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Entenda o Processo de Inventário em Portugal

O documento descreve a evolução histórica do processo de inventário em Portugal, desde as Ordenações Afonsinas e Filipinas até às leis mais recentes. O processo de inventário tem como função principal pôr termo à comunhão hereditária após a morte ou dissolução do casamento.

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Entenda o Processo de Inventário em Portugal

O documento descreve a evolução histórica do processo de inventário em Portugal, desde as Ordenações Afonsinas e Filipinas até às leis mais recentes. O processo de inventário tem como função principal pôr termo à comunhão hereditária após a morte ou dissolução do casamento.

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Processo de Inventário

Textos de Apoio ao Estudo da UC Ano


de 2019/2020

O Processo de Inventário e a sua Função


No plano de direito substantivo, os factos jurídicos mediatos que originam o
processo de inventário, são sobretudo, a morte e a dissolução do casamento,
pelo que, as suas causas imediatas são situações de comunhão hereditária e
de extinção da comunhão de bens entre os cônjuges, que visam redefinir a
nova titularidade jurídica sobre os direitos e obrigações integradas no conteúdo
dessa comunhão, por isso, quando falamos do Processo de Inventário,
tendemos a associá‐lo de imediato com a morte, com as heranças e com a
existência de um património autónomo que aguarda na partilha, a causa de
modificação subjetiva na titularidade das relações jurídicas patrimoniais que ao
falecido pertenciam, e que não devam extinguir‐se por sua morte.

De facto, a morte, enquanto fenómeno jurídico natural e involuntário, extingue a


personalidade da pessoa singular e com ela provoca uma modificação
subjetiva, nas relações jurídicas de que o falecido era titular, e que não devam
extinguir‐se com a sua morte.

Por efeito da morte, essas relações jurídicas desligam‐se do seu titular e vão
ligar‐se a um novo sujeito titular, dotado de personalidade jurídica e
capacidade sucessória, que demonstre vontade de aceder ao património
hereditário que integra essas mesmas relações jurídicas.

Ao chamamento do sujeito ou sujeitos que gozam de prioridade para virem a


ser titulares dessas mesmas relações jurídicas, impõe‐lhes a lei que
demonstrem vontade de aceitar a herança a que são chamados, já que a
devolução do acervo patrimonial hereditário para a esfera jurídica desses
sucessíveis, não opera milagrosamente por mero efeito da morte, antes, opera
por efeito da aceitação da herança, como de resto resulta, do teor do artigo
2050 nº 1 do C. C. quando refere que “O domínio e posse dos bens das
herança adquirem‐se pela aceitação”. De facto, a pessoa chamada à herança
só a adquire com a aceitação,
embora a aquisição se considere retroagida em princípio ao momento inicial da
abertura. Até lá a herança é um património sem sujeito.

Já sobre os modos como essa aceitação poderá ser exercida, enquanto ato
potestativo que é, estabelece o nº 1 do artigo 2052º do C. Civil que, “a herança
pode ser aceite pura e simplesmente ou a benefício de inventário”, o que
significa que os sucessíveis prioritários, poderão demonstrar a sua livre
vontade de aderirem aquele património ainda sem sujeito, através da aceitação
pura e simples, ou a benefício de inventário.

Na primeira, os herdeiros vocacionados sem necessidade de qualquer


formalidade poderão aceitar a herança e pôr‐lhe termo, intervindo e distribuindo
entre si os bens da herança mediante partilha. Na aceitação beneficiária da
herança ou a aceitação a benefício de inventário, tal como o determina o artigo
2053º do C. Civil, “faz‐se requerendo inventário, nos termos previstos em lei
especial, ou intervindo em inventário pendente”.

Como bem evidencia o Acórdão do TRL do dia 25/12/2017, em que foi Relator
Francisco Mangueijo,”‐ A aceitação da herança a beneficio de inventário
significa antes de mais que os herdeiros aceitam a herança com os efeitos
previstos na lei, respondendo pelos encargos da herança, entre eles as dívidas
do «de cujos», na medida do valor dos bens herdados, só respondendo pela
satisfação dos encargos os bens inventariados, isto é, os relacionados no
inventário, cabendo aos credores o ónus de demonstrar a existência de outros
bens pertencentes à herança.”

Assim o processo de inventário, funciona em termos de conferir proteção ao


herdeiro face aos credores, proporcionando‐lhe o recebimento dos valores
líquidos da herança, já expurgada das dívidas e encargos que a oneram e
porque responde.

É em nome dessa proteção, que o legislador no artigo 2102 nº 1 alínea b), faz
depender a aceitação de herança deferida a incapaz de uma prévia análise e
decisão do Ministério Público, sobre a necessidade e pertinência de aceitação
da herança, a benefício de inventário, que constitui para este órgão, um poder /
dever de agir em nome e em representação desses herdeiros.
O processo de inventário apresenta‐se‐nos pois, como um meio processual
secularmente acolhido e regulado no ordenamento jurídico português, que tem
por especiais funções, “por termo à comunhão hereditária” “servir de base a
eventual liquidação da herança” ou proceder “à partilha consequente à extinção
da comunhão de bens entre cônjuges” – artigo 2º RJPI e 1082º do CPC.

Evolução Histórica

Além das Ordenações Afonsinas e Filipinas, onde já existia o chamado


processo Orphanológico, tido como, aquele processo em que se dividia,
avaliava e repartia o património, dos que deixaram por sua morte herdeiros
menores ou incapazes, também o Código Civil de Seabra lhe veio a consagrar
dezenas de artigos.
Aí, e apesar de ser um instituto cujo processamento caberia à lei adjetiva,
poderíamos encontrá‐lo a partir do artigo 2064º, onde se estipulava a
obrigatoriedade de instauração de processo de inventário, sempre que qualquer
dos herdeiros fosse menor, interdito, ausente ou desconhecido e deveria ser
concluído após 60 dias,

O Processo de Inventário manteve‐se regulado pelo Código de Seabra até à


entrada em vigor da lei adjetiva em 1939, mais conhecido como ‐ Código de
Processo Civil de 1939 – publicado pelo D. Lei nº 29637 de 28 de maio de
1939, onde o seu autor, o Professor Alberto dos Reis, instituiu o procedimento
do Processo de Inventário, como um dos processos Especiais do Código de
Processo Civil, denominando‐o de Inventário Orfanológico ou de Maiores,
conforme fosse ou não requerido pelo M.P.;

A Reforma (No Processo Civil de 1961)

 Reforma do Código de Processo Civil com o Dec. Lei 44129 de 28 de


dezembro de 1961;
 Passou de Inventário Orfanológico a Obrigatório e de Inventário de
Maiores a Facultativo, e agilizou a Conferência de interessados,
admitindo o acordo, mas por unanimidade dos interessados, na
composição e distribuição entre si dos bens, e com a concordância do
Conselho de Família;
 O Processo de Inventário passou a integrar um dos Processos
Especiais previstos no Código de Processo Civil, regulado pelas normas
dos artigos 1326º a 1406º.

A Reforma (desde o Dec. Lei nº 227/94 de 08 de setembro, até à Lei nº


117/2019 de 13 de setembro.)

 A Reforma preconizada pelo Dec. Lei nº 227/94 de 08 de setembro,


veio alterar procedimentos e normas do Processo de Inventário.

 Deixou de ser obrigatória a instauração de Processo de Inventário para


aceitação da herança por incapaz.

 Deixou de existir a denominação de inventários Obrigatórios ou de


Facultativos e passou a existir apenas processo de inventário.

 Desaparecimento da convocação do Conselho de Família.

 Nasce a possibilidade de fazer concluir o processo, na conferência


de interessados, mediante acordo de todos os interessados.

 Possibilidade de se poder fazer acordo sobre a composição dos


quinhões. – 1353º nº 1 e 6

Mais tarde, a Desjudicialização do Processo de Inventário….

Surgem iniciativas tendentes à desjudicialização do Processo de Inventário,


através da Resolução do Conselho e Ministros nº 172/2007 de 06 de
novembro, que adotou….

 Medidas tendentes a descongestionar os tribunais; e a


 Atribuir celeridade a um processo particularmente moroso, como era
considerado o Processo de Inventário

1º solução encontrada,
 Aprovação da Lei n.º 29/2009, de 29 de junho

 Inovação de meios eletrónicos na tramitação do processo;


 Atribuição de competências aos Notários e às Conservatórias de registo
predial para efetuar as diligências do processo, sujeitando‐a, porém, ao
controlo geral e exclusivo de um juiz;
 Competência mitigada, repartida pelo notário e pelo juiz, por forma a
garantir o controlo jurisdicional do processo.

 Por falta de Regulamentação, esta lei, apesar de ter entrado em vigor,


nunca produziu seus efeitos.

 Em consequência da falta de Regulamentação, a Lei 29/2009, foi


revogada e repristinado o Processo de Inventário previsto nos artigos
1326º a 1406º do CPC de 1961.

Solução final

 Foi aprovada e publicada a Lei 23/2013 de 05 de março, que:

 Aprova o RJPI (Novo Regime Jurídico do Processo de Inventário);


 Revoga os artigos 1326º a 1406º do (C.P.C. de 1961) – mantendo
transitoriamente em vigor, nas normas do Processo de Inventário, que
continuam a aplicar‐se aos processos de inventário, que à data da sua
entrada em vigor, se encontravam pendentes nos Tribunais Judiciais.
 É, entretanto, publicada a Portaria nº 278/2013 de 26 de agosto, que
veio regulamentar o Novo Regime Jurídico do Processo de Inventário
(entretanto alterada e republicada pela Portaria nº 46/2015 de 23 de
fevereiro.

Art.2º, nº1: pôr termo à comunhão hereditária – extinguir a massa patrimonial que
não tem um titular concreto;
O Processo de Inventário (Notarial) passa então a ser:

 Regulado pelo Regime Jurídico do Processo de Inventário ‐ RJPI,


 Regulamentado pela Portaria nº 278/2013 de 26 de agosto, com a nova redação
dada pela Portaria nº 46/2015 de 23 de fevereiro, e,
 Subsidiariamente, e por força do disposto no seu artº82º ao RJPI, passam a
ser‐lhe aplicadas:
o As normas gerais e comuns do Código de Processo Civil; e,
o Respetiva legislação complementar, como seja:
 A Lei 34/2004 de 29 de julho – Lei do acesso ao direito;
 Dec. Lei 34/2008 de 26 de fevereiro, alterado pela Lei nº 72/2014 de
02 de setembro ‐ Regulamento das Custas Judiciais;
 Lei nº 29/2013 de 19 de abril ‐ Regime Jurídico da Mediação;
 Lei nº 155/2015 de 15 de outubro ‐ Estatuto dos Notários, (em
matéria de impedimentos do Notário, com assento ‐ 13º e 14º do
Estatuto do Notariado;
 Lei nº 26/2004 de 4 de fevereiro; Estatuto do Notariado;
 DL n.º 207/95, de 14 de agosto, Código do Notariado ‐ artigos 5º e 6º
‐ matéria de impedimentos.

Mediação: intervenção de um terceiro que discute com eles de forma a ajudar a


viabilizar a partilha;

O Novo Paradigma do RJPI


Dois órgãos Decisores

Este novo processo de inventário passa a contar com dois órgãos decisores,
o Notário e o Juiz, com funções diferentes, embora complementares.

Notário:

É‐lhe atribuída competência para o processamento de todos os atos e termos


do processo, bem como, para a direção de todas as diligências do processo de
inventário e da habilitação de uma pessoa como sucessora da outra ‐ artº3º nº
1 e 4 RJPI;

Possibilidade de Suspensão do processo pelo Notário e a remessa dos


interessados para os meios comuns artº16º.
Juiz:

Ao Tribunal compete praticar os atos que, nos termos da lei, sejam da


competência do juiz ‐ (3º nº 7), atos esses que não são enumerados no nº 7 do
artigo 3º do RJPI, e que podemos resumir aos seguintes:
 Artigo 66º nº 1 – Decisão homologatória de partilha;
 Artigo 2083º do C. C. Nomeação residual do cabeça de casal no caso de
escusa ou remoção;
 Artigo 16º nº 4 – Recurso da decisão de indeferimento de remessa dos
interessados para os meios comuns, proferida pelo notário;
 Artigo 57º nº 4 – impugnação da forma à partilha ou do despacho
determinativo de partilha dada pelo notário;
 Artigo 70º nº 2 – Retificação da sentença ou despacho pelo juiz;
 Artigo 83º nº 1 – Fixação pelo Juiz de um valor de custas superior ao
que deve ser pago, em função da complexidade do processo.

Alterações na intervenção do Ministério Público

 Ao Ministério Público, órgão a quem tradicionalmente era atribuída a


representação e defesa dos interesses dos incapazes e ausentes, foi
retirada (aparentemente) a competência para requerer a instauração de
processo de Inventário, suprimindo‐o do teor do artigo 4º do RJPI, o
Ministério Público.
 Face ao que dispõe o artigo 4º nº 1 b), os incapazes são agora
representados no inventário, pelos seus representantes legais, os pais
ou tutores, ou no caso de estes concorrerem à herança com os seus
representados, serem representados por um curador especial – artrº7º,
 A competência do Ministério Público no Inventário, cinge‐se agora à
representação e defesa dos interesses da Fazenda Pública no processo
de inventário. – Artº5º
 Contudo ao nº 2 do Artº5 do RJPI, foi acrescentado o seguinte segmento
de texto: “sem prejuízo das demais competências que lhe estejam
atribuídas por lei”.
Sendo assim, quais são as competências que por Lei, estavam atribuídas
ao Ministério Público?

Desde logo….

A Constituição da República Portuguesa

O Artº219º da CRP atribui ao M.P. competência para a representação do


Estado e defender os interesses que a lei determinar, bem como, com
observância do disposto no número seguinte e nos termos da lei,
participar na execução da política criminal definida pelos órgãos de
soberania, exercer a ação penal orientada pelo princípio da legalidade e
defender a legalidade democrática.

O Estatuto ou Lei Orgânica do Ministério Público No


Artº3º

O nº 1 do artº3º do Estatuto do Ministério Público (L e i Orgânica do


Ministério Público) aprovado pela Lei nº 47/86 de 15 de outubro, com a
última redação dada pela Lei nº 9/2011 de 12 de abril, atribui
competência ao M. P. para Representar: na alínea a) ‐ o Estado, as
Regiões Autónomas, as autarquias locais, os incapazes, os incertos e
os ausentes em parte incertos; na alínea p) ‐ Exercer as demais
funções conferidas por lei.
O Artigo 5.º do mesmo estatuto refere que o M.P. tem intervenção
principal nos processos: c) Quando representa incapazes, incertos ou ausentes
em parte incerta; f) Nos inventários exigidos por lei; 3 ‐ Em caso de representação
de incapazes ou de ausentes em parte incerta, a intervenção principal cessa se os
respetivos representantes legais a ela se opuserem por requerimento no processo;
4 ‐ O Ministério Público intervém nos processos acessoriamente: a) Quando, não
se verificando nenhum dos casos do n.º 1, sejam interessados na causa as
Regiões Autónomas, as autarquias
locais, outras pessoas coletivas públicas, pessoas coletivas de utilidade
pública, incapazes ou ausentes, ou a ação vise a realização de interesses
coletivos ou difusos; b) Nos demais casos previstos na lei.

O Código Civil

Por sua vez o artº2102º nº 2 alínea b) do C. Civil, (que foi objeto de


alteração pelo artigo 3º da própria Lei nº 23/2013, também ele mantém a
obrigação do M.P. na representação dos incapazes e ausentes em parte
incerta, enquanto o próprio artigo 66º nº 2 do RJPI, vem de igual modo
reforçar essa ideia de representação dos incapazes e ausentes pelo
M.P.;

Mas, nem tudo correu como previsto, e surge então


A Novíssima Reforma – Lei nº 117/2019 de 13 de setembro

A transferência da competência dos processos de inventário para os Cartórios


Notariais, instrumentalizada através da Lei nº 23/2013, de 5 de março, que
aprovou o Regime Jurídico do Processo de Inventário, teve por finalidades
agilizar aquele tratamento e, descongestionar o sistema judicial.

A solução, não foi feliz, pois que, além de nunca ter obtido o consenso da
comunidade jurídica e dos operadores judiciários e não judiciários, também não
alcançou, comprovadamente, o primeiro daqueles objetivos, ou seja, o de
agilizar o tratamento do processo.

Desde logo, por virtude da inexistência em 92 Municípios de Cartório


Notarial privado –especialmente nos Distritos de Portalegre, Beja, Évora e
na Região Autónoma dos Açores, no qual existem várias ilhas sem Notário
(Corvo, Graciosa, São Jorge e Santa Maria); (Vd. Exposição de Motivos da
Proposta de Lei, aprovada em Conselho de Ministros 27/12/2018)
Depois, pelo notório défice de tutela dos incapazes, maiores acompanhados
e ausentes, resultante da não intervenção do Ministério Publico no inventário
notarial.

Enfim, pela constatação, em largo número de processos, de tempos


desrazoáveis de resolução, com prejuízos graves, tanto para a situação
jurídica dos cidadãos, como para o interesse coletivo de ordenamento do
território, designadamente dos espaços rurais e florestais, consequente à
permanência, temporalmente indefinida, de número considerável de prédios na
situação jurídica de indivisão.

Análise da Lei 117/2019 de 13 de setembro

Artigo 1º nº 1
Altera o Código de Processo Civil, aprovando e Recodificando o Processo de
Inventário Judicial, enquanto processo especial,

Artigo 2º
Aprova o Regime de Inventário Notarial – (RIN), que contêm 8 artigos:

1º‐ Competência (territorial) do Cartório Notarial;


2º‐ Tramitação do Processo; (Lei aplicável)
3º‐ Remessa dos interessados para os meios judiciais; (meios Comuns) Cfr.
artigo 1092º e 1093º do CPC ‐ suspensão da instância e outras questões
prejudiciais)
4º‐ Recursos; (Regime de Recursos das decisões do Notário)
5º‐ Decisão Homologatória da Partilha;
6º‐ Arquivamento do Processo;
7º‐ Taxa de Justiça devida pela remessa do processo ao Tribunal;
8º‐ Apoio Judiciário;

Porque a nova lei no artigo 1083º nº 2 do CPC, institui a competência


concorrente entre o Tribunal e o Notário para a tramitação do Processo de
Inventário, foi então aprovado o Regime do Inventário Notarial.

Este novo Regime do Inventário Notarial será aplicado a todos os processos de


inventário que se iniciem nos Cartórios Notariais após a entrada em vigor da
Lei, ou seja, depois do dia 01 de janeiro de 2020.
Artigo 4º
Adita ao Código de Processo Civil, o artigo 72º‐A, sobre competência
territorial em Matéria de Sucessões.

Artigo 5º
Adita ao Código de Processo Civil o livro V, título XVI, denominado
«Do processo de inventário», composto pelos capítulos I a III;
(Recodificação do Processo de Inventário Judicial)

Artigo 8º
Altera o RJPI aprovado pela Lei 23/2013 de 05 de março, nos seus artigos
3º, 27º, 35º, e 48º;

Artigo 9º
Adita ao RJPI, aprovado pela Lei nº 23/2013 de 05 de março, o artigo 26º‐A;

Capítulo III – Das Disposições transitórias

Artigo 10º
Revoga o RJPI – aprovado pela Lei nº 23/2013 de 05 de março
Contudo e segundo o nº 2 do artigo 11º das normas transitórias, o RJPI
continuará a aplicar‐se ao processo de inventário que, na data da entrada em
vigor da presente lei, estejam pendentes nos Cartórios Notariais e que aí
prossigam a respetiva tramitação.

Para estes processos, o artº8º da referida Lei 117/2019 altera os artigos 3.º,
27.º, 35.º e 48.º do RJPI.

Artigo 11º
Determina a aplicação no tempo:
‐ Do regime do Processo de Inventário Judicial previsto no Título V, Título
XVI do Código de Processo Civil;
‐ Da Lei 23/2013 de 05 de março
‐ Das alterações ao RJPI, alteradas pelos artigos 8º e 9º da nova Lei.
Artigo 12º
Prevê e regula a Remessa do Processo de Inventário instaurado no âmbito da
Lei 23/2013, dos Cartórios para os Tribunais
‐ Nº‐ 1 Remessa Oficiosa ‐ (Incapazes e ausentes – intervenção do
M.P.) ‐ artigo 12º nº 1 das Normas Transitórias
‐ Nº‐ 2 Remessa a pedido dos interessados; 12º nº 2, 3 e 4 Normas Transitórias

Artigo 13º
Regula o Procedimento da Remessa;

Artigo 14º
Elaboração da conta de custas.

Artigo 15º
Entrada em vigor da Lei 117/2019 de 13 de setembro – 01/01/2020

Breve análise do Novo Regime:

 O regime do Processo de Inventário Judicial, será aplicado a todos os


processos de inventário que forem instaurados a partir da entrada em
vigor da presente Lei (01/01/2020) ‐ Tanto nos Cartórios como nos
Tribunais) ‐ (Cf. Artº11º nº 1 Normas Transitórias), bem como,
 Aos processos que, estejam pendentes nos Cartórios e que,
oficiosamente ou a requerimento dos interessados, vierem a ser
remetidos pelos Notários para os Tribunais, ‐ (Cfr. 13º nº 2 e 11º, 1 das
Normas Transitórias, como é disso exemplo, os processos com heranças
deferidas a favor de menores, maiores acompanhados ou ausentes em
parte incerta)

Competência Material
 A nova Lei tanto impõe a competência exclusiva do Tribunal, como
admite a Competência concorrente entre o Tribunal e o Cartório
Notarial, na instauração de novos processos a partir de 1/1/2020, (Cf.
1083º nº 2 e 3 C.P.C.).
Assim,
‐ Serão da Competência exclusiva do Tribunal – 1083º nº 1 CPC
‐Os processos de inventários instaurados:
a) Nos casos previstos nas alíneas b) e c) do n.º 2 do artigo 2102.º do
Código Civil;
b) Sempre que o inventário constitua dependência de outro processo
judicial; (Exemplo‐ separação de meações em consequência de
penhora de bens comuns ou apreensão em processo de insolvência;
divórcio litigioso)
c) Quando o inventário seja requerido pelo Ministério Público.

‐ Serão de Competência Concorrente entre o Tribunal e o Cartório:


‐ Fora dos casos de competência exclusiva ‐ artigo 1083º nº 1
‐ A partir de 01/01/2020, a instauração dos processos de inventário que não
sejam da competência exclusiva do Tribunal, poderão ser requeridos: (1083º
nº 2)

Tanto no Tribunal como nos Cartórios Notariais;


‐ À escolha do interessado que o instaura, ou, mediante acordo entre
todos os interessados;

Porém, a Escolha do Tribunal


‐ Está Sujeita às regras da competência territorial previstas artigo 72º‐ A,
conjugado com os artigos 1083º nº 1 e nº 2, todos do C.P.C.

A Escolha do Cartório – 1083º nº 2 CPC – artigo 1º nº 2 do RIN


‐ Também está sujeita às regras de conexão com a partilha,
estabelecidas em função:
‐ Do local de abertura da sucessão, (e Artº1º nº 2 RIN)
‐ Da situação da maior parte dos imóveis ou estabelecimento comercial que
integram a herança;
‐ Da residência da maioria dos interessados diretos na partilha;

Acresce ainda que,


‐ Se o processo for instaurado em Cartório sem a concordância de todos os
interessados, o mesmo poderá ser remetido ao Tribunal judicial, se tal for
requerido até ao fim do prazo de oposição, por interessado ou
interessados diretos, que representem isolada ou conjuntamente, mais de
metade da herança. ‐ Ver 1083º nº 2 e 3 C.P.C.

A sua aplicação no tempo


‐ Determina ainda o nº 1 do artigo 11º das Normas Transitórias, que aos
processos instaurados a partir da entrada em vigor da Lei 117/2019 de 13 de
setembro – 01/01/2020‐ será aplicado o Regime do Processo de Inventário
Judicial, quer sejam instaurados no Tribunal ou nos Cartórios Notariais. (Cfr‐
1rtº 11 nº 1 Normas Transitórias)
‐ Como determina ainda que aos processos de inventário que na data de
01/01/2020, estejam pendentes nos Cartórios e aí prossigam a sua
tramitação, continuará a aplicar‐se o RJPI aprovado pela Lei 23/2013 de 05
de março (Cf. 11º nº 2 e 3 Normas Transitórias)

As normas transitórias do Novo Regime, preveem ainda, a Remessa do Processo


(Do Cartório para o Tribunal)
(artºs12º e 13º das Normas Transitórias)

Esta Remessa pode ter natureza Obrigatória:


– Artigo 12º nº 1(Normas transitórias)
‐ Por efeito das novas competências o notário deverá remeter oficiosamente
ao tribunal competente, os inventários que detenham em Cartório e em
que sejam interessados diretos, menores, maiores acompanhados ou
ausentes, ou seja, os Inventários em que o Ministério Público tenha
intervenção.

Ou,
Ter natureza facultativa por ser a Pedido dos Interessados (Artº12, nº 2, 3 e 4)

‐ Nos restantes inventários que se encontrem pendentes nos Cartórios


Notariais, (e m que não haja incapazes ou ausentes) qualquer dos
interessados diretos na partilha pode requerer a remessa ao tribunal
competente, sempre que:
a) Os processos se encontrem suspensos ao abrigo do disposto 16.º do
regime jurídico do processo de inventário (RJPI), há mais de um ano;
b) Os processos estejam parados, sem realização de diligências úteis, há
mais de seis meses.

‐ A remessa do processo para o tribunal competente também pode ser


requerida, em qualquer circunstância, por interessado ou interessados diretos
que representem, isolada ou conjuntamente, mais de metade da herança. (Cfr
12º nº 3 Normas Transitórias)

Competência territorial do Tribunal em Caso de Remessa


‐ A remessa pode ser requerida não só para o tribunal territorialmente
competente nos termos do artigo 72.º‐A do Código de Processo Civil, mas
também para qualquer tribunal que, atendendo à conveniência dos
interessados, estes venham a escolher. (Cf. 12º nº 4 das Normas
Transitórias.)

NOTA:
Em face das alterações ora operadas no âmbito do Processo de
Inventário, a partir do dia 01 de janeiro de 2019, podem coexistir três
diferentes regimes jurídicos.
a) É o caso dos Inventários mais antigos, que à data da entrada em
vigor da Lei nº 23/2013 de 05 de março se encontravam pendentes
nos Tribunais, sujeitos às normas do Processo Especial de Inventário
previsto no Código de Processo Civil aprovado pelo Dec. Lei nº 44129
de 28 de dezembro de 1961, entretanto revogado – (Ver artº6º nº 2 da
Lei 23/2013 de 05 de março);
b) Os inventários pendentes nos Cartórios Notariais à data da entrada
em vigor da nova Lei, que continuam sujeitos ao Novo Regime
Jurídico do Processo de Inventário, aprovado pela Lei nº Lei 23/2013
de 05 de março e regulamentado pela Portaria nº
278/2013 de 26 de agosto, aletrada e republicada pela Portaria nº 46/2015
de 23 de fevereiro;
c) Inventários iniciados a partir do dia 01 de janeiro de 2020, nos
Tribunais ou nos Cartórios Notariais, bem como os processos que
nessa data, estejam pendentes nos cartórios notariais, mas que
sejam remetidos ao tribunal, nos termos do disposto nos seus artigos
11º a 13º e que ficam sujeitos ao regime do processo de Inventário,
instituído pelas normas dos artigos 1082º a 1135º do Código de
Processo Civil, aprovado pela Lei nº 41/2013 de 26 de junho.

Resumo das Alterações substanciais


‐ Competência concorrente entre Notário e Tribunal em determinados
inventários– 1083º
‐ Renovação da competência do Ministério Público para requerer e intervir
no processo – 1085º nº 1, b)
‐ Nova formulação do Requerimento Inicial para instauração de processo de
inventário pelo Cabeça de Casal – 1097º ‐ ou outro interessado 1099º.
(Eliminação das declarações de cabeça de casal e compromisso de honra
presenciais do cabeça de casal, substituindo‐os por declaração escrita e
Junção da Relação de bens, testamentos, convenções antenupciais e
escrituras de doação, logo com o Requerimento inicial. – 1097º nº s 1, 2 e 3
e 1102º);
‐ Sujeição do Requerimento Inicial a despacho liminar do Juiz – artº1100º nº
1, a), e sujeito a despacho de aperfeiçoamento‐
‐ Sujeição do processo de inventário, aos poderes do Juiz de ‐ Gestão
processual; ‐ Adequação formal; Poder Inquisitório; 13º nº 3 das disposições
finais transitórias e artigo 547º nº 6 do C.P.C.
‐ Unificação do regime de oposição ao inventário (arquivar o processo),
impugnação da legitimidade dos interessados e da legitimidade do cabeça
de casal (ex.: quando o cabeça de casal indica um filho fora do casamento
como herdeiro do falecido, mesmo este não constando na certidão como
filho do falecido, este não é considerado herdeiro, logo impugna-se),
reclamação à relação de bens (ex.: as pessoas indicam bens que
pertencem a outros herdeiros, podem pedir uma reclamação porque
determinado bem não consta da partilha) e impugnação dos créditos e
dívidas da herança. – Ver artº1104º nº 1‐. Fixando‐se um único prazo de 30
dias.
‐ Extinção da instância e remessa dos interessados para o processo de
insolvência – 1108º;
‐ Previsão de uma Conferência Prévia à Conferência de interessados ‐
1109º nº 1;
‐ Apresentação pelos interessados ou pelo M.P. de uma proposta sobre a
forma da partilha, (antes da realização conferência de interessados). 1110º
nº 1, b)
‐ Despacho do Juiz sobre a forma como deve ser organizada a partilha
(antes da realização da conferência de interessados) ‐ 1110º nº2, a)

‐ Institui a possibilidade de homologação de partilha parcial, quando todos


os interessados acordarem no preenchimento do quinhão hereditário de
qualquer um deles, desde que existam ou estejam salvaguardados
eventuais direitos de terceiros afetados por essa partilha – 1111º nº 1 e
1112º nº 1 e 2.

‐ Faculdade de Oposição ao excesso de Licitação antes da elaboração do


mapa de partilha, permitindo assim que chegado o momento do mapa de
partilha, já estejam resolvidas todas as questões– 1116º (anteriores 1377º nº
2 do C.P.C. e artº61º nº 2 do RJPI)
‐ Alteração do Regime de Recursos – aplicação subsidiária do Regime de
Recursos em processo declarativo. ‐ 1123º nº 1; ‐ Admissão de Recursos
autónomos: 1123º nº 2

DO PROCESSO DE INVENTÁRIO

A Abertura da Sucessão

A nossa Lei Fundamental – Constituição de República Portuguesa ‐, no seu


artigo 62º, a todos garante o direito à propriedade privada e a sua
transmissão em vida ou por morte.

