Hidrologia
Infiltração, Evaporação, Evapotranspiração e Balanço Hídrico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof.ª M.ª Luciana Vasques Correia da Silva
Revisão Textual:
Prof. Me. Claudio Brites
Infiltração, Evaporação,
Evapotranspiração e Balanço Hídrico
• Infiltração;
• Evaporação e Evapotranspiração;
• Balanço Hídrico.
OBJETIVOS DE APRENDIZADO
• Apresentar as características e o método de dimensionamento do escoamento por infiltração;
• Apresentar as generalidades do processo de evaporação e a interferência no balanço hídrico.
UNIDADE Infiltração, Evaporação, Evapotranspiração
e Balanço Hídrico
Infiltração
Por definição, entende-se que a infiltração é a penetração da água nas camadas de
solo próximas à superfície do terreno.
Infiltração é o fenômeno de penetração da água nas camadas do solo
próximas à superfície do terreno, movendo-se no sentindo descenden-
te, através dos vazios, pela ação da gravidade, até atingir uma camada
suporte (impermeável), que a retém, formando assim a água do solo.
(MARTINS, 1976)
A água que precipita em uma determinada área pode seguir diferentes trajetos. Se essa
área for composta por vegetação, parte dessa precipitação é interceptada por ela. Havendo
desníveis no terreno, então uma parte da precipitação ficará retida nessas depressões.
Outra parte da precipitação infiltra no solo e o excedente escoa pela superfície do solo.
A água que infiltra no solo continua seu movimento descendente até uma camada imper-
meável, este movimento da água já infiltrada é denominado percolação (GENOVEZ, 2004).
Déficit de Água: Quando a demanda por água é maior que a disponibilidade hídrica, o déficit
de água pode ocorrer em decorrência de fatores climáticos como a falta de chuva, por exemplo,
ou por ações antrópicas (aterramento de nascentes para uso do solo no meio rural).
Fases de Infiltração
O processo de infiltração da água no solo pode ser dividido em três fases distintas
(PINTO et al.,1976):
• Fase de Intercâmbio: A água é precipitada próxima a superfície do solo e pode
retornar à atmosfera por evaporação (aspiração capilar) ou ser absorvida por
raízes de plantas;
• Fase de Descida: Água se desloca por gravidade até atingir uma camada suporte
de solo impermeável;
• Fase de Circulação: Quando a água chega na camada impermeável ocorre a
formação dos lençóis subterrâneos, em função do acúmulo de água que saturou o
solo. A água circula devido à declividade das camadas impermeáveis.
Os lençóis subterrâneos que se formam na fase de circulação da infiltração podem ser
divididos em lençol freático e lençol cativo.
Um lençol freático possui a sua superfície livre, portanto, com pressão atmosférica.
O lençol cativo encontra-se confinado entre duas camadas impermeáveis, por este
motivo, a pressão na superfície superior do lençol é diferente da pressão atmosférica.
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Figura 1 – Infiltração da Água no Solo
Fonte: Wikimedia Commons
Movimento da água no solo. Disponível em: [Link]
Grandezas Características
As características que um solo possui no momento do início da precipitação influen-
ciam na forma como ocorre a infiltração.
Algumas dessas grandezas características são apresentadas a seguir (PINTO et al.,1976):
• Capacidade de Infiltração: Capacidade máxima que um solo pode absorver na
unidade de tempo por unidade de área horizontal (mm/h ou mm/dia);
• Distribuição Granulométrica: Distribuição das partículas da amostra do solo
baseada em suas dimensões, formando, assim, a Curva da Distribuição Granulomé-
trica (D10 → diâmetro efetivo);
• Coeficiente de Uniformidade: Determinado pela relação entre os tamanhos dos
grãos do solo (D60 e D10);
• Velocidade de Infiltração: Velocidade média de escoamento da água através do
solo saturado, isto é, a relação entre a quantidade de água que passa através de uma
unidade de área do solo e o tempo (m/s ou m/dia);
• Porosidade: Volume de vazios de um solo e seu volume total (%);
• Coeficiente de Permeabilidade: Velocidade de filtração da água em um solo satu-
rado com perda de carga unitária que pode variar com a temperatura (viscosidade
da água);
• Suprimento Específico: Quantidade máxima que pode ser obtida de um solo por
drenagem natural (%);
• Retenção Específica: Quantidade de água que fica no solo após a drenagem natural (%).
Portanto: Porosidade = Suprimento + Retenção.
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UNIDADE Infiltração, Evaporação, Evapotranspiração
e Balanço Hídrico
Fatores Intervenientes
Tucci (2012) descreve alguns fatores que podem interferir na capacidade de infiltração
do solo durante uma precipitação.
A capacidade de infiltração de um solo pode ser afetada pelo tipo e quantidade de vazios
presentes no solo. Quanto maior o número de vazios no solo, maior será a infiltração
(porosidade). Entretanto, o ar presente nos vazios do solo é comprimido pela água que
infiltra no solo e essa ação pode retardar a infiltração.
