. Fonte: adaptada de Alexander e Sadiku (2013, p. 82).
Figura 5 | Circuito com as correntes e as tensões marcadas. Fonte: adaptada de Alexander e Sadiku (2013, p. 82).
I1 = I2 + I3
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
I1 = i1 I3 = i2 I2 = I1 − I3 I2 = i1 − i2
O segundo passo é aplicar a LKT a cada malha. Aplicando a LKT à malha 1, temos (4):
−V 1 + V R1 + V R2 = 0 − V1 + R1 . I1 + R2 . I2 = 0 − V1 + R1 . i1 + R2 . ( i
V2 − V + V3 = 0V 2 − R2 . I2 + R3 . I3 = 0V 2 − R 2 . (i 1 − i2 ) + R3 . i2 =
R1 + R2 −R 2
( )
−R 2 R3 + R2
i1 V1
( ) = ( )
i2 −V 2
Após resolver a Equação 4 você irá obter as correntes de malha i1 e i2 . É possível utilizar
qualquer técnica para encontrar a solução das equações simultâneas. Se um circuito possui n
nós, b ramos, o número de equações de tensões necessárias (I) é dada por (7):
I = b − n + 1
Um exemplo numérico
Caro estudante, agora que você já viu que a análise de malha se aplica somente às redes que são
planares e os passos de como resolver, vamos agora fazer um exemplo numérico para
consolidar o aprendizado.
Considere o circuito apresentado na Figura 6 com os seguintes valores: R1=5Ω, R2=5Ω, R3=7Ω,
V1=15V, V2=10 e V3=8V. O objetivo é encontrar o valor da corrente em cada ramo utilizando o
método das correntes de malha e as correntes que atravessam cada resistor.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Figura 6 | Circuito com três fontes de tensão. Fonte: elaborada pela autora.
O primeiro passo para encontrar os valores da corrente é marcar as correntes e tensões em cada
resistor e atribuir as correntes de malha, i1 e i2 no sentido horário (Figura 7).
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Figura 7 | Circuito com três fontes de tensão com as devidas atribuições. Fonte: elaborada pela autora.
De acordo com a Figura 7, as correntes que entram e saem do nó b pela Lei de Kirchhoff são:
I1 = I2 + I3
I1 = i1 I3 = i2 I2 = I1 − I3 I2 = i1 − i3
O segundo passo é aplicar a LKT a cada malha. Aplicando a LKT à malha 1, temos (10):
−V 1 + V R1 + V R2 = 0 − V1 + R1 . I1 + R2 . I2 = 0 − V1 + R1 . i1 + R2 . ( i
V 3 − V 2 − V R2 + V R3 = 0
V3 − V2 − R2 ⋅ I2 + R3 ⋅ I3 = 0
V 3 − V 2 − R 2 ⋅ (i 1 − i 2 ) + R 3 ⋅ i 2 = 0
i 2 (R 3 + R 2 ) − R 2 ⋅ i 1 = V 2 − V 3
−R 2 ⋅ i 1 + (R 3 + R 2 ) ⋅ i 2 = V 2 − V 3
A terceira etapa é determinar as correntes de malha inserindo as equações (10) e (11) na forma
matricial, substituindo os valores numéricos (12):
(R 1 + R 2 ) ⋅ i 1 − R 2 ⋅ i 2 = V 1 − V 2
−R 2 ⋅ i 1 + (R 3 + R 2 ) ⋅ i 2 = V 2 − V 3
(5 + 5) ⋅ i 1 − 5 ⋅ i 2 = 15 − 10 2 −1 i1
−5 ⋅ i 1 + (7 + 5) ⋅ i 2 = 10 − 8 [ ][
10 ⋅ i 1 − 5 ⋅ i 2 = 5 (÷5) −5 12 i2
−5 ⋅ i 1 + (12) ⋅ i 2 = 2
2 ⋅ i1 − i2 = 1
Por fim, podemos resolver a matriz através da regra de Cramer. Para usar a regra de Cramer,
primeiramente vamos resolver o determinante da matriz completa:
2 −1
Δ = = 24 − (−5 ⋅ −1) = 19
−5 12
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
o novo determinante:
Δ2 =
∣
1
2
−1
i1 =
−5
i2 =
12
2
= 12 − (2 ⋅ (−1)) = 14
Δ1
Δ2
Δ
=
I 2 = 0,74 − 0,47
14
19
19
I 2 = 0,27A
= 0,74A
= 4 − (1 ⋅ (−5)) = 9
= 0,47A
A partir desses resultados, vemos que as correntes nos resistores R1 e R3 são respectivamente i1
e i2 . Para determinar a corrente no ramo de R2, combina-se as correntes na malha nesse
resistor:
I2 = I1 − I3
I2 = i1 − i2
Quando todos os nós são conhecidos, é fácil determinar outras grandezas, como a corrente e a
potência. Importante salientar que os resultados obtidos pela análise de malha são exatamente
os mesmos obtidos caso utilizássemos a análise das correntes nos ramos. Esse mesmo circuito
pode ser resolvido através do método da substituição. Nesse caso em particular, como só temos
duas equações e duas incógnitas, a resolução é simples.
A análise de malhas também pode ser aplicada a circuitos contendo fontes de corrente
(dependentes ou independentes). A sua aplicação é fácil, pois a presença de fontes de corrente
reduz o número de equações.
Neste estudo, você viu que para o circuito apresentado a análise de malha exige apenas a
aplicação da Lei de Kirchhoff das Tensões e a resolução de um sistema linear simples
envolvendo duas equações e duas incógnitas.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Saiba mais
O Método das Correntes de Malha é muito versátil e eficiente. Ele pode ser usado tanto com
fontes de tensão quanto com fontes de corrente. O Capítulo 4, sessão 4.6 do livro Introdução aos
Circuitos Elétricos trata da aplicação do Método das Correntes de Malha com Fontes de Corrente
e de Tensão Independente.
Referências
ALEXANDER, C. K.; SADIKU, M. N. O. Fundamentos de Circuitos Elétricos com Aplicações. Porto
Alegre: Grupo A, 2013. Disponível em:
[Link] Acesso em: 2 mar. 2023.
COSTA, L. A.; SEIXAS, J. L.; FREITAS, P. H. C.; LOPES, G. de L. L. Análise de circuitos elétricos.
Porto Alegre: Grupo A, 2018. Disponível em:
[Link] Acesso em: 2 mar. 2023.
DORF, R. C.; SVOBODA, J. A. Introdução aos Circuitos Elétricos. 9. ed. São Paulo: Grupo GEN,
2016. E-book. Disponível em:
[Link] Acesso em: 2 mar. 2023.
Aula 4
Tensões dos nós
ara estudar circuitos mais complexos, ou seja, aqueles que possuem mais de uma fonte de
tensão, utiliza-se os métodos de análise nodal e de malhas. Neste vídeo você verá uma resolução
completa do método das tensões dos nós que verifica as tensões nos nós a partir da corrente
que percorre o circuito. O método das tensões dos nós implementa a Lei de Kirchhoff para
Corrente ou como é mais conhecido LKC.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Introdução da Aula
Olá, estudante!
Você já ouviu falar no método das tensões dos nós? Esse método de análise é baseado na Lei de
Kirchhoff das correntes e incorporada no famoso simulador de circuitos, SPICE. Em um primeiro
momento, essa análise pode parecer estranha, pois substitui as fontes de tensão por fontes de
corrente equivalentes. Uma vez entendido, o método de tensão de nó pode fornecer uma técnica
simples para resolver rapidamente vários circuitos complexos.
Nesta aula você vai ver como utilizar o método das tensões dos nós, como resolver circuitos
através desse método e o sistema de equações resultante para todas as correntes de nós.
Bons estudos!
Antes de vermos o método das tensões dos nós, precisamos definir o que é uma tensão no nó.
Até o momento vimos o que é a tensão no elemento, que é aquela que aparece através dos
terminais de um componente. Ao utilizarmos o termo tensão no nó, estamos nos referindo à
diferença de potencial que existe entre dois nós de um circuito elétrico.
Para resolver o método das tensões dos nós vamos seguir algumas etapas (ALEXANDER;
SADIKU, 2013):
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Resolva os nós mais fáceis primeiro, os que têm a fonte de tensão conectada ao nó de
referência.
Use a lei de Ohm para expressar as correntes nos ramos em termos de tensões nodais.
Resolva o sistema de equações simultâneas resultantes para obter as tensões nodais
desconhecidas.
A Figura 1 apresenta os símbolos mais comuns para indicar um nó de referência, onde (a) terra
comum, (b) terra e (c) terra (chassi).
A Figura 2 apresenta três circuitos, onde o circuito (a) apresenta um circuito com três nós, o (b)
apresenta o circuito depois que os nós foram rotulados e um nó de referência foi escolhido e
assinalado e o circuito (c) apresenta o uso de voltímetros para medir as tensões de nó.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Figura 2 | Representação de circuitos com nó e sem nó de referência. Fonte: Dorf e Svoboda (2016, p. 111).
Aqui, você viu uma introdução a um dos métodos de análise para circuitos resistivos que é a
análise nodal.
Após você ter escolhido um nó de referência, deve atribuir as designações de tensão aos outros
nós. Vamos ver um circuito para ilustração. Considere o circuito exemplificado na Figura 3.
Nesse circuito o nó de referência é o nó 0, ou seja, V = 0. Agora vamos nomear os nós 1 e 2
respectivamente por tensões V1 e V2, lembrando que as tensões nodais são sempre definidas
em relação ao nó de referência. De acordo com a Figura 3, cada tensão nodal é a elevação de
tensão a partir do nó de referência.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Figura 3 | Circuito com fonte de corrente. Fonte: adaptada de Alexander e Sadiku (2013, p. 72).
O próximo passo é a aplicação da LKC a cada um dos nós que não são de referência do circuito.
A Figura 4 apresenta o circuito no qual foram adicionadas as correntes I1 , I2 e I3 que
atravessam respectivamente os resistores R1, R2 e R3. Assim, a LKC ao nó 1 é dada por (1):
I1 = I2 + i1 + i2
I2 + i2 = i3
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Figura 4 | Circuito com as correntes que atravessam os resistores. Fonte: adaptada de Alexander e Sadiku (2013, p. 72).
Figura 4 | Circuito com as correntes que atravessam os resistores. Fonte: adaptada de Alexander
e Sadiku (2013, p. 72).
O próximo passo é aplicar a lei de Ohm para expressar as correntes que atravessam o resistor e
são desconhecidas i1, i2 e i3 em termos de tensões nodais. Como os resistores são elementos
passivos, ou seja, não fornecem energia ao circuito. Os elementos passivos só gastam ou
armazenam energia. Assim, nos resistores por convenção de sinal passivo a corrente irá fluir de
um potencial mais elevado para um potencial mais baixo conforme (3):
v maior −v menor
i =
R
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
v 1 −0
i1 = ou i1 = G1 ⋅ v1
R1
v 1 −v 2
i2 = ou i 2 = G 2 ⋅ (v 1 − v 2 )
R2
v 2 −0
i3 = ou i3 = G3 v2
R3
Substituindo a equação (3) nas equações (1) e (2) temos, respectivamente (5) e (6):
v1 v 1 −v 2
I1 = I2 + +
R1 R2
v 1 −v 2 v2
I2 + =
R2 R3
As equações também podem ser obtidas em termos de condutância (7) e (8) respectivamente:
I 1 = I 2 + G 1 ⋅ v 1 + G 2 ⋅ (v 1 − v 2 )
I 2 + G 2 ⋅ (v 1 − v 2 ) = G 3 ⋅ v 2
Agora vamos encontrar as tensões nodais. Quando aplicamos a lei dos nós aos n-1 nós que não
são de referência, iremos obter n-1 equações simultâneas. Assim, para obter as tensões nodais
v1 e v2, é possível utilizar qualquer método-padrão, como o da substituição, da eliminação, a
regra de Cramer ou a inversão de matrizes. Lembrando que para utilizar a regra de Cramer ou a
inversão de matrizes, as equações simultâneas devem estar no formato matricial (9):
G1 + G2 −G 2 v1 I1 − I2
[ ][ ] = [ ]
−G 2 G2 + G3 v2 I2
Até o momento, você viu em detalhes o método dos nós que se baseia na Lei de Kirchhoff das
Correntes e que os benefícios desse método é o número menor de equações necessárias para
determinar valores desconhecidos.
Caro estudante, há dois métodos muito eficientes para se analisar um circuito elétrico, ou seja,
encontrar as correntes e as tensões, o método das correntes de malha e o método das tensões
do nó. Anteriormente, você viu em detalhes a teoria dos métodos dos nós, portanto, agora vamos
ilustrar esse método através de um exemplo prático. Considere o circuito representado na Figura
5 com os seguintes valores: I1=10ª, I2=5ª e I3=10ª, R1=10Ω, R2=20Ω e R3=40Ω.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
ara realizar essa análise vamos seguir alguns passos (ALEXANDER; SADIKU, 2013):
Selecione um nó de referência.
