LOGÍSTICA
EMPRESARIAL
LEAN LOGISTICS,
LOG. VAREJO E NEG.
ELETRÔNICO
Luciana Bellini Rangel
Prezado aluno,
Esta apostila é a versão estática, em formato .pdf, da disciplina online e contém
todas as informações necessárias a quem deseja fazer uma leitura mais linear do
conteúdo.
Os termos e as expressões destacadas de laranja são definidos ao final da
apostila em um conjunto organizado de texto denominado NOTAS. Nele, você
encontrará explicações detalhadas, exemplos, biografias ou comentários a
respeito de cada item.
Além disso, há três caixas de destaque ao longo do conteúdo.
A caixa de atenção é usada para enfatizar questões importantes e implica um
momento de pausa para reflexão. Trata-se de pequenos trechos evidenciados
devido a seu valor em relação à temática principal em discussão.
A galeria de vídeos, por sua vez, aponta as produções audiovisuais que você
deve assistir no ambiente online – aquelas que o ajudarão a refletir, de forma
mais específica, sobre determinado conceito ou sobre algum tema abordado na
disciplina. Se você quiser, poderá usar o QR Code para acessar essas produções
audiovisuais, diretamente, a partir de seu dispositivo móvel.
Por fim, na caixa de Aprenda mais, você encontrará indicações de materiais
complementares – tais como obras renomadas da área de estudo, pesquisas,
artigos, links etc. – para enriquecer seu conhecimento.
Aliados ao conteúdo da disciplina, todos esses elementos foram planejados e
organizados para tornar a aula mais interativa e servem de apoio a seu
aprendizado!
Bons estudos!
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 1
Lean logistics, log. varejo e
neg. eletrônico - Apostila
Apresentação
A logística tem a função de disponibilizar bens e serviços no tempo certo, no
lugar certo e em quantidades e qualidades que atendam às necessidades dos
usuários, oferecendo competitividade nos custos e nos preços.
Pode ser entendida como uma das mais antigas e inerentes atividades humanas,
embora sua origem seja creditada aos processos militares.
Há décadas, os processos logísticos são incorporados às atividades empresariais,
hoje considerados estratégicos para criar e agregar valor ao cliente final.
Esta disciplina demonstra a evolução do pensamento enxuto nas organizações,
apresentando o papel da logística no varejo e nos serviços, além de descrever os
conceitos básicos de e-commerce e e-business.
Sendo assim, esta disciplina tem como objetivos:
• Apontar a evolução do pensamento enxuto nas organizações e sua relação
com o e-commerce e e-business, no cenário competitivo na era do
comércio eletrônico;
• Descrever o pensamento e a logística enxuta;
• Examinar o Modelo Toyota de Produção;
• Discutir a logística contextualizada no varejo e nos serviços na cadeia
logística;
• Explicar o cenário competitivo na era do comércio eletrônico.
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Aula 1: Pensamento e logística
enxuta
Introdução
No mundo competitivo e globalizado de hoje, as mudanças são necessárias para
a sobrevivência de qualquer negócio. O desperdício, palavra que no português
significa especificamente “qualquer atividade humana que absorve recursos, mas
não cria valor”, não cabe mais nos processos produtivos.
O pensamento enxuto, que é “uma forma de fazer cada vez mais com cada vez
menos”, deve estar presente em todos os elos da cadeia logística. À luz do
pensamento enxuto, as organizações promovem de forma contínua as mudanças
em seus sistemas pela melhoria de seus processos, pela redução de seus custos
e pela sincronia de suas operações.
Isso gera maior produtividade, lucratividade e efetiva entrega de valor aos seus
clientes.
Objetivo:
1. Explicar o pensamento enxuto nas organizações;
2. Esclarecer a lean logistics – Logística enxuta.
Conteúdo
Pensamento enxuto nas organizações
É necessário que o processo logístico comece pelo estudo, análise e compreensão
do projeto ou do processo que precisa ser implantado e dos objetivos a serem
atingidos, seguidos pelo planejamento e detalhamento das atividades tradicionais
da logística, como: planejamento de demanda, inventário, suprimentos e de
produção; manuseio de pedidos, ordens de produção e documentos de
identificação; processos de importação, exportação e de armazenagem;
planejamento da distribuição etc.
As atividades logísticas podem ser classificadas em:
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Atividades principais
Transporte, gerenciamento de estoques, processamento de pedidos e definição
dos níveis de serviço baseados nas reações dos clientes.
Atividades secundárias
Armazenagem, manuseio de materiais e embalagem de proteção, obtenção do
necessário, programação de produção, manutenção de sistemas de informação,
dando suporte às atividades principais.
Estima-se que, em uma empresa industrial, os custos de produção girem em
torno de 53% do total dos custos, enquanto os custos logísticos estão na ordem
de 20%, ocupando o segundo lugar no ranking de todos os custos.
Portanto, gerir esses custos é crucial para a operação, isto é, os custos da
existência do estoque, da armazenagem, do processamento das encomendas,
assim como os custos de transporte, precisam ser continuamente reavaliados
visando a competitividade e sobrevivência da empresa.
Da produção em massa ao pensamento enxuto
Para se entender um pouco mais sobre o conceito do pensamento enxuto, é
necessário rever um pouco de sua história. Observe a evolução desse da histórica
que culminou nessa ideia:
Produção Artesanal
Anterior à produção em massa, a produção artesanal usava ferramentas simples,
flexíveis e com custos altos, já que, sob encomenda, os produtos eram fabricados
um a um, por uma força de trabalho altamente qualificada, em organizações
administradas pelos próprios trabalhadores. O volume de produção era baixo,
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implicando custos elevados e incapacidade de garantir a qualidade do produto. A
Revolução Industrial trouxe uma nova configuração para o cenário empresarial.
Produção em Massa
Após a Primeira Guerra Mundial, a indústria, principalmente a automobilística,
evoluiu da produção artesanal para a produção em massa, impulsionada por
Henry Ford. Esse sistema foi caracterizado por:
• Produção em escala de mercadorias padronizadas;
• Consistente intercambialidade de peças de fácil ajuste entre elas;
• Escassa variedade de produtos.
Assim, Ford liderou, por muitos anos, o mercado automobilístico por dominar as
seguintes técnicas da produção em massa:
• Desenvolveu projetos inovadores, reduzindo o número de peças
necessárias e garantindo vantagens em relação aos competidores;
• Desenvolveu a linha de montagem, reduzindo o custo unitário de cada
produto;
• Dividiu as tarefas, na linha de produção;
• Otimizou os processos com folgas;
• Assegurou a produtividade com as seguintes medidas: suprimentos
adicionais, mais trabalhadores e mais espaço fabril.
O sucesso de Ford baseava-se, portanto, nos baixos preços, cabendo aos clientes
repararem qualquer defeito que surgisse após a compra.
Produção Enxuta
Após a Segunda Guerra Mundial, as indústrias japonesas passaram por uma
necessidade de reconstrução. Em 1955, nos Estados Unidos, a produção em
massa, acrescida de técnicas gerenciais e de marketing, alcançou seus maiores
índices de vendas. Tratava-se do amadurecimento do sistema.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 5
No entanto, naquele mesmo ano, devido às mudanças de demanda e à pequena
variedade de produtos oferecidos, esse sistema entrou em crise, apresentando
altos níveis de estoque.
Essa mudança no padrão da demanda teve uma explicação: os clientes passaram
a preferir a exclusividade, o conforto e o status que um veículo pode oferecer.
Com o aumento da disponibilidade do dinheiro no mercado e com a diversificação
da oferta, os consumidores passaram a preferir produtos diferenciados. Para
saber mais sobre o desenvolvimento do modelo de produção enxuta, acesse o
documento a01_t03.pdf.
Atenção
Durante muitos anos, desde a produção em massa, idealizada por
Henry Ford, até o sistema de produção enxuta, desenvolvido pela
indústria automobilística japonesa após a Segunda Guerra
Mundial, o sistema produtivo vem se modernizando, de forma que
muitos foram os estudos dedicados ao aperfeiçoamento dos
processos em todos os elos da cadeia logística.
Produção enxuta
Difundido em todo o mundo, o sistema de produção enxuta mostrou a capacidade
de melhorias constantes nas linhas de produção e em vários ambientes dentro
das fábricas e empresas de diversos setores.
Além disso, mostrou não só a capacidade de adaptação das empresas às
mudanças ocorridas ao longo das décadas, mas, também, como algumas das
fragilidades das organizações podem ser usadas para o próprio desenvolvimento
e melhoramento do ambiente organizacional.
Quando comparada à produção em massa, a produção enxuta sobressai nos
seguintes aspectos:
• Menos esforço dos operários;
• Menor espaço da fábrica;
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• Redução de investimento, de horas de planejamento e de
desenvolvimento de novos produtos;
• Menor demanda de estoques;
• Produtos com menos defeitos, baixos custos e maior variedade para
melhor atendimento aos clientes.
Integrando toda a cadeia produtiva, desde o processo do fornecimento até o
recebimento do produto final pelo cliente, esse sistema de produção trouxe
impactos para todo o mundo, na medida em que ele, simultaneamente, não só
garante o aumento da produção e a qualidade do produto, mas também mantém
os custos em declínio.
Como consiste em eliminar desperdícios, otimizar tempo, organizar e flexibilizar
tarefas, dimensionar recursos e obter melhores resultados, o pensamento enxuto
pode ser aplicado em todas as áreas dos negócios, abarcando, inclusive, a vida
pessoal. Portanto é importante pensar nisso.
A lean logistics – logística enxuta
A logística integrada é constituída por três grupos de atividades, representando
segmentos do processo:
Logística de suprimentos
Refere-se às atividades de adquirir e receber os materiais necessários às
operações.
Logística interna
Refere-se às atividades de armazenar, manusear e transformar os materiais
envolvidos na operação, exceto o ato de produzir.
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Logística de distribuição
Refere-se às atividades que se iniciam na expedição até a entrega do produto ao
cliente final.
Quando esses três grupos de atividades estão operando de forma cooperativa,
sincronizada, somando resultados e combatendo todo e qualquer desperdício de
acordo com o princípio enxuto (lean), considera-se que a logística está
integrada.
A grande questão é como integrar o conceito do pensamento enxuto aos
processos logísticos, já que o pensamento enxuto evoluiu, e sua aplicação na
cadeia logística não se restringe a pontos específicos, como o estoque. Pensar
essa cadeia como um todo e desenvolver soluções enxutas é o grande desafio
da logística moderna.
Uma das formas de integrar o conceito do pensamento enxuto aos processos
logísticos é considerar a concepção de consumo enxuto, de Womack e Jones
(2005) que, além de eliminar desperdício nos meio de produção, visa
proporcionar aos clientes experiências únicas de consumo, mais eficientes e
desprovidas de sacrifícios. O quadro abaixo elenca os objetivos do consumo
enxuto, que podem ser aplicados ao conceito de logística enxuta.
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Embora os princípios descritos tenham sido enunciados pensando no consumidor,
eles são perfeitamente aplicáveis para todo o tipo de cliente. Embasada nesses
princípios, a logística enxuta aplica-se a todas as relações cliente/fornecedor, nos
elos da cadeia logística.
Trade-off estoques versus custos
Representando uma armazenagem de mercadorias com previsão de uso futuro,
o estoque tem como objetivo atender à demanda, assegurando disponibilidade
de produtos. Como representa grande parcela dos custos totais da empresa, sua
formação é onerosa, uma vez que a equação entre custo e disponibilidade
representa um trade-off.
O estoque tem por finalidade:
• Melhorar o nível de serviço;
• Incentivar economias na produção;
• Permitir economia de escala nas compras e no transporte;
• Agir como proteção contra aumentos de preço;
• Proteger a empresa contra incertezas na demanda e no tempo de
ressuprimento;
• Servir como segurança contra contingências.
No entanto, o estoque representa uma despesa. O estoque, que até então visto
como motivo de orgulho, passa a ser considerado como custo.
Com o propósito de se evitar o descontrole financeiro, é necessário que haja uma
sincronização perfeita entre a demanda e a oferta de mercadorias, objetivando o
equilíbrio e a manutenção dos níveis mínimos de estoque, sem que haja perda
na qualidade nem aumento desnecessário nos custos.
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Atenção
De acordo com Filho (2006), para uma melhor compreensão, estoque
ou existência – em logística – “são designações usadas para definir as
quantidades armazenadas ou em processo de produção de quaisquer
recursos necessários para dar origem a um bem”.
Conceitos da logística enxuta
O conceito da lean nos processos logísticos, ou logística enxuta, parte de três
princípios:
Melhoria dos processos
Redução dos estoques
Sincronização dos processos
Para uma empresa conseguir implementar os conceitos de lean em seus
processos logísticos, devem ser atacadas essas três frentes, que não são
mutuamente excludentes.
Veremos, a seguir, cada uma delas.
Melhoria dos processos
Melhorar processos é mais do que necessário no atual cenário competitivo das
organizações e envolve a transformação de um insumo em um produto final. Esse
pensamento pode ser estendido também aos serviços.
No desenvolvimento de um processo, sabendo-se que processo é a maneira de
fazer algo, a matéria-prima é transformada, agregando-se a ela o valor que
diferenciará um produto de outro ofertado no mercado. Em outras palavras,
melhorar o processo nada mais é do que fazer mais com menos desperdício.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 10
Além de incluir a possibilidade de inovar ou thinking outside the box, no
português, pensar fora da caixa, propõe soluções práticas, com criatividade e
economia, que visam excelência e satisfação dos clientes. Um processo é a
ordenação específica das atividades de trabalho no tempo e no espaço, com
começo, meio e fim. Desse modo, um processo possui:
• Inputs (entradas);
• Processamento;
• Outputs (saídas);
• Tempo;
• Espaço;
• Ordenação;
• Objetivos;
• Valores.
Todos os elementos que compõem o processo interligados logicamente resultará
em uma estrutura para fornecer produtos ou serviços ao cliente, conforme
exemplificado na figura abaixo. Sua compreensão é importante, porque é chave
para o sucesso em qualquer negócio.
Pode-se dizer que uma organização é tão efetiva quanto os seus processos, que
são responsáveis pelo que será ofertado ao cliente.
A troca de informação entre os clientes e os fornecedores, tanto os internos
quanto os externos, é de extrema importância para a completa adequação e
funcionamento do sistema. O processo é o conjunto de recursos e atividades
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inter-relacionadas ou interativas que transformam insumos (entradas) em
serviços/produtos (saídas).
Redução dos estoques
Embora o estoque seja considerado como custo, sua redução pode gerar falta do
produto. E o custo da falta geralmente é muito alto.
O método do estoque mínimo tem o objetivo de reduzir os custos de manutenção
de estoques, mas sem correr o risco de não se atender à demanda. Para atender
ao objetivo de encontrar o ótimo nível de estoque de um determinado
produto, é necessário calcular o ponto de reposição e controlar de forma efetiva
os itens no estoque.
