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Família de Retificadores PWM Unidirecionais Três-Níveis Híbridos A Capacitor Chaveado Com Elevado Fator de Potência Daniel Flores Cortez

Este documento apresenta uma tese de doutorado que propõe uma nova família de conversores CA-CC três níveis híbridos a capacitor chaveado. São descritos estudos teóricos e simulações de conversores monofásicos e trifásicos, com o objetivo de fornecer alto fator de potência e elevado ganho de tensão sem uso de transformadores. Resultados experimentais de protótipos de 2500W monofásicos e 7500W trifásicos são apresentados.

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Família de Retificadores PWM Unidirecionais Três-Níveis Híbridos A Capacitor Chaveado Com Elevado Fator de Potência Daniel Flores Cortez

Este documento apresenta uma tese de doutorado que propõe uma nova família de conversores CA-CC três níveis híbridos a capacitor chaveado. São descritos estudos teóricos e simulações de conversores monofásicos e trifásicos, com o objetivo de fornecer alto fator de potência e elevado ganho de tensão sem uso de transformadores. Resultados experimentais de protótipos de 2500W monofásicos e 7500W trifásicos são apresentados.

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Tese de Doutorado

FAMÍLIA DE RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS


TRÊS-NÍVEIS HÍBRIDOS A CAPACITOR CHAVEADO COM
ELEVADO FATOR DE POTÊNCIA

Daniel Flores Cortez

Universidade Federal de Santa Catarina


Programa de Pós-Graduação em
Engenharia Elétrica
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

Daniel Flores Cortez

FAMÍLIA DE RETIFICADORES PWM


UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HÍBRIDOS A
CAPACITOR CHAVEADO COM ELEVADO
FATOR DE POTÊNCIA

Florianópolis
2015.
Daniel Flores Cortez

FAMÍLIA DE RETIFICADORES PWM


UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HÍBRIDOS A
CAPACITOR CHAVEADO COM ELEVADO
FATOR DE POTÊNCIA

Tese submetida ao programa de Pós-


graduação em Engenharia Elétrica da
Universidade Federal de Santa
Catarina para obtenção do grau de
Doutor em Engenharia Elétrica.

Orientador: Prof. Ivo Barbi, Dr. Ing.

Florianópolis
2015.
Ficha de identificação da obra elaborada pelo autor,
através do Programa de Geração Automática da Biblioteca Universitaria da UFSC.

Cortez, Daniel
Família de retificadores PWM unidirecionais
três-níveis híbridos a capacitor chaveado com
elevado fator de potência / Daniel Cortez;
orientador, Ivo Barbi - Florianópolis,
SC, 2015.
252 p.

Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa


Catarina, Centro Tecnológico. Programa de Pós-graduação
em Engenharia Elétrica.

Inclui referências

1. Engenharia Elétrica. 2. Eletrônica de Potência. 3.


Correção de Fator de Potência. 4. Alto Ganho de Tensão.
I. Barbi, Ivo. II. Universidade Federal de Santa
Catarina. Programa de Pós-graduação em Engenharia
Elétrica. III. Título.
Daniel Flores Cortez

FAMÍLIA DE RETIFICADORES PWM


UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HÍBRIDOS A
CAPACITOR CHAVEADO COM ELEVADO
FATOR DE POTÊNCIA

Esta Tese foi julgada aprovada para a obtenção do Título de


Doutor em Engenharia Elétrica, e aprovada em sua forma final pelo
Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica.

Florianópolis, 20 de fevereiro de 2015.

Prof. Carlos Galup Montoro


Coordenador do programa de Pós Graduação em Engenharia
Elétrica

Prof. Ivo Barbi


Orientador
Banca Examinadora:

Prof. Roger Gules, Dr.

Prof. Romeu Hausmann, Dr.

Prof. Clóvis Antônio Petry, Dr.

Prof. Cassiano Rech, Dr.

Prof. Daniel Juan Pagano, Dr.


A Deus
À minha família
AGRADECIMENTOS
Ao meu orientador e professor, Ivo Barbi, pela orientação, pelas
sugestões, críticas e confiança em meu potencial. Pelo belo exemplo de
pesquisador.
Aos professores membros da banca examinadora, Roger Gules,
Romeu Hausmann, Clóvis Antônio Petry, Cassiano Rech, Daniel Juan
Pagano, pelos comentários, críticas e correções.
Aos professores do INEP, em especial à Denizar Cruz Martins, pelo
financiamento de alguns dos componentes do protótipo experimental.
Aos colegas e amigos do INEP, André Fuerback, André Gutierrez
Andreta, Antonio Jose Bento Bottion, Bruno S. Dupczak, Daniel
Augusto F. Collier, Eduardo Valmir de Souza, Franciéli Lima de Sá,
Francisco José Barbosa de Brito Júnior, Jackson Lago, Jacson Luis de
Oliveira, Joabel Moia, Luis Juarez Castelo Branco C Neto, Nilton
Francisco Oliveira da Silva, Nuno Miguel Martins da Rocha, Mauro
André Pagliosa, Marcos José Jacoboski, Marcelo Dias Pedroso, Rafael
Henrique Eckstein, Roberto Buerger, Ronny Glauber de Almeida
Cacau, Tiago Kommers Jappe, Walbermark M. Dos Santos, pela
excelente convivência e pelas trocas de conhecimentos.
Aos amigos André Lange, Adriano Ruseler, Gean Jacques Maia de
Sousa, Gierri Waltrich, Marcio Ortmann e Rodrigo de Souza Santos
pelos diversos momentos de descontração, pelo humor, pelas idas e
vindas ao RU e ao “Meu Escritório”.
Aos funcionários do INEP, Diogo Duarte Luiz, Dona Beth,
Leandro Chanes, pela competência e por ter propiciado, de alguma
forma, a realização deste trabalho.
Aos funcionários da área técnica, Luiz Marcelius Coelho e em
especial à Antônio Luiz S. Pacheco, pela eficiência, competência e
confecção do protótipo experimental.
Aos amigos-irmãos, Delvanei Bandeira Jr., Edevaldo Santos e
Tiago Schiavon, pela amizade contínua, incentivo e os momentos de
diversão.
À minha mãe e avó pelo incentivo e por tudo que me
proporcionaram. Aos meus irmãos André Flores e Marcos Flores pelo
apoio e amizade.
À Lorena, por todo amor, carinho, amizade e companheirismo.
Obrigado por ter estado ao meu lado em todos os momentos dessa
caminhada. Estendo minha gratidão à sua família, por todo respeito e
compreensão.
Ao CNPq pelo apoio financeiro e ao INEP/UFSC por toda
estrutura disponibilizada para a realização deste trabalho.
Agradeço a todas as pessoas que, de alguma forma, contribuíram
para que este trabalho fosse realizado.
A Deus, pela vida e orientação.
“O sucesso nasce do querer, da
determinação e persistência em se
chegar a um objetivo. Mesmo não
atingindo o alvo, quem busca e vence
obstáculos, no mínimo fará coisas
admiráveis” José de Alencar
RESUMO
Esta tese de doutorado tem por objetivo a proposta de uma nova
família de conversores ca-cc três níveis unidirecionais híbridos a
capacitor chaveado. São propostos conversores monofásicos e trifásicos.
As características principais dos conversores são o fornecimento de alto
fator de potência e elevado ganho de tensão sem o uso de
transformadores. Para isso, unem dois conceitos distintos dentro da
eletrônica de potência moderna que são: o controle de corrente por
armazenamento indutivo e a elevação de tensão por comutação
capacitiva. Os conversores apresentam baixos esforços de tensão,
reduzido número de semicondutores comandados e baixa distorção
harmônica na corrente de entrada. É proposta uma especificação de
projeto com potência de saída de 2500 W para os conversores
monofásicos e de 7500 W para os retificadores trifásicos, alimentados
com tensão de entrada ca de 220 V e tensão de saída cc de 1600 V. O
estudo é conduzido de forma a propiciar o entendimento, projeto e
dimensionamento dos elementos do sistema. São apresentados estudos
teóricos, simulações, além de resultados experimentais.

Palavras-chaves alto fator de potência, alto ganho de tensão,


conversão ca-cc, capacitor chaveado, hibrido.
ABSTRACT
This thesis aims studies of a new family of ac-dc three-level hybrid
switched-capacitor converters. Are proposed both single-phase as well
as three-phase converters. The main features of the proposed
converters are high power factor correction and high voltage gain
operation without isolation transformers. These converters merge two
different concepts in modern power electronics, that are: current
control by inductive storing energy and increased of the output
voltage by capacitive commutation. The converters have low voltage
stress, reduced number of switches and low harmonic distortion in the
input current. Experimental and simulation results for a 2500 W,
single-phase converters, and 7500 W, three-phase converters,
laboratory prototype are shown. Both converters work with input
voltage of 220 Vac and output voltage of 1600 Vdc. This Thesis is
focused to theoretical understanding and design of all elements of the
system.

Index terms Power factor correction, high voltage gain, hybrid


switched-capacitors, ac-dc power conversion.
LISTA DE FIGURAS

Figura 1-1 – Aplicação em tração metroviária. ..................................... 3


Figura 1-2 – Aplicação em energia eólica. ............................................. 3
Figura 1-3 – Aplicação em raio-X. ......................................................... 4
Figura 1-4 – Célula de dois estágios de Cockcroft-Walton. .................. 5
Figura 1-5 – Célula baseada no conversor de Dickson. ......................... 5
Figura 1-6 – Conversor boost operando como PFC. ............................. 6
Figura 1-7 – Conversores dobradores de tensão (três níveis)
apresentados por: (a) [20] e (b) [21]. ...................................................... 7
Figura 1-8 – Conversores trifásicos três-níveis populares na literatura. 8
Figura 1-9 – Conversor a capacitor chaveado proposto por [28]. ......... 9
Figura 1-10 - Conversor ca-cc híbrido proposto por [30]..................... 10
Figura 1-11- Conversor proposto por [31]. ........................................... 10
Figura 1-12 – Conversor ca-cc híbrido com alto fator de potência
proposto por [32]. .................................................................................. 11
Figura 1-13 – Conversor ca-cc híbrido com alto fator de potência
proposto [33].......................................................................................... 11
Figura 1-14 – Conversor cc-cc proposto por [34]. ................................ 12
Figura 1-15 – Conversor cc-cc proposto por [35]. ................................ 12
Figura 1-16 – Conversor híbrido cc-cc e ca-cc proposto por [36, 39]. . 13
Figura 1-17 – Conversor híbrido trifásico empregado célula
multiplicadora proposto por [40]. ........................................................ 14
Figura 1-18 – Conversor proposto por [41]. ......................................... 14
Figura 1-19 – Conversor ca-cc híbrido proposto por [42]. ................... 15
Figura 1-20 – Célula básica genérica dos conversores monofásicos
propostos: (a) Célula A; (b) Célula B. ................................................. 17
Figura 1-21 – Conversores ca-cc unidirecionais três-níveis híbridos
propostos. .............................................................................................. 18
Figura 1-22 – Células genéricas de conversores trifásicos unidirecionais
três-níveis híbridos. ............................................................................... 19
Figura 1-23 – Conversores trifásicos propostos oriundos da célula a: (a)
Tipo I; (b) Tipo II e (c) Tipo III. ......................................................... 20
Figura 1-24 – Conversores trifásicos oriundos da célula b: (a) Tipo IV;
(b) Tipo V e (c) Tipo VI. ..................................................................... 21
Figura 2-1 – Comutação entre capacitores: (a) ideal; (b) com
resistência. ............................................................................................. 29
Figura 2-2 – Conversor CC-CC básico a capacitor chaveado. ............ 30
Figura 2-3 - Formas de onda básicas do conversor cc-cc básico a
capacitor chaveado. ...............................................................................30
Figura 2-4 – Circuito equivalente referente à primeira etapa de
operação. ................................................................................................32
Figura 2-5 – Circuito equivalente referente à segunda etapa de
operação. ................................................................................................34
Figura 2-6 - Circuito equivalente contemplando a resistência
equivalente. ............................................................................................35
Figura 2-7 – Comportamento da resistência equivalente em função da:
(a) frequência de comutação; (b) razão cíclica. ....................................36
Figura 2-8 – Comportamento das correntes no interruptor: (a)
comportamento do valor eficaz dos interruptores S1 e S2 em função da
razão cíclica; (b) comportamento da corrente no interruptor S1 para
diversos valores de constantes de tempo. .............................................39
Figura 2-9 – Definição dos modos de operação das correntes nos
capacitores: (a) complete-charge (CC); (b) parcial-charge (PC); (c)
no-charge (NC)......................................................................................40
Figura 2-10 – Conversor cc-cc híbrido a capacitor chaveado. .............41
Figura 2-11 – Primeira etapa de operação do conversor cc-cc híbrido a
capacitor chaveado. ...............................................................................42
Figura 2-12 – Segunda etapa de operação do conversor cc-cc híbrido a
capacitor chaveado. ...............................................................................47
Figura 2-13 – Comparativo do comportamento dos valores eficaz das
correntes nos capacitores com a colocação ou não do capacitor de
saída Co. ..................................................................................................58
Figura 2-14 – Comportamento do somatório dos valores eficazes das
correntes nos capacitores. ......................................................................59
Figura 3-1 – Família de conversores ca-cc unidirecional três níveis
híbridos a capacitor chaveado propostos. .............................................65
Figura 3-2 – Etapas de operação para os conversores originados da
célula A (armazenamento e transferência de energia)..........................66
Figura 3-3 – Etapas de operação para os conversores originados da
célula B (armazenamento e transferência de energia)..........................67
Figura 3-4 – Topologia ca-cc meia ponte unidirecional três níveis
híbrida a capacitor chaveado tipo I. .....................................................69
Figura 3-5 – Primeira etapa de operação do conversor tipo I. ............70
Figura 3-6 – Segunda etapa de operação do conversor tipo I. .............72
Figura 3-7 – Corrente eficaz nos capacitores chaveados, parametrizado
pela corrente de saída Io . ......................................................................76
Figura 3-8 – Envoltória da corrente no interruptor S1;k em função de
!t. .......................................................................................................... 77
Figura 3-9 – Comportamento da corrente eficaz no interruptor S1;A e
S2;A, parametrizada pela corrente de saída, em função do índice
modulação. ............................................................................................ 79
Figura 3-10 – Corrente eficaz nos diodos D 1;k ; k = A ; B , parametrizada
pela corrente de saída, em função do índice de modulação................. 82
Figura 3-11 – Corrente eficaz do diodo D 2;k ; k = A ; B , parametrizada
pela corrente de saída, em função do índice de modulação................. 84
Figura 3-12 – Comparativo do comportamento das correntes eficazes
nos diodos da topologia em questão. .................................................... 87
Figura 3-13 – Comparativo das taxas de conversão dos conversores
propostos com o conversor boost PFC clássico. .................................. 88
Figura 3-14 – Envoltória da ondulação de corrente parametrizada no
indutor de entrada. ............................................................................... 90
Figura 4-1 – Estrutura básica do conversor híbrido necessária para
implementação da estratégia de controle. ............................................ 97
Figura 4-2 – Representação do conversor monofásico pela sua
componente fundamental. .................................................................... 97
Figura 4-3 – Diagrama de blocos do modelo da corrente de entrada. 98
Figura 4-4 – Modelagem do conversor com uma resistência vista pela
rede elétrica. .......................................................................................... 99
Figura 4-5 – Diagrama de blocos das malhas de controle de tensão e
corrente. ...............................................................................................100
Figura 4-6 – Circuito equivalente para obtenção do modelo da planta
de tensão. .............................................................................................101
Figura 4-7 – Simulação do conversor e modelo para um degrau de 6%
na referência de tensão. .......................................................................104
Figura 4-8 – Comportamento da corrente de entrada do conversor e
do modelo matemático, diante de um degrau de referência de 6% na
tensão de saída. ....................................................................................104
Figura 5-1 – Curva de queda de tensão em função da corrente no
canal do MOSFET IPW65R080CFD. ................................................111
Figura 5-2 – Esquemático implementado no software OrCAD para
extração das curvas de energia no MOSFET IPW65R080CFD........113
Figura 5-3 – Curvas de energia dissipada durante a comutação do
MOSFET IPW65R080CFD, extraídas por meio do software OrCAD.
..............................................................................................................114
Figura 5-4 – Curva de queda de tensão sobre o diodo IDH16S60C. .115
Figura 5-5 – Característica da queda de tensão no diodo em
antiparalelo do MOSFET IPW65R080CFD. ..................................... 117
Figura 5-6 – Rendimento teórico do conversor tipo I em função da
potência de saída para vários índices de modulação. ......................... 120
Figura 5-7 – Rendimento teórico em função do índice de modulação na
potência nominal de saída para várias frequências. ........................... 121
Figura 5-8 – Rendimento teórico: (a) Superfície 3D relacionando a
potência de saída e índice de modulação; (b) Superfície 2D
relacionando a potência de saída com o índice de modulação. .......... 121
Figura 5-9 – Rendimento teórico: (a) superfície tridimensional
relacionando o rendimento com a potência de saída e frequência de
comutação para o índice de modulação igual 0,77; (b) gráfico de
contorno do rendimento em função da potência de saída e frequência
de comutação, válido para o índice de modulação igual a 0,77. ........ 122
Figura 5-10 – Distribuição das perdas de energia no conversor Tipo I.
............................................................................................................. 122
Figura 5-11 – Resultados de simulação: tensão e corrente na rede
elétrica; tensão sobre o indutor de entrada; tensão comutada do
conversor. ............................................................................................. 123
Figura 5-12 – Resultados de simulação em regime permanente: (a)
corrente de entrada ; (b) tensão de saída ; (c) tensões parciais de
saída e ; (d) tensões sobre os capacitores , ....... 124
Figura 5-13 – Simulação para teste da malha de balanço das tensões:
(a) corrente de entrada ; (b) tensão de saída ; tensões parciais de
saída e ; tensão sobre os capacitores , ; Ação de
controle da malha do balanço das tensões de saída. .......................... 125
Figura 5-14 – Correntes nos elementos do conversor; corrente nos
interruptores ativos; corrente nos capacitores de comutação............. 126
Figura 5-15 – Esquemático empregado no protótipo experimental. .. 129
Figura 5-16 – Fotografia do protótipo construído. ............................. 129
Figura 5-17 – Vista frontal do conversor construído.......................... 130
Figura 5-18 – Resultados experimentais: tensão e corrente na rede
elétrica (canal 2 e 4); tensões sobre os capacitores parciais de saída
e (canal 1 e 3)...................................................................... 131
Figura 5-19 – Resultados experimentais: tensões sobre os capacitores
parciais de saída e (canal 1 e 3); corrente de entrada (canal
2) e tensão comutada pelo conversor (canal 4). ........................... 131
Figura 5-20 – Resultados experimentais: tensões sobre os capacitores
parciais de saída e (canal 1 e 3); corrente de entrada (canal
2) e corrente no interruptor . ....................................................... 132
Figura 5-21 – Formas de onda das tensões sobre os capacitores ,
, ............................................................................133
Figura 5-22 – Resultados experimentais: tensões parciais de saída e
; corrente de entrada e tensão de entrada . ............................134
Figura 5-23 – Detalhe do transitório de carga da Figura 5-22...........134
Figura 5-24 – Comportamentos das tensões sobre os capacitores
diante de um degrau na resistência de carga. .....................................135
Figura 5-25 – Espectro harmônico da corrente de entrada em
percentual da componente fundamental para potência nominal. ......136
Figura 5-26 – Comportamento da taxa de distorção harmônica em
função da potência de saída do conversor proposto. ..........................136
Figura 5-27 – Curvas de rendimento em função da potência de saída
para várias frequências. .......................................................................137
Figura 6-1 – Retificador trifásico híbrido a capacitor chaveado tipo I.
..............................................................................................................140
Figura 6-2 – Retificador trifásico híbrido a capacitor chaveado tipo I
com redução do número de capacitores. .............................................141
Figura 6-3 – Retificadores trifásicos propostos: (a) Tipo I; (b) Tipo II;
(c) Tipo II. ...........................................................................................143
Figura 6-4 - Retificadores trifásicos propostos: (a) Tipo IV; (b) Tipo
V; (c) Tipo VI. .....................................................................................144
Figura 6-5 – Janela de tempo das correntes considerada na análise das
etapas e operação do conversor proposto............................................145
Figura 6-6 – Diagrama unidimensional das tensões terminais do
conversor trifásico. ...............................................................................147
Figura 6-7 – Estado topológico . .....................................148
Figura 6-8 – Estado topológico . ..................................149
Figura 6-9 – Estado topológico . ...............................149
Figura 6-10 – Estado topológico . .............................150
Figura 6-11 – Estado topológico1 . ..............................150
Figura 6-12 – Estado topológico . ...................................151
Figura 6-13 – Mapa de vetores do conversor trifásico três-níveis
proposto................................................................................................152
Figura 6-14 – Descrição do modulador PWM referente à fase A do
conversor. .............................................................................................153
Figura 6-15 – Comparativo da corrente no capacitor C1;A: (a) corrente
no retificador trifásico; (b) corrente no retificador monofásico; (c)
corrente de entrada da fase A. ............................................................155
Figura 6-16 – Comportamento da corrente eficaz no capacitor
c c
C1;A = C1;B . ..........................................................................................156
Figura 7-1 – Estrutura básica da estratégia de controle das correntes
de entrada e tensões de saída. ............................................................. 160
Figura 7-2 – Diagrama de blocos da estratégia de controle dq0........ 161
Figura 7-3 – Estrutura de PLL empregada no conversor. ................. 162
Figura 7-4 – Representação do retificador três níveis por chaves
tripolares. ............................................................................................. 163
Figura 7-5 – Representação do retificador pelo valor médio quase
instantâneo........................................................................................... 164
Figura 7-6 – Circuito equivalente do conversor em coordenadas dq0:
(a) eixo zero; (b) eixo direto; (c) eixo em quadratura........................ 167
Figura 7-7 – Diagrama de blocos do modelo da corrente em dq0. .... 168
Figura 7-8 – Ilustração da corrente no ponto médio do barramento de
saída. .................................................................................................... 173
Figura 7-9 – Correntes médias quase instantâneas no ponto médio M
= 0,77................................................................................................... 175
Figura 7-10 – Comportamento do valor médio das parcelas da corrente
no ponto neutro com a inserção da razão cíclica de sequência zero para
M = 0:77................................................................................................. 176
Figura 8-1 – Resultados de simulação do conversor trifásico proposto:
correntes de entrada; correntes nos interruptores ativos; correntes nos
j
diodos D1;B j = a; b; c, referente às três fases. ..................................... 181
Figura 8-2 – Resultado de simulação do conversor trifásico proposto:
corrente de entrada; tensões parciais do barramento cc de saída e
tensões sobre os capacitores de comutação......................................... 181
Figura 8-3 – Simulação do conversor trifásico proposto: tensão e
corrente da fase A; tensão comutada do conversor (fase a) e corrente
no ponto médio do barramento. ......................................................... 182
Figura 8-4 – Simulação do conversor trifásico proposto: tensão e
corrente de entrada (fase A); tensões parciais do barramento cc de
saída e tensões sobre os capacitores de comutação. ........................... 183
Figura 8-5 – Resultado experimental: formas de onda das tensões e
correntes de entrada para operação em regime permanente.............. 185
Figura 8-6 – Resultados experimentais: formas de onda das correntes
de entrada; tensão de linha comutada pelo conversor e tensão parcial
de saída. ............................................................................................... 186
Figura 8-7—Resultados experimentais: formas de onda da corrente de
entrada (canal 4); tensão sobre o capacitor C1;A (canal 1); tensão sobre
o capacitor C2;A (canal 2) e tensão sobre o capacitor C3;A (canal 3).186
Figura 8-8 – Resultados experimentais: formas de onda da corrente de
a
entrada; corrente no capacitor C3;A ; tensões parciais de saída vop e von
..............................................................................................................187
Figura 8-9 – Resultado experimental: comportamento das tensões
parciais diante da ativação da malha de equilíbrio das tensões de
saída; correntes de entrada. .................................................................188
Figura 8-10 – Comportamento das tensões de saída e correntes de
entrada diante de um degrau de carga na saída.................................189
Figura 8-11 – Taxa de distorção harmônica total da corrente de
entrada para condições nominais (percentual da componente
fundamental)........................................................................................189
Figura 8-12 – Curva de rendimento experimental do conversor
trifásico Tipo I. ....................................................................................190
Figura 9-1 – Proposta de generalização dos conversores propostos. ..196
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Comparativo entre os conversores propostos (semiciclo


positivo da rede elétrica) ..................................................................... 68
Tabela 2 – Especificações do protótipo...............................................108
Tabela 3 – Especificações dos componentes utilizados.......................108
Tabela 4 – Especificações do protótipo trifásico.................................180
Tabela 5 – Mapeamento dos vetores correspondentes aos estados
topológicos. ..........................................................................................151
Tabela 6 – Especificações do protótipo trifásico.................................180
LISTA DE SÍMBOLOS

Símb. Descrição Unid.


A Matriz de estados -
B Matriz -
C Matriz -
Ck Capacitores k 2 f1; ::; ng F
Ckj Capacitores F
Dk Diodo, k 2 f1; ::; ng -
D Razão cíclica no ponto de operação -
d Razão cíclica variável no tempo -
Eo Energia inicial J
Eperdida Energia perdida J
1± Energia do resistor RS referente à primeira J
ER s
etapa
±
2 Energia do resistor RS referente à segunda J
ER s
etapa
Etotal Energia total J
fs Frequência de comutação Hz
fg Frequência da rede elétrica Hz
g in Condutância emulada na entrada S
Gnom Condutância nominal S
G Ganho estático -
Ig;p Corrente de pico da entrada A
ig;ref Corrente de referência na rede A
iL Corrente no indutor boost A
iCk Corrente no capacitor k, k 2 f1; ::; ng A
0
iCk Corrente no capacitor k referente a primeira A
etapa, k 2 f1; ::; ng
00
iCk Corrente no capacitor k referente a segunda A
etapa, k 2 f1; ::; ng
hiCk iTs Corrente quase instantânea no capacitor k A
hiCoiTs Corrente quase instantânea no capacitor de A
saída, k 2 f1; ::; ng
0
iSk Corrente no interruptor k referente a A
primeira etapa, k 2 f1; ::; ng
00
iSk Corrente no interruptor k referente a A
segunda etapa, k 2 f1; ::; ng
0
iDk Corrente no diodo k referente a primeira A
etapa, k 2 f1; ::; ng
00
iDk Corrente no diodo k referente a segunda A
etapa, k 2 f1; ::; ng
0
iC k;j Corrente no interruptor k referente a A
segunda etapa, k 2 f1; ::; ng, j 2 fA; Bg
00
iC k;j Corrente no interruptor k referente a A
segunda etapa, k 2 f1; ::; ng, j 2 fA; Bg
00
iSk Corrente no interruptor k referente a A
segunda etapa, k 2 f1; ::; ng
hIC j;k;ef iT s Corrente eficaz quase instantânea A
ICj;k;ef Corrente eficaz A
±
i 2C 1 (t) Corrente no capacitor C 2 durante a segunda A
etapa
IS1;ef Corrente eficaz no interruptor S1 A
IS2;ef Corrente eficaz no interruptor S2 A
ÐIs;max® Corrente máxima no interruptor A
I¹S1;k Ts
Corrente média quase instantânea no A
Ð ® interruptor S
I¹D 1;k Ts
Corrente média quase instantânea no A
interruptor S
id Corrente de eixo direto A
iq Corrente de eixo em quadratura A
io Corrente de sequência zero A
jm;n Coeficiente da matriz, m 2 f1; ::; ng, -
n 2 f1; ::; ng
L Indutor H
Indutor boost H
Lr Indutor resonante H
Lo Indutor de saída H
km;n Coeficiente da matriz, m 2 f1; ::; ng, -
n 2 f1; ::; ng
kref Variável auxiliar -
m Sinal modulador
m
~ Vetor de moduladoras no plano abc -
m
~ dq0 Vetor de moduladoras no plano dq0 -
md Moduladora de eixo d -
mq Moduladora de eixo q -
m0 Moduladora de eixo 0 -
m m ;n Coeficiente da matriz, m 2 f1; ::; ng, -
n 2 f1; ::; ng
M Índice de modulação -
Ptotal Potência total W
P Potência do sistema W
Pnom Potência nominal W
Pin Potência de entrada W
PLb Potência no indutor Lb W
PCo Potência no capacitor Co W
PRo Potência no resistor R o W
Qo Carga inicial C
Ro Resistência de saída Ð
rC Resistência do capacitor Ð
Rs Resistência do interruptor S Ð
RL Resistência de saída Ð
Req Resistência equivalente Ð
Req;min Resistência equivalente mínima Ð
r in Resistência emulada na entrada Ð
rd Resistência do diodo Ð
r s ;o n Resistência do MOSFET Ð
Ro Resistência de saída Ð
rC Resistência do capacitor Ð
Rs Resistência do interruptor S Ð
RL Resistência de saída Ð
Sk Interruptor estático, k 2 f1; ::; ng -
Ts Período de comutação s
Vg Tensão de entrada V
vg Tensão alternada de entrada V
Vg;p Tensão de pico de entrada V
Vo Tensão de saída/tensão inicial V
Vi Tensão de entrada cc V
VCk Tensão sobre o capacitor k, k 2 f1; ::; ng V
Vk Nível de tensão k 2 fa; bg V
±
1 Tensão no capacitor C1 durante a primeira V
vC 1 (t)
etapa
2± Tensão no capacitor C1 durante a segunda V
vC1 (t)
etapa
vCk Tensão sobre o capacitor k, k 2 f1; ::; ng V
vao Tensão comutada do conversor V
vop Tensão parcial do barramento V
von Tensão parcial do barramento V
v~g Vetor de tensão da rede elétrica V
vdq0
~ Vetor de tensão no plano dq0 V
~von;dq0 Vetor de tensão de modo comum V
¢V Ondulação de tensão V
x Vetor de variáveis de estados -
x_ Vetor derivada das variáveis de estado -
¿ Constante de tempo s
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