Se tiver fontes de tensão, converta em fontes de corrente equivalentes.
Determine as tensões nos nós e as correntes nos ramos, indicando as polaridades da
tensão em todos os resistores.
Aplique a Lei de Kirchhoff das correntes nos nós.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Figura 6 | Base para aplicação do método.Fonte: adaptada de Alexander e Sadiku (2013, p. 73).
I1 + I2 = i1 + i2
10 + 5 = i 1 + i 2
I3 + i2 = i3 + I2
10 + i 2 = i 3 + 5
O próximo passo é aplicar a lei de Ohm para expressar as correntes que atravessam os
resistores e que são desconhecidas i1, i2 e i3 em termos de tensões nodais (12).
v 1 −0
i1 =
R1
v 1 −v 2
i2 =
R2
v 2 −0
i3 =
R3
Substituindo a equação (12) nas equações (10) e (11) temos, respectivamente (13) e (14):
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
i 1 + i 2 = 15
v1 v 1 −v 2
+ = 15
R1 R2
v1 v 1 −v 2
+ = 15
10 20
2⋅v 1 +v 1 −v 2
= 15
20
3 ⋅ v 1 − v 2 = 300
i3 − i2 = 5
v2 v 1 −v 2
− = 5
R3 R2
v2 v 1 −v 2
− = 5
40 20
20 ⋅ v 2 − 40 ⋅ v 1 + 40 ⋅ v 2 = 4000
60 ⋅ v 2 − 40 ⋅ v 1 = 4000 (÷20)
3 ⋅ v 2 − 2 ⋅ v 1 = 200
3 ⋅ v 1 − v 2 = 300
{
−2 ⋅ v 1 + 3 ⋅ v 2 = 200
Temos um sistema com duas equações e duas incógnitas: v1 e v2. Portanto, basta resolver esse
sistema. Há vários modos de se encontrar a solução, sendo que um deles é multiplicando a
primeira equação por 3 e somar as duas equações.
3 ⋅ v 1 − v 2 = 300 (×3)
{
−2 ⋅ v 1 + 3 ⋅ v 2 = 600
9 ⋅ v 1 − 3 ⋅ v 2 = 900
{
−2 ⋅ v 1 + 3 ⋅ v 2 = 200
7 ⋅ v 1 = 1100
1100
v1 =
7
v 1 = 157,14V
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Agora, basta substituir v1 em uma das equações (13) ou (14). Substituindo em (13), temos:
3 ⋅ v 1 − v 2 = 300
3 ⋅ 157,14 − v 2 = 300
v 2 = 471,43 − 300
v 2 = 171,42V
v 1 −0 157,14−0
i1 = = = 15,7A
R1 10
v 1 −v 2 157,14−171,42
i2 = = = −0,714A
R2 20
v 2 −0 171,42−0
i3 = = = 4,28A
R3 40
O sinal negativo encontrado em i2 significa apenas que o sentido arbitrário que indicamos da
corrente está errado.
Até aqui, você viu como resolver um exemplo numérico de um circuito utilizando o método dos
nós na prática. O método dos nós nos permite obter a tensão em cada um dos n-1 nós de um
circuito, pois o n-ésimo nó é definido pela referência, na qual a tensão é definida como 0V. As n-1
variáveis são obtidas pela resolução de um sistema de n-1 equações algébricas linearmente
independentes, no qual são obtidas resumidamente aplicando a Lei de Kirchhoff das Tensões
aos nós do circuito. Essas equações podem ser resolvidas por muitos métodos, porém circuitos
que são muito complexos, ou seja, que envolvem muitos nós, é recomendado utilizar algum
software ou calculadora científica.
Saiba mais
A análise nodal é um importante método de resolução de circuitos elétricos. Uma das vantagens
desse método é o fato de precisar de menos equações para determinar valores desconhecidos.
A análise nodal também é uma das formas de se automatizar o cálculo de tensões e correntes
em circuitos e é uma aplicação comum de computação numérica. O Capítulo 3 do livro Curso de
circuitos elétricos trata desse assunto.
Referências
LEXANDER, C. K.; SADIKU, M. N. O. Fundamentos de Circuitos Elétricos com Aplicações. Porto
Alegre: Grupo A, 2013. Disponível em:
[Link] Acesso em: 27 fev. 2023.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
DORF, R. C.; SVOBODA, J. A. Introdução aos Circuitos Elétricos. 9. ed. São Paulo: Grupo GEN,
2016. Disponível em: [Link]
Acesso em: 27 fev. 2023.
Aula 5
Encerramento da Unidade
Análise de circuitos
Olá, estudante! O modo pelo qual vivemos está diretamente ligado à eletricidade, pois ela é
responsável por tudo ao nosso redor: pela comunicação a distância, pelo desenvolvimento das
indústrias e até pela internet. Os comandos elétricos também estão presentes de forma direta
e/ou indiretamente em nossas vidas e utilizam a eletricidade, transformando-a em parte de um
produto. Através dos comandos elétricos acionamos diversos equipamentos e máquinas
elétricas. A eletricidade pode ser dividida em áreas de atuação que são geração, transmissão,
distribuição e consumo de eletricidade. Uma máquina elétrica converte qualquer forma de
energia em energia elétrica ou vice-versa e podem ser classificadas em três grandes grupos:
transformadores, gerador elétrico e motor elétrico.
Todos os equipamentos dessas áreas de atuação têm em comum pelo menos um circuito
elétrico e/ou eletrônico. O circuito elétrico é fundamental em todas essas áreas e para o estudo
desses circuitos três leis são fundamentais: a Lei de Ohm e as duas Leis de Kirchhoff.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
A Lei de Ohm afirma que a tensão em um resistor é diretamente proporcional à corrente que
passa por ele, ou seja,
V = R ⋅ i
As duas leis formam um conjunto suficiente de ferramentas para analisar uma série de circuitos
elétricos. A Lei de Kirchhoff da Corrente diz que a soma das correntes individuais que se
aproximam de um nó é igual à soma das correntes que saem desse nó, e a Lei de Kirchhoff para
Tensões afirma que a soma algébrica das tensões em uma malha deve ser igual a zero, ou para
qualquer malha fechada, a soma das quedas de tensão ao redor da malha é igual à tensão
aplicada.
Para aplicar as leis de Kirchhoff foram desenvolvidas duas técnicas para análise de circuitos:
análise nodal, que se baseia na Lei de Kirchhoff para Corrente (LKC), ou Lei dos Nós, e a análise
de malhas, que se baseia na Lei de Kirchhoff para Tensão (LKT), ou Lei das Malha. Através
dessas leis você tem condição de analisar qualquer circuito linear pela obtenção de um conjunto
de equações simultâneas que serão resolvidas para obter os valores de corrente ou tensão.
Estudo de caso
Os circuitos elétricos podem ser bem complexos e para qualquer tipo de análise precisamos
conhecer os valores de tensão e corrente, pois a partir deles podemos definir outras
características importantes, como potência e energia. Há métodos e leis para se analisar da
maneira mais eficiente esses circuitos, como a Lei de Ohm, que afirma que a tensão em um
resistor é diretamente proporcional à corrente que passa; e as duas leis de Kirchhoff: Lei de
Kirchhoff para Corrente (LKC, ou Lei dos Nós) e Lei de Kirchhoff para Tensão (LKT, ou Lei das
Malhas).
As duas leis, juntamente com a Lei de Ohm, formam um conjunto suficiente de ferramentas para
analisar uma série de circuitos elétricos. Para aplicar as leis de Kirchhoff há duas técnicas para
análise de circuitos: análise nodal, que se baseia e na Lei de Kirchhoff para Corrente e a análise
de malhas, que se baseia na Lei de Kirchhoff para Tensão.
Para contextualizar sua aprendizagem, imagine que você trabalha como o responsável técnico de
uma empresa que oferece soluções e manutenção elétrica para diversos equipamentos
eletroeletrônicos. Ao contratar a empresa que você trabalha, o cliente levou um equipamento e
informou que ele é responsável por acionar uma máquina, porém não está acionando. O cliente
também entregou um manual, no qual constava o esquemático elétrico do sistema (Figura 1),
porém não possuía o valor das correntes e das tensões em cada resistor.
Seu supervisor pediu para que você encontrasse todas as tensões e correntes do circuito. Como
resolver esse problema? Analise esse circuito montando um relatório para entregar ao seu
supervisor, apresentando todos os valores pedidos. Como o seu supervisor é muito desconfiado,
confirme para ele o resultado do cálculo das correntes, através da Lei de Kirchhoff, que os
valores encontrados estão corretos.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Qualquer circuito, é formado por uma combinação de resistores em série e/ou em paralelo,
porém por mais complexo que eles possam parecer, podem ser simplificados até se obter uma
única resistência equivalente. Feito isso, através da Lei de Ohm é possível calcular o valor da
corrente total e a corrente para cada ramo do circuito. Isso se aplica a circuitos que possuem
uma única fonte de energia, porém quando há duas ou mais fontes de eletricidade, a Lei de Ohm
não é mais suficiente para calcular os parâmetros elétricos. Para esse tipo de circuito é
necessário utilizar as leis ou os princípios de Kirchhoff.
Os princípios de Kirchhoff para circuitos elétricos são dois: um para nós e outro para malhas. Um
nó é considerado o encontro de três ou mais ramificações de um circuito, já uma malha é
definida como um circuito fechado, parte de um circuito complexo. Para resolver qualquer
problema com os princípios de Kirchhoff, é preciso montar um sistema de equações composto
por n-1 nós e n-1 malha.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Unidade 3
PRINCÍPIOS DE C.A
Aula 1
Princípios de corrente alternada - Geração, Valores médios e eficazes, notação fasorial
Nesse vídeo, você vai aprender como realizar algumas operações com fasores, como a adição.
Os diagramas fasoriais são uma forma gráfica de representar a magnitude e a relação direcional
entre duas ou mais grandezas alternadas, como tensão e corrente. As formas de onda senoidais
que estão na mesma frequência podem ter uma diferença de fase entre si, que representa a
diferença angular das duas formas de onda senoidais.
Introdução da Aula
Olá, estudante!
Você conhece a banda de rock australiana AC/DC? Você sabe o que significa esse nome? Ele é a
abreviação, em inglês, de “corrente alternada” e “corrente contínua”! AC e DC descrevem tipos de
fluxo de corrente em um circuito.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Em corrente contínua (DC, na sigla em inglês, ou CC, na sigla em português), a eletricidade flui em
uma direção constante e/ou possuindo uma tensão com polaridade constante. Já em corrente
alternada (AC, na sigla em inglês, ou CA, na sigla em português), a corrente muda de direção
periodicamente. A tensão nos circuitos CA também se inverte periodicamente, porque a corrente
muda de direção.
Os circuitos elétricos podem trabalhar tanto com tensões e CC quanto com tensões e CA. Nos
mais diversos dispositivos, a forma de onda da corrente depende da forma de onda da tensão
que foi aplicada na entrada, além do tipo de dispositivo: resistor, indutor ou capacitor. Nesta aula,
você vai estudar os princípios da corrente alternada, o que são fasores e como realizar cálculos e
análises.
Bons estudos!
Como resultado, o nível de tensão também se inverte junto com a corrente. A fonte senoidal é
muito importante em circuitos elétricos, principalmente porque a tensão alternada senoidal é
gerada em usinas de energia elétrica e usada em diversas áreas como: transmissão, distribuição
e consumo de energia elétrica. A tensão variante no tempo é conhecida por tensão CA (SARAIVA
et al., 2020).
A corrente contínua ou CC, por sua vez, sempre flui em uma única direção, como mostra a Figura
1.
Figura 1 | (a) Circuito CC, (b) tensão contínua e (c) corrente contínua.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Já a corrente alternada (Figura 2) varia com o tempo. O termo “alternada” indica que o valor da
tensão ou da corrente varia no tempo entre dois níveis que são definidos previamente.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Frequentemente, precisamos descrever uma onda senoidal em termos matemáticos, como uma
tensão CA ou corrente CA. Uma onda senoidal possui: amplitude, frequência e fase. Olhando
apenas para a tensão senoidal, podemos descrevê-la como uma função matemática
(ALEXANDER; SADIKU, 2013) (1):
v(t) = V m ⋅ sen(ωt + ϕ)
onde
Vm
ωt
A senoide é mostrada na Figura 3 (a) em função de seu argumento e na Figura 3 (b) em função
do tempo. Observando as figuras 3(a) e 3(b), notamos que a senoide se repete a cada T segundo;
assim, T é chamado período da senoide.
