Nutrição em Obstetrícia,
Pediatria e Adolescência
Bianca Innocencio
2018
Síndrome do Ovário Policístico (SOP)
• Atinge de 6 a 10% das mulheres em
idade fértil
• É considerada a causa mais comum
de infertilidade por anovulação
• Resistência insulínica e a
hiperinsulinemia elementos mais
importantes na etiopatogenia da SOP
• Cursa com diabetes mellitus,
síndrome metabólica e doença
cardiovascular
• Predisposição genética
Critérios diagnósticos
NIH 1 Rotterdam 2 AES-PCOS Society 3
Presença de dois Presença de dois Presença de dois
critérios: critérios: critérios:
Disfunção Disfunção menstrual Disfunção menstrual e
menstrual ou ovários policísticos
Hiperandrogenemia Hiperandrogenemia Hiperandrogenemia
e/ou e/ou e/ou hiperandrogenismo
hiperandrogenismo hiperandrogenismo
.................. Ovários policísticos ...........................
SOP
Baixo peso ao nascer e pubarca precoce > risco para o
aparecimento da SOP (sintomas usualmente na época
da menarca);
Início SOP após a puberdade também pode ocorrer
como resultado de modificadores ambientais, tais como
ganho de peso e vida sedentária
SOP
Dieta inadequada
Obesidade Gordura Visceral
Etnia
Sedentarismo Secreção de
citocinas pró-
Variantes genéticos inflamatórias
IL-6 , TNF- α
E EROs- presentes
Risco para no tec adiposo
Inflamação
DM , SM e DCV R.I
Hiper Redução
da atividade
androgenismo Tirosina quinase
Receptor da insulina
SOP e hiperinsulinemia
Pelo menos 50% das
mulheres com SOP são
obesas e a maioria,
apresenta resistência à
insulina e
hiperinsulinemia,
presença de acanthosis
nigricans.
Tratamento
Clássico- SOP
Objetivo: melhorar a fertilidade, diminuir as complicações da gravidez;
Regularizar o ciclo menstrual, combater o hiperandrogenismo e prevenir o
carcinoma de endométrio. Diminuir risco de DM2 e DCV;
Redução de peso, redução aproximadamente 5% do peso corpóreo pode
restaurar a ovulação ;
Medicamentos : anticoncepcionais orais, os anti-andrógenos, os anti-
estrógenos e os agentes sensibilizadores da insulina (tiazolidinedionas e
biguanidas: Metformina) reduzir o nível de hiperinsulinemia e seu
impacto negativo sobre a função ovariana e a prevenção a longo prazo de
suas consequências cardiovasculares;
Anticoncepcionais orais, podem piorar a R.I , induzir intolerância à
glicose aumentando o risco de desenvolvimento de DM2, elevar os níveis
de TGL e aumentar o risco cardiovascular também devido às suas ações
sobre a coagulabilidade e a reatividade vascular
Metformina
Intolerância a glicose- Facilita o transporte de glicose, com
aumento da atividade tirosina quinase nos receptores de
insulina. A metformina não tem efeito direto sobre a
secreção de insulina pelas células beta pancreáticas.
SOP - tratamento
Consenso das sociedades europeia (ESHRE) e americana (ASRM) : Mudança no
estilo de vida primeira linha de tratamento para mulheres com SOP e
obesidade
Exercício
Mudança alimentar Melhora no perfil lipídico, reduções dos níveis de
andrógenos circulantes, aumento da fertilidade e
menores taxas de abortos
Mudança no peso corporal alteram positivamente a sensibilidade a
insulina
Ômega 3 e SOP
Redução de eicosanoides pró-inflamatórios. Melhoram a sensibilidade a insulina no fígado em 38%
mantendo a inibição da produção hepática de glicose .
Estudos recomendam de 2g a 3g diárias de ômega 3, sempre acompanhado por uma vitamina
antioxidante.
EPA DHA
O aumento no EPA nos fosfolipídios Apesar do DHA não ser substrato para enzimas
das membranas inibem o metabolismo COX e LOX inibe a síntese de ac graxo w6
do ác araquidônico por competição diminuindo a liberação de ac araquidônico da
pelas mesmas vias enzimáticas , membrana- ação anti-inflamatória
promovendo a formação de
leucotrienos e prostaglandinas menos
inflamatórias (COX e 5 LOX)
Ac graxos monoinsaturados (MUFA)
O consumo de amêndoas está associado a
melhora na obesidade, hiperlipidemia,
hipertensão e hiperglicemia.
