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85 anos da ABEn: uma trajetória de compromisso com a Enfermagem
Brasileira1
Rosemary Silva da Silveira2
Joel Rolim Mancia3
Liziani Iturriet Avila4
Edison Luiz Devos Barlem5
Valéria Lech Lunardi6
O nascimento da Enfermagem Moderna no Brasil concretizou-se com a Reforma
Sanitária, liderada pelo sanitarista e cientista Carlos Chagas, em 1920 numa tentativa do
estado em buscar melhores condições de saúde para a população, uma vez que as
condições sanitárias no Brasil no início do século 20 eram precárias com um número
expressivo de doenças infecto-contagiosas.
A exemplo do modelo proposto por Florence Nightingale, porém em condições
diferentes, a Enfermagem no Brasil, estabeleceu-se como organização Pública, como
extensão do Departamento Nacional de Saúde Pública através da criação da primeira
escola oficial de Enfermagem no Brasil, fundada por Carlos Chagas em 1923,
denominada em 1926 de Escola de Enfermagem "Anna Nery" (EEAN), em homenagem
à primeira enfermeira brasileira, que serviu como voluntária na Guerra do Paraguai.
Em 1923 o grupo de professoras da EEAN criou a Associação do Governo
Interno das Alunas (AGIA), sob a presidência de uma das docentes da EEAN,
constituindo-se como um instrumento formador de qualidade para o comando e
liderança e também com um modo de exercer controle e poder sobre as enfermeiras
diplomadas. Neste período, a Fundação Rockfeller forneceu bolsas de estudo para as
recém-formadas prepararem-se nos Estados Unidos.
Com a Graduação da primeira turma de alunas, em 1925 e também visando
incluir as enfermeiras diplomadas que haviam se formado no exterior urge a idéia de
1
Este texto foi produzido a partir de dados existentes no Site da ABEn Nacional.
2
Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora da Escola de Enfermagem e do Programa de Pós-
Graduação em Enfermagem (PPGEnf) da Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Membro do
Núcleo de Estudos e Pesquisa em Enfermagem e Saúde (NEPES) e do GIATE. E-mail:
anacarol@[Link].
3
Enfermeiro. Doutor em Enfermagem. Professor do Centro Universitário Metodista IPA. Servidor do
Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre – RS.
4
Enfermeira. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da FURG. Membro do NEPES.
Bolsista CAPES.
5
Enfermeiro. Doutor em Enfermagem. Professor da Escola de Enfermagem e do PPGEnf da FURG.
Membro do NEPES.
6
Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da
FURG – Membro do NEPES. Pesquisadora do CNPq.
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que para uma profissão ser reconhecida necessitava de uma associação. Assim,
consagrou-se a Associação Nacional de Enfermeiras Diplomadas (ANED) em 12 de
agosto de 1926. Com o objetivo de ingressar no Conselho Internacional de Enfermeiras
foi acrescentada a palavra Brasileiras, denominando-se Associação Nacional de
Enfermeiras Diplomadas Brasileiras (ANEDB) em 01 de junho de 1929. Com a reforma
no estatuto da entidade, passou a denominar-se Associação Brasileira de Enfermeiras
Diplomadas (ABED) em 07 de agosto de 1944. A partir do entendimento de que não
seria necessário dizer enfermeiras diplomadas, passou-se a denominar Associação
Brasileira de Enfermagem (ABEn) desde o dia 21 de agosto de 1954.
Assim, tem-se como objetivo desenvolver um relato histórico acerca da
Associação Brasileira de Enfermagem e sua trajetória de compromisso com a
Enfermagem Brasileira.
A ABEn é uma entidade de âmbito nacional, de caráter não governamental e de
direito privado, reconhecida como de utilidade pública, conforme Decreto Federal nº
31.417/52, DOU de 11 de Setembro de 1952. Tem como Filosofia estar
“Fundamentada na Constituição, enfatizando a valorização humana e sua promoção,
seja ao nível individual ou coletivo, reconhecendo que a enfermagem tem como
objetivo central o homem em sua dignidade absoluta”
A ABEn é uma sociedade civil,sem fins lucrativos, nem distinção de sexo, cor e
credo religioso, que congrega Enfermeiros e obstetrizes (sócios efetivos), Técnicos e
Auxiliares de enfermagem (sócios especiais) e Estudantes do Curso de Graduação em
Enfermagem e de Educação Profissional Habilitação Técnico de Enfermagem (sócios
temporários); que a ela se associam individual e livremente. É regida por estatuto e
regimentos elaborados e aprovados pelos sócios em Assembléia Nacional dos
Delegados (AND) extraordinária específica (ESTATUTO, 2005).