Figura 3 | Representação senoidal com fase igual a zero.
ω ⋅ T = 2 ⋅ π
2⋅π
T =
ω
As senoides também podem ser expressas por meio dos fasores. Um fasor é um número
complexo que apresenta as informações de amplitude e ângulo de fase de uma função senoidal.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Tesla acreditava que a corrente alternada era a solução para esse problema, pois ela inverte a
direção um certo número de vezes por segundo e pode ser convertida em tensões através de um
transformador. Edison, não querendo perder os royalties que ganhava com suas patentes de CC,
fez uma campanha para desacreditar a CA, espalhando desinformação.
Em 1893, a Niagara Falls Power Company decidiu conceder à Westinghouse o contrato para
gerar energia a partir das Cataratas do Niágara. Embora alguns duvidassem que as cataratas
pudessem fornecer energia a toda Buffalo, Tesla estava convencido de que poderia fornecer
energia não apenas a Buffalo, mas também a todo o leste dos Estados Unidos. Em novembro de
1896, Buffalo foi iluminado pela CA das Cataratas do Niágara.
As tensões e correntes CA possuem diferentes fases e são defasadas entre si. Vamos examinar
duas tensões CA, representadas pelas senoides na Figura 4.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
v2
v1
v2
v1
v1
v2
ϕ
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
ϕ ≠ 0
v1
v2
ϕ = 0
v1
v2
1
f =
T
2⋅π
T =
ω
1 2⋅π
=
f ω
ω = 2 ⋅ π ⋅ f
Outra característica importante da tensão (ou corrente) senoidal é o valor eficaz, ou RMS (root
mean square). O valor eficaz da tensão senoidal, equação (5), não depende da frequência nem do
ângulo de fase, depende apenas da amplitude máxima de v(t), Vm.
Vm
V ef icaz =
√2
Assim, um sinal senoidal pode ser totalmente descrito se a frequência, o ângulo de fase e a
amplitude (o valor máximo ou o valor eficaz) forem conhecidos.
Para analisar os circuitos lineares excitados por fontes senoidais, podemos utilizar os fasores.
Os diagramas fasoriais são uma forma gráfica de representar a magnitude e a relação direcional
entre duas ou mais grandezas alternadas. Geralmente, os fasores são definidos em relação a um
fasor de referência que sempre aponta para a direita ao longo do eixo x. Formas de onda
senoidais da mesma frequência podem ter uma diferença de fase entre si, que representa a
diferença angular das duas formas de onda senoidais.
Diagrama fasorial
Disciplina
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As leis fundamentais de Kirchhoff e de Ohm também podem ser utilizadas em circuitos CA;
porém o nível de complexidade é maior, pois há dificuldade em realizar a formulação das
equações e cálculos no domínio dos números complexos. Quando você utiliza o diagrama
fasorial, as análises de circuitos elétricos lineares em regime permanente senoidal são
simplificadas. Obtém-se uma resolução mais simples.
Um fasor representa uma grandeza senoidal por meio de um número complexo, no qual módulo
e argumento são fornecidos, respectivamente, pela amplitude e pelo ângulo de fase da senoide.
Para os circuitos elétricos, os diagramas fasoriais apresentam as relações entre as tensões e as
correntes elétricas em cada componente do circuito, bem como as tensões e as correntes
resultantes de suas combinações. Como você deve se lembrar, um número complexo é formado
de uma parte real e uma parte imaginária. Para analisar o circuito elétrico, pense na parte real
como ligada a resistores que eliminam a energia na forma de calor, e na parte imaginária
relacionada à energia armazenada, como nos indutores e capacitores.
Na Figura 5 temos:
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
V x = V a ⋅ cos ϕ
V y = V a ⋅ senϕ
Z = X + jY
Onde
j = √ −1
O número complexo Z também pode ser escrito na forma polar, do seguinte modo (7):
Z = r∠ϕ
jϕ
Z = r ⋅ e
onde r é a magnitude de Z e
2 2 −1 Y
r = √X + Y e ϕ = tg
X
Se conhecermos r e
X = r ⋅ cos ϕ e Y = r ⋅ senϕ
Assim, Z é igual a:
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Z 1 + Z 2 = (X 1 + X 2 ) + j(Y 1 + Y 2 )
Z 1 − Z 2 = (X 1 − X 2 ) + j(Y 1 − Y 2 )
Z 1 ⋅ Z 2 = r 1 ⋅ r 2 ∠(ϕ 1 + ϕ 2 )
Z1 r1
= ∠(ϕ 1 − ϕ 2 )
Z2 r2
O fasor tem magnitude e fase (“sentido”), portanto, se comporta como um vetor. Há alguns
modos de se representar um vetor, por exemplo:
→
V
→
V = V m ∠ϕ
→
I = I m ∠ϕ
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Uma representação gráfica dos fasores é chamada de diagrama fasorial. Eliminado o fator de
tempo, a senoide é transformada do domínio do tempo para o domínio de fasores do seguinte
modo (13):
→
v(t) = V m cos(ωt + ϕ) ⇔ V = V m ∠ϕ
→
v(t) é a representação instantânea ou no domínio do tempo, e V é a representação em
termos de frequência ou no domínio dos fasores.
→
v(t) depende do tempo, já V não.
→
v(t) é sempre real, não há termo complexo, enquanto V geralmente é complexo.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Saiba mais
Para estudar a análise de circuitos com fonte em corrente alternada (CA), é fundamental
conhecer as propriedades dos números complexos, pois as análises dos circuitos no regime
permanente senoidal são feitas no domínio da frequência. Desse modo, se o circuito está no
domínio do tempo, é necessário transformá-lo para o domínio da frequência e representar as
tensões e correntes por meio de fasores.
O apêndice B do livro Fundamentos de Circuitos Elétricos com Aplicações, página 828, apresenta
os números complexos.
Referências
ALBUQUERQUE, R. de O. Análise de Circuitos em Corrente Alternada. São Paulo: Editora Saraiva,
2008. Disponível em: [Link]
Acesso em: 10 maio 2023.
DORF, Richard C.; SVOBODA, James A. Introdução aos Circuitos Elétricos. 9ª edição. São Paulo:
Grupo GEN, 2016. Disponível em:
[Link] Acesso em: 10 maio
2023.
SARAIVA, Eduardo S.; LENZ, Maikon L.; SILVA, Cíntia A.; et al. Análise de Circuitos Elétricos e
Corrente Alternada. Porto Alegre: Grupo A, 2020. Disponível em:
[Link] Acesso em: 10 maio
2023.
Aula 2
Indutância, Reatância indutiva e Circuitos indutivos
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Os indutores na maioria das vezes vêm na forma discreta e tendem a ser mais caros e
volumosos. Porém há aplicações nas quais os indutores não têm nenhum substituto. Os
indutores são usados na prática em relés, circuitos de retardo, sensores, agulhas de toca-discos,
circuitos telefônicos, receptores de rádio e TV, fontes de alimentação, motores elétricos,
microfones e alto-falantes.
Introdução da Aula
Olá, estudante!
Os circuitos elétricos, além dos resistores, são formados por capacitores e/ou indutores.
Representados por equações diferenciais, eles recebem o nome de circuitos dinâmicos e são
capazes de armazenar energia. Os circuitos que não contêm capacitores e indutores são
representados por equações algébricas e são chamados de circuitos estáticos.
Você sabia que a energia pode chegar à sua casa, ao comércio e à indústria por meio dos
sistemas monofásicos, bifásicos ou trifásicos? A escolha por cada sistema de transmissão se
dá a partir do tipo de estabelecimento que receberá a energia elétrica e da quantidade total de
potência dos equipamentos que serão ligados à rede.
Nesta aula, você vai estudar os circuitos monofásicos (aqueles que possuem apenas uma fonte
de tensão) e os circuitos indutivos em série (o paralelo e misto).
Bons estudos!
Em um circuito de corrente contínua, a relação entre a tensão aplicada e a corrente que flui no
circuito é dada pela lei de Ohm. Porém, em um circuito com corrente alternada, essa relação não
é válida, pois as variações na corrente e na tensão aplicada estabelecem efeitos magnéticos e
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
eletrostáticos. Estes devem ser levados em consideração com a resistência do circuito quando
se determinam as relações quantitativas entre a corrente e a tensão aplicada.
Quando comparamos os circuitos de alta tensão com os de baixa, vemos que, nestes últimos, os
efeitos magnéticos podem ser muito grandes; no entanto, os efeitos eletrostáticos são
geralmente desprezíveis. Por outro lado, nos circuitos de alta tensão, os efeitos eletrostáticos
podem ser consideráveis tanto quanto os efeitos magnéticos.
No sistema monofásico, a rede é formada por dois condutores: uma fase e um neutro. A tensão
elétrica máxima que esse sistema suporta é de 127V ou 220V, podendo variar conforme a
concessionária de energia elétrica. Normalmente, consome no máximo 8KW.
O sistema bifásico já e formado por três condutores e o estabelecimento recebe dois condutores
de fase e um condutor neutro. A tensão de fase e linha varia entre 127/220V ou 220/380V,
conforme a concessionária de energia. Normalmente fornece no máximo 25KW de potência.
Já o sistema trifásico possui quatro condutores, sendo três condutores de fase e um condutor
neutro. As tensões de fase e linha variam entre 127/220V ou 220/380V. Fornece em média
potências de até 75KW.
Qualquer condutor de corrente elétrica possui propriedades indutivas; portanto, pode ser
considerado um indutor. O indutor é um elemento passivo que armazena energia em seu campo
magnético. Podemos encontrar os indutores em eletrônica e em sistemas de potência como em
fontes de tensão, transformadores, rádios, TVs, radares e motores elétricos (ALEXANDER;
SADIKU, 2013).
Um indutor usado na prática normalmente é formado por uma bobina cilíndrica com várias
espiras de fio condutor, para aumentar o efeito indutivo (Figura 1).
Figura 1 | Indutor.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Quando se passa uma corrente através de um indutor, constata-se que a tensão no dispositivo é
diretamente proporcional à taxa de variação da corrente. Assim, a relação entre tensão e corrente
em um indutor é dada por uma derivada em relação ao tempo (1):
di(t)
v(t) = L
dt
Para elevar a indutância, podemos aumentar o número de espiras da bobina, introduzir núcleos
de materiais ferromagnéticos (como o ferrite), ampliar a área da seção transversal ou reduzir o
comprimento da bobina.
A Figura 2 apresenta o símbolo usado para representar indutores nos diagramas de circuitos
elétricos.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Os indutores também ser encontrados com os seguintes nomes: bobina e bobina de solenoide.
Eles podem ser fixos ou variáveis, e seu núcleo pode ser de ferro, aço, plástico ou ar. A Figura 3
apresenta os símbolos dos indutores usados nos circuitos para núcleo preenchido com ar,
núcleo de ferro e núcleo de ferro variável.
Figura 3 | Símbolos de indutores de acordo com o núcleo. Fonte: Alexander e Sadiku (2013, p. 200).
Disciplina
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A corrente no indutor, i(t), pode ser obtida integrando a tensão do indutor do instante -∞ até o
instante t, por meio da equação (4).
1 t0
i(t) = ∫ v(τ )dτ
L −∞
i(t)
τ = −∞
τ = t
1 t
i(t) = i(t 0 ) + ∫ v(τ )dτ
L t0
i(t)
τ = t0
τ = t
t0
t0
A tensão em um indutor é zero quando a corrente é constante; assim, ele atua como um curto-
circuito em CC. O indutor, como já vimos, armazena energia em seu campo magnético e ela pode
ser obtida por meio da equação (6):
1 2
ω = ⋅ L ⋅ i
2
Diferente do resistor, a tensão e a corrente no indutor são defasadas por um ângulo de 90°. Ou
seja, a tensão está 90° adiantada em relação à corrente, ou a corrente está atrasada em 90° em
relação à tensão, Figura 4.
Disciplina
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A Figura 5 apresenta a relação entre tensão e corrente no domínio do tempo (a) e no domínio da
frequência (b).
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
A reatância indutiva (XL) é a oposição à passagem da corrente elétrica oferecida por um indutor
e é dada por (7):
XL = ω ⋅ L
XL = 2 ⋅ π ⋅ f ⋅ L
Onde, XL é a reatância indutiva em ohms (Ω), f é a frequência da corrente alternada que atravessa
o indutor em hertz (Hz) e L é a indutância do indutor em henrys (H).
Do mesmo modo que os resistores, os indutores podem ser conectados em série ou paralelo em
um circuito. Os indutores estão conectados em série quando são conectados de ponta a ponta
(Figura 6).
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Note que, quando conectamos os indutores em série, estamos aumentando a indutância, pois, de
um modo simples, é como se nós aumentássemos o número de espiras de uma bobina. Desse
modo, a indutância equivalente (Leq) é igual à soma de todas as indutâncias individuais, equação
(8).