O artigo 2024º do C. Civil, define a sucessão, como o chamamento de uma


ou mais pessoas à titularidade das relações jurídicas patrimoniais de uma
pessoa falecida e a consequente devolução dos bens que a esta pertenciam.
Sendo que esta tal sucessão ou chamamento, de acordo com o preceituado
no artigo 2031º do C. Civil, se abre no momento da morte do seu autor e no
lugar do último domicílio dele.
Com a morte, e de acordo o previsto no artigo 68º nº1 do C. Civil, cessa a
personalidade do titular das relações jurídicas que vão integrar o acervo
patrimonial que compõe a sucessão aberta, gerando por efeito da extinção
da personalidade um vazio, na titularidade das relações jurídicas que ao
finado pertenciam.

Aberta a sucessão e de acordo com o preceituado no artigo 2101 do C. Civil,


qualquer herdeiro ou o cônjuge meeiro, pode pedir partilha dos bens que
integram a massa patrimonial da herança, estando‐lhe vedado renunciar a
esse direito.
Artigo 2101º
Direito de exigir
Partilha

1. Qualquer co‐herdeiro ou o cônjuge meeiro tem o direito de exigir partilha


quando lhe aprouver.
2. Não pode renunciar‐se ao direito de partilhar, mas pode convencionar ‐se
que o património se conserve indiviso por certo prazo, que não exceda cinco
anos; é lícito renovar este prazo, uma ou mais vezes, por nova convenção.

Este direito de exigir partilha cabe aos herdeiros e cônjuge meeiro, mas não
aos legatários (pois que estes já sabem quais são os bens que vão receber).

A herança antes da partilha constitui uma universalidade jurídica (um


património autónomo), com conteúdo próprio fixado na lei – Vd artigos 2064º
nº 2, 2068, 2070, 2074 nº 3, 2079, 2088, 2089, 2091 e 2098 todos
do C. C – em que os herdeiros são titulares de um direito ideal ou quota
ideal, sobre essa massa patrimonial de bens, enquanto não for realizada a
partilha.
Até à partilha tal direito recai, assim, sobre o conjunto da herança e não
sobre cada um dos bens certos e determinados desta – logo, não pode
atribuir‐se ao co‐herdeiro, antes da partilha, a qualidade de proprietário de
qualquer bem da herança.
Se o herdeiro quer ser proprietário de determinados bens da herança,
porque a isso tem direito, segundo as regras sucessórias, então têm de
outorgar com os demais interessados contratos de partilha nas
conservatórias ou por via notarial, ou requerer inventário, que conduzirá à
partilha e à entrega dos bens que lhe foram adjudicados.

Aceitação da Herança

Além do que supra já ficou dito sobre a aceitação beneficiária da herança,


renovam‐se aqui os modos de aceitação da herança, que podem ser de
Aceitação:

 Pura e Simples – 2052º nº 1 – aceitação sem qualquer formalismo;


 A benefício de inventário – 2052º nº 1 e 2053º e 2102º nº 1 e 2 do C. Civil e Artigo
1082º, a) e 1084, nº 1 do CPC.

Podendo a herança ser aceite pura e simplesmente, ou a benefício de


inventário – 2052º nº 1 C.C, sendo que a aceitação a benefício de inventário,
faz‐se requerendo inventário, nos termos previstos em lei especial, ou
intervindo em inventário pendente – 2053º do C.C...

A Função Protetora do Inventário

A aceitação da herança a benefício de inventário, ou aceitação beneficiária da


herança, significa que os herdeiros aceitam a herança com os efeitos previstos
na lei, respondendo pelos encargos da herança, entre eles as dívidas do «de
cujos», na medida do valor dos bens herdados, só respondendo pela satisfação
dos encargos os bens inventariados, isto é, os relacionados no inventário,
cabendo aos credores, o ónus de demonstrar a existência de outros bens
pertencentes à herança.

No inventário, o herdeiro, além de uma inventariação dos bens da herança e de


uma eventual liquidação e partilha da herança, obtém ainda uma separação do
seu património pessoal relativamente aos bens da herança, face aos credores
da herança, dado que o nº 1 do artº2071º do C. Civil determina que nessa
espécie de aceitação, “só respondem pelos encargos da herança os bens
inventariados, salvo se os credores ou legatários provarem a existência de
outros bens.
Como afirma o Professor Rabindranath Capelo de Sousa, in Lições de Direito
das Sucessões, vol. II, 22.2, pág. 24 e seguintes : “ Através deste
processo obtém o herdeiro, além de uma inventariação dos bens da herança e
de uma eventual liquidação e partilha da herança judicialmente fiscalizada,
obtém também uma separação, face aos credores da herança, do seu
património pessoal relativamente aos bens da herança, uma vez que o nº1
do artº2071º determina que, essa espécie de aceitação, «só respondem
pelos encargos respectivos os bens inventariados, salvo se os credores ou
legatários provarem a existência de outros bens»

A Função divisória do Inventário

Além dessa inventariação e liquidação da herança (inventário arrolamento), incumbe‐lhe


ainda a função de partilhar os bens da herança – inventário divisório – 1082º alínea a) do
C.P.C.

O Direito de Exigir partilha

O Direito de exigir partilha é um direito irrenunciável e segundo o artigo 2101.º


do C. C. pode ser exigido por qualquer co‐herdeiro ou pelo cônjuge meeiro,
quando lhe aprouver.

Como formalizar a Partilha – 2102º do C. Civil

Dispõe o Artigo 2102.º o seguinte:

1. Havendo acordo dos interessados, a partilha é realizada nas


conservatórias ou por via notarial, e, em qualquer outro caso, por meio de
inventário, nos termos previstos em lei especial.

2. Procede‐se à partilha por inventário:


a) Quando não houver acordo de todos os interessados na partilha;
b) Quando o Ministério Público entenda que o interesse do incapaz a
quem a herança é deferida implica aceitação beneficiária;
c) Nos casos em que algum dos herdeiros não possa, por motivo de
ausência em parte incerta ou de incapacidade de facto permanente, intervir
em partilha realizada por acordo.

Deste preceito legal, resultam as várias alternativas para formalizar a


partilha da herança:
a) ‐ (Por Acordo e com Capacidade de Exercício) ‐ A Partilha pode ser
realizada nas Conservatórias do Registo Civil ‐ (Procedimentos simplificados
de Habilitação, Partilha e Registo) – artigo 210º ‐ B a 210º‐ F do C.R.C –
Balcão das Heranças – Dec. Lei 324/2007 de 28 de setembro e Portaria
1594/2007 de 17/12.)

b) – (Por Acordo e com Capacidade de Exercício) A Partilha pode ser


realizada nos Notários – mediante escritura pública artº80º l) do Código do
Notariado – para a eventualidade da existência de bens imóveis na herança,
caso contrário a partilha poderá ser reduzida a simples escrito particular, no
caso da existência apenas de bens móveis. (219º do C.C.)

c)‐ – (Por Acordo e com Capacidade de Exercício) ‐ A Partilha pode ser


formalizada em documento particular com termo de autenticação ‐ (DPA) –
Regulado pelo Dec. Lei 116/2008 de 04 de julho, no caso da existência de
bens imóveis na herança;

d) – Na falta de acordo ou nas situações previstas no nº 2 do artigo 2102º,


a Partilha pode ser realizada mediante processo de Inventário. (2053º,
2102º do C. C.)

Inventário esse, que pode ser:


 Da Competência dos Tribunais – Regime do Inventário Judicial ‐ a
partir da entrada em vigor da Lei nº 117/2019 de 13 de setembro ‐
01/01/2020 – artigos 1082º a 1135º do CPC
ou

 Da competência dos Notários – Regime do Inventário Notarial –


Processo instaurados depois do dia 01/01/2020 – que se rege pelas
normas dos artigos 1082º a 1135º do NCPC, e pela Portaria nº 278/2013
de 26 de agosto ‐ Cfr artº2º nº 2 do RIN.

A Partilha da herança em Processo de Inventário

Diz‐nos o artigo 1082º, alínea a) do CPC, que o Processo de Inventário,


cumpre, entre outras…
A função de fazer cessar a comunhão hereditária e proceder à partilha dos
bens, enquanto o artigo 1084º nº 1, nos refere que, “Ao inventário destinado a
fazer cessar a comunhão hereditária aplica‐se o disposto no capítulo II.

Será, pois, este Capítulo II, sob a influência e efeito das normas gerais do
Capítulo I, as normas gerais dos artigos 1082 a 1096º, os artigos do Cap. II,
1097º a 1130º.

Secção II – oposição em relação ao processo de inventário; impugna a decisão do cabeça de


casal, a capacidade sucessória de um dos interessados; reclamação à relação de bens (faltam
bens, os bens são outros); antes de decidir estas questões o juiz abre audiência prévia, para a
prestação de provas; se não chegar em acordo nesta abre julgamento;
Secção III - Limbo onde o juiz vai recorrer à audiência prévia;

Até às citações é permitido a avaliação de bens.


Oposição ao excesso de licitação - sempre que em consequência das licitações houvesse
alguém que tivesse de dar retorna era lícito dar dinheiro em vez dos bens da herança, até ao seu
limite;

Incidente de inoficiosidade – ocorre na conferência de interessados na sucessão legitimária;

As custas são obrigatórias, nos processos que não são judiciais temos os honorários notariais e
as despesas;

O Processo de Inventário como Processo Especial

Sendo o Processo de Inventário um Processo Especial, por força do


artigo 549º do CPC, são‐lhe aplicáveis as disposições que lhes são próprias e
as disposições gerais e comuns do CPC.

Artigo 549º
Disposições reguladoras do processo
especial
1 ‐ Os processos especiais regulam‐se pelas disposições que lhes são
próprias e pelas disposições gerais e comuns; em tudo o quanto não estiver
prevenido numas e noutras, observa‐se o que se acha estabelecido para o
processo comum.

O Objeto do Nosso Estudo

O Processo de Inventário Judicial, que tem por função fazer cessar a


comunhão hereditária e proceder à partilha dos bens da herança, constitui
assim, o primeiro e principal objeto do nosso estudo.

Sobre ele, vejamos então:

o A natureza do Processo de Inventário


O processo de inventário, tem uma natureza mista ou complexa, i.e., tem uma
estrutura de processo gracioso (os interessados chegam a acordo, sem a
necessária intervenção do juiz) e estrutura de processo contencioso (sempre
que o juiz é chamado, quando não há acordo entre as partes).

o Processo Gracioso‐ A função do Juiz ou Notário em certos momentos da


instância é a de aceitar e homologar os acordos que os interessados lhe
comunicam (o processo está na livre disponibilidade das partes e podem
em qualquer momento conformar as suas pretensões mediante acordo e
até findar o processo).

Embora sem preceito equivalente, dispõe o 48º, nº6 do RJPI, que – o inventário
pode findar na conferência, por acordo dos interessados, sem prejuízo do
disposto no art.5º ou seja da posição que vier a tomar o M.P.

Atualmente, dispõe ainda o art.1112º, nº1 CPC que, “quando da partilha


efetuada por acordo entre todos os interessados resulte o preenchimento do
quinhão hereditário de qualquer deles, o juiz homolga a partilha parcial se
considerar que não existem ou que estão devidamente salvaguardados os
eventuais direitos de terceiros efetuados por essa partilha – Cfr nº1 e 2 do
art.1112º CPC.”
o Processo Contencioso ‐ Noutras situações, a função do Juiz ou do
Notário será verdadeiramente jurisdicional, competindo‐lhes instruir e
julgar certas questões que lhe são colocadas, dirimindo e resolvendo
verdadeiros conflitos de interesses entre os interessados concorrentes
à herança.

As Funções do Processo de Inventário

Por força da inversão do ónus da prova face aos credores da herança, a que
faz referência o artigo 2071º nº 1 e 2 do Código Civil, diz‐se que o Inventário
tem uma função Protetora, que se traduz, na:

o Proteção dos herdeiros em relação aos credores;


o Proteção dos incapazes na aceitação da herança – uma herança deferida aos
incapazes, a liquidação dos encargos da herança, só vai receber a parte líquida da
herança, no processo de inventário os credores são chamados para liquidarem as
dívidas, ficando esta expurgada das dívidas. Proporciona aos incapazes o facto de
receberem apenas o saldo líquido, sem ter de se preocupar com
responsabilidades futuras;

Têm também a função de arrolamento (vem da descrição dos bens) –


Inventário arrolamento ‐ nas situações de herança deferida a herdeiro único e
nas situações de Liquidação, – Descrição e Avaliação – 2103º C. C.

Têm ainda uma função divisória ‐ Inventário divisório ‐ quando descreve os


bens, avalia ou determina o valor e procede à divisão (partilha) pelos
herdeiros do acervo hereditário.
Estas funções do Inventário, tem todas elas, expressão no artigo 1082º
alíneas a) a d), do C.P.C.) quando refere que o Processo de Inventário, tem,
entre outras, as seguintes funções:

1º‐ A fazer cessar a comunhão hereditária e proceder à partilha dos


bens - 1082º, alínea a) do C.P.C.
‐ Através de Inventário, nos casos previstos no nº 2 do artigo 2102 nº 2 do
C.C.

Além da função protetora e arrolamento, tem ainda por função descrever,


avaliar os bens e dividir fiel e equitativamente (partilhar) o património hereditário
pelos herdeiros.).

Não carecendo de realizar‐se a partilha judicial, tem por função:

2º‐ Relacionar os Bens que constituem objeto de sucessão e servir


de base a eventual Liquidação da Herança, sempre que não haja que
realizar a partilha da herança ‐ 1082º alínea b) CPC
(denominado Inventário Arrolamento – utilizado para inventariar os bens e
liquidar as dívidas da herança na sucessão de herdeiro único ou na
liquidação da herança jacente – Ver Artº2103º C.C.

3º ‐ Partilha dos Bens em consequência da justificação de ausência ‐


1082, alínea c), e 1131º, 1084º nº 2 do C.P.C. 99º e s.s. do C. Civil

4º‐ Partilha dos Bens comuns do Casal – 1082º, d), 1133º, 1184º nº 2
C.P.C. – e artigo 2º nº 3, e Art.79º e 80º do RJPI
(Pode resultar de uma situação de divórcio, separação judicial de pessoas e
bens ou em caso de anulação do casamento)

E ainda,

5º‐ Verificação e Redução de Liberalidades Inoficiosas – 1118º e 1119º


do CPC (artº52º e s.s. RJPI) (e resultava já do disposto no artº1326º nº 1 e 2
do antigo C.P.C. quando conjugado com os artigos 2169º a 2174º do C.C.
Verificar se o autor da sucessão não dispôs mais do que a sua quota
disponível!!

6º‐ Separação de Meações – 1135º do CPC (artº81º RJPI artigo


740º nº 1 e 741º nº 6 do atual C.P.C.
‐ Em resultado de penhora de bens comuns dos cônjuges, na execução
movida contra apenas um dos cônjuges;
‐ Em resultado da apreensão dos bens do insolvente casado;
Competência Material

A competência para a instauração e tramitação do Processo de Inventário, por


força do disposto no artigo 1083º, poderá ser exclusiva do Tribunal ou
concorrente entre o Tribunal e o Cartório Notarial.

 Competência exclusiva do Tribunal – 1083º nº 1 CPC.

São da competência exclusiva do Tribunal os processos de inventário


instaurados:
a) Nos casos previstos nas alíneas b) e c) do n.º 2 do artigo 2102.º do
Código Civil – ou seja:
b) Quando o Ministério Público entenda que o interesse do incapaz a quem
a herança é deferida implica aceitação beneficiária;
c) Nos casos em que algum dos herdeiros não possa, por motivo de
ausência em parte incerta ou de incapacidade de facto permanente, intervir
em partilha realizada por acordo;

b) Sempre que o inventário constitua dependência de outro processo judicial;


c)Quando o inventário seja requerido pelo Ministério Público.

E ainda,

Nos processos instaurados e pendentes nos Cartórios Notariais, em que sejam


interessados diretos nas heranças, incapazes ou ausentes em parte incerta, os
quais, nos termos dos artigos 12º nº 1 devem ser oficiosamente remetidos
pelos Notários para os Tribunais competentes, Cfr artº12º das Normas
Transitórias

‐ Competência Concorrente (1083º nº 2 e 3 e artº1º nº 2 do (RIN) ‐ Fora


dos casos de competência exclusiva ‐ previstos no artigo 1083º nº 1 CPC ‐
o processo de inventário pode ainda ser requerido:
 No Tribunal ou no Cartório Notarial;
 À escolha do interessado que o instaura, ou,
 Mediante acordo entre todos os interessados;
Competência Territorial
Do Tribunal

Sendo o Processo de Inventário um processo Especial (que integra o Livro V


Título XVI do Código de Processo Civil) é‐lhe aplicável subsidiariamente as
normas do Código de Processo Civil, sobre a matéria que nele não esteja
prevista, como é o caso da competência territorial do processo de
Inventário, que será assim determinada pelo teor do artigo 72º‐ A do CPC
que dispõe:

Art.72º‐ A Matéria Sucessória

1 ‐Em matéria sucessória é competente o tribunal da residência habitual do


autor da sucessão.
2 ‐Se, no momento da sua morte, o autor da sucessão não tiver residência
habitual em território português, é competente o tribunal em cuja
circunscrição esse autor teve a sua última residência habitual em território
nacional.
3 ‐Se o tribunal competente não puder ser determinado com base no
disposto nos números anteriores, mas o autor da sucessão tiver a
nacionalidade portuguesa ou houver bens situados em Portugal, o tribunal
competente é o tribunal da comarca de Lisboa.

Escolha do Tribunal

Caso a escolha incida sobre os Tribunais, será competente o Tribunal da


residência do autor da sucessão. 1083º e 72º‐A CPC

Do Cartório Notarial

Para que o Cartório Notarial escolhido ou acordado pelos interessados goze de


competência territorial, é necessário que esse Cartório tenha conexão relevante com a
partilha, em função: (1083º nº 2 e RIN – art.º 1º nº 2)
 Do local da abertura da sucessão;
 Da situação da maior parte dos imóveis ou de estabelecimento comercial que
integrem a herança;
 Da residência da maioria dos interessados diretos na partilha.
Competência Internacional
Dos Tribunais e Cartórios Notariais Portugueses

A questão da competência internacional coloca‐se aos Tribunais e aos


Notários, quando se lhe depara uma herança, em que algum ou alguns dos
elementos essenciais da partilha da herança (Ex. nacionalidade do A. da
herança, domicílio, lugar do falecimento do seu autor, localização dos bens da
herança) estiverem em conexão com a jurisdição de outro ou de outros
Estados.

Assim, para efeitos de instauração de inventário destinado à partilha do


património hereditário de um sujeito com conexão com várias legislações
estrangeiras, Ex. nacionalidade, residência, existência de bens, devemos
atender ao que dispõe o artigo 59º e 62º alínea a) do C.P.C., pois neste
ponto o princípio dominante é o de que a competência internacional, coincide
com a competência real.

Art.59º do CPC
Competência Internacional

Sem prejuízo do que se encontre estabelecido em regulamentos europeus e


em outros instrumentos internacionais, os tribunais portugueses são
internacionalmente competentes quando se verifique algum dos elementos de
conexão referidos nos artigos 62.º e 63.º ou quando as partes lhes tenham
atribuído competência nos termos do artigo 94.º.

Artigo 62º
Factores de atribuição da competência internacional

Os tribunais portugueses são internacionalmente


competentes:
a) Quando a acção possa ser proposta em tribunal português segundo
as regras de competência territorial estabelecidas na lei portuguesa.
– Art.72º A

Daqui decorre que, os Tribunais e os Cartórios Notariais Portugueses serão


competentes para a instauração de processo de Inventário:

o Em todos os casos em que a sucessão se tenha aberto em Portugal,


sendo aqui aplicáveis os artigos 2031º e 82º nº 1 do Código Civil, artigo
72º A do C.P.C. e Artigo 1º nº 2 do Regime de Inventário Notarial.
Artigo 72º‐A do CPC
Matéria sucessória
1 — Em matéria sucessória é competente o tribunal do lugar da abertura da
sucessão.
2 — Se, no momento da sua morte, o autor da sucessão não tiver
residência habitual em território português, é competente o tribunal em cuja
circunscrição esse autor teve a sua última residência habitual em território
nacional.
3 — Se o tribunal competente não puder ser determinado com base no
disposto nos números anteriores, mas o autor da sucessão tiver
nacionalidade portuguesa ou houver bens situados em Portugal, o tribunal
competente é:
a) Havendo imóveis, o tribunal da situação dos bens, ou, situando ‐se os
imóveis em circunscrições diferentes, o tribunal da situação do maior
número; ou
b) Não havendo imóveis, o tribunal de Lisboa.

Regime do Inventário Notarial

Artigo 1º
2 — Os interessados podem escolher, segundo o disposto no n.º 2 do artigo
1083.º do Código de Processo Civil, o cartório notarial em que pretendem
instaurar o inventário, desde que exista uma conexão relevante com a
partilha, estabelecida em função, nomeadamente, do local de abertura da
sucessão, da situação da maior parte dos imóveis ou do estabelecimento
comercial que integram a herança ou da residência da maioria dos
interessados diretos na partilha.

Decisões Interlocutórias – decisão do notário


Art.76º, nº2 – permite ao interessado remeter a decisão para o juiz;

Ainda sobre Competência Internacional….

Regulamento da EU nº 650/2012 do Parlamento Europeu e do Conselho de 4 de julho


de 2012, aplicável em todos os Estados Membros, a partir de 17 de agosto de 2015.

Objetivo:

Tendo em vista a adaptação das normas aplicáveis à crescente mobilidade


e circulação do cidadão no âmbito da União Europeia e a coexistência das
leis nacionais relativos às heranças, foi aprovado pelo Parlamento Europeu e
pelo Conselho da União Europeia, o Regulamento (EU) nº 650/2012 de 04 de
junho de 2012, que entrou em vigor no dia 17 de agosto de 2015.
‐ É relativo ao reconhecimento e execução das decisões e à aceitação e
execução dos atos autênticos em matéria de Sucessões, e,
‐ À criação de um Certificado Europeu, com aplicação em todos os aspetos
de uma sucessão com incidência transfronteiriça.

O Regulamento, visa a adaptação de normas comunitárias que fomente a


criação de uma identidade europeia, promovendo a circulação de pessoas no
espaço europeu.

O regulamento introduz assim disposições destinadas a regular a competência


dos órgãos jurisdicionais do Estado Membro com competência para decidir do
conjunto da sucessão, ‐ art.º 4º e 5º.

Foro Competente

Princípio Geral:

Assim, sobre a competência dos órgãos jurisdicionais (tribunais) dos


Estados Membros, para decidir questões referentes à sucessão aberta,
determina o artigo 4º do Regulamenta o seguinte:

Artigo 4º Competência geral


São competentes para decidir do conjunto da sucessão os órgãos
jurisdicionais do Estado Membro em que o falecido tinha a sua residência
habitual no momento do óbito.

De acordo com a norma, os órgãos jurisdicionais portugueses serão


competentes para decidir do conjunto da sucessão, nas situações em que o
“falecido” tinha a sua residência habitual em Portugal, no momento da morte.

Artigo 5º Acordo de Eleição do Foro


Em caso de Acordo de Eleição do Foro, nas situações previstas no artigo 5º do
mesmo Regulamento, aos órgãos jurisdicionais portugueses poderá ainda ser
atribuída competência para decidir da sucessão, se as partes interessadas
acordarem, por escrito, em atribuir‐lhe competência exclusiva para decidir de
toda e qualquer questão em matéria sucessória, mesmo que não tenha
residência nem nacionalidade portuguesa).
Face à s normas de Regulamento

Mas como supra já se referiu, a Regulamento nº 650/2012, que regula a


matéria da aceitação e da execução dos atos autênticos em matéria de
sucessões, visa a adaptação de normas comunitárias que fomente a criação de
uma identidade europeia, promovendo a circulação de pessoas no espaço
europeu, mas prevenindo a coexistência e conflito entre as várias leis aplicáveis
às heranças.

Nessa medida, o regulamento veio introduzir como único fator de conexão, a lei
da última residência habitual do falecido, com vista a designar, tanto o foro
competente para decidir da integralidade de uma sucessão, como a lei aplicável
a essa mesma sucessão

Lei competente
(para regular o conjunto da sucessão ‐ Lei aplicável)

No seu artigo 21º o Regulamento dispõe que: (Considerando 23.)

Nº 1 “Salvo disposição em contrário do presente regulamento, a lei aplicável


ao conjunto da sucessão é a lei do Estado onde o falecido tinha residência
habitual no momento do óbito.”

Nº 2‐ Caso, a título excecional, resulte claramente do conjunto das


circunstâncias do caso que, no momento do óbito, o falecido tinha uma relação
manifestamente mais estreita com um Estado diferente, do Estado cuja lei seria
aplicável nos termos do nº 1, é aplicável à sucessão a lei desse outro Estado.

Exceção:

A Escolha da Lei competente


Sendo ainda de ressalvar que, o Autor da Sucessão, pode ainda escolher a lei
da sua nacionalidade, como lei competente para regular a sua sucessão por
morte.

Assim, e de acordo com o art.22º:

Nº 1‐ Uma pessoa pode escolher como lei para regular toda a sua sucessão, a
lei do Estado de que é nacional no momento em que faz a escolha.

Nº 2 – A escolha deve ser feita expressamente numa declaração que revista a


forma de uma disposição por morte ou resultar dos termos dessa disposição.
Uma pessoa com nacionalidade múltipla pode escolher a lei de qualquer
dos Estados de que é nacional no momento em que faz a escolha.

Certificado Sucessório Europeu

Documento emitida pelo órgão jurisdicional que tratou da sucessão para que os
herdeiros possa comprovar a sua qualidade sucessória, em qualquer estado-membro;

Artigo 62º.
Criação de um certificado sucessório europeu
1. O presente regulamento cria um certificado sucessório europeu (a seguir
designado «certificado»), que deve ser emitido para fins de utilização noutro
Estado‐Membro e produzir os efeitos enunciados no artigo 69º.

Artigo 63º.
Finalidade do certificado
1. O certificado destina‐se a ser utilizado pelos herdeiros, pelos legatários
que tenham direitos na sucessão e pelos executores testamentários ou
administradores de heranças que necessitem de invocar noutro Estado ‐
Membro a sua qualidade ou exercer os seus direitos de herdeiros ou
legatários e/ou os seus poderes de executores testamentários ou
administradores de uma herança.

Artigo 69º
Efeitos do certificado
1. O certificado produz efeitos em todos os Estados ‐Membros sem
necessidade de recurso a qualquer procedimento.
2. Presume‐se que o certificado comprova com exactidão os elementos
estabelecidos nos termos da lei aplicável à sucessão ou de qualquer outra
legislação aplicável a determinados elementos. Presume‐se que quem o
certificado mencionar como herdeiro, legatário, executor testamentário ou
administrador da herança tem a qualidade mencionada no certificado e/ou é
titular dos direitos ou dos poderes indicados no certificado e que não estão
associadas a esses direitos ou poderes outras condições e/ou restrições
para além das referidas no certificado.
LEGITIMIDADE
Para Requerer e Intervir Processo de Inventário – (1085º CPC)

1 ‐ Para Requerer a Instauração do Inventário – 1085º nº 1

Tem legitimidade para requerer a instauração do inventário ….


A) Os interessados diretos na Partilha; 2101º nº 1 e 2030º nº 2 (podem requerer e
participar em todo o processo)

 Os co‐herdeiros;
 O Cônjuge meeiro – cônjuge casado com o autor de sucessão e o cônjuge
casado com o herdeiro sobre regime de comunhão geral de bens.

Os interessados na elaboração da Relação de Bens, sempre que se trate de


inventário arrolamento, de herança deferida a favor de herdeiro único – 1085º
nº 1, a) do CPC (no caso do herdeiro único que se apresenta em inventário
como meio de defesa dos próprios credores, para efeitos de arrolamento).

Os cessionários (aquele que adquire do herdeiro o seu quinhão hereditário –


art.2128º CC) de direitos indivisos sobre a herança (desde que tenham a seu
favor uma escritura donde conste a cessão do direito, pode com base nela
requerer Inventário).

Os legatários de usufruto de parte da herança (pois este tem todo o


interesse em saber e conhecer quais os bens sobre que vai incidir o seu
usufruto).

O cônjuge do herdeiro (se tiver interesse na herança) isto é, se for casado com
o herdeiro no regime da comunhão geral.

O Ministério Público, quando a herança seja deferida a menores, maiores


acompanhados ou ausentes em parte incerta – 1085º nº 1 b) e artº2102º nº 2,
b).

‐ A Lei 23/2013 de 05 de março, (aparentemente) retirou competência ao


Ministério Público para requerer a instauração de processo de Inventário,
suprimindo‐o do teor do artigo 4º do RJPI.

A presente Reforma do Processo de Inventário, através do seu artigo 1084º nº


1, c), devolve ao Ministério Público a nobre a tradicional tarefa de defender os
interesses dos incapazes e ausentes, requerendo e
intervindo no processo de inventário, na prossecução desses superiores
interesses., e para requerer e intervir no processo de inventário, como parte
principal.

Os legatários têm intervenção no processo de inventário para verificação


e satisfação dos seus direitos, isto é, para reivindicar o seu bem e para
acompanhar a verificação das dívidas, uma vez que o seu legado pode ser
diminuído;

Artigo 2102.º ‐ (Forma)


1.Havendo acordo dos interessados, a partilha é realizada nas conservatórias
ou por via notarial, e, em qualquer outro caso, por meio de inventário, nos
termos previstos em lei especial.

2.Procede‐se à partilha por inventário:

a) Quando não houver acordo de todos os interessados na partilha;


b) Quando o Ministério Público entenda que o interesse do incapaz a quem a
herança é deferida implica aceitação beneficiária;
c)Nos casos em que algum dos herdeiros não possa, por motivo de ausência
em parte incerta ou de incapacidade de facto permanente, intervir em partilha
realizada por acordo.

Como é que o MP tem conhecimento dos óbitos.?


