Historial
Contexto Histórico da Tuberculose Pulmonar
A humanidade é afetada pela TB há pelo menos 8.000 anos, e antigamente
não se reconhecia o aspecto infectocontagioso da doença, atribuindo-lhe
outras causas diversas. Sendo determinada como contagiosa posteriormente
com a identificação do bacilo causador da tuberculose humana, por Robert
Koch (RODRIGUES et al., 2007).
Segundo ROSEMBERG (1999), em artigo, o caráter infectocontagioso da TB
até o século XIX não era reconhecido e por esse motivo a doença TB era
atribuída a causas diversas, conforme mencionado, entre elas a
hereditariedade, e a outros determinantes ambientais e sociais. Em 1882, com
a identificação da Mycobacteria tuberculosis como causadora de uma doença
infecciosa, permitiu que a florescente pesquisa biomédica começasse a busca
por tratamentos medicamentosos e vacinas. Em 1921 a vacina BCG foi usada
pela primeira vez em humanos. Em 1944, a estreptomicina foi utilizada no
tratamento da TB resultando em sucesso, sendo o primeiro entre alguns
medicamentos utilizados na terapêutica anti-TB.
Conceitualização
A Tuberculose é uma infeção causada pelo mycobacterium tuberculosis,
também designado como bacilo tuberculoso ou bacilo de Koch. O
mycobacterium tuberculosis é uma bactéria gram – positiva de pequenas
dimensões, álcool-acido-resistente (BAAR), em forma de bastonete (Brum e
Rodrigues 2003).
Tipos de Tuberculose
Segundo o site [Link] (23 março, 2023) os tipos de Tuberculose
que se conhece até os dias de hoje são:
Tuberculose Pulmonar: afeta os pulmões e é sua forma mais comum.
O bacilo se instala no pulmão e causa sintomas como tosse, com
sangue ou sem dor e dificuldade de respirar.
OBS: Sendo a Tuberculose Pulmonar o foco de nossas pesquisas, mas
não deixando de citar as diferentes formas de manifestação da
tuberculose para que não seja confundida uma com a outra.
Tuberculose Ganglionar: acontece quando a bactéria se instala nos
gânglios, área que concentra células de defesa. Os sintomas se
diferenciam da tuberculose pulmonar com inchaço dos gânglios,
inflamação, vermelhidão e dor no local afetado.
Tuberculose Pleural: neste caso, o bacilo afeta a pleura, membrana
que reveste os pulmões. Entre os sintomas mais comuns estão febres,
falta de ar, astenia (perda ou diminuição da força física), emagrecimento,
tosse e dor torácica. A tuberculose pleural é uma das principais causas
do derrame pleural.
Tuberculose Óssea: o bacilo da tuberculose também pode afetar
ossos, sendo as mais frequentes vértebras, ossos longos e grandes
articulações (como quadril, joelho e tornozelo). Febre, emagrecimento,
fraqueza muscular, dor óssea, limitação dos movimentos e atrofia estão
entre os sintomas. Algumas vezes podem ocorrer até fraturas.
Tuberculose Cutânea: considerada uma das formas mais raras, esta
doença se manifesta na pele de diversas formas, como através de
úlceras, abcessos, nódulos e hiperqueratose (engrossamento da
camada externa da pele).
Causas
A TB pode ser causada por qualquer uma das sete espécies que integram o
complexo Mycobacterium tuberculosis: M. tuberculosis, M. bovis, M. africanum,
M. canetti, M. microti, M. pinnipedi e M. caprae. Em saúde pública, a espécie
mais importante é a M. tuberculosis, conhecida também como bacilo de Koch
(BK). O M. tuberculosis é fino, ligeiramente curvo e mede de 0,5 a 3 um.
É um bacilo álcool-ácido resistente (BAAR), aeróbio, com parede celular rica
em lipídios (ácidos micólicos e arabinogalactano), o que lhe confere baixa
permeabilidade, reduz a efetividade da maioria dos antibióticos e facilita sua
sobrevida nos macrófagos (ROSSMAN; MACGREGOR, 1995).
Vias de Transmissão
A transmissão se faz por via respiratória, pela inalação de aerossóis produzidos
pela tosse, fala ou espirro de um doente com tuberculose ativa pulmonar ou
laríngea. As gotículas exaladas rapidamente se tornam secas e transformam-se
em partículas menores. Essas partículas menores, contendo um a dois bacilos,
podem manter-se em suspensão no ar por muitas horas e são capazes de
alcançar os alvéolos, onde podem se multiplicar e provocar a chamada primo-
infecção (RIEDER; OTHERS, 1999).