Estudo clínico cruzado randomizado de 12
semanas - consumo de 20 amêndoas/dia
melhoraria o controle glicêmico e diminuira o
risco de Doença cardiovascular
> saciedade < consumo de
carboidratos
Estudo com 100 mulheres
com sobrepeso e o
diagnóstico de SOP
Dieta + atividade física por 12
semanas
Dieta adotada- Baixo Índice Glicêmico, inspirada na dieta do
mediterrâneo, dieta antiinflamatória
e antioxidante. Incentivando o consumo de legumes, peixes e produtos
lácteos com baixo teor de gordura
25% proteínas , 25% de gordura e 50% de carboidratos
Pirâmide da Dieta Mediterrânea
portuguesa (FUNDACIÓN DIETA
MEDITERRÁNEA, 2015).
Mulheres que relataram < 6 horas
de sono reportaram mais
irregularidade menstrual,
aumento na insulina de jejum >
prevalência de Resistência a
Insulina.
Estudo transversal prospectivo de 231 mulheres, incluindo trabalhadores de
saúde
pacientes de referência saudável da Clínica da Mulher e voluntários
da comunidade universitária no Hospital Universitário Nacional de Cingapura,
de 2011 até 2015.
Cromo e resistência a Insulina
• Potencializa a ação da insulina- ativa a tirosina quinase localizada nos
receptores insulínicos- tornando-os mais ativos
• Nos pacientes com resistência periférica a insulina , ocorre inativação dos
receptores insulínicos- apesar de haver excesso esta não se liga ao receptor
• Deficiência de doce aumenta necessidade de açúcar/ excesso de açúcar
aumenta a excreção de cromo
Efeitos hipoglicemiantes do
Fenogreco (Aminoácido 4-
hidroxisoleucina) atuaria por meio do
estímulo da regulação da insulina-
células ß – pancreáticas, bem como
por meio da inibição das atividades de
alfa – amilase e sacarase, duas enzimas
intestinais envolvidas no metabolismo
do carboidrato.
50 Mulheres
500mg por 3 meses
Outros suplementos e SOP
Vitamina D A deficiência de vit D reduz a atividade
das células B-pancreáticas
Sugestão: 2000UI a 7000UI
Vit B12 e Ácido Fólico A suplementação combinada de Vit B12 e
ac fólico – aumentam o efeito da
metformina
Sugestão: ac folínico 400mcg a 800mcg
Metilcobalamina 100mcg a 500mcg
Fenucgreek seed extract Uso de 500mg (2 x ao dia)
50% fenusídeos Redução de cistos e retorno do ciclo
menstrual em 36% a 71% dos casos
Sugestão: 250mg a 500mg , 2 x ao dia
Sugestão Fórmula SOP
Fenugreek Seed extract (50% de fenusídeos) ....250mg
Metilcobalamina.................................................500mcg
Ac folínico..........................................................400mcg
Nutrição e SOP
Ac graxos poliinsaturados (ômega 3)
Ac graxos monoinsaturados (MUFA)
Controle dos carboidratos da dieta (dieta mediterrânea)
Antioxidantes (Vit E, Vit A, Vit C, Selênio)
Magnésio quelado
Zinco quelado
Cromo
Vit D
Ac lipóico, fenogreco
Canela, chá verde, cacau , yacon, linhaça, amido resistente
(biomassa de banana verde)
Adaptado do livro Modulação Hormonal .
Paschoal, Valéria
Endometriose
Patologia crônica hormônio dependente -
Presença de tecido funcional semelhante ao
endométrio localizado fora da cavidade
uterina, mais comumente no peritônio
pélvico, nos ovários e septo retovaginal
Processo inflamatório peritoneal local
causado pelos implantes endometriais
ectópicos.
Endometriose
Prevalência 10 a 20% das mulheres em idade
reprodutiva de 30 a 50% das mulheres inférteis
apresentam endometriose;
Prevalência Nuliparidade (maior exposição
estrogênica);
Contraceptivos podem temporariamente suprimir os
sintomas , porém o uso prévio aumenta o risco da
doença por suprimir os sintomas e não os focos da
doença, reativação após a interrupção do seu uso;
Pode ser assintomática ou cursar com queixas de
dismenorreia, dispareunia, dor pélvica crônica e/ou
infertilidade.
