O presente trabalho tem como tema: O Reino Mataka;
Objectivo geral
comprender reinos e imperios Africanos;
Objectivos especificos
a) Explicar a origem do Reino Mataka;
b) Analisar as principais actividades economicas do Reino Mataka;
c) Caracterizar a estrutura politica-administrativa e a idiologia do Reino Mataka;
Justificativa objectiva
O tema sobre O Reino Mataka já foi objecto de estudo de varios autores. Exemplo Mataruca e
Cossa na sua obra, “Moçambique sua história (2005)” fala sobre este imperio tendo em conta as
actividades economicas, localização e idiologia.
O seu turno Pereira na sua obra “História 12ª classe (2010)” versa sobre estes aspectos
destacando a origem e as causas da decadêcia.
Para minha abordagem apoiar-me-ei na abordagem de Mussa, pois este faz um estudo mais
detalhado sobre a origem, povos fundadores, localização geografica, temporal, actividades
economicas, organização politico-administrativo, idiologia e causas da decadência do imperio de
mwanamutapa.
Quanto a metodologia, para a realização deste trabalho priviligio-se a pesquisa bibliografica que
consistiu na recolha de ficha de leitura, sintese, intrevista e redação final.
Quanto ao metodo valorizou-se o metodo dedutivo partindo do geral que são os estados de
Moçambique e a penetração mercantil estrangeira para o particular que é o Reino Mataka ;
Quanto a justificativa subjetiva
Com o presente trabalho topretende-se aprofundar os conhecimentos do autor e prestar alguma
contribuição valiosa para quem no futuro possa se interessar sobre o tema.
O trabalho esta organizado em 1 capitulo sendo o Reino Mataka.
O mesmo tem uma conclusão na qual se resume os aspectos fundamentais e a reflexão pessoal do
autor e por ultimo incera-se o trabalho por uma bibliografia que serviu de base teorica para a
concretização deste trabalho.
Capitulo I O Reino Mataka
Aquando da dispersão da tribo Amacinga sob pressão dos Alolos de Mucuana, uma parte destes
foi estabelecer-se no médio Lugenda, sob direcção de Metarica. No Lugenda entraram em
contacto com Amasaninga do Mwembe, aos quais queriam impor a sua supremacia. Foram
derrotados pelo sultao Mataca 1, o célebre Nhambi da tribo Amasaninga, que passou a ser o lider
incontestado dos Wayao entre Lugenda e Rovuma (Mussa, pag 67)
A História da fundação desta dinastia é-nos contada por Yohannah Abdullah em Yao e ainda se
encontra bem viva na tradição oral do seu povo:
Nhambiabandonou as terras da avó à procura de um novo lugar para viver.(Ibid)
Nas terras do chele Kuchipille, conheceu uma mulher muito bela, cujo nome era Mhumba, irma
do chefe Nhambi pediu esta mulher para sua esposa mas Kuchipille recusou, dizendo que não
dava a sua irmă a um homem que não sabia trabalhar nas machambas Nhambi resolveu mostrar
que sabia traba Ihar na agricultura, e pos-se a cavar com muita rapidez. Ao fim do dia estava
coberto de terra desde a cabeça aos pés.(Ibid)
O chefe Kuchipille aceitou então dar-lhe a irmă para sua esposa. Foi nesta altura que Nhambi
mudou o seu nome para Mataka que significa: Eu consegui dispor Mbumba, porque em sinal de
obe- diência sujei o meu corpo com terra, nas terras de Kuchipille. (Ibid)
Mataka foi depois viver para outra terra com a sua esposa onde construiu a sua aldeia. Esta aldeia
chamou-se Mwembe (Mangas) porque foram plantadas muitas mangueiras, vindas da costa, que
cres- ceram e floresceram. Mataka e os seus guerreiros fizeram assaltos ás aldeias vizinhas e
capturaram muita gente que reduziram a escravos para trabalhar e em Mwembe e para serem
vendidos. Assim, Mataka foi aumentando o seu território transformando-o num grande reino. A
maior parte do territorio era dos Yaos e pertencia ao reino Mataka, por isso era conhecido por
sultão Mataka. (Ibid)
1.1 Organização social, política e administrativa do povo Yao
O termo povo significa o conjunto de individuos que constituem uma sociedade politica
