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LIVETCAP9

O documento discute estacionamento, incluindo tipos, demanda e projeto geométrico. Aborda ações de curto, médio e longo prazo para aumentar a oferta de vagas, como estacionamento rotativo pago e incentivos fiscais para estacionamentos privados. Apresenta tabelas com previsões de vagas por tipo de uso e dimensões para projeto de estacionamento.

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O documento discute estacionamento, incluindo tipos, demanda e projeto geométrico. Aborda ações de curto, médio e longo prazo para aumentar a oferta de vagas, como estacionamento rotativo pago e incentivos fiscais para estacionamentos privados. Apresenta tabelas com previsões de vagas por tipo de uso e dimensões para projeto de estacionamento.

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Engenharia de Tráfego 101

9
ESTACIONAMENTO

9.1. INTRODUÇÃO

O número de veículos no Brasil e no mundo vem crescendo bastante, aumentando,


assim, a demanda por vagas de estacionamento.
Um dado importante acerca da importância de vagas para estacionamento é que,
em média, os veículos ficam em movimento apenas cerca de 11% do tempo,
permanecendo parados, portanto, na maior parte do tempo (cerca de 89%). Para chegar a
este valor basta considerar que os veículos percorrem, em média, aproximadamente
40.000km/ano, o que equivale a cerca de 1.000 horas em movimento admitindo uma
velocidade média de 40 km/h. Assim, se o ano tem 8760 horas, durante 7760 horas (89%
do tempo) os veículos ficam estacionados.
O problema de estacionamento é crítico, em geral, na zona central das cidades, em
razão da falta de disponibilidade de área e do grande número de estabelecimentos
comerciais e de prestação de serviços, que atraem um grande número de clientes,
funcionários e proprietários dos estabelecimentos. O problema também existe em outras
áreas com grande concentração de atividades (comerciais, de lazer, esportivas,
religiosas, etc.).
Nas áreas onde é grande a demanda por estacionamento, a solução natural é a
criação de estacionamentos públicos ou privados fora das ruas. Com relação ao
estacionamento nas vias públicas, deve-se buscar o equilíbrio entre a área destinada a
estacionamento e a área destinada à circulação, pois se de um lado é importante a fluidez
do trânsito no acesso a um determinado local, por outro lado a facilidade de
estacionamento também é um importante fator no tocante à acessibilidade. Assim, a
simples proibição do estacionamento em determinadas vias públicas pode inviabilizar as
atividades comerciais e de prestação de serviços nas mesmas. Se a opção for por retirar
o estacionamento em uma via (de um lado ou dos dois), é fundamental definir estratégias
adequadas de curto, médio e longo prazo para suprir as vagas a serem eliminadas
utilizando áreas para estacionamento fora das vias públicas.
Para aumentar a oferta de vagas de estacionamento em uma determinada área da
cidade, podem ser implementadas ações de curto, médio e longo prazo.
No curto prazo podem ser citadas as seguintes ações: estacionamento rotativo pago
nas vias e espaços públicos e regulamentação dos horários de carga e descarga de
mercadorias.
O sistema de estacionamento rotativo pago é implantado em uma área da cidade
(em geral denominada de Área Azul ou Zona Azul), e consiste em cobrar a ocupação da
vaga em função do tempo que o veículo permanece estacionado, limitando este tempo a
um valor máximo para garantir a rotatividade e o conseqüente aumento da oferta -
objetivo principal do sistema. O sistema funciona em geral no horário comercial, e todo o
veículo estacionado deve ter o documento comprobatório do pagamente colocado sobre o
painel em lugar visível para ser inspecionado pelos fiscais. São empregadas diversas
formas de pagamento e aquisição do comprovante: em máquinas automáticas distribuídas
nas calçadas, em estabelecimentos comerciais, diretamente como os próprios fiscais, etc.
A regulamentação dos horários de carga e descarga de mercadorias na região
central das cidades e em outras regiões com grande concentração de atividades
comerciais visa aumentar o número de vagas de estacionamento para os clientes que
utilizam veículos particulares (carros, motocicletas e bicicletas) e diminuir o fluxo de
caminhões nos horários mais críticos.
Engenharia de Tráfego 102

Em algumas cidades se costuma deixar algumas poucas vagas nas ruas para a
carga e descarga dos caminhões no horário comercial.
No médio e longo prazo, os incentivos fiscais (isenção ou redução de alíquotas de
impostos como o IPTU e o ISS), são ações que, em geral, levam à expansão mais rápida
da oferta de estacionamentos para carros e motocicletas em áreas particulares.
No longo prazo, uma ação importante para melhorar a oferta de estacionamento nas
regiões comerciais é a existência de legislação adequada que obrigue à construção de
estacionamento próprio nos estabelecimentos, sobretudo naqueles de grande porte.