Código do Registo Civil

Artigo 210.º
Comunicações a efectuar pelo conservador

1 ‐ O conservador do registo civil deve enviar ao Ministério Público junto do


tribunal competente para a providência tutelar ou do tribunal do lugar da
abertura da sucessão:
a) Assentos de óbito lavrados no mês anterior referentes a indivíduos com
descendentes sujeitos àquela providência; e
b) Assentos de óbito lavrados no mês anterior referentes a indivíduos cuja
herança seja deferida a incapazes ou ausentes em parte incerta ou ao
Estado.
2 ‐ A informação prevista no número anterior pode ser facultada por
disponibilização do acesso à base de dados do registo civil.
3 ‐ Para os efeitos do disposto no n.º 1, o conservador deve ouvir o
declarante do óbito, através de auto lavrado imediatamente após a
prestação da respectiva declaração.
4 ‐ O conservador deve comunicar, por via electrónica, ao Instituto das
Tecnologias de Informação na Justiça, I. P.:
a) O teor dos autos relativos aos óbitos lavrados no mês anterior;
b) Os números de documentos de identificação ulteriormente conhecidos;
c) Qualquer completamento ou rectificação de assento de óbito que
respeite ao nome do falecido, idade, naturalidade ou filiação.
Casos em que o Inventário pode/deve ser requerido pelo M.P.

Menores - os menores, embora gozando de capacidade jurídica, não gozam de


capacidade para o exercício de direitos, logo, devem aceitar a herança a
benefício de inventário e aí serem representados pelo M.P. – 2102º nº 2 b) e
quando os seus representantes legais com eles concorram à herança, deve
ser‐lhe nomeado um curador Especial – 1086º do CPC.

Nascituros - no caso de nascituros já concebidos, tudo se passa como no inventário de


menores, mas ao chegar ao momento da convocação da conferência de interessados, o
processo deve ser suspenso até que se verifique o nascimento completo e com vida ‐
66º nº 2 do C.C. e artigo 1092º nº 1, alínea c) do C.P.C.

“Se houver um interessado nascituro, a partir do conhecimento do facto nos


autos e até ao nascimento do interessado, excepto quanto aos actos que
não colidam com os interesses do nascituro.”

Concepturos - deverá dizer‐se que este apenas tem capacidade sucessória na


sucessão testamentária ‐ 2033º nº 2. De forma que quando concorrerem a determinada
herança só se poderá efetuar a partilha a benefício de inventário, já que não se poderá
nunca efetuar a partilha extrajudicial ou amigável.

A lei, não regula a situação concreta dos nascituros não concebidos, pelo
que concorrendo à herança pessoas vivas e Concepturos, algumas dificuldades
se afiguram quanto à partilha da herança.
Contudo, ninguém é obrigado a permanecer na indivisão, sendo lícito a
qualquer co‐herdeiro ou ao cônjuge meeiro, requerer a partilha dos bens da
herança.
Quando assim é três soluções se apontam como possíveis:
‐ Permanecer na comunhão temporária obrigatória;
‐ Fazer partilha aproximativa;
‐ Efectuar partilha sob condição resolutiva.

Interditos – Atualmente designados de Maiores Acompanhados ‐ . Lei n.º


49/2018. de 14 de agosto que cria o regime jurídico do maior acompanhado –
artigo 138º do C. C.
Os maiores acompanhados, são incapazes do exercício de direitos que lhe foi
retirado por sentença, como tal são representados no Inventário pelo MP, tal
como os menores.

Artigo 138.º
Acompanhamento
O maior impossibilitado, por razões de saúde, deficiência, ou pelo seu
comportamento, de exercer, plena, pessoal e conscientemente, os seus
direitos ou de, nos mesmos termos, cumprir os seus deveres, beneficia das
medidas de acompanhamento previstas neste Código.

Incapazes não reconhecidos judicialmente;


Actualmente existe alguma dificuldade em detectar estas situações de
incapacidade real, pois que, a citação não é feita por contacto pessoal, logo o
funcionário não poderá constatar no momento da citação o estado de demência
intelectual do citando, mesmo que tenha intervalos lúcidos.
Quando tal acontecer deverá requerer‐se a nulidade da citação postal, fazendo‐
se a prova da notoriedade da demência através dos meios necessários
( atestados médicos) ou prova testemunhal) e seguindo‐se depois os termos do
processo de inventário de incapazes.

Ausentes em parte incerta; ( 2102º nº 2, c) C. C. )


Sempre que um herdeiro não possa, por motivo de ausência em parte incerta,
outorgar a partilha extrajudicial, torna‐se necessário proceder a inventário
2102‐ nº 2 .
Para tanto é necessário essa declaração por parte do requerente do inventário,
ou pela própria convicção do juiz depois de mandar colher informações das
autoridades policiais ou administrativas, o processo prossegue os seus termos.

Insolventes;
A declaração de insolvência priva o insolvente de administração e do poder de
disposição dos seus bens, presentes ou futuros, pelo que a necessidade da
sua intervenção na partilha de uma herança pode originar a necessidade de
intervenção de inventário pelo M.P, sendo que, é ao administrador da
insolvência que é atribuída competência para requer inventário.

Dupla representação dos incapazes– Ver art.1086º do C.P.C.

 Pelo Ministério Público; ou,


 Pelos representantes legais, 1878º e 1881º e 1889º do C. Civil.
Caso os representantes legais concorram à herança com o incapaz, este será
representado no processo de inventário por um Curador Especial, que lhe é nomeado
pelo Juiz ou pelo Notário. 1086º nº 1 C.P.C.

Artigo 1086.º
Representação por curador especial
1 ‐ São representados por curador especial nomeado pelo tribunal:
a) Os menores, os maiores acompanhados e os ausentes, quando os seus
representantes legais concorram com eles à herança ou a esta concorram
vários incapazes representados pelo mesmo representante;
b) Os ausentes em parte incerta, sempre que não esteja instituída a
curadoria.
2 ‐ Os bens adjudicados ao ausente que careçam de administração são
entregues ao curador especial nomeado, que fica, em relação aos bens
entregues, com os direitos e deveres do curador provisório até que seja
deferida a curadoria.

2 – Legitimidade para Intervir no processo

Tem legitimidade para requerer o inventário, e para nele intervirem como


partes principais, em todos os actos e termos do processo: (Artigo 1085º nº
2),
‐ As mesmas pessoas que tem legitimidade para o requerer, enquanto parte
principais, – e,

Além destas:
‐ Em caso de herança legitimária, os legatários e os donatários tem
legitimidade para intervir nos actos, termos e diligências suscetíveis de influir no
cálculo ou determinação da legitima e de implicar eventual redução das
respetivas liberalidades. – 1085º nº 2 a).

‐ Os credores da herança e os legatários ‐ relativamente às questões


atinentes à verificação e satisfação dos seus créditos – 1085º nº 2 b) CPC
e artigo 1118º e 1119º CPC

‐ O Ministério Público, quando não seja requerente do Processo e para o


exercício das competências que lhe estão atribuídas na lei. ‐1085º nº 2, c). –
(como Representante da Fazenda Pública)

Partilha de heranças diversas


Cumulação de Inventários – 1094º

Supra fizemos referência que, uma das funções do processo de inventário é


fazer cessar a comunhão hereditária e mediante partilha dos bens.
Mas quando se fala em cumulação de inventários, estamos a referir‐nos a
cumulação de inventários para partilha de heranças diversas no mesmo
processo, ou seja,
No mesmo Processo de Inventário procedemos à partilha de duas ou mais
heranças. Heranças essas que tem entre si alguma das conexões a que se
referem as alíneas a) a c) do nº 1 do artigo 1094º do CPC ‐ (18º do RJPI).

Contudo, a cumulação:
‐ É facultativa e não obrigatória
‐ Carece de ser requerida no Requerimento Inicial e depende sempre de
despacho prévio de deferimento ou indeferimento – 1094º nº2, b),
‐ Permite partilhar num único processo duas ou mais heranças.

Competência territorial em caso de cumulação

Embora não haja norma que regule a competência territorial em caso de


cumulação de inventários, à semelhança do que acontecia no nº 4 do artigo
77º do CPC de 1961, já revogado, deve entender‐se ser competente:
‐ O Tribunal do lugar de abertura de uma das sucessões que se pretende
cumular, ou;
‐ O Cartório Notarial, que tenha conexão relevante com uma das partilhas,
em função do local da abertura de uma da sucessão, da situação da maior
parte dos bens imóveis ou estabelecimento comercial ou da residência da
maioria dos interessados diretos na partilha.

Artigo 77º nº 4 (Já revogado)


4 ‐ No caso de cumulação de inventários, quando haja uma relação de
dependência entre as partilhas, é competente para todos eles o tribunal em
que deva realizar‐se a partilha de que as outras dependem; nos restantes
casos, pode o requerente escolher qualquer dos tribunais que seja
competente.

Atende-se à competência territorial de cada herança!!

Vantagens da Cumulação

‐ Partilhar num só processo duas ou mais heranças;


‐ Os interessados reduzem a sua intervenção a um só processo;
‐ Evitam a repetição de diligências e o pagamento de custas mais
avultadas;
‐ Evita a possível fragmentação de propriedades;
‐ Proporciona a celeridade e uma maior equidade da partilha.

Deferimento/ Indeferimento

A Cumulação será admitida, nos casos previstos nas alíneas a) e b) e ainda no


caso de uma ou mais partilhas estarem na dependência total das outras, alínea
c) e nº 2 alínea a) do artigo 1094º.

Só no caso de dependência parcial ‐ 1094º nº 2, b) ‐ é que o Juiz ou Notário


podem indeferir a cumulação, e quando entender que a mesma se afigura
inconveniente para os interesses das partes ou para a celeridade do processo,
por haver outros bens a partilhar.

Exemplos de Cumulações

Exemplo da alínea a) do nº 1 é o caso de heranças deixadas por dois irmãos


solteiros – em que ambas as heranças se deferem a favor dos mesmos
herdeiros.

Exemplo da alínea b) é o caso de inventário para partilha de heranças deixadas


pelos dois cônjuges (marido e mulher) mas, em que não se procedeu a
inventário por morte do cônjuge predefunto.

Exemplo da alínea c) trata de cumulação de inventários cuja partilha das


heranças está na dependência total ou parcial de outra herança.
Exª. A partilha de bens relativos à herança do Pai, depende dos direitos
hereditários que o falecido pai tem na herança do avô do herdeiro).

Dependência total – não pode deixar de ser admitido.


Dependência parcial – pode não ser admitido.
SUSPENSÃO DO PROCESSO DE INVENTÁRIO – 269º CPC e 1092º do CPC

O artigo 1092º do CPC, confere ao Juiz e ao Notário o poder/dever de


suspender a tramitação do processo de Inventário e remeter os interessados
para os meios comuns, em duas situações:

1‐ Quando estiver pendente numa causa em que se aprecie uma


questão com relevância para a admissibilidade do processo ou a
definição de direitos de interessados directos na partilha - quando se
inicia o processo de inventário já se prossegue à investigação da
paternidade, o processo é suspenso.

2‐ Se na pendência do inventário, forem suscitadas questões prejudiciais


de que dependa a admissibilidade do processo ou a definição de
direitos dos interessados directos na partilha que, atenta a sua
natureza ou a complexidade da matéria de facto que lhes está
subjacente, não devam ser incidentalmente decididas.

Questões relevantes ou prejudiciais

o O art.1092º refere-se às questões prejudiciais essenciais, que são aquelas que


respeitam a admissibilidade do processo de inventário e á definição dos direitos
dos interessados na partilha, ou seja, na determinação das respetivas quotas
hereditárias – 1092, nº1, al. b) + art.3º, nº1 RIN.

o O artigo 1093º respeita às questões prejudiciais não essenciais i.e, aquelas que se
referem à determinação do ativo e do passivo do património a partilhar – art.3º,
nº2 RIN.

Instância: relação jurídica que se estabelece entre as partes e o juiz


Processo: sequência ordenada de atos
Meios comuns: tribunais

Exemplo – ação de anulação de testamento; ação de investigação da


paternidade;

É inquestionável que a procedência destas ações vem afetar na sua essência


as partilhas celebradas quer no que respeita aos bens descritos quer à
qualificação dos interessados e aos seus direitos.

O inventário pode dizer‐se estar dependente destas ações e parece ocorrer


motivo justificado que obste ao seu prosseguimento.
O n.º 1 do artigo 1092º, do Código de Processo Civil refere ainda que “o juiz
deve determinar a suspensão da instância, quando estas questões forem
suscitadas no processo de inventário, ou porque já existe processo pendente
em que se discute o mérito destas questões, ou porque, foram suscitadas no
próprio processo e da decisão que sobre elas recair, poderá depender a
admissibilidade do processo ou a definição dos direitos dos interessados.

Suspensão no caso de existirem nascituros – 1092º nº 1 c) do CPC

No caso de nascituros já concebidos, e como supra já se fez referência, tudo se


passa como no inventário de menores, mas ao chegar ao momento da
convocação da audiência prévia ou conferência de interessados, o processo
deve ser suspenso até que se verifique o nascimento completo e com vida –
art.66º, nº2 CC e art.1092º, nº1, al. c) CPC.

“Se houver um interessado nascituro, a partir do conhecimento do facto nos


autos e até ao nascimento do interessado, exceto quanto aos atos que não
colidam com os interesses do nascituro”
Incidentes da Instância ‐ 1091º e 292º a 295º CPC
Da Instância – 259º CPC

A instância é a relação jurídica de ação que se estabelece entre as


partes e o tribunal.

A instância inicia‐se com a propositura da ação, entendendo‐se que esta se


considera proposta, intentada ou pendente quando for recebida na secretaria
(art.259º nº 1 CPC) mas só se estabiliza com a citação do Réu ‐ nº 2.

Em relação ao réu, os efeitos decorrentes da pendência da causa só se


produzem, em regra, após a sua citação (art.259/2 CPC; e,

Uma vez citado o Réu, determina o artigo 260º do CPC que a instância deve
manter‐se a mesma quanto às pessoas, ao pedido e à causa de pedir – é o
princípio da estabilidade da instância

Incidente processual

Mas na pendência da causa, surgem ocorrências “extraordinárias, acidentais,


estranhas, surgidas no desenvolvimento normal da relação jurídica processual,
que origina um processado próprio, i.e, com um mínimo de autonomia, ou
noutra perspetiva, a intercorrência processual secundária, configurada como
episódica e eventual em relação ao processo próprio da ação principal ou do
recurso” ‐ (Salvador da Costa – Os incidentes da instância, Almedina, Coimbra,
2013 – 6ª. Edição, pp.8.).

Essas ocorrências extraordinárias são denominadas de Incidentes da


Instância.

Incidentes nominados – ex.: habilitação de interessados

Incidentes inominados – ex.: certidão da caderneta predial – situações


anómalas ao processo

Oposição: requerimento de reclamação


Em suma, são toda a questão que surge no decurso de um processo, que
é distinta da questão principal que dele era objeto, mas é com ela
relacionado.

Embora não constituam processos autónomos, os incidentes da instância são


formas processuais secundárias, na medida em que pressupõem uma questão
a resolver, a qual apresenta em relação ao objeto da ação, um carácter
acessório ou secundário ou representa uma ocorrência anormal, produzida no
decurso do processo.

Os incidentes têm uma tramitação própria, umas vezes autónoma (em apenso),
outras vezes inserida ou incorporada no processo principal.

No processo de inventário, os incidentes correm integrados ou incorporados no


processo Principal.

Note‐se que a partir da reforma do processo de inventário, desapareceram as


regras específicas dos incidentes, que eram previstas nos artigos 1399.º a
1403.º do C.P.C. preceitos que foram expressamente revogados e substituídos
pelas regras gerais dos incidentes da instância – artigos 302.º a 304.º do
mesmo diploma (hoje artigos 292º a 295º) – cfr. artigo 1334.º (Domingos Silva
Carvalho de Sá
– Do Inventário, 3.ª Edição, Coimbra, pág. 55).

Regime aplicável aos Incidentes – 1091º ‐ 292º a 295º CPC

Determina o artigo 1091º do CPC, que aos incidentes do processo de


inventário, aplicam‐se subsidiariamente, as normas dos artigos 292ºa 295º do
CPC, em tudo o que não esteja previsto nas normas do processo de
inventário.

Como incidentes mais relevantes, no processo de Inventário, temos:

 A habilitação de interessados diretos na partilha – artº1089º nº 1


CPC;
 Habilitação de qualquer sucessor de um interessado direto, que não
tenha sido indicado pelo cabeça de Casal;
 Habilitação de qualquer herdeiro de um legatário, de um credor ou
donatário que tenha sido citado para o inventário – 1089º nº 5, b) CPC. ‐
351º e s.s.;
 Habilitação de cessionário de quota hereditária e dos subadquirentes
dos bens doados, sujeitos ao ónus de redução. 1089º nº 5, c) CPC;
 Exercício do direito de preferência na alienação de quinhões
hereditários‐ 1095º CPC;
 Incidente de Oposição ao Inventário – 1104º nº 1 a) e 1105 nºs 1 e 3,
CPC;
 Incidente de impugnação da legitimidade do Cabeça de Casal‐ 1104º
nº 1, c) do CPC e 1105º nº s 1 a 3 CPC;
 Incidente de Impugnação da legitimidade dos interessados citados ou
para alegar a existência de outros; 1104º nº 1 b) CPC e 1105º nº s 1 a 3
CPC;
 Incidente de Substituição, escusa ou remoção do Cabeça de Casal‐
1103º do CPC;
 Incidente de apresentação da conta do cabeçalato – 941º e s.s. CPC;
 Incidente de intervenção Principal de qualquer interessado direto –
1087º CPC;
 Reclamação contra a relação de bens – 1104º nº 1 d) CPC e 1105º nº 1
a 3 CPC.

Forma dos incidentes

O incidente é desencadeado através de um requerimento (inicial), que deve


obedecer, com as necessárias adaptações, ao formalismo estabelecido no art.º
552.º, n.º 1, para a petição inicial, bem como,

Ao estatuído nos art.144.ºnº 1 e 145.º, no que se refere à entrega ou remessa


a juízo das peças processuais por transmissão electrónica e ao comprovativo
do pagamento de taxa de justiça.

Os incidentes em geral comportam dois articulados, isto é, o requerimento e a


oposição - 292º e s.s. CPC;

Com a petição e com a oposição, devem ser logo oferecidas as provas (293º C.P.C.).
Prazo para a oposição – 30 dias – art.1105º nº 1

Decisão Proferida pelo Juiz

Da decisão que for proferida pelo Juiz sobre a questão incidental, cabe recurso
de apelação, para o Tribunal da Relação ‐ 1105º nº 3, 1123º nº 4 e 5 e 644º nº
1, a) CPC.

Decisão Proferida pelo Notário

Se a decisão do incidente for proferida pelo Notário, dela cabe recurso para o
Tribunal competente (Juiz da comarca), sendo‐lhe aplicável, com as
necessárias adaptações, o regime previsto no artigo 4º nº 1 e 3 do RIN e
artigo 1123º e 644º do CPC, a interpor no prazo de 15 dias a contar da
notificação da decisão, devendo o requerimento de interposição de recurso
incluir alegação do recorrente.

Honorários devidos ao Notário

‐ Os incidentes de processos de inventário tramitados em Cartório Notarial,


estão sujeitos a tributação em honorários devidos ao Notário, nos termos do
Anexo II à portaria, podendo estes serem classificados de Honorários devidos
pelos incidentes de valor fixo e de valor variável – Consultar artigos 18º nº 3, 5,
9 e 10, 11, 12 e 13 da Portaria 278/2013 de 26 de agosto.

Os Principais Incidentes, surgem no âmbito da


Modificação Subjetiva da Instância

Tais como:

1 ‐Incidente de Intervenção Principal ‐ 1087º CPC

O Artigo 260º do CPC, consagra o Princípio da Estabilidade da Instância,


segundo o qual, depois de citado o Réu, a instância deve mantar‐se a mesma
quanto às pessoas, ao pedido e à causa de pedir, salvas as possibilidades de
modificação consignadas na lei.

Mas no que refere às pessoas, é admitida a


‐ Modificação Subjetiva prevista no artigo 262º CPC que diz o seguinte: Artigo
262.º
Outras modificações subjetivas
A instância pode modificar ‐se, quanto às pessoas:
a) Em consequência da substituição de alguma das partes, quer por
sucessão, quer por ato entre vivos, na relação substantiva em litígio;
b) Em virtude dos incidentes da intervenção de terceiros.

A Intervenção Principal,
de qualquer interessado directo na Partilha – 1087º nº 1

I - Pode ser Espontânea e Provocada – 1087º CPC - Art.311º CPC e 316º

Espontânea - o interessado toma iniciativa para participar no incidente


Provocada - incidente deduzido por quem está dentro do processo que chama quem
está fora para o auxiliar

Refere o artigo 1087º nº 1 que, em qualquer altura do processo, é


admitida a intervenção principal espontânea ou provocada relativamente a
qualquer interessado direto na partilha, sendo o cabeça de casal e os
demais interessado no processo, notificados para responder ao pedido de
intervenção.

Regime:

A este incidente, que é regulado no artigo 1087º do CPC, é‐lhe aplicável


subsidiariamente o que vem disposto nos artigos 261, 262º, e 311º a 320º
do C.P.C.,

De facto a intervenção de terceiros na instância, mediante o incidente de


intervenção principal, que pode ser espontânea ou provocada, está prevista no
C.P.C. sendo‐o pelos artigos 311º a 315º para a intervenção espontânea e
pelos artigos 316º a 320º para a intervenção provocada.

Este incidente é admitido em qualquer altura do processo,

(Contrariamente ao que se encontrava previsto no artigo no art.9º no 1 do


RJPI, em que o incidente de intervenção principal (espontânea ou provocada)
apenas era admitido até à conferência preparatória)

Assim, e uma vez deduzido o incidente, são notificados:


‐ O cabeça de casal e,
‐ Demais interessados;
‐ Para no prazo de 10 dias – 293º CPC
‐ Responderem sobre o pedido de intervenção no processo.

Efetuadas as diligências probatórias necessárias, requeridas pelos


interessados ou determinadas oficiosamente, o juiz profere decisão. Art.295º do
CPC

Outra modificação subjetiva,

Resulta do Incidente de:

2‐ Habilitação de Interessados– 1089º CPC 11º (antigo 1332º C.P.C.) Esta


norma permita a habilitação de herdeiros, em caso de falecimento de:
‐ Interessado direto;
‐ Legatário, credor ou donatário;
‐ Cessionário de quota hereditária;
‐ Subadquirentes dos bens doados sujeitos ao ónus de redução.

a) ‐ Habilitação por falecimento de interessado direto, 1089º nº 1 a 4 Se


depois de iniciado o processo vier a falecer algum interessado direto na
partilha, deve o cabeça de casal promover o incidente de habilitação dos
seus herdeiros, indicando nos autos o nome dos sucessores, juntando
documentos necessários à habilitação, certidão de óbito, nascimento.

A habilitação, cinge‐se apenas à indicação pelo Cabeça de Casal dos sucessores


do falecido, e da junção de documentos que o comprovem - 1089º nº 1 a 4 do CPC.

Nos demais casos - 1089º nº 5, a) a c) CPC

A habilitação é promovida nos termos gerais do incidente de habilitação,


prevista nos artigos 351º e s.s. do CPC.

Nomeadamente:
A) ‐ Habilitação de qualquer sucessor de um interessado direto, que
não tenha sido indiciado pelo Cabeça de Casal. – V. 1089º nº 5, a) CPC;
Se depois de iniciado o processo, vier a falecer algum interessado direto
na partilha, que não tenha sido indicado pelo Cabeça e Casal, pode este
promover a sua própria habilitação, nos termos gerais do Incidente de
Habilitação de Herdeiros – 351º CPC, sem necessidade de deduzir
previamente o incidente de intervenção Principal.

B) ‐ Habilitação por falecimento do legatário, donatário ou credor que já


tenha sido citado (que já esteja no processo) – 1089º nº 5, b) CPC.
Se falecer algum legatário, donatário ou credor que tenha sido citado para o
inventário, podem os seus sucessores fazerem‐se admitir no processo
mediante o incidente de habilitação de herdeiros.

C) ‐ Habilitação de cessionário de quota hereditária da herança – V. 1089º, nº


5, c)
A habilitação de cessionário prende‐se com todas as situações em que
tenha existido uma transmissão inter vivos de quota hereditária pelo
herdeiro, a terceiro, já no decurso do processo de inventário. Neste caso, o
cessionário far‐se‐á admitir no processo mediante o incidente de
habilitação. 356º do C.P.C.

D) ‐ Habilitação de sub‐adquirentes de bens doados, sujeitos a ónus real de


colação – 1089º nº 5, c) CPC
Esta questão prende‐se com a doação de bens sujeitas a colação.

Refere o artigo 2118º do CC

1 – A eventual redução das doações sujeitas a colação constitui um ónus real.


2 - Não pode fazer‐se o registo de doação de bens imóveis sujeita a colação
sem se efectuar, simultaneamente, o registo do ónus.

Efetuada uma doação sujeita a colação à data da abertura da sucessão, tal


facto obriga a que, quando seja efetuada o registo de aquisição seja efetuado
em simultâneo um averbamento sobre a sujeição do imóvel ao ónus real da
colação, conferindo assim publicidade a potenciais
interessados na aquisição do imóvel de que o mesmo está sujeito ao ónus de
eventual redução por inoficiosidade.

Se por acaso o donatário alienar o imóvel, o adquirente não pode ignorar face à
clausula de registo, que tal bem está sujeito a conferência.

O Subadquirente pode requerer a habilitação nos termos dos artigos 356 e 357º
do C.P.C.

Outro dos incidentes,


Prende‐se com a atividade processual dos credores, enquanto credores da
herança, na

Reclamação de créditos – 1088º CPC ‐ 10º nº 2 RJPI

Sobre os titulares de encargos da herança, determina o nº 1 artigo 1088º do


CPC que:
“Mesmo que os encargos da herança não tenham sido relacionados pelo
cabeça de casal, os titulares activos podem reclamar os seus direitos até à
conferência de interessados”.

Enquanto o nº 2 do esmo preceito, dispõe que:

Os titulares activos de encargos da herança que sejam citados pessoalmente


com a advertência de que devem reclamar os seus créditos no processo de
inventário, ficam inibidos de exigir o seu cumprimento através dos meios
judiciais comuns.

Diversamente dispunha o art.10º nº 2 e 3 do RJPI que: ‐ Os titulares ativos de


encargos da herança podiam reclamar os seus direitos até à conferência
mesmo que estes, não tivessem sido relacionados pelo cabeça de casal, e
que,
“Ainda que não reclamem os seus direitos, os titulares activos de encargos
da herança, não ficam inibidos de exigir o pagamento pelos meios judiciais
comuns, mesmo que tenham sido citados para o processo.” (sublinhado
nosso).
Assim, ao lado dos credores por dívidas do falecido, temos também os titulares
ativos dos restantes encargos da herança a que refere o referido artigo 2068º
C.C. e pelos quais responde a herança, que devem reclamar os seus créditos
no processo de inventário sob penas de não os poderes exigir posteriormente,
nos meios judiciais comuns. (inovação)

Ainda sobre os Encargos da Herança, dispõe o artigo 2068º do C. Civil que:

“A herança responde pelas despesas com o funeral e sufrágios do seu


autor, pelos encargos com a testamentaria, administração e liquidação do
património hereditário, pelo pagamento de dívidas do falecido e pelos
cumprimentos dos legados. “

O REQUERIMENTO INICIAL DO PROCESSO DE INVENTÁRIO


Instauração de Processo de Inventário (após 1/1/2020)

O Processo de Inventário destinado a fazer cessar a comunhão hereditária,


Inicia-se, com a entrada em Juízo do Requerimento Inicial – 1097ª nº 1. CPC

Este Requerimento inicial, por efeito da admissão da competência


concorrente, será apresentado no Tribunal ou no Cartório Notarial – 1083º
nº 2 CPC

A) Inventário Requerido no Tribunal

Regime aplicável:

‐ Segundo o artigo 11º nº 1 das Normas transitórias da Lei 117/2019 de 13 de


setembro, as normas do novo Processo de Inventário, aplicam‐se
apenas aos processos iniciados a partir da data da sua entrada em vigor‐ 01/01/2020) –
bem como, aos processos que nessa data, estejam pendentes nos Cartórios Notariais
mas sejam remetidos ao Tribunal, nos termos do disposto nos artigos 11º a 13º

Ou seja, aos Novos Inventários, ou aos processos pendentes no Cartório que


venham a ser remetidos para o Tribunal…

…são aplicáveis as normas do Cap. II – art.1097º a 1130º do CPC, e as


normas gerais dos artigos 1082º a 1096º do CPC.

Mas porque é um processo especial,


São‐lhe ainda aplicáveis, por força do artigo 549º do CPC, as disposições
que lhes são próprias e as disposições gerais e comuns; em tudo o quanto não
estiver prevenido numas e noutras, observa‐se o que se acha estabelecido
para o processo comum.

Requerimento Inicial – 1082, a) e 1097º do CPC


Que pode ser,

1‐ Apresentado pelo Cabeça de Casal – 1097º, ou


2‐ Apresentado por outro interessado – 1099º

1 ‐ Apresentado pelo Cabeça de Casal

‐ O Requerente de inventário destinado a pôr termo à comunhão hereditária,


(Partilha de Herança) deve dar entrada de um Requerimento inicial na
Secretaria do Tribunal escolhido (segundo as regras da competência
territorial).

Sendo enviado por mandatário o requerimento é enviado por via eletrónica


através do CITIUS;
No notário – ver portaria 278, art.1º;

O pedido é a partilha; a causa de pedir é a abertura da herança;

O que contém O Requerimento inicial ‐ (1097º nº 2)

Além de satisfazer os requisitos da petição inicial, consagrados no artigo 552º


do CPC, deve conter:

As informações de Cabeça de Casal: 1097º nº 2 – a) a c) do CPC


a) Identificar o autor da herança, o lugar do seu último domicílio (para
identificar o tribunal competente) e a data (para saber qual a lei se aplica à
sucessão) e o lugar em que haja falecido;

b) Justificar a qualidade de cabeça de casal – cônjuge sobrevivo, descendente que


vivia com o autor da herança à mais de um antes da morte, descendente mais
velho;

c) Identificar os interessados diretos na partilha, os respetivos cônjuges e o


regime de bens do casamento, os legatários (para em caso de redução
defender os seus direitos) e ainda, havendo herdeiros legitimários, os
donatários (para verificação de inoficiosidade);

Ónus real da colação: as doações podem ser feitas pelo autor da herança em
vida; sujeitos à colação só ficam as doações feitas aos descendentes;

Deve juntar Documentos: (1097º nº 3 do CPC)

‐ A certidão de óbito do autor da sucessão;


‐ Os documentos que comprovem a sua legitimidade e a legitimidade dos
interessados diretos na partilha (certidões de nascimento ou casamento);
‐ Os testamentos, as convenções antenupciais e as escrituras de doação;
‐ A relação de todos os bens da herança sujeitos a inventário – 1097º nº 3
c) e 1098º do CPC, ‐ ainda que a sua administração não lhe pertença; (A
relação dos bens da herança deve ser acompanhada dos
documentos comprovativos da sua situação Jurídica (C e r t i d ã o de
Registo) e, da sua inscrição na matriz (caderneta predial) ‐1098º nº 4
CPC);
‐ A relação dos créditos e das dívidas da herança, acompanhada das provas
que possam ser juntas- 1097º nº 3 d) CPC;
‐ O compromisso de honra do fiel exercício das funções de cabeça de
casal, com assinatura reconhecida, excepto, se o compromisso de honra for
junto por mandatário – (1097º nº 3, e) e nº 4 do CPC).