Sigla Descrição
SCR Silicon Controlled Rectifier - Retificador de silício
controlado
IGBT Insulated-gate bipolar transistor Transistor - Bipolar de
Porta Isolada
MOSFET Metal Oxide Semiconductor Field Effect Transistor
SiC Silicon Carbide - Carbeto de silício
EMI Interferência eletromagnética
cc Corrente contínua
ca Corrente alternada
cc-cc Conversor de corrente contínua para corrente contínua
ca-cc Conversor de corrente alternada para corrente contínua
cc-ca Conversor de corrente contínua para corrente alternada
ca-ca Conversor de corrente alternada para corrente alternada
PFC Power Factor Correction - Correção de fator de potência
PWM Modulação por largura de pulso
THD Taxa de distorção harmônica
SC Switched-capacitor – Capacitor chaveado
CC Complete-charge
PC Parcial-charge
NC No-charge
HCC Híbrido a capacitor chaveado
PSIM Simulador de circuitos elétricos
DSP Digital Signal Processor – Processador Digital de Sinais
Sumário
1.CONTEXTUALIZAÇÃO E REVISÃO .................................. 1
1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO ........................................................................1
1.2 APLICAÇÕES ......................................................................................3
1.3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ..................................................................4
1.4 ANÁLISE GERAL SOBRE A REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.......................15
1.5 PROPOSTA DA TESE.........................................................................16
1.6 OBJETIVOS E CONTRIBUIÇÕES METODOLOGIA ADOTADA..............22
1.7 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO ........................................................23
1.8 PUBLICAÇÕES ..................................................................................24
2.ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR
CHAVEADO E HÍBRIDOS...................................................... 27
2.1 FUNDAMENTOS DOS CONVERSORES A CAPACITORES CHAVEADOS 27
2.1.1 Paradoxo dos capacitores em paralelo ..................................28
2.1.2 Conversor CC-CC básico a capacitor chaveado...................29
2.1.3 Conceito de resistência equivalente .......................................34
2.1.4 Interpretação física da resistência equivalente...................... 37
2.2 CONVERSOR CC-CC HÍBRIDOS A CAPACITOR CHAVEADO...............40
2.2.1 Primeira etapa de operação ...................................................41
2.2.2 Segunda etapa de operação ...................................................47
2.2.3 Análise de esforços de corrente..............................................53
2.3 RESUMO SOBRE O CAPÍTULO ...........................................................61
3.RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-
NÍVEIS HÍBRIDOS A CAPACITOR CHAVEADO
MONOFÁSICOS [AUTOMATIC SECTION BREAK]
[MANUAL COUNTER RESET: CHAPTER 3, SECTION 1]63
3.1 RETIFICADORES HÍBRIDOS MONOFÁSICOS PROPOSTOS ..................64
3.2 FUNDAMENTOS ACERCA DA OPERAÇÃO DOS CONVERSORES.........65
3.3 ESTUDO DO CONVERSOR TIPO I – ETAPAS DE OPERAÇÃO ............68
3.3.1 Primeira etapa ........................................................................69
3.3.2 Segunda etapa de operação ...................................................71
3.4 ANÁLISE DE ESFORÇOS DE CORRENTE............................................72
3.4.1 Expressão da corrente eficaz nos capacitores C 1;A e C 1;B .73
3.4.2 Expressão da corrente eficaz nos capacitores C 2;A e C 2;B .74
3.4.3 Expressão da corrente eficaz nos capacitores C 3;A e C 3;B .75
3.4.4 Expressão da corrente média nos interruptores S1;A e S2;A
76
3.4.5 Expressão da Corrente eficaz nos interruptores S1;A e S2;A
78
3.4.6 Expressão da corrente média no diodo D 1 ;A e D 1 ;B ......... 80
3.4.7 Expressão da corrente eficaz nos diodos D 1 ;A e D 1 ;B ....... 81
3.4.8 Expressão da corrente média nos diodos D 2 ;A e D 2 ;B ...... 82
3.4.9 Expressão da corrente eficaz nos diodos D 2 ;A e D 2 ;B ....... 83
3.4.10 Expressão da corrente média no diodo D 3 ;A e D 3 ;B ......... 84
3.4.11 Expressão da corrente eficaz nos diodos D 3 ;A e D 3 ;B ....... 85
3.4.12 Conclusões sobre os esforços de corrente.............................. 86
3.5 TAXA DE CONVERSÃO..................................................................... 87
3.6 ONDULAÇÃO DE CORRENTE NO INDUTOR DE ENTRADA ............... 88
3.7 ONDULAÇÃO DE TENSÃO NOS CAPACITORES DE SAÍDA ................. 91
3.8 CRITÉRIOS PARA A ESCOLHA DOS CAPACITORES DE COMUTAÇÃO93
3.9 RESUMO SOBRE O CAPÍTULO .......................................................... 94
4.MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS
RETIFICADORES MONOFÁSICOS PROPOSTOS ..............95
4.1 ESTRATÉGIA DE CONTROLE ........................................................... 96
4.2 MODELO POR VALORES MÉDIOS DA CORRENTE DE ENTRADA ...... 96
4.3 MODELO POR VALORES MÉDIOS DA TENSÃO DE SAÍDA ............... 101
4.4 RESUMO E COMENTÁRIOS SOBRE O CAPÍTULO ............................ 105
5.PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS
EXPERIMENTAIS DO RETIFICADOR MONOFÁSICO .. 107
5.1 DEFINIÇÃO DO PROJETO............................................................... 107
5.1.1 Escolha dos parâmetros....................................................... 107
5.2 ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO DE PERDAS NO CONVERSOR TIPO I . 110
5.2.1 Perdas de condução nos interruptores comandados. ......... 110
5.2.2 Perdas de comutação nos interruptores comandados........ 112
5.2.3 Perdas de condução nos diodos rápidos ............................. 114
5.2.4 Perdas de condução no indutor de entrada ....................... 116
5.2.5 Perdas de condução nos diodos lentos................................ 117
5.2.6 Perdas fixas de energia ........................................................ 118
5.2.7 Totalização das perdas de energia ...................................... 119
5.2.8 Rendimento teórico.............................................................. 119
5.3 RESULTADOS DE SIMULAÇÕES ...................................................... 122
5.3.1 Comparativo: teórico versus simulação .............................. 127
5.4 RESULTADOS EXPERIMENTAIS...................................................... 127
5.5 RESUMO SOBRE O CAPÍTULO ........................................................ 137
6.RETIFICADORES TRIFÁSICOS HÍBRIDOS A
CAPACITOR CHAVEADO ....................................................139
6.1 RETIFICADOR TRIFÁSICO HÍBRIDO A CAPACITOR CHAVEADO TIPO I
139
6.2 REDUÇÃO DO NÚMERO DE CAPACITORES .................................... 140
6.3 CONVERSORES PROPOSTOS ........................................................... 142
6.4 ESTADOS TOPOLÓGICOS E REPRESENTAÇÃO VETORIAL .............. 145
6.5 DESCRIÇÃO DO MODULADOR PWM ............................................. 153
6.6 ESFORÇOS DE CORRENTE.............................................................. 154
6.7 ONDULAÇÃO DE TENSÃO SOBRE OS CAPACITORES DE SAÍDA ...... 157
6.8 RESUMO SOBRE O CAPÍTULO......................................................... 158
7.MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS
RETIFICADORES TRIFÁSICOS HÍBRIDOS PROPOSTOS
159
7.1 CONTROLE DOS RETIFICADORES TRIFÁSICO ................................ 159
7.1.1 Estratégia de controle .......................................................... 159
7.1.2 Diagrama de blocos .............................................................. 161
7.2 MODELO DE PEQUENOS SINAIS PARA O CONTROLE DAS CORRENTES
DE ENTRADA EM COORDENADAS SÍNCRONAS. ........................................ 162
7.3 MODELO DE PEQUENOS SINAIS PARA O CONTROLE DAS TENSÕES DE
SAÍDA EM COORDENADAS SÍNCRONAS ..................................................... 168
7.4 BALANÇO DAS TENSÕES DE SAÍDA ................................................ 171
7.4.1 Análise da corrente no ponto médio ................................... 171
7.4.2 Função de transferência do equilíbrio das tensões de saída
176
7.5 RESUMO SOBRE O CAPÍTULO......................................................... 177
8.RESULTADOS DE SIMULAÇÃO E EXPERIMENTAIS
DO RETIFICADOR TRIFÁSICO HÍBRIDO TIPO I ..........179
8.1 RESULTADOS DE SIMULAÇÃO ........................................................ 179
8.2 RESULTADOS EXPERIMENTAIS ...................................................... 184
8.2.1 Operação em regime permanente........................................ 184
8.2.2 Operação em regime transitório .......................................... 187
8.3 RESUMO SOBRE O CAPÍTULO......................................................... 190
9.CONCLUSÃO GERAL .........................................................193
9.1 PROPOSTA DE TRABALHO FUTUROS............................................. 195
9.1.1 Conversores monofásicos...................................................... 195
9.1.2 Conversores trifásicos ........................................................... 196
10.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................ 199
Capítulo 1

1.Contextualização e
revisão
1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO

O século XX foi marcado pelo salto na evolução tecnológica. Neste


contexto, a engenharia elétrica se destaca por ter permitido a geração,
transmissão e distribuição de energia elétrica, possibilitando que esta
chegue ao consumidor final com enorme praticidade. Para que
chegasse a tal avanço, foi necessário o desenvolvimento não só de
materiais, dispositivos eletromecânicos e eletroeletrônicos, mas
também de conhecimento físico-matemático dos fenômenos. Com
tamanho conhecimento adquirido, tornou-se inevitável a divisão deste
campo do conhecimento em áreas específicas, permitindo assim a
evolução individual e gradual de cada área.
Dentro do espectro da engenharia elétrica, uma área que ganhou
grande importância com o decorrer dos tempos foi a Eletrônica de
Potência. Esta nasceu com o surgimento dos semicondutores de
potência, com a invenção do retificador de silício controlado (Tiristor -
SCR), passando por transistores bipolares de potência, MOSFETs,
IGBTs e mais recentemente semicondutores de Carbeto de Silício SiC.
Devido à possibilidade do processamento eficiente da energia, com
o uso de interruptores estáticos, e redução significativa de peso e
volume dos equipamentos, a Eletrônica de Potência possibilitou a
compactação dos equipamentos e elevação do rendimento, isto por
meio da comutação de interruptores operando em alta frequência.
Hoje existe uma gama de equipamentos que usam dispositivos
desenvolvidos graças aos conhecimentos adquiridos no estudo da
eletrônica de potência. Estes vão desde eletrodomésticos, carregadores,
reatores de lâmpadas e etc. O êxito da Eletrônica de Potência também
advém de outras áreas do conhecimento como a análise de circuitos,
desenvolvimento de semicondutores, eletrônica digital e também a

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2 CONTEXTUALIZAÇÃO E REVISÃO

microeletrônica; esta, que possibilitou o emprego de topologias e


controles complexos.
Ao passo que os conversores estáticos foram sendo disseminados
pelo mundo, processando as mais variadas formas de energia elétrica,
estes trouxeram consigo diversos problemas, principalmente
relacionados com compatibilidade eletromagnética EMI. A comutação
de tensões e correntes em alta frequência levou a uma degradação
substancial da qualidade da energia elétrica, acarretando no
surgimento de normas técnicas rígidas como, por exemplo, IEC61000-
3-2 e IEC61000-3-4. Estas normas têm por objetivo impor limites aos
problemas causados pelos equipamentos eletrônicos, através da
condução e irradiação de ruídos eletromagnéticos.
Até o surgimento das fontes comutadas, o espectro harmônico da
rede elétrica era resumido somente a componente fundamental, isto
porque havia somente cargas lineares, regidas por motores elétricos,
transformadores e elementos passivos. Posteriormente, de maneira
inevitável, as componentes harmônicas, das mais diversas ordens,
passaram a integrar o sistema elétrico, devido principalmente às cargas
não-lineares e conversores comutados estaticamente. De acordo com
[1], estima-se que até 2030 cerca de 80% de toda energia elétrica
processada seja por conversores estáticos. Atualmente, as soluções para
o processamento estático de energia elétrica vão desde algumas
unidades de Watts até MWs.
A forma mais comum de conversão de energia elétrica talvez seja a
mudança de um sinal alternado, obtido da rede elétrica, em um sinal
direto, ou contínuo (cc). Os equipamentos que fazem tal conversão são
chamados de retificadores e são classificados de diversas formas como,
por exemplo, monofásicos, trifásicos, controlados ou não-controlados.
Embora a rede elétrica industrial e residencial forneça quantidades
senoidais (ca), ainda grande parte dos equipamentos eletrônicos
operam com grandezas contínuas (cc). A forma mais comum de
realizar tal conversão é empregando diodos retificadores, os quais
convertem a tensão de entrada alternada em uma tensão de saída
contínua. No entanto, o uso dessa estrutura, considerando aplicações
que não exijam isolamento, a amplitude da tensão de saída (cc) fica
limitada ao pico da tensão de entrada (ca), além do agravante da
corrente de entrada ser bastante degradada, devido à ausência de
controle ativo.

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CONTEXTUALIZAÇÃO E REVISÃO
3

1.2 APLICAÇÕES

Em situações onde é indispensável que a tensão cc seja maior que o


pico da tensão de entrada (ca) são necessárias outras abordagens.
Estas necessidades são frequentemente requeridas em aplicações como
raio lasers, aceleradores de partículas, equipamentos médicos, etc.
Sistemas de tração metroviária com alimentação cc necessitam de
um estágio de conversão da tensão da rede elétrica para um
barramento de alta tensão, tipicamente entre 1 kV a 3 kV [2-4],
conforme ilustra Figura 1-1.

Figura 1-1 – Aplicação em tração metroviária.

Alguns sistemas de energia eólica de pequeno porte necessitam de


uma alta taxa de conversão a fim de serem conectados à rede elétrica
sem transformadores. Em alguns aerogeradores de pequeno porte a
tensão de linha é tipicamente 220 V [5, 6]. Para que haja a conexão
direta à rede elétrica é necessário um barramento cc de 800 V. Com
isso há necessidade de conversores com alto ganho. A Figura 1-2
mostra a aplicação em questão.

Figura 1-2 – Aplicação em energia eólica.

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4 CONTEXTUALIZAÇÃO E REVISÃO

Equipamentos para aplicações médicas frequentemente requerem


tensões elevadas para seu funcionamento. Por exemplo, um aparelho
de raios-X usa tensões da ordem de dezenas de kV na sua operação [7].
Esses equipamentos são alimentados a partir da rede elétrica
convencional, e para atingir os níveis de tensão de saída operacionais,
se faz necessário o uso de sistemas de alta taxa de conversão de
tensão. A Figura 1-3 ilustra um tubo de raios-X alimentado por um
conversor de alto ganho.

Figura 1-3 – Aplicação em raio-X.

1.3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Em 1919 H. Greinacher desenvolveu o primeiro retificador aplicado


a alta tensão [8] baseado em uma célula multiplicadora empregando
diodos e capacitores. No entanto, foi em 1932 que J. D. Cockcroft e E.
T. S. Walton o tornaram popular, usando este mesmo circuito em um
desintegrador nuclear [8-10]. A partir de então, diversos trabalhos vem
sendo publicados empregando este princípio [11-15]. A Figura 1-4
apresenta o diagrama do circuito de Cockcroft-Walton de dois
estágios. No que diz respeito ao propósito de produzir uma tensão de
saída constante, o conversor Cockcroft-Walton opera muito bem, pois
atua de forma passiva e naturalmente comutado, empregando para
isso apenas diodos e capacitores. No entanto, este mesmo circuito tem
com grande desvantagem o fato de não prover regulação na tensão de
saída, o que para algumas aplicações é indispensável. Outro aspecto
negativo é a questão dos capacitores estarem submetidos à frequência
da rede elétrica, tendo por consequência o aumento do valor da
capacitância e, por efeito, o incremento do volume.

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CONTEXTUALIZAÇÃO E REVISÃO
5

Figura 1-4 – Célula de dois estágios de Cockcroft-Walton.

Em 1976, baseado na célula de Cockcroft-Walton, John Dickson


propõe uma célula multiplicadora, que mais tarde receberia seu nome,
ver Figura 1-5. Este conversor inicialmente foi proposto para
aplicações em circuitos integrados CI, onde o circuito Cockcroft-
Walton não é adequado, devido a problemas com espraiamento de
capacitância no substrato do CI [16, 17]. Contudo, a topologia
também se mostrou funcional operando na frequência da rede.
Entretanto, este circuito apresenta os mesmo pontos negativos do
Cockcroft-Walton no que diz respeito à capacitância e volume dos
capacitores.
Como será visto ainda neste capítulo, as células básicas de
Cockcroft-Walton e John Dickson encontraram grande campo na
eletrônica de potência, aplicados em conversores comutados em alta
frequência. Várias topologias usam os conceitos destes multiplicadores,
a fim de obterem alto ganho de tensão.

Figura 1-5 – Célula baseada no conversor de Dickson.

O fato da corrente de entrada se apresentar distorcida faz com que


haja aumento do valor eficaz que é realmente necessário para
alimentar uma determinada carga, levando a um incremento das
perdas nos cabos de alimentação.
Os conversores apresentados até o presente momento, embora
forneçam uma elevada tensão de saída, têm como desvantagem a alta
distorção harmônica da corrente de entrada. Devido a esta limitação,

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6 CONTEXTUALIZAÇÃO E REVISÃO

no início da década de 80 começaram os primeiros estudos


empregando células básicas de conversores cc-cc, conectados à rede ca
por meio de uma ponte de diodos, para aplicação com elevado fator de
potência (PFC) [18, 19]. O conversor boost, Figura 1-6, se
popularizou por ter em sua entrada a característica de fonte de
corrente, permitindo uma corrente com baixa distorção harmônica e
elevado fator de potência. Embora esta topologia possa dispor em seus
terminais de saída uma tensão maior que o valor de pico da tensão de
entrada, este não é aconselhado para operação com elevada tensão de
saída. O motivo disso deve-se ao fato que os elementos parasitas,
presentes no circuito, limitam a faixa de ganho de tensão que os
conversores podem operar. Em adição, os interruptores estáticos ficam
submetidos à tensão de saída, tendo assim o aumento das perdas de
comutação, além das dificuldades de dimensionamento destes
componentes. Outra desvantagem é o fato do indutor de entrada ficar
submetido a elevados degraus de tensão tendo, por consequência, a
presença de uma elevada ondulação de corrente fluindo por este. Uma
solução para ampliação do ganho de tensão é o uso de dois ou mais
conversores boost em cascata, no entanto, há incremento das perdas e
número de componentes passivos.

Figura 1-6 – Conversor boost operando como PFC.

A fim de atenuar os problemas de tensão nos interruptores e de


tensão de saída do conversor boost clássico, foram propostos
conversores que possibilitam dobrar a tensão e dividir os esforços de
tensão sobre os semicondutores, chamados de dobradores de tensão
[20]. A Figura 1-7 apresenta dois conversores propostos por [20, 21].
Estes circuitos, também chamados de três-níveis, possuem os atributos
do conversor boost clássico no que diz respeito à qualidade da
corrente, com a vantagem desta possuir menor ondulação de alta
frequência.

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CONTEXTUALIZAÇÃO E REVISÃO
7

Figura 1-7 – Conversores dobradores de tensão (três níveis) apresentados por: (a)
[20] e (b) [21].

O fato de a rede elétrica estar conectada ao ponto central dos


capacitores permite que se obtenha uma tensão de saída duas vezes
maior que o conversor boost clássico. Os conversores três-níveis com
alto fator de potência também são frequentemente requeridos em
aplicações trifásicas [22-25], onde as características de redução de
ondulação de corrente são bem vindas, devido às restrições impostas
por normas internacionais. No entanto, os conversores pré-existentes
na literatura, considerando os não-isolados, não são empregados em
tensões de saída maiores que 1000 V, por conta das limitações dos
componentes comerciais. A Figura 1-8 apresenta alguns dos
conversores três níveis trifásicos mais populares na literatura. Para
atingir tensões de saída superiores, outras topologias de conversores
são utilizadas como, por exemplo, a extensão de níveis do conversor,
chamados de conversores multiníveis. Contudo, esta abordagem tem
como implicação o aumento do custo e a complexidade do sistema.

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8 CONTEXTUALIZAÇÃO E REVISÃO

Figura 1-8 – Conversores trifásicos três-níveis populares na literatura.

Em decorrência das limitações de ganho de tensão dos conversores


PWM, chamados “convencionais”, existe atualmente na literatura uma
nova tendência de pesquisa, que procura novos métodos “não
convencionais” para conversão de energia. Por meio do conceito de H.
Greinacher surgiram os chamados conversores a capacitor chaveado
(SC), comutados em alta frequência, através de interruptores
comandados. Estes conversores têm sido, nos últimos anos,
amplamente empregados em diversas aplicações, tais como filtros de
sinais, circuitos integrados e, recentemente, em conversores da ordem
de kW [26, 27]. Os SC são compostos somente de interruptores e

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CONTEXTUALIZAÇÃO E REVISÃO
9

capacitores, o que lhes confere redução do volume se comparado com


estruturas convencionais empregando indutores [27]. A Figura 1-9
apresenta o conversor proposto por [28], onde a tensão de entrada V g
pode ser interpretada como uma tensão retificada a partir da rede ca.
Este circuito se utiliza de cinco capacitores para fornecer uma tensão
de saída cinco vezes maior que a entrada. O mecanismo de
funcionamento se baseia na conexão série-paralelo dos capacitores, os
quais transferem a energia da entrada à saída. Embora tenha um
elevado ganho de tensão, esta topologia, devido somente à presença de
capacitores, tem na sua corrente de entrada uma elevada ondulação e,
portanto, não é desejável em aplicações que exijam baixa distorção
harmônica total (THD). Não obstante, a tensão de saída não pode ser
regulada pela variação da razão cíclica, ficando esta fixada em um
valor próximo a 0,5.

Figura 1-9 – Conversor a capacitor chaveado proposto por [28].

Durante muitos anos o uso de capacitores chaveados para


conversão estática de energia ficou restrito a conversores cc-cc de baixa
potência. No entanto, hoje, com a evolução tecnológica dos
componentes eletrônicos, já são empregados em conversão ca-ca,
obtendo rendimentos acima de 97 % [27].
Em razão da necessidade de reduzir a distorção harmônica total da
corrente de entrada, junto com o aumento da tensão de saída,
começaram a ser propostos novos conversores que unem as
características de entrada dos conversores clássicos (indutores) com os
atributos de saída dos capacitores chaveados, surgindo assim os
chamados conversores híbridos [29].
Combinando o conceito do retificador clássico a diodo com a célula
multiplicadora, a referência [30] propõe o conversor ilustrado na Figura
1-10. Este conversor já emprega o uso de interruptores comandados
para o seu funcionamento. Embora seja um conversor com interruptor
comandado, a topologia apresenta uma corrente de entrada com alta

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10 CONTEXTUALIZAÇÃO E REVISÃO

distorção harmônica.

Figura 1-10 - Conversor ca-cc híbrido proposto por [30].

A referência [31] propõe o conversor ilustrado na Figura 1-11. A


topologia integra a junção de uma célula a capacitor chaveado com
um conversor boost, tendo em sua saída um alto ganho de tensão. O
estágio com capacitores chaveados não permite a regulação de tensão,
sendo esta feita pelo estágio boost. O fato de o estágio boost estar
submetido a uma elevada tensão em sua entrada faz com que não seja
necessária uma elevada razão cíclica para ter em sua saída uma alta
tensão. A topologia possui como aspecto negativo, além do elevado
número de interruptores comandados, um elevado estresse de tensão
sobre interruptor do estágio boost.

Figura 1-11- Conversor proposto por [31].

A referência [32] propõe um conversor ca-cc de alto ganho baseado


em uma célula Cockroft-Walton, somente com a adição de
interruptores bidirecionais e um indutor (Figura 1-12). É proposta
uma célula com três estágios, podendo ser expansível com a adição de
células capacitores-diodos. São apresentados resultados de simulação e
experimental para potência de 500 W, obtendo fator de potência de

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CONTEXTUALIZAÇÃO E REVISÃO
11

0,99 e 8% de THD. A topologia tem como desvantagem a necessidade


do uso de interruptores sem diodos em antiparalelo, o que pode limitar
a aplicação.

Figura 1-12 – Conversor ca-cc híbrido com alto fator de potência proposto por [32].

A referência [33], com base no circuito proposto por [32], propõe o


conversor ilustrado na Figura 1-13. Neste é empregada uma célula
simétrica multiplicadora. Da mesma forma, a tensão de saída pode ser
incrementada com o aumento do número de estágios. Foram
apresentados resultados experimentais para uma potência de 200 W,
tensão de saída de 750 V, tensão de entrada de 110 V e frequência de
comutação de 100 kHz.

Figura 1-13 – Conversor ca-cc híbrido com alto fator de potência proposto [33].

A referência [34] propôs a topologia apresentada na Figura 1-14.


Trata-se da junção de um conversor cc-cc boost clássico com uma
célula multiplicadora diodo-capacitor, resultando em uma solução
híbrida. O conversor conta com um indutor ressonante, o qual permite
a redução das perdas de comutação e dos efeitos causados pela
recuperação dos diodos. Essa topologia também pode ser cascateada
em vários estágios, a fim de ampliar o ganho de tensão. Embora a
conversão ca-cc não seja abordada pelo autor, essa topologia apresenta

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12 CONTEXTUALIZAÇÃO E REVISÃO

características favoraveis para operação com alto fator de potência.

Figura 1-14 – Conversor cc-cc proposto por [34].

Já a referência [35] propõe a intercalação de conversores boost cc-cc


com uma célula multiplicadora, conforme ilustrado na Figura 1-15. A
interconexão de células permite a ampliação da capacidade de corrente
e, por consequência, incremento dos níveis de potência. Da mesma
forma, a topologia pode ser cascateada em vários estágios a fim de
ampliar o ganho de tensão. Assim como na topologia anterior, a
conversão ca-cc não é abordada.

Figura 1-15 – Conversor cc-cc proposto por [35].

Já a referência [36] propõe um conversor cc-cc híbrido, integrando


um conversor boost clássico com uma célula composta de capacitores e
diodos, conforme ilustra a Figura 1-16. Esta topologia possui o

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CONTEXTUALIZAÇÃO E REVISÃO
13

atrativo de apresentar somente um interruptor comandado, e um


único indutor [37, 38]. Na Figura 1-16 é apresentado o conversor com
dois estágios. Observa-se que a topologia é bastante semelhante ao
conversor proposto por [34], com a exceção da existência do indutor
resonante.
Baseado nos atributos positivos do conversor proposto por [36], a
referência [39] propõe o uso desta topologia para conversão ca-cc com
alto fator de potência. Isto é conseguido com a inserção de uma tensão
retificada nos terminais de entrada “a” e “b” do conversor (Figura
1-16). A referência [39] apresenta resultados com alto fator de potência
e regulação da tensão de saída, com a implementação de um conversor
com 1,2 kW, obtendo rendimento máximo acima de 97%. Da mesma
forma, a tensão de saída também pode ser ampliada com o aumento
do número de estágios capacitor-diodo.

Figura 1-16 – Conversor híbrido cc-cc e ca-cc proposto por [36, 39].

Seguindo o mesmo princípio, a referência [40] propõe a junção de


um retificador trifásico a diodo com a célula multiplicadora de
capacitores e diodos, conforme apresentado na Figura 1-17. Tem como
vantagem a presença de somente um interruptor comandado, ficando
este submetido à tensão presente no capacitor . Ao mesmo tempo, a
presença de um único interruptor impede que se obtenha uma corrente
com envoltória senoidal, o que para algumas aplicações torna este
conversor indesejável. A tensão de saída pode ser ampliada com a
inserção de mais estágios diodos-capacitores.

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14 CONTEXTUALIZAÇÃO E REVISÃO

Figura 1-17 – Conversor híbrido trifásico empregado célula multiplicadora proposto


por [40].

Da mesma forma, [41] utiliza um estágio boost na entrada somado


a dois estágios multiplicadores para prover alto ganho, ver Figura
1-18. Este conversor possui potencial para aplicações com elevado fator
de potência, no entanto, o autor não aborda tal operação. Neste
mesmo trabalho, [41] propõe uma família de conversores empregando
as células de Cockcroft-Walton e John Dickson. São feitas variações de
conexões em paralelo e cascata para obter diferentes características.

Figura 1-18 – Conversor proposto por [41].

Ainda, [42] apresenta uma variação topológica, unindo o conversor


boost com células multiplicadoras de tensão para operação com alto
fator de potência (Figura 1-19). Este conversor proporciona dois
estágios para tensão de saída, onde a tensão dos capacitores é próxima

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CONTEXTUALIZAÇÃO E REVISÃO
15

ao pico da tensão de entrada [42]. Tem como desvantagem o


incremento das perdas de condução, pelo fato que, durante na etapa
de armazenamento de energia, a corrente flui por três semicondutores.

Figura 1-19 – Conversor ca-cc híbrido proposto por [42].

1.4 ANÁLISE GERAL SOBRE A REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Em suma, a combinação de um conversor boost com uma célula


multiplicadora de tensão permite a extensão do ganho estático,
reduzindo a razão cíclica a um valor menor, quando comparado a um
conversor boost clássico. Devido à característica de fonte de corrente
na entrada, estes conversores apresentam excelentes atributos para
operação com elevado fator de potência, sanando assim, os problemas
de distorção de corrente das topologias a capacitor chaveado puro.
Esta “nova” forma de processamento de energia elétrica se mostra
vantajosa para aplicações com alto ganho de tensão, tendo em vista
que as soluções convencionais ou são volumosas (transformadores) ou
onerosas (conversores multiníveis).
Com base na revisão bibliográfica apresentada, observa-se a lacuna
existente de soluções que unam ao mesmo tempo: i) tensão de saída
elevada ii) uso de interruptores de menor tensão, quando comparado à
tensão de saída e iii) corrente de entrada com baixa distorção
harmônica. As topologias que preencham esses requisitos ainda são
muito poucas, deixando espaço para novas pesquisas.
Muitos dos conversores apresentados na literatura foram propostos
visando aplicações de conversão cc-cc [43-47], não mencionando a
possibilidade da conversão ca-cc. Por meio do rendimento obtido por

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16 CONTEXTUALIZAÇÃO E REVISÃO

[39, 48], foi comprovado que é possível obter elevados rendimentos


através da comutação entre capacitores.

1.5 PROPOSTA DA TESE

Basicamente, como já foi mencionado anteriormente, o conversor


proposto por [39] se mostrou interessante do ponto de vista de
rendimento e dinâmica. Contudo, as limitações desta topologia ficam
restritas à alta ondulação de corrente no indutor de entrada, uma vez
que os terminais do conversor podem somente impor dois níveis de
tensão nestes. Igualmente, esse circuito necessita de uma ponte de
diodos para retificação da tensão de entrada, o que aumenta as perdas
de condução, ao passo que, durante a etapa de armazenamento de
energia no indutor, três semicondutores estão em série no caminho da
corrente.
Com base no que foi apresentado durante a revisão bibliográfica,
por meio dos trabalhos de [32, 33, 42], esta tese propõe uma família de
conversores monofásicos e trifásicos ca-cc unidirecionais, híbridos e
com alto fator de potência, visando melhorias relacionadas à esforços
de tensão/corrente, número de interruptores e corrente de entrada.
Espera-se dessa nova família, tanto das estruturas monofásicas quanto
das trifásicas, que possam ser controladas integralmente tanto a(s)
corrente(s) de entrada, como à tensão de saída. Tendo em vista que o
conversor proposto por [39] apresenta as desvantagem já citadas, é
apresentada na Figura 1-20 a proposta de duas células genéricas de
conversores ca-cc unidirecionais três níveis híbridos, aplicados à
correção do fator de potência. Estas células apresentam ganho de
tensão quatro vezes superior ao conversor boost clássico e duas vezes
aos conversores mostrados na Figura 1-7. A cada célula pode se
associar três possíveis subcélulas, formadas por conjuntos de
interruptores comandados e diodos, gerando o total de seis conversores
distintos com características particulares.
A Figura 1-21 exibe os seis conversores possíveis de serem extraídos
por meio da realização dos interruptores. Cada conversor opera com o
mesmo princípio, ou seja, utiliza a comutação entre capacitores para
realizar a elevação da tensão da saída e o indutor de entrada para
controlar a corrente. Todos podem impor nos seus terminais de
entrada (in ) três níveis de tensão, +Vo=4; 0; ¡Vo=4. Com isso é possível
reduzir a ondulação de alta frequência, volume de dispositivos

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CONTEXTUALIZAÇÃO E REVISÃO
17

magnéticos e problemas de compatibilidade eletromagnética. Na célula


(a) todos os semicondutores estão submetidos a um quarto da tensão
de saída Vo, enquanto que na célula (b) somente os diodos D1;A e D1;B
ficam submetidos à metade da tensão de saída. Com isso, é possível o
emprego de interruptores de menor capacidade de tensão e, deste
modo, menores perdas de comutação e condução podem ser obtidas
[23].

Figura 1-20 – Célula básica genérica dos conversores monofásicos propostos: (a)
Célula A; (b) Célula B.

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18 CONTEXTUALIZAÇÃO E REVISÃO

Figura 1-21 – Conversores ca-cc unidirecionais três-níveis híbridos propostos.

Foi mostrado que, os retificadores trifásicos unidirecionais não


isolados populares, não são empregados em tensões superiores a 1000
V, devido ao incremento substancial das perdas de energia nos
semicondutores. Com base nisto, este trabalho também propõe uma
família de conversores trifásicos, operando com o mesmo princípio dos
conversores híbridos monofásicos, podendo estes operarem facilmente
com tensão de saída superior a 1000 V. Esta nova família não
apresenta esforços elevados de tensão sobre os interruptores podendo,
desta forma, se enquadrar em aplicações que necessitem de alto ganho
de tensão, ao mesmo tempo em que não exijam isolamento ou
reversibilidade de energia. Na Figura 1-22 são apresentadas duas
células genéricas de conversores trifásicos. Cada célula pode gerar três
topologias, por meio da modificação da célula de comutação,
totalizando seis conversores. Os conversores resultantes são mostrados
nas Figura 1-23 e Figura 1-24. Nas figuras não estão representadas as

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CONTEXTUALIZAÇÃO E REVISÃO
19

fontes de tensão de entrada, indutores e carga, no entanto, subtende-se


sua existência.

Realização Realização Realização

Figura 1-22 – Células genéricas de conversores trifásicos unidirecionais três-níveis


híbridos.

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20 CONTEXTUALIZAÇÃO E REVISÃO

Figura 1-23 – Conversores trifásicos propostos oriundos da célula a: (a) Tipo I; (b)
Tipo II e (c) Tipo III.

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CONTEXTUALIZAÇÃO E REVISÃO
21

Figura 1-24 – Conversores trifásicos oriundos da célula b: (a) Tipo IV; (b) Tipo V e
(c) Tipo VI.

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22 CONTEXTUALIZAÇÃO E REVISÃO

1.6 OBJETIVOS E CONTRIBUIÇÕES METODOLOGIA ADOTADA

Esta tese tem como finalidade e contribuição propor uma nova


família de retificadores híbridos, aplicados à correção do fator de
potência e também alto ganho de tensão. Estes conversores integram
dois conceitos distintos dentro da eletrônica de potência que são: i) os
conversores elevadores por armazenamento indutivo (conversores
boost); ii) conversores elevadores por chaveamento capacitivo. Por
integrarem ao mesmo tempo estes dois conceitos recebem o nome de
híbridos. O trabalho propõe a análise tanto de conversores
monofásicos quanto de conversores trifásicos. Almeja-se com essa nova
família a expectativa de integração no nicho emergente de conversores
voltados a aplicações com alto ganho de tensão, que não necessitem de
isolamento e/ou reversibilidade.
O trabalho seguirá a seguinte metodologia afim de verificar as
característica da(s) solução(ões) proposta(s):

 Revisão bibliográfica: pesquisa de publicações referentes ao


tema;
 Análise teórica qualitativa: análise das etapas de operação por
meio da descrição dos circuitos e formas de onda relevantes;
 Análise teórica quantitativa: representação matemática dos
estados topológicos e de equações pertinentes ao projeto do
conversor, válidas para o modo de condução contínua;
 Análise teórica e qualitativa do controle: representação
qualitativa dos aspectos relacionados à estratégia de controle,
como também desenvolvimento matemático necessário ao
projeto dos controladores;
 Estudo teórico dos aspectos relacionados à estratégia de
modulação: análise de técnicas de modulação que podem ser
empregadas visando benefícios à qualidade da corrente e perdas
nos semicondutores;
 Verificações por simulação numérica: investigar o
funcionamento do conversor e validar os estudos teóricos;
 Projeto físico e construção do protótipo: dimensionar e
confeccionar um protótipo experimental a fim de validar os
estudos, tanto teórico quanto de simulação;
 Análise sobre os resultados obtidos: realização de uma
autoavaliação crítica dos resultados obtidos.