autónoma, ligados por comunhão de culturas e tradições, falando a mesma lingua e pertencendo
à mesma raça. Os Yao, na sua terra de origem, terras Mwembe, satisfizeram todos estes
requisitos, continuando ainda com estes requisitos excepto a autonomia política. (Ibid)
A dispersão do povo Yao deu-se em finais do século XVIII e princípios do século XIX; a
estimativa desta dispersão baseia-se apenas na tradição oral que ainda é bem vivida pelos povos
Yao. (Ibid)
Os Yao encontram-se dispersos pela Tanzania, Malawi e Lago Niassa. Estes constituem um povo
dentre 600 000 a 700 000 pessoas em que a maioria reside na terra de origem, mantendo-se
ligados pela cultura, tradição, lingua, raça, pelas aspirações e reunem-se no seu ancestral, o
Mwembe. Este povo dispersou-se em tribos por todas as direcções a partir do Mwembe, foram as
dez tribos principais que partiram desta tribo Mwembe e foram habitar nos montes que tomaram
o nome Yao.(Mussa pag67)
No território de Moçambique restam duas tribos principais que são a Amasaninga (que tomou o
nome de monte Lisaninga, perto do rio Lutwese) e Amandimba que tomou o nome de monte
Man- dimba (este por ser muito alongado e denteado designa-se Amacinga. Os ponteados destas
duas tribos em Moçambique eram Mataka de Amasaninga e Metarika de Amacinga). Tanto urma
como a outra tribo estão representadas no Malawi: a Amasaninga pelo chefe Makanjila e
Amacinga pelos chefes Jalasi, Mponda e outros; na Tanzania pelo legitimo sucessor do sultani
Mataka e pela sua gente. Em Moçambique ha representantes de outras tribos Yao, mas pouco
relevantes e já misturados com Mak- was e Nyanjas. (Ibid)
Cada thibo Yao que ocupava um território era sujeita à autoridade suprema de um único chele,
englobando vários agrupamentos considerados secundários; grupos de povoações, como
Ngosyo,Mawele, Mbumba, etc. A coesão da tribo era baseada na subordinação que todos deviam
ao chele supremo e hereditário Esta subordinação revestia a forma eminentemente pessoal,
reciproca e fami- liar, o que assegurava uma administração caracterizada pela harmonia. (Mussa
pag68)
O chele centralizava em si todos os poderes que exercia em absoluto, tratando-se de chefe
excepcionalmente poderoso, destemido e zeloso. O exercicio do seu poder sofria muitas
limitações, tanto de ordem habitual, pois tinha que subordinar-se aos costumes cuja valjdade
tinha total acordo, como o de natureza politica. (Ibid)
O seu poder apoiava-se muito na fidelidade dos cheles subalternos a quem não podia desagradar
a não ser que dispusesse de forças e animo suficiente para os submeter a sua vontade. (Ibid)
Cada povoação tinha o seu chele particular, e um número variável de povoações podia estar
agru- pado sob a autoridade de um chefe, também subalterno, que, além das atribuições normais
do seu cargo, dispunha das que lhe fossem delegadas pelo suserano.(Ibid)
A invocação de espíritos cra feita sempre que necessario, mas obrigatoriamente, antes do início
das sementeiras a pedir um bom ano de chuva e, depois das colheitas, a agradecer os resultados,
uma e outra com donativo de ukana e farinha. A outra função do chefe era a presidência das
cerimônias preparatórias da circuncisão, a solução de sujeição entre os chefes subalternos e das
questões mais dificeis que envolvessem admiráveis das povoações; a declaração de guerras e as
comemorações de paz eram atributos que podia delegar em alguns dos chefes subalternos, mas
evitava fazê-lo com receio dediminuição do seu poder. (Ibid)
Varios grupos de povoações formavam a tribo que dispunha do território bem delimitado por
acidentes geográficos (aceites pelas tribos limítrofes); de um poder central personificado pelo
chefe de uma organização político-administrativa servida pelos conselheiros do chefe pelos
chefes subalternos e seus conselheiros; de um poder judicial exercido directa e pessoalmente
pelo detentor do poder politico e de uma estrutura social e familiar muito bem concebida.
