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Programa de Educação Emocional e Saúde Mental

Este documento apresenta um programa de promoção da saúde mental em uma instituição de ensino. O programa contém três eixos principais: ações em educação emocional com estudantes e pais, protocolos para acompanhamento de estudantes com problemas de saúde mental ou vítimas de violência, e ações complementares.

Enviado por

Manoela Ramos
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Programa de Educação Emocional e Saúde Mental

Este documento apresenta um programa de promoção da saúde mental em uma instituição de ensino. O programa contém três eixos principais: ações em educação emocional com estudantes e pais, protocolos para acompanhamento de estudantes com problemas de saúde mental ou vítimas de violência, e ações complementares.

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2019

PÁGINA 2

CRÉDITOS INSTITUCIONAIS E FICHA TÉCNICA

INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE RONDÔNIA


Uberlando Tiburtino Leite

PRÓ-REITORIA DE ENSINO
Edslei Rodrigues de Almeida

DIRETORIA DE ASSUNTOS ESTUDANTIS


Maria Rosimére Salviano de Moura

COMISSÃO RESPONSÁVEL PELA ELABORAÇÃO


Maria Rosimére Salviano de Moura - Presidente
Elaine Márcia Souza Rosa
Magda Marcielle Kwirant Tatagiba
Vanessa de Melo Santana

PRODUÇÃO VISUAL
Collien Rodrigo Néry
Claudete Marques das Neves

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PÁGINA 3

Sumário

1. INTRODUÇÃO 4
2. OBJETIVOS 6
3. EIXOS DO PROGRAMA 7
3.1 – Eixo1: Ações em Educação Emocional 7
3.1.1 Ações com os estudantes 7
[Link] Habilidades para a Vida 9
[Link] Orientação e planejamento de estudos 28
3.1.2 Ações com os pais/responsáveis 35
[Link] Escola da Família 35
3.2 – Eixo 2: Ações para acompanhamento de
estudantes identificados em processo de
adoecimento psíquico e vítimas de violência 38
3.2.1 Protocolo para acompanhamento de
estudantes em situação de adoecimento psíquico 39
3.2.2 Protocolo institucional para acompanhamento
de estudantes que apresentam comportamento
suicida 42
3.2.3 Protocolo institucional para acompanhamento
em casos de estudantes que tiveram ou estão em
situação de violação de direitos 47
3.2.4 Adaptações pedagógicas para estudantes em
situação de adoecimento psíquico 50
3.3 – Eixo 3: Ações complementares 52
4. REFERÊNCIAS 53
Anexo 55

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1. INTRODUÇÃO

Dados epidemiológicos brasileiros vêm alertando que 10 a 20%


das crianças e adolescentes apresentam algum tipo de
transtorno mental. O impacto causado pelos problemas
psiquiátricos é considerado o mais prejudicial entre todos os
problemas médicos na população dos 10 aos 24 anos.
“Jovens afetados por transtornos mentais apresentam com
mais frequência rendimento acadêmico inferior, evasão
escolar e envolvimento com problemas legais [...]”
(ESTANISLAU; BRESSAN, 2014, p. 13). Os aspectos afetivos e
cognitivos estão interligados no ser humano, bem como nos
processos de aprendizagem. Assim, estudantes em
adoecimento psíquico e/ou sofrimento emocional podem ter
seu potencial de desenvolvimento cognitivo afetado,
causando prejuízos ao seu desempenho acadêmico.
O suicídio é a segunda maior causa de mortes na faixa etária
de 15 a 19 anos no mundo (OMS, 2014). No Brasil é a quarta
maior causa de morte; sendo a terceira maior causa para os
homens e oitava maior causa para as mulheres (BRASIL, 2017).
Estes dados alarmantes têm preocupando educadores e as
“escolas também são instituições de ensino.
mais acessíveis à Mais do que antes, é necessário o desenvolvimento de
população que os intervenções no contexto escolar, voltadas para a promoção
serviços de saúde de saúde, por meio de ações que articulem não somente o
mental e propiciam a desenvolvimento de habilidades intelectuais, mas também
realização de emocionais e sociais, contribuindo para o desenvolvimento
intervenções com integral dos estudantes. O sistema escolar tem sido
menos estigma para considerado o principal núcleo de promoção e prevenção de
alunos e familiares.” saúde mental, atuando no desenvolvimento de fatores de
proteção e na redução de riscos ligados ao adoecimento
mental. (ESTANISLAU; BRESSAN, 2014).
A educação emocional é um processo cujo objetivo
fundamental é desenvolver as competências emocionais que
contribuem para o enfrentamento dos desafios da vida e
consequentemente proporcione um melhor bem-estar pessoal
e social. Por sua vez, as competências emocionais são
consideradas habilidades básicas para a vida, estando
intimamente relacionadas com os processos de
aprendizagem vivenciados pelos indivíduos.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) vem apoiando o
desenvolvimento de programas preventivos que contribuam
para a promoção de saúde no ambiente escolar, por ser um
espaço privilegiado e estratégico, concentrando em um
único ambiente a maior parte da população jovem de um
país. Ainda, “escolas também são mais acessíveis à
população que os serviços de saúde mental e propiciam a
realização de intervenções com menos estigma para alunos e
familiares.” (ESTANISLAU; BRESSAN, 2014, p. 16).

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Os Parâmetros Curriculares Nacionais, por meio dos temas transversais, incluiu a Saúde
como tema que deve permear todo o currículo escolar, com isso as ações de
promoção da saúde foram ganhando mais espaço e consistência nas escolas. Os
Parâmetros Curriculares Nacionais estão em consonância com os princípios orientados
pela OMS. Mas além de disseminar informações sobre processos de saúde e doença
cabe à escola ser promotora de saúde por meio práticas e princípios inerentes aos
projetos escolares. Estanislau e Bressan (2014, p. 18), apontam princípios necessários à
prática de escolas promotoras de saúde:

[Link] visão ampla de todos os aspectos da escola, provendo um ambiente


saudável e que favorece a aprendizagem. [...] 3. Fundamentar-se em um
modelo de saúde que inclua a interação dos aspectos físicos, psíquicos,
socioculturais e ambientais. [...] 5. Reconhecer que os conteúdos de saúde
devem ser necessariamente incluídos nas diferentes áreas curriculares. 6.
Entender que o desenvolvimento da autoestima e da autonomia pessoal é
fundamental para a promoção da saúde. 7. Valorizar a promoção da saúde
na escola para todos. [...] 9. Reforçar o desenvolvimento de estilos saudáveis
de vida que ofereçam opções viáveis e atraentes para a prática de ações
que promovam a saúde.

Tais princípios atuam em consonância com as estratégias de resistência à


medicalização e patologização da vida, pois apontam para o fortalecimento do
campo político, das relações humanas e da reflexão sobre os modos de viver
contemporâneos. Mutarelli (2017) citam fundamentos da resistência à medicalização
na França:

1) a concepção de homem como possibilidade de ser, entendendo que ele


está sempre aberto para as possibilidades que se apresentam no futuro
indeterminado, resistindo à cristalização de um diagnóstico; [...] 3) a
construção de redes como estratégia de enfrentamento à
individualização/biologização das problemáticas humanas;

Assim, a construção de espaços de mediação produtores de desconstruções dos


discursos hegemônicos, em relação aos modos de viver, de se relacionar, dos processos
produtores de adoecimento é essencial para a promoção de saúde e enfrentamento
de prática de medicalização da vida. Espaços nos quais os indivíduos possam se
reinventar, a partir da potencialidade do desenvolvimento humano mediado pelas
intersubjetividades. (VIGOTSKI, 1926/1999).

5
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2. OBJETIVOS

O programa apresenta, como objetivo geral,


estabelecer ações de educação emocional, com
vistas à promoção da saúde mental e o efetivo
acompanhamento de estudantes em situação de
adoecimento psíquico e vítimas de violência.

Objetivos Específicos

 Criar os projetos de Habilidades para a Vida e de


Orientação e Planejamento de Estudos para ser
desenvolvido com os estudantes;

 Criar o projeto Escola da Família para ser


desenvolvido com pais e responsáveis;

 Estabelecer protocolos institucionais para


acompanhamento de estudantes em situação
de adoecimento psíquico e vítimas de violência;

 Propor recomendações para a instituição, com


vistas ao desenvolvimento de processos de
ensino acolhedores.

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3. EIXOS DO PROGRAMA

EIXO 1
3.1 Ações em Educação Emocional

Conforme preconiza a Base Nacional Comum Curricular


(BNCC), a educação integral vai além do domínio de
conteúdos, sendo que esta Base Nacional se compromete em
desenvolver habilidades socioemocionais. Para tanto, faz-se
“[...] necessário incorporar as habilidades socioemocionais nas
disciplinas escolares sem, no entanto, tratá-la apenas como
“[...] necessário incorporar as
mais um componente curricular [...]” (PAR, p.16). Este eixo trata
habilidades socioemocionais
das Ações em Educação Emocional, propõe atividades com
nas disciplinas escolares sem,
estudantes, que devem ser “trabalhadas de maneira
no entanto, tratá-la apenas
transversal” e também com os responsáveis destes estudantes,
como mais um componente
uma vez que é de suma importância que se faça compreender
curricular [...]”.
os papéis das famílias e da instituição no processo de
escolarização dos estudantes.

Neste primeiro momento, sugere-se que as ações aqui


elencadas sejam desenvolvidas com os estudantes dos
primeiros anos dos cursos Técnicos Integrados ao Ensino Médio,
assim num ciclo de três anos todos os estudantes terão
participando das ações do Programa. Contudo cada unidade
possui autonomia administrativa para adaptar e desenvolver as
ações de acordo com as especificidades locais.

