0% acharam este documento útil (0 voto)
104 visualizações15 páginas

Impacto do Crescimento Populacional na Beira

Este documento analisa o impacto do crescimento demográfico na ocupação do solo urbano na cidade da Beira, Moçambique. Aborda as principais causas do crescimento populacional na cidade, os efeitos na infraestrutura urbana e a expansão resultante. Fornece informações sobre a localização e história da cidade da Beira.

Enviado por

Abú Froma
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
104 visualizações15 páginas

Impacto do Crescimento Populacional na Beira

Este documento analisa o impacto do crescimento demográfico na ocupação do solo urbano na cidade da Beira, Moçambique. Aborda as principais causas do crescimento populacional na cidade, os efeitos na infraestrutura urbana e a expansão resultante. Fornece informações sobre a localização e história da cidade da Beira.

Enviado por

Abú Froma
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE

INSTITUTO DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA

Impacto do Crescimento Demográfico na Ocupação do Solo Urbano na Cidade da


Beira

Abrão Francisco Froma-708220846

Curso: Licenciatura em Ensino de Geografia


Disciplina: Geografia da População e Povoamento
Ano de Frequência: III˚
Turma: E

Gorongosa, Maio, 2024


2

Folha de Feedback

Classificação
Categorias Indicadores Padrões Pontuação Nota do
Subtotal
máxima tutor

 Capa 0.5

 Índice 0.5

Aspectos  Introdução 0.5


Estrutura
organizacionais  Discussão 0.5

 Conclusão 0.5

 Bibliografia 0.5

 Contextualização
(Indicação clara do 1.0
problema)

Introdução  Descrição dos


1.0
objectivos

 Metodologia adequada
2.0
ao objecto do trabalho

 Articulação e domínio
do discurso académico
(expressão escrita 2.0
Conteúdo
cuidada, coerência /
coesão textual)
Análise e
 Revisão bibliográfica
discussão
nacional e
internacionais 2.
relevantes na área de
estudo

 Exploração dos dados 2.0

 Contributos teóricos
Conclusão 2.0
práticos

 Paginação, tipo e
tamanho de letra,
Aspectos gerais Formatação paragrafo, 1.0
espaçamento entre
linhas

Normas APA 6ª
 Rigor e coerência das
Referências edição em
citações/referências 4.0
Bibliográficas citações e
bibliográficas
bibliografia
3

Índice
I Introdução................................................................................................................................. 4
I.I Objectivo Geral ...................................................................................................................... 4
[Link] Objectivos Específicos ......................................................................................................... 4
[Link] Metodologia e estrutura ....................................................................................................... 4
II Localização e historial da cidade de Beira .............................................................................. 5
II.I Crescimento demográfico na cidade de Beira ...................................................................... 6
[Link] Impacto do crescimento demográfico para a ocupação do solo urbano da cidade da Beira7
[Link].I Consequências do crescimento demográfico urbano desordenado na cidade da Beira .. 10
[Link] Estratégias para mitigação dos impactos sócio-ambientais ........................................... 12
III. Conclusão ........................................................................................................................... 14
IV. Referência bibliográfica ..................................................................................................... 15
4

I. Introdução

A ocupação urbana, sobretudo em Moçambique, ocorre de forma totalmente desorganizada,