(Mussa, pag 68)
Até, provavelmente, meados do século XVIII, os Ajaua ou Yao viviam em pequenas
comunidades matrilineares conhecidas por Mbumba, que estavam, geralmente, sob a autoridade
de um irmão mais velhoo Asyene Mbumba que era simultaneamente o chefe da aldeia. (Ibid)
Tratando-se de comunidades matrilineares, as Mbumba agrupavam irmãs casadas e os seus
maridos, irmās solteiras, homens solteiros e crianças. Isto acontecia porque com o casamento o
homem era obrigado a transferir-se para a povoação da esposa. (Ibid)
As relações de produção e politicas que se estabeleciam entre os membros da Mbumba
baseavam-se nas relações de parentesco. Era como parente que o individuo tinha acesso à terra.
(Ibid)
O desenvolvimento do comércio de marfim no século XVIII e, sobretudo, do comércio de
escravos no século XIX, o exercício e o controlo exclusivo de tarefas técnico-administrativas e
mágico-religiosas por um grupo bastante reduzido de indivíduos contribuiu para o surgimento do
Estado centralizado e, consequentemente, para o fortalecimento do poder dos chefes (recorde-se
o papel da penetração mer cantil estrangeira). Assim, a partir de 1840-50, surgem grandes
Estados como o de Mataka, Mtalika, Makanjila e Jalasi, que tinham no comércio de escravos o
pilar da sua economia e a fonte da sua domi- nação como classe. (Ibid)
O estatuto dos chefes definia-se pelo número dos seus seguidores. A acumulação de riqueza
(atra- vés do comércio) não tornava um chefe poderoso porque apenas a riqueza não lhe dava
esse poder, mas sim o número de seguidores que podia ter.(Ibid)
Os escravos capturados eram distribuídos por três categorias: domésticos, esposas e para venda.
Das três categorias de cativos, a primeira categoria libertou parcialmente as mulheres livres
Ajaua da agricultura e de algumas actividades económicas. Ela explica em grande medida o facto
de a manutenção das classes dominantes não ter sido garantida pela cobrança de tributos.(Ibid)
A segunda categoria introduziu no sistema de parentesco, elementos característicos das
sociedades patrilineares se nas sociedades matrilineares o filho pertence a familia da mãe e a sua
educação é asse gurada pelo tio materno, no caso presente, o filho nascido do casamento de um
Ajaua livre com uma cativa não podia pertencer à família da mãe, nem ser educado pelo irmão
mais velho da mãe. (Ibid)
Assim, ao invés da predominancia das acções militares de conquista e submissão, os chefes Yao
adoptaram a prática da poligamia como meio de garantir a coesão e a estabilidade dentro das
formações politicas. O chefe Mataka, por exemplo, chegou a contrair matrimónio com 600
mulheres, espalhadas por oito povoações do seu Estado. (Mussa, pag 69)
Mbumba e a pedra basilar da organização social Yao e prossegue os mesmos fins que a família.
tomada em sentido restrito, se propõe a atingir uma sociedade com estrutura diferente. A
verdadeira familia Yao é a Mbumba constitutda pelo irmão mais velho de várias irmãs e pelos
descendentes das irmas. É com estes elementos que se inicia uma Mbumba. Um homem so pode
constituir Mbumba quando adulto, se for reconhecido como suporte seguro para as irmãs e se
vencer a resistência do seu Asyene Mbumba que se opõe não ver a sua família fragmentada. Um
Asyene Mbumba prestigioso rara- mente ve a sua familia fragmentada.(Ibid)
O afastamento do homem que vai constituir Mbumba das suas irmās é apenas simbólico, porque
a nova Mbumba fica na mesma povoação e sujeita ao mesmo chefe político, constituindo apenas
mais uma família autónoma.(Ibid)
O sistema tradicional de sucessão é feito com o falecimento do Asyene Mbumba, sucedendo-lhe
o filho mais velho da irmá mais velha, como regra, como resultado da islamização.(Ibid)
A Mbumba é iniciada por um homem e pelas suas irmas e com o tempo vai aumentando em
número de pessoas, ficando a pertencer-lhe todos os descendentes por via feminina, não
importando o sexo.(Ibid)
1.2 Funções executivas dos chefes Yao
Entre os Yao, a palavra que designa chele e Mwenye e no que respeita a família é Asyene
Mbumba. Os chefes que exercem jurisdição sobre grande número de povoações são designados
em árabe de sul- tão ou sultani. Nesse caso, para se designar um grande chefe dir-se-á Bwana
Sultani Mataka, Matola, Calamanda, etc. (senhor sultão Mataka, Matola, Calamanda). (Ibid)
Os Yao, antes de estabelecerem relações comerciais com os árabes de Quiloa e Zanzibar
dispunham para se vestirem apenas de peles de animais, panos de cascas de árvores e do
likamambo, pano gros- seiro tecido por eles próprios com algodão silvestre.(Ibid)
A relação de trocas comerciais com os árabes ou arabizados do litoral facilitou a dignificação das
fun- ções de chefia pela possibilidade de usarem vestuários ricos e exclusivos para chefes.(Ibid)
Os chefes que passaram a designar-se por sultani com a aquisição da cultura islâmica começaram
a usar um cofifi de cor preta (cisinho) em exclusivo de bom tecido, algumas vezes de feltro. A
volta do cofifi enrolavam um lenço (cilemba) a modo de turbante, de tecido fino de cor
vermelha. Os chefes menos importantes e de linhagem real usavam cofifi vermelho (msuli),
também rodeado por turbante vermelho; os chefes espirituais (chehe e mwalimu) usavam cofifi
branco (pafuta) de pano muito fino enrolado (o lenço também poderia ser usado como cachecol).
