0% acharam este documento útil (0 voto)
33 visualizações33 páginas

BAL Linfocitose

O documento descreve um estudo sobre cães com linfocitose no lavado broncoalveolar. Foram identificados diversos processos associados, incluindo doença pulmonar eosinofílica, infecções bacterianas e bronquite crônica. A resposta imune de tipo Th17 pode estar envolvida na inflamação nas vias aéreas.

Enviado por

vanessadllp
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
33 visualizações33 páginas

BAL Linfocitose

O documento descreve um estudo sobre cães com linfocitose no lavado broncoalveolar. Foram identificados diversos processos associados, incluindo doença pulmonar eosinofílica, infecções bacterianas e bronquite crônica. A resposta imune de tipo Th17 pode estar envolvida na inflamação nas vias aéreas.

Enviado por

vanessadllp
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Mestranda Vanessa Dalla Porta Eder

Introdução

A citologia e cultura de lavado broncoalveolar (BAL) são


utilizadas para caracterizar doenças respiratórias em cães
e gatos.

Contagens diferenciais

Doenças inflamatórias
Pneumonia
Introdução

Doença eosinofílica pulmonar - doença respiratória crônica


bem definida mas pouco compreendida, em que há
infiltração de eosinófilos nos pulmões e consequente
bronquiectasia ou colapso de vias aéreas;

Bronquite crônica - aumento de neutrófilos no BAL, sem


evidências de bactérias intracelulares ou crescimento em
cultura.

Ambas: broncomalácia.
Introdução

Porcentagem elevada de linfócitos: exceto pelo linfoma,


pouco se conhece sobre sua relevância clínica e processos
associados.

Interpretação das amostras é dificultada por variações nos


métodos de coleta, ténicas analíticas e variabilidade da
composição da amostra entre os lobos pulmonares.

Diagnóstico final: resultados citológicos, clínicos


e radioráficos.
Introdução

Linfocitose em fluidos de BAL têm sido observada em cães


avaliados para diversas condições respiratórias, mas pouca
informação está disponível para auxiliar na interpretação
do achado.
Introdução

Objetivo: identificar cães com linfocitose no BAL e


determinar causas etiológicas subjacentes associadas com
inflamação linfocítica.

Hipótese: cães com linfocitose no BAL teriam maior tempo


de duração de tosse e maior ocorrência de broncomalácia,
em comparação com cães com inflamação neutrofílica ou
eosinofílica.
Materiais e métodos
Dados médicos do hospital veterinário da Universidade da
Califórnia, Davis, entre 1º janeiro 2006 até 1º janeiro 2016;

Pesquisaram por cães que realizaram broncoscopia neste


período;

Os locais de coleta do BAL foram escolhidos pelo endoscopista,


baseado em achados radiográficos e da broncoscopia;

O endoscópio era removido das vias aéreas para irrigação do


local e remoção de material contaminante do seu exterior.
Materiais e métodos
O endoscópio era inserido até a menor via aérea possível seguido
da instilação e aspiração de salina estéril morna através do canal
do endoscópio.

O volume do lavado era baseado no tamanho do cão, no diâmetro


externo do endoscópio e na abilidade de inserir o broncoscópio
de maneira que permitisse o retorno adequado.

Uma alíquota aproximada de 1 mL/kg/local lavado foi utilizada, e


1 a 4 locais foram lavados, conforme indicação clínica.
Materiais e métodos
Processamento foi realizado dentro de 1 hora após coleta e
examinado individualmente para cada sítio, por citopatologistas
certificados;

A contagem de células nucleadas totais (TNCC) foi realizada no


líquido íntegro, em contador automatizado (Advia 120);

As lâminas foram preparadas por citocentrifugação e coradas


com Wright-Giemsa. A contagem diferencial foi realizada em 200
cél.
Materiais e métodos
Valores de referência do laboratório:

80% macrófagos
7% linfócitos
5% neutrófilos
6% eosinófilos
1% mastócito
1% células epiteliais

Amostras com <300 cel/uL foram excluídas.


Materiais e métodos
Para o estudo, incluíram pacientes com contagem diferencial de
>20% de linfócitos em pelo menos um local de coleta, e todos
cães foram incluídos no projeto independente de medicação
prévia ou doença concomitante, exceto neoplasia.

Grupo 1: eosinofilia (>14%)


Grupo 2: neutrofilia (>8%)
Grupo 3: linfocitose, sem células inflamatórias
Materiais e métodos
Cultura para microrganismos aeróbios e Mycoplasma spp., ou
outros, conforme critério clínico, a partir de pool de amostra de
BAL.

Avaliação semi-quantitativa do crescimento, identificando os


quadrantes com crescimento, e reportando como 1+, 2+, 3+ ou 4+.

Idade, raça, sexo, duração e tipo de sinais clínicos, tratamento


com antibiótico ou corticoide na semana prévia.
Materiais e métodos

Os processos de doenças respiratórias subjacentes associados à


linfocitose das vias aéreas foram diagnosticados com base nos
achados broncoscópicos e exames auxiliares, incluindo achados
radiológicos ou tomográficos, cultura, avaliações fecais, testes
sorológicos e resposta ao tratamento.

