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Aulas Desenhadas de Processo Civil

O documento apresenta um resumo de diversos tópicos relacionados ao processo civil, como princípios fundamentais, partes, atos processuais e recursos. Aborda conceitos como jurisdição, competência, provas e formas de impugnação.

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Processo Civil

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Sumário
Princípios Fundamentais do Processo Civil...................................................................... 5
Negócio Jurídico Processual (Processo Civil) ................................................................ 31
Jurisdição ........................................................................................................................ 39
Direito de Ação ................................................................................................................ 49
Competência ................................................................................................................... 59
Litisconsórcio................................................................................................................... 75
Intervenção de Terceiros ................................................................................................ 85
Juiz ................................................................................................................................ 100
Impedimento e Suspeição............................................................................................. 109
Auxiliares da Justiça ..................................................................................................... 116
Perito ............................................................................................................................. 124
Conciliador e Mediador ................................................................................................. 131
Testemunhas................................................................................................................. 136
Processo e Procedimento ............................................................................................. 147
Fase Instrutória ............................................................................................................. 152
Fase Saneadora ............................................................................................................ 157
Pressupostos Processuais ............................................................................................ 162
Citação .......................................................................................................................... 175
Intimação ....................................................................................................................... 190
Audiência de Conciliação e Mediação .......................................................................... 193
Gratuidade da Justiça ................................................................................................... 199
Despesas Processuais .................................................................................................. 209
Honorários de Sucumbência (Processo Civil) .............................................................. 217
Atos Processuais........................................................................................................... 223
Nulidades ...................................................................................................................... 229
Formação, Suspensão e Extinção do Processo ........................................................... 232
Petição Inicial ................................................................................................................ 242
Contestação e Revelia .................................................................................................. 256
Reconvenção ................................................................................................................ 266
Sentença ....................................................................................................................... 269
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Coisa Julgada................................................................................................................ 277


Tutela Provisória ........................................................................................................... 288
Teoria Geral das Provas (Processo Civil) ..................................................................... 305
Provas em Espécie ....................................................................................................... 313
Prova Documental ......................................................................................................... 321
Perícia ........................................................................................................................... 328
Prazos Processuais....................................................................................................... 335
Liquidação ..................................................................................................................... 347
Princípios da Execução................................................................................................. 355
Cumprimento de Sentença ........................................................................................... 366
Cumprimento de Sentença de Alimentos ..................................................................... 381
Cumprimento Provisório de Sentença .......................................................................... 391
Cumprimento de Sentença Contra a Fazenda Pública ................................................ 395
Execução Autônoma ..................................................................................................... 405
Teoria Geral dos Recursos ........................................................................................... 420
Requisitos de Admissibilidade dos Recursos ............................................................... 432
Efeitos dos Recursos .................................................................................................... 440
Apelação ....................................................................................................................... 455
Agravo de Instrumento .................................................................................................. 460
Recurso Ordinário Constitucional ................................................................................. 471
Embargos de Declaração.............................................................................................. 477
Agravo Interno ............................................................................................................... 486
Agravo de Despacho Denegatório ................................................................................ 493
Embargos de Divergência ............................................................................................. 497
Recurso Especial (REsp) e Recurso Extraordinário (RE) ............................................ 499
Hipoteca Judiciária ........................................................................................................ 513
Sistema de Precedentes Obrigatórios .......................................................................... 516
Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas -IRDR ........................................... 530
Incidente de Assunção de Competência – IAC ............................................................ 539
Remessa Necessária .................................................................................................... 543
Responsabilidade por Dano Processual (Processo Civil) ............................................ 546

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Princípios Fundamentais do Processo Civil

Neste artigo eu vou explicar cada um dos princípios fundamentais


do processo civil.

O CPC de 2015, diferente do anterior, cria, no Capítulo I, a categoria


Das Normas Fundamentais do Processo Civil.

As normas fundamentais consagram regras e princípios


fundamentais do processo civil.

O Capítulo I tem 12 artigos e não exaure as normas fundamentais


processuais.

Trata-se, portanto, de rol exemplificativo (por exemplo, a proibição


de prova ilícita é uma norma fundamental e não está no Capítulo
I).

Neste cenário, o CPC inicia o texto normativo destacando o


seguinte:

Art. 1º O processo civil será ordenado, disciplinado e


interpretado conforme os valores e as normas
fundamentais estabelecidos na Constituição da

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República Federativa do Brasil , observando-se as


disposições deste Código.

Desde o início, então, o CPC destaca que seu pilar de sustentação


será a Constituição Federal.

Em grande parte, aliás, fica evidente que o CPC repete muitas


questões que estão na própria Constituição.

Por exemplo, no art. 3° do CPC, fala-se que “não se excluirá da


apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito”. Repete-se, aqui,
o direito de ação (Direito Fundamental) previsto no art. 5°, XXXV,
da Constituição Federal.

O desenho do CPC de 2015, então, parece ser reflexo evidente do


neoconstitucionalismo.

Eu lembro, por oportuno, que o neoconstiticionalismo tem como


objetivo garantir EFICÁCIA a Constituição Federal.

Uma das características importantes do neoconstitucionalismo é,


justamente, a constitucionalização do Direito.

Fala-se, aqui, em ubiquidade constitucional.

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Isso significa que a Constituição está em todos os lugares (no


Direito Civil, no Direito Penal, no Processo, etc).

Dentro desse contexto, passamos a estudar princípio fundamentais


do processo civil.

Princípio do Devido Processo Legal

Segundo o princípio do devido processo legal, “ninguém será


privado de liberdade ou de seus bens sem o devido processo
legal” (art. 5°, LIV, CF).

A primeira forma de compreender o devido processo legal é como


modelo prévio de atuação do Estado/ Juiz.

O devido processo legal é o princípio matriz que tem como


desdobramento:

1. Motivação das Decisões (art. 93, IX, CF);


2. Publicidade (art. 93, IX, CF);
3. Contraditório (art. 5°, LV, CF);
4. Ampla defesa (art. 5°, LV, CF);
5. Isonomia (art. 5°, caput, CF);

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6. Razoável duração do processo (art. 5°, LXXVIII, CF);

Tudo isso, em verdade, compõe o modelo (ou procedimento)


prévio de atuação do Estado/ Juiz e, portanto, o devido processo
legal.

Quando falamos em modelo prévio a ser seguido dentro do


processo, em verdade, estamos falando do devido processo legal
formal.

O devido processo legal formal impõe a observância da lei.

Em contraposição, contudo, existe o devido processo legal


substancial (ou material).

O art. 3°, I, da Constituição Federal esclarece que “constituem


objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil construir
uma sociedade livre, justa e solidária”.

As normas e atos do Poder Público, nesse cenário, devem possuir


conteúdo justo, razoável e proporcional.

Na prática, então, o devido processo legal substancial impõe a


observância dos princípios da razoabilidade e
proporcionalidade.

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Princípio da Motivação das Decisões

O art. 93, IX, da CF dispõe o seguinte:

art. 93 (…)

IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder


Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as
decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei
limitar a presença, em determinados atos, às próprias
partes e a seus advogados, ou somente a estes, em
casos nos quais a preservação do direito à intimidade
do interessado no sigilo não prejudique o interesse
público à informação;

Fica evidente, portanto, que, por determinação constitucional,


TODAS as decisões serão fundamentadas , sob pena de nulidade.

Observe que tanto a publicidade dos julgamentos, como a


fundamentação das decisões surgem no mesmo dispositivo.

Isso porque, assim como a publicidade, a fundamentação


(motivação das decisões) é também instrumento que viabiliza o
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controle das decisões, não apenas pelas partes, mas também por
toda a sociedade.

Trata-se, portanto, de medida indispensável para a fiscalização da


atividade judiciária.

Também é, de forma evidente, condição indispensável para o


efetivo exercício do contraditório.

Afinal, para se defender, a parte precisa conhecer os motivos da


decisão.

Como forma de combater a omissão, obscuridade contradição ou


erro material da fundamentação, poderá a parte opor embargos de
declaração.

Lembro, por oportuno, que o Código de Processo Civil aponta


algumas hipóteses em que existe presunção de omissão de
fundamentação (art. 489, §1°, do CPC).

Em todas essas hipóteses da decisão não será considerada


fundamentada.

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Princípio do Contraditório

Todo processo (administrativo ou jurisdicional) deve ter


contraditório, sob pena de nulidade.

Trata-se de um direito fundamental com previsão expressa na


Constituição Federal:

Art. 5° (…)

LV – aos litigantes, em processo judicial ou


administrativo, e aos acusados em geral são
assegurados o contraditório e ampla defesa, com
os meios e recursos a ela inerentes;

O contraditório pode ser:

1. Contraditório Formal;
2. Contraditório Substancial.

Enquanto o primeiro consagra o direito de ser informado


cumulado com a possibilidade de reagir, o segundo implica na
possibilidade de efetivamente influir na decisão.

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É importante destacar que a leitura desses princípios sempre


precisa ser feita junta ao princípio da boa-fé objetiva, princípio
igualmente relevante dentro do processo civil.

Por exemplo, é evidente que uma vez apresentado recurso pela


parte com o objetivo de reformar a decisão, deve o recorrido ser
intimado para apresentar contrarrazões.

Trata-se da observância evidente do princípio do contraditório.

Ocorre que o recorrido, embora ciente da nulidade, não poderá


manter-se inerte para, após, alegar ausência de intimação no
momento em que melhor lhe convier.

A doutrina chama esse fenômeno de nulidade de algibeira.

Tal comportamento é altamente reprovável, dada evidente violação


à boa-fé objetiva (art. 5° do CPC).

Por isso, nessa hipótese, não pode a parte alegar ofensa ao


contraditório e postular pela nulidade da decisão (informativo 539
do STJ).

Existe, também, o denominado contraditório inútil.

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Trata-se, em verdade, do contraditório desnecessário.

É o que ocorre, por exemplo, quando o autor ajuíza ação que


contraria súmula do STF.

Nesta hipótese, a legislação autoriza a improcedência liminar (art.


332 do CPC), sendo desnecessária a citação da parte contrária para
o exercício do contraditório.

Art. 332. Nas causas que dispensem a fase instrutória,


o juiz, independentemente da citação do réu,
julgará liminarmente improcedente o pedido que
contrariar:

I – enunciado de súmula do Supremo Tribunal Federal


ou do Superior Tribunal de Justiça;

(…)

O CPC disciplina o contraditório, dentro do Processo Civil, no art.


9°, esclarecendo o seguinte:

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Art. 9º Não se proferirá decisão contra uma das partes


sem que ela seja previamente ouvida.

(…)

Portanto, o contraditório prévio é a regra no CPC.

Mas é importante esclarecer que o próprio art. 9°, no parágrafo


único, aponta algumas exceções ao contraditório prévio, cumpre
citar:

art. 9° (…)

Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica:

I – à tutela provisória de urgência;

II – às hipóteses de tutela da evidência previstas no


art. 311, incisos II e III ;

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III – à decisão prevista no art. 701 .

A leitura desse dispositivo deve ser feita com bastante cautela…

O parágrafo único do art. 9° não está dizendo que, nas hipóteses


apontadas, não haverá contraditório.

Em verdade, o que se quer dizer é que, naquelas casos, o


contraditório será diferido.

Em outras palavras, nestes casos, o contraditório será posterior.

Para finalizar o estudo do princípio do contraditório, é muito


importante falar da vedação à decisão surpresa.

Alguns doutrinadores chamam de Princípio da Vedação à


Decisão Surpresa.

O art. 10 do CPC ensina que “o juiz não pode decidir, em grau


algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual
não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda
que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício”.

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O direito ao contraditório garante as partes o direito de se


manifestar sobre qualquer questão relevante para jugar a causa,
inclusive questões que podem ser reconhecidas de ofício.

Isso é algo que se defende a muitos anos como garantia do


contraditório.

O juiz tem o DEVER de consultar as partes sobre qualquer questão


que pode levar a solução da lide.

Por exemplo, o desembargador verifica que a apelação está


intempestiva. O desembargador, então, deve abrir prazo que as
partes possam falar. As partes podem, por exemplo, alegar que o
recurso é tempestivo em razão de um feriado local.

O art. 10, então, é a consagração do dever de consulta, visando a


proibição de decisão surpresa.

É uma regra que concretiza o Princípio do Contraditório.

O dever de consulta vem estampado por todo o ordenamento


jurídico.

O art. 493 do CPC, por exemplo, dispõe o seguinte:

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Art. 493. Se, depois da propositura da ação, algum


fato constitutivo, modificativo ou extintivo do direito
influir no julgamento do mérito, caberá ao juiz tomá-lo
em consideração, de ofício ou a requerimento da
parte, no momento de proferir a decisão.

Parágrafo único. Se constatar de ofício o fato novo,


o juiz ouvirá as partes sobre ele antes de decidir.

O art. 933 do CPC também consagra expressamente o dever de


consulta, cumpre citar:

Art. 933. Se o relator constatar a ocorrência de fato


superveniente à decisão recorrida ou a existência de
questão apreciável de ofício ainda não examinada que
devam ser considerados no julgamento do recurso,
intimará as partes para que se manifestem no
prazo de 5 (cinco) dias.

§ 1° Se a constatação ocorrer durante a sessão de


julgamento, esse será imediatamente suspenso a fim
de que as partes se manifestem especificamente.

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§ 2° Se a constatação se der em vista dos autos,


deverá o juiz que a solicitou encaminhá-los ao relator,
que tomará as providências previstas no caput e, em
seguida, solicitará a inclusão do feito em pauta para
prosseguimento do julgamento, com submissão
integral da nova questão aos julgadores.

É importante deixar claro que o descumprimento do dever de


consulta gera a NULIDADE da decisão por violação ao
contraditório.

Fica claro que o legislador, com o CPC de 2015, enaltece o


contraditório.

Na prática, contudo, observa-se, por parte da jurisprudência, certo


grau de residência ao dever de consulta, da forma como foi
desenhada pelo CPC de 2015.

Inúmeras decisões, infelizmente, vem relativizando o dever de


consulta e, como consequência, reduzindo o grau de importância
do próprio contraditório.

A título de exemplo, esclarece o enunciado 3 do ENFAM que “é


desnecessário ouvir as partes quando a manifestação não puder
influenciar na solução da causa”.

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Princípio da Publicidade

A publicidade é um instrumento de controle das decisões


judiciais.

Conhecer as decisões judiciais é um direito de toda a sociedade.

A sociedade deve ter acesso ao conteúdo das decisões para que


possa fiscalizar os juízes e os tribunais.

O art. 5°, LX, da CF dispõe que “a lei só poderá restringir a


publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade
ou o interesse social o exigirem”.

O art. 93, IX, da Constituição Federal, por sua vez, esclarece o


seguinte:

art. 93 (…)

IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder


Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas
as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei
limitar a presença, em determinados atos, às próprias
partes e a seus advogados, ou somente a estes, em
casos nos quais a preservação do direito à intimidade
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do interessado no sigilo não prejudique o interesse


público à informação

O art. 11 do CPC, como em muitos casos, repete o dispositivo


constitucional.

Observe:

Art. 11. Todos os julgamentos dos órgãos do Poder


Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as
decisões, sob pena de nulidade.

Parágrafo único. Nos casos de segredo de justiça,


pode ser autorizada a presença somente das partes,
de seus advogados, de defensores públicos ou do
Ministério Público.

Os atos processuais também serão públicos.

O art. 189 do CPC esclarece que “os atos processuais são públicos,
todavia tramitam em segredo de justiça os processos:”

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I – em que o exija o interesse público ou social;

II – que versem sobre casamento, separação de


corpos, divórcio, separação, união estável, filiação,
alimentos e guarda de crianças e adolescentes;

III – em que constem dados protegidos pelo direito


constitucional à intimidade;

IV – que versem sobre arbitragem, inclusive sobre


cumprimento de carta arbitral, desde que a
confidencialidade estipulada na arbitragem seja
comprovada perante o juízo.

Fala-se que a publicidade poderá ser externa ou interna.

A publicidade externa é direcionada a toda coletividade e poderá


sofrer limitações.

A própria constituição destaca que a lei poderá LIMITAR “a


presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus
advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação

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do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o


interesse público à informação”.

O CPC, por sua vez, aponta hipóteses em que os processos


tramitam em segredo de justiça.

A publicidade interna, por sua vez, é direcionada as partes do


processo.

Entretanto, é direito das partes conhecer e ter acesso ao processo.

Por isso, fala-se que sempre deve haver publicidade interna.

É interessante observar que, muito embora a prevalência do auto


regramento da vontade, não se admite negócio jurídico processual
atípico voltado a garantir o sigilo no processo.

Entretanto, admite-se o sigilo na arbitragem, dada a autorização


legislativa (art. 189, IV, CPC).

Princípio da Instrumentalidade das Formas

Segundo o art. 188 do CPC, “os atos e os termos processuais


independem de forma determinada, salvo quando a lei
expressamente a exigir, considerando-se válidos os que,
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realizados de outro modo, lhe preencham a finalidade


essencial“.

A regra, então, é a ausência de forma determinada, sendo válido o


ato que atinge a finalidade essencial.

Isso ocorre porque o processo é mero instrumento para alcançar a


finalidade do Direito Material.

Em outras palavras, o processo é é um fim em si mesmo.

Isso, no processo civil, é compreendido como princípio da


instrumentalidade das formas.

É preciso observar, contudo, que, “quando a lei expressamente


exigir”, o ato DEVE seguir a forma determinada pela legislação, sob
pena de nulidade.

Princípio do Estímulo à Solução pela Autocomposição

O art. 3°, § 3°, do CPC, esclarece que “a conciliação, a mediação e


outros métodos de solução consensual de conflitos deverão ser
estimulados por juízes, advogados, defensores públicos e
membros do Ministério Público, inclusive no curso do processo
judicial”.

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Trata-se da consagração expressa do princípio da solução pelo


Estado pela autocomposição (ou princípio da solução pacífica dos
conflitos).

É, em verdade, uma política pública que passa a ser compreendida


como uma meta pelo Estado.

A ideia não é nova e já estava no antigo texto da resolução


125/2010 do CNJ.

Todo o CPC é estruturado para estimular a autocomposição.

Por exemplo, o primeiro ato, após a petição inicial e citação, é,


como regra, a audiência de conciliação. Existindo a conciliação
(transação), as partes não pagam custas suplementares.

Princípio da Primazia da Decisão de Mérito

O princípio da primazia da decisão de mérito vem consagrado no


art. 4° do CPC:

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Art. 4º As partes têm o direito de obter em prazo


razoável a solução integral do mérito, incluída a
atividade satisfativa.

O objetivo desse princípio é deixar claro que a solução de mérito é


PRIORITÁRIA.

Em outras palavras, o juiz deve fazer o possível para julgar o mérito.

Em regra, se há um vício do processo ou no recurso, o juiz ou o


relator (no recurso) deve fazer o possível para sanear esses vícios
para que seja julgado o mérito.

Por exemplo:

1. O juiz não pode indeferir a petição inicial sem antes


determinar que o autor a emende.
2. Apelação contra qualquer sentença que extinga o processo
sem resolução de mérito, cabe retratação.
3. No RE ou REsp, “o Supremo Tribunal Federal ou o Superior
Tribunal de Justiça poderá desconsiderar vício formal de
recurso tempestivo ou determinar sua correção, desde que
não o repute grave” (art. 1.029, § 3°, CPC).

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Princípio da Boa-fé Processual

O antigo CPC já elencava a boa-fé como uma determinação (e não


como um princípio…).

Estava alocada entre os deveres das partes (art. 14, II, do antigo
CPC).

Destacava o antigo texto, como dever das partes, “proceder com


lealdade e boa-fé”.

O CPC de 2015 eleva a boa-fé a condição de norma fundamental


do processo civil (princípio).

Sobre o tema, o art. 5° do CPC dispõe o seguinte:

Art. 5° Aquele que de qualquer forma participa do


processo deve comportar-se de acordo com a boa-
fé.

A primeira coisa que precisamos observar é que o art. 5° fala em


comportamento (conduta) da parte.

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Isso significa que a boa-fé elencada como princípio processual é a


boa-fé objetiva.

Não se analisa a intenção da parte (boa-fé subjetiva), mas sim,


repise-se, o comportamento/ conduta (boa-fé objetiva).

Eu lembro, por oportuno, que a boa-fé subjetiva é pautada em uma


crença de que o comportamento é lícito.

Por isso, fala-se que a boa-fé subjetiva analisa a intenção do


agente.

Em paralelo, a boa-fé objetiva é uma norma.

Para boa-fé objetiva, os comportamentos humanos devem estar


pautados em um padrão ético de conduta

Como consequência, a boa-fé objetiva analisa o comportamento


do agente.

Outro ponto importante a ser observado é que, ao contrário do


que muitos pensam, a boa-fé não atinge apenas as partes.

Poderá atingir, também, o juiz.

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Afinal, o dispositivo é dirigido a todo “aquele que de qualquer


forma participa do processo”.

Princípio do Respeito ao Autorregramento da Vontade no


Processo

Segundo o princípio do autorregramento da vontade, no processo


prevalece a vontade das partes.

No Direito Civil, o autorregramento da vontade é conhecido como


autonomia privada.

Como forma de fortalecer o autorregramento da vontade, o Código


de Processo Civil:

1. Estimula a Autocomposição;
2. Estabelece, como regra, uma audiência de conciliação como
etapa preambular do processo;
3. Permite a homologação de acordo de qualquer natureza,
inclusive acordo sobre relação jurídica que não foi deduzida
no processo (art. 515, § 2º, CPC);
4. Permite a homologação de acordo com sujeitos que não
fazem parte do processo (art. 515, § 2º, CPC);
5. Estabelece a cláusula geral de negociação processual (art. 190
do CPC).

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Em razão desse princípio, fala-se na possibilidade das partes


firmarem o negócio jurídico processual.

Princípio da Cooperação

O art. 6° do CPC destaca que “todos os sujeitos do processo devem


cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão
de mérito justa e efetiva”.

A ideia principal do princípio da cooperação é transformar o


processo em um ambiente cooperativo.

Em ottras palavras, o objetivo é transformar o processo em uma


comunidade de trabalho em que vigore a lealdade e o equilíbrio
entre os sujeitos do processo.

Assim como o princípio da boa-fé, o princípio da cooperação não


se restringe as partes, alcançando também o juiz.

Aliás, a cooperação é, em verdade, um desdobramento da boa-fé


objetiva.

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Assim também é compreendida no âmbito do direito civil quando


estudamos os princípios dos contratos (dever de cooperação).

O princípio da cooperação gera para o juiz os seguintes deveres:

1. Dever de Consulta: o juiz tem o dever de consultar as partes


sobre ponto relevante sobre a qual as partes não se
manifestaram;
2. Dever de Prevenção: o juiz tem o dever de apontar as falhas
processuais;
3. Dever de Esclarecimento: é o dever de esclarecer as partes
sobre eventuais dúvidas a respeito de suas determinações.
Portanto, este dever se manifesta quando, também, o juiz
determina que a parte esclareça algo que o juiz não entendeu.
Isso significa que o juiz não pode indeferir um pedido
simplesmente porque não entendeu;

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Negócio Jurídico Processual (Processo Civil)

O CPC de 2015 nasce com alguns pilares de sustentação


importante. Um deles é a valorização da autonomia da vontade
das partes que vai, justamente, respaldar o negócio jurídico
processual.

O objeto do negócio jurídico processual é estabelecer, em comum


acordo, regras procedimentais preliminares (antes do processo)
ou que surgem durante o desenvolvimento do processo.

O processo não é um ambiente hostil ao exercício da liberdade.

Essa liberdade é consignada no poder de autorregramento que


nada mais é do que a própria autonomia privada do Direito Civil.

No processo prevalece a vontade das partes.

É evidente que, no âmbito do processo, há limites e, talvez, maiores


do que no âmbito material.

Mas a regra aqui, assim como no direito material, é a liberdade.

Aliás, não por outros motivo, o CPC de 2015 dispõe, no art. 190, o
seguinte:

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Art. 190. Versando o processo sobre direitos que


admitam autocomposição, é lícito às partes
plenamente capazes estipular mudanças no
procedimento para ajustá-lo às especificidades da
causa e convencionar sobre os seus ônus, poderes,
faculdades e deveres processuais, antes ou durante o
processo.

Parágrafo único. De ofício ou a requerimento, o juiz


controlará a validade das convenções previstas
neste artigo, recusando-lhes aplicação somente nos
casos de nulidade ou de inserção abusiva em contrato
de adesão ou em que alguma parte se encontre em
manifesta situação de vulnerabilidade.

O art. 190 deve ser interpretado com o art. 200 do NCPC.

Observe o que dispõe o art. 200 do CPC.

Art. 200. Os atos das partes consistentes em


declarações unilaterais ou bilaterais de vontade
produzem imediatamente a constituição,
modificação ou extinção de direitos processuais.

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Parágrafo único. A desistência da ação só produzirá


efeitos após homologação judicial.

Esses dois artigos, portanto, formam o núcleo da Clausula Geral


de Negociação (um diz que pode negociação atípica e outro diz
que os negócios jurídicos tem eficácia imediata…).

É importante observar que os negócios processuais atípicos


obrigam os sucessores por ato inter vivos ou causa mortis.

O juiz, por sua vez, poderá controlar a validade e poderá recusar o


negócio jurídico processual quando:

1. Há nulidade;
2. Ocorrer a inserção abusiva em contrato de adesão;
3. A parte se encontra em manifestar situação de
vulnerabilidade.

Muita atenção, pois o juiz NÃO pode reconhecer de ofício do


descumprimento de negócio jurídico processual.

Poderá, apenas, controlar a validade do negócio jurídico


processual.

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O Código de Processo Civil elenca inúmeras hipóteses de negócios


jurídicos processuais.

Nestes casos, por estarem elencados no próprio CPC, chamamos


de negócio jurídico processual típico.

É o caso, por exemplo, do foro de eleição (art. 63 do CPC), do


calendário processual (art. 191 do CPC), da escolha consensual do
perito (art. 471, § 3°, do CPC), da convenção sobre o ônus da prova
(art. 373, § 3º, do CPC), do saneamento consensual do processo
(art. 357, §, do CPC), dentre outros.

Em paralelo, há negócios jurídicos atípicos, ou seja, que não tem


previsão específica no sistema.

Interpretação

O interprete, aqui, usa as mesmas regras que o Código Civil usa


para interpretar o negócio jurídico.

Neste cenário, temos o seguinte:

• O interprete deve se apegar a intenção e não a letra do


contrato (art. 112 do CC/02);

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• A boa-fé é usada, também, como norma de interpretação (art.


113 do CC/02);
• Os negócios benéficos e a renúncia são interpretados
estritamente (art. 114 do CC/02);
• Existindo cláusula ambígua ou contraditória em contrato de
adesão, interpreta-se em favor do aderente (art. 423 do
CC/02);

Validade

Aos negócios processuais se aplicam as regras de nulidade e


anulabilidade (vícios da vontade e outros).

É importante observar, desde já, que é possível a invalidação parcial


do negócio jurídico.

Além disso, eventual decretação de invalidade processual deve,


sempre, ser conjugadas com a premissa de que não existe nulidade
sem prejuízo.

Como se sabe, para o negócio jurídico ser válido, será preciso:

• I – agente capaz;
• II – objeto lícito, possível, determinado ou determinável;

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• III – forma prescrita ou não defesa em lei.

No negócio jurídico processual, contudo, há alguns pontos que


merecem atenção.

O art. 190 do CPC esclarece que as partes precisam ser plenamente


capazes.

Aqui, diferente do Código Civil, estamos falando da capacidade


processual (e não capacidade de direito…).

A capacidade processual é a aptidão para agir em juízo.

A capacidade processual se contrapõe, no processo, a capacidade


de ser parte (aptidão para figurar como parte em um dos polos da
relação processual).

Lembro, por oportuno, que a capacidade de direito é a aptidão que


tem o indivíduo para ser titular de direitos na vida civil.

Toda pessoa tem capacidade de direito.

Você pode estar se perguntando: “mas a capacidade processual


não seria a mesma coisa que a capacidade de direito?”.

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Na verdade, não.

A pessoa casada, por exemplo, tem capacidade de direito, porém,


não poderá, sozinha, ajuizar ações que envolvem seu imóvel.
Portanto, nesse caso específico, a pessoa casada não possui
capacidade processual.

Ainda em relação a capacidade é importante observar que:

1. O incapaz pode realizar negócio jurídico processual, desde


que devidamente representado/ assistido;
2. A fazenda pública pode realizar negócio jurídico processual;
3. O Ministério Público pode realizar negócio jurídico
processual, conforme Res. 118 do CNMP.

Quanto a forma, o negócio jurídico processual, como um negócio


jurídico material comum, será, como regra, livre.

A norma, contudo, pode apontar forma específica, como ocorre


para o foro de eleição que deverá ser escrito (negócio jurídico
processual típico).

Há matérias que não podem ser negociadas, pois são reservadas a


lei.

As partes, por exemplo, não podem criar hipótese de recurso.


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A jurisprudência tem defendido que as partes, por exemplo, não


podem convencionar, por negócio jurídico processual, tutela
provisória ou segredo de justiça.

Além disso, eu não posso realizar negociação que atinge terceiros.

Por exemplo, não é possível, por negócio jurídico processual


realizado entre as partes, inviabilizar a participação do Ministério
Público no processo.

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Jurisdição

A jurisdição é uma das funções do Estado que tem por objetivo a


solução de conflitos, de forma imparcial e em conformidade com a
vontade geral consignada em normas gerais e abstratas aplicáveis
ao caso concreto.

Trata-se, em verdade, de uma das diversas técnicas de solução de


conflitos.

Técnicas de Solução de Conflitos

Ao contrário do que muitos pensam, a jurisdição não é a única


forma de por termo a um conflito de interesses.

Existem diversas técnicas de solução de conflitos.

São técnicas de solução de conflito a autotutela, a


autocomposição, a heterocomposição e o “dispute board”
(comitê de resolução de disputas – CRD).

Na autotutela, a parte impõe, pela força, sua posição.

É o que ocorre, por exemplo, na legitima defesa da posse (desforço


imediato) e na legítima defesa penal.
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Na autocomposição, em paralelo, as partes envolvidas alcançam,


em conjunto, uma solução consensual.

É o que ocorre, por exemplo, na transação, no reconhecimento do


Direito e na na renúncia.

Na heterocomposição, por sua vez, a solução da lide vem por


meio de terceiro estranho ao conflito.

Aqui entra, como exemplo típico, a jurisdição.

A jurisdição é monopólio estatal e será exercida pelo Poder


Judiciário ou por Arbitragem (lei 9.307).

A jurisdição tem como característica a definitividade (coisa julgada).

É importante destacar que NÃO exercem jurisdição:

1. O CNJ;
2. O Tribunal de Contas;
3. O Tribunal Marítimo;
4. O STJ-D (justiça desportiva).

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Por fim, o “dispute board” é utilizado em contratos de trato


sucessivo de grandes empresas.

Neste caso, a decisão nasce de um comitê formado por


especialistas na área.

Tal comitê acompanha o desenvolvimento do contrato e atua de


forma repressiva e preventiva.

Existem poucos casos no Brasil.

Características da Jurisdição

São características da jurisdição:

1. Imparcialidade;
2. Imperatividade;
3. Indelegabilidade;
4. Inafastabilidade;
5. Substitutividade;
6. Inércia
7. Definitividade;
8. Investidura

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9. Ausência de controle externo

• Dica: leia, também, sobre pressupostos processuais.

Imparcialidade

Como já observamos, o exercício da jurisdição constitui exemplo


típico de solução de conflito pela heterocomposição.

Há, portanto, um terceiro estranho ao conflito para por fim a lide.

O terceiro, aqui, deve ser imparcial, ou seja, sem qualquer interesse


no resultado da demanda.

Imperatividade

Em razão da imperatividade, as decisões judiciais possuem força


coativa e obrigam as partes do processo.

Isso significa que decisões judiciais são impositivas.

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O não cumprimento das decisões autoriza o uso de mecanismos


de coerção direta ou indireta.

Alguns doutrinadores preferem fusar o termo inevitabilidade (ou


irrecusabilidade).

A ideia é muito parecida com a imperatividade.

Para esses doutrinadores, ao ingressar em juízo não pode a parte


escusar-se do cumprimento da decisão ou deixar de aceitá-la por
conveniência.

Inevitabilidade

O exercício da jurisdição representa ato dotado de soberania


estatal.

Indelegabilidade

Segundo a característica da indelegabilidade, apenas o Poder


Judiciário tem aptidão para exercer a jurisdição.

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Entretanto, é preciso destacar que a indelegabilidade guarda


relação com a atividade fim, ou seja, com a atividade judicante.

A atividade meio (por exemplo, a citação) poderá ser delegada.

Inafastabilidade

A inafastabilidade vem consagrada, expressamente, no art. 5°,


XXXV, da CF:

Art. 5° (…)

XXXV – a lei não excluirá da apreciação do Poder


Judiciário lesão ou ameaça a direito;

Ainda que não exista lei para o caso concreto, o juiz não pode
deixar de decidir (art. 140 do CPC).

Substitutividade

Trata-se da substituição da vontade das partes pelo Estado-juiz, de


modo a resguardar imparcialidade na decisão.
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Inércia

A jurisdição é inerte, ou seja, depende de provocação da parte


interessada.

É importante observar, contudo, que a inércia guarda relação com


a instauração do processo.

Isso porque, uma vez instaurado (iniciado), o processo passa a


seguir por impulso oficial.

Definitividade

Apenas decisões judiciais são dotadas, após o trânsito em julgado,


de definitividade.

Não faz sentido fala-se, por exemplo, em coisa julgada no âmbito


de um processo administrativo.

Isso porque, neste caso, pode a parte prejudicada lançar mão do


Poder judiciário em busca de uma solução imparcial.

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Afinal, “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão


ou ameaça a direito” (art. 5°, XXXV, CF).

Portanto, apenas decisões judiciais tem aptidão para tornarem-se


imutáveis.

Investidura

Em verdade, a investidura não é uma característica da jurisdição,


mas sim uma característica daqueles que exercem a jurisdição.

Segundo essa característica, exerce a jurisdição apenas aquele que


ocupa o cargo de juiz, desde que regularmente investido na função.

Ausência de Controle Externo

A jurisdição não sofre controle externo (de outros poderes), mas


apenas controle interno (e.g. recursos).

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Espécies de Jurisdição

Em um primeiro momento, podemos subdividir a jurisdição em


especial e comum.

Faz parte da jurisdição especial a:

1. Justiça trabalhista;
2. Justiça eleitoral;
3. Justiça militar.

Em paralelo, faz parte da jurisdição comum a:

1. Justiça federal;
2. Justiça estadual.

É importante destacar que a justiça estadual tem caráter residual.

Isso porque inclui todos os casos em que a Justiça Federal não tem
competência.

Ainda dentro das espécies de jurisdição, podemos subdividi-la em:

1. Jurisdição contenciosa;
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2. Jurisdição voluntária.

Na jurisdição contenciosa existe lide (conflito de interesses),


processo e partes.

Além disso, aqui, o julgamento atende a legalidade estrita,


constituindo, ao final, coisa julgada material.

Em contraposição, não há, na jurisdição voluntária, lide (conflito de


interesses).

Também não há processo, mas sim procedimento.

Além disso, não há partes, mas sim interessados.

O julgamento, na jurisdição voluntária, será realizado com base em


critérios de conveniência e oportunidade. O juiz, em verdade,
atua como se fosse um tabelião de cartório…

Por fim, a decisão não forma coisa julgada material.

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Direito de Ação

Em um primeiro momento, é muito importante entender o


conceito do direito de ação.

Contudo, para compreender o conceito, você precisa entender que


inúmeras teorias tentaram explicar o direito de ação ao longo dos
anos.

Pode-se dizer que, inclusive hoje, não existe unanimidade entre os


processualistas.

Para ser didático, vou explicar cada uma das teorias nos próximos
tópicos.

Teoria Civilista (ou Imanentista/ Clássica)

O conceito de direito de ação ganhou forma ao longo dos anos.

Até meados do século XIX, não existia uma separação clara de


direito processual e direito material.

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A ação, segundo esta teoria, é o direito de alguém perseguir em


juízo o que lhe era devido.

Observe o seguinte…

Entendia-se o seguinte: aquele que ajuizasse uma ação estaria


colocando uma pretensão em juízo. Esta, por usa vez, seria o
próprio direito material em movimento.

Por isso, falava-se que, nesta época, confundia-se o direito de ação


com o próprio direito civil e, como consequência, chamamos de
teoria civilista (ou imanentista)

Isso significa que o direito de ação não tinha autonomia.

Na prática, não existia a ideia de buscar no judiciário o direito de


obter uma resposta do Estado diante de uma pretensão.

Teoria Concreta da Ação

Segundo esta teoria, existe independência entre o direito de ação


e o direito material.

Contudo, para esta corrente, o direito de ação tem natureza pública


e seria dirigida contra:
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1. O Estado que teria a obrigação de prestá-la;


2. O demandado que teria a obrigação de suportar os efeitos.

O grande problema é que a existência do direito de ação estaria


condicionada a existência de uma sentença favorável.

Por isso, é fácil perceber que o direito de ação, embora


independente, ainda tem uma pequena ligação com o direito
material (ja que a sentença precisa ser favorável…)

Teoria da Ação como um Direito Potestativo

O direito de ação será dirigido contra o adversário (e não contra o


Estado…).

Trata-se de um direito potestativo de buscar efeito jurídico


favorável ao autor.

Esta teoria acaba apresentando o mesmo problema da teoria


concreta da ação, pois o direito de ação existiria apenas diante de
uma sentença favorável.

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Teoria da Ação como um Direito Abstrato

O direito de ação é um direito público exercido contra o Estado.

Além disso, segundo esta teoria, o direito de ação não se confunde


com o direito privado alegado pelo autor.

Portanto, o direito de ação é autônomo, independente e sua


existência NÃO depende de uma sentença favorável.

O direito de ação passa a ser o direito de obter uma resposta do


Estado, seja ela favorável ou não.

Teoria Eclética da Ação

A teoria eclética foi desenvolvida por Liebman e adotada pelo CPC


de 2015.

Esta teoria ensina que o direito de ação não depende do direito


material para existir.

Portanto, existe autonomia do direito de ação.

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O direito de ação, aqui, é o direito a uma decisão de mérito


(procedente ou não…).

Ocorre que para alcançar o mérito da ação é preciso superar as


condições da ação.

Por isso, para Liebman, a existência do direito de ação está


condicionada à existência das condições da ação.

Em outras palavras, para Liebman, o direito de ação é


condicionado.

É curioso observar que, em sua origem, a teoria eclética incluía, nas


condições da ação, a possibilidade jurídica do pedido.

Aliás, segundo o CPC de 1973, eram condições da ação a


legitimidade, o interesse de agir e a possibilidade jurídica do
pedido.

O próprio Liebman, contudo, em estudos posteriores, retirou das


condições da ação a possibilidade jurídica do pedido.

Tal fato foi acompanhado pelo CPC de 2015 (art. 17 do CPC).

Hoje, segundo o CPC, são condições da ação apenas a


legitimidade e o interesse de agir.
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Porém, para aplicar essa teoria no Brasil seria preciso superar um


problema evidente…

Como esclareci anteriormente, o direito de ação, segundo a teoria


eclética, é condicionado (precisa das condições da ação…).

Isso foi compreendido, na literatura jurídica, como um problema


bastante grave, pois o direito de ação é um direito fundamental
(art. 5°, XXXV, da CF) e não poderia ser condicionado.

Por isso, foi preciso adaptar a teoria à visão constitucional do


processo.

O entendimento passou a ser que, segundo a visão constitucional


do processo, o direito de ação é um direito incondicionado, pois é
um direito fundamental.

As condições da ação, neste cenário, são utilizadas apenas para


regular o exercício do direito de ação.

Conceito de Direito de Ação

Feita a análise introdutória (teoria da ação), podemos passar a


definir o que vem a ser o direito de ação.
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O Brasil adotou a teoria eclética da ação, porém adaptada em seu


conceito, dada a necessária visão constitucional do processo.

Segundo a teoria eclética, o direito de ação é um direito autônomo


e independente, porém existente apenas quando preenchida as
condições da ação.

Como o direito de ação é um direito fundamental que não pode


ser condicionado, entende-se que o direito de ação é, hoje, um
direito autônomo, independente e incondicionado.

Trata-se do direito da parte obter uma resposta do estado em


relação a pretensão.

O que é Demanda?

Demanda é o ato de ir a juízo provocar a atividade jurisdicional.

Trata-se do conteúdo das postulações.

São elementos da demanda:

1. Partes;

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2. Causa de pedir;
3. Pedido.

A causa de pedir contém fatos e fundamentos jurídicos.

O pedido, por sua vez, pode ser subdividido em:

1. Pedido imediato;
2. Pedido Mediato.

O pedido imediato é a resposta jurisdicional.

Em paralelo, o pedido mediato é o bem da vida almejado (e.g.


dinheiro, entrega do carro, etc).

Dentro da demanda, ainda existe a denominada teoria da


identidade da ação.

A identidade da ação poderá ser total ou parcial.

A identidade é total quando verificada a litispendência (ação igual


em curso) ou a coisa julgada (ação igual finalizada).

A identidade é parcial, por sua vez, quando verificada a conexão ou


a continência.
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Classificação das Ações

Segundo a natureza do Direito Material, a ação poderá ser:

1. Real: envolve direito real (e.g. usufruto, servidão, etc);


2. Pessoal: guarda relação com o direito obrigacional;
3. Possessória: envolve a posse;

Segundo o tipo de tutela jurisdicional, a ação poderá ser:

1. Conhecimento;
2. Executiva;
3. Cautelar.

Há uma ação de conhecimento na hipótese de existir uma crise de


certeza jurídica.

São espécies de ações de conhecimento:

1. Ação Condenatória: direito a uma prestação.


2. Ação Constitutiva: envolver direitos potestativos.

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3. Ação Declaratória: certifica a existência, inexistência, modo e


ser de uma situação jurídica ou a autenticidade/ falsidade de
documento.

A ação executiva, por sua vez, guarda relação com uma crise de
inadimplemento (e não uma crise de certeza jurídica…).

Por fim, a ação cautelar tenta por fim a uma crise de tempo, pois é
preciso, com urgência, adotar medida para resguardar o resultado
prático de uma decisão que será proferida mais adiante.

O CPC de 2015, diferente do anterior, não trabalha com cautelares


autônomas.

Aqui, a garantia se faz por meio das tutelas provisórias

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Competência

Neste artigo, eu vou explicar para você, passo a passo, tudo sobre
a competência no âmbito do Processo Civil.

Em primeiro lugar, é preciso lembrar que a jurisdição é una e


indivisível.

Contudo, é possível estabelecer limites em face do exercício da


jurisdição.

Os limites, aqui, serão definidos pelas regras de competência.

A competência, portanto, é compreendida como um fator de


legitimação da atuação dos julgadores.

Você pode estar se pergutando: “mas quem define quem é


competente para o que???”.

Essa resposta está no art. 44 do Código de Processo Civil.

Observe o que diz o dispositivo:

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Art. 44. Obedecidos os limites estabelecidos pela


Constituição Federal , a competência é determinada
pelas normas previstas neste Código ou em
legislação especial, pelas normas de organização
judiciária e, ainda, no que couber, pelas
constituições dos Estados.

Portanto, quem define a competência é:

1. O CPC;
2. A legislação especial;
3. As normas de organização judiciária;
4. A Constituição dos Estados.

A competência será determinada no momento do registro ou


distribuição da petição inicial.

Observe o que dispõe o art. 43 do Código de Processo Civil:

Art. 43. Determina-se a competência no momento do


registro ou da distribuição da petição inicial, sendo
irrelevantes as modificações do estado de fato ou de
direito ocorridas posteriormente, salvo quando

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suprimirem órgão judiciário ou alterarem a


competência absoluta.

O registro ocorre em face de processo eletrônico, ao passo que a


distribuição ocorre em relação aos processos físicos.

Neste momento de determinação da competência, incide o


denominado princípio da perpetuatio jurisdictionis.

Segundo esse princípio, a ação deve ser preservada onde


inicialmente foi distribuída/ registrada. Deve-se impedir o
deslocamento de competência de um juízo para outro, mesmo que
seja criado órgão dentro da mesma comarca.

Essa preservação, contudo, não será aplicada se:

1. Ocorrer a supressão da vara;


2. Ocorrer a modificação de competência absoluta.

Ainda a título de introdução, é preciso lembrar que o próprio


julgador sempre terá uma competência de reconhecer sua própria
competência (ou incompetência), ainda que diante de regras de
competência absoluta.

Trata-se do denominado princípio do Kompetenz-Kompetenz.

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Classificação da Competência

A competência poderá ser absoluta ou relativa.

A competência absoluta não poderá ser alterada/ modificada.

O Direito chama a alteração da competência de prorrogação de


competência.

Por isso, a doutrina esclarece que a competência absoluta não


admite prorrogação da competência.

A competência é absoluta em razão da:

1. Matéria: tem como parâmetro de fixação a matéria debatida


nos autos (por exemplo, justiça do trabalho);
2. Pessoa: tem como parâmetro de fixação a pessoa que é parte
no processo (por exemplo, na hipótese da União ser parte do
processo, a competência será Federal);
3. Hierarquia: tem como parâmetro de fixação o grau de
jurisdição (por exemplo, o REsp será julgado pelo STJ);
4. Funcional: tem como parâmetro de fixação um processo
anterior (por exemplo, embargos de terceiro devem ser
distribuídos onde foi distribuído o processo principal).
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Aliás, como bem esclarece o art. 62 do CPC, “a competência


determinada em razão da matéria, da pessoa ou da função é
inderrogável por convenção das partes“.

A falta de competência absoluta pode ser declarada de ofício ou


pela parte em qualquer momento do processo.

Essa espécie de incompetência é tão grave que pode ser alegada,


inclusive, em ação rescisória (art. 966, II, CPC) e não convalesce
com o decurso do tempo.

Você pode estar se perguntando: “e como fica o processo na


hipótese de ser conduzido por juiz absolutamente incompetente?“.

Neste caso, os atos praticados são mantidos, inclusive os atos


decisórios. Caberá ao juiz competente decidir se mantém os atos
ou não.

A competência relativa, por sua vez, admite alteração/


modificação, ou seja, poderá ocorrer a prorrogação de
competência.

A competência será relativa em razão do:

1. Valor da causa;

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2. Território.

O art. 63 do CPC destaca que “as partes podem modificar a


competência em razão do valor e do território, elegendo foro
onde será proposta ação oriunda de direitos e obrigações“.

A competência relativa não pode ser declarada de ofício.

Contudo, poderá declarar:

1. a abusividade da cláusula de eleição de foro;


2. a incompetência na hipótese de juizado especial. Aqui, o juiz
pode reconhecer sua incompetência (absoluta ou relativa),
hipótese em que o processo será extinto sem resolução do
mérito.

Muito embora o conceito de competência relativa admita


prorrogação, fato é que existem algumas exceções…

Como se sabe, a parte pode, abrindo mão do valor excedente,


ajuizar ação no juizado especial cível (procedimento sumaríssimo),
ou ainda, optar pelo procedimento comum. Trata-se de
competência fixada em razão do valor da causa.

Contudo, não é possível modificar a competência na hipótese de


Juizado Especial Federal e Juizado Especial da Fazenda.

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Em razão do território, a regra é que será competente para julgar


a demanda o foro de domicílio do réu.

Neste caso, tem-se o seguinte:

1. Réu com mais de um domicílio: será competente o foro de


qualquer deles;
2. Réu sem domicílio certo: será competente o foro do local
onde for encontrado ou o foro do domicílio do autor.

Por se tratar de competência relativa, admite-se a prorrogação de


competência, exceto:

1. Em ação real imobiliária;


2. Em ação possessória de bem imóvel.

Quanto ao tema, o Código de Processo Civil esclarece o seguinte:

Art. 47. Para as ações fundadas em direito real sobre


imóveis é competente o foro de situação da coisa.

§ 1º O autor pode optar pelo foro de domicílio do réu


ou pelo foro de eleição se o litígio não recair sobre
direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão e
demarcação de terras e de nunciação de obra nova.
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§ 2º A ação possessória imobiliária será proposta


no foro de situação da coisa, cujo juízo tem
competência absoluta.

Portanto, neste caso, será competente o foro:

1. da situação da coisa;
2. de eleição (do contrato);
3. de domicílio do Réu

Observe que o próprio dispositivo (Art. 47, § 1º, do CPC) esclarece


que esse tipo de escolha cabe apenas se o litígio não recair
sobre:

1. Direito de propriedade;
2. Direito de servidão;
3. Divisão e demarcação de terras;
4. Direito de vizinhança;
5. Nunciação de obra nova.

Em todos esses casos, será obrigatório a propositura da ação no


foro da situação o bem.

Serão propostas no domicílio do autor da herança as ações de:

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1. Inventário
2. Partilha
3. Arrecadação
4. Cumprimento de disposições de última vontade;
5. Impugnação ou anulação de partilha extrajudicial;
6. Todas as ações em que o espólio for réu, ainda que o óbito
tenha ocorrido no estrangeiro.

Você pode estar se perguntando: “e na hipótese do autor da


herança não ter domicílio?“

Neste caso, o foro competente será:

1. O local do bem imóvel;


2. O local de quaisquer dos bens imóveis, se tem mais de um
imóvel;
3. O local onde tem bens, se não possui bens imóveis.

Na hipótese de pessoa jurídica de direito público integrar a relação


jurídica processual, será competente sempre o foro do domicílio da
parte adversária.

Por exemplo:

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1. Pessoa física/ jurídica contra Estado/ União. A competência


será do foro do domicílio do Autor.
2. Estado/ União contra Pessoa física/ Jurídica. A competência
será do foro do domicílio do Réu.

Além disso, como regra, a intervenção da pessoa jurídica de ente


federal enseja o deslocamento da competência para a justiça
federal.

Excepcionalmente, não ocorre o deslocamento nas hipóteses de:

1. Acidente do trabalho;
2. Falência e recuperação judicial;
3. Justiça eleitora;
4. Justiça trabalhista.

É importante observar que o CPC esclarece que a intervenção da


parte, na condição de amicus curiae (art. 138, § 1º, CPC) , não gera
o deslocamento da competência.

Por fim, é interessante observar as regras de competência


delimitadas pelo art. 53 do Código de Processo Civil:

Art. 53. É competente o foro:

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I – para a ação de divórcio, separação, anulação de


casamento e reconhecimento ou dissolução de união
estável:

a) de domicílio do guardião de filho incapaz;

b) do último domicílio do casal, caso não haja filho


incapaz;

c) de domicílio do réu, se nenhuma das partes residir


no antigo domicílio do casal;

d) de domicílio da vítima de violência doméstica e


familiar, nos termos da Lei nº 11.340, de 7 de agosto
de 2006 (Lei Maria da Penha); (Incluída pela
Lei nº 13.894, de 2019)

II – de domicílio ou residência do alimentando, para a


ação em que se pedem alimentos;

III – do lugar:

a) onde está a sede, para a ação em que for ré pessoa


jurídica;

b) onde se acha agência ou sucursal, quanto às


obrigações que a pessoa jurídica contraiu;

c) onde exerce suas atividades, para a ação em que


for ré sociedade ou associação sem personalidade
jurídica;

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d) onde a obrigação deve ser satisfeita, para a ação


em que se lhe exigir o cumprimento;

e) de residência do idoso, para a causa que verse


sobre direito previsto no respectivo estatuto;

f) da sede da serventia notarial ou de registro, para a


ação de reparação de dano por ato praticado em razão
do ofício;

IV – do lugar do ato ou fato para a ação:

a) de reparação de dano;

b) em que for réu administrador ou gestor de negócios


alheios;

V – de domicílio do autor ou do local do fato, para a


ação de reparação de dano sofrido em razão de delito
ou acidente de veículos, inclusive aeronaves.