L eq = L 1 + L 2 + L 3
A corrente IT, que atravessa o primeiro indutor, é a mesma que percorre os outros dois; porém, a
tensão total do circuito é a soma das quedas de tensão em cada indutor.
Os indutores estão ligados em paralelo quando dois terminais de um indutor são conectados a
dois terminais de outro indutor, Figura 7. Assim, as tensões em todos os indutores são iguais.
Quando os indutores são conectados em paralelo, sua indutância efetiva diminui.
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1 1 1 1
= + +
L eq L1 L2 L3
Caso no circuito haja apenas dois indutores em paralelo, a equação (10) fica:
L 1 ⋅L 2
L eq =
L 1 +L 2
O indutor não ideal também possui uma capacitância de enrolamento (Cw) devido ao
acoplamento capacitivo entre as bobinas condutoras. Como a Cw é muito pequena, ela pode ser
desprezada na maioria dos casos, desde que não se trate de altas frequências.
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L eq1 = 20 + 15 + 5
L eq1 = 40H
L eq1 ⋅5
L eq2 =
L eq1 +5
40⋅5
L eq2 =
40+5
L eq2 = 4,44H
Por fim a resistência equivalente Leq2 está em série com 2H e 10H por meio de:
L eq = L eq2 + 2 + 10
L eq = 4,44 + 2 + 10
L eq = 16,44H
−10t
i(t) = 5 (2 − e )mA
i 2 (0) = −1,5mA
Disciplina
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6⋅18
L eq1 =
6+18
L eq1 = 4,5H
L eq = L eq1 + 3
L eq = 4,5 + 3
L eq = 7,5H
−10t
i(t) = 5 (2 − e )mA
−10⋅0
i T (0) = 5 (2 − e )mA
i T (0) = 5 (2 − 1)mA
i T (0) = 5mA
Como
i 1 (0) = 5 − (−1,5)
i 1 (0) = 6,5mA
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di
v(t) = L eq ⋅
dt
−10t
d(5(2−e ))
v(t) = 7,5 ⋅
dt
−10t
v(t) = 7,5 ⋅ 5 ⋅ (−1) ⋅ (−10)e
−10t
v(t) = 375e mV
Já V1(t):
di
v 1 (t) = 3 ⋅
dt
−10t
d(5(2−e ))
v 1 (t) = 3 ⋅
dt
−10t
v 1 (t) = 3 ⋅ 5 ⋅ (−1) ⋅ (−10)e
−10t
v 1 (t) = 150e mV
E por fim:
−10t −10t
v 2 (t) = 375e − 150e
−10t
v 2 (t) = 225e mV
−20t
V (t) = 5e V
−20t
I (t) = −1,5e − 1,5A
I L = −2,5A
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
I L (t) + I R = I (t)
1 t v(t)
∫ v (τ )dτ + i (0) + = I (t)
L 0 R
Substituindo os valores:
v(t) 1 t
I (t) = + ∫ v (τ )dτ + i (0)
R L 0
−20t
−20t 5e 1 t −20t
−1,5e − 1,5 = + ∫ 5e dτ − 4
R L 0
−20t
−20t 5e 5 −20t
−1,5e − 1,5 = + (e − 1) − 4
R L(−20)
−20t −20t 5 1 1
−1,5e − 1,5 = e ( − ) + − 4
R 4L 4L
−20t −20t 5 1 1
−1,5e − 1,5 = e ( − ) + − 4
R 4L 4L
1
−1,5 = − 4
4L
{
5 1
−1,5 = −
R 4L
1 1 1
−1,5 = − 4 → −1,5 + 4 = → 2,5 = → L = 0,1H
4L 4L 4L
{
5 1 5 1 5 1 5
−1,5 = − → = −1,5 + → = −1,5 + → = 1 → R = 5Ω
R 4L R 4L R 4⋅0,1 R
Uma rede de distribuição de energia elétrica vai variar conforme as necessidades de cada local;
portanto, conhecer essas necessidades é fundamental para, evitar, por exemplo, a queima de
algum equipamento. Dependendo do número de aparelhos elétricos que estiverem ligados à rede
elétrica, pode ser que um tipo seja melhor o outro. Um sistema monofásico é uma rede com
potência reduzida, por esse motive é mais usada em residências. Uma vantagem desse tipo de
sistema é a economia na conta de energia, pois a eficiência garantida pelo circuito é o suficiente
para grande parte das necessidades.
Saiba mais
Nos circuitos que contêm capacitores e indutores, saber resolver equações diferenciais é muito
importante. O capítulo 5 do livro Curso de circuitos elétricos, do autor Luiz Orsini, trata do estudo
de redes de primeira ordem. Disponível em: Minha Biblioteca. Acesso em: 10 mar. 2023.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Referências
DORF, R. C.; SVOBODA, J. A. Introdução aos Circuitos Elétricos. 9ª edição. São Paulo: Grupo GEN,
2016. Disponível em: [Link]
Acesso em: 5 maio 2023.
Aula 3
Capacitância, Reatância capacitiva e Circuitos capacitivos
Nesse vídeo, você verá que o capacitor é um dispositivo passivo muito utilizado em circuitos. É
muito útil por possuir as seguintes propriedades: capacidade de armazenar energia, pode ser
utilizado para gerar uma quantidade de corrente ou tensão por um período de tempo curto, se
opõe a qualquer mudança abrupta na tensão e é sensível à frequência. Você vai ver ainda a
resolução de um circuito misto no domínio da frequência.
Introdução da Aula
Olá, estudante!
Os capacitores são um dos componentes mais comuns usados em circuitos e são onipresentes
no mundo moderno. Você não os vê, mas esses componentes estão em sua casa em
praticamente todos os dispositivos elétricos e eletrônicos; por exemplo, no computador que você
usa para estudar.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Nesta aula, você vai estudar os capacitores, como associá-los em série e em paralelo e como
calcular alguns parâmetros nos circuitos mistos.
Bons estudos!
O capacitor é um elemento passivo que armazena energia em seu campo elétrico. Assim como
os resistores, os capacitores são componentes elétricos comuns, sendo muito utilizados em
eletrônica, comunicações, computadores e sistemas de potência. O capacitor, assim como o
indutor, é um dispositivo reativo, isto é, reage às variações de corrente, mudando o seu valor
ôhmico conforme a velocidade da variação da corrente nele aplicada. Já um dispositivo resistivo,
como o resistor, resiste à passagem de corrente, mantendo o seu valor ôhmico constante tanto
para a corrente contínua como para a corrente alternada (MARKUS, 2009).
1
XC =
ωC
1
XC =
2⋅π⋅f ⋅C
Um capacitor é constituído por duas placas condutoras que são separadas por um isolante (ou
dielétrico), como mostra a Figura 1. As placas podem ser de folhas de alumínio e o dielétrico
pode ser composto por ar, cerâmica, papel ou mica.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Quando uma fonte de tensão v é conectada ao capacitor, Figura 2, a fonte deposita uma carga
positiva q sobre uma placa e uma carga negativa –q na outra placa. Aplicando uma diferença de
potencial entre as placas do capacitor, a fonte deposita uma carga positiva q sobre a placa A e
uma carga negativa –q na outra placa B. A placa A cede elétrons para o polo positivo da fonte,
carregando-se positivamente, e a placa B, simultaneamente, atrai elétrons do polo negativo da
fonte, carregando-se negativamente. Forma-se um fluxo de elétrons (corrente i).
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q = C ⋅ v
Observando a equação (2), você pode achar que a capacitância depende de q ou v, mas isso está
incorreto. A capacitância depende das dimensões físicas do capacitor. Para o capacitor de
placas paralelas, a capacitância é dada por (3):
ε⋅A
C =
d
Os valores dos capacitores se encontram na casa dos picofarads (pF) a microfarads (mF) e são
descritos de acordo com o material dielétrico com que são feitos e pelo tipo: variável ou fixo.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Figura 4 | Circuito com chave aberta e capacitor descarregado. Fonte: elaborada pela autora.
No instante t=0, a chave S é fechada. Nesse momento, a tensão entre as placas do capacitor
começa a crescer exponencialmente até atingir o seu valor máximo, que acontece quando a
tensão no capacitor se torna igual à tensão na fonte, isto é, Vc = V, figura 5(b). Note que a tensão
em um capacitor não pode mudar abruptamente.
Inicialmente, as placas do capacitor estão descarregadas e a corrente flui pelo circuito, chegando
no valor máximo i = I. Após fechar a chave, a corrente vai caindo exponencialmente até chegar a i
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
τ = R ⋅ C
Figura 5 | Comportamento da tensão e corrente no capacitor. Fonte: adaptada pela autora a partir de Markus (2009, p. 93).
A relação entre corrente e tensão para um capacitor linear é dada pela equação (5):
dv
i = C ⋅
dt
A relação tensão-corrente de um capacitor linear pode ser obtida através da equação (6):
1 t
v(t) = ∫ i(τ )dτ + v(t 0 )
C t0
Onde
v(t 0 )
t0
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
q(t 0 )
v(t 0 ) =
C
Também é possível calcular a potência instantânea liberada por um capacitor por meio da
equação (8) e a energia armazenada em joules por meio da equação (9):
dv
p = v ⋅ i = C ⋅ v
dt
2
1 2 q
w = ⋅ C ⋅ v ou w =
2 2C
A equações (8) e (9) representam a potência e a energia armazenada no campo elétrico que
existe entre as placas do capacitor. Como um capacitor ideal não dissipa energia, ela pode ser
recuperada. Um capacitor real, ou seja, que não é ideal, possui uma resistência de fuga em
paralelo com a capacitância.
C eq = C 1 + C 2 + C 3 + ... + C N
Note que a capacitância equivalente de N capacitores que estão ligados em paralelo é a soma de
suas capacitâncias individuais.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Para determinar o valor da capacitância equivalente dos capacitores ligados em série, usamos a
equação (11):
1 1 1 1 1
= + + + ... +
C eq C1 C2 C3 CN
Note que a capacitância equivalente dos capacitores conectados em série é o inverso da soma
dos inversos das capacitâncias individuais.
Você viu que, quando o capacitor está totalmente descarregado, a fonte o enxerga como um
curto-circuito, ou seja, Xc=0. Já quando o capacitor está totalmente carregado, a tensão da fonte
e a tensão entre as placas são iguais e a fonte o enxerga como um circuito aberto, assim i=0 e Xc
=∞.
Quando aplicamos uma corrente contínua em um capacitor, a tensão demora um certo tempo
para atingir o valor máximo; portanto, no capacitor, a corrente está adiantada em relação à
tensão. Se aplicarmos uma tensão senoidal no capacitor, a corrente, também senoidal, ficará
adiantada da tensão em 90°.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
A Figura 9 apresenta a relação entre tensão e corrente no domínio do tempo (a) e no domínio da
frequência (b).
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
v = 20 cos(60t + 45°)V
Considere o capacitor
→ →
I = j ⋅ ω ⋅ C ⋅ V
ω = 60 rad/s
→
V = 20∠45° V
→
−6
I = j ⋅ 60 ⋅ 50 × 10 ⋅ 20∠45°
→
I = 0,003∠90°⋅20∠45°
→
I = 0,06∠135°
→
I = 60∠135°mA
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Resolvamos outro exemplo. Qual o valor da corrente no circuito da Figura 10 e qual o seu
diagrama fasorial?
1
XC =
2⋅π⋅f ⋅C
1
XC = −6
2⋅3,14⋅60⋅0,45×10
X C = 5,89KΩ
V
I =
XC
110
I = 3
5,89×10
I = 18,67mA
Como a fase da tensão é de 120°, a corrente no capacitor está 90° adiantada. Assim, a fase da
corrente é de 210° e o diagrama fasorial é apresentado na Figura 11.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Os circuitos RC são aqueles que contêm os componentes resistores e capacitores. Nesse tipo de
circuito, as correntes e os potenciais variam com o tempo e as fontes que alimentam estes
circuitos, apesar de serem independentes do tempo, geram efeitos dependentes do tempo
devido ao capacitor. Estes efeitos são importantes para o controle do funcionamento de
máquinas e motores.
A Figura 12 apresenta um circuito RC. Vamos calcular a corrente que atravessa esse circuito e as
tensões em cima do resistor e do capacitor. Considere R=50Ω e XC=40Ω.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Como o resistor e o capacitor estão em série na forma cartesiana, o capacitor é representado por
-jXc, portanto temos:
Z C = R − jX C
Substituindo os valores:
Z C = R − jX C = 50 − j40Ω
2 2
Z C = √R + X
C
XC
ϕ = arctg
R
Substituindo os valores:
2 2 2
= √ 50 + 40 = 64,03Ω
2
Z C = √R + X
C
−X C −40
ϕ = arctg = arctg = −38,66°
R 50
Z C = 64,03∠ − 38,66Ω
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
V 100∠0°
i = = = 1,56∠38,66°A RM S
ZC 64,03∠−38,66°
A tensão no resistor:
A tensão no capacitor:
Saiba mais
Os capacitores mais simples são os formados por placas paralelas e utilizados para o
armazenamento de cargas elétricas. Já a capacitância mede a quantidade de cargas que um
capacitor pode armazenar em um uma determinada diferença de potencial elétrico. Saiba mais
sobre os capacitores e a capacitância no capítulo 17 do livro Uma Introdução à Ciência Elétrica.