‐ Requerimento inicial, apresentado por outro interessado


Se o inventário for requerido por outra pessoa, que não o Cabeça de Casal,
deve então dar‐se cumprimento ao previsto no artigo 1099º, b) do CPC, ou
seja:

O Requerente deve:
a) Identificar o autor da herança, o lugar da sua última residência habitual e
a data e o lugar em que haja falecido;
b) Indicar quem deve exercer o cargo de cabeça de casal;
c) Na medida do seu conhecimento, cumprir o disposto na alínea c) do n.º
2 do artigo 1097.º;
d) Juntar os documentos comprovativos dos factos alegados.

Advertência do Cabeça de Casal

Neste caso, o Cabeça de Casal será advertido no ato de citação, de que dispõe
de um prazo de 30 dias para confirmar, corrigir ou completar o que consta do
Requerimento apresentado pelo Requerente, juntando os documentos que se
mostrem necessários. – 1102º CPC.

Declarações/ Informações a prestar no Requerimento

As antigas declarações de Cabeça de Casal, hoje não passam das informações


constantes das alíneas a) a c) do nº 1 do artigo 1097º, que devem
obrigatoriamente constar do Requerimento inicial de Inventário, e que, sobre as
quais haverá de girar todo o processo de inventário e designados os atos a
praticar.

Isto porque, o processo de inventário deve prosseguir para a partilha, e nessa


circunstância, tais informações são absolutamente necessárias e
imprescindíveis à habilitação e à partilha da herança…

Desde logo:

‐ O cabeça de casal deve referir se existe ou não testamento, ou outra


qualquer liberalidade feita pelo autor da herança;
‐ Se o Autor da herança era casado, solteiro, viúvo ou divorciado e qual o
regime de casamento, e se o foi em anteriores núpcias;
‐ Se correu inventário por óbito do cônjuge pré‐defunto;
‐ Se ocorreu o óbito de algum herdeiro e quem o representa em Direito de
Representação ou em Direito de Transmissão;
‐ A identidade dos interessados diretos e o seu regime do casamento;

Desistência do Pedido
Depois de requerido e autuado o processo de inventário para partilha da
herança, o requerente não pode desistir do pedido de partilha que formulou,
pois que não pode renunciar a direitos indisponíveis.
É que, sendo o processo de inventário um processo especial, por força do
disposto no artigo 549º do CPC, aplicam-se-lhe as normas que lhe são próprias
e as disposições gerais e comuns do Código Processo Civil.
Nesse âmbito e segundo o artigo 285º nº 1 desse diploma legal que “A
desistência do pedido extingue o direito que se pretendia fazer valor”, enquanto
o artigo 289º nº 1 do C.P.C dispõe que, “não é permitida a confissão,
desistência ou transação que importe a afirmação da vontade das partes
relativamente a direitos indisponíveis.”
Assim sendo e porque no plano do direito substantivo, o direito de exigir
partilha, é de facto um direito indisponível, atento o disposto no artigo 2101, nº
2 do C. Civil, quando refere que “não pode renunciar-se ao direito de
partilhar…”

A Inovação do Requerimento Inicial

Atualmente e de acordo com o nº 2 do artigo 1097º do CPC e suas alíneas, o


Requerimento inicial de Processo de Inventário, contém uma importante
inovação, que visa conferir ao processo celeridade.

Do Requerimento inicial constam já as declarações de cabeça de Casal, e


devem ser‐lhe juntos, os documentos de suporte ao pedido de partilha e a
Relação de todos os bens que integram o acervo patrimonial a partilhar.

Elaboração da Relação dos Bens da Herança

Preceitua o artigo 1098º do C.P.C. que:

2 — Os bens que integram a herança são especificados na relação por meio


de verbas, sujeitas a uma só numeração, pela ordem seguinte: direitos de
crédito, títulos de crédito, valores mobiliários, e demais instrumentos
financeiros, participações sociais, dinheiro, moedas estrangeiram, objetos de
ouro, prata e pedras preciosas e semelhantes, outras coisas móveis e, por
fim, bens imóveis.
3 — Os créditos e as dívidas são relacionados em separado, sujeitos a
numeração própria, e com identificação dos respetivos devedores e
credores.

Valor nominal: aquilo que foi subscrito no pacto social


Bens da herança que devem ser relacionados

‐ Os bens que se encontrem na residência do autor da herança na hora do seu


óbito.
‐ Os bens que sejam do autor da herança, mas que se encontrem na posse dos
co‐herdeiros.
‐ Os bens que sejam do autor da herança, mas que estejam na posse de
terceiros (por empréstimo ou outro título.).
‐ Os bens que o autor da herança tenha doado, com ou sem sujeição à
colação, caso tenha herdeiros legitimários ‐ Redação do Art.2105 do CC

Fora das heranças legitimárias, não vão à conferencia as liberalidades feitas


em vida, porque às heranças legitimárias só poderão concorrer herdeiros
legitimários com vocação sucessória prevalente.

ESPÉCIES DE BENS

Os bens que integram a herança:


‐ São especificados no Ativo da Relação de Bens por meio de Verbas;
‐ Verbas sujeitas a uma só numeração,
‐ Relacionados pela Ordem previstas no nº 2 do artigo 1098º CPC, que é a
seguinte:
‐ Direitos de crédito, títulos de crédito, valores mobiliários e demais
instrumentos financeiros, participações sociais, dinheiro, moedas
estrangeiras, objetos de ouro, prata e pedras preciosas e semelhantes,
outras coisas móveis e por fim bens imóveis.

Indicação do seu valor – 1098º nº 1

Na Relação de Bens deve ser indicado o valor de cada um dos bens –


artigo 1098º nº 1;

Sendo Bens imóveis – o valor atribuído é o respetivo valor patrimonial ‐


1098º nº 1 a) CPC.

Sendo Participações sociais – O valor atribuído é o respetivo valor


nominal – 1098º nº 1, b) CPC
Sendo Bens móveis, será o valor que lhe for atribuído pelo Cabeça de
Casal

Relação de bens

Ativo
– tudo aquilo que pertence à herança, e sujeito a uma numeração
própria.

Direitos de crédito ou dívidas ativas – são todos os direitos de que a herança


é credora, estejam ou não titulados, e de que a herança seja detentora, como é
o caso do direito de ação à herança (preencher o quinhão hereditário com
bens), direitos de autor, estes devem ser descritos, quer estejam vencidos ou
não ou mesmo um crédito por benfeitorias.
Além da descrição do crédito, deve ser indicada a sua proveniência e anotada
a identidade e morada do devedor.

Títulos de crédito – cheques ( o r d e m d e p a g a m e n t o à v i s t a )


que não tenham obtido pagamento na Câmara de compensação
(denominados cheques sem provisão); certificados de dívida pública;
certificados de aforro, letras comerciais, deve constar a data de emissão, a
data de vencimento, a importância do título cambiário e a identificação do
aceitante;

Instrumentos Financeiros
Conta Poupança‐Habitação

Conta Poupança‐Habitação é o nome dado a uma conta bancária


disponibilizada pelas instituições de crédito, que tem associado um regime legal
e fiscal específico, criado com a finalidade de motivar o encaminhamento das
poupanças familiares para a compra de uma habitação própria.

Obrigações
Inclui aqui o valor nominal das obrigações e os juros das obrigações
nacionais, já vencidos.
Certificados
Os Certificados são valores mobiliários que atribuem ao titular o direito a
receber em dinheiro o valor de determinado ativo subjacente nas condições
previamente fixadas

Fundos de Investimento Mobiliário (FIM)


É um património autónomo que resulta da agregação e aplicação de poupanças
de entidades individuais e coletivas em valores mobiliários ou equiparados. Um
Fundo de Investimento Imobiliário é aquele que faz as suas aplicações
fundamentalmente em bens imóveis.

Contas Poupança‐Reformado
A conta poupança reformado é uma conta de depósito a prazo sem risco, com
condições especiais para um reformado que não receba uma reforma superior
a três vezes o ordenado mínimo nacional.

Participações sociais
Nas ações nominativas e nas sociedades por quotas, o valor das participações
sociais é o seu valor nominal – 1098º nº 1, c) CPC

Dinheiro – montante com juros vencidos à data da abertura da herança, banco


e respetivo balcão.

Moedas estrangeiras (ou mesmo portuguesas mas que já não estejam em


curso) – deve referir‐se a moeda e o País em que foi cunhada sendo‐lhe
atribuído um valor com base numa tabela oficial de câmbio.

Objetos de ouro, pratas e pedras preciosas – junta‐se o auto de avaliação


do ourives ou avaliador que descreve o valor das peças. Nesta rubrica deve
ainda constar as peças raras e o respetivo valor. Bens móveis em poder de
terceiro, ‐ quando dados em penhor.

Outras Coisas móveis – devem ser descritas os bens e os respetivos valores.


No caso de veículos, motos, barcos de recreio e armas, é necessário identificar
as suas características com base no livrete ou no próprio registo emitido pelas
entidades competentes, bem como o respetivo estado de conservação.

‐ No caso de estabelecimento comercial, sendo este uma universalidade de


direitos autónomos, o seu valor é determinado pelo último balanço aprovado a
31 de dezembro anterior ao óbito, isto é, no caso de o estabelecimento ter
adotado escrita organizada, ou no caso contrário, mediante a elaboração de um
inventário de todos os bens pertencentes ao estabelecimento, denominado
de Inventário Adrede ‐ (ver artº16º do Código do Imposto de Selo).

Direitos imobiliários – sepulturas e jazigos

‐ Este não é um direito de propriedade que assiste à herança, trata‐se de uma


concessão por via de contrato de direito administrativo, por isso, vai relacionar‐
se nos direitos imobiliários, a seguir aos móveis e antes dos imóveis.

Imóveis

O termo “bens Imóveis” compreende os prédios rústicos e urbanos, as suas


partes integrantes, as águas, as árvores, os arbustos e frutos naturais,
enquanto estiverem ligados ao solo e os direitos inerentes a esses bens – 204º
do C. Civil.
‐ Uma vez cortadas as árvores ou colhidos os frutos, logo adquirem a
natureza de bens móveis (se bem que em relação às arvores não se faz
qualquer referência, quando pertencentes a imóvel da herança.)

O artigo 1098º do CPC não faz qualquer referência à forma como se deve
relacionar os bens imóveis, apenas se faz referência do seu nº 4 de que a
menção dos bens é acompanhada dos elementos necessários ao apuramento
da sua situação jurídica, como sejam:
‐ O número de descrição predial de Registo e,
‐ O artigo de inscrição na matriz.
Mas, por necessidade de harmonização com o artigo 82º do C.R.P, deverá o
Cabeça de Casal, fazer menção a outros elementos:

‐ À sua situação por referência ao lugar, Rua números de polícia ou


confrontações;
‐ Das confrontações, quando necessárias para identificar o imóvel;
‐ O nome da sua denominação;
‐ A natureza rústica, urbana ou mista do prédio;
‐ Composição sumário e área do prédio;
‐ A sua situação matricial com referência expressa ao artigo de inscrição na
matriz e valor patrimonial ou venal;
‐ O seu número de Descrição na Conservatória do Registo Predial;
‐ Servidões ativas e passivas.

‐ Deve juntar certidão matricial


‐ Deve Juntar certidão do teor do Registo ou certidão negativa do registo,
para o caso de o imóvel não estar descrito na Conservatória.

Benfeitorias – 1098º nºs 6 e 7 CPC

Art.1098º, nº6 – o autor da herança gastou do seu dinheiro para fazer uma benfeitoria a
um terceiro, após a abertura da sucessão, os herdeiros se quiserem e se for possível
podem levantar a benfeitoria, fazendo uma descrição em espécie do material levantado,
desde que sem o seu detrimento, caso não seja possível sem o detrimento, é feito um
direito de crédito sobre o terceiro;

Nº7 – caso a benfeitoria seja feita pelo terceiro, estas são consideradas dívidas;

Quanto aos imóveis, há que ter em conta as benfeitorias:


Artigo 216ºC.C.
1 ‐ Consideram‐se benfeitorias todas as despesas feitas para conservar ou
melhorar a coisa.

Nos termos do Art.216 do CC, as benfeitorias podem ser: 2‐ As benfeitorias são


necessárias, úteis ou voluptuárias.

‐ Necessárias, as que têm por finalidade evitar a perda, destruição ou


deterioração da coisa;
‐ Úteis, as que não sendo indispensáveis para a sua conservação, lhe
aumentam, todavia o valor;
‐ Voluptuárias, as que não sendo indispensáveis para a sua conservação, nem
lhe aumentam o valor, são apenas para recreio do benfeitorizante.

Só as benfeitorias necessárias e úteis são de ter em conta no Inventário, pois


que as Voluptuárias apenas outorgam a quem as fez o direito a levantá‐las,
estando de boa‐fé e não se dando detrimento da coisa, pois
de contrário não pode levantá‐las nem haver o valor delas – º1275º nº 1 e 2 C.
Civil

Sobre a repercussão das benfeitorias e seu valor, na massa patrimonial da


herança, dispõe o nºs 6 e 7 do artigo 1098º do CPC o seguinte:

6‐ As benfeitorias pertencentes à herança são descritas em espécie, quando


possam separar‐se, sem detrimento, do prédio em que foram realizadas, ou
como simples crédito no caso contrário.
7‐ As benfeitorias efetuadas por terceiros em prédio da herança são descritas
como dívidas, quando não possam, sem detrimento, ser levantadas por quem
as realizou.

Haverá assim que distinguir:


‐ Entre as benfeitorias que foram feitas pelo Autor da Herança em prédio de
terceiro; e,
‐ Benfeitorias que foram feitas por terceiro em prédio da herança.

Sendo ainda importante,

Determinar se obras podem ser levantadas do imóvel em que foram realizadas,


sem detrimento para si ou para o imóvel beneficiado.

Diz‐se que a benfeitoria não pode ser levantada sem detrimento quando
destrói ou causa forte dano, estrago, perda ou prejuízo tanto à própria
benfeitoria como ao imóvel beneficiado .

Assim,
Serão descritas em espécie

As benfeitorias pertencentes à herança, (feitas pelo Autor da herança em prédio


alheio) quando possam separar‐se do prédio em que foram feitas sem
detrimento, i.e quando tenham uma existência autónoma fora do prédio em que
foram feitas, São descritas em espécie na relação de bens. 1098º nº 6 CPC

Serão descritas como Crédito da herança

– As benfeitorias feitas pelo Autor da Herança em Prédio alheio; ‐ 1098º nº


6, parte final – mas que não possam separar‐se sem detrimento, do
prédio em que foram realizadas, ou melhor, quando não tenham uma existência
autónoma fora do prédio em que foram realizadas, São descritas como crédito
da herança

Serão descritas como Dívida da herança

As benfeitorias feitas por terceiro em prédio da herança, mas que não podem
separar‐se do prédio em que foram feitas, São descritas como dívida da
herança.

Não são Descritas

As benfeitorias feitas por terceiro em prédio da herança, que se podem separar


do prédio em que foram feitas, sem detrimento, serão recuperadas por quem as
realizou e nada há a relacionar.

Resumo:

a) ‐ Se podem separar‐se do bem beneficiado


– descrevem‐se como bens em Espécie
a) Feitas Pelo Inventariado em prédio de terceiro

b) ‐ Se não podem separar‐se do bem


– descritos como Direito de Crédito da herança

a) Se poderem ser levantadas por quem as fez – Nada


Consta na relação de Bens
b) Feitas por terceiro em prédio da herança

b)Se não podem ser levantadas – Relacionadas como


dívida da herança

Benfeitorias Feitas pelo Donatário em prédio doado – 2115 e 1273º C.C.

São relacionadas como passivo da herança, pois que o donatário, não


sendo um terceiro, deve ser indemnizado do valor das benfeitorias que
realizou, na eventualidade de não lhe ser adjudicado o prédio beneficiado.

Atendendo a que o donatário não é um terceiro relativamente à herança e que


para efeitos de benfeitorias, e nos termos do artigo 2115º nº 2 do C.C. é
equiparado ao possuidor de boa – fé, tem por isso direito a ser indemnizado
das benfeitorias necessárias que haja feita no bem doado. Ex. Casa construída
em terreno doado.

Assim relativamente às benfeitorias deve fazer‐se menção delas na descrição


do prédio, indicar o valor do prédio segundo a matriz e indicar o valor (ilíquido)
das benfeitorias, a fim de ser descontado ao valor total do prédio ( pode ser
objecto de avaliação)

Juntar ainda Relação dos Créditos e das Dívidas


‐ c/ Indicação dos credores e devedores

Resulta ainda do nº 3 do artigo 1098º do CPC, que o Cabeça de Casal deve


elaborar e juntar ao Requerimento inicial, uma nova Relação, onde descreve,
os créditos e as dívidas:
‐ Que devem ser relacionados em separado;
‐ Sujeitos a uma numeração própria;
‐ Com identificação dos respetivos devedores e credores.
‐ As dívidas – devem ser acompanhadas dos respetivos títulos ou
provas que possam ser juntas – 1097º nº 3, d CPC – para o juiz conseguir
comprovar a dívida – 1106º, nº3 CPC.

Esta inovação, que decorre do nº 3 do artigo 1098º CPC, exige que,


incorporada no requerimento inicial, conste, além da relação dos bens que
integram a herança, uma outra relação dos créditos e das dívidas da herança,
sujeitos a numeração própria.

Situações especiais

Relacionamento de bens:
‐ Bens imóveis do autor da herança que se encontrem em outro país
Quando alguém morre e também tem bens no estrangeiro, estes bens também
se relacionam?

Cartas rogatórias – pedidos entre países

Esta questão não é pacífica. A lei pessoal do de cuiús (artº25ºCC) regula nas
sucessões por morte. É a própria lei portuguesa que se considera como sendo
competente para regular as sucessões por morte (ver também artº62º).

No entanto, há outras leis, como é o caso da lei francesa, que também se


considera competente para resolver as questões relacionadas com a sucessão
dos seus residentes, isto significa que teria de se pedir a França para aí se
poderem relacionar os bens.

O que normalmente acontece, é que a carta rogatória do Juiz demora muito a


chegar e assim os processos de inventário nunca mais se concluíam.

Segundo o Professor Alberto Reis, deveria imperar o bom senso, ou seja,


o bom senso deve levar a que cada Estado relacione os bens que estão no seu
território: em Portugal não se relacionarão os bens que se encontrem em outros
países. Faz‐se como que dois inventários, um em Portugal e outro no país
onde o de cujos era emigrante.

A jurisprudência porém não se mostra alinhada com o pensamento do


Professor Alberto dos Reis, como claramente resulta do sumário que aqui
se transcreve, extraído do Acórdão do Tribunal da Relação do Porto, do dia
11‐09‐2007, proferido no proc. 0722005, em que foi Relator Dr. Henrique
Araújo, disponível no site www.dgsi.pt:
“Por força do princípio da unidade e universalidade da herança, os
bens que pertenciam ao inventariado situados no estrangeiro devem ser
descritos e partilhados no inventário instaurado em Portugal.”

- Sepulturas e jazigos

Este não é um direito de propriedade que assiste à herança, trata‐se de uma


concessão por via de contrato de direito administrativo, por isso vai
relacionar‐se nos direitos imobiliários, a seguir aos móveis e antes dos
imóveis.

‐ Seguros de vida
Quando o seguro de vida está em benefício de apenas um dos filhos, à partida
os demais nada receberiam. Assim, os tribunais têm entendido que os prémios
de seguros que foram pagos deveriam ser entendidos como doações feitas
aquele filho e, desta forma, poder‐se‐ia aplicar as regras da colação, sendo que
os valores de tais doações seriam atualizados.

- Bens expropriados

O Estado compensa as pessoas pela expropriação e apenas o montante de


tal compensação deve ser relacionado e não o imóvel, uma vez que se foi
expropriado, já não existia na esfera jurídica do autor da herança à data de
sua morte.

- Depósitos bancários

A administração Tributária pressupõe que aos contitulares de contas bancárias


corresponde uma quota parte do depósito.
No direito Civil, tal não acontece, e não se pode estabelecer tal presunção
para efeitos de inventário.
Assim, deve relacionar‐se todo o montante, caso seja prestada informação
pelo Cabeça de Casal que o total do depósito pertencia ao A. da Herança, e,
se algum contitular da conta entender que está a ser lesado, vem ao processo
dizer que tal montante não pertencia na sua totalidade ao inventariado, apenas
em parte, por lhe pertencer a ele determinada parte.

Juntar ainda
‐ Compromisso de Honra do Cabeça de Casal ‐ 1097º nº 3, alínea e) do
CPC
Com o Requerimento Inicial deve ser‐lhe junta, declaração emitida pelo Cabeça
de Casal, onde este se compromete, por sua honra, a cumprir e desempenhar
fielmente o exercício das funções de Cabeça de Casal no processo de
Inventário, que vier a ser instaurado.
‐ Essa declaração de compromisso, deve conter o reconhecimento da
assinatura do Cabeça de Casal, a não ser que esse mesmo compromisso
ou o Requerimento, ao qual será junto, seja apresentado por mandatário.
1097º nº 4 CPC
Esta matéria constitui uma total inovação em matéria de Processo de
Inventário.

A Juntar Ainda…
‐ Comprovativo do Pagamento da Taxa de Justiça. ‐ 145º nº 1 do CPC
e 552º nº 3 do CPC

Ao Requerimento inicial de inventário, o Requerente deve juntar ainda:


‐ Comprovativo do prévio pagamento da taxa de Justiça ou;
‐ O despacho de concessão de apoio judiciário na modalidade de dispensa
parcial ou total do pagamento da taxa de Justiça‐ cfr artigo 145º nº 1 do
CPC. e 552º nº 3 CPC

Apresentação do Requerimento Inicial


Utilização de Meios Eletrónicos – 144º nº 1 a 3 do CPC

A apresentação de peças processuais e documentos por transmissão eletrónica


de dados, por parte dos mandatários, está atualmente prevista nºs 1 a 3 do
artigo 144.º do Código de Processo Civil, e está regulamentada na Portaria
280/2013 de 26 de agosto, segundo a qual, é obrigatório a transmissão
eletrónica de peças processuais para o Tribunal, por parte dos mandatários
judicias.

Dispõe o artigo 144º nº 1 do CPC que:


1 ‐ Os atos processuais que devam ser praticados por escrito pelas partes
são apresentados a juízo por via electrónica na plataforma CITIUS, nos
termos definidos na portaria prevista no n.º 2 do artigo 132.º (Portaria nº
280/2013), valendo como data da prática do ato processual a da respetiva
expedição.
2 ‐ A apresentação de peça processual nos termos do número anterior
abrange também os documentos que a devam acompanhar, ficando a parte
dispensada de remeter os respetivos originais, exceto quando o seu formato
ou a dimensão dos ficheiros a enviar não permitirem o seu
envio eletrónico, nos termos definidos na portaria prevista no n.º 2 do artigo
132.º

A Portaria prevista no nº 1 do artigo 132º do CPC, que é a Portaria nº


280/2013, de 6 de agosto, regulamenta a tramitação electrónica dos processos
nos tribunais judiciais, e que aqui se aplica subsidiariamente ao Processo de
Inventário, refere no seu artigo 5º.

Artigo 5.º
Sistema informático de suporte à atividade dos tribunais e registo de
utilizadores

1 ‐ A apresentação de peças processuais e documentos por transmissão


eletrónica de dados por mandatários judiciais é efetuada através do sistema
informático de suporte à atividade dos tribunais, no endereço eletrónico
https://citius.tribunaisnet.mj.pt, de acordo com os procedimentos e
instruções aí constantes.

Daqui resulta que:

No caso dos mandatários, o Requerimento de inventário é apresentado no


Tribunal através do envio eletrónico do requerimento inicial e seus documentos,
nos termos dos n.os 1 a 3 do artigo 144.º do Código de Processo Civil,
incluindo a apresentação de Oposição e de todos os actos subsequentes
através da plataforma, (http://citius.tribunaisnet.mj.pt).

Competência territorial 1083º nº 2


Tribunal competente para o Processo

As normas de processo de inventário, não contemplam qualquer norma


reguladora da competência territorial, para a instauração do processo, mas
tendo presente que o Processo de Inventário é um dos Processos Especiais do
CPC – 549º CPC‐ é‐lhe aplicável subsidiariamente as normas gerais e comuns
do Código de Processo Civil.
Em matéria de competência para o processo de inventário, determina o
artº72º‐A o seguinte:
72º‐ A
Matéria Sucessória
1 ‐Em matéria sucessória é competente o tribunal da residência habitual do
autor da sucessão.
2 ‐Se, no momento da sua morte, o autor da sucessão não tiver residência
habitual em território português, é competente o tribunal em cuja
circunscrição esse autor teve a sua última residência habitual em território
nacional.
3 ‐Se o tribunal competente não puder ser determinado com base no
disposto nos números anteriores, mas o autor da sucessão tiver a
nacionalidade portuguesa ou houver bens situados em Portugal, o tribunal
competente é o tribunal da comarca de Lisboa.

Daqui resulta que:

O Requerimento inicial a que alude o artigo 1094º nº 1 do CPC, deve ser


apresentado no Tribunal da residência habitual do Autor da Sucessão.

Tanto,

Nos processos de competência exclusiva – 1083º nº 1 CPC,


como
Nos casos de escolha do Tribunal (competência concorrente)

B) Inventário Requerido nos Cartórios Notariais

Aplica‐se:

‐ O Artigo 11º nº 1 das Normas Transitórias.


- O Regime do Processo de Inventário do Livro V do CPC, 1082º a 1135º
do CPC – ou seja, o regime do processo de Inventário que supra foi estudo
para a instauração do Processo de Inventário nos Tribunais Judicia
‐ O Artigo 2º do Regime do Inventário Notarial (RIN); 1082º a 1135º
‐ A instauração do processo de Inventário nos Cartório, só é possível nos
casos em que não existam incapazes ou ausentes em parte incerta a
concorrer à herança, pois estes são da competência exclusiva do Tribunal.

Competência territorial
Do Cartório Notarial a Apresentar

Caso a escolha dos interessados tenha recaído sobre o Cartório, o


Requerimento Inicial deve ser apresentado num Cartório Notarial:
‐ À escolha do Interessado Requerente; ou
‐ Que resulte de acordo entre todos os interessados;
‐ Mas desde que esse Cartório tenha uma conexão relevante com a
partilha, estabelecida em função: (Artigo 1º do RIN)
‐ Do local da abertura da sucessão;
‐ Da situação da maior parte dos bens imóveis ou
estabelecimento comercial, que integram a herança.
‐ Da residência da maior parte dos interessados;

Implementação da Utilização de Meios Eletrónicos – 2º nº 2 do RIN De


acordo com o artigo 2º nº 2 do RIN ‐ Regime de Inventário Notarial, a
apresentação do Requerimento inicial do inventário, deve realizar‐se sempre
que possível, através de meios eletrónicos, nos termos da Portaria nº
278/2013 de 26 de agosto, na sua redação atual,

Ou seja, são‐lhe aplicáveis as normas dos artigos 2º e 5º nºs 1 a 5, da Portaria 278/2013


de 26 de agosto, atualizada e republicada pela Portaria 46/2015 de 23 de fevereiro.

‐ Apresentação do requerimento Inicial– 5º nº 1 da Portaria.

O Requerimento de inventário, pode ser apresentado no Cartório Notarial de


duas formas:

‐ Pelo interessado ou seu mandatário; através do envio eletrónico no portal


www.inventários.pt
‐ Pelo interessado, diretamente no Cartório Notarial em suporte físico de
papel;

Mas a apresentação do Requerimento Inicial, pressupõe ou não, o


preenchimento prévio do formulário eletrónico disponibilizado no site da
Ordem dos Notários, com posterior junção do Requerimento Inicial?

A Utilização obrigatória de meios eletrónicos


‐ O envio eletrónico do Requerimento inicial, é obrigatório para os
mandatários constituídos – artº2º nº 2 RIN, e artigo 5º, nº 1, a) da Portaria
278/2013.

Comprovativo de entrega do Requerimento Inicial: 5º nº 2 Portaria

Após a entrega do Requerimento, por uma das duas formas indicadas:


‐ O Sistema Informático de Tramitação do Processo de Inventário no
caso de envio eletrónico, ou
‐ O Notário no caso de entrega pelo interessado em suporte físico,

Disponibilizam ao Requerente um comprovativo da entrega do


Requerimento, que contêm:
‐ A data e hora da entrega do Requerimento;
‐ O Código e as instruções de acesso futuro ao sítio www.inventários.pt,
para efeito de consulta de processo por parte do Requerente.
‐ A referências multibanco para pagamento da 1ª prestação dos
honorários do notário, bem como o montante dessa prestação.
‐ O Número que será atribuído ao Processo, após o pagamento dos honorários
da 1ª. prestação.

Condição para a instauração do Processo ‐ artº5º nº 3 – Portaria ‐


Pagamento da 1ª. Prestação de honorários
(Independentemente da forma como foi apresentado o Requerimento Inicial,
A entrega do Requerimento Só se considere efetuada na data em que for
efetuado o pagamento da 1º prestação dos honorários do Notário, ou em
que foi entregue o documento comprovativo do pedido de apoio judiciário).

‐ Apresentação de outras peças processuais e seus documentos –

A apresentação das restantes peças processuais e dos documentos que as


acompanham, são efetuadas pela seguinte forma:

‐ Apresentação de Peças Processuais – 6º

Quando apresentado pelo interessado – 6º ‐ a):

‐ i) Por via electrónica, através do acesso ao sistema informático de


tramitação do processo de inventário e recorrendo à assinatura
electrónica constante do cartão de cidadão.
‐ ii) Por remessa Postal sob registo, para o Cartório;
‐ iii) Por entrega direta no Cartório.