A ABEn, pautada em princípios éticos assume competências, tendo como
natureza e finalidades a organização da Enfermagem brasileira, as quais conferem-lhe
caráter cultural, científico, social, compromisso ético, político e técnico com o propósito
de defender políticas e programas que visem a melhoria da qualidade de vida da
população. O eixo nuclear de suas ações esta voltado para defesa e consolidação da
enfermagem como prática social essencial na organização e funcionamento dos serviços
de saúde.
3
As finalidades da ABEn são desenvolvidas por meio de diretrizes e programas
de trabalhos definidos em nível nacional, estadual e regional, com observância dos
órgãos de deliberação são:
- Congregar enfermeiros, técnicos, auxiliares de enfermagem, estudantes dos cursos de
graduação e de educação profissional habilitação técnico de enfermagem, incentivando
a solidariedade e a cooperação entre os membros da categoria;
- Promover o desenvolvimento técnico, científico, cultural e político dos profissionais
de enfermagem no país, pautado em princípios éticos.
- Defender os interesses da profissão, articulando-se com as demais
Entidades/Instituições de enfermagem, de saúde e de educação;
- Articular-se com organizações do setor de saúde e da sociedade em geral, na defesa e
na consolidação de políticas e programas que garantam a eqüidade, a universalidade e a
integralidade da assistência à saúde da população;
- Representar os (as) integrantes do seu quadro de associados, nacional e
internacionalmente no que diz respeito às políticas de saúde, educação, trabalho, ciência
e tecnologia, especificamente, no que se refere à enfermagem;
- Promover intercâmbio técnico, científico e cultural com as Entidades e Instituições,
nacionais e internacionais, com vista ao desenvolvimento tecnológico da enfermagem;
- Divulgar trabalhos e estudos de interesse da enfermagem, mantendo órgão oficial de
publicação periódica;
- Promover, estimular e divulgar pesquisas da área de enfermagem;
- Adotar medidas necessárias à defesa e consolidação da profissão como prática
essencial à assistência de saúde e à organização dos serviços de saúde;
- Reconhecer a qualidade de especialista aos profissionais de enfermagem, expedindo o
respectivo título de acordo com regulamentação específica. O processo de
reconhecimento de qualidade de especialista aos profissionais de enfermagem e a
respectiva expedição do título é prerrogativa das instâncias e órgãos de âmbito nacional
da ABEn e obedece aos regulamentos e às normas específicas;
- Articular social, política e financeiramente programas e projetos que promovam
assistência aos associados;
- Integrar-se aos processos sociais, políticos e técnicos que visem assegurar o acesso
universal equânime aos serviços de saúde;
- Coordenar e articular Conselhos Consultivos de Sociedades ou Associações de
Enfermagem ou de Enfermeiros (as) Especialistas ou Cursos, e de Escolas de
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Enfermagem de nível superior e educação profissional habilitação técnico de
enfermagem.
LUTAS E CONQUISTAS:
Ressalta-se que de 1926 a 1976 a ABEn foi a única entidade de classe existente a
defender e lutar pela categoria, porém lidando quase exclusivamente com as questões
internas da enfermagem. Dentre algumas lutas e conquistas destaca-se:
Filiação ao Consejo Internacional de Enfermeras (CIE) e ao Comitê Internacional de
Enfermeiros e Assistentes Médicos Sociais (CICIAMS);
Criação da Revista Brasileira de Enfermagem (REBEn) - 80 anos;
Criação do Boletim Informativo;
Ser reconhecida como entidade de utilidade pública;
Assessoria na criação das Escolas de Enfermagem em todo o Brasil;
Assessoria na formulação do currículo mínimo para os cursos dos profissionais de
enfermagem;
Formação, profissionalização dos exercentes de enfermagem, visando diminuir o
contingente de profissionais sem qualificação;
Acompanhamento, discussões e participação na elaboração das leis reguladoras do
ensino de enfermagem, até a completa integração das leis de Diretrizes Básicas da
Educação Nacional e a consolidação dos cursos superiores de enfermagem;
Elaboração e acompanhamento do ante-projeto que se transformou em Lei 2.604/55
primeira lei que regulamentou o exercício da enfermagem;
Providências para a criação da carreira do enfermeiro e do auxiliar de enfermagem no
serviço público, com o enfermeiro ocupando cargo de técnico, luta que durou 6 anos, de
1954 a 1960;
Elaboração do primeiro código de ética para os profissionais de enfermagem;