A finalidade do ponto de reposição é iniciar o processo de ressuprimento com
segurança suficiente para que não ocorra falta do material. Existem várias formas
de se calcular o ponto de reposição e a mais usual é multiplicar a taxa de consumo
pelo tempo de ressuprimento.
Desse modo, para fins didáticos, será considerado o consumo previsto por
semana: um determinado produto em estoque é X (quantidade consumida por
semana); e o tempo de ressuprimento (tempo gasto desde que o pedido é feito
ao fornecedor até a chegada do produto para a linha de montagem da produção)
é Y (Tempo) semanas. Desse modo, o ponto de reposição será X * Y.
PR = X * Y
Onde:
PR = Ponto de reposição;
X = Consumo por semana;
Y = Tempo do pedido desde a entrada no fornecedor até a entrega na linha de
montagem em semanas.
Considerando o conceito de ótimo nível de estoque de um determinado produto,
existe o problema da diversificação dos itens de estoque e o ganho de escala.
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Normalmente, quando se compra em grandes quantidades, há uma negociação
relativa aos descontos que varia desde volume de compras até custo de
transporte.
E você sabe como reduzir os estoques de forma a não gerar novos custos de
pedidos? Mais uma vez, estamos diante do trade-off.
Com o advento do pensamento enxuto na logística, outras soluções foram
desenvolvidas, de modo que algumas empresas adaptaram seus sistemas de
entrega pensando no atendimento da demanda de seus clientes através de
soluções inteligentes, sortimento de produtos e personalização dos seus veículos.
Vamos ver o exemplo do mercado de flores!
No passado, os caminhões de flores eram padronizados, e as plantas,
independentemente de seu tamanho, seguiam viagem em carrocerias abertas ou
mesmo baús, sem muita proteção ou amarração, o que gerava grandes perdas
durante o percurso.
Para minimizar esse problema, recorria-se a duas soluções:
• Vender caminhões completos com um único tipo de planta, aumentando
o estoque de um único tipo de produto para o cliente final. E já estudamos
que não é o modelo mais adequado para a competitividade de mercado;
• Ofertar um diversificado mix de plantas, garantindo a entrega dos
produtos no tempo certo, sem aumento de frete.
Desse modo, surgiram os caminhões adaptados. No mercado de flores, as
carrocerias passaram a dispor de grades e prateleiras para plantas pequenas e
delicadas e áreas livres para plantas maiores. Uma forma de entregar valor,
diversificar o mix do cliente final, reduzir estoques por tipo de planta e ainda
economizar no custo do frete.
Sincronia nos processos
A sincronia dos processos garante o funcionamento de toda a engrenagem.
A aplicação de algumas técnicas na produção japonesa permitiu:
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• Reduzir estoques em todos os níveis;
• Incrementar a capacidade disponível em grandes investimentos adicionais;
• Diminuir tempos de fabricação;
• Melhorar a produtividade e a qualidade dos produtos fabricados.
A sincronia dos processos visa dispor a quantidade necessária de itens, no
momento exato, já que, para não haver rupturas no processo, necessita-se de
insumos que atendam às demandas imediatas da linha de produção.
De acordo com a filosofia japonesa, em cada etapa do processo, produz-se
somente o necessário para a fase posterior, na quantidade e no momento exato
da demanda. Para que isso aconteça de forma contínua, há uma necessidade
obrigatória da sincronia dos processos.
Abrangendo desde os processos internos da indústria até o fluxo de informação
com fornecedores e clientes, integrando toda a cadeia logística, essa sincronia
nos processos objetiva:
• Flexibilizar a linha de produção da empresa;
• Produzir somente o necessário e na quantidade requerida;
• Diminuir tanto o lead time (tempo de resposta/espera) na concepção de
novos produtos;
• Diminuir o lead time (tempo de resposta/espera) de produção;
• Melhorar o atendimento ao cliente;
• Diminuir perdas.
Com essas etapas cumpridas, é possível obter maior retorno nos investimentos e
ocorre automaticamente a redução de estoques, de produtos acabados e de
matérias-primas, além da redução dos custos de fabricação e de armazenamento.
Somando-se a isso, os colaboradores são envolvidos no processo pela satisfação
no trabalho, pela melhoria da autoestima e pelo desenvolvimento do espírito de
equipe. Enfim, trata-se do que os japoneses chamam de Kaizen: uma contínua
busca pela melhoria da qualidade e da produtividade.
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Atividade proposta
Vamos fazer uma atividade!
No passado, a logística era conhecida como o transporte e a armazenagem de
produtos e estava associada às operações militares em que os comandantes
precisavam ter sob suas ordens uma equipe que assegurasse a disponibilidade,
na hora certa, de equipamentos, alimentos, munição e socorro médico nos
campos de batalha. Na antiga Grécia, os militares com o título de Logistikas eram
os responsáveis por garantir os recursos e suprimentos para a guerra.
Segundo definição do Council of Logistics Management (1991), logística refere-
se ao processo de planejamento, implantação e controle eficaz do fluxo e da
armazenagem de mercadorias, serviços e informações relacionadas, desde o
ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender as
necessidades dos clientes.
Ampliando o conceito e seus próprios objetivos, a logística é responsável por
assegurar a disponibilidade do produto certo, na quantidade certa, em condições
adequadas, no local certo, no momento certo, com o preço certo e para o cliente
certo.
Com a aplicação dos conceitos lean aos serviços logísticos, criou-se a logística
enxuta. Na mesma linha de pensamento, se todos os departamentos da empresa
conhecem as atividades logísticas envolvidas e necessárias para o sucesso da
operação e estiverem trabalhando de forma cooperativa na aplicação dos
conceitos lean, podemos conceituar que está ocorrendo a integração da empresa
na logística.
Nesse contexto, liste os benefícios da integração na logística.
Chave de resposta
• Cooperação genuína entre todas as partes da cadeia logística,
compartilhando informações e recursos, combatendo todo e qualquer
desperdício;
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• Custos diminuídos, devido a previsões mais exatas, estoques menores,
menos expedição, economia de escala e eliminação das atividades que não
criam valor;
• Melhoria no desempenho, maior produtividade e prioridades racionais;
• Melhoria no fluxo de produtos, com movimentos mais rápidos e confiáveis;
• Maior flexibilidade e rapidez de reação às condições de mudança;
• Procedimentos padronizados, tornando-se rotina e bem praticados, com
menor duplicidade de esforço e planejamento;
• Qualidade de confiança e menos inspeções, com programas de Gestão de
Qualidade integrados.
Cabe ao gestor conhecer e extrair o pleno potencial do Sistema utilizado, visando
perpetuar de forma lucrativa a instituição no mercado. Podemos afirmar que o
uso adequado das funcionalidades da solução de gestão, ferramentas valiosas
para gerenciar o que, quando e quanto comprar ou produzir considerando a
capacidade atual e planejando a capacidade futura, ainda é a melhor estratégia
para atingir o objetivo citado acima.
Além disso, é imprescindível o suporte administrativo e financeiro fornecido pelo
sistema de gestão como forma de controlar e conferir os resultados em processo.
Referências
WOMACK, J. P.; FERRO, J. R. A. Mentalidade Enxuta nas Empresas – elimine
desperdício e crie riqueza. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
HAMPSON, I. Lean production and the Toyota Production. Economic and
Industrial Democracy, 1999.
Exercícios de fixação
Questão 1
Um dos exemplos recentes de produto inovador citado por Kay e Lewenstein
(2013) foi a Proteína de soja da Solae. Um produto barato ofertado nas favelas
da Índia para combater a desnutrição. Desenvolvido para a população de baixa
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renda, com foco apenas no produto e não nas preferências e hábitos de compra
do consumidor. A proteína da soja da Solae, simplesmente não vendeu. O
consumidor não comprou o produto mesmo sendo de alto teor de nutrição e com
preço baixo.
a) Ao desenvolver o produto, a indústria Solae não levou em consideração as
preferências e os hábitos de consumo de seus possíveis clientes.
b) Os consumidores preferem produtos caros.
c) Ao desenvolver o produto, a indústria Solae identificou a necessidade dos
seus consumidores e ofertou um produto totalmente adaptado aos seus
hábitos de consumo.
d) Todo lançamento de produtos deve ter o foco único e exclusivo na
produção.
e) Não houve falha no desenvolvimento do produto, mas na distribuição do
mesmo. Se o produto fosse ofertado para a classe média ele teria boa
aceitação.
Questão 2
O sistema de produção enxuta, difundido em todo o mundo, mostrou a
capacidade de melhorias constantes nas linhas de produção e em vários
ambientes dentro das fábricas e empresas de diversos setores. Assinale a
alternativa falsa.
a) Mostrou também a capacidade de adaptação das empresas às mudanças
ocorridas ao longo das décadas.
b) Mostrou a fragilidade de algumas organizações que precisam ser usadas
para o próprio desenvolvimento e melhoramento do ambiente
organizacional.
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c) Este sistema de produção trouxe impactos para todo o mundo, pois integra
toda cadeia produtiva desde o processo do fornecimento até o
recebimento do produto final pelo cliente.
d) Ele consegue aumentar a produção e a qualidade, ao mesmo tempo em
que mantém os custos em declínio.
e) O Sistema de produção enxuta tem a produção em massa como premissa
para a sua implantação.
Questão 3
A produção enxuta, quando comparada à produção em massa, utiliza:
a) Menos esforço dos operários.
b) Menor espaço da fábrica.
c) Menor investimento.
d) Redução das horas de planejamento e desenvolvimento de novos
produtos.
e) Exige maiores quantidade de estoque.
Questão 4
Após a segunda guerra mundial, houve uma reconstrução das indústrias
japonesas. E em 1955, a produção em massa, acrescida de técnicas gerenciais e
de marketing, alcançou seus maiores índices de vendas, era o amadurecimento
do sistema.
Em relação à afirmativa anterior, marque a opção correta.
a) No mesmo ano, o sistema de produção em massa apresentando altos
níveis de estoque devido às necessidades da demanda e à grande
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variedade de produtos oferecidos, necessitando de reformulação no
processo produtivo.
b) No mesmo ano, o sistema de produção em massa superou as expectativas
de eficiência, apresentando altos níveis de estoque, possibilitando o
atendimento imediato à demanda dos clientes.
c) No mesmo ano, o sistema de produção em massa entrou em
desenvolvimento, apresentando altos níveis de estoque devido às
mudanças de demanda e a pequena variedade de produtos oferecidos,
necessitando de reformulação no processo produtivo.
d) No mesmo ano, o sistema de produção em massa entrou em crise,
apresentando altos níveis de estoque devido às mudanças de demanda e
a grande variedade de produtos oferecidos, necessitando de
desenvolvimento no processo produtivo.
e) No mesmo ano, o sistema de produção em massa entrou em crise,
apresentando altos níveis de estoque devido às mudanças de demanda e
a pequena variedade de produtos oferecidos, necessitando de
reformulação no processo produtivo.
Questão 5
O valor é subjetivo e só pode ser especificado pelo cliente final. Marque a opção
errada.
a) O valor só é significativo quando especificado em termos de um produto
específico (um bem, um serviço ou, em muitas situações, ambos
simultaneamente) que atenda às necessidades do cliente a um preço
específico em um momento específico.
b) O valor é criado pelo produtor, mas especificado pelo cliente.
c) O valor é de difícil entendimento.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 19
d) Muitas empresas desenvolvem produtos que visam excelência, utilizam
das melhores práticas para a criação de suas ofertas, lançam seus
produtos ou serviços inovadores no mercado e de forma surpreendente
não obitem êxito.
e) Valor é o que se paga por um produto ou serviço.
Questão 6
O conceito da lean nos processos logísticos, ou logística enxuta, parte de três
conceitos:
a) Melhoria dos processos, aumento dos estoques, processos independentes.
b) Melhoria dos processos, redução dos estoques, sincronização dos
processos.
c) Melhoria dos processos, aumento dos estoques, sincronização dos
processos.
d) Melhoria dos processos, redução dos estoques, processos sintonizados.
e) Produção em massa, melhoria dos processos, processos sintonizados
Questão 7
O consumo previsto dos televisores que estão no seu estoque, por semana, é de
100 unidades. O tempo de ressuprimento (tempo gasto desde que o pedido, por
exemplo, das peças que serão utilizadas na fabricação dos televisores, é feito ao
fornecedor até a chegada do produto para a linha de montagem e sua produção)
é de duas semanas. Assinale a alternativa que define o ponto de reposição dos
televisores.
a) 100 unidades.
b) 150 unidades.
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c) 200 unidades.
d) 300 unidades.
e) 350 unidades.
Questão 8
O estoque representa uma armazenagem de mercadorias com previsão de uso
futuro. Tem, como objetivo, atender a demanda, assegurando-lhe a
disponibilidade de produtos. Assinale a alternativa falsa.
a) A formação do estoque é onerosa, uma vez que representa uma grande
parcela dos custos totais da empresa.
b) Estamos diante de um trade-off (trocas determinadas por escolhas, nem
sempre haverá a relação ganha-ganha, nos trade-off há uma relação
perde-ganha).
c) Por um lado, o estoque tem por finalidade melhorar o nível de serviço,
incentivar economias na produção, permitir economia de escala nas
compras e no transporte.
d) O estoque age como proteção contra aumentos de preço, para proteger a
empresa contra incertezas na demanda e no tempo de ressuprimento e
serve como segurança contra contingências.
e) O estoque não representa custos.
Questão 9
Melhorar processos é algo mais do que necessário no atual cenário competitivo
das organizações. Assinale a opção incorreta.
a) Processos são maneiras de fazer alguma coisa.
b) Envolve a transformação de um insumo em um produto final.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 21
c) O mesmo pensamento com relação aos processos produtivos pode ser
estendido aos serviços.
d) No desenvolvimento de um processo a matéria-prima é transformada e a
ela agregado o valor.
e) Melhorar o processo nada mais é que fazer mais com desperdício. Inclui a
possibilidade de inovar. Propor soluções práticas, com criatividade e altos
custos.
Questão 10
De acordo com a filosofia japonesa, em cada etapa do processo, produzem-se
somente os produtos necessários para a fase posterior, na quantidade e no
momento exato em que são demandadas. Para que isso aconteça de forma
contínua há uma necessidade obrigatória da sincronia dos processos.
a) Essa sincronia abrange dos processos internos da indústria até o fluxo de
informação com os fornecedores e clientes. Integrando toda a cadeia
logística.
b) A sincronia nos processos objetiva flexibilizar a linha de produção da
empresa, produzir somente os produtos necessários e nas quantidades
requeridas.
c) A sincronia nos processos visa diminuir o “lead time”, tempo de
resposta/espera na concepção de novos produtos.
d) “Lead time”, tempo de resposta/espera de produção, visa melhorar o
atendimento ao cliente, diminuir a perda, assim obtendo maiores retornos
nos investimentos.
e) Com a sincronia dos processos automaticamente se tem redução de
estoques em processo, de produtos acabados e de matérias-primas. Há
ainda um aumento dos custos de fabricação e de armazenamento.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 22
Aula 2: Modelo Toyota de Produção
Introdução
A competitividade de uma empresa advém de sua habilidade de desenvolver
competências únicas e essenciais, que permitam gerar produtos inesperados.