Sinais e Sintomas
Os Sinais e Sintomas da Tuberculose Pulmonar mais comuns são:
Febre
A febre é um dos sintomas mais comuns da tuberculose, seja na forma
pulmonar ou na tuberculose de outros órgãos.
Suores noturnos
Outro sintoma de tuberculose muito comum. Além da febre vespertina, também
é habitual os pacientes apresentarem suores noturnos.
Tosse
A tosse é o sintoma mais comum da tuberculose pulmonar, mas não costuma
estar presenta nas outras formas de tuberculose. Um paciente com tuberculose
urinária ou gastrointestinal, por exemplo, só apresentará tosse se também tiver
tuberculose pulmonar ativa.
Expectoração com sangue
Com o passar dos dias, a expectoração purulenta pode se transformar em
expectoração sanguinolenta, que recebe o nome de hemoptise. O catarro com
sangue é um sintoma típico da tuberculose em fases mais avançadas.
Falta de ar e cansaço
A falta de ar é um sintoma comum da tuberculose pulmonar e ocorre
geralmente em fases mais avançadas, quando o acometimento do pulmão já é
extenso. A falta de ar no início do quadro ocorre apenas durante o esforço,
porém, com a evolução da infecção, surge mesmo em repouso.
Dor torácica
A dor na região torácica é outro sintoma comum da tuberculose pulmonar. Ela
pode surgir por vários motivos, desde a lesão do pulmão pela própria
tuberculose, quanto pelo esforço causado pela tosse crônica, ou mesmo pelo
acometimento da pleura pela infecção, que se caracteriza por uma dor que
surge durante a respiração profunda, chamada de dor pleurítica.
Perda de peso
A perda de peso e a falta de apetite ocorrem em todas as formas de
tuberculose. É comum o paciente se apresentar ao médico assustado com uma
perda de 5 a10 quilos nas últimas semanas.
Linfonodos aumentados
O aparecimento de um ou mais linfonodos aumentados e palpáveis pelo corpo
é um sintoma típico da tuberculose ganglionar.
Dor óssea
A tuberculose óssea costuma se manifestar como uma dor nos ossos,
principalmente dor lombar, por acometimento das vértebras da coluna pela
infecção (chamado de mal de Pott).
Sangue na urina
A tuberculose do sistema urinário costuma se apresentar como um quadro de
infecção urinária que não cura com os antibióticos tradicionais e não é
identificada pelas uroculturas.
A bactéria geralmente se aloja em um dos rins e provoca dor na região lombar
associado a pus e sangue na urina, às vezes de forma microscópica, só
detectável pelos exames de laboratoriais de urina. Se não tratada a tempo, leva
a destruição dos rins.
Diagnostico
O diagnóstico da TB na AB baseia-se das seguintes formas:
História clínica do paciente: o médico coleta informações detalhadas
sobre os sintomas, histórico de exposição, contato com casos de tuberculose e
outros fatores relevantes. Isso ajuda a identificar possíveis fontes de infecção e
avaliar o risco de TB.
Exame bacteriológico: onde é realizada a baciloscopia direta do
escarro para detectar as fontes de infecção, ou seja, os casos bacilíferos.
Existem também os exames auxiliares como o exame radiológico, este
possui o objetivo de descartar outras possíveis doenças pulmonares
associadas ao diagnóstico da TB além de permitir a visualização do progresso
do tratamento nos pacientes (BRASIL, 2002).
Tratamento
Segundo a OMS, os adultos com caso positivo da tuberculose devem seguir o
esquema de tratamento de seis meses.
Os primeiros dois meses (fase intensiva) consistem em tratamento com
Rifampicina, Isoniazida, Pirazinamida e Etambutol em Dose Fixa Combinada
(DFC).
Os outros quatro meses (fase de manutenção) o esquema é realizado
somente com Rifampicina e Isoniazida, também em DFC (RABAHI, 2017).
Complicações
A tuberculose pode gerar complicações resultantes diretamente da infeção
pulmonar, que nos casos mais graves poderá resultar em Sepsis (infeção
generalizada).
Os casos de sepsis são extremamente graves e consequentemente estão
associados a um elevado risco de morte.