Diagnóstico : intervenção cirúrgica, preferencialmente
por videolaparoscopia
Tratamentos difundidos: cirurgia, terapia de
supressão ovariana ou a associação de ambas
Endometriose- Etiopatogenia
Fatores: genéticos, hormonais e imunológicos poderia
contribuir para a formação e o desenvolvimento dos focos
ectópicos de endometriose;
Menstruação retrógrada- refluxo de tecido endometrial
através das trompas de falópio durante a menstruação, com
subsequente implantação e crescimento no peritônio e
ovário;
Embora 70 a 90% das mulheres apresentem menstruação retrógrada, apenas uma
minoria irá desenvolver a doença . Isso sugere que outros fatores – genéticos,
hormonais ou ambientais – poderiam determinar uma maior suscetibilidade para
desenvolver a doença;
Metaplasia Celômica- o endométrio e as
células peritoneais derivam do mesmo epitélio
embrionário (epitélio celomático), que teria a
capacidade de transformar-se em vários tipos
celulares, inclusive células endometriais.
Teoria da indução- substâncias indutoras
liberadas por células endometriais ectópicas
induziriam as células multipotenciais do
mesênquima indiferenciado a transformar-se em
novas células endometriais.
A ENDOMETRIOSE
não compromete
exclusivamente a
receptividade do
endométrio, mas
também o
desenvolvimento dos
ovócitos e pré-embriões.
Dioxina e endometriose
Efeitos imunossupressores e
interferência na via de
sinalização estrogênica.
Simsa, em 2010, concluiu que mulheres
expostas a maiores concentrações
plasmáticas de dioxina tiveram maior
risco de desenvolver endometriose se
comparado ao grupo de mulheres com
menores concentrações desses
compostos.
Relação entre a exposição a xenobióticos
FEBRASGO, 2014/2015 e endometriose
Exercício e endometriose
2 horas de exercício Regulação dos
aeróbico por semana níveis de
efeito protetor estradiol
IMC maior, menor
Redução de risco de
citocinas endometriose
inflamatórias Ciclos
anovulatórios
FEBRASGO, 2014/2015
Dieta e o estilo de vida
pode influenciar na
inflamação crônica
Alimentação rica em
Consumo de carne
ômega 6 (prostaglandinas
vermelha e embutidos
E2 e E2α)- aumento da
maior risco de
O consumo de dor
endometriose
fitoestrógenos ,
aumentam o risco
(relação endometriose e
estrogênio) Maior consumo de álcool Níveis adequados
maior risco de de Vit D
endometriose Suplementação Vit A,
Cafeína (controverso) C, E e complexo B
MCN Am J Matern Child menor risco de
Nurs. 2017 endometriose
Conclusão
• Deficiência de nutrientes resultam nas mudanças no metabolismo
lipídico, no estresse oxidativo e na promoção de anormalidades
epigenéticas, que podem estar envolvidos na gênese e progressão da
doença.
• Alimentos ricos em omega 3 com efeitos anti-inflamatórios,
suplementação com N-acetilcisteína, Vitamina D e resveratrol, além do
aumento do consumo de frutas, vegetais (de preferência orgânicos) e grãos
inteiros exercem proteção reduzindo o risco de desenvolvimento e possível
regressão da doença.
Resveratrol e Pinus Pinaster
e endometriose
Resveratrol Pinus pinaster
Estudo investigou controle da dor pélvica Potente ação antiinflamatória-Ação
em pacientes c endometriose. como inibidor na cascata pró-
À terapia padrão com anticoncepcionais inflamatória NF-kB em 15,8%.
orais (ACO) foi adicionado 30mg de
resveratrol /dia. Pacientes que receberam 100mg de
82% de alívio na dismenorreia e dor após extrato seco P. Pinastre por via oral 1 x ao
2 meses de tratamento dia – alívio da dor na terapia padrão
Sugestão: 30mg via sublingual (ACO)
Sugestão: 100mg ao dia
A suplementação concomitante alívio da dor
em 2 meses de tratamento
Pinus pinaster.......100mg
Resveratrol........30mg
Magnésio nos alimentos (100g)
Verde escuro-89mg
Semente de girassol-325mg
Quinoa - 197mg
Feijão branco – 190mg
DRI- 260mg/dia
Relação normal cálcio magnésio 2:1.