Outro marco para a ABEn foi a Consecução da Lei 5.905/73 que dispõe sobre a criação
dos Conselhos Federal e Regionais de Enfermagem. Após 28 anos de luta (desde 1945)
a ABEn Nacional e Seções indicaram nomes ao Ministério do Trabalho e este fez a
escolha para compor a diretoria do conselho. Após a formação da Diretoria do Conselho
as relações tornaram-se formais entre as diretorias do Conselho e da ABEn. Apesar de
seus dirigentes serem Abenistas o novo espaço se constituiu num cenário de poder;
Levantamento dos Recursos e Necessidades de Enfermagem no Brasil;
Realização anual dos CBEn's desde 1947;
Construção da Sede Nacional em Brasília;
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Filiação à Federación Panamericana de Profesionales de Enfermería (FEPPEN) - 1970;
Esforços junto ao Ministério do Trabalho e Previdência Social para conseguir o registro
das Associações Profissionais de Enfermeiros, que se transformariam posteriormente
nos Sindicatos e também da Federação Nacional dos Enfermeiros;
Criação da Semana Brasileira de Enfermagem
O Dia do Enfermeiro foi instituído pelo decreto nº 2956 de 10/11/38 pelo Presidente
Getúlio Vargas. Esta data inicia a comemoração da SBEn, por ser o dia 12 de maio, o dia do
nascimento de Florence Nightingale. A pioneira no tratamento a feridos durante a Guerra da
Criméia. A Rainha Vitória concedeu a Florence Nightingale a Cruz Vermelha Real e em
1907 ela se tornou a primeira mulher a receber a Ordem do Mérito.
as eto dos e s celebrou a emana de nfermagem com o intuito de homenagear
as patronas da Semana e estimular as enfermeiras a aperfeiçoarem-se, promovendo o
encontro de Diretoras de Escolas. Na emana de nfermagem houve a participação de
Diretoras das Escolas, as quais passaram a organizar as Semanas em seus Estados.
Com o Surgimento da ABED, as Seções Estaduais incorporaram a Semana e passaram a
realizá-la como atividade regular da ABEn em todo o país. Em 1946, realizou-se a
Conferência sobre currículo mínimo, discutindo assuntos relacionados a seleção e ingresso
nas Escolas de Enfermagem e detalhes de distribuição da carga horária. Em 1958, durante o
XI CBEn as Seções sugerem a criação por ato oficial da Semana de Enfermagem.
A SBEn então, inicia dia 12 em comemoração a Florence Nightingale e encerra dia 20
com a comemoração do ano de falecimento de "ANA NERY - A Matriarca da Enfermagem
no Brasil". A SBEn foi instituída a partir da iniciativa da ABEn através do Decreto nº
48.202 de 1960 pelo Presidente Juscelino Kubitschek, no intervalo de 12 a 20 de maio.
Esse decreto estabelece que "no transcurso da Semana deverá ser dada ampla divulgação às
atividades da enfermagem e posta em relevo a necessidade de congraçamento da classe em
suas diferentes categorias profissionais, bem como estudados os problemas de cuja solução
possa resultar melhor prestação de serviço ao público”.
A ABEn, a partir da Década de 70, considera a SBEn como Patrimônio Cultural da
Entidade e passa a denominá-la: Semana Brasileira de Enfermagem. A partir da Década de
80, a SBEn se desenvolve em um único tema e este é reproduzido pelas Seções através do
Caderno de Dicas publicado no Site da ABEn Nacional, o que torna este evento em um
importante espaço de discussão para as enfermeiras.
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A ABEn mantém uma Participação ativa em grupos de trabalhos e comissões das várias
entidades públicas da área de saúde, ensino e trabalho;
Elegeu a educação como enfoque permanente e prioritário de sua atuação.
O CEPEn, Centro de Estudos e Pesquisas em Enfermagem, foi criado em 17 de
julho de 1971, destinado a incentivar o desenvolvimento e a divulgação da pesquisa em
enfermagem, organizar e preservar documentos históricos da profissão e rege-se pelas
disposições do Estatuto da ABEn e do Regimento CEPEN. Possui o maior banco de
teses e dissertações na área de Enfermagem no Brasil, hoje com mais de 6000 trabalhos
registrados em seu acervo, além de possuir quase todos os títulos de periódicos
brasileiros de enfermagem.
A primeira atividade do CEPEn, planejado para enfermeiros pesquisadores,
vinculados ao programa de pós-graduação do pais foi o SENPE em 1979. (I Seminário
Nacional de Pesquisa em Enfermagem), reunindo os coordenadores dos programas de
pós-graduação e a representação da área da enfermagem na CAPES (Coordenação de
Pessoal de Nível Superior) e CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico).