3.1.1 Ações com os estudantes


A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) (BRASIL, 1996), em seu Art. 35, fala sobre as
finalidades do Ensino Médio, sendo a terceira estabelecida como “III – o aprimoramento do
educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da
autonomia intelectual e do pensamento crítico;”. Já a BNCC aprofunda ainda mais este
pensamento ao afirmar que a escola deve ser um espaço que permita aos estudantes:

“● conhecer-se e lidar melhor com seu corpo, seus sentimentos, suas


emoções e suas relações interpessoais, fazendo-se respeitar e respeitando os
demais;

● compreender que a sociedade é formada por pessoas que pertencem a


grupos étnico-raciais distintos, que possuem cultura e história próprias,
igualmente valiosas, e que em conjunto constroem, na nação brasileira, sua
história;

● promover o diálogo, o entendimento e a solução não violenta de


conflitos, possibilitando a manifestação de opiniões e pontos de vista diferentes,
divergentes ou opostos;

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● combater estereótipos, discriminações de qualquer natureza e violações


de direitos de pessoas ou grupos sociais, favorecendo o convívio com a
diferença;

● valorizar sua participação política e social e a dos outros, respeitando as


liberdades civis garantidas no estado democrático de direito; e

● construir projetos pessoais e coletivos baseados na liberdade, na justiça


social, na solidariedade, na cooperação e na sustentabilidade.” (BRASIL, 2018, p.
466 - 467).

Portanto, as ações que serão desenvolvidas com os estudantes, corroboram com os


documentos balizadores nacionais da educação e institucionais, para tanto propomos o
desenvolvimento de dois projetos: O projeto Habilidades para a Vida visa trabalhar o
fortalecimento das habilidades que são consideradas primordiais para o desenvolvimento
pessoal, atuando de forma preventiva, por meio da psicoeducação. O projeto de Orientação e
Planejamento de Estudos visa proporcionar aos estudantes acesso a ferramentas que
possibilitem uma melhor organização e planejamento dos estudos, diminuindo o impacto do
processo de adaptação que os estudantes vivenciam no primeiro ano na instituição e
automaticamente a carga emocional que este processo gera.

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[Link] Habilidades para a Vida

O projeto de habilidades para a vida proposto visa


desenvolver capacidades emocionais, sociais e cognitivas
que podem ajudar os estudantes a lidar melhor com situações
conflituosas do cotidiano. A falta de habilidades para lidar
com as questões emocionais pode potencializar os conflitos
nos relacionamentos estabelecidos pelos estudantes. Estas
habilidades devem ser trabalhadas enquanto competências
para a vida, visando o desenvolvimento de processos de
interação mais saudáveis. Este projeto caracteriza-se por ser A falta de habilidades para
de teor interventivo e preventivo. Interventivo por propor o lidar com as questões
emocionais pode
aprimoramento de habilidades para a vida, por meio de potencializar os conflitos nos
relacionamentos
encontros temáticos que visam o desenvolvimento emocional estabelecidos pelos
dos participantes, e preventivo por buscar atuar no estudantes.

desenvolvimento de fatores de proteção para o


adoecimento psíquico.

Segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS (WHO, 1997), algumas habilidades são
consideradas essenciais para o desenvolvimento pessoal:

• autoconhecimento • comunicação efetiva


• relacionamento interpessoal • pensamento crítico
• empatia • pensamento criativo
• lidar com emoções • tomada de decisão
• lidar com estressores • resolução de problemas

A intervenção deve ser realizada em contexto grupal, sendo desenvolvida uma habilidade de
vida por encontro, as habilidades são interligadas e complementares, por tanto é importante
que todas sejam desenvolvidas. As técnicas sugeridas para desenvolvimento das oficinas
temáticas incluem interação grupal, dinâmicas de grupo, discussões e atividades em
pequenos grupos.

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Oficina: Autoconhecimento
Autoconhecimento é a capacidade de reconhecimento que cada indivíduo tem de si
mesmo, das suas habilidades e limites.

Atividade
•Introdução ao tema: discutir o conceito e importância da
1 habilidade com os estudantes.

Atividade
•Leitura do poema: Auto Retrato de Mário Quintana.
2 •Recursos: Folha com poema para cada participante.

Atividade
•Dinâmica: Auto retrato desenhado.

3 •Recursos: Papel ofício, lápis, borracha e lápis de cor ou de


cera.

•Discussão: Discutir a importância do autoconhecimento.


Atividade Falar sobre a importância de reconhecer atitudes e
características pessoais e de refletir sobre o processo de
4 autoconhecimento e como este pode melhorar o respeito
a si mesmo, ajudar nas escolhas pessoais e facilitar o
relacionamento interpessoal.

Atividade 3: Dinâmica Atividade 3 :


Poema O Auto Retrato Auto – Retrato Desenhado
Solicitar que desenhem uma figura humana que
“No retrato que me faço os represente, da cabeça aos pés. Olhar a
- traço a traço - figura, entrar em contato com ela, fazer balões
e escrever:
às vezes me pinto nuvem,
 Cabeça- 03 ideias que ninguém irá
às vezes me pinto árvore... modificar.
às vezes me pinto coisas  Boca – Frase que foi dita que você se
de que nem há mais lembrança... arrependeu/ Frase que ainda precisa ser dita
e ainda não o foi.
ou coisas que não existem
 Coração- 03 paixões (objeto, pessoa, ideia,
mas que um dia existirão... atividade).
e, desta lida, em que busco  Mão direita – 01 sentimento para oferecer.
- pouco a pouco -  Mão esquerda – algo que tem necessidade
minha eterna semelhança, de receber.

no final, que restará?  Pé esquerdo- meta.

Um desenho de criança...  Pé direito – passos para alcançá-la.


Dinâmica adaptada de:
Terminado por um louco!” [Link]
[Link], Acesso em: 07 de maio de 2019.
(Mario Quintana)

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Oficina: Relacionamento interpessoal


É a habilidade para fazer, manter, aprofundar e terminar relacionamentos.

Atividade
•Introdução ao tema: discutir o conceito e importância da
1 habilidade com os estudantes.

Atividade
•Dinâmica "PASSEIO DE BARCO"
2 •Recursos: Cartaz com figuras de rostos humanos .

•Discussão: Deve se fomentar a discussão sobre a percepção


de que algumas características físicas (como aparência) são
Atividade
apreciadas ou rejeitadas, permitindo especialmente uma
reflexão sobre como os estereótipos e rótulos permeiam o

3 relacionamento humano. Refletir sobre como as ideias


preconcebidas ou preconceituosas fazem parte das relações
cotidianas e pode causar prejuízos nos relacionamentos
interpessoais. Discutir a importância do respeito pelas diferenças
individuais e como isto pode melhorar os relacionamentos.

Dinâmica Atividade 2 : "PASSEIO DE BARCO"

Previamente o coordenador prepara um cartaz com várias figuras de rostos humanos


retirados de revistas. Evitam-se figuras de pessoas públicas. Devem-se preparar em torno
de 12 a 15 figuras (masculinas e femininas) com idades e estilos diferentes. O
coordenador narra a seguinte situação: “Vamos imaginar que vocês fizeram uma reserva
para um passeio de barco. O barco é alugado para uma pessoa e dois acompanhantes
por vez. Além dessas pessoas, só viaja a tripulação mínima. O passeio é de cinco dias em
alto-mar. Chegaram as férias e por uma razão qualquer, os acompanhantes não
poderão ir. A agência de viagens não devolve o dinheiro. O proprietário propõe
devolver parte do dinheiro se você aceitar levar dois dos clientes que estão na fila de
espera, mas a escolha terá que ser através de uma foto. Pede-se a cada participante
que examine o cartaz e decida quem o acompanhará. Podem-se escolher até duas
figuras, apenas uma, ou nenhuma. Ao final, discutem-se os critérios adotados nas
escolhas.
Dinâmica apresentada em: Minto, E. C.; Pedro, C. P.; Netto, J. R. C.; Bugliani, M. A. P.; Gorayeb, R. (2006). Ensino
de habilidades de vida na escola: uma experiência com adolescentes. Psicologia em Estudo, 11(3), 561-56

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Oficina: Empatia
Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro, imaginando como este se sente,
procurando compreender e não julgar..

Atividade
•Introdução ao tema: discutir o conceito e importância da
1 habilidade com os estudantes.

Atividade
•Dinâmica: "O QUE VOCÊ FARIA?"
2 •Recursos: Papel, canetas com a mesma cor.

•Discussão: A dinâmica tem diversos focos, que são: a) Trabalhar a


empatia e solidariedade. b) Fazer com que cada participante
consiga refletir sobre qual é a característica pessoal que mais
Atividade
incomoda na hora de construir e/ou sustentar um relacionamento
interpessoal. c) Incentivar a exposição desta característica,

3 mesmo que de forma secreta, o que já pode ser considerado


como um avanço pessoal. d) Motivar uma discussão a respeito do
problema do outro, mesmo sem saber quem é exatamente. e)
Desenvolver a mentalidade de que é importante identificar o
problema e pensar sobre a solução dele e não simplesmente o
deixar de lado.

Dinâmica atividade 2: "O QUE VOCÊ FARIA?"