sem sequer planeamento, prova disso é o aumento do número da população nas cidades, um
fenómeno que ocorreu de forma considerável após a Independência. O aumento da população
nas grandes cidades está directamente vinculado à falta de perspectiva de trabalho no campo.
Sendo assim, os trabalhadores rurais começaram a migrar para as cidades em busca de
empregos e melhores condições de vida, facto que é conhecido como êxodo rural, e que na
cidade da Beira por exemplo ocorreu em grandes proporções nos últimos anos.
Partindo do tema “impacto do crescimento demográfico na ocupação do solo urbano na cidade
da Beira”. Importa sublinhar que o crescimento demográfico é um fenómeno de grande
importância para o desenvolvimento urbano na cidade da Beira, onde a dinâmica populacional
exerce influência directa na ocupação do solo urbano. Portanto, o aumento da população em
centros urbanos pode desencadear uma série de mudanças significativas, tanto em termos
sociais quanto em termos de uso do espaço físico. Entretanto, a Cidade da Beira tem enfrentado
desafios relacionados à expansão urbana decorrente do crescimento demográfico. Deste modo,
através desta pesquisa notar-se-á que os efeitos do crescimento populacional na ocupação do
solo urbano na cidade da Beira, será possível direccionar esforços para um planeamento urbano.
I.I Objectivo Geral
 Analisar o impacto do crescimento populacional na ocupação do solo urbano na Cidade
da Beira.
[Link] Objectivos Específicos
 Identificar as principais causas do crescimento demográfico na Cidade da Beira;
 Analisar os efeitos do crescimento demográfico na infra-estrutura urbana;
 Avaliar a expansão urbana decorrente do aumento populacional;
[Link] Metodologia e estrutura
A metodologia para o estudo do impacto do crescimento demográfico na ocupação do solo
urbano na Cidade da Beira pode abranger diferentes abordagens e técnicas de pesquisa. Para
este trabalho foi feita a revisão bibliográfica (Realização de uma revisão sistemática da
literatura relacionada ao crescimento demográfico, ocupação do solo urbano e planeamento
urbano, a fim de embasar teoricamente o estudo e identificar lacunas no conhecimento
existente), Com base nos resultados obtidos, elaboração de propostas para um planeamento
urbano mais sustentável. Quanto a estrutura, o trabalho apresenta a Introdução,
desenvolvimento e Conclusão. Como não obstante faz constar elementos pré e pós textuais. De
referir que o trabalho foi redigido em normas APA.
5

II Localização e historial da cidade de Beira

Antes de mais vale apresentar a localização geográfica da cidade da Beira, no entanto, Beira é
capital da província de Sofala, está localizada a cerca de 1190 km a norte de Maputo, no centro
da costa do oceano Índico. É uma cidade portuária no Canal de Moçambique. O município tem
uma área de 633 km², e uma altitude média de 14 metros acima do nível domar e está situado
nas coordenadas 19° 50’ sul e 34° 51’ leste. Confina a norte e a oeste como distrito de Dondo,
a leste com o oceano Índico e a sul com o distrito do Búzi. Wikipé[Link]

A cidade ergue-se numa região pantanosa, junto à foz do Rio Púnguè, e sobre alongamentos de
dunas de areia ao longo da costa do Índico. A vegetação natural é caracterizada por terras baixas
e litoral com mangais.

Portanto, no que concerne a história, importa referir que, tem uma história rica e diversificada
que remonta ao período colonial e pré-colonial. A cidade de Beira foi originalmente
desenvolvida pela Companhia de Moçambique no século XIX, e depois directamente pelo
governo colonial Português entre 1942 e 1975, ano em que Moçambique obteve sua
independência de Portugal. Antes da chegada dos colonizadores europeus, a região onde hoje
se situa a cidade de Beira era habitada por comunidades locais, influenciadas pela presença do
comércio árabe ao longo da costa. Com a chegada dos portugueses no final do século XIX, a
região passou a ser um importante ponto de apoio para o comércio marítimo e ferroviário,
tornando-se um centro estratégico para a colonização portuguesa. Ao longo do tempo, a cidade
de Beira desenvolveu-se como um importante centro portuário e comercial, facilitando as trocas
comerciais entre o interior do país e o resto do mundo. A influência da colonização portuguesa
pode ser observada na arquitectura e na cultura da cidade, que mescla influências africanas e
europeias. Após a independência de Moçambique em 1975, a cidade de Beira manteve sua
importância como centro económico e logístico, desempenhando um papel fundamental no
desenvolvimento do país. Actualmente, a cidade é um importante polo industrial, comercial e
cultural, contribuindo significativamente para a dinâmica económica e social de Moçambique.
A história da cidade de Beira é marcada por transformações e desafios, reflectindo as mudanças
políticas, económicas e sociais que ocorreram ao longo dos anos. O seu papel como centro
urbano estratégico na região costeira de Moçambique continua a moldar sua identidade e
desenvolvimento. (Macuacua, 2013).
6

Figura 01: Imagem ilustrativo da Cidade da Beira, CFM.