Além de organizar o SENPE, mantém na sede da ABEn em Brasília, o maior
acervo de teses e dissertações de enfermagem da América Latina, estando disponível
para consultas. Publica anualmente o catálogo Informações sobre Pesquisas e
Pesquisadores em Enfermagem com o resumo de teses e dissertações defendidas a cada
ano nos Programas de Pós-Graduação.
De 1977 até 2001 encontram-se em formato de livro; de 2002 a 2005, formato
eletrônico na Home Page da ABEn. Em 1988 iniciou o projeto de Criação de fontes da
história da enfermagem, narrações transcritas da história de 29 enfermeiras que
participaram da organização da ABEn em seus primórdios.
IEPE: A Iniciativa de Educação Permanente em Enfermagem (IEPE) é uma
ação conjunta de instituições, grupos, associações e organizações envolvidas com a
capacitação de pessoal de enfermagem no Brasil. A IEPE propõe a articulação entre
escolas de enfermagem responsáveis pela formação e preparação permanente dos
profissionais em busca da qualidade na prestação dos serviços de saúde.
A IEPE é uma rede de trabalho compartilhado entre ABEn e OPAS, que propõe
a articulação entre as escolas de graduação em enfermagem, com o objetivo de
viabilizar iniciativas de educação permanente de enfermeiros docentes e inseridos nos
serviços de saúde, utilizando a internet.
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LOGOMARCA, REBEn, BOLETIM INFORMATIVO e HERE:
A ABEn tem símbolos próprios e exclusivos, patenteados, que a identificam
através de seus órgãos de divulgação, os quais são usados, obrigatoriamente em
documentos, papéis oficiais e materiais de divulgação da Associação.
A Logomarca da ABEn foi Criada em 1958, na Gestão da Enfª Maria Rosa de
Sousa Pinheiro; tornada pública em 1959 na Sessão solene de abertura do XII CBEn em
São Paulo, passando a constar dos documentos oficiais da ABEn em todas as instâncias.
Dentre os órgãos oficiais da ABEn encontram-se a Revista Brasileira de
Enfermagem – REBEn, criada em 20 de maio de 1932, inicialmente com o nome
Annaes de Enfermagem, passando a denominar-se REBEn em 1954. Desde a sua
criação, acompanha o desenvolvimento da profissão e enfoca assuntos de interesse para
consolidar e dar visibilidade a enfermagem brasileira.
A partir de 1990, passou para o sistema de assinaturas. É financiada mediante
recursos oriundos de assinaturas e do Programa de Apoio a Publicações Científicas do
CNPq, uma vez que, o sistema de assinaturas por si só, não é capaz de garantir a
sobrevivência do periódico. Com periodicidade trimestral, a revista publica matérias
inéditas, sob a forma de artigos, de resultados de pesquisa, atualização e de opinião.
Coordenada pela Diretoria de Publicações e Comunicação Social da ABEn.
A REBEn tem por finalidade divulgar a produção das diferentes áreas do saber
de interesse da enfermagem, visando o desenvolvimento técnico-científico e cultural da
profissão. É o periódico de maior impacto e autoridade na comunidade de enfermagem;
é a revista com a maior distribuição entre os periódicos brasileiros, visto que entre seus
assinantes existem mais de 100 bibliotecas e seus artigos são indexados desde 1965 na
maior base de dados da área da saúde, o MEDLINE.
É a mais citada das revistas brasileiras, “a REBEn também tem sido um espaço
para a divulgação de temas polêmicos, relativos à vida da entidade e, até mesmo da
profissão que não tem visibilidade em outras revistas. Essa política vem de longa data e
serve para dar impacto em questões que a entidade quer tornar visível, quer que sejam
discutidas, como se percebe na produção de determinados atores que freqüentam com
relativa facilidade as páginas da revista” (MA CIA, 007, p. 7).
Desde a criação da REBEn, cada gestão da ABEn tem buscado seu
aprimoramento, esforçando-se para que, não somente acompanhe, mas atenda as
demandas próprias de cada tempo. A inclusão na coleção SCIELO, em setembro de
2008, assegurou sua visibilidade e internacionalização, despertando o interesse de
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autores estrangeiros, principalmente latino-americanos para publicar os resultados de
suas pesquisas.
O uso do sistema de submissão on-line incrementou a quantidade de originais
submetidos, por ano, à REBEn. Ao celebrar 80 anos, a Diretoria da ABEn Nacional
apresenta para o triênio 2010-2013, um Plano de Metas para a REBEn que inclui, entre
outros aspectos, a profissionalização dos procedimentos internos da Secretaria do
periódico; a dinamização do processo avaliativo; o estabelecimento de parcerias que
possam acelerar o processo de inserção do periódico na comunidade cientifica
internacional; a expansão da REBEn no formato eletrônico (e-REBEN), com possível
ampliação do número de artigos publicados por ano; e a ampliação da indexação para
outras bases internacionais de elevado impacto.