Como alterar a competência relativa?

A competência relativa poderá ser alterada em razão de:

1. Cláusula de eleição de foro;


2. Inércia do réu na contestação;

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3. Conexão;
4. Continência;
5. Conflito de competência

O art. 65 do CPC dispõe que “prorrogar-se-á a competência relativa


se o réu não alegar a incompetência em preliminar de contestação“.

Portanto, a inércia da parte na contestação justifica a alteração


da competência relativa, quando possível.

Observe que, no CPC de 2015, a incompetência relativa e absoluta


devem ser alegas em preliminar de contestação.

Art. 64. A incompetência, absoluta ou relativa, será


alegada como questão preliminar de contestação.

Por isso, inclusive, a alegação de incompetência, por si só, não


suspende o processo.

Lembre-se, ainda, que, mesmo nestes casos, há situações que não


autorizam a prorrogação de competência (vide comentários sobre
competência em razão do valor da causa e competência territorial).

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O art. 54 do CPC esclarece que “a competência relativa poderá


modificar-se pela conexão ou pela continência“.

A conexão e a continência tratam de uma situação em que duas


ações são similares (não iguais…).

Lembre-se que são elementos que identificam a ação as partes, a


causa de pedir e o pedido.

Enquanto na litispendência e coisa julgada tem-se hipótese de


ações idênticas, na conexão e continência configura-se hipótese de
ações parcialmente idênticas.

Na hipótese de conexão, há causa de pedir ou pedido iguais (art.


55 do CPC).

O CPC, ainda, destaca hipótese de conexão entre ações, caso exista


risco de decisão conflitante.

Trata-se da denominada conexão por prejudicialidade.

Observe o que disciplina o art. 55

art. 55 (…)

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§ 3º Serão reunidos para julgamento conjunto os


processos que possam gerar risco de prolação de
decisões conflitantes ou contraditórias caso
decididos separadamente, mesmo sem conexão entre
eles.

A reunião de ações conexas, excepcionalmente, não ocorrerá para


decisão conjunta, se uma dessas ações já houver sido sentenciado
(art. 55, § 1º, CPC).

Na continência, todos os elementos da ação são iguais, contudo,


o pedido de uma ação é maior do que da outra.

A ação que tem o pedido maior é chamada de ação continente, ao


passo que a ação que tem o pedido menor é chamada de ação
contida.

Neste caso, funciona assim:

1. Ação contida é distribuída primeiro: ocorre a reunião das


ações para julgamento conjunto no juízo da ação contida
(juízo prevento);
2. Ação continente é distribuída primeiro: ocorre a extinção da
ação contida, mantendo-se apenas a ação continente.

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Por fim, também altera a competência relativa o conflito de


competência, seja ele positivo, seja ele negativo.

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Litisconsórcio

Ocorre o litisconsórcio quando verificado a pluralidade de


sujeitos em um dos polos da relação processual (autor/réu).

Portanto, temos um litisconsórcio na hipótese de existirem mais um


autor ou/ e mais de um réu.

Esse instituto garante maior economia processual e


harmonização dos julgados.

Por isso, a lei facilita sua formação.

Para ficar mais fácil de entender, eu desenhei a explicação para


você (abaixo).

O art. 113 do CPC, quanto ao tema, esclarece o seguinte:

Art. 113. Duas ou mais pessoas podem litigar, no


mesmo processo, em conjunto, ativa ou
passivamente, quando:

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I – entre elas houver comunhão de direitos ou de


obrigações relativamente à lide;

II – entre as causas houver conexão pelo pedido ou


pela causa de pedir;

III – ocorrer afinidade de questões por ponto comum


de fato ou de direito.

Observe que o litisconsórcio é formado a partir do reconhecimento


de pontos de afinidade entre autores ou réus.

É evidente que, neste caso, a distribuição de ações em separado


poderia levar a uma situação de injustiça, pois juízes diferentes
poderiam apontar soluções diferentes para casos similares.

Quando falamos em litisconsórcio, precisamos lembrar de alguns


pontos importantes do CPC.

O prazo será contado em dobro na hipóteses dos litisconsortes, em


processo físico, serem patrocinados por advogados diferentes e
de escritórios diferentes.

Observe que, na hipótese do processo ser eletrônico, o prazo será


sempre simples.

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Como funciona a revelia no litisconsórcio?

A revelia ocorre quando a parte, uma vez citada, deixa de se


manifestar.

Diante desse cenário, aplica-se a revelia que, como regra, possui


dois efeitos:

1. Efeito material;
2. Efeito formal.

O efeito material é a confissão ficta.

Isso significa que aquilo que foi alegado pela parte contrária, como
regra, será considerado verdadeiro.

Em paralelo, o efeito formal é a não intimação do revel para a


prática dos demais atos processuais.

Você pode estar se perguntando: “os efeitos da revelia se estendem


aos demais?“.

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Na hipótese de litisconsórcio, apenas o efeito formal será


aplicado aos demais litisconsortes.

Isso significa que a omissão de um dos litisconsortes não enseja a


confissão ficta para os demais.

O Litisconsórcio pode desistir do recurso?

Sim.

O recurso é voluntário (princípio da voluntariedade) e, portanto,


disponível.

Para desistir, o litisconsórcio NÃO precisa do consentimento dos


demais.

O recurso aproveita a todos os litisconsortes?

Como regra, sim.

Não aproveitará, contudo, na hipótese de interesses distintos ou


opostos.

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Classificação dos Litisconsórcios

Quanto ao polo

O litisconsórcio poderá ser:

1. Litisconsórcio passivo: dois ou mais réus;


2. Litisconsórcio ativo: dois ou mais autores;
3. Litisconsórcio misto: dois ou mais réus e dois ou mais
autores.

Quanto ao momento,

O litisconsórcio poderá ser:

1. Litisconsórcio inicial: existe desde a distribuição/ registro da


demanda;
2. Litisconsórcio ulterior: Nasce apenas após a distribuição/
registro da demanda.

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Quanto a obrigatoriedade ou não da formação

O litisconsórcio poderá ser:

1. Litisconsórcio facultativo: a formação do litisconsórcio não


é obrigatória;
2. Litisconsórcio necessário: a formação do litisconsórcio é
obrigatória, sob pena de extinção do processo sem resolução
de mérito.

É interessante observar que, em sua origem, não existia um limite


para o número de litisconsortes facultativos na demanda.

Isso, na prática, gerou um problema bastante sério: o


litisconsórcio multitudinário.

Ocorre o litisconsórcio multitudinário quando há muitos autores ou


réus na demanda.

Isso dificulta muito o desenvolvimento do processo e prejudica um


dos principais objetivos do próprio instituto: a celeridade
processual.

Por isso, o legislador corrigiu esse problema e resguardou poderes


ao juiz para reduzir o número de litigantes.

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Observe o que disciplina o art. 113, §1°, do CPC:

art. 113 (…)

§ 1º O juiz poderá limitar o litisconsórcio facultativo


quanto ao número de litigantes na fase de
conhecimento, na liquidação de sentença ou na
execução, quando este comprometer a rápida solução
do litígio ou dificultar a defesa ou o cumprimento da
sentença.

É interessante observar que caberá agravo de instrumento na


hipótese do magistrado:

1. Excluir alguém (art. 1.015, VII, CPC);


2. Não permitir a limitação (art. 1.015, VIII, CPC).

Além disso, é importante observar que, segundo o art. 113, § 2°, do


CPC, “o requerimento de limitação interrompe o prazo para
manifestação ou resposta, que recomeçará da intimação da decisão
que o solucionar“.

Em paralelo, é preciso compreender quando teremos um


litisconsórcio necessário (obrigatório).

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A resposta está na própria legislação.

Observe o que dispõe o art. 114 do CPC:

Art. 114. O litisconsórcio será necessário por


disposição de lei ou quando, pela natureza da relação
jurídica controvertida, a eficácia da sentença
depender da citação de todos que devam ser
litisconsortes.

Portanto, o litisconsórcio é necessário:

1. Por determinação legal;


2. Em razão da natureza da relação jurídica controvertida.

Nesta hipótese, verificando o juiz que não constam todos os


litisconsortes, deverá assinalar prazo para correção do vício.

É o que dispõe o art. 115 do CPC:

art. 115 (…)

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Parágrafo único. Nos casos de litisconsórcio passivo


necessário, o juiz determinará ao autor que requeira a
citação de todos que devam ser litisconsortes, dentro
do prazo que assinar, sob pena de extinção do
processo.

Quanto aos efeitos da decisão

O litisconsórcio poderá ser:

1. Litisconsórcio unitário: a decisão deve ser a mesma para


todos (art. 116 do CPC);
2. Litisconsórcio simples: a decisão poderá ser diferente para
os litisconsórcios.

Por fim, é interessante citar as consequências delimitadas pelo art.


115 do CPC:

Art. 115. A sentença de mérito, quando proferida sem


a integração do contraditório, será:

I – nula, se a decisão deveria ser uniforme em relação


a todos que deveriam ter integrado o processo;

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II – ineficaz, nos outros casos, apenas para os que não


foram citados.

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Intervenção de Terceiros

De forma simples e direta, terceiro pode ser compreendido como


todo aquele que NÃO é parte da relação jurídica processual.

A parte é um sujeito parcial do contraditório.

A intervenção de terceiros é compreendida como um incidente do


processo.

Muita atenção, pois incidente do processo é diferente de processo


incidente.

O processo incidente é um processo novo. É o caso, por exemplo,


dos embargos a execução.

Em contrapartida, o incidente do processo ocorre DENTRO do


processo. É o caso, por exemplo, da intervenção de terceiros.

O terceiro, para ingressar, deve demonstrar o vínculo jurídico, ou


seja, o interesse jurídico.

Observe que, diferente do litisconsórcio, não se busca a harmonia


dos julgados, mas apenas a economia processual.

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Por isso, nenhuma modalidade de intervenção de terceiros será


obrigatória.

Quais são os efeitos da intervenção de terceiros?

A doutrina destaca dois efeitos importantes:

1. Efeito subjetivo;
2. Efeito objetivo.

O efeito subjetivo ocorre ante a ampliação dos sujeitos da


demanda.

Em paralelo, o efeito objetivo surge em razão da ampliação do


objeto litigioso.

Observações do CPC de 2015

A oposição deixou de ser espécie de intervenção de terceiros e


passou a ser um procedimento especial.

A nomeação a autoria também deixou de ser espécie de


intervenção de terceiros.
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Assistência

O assistente participa ESPONTANEAMENTE (não é provocado).

É preciso demonstrar interesse jurídico.

Sobre o tema, o art. 121 do CPC dispõe o seguinte:

Art. 121. O assistente simples atuará como auxiliar da


parte principal, exercerá os mesmos poderes e
sujeitar-se-á aos mesmos ônus processuais que o
assistido.

Parágrafo único. Sendo revel ou, de qualquer outro


modo, omisso o assistido, o assistente será
considerado seu substituto processual.

A decisão que rejeitar a participação do assistente será impugnável


por agravo de instrumento.

Aliás, a decisão que rejeita a intervenção de terceiros é impugnável


por agravo de instrumento (art. 1.015, IX, CPC).

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Portanto, essa hipótese de agravo de instrumento se estende a


todas as demais modalidades de intervenção de terceiros.

A assistência poderá ser:

1. Simples;
2. Litisconsorcial.

Na assistência simples, o assistente tem um prejuízo reflexo e um


interesse jurídico mediato (não imediato…) na causa.

Imagine, por exemplo, que o locador ajuíza ação de despejo contra


o locatário. Nesta hipótese, o sublocatário poderá ingressar no
processo como assistente simples.

Lembre-se que o “rescindida ou finda a locação, qualquer que seja


sua causa, resolvem – se as sublocações, assegurado o direito de
indenização do sublocatário contra o sublocador” (art. 15 da Lei
8.245).

Por isso, há evidente interesse jurídico do sublocatário.

Trata-se de espécie de legitimidade extraordinária, uma vez que,


no processo, atua em nome próprio defendendo interesse alheio
(interesse da parte que assiste).
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O assistente simples fica subordinado à vontade do assistido.

Não por outro motivo, esclarece o CPC que “a assistência simples


não obsta a que a parte principal reconheça a procedência do
pedido, desista da ação, renuncie ao direito sobre o que se funda
a ação ou transija sobre direitos controvertidos” (art. 122 do CPC).

O assistente, por exemplo, poderá recorrer ante o silêncio do


assistido. Contudo, não poderá recorrer se o assistido
expressamente opta por não recorrer.

Por fim, o assistente simples ficará submetido a justiça da decisão.

Há duas exceções delimitadas pelo art. 123 do CPC, cumpre citar:

Art. 123. Transitada em julgado a sentença no


processo em que interveio o assistente, este não
poderá, em processo posterior, discutir a justiça da
decisão, salvo se alegar e provar que:

I – pelo estado em que recebeu o processo ou pelas


declarações e pelos atos do assistido, foi impedido de
produzir provas suscetíveis de influir na sentença;

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II – desconhecia a existência de alegações ou de


provas das quais o assistido, por dolo ou culpa, não
se valeu.

Em paralelo à assistência simples, existe a assistência


litisconsorcial.

O assistente litisconsorcial, diferente do assistente simples, tem um


prejuízo direto e apresenta interesse jurídico imediato na causa.

Art. 124. Considera-se litisconsorte da parte principal


o assistente sempre que a sentença influir na relação
jurídica entre ele e o adversário do assistido.

Como regra, o assistente litisconsorcial é contitular do direito


discutido e participará ativamente do processo.

Essa espécie de assistência cria um litisconsórcio unitário


facultativo ulterior.

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Denunciação da Lide

A denunciação da lide é uma espécie de intervenção de terceiros


provocada.

Essa provocação poderá ocorrer tanto pelo autor (na petição


inicial), como pelo réu (na contestação), conforme art. 126 do CPC.

O denunciado poderá assumir a posição de litisconsorte do


denunciante, acrescentando novos argumentos a petição inicial,
procedendo-se, em seguida, a citação do réu (art. 127 do CPC).

Observe, portanto, que o denunciado poderá assumir a posição de


litisconsorte quando a denunciação é feita, na própria petição
inicial, pelo autor da ação principal.

Entretanto, na hipótese da denunciação da lide ocorrer na


contestação, temos o seguinte:

1. Se o denunciado contestar, denunciado e denunciante


tornam-se litisconsortes;
2. Se o denunciado NÃO contestar (revel), denunciante pode
deixar de prosseguir e optar pela ação regressiva;
3. Se denunciado confessar, o denunciado poderá:
a. a) prosseguir com a defesa ou…
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b. b) pedir apenas a procedência da ação de regresso.

A denunciação da lide ocorre em face de:

1. Evicção:
2. Direito de Regresso.

É o que disciplina o art. 125 do CPC:

Art. 125. É admissível a denunciação da lide,


promovida por qualquer das partes:

I – ao alienante imediato, no processo relativo à coisa


cujo domínio foi transferido ao denunciante, a fim de
que possa exercer os direitos que da evicção lhe
resultam;

II – àquele que estiver obrigado, por lei ou pelo


contrato, a indenizar, em ação regressiva, o prejuízo
de quem for vencido no processo.

A evicção é a perda do bem adquirido de terceiro em razão de


decisão judicial ou ato administrativo de apreensão.

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Falamos bastante sobre o tema quando explicamos a evicção no


Direito Civil.

Em paralelo, o direito de regresso, como apontado pela própria


legislação, decorre da lei ou do contrato.

Aqui, há uma lide principal (constituída pelo autor e pelo réu) e


uma lide eventual (constituída pelo denunciante e denunciado).

Neste caso, o juiz analisará a lide eventual apenas se o denunciante


perder a lide principal.

Na hipótese, contudo, do denunciante ganhar a lide principal, a


análise da lide eventual ficará prejudicada e o denunciante deverá
pagar honorários para o advogado do denunciado (art. 129 do
CPC).

É interessante observar que não é permitida a denunciação “per


saltum” e a denunciação sucessiva é permitida apenas uma vez.

Sobre o tema, observe o que dispõe o art. 125, § 2º, do CPC:

Art. 125 (…)

§ 2º Admite-se uma única denunciação sucessiva,


promovida pelo denunciado, contra seu antecessor
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imediato na cadeia dominial ou quem seja


responsável por indenizá-lo, não podendo o
denunciado sucessivo promover nova denunciação,
hipótese em que eventual direito de regresso será
exercido por ação autônoma.

Amicus Curiae

O “amicus curiae” (ou amigo da corte) é uma espécie de


intervenção de terceiros que garante a participação de órgãos
públicos e entidades da sociedade civil em processos judiciais.

Sobre o tema, observe o que dispõe o art. 138 do CPC:

Art. 138. O juiz ou o relator, considerando a relevância


da matéria, a especificidade do tema objeto da
demanda ou a repercussão social da controvérsia,
poderá, por decisão irrecorrível, de ofício ou a
requerimento das partes ou de quem pretenda
manifestar-se, solicitar ou admitir a participação de
pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade
especializada, com representatividade adequada, no
prazo de 15 (quinze) dias de sua intimação.

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O objetivo dessa intervenção de terceiros é FORNECER SUBSÍDIOS


que possam aprimorar a QUALIDADE da decisão.

Pode haver MAIS DE UM AMICUS CURIAE e, inclusive, com


INTERESSES OPOSTOS.

Essa espécie de intervenção de terceiros poderá ser espontânea


ou provocada.

A provocação pode ocorrer pelo juiz/ relator ou pela própria parte.

A decisão do juiz/ relator é uma decisão irrecorrível (art. 138 do


CPC).

O amicus curiae terá 15 dias para se manifestar.

Os limites do amicus curiae são fixados pelo próprio juiz (art. 138,
§ 2º, CPC)

O amicus curiae poderá recorrer na hipótese de:

1. Embargos de Declaração;
2. Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas (IRDR).

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Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica

O incidente de desconsideração da personalidade jurídica é uma


espécie de intervenção de terceiros provocada pela parte ou pelo
Ministério Público (art. 133 do CPC).

As hipóteses de desconsideração estão previstas no art. 50 do


Código Civil e no art. 28 do Código de Defesa do Consumidor.

Trata-se de espécie de sanção, motivo pelo qual impõe-se o


respeito ao contraditório.

Conforme dispõe o art. 134 do CPC, “o incidente de


desconsideração é cabível em todas as fases do processo de
conhecimento, no cumprimento de sentença e na execução
fundada em título executivo extrajudicial“.

A instauração do incidente de desconsideração da personalidade


jurídica suspende o processo principal.

A decisão do conflito se dá por meio de uma decisão interlocutória


(art. 136 do CPC), cabendo agravo de instrumento (art. 1.015, IV,
CPC).

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Caso a decisão seja proferida pelo relator, caberá agravo interno


(art. 136, parágrafo único).

É curioso observar que o incidente de desconsideração da


personalidade jurídica é a única espécie de intervenção de terceiros
admitida no âmbito dos Juizados Especiais.

Chamamento ao processo

O chamamento ao processo é espécie de intervenção de terceiro


provocada pelo réu.

Art. 130. É admissível o chamamento ao processo,


requerido pelo réu:

I – do afiançado, na ação em que o fiador for réu;

II – dos demais fiadores, na ação proposta contra um


ou alguns deles;

III – dos demais devedores solidários, quando o credor


exigir de um ou de alguns o pagamento da dívida
comum.

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Observe que ocorre o chamamento ao processo, sempre, diante de


um caso de obrigação solidária.

Diferente da denunciação da lide, existe uma relação jurídica entre


os chamados e o adversário.

Por fim, é importante observar que “a sentença de procedência


valerá como título executivo em favor do réu que satisfizer a
dívida, a fim de que possa exigi-la, por inteiro, do devedor
principal, ou, de cada um dos codevedores, a sua quota, na
proporção que lhes tocar“. (art. 132 do CPC).

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Juiz

Neste artigo, vou explicar, passo a passo, tudo sobre o juiz no


Processo Civil.

Na prática, a figura do juiz é estudada dentro do tema “sujeitos do


processo”.

São sujeitos do processo:

1. Autor e Réu (sujeitos parciais);


2. Juiz (sujeito imparcial);
3. Procuradores (particular, público ou defensor público);
4. Auxiliares da Justiça (oficial de justiça, perito, conciliador,
mediador, dentre outros);
5. Ministério Público.

Vamos falar sobre cada um deles oportunamente.

Neste artigo, vamos dedicar atenção ao juiz.

O juiz será aquele que, investido de jurisdição, presta a atividade


jurisdicional (atividade judicante).

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O exercício da jurisdição, em um primeiro momento, precisa ser


provocado.

Como regra, o juiz não pode dar início, de ofício, a um processo.

Aliás, como já estudamos anteriormente, a inércia é uma das


características da jurisdição.

É importante observar, contudo, que a inércia guarda relação com


a instauração do processo.

Isso porque, uma vez instaurado (iniciado), o processo passa a


seguir por impulso oficial.

É justamente pode depender de provocação que o magistrado não


pode se manifestar quanto aquilo que não foi provocado…

Observe o que disciplina o art. 141 do CPC:

Art. 141. O juiz decidirá o mérito nos limites


propostos pelas partes, sendo-lhe vedado conhecer
de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige
iniciativa da parte.

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Trata-se do denominado princípio da restrição (ou congruência


ou correlação).

O juiz deverá ater-se ao que as partes pediram, sob pena de realizar


julgamento:

1. Extra petita: fora do pedido;


2. Ultra petita: mais do que foi pedido;
3. Infra (ou citra) petita: menos do que foi pedido (há uma
omissão quanto ao pedido)

Além disso, o juiz não pode deixar de decidir sob alegação de


lacuna ou obscuridade (princípio da indeclinabilidade).

O juiz, ainda, tem o poder-dever de impedir que as partes lancem


mão do processo como forma de ratificar ato simulado ou fim
vedado por lei.

Nesse sentido, o art. 142 do CPC dispõe o seguinte:

Art. 142. Convencendo-se, pelas circunstâncias, de


que autor e réu se serviram do processo para praticar
ato simulado ou conseguir fim vedado por lei, o juiz
proferirá decisão que impeça os objetivos das partes,

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aplicando, de ofício, as penalidades da litigância de


má-fé.

Responsabilidade Civil e Regressiva do Juiz

O juiz poderá ser responsabilizado na hipótese de proceder com


dolo ou fraude.

Observe que trata-se de conduta ativa por parte do magistrado.

Também poderá ser responsabilizado quando “recusar, omitir ou


retardar, sem justo motivo, providência que deva ordenar de ofício
ou a requerimento da parte” (art. 143, II, CPC).

Neste caso, a parte deverá requerer e o magistrado deixar de


apreciar o pedido por mais de 10 dias.

A vítima deverá acionar o Estado.

Neste caso, o Estado responderá objetivamente e poderá, após,


buscar o ressarcimento do magistrado por meio de ação regressiva.

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Poderes do Juiz

São poderes do juiz:

1. Poder de polícia;
2. Poderes jurisdicionais: voltado ao desempenho da função
jurisdicional;
3. Poderes ordinários (ou instrumentais): para direção e
andamento do processo;
4. Poderes instrutórios: para requisição de provas;
5. Poderes de urgência: entram, aqui, o poder geral de urgência
e o poder geral de cautela, mantido pelo CPC (Enunciado 31
do FPPC);
6. Poderes decisórios;
7. Poderes executivos.

Fala-se, ainda, que o magistrado tem o poder geral de efetivação.

Trata-se do poder que visa resguardar a efetividade das decisões


por meio de medidas substitutivas.

Observe o que disciplina o art. 139, IV, do CPC:

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Art. 139. O juiz dirigirá o processo conforme as


disposições deste Código, incumbindo-lhe:

(…)

IV – determinar todas as medidas indutivas,


coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias
necessárias para assegurar o cumprimento de ordem
judicial, inclusive nas ações que tenham por objeto
prestação pecuniária;

A novidade do CPC é que, agora, o poder geral de efetivação


abrange, inclusive, obrigações pecuniárias.

No antigo CPC, essas medidas restringiam-se ao âmbito das


obrigações de fazer.

Na prática, diante da inadimplência de uma obrigação de fazer,


poderia (e ainda pode…) o juiz aplicar multa para “forçar” o
cumprimento da obrigação.

Chamamos essa multa de astreintes.

As astreintes, assim como a prisão civil do devedor de alimentos, é


uma medida desencorajadoras, pois tem o objetivo de
desestimular o não cumprimento da obrigação.

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Em tese, a aplicação da multa “força” o devedor a cumprir a


obrigação de fazer, sendo esse o objetivo primordial.

Como já adiantei anteriormente, o poder geral de efetivação


alcança, também, a obrigação pecuniária.

Neste caso, tem-se aplicado outras medidas desencorajadoras, tais


como a suspensão da CNH, apreensão de passaporte, dentre
outras.

Entretanto, tudo isso tem sido bastante questionado no âmbito da


jurisprudência.

O STJ, por exemplo, tem admitido a suspensão da CNH na hipótese


de restar comprovada a ocultação de patrimônio.

Há hipóteses na jurisprudência que autorizam o bloqueio de


passaporte. São casos em que os devedores, como forma de
blindagem patrimonial, pretendem evadir-se do país, evitando o
pagamento de dívidas.

Deveres do Juiz

É importante destacar, ainda, quais são os deveres do juiz.

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O tema vem disciplinado no art. 139 do CPC:

Art. 139. O juiz dirigirá o processo conforme as


disposições deste Código, incumbindo-lhe:

I – assegurar às partes igualdade de tratamento;

II – velar pela duração razoável do processo;

III – prevenir ou reprimir qualquer ato contrário à


dignidade da justiça e indeferir postulações
meramente protelatórias;

IV – determinar todas as medidas indutivas,


coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias
necessárias para assegurar o cumprimento de ordem
judicial, inclusive nas ações que tenham por objeto
prestação pecuniária;

V – promover, a qualquer tempo, a autocomposição,


preferencialmente com auxílio de conciliadores e
mediadores judiciais;

VI – dilatar os prazos processuais e alterar a ordem de


produção dos meios de prova, adequando-os às
necessidades do conflito de modo a conferir maior
efetividade à tutela do direito;

VII – exercer o poder de polícia, requisitando, quando


necessário, força policial, além da segurança interna
dos fóruns e tribunais;
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VIII – determinar, a qualquer tempo, o


comparecimento pessoal das partes, para inquiri-las
sobre os fatos da causa, hipótese em que não incidirá
a pena de confesso;

IX – determinar o suprimento de pressupostos


processuais e o saneamento de outros vícios
processuais;

X – quando se deparar com diversas demandas


individuais repetitivas, oficiar o Ministério Público, a
Defensoria Pública e, na medida do possível, outros
legitimados a que se referem o art. 5º da Lei nº 7.347,
de 24 de julho de 1985 , e o art. 82 da Lei nº 8.078, de
11 de setembro de 1990 , para, se for o caso,
promover a propositura da ação coletiva respectiva.

Parágrafo único. A dilação de prazos prevista no inciso


VI somente pode ser determinada antes de encerrado
o prazo regular.

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Impedimento e Suspeição

Neste artigo, você vai entender, de forma definitiva, tudo sobre o


impedimento e a suspeição do juiz.

A imparcialidade, como já estudamos é uma das características da


jurisdição.

Por isso, é muito importante garantir que o exercício da jurisdição


será realizado por um magistrado imparcial, ou seja, sem qualquer
interesse em beneficiar ou prejudicar as partes.

Aliás, alguns doutrinadores sustentam que, diante de um juízo


parcial, sequer pode-se falar em exercício da jurisdição, dado que,
como já explicamos, a imparcialidade é um pilar de sustentação da
jurisdição.

No CPC de 2015, a alegação de impedimento ou suspeição foi


deslocada do capítulo que trata do tema “resposta do réu” para o
capítulo que trata do tema “Juiz“.

Isso ocorreu por questão de lógica e coerência, já que o


impedimento e a suspeição também pode ser alegado pelo autor.

A alegação será feita em incidente processual (petição própria


específica para isso) e será distribuído por dependência.

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Diante desse incidente processual, ocorre um fenômeno curioso.

O juiz, tido como sujeito imparcial no processo, passa a ser parte


no incidente processual.

O réu (arguido) no incidente processual é o próprio juiz.

O juiz, aqui, poderá receber a peça e:

1. Entender que, de fato, é suspeito/ impedido, hipótese em que


remete o processo, imediatamente, ao substituto legal;
2. Entender que não é suspeito/ impedido, hipótese em que
juntará provas e fará a defesa em 15 dias. Após, deverá enviar
a peça ao Tribunal.

O incidente processual poderá ser recebido com efeito suspensivo


ou não. Quem determina o efeito é o relator.

Na hipótese de concessão do efeito suspensivo, o processo


principal ficará suspenso até o julgamento do incidente.

• Hipóteses de impedimento do juiz

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Trata-se de hipótese de vício processual grave que viola a


imparcialidade do juiz.

As hipóteses de impedimento estão elencadas no art. 144 do CPC:

Art. 144. Há impedimento do juiz, sendo-lhe vedado


exercer suas funções no processo:

I – em que interveio como mandatário da parte, oficiou


como perito, funcionou como membro do Ministério
Público ou prestou depoimento como testemunha;

II – de que conheceu em outro grau de jurisdição,


tendo proferido decisão;

III – quando nele estiver postulando, como defensor


público, advogado ou membro do Ministério Público,
seu cônjuge ou companheiro, ou qualquer parente,
consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até
o terceiro grau, inclusive;

IV – quando for parte no processo ele próprio, seu


cônjuge ou companheiro, ou parente, consanguíneo
ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau,
inclusive;

V – quando for sócio ou membro de direção ou de


administração de pessoa jurídica parte no processo;

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VI – quando for herdeiro presuntivo, donatário ou


empregador de qualquer das partes;

VII – em que figure como parte instituição de ensino


com a qual tenha relação de emprego ou decorrente
de contrato de prestação de serviços;

VIII – em que figure como parte cliente do escritório de


advocacia de seu cônjuge, companheiro ou parente,
consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até
o terceiro grau, inclusive, mesmo que patrocinado por
advogado de outro escritório;

IX – quando promover ação contra a parte ou seu


advogado.

São novidades no CPC, em relação ao anterior, os incisos III, V, VII,


VIII e IX.

O inciso VI, no antigo CPC, era hipótese de suspeição (e não


impedimento).

Como já adiantei anteriormente, o impedimento é um vício muito


grave.

Por isso, muito embora diga o CPC que, após sua ciência pela parte
deverá ser alegado no prazo de 15 dias, entende-se que esse prazo

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não é peremptório e o impedimento poderá ser alegado a qualquer


tempo.

Aliás, trata-se de um vício transrecisório, pois autoriza, inclusive,


ação rescisória (art. 966, II, CPC).

Assim como a suspeição, tanto o autor, como o réu poderão alegar


e será feita por arguição de impedimento (incidente processual).

É o Tribunal quem vai fixar o momento a partir do qual o juiz não


poderia ter atuado.

O tribunal, então, fixa o início da suspeição e o início do


impedimento, invalidando os atos anteriores.

Além disso, o processo vai para o substituto.

Hoje, tanto o impedimento como a suspeição invalidam os atos


decisórios.

• Hipóteses de Suspeição do juiz

A suspeição é compreendida como um vício menos grave que o


impedimento.

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As hipóteses de suspeição estão elencadas no art. 145 do CPC:

Art. 145. Há suspeição do juiz:

I – amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou


de seus advogados;

II – que receber presentes de pessoas que tiverem


interesse na causa antes ou depois de iniciado o
processo, que aconselhar alguma das partes acerca
do objeto da causa ou que subministrar meios para
atender às despesas do litígio;

III – quando qualquer das partes for sua credora ou


devedora, de seu cônjuge ou companheiro ou de
parentes destes, em linha reta até o terceiro grau,
inclusive;

IV – interessado no julgamento do processo em favor


de qualquer das partes.

Ciente do vício, a parte terá 15 dias para alegar a suspeição.

Por se tratar de algo mais subjetivo, considera-se, naturalmente,


mais difícil de provar.

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Assim como o impedimento, tanto o autor, como o réu poderão


alegar e será feita por arguição de suspeição (incidente processual).

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Auxiliares da Justiça

Auxiliares da justiça são todos aqueles que desempenham


atividade-meio da jurisdição (desempenham serviços auxiliares).

Lembro, por oportuno, que o juiz é o sujeito do processo que


desempenha a atividade-fim da jurisdição, ou seja, a atividade
judicante.

Os auxiliares, assim como o próprio juiz, devem atuar com


imparcialidade.

Por isso, aplicam-se os critérios de impedimento e suspeição


também para eles.

A doutrina divide os auxiliares da justiça em:

1. Auxiliares permanentes;
2. Auxiliares eventuais.

Os auxiliares permanentes são servidores públicos e exercem


atividade permanente a contínua, atuando sob o manto de regime
jurídico próprio.

É o caso, por exemplo, do oficial de justiça.

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Os auxiliares eventuais, por sua vez, são agentes públicos apenas


para fins penais.

São nomeados pelo juiz, remunerados pelas partes e atuam em


atividade específica.

É o caso, por exemplo, do perito.

Aliás, o perito e o conciliador/ mediador são temas um pouco mais


complexos e, por isso, dedicamos um artigo específico para cada
um deles.

Nos próximos tópicos, vamos falar dos demais auxiliares da justiça.

Interprete/ tradutor

O art. 162 do CPC esclarece que o juiz nomeará intérprete ou


tradutor quando necessário para:

I – traduzir documento redigido em língua estrangeira;


II – verter para o português as declarações das partes e das
testemunhas que não conhecerem o idioma nacional;

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III – realizar a interpretação simultânea dos depoimentos das partes


e testemunhas com deficiência auditiva que se comuniquem por
meio da Língua Brasileira de Sinais, ou equivalente, quando assim
for solicitado.

Segundo o art. 163 do CPC, não poderá ser intérprete ou tradutor:

I – não tiver a livre administração de seus bens;

II – for arrolado como testemunha ou atuar como perito


no processo;

III – estiver inabilitado para o exercício da profissão


por sentença penal condenatória, enquanto durarem
seus efeitos.

Aplica-se ao intérprete ou tradutor os art. 157 e 158 do CPC.

Isso significa que o interprete deve cumprir a função designada


pelo juiz no prazo determinado, podendo escusar-se por motivo
legítimo.

Além disso, o tradutor ou intérprete responde por dolo ou culpa.

Trata-se de responsabilidade civil direta e subjetiva.

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Neste caso, o tradutor ou intérprete poderá ficar inabilitado por 2


a 5 anos.

Depositário e Administrador

Segundo o art. 159 do CPC, “a guarda e a conservação de bens


penhorados, arrestados, sequestrados ou arrecadados serão
confiadas a depositário ou a administrador, não dispondo a lei de
outro modo“.

A remuneração será fixada pelo juiz considerando:

1. A situação dos bens;


2. O tempo de serviço;
3. As dificuldades de sua execução.

O depositário ou o administrador, ainda, responde pelos prejuízos


que, por dolo ou culpa, causar à parte, perdendo a remuneração
que lhe foi arbitrada, mas tem o direito a haver o que
legitimamente despendeu no exercício do encargo (art. 161 do
CPC).

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Além disso, o depositário infiel responde civilmente pelos


prejuízos causados, sem prejuízo de sua responsabilidade penal e
da imposição de sanção por ato atentatório à dignidade da justiça.

É importante destacar que, segundo a súmula vinculante 25, “é


ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a
modalidade do depósito“.

A prisão civil é admitida, apenas, em relação ao devedor de


alimentos decorrentes do direito de família.

Lembre-se que não cabe a prisão civil em face de dívida fundada


em alimentos reparatórios (ou indenizativos).

Oficial de Justiça

Segundo o art. 154 do CPC, são deveres o oficial de justiça:

I – fazer pessoalmente citações, prisões, penhoras,


arrestos e demais diligências próprias do seu ofício,
sempre que possível na presença de 2 (duas)
testemunhas, certificando no mandado o ocorrido,
com menção ao lugar, ao dia e à hora;

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II – executar as ordens do juiz a que estiver


subordinado;

III – entregar o mandado em cartório após seu


cumprimento;

IV – auxiliar o juiz na manutenção da ordem;

V – efetuar avaliações, quando for o caso;

VI – certificar, em mandado, proposta de


autocomposição apresentada por qualquer das
partes, na ocasião de realização de ato de
comunicação que lhe couber.

Parágrafo único. Certificada a proposta de


autocomposição prevista no inciso VI, o juiz ordenará
a intimação da parte contrária para manifestar-se, no
prazo de 5 (cinco) dias, sem prejuízo do andamento
regular do processo, entendendo-se o silêncio como
recusa.

É interessante observar que o oficial de justiça poderá realizar


citação, intimação, notificação, penhora e quaisquer atos
executivos em comarcas contíguas de fácil comunicação.

O oficial de justiça responde regressivamente na hipótese de:

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1. Recusar, sem justo motivo, o cumprimento de prazo da lei ou


fixado pelo magistrado;
2. Praticar ato nulo com dolo ou culpa.

Escrivão ou Chefe de Secretaria

Segundo o art. 152 do CPC, cabe ao escrivão ou ao chefe de


secretaria:

I – redigir, na forma legal, os ofícios, os mandados, as


cartas precatórias e os demais atos que pertençam ao
seu ofício;

II – efetivar as ordens judiciais, realizar citações e


intimações, bem como praticar todos os demais atos
que lhe forem atribuídos pelas normas de organização
judiciária;

III – comparecer às audiências ou, não podendo fazê-


lo, designar servidor para substituí-lo;

IV – manter sob sua guarda e responsabilidade os


autos, não permitindo que saiam do cartório, exceto:

a) quando tenham de seguir à conclusão do juiz;

b) com vista a procurador, à Defensoria Pública, ao


Ministério Público ou à Fazenda Pública;
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c) quando devam ser remetidos ao contabilista ou ao


partidor;

d) quando forem remetidos a outro juízo em razão da


modificação da competência;

V – fornecer certidão de qualquer ato ou termo do


processo, independentemente de despacho,
observadas as disposições referentes ao segredo de
justiça;

VI – praticar, de ofício, os atos meramente


ordinatórios.

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Perito

Segundo o Código de Processo Civil, “o juiz será assistido por


perito quando a prova do fato depender de conhecimento técnico
ou científico” (art. 156 do CPC).

O perito, então, é uma espécie de auxiliar da justiça.

Dentro desta classificação, a doutrina entente que o perito é um


auxiliar eventual da justiça (não permanente), pois é nomeado pelo
juiz, remunerado pelas partes e atua em atividade específica.

O perito tem a função de cumprir o ofício no prazo determinado


pelo juiz, porém poderá escusar-se por motivo legítimo (art. 157
do CPC).

O perito poderá ser pessoa física ou jurídica e deve ser legalmente


habilitado.

Isso não significa, contudo, que precisa, necessariamente, ter curso


superior, mas sim que precisa estar cadastrado.

É necessário cadastro:

1. No órgão técnico ou científico (e.g. CREA para engenheiro);


2. No tribunal;
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O próprio perito indicará o valor dos honorários periciais que


poderão ser, ato contínuo, questionados pelas partes.

Para formar a lista de cadastro, os tribunais devem realizar uma


consulta pública.

Observe o que dispõe o art. 156, § 2º, do CPC:

art. 156 (…)

§ 2º Para formação do cadastro, os tribunais devem


realizar consulta pública, por meio de divulgação na
rede mundial de computadores ou em jornais de
grande circulação, além de consulta direta a
universidades, a conselhos de classe, ao Ministério
Público, à Defensoria Pública e à Ordem dos
Advogados do Brasil, para a indicação de profissionais
ou de órgãos técnicos interessados

A ideia é criar um repertório de peritos legitimados pela sociedade.

A norma, ainda, determina que ocorrerão avaliações e reavaliações


periódicas dos cadastros (art. 156, § 3º, CPC).

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O juiz poderá nomear livremente o perito apenas se na localidade


não houver escrito.

Porém tem que escolher com base no conhecimento comprovado


necessário para realização da perícia.

A distribuição de perícias entre os peritos cadastrados deve ser


equitativa.

É importante destacar que o perito, na condição de auxiliar da


justiça, submete-se as regras de impedimento e suspeição.

Além disso, o perito responde por dolo ou culpa.

Trata-se de responsabilidade civil direta e subjetiva.

Neste caso, o perito poderá ficar inabilitado por 2 a 5 anos.

É o que dispõe o art. 158 do CPC:

Art. 158. O perito que, por dolo ou culpa, prestar


informações inverídicas responderá pelos prejuízos
que causar à parte e ficará inabilitado para atuar em
outras perícias no prazo de 2 (dois) a 5 (cinco) anos,
independentemente das demais sanções previstas em
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lei, devendo o juiz comunicar o fato ao respectivo


órgão de classe para adoção das medidas que
entender cabíveis.

Produção da Prova Pericial

O CPC prevê a possibilidade de realização de perícia simplificada


(ou prova técnica simplificada).

Aqui, o juiz chama para audiência o perito e inquiri o perito pura e


simplesmente (por isso é SIMPLIFICADA).

Isso deve ocorrer em SUBSTITUIÇÃO a prova técnica pericial


tradicional.

É curioso observar que o CPC exige formação acadêmica do perito


na realização da perícia simplificada, muito embora não exija
formação acadêmica do perito que realiza a prova pericial
complexa.

O juiz pode determinar o pagamento de 50% dos honorários logo


no início do trabalho.

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Quando a perícia for INCONCLUSIVA ou INSUFICIENTE, o juiz


poderá reduzir o valor dos honorários.

Contraditório e Assistência Técnica na Perícia

As partes podem impugnar perito, formular quesitos e indicar


assistente técnico, TUDO em 15 dias.

O perito deve assegurar aos assistentes das partes e o


acompanhamento das diligências.

A prévia comunicação do perito aos assistentes das partes deve


estar comprovada nos autos.

A devolução do valor do perito poderá ser determinada por


decisão judicial e poderá ser executada contra o perito pela parte.

Requisitos do Laudo Pericial

Os requisitos do laudo pericial são delimitados pelo art. 473 do


Código de Processo Civil:

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Art. 473. O laudo pericial deverá conter:

I – a exposição do objeto da perícia;

II – a análise técnica ou científica realizada pelo perito;

III – a indicação do método utilizado, esclarecendo-o


e demonstrando ser predominantemente aceito pelos
especialistas da área do conhecimento da qual se
originou;

IV – resposta conclusiva a todos os quesitos


apresentados pelo juiz, pelas partes e pelo órgão do
Ministério Público.

O laudo deve ter linguagem simples e coerência lógica, sendo


vedado ao perito emitir opinião pessoal ou ultrapassar seus limites
de atuação.

O perito poderá requisitar documentos de terceiros, além das


partes e de repartições públicas.

É possível a escolha consensual do perito.

Nesse caso, perde-se o direito de questionar o perito, no que pese


poder questionar o laudo.

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O antigo CPC, dizia que o juiz poderia prorrogar a entrega do laudo


de acordo com seu “prudente arbítrio”.

O CPC de 2015, contudo, dispõe que só pode ser prorrogado a


entrega do laudo em até metade do valor que foi arbitrado.

Isso significa que, por exemplo, caso tenha sido foi fixado para ser
entregue em 60 dias, poderá ser prorrogado por mais 30 dias.

A perícia médico-legal ou grafotécnica, em regra, é feito por


entidade pública.

Por esse motivo, o NCPC diz que essas perícias são prioritárias.

A decisão do juiz não está vinculada ao laudo.

Contudo, o juiz não pode ignorar o Laudo Pericial.

Para não acolher o laudo, o juiz deve fundamentar esclarecendo o


motivo de não seguir o laudo.

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Conciliador e Mediador

Já falamos, aqui, que o CPC de 2015 tem como pilar de sustentação,


também, o princípio do estímulo a solução pela autocomposição.

Neste cenário, conciliadores e mediadores ganharam maior


destaque no novo CPC.

O CPC tem um Capítulo, com 11 artigos, para regulamentar a


mediação e conciliação.

Conciliadores e mediadores são, hoje, auxiliares da justiça.

Mediador é diferente de conciliador.

Ambos são terceiros, estranhos ao conflito, que auxiliam os


conflitantes na busca da solução consensual dos seus problemas.

O que distingue um do outro é a TÉCNICA (modo de auxiliar os


conflitantes a chegar na autocomposição).

O mediador usa uma técnica mais sutil, não sendo muito proativo
(não pode, por exemplo, fazer proposta de acordo).

Mediadores e conciliadores devem ser cadastrados.

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Um cadastro no CNJ e um cadastro no respectivo Tribunal.

Se as partes escolherem ou se houverem convênios, podem ser


feitas em câmaras privadas de conciliação e mediação.

Essas câmaras privadas também devem estar credenciadas.

Mediador e Conciliador ESCOLHIDO pelas partes NÃO precisa estar


cadastrado no Tribunal, porém, uma vez escolhido, ele deve entrar
no cadastro.

O mediador e conciliador precisar realizar curso em entidade


credenciada, conforme parâmetro curricular mínimo exigido pelo
CNJ e Ministério da Justiça.

Sempre que recomendado, é possível designar mais de um


mediador/ conciliador no caso.

Será EXCLUÍDO do cadastro de conciliadores e mediadores aqueles


que:

1. Agir com dolo ou culpa


2. Violar qualquer dos deveres (e.g, dever de confidencialidade)
3. Atuar apesar de impedido ou suspeito;

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Nesses casos há, inclusive, processo administrativo para


responsabilização.

Conciliador

O conciliador atua, preferencialmente, quando não há vínculo


anterior entre as partes.

Diferente do mediador, o conciliador pode sugerir soluções.

O conciliador deve estar cadastrado no órgão competente e ficará


impedido de exercer a advocacia onde desempenha sua função.

Além disso, não poderá assessorar, representar ou patrocinar


qualquer das partes por 1 ano, contados da última audiência.

Mediador

O mediador atua, preferencialmente, quando há vínculo anterior


entre as partes.

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Diferente do conciliador, o mediador NÃO pode sugerir soluções.

A função do mediador é criar uma ponte para o diálogo entre as


partes.

Assim como o conciliador, o mediador deve estar cadastrado no


órgão competente e não poderá exercer a advocacia onde
desempenha a função.

Também não poderá assessorar, representar ou patrocinar


qualquer das partes por 1 ano, contados da última audiência.

Princípios que Regem a Mediação e a Conciliação

São princípios que regem a mediação e a conciliação:

• Princípio da Independência: A independência guarda


relação com a atuação do mediador.
• Princípio da Imparcialidade do Mediador e Conciliador: é
possível, inclusive, arguir a suspeição e impedimento do
mediador e conciliador.
• Princípio da Autonomia da Vontade: inclusive, quanto as
regras procedimentais da mediação e conciliação, ou seja, as
partes podem definir as regras de mediação.

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• Princípio da Confidencialidade: o mediador e conciliador


NÃO podem expor nada que tiver acesso. Aliás, mediador e
conciliador podem se escusar de depor como testemunha por
conta disso.
• Princípio da Oralidade e da Informalidade: a formalidade
(tanto no local, como no vocabulário) arma as partes. Por isso,
a conciliação/ mediação, para alcançar seu objetivo, precisa
ser algo mais descontraído. Por exemplo, mesa circular, trajes
não formais, etc.

Centros Judiciários de solução parcial de conflito

É dever dos Tribunais (TJ e TRF) criarem centros judiciários de


solução judicial de conflito, cabendo a cada Tribunal definir a
composição e organização desses centros.

Esses centros possuem 2 competências:

1. São responsáveis pelas audiências de mediação e conciliação.


A condução dessa audiência não será feita pelo juiz. A ideia
do código é profissionalizar a mediação e a conciliação.
2. Caberá a eles o desenvolvimento de programas destinados a
auxiliar e estimular a solução dos conflitos.

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Testemunhas

No saneamento do processo, o juiz, ao delimitar as questões de


fato controvertidas e especificar os meios de prova (art. 357, II,
CPC), poderá aceitar a produção de prova testemunhal requerida
pelas partes, hipótese em que vai designar audiência de instrução
para oitiva das testemunhas (art. 357, V, CPC).

Neste caso, o magistrado fixará prazo de até 15 dias para que as


partes apresentem o rol de testemunhas.

Conforme art. 457 do CPC, o rol de testemunhas deve conter,


sempre que possível:

1. Nome;
2. Profissão;
3. Estado Civil;
4. Idade;
5. CPF e RG;
6. Endereço completo da residência;
7. Endereço completo do local de trabalho.

A prova testemunhal é obtida pela inquirição, em audiência, de


pessoas estranhas ao processo.

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O magistrado não admitirá a prova testemunhal na hipótese de:

1. Fato já provado por documento ou confissão;


2. Fato que só pode ser comprovado por documento ou prova
pericial.

Segundo o art. 446 do CPC, também é possível provar por


testemunhas:

I – nos contratos simulados, a divergência entre a


vontade real e a vontade declarada;

II – nos contratos em geral, os vícios de


consentimento.

O maior de 16 anos pode ser testemunha (o menor de 16 anos


poderá apenas assumir a condição de informante).

Segundo o art. 447 do CPC, não poderá ser testemunha os


incapazes, impedidos ou suspeitos.

O próprio dispositivo esclarece quem será incapaz, impedido ou


suspeito.

Observe o que dispõe o art. 447 do CPC:


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Art. 447. Podem depor como testemunhas todas as


pessoas, exceto as incapazes, impedidas ou
suspeitas.

§ 1º São incapazes:

I – o interdito por enfermidade ou deficiência mental;

II – o que, acometido por enfermidade ou


retardamento mental, ao tempo em que ocorreram os
fatos, não podia discerni-los, ou, ao tempo em que
deve depor, não está habilitado a transmitir as
percepções;

III – o que tiver menos de 16 (dezesseis) anos;

IV – o cego e o surdo, quando a ciência do fato


depender dos sentidos que lhes faltam.

§ 2º São impedidos:

I – o cônjuge, o companheiro, o ascendente e o


descendente em qualquer grau e o colateral, até o
terceiro grau, de alguma das partes, por
consanguinidade ou afinidade, salvo se o exigir o
interesse público ou, tratando-se de causa relativa ao
estado da pessoa, não se puder obter de outro modo
a prova que o juiz repute necessária ao julgamento do
mérito;

II – o que é parte na causa;


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III – o que intervém em nome de uma parte, como o


tutor, o representante legal da pessoa jurídica, o juiz,
o advogado e outros que assistam ou tenham
assistido as partes.

§ 3º São suspeitos:

I – o inimigo da parte ou o seu amigo íntimo;

II – o que tiver interesse no litígio.

§ 4º Sendo necessário, pode o juiz admitir o


depoimento das testemunhas menores, impedidas ou
suspeitas.

§ 5º Os depoimentos referidos no § 4º serão


prestados independentemente de compromisso, e
o juiz lhes atribuirá o valor que possam merecer.

Observe que menores, impedidos ou suspeitos podem ser ouvidos


na condição de informante (art. 447, § 5º, CPC).

O informante não presta compromisso de dizer a verdade e, por


isso, não comete o crime de falso testemunha.

Além disso, segundo o art. 448 do CPC, a testemunha não é


obrigada a depor sobre fatos:

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I – que lhe acarretemgrave dano, bem como ao seu


cônjuge ou companheiro e aos seus parentes
consanguíneos ou afins, em linha reta ou colateral, até
o terceiro grau;

II – a cujo respeito, por estado ou profissão, deva


guardar sigilo.

