Apostila de Programação CNC para Torno
Apostila de Programação CNC para Torno
TECNOLOGIA DE ALAGOAS
DIRETORIA DO CAMPUS - MACEIÓ COORDENAÇÃO DE MECÂNICA
COMANDO MACH - 9
MACEIÓ
PROGRAMAÇÃO CNC – MMDS / MABS 2
APOSTILA DE PROGRAMAÇÃO PARA TORNO CNC
1 – OBJETIVOS:
Com o objetivo de oferecer aos alunos e outros interessados o conhecimento e técnicas de
programação em máquinas CNC, elaboramos esta apostila com a intenção de transmitir os
conhecimentos adquiridos. Para que todos possam exercer suas funções com habilidades e
segurança elaborando programas CNC simples e complexo, selecionar ferramentas e insertos de
metal duro.
1.1 – JUSTIFICATIVA:
É bom lembramos que, esta apostila, objetiva o cumprimento do conteúdo da disciplina PCNC
e, tendo o aluno despertado interesse de se aprofundar em determinado assunto, é recomendado
leitura adicional em livros e catálogos especializados.
Finalizando, agradecemos aos leitores deste trabalho, eventuais sugestões que venham a
enriquecer o conteúdo deste.
1.2- APRESENTAÇÃO
No desenvolvimento histórico das Máquinas Ferramentas de usinagem, sempre procurou-se
soluções que permitissem aumentar a produtividade com qualidade superior e a minimização dos
desgastes físicos na operação das máquinas. Muitas soluções surgiram, mas até recentemente,
nenhuma oferecia a flexibilidade necessária para o uso de uma mesma máquina na usinagem de
peças com diferentes configurações e em lotes reduzidos.
Um exemplo desta situação é o caso do torno. A evolução do torno universal levou à criação do
torno revólver, do torno copiador e torno automático, com programação elétrica ou mecânica, com
emprego de “carnes”, etc. Em paralelo ao desenvolvimento da máquina, visando o aumento dos
recursos produtivos, outros fatores colaboraram com sua evolução, que foi o desenvolvimento das
ferramentas, desde as de aço rápido, metal duro às modernas ferramentas com insertos de cerâmica.
As condições de corte impostas pelas novas ferramentas exigiram das máquinas novos conceitos de
projetos, que permitissem a usinagem com rigidez e dentro destes, novos parâmetros. Então, com a
descoberta e, conseqüente aplicação do Comando Numérico à Máquina Ferramenta de Usinagem,
esta preencheu as lacunas existentes nos Sistemas- de trabalho com peças complexas, reunindo as
características de várias destas máquinas.
1.3 - HISTÓRICO
Em 1950, já se dizia em voz corrente, que a cibernética revolucionaria, completamente, as
Máquinas Ferramentas de usinagem, mas não se sabia exatamente como. Houve tendências iniciais
de aplicar o computador para comando de máquinas, o que, de certa forma, retardou o aparecimento
do CN. Somente quando este caminho foi abandonado por ordem econômica, principalmente, abriu-
se para a pesquisa e o desenvolvimento do que seria o “Comando Numérico”.
No conceito “Comando Numérico”, devemos entender “numérico”, como significando por meio
ou através de números. Este conceito surgiu e tomou corpo, inicialmente nos idos de 1949/50, nos
Estados Unidos da América e, mais precisamente, no Massachussets Institute of Tecnology, quando
sob a tutela da Parsons Corporation e da Força Áerea dos Estados Unidos, desenvolveu-se um
projeto específico que tratava do “desenvolvimento de um sistema aplicável às máquinas-
ferramenta para controlar a posição de seus fusos, de acordo com os dados fornecidos por um
computador”, idéia, contudo, basicamente simples.
Entre 1955 e 1957, a Força Aérea Norte-Americana utilizou em suas oficinas máquinas C.N., cujas
idéias foram apresentadas pela “Parson Corporation”. Nesta mesma época, várias empresas
pesquisavam, isoladamente, o C.N. e sua aplicação.