Pedir que cada participante escreva um ponto de dificuldade pessoal que o impede
de ter um bom relacionamento interpessoal (escrita em letra de forma, todos os
participantes com a mesma cor de caneta para se manter o anonimato). O detalhe
dessa característica é que ela deve ser uma que a pessoa tenha muito medo de que
seja revelada em público. Depois os papéis são misturados e distribuídos para que
cada um leia em voz alta o material que pegou. Cada problema deve ser discutido
com todos, bem como a elaboração de uma solução ou o início de um processo para
tal. Após esse procedimento, o condutor pergunta a cada um se a discussão em grupo
trouxe um resultado positivo para o seu problema. Tudo isso acontece sem a revelação
da identidade de quem propôs o problema. Assim, ninguém é exposto.

Dinâmica apresentada em: Minto, E. C.; Pedro, C. P.; Netto, J. R. C.; Bugliani, M. A. P.; Gorayeb, R. (2006).
Ensino de habilidades de vida na escola: uma experiência com adolescentes. Psicologia em Estudo, 11(3),
561-568.

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Oficina: Lidar com as emoções

Esta habilidade diz respeito à capacidade de reconhecer as próprias emoções e as do outro;


tomar consciência de quanto elas influenciam o comportamento e como manejá-las
adequadamente. O foco deste encontro é levar o estudante a conhecer e refletir sobre os
aspectos que envolvem as emoções e seus manejos.

Atividade •Exposição do vídeo – O que são emoções? Disponível em:


[Link] Discutir o conceito e importância da
1 habilidade com os estudantes.
•Recursos: Recursos audiovisuais

•Exposição do vídeo - Razão x Emoção: Animação que inspirou o


Atividade filme "Divertida Mente". Disponível em:
[Link]
2 Enfatizar a importância do equilíbrio entre razão e emoção e
discutir com os estudantes."
•Recursos: Recursos audiovisuais.

Atividade
•Dinâmica: Retrato Chinês da sua emoção

3 •Recursos: Folha de papel A4, lápis de cor

Atividade •Discussão: Discutir sobre a importância de reconhecer as emoções


e refletir sobre as maneiras de lidar com as emoções. Discute-se a
4 possibilidade de mudanças das crenças e perspectivas pessoais
que geram sentimentos negativos

ATIVIDADE 3 - Dinâmica “Retrato Chinês da sua emoção”


A dinâmica proposta tem por finalidade fazer com que os participantes observem e se
familiarizem com suas emoções.
Cada participante é convidado a relembrar de uma situação em que tenha vivido uma
emoção.
Em seguida, pedir para que completem casa frase:

 Se fosse de uma cor, a sua emoção seria....


 Se tivesse uma forma, seria...
 Se tivesse uma textura, seria....
 Se fosse um cheiro, seria....
 Se fosse uma personagem histórica, seria....
 Qual a intensidade dela?
Depois, peça para que desenhem a sua emoção deixando “o lápis desenhar sozinho”, é ele
quem vai guiar a mão do participante.
Dinâmica apresentada em: Kotsou, Ilios. Caderno de exercício de inteligência emocional. 4º ed. Petrópolis: Vozes, 2014

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Oficina: Lidar com estressores

Esta habilidade compreende a capacidade de reconhecer as fontes de estresse e identificar as


ações para reduzi-las ou eliminá-las.

Atividade
•Introdução ao tema: discutir o conceito e importância da
1 habilidade com os estudantes.

Atividade

2 •Dinâmica: Os Cinco Estressadores".

•Discussão: O coordenador enfatiza o quanto a mudança no


Atividade cotidiano, tanto positiva quanto negativa, pode causar
estresse, pois tudo aquilo que desequilibra ou ameaça o bem-

3 estar pode representar um desgaste para o organismo. É


importante a identificação dos fatores estressores e das
maneiras adequadas e inadequadas de lidar com o estresse,
considerando as consequências para a saúde.

Dinâmica atividade 2: Os Cinco Estressadores

Apresentar para os estudantes o perfil de cada um dos Cinco Estressados (pode ser em
slides) e solicitar que escolham o perfil que mais se identificam. Após, a definição entregar
um folha de papel com o antídoto para cada perfil, após a leitura e reflexão sobre o
antídoto, solicite que os estudantes respondam as questões elencadas para cada um.
Após, abra a discussão, questionando sobre quem quer compartilhar sua experiência e
enfoque que é comum que algumas crenças que nos impomos, “sob a forma de ordens
imperiosas de maneira automática aumentam inutilmente a quantidade de estresse com a
qual devemos lidar. Por isso, é importante identificá-las e neutralizá-las (PETITCOLLIN, 2017,
p. 16).

14
PÁGINA 15

Perfis

1. Seja perfeito!

Característica:
A pessoa dominada pelo “seja perfeito” vai além da busca saudável pela
excelência e cai na armadilha de um perfeccionismo doentio. Nunca satisfeita com
os resultados, ela é muito crítica com relação a si mesma. Como perde muito
tempo e energia acertando detalhes, diminui sua produtividade. Os erros, por
mínimos que sejam, são vivenciados como fracassos dolorosos.
É proibido errar!

2. Seja forte!

Característica:
A pessoa sob o jugo do “seja forte” não escuta suas necessidades nem suas
emoções. Pensa que não deve ouvir a si mesma na vida e que é preciso aguentar o
tranco, custe o que custar. Ela se sentiria culpada se se mostrasse fraca. Acha que é
um mérito superar seus próprios limites e um orgulho ser mais resistente que a maioria
das pessoas. Corre o risco de ficar sobrecarregada

É proibido dar o braço a torcer!

3. Faça esforço!
Característica:
A pessoa dominada pelo “faça esforço” acredita que é preciso dar duro para ter
algum êxito. Somente coisas difíceis lhe dão o gostinho da vitória. Algo fácil é
desvalorizado. Ela trabalha muito, persiste em reler dez vezes o mesmo texto antes de
se autorizar a dizer que o sabe de cor, faz muitos exercícios ou testes, copia páginas
inteiras em vez de se contentar em lê-las ou resumi-las. Ela ficaria com a consciência
pesada se fizesse o trabalho “nas coxas”. Os indivíduos que parecem obter as coisas
facilmente, sem nenhum esforço, deixam na exasperada. Ela enxerga isso como uma
injustiça
É proibido ser preguiçoso!

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4. Agrade aos outros!

Característica:
A pessoa oprimida pelo “agrade aos outros” tem medo de desagradar, ser rejeitada ou
abandonada. Os desejos e necessidades dos outros são mais importantes do que os
seus. Ela não sabe dizer não, não ousa se opor e tenta adivinhar o que esperam dela.
Está sempre com medo de fazer mal feito, magoar alguém ou ofender as pessoas ao seu
redor. Precisa ser incentivada e reconfortada

É proibido das ouvidos às suas próprias vontades!

5. Anda logo!

Característica:
A pessoa oprimida pelo “anda logo” tem uma natureza impaciente. Ela detesta perder
tempo e estar atrasada. Está sempre correndo, tem medo de perder o ônibus, de não
terminar tudo a tempo e faz as coisas com pressa, mesmo que isso signifique não
reservar tempo suficiente para refletir, ler instruções ou estabelecer um plano de
trabalho. A precipitação muitas vezes leva-a cometer erros e, portanto, perder aquele
precioso tempo que ela queria ganhar, pois será necessário recomeçar tudo.

É proibido perder tempo!

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Antídotos

1. Seja perfeito!
É normal ser você mesmo. Os erros fazem parte da vida dos seres humanos e são
oportunidades de aprendizado. Dê a si próprio o direito de 10% de erros para não
cair nas garras do perfeccionismo. Aprove seus êxitos e progressos sem dizer: “tudo
bem, mas...” Aprenda a distinguir excelência e perfeição e depois aspire a
excelência!
Ao ler estas linhas, eu percebi que ………………………................................………

Posso reavaliar e melhorar……………............

2. Seja forte!

É normal ter emoções, dúvidas e necessidades. Todos os seres humanos são


vulneráveis. Não adianta nada escondê-la ou negá-lo, pois isso se paga em
longo prazo através de somatizações ou depressão. É natural ouvir a si mesmo e
satisfazer suas próprias necessidades. Não é mérito algum ficar sobrecarregado
ou bancar o super-homem ou a mulher-maravilha.

Ao ler estas linhas, eu percebi que ………………………................................………

Posso reavaliar e melhorar……………............

3. Faça esforço!
As coisas podem se dar de maneira simples e agradável. É normal alcançar sucesso
com facilidade. Confie mais na sua inteligência, nas suas capacidades e na sua
memória. Selecione as prioridades e deixe de lado os detalhes inúteis. O resultado é o
único elemento importante. Dê a si mesmo o direito de ser descontraído. Coloque sua
inteligência a serviço de sua preguiça.

Ao ler estas linhas, eu percebi que ………………………................................………

Posso reavaliar e melhorar……………............

17
PÁGINA 18

4. Agrade aos outros!


É impossível agradar a todo mundo. É normal pensar em si mesmo também e viver
de acordo com os valores que são seus, não dos outros, e ouvir suas necessidades
e vontades. A generosidade tem seus limites. Não deixe os outros abusarem da sua
gentileza, pois eles não passarão a amá-lo mais por causa disso.
- Os problemas começam quando a necessidade de obter aprovação dos outros
é mais forte do que a necessidade de ser respeitado.
- Dê a si mesmo o direito de dizer não aos outros e, portanto, sim a si próprio..

Ao ler estas linhas, eu percebi que ……..............………

Posso reavaliar e melhorar…………….............................