(Ibid)
Os homens comuns usavam cofifi branco, podendo ser envolvido por pano de qualquer cor, à
excep- ção da cor vermelha. O tecido branco tinha de ser diferente, ou seja, mais grosso que o
dos chefes espirituais. O restante vestuário era enfeitado na medida das suas possibilidades,
sendo privilégio exclusivo dos sultões o uso exclusivo de panos de cor brilhante com franjas e
bordados. (Mussa pag69)
Os panos do sultão Mataka eram exclusivos e designavam-se por sabaile e masikate que servia
de manto real. Os dignitários da corte de Mataka, os seus descendentes e as suas esposas usavam
o «ndeute e o «ilewani». (Ibid)
Os panos conhecidos por sasali» e «ulajas eram usados pelos chefes subalternos e pelos notáveis
O sultão Mataka usava como distintivo de chefia uma coroa moldada em cera de abelhas e uma
longa espada que dispunha sob os joelhos quando se dirigia ao conselho dos notáveis ou procedia
a um julgamento. (Ibid)
Alguns chefes Yao, por mérito, usavam uma coroa idéntica à do sultão Mataka, assim como a
espa- da também era usada por outros sultões. A pele de leão manteve-se inalterada como
símbolo vivo do poder: so os grandes chefes é que podiam sentar-se sobre ela. A infracção deste
uso era considerado crimede lesa-majestade. Fosse quem fosse, era severamente punido com a
morte se fosse um individuo de linhagem não real e com a expulsão nos outros casos. Os chefes
menos graduados usavam peles de leo- pardo. (Mussa pag 70)
Na reunião do conselho dos notáveis, o sultão sentava-se num trono de forma a que ninguém o
pudesse olhar de cima, em seu redor, mas em plano inferior, sentavam-se os notáveis e mais para
trás sentavam-se as pessoas do povo.(Ibid)
A política económica era uma das preocupações dominantes dos chefes Yao, devido ao intenso
inter- cambio comercial com os árabes do litoral.(Ibid)
A organização das caravanas para o litoral era iniciativa dos chefes: os arabes estavam sempre
ansio- sos por receber tão valiosissimas mercadorias, dando em troca bens que os Yao desejavam
acima de tudo (armas, pólvora, tecidos preciosos e sal). (Ibid)
Com o estabelecimento legal dos portugueses no pais, as funções governativas dos cheles Wayao
cessaram, teoricamente, porque na prática a população continuava a ver nos chefes tradicionais o
seu poder. (Ibid)
1.3 A cultura do povo Yao - Liwele
Liwele significa o seio, o mamilo, e o seu plural Mawele, significa leite, esperma humano e
também os seios e mamilos. No sentido em que estamos a usar a palavra liwele significa o grupo
matrilinear que integra todos os descendentes de uma única antepassada comum. Cada Liwele,
está integrada num único lukosyo e pode dividir-se em varias Mbumba integradas numa única ou
em várias povoações, próximas ou afastadas.(Ibid)
A Liwele é reconhecida pelo nome adoptado pela sua fundadora, nome que se perpetua através
dos tempos. É um nome significativo e que transita de geração para geração numa mulher que
passa a ser conhecida pelo nome adoptado pela ancestral fundadora da Liwele e a gozar de
especial prestigio e a ter obrigações determinadas (Mussa pag 70)
Os titulos usados pela portadora do nome da Likolo ou Likokoto são: Angangas Asyene e Abibi
(velha dona e rainha), não importa a idade da mulher escolhida. (Ibid)
A designação das irmãs da Anganga Asyene para o desempenho das funções de Angangas wa
Kwa- tawa é admissível apenas na altura da fundação da povoação, pois que as sucessoras são
escolhidas de forma diferente.(Ibid)
Para poder explicar como se sucede as Anganga representantes das Mawele, teremos em conta
uma povoação constituída por Mbumba pertencente a duas Mawele distintas e em que uma das
Mawele seja representada pela Anganga Asyene.(Ibid)
O chefe da povoação pertence a Liwele dominante, que é representada pela portadora do Likolo.
