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Sistema Hidropônico para Hortaliças

O documento descreve um sistema hidropônico para hortaliças. Ele discute as vantagens do cultivo hidropônico, como melhor qualidade dos produtos e facilidade no trabalho. O documento também inclui detalhes sobre o manejo adequado do sistema hidropônico.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
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Tópicos abordados

  • Tanque de solução,
  • Doenças,
  • Cultivo de hortaliças,
  • pH,
  • Adubos,
  • Sementes,
  • Sistemas semi-hidropônicos,
  • Mudanças climáticas,
  • Cultura de coentro,
  • Equipamentos de medição
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Sistema Hidropônico para Hortaliças

O documento descreve um sistema hidropônico para hortaliças. Ele discute as vantagens do cultivo hidropônico, como melhor qualidade dos produtos e facilidade no trabalho. O documento também inclui detalhes sobre o manejo adequado do sistema hidropônico.
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  • Sistemas semi-hidropônicos,
  • Mudanças climáticas,
  • Cultura de coentro,
  • Equipamentos de medição

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DA AMAZÔNIA – UFRA


INSTITUTO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
CURSO DE GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA

RENAN LIMA DO NASCIMENTO

SISTEMA HIDROPÔNICO PARA HORTALIÇAS

BELÉM
2022
RENAN LIMA DO NASCIMENTO

SISTEMA HIDROPÔNICO PARA HORTALIÇAS

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao


curso de Agronomia da Universidade Federal Rural
da Amazônia, como parte das exigências do curso de
Agronomia do Instituto de Ciências Agrárias, como
requisito para obtenção do título de Bacharel em
Agronomia
Orientador: Dr. Paulo Roberto de Andrade Lopes.
Coorientadora: Ma. Sinara de Nazaré Santana Brito

BELÉM
2022
RENAN LIMA DO NASCIMENTO

SISTEMA HIDROPÔNICO PARA HORTALIÇAS

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao curso de Agronomia da Universidade


Federal Rural da Amazônia, como parte das exigências do curso de Agronomia do
Instituto de Ciências Agrárias, como requisito para obtenção do título de Bacharel em
Agronomia.

Data da Aprovação: 26/11/2022

Banca examinadora

_______________________________________
Prof. Dr. Paulo Roberto de Andrade Lopes – Orientador
Universidade Federal Rural da Amazônia - UFRA

________________________________________
Prof.ª Dr.ª Antônia Benedita da Silva Bronze
Universidade Federal Rural da Amazônia - UFRA

________________________________________
Me. Harleson Sidney Almeida Monteiro
Universidade Estadual Paulista ‘Júlio de Mesquita Filho’
SISTEMA HIDROPÔNICO PARA HORTALIÇAS

RESUMO

O cultivo hidropônico de hortaliças é a técnica de cultivo que utiliza a água como meio
de transporte dos nutrientes para a planta, sem a utilização direta do solo como fonte
de nutrição e desenvolvimento do vegetal. E tem como vantagens a melhor qualidade
dos produtos, facilidade com o trabalho, em razão da ergonomia do trabalhador na
hora dos tratos culturais. No estado do Pará, o cultivo hidropônico em ambiente
protegido vem crescendo em função dos fatores adversos, que dificultam o cultivo
convencional no inverno amazônico, como elevada precipitação pluviométrica e
temperaturas elevadas. Apesar do cenário de condições adversas, o aumento da
demanda de hortaliças, vêm forçando ações mais propositivas aos cultivos de
hortaliças. Além disso, a busca por alimentos mais saudáveis, mudanças dos hábitos
alimentares e procura por produtos com mais qualidade, torna um cenário favorável
as hortaliças folhosas ganham cada vez mais espaço no mercado consumidor com
produtos mais limpos em relação aos produzidos em campo na forma tradicional.
Nesse sentido, o trabalho tem como objetivo de descrever o sistema produtivo
hidropônico com as suas principais características e manejos. Dessa forma, trabalho
se apresenta como uma pesquisa bibliográfica de natureza explicativa qualitativa onde
utilizou como critérios para a seleção do referencial teórico, livros, artigos, trabalhos
de cunho científicos que tinham como abordagem principal o tema do trabalho, e com
indexação nas bases de dados: Periódicos CAPES, Scientific Eletronic Library Online
(SciELO®) e Google Scholar (Google Acadêmico). O manejo adequado do sistema
hidropônico garante ao produtor uma qualidade melhor do produto final, possibilidade
de automatização e criação de padrões de produção e, dessa forma, uma redução de
custos em função da otimização do seu processo produtivo. Portanto, o conhecimento
do cultivo hidropônico de hortaliças e dos manejos necessários para uma boa
produção, são fundamentais para o sucesso do cultivo.

Palavras-chave: Olerícolas, Folhosas, N.F.T.


HYDROPONIC SYSTEM FOR VEGETABLES

ABSTRACT

The hydroponic cultivation of vegetables is a cultivation technique that uses water as


a means of transporting nutrients to the plant, without the direct use of the soil as a
source of nutrition and development of the vegetable. And it has the advantages of
better product quality, ease of work, due to the worker's ergonomics at the time of
cultural practices. In the state of Pará, hydroponic cultivation in a protected
environment has been growing due to adverse factors that make conventional
cultivation difficult in the Amazonian winter, such as high rainfall and high
temperatures. Despite the scenario of adverse conditions, the increased demand for
vegetables has been forcing more purposeful actions for vegetable crops. In addition,
the search for healthier foods, changes in eating habits and the search for products
with more quality, makes a favorable scenario for leafy vegetables to gain more and
more space in the consumer market with cleaner products compared to those
produced in the field in the traditional way. . In this sense, the work aims to describe
the hydroponic production system with its main characteristics and management. In
this way, the work presents itself as a bibliographical research of a qualitative
explanatory nature where it used as criteria for the selection of the theoretical
reference, books, articles, scientific works that had as main approach the theme of the
work, and with indexing in the databases : Periodicals CAPES, Scientific Electronic
Library Online (SciELO®) and Google Scholar (Google Scholar). Proper management
of the hydroponic system guarantees the producer a better quality of the final product,
the possibility of automating and creating production standards and, therefore, a
reduction in costs due to the optimization of its production process. Therefore,
knowledge of hydroponic cultivation of vegetables and the necessary management for
good production are fundamental for successful cultivation.

Keywords: Vegetables, Leafy, N.F.T.


LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Vista lateral de uma bancada do tipo N.F.T no interior de uma estufa de
cultivo hidropônico......................................................................................................16

Figura 2 - Sistema floating em duas formas de aeração. A – Aeração usando o


conjunto motobomba. B – Aeração utilizando um compressor e uma pedra para gerar
bolhas.........................................................................................................................17

Figura 3 - Tipos de recipientes em sistemas semi hidropônicos. A – Vasos com o


sistema de calha da hidrogood; B – Cultivo de morango semi hidropônico em saco tipo
slab; C – Sistema semi hidroponico em vasos modelo
tradicional...................................................................................................................18

Figura 4: Estufa com semi lanternim na parte superior..............................................21

Figura 5 - Diferentes tipos de materiais para bancadas de hidroponia. A – Metal; B –


Polietileno; C – Madeira.............................................................................................22

Figura 6 - Esquema do cálculo da declividade da bancada.......................................23

Figura 7 - Controlador automático de condutividade elétrica e pH da solução


nutritiva.......................................................................................................................25

Figura 8 - A - Solução padrão para calibrar o condutivímetro; B – Condutivímetro de


bolso...........................................................................................................................26

Figura 9 - Medidor de pH e suas soluções de calibração e conservação. A – pHmetro;


B – Solução conservação do eletrodo; C – Soluções de
calibração...................................................................................................................26

Figura 10 - Higrômetro analógico à esquerda e digital a direita. Na imagem da direita


o medidor de umidade é junto com o termômetro......................................................27

Figura 11 - Termômetro digital para estufa................................................................28

Figura 12 - Detalhe da entrada da solução nutritiva nas bancadas de hidroponia. A –


Mangueiras de polietileno; B – Tubo soldável rígido..................................................28

Figura 13 - Tubo venturi instalado no sistema de entrada da solução nutritiva para as


bancadas....................................................................................................................30

Figura 14 – Detalhe do sistema de drenagem da solução nutritiva. A – Calha de


recolhimento das bancadas; B – Tubo de retorno para o tanque de
solução.......................................................................................................................31

Figura 15 – A - Painel elétrico para acionamento de sistema hidropônico de alta


demanda elétrica; B – Temporizador simples para acionamento de
motobomba.................................................................................................................31

Figura 16 – Mesa de germinação...............................................................................34


Figura 17 – Mudas de alface em bandeja de espuma fenólica..................................34

Figura 18 – Bandejas de poliestireno e isopor para mudas de hortaliças. A – Bandejas


de poliestireno; B – Bandeja de isopor........................................................................36

Figura 19: Sementes de Alface, com processo de peletização à esquerda e sementes


nuas à direita..............................................................................................................37

Figura 20 – Embalagens de comercialização de sementes de hortaliças, à esquerda


balde de 10kg, muito utilizado em grandes cultivos. A direita embalagem de 500g, é a
forma mais encontrada no comércio...........................................................................37

Figura 21 – Bandeja de apoio para espuma fenólica.................................................38

Figura 22 – Exemplos de adubos usados para hidroponia........................................42

Figura 23 – Ciclo de vida do tripes.............................................................................44

Figura 24 – Mosca minadora. A – Mosca minadora e detalhe à esquerda do dano


causado na folha; B – Ciclo reprodutivo completo.....................................................45

Figura 25 – A - Adulto de Mosca Branca; B -Ciclo reprodutivo da Mosca branca


(Bemisia tabaci) .........................................................................................................45

Figura 26 – Lagarta em cultivo hidropônico de alface..................................................46

Figura 27 – A – Ciclo reprodutivo Fungus gnats. B – Infestação larval nas


mudas.........................................................................................................................46

Figura 28 – A – Estágios de vida Scatella stagnalis; B – Difetença entre insetos de


Shore fly e Fungus gnats............................................................................................47