5. Anda logo!

É normal reservar o tempo necessário para fazer as coisas. Tenha sempre à mão um
relógio para controlar o tempo de que você dispõe. Determine uma divisão horária
das tarefas com margens de tempo mais amplas para cada coisa na sua
organização. Acrescente igualmente uma mensagem especialmente concebida
para os eternos imprevistos. a) A pressão por urgência com frequência é
manipulável. Dê a si mesmo o direito de levar o tempo que for necessário para
refletir com calma...

Ao ler estas linhas, eu percebi que ………………………................................………

Posso reavaliar e melhorar……………............

Dinâmica apresentada em: PETITCOLLIN, Christel. Caderno de exercícios para se organizar melhor e viver
sem estresse. Petropólis: Vozes, 2017.

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PÁGINA 19

Oficina: Comunicação eficaz

A Comunicação eficaz é a habilidade de expressar assertivamente as opiniões, os


sentimentos, as necessidades e os desejos.

Atividade
•Introdução ao tema: discutir o conceito e importância da habilidade
1 com os estudantes.

Atividade

2 •Dinâmica 1: Comunicação assertiva

Atividade •Dinâmica 2: Desenho


•Recursos: Papel sulfite, lápis, desenho da galinha (como abaixo), texto
3 com as informações para a elaboração do desenho da galinha (como
abaixo).

Atividade • Discussão: Enfocar a importância de comportamentos que ajudam a


estabelecer uma comunicação eficaz. São eles: manter contato visual,

4 ter empatia, lidar com os seus sentimentos e do interlocutor, adequar à


linguagem, ter disposição para falar e ouvir, usar tom de voz
adequado, ser claro e objetivo, certificar-se do que foi compreendido
e utilizar expressões que demonstram atenção e interesse.

Dinâmica atividade 2: Comunicação assertiva

Apresentar o conceito de comunicação assertiva e demais tipos de comunicação:

Comunicação assertiva: é a capacidade de nos expressarmos de forma clara, direta e


objetiva, utilizando métodos que façam com que o outro entenda com exatidão aquilo que
queremos dizer, sem utilizar um comportamento agressivo. Nem sempre a comunicação é
assertiva, ainda podemos encontrar os seguintes tipos de comunicação:

Não assertiva: existe falta de expressão da comunicação ou a faz de forma indireta, mas sem
intimidar o outro.

Agressiva: é a comunicação expressa de forma direta, mas de modo coercitivo sobre a


pessoa.

Agressiva passiva: é a comunicação expressa de maneira indireta, mas coagindo a outra


pessoa de maneira direta e sutil (ex. olhar ameaçador).

Após apresentar os conceitos, leia a seguinte situação para os estudantes e solicitem que
classifiquem cada opção de resposta apresentada:

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Dinâmica atividade 2: Comunicação assertiva (continuação)

Situação: Você combinou com um amigo/a para jantar em sua casa. Ele acaba de chegar,
mas com uma hora de atraso, e não telefonou para avisar. Você está incomodado pelo atraso.
O que você diz:

Resposta 1. Entre. O jantar está servido.


Tipo de comunicação utilizada: Comunicação não assertiva

Resposta 2. Você é um cara de pau! Como se atreve a chegar tão tarde? É a última vez que o
convido.
Tipo de comunicação utilizada: Comunicação agressiva

Resposta 3. Estou esperando há uma hora. Gostaria que tivesse telefonado para dizer que
chegaria tarde.
Tipo de comunicação utilizada: Comunicação assertiva

Dinâmica adaptada de: CABALLO, Vicente E. Manual de avaliação e treinamento das


habilidades sociais. Santos, 2006.

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Dinâmica atividade 3: Desenho


OBJETIVOS:

1-Treinar e reconhecer a importância de saber ouvir.

2-Perceber a importância da comunicação bilateral.

3-Aprimorar a capacidade de comunicação verbal e não verbal.

4-Buscar estratégias para melhorar a comunicação interpessoal e em consequência os


relacionamentos em geral.

DESENVOLVIMENTO:

1- O facilitador entrega para cada participante uma folha de sulfite e um lápis e diz que irão
executar um desenho de acordo com as instruções que serão dadas para a execução.
Nota: NÃO FALAR QUE O DESENHO É DE UMA GALINHA, SÓ FALAR QUE FARÃO UM DESENHO.

Salientar que devem ser obedecidas algumas regras:

 Não serão permitidas perguntas.


 Cada participante deve fazer o seu desenho e não pode olhar o desenho do colega do
lado.
 As instruções não podem ser anotadas. Portanto, devem ser executadas à medida que
forem sendo passadas.
 Não desistam, todos devem participar!!!

2- Inicia, então, lendo pausadamente, cada instrução para o desenho, conforme o texto,
abaixo. Nota: O facilitador pode ler mais que uma vez a instrução, mas não pode responder
perguntas, nem dar explicações.

TEXTO DE INSTRUÇÃO PARA EXECUÇÃO DO DESENHO.

1- Faça uma elipse com cerca de 6cm no diâmetro maior.


2- A partir da parte inferior da elipse, faça duas retas paralelas verticais com cerca de 3cm
de comprimento, afastadas 1 cm uma da outra.
3- A partir da parte superior esquerda da elipse faça duas retas paralelas e inclinadas com
cerca de 2cm de comprimento cada, afastadas 0,5cm, uma da outra.
4- A partir do centro da elipse, faça 3 retas divergentes abrindo para a direita com cerca de
1,5cm de comprimento cada.
5- Na extremidade esquerda das duas paralelas menores, faça uma elipse com cerca de
2cm de diâmetro no eixo maior e este perpendicular às paralelas.
6- A partir da extremidade direita da elipse maior, faça 3 retas divergentes, abrindo para a
direita, com cerca de 1 cm de comprimento cada.
7- Na extremidade inferior de cada uma das paralelas maiores, faça 3 retas divergentes
abrindo para a esquerda, com 0,5cm de comprimento cada.
8- Faça um pequeno círculo no centro da elipse menor.
9- Faça um triângulo isósceles, com cerca de 0,5cm de lado, com a base encostada na
parte esquerda da elipse menor.

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Dinâmica atividade 3: Desenho (continuação)

3- Quando todos tiveram terminado, o facilitador pede que mostrem seus desenhos, uns
para os outros.

Perguntar:

 E aí o que era para ser desenhado?

 Por que todos receberam a mesma informação e saíram desenhos tão diferentes?

 Conseguiram acompanhar as instruções até o fim? Ou desistiram?

 Quais fatores contribuíram para que não se conseguisse executar a tarefa a

contento?

 que se poderia fazer para amenizar as dificuldades? Levantar com o grupo que foi

muito difícil, pois eles não puderam tirar suas dúvidas, perguntar se não

entenderam, etc. E até muitos poderiam não conhecer as palavras e termos

utilizados.

4- Propor então, uma nova tentativa. Dizer que dessa vez podem perguntar e pedir
esclarecimentos quando acharem necessário.

5- Iniciar lendo o texto, novamente, só que agora parando para responder as perguntas e
dúvidas, podendo até o facilitador desenhar algumas partes como: uma elipse, ou um
triangulo isósceles, por exemplo.

6- Ao final da execução, pedir novamente para que cada um mostre seu desenho ao
grupo.

DISCUSSÃO:

Terminada essa etapa, pedir para que o grupo se disponha em círculo e perguntar?

1- Como se sentiram durante a atividade?

2- Conseguiram realizar a tarefa na primeira etapa? E na segunda, ficou mais fácil?

3- Que sentimentos tiveram quando não conseguiram realizar a tarefa da primeira vez?
Sentiram-se frustrados, desmotivados? Quiseram desistir?

4- Quais foram as diferenças entre a primeira e a segunda etapas? Sentiram-se mais


envolvidos, interessados e motivados? Houve vantagem no fato de poder perguntar? E
quando foram desenhadas algumas partes, ficou mais fácil?

5- O que é importante levarmos em consideração para termos uma boa comunicação


interpessoal?

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Dinâmica atividade 3: Desenho (continuação)

Levar o grupo a perceber que:

Para termos uma comunicação eficaz temos que levar em conta:

A necessidade de ser claro, objetivo, usar uma linguagem própria para quem está
ouvindo, colocar-se disponível para responder perguntas, dúvidas, ouvir e perceber a
pessoa com quem está dialogando.

Trocar informações e ideias, não apenas falar e deixar de ouvir o que o outro tem para
falar. Estar disposto a usar as várias formas de comunicação para expor sua mensagem,
como: gestos, desenhos, exemplos, explicações. Respeitar o outro e suas possíveis
deficiências. Ser empático. Reconhecer suas próprias limitações enquanto comunicador
e buscar alternativas para minimizá-las.

Saber e reconhecer que as pessoas são diferentes, com cultura, grau de instrução,
experiências, etc, diferentes e que podem fazer interpretações diversas sobre a
mensagem que se está querendo transmitir.

CONCLUSÃO:

Enfatizar que muitas vezes os relacionamentos tendem a sofrer com brigas, desavenças,
discórdias, devido a falhas na maneira como nos comunicamos, não prestarmos
atenção, ou não tomamos os devidos cuidados quando comunicamos nossas ideias,
pontos de vista, projetos, etc. Precisamos estar em sintonia com nosso interlocutor estar
abertos para suas reais necessidades e compreendermos suas dificuldades. Assim,
poderemos ter adesão e também sermos compreendidos. A comunicação eficaz se
estabelece em duas vias e através do respeito mútuo.

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MODELO DE DESENHO DA GALINHA

Dinâmica apresentada em:


[Link]

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Oficina: Pensamento crítico


A habilidade de pensamento crítico é a capacidade de analisar informações e/ou situações
a partir de diferentes ângulos.