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CONTEXTUALIZAÇÃO E REVISÃO
23

1.7 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

Esta tese está disposta em oito capítulos destinados ao estudo de


uma nova família de conversores com alto fator de potência e alto
ganho de tensão.
No capítulo 2 são realizados estudos acerca dos conversores a
capacitor chaveado puro, onde são destacadas as características e
peculiaridade destes conversores. Ainda no mesmo capítulo, é
introduzido o estudo do conversor cc-cc híbrido a capacitor chaveado.
Nesse tópico é realizada uma análise extensa, no que concerne a
obtenção de expressões matemáticas de tensões e correntes em todos
os elementos.
No capítulo 3 é realizada a apresentação da família de conversores
monofásicos propostos. São descritas as etapas de operação e
destacadas as características de cada circuito. Como alvo de estudo é
selecionada uma topologia, onde são deduzidas, a partir do estudo do
conversor do capítulo anterior, equações matemáticas necessárias para
compreensão dos conversores.
O capítulo 4 é destina-se a modelagem e controle dos conversores
híbridos monofásicos propostos. É realizada a modelagem pela técnica
de valores médios. São obtidas funções de transferências de tensão e
corrente, necessárias para o projeto dos controladores. Os modelos
matemáticos obtidos são validados por meio de simulação numérica.
No capítulo 5 é destinado aos procedimentos de projeto do
conversor monofásico. Adicionalmente, os resultados de simulação e
experimental serão apresentados.
No capítulo 6 é apresentada a família de conversores híbridos
trifásicos. Inicialmente, é proposta a obtenção de conversores trifásicos
por meio da extensão dos conversores monofásicos. Logo após, é feita a
proposição de uma variação topológica, a qual permite a redução do
número de capacitores. Também, é realizado o estudo dos conversores
propostos. Este capítulo, assim como feito para os conversores
monofásicos, é direcionado para uma topologia específica.
O capítulo 7 é destinado à modelagem dos conversores trifásicos. É
realizada a abordagem de controle por variáveis síncronas. São obtidas
funções de transferências para o controle das correntes e tensão de
saída do conversor. Os modelos adquiridos são validados por meio de
simulação numérica. Ainda, no mesmo capítulo são apresentados
resultados de simulação do conversor proposto.

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24 CONTEXTUALIZAÇÃO E REVISÃO

O capítulo 8 é voltado para apresentação dos resultados de


simulação e experimentais. O objetivo é a comprovação de operação
dos conversores propostos, por meio de formas de onda e curvas de
rendimento.
Por fim, no capítulo 8 é apresentada uma conclusão geral do
trabalho, bem como apontados trabalhos futuros.

1.8 PUBLICAÇÕES

A partir dos estudos realizados durante o período de doutoramento


resultaram as seguintes publicações relacionadas ao tema:

[49] - Flores Cortez, D.; Waltrich, G.; Fraigneaud, J.; Miranda, H.;
Barbi, I., "DC-DC Converter for Dual Voltage Automotive Systems
Based on Bidirectional Hybrid Switched-Capacitor Architectures,"
Industrial Electronics, IEEE Transactions on , vol.PP, no.99, pp.1,1

[50] - Flores Cortez, D.; Barbi, I., "A Family of High Voltage Gain
Single-Phase Hybrid Switched-Capacitor PFC Rectifiers," Power
Electronics, IEEE Transactions on , vol.PP, no.99, pp.1,1

Os seguintes trabalhos foram desenvolvidos durante a tese e estão


indiretamente relacionados com o tema do presente trabalho:

Flores Cortez, D. ; Barbi, I. . Three-phase Inverter using multiple-


states switching cell applied in grid connected wind power conversion
systems. In: Power Electronics South America, 2012, São Paulo.
Power Electronics South America, 2012.

Corral Martínez Boris Luis, Flores Cortez Daniel, Barbi Ivo. ¨Diseño y
Simulación de un Inversor Trifásico con Células de Conmutación de
Cuatro Estados para la Conexión a Red de un Generador Eólico de
150 kW¨. 16 Convención Científica de Ingeniería y Arquitectura, La
Habana, Cuba, 2012. ISBN:978-959-261-405-5

[51] - Flores Cortez, D.; Corral Martinez, B.L.; Barbi, I., "Three-phase
active power filter based on the four states commutation cell DC-AC
converter. Design and implementation," Power Electronics Conference
(COBEP), 2013 Brazilian , vol., no., pp.1226,1233, 27-31 Oct. 2013

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CONTEXTUALIZAÇÃO E REVISÃO
25

[52] - Flores Cortez, D.; Corral Martinez and I. Barbi, "Three-phase


active power filter based on the four states commutation cell DC-AC
converter. Design and implementation," Revista Eletrônica de
Potência, vol. 3, pp. 312-320, 08/2014 2014.

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26 CONTEXTUALIZAÇÃO E REVISÃO

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Capítulo 2

2. Estudo dos conversores a


capacitor chaveado e
híbridos
STE capítulo tem por finalidade o estudo analítico de conversores

E básicos empregando células a capacitor chaveado e conversores


híbridos. Objetiva-se, por meio do princípio de funcionamento e
das equações, extrair as características que regem o funcionamento
destes conversores, tais como vantagens e desvantagens dessa forma de
processar energia elétrica. Para isso, são estudados conversores cc-cc
básicos e, posteriormente, a extensão para ca-cc, a qual será
empregada nos capítulos seguintes.

2.1 FUNDAMENTOS DOS CONVERSORES A CAPACITORES


CHAVEADOS

Nas últimas décadas tem aumentado o interesse em tentar eliminar


o uso de indutores e transformadores na conversão de energia elétrica.
Isso se deve, principalmente, pelo fato desses elementos possuírem
peso, volume e densidade de potência reduzida, somados a problemas
com EMI e não possibilidade de integração em CIs [53-55]. Com base
nesses fatores, tem crescido o número de trabalhos propondo soluções
que dispõem somente de capacitores e interruptores, chamados de
capacitores chaveados (SC). Estes conversores foram empregados
inicialmente em aplicações em circuitos integrados, como reguladores
de tensão, pois permitem a integração em chips e também a
possibilidade de atingir elevados ganhos de tensão [56]. Além disso,
também são encontrados em amplificadores de sinais, operando como
filtros [53]. Os conversores a capacitor chaveado apresentam como
28 ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS

desvantagem a necessidade de uma combinação adequada entre os


componentes e elementos parasitas do circuito como, por exemplo,
resistências dos capacitores e interruptores. Em razão disso, esses
conversores apresentam uma perda inerente de energia que,
dependendo da tecnologia dos componentes, podem apresentar baixa
eficiência. Contudo, as tecnologias existentes atualmente permitem
atingir rendimentos elevados, acima de 98% [57].

2.1.1 Paradoxo dos capacitores em paralelo


O fenômeno da comutação de dois capacitores com tensões
diferentes intriga muitos pesquisadores [58-60]. Considere o capacitor
C 1, com capacitância C e inicialmente carregado com tensão Vo do
circuito da Figura 2-1 (a). Também, suponha que o capacitor C2 está
inicialmente descarregado, conforme ilustra a Figura 2-1 (a). A carga
inicial do capacitor C1 é dada por Qo = CVo e a energia inicial é
Eo = CVo2 =2 = Qo Vo =2 = Q2o = (2C). Ambos os capacitores são
considerados iguais e todos os elementos do circuito ideais. Em um
dado instante de tempo o capacitor C1 é conectado ao capacitor C2,
através do interruptor S . Nesse instante, a carga presente no capacitor
C 1 é transferida para o capacitor C2. Pelo princípio da conservação de
carga, tem-se que os capacitores finalizam o processo com Q o =2 e V o =2
e, portanto, conclui-se que cada capacitor possui CVo2 =8 = Eo =4.
Assim, a energia total no final do processo é metade da energia inicial.
A partir do que foi exposto fica inevitável a pergunta: para onde foi
a outra metade da energia? Essa resposta é facilmente respondida se
for inserido um resistor no circuito, conforme ilustra a Figura 2-1 (b).
Nesse caso a energia dissipada no resistor será

Z 1 Z 1μ ¶2
Vo ¡2t=(RC) CVo 2 Eo
i(t)2 R dt = e Rdt = = . (2.1)
0 0 R 4 2

A equação (2.1) é verdadeira para qualquer valor finito de R.


Voltando a pergunta anterior: o que acontece se não há perdas
ôhmicas no circuito como, por exemplo, um supercondutor? Dessa
pergunta advém o chamado paradoxo dos capacitores em paralelo. Há
na literatura uma infinidade de respostas distintas com o intuito de
“explicar” o fenômeno. Talvez a teoria mais aceita seja que a energia

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ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS 29

perdida seja irradiada em forma de ondas eletromagnéticas, em razão


da corrente nos capacitores possuir comportamento impulsivo [59, 61,
62].
Esta tese de doutorado não tem a pretensão de se aprofundar na
questão do paradoxo apresentado, por se tratar mais de uma questão
de física do que de engenharia. Contudo, pode-se concluir que na
comutação de dois capacitores ideais com tensões diferentes sempre
haverá perdas, independente da presença de elementos dissipativos.
Felizmente, nos circuitos reais há, além da presença de resistências,
indutâncias parasitas que impedem que a corrente seja impulsiva [58].

Figura 2-1 – Comutação entre capacitores: (a) ideal; (b) com resistência.

No exemplo apresentado pela Figura 2-1 (a) foi considerado que o


capacitor C2 está inicialmente descarregado. No entanto, se supormos
que este está inicialmente carregado, com uma diferença de potencial
em relação a C1 de ¢V , chega-se à conclusão que a perda de energia é
proporcional ao quadrado da diferença de potencial entre os
capacitores. Assim, a energia perdida será

1
Eperdida = C (¢V )2. (2.2)
2

A equação (2.2) mostra que para reduzir as perdas de energia é


imprescindível que, durante a comutação, os capacitores tenham uma
diferença de potencial entre si próximo de zero.

2.1.2 Conversor CC-CC básico a capacitor chaveado


Considere o conversor cc-cc básico a capacitor chaveado
apresentado na Figura 2-2. Este é composto por dois interruptores e
dois capacitores, que fazem a interface entre a fonte de entrada Vi e a

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30 ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS

carga na saída Ro. Os interruptores S1 e S2 apresentam resistência


série R s e são comandados complementarmente, de tal modo que se
pode analisar o circuito diante de duas etapas de operação.

Figura 2-2 – Conversor CC-CC básico a capacitor chaveado.

Com o intuito de ilustração, na Figura 2-3 são apresentadas as


formas de onda principais do conversor cc-cc básico a capacitor
chaveado. Observa-se o comportamento exponencial tanto da tensão
quanto da corrente no capacitor.

Figura 2-3 - Formas de onda básicas do conversor cc-cc básico a capacitor


chaveado.

Por simplicidade, na análise será considerado que o capacitor C2


apresenta capacitância suficientemente alta, de modo que a ondulação
de tensão possa ser desprezada.
Para a primeira etapa de operação o interruptor S 1 é comandado a
conduzir. Nesse instante é considerado que o capacitor C1 esteja

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ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS 31

inicialmente carregado com uma tensão Va e o capacitor C2 com uma


tensão Vo, conforme ilustra a Figura 2-4. A partir do circuito
equivalente desta etapa, tem-se que

¡(t¡to )
± e Rs C (Va ¡ Vi )
i1C1 (t) =¡ (2.3)
Rs

± ¡(t¡ t o )
1
vC 1 (t) = V i + (V a ¡ V i ) e
Rs C , (2.4)

± ±
onde i1C1 e vC1 1 correspondem a corrente e tensão no capacitor C1
durante a primeira etapa. A energia dissipada no resistor R s durante
essa etapa pode ser expressa como

Z DTs +to
± ± 2
1
ER s
= i1C1 (t) ¢ Rs dt. (2.5)
to

Solucionando a equação (2.5) tem-se

2 μ ¶
1± (¢V1) 2DTs
¡R
ER = C1 1 ¡e s C1
, (2.6)
s
2

onde ¢V1 = Va ¡ V i.
A corrente média referente ao interruptor S1 é expressa como

Z DTs
1 ±
Is;med = i1C 1 (t) dt . (2.7)
Ts 0

Solucionando a equação (2.7) conclui-se que

μ ¶
¡DT s
Is;med = C1 ¢V1 1 ¡ e Rs C1 ¢ fs, (2.8)

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32 ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS

onde fs representa a frequência de comutação.


Colocando o termo ¢V 1 no lado esquerdo da equação (2.8), tem-se
que

Is;med
¢V1 = μ ¶ (2.9)
¡DT s
C1 1 ¡ e Rs C1 ¢ fs

Substituindo a equação (2.9) na expressão (2.6), tem-se que

μ ¶
¡2DTs
2
Is;med 1 ¡ e Rs C1
±
1
ER s
= μ ¶2 . (2.10)
¡DTs
2C1 fs2 1 ¡ e Rs C1

A primeira etapa segue até o instante de tempo D ¢ Ts onde o


capacitor C1 atinge a tensão Vb.

Figura 2-4 – Circuito equivalente referente à primeira etapa de operação.

A segunda etapa de operação dá início com o comando de


condução do interruptor S2. Nesse instante, o capacitor C1 está com
tensão Vb e é conectado ao capacitor C2 através da resistência Rs,
conforme ilustra a Figura 2-5. A partir do circuito equivalente desta
etapa tem-se que

¡(t¡DT s)
± e Rs C (Vb ¡ Vo )
i2C1 (t) =¡ (2.11)
Rs

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ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS 33

± ¡(t¡D T s)
2
vC 1 (t) = V o + (V b ¡ V o ) e
Rs C , (2.12)

± ±
onde i2C1 e vC2 1 correspondem a corrente e tensão no capacitor C1
durante a segunda etapa. A energia dissipada no resistor Rs durante
essa etapa pode ser expressa como

Z Ts
2± ±
ERs = i2C1 (t)2 ¢ Rs dt. (2.13)
DTs

Solucionando a equação (2.5) tem-se

2 μ ¶
± (¢V2) 2(1¡D)Ts
2
ERs = C1 1 ¡ e¡ Rs C1 , (2.14)
2

onde ¢V2 = Vb ¡ Vo .
A corrente média referente ao interruptor S2 é expressa como

Z Ts
1 ±
Is;med = i2C1 (t) dt. (2.15)
Ts DTs

Solucionando a equação (2.15) conclui-se que

μ ¶
¡(1¡D)T s
Is;med = C1 ¢V2 1 ¡ e Rs C1 ¢ fs. (2.16)

Colocando o termo ¢V 2 no lado esquerdo da equação (2.16) tem-se


que

Is;med
¢V2 = μ ¶ (2.17)
¡(1¡D )T s
C1 1 ¡ e Rs C1
¢ fs

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34 ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS

Substituindo a equação (2.17) na expressão (2.14) tem-se que

μ ¶
¡2(1¡D)Ts
2
Is;med 1¡e Rs C1
±
2
ER s
= μ ¶2 (2.18)
¡(1¡D)Ts
2C1 fs2 1 ¡ e Rs C1

Figura 2-5 – Circuito equivalente referente à segunda etapa de operação.

2.1.3 Conceito de resistência equivalente


Um dos mais importantes conceitos em capacitores chaveados é
relacionado ao circuito equivalente que esses circuitos propiciam em
sua análise. Foi visto no início desta seção que a comutação de
capacitores com tensões distintas resulta em perda de energia. Essa
perda de energia pode ser representada por um resistor equivalente, de
tal modo que se consiga interpretar de quais parâmetros do circuito
essa perda é dependente.
O conversor da Figura 2-2, em tese, deve ter um ganho estático
unitário, logo, idealmente, espera-se que a tensão de saída seja igual à
tensão de entrada. Contudo, em consequência das perdas nas
comutações do capacitor C1, a tensão de saída é menor que a tensão
de entrada. Por isso, é conveniente expressar essa queda de tensão por
meio de um circuito equivalente, conforme ilustrado na Figura 2-6.
Neste circuito é inserido um resistor equivalente, Req, o qual é capaz
de representar as perdas que existem no circuito. Logo, com as
equações já obtidas é possível expressar a resistência do circuito e
saber de quais parâmetros esta é função.

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS 35

Figura 2-6 - Circuito equivalente contemplando a resistência equivalente.

A partir das equações (2.10) e (2.18), pode-se calcular a energia


total dissipada. Assim,

± ±
1 2
Etotal = ER s
+ ER s
. (2.19)

Solucionando a equação (2.19) se obtém:

μ ¶
¡1
2 e Rs C1f s ¡ 1
Is;med
Etotal = 2 μ ¶μ ¶. (2.20)
fs ¢ C1 ¡(1¡D) ¡D
1¡e s s
R C1f 1¡e s s
R C1f

A potência dissipada é calculada como

Ptotal = Etotal ¢ fs . (2.21)

Substituindo a equação (2.20) em (2.21), conclui-se que

μ ¶
¡1
2 e Rs C1fs ¡ 1
Is;med
Ptotal = μ ¶μ ¶ (2.22)
fs ¢ C1 ¡(1¡D) ¡D
1¡e Rs C1fs 1¡e R s C1fs

Portanto, a resistência equivalente, Req, é calculada como

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36 ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS

μ ¶
¡1
e Rs C1fs ¡ 1
Ptotal 1
Req = 2 = μ ¶μ ¶. (2.23)
Is;med fs ¢ C1 ¡(1¡D) ¡D
1 ¡ e Rs C1fs 1 ¡ e Rs C1fs

Pode-se observar que a resistência equivalente Req depende


basicamente de quatro parâmetros do circuito fs, C1, R s e D. A
Figura 2-7 apresenta o comportamento de Req diante da variação da
frequência fs (a) e da razão cíclica D (b).
Fazendo,

R
(f )
s
Req;min = lim Req = ¡ s ¢. (2.24)
fs !1 D¢ 1¡D

A equação (2.24) mostra que quando a frequência de comutação


tende ao infinito a resistência equivalente tende a um valor finito
maior que zero. Este valor depende da resistência série do circuito e
também da razão cíclica. Outro aspecto interessante é que, a partir de
um determinado valor de frequência de comutação, Req não varia
substancialmente. Já a Figura 2-7 (b) mostra que a resistência
equivalente é mínima quando a razão cíclica é 0,5, contudo, maior que
zero.

Figura 2-7 – Comportamento da resistência equivalente em função da: (a)


frequência de comutação; (b) razão cíclica.

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ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS 37

2.1.4 Interpretação física da resistência equivalente


O modelo para resistência equivalente, apresentado na Figura 2-6 é
interessante para análise e interpretação matemática. No entanto, é de
difícil interpretação física, quando comparado com o circuito original,
em razão de o circuito equivalente ter todas as variáveis constantes,
diferentemente do circuito original. Fisicamente, é mais compreensível
analisar as perdas em um resistor por meio da corrente eficaz que flui
por este, já que se sabe que as perdas variam com o quadrado desta
corrente. Portanto, as expressões das correntes eficazes dos
interruptores S1 e S2 são dadas por

s
Z D¢T s
1
i1C1 (t)2 dt ,
±
IS1;ef = (2.25)
Ts 0

s
Z (1¡D)¢T s
1
i2C1 (t)2 dt .
±
IS2;ef = (2.26)
Ts 0

Solucionando as equações, (2.25) e (2.26) se obtém

p s μ ¶
2 ¢ ¢V1 C1 ¡2D¢Ts
IS1;ef = 1 ¡ e Rs C1 , (2.27)
2 Ts ¢ Rs

p s μ ¶
2 ¢ ¢V2 C1 ¡2(1¡D)¢Ts
IS2;ef = 1¡e Rs C1
. (2.28)
2 Ts ¢ Rs

Substituindo a equação (2.9) em (2.27), e a expressão (2.17) em


(2.28), se obtêm

v μ ¶
u
u ¡2D¢Ts
p u 1¡e s 1
R C
2 ¢ Is;med u
u C1 μ
IS1;ef = u T s ¢ Rs ¶2 , (2.29)
2 t ¡D¢Ts
1¡e R s C1

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38 ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS

v μ ¶
u
u ¡2(1¡D)¢Ts
p u 1¡e Rs C1
2 ¢ Is;med u
u C1 μ
IS2;ef = u Ts ¢ Rs ¶2 . (2.30)
2 t ¡(1¡D)¢Ts
1¡e R s C1

Considerando unitárias(os): a corrente média na carga Is;med , o


capacitor C1, o resistor Rs e o período de comutação Ts, pode-se ter
um esboço do comportamento do valor eficaz das correntes nos
interruptores, em função da variação da razão cíclica, conforme ilustra
a Figura 2-8 (a). Nesta figura, pode-se constatar que para razões
cíclicas baixas, menores que 0,5, o interruptor S2 é favorecido em valor
eficaz enquanto que o interruptor S1 é estressado termicamente, sendo
que, o oposto acontece para razões cíclicas altas. O resultado disto é
que, dependendo da escolha da razão cíclica D, há um desequilíbrio de
perdas entre os componentes do circuito. Verifica-se que o ponto de
equilíbrio de perdas é quando a razão cíclica é igual a 0,5, onde se
obtém os mesmos valores eficazes nos interruptores. Este fato condiz
com o comportamento da resistência equivalente apresentada na
Figura 2-7 (b), onde o ponto de mínima resistência converge para
D = 0,5.
Outro aspecto interessante que influencia nas perdas de conversores
a capacitor chaveado é a escolha da combinação entre resistência
parasita e capacitância, também chamado de constante de tempo ¿ .
Analisando a Figura 2-8 (b), observa-se que para constantes de tempo
baixas, em relação ao tempo de comutação, ocorre a presença de
elevados picos de corrente. Estes picos fazem com que se tenha o
aumento do valor eficaz de corrente e, por consequência, incremento
das perdas nos elementos resistivos do circuito. Conforme há o
aumento da constante de tempo esses picos diminuem, no entanto,
sem afetar o valor médio da corrente.
Portanto, deve-se fazer uma escolha adequada da constante de
tempo, de tal forma que não ocorra perdas excessivas no circuito.
Considera-se que a resistência Rs seja um parâmetro do interruptor,
que não pode ser alterado no projeto. Logo, para atender a relação da
constante de tempo, deve-se escolher o valor de capacitância dos
capacitores. Resistências muito baixas levam a capacitores muito
volumosos, enquanto que, valores de resistências muito elevadas levam
a excessivas perdas.

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ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS 39

Outro fator que influencia no comportamento das correntes é a


escolha do período/frequência de comutação. A escolha da constante
de tempo ¿ deve ser em relação ao tempo que ocorre a comutação dos
capacitores. Portanto, para um dado intervalo de comutação, deve-se
avaliar se a constante de tempo ¿ é adequada para evitar perdas
excessivas no circuito.

Figura 2-8 – Comportamento das correntes no interruptor: (a) comportamento do


valor eficaz dos interruptores S1 e S2 em função da razão cíclica; (b)
comportamento da corrente no interruptor S1 para diversos valores de constantes
de tempo.

A partir do comportamento das correntes, conforme ilustrado na


Figura 2-8 (b), a referência [63] propôs a definição de três modos de
operação, com base na escolha da constante de tempo ¿ . A
nomenclatura usada neste texto será a mesma designada pelo autor,
usando termos em inglês. Para constantes de tempo muito inferiores
ao período de comutação, ¿ ¿ Ts, dá-se o nome de complete-charge
(CC); para constantes de tempos próximas ao período de comutação
¿ ¼ Ts é dado o nome de parcial-charge (PC) e, para constantes de
tempo muito superiores ao período de comutação, ¿ À Ts, é dado o
nome de no-charge (NC). A Figura 2-9 ilustra os três modos de
condução mencionados.
De acordo com que já foi dito nesta seção, o modo que leva as
menores perdas é o no-charge, pois apresenta menor valor eficaz de
corrente, devido ao fato da corrente ser constante durante o período de
comutação. Contudo, este modo geralmente leva a frequências de

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40 ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS

comutação elevadas ou a valores muito altos de capacitâncias. O uso


de frequências elevadas implica em outras consequências para o
circuito como, por exemplo, perdas de comutação nos interruptores e,
por isso, deve ser limitada. Havendo uma limitação para a escolha da
frequência de comutação, a determinação do modo no-charge recai no
valor da capacitância. Essas considerações supõem que a resistência
parasita R s não possa ser alterada, mas que seja um parâmetro físico
do interruptor.
Portanto, para fins práticos, o modo parcial-charge oferece a
melhor combinação para perdas, frequência e capacitância, pois não
leva a valores muito elevados de capacitância e também não rende
perdas por efeito Joule excessivas.

Figura 2-9 – Definição dos modos de operação das correntes nos capacitores: (a)
complete-charge (CC); (b) parcial-charge (PC); (c) no-charge (NC).

2.2 CONVERSOR CC-CC HÍBRIDOS A CAPACITOR CHAVEADO

Na seção anterior foram apresentados os fundamentos dos


conversores a capacitor chaveado puros. Os conversores citados
possuem pouca utilidade prática, pois proporcionam, idealmente,
ganho unitário e baixa regulação da tensão de saída. Contudo, a
referida seção teve como objetivo a elucidação dos fenômenos
envolvidos na comutação de capacitores, o que a torna extremamente
importante.
A presente seção tem por finalidade introduzir o estudo direcionado
de conversores híbridos. Estes conversores já foram mencionados na
introdução geral, onde foram destacadas suas características frente aos
SCs.

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ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS 41

Será utilizado como fonte de estudo o conversor cc-cc proposto por


[64], já que apresenta características semelhantes aos conversores
propostos por esta tese. Muitas das equações obtidas nesta seção serão
utilizadas para análise dos conversores ca-cc, apresentados
posteriormente.
Na Figura 2-10 é exibido o conversor cc-cc híbrido a capacitor
chaveado. Trata-se de um conversor elevador, acrescido de uma célula
multiplicadora do tipo diodo-capacitor. Na figura em questão estão
representadas as resistências parasitas dos capacitores, r C , onde são
consideradas iguais. O capacitor de saída Co não está presente na
topologia original proposta, contudo, pode-se provar que a presença
deste faz com que sejam equalizadas as correntes nos capacitores C1 e
C2 e, por isso, esse elemento será empregado na análise.
Na análise será considerado que o conversor opera no modo de
operação no-charge (NC), ou seja, as correntes nos capacitores são
consideradas constantes durante o tempo de comutação.

Figura 2-10 – Conversor cc-cc híbrido a capacitor chaveado.

2.2.1 Primeira etapa de operação


A primeira etapa é caracterizada pelo comando de condução do
interruptor S , chamada de etapa de armazenamento de energia.
Durante esse período, o capacitor C1 transfere sua carga ao capacitor
C3, por meio do diodo D2. Ao mesmo tempo, o indutor armazena
energia da fonte de entrada Vg. Nesse período, os diodos D1 e D3
permanecem bloqueados, enquanto que capacitor C2 é carregado e Co
é descarregado. A etapa em questão está ilustrada na Figura 2-11.

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42 ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS

Nessa figura estão desenhadas as convenções de sentidos de tensões e


correntes necessárias para o equacionamento.
As equações que descrevem a primeira etapa de operação são
escritas a seguir:

vg = vL (2.31)

iC 2 = iC1 + iC 3 (2.32)

vC 1 = ¡iC 1 ¢ rC + iC 3 ¢ rC + vC 3 (2.33)

vCo = iC 2 ¢ rC + vC 2 + iC 1 ¢ rC + vC 1 (2.34)

vC o
+iC 2 + iC o + =0 (2.35)
Ro

Figura 2-11 – Primeira etapa de operação do conversor cc-cc híbrido a capacitor


chaveado.

Solucionando as equações de (2.31) a (2.35) obtém-se as correntes


nos capacitores e tensão no indutor.
Deste modo, a tensão no indutor é

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ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS 43

vL = k1;1 ¢ iL + k1;2 ¢ vC1 + k1;3 ¢ vC2 + k1;4 ¢ vC3 + k1;5 vCo


(2.36)
+ m1;1 ¢ vg

A equação (2.36) pode ser reescrita co

diL
L = k 1;1 ¢i L + k 1;2 ¢v C 1 + k 1;3¢v C 2 + k 1;4¢v C 3 + k 1;5¢v C o + m 1;1 ¢v g
dt ,

(2.37)

onde

8
>
> k1;1 = 0
>
>
< k1;2 = 0
k1;3 = 0 . (2.38)
>
>
>
> k1;4 = 0
:
m1;1 = 1

A corrente no capacitor C1 é dada por

dvC1
C1 = k2;1 ¢ iL + k2;2 ¢ vC1 + k2;3 ¢ vC2 + k2;4 ¢ vC3 + k2;5 ¢ vCo, (2.39)
dt

onde

8
> k2;1 =0
>
> ¡2
>
< k2;2 = 3r C
¡1
k2;3 = 3r (2.40)
>
>
C
> k2;4
> = 3r1C
:
k2;5 = 3r1C
.

A corrente no capacitor C2 é dada por

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44 ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS

dvC2
C2 = k3;1 ¢ iL + k3;2 ¢ vC1 + k3;3 ¢ vC2 + k3;4 ¢ vC3 + k3;5 ¢ vCo, (2.41)
dt

onde

8
> k3;1 =0
>
> ¡1
>
< k3;2 = 3rC
¡2
k3;3 = 3r (2.42)
>
> ¡1
C
>
> k3;4 = 3r
: ¡1
C
k3;5 = 3rC

A corrente no capacitor C3 é dada por

dvC3
C3 = k4;1 ¢ iL + k4;2 ¢ vC1 + k4;3 ¢ vC2 + k4;4 ¢ vC3 + k4;5 ¢ vCo, (2.43)
dt

onde

8
> k4;1 =0
>
>
>
< k4;2 = 3r1C
¡1
k4;3 = 3r (2.44)
>
> ¡2
C
>
> k4;4 = 3r
: C
k4;5 = 3r1C

A corrente no capacitor Co é dada por

dvCo
Co = k5;1 ¢ iL + k5;2 ¢ vC1 + k5;3 ¢ vC2 + k5;4 ¢ vC3 + k5;5 ¢ vCo, (2.45)
dt

onde

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ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS 45
8
> k5;1 =0
>
>
>
< k5;2 = 3r1C
k5;3 = 3r2C (2.46)
>
>
>
> k5;4 = 3r1C
: 2Ro +3rC
k5;5 = ¡1
3 rC R o

As equações (2.36), (2.39), (2.41), (2.43) e (2.46) podem ser


colocadas no formato matricial, na forma

x_ = Ax + Bu, (2.47)

y = Cx, (2.48)

onde

2 3
diL
6 dt 7
6 dvC1 7
6 7
6 dt 7
6 7
6 dvC2 7, (2.49)
x_ = 6 7
6 dt 7
6 dvC3 7
6 7
6 dt 7
4 dvCo 5
dt

representa o vetor das derivadas das variáveis de estados do conversor,

2 3
iL
6 vC1 7
6 7
x=6
6 vC2 7,
7 (2.50)
4 vC3 5
vCo

o vetor contendo as variáveis de estado do conversor,

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46 ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS

2 3
vg
6 0 7
6 7
u=6
6 0 7,
7 (2.51)
4 0 5
0

vetor que representa as entradas do conversor e

· ¸
iL
y= (2.52)
vCo

o vetor que representa as variáveis de saída desejadas.

Colocando as equações (2.36), (2.37), (2.39), (2.41), (2.43), (2.45)


na forma matricial, tem-se:

2 1 1 1 1 1 3
L k1;1 L k1;2 L k1;3 L k1;4 L k1;5
6 7
6 1 1 1 1 1 7
6 C1 k2;1 C1 k2;2 C1 k2;3 C1 k2;4 C1 k2;5
7
6 7
6 7
6 7
6 1 1 1 1 1 7
A1 = 6 C2 k3;1 C2 k3;2 C2 k3;3 C2 k3;4 C2 k3;5 7 (2.53)
6 7
6 7
6 1 1 1 1 1 7
6 C3 k4;1 C3 k4;2 C3 k4;3 C3 k4;4 C3 k4;5 7
6 7
6 7
4 1 1 1 1 1 5
Co k5;1 Co k5;2 Co k5;3 Co k5;4 Co k5;5

2 3
m 1;1
6 0 7
6 7
B1 = 6
6 0 7
7 (2.54)
4 0 5
0

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ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS 47

2.2.2 Segunda etapa de operação


A segunda etapa de operação é caracterizada pelo bloqueio do
interruptor S , chamada de etapa de transferência de energia. Neste
instante o diodo D1 entra em condução e transfere parte da energia
armazenada no indutor para o capacitor C1. Ao mesmo tempo, o
capacitor C3 transfere energia para carga, através do diodo D3. Tal
etapa está ilustra na Figura 2-12.

Figura 2-12 – Segunda etapa de operação do conversor cc-cc híbrido a capacitor


chaveado.

