ESTEIROS, de Joaquim Soeiro Pereira Gomes (1941)
Tema: A ação – principais momentos – Outono e inverno
Membros do grupo: Isabella Millard (nº6), Vera Lucena (nº26), Maria Silva
(nº15), Tiago Almeida (nº24)
1 – O outono:
a) Relação entre a estação do ano e o trabalho:
No outono começaram a surgir as primeiras chuvas que influenciaram o
trabalho dos rapazes - Guedelhas, Gineto, Gaitinhas, Maquineta, Saguí e
Malesso. Por consequência da chuva, o lodaçal dos esteiros encheu-se de
ruído e barulho - frémitos. ("Com os prenúncios de outono, as primeiras
chuvas encheram de frémitos o lodaçal negro dos esteiros(...)") O outono
também causou o aparecimento do vento forte, que causou estragos nos
trapos dos rapazes, sem dinheiro suficiente para conseguirem comprar
novos. ("(...)e o vento agreste abriu buracos nos trapos dos garotos, num
arrepio de águas e de corpos").
b) Ocupação dos rapazes:
No outono, a principal ocupação dos rapazes era ir à feira, onde gastavam
a sua féria (ordenado). Passavam o seu tempo a assistir aos acrobatas do
circo, a dar tiros ao canhão, a comer bolos e a passear nos cavalinhos.
Gastavam também a sua féria a comprar beijos e "refrescos" às mulheres,
onde Gineto até se mete em sarilhos com uma mulher mais velha que ele.
c) Principais momentos da ação do romance no outono:
Com a chegada do Outono, começaram a surgir as primeiras chuvas e
ventos agrestes. As temperaturas diminuíram, resultando no desconforto e
frio dos rapazes de rua, mas ainda amenas o suficiente para eles
conseguirem trabalhar e divertirem-se. Gineto, Gaitinhas, Maquineta,
Saguí, Guedelhas e Malesso gastam a sua féria (ordenado) na Feira. Ficam
entretidos a ver os acrobatas e a fazer atividades, como comprar beijos e
refrescos às mulheres, onde Gineto até se mete em sarilhos com uma
mulher mais velha que ele. Gaitinhas é obrigado a parar de frequentar a
escola e ir trabalhar na fábrica, ora a sua mãe encontra-se bastante doente
e necessita de comprar novos medicamentos, enquanto o pai encontra-se
ausente. Quando o outono se encontra quase a terminar, Gineto vai
trabalhar para o “Boa Sorte”, o barco de Manuel do Bote (o seu pai), mas
arranja conflitos numa taberna e acaba por fugir.
2) O inverno:
a) relação entre a estação do ano e o trabalho:
O inverno era a pior e mais dolorosa época do ano para os mais pobres. As
temperaturas baixavam drasticamente, causando o frio imenso para os
trabalhadores que tinham de passar a maior parte do seu tempo na rua.
Sonhavam que o sol surgisse por entre as nuvens, mas esse sonho nunca
se tornava uma realidade (“Mãos aquecidas nos bolsos e pés roxos de frio,
os garotos cosiam-se com os portais, à espera do caldo ou sol que pouco
aquecia. Senhores das ruas, abandonaram-nas ao ímpeto das águas e do
vento, vencidos, em luta desigual. E lá se foi o mundo imaginário em que
brincavam.”). Se o outono já causava o desconforto das temperaturas
baixas, o inverno só piorava a situação. Os trabalhadores não possuíam
condições financeiras para viver confortavelmente nesta época do ano. O
vento piorava bastante comparado com o inverno, passando a devastar
por completo o que lhe passava à frente. O pior nem era o frio e o vento,
mas sim as cheias, que destruíam o pouco que os rapazes de rua tinham.