suplementação da maioria dos
indivíduos relação de 1:1 ou 1:2 (baixa
ingestão dos alimentos fonte) Redução na sensação de dor
Relaxante natural
Anti-inflamatório
Nutrição e endometriose
Tratar intestino (inflamação), reduzir exposição;
Orientar aumento no consumo de peixes (pequenos) e redução do
consumo de carne vermelha (ômega 3 de 1 a 2 g/ dia)
Aumentar o consumo de vitaminas e nutrientes antioxidantes (Vit A, Vit
C, Vit E ) e vitaminas do complexo B;
Orientar o consumo de alimentos fonte de magnésio (antiinflamatório);
Orientar o consumo de alho, gengibre, cúrcuma
Avaliar suplementos: resveratrol e pinus pinaster
Hipotiroidismo e fertilidade
Hipotiroidismo
Infertilidade e autoimunidade
mecanismos:
interferência nos mecanismos adaptativos da alta demanda
de hormônio tiroidiano na gravidez
associação de um ambiente autoimune, com efeitos diretos
sobre a placenta e o feto como consequência da ativação
generalizada do sistema imunológico.
A hipótese é de que a autoimunidade impede a reação
adaptativa da tiroide para a alta demanda hormonal,
resultando em níveis mais baixos de hormônios tiroidianos.
Hipotiroidismo- aumentaria o estrogênio
Tireoide e concepção
Início da gestação – níveis elevados de estrogênio determinam aumento
das concentrações séricas da proteína transportadora de T4 (TBG)
consequente aumento das concentrações séricas de T4 e T3 totais – nível
máximo por volta da 12 a 14 semanas da gestação
Com isto ocorrerá a redução de T4 e T3 livres seguidas de aumento do
TSH (hormônio estimulador da tireoide) para que haja novo equilíbrio -
alterações ficam evidentes em áreas deficientes de Iodo
TSH> 2,5 um/L
Diretrizes clínicas para o
manejo no hipotiroidismo
Iodo
• Em adultos saudáveis, a absorção de iodo da dieta é > 90%;
• O corpo de um adulto saudável contém 15-20 mg de iodo, dos quais 70-
80% está na tireóide;
• Na deficiência crônica de iodo, o teor de iodo da tireóide pode cair para
<20 μg;
• Tal declínio limita a síntese de hormônio tireoidiano, levando ao
hipotireoidismo e suas sequelas.
Hormônios tireoidianos materno e fetal
Hormônios
membrana placentária
tireoidianos maternos
antes e após o início da
função tireoidiana fetal T4 entre a
quarta e sexta
semana (fluido
celômico-
cavidade
embrionária)
Baixas Receptores de
concentrações T3 no cérebro
maternas de T4 (décima
déficit neurológico semana)
fetal irreversível
Em 2013 resolução da Anvisa
reduz os limites de iodo adicionado
Iodo no sal no sal passa de 20 a 60 miligramas (mg)
por quilo (kg) de sal, para 15mg/kg a 45 mg/kg
http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/informe/site/materia/detalhe/32499
Nutrição e Tireoide
• Manter alimentação com característica destoxificante
• Observar- TSH: 0,4 a 4,5 mU/L (ideal até 2,4 um/L)
Valores normais de T4 livre: 0.7–1.8 ng/dl
• Tratar intestino
• Atenção aos alimentos bociogênicos
• Observar glúten
• Evitar Cloro (água/ substituir hipoclorito por peróxido
de hidrogênio....3 % Manipular)
• Suplementar quando necessário: selênio, iodo, ferro,
vitamina A e zinco
Quem é o nosso paciente?
Exposição a químicos ambientas (xenobióticos)
Radicais livres Stress oxidativo
Alimentação pobre em antioxidantes
Infertilidade OU esterilidade
A fertilidade masculina depende de três fatores:
- Produção adequada de espermatozoides pelos testículos
(qualidade dos espermatozóides)
-Desobstrução do trato seminal; (permitindo passagem do
esperma)
- Contato satisfatório com o óvulo.