Figura 29 – A – Pulgão verde (Adultos à esquerda e ninfas à direita); B – Infestação


de pulgão em folha de couve.....................................................................................47

Figura 30 – A – Sintoma resultado da infestação de pythium; B – Mudas de alface


contaminadas com pythium.......................................................................................48

Figura 31 – A – Infestação de fusarium à direita e planta sadia à esquerda. Detalhe


para o sintoma avermelhado no córtex da planta; B – Cortex com podridão causada
por Fusarium..............................................................................................................48

Figura 32 – A – Planta alface com infestação severa; B – Alface em fase inicial de


infestação...................................................................................................................49

Figura 33 – A – Infestação de Erwinia em alface; B – Detalhe para o aspecto que a


doença causa no colo da planta.................................................................................49

Figura 34 – Cercosporiose com ataque severo em couve.........................................50


Figura 35 – A – Mancha bacteriana atacando folhas alface; B – Mancha bacteriana
em mudas de alface...................................................................................................50
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Espaçamento recomendado para folhosas em sistema hidropônico tipo


N.F.T........................................................................................................... ................19

Tabela 2 – Quantidade de sementes para formar uma muda....................................33

Tabela 3 – Índices de qualidade da água para uso em hidroponia. Com fatores de


Bom, Aceitável e concentrações Limite para uso em hidroponia.................................41

Tabela 4 – Receita para formulação de solução nutritiva de folhosas.......................43


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO........................................................................................................13
2 MATERIAIS E MÉTODOS .................................................................................... 14
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................ 14
3.1 Tipos de cultivo ................................................................................................ 14
3.1.1 N.F.T. .............................................................................................................. 14
3.1.2 D.F.T ou Floating ............................................................................................ 15
3.1.3 Gotejamento ou semi hidropônico ................................................................... 17
3.2 Estrutura ........................................................................................................... 18
3.2.1 Casa de vegetação ........................................................................................ 19
3.2.2 Bancadas ....................................................................................................... 21
3.2.3 Tanque de solução nutritiva ......................................................................... 24
[Link] Equipamentos de medição ........................................................................... 25
[Link].1 Condutivímetro .......................................................................................... 26
[Link].2 Peagâmetro ............................................................................................... 27
[Link].3 Higrômetro ................................................................................................ 27
[Link].4 Termômetro ............................................................................................... 28
3.2.4 Sistema de irrigação ..................................................................................... 29
[Link] Sistema nft ................................................................................................... 29
3.2.5 Sistema de drenagem ................................................................................... 32
3.2.6 Sistema de automação ................................................................................. 33
3.3 Manejo .............................................................................................................. 34
3.3.1 Fases de produção........................................................................................ 35
[Link] Fase de muda .............................................................................................. 35
[Link].1 Substratos utilizados ................................................................................. 38
[Link].2 Recipientes ............................................................................................... 39
[Link].3 Sementes.....................................................................................................39
[Link] Fase berçário ............................................................................................... 41
[Link] Fase crescimento final ................................................................................. 42
3.3.2 Solução nutritiva ........................................................................................... 42
[Link] Fatores ambientais ....................................................................................... 42
[Link] Época do ano ............................................................................................... 43
[Link] Fonte de água .............................................................................................. 43
[Link] pH ................................................................................................................ 44
[Link] Condutividade elétrica (CE) .......................................................................... 44
[Link] Adubos utilizados ......................................................................................... 45
[Link] Receitas para formulação............................................................................. 46
3.3.3 Fitossanidade ................................................................................................ 46
[Link] Pragas .......................................................................................................... 47
[Link].1 Tripes ........................................................................................................ 47
[Link].2 Mosca minadora ........................................................................................ 47
[Link].3 Mosca branca ............................................................................................ 48
[Link].4 Lagartas .................................................................................................... 49
[Link].4 Scatella e Fungus gnats ............................................................................ 49
[Link].5 Pulgão ....................................................................................................... 50
[Link] Doenças ....................................................................................................... 51
[Link].1 Pythium ..................................................................................................... 51
[Link].2 Fusarium ................................................................................................... 52
[Link].3 Rhizoctonia ............................................................................................... 52
[Link].4 Erwinia ...................................................................................................... 53
[Link].5 Cercosporiose ........................................................................................... 53
[Link].6 Mancha bacteriana .................................................................................... 54
3.4 Colheita ............................................................................................................. 54
4 CONCLUSÃO ....................................................................................................... 55
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................ 56
13

1 INTRODUÇÃO

A técnica de cultivar plantas sem a utilização do solo ou com o fornecimento


de nutrientes por meio da água de irrigação, representa uma técnica de alto teor
tecnológico, que se denomina hidroponia, onde, dada as características como
previsibilidade, redução de perdas e constância da produção tem ganhado destaque
atualmente (SOUZA et al., 2021).
No entanto, apesar da alta técnica envolvida, o cultivo de plantas em meio
líquido existe datações de hieróglifos egípcios de centenas de anos antes de cristo
que descrevem o crescimento de plantas na água ao longo do rio Nilo. Além disso,
muitos estudiosos creem que a hidroponia como forma de cultivo começou na antiga
Babilônia, com os famosos jardins suspensos, considerados uma das sete maravilhas
do mundo antigo (MARTINEZ, 2017)
O cultivo hidropônico de hortaliças é a técnica de cultivo que utiliza a água
como meio de transporte dos nutrientes para a planta, representa uma técnica antiga
de produção de alimentos, mas a partir de 1953 que o termo Hidroponia começou a
ser utilizado para representar a forma de cultivo moderna onde se utiliza o meio liquido
para transportar os nutrientes que a planta necessita e a estrutura física de
sustentação da planta, sem a utilização direta do solo como fonte de nutrição e
desenvolvimento do vegetal (GOMES et al., 2020).
O sistema hidropônico de hortaliças tem como vantagens a melhor qualidade
dos produtos, em razão do ambiente protegido proporcionar um melhor controle das
características e fatores ambientais, também a facilidade com o trabalho, em razão
das bancadas elevadas facilitar a ergonomia do trabalhador na hora dos tratos
culturais, que no sistema convencional não favorece o trabalhador. Outro fator muito
relevante é a alta produtividade, menor uso de agrotóxicos e menor quantidade de
mão de obra (MELLO; CAMPAGNOL, 2016).
Além disso, apesar das inúmeras vantagens que o sistema hidropônico,
possui também desvantagens que pesam no projeto, como os custos iniciais mais
elevados que o sistema convencional, grande dependência de energia elétrica, se
fazendo quase sempre necessário a aquisição de geradores para o cultivo. Outro fator
é o maior conhecimento técnico necessário, por ser um sistema fechado, o domínio
das áreas de nutrição, ambiência e fisiologia são muito exigidas para uma produção
adequada da hidroponia (MELLO; CAMPAGNOL, 2016).
14

A técnica da hidroponia consiste na alternativa denominada de cultivo


protegido, a qual consiste em uma alternativa viável para superar as adversidades
climáticas que dificultam a produção de hortaliças em cultivo convencional no estado
do Pará, situação essa que é agravada nos períodos chuvosos onde apenas os
produtores de ambiente protegido conseguem obter produtos com melhor aparência,
peso e qualidade (GUSMÃO et al. 2013).
No estado do Pará, o cultivo hidropônico em ambiente protegido vem
crescendo em função dos fatores adversos, que dificultam o cultivo convencional no
inverno amazônico, como elevada precipitação pluviométrica e temperaturas
elevadas. Apesar do cenário de condições adversas, o aumento da demanda de
hortaliças, vêm forçando ações mais propositivas aos cultivos de hortaliças. O
catálogo de produção de hortaliças na região metropolitana de Belém é bem
diversificado, com alface, coentro, jambú, chicória, cebolinha, hortelã, dentre outras.
(GUSMÃO et al., 2004; BORGES et al., 2022).
O cultivo hidropônico de hortaliças no Pará, como citado anteriormente, por
possuir um clima adverso, a caracterização do cultivo precisa ser bem planejada para
proporcionar fatores ideais para as o pleno desenvolvimento da planta, por exemplo,
casa de vegetação ideal, recomenda-se o uso de estufas com semi lanternim por
conta da sua característica em auxiliar na menor temperatura dentro do cultivo, no
entanto, são encontrado os mais diversos modelos de estufas nos cultivos na região
metropolitana de Belém (LOPES et al., 2004)
Além disso, o cultivo hidropônico abrange várias formas de cultivo e tem
causado interesse crescente tanto por parte de consumidores como por produtores
rurais em razão da sua maior eficiência produtiva, redução dos impactos ambientais,
redução no uso de defensivos e uma maior probabilidade em se obter produtos com
maior qualidade, sendo uma das principais vantagens dessa forma de cultivo (BRITO;
SANTOS, 2019).
Ademais, a busca por alimentos mais saudáveis, mudanças dos hábitos
alimentares e procura por produtos com mais qualidade, torna um cenário favorável
as hortaliças folhosas ganham cada vez mais espaço no mercado consumidor com
produtos mais limpos em relação aos produzidos em campo na forma tradicional, com
comercialização em embalagens individualizadas, marcas próprias e com padrões de
qualidade que atendem os critérios de produtos especializados (MELLO;
CAMPAGNOL, 2016).
15

Dessa maneira, a produção hidropônica se mostra como uma alternativa ao


sistema convencional de cultivo de hortaliças com muitas vantagens tanto para o
consumidor, quanto para o produtor por meio de técnicas, previsibilidade da produção
e aumento de produtividade. Nesse sentido, o trabalho tem como objetivo de
descrever o sistema produtivo hidropônico com as suas principais características e
manejos.