A outra Liwele da povoação é representada por uma Anganga wa Kwatawa Cilemba, dependente
de uma Anganga Asyene residente na povoação diferente, chefiada por um membro da sua
Liwele. Quando a Ariganga Asyene se sente velha, escolhe com o consentimento do chefe da
póvoação que, por sua vez, obtém a concordância dos Asyene Mbumba da Liwele, uma criança
do sexo feminino, de preferência irmă, sobrinha ou prima da parte materna do chefe da povoação
que a substituira na sucessão do Likolo. (Ibid)
A designação de uma sucessora da Anganga wa Kwatawa não é acompanhada de nenhuma
cerimónia além da entrega do presente à Anganga Asyene e da dádiva desta da Cilemba a
candidata. So depois da morte da titular é que é festejada a tomada de posse da criança escolhida,
como Liwele, com banquetes, danças e cantares. (Ibid)
Do ponto de vista das manifestações literárias, os Yao não têm linguagem escrita. Os
islamizados procuram aprender o arabico nas muitas escolas, regidas por mwalimu, dispersas
pelo país (o alcorão deve ser lido na lingua em que foi escrito), os cristãos vêm procurando falar
e escrever o português, nas escolas mantidas pelas missões. Escolas para aprendizagem da escrita
Ciyao não existem. (Ibid)
Os Yao são grandes contadores de histórias das quais tiram conceitos morais e servem para
entretenimento nas longas horas passadas à volta da fogueira. Contribui também para manter
viva a tradição e a sabedoria acumulada através do tempo, constituindo uma modalidade
formativa e educativa dos jovens. (Mussa pag71)
Quanto as manifestações artísticas, a busca consciente da beleza, a arte para o puro deleite é inse-
parável da natureza humana. Os Yao desenham e pintam mesmo não tendo aptidões para pintura
e desenho. Certas tatuagens no corpo são produzidas com finalidades eróticas, mas a maior parte
é apenas para criar beleza. (Mussa pag 71)
A tatuagem não é mais que a arte de gravar, aplicada na pele humana Para os Yao, a tatuagem
tem sentido estético e o seu desenho resulta na totalidade dos casos de importação. (Ibid)
1.4 A economia
Até meados do século XVIII, altura em que o comércio de marfim começou a ganhar peso
considerável na economia, os Yao praticavam a agricultura (actividade, por excelência, das
mulheres). (Ibid)
A pesca e a caça (actividade masculina) e a metalurgia do ferro, com particular destaque para o
cla A-Chisi, que se especializou no fabrico de instrumentos de trabalho, utensílios domésticos,
armamen- to e objectos de adorno, etc. (Ibid)
A partir do século XIX, a base da economia Yao passou a ser o comércio de escravos. O tráfico
de escravos, para além de ter garantido a continuidade de acesso aos produtos importados,
introduziu muitos elementos novos no sistema de organização politica e social. (Ibid)
Quanto à agricultura é preciso relembrar que os Yao viveram numa região de terras férteis, com
chuvas abundantes, muitos cursos de água permanente e um clima favorável ao desenvolvimento
de quasetodas as culturas.Eram povos com amor à terra e empregaram toda a sua inteligência e
iniciativa.(Ibid)
Excelentes agricultores, de espírito aberto a novas técnicas agricolas que reconheciam
vantajosas, compreenderam os beneficios da selecção de sementes e a necessidade de adubação
da terra para manter e aumentar a sua fertilidade. Actualmente, são dos agricultores nativos mais
receptivos e evoluidos do Niassa. (Ibid)
O comércio e a agricultura são as duas essenciais ocupações dos Yao mas, enquanto a agricultura
é trabalho predominantemente feminino, o comércio é prática exclusivamente masculina.