Referências
MARKUS, O. Circuitos Elétricos - Corrente Contínua e Corrente Alternada. São Paulo: Editora
Saraiva, 2009. Disponível em:
[Link] Acesso em: 10 maio
2023.
Aula 4
Circuitos Monofásicos (RLC série e paralelo)
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo
computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no
aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet.
Neste vídeo, você estudará os circuitos RLC, que são formados por três componentes elétricos:
um resistor (R), um indutor (L) e um capacitor (C). Eles podem ser conectados em série ou
paralelo entre si. O nome do circuito é derivado das letras usadas para descrever os
componentes.
Introdução da Aula
Olá, estudante!
Até agora você já viu os circuitos puramente resistivos, puramente capacitivos e puramente
indutivos. Mas você sabe o que é um circuito RLC? Como o nome indica, o circuito RLC consiste
nos elementos passivos resistor, indutor e capacitor, que podem ser ligados de vários modos. Os
mais usuais são os modos em série e paralelo.
Bons estudos!
Em um resistor ôhmico puro, as formas de onda de tensão estão em fase com a corrente. Em
uma indutância pura, a forma de onda da tensão está adiantada em relação à corrente em 90°.
Em uma capacitância pura, a forma de onda da tensão está atrasada em relação à corrente em
90°. O Quadro 1 apresenta as impedâncias dos dispositivos R, L e C.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Resistor R 0 ZR = 0
Z R = R∠0°
Z L = jωL
Indutor 0 ωL
Z L = jX L
Z L = ωL∠90°
1
ZC =
jωC
Capacitor 0 1
ωC
Z C = −jX C
1
ZC = ∠ − 90°
ωC
Existem dois parâmetros fundamentais que descrevem o comportamento dos circuitos RLC: a
frequência de ressonância e o fator de amortecimento.
Um circuito RLC é chamado de circuito de segunda ordem, pois qualquer tensão ou corrente nele
pode ser descrita por uma equação diferencial de segunda ordem para análise de circuito.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Um circuito é designado como “de segunda ordem” quando ele é formado por resistores e o
equivalente de dois elementos de armazenamento. Esse tipo de circuito é caracterizado por uma
equação diferencial de segunda ordem. Vamos começar analisando um circuito RLC conectado
em série (Figura 1).
As reatâncias XL e XC estão sempre defasadas em 180o entre si, de modo que a reatância de
maior valor elimina o efeito da outra, reduzindo ou anulando o efeito reativo total do circuito.
A impedância
→
Z
−jX C
jX L
→
Z
Em relação à impedância, o circuito RLC série pode ter três comportamentos distintos (Figura 2).
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Figura 2 | Diagrama fasorial da impedância do RLC série. Fonte: Markus (2009, p. 218).
O módulo e a fase de um circuito RLC em série são calculados respectivamente por meio das
equações (1) e (2).
2
2
Z = √ R + (X L − X C )
(X L −X C )
φ = arctg
R
→
V
−
−
−
→ → → →
V = VR + VL + VC
→
I
→
I = I ∠θ inicial = I ∠0°A
Desse modo,
→
I
−
→
VR
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
→
I
Em relação à corrente
→
I
→
V
2 2
V = √V R + (V L − V C )
(V L −V C )
φ = arctg
VR
→
I = I ∠θ i
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
→
Gerador : V = Z ⋅ I ∠(θ i + φ)
−
→
Re sistor : V R = R ⋅ I ∠(θ i )
→
I ndutor : V L = X L ⋅ I ∠(θ i + 90)
→
Capacitor : V C = X C ⋅ I ∠(θ i − 90)
XL = XC
f0
1
f0 =
2⋅π√ L⋅C
XC > XL
XL > XC
Considere um circuito RLC série no qual R=200Ω, L=2mH, C=0,2µF e tensão na fonte (gerador)
20∠0°V
a)
1 1
f0 = = = 7,96KH z
−3 −6
2⋅π√ L⋅C 2⋅π√ 2×10 ⋅0,2×10
b)
V 20
I = = = 0,1A
Z 200
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
d)
2
2
Z = √ R + (X L − X C )
2
2 3 −3 1
Z = √ 200 + (2 ⋅ 3,14 ⋅ 10 ⋅ 10 ⋅ 2 ⋅ 10 − 3 −6
)
2⋅3,14⋅10⋅10 ⋅0,2⋅10
Z = 205,21Ω
(X L −X C )
φ = arctg =
R
3 −3 1
2⋅3,14⋅10⋅10 ⋅2⋅10 −
3 −6
2⋅3,14⋅10⋅10 ⋅0,2⋅10
φ = arctg
200
125,6−79,61
φ = arctg
200
φ = arctg0,23
φ = 12,95°
Assim,
Z = 205,21∠12,95°Ω
V
I =
Z
20∠0°
I =
205,21∠12,95°
I = 97,46∠ − 12,95°mA
A mesma análise feita no circuito RLC em pode ser feita para o paralelo (Figura 4). As reatâncias
XL e XC estão defasadas de 180o entre si, de modo que a reatância de menor valor elimina o
efeito da outra, reduzindo ou anulando o efeito reativo total do circuito.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
A impedância
→
Z
→
Z
→
1 1 1 1
= + j( − ) ou Z = Z∠φ
→ R XC XL
Z
A impedância o circuito RLC paralelo pode ter três comportamentos distintos (Figura 5).
Figura 5 | Diagrama fasorial da impedância do RLC paralelo. Fonte: Markus (2009, p. 220).
O módulo e a fase de um circuito RLC em paralelo são calculados respectivamente por meio das
equações (10) e (11).
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
2
1 1 1 1
= √ 2
+ ( − )
Z R XC XL
R⋅(X C −X L )
φ = arctg
X L ⋅X C
Agora vamos analisar as correntes que atravessam o circuito da Figura 4. A corrente da fonte
→
I
→
IR
→
IC
→
IL
−
→ → → →
I = IR + IL + IC
→
V
→
V = V ∠θ inicial = V ∠0°A
Desse modo,
→
V
−
→
IR
→
V
Em relação à tensão
→
V
→
I
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
A defasagem entre a tensão do gerador e a corrente que ele fornece ao circuito pode ser positiva,
nula ou negativa (entre -90o e +90o). A Figura 6 representa os três comportamentos do circuito
RLC paralelo.
Figura 6 | Diagrama fasorial da corrente do RLC paralelo. Fonte: Markus (2009, p. 221).
2 2
I = √I R + (I L − I C )
(I L −I C )
φ = arctg
VR
θV
→
V = V ∠θ V
→
V
Gerador : I = ∠(θ V − φ)
Z
−
→
V
Re sistor : IR = ∠(θ V )
R
→
V
I ndutor : IL = ∠(θ V − 90)
XL
→
V
Capacitor : IC = ∠(θ V + 90)
XC
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
ω0
XL > XC
XC > XL
QL
X Lo
QL =
RB
Onde
X Lo
RB
X Lo
Q =
RT
Onde
RT
Considere um circuito RLC paralelo no qual R=2KΩ, L=400H, C=1KF e tensão na fonte (gerador)
20∠0°V
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
−
→
V 20∠0°
IR = = 3
= 10∠(0°)mA = 10mA
R 2×10
→
V 20∠0°
IL = = = −50∠(−90)mA = −j50mA
XL 400∠90°
→
V 20∠0°
IC = = 3
= 20∠90°mA = j20mA
XC 1×10 ∠−90°
→ → → →
I = I R + I L + I C = 10 − j50 + 20j = (10 − j30)mA = 31,62∠ − 56,3°mA
2 2
I = √ 10 + (−30) = 31,62mA
−30
φ = arctg = −56,30°
20
V 20∠0°
Z = = −3
= 632,51∠56,3°Ω
I 31,62×10 ∠−56,3°
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Figura 7 | Diagrama fasorial do circuito RLC paralelo do exemplo. Fonte: elaborada pela autora.
Saiba mais
O conceito de fasores e diagramas fasoriais também pode ser aplicado a circuitos elétricos RLC.
As relações entre tensão e corrente dos dispositivos passivos nos circuitos elétricos podem ser
representadas no domínio da frequência. A página 116 do livro Análise de circuitos elétricos
apresenta os diagramas fasoriais em circuitos RLC.
Referências
MARKUS, O. Circuitos Elétricos – Corrente Contínua e Corrente Alternada. São Paulo: Editora
Saraiva, 2009. Disponível em:
[Link] Acesso em: 10 maio 2023.
Aula 5
Encerramento da Unidade
Nesse vídeo, você vai ver um pouco mais sobre os componentes e o circuito RLC. Em um circuito
RLC, os dispositivos fundamentais são: resistor, indutor e capacitor. Eles são conectados
normalmente em série ou paralelo através de uma fonte de tensão. Todos esses dispositivos são
lineares e passivos. Os elementos passivos são aqueles que consomem energia e os lineares,
aqueles que possuem uma relação linear entre tensão e corrente.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Olá, estudante! A eletricidade pode se manifestar de duas formas: em corrente alternada (CA) ou
em corrente contínua (CC). Ambas são essenciais para viabilizar o funcionamento dos nossos
aparelhos eletrônicos. Elas descrevem tipos de fluxo de corrente em um circuito. Em CC, a
corrente flui apenas em uma direção e é linear; já em CA, a corrente muda de direção
periodicamente.
A eletricidade padrão que sai das tomadas elétricas de nossas casas é em CA. Define-se como
um fluxo de carga que exibe uma mudança periódica de direção. O fluxo de corrente CA muda
entre positivo e negativo. Quando a CA apresenta-se na forma senoidal, o movimento é
semelhante a uma onda; isso significa que a energia CA pode viajar mais longe do que a energia
CC. Esta é uma grande vantagem quando se trata de fornecer energia aos consumidores.
Quando esses resistores (R), capacitores (C) e indutores (L) são colocados em conjunto,
podemos formar circuitos, como os RC, RL e RLC. Eles exibem respostas dependentes de tempo
e frequência, que serão úteis em muitas aplicações CA. Circuitos RC, RL e RLC podem ser usados
como filtro, oscilador, etc.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Estudo de caso
Os circuitos RLC são denominados como “de segunda ordem”, pois suas respostas são descritas
por equações diferenciais com derivadas de segunda ordem. Além do RLC, um circuito de
segunda ordem pode apresentar várias outras configurações, como um capacitor e um indutor,
ou dois indutores e nenhum capacitor, ou dois capacitores e nenhum indutor. Porém o circuito de
segunda ordem mais comum é o RLC, com os três tipos de elementos passivos: resistor,
capacitor e indutor. Os circuitos RLC são ressonantes; encontram-se em praticamente todos os
equipamentos de telecomunicações. Todos os objetos possuem uma frequência própria de
vibração e essa frequência é a frequência de ressonância.
Para contextualizar sua aprendizagem, imagine que você trabalha para uma empresa como
responsável técnico na área de manutenção de circuitos elétricos e eletrônicos e foi contratado
para avaliar um circuito de ressonância. Sabemos que um circuito ressonante possui alto fator
de qualidade e é bastante utilizado em sistemas receptores de sinais eletromagnéticos, como
rádios e televisões. Porém, o cliente informou que o circuito parou de funcionar e exalou um
cheiro forte de queimado. Além do circuito, o cliente apresentou a você o manual, que continha o
esquemático elétrico conforme mostra a Figura 1.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Na prática, a capacitância espúria que as bobinas possuem pode ser minimizada enrolando-as
com as espiras bem separadas.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Unidade 4
GERADORES, MOTORES E TRANSFORMADORES
Aula 1
Triângulo das Potências
Nesse vídeo, você estudará a relação entre energia reativa e o fator de potência. Os motores, os
transformadores e outros equipamentos que possuem enrolamentos, para funcionarem,
precisam de energia ativa e reativa. A energia reativa é necessária, pois produz o fluxo magnético
nas bobinas dos equipamentos, e, assim, os eixos dos motores giram. Já a energia ativa executa
de fato as tarefas; ela é responsável pelos motores girarem para realizar o trabalho do dia a dia.
A energia reativa é necessária, porém deve ser a menor possível.
Introdução da Aula
Olá, estudante!
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Parece complicado? Não se preocupe: nesta aula, você poderá compreender todos esses
conceitos.