Direcionado à produção contrapedido e com estoque zero, capaz de satisfazer a
demanda por entregas rápidas, o Sistema Toyota de Produção busca o
envolvimento dos funcionários e parceiros através do respeito, do
desenvolvimento e da superação dos desafios.
Sua implementação nos processos produtivos parte da filosofia do pensamento
de longo prazo, eliminando perdas, com eficiência nas soluções de problemas,
no processo e na produção.
Partindo do princípio de que a Toyota Motors levou mais de vinte anos para
desenvolver totalmente seu sistema de produção, outras companhias
necessitarão de, no mínimo, dez anos para obter resultados satisfatórios ao
copiá-lo.
Diante dessa eficiência, esta aula tem por finalidade apresentar o Sistema Toyota
de Produção, sua evolução e atualidades, bem como as etapas para a sua
implantação.
Objetivo:
1. Examinar o Sistema Toyota de Produção, sua evolução e atualidades;
2. Descrever as etapas para a implantação do Sistema Toyota de Produção.
Conteúdo
O Sistema Toyota de produção, sua evolução e atualidades
O Sistema Toyota de Produção, também denominado produção flexível, teve sua
origem a partir do momento em que a produção em massa não poderia ser
implantada com bons resultados no Japão.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 23
ESTADOS UNIDOS
Em 1950, Eiji Toyoda, o grande percussor do desenvolvimento do pensamento
enxuto, viajou para os Estados Unidos, ficou três meses estudando os processos
produtivos da Ford e, após essa temporada de estudo nas indústrias
automobilísticas de Detroit (EUA), percebeu que a produção em massa não seria
o mais adequado à realidade japonesa da época.
As condições japonesas não eram as mesmas que as dos Estados Unidos, uma
vez que, no período pós-guerra, os recursos eram escassos, e a Toyota passava
por greves relacionadas à força de trabalho. Além de estudar a planta da Ford,
Eiji Toyoda estudou o trabalho relativo à garantia da qualidade, da Deming,
fundamentais ao desenvolvimento do Sistema Toyota de Produção.
JAPÃO
Como era grande a necessidade de um sistema evitando altos custos e garantindo
menor rigidez na linha de produção, a partir de 1950, surgiu no Japão uma nova
indústria automobilística que não era uma cópia da produção em massa, mas
desenvolvia uma maneira nova de se produzir: a produção enxuta.
Entre 1950 e 1975, Eiji Toyoda desenvolveu o Sistema Toyota de Produção, que
se espalhou até o Ocidente, adquirindo outros nomes. Deve-se ressaltar que, até
1970, a Toyota não tinha um nome específico para sua estratégia de produção.
Enfim, considerado o sistema mais eficiente de produção, o Sistema Toyota de
Produção elevou a Toyota à maior empresa automobilística já conhecida até hoje.
Princípio da minimização dos custos
O primeiro conceito desenvolvido como base para o gerenciamento da produção
no Sistema Toyota de Produção é o princípio da minimização dos custos, que vê
a origem dos lucros por uma perspectiva totalmente diferente, ao invés de aderir
à fórmula fácil:
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 24
Custo + Lucro = Preço de Venda
Os produtores devem deixar que o mercado determine o preço, empregando a
fórmula:
Preço de Venda – Custo = Lucro
Com essa abordagem, a única maneira de aumentar os lucros é por meio da
redução dos custos. Esse é o fundamento sobre o qual todos os outros princípios
se desenvolvem.
Considerado, por muito tempo, um mal necessário, o estoque não recebeu a
necessária atenção por parte da gerência de produção. Depois de questionado e
considerado desperdício, o estoque foi sendo eliminado, surgindo o conceito Just
in Time.
Atenção
Até chegar à sua atual condição, o Sistema Toyota de Produção
evoluiu com repetidas tentativas e erros. Você observará os
princípios básicos a partir dos quais esse sistema foi erguido:
• Filosofia;
• Metodologia;
• Perspectivas.
Produção contrapedido
No passado, os sistemas de produção em grandes lotes geravam enormes
estoques de produtos acabados, de modo que dúvidas em relação a essa prática
levaram ao desenvolvimento da produção contrapedido como a melhor maneira
de atender à demanda.
Para atingir a produção contrapedido são necessárias duas medidas:
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 25
• Produção em lotes pequenos;
• Ciclo de produção reduzido.
As demandas da produção contrapedido geraram soluções para diversos
problemas, entre as quais as operações de fluxo.
Uma vez implementadas na linha de montagem, outra questão veio à tona: por
que não usar essa técnica também nos processos iniciais?
Desde então, o conceito de operações de fluxo foi aplicado com sucesso na
usinagem, na prensagem, entre outros processos.
Operações de fluxo integradas
Àquela altura, no Sistema Toyota de Produção, ficou claro que as operações de
fluxo seriam ainda mais efetivas se os processos iniciais fossem conectados
diretamente à linha de montagem, e o próprio sistema evoluiu em direção às
operações de fluxo totalmente integradas.
Os tempos de trocas reduzidos são um pré-requisito indispensável para esse tipo
de produção. O setup facilita resposta rápida a mudanças na demanda, com
tempos reduzidos podendo ser automáticos ou utilizando métodos sem
toques. Vejamos cada uma delas:
Automáticos
Empregam métodos de mínimos múltiplos comuns, isto é, a base do equipamento
será dimensionada para trocas seguindo uma lógica matemática de combinação,
o que permite a troca direta dos equipamentos sobre uma base única de
transformação.
Métodos sem toques
Com base no provérbio japonês de que “a maneira mais fácil de mudar alguma
coisa é não mudar absolutamente nada”, os métodos sem toques partem desse
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 26
princípio que descreve como melhorar os tempos de troca cuja base é supor que
as trocas são evitáveis. O desenvolvimento de maneiras de produzir peças
múltiplas sem efetuar trocas resulta em sistemas flexíveis e munidos de múltiplos
recursos que não exigirão troca. Se as trocas de ferramentas ou matrizes forem
realmente inevitáveis, os esforços devem ser voltados para desenvolver trocas
automáticas com botões simples, facilmente acionáveis.
Estoques zero e continuidade no fluxo
Criada por quebras e defeitos, a instabilidade da produção gera a necessidade
de estoques, de modo que, em um sistema de estoques zero, é de absoluta
propriedade a eliminação desses fatores.
Dessa forma, deve ser adotada uma política firme de interromper uma linha ou
máquina, sempre que surja uma situação anormal. Para isso, são empregados
sistemas de controle visuais como forma de transmitir, prontamente e de maneira
facilmente compreensível, informações acerca de irregularidades.
A fusão do balanceamento com a produção com estoques zero tornou-se um
grande desafio no desenvolvimento do Sistema Toyota de Produção.
Na produção com estoques zero, a ênfase na eliminação de estoques significa
que as flutuações de carga têm impacto imediato no chão de fábrica, tornando-
se frequentes a espera e os tempos de operação mais extensos. O uso de
balanceamento e produção mista resolve a aparente contradição entre estoques
zero e continuidade no fluxo da linha de produção.
Operações de fluxo totalmente integradas foram alcançadas pela expansão do
seu conceito, sendo superadas as tradicionais barreiras criadas pela divisão do
trabalho em plantas e seções.
Redução dos custos de mão de obra
A redução dos custos de mão de obra transformou-se em outro foco na luta
contra a perda. Foram implantadas algumas formas para minimizar o esforço do
trabalhador no desempenho da sua tarefa como:
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 27
Melhorias nos movimentos de trabalho humanos
Transferência dos movimentos humanos para as máquinas
O passo seguinte foi passar as funções manuais de fixação, remoção e
acionamento de chaves às máquinas. Apesar disso, ainda eram necessários
operadores próximos às máquinas, demandando a automação: transferência das
funções mentais humanas às máquinas.
Nesse caso, as máquinas eram equipadas com dispositivos que não só
detectavam situações anormais, mas também paravam a máquina, sempre que
ocorriam irregularidades. Essa forma sistematizada de automação é chamada de
pré-automação e representa uma evolução da mecanização rumo à automação.
Operações
As operações foram sendo aperfeiçoadas gradualmente, com operações-padrão
determinadas a cada etapa. Ao mesmo tempo em que os desvios de um padrão
específico eram verificados para manter o nível das operações, as operações-
padrão eram impressas como roteiros de operações-padrão para que todos as
vissem.
Essa medida facilitou a melhoria contínua e acelerou ainda mais o
desenvolvimento do sistema.
O sistema básico de produção tomou forma, criando-se, por fim, para manter o
nível de desenvolvimento e sustentar o funcionamento da produção como um
todo, o Kanban: trata-se de um conceito relacionado à utilização de cartões
para indicar o andamento dos fluxos de produção em empresas de fabricação em
série.
Nesses cartões são colocadas indicações sobre uma determinada tarefa: “para
executar”, “em andamento” ou “finalizado”. A utilização de um sistema kanban
permite um controle detalhado da produção com informações sobre quando,
quanto e o que produzir.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 28
O sistema kanban tem o efeito de, gradualmente, aumentar a precisão de um
sistema produtivo já que o ajuste do número de kanban eleva o nível do próprio
sistema de produção.
O Sistema Toyota de Produção tem como principais características:
O princípio da minimização de custos.
Melhor resposta à demanda por meio da produção contrapedido.
Redução do custo de mão de obra.
Uso de máquinas que sejam independentes dos trabalhadores.
Acompanhando a construção desse sistema revolucionário de produção, o
desenvolvimento do sistema kanban proporciona uma técnica de controle
simples, poderosa e altamente flexível.
Investigando as origens da produção convencional e derrubando crenças
comumente aceitas, a Toyota transformou um sistema de produção
tradicionalmente passivo e conciliatório e construiu um novo sistema calcado em
conceitos jamais anteriormente utilizados.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 29
Inovação e melhoria contínua
Investindo sempre na inovação, a montadora japonesa Toyota terá lançado, em
abril de 2015, no Japão, o primeiro sedan movido a células de combustível de
hidrogênio ao custo de sete milhões de ienes (70 mil dólares).
O automóvel, que posteriormente será lançado nos Estados Unidos e na Europa
por um preço ainda não definido, receberá subsídios públicos no Japão para
estimular a compra por particulares, instituições e empresas.
"Os veículos deste tipo não emitem dióxido de carbono (CO2)", como informou o
diretor-geral adjunto da Toyota, Mitsuhisa Kato: "O hidrogênio é uma fonte
alternativa especialmente promissora porque pode ser produzido a partir de
várias energias primárias, incluindo a energia solar e a eólica".
O veículo, que ainda está em fase de desenvolvimento, pode circular 700
quilômetros com apenas uma carga completa de hidrogênio, e sua venda
ocorrerá em locais que tenham postos de recarga, principalmente na região de
Tóquio, até serem construídos cem postos em todo o país.
Etapas para a implantação do Sistema Toyota de Produção
Implantar o Sistema Toyota de Produção não é uma tarefa simples e, para
que esse trabalho seja realizado de forma efetiva, é preciso compreender os
princípios nos quais esse sistema está embasado. Além disso, é importante
empreender sua implantação somente após um claro entendimento de como as
técnicas individuais se encaixam no quadro geral.
Se o Sistema Toyota de Produção for adotado sem que esses preceitos sejam
seguidos, não só os resultados ficarão aquém das expectativas, mas também os
efeitos colaterais poderão induzir a equívocos nos processos de produção,
gerando consequências indesejáveis. As etapas para a implantação do Sistema
Toyota de Produção partem da preparação do terreno, seguindo as melhorias de
todo o sistema de produção.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 30
O Sistema Toyota de Produção tem como meta efetuar entregas no momento
exato, com o propósito de eliminar estoques. Esse objetivo está
diretamente relacionado aos prazos de entregas e ciclos de produção. Para
melhor apurar as necessidades dos clientes com vista às suas demandas, a
pesquisa de mercado é uma forma de tornar as previsões mais precisas.
Para atender seus objetivos, a empresa pode solicitar análises dos clientes,
visando encomendas iguais às anteriores com base na expectativa de vida dos
itens adquiridos no passado. Pode, também, analisar a tendência de mercado
para desenvolver previsões futuras. Essas ações têm como finalidade identificar
os eventos que antecedem a demanda real como uma forma de munir o
fornecedor de informações para assim gerenciar o prazo de entrega.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 31
Preparação do terreno
O Sistema Toyota de Produção faz do princípio de minimização dos custos a linha
diretriz do seu estilo gerencial. Partindo da premissa que quem define o preço é
o cliente final, a empresa só obterá maiores lucros se reduzir seus custos por
meio da eliminação das perdas. A eliminação total das perdas requer uma
revolução na forma de pensar o negócio.
Na busca desse objetivo, o Sistema Toyota de Produção rejeita as ideias
convencionais a respeito da produção baseada em projeções realizadas em
grandes lotes, em favor da produção contrapedido e executada com lotes
pequenos. Além do mais, exige uma rígida fidelidade ao princípio do estoque
zero.
Para a adoção do Sistema Toyota de Produção, todos os colaboradores da
empresa, dos altos executivos ao trabalhador do chão de fábrica, deverão estar
cientes de alguns objetivos, entre eles:
• O entendimento sobre a importância dos processos e operações enxutos;
• A eliminação de estoques ou de superprodução, entendendo-se por
superprodução produzir muitas mercadorias.
Processos e operações enxutos
Requerendo maior programação e priorizando a produção de mercadorias antes
do tempo, o Sistema Toyota de Produção é revolucionário já que se volta às
várias causas subjacentes à necessidade de estoque.
Se, anteriormente, as quebras de máquinas e os defeitos nos produtos eram
vistos como incertezas, justificando excessiva produção de mercadorias para
supri-las, com o pensamento Toyota, procedeu-se a uma contínua procura das
causas das falhas e das incertezas do processo, no sentido de eliminá-las.
No esforço de cortar custos de maneira geral, o Sistema Toyota de Produção leva
a cabo reduções profundas no força de trabalho, promovendo o avanço na
direção da automação. Além disso, persegue essa meta sem necessariamente
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 32
elevar as taxas de operações das máquinas. As operações simultâneas de
máquinas são usadas com o objetivo de equilibrar a linha e reduzir o tempo total
da produção.