II.I Crescimento demográfico na cidade de Beira


Vidal de la Blanche demonstrou que o papel da vontade humana é essencial para se entender o
crescimento das cidades, pois “a natureza prepara o local e o homem organiza-o de modo a
lhe permitir corresponder a seus desejos e necessidades”. Em outras palavras, Monbeig afirma
que as variações de volume e de distribuição das populações se devem principalmente aos
impulsos de crescimento, uma vez que tais variações acarretam consequentemente em
modificações no cenário urbano. O meio ambiente urbano está sempre em constante mudança,
afinal com bem aduz Monbeig, “os homens e suas obras, colocados num meio geográfico
definido, eis o que constitui o organismo urbano. Mas um organismo tem uma função e essa
função modifica-se ao mesmo tempo em que o organismo evolui” . Sendo assim, o meio
ambiente urbano sempre acompanhará as necessidades do homem em sociedade

Com a expansão das actividades económicas, a cidade da Beira tem se tornado um polo de
atracção para migrantes em busca de oportunidades de emprego e melhores condições de vida.
Além disso, o aumento da população residente também está ligado à concentração de serviços
e infra-estrutura urbana na região, que tem contribuído para a urbanização acelerada.
7

Para Ferreira e Lopes (2020), o crescimento demográfico urbano foi importante para o
desenvolvimento do actual modelo económico, que é comandado a partir das cidades. Deste
modo, a concentração de pessoas nas cidades é um desafio cuja resposta depende de medidas
estratégicas para aproveitar o potencial da concentração demográfica. O que sucede com as
cidades moçambicanas, tal como com a maioria das cidades de Moçambique, visto que o
crescimento urbano tem sido fortemente impulsionado pelo crescimento natural, especialmente
pela elevada fecundidade.

Do meu ponto de vista, o crescimento natural não é, por si mesmo, um problema.

No entanto, autores como Francisco (2012) afirma que, sabendo a taxa de crescimento, também
se sabe o tempo de duplicação, e esta informação é fundamental para acções de planeamento.

Já Arnaldo (2015) diz que, os desafios do crescimento demográfico devem ser vistos a partir
dos seus efeitos sobre a estrutura demográfica. Diante desse cenário, questões como infra-
estrutura urbana, acesso a serviços básicos, planeamento habitacional e sustentabilidade
ambiental tornam-se desafios cada vez mais prementes para as autoridades locais e para a
comunidade em geral.

[Link] Impacto do crescimento demográfico para a ocupação do solo urbano da cidade da


Beira
Para Cardoso (2013) devido a ocupação desordenada de espaços urbanos e acelerado
crescimento, observa-se acúmulo de lixo nos rios, enchentes, poluição das águas, deficiência
de sistemas de esgotos sanitários, processo de desmatamento, ocupação de encostas,
favelização e deslizamentos. Portanto, levando em consideração os problemas sócio-ambientais
encontrados actualmente nas cidades devido a ocupação desordenada de espaços urbanos, faz-
se necessário uma infra-estrutura adequada estratégias, directrizes e propostas para os
problemas apontados, pois investimentos realizados em saneamento representam recursos
economizados em saúde.

Já Bezerra e Fernandes (2000, p. 15) salientam que os diagnósticos disponíveis evidenciam o


agravamento dos problemas urbanos e ambientais das cidades, decorrentes de adensamentos
desordenados, ausência de planeamento, carência de recursos e serviços, obsolescência de
infraestrutura e dos espaços construídos, padrões atrasados de gestão e agressões ao ambiente”.

O crescimento demográfico da cidade de Beira tem sido uma tendência significativa, com
implicações importantes para a ocupação do solo urbano. O aumento da população tem
impactado directamente a expansão territorial da cidade, levando a um adensamento
8

populacional em determinadas áreas e à necessidade de planeamento urbano cuidadoso para


garantir o desenvolvimento sustentável.