O grau de umidade do solo reflete na capacidade de absorção da precipitação
pelo solo. Portanto, quanto mais seco o solo no início da precipitação, maior será a
ação de capilaridade.
A ação da precipitação sobre o solo, dependendo da intensidade do fenômeno, pode
provocar erosão por impacto. Em solo com granulometria mais fina, o material da camada
superior do solo pode ser compactado, como consequência dessa ação, a capacidade de
infiltração do solo tende a diminuir.
A compactação do solo devido à ação do homem, veículos e áreas de pastagem para
animais pode interferir no grau de impermeabilidade do solo. Por outro lado, o tipo de
cobertura vegetal favorece a diminuição da erosão, retira umidade do solo, impede a sua
compactação e ainda retém o escoamento superficial.
A mudança de temperatura influi na viscosidade da água da precipitação, o que afeta
diretamente a capacidade de capilaridade.
Outro fator que interfere na capacidade de infiltração do solo são as macroestruturas
do terreno. O cultivo da terra, escavações por animais, decomposição de raízes podem
provocar aumento na porosidade do solo.
Capacidade de Infiltração
Os equipamentos utilizados para determinar de forma direta a capacidade de infiltração
do solo são denominados Infiltrômetros.
Tucci (2012) apresenta o infiltrômetro por inundação e o infiltrômetro com simulador.
No primeiro tipo, a aplicação da água é feita por inundação da área de estudo, no segundo,
a aplicação da água é feita por simuladores de chuva.
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Figura 2 – Infiltrômetro por Inundação
Fonte: Reprodução
O valor determinado por esse tipo de equipamento pode ser considerado relativo,
devido aos efeitos de cravação dos tubos, ausência do efeito de compactação da chuva e
fuga do ar pela lateral dos tubos.
Figura 3 – Infiltrômetro com Simulador
Fonte: Reprodução
Pinto et al. (1976) mostram que para determinar a capacidade de infiltração, ou
seja, a taxa de infiltração, o Método de Horton (1939) estabelece para o solo que é sub-
metido a uma precipitação com intensidade superior à sua capacidade de infiltração a
seguinte equação:
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UNIDADE Infiltração, Evaporação, Evapotranspiração
e Balanço Hídrico
f = f c + ( f 0 − f c ) e − kt
Em que:
• f → Capacidade de infiltração em determinado instante t (mm/h);
• fc → Valor constante da capacidade de infiltração, decorrido algum tempo (mm/h);
• f0 → Valor da capacidade de infiltração correspondente ao início da precipitação
(mm/h);
• k → Constante.
Uma observação que o autor faz é que a Equação de Horton foi desenvolvida para
bacias hidrográficas com pequena área.
Perda de Água por Infiltração: Propriedades Físicas e Químicas de Solos de Reservatórios da
Aquicultura. Disponível em: [Link]
Evaporação e Evapotranspiração
Os fenômenos de evaporação e de transpiração são partes constituintes do ciclo hi-
drológico por onde ocorre a circulação da água no planeta.
O conhecimento sobre a forma que esses fenômenos ocorrem e agem contribui para
o aperfeiçoamento dos estudos relacionados à economia de água em reservatórios de
superfície, previsão de cheias e ainda para a melhoria das condições ecológicas.
Por definição, a evaporação é a mudança de estado da água em vapor, e a transpira-
ção é a evaporação da água dos vegetais. Portanto, a evapotranspiração é a soma das
duas ações (Evaporação + Transpiração).
Para que esses fenômenos ocorram, a radiação solar é a fonte de energia primária
para a variabilidade dos eventos atmosféricos.
Grandezas Características
As características mais importantes no processo de evaporação podem ser separadas
em dois grupos distintos, a perda por evaporação e a intensidade de evaporação ou de
transpiração (PINTO et al., 1976).
A perda por evaporação é definida como a quantidade de água evaporada em um
intervalo de tempo (mm). E a intensidade de evaporação ou de transpiração é conside-
rada como a velocidade com que se processam as perdas por evaporação (mm/h ou
mm/dia).
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Fatores Intervenientes
Tucci (2012) apresenta alguns fatores que intervêm no processo de evaporação:
• Grau de Umidade Relativa do Ar: quanto maior a quantidade de vapor de água
no ar, maior o grau de umidade e assim menor a intensidade da evaporação;
=E C ( p0 − pa ) * Lei de Dalton
Em que:
» E → Intensidade da evaporação (mm/h);
» C → Constante;
» p0 → Pressão de saturação do vapor de água à temperatura da água;
» pa → Pressão do vapor de água presente no ar.
• Temperatura: Quanto menor a temperatura, menor é a pressão de saturação do
vapor de água (menor quantidade de vapor de água no mesmo volume de ar).