O Boletim Informativo criado em 1958 tem por finalidade a publicação e
divulgação ágil com as Seções e os sócios mediante circulação trimestral.
Já a História da Enfermagem - Revista Eletrônica (HERE) foi lançada
durante o Congresso rasileiro de nfermagem realizado em Fortaleza Ce em
Dezembro de 2009, juntamente com o lançamento do Portal de História da
Enfermagem, vinculado à Associação Brasileira de Enfermagem. É uma publicação
semestral do Fórum Permanente de Pesquisadores de História da Enfermagem, e está
vinculada ao Centro de Memória da Enfermagem Brasileira, o qual está sob a
responsabilidade do Centro de Estudos e Pesquisas da Associação Brasileira de
Enfermagem (ABEn).
Tem como missão: Promover a disseminação do conhecimento relativo à
História da Enfermagem, Saúde e Educação por meio da publicação arbitrada de artigos
que contribuam para a expansão de referenciais teóricos e metodológicos, fontes de
pesquisas históricas e propiciar a interlocução entre pesquisadores e interessados em
história da enfermagem e da saúde.
O título da revista atende ao perfil desejado de enfocar a História na perspectiva
das ciências da saúde e mais especificamente da enfermagem, enquanto disciplina.
Neste sentido, pretende uma interlocução interdisciplinar com as áreas de conhecimento
que fazem interface com a Enfermagem e sua história, dando ênfase nos aspectos do
cuidado, educação e saúde.
Parcerias da ABEn na América Latina
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A ABEn mantém filiação/vinculação com Entidades/Instituições/Organizações
Nacionais e Internacionais de interesse da enfermagem brasileira da qual será sua
representante. Dentre as relações de caráter de cooperação, representação e/ou
intercâmbio com diversos organismos, instituições e fóruns de discussão e deliberação
de pautas de interesse profissional e da saúde, destaca-se:
Consejo Internacional de Enfermeras (CIE) – desde 1929, três anos após sua
fundação, a ABEn tornou-se membro do Consejo Internacional de Enfermeras (CIE) e
esteve filiada a esta entidade de 1929 a 1996.
Federação Nacional de Enfermeiros (FNE) - a ABEn mantém com esta Entidade uma
agenda de trabalho conjunta, que inclui luta por direitos trabalhistas, melhoria das
condições de trabalho e acompanhamento da tramitação de Projetos de Lei no
Congresso Nacional.
Federación Panamericana de Profesionales de Enfermería (FEPPEN) - a ABEn
participou do movimento de fundação da FEPPEn, iniciado em 1942 e concluído em
1970 com a constituição legal da entidade, e vem sediando a mesma desde 1996, junto à
qual representa a enfermagem brasileira, contribuindo efetivamente com um trabalho de
desenvolvimento científico, político, econômico e social da profissão na América Latina
e no Caribe.
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) - a ABEn é associada a
esta Entidade e participa ativamente de reuniões, assembléias e fóruns deliberativos,
bem como desenvolve programação científica em seu evento anual
Executiva Nacional de Estudantes de Enfermagem (ENEEnf) - a ABEn sedia e
mantém um trabalho profícuo e parceiro com esta Entidade.
DESAFIOS ATUAIS DA ABEn
Fóruns e Movimentos em Defesa da Saúde e da Enfermagem
A ABEn, por sua histórica trajetória de organização e representatividade na área,
tem estado à frente em todos os importantes fatos e lutas que marcaram a enfermagem
brasileira. Cada vez mais se coloca como articuladora e interlocutora das organizações
de enfermagem frente às instâncias formuladoras das políticas de saúde, de recursos
humanos e de ciência e tecnologia. Data de 1939 a organização de Comissões de
Educação e de Legislação da ABEn. A primeira coube a tarefa de acompanhar, planejar
e orientar todo o processo educacional da Enfermagem; a segunda, muito ligada à
Comissão de Defesa de Classe, marcou o compromisso da entidade na conquista da
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regulamentação do exercício profissional e de aparatos legais que sustentassem um
projeto científico-profissional para a enfermagem brasileira.
