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Catálogo - Véio RJ 2017

O documento descreve uma exposição individual do artista Cícero Alves dos Santos, conhecido como Véio, na Galeria Estação no Rio de Janeiro em 2017. A mostra apresenta esculturas coloridas de madeira do artista e inclui um texto de introdução e um texto de curadoria analisando o trabalho de Véio.

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Catálogo - Véio RJ 2017

O documento descreve uma exposição individual do artista Cícero Alves dos Santos, conhecido como Véio, na Galeria Estação no Rio de Janeiro em 2017. A mostra apresenta esculturas coloridas de madeira do artista e inclui um texto de introdução e um texto de curadoria analisando o trabalho de Véio.

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VÉIO DE SURPRESA NO MUNDO

GUSTAVO REBELLO ARTE GALERIA ESTAÇÃO


VÉIO
DE SURPRESA NO MUNDO
CURADORIA RONALDO BRITO

2017
CapaVeioRJ2017.indd 1 4/6/17 7:05 PM
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VÉIO
DE SURPRESA NO MUNDO

curadoria Ronaldo Brito

abertura 25 de abril 19 h

Rio de Janeiro 2017

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Sem título, 2016
Tinta acrílica e madeira
100 x 85 x 60 cm
39.37 x 33.46 x 23.62 in

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VÉIO Vilma Eid

Esta é mais uma conquista do Cícero Alves dos Santos, Véio. De Nossa Senhora da
Glória a Paris, Veneza, Londres, e agora o Rio de Janeiro.

Homem sensível, ele percebeu cedo seu dom. Tinha consciência de que era artista
e, quando o conheci, sabia muito bem que o que desejava era o reconhecimento.
Conseguiu, e isso não é algo fácil. Escultor desde sempre, seu trabalho ganhou
espaço no mercado de arte entre colecionadores e instituições, como a Pinacoteca
de São Paulo e a Fundação Cartier em Paris. No Rio de Janeiro ele está nas coleções
do MAM e do MAR. Seu nome e sua obra são conhecidos e reconhecidos.

A associação feliz da Galeria Estação com a Gustavo Rebello Arte nos trouxe aqui.
Gustavo, querido amigo e admirador do Véio, tornou-se importante parceiro para
que a Cidade Maravilhosa também seja palco e sede desta individual.

E o fato de o Ronaldo Brito ter aceitado, com alegria, o convite para a curadoria coroa
este projeto. Seu texto, generoso e preciso, é mais um passo para a compreensão
da obra contemporânea do Véio. Precisa ser lido e assimilado porque, entre muitos
atributos, tem o mérito de contribuir para acabar com as falsas fronteiras na arte.

Divirtam-se.

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O morcego da asa branca, 2009
Tinta acrílica e madeira
45 x 50 x 36 cm
17.71 x 19.68 x 14.17 in
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DE SURPRESA NO MUNDO Ronaldo Brito

O que chama logo a atenção é o modo livre e franco como esta fauna imaginária
chega ao real. Quase sempre em movimento, mais ou menos como um bicho
sai do mato e, de repente, surge à nossa frente. E não se trata de um movimento
representado – sua própria formalização é que é movimentada, rápida e sucinta
a escultura se apresenta e nos interroga. Traduz assim o ideal moderno da
autossuficiência da forma: ela sustenta a sua surpresa estética como se quisesse
aparecer, de novo e sempre, pela primeira vez. Não sei, sinceramente, se Véio
conhece Picasso e Miró. Em todo caso, eles o conhecem, rondam o seu imaginário,
participam de seu processo de produção.

Dado seu aspecto disforme, muitas dessas figuras mereceriam se incluir na


categoria do Grotesco. Poderiam até responder ao célebre apelo surrealista de
André Breton: “A beleza será convulsiva ou não será”. No entanto, a ­divertida
economia de meios, a espontaneidade com que vêm a ser, certo tônus vital
descontraído talvez as deixem mais à vontade sob a rubrica do Pitoresco. A meu
olhar, pelo menos, não parecem nada assustadoras. Estranhamente familiares,

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teriam com certeza algo de onírico, jamais evocam contudo o terror do pesadelo.
Mas o principal, o que de fato interessa é o seu modus operandi poético. Reparem a
desenvoltura com que fazem coincidir meios e modos – seja qual for o seu enigma
de origem, sua aparência intrigante, as contorções da madeira nunca perdem de
vista a exigência escultórica básica: a peça há de ficar de pé por si mesma. Esses
bichos inverossímeis começam por enfrentar o teste de realidade elementar: existir
por conta própria, exercer sua liberdade de ação.

