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Evolução do Direito Administrativo em Moçambique

O documento descreve a evolução histórica do Direito Processual Administrativo Contencioso em Moçambique, desde o período colonial até a atualidade. Aborda as principais fases de inspiração colonial e moçambicana, bem como a reforma de 2001 que estabeleceu novas normas processuais neste ramo do direito.

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Claida Candido
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Evolução do Direito Administrativo em Moçambique

O documento descreve a evolução histórica do Direito Processual Administrativo Contencioso em Moçambique, desde o período colonial até a atualidade. Aborda as principais fases de inspiração colonial e moçambicana, bem como a reforma de 2001 que estabeleceu novas normas processuais neste ramo do direito.

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1.

Introdução

presente trabalho objetiva realizar um breve histórico acerca do direito


administrativo contencioso, falaremos sobre o direito processual administrativo
contencioso, DPAC, mais concretamente sobre o seu nascimento e desenvolvimento
em Moçambique, considerando duas grandes fases: a fase de inspiração colonial e a
de inspiração moçambicana. A sua abordagem se justifica por ser um instrumento
essencial utilizado pelos tribunais na resolução de lití[Link] Gilles CISTAC, O
processo administrativo contencioso aparece como indispensável à realização
concreta dos direitos subjectivos públicos ou, de forma mais geral, como qualquer
processo contencioso, à realização contenciosa dos direitos, no sentido da sua
realização em juízo. A essência do Estado de Direito é mesmo de tutelar os direitos
positivos subjectivos. Assim, o processo administrativo contencioso participa para a
efectividade dos direitos. As regras do processo administrativo contencioso
constituem uma garantia essencial dos justiciáveis. Assim, as interferências do
procedimento administrativo contencioso com a protecção dos direitos substanciais
e a exigência da efectividade dos direitos constituem fundamentos sólidos do seu
estudo.

1
2. Metodologia

No presente estudo, adotou-se como principais fontes de pesquisa: livros, trabalhos


académicos, artigos científicos, regulamentos e avulsos, bem como consultas á
internet, cujo aporte técnico direcionou a operacionalização do conhecimento.

2
3. Objectivos
3.1. Geral
 Acompanhar a evolução do Direito Processual Administrativo Contencioso.
2.1. Específicos
 Descrever e desenvolver acerca do Direito Processual Administrativo
Contencioso.

3
4. Conceito do DPAC

Contencioso administrativo é um sistema de controle da Legalidade dos actos


administrativos, que tem como objectivo julgar conflitos de interesses entre órgãos da
administração pública ou entre esses órgãos e particulares.

O Contencioso Administrativo é todo processo realizado na via administrativa, ou seja o


sistema que tem a intenção de resolver problemas de natureza administrativa.

Contencioso administrativo pode ser definido como sendo: Uma via judicial plenária e
eficaz para que administração, como gerente fiduciário que é de pessoas, torne efetiva
sua responsabilidade ou presente de conta perante os cidadãos, eliminando todas as os
velhos obstáculos enraizados na tradição de isenção da justiça do antigo poder público,
distante e absoluto, e demolindo tudo técnicas sucessivas e tenazes de prevenir, limitar
ou condiciona a plenitude do saber judicial que por dois séculos passaram
sucessivamente aparecendo.

ORIGEM DO DIREITO ADMISTRATIVO

É importante referir antes de mais a origem do Direito Administrativo, este surgiu na


França no fim do século XVIII e início do século XIX, tendo seu reconhecimento como
ramo autônomo do direito no início do processo de desenvolvimento do Estado de
Direito, calcado no princípio da legalidade e da separação dos [Link]
ressaltar que devido à criação do Estado de Direito e a sua conseqüente necessidade de
garantir um mínimo de segurança na relação entre Administração Pública e os
administrados, foi preciso criar ramos autônomos do direito para regular a relação
supracitada, cabendo ao direito administrativo delimitar funções e organizar as idéias
governamentais para assegurar os direitos decorrentes da mencionada relação,
garantindo os interesses gerais da coletividade, chamados de interesse público.

[Link]ção histórica do Direito Processual Administrativo Contencioso

4
O surgimento e a evolução histórica do Direito Processual Administrativo
Contencioso em Moçambique cinge, de uma forma geral, a história geral do país
isto é, para simplificar, um período colonial e um período pós-colonial. Mas, a
coincidência não é total e perfeita em termos de duração porque, depois da
independência do país em 1975, influência do direito colonial será sempre presente até
a grande reforma do ano 2001 que culminou com a aprovação, pelo Parlamento, da Lei
sobre o Processo Administrativo Contencioso.