PROGRAMAÇÃO CNC – MMDS / MABS 3
O M.I.T., Massachussets lnstitute of Tecnology, também participou das pesquisas e apresentou um
comando com entrada de dados através de fita magnética. A aplicação ainda não era significativa,
pois faltava confiança, os custos eram altos e a experiência muito pequena. Da década de 60, foram
desenvolvidos novos sistemas, máquinas foram especialmente projetadas para receberem o C.N., e
aumentou muito a aplicação no campo da metalurgia. Este desenvolvimento chega a nossos dias
satisfazendo os quesitos de confiança, experiência e viabilidade econômica. A história não termina,
mas abre-se novas perspectivas de desenvolvimento, que deixam de envolver somente Máquinas
Operatrizes de usinagem, entrando em novas áreas. O desenvolvimento da eletrônica aliado ao
grande progresso da tecnologia mecânica garantem estas perspectivas do crescimento.
Atualmente, as palavras “Comando Numérico” começam a ser mais freqüentemente entendidas
como soluções de problemas de usinagem, principalmente, onde não se justifica o emprego de
máquinas especiais. Em nosso país, já iniciou-se o emprego de máquinas com C.N., em substituição
aos controles convencionais.
No Brasil, as primeiras aplicações de CN ocorreram em 1967, sendo a primeira máquina fabricada
em 1971. Os primeiros tornos CNC foram desenvolvidos e fabricados pelas empresas Nardini e
Romi, sendo que mais tarde foram surgindo outras como Traub, Okuma, Wotan, Index, Fadal,
Mori-Seiki, Rocco, Dyna, Mazak, Meggaton etc.
Atualmente fala-se, em FMS - Sistemas Flexíveis de Manufatura, ou seja, não mais em máquinas
isoladas e sim máquinas integradas ( DNC ) com a utilização de sistemas CAD - Desenho Assistido
por Computador e CAM - Manufatura Assistida por Computador, e também de robôs.
2 - CONCEITOS BÁSICO:
2.1 - O QÚE É COMANDO NUMÉRICO?
Como definição, pode-se dizer que o Comando Numérico é um equipamento eletrônico capaz de
receber informações através de entrada própria de dados, compilar estas informações e transmiti-Ias
em forma de comando à máquina ferramenta de modo que esta, sem a intervenção do operador,
realize as operações na seqüência programada.
Para entendermos o princípio básico de funcionamento de uma máquina- ferramenta a Comando
Numérico, devemos dividi-la, genericamente, em duas partes:
2.2 - Comando Numérico
O C.N. é composto de uma unidade de assimilação de informações, recebidas através da leitora de
fitas, entrada manual de dados, micro e outros menos usuais.
Uma unidade calculadora, onde as informações recebidas são processadas e retransmitidas às
unidades motoras da máquina-ferramenta.
O circuito que integra a máquina-ferramenta ao C.N. é denominado de interface, o qual será
programado de acordo com as características mecânicas da máquina.
2.4 - Máquina-Ferramenta
O projeto da máquina-ferramenta deverá objetivar os recursos operacionais oferecidos pelo C.N.
Quanto mais recursos oferecer, maior a versatilidade.
PROGRAMAÇÃO CNC – MMDS / MABS 4
3 - VANTÁGENS DO COMANDO NUMÉRICO
O Comando Numérico pode ser utilizado em qualquer tipo de máquina-ferramenta. Sua aplicação
tem sido maior nas máquinas de diferentes operações de usinagem, como Tornos, Fresadoras,
Furadeiras, Mandriladoras e Centros de Usinagem.
Basicamente, sua aplicação deve ser efetuada em empresas que utilizem as máquinas na usinagem
de séries médias e repetitivas ou em fermentarias, que usinam peças complexas em lotes pequenos
ou unitários.
A compra de uma máquina-ferramenta não poderá basear-se somente na demonstração de economia
comparado com o sistema convencional, pois, o seu custo inicial ficará em segundo plano, quando
analisarmos os seguintes critérios na aplicação de máquinas a C.N.
As principais vantagens são:
• Maior versatilidade do processo
• Interpolações lineares e circulares
• Corte de roscas
• Redução na gama utilizável de ferramentas.
• Compactação do ciclo de usinagem.
• Menor tempo de espera.
• Menor movimento da peça.
• Menor tempo de preparação da máquina.
• Menor interação entre homem/máquina. As dimensões dependem, quase que somente, do
comando da máquina.
• Uso racional de ferramentas, face aos recursos do comando/máquina, os quais executam as formas
geométricas da peça, não necessitando as mesmas de projetos especiais.