À contracorrente do cânone da chamada Arte Popular Brasileira (de resto,


no modesto entendimento do crítico outsider nesse domínio, uma classificação
essencialista caduca) as esculturas de Véio são tudo menos hieráticas. Não surgem,
estáticas e extáticas, do fundo do tempo, a conservar tradições e vivências varridas
pela ação predatória da modernidade. Tampouco obedecem à religiosidade
inerradicável de certa estatuária humilde que costuma ser agraciada – e, com isso,
esteticamente sublimada – com a aura da humanidade pura. Em comparação,
já por sua mobilidade casual, a escultura de Véio resulta decididamente profana.
Ninguém ousará contestar sua extração mítica; dito isso, ela vale sobretudo por
seus achados formais, indissociáveis, é evidente, de seu conteúdo de verdade
histórico e existencial. Ela nos atrai justo por sua contemporaneidade, porque nela
pulsa uma vida imaginativa atual.

De imediato, sem preâmbulos, nos descobrimos às voltas com uma verve


combinatória capaz de articular, desarticular e rearticular seus elementos plásticos
de maneira coerente e inventiva. Nesse sentido, Véio demonstraria, acima de tudo,
expediente. É o repentista ágil, a improvisar com as madeiras nativas de seu habitat

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agreste, acompanhando ou contrariando as rimas de sua morfologia, e delas tirar
efeitos inesperados. Algumas peças se me afiguram quase ready-mades do sertão
– duas ou três manobras inspiradas bastam ao artista para transformar os galhos
secos de uma árvore morta num bicho ligeiro de escultura.

A nenhum texto crítico, ainda que curto e despretensioso, seria perdoável


calar-se diante do pequeno escândalo que representa a cor na escultura de
Véio. E não apenas porque se mostram cores abertas, sem nuances ou matizes,
extrovertidas e vibrantes, aptas a competir com a luz brutal do sertão. Mesmo
o seu negro parece suscetível de brilhar no escuro. O importante é que atuam
de maneira substantiva na definição do corpo da escultura, caracterizam a sua
personalidade. Intuitivamente, Véio faria um uso topológico da cor. Elas promovem
a interação entre as partes das peças de modo a torná-las um Todo descontínuo
moderno. As esculturas não se resumem a simples figuras projetadas contra um
fundo neutro. Elas reagem a seu entorno, acontecem no mundo.

Rio de Janeiro, março de 2017

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Sem título, 2016
Tinta acrílica e madeira
140 x 60 x 74 cm
55.11 x 23.62 x 29.13 in
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10

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Bicudinho, 2014
Tinta acrílica e madeira
82 x 70 x 67 cm
32.28 x 27.55 x 26.37 in

Apoio sobre base, 2014


Tinta acrílica e madeira
63 x 70 x 64 cm
24.80 x 27.55 x 25.19 in
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Sem título, 2016
Tinta acrílica e madeira
110 x 40 x 66 cm
43.30 x 15.74 x 25.98 in
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Sem título, 2016
Tinta acrílica e madeira
106 x 79 x 90 cm
41.73 x 31.10 x 35.43 in
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Sem título, 2016
Tinta acrílica e madeira
110 x 45 x 60 cm
43.30 x 17.71 x 23.62 in

Sem título, 2016


Tinta acrílica e madeira
165 x 35 x 58 cm
64.96 x 13.77 x 22.83 in
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Sem título, 2016
Tinta acrílica e madeira
130 x 75 x 40 cm
51.18 x 29.52 x 15.74 in

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VÉIO Vilma Eid SUDDENLY INTO THE WORLD Ronaldo Brito

This is another achievement of Cícero Alves dos Santos, Véio. What is striking is the free and frank way this imaginary
From Nossa Senhora da Glória to Paris, Venice, London, and fauna reaches the real. Almost always in motion, more or
now to Rio de Janeiro. less as a beast comes out of the bush and suddenly appears
before us. And it is not a represented movement – its
Sensitive man, he realized his gift quite early in life. He own formalization is that it is busy, fast and succinct, the
was aware that he was an artist, and when I met him, he sculpture presents itself and interrogates us. It thus translates
knew very well that what he wanted was recognition. He the modern ideal of self-sufficiency of form: it sustains its
got it, and that’s not an easy thing to achieve. Always a aesthetic surprise as if it wanted to appear, again and again,
sculptor, his work has gained space in the art market among for the first time. I do not know, sincerely, if Véio knows
collectors and institutions, such as Pinacoteca de São Paulo Picasso and Miró. In any case, they know him, they surround
and Cartier Foundation in Paris. In Rio de Janeiro he is part his imaginary, they participate in his production process.
in the collections of MAM and MAR. His name and work are
known and acknowledged. Given their deformity, many of these figures deserve to
be included in the category of the Grotesque. They might
The happy association of Galeria Estação with Gustavo even respond to André Breton’s celebrated surreal appeal:
Rebello Arte brought us here. Gustavo, a dear friend and “Beauty will be convulsive or it will not be”. However, the
admirer of Véio, has become an important partner so that funny economy of means, the spontaneity with which
the “Wonderful City” also became the stage and headquarter they come to be, a certain relaxed tone of life perhaps
of this individual. make them more comfortable under the heading of the
Picturesque. In my eyes, at least, they do not look at all scary.
And the fact that Ronaldo Brito accepted with joy Strangely familiar, they would surely have something oneiric,
the invitation to the curatorship crowned this project. His nevertheless never evoke the terror of the nightmare. But
generous and precise text is yet another step towards the main thing, what really matters is his poetic modus
understanding the contemporary work of Véio. It needs to operandi. Notice the resourcefulness with which they match
be read and assimilated because, among many attributes, it up ways and means – whatever their original enigma, its
has the merit of contributing to ending false borders in art. intriguing appearance, the contortions of wood never lose
sight of the basic sculptural demand: the piece must stand
Have fun. on its own. These unlikely animals begin by facing the test