Assim, será, previamente, necessário estudar um período em que o Direito


Processual Administrativo Contencioso é um direito tipicamente colonial ou de
inspiração colonial, antes de apresentar a reforma substancial do ano 2001 que visa
instituir novas normas processuais neste ramo do direito processual.

I. Direito processual administrativo contencioso colonial ou de inspiração colonial


(1832-2000).

Durante muito tempo, pelo menos até 1856, nas capitanias e nos novos Estados, na
então Província Ultramarina de Portugal, Moçambique, os conflitos resultantes da
administração pública exercida nessas capitanias e Estados eram fundamentalmente
resolvidos através das garantias graciosas, do que contenciosas.

As contestações dos súbditos sobre decisões administrativas tomadas pelos governantes


no exercício das suas funções eram dirigidas aos soberanos, os quais decidiam de forma
pessoal e discricionária, com base num direito criado racionalmente pelo Rei, na
qualidade de órgão simultaneamente executivo, legislativo e jurisdicional, o que fazia
confundir a justiça com as decisões recaídas sobre aqueles recursos graciosos. Não
existia, pois, separação de poderes, nem da justiça administrativa da privada.

Como refere Gilles CISTAC, é apenas a partir da aprovação da portaria provincial nº


395, de 18 de Fevereiro de 1856, que manda considerar em vigor o código
administrativo de 18 de Março de 1842, que aparecerem mudanças substantivas, do
ponto de vista jurídico, na história do contencioso administrativo na Província
Ultramarina de Moçambique. Foi assim que se introduziu em Moçambique o sistema
administrativo Executivo, como um modo de resolução de litígios administrativos
original, através de um órgão específico, o Tribunal Administrativo, com regras
processuais, por parte, distintas das do Código de Processo Civil, CPC.

5
Ainda de acordo com Gilles CISTAC, desde então até 1932, o sistema foi marcado por
várias alterações, sendo de destacar, no que interessa ao presente trabalho, as seguintes:

 O Decreto de 1 de Dezembro de 1869 - chama, pela primmm ira vez, de tribunal


administrativo ao conselho de Província que então administrava os conflitos
administrativos;
 O Decreto de 2 de Setembro de 1901 - estabelece a tramitação processual dos
recursos dos actos e decisões das autoridades administrativas das Províncias
Ultramarinas e a forma de processo, a interposiçãoe seguimento dos recursos
para o Supremo Tribunal Administrativo, naquilo CISTAC considera como
sendo a materialização do progresso em matéria de controlo dos actos
administrativos praticados pelas autoridades provinciaise a restrição da
autonomia decisional destas autoridades;
 O Decreto de 23 de Maio de 1907, que trata da reorganização administrativa da
Província Ultramarina de Moçambique - descentraliza os poderes de grau para
grau e concenta autoridade em cada grau, o que teve reflexos no Conselho de
Província de Moçambique, ao alterar a sua composição e alargar as suas
competências;

 O Decreto nº 164, de 14 de Outubro de 1913, que reorganiza os Serviços do


Conselho de Província de Moçambique - torna o Conselho mais judicial e mais
profissional, fazendo-o ser composto por todos os juízes da Relação de
Moçambique, reforçando o respectivo corpo administrativo, introduzindo
gratificações aos juízes e vogais;

II. Direito processual administrativo contencioso de inspiração Moçambicana

Moçambique tornou-se independente no dia 25 de Junho de 1975, adquirindo o estatuto


jurídico de Estado soberano, guiado fundamentalmente pela Constituição da República
Popular de Moçambique, CRPM. Por força do artigo 203 da CRPM, toda a legislação
colonial que não contrariasse aquele instrumento jurídico fundamental da nação
mantinha-se em vigor. Neste sentido, no âmbito do DPAC a RAU manteve-se

6
em vigor até à aprovação e entrada em vigor da Lei nº 9/2001, de 7 de Julho, Lei do
Processo Administrativo Contencioso, LPAC 2001, marcada fundamentalmente pelos
princípios do inquisitório, do contraditório, por um processo escrito e não formalista e
pelo processo influenciado pela existência de um justiciável público,
segundo Gilles CISTAC. De acordo com Gilles CISTAC, de 1975 a 1993, o Tribunal
Administrativo foi impossibilitado de julgar e desenvolver qualquer actividade
jurisdicional. Além disso, o diploma que regulamentava o contencioso administrativo
nessa altura a RAU não foi reeditado e não foi objecto de uma ampla divulgação
depois
da independência, o que prejudicou muito, por um lado, o seu conhecimento, e por outro
lado, o acesso à própria justiça administrativa.