Quando se trata de uma tuberculose sensível aos fármacos de primeira linha e
é efetuado tratamento logo no início dos sintomas, a doença possui uma
evolução quase sempre favorável. ( [Link] - 12 2020)
Prevenção
Controle dos contatos
Todos os contatos dos doentes de tuberculose, prioritariamente dos pacientes
pulmonares positivos, devem comparecer à unidade de saúde para exame.
Quando diagnosticada a tuberculose em crianças, a equipe de saúde deverá
examinar os contatos adultos para busca do possível caso fonte. Após serem
examinados e não sendo constatada tuberculose-doença, deve-se orientá-los a
procurarem a unidade de saúde, em caso de aparecimento de sintomatologia
respiratória.
(FUSANA 2002 - pág. 37)
Vacinação
BCG O BCG exerce notável poder protetor contra as manifestações graves da
primo-infecção, como as disseminações hematogênicas e a meningoencefalite,
mas não evita a infecção tuberculosa. A proteção se mantém por 10 a 15 anos.
A vacina BCG não protege os indivíduos já infectados pelo M. tuberculosis.
(FUSANA 2002 - pág. 38)
Fatores de Risco
Matéria publicada pelo site [Link] (25 de abril de 2023), diz que
qualquer pessoa pode ser infectada pela bactéria causadora da tuberculose,
mas algumas pessoas estão sob um maior risco de desenvolver a doença.
Idosos, bebês e indivíduos imunossuprimidos são as principais populações-
chave para a tuberculose pulmonar.
Diversas razões podem levar uma pessoa a ser menos resistente à ação de
bactérias, como o bacilo de Koch. Elas são:
Infecção por HIV / Aids
Diabetes
Insuficiência renal crônica
Câncer
Quimioterapia, um método bastante usado para tratar alguns tipos de
câncer
Medicamentos usados para evitar a rejeição do organismo a um órgão
transplantado
Medicamentos prescritos para tratar artrite reumatoide, doença de Crohn
e psoríase
Desnutrição
Ter pouca idade ou idade avançada.
Além disso, viver ou viajar para determinadas regiões do mundo também
pode aumentar os riscos de uma pessoa vir a desenvolver tuberculose
pulmonar. Isso acontece porque a doença ainda é comum em países pouco
desenvolvidos, como os da África subsaariana, e em países em processo de
industrialização, como é o caso da Índia, China, Rússia e Paquistão. Em
2013, a maior parte dos casos de tuberculose em todo o planeta (56%)
aconteceu no sudeste da Ásia e na região ocidental do Oceano Pacífico. No
entanto, a África é a região com a maior proporção de novos casos, com 280
infectados para cada 10 mil pessoas em 2013.
A falta de acesso a cuidados médicos básicos, comum em países pouco
desenvolvidos, onde o número de pessoas vivendo em condições de miséria
costuma ser mais alto, também é um importante fator de risco para a
tuberculose. Mesmo em países industrializados, como os Estados Unidos,
pessoas que vivem nas ruas e não têm acesso a boas condições de higiene e
a serviços de saúde especializados também estão sob maior risco de ter
tuberculose.
Cuidados de Enfermagem
O enfermeiro exerce diversas funções em diversas áreas de atuação, tendo um
importante papel no cuidado com o paciente, incluindo o paciente portador de
Tuberculose atendido na Atenção Básica (AB). Consiste em atribuição da
Estratégia de Saúde da Família o atendimento aos pacientes portadores de
Tuberculose (TB) que residam dentro de sua área geográfica de atuação. Este
papel é iniciado na suspeita clínica, passa pelo encaminhamento rumo ao
diagnóstico e também acompanhamento dos casos confirmados, por meio do
tratamento supervisionado e da coleta mensal da baciloscopia para controle
(SIQUEIRA, 2012).
As ações planejadas para o controle da Tuberculose devem ser
descentralizadas, prevendo a vacinação obrigatória de recém-nascidos, o
diagnóstico precoce, o acompanhamento dos tratamentos em andamento ou
realizados, as práticas contínuas de vigilância epidemiológica e o uso de meios
para evitar a doença ou sua propagação. Ao enfermeiro são atribuídas ações
de desenvolvimento de cunho educativo quanto ao cuidado, levando os
pacientes a se colocarem como sujeitos ativos do processo de tratamento e
cura, de acordo com a rotina estabelecida como adequada ao controle da
Tuberculose (SIQUEIRA, 2012).