A testemunha poderá ser substituída na hipótese de:

1. Morte;
2. Enfermidade;
3. Mudança de residência/ local de trabalho e não foi
encontrada.

A intimação da testemunha, como regra, ocorre por meio do


próprio advogado (art. 455 do CPC).

O advogado deverá juntar ao processo, com 3 dias de


antecedência, a cópia de correspondência com AR (aviso de
recebimento).

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Excepcionalmente, a intimação da testemunha poderá ser judicial


quando a testemunha, uma vez intimada por carta com AR pelo
advogado, não comparece em audiência.

Neste caso, a nova intimação será judicial e a testemunha poderá


ser conduzida coercitivamente, além de responder pelas despesas
do adiamento.

A parte também poderá comprometer-se a levar a testemunha


espontaneamente.

Neste caso, o não comparecimento da testemunha enseja a


presunção de desistência da inquirição daquela testemunha.

Segundo o art. 455, § 4º, do CPC, a intimação da testemunha será


necessariamente judicial se:

I – for frustrada a intimação prevista no § 1º deste


artigo;

II – sua necessidade for devidamente demonstrada


pela parte ao juiz;

III – figurar no rol de testemunhas servidor público ou


militar, hipótese em que o juiz o requisitará ao chefe
da repartição ou ao comando do corpo em que servir;

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IV – a testemunha houver sido arrolada pelo Ministério


Público ou pela Defensoria Pública;

V – a testemunha for uma daquelas previstas no art.


454 .

Como regra, serão ouvidas primeiro as testemunhas do autor e,


após, as testemunhas do réu.

Não poderá haver contato um com as outras.

Observe o que dispõe o art. 456 do CPC:

Art. 456: O juiz inquirirá as testemunhas separada e


sucessivamente, primeiro as do autor e depois as do
réu, e providenciará para que uma não ouça o
depoimento das outras.

É importante observar, contudo, que o parágrafo único do mesmo


dispositivo esclarece que o magistrado poderá alterar a ordem
se as partes concordarem.

Após ser anunciada a testemunha, poderá a parte adversária


contraditá-la.

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Aliás, o CPC impõe a apresentação prévia do rol de testemunhas


justamente para que a parte contrária possa ter tempo de juntar
documentos aptos a contraditá-las se necessário.

O juiz poderá:

1. Aceitar a contradita e não ouvir a testemunha (ou ouvir como


informante);
2. Não aceitar a contradita e ouvir como testemunha.

No CPC de 2015, as perguntas NÃO serão feitas ao juiz e


repassadas a testemunha (antigo sistema presidencialista).

O advogado deve fazer as perguntas diretamente à testemunha.

É o que dispõe o art. 456 do CPC:

Art. 459. As perguntas serão formuladas pelas partes


diretamente à testemunha, começando pela que a
arrolou, não admitindo o juiz aquelas que puderem
induzir a resposta, não tiverem relação com as
questões de fato objeto da atividade probatória ou
importarem repetição de outra já respondida.

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O juiz poderá indeferir perguntas, porém a parte tem o direito de


requerer que a pergunta indeferida conste no termo da audiência
(art. 459, § 3º, CPC).

A divergência de declarações pode ensejar a acareação, ou seja, o


confronto, provocado pelo juiz ou pelas partes, entre indivíduos
que divergem em suas declarações.

Segundo o próprio CPC (art. 461, II, CPC), a acareação poderá ser
determinada quando 2 (duas) ou mais testemunhas ou de alguma
delas com a parte, divergirem em suas declarações em face de fato
controvertido que pode influir no julgamento da demanda.

A testemunha tem o direito de requerer o pagamento das despesas


que efetuou para comparecimento em audiência (art. 462 do CPC).

A parte deve pagá-la logo que arbitrada ou depositá-la em cartório


dentro de 3 (três) dias.

O depoimento prestado em juízo é considerado serviço público e


o empregado (celetista) que presta depoimento não poderá ser
prejudicado com perda de salário ou desconto no tempo de
serviço (art. 463 do CPC).

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Por fim, é importante lembrar que algumas testemunhas serão


necessariamente inquiridas em sua residência ou onde exerçam
suas funções.

Tratam-se das testemunhas egrégias (art. 454 do CPC).

Art. 454. São inquiridos em sua residência ou onde


exercem sua função:

I – o presidente e o vice-presidente da República;

II – os ministros de Estado;

III – os ministros do Supremo Tribunal Federal, os


conselheiros do Conselho Nacional de Justiça e os
ministros do Superior Tribunal de Justiça, do Superior
Tribunal Militar, do Tribunal Superior Eleitoral, do
Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal de Contas
da União;

IV – o procurador-geral da República e os
conselheiros do Conselho Nacional do Ministério
Público;

V – o advogado-geral da União, o procurador-geral do


Estado, o procurador-geral do Município, o defensor
público-geral federal e o defensor público-geral do
Estado;

VI – os senadores e os deputados federais;

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VII – os governadores dos Estados e do Distrito


Federal;

VIII – o prefeito;

IX – os deputados estaduais e distritais;

X – os desembargadores dos Tribunais de Justiça, dos


Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais
Regionais do Trabalho e dos Tribunais Regionais
Eleitorais e os conselheiros dos Tribunais de Contas
dos Estados e do Distrito Federal;

XI – o procurador-geral de justiça;

XII – o embaixador de país que, por lei ou tratado,


concede idêntica prerrogativa a agente diplomático do
Brasil.

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Processo e Procedimento

Neste artigo, eu vou explicar tudo sobre o processo e o


procedimento.

Processo é uma sequência lógica de atos processuais para obter a


prestação jurisdicional.

Pode-se compreender o processo como um instrumento.

Por meio do processo, o Estado exerce a jurisdição, o autor exerce


o direito de ação e o réu exerce o direito de defesa.

O procedimento, por sua vez, é o modo pelo qual os atos


processuais devem ser cumpridos.

Portanto, se por um lado o processo é o instrumento (formado pela


sequência lógica de atos processuais), o procedimento será o
modo pelo qual os atos devem ser cumpridos.

É o procedimento que define como deve ser a ordem/ sequência


de atos processuais…

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Quais são as Espécies de Procedimento?

São espécies de procedimento o:

1. Procedimento comum;
2. Procedimento sumaríssimo;
3. Procedimento especial.

O procedimento comum será subdividido em:

1. fase postulatória;
2. fase saneadora;
3. fase instrutória;
4. fase decisória;
5. fase recursal.

No processo civil, o procedimento sumaríssimo é aquele adotado


no âmbito dos juizados especiais.

Por fim, os procedimentos especiais guardam relação com o


regramento de atos processuais em ações específicas.

Plasticidade do Procedimento
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O CPC de 2015 adotou a plasticidade do procedimento.

Fala-se, ainda, em adaptabilidade do procedimento ou


flexibilização das regras procedimentais.

A alteração do procedimento pode ocorrer por meio de negócio


jurídico processual típico (e.g. calendário processual – art. 191 do
CPC), ou ainda, por negócio jurídico processual atípico (art. 190 do
CPC).

• Dica: leia sobre negócio jurídico processual.

O que é Processo sincrético?

É importante observar, ainda, que na atual sistemática do processo


civil, adota-se o denominado processo sincrético.

Isso significa que o processo é subdivido em fases, incluindo, em


um mesmo processo, a tutela cognitiva e satisfativa.

Em síntese, significa dizer que uma única relação jurídica processual


permite a declaração e a satisfação do direito material.

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Em outras palavras, não se faz necessário, como regra, instaurar


novo processo com formação de uma nova relação jurídica
processual voltada apenas à execução.

Vício no Procedimento

Quando estudamos os princípios fundamentais do processo civil,


observamos que , no processo, vigora o princípio da primazia da
decisão de mérito.

Observe o que disciplina o art. 4° do CPC:

Art. 4º As partes têm o direito de obter em prazo


razoável a solução integral do mérito, incluída a
atividade satisfativa.

O objetivo desse princípio é deixar claro que a solução de mérito é


PRIORITÁRIA.

Portanto, o juiz deve fazer o possível para julgar o mérito.

Por isso, diante de um vício sanável, deve o magistrado, além de


esclarecer o problema processual (dever de prevenção), deve abrir

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prazo para que a parte tenha a oportunidade de regularizar a


situação.

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Fase Instrutória

A fase instrutória é destinada a colheita de provas.

A doutrina destaca que o processo alcança a fase instrutória, pois


os elementos de prova, sobretudo documentos, apresentados na
fase postulatória não foram suficientes para formar a convicção do
juiz.

A fase instrutória, portanto, não é uma etapa obrigatória do


procedimento comum.

Haverá fase instrutória apenas quando não for possível o


julgamento antecipado do mérito.

A controvérsia de direito não precisa ser comprovada, exceto na


hipótese do juiz exigir a comprovação da vigência e do teor do
direito municipal, estadual, estrangeiro ou consuetudinário (art.
376 do CPC).

A controvérsia de fato, em contrapartida, precisa ser comprovada.

Neste caso, o autor deverá comprovar o fato constitutivo do direito


e o réu eventual fato impeditivo, modificativo ou extintivo.

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As provas, portanto, como regra tem como destinatário o juiz, pois


seu objetivo, em um primeiro momento, é formar a convicção do
magistrado em torno do tema em debate.

Mas é preciso ter cautela, pois não é sempre que as provas tem
como destinatário o juiz…

A ação de produção antecipada de provas, por exemplo, poderá


ser ajuizada, dentre outros motivos, nos casos em que “o prévio
conhecimento dos fatos possa justificar ou evitar o ajuizamento de
ação” (art. 381, III, do CPC), ou ainda, nos casos em que “a prova a
ser produzida seja suscetível de viabilizar a autocomposição ou
outro meio adequado de solução de conflito“(art. 381, II, CPC).

Observe que, nos dois casos, a prova é destinada às partes (e não


ao juiz…).

Cabem as partes (autor e réu) indicar, na petição inicial e na


contestação, os meios de prova de que se quer utilizar para
demonstrar suas alegações.

Entretanto, a definição específica dos meios de prova ocorrerá


apenas no saneamento do processo.

Lembro, por oportuno, que, apenas no saneamento do processo, o


juiz, dentre outras coisas, vai “delimitar as questões de fato sobre
as quais recairá a atividade probatória, especificando os meios de
prova admitidos” (art. 357, II, CPC).
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A audiência de instrução ocorrerá apenas quando necessária a


colheita de prova oral (partes e testemunha).

São motivos que podem adiar a audiência:

1. A vontade das partes (adiamento consensual);


2. Partes ou testemunhas não podem, por motivo justificado,
comparecer em audiência. O impedimento deve ser
comprovado até a abertura da audiência;
3. Atraso injustificado do juiz por tempo superior a 30 minutos.

Na hipótese de não comparecimento do advogado ou do


Ministério Público, poderá o juiz dispensar a produção de provas
da parte faltante.

Aquele que der causa ao adiamento deve responder pelas


despesas acrescidas.

Há uma ordem preferencial (não obrigatória) na condução da


audiência:

• 1° lugar: ouve o perito e assistentes técnicos;


• 2° lugar: ouve autor e réu;
• 3° lugar: ouve testemunhas do autor e do réu.

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As testemunhas não devem se comunicar entre si.

As alegações finais orais serão de 20 minutos prorrogáveis por mais


10 minutos.

É possível requerer prazo para apresentar alegações finais escritas.

É importante observar, por fim, que a parte poderá informar a


gravação da audiência.

Observe que não é necessário obter autorização do magistrado,


contudo, em respeito ao princípio da boa-fé, a parte deve informar
a intenção de gravar a audiência.

Aliás, sobre o tema gravação da audiência, observe o que dispõe o


art. 367, § 5º e § 6º, do CPC:

art. 367 (…)

§ 5º A audiência poderá ser integralmente gravada


em imagem e em áudio, em meio digital ou analógico,
desde que assegure o rápido acesso das partes e dos
órgãos julgadores, observada a legislação específica.

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§ 6º A gravação a que se refere o § 5º também pode


ser realizada diretamente por qualquer das partes,
independentemente de autorização judicial.

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Fase Saneadora

Na hipótese do magistrado entender que não será o caso de


julgamento antecipado do processo ou sentença terminativa,
seguirá para o saneamento do processo (fase saneadora).

O saneamento, na prática, pode ser compreendido como a etapa


de organização do processo.

Segundo o art. 357 do CPC, o juiz, em decisão de saneamento e


organização do processo deverá:

I – resolver as questões processuais pendentes, se


houver;

II – delimitar as questões de fato sobre as quais


recairá a atividade probatória, especificando os meios
de prova admitidos;

III – definir a distribuição do ônus da prova, observado


o art. 373 ;

IV – delimitar as questões de direito relevantes para a


decisão do mérito;

V – designar, se necessário, audiência de instrução e


julgamento.

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Observe que o magistrado poderá definir a distribuição do ônus da


prova.

Fala-se, por isso, que, ao processo civil aplica-se, hoje, a


possibilidade de distribuição dinâmica (e não estática…) do ônus
da prova.

A distribuição é dinâmica, pois é realizada pelo juiz.

É evidente que a atribuição de ônus da prova tem aptidão para


alterar os rumos do processo.

Por exemplo, o magistrado poderá atribuir à parte a produção de


prova impossível. Neste caso, a parte, fatalmente, será vencida no
processo.

Por isso, o Código de Processo Civil determinou que essa decisão


será impugnável por meio de agravo de instrumento (art. 1.015, XI,
CPC).

Existindo dúvida sobre as questões no saneamento, há prazo de 5


dias para solicitar que o juiz faça ajustes. Muita atenção, pois não
se trata de embargos de declaração.

art. 357 (…)


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§ 1º Realizado o saneamento, as partes têm o direito


de pedir esclarecimentos ou solicitar ajustes, no
prazo comum de 5 (cinco) dias, findo o qual a
decisão se torna estável.

Após a decisão, o processo estará estabilizado.

É estável naquilo que não for impugnável por Agravo de


Instrumento.

O saneamento do processo poderá ser:

1. Individual;
2. Consensual;
3. Compartilhado.

Na prática, o saneamento individual é a regra.

Aqui, após realizar o saneamento, o juiz abre prazo comum para


que as partes, em 15 dias, apresentem rol de testemunhas.

O saneamento consensual vem disciplinado no art. 357, § 2ª, do


CPC:

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art. 357 (…)

§ 2º As partes podem apresentar ao juiz, para


homologação, delimitação consensual das
questões de fato e de direito a que se referem os
incisos II e IV, a qual, se homologada, vincula as
partes e o juiz.

Portanto, as partes levam ao juiz, para homologação, a delimitação


consensual das questões de fato e de direito controvertidas.

O juiz, neste caso, apenas não homologa se houver fraude.

Por fim, o saneamento compartilhado ocorre em audiência


designada para esse propósito.

Você pode estar se perguntando: “e como funciona essa espécie


de saneamento?“

É bastante simples de entender…

A depender da complexidade do caso, poderá o juiz optar por uma


audiência de organização do processo para que possam as partes,
inclusive, esclarecer suas alegações (art. 357, § 3º, CPC).

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É neste caso que ocorre o que a doutrina chama de saneamento


compartilhado.

Em outras palavras, o saneamento ocorre, em conjunto (juiz, autor


e réu).

Aqui, as partes devem levar, para a audiência prevista, o respectivo


rol de testemunhas (art. 357, § 5º, CPC).

Fora dessa hipótese (saneamento compartilhado), o juiz


determinará que o rol de testemunhas sejam apresentadas em 15
dias.

O juiz poderá limitar o número de testemunhas levando em conta


a complexidade da causa e dos fatos individualmente
considerados.

Contudo, “o número de testemunhas arroladas não pode ser


superior a 10 (dez), sendo 3 (três), no máximo, para a prova de cada
fato” (art. 357, § 6º, CPC).

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Pressupostos Processuais

Os pressupostos processuais são requisitos que, uma vez


atendidos, garantem a validade e existência do processo.

São requisitos indispensáveis para o desenvolvimento válido de


uma relação jurídica processual.

Portanto, para que o processo seja válido e existente, é necessário


comprovar o preenchimento dos pressupostos processuais.

A partir desse conceito, fica fácil perceber que os pressupostos


processuais podem ser de existência ou de validade.

Antes de dar início ao estudo dos pressupostos processuais, é


muito importante entender que existe um enorme debate da
doutrina sobre o tema.

São inúmeras classificações e cada doutrinador alinha-se a uma


classificação específica.

Dada a complexidade, vou explicar o tema em tópicos.

Contudo, para ser mais didático, eu desenhei essa aula para você
compreender o tema passo a passo.

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Pressupostos Processuais de Existência

Os pressupostos processuais de existência podem ser subjetivos


ou objetivos.

O primeiro guarda relação com os sujeitos integrantes da relação


juríidica processual (autor, réu e juiz).

O segundo, em contrapartida, guarda relação com a demanda.

São pressupostos de existência subjetivos:

1. A capacidade de ser parte;


2. Órgão investido de jurisdição.

A capacidade de ser parte é um pressuposto de existência ligado


ao autor e ao réu.

Estar investido de jurisdição, por sua vez, é um pressuposto de


existência ligado ao juiz.

Em paralelo, o pressuposto de existência objetivo.

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Trata-se da demanda regularmente formulada.

Entende-se por demanda, aqui, o ato inicial de exercício da ação.

Lembro, por oportuno, que a jurisdição é inerte e, por isso,


depende de provocação.

Observe o que dispõe o art. 2° do CPC:

Art. 2º O processo começa por iniciativa da parte e se


desenvolve por impulso oficial, salvo as exceções
previstas em lei.

Portanto, para existir, é imprescindível a demanda, sendo este o


pressuposto de existência objetivo.

Pressupostos Processuais de Validade

Assim como os pressupostos de existência, os pressupostos de


validade podem ser subjetivos e objetivos.

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Os pressupostos de validade subjetivo, também como o anterior,


guardam relação com os sujeitos que integram a relação jurídica
processual (autor, réu e juiz).

Em relação ao autor e ao réu, os pressupostos de validade


subjetivos são:

1. Capacidade processual (legitimatio ad processum)


2. Capacidade postulatória;
3. Legitimidade “ad causam“;
4. Citação válida do réu.

Em relação ao juiz, por sua vez, são pressupostos de validade


subjetivos:

1. Competência;
2. Imparcialidade.

Capacidade Processual

A capacidade processual (ou legitimatio ad processum) é a


capacidade de exercício.

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Trata-se de quem pode praticar atos processuais em nome


próprio.

Sobre o tema, o art. 70 do CPC esclarece que “toda pessoa que se


encontre no exercício de seus direitos tem capacidade para estar
em juízo“.

O menor, por exemplo, não pode, sózinho, praticar atos


processuais em nome próprio.

Neste particular, o menor impúbere (menos de 16 anos) será


representado, ao passo que o menor púbere (maior de 16 anos)
será assistido.

Representação

Aqui, é importante lembrar que o art. 75 elenca algumas hipóteses


de representação judicial.

Por exemplo:

1. O condomínio será representado pelo síndico;


2. O espólio será representado pelo inventariante;
3. A massa falida será representada pelo administrador judicial;

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4. A pessoa jurídica de direito privado será representada pelos


sócios;

Em se tratando de pessoa jurídica de direito público, temos o


seguinte:

1. A União será representada pela AGU (Advocacia Geral da


União) diretamente ou mediante órgão vinculado.
2. Os Estados e o Distrito Federal serão representados pelos
respectivos Procuradores;
3. O Município será representado pela Prefeitura ou Procurador.

Curador Especial

Dentro do âmbito da representação, é importante destacar que à


Defensoria Pública cabe o papel de curador especial.

Sobre o tema, o art. 72 do CPC dispõe o seguinte:

Art. 72. O juiz nomeará curador especial ao:

I – incapaz, se não tiver representante legal ou se os


interesses deste colidirem com os daquele, enquanto
durar a incapacidade;

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II – réu preso revel, bem como ao réu revel citado por


edital ou com hora certa, enquanto não for constituído
advogado.

Parágrafo único. A curatela especial será exercida


pela Defensoria Pública, nos termos da lei.

Portanto, temos os seguinte…

O juiz nomeará curador especial quando:

1. Réu revel

a) preso e sem advogado ou…

b) citado fictamente (citação por edital ou por hora certa).

1. Incapaz

a) sem representante legal ou…

b) com representante que tem interesse que colide com o interesse


do incapaz.

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Capacidade Processual de Pessoas Casadas

Na hipótese do regime de bens ser diferente da separação absoluta


de bens, será preciso observar o seguinte:

Caso o conjuge seja autor em uma ação real imobiliária, então será
preciso obter o consentimento do outro cônjuge para ajuizar a
ação.

Na hipótese, contudo, do cônjuge ser réu em uma ação real


imobiliária, então será preciso alocar ambos no polo passivo.

Trata-se, neste caso, de um litisconsórcio passivo necessário.

Capacidade Postulatória

A capacidade postulatória pode ser compreendida como a


capacidade técnica que tem o advogado devidamente inscrito na
Ordem dos Advogados do Brasil, ou ainda, o Defensor Público.

Destaque-se, por oportuno, que, em recente decisão proferida pelo


STF (RE 1.240.999), restou consignado que é inconstitucional impor
a inscrição do Defensor Público na OAB para o exercício do cargo.

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Isso porque os Defensores Públicos se sujeitam a regime e


fiscalização próprios, não sendo vinculados à OAB.

Além disso, não há previsão constitucional que condicione o


exercício do cargo de defensor público à inscrição nos quadros da
OAB. Em verdade, a Constituição PROÍBE a prática, pelo Defensor
Público, da advocacia privada.

Legitimidade “ad causam”

Legitimidade “ad causam” significa legitimidade para a causa.

A legitimidade, aqui, poderá ser:

1. Ordinária: exercida em nome próprio e defendendo interesse


próprio;
2. Extraordinária: exercida em nome próprio, porém
defendendo interesse alheio. Fala-se, aqui, em substituição
processual.

A legitimidade extraordinária depende de lei ou de negócio jurídico


processual.

Citação Válida do Réu


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A citação é o ato processual responsável pela perfeita formação da


relação jurídica processual.

É por meio da citação válida que o réu torna-se integrante da


relação jurídica processual.

Tem-se, a partir da citação, uma relação jurídica formada pelo Réu,


Autor e Juiz.

• Aprenda mais sobre citação.

Competência e Imparcialidade

A competência e a imparcialidade são pressupostos de validade


subjetivos ligados ao juiz.

O art. 5°, sobre ambas, disciplina o seguinte:

Art. 5° (…)

XXXVII – não haverá juízo ou tribunal de exceção


(imparcialidade do juiz/ tribunal);

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(…)

LIII – ninguém será processado nem sentenciado


senão pela autoridade competente (competência);

(…)

O objetivo do legislador é evitar arbitrariedades

Entende-se por imparcial o juiz que não tem qualquer interesse no


objeto do processo, ou ainda, em prejudicar ou beneficiar qualquer
das partes.

A competência pode ser compreendida como um limite imposto


ao órgão jurisdicional para que ele possa exercer, de forma
legítima, a jurisdição.

Pressupostos de Validade Objetivos

Por fim, temos os pressupostos de validade objetivos que podem


ser:

1. Intrínsecos (dentro do processo);


2. Extrínsecos (fora do processo).

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Os pressupostos processuais de validade objetivo intrínsecos são


elementos que devem ser observados dentro do processo, como o
adequado desenrolar dos atos processuais.

Por isso, é pressuposto de validade objetivo intrínseco o próprio


respeito ao procedimento.

Em outras palavras, trata-se do respeito ao formalismo processual.

Os pressupostos de validade extrínsecos, por sua vez, podem ser:

1. Positivos, quando precisam existir para o processo ser válido;


2. Negativos, quando NÃO podem existir para o processo ser
válido;

É pressuposto de validade positivo o interesse da agir.

Em paralelo, são pressupostos da validade negativos a:

1. Litispendência;
2. Coisa Julgada;
3. Preempção;
4. Convenção de arbitragem.

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É importante destacar que ocorre a preempção quando a parte


deixa o processo extinguir, por três vezes, pelo abandono da causa.

Também é importante lembrar que a convenção de arbitragem,


embora pressuposto de validade, não pode ser reconhecida de
ofício.

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Citação

A citação é o ato processual que visa a COMUNICAÇÃO do sujeito


passivo de que, em face dele, foi proposta uma demanda.

Tal ato, em verdade, tem dupla função:

1. Convocar o réu a juízo;


2. Cientificar o réu do conteúdo da demanda.

Trata-se de um requisito de validade do processo.

Não se trata, como se observa, de um requisito de existência (tanto


que é possível conceder liminar antes da citação).

A citação está respaldada no princípio da pessoalidade.

Isso significa que, como regra, a citação será feita na pessoa do réu.

Porém, há exceções:

1. O representante poderá receber a citação (por exemplo, no caso


de filho menor);

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2. O advogado, com poderes especiais, poderá receber a citação


(art. 105 do CPC);

3. Pessoa Jurídica de Direito Público:

o a)União: quem recebe é a advocacia geral da União


o b) Estado: quem recebe é a Procuradoria do Estado;
o c) Município: quem recebe é a procuradoria do
Município
o d) Distrito Federal: quem recebe é a procuradoria do
Distrito Federal

4. Pessoa Jurídica de Direito Privado: vale, aqui, a Teoria da


Aparência (e.g. pessoa com crachá da empresa recebe a citação na
porta).

É importante observar, contudo, que no caso da pessoa jurídica


de direito público e da pessoa jurídica de direito privado, a
citação será, preferencialmente, por meio eletrônico, exceto
para microempresas e empresas de pequeno porte que não são
obrigadas a se cadastrar.

Na ausência do citando, poderá ser citado o mandatário, o


administrador, o preposto ou o gerente, quando a ação se
originar de atos por eles praticados.

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Caso o locador deixe o país sem notificar o locatário, poderá o


locatário citar o administrador do imóvel (por exemplo, a
imobiliária).

Lugar da Citação

Como regra, a citação será feita no lugar em que se encontre o réu.

O militar em serviço ativo que não for encontrado e não se souber


a residência, será citado na unidade em que estiver servindo.

Não será feita a citação, exceto para evitar o perecimento do


direito:


o Durante CULTO RELIGIOSO;
o De cônjuge, companheiro ou parente do MORTO, no dia
do falecimento e 7 DIAS SEGUINTES;
o De NOIVOS nos 3 DIAS seguintes ao casamento;
o Do DOENTE, enquanto grave seu estado.

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Efeitos da Citação Válida

A citação feita, mesmo que por Juiz INCOMPETENTE:


o Torna litigiosa a coisa;
o Induz litispendência;
o Constitui o devedor em mora;

É preciso ter atenção, pois, não entram aqui, a interrupção da


prescrição e a prevenção do juízo.

Em verdade, o despacho citatório interrompe a prescrição, ao


passo que a distribuição/ registro do processo torna prevento o
juízo.

Modalidades de Citação

A citação poderá ocorrer:


o Pelo correio;

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o Por oficial de justiça;


o Por escrivão ou chefe de secretaria;
o Por edital;
o Por meio eletrônico.

Vamos falar, nos próximos tópicos, sobre cada uma delas.

Citação pelo Correio

A citação pelo correio é a regra p/ citação de pessoa natural.

O prazo, aqui, começa da juntada do AR (aviso de recebimento).

Há casos, todavia, em que a citação da pessoa natural não poderá


ocorrer por carta.

São elas:


o Ações de Estado;
o Citando é Incapaz;
o Citando é Pessoa Jurídica de Direito Publico;
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o Citando que reside em local NÃO atendido pela


CORRESPONDÊNCIA ;
o Autor, justificando, requerer de outra forma.

É importante lembrar que cabe citação pelo correio feita na pessoa


do porteiro. Neste caso, a portaria do prédio/ condomínio recebe
a citação.

Contudo, é evidente que o porteiro poderá deixar de receber se


declarar que a pessoa não está lá.

Citação por Oficial de Justiça

A citação por oficial de justiça poderá ser real ou ficta.

A citação ficta é a conhecida citação por hora certa.

Para ocorrer a citação ficta, será preciso respeitar os seguintes


requisitos:


o Requisito subjetivo: suspeita de ocultação do réu;

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o Requisito objetivo: duas tentativas de citação do réu


sem êxito;
o Requisito formal: O escrivão/ Chefe de Secretaria
encaminha telegrama/ carta/ correspondência eletrônica
em até 10 dias contados da data da citação (art. 254 do
CPC)

Citação pelo Escrivão ou Chefe de Secretaria

Esta espécie de citação ocorre quando o réu comparece,


espontaneamente, na secretaria da vara.

Citação por Edital

Em alguns casos, a lei exige a citação por edital.

É o caso da:

o Usucapião;
o Ação de recuperação ou substituição de título ao
portador;
o Ação com interessados incertos.

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Contudo, como regra e fora dessas hipóteses, a citação por edital


ocorre, apenas, excepcionalmente.

Ocorrerá a citação por edital, por exemplo, na hipótese da parte


encontrar-se em local incerto e não sabido.

Isso pode ocorrer, por exemplo, quando o local é inacessível, ou


ainda, quando esgotadas as tentativas.

A jurisprudência considera inacessível, por exemplo, território


estrangeiro que não cumpre carta rogatória, cabendo, neste caso,
a citação por edital.

Observe que a parte não poderá alegar dolosamente que não


encontrou, sob pena de ser condenada no pagamento de multa de
até 5x o salário-mínimo (art. 258 do CPC).

Está multa será revertida em benefício do citando.

São requisitos da citação por edital:


o Certidão do oficial falando que não encontrou o citando;
o Publicação na
o Rede Mundial de computadores

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o Sitio do respectivo tribunal


o Na plataforma do CNJ
o Prazo de dilação de 20 a 60 dias a ser definido pelo
magistrado;
o Advertência de que será nomeado curador especial em
caso de revelia.

O Juiz poderá, ainda, determinar publicação em jornal de grande


circulação ou outros meios complementares

Citação por meio Eletrônico (atualizada pelo Lei 14.195/2021)

Antes da lei 14.195/2021, a citação por meio eletrônico era a regra


para pessoas jurídicas públicas ou privadas, exceto Microempresa
e Empresa de Pequeno Porte.

A alteração, contudo, torna prioritária a citação por meio eletrônico


para todas as pessoas jurídicas, inclusive Microempresa (ME) e
Empresa de Pequeno Porte (EPP).

Para ME e EPP, contudo, a obrigação de manter cadastro existe


apenas quando não possuirem endereço eletrônico cadastrado no
sistema integrado da Rede Nacional para Simplificação de Registro
e da Legalização da Empresas e Negócios – Redesim (art. 246, § 5º,
CPC).
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Isso porque, uma vez existente o cadastro do email na Redesim,


torna-se desnecessário um novo cadastro, já que a lei 14.195/2021
impõe o compartilhamento de dados entre a Redesim e o Poder
Judiciário (art. 246, § 6º, CPC).

A redação do art. 247 esclarece o seguinte:

Art. 247. A citação será feita por meio eletrônico ou


pelo correio para qualquer comarca do País, exceto
(…)

A partir da leitura desse dispositivo, você pode concluir que cabe


ao magistrado ou a parte optar pelo correio ou pela citação por
meio eletrônico.

Contudo, tal interpretação é equivocada.

A lei, de fato, coloca a citação por meio eletrônico como prioridade


no Processo Civil.

Observe o que disciplina a nova redação do art. 246 do CPC:

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Art. 246. A citação será feita preferencialmente por


meio eletrônico, no prazo de até 2 (dois) dias úteis,
contado da decisão que a determinar, por meio dos
endereços eletrônicos indicados pelo citando no
banco de dados do Poder Judiciário, conforme
regulamento do Conselho Nacional de Justiça.

Fica evidente, portanto, que a nova diretriz aponta a citação por


meio eletrônico como sendo preferencial.

Isso significa que, a partir de agora, a citação será feita por email.

Por isso, inclusive, a lei 14.195/2021 acrescenta, também, o inciso


VII ao art. 77 do CPC.

Esse artigo, vale lembrar, trata dos DEVERES das partes,


procuradores e todos aqueles que participam de qualquer forma
do processo.

O dispositivo diz o seguinte:

Art. 77. Além de outros previstos neste Código, são


deveres das partes, de seus procuradores e de todos
aqueles que de qualquer forma participem do
processo:
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(…)

VII – informar e manter atualizados seus dados


cadastrais perante os órgãos do Poder Judiciário e, no
caso do § 6º do art. 246 deste Código, da
Administração Tributária, para recebimento de
citações e intimações.

Observe, contudo, que o endereço eletrônico (email) deve estar


cadastrado e atualizado “no banco de dados do Poder Judiciário,
conforme regulamento do Conselho Nacional de Justiça” (parte
final do art. 246 do CPC).

O legislador, ao que parece, foi bastante claro quando descreve


que a citação será feita “conforme regulamento”.

Observe que a lei não utiliza, neste particular, a expressão


“conforme será regulamentado”, ou ainda, “a ser regulamentado”…

Significa dizer que o legislador parte do pressupostos que o


regulamento do CNJ já existe.

Entendemos que o tema foi regulamentado pelo CNJ por meio da


Resolução 234/2016.
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O art. 2° da supracitada resolução esclarece o seguinte:

Art. 2º Instituir a Plataforma de Comunicações


Processuais do Poder Judiciário (Domicílio Eletrônico)
no âmbito do Poder Judiciário, para os fins previstos
nos arts. 246, §§ 1º e 2º, e 1.050 da Lei 13.105/2015.

Você pode estar se perguntando: “mas e se a parte não faz o


cadastro para receber citações e intimações?”

Há toda uma sistematização voltada a consecução da finalidade da


nova lei.

Parece evidente que o legislador tenta evitar que o tema torne-se


letra morta.

A parte tem 3 dias para confirmar a leitura/ recebimento da citação.

Caso não confirme, a citação será feita pelos outros meios,


conforme art. 246, § 1º-A, do CPC (correio, oficial de justiça,
escrivão/ chefe de secretaria ou edital).

Mas não para por ai…

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O réu que não confirmar o recebimento no prazo de 3 dias úteis


deverá apresentar JUSTA CAUSA para a ausência de confirmação
do recebimento da citação enviada eletronicamente (art. 246, § 1º-
B, CPC).

Na hipótese de não apresentar justa causa, será multado em até


5% do valor da causa por ato atentatório a dignidade da justiça (art.
246, § 1º-C, CPC).

O início da contagem de prazo também foi modificado.

A partir de agora, considera-se dia do começo do prazo “o quinto


dia útil seguinte à confirmação, na forma prevista na mensagem
de citação, do recebimento da citação realizada por meio
eletrônico” (art. 231, inciso IX, CPC).

Então, temos o seguinte…

O réu tem 3 dias para confirmar o recebimento, sob pena de multa.

Após a confirmação, conta-se 5 dias úteis.

Findo o prazo, inicia-se a contagem do prazo para exercício do


direito de defesa.

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Lembre-se que, por se tratar de prazo processual, deve-se excluir o


dia do começo e incluir o dia do fim.

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Intimação

A intimação é o ato pelo qual se dá ciência a alguém dos atos e dos


termos do processo (art. 269 do CPC).

Desde já, é importante esclarecer que as regras relacionadas a


modalidades de citação valem, também, para intimação.

Por isso, recomendo que você leia o artigo sobre citação antes de
prosseguir.

Existem inúmeras modalidades de intimação.

A intimação poderá ser:

1. Por meio eletrônico


2. Por carga nos autos
3. Pessoal
4. Pelo correio
5. Em cartório
6. Em audiência
7. Por oficial de justiça
8. Com hora certa
9. Por edital

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10. Por WhatsApp

O uso de whatsapp para intimação vem sendo defendido pela


jurisprudência, dado o conteúdo do art. 1° da lei 11.419, cumpre
citar:

Art. 1º O uso de meio eletrônico na tramitação de processos


judiciais, comunicação de atos e transmissão de peças processuais
será admitido nos termos desta Lei.

Deverá ser pessoal, contudo, a intimação:

1. Da Advocacia Pública;
2. Da Defensoria Pública
3. Do Ministério Público;

Lembrando que, como no caso da citação, a intimação, nesses


casos, será preferencialmente por meio eletrônico.

É importante lembrar, ainda, que a notificação não se confunde


com a intimação.

A notificação tem o objetivo principal de constituir a parte em


mora.

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A notificação poderá ser judicial ou extrajudicial.

Lembre-se que há casos em que é desnecessário constituir a parte


em mora.

É o que ocorre, por exemplo, no caso da:

1. Obrigação líquida, vencida e exigível;


2. Obrigação de não fazer;
3. Prática de ato ilícito;

Em todos esses casos, ocorre a mora automaticamente por opção


legislativa (mora ex re), sendo desnecessária a constituição
voluntária (mora ex persona).

É importante esclarecer que “presumem-se válidas as intimações


dirigidas ao endereço constante dos autos, ainda que não
recebidas pessoalmente pelo interessado, se a modificação
temporária ou definitiva não tiver sido devidamente comunicada
ao juízo, fluindo os prazos a partir da juntada aos autos do
comprovante de entrega da correspondência no primitivo
endereço” (art. 274, parágrafo único, do CPC).

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Audiência de Conciliação e Mediação

O Código de Processo Civil deu enorme relevância a audiência de


conciliação, aos conciliadores e mediadores.

Isso porque, como já estudamos anteriormente, tem como um dos


seus pilares de sustentação o princípio da solução pelo Estado pela
autocomposição (ou princípio da solução pacífica dos conflitos).

O art. 3°, § 3°, do CPC, sobre o tema, determina que “a conciliação,


a mediação e outros métodos de solução consensual de conflitos
deverão ser estimulados por juízes, advogados, defensores
públicos e membros do Ministério Público, inclusive no curso do
processo judicial”.

Sobre o tema audiência de conciliação, observe o que dispõe o art.


334 do CPC:

Art. 334. Se a petição inicial preencher os requisitos


essenciais e não for o caso de improcedência liminar
do pedido, o juiz designará audiência de conciliação
ou de mediação com antecedência mínima de 30
(trinta) dias, devendo ser citado o réu com pelo
menos 20 (vinte) dias de antecedência.

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É possível designar mais de uma audiência de conciliação, contudo,


a segunda audiência de conciliação deve ser realizada em até 2
meses, contados da data de realização da primeira (art. 334, § 2º,
CPC)

O autor será intimado da data da audiência por meio de seu


advogado.

Neste cenário, o autor, na petição inicial, deve declarar a sua opção


pela realização de audiência de conciliação ou não.

A audiência de conciliação não ocorrerá se autor e réu declararem


que não pretendem conciliar.

Na hipótese de serem litisconsortes, todos devem pedir o


cancelamento para cancelar.

Também não haverá audiência de conciliação na hipótese do


direito em debate não admitir Autocomposição.

O art. 236, § 3º, do CPC esclarece que admite-se a pratica de atos


processuais por videoconferência.

A ideia, desde o início, era autorizar que a audiência de conciliação


pudesse, também, ser realizada por videoconferência.

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Aliás, o art. 336, § 7º, do CPC destaca, expressamente, que “a


audiência de conciliação ou de mediação pode realizar-se por meio
eletrônico, nos termos da lei“.

Com a pandemia que teve início em 2020 e com a criação, pelo


CNJ, do juízo 100% digital (resolução 245 do CNJ) a audiência por
videoconferência (inclusive audiência de instrução…) não só
tornou-se realidade, como vem sendo a regra no País.

Na hipótese das partes comparecerem e não ocorrer acordo, o


prazo para o réu apresentar resposta será de 15 dais, contados do
dia seguinte ao da audiência.

Dado a importância da conciliação para o sistema, o não


comparecimento enseja:

1. Ato atentatório a dignidade da justiça;


2. Multa de até 2% do valor da causa revertida para os cofres
públicos;

Observe…

Art. 336 (…)

§ 8º O não comparecimento injustificado do autor ou


do réu à audiência de conciliação é considerado ato

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atentatório à dignidade da justiça e será


sancionado com multa de até dois por cento da
vantagem econômica pretendida ou do valor da
causa, revertida em favor da União ou do Estado.

A presença do advogado ou defensor público é obrigatória (art.


336, § 9º, CPC).

A parte não precisa comparecer se houver preposto com poderes


para transigir, exceto no Juizado Especial, cuja participação da
parte é obrigatória, quando pessoa natural (a pessoa jurídica
poderá ser representada por preposto…).

Eventual autocomposição obtida em audiência de conciliação será


reduzida a termo e homologada por sentença.

É interessante observar que “a pauta das audiências de conciliação


ou de mediação será organizada de modo a respeitar o intervalo
mínimo de 20 (vinte) minutos entre o início de uma e o início da
seguinte” (art. 336, § 12, CPC).

Lembro, por oportuno, que é dever dos Tribunais (TJ e TRF) criarem
centros judiciários de solução judicial de conflito, cabendo a cada
Tribunal definir a composição e organização desses centros.

Falei bastante sobre o tema, quando expliquei o conciliador e o


mediador.
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Esses centros possuem 2 competências:

1. São responsáveis pelas audiências de mediação e conciliação.


A condução dessa audiência não será feita pelo juiz. A ideia
do código é profissionalizar a mediação e a conciliação.
2. Caberá a eles o desenvolvimento de programas destinados a
auxiliar e estimular a solução dos conflitos.

Audiência de Conciliação no Juizado Especial (Rito


Sumaríssimo)

No juizado especial, o autor tem ciência da data da audiência de


conciliação no momento da distribuição/ registro da Petição Inicial.

Após, cita-se o réu.

O não comparecimento:

1. Do autor: enseja a extinção do processo sem resolução do


mérito. O autor, aqui, deverá pagar custas;
2. Do réu: enseja a revelia.

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Vigora, no juizado especial, o princípio da pessoalidade e, por


isso, não é possível que a pessoa natural seja representada por
preposto.

A participação do advogado é obrigatória em causas cujo valor


superam 20 salários mínimos, ou ainda, na hipótese de
interposição de recurso inominado (art. 41, § 2º, lei 9.099).

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Gratuidade da Justiça

A gratuidade da justiça é assegurada ao hipossuficiente desde 1950


(lei 1.060/50).

Curioso observar que a lei da gratuidade surge no mesmo ano do


livro acesso a justiça escrito em 1.950 por Mauro Cappelletti e
Bryant Garth.

A doutrina explica que o livro dá início ao que ficou conhecido no


Direito Processual como fase instrumentalista.

Os autores identificaram obstáculos que impediam o acesso a


justiça e, ato contínuo, propuseram soluções para superá-los.

Em apertada síntese, os autores sustentam que o ordenamento


jurídico de forma geral deve observar três ondas renovatórias.

• 1° onda renovatória: Tutela dos Necessitados;


• 2° onda renovatória: Representação em juízo dos direitos
metaindividuais;
• 3° onda renovatória: Destaca um novo enfoque de acesso a
justiça com novas técnicas, dentre elas a tutela coletiva
recomendada em razão da facilidade;

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A primeira onda renovatória (tutela dos necessitados) guarda


relação com a gratuidade da justiça.

Sem a gratuidade, o hipossuficiente não pode acessar a justiça e,


portanto, viola-se o direito de ação (direito fundamental).

É preciso observar, também, que a lei 1.060/50 sofreu inúmeras


alterações em relação ao CPC de 2015.

Vamos, neste artigo, pontuar cada uma delas.

Antes, contudo, vamos diferenciar assistência judiciária gratuita


de gratuidade de justiça.

A assistência gratuita é o patrocínio gratuito da causa, ao passo


que a gratuidade de justiça é a isenção para o adiantamento das
custas do processo.

Aliás, o próprio CPC reconhece a diferença no § 4º do art. 99:

art. 99 (…)

§ 4º A assistência do requerente por advogado


particular não impede a concessão de gratuidade da
justiça.

200
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A assistência judiciária gratuita é realizada pela Defensoria Pública


e entidades conveniadas.

A justiça gratuita poderá ser requerida a qualquer tempo, inclusive


em grau de recurso.

Trata-se de um benefício personalíssimo.

Isso significa que o benefício não se estende automaticamente à


litisconsortes e sucessores (art. 99, § 6º, CPC).

Aliás, também não se estende ao advogado da parte beneficiada.

Caso o advogado opte por recorrer exclusivamente de honorários


de sucumbência, deverá recolher as custas (preparo).

É o que disciplina o art. 99, § 5º, CPC:

art. 99 (…)

§ 5º Na hipótese do § 4º, o recurso que verse


exclusivamente sobre valor de honorários de
sucumbência fixados em favor do advogado de

201
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beneficiário estará sujeito a preparo, salvo se o próprio


advogado demonstrar que tem direito à gratuidade.

CPC de 2015 e a Justiça Gratuita

O CPC de 2015 inovou ao prever a possibilidade de modulação


dos efeitos da justiça gratuita.

Isso significa que o juízo poderá, por exemplo, autorizar o


parcelamento das custas, reduzir o valor, dentre outras
possibilidades.

A pessoa natural que assina declaração de hipossuficiência tem


presunção relativa a seu favor (art. 99, § 3º, CPC).

Em contraposição, a pessoa jurídica deverá comprovar a


hipossuficiência.

Observe o que dispõe a súmula 481 do STJ:

Súmula 481 do STJ: Faz jus ao benefício da justiça


gratuita a pessoa jurídica com ou sem fins lucrativos

202
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que demonstrar sua impossibilidade de arcar com os


encargos processuais.

O CPC de 2015, ainda, esclarece que o advogado deve ter poder


especial para assinar a declaração de hipossuficiência (art. 105 do
CPC).

Na hipótese da parte postular pela justiça gratuita apenas em grau


de recurso, ficará dispensada do preparo.

Contudo, o relator poderá indeferir o pedido e, neste caso, fixará


prazo para recolhimento.

É o que dispõe o art. 99, § 7º , CPC:

art. 99 (…)

§ 7º Requerida a concessão de gratuidade da justiça


em recurso, o recorrente estará dispensado de
comprovar o recolhimento do preparo, incumbindo ao
relator, neste caso, apreciar o requerimento e, se
indeferi-lo, fixar prazo para realização do
recolhimento.

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A parte será penalizada quando realizar o pedido de justiça gratuita


com má-fé.

Neste caso, deverá arcar com as despesas processuais acrescido de


até o décuplo do seu valor a título de multa, tudo revertido em prol
da Fazenda Pública Estadual ou Federal.

Essa multa, caso não adimplida, poderá ser inscrita na dívida ativa.

Por fim, é interessante observar que cabe agravo de instrumento


da decisão que rejeita o pedido de justiça gratuita ou acolhe o
pedido de sua revogação (art. 1.015, V, CPC).

O que está incluído na gratuidade da justiça?

A resposta para essa pergunta está no art. 98, § 1º , do CPC:

art. 98(…)

§ 1º A gratuidade da justiça compreende:

I – as taxas ou as custas judiciais;

II – os selos postais;

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III – as despesas com publicação na imprensa oficial,


dispensando-se a publicação em outros meios;

IV – a indenização devida à testemunha que, quando


empregada, receberá do empregador salário integral,
como se em serviço estivesse;

V – as despesas com a realização de exame de código


genético – DNA e de outros exames considerados
essenciais;

VI – os honorários do advogado e do perito e a


remuneração do intérprete ou do tradutor nomeado
para apresentação de versão em português de
documento redigido em língua estrangeira;

VII – o custo com a elaboração de memória de cálculo,


quando exigida para instauração da execução;

VIII – os depósitos previstos em lei para interposição


de recurso, para propositura de ação e para a prática
de outros atos processuais inerentes ao exercício da
ampla defesa e do contraditório;

IX – os emolumentos devidos a notários ou


registradores em decorrência da prática de registro,
averbação ou qualquer outro ato notarial necessário à
efetivação de decisão judicial ou à continuidade de
processo judicial no qual o benefício tenha sido
concedido.

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O CPC de 2015 deixa claro que o benefício alcança, inclusive, atos


extraprocessuais (fora do processo…).

É o que se verifica com o inciso IX do art. 98 que esclarece que o


benefício atinge, inclusive, emolumentos devidos a notários e
registradores.

Neste caso, contudo, pode o notário suscitar o incidente de dúvida


registral.

É o que disciplina o art. 98, § 8º, do CPC:

art. 98 (…)

§ 8º Na hipótese do § 1º, inciso IX, havendo dúvida


fundada quanto ao preenchimento atual dos
pressupostos para a concessão de gratuidade, o
notário ou registrador, após praticar o ato, pode
requerer, ao juízo competente para decidir questões
notariais ou registrais, a revogação total ou parcial do
benefício ou a sua substituição pelo parcelamento de
que trata o § 6º deste artigo, caso em que o
beneficiário será citado para, em 15 (quinze) dias,
manifestar-se sobre esse requerimento.

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Na hipótese de procedência do incidente de dúvida registral,


poderá o tabelião cobrar regressivamente a parte que havia sido
beneficiada.

A certidão do notário/ registrador é título executivo extrajudicial


(art. 784, XI, CPC).

Por fim, é importante destacar que a justiça gratuita não afasta a


responsabilidade pelo pagamento dos honorários de sucumbência
e pela multa aplicada em razão de litigância de má-fé.

Os honorários de sucumbência ficam sob condição suspensiva pelo


período de 5 anos.

Neste período, pode a parte adversária comprovar que o


beneficiário passou a ter condições de pagar os honorários.

Observe o que dispõe o art. 98, § 3º, do CPC:

art. 98 (…)

§ 3º Vencido o beneficiário, as obrigações decorrentes


de sua sucumbência ficarão sob condição suspensiva
de exigibilidade e somente poderão ser executadas
se, nos 5 (cinco) anos subsequentes ao trânsito em
julgado da decisão que as certificou, o credor
demonstrar que deixou de existir a situação de
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insuficiência de recursos que justificou a concessão


de gratuidade, extinguindo-se, passado esse prazo,
tais obrigações do beneficiário.

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Despesas Processuais

No processo civil, as despesas processuais devem ser antecipadas


por aquele que fizer o requerimento.

Conforme art. 84 do CPC, “as despesas abrangem as custas dos


atos do processo, a indenização de viagem, a remuneração do
assistente técnico e a diária de testemunha“.

Por isso, aquele que assume posição mais ativa durante o


desenvolvimento do processo, acaba por antecipar mais valores.

Contudo, cabe ao autor adiantar despesas de ato determinado pelo


juiz de ofício ou a requerimento do Ministério Público, quando atua
como fiscal da ordem jurídica.

É evidente que, ao final, a sentença condenará o vencido a


reembolsar o que foi adiantado.

É importante ter cautela, pois a regra de adiantamento de despesas


muda quando falamos em perícia…

Falaremos sobre isso daqui a pouco (próximo tópico).

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As despesas dos atos processuais praticados a requerimento da


Fazenda Pública, do Ministério Público ou da Defensoria
Pública serão pagas ao final pelo vencido (art. 91 do CPC).

O assistido vencido também será condenado no pagamento de


custas, contudo, apenas em proporção à atividade que houver
exercido do processo (art. 94 do CPC).

Um ponto importante do CPC é a necessidade de recolhimento de


custas para propositura de nova ação diante de uma sentença
terminativa (sentença sem resolução de mérito).

Em outras palavras, diante de uma sentença sem resolução de


mérito, poderá o autor propor nova demanda apenas se pagar as
custas e honorários do processo extinto.

É o que disciplina o art. 486, § 2º, do CPC:

Art. 486. O pronunciamento judicial que não resolve o


mérito não obsta a que a parte proponha de novo a
ação.

(…)

§ 2º A petição inicial, todavia, não será despachada


sem a prova do pagamento ou do depósito das custas
e dos honorários de advogado.