As equações que descrevem a segunda etapa de operação são


escritas a seguir:

vg = vL + iC1 ¢ rC + vC1 (2.55)

iC1 = iC3 + iL + iC2 (2.56)

vC o
+iC2 + iC 2 + + iC o = 0 (2.57)
Ro

vC3 = ¡iC3 ¢ rC + iC2 ¢ rC + vC2 (2.58)

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48 ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS

vCo = iC2 ¢ rC + vC2 + iC1 ¢ rC + vC1. (2.59)

Solucionando o conjunto de equações de (2.55) a (2.58) obtém-se as


correntes nos capacitores e tensão sobre o indutor, referente a esta
etapa.
A tensão sobre o indutor é dada por

di L
L = j 1;1 ¢ i L + j 1;2 ¢ v C 1 + j 1;3 ¢ v C 2 + j 1;4 ¢ v C 3 + j 1;5 ¢ v C o + n 1;1 ¢ v g
dt
(2.60)

onde

8
>
> j1;1 = ¡r3C
>
>
< j1;2 = ¡13
j1;3 = 13 . (2.61)
>
>
>
> j =1
: 1;4 3¡2
n1;1 = 3

A corrente no capacitor C1 é dada por

dv C 1
C1 = j 2;1 ¢ iL + j 2;2 ¢ v C 1 + j 2;3 ¢ v C 2 + j 2;4 ¢ v C 3 + j 2;5 ¢ v C o ,(2.62)
dt

onde

8 1
> j2;1 =
>
> 3
¡2
>
< j2;2 = 3rC
¡1
j2;3 = 3rC . (2.63)
>
> ¡1
>
> j =
: 2;4 3rC
2
j2;5 = 3rC

A corrente no capacitor C2 é dada por

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ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS 49

dv C 2
C2 = j 3;1 ¢ iL + j 3;2 ¢ v C 1 + j 3;3 ¢ v C 2 + j 3;4 ¢ v C 3 + j 3;5 ¢ v C o ,(2.64)
dt

onde

8 ¡1
> j3;1 =
>
> 3
¡1
>
< j3;2 = 3rC
¡2
j3;3 = 3rC . (2.65)
>
> 1
> j3;4
> = 3rC
: 1
j3;5 = 3rC

A corrente no capacitor C3 é dada por

dv C 3
C3 = j 4;1 ¢ iL + j 4;2 ¢ v C 1 + j 4;3 ¢ v C 2 + j 4;4 ¢ v C 3 + j 4;5 ¢ v C o ,(2.66)
dt

onde

8 ¡1
> j4;1 =
>
> 3
¡1
>
< j4;2 = 3rC
1
j4;3 = 3rC . (2.67)
>
> ¡2
>
> j =
: 4;4 3rC
1
j4;5 = 3rC

A corrente no capacitor Co é dada por

dvCo
Co = j5;1 ¢ iL + j5;2 ¢ vC1 + j5;3 ¢ vC2 + j5;4 ¢ vC3 + j5;5 ¢ vCo, (2.68)
dt

onde

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50 ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS

8 2
> k5;1 =
>
>
3
2
>
< k5;2 = 3rC
1
k5;3 = 3rC . (2.69)
>
> 1
>
> k5;4 = 3rC
: ¡1 2Ro +3rC
k5;5 = 3 rC Ro

Representando as equações (2.60), (2.62), (2.64), (2.66) e (2.69) na


forma matricial, resulta em:

2 1 1 1 1 1 3
L j1;1 L j1;2 L j1;3 L j1;4 L j1;5
6 7
6 1 1 1 1 1 7
6 C1 j2;1 C1 j2;2 C1 j2;3 C1 j2;4 C1 j2;5
7
6 7
6 7
6 1 1 1 1 1
7
A2 = 6
6 C2 j3;1 C2 j3;2 C2 j3;3 C2 j3;4 C2 j3;5
7 (2.70)
7
6 7
6 7
6 1 1 1 1 1 7
6 C3 j4;1 C3 j4;2 C3 j4;3 C3 j4;4 C3 j4;5 7
4 5
1 1 1 1 1
Co j5;1 Co j5;2 Co j5;3 Co j5;4 Co j5;5

¯ ¯
¯ n1;1 ¯
¯ ¯
¯ 0 ¯
¯ ¯
B2 = ¯¯ 0 ¯.
¯ (2.71)
¯ 0 ¯
¯ ¯
¯ 0 ¯

O modelo do conversor por valores médios, quando o conversor


opera em um ponto de equilíbrio, é

0 = AX + BU (2.72)

Y = CX (2.73)

onde as matrizes A, B e C são

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ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS 51

A = DA1 + (1 ¡ D)A2
B = DB1 + (1 ¡ D)B2 (2.74)
C = DC1 + (1 ¡ D)C2

onde

2 3
1 0 0 0 0
6 0 1 1 0 0 7
6 7
C1 = C2 = 6
6 0 0 0 0 0 7
7 (2.75)
4 0 0 0 0 0 5
0 0 0 0 0

e D representa a razão cíclica no ponto de operação. Assim,

2 3
1 0 0 0 0
6 0 1 1 0 0 7
6 7
C=6
6 0 0 0 0 0 7.
7 (2.76)
4 0 0 0 0 0 5
0 0 0 0 0

Por meio da equação (2.72), tem-se que

X = ¡A¡1 BU . (2.77)

Solucionando (2.77), obtém-se:

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52 ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS

2 3
¡8DVg
6 (¡2DRo ¡ 3rC + 2Ro D 2 ) (1 ¡ D) 7
6 7
6 ¡ ¢ 7
6 7
6 2Ro D 2 ¡ 2DRo + 2DrC ¡ 3rC Vg 7
6 7
6 (¡2DRo ¡ 3rC + 2Ro D 2 ) (1 ¡ D) 7
2 3 6 7
IL 6 7
6 ¡ ¢ 7
6 VC1 7 6 2Ro D 2 ¡ 2DRo ¡ 2DrC + 3rC Vg 7
6 7 6 7
X=6
6 VC2
7=6
7 6 (¡2DRo ¡ 3rC + 2Ro D 2 ) (1 ¡ D) 7
7
(2.78)
4 VC3 5 6 7
6 ¡ ¢ 7
VCo 6 ¡2DRo ¡ 4DrC + 3rC + 2Ro D 2 7
6 7
6 7
6 (¡2DRo ¡ 3rC + 2Ro D 2 ) (1 ¡ D) 7
6 7
6 7
6 4DRo Vg 7
6 ¡ 7
4 (¡2DRo ¡ 3rC + 2Ro D 2 ) 5

As grandezas com letra maiúsculas em (2.78) representam os valores


médios das variáveis de estado.
A solução de (2.78) é função da resistência dos capacitores r C .
Contudo, se for desprezada a influencia desta nas equações, pode-se
chegar à expressões simples e objetivas. Deste modo, a solução do
vetor X, supondo o conversor ideal é

2 4Vg 3
2 3
IL Ro (1¡D)2
6 Vg 7
6 VC1 7 6 (1¡D) 7
6 7 6 Vg
7
X=6
6 VC2
7=6
7 6 (1¡D)
7
7 (2.79)
4 VC3 5 6 Vg 7
4 (1¡D) 5
VCo 2Vg
(1¡D)

O ganho estático ideal é dado por

VCo VC1 + VC2 2


G= = = (2.80)
Vg Vg (1 ¡ D)

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS 53

Por meio da equação (2.80) conclui-se que o ganho estático do


conversor cc-cc híbrido é o dobro do conversor boost clássico.

2.2.3 Análise de esforços de corrente

A corrente no capacitor C1 para a primeira etapa de operação foi


definida na equação (2.39) que, por conveniência é reescrita na
equação (2.81).

dvC1
C1 = k2;1 ¢ iL + k2;2 ¢ vC1 + k2;3 ¢ vC2 + k2;4 ¢ vC3 + k2;5 ¢ vCo.(2.81)
dt

A equação (2.81) depende das tensões sobre os capacitores e da


corrente no indutor que, por consequência, dependem da razão cíclica
Substituindo a equação de soluções de (2.78) na equação (2.81),
obtém-se a corrente no capacitor C1 referente à primeira etapa de
operação. Note que as variáveis em (2.79) são constantes. Essas
variáveis são substituídas por suas respectivas variáveis no tempo.
Este procedimento irá resultar em uma corrente com derivada nula, ou
seja, uma corrente constante. Assim,

0
iC1 = Vg ¢ f (Ro ; rC ; D; iL ), (2.82)

0 2 ¢ Vg
iC1 = . (2.83)
(¡1 + D) 2D ¢ Ro ¡ 3rC

O mesmo processo pode ser realizado para obter a expressão da


corrente no capacitor C1 para a segunda etapa de operação. Deste
modo, tem-se que

00 ¡2DVg
iC1 = μ ¶ . (2.84)
(¡1 + D) 2DRo ¡ 3rC (1 ¡ D)

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


54 ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS

 Corrente eficaz no capacitor C1

A corrente eficaz quase instantânea pode ser calculada como

v à !
u
u 1 Z DTs 0 Z Ts
=t
00
hiC1 iTs iC1 2 dt + iC1 2 dt . (2.85)
Ts 0 DTs

Solucionando a equação (2.85) obtém-se

s
Vg2 D
hiC1 iTs = 2 2 . (2.86)
(1 ¡ D) (2DRo ¡ 3rC + 2Ro D2 )

Por meio da equação (2.79) tem-se que a seguinte relação é


verdadeira

2
IL ¢ Ro (1 ¡ D)
Vg = . (2.87)
4

Substituindo a equação (2.87) na expressão (2.86) e desprezando a


influencia de rC , se obtém

r
IL (1 ¡ D)
hiC1 iTs = . (2.88)
4 D

 Corrente eficaz no capacitor C2

A corrente no capacitor C2 foi definida na equação (2.41) que, por


conveniência é reescrita na equação (2.89).

dvC2
C2 = k3;1 ¢ iL + k3;2 ¢ vC1 + k3;3 ¢ vC2 + k3;4 ¢ vC3 + k3;5 ¢ vCo.(2.89)
dt

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS 55

Substituindo a equação de soluções de (2.78) na equação (2.89),


obtém-se a corrente no capacitor C2 referente à primeira etapa de
operação. Assim,

0
iC2 = Vg ¢ f(Ro ; rC ; D; iL ), (2.90)

0 2 ¢ Vg
iC2 = ¡ . (2.91)
(¡1 + D) 2D ¢ Ro ¡ 3rC

O mesmo processo pode ser realizado para obter a expressão da


corrente no capacitor C2 para a segunda etapa de operação. Deste
modo, tem-se que

00 2DVg
iC2 = μ ¶ . (2.92)
(1 ¡ D) 2DRo + 3rC (1 ¡ D)

A corrente eficaz local ou eficaz quase instantânea pode ser


calculada como

v à !
u
u 1 Z DTs 0 Z Ts
hiC2 iTs = t iC2 2 dt +
00
iC2 2 dt . (2.93)
Ts 0 DTs

Solucionando a equação (2.93) obtém-se

s
Vg2 D
hiC2 iTs = 2 2 . (2.94)
(1 ¡ D) (2DRo ¡ 3rC + 2Ro D2 )

Substituindo a equação (2.87) na expressão (2.94) e desprezando o


efeito de rC , obtém-se

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


56 ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS

r
IL (1 ¡ D)
hiC2 iTs = . (2.95)
4 D

 Corrente eficaz no capacitor C3

A corrente eficaz no capacitor C3 é calculada substituindo a


equação de soluções de (2.78) na equação (2.43). Assim, obtém-se a
corrente no capacitor C3 referente à primeira etapa de operação. Logo,

0
iC3 = Vg ¢ f(Ro ; rC ; D; iL ), (2.96)

0 4 ¢ Vg
iC3 = . (2.97)
(¡1 + D) 2D ¢ Ro ¡ 3rC

O mesmo processo pode ser realizado para obter a expressão da


corrente no capacitor C3 para a segunda etapa de operação. Deste
modo, tem-se que

00 4DVg
iC3 = μ ¶ . (2.98)
(1 ¡ D) 2DRo + 3rC (1 ¡ D)

A corrente eficaz quase instantânea pode ser calculada como

v à !
u
u 1 Z DTs 0 Z Ts
hiC3 iTs = t iC3 2 dt +
00
iC3 2 dt . (2.99)
Ts 0 DTs

Solucionando a equação (2.99) obtém-se

s
Vg2 D
hiC3 iTs = 2 2 . (2.100)
(1 ¡ D) (2DRo ¡ 3rC + 2Ro D2 )

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS 57

Substituindo a equação (2.87) na expressão (2.100) e fazendo


rC = 0, se obtém

r
IL (1 ¡ D )
hiC3 iTs = . (2.101)
2 D

 Corrente eficaz no capacitor de saída Co

Da mesma forma, a corrente eficaz no capacitor Co é calculada


substituindo a equação de soluções de (2.78) na equação (2.43). Assim,
obtém-se a corrente no capacitor Co referente à primeira etapa de
operação. Logo,

0
iCo = Vg ¢ f(Ro ; rC ; D; iL). (2.102)

0 2 ¢ (2D + 1) Vg
iCo = . (2.103)
(¡1 + D) 2D ¢ Ro ¡ 3rC

O mesmo processo pode ser realizado para obter a expressão da


corrente no capacitor Co para a segunda etapa de operação. Deste
modo, tem-se que

00 ¡2D (2D + 1) Vg
iCo = μ ¶ . (2.104)
(1 ¡ D) 2DRo + 3rC (1 ¡ D)

A corrente eficaz quase instantânea pode ser calculada como

v à !
u
u 1 Z DTs 0 Z Ts
hiCo iTs = t 2
iCo dt +
00 2
iCo dt . (2.105)
Ts 0 DTs

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


58 ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS

Solucionando a equação (2.105) obtém-se

v
u 2
u (2D + 1) Vg2 D
hiC o iTs = 2t 2
. (2.106)
(1 ¡ D) (2DR o ¡ 3rC + 2R o D 2 )

Substituindo a equação (2.87) na expressão (2.106) se obtém

s
2
IL (1 ¡ D) (2D + 1)
hiC3 iTs = . (2.107)
4 D

No início da análise foi dito que a topologia original não


contemplava o capacitor de saída Co . A inserção deste capacitor trás
alterações no comportamento das correntes nos demais capacitores. A
intenção principal do uso deste elemento é equilíbrio das correntes nos
capacitores C1 e C2.
A fim de elucidar o que foi dito, é mostrado na Figura 2-13 o
comportamento dos valores eficaz com e sem a inserção do capacitor
de saída Co . Pode-se observar que sem presença do capacitor Co a
corrente eficaz no capacitor C1 é bastante acentuada, contudo, a
corrente no capacitor C2 é bastante reduzida. Já com a inserção do
capacitor de saída as corrente eficazes nos capacitores C1 e C2 são
equalizadas. A corrente eficaz no capacitor C3 não sofre alterações com
a inserção do capacitor de saída.

Figura 2-13 – Comparativo do comportamento dos valores eficaz das correntes nos
capacitores com a colocação ou não do capacitor de saída Co.

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS 59

Apenas com o intuito comparativo, na Figura 2-14 é apresentado o


comportamento do somatório dos valores eficazes em todos os
capacitores com e sem a inserção do capacitor Co . Os somatórios são
definidos como:
sem o capacitor Co

hi C 1 i T s + hiC 2 i T s + hiC 3 iT s; (2.108)

com o capacitor Co

hiC 1 i T s + hiC 2 i T s + hiC 3 iT s + hi C o i T s. (2.109)

Pode-se observar que em geral há pouca diferença no somatório dos


valores eficazes com a variação da razão cíclica. Contudo, um dos
critérios para escolha dos capacitores é a corrente eficaz a que estes
ficam submetidos. É interessante, do ponto de vista de simetria e
projeto, que os capacitores C1 e C2 sejam iguais e, portanto, sejam
especificados para suportar o mesmo valor eficaz de corrente.

Figura 2-14 – Comportamento do somatório dos valores eficazes das correntes nos
capacitores.

 Corrente no interruptor S

O interruptor S é ativo somente na primeira etapa e a corrente que


flui por este é dada por

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


60 ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS

0 0
iS = iL + iC3, (2.110)

durante a primeira etapa, e

00
iS = 0 . (2.111)

Substituindo a equação (2.87) na expressão (2.110), obtém-se a


corrente no interruptor em função da corrente de entrada e da razão
cíclica. Assim,

0 IL (D + 1)
iS = . (2.112)
2 D

 Corrente no diodo D1

Durante a primeira etapa de operação a corrente no diodo D 1 é


nula, já para a segunda etapa de operação é dada por

00 00
iD1 = IL + iC3. (2.113)

Substituindo a equação (2.87) na expressão (2.113) e realizando as


devidas simplificações, chega-se que

00 IL
i D1 = . (2.114)
2

 Corrente no diodo D2

O diodo D2 opera somente na primeira etapa de operação, de tal


forma que

0 0
iD2 = iC3. (2.115)

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS 61

Substituindo a equação (2.87) na expressão (2.115) e realizando as


devidas simplificações, conclui-se que

0 IL (1 ¡ D)
iD2 = . (2.116)
2 D

 Corrente no diodo D3

O diodo D3, a exemplo de D1, opera somente durante a segunda


etapa de operação. Assim, tem-se que

00 00
iD3 = iC3. (2.117)

Substituindo a equação (2.87) na expressão (2.117) e realizando as


devidas simplificações, chega-se que

00 IL
i D3 = . (2.118)
2

2.3 RESUMO SOBRE O CAPÍTULO

Nesse capítulo foram estudados os conceitos acerca dos conversores


a capacitor chaveado e híbridos. Com relação aos capacitores
chaveados puros, foram apresentadas as peculiaridades desses
conversores quanto ao comportamento das tensões e correntes, como
também à perda de energia que esses apresentam. Mostrou-se que a
comutação de dois capacitores com tensões diferentes leva a uma
dissipação de energia que depende do quadrado da diferença das
tensões. Também foi mostrado o conceito de resistência equivalente
presente nos circuitos a capacitor chaveado. Nesse conceito foram
demonstrados quais os parâmetros que influenciam nas perdas de
energia, desta forma, auxiliando na escolha dos elementos do circuito.

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


62 ESTUDO DOS CONVERSORES A CAPACITOR CHAVEADO E HÍBRIDOS

Posteriormente, foi introduzido o estudo dos conversores híbridos a


capacitor chaveado. Utilizou-se uma topologia específica para
demonstrar o funcionamento e operação. Nessa seção, foram feitos
estudos mais aprofundados com o intuito de gerar expressões
matemáticas que descrevessem as tensões e correntes, de forma que
fosse possível representar os esforços de corrente em todos os
elementos do circuito.
Muitos dos conceitos apresentados neste capítulo serão empregados
no decorrer deste trabalho e, portanto, são fundamentais para que o
leitor possa compreender de forma simples o mecanismo de
funcionamento dos conversores que ainda serão apresentados nesta
tese.

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


63

Capítulo 3

3.Retificadores PWM
unidirecionais três-níveis
híbridos a capacitor
chaveado monofásicos

s conversores cc-cc são amplamente empregados em aplicações

O onde presume-se a presença de uma fonte cc no estágio de


entrada. Essa fonte pode ser caracterizada por uma bateria ou
algum estágio de retificação. Contudo, existem circunstâncias onde a
conversão cc de energia deve ser feita a partir da rede elétrica, por um
estágio único. Nessas aplicações, o conversor deve, a partir de uma
fonte alternada de tensão, convertê-la em uma tensão de saída cc. Não
obstante, em certas ocasiões, o conversor não pode distorcer a corrente
de entrada sendo, portanto, não aconselhado o uso de pontes de diodos
não-controlados. Para essas situações, é imprescindível que o conversor
corrija o fator de potência, ao mesmo tempo em que disponha em seus
terminais de saída uma tensão com pouca ondulação. Conversores que
atendam a esses requesitos são cada vez mais procurados atualmente,
em consequência das existências de normas técnicas, que limitam a
taxa de distorção harmônica da corrente drenada da rede elétrica.
Dentro destas exigências, em muitas das vezes, não há necessidade de
reversibilidade de energia por parte do conversor restringindo, desse
modo, ao uso de soluções unidirecionais.
Com base no exposto, muitos trabalhos foram propostos [20, 65,
66] com a finalidade de corrigir o fator de potência e permitir somente
o fluxo unidirecional de energia. No entanto, essas soluções visam um
nicho de aplicação bem específico, mais precisamente, aplicações de

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


64 RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS

baixa tensão de saída (< 1000 V). Situações onde são desejadas
tensões mais altas, outras abordagens são necessárias.
Na introdução geral desta tese foi mostrada a deficiência de
soluções que atinjam ao mesmo tempo: i) alto fator de potência ii)
fluxo unidirecional de energia e iii) alta tensão de saída. Foi dito que,
por meio desse conjunto de exigências, seria proposta uma família de
conversores.
Portanto, em consequência às argumentações apresentadas, este
capítulo se destina a apresentação e estudo analítico dos conversores
ca-cc propostos. Serão apresentadas as características quanto à
correção do fator de potência, fluxo unidirecional de energia e também
ao alto ganho de tensão que estes conversores propiciam.
Serão obtidas as equações que regem as etapas de operação, assim
como as que quantificam os esforços de tensão e corrente nos
semicondutores e capacitores.

3.1 RETIFICADORES HÍBRIDOS MONOFÁSICOS PROPOSTOS

A Figura 3-1 apresenta novamente a família de conversores ca-cc


unidirecionais a qual esta tese propõe. Os seis conversores são
divididos em duas células, chamada A e B, conforme já mencionado
no capítulo da introdução geral. Essas topologias têm em comum o
mesmo princípio de funcionamento e mesmo número de etapas de
operação, diferindo somente no número de semicondutores no caminho
da corrente para cada etapa de funcionamento. Os conversores
apresentam, no máximo, dois interruptores comandados para
conversão de energia, tendo, portanto, baixo número de circuitos de
gate drivers. Também, dispõe de um indutor no lado ca da topologia,
acarretando no melhor aproveitamento deste elemento, já que o fluxo
magnético opera em dois quadrantes.

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS 65

Figura 3-1 – Família de conversores ca-cc unidirecional três níveis híbridos a


capacitor chaveado propostos.

3.2 FUNDAMENTOS ACERCA DA OPERAÇÃO DOS


CONVERSORES

A Figura 3-2 apresenta, de forma qualitativa, as etapas de


operação dos conversores referentes à célula A1, válidas para o modo
de condução contínua e semiciclo positivo da rede elétrica. Cada
conversor apresenta uma etapa de armazenamento e outra de
transferência de energia. Nesta figura, a fonte e o indutor de entrada
são representados por uma fonte de corrente, o que é extremamente
plausível dentro de um período de comutação. Note-se que, durante a
etapa de armazenamento, o capacitor C 1;A é posto, por meio do
comando de um interruptor S1;A , em paralelo com o capacitor C3;A.

1
Ver Figura 1-20 (a)

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


66 RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS

Com isso, ocorre a transferência de energia de parte de C 1;A para C3;A


. Ao mesmo tempo, os capacitores C 1;A e C2;A transferem energia à
carga. Igualmente, é posto o nível zero de tensão no terminal 1 (em
relação ao ponto médio - GND) da subcélula de comutação.

Figura 3-2 – Etapas de operação para os conversores originados da célula A


(armazenamento e transferência de energia).

Já a etapa de transferência de energia se dá pelo bloqueio


comandado do interruptor S1;A . Com isso, a energia armazenada no
indutor é transferida para os capacitores C1;A, C2;A e para carga (não
representada na figura). Ao mesmo tempo, o capacitor C3;A é colocado
em paralelo com o capacitor C2;A, por meio da entrada em condução
do diodo D1;A e D3;A.
Da mesma forma, na Figura 3-3 são apresentados os três
conversores referentes à célula B2 (Tipo IV, Tipo V e Tipo VI). Nessa
figura são ilustradas as etapas de armazenamento e transferência de
energia. O princípio de operação é semelhante ao ilustrado para as
topologias da célula A. Esses conversores diferem somente em uma

2
Ver Figura 1-20 (b)

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS 67

questão, que é o fato dos diodos D1;A e D1;B estarem submetidos à


metade da tensão de saída, ao contrário dos demais, que ficam
submetidos a um quarto da tensão de saída.
A fim de comparar, de forma qualitativa os conversores, na Tabela
1 são apresentadas algumas características de cada solução, no que diz
respeito a número de semicondutores em condução, durante as etapas
de armazenamento e transferência de energia, e também a tensão que
estes semicondutores ficam submetidos.

Figura 3-3 – Etapas de operação para os conversores originados da célula B


(armazenamento e transferência de energia).

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


68 RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS

Tabela 1 – Comparativo entre os conversores propostos (válido para o semiciclo


positivo da rede elétrica)

Tipo Tipo Tipo Tipo Tipo Tipo


I II III IV V VI
Nº de semicondutores em condução
3 4 4 4 3 4
durante o armazenamento de energia.
Nº de semicondutores em condução
3 3 3 3 3 3
durante a transferência de energia.
Semicondutores submetido a metade
0 0 0 D1;A D1;A D1;A
da tensão de saída e e e
D1;B D1;B D1;B
exceto exceto exceto
Semicondutores submetidos a um todos todos todos D1;A D1;A D1;A
quarto da tensão de saída e e e
D1;B D1;B D1;B
Número de diodos rápidos 6 8 8 10 8 8
Número de diodos lentos 2 0 2 0 2 2

3.3 ESTUDO DO CONVERSOR TIPO I – ETAPAS DE


OPERAÇÃO

A família de conversores monofásicos propostos possui, em sua


essência, o mesmo mecanismo de funcionamento podendo, portanto,
serem estudados através de uma única topologia. Assim sendo, a
análise da família será concentrada no conversor Tipo I. Entretanto, os
estudos que serão desenvolvidos podem ser facilmente estendidos para
os demais conversores pertencentes à família.
Na Figura 3-4 é apresentada a topologia ca-cc três níveis
unidirecional híbrida com célula a capacitor chaveado Tipo I. Esta
estrutura é diretamente extraída do conversor cc-cc híbrido a capacitor
chaveado estudado no capítulo anterior, acrescido de um lado inferior,
para assim formar um estágio de três-níveis. As equações apresentadas
para o conversor cc-cc híbrido serão todas aproveitadas, já que, as
topologias propostas usam o mesmo princípio de funcionamento.
Será apresentado o estudo do conversor operando no modo de
condução contínua, e as expressões são válidas para o modo de
operação no-charge.

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS 69

Figura 3-4 – Topologia ca-cc meia ponte unidirecional três níveis híbrida a
capacitor chaveado tipo I.

Para descrição das etapas de operação serão apresentadas somente


às referentes ao semiciclo positivo da rede elétrica, sendo o semiciclo
negativo análogo. É suposto nesta análise que os capacitores possuem
mesma capacitância, exceto os capacitores Co;A e Co;B que ficam
responsáveis por suprir parte da energia à carga. Também, é assumido
que tanto a tensão de entrada quanto a corrente de entrada são
constantes dentro de um período de comutação

3.3.1 Primeira etapa


A primeira etapa acontece quando o interruptor S1;A é
comandado a conduzir. Durante este instante ocorre o armazenamento
de energia no indutor L b . Ao mesmo tempo, o capacitor C 1;A é
conectado ao capacitor C 3;A através do diodo D2;A, forçando as
tensões vC 1;A e vC 3;A se equalizarem. Os demais capacitores,
destacados na figura, ficam responsáveis por alimentar a carga durante
esta etapa.

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70 RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS

Figura 3-5 – Primeira etapa de operação do conversor tipo I.

Observa-se que o conversor proposto opera de forma semelhante ao


conversor cc-cc híbrido apresentado na seção 2.2. Portanto, as
expressões matemáticas obtidas nessa seção podem ser empregadas.
Na seção 2.2, por se tratar de um conversor cc-cc, as variáveis de
tensões e correntes foram representadas por letras maiúsculas, por se
tratarem de valores médios. Contudo, nos conversores propostos,
muitas das variáveis alternam no tempo como, por exemplo, tensão de
entrada, correntes e razão cíclica e, portanto, serão designadas por
letras minúsculas a partir deste momento. Outro fato é que a corrente
de entrada no conversor cc-cc híbrido foi designada pela variável i L . A
partir deste ponto em diante esta mesma corrente será indicada pela
variável ig, já que pode ser entendida como a corrente que flui na rede
elétrica. Assim,

iL = ig. (3.1)

As expressões matemáticas podem ser retiras da seção 2.2 do


capítulo anterior. Logo, considerando que as variáveis sejam
constantes dentro de um período de comutação, as correntes através
dos capacitores e semicondutores durante a primeira etapa são
descritas por:

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS 71
8
> 0 (1 ¡ d) ¢ ig
>
>
> iC1;A = ¡ 14 ¢
>
> d
>
>
>
>
>
> 0 (1 ¡ d)
>
>
> iC2;A = 14 ¢ ¢ ig
>
> d
>
<
0 0 (1 ¡ d) ¢ ig (3.2)
>
> iC3;A = iD2;A = 12 ¢
>
> d
>
>
>
>
>
> 0 (1 + d)
>
>
> iS1;A = 12 ¢ ¢ ig
>
> d
>
>
>
: 0
iD1;b = ig .

3.3.2 Segunda etapa de operação


A segunda etapa acontece quando o interruptor S1;B é comandado
a bloquear. Quando isto acontece, os diodos D1;A e D3;A entram em
condução, enquanto D2;A é forçado ao bloqueio. O capacitor C3;A
transfere energia para C 2;A .
As correntes nos capacitores e semicondutores durante essa etapa
de operação correspondem à:

8 00 1
>
> iC 1;A = ig
>
> 4
>
> 1
>
>
00
iC 2;A = ¡ ig
>
>
>
> 4
>
>
>
< 00 00 1
iC 3;A = iD3;A = ig (3.3)
>
> 2
>
>
>
> 1
>
> 00
>
> iD1;A = ig
>
> 2
>
>
>
: 00
iD1;b = ig

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


72 RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS

Figura 3-6 – Segunda etapa de operação do conversor tipo I.

Como a tensão nos terminais comutados do conversor é função do


sinal da corrente, ela é definida como:

Vo
vao = ¢ sign(ig;a ) (1 ¡ sa )
4

onde

½
1; interruptor comandado
sa = . (3.4)
0; interruptor bloqueado

3.4 ANÁLISE DE ESFORÇOS DE CORRENTE

Para análise dos esforços será considerado que o conversor opera


com componentes ideais, ou seja, serão desprezadas as resistências
parasitas, ou que estas sejam suficientemente pequenas a ponto de
garantir ao menos o modo de parcial-charge.

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS 73

3.4.1 Expressão da corrente eficaz nos capacitores C 1;A e C 1;B


Há corrente fluindo sobre estes capacitores somente a cada meio
ciclo da rede elétrica.
A expressão da corrente eficaz quase instantânea sobre os
capacitores em questão é definida por:

v à !
u
u 1 Z d¢Ts ³ 0 ´2 Z Ts ³ ´2
=t
00
hIC 1;k;ef iT s iC 1;k dt + iC 1;k dt (3.5)
Ts 0 d¢Ts

r
ig 1¡d
hIC1;k;ef iT s = ¢ ; k = A; B (3.6)
4 d

Por meio do valor eficaz quase instantâneo, representado pela


equação (3.6), é possível calcular a expressão da corrente eficaz que
flui pelos capacitores C1;A e C1;B dentro do período da rede elétrica.
Para isto, é necessário fazer com que as variáveis ig e d variem com o
tempo, ou seja, definidas como

8
< ig = Ig;p ¢ sen (!t)
(3.7)
:
d = 1 ¡ M ¢ sen (!t) ;

onde Ig;p representa o valor de pico da corrente de linha e M o índice


de modulação.
O índice de modulação M é definido como

4Vg;p
M= ; (3.8)
Vo

onde Vg;p representa o pico da tensão de entrada vg.


Definindo o valor eficaz do capacitor C1;k ; k = A; B , como

s μZ ¶
¼
1 2
IC 1;k;ef = hIC 1;k;ef iT s d!t (3.9)
2¼ 0

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74 RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS

e substituindo as expressões em (3.7) na equação (3.9) e solucionando-


a, chega-se que:

p 4atan M
¡ ¯ (M2 ¼ + 4M¼ + 2¼) + 2¼
2 ¯
IC1;k;ef = Ig;p ¢ p p
8 ¯ ¼M
(3.10)

p
onde ¯ = 1 ¡ M2.

3.4.2 Expressão da corrente eficaz nos capacitores C 2;A e C 2;B


A expressão da corrente eficaz quase instantânea sobre os
capacitores em questão é definida por:

d¢Ts Ts
1 0
2
00
2
hIC2;k;ef iT s = iC2;k dt + iC2;k dt (3.11)
Ts 0 d¢Ts

r
ig 1¡d
hIC 2;k;ef iT s = ¢ ; k = A; B (3.12)
4 d

Para obter a expressão do valor eficaz no período da rede elétrica


devem-se fazer com que as variáveis ig e d variem no tempo, tal como
descrito por (3.7) e solucionar a expressão (3.13), obtendo-se, desta
forma, a expressão (3.14).

¼
1
IC2;k;ef = hIC2;k;ef i2Ts d!t: (3.13)
2¼ 0

p 4atan M
¡ ¯ (M2 ¼ + 4M¼ + 2¼) + 2¼
2 ¯
IC2;k;ef = Ig;p ¢ p p (3.14)
8 ¯ ¼M

p
onde ¯ = 1 ¡ M2.

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS 75

3.4.3 Expressão da corrente eficaz nos capacitores C 3;A e C 3;B


A expressão da corrente eficaz quase instantânea sobre os
capacitores em questão é definida por:

d¢Ts Ts
1 0
2 00
2
hIC3;k;ef iT s = iC3;k dt + iC3;k dt (3.15)
Ts `0 `d¢Ts

r
ig 1¡d
hIC 3;k;ef iT s = ¢ ; k = A; B . (3.16)
2 d

A expressão do valor eficaz no capacitor C 3;A é definida como

s μZ ¶
¼
1
IC3;k;ef = hIC3;k i2T s d!t . (3.17)
2¼ 0

onde as variáveis ig e d , definidas em (3.7), estão contidas na equação


(3.16). Solucionando a equação (3.17), obtém-se:

p 4atan M
¡ ¯ (M2 ¼ + 4M¼ + 2¼) + 2¼
2 ¯
IC3;k;ef = Ig;p ¢ p p , (3.18)
4 ¯ ¼M

p
onde ¯ = 1 ¡ M2.

A Figura 3-7 apresenta o comportamento da corrente eficaz


parametrizada pela corrente de saída Io nos capacitores C 1;k , C 2;k e
C 3;k , k = A; B , em função do índice de modulação. Pode-se observar
pelas expressões (3.14) e (3.18) que a corrente sobre o capacitor
flutuante C3;k é o dobro, se comparado aos capacitores C 1;k e C 2;k ,
sendo assim, submetido a um maior esforço.

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76 RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS

Figura 3-7 – Corrente eficaz nos capacitores chaveados, parametrizado pela


corrente de saída Io .

3.4.4 Expressão da corrente média nos interruptores S1;A e


S2;A
O processo para obtenção tanto dos valores médios quanto dos
valores eficazes das correntes nos interruptores estáticos S1;A e S2;A
será baseado nas equações obtidas a partir das etapas de operação.
Dentre de todos os elementos da topologia em questão, os
interruptores estáticos são os que mais sofrem esforços de corrente, isto
porque, durante a primeira etapa de operação, estes são submetidos à
soma instantânea da corrente de linha e a corrente da comutação dos
capacitores C1;A e C3;A. Essa característica do conversor tem impacto
nas perdas de comutação e condução, merecendo, desta forma, maior
atenção no dimensionamento físico.
Cada interruptor estático ativo opera durante meio ciclo da rede
elétrica. A expressão da corrente neste interruptor durante o instante
de condução já foi expressa na equação (2.112), sendo aqui reescrita
novamente a título de facilidade.