Principais causas de infertilidade
masculina
Alterações dos espermatozoides
Azoospermia: ausência de espermatozoides
Não produz ou produz em n insuficiente (criptorquidia , anomalias do cariótipo,
mutações genéticas do cromossoma Y, distúrbios endócrinos, infecção testicular,
exposição a tóxicos ambientais e profissionais e/ ou quimioterapia)
Mais frequente, resultado de infecções genitais (infecções sexualmente transmissíveis:
sífilis gonorreia, clamídea, micoplasmas, micoses, HPV, herpes genital) tuberculose ou
vasectomia.
Pode dever-se a uma obstrução ou ausência dos canais genitais excretores
(azoospermia obstrutiva)
Oligoespermia OU oligozooespermia: redução do número de espermatozóides –
causas: hormonais, efeitos colaterais de medicamentos, fatores ambientais
(tabagismo, álcool, hipertermia)
Anomalias dos espermatozoides- avaliação deve ser feita pelo espermograma
Avaliação das principais características, volume (hipospermia ou hipermespermia),
pH deve ser alcalino pH>7- acidificação ou alcalinização alteram a mobilidade dos
espermatozoides.
Presença de anti- corpos Os espermatozoides podem iniciar uma reação
imunitária c a produção de anticorpos anti-espermatozoide- razão pela qual a
espermatogênese acontece atrás de barreira imunológica nos testículos.
Em alguns indivíduos – os espermatozoides passam através da barreira e estimulam
a produção de anticorpos.
A presença de Anti-corpos espermatozoides é responsável por cerca 40% dos
casos de casais com infertilidade inexplicada, 10% dos casos de infertilidade
masculina inexplicada
Alterações Anatómicas: criptorquidia, lesões no escroto (hidrocelo, varicocelo,
quistos do epididimo, torção testicular, ejaculação retrógada
Alterações genéticas: anomalias do cariótipo (alteração no número ou estrutura
dos cromossomas- azoospermia ) Ou anomalias nos espermatozoide incapacidade
de fecundação
Causa desconhecida ou idiopática: 10 a 15% dos casais – não encontram a causa.
Quando a qualidade do sêmen preenche critérios de normalidade e não são
identificadas anomalias no sist reprodutor da mulher (pode haver anomalias
moleculares nos espermatozoides, observados na fecundação in vitro)
Categorias para avaliação dos espermatozoides
adequados
aspermia (ausência de ejaculação)
azoospermia (ausência de espermatozoides no sêmen)
oligospermia (densidade de espermatozoides reduzido)
motilidade fraca (movimento para a frente danificado)
morfologia (elevada percentagem de espermatozoides anormais)
anti-corpos anti-esperma (comum pós reversão de vactomia, varicocele, obstruções unilaterais ou bilaterais
do trato genital....)
Factores Ambientais – produção de espermatozoides
Se os valores encontrados no espermograma estiverem dentro dos intervalos normais, deve -se observar
medicamentos ou fatores ambientes que podem alterar temporariamente a qualidade do sémen.
Infecção do trato genital( 82% dos homens inférteis – culturas bacterianas positivas no sêmen >1000
bactérias no sêmen e >1 milhão de leucócitos no sêmen- piospermia)
Vários hormônios controlam a produção de
espermatozóides. No entanto, a disfunção hormonal não
é a principal incidência nos homens inférteis (apenas
3% dos casos).
Nos Homens
Álcool Tabaco
Alcoólicos crônicos- atrofia testicular, Podem interferir na qualidade do
associada a fibrose peritubular e redução esperma
das células germinativas. Não existem evidências suficientes da
< testosterona livre e testosterona total utilização do tabaco e infertilidade
normal masculina (evidências suficientes no que
Os níveis de gonadotropinas podem ou tange a fertilidade feminina)
não estar aumentados, função
hipofisária suprimida (levando a
disfunção erétil, ginecomastia, e
diminuição dos sinais de virilização).
• Não existem evidências que o
consumo moderado de álcool interfira
na fertilidade masculina.
Obesidade IMC >25Kg/M2 e resistência a insulina
Redução nos níveis de SHBG
Alterações na espermatogênese- diminuição no número de
espermatozoides
LH e FSH- normais ou ligeiramente diminuídos
Redução plasmática da testosterona (hipogonadismo
secundário)
Outras causas de
hipogonadismo secundário:
desnutrição, hemocromatose,
tumores na hipófise ou
hipotálamo, excesso de cortisol,
prolactina ou estrogênios.