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Despesas com Perícia

Quanto a perícia, temos o seguinte:

1. Juiz determina a realização de perícia, ambos (autor e réu)


adiantam o valor da perícia;
2. Quem requerer a perícia, deverá adiantar o valor da perícia;
3. Ambos requerem a perícia, ambos adiantam o valor da perícia;

Você pode estar se perguntando: “e como fica se quem pede a


perícia é o beneficiário da justiça gratuita?“

Neste caso, esclarece o art. 95, § 3º, do CPC o seguinte:

Art. 95 (…)

§ 3º Quando o pagamento da perícia for de


responsabilidade de beneficiário de gratuidade da
justiça, ela poderá ser:

I – custeada com recursos alocados no orçamento do


ente público e realizada por servidor do Poder
Judiciário ou por órgão público conveniado;

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II – paga com recursos alocados no orçamento da


União, do Estado ou do Distrito Federal, no caso de
ser realizada por particular, hipótese em que o valor
será fixado conforme tabela do tribunal respectivo ou,
em caso de sua omissão, do Conselho Nacional de
Justiça.

Mas não é só isso…

Após o transito em julgado, o magistrado deverá oficiar a Fazenda


Pública para que o ente possa buscar o ressarcimento dos valores
da perícia.

Observe o que dispõe o art. 95, § 4º, do CPC:

art. 95 (…)

§ 4º Na hipótese do § 3º, o juiz, após o trânsito em


julgado da decisão final, oficiará a Fazenda Pública
para que promova, contra quem tiver sido condenado
ao pagamento das despesas processuais, a execução
dos valores gastos com a perícia particular ou com a
utilização de servidor público ou da estrutura de órgão
público, observando-se, caso o responsável pelo
pagamento das despesas seja beneficiário de
gratuidade da justiça, o disposto no art. 98, § 2º .

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Destaque-se, por oportuno, que a norma beneficia, também, um


grande número de pessoas assistidas pela Defensoria Pública.

Isso porque a regra, nesses casos, é a concessão da gratuidade de


justiça para essas pessoas.

Por isso, o legislador preocupou-se em destacar o seguinte:

Art. 95
§ 5º Para fins de aplicação do § 3º, é vedada a utilização de recursos
do fundo de custeio da Defensoria Pública.

Quanto aos pedidos de perícia realizados pela Fazenda Pública,


Ministério Público e Defensoria Pública, temos o seguinte:

art. 91 (…)

§ 1º As perícias requeridas pela Fazenda Pública,


pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública
poderão ser realizadas por entidade pública ou,
havendo previsão orçamentária, ter os valores
adiantados por aquele que requerer a prova.

§ 2º Não havendo previsão orçamentária no exercício


financeiro para adiantamento dos honorários periciais,
eles serão pagos no exercício seguinte ou ao final,
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pelo vencido, caso o processo se encerre antes do


adiantamento a ser feito pelo ente público.

Autor que Reside Fora do País e Caução das Custas

Art. 83. O autor, brasileiro ou estrangeiro, que residir fora do Brasil


ou deixar de residir no país ao longo da tramitação de processo
prestará caução suficiente ao pagamento das custas e dos
honorários de advogado da parte contrária nas ações que
propuser, se não tiver no Brasil bens imóveis que lhes assegurem o
pagamento.

Portanto, o autor que reside fora do Brasil (ou deixa de residir no


Brasil) precisa prestar caução quando não possui bem imóvel no
Brasil que lhe assegure o pagamento das despesas processuais.

É a denominada fiança processual.

Conforme art. 83, § 1º, do CPC, não se exigirá a caução:

I – quando houver dispensa prevista em acordo ou


tratado internacional de que o Brasil faz parte;

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II – na execução fundada em título extrajudicial e no


cumprimento de sentença;

III – na reconvenção.

Por fim, o Código de Processo Civil ainda esclarece que é possível


pedir o reforço da caução na hipótese de desfalque da garantia.

art. 83 (…)

§ 2º Verificando-se no trâmite do processo que se


desfalcou a garantia, poderá o interessado exigir
reforço da caução, justificando seu pedido com a
indicação da depreciação do bem dado em garantia e
a importância do reforço que pretende obter.

Jurisprudência

Em relação as custas processuais, há 3 súmulas bastante


importantes, sendo duas do STJ e uma do STF.

Súmula 178 do STJ: O INSS não goza de isenção do


pagamento de custas e emolumentos, nas ações
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acidentárias e de benefícios, propostas na Justiça


Estadual.

Súmula 232 do STJ: A Fazenda Pública, quando parte


no processo, fica sujeita à exigência do depósito prévio
dos honorários do perito

Súmula 236 do STF: Em ação de acidente do trabalho,


a autarquia seguradora não tem isenção de custas

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Honorários de Sucumbência (Processo Civil)

Os honorários de sucumbência são fixados em detrimento da parte


vencida no processo.

Trata-se do princípio da causalidade.

Aquele que deu causa ao processo deverá arcar com o importe de


10% até 20% do valor da condenação.

Esse valor será pago ao advogado da parte (e não à parte).

Sobre o tema, o Estatuto da OAB (Lei 8.906) esclarece o seguinte:

Art. 23. Os honorários incluídos na condenação, por


arbitramento ou sucumbência, pertencem ao
advogado, tendo este direito autônomo para executar
a sentença nesta parte, podendo requerer que o
precatório, quando necessário, seja expedido em seu
favor.

São parâmetros para fixação dos honorários de sucumbência:

1. O grau de zelo do profissional;


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2. O lugar da prestação do serviço;


3. A natureza e importância da causa;
4. O trabalho realizado pelo advogado
5. O tempo exigido para o serviço.

Os honorários de sucumbência possuem natureza alimentar e,


por isso, seguem ordem especial no caso de recebimento por RPV
ou precatório. dedicado a essa espécie de verba.

Sobre o tema, observe o que dispõe a súmula vinculante 47:

Súmula vinculante 47: Os honorários advocatícios


incluídos na condenação ou destacados do montante
principal devido ao credor consubstanciam verba de
natureza alimentar cuja satisfação ocorrerá com a
expedição de precatório ou requisição de pequeno
valor, observada ordem especial restrita aos
créditos dessa natureza.

O CPC de 2015 deixa claro que é vedada a compensação de


honorários de sucumbência parcial (prática muito comum nos
Tribunais antes do CPC de 2015…).

art. 85 (…)
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§ 14. Os honorários constituem direito do advogado e


têm natureza alimentar, com os mesmos privilégios
dos créditos oriundos da legislação do trabalho, sendo
vedada a compensação em caso de sucumbência
parcial.

Também a partir do CPC de 2015, os honorários de sucumbência


passam a ser compreendidos como espécie de pedido implícito.

Isso significa que é possível a execução dos honorários por ação


autônoma, ainda que não ocorra a condenação em honorários de
sucumbência e respectivo saneamento do vício por embargos de
declaração.

Observe o que dispõe o art. 85, § 18, do CPC:

art. 85 (…)

§ 18. Caso a decisão transitada em julgado seja


omissa quanto ao direito aos honorários ou ao seu
valor, é cabível ação autônoma para sua definição e
cobrança.

Os honorários são devidos:

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1. Em causa própria;
2. Na reconvenção;
3. No cumprimento de sentença (provisório ou definitivo);
4. Na execução resistida ou não;
5. Nos recursos.

É importante destacar que o CPC, inclusive, prevê, expressamente,


a possibilidade de majoração dos honorários de sucumbência em
grau de recurso.

art. 85 (…)

§ 11. O tribunal, ao julgar recurso, majorará os


honorários fixados anteriormente levando em conta
o trabalho adicional realizado em grau recursal,
observando, conforme o caso, o disposto nos §§ 2º a
6º, sendo vedado ao tribunal, no cômputo geral da
fixação de honorários devidos ao advogado do
vencedor, ultrapassar os respectivos limites
estabelecidos nos §§ 2º e 3º para a fase de
conhecimento.

Os litisconsortes responderão proporcionalmente pelos honorários


de sucumbência, exceto ante eventual omissão da sentença,
hipótese em que a responsabilidade será solidária.

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Art. 87. Concorrendo diversos autores ou diversos


réus, os vencidos respondem proporcionalmente
pelas despesas e pelos honorários.

§ 1º A sentença deverá distribuir entre os


litisconsortes, de forma expressa, a responsabilidade
proporcional pelo pagamento das verbas previstas no
caput .

§ 2° Se a distribuição de que trata o § 1º não for feita,


os vencidos responderão solidariamente pelas
despesas e pelos honorários.

Por fim, é importante esclarecer como será a condenação da


Fazenda Pública em honorários de sucumbência.

Há regramento bastante específico no Código de Processo Civil


(art. 85, § 3º, CPC) .

De forma bastante sucinta, é preciso memorizar o seguinte:

I – mínimo de dez e máximo de vinte por cento sobre


o valor da condenação ou do proveito econômico
obtido até 200 (duzentos) salários-mínimos;

II – mínimo de oito e máximo de dez por cento sobre


o valor da condenação ou do proveito econômico
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obtido acima de 200 (duzentos) salários-mínimos até


2.000 (dois mil) salários-mínimos;

III – mínimo de cinco e máximo de oito por cento sobre


o valor da condenação ou do proveito econômico
obtido acima de 2.000 (dois mil) salários-mínimos até
20.000 (vinte mil) salários-mínimos;

IV – mínimo de três e máximo de cinco por cento sobre


o valor da condenação ou do proveito econômico
obtido acima de 20.000 (vinte mil) salários-mínimos
até 100.000 (cem mil) salários-mínimos;

V – mínimo de um e máximo de três por cento sobre o


valor da condenação ou do proveito econômico obtido
acima de 100.000 (cem mil) salários-mínimos.

Por fim, é importante destacar que não há honorários de


sucumbência contra a Fazenda Pública na hipótese de
cumprimento de sentença NÃO impugnado pela Fazenda Pública.

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Atos Processuais

O processo segue um procedimento que nada mais é do que uma


sequência lógica de atos processuais.

O objetivo do processo é obter uma efetiva resposta jurisdicional.

Em relação ao procedimento, tem-se, hoje, o procedimento


comum, especial e sumaríssimo.

O procedimento sumário foi retirado do sistema por meio da


reforma do CPC de 2015.

Aliás, sempre que a lei remeter a procedimento previsto na lei


processual sem especificá-lo, será observado o procedimento
comum previsto neste Código.

Na hipótese de a lei remeter ao procedimento sumário, será


observado o procedimento comum previsto neste Código, com as
modificações previstas na própria lei especial, se houver (art. 1.049
do CPC)

Pautado na fungibilidade, o CPC de 2015 afastou, do sistema


processual, a dicotomia entre procedimento ordinário e
procedimento sumário.

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Diferente do sistema anterior, o legislador aponta apenas um único


procedimento comum que, em verdade, é flexível e pode ser
adaptado pelo juiz e pelas partes quando o processo versar sobre
direitos que admitam transação (art. 190).

Mantem-se o procedimento sumário apenas em relação aos


processos que já estavam em curso e não foram sentenciados (art.
1.046, § 1º, do CPC).

Fica evidente que o legislador busca, a todo tempo, a simplificação


procedimental.

Além disso, há também o procedimento especial e o procedimento


sumaríssimo.

O procedimento sumaríssimo é aplicado em relação as demandas


que se desenvolvem no âmbito dos juizados especiais (Lei 9.099,95,
Lei 10..259/01 e Lei 12.152/09).

Sabemos, então, que o procedimento é a sequência lógica de atos


processuais.

Como regra, os atos processuais adotam forma livre, dado o


princípio da liberdade das formas.

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Portanto, não existe uma forma específica para consecução de atos


processuais, exceto quando a própria lei determina forma
específica.

Neste caso, aplica-se, em contraposição, o princípio da


instrumentalidade das formas.

Além disso, também como regra, os atos processuais serão


públicos.

Contudo, admite-se, excepcionalmente, o segredo de justiça.

É o que disciplina o art. 189 do CPC:

Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia


tramitam em segredo de justiça os processos:

I – em que o exija o interesse público ou social;

II – que versem sobre casamento, separação de


corpos, divórcio, separação, união estável,
filiação, alimentos e guarda de crianças e
adolescentes;

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III – em que constem dados protegidos pelo direito


constitucional à intimidade;

IV – que versem sobre arbitragem, inclusive sobre


cumprimento de carta arbitral, desde que a
confidencialidade estipulada na arbitragem seja
comprovada perante o juízo.

Quanto aos atos das partes, há atos unilaterais (por exemplo,


petição inicial) e atos bilaterais (por exemplo, negócio jurídico
processual).

Sobre o tema, o art. 200 do CPC dispõe o seguinte:

Art. 200. Os atos das partes consistentes em


declarações unilaterais ou bilaterais de vontade
produzem imediatamente a constituição, modificação
ou extinção de direitos processuais.

Parágrafo único. A desistência da ação só produzirá


efeitos após homologação judicial.

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Como regra, o ato da parte produz efeito imediato no processo,


exceto em relação a desistência que dependerá da homologação
do juiz.

É importante lembrar que o autor, ao desistir do processo, precisa


observar o momento processual, pois, a depender da situação, será
preciso consentimento do réu e, em alguns casos, sequer será
possível desistir.

Sobre o tema, temos o seguinte:

1. Desistência ANTES da citação: NÃO precisa do consentimento


do réu;
2. Desistência APÓS a CITAÇÃO: é NECESSÁRIO o
consentimento do réu;
3. Desistência APÓS a SENTENÇA: NÃO é possível desistir.

Muito embora sejam os processos, em sua maioria, eletrônicos, é


muito importante alertar que o CPC prevê multa específica para
aquele que realiza carga dos autos e não devolve.

Neste caso, o juiz intima para devolver os autos, sob pena de


perder o direito de vista (art. 107, §4°, CPC)

Além das partes, há ainda os atos processuais do juiz.

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São atos processuais do Juiz:

1. Sentença:

• a) Com resolução do mérito (sentença definitiva – art. 487 do


CPC)
• b) Sem resolução do mérito (sentença terminativa – art. 485
do CPC)

1. Decisão interlocutória;
2. Despachos (Não tem conteúdo decisório).

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Nulidades

As nulidades processuais ocorrem quando o ato é praticado sem


respeito a um requisito de validade.

Quando falamos em nulidades, é sempre preciso observar o:

1. Princípio da Primazia da Decisão de Mérito;


2. Princípio da Conservação dos Atos Processuais;
3. Princípio da Instrumentalidade das Formas;

Todos já foram explicados anteriormente.

Além disso, é preciso observar que não há nulidade sem prejuízo.


É o que a doutrina chama de “pas de nullité sans grief“.

Por exemplo, a não intimação do Ministério Público, quando


impositiva (definido em lei), poderá ensejar a nulidade do processo
na hipótese de comprovação do prejuízo.

Caso um determinado ato seja anulado, poderá ocorrer a anulação


de outros atos processuais.

Neste caso, a técnica utilizada é a seguinte:

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1. Atos posteriores concatenados com o ato anulado serão


anulados;
2. Atos posteriores independentes do ato anulado não serão
anulados.

São vícios insanáveis, por exemplo, a:

1. Intempestividade;
2. Falta de interesse de agir.

Há defeitos processuais que geram a invalidade, porém não podem


ser decretados de ofícios.

É o caso, por exemplo, da convenção de arbitragem (art. 337, § 5º,


CPC).

Na hipótese de convenção de arbitragem, o réu precisará alegar o


vício em preliminar de contestação (art. 337, X, CPC).

Por se tratar de um negócio jurídico processual típico, entende-se


que a não alegação em preliminar de contestação implica anuência
com o procedimento escolhido e renúncia à convenção de
arbitragem (art. 337, § 6º, CPC).

Há nulidades, contudo, que podem ser decretadas de ofício.

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Tratam-se das matérias de ordem pública.

É o caso, por exemplo, da coisa julgada, da litispendência, dentre


outras.

Outro tema interessante em relação as nulidades processuais é a


denominada nulidade de algibeira.

A nulidade de algibeira ocorre quando a parte, ciente de


determinada nulidade, deixa de alegá-la, intencionalmente,
guardando estrategicamente essa informação para utilizá-la em
momento que lhe for mais oportuno.

Essa espécie de comportamento viola a boa-fé objetiva (art. 5° do


CPC) e não é admitida pela jurisprudência.

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Formação, Suspensão e Extinção do Processo

Quando estudamos a formação do processo, queremos saber, em


um primeiro momento, quando o processo tem início.

Muito se debateu sobre o tema e alguns juristas sustentavam que


o início do processo se dá com a citação da parte contrária.

Em verdade, contudo, a citação é a responsável pela formação da


relação jurídica processual (autor, réu e juiz).

O início do processo se dá por iniciativa da parte (e não com a


citação).

Não é lógico dizer que a existência do processo está condicionada


a citação.

Observe que o processo pode ser extinto preliminarmente sem,


sequer, citar a parte contrária (art. 332 do CPC).

É evidente que você só pode extinguir aquilo que um dia existiu.

Em outras palavras, a extinção do processo pressupõe a sua


existência.

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Alguns efeitos em relação ao Réu, contudo, ficam condicionados a


sua citação válida.

É o que dispõe o art. 312 do CPC:

Art. 312. Considera-se proposta a ação quando a


petição inicial for protocolada, todavia, a propositura
da ação só produz quanto ao réu os efeitos
mencionados no art. 240 depois que for validamente
citado.

Suspensão do Processo

As hipóteses de suspensão do processo estão no art. 313 do CPC:

Art. 313. Suspende-se o processo:

I – pela morte ou pela perda da capacidade processual


de qualquer das partes, de seu representante legal ou
de seu procurador;

II – pela convenção das partes;

III – pela arguição de impedimento ou de suspeição;


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IV- pela admissão de incidente de resolução de


demandas repetitivas;

V – quando a sentença de mérito:

a) depender do julgamento de outra causa ou da


declaração de existência ou de inexistência de relação
jurídica que constitua o objeto principal de outro
processo pendente;

b) tiver de ser proferida somente após a verificação de


determinado fato ou a produção de certa prova,
requisitada a outro juízo;

VI – por motivo de força maior;

VII – quando se discutir em juízo questão decorrente


de acidentes e fatos da navegação de competência do
Tribunal Marítimo;

VIII – nos demais casos que este Código regula.

IX – pelo parto ou pela concessão de adoção, quando


a advogada responsável pelo processo constituir a
única patrona da causa; (Incluído pela Lei nº
13.363, de 2016)

X – quando o advogado responsável pelo processo


constituir o único patrono da causa e tornar-se pai.
(Incluído pela Lei nº 13.363, de 2016)

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A suspensão, na hipótese de morte ou perda da capacidade


processual de qualquer das partes (inciso I), ocorrerá nos termos
do art. 689 do CPC.

Art. 689. Proceder-se-á à habilitação nos autos do


processo principal, na instância em que estiver,
suspendendo-se, a partir de então, o processo.

Na hipótese de não ser ajuizada ação de habilitação, o magistrado


deverá determinar a suspensão do processo e observar o seguinte:

• I – falecido o réu, ordenará a intimação do autor para que


promova a citação do respectivo espólio, de quem for o
sucessor ou, se for o caso, dos herdeiros, no prazo que
designar, de no mínimo 2 (dois) e no máximo 6 (seis) meses;
• II – falecido o autor e sendo transmissível o direito em litígio,
determinará a intimação de seu espólio, de quem for o
sucessor ou, se for o caso, dos herdeiros, pelos meios de
divulgação que reputar mais adequados, para que
manifestem interesse na sucessão processual e promovam a
respectiva habilitação no prazo designado, sob pena de
extinção do processo sem resolução de mérito.

Na hipótese de falecer o procurador, deve o juiz determinar que a


parte constitua novo procurador em 15 dias.

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Caso a parte não constitua procurador, o magistrado deverá:

1. Extinguir o processo sem resolução do mérito, se a falta de


procurador é do autor;
2. Dar prosseguimento ao processo a revelia do réu, se a falta de
procurador é do réu.

Há casos em que a suspensão do processo ocorre porque a decisão


depende:

1. do Julgamento de outro processo


2. da declaração de existência ou inexistência de relação jurídica;
3. da verificação de fato ou produção de prova determinada em
juízo.

Todas essas hipóteses estão previstas no inciso V.

A suspensão, nestes casos, NÃO pode superar 1 ano (art. 313, §


3º, CPC).

O processo também poderá ser suspenso por convenção das


partes (inciso II) e, neste caso, NÃO poderá superar 6 meses (art.
313, § 4º, CPC).

Ocorre, ainda, a suspensão do processo:

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1. Por 30 dias, em razão do parto ou adoção, na hipótese de


única advogada da parte no processo;
2. Por 8 dias, quando o único advogado da parte no processo
torna-se pai.

Em ambos os casos, devem os patronos apresentar a certidão de


nascimento da criança ou termo judicial que tenha concedido a
adoção.

Durante a suspensão, é vedado a pratica de qualquer ato processo.

Poderá o juiz, contudo, realizar atos urgentes para evitar dano


irreparável, exceto quando a suspensão decorre de arguição de
impedimento ou de suspeição.

Neste caso, as medidas urgentes serão realizadas pelo substituto


legal do juiz.

É importante observar que as férias forenses (do dia 20 de


dezembro ao dia 20 de janeiro) suspendem, apenas, os prazos (não
suspende o processo…).

Observe o que dispõe o art. 220 do CPC:

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Art. 220. Suspende-se o curso do prazo processual


nos dias compreendidos entre 20 de dezembro e 20
de janeiro, inclusive.

Observações do CPC de 2015 em relação a Suspensão do


Processo

No antigo CPC, a alegação de incompetência relativa ocorria por


meio de exceção de incompetência relativa.

Hoje, contudo, tal alegação ocorre em preliminar de contestação


(art. 64 do CPC).

Por isso, o CPC de 2015 retirou a hipótese de suspensão do


processo na hipótese de alegação de incompetência relativa.

Também desapareceu a hipótese de suspensão do processo em


razão da existência de ação declaratória incidental.

Isso porque o CPC de 2015 retirou a ação declaratória incidental do


sistema, revendo, inclusive, o sistema de coisa julgada.

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Extinção do Processo

A extinção do processo poderá ser total ou parcial e ocorrerá por


meio de sentença (art. 316 do CPC).

Isso pode ocorrer por:

1. Sentença terminativa: sem resolução de mérito;


2. Sentença definitiva: com resolução de mérito.

As decisões que extinguem o processo sem resolução de mérito


podem ser agrupadas da seguinte forma:

• Extinção por abandono;


• Extinção por desistência;
• Extinção por morte;
• Extinção por invalidade.

A extinção por invalidade é extinção do processo sem exame do


mérito por existência de defeito/ falha/ vício.

Os casos de extinção por invalidade são os seguintes:

• Inciso I: indeferimento da petição inicial;

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• Inciso IV: falta de pressuposto processual;


• Inciso V: existência de coisa julgada, perempção ou
litispendência;
• Inciso VI: Ilegitimidade ou falta de interesse de agir;
• Inciso VII: convenção de arbitragem.

Em razão do princípio da primazia da decisão de mérito, o juiz deve,


antes de proferir decisão sem resolução de mérito, conceder a
parte oportunidade para, se possível, corrigir o vício (art. 317 do
CPC).

No antigo CPC, a extinção do processo sem exame do mérito não


impedia a propositura de nova ação.

Essa regra, contudo, foi revista.

Nos casos de extinção do processo por invalidade a parte poderá


repropor ação apenas quando comprovar a correção do vício.

Por exemplo, caso o processo tenha sido extinto em razão de


inépcia da petição, então eu tenho que usar outra petição. Na
hipótese do processo ser extinto por ilegitimidade, a parte poderá
repropor a ação apenas se alterar a parte.

É o que dispõe o art. 486, § 1º, do CPC:

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Art. 486. O pronunciamento judicial que não resolve o


mérito não obsta a que a parte proponha de novo a
ação.

§ 1º No caso de extinção em razão de litispendência e


nos casos dos incisos I, IV, VI e VII do art. 485 , a
propositura da nova ação depende da correção do
vício que levou à sentença sem resolução do mérito.

Fala-se, por isso, que o CPC de 2015 dá respaldo à coisa julgada


processual.

Há outro detalhe que merece destaque…

Na hipótese de extinção do processo por sentença terminativa


(sem resolução de mérito), a propositura de nova ação também
dependerá do pagamento das custas e honorários relacionados
ao processo extinto.

Art. 486 (…)

§ 2º A petição inicial, todavia, não será despachada


sem a prova do pagamento ou do depósito das custas
e dos honorários de advogado.

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Petição Inicial

Neste artigo, eu vou explicar para você, passo a passo, tudo sobre
a petição inicial.

O desenvolvimento do processo pode ser dividido em fases.

Falamos em:

1. Fase postulatória;
2. Fase saneadora;
3. fase Instrutória;
4. Fase decisória.

A petição inicial é um instrumento da demanda e encontra-se na


primeira fase do processo.

Os requisitos da petição inicial estão elencados no art. 319 do CPC:

Art. 319. A petição inicial indicará:

I – o juízo a que é dirigida;

II – os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência


de união estável, a profissão, o número de inscrição
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no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro


Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o
domicílio e a residência do autor e do réu;

III – o fato e os fundamentos jurídicos do pedido;

IV – o pedido com as suas especificações;

V – o valor da causa;

VI – as provas com que o autor pretende demonstrar


a verdade dos fatos alegados;

VII – a opção do autor pela realização ou não de


audiência de conciliação ou de mediação.

É importante observar que é preciso apontar o email da parte na


qualificação.

Na hipótese do autor não dispor dos dados do réu, poderá, na


petição inicial, requerer ao juiz diligências necessárias para sua
obtenção (art. 319, § 1º, CPC).

Além disso, não pode o juiz indeferir a petição inicial se constatar


que é possível citar o réu com as informações fornecidas(art. 319, §
2º, CPC).

O art. 319, § 2º, do CPC, ainda, esclarece que “a petição inicial não
será indeferida pelo não atendimento ao disposto no inciso II deste
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artigo se a obtenção de tais informações tornar impossível ou


excessivamente oneroso o acesso à justiça“.

A causa de pedir subdivide-se em:

1. Causa de pedir remota: são os fatos;


2. Causa de pedir próxima: são os fundamentos jurídicos.

O pedido, por sua vez, subdivide-se em:

1. Pedido imediato: é a prestação jurisdicional;


2. Pedido mediato: é o bem da vida.

Em razão do princípio da primazia do julgamento de mérito, deve


o magistrado, na hipótese de vício sanável, determinar a correção
da petição inicial.

Observe o que dispõe o art. 321 do CPC:

Art. 321. O juiz, ao verificar que a petição inicial não


preenche os requisitos dos arts. 319 e 320 ou que
apresenta defeitos e irregularidades capazes de
dificultar o julgamento de mérito, determinará que o
autor, no prazo de 15 (quinze) dias, a emende ou a

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complete, indicando com precisão o que deve ser


corrigido ou completado.

Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência,


o juiz indeferirá a petição inicial.

Curioso observar que o dispositivo, ao final, determina que o


magistrado deve indicar com precisão o que deve ser corrigido ou
completado.

Trata-se do dever de prevenção direcionado ao magistrado.

O dever de prevenção é um desdobramento do princípio da


cooperação (art. 6° do CPC).

O princípio da cooperação, como já observamos anteriormente, é


direcionado a todos os sujeitos do processo, inclusive o juiz.

Pedido

O pedido, em regra, será certo e determinado (art. 324 do CPC).

Há, contudo, duas exceções:


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1. Pedido genérico;
2. Pedido implícito;

O pedido será genérico nas hipóteses de:

I – nas ações universais, se o autor não puder


individuar os bens demandados;

II – quando não for possível determinar, desde


logo, as consequências do ato ou do fato;

III – quando a determinação do objeto ou do valor da


condenação depender de ato que deva ser
praticado pelo réu.

Nestas hipóteses, a sentença poderá ser ilíquida e o valor deverá


ser apurado em liquidação (art. 491, § 1º, CPC).

O pedido implícito, por sua vez, é aquele que, embora não conste
expressamente na exordial, deve ser apreciado pelo juiz.

Observe o que dispõe, por exemplo, o art. 322, § 1º, do CPC:

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Art. 322. O pedido deve ser certo.

§ 1º Compreendem-se no principal os juros legais, a


correção monetária e as verbas de sucumbência,
inclusive os honorários advocatícios.

Portanto, são pedidos implícitos, por exemplo, honorários de


sucumbência e os juros legais.

Isso significa, repita-se, que, ainda que o autor não peça


expressamente na petição inicial, deve o juiz manifestar-se a
respeito.

Aliás, quanto aos honorários de sucumbência, é possível a


execução por ação autônoma, ainda que não ocorra a condenação
em honorários de sucumbência e respectivo saneamento do vício
por embargos de declaração.

Observe o que dispõe o art. 85, § 18, do CPC:

art. 85 (…)

§ 18. Caso a decisão transitada em julgado seja


omissa quanto ao direito aos honorários ou ao seu

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valor, é cabível ação autônoma para sua definição e


cobrança.

Para findar esse tópico, é importante observar que é possível fazer


o aditamento da petição inicial.

Entretanto, é preciso observar o seguinte:

1. Aditamento feito ATÉ a citação: não depende de


consentimento do réu;
2. Aditamento feito ENTRE a citação e o saneamento: depende
de consentimento do réu;
3. Aditamento APÓS o saneamento: NÃO É PERMITIDO aditar
nesta etapa.

Cumulação de pedidos

Quanto a cumulação de pedidos, há algumas regras específicas que


precisam ser observadas.

Na hipótese da parte realizar a cumulação de pedidos de


procedimentos diferente, deverá seguir o procedimento comum.

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Mas é preciso ter atenção: o juiz deve ser competente para todos
os pedidos!

Quanto a classificação, a cumulação poderá ser:

1. Cumulação própria;
2. Cumulação imprópria.

Fala-se em cumulação própria quando a parte pretende o


acolhimento de todos os pedidos formulados.

Neste caso, o valor da causa será a soma dos pedidos.

Em contrapartida, tem-se a cumulação imprópria na hipótese da


parte pretender o acolhimento de um dos pedidos formulados.

A cumulação própria poderá ser:

1. Simples;
2. Sucessiva.

Na cumulação simples, o acolhimento de um pedido NÃO


depende do acolhimento do outro.

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Pede-se, por exemplo, o pedido 1, o pedido 2 e o pedido 3. Neste


caso, o magistrado pode, por exemplo, conceder o pedido 2 e não
conceder os demais.

Em contraposição, na cumulação sucessiva, o acolhimento de um


pedido DEPENDE do acolhimento do outro.

É o caso, por exemplo, da ação de investigação de paternidade


cumulada com pedido de alimentos.

Os alimentos, neste caso, serão concedidos apenas se o autor for o


pai da criança, ou seja, se procedente o pedido principal da ação
de investigação de paternidade.

A cumulação imprópria, por sua vez, poderá ser:

1. Alternativa;
2. Subsidiária (ou eventual).

Na cumulação alternativa, os pedidos são excludentes e não há


uma hierarquia entre eles.

Pede-se, por exemplo, o pedido 1 ou o pedido 2 ou o pedido 3. A


concessão de qualquer deles, exclui a possibilidade de concessão
dos demais.

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Neste caso, o valor da causa será o pedido de maior valor.

Em contrapartida, na cumulação subsidiária, o pedidos são


excludente, porém, HÁ uma hierarquia entre eles.

Pede-se, por exemplo, o pedido 1 ou o pedido 2.

O magistrado poderá analisar o pedido 2 apenas se NÃO conceder


o pedido 1.

Indeferimento da Petição Inicial

O indeferimento da petição inicial configura hipótese de extinção


do processo SEM julgamento do mérito (sentença terminativa)

As hipóteses de indeferimento da petição inicial estão no art. 330


do CPC:

Art. 330. A petição inicial será indeferida quando:

I – for inepta;

II – a parte for manifestamente ilegítima;

III – o autor carecer de interesse processual;


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IV – não atendidas as prescrições dos arts. 106 e 321


.

A petição inicial será considerada inepta quando:

I – lhe faltar pedido ou causa de pedir;

II – o pedido for indeterminado, ressalvadas as


hipóteses legais em que se permite o pedido genérico;

III – da narração dos fatos não decorrer logicamente a


conclusão;

IV – contiver pedidos incompatíveis entre si

O art. 106 do CPC trata das hipóteses em que o advogado postula


em causa própria.

Neste caso, cabe ao advogado “declarar, na petição inicial ou na


contestação, o endereço, seu número de inscrição na Ordem dos
Advogados do Brasil e o nome da sociedade de advogados da qual
participa, para o recebimento de intimações” (art. 106, I, CPC).

Eventual vício deverá ser sanado pelo advogado em 5 dias, antes


da citação do réu, sob pena de indeferimento (art. 106, § 1º, CPC).

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Além disso, deverá “comunicar ao juízo qualquer mudança de


endereço” (art. 106, II, CPC).

O art. 321, por sua vez, destaca problemas relacionados aos


requisitos indispensáveis à petição inicial (art. 319 e 320 do CPC).

Por exemplo, endereçamento, qualificação da parte, valor da causa,


pedidos, provas, etc.

Neste caso, existindo vício sanável, deve o juiz determinar a


correção (emenda à inicial) no prazo de 15 dias.

Nesta hipótese, caso a parte não apresente a emenda, poderá


ocorrer a extinção do processo sem resolução do mérito (sentença
terminativa).

O autor poderá interpor apelação.

Neste caso, cabe o juízo de retratação que poderá ser exercido pelo
magistrado em até 5 dias (art. 331 do CPC).

Na hipótese do juiz não se retratar, deverá promover a citação do


réu para que apresente contrarrazões.

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Improcedência Liminar do Pedido

A improcedência liminar é a extinção liminar do processo COM


julgamento do mérito (sentença definitiva).

As hipóteses de improcedência liminar do pedido estão elencadas


no art. 332 do CPC.

São hipóteses que justificam a improcedência liminar:

1. Prescrição e decadência;
2. Pedido juridicamente impossível;
3. Tese jurídica firmada em:
a. Súmula do STF ou STJ;
b. Recurso Repetitivo do STF ou STJ;
c. IRDR ou IAC;
d. Súmula do Tribunal local.

O autor, neste caso, poderá:

1. Não recorrer: formação da coisa julgada material e réu será


COMUNICADO do resultado.
2. Recorrer: por meio de apelação, em 15 dias.

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Na hipótese de recurso, cabe o juízo de retratação.

Caso o magistrado não se retrate, deverá citar a parte contrária


para apresentar contrarrazões em 15 dias,

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Contestação e Revelia

O CPC de 2015 destaca especial relevância à conciliação e, por isso,


alterou a forma de contagem de prazos da contestação.

Art. 335. O réu poderá oferecer contestação, por


petição, no prazo de 15 (quinze) dias, cujo termo
inicial será a data:

I – da audiência de conciliação ou de mediação, ou


da última sessão de conciliação, quando qualquer
parte não comparecer ou, comparecendo, não houver
autocomposição;

II – do protocolo do pedido de cancelamento da


audiência de conciliação ou de mediação apresentado
pelo réu, quando ocorrer a hipótese do art. 334, § 4º,
inciso I ;

III – prevista no art. 231 , de acordo com o modo


como foi feita a citação, nos demais casos.

Lembro, por oportuno, que o art. 334, § 4º, I, do CPC esclarece que,
para não ocorrer a audiência de conciliação, ambos (autor e réu)
devem optar, expressamente, pela não conciliação.

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O art. 231 do CPC, por sua vez, aponta o termo inicial para
contagem de prazo nos diversos tipos de citação e intimação (por
exemplo, pelo correio, por escrivão, etc).

O art. 336 do CPC dispõe que “incumbe ao réu alegar, na


contestação, toda a matéria de defesa, expondo as razões de fato
e de direito com que impugna o pedido do autor e especificando
as provas que pretende produzir”.

Trata-se do princípio da eventualidade (ou concentração da


defesa).

Significa que o réu deve alegar tudo, sob pena de preclusão.

Aliás, a preclusão ocorre quando o réu deixa de entregar a defesa


no prazo legal (preclusão temporal), ou ainda, quando entrega
antecipadamente (preclusão consumativa).

Uma vez protocolada a defesa, não pode o réu acrescentar novas


alegações, salvo quando:

I – relativas a direito ou a fato superveniente;

II – competir ao juiz conhecer delas de ofício;

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III – por expressa autorização legal, puderem ser


formuladas em qualquer tempo e grau de jurisdição.

É importante lembrar, ainda, que a jurisprudência não admite a


denominada nulidade de algibeira.

A nulidade de algibeira ocorre quando a parte, ciente de


determinada nulidade, deixa de alegá-la, intencionalmente,
guardando estrategicamente essa informação para utilizá-la em
momento que lhe for mais oportuno.

Essa espécie de comportamento viola a boa-fé objetiva (art. 5° do


CPC) e não é admitida pela jurisprudência.

O réu tem, ainda, o ônus da impugnação específica.

Deverá impugnar todos os fatos alegados pelo autor, sob pena


de confissão (presunção relativa), exceto se:

I – não for admissível, a seu respeito, a confissão;

II – a petição inicial não estiver acompanhada de


instrumento que a lei considerar da substância do ato;

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III – estiverem em contradição com a defesa,


considerada em seu conjunto.

A defesa não poderá ser genérica, exceto quando:

1. Advogado dativo;
2. Defensor Público;
3. Curador Especial.

É o que dispõe o art. 340, parágrafo único, do CPC:

art. 340 (…)

Parágrafo único. O ônus da impugnação especificada


dos fatos não se aplica ao defensor público, ao
advogado dativo e ao curador especial.

Preliminar de Contestação

Segundo o art. 337 do CPC, cabe ao réu, antes de discutir o mérito,


alegar:

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I – inexistência ou nulidade da citação;

II – incompetência absoluta e relativa;

III – incorreção do valor da causa;

IV – inépcia da petição inicial;

V – perempção;

VI – litispendência;

VII – coisa julgada;

VIII – conexão;

IX – incapacidade da parte, defeito de representação


ou falta de autorização;

X – convenção de arbitragem;

XI – ausência de legitimidade ou de interesse


processual;

XII – falta de caução ou de outra prestação que a lei


exige como preliminar;

XIII – indevida concessão do benefício de gratuidade


de justiça.

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Com exceção da convenção de arbitragem e a incompetência


relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas neste
artigo (art. 337, § 5º, do CPC).

O Réu que alegar incompetência poderá distribuir a contestação


no próprio domicílio.

Neste sentido, observe o que dispõe o art. 340 do CPC:

Art. 340. Havendo alegação de incompetência relativa


ou absoluta, a contestação poderá ser protocolada
no foro de domicílio do réu, fato que será
imediatamente comunicado ao juiz da causa,
preferencialmente por meio eletrônico.

A alegação de incompetência suspende a audiência de


conciliação ou mediação que será redesignada após a definição
do juízo competente (art. 340, § 3º, CPC) .

O magistrado deverá intimar o autor para apresentar réplica, na


hipótese do réu apresentar preliminar de contestação, ou ainda,
alegar fatos novos, modificativos ou extintivos do direito do autor.

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Arguição de Impedimento e Suspeição

A arguição de impedimento ou suspeição do juiz será realizada em


incidente processual (petição própria específica para isso).

Já falamos bastante sobre o tema em outro artigo.

Vamos nos ater, aqui, ao procedimento.

A petição será distribuída por dependência.

Diante desse incidente processual, ocorre um fenômeno curioso.

O juiz, tido como sujeito imparcial no processo, passa a ser parte


no incidente processual.

O réu (arguido) no incidente processual é o próprio juiz.

O juiz, aqui, poderá receber a peça e:

1. Entender que, de fato, é suspeito/ impedido, hipótese em que


remete o processo, imediatamente, ao substituto legal;
2. Entender que não é suspeito/ impedido, hipótese em que
juntará provas e fará a defesa em 15 dias. Após, deverá enviar
a peça ao Tribunal.
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O processo será suspenso, porém o Relator poderá retirar o efeito


suspensivo.

O impedimento é um vício gravíssimo, pois viola a própria


imparcialidade (característica da jurisdição).

Por isso, caso seja descoberta após o fim do processo, é possível


ajuizar ação rescisória (art. 966, II, CPC).

Na hipótese do tribunal reconhecer o impedimento ou suspeição,


deverá:

1. Condenar o juiz nas custas;


2. Remeter o processo para o juiz substituto;
3. Decretar a nulidade dos atos praticados pelo juiz, desde o
momento em que tornou-se presente o motivo do
impedimento. suspeição.

Revelia

O art. 344 do CPC dispõe que “se o réu não contestar a ação, será
considerado revel e presumir-se-ão verdadeiras as alegações de
fato formuladas pelo autor“.

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Portanto, tem-se a revelia na hipótese do réu, devidamente citado,


não apresentar resposta.

A revelia possui dois efeitos:

1. Efeito material;
2. Efeito processual (ou formal).

O efeito material é a presunção relativa de veracidade dos fatos


alegados pelo autor.

Observe que a presunção de veracidade é sobre os fatos (e não


sobre o direito…).

Segundo o art. 345 do CPC, não ocorrerá o efeito material


(presunção relativa de veracidade) quando:

I – havendo pluralidade de réus, algum deles


contestar a ação;

II – o litígio versar sobre direitos indisponíveis;

III – a petição inicial não estiver acompanhada de


instrumento que a lei considere indispensável à
prova do ato;

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IV – as alegações de fato formuladas pelo autor forem


inverossímeis ou estiverem em contradição com
prova constante dos autos.

Em paralelo, a revelia também enseja um efeito processual.

O efeito processual é a não intimação do revel para a prática


dos demais atos processuais.

Além disso, também existe a possibilidade de julgamento


antecipado do mérito.

Note que o revel pode intervir no processo em qualquer fase,


porém receberá o processo no estado em que se encontra.

Poderá, inclusive, produzir prova, desde que compareça


oportunamente para prática deste ato.

Por fim, é importante observar que “os prazos contra o revel que
não tenha patrono nos autos fluirão da data de publicação do ato
decisório no órgão oficial” (art. 346 do CPC).

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Reconvenção

A reconvenção, na prática, pode ser compreendida como uma


espécie de contra-ataque do réu.

No antigo CPC, a reconvenção era apresentada em petição própria.

O CPC de 2015 alterou a forma de apresentação da reconvenção.

Observe o que dispõe o art. 343 do CPC:

Art. 343. Na contestação, é lícito ao réu propor


reconvenção para manifestar pretensão própria,
conexa com a ação principal ou com o fundamento da
defesa.

Portanto, a reconvenção será apresentada na contestação, muito


embora contestação e reconvenção sejam independentes.

A parte precisa deixar claro, em sua resposta, o que é contestação


e o que é reconvenção.

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Aliás, em razão da independência dos instrumentos, é possível


apresentar reconvenção sem apresentar contestação (art. 343, § 6º,
CPC).

E mais: “a desistência da ação ou a ocorrência de causa extintiva


que impeça o exame de seu mérito não obsta ao prosseguimento
do processo quanto à reconvenção” (art. 343, § 2º, CPC).

O Réu poderá, ainda, juntar-se a um terceiro para reconvir contra


o autor.

Portanto, o polo ativo da reconvenção pode ser réu e terceiro.

Além disso, o polo passivo também pode ser o autor e um terceiro.

Então, na reconvenção, poderá ocorrer o fenômeno do


litisconsórcio ativo ou passivo.

Trata-se da ampliação subjetiva do processo.

Enquanto a ampliação subjetiva do processo PODE ocorrer, a


ampliação objetiva do processo SEMPRE ocorrerá.

A ampliação objetiva do processo ocorre porque, com a


reconvenção, sempre ocorrerá o aumento do número de
pedidos.
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Proposta a reconvenção, o autor será intimado, na pessoa de seu


advogado, para apresentar resposta no prazo de 15 (quinze) dias
(art. 343, § 1º, CPC).

É importante não confundir a reconvenção com o pedido


contraposto.

Na prática, muitos estudantes acabam confundido os institutos,


principalmente porque, com o CPC de 2015, a reconvenção passou
a ser elaborada, assim como o pedido contraposto, no próprio
corpo da contestação.

Entretanto, são coisas completamente diferentes…

Para ser didático, vou pontuar as diferenças abaixo:

• Cabe reconvenção no procedimento comum e alguns


procedimentos especiais, ao passo que cabe o pedido
contraposto no procedimento sumaríssimo e alguns
procedimentos especiais;
• O pedido contraposto, diferente da reconvenção, tem caráter
acessório, ou seja, não é independe;
• A reconvenção, ao contrário do pedido contraposto, admite a
ampliação subjetiva.

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Sentença

A sentença é o ato do juiz que põe fim a fase cognitiva ou à


execução.

A sentença poderá ser:

1. Terminativa: é a sentença sem resolução de mérito;


2. Definitiva: é a sentença com resolução de mérito.

Existe, ainda, a possibilidade de julgar parcialmente o mérito.

No antigo CPC, existia discussão sobre qual seria a natureza jurídica


da decisão que resolvia parte do processo.

Uma corrente dizia que era decisão interlocutória.

A outra corrente dizia que era sentença parcial.

O CPC de 2015 terminou a discussão destacando que trata-se de


decisão interlocutória, impugnável por agravo de instrumento.

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Sentença Terminativa (Sem Resolução de Mérito)

Em razão do princípio da primazia da decisão de mérito, a sentença


terminativa deve ser compreendida como exceção.

Segundo o art. 485 do CPC, o juiz NÃO resolverá o mérito (sentença


terminativa) nas seguintes hipóteses:

I – indeferir a petição inicial;

II – o processo ficar parado durante mais de 1 (um) ano


por negligência das partes;

III – por não promover os atos e as diligências que lhe


incumbir, o autor abandonar a causa por mais de 30
(trinta) dias;

IV – verificar a ausência de pressupostos de


constituição e de desenvolvimento válido e regular do
processo;

V – reconhecer a existência de perempção, de


litispendência ou de coisa julgada;

VI – verificar ausência de legitimidade ou de interesse


processual;

VII – acolher a alegação de existência de convenção de


arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua
competência;
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VIII – homologar a desistência da ação;

IX – em caso de morte da parte, a ação for considerada


intransmissível por disposição legal; e

X – nos demais casos prescritos neste Código.

Nas hipóteses dos incisos II e III, a parte deve ser intimada


pessoalmente para suprir a falta em 5 dias.

O juiz poderá reconhecer de ofício, a qualquer tempo, desde que


antes do transito em julgado, as matérias dos incisos IV, V, VI e IX.

No CPC de 2015, a confusão deixou de extinguir o processo sem


resolução.

Isso porque a confusão é forma de extinção da obrigação, motivo


pelo qual implica na extinção do processo com resolução do
mérito.

Além disso, a impossibilidade jurídica do pedido também deixou


de ser causa que extingue o processo sem resolução de mérito.

Aliás, no CPC de 2015, a possibilidade jurídica do pedido deixou de


ser, inclusive, condição da ação, pois a possibilidade jurídica do
pedido, em verdade, demanda avaliação do mérito.

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Por isso, o art. 17 do CPC esclarece que são condições da ação


apenas a legitimidade e o interesse de agir.

Observe que a convenção de arbitragem, muito embora possa


implicar em sentença terminativa, não poderá ser reconhecida de
ofício.

Em todas as hipóteses, poderá a parte interpor recurso de apelação.

O juiz, nestes casos, poderá exercer o juízo de retratação em 5


dias.

Sentença Definitiva (com resolução do mérito)

Em razão do princípio da primazia da decisão de mérito, a sentença


definitiva (com resolução de mérito) é a regra no CPC.

Segundo o art. 487 do CPC, há resolução de mérito quando:

I – acolher ou rejeitar o pedido formulado na ação ou


na reconvenção;

II – decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a


ocorrência de decadência ou prescrição;

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III – homologar:

a) o reconhecimento da procedência do pedido


formulado na ação ou na reconvenção;

b) a transação;

c) a renúncia à pretensão formulada na ação ou na


reconvenção.

É importante destacar que é vedado ao juiz reconhecer de ofício a


decadência convencional.

Essa previsão está no CC/02 e permanece no NCPC.

Elementos da Sentença

São elementos da sentença:

1. o relatório;
2. os fundamentos;
3. o dispositivo.

O relatório conterá, além do nome das partes, a identificação do


caso.
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Isso ajudará na estruturação dos precedentes judiciais que tenham


força obrigatória.

Em um sistema que valoriza o sistema de precedentes judiciais, o


relatório é muito importante e não há sentido em dispensá-lo.

Entretanto, em razão da celeridade do procedimento sumaríssimo,


dispensa-se o relatório no âmbito dos juizados especiais (art. 38 da
lei 9.099).

Os fundamentos (ou motivação) analisam questões de fato e de


direito.

Resolve, também, questões incidentais.

É nos fundamentos que está a “ratio decidendi” (razão de decidir).

A razão de decidir, presente no fundamento da sentença, é


universalizável (aplica-se a outros casos semelhantes).

Não confunda a “ratio decidendi” (razão de decidir) com o “obiter


dictum” (informação acessória da decisão e não é universalizável).

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Lembro, por oportuno, que, segundo o art. 489, § 1º, do CPC, NÃO
se considera fundamentada qualquer decisão (inclusive sentença)
que:

I – se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato


normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão
decidida;
II – empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o
motivo concreto de sua incidência no caso;
III – invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra
decisão;
IV – não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo
capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador;
V – se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem
identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que
o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos;
VI – deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou
precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de
distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento.

Por fim, o dispositivo resolverá a questão de mérito.

Podemos entender o mérito como sinônimo de pedido.

É no dispositivo que está a norma específica do caso concreto.

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Interpretação da Decisão Judicial

O art. 489, § 3°, do CPC dispõe que “a decisão judicial deve ser
interpretada a partir da conjugação de todos os seus elementos e
em conformidade com o princípio da boa-fé“.

A primeira finalidade da interpretação é extrair qual é a norma do


caso e saber o que será liquidado e executado.

Lembro, por oportuno, que no dispositivo da sentença constará a


norma específica do caso concreto.

A segunda finalidade da interpretação é para definir qual é o


precedente.

Em outras palavras, qual é a norma que será aplicada a outros casos


semelhantes.

A interpretação da sentença, portanto, é uma tarefa muito


importante dentro de um sistema de precedentes como o nosso.

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Coisa Julgada

Segundo o próprio Código de Processo Civil, “denomina-se coisa


julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a
decisão de mérito não mais sujeita a recurso” (art. 502 do CPC).

As decisões parciais são impugnáveis por agravo de instrumento


(art. 1.015, II, CPC).

Qualquer decisão tem aptidão para formar coisa julgada.

É preciso diferenciar, contudo, a coisa julgada formal da coisa


julgada material.

A coisa julgada formal equipara-se a preclusão.

Trata-se, em verdade, de um fenômeno endoprocessual, ou seja,


que se restringe ao próprio processo, não atingindo outros
processos posteriores.

A coisa julgada formal é um fenômeno típico das decisões


terminativas.

Em paralelo, a coisa julgada material é um fenômeno


panprocessual, pois NÃO se restringe ao próprio processo.

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Ocorre a projeção externa (para fora do processo…) dos efeitos da


coisa julgada.

Em outras palavras, a coisa julgada material tem aptidão para


impedir o surgimento de um novo processo discutindo o
mesmo tema que já foi decidido em caráter definitivo.

A coisa julgada material poderá ser afastada apenas por meio de


ação rescisória.

Muito embora o CPC fale que a coisa julgada decorre de questões


de mérito, parte da doutrina defende que há, hoje, a coisa julgada
processual.

O que muda, entre uma e outra, é o objeto, ou seja, o que se tornará


imutável e indiscutível.

No antigo CPC, a extinção do processo sem exame do mérito, por


si só, não impedia a repropositura da ação.

Essa regra, como já analisei no estudo da petição inicial, foi revista.