Causavam o estrago total aos campos agrícolas, palheiros e às casas
habitacionais, que eram contruídas de forma muito fraca para aguentar às
chuvas intensas desta estação do ano (“O vento correu de lado a lado, em
tropelia doida: sacudiu portas e postigos, e deixou tudo desolado e nu,
como as árvores do vale. Depois veio a chuva fazer do rio – carreiro de
água negra da valeta – um mar de lama que alagou as ruas.”).
b) Ocupação dos rapazes:
A estação do inverno prevenia os rapazes de viver o seu dia a dia como
costume, impedindo que eles se divertissem nas suas atividades habituais
no exterior. Abrigando-se da chuva e do frio, os rapazes passavam o seu
tempo a conversar entre si, sonhando com a primavera e o calor do sol
(“Cosidos com os portais, á espera do caldo e da primavera… «Saguí, conta
uma história.» «Agora, não.» As histórias contavam-se em noites de verão,
enquanto os fornos lambiam mutanos.”). Também pediam esmola na rua,
fazendo de tudo para conseguirem ultrapassar esta estação dolorosa
(«Uma esmolinha…» Mas o carro partiu, veloz, e o Coca não pôde dizer à
gente da cidade que era aleijadinho e que o pai perdera tudo nas cheias.).
c) Principais momentos da ação do romance no inverno:
O inverno chega, as temperaturas diminuem e as cheias invadem. A chuva
cai, alagando as ruas e causando estragos por onde passa. A vida dos mais
pobres é prejudicada, deixando-os sem habitação e recursos suficientes
para sobreviver a esta época devastadora. Os mais ricos que moravam no
campo vinham visitar a cidade e observar a paisagem – os estragos e a
cidade arruinada devido às cheias. Muitas pessoas acabaram por falecer
devido às cheias, incluindo Malesso. Gineto e o seu pai estavam quase
para morrer afogados, mas conseguiram encontrar os rapazes a tempo e,
por muita sorte, acabaram por sobreviver.
3)
A) Redige um texto final sobre a ação nestas duas estações do ano.
Com a chegada do outono, as temperaturas quentes do verão
desaparecem e o tempo piora. Apesar de não estar tão mau comparado
com o inverno, o tempo, nomeadamente a chuva e o vento forte, causam
desconforto e dificuldades às pessoas mais pobres. Os rapazes, Gineto,
Gaitinhas, Maquineta, Saguí, Guedelhas e Malesso, passam a maior parte
do seu tempo na Feira, onde gastam a sua féria. Ficam entretidos a
participar nas atividades como atirar ao canhão, a ver os acrobatas do
circo e a comer bolos de banca em banca. Compram refrescos e beijos às
mulheres, e Gineto acaba por se meter em sarilhos com uma mulher mais
velha que ele. Gaitinhas é obrigado a sair da escola para trabalhar na
fábrica, ora o seu pai está ausente e a sua mãe fica bastante doente, sem
dinheiro para comprar os medicamentos e assistência médica necessários.
Os rapazes passam todos a ser miúdos de rua. Isto torna o inverno uma
época muito má para eles, pois não possuem dinheiro suficiente para
conseguirem ultrapassar esta estação de forma confortável. O inverno traz
consigo as cheias e os ventos fortes, dois dos fatores que arruínam por
completo as cidades e as habitações dos trabalhadores. Os mais ricos
visitam a cidade para admirarem a paisagem, achando que a cidade
devastada por completo é algo bonito de se ver. Estes não têm a noção da
quantidade de mortes causadas por estas catástrofes. Gineto e o seu pai
estavam quase por fazer parte das mortes causadas pelas cheias, mas
conseguiram encontras os rapazes e não morrer afogados. Malesso não
teve essa sorte, e acabou por falecer.
B) Redige um texto de apreciação crítica com base no que foi
analisado, tendo em conta a dedicatória do livro: “Para os filhos dos
homens que nunca foram meninos”:
“Esteiros”, escrito por Joaquim Soeiro Pereira Gomes e publicado
em 1941, é um romance neorrealista que retrata a realidade de
Portugal nessa altura, onde a maior parte da população era
analfabeta, o país era imensamente pobre e as crianças eram quase
que obrigadas a começar a trabalhar ainda muito novas.