Atividade
•Introdução ao tema: discutir o conceito e importância da
1 habilidade com os estudantes.

Atividade

2 •Dinâmica: DEBATE.

Atividade •Discussão: Discutir sobre a importância de analisar e refletir sobre


aspectos positivos e negativos de diversos assuntos. Esta

3 habilidade contribui para formar opiniões mais consistentes,


ajuda as pessoas a se tornarem mais flexíveis, compreensivas, e a
fazerem escolhas responsáveis.

Dinâmica atividade 2: DEBATE

O coordenador propõe ao grupo um debate. Os participantes estipulam algumas regras


que propiciem ser ele respeitoso. Em seguida, divide-se o grupo em dois subgrupos. Um
subgrupo é orientado a defender um tema – por exemplo, medicalização e patologização
da vida. O outro subgrupo deve argumentar contra o tema. Os subgrupos têm 15 minutos
para preparar a argumentação. Os dois subgrupos debatem o tema, apresentando seus
argumentos. Repete-se o debate com outro assunto. Desta vez, inverte-se, entre os
subgrupos, a tarefa de defender e argumentar contra o tema. O debate não deverá ter a
finalidade de encontrar um vencedor, pois a habilidade de pensar criticamente consiste em
analisar e refletir sobre aspectos positivos e negativos de diversos assuntos.

Dinâmica apresentada em: Minto, E. C.; Pedro, C. P.; Netto, J. R. C.; Bugliani, M. A. P.; Gorayeb, R. (2006). Ensino de
habilidades de vida na escola: uma experiência com adolescentes. Psicologia em Estudo, 11(3), 561-568.

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PÁGINA 26

Oficina: Pensamento criativo


O pensamento criativo é a capacidade de explorar alternativas disponíveis. Esta
habilidade ajuda a responder com flexibilidade às situações diárias.

Atividade
•Introdução ao tema: discutir o conceito e importância da
1 habilidade com os estudantes.

Atividade
•Dinâmica: TEMPESTADE DE IDÉIAS
2 •Recursos: Canetas para quadro branco.

•Discussão: Discutem-se os fatores que dificultam o exercício do


Atividade pensamento criativo, como, por exemplo, as barreiras sociais e
emocionais (medo de errar e de parecer ridículo). Essa atividade
3 possibilita perceber que, ao julgar as idéias a priori, impede-se o
processo criativo. Este, por sua vez, permite encontrar alternativas
diferentes das habituais para resolver os problemas do dia-a-dia.

Dinâmica atividade 2: TEMPESTADE DE IDÉIAS

A partir de situações da vida do jovem (conquistar uma garota, ajudar um amigo


envolvido com drogas) apontadas pelos participantes, eles são estimulados pelo
coordenador a comunicar quaisquer idéias que lhes venham à mente para solucionar o
problema, sem medo de ser criticados, sem julgar ou avaliar a idéia previamente.

Dinâmica apresentada em: Minto, E. C.; Pedro, C. P.; Netto, J. R. C.; Bugliani, M. A. P.; Gorayeb, R. (2006).
Ensino de habilidades de vida na escola: uma experiência com adolescentes. Psicologia em Estudo, 11(3), 561-
568.

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Oficina: Tomada de decisão

É a habilidade que permite analisar os benefícios, riscos e consequências de uma situação.


Favorece a escolha da alternativa que leve ao sucesso da ação.

Atividade
•Introdução ao tema: discutir o conceito e importância da
1 habilidade com os estudantes.

Atividade
•Dinâmica
2 •Recursos: Papel e caneta.

Atividade •Discussão: Discute-se que o estabelecimento de critérios ajuda


a evitar emoções negativas, como culpa e arrependimento,
3 pode prevenir consequências indesejáveis e estimula a
responsabilidade pelos próprios comportamentos.

Dinâmica atividade 2: CRITÉRIOS

A dinâmica tem como objetivo estabelecer os motivos ou as razões que justificam as


decisões pessoais. O coordenador estimula os participantes a pensar sobre os critérios
que os jovens costumam utilizar para resolver problemas com os pais, amigos ou
namorados. Em seguida, solicita que cada participante escolha uma das duas situações-
problema utilizadas no encontro anterior (situação A: conquistar uma garota; situação B:
ajudar um amigo envolvido com drogas). A lista de alternativas elaborada na
“Tempestade de Ideias” (pensamento criativo) é retomada. Os participantes são
orientados a adotar, segundo valores pessoais, pelo menos três critérios para solucionar a
situação problema escolhida. Em seguida, avaliam-se as opções de acordo com os
critérios, escolhendo-se a que garanta maior chance de consequências positivas.

Dinâmica apresentada em: Minto, E. C.; Pedro, C. P.; Netto, J. R. C.; Bugliani, M. A. P.; Gorayeb, R.
(2006). Ensino de habilidades de vida na escola: uma experiência com adolescentes. Psicologia em
Estudo, 11(3), 561-568.

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[Link] Orientação e planejamento de estudos

Uma das especialidades do IFRO é a oferta de educação


profissional e tecnológica, primando pelo desenvolvimento de
ações voltadas ao acesso, permanência e êxito dos alunos. Em
relação aos alunos ingressantes nos primeiros anos dos cursos
Técnicos de Nível Médio, observa-se certa dificuldade de
adaptação curricular, que acaba revertendo-se em sofrimento
emocional por parte dos educandos. Sendo assim, faz-se
necessário desenvolver ações que foquem na orientação e
planejamento de estudos. Afinal, tendo clareza do seu estado
atual, será muito mais fácil definir seu objetivo, tornando-os
realidade. Em relação ao planejamento, SOARES (2016) afirma
que,

[...] muitas pessoas imaginam [...] que o


planejamento pode ser realizado apenas de
cabeça e que isto basta para conquistar seus
objetivos e metas. Pode até ser que consiga,
mas acontece que se os objetivos estão bem
planejados, e de forma adequada, você pode
realizar um plano de ação e [...] obter
resultados muito mais rápidos, melhoria da
realização, elimina stress desnecessário, ajuda
na organização do tempo e no foco.

As atividades propostas de orientação e planejamento de


estudos tem o objetivo de auxiliar os educandos a terem mais
clareza sobre o que é o planejamento, sua importância para a
vida pessoal e acadêmica e como fazê-lo.

Para que o sucesso do planejamento seja efetivo, faz-se


necessário que os educandos adquiram alguns conhecimentos
prévios para que o planejamento de estudos tenha real
significado no processo de construção de seu desenvolvimento
pessoal, conforme proposto abaixo:

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TEMA PRINCIPAIS IDEIAS RECURSOS

Análise da utilização do
Material sugerido:
tempo, atribuindo
Livro PRONATEC EMPREENDEDOR - Plano de Vida
prioridades: Urgente, Não
e Carreira - Guia do Educador, produzido pelo
Tempo e História Urgente, Importante, Não
SEBRAE/2013 (pg. 19 - 37).
de Vida Importante;
Resgate e reflexão sobre a
Obs.: Este livro está disponível junto à equipe do
trajetória de vida do
PRONATEC e/ou Biblioteca do campus.
estudante.
Possibilitar aos estudantes
uma reflexão sobre o que
Material sugerido:
desejam para sua vida e
Livro PRONATEC EMPREENDEDOR - Plano de Vida
como pretendem realizar
e Carreira - Guia do Educador, produzido pelo
Sonho, desejo e esses desejos;
SEBRAE/2013 (pg. 38 - 61).
sucesso. Trabalhar a perspectiva de
que o sucesso é construído,
Obs.: Este livro está disponível junto à equipe do
passo a passo, a partir do
PRONATEC e/ou Biblioteca do campus.
planejamento e de ações
objetivas.
Material sugerido:
Como melhorar de vez os seus hábitos,
disponível em:
[Link]
Conhecer as três etapas de o-melhorar-de-vez-seus-habitos/;
Mudança de como o hábito se instala Criando novos hábitos, disponível em:
Hábitos (Gatilho, rotina e [Link]
recompensa); dores/criando-novos-habitos/;
[Infográfico] Hábitos: Como Criar novos Hábitos,
disponível em:
[Link]
novos-habitos/;
Material sugerido:
Vídeo “Procrastinação”, disponível em:
[Link]
 Conhecer o que é e
ue=31&v=Mivz8Qh-DwI;
Procrastinação como vencer a
5 formas de vencer a procrastinação com
procrastinação;
base na ciência, disponível em:
[Link]
PSc;
 Desenvolver o Tabela 1: “Minhas Disciplinas”;
planejamento de estudos, Tabela 2: “Registro de Atividades Diárias”;
a partir dos Tabela 3: “Tabela de Revisão de Estudos”;
Planejamento de conhecimentos adquiridos Tabela 4: “Registro das Atividades Pendentes
estudos e com utilização das no AVA”;
ferramentas propostas Tabela 5 - Agenda Diária
(tabelas de 1 a 5). Obs.: Estas tabelas encontram-se disponíveis
em anexo.
Material complementar:

Vídeo: Você é fruto de suas Escolhas! Disponível em:


[Link]
Vídeo: “Acreditar e agir”. Disponível em:
[Link]
Artigo: Apoio da família impulsiona jovem a seguir seu projeto de vida no ensino médio.