• Simplificação dos dispositivos.
• Aumento da qualidade do serviço.
• Repetibilidade dentro dos limites próprios da máquina.
• Maior controle sobre desgaste das ferramentas
• Possibilidade de correção destes desgastes.
• Menor controle de qualidade.
• Seleção infinitesimal dos avanços.
• Profundidade de corte perfeitamente controlável.
• Troca automática de velocidades.
• Redução do refugo.
• Menor estoque de peças em razão da rapidez de fabricação.
• Maior segurança do operador.
• Redução na fadiga do operador.
• Economia na utilização de operários não qualificados.
• Rápido intercâmbio de informações entre os setores de Planejamento e Produção.
• Uso racional do arquivo de processos.
• Troca rápida de ferramentas.
PROGRAMAÇÃO CNC – MMDS / MABS 5
4 - PRINCIPAIS RECURSOS DO CNC.
• Vídeo gráfico para o perfil da peça e visualização do campo de trabalho da ferramenta.
• Compensação do raio do inserto.
• Programação de áreas de segurança.
• Programação de quaisquer contornos.
• Programação de velocidade de corte constante.
• Programação com sub-programas.
• Comunicação direta com operador através do vídeo.
• Sistema de auto-diagnóstico.
• Programação absoluta ou incremental nos deslocamentos.
• Capacidade de memória 64 kbytes, ou ± 65 metros de fita.
• Memorização dos programas por entrada manual de dados, fita perfurada, fita magnética e micro.
• Monitorização da vida útil da ferramenta.
• Programação em milímetros ou polegadas.
• Programação em ciclos fixos de usinagem.
• “PRE-SET” realizado na própria máquina.
No torno: A nossa placa é pneumática com cilindro incorporado, com um jogo de 3 castanhas
moles, comandada a pedal.
No Centro (Discovery): Tipo de máquina as pressões de fixação não exercem papel importante, pois
normalmente se utilizam: morsas, grampos, dispositivos especiais de fixação, que são montados
diretamente sobre a mesa da máquina, permitindo usinar a peça totalmente sem a necessidade de
tirá-la da posição.
6 - SISTEMA DE COORDENADAS
Toda geometria da peça é transmitida ao comando com auxílio de um sistema de coordenadas
cartesianas.
O sistema de coordenadas é definido no plano formado pelo cruzamento de uma linha paralela ao
movimento longitudinal (Z), com uma linha paralela ao movimento transversal (X).
Todo movimento da ponta da ferramenta é descrito neste plano XZ, em relação a uma origem pré-
estabelecida (X0, Z0). Lembrar que x é sempre a medida do diâmetro.
PROGRAMAÇÃO CNC – MMDS / MABS 9
6.1- SISTEMA DE COORDENADAS ABSOLUTAS
Neste sistema, a origem é estabelecida em função da peça a ser executada, ou seja, podemos
estabelecê-la em qualquer ponto do espaço para facilidade de programação. Este processo é
denominado “Zero Flutuante”.
Como vimos, a origem do sistema foi fixada como sendo os pontos X0, Z0. O ponto X0 é definido
pela linha de centro do eixo-arvore. O ponto Z0 é definido por qualquer linha perpendicular à linha
de do eixo-árvore.
Durante a programação, normalmente a origem (X0, Z0) é pré-estabelecida no fundo da peça
(encosto das castanhas) ou na face da peça, conforme ilustração:
EXEMPLO DE PROGRAMAÇÃO
PROGRAMAÇÃO CNC – MMDS / MABS 10
6.2 - SISTEMA DE COORDENADAS INCREMENTAIS:
A origem deste sistema é estabelecida para cada movimento da ferramenta.
Após qualquer deslocamento haverá uma nova origem, ou seja, para qualquer ponto atingido pela
ferramenta, a origem das coordenadas passará a ser o ponto alcançado.
Todas as medidas são feitas através da distância a ser deslocada.
Se a ferramenta desloca-se de um ponto A até B (dois pontos quaisquer), as coordenadas a serem
programadas serão as distâncias entre os dois pontos, medidas (projetadas) em X e Z.
Nota-se que o ponto A e origem para o ponto B e B será origem para um deslocamento ate um
ponto C, e assim sucessivamente.