μ ¶
0 ig d+1
iS1;k = ; k = A; B: (3.19)
2 d

Fazendo com que ig e d , contidas em (3.19), variem de acordo com


a expressão (3.7) é possível obter a envoltória da corrente sobre os

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RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS 77

interruptores em questão. Assim, a Figura 3-8 ilustra o


comportamento da envoltória da corrente nos interruptores estáticos
S1;A e S2;A em função o ângulo ! t . Pode-se observar nesta figura que
a maior corrente ocorre em ¼=2 da rede elétrica, e que é bastante
acentuada com o aumento ou redução do índice de modulação.
A máxima corrente teórica que os interruptores devem comutar é
expressa como:

I g ;p (2 ¡ M )
I S;m ax = : (3.20)
2 1¡M

Figura 3-8 – Envoltória da corrente no interruptor S1;k em função de !t.

A expressão da corrente média quase instantânea a qual os


interruptores estáticos ficam submetidos é definida como:

Z d¢Ts
Ð ® 1 0
I¹S1;k T s = iS1;k dt ; k = A; B: (3.21)
Ts 0

Solucionando a expressão (3.21), obtém-se:

Ð ® ig
I¹S 1;k Ts
= ¢ (d + 1) : (3.22)
2

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78 RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS

Por meio da expressão (3.22) é possível encontrar a corrente média


calculada dentro de um período da rede elétrica. Para isto, é necessário
que ig e d , contidas em (3.22) variem de acordo com a expressão (3.7).
Desta forma, a corrente média calculada dentro do período da rede
elétrica é definida como:

Z ¼
1
I¹Sk;A = hIS1;k iT s d!t; k = 1; 2: (3.23)
2¼ 0

Solucionando a equação (3.23), obtém-se:

Ig;p (8 ¡ M¼)
I¹Sk;A = ¢ ; k = 1; 2: (3.24)
8 ¼

3.4.5 Expressão da Corrente eficaz nos interruptores S1;A e


S2;A

A expressão da corrente eficaz quase instantânea no interruptor em


questão é definida como:

v à !
u
u 1 Z d¢Ts ³ 0 ´2
hIS k;ef iT s = t iS k;A dt (3.25)
Ts 0

Solucionando a expressão (3.25), obtém-se:

r
ig 1
hISk;ef iT s = ¢ (d + 1) : (3.26)
2 d

Para a obtenção da corrente eficaz, calculada dentro do período da


rede elétrica, é necessário que ig e d , contida em (3.26), variem de
acordo com a expressão (3.7). Fazendo as substituições e as devidas
simplificações, obtém-se a corrente eficaz quase instantânea em função
do ângulo ! t , tal como descreve a equação (3.27).

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RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS 79

Ig;p ¢ sen (!t) 1


ISk;ef(!t) Ts
= ¢ (2 ¡ M ¢ sen (!t)) : (3.27)
2 1 ¡ M ¢ sen (!t)

A expressão da corrente eficaz no interruptor ativo, calculada


dentro do período da rede elétrica é dada como:

s μZ ¶
¼ Ð ®2
1
I S k;ef = IS k;ef(! t) Ts
dt ; k = A; B (3.28)
2¼ 0

Substituindo (3.27) na equação (3.28), obtém-se:

p (¡8M 3 + 9¼M 2 ¡ 12M ¡ 6¼) ¯ + 12atan M


+ 6¼
3 ¯
ISk;ef = Ig;p p p (3.29)
12 M ¼¢ ¯

p
onde ¯ = 1 ¡ M 2 .
A Figura 3-9 ilustra o comportamento do corrente eficaz,
parametrizada pela corrente de saída , em função do índice de
modulação.

Figura 3-9 – Comportamento da corrente eficaz no interruptor S1;A e S2;A,


parametrizada pela corrente de saída, em função do índice modulação.

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80 RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS

3.4.6 Expressão da corrente média no diodo D 1;A e D 1;B


Os diodos em questão operam complementarmente aos
interruptores ativos S1;A e S1;B , operando estes a cada meio ciclo da
rede elétrica. A condução se dá na segunda etapa de operação, e como
pode ser observado na equação (3.3), transportam metade da corrente
de linha ig.
A corrente média quase instantânea a fluir pelos diodos
D1;A e D1;B é expressa como:

Z Ts
Ð ® 1 00
I¹D1;k Ts
= iD1;k dt ; k = A; B: (3.30)
Ts d¢Ts

Solucionando a equação (3.30), obtém-se:

Ð ® I g;p
I¹D 1 ;k Ts
= (1 ¡ d). (3.31)
2

A corrente média calculada no período da rede elétrica é expressa


como:

Z ¼
1 Ð ®
I¹D1;k = ID1;k (!t) d!t; k = A; B; (3.32)
2¼ 0
Ts

Ð ®
onde ID1;k (!t) T s representa a corrente média quase instantânea em
função do ângulo !t.
Solucionando (3.32) se obtém:

1
I¹D 1;k = ¢ M ¢ I g ;p ; k = A; B : (3.33)
8

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RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS 81

3.4.7 Expressão da corrente eficaz nos diodos D 1;A e D 1;B


A expressão da corrente eficaz quase instantânea nos diodos em
questão é dada como:

v à !
u
u 1 Z Ts ³ 00 ´2
hID1;k;ef iT s = t iD1;k dt (3.34)
Ts d¢Ts

Solucionando a expressão (3.34), obtém-se:

ig p
hID1;k;ef iT s = (1 ¡ d): (3.35)
2

Fazendo com que a ig e d variem de função do tempo, chega-se:

Ð ® Ig;p ¢ sen (!t) p


ID1;k;ef(!t) Ts
= M ¢ sen (!t): (3.36)
2

A corrente eficaz nos diodos em questão, calculada no período da


rede elétrica é expressa como:

s μZ ¶
¼Ð ®2
1
ID1;k;ef = ID1;k;ef(!t) Ts
dt . (3.37)
2¼ 0

Solucionando a equação (3.37), obtém-se:

p r
6 M
ID 1;k;ef = ¢ Ig;p ¢ (3.38)
6 ¼

A Figura 3-10 apresenta o comportamento da corrente eficaz,


parametrizada pela corrente de saída Io, nos diodos em questão em
função do índice de modulação.

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82 RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS

Figura 3-10 – Corrente eficaz nos diodos D 1;k ; k = A ; B , parametrizada pela


corrente de saída, em função do índice de modulação.

3.4.8 Expressão da corrente média nos diodos D 2;A e D 2;B


Os diodos D 2;A e D 2;B entram em condução somente na primeira
etapa de operação, quando o interruptor ativo entra em condução,
permitindo a comutação dos capacitores C 1;k e C 3;k , k =A, B.
A corrente média quase instantânea nos diodos em questão é dada
como:

Z d¢Ts
Ð ® 1 0
I¹D2;k T s = iD2;k dt ; k = A; B: (3.39)
Ts 0

A expressão de i 0D 2;k foi definida na equação (3.2), logo,


substituindo esta equação na expressão (3.39), e solucionando, obtém-
se:

Ð ® ig
I¹D 2;k Ts
= ¢ (1 ¡ d) : (3.40)
2

Fazendo a corrente e a razão cíclica variarem ao longo do


tempo, tem-se:

Ig;p ¢ sen (!t) p


hID2;k;ef (!t)iT s = M ¢ sen (!t): (3.41)
2

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RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS 83

A corrente média calculada no período da rede elétrica é expressa


como:

Z ¼
1
I¹D2;k = hID2;k;ef (!t)iT s d!t; k = A; B: (3.42)
2¼ 0

Substituindo a equação (3.41) na expressão (3.42) e solucionando,


tem-se:

1
I¹D 2;k = ¢ M ¢ I g;p ; k = A; B : (3.43)
8

3.4.9 Expressão da corrente eficaz nos diodos D 2;A e D 2;B


A equação da corrente eficaz quase instantânea nos diodos em
questão é expressa como:

v à !
u
u 1 Z d¢Ts ³ 0 ´2
hID2;k;ef iT s =t iD2;k dt (3.44)
Ts 0

Solucionando a expressão (3.44), obtém-se:

r
ig 1
hID2;k;ef iT s = (1 ¡ d) : (3.45)
2 d

Fazendo com que a ig e d variem de função do tempo, chega-se:

s
Ig;p ¢ sen2 (!t) ¢ M 1
hID2;k;ef (!t)iT s = : (3.46)
2 1 ¡ M ¢ sen (!t)

A corrente eficaz nos diodos em questão calculada no período da


rede elétrica é expressa como:

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84 RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS
s μZ ¶
¼
1
ID2;k;ef = hID2;k;ef (!t)i2T s dt . (3.47)
2¼ 0

Solucionando a equação (3.47), obtém-se:

M
Ig;p 3 12atan ¯
+ 6¼ ¡ (8M 3 + 3M 2 + 12M + 6¼) ¯
ID2;k;ef = (3.48)
12 M 2 ¼¯

p
onde ¯ = 1 ¡ M2.

A Figura 3-11 ilustra o comportamento da corrente eficaz


parametrizada do diodo D2;k em função do índice de modulação.

Figura 3-11 – Corrente eficaz do diodo D 2;k ; k = A ; B , parametrizada pela


corrente de saída, em função do índice de modulação.

3.4.10 Expressão da corrente média no diodo D 3;A e D 3;B


A condução dos diodos em questão se dá na segunda etapa de
operação e, como pode ser observado na equação (3.3), transportam
metade da corrente de linha ig.
A equação da corrente média quase instantânea a fluir pelos diodos
é expressa como:

Z Ts
Ð ® 1 00
I¹D3;k Ts
= iD3;k dt ; k = A; B: (3.49)
Ts d¢Ts

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RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS 85

Solucionando a equação (3.49), obtém-se:

Ð ® I g;p
I¹D 3;k Ts
= (1 ¡ d) (3.50)
2

A corrente média calculada no período da rede elétrica é expressa


como:

(3.51)

onde representa a corrente média quase instantânea em


função do ângulo .
Solucionando (3.51) se obtém:

1
I¹D 3;k = ¢ M ¢ I g;p ; k = A; B : (3.52)
8

3.4.11 Expressão da corrente eficaz nos diodos D 3;A e D 3;B


A equação da corrente eficaz quase instantânea nos diodos em
questão é expressa como:

v à !
u
u 1 Z Ts ³ 00 ´2
hID3;k;ef iT s =t iD3;k dt (3.53)
Ts d¢Ts

Solucionando a expressão (3.53), obtém-se:

ig p
hID3;k;ef iT s = (1 ¡ d): (3.54)
2

Fazendo com que a ig e d variem de função do tempo, chega-se:

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86 RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS

Ð ® Ig;p ¢ sen (!t) p


ID3;k;ef(!t) Ts
= M ¢ sen (!t):
2

A corrente eficaz nos diodos em questão, calculada no período da


rede elétrica é expressa como:

s μZ ¶
¼Ð ®2
1
ID3;k;ef = ID3;k;ef (!t) Ts
dt . (3.55)
2¼ 0

Solucionando a equação (3.55), obtém-se:

p r
6 M
ID 3;k;ef = ¢ Ig;p ¢ (3.56)
6 ¼

3.4.12 Conclusões sobre os esforços de corrente

Nesta seção foram calculados os esforços de correntes em todos os


elementos da topologia analisada. A análise é válida somente quando
as resistências parasitas são desprezíveis e garantidos, ao menos, o
modo de descarga parcial dos capacitores. Também, durante o estudo,
foram ignoradas as ondulações de correntes de alta frequência, tanto
do indutor de entrada, L b , quanto devido às comutações dos
capacitores. Outro ponto é que as expressões são validas somente
quando se emprega modulação senoidal.
A Figura 3-12 apresenta um comparativo dos esforços de corrente
nos diodos da topologia. Um fato interessante é que para índices de
modulação pequenos (M<0,55) os diodos D1;k e D3;k, k = A; B ,
apresentam maiores esforços; enquanto que para índices de modulação
maiores, a corrente eficaz no diodo D2;k torna-se superior que nos
demais diodos, tendo, para índices próximos de um, correntes
significativamente elevadas.

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS 87

Figura 3-12 – Comparativo do comportamento das correntes eficazes nos diodos da


topologia em questão.

3.5 TAXA DE CONVERSÃO

Como já foi mencionado anteriormente, o índice de modulação M é


definido como

4Vg;p
M= : (3.57)
Vo

Definindo a taxa de conversão como

, (3.58)

obtém-se a relação entrada-saída do conversor.


A título de comparação, na Figura 3-13 é apresentado um
comparativo entre o ganho das topologias propostas com o conversor
boost PFC clássico, ambos em função do índice de modulação .
Nesta imagem pode-se verificar claramente que a solução proposta
fornece um ganho quatro vezes superior à topologia convencional.

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88 RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS

Figura 3-13 – Comparativo das taxas de conversão dos conversores propostos com
o conversor boost PFC clássico.

3.6 ONDULAÇÃO DE CORRENTE NO INDUTOR DE ENTRADA

Foi dito nos capítulos iniciais que as estruturas três níveis


propiciam uma ondulação de corrente menor quando comparado a
conversores dois níveis. Isso se deve a redução da excursão do fluxo
magnético de alta frequência, causado pela inclusão do nível zero de
tensão nos terminais comutados.
Do ponto de vista dos terminais de entrada, todos os conversores
propostos apresentam o mesmo comportamento, no que diz repeito à
ondulação de corrente no indutor . Portanto, a metodologia e
equacionamento que será desenvolvida a seguir se aplica a todas as
topologias propostas.
Para determinação da ondulação de corrente é necessário o
conhecimento da tensão que o indutor é submetido. Observando as
etapas de operação dos conversores, chega-se a conclusão que durante
a primeira etapa de operação o conversor é submetido à tensão de
entrada vg e durante a segunda etapa à diferença . Portanto,
pode-se escrever que

(3.59)

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS 89

para segunda etapa de operação. Ainda,

. (3.60)

Logo,

. (3.61)

Rearranjando a equação (3.61), tem-se

. (3.62)

A equação (3.62) pode ser simplificada para

. (3.63)

Fazendo

(3.64)

obtém-se a expressão da ondulação de corrente parametrizada em


função da razão cíclica. Substituindo em função de , como
descrito na equação (3.7), obtém-se

(3.65)

que corresponde a envoltória da ondulação de corrente parametrizada.


Por meio da equação (3.65) pode-se esboçar o comportamento da

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


90 RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS

envoltória da ondulação de corrente parametrizada para vários valores


de índice de modulação, conforme ilustrado na Figura 3-14.
Derivando em relação ao índice de modulação e igualando a zero a
equação (3.65), pode-se encontrar o ângulo onde ocorre a máxima
ondulação. Assim,

(3.66)

Solucionando a equação (3.66) tem-se que

(3.67)

Figura 3-14 – Envoltória da ondulação de corrente parametrizada no indutor de


entrada.

Substituindo a equação (3.67) em (3.65) chega-se que

(3.68)

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RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS 91

Substituindo a equação (3.64) em (3.68) pode-se determinar a


expressão do valor de indutância em função da ondulação de corrente.
Dessa forma,

(3.69)

A expressão do valor de indutância na equação (3.69) é válida


somente para o conversor operando no modo de condução contínua
(CCM).

3.7 ONDULAÇÃO DE TENSÃO NOS CAPACITORES DE SAÍDA

Assumindo que os capacitores ,


possuem baixa capacitância, então a ondulação de tensão é
determinada pelos capacitores de saída . Essa
ondulação de tensão é inerente de conversores PFC monofásico e é
causada pela parcela oscilante da potência ativa. Dessa forma, a
ondulação pode ser determinada pelo conceito de balanço de energia.
Considerando que no conversor não há dissipação de energia, pode-
se estabelecer a seguinte relação:

, (3.70)

onde e correspondem às potências de entrada e de saída.


Considerando que tanto tensão de entrada como corrente de
entrada estão em fase, então pode-se estabelece que

. (3.71)

O lado esquerdo da equação (3.71) pode ser decomposto em duas


parcelas. Assim,

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92 RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS

. (3.72)

Isolando a corrente de saída da equação (3.72) tem-se:

. (3.73)

A corrente é composta por duas parcelas, uma constante que é


direcionada para carga e outra oscilante que é absorvida pelos
capacitores de saída. A parcela oscilante é responsável pela ondulação
de tensão nos capacitores e, dessa forma, essa deve ser usada para
quantificar a ondulação. Assim a corrente de baixa frequência que flui
nos capacitores de saída é dada como

. (3.74)

A tensão sobre o capacitor equivalente de saída é dada como

. (3.75)

Substituindo a equação (3.74) em (3.75) tem-se

. (3.76)

Solucionando a equação (3.76) chega-se que

. (3.77)

A tensão sobre o capacitor de saída é máxima quando .


Substituindo esta consideração na equação (3.77), tem-se

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RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS 93

. (3.78)

O capacitor equivalente de saída pode ser substituído na equação


(3.78). Assim,

. (3.79)

Considerando que os capacitores pode-se escolher suas


capacitâncias em função da ondulação de tensão de saída. Deste modo,

. (3.80)

3.8 CRITÉRIOS PARA A ESCOLHA DOS CAPACITORES DE


COMUTAÇÃO

Durante toda análise matemática, desenvolvida até o presente


momento, somente o modo no-charge de operação foi considerado. Isso
se deve ao fato de simplificar bastante as expressões matemáticas.
Caso os outros modos fossem considerados como, por exemplo,
complete-charge, parcial-charge, levaria ao massivo manipulamento
matemático, devido a presença de expressões exponenciais, o que
poderia não apresentar vantagens frente às expressões que foram
desenvolvidas. Em contrapartida, o método desenvolvido pode ser
empregado para estimar as correntes em todos os elementos do
conversor proposto também para o modo parcial-charge.
Para o conversor operar no modo no-charge seriam necessários
elevados valores de capacitância e frequência de comutação, o que
inviabilizaria o projeto físico do conversor, devido ao elevado custo e
volume de componentes.
Outro aspecto que deve ser levado em consideração é que, a priori,
o modo complete-charge não traz benefícios para eficiência do
conversor. Embora esse modo minimize os requisitos de valores de
capacitância e frequência de comutação, ele acarreta em elevadas

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


94 RETIFICADORES PWM UNIDIRECIONAIS TRÊS-NÍVEIS HCC MONOFÁSICOS

perdas, principalmente de comutação, devido aos elevados picos de


corrente durante a comutação dos capacitores.
Portanto, o modo parcial-charge apresenta melhor compromisso
entre perdas, volume de capacitores e frequência de comutação.
Devido a esses fatores, a escolha dos capacitores de comutação ,
, , deve ser feita de tal forma que a comutação
ocorra nesse modo. Para isso, é necessário avaliar três variáveis:
resistências parasitas, valor de capacitância e frequência de comutação.
Esta última deve ser escolhida em função das perdas nos
semicondutores e também no indutor de entrada. Portanto,
estabelecida a frequência de comutação, deve-se escolher um valor de
capacitância que, combinado às resistências parasitas ao longo do
circuito, propicie ao menos o modo parcial-charge. A resistência
parasita pode ser estimada pelos dados de catálogo dos interruptores
comandados e diodos. Garantindo a constante de tempo RC do
circuito, deve-se observar se os capacitores suportam as correntes
eficazes do circuito. Atendendo a mais esse requisito o capacitor está
apto a ser utilizado no projeto.
Deve ficar claro que há inúmeras combinações de resistências
parasitas e capacitâncias que levam ao bom funcionamento da
estrutura. Obter um valor ótimo de capacitância é uma tarefa difícil,
haja vista que se devem avaliar vários outros requisitos como perdas,
custo e volume. Este trabalho não visa a exploração de um método
analítico para escolha dos capacitores de comutação, ficando isto como
alvo de pesquisas futuras.

3.9 RESUMO SOBRE O CAPÍTULO

Neste capítulo foram apresentadas as topologias monofásicas


propostas por este trabalho. Foram descritas as etapas de operação e
análise qualitativa entre os seis conversores. Após, foi realizada a
analise estática do conversor Tipo I, onde foram quantificados os
esforços de correntes em todos os elementos. Adicionalmente, uma
expressão para o cálculo do valor de indutância de entrada foi obtida.
As equações apresentadas neste capítulo devem ser utilizadas no
projeto dos elementos do conversor e, por isso, são de grande valia.

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


Capítulo 4

4.Modelagem orientada ao
controle dos retificadores
monofásicos propostos

ARA que os retificadores propostos consigam operar com alto

P fator de potência é necessário que estes se portem para rede


elétrica como uma resistência, de modo que a tensão e a
corrente estejam em fase. Para tal, é imprescindível que ao menos
a corrente de entrada seja controlada.
O mecanismo de controle dos conversores estáticos é o comando
ordenado dos interruptores comandados. Todavia, estes são
comandados por meio de um sinal modulador que, quando comparado
com uma portadora triangular, obtém-se o padrão de comutação. A
questão está em determinar os sinais moduladores que controlam o
conversor, de forma que se drene da rede elétrica correntes senoidais.
Uma maneira de gerar os sinais moduladores é por meio da
comparação da corrente sensoriada com uma referência pré-
estabelecida. O resultado desta comparação, multiplicado a um ganho
ou uma função (controlador), resulta em um sinal modulante que o
conversor tentará sintetizar através dos interruptores.
Basicamente, o que está se fazendo é um controle em malha
fechada. No entanto, o simples fato de comparar a corrente com uma
referência, pode produzir uma instabilidade, gerando o mau
funcionamento do sistema. O que determina se o conversor será
estável ou instável é a escolha dos parâmetros, tanto do circuito de
potência quanto do controlador. Para que se conheça esse limite, é
essencial que se tenha um modelo matemático do sistema. Esse modelo
pode ser extraído a partir de uma simplificação do sistema real.
96 MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. MONOFÁSICOS PROPOSTOS

Portanto, este capítulo é dedicado à apresentação dos


procedimentos de modelagem dos conversores ca-cc híbridos propostos.
Objetiva-se com esses modelos o controle das grandezas indispensáveis
para o funcionamento do conversor, tais como tensões e correntes.
Será dada ênfase à obtenção de modelos matemáticos que possibilitem
analisar dinamicamente os conversores e projetar seus respectivos
controladores.

4.1 ESTRATÉGIA DE CONTROLE

Antes de dar início à obtenção dos modelos matemáticos para o


controle do conversor, é necessário definir uma estratégia de controle.
Para tal finalidade, na Figura 4-1 é apresentada a forma como as
grandezas de tensões e correntes são adquiridas. O sensoriamento da
corrente se faz necessário, pois se deseja que o conversor possua um
elevado fator de potência e com baixa distorção harmônica. Para isso,
a corrente é controlada para seguir uma referência pré-estabelecida.
Essa referência é gerada por meio do controle das tensões do
barramento cc. A tensão de saída deve dispor boa regulação estática e
rápida resposta dinâmica a distúrbios de carga. Também, deve-se
garantir que as tensões parciais e não fiquem desequilibradas,
por conta de diferença de valores de parâmetros do circuito.
As tensões de entrada são lidas tanto para geração da referência de
controle como também para realimentação das razões cíclicas, o que
melhora a resposta dinâmica.
Após a medição dos quatro sinais necessários para o controle, estes
são processados por um esquema de controle, que visa calcular os
níveis de razão cíclica que o conversor terá que impor.

4.2 MODELO POR VALORES MÉDIOS DA CORRENTE DE


ENTRADA

O conversor comutado pode ser visto como uma fonte de tensão


senoidal controlada pela razão cíclica, conectada à fonte de entrada
por uma indutância, tal como ilustra a Figura 4-2, onde foram
desprezadas as perdas resistivas. Para chegar nessa consideração,
devem-se desprezar as dinâmicas dos capacitores, frente ao período de
comutação. Portanto, é assumido que, durante o período de

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. MONOFÁSICOS PROPOSTOS 97

comutação, as tensões sobre todos os capacitores não se alteram,


podendo, dessa forma, serem modeladas como fontes de tensão,
conforme ilustrado na Figura 4-2.

Figura 4-1 – Estrutura básica do conversor híbrido necessária para implementação


da estratégia de controle.

Figura 4-2 – Representação do conversor monofásico pela sua componente


fundamental.

Por meio do circuito da Figura 4-2 pode-se escrever a seguinte


equação para corrente i g :

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


98 MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. MONOFÁSICOS PROPOSTOS
Z
1
ig = (vg ¡ vao ) dt, (4.1)
Lb

onde

Vo
vao = m ¢ (4.2)
4

e é a tensão de saída do conversor e m representa o sinal


modulador. O fator 4, presente na equação (4.2), é devido ao fato do
conversor impor em seus terminais comutados uma tensão que
corresponde a ¼ da tensão de saída.
Substituindo a equação (4.2) em (4.1) obtém-se a expressão (4.3).

Zμ ¶
1 Vo
ig = vg ¡ m ¢ dt . (4.3)
Lb 4

Aplicando a transformada de Laplace na equação (4.3) chega-se a


expressão (4.4)

μ ¶
1 Vo
ig (s) = v g (s) ¡ m(s) . (4.4)
sL b 4

Por meio da equação (4.4) pode-se esboçar o diagrama de blocos da


Figura 4-3.

Figura 4-3 – Diagrama de blocos do modelo da corrente de entrada.

O conversor híbrido proposto pode ser visto pela entrada como


uma fonte de tensão conectada a uma impedância que, no caso da
operação como PFC, se comporta como uma resistência, r i n , tal como
ilustra a Figura 4-4.

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. MONOFÁSICOS PROPOSTOS 99

Figura 4-4 – Modelagem do conversor com uma resistência vista pela rede elétrica.

Garantido a operação com fator de potência unitário, a corrente de


entrada ig pode ser representada como

vg Vgp
ig = = ¢ sen (!t). (4.5)
rin rin

A expressão (4.5) ainda pode ser representada em função da


condutância que o conversor emula durante a operação como PFC, tal
como descreve a equação (4.6).

ig = V gp ¢ g in ¢ sen (!t). (4.6)

onde,

1 2P
gin = = 2, (4.7)
rin Vgp

sendo que P representa a potência processada pelo conversor.


A potência P é dependente do nível de carga na saída do
conversor. Logo, esse nível pode ser ponderado em função da potência
nominal do conversor, Pnom. Assim,

P = kref ¢ Pnom . (4.8)

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


100 MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. MONOFÁSICOS PROPOSTOS

Deste modo, a corrente de referência também pode ser ponderada


pelo fator k ref , responsável por ajustar a amplitude da corrente de
referência, a qual é proporcional à potência na carga, portanto:

ig;ref = kref ¢ G nom ¢ V gp ¢ sen (!t), (4.9)

onde,

gin = kref ¢ Gnom. (4.10)

A responsabilidade pela geração do fator kref é do controlador da


malha de tensão. Este, por sua vez, através do erro da comparação do
valor medido de tensão com a referência, ajusta sua saída de modo que
seja atingido do valor de condutância que o conversor deverá emular
para rede elétrica. A Figura 4-5 apresenta o diagrama de blocos das
malhas de tensão e corrente.

Figura 4-5 – Diagrama de blocos das malhas de controle de tensão e corrente.

Na Figura 4-5 pode ser observado o diagrama de blocos do


feedforward da tensão de entrada. Este bloco tem por finalidade a
rejeição da tensão da rede elétrica, que é vista como uma perturbação.
Logo, sem esse, grande parte do esforço do compensador de tensão
seria para anular essa componente. Adicionalmente, na mesma figura,
está ilustrada a malha de equilíbrio das tensões de saída. Esta tem por
objetivo a inserção de pequenos valores médios na corrente de entrada
a fim de manter as tensões e equilibradas. Essa malha deve

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. MONOFÁSICOS PROPOSTOS 101

possuir dinâmica lenta, podendo ser usado o mesmo compensador da


malha da tensão da saída .

4.3 MODELO POR VALORES MÉDIOS DA TENSÃO DE SAÍDA

De acordo com o diagrama de blocos da Figura 4-5, a malha de


tensão deve resultar na geração do sinal de controle gin. Este, para
que não haja distorções na corrente de entrada ig, deve ser constante.
Desta forma, é necessário que a dinâmica da malha de tensão varie
lentamente, caso contrário, oscilações em g in acarretariam em
distorções harmônicas na corrente ig. Uma das oscilações mais
importante é a que ocorre na frequência de 120 Hz devido à potência
oscilante presente em conversores PFC monofásicos. Por isso, é
imprescindível a obtenção de uma função de transferência que
relacione dinamicamente a tensão de saída v o com a condutância
emulada g in .
É suposto que os capacitores Cj;A e Cj;B , j 2 f1; 2; 3g, possuem
dinâmica muito inferior aos capacitores CoA e CoB , tendo pouca
influência na tensão de saída v o , podendo seu comportamento ser
desconsiderado. Assim, o circuito equivalente do conversor proposto,
desconsiderando as perdas, pode ser simplificado ao apresentado na
Figura 4-6. Nesta, o capacitor Co representa a capacitância
oA ¢C oB
equivalente na saída do conversor, ou seja, Co = CCoA +CoB
.

Figura 4-6 – Circuito equivalente para obtenção do modelo da planta de tensão.

Por meio do circuito da Figura 4-6 pode-se escrever a seguinte


equação para o balanço de potência nos elementos:

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


102 MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. MONOFÁSICOS PROPOSTOS

Pin = PLb + PCo + PRo, (4.11)

onde:
Pin : potência instantânea da fonte de entrada;
PLb: potência instantânea no indutor L b ;
PCo: potência instantânea no capacitor equivalente de saída.
PRo : potência instantânea na carga R o .
As potências envolvidas na equação (4.11) são definidas a seguir:

2
gin ¢ Vgp
Pin = (4.12)
2

1 d
P Lb = L b i2 (4.13)
2 dt g

1 d
PC o = Co vo2 (4.14)
2 dt

v o2
PRo = : (4.15)
Ro

O termo PLb possui pouca influencia na dinâmica da malha de


tensão, logo, pode ser desprezado na análise sem perda de
generalidade. Assim, substituindo as equações (4.12), (4.14), (4.15) na
equação (4.11), obtém-se a expressão (4.16).

2
gin ¢ Vgp 1 d v2
= Co vo2 + o . (4.16)
2 2 dt Ro

O modelo de pequenos sinais é obtido perturbando a tensão de


saída vo e a condutância g in em torno do ponto de operação, de tal
modo que:

vo = Vo + v~o (4.17)

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. MONOFÁSICOS PROPOSTOS 103

gin = Gin + g~in . (4.18)

onde v~o e g~in representam pequenas oscilações em torno do ponto de


equilíbrio.

Substituindo as equações (4.17) e (4.18) na equação (4.16) obtém-


se:

2 2
Vgp 1 d [Vo + v~o ]
[Gin + g~in ] = Co [Vo + v~o ]2 + . (4.19)
2 2 dt Ro

Aplicando a transformada de Laplace na equação (4.19) obtém-se:

2 2
Vgp 1 [Vo + v~o (s)]
[Gin + g~in (s)] = Co s [Vo + v~o (s)]2 + . (4.20)
2 2 Ro

Extraindo somente os termos de primeira ordem da equação (4.20)


se obtém:

2
Vgp 2Vo v~o (s)
g~in (s) = s ¢ Co ¢ Vo ¢ v~o (s) + . (4.21)
2 Ro

Ainda, manipulando a equação (4.21) pode-se concluir que:

2
v~o (s) Vgp Ro 1
Gv (s) = = μ ¶, (4.22)
g~in (s) 4Vo C o ¢ Ro
s +1
2

onde G v (s) representa a função de transferência de pequenos sinais


que relaciona a variação da tensão de saída v o com a condutância
emulada g in .
Com o intuito de validar a planta de tensão obtida, foi realizada a
simulação do conversor e comparado ao modelo obtido. A Figura 4-7
apresenta o resultado de simulação para um degrau de referência de
tensão de saída de 6% em torno do ponto de operação. Pode-se

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


104 MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. MONOFÁSICOS PROPOSTOS

observar uma boa aproximação entre o conversor simulado e o modelo


obtido.

Figura 4-7 – Simulação do conversor e modelo para um degrau de 6% na referência


de tensão.

60
40
20
0
-20
-40
-60
0,05 0,10 0,15 0,20 0,25
Tempo [s]

Figura 4-8 – Comportamento da corrente de entrada do conversor e do modelo


matemático, diante de um degrau de referência de 6% na tensão de saída.

A Figura 4-8 apresenta o comportamento da corrente de entrada


diante de um degrau de 6% na referência de tensão de saída vo. Nesta,
sobreposta, está o modelo do circuito comutado. Da mesma maneira,
pode-se observar uma boa aproximação entre o modelo e o circuito
simulado, validando, desta forma, a modelagem adotada.

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. MONOFÁSICOS PROPOSTOS 105

4.4 RESUMO E COMENTÁRIOS SOBRE O CAPÍTULO

Este capítulo se destinou a modelagem orientada ao controle dos


conversores propostos. Foi empregada a abordagem por valores
médios. Diante de algumas considerações, foi possível obter expressões
semelhantes aos conversores convencionais de três níveis. Devido a esse
fato, o projeto dos controladores pode ser realizado empregando os
procedimentos apresentados, por exemplo, por [66].