Quando apresentada por mandatário: ‐ 6º b)

Exclusivamente por via eletrónica, através do acesso ao sistema informático


de tramitação do processo de inventário de acordo com os termos definidos na
Portaria e,

‐ Apresentação de documentos (dispensa de apresentação dos


originais) – 7º nº 1 e 2.

A parte que por si ou através de mandatário proceda ao envio eletrónico de


documentos juntamente com o Requerimento Inicial, nos termos da alínea a)
nº 1 do artigo 5º da Portaria ou na subalínea i, da alínea a) do artigo 6º da
mesma Portaria, está dispensada da apresentação dos originais dos mesmos
documentos, sem prejuízo do dever de exibição dos originais sempre que tal
lhe seja solicitado pelo notário.

2‐ Apresentação do Requerimento Inicial por outro Interessado – 1099º


CPC
Quando o inventário for requerido por outra pessoa, que não o
Cabeça de Casal,
Deve no Requerimento Inicial: ‐ 1099º

a) Identificar o autor da herança, o lugar da sua última residência habitual e


a data e o lugar em que haja falecido;
b) Indicar quem deve exercer o cargo de cabeça de casal;
c) Na medida do seu conhecimento, cumprir o disposto na alínea c) do n.º 2
do artigo 1097.º; ou seja, deve procurar identificar os interessados diretos
na partilha, os respetivos cônjuges e o regime de bens do casamento, os
legatários e ainda, havendo herdeiros legitimários, os donatários;
d) Juntar os documentos comprovativos dos factos alegados.

Obrigações do Cabeça de Casal designado 1102º

O Cabeça de Casal que vier a ser designado pelo Notário, é advertido, no


ato de citação – 1102º nº 1‐ de que no prazo de 30 dias, deve:
a) Confirmar, corrigir ou completar, de acordo com o estabelecido no artigo
1097.º, o que consta do requerimento inicial e juntar os documentos que se
mostrem necessários;
b) Apresentar ou completar a relação de bens nos termos da alínea c) do
n.º 2 artigo 1097.º e do artigo 1098.º;
c) Apresentar o compromisso de honra do fiel exercício das suas funções
nos termos da alínea e) do n.º 2 e do n.º 3 do artigo 1097.º

‐ Se não estiver em condições de apresentar todos os elementos exigidos, o


cabeça de casal justifica a falta e pede, fundamentadamente, a prorrogação
do prazo para os fornecer.

////

Envio e Recebimento do
Processo Na Secretaria do
Tribunal

‐ Distribuição – (artigo 212º ‐ 7ª Espécie CPC)


‐ Autuação pela secretaria
‐ Conclusão ao Juiz – 162º nº 1 CPC

Despacho Liminar do Juiz – artº1100º CPC

Determina o artigo 1100º nº 1 do CPC, que:

1‐ “O Requerimento é submetido a despacho liminar para, além das demais


previstas na lei, as seguintes finalidades:
a) Verificação da existência de qualquer deficiência do requerimento,
devendo seguir‐se o respectivo convite ao aperfeiçoamento;
b) Confirmação ou designação do cabeça de casal;

Mas, além artigo 1100º, dispõe ainda o artigo 590º do CPC, que têm por
epígrafe “Gestão inicial do Processo” o seguinte:

1‐ Nos casos em que, por determinação legal ou do juiz, seja apresentada a


despacho liminar, a petição é indeferida quando o pedido seja manifestamente
improcedente ou ocorram, de forma evidente, exceções dilatórias (577º)
insupríveis e de que o juiz deva conhecer oficiosamente, aplicando‐se o
disposto no artigo 560º.

Despacho de aperfeiçoamento

Daqui decorre que, recebido o Requerimento Inicial, o Juiz procede à sua


verificação e análise, e, caso nele verifique deficiências, obscuridades ou
exceções dilatórias, não supríveis, de conhecimento oficioso, deve proferir
despacho de aperfeiçoamento, ou seja, deve convidar o Requerente a
aperfeiçoar ou completar o Requerimento inicial, quer em termos de
declarações prestadas quer em termos de documentos que deveriam ter sido
juntos, sob pena de indeferimento, aplicando‐se‐lhe o artigo 560º do CPC.

Caso o Processo deva prosseguir:

Se o requerimento inicial não contiver quaisquer deficiências, que obstem ao


prosseguimento do processo, ou estando estas já supridas, o Juiz deve:

‐ Verificar se o exercício das funções de cabeça de casal cabe ao


Requerente, e que este prestou compromisso de honra válido, nesse caso
procede à sua designação como Cabeça de Casal.
‐ Verificar se o cargo de Cabeça de Casal compete a outra pessoa que não
o Requerente, e neste caso deve mandar citar o Cabeça de Casal ‐ alíneas
a) e b) do nº 2 do artigo 1100º do C.P.C. e,

‐ Ordenar a citação de todos os interessados diretos na partilha; 1100º, nº 2,


a) do CPC

‐ Se for caso disso ordenar a citação do Ministério Público ‐ alíneas c) do


nº 2 do artigo 1100º do C.P.C..

‐ Nomear curador especial nos termos do artigo 1086º do CPC

O Cabeça de Casal no Inventário ‐ 2080º a 2087º

Os artigos 2080º e s.s. do C. Civil, estabelecem a ordem do deferimento do


cargo de cabeça de casal, mas, tais preceitos ou regras não são imperativos,
pois que, por acordo de todos os interessados e do M.P. quando tenha
intervenção principal, pode entregar‐se a administração da herança e o
exercício das restantes funções de cabeça de casal, a qualquer outra pessoa. –
artº 2084º do Civil.

No inventário, incumbe ao Cabeça de Casal fornecer os elementos necessários


para o prosseguimento do inventário, bem como, a função de arrolar e
descrever os bens da herança,

Incidente de substituição, Escusa ou Remoção – 1103º CPC


‐ O Cabeça de Casal pode ser substituído a todo o tempo, por acordo de todos
os interessados diretos na partilha – 2084º C.C. mediante o incidente de
substituição, Escusa ou Remoção do Cabeça de Casal designado ‐ ‐ 2083º
CC e 1103º nº 1 a 3 do CPC.

‐ A legitimidade do cabeça de Casal também pode ser objeto de impugnação


pelos demais interessados. – 1104º nº 1, alínea c) CPC

‐ Uma vez impugnada a legitimidade do cabeça de casal, ou Requerida a


Escusa ou Remoção deste, o inventário prossegue com o cabeça de casal
designado até ser decidido o incidente. ‐ 1103º nº 3 CPC.

//
CITAÇÃO
Citação dos interessados –artigos 219º, 225º, 1 e 2, b) e c) nº 3 a 5,
228º, 231º, 240º, do CPC

Refere‐nos o artigo 1100º, nº 2, alínea a) do CPC que:


3‐ Se verificar que o exercício de funções do cabeça de casal cabe ao
requerente e que este prestou compromisso de honra válido, procede à sua
designação e ordena a citação de todos os interessados diretos na partilha

A citação destina‐se em geral a dar conhecimento aos interessados diretos


da distribuição do Inventário e a garantir‐lhes a defesa dos seus próprios e
legítimos interesses.

Já no que refere aos credores e legatários estes são especialmente citados


para poderem deduzir os seus direitos e interesses no inventário, que
pretendem ver, ou aprovados ou satisfeitos.

Também os donatários serão citados, quando na herança existam herdeiros


legitimários, pois que só neste caso, importa fazer referência às doações e à
sua conferência.

Quem vai então ser citado:

‐ Os interessados diretos na partilha, (os co‐herdeiros, o cônjuge do herdeiro, o


cônjuge meeiro, o cessionário) e o Ministério Público, quando tenha
intervenção principal no processo, i.e quando a sucessão seja deferida a
incapazes ou ausentes em parte incerta.

‐ Aqueles que exercem as responsabilidades parentais, a tutela ou a curadoria,


quando a sucessão seja deferida a incapazes ou ausentes em parte incerta, e
não concorram há herança com o seu representado.

‐ Havendo herdeiros legitimários os legatários, e os donatários.

‐ O Ministério Público, nos casos em que a herança seja deferida a menores,


maiores acompanhados ou ausentes em parte incerta, e não tenha sido o
Requerente do Inventário.
3‐ O Requerente que exerça o cargo de Cabeça de Casal é notificado do despacho
que ordene as citações.

Modalidades de Citação – 225º

A citação poderá ser feitas numa de duas modalidades:

‐ Citação pessoal ou,


‐ Citação edital, sendo que a citação edital – 225º nº 6, tem lugar apenas
quando o citando se encontre ausente em parte incerta, nos termos dos
artigos 236º e 240, ou quando sejam incertas as pessoas a citar.

A citação normal no processo de inventário, é a citação pessoal que pode


revestir as modalidades previstas nas alíneas a) a c) do nº 2 do artigo 225º ou
seja:
‐ Entrega ao citando de carta registada com aviso de receção; (citação
postal)
‐ Contacto pessoal do agente de execução.

A citação postal, está regulada no artigo 228º do CPC nos seus nºs 1 a 9.
No caso de se frustrar a citação postal, pode esta ser feita por contacto pessoal
do Agente de execução.

Nomeação de Curador

Relativamente aos citados impossibilitados de receber a citação devido a uma


anomalia psíquica ou devido a qualquer outra incapacidade de facto – artº234º,
n. º2, é necessário que seja nomeado um curador especial. Cfr. 234º nº 2, 20º
nº 1, 17º nº 5, do CPC

Forma de efetivar a citação – artº227º CPC

Elementos a transmitir obrigatoriamente ao citado


1 ‐ O ato de citação implica a remessa ou entrega ao citando do duplicado
da petição inicial e da cópia dos documentos que a
acompanhem, comunicando‐se‐lhe que fica citado para a ação a que o
duplicado se refere, e indicando‐se o tribunal, juízo e secção por onde corre
o processo, se já tiver havido distribuição.
2 ‐ No ato de citação, indica‐se ainda ao destinatário o prazo dentro do qual
pode oferecer a defesa, a necessidade de patrocínio judiciário e as
cominações em que incorre no caso de revelia.

Juntamente com a citação, será enviada aos citados uma cópia do


Requerimento Inicial e dos documentos apresentados, pelo Cabeça de Casal e
da indicação da instauração do processo de inventário.

Da nota de citação ‐ advertência

‐ Os interessados ficam citados para o inventário a que o duplicado da


petição se refere, indicando‐lhe o Tribunal, o Juízo e Secção por onde corre
o processo, 227º nº 1, e,
‐ São ainda advertidos, para, na qualidade de interessados, e no prazo de
30 dias, a contar da sua citação, poderem deduzir, querendo, algum dos
seguintes incidentes: (artigo 1104º nº 1, alíneas a) a e) do CPC
‐ Oposição ao inventário;
‐ Impugnação da legitimidade dos interessados citados ou alegar a
existência de outros;
‐ Impugnação da competência do cabeça de casal ou as indicações
constantes das suas declarações;
‐ Reclamação contra a relação de bens;
‐ Impugnação dos Créditos e as dívidas da herança.
‐ Invocação de quaisquer exceções dilatórias ‐ 577º do C.P.C.

Mas para a dedução dos incidentes, poderá ser necessária a constituição de


Advogado.

Patrocínio Judiciário
Constituição Obrigatória de advogado –1090º e 40º a 42º do CPC
(Comparar artº13º RJPI)

Sobre a constituição obrigatória do Advogado, refere o artigo 1090º do CPC


que:
1‐ É obrigatória a constituição de advogado:
a) Para suscitar ou discutir qualquer questão de direito;
b) Para interpor recurso.

Esta norma está em sintonia com o que preconizava o artigo 13º do RTJPI, ao
exigir a constituição obrigatória de advogado no processo de inventário, nas
situações em que o interessado pretende suscitar ou discutir questões de
direito, ou ainda, nos casos em que pretende interpor recurso das decisões
proferidas pelo Juiz ou pelo Notário, no processo de inventário,.

Ao reagir contra a matéria constante do Requerimento Inicial, o interessado


poderá ter de constituir advogado no processo de inventário, caso pretenda
suscitar essas questões de direito.

Sobre a constituição Obrigatória de Advogado, reza o nº 2 do artigo


40º do CPC que:
2‐ Ainda que seja obrigatória a constituição de advogado, os advogados
estagiários, os solicitadores e as próprias partes podem fazer
requerimentos em que se não levantem questões de direito.

Excluindo a matéria referida nas alíneas a) e b) do artigo 1090º do CPC e em


sintonia com o preceituado no artigo 40º nº 2 do CPC, os advogados
estagiários, os solicitadores e as próprias partes, poderão fazer requerimentos
no processo de inventário, desde que nesses requerimentos não se suscitem
ou aleguem questões de direito.

Exemplos de questões de Direito:

‐ Oposição ao inventário, (baseado p. ex. na falta de fundamento para a sua


instauração);
‐ Impugnação da legitimidade das pessoas citadas como herdeiros;
‐ Impugnação da competência do Cabeça de Casal;
‐ Exercício do direito de preferência;
‐ A resposta ao Cabeça de Casal ou ao donatário que negar a obrigação de
conferir ou tiver levantado questões sobre quais os bens que lhe cumpre
conferir;
‐ A questão da interpretação de testamentos ou escrituras;
‐ A forma à partilha;
‐ Identificação das questões que impõem a remessa do processo para os
meios comuns e a necessidade ou conveniência da interposição de
recursos.
‐ Interposição e alegações de Recurso para o Tribunal ou para a Relação.

Incidentes deduzidos após a Citação

Em Reação à nota de citação e em especial, ao teor do Requerimento Inicial e


documentos que lhe são juntos, os interessados citados, podem reagir
contra o inventário e as declarações nele já vertidas pelo cabeça de casal,
deduzindo incidentes, que predominantemente, se podem resumir aos
seguintes: ‐ 1104º CPC

1 ‐ Incidente de oposição ao inventário; ‐ 1104º nº 1, a)

Este incidente visa o arquivamento do processo, a sua destruição e pode ser


deduzido por qualquer interessado direto na partilha, seus representantes
legais e ainda pelo Cabeça de Casal ou pelo Requerente do inventário, nos 30
dias seguintes à citação ou notificação.
– Uma vez deduzido e incidente e apresentadas as provas, são notificados
os interessados, podendo responder, em 30 dias, aqueles que tenham
legitimidade para se pronunciar sobre a questão suscitada, com indicação
também das respetivas provas – 1105º, 292º a 295º CPC
– Efetuadas as diligências probatórias necessárias, requeridas pelos
interessados ou determinadas oficiosamente, o Juiz profere decisão.
1105º nº 3, 295º e 607º nº 3 e 4 CPC

Prazo para o incidente – 30 dias após o recebimento da citação


Prazo para a resposta ao incidente – 30 dias – 1105º nº 1 CPC.

Podem constituir fundamentos à oposição


‐ Ilegitimidade de quem requerer o inventário
‐ Inexistência de bens a partilhar (inutilidade superveniente)
‐ Prescrição do direito de petição de herança (Usucapião)
‐ Falta de legitimidade do MP para requerer o inventário
‐ Já ter existido uma partilha anterior
‐ Existirem apenas legatários e não herdeiros (quando a herança é toda deferida em
legados)
‐ Nulidade do testamento
‐ Usucapião dos bens pretendidos partilhar – 2075º nº 2 C.C.
‐ Caducidade do Direito de Aceitar a herança; ‐ 2059º C.C

Qualquer destes fundamentos, vão exigir seguramente o debate e conhecimentos de


questões de Direito, que exigem uma profunda indagação e a remessa provável dos
interessados para os meios comuns.

A tramitação subsequente

Deduzida oposição (petição de oposição), são notificados do seu teor e para


lhe responderem, no prazo de 30 dias, os interessados com legitimidade para
intervir na questão suscitada.

Caso pretendam, apresentam articulado de resposta com as respetivas


provas, num único articulado.

Antes de proceder às provas existe uma audiência prévia, onde o juiz tenta resolver a
questão sem a necessidade de recolher provas e sem a necessidade de julgamento;

As provas são oferecidas logo com a petição inicial e com a resposta.

Produzida a prova, requerida pelos interessados ou a que for determinada


oficiosamente, o Juiz declara:

o Quais os factos que julga provados e quais os que não considera


provados;
o Analisa criticamente as provas;
o Estabelece as questões relevantes para o processo;
o Profere decisão 1105º nº 3e 607º nºs 3 e 4 CPC, sem prejuízo de poder
optar pela suspensão do processo e remessa dos interessados para os
meios comuns, nos termos do artigo 1092 e 1093º.

2‐ Incidente de impugnação da legitimidade dos interessados indicados


pelo Cabeça de Casal; ou,
‐ A competência do Cabeça e Casal
‐ A lei permite que qualquer dos interessados diretos impugne a sua
legitimidade ou a legitimidade dos outros interessados na partilha, ou, até,
que alegue a existência de outros interessados, ou impugne a legitimidade
do Cabeça de Casal;
‐ Que invoque quaisquer exceções dilatórias; V. artigo 576 e 577º do
NC.P.C. ‐ Prazo: 30 dias.

Tramitação subsequente‐ a mesma que para o processo de oposição.

2‐ A – Impugnação dos créditos e dívidas da herança


Os interessados deverão tomar posição sobre a não aprovação das dívidas nesta fase,
sob pena de as dívidas virem a ser aprovadas – art.1106, nº1.

3 ‐ Reclamação contra a relação de bens. 1104º nº 1, d) e 1105º nº 5 CPC

Este incidente pode ser deduzido por todos os interessados diretos, quer
pelo cônjuge meeiro, usufrutuário de parte da herança, os legatários e
donatários – 1104º nº 3, (estes no caso de herança legitimária), contra a
relação dos bens apresentados pelo Cabeça de Casal, e aí podem:
‐ Acusar a falta de bens,
‐ Arguir a exclusão dos bens indevidamente relacionados;
‐ Arguir qualquer inexatidão na descrição dos bens, que releve para a
partilha.

Prazo para a reclamação de 30 dias, a contar da citação

E se for deduzida alguma reclamação?

Sendo deduzida reclamação contra a relação de bens, e atendendo a que esta


foi elaborada pelo Cabeça de casal, este é notificado para no prazo de 30 dias
relacionar os bens em falta ou dizer o que se oferece sobre a matéria da
reclamação.

a) Se o cabeça de casal confessar a existência dos bens, procede


imediatamente, ou no prazo que lhe for concedido ao aditamento da relação
de bens inicialmente apresentada, notificando‐se os restantes interessados
da modificação efetuada;
b) Caso o Cabeça de Casal nada disser ou negar a sua existência, o juiz
ordena o prosseguimento do incidente com produção de prova. Produzida ou
analisada a prova, o Juiz declara:
‐ Quais os factos que julga provados e quais os que não considera
provados
‐ Analisa criticamente cada uma das provas;
‐ Estabelece as questões, que em seu entender são relevantes para o
processo;
‐ Profere uma decisão ‐ 1105º nº 3 e 607º nºs 3 e 4 CPC,
ou,
‐ Abstêm‐se de decidir e remete os interessados para os meios comuns, nos
casos previstos no artigo 1093º nº 1 e 1105º nº 5 CPC – neste caso o
processo prossegue os seus termos quanto aos demais bens da herança. –
1105º nº 5 CPC

Diz o artigo 1093º nº 1 CPC o seguinte:

1 — Se a questão não respeitar à admissibilidade do processo ou à


definição de direitos de interessados diretos na partilha, mas a
complexidade da matéria de facto subjacente à questão tornar
inconveniente a apreciação da mesma, por implicar redução das garantias
das partes, o juiz pode abster ‐se de a decidir e remeter os interessados
para os meios comuns.

Consequências da Decisão:

Na decisão o notário pode ordenar:


‐ Que seja relacionado os bens cuja falta foi reclamada;
‐ Ordenar a eliminação da relação dos bens cuja exclusão foi requerida, ou
ainda,
‐ Pode remeter os interessados para os meios comuns e neste caso, o
processo prossegue quanto aos restantes bens.

Sonegação de Bens – 1105º nº 4 CPC

Ocultação dos bens da herança por parte do cabeça de casal para se


aproveitar deles para si ou para outra pessoa;
Se vier a demonstra‐se que o Cabeça de casal ou outro qualquer herdeiro,
ocultou dolosamente bens da herança, com intenção de os
sonegar à partilha, poderá ser‐lhe aplicada a sanção de sonegação de bens
a que alude o artigo 2096º do C. Civil – 1105º nº 4 CPC.

AUDIÊNCIA PRÉVIA‐ 1109º CPC ‐ (Conferência prévia)

A audiência prévia de Interessados

Dispõe o artigo 1109º do CPC, que tem por epígrafe, Audiência Prévia de
interessados, que, o Juiz pode convocar uma audiência prévia, se o
considerar
conveniente, nomeadamente:

‐ Por se lhe afigurar possível a obtenção de acordo sobre a partilha;


‐ Por se lhe afigurar possível a obtenção de acordo acerca de alguma
ou algumas das questões controvertidas;
‐ Quando entenda útil ouvir pessoalmente os interessados sobre
alguma questão.

Já o artigo 1352º nº 1 do CPC de 1961, previa a existência de um despacho de


saneamento do processo de inventário antes de se convocar a realização da
conferência de interessados, ao determinar que: ‐ “Resolvidas as questões
suscitadas suscetíveis de influir na partilha, e determinados os bens a partilhar,
o juiz designa dia para a realização de uma conferência de interessados.”

Com idêntica redação e os mesmos objetivos, o artigo 47º nº 1 do RJPI,


impunha a existência de igual despacho saneador, em ordem a permitir a
resolução de questões pendentes no processo, antes de convocar a
conferência preparatória, e de modo a estabelecer certeza sobre os bens a
partilhar e os interessados por quem deveriam ser partilhados os bens.

Agora, com o novo regime do Processo de Inventário Judicial, aprovado pela


Lei 117/2019 de 13 de setembro, o legislador, procurando facilitar ou até evitar
o despacho saneador, institui a audiência prévia, como uma nova diligência
processual destinada a promover acordos com vista
à dilucidação de questões que ainda se mostram pendentes, que tenham sido
suscitadas em sede de oposição ou impugnações, ou mesmo com vista a um
acordo para eventual partilha. Vd. Artigo 1109º

Esta audiência assenta sobretudo, no princípio da cooperação, contraditório,


imediação e oralidade das partes, pressupondo a presença e intervenção ativa
de todos os interessados no inventário, por forma a colher opiniões ou posições
sobre o modo de resolução de questões que se impõe resolver no processo de
inventário, antes da convocação da conferência, ou ainda, em questões como a
obtenção de um acordo de partilha.

Fins da audiência prévia ‐ 1109º


‐ Mas esta audiência não é de convocação obrigatória;
‐ Será convocada, mediante despacho, se o Juiz o considerar
conveniente:
‐ Por se lhe afigurar possível a obtenção de acordo sobre a
partilha;
‐ Por se lhe afigurar possível a obtenção de acordo acerca de
alguma ou algumas das questões controvertidas;
‐ Quando entenda útil ouvir pessoalmente os interessados sobre
alguma questão.

Indicação do Objeto da Audiência

No despacho em que o Juiz convoca os interessados para a audiência prévia, o


juiz indica, sob pena de anulabilidade, o objeto da diligência e das matérias a
tratar, por forma a que os interessados possam preparar devidamente as
questões a debater em audiência, evitando o efeito surpresa das questões.

Produção de Prova e Decisão

Realizada a audiência prévia, mas persistindo a falta de acordo entre os


interessados sobre as questões controvertidas, o Juiz deve então proceder à
realização de diligências instrutórias (produção de prova)
que se lhe figurem necessárias, com vista a proferir uma decisão sobre os
incidentes de oposição e impugnação deduzidos.

Despacho Saneador 1110º


‐ Resolução de todas as questões pendentes;
‐ Forma à partilha

Mas para que seja convocada a Conferência de interessados, necessário se


torna que no processo de inventário, estejam já determinados os bens da
herança a partilhar, e se mostrem resolvidas todas as questões que tenham
sido suscitadas, e que sejam suscetíveis de influir na partilha,
nomeadamente no que concerne à quantificação e identidade dos
interessados na herança.

Por esse motivo, a marcação ou convocação da conferência de interessados é


precedida por um saneamento do processo, que vai permitir resolver todas as
questões que ainda estejam pendentes e que sejam suscetíveis de influir na
partilha.

É então que o Juiz, vai proferir despacho de saneamento do processo, e


nele vai:
‐ Resolver todas as questões suscetíveis de influir na partilha e na
determinação dos bens a partilhar; e,
‐Ordenar a notificação dos interessados e do M.P. que tenha intervenção
principal para, no prazo de 20 dias, proporem a forma à partilha.

A forma à Partilha

Definir as quotas ideias de cada interessado;


A forma à partilha ou Proposta de Partilha, é tida como uma peça processual
muito importante no processo de inventário, pois nela o advogado irá expender
e desenvolver uma gama de conhecimentos que envolve o direito da família,
regime de bens do casamento, parentesco, filiação, adoção, direito das
sucessões, validade dos testamentos,
colação, redução por inoficiosidade, imputação de liberalidades, indicando
concretamente no processo de inventário, como há de proceder à partilha.

Exemplo de uma Forma à Partilha (Por advogado)

EXMº SENHOR
JUIZ DE DIREITO DO TRIBUNAL JUDICIAL DE …

MARIA, casada, residente na Rua 1, freguesia de, desta comarca de


Paredes, Cabeça de Casal nos autos de inventário com sinais à margem,
tendo sido notificada nos termos e para os efeitos a que alude o disposto no
Art.º 1110º nº 1, alínea b) do C.P.C. vêm apresentar a sua forma à partilha,
que faz nos termos seguintes:
Nos presentes autos de inventário cumulados, procede‐se à partilha das
heranças abertas por óbito de Augusto e mulher Maria Barbosa, ocorridos
em 04 de Maio de 19 e 12 de Março de 20, respetivamente, no seu domicilio
sito no lugar de …., freguesia de……, comarca de Paredes, onde residiam e
de onde eram naturais, no estado de casados em primeiras e únicas núpcias
de ambos e sob o regime da comunhão geral de bens, sem doações ou
disposição equivalente, tendo a inventariada mulher deixado testamento
público outorgado no Cartório Notarial de Paredes em … de Outubro de 19..
e aí exarado de folhas 2.. vº do Livro 000, onde instituiu herdeiros da sua
quota disponível e em partes iguais, os seus filhos Fernando e Maria,
sucedendo‐lhes em vocação sucessória, ao marido a mulher e a ambos, os
cinco filhos do dissolvido casal, Maria, José Júlio, Fernando, Francisco e
Artur.
Não há passivo relacionado;
À partilha deverá dar‐se a seguinte forma:

Herança de Augusto
Soma‐se o valor dos bens descritos, em resultado da avaliação ou de acordo,
e o resultado assim obtido divide‐se em duas partes iguais; uma constitui a
meação do cônjuge sobrevivo Maria Barbosa e a ela se adjudica, a outra
constitui a meação do inventariado Augusto.
Esta última, corresponde ao valor da herança do inventariado Augusto, e
divide‐se em quatro partes iguais, para calculo do quinhão hereditário da sua
viúva, e que a ela se adjudica, sendo que as três quartas partes restantes,
dividem‐se por sua vez em cinco quinhões iguais, adjudicando‐se uma, a cada
um dos seus cinco filhos.
Herança de Maria Barbosa.
A sua herança, é composto pela sua meação, adida do quinhão hereditário que
lhe pertence na herança de seu decesso marido, e o total assim obtido divide‐
se por três, para calculo da sua quota disponível, adjudicando‐se metade desse
valor a cada um dos herdeiros testamentários Júlio e Maria, formando as
restantes duas terças partes, a respetiva legitima subjetiva dos herdeiros
legitimários, a qual se divide por sua vez em cinco partes iguais, por tantos
serem os filhos da inventariada.
O preenchimento dos quinhões de cada um dos interessados, deverá ser
feito em harmonia com o que ficar acordado na conferência, ou em resultado de
licitações, pagando os excedentários as tornas que se mostrem devidas.
O Advogado
Recebidas as Propostas de Partilha

Segue‐se Novo Despacho, pelo Juiz: (1110º nº 2 CPC)


‐ Despacho determinativo de Partilha;
‐ Designação do dia para a Conferência de Interessados

Findo o prazo de 20 dias para apresentação das propostas de partilha, o Juiz


profere novo despacho:
‐ Em que determina o modo como deve ser organizada a partilha, definindo
as quotas ideais de cada um dos interessados; (Determinativo de Partilha)
‐ Designa o dia para a realização da Conferência de interessados, indicando
os assuntos que vão ser objeto de deliberação pelos interessados.

Notificação ‐ 1110º nº 3

Os interessados diretos na partilha e os respetivos cônjuges, salvo se forem


casados em separação de bens, são notificados do teor do despacho, que
contém:
‐ Determinativo de Partilha
‐ Designação do dia e hora para a realização da Conferência;
‐ Indicação dos assuntos a submeter a Deliberação da Conferência.
‐ Advertência dos interessados para a obrigação de comparência pessoal,
ou de se fazerem representar por mandatário com poderes especiais ou
confiar o mandato a qualquer outro interessado, sob cominação de
pagamento de uma multa.

Adiamento da Conferência

A conferência pode ser adiada, por determinação do Juiz, ou, a requerimento


de qualquer interessado, por uma só vez, se faltar algum dos convocados e
houver razões para considerar viável o acordo sobre a composição dos
quinhões. 1110º nº 7.
Quem é notificado para a conferência
‐ São notificados para a conferência de interessados, com obrigação de
comparência pessoal:
‐ Os interessados diretos, e respetivos cônjuges, salvo se forem casados
sob o regime da separação de bens;
‐ O cônjuge do interessado casado sob o regime da separação de bens, se
dos bens a partilhar constar a casa de morada de família deste casal.
‐ O Curador especial;
‐ O Representante Legal dos Incapazes, tutor ou curador;
‐ O Ministério Público;
‐ Os credores da herança, e havendo herdeiro legitimários, os legatários e
donatários.

A aprovação dos créditos dá-se no despacho saneador, os credores da


herança são notificados para a conferência para determinar a forma de
pagamento destes!!

Art.1107º - os legatários e os donatários devem ser ouvidos em relação à


aprovação do passivo;

CONFERÊNCIA DE INTERESSADOS– artigo 1111º CPC


Durante toda a tramitação do processo, o Juiz vai proferindo decisões sobre
matérias controvertidas suscitadas no seu âmbito, de tal modo que, mostrando‐
se resolvidas as questões até então suscitadas que possam influir na partilha,
por exemplo, mostrando‐se acertados e identificados todos os interessados
concorrentes à herança, e determinados os bens objeto de partilha, o Juízo
deverá então convocar a conferência de interessados.
(mesmo que subsistam questões ainda não decididas mas que só podem ser
resolvidas por acordo de todos os interessados)

Mas o que é a conferência de interessados?

