ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO : CONTEÚDO
E MÉTODOS
PROF. WALTER BASTIANINI NETO
• Objetivo geral
• Compreender e aprofundar a alfabetização enquanto processo de apropriação
de diferentes linguagens, a partir do entendimento da trajetória histórico-cultural
desta, subsidiando o movimento teoria-prática no exercício profissional.
• Objetivos específicos
• Conceituar alfabetização e letramento.
• Compreender a importância da apropriação da linguagem pelo indivíduo.
• Possibilitar a formação do professor alfabetizador.
“Tudo no mundo está
dando respostas, o
que demora é o
tempo das perguntas”
José Saramago
O Dia Mundial da Alfabetização, data criada
pela Organização das Nações Unidas (ONU) e
pela Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no
ano de 1967, é comemorado em 08 de
setembro e tem como principal objetivo
fomentar a alfabetização em vários países.
Como dizia Monteiro Lobato, "um país se faz com homens e
livros", e é por intermédio da educação que a sociedade será
transformada.
ORIGEM DO TERMO LETRAMENTO
Dizemos que alguém é alfabetizado quando essa pessoa sabe
ler e escrever palavras, frases e pequenos textos em determinado
idioma.
Quando falamos em letramento, estamos dizendo que essa
pessoa sabe usar a linguagem escrita como ferramenta cultural
em diferentes contextos sociais (trabalho, família, lazer).
AFINAL, O QUE É LETRAMENTO?
Sob a ótica social, o letramento é um
acontecimento cultural relativo às atividades
que envolvem a língua escrita. O destaque
incide nos usos, funções e propósitos da
língua escrita no contexto social.
AQUISIÇÃO E DESENVOLVIMENTO
DA LINGUAGEM
• A aquisição e o desenvolvimento
da linguagem ocorrem na criança
por meio da interação com as
pessoas que a cercam, os pais, os
parentes e, mais tarde, os colegas
de brincadeiras.
A língua portuguesa já é entendida e falada
pela criança que vai se alfabetizar; geralmente
com sete anos, demonstra estar em processo de
aquisição da linguagem.
Diz-se que ela entrou no mundo da
linguagem “lendo” o que estava à sua volta
“leitura de mundo” fazendo transformações
e utilizações permitidas e exigidas nos
espaços que interagia antes de chegar à
escola.
A diferença do uso desta linguagem do
espaço escolar com a sua linguagem
gerará desconforto, mesmo que a escola
procure tornar este conhecimento menos
traumático.
O contato anterior que ela teve com a
linguagem diferencia de criança para criança.
Algumas delas vem de lares com livros, jornais,
pais que contam história, mas há aquelas
que possuem afinidade apenas com a
linguagem usada na TV, isto é, raramente
veem alguém lendo ou escrevendo.
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A CRIANÇA E A LÍNGUA
PORTUGUESA
Educador e educandos, entendendo a dinâmica
própria do espaço escolar, a relação entre
escrita da fala e escrita padrão(...)
• (...) não acarretará necessariamente em
textos destituídos dos chamados “erros”.
ƒ
. Esses acontecimentos não devem receber
por parte do educador atenção com
caráter de repressão e supervalorização...
(...) já que a ação de escrever,
neste momento , é a que deve receber atenção.
Entretanto, é importante esclarecer que existe uma
escrita convencional, que não só é usada como
também cobrada pela sociedade.
O ensino da língua
portuguesa, durante
o processo de
alfabetização, é ensinar
como a língua funciona,
porém diferencia da
abordagem dada em outras séries,
devido ao desconhecimento próprio
característico do aluno de
classes de alfabetização
quanto à escrita e à leitura.
O conhecimento linguístico refletirá na
metodologia aplicada pelo alfabetizador, na
valorização dada durante o processo de avaliação,
na precisão de procura de explicações pertinentes às
dúvidas e dificuldades apresentadas pelo aluno no
contato com aprendizado.
CONCEPÇÃO DE LÍNGUA E LINGUAGEM:
Como o professor concebe a língua e a
linguagem é um ponto muito importante no
ensino de língua materna, pois é mediante essa
concepção que o trabalho em sala de aula se
organiza. Travaglia, Luis Carlos (1995) apresenta
três concepções de linguagem: expressão do
pensamento, instrumento de comunicação e
forma ou processo de interação
• A primeira concepção - linguagem como expressão do
pensamento – não prevê a influência do outro nem da situação
social na construção do enunciado, já que este se processa no seu
interior, é um ato monológico, individual. Nesta concepção, a
organização lógica do pensamento segue regras que visam o
falar e escrever “bem”. Essas regras, traçadas nas Gramáticas
Tradicionais ou Normativas, tomam como base a linguagem
literária, exemplo do “escrever bem”.