EXEMPLO DE PROGRAMAÇÃO
PROGRAMAÇÃO CNC – MMDS / MABS 11
7 – PROGRAMAÇÃO:
Um programa de Comando Numérico pode ser definido como uma seqüência lógica de informações
necessárias a usinagem de uma peça.
Essas informações (ou parâmetros) podem ser:
- Geométricas e o percurso da ferramenta que definirá o contorno final da peça.
- Tecnológicas São as condições de usinagem (avanço, penetração e velocidade de corte) e as
ferramentas a serem utilizadas.
As informações são passadas à máquina pelo programador ou operador, utilizando-se uma das
diversas linguagens de programação padronizadas para CNC, através do teclado do terminal de
operações ou de outros periféricos como leitora de fitas, microcomputador, etc.
11 - FUNÇÕES ESPECIAIS:
11.1 - Função N:
Aplicação: Número seqüencial de blocos.
Cada bloco de informação é identificado pela função “N”, seguida de até 4 dígitos.
As Funções “N” são, geralmente, ignoradas pelo comando, exceto quando utilizadas para desvio
incondicional (função H) e procura de blocos.
Se usada esta função deveria ser incrementada com valor de 5 em 5 ou de 10 em 10, por exemplo,
para deixar espaço para possíveis modificações no programa, e deve ser programada no início do
bloco.
Exemplo: N50 G X130. Z140.#
11.3 - Função: H
Aplicação: Desvio incondicional.
A função “H” executa desvios incondicionais no programa e deve ser programada em bloco
separado.
Esta função deve ser usada em programas contendo números seqüenciais “N”, pois o desvio ocorre
para um determinado bloco que contenha uma seqüência, onde “N” tem um valor exatamente igual
ao valor de’ “H”.
Este desvio deve ser executado somente no mesmo programa, não podendo utilizar- se de outro sub-
programa.
PROGRAMAÇÃO CNC – MMDS / MABS 15
EXEMPLO: N00;...PEÇ[Link]ÍCIO.#
N05 G99#
H70#
•
•
N30 T1111 ;.BROCA.#
N35 G54# N40GX160.Z150.#
N70 T1212; .[Link].#
11.4 - Função: T
Aplicação: Seleção de ferramentas e corretores.
A Função T é usada para selecionar as ferramentas na torre informando para a máquina o seu
zeramento (PRE-SET), raio do inserto, sentido de corte e corretores.
É composta de 4 dígitos, onde os dois primeiros definem à máquina qual ferramenta iremos
trabalhar e os dois últimos o corretor que será utilizado para a correção das medidas e desgaste do
inserto.
No CNC ROMI , em nosso caso (torno cnc Centur 30s) temos possibilidade de utilizar até 08
ferramentas e 08 corretores, sendo o limite de ferramentas estipulado para cada modelo de máquina.
Exemplo:
T 1 3 1 3
Dimensões Corretores
Obs.: O giro da torre e o movimento dos carros não podem estar em um mesmo bloco. Dois blocos
serão necessários, um para o movimento dos carros e outro o giro da torre.
Observações:
Nossa Torre e Dianteira, e no caso de termos ferramentas trabalhando em quadrantes diferentes, no
eixo transversal (quadrante negativo), deveremos inverter o código de interpolação circular ( G2 e
G3 ) em relação ao sentido de deslocamento da ferramenta.
PROGRAMAÇÃO CNC – MMDS / MABS 18
Importante:
Antes da execução do bloco contendo a interpolação circular o comando verifica automaticamente o
arco e, se for geometricamente impossível a execução, o comando pára, mostrando a mensagem:
“G02/G03 - [Link]”
As Funções G2 e G3 não são Modais, cancelam a função G0 e autorizam o código G1 para
movimentos subsequentes.
EXEMPLO DE PROGRAMAÇÃO:
ROSCA MÉTRICA DIÂMETRO 30 x 1,5
Relação de fórmulas:
H (Altura do filete) G33
EXEMPLO DE PROGRAMAÇÃO:
PROGRAMAÇÃO CNC – MMDS / MABS 23
H = (0.65 x 2) x 2
H = 2.6
Diâmetro final = Diâmetro inicial - altura do filete
Diâmetro final = 25 - 2.6
Diâmetro final = 22.4
OBS: No exemplo, de acordo com o valor de W = 0.52, a rosca será executada em 8 passadas,
sendo:
- da primeira a quarta passada (W = 0.52)
- da quinta passada (W = 0.26)
- da sexta passada (W = 0.13)
- da sétima e oitava passada (W = 0.065)
•
N60 G X30. Z54.#
N65 G76 X22.4 Z35. K2. U2.6 W0.52#
•
12.11 - FUNÇÃO: “G40”
Aplicação: Cancela compensação do raio da ponta da ferramenta.