Com relação às quebras e defeitos, é necessária a tomada de medidas
fundamentais, com o propósito de prevenir a reincidência do fato. Para se
conseguir isso é de extrema importância o comprometimento da alta gerência
em parar máquinas e linhas de produção caso seja necessário.
Melhoria do sistema de produção
O conhecimento dos conceitos subjacentes às técnicas do Sistema Toyota de
Produção é crucial para o sucesso na sua implantação. Um desses conceitos é o
estoque zero, meta fundamental desse sistema.
Nas condições reais de trabalho, o estoque:
Proporciona um amortecimento entre oferta e demanda.
Protege a empresa contra eventuais falhas do processo produtivo.
Protege a empresa de outras irregularidades relativas às programações
e prazos de entrega.
Uma mudança abrupta para a produção com estoques zero iria, provavelmente,
resultar em grande transtorno no chão de fábrica. Não é o fato de simplesmente
reduzir estoques, mas de evoluir os processos produtivos para minimizar a
necessidade de estoques além dos níveis de segurança.
Assim, em um processo de implementação do Sistema Toyota de Produção, é
sensato usar o estoque de amortecimento durante os estágios iniciais dessa
transição. Para isso, é importante: projetar uma quantidade razoável de
estoques, guardá-los como amortecimento e, sem depender desse estoque,
realizar um teste de produção.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 33
Além disso, é preciso trabalhar a produção de tal forma que, diariamente, todas
as peças oriundas de fornecedores ou de processos sejam supridas em pequenos
lotes e encaminhadas diretamente à linha de montagem.
Atenção
Esse processo requer a seguinte disciplina: “tomar emprestado”
itens do estoque de amortecimento somente quando ocorrerem
defeitos ou quebras no equipamento e repor no dia seguinte as
quantidades emprestadas.
Com o método de projeção de estoque, sabe-se exatamente quanto será
necessário para servir como amortecimento nos níveis correntes de controle.
Desse modo, os processos estarão seguros, já que existirá um estoque de
proteção contra problemas imprevistos. Outro aspecto a ser ressaltado é que
segurar os estoques em níveis baixos acelera as melhorias, uma vez que revela
problemas anteriormente ocultos à sombra de estoques elevados.
Para adotar o Sistema Toyota de Produção, um passo intermediário ideal é o
estoque de amortecimento. A mudança da produção convencional para o Sistema
Toyota de Produção deve ser feita de forma suave a fim de evitar os efeitos
colaterais.
Eliminação de superprodução
Outra meta do Sistema Toyota de Produção é eliminar a superprodução e atingir
a produção contrapedido. Para isso se faz necessária a produção em pequenos
lotes, mas a troca de ferramentas e matrizes pode elevar o tempo de setup na
linha de produção.
O primeiro passo para a transformação dos setups é fazer a equipe acreditar que
essa transformação é viável. Transformar a forma de pensar o desenvolvimento
e a diversidade dos produtos é condição básica para o sucesso na redução dos
tempos de troca de ferramentas e matrizes.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 34
Reduzir os ciclos de produção garante uma entrega rápida, o que é essencial ao
Sistema Toyota de Produção, fazendo-se necessária, para isso, a equalização
total da linha e a sincronização das operações de fluxo de peças unitárias para
cada processo.
O Sistema Toyota de Produção é direcionado à produção contrapedido e com
estoque zero, capaz de satisfazer a demanda por entregas rápidas. Sua
implantação deve ser realizada de forma contínua e programada a fim de evitar
efeitos colaterais.
A implementação desse sistema nos processos produtivos segue um caminho:
Parte de uma filosofia do pensamento de longo prazo.
Continua pela eliminação de perdas.
Busca o envolvimento dos funcionários e parceiros através do respeito,
desenvolvimento e superação dos desafios.
Tudo isso se traduz na solução de problemas no processo e na produção.
A aprendizagem organizacional é contínua pela incorporação da cultura japonesa
do kaizen: “Hoje melhor do que ontem e pior do que amanhã”. Ou seja, o kaizen
se traduz em melhoria contínua.
Para os japoneses, cada dia que nasce, traz consigo a possibilidade real do
aprimoramento. A figura a seguir explica de forma visual as etapas de
implantação do Sistema Toyota de Produção.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 35
Princípios do Sistema Toyota de Produção
Baseando suas decisões administrativas em uma filosofia de longo prazo como
condição básica, mesmo em detrimento de metas financeiras de curto prazo, o
Sistema Toyota de Produção tem como premissas:
• Criar fluxos de processo para revelar problemas;
• Utilizar sistemas de produção que evitam a superprodução;
• Nivelar a carga de trabalho;
• Cessar a linha quando há problemas de qualidade;
• Padronizar tarefas para melhorar de forma contínua o trabalho;
• Usar controle visual para que os problemas não passem despercebidos;
• Usar tecnologias confiáveis e testadas.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 36
Com relação aos funcionários e parceiros, há a necessidade do desenvolvimento
dos líderes quanto à filosofia geral do sistema, respeitando, desenvolvendo e
desafiando pessoas, equipes e fornecedores.
Por fim, no que se refere às soluções de problemas, o Sistema Toyota de
Produção promove a aprendizagem organizacional de forma contínua através do
conceito do kaizen.
Somando-se a isso, não só promove o ver por si mesmo para compreender a
situação e tomar decisões lentamente, por meio de consenso, mas também
considera todas as opções e implementa a solução com rapidez, evitando
reincidência de erros.
Atividade proposta
Vamos fazer uma atividade?
A Toyota pode ter iniciado sua atividade de fabricante de automóveis como um
seguidor, mas agora é um inovador. Em 1936, a Toyota admitiu ter baseado o
design de seu primeiro carro no marco da Chrysler, o Airflow, e o motor, no
Chevrolet 1933. Em 2000, quando lançou o primeiro automóvel híbrido elétrico-
gasolina, o Prius, a Toyota foi a líder. Em 2002, quando a segunda geração do
Prius chegou aos showrooms, as concessionárias receberam 10 mil pedidos antes
mesmo que o carro estivesse disponível para venda; a GM anunciou, em seguida,
que lançaria seus modelos híbridos no mercado.
Uma grande razão por trás do sucesso da Toyota é seu processo de fabricação.
A combinação da Toyota de rapidez e flexibilidade é de classe mundial. Suas
fábricas podem produzir oito modelos diferentes ao mesmo tempo, o que
proporciona para a Toyota um grande aumento na produtividade e na resposta
do mercado.
A Toyota está de olho no topo.
Leia no documento a02_t16.pdf mais detalhes sobre as estratégias da Toyota.
Depois da leitura do texto, discuta as seguintes questões:
• Quais são os fatores-chave para o sucesso da Toyota?
• Em que pontos a Toyota está vulnerável?
• Com o que deveria tomar cuidado?
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 37
Aprenda Mais
Para saber mais sobre os assuntos estudados nesta aula, leia:
• O sistema Toyota de Produção: Além da Produção em Grande Escala, de
Taiichi Ohno;
• Automação industrial e Sistemas de Produção, de Mikell P Groover;
• O pensamento Toyota – Princípios de gestão para um crescimento
duradouro, Shatoshi Hino.
Referências
SHINGO, Shigeo. O sistema Toyota de Produção do ponto de vista da
Engenharia da Produção. Tradução Eduardo Schaan. 2 ed. Porto Alegre:
Bookman, 1996.
Exercícios de fixação
Questão 1
São componentes do Sistema Toyota de Produção, exceto:
a) Princípio da minimização dos custos.
b) Utilização da ferramenta do 5s.
c) Utilização da ferramenta <em>Kanban</em>.
d) Aplicação dos conceitos de <em>Just in Time</em>.
e) Principio da redução dos tempos de <em>setup</em>.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 38
Questão 2
O termo Kanban significa:
a) Troca
b) Melhoria
c) Cartão
d) Processo
e) Fluxo
Questão 3
O Sistema Toyota de Produção apresenta como características principais:
a) O princípio da minimização de custos.
b) Uma melhor resposta à demanda por meio da produção contrapedido.
c) Aceita o desafio da redução do custo de mão de obra.
d) Prioriza a segurança da produção por meio de níveis adequados de
estoques.
e) Reconhece vantagens de usar máquinas que sejam independentes dos
trabalhadores.
Questão 4
Assinale a alternativa incorreta. Setup é uma palavra usada na língua inglesa que,
em português, pode significar configuração, instalação, organização ou
rotulagem.
a) O setup não é essencial para a produção em pequenos lotes.
b) Os setups são efetivos porque facilitam a resposta rápida a mudanças na
demanda.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 39
c) Os tempos de setups sempre precisarão ser reduzidos.
d) Os setups podem ser automáticos ou se utilizar de métodos sem toques.
e) Os automáticos empregam métodos de mínimos multiplos comum, uma
lógica matemática de combinação.
Questão 5
O Sistema Toyota de Produção apresenta como características principais o
princípio da minimização de custos, melhor resposta à demanda por meio da
produção contrapedido, aceita o desafio da redução do custo de mão de obra e
reconhece vantagens de usar máquinas que sejam independentes dos
trabalhadores. Leia as afirmativas a seguir e marque a opção correta:
A) Acompanhando a construção desse sistema revolucionário de produção, o
desenvolvimento do sistema Kanban proporciona uma técnica de controle
simples, poderosa e altamente flexível.
B) A Toyota transformou um sistema de produção tradicionalmente passivo e
conciliatório, investigando as origens da produção convencional e derrubando
crenças comumente aceitas para construir um novo sistema calcado em conceitos
que jamais haviam sido antes utilizados.
a) Ambas as afirmativas são corretas.
b) Ambas as afirmativas são falsas.
c) Apenas a afirmativa I é correta.
d) Apenas a alternativa II é correta.
e) A afirmativa I é correta e a II é falsa.
Questão 6
Nos processos produtivos, o Sistema Toyota de Produção postula, exceto:
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 40
a) Criar fluxos de processo para trazer os problemas à tona.
b) Utilizar sistemas de produção que evitam a superprodução.
c) Nivelar a carga de trabalho e parar a linha quando houver problemas de
qualidade.
d) Padronizar tarefas para melhorar de forma contínua o trabalho.
e) Evitar o controle visual para que os problemas passem despercebidos.
Questão 7
O conhecimento dos conceitos por trás das Técnicas do Sistema Toyota de
Produção é crucial para o sucesso na sua implantação. Uma meta fundamental
desse sistema é o estoque zero. Leia as afirmativas a seguir e marque a opção
correta:
• Nas condições de trabalho reais, o estoque proporciona um amortecimento
entre oferta e demanda, protege a empresa contra eventuais falhas do
processo produtivo e outras irregularidades relativas as programações e
prazos de entrega.
• Uma mudança abrupta para a produção com estoques zero iria,
provavelmente, resultar em grande confusão no chão-de-fábrica.
• Não é o fato de reduzir os estoques simplesmente, e sim evoluir os
processos produtivos para minimizar a necessidade de estoques além nos
níveis de sergurança.
a) As três alternativas são verdadeiras.
b) Apenas as alternativas I e III são verdadeiras.
c) Apenas as alternativas I e II são verdadeiras.
d) Apenas as alternativas II e III são verdadeiras.
e) As três alternativas são falsas.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 41
Questão 8
O Sistema Toyota de Produção é direcionado para a produção contrapedido. Com
relação ao termo contrapedido é correto afirmar que:
a) Contrapedido quer dizer que só se produz o que já está previsto para a
venda.
b) A implementação de técnicas como esta exige altos níveis de estoques.
c) Uma condição para a boa funcionalidade da produção contrapedido é a
implantação do 5S na linha de produção.
d) Modelos contrapedidos na linha de produção real não dão certo.
e) Modelos contrapedidos são de fácil aplicação e devem ser aplicados de
forma rápida na linha de produção.
Questão 9
A palavra Kaizen significa:
a) Melhoria programada.
b) Melhoria contínua.
c) Melhoria planejada.
d) Melhoria operacional.
e) Melhoria técnica.
Questão 10
Para que o Sistema Toyota de Produção seja implantado de forma efetiva há a
necessidade de, exceto:
a) Com relação aos funcionários e parceiros há a necessidade do
desenvolvimento dos líderes com relação à filosofia geral do sistema,
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 42
respeitar, desenvolver e desafiar pessoas e equipes. Respeitar, desfiar e
auxiliar os fornecedores.
b) Há a necessidade de reduzir os ciclos de produção, garantindo uma
entrega rápida, o que é essencial ao Sistema Toyota de Produção, para
isso se faz necessário a equalização total da linha e a sincronização das
operações de fluxo de peças unitárias para cada processso.
c) É necessário usar o estoque de amortecimento durante estágios iniciais da
transição de modelos produtivos convencionais para o modelo Toyota de
Produção.
d) É necessário o investimento em sistemas que auxiliem o controle de
produção como o <em>Warehouse Management System</em> (WMS).
e) É necessário promover a aprendizagem organizacional de forma contínua
através do conceito do Kaizen.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 43
Aula 3: Logística contextualizada no
varejo
Introdução
A globalização e os novos cenários competitivos obrigam as empresas a buscar
estruturas logísticas cada vez mais flexíveis e que possuam habilidades para
responder, de forma rápida, às novas necessidades das demandas geradas pelo
consumo.
Responder a essas novas demandas de forma solitária, principalmente com
relação aos processos logísticos, é custoso e ineficiente. A partir dessa
compreensão, muitas empresas priorizaram o estudo dos conceitos da cadeia
logística, seus elos e otimizações.
Hoje, percebem-se no mercado empresas que ofertam serviços logísticos nos
vários elos da cadeia, criando as configurações de rede. Com esses novos
serviços logísticos sendo ofertados, são viabilizadas no varejo novas
configurações de negócios e modelos até bem pouco tempo inexistentes.
Nesta aula, contextualizaremos o estudo da logística no varejo e nos serviços que
permeiam toda a cadeia logística.
Objetivo:
1. Examinar a logística contextualizada no varejo;
2. Descrever os serviços na cadeia logística.
Conteúdo
A Logística contextualizada no varejo
Um bom produto e um preço adequado não são suficientes para assegurar
vendas. É necessária a existência de uma maneira eficiente, como sistemas de
distribuição, para conduzir os produtos até os compradores finais,
proporcionando-lhes utilidade de tempo e lugar.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 44
Com a expansão do comércio eletrônico, a estrutura desses sistemas de
distribuição, tradicionalmente simples e compostos por indústrias, atacadistas,
varejistas, até a entrega ao consumidor final, está passando por profundas
alterações.
A história da troca de mercadorias começa após a autossuficiência: antigamente,
as famílias produziam e fabricavam aquilo de que necessitavam para o seu
consumo, de maneira que, com o tempo, foram surgindo as especializações e os
excedentes de produção.
Cada família especializava-se na produção de determinados produtos, gerando
excedente, que eram trocados por produtos fabricados por outras famílias.