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


106 MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. MONOFÁSICOS PROPOSTOS

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


Capítulo 5

5.Projeto, simulação e
resultados experimentais
do retificador monofásico

5.1 DEFINIÇÃO DO PROJETO

5.1.1 Escolha dos parâmetros


Esta seção tem por objetivo a apresentação das especificações de
projeto e os componentes que serão empregados tanto para os
resultados experimentais quanto para as simulações.
Na Tabela 2 as especificações do projeto do conversor são
apresentadas. Ressalta-se o valor da tensão de saída (1600 V). Esse
nível de tensão é facilmente atingido com os conversores da família
proposta. Para essa condição o índice de modulação é

311 ¢ 4
M = = 0,777: (5.1)
1600

Com base na especificação da tensão do barramento , conclui-se


que todos os semicondutores deveram estar submetidos a 400 V de
tensão reversa, ou seja, a um quarto da tensão de saída.
Na Tabela 3 são mostrados os componentes empregados no
conversor.

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


108 PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO

Tabela 2 – Especificações do protótipo

Parâmetro Valor
Tensão de entrada vg 220 V – 60 Hz
Potência de saída Po 2500 W
Tensão de saída Vo 1600 V
Frequência de comutação fs 90 kHz

Tabela 3 – Especificações dos componentes utilizados

Componente Valor/especificação
Indutor de entrada Lb 300 uH/ magnetics
Capacitores de
Epcos - B32778G8606K
comutação
60 ¹F
Capacitor de saída C o;A 470¹F - Epcos B43504-A9477-
M
MOSFET IPW65R080CFD
rs;on = 130mÐ
Diodos IDH16S60C
r d = 35mÐ

Por meio das especificações das Tabela 2 e Tabela 3 pode-se


calcular alguns dos critérios usados para especificar os componentes do
circuito.

o Ondulação de corrente

Usando a equação (3.69) pode-se determinar a ondulação de


corrente considerada no projeto. Assim,

. (5.2)

Em termos percentuais a equação (5.2) equivale a uma ondulação de


corrente de aproximadamente 25%.

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO 109

o Ondulação de tensão de saída

Usando a equação (3.80) pode-se calcular a ondulação de tensão


considerada no projeto. Dessa forma, fazendo as devidas substituições,
obtém-se

. (5.3)

Em termos percentuais o capacitor escolhido fornece uma ondulação


de tensão de aproximadamente 0,5% da tensão de saída .

o Verificação da constante de tempo do circuito

Escolhida a capacitância dos capacitores de comutação,


interruptores e diodos, deve-se verificar se a constante de tempo RC
do circuito fornece condições para que o conversor opere no modo
parcial-charge. Considerando que durante a primeira etapa de
operação, semiciclo positivo, os semicondutores no caminho da
corrente durante a comutação dos capacitores e são o diodo
e o interruptor , então pode-se afirmar que

. (5.4)

O maior intervalo de comutação ocorre quando . Para este


intervalo deve-se garantir que esse tempo seja menor que . Assim,

. (5.5)

A equação (5.5) mostra que a constante de tempo é suficiente para


garantir o modo parcial-charge. Nesta análise não foram consideradas
outros elementos parasitas do circuito como, por exemplo, resistências
e indutâncias das trilhas. A indutância parasita tem influência
importante na comutação, pois ela não permite que, durante a
comutação de capacitores, ocorram elevados picos de corrente. Em

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


110 PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO

contrapartida, deve-se garantir que os valores de indutância parasita


não sejam elevados, a fim de não alterar o modo de funcionamento do
conversor. Alguns autores, [34, 35, 67], fazem uso de indutâncias
adicionais no circuito, com o intuito de tirar vantagens na comutação
do interruptor, e também para redução dos impactos da recuperação
reversa dos diodos da célula multiplicadora. Deve ficar claro que a
análise desenvolvida neste trabalho não abrange o uso de tais
indutores adicionais.

5.2 ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO DE PERDAS NO CONVERSOR


TIPO I

De posse das especificações de projeto e da seleção dos


componentes é possível estimar as perdas de energia por dissipação nos
semicondutores. Essa estimativa é importante para construção física
do protótipo, pois ela deve fornecer condições de avaliar o rendimento
esperado e também selecionar um mecanismo de dissipação. As
perdas nos semicondutores são divididas em duas parcelas: i) perdas
de condução; ii) perdas por comutação. A primeira é oriunda da
presença instantânea de tensão e corrente quando interruptor está em
condução. Já a segunda, é em virtude da presença instantânea de
tensão e corrente no momento da comutação do semicondutor.
Outras perdas possuem influência considerável no rendimento do
conversor como, por exemplo, as perdas no indutor .
Neste trabalho, para estimação das perdas nos semicondutores,
será empregada a técnica apresentada por [68, 69]. Essa técnica se
baseia na estimação das perdas por meio das curvas fornecidas pelos
fabricantes, através da interpolação matemática destas. Por
consequência, esse método permite o cálculo da dissipação de energia
em qualquer semicondutor como uma boa precisão, para uma ampla
faixa de operação3.

5.2.1 Perdas de condução nos interruptores comandados.


Para os interruptores comandados foi selecionado o MOSFET
modelo IPW65R080CFD, produzido pela empresa Infineon©. Como
todo o MOSFET, as perdas de condução são em virtude da passagem

3
Supondo as condições de testes que o fabricante fornece como, tensão de operação,
temperatura, resistência de gate, etc.

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO 111

da corrente pelo canal dreno-source quando o interruptor está


conduzindo. Devido a essa característica, o fabricante fornece a curva
que relaciona a queda de tensão no canal em função da corrente
instantânea, a qual está ilustrada na Figura 5-1. Observa-se que a
curva apresenta característica linear e, portanto, pode-se aproximar
pela seguinte equação:

(5.6)

O primeiro termo do lado direito da equação (5.6) refere-se à


resistência do canal , o que é bastante próximo do valor fornecido
pelo fabricante na equação (5.4).

Figura 5-1 – Curva de queda de tensão em função da corrente no canal do


MOSFET IPW65R080CFD.

A potência dissipada na resistência do canal do MOSFET da


topologia é dada como

, (5.7)

onde é a corrente instantânea no interruptor e a razão cíclica.


Portanto,

(5.8)

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


112 PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO

. (5.9)

Substituindo as equações (5.6), (5.8) e (5.9) na expressão (5.7), e


solucionando paras as condições nominais de operação, tem-se

. (5.10)

Como há dois MOSFETs, logo

5.2.2 Perdas de comutação nos interruptores comandados


As perdas de comutação representam sempre uma grande parcela
das perdas totais em conversores estáticos. O método proposto por [68]
se baseia no conhecimento da curva que relaciona a energia dissipada
na comutação com a corrente comutada. Tipicamente, os fabricantes
fornecem duas curvas, uma com a energia dissipada na entrada em
condução e outra, que relaciona a energia dissipada no instante do
bloqueio do interruptor. Infelizmente, o catálogo do interruptor
selecionado não oferece tais curvas. No entanto, com o intuito de obter
uma estimativa de tais perdas, simulações com o modelo selecionado
foram realizadas no software OrCAD©. O modelo é disponibilizado
pelo fabricante do MOSFET e pode ser adicionado à biblioteca de
componentes do OrCAD©.
Para extrair as curvas de energia foi realizada uma simulação com
circuito da Figura 5-2. Foram adicionados elementos parasitas ao
redor do MOSFET a fim de obter resultados mais condizentes com o
circuito real.

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO 113

Figura 5-2 – Esquemático implementado no software OrCAD para extração das


curvas de energia no MOSFET IPW65R080CFD.

Por meio do circuito da Figura 5-2 foram obtidas as curvas


ilustradas na Figura 5-3. Nessa figura é apresentada a curva de energia
para entrada em condução e também a curva de energia para o
bloqueio . Essas curvas podem ser interpoladas pelas seguintes
equações:

(5.11)

. (5.12)

As equações (5.11) e (5.12) pode ser agrupadas de tal modo que

. (5.13)

A dissipação de energia na comutação no MOSFET é calculada


como

. (5.14)

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


114 PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO

Calculando a equação (5.14) para as condições nominais de


operação, conclui-se que

. (5.15)

Como existem dois MOSFETs, logo

(5.16)

Figura 5-3 – Curvas de energia dissipada durante a comutação do MOSFET


IPW65R080CFD, extraídas por meio do software OrCAD.

5.2.3 Perdas de condução nos diodos rápidos


O procedimento para estimação das perdas de energia nos diodos
rápidos da topologia é semelhante ao apresentado na subseção 5.2.1.
Conforme a Tabela 3, foi escolhido o diodo IDH16S60C fabricado pela
empresa Infineon©. Já que se trata de um semicondutor com a
tecnologia de Silicon Carbide, este não apresenta recuperação reversa
e, portanto, as perdas de comutação podem ser desprezadas. Dessa
forma, somente as perdas em condução serão consideras. A Figura 5-4
apresenta a curva fornecida de pelo fabricante relacionando a queda de
tensão no diodo em função da corrente. Essa curva pode ser
aproximada pela seguinte equação linear:

. (5.17)

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO 115

Figura 5-4 – Curva de queda de tensão sobre o diodo IDH16S60C.

o Perdas nos diodos e

Teoricamente, os diodos e , possuem a mesma


corrente instantânea. Portanto, a potência dissipada nesses diodos, é
calculada como

. (5.18)

O termo em (5.18) deve ser substituído pela expressão quase


instantânea dos diodos e , já representada anteriormente na
equação (3.3). Portanto, fazendo essas considerações e calculando a
equação (5.18) para as condições nominais de operação, chega-se que

. (5.19)

Contabilizando as perdas dos demais diodos, tem-se

. (5.20)

o Perdas nos diodos

A potência dissipada nos diodos , , é calculada como

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


116 PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO

. (5.21)

O termo em (5.21) deve ser substituído pela expressão quase


instantânea do diodo , conforme representado na equação (3.3).
Fazendo essa consideração e calculando para as condições nominais de
operação, obtém-se

. (5.22)

Considerando que há dois diodos ( e ), então

(5.23)

5.2.4 Perdas de condução no indutor de entrada


As perdas no indutor de entrada são divididas em perdas
magnéticas e perdas por efeito Joule nos enrolamentos. Conforme,
apresentado por [65, 66] as perdas magnéticas representam uma
parcela pequena comparada às perdas por condução nos enrolamento4.
Devido a essa consideração, as perdas no indutor de entrada serão
representadas somente pelas perdas Ôhmicas nos enrolamentos.
Assumindo que a ondulação de corrente não é elevada, será
considerada somente a resistência cc do enrolamento do indutor de
entrada.
Conforme a Tabela 3 foi escolhido o magnético produzido pela
empresa Magnetics©, núcleo toroidal modelo - 77440A7 [70]. Por meio
das dimensões e parâmetros do núcleo, necessitou-se de 71 espiras – 15
AWG, totalizando uma resistência cc equivalente à

. (5.24)

De posse da resistência cc, podem-se estimar as perdas por


condução. Assim,
4
Consideração válida somente para o caso onde o conversor opera o modo de condução
contínua e a ondulação de corrente não seja elevada. As perdas no núcleo magnético também
dependem da frequência de comutação.

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO 117

. (5.25)

Solucionado a equação (5.25) para condições nominais, obtém-se:

. (5.26)

5.2.5 Perdas de condução nos diodos lentos


Foi empregado o diodo intrínseco do MOSFET como substituição
aos diodos e . No lugar desses foram colocados MOSFETs
com a tensão gate-source nula. A característica do diodo em
antiparalelo é dada pelo fabricante e está ilustrada na Figura 5-5.

Figura 5-5 – Característica da queda de tensão no diodo em antiparalelo do


MOSFET IPW65R080CFD.

A curva da Figura 5-5 pode ser aproximada pela seguinte equação:

(5.27)

A potência dissipada nesse diodo é calculada como

(5.28)

O termo deve ser substituído pela corrente de entrada . Assim,

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


118 PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO

. (5.29)

Considerando que há dois diodos lentos na topologia Tipo I. Dessa


forma,

. (5.30)

5.2.6 Perdas fixas de energia


As perdas fixas de energia são dissipações que não são função da
carga. Tais são caracterizadas por perdas auxiliares como fontes
auxiliares, circuitos de gate-driver, etc. e também pela dissipação de
energia nas capacitâncias intrínsecas dos semicondutores. Para
quantificação das perdas fixas será somente considerada as provocadas
pelos semicondutores. Dessa forma, ficam responsáveis por essas
perdas os MOSFETs e diodos da topologia.
A energia dissipada na capacitância intrínseca do MOSFET é
fornecida pelo fabricante e corresponde a

(5.31)

para uma tensão de 400 V. Logo, a potência dissipada será

. (5.32)

Como há dois MOSFETs na topologia, logo

. (5.33)

A energia dissipada na capacitância no diodo é dada pelo


fabricante e corresponde a

(5.34)

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO 119

para uma tensão de 400 V. Logo, a potência dissipada será

. (5.35)

Como existem seis diodos com a mesma característica, logo,

. (5.36)

5.2.7 Totalização das perdas de energia


De posse de todas as parcelas de energia, pode-se estimar a perda
total no circuito. Dessa forma, a perda total dissipada é dada
como

(5.37)

Calculando a equação (5.37), chega-se que

. (5.38)

5.2.8 Rendimento teórico


A partir das equações encontradas é possível encontrar curvas que
relacionem o rendimento da estrutura como uma função da potência
de saída, índice de modulação e frequência de comutação.
O rendimento teórico é definido como

, (5.39)

onde é a potência na carga e varia no intervalo de 0 até . Quando


a potência na carga é igual ao valor nominal, tem-se .
Através da equação (5.39) pode-se representar o rendimento do
retificador Tipo I em função da potência de saída para vários índices

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120 PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO

de modulação. Tal gráfico pode ser visualizado na Figura 5-6. As


curvas foram geradas para frequência de comutação de 90 kHz.
Observa-se que o rendimento varia significativamente com a variação
do índice de modulação. Para o índice de modulação igual a 0,77
obteve-se um rendimento máximo de 97,1% na potência 880 W. Pode-
se observar na figura que para 0,9 e baixo 0,5 há redução
expressiva do rendimento.

Figura 5-6 – Rendimento teórico do conversor tipo I em função da potência de


saída para vários índices de modulação.

O comportamento do rendimento na potência nominal para


variação do índice de modulação pode ser visto na Figura 5-7. Nessa
figura é apresentado rendimento para três frequências de comutação.
Como já dito anteriormente, o rendimento decresce consideravelmente
para o aumento e redução do índice de modulação. Observa-se que o
rendimento é sempre máximo para índices de modulação próximos de
0,7. A mesma constatação pode ser vista nos gráficos da Figura 5-8.
Na Figura 5-8 (a) é apresentado um gráfico mostrando a superfície
tridimensional do rendimento para variação da potência de saída e
índice de modulação. Já na Figura 5-8 (b) é ilustrado o gráfico de
contorno do rendimento. Em ambas as figuras constata-se que há uma
área onde o rendimento é máximo. Essa região é compreendida pelo
intervalo aproximado de e
para frequência de 90 kHz.
A Figura 5-9 ilustra o comportamento do rendimento teórico para
variação da potência de saída e frequência de comutação. Na Figura
5-9 (a) pode-se observar o comportamento tridimensional do
rendimento relacionando a potência de saída e frequência de

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PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO 121

comutação , para o índice de modulação igual a 0,77. Já a Figura


5-9 (b) mostra o gráfico de contorno relacionando as mesmas variáveis
para mesma condição. Em ambas as figuras pode-se observar que
rendimento teórico aumenta com a redução da frequência de
comutação .

Figura 5-7 – Rendimento teórico em função do índice de modulação na potência


nominal de saída para várias frequências.

Figura 5-8 – Rendimento teórico: (a) Superfície 3D relacionando a potência de


saída e índice de modulação; (b) Superfície 2D relacionando a potência de saída
com o índice de modulação.

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122 PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO

Figura 5-9 – Rendimento teórico: (a) superfície tridimensional relacionando o


rendimento com a potência de saída e frequência de comutação para o índice de
modulação igual 0,77; (b) gráfico de contorno do rendimento em função da
potência de saída e frequência de comutação, válido para o índice de modulação
igual a 0,77.

A Figura 5-10 apresenta a distribuição de perdas nos componentes


do conversor Tipo I. Observa-se que as perdas de comutação nos
MOSFETS contribuem em maior parcela no total das perdas, seguido
pelas perdas de condução, também dos MOSFETs. Os gráficos são
válidos para potência nominal de frequência de comutação de 90 kHz.

Figura 5-10 – Distribuição das perdas de energia no conversor Tipo I.

5.3 RESULTADOS DE SIMULAÇÕES

Todos os resultados de simulações foram extraídos utilizando o


software PSIM® e empregando as especificações contidas na Tabela

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PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO 123

2 e Tabela 3.
As simulações foram realizadas como o conversor operando em
malha fechada, com controle de tensão e corrente de entrada, e sob
condições nominais de operação.
Na Figura 5-11 são apresentados os resultados de simulação do
conversor operando em condições nominais. São mostradas a tensão e
corrente na fonte de entrada; tensão sobre o indutor L b e a tensão
comutada do conversor vao. Observa-se que a tensão vao alterna nos
níveis +400 V, 0 V e -400 V, portanto, apresentando três níveis
distintos. Outro aspecto importante é o fato da tensão e corrente de
entrada estarem em fase, acarretando em um fator de potência
próximo à unidade.

Figura 5-11 – Resultados de simulação: tensão e corrente na rede elétrica; tensão


sobre o indutor de entrada; tensão comutada do conversor.

A Figura 5-12, para as condições da figura anterior, apresenta o


comportamento do conversor para operação em regime permanente.
Na Figura 5-12 (a) é apresentado novamente a corrente de entrada ig.
Já na Figura 5-12 (b) a tensão de saída vo é mostrada. Nesta figura,
pode-se observa que a tensão de saída é precisamente regulada no
valor nominal de 1600 V, comprovando a eficácia da malha de tensão.
Outro aspecto é que a ondulação de tensão, em torno de 8 V, pode ser
visualizada em detalhes.
Na Figura 5-12 (c), o comportamento das tensões parciais de saída
para operação em regime permanente é apresentado. Nessa figura,
pode-se observar que as tensões vop e von não apresentam mesmo valor

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124 PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO

médio, diferindo em torno de 8 V em relação ao valor nominal, 800 V.


Esse comportamento se deve ao fato da malha de controle do balanço
das tensões não estar habilitado. Os valores médios das tensões
parciais de saída estão representados por Vop e Von na figura.
O efeito da ausência da malha de balanço das tensões de saída
também pode ser visualizado na Figura 5-12 (d), onde as tensões sobre
os capacitores , diferem em torno do valor nominal de
400 V.
Embora a Figura 5-12 não apresente a influência da malha de
balanço das tensões de saída, não há, em termos percentuais,
significativo desequilíbrio, podendo o conversor operar sem problemas
aparentes.

Figura 5-12 – Resultados de simulação em regime permanente: (a) corrente de


entrada ; (b) tensão de saída ; (c) tensões parciais de saída e ; (d)
tensões sobre os capacitores , .

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PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO 125

Para verificar a eficácia da malha de balanço das tensões de saída


foi realizada uma simulação com o conversor operando com as tensões
de saída inicialmente diferentes. Para isso, o conversor foi iniciado com
suas tensões parciais de saída iguais a e . Os
resultados da simulação podem ser vistos na Figura 5-13. Na Figura
5-13 (a) a corrente de entrada é mostrada. Visualmente não há
alteração significativa do comportamento da corrente de entrada com
a ativação da malha de balanço.

Figura 5-13 – Simulação para teste da malha de balanço das tensões: (a) corrente
de entrada ; (b) tensão de saída ; tensões parciais de saída e ; tensão
sobre os capacitores , ; Ação de controle da malha do balanço das
tensões de saída.

Na Figura 5-13 (b) o comportamento da tensão de saída é


apresentado. Pode-se observar que o valor médio da tensão de saída é
regulado na tensão de referência de 1600 V. O erro estático nulo é

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126 PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO

atingido devido à ação do controlador proporcional-integral (PI)


empregado na malha de controle da tensão de saída.
Na Figura 5-13 (c) pode-se observar o comportamento das tensões
parciais de saída e . Nesta imagem, pode-se observar claramente
que as tensões convergem lentamente para o valor nominal de 800 V.
Diferente da Figura 5-12 (c), as tensões parciais de saída na Figura
5-13 (c), no final da simulação ( ), apresentam mesmo valor
médio. O mesmo comportamento pode ser visualizado na Figura 5-12
(d), onde as tensões sobre os capacitores , convergem
para o valor médio de 400 V. Na Figura 5-12 (e), o comportamento da
ação de controle da malha de balanço das tensões de saída é
apresentado. Observa-se que a saída do controlado converge para um
valor médio próximo de zero.
Já a Figura 5-14 apresenta em detalhes o comportamento das
correntes no conversor. São mostradas as correntes nos interruptores
S1;A , S2;A e as correntes nos capacitores C k;j k = 1; 2; 3 j = A; B .
Observa-se que cada elemento opera durante meio ciclo da rede
elétrica. Outro fato é que os elementos com maiores esforços são os
interruptor S1;A e S2;A e os capacitores C3;A e C3;B. Na ampliação
observa-se a operação das correntes no modo parcial-charge.

Figura 5-14 – Correntes nos elementos do conversor; corrente nos interruptores


ativos; corrente nos capacitores de comutação.

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PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO 127

5.3.1 Comparativo: teórico versus simulação


Com o intuito de validar a análise teórica dos esforços de correntes,
simulações numéricas foram realizadas. Os resultados do comparativo
podem ser visualizados na Tabela 4. Pode-se observar que em mais de
90% dos elementos o erro relativo é menor que 5%, fato este que
comprova a precisão das expressões obtidas.
O erro numérico é causado pelas condições não consideradas na
análise teórica como, por exemplo, o fato de o conversor operar no
modo parcial-charge durante as simulações, enquanto que a análise
teórica assumiu o modo no-charge.

Tabela 4 – Comparativo de esforços de corrente entre resultados teóricos e


simulação

Corrente Simulado [A] Err. rel. [%]


3,716 3,55 4,676
9,544 9,85 3,107
1,563 1,540 1,494
3,265 3,350 2,537
1,563 1,624 3,756
5,144 5,390 4,564
1,563 1,550 0,839
3,265 3,374 3,231
3,046 3,462 12,01
3,046 2,890 5,340
6,093 6,358 4,168

5.4 RESULTADOS EXPERIMENTAIS

Esta seção se destina a apresentação dos resultados experimentais


obtidos em laboratório. Para isso, foi construído um protótipo com as
especificações contidas nas Tabelas 2 e 3.
A construção real desse tipo de estrutura deve visar à redução de
indutâncias parasitas. Essa precaução é consequência das indutâncias

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128 PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO

alterarem o funcionamento do conversor, transformando a comutação


de dois capacitores em um estágio ressonante.
Uma variável que interfere nos elementos parasitas é a escolha da
tecnologia dos capacitores de comutação. Para este trabalho foram
empregados capacitores de polipropileno, por estes apresentarem
reduzida indutância intrínseca que, por consequência, permitem a
comutação em alta frequência.
Embora as resistências parasitas auxiliem na comutação de
capacitores, limitando os picos de correntes, estas não podem ser
demasiadamente altas a ponto de exceder perdas por efeito Joule. O
elemento que mais contribui no fornecimento de resistência intrínseca
é o semicondutor MOSFET. Este, dependendo da tecnologia, possui
resistências que podem chegar à ordem de milésimos de ohms. Esta
resistência, junto com o valor de capacitância e resistências dos demais
elementos, deve ser suficiente para atingir ao menos o modo de
operação parcial-charge. Caso não atinja este modo, deve-se aumentar
a capacitância ou incrementar a frequência de comutação.
A Figura 5-15 mostra o diagrama esquemático empregado no
protótipo experimental. Para construção do barramento de saída
foram empregados capacitores eletrolíticos, pois para esse estágio é
necessário elevada capacitância, a fim de reduzir a ondulação de 120
Hz presente em conversores PFC monofásicos. Em paralelo com estes
capacitores foram colocados resistores de equilíbrio de tensão.
A parir do diagrama da Figura 5-15 foi construído um protótipo
experimental com a finalidade de validar os conceitos teóricos. Está
apresentada na Figura 5-16 a imagem do protótipo construído em
laboratório. Trata-se de um protótipo trifásico, onde para validação
dos resultados monofásicos foi utilizada somente uma célula. Na
imagem, estão representados alguns dos itens que compõem o
conversor como indutores, capacitores, DSP e etc. Já na Figura 5-17 é
mostrada a vista frontal do protótipo, onde alguns dos elementos da
topologia estão destacados.
Para o comando e controle do conversor foi empregado o DSP
TMS320F28335 da empresa Texas Instruments©. Já para
sensoriamento das correntes e tensões de saída foram utilizados
sensores do tipo Hall, a fim de manter o isolamento entre estágio de
potência e controle.

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PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO 129

Figura 5-15 – Esquemático empregado no protótipo experimental.

Figura 5-16 – Fotografia do protótipo construído.

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130 PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO

Figura 5-17 – Vista frontal do conversor construído.

O protótipo construído serviu para extração dos resultados


experimentais mostrados a seguir.
A Figura 5-18 apresenta os resultados experimentais da: tensão e
corrente de entrada (canal 2 e 4) e tensões sobre os capacitores de
saída Co;A e (canal 1 e 3). As formas de ondas foram obtidas com
o conversor operando em regime permanente e com potência nominal.
Pode-se concluir, a partir da imagem, que o conversor mantém as
tensões parciais de saídas controladas com a metade da tensão de
saída. Ainda na mesma imagem, pode-se observar a corrente de
entrada com formato senoidal e em fase com a tensão de entrada,
caracterizando a operação com alto fator de potência.
As ondulações nas tensões parciais de saída são oriundas das
oscilações na potência instantânea presentes em qualquer conversor
monofásico com PFC. A Figura 5-19 apresenta o mesmo resultado
experimental com exceção da presença da tensão comutada pelo
conversor . Pode-se comprovar que o conversor consegue impor os
três níveis de tensão em seus terminais, correspondentes a ,0e
.

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PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO 131

Figura 5-18 – Resultados experimentais: tensão e corrente na rede elétrica (canal 2


e 4); tensões sobre os capacitores parciais de saída e (canal 1 e 3).

Figura 5-19 – Resultados experimentais: tensões sobre os capacitores parciais de


saída e (canal 1 e 3); corrente de entrada (canal 2) e tensão comutada
pelo conversor (canal 4).

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132 PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO

Da mesma forma, na Figura 5-20 são apresentadas as formas de


onda do conversor operando em regime permanente. Particularmente
nesta imagem é apresentado o comportamento da corrente no
interruptor . Com exceção das oscilações de baixa frequência, a
corrente possui comportamento semelhante ao resultado de simulação
apresentado na Figura 5-14. Essas oscilações são consequência das
limitações de largura de banda da sonda de corrente utilizada no
ensaio. Para medição da corrente foi utilizado uma sonda do tipo
Rogoswski, modelo CWT015 PEM. Esse modelo em específico
apresenta uma banda inferior de 116 Hz. Essa característica faz com
que se atenuem componentes de baixa frequência, provocando
oscilações na aquisição. Portanto, a título de análise essas oscilações
presentes na corrente no interruptor podem ser ignoradas.
A Figura 5-21 apresenta as formas de onda sobre os capacitores
, , . Pode-se observar que as tensões estão
equilibradas e em torno de 400 V. Cabe salientar que não há controle
ativo sobre a tensão de cada capacitor. Portanto, as tensões sobre os
capacitores possuem um mecanismo de auto-regulação, caracterizando
uma vantagem, já que há uma necessidade reduzida de sensores.

Figura 5-20 – Resultados experimentais: tensões sobre os capacitores parciais de


saída e (canal 1 e 3); corrente de entrada (canal 2) e corrente no
interruptor .

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PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO 133

Figura 5-21 – Formas de onda das tensões sobre os capacitores , ,


.

Após apresentar os resultados experimentais com o conversor


operando em regime permanente, testes com o conversor operando sob
regime transitório foram obtidos. Esses testes visam observar o
comportamento das variáveis do conversor sob efeitos transitórios.
Durante os ensaios o conversor era mantido em regime permanente, e
durante um determinado instante de tempo um degrau na resistência
de carga era aplicado. Os resultados do comportamento das tensões
parciais de saída e ; tensão de saída ; corrente de entrada e
tensão de entrada podem ser observados na Figura 5-22. Nessa
imagem pode-se observar que, após a variação de carga, as tensões de
saída retornam para seus respectivos valores nominais, mostrando que
o controle opera de forma satisfatória. Mesmo durante o transitório as
tensões parciais de saída e não se distanciam em valores
absolutos. Isto é resultado da ação da malha de equilíbrio das tensões
de saída. Um detalhe do referido transitório pode ser visto na Figura
5-23.

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134 PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO

Figura 5-22 – Resultados experimentais: tensões parciais de saída e ;


corrente de entrada e tensão de entrada .

Figura 5-23 – Detalhe do transitório de carga da Figura 5-22.

Por fim, o comportamento das tensões sobre os capacitores ,


para um degrau na resistência de carga é apresentado na

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PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO 135

Figura 5-24. Nessa, pode-se observar que as tensões se mantêm


próximas ao valor nominal, mesmo durante o distúrbio na carga.

Figura 5-24 – Comportamentos das tensões sobre os capacitores diante de um


degrau na resistência de carga.

A Figura 5-25 apresenta o espectro harmônico da corrente de


entrada em percentual da componente fundamental para carga
nominal. Observa-se que a maior amplitude situa-se próximo aos 2%
da amplitude da componente fundamental da corrente de entrada.
Como consequência, obteve-se uma taxa de distorção harmônica de
2,51%, o que comprova o que já foi constatado visualmente nos
resultados experimentais, ou seja, a excelente qualidade da corrente
promovida pelo conversor proposto.
A Figura 5-26 ilustra o comportamento da taxa de distorção
harmônica total THD em função da potência de saída do conversor.
Assim como nos conversores PFC convencionais a THD decresce com
o aumento da potência, atingindo o mínimo na potência nominal.

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136 PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO

Figura 5-25 – Espectro harmônico da corrente de entrada em percentual da


componente fundamental para potência nominal.

Figura 5-26 – Comportamento da taxa de distorção harmônica em função da


potência de saída do conversor proposto.

Com o intuito de avaliar o desempenho do conversor foram


realizados ensaios de rendimento para várias frequências de
comutação. Para tal finalidade, foi variada a frequência de comutação
desde 50 kHz até a frequência de 90 kHz. As curvas podem ser
visualizadas na Figura 5-27. Observa-se que para o intervalo de
frequências considerado, o maior rendimento ocorre para menor
frequência. Outro aspecto importante é que o rendimento está acima
de 96% para uma ampla faixa de carga, independente da frequência de
comutação (assumindo a faixa de frequência considerada nos testes). O
fato de o conversor apresentar rendimento elevado mesmo para
pequenos valores de potências comprova as baixas perdas de
comutação da topologia.
O limite inferior de frequência (50 kHz) ficou restringido a
ondulação de corrente no indutor de entrada. Verificou-se que para

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO 137

frequências menores o conversor passava a operar em modo de


condução descontínua, próximo das passagens por zero, o que não foi
considerado em nenhum momento na análise matemática deste
trabalho. Portanto, embora o rendimento possa ser maior para
frequências inferiores a 50 kHz estas não foram testadas devido à
alteração no modo de condução do conversor. Contudo, constatam-se
as baixas perdas que a solução proposta oferece.

Figura 5-27 – Curvas de rendimento em função da potência de saída para várias


frequências.

5.5 RESUMO SOBRE O CAPÍTULO

Este capítulo se destinou a modelagem, simulação e


experimentação de um dos conversores propostos. Durante a
modelagem objetivou-se a procura de modelos matemáticos que
permitam projetar os controladores e prever a estabilidade das
estruturas. Adicionalmente, neste capítulo foi apresentado um
detalhado estudo da distribuição das perdas no conversor Tipo I.
Mostrou-se que a estrutura apresenta elevação do rendimento para
frequências de comutação reduzidas. Também, constatou-se que,
idealmente, as maiores perdas se concentram na comutação dos
MOSFETs, seguido pelas perdas de condução destes. Outro aspecto

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138 PROJETO, SIMULAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS DO RET. MONOFÁSICO

interessante constatado é que as menores perdas ocorrem para índices


de modulação próximos ao da especificação de projeto, 0,77.
Por meio de uma especificação de projeto, foi possível apresentar os
resultados de simulação e experimentais. Nestes, foram constatadas as
funcionalidades de uma das soluções propostas. A operação pode ser
verificada por meio da forma de onda da corrente da entrada e
também pelo espectro harmônico e THD. A curva de rendimento
apresentada mostra que as soluções propostas podem apresentar
baixas perdas e por consequência, alto rendimento.

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Capítulo 6

6.Retificadores trifásicos
híbridos a capacitor
chaveado
URANTE os capítulos anteriores foi dada ênfase ao estudo dos

D conversores híbridos a capacitor chaveado monofásicos. Esse


estudo é a base para o entendimento dos conversores trifásicos
híbridos a capacitor chaveado a serem apresentados a seguir.
Neste capítulo serão apresentadas as estruturas dos retificadores
trifásicos híbridos a capacitor chaveado propostos. A partir do
desenvolvimento das topologias serão feitas extensões com base nos
conversores monofásicos. Dos seis conversores propostos, será escolhido
um para descrição das etapas de operação e princípio de
funcionamento, modulador PWM e descrição dos esforços de corrente.
Contudo, outras análises são válidas para os outros retificadores como,
por exemplo, estratégia de controle e modelagem das plantas de tensão
e corrente.

6.1 RETIFICADOR TRIFÁSICO HÍBRIDO A CAPACITOR


CHAVEADO TIPO I

Uma das formas para a “criação” de um conversor trifásico é


estender uma determinada topologia monofásica em três células.
Usando essa ideia, pode-se usar o conversor monofásico, por exemplo,
Tipo I, para obter um equivalente trifásico. Com base nisso, é
apresentado na Figura 6-1 o primeiro conversor extraído da família
proposta. Observa-se que as células têm em comum a conexão com os
terminais do barramento cc e o ponto médio o.