2 MATERIAIS E MÉTODOS

Segundo Marconi e Lakatos (2017), pesquisa bibliográfica ou revisão de


literatura representa toda a bibliografia que já foi tornada pública com relação ao tema
de estudo com o intuito de pôr em contato físico direto o pesquisador e o que já foi
escrito como publicações avulsas, boletins, jornais, revistas, livros, pesquisas,
monografias, teses e artigos científicos.
Dessa forma, o trabalho se apresenta como uma pesquisa bibliográfica de
natureza explicativa qualitativa. Onde, explicativa em razão de verificar e afirmar a
veracidade dos fundamentos de verdade enfocados pelo autor e qualitativa por
representar uma análise da produção hidropônica com para uma compreensão
detalhada do objeto de estudo com suas características. (MARCONI; LAKATOS,
2017).
Ademais, foi utilizado como critérios para a seleção do referencial teórico,
livros, artigos, trabalhos de cunho científicos que tinham como abordagem principal o
tema do trabalho, e com indexação nas bases de dados: Periódicos CAPES, Scientific
Eletronic Library Online (SciELO®) e Google Scholar (Google Acadêmico) com os
seguintes termos para pesquisa: Hidroponia; N.F.T; Cultivo Hidropônico de hortaliças;
Hidroponia na região norte do Brasil.
A seleção dos artigos foi feita com base na leitura minuciosa, com maior foco
nos trabalhos que continham os autores clássicos sobre o tema e nos trabalhos com
autores contemporâneos que aprimoraram e desenvolvem o cultivo hidropônico de
hortaliças folhosas, ordenando e simplificando a forma como seria utilizada no texto,
de forma a responder o problema da pesquisa, fazendo uma ponte entre a literatura
citada e o objetivo principal do trabalho.
16

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1 Tipos de cultivo

3.1.1 N.F.T.

Do inglês Nutrient film technique, consiste em circulação da solução nutritiva


dentro de canais com declividade que podem variar de 3 – 8%, como mostra a imagem
01 (MELLO et al., 2015). Os canais de cultivo podem ser dos mais variados formatos
e materiais, os mais comuns a serem utilizados são tubos de pvc redondo e
retangulares, onde, são apoiados em plataformas ou cavaletes com alturas que sejam
confortáveis para os trabalhadores que fazem os manejos e tratos culturais diários.
O sistema N.F.T. é composto basicamente pelos canais de cultivo, bancadas,
reservatório de solução e tubulação de entrada de retorno da solução nutritiva como
mostra a FIGURA 1 (MELLO et al., 2016). Esse tipo de sistema é fechado e a solução
nutritiva é injetada na parte mais alta da canaleta de cultivo e por gravidade percorre
toda a extensão dos canais de cultivo e por gravidade retorna ao tanque de solução.
Esse tipo de sistema a solução nutritiva circula em intervalos automatizados, esse
tempo geralmente é de 15 em 15 minutos.
Esse tipo de sistema, de forma geral tem como principal vantagem o maior
controle sobre as condições climáticas de cultivo, onde o produtor tem a facilidade de
fornecer o ambiente ideal para o melhor desenvolvimento da planta (BLISKA J.;
HONORIO, 1999).

Figura 1: Vista lateral de uma bancada do tipo N.F.T no interior de uma estufa de cultivo
hidropônico.

Fonte: Hidrogood (2020).


17

3.1.2 D.F.T ou Floating

Deep film technique é a técnica do filme profundo. Onde se utiliza de um


tanque profundo, em média de 10 a 20 cm de profundidade com a solução nutritiva
totalmente dispersa, não ocorre a recirculação da água de forma constante. Nesse
tipo de sistema as plantas ficam dispersas flutuando em placas de isopor perfuradas
e dessa forma, as raízes das plantas ficam totalmente imersas na solução de cultivo
(MARTINEZ, 2016).
Um fator importante no manejo desse tipo de sistema é a constante análise
da concentração de oxigênio dissolvido na água, como alternativa, produtores tem
utilizados sistemas simples para aumentar a oxigenação com o uso de sistema injeção
de ar e o uso de pedras para gerar bolhas que vão oxigenar a solução como mostra a
FIGURA 2 (BARNABÉ et al., 2009).

Figura 2: Sistema floating em duas formas de aeração. A – Aeração usando o conjunto


motobomba. B – Aeração utilizando um compressor e uma pedra para gerar bolhas

Fonte: Palhares (2020); Jardim Urbano.

Segundo Martinez (2017), o sistema de floating tem como desvantagem a


necessidade de trabalhar com maiores volumes de solução, dependendo do manejo
18

a proliferação de algas pode ser maior que no sistema NFT e o risco de ter
insuficiência de oxigênio nas raízes das plantas.
3.1.3 Gotejamento ou semi hidropônico
O sistema de gotejamento é muito utilizado para produção de hortaliças tipo
fruto, onde possuem sistema radicular com maior volume e possuem porte físico aéreo
maior que as hortaliças folhosas FIGURA 3. É um sistema que normalmente utiliza
vasos de mais variados materiais e utilizam para sustentação do vegetal, substratos
inertes. Existem cultivos que utilizam areia fina, lã mineral, cascalho e fibra de coco,
sendo esse último o mais utilizado devido ao bom custo benefício e facilidade de se
trabalhar (GONÇALVES et al., 2016).
Existem adaptações desse tipo de sistema que se utiliza de calhas para a
recirculação da solução nutritiva que não consegue ser absorvida pelas plantas, Calha
universal Hidrogood ®.

Figura 3: Tipos de recipientes em sistemas semi hidropônicos. A – Vasos com o sistema de


calha da hidrogood; B – Cultivo de morango semi hidropônico em saco tipo slab; C –
Sistema semi hidroponico em vasos modelo tradicional.

A B C

Fonte: Hidrogood (2017); AgroConect (2011); Shutterstock (2017).

O sistema de gotejamento é muito utilizado para produção de tomate, pepino


e pimentão, devido a capacidade de manter uma sanidade elevada no cultivo e a alta
produtividade. Nesses tipos de produção é muito comum o cultivo em fibra de coco,
pelo seu melhor custo benefício com relação à lã de rocha. (MARTINEZ, 2017).
Dentre os fatores positivos do sistema de gotejamento para produção dessas
olerícolas de fruto, podemos destacar a melhor sanidade do cultivo, pois, com a
utilização de substratos inertes e que passaram por processos de desinfecção, a
incidência de patógenos provenientes do sistema radicular se torna menos recorrente.
19

Outro ponto importante nesse tipo de produção é o aumento de produtividade


com relação ao sistema convencional de cultivo. Segundo Castellane e Araújo (1995)
expectativa de produção do tomate hidropônico pode ser até quatro vezes superior ao
cultivo convencional considerando o período de um ano.

3.2 Estrutura

No sistema hidropônico de cultivo, é importante levar em consideração a


estrutura que vai ser utilizada. Devido a facilidade em manejo, o sistema NFT é o mais
difundido dentre os sistemas de produção, dessa forma, é importante ter estruturas
que vão auxiliar nesse tipo de cultivo. Esse sistema se utiliza de estruturas para formar
o conjunto de produção, são eles, os canais de cultivo, bancadas de sustentação,
reservatório de solução, sistema entrada e dreno de solução, e conjunto motobomba
(MELLO; CAMPAGNOL, 2016).
Os canais de cultivo mais comuns a serem utilizados são tubos de pvc
perfurados com o espaçamento mais adequado para o porte da planta a ser utilizado,
como podemos analisar na TABELA 1.

Tabela 1: Espaçamento recomendado para folhosas em sistema hidroponico tipo N.F.T.

Espaçamento (cm)
Cultura Fase Linhas Plantas
Muda 10 - 15 10 - 15
Alface
Produção 25 - 35 25 - 35
Muda 5 – 7,5 5 - 7,5
Agrião
Produção 12,5 - 20 12,5 - 20
Muda 10 - 15 10 – 15
Coentro
Produção 10 - 15 20 – 30
Muda 10 - 15 10 – 15
Cebolinha
Produção 10 – 15 20 – 30
Muda 5 – 7,5 5 – 7,5
Rúcula
Produção 10 - 20 10 – 20
Muda 10-15 10-15
Jambu
Produção 20-25 20-25

Fonte:Adaptado Furlani et al., 2009


21

3.2.1 Casa de vegetação

Casa de vegetação é uma estrutura com cobertura plástica transparente ou


translucida que tem como objetivo a proteção de plantas, cultivadas em seu interior,
às variações climáticas que possam ocorrer de forma ocasional (SGANZERLA, 1995)
As estruturas são formadas de uma armação onde se coloca uma cobertura
com material transparente que facilite a entrada dos raios solares. O modelo e
materiais que podem ser utilizados vão depender da disponibilidade e do investimento
que será dedicado ao projeto (MELLO; CAMPAGNOL, 2016).
A utilização de cobertura plástica é de grande importância no cultivo
hidropônico por conta do excesso de chuvas que podem afetar a solução nutritiva e
reduzir a incidência de pragas e moléstias comparado com o cultivo a céu aberto
(MATTOS, 2000). Além disso, a proteção do cultivo é fundamental tendo em vista o
nível de investimento nessa forma de produção e também, é uma forma de ter um
planejamento e controle melhor sobre as características do cultivo.
Segundo Castellane & Araújo (1994) existem pontos importantes a serem
seguidos na hora de construir uma casa de vegetação: Local, posição, altura e
tamanho. O local é importante que seja a pleno sol, em um local onde não tenha
sombra causada por objetos próximos. A posição é muito importante, a recomendação
é que a orientação seja no sentido leste-oeste, pois nesse sentido, a otimização dos
raios solares é maior. E a altura interna da estufa deve ser escolhido para facilitar a
circulação de ar no seu interior, evitar ao máximo que o ar quente permaneça dentro
da estufa.
Apesar das vantagens que a casa de vegetação pode ocasionara para o
cultivo, é importante o produtor ter cuidado com relação ao ponto de vista de
temperatura. As coberturas (Estufas) tem como objetivo o manejo adequado da
temperatura no seu interior para um melhor aproveitamento pelas plantas. No entanto,
manter a temperatura na faixa ótima para o cultivo pode ser um problema. Em regiões
como no norte do Brasil, é comum temperaturas em torno dos 30ºC com sensação
termica superior. Em função disso, é importante manter um controle de temperatura
com medidas a serem tomadas para evitar altas e baixas temperaturas dentro das
casas de vegetação.
21

Para diminuir a temperatura: Ventilação por meio da abertura de cortinas/telas,


utilização de exaustores. Pé direito alto, estufas com aberturas zenitais, estufas
modelo lanternim ou semi lanternim. Pode ser utilizado também a utilização de malhas
reflexivas na parte superior entre o teto da estufa e as bancadas de cultivo.
Para aumentar a temperatura: caso tenha a necessidade de aumentar a
temperatura pode se utilizar do fechamento de cortinas para aprisionar o calor nas
horas mais quentes no dia como reserva para as horas mais frias, controladoes de
temperaturas, aquecedores etc.
Segundo Lopes et al (2004), o uso de estufas do tipo capela com semi
lanternim (FIGURA 4), são mais indicadas para as características climáticas da região
norte do Brasil e auxiliam no melhor desenvolvimento da planta. Estufas desse
modelo, apresentam uma abertura na parte superior, no ponto mais alto, que auxilia
na movimentação do ar quente para fora do ambiente de cultivo, dessa forma, capaz
de reduzir a temperatura de cultivo, mesmo em dias com temperatura mais elevada.