Nos casos de extinção do processo em razão de uma invalidade,


será preciso extinguir o vício para repropor ação.

Observe o que dispõe o art. 486, § 1º, do CPC:


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Art. 486. O pronunciamento judicial que não resolve o


mérito não obsta a que a parte proponha de novo a
ação.

§ 1º No caso de extinção em razão de litispendência


e nos casos dos incisos I, IV, VI e VII do art. 485 , a
propositura da nova ação depende da correção do
vício que levou à sentença sem resolução do mérito.

Por exemplo, na hipótese de extinção do processo sem resolução


do mérito em razão de petição inepta, será preciso usar uma nova
petição inicial na repropositura.

Na hipótese de extinção do processo sem resolução do mérito por


ilegitimidade, só será possível repropor a ação com a alteração da
parte.

Isso é o que alguns doutrinares chamam de coisa julgada


processual.

Note que a coisa julgada processual NÃO se confunde com a


coisa julgada formal.

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Isso porque a coisa julgada processual, assim como a coisa julgada


material, é um fenômeno panprocessual, pois atinge outros
processos (não se restringe ao próprio processo).

Na coisa julgada processual, assim como na coisa julgada material,


ocorre a projeção externa (para fora do processo…) dos efeitos da
coisa julgada.

Isso significa que, nessas hipóteses (art. 486, § 1º, do CPC), a parte
está impedida de repropor a mesma ação em razão do vício
processual sobre o qual recaiu os efeitos da coisa julgada.

Para repropor a ação é preciso corrigir o vício, ou seja, é preciso


repropor uma nova demanda sem o vício processual.

Coisa Julgada em face de questões prejudiciais incidentais

O processo é dividido em questões incidentais e questões


principais.

A primeira são os fundamentos e a segunda é o que será objeto da


decisão.

Uma mesma questão pode vir em um processo como principal e


em outro como questão incidente.

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Por exemplo, a inconstitucionalidade de uma lei em uma ADIN é a


questão principal. Porém, no controle difuso é uma questão
incidental (por isso inclusive o controle difuso é também chamado
de controle incidental).

Você pode estar se perguntando: “mas o que é uma questão


prejudicial?“

A questão é compreendida como prejudicial quando impõe análise


prévia, ou seja, anterior a própria questão principal, pois seu
resultado influencia o julgamento da questão principal.

Portanto, a questão prejudicial aponta como a questão principal


será resolvida.

É o caso, por exemplo, de uma ação de alimentos em que se discute


se a parte é pai ou não…

Muito embora os alimentos sejam o pedido principal, é preciso


saber se o réu é pai ou não, pois isso influencia no julgamento do
pedido de alimentos.

É preciso ter atenção, pois a questão prejudicial nem sempre será


incidental.

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É possível que a questão prejudicial faça parte, também, do objeto


do processo.

Por exemplo, o pedido de alimentos de forma isolada sem a certeza


quanto a paternidade impõe a discussão sobre o tema, de forma
incidental (fundamentos), pois é preciso saber se o indivíduo é pai
(ou não) para pagar os alimentos.

Contudo, em uma ação de investigação de paternidade cumulada


com alimentos, por exemplo, a discussão sobre a paternidade
passa a fazer parte do próprio pedido principal, não sendo uma
questão incidental, embora seja prejudicial para o julgamento do
pedido de alimentos.

No antigo CPC, a coisa julgada recaia, apenas, sobre as questões


principais.

Aliás, o caput do art. 503 do CPC de 2015 segue, também, esse


sistema.

Observe:

Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o


mérito tem força de lei nos limites da questão
principal expressamente decidida.

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O §1ª do mesmo dispositivo, contudo, inova ao permitir um novo


regime de coisa julgada: a coisa julgada sobre questão
prejudicial incidental.

Art. 503. (…)

§ 1º O disposto no caput aplica-se à resolução de


questão prejudicial, decidida expressa e
incidentemente no processo, se:

I – dessa resolução depender o julgamento do mérito;

II – a seu respeito tiver havido contraditório prévio e


efetivo, não se aplicando no caso de revelia;

III – o juízo tiver competência em razão da matéria e


da pessoa para resolvê-la como questão principal.

§ 2º A hipótese do § 1º não se aplica se no processo


houver restrições probatórias ou limitações à
cognição que impeçam o aprofundamento da análise
da questão prejudicial.

Portanto, hoje, existem 2 regimes de coisa julgada:

1. Regime comum: coisa julgada recai sobre questão principal;

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2. Regime especial: coisa julgada recai sobre questão prejudicial


incidental.

No regime especial, como observamos no dispositivo acima, a


formação da coisa julgada é muito mais difícil.

Há 5 pressupostos cumulativos, ou seja, a ausência de qualquer


deles impede a formação da coisa julgada.

São eles:

1. A questão prejudicial deve ser decidida expressamente (não


há coisa julgada sobre decisão implícita);
2. A solução do mérito precisa decorrer da solução da questão
prejudicial;
3. Precisa de contraditório prévio e efetivo (não se aplica na
revelia);
4. Juiz precisa ser competente em razão da matéria e da pessoa.
5. Não se aplica se o Processo tem restrições probatórias ou
limitações a cognição (por exemplo, não há coisa julgada
sobre questão prejudicial incidental no Mandado de
Segurança)

Entender o regime especial de coisa julgada é muito importante.

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Existindo a coisa julgada, inclusive sobre a questão prejudicial,


poderá haver, por exemplo, ação rescisória.

Do ponto de vista prático, há outro ponto que merece atenção…

É fácil perceber que o regime especial da coisa julgada é bem mais


difícil de acontecer, pois há muitos requisitos.

Nada impede que a parte, por isso, opte pelo regime da coisa
julgada comum.

Para isso, a parte poderá ajuizar uma ação declaratória,


transformando a questão prejudicial em questão principal da ação
declaratória.

Eficácia Preclusiva da Coisa Julgada

Com a coisa julgada, tudo aquilo que poderia ser deduzido, mas
não foi, considera-se deduzido e repelido.

É como se a coisa julgada “travasse” a discussão.

Art. 508. Transitada em julgado a decisão de mérito,


considerar-se-ão deduzidas e repelidas todas as
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alegações e as defesas que a parte poderia opor tanto


ao acolhimento quanto à rejeição do pedido.

A doutrina chama isso de eficácia preclusiva da coisa julgada.

O art. 507 do CPC esclarece , ainda, que “é vedado à parte discutir


no curso do processo as questões já decididas a cujo respeito se
operou a preclusão“.

Além disso, o art. 505 do CPC, nenhum juiz decidirá novamente as


questões já decididas relativas à mesma lide, salvo:

I – se, tratando-se de relação jurídica de trato


continuado, sobreveio modificação no estado de fato
ou de direito, caso em que poderá a parte pedir a
revisão do que foi estatuído na sentença;

II – nos demais casos prescritos em lei.

Havia uma discussão se a eficácia preclusiva da coisa julgada


incluiria outras causas de pedir.

O entendimento, hoje, é que a coisa julgada não impede a


repropositura da demanda com base em outra causa de pedir.

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Mas é importante estar atento, pois, segundo o art. 504 do CPC,


não fazem coisa julgada:

I – os motivos, ainda que importantes para


determinar o alcance da parte dispositiva da sentença;

II – a verdade dos fatos, estabelecida como


fundamento da sentença.

É importante lembrar, ainda, que a coisa julgada NÃO prejudicará


terceiros (art. 506 do CPC).

Entretanto, nada impede que a coisa julgada beneficie terceiros.

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Tutela Provisória

As tutelas provisórias buscam resolver uma crise processual


relacionada ao tempo (crise temporal).

Em outras palavras, a parte, no processo, não pode, por algum


motivo, aguardar a decisão definitiva.

O CPC de 2015 acabou com o Livro do Processo Cautelar.

Algumas medidas cautelares foram redistribuídas.

A ideia foi criar um regime único de tutelas provisórias.

Desde já, é muito importante conhecer a diferença entre tutela


provisória e tutela definitiva.

A distinção entre as duas supra se dá pela estabilidade e pelo grau


de cognição.

A tutela definitiva tem aptidão para coisa julgada e se funda em


cognição exauriente.

288
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A cognição é exauriente quando o julgador conhece a fundo a


demanda, ou seja, há uma análise aprofundada dos fatos, provas,
etc.

Por isso, a decisão, em cognição sumária, tem aptidão para


constituir coisa julgada material.

A tutela provisória, contudo, se funda em cognição sumária.

Em contraposição a cognição exauriente, a cognição é sumária na


hipótese da análise superficial dos fatos e provas do processo.

Em outras palavras, o julgador analisa os fatos e provas no estado


em que se encontram sem aprofundar-se.

Por isso, a cognição sumária não tem aptidão para formar coisa
julgada material.

A tutela provisória poderá ser:

1. Satisfativa: certifica ou efetiva um direito;


2. Cautelar: cria condições para que a parte possa efetivar seu
direito depois.

No CPC, a tutela antecipada é a tutela satisfativa.

289
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A tutela cautelar é também chamada de tutela assecuratória.

A tutela provisória, ainda, poderá ser:

1. Incidente: nasce junto com o pedido ou após o pedido de


tutela definitiva. Por isso, não enseja o pagamento de custas
do processo.
2. Antecedente: nasce antes do pedido de tutela definitiva. Isso
significa que a parte, aqui, ajuíza ação especificamente para
postular pela tutela provisória.

Quanto aos fundamentos que autorizam a sua concessão, a tutela


provisória poderá ser:

1. De urgência: trata-se de tutela que se funda no perigo


2. De evidência: trata-se de tutela que NÃO depende da
comprovação de perigo.

É importante observar que a tutela provisória de urgência poderá


ser satisfativa ou cautelar.

Contudo, a tutela provisória de evidência será sempre


satisfativa.

Além disso, a tutela antecedente é sempre de urgência.


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Em outras palavras, não há tutela de evidência antecedente.

Portanto, a tutela de evidência é sempre:

1. Satisfativa;
2. Incidental.

A tutela de urgência antecedente é incompatível com o


procedimento do juizado especial.

É o disciplina o enunciado 163 do FONAJE:

ENUNCIADO 163 – Os procedimentos de tutela de urgência


requeridos em caráter antecedente, na forma prevista nos arts. 303
a 310 do CPC/2015, são incompatíveis com o Sistema dos Juizados
Especiais.

A tutela antecedência será sempre requerida por meio de petição


inicial própria simplificada.

Observe que, na hipótese da tutela ser requerida na petição inicial


comum, ela será incidente (e não antecedente).

291
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No período de suspensão do processo, a tutela provisória mantém


seus efeitos.

A decisão que concede a tutela provisória é recorrível, como regra,


por meio de agravo de instrumento (art. 1.015, I, CPC).

É importante observar que o juiz poderá determinar as medidas


que considerar necessárias para efetivação da tutela provisória (art.
297 do CPC).

Trata-se do denominado poder geral de efetivação na tutela


provisória.

A efetivação segue, no que couber, o cumprimento provisório de


sentença.

Por isso, como no caso do cumprimento de sentença provisório, a


responsabilidade será objetiva por eventual dano causado.

É curioso observar que qualquer tutela provisória, inclusive a


cautelar, dependerá sempre de requerimento da parte.

Até porque a parte poderá responder objetivamente por eventual


dano causado.

292
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É possível a concessão de tutela de urgência ou evidência contra a


Fazenda Pública.

A concessão de tutela provisória na sentença (ou sua confirmação)


faz com que eventual recurso de apelação seja recebido apenas no
efeito devolutivo (sem efeito suspensivo).

Tutela de Evidência

Como já esclareci anteriormente, a tutela de evidência será sempre:

1. Incidente;
2. Satisfativa.

A tutela de evidência pode ser formulada pelo autor e pelo réu.

As hipóteses de concessão da tutela de evidência estão no art. 311


do CPC:

Art. 311. A tutela da evidência será concedida,


independentemente da demonstração de perigo de
dano ou de risco ao resultado útil do processo,
quando:

293
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I – ficar caracterizado o abuso do direito de defesa


ou o manifesto propósito protelatório da parte;

II – as alegações de fato puderem ser comprovadas


apenas documentalmente e houver tese firmada
em julgamento de casos repetitivos ou em súmula
vinculante;

III – se tratar de pedido reipersecutório fundado em


prova documental adequada do contrato de
depósito, caso em que será decretada a ordem de
entrega do objeto custodiado, sob cominação de
multa;

IV – a petição inicial for instruída com prova


documental suficiente dos fatos constitutivos do
direito do autor, a que o réu não oponha prova capaz
de gerar dúvida razoável.

Segundo o parágrafo único do mesmo dispositivo, o juiz poderá


decidir liminarmente nas hipóteses dos incisos II e III.

A doutrina defende que o supracitado rol é meramente


exemplificativo.

O enunciado 135 da II jornada de Direito Processual Civil do


CJF, por exemplo, admite a concessão de tutela de evidência
fundada em tese firmada em IAC (Incidente de Assunção de
Competência).

294
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O inciso I do art. 311 do CPC autoriza a concessão da tutela de


evidência na hipótese de:

1. Abuso do direito de defesa;


2. Manifesto propósito protelatório.

Imagine, por exemplo, que o réu, após concordar com os cálculos


de liquidação, apresente agravo de instrumento em relação a
sentença homologatória. Há, aqui, claro intuito protelatório, sendo
viável postular pela tutela de evidência com base no art. 311, I, do
CPC.

Fica claro, aqui, que o objetivo do legislador foi penalizar a parte


que atua em desacordo com a boa-fé processual.

Entretanto, é preciso deixar claro que a doutrina tem entendido


que, mesmo nessa hipótese, é preciso demonstrar a probabilidade
do direito (muito embora a lei não diga nada nesse sentido…).

O enunciado 47 da I jornada de Direito Processual Civil do CJF


esclarece que “a probabilidade do direito constitui requisito para
concessão da tutela da evidência fundada em abuso do direito de
defesa ou em manifesto propósito protelatório da parte contrária“.

Além disso:

295
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1. Cabe tutela de evidência no âmbito do mandado de


segurança (enunciado 49 da I jornada de Direito Processual
Civil do CJF);
2. O Poder Geral de Cautela está mantido no CPC de 2015
(enunciado 31 do Fórum Permanente de Processualistas Civis);
3. É possível a estabilização negociada dos efeitos da tutela
(enunciado 32 do Fórum Permanente de Processualistas Civis);
4. É abusiva a defesa da Administração que contraria enunciado
da própria Administração. Portanto, neste caso, cabe a tutela
de evidência (enunciado 34 do Fórum Permanente de
Processualistas Civis).

Tutela Provisória de urgência

A tutela provisória de urgência é a tutela que, diferente da tutela


de evidência, pressupõe a existência do perigo.

A legislação (art. 300 do CPC) delimita, como requisitos da tutela


de urgência:

1. Probabilidade do Direito;
2. Perigo de Dano;
3. Risco ao resultado útil do processo.

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Muito embora não esteja expresso no CPC, inclui-se, também o


perigo do ilícito que poderá ser confrontado pelo pedido de tutela
inibitória.

Há um regime jurídico único para tutela antecipada e tutela


cautelar.

O juiz poderá exigir caução real ou fidejussória.

Aliás, em qualquer espécie de tutela provisória poderá o juiz exigir


caução, até porque a parte responderá objetivamente por eventual
dano causado.

A tutela de urgência pode ser liminar (antes de ouvir o Réu) ou após


justificação prévia.

A tutela de urgência antecipada não será concedida se houver


perigo de irreversibilidade.

Trata-se de um requisito negativo específico (negativo pois não


pode existir irreversibilidade…).

Segundo o enunciado 31 do Fórum Permanente de


Processualistas Civis, o Poder Geral de Cautela está mantido no
CPC de 2015.

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Para doutrina, o poder geral de cautela está no art. 301 do NCPC:

Art. 301. A tutela de urgência de natureza cautelar


pode ser efetivada mediante arresto, sequestro,
arrolamento de bens, registro de protesto contra
alienação de bem e qualquer outra medida idônea
para asseguração do direito.

Mas é interessante lembrar que o poder geral de cautela, em última


análise e como já estudamos, tem seu fundamento primordial na
teoria dos poderes implícitos.

Tutela Provisória de Urgência Antecipada Antecedente

No CPC do 2015, tornou-se possível o pedido isolado para


concessão de tutela antecipada.

Em outras palavras, a parte ajuíza uma ação apenas para conseguir


a tutela antecipada.

A ideia é respaldar a parte em situações de urgência e que exigem


providência imediata sem possibilidade de elaborar, de forma
detalhada, a petição inicial com, por exemplo, obtenção de
documentos mais robustos.

298
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Por isso, o pedido será feito por meio de uma petição inicial
simplificada com:

1. Pedido de tutela de urgência;


2. Indicação do que será pedido em uma tutela definitiva.

O valor da causa será calculado somando-se, inclusive, o pedido


relacionado a tutela final.

Observe que a obrigação da parte é apenas indicar quais pedidos


serão feitos, oportunamente, em tutela definitiva.

Contudo, os valores relacionados à tutela final serão recolhidos


neste primeiro momento.

art. 303 (…)

§ 4º Na petição inicial a que se refere o caput deste


artigo, o autor terá de indicar o valor da causa, que
deve levar em consideração o pedido de tutela final.

Feito isso, o juiz:

299
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1. Concede a liminar;
2. Determina a efetivação.

Em seguida, determina-se a intimação do autor, por meio do seu


advogado, para aditar a petição inicial em 15 dias.

O aditamento ocorrerá nos mesmos autos sem pagamento de


custas.

Desta decisão, caberá agravo de instrumento (art. 1.015, I, CPC).

O réu, portanto, poderá:

1. Interpor agravo de instrumento: afasta a estabilização dos


efeitos da tutela;
2. Não interpor agravo de instrumento: ocorre a estabilização
dos efeitos da tutela.

É importante observar que a estabilização é diferente da coisa


julgada.

A estabilização é sobre os efeitos da decisão, ao passo que a coisa


julgada é sobre o conteúdo da decisão.

300
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Observe que a estabilização dos efeitos da tutela enseja a extinção


do processo sem resolução do mérito.

Não há coisa julgada e a parte prejudicada poderá ajuizar ação, no


mesmo juízo (prevento), para discutir os efeitos da estabilização da
tutela.

Aliás, justamente por não formar coisa julgada é que não cabe ação
rescisória.

Enunciado 33 do Fórum Permanente de


Processualistas Civis: Não cabe ação rescisória
contra a estabilização da tutela antecipada de
urgência.

Ao estabilizar a tutela, há prazo de 2 anos para o interessado pedir


a reabertura da discussão.

Na hipótese do réu não interpor agravo de instrumento e o autor


deixar de aditar a petição inicial, deve o magistrado extinguir o
processo sem resolução do mérito.

O Réu será citado e intimado para audiência de mediação de


conciliação.

301
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Sem acordo, conta-se o prazo de defesa (15 dias) nos termos do


art. 335 do CPC.

Por fim, caso o órgão jurisdicional entenda que não há elementos


para concessão da tutela antecipada, determinará o aditamento da
petição inicial em 5 dias (e não 15 dias…), sob pena de ser
indeferida e de o processo ser extinto sem resolução do mérito (art.
303, § 6º, CPC).

Tutela Provisória de Urgência Cautelar Antecedente

O objetivo, aqui, é assegurar o pedido principal.

Por isso, inclusive, a tutela cautelar é também chamada de tutela


assecuratória.

Como qualquer tutela antecedente, a parte deve realizar o pedido


por meio de petição inicial simplificada.

Neste caso, a parte deve:

1. Indicará a lide e seu fundamento;


2. Exposição sumária do direito que se objetiva assegurar
3. Perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo.

302
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O valor da causa terá como base a tutela final.

O juiz poderá conceder a tutela:

1. Sem oitiva da parte contrária;


2. Após a audiência de justificação prévia;
3. Mediante caução.

O réu, então, será citado para contestar a ação em 5 dias e indicar


as provas que pretende produzir.

Caso não conteste, será considerado revel, hipótese em que o juiz


decidirá em 5 dias.

O autor tem prazo de 30 dias, contados da efetivação da liminar,


para apresentar, nos autos, o pedido principal (art. 308 do CPC)

Não será preciso recolher novas custas.

A partir desse momento, o processo segue o rito comum.

Existe fungibilidade recíproca entre a tutela antecipada


antecedente e a tutela cautelar antecedente.

303
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Isso significa que, por exemplo, caso o magistrado entenda que o


caso é de tutela antecipada (e não cautelar…) poderá determinar
que a parte realize as adaptações necessárias.

Segundo o art. 309 do CPC, a eficácia da tutela cessa se:

1. A parte não realizar o pedido principal em 30 dias;


2. Liminar não foi efetivada em 30 dias;
3. Juiz julgar improcedente oi extinguir o processo sem
resolução do mérito.

É vedado a parte renovar o pedido, exceto se demonstrar novo


fundamento.

Por fim, é importante destacar que “o indeferimento da tutela


cautelar não obsta a que a parte formule o pedido principal, nem
influi no julgamento desse, salvo se o motivo do indeferimento for
o reconhecimento de decadência ou de prescrição” (art. 310 do
CPC).

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Teoria Geral das Provas (Processo Civil)

Neste artigo, você vai entender, passo a passo, tudo sobre a teoria
geral das provas.

Em primeiro lugar, é importante observar que o Brasil não adota o


sistema tarifado de provas.

O sistema tarifado (ou sistema legal de provas) é um sistema


hierarquizado.

Aqui, cada prova tem o seu valor predefinido pela lei, não existindo,
portanto uma valoração individualizada, de acordo com cada caso
concreto.

Nesse sistema o juiz não possui liberdade para valorar as provas de


acordo com as especificidades do caso concreto.

No Brasil, contudo, não é esse o sistema adota.

O valor da prova será dado pelo juiz e de forma motivada.

Por isso, falamos em sistema do convencimento motivado


(persuasão racional).

305
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Aqui, é interessante observar que o art. 131 do antigo CPC


consagrava o livre convencimento motivado.

A ideia era, justamente, que o magistrado deveria apreciar as


provas livremente sem base em tarifação legal.

Já no antigo CPC, contudo, o livre convencimento motivado foi


deturbado.

Isso porque, infelizmente, grande parte dos magistrados


entendiam que o livre convencimento motivado era sinônimo de
“eu decido como eu quero e decido com que eu acho” (visão
distorcida do sistema).

Essa forma de interpretar o livre convencimento motivado não


tinha qualquer relação com a forma de valorar provas e, por isso,
demonstrava uma grave anomalia na sistema.

Por esse motivo, o CPC de 2015 (art. 371 do CPC) retirou o vocábulo
“livremente” da frase “o juiz apreciará a prova livremente”.

Embora a apreciação da prova não seja tarifada, o convencimento


judicial tem limites.

O juiz não pode valorar as provas, por exemplo, com o que não
está nos autos, com regras contrária a experiência, com o que não
foi objeto de contraditório, etc.
306
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O Convencimento judicial é, em verdade, controlado.

Segundo o princípio da aquisição processual da prova (ou


princípio da comunhão da prova), o juiz apreciará as provas dos
autos, independentemente do sujeito que a tiver promovido.

Além disso, no Brasil, cabem todos os meios legais e moralmente


legítimos de prova.

Trata-se do princípio da atipicidade dos meios probatórios.

A controvérsia dos fatos precisam ser comprovadas, exceto se:

1. Notórios;
2. Afirmado por uma parte e confessado pela parte contrária;
3. Admitido como incontroverso;
4. Com presunção legal de existência ou veracidade.

A controvérsia de direito não precisa ser comprovada, exceto na


hipótese do juiz exigir a comprovação da vigência e do teor do
direito municipal, estadual, estrangeiro ou consuetudinário (art.
376 do CPC).

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Distribuição do ônus da Prova

No antigo CPC, a distribuição do ônus da prova era feita pela lei ou


pelas partes (convencional).

A distribuição pela lei é uma distribuição legal e, por isso, fala-se


em distribuição estática do ônus da prova.

Em paralelo, a distribuição feita pela partes era dinâmica, pois as


partes podiam alterar o formato da lei.

Hoje, com o CPC de 2015, o modelo mudou.

Percebeu-se que o modelo antigo era insuficiente.

Era preciso permitir uma dinamização do ônus da prova pelo juiz.

Essa ideia já tinha sido encampada pelo CDC (no caso concreto, o
juiz poderia redistribuir o ônus da prova em favor do consumidor).

A doutrina brasileira começou a entender que era possível


redistribuir o ônus da prova em caso de prova diabólica (ou prova
impossível).

É o caso, por exemplo, da prova negativa indeterminada.

308
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Imagine, por exemplo, que o magistrado impute a parte provar que


NUNCA esteve em determinado local…

Trata-se de evidente prova impossível.

Em contrapartida, é muito mais fácil determinar que a parte


contrária prove que o adversário esteve no local.

A distribuição dinâmica do ônus da prova foi encampada pelo CDC


como resultado do princípio da igualdade.

Após, foi incorporada pelo CPC de 2015.

Quando falei sobre a fase saneadora do processo (fase de


organização do processo), esclarece que o juiz poderá definir a
distribuição do ônus da prova.

O art. 357 do CPC dispõe que, em decisão de saneamento e


organização do processo deverá o juiz, dentre outras coisas,
“definir a distribuição do ônus da prova, observado o art. 373“.

Fala-se, por isso, que, ao processo civil aplica-se, hoje, a


possibilidade de distribuição dinâmica do ônus da prova.

Neste caso, a distribuição é dinâmica, pois é realizada pelo juiz.


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Esclareci, ainda, que a atribuição de ônus da prova tem aptidão


para alterar os rumos do processo.

Por isso, o Código de Processo Civil determinou que essa decisão


será impugnável por meio de agravo de instrumento (art. 1.015, XI,
CPC).

Pois bem…

A regra, no processo civil, é a distribuição estática do ônus da


prova, já que, segundo o art. 373 do CPC, o ônus da prova incumbe:

1. Ao autor, se fato constitutivo do direito;


2. Ao réu, se fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito.

Aliás, tanto essa é a regra que o dispositivo que fala da distribuição


dinâmica (art. 357, II, CPC) determina que o magistrado deve
observar o disposto no art. 357, antes de aplicar a redistribuição do
ônus da prova.

Então, o magistrado deve observar, em um primeiro momento, se


não é o caso da distribuição estática.

Sobre o tema, o art. 373, § 1º, do CPC dispõe o seguinte:

310
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art. 373 (…)

§ 1º Nos casos previstos em lei ou diante de


peculiaridades da causa relacionadas à
impossibilidade ou à excessiva dificuldade de
cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior
facilidade de obtenção da prova do fato contrário,
poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso,
desde que o faça por decisão fundamentada, caso
em que deverá dar à parte a oportunidade de se
desincumbir do ônus que lhe foi atribuído

Repiso, por oportuno, que esta decisão será impugnável por agravo
de instrumento (art. 1.015, XI, CPC).

Portanto, a distribuição dinâmica do ônus da prova é exceção.

A inversão do ônus da prova poderá ocorrer:

1. Por requerimento da parte;


2. De ofício;
3. Por acordo das partes (consensual).

Não poderá ocorrer por acordo das partes se:

311
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1. Recair sobre direito indisponível


2. Tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do
direito.

Além disso, é preciso destacar que a inversão do ônus da prova


pode ocorrer até o saneamento (não poderá ocorrer na sentença…).

Prova Emprestada

Prova emprestada é aquela que foi produzida em outro processo.

Não é necessário existir identidade de partes, porém é preciso que


a prova seja produzida sob o crivo do contraditório.

312
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Provas em Espécie

Como já estudamos na teoria geral das provas, a parte deverá


comprovar os fatos controvertidos.

Para comprovar a veracidade dos fatos, então, a parte deverá lançar


mão dos meios de prova.

Não apenas os meios de prova legais (típicos), como também os


moralmente legítimos (atípicos).

Sobre o tema, o art. 369 do CPC dispõe o seguinte:

“Art. 369. As partes têm o direito de empregar todos


os meios legais, bem como os moralmente
legítimos, ainda que não especificados neste
Código, para provar a verdade dos fatos em que se
funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na
convicção do juiz.“

Segundo o CPC, são meios de prova típicos:

1. Confissão;
2. Ata notarial

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3. Depoimento pessoal das partes;


4. Testemunhas;
5. Prova documental;
6. Perícia;
7. Inspeção judicial.

Para ser mais didático, vamos dedicar artigos específicos para


confissão, testemunhas, prova documental e perícia.

São temas um pouco mais extensos e que, por isso, merecem um


artigo específico para cada um deles.

Aqui, no próximos tópicos, vamos falar da ata notarial,


depoimento pessoal e inspeção judicial.

Ata Notarial

O art. 384 do CPC disciplina o tema:

Art. 384. A existência e o modo de existir de algum


fato podem ser atestados ou documentados, a
requerimento do interessado, mediante ata lavrada
por tabelião.

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Parágrafo único. Dados representados por imagem ou


som gravados em arquivos eletrônicos poderão
constar da ata notarial.

Portanto, a ata notarial atesta ou documenta a existência ou modo


de existir de um fato, podendo, inclusive, constar imagens ou sons
gravados.

O documento lavrado goza de fé-pública por se tratar de um


documento lavrado por tabelião público, motivo pelo qual há
presunção de veracidade.

O objetivo da ata notarial não é formalizar uma declaração de


vontade, mas sim atestar um fato que é apreensível pelos sentidos
(audição, visão, etc).

A ata notarial é muito utilizada, por exemplo, no direito digital para


atestar fatos que podem ser apagados após a ciência de um
processo.

Por exemplo, um vídeo no youtube com conteúdo ilícito (por


exemplo, difamação de alguém). Uma vez consignado os fatos em
uma ata notarial, pouco importa se o proprietário apagou o
conteúdo após o ajuizamento da ação.

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Depoimento da parte e Interrogatório

O depoimento será realizado, sempre, mediante provocação do


adversário.

Observe o que dispõe o art. 385 do CPC:

Art. 385. Cabe à parte requerer o depoimento


pessoal da outra parte, a fim de que esta seja
interrogada na audiência de instrução e julgamento,
sem prejuízo do poder do juiz de ordená-lo de ofício.

O objetivo é obter a confissão.

Aliás, uma vez requerido pela parte, o silêncio ou não


comparecimento do depoente tem aptidão para gerar confissão.

O interrogatório, em contrapartida, é determinado de ofício pelo


juiz.

Observe que o art. 385 do CPC esclarece que a parte deve requerer,
mas, ao final, esclarece o seguinte: “sem prejuízo do poder do juiz
de ordená-lo de ofício”.

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Em verdade, o que se tem na parte final não é o depoimento, mas


sim o interrogatório.

Segundo o art. 139, VIII, do CPC, o juiz poderá “determinar, a


qualquer tempo, o comparecimento pessoal das partes, para
inquiri-las sobre os fatos da causa, hipótese em que não incidirá
a pena de confesso“.

A principal diferença é que, no interrogatório, o silêncio ou não


comparecimento da parte não pode gerar a confissão.

Isso não impede, contudo, que o magistrado faça constar, em


sentença, que a parte se recusou a depor.

Aliás, sobre o tema, o art. 386 do CPC dispõe o seguinte:

Art. 386. Quando a parte, sem motivo justificado,


deixar de responder ao que lhe for perguntado ou
empregar evasivas, o juiz, apreciando as demais
circunstâncias e os elementos de prova, declarará, na
sentença, se houve recusa de depor.

É evidente, portanto, que, ainda que não possa aplicar a pena de


confissão no interrogatório, poderá a parte silente (ou ausente) sair

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prejudicada, principalmente porque o magistrado apreciará


livremente as provas (sistema do convencimento motivado).

Outro detalhe importante é que o interrogatório não precisa ser,


necessariamente, realizado na audiência de instrução.

O próprio art. 139, VIII, do CPC esclarece que o juiz poderá


determinar, a qualquer tempo, o comparecimento das partes.

Por fim, é preciso observar que a parte não é obrigada a depor


sobre fatos:

I – criminosos ou torpes que lhe forem imputados;

II – a cujo respeito, por estado ou profissão, deva


guardar sigilo;

III – acerca dos quais não possa responder sem


desonra própria, de seu cônjuge, de seu companheiro
ou de parente em grau sucessível;

IV – que coloquem em perigo a vida do depoente ou


das pessoas referidas no inciso III.

É o que disciplina o art. 388 do CPC.

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Entretanto, o próprio dispositivo, no parágrafo único, esclarece que


“esta disposição não se aplica às ações de estado e de família“.

Inspeção Judicial

Na inspeção judicial o juiz vai pessoalmente no local onde está a


pessoa ou coisa.

Sobre o tema, o art. 481 do CPC dispõe o seguinte:

Art. 481. O juiz, de ofício ou a requerimento da parte,


pode, em qualquer fase do processo, inspecionar
pessoas ou coisas, a fim de se esclarecer sobre fato
que interesse à decisão da causa.

Observe que a inspeção judicial poderá ser realizada de ofício ou


a requerimento.

Além disso, a inspeção judicial pode ocorrer em qualquer fase do


processo.

As partes poderão participar da inspeção e o magistrado poderá


ser assistido por um ou mais peritos.

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O magistrado determinará que seja lavrado auto circunstanciado.

Observe o que dispõe o art. 484 do CPC:

Art. 484. Concluída a diligência, o juiz mandará lavrar


auto circunstanciado, mencionando nele tudo
quanto for útil ao julgamento da causa.

Parágrafo único. O auto poderá ser instruído com


desenho, gráfico ou fotografia.

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Prova Documental

Para entender o tema prova documental, você precisa lembrar, em


um primeiro momento, que o Brasil adotou o sistema do
convencimento motivado.

Por isso, a prova documental, assim como os demais meios de


prova, assumem, a priori, o mesmo valor.

Quem atribui valor a prova é o magistrado e, sempre, de forma


fundamentada.

Por isso, desde já, é importante destacar que, em um primeiro


momento, a prova documental não tem mais valor (ou menos) que
qualquer outra prova.

Excepcionalmente, contudo, a prova documental pode assumir,


desde o princípio, um papel decisivo na demanda.

Observe o que dispõe o art. 406 do CPC:

Art. 406. Quando a lei exigir instrumento público como


da substância do ato, nenhuma outra prova, por mais
especial que seja, pode suprir-lhe a falta.

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Por exemplo, na hipótese do filho postular por alimentos em


desfavor do pai, deverá juntar certidão de nascimento.

Aliás, sequer a revelia seria aplicada se, diante da ausência de


contestação, o juiz verificar que o autor deixou de juntar à inicial
documento que a lei considere indispensável para a prova do ato
(art. 345, III, CPC).

O documento poderá ser:

1. Público;
2. Particular.

O documento público fará prova da sua formação e dos fatos


que o escrivão, chefe de secretaria, tabelião ou servidor declarar
que ocorreram (art. 405 do CPC).

Em paralelo, o documento particular cria a presunção de


veracidade da declaração em relação aqueles que assinaram (art.
408 do CPC).

Não há presunção de veracidade de fatos.

Sobre o tema, observe o que dispõe o art. 408, parágrafo único, do


CPC:
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Art. 408. As declarações constantes do documento


particular escrito e assinado ou somente assinado
presumem-se verdadeiras em relação ao signatário.

Parágrafo único. Quando, todavia, contiver


declaração de ciência de determinado fato, o
documento particular prova a ciência, mas não o
fato em si, incumbindo o ônus de prová-lo ao
interessado em sua veracidade.

Há, ainda, o documento autêntico (art. 411 do CPC)

O documento é considerado autentico quando:

1. Tabelião reconhece firma (cartório de títulos e documentos);


2. A autoria é certificada por qualquer outro meio de
certificação, inclusive meio eletrônico.
3. Não houve impugnação.

É importante observar que ser autentico não significa ser verossímil


quanto ao conteúdo.

A falsidade de um documento depende do reconhecimento


judicial.

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Em outras palavras, só será falso se declarado judicialmente a


falsidade.

Falso, aqui, será:

1. Formar documento não verdadeiro;


2. Alterar documento verdadeiro.

O art. 429 do CPC, em relação ao ônus da prova, esclarece o


seguinte:

Art. 429. Incumbe o ônus da prova quando:

I – se tratar de falsidade de documento ou de


preenchimento abusivo, à parte que a arguir;

II – se tratar de impugnação da autenticidade, à


parte que produziu o documento.

Ocorre o preenchimento abusivo quando a parte recebe o


documento assinado com texto não escrito, no todo ou em parte e
opta por formá-lo ou completá-lo violando o acordo realizado com
quem assinou (art. 428, parágrafo único, do CPC).

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Cessa a fé de documento público ou particular quando declarada


sua falsidade (art. 427 do CPC).

Em relação ao documento particular, também cessa a fé quando:

1. Impugnada sua autenticidade e não comprovada sua


veracidade;
2. Assinado em branco, foi impugnado seu conteúdo por
preenchimento abusivo.

A parte poderá, em 15 dias, impugnar:

1. Impugnar a admissibilidade do documento;


2. Impugnar a autenticidade do documento;
3. Suscitar a falsidade do documento.

A falsidade será suscitada na:

1. Contestação;
2. Réplica;
3. De ofício pelo juiz;
4. No prazo de 15 dias, contados da juntada do documento nos
autos.

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Uma vez arguida, a falsidade será resolvida como questão


incidental, salvo se a parte requerer que o juiz a decida como
questão principal, nos termos do inciso II do art. 19 (art. 430,
parágrafo único, do CPC).

O art. 19, II, do CPC dispõe o seguinte:

Art. 19. O interesse do autor pode limitar-se à


declaração:

(…)

II – da autenticidade ou da falsidade de documento.

Observe que “a declaração sobre a falsidade do


documento, quando suscitada como questão principal,
constará da parte dispositiva da sentença e sobre ela
incidirá também a autoridade da coisa julgada” (art.
433 do CPC).

A parte que arguir a falsidade deverá expor os motivos e os meios


de prova que pretende usar para comprovar a falsidade (art. 431
do CPC).

O adversário será ouvido no prazo de 15 dias e, após, será


designada perícia.
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A parte contrária poderá concordar em retirar o documento,


hipótese em que não se prosseguirá com a perícia.

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Perícia

A prova pericial é a prova técnica elaborada por um expert e poderá


ser:

1. Exame de pessoas ou bens móveis;


2. Vistoria de bem imóvel;
3. Avaliação para fixação de valor de coisas e direitos.

• Dica: como complemento, leia nosso artigo sobre o perito


(auxiliar da justiça).

O juiz deve indeferir o pedido de perícia se:

I – a prova do fato não depender de conhecimento especial de


técnico;
II – for desnecessária em vista de outras provas produzidas;
III – a verificação for impraticável.

São espécies de perícia a:

1. Perícia tradicional;
2. Perícia simplificada (ou prova técnica simplificada);
3. Perícia complexa.

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Tudo vai depender o grau de complexidade do ponto


controvertido.

A perícia complexa, diferente da perícia tradicional, exige mais de


uma perícia diante da grande complexidade do ponto
controvertido.

Em paralelo, a perícia simplificada (ou prova técnica simplificada)


ocorre diante do ponto controvertido de menor complexidade.

Neste caso, o magistrado não determina a produção de um lado,


mas apenas seguirá inquirindo o especialista.

É importante observar que, como regra, o perito não precisa ter


formação acadêmica.

Contudo, será preciso ter formação acadêmica na hipótese de


perícia técnica simplificada.

art. 464 (…)

§ 2º De ofício ou a requerimento das partes, o juiz


poderá, em substituição à perícia, determinar a
produção de prova técnica simplificada, quando o
ponto controvertido for de menor complexidade.

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§ 3º A prova técnica simplificada consistirá apenas na


inquirição de especialista, pelo juiz, sobre ponto
controvertido da causa que demande especial
conhecimento científico ou técnico.

§ 4 o Durante a arguição, o especialista, que deverá


ter formação acadêmica específica na área objeto
de seu depoimento, poderá valer-se de qualquer
recurso tecnológico de transmissão de sons e
imagens com o fim de esclarecer os pontos
controvertidos da causa.

Procedimento

Desde já, é importante observar que a perícia é incompatível com


o Juizado Especial.

Após a nomeação do perito pelo juiz, as partes tem 15 dias para:

1. Arguir impedimento ou suspeição do perito;


2. Indicar assistente técnico;
3. Apresentar quesitos.

Ciente da nomeação, o perito tem 5 dias para apresentar:

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1. Proposta de honorários;
2. Currículo;
3. Contato profissional, inclusive email.

As partes serão intimadas da proposta de honorários para,


querendo, manifestar-se no prazo comum de 5 (cinco) dias.

Após esse prazo, o juiz arbitrará o valor e intimará as partes para


os fins do art. 95 .

Lembro, por oportuno, que o art. 95 esclarece que os honorários


do perito serão adiantados pela parte que houver requerido a
perícia ou rateados quando a perícia for determinada de ofício ou
requerida por ambas as partes

Após ser nomeado, o perito deve prestar o serviço no prazo fixado


pelo juiz, sob pena de:

1. Ser substituído;
2. Receber multa sobre o valor da causa;
3. Ficar impedido de atuar como perito;
4. Deverá devolver o que recebeu.

O juiz poderá determinar que a parte pague 50% dos honorários


no início e o resto no final.

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Na hipótese da perícia ser inconclusiva, o juiz poderá reduzir o


valor da remuneração do perito.

É possível a realização de perícia por carta precatória (em outra


comarca).

É importante lembrar que o crédito do perito (auxiliar da justiça),


aprovado por decisão judicial, é considerado título executivo
judicial (art. 515, V, CPC).

Por isso, caso o perito não receba o valor, poderá executar o


devedor.

Dentro do âmbito dos negócios jurídicos processuais, o CPC de


2015 abriu espaço para escolha consensual do perito.

Trata-se e um negócio jurídico processual típico.

Isso é possível desde que as partes sejam plenamente capazes e


a causa possa ser resolvida por autocomposição.

Segundo o art. 473 do CPC, o laudo pericial deve conter:

I – a exposição do objeto da perícia;

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II – a análise técnica ou científica realizada pelo perito;


III – a indicação do método utilizado, esclarecendo-o e
demonstrando ser predominantemente aceito pelos especialistas
da área do conhecimento da qual se originou;
IV – resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz,
pelas partes e pelo órgão do Ministério Público.

Diante de eventual omissão ou inexatidão, poderá o magistrado


determinar a realização de nova perícia.

O objetivo é corrigir esta omissão ou inexatidão…

É importante observar que a nova perícia não substitui a primeira


perícia.

Por fim, é importante destacar que o laudo pericial NÃO vincula o


juiz.

Isso significa que o juiz não está obrigado a decidir conforme o


laudo.

Vigora, aqui também, o sistema do livre convencimento e, por isso,


ao valorar o laudo pericial, deve o magistrado expor os motivos
que justificam sua postura.

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Prazos Processuais

Neste artigo, eu vou explicar todos as questões que envolvem os


prazos processuais.

Pontos Importantes do CPC de 2015

O CPC 2015 realizou uma série de alterações em relação ao CPC


anterior.

O objetivo foi simplificar o sistema de prazos do processo.

Uma primeira mudança, contudo, guarda relação com um


problema específico enfrentado no processo eletrônico.

Sabe-se que a parte pode praticar o ato processual até 23h59min.

O problema é o seguinte: “a parte pode praticar o ato até as


23h59min de Brasília ou até as 23h59min do Tribunal em que se
vai praticar o ato?“

A resposta está no art. 213, parágrafo único, do CPC.

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Art. 213. A prática eletrônica de ato processual pode


ocorrer em qualquer horário até as 24 (vinte e quatro)
horas do último dia do prazo.

Parágrafo único. O horário vigente no juízo perante o qual o ato


deve ser praticado será considerado para fins de atendimento
do prazo.

Portanto, a parte pode praticar o ato processual, no processo


eletrônico, até as 23h59min, considerando o Tribunal em que se vai
praticar o ato.

Uma segunda alteração muito importante guarda relação com a


forma de contagem de prazo.

A partir do CPC de 2015, os prazos em dia contam-se, apenas, em


dias úteis.

É o que disciplina o art. 219 do CPC:

Art. 219. Na contagem de prazo em dias, estabelecido


por lei ou pelo juiz, computar-se-ão somente os dias
úteis.

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Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se


somente aos prazos processuais.

A partir de 2018, os prazos passaram a ser contados em dias úteis


inclusive nos Juizados Especiais (art. 12-A da lei 9.099).

Observe que pouco importa se o prazo em dias é estabelecido pela


lei ou pelo juiz.

Em ambos os casos aplica-se a contagem em dias úteis.

Isso significa que não entram na contagem os sábados, domingos


e feriados.

Muita atenção, pois o modelo de contagem serve, apenas, para


prazos estabelecidos em dias.

É muito comum o magistrado, por exemplo, estabelecer prazos em


horas (por exemplo, 48h para manifestação).

Neste caso, a contagem será corrida, incluindo, portanto, dias úteis


e não úteis.

Em terceiro ponto alterado é que, hoje, o magistrado poderá alterar


prazos processuais.
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O juiz poderá, por exemplo, dilatar prazos processuais com o


objetivo de garantir maior efetividade a tutela do direito (art. 139,
VI, CPC).

Outro ponto que foi simplificado foram os prazos em relação aos


entes públicos.

Hoje, o prazo para o ente público se manifestar é contado em


dobro para qualquer manifestação, exceto se a lei prever prazo
específico.

No antigo CPC, a lei estabelecia prazo em quadruplo para contestar


e em dobro para recorrer (uma bagunça…).

Cumprindo sua função, o CPC de 2015 surge para simplificar esse


sistema.

A Defensoria Pública também tem prazo em dobro para se


manifestar e, a partir do CPC de 2015, tal prazo se estende para os
núcleos de prática jurídica e entidades que prestam assistência
jurídica.

A alteração do formato de contagem de prazos também veio para


derrubar parte da triste jurisprudência defensiva.

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Na prática, era muito comum a inadmissibilidade do recurso por


interposição ANTES do termo inicial (antes do início da
contagem…).

Falava-se, aqui, em ato prematuro (ou recurso prematuro).

O excesso de formalismo tinha o único objetivo de barrar


(obstaculizar) recursos.

• Dica: leia também a teoria geral dos recursos.

Penalizavam, com isso, aquele que tinha excesso de zelo.

O CPC de 2015, em evidente combate a jurisprudência defensiva,


acabou com o ato prematuro, tornando-o tempestivo.

Neste sentido, o art. 218, § 4º, do CPC, esclarece que “será


considerado tempestivo o ato praticado antes do termo inicial do
prazo”.

O antigo CPC previa prazo em dobro para litisconsortes com


advogados diferentes.

Tal benefício permanece válido, contudo, existe apenas para casos


em que:

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1. Litisconsortes com advogados diferentes (de diferentes


escritórios….)
2. Processo físico (não cabe para processo eletrônico…);

Outros pontos de alteração que merecem destaque são:

1. Entre 20 de dezembro e 20 de janeiro, os prazos serão


suspensos;
2. Ocorrerá a suspensão de prazos durante a execução de
programas instituídos pelo Judiciário para conciliação das
partes;
3. NÃO se admite renúncia tácita aos prazos;
4. Quando a parte for recorrer e houver feriado local, cabe ao
recorrente comprovar a existência do feriado local (caso
contrário será intempestivo…)

E se a parte não cumpre o prazo?

No caso do descumprimento de prazo peremptório, ocorre, como


regra, a denominada preclusão temporal, ou seja, o ato será
considerado intempestivo.

Entretanto, será possível alegar justa causa (art. 223 do CPC).

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Segundo o CPC, “considera-se justa causa o evento alheio à


vontade da parte e que a impediu de praticar o ato por si ou por
mandatário” (art. 223, § 1º, CPC).

Neste caso, o juiz garantirá novo prazo para que a parte possa
praticar o ato.

Espécies de Prazos Processuais

Quanto a origem

Quanto à origem, os prazos processuais podem ser:

1. Prazo Legal: previsto em lei


2. Prazo Judicial: Fixado pelo juiz
3. Prazo Convencional: Acordado pelas partes

Observe que, existindo omissão legal e, concomitantemente,


omissão do magistrado, estabelece a lei que o prazo da parte será
de 5 dias.

Art. 218 (…)

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§ 3º Inexistindo preceito legal ou prazo determinado


pelo juiz, será de 5 (cinco) dias o prazo para a prática
de ato processual a cargo da parte.

Quanto às consequências

Quanto às consequências, os prazos processuais podem ser:

1. Prazo próprio: a inobservância do prazo enseja a preclusão


temporal, conforme art. 223 do CPC. São prazos, em regra,
fixados para que as partes pratiquem determinado ato
processual.
2. Prazo impróprio: a inobservância do prazo NÃO enseja a
preclusão temporal. São prazos, em regra, fixados para o juiz
ou servidor.

Quanto à possibilidade de dilação

Quanto à possibilidade de dilação, os prazos processuais podem


ser:

1. Prazo peremptório: é um prazo fatal/ rígido.


2. Prazo dilatório: é um prazo flexível.
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O novo CPC flexibiliza bastante a possibilidade de dilatar prazos.

Aliás, o art. 139, VI, esclarece que é dever do juiz dilatar prazos de
modo a conferir maior efetividade à tutela do direito.

Portanto, há inegável flexibilização do sistema.

Em locais de difícil acesso, o juiz poderá dilatar prazos por até 2


meses (art. 222 do CPC).

Aliás, o dilação poderá superar esse período se houver calamidade


pública (art. 222, § 2º, do CPC).

É vedado ao juiz, contudo, reduzir prazos peremptórios sem


anuência das partes (art. 222, § 1°, do CPC).

Por fim, não podemos deixar de falar do:

1. Prazo comum: transcorre simultaneamente para ambas as


partes;
2. Prazo sucessivo: transcorre para uma parte e depois para
outra;
3. Prazo regressivo: É o período de tempo previsto em lei que
deve escoar para que determinado ato processual seja

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validamente praticado. É o que ocorre, por exemplo, com o


prazo para juntada da carta de intimação das testemunhas.

Art. . 455. Cabe ao advogado da parte informar ou


intimar a testemunha por ele arrolada do dia, da hora
e do local da audiência designada, dispensando-se a
intimação do juízo.

§ 1º A intimação deverá ser realizada por carta com


aviso de recebimento, cumprindo ao advogado juntar
aos autos, com antecedência de pelo menos 3
(três) dias da data da audiência, cópia da
correspondência de intimação e do comprovante de
recebimento.

Critérios para Contagem de Prazo

Em primeiro lugar, como já explicamos anteriormente, é preciso


repisar que a contagem de prazo definidos em dias considerará
apenas os dias úteis.

Não será contabilizado, portanto, sábados, domingos e feriados.

Para contagem de prazo processual, a parte deve excluir o dia do


começo e incluir o dia do fim.
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A renúncia ao prazo poderá ocorrer apenas de forma expressa (é


vedada a renúncia tácita…)

No processo eletrônico, a contagem ocorre de forma um pouco


diferente do processo físico.

É preciso saber quando a decisão foi disponibilizada e quando foi


publicada para, só então, conhecer a data do início da contagem
de prazo.

De forma geral, o termo inicial do prazo leva em consideração a


data da publicação da decisão.

Ocorre que, no processo eletrônico, “considera-se como data da


publicação o primeiro dia útil seguinte ao da disponibilização da
informação no Diário da Justiça eletrônico” (art. 4°, § 3°, da Lei
11.419) .

Portanto, é preciso observar quando a decisão foi disponibilizada


para, após, saber quando ela foi publicada.

Observe o exemplo:

1. Decisão é DISPONIBILIZADA no dia X;


2. Decisão é considerada PÚBLICADA no dia X+1;
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3. Início do prazo, então, será no próximo dia útil (X+2), já que


exclui o dia do começo e inclui o dia do fim.