A Conferência consiste numa reunião de todos os interessados, presidida


pelo Juiz, e onde este deve incentivar os interessados a procurarem uma
solução amigável para a partilha, e sobre questões que lhe são
submetidas e que constituem o objeto da conferência.
A natureza mista do processo de inventário, confere às deliberações dos
interessados tomadas por unanimidade, a qualidade de verdadeiras
decisões, que o Juiz terá que respeitar em obediência aos princípios gerais de
direito.

À Conferência de Interessados compete assim deliberar sobre:


‐ A Composição de quinhões e seus valores; 1111º nº 2, a)
‐ Pedidos de adjudicação de Bens – 1115º
‐ Deliberação sobre o Passivo e forma do seu pagamento, 1111º
nº 3 e 1106º CPC, e
‐ Quaisquer outras questões que possam influenciar a partilha

A)‐ Composição dos quinhões hereditários,


Os interessados podem acordar por unanimidade que a composição dos
quinhões se realize numa das modalidades previstas nas alíneas a) e b) do nº 2
do artigo 1111º, ou seja, por um dos seguintes modos:

1‐ Designando as verbas que vão compor, no todo ou em parte, o quinhão de


cada um dos interessados e os valores por que são adjudicados;

2‐ Indicando as verbas ou lotes e respetivos valores, para que, no todo ou


em parte, sejam objeto de sorteio pelos interessados.

3‐ Acordar na venda total ou parcial dos bens da herança e na distribuição do


produto da alienação pelos diversos interessados.

O legislador pretende que os interessados cheguem a acordo


quanto à forma de modelar a composição dos seus interesses, designando as
verbas e respetivos valores porque serão adjudicadas em pagamento do seu
quinhão hereditário, procurando evitar os malefícios das licitações, de tal
modo que no início da conferência, o Juiz deve incentivar e aconselhar os
interessados a procurarem uma solução amigável para a partilha, mesmo que
parcial.. 1110º nº 1

Exemplos
Como se indica a composição dos quinhões:
Deliberam os interessados por unanimidade que cada um dos seus quinhões
sejam compostos pelas verbas e valores seguintes:
Verba nº 1, 2, 3 e 4, (móveis) serão adjudicadas à 7ª. interessada
Margarida S, pelo valor global de 10 698, 00 €
Verba nº 5 (móvel)Será adjudicada ao interessado Manuel, pelo valor de
1400,00 €
Verbas nºs 6 e 7, (móveis) serão adjudicadas à 7ª. interessada Margarida,
pelo valor global de 1330,00 €
Verbas nº 8 e 9, (imóveis) Serão adjudicadas à 7ª. interessada Margarida,
pelo valor global de 114.723,52 €.
Verba nº 10, (direito imobiliário) Será adjudicada em comum e na
proporção dos respetivos quinhões aos 1ºs a 6ªs
interessados Joaquim e Emília, no valor de 1500,00 €.
Verba nº 11, (móveis) Será adjudicada em comum e na proporção dos
respetivos quinhões aos 1ºs a 6ªs interessados, Joaquim e
Emília, no valor de 1100,00 €.

Partilha Parcial /Extinção da Instância – artigo 1112º nº 1 e 2 do CPC Tal


como o previam já o artigo 48º nº 6 do RJPI, e o atual artigo 1112º nº 1 e 2 do
CPC, refere que, quando da partilha efetuada por acordo entre todos os
interessados resulte o preenchimento do quinhão hereditário de
qualquer deles, o Juiz homologa a partilha, mesmo que seja parcial, se
considerar que não existem ou estão salvaguardados os eventuais direitos
de terceiros afetados por essa partilha.

Por esse motivo, foi proferido a determinativa de partilha no mesmo


despacho em que se convocou a conferência de interessados.

NB‐ Declaração de que prescindem do depósito das tornas por já as haver


recebido em mão, e delas dando quitação.

Ata da Conferência
Em caso de acordo, deve constar da ata da conferência de interessados:
‐ A forma de composição dos quinhões de cada um dos interessados, com
indicação das verbas e valores, para fins registais;
‐ A forma da partilha, para que se possa avaliar do valor do quinhão
hereditário de cada interessado e apurar os eventuais excessos decorrente
das adjudicações, para efeitos de liquidação de imposto do selo e de IMT.
A sentença homologatória determina a extinção da instância, devendo o
juiz fixar, mesmo que provisoriamente, o valor do processo de inventário e a
responsabilidade pelas custas dos interessados. 1112º nº 2 e 3 CPC

B) Pedido de adjudicação de Bens ‐ artigo 1113º nº 4 e 1115º do CPC.


(Super preferência) e 2103º‐A e B do C. Civil

1‐ Pedido de adjudicação de direitos indivisíveis

Dispõe o nº 1 do artigo 1115º do CPC o seguinte:


1 — Se estiverem relacionados bens indivisíveis de que algum dos
interessados seja comproprietário de, pelo menos, metade do respetivo valor e
se o seu direito se fundar em título que o exclua do inventário ou, se não
houver herdeiros legitimários, em doação ou legado do autor da herança, pode
esse interessado requerer que a parte relacionada lhe seja adjudicada.

Este pedido de adjudicação só pode ocorrer, desde que verificados


determinados pressupostos, enunciados no artigo 1115º do CPC.

Pressupostos para o pedido de adjudicação ‐ 1115º CPC

É necessária a verificação cumulativa dos pressupostos referidos no nº 1 do


artigo 1115º do CPC, nomeadamente:
‐ Que exista uma compropriedade entre o autor da herança e o herdeiro
adjudicatário;
‐ Que o bem comum, seja indivisível;
‐ Que esse direito comum, no caso de haver herdeiros legitimários, tenha
fundamento em título de transmissão que o exclua do inventário (Ex.
compra e venda, sucessão de pessoa diferente, troca ‐ ou seja, abrange
todas as formas de aquisição permitidas por lei, excetuadas apenas as que
promanem, de uma qualquer liberalidade do inventariado, tais como a
doação ou testamento.
‐ Que o herdeiro adjudicatário, tenha adquirido pelo menos metade do direito
de propriedade desse bem comum, i.e, se tenha tornado consorte de pelo
menos metade do valor.
‐ Que o consorte manifeste na conferência de interessados, e antes das
licitações, a vontade expressa de que pretende a adjudicação do bem
pertencente à herança.

Mas,

No caso de não existirem herdeiros legitimários, o título pode ser constituído


por qualquer liberalidade do autor da herança (note‐se que o pedido de
adjudicação previsto no artigo 1115° pode ocorrer em todas as partilhas, quer
existam ou não herdeiros legitimários. Ex. partilha entre sobrinhos ...)

Quando efectuar o pedido de Adjudicação.


Os pedidos de adjudicação devem ser efetuados na conferência de
interessados – 1115º nº 3.

Estão sujeitos aos limites estabelecidos para aquela forma de alienação (adjudicação),
ou seja:

‐ Estes pedidos de adjudicação ficam sujeitos à possibilidade de


avaliação prévia (1115º nº 4) bem como à questão da indivisibilidade;

Se até este momento, tal pedido de adjudicação não transparecer, a quota


parte da coisa descrita que é pertença da herança, poderá ser livremente
licitada na Conferência,

‐ Não sendo formulado pedido de adjudicação, entendendo ‐se neste caso


que o consorte prescindiu do seu direito, abrindo espaço para que aquele
direito possa ser licitado na Conferência.
Consequência do pedido de adjudicação ‐ Avaliação‐ 1115º nº 4; 467º e ss.
CPC

Face ao pedido de adjudicação, os restantes interessados são ouvidos sobre a


questão da indivisibilidade ou mesmo, sobre um eventual prejuízo causado pela
divisão, caso seja divisível, podendo qualquer dos interessados requer que se
proceda à avaliação do direito pertencente à herança, a fim de atualizar o seu
valor.

2‐ Pedido de Adjudicação de direitos preferenciais

Determina o artigo 2103º‐A do C.Civil que:


1‐ O cônjuge sobrevivo tem direito a ser encabeçado, no momento da partilha,
no direito de habitação da casa de morada de família e no direito de uso do
respectivo recheio, devendo tornas aos co‐herdeiros se o valor recebido
exceder o da sua parte sucessória e meação, se a houver.

Assim, os bens que a Lei prevê, possam ser preferencialmente atribuídos na


partilha ao cônjuge sobrevivo, são:

a) O direito de habitação da casa de morada de família e o direito


de uso do recheio da casa de morada de família – 2103º‐A e B do
C.C.

Estes direitos são atribuídos exclusivamente ao cônjuge sobrevivo e não a


qualquer outro herdeiro ou sucessível e devem ser exercidos no momento
da partilha, ou melhor, na conferência de interessados mas antes de
iniciadas as licitações, pois que uma vez aí chegados já os interessados
devem conhecer quais os bens que estão livres para serem licitados.

Só o cônjuge sobrevivo pode exercer esse direito e só ele pode


requerer/exigir a exclusão desses bens da licitação.

Este direito, deve ser exercido na conferência de interessados.


3 ‐ Pedido de adjudicação de: 1115º nº 2
‐ Quaisquer bens fungíveis;
‐ Títulos de Crédito;
‐ Valores mobiliários;
‐ Instrumentos Financeiros.

A adjudicação deve ser efetuada na proporção da quota do requerente, salvo


se a divisão em espécie puder acarretar prejuízo irreparável.

C) – Deliberação sobre o Passivo e forma do seu pagamento

Dispõe o nº 3 do artigo 1111º do CPC que:


Aos interessados compete ainda deliberar sobre o passivo e a forma do seu
pagamento, bem como, sobre a forma de cumprimento dos legados e demais
encargos da herança.

Compete assim aos interessados, em conferência, deliberarem sobre o


Passivo da herança, e forma do seu pagamento.

A propósito do passivo da herança, dispõe o artigo 2097º do C. Civil que " os bens da
herança indivisa respondem coletivamente pela satisfação dos respetivos encargos",
daí que, devem constar da relação de bens:
‐ Todos as dívidas da herança, quer estejam:
 Vencidas ou não vencidos,
 Sejam líquidas, ou ilíquidas;
 Sejam Exigíveis ou inexigíveis.

Na conferência, os interessados vão ser chamados a pronunciarem‐se sobre as


dívidas da herança que vão ser por eles reconhecidas e aprovadas ou não,
deliberando ainda sobre a forma do seu pagamento, em caso de aprovação.

De notar que, de acordo com o estabelecido no artigo 1107º do CPCV, se da


aprovação das dívidas da herança, pelos interessados diretos, resultar a
redução de legados ou a redução de liberalidades, compete
também aos legatários e aos donatários, deliberarem sobre o passivo e
forma do seu pagamento.

As normas que regulam a aprovação do passivo e do seu pagamento, estão


previstas no artigo 1106º do CPC, que dispõe:

Artigo 1106.º
Verificação do passivo
1 — As dívidas relacionadas que não hajam sido impugnadas pelos
interessados diretos consideram‐se reconhecidas, sem prejuízo do
disposto no n.º 2 do artigo 574.º, devendo a sentença homologatória da
partilha condenar no respetivo pagamento.
2 — Se houver interessados menores, maiores acompanhados ou
ausentes, o Ministério Público pode opor‐se ao seu reconhecimento
vinculante para os referidos interessados.
3 — Se todos os interessados se opuserem ao reconhecimento da dívida, o
juiz deve apreciar a sua existência e montante quando a questão puder ser
resolvida com segurança pelo exame dos documentos apresentados.
4 — Se houver divergências entre os interessados acerca do
reconhecimento da dívida, aplica‐se o disposto nos nºs 1 e 2 relativamente
à quota‐parte dos interessados que a não impugnem e quanto à parte
restante observa ‐se o disposto no número anterior.
5 — As dívidas vencidas, que hajam sido reconhecidas por todos os
interessados ou se mostrem judicialmente reconhecidas nos termos do n.º
3, devem ser pagas imediatamente, se o credor exigir o pagamento.
6 — Se não houver na herança dinheiro suficiente e se os interessados
não acordarem noutra forma de pagamento imediato, procede ‐se à
venda de bens para esse efeito, designando o juiz os que hão de ser
vendidos, quando não haja acordo entre os interessados.
6 — Se o credor quiser receber em pagamento os bens indicados para a
venda, são‐lhe os mesmos adjudicados pelo preço que se ajustar.

Aprovação da dívida:
1. A dívida é reconhecida pelos interessados, ou nada sendo dito pelos
interessados, no prazo de 30 dias a contar da citação, de acordo com a
al. e) do art.1104º, esta torna-se reconhecida;
2. No caso da dívida não ser reconhecida pelos interessados, pode o juiz
apreciar a sua existência através de documento comprovativo;

A‐ 1 – Dívidas aprovadas e reconhecidas por todos


Resulta do nº 1 do artigo em análise, que as dívidas relacionadas no
requerimento inicial, que não tenham sido impugnadas pelos interessados
diretos, consideram‐se reconhecidas, devendo a sentença homologatória,
condenar no respectivo pagamento.

De igual modo, existindo interessados menores, maiores acompanhados ou


ausentes, representados pelo Ministério Público, se este não se opuser ao seu
reconhecimento, em nome dos seus representados, ter‐se‐ão de igual modo
tais dívidas como reconhecidas.

Dado que a universalidade dos interessados, aprovou as dívidas da herança, o


juiz ao proferir a sentença homologatória, deve condenar os interessados que a
aprovaram no seu pagamento.

2 ‐ Dívidas rejeitadas por todos ‐ 1106º nº 3 (Por unanimidade)

Apesar de impugnadas e não aprovadas em conferência por todos os


interessados, pode o Juiz conhecer da sua existência, quando a
questão poder ser resolvida com segurança, pelo exame dos documentos
apresentados e aprová‐las.

Pretendeu‐se assim evitar a falta de aprovação de dívidas, por mero capricho


dos interessados, impondo‐se ao Juiz a obrigação de as verificar e aprovar ou
não, suportado apenas em prova documental e desde que o possa fazer com
segurança, i.e desde que não subsistam dúvidas.

As dívidas aprovadas pelo Juiz, apesar de rejeitadas pelos interessados,


também devem ser pagas, condenando o Juiz no seu pagamento, na sentença
homologatória de partilha.

3 ‐ As dívidas aprovadas por uns e rejeitado por outros (aprovação


parcial); 1106º nº 4.

Aplica‐se neste caso o regime previsto nos nºs 1 e 2 para os interessados que
as aprovaram, e o disposto no nº 3 para os interessados, que as
impugnaram e não aprovaram.
‐ Importante será referir que, a deliberação parcial de aprovação de dívidas,
embora vincule quem as aprova, não pode contudo afetar os demais
interessados que as não aprovaram.

B‐1 ‐ Pagamento das dívidas – 1106º nº 5 CPC

Uma coisa é a aprovação das dívidas, por falta de impugnação ou por


deliberação no sentido do reconhecimento e da aprovação das dívidas, outra, é
a forma de pagamento dessas dívidas..
a) Pagamento de dividas aprovadas por todos os interessados ou
reconhecidas judicialmente (pelo Juiz) – 1106º nº 1 e 2 CPC

1 ‐ Dividas vencidas – 1106 nº 5

As dívidas vencidas, reconhecidas por todos ou aprovadas pelo Juiz, devem


ser imediatamente pagas se o credor exigir o pagamento‐ 1106 nº 5.
‐ Se existir dinheiro suficiente na herança serão pagas as dividas com este
dinheiro.

• Se não existir dinheiro na herança podem os interessados acordar em


outa forma de pagamento imediato, por exemplo na adjudicação de
determinadas verbas da herança ao credor e com o seu consentimento.
• Não havendo dinheiro na herança e não tendo os interessados
acordado noutra forma de pagamento imediato, procede‐se à venda de bens
para esse efeito, designando o juiz os bens que deverão ser vendidos,
(q u a n d o não haja acordo entre os interessados para esse fim) ‐
podendo neste caso o credor pedir que lhe sejam adjudicados em
pagamento e pelo preço que se ajustar, os bens designados para venda
– Cfr 1106º nº 5 a 7 do CPC.
• Se apesar de a dívida estar vencida, o credor não pedir o seu
pagamento imediato, podem os interessados deliberar ‐ 2098° nº 2 do
C. CV:
‐ Que o pagamento da dívida se faça à custa de dinheiro ou outros
bens separados para o efeito;
‐ Que fique a cargo de algum ou alguns dos herdeiros, ou,
‐ Que a obrigação de pagamento fique atribuída a todos os
interessados na proporção das respetivas quotas.
Dívidas não vencidas
 São consideradas, como reconhecidas.
 São abatidas no ativo da herança
 São adjudicadas a todos os interessados na proporção dos respetivos quinhões
ficando cada herdeiro responsável pelo seu pagamento em função da sua quota
parte na herança.
 A sentença que julgue a partilha deve condenar no seu pagamento

b) Dividas não aprovadas por todos os interessados – 1106º nº 4

Sendo as dívidas aprovadas unicamente por alguns dos interessados, e não


reconhecidas pelo Juiz, compete a quem as aprovou deliberar sobre a forma de
pagamento, ainda que tal deliberação não afete os demais interessados, ou seja,
não podem deliberar na venda de um determinado bem da herança, pois que a sua
decisão iria afetar direitos dos demais interessados que a não aprovaram.

Em relação à deliberação de pagamento aos credores, por parte dos


interessados que aprovaram as dívidas, deve ser incluída e ordenada na sentença
homologatória a proferir pelo Juiz.

c) Dividas nãoaprovadas por todos, mas verificadas e reconhecidas


pelo Juiz

As dívidas impugnadas e não reconhecidas por todos os interessados, mas


reconhecidas pelo Juiz, devem ser pagas imediatamente se o credor exigir o seu
pagamento. 1106º nº 5

d) Dívidas não aprovadas por todos e não reconhecidas pelo Juiz ‐


Art.44°

Se a dívida não for aprovada por todos os herdeiros, ou não for reconhecida pelo
Juiz, não pode ser tomada em conta para efeitos de pagamento.
Tratando‐se de inventário com intervenção de legatários e ou donatários,
haverá que tomar em conta o preceituado no artigo 1107º, pois que, a
aprovação das dívidas deverá incluir os legatários e os donatários, e se não for
aprovada por todos nem reconhecido pelo Juiz, em nome dos que a não
aprovaram, tais dívidas não poderão ser consideradas na sentença.

D)‐ Deliberação sobre outras questões com interesse para a partilha

Embora o artigo 1111º do CPC na sua nova redação o não preveja


taxativamente, cremos que, à Conferência de Interessados estará sempre
reservada a tarefa de deliberar sobre quaisquer questões cuja resolução
possa influir na partilha e cuja decisão ainda não tenha sido tomada;

Desde logo, podem surgir na Conferência de Interessados, questões que


imponha necessidade de deliberação pelos interessados, e que se prendem
com questões, tais como:
 Constituição do regime jurídico da propriedade horizontal em prédio da
herança;
 Cumprimento pelo Cabeça de Casal, de contratos promessa celebrados
pelo inventariado;
 Constituição ou cessação de servidão;
 Divisão de prédios;
 A continuação do giro comercial ou industrial do inventariado;
 Permanência ou saída do sócio de sociedade de que o inventariado
fazia parte quando a lei estabeleça limitações de transmissibilidade;

Ainda na Conferência:
 Pedido de avaliação dos bens – art.1114º
 Incidente da inoficiosidade – art.1118º - verificação de
inoficiosidade (se a legítima de algum herdeiro foi ofendida)

AVALIAÇÃO DO BENS

Precedência da Avaliação (1114º do CPC)

Antes de iniciadas as licitações, e a fim de possibilitar uma repartição igualitária


e equitativa dos bens a partilhar pelos vários interessados na partilha, o
legislador faculta aos interessados o direito de requererem a avaliação dos
bens a partilhar, devendo para o efeito invocarem as razões que os levam a
não aceitar os valores que lhes foram atribuídos.
O pedido de avaliação, poderá ser requerido:

1‐ Em qualquer altura do processo, desde que seja após a citação dos


interessados e antes das licitações;

2‐ No pedido de adjudicação de bens, previsto no nº 4 do artigo 1115º do


CPC;

Perícia ‐ 1114º nº 3 e 474º e s.s. do CPC

A Avaliação dos bens, é em regra realizada por um só perito nomeado pelo


Tribunal e realizada no prazo de 30 dias.

Suspensão das licitações – 1114º nº 2

O Deferimento do requerimento de avaliação dos bens da herança suspende


as licitações até à fixação definitiva do valor dos bens.

Findas as avaliações e antes da abertura das licitações, poderá ainda


qualquer herdeiro legitimário, requer a Redução dos bens doados ou
legados, que considere inoficiosos. – 1118º nº 1 CPC

Do Apuramento da Inoficiosidade

Incidente de Inoficiosidade – 1118º

Atualmente, na conferência de interessados, os herdeiros legitimários apenas


poderão requerer a redução dos bens doados ou legados, que considerem
viciados por inoficiosidade.

Para o efeito devem fundamentar a sua pretensão e especificar os valores,


quer dos bens da herança, quer dos bens doados ou legados, que justifiquem a
pretendida redução.

Para apreciação do pedido formulado, serão ouvidos, tanto os demais


herdeiros legitimários como os donatários ou legatários, sobre a existência ou
não de inoficiosidade.

Avaliação
Para fundamentar a decisão a tomar no incidente deduzido, o Juiz,
oficiosamente ou a requerimento de qualquer das partes poderá determinar a
avaliação dos bens da herança e os bens doados ou legados, se ainda não
tiverem sido avaliados.

Decisão
Ouvidos os demais interessados, e efetuada a avaliação dos bens, o Juiz
profere Decisão sobre a existência ou inexistência de inoficiosidade e eventual
restituição de bens, no todo ou em parte ao património hereditário.

Consequência da Inoficiosidade – 1119º

Dispõe o artigo 2168º do C. Civil que, uma liberalidade entre vivos ou por
morte, será inoficiosa se ofender a legitima dos herdeiros legitimários.

Por sua vez refere o artigo 2169º do mesmo diploma que, “As liberalidades
inoficiosas são redutíveis, a requerimento dos herdeiros legitimários ou dos
seus sucessores, em tanto quanto for necessário para que a legítima seja
preenchida.

Da análise de ambos os preceitos, decorre que no processo de inventário, uma


vez apurados, o valor dos bens doados ou legados por recurso à avaliação, ou
o valor dos restantes bens da herança, por recurso ao acordo, à licitação ou
avaliação, deve o Juiz proferir Decisão, em que declare se uma liberalidade do
autor da herança é inoficiosa ou não.

Condenação em restituir – 1119º, nº 1

Se o Juiz decidir que a liberalidade é inoficiosa, por força do Requerimento


formalizado pelo herdeiro legitimário, deve ainda condenar o Requerido
(donatário ou legatário), na redução dos bens doados ou legados, de acordo
com as regras firmadas pelos artigos
2169º do C. Civil e 1119º do CPC, e tendo em devida consideração se o
bem é divisível ou indivisível.

Assim,

‐ Se o Juiz decidir que a liberalidade é inoficiosa, e se o bem for


divisível…

O Requerido (Donatário ou Legatário) é condenado a repor em


substância, a parte que afetar a legitima dos herdeiros legitimários,
podendo escolher, de entre os bens doados ou legados, os que forem,
necessários para preencher o valor a que tenha direito. Neste caso, poderá
haver licitação nos bens restituídos à herança, não podendo ser a ela
admitidos os donatários ou legatários.

‐ Se o bem inoficioso for indivisível, a decisão judicial condena o donatário ou


legatário:
‐ Na restituição da totalidade do bem, caso a redução exceda metade
do valor do bem, atribuindo‐se ao beneficiário da liberalidade o valor
pecuniário a que tenha direito receber. Neste caso abre‐se licitação
entre os herdeiros legitimários, sobre o bem restituído.
‐ Se a redução for inferior a metade do valor do bem, o donatário ou
legatário requerido, pode optar por repor à massa da herança, o valor do
excesso em dinheiro, conservando o bem doado ou legado.

Legislação:
ARTIGO 2173º C. Civil (Redução de liberalidades feitas em vida)

1. Se for necessário recorrer às liberalidades feitas em vida, começar‐se‐ á


pela última, no todo ou em parte; se isso não bastar, passar ‐se‐á à imediata;
e assim sucessivamente.
2. Havendo diversas liberalidades feitas no mesmo acto ou na mesma data,
a redução será feita entre elas rateadamente, salvo se alguma delas for
remuneratória, porque a essa é aplicável o disposto no nº 3 do artigo
anterior.
ARTIGO 2174º (Termos em que se efectua a redução)

1. Quando os bens legados ou doados são divisíveis, a redução faz‐se


separando deles a parte necessária para preencher a legítima.
2. Sendo os bens indivisíveis, se a importância da redução exceder metade
do valor dos bens, estes pertencem integralmente ao herdeiro legitimário, e
o legatário ou donatário haverá o resto em dinheiro; no caso contrário, os
bens pertencem integralmente ao legatário ou donatário, tendo este de
pagar em dinheiro ao herdeiro legitimário a importância da redução.
3. A reposição de aquilo que se despendeu gratuitamente a favor dos
herdeiros legitimários, em consequência da redução, é feita igualmente em
dinheiro.

LICITAÇÕES NA CONFERÊNCIA– 1113º CPC.

As Deliberações unânimes dos titulares do direito à herança, sobre a forma


de composição dos quinhões de cada um dos interessados, pode ter resultado
já, em determinadas adjudicações, tais como:

‐ Adjudicação de bens resultante de ACORDO:


Em que se designa as verbas que devem compor, no todo ou em parte, o
quinhão de cada um dos interessados e os respetivos valores.

‐ Adjudicação de bens em resultado de sorteio, ‐ (composição


dos quinhões, mediante a indicação das verbas ou dos lotes e respetivos
valores, que no todo ou em parte, sejam objeto de sorteio entre e pelos
interessados.

‐ Acordo quanto à distribuição do produto da venda dos bens da


herança (Acordo sobre a venda total ou parcial dos bens da herança e
distribuição do produto da alienação pelos diversos interessados.

‐ Adjudicação de bens indivisíveis tidos em compropriedade com


a herança – 1115º nº 1.
‐ Adjudicação na proporção da sua quota de bens fungíveis ou
títulos de crédito – 1115º nº 2.

‐ Adjudicação de direitos preferenciais ao cônjuge sobrevivo –


2103‐A e B do C. C.

‐ Adjudicação ao credor, de bens da herança para pagamento de


dívida vencida e não paga, mediante o acordo deste e por não haver da
herança dinheiro suficiente para o seu pagamento.

Existência de bens por Adjudicar:

‐ Mas, se por falta de acordo entre os interessados persistirem ainda bens, sem
adjudicação, o Juiz deverá determinar que, na mesma conferência, se proceda
a licitações nesses bens, para que venham a ser adjudicados ao licitante
que apresentar lanço de maior valor - 1113º nº 1

Determina o Artigo 1113º, que na falta de acordo entre os interessados,


procede‐se à abertura de licitações entre eles, sobre os bens da herança que
ainda não tenham sido objeto de adjudicação.

Estas licitações, tal como o previa já o artigo 1371º do nº 1 do CPC/61 tem a


estrutura de uma arrematação, sendo cada verba licitada de per si, e a que
somente são admitidos os interessados diretos na partilha, tendo por
consequência a adjudicação do bem ao interessado que houver licitado em
maior valor – 1113º 1, 2 e 3.

“A licitação é, grosso modo, a oferta por cada interessado de valores


sucessivamente mais elevados relativamente a bens integrados em
determinado património hereditário, para lhe ser adjudicado na partilha
judicial”
Acórdão do TRC de 11‐12‐2012, m Proc. 1145/04.3TBTMR.C1)

O sistema de preenchimento dos quinhões hereditários por recurso ao método


das licitações, funciona como uma alternativa à falta de acordo dos
interessados no preenchimento dos seus quinhões, mas traz consigo
vantagens e desvantagens,

Pelo lado das vantagens:


‐ Permite corrigir o valor das verbas a partilhar e, com o aumento do seu
valor, aumentar também o monte partível.

Pelo lado das desvantagens:

‐ Coloca nas mãos dos herdeiros economicamente mais favorecidos, os melhores


bens da herança e pelo preço mais favorável para eles.

Art.1116º - é possível aos restantes interessados opor-se ao excesso de licitação,


pedindo que lhe sejam adjudicados pelo valor resultante das licitações, até ao
limite do seu quinhão, isto é, o licitante vai escolher de entre os bens que licitou os
que preenchem o seu quinhão, sendo os restantes adjudicados a quem se opor ao
excesso, até ao limite das suas quotas.

Licitação / Adjudicação

Determina ainda o nº 4 do artigo 1120º do CPC que, no preenchimento dos


quinhões, aquando da elaboração do mapa de partilha, os bens licitados são
adjudicados ao respectivo licitante.

Tal significa que ao organizar o mapa de partilha, os bens licitados pelo


interessado que ofereceu melhor proposta em valor, vão ser‐lhe adjudicados,
ficando a pertencer‐lhe.

Quando se Realiza
A abertura de licitações tem lugar, na própria conferência de interessados‐ nº 1
do artigo 1113º CPC.

Bens excluídos da Licitação – 1113º nº 4

Mas a licitação não é admitida em todos os bens da herança.

Com efeito, a Lei processual no artigo 1113º nº 4, não estabelece qualquer


limite ao direito de licitar por parte dos interessados, mas exclui da licitação
certos bens da herança, dispondo o seguinte:

3‐ Estão excluídos da licitação os bens que, por força de lei ou de negócio,


não possam ser dela objeto, os que devam ser preferencialmente atribuídos
a certos interessados e ainda os que hajam sido objeto de pedido de
adjudicação.
Assim sendo, estão excluídos da licitação:

1‐ Os bens que por força da lei ou de negócio, não possam ser dela objeto
de licitação ‐ 1113º nº 4

2‐ Os bens que devam ser preferencialmente atribuídos a certos interessados ‐


2103º ‐A do C. C. ‐ 1113º nº 4

3‐ Os bens que hajam sido objeto do pedido de adjudicação ‐1113º nº 4 – casos


previstos no artigo 1115º, nº1 e 2.
1 ‐Bens excluídos de licitação, por força da Lei ou negócio?

Estão incluídos nos bens que não podem ser objeto de licitação, por força da lei
ou do negócio:
• As partes sociais de uma sociedade cujo pacto constitutivo estabeleceu
clausulas de limitação de transmissibilidade (a favor de certos
herdeiros).