Com o crescimento populacional, observa-se uma maior demanda por habitação, infra-estrutura
urbana, serviços básicos e espaços públicos. Isso tem levado à expansão das áreas urbanas,
muitas vezes resultando em ocupações informais e no desafio de garantir moradia adequada
para todos os residentes. Além disso, a pressão sobre os recursos naturais e o meio ambiente
também aumenta à medida que a cidade se expande. A verticalização e intensificação do uso
do solo são tendências que surgem como resposta ao crescimento populacional, com a
construção de edifícios comerciais e residenciais em áreas urbanas já consolidadas. Isso pode
levar à densificação de determinadas regiões da cidade, impactando a mobilidade urbana, o
acesso a espaços verdes e a qualidade de vida dos habitantes (p. 34).

O planeamento urbano torna-se crucial para responder a essas tendências, buscando soluções
que promovam um desenvolvimento equitativo e sustentável. A criação de áreas verdes, a
implementação de transporte público eficiente, o estabelecimento de zonas residenciais mistas
e o fomento ao desenvolvimento económico em diferentes partes da cidade são algumas das
estratégias que podem ser adoptadas para lidar com o crescimento populacional.

No entanto, referindo ao impacto, do meu ponto de vista, nota-se que devido a busca pela
sobrevivência está cada vez mais disputada entre homens e natureza, e, nessa busca
desenfreada, é comum encontrar vários rastros de destruição deixados pelo ser humano. As
fábricas continuam poluindo, as florestas estão sendo destruídas, os rios poluídos com o despejo
de esgotos, além de resíduos tóxicos das grandes fábricas, sem contar o lixo hospitalar que ainda
causa transtorno no manejo e descarte.

Nesta senda segundo Rodrigues (2019) refere que a poluição emitida na atmosfera é contínua
e faz com que os hospitais fiquem lotados e as pessoas doentes em razão de problemas
respiratórios, sendo que os mais prejudicados são as crianças e os idosos.

A qualidade de vida está cada vez pior, principalmente nas grandes cidades como cidade da
Beira, onde existe uma quantidade maior de veículos nas ruas e fábricas poluidoras. Deve-se
orientar e educar desde cedo, pois esse é o recurso mais eficiente. Sendo que, Paiva (2011):

“Aprender a respeitar a natureza é uma tarefa que deve ser ensinada em casa, nas
empresas e nas escolas. Contudo, esquecemos que a educação ambiental começa
dentro de nossas residências, quando orientamos a família e aplicamos medidas
cabíveis quanto ao descarte de nosso lixo, usando a reciclagem e fazendo ouso
9

consciente da água e energia eléctrica, evitando desperdícios desnecessários. A maior


parte das águas potáveis que consumimos vem dos rios”.( p.78).

Em suma, o crescimento demográfico na cidade de Beira tem gerado diversos impactos na


ocupação do solo urbano. A pressão por moradia, infra-estrutura e serviços públicos decorrente
do aumento da população tem levado a mudanças significativas no tecido urbano e no uso do
espaço na cidade da Beira.

Ainda Paiva (2011) aborda que um dos principais impactos é a expansão das áreas urbanas,
muitas vezes de forma desordenada, resultando em ocupações informais e empreendimentos
sem planeamento adequado. Isso pode contribuir para a fragmentação do espaço urbano, a falta
de infra-estrutura básica e a dificuldade no acesso a serviços essenciais.

Com isso, o crescimento demográfico pode levar à verticalização e adensamento das áreas já
urbanizadas, com a construção de edifícios residenciais e comerciais em locais previamente
ocupados por construções de menor altura ou espaços vazios. Isso pode impactar a mobilidade
urbana, a qualidade do ar, o acesso à luz solar e a disponibilidade de áreas verdes.

A ocupação do solo também está directamente relacionada à segregação socio espacial, onde
grupos populacionais com diferentes níveis de renda acabam ocupando áreas distintas da
cidade, o que pode contribuir para desigualdades sociais e acesso desigual a serviços e
oportunidades.

Através dos impactos acima, Paiva (2011) é fundamental que haja um planeamento urbano
eficaz que leve em consideração as necessidades da população em crescimento, promovendo
um desenvolvimento urbano sustentável, equitativo e inclusivo. A implementação de políticas
habitacionais adequadas, o fortalecimento da infra-estrutura urbana, o incentivo à mobilidade
sustentável e a preservação de áreas verdes são algumas das medidas que podem contribuir para
lidar com os impactos do crescimento demográfico na ocupação do solo urbano.