Embora, genericamente, a CRPM fizesse menção aos ideais da justiça, especialmente da


justiça dos tribunais, não fazia referência em nenhuma norma sua ao Tribunal
Administrativo. Esta situação durou até à entrada em vigor da seguinte Constituição da
República de Moçambique, de 1990, CRM de 1990, que constitucionalizou o tribunal
administrativo na Pátria Amada. Efectivamente, se por um lado a CRM de 1990
continha disposições que tratavam dos tribunais em geral, por outro continha os que se
ocupavam da justiça administrativa em especial. Fruto da previsão constitucional em
1990 do Tribunal Administrativo, em 1992 foi aprovada a lei nº 5/92, de 6 de Maio –
Lei Orgânica do Tribunal Administrativo, LOTA, com o objectivo de contribuir para a
materialização das normas constitucionais sobre esta jurisdição mas, na prática, o
Tribunal Administrativo só iniciou as suas actividades em 1994, usando como direito
adjectivo especial a RAU. Ou seja, embora tecnicamente a RAU estivesse em vigor,
materialmente este diploma estava hibernado, na parte relativa ao contencioso
administrativo, da independência até 1994, pois, não existia nenhum Tribunal
Administrativo para a sua aplicação. Ainda de acordo com CISTAC, além do comando
legal que impunha uma reforma legal nesta matéria (artigo 46 da Lei nº 5/92 de 6 de
Maio), o direito colonial herdado não se adequava à nova realidade do País. A RAU
apresentava dificuldades na sua aplicação, designadamente, quanto à necessária
celeridade processual e à melhor protecção dos direitos subjectivos dos administrados».
Além disso, continua o autor, as profundas alterações às atribuições do Tribunal
Administrativo no contencioso administrativo, consagradas na lei nº 5/92, de 6 de Maio,
nomeadamente, a introdução de figuras e institutos jurídicos até então inexistentes no

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quadro legal (por exemplo: os pedidos de suspensão da eficácia dos actos
administrativos, de intimação à autoridade administrativa para facultar a consulta de
documentos ou processos e passar certidões ou a particular ou a concessionário para
adoptar ou se abster de determinada conduta), implicavam uma imperiosa necessidade
de reformular o direito adjectivo, de modo a que o direito substantivo fosse melhor
agilizado ou servido». É neste contexto que se aprova e entra em vigor a LPAC de 2001.
Com a aprovação da Constituição de 2004, que trouxe algumas alterações na jurisdição
administrativa, houve necessidade de se aprovar a lei nº 24/2013, de 1 de Novembro,
concernente ao Melhoramento do Controlo da Legalidade dos Actos Administrativos,
bem como à Fiscalização da Legalidade das Receitas e Despesas Públicas», adiante
designada Lei do Tribunal Administrativo, LTA, a qual revogou a lei 25/2009, de 26 de
Setembro, que por sua vez revogara a lei nº 5/92, de 6 de Maio, ambas com idêntico
objecto. Actualmente, o processo administrativo contencioso é regulado pela lei nº
7/2014, de 28 de Fevereiro, que regula os Procedimentos atinentes ao Processo
Administrativo Contencioso, adiante designado LPAC, consequência
das alterações havidas nas leis substantivas administrativas e jurisdicionais – LPA e
LTA, respectivamente.

A pré -história do Direito Processual Administrativo Contencioso (...-1831)

Não se pode conceber uma administração sem litígio, seja esse fruto de conflitos
internos ou consequências de actividades susceptíveis de prejudicar particulares. Mas
pode - se conceber modos de resolução de litígios administrativos não jurisdicionais,
por um lado, e particularmente sem a intervenção de qielquer jurisdição administrativa
ou jurisdicional, mas na ausência de uma jurisdição privativa e original do contencioso
administrativo, por outro lado. Essas premissas fundamentam a possibilidade de
existência de modalidades de resolução do contencioso administrativo lato senso, antes
do próprio surgimento de tribunais especiais encarregados de dirimir litígios
administrativos segundo um direito próprio distinto do direito privado. 2.2. A resolução
dos litígios administrativos na administração de Moçambique antes de 1832Antes de
1675, a coroa Portuguesa, instituiu, na colônia Moçambique um sistema específico de
"Governo" - a "capitania", com finalidade de administrar o monopólio real do ouro e do
marfim. Um contrato complexo celebrado entre a coroa e o "Capitão" determinava as
obrigações de cada parte, mas particularmente, o último devia controlar os navios, os
fortes e os assentamentos, zelar pela feitoria rela e pagar uma contribuição anual algo