Figura 4: Estufa com semi lanternim na parte superior.

Fonte: Tropical Estufas Agrícolas.

3.2.2 Bancadas
Materiais mais comuns para serem utilizados para a fabricação das bancadas
são, madeira, concreto, plástico pvc e metal FIGURA 5 (MARTINEZ, 2017; MELLO,
S. C.; CAMPAGNOL, R. 2016). Deve-se ter cuidado ao utilizar materiais como madeira
e metal para que seja feito uma boa impermeabilização para que tenham uma vida útil
prolongada, pois, dentro do ambiente de cultivo, dependendo do dia as características
climáticas podem reduzir a vida útil dos materiais.
22

Figura 5: Diferentes tipos de materiais para bancadas de hidroponia. A – Metal; B –


Polietileno; C – Madeira.

A B C

Fonte: HortaNova (2020); Hidrogood (2021); Oliveira (2017).

Além disso, a escolha desses materiais que serão as bancadas, são


recomendados materiais que consigam sustentar as canaletas de cultivo, além disso,
devem ser resistentes aos efeitos do tempo.
Na região norte, por exemplo, temos um clima muito favorável para
proliferação de microorganismos, então dessa forma, devemos escolher materiais que
sejam de fácil limpeza, resistentes ao tempo de uso, e com maior durabilidade, uma
boa opção são as bancadas de plásticos, com uma vida útil grande e de fácil assepsia.
Outro material com boas características é o metal, em algumas regiões podem ter um
custo mais elevado, porém com uma vida útil e durabilidade muito alta.
Um material que não se recomenda muito, são as bancadas de madeira, que
por mais fáceis de serem feitas, apresentam algumas dificuldades para implantação
em um sistema hidropônico, como por exemplo, a difícil higienização, em caso de
madeiras não tratadas, as micro cavidades da madeira podem ser locais de abrigo
para microorganismos, pragas e doenças que podem atacar o cultivo. Além disso, a
menor vida útil da madeira com relação aos demais materiais, a longo prazo, o
investimento com esse tipo de material, pode se tornar inviável.
Outro fator importante na escolha desses materiais que servirão como suporte
para as canaletas de cultivo é a capacidade em permanecer imóvel para que
mantenha a declividade das bancadas para um melhor aproveitamento do sistema.
Espaçamento: As bancadas são cavaletes em formato de U invertido ou T,
fixados no solo. É recomendado que seja colocado uma bancada a cada 1 metro de
distância, para que o perfil/ tubo fique bem apoiado e não sofra deformações
mecânicas.
23

Altura das bancadas: As bancadas devem ser planejadas de acordo com a


altura média entre 1,0 a 1,5m para que os manejos diários sejam feitos de forma
equivalente em todas as fileiras de cultivo (MELLO, 2016). Outro ponto fundamental
ao elaborar o projeto hidropônico é fazer o dimensionamento correto da altura em que
será enterrado os pés das bancadas, para que todo o sistema fique bem fixo, é
indicado que seja enterrado em média 50 cm do material para o chão e que seja
concretado, para que não ocorra a movimentação do sistema.
Declividade: Carneiro et al. (2015) aconselham que a declividade dos canais
de cultivo, sejam dispostas paralelamente, com desnível entre 8 e 12%. Essa
declividade é de fundamental importância e deve ser muito bem calculado para cada
tipo de terreno, pois deve levar em consideração a declividade do terreno e a altura
média dos trabalhadores que farão os tratos culturais. A declividade segundo Faquin
et al., (1996) 2-5%. Atualmente essa declividade deve levar em consideração que a
solução não deve passar muito tempo no canal de cultivo para não esquentar e nem
passar com muita velocidade para lavar as raízes da planta e dificultar a absorção dos
nutrientes pelas raízes.

Cálculo da declividade: A formula para calcular é a seguinte:


𝑑∗𝑇
𝐴= 100
Onde: T – Tamanho do Tubo
d – Declividade desejada
A – Altura do desnível

Figura 6: Esquema do cálculo da declividade da bancada.

Fonte: Adaptado de Mello; Campagnol (2015).


24

3.2.3 Tanque de solução nutritiva


Segundo Furlani et al (2009), a escolha do tanque de solução nutritiva vai
depender das características produtivas do sistema, como por exemplo, tamanho do
sistema, quantidade de plantas, qual o tipo de cultura e o clima onde será estabelecido
o empreendimento.
Essas características serão muito importantes para que o produtor consiga
suprir as necessidades que o sistema exige. De modo a garantir um correto
desenvolvimento vegetal.
Em sistemas hidropônicos do tipo NFT, aconselha o uso de tanques de
solução de PVC ou de fibra. Pelo fato, de estamos em um país de clima tropical com
predominância de altas temperaturas durante todo o ano, esses tipos de materiais
absorvem pouca energia do ambiente e por isso, tendem a não alterar as
características físico-químicas da solução nutritiva.
Com a finalidade de manter a solução nutritiva protegida, é comum encontrar
produtores que fazem o local de armazenamento da solução nutritiva em cubículos
escavados abaixo do nível das bancadas, dessa forma, auxilia o sistema de injeção e
retorno da solução nutritiva para os tanques, como também auxilia a manter os
tanques de solução com temperaturas inferior ao do ambiente ao redor.
O clima afeta a escolha do tipo de tanque de solução a ser instalado no
sistema hidropônico, por exemplo, em locais onde temos uma alta insolação, com
temperaturas mais altas, preferencialmente devemos escolher tanques de solução
que não absorvam muito calor, para não afetar as características físico-químicas da
solução nutritiva.

Materiais utilizados: Caixas d’água de polietileno e ou fibra, tanques de 1000 litros tipo
bombonas. Esses são mais utilizados, devido a facilidade em encontrar e manejar no
dia a dia.

[Link] Equipamentos de medição


O cultivo hidropônico necessita de constantes medições dos seus parâmetros
de cultivos para que sempre fiquem adequados às necessidades da cultura que esteja
em plena produção. Os medidores podem ser de modo automatizado onde eletrodos
fazem a leitura da solução nutritiva e das características de cultivo e computadores
automatizados fazem os devidos ajustes como mostra a FIGURA 7 ou também existe
25

o método manual que consiste em medidores portáteis, e diariamente o produtor faz


as medições e os devidos ajustes.
Com relação aos equipamentos de medição portáteis, o produtor deve seguir
alguns cuidados com relação a limpeza, conservação e calibração dos equipamentos.

Figura 7: Controlador automatico de condutividade elétrica e pH da solução nutritiva.

Fonte: Iponia (2022).

[Link].1 Condutivímetro
Medidor da condutividade elétrica da solução nutritiva, os que são utilizados
em soluções nutritivas expressam valores nas unidades de milisimens por cm (mS/cm)
e microsimens por cm (µS/cm) imagem 06 - B. Alguns medidores mais antigos
expressam suas unidades em PPM (Parte por milhão), no entanto são pouco usuais.

Limpeza: A limpeza vai depender basicamente da recomendação que cada fabricante


informa no manual de instruções, mas de maneira geral pode ser utilizado água
destilada e fazer a limpeza direta do bico medidor, pode também utilizar água e
detergente neutro, lavar cuidadosamente e retirar todo o excesso de detergente.

Conservação: Guardar o medidor dentro do estojo de transporte, fora da incidência


direta dos raios solares e evitar choques mecânicos no medidor.

Calibração: A calibração do condutivímetro deve ser feita usando solução padrão de


condutividade como a FIGURA 8 - A, o procedimento deve ser seguido de acordo com
o manual de instrução que acompanha o equipamento.
26

Figura 8: A - Solução padrão para calibrar o condutivímetro; B – Condutivímetro de bolso.

A B

Fonte: Akso (2022).

[Link].2 Peagâmetro
Instrumento portátil com indicação para medir o grau de alcalinidade ou acidez
da solução nutritiva, com escala de 0 a 14, e não possui unidade de medida (FIGURA
9 – A).

Limpeza: Utilizar água destilada e fazer o enxague do eletrodo de medição.

Conservação: É indicado manter sempre o bulbo de medição hidratado com solução


de armazenamento de eletrodos como mostra a FIGURA 9 – B.

Calibração: A calibração do pHmetro deve ser feita utilizando as 3 soluções de


calibração: solução pH 4, solução pH 7 e solução pH 10 FIGURA 9 - C. O
procedimento deve ser seguido de acordo com o manual que acompanha o
equipamento.

Figura 9: Medidor de pH e suas soluções de calibração e conservação. A – pHmetro; B –


Solução conservação do eletrodo; C – Soluções de calibração.

A B C
Fonte: Akso (2022).
27

[Link].3 Higrômetro
Equipamento utilizado para medir a umidade relativa do ar (FIGURA 10).
Recomenda-se o uso desse equipamento dentro da estufa de produção para que o
produtor fique acompanhando a umidade relativa do ar dentro da estufa e deixe
sempre na faixa ideal para a cultura que esteja produzindo.

Figura 10: Higrômetro analógico à esquerda e digital a direita. Na imagem da direita o medidor
de umidade é junto com o termômetro.

A B

Fonte: Sweet est home (2021); UsinaInfo (2022).