Prostatite/ inflamação do epididimite
(armazenamento e transporte de
esperma) infecção bacteriana DSTs
Gonorréia, tuberculose e Clamídia –
Epididimo-Orquite- quando tb atinge o
testículo
Alcançar o potencial de fertilização normal para o homem envolve um complexo
processo de divisão e maturação de células germinativas
Processos suscetíveis a condições inflamatórias e infecciosas (de forma silenciosa)
Avaliação de tecido testicular de homens inférteis revelou infiltração leucocitica
em 50% dos homens
O impacto de qualquer inflamação e infecção no Trato reprodutivo na fertilidade
– dependerá da natureza crônica X aguda e tipo de patôgeno invasor
Inflamação e infecção
parece levar a alteração na
espermatogênese
• Inflamação-
aumentando a
produção das EROs
(leucócitos infiltrados e
as citocinas
inflamatórias) Óxido
nítrico ON que
causariam danos aos ac
graxos poliinsaturados
(encontrados na
membrana dos
espermatozoides)
Redução da mobilidade e
potencial de fertilização.
A utilização de antioxidantes
(individualmente ou
combinados ) tem
demonstrado melhorar a
qualidade do esperma.
Zinco e fertilidade
Níveis de zinco no plasma seminal 100 x maior Mineral essencial na concepção, implantação e
que no soro sanguíneo desfecho favorável da gestação
Concentração reduzida no sêmen de homens Espermatogênese (co-fator enzimas metabolismo
inférteis proteico)
Ingestão inadequada leva a diminuição da Influencia a fluidez dos lipídios e estabilidade das
concentração plasmática seminal de zinco membranas biológicas
Redução Zinco: absorção reduzida, aumento de Co-fator de enzimas envolvidas no metabolismo
perdas (uso de drogas, catabolismo muscular), dos radicais livres de oxigênio (SOD)
aumento da demanda (stress)
Papel regulador na qualidade do acrossoma
(vesícula rica em enzimas digestivas presente na
cabeça do espermatozoide)
Fator de crescimento e imuneregulação
Melhora na qualidade do esperma nos homens
Zhau. Et Al, 2016 suplementados c zinco
Dosar zinco eritrocitário
Forma Ativa: zinco quelado,
Zinco glicina
Zinco / cobre: 10/1
RDA
Adulto: 7 a 11mg
UL:30mg
Dose usual:
10- 15mg
Alimentos Fonte
Alimentos Conteúdo de zinco (mg/100g)
Ostra 45,2
Levedura 11
Semente de abóbora 10,3
Carne vermelha 8,1
Caranguejo 5,7
Castanha de caju 4,7
Amendoim 3,2
Amêndoa 2,6
Nozes 2,1
Camarão 1,2
Lentilha 1,2
Paschoal , V. Et al. 2014
Dano oxidativo do DNA do esperma tem
papel crítico na etiologia da qualidade do
sêmen e infertilidade masculina.
Selênio é um elemento essencial para o
desenvolvimento de testículos normais,
espermatogênese, motilidade e função
dos espermatozoides
Metabolismo de ação-proteção de
organelas e membranas de danos
peroxidativos
Selênio (Se) e fertilidade
A administração de Se aos pacientes subférteis induziu um aumento da motilidade
espermática
Suplementação de Se selenoproteína (Glutationa peroxidase)- ação nas EROs
(protegendo a membrana : fosfolipídios do espermatozoide, evitando a peroxidação
lipídica) e aumentando a fertilidade
Selênio é um dos compostos antioxidantes presentes na membrana do
espermatozoide
MOHAMMAD, k .2011
Selênio
Cofator para GPX (glutationa peroxidase) e 25 enzimas antioxidantes,
atividade antiviral, aumenta níveis de Linfócitos T e atividade das células
natural Killer, produz interferon-γ e citocinas
Antioxidante neutraliza radicais peróxidos de hidrogênio
e reduz peroxidação lipídica
A enzima GPX atua como destoxificante de metais pesados como: mercúrio,
cádmio e arsênico
A enzima desiodinase que converte tetraiodotironina ou tiroxina (T4) em
triiodotironina (t3- forma ativa) é selênio dependente.
O excesso ou a deficiência de
selênio parece prejudicar a
motilidade do esperma
Bleau e colaboradores dosaram o selênio no esperma de 125
homens e encontraram valores de 7 a 230 µg/ml. Média : 71,3
µg/ml.