Tabela 1 – Relação entre Temperatura e Pressão do vapor de água
Temperatura Pa
5°C 0,0089
15°C 0,0174
• Vento: Retira a umidade do ar, isto pode ser mais bem observado em lagos pequenos,
em que a influência é maior;
• Radiação Solar: Energia que o planeta recebe na forma de ondas eletromagnéticas,
oriundas do Sol. A média anual é de 0,1 a 0,2 kW/m2, que evapora 1,3 a 2,60 metros
de lâmina de água;
• Pressão Barométrica: Sua influência é pequena no processo. Quando a altitude é
menor, a pressão aumenta e a intensidade de evaporação diminui;
• Salinidade da Água: Quando o teor de sal na água é alto, a intensidade da evaporação
será menor;
• Tipo de Solo e Vegetação: Quanto mais arenoso for o solo, menor será a evapo-
ração. A vegetação diminui as perdas por evaporação da superfície do solo, mas
aumenta a transpiração;
• Tamanho da Superfície Evaporante: Quanto menor for a superfície, menor será
a evaporação.
Medida Evaporação Evapotranspiração
Os métodos utilizados para a determinação da quantidade de evaporação e evapo-
transpiração em uma bacia hidrográfica são as fórmulas empíricas, baseadas na Lei
de Dalton e no método da medição direta por equipamentos. As fórmulas empíricas
apresentam bons resultados, mas necessitam de muitos parâmetros, por esse motivo, as
medições diretas constituem uma boa solução (PINTO et al.,1976).
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UNIDADE Infiltração, Evaporação, Evapotranspiração
e Balanço Hídrico
A medição direta da evaporação na água é realizada pelo Evaporímetro de superfície
líquida, que mede a evaporação através de uma superfície de água, sendo o Tanque Classe
A o tipo de evaporímetro mais conhecido.
ER = k × ETCA
Em que:
• ER → Intensidade da evaporação real (mm/dia);
• K → 0,7 (Tabelado);
• ETCA → Evaporação total do tanque classe A.
Figura 4 – Tanque Classe A
Fonte: Reprodução
Com os dados coletados do tanque, determina-se o volume evaporado em um
reservatório de água, utilizando a equação a seguir:
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Vol = 0, [Link] . Amáx
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Em que:
• Vol → Volume evaporado no reservatório de água (m3);
• HETCA → Altura da água evaporada no tanque classe A (m);
• Amáx → Área do reservatório de água (m2).
Para a medição direta da evaporação no solo, o evaporímetro mais utilizado é o
Evaporímetro do tipo Lisímetro:
E= P − l + ∆R
Em que:
• P → Quantidade de precipitação;
• L → Quantidade de água drenada;
• ∆R → Quantidade de água acumulada no lisímetro.
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Figura 5 – Lisímetro
Fonte: Reprodução
A medição direta do fenômeno de evapotranspiração pode ser realizada com a uti-
lização do Tanque Classe A, fazendo as correções com o fator de conversão potencial
(GENOVEZ, 2004).
ETP = q × ETCA
Em que:
• ETP → Evapotranspiração (mm/dia);
• q → Fator de conversão da evaporação no tanque classe A para evapotranspiração
(tabelado em função das características meteorológicas e da vegetação);
• ETCA → Evaporação total do tanque classe A.
Balanço Hídrico
A importância da estimativa do balanço hídrico de uma bacia hidrográfica tem o
objetivo de avançar no uso racional dos recursos hídricos e entender melhor o funciona-
mento do sistema e suas alternâncias (TUCCI, 2012).
No balanço hídrico, as principais variáveis envolvidas no tempo e espaço são a precipi-
tação, a evaporação, a evapotranspiração e o escoamento superficial e subterrâneo.
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UNIDADE Infiltração, Evaporação, Evapotranspiração
e Balanço Hídrico
A equação a seguir expressa o balanço hídrico de uma bacia hidrográfica:
Vt = V0 + ( P − Q − ETP ) ∆t
Em que:
• Vt → volume de umidade na bacia no final do intervalo de tempo;
• V0 → volume de umidade na bacia no início do intervalo de tempo;
• P → precipitação;
• Q → vazão dos escoamentos;
• ETP → Evapotranspiração;
• ∆t → intervalo de tempo.
Informações sobre recursos hídricos. Disponível em: [Link]
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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
Sites
Departamento de Águas e Energia Elétrica – Hidrologia
[Link]
Livros
Princípios de Climatologia e Hidrologia
MACHADO, V. D. S. (2017) “Princípios de Climatologia e Hidrologia”. Sagah, Porto
Alegre. (e-book)
Vídeos
Como Fazer o Balanço Hídrico | Intensive Care
[Link]
Leitura
Estimativa da Infiltração de Água no Solo na Escala de Bacia Hidrográfica
[Link]
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UNIDADE Infiltração, Evaporação, Evapotranspiração
e Balanço Hídrico
Referências
GENOVEZ, A. M. Complementos de Hidrologia. Notas de Aula. Universidade Estadual
de Campinas, 2004.
PINTO, N. S. et al. Hidrologia Básica. São Paulo: Editora Edgard Blücher Ltda., 1976.
TUCCI, C. E. M. Hidrologia Ciência e Aplicação. 4 ed. São Paulo: Editora ABRH, 2012.
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