[Link].4 Termômetro
Equipamento utilizado para medir a temperatura do cultivo, seja das canaletas
de cultivo, planta ou solução nutritiva. É fundamental seu uso no sistema hidropônico,
pois, a maioria das culturas precisam estar dentro de faixas ótimas de temperatura
para melhor desenvolvimento das mesmas. Normalmente os medidores de
temperatura podem acompanhar junto com os medidores de condutividade e pH.
Recomendado a sua instalação na altura das bancadas, no mesmo nível que as
plantas, para que seja feito o controle da temperatura de acordo com as necessidades
da planta e do cultivo de forma geral. (FIGURA 11)
28

Figura 11: Termômetro digital para estufa

Fonte: HighMed (2020).

3.2.4 Sistema de irrigação


[Link] Sistema nft
Para o sistema NFT o sistema de irrigação é fundamental que seja bem
dimensionado para que todas as linhas de canais de cultivo recebam uniformemente
o mesmo volume de solução nutritiva, para que todas as plantas cresçam com a
mesma uniformidade.
Com relação aos tipos de matérias a serem utilizados para a instalação desse
sistema, existe no mercado produtos bem versáteis, dentre eles os mais comuns são
as mangueiras de polietileno (FIGURA 12 - A) e tubo rígido soldável (FIGURA 12 - B).

Figura 12: Detalhe da entrada da solução nutritiva nas bancadas de hidroponia. A –


Mangueiras de polietileno; B – Tubo soldável rígido.

Fonte: AgroDiário ; Schaefer (2021)

A forma em que esse sistema vai ser instalado vai depender muito da
organização em que se encontra, mas basicamente é composta pela linha principal
que sai do sistema de bombeamento, as linhas secundárias que são distribuídas para
29

as bancadas e os tubos de derivação como mostra a figura 12 - B, onde utiliza micro


tubo de 4 mm para os canais de cultivo.
Um cuidado que devemos ter nessa etapa é como a solução será transportada
até as linhas de cultivo. Deve-se evitar tubos transparentes para o transporte da
solução, evitar também que a solução nutritiva tenha muito contato com a luz, esse
contato causa a proliferação de algas, que são danosas ao sistema hidropônico pois
consomem nutrientes, podem obstruir as tubulações e reduzir a capacidade produtiva
do sistema (CARRIJO, O. A.; MAKISHIMA, N., 2000).
Além disso, importante conter no sistema de irrigação, registros para fazer o
controle da vazão que entra nos tubos e também para que seja feita as manutenções
dos canais, com a abertura e fechamento total do sistema.

Materiais utilizados: Tubos de pvc de água fria e mangueiras de irrigação. O


importante ao escolher a tubulação que vai levar a solução para os canais de cultivo
é com relação ao dimensionamento do tubo, se ele vai suprir todos os canais.

Cuidados com a entrada da solução: Devem ser tomados alguns cuidados ao fazer a
instalação do sistema de irrigação da solução nutritiva, como por exemplo, evitar que
na entrada dos perfis de cultivo a solução fique exposta à luz solar, isso facilita a
proliferação de algas no sistema.

Sistema de aeração: A aeração do sistema hidropônico normalmente é feita no


sistema de entrada da solução nas bancadas. Existem dois principais métodos
utilizados para fazer esse sistema: Retorno tipo cascata, sistema Venturi.

Retorno tipo cascata: É um sistema bem simples de ser feito, consiste em fazer um
tubo de retorno para dentro da caixa d’água, com isso, a água se choca com força à
solução e incorpora oxigênio. Uma vantagem desse sistema é o menor custo em
implementação, uma desvantagem é a pouca oxigenação que pode causar e dessa
forma prejudicar o desenvolvimento da planta.

Sistema Venturi: Esse sistema se utiliza do tubo venturi para que seja incorporado
oxigênio na solução. Por meio da utilização de um by-pass (FIGURA 13) o venturi é
colocado no tubo que vai para as bancadas e dessa forma, a concentração de oxigênio
30

é maior com relação ao sistema anterior tipo cascata. Existem sistema que colocam o
venturi na entrada para as bancadas e também fazem um sistema cascata utilizando
o tubo venturi, pode auxiliar na aeração, no entanto, é necessário um motobomba de
maior pressão para que consiga suprir a vazão de todo o sistema.

Figura 13: Tubo venturi instalado no sistema de entrada da solução nutritiva para as
bancadas.

Fonte: Oliveira (2010).

3.2.5 Sistema de drenagem


Em sistema do tipo NFT, o sistema de drenagem ou retorno, corresponde à
tubulação que auxilia a solução nutritiva, após a saída das bancadas, retorne para o
reservatório onde fica armazenada (GOMES et. al., 2020)
O sistema de drenagem/ retorno, deve ser muito bem dimensionado, pois, ele
é responsável por drenar e canalizar toda a solução nutritiva que sai dos tubos de
cultivo. Segundo Furlani (2009), o volume de solução indicado por cada canal de
cultivo para a cultura do Alface é 1,0 a 1,5 Litro por minuto no sistema de berçário e
1,5 a 2,0 Litros por minuto nas bancadas de produção final. Dessa forma, em cultivos
com bancadas de 8 perfis, temos um volume de solução de 20 litros por bancadas de
crescimento final.
Por razão da necessidade em transportar todo o volume de retorno, esse
sistema deve ser bem dimensionado para que consiga, sem interrupção e sem
entupimento, concluir o ciclo da solução nutritiva.
Esse sistema pode ser montado de várias maneiras e ele possui 2 peças que
o compõem: Calha de recolhimento ao final de todos os tubos de cultivo onde recolhe
toda a solução e encaminha para o tubo de retorno em azul na FIGURA 14.
31

Figura 14: Detalhe do sistema de drenagem da solução nutritiva. A – Calha de recolhimento


das bancadas; B – Tubo de retorno para o tanque de solução.

Fonte: Carrijo & Makishima (2000).

3.2.6 Sistema de automação


O sistema elétrico no cultivo hidropônico é muito importante, pois vai ser
responsável por acionar o conjunto motobomba que por sua vez é fundamental para
fornecer água e nutrientes para as plantas.
Esse sistema pode ser adaptado de acordo com o grau de investimento do
cultivo, em sistemas com maior custo de implantação e com motobombas de maior
capacidade de vazão o quadro de comando é composto por vários dispositivos como:
relés, temporizadores, disjuntor, contator, entre outros como mostra a FIGURA 15 - A,
também existem sistemas com menor custo de implantação, onde os equipamentos
necessários para fazer o acionamento são menos complexos, como disjuntor e
temporizador (FIGURA 15 – B).

Figura 15: A - Painel elétrico para acionamento de sistema hidropônico de alta demanda
elétrica; B – Temporizador simples para acionamento de motobomba.

A B

Fonte: Tropical Estufas; Grow Plant.


32

Em ambos os sistemas podemos notar o grau de investimento no sistema


hidropônico, no entanto uma peça fundamental em ambos os sistemas, é o
temporizador, responsável por programar os minutos em que serão injetados a
solução nutritiva nos canais de cultivo, sem esse equipamento se torna muito difícil o
bom funcionamento do sistema hidropônico.

3.3 Manejo
O manejo adequado do sistema hidropônico garante ao produtor uma
qualidade melhor do produto final, possibilidade de automatização e criação de
padrões de produção e, dessa forma, uma redução de custos em função da otimização
do seu processo produtivo.
Segundo Picolo (2020), em um sistema hidropônico existem vários pontos que
devem ser analisados em todo o período de desenvolvimento da cultura para que haja
um bom aproveitamento do plantio. A qual cita, os níveis de pH e condutividade
elétrica (CE).
Outro ponto interessante no quesito manejo como cita Campagnol (2015) é
com relação a fitossanidade das plantas, o cultivo hidropônico propicia condições
favoráveis ao aparecimento de patógenos e pragas, (LOPES, 2015) apesar das
plantas ficarem menos suscetíveis aos patógenos encontrados no solo e protegidas
de efeitos climáticos negativos, a falta de manejo ou manejo com práticas
inadequadas do cultivo hidropônico facilitam para prejuízos na produção e dessa
forma, com impacto direto no faturamento.
Desse modo, Mello (2016) destaca que o cultivo hidropônico exige rotinas
regulares e constantes de trabalho, monitoramento e ajustes de condições nutricionais
e sanitárias do cultivo hidropônico como meio para alcançar boas produtividades, e
caso contrário, afetar drasticamente a população com riscos severos à produção.

3.3.1 Fases de produção


O cultivo hidropônico de hortaliças é dividido em duas etapas: Fase de muda
e Fase adulta ou crescimento final, no entanto, no cultivo de Alface, adotamos uma
terceira etapa que é denominada Fase de Berçário e fica entre a fase de muda e
crescimento final (FURLANI et al. 2009).
O acréscimo de uma etapa no ciclo produtivo da alface, dá-se com o objetivo
de aumentar a eficiência do cultivo, facilitar o escalonamento da produção e melhor
uso da área (CAMPAGNOL, 2016).
33

[Link] Fase de muda


Essa fase, consiste na primeira etapa de produção do sistema hidropônico,
sendo essa decisiva para o sucesso, pois, a partir de uma muda de boa qualidade,
com precocidade e com boa sanidade, garantem eficiência operacional do cultivo
(GOMES et al. 2020). A sanidade nessa etapa de cultivo é fundamental, pois garante
ao produtor mudas de melhor qualidade, com crescimento uniforme e melhor vigor de
desenvolvimento.
Nessa etapa, caso o produtor escolha produzir suas próprias mudas é
fundamental seguir alguns cuidados: As placas com as mudas seja espuma fenólica
ou bandejas, o número de sementes por células depende das espécies cultivadas e
do tipo das sementes. Na TABELA 02, podemos observar algumas culturas e a
quantidade de sementes necessárias para formar uma muda (FURLANI et al., 2009).