Bons estudos!
Introdução às potências
Em um circuito CC, as tensões e correntes normalmente são constantes; portanto, não existe
variação na potência. Ou seja, ela não varia com o tempo, pois não há uma forma de onda
senoidal associada à alimentação. Já em circuitos CA, os valores instantâneos de tensão,
corrente e, portanto, a potência estão em constante mudança, já que são diretamente
influenciados pela fonte de tensão. Assim, o modo de se calcular a potência nos circuitos CA não
é o mesmo dos circuitos CC.
Há diferentes tipos de potência, como instantânea, média e complexa. Vamos começar a estudar
a potência instantânea. Ela é que o produto, no domínio do tempo, da tensão e da corrente que
são associadas a um componente ou a um conjunto de componentes de um circuito. A potência
instantânea é obtida por meio da equação (1):
A potência instantânea
p(t)
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Figura 1 | Exemplos de tensões e correntes típicos. Fonte: Dorf e Svoboda (2016, p. 498).
Também podemos calcular a potência média (P). O valor médio de uma função periódica do
tempo é dada pela integral da função para um período completo, dividida pelo período. Assim, a
potência média é dada pela equação (2):
1 t o +T
P = ∫ p(t)dt
T to
v(t)
φ
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
i(t)
v(t) = V P ⋅ cos(ωt + φ)
i(t) = I P ⋅ cos(ωt)
Onde
VP
IP
V ⋅ I ⋅ cos(φ)
V ⋅ I ⋅ cos(2ωt + φ)
P = V ⋅ I ⋅ cos(φ)
Toda a potência fornecida pelo gerador é ativa, pois ela é sempre positiva.
Além da potência ativa, o circuito CA possui mais dois tipos de potência: a reativa e a aparente. A
potência reativa representa a parte da potência que é aplicada para as cargas capacitivas e
indutivas. Sua unidade de medida é volt ampère reativo (VAr). A potência aparente é a potência
total que é entregue à carga, e é medida em volt ampère (VA). A potência aparente é formada
pela combinação das potências ativas e reativa. Juntas, formam o triângulo de potências.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Em um circuito puramente indutivo ou puramente capacitivo, não existe potência ativa, mas
reativa, pois a potência fornecida ao indutor e ao capacitor é devolvida ao gerador. Durante a
devolução, é como se o dispositivo fosse um gerador. A potência reativa (
−v ⋅ i
+v ⋅ i
Alguns autores se referem à potência reativa como “potência sem watts” ou “potência
imaginária”. Você deve estar pensando: mas o que é uma potência imaginária? Ela existe? Sim,
ela existe. A palavra imaginário significa quadratura, ou seja, ângulos retos. No nosso contexto,
significa que é criada por uma corrente de carga que está atrasada ou avançada em relação à
fonte de tensão em 90° (WAYGOOD, 2017).
Em eletricidade, a parte real dos números complexos está associada às resistências e à potência
ativa; já às reatâncias e à potência reativa, é atribuída a parte imaginária.
O produto do fasor eficaz, ou seja, a tensão na carga pelo conjugado do fasor eficaz que
representa a corrente nessa carga, nos dá a potência complexa fornecida pela carga, com a
equação (6):
→ →
*
P complexa = V ⋅ I
Onde
P complexa
|S| = V ⋅ I
A potência ativa se relaciona com a potência complexa por meio da equação (8):
P = V ⋅ I ⋅ cos φ = Re(S)
Q = V ⋅ I ⋅ senφ = Im(S)
A potência reativa é uma medida de troca de energia entre a fonte e a parte reativa da carga.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Quando Q = 0, o circuito só possui cargas resistivas e o fator de potência (FP) é igual a um. Se
Q < 0
Q > 0
P
fp =
S
V ef
I ef
S = V ef ⋅ I ef
O fator de potência é um parâmetro muito importante, porque, através dele, temos a indicação da
eficiência do uso da energia. O que isso significa? Um alto fator de potência indica uma eficiência
alta; porém, um baixo fator de potência indica perda de energia elétrica na forma de calor.
2 2
S = P + jQ ou |S| = √ P + Q
Q
φ = arctg
P
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Figura 2 | (a) triângulo de potência e (b) relação entre Z, R e X. Fonte: Alexander e Sadiku (2013, p. 421).
Observando o triângulo de potência da Figura 2(a), notamos que ele possui as potências:
aparente, real e reativa, e o ângulo do fator de potência. A partir de dois desses parâmetros, os
outros dois podem ser obtidos a partir do triângulo.
Outra análise que se pode realizar por meio das potências está ilustrada na Figura 3. Observe
que, quando S está no primeiro quadrante, há uma carga indutiva e um fator de potência
atrasado. Quando S está no quarto quadrante, a carga é capacitiva e o fator de potência está
adiantado. A potência complexa também pode ficar no segundo ou terceiro quadrantes, porém
isso só acontece em circuitos ativos.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Figura 3 | Diagrama fasorial das potências. Fonte: Alexander e Sadiku (2013, p. 421).
A Resolução ANEEL 456/2000 determina que o fator de potência deve ser o mais próximo de 1,
porém, a legislação estabelece que o valor mínimo deve ser de 0,92.
Quando o fator de potência apresenta um valor baixo, isso significa que a energia está sendo mal
aproveitada, o que pode ocasionar um aumento das perdas elétricas internas da instalação,
queda de tensão na instalação, condutores aquecidos, dentre outros problemas.
No entanto, é possível corrigir o baixo fator de potência, por exemplo, reduzindo as perdas de
energia elétrica por meio do dimensionamento correto de motores e equipamentos, instalação de
capacitores ou banco de capacitores (de preferência, próximo à carga), instalação de motores
síncronos em paralelo com a carga, entre outros.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
A Figura 5 é o diagrama fasorial para este circuito. Observe que corrente está atrasada em
relação à tensão de fonte por algum ângulo, Φ; portanto, o circuito possui um fator de potência
atrasado.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Agora, vamos adicionar um capacitor em paralelo, como na Figura 6. Quando isso acontece,
afeta-se o valor da corrente de carga do circuito exigida da fonte.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Figura 7 | Diagrama fasorial com a adição do capacitor. Fonte: Waygood (2017, p. 255).
Portanto, adicionar capacitores em paralelo com a carga ajusta o fator de potência atrasado, ou
seja, há uma correção do fator de potência.
Saiba mais
O cálculo do fator de potência é muito importante para promover o uso racional da energia
reativa excedente. Para realizar o cálculo, basta dividir a potência ativa pela potência total ou
aparente do sistema. O artigo Avaliação do fator de potência em instalações elétricas
residenciais trata desse assunto.
Referências
ALEXANDER, C. K.; SADIKU, M. N. O. Fundamentos de Circuitos Elétricos com Aplicações. Porto
Alegre: Grupo A, 2013. Disponível em:
[Link] Acesso em: 21 mar. 2023.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
DORF, R. C.; SVOBODA, J. A. Introdução aos Circuitos Elétricos. 9ª edição. São Paulo: Grupo GEN,
2016. Disponível em: [Link]
Acesso em: 21 mar. 2023
WAYGOOD, A. Uma Introdução à Ciência Elétrica. São Paulo: Grupo GEN, 2017. E-book. Disponível
em: [Link] Acesso em: 21 mar.
2023
Aula 2
Geradores e Motores de Controle Alternada
De acordo com o NEC (National Electric Code) há algumas informações que são necessárias,
importantes e devem estar presentes na placa de identificação de um motor. Outras
informações, apesar de importantes, não são obrigatórias. Neste vídeo, você verá mais a fundo
algumas dessas informações obrigatórias e opcionais.
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Você sabe que as máquinas elétricas possuem um papel importantíssimo nas indústrias. Por
exemplo, há os geradores elétricos, que convertem energia mecânica em energia elétrica,
fornecendo a energia para alimentar as indústrias, comércios e as nossas casas.
Uma das primeiras coisas que fazemos quando chegamos em casa é acender as luzes, ligar a
televisão ou qualquer outro aparelho que esteja ligado à tomada. Quando fazemos, isso
podemos estar usando uma energia que foi gerada por uma máquina elétrica que está
funcionando como gerador. As máquinas elétricas, além de serem usadas como gerador,
também podem ser utilizadas como motores elétricos, por exemplo, nas indústrias em esteiras
rolantes e em nossas casas, nos eletrodomésticos, como a televisão, e a máquina de lavar.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Bons estudos!
Você sabe o que é uma máquina elétrica? Trata-se de um dispositivo capaz de converter energia
elétrica em energia mecânica ou energia mecânica em energia elétrica que possa ser utilizada
em uma variedade de aplicações e ambientes, desde as indústrias e residências até espaços
públicos.
As máquinas elétricas, nas indústrias possuem muitas aplicações, desde grandes ventiladores,
correias transportadoras, bombas, elevadores, guindastes, laminadores, esteiras, até máquinas
como furadeiras, fresas, tornos, misturadores ou braços robóticos. Devido à grande variedade de
usos, esses mecanismos foram especializados e divididos em diferentes categorias,
dependendo do tipo de corrente utilizada ou de suas funções.
Quando o dispositivo converte energia mecânica em energia elétrica, ele é chamado de gerador;
já quando o dispositivo converte energia elétrica em energia mecânica, ele é denominado de
motor. Uma máquina elétrica é capaz de fazer a conversão da energia em ambos os sentidos,
portanto qualquer máquina elétrica é capaz de ser usada como gerador ou como motor. Na
prática, podemos dizer que praticamente todos os motores fazem a conversão da energia de
uma forma em outra pela ação do campo magnético (CHAPMAN, 2013).
No nosso quotidiano, as máquinas elétricas estão presentes em muitos lugares. Por exemplo,
em nossas casas, os motores elétricos acionam as geladeiras, os freezers, os aspiradores de ar,
processadores de alimentos, aparelhos de ar-condicionado, e muitos outros eletrodomésticos
similares. Nas indústrias, os motores produzem a força motriz para mover praticamente todas as
máquinas e quem fornece a energia utilizada por esses motores são os geradores.
Quase todas as máquinas elétricas giram em torno de um eixo, que é chamado de eixo da
máquina.
Quando nos referimos a um motor, precisamos pensar no tipo de alimentação: corrente contínua
(CC) ou alternada (CA). A tensão aplicada ao motor tem a finalidade de energizar os
enrolamentos no motor, produzindo polos eletromagnéticos que formam a força magneto motriz.
O motor de CC tem como principal aplicação o controle de velocidade com necessidade crítica
de torque; ou seja, esse tipo de motor é muito bom quando precisamos manter um torque
considerável, mesmo variando a velocidade.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Um motor série CC pode ser conectado a uma rede CA; contudo, ele vai sofrerá fortes limitações,
já que, em CA, a reatância indutiva presente nos enrolamentos apareceria e limitaria a corrente
neles. Os motores CC são encontrados em vários lugares no nosso dia a dia, como quando
abrimos e fechamos os vidros, no metrô, em brinquedos de controle remoto, entre outras
inúmeras aplicações.
Os geradores são acionados por meio de uma fonte de potência mecânica, que chamamos de
máquina motriz do gerador. Essa máquina motriz pode ser uma turbina a vapor, um motor a
diesel e até um motor elétrico. O processo de geração de energia está ligado aos fenômenos
eletromagnéticos, descritos pela lei do eletromagnetismo, que trata da diferença de potencial
resultante nas extremidades de um condutor pela sua ação dentro de um campo magnético
(NASCIMENTO JR., 2020).
Identificação de motores
A principal diferença entre os motores CA e CC é o campo magnético gerado pelo estator. Nos
motores CA, o campo magnético gira; esse campo girante é fundamental para o funcionamento
de todos os motores CA. O motor trifásico possui duas partes principais: o rotor e o estator.
O campo magnético que foi criado no estator vai girar eletricamente em torno de um círculo e
outro campo magnético que foi criado no rotor vai seguir a mesma rotação deste campo padrão,
pois é atraído e repelido pelo campo do estator. Como o rotor tem a liberdade de girar, ele segue
o campo magnético rotativo no estator (PETRUZELLA, 2013).
Os motores CA mais utilizados são o do tipo gaiola de esquilo, representado na Figura 1. Esse
motor é chamado assim devido à gaiola de alumínio ou de cobre que está dentro do rotor de
ferro laminado. É importante destacar que não existe conexão elétrica física com a gaiola de
esquilo; a corrente no rotor é induzida pelo campo magnético rotativo do estator.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
As informações que são necessárias na placa de identificação segundo o NEC (sigla em inglês
de National Electric Code, que significa “Código Elétrico Nacional”) são: fabricante do motor,
tensão nominal, corrente nominal, frequência de linha nominal, especificação de fase, velocidade
nominal do motor, temperatura ambiente, elevação de temperatura permissível, classe de
isolamento, regimes de serviço, ou ciclos de trabalho, potência nominal, classificação NEC e letra
de identificação do projeto (as mais comuns são A, B, C, D e E). O B é o motor padrão industrial,
que possui torque de partida razoável com corrente de partida moderada e bom desempenho
geral para a maioria das aplicações industriais.