Cães com neoplasia foram excluídos do estudo.


Análise estatística

Dados foram avaliados quanto à normalidade;


Dados normais: médias +/- SD, análise de variância e teste de
Tuckey;
Dados não-normais: mediana e variação;
Efeito da idade sobre TNCC e linfócitos foi feito por regressão
linear;
Frequência do tipo de lesão entre os grupos foi comparada
pelo qui-quadrado;
Significância P <.05
Resultados

Lavado broncoalveolar foi realizado em 569 cães.


Linfocitose >20% foi identificada em pelo menos um sítio em
123 cães.
em 19 destes (15%), TNCC foi <300/uL, sendo estes excluídos
Idade: 0,5 a 16 anos (mediana 7,9 anos)
Peso: 2 a 42,7 kg (mediana 11,4 kg)
51 fêmeas e 53 machos

Tosse: principal queixa em 91 dos 104 pacientes, com duração de


1 dia a 8 anos;
Demais: intolerância ao exercício, espirros, taquipneia, ofegação
excessiva.
Resultados

21 cães fizeram uso de antimicrobianos e 3 receberam corticoides


na semana anterior.

% linfócitos: 25% (20 - 52%);


TNCC: 900 cel/uL (300 - 17660 cel/uL).
Resultados

Grupo 1: 13
Cultura positiva em 4/13 cães, com Aspergillus em 1 cão;
todos cães responderam ao tratamento para doença pulmonar
eosinofílica;
colapso de vias aéreas foi identificado em 2 cães.
Resultados

Grupo 2: 59
Doenç as infecciosas documentada em 1 4 cães:
infecção bacteriana (9); cocci di oi domi cos e ( 2) ; Pneumocystis
canis (1); pneumonia por corpo estranho (2).
Bordetella bronchisepti ca (4) - isolada (2) e combi nada (2) - <1
ano
Bronquite crônica com ou sem col aps o de vias aére as foi
diagnosticada em 23 cães, e col apso i sol ado ide n tificado e m 8 cãe s .
Lesão por aspiração foi suspei ta em 9 cães
3 cães com diagnósti co i ndetermi nado, com in tole rân cia ao
exercício.
Resultados

Grupo 3: 32
Tosse foi a queixa predomi nante - 30 cães, com du ração de 1 dia a 5
anos;
rinite inflamatória (3);
discinesia ciliar primári a (1 );
Espirro reverso (1), intol erânci a ao exercí ci o ( 1)
Bordetella bronchisepti ca confirmada em 2 casos - <1 ano
Um processo específico não foi i denti fi cado e m 6 cãe s .
Discussão

Linfocitose n o lav ado br oncoalveolar foi um achado com um em cães avali ados
para doença respir ató r ia dur ante o per íodo de 10 anos, af et ando
aproximadamente 20% do s cães que r ealiz ar am broncosco pi a.

O ponto de co r te de 20% de linfócitos fo i es tabeleci do para que não houvesse


equívocos sobr e um aumento anor mal no BAL .
No laboratóri o , a r efer ência par a linfó citos é < 7%, m as encont ra- se valo res
de até 14% de linfócito s em cães nor mais na liter at ura.
Uma definição mais estr ita de linfo citose po deri a ser o bt i da ao def i ni r a
linfocitose se pr esente em mais de 1 s ítio de colet a;
Mas consider ando a escasses de dado s sobr e o assunt o, o est udo f oi del i neado
para avaliar o maio r amostr agem possível.
Discussão

Foram identifi cado s div er s os pr ocessos associados à l i nf o ci t ose no BAL:


papel dos lin fócito s na respo s ta às lesões das vi as aéreas, i ndependent e da
etiologia;
não descartam a o co r r ê ncia de algum ví rus/ pat ógeno/ i rri t ant e não
identificado causando a les ão em alguns pacientes;

Na maioria dos casos, o f luido er a hiper celular :


aumento també m de macr ófagos - também são responsávei s pel a
identificação e r emo ção de pató geno s intr acelulares e o ut ros ant í g enos.
Discussão

Eosinofilia (>1 4%) foi identif icada em 12% dos cães com li nf o ci t ose
concomitant e:
linfocitose é esper ada na doença pulmo nar eo si nof í li ca: ci t oqui nas
produzidas por linfócitos es timulam a pr odução de Ig E e at raem eo si nóf i l os
em doenças de hiper sens ibilidade Th2.
Em humanos co m pneumonite por hiper sens ibilidade, l i nf o ci t ose no BAL (at é
80%) estava sempr e pr esente dur ante a f as e ag uda da doença, m as nem
sempre durante o cur so da mes ma;
Em outro estudo , de 86 cães co m do ença eos i nof í l i ca pulm onar, apenas 5
apresentaram linfocito se - pos sibilidade de diferenças ao longo do curso da
doença.
Discussão

Neutrofilia fo i o achado mais comum no estudo:


Infecção bacter iana foi identif icada em 9/5 9 cães;
Outros estudos em cães e humano s já descr ever am o aum ent o concom i t ant e
dos linfocitos dur ante pr ocessos inf eccio sos com neut ro f i l i a;
Cél T Th17 são uma catego r ia dos CD4+ T helper , e a respost a por Th17 po de
recrutar neutr ófi los dev ido à pr o dução de IL -8.
Citoquinas Th1 7 são uma po nte entr e o s is tema i m une i nat o e adapt at i vo na
resposta contr a uma v ar iedade de pató genos ext racel ulares nas superf í ci es
mucosas;
Como em mui to s cães do gr upo 2 não fo i identif i cado um agent e i nf ecci oso,
é sugerido uma r espost a pr edo minante Th17 à um a vari edade de ant í g enos,
como já suger ido em humanos co m diver s as condi ções al érg i cas de pel e e
pulmão, incui ndo asma.
Discussão

A descoberta de no vas cito cinas e s ubcon j unt o s de cél ulas T que


desempenham um papel na f or mação de r espo s t as i nf lam at óri as result ou na
evolução do par adigma clássico Th-1/Th-2. A i nt erl euci na 17 desem penha
claramente um papel na indução e manut enção de respost as de
hipersensibili dade, há muito cons ider adas co mo di st úrbi os ex clusi vam ent e
mediados por Th-1/Th-2.

Lesão por aspir ação foi identificada em cães do grupo 1 e do g rupo 3, e


acredita-se que ela po de des encadear uma r espo st a do t i po Th17 co m o part e
da resposta imune à i nalação de patógeno s ou ir ri t ant es, e a m i croaspi ração
pode ter um papel impo r tante no des envolvimento da l esão.
Não é claro po r que alguns cães des enolvo lvem i nf lam ação m i st a ao i nvés de
linfocítica - pr o cesso pato lógico mais s imilar à pneum o ni t e por aspi ração
Discussão

Linfocitose isolada foi enco ntr ada em 31% do s ani m ai s


Colapso de vias aé r eas f oi um achado co mum, e m ai s f requent e nest e grupo
do que nos demais grupos co m outr os tipo s de in f lam ação;
É possível que a degener ação de car tilagem as soci ada ao col apso resul t e na
liberação de antígenos , ativando a r es pos ta li nf o cí t i ca - processo que
ocorre durante a linfocitos e no líquido CL R dur ant e a hé rni a i nt ervert ebral;
já foi relatado li nfocito s e no BAL em cães com doença val var m i x om at osa e
broncomalácia;

Não é claro se o colapso induz à inf lamação o u a i nf lam ação i nduz ao co lpaso;
porém, a elev ação de macr ófago s e linfóci t o s pode represent ar um a
resposta tipo T h-1 à pató genos vir ais ou antígenos l ocai s ou i nal ados, com as
sequelas que i ncluem br oncomalácia e o colaps o.
Discussão

Seis cães no est udo for am diagnosticado s com Bordetella (4 com inflamação
neutrofílica co nco mitante) , todos <1 ano de idade.
primeiro relato da doeça induzindo linfo citose no BAL;
infecção viral concomitante?
linfocitose fisi o ló gica?
não há dados so br e o s valo r es nor mais de BAL em cães < 1 ano
em humanos e equino s, a % de linf ócito s aument a com a i dade, sendo
bem marcado em cavalos adulto s em compar ação co m pot ros
Necessidade de deter minar valor es no r mais especí f i co s para a i dade na
espécie canina.
Discussão

A duração da t osse n ão dif er iu entr e o s g rupos com di f erent es padrões


inflamatórios ;
a hipótese inicial er a de que inf lamação aguda seri a f requent em ent e
associada ao influxo de neutr ó filo s, enquanto in f l. crô ni ca m ai s relaci onada
com infiltrado s li nfoplasmocíticos.
rejeitam a hipó tese - ingênua
linfocitose no BAL pode o cor r er com inflamação aguda das vi as aéreas, e os
linfócitos são fundamentais par a a r espos ta inf lam at óri a em t odas as f ases.

O uso de antimicr o biano s e cor tico ides não pareceu af et ar o s achados de


linfocitose no s fluido s
Discussão

A interpretação dos res ultados é limitada pel a nat ureza ret rospect i va do
estudo;

Os pacientes não for am testados par a agentes vi rai s;

A contagem difer encial de 200 cé lulas pode ter vi és e há est udos que i ndi cam
que essa meto dolo gia não apr es enta r esultados repro duzvei s;

Inclusão de casos co m pelo meno s um local de co let a com l i nf oci t ose, porém
estudos prospectiv o s dev er iam coletar 3 sítios para po der conf i rm ar o aum ent o
dos linfócitos na maio r ia das amostr as , co m cont ag em di f erenci al em 5 0 0
células.
Conclusão

A linfocitose no fluido de BAL f oi car acter iz ada em um grande g rupo de ani m ai s


com doenças r espir atór ias, e foi possível deter m i nar al g um as associ ações de
doenças.

Novas pesqu isas são r ecomendadas , incluindo det erm i nação das po pulações de
linfócitos e per fi l de citoquinas, tanto na li nf o ci t ose i solada quant o em
associação co m neutr ofi lia e eo s inofilia.
Obrigada!

Você também pode gostar