MORFOLOGIA EXTERNA DOS INSETOS
TÓRAX
MARCOS A. X. ALMEIDA
Mestrando (PPGA/UFPB/CCA)
AREIA - PB
SET/2009
1. CARACTERÍSTICAS GERAIS
Porção mediana do corpo dos insetos
Região de articulação de pernas e asas (estas, quando
presentes)
Composto por três segmentos: protórax, mesotórax e
metatórax
A presença de asas pode dificultar o reconhecimento e/ou a
separação das regiões do corpo
A B
FIGURA 1. Heteronomia em insetos ápteros: A, Anoplura (piolho)
e B, Atta spp. (saúva).
FIGURA 2. Heteronomia em inseto alado. D: vista dorsal; V: vista
ventral; C: cabeça; T: tórax; A: abdome; Prt: protórax; Mst:
mesotórax; Mtt: metatórax; P1, P2 e P3: pernas; A1: asas; I a
V: segmentos abdominais.
2. CONSTITUIÇÃO DE UM SEGMENTO TORÁCICO
Exoesqueleto formado por placas quitinosas (escleritos)
Segmentação do corpo em anéis ou metâmeros
Plano comum de organização de um segmento típico (Victor
Audoin, 1814)
Estrutura de um metâmero típico: Tergo ou Noto, Pleuras e
Esterno
FIGURA 3. Estrutura teórica de um metâmero ou segmento típico.
CT: corte transversal; SP: semiperfil; T: semiarco dorsal, tergo ou
noto; E: semiarco ventral ou esterno; P: partes laterais ou pleuras.
FIGURA 4. Escleritos de um segmento típico.
FIGURA 5. Representação esquemática da segmentação do tórax em
geral e dos seus respectivos segmentos em particular. Prt: protórax;
Mst: mesotórax; Mtt: metatórax; psct: prescuto; sct: escuto; sctl:
escutelo; psctl: pós-escutelo; T: tergo ou noto; Pl: pleura; E:
esterno; Epm: epímero; Eps: episterno; Est: esternito; A1, A2:
articulação das asas; P1, P2, P3: articulação das pernas; 1, 2, 3, 4:
ordem numérica da metade dos tergitos.
3. APÊNDICES TORÁCICOS
Compreendem as pernas e as asas
Apêndices móveis e articulados ao tórax
Função: locomoção
Sobre o protórax de muitos insetos podem ser encontrados
outros apêndices tegumentares, fixos e não segmentados
FIGURA 6. Cornos cefálico e torácico em exemplar macho de
coró-das-pastagens (Dibloderus abderus).
3.1. PERNAS
Apêndices locomotores, terrestres ou aquáticos
Estado adulto: seis pares de pernas (hexápodes)
Existe um par de pernas em cada segmento torácico
Estão articuladas na parte posterior de cada segmento torácico,
entre o epímero e o episterno, em cavidades denominadas de
coxais
Além da locomoção, podem existir adaptações para o exercício
de outras funções
FIGURA 7. Tórax. Apêndices. Pernas: número e localização. T:
tórax; Prt: protórax; P1: primeiro par de pernas, anteriores ou
protorácicas; Mst: mesotórax; P2: segundo par de pernas,
medianas ou mesotorácicas; Mtt: metatórax; P3: terceiro par de
pernas, posteriores ou metatorácicas.
FIGURA 8. Pseudopernas abdominais em larva de Erinnys ello
(mandarová-da-mandioca).
FIGURA 9. Articulação da perna com o tórax. Eps: episterno;
Epm: epímero; Es: esterno; sp: sutura pleural; ecx: esclerito
pleural; mcx: membrana coxal; scx: sutura coxal.
3.1.1. SEGMENTOS ARTICULADOS DE UMA PERNA TÍPICA
FIGURA 9. Estruturas de uma perna típica.
FIGURA 10. Estruturas do tarso e do pós-tarso.
[Link]. CLASSIFICAÇÃO DOS INSETOS QUANTO AO NÚMERO
DE TARSÔMEROS
a) Homômeros: mesmo número de tarsômeros nos 3 pares de
pernas
Monômeros (ex. piolhos)
Dímeros (ex. Psocoptera)
Trímeros (ex. Embioptera)
Tetrâmeros (ex. cupins e alguns Coleoptera)
Pentâmeros: (ex. gafanhotos, moscas, borboletas, etc.)
Criptotetrâmeros: aparentam ser trímeros (3º tarsômero oculto
entre o 2º e o 4º, ex. joaninhas)
Criptopentâmeros: aparentam ser tetrâmeros (4º tarsômero
oculto entre o 3º e o 5º, ex. serra-paus)
[Link]. CLASSIFICAÇÃO DOS INSETOS QUANTO AO NÚMERO
DE TARSÔMEROS
b) Heterômeros: número de tarsômeros diferente em pelo menos
um par de pernas.
TABELA 1. Combinações entre o número de artículos e os diferentes
segmentos do tórax em insetos.
Par de pernas Número de Artículos
protorácicas 3 4 4 5 5
mesotorácicas 5 5 4 4 5
metatorácicas 5 5 5 4 4
3.1.2. TIPOS DE PERNAS
a b
FIGURA 11. Tipos de pernas de insetos: ambulatória (a) em
Euchroma gigantea (b).