Começaram, assim, a comercialização e a formação dos mercados. Seguindo com
a história, surgiram a moeda e os primeiros intermediários como facilitadores das
trocas. Caso não houvesse os intermediários para efetivar e facilitar as trocas, as
transações seriam mais numerosas e de difícil realização.
Por exemplo, apenas para garantir o arroz, o feijão, a carne, o pão e o leite,
necessários à alimentação diária de sua família, um único indivíduo teria que
realizar transações comerciais com cinco pessoas.
Imagine essa situação no mercado contemporâneo, face à diversidade de tipos
e produtos ofertados. Além de proporcionar benefícios de distribuição, de tempo
e de utilidade de lugar, a participação do intermediário no processo de troca
representa vantagens na redução do número de transações realizadas.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 45
Distribuição
A distribuição engloba todo o fluxo das mercadorias, desde os produtores até os
consumidores finais, e envolve basicamente duas áreas de decisões:
Distribuição física
Na distribuição física, são consideradas as decisões de transportes,
armazenagens e distribuição, podendo-se dizer que são as decisões logísticas que
envolvem o produto.
Canais de distribuição
Na determinação dos canais de distribuição, consideram-se as decisões
referentes aos caminhos que os produtos devem seguir até chegar ao consumidor
final.
A figura a seguir apresenta as formas tradicionais de distribuição de produtos,
que utilizam os canais de distribuição.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 46
A disponibilidade do produto, em resposta a uma necessidade dos clientes, é
fator estratégico aos negócios do varejo. Ao se desenvolverem negócios
varejistas, devem ser considerados:
Custos com manutenção de estoques
Movimentação e manuseio de materiais
Armazenagem e transporte de mercadorias
A administração varejista, como a de qualquer outro empreendimento, é de
extrema importância, por isso administrá-la corretamente é uma necessidade
inerente, como em qualquer negócio, exigindo flexibilidade e habilidade por parte
dos gestores.
Como atividade comercial responsável por providenciar mercadorias e serviços
desejáveis pelos consumidores, o varejo se diferencia de outras modalidades de
negócios pelo contato direto com esses consumidores.
Para saber mais sobre sistema de distribuição e evolução do varejo, acesse o
documento a03_t03.pdf.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 47
Classificação do varejo
Hoje, o varejo pode ser classificado de várias maneiras, merecendo destaque a
classificação realizada por Theodore N. Beckman:
Lojas de departamentos
Manuseando variados itens de mercadorias, como acessórios femininos,
masculinos, infantis, domésticos, entre outros, as lojas de departamentos são
várias em uma só, com diferentes especialidades sob o mesmo teto. A venda e a
compra são departamentalizadas.
Lojas independentes
Com apenas um estabelecimento, geralmente especializadas, as lojas
independentes constituem a grande maioria do comércio varejista,
caracterizando-se pela simplicidade administrativa e pelo atendimento
personalizado aos clientes, oferecendo artigos para presentes, móveis,
floriculturas, entre outros.
Lojas em cadeia
As lojas em cadeia são definidas como um conjunto de lojas que operam no
mesmo tipo de negócios conjuntamente com uma administração central. A
vantagem desse tipo de estabelecimento é a economia em escala para compras
de maiores quantidades.
Cooperativas
As cooperativas são agrupamentos de varejistas independentes, de forma que,
embora cada um opere sua loja, certas decisões como compra e promoções são
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 48
tomadas em conjunto. A vantagem dessa formação é que possibilita aos
independentes gozarem certos benefícios dos varejistas em cadeia, como preços
reduzidos por compra em quantidades, status do cliente de maior porte e,
consequentemente, maior atenção dos fornecedores.
Lojas especializadas
As lojas especializadas são formadas mais frequentemente por varejistas do
tipo independente que oferecem aos consumidores uma linha única de produtos,
ou produtos semelhantes, para o mesmo fim, como artigos esportivos,
eletrodomésticos, joias. Em geral, têm um bom sortimento e apresentam vários
estilos e opções de tamanho.
Supermercados
Os supermercados surgiram nos Estados Unidos, na década de 1930, e no
Brasil, a partir da década de 1950. Ampliaram-se para o formato de
hipermercados, em uma mistura dos conceitos de supermercados e lojas de
descontos.
Varejo não lojista
Com várias formas de vender produtos e serviços diretamente aos consumidores,
por meio de catálogos, revistas, telemarketing, canais de comunicação, pessoais,
porta a porta, o varejo não lojista cresceu nos últimos vinte anos. Com o
surgimento da internet, ocorreu um crescimento do comércio eletrônico, com a
criação de home pages, sites, e-mail e redes sociais, por meio dos quais os
varejistas, comunicando-se diretamente com os clientes, ofertam produtos e
serviços.
Atacadista
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 49
Distinguindo-se por não vender ao consumidor final e por comercializar produtos
em maior quantidade que o varejo, o atacadista é um tipo de intermediário que
geralmente compra direto do fabricante e vende a um intermediário varejista ou
um usuário industrial.
Configurações de distribuição
Em alguns momentos, as configurações da distribuição podem gerar conflitos de
canal. Quando, por exemplo, várias empresas atuam na transferência do fluxo
de mercadorias que do fabricante ao consumidor final, surgem alguns conflitos
de objetivos.
O fabricante pode desejar que o atacadista venda preferencialmente seus
produtos ou que os varejistas os exponham em locais privilegiados. Por outro
lado, enquanto o atacadista pode preferir comercializar produtos que lhe deem
maior retorno, os varejistas podem exigir entregas com menores prazos e
produtos de qualidade superior.
Nos canais de distribuição, surgem lideranças de algumas empresas que passam
a dominar o cenário de distribuição, determinando regras em muitos casos. Essa
liderança pode ter, na sua origem, um varejista que será seguido por varejistas
menores, ou mesmo por fabricantes.
O conhecimento de lideranças no canal é importante para os intermediários ou
fabricantes, já que qualquer inovação mercadológica será dirigida a esses líderes
principais, para obtenção de melhores resultados e cooperação dos demais
membros do canal.
Novas formas de distribuição estão surgindo no mercado, e isso obriga os
empresários a investigar suas diferentes modalidades. A distribuição direta,
principalmente pela utilização do intermediário virtual, cresce a cada dia,
apontando uma tendência de que, no futuro, grande parte da distribuição será
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 50
realizada por essa modalidade. Várias empresas nacionais já aderiram e outras
estão aderindo às vendas pela internet como forma de distribuir seus produtos.
Conceito de Logística
A logística, de forma geral, é definida como a área da gestão responsável por
prover recursos, equipamentos e informações para a execução de todas as
atividades operativas de uma empresa.
De forma específica ela é o conjunto de atividades baseadas na eficiente
movimentação de produtos acabados da linha de produção ao cliente final,
incluindo, em alguns casos, a movimentação de matérias-primas do fornecedor
ao início do processo produtivo. Essas atividades incluem transporte,
armazenamento, administração de materiais, embalagens protetoras, controle de
inventário, previsão de vendas e serviços a clientes.
A figura a seguir sintetiza o conceito da logística: do ponto de vista do consumo,
a logística é a parte do gerenciamento da cadeia de abastecimento que planeja,
implementa e controla o fluxo e o armazenamento eficiente e econômico de
matérias-primas, materiais semiacabados e produtos acabados, bem como as
informações relativas aos mesmos, desde o ponto de origem até o ponto de
consumo, com o propósito de atender às exigências dos clientes.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 51
Atenção
A história moderna da logística divide a evolução dos conceitos
logísticos em cinco Eras ou etapas principais:
• Era “do campo ao mercado”, com início na virada do
século XX;
• Era “funções segmentadas”, que se estendeu de 1940 a
1960;
• Era “funções integradas”, de 1960 a 1970;
• Era “foco no cliente”, de 1970 a 1980;
• Era “ênfase estratégica”, de 1980 até o presente.
A quinta Era, também denominada “a logística como elemento
diferenciador”, identifica os processos logísticos como sendo a
última fronteira empresarial em que se podem explorar novas
vantagens competitivas.
Serviços na cadeia logística
Observe a cadeia logística. Conforme é demonstrado na figura abaixo, ela
abrange:
O grupo de fornecedores supre as necessidades de uma empresa na criação e
no desenvolvimento dos seus produtos.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 52
Pode-se entender esse aspecto como uma forma de colaboração entre
fornecedores e consumidores para a criação de valor.
Em contrapartida, a cadeia logística não está limitada ao fluxo de produtos ou
informações no sentido Fornecedor → Cliente.
Existe também um fluxo de informação, de reclamações e de produtos, entre
outros, no sentido Cliente → Fornecedor.
Existem, por fim, empresas na cadeia logística que desempenham funções
diferentes, sendo umas produtoras, distribuidoras ou revendedoras, e outras
individuais ou clientes (consumidores finais de um determinado produto).
Gestão da cadeia de fornecimento
Entregando aos clientes os produtos onde e quando eles desejam, os
distribuidores protegem os produtores das flutuações da procura com o
armazenamento de estoques. Enquanto os distribuidores são, particularmente,
uma organização que controla estoques, que compra de produtores e depois
vende aos consumidores, os clientes ou consumidores são organizações que
compram ou usam um produto.
Devido à acelerada evolução do mercado, hoje em dia, as configurações da
cadeia logística não são mais lineares, pelo contrário, as configurações
apresentam-se em rede com interligações de elementos cada vez mais
complexas.
A rede logística é composta de:
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 53
Fornecedores
Armazéns
Centros de distribuição
Pontos de venda
Atenção
O cuidadoso gerenciamento da cadeia de fornecimento pode
garantir ou impulsionar o faturamento e melhorar a percepção da
empresa pelo consumidor. A eficiente implantação dos canais de
distribuição em novos mercados importantes é fundamental para
aumentar as vendas. Se a empresa fica atenta à fusão das cadeias
de fornecimento, colhe os melhores resultados. Em muitos
mercados, essa cadeia acaba sendo subestimada ou até mesmo
menosprezada no início do planejamento.
As matérias-primas, os estoques em processo e os produtos acabados fluem
entre os componentes da rede. Envolvendo considerações de trade-offs, a melhor
configuração da rede logística é aquela que promove o menor custo logístico
total (incluindo custos de produção, estocagem, manuseio e custos fixos de
armazenagem, custos de compra e transportes) sujeito ao nível de serviço e ao
cliente desejado. Um aumento do número de armazéns, por exemplo, leva
geralmente a:
• Um aumento do nível de serviço, pela maior proximidade com o
consumidor;
• Um aumento dos custos de estocagem, pois o estoque fica duplicado em
mais pontos;
• Um aumento dos custos fixos de estocagem e de manuseio;
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 54
• Uma redução dos custos de entrega – outbound (consumidor mais
próximo do depósito);
• Um aumento dos custos de fornecimento para o depósito – inbound
(maiores distâncias entre fornecedores, fábricas e depósitos).
Atenção
O projeto da rede logística pode determinar:
• Número de armazéns;
• Localização de cada armazém;
• Tamanho de cada armazém;
• Os canais de distribuição;
• O tipo de produto que cada consumidor receberá de cada
armazém, e que cada armazém receberá de cada fábrica;
• Melhor modal para cada transporte a ser realizado;
• A entrega (rotas, frequências).
Canal logístico
Constituído por vários elementos que formam a cadeia de distribuição, o canal
logístico compreende o caminho percorrido pelo produto, desde sua origem e
manufatura, até o varejista, sendo definido em função da estratégia competitiva
adotada pela empresa.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 55
Nesse ponto, define-se a forma como será realizada a distribuição física dos
produtos, o canal logístico e a topologia da rede logística.
O canal logístico é de difícil alteração, mantendo-se fixo por longos períodos, uma
vez que envolve outras empresas, agentes e acordos comerciais muitas vezes
irrevogáveis no curto prazo.
As decisões estratégicas envolvidas na definição do canal logístico são relativas
à política de atendimento aos clientes, podendo ter como base a resposta rápida,
ou a antecipação de demanda.
Dois tipos de políticas de atendimento aos clientes exigem procedimentos
diferentes:
Políticas com posicionamento de respostas rápidas
Valorizam os estoques mais centralizados, utilizam formas de transporte
premium, (diferenciado, expresso) e sofrem uma pequena dependência de
previsões de vendas.
Políticas orientadas pela antecipação à demanda
Exigem estoques descentralizados e utilização de transporte consolidado, sendo
altamente sensíveis às previsões de demanda.
Amplitude do canal logístico
A amplitude do canal logístico se refere ao número de empresas credenciadas
responsáveis por distribuir o produto no mesmo nível da cadeia:
Distribuidores
Atacadistas
Varejistas
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 56
Quanto maior a amplitude do canal logístico, maior é a possibilidade de alcançar
o cliente final, mas também maior será a concorrência entre os distribuidores, o
que poderá reduzir o lucro e limitar o interesse pela marca.
Diante disso, eis algumas alternativas:
Lojas especializadas
É indicada para produtos considerados especiais, cujo preço não tem tanta
relevância, e nos quais o cliente procura exclusividade e encantamento, como os
artigos de luxo.
Exemplo: relógios Rolex. Somente uma empresa distribui o produto; permite
aumentar a margem do produto pela cadeia enxuta.
Varejo não lojista
Representante exclusivo.
Supermercados
Essa modalidade, com grande número de empresas distribuindo e vendendo o
produto, é uma estratégia adequada a produtos de consumo frequente e de baixo
custo, comprados sem planejamento ou comparação de preços.
Atacadista
De forma controlada, mais de uma empresa atua em um mesmo mercado, de
forma que o fabricante seleciona algumas delas para comercializar seu produto,
como acontece quando algumas concessionárias comercializam determinada
marca de veículo na região; trata-se de uma estratégia que se presta a produtos
que envolvem pesquisa de preço antes da compra, como é o caso de veículos.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 57
Extensão do canal logístico
A extensão do canal diz respeito ao número de categorias de elos intermediários
entre o fabricante e o consumidor final do produto: quanto menor a extensão do
canal, maior poderá ser a margem do produto, ou menor poderá ser o custo final
ao consumidor; por outro lado, menor poderá ser a disponibilidade do produto
ao consumidor final, pela dificuldade de capilaridade do produto.
O canal de distribuição pode ter vários níveis de extensão:
Canal de nível zero
Sem intermediário entre a fábrica e o consumidor final.
Exemplo: Avon e Natura.
Canal de nível 1
Com um intermediário.
Exemplo: supermercado que compra dos fabricantes e revende ao consumidor.
Canal de nível 2
Com dois intermediários.
Exemplo: pequenos supermercados, que compram dos atacadistas, que
compram das fábricas.
Esses canais podem ser centralizados ou descentralizados:
Canais descentralizados
Cada parte do canal coordena seus estoques e realiza os pedidos de produtos
para seus fornecedores, bem como o envio para seu cliente imediato.