Compromisso da ABEn:
É compromisso da ABEn, por meio de toda a sua diretoria nacional e das seções,
a participação em Fóruns e Movimentos Nacionais e nos Estados, buscando e
garantindo representação dos trabalhadores de enfermagem em instâncias políticas e no
apoio e luta pelos direitos à saúde da população, pelo exercício digno e
desenvolvimento da profissão. Destacam-se as atuações junto à(ao):
Comissão Intersetorial de Recursos Humanos para o SUS (CIRH/CNS/MS) A
Enfermagem brasileira participa dos movimentos sociais e do controle social no SUS,
atuando no campo da construção da democracia participativa, por esta razão defende o
exercício pleno da democracia em todos os órgãos representativos da profissão.
Conselho Nacional de Saúde (CNS) - Ministério da Saúde Durante a 12a
Conferência Nacional de Saúde estiveram presentes 3.500 delegados, dentre eles
representantes da Enfermagem e, assim, da ABEn
Fórum de Entidades Nacionais dos Profissionais e Trabalhadores na Área de
Saúde – FENTAS. A ABEn integra o FENTAS desde a sua criação, em 1997.
Câmara de Regulação do Trabalho em Saúde"(CRTS) - Ministério da Saúde .
A ABEn tem seu assento garantido desde a primeira edição da Câmara de
Regulação do Trabalho em Saúde do Ministério da Saúde (Portaria 827, de 5 de
maio de 2004, do Gabinete do MS – publicada no Diário Oficial da União em 6 de maio
de 2004), a qual tem como objetivo “propor ações de regulação profissional para as
profissões e ocupações da área da saúde; assentir os mecanismos de regulação
profissional na área da saúde; interagir com o Poder Legislativo, por meio da Assessoria
Parlamentar do Gabinete do Ministério da Saúde, munindo-a de subsídios para a
execução do seu trabalho; e sugerir a alteração de leis e estimular iniciativas legislativas
visando regular o exerc cio de novas profissões e ocupações”.
São realizadas reuniões mensais nas quais são analisados e discutidos temas
como definição de Ato Médico, formação e regulamentação dos Agentes Comunitários
de Saúde, questões como formação de cuidadores, de tecnólogos, ou seja, o objeto das
discussões são temas polêmicos que merecem apreciação interdisciplinar e intersetorial.
A ABEn, espera que este espaço, de natureza colegiada e consultiva, seja
propositor de consensos coletivos que possibilitem a consolidação de práticas de saúde
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solidárias inter e transdisciplinares, sem supremacia nem perda da identidade de
nenhuma das profissões. Neste contexto, a ABEn se apresenta-se como um lócus de
articulação destas ações, ou seja, da manutenção do compromisso de sempre primar pela
qualidade da saúde e de vida do povo brasileiro.
Fórum Nacional de Educação das Profissões na Área de Saúde (FNEPAS),
criado em julho de 2004, congrega entidades envolvidas com a educação e
desenvolvimento profissional na área da saúde.
O FNEPAS procura atuar sobre todas as situações e temas que possam contribuir
para a construção de cenários institucionais mais favoráveis às mudanças necessárias na
formação em saúde, expressas em linhas gerais nas Diretrizes Curriculares Nacionais
aprovadas pelo Ministério da Educação, ainda em fase de implementação. A ABEn
compõe a secretaria executiva do FNEPAS juntamente com a Associação Brasileira de
Educação Médica - ABEM, Associação Brasileira de Ensino de Psicologia – ABEP e
Rede UNIDA.
Na área de Educação de Enfermagem e de Reformas do Ensino, a ABEn
mantém posição de destaque por sua atuação de liderança ética e comprometida,
com relevância para as questões relacionadas a:
Formulação de Diretrizes Curriculares de Graduação e de Educação Profissional
habilitação técnico de Enfermagem.
Acompanhamento e divulgação dos processos de criação, reconhecimento e
avaliação de cursos de enfermagem.
Formulação de padrões de qualidade dos cursos de enfermagem.
Desenvolvimento da Pós-Graduação e da Pesquisa em Enfermagem.
Promoção de fóruns de discussão sobre competências, modelos curriculares,
prioridades e políticas de formação de enfermagem.
PROJETOS: ABEn Planejando o Futuro
A ABEn, cumprindo sua natureza e finalidades que conferem-lhe caráter
cultural, científico e político, tem desenvolvido projetos que vêm contribuindo para
repensar/melhorar/qualificar a prática da enfermagem nos distintos cenários do Brasil.