9.2. TIPOS DE ESTACIONAMENTO

Os estacionamentos podem ser implantados ao longo da via junto às guias


(estacionamento público) ou em áreas localizadas fora das vias públicas (estacionamento
público ou privado).
Os estacionamentos públicos podem ser livres, onde a demanda é baixa, ou pago,
nas áreas em que a demanda é elevada. A cobrança pelo estacionamento nas ruas da
região central é utilizada em quase todas as cidades de maior porte, em função dos
benefícios que traz à população e ao comércio. O controle de tempo gera uma maior
rotatividade na ocupação das vagas, dando oportunidade a um maior número de usuários
de utilizar o estacionamento. Outra vantagem indireta das denominadas “Área ou Zonas
Azul” é a geração de empregos.
Os prazos e os respectivos preços para estacionar variam entre as cidades, sendo
comum utilizar um tempo máximo de 1 ou 2 horas. Em algumas cidades, o tempo e o
preço variam em função da proximidade do “centro”, com a criação, por exemplo, do
termo “Área Verde” para se referir as zonas mais distantes que têm preço menor.
O estacionamento em áreas fora da via pode ser público ou privado. Esses
estacionamentos podem ser no nível do terreno (bolsões de estacionamento),
aproveitando áreas de praças ou outras áreas, subterrâneos e aéreos (prédios de
estacionamento com vários andares).

9.3. DEMANDA POR ESTACIONAMENTO

Na tabela 9.1 são apresentados alguns valores de previsão de vagas de


estacionamento praticados em alguns países, em função do tipo de ocupação dos
imóveis.

Tabela 9.1 – Previsão de vagas para estacionamentos. Fonte: CET (1996).


PREVISÃO DO NÚMERO DE VAGAS DE ESTACIONAMENTO EM FUNÇÃO DO TIPO DE OCUPAÇÃO
Uma vaga para cada número do quadro
Local/Área Residência Escritório Comércio Hotel Espetáculo Hospital
EUA 1 20 m2 20 a 200 m2 3 hab 10 lug 4 camas
2
Londres 1a2 230 m2 230 m2 5 hab 15-60 lug 230m +veic.serv.+visit.
Frankfurt 1a 3 100 a 120 m2 50 a 100 m2 1 a 10 camas 20-50 lug -
Barcelona 1 (150 m2) 100 m2 100 m2 8 a 12 camas - 15 camas
Madri 1a3 25 a 60 m2 25 a 60 m2 12 camas 8 lug 7 camas

9.4. INFORMAÇÕES PARA O PROJETO GEOMÉTRICO


Engenharia de Tráfego 103

O dimensionamento do número de vagas, bem como o projeto geométrico das


vagas e das vias de acesso e circulação, é definido com base nas dimensões da área
disponível e em função do ângulo de estacionamento. Deve-se buscar a alternativa que
propicie o maior número de vagas para otimização do aproveitamento da área disponível.
O ângulo de estacionamento pode variar desde 0 (paralelo junto à guia) até 90 (de
frente com as duas rodas dianteiras encostadas na guia, ou em obstáculo colocado antes
da guia para evitar que o balanço dianteiro dos veículos invada a calçada). O mais
favorável em termos de aproveitamento da área para o maior número de vagas é a
condição de 90 com entrada em marcha à ré. Entre 45 e 60 o aproveitamento é menor,
porém a manobra se torna mais fácil e confortável ao motorista.
O estacionamento em ângulo com entrada de frente apresenta a vantagem da
rapidez das manobras de entrada e de saída, evitando a interrupção do trânsito por maior
tempo como ocorre nas manobras para estacionamento a 0.
Na definição do tipo de estacionamento a ser adotado, deve-se ter em conta os
seguintes aspectos:
 A largura da via e o número de faixas de trânsito necessário.
 A entrada de ré é menos cômoda para os motoristas, contudo, a saída é realizada com
total visibilidade.
 A entrada de frente é mais cômoda para os motoristas, porém não há visibilidade na
saída, que deve ser realizada com muito cuidado.
 No estacionamento de ré os gases do escapamento são jogados diretamente nos
pedestres.
 No estacionamento a 0 a manobra é mais fácil quando o estacionamento está do lado
esquerdo, porém a visibilidade na saída não é direta, sendo necessário utilizar o
espelho retrovisor externo do lado direito.
A figura 9.1 mostra as principais dimensões a ser consideradas no dimensionamento
de estacionamentos, e a tabela 9.2 os valores recomendados para o projeto de
estacionamento de carros, conforme estudo desenvolvido pelo Departamento de
Transportes da Escola de Engenharia de São Carlos da USP. Os testes foram realizados
com uma perua “Caravan” da General Motors, um carro que pode ser considerado de
grande tamanho.
Engenharia de Tráfego 104

Figura 9.1 – Principais dimensões no estacionamento.

