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Transferência e Repetição na Psicanálise

A transferência é a repetição inconsciente de padrões de relacionamento do passado na relação com o analista, permitindo que a análise ocorra através da interpretação desta repetição.

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Transferência e Repetição na Psicanálise

A transferência é a repetição inconsciente de padrões de relacionamento do passado na relação com o analista, permitindo que a análise ocorra através da interpretação desta repetição.

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CURSO: FUNDAMENTOS DA PSICANÁLISE: teoria e clínica

TURMA: CURITIBA – 2022

ALUNO: FLÁVIA LORENA ARAÚJO SANDES

MÓDULO I: AMBIENTAÇÃO

QUAL A RELAÇÃO DA TRANSFERÊNCIA COM A REPETIÇÃO E O


INCONSCIENTE?

A descoberta de Freud é considerada um divisor de aguas da modernidade no que se


trata a subjetividade, mais precisamente o que ele coloca como sendo inconsciente. A palavra
inconsciente já existia e estaria disponível a ser utilizada, porém o que Freud percebe é uma
especie de divisão do sujeito, duas partes que não se conversam. O que vai ao encontro da
frase “O eu não é o senhor da própria casa” e derruba uma ideia de homem que tudo pode e o
próprio racionalismo.
Ao se deparar com as histéricas e no lugar de subjulgá-las enquanto fingidas,
interessar-se pelo que se apresenta, apostando que há algo para além e por isso, as escuta,
Freud percebe que existe uma força a qual as mesmas não possuem controle, que as impedem
de andar ou paralizam seus membros. O inconsciente, desse modo, entra como adjetivo dessas
forças e mecanismos. Portanto, não é um lugar no qual é depositado experiencias, mas sim
algo que dita as regras perante a elementos não aceitos pelo eu e pela moralidade.
Freud buscou estudar o insconciente enquanto as suas expressões, percebendo-as
dentro do cotidiano e do nosso modo de nos comunicarmos, relacionarmos. Então, ao
aparecer uma quebra no discurso racional ou algo que parecia surgir do nada e que não tinha
aparente conexão com o que se está falando, a isso Freud colocou como algo da ordem do
inconsciente. Debruçando-se sobre, ele encontra os atos falhos, chistes e sonhos como rastros
do inconsciente.
Quando pensamos sobre a repetição e nosso apego a ela, essa pode ser traduzida e
estudada conforme vários aspectos, sendo um tema da vida humana presente no cotidiano,
seja naquele amigo que repete em escolhas de parceiros, seja na repetição de notas nas
músicas que ouvimos, nas pinturas de um mesmo lugar como a Catedral de Rouen, composta
por 28 telas de Monet, ou nas várias telas de girassóis em Van Gogh.
É verdade que a repetição é um tema do cotidiano, porém, quando Freud(1980) volta
seu interesse, anteriormente dado a histeria, as neuroses traumáticas, percebe como sintoma
principal o sonho com o acidente, o retorno a situação traumática, nota-se assim, uma relação
com a repetição importante para a psicanálise. A repetição torna-se uma força, um motor, da
pulsão, de modo que a pulsão seria um esforço a retornar a uma situação anterior. A
compulsão a repetição foi percebida pelo autor ao observar uma criança brincando,
brincadeira essa que repetiria algo do anterior, ali entendida como a saída da mãe, que gerou
uma angústia não demonstrada se não pela brincadeira, tendo agora a criança saído de uma
posição passiva e obtendo algum controle. Nesse mesmo artigo, o autor entende a necessidade
de repetir o elemento recalcado, quando assume que recordar não é suficiente, nem mesmo
possível em sua totalidade.
Com Lacan(1988), a repetição torna-se algo com importância mais evidente, o autor a
coloca como um dos quatro conceitos fundamentais para a psicanálise e atribui um caráter
estrutural a repetição. Para o autor, o sujeito se constitui na medida em que se aliena a
linguagem, faz uso da linguagem para representar a si e assim se endereçar ao outro, porém
para que haja o desfile de significantes, uma circulação na linguagem, há o objeto a, um furo
na linguagem, algo não representável, que é o que produz a repetição.
No artigo Recordar, Repetir e Elaborar, Freud (1914) decorre sobre a técnica da
psicanálise, ou seja, o que se faz na clínica. Nele, o autor salienta sobre seu modo pré
psicanalítico de tratamento, a hipnose, que em sua simplicidade recorda algo do passado e que
se encontra no passado. Quando com a resistência, se abandona esse método, vê se que esse
algo recalcado se expressa no presente como ação, fazendo o analisando repetir sem que o
saiba. O que se repete então, é algo que não se pode ser lembrado e por isso, essa repetição
tem uma ligação com a resistência e a transferência. Visto que o que se repete, se repete sob
transferência e assim que se inicia o tratamento na psicanálise, quando o que se fala sobre sua
história, se atualiza na relação com o terapeuta e visto que, como não se pode lembrar, quanto
mais perto se chega, mais haverá resistência e assim, mais repetições. Sendo o trabalho
analítico a interpretação dessa resistência, fazendo uma elaboração, um atravessamento da
repetição.
Freud falava da transferencia enquanto forma de amor, dizendo que quando nos
relacionamos, existe uma reatualização de como foi organizado nosso modo de amar e ser
amado na nossa história. Nossos novos e atuais relacionamentos, então, não seriam
experienciados como tão novos assim, visto que estamos constantemente repetindo nosso
modo de amar e de lidar com demandas, provindas de experiencias antigas. Portanto,
percebe-se a relação dos três conceitos, quando pensamos na transferencia enquanto algo da
ordem do inconsciente que se repete na relação analista-analisando e que é o que possibilita
que análise ocorra, abrindo portas para que, servindo-se dela, se possa construir uma nova
história e uma nova experiencia enquanto sujeitos.

REFERÊNCIAS

FREUD, S. Mais além do princípio do prazer (Edição Standard Brasileira das Obras
Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Vol. 18). 1980.
FREUD, Sigmund. Observações sobre o amor de transferência. Rio de Janeiro: Imago. 1915.
FREUD, Sigmund. Psicopatologia da vida cotidiana (1901) Ed. Standard Brasileira. 1980.
FREUD, Sigmund. Recordar, repetir e elaborar. Obras completas, v. 12, n. 149, p. 91-115,
1914.
LACAN, Jacques. Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. O Seminário, livro, v.
11, p. 1963-1964, 1988.

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