A Função G40 deve ser programada em um bloco, próprio para cancelar as funções previamente
solicitadas como G41 e G42. Esta função, quando solicitada pode utilizar o bloco posterior para
descompensar o raio do inserto que deve ser inserido na página de “Dimensões de Ferramentas”.
A Função G40 é Modal e está ativa quando comando é ligado.
O ponto comandado para trabalho encontra-se no vértice entre os eixos X e Z.
EXTERNO
INTERNO
PROGRAMAÇÃO CNC – MMDS / MABS 25
LADO DE CORTE PARA COMPENSAÇÃO DO RAIO DA FERRAMENTA
(TORRE DIANTEIRA)
PONTA DA FERRAMENTA
MAIS
USADA
NÃO
SE
USA
MAIS
USADA
PROGRAMAÇÃO CNC – MMDS / MABS 26
12.14 - FUNÇÃO: “G54”
Aplicação: Ativa o primeiro “corretor” de placa.
Esta função desloca o zero-peça original (definido por software) para uma distância pré-
determinada, definida pelo programador (face frontal ou face de encosto).
Esta função está contida na página de “Dimensões”, com o título “Placa” e os valores contidos
referem-se somente ao eixo “Z”.
O código G54, quando utilizado, deve ser programado para todas as ferramentas do programa, que
exijam a confirmação da mudança do zero-peça.
Importante:
- Deve-se sempre observar as medidas do material em bruto nos posicionamentos de “X” e “Z” do
ciclo G66 e na definição do perfil da peça no sub-programa.
- O ciclo G66 não permite a execução de “mergulhos” nas peças, isto é, as coordenadas devem ser
ascendentes ou descendentes.
12.15.1 - DESBASTE EXTERNO PARALELO AO EIXO Z:
A regra para posicionamento inicial do ciclo de desbaste externo deverá seguir as seguintes
condições:
X = Maior diâmetro da peça em bruto + 4
EXEMPLO DE PROGRAMAÇÃO:
Posicionamento inicial:
X = Maior diâmetro da peça em bruto + 4
X = 80 + 4
X= 84
Z = Comprimento da peça em bruto + 2
Z = 70 + 2
Z = 72
Programa Principal:
•
N70 G66 X84. Z72. I1. K.3 Ul W4. P10 F.3 #
•
Sub-programa 10 (P10)
•
N05 G1 X16. Z70. F.2 #
N10 X20. Z68. #
N15 Z55. #
N20 G2 X30. Z50. R5. #
N25 X50. #
N30 Z40. #
N35 X80. Z25. #
N40 M2 #
•
PROGRAMAÇÃO CNC – MMDS / MABS 28
Observações:
- Funções preparatórias “G” admissíveis no sub-programa são: G1, G2, G3, G4 e G73.
- No sub-programa, observar que o último ponto em X deve ser igual ao diâmetro da peça em bruto.
- Após executar o ciclo de desbaste, a ferramenta retornará automaticamente ao ponto inicial
programado no bloco G66.
Nota: Querendo-se utilizar o sub-programa P10, para o acabamento da peça com a mesma
ferramenta, teremos:
Programa Principal:
N70 G66 X84. Z72. I1 K.3 Ul W4. P10 F.3 #
N75 G X14. #
N80 G42 #
N85 P10 #
N90 G40 #
N95 X83.#
EXEMPLO DE PROGRAMAÇÃO:
PROGRAMAÇÃO CNC – MMDS / MABS 29
Posicionamento inicial:
X = Menor diâmetro da peça em bruto - 4
X = 30 - 4
X = 26
Z = Comprimento da peça em bruto + 2
Z = 70 + 2
Z = 72
Programa Principal:
N80 G66 X26. Z72. 1.8 K.2 Ul W3. P20 F.3 #
Sub-programa 20 (P20):
N05 G1 X80. Z70. F.2#
N10X76.Z68.#
N20 Z60. #
N30 G3 X66. Z55. R5. #
N40 X50. #
N50 Z45. #
N60 X30. Z20.#
N70 M2 #
Observações:
- Funções preparatórias “G” admissíveis no sub- programa: G1, G2, G3, G4 e G73.