• A segunda concepção – linguagem como instrumento de
comunicação – vê a língua como um código, um conjunto de signos
que se combinam segundo regras, operando na transmissão de uma
mensagem do emissor ao receptor. Essa concepção, embora
entenda a língua como um ato social, desconsidera o uso, e,
consequentemente, os falantes e o contexto, limitando-se a um
estudo do funcionamento interno da língua.
• A terceira concepção – linguagem como forma ou processo de
interação – entende que, ao fazer uso da linguagem, o indivíduo age
sobre o seu interlocutor (ouvinte/leitor), resultando numa produção de
sentidos entre locutores, que ocupam posições sociais, históricas, culturais e
ideológicas. Essa concepção caracteriza-se pelo diálogo em sentido
amplo e está ancorada nos estudos linguísticos.
IMPORTÂNCIA DA METODOLOGIA NA PREPARAÇÃO DO ENSINO
A sala de aula da educação infantil deve ser um espaço
visualmente limpo, claro, permitindo que as crianças sintam-
se à vontade para desenvolver suas capacidades de criar e
imaginar, bem como, interagir e serem capazes de exercer
uma série de atividades.
A organização do espaço é de acordo com a faixa etária das
crianças, envolvendo atividades lúdicas, que levem em conta as
diversas formas de linguagem: música, faz-de-conta, teatro,
imitação, dança, desenhos, literatura, etc. Ao organizar o espaço, o
educador deve levar em consideração todas as dimensões
humanas potencializadoras nas crianças: o imaginário, o artístico, o
lúdico, o afetivo e o cognitivo. Este espaço não pode ser visto como
um mero lugar da sala de aula.
AMBIENTE ALFABETIZADOR
Organizar a sala de aula de maneira que
cada sala ofereça materiais que
favoreçam a aquisição de conhecimentos
• Canto de leitura;
• Alfabeto ilustrado;
• Sequência numérica;
• Calendário;
• Textos reais / ler e escrever com
função social.
ALFABETIZAÇÃO:
• Ação de ensinar/aprender a ler e a
escrever;
• Uso social da escrita;
• Reação ao analfabetismo;
• Correspondência entre dois modos de
representação: as linguagens falada e
escrita;
ALFABETIZAÇÃO
É um processo dentro do letramento e,
segundo Magda Soares, é a ação de
ensinar/aprender a ler e a escrever.
O conceito de alfabetização para Magda
Soares é restrito, refere-se apenas ao
aprender/ensinar a ler e escrever. Já Emília
Ferreiro coloca que não precisa usar outro
termo (no caso letramento) para designar algo
que já deveria estar dentro do processo de
alfabetização.
“Um dos maiores danos que se pode causar a uma criança é levá-la a perder a
confiança na sua própria capacidade de pensar”
Tanto as descobertas de Piaget como as de Emília levam à conclusão de que as
crianças têm um papel ativo no aprendizado. Elas constroem o próprio
conhecimento - daí a palavra construtivismo
Maria Emilia Ferreiro
ORGANIZAÇÃO DA ROTINA
• Organização de horários;
• Dias para realização das atividades;
• Organização do espaço da sala de aula;
• Exposição de materiais;
Planejada com
Intencionalidade
educativa;
Faz-se necessário que ao definir o espaço a ser
utilizado, o educador pense na estratégia de
utilização, e nas atividades que irá desenvolver.
Para tanto, o espaço interno como o externo da
educação infantil, deve permitir o fortalecimento da
independência da criança, favorecendo o
autoconhecimento e desenvolvimento de
habilidades afetivas, cognitiva e social.
FORMAS DE LINGUAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL:
• Os gestos e o ato de brincar: nas brincadeiras se aprendem e são
incorporados conceitos, preconceitos e valores. Nelas se expressam nossas
múltiplas belezas, como também as mais sutis e grotescas molezas humanas e
sociais. Expressões humanas como a competição, a cooperação, a violência,
a brutalidade, a delicadeza, o sentimento de exclusão e inclusão [...] os
combinados coletivos, o respeito e o desrespeito, aparecem de forma
contraditória.
• Ao brincar a criança participa das construções de regras, sendo assim, “[...] as
crianças constroem conhecimentos e vivem relações sociais específicas, repletas
de valores e significados” (CARVALHO; GUIMARÃES, 2002, p. 80).