Cadeias centralizadas
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 58
Uma parte da cadeia coordena os estoques e os envios de produtos entre as
outras partes da cadeia.
Atenção
Uma das principais diferenças entre as cadeias produtivas
centralizadas e descentralizadas está na eficiência da gestão dos
transportes e dos estoques. É fácil perceber que uma cadeia de
suprimentos centralizada deve ter uma estratégia de distribuição
melhor ou tão boa quanto uma cadeia descentralizada, já que ela
pode operar de forma descentralizada, se desejar, ou de forma
centralizada, e considerar os impactos das decisões entre os elos
da cadeia, buscando uma solução global melhor.
Em resumo, a política básica a ser adotada pode ser resumida da
seguinte forma:
• Itens de baixa demanda e alto custo têm tendência de
serem gerenciados de forma centralizada;
• Itens de alta demanda e baixo custo têm tendência de
serem gerenciados de forma descentralizada.
Atividade proposta
Observe a imagem a seguir, analise e responda: o que busca-se demonstrar, por
meio, do esquema?
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 59
Chave de resposta
O que busca-se demonstrar são as várias opções de configurações de rede que
a cadeia de distribuição pode assumir.
Referências
LAS CASAS, A. L. Marketing de Varejo. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2006.
_____________. Marketing: conceitos, exercícios e casos. São Paulo: Atlas,
2009.
NOVAES, A. G. Logística e Gerenciamento da cadeia de distribuição:
estratégias, operações e avaliação. Rio de Janeiro: Elsevier, 2001.
Exercícios de fixação
Questão 1
Os sistemas de distribuição proporcionam aos consumidores finais utilidade de
tempo e lugar. Diante desta afirmativa, assinale a frase correta.
a) Um bom produto e um preço adequado são suficientes para assegurar
vendas.
b) Apenas um bom produto já garante o sucesso das vendas.
c) Preços baixos são garantia de sucesso nas vendas.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 60
d) Preço adequado e um bom produto não são suficientes para assegurar as
vendas.
e) O sistema de distribuição é que assegura as vendas.
Questão 2
Pode-se afirmar que a distribuição engloba, exceto:
a) Todo o fluxo das mercadorias desde os produtores até os consumidores
finais.
b) Envolve basicamente duas decisões, a distribuição física e os canais de
distribuição.
c) Decisões de transportes, armazenagens, distribuição.
d) Na determinação dos canais de distribuição consideram-se as decisões
referentes aos caminhos que os produtos devem seguir até chegar ao
consumidor final
e) Todo o fluxo das matérias-primas desde os produtores até os
consumidores finais.
Questão 3
No Brasil o varejo se desenvolveu a partir da colonização do país, é correto
afirmar que:
a) No Brasil colônia o comércio era dependente de Portugal. Os portugueses
controlavam as operações em sua conquista.
b) As “companhias de comércio” não tiveram atuação em nosso mercado.
c) As “companhias de comércio” tiveram importante atuação em nosso
mercado. Foram criadas com o objetivo de atingir uma economia de
escopo.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 61
d) Muitos produtos eram adquiridos no oriente, seguiam para a Europa e
depois vinham para o Brasil, com preços subsidiados.
e) Não havia comércio no país na época do Brasil colônia.
Questão 4
Manuseiam vários itens diferentes de mercadorias tais como acessórios
femininos, masculinos e infantis, acessórios do lar, entre outros. Pode se dizer
que se trata de várias lojas de especialidades sob o mesmo teto. Essa definição
se refere a:
a) Lojas especializadas.
b) Supermercados.
c) Lojas em cadeia.
d) Lojas de departamentos.
e) Cooperativas.
Questão 5
No escopo da distribuição física incluem-se as decisões de:
a) Transporte, armazenagens, canais de distribuição.
b) Transporte, compras e armazenagem.
c) Transporte, vendas e armazenagem.
d) Transporte, canais de distribuição e canais comerciais.
e) Canais de comunicação, canais de vendas e canais de distribuição.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 62
Questão 6
Pode se dizer que a cadeia logística abrange, exceto:
a) A cadeia de abastecimento e, a logística interna, relativa aos processos
internos de produção.
b) O grupo de fornecedores que supre as necessidades de uma empresa na
criação e no desenvolvimento dos seus produtos.
c) Pode ser entendida como uma forma de colaboração entre fornecedores
e consumidores para a criação de valor.
d) A cadeia logística, no entanto, não está limitada ao fluxo de produtos ou
informações no sentido Fornecedor -> Cliente. Existe também um fluxo de
informação, de reclamações e de produtos, entre outros, no sentido
Cliente -> Fornecedor.
e) Existem empresas na cadeia logística que desempenham funções
diferentes. Umas empresas são produtoras, distribuidoras ou
revendedoras; outras empresas ou individuais são clientes (consumidores
finais de um determinado produto).
Questão 7
Responda qual é a melhor configuração da rede logística.
a) A que promove o maior custo logístico total.
b) A que promove o menor custo de transporte.
c) A que promove o maior custo operacional.
d) A que promove o menor custo operacional.
e) A que promove o menor custo logístico total.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 63
Questão 8
São exemplos de trade-offs, gerados pela determinação das configurações das
redes logísticas, exceto:
a) Um aumento do número de armazéns, por exemplo, leva geralmente a um
aumento do nível de serviço, pela maior proximidade com o consumidor.
b) Um aumento do número de armazéns, por exemplo, leva geralmente a um
aumento dos custos de estocagem, pois o estoque fica duplicado em mais
pontos.
c) Um aumento do número de armazéns, por exemplo, leva geralmente a um
aumento dos custos fixos de estocagem e de manuseio e uma redução
dos custos de entrega – outbound (consumidor mais próximo do depósito).
d) Um aumento do número de armazéns, por exemplo, leva geralmente a um
aumento dos custos de fornecimento para o depósito – inbound (maiores
distâncias entre fornecedores, fábricas e depósitos).
e) Um aumento do número de armazéns, por exemplo, leva geralmente a um
aumento no prazo de entrega e a insatisfação do cliente.
Questão 9
Entende-se pelo caminho que o produto irá percorrer de sua origem, manufatura,
até o varejista. É constituído por vários elementos que formam a cadeia de
distribuição. Assinale o conceito logístico que essa definição se refere.
a) Cadeia de distribuição.
b) Canal logístico.
c) Cadeia logística.
d) Cadeia de abastecimento.
e) Essa definição não se refere a conceitos logísticos.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 64
Questão 10
Com relação aos canais de distribuição, pode-se afirmar, exceto:
a) O canal de distribuição pode ter N níveis de extensão.
b) Os canais podem ser centralizados ou descentralizados.
c) Cadeias descentralizadas: cada elo da cadeia coordena seus estoques e
realiza os pedidos de produtos para os seus fornecedores bem como o
envio para seu cliente imediato.
d) Cadeias centralizadas: um elo da cadeia coordena os estoques e os envios
de produtos entre os elos da cadeia.
e) Canal de nível 2: Existe um intermediário. Por exemplo: supermercado,
que compra dos fabricantes e revende ao consumidor.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 65
Aula 4: E-commerce e e-business
Introdução
Nos últimos anos, em um ambiente global permeado pela aceleração da
informação, pelo desenvolvimento da tecnologia e pela crescente exigência do
mercado, o ambiente empresarial tem sofrido profundas mudanças, e a internet
alavancou-se como uma alternativa atraente e ferramenta fundamental para o e-
business – negócios eletrônicos.
Nesse contexto, em que a internet promove aproximação de produtores e
prestadores de serviços, num canal direto que reduz tempo, custos e aumenta a
aderência entre fornecedores e clientes, o comércio eletrônico, ou e-commerce,
um componente do e-business, surge como um novo modelo de negócios,
proporcionando, no meio eletrônico, o mecanismo de automatização de vendas,
de gerenciamento de estoques, de controles logísticos e de cobranças. Esta aula
tem como objetivos apresentar os conceitos básicos sobre o e-commerce e o e-
business, além de definir o cenário competitivo na era do comércio eletrônico.
Objetivo:
1. Distinguir os conceitos básicos sobre o e-commerce e sobre o e-business;
2. Definir o cenário competitivo na era do comércio eletrônico.
Conteúdo
Conceitos básicos sobre o e-commerce e o e-business
A evolução da tecnologia impulsionou a evolução no mercado, de modo que a
difusão da internet alterou o modo como as pessoas e as organizações vivem e
interagem.
O comércio eletrônico – e-commerce – consiste na realização de negócios por
meio da internet, incluindo a venda de produtos e serviços físicos entregues off-
line, e de produtos que podem ser digitalizados e entregues online, nos
segmentos de mercado consumidor, empresarial e governamental. O comércio
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 66
eletrônico (CE) é a aplicação de tecnologias de comunicação e informação
compartilhadas entre as empresas, procurando atingir seus objetivos.
Já o negócio eletrônico – e-business – consiste em qualquer tipo de negócios que
se comunica eletrônica e reciprocamente, utilizando a internet para a troca de
informações, auxiliando as empresas.
E-commerce
Por comércio eletrônico (CE), ou e-commerce, entende-se o processo de compra,
venda e troca de produtos, serviços e informações por redes de computadores
ou pela internet.
Esse conceito estende-se também à prestação de serviços a clientes, à
cooperação com parceiros comerciais e à realização de negócios eletrônicos
dentro de uma organização. O CE identifica o uso intensivo da tecnologia da
informação, também utilizada por bancos eletrônicos, educação a distância,
leilões, entre outros.
Como, por meio da internet, algumas barreiras como tempo, distância e forma
foram superadas, acredita-se que o CE veio para ficar. De fato, as compras online
proporcionam praticidade na aquisição de bens e serviços, com algumas
vantagens para o consumidor como:
• Comodidade à livre concorrência;
• Diversidade de preços;
• Demais benefícios.
As empresas negociam diretamente com seus consumidores em todo o mundo,
de modo que os negócios estão disponíveis 365 dias do ano, independentemente
do horário.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 67
E-business
Forma abrangente de comércio eletrônico, o e-business engloba algo mais do
que a simples compra e venda de produtos e serviços: busca realizar todas as
necessidades de seus clientes, fidelizando-o cada vez mais por isso.
Segundo Kalakota e Robison (2002) os mercados eletrônicos podem ser
qualificados como sendo as killer applications ou aplicações matadoras dos
negócios eletrônicos, ou seja, aplicações que serão amplamente utilizados e
difundidos pelas empresas.
O chamado online banking, ou a realização de transações financeiras por meio
da internet, já é quase tão popular no Brasil quanto nos Estados Unidos. O
principal responsável pelo desenvolvimento desse mercado eletrônico foi o
grande investimento em tecnologia feito pelos bancos. De acordo com Limeira
(2003), em 2000, o Banco do Brasil já tinha 2,6 milhões de clientes acessando
virtualmente seus serviços.
Modelos do negócio eletrônico
Os negócios eletrônicos têm várias subdivisões na sua integração com o ambiente
empresarial, de modo que modelos enfatizam seus aspectos, valor, benefícios
estratégicos e contribuições para o sucesso das empresas.
A partir da compreensão do ambiente, pode-se ter um posicionamento mais claro
quando ao(s) modelo(s) de negócio que se pretende adotar ou focalizar. Os
modelos de negócios do e-business são basicamente desenvolvidos por canais
comerciais, corretagens e publicidade.
Modelos que envolvem a comercialização de serviços ou produtos para as
pessoas físicas ou jurídicas podem ser baseados somente em negócios realizados
pela internet ou em uma loja tradicional. Existem cinco modalidades de comércio
virtual:
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 68
Comércio misto
Algumas empresas adotam o e-commerce como um canal adjacente para a
comercialização de seus produtos e ou serviços.
Comércio virtual
Empresas que têm o e-commerce como único canal de vendas, como a
Netshoes.com.
Comércio virtual puro
É a modalidade de algumas empresas que utilizam o e-commerce como canal de
vendas e a internet como canal de distribuição, (para efetivamente entregar seus
produtos e ou serviços).
Mercantil
Composta por organizações ou indústrias que utilizam seu portal e-commerce
para vendas de produtos.
Mercantil puro
Formada por indústrias que, pelo seu portal Web, negociam seus produtos
reduzindo a utilização de canais de terceiros, alterando a configuração dos canais
de distribuição convencionais.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 69
Atenção
Independentemente do modelo projetado para construir sistemas
de informação direcionados a apoiar a gestão dos negócios
eletrônicos ou mesmo do e-commerce, é importante a análise do
ambiente, o entendimento do macronegócio e, principalmente, o
planejamento dos processos logísticos. Deve-se ressaltar que,
nesse mercado que ainda se encontra em consolidação, novas
oportunidades estão surgindo.
Corretagem
No e-business são denominados facilitadores na internet. São modelos de
negócios como:
Leilões online
Portal vertical
Shopping virtual
Metamediários (negociadores financeiros)
Essas empresas, na maioria das vezes, obtêm suas receitas pela intermediação
de negociações na rede, e essas receitas podem ser unilaterais ou bilaterais.
Lojas Virtuais
Qualquer organização que utiliza uma plataforma virtual como forma de venda,
seja ela fabricante, atacadista ou varejista, está praticando varejo.
Lojas virtuais realizam vendas pela internet, por isso, como qualquer negócio,
precisam:
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 70
Atenção
Há outros modelos que representam as modalidades atuais dos
negócios na rede. Denominados broadcasting e utilizados
também pela televisão e pelo rádio, esses modelos oferecem
gratuitamente produtos e serviços, como informação ou
entretenimento, gerando grande volume de tráfego e obtendo
interação de anunciantes e do público em geral. São os portais
genéricos, portais especializados, blogs em geral.
Deve-se atentar, no entanto, para o fato de que a cada dia são
criadas novas configurações de empreendimentos para os
consumidores. Independentemente do modelo de negócio a ser
criado, alguns aspectos devem ser previamente estudados para
que o projeto tenha êxito. O principal é escolher o público-alvo
que pretende atingir.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 71
As lojas virtuais não diferem muito das lojas físicas quando se foca o consumidor,
que sempre espera ser bem atendido e encontrar o que almeja. Diante disso,
uma proposta efetiva de e-business deve disponibilizar sistemas práticos e
rápidos para que a compra seja finalizada com sucesso.
Na internet, embora não seja atendido por pessoas, o visitante vai interagir com
o sistema de compras que também deverá levá-lo a concluir a transação da forma
mais agradável, rápida e fácil.
Há, entretanto, um agravante: o consumidor online é extremamente exigente,
bem informado e sabe muito bem o que quer.