Você pode estar se perguntando: “e como funciona o início do


prazo da citação?”.

O CPC prevê inúmeras situações que devem ser memorizadas pelo


operador do direito, dada a importância do tema.

Para facilitar, vamos sintetizar.

Em caso de citação, o início do prazo será contado:

1. Da juntada do Mandado de Citação, quando feita por Oficial


de Justiça;
2. Da juntada do AR, quando feita pelo correio;
3. Da data da citação, quando a parte é citada pelo escrivão ou
chefe de secretaria;
4. Do dia útil seguinte ao da dilação assinada pelo juiz em caso
de citação por edital;
5. Do dia útil seguinte ao dia da consulta da citação;
6. Do dia da carga, quando feita carga dos autos.

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Liquidação

Neste artigo, vou explicar, de forma didática, tudo sobre a


liquidação no Processo Civil.

A liquidação é uma fase do processo que ocorre apenas na


hipótese de sentença condenar ao pagamento de quantia ilíquida
(art. 509 do CPC).

Trata-se, por isso, de uma etapa que ocorre frente ao título


executivo judicial ilíquido.

O título executivo judicial, neste caso, será certo, exigível, porém,


ilíquido e, por isso, demanda liquidação.

Observe que não há liquidação de título executivo extrajudicial.

Até porque o título executivo extrajudicial, por definição, precisa


ser certo, líquido e exigível.

Note, ainda, que a fase de liquidação é posterior ao encerramento


da fase de conhecimento (fase cognitiva).

Aqui, o art. 509, § 4º, do CPC esclarece que “na liquidação é vedado
discutir de novo a lide ou modificar a sentença que a julgou”.

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O art. 324 do CPC dispõe que todo pedido deve ser certo e
determinado.

Como consequência, a sentença também deverá ser líquida, pois


acompanha os pedidos da exordial (princípio da congruência ou
adstrição).

Entretanto, excepcionalmente, admite-se o pedido genérico


(indeterminado):

I – nas ações universais, se o autor não puder


individuar os bens demandados;

II – quando não for possível determinar, desde


logo, as consequências do ato ou do fato;

III – quando a determinação do objeto ou do valor da


condenação depender de ato que deva ser
praticado pelo réu.

Observe, portanto, que a regra é que a sentença será liquida.

O art. 491 do CPC esclarece que, ainda que genérico o pedido,


deve o juiz estabelecer, desde logo:

1. A extensão da obrigação;
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2. Índice de correção monetária com termo inicial;


3. Taxa de juros com termo inicial;
4. Periodicidade da capitalização de juros se for o caso.

Excepcionalmente, contudo, isso não será feito se:

• I – não for possível determinar, de modo definitivo, o


montante devido;
• II – a apuração do valor devido depender da produção de
prova de realização demorada ou excessivamente
dispendiosa, assim reconhecida na sentença.

O CPC, ainda, esclarece que, nestes casos, a apuração do valor será


feita por liquidação (art. 491, § 1º, CPC).

É curioso observar que nem sempre a decisão ilíquida justifica a


constituição da fase de liquidação.

Na hipótese da apuração do valor depender apenas de cálculos


aritmético, o credor poderá promover, desde logo, o
cumprimento de sentença (art. 509, § 2º, CPC).

Isso significa que, nesta hipótese (meros cálculos aritméticos…), é


desnecessário a instauração de fase de liquidação.

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É importante observar que não se admite sentença ilíquida no


âmbito dos juizados especiais.

Outro detalhe que merece atenção é a possibilidade do credor


executar a parte líquida da sentença e promover, em autos
apartados, a liquidação da parte ilíquida (art. 509, § 1º, CPC).

A liquidação poderá ser iniciada não apenas pelo credor, mas


também pelo devedor.

Observe:

Art. 509. Quando a sentença condenar ao pagamento


de quantia ilíquida, proceder-se-á à sua liquidação, a
requerimento do credor ou do devedor:

(…)

A liquidação de sentença é compreendida como um incidente


complementar da sentença condenatória genérica.

A decisão proferida em sede de liquidação tem natureza de


decisão interlocutória.

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Por se tratar de decisão interlocutória proferida no âmbito da


liquidação, cabe agravo de instrumento (art. 1.015, parágrafo único,
CPC).

A liquidação poderá ser:

1. Por arbitramento;
2. Pelo procedimento comum;

Alguns doutrinadores falam, ainda, em liquidação por simples


cálculos.

Ocorre que, como já observamos, a sentença cujo cumprimento


demanda simples cálculo aritmético, não precisa de liquidação.

Nesta hipótese, o credor pode, desde logo, promover o


cumprimento de sentença (art. 509, § 2º, CPC).

A liquidação por arbitramento ocorre quando:

1. Determinado pela sentença;


2. Convencionado pelas partes;
3. Exigido pela natureza do objeto (por exemplo, necessário a
produção de provas técnica/ perícia).

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Quanto ao procedimento, esclarece o art. 510 o seguinte:

Art. 510. Na liquidação por arbitramento, o juiz


intimará as partes para a apresentação de pareceres
ou documentos elucidativos, no prazo que fixar, e,
caso não possa decidir de plano, nomeará perito,
observando-se, no que couber, o procedimento da
prova pericial.

Em paralelo, a liquidação pelo procedimento comum ocorre


quando necessário comprovar um fato novo.

Quanto ao procedimento, o art. 511 do CPC dispõe o seguinte:

Art. 511. Na liquidação pelo procedimento comum, o


juiz determinará a intimação do requerido, na pessoa
de seu advogado ou da sociedade de advogados a
que estiver vinculado, para, querendo, apresentar
contestação no prazo de 15 (quinze) dias,
observando-se, a seguir, no que couber, o disposto no
Livro I da Parte Especial deste Código .

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Por fim, é importante esclarecer que existe a possibilidade de


liquidação autônoma.

Em algumas hipóteses, a liquidação não será uma fase integrante


do processo sincrético.

Lembro, por oportuno, que, conforme art. 515 do CPC, também são
títulos executivos judiciais:

art. 515 (…)

(…)

VI – a sentença penal condenatória transitada em


julgado;

VII – a sentença arbitral;

VIII – a sentença estrangeira homologada pelo


Superior Tribunal de Justiça;

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IX – a decisão interlocutória estrangeira, após a


concessão do exequatur à carta rogatória pelo
Superior Tribunal de Justiça;

Todos esses casos, evidentemente, precisam ser executados no


juízo cível.

Não raro, contudo, tais decisões são ilíquidas e, por isso,


demandam liquidação no juízo cível.

A liquidação, neste caso, ocorre como um processo autônomo (não


como uma fase).

Aliás, o § 1º do art. 515 esclarece que “nos casos dos incisos VI a IX,
o devedor será citado no juízo cível para o cumprimento da
sentença ou para a liquidação no prazo de 15 (quinze) dias”.

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Princípios da Execução

Neste artigo eu vou explicar, passo a passo, os princípios da


execução.

Para ser didático, vou falar de cada um dos princípios nos próximos
tópicos.

Nele, eu, literalmente, desenho para você entender…

“Nulla Exetutio Sine Titulo”

De forma simples e direta, esse princípio disciplina que não há


execução sem título que a sustente.

Observe que, na execução, existe autorização legal para que ocorra


a invasão do patrimônio do executado por meio de atos de
constrição judicial.

Como se não bastasse, o executado é colocado em posição de


evidente desvantagem quando comparado com o exequente.

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Por isso, é imprescindível que a execução esteja pautada em título


executivo.

Trata-se de elemento essencial apto a conferir segurança jurídica


ao executado.

Patrimonialidade

Segundo o princípio da patrimonialidade, tem-se que a execução


recai sobre o patrimônio do devedor.

Portanto, a execução é sempre real (recai sobre o patrimônio) e não


pessoal…

Dentro desse contexto, é preciso lembrar que impõe-se a garantia


do mínimo existencial do executado.

Mínimo existencial pode ser compreendido como o conjunto


básico de direitos fundamentais que assegura a cada pessoa uma
vida digna.

O mínimo existencial, então, está bastante conectado com a ideia


de resguardar uma vida digna (dignidade da pessoa humana).

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A execução, então, não pode recair sobre o patrimônio do devedor


de forma tão abrupta a ponto de retirar-lhe a capacidade de
sobreviver com o mínimo.

Você pode estar se perguntando: “mas o que seria o limite para


não retirar o mínimo existencial aqui?”

Esse limite, em verdade, vem definido pela própria legislação.

A lei 8.009, por exemplo, impõe a impenhorabilidade do bem de


família.

O art. 833 do CPC, por sua vez, elenca uma série de bens
impenhoráveis, justamente com o objetivo de resguardar esse
mínimo existencial.

Lembre-se, contudo, que o cumprimento de sentença de


alimentos, dada suas particularidades, é muito mais abrangente,
podendo, por exemplo, alcançar o bem de família (art. 3°, III, lei
8.009).

Princípio da Menor Onerosidade ao Devedor

Segundo esse princípio, existindo mais de uma forma para buscar


a satisfação do crédito, deve o magistrado optar pelo caminho
menos gravoso ao executado.
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Sobre o tema, observe o que dispõe o art. 805 do CPC:

Art. 805. Quando por vários meios o exequente puder


promover a execução, o juiz mandará que se faça
pelo modo menos gravoso para o executado.

Parágrafo único. Ao executado que alegar ser a


medida executiva mais gravosa incumbe indicar
outros meios mais eficazes e menos onerosos, sob
pena de manutenção dos atos executivos já
determinados.

Observe que, segundo o parágrafo único do art. 805 do CPC, o


devedor, para lançar mão desse princípio, precisará apresentar o
meio menos gravoso e igualmente efetivo (a lei, aliás, fala em meio
MAIS eficaz…) para cumprimento da satisfação.

Não basta, portanto, apresentar meio menos gravoso. É preciso


que seja mais eficaz.

Isso significa que o princípio da menor onerosidade não tem


aptidão para afastar a efetividade da tutela executiva.

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Por exemplo, existe uma ordem de penhora estabelecida no art.


835 do CPC.

O citado dispositivo aponta que a penhora será feita, em primeiro


lugar, “em dinheiro, em espécie ou em depósito ou aplicação em
instituição financeira” (art. 835, I, CPC).

Imagine que, por exemplo, o executado ofereça um caminhão para


ser penhorado com o objetivo de substituir a preferência legal (art.
835, I, CPC), sustentando que será menos oneroso para o
exequente.

A caminhão, contudo, é meio MENOS efetivo, pois demanda longo


processo de venda pela via judicial (leilão).

Por isso, nesta hipótese, não cabe, por expressa previsão legal, a
aplicação do princípio da menor onerosidade.

Em paralelo, contudo, é possível sustentar a aplicação do princípio


da menor onerosidade para impedir a aplicação de medidas
executivas incapazes de gerar a satisfação do crédito.

Por exemplo, o magistrado não pode impor astreintes (multa),


quando verificada que o cumprimento da obrigação tornou-se
impossível.

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Princípio da Efetividade da Execução

Com base no princípio da efetividade da execução, deve o juiz


envidar todos os esforços possíveis na busca da satisfação do
débito.

Princípio da Disponibilidade da Execução

O exequente tem o direito de, a qualquer momento, desistir do


processo.

É o que dispõe o art. 775 do CPC:

Art. 775. O exequente tem o direito de desistir de toda


a execução ou de apenas alguma medida executiva.

Parágrafo único. Na desistência da execução,


observar-se-á o seguinte:

I – serão extintos a impugnação e os embargos que


versarem apenas sobre questões processuais,

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pagando o exequente as custas processuais e os


honorários advocatícios;

II – nos demais casos, a extinção dependerá da


concordância do impugnante ou do embargante.

Neste ponto da matéria, é preciso ter cautela…

Isso porque, uma vez apresentado embargos a execução, será


preciso, em alguns casos, obter o consentimento do embargante
para desistir da execução.

Na prática, temos o seguinte:

1. Caso a matéria dos Embargos a Execução seja meramente de


direito processual, pode o exequente desistir da execução;
2. Caso a matéria dos Embargos a Execução (ou impugnação)
seja de direito material, será preciso obter o consentimento
do embargante/ executado para que o exequente possa
desistir da execução.

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Princípio da Utilidade

O processo de execução deve ser útil, ou seja, deve funcionar como


instrumento apto a entregar de forma efetiva o satisfação do
crédito.

Isso significa que a execução não pode ser compreendida como


mecanismo de vingança.

A execução precisa ter utilidade prática.

Com base nesse princípio, por exemplo, alguns juízes negam


algumas medidas coercitivas atípicas (e.g. bloqueio de CNH), dada
a inutilidade da medida.

Princípio da Boa-fé Processual e Cooperação

A boa-fé processual é um princípio, hoje, disciplinado no art. 5° do


CPC, cumpre citar:

Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve


comportar-se de acordo com a boa-fé.

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Esse princípio, evidentemente, estende-se a fase executiva (no


cumprimento de sentença) ou ao processo de execução (na
execução autônoma).

Sobre o tema, observe o que disciplina o art. 774 do CPC:

Art. 774. Considera-se atentatória à dignidade da


justiça a conduta comissiva ou omissiva do executado
que:

I – frauda a execução;

II – se opõe maliciosamente à execução, empregando


ardis e meios artificiosos;

III – dificulta ou embaraça a realização da penhora;

IV – resiste injustificadamente às ordens judiciais;

V – intimado, não indica ao juiz quais são e onde estão


os bens sujeitos à penhora e os respectivos valores,
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nem exibe prova de sua propriedade e, se for o caso,


certidão negativa de ônus.

Parágrafo único. Nos casos previstos neste artigo, o


juiz fixará multa em montante não superior a vinte por
cento do valor atualizado do débito em execução, a
qual será revertida em proveito do exequente, exigível
nos próprios autos do processo, sem prejuízo de
outras sanções de natureza processual ou material.

Princípio da Atipicidade dos Meios Executivos

Os meios executivos, no CPC, apresentam-se de forma meramente


exemplificativa.

É o que depreende da leitura do art. 536, §1º do CPC, cumpre citar:

“Art. 536. No cumprimento de sentença que


reconheça a exigibilidade de obrigação de fazer ou de
não fazer, o juiz poderá, de ofício ou a requerimento,
para a efetivação da tutela específica ou a obtenção
de tutela pelo resultado prático equivalente,
determinar as medidas necessárias à satisfação do
exequente.
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§ 1º Para atender ao disposto no caput , o juiz poderá


determinar, entre outras medidas, a imposição de
multa, a busca e apreensão, a remoção de pessoas e
coisas, o desfazimento de obras e o impedimento de
atividade nociva, podendo, caso necessário, requisitar
o auxílio de força policial

(…)”

O magistrado, portanto, poderá, no exercício da sua função utilizar


outras medidas que não estejam expressamente previstas em
legislação.

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Cumprimento de Sentença

Neste artigo, eu vou explicar, passo a passo, tudo sobre o


cumprimento de sentença.

É muito importante você compreender, em um primeiro momento,


que, no Brasil, existem dois modelos de execução:

1. Cumprimento de sentença;
2. Execução autônoma;

A primeira ocorre dentro dos mesmos autos.

Fala-se, aqui, em processo sincrético, ou seja, é possível a


declaração (fase cognitiva) e a satisfação (fase executória) do
direito material em uma única relação jurídico-processual.

Em outras palavras, no processo sincrético não é necessária


desenvolver nova relação jurídico-processual.

O cumprimento de sentença é utilizado para execução de títulos


executivos judiciais.

A execução autônoma, por sua vez, demanda o desenvolvimento


de uma relação jurídico-processual específica para a execução.

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Será aplicada para execução de títulos executivos extrajudiciais.

Neste artigo, eu quero falar especificamente do cumprimento de


sentença e, por isso, vou falar também dos títulos executivos
judiciais.

Como regra, o título executivo será líquido, certo e exigível.

Títulos Executivos Judiciais

Segundo o art. 515 do CPC, são títulos executivos judiciais:

I – as decisões proferidas no processo civil que


reconheçam a exigibilidade de obrigação de pagar
quantia, de fazer, de não fazer ou de entregar coisa;

II – a decisão homologatória de autocomposição


judicial;

III – a decisão homologatória de autocomposição


extrajudicial de qualquer natureza;
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IV – o formal e a certidão de partilha, exclusivamente


em relação ao inventariante, aos herdeiros e aos
sucessores a título singular ou universal;

V – o crédito de auxiliar da justiça, quando as custas,


emolumentos ou honorários tiverem sido aprovados
por decisão judicial;

VI – a sentença penal condenatória transitada em


julgado;

VII – a sentença arbitral;

VIII – a sentença estrangeira homologada pelo


Superior Tribunal de Justiça;

IX – a decisão interlocutória estrangeira, após a


concessão do exequatur à carta rogatória pelo
Superior Tribunal de Justiça;

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Como regra, o título executivo será líquido, certo e exigível.

Mas, excepcionalmente, é possível que o magistrado profira


sentença ilíquida.

Nestas hipóteses, será preciso ultrapassar uma nova fase no


processo: a fase de liquidação.

Aliás, o próprio art. 515, §1°, do CPC esclarece que “nos casos dos
incisos VI a IX, o devedor será citado no juízo cível para o
cumprimento da sentença ou para a liquidação no prazo de 15
(quinze) dias”.

Observe que a sentença arbitral é título executivo judicial.

Observe, também, que a decisão homologatória de


autocomposição (judicial ou extrajudicial) será, também, título
executivo judicial.

É importante esclarecer que a autocomposição judicial pode


envolver sujeito estranho ao processo e, inclusive, versar sobre
relação jurídica que não tenha sido deduzida em juízo (art. 515,
§2°, do CPC).

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Como funciona o cumprimento de sentença?

Em primeiro lugar, é importante esclarecer que vamos estudar o


cumprimento de sentença definitivo que reconhece a exigibilidade
da obrigação de pagar quantia certa.

O CPC fala, especificamente, do:

1. Cumprimento de sentença definitivo de obrigação de pagar


quantia;
2. Cumprimento de sentença provisório de obrigação de pagar
quantia;
3. Cumprimento de sentença de obrigação de prestar alimentos;
4. Cumprimento de sentença de obrigação de fazer e não fazer;
5. Cumprimento de sentença de pagar quantia contra a Fazenda
Pública;

Vamos, aqui, falar sobre o primeiro (cumprimento de sentença


definitivo de obrigação de pagar quantia).

Além de ser, na prática, o mais comum, essa espécie de


cumprimento de sentença é também utilizada subsidiariamente em
outros ritos de cumprimento de sentença.

É claro que, em outros artigos, vamos falar sobre os demais


cumprimentos de sentença…
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Mas, aqui, vou focar apenas nesta espécie, dada sua importância
prática.

Como regra, o exequente faz o requerimento, instruído com


demonstrativo discriminado e atualizado do crédito (art. 524 do
CPC).

Porém, pode o executado iniciar o cumprimento de sentença.

Fala-se, neste caso, em cumprimento de sentença invertido.

Conforme art. 516 do CPC, o cumprimento de sentença deverá


ocorrer perante:

I – os tribunais, nas causas de sua competência


originária;

II – o juízo que decidiu a causa no primeiro grau de


jurisdição;

III – o juízo cível competente, quando se tratar de


sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de

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sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo


Tribunal Marítimo.

Nas hipóteses dos incisos II e III, o pedido de execução poderá


ocorrer:

1. No atual domicílio do executado;


2. No local dos bens sujeitos a execução;
3. No local onde deva ser executada a obrigação de fazer ou não
fazer;

Cabe ao executado escolher, tratando-se de competência


concorrente.

Em seguida, o juiz fará o juízo de admissibilidade do pedido de


cumprimento de sentença e, ato contínuo, intimará o executado.

A intimação do executado, como regra, ocorre na pessoa do


advogado.

Contudo, não será intimado na pessoa do advogado a:

1. Defensoria Pública ou executado sem procurador nos


autos: neste caso, é intimado por carta com AR (aviso de
recebimento);
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2. Revel na fase de conhecimento: será intimado por edital;


3. Caso a instauração do cumprimento de sentença ocorra
após 1 ano: será citado por carta com AR (aviso de
recebimento)

Uma vez intimado, tem o executado prazo de 15 dias para cumprir


voluntariamente a obrigação, sobe pena de:

1. Multa de 10%;
2. Honorários de 10%;

Na hipótese do executado efetuar o pagamento parcial , a multa e


os honorários previstos incidirão sobre o restante (art. 523, § 2º,
CPC).

Superado o prazo de 15 dias para pagamento voluntário, inicia-se


o prazo de 15 dias para impugnação.

Não efetuado tempestivamente o pagamento voluntário, será


expedido, desde logo, mandado de penhora e avaliação, seguindo-
se os atos de expropriação (art. 523, § 3º, CPC).

Impugnação ao cumprimento de sentença

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A primeira coisa que você precisa observar é que o prazo para


impugnação ao cumprimento de sentença (15 dias) tem início
apenas findo o prazo para pagamento voluntário.

Observe o que dispõe o art. 525 do CPC:

Art. 525. Transcorrido o prazo previsto no art. 523


sem o pagamento voluntário, inicia-se o prazo de
15 (quinze) dias para que o executado,
independentemente de penhora ou nova intimação,
apresente, nos próprios autos, sua impugnação.

Será feito por simples petição no prazo de 15 dias contados do fim


do prazo para cumprimento voluntário da execução.

É importante observar que o prazo será em dobro (art. 525, § 3º,


CPC) na hipótese de, cumulativamente:

1. Existir mais de um executado;


2. Com procuradores diferentes;
3. De escritórios de advocacia distintos;

A impugnação ao cumprimento de sentença é um incidente do


processo.

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Além disso, a impugnação ao cumprimento de sentença não tem


efeito suspensivo automático.

Isso significa que, para alcançar o efeito suspensivo, será preciso


requerer, demonstrando que o prosseguimento da execução “é
manifestamente suscetível de causar ao executado grave dano
de difícil ou incerta reparação” (art. 525, § 6º, CPC).

Mas não é só isso…

O pedido de efeito suspensivo depende de garantia do juízo com:

1. Bem penhorado;
2. Bem entregue em caução;
3. Depósito.

Ainda assim, existe a possibilidade do exequente apresentar contra


caução para que a execução prossiga.

Observe o que disciplina o art. 525, § 10, do CPC:

Art. 525 (…)

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§ 10. Ainda que atribuído efeito suspensivo à


impugnação, é lícito ao exequente requerer o
prosseguimento da execução, oferecendo e
prestando, nos próprios autos, caução suficiente
e idônea a ser arbitrada pelo juiz.

Na impugnação, o executado poderá alegar:

I – falta ou nulidade da citação se, na fase de


conhecimento, o processo correu à revelia;

II – ilegitimidade de parte;

III – inexequibilidade do título ou inexigibilidade da


obrigação;

IV – penhora incorreta ou avaliação errônea;

V – excesso de execução ou cumulação indevida de


execuções;

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VI – incompetência absoluta ou relativa do juízo da


execução;

VII – qualquer causa modificativa ou extintiva da


obrigação, como pagamento, novação, compensação,
transação ou prescrição, desde que supervenientes à
sentença.

Alguns pontos, aqui, merecem destaque.

A alegação de excesso de execução (art. 515, § 1º, V, CPC) deverá


vir acompanhada, necessariamente, de planilha de débito com
descrição pormenorizada daquilo que o executado considera
excesso.

Neste contexto, o executado deve declarar o importe que entende


devido.

É interessante observar que será inexequível (art. 525, § 1º, III, CPC)
o título fundado em lei ou ato normativo considerado
inconstitucional ou com interpretação tida por inconstitucional, em
ambos os casos reconhecidas pelo Supremo Tribunal Federal (art.
525, § 12, CPC).

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Evidente que poderá o Supremo Tribunal Federal modular os


efeitos da decisão.

É preciso deixar claro que a decisão do Supremo Tribunal Federal


deve ser anterior ao transito em julgado (art. 525, § 14, CPC).

Como se sabe, a desconstituição da coisa julgada deve ser feita


oportunamente por meio de ação rescisória (art. 525, § 15, CPC).

Observe que o executado poderá alegar, ainda, penhora ou


avaliação incorreta (art. 525, § 1º, IV, CPC).

Pergunta-se: “e na hipótese da penhora ou avaliação incorreta


ocorrer APÓS o prazo de impugnação?”.

Neste caso, existe prazo de 15 dias para impugnação, contados


da ciência da penhora ou avaliação.

O executado poderá, também, alegar incompetência absoluta ou


relativa.

Mas é preciso ter cautela…

A incompetência absoluta ou relativa será do juízo da execução


(art. 525, § 1º, VI, CPC).

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O julgamento da impugnação ocorrerá pode decisão


interlocutória.

Por se tratar de decisão interlocutória proferida em sede de


cumprimento de sentença, caberá agravo de instrumento (art.
1.015, parágrafo único, CPC).

Observações importantes

Tem-se entendido que o fiador ou coobrigados devem fazer


parte da fase de conhecimento para serem executados.

Excepcionalmente, admite-se a inclusão dos fiadores/ coobrigados


na execução na hipótese de:

1. Incidente de desconsideração da personalidade jurídica;


2. Obrigação Propter Rem (por exemplo, taxa condominial
cobrada do proprietário).

Além disso, não se admite a aplicação da moratória legal no


âmbito do cumprimento de sentença.

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Lembro, por oportuno, que a moratória legal é o parcelamento


compulsório requerido pelo executado nos termos do art. 916 do
CPC.

Esse parcelamento está autorizado apenas no âmbito da execução


autônoma.

Aliás, o próprio art. 916 do CPC esclarece que o benefício deve ser
requerido pela parte “no prazo para embargos”, cumpre citar:

Art. 916. No prazo para embargos, reconhecendo o


crédito do exequente e comprovando o depósito de
trinta por cento do valor em execução, acrescido de
custas e de honorários de advogado, o executado
poderá requerer que lhe seja permitido pagar o
restante em até 6 (seis) parcelas mensais, acrescidas
de correção monetária e de juros de um por cento ao
mês.

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Cumprimento de Sentença de Alimentos

O cumprimento de sentença de alimentos envolve uma:

1. sentença de alimentos ou…


2. decisão interlocutória de alimentos.

Seguindo o contexto do processo sincrético, como regra, o


cumprimento de sentença ocorre nos mesmos autos, constituindo
uma fase do processo.

Contudo, “a execução dos alimentos provisórios, bem como a dos


alimentos fixados em sentença ainda não transitada em julgado,
se processa em autos apartados” (art. 531, § 1º, CPC).

Já estudamos, em direito civil, os alimentos.

Há uma série de características de direito material importantes e


que influenciam no direito processual.

Os alimentos possuem natureza personalíssima.

A pretensão para requerer é imprescritível, porém, a pretensão


executiva prescreve em 2 anos.

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Desde já, é preciso apontar uma diferença importante.

Os alimentos podem ser fixados no âmbito do Direito de Família


ou em razão da responsabilidade civil.

O primeiro caso ocorre:

1. Entre cônjuges/ companheiros


2. Entre pais e filhos;
3. Entre parentes ascendentes, descendentes e colaterais até o
2° grau;

Já o segundo caso decorre, como o próprio nome diz, da


responsabilidade civil e são também chamados de alimentos
indenizativos.

É importante observar que o inadimplemento de alimentos


indenizativos NÃO autorizam a prisão civil.

A execução promovida em face de uma sentença ou decisão


interlocutória de alimentos é tida como uma execução especial.

É especial porque segue um procedimento específico (não segue o


procedimento comum de execução por quantia…).

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Como funciona o cumprimento de sentença de alimentos?

Em primeiro lugar, o exequente faz o requerimento.

O requerimento poderá ser feito:

1. Onde o título se formou;


2. No atual domicílio do executado;
3. No local onde se encontram bens do executado;
4. No atual domicílio do beneficiário.

Trata-se de competência concorrente.

Ao prosseguir com a execução, o exequente precisa, em um


primeiro momento, escolher o rito que deseja.

Na prática, falamos em execução pelo:

1. Rito da penhora;
2. Rito da prisão.

Essa escolha cabe ao credor (e não ao magistrado…).


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Além disso, o juiz não pode converter de ofício o rito da penhora


(ou rito da expropriação) para o rito da prisão (STJ HC 128229 / SP).

Entretanto, o STJ tem entendido que, a pedido do exequente, é


possível converter o rito da prisão em rito da penhora (HC
311131).

Para você entender melhor a execução pelo rito da penhora (ou


expropriação) e pelo rito da prisão, vou separar a explicação em
dois tópicos.

Execução pelo rito da penhora

Aqui, o exequente faz o requerimento e ocorre, em um primeiro


momento, o juízo de admissibilidade.

Ato contínuo, o juízo determina a intimação do réu, por meio do


advogado, para pagamento em 15 dias.

Caso o exequente não pague no período, deverá arcar com:

1. Multa de 10%;

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2. Honorários de 10%;

Em paralelo, dá-se início a execução forçada.

Neste caso, diferente de uma execução comum, a penhora tem


abrangência maior, podendo alcançar:

1. Caderneta de poupança até 40 salários mínimos;


2. Desconto em folha de pagamento, salário, remuneração,
aposentadoria, etc.
3. Bem de família;

O desconto dos rendimentos ou renda não poderá ultrapassar


50% dos ganhos líquidos do executado.

Observe o que dispõe o art. 529, § 3º, do CPC:

Art. 529. Quando o executado for funcionário público,


militar, diretor ou gerente de empresa ou empregado
sujeito à legislação do trabalho, o exequente poderá
requerer o desconto em folha de pagamento da
importância da prestação alimentícia.

(…)
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§ 3º Sem prejuízo do pagamento dos alimentos


vincendos, o débito objeto de execução pode ser
descontado dos rendimentos ou rendas do
executado, de forma parcelada, nos termos do caput
deste artigo, contanto que, somado à parcela devida,
não ultrapasse cinquenta por cento de seus
ganhos líquidos.

O bem de família, na execução de alimentos, também será


alcançado.

Trata-se de exceção prevista no art. 3°, III, da lei 8.009:

Art. 3º A impenhorabilidade é oponível em qualquer


processo de execução civil, fiscal, previdenciária,
trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido:

(…)

III – pelo credor da pensão alimentícia,


resguardados os direitos, sobre o bem, do seu
coproprietário que, com o devedor, integre união

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estável ou conjugal, observadas as hipóteses em que


ambos responderão pela dívida;

Execução pelo rito da prisão

A prisão, aqui, é compreendida como medida coercitiva indireta


desencorajadora.

Evidente que a prisão, por si só, não tem aptidão para quitar o
débito (art. 528, § 5º,CPC)

Aliás, o pagamento parcial do débito também não tem aptidão


para impedir a prisão.

A prisão, como regra, será aplicada ao devedor VOLUNTÁRIO e


INEXCUSÁVEL de alimentos.

Você pode estar se perguntando: “e como funciona esse


procedimento?”

Após o transito em julgado da decisão, poderá o exequente


prosseguir com a execução pelo rito da prisão.

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Pelo rito da prisão, o exequente poderá cobrar, no máximo, 3


parcelas vencidas, bem como as que se vencerem durante o
processo.

É que o disciplina o art. 528, § 7º, do CPC:

art. 528 (…)

§ 7º O débito alimentar que autoriza a prisão civil do


alimentante é o que compreende até as 3 (três)
prestações anteriores ao ajuizamento da execução
e as que se vencerem no curso do processo.

Observe que o CPC de 2015, neste particular, consolidou o que já


vinha estabelecido na súmula 309 do STJ:

Súmula 309 – O débito alimentar que autoriza a prisão


civil do alimentante é o que compreende as três
prestações anteriores ao ajuizamento da execução
e as que se vencerem no curso do processo.

Há, portanto, um limite de execução pelo rito da prisão.

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Por isso, superada 3 parcelas, será preciso buscar a parte faltante


pelo rito da penhora que poderá ser feita em conjunto.

Observe que a norma fala em ATÉ 3 prestações…

O entendimento firmado pelo STJ é que o exequente não precisa


aguardar 3 meses de inadimplemento para utilizar o rito da prisão.

Poderá fazê-lo, por exemplo, com 1 mês de inadimplemento.

Feito o requerimento pelo exequente, seguimos para a segunda


etapa do cumprimento de sentença de alimentos.

O juiz, nesta etapa, determina a intimação pessoal da parte (note


que não pode intimar o advogado) para, em 3 dias:

1. Pagar o débito;
2. Provar que já pagou;
3. Justificar o motivo pelo qual não pagou.

Quanto a justificativa, é preciso estar atento…

Não cabe, a título de justificativa alegar que:

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1. Está desempregado;
2. Casou novamente e constituiu nova família;
3. Teve mais um filho;
4. Aplica-se a teoria do adimplemento substancial.

Nos dois primeiros casos, evidentemente, poderá o exequente, em


separado, postular pela revisão dos alimentos (ação revisional).

Contudo, não poderá deixar de pagar o importe devido com base


nessas justificativas.

Na hipótese do magistrado não aceitar a justificativa, prosseguirá


com a decretação da prisão (de 1 a 3 meses).

Neste caso, a prisão será cumprida:

1. Em regime fechado (art. 528, § 4º, CPC);


2. Separado dos demais presos (art. 528, § 4º, CPC).

O próprio juiz, neste caso manda protestar o título.

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Cumprimento Provisório de Sentença

A execução provisória de sentença (ou cumprimento provisório de


sentença) segue grande parte das regras do cumprimento de
sentença de obrigação de pagar quantia, porém com alguns
detalhes…

Aliás, o art. 520 do CPC, sobre o tema, esclarece o seguinte:

Art. 520. O cumprimento provisório da sentença


impugnada por recurso desprovido de efeito
suspensivo será realizado da mesma forma que o
cumprimento definitivo, sujeitando-se ao seguinte
regime:

Cabe execução provisória quando, cumulativamente:

1. A decisão consagra uma obrigação de pagar quantia;


2. Recurso é recebido sem efeito suspensivo.

Tal execução será feita na primeira instância.

O juiz, em um primeiro momento, faz o juízo de admissibilidade do


pedido e, ato contínuo, intima o executado para pagar em 15 dias.

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Caso a parte não pague no prazo de 15 dias, deverá arcar com:

1. Multa de 10%;
2. Honorários de 10%.

A multa e os honorários de 10% poderá ser afastada por meio de


depósito judicial voltado a essa finalidade.

art. 520 (…)

§ 3º Se o executado comparecer tempestivamente e


depositar o valor, com a finalidade de isentar-se da
multa, o ato não será havido como incompatível com
o recurso por ele interposto.

A decisão, aqui, não pode ser protestada (apenas na execução


definitiva…).

Superado o prazo de 15 dias para pagamento voluntário, inicia-se


o prazo de 15 dias para o executado impugnar a execução.

É importante deixar claro que a responsabilidade do exequente é


OBJETIVA.

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Para seguir com a fase expropriatória na execução provisória, deve


o exequente apresentar caução.

É o que dispõe o art. 520, IV, do CPC:

Art. 520 (…)

IV – o levantamento de depósito em dinheiro e a


prática de atos que importem transferência de posse
ou alienação de propriedade ou de outro direito real,
ou dos quais possa resultar grave dano ao executado,
dependem de caução suficiente e idônea, arbitrada de
plano pelo juiz e prestada nos próprios autos.

Não será preciso apresentar caução nas hipóteses de:

I – o crédito for de natureza alimentar,


independentemente de sua origem;

II – o credor demonstrar situação de necessidade;

III – pender o agravo do art. 1.042;

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IV – a sentença a ser provisoriamente cumprida


estiver em consonância com súmula da jurisprudência
do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal
de Justiça ou em conformidade com acórdão proferido
no julgamento de casos repetitivos.

Entretanto, é preciso se ater a um detalhe…

O parágrafo único do art. 521 esclarece que, nessas hipóteses, “a


exigência de caução será mantida quando da dispensa possa
resultar manifesto risco de grave dano de difícil ou incerta
reparação”.

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Cumprimento de Sentença Contra a Fazenda


Pública

O cumprimento de sentença contra a fazenda pública impõe


procedimento específico (art. 534 e 535 do CPC).

Isso porque os bens da fazenda pública são bens públicos e,


portanto, impenhoráveis e inalienáveis.

Lembro, por oportuno, que aqui estamos falando do cumprimento


de sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação da
Fazenda Pública pagar quantia certa.

Esse é o procedimento que vem regulamentado pelos arts. 534 e


535 do CPC.

Como Funciona o Cumprimento de Sentença Contra a Fazenda


Pública?

Em primeiro lugar, o início do cumprimento de sentença se dá com


o requerimento da parte que deverá apresentar, também,
demonstrativo discriminado e atualizado do crédito (art. 534 do
CPC).

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Após o juízo de admissibilidade do pedido, prossegue o


magistrado com a intimação pessoal da Fazenda.

Essa intimação ocorre perante o órgão de advocacia responsável


pela representação judicial da entidade.

Aqui, como regra, temos seguinte:

• a) União: quem recebe é a advocacia geral da União


• b) Estado: quem recebe é a Procuradoria do Estado;
• c) Município: quem recebe é a procuradoria do Município
• d) Distrito Federal: quem recebe é a procuradoria do Distrito
Federal

A intimação pessoal, aqui, pode ocorrer por carga dos autos,


remessa dos autos ou meio eletrônico.

É importante, contudo, destacar que as alterações realizadas pela


lei 14.195/21 no âmbito da citação aplicam-se no caso da
intimação.

Essa lei, em apertada síntese, determina que a citação e, portanto,


a intimação ocorram prioritariamente por meio eletrônico.

Esse dispositivo acrescenta o inciso VII ao art. 77.

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Observe o que diz esse dispositivo:

Art. 77. Além de outros previstos neste Código, são


deveres das partes, de seus procuradores e de todos
aqueles que de qualquer forma participem do
processo:

(…)

VII – informar e manter atualizados seus dados


cadastrais perante os órgãos do Poder Judiciário
e, no caso do § 6º do art. 246 deste Código, da
Administração Tributária, para recebimento de
citações e intimações.

O art. 270 do CPC destaca que “as intimações realizam-se, sempre


que possível, por meio eletrônico, na forma da lei”.

O art. 246, § 1º, do CPC, por sua vez, determina o seguinte:

Art. 246 (…)


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§ 1º As empresas públicas e privadas são obrigadas


a manter cadastro nos sistemas de processo em
autos eletrônicos, para efeito de recebimento de
citações e intimações, as quais serão efetuadas
preferencialmente por esse meio.

Portanto, fica evidente que a intimação será sempre


preferencialmente por meio eletrônico.

A intimação da Fazenda Pública será para, querendo, impugnar a


execução no prazo de 30 dias (art. 535 do CPC).

Em sede de impugnação, poderá aa Fazenda Pública alegar:

I – falta ou nulidade da citação se, na fase de


conhecimento, o processo correu à revelia;

II – ilegitimidade de parte;

III – inexequibilidade do título ou inexigibilidade da


obrigação;

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IV – excesso de execução ou cumulação indevida de


execuções;

V – incompetência absoluta ou relativa do juízo da


execução;

VI – qualquer causa modificativa ou extintiva da


obrigação, como pagamento, novação, compensação,
transação ou prescrição, desde que supervenientes
ao trânsito em julgado da sentença.

Muito embora aplicável, no que couber, o procedimento do


cumprimento de sentença comum (de pagar quantia), destacou o
legislador que “a multa prevista no § 1º do art. 523 não se aplica à
Fazenda Pública” (art. 534, § 2º, CPC).

Isso significa que, caso a Fazenda Pública, após intimada, não


pague o débito, NÃO será aplicado a multa de 10% e honorários
de 10%.

Muitas questões que já estudamos, aplicam-se aqui (vide


cumprimento de sentença de pagar quantia comum)

Por exemplo, a alegação de excesso de execução deverá vir


acompanhada, necessariamente, de planilha de débito com
descrição pormenorizada daquilo que o executado considera
excesso.

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Além disso, é inexequível o título fundado em lei ou ato normativo


considerado inconstitucional ou com interpretação tida por
inconstitucional, em ambos os casos reconhecidas pelo Supremo
Tribunal Federal.

Dada a similaridade dos temas, recomendo que você veja nossa


aula sobre o assunto para aprofundar-se.

Na hipótese da impugnação não ser acolhida (ou não ser


apresentada…), deverá a Fazenda Pública pagar o débito.

Mas, como já observamos no início desse artigo, os bens da


fazenda pública são bens públicos e, portanto, impenhoráveis e
inalienáveis.

Por isso, há um procedimento específico para pagamento do


débito.

O pagamento efetuado pela Fazenda Pública será feito por


precatório ou requisição de pequeno valor (RPV).

De forma bem sucinta, podemos consignar que o pagamento por


RPV é muito mais rápido…

Sobre o RPV, observe o que disciplina o art. 535, § 3º, II, do CPC:

400
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Art. 535. A Fazenda Pública será intimada na pessoa


de seu representante judicial, por carga, remessa ou
meio eletrônico, para, querendo, no prazo de 30
(trinta) dias e nos próprios autos, impugnar a
execução, podendo arguir:

(…)

§ 3º Não impugnada a execução ou rejeitadas as


arguições da executada:

(…)

II – por ordem do juiz, dirigida à autoridade na pessoa


de quem o ente público foi citado para o processo, o
pagamento de obrigação de pequeno valor será
realizado no prazo de 2 (dois) meses contado da
entrega da requisição, mediante depósito na agência
de banco oficial mais próxima da residência do
exequente.

Evidente, contudo, que a parte não pode simplesmente optar pelo


pagamento por RPV.
401
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Será preciso observar a entidade devedora e o respectivo valor


devido.

Há um teto que deve ser respeitado para cada ente…

São eles:

1. Federal: até 60 salários mínimos;


2. Estados: até 40 salário smínimos;
3. Distrito Federal: Até 10 salários mínimos (possui lei
específica);
4. Municípios: até 30 salários mínimos.

Importante observar que alguns municípios admitem o pagamento


de RPV até 10 salários mínimos. É o que ocorre, por exemplo, com
São Paulo.

É vedado ratear ou dividir parte do valor em precatório e outra


parte em RPV.

Neste caso, todo o valor será recebido por precatório, exceto se a


parte RENUNCIAR ao que exceder o teto do RPV (neste caso,
consegue receber como RPV).

402
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Fora deste contexto, o pagamento deverá ser realizado por


precatório.

Neste caso, “expedir-se-á, por intermédio do presidente do


tribunal competente, precatório em favor do exequente,
observando-se o disposto na Constituição Federal” (art. 535, § 3º, I,
CPC).

Além disso, na condição de advogado, é possível separar o crédito


do cliente do crédito do advogado (honorários).

É o que disciplina a Súmula Vinculante 47:

Súmula Vinculante 47: Os honorários advocatícios


incluídos na condenação ou destacados do montante
principal devido ao credor consubstanciam verba de
natureza alimentar cuja satisfação ocorrerá com a
expedição de precatório ou requisição de pequeno
valor, observada ordem especial restrita aos
créditos dessa natureza.

Por fim, é importante esclarecer que é possível a cessão de crédito


do precatório.

403
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404
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Execução Autônoma

Neste artigo, vou explicar, passo a passo, como funciona a


execução autônoma.

Quanto estudamos o cumprimento de sentença, expliquei que, no


Brasil, existem dois modelos de execução:

1. Cumprimento de sentença;
2. Execução autônoma;

Enquanto a primeira ocorre dentro dos mesmos autos, a segundo


impõe o desenvolvimento de nova relação jurídico-processual.

Além disso, enquanto o cumprimento de sentença é utilizado para


execução de títulos judiciais, a execução autônoma é utilizada
para execução de títulos executivos extrajudiciais.

Aqui, vamos falar apenas da execução autônoma.

O título executivo extrajudicial, objeto da execução autônoma, é,


por excelência, certo, líquido e exigível.

Observe que a liquidez faz parte do próprio conceito de título


executivo extrajudicial e, por isso, não faz sentido falar-se em
liquidação de título executivo extrajudicial.
405
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A liquidação aplica-se, apenas, no âmbito dos títulos executivos


judiciais.

Nesta espécie de execução, cabem medidas típicas (por exemplo,


astreintes) e medidas atípicas (por exemplo, bloqueio de CNH,
bloqueio de passaporte, etc).

Aliás, nesse particular, esclarece o art. 139, IV, do CPC o seguinte:

Art. 139. O juiz dirigirá o processo conforme as


disposições deste Código, incumbindo-lhe:

(…)

IV – determinar todas as medidas indutivas,


coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias
necessárias para assegurar o cumprimento de ordem
judicial, inclusive nas ações que tenham por objeto
prestação pecuniária;

Quem pode ser parte?

406
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No âmbito da execução temos o exequente (aquele que executa) e


o executado.

O exequente é, como regra, o credor do título executivo.

Contudo, a parte pode assumir a condição de exequente por


sucessão nos seguintes casos:

1. Ministério Público, nas hipóteses previstas em lei;


2. Espólio, herdeiros e sucessores;
3. O cessionário, na hipótese de direito transferido por ato inter
vivos;
4. O sub-rogado, seja ele legal ou convencional.

O executado, por sua vez, será, como regra, o devedor reconhecido


no título executivo.

Mas, aqui também, a parte poderá assumir a condição de


executado se:

1. Espólio, herdeiro ou sucessor do devedor;


2. Assumiu a obrigação COM o consentimento do credor;
3. É fiador que consta no título
4. É responsável titular do bem vinculado por garantia real ao
pagamento do débito

407
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5. É responsável tributário, nos termos da lei;

De quem é a competência para a execução?

Em primeiro lugar, tratando-se de execução de título executivo


extrajudicial, é preciso saber se existe foro de eleição definido em
contrato.

Nesta hipótese, a competência será, evidentemente, do foro


escolhido pelas partes.

Caso contrário, será o foro do domicílio do executado.

Na hipótese do executado:

1. Ter mais de um domicílio, será qualquer deles;


2. Não ter domicílio certo, será:
3. a) onde for encontrado;
4. b) domicílio do exequente;
5. Ser mais de um com diferentes domicílios, será qualquer
deles.

Quais são os títulos executivos extrajudiciais


408
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O tema é disciplinado pelo art. 784 do CPC.

Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais:

I – a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata,


a debênture e o cheque;

II – a escritura pública ou outro documento público


assinado pelo devedor;

III – o documento particular assinado pelo devedor e


por 2 (duas) testemunhas;

IV – o instrumento de transação referendado pelo


Ministério Público, pela Defensoria Pública, pela
Advocacia Pública, pelos advogados dos transatores
ou por conciliador ou mediador credenciado por
tribunal;

409
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V – o contrato garantido por hipoteca, penhor,


anticrese ou outro direito real de garantia e aquele
garantido por caução;

VI – o contrato de seguro de vida em caso de morte;

VII – o crédito decorrente de foro e laudêmio;

VIII – o crédito, documentalmente comprovado,


decorrente de aluguel de imóvel, bem como de
encargos acessórios, tais como taxas e despesas de
condomínio;

IX – a certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da


União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, correspondente aos créditos inscritos na
forma da lei;

X – o crédito referente às contribuições ordinárias ou


extraordinárias de condomínio edilício, previstas na
respectiva convenção ou aprovadas em assembleia
geral, desde que documentalmente comprovadas;

410
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XI – a certidão expedida por serventia notarial ou de


registro relativa a valores de emolumentos e demais
despesas devidas pelos atos por ela praticados,
fixados nas tabelas estabelecidas em lei;

XII – todos os demais títulos aos quais, por disposição


expressa, a lei atribuir força executiva.

Lembre-se que, como já estudamos no cumprimento de sentença,


é título executo judicial a sentença estrangeira homologada pelo
STJ.

Contudo, é interessante observar que o título extrajudicial


estrangeiro NÃO precisa de homologação do STJ para ser
executado.

Procedimento

Vamos, aqui, falar da execução autônoma de título executivo


extrajudicial que tem por objeto o pagamento de quantia contra
devedor solvente.

411
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Trata-se da execução que tem por objetivo a expropriação de bens


do executado para satisfazer o crédito do exequente.

A execução autônoma tem início com uma petição inicial.

Conforme art. 798, inciso I, do CPC, a petição inicial deve ser


instruída com:

a) o título executivo extrajudicial;

b) o demonstrativo do débito atualizado até a data de


propositura da ação, quando se tratar de execução por
quantia certa;

c) a prova de que se verificou a condição ou ocorreu o


termo, se for o caso;

d) a prova, se for o caso, de que adimpliu a


contraprestação que lhe corresponde ou que lhe
assegura o cumprimento, se o executado não for
obrigado a satisfazer a sua prestação senão mediante
a contraprestação do exequente;

Além disso, deverá indicar:

a) a espécie de execução de sua preferência, quando por mais de


um modo puder ser realizada;
412
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b) os nomes completos do exequente e do executado e seus


números de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no
Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica;
c) os bens suscetíveis de penhora, sempre que possível.

Caso o juiz receba a petição inicial, fixará, desde já, honorários de


10% sobre o valor da causa.

Em paralelo, poderá o exequente obter certidão de que a execução


foi admitida pelo juiz.

Essa certidão pode ser utilizada para que o exequente possa adotar
medida voltada a garantir a eficácia da execução.

Trata-se da averbação da execução no registro de imóveis, de


veículos ou outros bens sujeitos a penhora, arrestou ou
indisponibilidade.

É o que disciplina o art. 828 do CPC, cumpre citar:

Art. 828. O exequente poderá obter certidão de que


a execução foi admitida pelo juiz, com identificação
das partes e do valor da causa, para fins de averbação
no registro de imóveis, de veículos ou de outros bens
sujeitos a penhora, arresto ou indisponibilidade.

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É o que a doutrina chama de averbação premonitória.

A averbação premonitória é a possibilidade de tornar público a


existência de execução em face de alguém.

Essa averbação deverá ser comunicada ao juízo da execução no


prazo de 10 dias, contadas da sua concretização (art. 828, § 1º,
CPC).

Presume-se em fraude à execução a alienação ou a oneração de


bens efetuada após a averbação (art. 828, § 4º, CPC).

Após fixar honorários de 10%, o juiz da execução determina a


citação do executado para pagar em 3 dias.

Na hipótese do executado pagar o importe, será beneficiado pela


possibilidade de pagar apenas METADE dos honorários (art. 827,
§ 1º, CPC). Trata-se de sanção premial voltada a estimular o
cumprimento da obrigação.

Os honorários poderão ser elevados para 20% na hipótese de


serem opostos Embargos a Execução protelatórios (art. 827, § 1º,
CPC).

O executado também poderá optar pela moratória legal (art. 916


do CPC).
414
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Trata-se do parcelamento impositivo, pois, aqui, o executado não


tem escolha.

Neste particular, determina a legislação que o exequente poderá,


“no prazo para embargos, reconhecendo o crédito do exequente e
comprovando o depósito de trinta por cento do valor em
execução, acrescido de custas e de honorários de advogado, o
executado poderá requerer que lhe seja permitido pagar o
restante em até 6 (seis) parcelas mensais, acrescidas de
correção monetária e de juros de um por cento ao mês” (art.
916 do CPC).

O inadimplemento, neste caso, impõe o vencimento antecipado


das parcelas vincendas, bem como a imposição de multa de 10%
sobre o valor das prestações não pagas (art. 916, § 5º, CPC).

Não ocorrendo o pagamento, segue-se para a penhora e avaliação


e fase expropriatória.

A expropriação poderá ocorrer por adjudicação, alienação por


iniciativa particular, ou ainda, por leilão judicial (presencial ou
online).

Na adjudicação, o exequente recebe o bem como forma de


pagamento.

415
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Sobre o tema, o art. 876 do CPC ensina que “é lícito ao exequente,


oferecendo preço não inferior ao da avaliação, requerer que lhe
sejam adjudicados os bens penhorados”.