• Desenho
O desenho é uma simples identificação, sem se preocupar com detalhes
de uma representação. Desta forma, podemos dizer que “[...] o
desenho das crianças como um estágio preliminar no
desenvolvimento da linguagem escrita” (VYGOSTKY, 1998, p. 149).
A Dança e a Música:
No indivíduo, a dança e a música estimulam áreas do cérebro que
aguçam a percepção, desenvolvendo a sensibilidade, o raciocínio, a
concentração, memória e coordenação motora. Também ajudam na
expressão das emoções, facilitam as relações sociais, o
enriquecimento cultural, e auxilia na construção da cidadania.
No que tange a dança, quando inserida no âmbito da educação
infantil, propicia o autoconhecimento, estimulando a corporeidade na
escola, além de proporcionar aos educandos relacionamentos estéticos
com as outras pessoas e com o mundo, incentivando a expressividade
dos indivíduos por meio de comunicação não verbal e diálogos
corporais (BARRETO, 2005).
Manipulação de objetos e materiais artísticos:
É através da manipulação de diferentes objetos que a criança
consegue estabelecer símbolos e, assim, de fato os jogos fazem
elo entre os gestos e a linguagem escrita. Sempre que
observamos uma criança brincar podemos notar que em meio a
sua brincadeira o faz-de-conta está sempre presente, uma
colher pode ser uma boneca, a vassoura pode ser um avião. As
brincadeiras ajudam no desenvolvimento da criança
contribuindo para sua vida e na construção da linguagem
escrita. Como afirma Vygotsky:
Escrita:
O desenvolvimento da linguagem escrita, segundo Vygotsky
(1998) se dá pelo deslocamento do desenho de coisas, para o
desenho de palavras. Na verdade, o segredo do ensino da
linguagem escrita é preparar para organizar adequadamente essa
transição de maneira natural. Após ser alcançado esse processo, a
criança passa a dominar o princípio da linguagem escrita, desta
forma, é necessário aperfeiçoá-la. No entanto, o professor deve ser o
mediador desse processo.
O professor da educação infantil deve ter uma
ação pedagógica que articule as múltiplas
linguagens inerentes no processo de aquisição do
conhecimento, colocando as mesmas em prática
para atingir suas metas educativas. Este professor
deve estabelecer regras, desde que estas deem
condições para que ele possa realizar um excelente
trabalho com os alunos. Todavia, se a criança for
reprimida e obrigada a seguir um caminho
comum, igual à de todos, ela não terá como
desenvolver sua criatividade e a capacidade
intelectual.
EDUCAÇÃO INFANTIL
• De acordo com os Parâmetros Nacionais de
Qualidade para a Educação Infantil (2006), a
qualidade da educação infantil se dá pela definição
de papéis e ações delimitadas, tanto na parte
financeira, administrativa e pedagógica que respeitem
a legislação.
• Este documento ressalta o artigo 20 da LDB, que
dispõe que a finalidade da educação infantil é “[...] o
desenvolvimento integral da criança até 6 anos de
idade em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e
social, complementando a ação da família e da
comunidade”.
Os PNQEI (2006), são organizados em seções distintas, na qual a
primeira seção relaciona-se com as propostas pedagógicas das
instituições de educação infantil, visam os princípios éticos
relacionados com responsabilidade, solidariedade, respeito, bem
como ainda os princípios políticos referentes a cidadania – direitos e
deveres -, criticidade e respeito à ordem democrática e, por fim, os
princípios estéticos que colaboram com a criticidade, ludicidade e
diversidade artística e cultural.
As propostas pedagógicas da educação infantil devem organizar as
atividades das crianças, sendo estas estruturadas, espontâneas e
livres, interagem com as diversas áreas do conhecimento, tanto
básicos e conhecimentos e valores, e que os professores devem
atender as necessidades e características das crianças (PNQEI,
2006). Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil
• O trabalho da educação infantil deve ter complemento
da ação familiar, havendo interação entre as duas. A
proposta deve ressaltar a importância de se trabalhar
atividades relacionadas à diversidade contra a
discriminação de gênero, religião, etnia, necessidades
especiais, composição familiar e diversos estilos de vida,
bem como, o respeito e valores dos costumes, cultura local
e regional. (PNQEI, 2006).
• Deve visar ainda a inclusão das crianças com
necessidades especiais, sendo que a educação infantil
deve elaborar estratégias, orientações e materiais que
atendam à necessidades especificas da criança,
evidenciando a formação continuada da equipe para
atender esses alunos, bem como, a adaptação do espaço
e equipamentos. (PNQEI, 2006).