Tabela 2: Quantidade de sementes para formar uma muda


Cultura Nº de semente por célula
Alface 1 ¹ - (3) ²
Agrião 5 – 10
Cebolinha 3–5
Rúcula 5 – 10
Coentro 3–5
Jambu 2³
Fonte: Adaptado de Furlani et al. (2009). ¹ Sementes peletizadas; ² Número de sementes
nuas para formar 1 muda; ³ Deve-se ter 2 plantulas, ou seja, plantar mais de 2 sementes e
fazer o raleio (desbaste) para ficar apenas 2 plantas mais vigorosas por célula de semeio.

Após o semeio, as bandejas devem ser irrigadas com pulverizador ou regador


de crivo fino para que não ocorra movimentação das sementes e ficar em local
apropriado em temperatura amena. Não há necessidade de irrigar as placas de
espuma fenólica durante o período de 48 horas após a semeadura (FURLANI et al.,
1999). As mudas devem ficar nesse local de 1 a 2 dias para que a semente receba
uma boa quantidade de água para manter sua hidratação (MELLO et al., 2016). Em
seguida, em até 72 horas após o semeio, deve ser acomodado nas mesas de
germinação como mostra a FIGURA 16 (FURLANI et al., 2009).
34

Figura 16: Mesa de germinação.

Fonte: Hidrogood

Nessa etapa quando a muda é colocada na mesa de germinação é


recomendado que seja feito sub irrigação com a solução nutritiva diluída a 50%.
(GOMES et al., 2020)
Entre 7 e 10 dias após a semeadura, a muda irá emitir sua primeira folha
verdadeira (FIGURA 17), deve ser efetuado o transplante da muda para a bancada de
berçário.
Nessa etapa o tempo gasto é de aproximadamente 2 semanas.

Figura 17: Mudas de alface em bandeja de espuma fenólica.

Fonte: Agroshow

[Link].1 Substratos utilizados


Substrato representa o meio de sustentação de plantas, com o objetivo de
suprir física e quimicamente as necessidades da planta a qual será cultivada, podendo
ainda ser de origem natural ou artificial (BRITO; MOURÃO, 2015)
Para o cultivo hidropônico em sistema NFT, os substratos mais utilizados são:
Fibra de coco, casca de arroz carbonizada (GOMES, et al. 2020), vermiculita e
35

espuma fenólica, por serem inertes, ou seja, não afetam quimicamente o sistema que
estão inseridos (FURLANI, et al. 2009).

Casca de arroz carbonizada: Tem pouco uso devido ser um material que libera muitas
partículas solidas quando manuseadas, e com isso, podem causar entupimentos e
gasto maior de tempo e mão de obra com operações de limpeza do sistema.

Fibra de coco: Bastante utilizado devido ter um ótimo custo benefício, um pacote de
107 litros de fibra de coco consegue produzir aproximadamente 35 bandejas. Em
razão disso, possui um ótimo custo benefício, no entanto, deve tomar cuidado, pois, a
muda deve ter uma boa formação de raiz para que o torrão seja firme e não solte
muito resíduo nas canaletas de cultivo.

Vermiculita: Substrato utilizado para enchimento das bandejas de mudas, pouco


utilizado devido seu custo mais elevado com relação os outros substratos. A
vermiculita é utilizada em conjunto com a fibra de coco, devido, sua ótima capacidade
em reter e armazenar água. É colocada como forramento superior da bandeja com
substrato de fibra de coco.

Espuma fenólica: Material inorgânico de lenta degradação e sem contaminação da


solução nutritiva e das plantas. Atualmente é o substrato mais recomendado em razão
da praticidade, higiene, seu formato promover um bom apoio para a muda nos canais
de cultivo e sua alta capacidade em reter água. (GOMES et al., 2020).

[Link].2 Recipientes
A produção de mudas, com alta sanidade e vigor, em recipientes de plásticos
ou de poliestireno (isopor) como mostra a FIGURA 18 contribuiu para um grande
desenvolvimento da horticultura nos patamares de hoje. Esses dois recipientes
possuem suas vantagens e desvantagem com relação ao seu uso, dentre eles, as
bandejas de plástico levam vantagens em relação às de isopor por não apresentarem
rugosidade em sua superfície, a qual, dificulta a limpeza e completa desinfecção,
onde, em casos de reuso do material, podem ser portas de entradas para patógenos
(CAMPAGNOL et al. 2015).
36

Figura 18: Bandejas de poliestireno e isopor para formar mudas de hortaliças. A – Bandejas
de poliestireno; B – Bandeja de isopor.

A B

Fonte: Melo (2019).

[Link].3 Sementes utilizadas


A escolha de sementes de qualidade é fundamental no processo hidropônico
para se obter mudas com vigor, uniformidade e qualidade. O produtor deve adquirir
sementes de empresas idôneas, e que disponibilizem espécies e variedades
adequadas às condições de cultivo e climáticas do produtor. Não só o cuidado com a
compra de sementes de qualidade, o agricultor que optar em produzir suas próprias
mudas, tem que estar atento a forma de armazenamento das sementes, em locais
apropriados para evitar patógenos, perda de vigor e envelhecimento das mesmas
(MELLO; CAMPAGNOL, 2016).
As sementes para uso hidropônico são comercializadas semelhantes às de
cultivo convencional, no entanto, algumas marcas desenvolveram variedades com o
uso focado em hidroponia, como o caso da Sakata Seed, que tem uma linha de alfaces
para cultivo em hidroponia. Além disso, o comércio é feito na forma de sementes nuas,
ou peletizadas (FIGURA 19), que são sementes revestidas com substancias que
proporcionam a proteção e características das sementes, esse processo de
peletização facilitou o desenvolvimento da horticultura, pois melhora a plantabilidade
das sementes. (LOPES; NASCIMENTO, 2012).
37

Figura 19: Sementes de Alface, com processo de peletização à esquerda e sementes nuas à
direita.

Fonte: Revista Cultivar.

A comercialização dessas sementes é feita nas mais diversas embalagens,


sendo o que define a quantidade, o porte de produção de cada agricultor, sendo desde
packs de 1g até embalagens de 10kg de sementes (FIGURA 20 - A) No entanto a
forma mais comum encontrada é a embalagem de 500g até 2kg de sementes como
mostra a FIGURA 20 – B.

Figura 20: Embalagens de comercialização de sementes de hortaliças, à esquerda balde de


10kg, muito utilizado em grandes cultivos. A direita embalagem de 500g, é a forma mais
encontrada no comércio.

A B

Fonte: Sakata Seed; TopSeed Sementes.

Outra forma de produção que dispensa o uso de recipientes é a espuma


fenólica como citado anteriormente. No entanto, a utilização deve seguir alguns
cuidados como por exemplo: Lavar muito bem as placas de espuma fenólica, com a
finalidade de eliminar resíduos ácidos de sua fabricação.
Deve-se também se atentar com o manuseio da placa de espuma fenólica,
como a maioria das marcas comercializadas, possuem um pré-corte do tamanho que
38

deve ser destacado a célula, cuidado ao movimentar a placa para evitar quebras e/ou
danificar as mudas, em lojas de produtos agropecuários, fazem o comercio de
bandejas para apoio de espuma fenólica como mostra a FIGURA 21, que auxilia no
transporte e manuseio com as mudas.

Figura 21: Bandeja de apoio para espuma fenólica.

Fonte: Loja do Hidropônico

[Link] Fase berçário


A etapa do berçário nem sempre é necessária, alguns produtores não utilizam
essa fase, optam por transferir as mudas das bancadas de germinação com um
estágio de desenvolvimento maior chamado de “mudão” e são colocadas direto na
bancada de crescimento final.
O berçário possui um sistema com características semelhantes as bancadas
finais como a declividade, pH e condutividade elétrica. As únicas diferenças são o
tamanho do canal e espaçamento, onde a fase de berçário é indicada como a fase de
muda.
As bancadas de berçário também são comumente utilizadas para fazer a
produção do coentro, devido seu espaçamento em média ser de 15x15cm, coincidem
com o espaçamento desejado para a sua produção.
Na etapa de berçário o tempo para formação para a próxima fase é de
aproximadamente 2 semanas.

[Link] Fase crescimento final


Essa etapa possui características únicas como o ciclo, que a depender da
época do ano, das condições de cultivo e das cultivares e ou materiais genéticos,
podem ter o ciclo de 15 a 40 dias (CAMPAGNOL et al., 2015). É comum nessa etapa
39

durar a mesma quantidade de dias que a etapa de berçário, e dessa forma, facilitar a
otimização de espaço e o planejamento do escalonamento, fazendo com que o
produtor tenha sempre disponíveis plantas para a comercialização.
Para o cultivo do tipo NFT, os canais de cultivos mais utilizados nessa etapa
são os tubos com 10-15cm. A escolha ideal da canaleta de cultivo vai depender das
características da planta e seu porte. A densidade de plantas nesse tipo de sistema
vai depender da variedade de planta escolhida, como podemos observar na tabela 01,
onde a fase de crescimento final é indicada como Produção.
A bancada de crescimento final é recomendada que a quantidade dos tubos
de cultivo seja entre 6-8 tubos por bancada ou a quantidade que ficar mais ergonômica
para os trabalhadores que vão fazer os serviços necessários. Importante ressaltar que
o trabalhador consiga tocar com facilidade toda a área da bancada. (FURLANI et al.,
2009).

3.3.2 Solução nutritiva


A composição da solução nutritiva pode variar de acordo com o produto final
em que deseja colher, por consequência, não existe solução nutritiva ideal para todas
as culturas, vários fatores vão influenciar como: estádio fenológico, fatores ambientais,
época do ano e até a fonte de água que será utilizada para formar essa solução
nutritiva (COMETTI et al., 2006). No entanto, alguns autores ao longo dos anos
desenvolveram algumas sugestões de receitas com base na experimentação teórica
e prática, na tabela 4, podemos analisar algumas dessas formulações para hortaliças
do tipo folhosas.