• A quota social titulada pelo cônjuge do inventariado com quem foi


casado sob o regime da comunhão de bens. Apesar de bem comum não
pode ser licitada por pertencer ao cônjuge titular.

Ex.: A casado com B em regime comunhão geral de bens; constituem SQ, em


que A possui 75% e B 25%.
Se A falece, a quota de A e de B constituem acervo patrimonial da herança.
Na conferência de interessados a quota de 25% pode ir a licitações? Não, uma
vez que se encontra titulada no cônjuge sobrevivo, teria de se mudar o titular,
logo esta seria adjudicada a B para o seu quinhão hereditário.

• Dinheiro

• Bens doados e legados pelo autor da herança, no caso de existirem


herdeiros legitimários.

Os bens doados e legados pelo Autor da Herança, atualmente, e por força


1118º do CPC (comparar com os artigos 52º do RJPI e 1365º CPC/61) estão
excluídos da licitação, pois que, por efeito do contrato de doação ou da eficácia
do testamento, passaram a pertencer ao donatário ou legatário, e por isso
mesmo estão excluídos da licitação.

Contudo, estão sujeitos a conferência para efeito de verificação da


inoficiosidade das liberalidades praticadas pelo autor da herança.
2 ‐Bens que devam ser atribuídos preferencialmente a certos
interessados

Os bens que preferencialmente podem ser atribuídos na partilha ao cônjuge


sobrevivo, são o direito de habitação da casa de morada de família e o
direito de uso do recheio da casa de morada de família – 2103º‐A e B do
C.C.

Estes direitos são atribuídos exclusivamente ao cônjuge sobrevivo e não a


qualquer outro herdeiro ou sucessível e devem ser exercidos no momento da
partilha, ou melhor, antes de iniciadas as licitações.

Só o cônjuge pode exercer esse direito e só ele pode requerer/exigir a exclusão


desses bens da licitação.

Este direito, deve ser exercido no âmbito da conferência de interessados, pois


que uma vez chegados às licitações, os interessados devem
devem conhecer quais os bens que estão livres ou onerados por atribuições
preferenciais, para sobre eles poderem licitar.

3‐ Bens sujeitos a Pedido de adjudicação de bens – artigo 1364º

O pedido de adjudicação de bens, só será admitido perante coisas indivisíveis


pertencentes à herança de que o adjudicatário seja comproprietário com o
autor da herança, 1364º nº 1 e de coisas fungíveis e títulos de crédito.1364º nº
2

Quando deve ser efetuado o pedido de Adjudicação.

Os pedidos de adjudicação devem ser efetuados na conferência de


interessados e antes da abertura das licitações.

Se até este momento, tal pedido de adjudicação não transparecer, a quota


parte da coisa descrita que é pertença da herança, poderá ser livremente
licitada, entendendo‐se que o consorte prescindiu do seu direito.

Antes de iniciada a Conferência, já cada um dos interessados diretos tem


conhecimento do valor do quinhão hereditário que lhe cabe a si e aos
demais herdeiros no acervo hereditário.
Daí que, uma vez concluídas as licitações, cada interessado poderá
facilmente concluir, quem licitou em mais bens do que os necessários
para preencher o seu quinhão hereditário, podendo neste caso, os não
licitantes, deduzir Oposição ao Excesso de Licitação

Oposição ao Excesso de Licitação – 1116º

Determina o Artigo 1116º nº 1 do CPC, o seguinte:


1 ‐ Se algum dos interessados licitar numa pluralidade de verbas ou lotes cujo
valor, no seu conjunto, ultrapasse o necessário para o preenchimento da sua
quota, pode qualquer dos outros interessados
opor‐se ao excesso, requerendo que as verbas em excesso, ou algumas
delas lhe sejam adjudicadas pelo valor resultante da licitação, até ao limite
do seu quinhão.

Eliminação do anterior Mapa Informativo


Na redação anterior dos artigos 60º do RJPI e artigo 1377º do CPC/61, o excesso de
bens licitados, doados ou legados, resultado do mapa informativo que era notificado
aos interessados, dando‐lhe conta, da inoficiosidade dos bens doados ou legados e de
um eventual direito a tornas a pagar pelo licitante, podendo os demais interessados
escolher pelo preenchimento do seu quinhão com bens licitados em excesso mas pelo
valor da avaliação, ou escolher o pagamento das tornas.

Atualmente, foi eliminado o Mapa Informativo, e a Oposição ao excesso de Licitação,


surge‐nos como uma operação que se inclui ainda dentro da Conferência de
Interessados.

Composição do quinhão com bens licitados em excesso


Na oposição ao excesso de bens licitados ‐ 1116º CPC, o Oponente Requer:

‐ Que as verbas em excesso ou algumas delas lhe sejam adjudicadas


pelo valor resultante da licitação, até ao limite do seu quinhão.
‐ Cabe contudo ao licitante, o direito de escolher de entre as verbas ou lotes
em que licitou, as suficientes para o preenchimento da quota que lhe cabe
no património hereditário, de modo que, só poderão ser adjudicadas ao
Oponente do excesso, as verbas que o licitante não esteja interessado.
MAPA DA PARTILHA – Artigo 1120º (artigo 57º RJPI e 1373º CPC/61)

Adjudica-se tanto o ativo como o passivo!!

Enuncia o artigo 1120º nº 1 que, concluídas as diligências reguladas nas


secções anteriores, procede‐se à notificação dos interessados e do MP, para
no prazo de 20 dias, apresentarem a Proposta de Mapa de Partilha, da qual
constem os direitos de cada interessado e o modo de preenchimento dos seus
quinhões.

Concluída a Conferência de interessados, e tendo em vista o preenchimento


dos quinhões hereditários, nas várias modalidades possíveis de adjudicação, é
agora o momento de proceder à adjudicação desses mesmos bens aos
interessados mediante uma operação jurídica e aritmética denominada de
Operação de Partilha.

Para o efeito e após notificação, são ouvidos todos os interessados diretos,


para que apresentem a sua Proposta de Mapa de Partilha, ou seja, o seu
projeto de adjudicação dos bens da herança a cada um dos interessados, para
preenchimento do seu quinhão hereditário, apurado de acordo com o despacho
determinativo de partilha já anteriormente proferido pelo Juiz.

Questão de direito ‐ Constituição de advogado


Esta Proposta do Mapa de Partilha, constitui uma questão de direito, pelo que,
cremos que só os interessados diretos que tenham advogado constituído
poderão apresentar a sua proposta de mapa de partilha.
Despacho determinativo do Mapa de Partilha

Recebidas as várias Propostas de Mapa de Partilha (Prazo de 20 dias), e para


a eventualidade de existirem divergências entre elas, o juiz deverá soluciona‐
las proferindo um despacho a determinar o modo como deve ser elaborado o
mapa de partilha, pela secretaria.

Elaboração do Mapa – 1120º

Recebido o processo com o despacho determinativo do Mapa de Partilha, a


secretaria vai organizar o Mapa de Partilha, de harmonia com o mesmo
despacho do Juiz.

Sobre o mapa de partilha,


Refere o artigo1120º nº 3, que, para a formação do mapa:
‐ Determina‐se, em primeiro lugar, a importância total do ativo, somando os
valores de cada uma das espécies de bens, conforme o valor resultante das
avaliações ou licitações efetuadas;
‐ Ao ativo deduzem‐se as dívidas, legados e encargos que devam ser
abatidos.
‐ Após, determina‐se o montante da quota de cada interessado e a
parte que lhe corresponde, em cada espécie de bens.
‐ Por fim faz‐se o preenchimento de cada quota com referência às verbas ou
lotes ou bens relacionados.

No preenchimento dos quinhões ‐ 1120º nº 4, a) e b) CPC.


No mapa de partilha, o escrivão do processo deverá preencher o quinhão
hereditário de cada interessado com bens da herança, de
acordo com o que se mostra instituído nas alíneas a) e b) do nº 4 do citado
artigo 1120º, ou seja:
‐ Os bens licitados são adjudicados ao respectivo licitante e os bens doados
ou legados são adjudicados ao respectivo donatário ou legatário (não sendo
inoficiosos).
‐ A quota dos não conferentes ou não licitantes é integrada de acordo com o
disposto no artigo 1117º, o que significa que:
• Na falta de acordo sobre a composição dos quinhões dos
interessados não conferentes ou não licitantes, o Juiz determina a
formação de lotes que assegurem, que a todos os interessados,
são atribuídos bens da mesma espécie e natureza dos doados
ou licitados, procedendo‐se depois a sorteio entre os co‐
herdeiros.
• Não sendo possível dar cumprimento ao princípio igualitário, por
não haver bens da mesma espécie e natureza dos doados ou
licitados, os não conferentes ou não licitantes, são inteirados:
 Mediante sorteio entre vários lotes, devendo o juiz, ao
constituí‐los, procurar assegurar o maior equilíbrio possível
entre os mesmos.;
 Por adjudicação em comum, pelo juiz, dos bens sobrantes
aos interessados, na proporção do valor que lhes falta para
preenchimento dos seus quinhões.
 Os créditos que sejam litigiosos ou que não estejam
suficientemente comprovados e os bens que não tenham
valor são distribuídos proporcionalmente pelos interessados.

Sobre a natureza e espécie dos bens


TRC – Proc. 30/06.9TBOFR.C1 – Relator Freitas Neto – 08‐04‐2008
As espécies de bens são aquelas que vêm enunciadas no art.º 1345, nº 1 do
CPC: direitos de crédito, títulos de crédito, dinheiro, objetos de ouro, pratas e
pedras preciosas e semelhantes, outras coisas móveis e bens imóveis.
Dentro da mesma espécie podem então coexistir bens de natureza diferente,
isto é com uma função diferenciada, como será o caso evidente, na espécie
dos imóveis, dos prédios urbanos e rústicos [1].
Neste contexto, tendo em conta que foram licitados bens imóveis apenas de
natureza rústica, a verba não licitada, constituindo o único prédio urbano do
acervo hereditário a partilhar, só podia ser tomada como bem da mesma
espécie mas diferente natureza dos que foram licitados.

Reclamação contra o Mapa de Partilha – 1120º nº 5 CPC


Uma vez Organizado o Mapa de Partilha, de acordo com as indicações
constantes do despacho determinativo de Mapa de Partilha, o Juiz ordena a
notificação do Mapa de Partilha aos interessados, advertindo‐os de que, no
prazo de 10 dias, a contar da notificação, poderão requerer qualquer
rectificação ao mapa, ou reclamar contra qualquer irregularidade, verificado
no Mapa de Partilha – 1120º nº 5 (eventualmente por violação do despacho
determinativo de Partilha ou mesmo do despacho Determinativo do Mapa de
Partilha)

o As reclamações serão apreciadas pelo Juiz e por ele decididas no prazo


de 10 dias, sendo que, em consequência das decisões proferidas, serão
as modificações operadas introduzidas no mapa de partilha.
Crédito por Tornas; 1121º
Dispõe o artigo 1121º nº 1 do CPC que:
1‐ Os interessados aos quais caibam tornas são notificados para requerer a
composição dos seus quinhões por bens que não se mostrem adjudicados, ou
reclamar o pagamento das tornas.

‐ Ao elaborar o Mapa de partilha, a secretaria vai apurar se os interessados não


licitantes, terão ou não direito a receber tornas daqueles que licitaram em bens
de maior valor.

Neste caso, a secretaria notifica os interessados dando‐lhes conta que lhes


cabem tornas, e nessa circunstância poderão pedir tomar uma de duas opções:
‐ Requerer a composição dos seus quinhões por bens que não se
mostrem adjudicados; ou,
‐ Reclamar o pagamento de tornas que lhe são devidas.

Composição dos seus quinhões por bens que não se mostrem


adjudicados ‐ 1121º nº 1

Se tomarmos em consideração que os bens licitados são adjudicados ao


licitante de maior valor, tal significa que ao credor de tornas, não vai ser
possível requerer que lhe sejam adjudicados bens que tenham sido licitados,
doados ou legados, mas tão só, bens que não tenha sido adjudicado no
processo.

Reclamação depósito das tornas


Mas o credor de tornas, pode optar por reclamar o pagamento em dinheiro das
tornas que lhe são devidas, para pagamento do seu quinhão.

Neste caso:
‐ Será notificado o devedor das tornas, para as depositar no prazo que lhe
for concedido pelo Juiz..
‐ Se o devedor depositar as tornas, fica completo o quinhão do reclamante e
nada mais haverá a reclamar.
‐ Se o devedor das tornas não depositar as tornas no prazo devido, o credor,
após o trânsito em julgado da sentença homologatória da partilha, pode
pedir que, no próprio processo de inventário se proceda à venda dos bens
adjudicados ao devedor, até onde seja necessário para o seu pagamento.

Falta de reclamação das tornas

Mas o interessado com direito a tornas pode simplesmente não reclamar o seu
pagamento no processo.

Neste caso, cabe ao devedor de tornas procurar o credor para lhe efectuar o
pagamento em falta mediante recibo, sob pena de este após o transito da
sentença de partilha, poder registar hipoteca legal sobre os bens que lhe
foram adjudicados, com vencimento de juros à taxa legal, contados desde a
data da sentença homologatória até à data do integral pagamento.

Uma vez registada a hipoteca legal e não sendo pagas as tornas, o credor terá
de recorrer a ação executiva para pagamento de quantia
certa, oferecendo como título executivo a certidão do mapa de partilha e da
sentença de homologação, com transito em julgado – 1096º nº 1 CPC

SENTENÇA HOMOLOGATÓRIA DA PARTILHA – 1122º

Sentença
Recebido o processo, o Juiz, se for caso disso, decidirá as questões que lhe
possam ter sido colocadas pelo M.P. e uma vez transitado o seu despacho,
profere Sentença homologatória da partilha, que consta do Mapa.

Esta sentença constitui uma espécie de certificado de garantia que o juiz apõe
sobre o Mapa de Partilha, que reproduz o que se deliberou em conferência,
limitando‐.se a homologar a mesma partilha, fazendo expressa referência aos
nomes dos inventariados e inventariante, e condenado os interessados, no
pagamento do passivo que foi aprovado e nas custas do Processo.

Execução da Sentença de Partilha


Uma vez transitada em julgado a sentença homologatória de partilha, esta tem
força de caso julgado, dentro e fora do processo, como tal é exequível, já que
lhe é atribuída força de sentença condenatória, embora não se trate de uma
verdadeira ação de condenação.
Título Executivo
A este propósito o artigo 1096.º do CPC fala da Exequibilidade das
Certidões Extraídas dos Inventários, referindo que:
1 — As certidões extraídas dos processos de inventário valem como
título executivo, desde que contenham:
a) A identificação do inventário através da designação do inventariado e do
inventariante;
b) A relacionação dos bens que tiverem cabido ao interessado;
c) A indicação de que o interessado tem no processo a posição de herdeiro
ou legatário;
d) O teor da decisão da partilha na parte que se refira ao interessado, com a
menção de que a mesma transitou em julgado ou se encontra pendente de
recurso.
2 — A certidão destinada a provar a existência de um crédito deve conter a
identificação do inventário e o que consta do processo a respeito da
aprovação ou reconhecimento do crédito e da forma do seu pagamento.

Se o cabeça de casal ou o detentor dos bens da herança, não os entregarem


aos interessados a quem foram adjudicados na partilha, podem estes executar
a sentença, pedindo‐lhes a entrega dos bens que lhe pertencem.
‐ O mesmo poderá acontecer com a execução para pagamento de quantia
certa, proveniente de tornas.
‐ Poderá também o credor abrangido pela sentença, executá‐la contra o
interessado ou interessados condenados no pagamento do passivo,
tratando‐se então de execução comum para pagamento de quantia certa.

Incidentes deduzidos no Processo de Inventário (Judicial e Notarial)


Após transito da Sentença – 1126º

Alterações admitidas à partilha.


A sentença homologatória de Partilha, uma vez transitada em julgado, põe fim
ao processo de inventário, e em princípio, considera‐se aqui esgotado o poder
jurisdicional do Juiz – 613º CPC.

No caso de a sentença padecer de erros materiais, é possível, proceder à


emenda da partilha, nos seguintes termos:
a) ‐ Emenda da Partilha por acordo de todos os interessados – 1126º nº
1 CPC
Após o transito da decisão homologatória, a partilha pode ser emendada no
próprio processo de inventário por acordo de todos os interessados:
‐ Se tiver havido erro de facto na descrição ou qualificação dos bens, ou,
‐ Qualquer outro erro suscetível de viciar a vontade das partes – Vd artigo
247º C.C. que refere:
“Quando, em virtude de erro, a vontade declarada não corresponda à
vontade real do autor, a declaração negocial é anulável, desde que o
declaratório conhecesse ou não devesse ignorar a essencialidade, para o
declarante, dos elementos sobre que incidiu o erro.

Haverá erro de facto na descrição dos bens da herança, sempre que tenha sido
feita de forma a não corresponder à realidade.
Entende‐se como erro de qualificação toda a descrição deficiente que atinja as
características dos bens descritos.
b) ‐ Incidente para emenda da partilha, na falta de acordo , proposta
dentro de um ano a contar do conhecimento do erro – 1126º nº 2 CPC

Não existindo acordo entre os interessados para a emenda requerida, com


algum dos fundamentos suprarreferidos, o Interessado pode Requerer no
Próprio processo, a título incidental, que se proceda à requerida emenda da
partilha, desde que o faça, no prazo máximo de um ano a contar do
conhecimento do erro, e desde que o conhecimento também seja posterior à
decisão proferida

Anulação da sentença já transitada


Mas no processo de inventário, podem ocorrer lesão de direitos, determinados
por preterição de interessados diretos na partilha, e quando isso ocorrer, os
lesados, poderão lançar mão dos seguintes meios de defesa:
a) ‐ Recurso extraordinário de revisão – previsto no artigo 696º do CPC
b) ‐ Incidente de anulação da partilha, ‐ 1127º (que corre no próprio
processo)
Mesmo transitada em julgado a sentença que homologou a partilha, esta
pode vir a ser anulada, quer por via de Recurso Extraordinário de Revisão,
quer por via de incidente de anulação da partilha, que será suscitado no
próprio processo de inventário, desde que tenha havido preterição ou falta
de intervenção de algum dos co‐herdeiros e se mostre que os outros
interessados procederam com dolo ou má-fé, seja quanto à preterição seja
quanto ao modo como a partilha foi preparada. 1127º nº 1 e 2 CPC
Este pedido de anulação, constitui um incidente do próprio processo de
inventário – 1127º nº 2. – a que serão aplicadas as regras gerais dos incidentes
da instância.
Acórdão nº 006382 de Tribunal da Relação de Lisboa, 12 de Dezembro de 1996
I ‐ A anulação da partilha é apenas utilizável por co‐herdeiros preteridos ou que não
tenham tido intervenção após aquisição dessa qualidade, por dolo ou má‐fé dos
restantes herdeiros. II ‐ A preterição de herdeiro ocorre quando o cabeça‐de‐casal
deixa de indicar como tal alguém que tem essa qualidade, e dá‐se a falta de
intervenção quando, posteriormente às declarações do cabeça‐do‐casal, alguém
adquire a qualidade de herdeiro e não chegou a intervir no processo.
(citação edital – ausente)

Composição do quinhão ao herdeiro preterido

Contudo, nem todas as situações em que tenha ocorrido preterição de herdeiro,


dará lugar a um recurso extraordinário de revisão ou a um incidente de
anulação de partilha, é que, na eventualidade de a preterição não ter ocorrido
com dolo ou má fé dos restantes interessados, ou, no caso de o herdeiro
preterido preferir que o quinhão lhe seja composto em dinheiro, deverá este
requerer no próprio processo de inventário, que seja convocada a conferência
de interessados, para que seja determinado o montante do seu quinhão –
1128º nº 1.

Se os interessados não chegarem a acordo na determinação do quinhão


hereditário do herdeiro preterido, será esse montante estabelecido de acordo
com as regras das alíneas a) a c) do nº 2 do artigo 1128º

Novo Mapa de Partilha


Mas, uma vez fixada a importância a que o herdeiro tem direito, é organizado
um novo mapa de partilha, e o herdeiro preterido, pode requerer que os
restantes herdeiros devedores sejam notificados para realizarem o pagamento
do seu quinhão, sob pena de ficarem obrigados a compor‐lhe em bens a parte
respectiva, sem prejuízo, porém, das alienações já efetuadas. ‐ 1128º nº 4.

Partilha Adicional‐ 1129º e artigo 2122º do C. Civil


O preceito em análise refere‐se aos casos de omissão de bens da herança, por
forma a que partilha tenha sido feita partilha, sem que esses bens tenham sido
nela incluídos.
Sobre esta questão refere ainda o nº 1 do artigo 1129º nº 1CPC que:
“1‐ Quando se reconheça, depois de feita a partilha, que houve omissão de
alguns bens, procede‐se a partilha adicional no mesmo processo.

Determina por sua vez o artigo 2122º do C. Civil que “A omissão de bens
da herança não determina a nulidade da partilha, mas apenas a partilha
adicional dos bens omitidos.”

Decorre assim que a partilha adicional constitui uma nova partilha, uma
nova causa (Lopes Cardoso; Partilhas Judiciais II, pag.585) tendo de ser
praticados no processo todos os actos tendentes à concretização da nova
partilha, tais como, citação, reclamações contra a relação dos bens
omitidos, avaliação e partilha, que serão efetuados no mesmo processo
de inventário.

ACÓRDÃO TRC – 09/12/2014 – RELATOR – FALCÃO DE MAGALHÃES


III ‐ No caso de se vir a apurar, depois de transitada a sentença que no inventário
homologue a partilha, que outros bens existiam nesse acervo hereditário e que não
foram tidos em consideração nesse processo, tem de se proceder à partilha
adicional desses bens.
IV ‐ Esta partilha adicional não se funde com a partilha anteriormente efectuada,
embora seja complemento desta, que, acentue‐se, não vê a respectiva eficácia
ou
validade afectadas pela predita omissão (cfr. art.º 2122º do CC e art.º 1395, nº 1, do
CPC).
V ‐ Ao invés daquilo que sucede com o requerimento que dá início ao inventário,
onde o requerente, quanto aos bens a partilhar, só tem de referir a sua existência,
já no requerimento em que se pede a partilha adicional é óbvio que se terá de
indicar, porque é “conditio sine qua non” da sua relevância, os bens omitidos na
partilha homologada pela sentença transitada em julgado.
VI ‐ A exigência da indicação dos bens omitidos não significa que, no requerimento
em causa, se tenha de fazer uma rigorosa identificação daqueles bens, já que o
requerente pode não ter elementos bastantes para o efeito, sendo que, a confirmar‐
se a omissão, o que só pode suceder no decurso do incidente, a identificação
pormenorizada dos bens em causa pode ser alcançada quer por informação
complementar que o requerente venha a obter e a fornecer aos autos, quer pelas
declarações da cabeça de casal, quer, ainda, pelas diligências instrutórias que se
entenda ser de fazer.

RECURSOS
IMPUGNAÇÃO DAS DECISÕES PROFERIDAS NO PROCESSO DE
INVENTÁRIO
Aspetos Gerais
O processo civil (enquanto meio de composição de litígios) pode ser comum
ou especial. O processo especial aplica‐se aos casos expressamente
designados na lei; o processo comum é aplicável a todos os casos a que
não corresponda processo especial. – artº 546 do C.P.C.
O processo de inventário é um processo especial desde logo porquanto o
seu normativo se insere no “LIVRO V ‐Dos processos especiais” da
sistemática do Código e destina‐se a:
a) Fazer cessar a comunhão hereditária e proceder à partilha de bens;
b) Relacionar os bens que constituem objeto de sucessão e servir de base à
eventual liquidação da herança, sempre que não haja que realizar a partilha
da herança;
c) Partilhar bens em consequência da justificação da ausência;
d) Partilhar bens comuns do casal. – 1082º
O processo de inventário face ao artº 549º nº1 regula‐se pelas disposições
que lhes são próprias e pelas disposições gerais e comuns; em tudo o que
não estiver prevenido numas e noutras, observa‐se o que se acha
estabelecido para o processo comum.
As decisões judiciais, quando não sejam de mero expediente são
impugnáveis por via de recurso, quando admissível ou por via de
reclamação quanto à ilegalidade cometida, que, podendo constituir mera
irregularidade, por via de regra, afeta o ato com nulidade.
A prática de um ato que a lei não admita, bem como a omissão de um ato ou
de uma formalidade que a lei prescreva, só produzem nulidade quando a lei
o declare ou quando a irregularidade cometida possa influir no exame ou na
decisão da causa. – artº 195º.
O normativo especial regulador do Processo de Inventário não estabelece
disposições especiais para a impugnação de irregularidades ou nulidades
processuais, pelo que quanto a estas são as disposições gerais e comuns e,
o que se acha estabelecido para o processo comum, que se tem por
aplicável.
Já quanto a recursos prevê uma norma especial. O artigo 1123º ‐
Regime dos recursos estatui que:

1 ‐ Aplicam‐se ao processo de inventário as disposições gerais do processo


de declaração sobre a admissibilidade (629º, os efeitos (647º), a tramitação
e o julgamento (652º) dos recursos.
2 ‐ Cabe ainda apelação autónoma:
a) Da decisão sobre a competência, a nomeação ou a remoção do cabeça
de casal;
b) Das decisões de saneamento do processo e de determinação dos bens a
partilhar e da forma da partilha;
c) Da sentença homologatória da partilha.
3 ‐ O juiz pode atribuir efeito suspensivo do processo ao recurso interposto
nos termos da alínea b) do número anterior, se a questão a ser apreciada
puder afetar a utilidade prática das diligências que devam ser realizadas na
conferência de interessados.
4 ‐ São interpostos conjuntamente com a apelação referida na alínea b) do
n.º 2 os recursos em que se pretendam impugnar decisões proferidas até
esse momento, subindo todas elas em conjunto ao tribunal superior, em
separado dos autos principais.
5 ‐ São interpostos conjuntamente com a apelação referida na alínea c) do
n.º 2 os recursos em que se impugnem despachos posteriores à decisão de
saneamento do processo.

Por via de regra, das irregularidade e nulidades reclama‐se, e das decisões


recorre‐se!
Reclamar é impugnar junto do próprio órgão.
Ora a independência do juiz impõe‐se a ele próprio. A decisão por ele
proferida não pode ser alterada porque se esgotou o seu poder – cf artº
613º.
Reclamar de um despacho para o próprio juiz terá pois de se confinar a
erros materiais, suprimento de nulidades e reforma da sentença, nos termos
em que esta seja admitida.
Nulidades que podem ser coincidentes com a própria decisão e que assim a
afectam e, podendo elas próprias ser objeto de recurso, quando este não
possa ou não deva ocorrer, podem ser arguidas junto do próprio órgão que
proferiu a decisão.
Quando uma decisão se considera errada importa, pois, saber se ela admite
recurso.
É a questão da “admissibilidade” de Recurso
Antes de mais e quanto a esta questão importa ter‐se em conta que o
sistema admite recursos ordinários e extraordinários – artº627º nº2.
Os ordinários são os interpostos no caminho de obtenção da decisão
definitiva com eficácia de caso julgado.
Os extraordinários são a excepção. Visam a segurança e certeza do direito
(uniformização de jurisprudência) ou o alcance da “verdade jurídica”
preterida com o caso julgado.
O recurso extraordinário de revisão, cujos fundamentos encontramos no artº
696º merece no inventário, uma especial relevância que se não alicerça na
sua admissibilidade e tramitação propriamente dita, mas na norma
excepcional do artº 1127º.
Em caso de preterição ou falta de intervenção de algum dos co‐ herdeiros,
com dolo dos demais, pode a partilha ser impugnada e anulada, mesmo
após o trânsito, sem necessidade de recurso e pela via de simples incidente
ao processo.
O recurso ordinário só é admissível quando a causa tenha valor superior à
alçada do tribunal de que se recorre e a decisão impugnada seja
desfavorável ao recorrente em valor superior a metade da alçada desse
tribunal, atendendo‐se, em caso de fundada dúvida acerca do valor da
sucumbência, somente ao valor da causa.‐ artº 629º
Aqui, o valor da causa e o valor da sucumbência são cumulativos e relevam
não só quanto à sentença final, como para as decisões intercalares.
A sentença final não é necessariamente a sentença homologatória e como o
processo de inventário é prenho de incidentes nominados e inominados,
podemos nele encontrar várias sentenças intercalares.
De facto, diz‐se «sentença» o ato pelo qual o juiz decide a causa principal
ou algum incidente que apresente a estrutura de uma causa. – artº 152º nº2
A recorribilidade é sempre a regra. Todas as sentenças admitem recurso. Só
não admitem recurso os despachos de mero expediente nem os proferidos
no uso legal de um poder discricionário. – artº 630º ‐ daí que até mesmo as
regras da alçada e da sucumbência são especialidades que logo admitem
exceções – artº 629º nº 2 e 3
Mas as impugnações têm sempre um momento e um tempo para serem
deduzidas.
Os recursos ordinários são apelações.
Hoje não se fala em agravos.
As reclamações como supra se disse, dirigidas à entidade que proferiu a
decisão, por via de regra são tramitadas no processo, por mero
requerimento e no prazo geral de 10 dias.
As impugnações (RECURSOS) por apelação dirigidas ao Tribunal Superior
(embora endereçadas ao Juiz recorrido) têm prazos e momentos para serem
deduzidas. E, com o requerimento de interposição terão de ser logo
apresentadas as motivações com as respetivas conclusões e demais
requisitos, nomeadamente os tributários.

Temos apelações autónomas e dependentes.


As apelações autónomas são sempre deduzidas após a notificação da
decisão de que se recorre e no prazo de 30 dias.‐ artº 638. (Não se
confunda o momento da interposição como o momento da subida.)
Já das outras apelações, v.g., os despachos não taxados como apelações
autónomas, só terão interesse relevante para a decisão final ou em função
dela.
Se a apelação autónoma correspondente ao processo ou incidente tiver de
ser interposta, é neste recurso que serão integradas as impugnações dos
despachos desfavoráveis ao recorrente.
No requerimento de interposição serão também indicados os despachos que
se impugnam e à motivação e conclusões dessa apelação serão levadas
também as razões da discordância.
Se a decisão final for favorável e como tal não justificar o recurso de
apelação autónoma, poderá ocorrer que com isso ainda haja utilidade na
impugnação da ou das decisões intercalares. Nesta ocorrência, o apelante,
deve aguardar o trânsito da apelação autónoma.
Se houver recurso da apelação autónoma pela parte contrária, o recorrido
pode na sua contra alegação ampliar o âmbito do recurso forçando a
apreciação das decisões intercalares – artº 636º . Caso não haja recurso e
logo, transitada a decisão final, as decisões interlocutórias que tenham
interesse para o apelante independentemente daquela decisão podem ainda
ser impugnadas num recurso único, a interpor – 644º ‐4.
O prazo para esta apelação pós trânsito é o prazo geral e conta‐se a partir
do trânsito da decisão final.