Tabela 9.2 – Valores recomendados para projeto de estacionamento


de carros. Fonte: Departamento de Transportes da EESC-USP.
 a b C d d E
(mínimo) (mínimo) (prático)
0º 5,50 - 2,20 2,30 3,80 -
30º 4,45 0,33 3,60 3,10 3,80 5,20
45º 3,53 0,33 3,90 3,20 3,80 3,00
60º 2,89 0,33 4,25 3,80 3,80 1,75
90º 2,50 0,33 4,40 4,50 4,50 -

Neste mesmo estudo são fornecidas as dimensões e valores apresentados na tabela


9.3.
A Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET-SP) recomenda as
dimensões apresentadas em anexo.
Para veículos de duas rodas, a CET preconiza as dimensões apresentadas na figura
9.2.
Com relação ao número de entradas e saídas das áreas de estacionamento situadas
fora das vias públicas, a CET-SP recomenda os seguintes valores: 1 entrada para cada
300 vagas e 1saída para cada 450 vagas. Com relação à configuração geométrica das
entradas e saídas, deve-se utilizar dimensões sempre superiores aos gabaritos mínimos
de raios de giro dos veículos - tipo.
Engenharia de Tráfego 105

Tabela 9.3 – Valores recomendados para projeto de estacionamento


de carros. Fonte: Departamento de Transportes da EESC-USP.
Largura mínima das vias de acesso ao estacionamento - vias c/ sentido único
de circulação
Estacionamento de Estacionamento dos dois lados, sendo
º º
um único lado um lado com 0 um lado com 30
 lmín Capac  lmín Capac  lmín Capac
(m) (v/100m) (m) (v/100m) (m) (v/100m)
º º º
0 6,00 18 0 8,20 36 0 9,60 40
º º º
30 7,40 22 30 9,60 40 30 11,00 44
º º º
45 7,70 28 45 9,90 46 45 11,30 50
º º º
60 8,05 34 60 10,25 52 60 11,65 56
º º º
90 8,90 40 90 11,10 53 90 12,50 62

Estacionamento dos dois lados, sendo


º º º
um lado com 45 um lado com 60 um lado com 90
 lmín Capac  lmín Capac  lmín Capac
(m) (v/100m) (m) (v/100m) (m) (v/100m)
º º º
0 9,90 46 0 10,25 52 0 11,10 58
º º º
30 11,30 50 30 11,65 56 30 12,50 62
º º º
45 11,60 56 45 11,95 62 45 12,80 68
º º º
60 11,95 62 60 12,30 68 60 13,15 74
º º º
90 12,80 68 90 13,15 74 90 13,30 80

MOTOCICLETAS BICICLETAS

2,2 m
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2,0 m

0,6 m
1,0 m 1,0 m

1,5 m espaço para manobras

Figura 9.2 – Dimensões para o estacionamento de motocicletas e bicicletas. Fonte:


CET (1996).

9.5. QUESTÕES

01.Qual a porcentagem de tempo que os veículos ficam em movimento e parados?


02.Quais as principais ações para aumentar a disponibilidade de vagas de
estacionamento em curto prazo? E em médio e longo prazo?
03.Discutir sobre as vantagens e desvantagens dos diversos tipos de estacionamento
quanto ao ângulo em relação ao meio fio e a forma de entrada (de frente ou de ré).
04. Para maximizar o número de vagas de estacionamento para carros numa via de
sentido único com uma única faixa de rolamento e largura de 7m, qual a melhor
alternativa? E de 8m? E de 9m? E de 10m? E de 11m? E de 12m? E de 13m? E de
14m? E de 15m?
05. Repetir o exercício 4 considerando via de dois sentidos.
06.Determine teoricamente as dimensões para o estacionamento em ângulo de 15 graus.
07.Projetar um estacionamento numa área pública totalmente disponível, com dimensões
85 x 25 metros, localizada numa esquina, ou seja com face para apenas uma rua na
menor e na maior dimensão.
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