[Link] Fatores ambientais


Temperatura: A absorção radicular de nutrientes possui uma faixa ideal de
temperatura que é entre 20ºC e 35ºC. (FAQUIN, V.; ANDRADE, A. 2004). No entanto,
devemos nos atentar a essa temperatura, para que ela não influencie na
disponibilidade de oxigênio da solução, temperaturas muito altas tendem a alterar a
concentração do mesmo. Ademais, Carrijo (2000), trata como temperatura ideal para
a solução nutritiva a faixa de 20ºC a 25ºC, e para Mello (2016), cita que a temperatura
da solução não ultrapasse os 30ºC. Essa faixa de temperatura é de extrema
importância, pois, afeta diretamente a marcha de absorção dos nutrientes pela planta.

Oxigenação: A quantidade de oxigênio dissolvido na água afeta diretamente na


capacidade da planta em absorver nutrientes e a disponibilidade de oxigênio na
40

solução está diretamente ligada à temperatura da solução, quanto maior a


temperatura, menor a quantidade de oxigênio presente na solução nutritiva.
(CARRIJO et al., 2000). Essa oxigenação da solução pode ser feita de diversas
formas, seja com a utilização de equipamentos como compressores de ar, venturi, ou
apenas de forma mais simplificada, a utilização de um tubo de retorno anexo a
tubulação de entrada de solução nas bancadas.

[Link] Época do ano


Segundo Furlani et al., (2009), a solução nutritiva passa por ajustes de acordo
com a época do ano, em razão da necessidade da planta, por exemplo em dias mais
quentes é recomendado que o EC da solução seja menor em função da planta
consumir mais água. Já em dias mais frios, é aconselhado que a solução nutritiva
fique mais concentrada, pois, a planta tende a diminuir o seu consumo e dessa forma,
não afetar o seu desenvolvimento.

[Link] Fonte de água


No cultivo hidropônico a qualidade da água que será utilizada para compor a
solução nutritiva é de fundamental importância, pois, a partir dela que serão levados
os nutrientes para as plantas. A água utilizada pode ser oriunda de diversas fontes
como poços artesianos, fontes naturais ou canalizada da rua (Rede urbana), nesse
último caso, convém deixar a água em repouso à sol pleno por cerca de 24 horas para
a eliminação do cloro utilizado no tratamento (MARTINEZ, 2017).
Ainda, segundo Martinez (2017), a fonte de água, a ser utilizado em um cultivo
hidropônico, deve passar por uma análise laboratorial para que seja estimado as
concentrações de substâncias, da mesma, para que no momento do preparo da
solução nutritiva, os adubos inseridos na água não sejam alterados quimicamente em
razão dos compostos presentes na água.
Na tabela 03, podemos observar alguns índices de qualidade da água que
podem ser utilizadas em sistemas hidropônicos, onde traz os as faixas boa, aceitável
e limite para se considerar uma boa água para uso em hidroponia.
41

Tabela 3: Índices de qualidade da água para uso em hidroponia. Com fatores de Bom,
Aceitável e concentrações Limite para uso em hidroponia.
Fator Boa Aceitável Limite

CE [Link]-1 <0,75 0,75 – 1,5 2,0

pH 6,5 6,8 7,5

HCO3 mmol.L-1 1,6 3,3 6,6

Na+ mmol.L-1 0,87 1,3 2,61

Cl- mmol.L-1 1,14 1,71 2,86

SO4- mmol.L-1 0,83 1,26 2,08

Ca2+ mmol.L-1 6,5 10 14

Fe µmol.L-1 - - 0,08

Mn µmol.L-1 - - 0,04

Zn µmol.L-1 - - 0,02

B µmol.L-1 - - 0,03

Fonte: Adaptado de Martinez apud Bohme (2017)

[Link] pH
O potencial hidrogeniônico ou mais conhecido como pH, é o fator que mais
afeta a disponibilidade dos nutrientes na solução nutritiva. A faixa de pH mais
adequada para a maioria das culturas está compreendido entre 5,5 – 6,5. (FAQUIN,
et al., 2004). A condição que permite a máxima disponibilidade dos nutrientes em
sistemas hidropônicos fica entre 5,5 e 5,8. A partir de pH 6,0 a disponibilidade de Ca 2+
e HPO4- (FURLANI et al., 1999).

Elevar o pH: Recomendado utilizar soluções de Hidróxido de Sódio (NaOH) ou


hidróxido de Potássio (KOH). (MELLO, S. C.; CAMPAGNOL, R. 2016)

Reduzir o pH: Ácido nítrico (HNO3) ou Ácido Fosfórico para agricultura (H3PO4)
42

[Link] Condutividade elétrica (CE)


A condutividade elétrica representa uma forma indireta de fazer a medição do
teor de nutrientes presente na solução nutritiva (MARTINEZ, 2017)
Diversos autores fazem citações da condutividade ideal para cultivos
hidropônicos de hortaliças folhosas. Para Phutthisathian et al., (2011) sugere que o
CE deve variar entre 0,8 mS/cm e 1,2mS/cm (800 µS/cm e 1200 µS/cm).
Já para Furlani et al., (1999), recomenda uma solução nutritiva para folhosas
com a condutividade entre 1,0mS/cm e 1,5mS/cm (1000 µS/cm e 1500 µS/cm),
recomendado para o verão e locais de clima quente como a região norte e nordeste.

[Link] Adubos utilizados


Existem uma infinidade de adubos que podem ser utilizados para a
formulação da solução nutritiva, sejam de formulações prontas para cada tipo de
cultura ou sais/adubos simples como mostra a FIGURA 22. Os adubos utilizados em
cultivos hidropônicos devem ser altamente solúveis em água (MELLO 2016). Além
das características de solubilidade e tipo de adubo, sempre antes de formular a
solução nutritiva consulte um técnico agrícola e ou agrônomo com relação a
compatibilidade entre adubos que serão utilizados, por se tratar de produtos químicos,
muitos adubos tem características de solubilidade e compatibilidade únicas. A escolha
do adubo certo é fundamental para que não forme incompatibilidade entre adubos e
os mesmos percam suas eficiências.

Figura 22: Exemplos de adubos usados para hidroponia.

A B C D
Fonte: SQM Vitas; Hidrogood; Haifa group; Yara Fertilizantes.
43

[Link] Receitas para formulação’

Tabela 4: Receita para formulação de solução nutritiva de folhosas.


Alface ¹ Alface ² Rúcula ³
Fertilizantes
g/1000L
Nitrato de Cálcio 655,0 750,0 900,0
Nitrato de Amônio 50,0 - -
Nitrato de Potássio 348,4 500,0 134,0
Fosfato Monopotássico 192,8 - -
Fosfato monoamônio - 150,0 142,0
Sulfato de magnésio 210,5 400,0 495,0
Sulfato de Potássio - - 280,0
Cloreto de Potássio - - 138,0
Ácido Bórico 3,3 1,5 2,92
Sulfato de manganês - 1,5 3,39
Sulfato de Zinco - 0,5 0,49
Sulfato de Cobre - 0,15 0,08
Molibdato de sódio - 0,15 0,12
Coquetel de micros 25,0 - -
Ferro quelatado 10,3 - -
Ferrilene ® - 30 -
Cloreto ferrico - - 11,97
EDTA-dissódico - - 16,42
Fonte: ¹ Mello; Campagnol (2015) / ² Furlani (1999) / ³ Martinez (2017)

3.3.3 Fitossanidade
A qualidade fitossanitária do cultivo hidropônico é de fundamental importância
para o sucesso em obter boas produtividades, em razão da incidência de injurias ser
o principal causador de baixas produtividades nos cultivos. (REBOUÇAS, J.; NETO,
M. 2013). Nesse tópico serão abordados as principais pragas e doenças presentes no
cultivo hidropônico de folhosas em sistema NFT. Os cultivos feitos em hidroponia
necessitam de cuidados redobrados com relação a limpeza e desinfecção do sistema
ao fim de cada ciclo de cultivo em função de uma infinidade de patógenos causadores
de doenças podem sobreviver em restos culturais (Lopes et al., 2010)
44

[Link] Pragas

[Link].1 Tripes
Tripes é um inseto da ordem Thysanoptera, é uma das mais importantes
pragas de alface, sendo o inseto que mais causa injúrias (MCDOUGALL, 2015), sendo
por ação direta como danos causados pelas ninfas e adultos FIGURA 23 sugando as
seivas da planta, como também como hospedeiro de outras doenças como o caso da
vira-cabeça, um vírus do grupo tospovirus que pode ser transmitido por tripes (SALES
et al., 2021).

Figura 23: Ciclo de vida do tripes.

Fonte: Gowan Brasil.

[Link].2 Mosca minadora


Moscas-minadoras da ordem Diptera, pragas de diversas culturas no mundo.
Os danos causados ao hospedeiro são as perfurações nas folhas e o principal prejuízo
se dá pela destruição do tecido foliar, onde as larvas formam minas/caminhos no
interior da folha como mostrado na FIGURA 24 - A. Esse dano ocorre em função da
fêmea em fase adulta completar seu ciclo reprodutivo com o vegetal. (Figura 22 – B)
(CARDOSO et al., 2019)
45

Figura 24: Mosca minadora. A – Mosca minadora e detalhe à esquerda do dano causado na
folha; B – Ciclo reprodutivo completo.

A B

Fonte: Safra Viva; Lízarraga (1990)

[Link].3 Mosca branca


A mosca branca pertencente a ordem Hemíptera, se destaca pela grande
quantidade de plantas hospedeiras, mais de 60 famílias botânicas, causando grandes
percas, na maioria dos casos de incidência desse inseto. (FIGURA 25). (NERI et al.,
2020).

Figura 25: A - Adulto de Mosca Branca; B -Ciclo reprodutivo da Mosca branca (Bemisia
tabaci).

A B

Fonte: Revista Campo e Negócio; Mais soja.

[Link].4 Lagartas
Pertencentes a ordem lepidoptera, insetos como borboletas e mariposas, são
insetos com metamorfose completa, com estádios de ovo, larva (lagarta), pupa e
adultos. No entanto, apenas a fase de larva são causadores de danos às plantas,
46

causando enormes prejuízos, principalmente relacionado a desfolha das plantas


(FIGURA 26). (UFMT, 2010).

Figura 26: Lagarta em cultivo hidropônico de Alface.

Fonte: Safra Viva.