Para muitos, quando se ouve falar sobre negócios eletrônicos, já se faz alusão às
lojas virtuais. Quem nunca ouviu alguém dizer que fez uma compra pela internet,
alegando que os produtos são mais baratos que os produtos de lojas físicas, ou
que, antes de efetuar uma compra, foi realizada uma pesquisa (na internet) para
fazer comparações de preços? Percebe-se que as pessoas estão se acostumando
cada vez mais com as operações eletrônicas.
Por outro lado, o comércio eletrônico não representa apenas vantagens. Suas
desvantagens são:
• Nem toda a população utiliza a internet;
• O tempo que é perdido nas dificuldades de navegação e efetivação de
negócios;
• Erros de informação ainda são significativos;
• Pessoas com acesso restrito à rede ou com pouco contato com
computadores são os maiores prejudicados;
• Promessas de serviços 24 horas podem trazer graves problemas como
repercussão negativa ou falhas operacionais.
• Além disso, nem todo produto ou serviço é apropriado para exposição na
web.
A vitrine virtual depende do bom funcionamento do sistema.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 72
Cenário competitivo na era do comércio eletrônico
Embora o e-commerce tenha sido iniciado na década de 1990, naquela época a
internet ainda estava em fase de crescimento no Brasil, de forma que, no início
dos anos 2000, algumas empresas brasileiras ainda encontravam dificuldades
para obter capital e confiança nesses novos investimentos. Preocupados com o
risco de retorno sobre o investimento e com o novo mercado tecnológicos, os
investidores dificultavam o crédito.
Aos poucos, a visão conservadora com o novo mercado que emergia em meio ao
desenvolvimento tecnológico foi se diluindo face à grande possibilidade de novos
negócios tanto para os clientes quanto para as empresas que investiam no e-
commerce.
Enquanto o Brasil se encontra em fase de expansão para essa modalidade de
comércio, em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, Canadá e Japão, o
crescimento de usuários já se estabilizou.
O comércio eletrônico brasileiro segue em expansão, e segundo as projeções pela
consultora italiana Translated, em 2016 o Brasil terá o quarto maior e-commerce
mundial, podendo atingir um faturamento de cerca de 45 bilhões de reais.
De acordo com pesquisa do e-bit, em parceria com o Buscapé, o comércio
eletrônico no Brasil faturou 28 bilhões de reais em 2013, tendo um aumento de
24,5% em comparação ao ano anterior, quando registrou 22,5 bilhões de reais.
Em 2014 faturou 35,8 bilhões com projeções de 43 bilhões para 2015 e 45 bilhões
para 2016.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 73
Os números representam um crescimento contínuo, alcançado pelo esforço das
empresas em adquirir credibilidade, reflexo tanto da comunicação eficaz com
seus clientes quanto do cumprimento dos prazos e da entrega precisa dos
produtos. A logística desafia os empreendedores e persiste como um grande
quesito de qualidade. As categorias mais vendidas em 2013 foram:
• Moda e acessórios;
• Eletrodomésticos;
• Saúde e beleza;
• Informática;
• Livros e revistas.
Atenção
As compras coletivas representam uma modalidade de negócio
que tem como objetivo unir compradores (pessoas físicas ou
jurídicas) e organizar pedidos de alto volume, permitindo maior
poder de negociação entre empresas e compradores. Nesse caso,
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 74
o site que faz a intermediação dos compradores retém uma
porcentagem do valor negociado.
Aspectos competitivos do e-commerce
O e-commerce consiste na atividade de colocar a mercadoria desejada pelos
consumidores no lugar certo, na hora certa e com o preço certo, além de prover
serviços utilizando a plataforma da rede – a internet.
Isso sugere uma atividade extremamente dinâmica e competitiva. Empresas com
maior controle de mercado e que atuam no e-business tendem a ser mais
competitivas, a desenvolver estratégias diferenciadas com custos menores.
Com a utilização de tecnologia de ponta pode-se monitorar uma série de variáveis
ambientais externas:
• Ambiente socioeconômico;
• Avanço da tecnologia;
• Sistema ético e legal;
• Comportamento da concorrência;
• Comportamento dos consumidores;
• Comportamento do canal de distribuição.
Com isso, a empresa obtêm maiores informações do cenário competitivo em que
atua, o que pode render informações privilegiadas no desenvolvimento de seu
planejamento, nas estratégias, nos objetivos e metas, garantindo-lhe melhor
performance.
Oportunidades no e-business na visão dos empreendedores
Quando uma oportunidade de negócio é identificada, o empreendedor deve fazer
de tudo para não desperdiçá-la, já que o grande desafio está na maneira de
enxergá-la. As oportunidades de novos negócios estão presentes nos mais
variados setores e, quando se tem conhecimento ou visão de negócios, não é
difícil identificá-las.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 75
Todas as oportunidades de negócios requerem um bom planejamento, e os
fatores que envolvem essa atividade devem ser muito bem estudados e levados
em consideração antes de o empreendedor tomar sua decisão. Deve-se observar
que aquilo que pode ser uma oportunidade para alguns empreendedores pode
não ser para outros.
Para saber mais sobre identificação de oportunidades de negócio, acesse o
documento a04_t10.pdf.
Vantagens do e-commerce para empresas
Observe algumas vantagens do e-commerce para as empresas:
Diminuindo a importância geográfica dos territórios mercadológicos, o e-
commerce possibilita que micro, pequeno ou grande produtor tenham acesso
irrestrito ao mercado mundial, já que a internet permite que qualquer indivíduo,
de qualquer lugar, possa acessar qualquer mercado.
Apesar do alto custo na elaboração da criação e design de sites e homepages,
por se apresentar mais complexo do que o necessário para a confecção de um
catálogo impresso, seu custo de distribuição é inexistente.
Embora, pela própria natureza do e-commerce de extinguir as barreiras de tempo
e distância nas suas transações, sejam infinitas as facilidades de acesso aos
produtos, uma condição é que a empresa disponha de eficiente infraestrutura
tanto para a logística quanto para a estocagem. Isso gera confiabilidade ao
comprador cuja resposta rápida reflete na sua satisfação, de forma imediata.
O e-commerce facilita ainda a produção e os recebimentos Just in Time,
reduzindo os estoques por meio do desenvolvimento da automação e da redução
dos tempos para processamento.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 76
Finalmente, acrescenta-se a vantagem da melhoria da eficiência no atendimento
ao cliente, incluindo a entrega por demanda e a personalização das necessidades
dos clientes por meio de análise de seu perfil de consumo e fluxo de compras.
Um ambiente em que a concorrência ultrapassa o âmbito regional ou mesmo
nacional, e a acessibilidade é crescente, a falta de fronteiras desafia os processos
logísticos. As questões de maior impacto de competitividade do e-business estão
relacionadas à tecnologia, à cultura, aos processos organizacionais e à
infraestrutura.
A tecnologia é o fator individual de mudança de maior importância na
transformação das empresas. O impacto da tecnologia pode provocar a
transformação no trabalho das pessoas, na produção dos grupos, no desenho da
própria organização e no desempenho da empresa.
Negócios flexíveis e iterativos no e-commerce necessitam basicamente de:
• Facilidade de acesso;
• Facilidade de uso;
• Mensuração operacional da rede.
O futuro do e-commerce
Identificar tendências e adaptar-se a elas é uma das funções mais delicadas para
um gestor de e-commerce.
Observa-se, nos últimos anos, que o comércio eletrônico tem passado por
grandes mudanças, com o desenvolvimento de novas tecnologias, e isso tem
intensificado a influência no crescimento de outras modalidades de comércio
eletrônico.
Uma das principais tendências do e-commerce é o foco voltado para os
dispositivos mobiles, com maior integração com os consumidores e com as redes
sociais.
Nesse contexto, as tendências de inovação são diversas. Se, por um lado, as
frentes de lojas virtuais estão constantemente se modernizando, por outro,
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 77
ferramentas e técnicas da administração, marketing, logística e tecnologia da
informação agregam experiência aos usuários.
A utilização da interatividade e a cocriação promovem mudanças estéticas e
incentivam maior participação do usuário no fornecimento de informações.
Atenção
O Brasil é o quinto país em número de pessoas conectadas à
internet. Em 2014, já eram 80 milhões de internautas, dos quais
mais de 80% acessavam a rede para se conectar com amigos. As
redes sociais encabeçam a lista dos sites mais acessados.
Como tendências observadas, várias técnicas e ferramentas operacionais que
desenvolvem o aumento da participação do cliente são disseminadas:
Ao invés de tentar alcançar clientes novos, empresas estão utilizando os registros
de interatividade para trazer de volta aqueles potenciais clientes que já
acessaram sua loja virtual.
Facilitando a recolha de dados sobre os clientes, a personalização é uma forma
de identificar valores individuais e serve como um adicional para fazer os clientes
se sentirem especiais e importantes para seu negócio.
Os consumidores estão atingindo outro ponto de exigência: esperam que todos
os canais dos varejistas trabalhem perfeitamente alinhados com a finalidade de
prover a melhor experiência de compra.
Aumento da comunicação visual, pela utilização das imagens de convencimento
de compra. Como estão descobrindo que os consumidores precisam de mais do
que uma simples imagem para vender um produto, os varejistas estão aderindo
aos vídeos de demonstração para compensar o fato de que o cliente que compra
na loja virtual não tem como tocar fisicamente o produto ou vê-lo em ação.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 78
Para saber mais sobre o futuro do e-commerce, acesse o documento
a04_t12.pdf.
Atividade Proposta
Vamos fazer uma atividade!
Leia a matéria href="http://g1.globo.com/politica/noticia/2014/04/sancao-ao-
marco-civil-da-internet-e-publicada-no-diario-oficial.html" Sanção ao Marco
Civil da Internet é publicada no 'Diário Oficial' sobre a lei que estabelece
princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da rede no Brasil.
Após a leitura, faça a relação entre o Marco Civil da internet e as atividades de
E-business e E-commerce.
Chave de resposta
O Marco Civil da Internet está relacionado às relações de proteção de privacidade
e proteção da pessoa. Ainda não foi instituída uma legislação específica para os
negócios comerciais na internet.
Referências
ALBERTINA, L. A. Comércio eletrônico: Modelo, Aspectos e contribuições de
sua aplicação. São Paulo: Alas, 2000.
LIMEIRA, T. O marketing na internet com casos brasileiros. São Paulo:
Saraiva 2003.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 79
Exercícios de fixação
Questão 1
O que é comércio eletrônico – e-commerce?
a) Consiste na realização de negócios por meio da internet, incluindo a venda
de produtos e serviços físicos entregues off-line, e de produtos que podem
ser digitalizados e entregues online, nos segmentos de mercado
consumidor, empresarial e governamental.
b) São tipos de negócios que se comunicam eletronicamente uns com os
outros, utilizando a internet para a troca de informações que auxiliam as
empresas na condução de seus negócios.
c) É a evolução da tecnologia impulsionada pela evolução no mercado, a
difusão da internet, considerada uma evolução na comunicação eletrônica
que alterou a forma como as pessoas e organizações vivem e interagem.
d) Consiste na realização de negócios por meio da internet, incluindo a venda
de produtos e serviços físicos entregues online, e de produtos que podem
ser digitalizados e entregues off–line, nos segmentos de mercado
consumidor, empresarial e governamental.
e) É qualquer negócio realizado por meio da internet.
Questão 2
Os negócios eletrônicos possuem várias subdivisões da sua integração com o
ambiente empresarial. Modelos enfatizam seus aspectos, valor, benefícios
estratégicos e contribuições para o sucesso empresarial. Os modelos de negócios
do e-business são basicamente desenvolvidos por:
• Canais comerciais.
• Corretagens.
• Publicidade.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 80
a) I e II estão corretas.
b) Todas estão corretas.
c) Todas estão erradas.
d) II e III estão erradas.
e) II e III estão certas.
Questão 3
São modalidades de comércio virtual:
a) Comércio misto, comércio virtual, comércio virtual puro, mercantil e
mercantil puro.
b) Comércio misto, comércio virtual, comércio virtual limpo, comercio de loja,
e mercantil.
c) Comércio misto, comércio virtual, comércio puro varejo, mercantil e
mercantil puro.
d) Comércio difuso, comércio virtual, comércio virtual puro, mercantil e
mercantil puro.
e) Comércio misto, comércio virtual, comércio puro varejo, mercantil e
mercantil puro.
Questão 4
São modelos de negócios chamados no <em>e-business</em> de facilitadores
na internet, tais como: shopping virtual, leilões online, portal vertical,
metamediários (negociadores financeiros). Na maioria das vezes obtêm suas
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 81
receitas pela intermediação de negociações na rede. Essas receitas podem ser
unilaterais ou bilaterais.
a) Canais comerciais.
b) Corretagens.
c) Publicidade.
d) Comércio misto.
e) Comércio virtual puro.
Questão 5
Modelos utilizados também pela televisão e pelo rádio, denominados de
“broadcasting”, oferecendo produtos e serviços gratuitamente como informação
ou entretenimento gerando grande volume de trafego e obtendo interação de
anunciantes e públicos em geral. Suas variantes são: portais genéricos, portais
especializados e gratuidade, blogs em geral.
a) Canais comerciais.
b) Corretagens.
c) Publicidade.
d) Comércio misto.
e) Comércio virtual puro.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 82
Notas
Just in Time: Just in Time é um sistema de administração da produção que
determina não produzir, transportar ou comprar antes da hora exata, o que
ajuda a reduzir estoques e custos.
Kanban: Termo japonês cuja tradução é cartão ou sinalização significa um
sistema de controle visual autorregulador.
Lean: Desprovido do supérfluo, sem gordura.
Setup: Termo da língua inglesa que significa configuração, instalação,
organização ou rotulagem.
Trade-off: Trocas determinadas por escolhas, nem sempre relacionada ao
ganha-ganha.
Chaves de resposta
Aula 1
Exercícios de fixação
Questão 1 - A
Justificativa: Proteína de soja da Solae é um produto barato ofertado nas favelas
da Índia para combater a desnutrição. Foi desenvolvido para a população de
baixa renda e possui alto teor de nutrição. A grande falha foi que seu
desenvolvimento se deu com foco apenas no produto e não nas preferências e
hábitos de consumo de seu público alvo. A proteína da soja da Solae não vendeu
simplesmente por não ser um produto adaptado aos hábitos de consumo da
população de baixa renda da índia.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 83
Questão 2 - E
Justificativa: A produção enxuta, quando comparada à produção em massa,
utiliza: menos esforço dos operários, menor espaço da fábrica, menor
investimento, redução das horas de planejamento e desenvolvimento de novos
produtos; além de exigir também menores estoques que, por sua vez,
apresentam menos defeitos, baixos custos e crescente variedade de produtos
para melhor atendimento de clientes.
Questão 3 - E
Justificativa: A produção enxuta, quando comparada à produção em massa,
utiliza: menos esforço dos operários, menor espaço da fábrica, menor
investimento, redução das horas de planejamento e desenvolvimento de novos
produtos; além de exigir também menores estoques que, por sua vez,
apresentam menos defeitos, baixos custos e crescente variedade de produtos
para melhor atendimento de clientes.