Segundo a tradição mais remota, os Yao sempre se dedicaram ao comércio: primeiro entre si,
sendo os principais objectos de troca os artigos de ferro forjados pelos Acisi e o pano grosseiro
tecido com fios de algodão silvestre (likamambo); seguidamente com comerciantes árabes
vindos do litoral a procura de escravos e de marfim ou indo eles próprios ao litoral levar a
mercadoria e trazendo em troca panos, armas, pólvora e artigos de pacotilha. (Ibid)
Dado o cedo contacto com os árabes, os Yao aprenderam que as melhores mercadorias para troca
eram o marfim e os escravos.(Ibid)
Relativamente a arte e à técnica, os Yao dominavam a técnica de fundição de minério e o
artesanato de ferro. A tradição Yao não refere o início dos trabalhos em ferro na região. Fundiam
o minério e trabalhavam o ferro desde tempos memoriais. (Ibid)
Os trabalhos de fundição de minério de ferro cairam em desuso a partir da chegada dos europeus
ao pais que introduziram o ferro em barra, trabalhado muito barato e de melhor qualidade do que
o ferro de produção local. (Mussa pag 71)
Ha muitos anos que as fundições nativas não funcionam continuando, contudo, actualmente os
Acisi a trabalhar o ferro importado.(Ibid)
Para além da agricultura, caça e pesca, os Yao praticavam a pecuária, a olaria, trabalhos em
folhas de palmeira, carpintaria, faziam trabalhos em panos de casca de árvores, tecelagem,
preparação de peles, apicultura, escultura e gravação em marfim e madeira. (Ibid)
1.5 A ideologia: religião e magia
No plano ideológico, a realização de cerimonias mágico-religiosas e a distribuição de amuletos
por ocasião da realização de actividades consideradas perigosas (por exemplo, a caça ao escravo)
eram mecanismos que produziam atitudes e comportamentos favoráveis à manutenção e
reprodução das classes dirigentes. (Mussa pag 72)
Assim, o contacto com a costa trouxe aos Ajaua novas mudanças. A maior foi a conversão ao
isla- mismo de grandes chefes Ajaua (por exemplo Mataka e Makanjila) e, embora nem todos os
Ajaua fos- sem islâmicos, foram identificados como povo onde o islamismo era sinónimo de ser
Yao. (Ibid)
Esta islamização dos chefes fortaleceu ainda mais o poder teocrático destes, que passaram a ser
designados e considerados como xeiques, posição elevada na hierarquia religiosa islámica. A
islamização dos Yao resultou de contactos comerciais com os árabes da costa do Oceano Indico.
(Ibid)
Os contactos entre os arabes e os Yao deram-se muito antes da chegada de Vasco da Gama,
quando estes povos faziam o seu comércio.(Ibid)
Conclusao
Depois de tanta leitura conclui que nas terras do chele Kuchipille, conheceu uma mulher muito
bela, cujo nome era Mhumba, irma do chefe Nhambi pediu esta mulher para sua esposa mas
Kuchipille recusou, dizendo que não dava a sua irmă a um homem que não sabia trabalhar nas
machambas Nhambi resolveu mostrar que sabia traba Ihar na agricultura, e pos-se a cavar com
muita rapidez. Ao fim do dia estava coberto de terra desde a cabeça aos pés.
No plano ideológico, a realização de cerimonias mágico-religiosas e a distribuição de amuletos
por ocasião da realização de actividades consideradas perigosas (por exemplo, a caça ao escravo)
eram mecanismos que produziam atitudes e comportamentos favoráveis à manutenção e
reprodução das classes dirigentes.
Assim, o contacto com a costa trouxe aos Ajaua novas mudanças. A maior foi a conversão ao
isla- mismo de grandes chefes Ajaua (por exemplo Mataka e Makanjila) e, embora nem todos os
Ajaua fos- sem islâmicos, foram identificados como povo onde o islamismo era sinónimo de ser
Yao.
Esta islamização dos chefes fortaleceu ainda mais o poder teocrático destes, que passaram a ser
designados e considerados como xeiques, posição elevada na hierarquia religiosa islámica. A
islamização dos Yao resultou de contactos comerciais com os árabes da costa do Oceano Indico.