- No sub-programa, observar que o último ponto em X deve ser igual ao diâmetro do furo da peça
em bruto.
-Após executar o ciclo de desbaste a ferramenta retornará automaticamente ao ponto inicial
programado no bloco G66.
Nota: Querendo-se utilizar o sub-programa P20, para o acabamento da peça com a mesma
ferramenta, teremos:
Programa Principal:
N80 G66 X26. Z72. I.8 K.2 Ul W3. P20 F.3 #
N85 G X82. #
N90G41 #
N95 P20 #
N100 G40 #
N105 X28. #
N11OGZ72. #
Importante: Para utilizarmos o mesmo sub-programa de desbaste no acabamento da peça,
utilizando-se ferramentas diferentes, será necessário que ambas estejam no mesmo quadrante.
PROGRAMAÇÃO CNC – MMDS / MABS 30
12.16 - FUNÇÃO “G67”
Aplicação: Ciclo automático de desbaste transversal.
Este ciclo permite a usinagem de desbaste completa de uma peça utilizando-se apenas de um bloco
de programação.
A Função G67 requer um sub-programa com as dimensões de acabamento da peça.
A função G67 não é Modal e requer:
G67X Z I K (Ul) W P F# Onde:
X = Diâmetro de referência para início de faceamento.
Z = Comprimento de referência para início de faceamento.
I = Sobremetal para acabamento no eixo X (diâmetro).
K = Sobremetal para acabamento no eixo Z.
W = Profundidade por passada no comprimento.
P = Sub-programa que contém as dimensões de acabamento do perfil da peça.
F = Avanço programado para desbaste.
Ul = Pré-acabamento paralelo ao perfil final, mantendo as dimensões pré- estabelecidas (opcional).
Importante:
- Deve-se sempre observar as medidas do material em bruto nos posicionamentos de “X” e “Z” do
ciclo G67 e na definição do perfil da peça no sub-programa.
- O ciclo G67 não permite a execução de “mergulhos” nas peças, isto é, as coordenadas devem ser
ascendentes ou descendentes.
EXEMPLO DE PROGRAMAÇÃO:
PROGRAMAÇÃO CNC – MMDS / MABS 31
Posicionamento inicial:
X = Maior diâmetro da peça em bruto + 4
X = 80 + 4
X = 84
EXEMPLO DE PROGRAMAÇÃO:
N50 G X Z75. #
N55 G74 Z-5. W15. F.15 #
PROGRAMAÇÃO CNC – MMDS / MABS 32
12.17.1 - TORNEAMENTO
A função G74 pode ser utilizada como ciclo de torneamento paralelo ao eixo Z o qual torneia com
sucessivos passes, até o diâmetro desejado.
A função G74, como ciclo de torneamento, requer:
G74 X Z I (Ul) F #, onde:
X = Diâmetro final (absoluto)
Z = Posição final (absoluto)
I = Incremento por passada no diâmetro (incremental)
Ul = Recuo angular da ferramenta (incremental)
Observações:
- Posicionar a ferramenta no diâmetro da primeira passada.
- Se houver a função Ul num ciclo de torneamento, então a cada passada o comando fará um retorno
no eixo X, no sentido contrário à penetração e com valor da função 1 até a posição inicial Z.
EXEMPLO DE PROGRAMAÇÃO:
•
N70 G X84. Z83.#
N75 G74 X30. Z28. 16. Ul F.3#
•
•
N30 G X30. Z73. #
N35 G74X50. Z25. 15. Ul F.25#
•
PROGRAMAÇÃO CNC – MMDS / MABS 33
Observações:
- Posicionar a ferramenta no comprimento da primeira passada.
- Se houver a função U 1 no ciclo de faceamento, então a cada passada o comando fará um retorno
no eixo Z, no sentido contrário à penetração, com valor da função K até a posição inicial X.