Questão 4 - E
Justificativa: A mudança no padrão da demanda se deu por causa do fato de que
os clientes passaram a preferir a exclusividade, o conforto e o status que um
veículo pode oferecer. Com o aumento da disponibilidade do dinheiro no mercado
e a diversificação da oferta, os consumidores passaram a preferir produtos
diferenciados. A mudança no padrão da demanda se deu devido ao fato de que
os clientes passaram a preferir a exclusividade, o conforto e o status que um
veículo pode oferecer. Com o aumento da disponibilidade do dinheiro no mercado
e a diversificação da oferta, os consumidores passaram a preferir produtos
diferenciados.
Questão 5 - E
Justificativa: Preço é o que se paga por um produto ou serviço. Valor é o que se
leva ao adquirir um produto ou serviço.
Questão 6 - B
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 84
Justificativa: O conceito da lean nos processos logísticos, ou logística enxuta,
parte de três conceitos: melhoria dos processos; redução dos estoques;
sincronização dos processos. Para uma empresa implementar os conceitos de
lean em seus processos logísticos, deve atacar essas três frentes, que não são
mutuamente excludentes.
Questão 7 - C
Justificativa: Para que não haja risco de a sua demanda não ser atendida, seu
estoque nunca pode ter menos do que 200 televisores. Essa contagem,
atualmente, pode ser feita por ferramentas de tecnologia, como softwares
especializados.
Questão 8 - E
Justificativa: O estoque representa uma armazenagem de mercadorias com
previsão de uso futuro. Tem, como objetivo, atender a demanda, assegurando-
lhe a disponibilidade de produtos. No entanto, sua formação é onerosa, uma vez
que representa uma grande parcela dos custos totais da empresa. Estamos diante
de um trade-off (trocas determinadas por escolhas, nem sempre haverá a relação
ganha-ganha, nos trade-off há uma relação perde-ganha). Por um lado, o
estoque tem por finalidade melhorar o nível de serviço, incentivar economias na
produção, permitir economia de escala nas compras e no transporte, agir como
proteção contra aumentos de preço, proteger a empresa contra incertezas na
demanda e no tempo de ressuprimento e servir como segurança contra
contingências; por outro representa custo.
Questão 9 - E
Justificativa: Melhorar processos é algo mais do que necessário no atual cenário
competitivo das organizações. Processos são maneiras de fazer alguma coisa.
Envolve a transformação de um insumo em um produto final. Pensamento que
pode ser estendido aos serviços também. No desenvolvimento de um processo,
a matéria-prima é transformada e a ela agregado o valor que diferenciará um
produto de outro ofertado no mercado. Melhorar o processo nada mais é que
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 85
fazer mais com menos desperdício. Inclui a possibilidade de inovar, thinking
outside the box, no português pensar fora da caixa. Propor soluções práticas,
com criatividade e economia. Que visam a excelência e a satisfação dos clientes.
Questão 10 - E
Justificativa: Com a sincronia dos processos automaticamente se tem redução de
estoques em processo, de produtos acabados e de matérias-primas. Há ainda
uma redução dos custos de fabricação e de armazenamento. Os colaboradores
são envolvidos no processo e há aumento na satisfação no trabalho, melhoria da
autoestima dos funcionários, desenvolvimento do espírito de equipe. É uma
busca contínua pela melhoria da qualidade e da produtividade, o que os
japoneses chamam de Kaizen.
Aula 2
Exercícios de fixação
Questão 1 - B
Justificativa: A ferramenta do 5s é uma ferramenta do sistema de qualidade e
não do sistema Toyota de produção.
Questão 2 - C
Justificativa: O Kanban é um sistema de controle visual autorregulador, a
tradução literal da palavra Kanban do japonês para o português é cartão ou
sinalização. É um conceito relacionado com a utilização de cartões para indicar o
andamento dos fluxos de produção em empresas de fabricação em série. Nesses
cartões são colocadas indicações sobre uma determinada tarefa, por exemplo,
“para executar”, “em andamento” ou “finalizado”. A utilização de um sistema
Kanban permite um controle detalhado da produção com informações sobre
quando, quanto e o que produzir.
Questão 3 - D
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 86
Justificativa: Por muito tempo, o estoque foi considerado um mal necessário, não
tendo sido dada a ele a necessária atenção por parte da gerência de produção.
O questionamento do por que ele era necessário revelou que manter estoques
era na verdade, um tremendo desperdício. Isso trouxe como consequência a
determinação de eliminar o estoque e o nascimento do conceito Just in Time.
Just in time é um sistema de administração da produção que determina que nada
deve ser produzido, transportado ou comprado antes da hora exata. Objetiva
reduzir estoques e os custos decorrentes.
Questão 4 - A
Justificativa: O Sistema Toyota de Produção enfatiza a necessidade de eliminar a
perda por superprodução. Somente a produção em pequenos lotes é capaz de
lidar com demanda de alta diversidade e pequeno volume, a adoção de setups é
um pré-requisito essencial.
Questão 5 - A
Justificativa: O Sistema Toyota de Produção apresenta como características
principais o princípio da minimização de custos, melhor resposta à demanda por
meio da produção contrapedido, aceita o desafio da redução do custo de mão de
obra e reconhece vantagens de usar máquinas que sejam independentes dos
trabalhadores. Acompanhando a construção desse sistema revolucionário de
produção, o desenvolvimento do sistema Kanban proporciona uma técnica de
controle simples, poderosa e altamente flexível. A Toyota transformou um
sistema de produção tradicionalmente passivo e conciliatório, investigando as
origens da produção convencional e derrubando crenças comumente aceitas para
construir um novo sistema calcado em conceitos que jamais haviam sido antes
utilizados.
Questão 6 - E
Justificativa: O controle visual deverá ser utilizado para que os problemas não
passem despercebidos.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 87
Questão 7 - A
Justificativa: O conhecimento dos conceitos por trás das técnicas do Sistema
Toyota de Produção é crucial para o sucesso na sua implantação. Uma meta
fundamental desse sistema é o estoque zero. Nas condições de trabalho reais, o
estoque proporciona um amortecimento entre oferta e demanda, protege a
empresa contra eventuais falhas do processo produtivo e outras irregularidades
relativas as programações e prazos de entrega. Uma mudança abrupta para a
produção com estoques zero iria, provavelmente, resultar em grande confusão
no chão de fábrica. Não é o fato de reduzir os estoques simplesmente, e sim
evoluir os processos produtivos para minimizar a necessidade de estoques além
nos níveis de sergurança.
Questão 8 - A
Justificativa: O Sistema Toyota de Produção é direcionado para a produção
contrapedido e com estoque zero, capaz de satisfazer a demanda por entregas
rápidas, sua implantação deve ser realizada de forma contínua e programda a
fim de evitar efeitos colaterais.
Questão 9 - B
Justificativa: Kaizen: “Hoje melhor do que ontem e pior do que amanhã”. O kaizen
se traduz em melhoria contínua. Para os japoneses, cada dia que nasce, traz
consigo a possibilidade real do aprimoramento.
Questão 10 - D
Justificativa: Um sistema do tipo Warehouse Management System (WMS), ou
Sistema de Gerenciamento de Armazém, é uma parte importante da cadeia de
suprimentos (ou supply chain) e fornece a rotação dirigida de estoques, diretivas
inteligentes de picking, consolidação automática e cross-docking para maximizar
o uso do valioso espaço dos armazéns. O sistema também dirige e otimiza a
disposição de "put-away" ou colocação no armazém, baseado em informações
de tempo real sobre o status do uso de prateleiras. (Donath, 2002, p. 134)
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 88
Aula 3
Exercícios de fixação
Questão 1 - D
Justificativa: Um bom produto e um preço adequado não são suficientes para
assegurar vendas. É necessária a existência de uma forma eficiente de conduzir
os produtos até os compradores finais. O conjunto das ações de produção,
marketing e logística é que garantirão o sucesso do negócio.
Questão 2 - E
Justificativa: A distribuição engloba todo o fluxo das mercadorias desde os
produtores até os consumidores finais, e envolve basicamente duas áreas de
decisões, a distribuição física e os canais de distribuição. Na distribuição física,
são consideradas as decisões de transportes, armazenagens, distribuição. Pode
se dizer que são as decisões logísticas que envolvem o produto. Na determinação
dos canais de distribuição consideram-se as decisões referentes aos caminhos
que os produtos devem seguir até chegar ao consumidor final.
Questão 3 - A
Justificativa: No Brasil, o varejo se desenvolveu a partir da colonização do país,
no Brasil colônia o comércio era dependente de Portugal. Os portugueses
controlavam as operações em sua conquista. As “companhias de comércio”
tiveram importante atuação em nosso mercado. Foram criadas com o objetivo de
atingir uma economia de escala, porém, provaram sua ineficiência. Muitos
produtos eram adquiridos no oriente, seguiam para a Europa e depois vinham
para o Brasil.
Questão 4 - D
Justificativa: As lojas de departamento manuseiam vários itens diferentes de
mercadorias tais como acessórios femininos, masculinos e infantis, acessórios do
lar, entre outros. Pode se dizer que se trata de várias lojas de especialidades sob
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 89
o mesmo teto. Conforme o próprio nome diz a venda e a compra são
departamentalizadas.
Questão 5 - A
Justificativa: No escopo da distribuição física, incluem-se as decisões de
transporte e armazenagens, além das decisões de canais de distribuição as quais
serão tratadas no segundo objetivo desta aula.
Questão 6 - A
Justificativa: A cadeia logística abrange a cadeia de abastecimento, a logística
interna, relativa aos processos internos de produção, e a cadeia de distribuição.
É o grupo de fornecedores que supre as necessidades de uma empresa na criação
e no desenvolvimento dos seus produtos. Pode ser entendida também como uma
forma de colaboração entre fornecedores e consumidores para a criação de valor.
A cadeia logística, no entanto, não está limitada ao fluxo de produtos ou
informações no sentido Fornecedor -> Cliente. Existe um fluxo de informação, de
reclamações e de produtos, entre outros, no sentido Cliente -> Fornecedor.
Existem empresas na cadeia logística que desempenham funções diferentes.
Umas empresas são produtoras, distribuidoras ou revendedoras; outras
empresas ou individuais são clientes (consumidores finais de um determinado
produto).
Questão 7 - E
Justificativa: A melhor configuração da rede logística é aquela que promove o
menor custo logístico total (incluindo custos de produção, estocagem, manuseio
e custos fixos de armazenagem, custos de compra e transportes) sujeito ao nível
de serviço ao cliente desejado.
Questão 8 - E
Justificativa: A determinação da rede logística envolve considerações de trade-
offs. Um aumento do número de armazéns, por exemplo, leva geralmente a: Um
aumento do nível de serviço, pela maior proximidade com o consumidor; um
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 90
aumento dos custos de estocagem, pois o estoque fica duplicado em mais
pontos; um aumento dos custos fixos de estocagem e de manuseio e uma
redução dos custos de entrega – outbound (consumidor mais próximo do
depósito); um aumento dos custos de fornecimento para o depósito – inbound
(maiores distâncias entre fornecedores, fábricas e depósitos).
Questão 9 - B
Justificativa: Por canal logístico se entende o caminho que o produto irá percorrer
de sua origem, manufatura, até o varejista. O canal logístico é constituído por
vários elementos que formam a cadeia de distribuição. E é definido em função
da estratégia competitiva adotada pela empresa. Nesse ponto que se define a
forma é que será realizada a distribuição física dos produtos. Definindo-se o canal
logístico, define-se a topologia da rede logística.
Questão 10 - E
Justificativa: O canal de distribuição pode ter N níveis de extensão: Canal de nível
zero: não existe intermediário entre a fábrica e o consumidor final. Exemplo:
Avon e Natura. Canal de nível 1: Existe um intermediário. Por exemplo:
supermercado, que compra dos fabricantes e revende ao consumidor. Canal de
nível 2: Neste caso, existem dois intermediários. Os pequenos supermercados,
por exemplo, compram dos atacadistas, que compras das fábricas. Os canais
podem ser centralizados ou descentralizados. Cadeias descentralizadas: cada elo
da cadeia coordena seus estoques e realiza os pedidos de produtos para os seus
fornecedores bem como o envio para seu cliente imediato. Cadeias centralizadas:
um elo da cadeia coordena os estoques e os envios de produtos entre os elos da
cadeia.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 91
Aula 4
Exercícios de fixação
Questão 1 - A
Justificativa: Consiste na realização de negócios por meio da internet, incluindo
a venda de produtos e serviços físicos entregues off-line, e de produtos que
podem ser digitalizados e entregues online, nos segmentos de mercado
consumidor, empresarial, e governamental.
Questão 2 - C
Justificativa: Os modelos de negócios do e-business são basicamente
desenvolvidos por canais comerciais, corretagens e publicidade.
Questão 3 - A
Justificativa: Existem cinco modalidades de comércio virtual: comércio misto,
comércio virtual, comércio virtual puro, mercantil e mercantil puro.
Questão 4 - B
Justificativa: Corretagens são modelos de negócios chamados no e-business de
facilitadores na internet como: shopping virtual, leilões online, portal vertical,
metamediários (negociadores financeiros). Na maioria das vezes, obtêm suas
receitas pela intermediação de negociações na rede. Estas receitas podem ser
unilaterais ou bilaterais.
Questão 5 - C
Justificativa: Corretagens são modelos também utilizados pela televisão e pelo
rádio, denominados de “broadcasting”, oferecendo produtos e serviços
gratuitamente como informação ou entretenimento gerando grande volume de
trafego e obtendo interação de anunciantes e públicos em geral. Suas variantes
são: portais genéricos, portais especializados e gratuidade, blogs em geral.
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 92
Conteudista
Luciana Bellini Rangel é Doutoranda em Administração pela PUC Rio. É Mestre
em Engenharia da Produção, com área de concentração em Planejamento e
Custos – Gestão de Negócios pela Universidade Federal de Santa Catarina. É
Especialista em Gestão Estratégica da Produção, pela Universidade Federal de
Juiz de Fora. Possui Graduação em Administração. Há quinze anos tem atuação
executiva em empresas no segmento de logística. Possui treze anos de docência
no Ensino Superior, atualmente na Graduação Faculdade Estácio de Sá Juiz de
Fora nos Cursos de Administração, Logística, Marketing, Recursos Humanos.
Patronesse jan. 2013 e dez. 2005. Professora Homenageada em jul.2014, jan.
2013 e jan2012. Possui Pós-graduação pelo Ibmec, RJ.
Currículo Lattes:
href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4480479Y5"
http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4480479Y5
LEAN LOGISTICS, LOG. VAREJO E NEG. ELETRÔNICO 93