3.1.2. TIPOS DE PERNAS
c d
FIGURA 12. Tipos de pernas de insetos: saltatória (c) em
Xyleus sp.(d)
3.1.2. TIPOS DE PERNAS
f
e g
FIGURA 12. Tipos de pernas de insetos: natatória (e) e
preensora (f), em Belostoma sp. (barata d`água) (g).
3.1.2. TIPOS DE PERNAS
h i
FIGURA 13. Tipos de pernas de insetos: raptatória (h) em
Stagmatoptera rimoseri (louva-a-deus) (i).
3.1.2. TIPOS DE PERNAS
j
l
FIGURA 14. Tipos de pernas de insetos: escavadoras (j) em
Neocurtilla hexadactyla (paquinha) (l).
3.1.2. TIPOS DE PERNAS
m n
FIGURA 15. Tipos de pernas de insetos: escansoriais (m) em
Anoplura (piolho) (n).
3.1.2. TIPOS DE PERNAS
o p
FIGURA 16. Tipos de pernas de insetos: coletoras (o) em Centris
sp. (mamangava) (p).
3.2. ASAS
Apêndices torácicos, articulados e móveis
Função: locomoção aérea
Cerca de 70% das ordens de insetos apresentam representantes
alados
Número e distribuição: tetrápteros (meso e metatórax), dípteros
(mesotórax), ápteros (ausentes) e aptésicos (presentes, mas
não funcionais)
FIGURA 17. Asas: número e distribuição em insetos tetrápteros. A:
nos insetos com asas visíveis. B: insetos cujas asas posteriores são
ocultas. A1: asas anteriores; A2: asas posteriores. Prt: protórax;
Mst: mesotórax; Mtt: metatórax; Ab: abdome; P1, P2, P3: pernas;
s: sutura das asas.
A B
FIGURA 18. Asas: número e distribuição em insetos alados
dípteros. (A) A1: primeiro par de asas; h: segundo par de asas (A2)
transformadas em halteres; Prt: protórax; Mst: mesotórax; Mtt:
metatórax; P1, P2, P3: pernas. (B) Em inseto aptésico, mariposa de
Bombyx mori.
3.2.1. ÂNGULOS E MARGENS OU BORDOS DE UMA ASA TÍPICA
FIGURA 19. Ângulos e margens de uma asa.
3.2.2. REGIÕES DE UMA ASA TÍPICA
FIGURA 20. Regiões de uma asa.
3.2.1. ESTRUTURAS DE UMA ASA TÍPICA
Compreende a articulação com o tórax, as nervuras e as células
Articulação com o tórax: porção membranosa formada por
um conjunto de escleritos (pterália)
Pterália: é formada pela placa umeral (margem anterior da asa
na base da nervura costal), 4 axilárias (relacionadas às nervuras
subcostal, radial e anais), 2 placas medianas e a tégula
FIGURA 21. Asas. Estrutura: articulação com o tórax. 1 ax, 2 ax, 3
ax, 4 ax: 1ª, 2ª, 3ª e 4ª axilária; m, m´: placas medianas; pu:
placa umeral; tg: tégula; Rm: ala; Vn: região vanal; C: nervura
costal; Sc: subcostal; R: radial; M: mediana; Cu: cubital; Pcu: pós-
cubital; 1V a nV: nervuras vanais; Ju: região jugal.
3.2.1. ESTRUTURAS DE UMA ASA TÍPICA
Nervuras: expansões das traquéias enrijecidas ao longo das
asas (estruturas de sustentação)
Longitudinais: Costal (C), Subcostal (Sc), Radial (R), Medianas
(M), Cubital (Cu), Anais (A) e Jugais.
Transversais: Umeral (h), Radial (r), Setorial (s), Radio-
Mediana (r-m), Mediana (m), Médio-Cubital (m-cu), Cubital
(cu), Cubito-Anal (cu-a) e anais (a)
FIGURA 22. Nervação e células de uma asa típica.
3.2.2. ESTRUTURAS DE ACOPLAMENTO ALAR
FIGURA 23. Estruturas de acoplamento.
3.2.3. TIPOS DE ASAS
a b
FIGURA 24. Asas membranosas em Urbanus eurycles (borboleta)
(a) e em Ammophila sp. (vespa) (b).
3.2.3. TIPOS DE ASAS
c d
FIGURA 25. Asas do tipo Hemiélitro (c):co, cório; cu, cúneo;
cl, clavo; e, embólio; ga, grande aréola; m, membrana; pa,
pequena aréola; sc, sutura do clavo. em Pachylis pharaonis
(percevejo) (d).
3.2.3. TIPOS DE ASAS
e f
FIGURA 26. Asas do tipo Élitro em Passalus sp. (besouro) (e) e
em Labidura xanthopus (tesourinha) (f).
3.2.3. TIPOS DE ASAS
g h
FIGURA 27. Asas do tipo Tégmina em Oxyprora flavicornis
(esperança) (g) e tipo Balancins ou Halteres em mosca (h).
3.2.3. TIPOS DE ASAS
i j
FIGURA 28. Asas do tipo Pseudo-Halteres em machos da Ordem
Strepsiptera (i) e do tipo Franjada em Selenothrips rubrocinctus
(tripes) (j).