EXEMPLOS DE PROGRAMAÇÃO:
•
N20 G X65. Z88. #
N25 G75 X25. Z60. K2. Ul F.2 #
•
•
N80 G X28. Z92. #
N85 Z88.5 #
N90G75 X45. Z70. K1.5 Ul F.15#
N95 Z92.#
•
PROGRAMAÇÃO CNC – MMDS / MABS 34
12.18.2 - CANAIS
O ciclo G75 pode ser usado também como ciclo de canais, podendo-se programar a quebra de
cavacos.
Neste ciclo, os canais devem ser eqüidistantes sendo que o último canal será executado na posição
Z programada, independentemente de estar ou não na mesma distância dos demais.
A função G75, como ciclo de canais, requer:
G75 X (Z) (W) (K) (D) F #, onde:
X = Diâmetro final (absoluto)
Z = Posição final (absoluto)
W = Distância para quebra cavacos (incremental)
K = Distância entre os canais (incremental)
D = Tempo de permanência (segundos)
F = Avanço
Observações:
- Na ausência da função W, o eixo X avança para o diâmetro final com movimento contínuo.
- A função G75 não é Modal.
EXEMPLO DE PROGRAMAÇÃO:
•
N60 G X75. Z67. #
N65 G75 X60. Z25. K14. F.1 #
•
•
N60 G83 Z40. I20. J5. K10. U75. W3. R115. P1 F.15#
N70 G X Z130.# (Bloco de aproximação)
N80 G80# (cancela a função G83)
•
Observações:
Se U não for programado ou for programado menor ou igual a 10, após cada incremento a
ferramenta retornará ao plano R;
Se U > 75, não ocorrerá retorno ao plano R até que a profundidade final seja atingida;
Se 10 < U < 75, ocorrerá retorno ao plano R sempre que a soma dos incrementos de profundidade
for maior ou igual ao valor de U.
D N M G 15 06 08 E R #
saída e meio de fixação
Ângulo fé folga lateral
Condições do canal de
critério do fabricante
Formato da pastilha
Condições da aresta
Execução especial a
Comprimento da
Sentido de Corte
aresta cortante
Raio da ponta
Tolerância de
fabricação
Espessura
cortante
P D J N R 25 25 M 15 #
Comprimento do porta
critério do fabricante
Tamanho da pastilha
Formato da pastilha
Execução especial a
Ângulo de posição
Largura da haste
Sentido de corte
Ângulo de folga
Altura da haste
Tipo de fixação
ferramenta
PROGRAMAÇÃO CNC – MMDS / MABS 44
13.5 - EXEMPLO DE PROGRAMAÇÃO COMPLETA P/CENTUR 30S
1 – DESENHO:
Acabamento
Veloc. Corte: Vc = 220 m/min
Avanço: 0,15 mm/rot
Prof. Corte: 0,25 mm
2 – PROGRAMA CNC:
10 CV M11 M12
(7.5Kw)
rpm
0
25
100
1000
3500
PROGRAMAÇÃO CNC – MMDS / MABS 47
16 - FLUXOGRAMA DE PROGRAMAÇÃO
• INÍCIO
;______ # ( nome do programa)
G99 # ( reset de memória)
• TROCA DE FERRAMENTA
T00; _______ # ( comentário da próxima operação)
G54 #
G00 X____ Z ._____ # ( ponto de troca da ferramenta)
T ________ # (número da próxima ferramenta)
M6#
M__?___ # (faixa de rotação)
(M11 = baixa: 25 - 1000 mm)
(M12 = alta: 100 - 3500 rpm)
• VELOCIDADE DE CORTE CONSTANTE
G96#
S_______ #(valor da Vc.)
G92 S_______ M3 # ( valor e sentido de rotação)
• PROGRAMAÇÃO EM RPM DIRETA
G97 #
S________ M3 # ( valor e sentido de rotação — rpm)
• GERAÇÃO DO PERFIL DA PEÇA
Instruções de acordo com a criatividade do programador)
• FIM DO PROGRAMA
T00 #
G54 #
G00 X____ . Z_____ . # ( ponto de troca da ferramenta)
M30 #
PROGRAMAÇÃO CNC – MMDS / MABS 48
17 - TABELAS E FÓRMULAS TECNOLÓGICAS
Avanço, Velocidade de Corte e Classe de dureza das Pastilhas de Metal Duro.