Caso se torne inviável a adjudicação, é possível a expropriação do


bem por alienação por iniciativa do particular.

Neste caso, o exequente buscará a alienação a terceiro (que não é


parte no processo).

É o que disciplina o art. 880 do CPC:

Art. 880. Não efetivada a adjudicação, o exequente


poderá requerer a alienação por sua própria iniciativa
ou por intermédio de corretor ou leiloeiro público
credenciado perante o órgão judiciário.

Por fim, é possível a alienação por leilão judicial, caso não efetivada
a adjudicação ou a alienação por iniciativa do particular.

O art. 881 do CPC, sobre o tema, determina o seguinte:

416
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Art. 881. A alienação far-se-á em leilão judicial se não


efetivada a adjudicação ou a alienação por iniciativa
particular.

§ 1º O leilão do bem penhorado será realizado por


leiloeiro público.

§ 2º Ressalvados os casos de alienação a cargo de


corretores de bolsa de valores, todos os demais bens
serão alienados em leilão público.

Embargos à Execução

O executado poderá apresentar embargos à execução no prazo de


15 dias, contados da juntada do mandado de citação cumprido.

É importante esclarecer que a oposição de embargos NÃO


depende de penhora, depósito ou caução (art. 914 do CPC).

É importante destacar que o executado não poderá opor embargos


à execução se utilizar o instrumento da moratória legal (art. 916 do
CPC).

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Isso porque o uso da moratória legal implica na RENUNCIA dos


embargos a execução.

A distribuição dos embargos à execução será por dependência (art.


914, § 1º, CPC), tratando-se de processo incidente.

Trata-se de uma petição inicial e, por isso, é preciso atribuir valor


da causa, recolher custas, etc…

Não há efeito suspensivo automático.

Para alcançar o efeito suspensivo, deverá o embargante:

1. Fundamentar com os requisitos da tutela provisória;


2. Garantir o juízo.

Conforme art. 927 do CPC, nos embargos à execução, o executado


poderá alegar:

I – inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação;


II – penhora incorreta ou avaliação errônea;
III – excesso de execução ou cumulação indevida de execuções;
IV – retenção por benfeitorias necessárias ou úteis, nos casos de
execução para entrega de coisa certa;
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V – incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução;


VI – qualquer matéria que lhe seria lícito deduzir como defesa em
processo de conhecimento.

Caso a parte sustente excesso de execução, será preciso apontar o


valor correto.

Observe que o rol é exemplificativo, já que o inciso VI sustenta que


poderá ser alegada qualquer matéria que lhe seria lícito deduzir
como defesa em processo de conhecimento.

Por isso, inclusive, fala-se que, em sede de embargos a execução,


há ampla dilação probatória, pois tem natureza cognitiva.

Os embargos a execução serão julgados por sentença.

Da sentença, caberá apelação sem efeito suspensivo.

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Teoria Geral dos Recursos

O recurso é o remédio voluntário que, dentro do mesmo


processo, tem o objetivo de reformar, invalidar, esclarecer ou
buscar a integração de decisão judicial que se impugna.

Observe que é meio de impugnação que ocorre dentro do mesmo


processo.

Não se confunde, por isso, com os meios de impugnação


heterotópicos (que ocorrem fora do processo…).

São meios de impugnação das decisões judiciais:

1. Os recursos;
2. As ações autônomas de impugnação;
3. O sucedâneo recursal.

O recurso, diferente da ação autônoma de impugnação, não forma


uma nova relação jurídica processual.

O sucedâneo recursal, por sua vez, é residual.

Sucedâneo recursal é todo meio de impugnação de decisão judicial


que nem é recurso nem é ação de impugnação.

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Portanto, inclui todas as outras formas de impugnação de decisão,


motivo pelo qual é considerado residual.

É considerado sucedâneo recursal, por exemplo, a remessa


necessária e o pedido de reconsideração.

O objeto do recurso será a impugnação da:

1. Decisão Interlocutória;
2. Sentença;
3. Acórdão;
4. Decisão monocrática do relator;
5. Decisão unipessoal do Presidente do Tribunal ou Vice-
presidente.

Observe que não cabe recurso de despachos, dado que não


possuem conteúdo decisório.

O Brasil adota, em relação aos recursos, o princípio da


taxatividade.

Isso significa que todos os recursos estão previstos em lei (art. 994
do CPC).

421
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Não há, portanto, recurso atípico (sem previsão legal).

São espécies de recursos:

• Apelação
• Agravo de Instrumento
• Agravo Interno
• Embargos de Declaração
• Recurso Ordinário Constitucional (ROC)
• Recurso Especial
• Recurso Extraordinário
• Agravo em Recurso Especial ou Extraordinário
• Embargos de Divergência (foi excluído do CPC)
• Agravo Retido (foi excluído do CPC)

Em relação ao recurso, há, ainda, o juízo de admissibilidade e o


juízo de mérito.

O juízo de admissibilidade analisa requisitos intrínsecos e


extrínsecos do processo.

A inexistência de qualquer requisito poderá ensejar a


inadmissibilidade do recurso (o recurso não será conhecido…).

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Como regra, há apenas um juízo de admissibilidade que será


exercido pelo juízo ad quem.

Você pode estar se perguntando: “mas e se o juiz faz o juízo de


admissibilidade sem poder…?”

Neste caso, caberá reclamação em razão da usurpação da


competência.

Excepcionalmente, contudo, ocorrerão dois juízos de


admissibilidade (duplo juízo de admissibilidade).

É o que ocorre, por exemplo, no recurso especial e no recurso


extraordinário.

Nestes casos, há um juízo feito pelo juízo a quo e outro realizado


pelo juízo ad quem.

É curioso observar que o duplo juízo de admissibilidade havia sido


expurgado do CPC com a reforma de 2015.

A antiga redação do art. 1.030, parágrafo único, do CPC esclarecia


que o recurso seria enviado ao Tribunal Superior
independentemente do juízo de admissibilidade.

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Isso significa que não mais ocorreria o juízo de admissibilidade no


juízo a quo (apenas no juízo ad quem).

Todavia, em movimento realizado pela Magistratura perante o


Congresso, foi o duplo juízo de admissibilidade reinserido no CPC
por meio da lei 13.256/2016.

É preciso ter cuidado na hora de estudar o tema, pois, no âmbito


trabalhista, ocorre o duplo juízo de admissibilidade já na primeira
instância para análise do RO (Recurso Ordinário).

Por fim, temos o juízo de mérito que será realizado, sempre, pelo
juízo ad quem.

O juízo de mérito pode aferir:

1. Error in procedendo: Questiona a forma. Cabe, a depender do


caso, a anulação da sentença (por exemplo, deixou de intimar
o MP e houve prejuízo);
2. Error in judicando: Questiona o conteúdo. Cabe a reversão da
decisão.

Princípios Fundamentais dos Recursos

São princípios dos recursos:


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1. Voluntariedade
2. Taxatividade
3. Duplo Grau
4. Fungibilidade
5. Dialeticidade Recursal
6. Proibição da reformatio in pejus;
7. Complementaridade Recursal
8. Unicidade Recursal

Segundo o princípio da voluntariedade, ninguém será é obrigado


a recorrer, sendo o recurso voluntário e, portanto, disponível.

Por isso, inclusive, o recorrente precisa declarar expressamente sua


insatisfação com a decisão, combatendo e fundamentando todos
os pontos específicos que pretende recorrer.

Ao não combater um determinado ponto, não pode o juízo ad


quem presumir que tal ponto será, também, enfrentado,
justamente, em razão do princípio da voluntariedade.

Presume-se, em verdade, que o recorrente, ao não combater ponto


específico, está conformado com a posição do juízo a quo e, neste
particular, abre mão de recorrer.

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Pelo princípio da taxatividade, por sua vez, só será recurso aquilo


que a lei diz que é.

As hipóteses de recurso estão previstas no art. 994 do CPC.

O duplo grau de jurisdição, por sua vez, traduz a possibilidade de


reexame amplo de uma decisão judicial por um órgão jurisdicional
superior.

Trata-se de um princípio constitucional implícito.

Isso porque, muito embora não escrito, consta, por interpretação,


dentro da devido processo legal (art. 5º, LIV, CF), ou ainda, dentro
da da própria estrutura prevista para o Poder Judiciário que,
excelência, enuncia sempre uma primeira e uma segunda instância.

Contudo, é preciso lembrar que, para o STF, o duplo grau de


jurisdição é norma supralegal, porém infraconstitucional.

Isso porque o princípio teria seu fundamento no art. 8° do Pacto


de San José da Costa Rica, cumpre citar:

Garantias Judiciais. 2. Toda pessoa acusada de um


delito tem direito a que se presuma sua inocência,
enquanto não for legalmente comprovada sua culpa.
Durante o processo, toda pessoa tem direito, em plena
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igualdade, às seguintes garantias mínimas: h) Direito


de recorrer da sentença a juiz ou tribunal superior.
(adota o duplo grau de jurisdição).

O Pacto de San José da Costa Rica é um tratado internacional de


direitos humanos aprovado, porém, SEM quórum de emenda à
Constituição.

Em razão da importância do tema (direitos humanos), entendem-


se como supralegal.

Contudo, por ser aprovado sem quórum de emenda à Constituição,


foi internalizado como norma infraconstitucional.

Lembro, por oportuno, que apenas “os tratados e convenções


internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em
cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos
dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às
emendas constitucionais” (art. 5° § 3º, CF).

Por todo o exposto, inclusive, entendeu o STF que ”não viola as


garantias do juiz natural, da ampla defesa e do devido processo
legal a atração por continência ou conexão do processo do corréu
ao foro por prerrogativa de função de um dos denunciados”
(Súmula 704 do STF).

427
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Na prática, isso significa, por exemplo, que aquele que não tem
prerrogativa de foro pode ser julgado, em razão de conexão e
continência, pelo STF em única e última instância, sem que isso
signifique qualquer espécie de violação a Constituição.

O princípio da fungibilidade nada mais é do que a possibilidade


de substituição do recurso.

Trata-se de acolher um recurso errado como se fosse o recurso


correto.

Nem sempre isso será possível.

Para que seja possível a aplicação do princípio da fungibilidade,


deve a parte interpor o recurso:

1. No prazo correto;
2. Norteado de Dúvida Objetiva (dúvida na comunidade
acadêmica).

Pelo princípio da dialeticidade, deve o recorrente impugnar as


razões lançadas na decisão atacada, buscando demonstrar a
existência de erro in procedendo ou in judicando.

Em outras palavras, a parte deve, de forma fundamentada,


apresentar as razões de fato e de direito do seu inconformismo
com a decisão recorrida.
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Segundo o princípio da reformatio in pejus, é proibido agravar a


situação do único recorrente.

Neste caso, é preciso atenção, pois o princípio é inaplicável em face


de eventual efeito translativo do recurso.

Você pode estar se perguntando: “mas o que é efeito translativo?”.

Trata-se da possibilidade do conhecimento, de ofício, das matérias


de ordem pública.

Pelo princípio da complementaridade recursal, o recorrente terá


o direito de complementar a fundamentação de seu recurso
anteriormente interposto, caso tenha havido alteração ou
integração da decisão que originou sua insatisfação, em virtude de
acolhimento de embargos de declaração.

Por fim, tem-se o princípio da unicidade recursal.

Segundo este princípio, contra cada capítulo da decisão, cabe


apenas um recurso.

Classificação dos Recursos

429
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Quanto a extensão, o recurso poderá ser:

1. Recurso TOTAL: Impugna decisão no TODO


2. Recurso PARCIAL: Impugna decisão EM PARTE

Quanto a cognição, o recurso poderá ser:

1. Recurso de fundamentação LIVRE: O recorrente poderá


alegar qualquer causa de pedir (por exemplo, apelação)
2. Recurso de fundamentação VINCULADA: A causa de pedir
é restrita. Isso significa que o recorrente deve se ater ao que
pode ser alegado (por exemplo, RE, REsp e Embargos de
Declaração)

Quanto a finalidade, o recurso poderá ser:

1. Ordinário: vincula-se a aspecto Subjetivo da parte


2. Extraordinário: protege o direito em si

Quanto a autonomia, o recurso poderá ser:

1. Recurso autônomo: trata-se de um recurso de interposição


livre

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2. Recurso adesivo: trata-se de um recurso de interposição


subordinada. Aplica-se, aqui, as regras de admissibilidade do
recurso.

É importante observar que o recurso adesivo tem caráter acessório.

Isso significa que a parte recorrida poderá desistir do recurso


principal, derrubando, por consequência, o próprio recurso
adesivo.

431
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Requisitos de Admissibilidade dos Recursos

Os requisitos de admissibilidade do recurso serão examinados em


juízo de admissibilidade.

Tais requisitos são classificados em intrínsecos e extrínsecos.

Para ser didático, vou apresentar cada um dos requisitos nos


próximos tópicos.

Requisitos Extrínsecos

São requisitos de admissibilidade extrínsecos dos recursos, por


sua vez, a tempestividade, o preparo e a regularidade formal.

Tempestividade

O recurso deve ser interposto dentro do prazo legal, sob pena de


não ser conhecido.

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A interposição extemporânea do recurso é vício insanável.

Neste ponto, é importante lembrar que o CPC de 2015 simplificou


o sistema de prazos, tornando-os uniforme.

Hoje, o prazo para interposição de qualquer recurso será de 15 dias,


exceto embargos de declaração (5 dias).

Outro ponto que merece atenção é que será considerado


tempestivo o recurso interposto ANTES do termo inicial (início do
prazo).

O CPC de 2015, neste particular, acabou com o conhecido recurso


prematuro.

Preparo

O preparo pode ser compreendido como o pagamento de


despesas relacionadas ao processamento do recurso.

O não recolhimento das despesas poderá ensejar a pena de


deserção.

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O art. 1.007 do CPC, sobre o tema, esclarece que “no ato de


interposição do recurso, o recorrente comprovará, quando exigido
pela legislação pertinente, o respectivo preparo, inclusive porte de
remessa e de retorno, sob pena de deserção”.

Não há, contudo, recolhimento relacionado a porte e remessa em


autos eletrônicos (art. 1.007, § 3º, CPC).

O desrespeito a esse requisito extrínseco, ao contrário da


tempestividade, configura vício sanável.

Verificado que o valor foi recolhido de forma insuficiente, deverá


o relator intimar a parte, na pessoa de seu advogado, para recolher
o valor faltante em 5 dias, sob pena de deserção (art. 1.007, § 2º,
CPC).

O recorrente que não comprovar, no ato de interposição do


recurso, o recolhimento do preparo, inclusive porte de remessa
e de retorno, será intimado, na pessoa de seu advogado, para
realizar o recolhimento em dobro, sob pena de deserção (art.
1.007, § 4º, CPC).

Existe, evidentemente, a hipótese de comprovar justo motivo e,


neste caso, não será preciso recolher em dobro.

Destaque-se, por fim, que “o equívoco no preenchimento da guia


de custas não implicará a aplicação da pena de deserção, cabendo
ao relator, na hipótese de dúvida quanto ao recolhimento, intimar
434
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o recorrente para sanar o vício no prazo de 5 (cinco) dias” (art.


1.007, § 7º, do CPC).

Regularidade Formal

A regularidade formal é a necessidade do recorrente atender a


todos os requisitos especificados na lei para o recurso interposto.

Requisitos intrínsecos

São requisitos de admissibilidade intrínsecos dos recursos o


cabimento, a legitimidade recursal, o interesse recursal e a
inexistência de fato impeditivo ou extintivo.

Cabimento

Cabimento significa:

1. Que a decisão é recorrível (recorribilidade);


435
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2. Que o recurso utilizado pela parte é adequado para combater


aquela decisão (adequação);

Lembro, por oportuno, que despachos não são recorríveis, já que


ausente qualquer espécie de conteúdo decisório (art. 1.001 do
CPC).

Quanto a adequação, vale a pena resumir, de forma rápida, quais


recursos cabem em face de cada tipo de decisão.

Em relação ao tema, no Processo Civil temos o seguinte.

1. Contra sentença caberá:


2. Apelação;
3. Recurso Inominado (se juizado especial);
4. Recurso Ordinário Constitucional (ROC) – em causas
internacionais
5. Contra Decisão Interlocutória caberá:
6. Agravo de Instrumento (hipóteses do art. 1.015 do CPC);
7. Preliminar de Apelação, quando não couber Agravo;
8. Contra acórdão, caberá:
9. Recurso Extraordinário (RE);
10. Recurso Especial (REsp);
11. Recurso Ordinário Constitucional (ROC)

436
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12. Contra decisão monocrática do relator, caberá agravo


interno;
13. Contra decisão unipessoal (do presidente ou vice)
caberá:
14. Agravo do art. 1.042 do CPC;
15. Agravo Interno.

Legitimidade Recursal

O recurso pode ser interposto pela parte vencida, pelo terceiro


prejudicado e pelo Ministério Público, como parte ou como fiscal
da ordem jurídica (art. 996 do CPC).

Observe que o ministério público poderá recorrer na condição de


parte, ou ainda, na condição de fiscal da ordem jurídica.

É o que disciplina o art. 179, II, do CPC:

Art. 179. Nos casos de intervenção como fiscal da


ordem jurídica, o Ministério Público:

(…)
437
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II – poderá produzir provas, requerer as medidas


processuais pertinentes e recorrer.

Interesse recursal

Segundo esse requisito intrínseco, deve o recurso ser necessário e


útil.

O recurso é necessário quando causa prejuízo, passando a ser o


meio adequado para melhorar a situação da parte prejudicada.

A utilidade, por sua vez, configurasse na possibilidade do recurso


propiciar situação mais favorável ao recorrente ante eventual
julgamento favorável.

Inexistência de fato impeditivo ou extintivo

A doutrina fala, aqui, em requisito negativo.

438
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É negativo, pois esse requisito, diferente dos demais, NÃO pode


existir, sob pena de tornar o recurso inadmissível.

Será considerado fato impeditivo:

1. A desistência da ação ou do recurso;


2. O reconhecimento do pedido;
3. A renúncia ao direito;

Em paralelo, será fato extintivo:

1. A renúncia ao recurso;
2. A aquiescência da decisão.

439
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Efeitos dos Recursos

Os efeitos dos recursos podem ser:

1. Efeito devolutivo;
2. Efeito desobstrutivo;
3. Efeito suspensivo;
4. Efeito regressivo;
5. Efeito interruptivo;
6. Efeito expansivo subjetivo;
7. Efeito substitutivo;

Para ser mais didático, vou falar dos efeitos do recurso nos
próximos tópicos.

Para ser didático, vou falar sobre cada um deles nos próximos
tópicos.

Efeito Devolutivo

TODO recurso é dotado de efeito devolutivo.

440
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Trata-se do efeito que leva a matéria do recurso para nova


apreciação.

Fala-se que o efeito devolutivo é, em verdade, uma consequência


do princípio dispositivo.

Neste cenário, temos o seguinte:

1. Efeito devolutivo por extensão: trata-se da análise horizontal


do recurso. Aqui, o tribunal deve analisar apenas pontos
levantados/ questionados pela parte. Vigora, neste particular,
o brocardo “tantum devolutum quantum apellatum”.
2. Efeito devolutivo em profundidade: trata-se da análise
vertical.

Sobre o efeito devolutivo em profundidade, dispõe o art. 1.013, §


1º, do CPC o seguinte:

Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o


conhecimento da matéria impugnada.

§ 1º Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento


pelo tribunal todas as questões suscitadas e
discutidas no processo, ainda que não tenham sido

441
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solucionadas, desde que relativas ao capítulo


impugnado.

Dentro do efeito devolutivo, ainda, há matérias cuja apreciação


escapam da voluntariedade do recurso.

São as matérias de ordem pública.

Fala-se, aqui, em efeito translativo do recurso, pois o juiz pode


conhecer de ofício, pouco importando se a parte levantou ou não
a tese recursal relacionada ao tema.

Efeito Desobstrutivo (Teoria da Causa Madura)

O efeito desobstrutivo, por sua vez, nada mais é do que a


aplicação da teoria da causa madura.

A teoria da causa madura pode ser conceituada como sendo a


possibilidade do tribunal decidir o mérito do recurso na hipótese
do processo estar e, condição de imediato julgamento.

O CPC de 2015 fala do efeito desobstrutivo no art. 1.013, § 3º,


cumpre citar:
442
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Art. 1.013 (…)

§ 3º Se o processo estiver em condições de imediato


julgamento, o tribunal deve decidir desde logo o
mérito quando:

I – reformar sentença fundada no art. 485 ;

II – decretar a nulidade da sentença por não ser ela


congruente com os limites do pedido ou da causa de
pedir;

III – constatar a omissão no exame de um dos


pedidos, hipótese em que poderá julgá-lo;

IV – decretar a nulidade de sentença por falta de


fundamentação.

443
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O art. 515, §3°, do antigo CPC dizia que seria possível aplicar a
teoria da causa madura nas hipóteses em que se a “causa versar
questão exclusivamente de direito e estiver em condições de
imediato julgamento”.

Observe que o CPC de 2015 retira o termo “exclusivamente de


direito”, bastando que a causa esteja em condições de imediato
julgamento e esteja enquadrada em uma das hipóteses descritas.

Portanto, o tribunal pode enfrentar o mérito na hipótese em que o


processo esteja em condição de imediato julgamento e:

1. Houver sentença terminativa (art. 485 do CPC);


2. Decretar nulidade de sentença por não ser ela congruente
com os limites do pedido ou da causa de pedir;
3. constatar a omissão no exame de um dos pedidos, hipótese
em que poderá julgá-lo;
4. Decretar a nulidade de sentença por falta de fundamentação.

Lembro, por oportuno, que a sentença terminativa é sem resolução


do mérito (art. 485 do CPC), ao passo que a sentença definitiva é
com resolução do mérito (art. 487 do CPC)

Observe, ainda, que o tribunal pode julgar o mérito tanto na


hipótese do juízo a quo omitir-se quanto à pedido (art. 1.013, § 3º,
III, CPC), como na hipótese de do juízo ultrapassar os limites do
pedido(art. 1.013, § 3º, II, CPC).

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Fala-se, ainda, na aplicação da teoria da causa madura na hipótese


de falta de fundamentação.

É importante lembrar que o CPC disciplinou em quais hipóteses a


decisão não será considerada fundamentada.

As hipóteses estão no art. 489, § 1º, do CPC:

Art. 489 (…)

§ 1º Não se considera fundamentada qualquer


decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou
acórdão, que:

I – se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase


de ato normativo, sem explicar sua relação com a
causa ou a questão decidida;

II – empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem


explicar o motivo concreto de sua incidência no caso;

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III – invocar motivos que se prestariam a justificar


qualquer outra decisão;

IV – não enfrentar todos os argumentos deduzidos no


processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão
adotada pelo julgador;

V – se limitar a invocar precedente ou enunciado de


súmula, sem identificar seus fundamentos
determinantes nem demonstrar que o caso sob
julgamento se ajusta àqueles fundamentos;

VI – deixar de seguir enunciado de súmula,


jurisprudência ou precedente invocado pela parte,
sem demonstrar a existência de distinção no caso em
julgamento ou a superação do entendimento.

Efeito Suspensivo

Pelo efeito suspensivo tem-se que a decisão combatida por meio


de recurso não produzirá efeitos até que o recurso seja julgado.

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Fala-se, por isso, que os efeitos da decisão combatida ficam


suspensos (por isso, efeito suspensivo).

Como regra, o recurso não será dotado de efeito suspensivo.

Excepcionalmente, contudo, poderá ocorrer o efeito suspensivo se:

1. A lei prevê (por exemplo, apelação). Neste caso, o efeito é ope


legis, pois o efeito é obtido por decisão legislativa.
2. O parte requer. Neste caso, o efeito será ope judicis, pois o
efeito é obtido por decisão judicial.

É o que dispõe o art. 995 do CPC:

Art. 995. Os recursos não impedem a eficácia da


decisão, salvo disposição legal ou decisão judicial em
sentido diverso.

Parágrafo único. A eficácia da decisão recorrida


poderá ser suspensa por decisão do relator, se da
imediata produção de seus efeitos houver risco de
dano grave, de difícil ou impossível reparação, e ficar

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demonstrada a probabilidade de provimento do


recurso.

Observe que o parágrafo único do art. 995 esclarece, ainda, que o


relator pode suspender a eficácia da decisão recorrida, quando:

1. Os efeitos da decisão ensejam risco de dano grave, de difícil


ou impossível reparação e…
2. Ficar demonstrada a probabilidade de provimento do recurso.

Não confunda essa hipótese com o denominado efeito ativo


previsto no art. 1.019, I, do CPC.

Art. 1.019. Recebido o agravo de instrumento no


tribunal e distribuído imediatamente, se não for o caso
de aplicação do art. 932, incisos III e IV , o relator, no
prazo de 5 (cinco) dias:

I – poderá atribuir efeito suspensivo ao recurso ou


deferir, em antecipação de tutela, total ou
parcialmente, a pretensão recursal, comunicando
ao juiz sua decisão;

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O efeito ativo nada mais é do que a concessão de tutela antecipada


no âmbito recursal.

Efeito Regressivo

O efeito regressivo é também conhecido como juízo de retratação.

O juízo de retratação é a oportunidade atribuída ao magistrado de


rever, parcial ou totalmente, sua decisão.

O juízo, neste caso, poderá alterar o conteúdo seja por razões de


mérito (conveniência e oportunidade), seja por razões de
legalidade.

Tal oportunidade é conferida pela legislação em casos específicos.

O juízo de retratação é possível:

1. Na improcedência Liminar do Pedido


2. Na Sentença Terminativa
3. Na Apelação do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente)

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Efeito Interruptivo

Trata-se de um efeito específico dos Embargos de Declaração.

É o que dispõe o art. 1.026 do CPC:

Art. 1.026. Os embargos de declaração não possuem


efeito suspensivo e interrompem o prazo para a
interposição de recurso.

Em razão do efeito interruptivo, os prazos recursais já iniciados são


interrompidos e voltam a correr após a publicação da nova decisão
que será prolatada.

É importante alertar que, antes, exigia-se certa cautela no âmbito


dos juizados especiais.

Isso porque os Embargos de Declaração opostos no juizado


especial suspendiam o prazo (e não interrompiam) para
interposição do recurso inominado.

Isso também foi alterado pelo CPC de 2015.

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A partir do CPC de 2015, o prazo será interrompido também nessa


hipótese (art. 83, § 2°, da lei 9.099)

É importante destacar que, ainda que manifesta a


inadmissibilidade, os embargos de declaração tem aptidão para
interromper o prazo recursal.

AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL.


EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTUITO
PROTELATÓRIO. INTERRUPÇÃO DO PRAZO
RECURSAL. POSSIBILIDADE. AGRAVO INTERNO
DESPROVIDO. 1. Nos termos da jurisprudência do
Superior Tribunal de Justiça, mesmo que não
conhecidos por manifesta inadmissibilidade, os
embargos de declaração opostos
tempestivamente constituem recurso idôneo para
efetuar a interrupção da contagem do prazo
recursal. 2. Agravo interno desprovido. (STJ – AgInt
no REsp: 1849349 SP 2019/0345204-0, Relator:
Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Data de
Julgamento: 15/03/2021, T3 – TERCEIRA TURMA,
Data de Publicação: DJe 17/03/2021)

Entretanto, quando não conhecidos em razão de serem


manifestamente protelatórios, não interrompem ou suspendem o
prazo para interposição de outro recurso.

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AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM


RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS DE
DECLARAÇÃO NÃO CONHECIDOS NA ORIGEM.
CARÁTER PROTELATÓRIO. NÃO INTERRUPÇÃO
DO PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO
ESPECIAL. PRECEDENTES. AGRAVO
IMPROVIDO. 1. “É consolidada a jurisprudência
deste Superior Tribunal de Justiça no sentido de
que os embargos de declaração, quando não
conhecidos em razão de serem manifestamente
protelatórios, não interrompem ou suspendem o
prazo para interposição de outro recurso“ (AgRg
no AREsp 1153985/DF, Rel. Ministro FELIX
FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 24/05/2018,
DJe 30/05/2018) 2. Agravo regimental improvido. (STJ
– AgRg no AREsp: 1683006 SC 2020/0070352-5,
Relator: Ministro NEFI CORDEIRO, Data de
Julgamento: 04/08/2020, T6 – SEXTA TURMA, Data
de Publicação: DJe 14/08/2020)

Além disso, nesta hipótese, deverá o embargante ser condenado


no pagamento de multa não excedente a dois por cento sobre o
valor atualizado da causa (art. 1.026, § 2°, CPC).

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Efeito Expansivo Subjetivo

Segundo o efeito expansivo subjetivo dos recursos, tem-se que o


recurso interposto por um dos litisconsortes a TODOS APROVEITA,
exceto se distintos ou opostos os interesses.

Trata-se de expandir os efeitos do recurso a quem não recorreu.

Alguns doutrinadores trabalham esse efeito como sendo a


dimensão subjetiva do efeito devolutivo.

O art. 117 do CPC do CPC, por exemplo, elenca regra importante


que, segundo a doutrina, pode ser compreendida como
desdobramento do efeito expansivo subjetivo:

Art. 117. Os litisconsortes serão considerados, em


suas relações com a parte adversa, como litigantes
distintos, exceto no litisconsórcio unitário, caso em
que os atos e as omissões de um não prejudicarão os
outros, mas os poderão beneficiar.

Outro exemplo comum na doutrina é o caso da oposição de


embargos de declaração.

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Como já estudamos, tal recurso é dotado de efeito interruptivo e,


portanto, após sua interposição os prazos recomeçam a partir da
publicação da nova decisão.

Neste caso, ainda que oposto embargos de declaração por apenas


um dos litisconsortes, a interrupção do prazo beneficiará a todos
os litisconsortes.

Efeito Substitutivo

Segundo esse efeito, o julgamento do tribunal SUBSTITUI a decisão


impugnada naquilo que foi objeto do recurso.

É o que disciplina o art. 1.008 do CPC:

Art. 1.008. O julgamento proferido pelo tribunal


substituirá a decisão impugnada no que tiver sido
objeto de recurso.

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Apelação

A apelação pode ser compreendida como o recurso cabível contra


sentença e decisão interlocutório não agravável.

É, neste cenário, um recurso utilizado na primeira instância.

Tal recurso poderá ser interposto em face de:

1. Sentença terminativa (art. 485 do CPC);


2. Sentença definitiva (art. 487 do CPC);

De forma bastante simples e direta, tem-se que a sentença


terminativa é aquela que, sem resolução de mérito, põe fim ao
processo.

A sentença definitiva, por sua vez, é aquela que, com resolução do


mérito, põe fim ao processo.

A partir do novo CPC, a apelação passa a ser o recurso cabível,


também, para combater decisões interlocutórias NÃO
AGRAVÁVEIS.

Nesta espécie de decisão (decisão interlocutório não agravável),


não ocorrerá a preclusão (art. 1.009, § 1º, do CPC).

455
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Neste caso, a parte deve combater a decisão futuramente em


preliminar de uma eventual apelação.

O preparo (requisito de admissibilidade extrínseco) deve ser


recolhido no ato da interposição.

Lembro, por oportuno, que o recorrente que não comprovar, no


ato de interposição do recurso, o recolhimento do preparo,
inclusive porte de remessa e de retorno, será intimado, na pessoa
de seu advogado, para realizar o recolhimento em dobro, sob pena
de deserção (art. 1.007, § 4º, CPC).

A apelação será interposta no juízo a quo e, em regra recebida com


duplo efeito (devolutivo e suspensivo).

Há algumas hipóteses, contudo, que, por opção legislativa, será a


apelação recebida apenas no efeito devolutivo (sem efeito
suspensivo…).

Sobre o tema, o art.

Art. 1.012. A apelação terá efeito suspensivo.

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§ 1º Além de outras hipóteses previstas em lei,


começa a produzir efeitos imediatamente após a sua
publicação a sentença que:

I – homologa divisão ou demarcação de terras;

II – condena a pagar alimentos;

III – extingue sem resolução do mérito ou julga


improcedentes os embargos do executado;

IV – julga procedente o pedido de instituição de


arbitragem;

V – confirma, concede ou revoga tutela provisória;

VI – decreta a interdição.

Observe que, segundo o próprio § 1º do art. 1.012, podem haver


outras hipóteses prevista em lei, logo, o rol é exemplificativo.
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Sem o efeito suspensivo, pode a parte iniciar, desde já, o


cumprimento provisório da sentença.

Caso a parte levante, na apelação, algum problema relacionado a


constitucionalidade da lei, deve o julgamento ocorrer

É o que dispõe o art. 97 da CF:

“Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de


seus membros ou dos membros do respectivo
órgão especial poderão os tribunais declarar a
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do
Poder Público.”

Aplica-se, nestes casos, a cláusula de reserva de plenário.

É importante destacar que a cláusula de reserva de plenário tem


que ser observada, apenas, no “leading case”, ou seja, apenas
quando o Tribunal estiver decidindo o caso pela primeira vez.

Neste cenário, há 2 hipóteses que dispensam a reserva de plenário:

1. Quando houver precedente do próprio Tribunal;

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2. Quando o STF já declarou a inconstitucionalidade/


constitucionalidade da lei. Portanto, se houver precedente do
STF.

O incidente de inconstitucionalidade é um dos assuntos tratados


no tema “Controle Difuso de Constitucionalidade“.

Naquele post, falamos tudo sobre o assunto.

Caso queira aprofundar-se no tema, recomendamos a leitura.

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Agravo de Instrumento

Agravo de instrumento é o recurso cabível, em primeira instância,


contra decisão interlocutória agravável.

Desde já, é preciso observar que cabe apenas contra


DETERMINADAS ESPÉCIES de decisão interlocutória.

O CPC de 2015, em contraposição ao antigo CPC, restringiu as


hipóteses de cabimento do agravo de instrumento.

Fala-se, por isso, que apenas algumas decisões interlocutórias são


agraváveis.

As demais (decisões interlocutórias não agraváveis) devem ser


impugnadas oportunamente em preliminar de apelação.

Você pode estar se perguntando: “mas o que é uma decisão


interlocutória”?

Quando estudamos atos processuais, verificamos que são atos


processuais do juiz os despachos, as sentenças e as decisões
interlocutórias.

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Neste cenário, as decisões interlocutórias são aquelas que possuem


conteúdo decisória, mas que, diferente da sentença, não encerram
a fase cognitiva, ou ainda, o processo de execução.

O agravo de instrumento é o recurso cabível, em primeiro grau de


jurisdição, contra específicas decisões interlocutórias previstas em
lei.

Hipóteses de Cabimento do Agravo de Instrumento

O legislador, com o CPC de 2015, criou um rol taxativo (art. 1.015


do CPC) para o Agravo de Instrumento.

Em outras palavras, tentou o legislador delimitar em quais


hipóteses caberia o Agravo de Instrumento.

Sobre o tema, o art. 1.015 do CPC dispõe o seguinte:

Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as


decisões interlocutórias que versarem sobre:

I – tutelas provisórias;

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II – mérito do processo;

III – rejeição da alegação de convenção de arbitragem;

IV – incidente de desconsideração da personalidade


jurídica;

V – rejeição do pedido de gratuidade da justiça ou


acolhimento do pedido de sua revogação;

VI – exibição ou posse de documento ou coisa;

VII – exclusão de litisconsorte;

VIII – rejeição do pedido de limitação do litisconsórcio;

IX – admissão ou inadmissão de intervenção de


terceiros;

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X – concessão, modificação ou revogação do efeito


suspensivo aos embargos à execução;

XI – redistribuição do ônus da prova nos termos do art.


373, § 1º ;

XII – (VETADO);

XIII – outros casos expressamente referidos em lei.

Parágrafo único. Também caberá agravo de


instrumento contra decisões interlocutórias proferidas
na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento
de sentença, no processo de execução e no processo
de inventário.

Observe que, no parágrafo único, esclarece o legislador que cabe


Agravo de Instrumento, também, em:

1. Fase de Liquidação;
2. Fase de Cumprimento de Sentença;
3. Processo de Execução;
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4. Processo de Inventário.

Os demais temas não enquadrados no art. 1.015 do CPC deveriam


ser impugnados em preliminar de apelação.

Lembro, por oportuno, que as decisões interlocutórias não


agraváveis não são cobertas pela preclusão (art. 1.009, § 1º, CPC).

Por isso, a parte prejudicada poderá impugná-las em preliminar de


apelação.

Entretanto, na prática, inúmeras situações não podiam aguardar o


momento definido pelo legislador para impugnação.

É o caso, por exemplo, da decisão interlocutória que reconhece a


incompetência do juízo, remetendo os autos a juízo diverso.

Tal hipótese não está incluída no art. 1.015 do CPC, contudo,


configura situação urgente decorrente da inutilidade do
julgamento da questão no recurso de apelação.

Nestas hipóteses, tem o STJ se posicionado pela possibilidade da


interposição do Agravo de Instrumento.

É o que dispõe o tema repetitivo 988, cumpre citar:

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“O rol do art. 1.015 do CPC é de taxatividade


mitigada, por isso admite a interposição de agravo de
instrumento quando verificada a urgência decorrente
da inutilidade do julgamento da questão no
recurso de apelação“.

Portanto, em relação ao Agravo de Instrumento, o STJ adota a tese


da taxatividade mitigada.

É “mitigada”, pois é possível flexibilizar a regra da taxatividade na


hipótese de ser verificada a urgência decorrente da inutilidade do
julgamento da questão no recurso de apelação.

Observe que não basta ser questão urgente…

A urgência deve existir porque inútil seria levantar a questão em


preliminar de apelação.

Onde será interposto o Agravo de Instrumento?

O agravo de instrumento é interposto diretamente no Tribunal.

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Por isso, inclusive, é preciso comunicar o juízo a quo da


interposição.

Neste caso, temos o seguinte:

1. Autos eletrônicos: não é necessário comunicar o juízo a quo;


2. Autos físicos: é preciso (dever do recorrente) comunicar o
juízo a quo em 3 dias, sob pena de inadmissibilidade do
recurso.

É interessante observar que, muito embora não seja dever da parte


avisar o juízo a quo na hipótese de autos eletrônicos, é bastante
recomendável que seja feita a comunicação.

Isso porque, o agravo de instrumento autoriza o juízo de


retratação (ou efeito regressivo do recurso).

O juízo de retratação é a oportunidade atribuída ao magistrado de


rever, parcial ou totalmente, sua decisão.

O juízo, neste caso, poderá alterar o conteúdo seja por razões de


mérito (conveniência e oportunidade), seja por razões de
legalidade.

Neste hipótese, caso o juiz reforme a decisão, poderá o Agravo de


Instrumento perder o objeto (art. 1.018, § 1º, CPC).

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Efeitos do Agravo de Instrumento

O agravo de instrumento será, como regra, recebido apenas no


efeito devolutivo.

Porém, poderá ser requerido efeito suspensivo ao relator.

É o que disciplina o art. 1.019, I, do CPC:

Art. 1.019. Recebido o agravo de instrumento no


tribunal e distribuído imediatamente, se não for o caso
de aplicação do art. 932, incisos III e IV , o relator, no
prazo de 5 (cinco) dias:

(…)

I – poderá atribuir efeito suspensivo ao recurso ou


deferir, em antecipação de tutela, total ou
parcialmente, a pretensão recursal, comunicando ao
juiz sua decisão;

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Não confunda essa hipótese com o denominado efeito ativo


previsto também no art. 1.019, I, do CPC, parte final.

O efeito ativo nada mais é do que a concessão de tutela antecipada


no âmbito recursal.

Conforme esclarece o dispositivo citado, poderá o relator “deferir,


em antecipação de tutela, total ou parcialmente, a pretensão
recursal, comunicando ao juiz sua decisão”.

O que pode fazer o relator?

Bom…

Eu já esclareci que o agravo de instrumento será interposto


diretamente no Tribunal.

Neste particular, será analisado, em um primeiro momento, pelo


relator.

O relator tem a incumbência de “dirigir e ordenar o processo no


tribunal, inclusive em relação à produção de prova, bem como,

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quando for o caso, homologar autocomposição das partes” (art.


932, I, CPC)

Ao analisar o recurso, o relator poderá NÃO CONHECER o recurso:

1. Inadmissível;
2. Prejudicado;
3. Que não impugnou especificamente os fundamentos da
decisão.

Além, poderá NEGAR PROVIMENTO, desde já, se for contrário a:

1. Súmula do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de


Justiça ou do próprio tribunal;
2. Acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo
Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos
repetitivos;
3. Entendimento firmado em incidente de resolução de
demandas repetitivas ou de assunção de competência;

Em paralelo, poderá o relator DAR PROVIMENTO, DEPOIS DE


FACULTADA A APRESENTAÇÃO DE CONTRARRAZÕES, se a
decisão recorrida é contrária as mesmas hipóteses supracitadas
(súmula do STF, súmula do STJ, etc)

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Por fim, como já esclareci anteriormente, o relator poderá atribuir


efeito suspensivo ao recurso, quando solicitado (art. 1.019, I, CPC).

Poderá, também, atribuir efeito ativo (concessão de tutela


antecipada na fase recursal), quando solicitado (art. 1.019, I, CPC).

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Recurso Ordinário Constitucional

O recurso ordinário constitucional (ROC) é um recurso que será


dirigido ao Supremo Tribunal Federal ou ao Superior Tribunal de
Justiça.

As hipóteses de cabimento do ROC estão previstas na


Constituição Federal (art. 105, II, e art. 102, II, ambos da
Constituição Federal).

Por isso, inclusive, o nome Recurso Ordinário Constitucional.

O art. 1.027 e 1.028 do CPC regulam a forma de processamento do


ROC.

Cabe Recurso Ordinário Constitucional, dirigido ao Supremo


Tribunal Federal, na hipótese de Tribunal Superior proferir
DECISÃO DENEGATÓRIA, em ÚNICA INSTÂNCIA, em face de:

1. Mandado de Segurança;
2. Habeas Data;
3. Habeas Corpus;
4. Mandado de Injunção.

O Supremo Tribunal Federal também julgará, por Recurso


Ordinário Constitucional, o crime político (art. 102, II, b, CF).
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Em paralelo, cabe Recurso Ordinário Constitucional, dirigido ao


Superior Tribunal de Justiça, nas seguintes hipóteses:

1. Habeas Corpus, na hipótese de Tribunal de Justiça (TJ),


Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios
(TJDFT) ou Tribunal Regional Federal (TRF) proferir
DECISÃO DENEGATÓRIA, em ÚNICA INSTÂNCIA;
2. Mandado de Segurança, na hipótese de Tribunal de Justiça
(TJ), Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios
(TJDFT) ou Tribunal Regional Federal (TRF) proferir
DECISÃO DENEGATÓRIA, em ÚNICA INSTÂNCIA;
3. Em processos que forem partes Estado Estrangeiro ou
Organismo Internacional de um lado e Município ou
pessoa residente no Brasil do outro.

Observe que, na grande maioria dos casos, o ROC vem para


impugnar uma decisão denegatória proferida em única instância.

São decisões proferidas em ações constitucionais de competência


originária dos mencionados tribunais.

Isso significa que a ação constitucional, nesses casos, é ajuizada


diretamente no tribunal (competência originária).

Como a competência é originária, a decisão é proferida em ÚNICA


instância.

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Não é o caso, por exemplo, de uma eventual ação constitucional


que alcança o tribunal por meio de recurso (nesta hipótese,
evidentemente, a decisão não seria proferida em única instância…).

Neste cenário, sustenta a doutrina que o objetivo do ROC é


garantir o duplo grau de jurisdição nas ações constitucionais de
competência originária com decisão denegatória.

Destaque-se, por oportuno, que não cabe ROC contra decisão


monocrática.

Caberá, apenas, contra decisão colegiada do Tribunal.

AGRAVO INTERNO. DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NÃO CONHECE


DE RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL. RECURSO
INCABÍVEL. HIPÓTESE DE ERRO GROSSEIRO.
INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE
RECURSAL. 1. Agravo interno contra decisão que não conhece de
recurso ordinário constitucional interposto contra decisão
monocrática, que não conhece de pedido de “habeas corpus”.
Recurso incabível. Hipótese de erro grosseiro. Inaplicabilidade do
princípio da fungibilidade recursal. Decisão que encontra amplo
respaldo das instâncias superiores. 2. Agravo interno não provido.
(TJ-SP – AGT: 20819483220208260000 SP 2081948-
32.2020.8.26.0000, Relator: Guilherme G. Strenger (Pres. Seção de
Direito Criminal), Data de Julgamento: 30/11/2020, Câmara
Especial de Presidentes, Data de Publicação: 30/11/2020)

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Seguindo a tendência dos Recursos do CPC, o ROC, como regra,


não tem efeito suspensivo.

Para atribuir efeito suspensivo ao recurso, é preciso formular


requerimento específico (art. 1.029, §5°, CPC).

O Recurso Ordinário Constitucional é interposto perante o


tribunal que proferiu a decisão no prazo de 15 dias úteis.

Algumas Particularidades Importantes do ROC

Conforme expliquei, cabe o Recurso Ordinário Constitucional,


dirigido ao STJ, na hipótese de processo que for parte Estado
Estrangeiro ou Organismo Internacional de um lado e Município
ou pessoa residente no Brasil do outro.

Em primeira instância, a competência para julgar esta espécie de


processo será dos juízes federais (primeiro grau).

Neste caso, eventual impugnação de sentença proferida pelo juiz


federal, será realizada por recurso ordinário constitucional (ROC)
direcionado ao STJ.

Observe que não será o caso de apelação.


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Essa é a primeira particularidade.

Mas não para por ai…

Em caso de decisão interlocutória agravável (art. 1.015 do CPC)


proferida pelo juiz federal, cabe agravo de instrumento, todavia,
direcionado também ao STJ (e não TRF…).

Art. 1.027. Serão julgados em recurso ordinário:

(…)

II – pelo Superior Tribunal de Justiça:

(…)

b) os processos em que forem partes, de um lado,


Estado estrangeiro ou organismo internacional e, de
outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada
no País.

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§ 1º Nos processos referidos no inciso II, alínea “b”,


contra as decisões interlocutórias caberá agravo de
instrumento dirigido ao Superior Tribunal de
Justiça, nas hipóteses do art. 1.015 .

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Embargos de Declaração

Neste artigo, eu vou explicar tudo sobre os embargos de


declaração.

O art. 93, inciso IX, da Constituição Federal esclarece que as


decisões do Poder Judiciário serão fundamentadas.

Mas nem sempre a fundamentação está clara ou, sequer, presente.

Nestas hipóteses, é preciso opor embargos de declaração.

Segundo o art. 1.022 do CPC, cabe, embargos de declaração para:

I – esclarecer obscuridade ou eliminar contradição;

II – suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual


devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento;

III – corrigir erro material.

Fica claro, desde já, que os embargos de declaração é recurso de


fundamentação vinculada.

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Isso porque podemos alegar apenas a obscuridade, contradição,


omissão ou erro material.

Aliás, é o que disciplina o art. 1.023 do CPC quando esclarece que


os embargos de declaração serão opostos com indicação do erro,
obscuridade, contradição ou omissão.

O mesmo dispositivo esclarece que os embargos de declaração


não se sujeitam a preparo.

Omissão Presumida

O CPC de 2015 aponta duas hipóteses de omissão presumida (art.


1.022, parágrafo único, CPC)

Considera-se omissa a decisão que não se manifesta sobre tese


firmada em:

1. Julgamento de casos repetitivos;


2. Incidente de Assunção de Competência;

Além disso, considera-se omissa, também, a decisão que


enquadra-se no art. 489, §1°, do CPC.

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O art. 489, § 1º , do CPC aponta em quais hipóteses a decisão NÃO


é considerada fundamentada.

art. 489 (…)

§ 1º Não se considera fundamentada qualquer


decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou
acórdão, que:

I – se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase


de ato normativo, sem explicar sua relação com a
causa ou a questão decidida;

II – empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem


explicar o motivo concreto de sua incidência no caso;

III – invocar motivos que se prestariam a justificar


qualquer outra decisão;

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IV – não enfrentar todos os argumentos deduzidos no


processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão
adotada pelo julgador;

V – se limitar a invocar precedente ou enunciado de


súmula, sem identificar seus fundamentos
determinantes nem demonstrar que o caso sob
julgamento se ajusta àqueles fundamentos;

VI – deixar de seguir enunciado de súmula,


jurisprudência ou precedente invocado pela parte,
sem demonstrar a existência de distinção no caso em
julgamento ou a superação do entendimento.

Prazo Para Oposição dos Embargos de Declaração

A oposição deve ocorrer no prazo de 5 dias úteis, sendo o prazo


dobrado para a Fazenda Pública.

É preciso ter cautela, pois, no sistema do CPC de 2015, houve a


unificação dos prazos.

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Como regra, o prazo para interpor um recurso no Processo Civil é


de 15 dias.

A regra, todavia, não se aplica aos embargos de declaração que


possui prazo de 5 dias para interposição.

Efeito Interruptivo dos Embargos de Declaração

Os embargos de declaração são julgados pelo mesmo órgão que


proferiu a decisão recorrida.

Seguindo a tendência do CPC de 2015, os embargos de declaração


são recebidos apenas no efeito devolutivo.

O efeito interruptivo é um efeito específico dos Embargos de


Declaração.

Observe o conteúdo do art. 1.026 do CPC:

Art. 1.026. Os embargos de declaração não possuem


efeito suspensivo e interrompem o prazo para a
interposição de recurso.

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Em razão do efeito interruptivo, os prazos recursais já iniciados são


interrompidos e voltam a correr após a publicação da nova decisão
que será prolatada.

Hoje, o efeito interruptivo aplica-se de forma ampla também nos


juizados especiais.

Em outras palavras, os Embargos de Declaração opostos no juizado


especial também interrompem o prazo (art. 83, § 2°, da lei 9.099).

Antes do CPC de 2015, os embargos de declaração opostos no


âmbito dos juizados especiais apenas suspendiam o prazo para
interposição do recurso inominado.

É importante destacar que, ainda que manifesta a


inadmissibilidade, os embargos de declaração tem aptidão para
interromper o prazo recursal.

Entretanto, quando não conhecidos em razão de serem


manifestamente protelatórios, não interrompem ou suspendem o
prazo para interposição de outro recurso.

Além disso, nesta hipótese, deverá o embargante ser condenado


no pagamento de multa não excedente a dois por cento sobre o
valor atualizado da causa (art. 1.026, § 2°, CPC).

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Embargos de Declaração Protelatórios

Como explicamos anteriormente, em caso de embargos


protelatórios, pode o magistrado fixar multa de até 2% do valor da
causa.

Esse valor, contudo, pode alcançar 10% do valor da causa na


hipótese da oposição de novos embargos de declaração
protelatórios.

Há um detalhe que é muito importante…

O recolhimento da multa, nestas hipóteses, passa a ser condição


de admissibilidade de todo e qualquer recurso.

Além disso, “não serão admitidos novos embargos de declaração


se os 2 (dois) anteriores houverem sido considerados protelatórios”
(art. 1.026, § 4º , CPC).

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Efeito Modificativo

Como já expliquei anteriormente, o objetivo principal dos


embargos de declaração é sanar um erro material, uma
obscuridade, uma contradição, ou ainda, uma omissão.

O objetivo principal, portanto, NÃO é a modificação da decisão


(para essa finalidade há outros recursos específicos…).

Ocorre que, não raro, como consequência da correção do vício,


ocorre a modificação do julgado.

É o caso, por exemplo, da sentença omissa em relação a


determinado pedido.

Nessa hipótese, ao suprir a omissão, é natural que ocorra a


modificação da decisão.