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


140 RETIFICADORES TRIFÁSICOS HÍBRIDOS A CAPACITOR CHAVEADO

Essa maneira de “obter” um conversor trifásico, a partir de células


monofásicas, no caso específico dos conversores proposto desta tese,
acarreta em um conversor funcional, contudo, volumoso e custoso,
devido à presença de um grande número de capacitores, total de 20.
Isso faz com que se tenha pouco apelo prático, já que as soluções que
são propostas na literatura visam à redução de custo e volume.

Figura 6-1 – Retificador trifásico híbrido a capacitor chaveado tipo I.

Felizmente, podem ser feitas otimizações no número de


componentes da topologia da Figura 6-1, resultando em um conversor
mais econômico e interessante do ponto de vista prático.

6.2 REDUÇÃO DO NÚMERO DE CAPACITORES

Analisando a topologia da Figura 6-1, observa-se, por exemplo, que


a
na fase A o capacitor C 3;A sempre comuta com os capacitores C 1;Aa
a
,
que está conectado ao ponto médio, e C 2;A , que está conectado ao

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RETIFICADORES TRIFÁSICOS HÍBRIDOS A CAPACITOR CHAVEADO
141

barramento positivo. Fazendo uma alteração no circuito, pode-se fazer


com que o capacitor C 3;A a comute com os capacitores C1;A c c ,
e C2;A
referentes à fase C, sem haver qualquer prejuízo para o funcionamento
do conversor. Essa mesma ideia pode também ser estendida para os
demais capacitores do circuito, resultando no conversor ilustrado na
Figura 6-2. Com essa solução é possível retirar oito capacitores da
topologia original, sem afetar significativamente o funcionamento.
Por simplicidade, na Figura 6-2 não estão representados nem a
carga, fonte de entrada e indutores. Contudo, ficam subtendidos a sua
existência.

Figura 6-2 – Retificador trifásico híbrido a capacitor chaveado tipo I com redução
do número de capacitores.

A redução do número de capacitores tem como consequência a


possibilidade de haver até dois capacitores comutando ao mesmo
tempo como um determinado capacitor da fase C. Por exemplo, para
a
o estado topológico onde os interruptores S 1;A e S1b;A estão ativos e
c a
S1;a está bloqueado, faz com que os capacitores C 3;A e C3b;A comutem
c
ao mesmo tempo com o capacitor C 1;A .
A conexão do conversor com a rede elétrica é feita através de três
indutores, não representado na figura.

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


142 RETIFICADORES TRIFÁSICOS HÍBRIDOS A CAPACITOR CHAVEADO

6.3 CONVERSORES PROPOSTOS

Por meio da extensão do conversor Tipo I monofásico para o


conversor Tipo I trifásico é possível a geração das demais topologias.
Com base nisso, na Figura 6-3 são apresentados os conversores
trifásicos Tipo I (a); Tipo II (b) e Tipo III. Já na Figura 6-4 os
retificadores trifásicos Tipo IV (a); Tipo V e Tipo IV (c) são
apresentados.
Os retificadores trifásicos possuem características externas
semelhantes, no que diz respeito aos terminais de entrada e saída.
Contudo, cada topologia apresenta diferença nas etapas de operação e
distribuição de perdas nos semicondutores. Os seis retificadores
trifásicos podem ser divididos em dois grupos.
Nas Figura 6-3 e Figura 6-4 não estão representados os indutores
de entrada nem a rede elétrica, contudo, supõem-se a existência destes.
Os indutores são conectados aos terminais a, b e c. Não há conexão
entre o ponto neutro da rede elétrica e o ponto central dos capacitores
de saída.
Como já dito, todos os retificadores apresentam a mesma
característica do ponto de vista dos terminais de entrada, pois todos
impõem três níveis de tensão nos seus respectivos terminais
comutados. No entanto, cada topologia difere na subcélula central,
onde estão concentrados os interruptores comandados. Cada topologia
pode apresentar mais ou menos semicondutores em série no caminho
da corrente, resultando em diferenças com relação ao rendimento da
estrutura.
Assim como realizado para os conversores monofásicos, a análise
dos conversores trifásicos em regime permanente se concentrará em
uma topologia específica. O estudo se dará de tal forma que a extensão
para as demais topologias ocorra de maneira intuitiva, e por isso a
descrição estática dos demais retificadores não será apresentada neste
trabalho.
Com base no que foi exposto, o conversor trifásico Tipo I será
escolhido para análise em regime permanente.

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


RETIFICADORES TRIFÁSICOS HÍBRIDOS A CAPACITOR CHAVEADO
143

Figura 6-3 – Retificadores trifásicos propostos: (a) Tipo I; (b) Tipo II; (c) Tipo II.

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144 RETIFICADORES TRIFÁSICOS HÍBRIDOS A CAPACITOR CHAVEADO

Figura 6-4 - Retificadores trifásicos propostos: (a) Tipo IV; (b) Tipo V; (c) Tipo
VI.

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RETIFICADORES TRIFÁSICOS HÍBRIDOS A CAPACITOR CHAVEADO
145

6.4 ESTADOS TOPOLÓGICOS E REPRESENTAÇÃO VETORIAL

A descrição dos estados topológicos se dará por meio de uma


representação vetorial das tensões impostas nos terminais do
conversor. Para isso, será suposto que as correntes estão perfeitamente
em fase com as tensões geradas pelo conversor. Essa consideração se
deve ao fato das tensões comutadas dependerem do sentido da
corrente e, portanto, não vinculadas integralmente ao estado de
comutação dos interruptores comandados.
Como se trata de um conversor de três níveis há inúmeras
configurações topológicas que levam ao mesmo vetor resultante de
tensão. Com o intuito de poupar esforços, serão descritos os estados
topológicos referentes a uma janela de tempo hipotética das correntes
de entrada, conforme ilustra a Figura 6-5. Serão analisados os estados
topológicos quando o vetor de corrente corresponder as
componentes , e , onde .

Figura 6-5 – Janela de tempo das correntes considerada na análise das etapas e
operação do conversor proposto.

As tensões da rede elétrica são definidas como

8
< vg;a = Vg;p ¢ sen ¡(!t) ¢

vg;b = Vg;p ¢ sen ¡!t ¡ 3 ¢, (6.1)
: 2¼
vg;b = Vg;p ¢ sen !t + 3

onde Vg;p representa o pico das tensões da rede elétrica.


A topologia trifásica pode colocar até três níveis de tensão nos
terminais a, b, c, em relação ao ponto médio o, sendo que estas tensões

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146 RETIFICADORES TRIFÁSICOS HÍBRIDOS A CAPACITOR CHAVEADO

dependem do sentido das correntes. Deste modo, as tensões


sintetizadas pelo conversor, em relação ao ponto o, podem ser
definidas como

8 Vo
>
> vao = 4 ¢ sign(ig;a ) (1 ¡ sa )
>
>
<
Vo
vbo = 4 ¢ sign(ig;b ) (1 ¡ sb ) , (6.2)
>
>
>
>
: Vo
vco = 4 ¢ sign(ig;c ) (1 ¡ sc )

onde

½
1; interruptor comandado
sk = ; k 2 fa; b; cg, (6.3)
0; interruptor bloqueado

e sign() representa a função sinal das correntes de entrada.

O vetor de tensão resultante é dado por

(6.4)

As tensões comutadas pelo conversor podem ser representadas em


um plano complexo dado pela equação (6.5).

(6.5)

onde corresponde ao operador complexo.


A definição das tensões terminais do conversor na equação (6.2)
sugere a representação gráfica ilustrada na Figura 6-6 [12, 65]. Nessa
representação as tensões nos terminais comutados, em relação ao
ponto o, são descritas por uma projeção unidimensional.

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RETIFICADORES TRIFÁSICOS HÍBRIDOS A CAPACITOR CHAVEADO
147

Figura 6-6 – Diagrama unidimensional das tensões terminais do conversor trifásico.

Tendo em vista que no espaço vetorial as demais correntes de fase


são ortogonais, pode-se então se estender o diagrama da Figura 6-6 em
uma representação tridimensional. Tal representação será ilustrada
posteriormente.
Antes de dar início a representação dos estados topológicos, deve-se
fazer algumas considerações a respeito do funcionamento do conversor.
- As tensões sobre os capacitores são assumidas constantes e com
valor médio correspondente à .
- As correntes de entradas são isentas de harmônicas de alta
frequência.
- Os semicondutores são assumidos ideais.
Adicionalmente, a tensão sobre os capacitores , ,
durante a comutação do interruptor , , deve ser
levemente superior aos capacitores , de tal forma que os diodos
sempre entrem em condução com a comutação do interruptor
.
Portanto, com base na janela de tempo das correntes de entrada
considerada, o primeiro estado topológico é apresentado na Figura 6-7.
Nesta situação, há o armazenamento de energia do indutor da fase A e
também a transferência de carga do capacitor para o capacitor
, por intermédio do diodo . Ao mesmo tempo, a fase C
transfere energia para carga. Observa-se a comutação dos capacitores
a
C 3;A e C3b;A com o capacitor C 1;A
c . As tensões sobre os terminais
comutados, com respeito ao ponto médio dos capacitores de saída, são
dadas por

. (6.6)

Esse estado topológico será mapeado com as seguintes coordenadas


(0 , 0, 0). Substituindo a equação (6.6) em (6.5), obtém-se

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148 RETIFICADORES TRIFÁSICOS HÍBRIDOS A CAPACITOR CHAVEADO

. (6.7)

A equação (6.7) corresponde a uma das combinações que levam ao


vetor nulo imposto pelo conversor.

Figura 6-7 – Estado topológico .

Já a Figura 6-8 mostra a etapa de operação para condição onde as


tensões terminais de entrada são respectivamente ( ,
, ). Nessa etapa ocorre a transferência de energia no indutor da
fase B, enquanto que nas fases A e C ocorre o armazenamento de
energia. Nesse período os capacitores C 3;Aa e C3b;A são forçados ao
c
mesmo potencial com os capacitores C 1;A e , respectivamente. Os
capacitores Co;A e Co;B ficam sempre conectados à carga. Esse estado
topológico será chamado de e seu mapeamento no plano complexo
é dado por

. (6.8)

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


RETIFICADORES TRIFÁSICOS HÍBRIDOS A CAPACITOR CHAVEADO
149

Com o intuito de poupar esforços, os demais estados topológicos,


compreendidos pela janela de tempo ilustrada na Figura 6-5, são
apresentados nas Figura 6-9 até a Figura 6-12.

Figura 6-8 – Estado topológico .

Figura 6-9 – Estado topológico .

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150 RETIFICADORES TRIFÁSICOS HÍBRIDOS A CAPACITOR CHAVEADO

Figura 6-10 – Estado topológico .

Figura 6-11 – Estado topológico1 .

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RETIFICADORES TRIFÁSICOS HÍBRIDOS A CAPACITOR CHAVEADO
151

Figura 6-12 – Estado topológico .

Os estados topológicos apresentados anteriormente podem ser


colocados em forma de tabela, a fim organizar e deixar mais claro o
entendimento. Diante disso, na Tabela 5 são apresentados os estados
de comutação para os estados topológicos, válidos para a janela de
tempo da Figura 6-5.

Tabela 5 – Mapeamento dos vetores correspondentes aos estados topológicos.

A Tabela 5 pode ser estendida para os demais estados topológicos.


Contabilizando todos os vetores possíveis para o conversor três-níveis,

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152 RETIFICADORES TRIFÁSICOS HÍBRIDOS A CAPACITOR CHAVEADO

pode-se representá-los por meio de um cubo tridimensional no espaço,


como ilustrado na Figura 6-13 (a). Nota-se que cubo o fica centrado
nos vetores nulos, considerados como origem. Se for feita a projeção
destes vetores em um plano ortogonal ao eixo , obtém-se a
representação bidimensional, plano , conforme ilustrado na Figura
6-13 (b). Observa-se que a projeção gera um hexágono.
Adicionalmente, em ambas Figura 6-13 (a) e (b) observa-se que os
estados topológicos apresentados neste capítulo estão representados
por esferas e círculos escuros, enquanto que os demais estão em
coloração cinza. Outro aspecto reside no fato da Figura 6-13 (a)
ilustrar os vetores extremos do eixo (-1,-1,-1) e (1,1,1). Devido ao
fato dos vetores serem função do sentido das correntes não há
possibilidade do conversor impor instantaneamente as tensões (
) ou ( ). Portanto, somente o vetor
(0,0,0) é considerado válido.

Figura 6-13 – Mapa de vetores do conversor trifásico três-níveis proposto.

O mapeamento dos vetores no plano é a base para o emprego


de modulações vetoriais. Estas são amplamente empregadas em
retificadores trifásicos, onde podem-se obter diversas vantagens frente
à modulação senoidal convencional. Contudo, o estudo de técnicas de
modulação vetorial não será abordado neste trabalho, ficando como
alvo de pesquisas futuras.

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RETIFICADORES TRIFÁSICOS HÍBRIDOS A CAPACITOR CHAVEADO
153

6.5 DESCRIÇÃO DO MODULADOR PWM

O comando dos interruptores é regido por meio de um sinal


modulador, o qual é fruto de uma lei de controle. Cada interruptor
a
opera durante meio ciclo. Por exemplo, para o interruptor S1;A a
função de modulação é definida como

8 4 ¢ Vg;p
>
< 1¡ sen(!t); se ig;a > 0
Vo . (6.9)
>
:
0; se ig;a < 0

a
Já para o interruptor complementar S2;A a função torna-se

8
> 0; se ig;a > 0
<
. (6.10)
: 1 ¡ 4 ¢ Vg;p sen(!t); se ig;a < 0
>
Vo

A Figura 6-14 exibe o funcionamento do modulador PWM que


a a
comanda os interruptores S1;A e S2;A . O modulador basicamente
consiste na comparação de uma função modulante com uma portadora
triangular de alta frequência. Por meio da comparação geram-se os
pulsos de comando para os interruptores.
O modulador para as outras fases é realizado de forma análoga, e
por isso não serão representados.

Figura 6-14 – Descrição do modulador PWM referente à fase A do conversor.

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154 RETIFICADORES TRIFÁSICOS HÍBRIDOS A CAPACITOR CHAVEADO

6.6 ESFORÇOS DE CORRENTE

Para descrição dos esforços de corrente são assumidas as seguintes


considerações: e , .
Isso significa dizer que, por exemplo, quando o interruptor
comutar para o estado de condução, o diodo se polarizará e
entrará em condução, permitindo que o capacitor transfira
energia para o capacitor . Outra situação se dá quando, por
exemplo, o interruptor é bloqueado, onde, devido às tensões sobre
os capacitores, o diodo é forçado a entrar em condução,
permitindo que o capacitor transfira energia para o capacitor
e para carga. A mencionada consideração é importante para
simplificação das expressões matemáticas.
Diante das considerações anteriores, os esforços de corrente nos
i
semicondutores e capacitores C3;k , k 2 fA; B g, i 2 f a; b; c g tornam-se
semelhantes ao do conversor monofásico Tipo I. Contudo, os
c
capacitores Cj;k , j 2 f 1; 2 g, k 2 fA; B g terão seus esforços de corrente
alterados em relação aos retificadores monofásicos. Isso acontece
porque esses capacitores comutam com as três fases e sua envoltória
de corrente é alterada de forma significativa, conforme pode ser visto
na Figura 6-15. Nesta figura, é apresentado um comparativo da
corrente no capacitor C1;A para o conversor trifásico (a) para a mesma
corrente no conversor monofásico (b). Pode-se observar que as
envoltórias de corrente sofrem alterações bastante significativas. Na
Figura 6-15 (a) pode-se notar que a envoltória da corrente icC1;A está
dividida por três setores, subdivididos pelos sinais das razões cíclicas da
, d b , d c . Isso significa que a duração dos tempos de comutação é regida
pelo sinal modulador correspondente ao setor.
A envoltória inferior é definida como:

(6.11)

onde

(6.12)

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RETIFICADORES TRIFÁSICOS HÍBRIDOS A CAPACITOR CHAVEADO
155

(6.13)

. (6.14)

Figura 6-15 – Comparativo da corrente no capacitor C1;A: (a) corrente no


retificador trifásico; (b) corrente no retificador monofásico; (c) corrente de entrada
da fase A.

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156 RETIFICADORES TRIFÁSICOS HÍBRIDOS A CAPACITOR CHAVEADO

A envoltória referente à segunda etapa de operação é

00 0
³ d ´
a
iC1;A
c = iC1;A
c ¢ (6.15)
1 ¡ da

Como a envoltória é simétrica, ela pode ser calculada no intervalo


de até . Dessa forma a corrente eficaz no capacitor
é calculada como

v à !
u
u 3 Z ¼¡¼=6 ³ 0 ´
IC1c;k;ef = t 2 01
2
iC c ¢ da + iC c ¢ (1 ¡ da ) dt (6.16)
2¼ ¼=6
1;A 1;A

O resultado da equação (6.16) é de difícil solução analítica. Em


consequência disso, a Figura 6-16 ilustra o comportamento do valor
c c
eficaz normalizado da corrente no capacitor C1;A = C1;B em função do
índice de modulação. Pode-se observar que a corrente cresce
expressivamente para índices de modulação muito baixos e também
para índices de modulação elevados.

c c
Figura 6-16 – Comportamento da corrente eficaz no capacitor C1;A = C1;B .

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RETIFICADORES TRIFÁSICOS HÍBRIDOS A CAPACITOR CHAVEADO
157

6.7 ONDULAÇÃO DE TENSÃO SOBRE OS CAPACITORES DE


SAÍDA

A escolha do capacitor de barramento para o caso monofásico se


apoiou no critério de ondulação de tensão na frequência de 120 Hz,
causada pela oscilação na potência instantânea. No caso dos
conversores trifásicos, considerando tanto a tensão de entrada quanto
as correntes de entrada senoidais, a oscilação de potência instantânea é
nula e, portanto, o critério para os conversores monofásicos não pode
ser empregado.
Para os conversores trifásicos, a escolha dos capacitores de saída
pode ser determinada pelo método chamado de tempo de sustentação
(em inglês hold-up time). Este critério se baseia na determinação do
valor de capacitância que garante que a tensão de barramento
decrescerá a um determinado valor em um determinado intervalo de
tempo, diante de uma falha nas tensões de entrada. Em resumo, o
capacitor de saída deverá alimentar a carga por um determinado
período de tempo, atendendo a uma determinada faixa de tensão de
operação. O critério usa a seguinte expressão [65]:

(6.17)

onde é o tempo de sustentação da tensão de saída.


Considerando que a tensão decresça 25% do valor nominal em um
ciclo de rede, então chega-se que

. (6.18)

Assumindo que , então conclui-se que

. (6.19)

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158 RETIFICADORES TRIFÁSICOS HÍBRIDOS A CAPACITOR CHAVEADO

6.8 RESUMO SOBRE O CAPÍTULO

Este capítulo se destinou a apresentação das topologias trifásicas.


Foram apresentados os estados topológicos do conversor Tipo I,
destacando o mapeamento vetorial das tensões comutadas.
Adicionalmente, uma pequena descrição do modulador foi mostrada.
Também, uma seção abordando os esforços e cálculo dos capacitores
de saída foi apresentado.

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


159

Capítulo 7

7.Modelagem orientada ao
controle dos retificadores
trifásicos híbridos
propostos

objetivo da modelagem orientada ao controle é obter equações


O que representem os sistemas físicos diante de uma determinada
precisão. A finalidade da modelagem é viabilizar o projeto dos
compensadores que irão controlar as correntes de entrada e tensões de
saída.
Tendo em mente que, os retificadores apresentados até o momento
são complexos do ponto de vista matemático, é indispensável à
obtenção de modelos simplificados que os representem diante de certos
limites.
Durante o processo de modelagem serão feitas algumas
considerações, de tal forma que seja possível simplificar a análise
matemática e possibilitem o uso de estratégias convencionais de
controle.

7.1 CONTROLE DOS RETIFICADORES TRIFÁSICO

7.1.1 Estratégia de controle

A estratégia de controle para os retificadores trifásicos se assemelha


à apresentada para as estruturas monofásicas. Basicamente, o que se
quer é o controle das correntes de entrada e regulação das tensões de

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


160 MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. TRIF. HÍBRIDOS PROPOSTOS

saída. Deseja-se que as correntes tenham menor distorção possível e


rápida resposta dinâmica, enquanto que as tensões tenham boa
regulação diante de variações da carga.
A Figura 7-1 apresenta a estrutura básica da estratégia de controle
das correntes de entrada e tensões de saída. Essencialmente, as
grandezas a serem controladas são lidas e processadas por uma
estratégia de controle particular, tendo como ação de controle as
razões cíclicas dos interruptores. A função de cada bloco destacado na
figura será analisada em detalhes a seguir.

Figura 7-1 – Estrutura básica da estratégia de controle das correntes de entrada e


tensões de saída.

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MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. TRIF. HÍBRIDOS PROPOSTOS 161

7.1.2 Diagrama de blocos


A princípio qualquer estratégia de controle usada em conversores
trifásicos unidirecionais três níveis pode ser empregada para os
conversores propostos. O critério para escolha da estratégia de controle
para este trabalho tomou em conta popularidade e aceitação na
literatura acadêmica.
Com base nisso, optou-se neste trabalho pelo emprego da estratégia
por coordenadas síncronas dq0. Essa estratégia facilita muito o
controle das correntes, pois no plano dq0 as componentes harmônicas
fundamentais das correntes tornam-se constantes, beneficiando o
projeto dos controladores. O diagrama de blocos da estratégia no
plano dq0 é exibido na Figura 7-2. Nesta figura observa-se a
necessidade da malha de FeedForward e também do balanço das
tensões de saída. A malha de tensão de saída fica responsável pela
geração da referência de corrente de eixo direto . Como se deseja
que as correntes estejam em fase com suas respectivas tensões de fase,
a componente de eixo em quadratura de referência deve ser nula. A
malha de feedForward tem por objetivo rejeitar as perturbações
causadas pelas tensões de entrada, e reduzir os esforços dos sinais dos
controladores de corrente.
Malha de tensão

Malha de corrente

Feedforward da
tensão de entrada

Figura 7-2 – Diagrama de blocos da estratégia de controle dq0.

Particularmente, a estratégia dq0 necessita de um mecanismo de


sincronismo. Para tal, será empregado o circuito PLL apresentado por

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162 MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. TRIF. HÍBRIDOS PROPOSTOS

[71] e exibido na Figura 7-3. Esse PLL consiste basicamente em


detectar o ângulo e fase da tensão de sequência positiva da rede
elétrica. Para isso, tem como entrada duas tensões de fase. A
estratégia consiste em calcular uma potência reativa virtual a partir
das tensões lidas. Quando esta potência torna-se nula indica que o
ângulo da saída do PLL corresponde ao mesmo da tensão de
sequência positiva de entrada.

Figura 7-3 – Estrutura de PLL empregada no conversor.

7.2 MODELO DE PEQUENOS SINAIS PARA O CONTROLE DAS


CORRENTES DE ENTRADA EM COORDENADAS
SÍNCRONAS.

Para obtenção do modelo de planta de corrente será suposto que as


tensões que o conversor impõe aos terminais de saída a, b e c, em
relação ao ponto médio o, são constantes durante aplicação dos
vetores, ou seja, os capacitores se comportam como fontes de tensão
durante esses períodos. Diante desta consideração, a tensão
instantânea de saída é dada como v o = V o .
Considerando que o retificador tenha todas as tensões sobre os
capacitores equilibradas, ou seja, v Ck i;j = V4o , i 2 f1; 2; 3g ; j 2 fA; Bg,
k 2 fa; b; cg, logo, a tensão imposta nos terminais de saída a, b e c, em
relação ao ponto médio o, é dada por +Vo=4, 0 e ¡Vo=4. Deste
modo, o retificador trifásico pode ser representado pelo circuito
mostrado na Figura 7-4. A topologia original é substituída por
interruptores tripolares hipotéticos, os quais, dependendo da posição,
sintetizam as tensões que o conversor pode impor nos seus terminais
de saída.

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. TRIF. HÍBRIDOS PROPOSTOS 163

Figura 7-4 – Representação do retificador três níveis por chaves tripolares.

Se representarmos as componentes de tensões e corrente do


retificador trifásico por seus respectivos valores médios quase
instantâneos, então, o circuito equivalente do retificador conectado à
rede elétrica pode ser representado como ilustrado na Figura 7-5.
Nesta figura, as tensões terminais são representadas por fontes de
tensão, controladas pelo sinal modulador mk, k 2 fa; b; cg. Assim, as
tensões médias quase instantâneas produzidas pelo retificador são
dadas pela equação (7.1).

8
< hvao i = ma ¢ V4o
hv i = mb ¢ V4o (7.1)
: bo
hvco i = mc ¢ V4o

A tensão hvno i é definida como:

¡ ¢ ¡ ¢ ¡ ¢
v g;a ¡ hv ao i + v g;b ¡ hv bo i + v g;c ¡ hv co i
hv no i = . (7.2)
3

Se for considerado que nas tensões hvko i, k 2 fa; b; cg, há somente


as componentes fundamentais e defasadas de 120° entre si, então,
pode-se afirmar que hvao i + hvbo i + hvco i = 0. Logo,

hvno i = 0. (7.3)

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164 MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. TRIF. HÍBRIDOS PROPOSTOS

Figura 7-5 – Representação do retificador pelo valor médio quase instantâneo.

No entanto, há situações que a estratégia de modulação ou o próprio


controle inserem sinais de sequência zero nas tensões de fase. Nessas
situações a tensão de modo comum quase instantânea hvno i não é nula
e, portanto, é conveniente modelar o conversor considerando essa
componente.
Deste modo, o circuito da Figura 7-5 pode ser descrito por:

d~ Vo
Lb ig = ~vg ¡ m
~ ¢ + I ¢ ~vno , (7.4)
dt 4

onde:

~ig = [ig;a ig;b ig;c]T , (7.5)

~vg = [vg;a vg;b vg;c ]T , (7.6)

~ = [ma mb mc ]T ,
m (7.7)

e I de dimensão 3x3 é a matriz identidade e o sobrescrito T representa


o vetor transposto.
A equação (7.4) está representada no plano abc, todavia, o mesmo
sistema pode ser representado de forma mais simples, por meio de

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. TRIF. HÍBRIDOS PROPOSTOS 165

uma transformação de bases. A matriz de transformação de base é


dada pela equação (7.8) e sua respectiva inversa por (7.9) e são
chamadas de transformação de Park ou transformação dq0. Essas têm
como característica a conversão de um sistema trifásico para um
sistema em coordenadas síncronas e vice-versa. Outra particularidade
é preservação da potência do sistema original que essas transformações
oferecem [72, 73].

r 2 1=p2 1=
p
2 1=
p
2
3
24
B= cos(!t) cos(!t ¡ 2¼=3) cos(!t + 2¼=3) 5 (7.8)
3
¡ sin(!t) ¡ sin(!t ¡ 2¼=3) ¡ sin(!t + 2¼=3)

p
r 2 1= 2 cos(!t) ¡ sin(!t)
3
24 p
B¡1 = 1=p2 cos(!t ¡ 2¼=3) ¡ sin(!t ¡ 2¼=3) 5 (7.9)
3
1= 2 cos(!t + 2¼=3) ¡ sin(!t + 2¼=3)

A transformação aplicada aos vetores no plano abc é definida por


(7.10), (7.11) e (7.12).

~idq0 = B ¢ ~ig. (7.10)

~vdq0 = B ¢ ~vg. (7.11)

~.
~ dq0 = B ¢ m
m (7.12)

A transformação aplicada aos vetores no plano dq0 é definida por


(7.13), (7.14) e (7.15).

~ig = B ¡1 ¢ ~idq0 . (7.13)

~vg = B¡1 ¢ ~vdq0. (7.14)

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166 MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. TRIF. HÍBRIDOS PROPOSTOS

~ = B¡1 ¢ m
m ~ dq0. (7.15)

Substituindo as expressões (7.13), (7.14) e (7.15) na equação (7.4)


obtém-se a expressão (7.16).

d Vo
Lb B¡1 ¢ ~vdq0 = B¡1 ¢ ~vdq0 ¡ B¡1 ¢ m
~ dq0 + B¡1 ¢ ~von;dq0. (7.16)
dt 4

Multiplicando (7.16) por B, obtém-se a equação (7.17).

d ³ ¡1 ´ Vo
Lb B B ¢ ~vdq0 = ~vdq0 ¡ m
~ dq0 ¢ + ~vno;dq0. (7.17)
dt 4

Resolvendo a equação (7.17), tem-se:

2 3 2 3 2 3 2 3 2 3
vo 0 i0 m0 p v no
d V
¡ 3 4 0 5 (7.18)
4 v d 5 = L b ¢ ! 4 ¡ i q 5+L b 4 i d 5+ 4 m d 5 o
dt 4
vq id iq mq 0

A matriz B, como foram definidas as tensões da rede elétrica, fica


alinhada com o eixo q, no entanto, é conveniente que esta esteja
alinhada com o eixo direto. Isto é conseguido deslocando-se a
referência angular !t em ¡¼=2. Desta forma, aplicando esta
consideração à equação (7.18) se obtém:

8 p
> dio Vo
>
> 0 = Lb + ¢ m0 ¡ 3 ¢ von
>
> dt 4
>
>
>
< q
3 did Vo (7.19)
V = ¡Lb ¢ ! ¢ iq + Lb
2 g;p
+ ¢ md
>
> dt 4
>
>
>
>
>
: 0 = Lb ¢ ! ¢ id + Lb diq + Vo ¢ mq
>
dt 4

A equação (7.19) mostra que existe um acoplamento entre as


componentes de eixo direto e de quadratura. Todavia, chega-se à

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. TRIF. HÍBRIDOS PROPOSTOS 167

conclusão que este acoplamento é proporcional ao valor de L b .


Considerando que valor de Lb seja pequeno, da ordem de micro Henri,
o acoplamento pode ser desprezado tendo, desta forma, o circuito
equivalente ilustrado na Figura 7-6. Em virtude do sistema operar à
três fios, não há a possibilidade física de circulação de corrente de
sequência zero.

Figura 7-6 – Circuito equivalente do conversor em coordenadas dq0: (a) eixo zero;
(b) eixo direto; (c) eixo em quadratura.

Para o controle das correntes pode-se obter funções de


transferência que relacionem as correntes de eixo direto e quadratura
com suas respectivas moduladoras.
Por meio do circuito da Figura 7-6 (b), pode-se escrever a seguinte
equação dinâmica para corrente id:

Z Ãr !
1 3 Vo
id = Vg;p ¡ md dt. (7.20)
Lb 2 4

Aplicando a transformada de Laplace na equação (7.20), chega-se a


expressão (7.21).

μr ¶
1 3 Vo
id (s) = Vg;p ¡ m d (s) . (7.21)
sLb 2 4

Por meio da equação (7.21), pode-se esboçar o diagrama de blocos


da Figura 7-7.

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


168 MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. TRIF. HÍBRIDOS PROPOSTOS

Figura 7-7 – Diagrama de blocos do modelo da corrente em dq0.

Assim como apresentado para o retificador monofásico, a tensão da


rede elétrica é vista como uma perturbação para imposição de corrente
de eixo direto.
A função de transferência que relaciona a corrente de eixo direto é
dada pela equação (7.22).

id (s) Vo
Gid (s) = = (7.22)
md (s) 4 ¢ s ¢ Lb

Da mesma forma, pode-se obter a função de transferência que


relaciona a corrente de eixo em quadratura com seu respectivo sinal
modulador, mq, obtendo-se a equação (7.23).

iq (s) Vo
Giq (s) = = (7.23)
mq (s) 4 ¢ s ¢ Lb

7.3 MODELO DE PEQUENOS SINAIS PARA O CONTROLE DAS


TENSÕES DE SAÍDA EM COORDENADAS SÍNCRONAS

Assim como realizado para o conversor monofásico, o processo de


obtenção da malha de tensão é feito utilizando o conceito de balanço
de energia nos elementos de maior influência na dinâmica. Dessa
forma, são desconsiderados da análise os capacitores C jk;A e C jk;B ,
j 2 f1; 2; 3g, k 2 fa; b; cg, devido ao fato destes possuírem pouca
influência na dinâmica da tensão de saída, quando comparado aos
capacitores de saída C oA e CoB. Ainda, os capacitores C oA e CoB
podem ser representados por um capacitor equivalente conforme
descreve a equação (7.24).

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. TRIF. HÍBRIDOS PROPOSTOS 169

C oA ¢ C oB
Co = (7.24)
C oA + C oB

Logo, a equação do balanço de potência é dada pela expressão


(7.25).

pin = pL + pco + pR o (7.25)

Os termos de (7.25) são descritos a seguir.

 Potência instantânea de entrada:

p in = ~v g ¢ ~i T
g (7.26)

onde ~vg = [vg;a ; vg;b ; vg;c ] e ~ig = [ig;a ; ig;b ; ig;c ].

 Potência instantânea dos indutores:

1 d 1 d 1 d 1 d
pL = Lb (~ig ¢ ~iT
g ) = Lb (ig;a)2 + Lb (ig;b)2 + Lb (ig;c)2 (7.27)
2 dt 2 dt 2 dt 2 dt

 Potência instantânea no capacitor equivalente de saída:

1 d
pco = Co v~o 2, (7.28)
2 dt

onde ~vo = [vo ; 0; 0].

 Potência de saída na carga:

vo2
pRo = (7.29)
Ro

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170 MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. TRIF. HÍBRIDOS PROPOSTOS

Substituindo as equações (7.26), (7.27), (7.28) e (7.29) na equação


(7.25) chega-se à:

1 d 1 d 2 v~o 2
~vg ¢ ~iT
g = Lb (~ig ¢ ~iT
g ) + Co v~o + . (7.30)
2 dt 2 dt Ro

Sabe-se que:

B ¢ BT = I . (7.31)

Multiplicando ambos os lados da equação (7.30) chega-se a


expressão (7.32).