• Ao organizar os grupos ou turmas, essas instituições têm autonomia
para fazer essa ação da maneira que melhor lhe convém, desde
que a mesma esteja explícita em sua proposta pedagógica, o que
pode ser por faixa etária (1, 2, 3 anos) ou envolvendo mais de
uma faixa etária (0 a 2, 1 a 3 anos, etc), considerando sempre o
equilíbrio de ambos os sexos, nunca ficando sozinhos, sendo sempre
observados pelo professor, visando que para cada professor deve
haver na idade de 0 a 2 anos, de 6 à no máximo 8 alunos, 3 anos,
1 professor para cada 15 crianças e, acima de 4 anos, 1 professor
para cada 20 crianças, a sala deve comportar esse numero de
alunos (DCNEI, 1998).
• Faz parte da gestão da educação infantil os profissionais que
atuam na área de direção, administração, coordenação
pedagógica ou geral, estes devem ter no mínimo o diploma de
nível médio, modalidade normal, mas preferencialmente curso
superior (Pedagogia).
• Os professores, gestores, profissionais de apoio e especialistas das
instituições de educação infantil devem ter atitudes de confiança,
respeito, garantir condições de trabalho necessárias ao
desempenho de suas funções: tempo, espaço, equipamentos e
materiais. (DCNEI, 1998).
• A infra-estrutura das instituições infantis, devem atender às
necessidades de saúde, proteção, alimentação, descanso, interação,
conforto, higiene, além de propiciar a interação das crianças com
as crianças e crianças com adultos, devem aguçar a imaginação e
aprendizagem das crianças. (DCNEI, 1998).
• Nas paredes sugere-se que devem ser expostas as produções das
crianças, as atividades realizadas, visando ampliar seus
conhecimentos. As cores de paredes e mobílias têm a finalidade de
deixar o ambiente mais aconchegante. Os mobiliários, materiais e
equipamentos devem ser organizados deixando o ambiente
confortável. Brinquedos, equipamentos e materiais pedagógicos
devem ser escolhidos para não trazer problemas à saúde da
criança (DCNEI, 1998).
“Antes de ser meu aluno ele é
seu filho! “
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VAGA REFLEXÃO SOBRE OS MÉTODOS DE ALFABETIZAÇÃO
Os estudos sobre o processo de alfabetização no Brasil
têm se baseado em trabalhos de psicólogos, quando a
questão é essencialmente a linguística. As facilidades e
dificuldades dos alunos estão no modo como lidam com
a linguagem. Os métodos baseados em ideias
psicológicas, como o construtivismo e o método fônico,
das cartilhas, etc. desconhecem como a linguagem é e
como funciona. Por essa razão, esses métodos não
sabem o que fazer quando o professor ensina e o aluno
não aprende. Nestes casos, esses métodos apenas
repetem a lição ou a atividade até que o aluno
aprenda.
Conceito atual de alfabetização enfatiza:
• Que a criança aprende a ler e escrever
pensando. Por isso usa-se hipóteses
sobre objetos de conhecimentos;
O SEGREDO
• A solução para os alunos que não aprendem apesar de tudo está
somente numa análise linguística das dificuldades desses alunos.
Infelizmente, a formação linguística dos alfabetizadores é pobre,
nula ou equivocada. Essa precariedade também é encontrada nos
PCNs, em livros didáticos e nos movimentos antigos e recentes que
dão um pacote educacional para o país. O país precisa mesmo é
de alfabetizadores competentes, conhecedores dos problemas
linguísticos da própria atividade em sala de aula. Luiz Carlos
Cagliari (1989) Alfabetização e Linguística.
“A criança interage ativamente com seu
meio, construindo suas próprias
‘categorias de pensamento’ ao mesmo
tempo que organiza o mundo”
Emília Ferreiro
“...Aprender a ler, a
escrever, alfabetizar-
se é, antes de mais
nada, aprender a ler o
mundo, compreender o
seu contexto, não numa
manipulação mecânica
de palavras, mas numa
relação dinâmica que
vincula linguagem e
realidade”.
Paulo Freire
Ler e escrever de forma letrada é um
conjunto de competências e habilidades,
comportamentos e conhecimentos.
Ler não é decifrar, escrever não é copiar
(Ferreiro)
• Essa imagem ilustra bem o conceito de letramento. É
abrir as portas e janelas do mundo por meio da leitura,
da oralidade e ser capaz de se relacionar bem nas
diversas práticas sociais.