Motores CA na prática
Há dois modos de definir a velocidade de um motor CA: por meio da velocidade síncrona e pela
velocidade real. A síncrona é a velocidade de rotação do campo magnético do estator; é teórica,
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
pois o rotor vai girar sempre com uma velocidade um pouco menor. Já a velocidade real é aquela
em que o eixo gira. A placa de identificação da maioria dos motores CA mostra a velocidade real,
Figura 3. Importante reforçar que a velocidade do campo girante pode não ser exatamente uma
velocidade de rotação do seu vetor magnético resultante no espaço; essa diferença se deve ao
número de polos.
A distribuição dos polos dentro da máquina não é discreta; geralmente as espiras são
espalhadas de forma que os polos se formam na média e não em pontos claros, exceto para os
polos salientes.
120⋅f
S =
P
Como já vimos, o motor gaiola de esquilo é o mais utilizado na indústria e apresenta as seguintes
características de funcionamento:
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
A tensão nominal na placa dos motores pode ter uma especificação simples, ou, para motores de
dupla tensão, uma especificação dupla. A NEMA (sigla em inglês de National Electrical
Manufacturers Association, que significa “Associação Nacional dos Produtores Elétricos”)
determina que o motor deve ser capaz de desenvolver sua potência nominal para o valor da
tensão de placa ±10%, sem necessariamente aumentar a temperatura nominal.
Quando o motor dá a partida, ele permanecerá girando como um motor monofásico. A corrente
drenada das duas linhas restantes vai aumentar e o motor superaquece. Com o motor em
repouso e sem uma das fases, a partida não ocorre, o rotor não gira na velocidade síncrona, e
tende a escorregar. O escorregamento permite que o motor gire. A diferença entre a velocidade
da rotação do campo magnético e do rotor de um motor de indução é conhecida como
escorregamento, e é calculada por meio da equação (2):
í
V elocidade s ncrona−V elocidade real
Escorregamento = ⋅ 100
í
V elocidade s ncrona
Exceto as usinas solares, todas as outras formas de geração de energia que envolvem conversão
eletromecânica dependem da operação dos geradores CA. Os geradores CA podem ser
construídos de dois tipos: síncronos e assíncronos (de indução). Os dois tipos de geradores são
parecidos, externamente formados por carcaça, estator, rotor, mancais e ventiladores, redutores
de ruídos, rolamentos. É possível reconhecer se o gerador é síncrono ou assíncrono por meio da
análise do rotor e do estator, pois os geradores de indução possuem rotores estilo gaiola de
esquilo ou bobinados, e os síncronos, rotores de material ferromagnético ou de magneto
permanente e totalmente arredondado (polos lisos) ou com pequenas saliências entre cada polo
(de polos salientes).
Nos geradores CA, o enrolamento da armadura, no qual a tensão elétrica vai ser induzida, pode
ficar tanto no rotor quanto no estator; porém, a mais comum e a armadura estacionária e campo
rotativo. As perdas de um gerador CA são:
A eficiência (
Ef
ê
P ot ncia Sa da í
E f (%) = × 100%
ê
P ot ncia Entrada
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Saiba mais
A máquina síncrona, do mesmo modo que a máquina CC, pode operar no modo gerador ou
motor. Gerador síncrono é uma máquina de corrente alternada que também é chamada de
alternador. No livro Máquinas Elétricas, capítulo 7, você vai ver o princípio de funcionamento e os
aspectos construtivos do gerador síncrono.
Referências
NASCIMENTO JR., G. C. do. Máquinas Elétricas. São Paulo: Editora Saraiva, 2020. E-book.
Disponível em: [Link] Acesso em:
24 mar. 2023.
Aula 3
Transformadores
Videoaula: Transformadores
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Nesse vídeo, você verá um pouco mais sobre os autotransformadores, também chamados de
ATRAFOS. Eles podem ser utilizados em uma ampla gama de potências e de tensões, cobrindo
desde alguns VAs até potências da ordem dos MVAs. Os autotransformadores de potência são
usados em muitas aplicações, que vão desde a baixa tensão para alimentar eletrodomésticos e
cargas de pequena potência, em telecomunicações, nos receptores e transmissores de ondas de
rádio, até aquelas com média e alta tensão, em níveis elevados de potências, operando como
unidades monofásicas, trifásicas ou especiais.
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Você já viu um transformador? É muito provável que sim, já que eles estão presentes, por
exemplo, no alto dos postes da rede elétrica. Lá, têm a função de abaixar o potencial elétrico da
corrente que é conduzida pelos fios, levando-a para as nossas casas com tensões de 110 V ou
220 V. Nesta aula, você vai aprender o que são os transformadores, como identificá-los e ligá-los,
e como é feita sua instalação, partida e manutenção.
Bons estudos!
A construção do transformador pode ser considerada simples e não possui nenhuma peça móvel
ou desgastável; por esse, motivo pode-se dizer que o seu tempo de vida é infinita. O
transformador pode ser encontrado suspenso em uma estrutura de transmissão ou de
distribuição de energia elétrica, ficando exposto às circunstâncias imprevistas do tempo, e ainda
cumprir sua finalidade sem precisar de nenhuma condição especial. Portanto, exige pouca
manutenção. A eficiência de um transformador é alta; eles possuem uma vida prolongada.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
O enrolamento primário, N1, é conectado a uma fonte ativa de energia CA. Isso produz um campo
magnético alternado que envolve o enrolamento. Isso induz uma força eletromotriz no
enrolamento secundário. Se o circuito do enrolamento secundário estiver fechado, a corrente CA
fluirá através dele. Esses enrolamentos compartilham o núcleo magnético, que geralmente é feito
de chapas de aço laminadas e fornece um caminho de baixa relutância para o campo
magnético. A relação entre a tensão de saída e a de entrada é a mesma que a relação do número
de espiras entre os dois enrolamentos. Em um transformador abaixador, o enrolamento
secundário terá menos voltas que o primário e, em um transformador elevador, terá mais.
O primeiro transformador foi inventado em 1884 na Inglaterra e foi usado pela primeira vez na
primeira estação de energia CA, a usina de energia movida a vapor Rome-Cerchi, em 1886.
Usando o transformador, a energia CA poderia ser gerada e fornecida em alta tensão (1400 a
2000V) e depois reduzida para uma voltagem mais segura e utilizável para uso em residências e
empresas.
Esse projeto ainda é usado hoje, porém, os transformadores modernos são utilizados para uma
grande variedade de aplicações; por exemplo, os transformadores de sinal e de áudio, bem
menores que os de potência, são usados para combinar a saída de microfones e outros
dispositivos de áudio com a entrada de amplificadores.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Por meio dos transformadores, é possível gerar eletricidade no maior nível de tensão que seja
adequado; ao mesmo tempo, esta tensão pode ser alterada a um nível maior e mais econômico
para a transmissão. Os transformadores reduzem o valor de tensão para uma forma mais segura,
adequada para uma determinada carga.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
V1 N1
=
V2 N2
Onde
V1
V2
Quando o primário e o secundário tiverem o mesmo número de espiras, a tensão que sai no
secundário terá o mesmo valor da tensão de entrada no primário, assim tem-se um
transformador de isolamento.
Onde
SL
I1 N2
=
I2 N1
A relação entre corrente e tensão no transformador está associada à potência aparente, que
deve ser aproximadamente a mesma tanto para o primário quanto para o secundário
(desconsiderando as perdas). Um modo de ligar o transformador está apresentado na Figura 3.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
O transformador possui algumas perdas além das de correntes parasitas. A primeira é a perda no
cobre do enrolamento das bobinas; os fios de cobre esmaltado de que são feitas apresentam
resistência, que aquece, dissipando potência. A segunda perda é por histerese magnética, que
provoca o atraso entre o campo magnético e a indução magnética. Faz parte das perdas no
ferro. Transformadores de pequeno porte são feitos de lâminas coladas de condutor com resina
isolante entre eles; isso faz que as correntes parasitas sejam forçadas a serem menores. As
lâminas são posicionadas na direção de propagação do campo, para maximizar tal efeito.
Rendimento e autotransformador
O total das perdas do transformador deve ser considerado no projeto, caso contrário, teremos
um transformador que, na teoria, vai fornecer uma potência irreal, ou seja, bem menor. O
rendimento do transformador a 20°C é calculado por meio da equação (4):
PS
Re nd =
P S +P cu +P f e
Onde
PS
P cu
Pf e
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Nos transformadores, existe uma marcação nos terminais dos enrolamentos que se refere ao
sentido relativo ou polaridade da tensão induzida entre os terminais de alta e de baixa tensão. A
ABNT recomenda que os terminais de tensão superior (alta tensão) sejam marcados com H1 e
H2 e os de tensão inferior (baixa tensão) com X1 e X2, como indicado na Figura 4.
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Os transformadores podem operar em paralelo desde que se sigam algumas regras: as unidades
transformadoras que vão ficar em paralelo devem ter tensão nominal primária e relação de
transformação iguais, portanto, a tensão secundária em vazio (sem carga) será igual.
V CC
BT
Z% =
VF N
N
BT
Onde
V CC
BT
VF N
N
BT
Em algumas ocasiões, é preciso realizar apenas pequenas alterações nos níveis de tensão
devido a quedas que ocorrem em sistemas de potência que estão muito distanciados dos
geradores. Nesses casos, seria um desperdício e um custo alto produzir um transformador com
dois enrolamentos completos, cada um especificado para aproximadamente a mesma tensão.
Saiba mais
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Referências
FILIPPO FILHO, G. Motor de Indução. São Paulo: Editora Saraiva, 2013. E-book. Disponível em:
[Link] Acesso em: 24 mar. 2023.
NASCIMENTO JR., G. C. do. Máquinas Elétricas. Editora Saraiva, 2020. E-book. Disponível em:
[Link] Acesso em: 27 mar. 2023.
Aula 4
Circuitos Trifásicos
Neste vídeo, você vai aprender como se realiza a ligação do wattímetro em um circuito
monofásico e como se calcula a potência. O wattímetro é um dispositivo que realiza a leitura da
potência média de um sistema formado por uma bobina de corrente, que apresenta uma
impedância baixa e é conectada em série com a carga, e uma bobina de tensão, que apresenta
alta impedância e é conectada em paralelo com a carga.
Ponto de Partida
Olá, estudante!
O sistema trifásico é aquele que utiliza três fios para geração, transmissão e distribuição.
Atualmente, praticamente toda a geração e a maior parte da transmissão de energia elétrica no
mundo ocorrem na forma de circuitos CA trifásicos. Eles são formados por geradores trifásicos,
linhas de transmissão e cargas.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Os sistemas de potência CA possuem uma grande vantagem sobre os sistemas CC, pois os seus
níveis de tensão podem ser alterados utilizando transformadores, o que permite a redução das
perdas de transmissão. O entendimento básico de circuitos trifásicos é essencial para o estudo
de sistemas elétricos de potência. Nesta aula, você vai estudar os sistemas trifásicos, a potência
em cargas trifásicas equilibradas, e os equipamentos de manobra, proteção e medição.
Bons estudos!
Em 1882, um novo sistema surgiu: o sistema polifásico. Ele possui mais de uma fase que pode
ser usada para gerar e transmitir eletricidade, e carregar o sistema. Um exemplo é o circuito
trifásico, no qual três fases são enviadas juntas do gerador para a carga; cada uma está
defasada em 120°.
−
→
V an = V ph ∠0°
−
→
V bn = V ph ∠ − 120°
−
→
V cn = V ph ∠ − 240°
Onde
V ph
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Figura 1 | Tensões trifásicas no domínio temporal (a) e fasorial (b). Fonte: Mohan (2016, p. 13).
Para as tensões simétricas da equação (1), em qualquer instante, a soma dessas tensões de
fase é igual a zero, conforme equação (2):
−
−
−
→ → →
V an + V bn + V cn = 0 e v an (t) + v bn (t) + v cn (t) = 0
Cada uma das três fases pode ser usada como monofásica, portanto, se a carga for monofásica,
uma fase pode ser retirada e o neutro pode ser usado como terra para completar o circuito
trifásico. O sistema trifásico consiste em uma fonte de tensão trifásica conectada a uma carga
trifásica por meio de transformadores e linhas de transmissão. O sistema trifásico possui uma
eficiência melhor e mais alta em comparação com o sistema monofásico. Dois tipos de
conexões são possíveis: conexão delta (Δ) e conexão estrela ou Y. A carga e a fonte podem estar
em delta ou estrela e a linha de transmissão estará em conexão delta.