O plasma seminal continha 85% do oligoelemento.
Verificaram que para valores de selênio no sêmen entre os 50 e
69 µg/ml, os espermatozoides dos indivíduos tinham
motilidade máxima; enquanto para valores de selênio inferiores
a 50 µg/ml ou superiores a 69 µg/ ml, os indivíduos
apresentavam fraca motilidade e elevada astenospermia.
Selênio e fertilidade masculina
Koa e colaboradores-avaliaram níveis de estresse oxidativo (peróxido lipídicos e 8-
didroxi-2-deoxiguanosina) e de antioxidantes no plasma e em espermatozoides de
voluntários sadios e inférteis.
Relação negativa entre a motilidade dos espermas e os níveis de 8-OHdG e de
peróxidos lipídicos, que estavam presentes na mitocôndria.
Níveis de antioxidantes – relação positiva com a motilidade
Conclusão- espermatozoides com alteração da motilidade- maiores níveis de stress
oxidativo, menor capacidade antioxidante.
Concentração de selênio nas gônadas masculinas- influencia a higidez dos
espermatozoides e redução dos stress oxidativo
Mosli e Tavanbakhsh confirmaram em estudo c 690 homens inférteis portadores de
astenoteratospernia ediopática (questões na motilidade ) receberam 200mcg de
selênio + 400UI/dia Vit E por 100dias. 52% da população do estudo apresentou
melhora na motilidade e morfologia do espermatozoide
Vitamina C
Combate o stress oxidativo causados por uma excessiva produção de
espécies de oxigênio reativo (EOR) no plasma seminal, entre eles o óxido
nítrico (ON)
Poder redutor- doa elétrons
Em condições normais, as células somáticas contêm substâncias
antioxidantes em seu citoplasma. O espermatozoide, durante o período
de maturação, perde a maioria dos antioxidantes endógenos, ficando
vulnerável à ação de EOR
Redução do IMC e
suplementação com 1 g/dia de
Vit C
Foram efetivos em melhorar a
concentração e motilidade do
esperma
L- carnitina
Aminoácido ramificado condicionalmente essencial que desempenha função
vital na produção de energia e metabolismo de ácidos graxos. Aumenta a
utilização de carboidratos modulando os níveis intramitocondrial de acetil-coa.
A carnitina parece aumentar a motilidade espermática em
homens.
O esperma precisa de muita energia que é fornecida por
ácidos graxos de cadeia longa. Esses ácidos graxos devem
ser transportados para dentro das células através da
carnitina para serem convertidos em energia.
Parece que a disponibilidade de carnitina pode ser um fator
limitante na habilidade de geração de energia do esperma.
Atenção com vegetarianos
Alimento Quantidade do
aminoácido (μmol)
por 100g do
Fonte
Carne Bovina 200-80º
Carne Branca 20-40
Sugestão: Leite de Vaca 20
L- carnitina....500mg Aspargos 1,2
Coenzima Q10....100mg
Em capsulas sem corantes
Utilizar 1 dose pela manhã por 30 dias
Estudo feito em 2013 Nature Medicine
Constatou que a suplementação de L carnitina
ou consumo excessivo de carne vermelha
produz trimetilamina n-óxido (TMAO)
substância pró-aterosclerótica em pacientes c
disbiose.
Alimentos fonte Vit E
H H
Tocoferol
Doa elétron
H
Aceita elétron
Tocoferil Ácido ascórbico, enzima
glutationa-reduzida e a
coenzima Q10.
Suplementação
Forma ativa: Vitamina E natural (d-α-tocoferol) e vitamina E sintética (dl-
α-tocoferol) – junto c vit C
UL: 1000mg/dia
IDR:10mg
Sugestão: dl-α-tocoferol Ou mix de tocoferol.....15 a 30mg
Estratégias para melhorar a
fertilidade masculina
Estimular exercício e perda de peso
Alimentação rica em antioxidantes e micronutrientes
(suplementação) Zinco, Vit E, Vit C , Selênio, L-
carnitina, coenzima Q10
Desencorajar tabaco e álcool
Investigar doença celíaca (< aporte nutricional)
Utilizar estratégias antiinflamatórias:
• Açafrão da terra, gengibre, ômega 3
O Casal
FIM