29
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Disponível em: [Link]


ensino-medio/.
Artigo: Como inserir poucos (mas bons) hábitos em sua rotina. Disponível em:
[Link]
rotina?utm_source=pushalert&utm_medium=push_notification&utm_campaign=pushalert_campa
ign
Vídeo: Motivação para estudar - 5 hábitos pra você parar de fazer nos estudos (pier luigi
motivação 2018). Disponível em: [Link]
Vídeo: Trabalhos em grupo. Disponível em: [Link]
Vídeo: Estude de forma eficiente | as 9 melhores dicas de estudo | seja um estudante melhor.
Disponível em: [Link]
Vídeo: 5 dicas para você não esquecer o que estuda. Disponível em:
[Link]
vídeo: Como Aprender... a Aprender! Disponível em:
[Link]
vídeo: Como fazer um MAPA MENTAL Passo a Passo | Seja Um Estudante Melhor. Disponível em:
[Link]
Vídeo: Sucesso nos Estudos: DICAS de Como ESTUDAR em GRUPO. Disponível em:
[Link]

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Orientações para utilização das tabelas

Preenchimento da Tabela 1: “Minhas Disciplinas”, aqui o aluno irá relacionar todas as disciplinas
cursadas, inclusive o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). Em seguida, deve destacar nas
respectivas colunas as disciplinas de “vou bem”, “vou mal” e as que está em “Dependência”. O
objetivo desta atividade é proporcionar ao aluno uma visão mais clara de sua realidade acadêmica,
facilitando o preenchimento futuro da Tabela 3;

TABELA 1 - “MINHAS DISCIPLINAS”

Preenchimento da Tabela 2: “Registro de Atividades Diárias”, aqui o aluno irá relacionar todas as
atividades diárias (trabalhos individuais ou em grupo, seminários, etc.) solicitadas em cada disciplina,
com sua respectiva data de entrega. Esta tabela possui campo para observações que poderão ser
utilizadas conforme necessidade;

TABELA 2 - REGISTRO DE ATIVIDADES DIÁRIA

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Preenchimento da Tabela 3: “Tabela de Revisão de Estudos”, este é o planejamento semanal de


revisão de estudos. Nesta tabela, o aluno deverá determinar para cada dia da semana:

a) O Horário de estudo - Oriente-o para que tente estudar sempre no mesmo horário todos os dias
para reforçar a criação do novo hábito de estudo;
b) O local de estudo - Oriente-o a ter um local adequado para estudar, a cama por exemplo,
não é um local recomendado;
c) O que estudar - O aluno deve analisar as tabelas 1 e 2, priorizando as disciplinas registradas na
coluna do “VOU MAL” e as atividades que estão com prazo de entrega mais próximos;
d) Ameaças - Aqui deverá ser feita a seguinte pergunta ao aluno após o preenchimento desta
tabela: “Existe alguma coisa que pode impedi-lo de realizar este planejamento?”, a resposta
deve ser relacionada de forma sucinta, pois, trata-se de uma ameaça ao planejamento e
deve estar bem clara (Exemplo de ameaça: Celular);
e) Antídoto - Para cada ameaça existe um antídoto, ou seja, algo que pode ser feito para
amenizar ou anular a ameaça. Pergunte: “O que você pode fazer para amenizar ou anular a
ameaça …para o seu planejamento?” (é importante que esta pergunta seja repetida para
cada ameaça relacionada. Por exemplo, se o celular for uma ameaça, a pergunta ficará
assim: “O que você pode fazer para amenizar ou anular a ameaça do celular para o seu
planejamento?”). Conhecendo as ameaças e prevendo um meio de amenizá-la ou combatê-
la, o aluno se sentirá fortalecido para executar o planejamento de estudos.

É importante orientar o aluno a conversar com a família sobre este planejamento, verificando em
como os familiares poderão auxiliá-los neste processo.

Durante o horário dedicado ao estudo, observar:

●Beba água! Água hidrata e auxilia no bom funcionamento do cérebro! Então, leve uma
garrafinha com água para a mesa de estudos e beba a água!

●Determine um intervalo entre 10 e 15 minutos para fazer um lanchinho, alongar-se e ir ao


banheiro. Este intervalo é muito importante, mas atenção para não perder o foco!

TABELA 3 - TABELA DE REVISÃO DE ESTUDOS

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Preenchimento da Tabela 4: “Registro das Atividades Pendentes no AVA” - Para os alunos que não
tem o hábito de executar as atividades do AVA, oriente para que nesta primeira semana de
planejamento conste horário específico para o preenchimento desta tabela, para tanto, o aluno
deverá visitar todas as disciplinas no AVA, registrando as atividades e suas respectivas datas de
entrega e em seguida, acrescentar a realização destas atividades na tabela 3. Para os alunos que já
executam esta atividade de forma rotineira, a tabela servirá como elemento de apoio.

TABELA 4 - REGISTRO DE ATIVIDADES PENDENTES NO AVA

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Preenchimento da Tabela 5: “Agenda Diária” - No desenvolvimento da temática “Tempo e História de


Vida”, o aluno preencherá a planilha de distribuição semanal de tempo, facilitando a clareza do
tempo dedicado semanalmente a trabalho, família, namoro, estudo, lazer, aparência pessoal,
locomoção, atividades ligadas à religião, sono/descanso e outras. A “Agenda Diária” está dividida
em intervalos de trinta minutos (podendo ser adaptada conforme realidade), onde o aluno poderá
distribuir e organizar melhor as atividades diárias.

TABELA 5 - AGENDA DIÁRIA

Em relação ao planejamento, o ideal é que haja um acompanhamento semanal, visando verificar se


estão conseguindo executar o planejado, quais as dificuldades encontradas e o que pode ser feito
para superar estas dificuldades. Mas, este período pode ser adaptado conforme realidade do
campus.
Para avaliação deste processo (TABELA 6), sugerimos as seguintes perguntas:
PERGUNTA ORIENTAÇÃO

1. O que você tem alcançado e como se Conhecendo as dificuldades encontradas


compara com o que você planejou e neste processo de criação de um novo
conseguiu? Como explica algumas hábito, é primordial neste momento
variações? observar o crescimento de cada aluno,
2. Como você tem gerenciado seu tempo trabalhe para que ele perceba seu
em todas as suas diferentes áreas de crescimento pessoal naquele período de
prioridades? execução. Reflita com eles “onde ele
3. Quais foram seus melhores e piores estava antes e onde conseguiu chegar?”.
desempenhos e qual a sua análise de O importante não é necessariamente a
cada um deles? execução de tudo o que foi planejado,
4. Que desafios você enfrentou e como não de imediato! O que vale realmente é o
você lidou com eles? crescimento pessoal que irá acontecer
5. Em geral, como você avalia a visão gradativamente. Sendo assim, valorize as
interior que você ganhou da sua pequenas conquistas!
experiência com este planejamento? A família também precisa ter este olhar em
6. Percebeu alguma mudança em seu relação ao crescimento gradativo do
desempenho acadêmico e/ou pessoal? aluno.

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3.1.2 Ações com os pais/responsáveis

No contexto educacional existem muitos atores envolvidos em todo o processo de formação dos
estudantes. A BNCC sinaliza a atuação da escola na formação socioemocional dos estudantes,
contudo, segundo CORTELLA, “O papel da família, principalmente dos pais, na educação dos
filhos não pode ser substituída pela escola. A escola, enquanto instituição, tem a função de auxiliar
os pais na formação, ou seja, na educação de seus filhos, e não o contrário.” STATI reforça este
pensamento ao afirmar que “[...] é na família que se aprende a amar, a respeitar e a fazer o bem a
todos. A escola é apenas o espaço onde tudo que se aprende em casa é enriquecido com outros
saberes.”
Neste contexto, as ações propostas neste eixo, visam promover este engajamento dos pais no
processo de educação socioemocional de seus filhos. REIS Apud CORTELLA afirma que “[...] é
preciso uma parceria entre a escola e as famílias. A estratégia é manter, como algumas instituições
fazem, uma escola de pais, com reuniões periódicas para ajudar as famílias na reflexão.”
Acredita-se que o desenvolvimento das temáticas a serem trabalhadas com os educandos
apresentarão um melhor resultado se forem também realizadas com os pais, pois assim, estes
estarão aptos a auxiliarem seus filhos neste processo de ensino-aprendizagem. Assim, é
fundamental que os pais tenham conhecimento de que o padrão de relacionamento e apoio
familiar pode ser um importante fator de proteção para o adoecimento psíquico.

[Link] Escola da Família

A proposta do projeto Escola da Família é contribuir para que os responsáveis pelos alunos possam
auxiliá-los no processo de desenvolvimento pessoal, tendo em mente que a educação é uma
temática que vai além dos muros da escola. Neste contexto, serão abordados os temas
relacionados a algumas habilidades consideradas essenciais para o desenvolvimento pessoal que
serão trabalhadas com os educandos.

O conteúdo proposto será desenvolvido através de palestras, mesas redondas, oficinas, etc.,
visando o fortalecimento do ambiente familiar. A sugestão é que as atividades da Escola da
Família sejam desenvolvidas em grupos pequenos, se possível, por turma, sendo a princípio
realizadas com os alunos dos primeiros anos e seus respectivos pais e/ou responsáveis.

O primeiro encontro terá como finalidade a apresentação da proposta do Programa de


Educação Emocional do IFRO aos pais e/ou responsáveis, assim como o levantamento de possíveis
demandas de atuação do campus junto a estes. É de suma importância que ao apresentar as
temáticas que serão trabalhadas com os alunos, seja ressaltado a importância do apoio da
família.