Dureza ACABAMENTO DESBASTE
MATERIAL BRINELL Profundidade de corte Profundidade de corte
HB até 1,5 mm de 1,5 a 5 mm
Aços Carbono
C – 0.15 % 125 0,1 – 0,2 P – 10 350 0,3 – 0,7 P – 20 175
C – 0,35 % 150 0,1 – 0,2 P – 10 300 0,3 – 0,6 P – 20 150
C – 0,45 % 180 0,08 – 0,18 P – 05 250 0,25 – 0,5 P – 20 130
C – 0,70 % 250 0,05 – 0,15 P – 05 200 0,2 – 0,5 P – 20 100
Aços Liga
Recozidos 150 – 200 0,1 – 0,2 P – 10 200 0,3 – 0,7 P – 20 80
Temp. e Revenido 200 – 275 0,1 – 0,2 P – 10 150 0,3 – 0,6 P – 20 65
Temp. e Revenido 275 – 325 0,08 – 0,18 P – 05 120 0,25 – 0,5 P – 20 50
Temp. e Revenido 325 - 450 0,05 – 0,15 P – 05 100 0,2 – 0,5 P – 20 40
Aços Fundidos
Sem Liga Até 170 0,08 – 0,4 P – 20 140 0,2 – 0,8 P – 20 90
Baixa Liga 170 – 230 0,06 – 0,4 P – 20 100 0,2 – 0,7 P – 20 70
Alta Liga 160 - 200 0,05 – 0,4 P – 20 160 0,2 – 0,6 P – 20 60
Ligas de alumínio
Baixo teor de Silício - 0,12 – 0,25 K – 01 575 0,2 – 0,3 K – 01 500
Alto teor de silício - 0,1 – 0,2 K – 01 500 0,15 – 0,25 K – 01 350
Cobre e ligas com alto teor de cobre 20 – 60 0,12 – 0,2 K – 01 350 0,2 – 0,3 K – 20 275
60 – 100 0,1 – 0,2 K – 01 275 0,15 – 0,25 K – 01 225
Latão e Bronze Até 200 0,05 – 0,25 K - 01 240 0,2 – 0,4 K – 01 150
“Ks” em Kg / mm2
MATERIAL Avanço em mm / rpm
0,1 0,2 0,4 0,8
SAE 1010 a 1025 360 260 190 136
SAE 1030 a 1035 400 290 210 152
SAE 1040 a 1045 420 300 220 156
SAE 1065 440 315 230 164
SAE 1095 460 330 240 172
Aço fundido mole 320 230 170 124
Aço fundido médio 360 260 190 136
Aço fundido duro 390 286 205 150
Aço Mn, Aço Cromo-Níquel 470 340 245 176
Aço Cromo-Molibdênio 500 360 260 185
Aço de liga leve 530 380 275 200
Aço de liga duro 570 410 300 215
Aço inoxidável 520 375 270 192
Aço ferramenta (aço rápido) 570 410 300 215
Aço manganês duro 660 480 360 262
Ferro fundido mole 190 136 100 72
Ferro fundido médio 290 208 150 108
Ferro fundido duro 320 230 170 120
Ferro fundido maleável (temperado) 240 175 125 92
Alumínio 130 90 65 48
Cobre 210 152 110 80
Cobre com liga 190 136 100 72
Latão 160 115 85 60
Bronze vermelho 140 100 70 62
Bronze fundido 340 245 180 128
Normal “M”
Métrica “M”
60º Fina “MF”
Normal “BSW”
Para Eixos
Fina “BSF”
Whitworth “W”
55º Paralela “BSP”
Para Tubos
Cônica “BSPT”
Normal “NC”
Para Eixos
Fina “NF”
Americana
60º Paralela “NPS”
Para Tubos
Cônica “NPT”
PROGRAMAÇÃO CNC – MMDS / MABS 50
17.3 - CÁLCULO DE ROSCAS
Onde:
C2 = 52 = 25
a2 = 42 = 16
b2 = 32 = 9
25 = 16 + 9
TEOREMA DE
PITÁGORA
a2 = b2 + c2
b2 = a2 - c2
c2 = a2 - b2
RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS
cateto / oposto
SENO =
hipotenusa
cateto / adjacente
COSENO =
hipotenusa
cateto / oposto
TANGENTE =
cateto / adjacente
PROGRAMAÇÃO CNC – MMDS / MABS 52
18 - BIBLIOGRAFIA