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avulta enquanto que a primeira comprometeu - se a conceder direitos vastos, embora
bem definidos, setores de comércio efectuando na África Oriental. Nesta altura
desaparece o “monopólio do capitão” e em meados do século XVII dá-se uma
acentuação do processo de centralização do poder central. Ainda assim, e até 1752,
altura em o Governo de Moçambique é separado de Goa, os territórios continuam a ser
administrados de um modo quase medieval já que os magistrados que administravam a
justiça eram seleccionados pelo rei: eles eram os ouvidores que auxiliavam/assistiam os
capitães. É apenas a partir da aprovação da portaria Provincial n.° 395, de 18 de
Fevereiro de 1856 que "Manda considerar em vigor o Código Administrativo de 18 de
Março de 1824", que apareceram mudanças substanciais, do ponto de vista jurídico, na
história do contencioso administrativo na província ultramarina de Moçambique. 3.
Resolução de litígios administrativos nos "novos Estados" No seu estudo publicado em
1985 sobre a justiça dos Madhalim e a justiça administra moderna, YADH BEN
ACHOUR, além dos ensinos puramente factuais, traça alguns princípios e
metodológicos extremamente pertinentes numa perspectiva comparatista em termos de
instituições aparentemente muito distintas: a justiça dos Madhalim e a justiça
administrativa moderany. São esses princípios que é, preciso realçar como pressupostos
Metodológicos duma comparação, neste período "pré -histórico" do Direito Processual
Administrativo Contencioso, entre o parelho da administração colonial na província de
Moçambique e dos novos estados que concerne a resolução não jurisdicional do
contencioso da Administração Pública. Os modos de resolução de conflitos
administrativos nos "Estados novos", não teve tempo de evoluir como evoluirá o
sistema português depois da influência francesa através da importação dos sistema da
administração executiva ou regime administrativo ou de se aperfeiçoar no sentido dos
surgimento de uma justiça reservada, para uma justiça administrativa delegada e
separada da Administração Pública e do Poder Executivo.

[Link] recepção do sistema de administração executiva em Portugal até o


surgimento de um jurisdição administrativa em Moçambique (1832-1856)

A influência do direito francês está na origem da recepção dos sistemas de


administração executiva em Portugal e, por via de consequência na província de
Moçambique, o que originará o surgimento de uma justiça administrativa.

4. A influência profunda do direito francês

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O Administrativo Contencioso surge, em França, como instrumento de uma política
de fortalecimento do Estado e do Absolutismo real, o que teve influências profundas
em relação aos caracteres gerais. A partir do início do séc XII a política real consiste
em fortalecer o seu próprio domínio e iniciar daí, a reconquista territorial e política
do reino, ela será apoiada, pela Igreja e pelos municípios que reivindicam a sua
emancipação. A doutrina da unicidade do poder e o princípio da autoridade absoluta
do Estado implicaram uma separação entre as funções judiciário a e administrativa.
Isto significa ir Administração Pública não devia ser mais considerada como um
prolongamento da justiça, mas como uma actividade específica e pertencente ao
Governo.

[Link] nascimento da Justiça administrativa à aprovação da reforma


administrativa Ultramarina (1856-1932)

A aprovação da portaria n.° 395, de 18 de Fevereiro de 1856, marca formalmente a data


do nascimento de uma justiça administrativa em Moçambique, no sentido moderno da
palavra, e por via de consequência de um Direito Processual Administrativo
Contencioso. A reforma administrativa instituída pelo decreto 01 de Dezembro de 1869
visava introduzir "Uma prudente descentralização" de forma a dar especial mais amplo
à iniciativa local. Como refere claramente, o aludido diploma "em províncias assim
constituídas a influência do poder central ainda aproveita muito, mas regulada de modo
que a acção empregada com vantagem, concorrendo com a inteligência e com as forças
para a criação e direcção dos aperfeiçoamentos mais necessários como as obras
públicas, a instrução, a educação, a beneficência e a sua pública ". O contencioso
administrativo permanece um Contencioso de "actos" e não de "actividades". É o
julgamento das "reclamações " e "recursos" que dominam a actividade jurisdicional do
Tribunal Administrativo de então. O princípio do contraditório é expressamente
mencionado nas disposições relativas ao processo de julgamento. No seu princípio, está
norm traduz uma exigência da democracia e contribui para esclarecer o estado de
direito, ao mesmo tempo que permite as partes apreciar as possibilidades de sucesso de
uma eventualidade via de recurso. A proibição do Non liquet, que será também
formalmente consagrado pelo Art 709 da RAU, é estabelecido pelo Art 71 da portaria.
A estruturação da instituição jurisdicional administrativa prossegue no sentido de uma
recionalizacao das tarefas que lhe são incumbidas e o conjunto de normas processuais
estabecidos no princípio do século XXI e a constituirão o fundo do Direito Processual