A estratégia proposta para levantamento desta demanda é a Place-Mat, que, conforme


especificado pela Social Studies, “[...] trata-se de uma estratégia de ensino e aprendizagem
colaborativa que pode ser utilizada em diversas situações [...]”, permitindo aos participantes a
reflexão, o registro de suas ideias, o debate e possíveis soluções para a problemática apresentada.

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Estratégia: Place-Mat
Público-alvo: Pais e/ou responsáveis
Descrição
1. Os participantes são divididos em grupo de no máximo 5 membros (ideal 4).
2. Cada grupo recebe um cartaz, conforme ilustração abaixo (Figura 1).
3. Juntamente com o cartaz, o grupo recebe uma lista de perguntas enumeradas conforme o cartaz.
4. Cada um deve fazer anotações individuais em um espaço lateral específico do cartaz.
5. Quando cada um terminar de anotar suas ideias, o grupo deve discutir e sumarizar as ideias ao centro do
cartaz.
6. Um representante é escolhido para apresentar as ideias do grupo.

Descrição da estratégia
Figura 1 - Esquema do cartaz para 4 membros

Sugestões de questões a serem discutidas:


1. Como a família pode auxiliar seus/suas filhos(as) em seu desenvolvimento pessoal?
2. Como a família pode participar da vida acadêmica de seus/suas filhos(as), contribuindo para que
também tenham uma vida social/familiar ativa?
3. Quais atividades e temáticas em Saúde Mental e outras, o campus xxx pode promover para auxiliar os
pais na formação de seus/suas filhos(as)?
4. O que o IFRO, campus xxx pode fazer para fortalecer esta parceria com os pais?

Sugestões e ideias de gestão


● Informe aos participantes que eles devem estar preparados para compartilhar suas respostas;
● Determine com antecedência o tempo para resposta de cada pergunta;
● Incentivar o pensamento independente, assim como o compartilhamento em grupo.
● Monitore as discussões para confusões comuns que podem ser abordadas mais tarde com todo o grupo.

Benefícios do Place Mat


● Quando os participantes têm um “tempo de reflexão” apropriado, a qualidade de suas respostas
melhora.
● Os participantes estão ativamente envolvidos no pensamento e o pensamento independente é
incentivado.
● O pensamento mais crítico é retido em uma aula na qual os participantes tiveram a oportunidade de
discutir e refletir sobre o tópico.
● Muitos participantes acham mais seguro ou mais fácil entrar em uma discussão com um grupo menor.
● É importante que os participantes aprendam como desenvolver as ideias dos outros, combinar
pensamentos comuns e escrevê-los como um grupo.

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•Procedimento - Desenvolvimento da estratégia Place Mat.


Etapa
•Recursos: Sala com uma mesa para cada grupo de 4 pessoas;
1 Cartaz conforme figura 1, na descrição da estratégia Place Mat;
Caneta para cada participante; Fita adesiva ou outro recurso
para afixar os cartazes na parede;

•Procedimento - Levantamento das propostas sugeridas através da


Etapa estratégia do Place Mat

2 •Recursos: Nesta etapa, os responsáveis pela execução deverão


relacionar todas as atividades que foram propostas pelo grupo e
selecionar aquelas que serão colocadas em prática

•Procedimento - Desenvolvimento das propostas selecionadas.

Etapa •Recursos: Nesta etapa, os responsáveis pela execução deverão:


Elaborar ações para serem desenvolvidas com os pais e/ou
3 responsáveis dos educandos, baseando-se nas propostas
selecionadas na “Etapa 2”;
Elaborar cronograma para desenvolvimento das ações.

Orientações:

●Ao formularem as ações, tenham em mente que “o menos é mais”, ou seja, elaborem um
cronograma que seja possível desenvolver com qualidade;

●Levem em conta o conhecimento empírico dos pais e/ou responsáveis, mesmo que eles não
se deem conta, tem muito a oferecer através de suas experiências;

●É interessante que pelo menos uma das ações sejam desenvolvidas entre pais e alunos,
visando o fortalecimento dos vínculos familiares;

●A estratégia Place Mat é uma sugestão, cada campus poderá utilizar o método que melhor
lhe convier.

Leituras recomendadas:
Escola em Movimento. E book Qual o nível de engajamento dos pais da sua escola?. Disponível em:
[Link]

Blog Estante Mágica. Como incluir os pais na educação dos alunos. Disponível em:
[Link]

Escola em Movimento. Artigo: A importância da parceria entre pais e escola para um bom rendimento escolar
dos filhos. Disponível em: [Link]
escola-para-um-bom-rendimento-escolar-dos-filhos/

GSHOW. Artigo: Desafios do Ensino Médio: como ajudar seu filho a passar por essa fase. Disponível em:
[Link]
positivo/noticia/2017/07/[Link]

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EIXO 2
3.2 Ações para acompanhamento de estudantes identificados
em processo de adoecimento psíquico e vítimas de violência

As ações elencadas neste eixo têm como finalidade a construção de protocolos institucionais para
atendimento de estudantes em situação de adoecimento psíquico e/ou vítimas de violência.
Propõe-se com este material o estabelecimento de diretrizes que visam auxiliar os servidores no
atendimento e desenvolvimento de suas ações no que se referem estes temas. Com isso, objetiva-
se ofertar um atendimento efetivo às demandas apresentadas pelos estudantes do IFRO que se
encontre em situação de vulnerabilidade psíquica, física e/ou social.

A Constituição Federal, em seu Art. 227, prevê que a família, sociedade e estado têm o dever de:

[..] assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à
saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao
respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda
forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. (BRASIL, 1988)

Especificamente, em relação ao estudante menor de idade, cabe ressaltar que o Estatuto da


Criança e do Adolescente (ECA) preceitua crianças e adolescentes como sujeitos de direitos e
devido à situação peculiar de pessoas em desenvolvimento, atribui à responsabilidade de garantir,
proteger e reparar ao Estado, a sociedade e a família. Assim, uma criança ou adolescente em
situação de violência ou com necessidade de atendimento em saúde, deve ter garantido essas
proteções a partir de ações desses entes.

No contexto escolar, essa responsabilidade integra as atribuições dos agentes públicos, não sendo
discricionária a este a decisão de tomar ou não providências frente à constatação ou suspeita de
que os direitos da criança ou adolescente estão sendo violados, de acordo com o Art. 13 do ECA:

Os casos de suspeita ou confirmação de castigo físico, de tratamento cruel ou degradante e de


maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho
Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providências legais. (BRASIL, 1990)

A atuação frente ao fenômeno da violência e de demandas de adoecimento psíquico de forma a


garantir a proteção integral e promoção de direitos, exige dos agentes públicos um trabalho
extremamente assertivo, bem com a interlocução com outros agentes de proteção de direitos de
crianças e adolescentes, como familiares e instituições de proteção.

Ainda, cabe estabelecermos medidas orientativas mais específicas para atuação frente à possível
identificação de situações que envolvam adoecimento psíquico, comportamento suicida e
violação de direitos de menores. Desta forma, a seguir serão expostos os procedimentos a serem
adotados pelo(s) profissional(is) que venham a prestar atendimento aos estudantes com estas
demandas, abordando: procedimentos a ser seguido na escuta, os principais itens a serem
avaliados durante o atendimentos; os encaminhamentos internos e externos que devem ser
realizados e medidas para proceder para o acompanhamento da demanda.

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3.2.1 Protocolo para acompanhamento de estudantes em


situação de adoecimento psíquico

1-Definição

Este protocolo tem por objetivo a padronização de procedimentos a serem utilizados para o
acompanhamento regular de estudantes que apresentem indícios de adoecimento psíquico com
quadro de transtorno psiquiátrico diagnosticado ou não.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que a “saúde é um estado de completo bem-estar
físico, mental e social e não apenas a mera ausência de doença ou enfermidade”, ou seja, a saúde
mental é mais do que a ausência de transtornos mentais ou deficiências. Estima-se que 10% a 20%
dos adolescentes em todo o mundo vivenciam problemas relacionados à saúde mental, todavia
permanecem diagnosticados e tratados de forma inadequada. De acordo com dados da OMS, a
Depressão é a 9ª causa de doença e incapacidade entre todos os adolescentes e Ansiedade é a 8ª
principal causa. (OPAS, 2018).

Portanto, transtornos psicológicos podem ser profundamente incapacitantes para o funcionamento


de um adolescente, afetando inclusive sua frequência e desempenho escolar, podendo ainda a
depressão, na pior das hipóteses, levar ao suicídio (OPAS, 2018).

Outro comportamento que merece total atenção de todos nós que trabalhamos no ambiente
escolar é a autolesão. A literatura internacional tem constatado a frequência de autolesão entre
adolescentes, demonstrando que nos últimos anos a prática desse comportamento tem aumentado
(MUEHLENKAMP, CLAES, HAVERT, & PLENER, 2012; PLENER ET AL., 2016 APUD FONSECA ET AL, 2018).

Para uma melhor compreensão, apresentamos a definição acerca desse comportamento de


acordo com Giusti (2013, p. 5): “A automutilação é definida atualmente como qualquer
comportamento intencional envolvendo agressão direta ao corpo sem intenção consciente de
suicídio e não socialmente aceita dentro de sua própria cultura e nem para exibição”.

E ainda:

Os comportamentos autolesivos mais comuns são cortes superficiais na pele, arranhões,


mordidas, queimaduras, bater partes do corpo contra a parede e enfiar objetos
pontiagudos no corpo (Cedaro, & Nascimento, 2013 apud Fonseca et al, 2018).