1 d 1 d B ¢ BT ¢ vo2
~vg ¢ B ¢ BT ¢ ~iT
g = Lb (~ig ¢ B ¢ BT ¢ ~iT
g ) + Co B ¢ BTvo2 + (7.32)
2 dt 2 dt Ro

Realizando as devidas simplificações na equação (7.32) se obtém

3 1 d3 2 1 d vo 2
vgp ¢ igp = Lb igp + Co vo 2 + , (7.33)
2 2 dt 2 2 dt Ro

onde v gp e ig p representam as amplitudes de suas respectivas


grandezas
Sabe-se da transformação dq0 que:

r
2
vgp = vd (7.34)
3

r
2
igp = id. (7.35)
3

Substituindo as equações (7.34) e (7.35) na expressão (7.33) chega-


se à:

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MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. TRIF. HÍBRIDOS PROPOSTOS 171

1 d 1 d vo 2
vd ¢ id = Lb i2d + Co vo 2 + . (7.36)
2 dt 2 dt Ro

Aplicando perturbações de pequenos sinais em torno do ponto de


operação na corrente i d e na tensão de saída vo, de tal modo que
vo = Vo + v~o e id = Id + i~d, tem-se:

³ ´2
³ ´ 1 d ³ ´ 2 1 d ³ ´ 2 V o + v~o
vd ¢ Id + i~d = Lb Id + i~d + Co Vo + v~o +
2 dt 2 dt Ro
(7.37)

Aplicando a transformada de Laplace na equação (7.37) e isolando


somente os termos de primeira ordem se obtém:

³ L I ´
b d
¡ ¢s+1
v~o (s) Ro ¢ V d Vd
Gv (s) = = ¢ ³ ´: (7.38)
~id (s) 2Vo Co Ro
¢s+1
2

7.4 BALANÇO DAS TENSÕES DE SAÍDA

7.4.1 Análise da corrente no ponto médio


Considerando que todos os componentes são ideais e que seja
realizado o controle tanto da tensão de saída quanto das correntes de
entrada, pode-se assumir que

vo
vop = von = . (7.39)
2

Como não há garantia que os componentes possuem características


iguais, por exemplo, capacitâncias e/ou resistências série equivalentes
idênticas, podem ocorrer desequilíbrios nas tensões. Nesses casos, pode
ocorrer a elevação da tensão de um dos capacitores tendo, por
consequência, o aumento dos esforços dos componentes que são

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172 MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. TRIF. HÍBRIDOS PROPOSTOS

submetidos a esta tensão [74]. O desequilíbrio também pode ser


causado pela injeção de corrente cc ou de componentes de baixa
frequência no ponto médio dos capacitores. Para esses casos, o
desbalanço de tensão é

1
¢vmp = (vop ¡ von). (7.40)
2

Para garantir o equilíbrio das tensões dos capacitores dentro do


período da rede elétrica é necessário que a seguinte condição seja
satisfeita [65]:

Z t
1
I¹mp = imp ¢ dt = 0. (7.41)
Tg t¡Tg

onde imp é corrente no ponto médio dos capacitores e I¹mp seu


respectivo valor médio.
Mesmo garantindo a condição imposta em (7.41), oscilações de
baixa frequência na corrente imp, podem acarretar oscilações de
mesma frequência nas tensões dos capacitores, mesmo que os valores
médios das tensões sejam iguais. A Figura 7-8 ilustra as correntes que
fluem no ponto médio dos capacitores de saída. Por meio deste
circuito, pode-se concluir que

imp = iCo;B ¡ iCo;A. (7.42)

A expressão (7.42) pode ser reescrita, de tal forma que

³ ´ ³ ´
d vo =2 + ¢vmp d vo =2 ¡ ¢vmp
imp = Co;B ¡ Co;A . (7.43)
dt dt

Assumindo que a tensão vo se mantenha constante e


C o;A = C o;B = C o;AB , tem-se

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MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. TRIF. HÍBRIDOS PROPOSTOS 173
Z
1
¢vmp = imp ¢ dt. (7.44)
2Co;AB

A equação (7.44) mostra que, para controlar a tensão do ponto


médio, deve-se controlar a corrente imp.
A corrente que flui no ponto médio do conversor, imp, depende dos
estados de comutação dos interruptores. Cada fase do conversor
contribui com uma parcela dessa corrente, conforme ilustrado na
Figura 7-8.

Figura 7-8 – Ilustração da corrente no ponto médio do barramento de saída.

As correntes iimp, i 2 fa; b; cg, são decorrentes dos interruptores de


cada fase do conversor. Durante o semiciclo positivo, de suas
respectivas correntes, os interruptores superiores S1i ;A, i 2 fa; b; cg, são
comutados enquanto os interruptores inferiores permanecem
bloqueados. Processo inverso acontece quando ocorre o semiciclo
negativo. Logo, pode-se representar as correntes iimp, i 2 fa; b; cg, em
função das correntes médias quase instantâneas dos interruptores.
Assim,

X Ð ®
himp iTs = iimp Ts
(7.45)
i=a;b;c

onde

Ði ® ig;i
imp T = ¢ (di + 1) ¢ sign (ig;i ) i 2 fa; b; cg (7.46)
s 2

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174 MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. TRIF. HÍBRIDOS PROPOSTOS

e sign() representa a função sinal.


A expressão (7.46) representa a corrente média quase instantânea
dentro de um período de comutação. No entanto, se fizer tanto a razão
cíclica d quanto a corrente i g variar ao longo do tempo, têm-se:

8
< Igp ¢ sen ¡(!t) ¢

ig;i = Igp ¢ sen ¡!t ¡ 3 ¢ (7.47)
: 2¼
Igp ¢ sen !t + 3

8
< 1 ¡ ¯jM ¢ sen (!t)j
¡ ¢¯
di = 1 ¡ ¯¯M ¢ sen ¡!t ¡ 2¼ ¯
3 ¢¯ . (7.48)
:
1 ¡ ¯M ¢ sen !t + 2¼ ¯
3

Substituindo as equações (7.47) e (7.48) na equação (7.46), obtém-


se o comportamento da corrente média quase instantânea ao longo do
tempo.
A expressão (7.45) é de difícil solução analítica, no entanto, pode
ser representada com excelente aproximação pela equação (7.49).

Igp
himp i!t ¼ ¢ M ¢ sen (3 ¢ !t) (7.49)
4

A equação (7.49) mostra que a corrente no ponto médio, utilizando


a função de razão cíclica da equação (7.48), possui frequência três
vezes maior que à rede elétrica, se caracterizando como uma
componente de sequência zero. A título de ilustração, a Figura 7-9
apresenta o comportamento do valor médio quase instantâneo das
componentes que dão origem a corrente do ponto médio, válida para
M = 0:77 .

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MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. TRIF. HÍBRIDOS PROPOSTOS 175

Correntes no ponto
médio [A] [rad]

Figura 7-9 – Correntes médias quase instantâneas no ponto médio M = 0,77.

Agora, será suposto que nas razões cíclicas, apresentadas na


equação (7.48), possua uma componente de sequência zero, de tal
modo que

8
< 1 ¡ ¯jM ¢ sen (!
¡ t) + d 0¢j ¯
1 ¡ ¯¯ M ¢ sen ¡ ! t ¡ 2¼ ¯. (7.50)
di =
: 3 ¢ + d0 ¯
¯
1 ¡ M ¢ sen ! t + 3 + d 0 ¯

Substituindo esta consideração na equação (7.45) e agrupando os


termos, pode-se aproximar a solução pela expressão (7.51).

Igp
himp i!t ¼ ¢ M ¢ sen (3 ¢ !t) ¡ d0 ¢ Igp (7.51)
|4 {z } | {z }
segunda parcela
primeira parcela

A equação (7.51) mostra que a componente de terceiro harmônico


pode ser controlada pela inserção da razão cíclica d0. Com base na
equação (7.51), pode-se afirmar que a função de d0 que anulará a
componente de terceira harmônica da corrente do ponto médio é:

1
d0 = ¢ M ¢ sen (3!t). (7.52)
4

Admitindo que a primeira parcela de (7.51) tem valor médio nulo,


logo, quem fica responsável pelo valor médio da corrente no ponto
médio é a segunda parcela. Assim,

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176 MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. TRIF. HÍBRIDOS PROPOSTOS

I¹mp = d0 ¢ Igp. (7.53)

Assumindo que a relação entre a razão cíclica d e o sinal


modulador (m) é a amplitude da portadora triangular, e admitindo
esta unitária, pode-se escrever no plano dq0 que

p
I¹mp = 3 ¢ m0 ¢ Igp . (7.54)

A Figura 7-10 apresenta o comportamento da corrente média quase


instantânea nos capacitores com a injeção de componente de sequência
zero, conforme a equação (7.52). A corrente média no ponto médio
não é considerada nula, em consequência à consideração imposta em
(7.51), contudo, é muito próximo de zero, validando a análise.
Correntes no ponto
médio [A]

[rad]

Figura 7-10 – Comportamento do valor médio das parcelas da corrente no ponto


neutro com a inserção da razão cíclica de sequência zero para M = 0:77.

7.4.2 Função de transferência do equilíbrio das tensões de


saída
A equação (7.44) pode ser reescrita da seguinte forma:

d h¢vmp i!t 1
= himp i!t. (7.55)
dt 2Co;AB

Substituindo a equação (7.51) em (7.55) obtém-se:

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. TRIF. HÍBRIDOS PROPOSTOS 177
à !
d h¢vmp i!t 1 Igp
= ¢ ¢ M ¢ sen (3 ¢ !t) ¡ d0 ¢ Igp . (7.56)
dt 2Co;AB 4

Ainda:

à !
d h¢vmp i!t 1 Igp p
= ¢ M ¢ sen (3 ¢ !t) ¡ 3 ¢ m0 ¢ Igp (7.57)
dt 2Co;AB 4

Admitindo pequenas perturbações em torno do ponto de equilíbrio


de ¢vmp e m0, e aplicando a transformada de Laplace e extraindo os
termos de primeira ordem, obtém-se:

p
¢~
vmp (s) 3 ¢ Igp 1
= ¢ . (7.58)
m0 (s) 2 ¢ Co;AB s

7.5 RESUMO SOBRE O CAPÍTULO

Este capítulo se destinou ao estudo e a apresentação de uma


técnica de controle e modelagem orientada ao controle dos conversores
trifásicos propostos. Foi escolhida a técnica de controle por variáveis
síncronas, por meio da transformação dq0. Optou-se por esta técnica
devido às simplificações que ela impõe ao projeto dos controladores e
também porque é bastante difundida na literatura. Por meio de
algumas considerações de projeto não houve a necessidade de
adaptação da técnica apresentada, comparada ao que é usada em
outros retificadores trifásicos. Por consequência, a modelagem
mostrou-se bastante simples e intuitiva.
Adicionalmente, foi apresentado um estudo das correntes que
circulam no ponto médio do conversor Tipo I. O objetivo desse estudo
foi encontrar uma planta matemática que permita o projeto de
controladores para o balanço das tensões parciais de saída. Através
desse estudo pode-se constatar que o controle das tensões de saída
pode ser realizado com a injeção de sinais na componente de sequencia
zero da razão cíclica.

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


178 MODELAGEM ORIENTADA AO CONTROLE DOS RET. TRIF. HÍBRIDOS PROPOSTOS

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


Capítulo 8

8.Resultados de simulação
e experimentais do
retificador trifásico
híbrido Tipo I
presente capítulo tem por objetivo apresentar os resultados
O tanto de simulação quanto os experimentais do retificador
trifásico Tipo I. São mostradas as formas de onda para o
conversor operando em regime permanente e diante de transitórios de
carga. Visa-se com esses resultados validar os conceitos teóricos
apresentados nos capítulos anteriores e ratificar a viabilidade desse
tipo de topologia nas aplicações em que o uso de conversores trifásicos
com alto ganho de tensão se torna necessário.

8.1 RESULTADOS DE SIMULAÇÃO

Para o desenvolvimento da etapa de simulação foi utilizado o


conversor trifásico Tipo I. Empregaram-se as especificações contidas
na Tabela 6. Essa tabela é base para a construção do protótipo
trifásico, cujo alguns itens serão destacados no decorrer do capítulo.
As simulações foram realizadas com o auxílio do software PSIM.
Adicionalmente, as simulações foram feitas com o conversor operando
em malha fechada com controle das correntes de entrada e tensão de
saída, conforme apresentado no capítulo anterior. Foi utilizada como
estratégia de comando dos interruptores a modulação senoidal.

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180 RESULTADOS DE SIMULAÇÃO E EXPERIMENTAIS DO RET. TRIF. HÍBRIDO

A fim de inserir elementos parasitas no circuito, foram utilizadas


nas simulações somente as resistências série dos capacitores de
comutação, cujo valor adotado corresponde a rC = 0,3 Ð .

Tabela 6 – Especificações do protótipo trifásico

Parâmetro Valor
Tensão de entrada vg 220 V – 60 Hz
Potência de saída Po 7500 W
Tensão de saída Vo 1600 V
Frequência de comutação fs 80 kHz

A Figura 8-1 apresenta o resultado de simulação do conversor


operando em condições nominais. São mostradas as três correntes de
entrada do conversor. Observa-se a boa qualidade das correntes. Na
mesma imagem, são exibidas as correntes nos interruptores ativos
iaS1;B ; ibS1;B e icS1;B . Junto, é mostrado o comportamento do valor
médio quase instantâneo, h¹icS 1 i!t , e também a evolução do valor eficaz
quase instantâneo, icS1;ef . Ressalta-se que, embora a corrente
!t
possua picos relativamente altos, a evolução do valor eficaz é baixa.
Basicamente, isso ocorre devido à baixa razão cíclica que o interruptor
possui quando opera próximo ao pico da rede elétrica. Ainda na
Figura 8-1, são exibidas as correntes nos diodos iaD1;B ; ibD1;B e icD1;B.
A Figura 8-2 exibe os resultados de simulação do conversor diante
de um degrau de carga de 50% para 100% no instante 0,12 s. Nesta
imagem, são apresentados: o comportamento das correntes de entrada,
tensões parciais de saída e tensões dos capacitores de comutação,
diante do degrau. Observa-se que as tensões parciais vop e von estão
equilibradas e em torno de 800 V. Passado o distúrbio, estas tensões
retornam para o ponto nominal de operação. O mesmo pode-se dizer
c c c
das tensões parciais vC1;A ; vC2;A e vC3;A que retornam ao valor
nominal (400 V) após a perturbação.

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


RESULTADOS DE SIMULAÇÃO E EXPERIMENTAIS DO RET. TRIF. HÍBRIDO 181

Figura 8-1 – Resultados de simulação do conversor trifásico proposto: correntes de


j
entrada; correntes nos interruptores ativos; correntes nos diodos D1;B j = a; b; c,
referente às três fases.

Figura 8-2 – Resultado de simulação do conversor trifásico proposto: corrente de


entrada; tensões parciais do barramento cc de saída e tensões sobre os capacitores
de comutação.

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182 RESULTADOS DE SIMULAÇÃO E EXPERIMENTAIS DO RET. TRIF. HÍBRIDO

A Figura 8-3 apresenta o comportamento do conversor diante do


mesmo degrau de carga da figura anterior. Nessa imagem, são exibidas
a tensão e corrente, referentes à fase A; tensão comutada do conversor
vao, em relação ao ponto médio o, e corrente no ponto médio dos
capacitores de saída.
Com relação à tensão e corrente, pode-se constatar que ambas
estão em fase, garantindo, dessa forma, um elevado fator de potência.
Sobreposta à tensão comutada vao está o valor médio quase
instantâneo desta tensão. O que se pode concluir é que o conversor
sintetiza uma tensão senoidal, característica da modulação empregada.
No que concerne à corrente no ponto médio imp, observa-se que
pequenas ondulações no valor médio quase instantâneo estão presentes
na forma de onda. Essa ondulação é fruto da ação de controle do
balanço das tensões de saída, necessário para que as tensões fiquem
equilibradas.

Figura 8-3 – Simulação do conversor trifásico proposto: tensão e corrente da fase A;


tensão comutada do conversor (fase a) e corrente no ponto médio do barramento.

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RESULTADOS DE SIMULAÇÃO E EXPERIMENTAIS DO RET. TRIF. HÍBRIDO 183

Na Figura 8-4 foi realizada uma simulação com o intuito de


verificar a malha de balanço das tensões de saída. Na figura são
exibidos o comportamento da tensão/corrente de entrada, tensões
parciais de saída e tensões sobre os capacitores de comutação. A
simulação é iniciada com as tensões dos capacitores Co;A e Co;B com
valores iniciais diferentes e também com as capacitâncias ligeiramente
distintas. Nos instantes iniciais a malha de controle do balanço das
tensões está desativada. O que se observa é que as tensões sobre os
capacitores Co;A e Co;B convergem para valores distintos, inclusive as
c
tensões sobre os capacitores de comutação vCk;j k 2 fA; B g; j 2 f1; 2g.
No instante t = 0,12 s, a malha é ativada. A partir desse momento, as
tensões passam a convergir para seus respectivos valores nominais.
O que se pode concluir desta simulação é que a técnica de controle
das tensões de saída, por meio da injeção de componente de sequência
zero, é eficaz e de simples implementação.

Figura 8-4 – Simulação do conversor trifásico proposto: tensão e corrente de


entrada (fase A); tensões parciais do barramento cc de saída e tensões sobre os
capacitores de comutação.

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184 RESULTADOS DE SIMULAÇÃO E EXPERIMENTAIS DO RET. TRIF. HÍBRIDO

8.2 RESULTADOS EXPERIMENTAIS

Como já mencionado anteriormente, os resultados experimentais


foram extraídos com um protótipo empregando os dados da Tabela 6.
Nota-se que a frequência de comutação de 80 kHz difere da usada no
conversor monofásico, 90 kHz. Isso se deve a limitações no tempo de
execução das tarefas no DSP empregado. A estratégia de controle do
conversor trifásico exige muito mais esforço numérico quando
comparado à estratégia do conversor monofásico. Isso é atribuído às
operações trigonométricas presentes na malha do PLL e também na
estratégia de controle em dq0. Devido a esses fatores, foi necessário
reduzir a frequência de comutação e assim aumentar o tempo para
execução das malhas de controle. Contudo, a redução de f s não
implica em aumento significativo na ondulação de corrente nos
indutores de entrada.

8.2.1 Operação em regime permanente

As formas de onda das tensões e correntes de entrada para


operação em regime permanente são ilustradas na Figura 8-5. Nesta,
pode-se observar a operação com correção do fator de potência, onde
as correntes então em fase com as respectivas tensões da rede. Pode-se
observar distorções nas correntes durante a passagem por zero. Essas
distorções são oriundas do sinal modulador, devido às
descontinuidades que este apresenta nas passagens por zero. Essas
distorções são bastante comuns em conversores unidirecionais, já que a
imposição de tensões por parte do conversor depende do sinal da
corrente de entrada. Contudo, essa forma de onda serve para
comprovar um dos objetos deste trabalho, que é a operação com alto
fator de potência.

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RESULTADOS DE SIMULAÇÃO E EXPERIMENTAIS DO RET. TRIF. HÍBRIDO 185

Figura 8-5 – Resultado experimental: formas de onda das tensões e correntes de


entrada para operação em regime permanente.

A Figura 8-6 apresenta os resultados experimentais das correntes


de entrada, tensão de linha comutada pelo conversor vab e tensão
parcial de saída vop. Destaca-se os cinco níveis presentes na tensão de
linha do conversor, correspondentes a {¡V o =2 , ¡V o =4 , 0, +Vo =2,
+V o =4 }. Outro aspecto é o fato da tensão vop estar regulada em torno
de 800 V.
A Figura 8-7 apresenta os resultados experimentais das tensões
sobre os capacitores Cj;A, j 2 f1; 2; 3g. Pode-se observar que as tensões
estão equilibradas e em torno de 400 V.
A Figura 8-8 apresenta os resultados experimentais da corrente de
a
entrada; corrente através do capacitor C3;A e tensões parciais de saída
vop e von. Destaca-se a excelente regulação das tensões parciais de
saída, em torno de 800 V. Observa-se que ambas possuem
aproximadamente o mesmo valor médio, fruto da ação da malha de
equilíbrio das tensões de saída.

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186 RESULTADOS DE SIMULAÇÃO E EXPERIMENTAIS DO RET. TRIF. HÍBRIDO

Figura 8-6 – Resultados experimentais: formas de onda das correntes de entrada;


tensão de linha comutada pelo conversor e tensão parcial de saída.

Figura 8-7—Resultados experimentais: formas de onda da corrente de entrada


(canal 4); tensão sobre o capacitor C1;A (canal 1); tensão sobre o capacitor C2;A
(canal 2) e tensão sobre o capacitor C3;A (canal 3).

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RESULTADOS DE SIMULAÇÃO E EXPERIMENTAIS DO RET. TRIF. HÍBRIDO 187

Figura 8-8 – Resultados experimentais: formas de onda da corrente de entrada;


a
corrente no capacitor C3;A; tensões parciais de saída vop e von.

8.2.2 Operação em regime transitório


A operação em regime transitório consistiu em avaliar o
comportamento dinâmico do conversor diante de perturbações nas
malhas de controle. Basicamente dois ensaios foram realizados com o
intuito de validar a estabilidade das malhas de controle e dinâmica das
variáveis externas do conversor como, por exemplo, tensões de saída e
correntes de entrada.
No primeiro teste o conversor foi colocado em operação sem a
malha de equilíbrio das tensões de saída. Como pode ser observado
nos instantes iniciais da Figura 8-9, as tensões parciais de saída e
em regime permanente possuem valores médios distintos. A partir
de um determinado instante de tempo a malha de equilíbrio das
tensões de saída é ativada. Como consequência, as tensões e
são forçadas a convergir para o mesmo valor médio, sem que isso
acarrete em distorção harmônica significativa nas correntes de entrada.
Outro aspecto importante a ser analisado é a ondulação de tensão
que pode ser visualizada na figura. Observa-se que as tensões e
possuem ondulações em oposição de fase, de tal forma que essas
ondulações são canceladas na tensão de saída .
Em resumo, com este ensaio, pode-se comprovar
experimentalmente o resultado de simulação apresentado
anteriormente na Figura 8-4.

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188 RESULTADOS DE SIMULAÇÃO E EXPERIMENTAIS DO RET. TRIF. HÍBRIDO

Figura 8-9 – Resultado experimental: comportamento das tensões parciais diante


da ativação da malha de equilíbrio das tensões de saída; correntes de entrada.

O segundo ensaio consistiu em avaliar o comportamento dinâmico


das tensões da saída diante de um degrau de carga nos terminais de
saída do conversor. O resultado do ensaio pode ser visualizado na
Figura 8-10. Nesta, constata-se que o conversor diante do distúrbio
nos terminais de saída consegue regular as tensões de saída, ao mesmo
tempo em que drena correntes senoidais da rede elétrica. Um fato
importante é que as tensões e permanecem com valores
instantâneos próximos, mesmo diante do transitório, comprovando a
eficiência da malha de regulação das tensões de saída.
Após apresentação dos resultados experimentais, a Figura 8-11
mostra o espectro harmônico de uma das correntes de entrada. Todos
os harmônicos estão em percentual da componente fundamental.
Pode-se observar que as maiores amplitudes estão abaixo de 2% da
fundamental, o que implica na boa taxa de distorção harmônica total
obtida, em torno de 4,8 %.

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RESULTADOS DE SIMULAÇÃO E EXPERIMENTAIS DO RET. TRIF. HÍBRIDO 189

Figura 8-10 – Comportamento das tensões de saída e correntes de entrada diante


de um degrau de carga na saída.

Figura 8-11 – Taxa de distorção harmônica total da corrente de entrada para


condições nominais (percentual da componente fundamental).

Com o intuito de avaliar as perdas do conversor foram realizados


ensaios do rendimento da estrutura trifásica Tipo I. Para esse

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190 RESULTADOS DE SIMULAÇÃO E EXPERIMENTAIS DO RET. TRIF. HÍBRIDO

propósito, testes foram realizados com a carga variando desde 20% até
100% da potência nominal. A curva resultante dos ensaios pode ser
visualizada na Figura 8-12. Para o cálculo do rendimento não foram
consideradas as perdas das fontes auxiliares como: placa de controle,
circuito de gate-drivers e ventilação. Atingiu-se um rendimento
máximo de 97,78% com a carga em 46% da potência nominal.
Observa-se também que o rendimento manteve-se acima de 96,5%
para toda faixa testada.

Figura 8-12 – Curva de rendimento experimental do conversor trifásico Tipo I.

8.3 RESUMO SOBRE O CAPÍTULO

Neste capítulo foram apresentados resultados tanto de simulação


quanto experimentais do conversor trifásico. Dentre os conversores da
família proposta, o Tipo I trifásico foi empregado para estudo. Por
meio dos resultados atingidos, pode-se constatar o funcionamento e
características das formas de onda das principais grandezas da
topologia. Os resultados de simulação anteciparam o que viria
acontecer na experimentação. O gráfico do espectro harmônico da
corrente de entrada mostra que as correntes drenadas pelo conversor
apresentam baixo conteúdo harmônico, chegando a um THD menor
que 5% na potência nominal. Outro aspecto que se deve destacar é o
fato do conversor controlar integralmente as tensões parciais de saída,
obtendo boa resposta dinâmica diante de transitórios. Adicionalmente,
pode-se mostrar a eficácia da malha de balanço das tensões de saída.

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


RESULTADOS DE SIMULAÇÃO E EXPERIMENTAIS DO RET. TRIF. HÍBRIDO 191

Através da curva de rendimento, obtida por meio do protótipo


construído, pode-se comprovar que a solução proposta atinge requisitos
de eficiência, obtendo elevado rendimento para cargas próximas a
metade da potência nominal.
Cabe salientar que todos os resultados foram obtidos com técnicas
de controle simples usadas em outros conversores trifásicos e, portanto,
já bastante difundidas na literatura. Dessa forma, a adaptação para o
projeto dos controladores é bastante reduzida.
Por fim, os resultados mostrados neste capítulo reiteram a proposta
deste trabalho, que é o uso de conversores PWM para aplicações que
exijam alto ganho de tensão e correção do fator de potência. Foi
atingida uma taxa de conversão de tensão de saída maior que 7 vezes
ao valor eficaz de entrada, o que ratifica as vantagens das soluções
propostas.

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192 RESULTADOS DE SIMULAÇÃO E EXPERIMENTAIS DO RET. TRIF. HÍBRIDO

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


Capítulo 9

9.Conclusão geral
s conversores ca-cc unidirecionais que são empregados
O atualmente apresentam limitações quanto a faixa de tensão de
saída que podem operar, tipicamente menor que 1000 V. Esse
fato advém da indisponibilidade de semicondutores que suportem
tensões elevadas, como o caso do MOSFET, e também à limitação que
os elementos parasitas impõem ao ganho estático nos conversores que
operam com armazenamento indutivo. Contudo, há inúmeras ocasiões
que é necessário superar esses limites.
Foram mostrados no capítulo 1 inúmeras aplicações que necessitam
de conversão ca-cc de alto ganho. Nesses casos, outros tipos de
conversores acabam por serem utilizados como, por exemplo, com
isolação galvânica (transformadores) ou extensão de níveis
(multiníveis). Entretanto, essas soluções podem acrescentar elevação
de custos ou até mesmo complexidade. Além disso, muitos
equipamentos empregam circuitos multiplicadores de tensão operando
em baixa frequência, tendo por consequência aumento significativo de
volume e custo. Também, durante a revisão bibliográfica ficou claro
que muitas das soluções atuais são voltadas para aplicações de
conversão cc-cc não deixando claro a possibilidade da conversão ca-cc.
Todos esses aspectos foram citados e apontados durante a revisão
bibliográfica, onde se evidenciou a existência de uma lacuna, que é a
necessidade de conversores que consigam operar com tensões elevadas,
ao mesmo tempo em que apresentem elevado fator de potência em seu
estágio de entrada. A operação como PFC se justifica pela questão da
redução do impacto das perdas na rede elétrica e também pela
redução das interferências eletromagnéticas em outros equipamentos.
À vista disso, com base na deficiência de soluções voltadas a
conversão ca-cc, esta tese apresentou uma nova família de retificadores
unidirecionais. Esta família conta com os atributos de possuir elevado
ganho de tensão e alto fator de potência. Adicionalmente, as
topologias propostas apresentam três níveis de tensão em seus

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


194 CONCLUSÃO GERAL

terminais comutados. Essa característica permite a redução física do


indutor de entrada e também os impactos de emissão eletromagnética.
Foram apresentadas soluções tanto monofásicas quanto trifásicas,
abrangendo, dessa forma, a um nicho extenso de aplicações. As
topologias unificam dois conceitos distintos dentro da eletrônica de
potência, que é o armazenamento indutivo e a comutação capacitiva.
A junção dessas duas vertentes permite ter característica de fonte de
corrente, no estágio de entrada, e de fonte de tensão, no estágio de
saída.
Por meio do estudo detalhado de cada etapa de funcionamento,
pode-se perceber que os conversores propostos reduzem os esforços de
tensão sobre os interruptores, podendo estes serem dimensionados para
suportar a um quarto da tensão de saída. Ressalta-se o fato do número
reduzido de interruptores comandados necessários para conversão de
energia, o que implica na redução significativa do número de circuitos
de gate-drivers.
Com a evolução dos capítulos foram sendo expostas outras
peculiaridades da família de conversores como, por exemplo, a
possibilidade de controle da tensão de saída e da corrente de entrada.
Para tal, foi analisado detalhadamente o modelo de planta tanto de
tensão quanto de corrente, visando o projeto dos controladores.
Através de considerações simples foi possível encontrar modelos
semelhantes aos conversores convencionais e, portanto, sendo possível
o emprego de técnicas difundidas na literatura.
Com o intuito de comprovar o funcionamento, simulações
numéricas foram realizadas, onde foi possível perceber os atributos e
deficiências das soluções propostas. Por meio de uma especificação de
projeto, construiu-se um protótipo com a finalidade única de validação
experimental. Por intermédio dos resultados alcançados, foi possível
constatar que a topologia possui tensão e corrente de entrada em fase
e senoidal, ao mesmo tempo em que garante a tensão de saída
regulada. Os resultados experimentais também serviram para avaliar o
comportamento dinâmico de tensões e correntes diante de transitórios
de carga. Através dos resultados experimentais obtidos, pode-se
afirmar que as tensões mantêm-se equilibradas e as correntes com
baixa distorção harmônica, mesmo diante de perturbações externas.
Por fim, por meio das curvas de rendimento, tanto do conversor
monofásico quanto do retificador trifásico, acredita-se que as soluções
propostas podem, um dia, integrar o segmento de mercado que outros
conversores atualmente integram, com o diferencial de possuírem
menores perdas que as soluções convencionais. Em muitas das

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


CONCLUSÃO GERAL 195

aplicações não há necessidade de isolamento, tão pouco


bidirecionalidade podendo, desta forma, esta nova família se enquadrar
sem que, para isso, se tenha perda de generalidade ou desempenho. De
qualquer forma, os resultados teóricos e práticos obtidos condizem com
a proposta inicial, ratificando a viabilidade para aplicações que exijam
alto ganho de tensão. O que se buscou, a todo o momento, foi uma
contribuição ao estudo dos retificadores unidirecionais. Contudo, ainda
é clara a necessidade de mais investigações que visem explorar as
vantagens e desvantagens deste tipo de abordagem.

9.1 PROPOSTA DE TRABALHO FUTUROS

Com base nos estudos que ainda podem se realizados, considera-se


as seguintes sugestões.

9.1.1 Conversores monofásicos


A tese propôs apenas soluções com dois estágios de células diodo-
capacitor. Em virtude disso, a faixa de operação fica restrita a algumas
aplicações. Foi mostrado que o conversor possui bom rendimento para
uma faixa específica de índice de modulação. Operar fora dessa faixa
pode significar baixa eficiência e, por consequência, pode não ser
atrativo o uso de dois estágios. Como possível solução a essa questão,
pode-se sugerir a generalização dos estudos apresentados para os
conversores monofásicos. Dependendo da taxa de conversão pode ser
interessante aumentar o número de estágios, ampliando a tensão de
saída. Esse estudo deve apontar expressões matemáticas generalizadas,
de tal forma que seja possível estabelecer o número de estágios ótimo
para uma determinada aplicação. A título de ilustração na Figura 9-1
são apresentadas duas células genéricas com n-estágios. Por meio
destas células seis conversores podem ser gerados.
Outro estudo interessante seria uma metodologia para otimização
dos capacitores da topologia. Esse pode resultar em um conversor mais
compacto e mais barato, isso por meio da escolha adequada dos
valores de capacitância.
Ainda, neste trabalho foi dada ênfase apenas ao conversor Tipo I.
Pode-se sugerir a avaliação comparativa entre as topologias propostas.
Embora todas possuem as mesmas características do ponto vista de
entrada e saída, estas apresentam características distintas quanto a

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196 CONCLUSÃO GERAL

perdas de energia. Um estudo detalhado de distribuição de perdas


pode revelar as vantagens e desvantagens de cada abordagem.

Figura 9-1 – Proposta de generalização dos conversores propostos.

9.1.2 Conversores trifásicos


Todos os estudos mencionados para os conversores monofásicos
podem se aplicados aos retificadores trifásicos, principalmente no que
diz repeito à generalização no número de estágios. Contudo, talvez a
maior contribuição seja um estudo detalhado de estratégias de

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CONCLUSÃO GERAL 197

modulação. Novas técnicas de modulação dos interruptores podem


revelar características benéficas para o rendimento das estruturas.
Muitas das técnicas empregadas atualmente para conversores três
níveis convencionais podem ser diretamente adaptadas às estruturas
propostas.

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198 CONCLUSÃO GERAL

INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA


199

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A. Apêndice - Esquemáticos

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