Na ligação em estrela, Figura 2, a corrente no condutor neutro é a soma fasorial das correntes de
linha quando a carga é equilibrada, ou seja, quando as três impedâncias são iguais (mesma
magnitude e ângulo de fase) e a corrente no neutro for nula. Nesse caso, a instalação do neutro
não é necessária, porém é recomendada, devido à função de proteção de cargas
desequilibradas.
Nesse tipo de ligação, a corrente de cada fio da linha é igual a corrente da fase que está ligada,
ou seja,
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
IL = IF
V LL = V F ⋅ √ 3
A outra conexão possível é chamada de ligação em triângulo ou delta (Δ), Figura 3. Nela, os três
geradores são ligados de modo que o terminal positivo de um é ligado no terminal negativo do
próximo.
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
VL
V LL = V F
−
−
→ → →
I a = I ab − I ca
I L = I F ⋅ √3
IL
IF
As expressões para o cálculo das potências em uma carga ligada em estrela ou em triângulo são
as mesmas. A Figura 4 mostra uma carga ligada em Y equilibrada. A impedância de fase é dada
pela equação (3):
−
→
Z ϕ = Z∠θ°
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
As tensões trifásicas aplicadas a essa carga são dadas pela equação (4):
v an (t) = √ 2V senωt
i a (t) = √ 2I sen(ωt − θ)
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Sendo
V
I =
Z
Com tudo que você aprendeu até agora, você saberia dizer quanta potência está sendo fornecida
pela fonte à carga? A potência instantânea fornecida para uma fase qualquer da carga é dada
pela equação (5):
Desse modo, após algumas manipulações matemáticas, a potência instantânea fornecida para
cada uma das fases é dada pela equação (6):
A potência total fornecida à carga trifásica total é a soma das potências fornecidas para cada
uma das fases individuais e é dada pela equação (7):
A potência total fornecida a uma carga trifásica equilibrada é constante todo o tempo, portanto,
essa é uma das principais vantagens quando a comparamos com as fontes de potência
monofásicas.
As linhas de transmissão estão sujeitas a faltas envolvendo uma ou mais fases além da terra.
Essas faltas causam problemas no serviço da rede e, caso não haja alguma proteção, podem
causar algum dano permanente ao equipamento de transmissão, à linha de transmissão e aos
transformadores.
Uma das causas comuns de falhas são as quedas de galhos de árvores sobre as linhas de
transmissão, causando curto-circuito com a terra. Outra inclui as descargas elétricas que
ocorrem quando a torre de uma linha de transmissão ou um dos cabos de terra é atingido por um
raio (milhares de kA). Essa altíssima corrente flui através da base da torre e pode aumentar o
potencial acima do aterramento local. Caso não haja para-raios, a cadeia de isoladores pode
produzir faíscas e descargas elétricas.
A corrente do raio dura pouco tempo, cerca de algumas dezenas de µs. O problema é que o arco
já estabelecido em razão das faíscas e das descargas elétricas nos isoladores resulta em um
curto à terra com frequência da rede através do arco voltaico. Quando as correntes de curto-
circuito não são detectadas pelo dispositivo de proteção, a corrente na frequência da rede
continua fluindo até danificar seriamente o equipamento. Caso sejam detectadas, o relé envia o
sinal para abrir o disjuntor e interromper essas correntes. Assim, é primordial que as faltas sejam
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
detectadas e os disjuntores as interrompam o mais rápido possível. Após a falta ter sido
eliminada, alguns ciclos depois os disjuntores podem ser fechados e operação ser retomada.
O relé de controle de tensão trifásica é um dispositivo de proteção que foi projetado para garantir
a operação dos consumidores CA trifásicos em caso de flutuações inaceitáveis da tensão de
alimentação, falha de fase e desequilíbrio elétrico, aglomeração e interrupção da sequência de
fases. Em caso de variação de tensão na rede, ou seja, valores admissíveis de tensão acima ou
abaixo da redução do nível mínimo, qualquer motor elétrico de uso industrial ou eletrodoméstico
pode ficar fora de serviço.
Aplicando os conhecimentos
A energia para as cargas é fornecida pela rede elétrica através de circuitos que contêm
dispositivos de manobra. Estes atuam para manobrar a carga, ou seja, ligar ou desligar, aumentar
ou reduzir a potência, etc. Você saberia reconhecer algum dispositivo de manobra? O interruptor
é um desses dispositivos, além dos contatores.
As manobras são executadas por meio de comandos, porém, os dispositivos de proteção atuam
sem a presença de um comando. A ação de manobra dos dispositivos de proteção ocorre
sempre que houver algum risco para a integridade física do circuito ou da carga. Os principais
dispositivos de proteção são os fusíveis, disjuntores e relés térmicos. Se for percebida uma
corrente elétrica excessiva, esses dispositivos interrompem a ligação autonomamente.
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Figura 5 | Diagrama de circuito: carga e dispositivo. Fonte: Filippo Filho e Dias (2014, p. 13).
As cargas de baixa potência podem ser manobradas por meio de um comando que atua
diretamente no dispositivo de manobra, por exemplo, o interruptor que acende ou apaga uma
lâmpada com o comando manual. A chave de fluxo aciona as resistências de um chuveiro
elétrico de modo automático, bastando ter o fluxo de água.
Quando as cargas possuem potências elevadas, a corrente elétrica é mais intensa; assim, o
comando direto dos dispositivos de manobra não é adequado e a manobra é feita através do
comando indireto. Nesse caso a ação de comando é feita através de um circuito auxiliar,
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
chamado circuito de comando, que funciona com um nível baixo de potência e de corrente,
chegando até a valores de tensão menor que a tensão do circuito principal. Essas ações podem
ser manuais ou automáticas.
O método com três wattímetros obtém a potência média total para circuitos em configurações
estrela ou triângulo e a leitura tanto para sistemas equilibrados quanto para os desequilibrados;
porém, é de alto custo, pois necessita de um wattímetro para cada fase. A potência ativa total
consumida pela carga é igual à soma das potências ativas consumidas em cada fase, medida
por meio da conexão de um wattímetro. Quando a carga for equilibrada, basta ligar um
wattímetro, que medirá um terço da potência total, e multiplicar a leitura por três para obter a
potência total consumida.
O teorema de Blondel postula que, em um sistema polifásico com “m” fases e “n fios, a potência
ativa total é obtida pela soma da leitura de n-1 wattímetros. A Figura 6 apresenta o método de
dois wattímetros, que é o mais utilizado, para um circuito trifásico.
Figura 6 | Método de dois wattímetro para circuito trifásico. Fonte: Saraiva et al. (2020, p. 175).
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
PT = P1 + P2
Q T = √ 3(P 2 − P 1 )
Saiba mais
Referências
CHAPMAN, S. J. Fundamentos de máquinas elétricas. Porto Alegre: Grupo A, 2013. E-book.
Disponível em: [Link] Acesso em:
29 mar. 2023.
FRANCHI, C. M. Sistemas de Acionamento Elétrico. São Paulo: Editora Saraiva, 2014. E-book.
Disponível em: [Link] Acesso em:
29 mar. 2023.
MOHAN, N. Sistemas Elétricos de Potência – Curso Introdutório. São Paulo: Grupo GEN, 2016. E-
book. Disponível em: [Link]
Acesso em: 29 mar. 2023.
SARAIVA, E. S.; LENZ, M. L.; SILVA, C. A.; et al. Análise de Circuitos Elétricos e Corrente Alternada.
Porto Alegre: Grupo A, 2020. Disponível em:
[Link] Acesso em: 29 mar. 2023.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
Aula 5
Encerramento da Unidade
Nesse vídeo, você vai aprender um pouco mais sobre as máquinas elétricas na indústria. Uma
máquina elétrica é capaz de converter energia elétrica em mecânica e vice-versa; ou transformar
energia elétrica para que possa ser utilizada em uma ampla gama de aplicações e ambientes,
desde indústrias e residências até espaços públicos. As máquinas elétricas, no campo industrial,
são usadas em múltiplas aplicações, desde grandes ventiladores, correias transportadoras,
bombas, elevadores, guindastes, laminadores, até máquinas como furadeiras, fresas, tornos,
misturadores ou braços robóticos.
Ponto de Chegada
Máquinas elétricas
Olá, estudante!
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
N1 V1 I2
= =
N2 V2 I1
Quando a tensão secundária for maior que a primária, o transformador é elevador; quando a
tensão primária for maior que a secundária, o transformador é abaixador.
Todas as máquinas elétricas rotativas têm duas partes básicas em comum. A primeira é a
rotativa, conhecida como rotor; a segunda é a estacionária, chamada estator. Essas peças são
feitas de material magnético altamente permeável, como o aço silício.
Os motores de indução são amplamente utilizados em todas as indústrias; sua maior vantagem
é não precisar de uma fonte de alimentação separada para o rotor. Os motores de indução
possuem enrolamento trifásico no estator. A velocidade do rotor é sempre menor que a
velocidade síncrona da tensão aplicada no estator. Portanto, esses motores são conhecidos
como motores assíncronos. A diferença entre a velocidade síncrona e a velocidade real do rotor é
conhecida como escorregamento.
O fator de potência é dado como o cosseno do ângulo de fase entre a tensão e a corrente ou a
razão entre a potência ativa e a potência aparente. Um baixo fator de potência é o resultado de
cargas indutivas, como transformadores e motores elétricos.
Cargas indutivas consomem energia reativa com forma de onda de corrente atrasada em relação
à tensão; e as cargas capacitivas geram potência reativa com a fase da corrente adiantada a
tensão.
É Hora de Praticar!
Motores estão presentes em diversos dispositivos; por exemplo, em nossa casa, nos aparelhos
domésticos, nos ventiladores de teto, no freezer, no aspirador de pó, entre outros. Esses motores
são monofásicos. Outro tipo de motor, o de indução, também chamado de assíncrono, está
presente em mais de 99% dos acionamentos industriais. Mais da metade da energia produzida é
consumida por motores elétricos.
Imagine que uma grande empresa do setor industrial está modernizando suas operações. O
objetivo de realizar essa modernização é melhorar a produção por meio da adequação de seus
Disciplina
ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
motores e outros equipamentos para cada tipo de aplicação, além da capacitação dos
funcionários que trabalham no setor.
Neste contexto, a empresa criou um programa de estágio no setor máquinas e manutenção, no
qual o candidato aprovado passará por todas as áreas deste setor para que possa ser qualificado
e esteja apto para trabalhar com todos os tipos de máquinas elétricas disponíveis na indústria.
Imagine que você acabou de ser contratado como estagiário nessa grande empresa e vai
trabalhar no departamento de manutenção. No primeiro dia de trabalho, o seu supervisor
explicou como seria o programa de estágio e iniciou uma palestra com todos os demais
estagiários, explicando a importância dos técnicos e engenheiros de manutenção para garantir o
perfeito funcionamento da fábrica e a segurança de todos os funcionários.
Após a palestra, o seu supervisor lhe apresentou alguns motores; dentre eles, alguns não
possuíam manual técnico, como um dos motores de indução.
A sua primeira tarefa como estagiário é elaborar um manual técnico explicando o que é um
motor de indução, o seu funcionamento e suas vantagens e desvantagens. Além disso, você
deve apresentar, nesse manual, os dados nominais que se encontram na placa de identificação.
Portanto, para que você cumpra integralmente a sua primeira tarefa, é necessário que você
consulte a placa de identificação do motor de indução. Ela se encontra na Figura 1. Você deve
transcrever as informações. Há um problema, contudo: essa placa não contém o número de
polos do motor. Desse modo, você precisa identificar o número de polos no manual técnico antes
de iniciar a transcrição. Como você resolveria esse problema? Apresente o manual completo
com o número de polos do motor para o seu supervisor.
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ELETRICIDADE INSTRUMENTAL
O motor de indução funciona com base no princípio de indução. Em um sistema trifásico, há três
linhas monofásicas com uma diferença de fase de 120°. Portanto, o campo magnético rotativo
tem a mesma diferença de fase que fará o rotor se mover. A máquina de indução é o tipo mais
comum de motor usado em ambientes industriais, comerciais ou residenciais. Suas principais
características são:
Os motores de indução são classificados em dois tipos: motor de indução monofásico e motor
de indução trifásico. Como o próprio nome sugere, um motor de indução monofásico é
conectado a uma fonte de alimentação CA monofásica, enquanto o de indução trifásico pode ser
conectado a uma fonte de alimentação CA trifásica.
Se considerarmos três fases – a, b e c – quando a fase “a” for magnetizada, o rotor se moverá
em direção ao seu enrolamento; no próximo momento, a fase “b” será magnetizada e atrairá o
rotor; depois, a fase “c” fará o mesmo. Assim, o rotor continuará girando.
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