Do meu ponto de vista, concluo que o crescimento demográfico na cidade da Beira, tem um
impacto significativo na ocupação do solo urbano. Este impacto é evidente em várias áreas e
como ilustra a imagem numero 02:

Planeamento Ambiental Urbano: o crescimento demográfico tem levado a um uso e ocupação


do solo de formas desordenadas. As inundações frequentes no município de Beira são uma
consequência parcial desta ocupação desordenada, resultando em problemas de ordem
socioeconómica e ambiental.
10

Risco de Inundação: a localização geográfica de Beira, na região costeira de convergência


tropical e sendo a desembocadura dos grandes rios da zona Austral da África, torna a cidade
propensa a eventos extremos naturais como enchentes e inundações. Estes eventos são
agravados pela ocupação desordenada do solo.

Contaminação Ambiental: a cidade da Beira enfrenta problemas ambientais ao nível da


contaminação de águas e solos, em particular dos decorrentes da exploração do porto da Beira2.

Vulnerabilidade Ambiental: o uso e a ocupação do solo urbano de forma inadequada


acarretam situações de vulnerabilidade ambiental para a população local.

Estes impactos destacam a necessidade de um planeamento ambiental urbano eficaz, que possa
orientar o uso e a ocupação do solo de forma a minimizar os problemas ambientais e melhorar
a qualidade de vida da população.

Figura 02: Imagem ilustrativo como resultado do crescimento demográfico na ocupação


do solo.

[Link].I Consequências do crescimento demográfico urbano desordenado na cidade da


Beira
O crescimento demográfico urbano desordenado provoca impactos não só ambientais, mas
também sociais. Em outras palavras, a falta de planeamento das cidades no controle desse alto
11

índice de crescimento acarreta nas degradações ambientais e contribuem para a marginalização


da população. É de ser relevado, portanto, que enquanto em países industrializados os
problemas ambientais estão relacionados directa, ou indirectamente, com a industrialização e
desenvolvimento tecnológico, já nos países em via de desenvolvimento, por sua vez, teriam
seus problemas ambientais causados pelo subdesenvolvimento, uma vez que o crescimento
populacional intenso, além de acarretar na degradação do meio ambiente, proporciona também
a marginalização da população, que passa a viver bem abaixo do nível mínimo exigível para
existência humana decente.

Portanto, a falta de perspectivas de trabalho no campo fez com que os trabalhadores rurais
começassem a migrar para as grandes cidades em busca de empregos e melhores condições de
vida; esse fato ficou conhecido como êxodo rural. Ocorre, entretanto, que nenhumas das cidades
estavam preparadas para receber tal contingente de pessoas, o que acabou acarretando na
marginalidade de parte da população urbana.

De referir que nos países em desenvolvimento, o êxodo rural não constitui um problema, pois
as cidades têm estruturas capazes de absorver esta mão-de-obra, fornecendo empregos, e, no
campo, a agricultura, através da mecanização e da adubação, modernizas e, aumentando a
produtividade e diminuindo o emprego da mão-de-obra. Nos países subdesenvolvidos, porém,
ocorrem problemas sérios: “as cidades não têm condições de oferecer empregos estáveis aos
migrantes que a elas chegam e estes passam a viver de serviços eventuais, ou pedir esmolas,
ou ainda recolher restos nos depósitos de lixo, formando, nas próprias cidades ou nas áreas
periféricas, um submundo que contrasta com os bairros ricos e de classe média”.(Andrade, p.
57-58.).