A ABEn tem buscado parcerias para o desenvolvimento de projetos de âmbito nacional
e internacional, com o objetivo de melhorar a qualificação das(os) associadas(os) e a
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qualidade de assistência prestada à população, e estabelecer intercâmbio e transferência
de tecnologia em enfermagem/saúde. Dentre os Projetos, destacam-se:
Classificação Internacional das Práticas de Enfermagem em Saúde Coletiva
(CIPESC), articulada junto ao Consejo Internacional de Enfermeras - CIE, financiado
pela Fundação Kellogg – o Centro de Estudos e Pesquisas em enfermagem (CEPEN)
elaborou o CIPESC, com a intenção de revelar a dimensão, a diversidade e a amplitude
das práticas de enfermagem no contexto do SUS, visando à construção de um sistema
de classificação da prática de enfermagem em saúde coletiva. Resultou numa Estratégia
Técnica e política da ABEn através do CEPEN para o desenvolvimento da Enfermagem
Brasileira. Estimula a criação de terminologias brasileiras durante a realização do
Simpósio Nacional de Diagnósticos de Enfermagem.
ACOLHER - um compromisso da enfermagem com o adolescente brasileiro, em
convênio com o Ministério da Saúde. O projeto busca instrumentalizar os trabalhadores
de enfermagem nas mudanças no processo de cuidar do adolescente e do jovem
brasileiro.
ELOS - Educação, Liderança e Organização na Saúde, em parceria com a Organização
Panamericana de Saúde. Com o objetivo de fortalecer as lideranças na América Latina;
Brasil, Chile, Argentina, Paraguai, Uruguai e México.
Projeto Liderazgo para El Cambio Brasil - Projeto de capacitação para liderança,
promovido pelo Consejo Internacional de Enfermeras (CIE) e financiado pela Fundação
Kellogg - Fase 1 - concluído em 2000.
Trabalho Cooperação ABEn/CNA - Intercâmbio entre a Canadian Nurses Association
- CNA e a Associação Brasileira de Enfermagem - ABEn Nacional, atráves da ABEn-
PE, com a proposta de qualificação e transferência de tecnologias.
ATUALIDADES:
Criação do protocolo de intenções firmado em 20 de abril de 2010 entre
Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS), Conselho Federal de
Enfermagem COFEN e ABEn para:
1. Fomentar a educação e a capacitação profissional relacionadas à área de
tecnologias de informação e comunicação (TICs)
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2. Desenvolver ações conjuntas que visem à normatização, difusão, validação e
avaliação de ferramentas de apoio à Sistematização da Assistência de Enfermagem,
considerando o processo de certificação para o registro eletrônico de saúde;
3. Desenvolver pesquisas conjuntas de avaliação de ferramentas promotoras de
melhorias em sistemas de informação e de documentação da prática, envolvendo os
profissionais de Enfermagem e a clientela.
Nesta 73ª Semana Brasileira de Enfermagem, resgatam-se as lutas e conquistas da
ABEn, suas Seções e Regionais, reconstruindo, na linha do tempo, os momentos sociais e
políticos decisivos da história da Enfermagem no contexto da saúde, da educação e da
produção do conhecimento. No decorrer da Semana, ocorrerá a celebração dos 80 anos de
lançamento do primeiro periódico brasileiro de Enfermagem, a atual Revista Brasileira de
Enfermagem.
O engajamento da ABEn nos movimentos da profissão, relativos à melhoria das
condições de trabalho para todos os trabalhadores da Enfermagem, deverá constar na pauta
da 73ª Semana Brasileira de Enfermagem e em todas iniciativas das Seções e Regionais. A
necessidade de regulamentação da jornada de trabalho em 30 horas (Projeto de Lei
2295/2000), de um piso salarial favorável à fixação do trabalhador de enfermagem no
serviço e a criação de vínculo com grupos alvo de seus cuidados, bem como ambiente de
trabalho em condições dignas, humanas e respeitosas representa alguns dos inúmeros
desafios pelos quais estaremos enfrentando em parceria com as demais organizações
profissionais de enfermagem.
Nesta perspectiva, a ABEn participou do “FÓRUM Nacional 30 horas Já: Enfermagem
Unida por um objetivo”, o qual reuniu aproximadamente 7 mil profissionais de
enfermagem: enfermeiros, técnicos, auxiliares e estudantes de enfermagem durante a
mobilização realizada no dia 11 de abril, às 14h, para reivindicar a regulamentação da
jornada de 30 horas, com a aprovação do PL 2.295/2000, pela Câmara dos Deputados.