Chamamos esse fenômeno de efeito modificativo, ou ainda,


efeito infringente.

Quando isso ocorre, existem algumas particularidades que devem


ser observadas…

A CPC de 2015 proíbe a decisão surpresa.

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Isso significa que “o juiz não pode decidir, em grau algum de


jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se
tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que
se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício” (art. 10 do
CPC).

Por isso, ante eventual possibilidade de atribuir efeito modificativo


ao julgado, deve o magistrado conceder, a parte contrária, a
oportunidade de se manifestar.

Princípio da Fungibilidade em Embargos de Declaração

Em razão do princípio da fungibilidade e daquilo que disciplina o


art. 1.024, § 3º, do CPC, poderá o órgão julgador conhecer dos
embargos de declaração como sendo agravo interno, desde que:

1. Entenda ser esse o recurso cabível;


2. Determine a intimação do recorrente para, no prazo de 5 dias,
complementar as razões recursais, de modo a ajustá-las as
exigências do art. 1.021, § 1º, do CPC.

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Agravo Interno

Muito embora o agravo interno seja regulamentado pelo art. 1.021


do CPC, será também regulamentado pelos regimentos internos
dos Tribunais (por isso, o nome agravo interno…).

O objetivo do agravo interno é combater decisão NÃO colegiada


que advém do tribunal.

Nesse cenário, cabe agravo interno contra

1. decisão MONOCRÁTICA do Relator;


2. decisão UNIPESSOAL do Pres. ou vice do Tribunal que:
3. NEGA SEGUIMENTO de RE, pois:

• a) STF não reconheceu Repercussão Geral na hipótese;


• b) acórdão combatido está alinhado com tese proferida pelo
STF em regime de Repercussão Geral
• c) acórdão combatido está alinhado com tese proferida pelo
STF em regime de Recurso Repetitivo;

1. NEGA SEGUIMENTO ao REsp, pois:


2. acórdão combatido está alinhado com tese proferida pelo STJ
em regime de Recurso Repetitivo;

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3. Sobrestar o recurso que versar sobre controvérsia de caráter


repetitivo ainda não decidida pelo Supremo Tribunal Federal
ou pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme se trate de
matéria constitucional ou infraconstitucional

O recurso será interposto perante o próprio relator ou perante o


próprio presidente/ vice do tribunal que, por sua vez, abre vista
para parte contrária apresentar a contraminuta.

É preciso ter muita atenção.

O Código de Processo Civil trata do agravo interno especificamente


no art. 1.021.

A leitura fria do art. 1.021, contudo, leva a falsa conclusão de que o


agravo interno cabe apenas contra decisão monocrática do Relator.

Observe o que dispõe o art. 1.021, caput:

Art. 1.021. Contra decisão proferida pelo relator caberá agravo


interno para o respectivo órgão colegiado, observadas, quanto ao
processamento, as regras do regimento interno do tribunal.

Para fechar as hipóteses de cabimento do agravo interno, você


deve ler esse dispositivo em conjunto com o art. 1.030, incisos I e
III, bem como o § 2º do mesmo dispositivo.

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Esses dispositivos tratam, dentre outras coisas, do recebimento do


Recurso Extraordinário (RE) e Recurso Especial (REsp) pelo
presidente ou vice-presidente do Tribunal.

Observe:

Art. 1.030. Recebida a petição do recurso pela


secretaria do tribunal, o recorrido será intimado para
apresentar contrarrazões no prazo de 15 (quinze)
dias, findo o qual os autos serão conclusos ao
presidente ou ao vice-presidente do tribunal
recorrido, que deverá:

I – negar seguimento:

a) a recurso extraordinário que discuta questão


constitucional à qual o Supremo Tribunal Federal não
tenha reconhecido a existência de repercussão
geral ou a recurso extraordinário interposto contra
acórdão que esteja em conformidade com
entendimento do Supremo Tribunal Federal exarado
no regime de repercussão geral;

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b) a recurso extraordinário ou a recurso especial


interposto contra acórdão que esteja em
conformidade com entendimento do Supremo Tribunal
Federal ou do Superior Tribunal de Justiça,
respectivamente, exarado no regime de julgamento
de recursos repetitivos;

(…)

III – sobrestar o recurso que versar sobre


controvérsia de caráter repetitivo ainda não
decidida pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo
Superior Tribunal de Justiça, conforme se trate de
matéria constitucional ou infraconstitucional;

(…)

§ 2º Da decisão proferida com fundamento nos incisos


I e III caberá agravo interno, nos termos do art.
1.021.

Da leitura desse artigo, você precisa ter duas conclusões


importantes
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1. O agravo interno NÃO cabe apenas contra decisão


monocrática do relator. Há, como vimos, outras hipóteses;
2. NÃO cabe agravo de despacho denegatório na hipótese de
decisão unipessoal que nega seguimento ao RE ou REsp com
fundamento no inciso I do art. 1.030. Caberá, como vimos,
agravo interno (art. 1.030, § 2º , CPC).

Trata-se de um recurso sem preparo e que deve ser interposto no


prazo de 15 dias úteis.

O prazo de interposição, contudo, será, em dobro, na hipótese do


recorrente ser a Fazenda Pública.

O julgamento será feito pela turma (colegiado).

É importante observar que o agravo interno autoriza o juízo de


retratação.

Essa conclusão é extraída da própria legislação.

Observe o que dispõe o art. 1.021, § 2º, CPC:

art. 1.021 (…)

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§ 2º O agravo será dirigido ao relator, que intimará o


agravado para manifestar-se sobre o recurso no prazo
de 15 (quinze) dias, ao final do qual, não havendo
retratação, o relator levá-lo-á a julgamento pelo órgão
colegiado, com inclusão em pauta.

Portanto, é fácil concluir que a próprio legislação autorizou o juízo


de retratação (também chamado de efeito regressivo).

É muito importante destacar que, neste recurso, a parte perdedora


deverá pagar multa de 1% a 5% do valor da causa atualizado se:

1. Recurso for manifestamente inadmissível;


2. Improcedente em votação unânime.

É o que dispõe o art. 1.021, § 4º, do CPC.

Assim como no caso dos embargos de declaração protelatórios, o


recolhimento da multa passa a ser pressuposto objetivo de
admissibilidade de qualquer outro recurso posterior, exceto para:

1. Fazenda Pública;
2. Beneficiário da justiça gratuita.

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Tanto a Fazenda Pública, como o beneficiário da justiça gratuita


pagarão as respectivas multas apenas ao final do processo (art.
1.021, § 5º, CPC).

Segundo o enunciado 464 do Fórum Permanente de


Processualistas Civis, o agravo interno pode combater, também,
“a decisão unipessoal (monocrática) do relator em Turma Recursal”.

Portanto, é possível utilizar o agravo interno no âmbito dos


juizados especiais.

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Agravo de Despacho Denegatório

O agravo de despacho denegatório é um recurso específico para


combater decisões proferidas em recursos com duplo juízo de
admissibilidade.

No processo civil, é o caso do Recurso Extraordinário (RE) e do


Recurso Especial (REsp).

Pode-se dizer, portanto, que cabe agravo de despacho denegatório


“contra decisão do presidente ou do vice-presidente do tribunal
recorrido que inadmitir recurso extraordinário ou recurso
especial, salvo quando fundada na aplicação de entendimento
firmado em regime de repercussão geral ou em julgamento de
recursos repetitivos (art. 1.042 do CPC).

A doutrina também chama esse recurso de agravo do art. 1.042,


justamente por estar disciplinado no art. 1.042 do CPC.

Diferente do agravo de instrumento que já estudamos, o agravo de


despacho denegatório será interposto nos autos do mesmo
processo.

Assim como o agravo de instrumento, contudo, o prazo será de 15


dias, sendo cabível, também aqui, o juízo de retratação (efeito
regressivo).

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Dentro da sistemática do processo civil, esses são os dois recursos


que admitem o duplo juízo de admissibilidade e, por isso, é possível
interpor agravo de despacho denegatório.

É preciso lembrar, contudo, que outras hipóteses são cabíveis em


outras esferas.

Por exemplo, no direito do trabalho o Recurso Ordinário é o


recurso apto a impugnar a sentença.

É algo parecido com a Apelação que temos no processo civil…

Lá, contudo, o Recurso Ordinário tem duplo juízo de


admissibilidade, diferente, portanto, da apelação.

Por isso, não é raro, na esfera trabalhista, o uso de agravo de


despacho denegatório contra decisão do juiz de primeiro grau que
não admite o prosseguimento do recurso ordinário por falta de
pressuposto.

Uma vez interposto o recurso, não pode o juízo deixar de


encaminhar o processo para o juízo ad quem, sob pena de usurpar
competência.

Nesta hipótese, caberia Reclamação Constitucional contra a


decisão que obstaculiza o seguimento do recurso.

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Aliás, sobre o tema, há a Súmula 727 do STF, cumpre citar:

“Súmula 727-STF: Não pode o magistrado deixar de


encaminhar ao Supremo Tribunal Federal o agravo de
instrumento interposto da decisão que não admite
recurso extraordinário, ainda que referente a causa
instaurada no âmbito dos juizados especiais.”

É interessante lembrar que a parte poderá interpor, em conjunto,


Recurso Especial (para o STJ) e Recurso Extraordinário (para o STF).

Trata-se de uma conhecida exceção ao princípio da


unirrecorribilidade recursal

Apenas para esclarecer, segundo esse princípio, a parte poderá


interpor apenas um recurso contra cada decisão. Não pode,
portanto, interpor dois recursos ao mesmo tempo contra a mesma
decisão.

Tal regra, contudo, não se aplica a interposição do RE e REsp que


podem ocorrer no mesmo momento (interposição conjunta).

Neste caso, é perfeitamente possível a obstaculização de ambos


por decisão unipessoal do presidente ou vice-presidente do
Tribunal.

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Neste cenário, esclarece o § 6º do art. 1.042 que “na hipótese de


interposição conjunta de recursos extraordinário e especial, o
agravante deverá interpor um agravo para cada recurso não
admitido”.

Em outras palavras, será preciso interpor dois agravos de despacho


denegatório, ambos dirigidos ao presidente ou vice-presidente do
tribunal de origem.

Na hipótese de interposição conjunta, os autos serão remetidos ao


Superior Tribunal de Justiça (art. 1.042, §7º, CPC).

Concluído o julgamento do agravo pelo Superior Tribunal de


Justiça e, se for o caso, do recurso especial, independentemente de
pedido, os autos serão remetidos ao Supremo Tribunal Federal
para apreciação do agravo a ele dirigido, salvo se estiver
prejudicado (art. 1.042, § 8º, CPC).

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Embargos de Divergência

Neste artigo, eu vou explicar, passo a passo, o que são os embargos


de divergência e qual é a sua importância para o sistema.

Antes de mais nada, é preciso lembrar que “os tribunais devem


uniformizar sua jurisprudência e mantê-la estável, íntegra e
coerente” (Art. 926 do CPC).

É, portanto, dever dos tribunais uniformizar a jurisprudência.

Os embargos de divergência tem o objetivo de uniformizar a


jurisprudência interna da casa (fala-se em divergência “interna
corporis”)

O objetivo é impugnar decisões de Tribunais que estejam em


divergência com acórdãos anteriores de casos semelhantes.

Imagine, por exemplo, que determinado recorrente não alcança


êxito após a interposição de Recurso Especial. Ocorre que um caso
semelhante, com mesma situação fática, já alcançou êxito.

Neste caso, é necessário uniformizar a jurisprudência.

A divergência precisa ser atual.

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Não por outro motivo, esclarece a súmula 168 do STJ que “não
cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do
tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado”.

É importante esclarecer que pouco importa se a divergência é


material ou processual (art. 1.043, §2°, CPC).

Em ambos os casos, cabem embargos de divergência…

• Dica: aprenda tudo sobre os Embargos de Declaração.

Cabem embargos de divergência no STJ, STF e, inclusive, no TST


(na hipótese de processo trabalhista).

Cabe contra acórdão de órgão fracionário que diverge de qualquer


outro órgão do mesmo tribunal.

É importante observar que, caso a parte interponha embargos de


divergência no STJ, ocorre a interrupção do prazo para interposição
do Recurso Extraordinário (RE).

Destaque-se, por fim, que é possível opor embargos de


divergência, “quando o acórdão paradigma for da mesma turma
que proferiu a decisão embargada, desde que sua composição
tenha sofrido alteração em mais da metade de seus membros“
(art. 1.043, § 3º, CPC).

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Recurso Especial (REsp) e Recurso


Extraordinário (RE)

Recurso especial (REsp) e recurso extraordinário stricto sensu (RE)


são ambos espécies do gênero Recursos Extraordinários lato
sensu.

Os recursos extraordinários lato sensu são diferentes dos recursos


ordinários…

Os recursos ordinários avaliam os fatos e direitos aplicáveis ao caso


concreto.

São espécies de recursos ordinários a apelação, o agravo de


instrumento, dentre outros.

Os recursos extraordinários, por sua vez, avaliam a conformidade


da decisão judicial com o ordenamento jurídico.

Por isso, fala-se que recursos extraordinários não avaliam fatos,


mas apenas o direito, ou seja, a adequação da decisão à norma
jurídica.

Não se analisa questão que envolve provas…

Aliás, o tema já foi sumulado nos tribunais superiores:


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Súmula 7 do STJ: “A pretensão de simples reexame de prova não


enseja recurso especial”.

Súmula 279 do STF: “Para simples reexame de prova não cabe


recurso extraordinário”.

Súmula 126 do TST: “Incabível o recurso de revista ou de embargos


(arts. 896 e 894, “b”, da CLT) para reexame de fatos e provas.”

No processo civil, são espécies de recursos extraordinários o


recurso especial e o recurso extraordinário stricto sensu.

Lembro, por oportuno, que há outras espécies em outras áreas (por


exemplo, o recurso de revista no âmbito no processo trabalhista).

Cabimento

A Constituição Federal disciplina o tema nos art. 102, inciso III e art.
105, inciso III.

Cabe recurso extraordinário nas hipóteses do art. 102, III, da CF,


cumpre citar:

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Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal,


precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-
lhe:

(…)

III – julgar, mediante recurso extraordinário, as causas


decididas em única ou última instância, quando a
decisão recorrida:

a) contrariar dispositivo desta Constituição;

b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei


federal;

c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado


em face desta Constituição.

501
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d) julgar válida lei local contestada em face de lei


federal.

A violação/ ofensa a Constituição (art. 102, III, alínea a, CF) deve ser
DIRETA.

Em outras palavras, não se admite recurso extraordinário por


violação indireta (ou reflexa) da Constituição Federal.

Em paralelo, cabe recurso extraordinário nas hipóteses do art. 102,


III, da CF, cumpre citar:

Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça:

(…)

III – julgar, em recurso especial, as causas decididas,


em única ou última instância, pelos Tribunais
Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do
Distrito Federal e Territórios, quando a decisão
recorrida:

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a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes


vigência;

b) julgar válido ato de governo local contestado em


face de lei federal;

c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe


haja atribuído outro tribunal.

Por isso, falamos que REsp e RE são recursos de fundamentação


vinculada.

Quando estudamos a teoria geral dos recursos, eu expliquei que


recurso de fundamentação vinculada é aquele que tem causa de
pedir restrita.

Isso significa que o recorrente deve se ater ao que pode ser


alegado.

É importante observar que não cabe recurso especial contra


decisão de turma recursal (Súmula 203 do STJ).

503
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Súmula 203 do STJ: “Não cabe recurso especial


contra decisão proferida por órgão de segundo grau
dos Juizados Especiais.”

Isso ocorre, principalmente, por conta da redação constitucional.

Observe que o art. 105, III, da CF dispõe que compete ao STJ “julgar,
em recurso especial, as causas decididas, em única ou última
instância, pelos TRIBUNAIS (…)”.

A turma recursal, em verdade, não é compreendida como tribunal,


motivo pelo qual cabe recurso especial (REsp).

Em contraposição, é possível a interposição de recurso


extraordinário contra decisão de turmas recursais.

E o motivo é muito simples…

Diferente da redação supracitada, esclarece a Constituição Federal


que cabe ao STF julgar, em recurso extraordinário, “as causas
decididas em única ou última instância, quando (…)”.

Observe, portanto, que o poder constituinte não impõe que a


decisão seja proveniente de tribunal.

504
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Basta que seja decidida em única ou última instância.

Por isso, cabe recurso extraordinário das decisões proferidas nas


turmas recursais.

Pressupostos de Admissibilidade

Ambos os recursos tem base constitucional e cabem, apenas,


quando esgotadas as vias ordinárias.

O prazo para interposição é de 15 dias e deverá ocorrer a


interposição conjunta (ao mesmo tempo) de ambos os recursos.

Trata-se de exceção ao princípio da unirrecorribilidade.

Apenas para esclarecer, segundo esse princípio, a parte poderá


interpor apenas um recurso contra cada decisão. Não pode,
portanto, interpor dois recursos ao mesmo tempo contra a mesma
decisão.

Essa regra, contudo, não se aplica a interposição do RE e REsp que


devem ocorrer no mesmo momento (interposição conjunta).

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Segundo o art. 1.029 do CPC, ambos os recursos serão interpostos


perante o presidente ou vice-presidente do tribunal recorrido.

Para conhecimento do recurso especial e recurso extraordinário é


imprescindível que a matéria seja pré-questionada.

Você pode estar se perguntando: “mas o que significa ser pré-


questionada?”.

Significa que assunto combatido/ impugnado por REsp ou RE


precisa ter sido questionado pelo juízo a quo (juízo de origem).

Na hipótese do acórdão não se pronunciar sobre o tema (omissão),


será preciso opor embargos de declaração.

Além disso, é preciso esgotar a possibilidade de interposição de


recursos ordinários nas instâncias inferiores.

Existe a necessidade de demonstrar repercussão geral apenas no


caso do recurso extraordinário (RE).

A necessidade de comprovar a repercussão geral no âmbito do


recurso extraordinário (RE) surge, no ordenamento jurídico, com a
EC 45/05.

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Não há, ainda, a necessidade de comprovar a repercussão geral


para o recurso especial (REsp), muito embora exista projeto de lei
voltado a essa finalidade.

Existe repercussão geral na hipótese da questão debatida ser


relevante “do ponto de vista econômico, político, social ou
jurídico que ultrapassem os interesses subjetivos do processo” (art.
1.035, § 1º, CPC).

Há, contudo, presunção absoluta de existência de repercussão


geral quando o acórdão recorrido:

1. Contrarie súmula ou jurisprudência dominante do Supremo


Tribunal Federal;
2. Tenha reconhecido a inconstitucionalidade de tratado ou de
lei federal, nos termos do art. 97 da Constituição Federal ;
3. É acórdão oriundo do julgamento de IRDR.

É importante pontuar que “o Supremo Tribunal Federal ou o


Superior Tribunal de Justiça poderá desconsiderar vício formal de
recurso tempestivo ou determinar sua correção, desde que não o
repute grave” (art. 1.029, § 3º, CPC).

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Duplo Juízo de Admissibilidade

Como já estudamos anteriormente (vide Teoria Geral dos


Recursos), a regra, no processo civil, é existir apenas um juízo de
admissibilidade que será exercido pelo juízo ad quem.

Excepcionalmente, contudo, ocorrerão dois juízos de


admissibilidade (duplo juízo de admissibilidade).

É o que ocorre, por exemplo, no recurso especial (REsp) e no


recurso extraordinário (RE).

Isso significa que há um juízo de admissibilidade no juízo a quo e


outro no juízo ad quem.

Por isso, inclusive, admite-se o agravo de despacho denegatório


(ou agravo do art. 1.042), conforme já estudamos.

O RE e o REsp serão interpostos perante o presidente ou vice-


presidente do tribunal de origem, responsável pelo primeiro exame
de admissibilidade.

É interessante lembrar que o duplo juízo de admissibilidade havia


sido retirado do CPC com a reforma de 2015.

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A antiga redação do art. 1.030, parágrafo único, do CPC esclarecia


que o recurso seria enviado ao Tribunal Superior
independentemente do juízo de admissibilidade.

Isso significa que não mais ocorreria o juízo de admissibilidade no


juízo a quo (apenas no juízo ad quem).

Todavia, em movimento realizado pela Magistratura perante o


Congresso, foi o duplo juízo de admissibilidade reinserido no CPC
por meio da lei 13.256/2016.

É preciso ter cuidado na hora de estudar o tema, pois, no âmbito


trabalhista, ocorre o duplo juízo de admissibilidade já na primeira
instância para análise do RO (Recurso Ordinário).

Efeitos do Recurso

Como regra, o recurso especial e o recurso extraordinário não


possuem efeito suspensivo.

Seguem, portanto, a regra do processo civil, como já estudamos


anteriormente.

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Conforme art. 1.029, § 5º, do CPC, é possível, contudo, requerer o


efeito suspensivo para:

• I – ao tribunal superior respectivo, no período compreendido


entre a publicação da decisão de admissão do recurso e sua
distribuição, ficando o relator designado para seu exame
prevento para julgá-lo;
• II – ao relator, se já distribuído o recurso;
• III – ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido,
no período compreendido entre a interposição do recurso e a
publicação da decisão de admissão do recurso, assim como
no caso de o recurso ter sido sobrestado, nos termos do art.
1.037 .

Princípio da Fungibilidade Recursal

Já falamos que o princípio da fungibilidade nada mais é do que a


possibilidade de substituição do recurso (vide Teoria Geral dos
Recursos)

Trata-se de acolher um recurso errado como se fosse o recurso


correto.

Nem sempre isso será possível.

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Como também já explicamos quando estudamos a Teoria Geral dos


Recursos, para que seja possível a aplicação do princípio da
fungibilidade, deve a parte interpor o recurso:

1. No prazo correto;
2. Norteado de Dúvida Objetiva (dúvida na comunidade
acadêmica).

No âmbito dos recursos extraordinários lato sensu, é possível que


o recurso especial (REsp) seja recebido como extraordinário (RE) e
vice-versa.

Há, porém, um detalhe importante.

Lembre-se que, na hipótese de recurso extraordinário, deverá o


recorrente demonstrar que existe repercussão geral.

Por isso, esclarece o legislador que “se o relator, no Superior


Tribunal de Justiça, entender que o recurso especial versa sobre
questão constitucional, deverá conceder prazo de 15 (quinze) dias
para que o recorrente demonstre a existência de repercussão geral
e se manifeste sobre a questão constitucional” (art. 1.032 CPC).

Além disso, é preciso lembrar que, na hipótese do RE, será preciso


demonstrar que ocorreu ofensa DIRETA a Constituição Federal.

511
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Na hipótese do “Supremo Tribunal Federal considerar como reflexa


a ofensa à Constituição afirmada no recurso extraordinário, por
pressupor a revisão da interpretação de lei federal ou de tratado,
remetê-lo-á ao Superior Tribunal de Justiça para julgamento
como recurso especial“ (art. 1.033 do CPC).

512
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Hipoteca Judiciária

Diferente do antigo CPC, o CPC de 2015 regulamente de forma


exaustiva a hipoteca judiciária.

Na prática, contudo, continua sendo muito pouco usada, embora


seja reconhecida como um instrumento importantíssimo para
garantia da execução.

A hipoteca judiciária, como o próprio nome sugere, é uma espécie


de hipoteca (direito real).

A hipoteca é o direito real de garantia em que uma pessoa,


proprietária de bem imóvel, vincula o seu direito ao cumprimento
de uma obrigação.

Já esclareci, quando expliquei o tema, que ela poderá ser


convencional, legal ou judicial.

A hipoteca judiciária nasce como efeito secundário da sentença,


sendo compreendida como espécie de hipoteca judicial que visa
a garantia de uma eventual execução.

Sobre o tema, observe o que dispõe o art. 495 do CPC:

513
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Art. 495. A decisão que condenar o réu ao pagamento


de prestação consistente em dinheiro e a que
determinar a conversão de prestação de fazer, de
não fazer ou de dar coisa em prestação pecuniária
valerão como título constitutivo de hipoteca judiciária.

Portanto, cabe a hipoteca judiciária na hipótese de condenação


pecuniária ou que foi convertida em prestação pecuniária.

Segundo o art. 495, § 1º, do CPC, a decisão produz a hipoteca


judiciária:

• I – embora a condenação seja genérica;


• II – ainda que o credor possa promover o cumprimento
provisório da sentença ou esteja pendente arresto sobre
bem do devedor;
• III – mesmo que impugnada por recurso dotado de efeito
suspensivo.

Além disso, a hipoteca judiciária NÃO depende de:

1. Ordem judicial;
2. Declaração do juiz;
3. Demonstração de urgência.

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A hipoteca judiciária pode ser realizada com a cópia da sentença


no cartório judicial independentemente de ordem judicial.

Após hipotecar, a parte tem 15 dias para informar o juiz que por
sua vez informa a parte (art. 495, § 3º, CPC).

Trata-se de um desdobramento do dever de cuidado que tem


como pilar de sustentação a boa-fé objetiva.

A hipoteca judiciária, uma vez constituída, implicará, para o credor


hipotecário, o direito de preferência, quanto ao pagamento, em
relação a outros credores, observada a prioridade no registro (art.
495, § 4º, CPC).

Na hipótese de reforma ou invalidação da decisão, a parte


responsável pela hipoteca judiciária responderá
independentemente de culpa (responsabilidade objetiva) por
dano decorrente da hipoteca (art. 495, § 5º, CPC).

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Sistema de Precedentes Obrigatórios

Parte da doutrina criticava o sistema de precedentes obrigatórios,


sustentando que o modelo engessaria o Poder Judiciário.

É curioso observar que a mesma crítica surgiu com a criação da


súmula vinculante.

Em verdade, a súmula vinculante garantiu maior segurança jurídica


e igualdade no sistema jurídico.

O mesmo vem ocorrendo com o sistema de precedentes.

Aliás, o sistema de precedentes tem por objetivo, também, reduzir


o número de processos, bem como acelerar os julgamento dos
processos que estão em andamento.

Observe que o sistema de precedente não engessa o Poder


judiciário. Em verdade, apenas impõe ao juiz da causa o dever de
observar o precedente.

Isso significa que o juiz não pode ignorar o precedente.

Na hipótese do magistrado ignorar o precedente, a decisão não


será considerada fundamentada (art. 489, § 1º, VI, CPC).

516
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Com o sistema de precedentes obrigatórios, o processo deixa de


ser apenas um meio de resolver a lide (conflito de interesses).

Passa a ser, também, um instrumento que fixa precedente para ser


utilizado em casos similares.

Aliás, por esse motivo, optou o legislador por permitir que o amicus
curiae recorra em incidentes de demandas repetitivas.

Lembro, por oportuno, que os limites de atuação do amicus curiae


são fixados pelo próprio juiz (art. 138, § 2º, CPC)

O amicus curiae, contudo, poderá recorrer na hipótese de:

• Embargos de Declaração;
• Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas (IRDR).

Diante do exposto, fica evidente que o contraditório deve ser


respeitado, não apenas em razão das partes, mas também em razão
da possibilidade de se formar precedentes.

A fundamentação (parte integrante da sentença) da decisão é um


discurso para as partes e para a coletividade.

O sistema de precedentes inova em uma séria de pontos no CPC.

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Por exemplo:

1. Na hipótese do pedido contrariar precedente obrigatório e,


cumulativamente, a causa dispensar a produção de provas em
audiência, poderá o juiz julgar liminarmente a
IMPROCEDÊNCIA do PEDIDO (art. 332 do CPC).
2. Na hipótese do pedido estar alinhado com precedente
obrigatório, será possível a concessão liminar de tutela
antecipada (não precisa ter urgência).
3. O CPC admite a dispensa do Reexame Necessário nas causas
contra a Fazenda Pública nesses casos;

Quando falamos em coisa julgada, falamos, em verdade, em


estabilidade da decisão que julga um caso.

No dispositivo da sentença, o juiz cria uma norma jurídica


individualizada (por exemplo, João deve a José).

E isso é o que faz coisa julgada.

Na fundamentação, por sua vez, o juiz aponta uma norma jurídica


geral.

O norma geral serve de base para a extração da norma individual


que seguirá no dispositivo da sentença.

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Em toda decisão haverá a norma que regula o caso (dispositivo) e


a norma geral que serve para aquele caso (fundamentação).

Norma jurídica geral do caso concreto (precedente judicial)

Essa norma é geral, ou seja, serve para inúmeras situações (regula


situações hipotéticas).

É uma norma construída a partir de um caso.

Em outras palavras, trata-se de norma que nasce tendo em vista as


peculiaridades de determinado caso.

A decisão judicial, então, passa a ser vista sobre uma dupla


perspectiva:

1. é a solução de um caso (está no dispositivo da decisão);


2. é um precedente (está na fundamentação)

A norma jurídica geral é o núcleo do precedente.

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Essa norma do precedente é chamada de “ratio decidendi” (razão


de decidir ou fundamentos determinantes).

Então, quando perguntamos “qual é a ratio decidendi do julgado?”


queremos descobrir, em verdade, qual é a norma jurídica geral
daquele julgado.

Podemos entender, ainda, como sendo o fundamento normativo


da decisão.

Portanto, o dispositivo (norma jurídica individualizada) decorre da


ratio decidendi.

O ponto mais importante, aqui, é o seguinte…

Está ratio decidendi é universalizável, pois tem aptidão para ser


aplicada em outros casos.

É preciso ter atenção, pois nem tudo que está na fundamentação


será ratio decidendi.

Por vezes, o Tribunal acrescenta comentários pessoais na


fundamentação.

Isso não é ratio decidendi, pois não serve a solução do dispositivo.

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A doutrina chama isso de “obter dictum”.

Obter dictum, então, é a parte da fundamentação que não tem


relevância para a extração do dispositivo e que, portanto, não gera
precedente.

Isso não significa, contudo, que o obter dictum é inútil.

O papel do obter dictum é movimentar o sistema e a


argumentação, podendo servir como sinalização do Tribunal sobre
qual seria o comportamento que poderia adotar no futuro.

Eficácia do Precedente no Brasil

A eficácia do precedente decorre automaticamente da lei, ou seja,


não é um efeito que decorre da vontade do juiz.

São efeitos que, como esclareci acima, decorrem da ratio


decidendi.

O precedentes é:

1. Obrigatório;
2. Persuasivo;

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3. Obstativo;
4. Autorizante;
5. Rescindente;
6. Revisional.

O efeito persuasivo é o efeito retórico do precedente.

Todo precedente serve, ao menos, para tentar convencer o juiz de


suas razões.

Esse é o efeito mínimo do precedente.

O efeito obrigatório é aquele que impõe que o precedente deve


ser seguido.

Logicamente, esses precedentes também são persuasivos.

Há precedentes que podem obstar postulações (impedem


recursos, demandas e remessas necessárias).

Fala-se, por isso, em efeito obstativo do precedente.

O efeito autorizante é o efeito que resguarda a concessão de


tutela antecipada.

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Um precedente do STF em controle de constitucionalidade pode


servir de fundamento para Ação Rescisória de uma decisão.

Trata-se do efeito rescindente do precedente.

Na hipótese da decisão lidar com relação jurídica continuativa e


houver uma decisão do STF com precedente a ser observado, a
decisão deve ser revista (note que não é rescindente).

Dai decorre o efeito revisional.

Rol de Precedentes Obrigatórios

Segundo o CPC, é dever dos tribunais manter sua jurisprudência


estável, íntegra e coerente.

Observe o que dispõe o art. 926 do CPC:

Art. 926. Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e


mantê-la estável, íntegra e coerente.
§ 1º Na forma estabelecida e segundo os pressupostos fixados no
regimento interno, os tribunais editarão enunciados de súmula
correspondentes a sua jurisprudência dominante.
§ 2º Ao editar enunciados de súmula, os tribunais devem ater-se às
circunstâncias fáticas dos precedentes que motivaram sua criação.
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Os precedentes obrigatórios estão previstos no art. 927 do CPC:

Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão:

I – as decisões do Supremo Tribunal Federal em


controle concentrado de constitucionalidade;

II – os enunciados de súmula vinculante;

III – os acórdãos em incidente de assunção de


competência ou de resolução de demandas
repetitivas e em julgamento de recursos
extraordinário e especial repetitivos;

IV – os enunciados das súmulas do Supremo


Tribunal Federal em matéria constitucional e do
Superior Tribunal de Justiça em matéria
infraconstitucional;

V – a orientação do plenário ou do órgão especial


aos quais estiverem vinculados.

Fala-se que o art. 927 elenca todos os procedimentos que


constituem o denominado microssistema de formação
concentrada de precedentes obrigatórios.

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Podemos, então, resumir os precedentes obrigatórios


(microssistema de precedentes) assim:

1. Decisões do STF em CONTROLE CONCENTRADO (ADI, ADC e


ADPF)
2. Enunciados de SÚMULAS VINCULANTES
3. Acórdão em
a. IRDR
b. IAC
c. RE Repetitivo
d. REsp Repetitivo
4. Enunciado de Súmula do
a. STF em matéria CONSTITUCIONAL
b. STJ em matéria INFRACONSTITUCIONAL
5. Orientação do PLENÁRIO ou ÓRGÃO ESPECIAL aos quais
estiverem vinculados

O CPC imputa aos tribunais 5 deveres institucionais para


efetivação do Sistema de Precedentes Obrigatórios se consolide e
se efetive:

1. Dever de publicidade: os tribunais tem o dever de comunicar


e de dar publicidade aos precedentes.
2. Dever de uniformização: os tribunais devem uniformizar a
sua jurisprudência. Portanto, não é mais uma faculdade do
Tribunal a uniformização.
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3. Dever de estabilidade: Os Tribunais devem uniformizar a


jurisprudência e mantê-la estável. Trata-se do dever de evitar
mudanças repentinas, imotivadas e inesperadas da
jurisprudência. Está relacionada a inércia argumentativa (para
aplicar o precedente, não há necessidade de muitos
argumentos. Contudo, para afastar o precedente, a carga de
argumentos deve ser muito maior).
4. Dever de integridade e dever de coerência: Há critérios de
coerência e integridade que devem ser observados na medida
do possível.

Precedente Obrigatório Não pode Ser Ignorado

Como já observamos acima, o precedente não pode ser ignorado


pelo magistrado, sob pena da decisão não ser considerada
fundamentada (art. 489, § 1º, VI, CPC).

Isso não significa, por evidente, que o magistrado é obrigado a


aplicar o precedente.

Em verdade, diante de um precedente, o magistrado poderá aplicá-


lo ou:

1. Demonstrar que está superado (overruling);


2. Demonstrar que o caso não é similar (distinguishing)

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Vamos analisar cada um deles.

Superação (overruling)

O sistema deve ser estável (Dever de Estabilidade), porém isso não


significa que não pode mudar.

A mudança deve ocorrer quando houver motivo.

Quem revoga o precedente é o próprio Tribunal que criou o


precedente.

É vedado a superação implícita.

Isso significa que, para mudar a jurisprudência, tem que dizer que
está mudando a jurisprudência.

A superação pode ter sua eficácia modulada.

O Tribunal pode modular com base no interesse social e segurança


jurídica.

Distinção (distinguishing)
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A distinção impõe o confronto entre o caso atual e o precedente.

Ao distinguir o juiz não está discutindo a tese, mas apenas dizendo


que a tese não se aplica aquele caso.

Não existe precedente perfeito que dispense a distinção.

Portanto, a atividade de distinção é obrigatória, ainda que seja, por


exemplo, uma súmula vinculante.

A distinção é um corolário do Princípio da Igualdade

Na sentença, o relatório vai explorar o caso e ganhará especial


relevância.

O relatório bem feito ajudará na distinção.

O CPC de 2015 regulamentou a distinção nos casos dos recursos


repetitivos.

A parte tem o Direito de demonstrar que seu caso é distinto e que,


portanto, deve ficar fora da suspensão promovida pelo Tribunal em
recursos repetitivos (art. 1037, § 9ª).

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Por analogia, aplica-se o art. 1037, § 9ª, ao IRDR (Incidente de


Resolução de Demandas Repetitivas).

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Incidente de Resolução de Demandas


Repetitivas -IRDR

O IRDR (Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas) faz parte


do microssistema de solução de repetitivos.

Falamos sobre o tema quando estudamos o sistema de


precedentes obrigatórios.

O microssistema de solução de repetitivos é constituído por:

1. IRDR;
2. RE repetitivo;
3. REsp repetitivo;
4. Recurso de Revista repetitivo no âmbito trabalhista
(enunciado 346 do FPPC).

As questão decididas, aqui, são questões de direito (e não de


fato…).

O IRDR, em verdade, não é um meio de impugnação da decisão


judicial, mas sim um incidente processual de competência
originária dos tribunais.

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Além disso, não serão exigidas custas processuais no incidente de


resolução de demandas repetitivas (art. 976, § 5º, CPC).

O pedido será direcionado ao presidente do Tribunal.

Tem legitimidade para realizar o pedido de instauração de


incidente:

1. O juiz ou relator, por ofício;


2. A partes, por petição;
3. O Ministério Público ou a Defensoria Pública, por petição.

Características do IRDR

São características do IRDR a:

1. Acessoriedade múltipla: depende da existência de outros


processos.
2. Acidentalidade: leva ao sobrestamento dos processos
repetitivos. É acidental porque o IRDR implica no desvio ao
desenvolvimento normal dos processos repetitivos.
3. Incidentalidade: Atua com situações concretas e não pode
ser usado de forma preventiva. O IRDR incide sobre processos

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repetitivos preexistentes e causas futuras. É um procedimento


incidental de competência originária dos tribunais.

Requisitos do IRDR

Sobre o tema, o art. 976 do CPC esclarece o seguinte:

Art. 976. É cabível a instauração do incidente de resolução de


demandas repetitivas quando houver, simultaneamente:
I – efetiva repetição de processos que contenham controvérsia
sobre a mesma questão unicamente de direito;
II – risco de ofensa à isonomia e à segurança jurídica.

Além disso, o § 4º do mesmo dispositivo esclarece o seguinte:

Art. 976 (…)

§ 4º É incabível o incidente de resolução de


demandas repetitivas quando um dos tribunais
superiores, no âmbito de sua respectiva competência,
já tiver afetado recurso para definição de tese
sobre questão de direito material ou processual
repetitiva.

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Então, podemos concluir que são requisitos do IRDR:

1. A efetiva existência de processos repetitivos;


2. Estar associado a questão de direito (e não de fato);
3. Risco de ofensa a isonomia e a segurança jurídica;
4. Não ter sido afetado para julgamento em RE ou REsp
repetitivo.

Além disso, “a desistência ou o abandono do processo não impede


o exame de mérito do incidente” (art. 976, § 1º, CPC).

Na hipótese de desistência ou abandono, deve o Ministério Público


assumir a titularidade (art. 976, § 2º, CPC)

Competência

Segundo o enunciado 343 do Fórum Permanente de


Processualistas Civis (FPPC) “O incidente de resolução de
demandas repetitivas compete a tribunal de justiça ou tribunal
regional“.

Portanto, a competência é absoluta e será do TJ ou do TRF.

533
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Você pode estar se perguntando: “e se houver IRDR sobre o mesmo


tema em TJs e TRFs?“.

Nesse caso deve-se observar o seguinte…

O relator que admitiu primeiro, poderá determinar a suspensão


local.

Porém, a parte interessada poderá pedir, no STJ, a suspensão


nacional.

O requerimento, neste caso, é direcionado ao presidente da


Comissão Gestora de Precedentes (portaria STJ/GP 475/2016).

Procedimento

Em primeiro lugar, ocorre a instauração do incidente.

Ato contínuo, causas iguais são suspensas pelo Tribunal.

O Tribunal, em paralelo, seleciona alguns processos para utilizar


como parâmetro.

O incidente instaurado será julgado de forma abstrata.


534
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Isso significa que as questões de fato relacionadas aos processos


não serão julgadas nesse primeiro momento.

Apenas será julgado a questão de direito que será objeto da tese


do recurso repetitivo.

O resultado do processo impõe vinculação:

1. Horizontal: é a vinculação do próprio tribunal que julgou;


2. Vertical: é a vinculação das instâncias ordinárias.

Eventual, revisão da tese jurídica firmada no incidente far-se-á pelo


mesmo tribunal, de ofício ou mediante requerimento dos
legitimados mencionados no art. 977, inciso III (art. 986 do CPC).

Do julgamento do mérito do incidente caberá recurso


extraordinário ou especial, conforme o caso (art. 987 do CPC).

Lembro, por oportuno, que, como regra, o RE e o REsp não


possuem efeito suspensivo.

Aqui, contudo, estamos diante de uma exceção…

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O recurso, neste caso, tem efeito suspensivo, presumindo-se a


repercussão geral de questão constitucional eventualmente
discutida (art. 987, § 1º, CPC).

Como funciona a Suspensão dos Processos?

Admite-se a suspensão parcial dos processos, conforme


enunciado 205 do FPPC.

O incidente (IRDR) deve ser julgado em 1 ano.

Após esse período, cessa a suspensão, exceto por decisão


fundamentada.

O incidente tem preferência de julgamento, exceto sobre casos que


envolvam:

1. Réu preso;
2. Pedido de habeas corpus.

É possível, ainda, questionar a suspensão sustentando que o


processo não é similar ao tema tratado em IRDR.

Aqui, há duas situações importantes:

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1. Juiz não aceita: parte da doutrina sustenta que, neste caso,


caberia agravo de instrumento, dada a taxatividade mitigada
reconhecida pelo STJ;
2. Relator não aceita: neste caso, caberá agravo interno.

Admissibilidade do IRDR

A admissibilidade do IRDR é realizada por órgão colegiado


indicado no regimento interno (art. 978 do CPC).

Observe o que dispõe o enunciado 91 do FPPC.

“Cabe ao órgão colegiado realizar o juízo de admissibilidade do


incidente de resolução de demandas repetitivas, sendo vedada a
decisão monocrática” (Enunciado 91 do FPPC)

Da decisão que não admite o IRDR caberá Embargos de


Declaração.

Aliás, esse é o único recurso cabível nessa hipótese, conforme


enunciado 556 do FPPC:

“É irrecorrível a decisão do órgão colegiado que, em sede de juízo


de admissibilidade, rejeita a instauração do incidente de resolução
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de demandas repetitivas, salvo o cabimento dos embargos de


declaração” (Enunciado 556 do FPPC)

Na decisão de admissibilidade o relator suspenderá processos


individuais e coletivos.

É importante destacar que eventuais pedidos de tutela de


urgência devem ser encaminhados ao juízo do processo (e não ao
Tribunal que suspendeu o processo…).

A suspensão será comunicada:

1. Aos órgão jurisdicionais competentes;


2. As partes atingidas pela suspensão.

O relator poderá requisitar informações a órgãos em cujo juízo


tramita o processo.

Neste caso, há prazo de 15 dias para prestar as informações.

Além disso, o relator poderá intimar o Ministério Público para,


querendo, manifestar-se no prazo de 15 dias.

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Incidente de Assunção de Competência – IAC

O incidente de assunção de competência (IAC) pode ser suscitado


perante qualquer tribunal e tem por objetivo resguardar a
segurança jurídica.

Sobre o tema, o art. 947 do CPC esclarece o seguinte:

Art. 947. É admissível a assunção de competência


quando o julgamento de recurso, de remessa
necessária ou de processo de competência originária
envolver relevante questão de direito, com grande
repercussão social, sem repetição em múltiplos
processos.

Além disso, o § 4º do mesmo dispositivo esclarece o seguinte:

§ 4º Aplica-se o disposto neste artigo quando ocorrer relevante


questão de direito a respeito da qual seja conveniente a
prevenção ou a composição de divergência entre câmaras ou
turmas do tribunal.

Observe que, para que seja viável o IAC, é preciso existir um


processo no Tribunal (recurso, remessa necessária ou processo de
competência originária).

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Além disso, o próprio art. 947, caput e § 4º, esclarecem que são
requisitos do IAC:

1. Grande repercussão geral (art. 947, caput, CPC);


2. Questão deve ser de direito (art. 947, caput, CPC);
3. Sem repetição de múltiplos processos (art. 947, caput, CPC).
4. “Relevante questão de direito a respeito da qual seja
conveniente a prevenção ou a composição de divergência
entre câmaras ou turmas do tribunal “(art. 947, § 4º, CPC).

O primeiro, o segundo e o quarto requisitos são requisitos positivos


(pois devem existir), ao passo que o terceiro requisito é um
requisito negativo (pois não pode existir).

Existindo a repetição de múltiplos processos, deverá ser suscitado


IRDR (e não IAC).

No âmbito do IAC, deverá ocorrer a intimação obrigatória do


Ministério Público (enunciado 467 do FPPC).

Além disso, a desistência do recurso não impede o julgamento do


IAC.

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“A desistência do recurso pela parte não impede a análise da


questão objeto do incidente de assunção de competência.”
(enunciado 65 da I Jornada de Direito Processual Civil – CJF)

O IAC tem aptidão para deslocar a competência de julgamento de


uma divergência no próprio tribunal.

Procedimento do IAC

O incidente de assunção de competência (IAC) poderá ser


instaurado de ofício pelo relator ou por requerimento das
partes, do Ministério Público ou da Defensoria Pública.

Sobre o tema, assim dispõe o art. 947,

art. 947 (…)

§ 1º Ocorrendo a hipótese de assunção de


competência, o relator proporá, de ofício ou a
requerimento da parte, do Ministério Público ou da
Defensoria Pública, que seja o recurso, a remessa
necessária ou o processo de competência originária
julgado pelo órgão colegiado que o regimento indicar.

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O IAC seguirá do órgão fracionário para o órgão colegiado


designado pelo Regimento Interno.

O órgão colegiado julgará o recurso, a remessa necessária ou o


processo de competência originária se reconhecer interesse
público na assunção de competência (art. 947, § 2º , CPC).

Em verdade, o órgão colegiado julga o próprio recurso gerando


efeito vinculante, pois forma precedente obrigatório.

É o que dispõe o art. 947, § 3º, do CPC:

art. 947 (…)

§ 3º O acórdão proferido em assunção de


competência vinculará todos os juízes e órgãos
fracionários, exceto se houver revisão de tese.

Do julgamento, caberá RE ou REsp, mas, diferente do IRDR, neste


caso não há efeito suspensivo automático.

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Remessa Necessária

A remessa necessária é compreendida como sendo condição de


eficácia nas decisões proferidas contra a Fazenda Pública.

A remessa necessária não é uma espécie de recurso, mas sim de


sucedâneo recursal.

Sobre o tema, observe o que disciplina o art. 496 do CPC:

Art. 496. Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não


produzindo efeito senão depois de confirmada
pelo tribunal, a sentença:

I – proferida contra a União, os Estados, o Distrito


Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias
e fundações de direito público;

II – que julgar procedentes, no todo ou em parte, os


embargos à execução fiscal.

O CPC de 2015 redimensionou o instituto, ampliando as hipóteses


de dispensa da remessa necessária.

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Em primeiro lugar, é importante destacar que não cabe remessa


necessária no âmbito do Juizado Especial Federal, bem como no
âmbito do Juizado Especial da Fazenda Pública.

art. 496 (…)

§ 3º Não se aplica o disposto neste artigo quando a


condenação ou o proveito econômico obtido na causa
for de valor certo e líquido inferior a:

I – 1.000 (mil) salários-mínimos para a União e as


respectivas autarquias e fundações de direito público;

II – 500 (quinhentos) salários-mínimos para os


Estados, o Distrito Federal, as respectivas autarquias
e fundações de direito público e os Municípios que
constituam capitais dos Estados;

III – 100 (cem) salários-mínimos para todos os


demais Municípios e respectivas autarquias e
fundações de direito público.

Em razão do microssistema de precedentes inaugurado pelo CPC


de 2015, também não há remessa necessária na hipótese da
sentença estar pautada em:

I – súmula de tribunal superior;

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II – acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal


ou pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de
recursos repetitivos;

III – entendimento firmado em incidente de resolução


de demandas repetitivas ou de assunção de
competência;

IV – entendimento coincidente com orientação


vinculante firmada no âmbito administrativo do próprio
ente público, consolidada em manifestação, parecer
ou súmula administrativa.

Por fim, é importante destacar que, em remessa necessária, é


vedado agravar a situação da Fazenda Pública.

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Responsabilidade por Dano Processual


(Processo Civil)

Neste artigo, você vai entender tudo sobre o tema


responsabilidade por dano processual.

Em primeiro lugar, você precisa entender que responde por perdas


e danos àquele que litigar de má fé como autor, réu ou
interveniente.

Pode ocorrer, inclusive, a responsabilização regressiva do


advogado.

Observe o que dispõe o art. 32 da lei 8.906 (Estatuto da OAB):

Art. 32. O advogado é responsável pelos atos que, no


exercício profissional, praticar com dolo ou culpa.

Parágrafo único. Em caso de lide temerária, o


advogado será solidariamente responsável com seu
cliente, desde que coligado com este para lesar a
parte contrária, o que será apurado em ação própria.

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Quando estudamos a responsabilidade por dano processual, é


preciso compreender quais são os deveres das partes, bem como
quem será considerado litigante de má-fé.

Segundo o art. 77 do CPC, são deveres das partes:

Art. 77. Além de outros previstos neste Código, são


deveres das partes, de seus procuradores e de todos
aqueles que de qualquer forma participem do
processo:

I – expor os fatos em juízo conforme a verdade;

II – não formular pretensão ou de apresentar defesa


quando cientes de que são destituídas de
fundamento;

III – não produzir provas e não praticar atos inúteis ou


desnecessários à declaração ou à defesa do direito;

IV – cumprir com exatidão as decisões jurisdicionais,


de natureza provisória ou final, e não criar embaraços
à sua efetivação;

V – declinar, no primeiro momento que lhes couber


falar nos autos, o endereço residencial ou profissional
onde receberão intimações, atualizando essa
informação sempre que ocorrer qualquer modificação
temporária ou definitiva;

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VI – não praticar inovação ilegal no estado de fato de


bem ou direito litigioso.

VII – informar e manter atualizados seus dados


cadastrais perante os órgãos do Poder Judiciário e, no
caso do § 6º do art. 246 deste Código, da
Administração Tributária, para recebimento de
citações e intimações.

É importante observar que o inciso VII foi introduzido pela lei


14.195/21 para resguardar eficácia à citação por meio eletrônica.

A lei 14.195/21 torna prioritária a citação por meio eletrônico para


todas as pessoas jurídicas, inclusive Microempresa (ME) e Empresa
de Pequeno Porte (EPP).

Para garantir essa possibilidade, criou-se o dever do inciso VII.

Falamos bastante sobre isso quando explicamos o tema citação.

Em paralelo, o art. 80 define quem será considerado litigante de


má-fé.

Art. 80. Considera-se litigante de má-fé aquele que:

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I – deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso


de lei ou fato incontroverso;

II – alterar a verdade dos fatos;

III – usar do processo para conseguir objetivo ilegal;

IV – opuser resistência injustificada ao andamento do


processo;

V – proceder de modo temerário em qualquer


incidente ou ato do processo;

VI – provocar incidente manifestamente infundado;

VII – interpuser recurso com intuito manifestamente


protelatório.

A má-fé será punida com sanção de 1% a 10% do valor corrigido


da causa.

O CPC esclarece também que “quando forem 2 (dois) ou mais os


litigantes de má-fé, o juiz condenará cada um na proporção de seu
respectivo interesse na causa ou solidariamente aqueles que se
coligaram para lesar a parte contrária” (art. 81, § 1º , CPC).

O magistrado poderá majorar o valor da multa quando o valor da


causa for irrisório.

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Neste caso, a multa poderá alcançar até 10 salários mínimos.

O destinatário da multa será a parte contrária, quando o dano


processual é causado pela parte adversária.

Será, contudo, destinado ao Estado ou União quando o dano


processual é causado por serventuário.

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