Figura 03: Imagem Ilustrativo da falta de planeamento urbano eficaz:


12

[Link] Estratégias para mitigação dos impactos sócio-ambientais


Estratégias para mitigação dos impactos sócio ambientais advindos da ocupação desordenada
do espaço físico. Segundo Silava et al., (s/d), as principais actividades a serem realizadas para
a prevenção dos loteamentos clandestinos ou irregulares, podem ser definidas como:

 Acção de fiscalização

A fiscalização tradicional é realizada por agentes fiscais que percorrem a cidade, identificando
regiões de conflitos, e é fundamental que nas regiões de risco a população que vive o problema
passe a actuar como agentes de controlo da ocupação. A fiscalização deve ser planeada e
adequada, que contemple um diagnóstico completo dos vazios urbanos e imediato agir dos
órgãos públicos tão logo se tome conhecimento do parcelamento do solo ou de sua expansão.
O exercício do poder de polícia administrativo contempla a notificação do responsável, a
lavratura de autos de infracção por danos ao parcelamento do solo e por danos ambientais, bem
como termos de interdição/embargo de obra e aplicação de multas (Reschke et al, 2003). Além
disso, é preciso conscientizar os moradores da importância deste processo, demonstrando os
prejuízos advindos da clandestinidade, com isso, busca-se um comprometimento da
comunidade e o desenvolvimento da cidadania e senso colectivo, (Reschke et al. 2003).

 Acções pontuais de recuperação

Estas, são desenvolvidas em áreas críticas, são obras de contenção que podem ser de diversos
tipos, desde as mais simples como re-vegetação e desmonte de blocos até as mais complexas
como muros atirantados. A população é responsável pelas transformações das relações entre a
cidade e o meio ambiente, sendo imprescindível a sua participação com o objectivo de
estabelecer, recuperar ou manter equilíbrio entre ambas partes, porque ao considerar se esta
como usuária da cidade, estaria se implantando um processo destrutivo ao meio ambiente
(Bergan, 2005).

De acordo com Bergan (2005), reitera que a descentralização do conhecimento científico


aplicado a população, torna possível à conscientização e a auto-realização no âmbito individual
e colectivo, transformando valores e atitudes. Experiências e responsabilidades aplicadas na
população a respeito da integração com o meio ambiente possibilita a materialização de novos
processos de aprendizagem, conduzindo transformações nas ideologias sociais, além de
contribuir para a formação de novos conceitos de vida, que respeite a natureza e a integridade
de uma vida saudável.
13

 Acções de recuperação ampla

São caracterizadas por acções de urbanização e melhoria das condições de infra-estruturas dos
assentamentos. Essas acções são contempladas na reabilitação Urbana (entendida num sentido
amplo), que segundo Anjo (2009) utiliza técnicas variadas, tais como:

 Renovação Urbana: acção que implica a demolição das estruturas morfológicas e


tipológicas existentes numa área urbana degradada e a sua consequente substituição por
um novo padrão urbano, com novas edificações, atribuindo uma nova estrutura
funcional a essa área;
 Revitalização Urbana: operações destinadas a relançar a vida económica e social de
uma parte da cidade em decadência. Portanto, essas acções resumem se em um
programa de Gestão Ambiental, que segundo Carniatto et al (2014) tem como proposta,
buscar a solução dos problemas ambientais e construir as infra-estruturas necessárias
para recuperar ou preservar os elementos da natureza em contacto e uso nas diferentes
actividades humanas. Todavia, é fundamental que este programa de GA esteja
articulado com o programa de Educação Ambiental, considerando que a proposta de EA
é a mudança de conceitos, atitudes, valores e sentimentos na relação do homem com o
homem e dele com o ambiente. Entretanto, as experiências tem demonstrado que se as
duas áreas não estiverem juntas, estreitamente ligadas, em geral existe pouca eficácia
tanto nas obras realizadas, que muitas vezes são abandonadas e depredadas porque a
comunidade não compreende, assume e apropriam-se destas, e assim perde-se todo o
investimento aplicado e os problemas permanecem, assim como os programas de EA,
quando não estão articulados com a GA, perde sua eficácia, pois as pessoas mudam suas
atitudes, mas não existem políticas e acções que sustentem essas novas atitudes
(Carniatto et al, 2014).
14