Essa manifestação obteve os seguintes resultados:
- Aprovação por unanimidade do piso salarial dos profissionais da Enfermagem
na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público. O resultado foi vitorioso
graças à mobilização que aconteceu no mesmo instante da votação;
- Propiciou à visibilidade na sociedade, da importância da regulamentação da
jornada de trabalho dos profissionais de enfermagem, ao conseguir a divulgação do
tema pelos veículos de comunicação de massa;
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- Realização de audiências com o líder do Partido dos Trabalhadores Jilmar
Tatto, o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia, e com o Presidente da Câmara
dos Deputados, Marco Maia, com entrega de documentos;
- Manifestação favorável à reivindicação da Enfermagem de todos os deputados
presentes na Audiência Pública, além do compromisso assumido pelo Presidente da
Câmara dos Deputados, Marco Maia, em colocar o PL 2295/2000 para votação assim
que a pauta seja liberada em virtude do trancamento por 12 Medidas Provisórias;
- Entrega de um documento com a assinatura de deputados de diversos partidos
políticos que participaram da Audiência Pública solicitando a inclusão do PL na pauta e
na Ordem do Dia.
Ainda no marcante 11 de abril, a Comissão de Trabalho, de Administração e
Serviço Público aprovou nesta quarta-feira o Projeto de Lei do 4924/09, do deputado
Mauro Nazif (PSB-RO), que fixa o piso salarial de enfermeiros em R$ 4.650, o salário
dos técnicos de enfermagem em 70% do piso (R$ 3.255) e o percentual de 50% do piso
(R$ 2.325) para os auxiliares de enfermagem. O projeto, que tramita em caráter
conclusivo, ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de
Cidadania.
Com esta fala, procurou-se demonstrar a importância dessa entidade em sua
trajetória de 85 anos de compromisso com a enfermagem brasileira e também,
oportunizar aos Enfermeiros e estudantes de enfermagem uma reflexão sobre a
responsabilidade da ABEn e de cada um de nós como abenista e, como parte da
categoria de enfermagem.
Refletir sobre a trajetória de 85 de compromisso da ABEn com a enfermagem
brasileira, requer um entendimento da enfermagem inserida em uma sociedade, na qual
seus cidadãos têm enfrentado enormes desafios para conquistar e manter sua cidadania.
Como trabalhadores e estudantes de enfermagem, precisamos conhecer e continuamente
nos questionarmos quanto ao papel de sujeito ativo ou passivo que temos assumido
frente às políticas de saúde, aos modelos assistenciais e de gestão adotados, que
influenciam direta ou indiretamente o nosso fazer profissional. Isto nos levará a refletir
sobre possibilidades que não se esgotem em nossas responsabilidades e capacidades,
mas que possam viabilizar a efetivação de um modelo de assistência que promova a luta
em defesa da vida, um espaço de construção da cidadania.
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O fato de estarmos aqui reunidos nesta SBEn é muito gratificante pois,congregar
pessoas especiais para fortalecer e desenvolver a enfermagem é o que precisamos fazer
para mudarmos o panorama que está posto. Vocês são pessoas especiais pelo
reconhecimento e prestígio à profissão de Enfermagem, por fazerem parte de nossas
conquistas e nos motivarem a seguir nesta trajetória.
Para finalizar, deixo-lhes um pensamento de incentivo, força, garra, um
pensamento de um autor desconhecido, mas que move os momentos de fragilidade. Este
pensamento poderá motivá-los nas mais diversas circunstâncias que a vida possa
mostrar... "É muito melhor lançar-se à luta, alcançar triunfo e glória, mesmo expondo-se
ao insucesso, do que formar fila com os pobres de espírito, que nem sofrem muito, nem
gozam muito, porque vivem numa penumbra cinzenta onde não se conhece derrota nem
vitória". É preciso acreditar numa Enfermagem mais Digna!!!
Portanto, para a continuidade e visibilidade do trabalho da enfermagem
precisamos ter clareza de que cada membro da equipe de saúde participa do processo
democrático, desempenhando seu papel específico e importante para desenvolver a
assistência como um todo. VOCÊ QUER FAZER PARTE DESTA HISTÓRIA? SEJA
SÓCIO DA DEMOCRACIA: PARTICIPE DA ABEN!!! Contamos com vocês, muito
obrigada!
REFERÊNCIAS
1. ABEn. Portal da ABEn Nacional. Disponível em: [Link]
2. MANCIA, J.R. Revista Brasileira de Enfermagem e seu papel na consolidação
profissional [tese]. Florianópolis: Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da
UFSC; 2007.
3. ABEn. Estatuto da Associação Brasileira de Enfermagem. Brasília. 2005. Disponível
em: http: [Link]/download/Estatuto_ABEn.pdf ;
4. ABEn Nacional. Os desafios de pensar o protagonismo da enfermagem no contexto
da produção de serviços de saúde. In: Jornal da Associação Brasileira de Enfermagem.
Brasília, jul. ago. set. 2006; 48 (3);
5. ABEn Nacional. Seja Sócio da democracia – Participe ABEn. [folder]. 2007.