O livro relata a história de 6 rapazes, Gineto, Guedelhas,
Gaitinhas, Malesso, Maquineta e Saguí, que foram obrigados a
abandonar a escola e trabalhar numa fábrica, com o objetivo de
conseguirem receber dinheiro e obter melhores condições de vida.
O livro inclui quatro partes que representam as quatro estações do
ano: O outono, o inverno, a primavera e o verão. Soeiro Gomes
tomou a iniciativa de escrever este livro quando observava da sua
janela as crianças e os operários a trabalhar arduamente nos
esteiros para conseguirem sobreviver.
Este livro, apesar de ser maioritariamente ficção, permite-nos
perceber o estado de Portugal nesta época: a pobreza, o trabalho
intenso que não compensava em termos de dinheiro e a
desigualdade social. É uma obra realista com linguagem informal e
coloquial, que utiliza vários termos usados atualmente nos diálogos
das personagens. As mensagens por trás deste romance podem ser
consideradas um os aspetos mais importantes para tomar em
consideração, sendo o principal a amizade. Apesar destes miúdos
viverem de forma trágica e trabalhosa, sem as condições necessárias
para viverem minimamente bem, encontravam-se sempre unidos e
a lutarem pela sua sobrevivência em conjunto. Em relação à
dedicatória que Soeiro Gomes escreveu no início do livro, “para os
filhos dos homens que nunca foram meninos”, esta frase é essencial
de ser refletida antes e após o livro ser lido. Esta expressão permite-
nos aperceber de como a infância dos pais irá afetar como os
mesmos iram educar os seus filhos no futuro. Também consegue
expressar o facto da vida dolorosa das crianças a trabalharem na
fábrica tão cedo não tem haver consigo próprias, mas sim com os
pais. Conseguimos observar alguns exemplos no livro, quando os
rapazes são obrigados a sair da escola e a trabalhar na fábrica
porque os pais pensam que é o melhor para eles, sendo que a
escola é a opção que mais contribui para a infância alegre e saudável
das crianças. Outro ponto que pode ser considerado interessante é
o facto das crianças terem a sua mente bastante mais avançada do
que deviam ter naquela idade. Os rapazes encontravam-se em
situações onde fumavam cigarros e compravam “refrescos” e beijos
às mulheres da Feira, apesar de serem crianças e não terem uma
idade aconselhável de estar a realizar estes atos rebeldes.
Considera-se esta obra uma leitura recomendada para
conseguirmos perceber a sorte que temos em viver uma vida com
condições suficientemente boas para sobrevivermos os dias de
forma confortável e tranquila.
Em suma, “Esteiros” de Joaquim Soeiro Pereira Gomes é uma
obra bastante interessante para conseguirmos perceber o estado de
Portugal em meados do século XX. Relata a vida jovem de 6 rapazes
de rua que eram obrigados a enfrentar estes tempos difíceis de
pobreza e miséria. É uma obra que utiliza linguagem coloquial e
transmite mensagens importantes por trás da história dos rapazes.
Soeiro Gomes escreve uma dedicatória no início do romance, “para
os filhos dos homens que nunca foram meninos”, que permite-nos
estabelecer uma relação entre a vida miserável dos miúdos e a
forma de como foram educados pelos pais, expressando o facto dos
rapazes não terem culpa da vida difícil que se encontram a enfrentar
no dia a dia. Os rapazes têm uma mente bastante avançada da
mente normal, já realizando atos rebeldes com idades tão jovens.
Este livro é recomendado para divulgar a gratidão que todos nós
cidadãos devemos ter por viver uma vida confortável, relativamente
à vida que os trabalhadores e estas crianças tinham antigamente.