III. Conclusão

Inferido o trabalho, o crescimento populacional desordenado contribuiu consideravelmente


para a marginalização da população urbana, e, sendo assim, essa marginalização acaba por
reflectir nas construções de moradias irregulares nas denominadas áreas de risco. Como se ainda
não bastasse, tais construções irregulares prejudicam não só o solo como também alguns
afluentes que passam por suas proximidades. Portanto, o crescimento demográfico na cidade
de Beira tem gerado impactos significativos na ocupação do solo urbano, demandando a
implementação de um planeamento urbano sustentável e integrado. A promoção de práticas que
visem ao desenvolvimento equitativo, resiliente e ambientalmente responsável é essencial para
garantir a qualidade devida da população, a preservação do meio ambiente e a sustentabilidade
urbana. Ao considerar directrizes como o desenvolvimento de infra-estrutura verde, a promoção
da mobilidade sustentável, a garantia de habitação adequada, a gestão eficiente de resíduos, a
adopção de práticas de eficiência energética e a participação comunitária, é possível construir
uma cidade mais inclusiva, saudável e harmoniosa para todos os seus habitantes. Portanto, é
fundamental que as autoridades locais, os planeadores urbanos, a sociedade civil e demais
partes interessadas trabalhem em conjunto para implementar medidas que promovam um
desenvolvimento urbano sustentável em Beira. Somente por meio do engajamento colectivo e
da adopção de práticas inovadoras será possível enfrentar os desafios impostos pelo crescimento
demográfico e transformar a cidade em um lugar mais próspero e equitativo para as gerações
presentes e futuras.

Em suma, o processo de industrialização resultou no crescimento desordenado dos grandes


centros populacionais, e a velocidade com que esse fenómeno se deu acabou por trazer reflexos
para a sociedade como um todo.
15

IV. Referência bibliográfica

Andrade, M. C. de. (1998). Geografia económica. (12ª ed.). São Paulo: Atlas.
Arnaldo, C. (2013). Fecundidade em Moçambique nos últimos 50 anos: Alguma Mudança?
Disponível em:[Link]
populacao/html. Acesso em: 25 Abril de 2024.
Bergan, K. (2005). Casa saudável: um estudo sobre os sentidos da moradia Estudo de caso:
conjunto Pedro I, Realengo, Rio de Janeiro/RJ
Bezerra, M, do C. de L;. Fernandes, M, A. (2000). Cidades sustentáveis: Subsídios à
elaboração da Agenda21 Brasileira.
Cardozo, S, B, A. (2013). Questões sócio ambientais do bairro nova Santa Marta, na cidade
de Santa Maria, RS.
Carniatto, I;. Aleixo, V;. Metzner, C, M;. Lizzoni, D;. Riffel, E, F. (2014). Educação
ambiental voltada ao uso e ocupação do solo e a estrutura dos loteamentos: Sabiá e Bem te vi
no município de Marechal Cândido Rondon-PR.
Ferreira, M. da C. Lopes, J. F. (2020). O Crescimento Populacional e os Impactos Ambientais.
Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed.06, Vol. 02, pp. 188-
195. Junho de 2020.
Macuacua, N. (2013). Estatísticas do Distrito de Beira, Instituto Nacional de Moçambique,
Beira.
Monbeig, P. Textos Clássicos: O estudo geográfico das cidades. In: GEU - Grupo de Estudos
Urbanos (org.). Cidades: Revista científica. Vol. 1, n. 2. Presidente Prudente: Grupo de Estudos
Urbanos, 2004. p. 279
Mumford, L. (1991). A cidade na história: suas origens, transformações e perspectivas. (3ª
ed.). São Paulo: Martins Fontes.
Paiva, R. (2011). Mundo Amigo. São Paulo: Edições SM.
Raimundo, I. M. & Muanamoha, R. (2013). A dinâmica migratória em Moçambique.
Disponível em:[Link]
Reschke, L, M;. Varela, L, S;. Moretto, S, S;. Somensi, S. (2003). Loteamentos irregulares e
clandestinos: sua regularização no município de Porto Alegre.
Rodrigues, C. U. (2019). Migração, Movimento e urbanização em Angola e Moçambique. In:
IESE (Ed.), Desafios para Moçambique 2018 Maputo: IESE, pp. 449-479.
Silava, L, E;. Berger, G, M;. Robaina, E, L.(s/d). Educação ambiental como factor essencial
nas intervenções em áreas de risco geológico.s.e

Você também pode gostar