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Administrativo Contencioso até a aprovação da RAU que consagrará a maior parte
dessas regras processuais, apresar do intermediário de dois anos (1924-1926) durante o
qual foi extinto o tribunal Administrativo, Fiscal e de contas. [Link] reforma
Administrativa Ultramarina à aprovação da Lei n.9/2001, de 7 de julho (1933-2000) A
RAU, entrou em vigor em todas as colónias portuguesas no dia 1 de Janeiro de 1934.
Oitocentos e um artigos agrupados em secções, estas repartidas em capítulos que por
sua vez, são objecto de uma ordem em partes, dão uma ideia, do conjunto, de um
trabalho considerável de racionalização e codificação reformadora da legislação até
então aplicável. Além da riqueza da matéria tratada ( estatuto dos funcionários,
organização administrativa, organização do servicaos da administração civil,
organização e regime das finanças das províncias , circunscrições e postos
administrativos). A RAU consagra uma parte V - Do CONTENCIOSO
ADMINISTRATIVO - à organização e ao regime do contencioso administrativo nas
colónias. Assim, no início dos anos 1930, os princípios e as regatas fundamentais
referentes ao regime do contencioso administrativo no ultramar são estabelecidos,
codificados e, por via de consequência aplicável na província ultramarina de
Moçambique. Apesar da estabilidade do corpus das normas aplicadas ao contencioso
administrativo a partir do princípio dos anos 30, que permitiu o surgimento de uma
jurisprudência administrativa uniforme , a RAU não acompanhou as exigências ditadas
pelo crescimento dw uma jurisdição administrativa moderna, motor de consolidação de
um Estado de Direito. A evolução recente da natureza do contencioso administrativo
mais preocupada, tendencialmente pela proteção dos direitos sujectivos públicos dos
particulares constitui um factor determinante para as alterações da RAU, o que foi
realizado através da lei n.° 9/2001, de 7 de Julho.

5. O novo Direito Processual Administrativo Contencioso (2001-...)

A Reforma Administrativa Ultramarina apresentação dificuldades na sua aplicação,


designadamente, quanto à necessária celeridade processual e a melhor proteção dos
direitos sujectivos dos administrados. Além disso, as profundas às atribuições do
Tribunal Administrativo, no contencioso administrativo, consagrados pela lei n.° 5/92
de 06 de Maio,implicava uma imperiosa necessidade de se reformular o direito
adjectivo, o direito Processual, de modo a que o direito substantivo fosse melhor
agilizado ou servido. Uma reforma profunda era necessária o que foi efectivamente

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realizado com uma aprovação da lei n.° 9/2001, de 7 de julho, sobre o processo
Contencioso Administrativo.

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6. Referências Bibliograficas

Doutrina:

 AMARAL, Diogo Freitas do. Curso de Direito Administrativo, Volume II.


Coimbra. Almedina. 2008.
 CHAMBULE, Alfredo. As garantias dos Particulares, volume I. Imprensa
Universitária. Maputo, 2002.
 CISTAC, Gilles. Direito Processual Administrativo Contencioso. Teoria e
Pratica. Introdução. Volume I. Escolar Editora. Maputo. 2010.

Artigos:

SALIFU, ALBERTO. Estudos sobre Contencioso Administrativo e Constitucional


Moçambicano, Edição Executiva, Maio de 2017.

CISTAC, Gilles. História do Direito Processual Administrativo Contencioso


Moçambicano.

Legislação:

 Constituição da República de Moçambique, revisão de 2018.


 Decreto 30/2001 de 15 de Outubro. Estabelece as Normas de Funcionamento
dos Serviços da Administração Pública.
 Lei nº 7/2014 de 28 de Fevereiro – regula os Procedimentos atinentes ao
Processo Administrativo Contencioso, e revoga a lei nº 9/2001, de 7 de Julho.
 A Lei 5/92 de 6 de Maio - Lei da Organização do Tribunal Administrativo
(revogada).

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