Recursos no Processo de Inventário


No processo de inventário admite‐se apelação autónoma, em todas as
situações em que é admitido recurso de apelação nos termos gerais, isto
é, as elencadas no artigo 644º nos 1 e 2, e nos casos especiais do artº
1123º nº2

Temos, pois, que na especialidade do inventário, não há restrições à


impugnação das decisões e que os recursos de apelação autónoma são até
ampliados no seu elenco a situações incidentais que poderiam não serem
consideradas como “incidente processado autonomamente”!
De facto, as decisões aludidas nas alíneas a) e b) do nº2 do artº 1123º
extremamente relevantes na tramitação e no apuramento do direito, não
deveriam ser consideradas como incidentes autónomos e acabariam
relegados para a subsidiariedade das demais impugnações.
A inovação do regime de recursos prende‐se com a especialidade de
ampliação do poder do juiz na fixação do efeito suspensivo – artº 1123º nº3
– com o momento da interposição, a ocasião e forma de subida. – artº 1123
nos 4 e 5.

Hoje os recursos não têm subida deferida.


Quando são de apelação sobem nos próprios autos ou em separado e
têm efeito suspensivo do processo ou da decisão.
Assim, só se pode falar em momento da subida, quanto à impugnação das
decisões que não constituam apelações autónomas.
É a estes recursos que não constituem apelações autónomas que se
reportam os nos 4 e 5 do artº 1123º
Se ao tempo do decreto‐lei n.º 329‐A/95, de 12 de Dezembro e nos
termos do artº 1396º então vigente, o regime de recurso era o dos
processos ordinário ou sumário, sendo que no processo ordinário subiam,
conjuntamente ao tribunal superior, em separado dos autos principais e no
momento em que se convocasse a conferência de interessados, os agravos
interpostos até esse momento.
Posteriormente com Decreto‐Lei n.º 303/2007, de 24 de Agosto cabia
recurso da sentença homologatória da partilha, das situações previstas no
n.º 2 do artigo 691.º sendo que as decisões interlocutórias proferidas eram
impugnadas no recurso que viesse a ser interposto da sentença de partilha.
Já após o CPC aprovado pela Lei n.º 41/2013, de 26‐06 o regime dos
recursos ali constante passou a aplicar‐se a todas as decisões proferidas
após 01‐09‐2013, independentemente da data da propositura da ação, pelo
que a referência ao nº2 do artº 691 do artº 1396º que se manteve em vigor
passou ao ainda atual artº 644º, que, como supra se viu se mostrava
inadequado no que concerne a incidentes importantes integrados na
tramitação do inventário.

No novo regime do processo de Inventário judicial, aprovado pela Lei


117/2019 de 13 de Setembro o legislador não visou alterar o que já
considerava apelação autónoma, estendendo‐a mesmo a novas
situações, e visou ainda permitir que as decisões intercalares pudessem ser
sindicadas nos momentos em que anteriormente ao Decreto‐Lei n.º
303/2007, de 24 de Agosto, o poderiam ser se tivessem sido agravadas.
Temos, pois, que actualmente o inventário judicial admite recurso de
apelação nas decisões que resultam da conjugação dos artos 644º e
1123º
Assim, Cabe recurso:
1) Da decisão que ponha termo à causa ou a procedimento cautelar ou
incidente processado autonomamente – artº 644‐1‐a) ex vi do artº 1123º nº1
O que é dizer, cabe recurso de apelação do despacho que não admite ou
ponha termo a incidentes da instância assim legalmente qualificados e
regulados pelo Código de Processo Civil ‐ artºs 302 a 380º ‐A/ artºs 292º a
361º ‐ ( a verificação do valor da causa, intervenção principal, espontânea ou
provocada, intervenção acessória, provocada e do MºPº, assistência,
oposição espontânea, provocada ou mediante embargos de terceiro,
habilitação e liquidação, falsidade de documentos – art. 544º e sgs/ artºs
444º e sgs; falsidade de acto judicial – art. 551º‐A/451º; prestação de caução
– artºs. 696º e 697º; e suspeição – 126º e sgs / artº 119º e sgs )
Cabe recurso:

2) Da decisão sobre a competência, a nomeação ou a remoção do cabeça


de casal – 1123º nº2 a)
3) Das decisões de saneamento do processo e de determinação dos
bens a partilhar e da forma da partilha– 1123º nº2 b) e 644º nº1
4) Da decisão que aprecie o impedimento do juiz ‐ artº 644‐2‐a) ex vi do artº
1123º nº1
5) Da decisão que aprecie a competência absoluta do tribunal ‐ artº
644‐2‐b) ex vi do artº 1123º nº1
6) Da decisão que decrete a suspensão da instância ‐ artº 644‐2‐c) ex vi do
artº 1123º nº1
7) Do despacho de admissão ou rejeição de algum articulado ou meio de
prova ‐ artº 644‐2‐d) ex vi do artº 1123º nº1
8) Da decisão que condene em multa ou comine outra sanção
processual ‐ artº 644‐2‐e) ex vi do artº 1123º nº1
9) Da decisão que ordene o cancelamento de qualquer registo‐ artº
644‐2‐f) ex vi do artº 1123º nº1
10) Da sentença homologatória da partilha‐ artº 1123º nº2 c)
11) De decisão proferida depois da decisão final‐ artº 644‐2‐g) ex vi do artº
1123º nº1
12) Das decisões cuja impugnação com o recurso da decisão final seria
absolutamente inútil‐ artº 644‐2‐h) ex vi do artº 1123º nº1

Prazo e efeitos do Recurso


Para todas estas situações dever‐se‐á ter em conta que o recurso deve ser
interposto no prazo geral de 30 dias e que para as situações anotadas como
integrando o artº 644º nº2 este prazo é reduzido a 15 dias – artº 638º
No requerimento de interposição deverá definir‐se o recurso, como ordinário
e de apelação, apontar‐se o efeito, como devolutivo ou suspensivo, e o
modo de subida nos próprios autos ou em separado. – artº 637º
Para a definição do modo de subida atender‐se‐á às circunstâncias
estabelecidas no artº 645º ‐
Com subida em separado indicam‐se as peças que se entendem
necessárias à instrução do apenso – artº 646º
Para o apontamento do efeito a fixar importa ter‐se em conta o disposto no
artº 647º. Tratando‐se de situação a integrar no nº1 do artº 647º haverá que
ter em conta o nº4 deste preceito permite que o recorrente requeira, ao
interpor o recurso, que a apelação tenha efeito suspensivo
e que o juiz pode atribuir efeito suspensivo do processo ao recurso
interposto sobre as decisões de saneamento do processo e de determinação
dos bens a partilhar e da forma da partilha, se a questão a ser apreciada
puder afetar a utilidade prática das diligências que devam ser realizadas na
conferência de interessados. – artº 1123º nº3.
Quaisquer outras decisões proferidas e que se não integrem no elenco das
12 supra referidas não são suscetíveis de apelação autónoma, o que não
significa que não possam ser sindicadas pela via de recurso.
A parte terá de aguardar o despacho saneador a que alude o artº 1110º
para, em recurso de apelação que sobre ele venha a interpor, aí impugnar
as questões pretéritas.
São as regras deste recurso de apelação que se aplicam; subindo todas elas
em conjunto ao tribunal superior, em separado dos autos principais.
Caso não interponha esse recurso as questões têm‐se por definitivamente
resolvidas e precludidas, pelo que já não poderão ser impugnadas com o
recurso da sentença final. – artº 1123º nº4
Caso a decisão de que se discorda ocorra após o saneamento a parte terá
de aguardar a sentença homologatória – artº 1123º nº 5
Poderá aqui ocorrer que a parte se conforme com a sentença, mas que
independentemente desta, mantenha interesse em impugnar decisões
intercalares. A natureza especial do regime, não afasta o regime geral.
Nesta situação ainda se justifica o funcionamento do artº 644º nº4.

Custas do Processo de Inventário


Ao proferir sentença homologatória de Partilha, o Juiz deverá condenar os
interessados no pagamento das custas do Processo, nos termos das
disposições combinadas pelos artigos 607º nº 6 e 1130º do CPC:
As custas do Processo de Inventário Judicial, são liquidadas e apuradas de
acordo com O Regulamento das Custas Processuais.
Já as Custas do Processo de Inventário Notarial, serão liquidadas e
apuradas, de acordo com as normas dos artigos 15º a 24º da Portaria nº
278/2013 de 23 de Agosto, na sua redacção actualizada.

Partilha de Bens em casos especiais – 1131º e s.s.


a) ‐ Inventário em consequência de Justificação de Ausência – artº
1131º e 1132º
b) ‐ Inventário em consequência de separação, divórcio, declaração de
nulidade ou anulação do casamento. – 1133º e 1134º
c) ‐ Processo para separação de bens em casos especiais. – ( mais
conhecido por processo para separação de meações ) – 1135º

O legislador regula ainda as adaptações a introduzir no processo de


inventário quando ele se destine a atribuir bens a curadores definitivos (na
sequência da justificação da ausência) ou quando se destine a partilhar
património conjugal.

Regime do Inventário Notarial


(Artº 2º da Lei 117/2019 de 13 de Setembro)
Competência do Cartório Notarial
Lista Actualizada – artº 1º nº 1
Em ordem a permitir aos operadores judiciários uma correcta identificação
dos Cartórios Notarias disponíveis, para continuarem a tramitar os
processos de inventário após o dia 01 de Janeiro de 2020, o artigo 1º do RIN
determina, que a Ordem dos Notários publique uma lista actualizada dos
Cartórios que pretendem vir a processar os processos de inventário.

Competência Territorial dos Cartórios Notariais ‐ artº 1º nº 2


No âmbito da competência concorrente estabelecida pelo nº 2 do artigo
1083º, o Regime do Inventário Notarial (RIN), no nº 2 do seu artigo 1º, vem
definir os limites e pressupostos que definem a competência territorial dos
Cartórios Notariais, estabelecendo a necessidade de existir uma conexão
relevante com a partilha, em função:
‐ Do local de abertura da sucessão;
‐ Da situação da maior parte dos imóveis, do estabelecimento comercial que
integrem a herança; ou,
‐ da residência da maior parte dos interessados directos na partilha.

Impedimentos e Suspeições do Notário ‐ artº 1º nº 3


‐ Em matéria de impedimentos e suspeições do Notário, á‐lhe aplicável
subsidiariamente o regime dos impedimentos – (115º CPC) e suspeições
– (119º do CPC) – previstas para o Juiz.

Impedimento ou indisponibilidade do Cartório – 1º nº 4


‐ Em caso de impedimento ou indisponibilidade do Cartório, os interessados
podem optar pela instauração do processo em Cartório sediado em
Circunscrição confinantes ou próximas daquela.

Tramitação do Processo – artigo 2º


Regime aplicável
Determina o Artigo 2º, nº 1 do RIN, que, “ É aplicável ao processo de
inventário que possa decorrer perante o cartório notarial o regime
estabelecido no titulo XVI do Livro V do Código de Processo Civil, ou
seja, é aplicável o regime do Processo de Inventário Judicial, instituído pela
Lei 117/2019 de 13 de Setembro, recodificado nos artigos 1082º a 1135º do
CPC, com as necessárias adaptações.

Aplicação da Portaria 278/2013 de 26 de Agosto


Meios electrónicos
Ao processo de inventário Notarial, será aplicável em matéria de
apresentação do requerimento inicial e do requerimento de oposição e
outros actos subsequentes, a utilização dos meios electrónios previstos na
Portaria 278/2013,

Competência para a prática dos actos


Ao notário compete realizar todos as diligências do processo, sem prejuízo
dos casos em que os interessados devam ser remetidos para os meios
judiciais. – artº 2º nº 3.

Actos da Competência do Tribunal


Compete ao tribunal de comarca da circunscrição judicial da área do cartório
notarial, praticar os actos que caibam ao juiz, bem como apreciar os
recursos interpostos de decisões do notário.

Em matéria de custas,
Tanto as Normas Transitórias como as normas do Regime do Inventário
Notarial, parecem ser omissas no que refere ao regime de custas, pois que,
sendo‐lhe aplicável o artigo 1130º ‐ Responsabilidade pelas custas, tal
preceito se refere apenas à fixação da responsabilidade dos interessados e
legatários, e não à liquidação e apuramento das custas devidas no
Inventário Notarial.
Sobre esta matéria, haverá que considerar que a Portaria 278/2013 de 26 de
Agosto, não foi revogada, como aconteceu com a Lei nº 23/2013 de 26 de
Agosto e que o Regime do Inventário Notarial ( RIN) no seu artigo 2º nº 2 ,
dispõe que:
“ A apresentação do requerimento inicial do inventário, da eventual
oposição, bem como de todos os actos subsequentes deve realizar‐se ,
sempre que possível, através de meios electrónicos, nos termos da Portaria
nº 278/2013 de 26 de Agosto, na sua redacção actual.”
Cremos que este preceito não pretende referir‐se apenas ao envio do
requerimento inicial e de oposição, mas que a tramitação de todos os actos
e termos do processo, se devem realizar‐se de acordo com estabelecido na
Portaria 278/2013 de 26 de Agosto, com a actualização que lhe foi conferida
pela Portaria nº 46/ 2015 de 23 de Fevereiro.
Daí que, o regime de tributação do processo de inventário notarial (RIN),
nomeadamente em matéria de custas, terá que reger‐se pela Portaria
278/2013, pois que as custas judiciais, não incluem os honorários notariais,
e estes, só estão previstos nos artigos 15º a 24º da mesma Portaria.

As custas do Processo de Inventário no RIN


Sobre a matéria de custas do Processo de Inventário, e atendendo a que por
força do artº 2º nº 1 do RIN, será aplicável aos processo de inventário
instaurados nos Cartórios Notariais o regime Jurídico do Processo de
Inventário Judicial estabelecido no Titulo XVI do Livro V do CPC, será
aplicado o disposto no artigo 1130º do CPC, mediante o qual o Juiz, ao
homologar por sentença o Mapa de Partilha, condenará os interessados no
pagamento das custas que forem devidas, na proporção do que tenham
recebido.

Verdade porém, é que num e noutro processo a liquidação das custas não é
efectuada de igual modo.
No Processo de Inventário Judicial as custas finais serão calculadas de
acordo com o Regulamentos das Custas Processuais, enquanto que, no
Inventário Notarial, as Custas, serão apuradas de acordo com o que se
encontra já estabelecido na Portaria 278/2013 de 26 de Agosto e 46/2015 de
23 de Fevereiro, concretamente nos seus artigos 15º a 24º .

Segundo o Artigo 15º da referida Portaria as custas do processo de


inventário Notarial, abrangem: ‐,:
A) ‐ Os honorários notariais e,
B) ‐ As despesas do processo (artigo 15º da Portaria nº 278/2013, de 26 de
Agosto – 46/2015),
A ‐HONORÁRIO NOTARIAIS ( RIN)
O artigo 18º da Portaria, diferencia a matéria dos honorários devidos ao
notário, entre:
1‐ Honorários notariais devidos pelo processo
2‐ Honorários notariais devidos pelos incidentes.

A‐1‐Honorários Notariais devidos pelo processo


‐ Os valores de honorários devidos pelos processos de inventário são os
previstos nos Anexo I à Portaria 278/2013 – 46/2015. – ( artº 18º nº2 e 6,
19º,nº1º1, a) a c). e,
São devidos conjuntamente por todos os interessados, nos termos do artigo
19º, nº 1 e 2.
‐ São pagos em três prestações: 18º nº 6, a), b) e c). – acrescidas de IVA
– 19º e 20º
1º‐ Prestação – Devida na sua totalidade pelo Requerente.
‐ Devida com a presentação do requerimento, no valor de metade dos
honorários devidos, tendo em consideração o valor do inventário indicado.
‐ Nos casos em que o requerimento é apresentado por via electrónica, o
pagamento é feito através da referência multibanco, no prazo de 10 dias
após ter sido gerado. 20º nº 1 , alínea a) Portaria.
‐ Nos casos em que o pedido é apresentado em papel no Cartório ( pelo
interessado) o pagamento pode ser feito ao Notário, por referência
multibanco gerada, no prazo de 10 dias após a geração… 20º nº 1 alinea b)
2º Prestação – É devida por todos os interessados em igual percentagem,
(excepto pelo requerente)
‐ Nos 10 dias posteriores à notificação para a conferência preparatória, no
valor da diferença entre o montante dos honorários devidos em função do
valor do inventário eventualmente corrigido nesse momento, e o montante já
pago com a 1º prestação. 20º,
Nota: cada interessado, além do requerente, paga até ao valor pago por este
a titulo de 1ª prestação, sendo o remanescente pago por todos em partes
iguais, incluindo o requerente.
3º Prestação – Quando exista, é da responsabilidade de todos os
interessados, na proporção e nos termos previstos no artigo 67º do RJPI, É
devida, nos 10 dias posteriores à notificação pelo notário para o efeito, após
a decisão homologatória da partilha pelo juiz, no valor da diferença entre o
montante devido a titulo de honorários finais Anexo I, Coluna A ou B, com ou
sem agravamento fixado pelo juiz, e o montante já pago nas duas
prestações anteriores. 18º nº 6, alínea c) e 19º nº 1, alínea c) e … 20º nº 3

A‐2‐Honorários notariais devidos pelo incidente


‐ Os valores de honorários pelo incidentes, são os previstos no Anexo II à
Portaria 278/2013 – 46/2015 ‐. artº 18º nº 3, 5, 9 e 10, a) e b),
São devidos por cada um dos interessados que tiver intervenção no
incidente (quem do processo tirou proveito) e dividem‐se em :
‐ Honorários de valor fixo – 18º nº 9, a) e b) – 1º e 2º Prestações.

1º Prestação – devida no momento da primeira intervenção do interessado


no incidente, no valor de metade dos honorários, ou seja, 102,00 € ou
204,00 € acrescido de IVA à taxa legal.
2º Prestação – devida nos 10 dias posteriores à notificação pelo Notário para
o efeito, após a decisão do incidente, no valor idêntico ao da primeira
prestação, ou seja, 102,00 € ou 204,00 €, acrescido de IVA.

‐ Honorários de valor variável – 18º nº 5 e nº 10, a) e b) – fixados pelos


notário na decisão do incidente – e pagos em 1º e 2º prestações: ( nºs 11 a
15)
1º Prestação ‐ devida no momento da primeira intervenção do interessado
no incidente, no valor mínimo estabelecido na coluna A, para o incidente em
causa. ou seja, 51,00 € acrescido de IVA à taxa legal..
2º Prestação – devida nos 10 dias posteriores à notificação pelo Notário para
o efeito, após a decisão do incidente, no valor da diferença entre o montante
fixado pelo notário e o montante já pago, acrescido de IVA.
3º prestação ‐ Se o Juiz tiver determinado a aplicação dos valores de
honorários previstos para os incidentes de especial complexidade, nos
termos dos nºs 4 e 15 do artigo 18º, haverá lugar ao pagamento da 3º
prestação

Uns e outros, desde que revistam especial complexidade, poderão ver‐ lhe
aplicados valores constantes da coluna B, do Anexo II, pelo Juiz, a
requerimento do Notário 83º nº 1 (parte final) RJPI.
A especial complexidade deve ser apreciada pelo Juiz, à luz do disposto nas
alíneas b) e c) do nº 7 do artigo 530º do CPC

B‐ Despesas do Processo de Inventário –


Dispôe o artigo 21º da Portaria, que o Notário é pago das despesas do
processo, as quais deve comprovar devidamente no processo,
nomeadamente: 21º nº 1 (Despesas)
a) ‐ Despesas de correio… a)
b) ‐ Encargos com colaboração de autoridades… b)
c) ‐ Despesas de transporte e ajudas de custo.. diligências no processo. c)
d) ‐ Pagamento por entrega de documentos .
e)‐….
f) ‐ …
g) ‐ …
h) – taxa de justiça devida pela remessa a tribunal do processo de
inventário.
(A taxa de justiça devida, segundo o artigo 83º nº1 do RJPI, é a
correspondente à prevista na Tabela II do RCP, aprovado pelo D.L. nº
34/2008 de 26 de Fevereiro, para os incidentes/procedimentos anómalos, é
a de 1 a 3 UC, devendo o Notário liquida‐la pelo seu valor mínimo 102,00 € ‐
artº 6º nº 6 do RCP ) hb

Pagamento prévio das despesas


O responsável pelo pagamento das despesas é notificado previamente à
realização do acto a que a mesma respeita, para proceder ao respectivo
pagamento, não sendo praticado o acto enquanto não for efectuado o seu
pagamento.
Caso não seja possível determinar previamente o valor da despesas, o
notário efectua a despesas e logo após a realização do acto notifica o
responsável para efectuar o seu pagamento no prazo de 10 dias. 21º nº 1 e
2.

c‐ Nota final de custas e Nota de Custas de parte – 23º a 24º c. Portaria


278/2013 – 46/2015

Custas de Parte
Custas de parte no Processo de Inventário – 24º‐A a 24º‐B
A parte que teve custos com o processo, que de algum modo não estejam
previstas nas despesas do inventário – 21º da Portaria‐, mas que foram
contrapartida de actos com interesse para o desenvolvimento do processo, e
do interesse de todas os interessados, (Ex. certidões, testamentos,
convenções antenupciais,) tem agora o direito a ser ressarcido destes
custos, pelos demais interessados, em função da responsabilidade de cada
um no processo .

No prazo de 10 dias após a notificação da nota final de honorários e


despesas, (e sem prejuízo de poder reclamar da nota final de honorários), o
interessado remete ao notário e aos demais interessados nota discriminativa
e justificativa – onde consta o montante dos custos que suportou, bem como
o montante devido por cada um dos interessados, em função da proporção
das respectivas responsabilidades.

O pagamento é feito directamente à parte credora.

O interessado visado, que não concorde com a nota discriminativa e


justificativa, poderá apresentar reclamação dessa nota para o notário, que
deverá decidir o incidente também no prazo de 10 dias, mas antes de
reclamar, deverá proceder ao depósito da totalidade do valor das custas de
parte da sua responsabilidade.
Caso a responsabilidade do reclamante, seja superior a 5.000,00 €, a
decisão proferida pelo notário poderá ser objecto de recurso a interpor para
o juiz de 1ª instância.

Custas de Parte nos Incidentes‐ Artºs 24º a 24º C ‐ Portaria


De acordo com o estabelecido no artº 24º‐C da Portaria, são devidas custas
de partes nos incidentes, devendo o notário, na decisão que ponha fim ao
incidente. Condenar em custas de parte a parte que a elas houver dado
causa ou, não havendo vencimento, quem do incidente tirou proveito.
As custas de parte, com um regime muito próximo do previsto para os
processos judiciais, incidem sobre os honorários devidos pelo incidente e
suportados pela parte vencedora, pelos valores pagos pela parte vencedora
a titulo de despesas e pela sua compensação face às despesas com
honorários do mandatário.

Nota Justificativa das custas de parte


Para o efeito, e de acordo com o artº 24º A, nº 3, o interessado vencedor, no
prazo de 5 dias após a decisão que põe termo ao incidente, deve remeter
ao Notário e aos demais interessados nota discriminativa e justificativa das
custas de parte, e onde deve constar:
a) Indicação da parte, do processo e do mandatário;
b) Indicação, em rubrica autónoma, das quantias efectivamente pagas pela
parte a título de honorários do notário;
c) Indicação, em rubrica autónoma, das quantias efectivamente pagas pela
parte a título de despesas;
d) Indicação, em rubrica autónoma, das quantias pagas a título de
honorários de mandatário, salvo quando as quantias em causa sejam
superiores ao limite previsto na alínea c) do número anterior, caso em que o
valor indicado é reduzido ao valor do limite;
e) Indicação do valor a receber, nos termos da presente portaria.

‐ As custas de parte são pagas directamente pela parte vencida à parte


reclamante (credora)
‐ As custas de parte podem ser objecto de reclamação, devendo para o
efeito o reclamante depositar o valor total da nota discriminativa e
justificativa, devendo esse incidente ser decidido pelo Notário no prazo de 10
dias.
Da decisão do notário, cabe recurso para o Juiz, se o valor da nota exceder
5.000,00 € ‐ 24º ‐ C nºs 6 a 10 da Portaria.

Nota Final de Honorários e Despesas


Transitada em julgado a decisão homologatória, é agora altura de proceder
à elaboração da nota final de honorários e despesas, ou seja, à elaboração
da conta de custas, tal como o define o artigo 23º da Portaria,, onde
procede:
a) ‐ Calculo do valor final dos honorários tendo em conta o valor final do
processo e dos respectivos incidentes 18º nºs, 4 e 12da Portaria.
b) ‐ Calculo do montante da 3º Prestação dos honorários devidos – 18º nº 6,
alínea c)
c)‐ Calculo da proporção de custas devidas por cada um dos interessados,
nos termos do artigo 67º e 19º da Portaria
‐ à identificação de todos os montantes devidos, já pagos ou ainda por
liquidar e à identificação dos responsáveis pelo pagamento .. 19º nº 3 e 5 e
nº 2 artº 22.

MAPA DE PARTILHA

Soma‐se o total dos bens imóveis 505.781,00 €


descritos : O resultado assim obtido divide‐
se em duas partes iguais, para determinação
da meação pertencente a cada um dos
inventariados,
Ana Moreira e de Joaquim Alves, sendo
assim cada uma de: 252.890,50 €

O valor da herança de Ana Moreira é assim

de:
252.890,50 €
Esta importância divide‐se em duas partes
iguais, para calculo do quinhão pertencente

ao cônjuge sobrevivo Joaquim Alves e da

filha pós –falecida Olímpia, cabendo a cada

um o valor de: 126.445,25 €

O quinhão que pertenceria à filha pós ‐

falecida Olimpia, divide‐se por sua vez em

quatro partes iguais, apurando‐se assim o

quinhão Pertencente ao cônjuge sobrevivo 31.611,31 €

Joaquim, no valor de 31.611,31 €

Os três quartos residuais dividem‐se por sua

vez pelos seus quatro filhos José, Francisco,

Maria Olimpia e Alfredo, cabendo a cada um

a importância de
23.708,48 € 94.833,92 €
Fracção desprezada para acerto
0,02 € 126.445,23 €

Por sua vez, a herança de Joaquim Alves, é

composta pela meação do monte partível

adida do seu quinhão na herança de Ana

Moreira, tudo no valor de

Deste valor 1/3 parte corresponde ao valor da


379.335,75 €
sua quota disponível instituída ao neto José
da Rocha,
126.445,25 €
As restantes 2/3 partes, dividem‐se pelos seus 126.445,25 €

quatro netos José , Francisco, Maria Olimpia

e Alfredo, que lhe sucedem em

representação de sua mãe pré‐falecida,

cabendo a cada um o valor de

Valor desprezado para acerto 63.222,62 € 252.890,48 €


0.02 € 379.335,73 €
505.781,00 €

RESUMO:

‐Em pagamento do seu quinhão o

interessado Joaquim, recebe o valor de : 31.611,31 €


31.611,31 €

De igual modo, o interessado José Moreira,

haverá:

‐Em pagamento do quinhão hereditário que

lhe cabe na herança de Ana Moreira, o valor

de :
23.708,48 €
‐Em pagamento do valor da quota disponível,

que lhe deixou Joaquim Alves, o valor de :


126.445,25 €
‐Em pagamento do quinhão hereditário na
213.376,35 €
herança do mesmo Joaquim Alves, o valor de
63.222,62 €
No valor global de

O interessado Francisco, haverá:


‐Em pagamento do quinhão hereditário que
lhe cabe na herança de Ana Moreira, o valor

de :

‐Em pagamento do quinhão hereditário na

herança do mesmo Joaquim Alves da Rocha, 86.931,10 €

o valor de : 23.708,48 €

No valor global de

63.222,62 €
A interessada Maria Olimpia, haverá:

‐Em pagamento do quinhão hereditário que

lhe cabe na herança de Ana Moreira de Jesus,

o valor de :

‐Em pagamento do quinhão hereditário na

herança do mesmo Joaquim Alves da Rocha, 86.931,10 €

o valor de : 23.708,48 €

No valor global de

O interessado Alfredo, haverá: 63.222,62 €

‐Em pagamento do quinhão hereditário que

lhe cabe na herança de Ana Moreira de Jesus,

o valor de :

‐Em pagamento do quinhão hereditário na

herança do mesmo Joaquim Alves da Rocha, 86.931,10 €


23.708,48 € 0,04 €
o valor de :

No valor global de 505.781,00 €


Fracção desprezada para acerto
63.222,62 €
Total partilhado

ADJUDICAÇÕES E PAGAMENTOS

Ao interessado Joaquim são adjudicadas as

Verbas nº 14 e 17, (bens imóveis) tudo no

valor de

Valor que excede o seu quinhão, na

importância de 31.611,31 €

Que repõe em tornas ao interessado José 147.394,78 €.

Moreira da Rocha e fica pago.


85. 238,35 €

Ao interessado Francisco são adjudicadas as

Verbas nº 2, 8 e 9 e 1/2 da Verba 7, (bens

imóveis) tudo no valor de

O que excede o seu quinhão, na importância 86.931,10 €

de

Que repõe em tornas ao interessado José 91.529,41 €

Moreira da Rocha fica pago.

4.598,31 €
À interessada Maria Olímpia são adjudicadas
1/2
das Verba 1 e 7 e as verbas 3 , 6 e 12, (bens

imóveis) tudo no valor de 86.931,10 €


O que excede o seu quinhão, na importância

de

Que repõe em tornas ao interessado José 91.280,00 €


Moreira da Rocha fica paga.
4.348,90 €
Ao interessado Alfredo são adjudicadas 1/2

das Verba 1 e as verbas 4, 13, 15 e 16, (bens

imóveis) tudo no valor de

O que excede o seu quinhão, na importância

de
86.931,10 €
Que repõe em tornas ao interessado José 92.028,16 €
Moreira da Rocha fica pago.
5.097,06€

Ao interessado José Moreira são adjudicadas

as Verba 5 e 10 e 11, (bens imóveis) tudo no

valor de

Valor que é inferior ao seu quinhão, na

importância de

Que preenche com tornas dos interessados:


114.093,73 €
‐ Joaquim no valor de
99.282,62 €
‐ Francisco no valor de

‐ Maria Olimpia, valor de


85. 238,35 €
‐ Alfredo, no valor de 4.598,31 €
213.376,35 €
E fica pago. 4.348,90 €

5.097,06 €

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