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of elementary reality: to exist on their own, to exercise their almost ready-made in the sertão – two or three inspired
freedom of action. maneuvers are enough for the artist to turn the dry branches
of a dead tree into a slight sculpture.
Contrary to the canon of the so-called Brazilian
Popular Art (besides, in the modest understanding of the No critical text, however short and unpretentious, would
outsider in this field, a decrepit essentialist classification), be pardonable to be silent in the face of the small scandal
Véio’s sculptures are anything but hieratic. They do not that represents the color in the sculpture of Véio. And not
emerge, static and ecstatic, from the depths of time, to only because they show open colors, without nuances or
preserve traditions and experiences swept away by the shades, extroverted and vibrant, able to compete with the
predatory action of modernity. Neither do they obey the brutal light of the sertão. Even his black seems susceptible
ineradicable religiosity of a humble statuary that is usually to glow in the dark. The important thing is that they act
graced – and thus aesthetically sublimated – with the aura substantively in the definition of the body of the sculpture,
of pure humanity. In comparison, by its casual mobility, the characterizing its personality. Intuitively, Véio would make
sculpture of Véio is decidedly profane. No one will dare to a topological use of color. They promote the interaction
contest its mythical extraction. This is said above all by its between the parts of the pieces so as to make them a
formal findings, indissociable, of course, from its content modern discontinuous Whole. The sculptures are not limited
of historical and existential truth. It attracts us just because to simple figures projected against a neutral background.
of its contemporaneity, because it pulsates in a current They react to their surroundings, they happen in the world.
imaginative life.
Rio de Janeiro, March 2017
Immediately, without preamble, we find ourselves
with a combinatory verve capable of articulating,
disarticulate and rearticulate its plastic elements in
a coherent and inventive way. That said, Véio would
demonstrate, above all, expedient. He is the agile repentista,
to improvise with the native woods of his wild habitat,
accompanying or against the rhymes of its morphology, and
of them take unexpected effects. Some pieces seem

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VÉIO DE SURPRESA NO MUNDO 2017

GUSTAVO REBELLO ARTE


Gustavo Rebello

GALERIA ESTAÇÃO
Diretores
Vilma Eid
Roberto Eid Philipp

Curadoria
Ronaldo Brito
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Textos
Véio : de surpresa no mundo / curadoria Ronaldo Brito
Ronaldo Brito ; [texto] Vilme Eid, Ronaldo Brito ; [versão para o inglês]
Fernanda Mazzuco. -- São Paulo : Galeria Estação, 2017”
Vilma Eid
Edição bilíngue: português/inglês
Produção e desenho gráfico “Exposição na Galeria de Arte Gustavo Rebello em
parceria com a Galeria Estação no ano de 2017”.
Germana Monte-Mór Abertura 25 de abril.

1. Arte - Brasil 2. Artes plásticas 3. Artes


Secretaria de produção GRA-RJ visuais - Exposições - Catálogos 4. Cultura popular
Chico Fortunato 5. Esculturas - Exposições - Catálogos 6. Escultores
- Brasil 7. Santos, Cícero Alves dos
Secretaria de produção GE-SP I. Brito, Ronaldo.
Giselli Mendonça Gumiero II. Vilme Eid,
III. Mazzuco, Fernanda.
Rodrigo Casagrande 17-03441 CDD-730
Índices para catálogo sistemático:
Fotos João Liberato 1. Esculturas : Artes plásticas : Exposições : Catálogos 730
Foto da capa Jaime Aioli
Fotos do artista Germana Monte-Mór

Revisão de texto
Otacílio Nunes
Versão para o inglês
Fernanda Mazzuco
Av Atlântica, 1702/loja 8 - Copacabana

Assessoria de imprensa 22021 001 Rio de Janeiro RJ fone 21 25486163


TNT Assessoria, Rio de Janeiro [email protected] gustavorebelloarte.com.br

Montador Carlos André Pereira


Iluminador Antonio Mendel
rua Ferreira de Araújo 625 Pinheiros SP 05428001
Impressão e acabamento Lis Gráfica fone 11 3813 7253 galeriaestacao.com.br

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VÉIO DE SURPRESA NO MUNDO
GUSTAVO REBELLO ARTE GALERIA ESTAÇÃO
VÉIO
DE SURPRESA NO MUNDO
CURADORIA RONALDO BRITO

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