[Link].4 Scatella e Fungus gnats


Espécies da ordem Diptera, Bradysia spp e Scatella stagnalis conhecidas
como shore fly e fungus gnats, respectivamente. Tem a sua alimentação a base de
algas, comumente atacam os estádios de produção de mudas e berçário onde o
substrato de sustentação das mudas ainda é exposto e depositam seus ovos no
substrato, e com isso, acabam danificando as raízes e radicelas das mudas (FIGURA
27; FIGURA 28). (MATA, 2018).

Figura 27: A – Ciclo reprodutivo Fungus Gnats. B – Infestação larval nas mudas.

A B

Fonte: Curious plant; Rjik Zwaan.


47

Figura 28: A – Estágios de vida Scatella stagnalis; B – Difetença entre insetos de Shore fly e
Fungus gnat.

A B

Fonte: MREC – UF IFAS; Koppert Canadá.

[Link].5 Pulgão
Insetos da ordem Hemíptera, suas colônias situam-se principalmente na face
inferior da folha, atacando folhas e ramos novos, e seu ataque causa amarelecimento
e deformação das folhas (FIGURA 29).

Figura 29: A – Pulgão verde (Adultos à esquerda e ninfas à direita); B – Infestação de


pulgão em folha de couve.

A B
Fonte: Canal do Horticultor; Miguel Michereff Filho/Embrapa (2021).

[Link] Doenças

[Link].1 Pythium
Entre as doenças que atacam os sistemas hidropônicos, patógenos do gênero
pythium com frequência atacam a maioria dos cultivos hidropônicos, mais suscetíveis
em períodos de maior temperatura da solução nutritiva e do ambiente interno e externo
às casas de vegetação, causando podridão-de-raiz e outras formas de infecções
oportunistas (FIGURA 30) (PATEKOSKI, K; PIRES-ZOTTARELLI, C., 2010).
48

Figura 30: A – Sintoma resultado da infestação de pythium; B – Mudas de alface


contaminadas com pythium.

A B

Fonte: Rjik Swaan; Lopes et al., (2015).

[Link].2 Fusarium
Doença com alto grau de infestação, causam a diminuição do crescimento,
amarelecimento, murcha das folhas e uma de suas características principais o
escurecimento dos vasos do xilema (FIGURA 31) (LOPES et al., 2010).

Figura 31: A – Infestação de fusarium à direita e planta sadia à esquerda. Detalhe para o
sintoma avermelhado no córtex da planta; B – Cortex com podridão causada por Fusarium.

A B

Fonte: Tofoli et al. (2012); Agrolink.

[Link].3 Rhizoctonia
Conhecida também como queima da saia ou rizotoniose, ataca os tecidos no
colo das plantas e o sistema radicular, sua manifestação na maioria dos casos se deu
em plantas mais desenvolvidas que estavam próximas ao ponto de colheita (SILVA,
M. S. C.; NETO, V. C. L., 2007).
49

Figura 32: A – Planta alface com infestação severa; B – Alface em fase inicial de infestação.

A B

Fonte: Silva et al., (2007); Domingues (2021).

[Link].4 Erwinia
Pectobacterium carotovorum ou Erwinia carotovora ocorre em hortaliças por
meio de podridão mole no colo ou haste principal da planta, com sua maior incidência
na primavera e verão, mais suscetível em plantas com desbalanço nutricional.
(LOPES et. al., 2010).

Figura 33: A – Infestação de Erwinia em alface; B – Detalhe para o aspecto que a doença
causa no colo da planta.

A B

Fonte: Agrolink.

[Link].5 Cercosporiose
Doença causada pelo fungo Cercospora longissima, com fácil visualização
quando infectada por apresentar lesões com diferentes formas e tamanhos, coloração
variando de marrom claro e marrom escuro e no centro das lesões com coloração
mais clara. (NORONHA, M. A.; ASSUNÇÃO, M. C, 2015).
50

Figura 34: Cercosporiose com ataque severo em couve.

A B

Fonte: Noronha & Assunção (2015).

[Link].6 Mancha bacteriana


Xanthomonas axonopodis, bactéria que pode atacar a planta em condições
de altas umidade do ar e pela água de irrigação. Tem característica de manchas
angulares com aspecto encharcado e incidência inicial em folhas mais velhas,
algumas lesões se apresentam em forma de “V” (LOPES et. al., 2010).

Figura 35: A – Mancha bacteriana atacando folhas alface; B – Mancha bacteriana em mudas
de alface.

A B

Fonte: Tebaldi et al., (2015).

3.4 Colheita
Se tratando de hortaliças folhosas, a colheita vai ser determinada pela
aceitabilidade do mercado consumidor, como tamanho da planta, folhas mais
crocantes ou macias e coloração. Cada espécie tem o ponto de colheita ideal de
acordo com o ciclo da cultura (LUENGO et al., 2007).
Abaixo temos alguns pontos de colheita das principais hortaliças folhosas
cultivadas em sistema hidropônico:
51

Alface tem seu ponto de colheita em média 30 dias após o transplante para a bancada
de berçário. (SALA, F. C; COSTA, P., 2012)
Coentro tem seu ponto de colheita em média de 40 dias após a semeadura
(OLIVEIRA, et al., 2015)
Cebolinha com o melhor parâmetro adotando-se a massa fresca da parte
aérea, o ponto de colheita ideal fica entre a 8ª e a 10ª semana após o plantio
(BELFORT et al. 2021)
Jambu com seu ponto de colheita na fase reprodutiva, em torno de 60 dias
após a semeadura (SAMPAIO, 2021)
Rúcula possui o ponto de colheita no verão em torno de 40 dias após o semeio
(LUZ et al., 2011)
Agrião em cultivo hidropônico a cultura tende a ser mais precoce do que no
cultivo convencional, sendo o ponto de colheita de 45 dias em hidroponia e 50 a 70
dias em cultivo convencional no solo (PRECIOSO et al 2004)
O manejo pós colheita é de fundamental importância na hora da
comercialização, pois, quanto mais elevada a temperatura, com relação às hortaliças
folhosas, por conta do aumento das infecções, infestações e aceleração do
metabolismo da planta menor é o seu tempo de prateleira e com isso, menor o tempo
de comercialização da mesma. (LUENGO et al., 2007).

4 CONCLUSÃO
O cultivo hidropônico de hortaliças pode ser feito corretamente ou em
desequilíbrio, essa forma de cultivo não é uma garantia de qualidade, se trata de um
meio de cultivo e a falta de planejamento e má administração dessa forma de cultivo
podem resultar nos mesmos problemas que ocorrem nos cultivos convencionais como
desbalanço nutricional, uso inadequado de agrotóxico e fertilizantes e perdas em
grande escala.
Portanto, o conhecimento do cultivo hidropônico de hortaliças e dos manejos
necessários para uma boa produção, são fundamentais para o sucesso do cultivo.
52

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Common questions

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Hydroponic cultivation, despite its advantages, requires careful planning and management similar to traditional farming. Challenges include the risk of nutritional imbalances, inappropriate use of chemicals, and potential large-scale losses if not managed correctly. These issues can also occur in traditional farming, highlighting the importance of expertise and careful management to prevent similar outcomes in both farming systems .

Uniform irrigation is crucial in a hydroponic NFT (Nutrient Film Technique) system to ensure that all plants receive the same volume of nutrient solution, promoting uniform growth across the cultivation area. To achieve this, materials like polyethylene hoses and solderable rigid tubes are recommended, as they distribute the nutrient solution effectively. Care must be taken to prevent algal growth by avoiding the use of transparent tubes that allow light penetration .

The composition of a nutrient solution in hydroponic systems is influenced by several factors including the plant species, its phenological stage, environmental conditions, time of year, and the water source used to prepare the solution. Different plant types will have varying nutritional needs and these must be customized accordingly to optimize growth and yield .

Temperature and oxygen availability are closely related in hydroponic nutrient solutions. As temperature increases, the solubility of oxygen decreases, reducing its availability in the solution. This imbalance negatively impacts nutrient uptake by plants, as oxygen is essential for root respiration and nutrient absorption. Therefore, maintaining optimal solution temperatures, ideally between 20°C and 30°C, is crucial for ensuring adequate oxygen levels and efficient nutrient uptake by plants .

The tropical climate of Belém, characterized by high temperatures, necessitates the careful selection of materials and design for hydroponic systems to maintain optimal growth conditions. For instance, structures like greenhouses with semi-lantern designs are recommended to manage temperature by reducing heat inside the cultivation area. Materials like PVC or fiber tanks are preferred for nutrient solutions as they absorb minimal heat, helping to maintain stable physical-chemical properties .

Automated measurement equipment significantly enhances the management of hydroponic systems by continuously monitoring critical parameters like nutrient solution conductivity and pH levels. This technology allows for precise adjustments to be made in real-time, ensuring that the environmental conditions remain optimal for plant growth and reducing the likelihood of human error in manual measurement .

When selecting tank material for storing nutrient solutions in hydroponic systems, factors such as the local climate, temperature control, and chemical stability must be considered. Materials like PVC or fiber are recommended for tropical climates because they do not absorb much heat, helping to maintain the solution's physical-chemical properties. Additionally, proper insulation and placement below bench levels can aid in temperature regulation .

Failure to maintain an optimal root zone temperature in hydroponic systems can lead to reduced nutrient uptake due to lower oxygen solubility at higher temperatures. This can result in stunted growth, nutritional imbalances, and potentially increased susceptibility to root diseases. Maintaining the root zone within the optimal range of 20°C to 30°C is essential for ensuring robust plant growth and health .

Proper aeration is vital in hydroponic systems to ensure sufficient oxygen levels in the nutrient solution, which supports root respiration and nutrient absorption. Methods such as the cascade return system or Venturi system are used to enhance solution aeration. These methods introduce oxygen by mechanically agitating the solution during its return to the reservoir, maintaining the necessary dissolved oxygen levels .

Hydroponic cultivation in the metropolitan region of Belém offers several advantages over traditional farming methods. It is more efficient in terms of productivity and reduces environmental impacts and the use of pesticides. Additionally, hydroponic products tend to be of higher quality and cleanliness, meeting the growing consumer demand for healthy and high-quality food .

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