Por fim, embora a autolesão se distancie em diversos aspectos do comportamento suicida


(Muehlenkamp, 2005 apud Fonseca et al., 2018), os dados de pesquisas demonstram maior
incidência de suicídio entre os jovens que se auto lesionaram anteriormente (Franklin et al., 2017
apud Fonseca et al, 2018).

2-Procedimentos a ser seguido na escuta

De forma geral, no atendimento dos estudantes com este tipo de demanda deve-se estabelecer
uma abordagem acolhedora, calma, aberta, de aceitação e de não julgamento para facilitar a
comunicação e, especialmente, tomar medidas que garantam o sigilo do conteúdo compartilhado,
assim segue algumas orientações:

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“Como se comunicar:

Ouvir atentamente, com calma.


Entender os sentimentos da pessoa (empatia).
Dar mensagens não verbais de aceitação e respeito.
Expressar respeito pelas opiniões e pelos valores da pessoa.
Conversar honestamente e com autenticidade.
Mostrar sua preocupação, seu cuidado e sua afeição.
Focalizar nos sentimentos da pessoa.

Como não se comunicar:

Interromper muito frequentemente.


Ficar chocado ou muito emocionado.
Dizer que você está ocupado.
Fazer o problema parecer trivial.
Tratar o estudante de uma maneira que possa colocá-lo numa posição de inferioridade.
Dizer simplesmente que tudo vai ficar bem.
Fazer perguntas indiscretas.
Emitir julgamentos (certo x errado), emitir opiniões pessoais sobre seus valores.” (BRASIL, 2006).

O estudante esteja em crise de choro, agitação e angústia acentuada, e não for possível
estabelecer uma conversa que possibilite a coleta de informações mais apuradas sobre a situação,
o profissional deverá realizar o acolhimento do estudante. Se necessário chamar os responsáveis e
agendar um novo encontro para colher às informações necessárias para compreensão do caso e
possíveis encaminhamentos.

3-Questões a serem avaliadas/identificadas


•Se o estudante está em tratamento ou se já esteve em tratamento psicológico ou psiquiátrico;
•Histórico de transtorno psiquiátrico;
•Se o estudante fez ou está fazendo uso de medicamento controlado;
•Ocorrência de autolesão;
•Se apresenta comportamento suicida, caso haja identificação, deve-se utilizar o protocolo de
prevenção ao suicídio.
•Vivência de situação de violação de direitos (abandono, negligência, conflitos familiares,
convivência com pessoas que fazem uso abusivo de álcool e outras drogas, além de todas as
formas de violência - física, sexual e psicológica);
•Uso de álcool ou outras drogas;
•Se há fatores institucionais relacionados ao adoecimento do estudante.
4-Encaminhamentos internos
•Realizar o acolhimento dos estudantes que forem encaminhados ou buscarem o setor por
demanda espontânea apresentando indícios de sofrimento/adoecimento psíquico;
•Estabelecer ações em conjunto com os demais profissionais da CAED/DEPAE, Direção de
Ensino, DAPE e docentes, a fim de garantir a manutenção do processo de aprendizagem do
estudante;
•O profissional fará orientações aos docentes via e-mail ou reunião, com o objetivo de discutir
a situação do estudante e estabelecer em conjunto com demais medidas necessárias para a
realização de atendimento diferenciado, quando necessário;
•Se for verificado fatores institucionais relacionados ao processo de adoecimento psíquico
deverá ser tomadas medidas de cunho pedagógico e/ou administrativa visando minimizar os
danos à saúde do estudante, ao processo de aprendizagem, e se for o caso a apuração de
responsabilidades administrativas;
•No caso de estudante socioeconomicamente vulnerável, que apresente demanda para
atendimento de saúde externo, em caráter de urgência e que não possa ser atendido pelo
SUS, o Programa de Atenção à Saúde e Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (PROSAPEX)
poderá ser utilizado para pagamento de consulta. Neste caso realizar encaminhamento ao
Serviço Social do Campus para providências.

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5-Encaminhamentos externos

•Se o estudante for menor de idade ou caso seja maior de idade, mas não apresente
condições psíquicas para tomadas de decisões, os responsáveis ou familiares próximos deverão
ser convocados para que o profissional possa informar sobre o estado de saúde do estudante,
bem como para colher outras informações sobre o caso;
•Encaminhar o estudante para avaliação e acompanhamento com Psicólogo Clínico e/ou
Psiquiatra na rede pública ou privada de saúde. Registrar o encaminhamento por escrito e
colher a assinatura de recebimento do responsável;
•Caso constatado a necessidade encaminhar o estudante por escrito para avaliação e
acompanhamento com outros profissionais, que julgar necessário (Neurologista, Psicopedagogo
e outros).
•O profissional caso convoque os responsáveis e estes não compareçam fará o registro e
notificará o Conselho Tutelar. A primeira convocação do responsável pelo estudante deve ser
feita via telefone, caso não comparecerem sem justificativa prévia, a convocação deverá ser
feita por escrito. Somente após estas duas primeiras tentativas o Conselho Tutelar será notificado.
•O Conselho Tutelar deverá ser notificado, em todos os casos que seja constatado
comportamento de autolesão ou suicida, conforme Art. 6º da Lei nº 13.819, de 26 de abril de
2019.
•Realizar encaminhamento para serviços de Assistência Social (CRAS), caso seja constatado a
necessidade de fortalecimento do vínculo familiar, por meio do Serviço Social do Campus.
•Em situações que indique negligência dos responsáveis e/ou das instituições de saúde que não
propiciaram a efetivação do atendimento em saúde encaminhado, o Ministério Público deverá
ser notificado.
6-Acompanhamento da demanda
•O estudante que apresentar sofrimento psíquico ou quadro diagnosticado de adoecimento
psíquico deverá ser acompanhado regularmente, o profissional definirá de acordo com sua
avaliação como ocorrerá a periodicidade do acompanhamento (ex: semanal, quinzenal...),
com o objetivo de verificar se o estudante está recebendo os atendimentos externos
necessários, bem como acompanhar o processo de escolarização do mesmo, seu desempenho
escolar, processo de interação com colegas e docentes, entre outros.
•Solicitar dos responsáveis que apresentem relatórios e/ou laudos dos profissionais externos da
área da saúde mental, que atendam os estudantes, com objetivo de acompanhar o estado de
saúde deste, bem como manter um registro atualizado da situação.
7-Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Prevenção do Suicídio: Manual dirigido a profissionais


das equipes de saúde mental. Brasília, 2006. Disponível:
[Link] Acesso em : 06 ago. 2019.

BRASIL. Lei nº 13.819, 26 de abril de 2019. Institui a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do
Suicídio, a ser implementada pela União, em cooperação com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; e
altera a Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998. Disponível em: [Link]
2022/2019/Lei/[Link]. Acesso em: 06 ago. 2019.

FONSECA, Paulo Henrique Nogueira da et al . Autolesão sem intenção suicida entre adolescentes. Arq. bras.
psicol., Rio de Janeiro , v. 70, n. 3, p. 246-258, 2018. Disponível em:
[Link] Acesso
em: 18 jul. 2019.

GIUSTI, J. S. Automutilação: Características clínicas e comparação com pacientes com transtorno obsessivo-
compulsivo (tese). Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil, 2013.

ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE (OPAS). Folha informativa - Saúde mental dos adolescentes. Brasil,
2018. Disponível em: [Link]
informativa-saude-mental-dos-adolescentes&Itemid=839. Acesso em: 05 ago. 2019.

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3.2.2 Protocolo institucional para acompanhamento de


estudantes que apresentam comportamento suicida

1-Definição

Este protocolo tem por objetivo a padronização dos procedimentos a serem utilizados para o
acompanhamento regular dos casos de estudantes que apresentem comportamento suicida.

Uma vez que há uma alta taxa de suicídio em jovens de 15 a 19 anos, a prevenção do suicídio entre
crianças e adolescentes é de alta prioridade. Tendo em vista que a maioria desses jovens frequenta a
escola, este parece ser um importante local para a prevenção (OMS, 2000a).

Os transtornos psiquiátricos mais comuns em crianças e adolescentes que tentam o suicídio são:
depressão; transtornos de ansiedade; abuso de álcool e outras drogas; transtornos alimentares;
transtornos psicológicos; tentativas prévias de suicídio (OMS, 2000a).

Outros eventos de vida negativos podem atuar como desencadeadores do comportamento suicida:
problemas familiares, separação de amigos, morte de pessoas amadas ou significativas, término de
relacionamento amoroso, conflitos ou perdas interpessoais, opressão pelo seu grupo de identificação
ou comportamento autodestrutivo para aceitação no grupo, opressão e vitimização, fracasso nos
estudos, demandas altas na escola, desemprego e dificuldades financeiras, gravidez indesejada e
aborto, infecção por HIV ou outras ISTs, doença física grave, desastres naturais (OMS, 2000a).

O outro aspecto relevante a ser observado é o efeito contágio que pode ocorrer no fenômeno do
suicídio, por meio de um processo de imitação do comportamento um determinado suicídio pode
facilitar a ocorrência de outros, mesmo que não se tenha convívio com a vítima.

Um suicídio pode vir a facilitar a ocorrência de outro, seja pelo fato exposto acima, de que a imitação
do processo serve como modelo para novos suicídios, seja pelo fato de que a exposição a
comportamentos suicidas de outras pessoas pode ensinar novas estratégias de lidar com sofrimento
emocional. Esta influência pode ocorrer por meio de contato direto com a vítima ou pela transmissão
da informação sobre o suicídio. A mídia pode contribuir com tal processo, com a divulgação dos
casos de maneira sensacionalista.

Não há uma “receita” para detectar de forma segura uma crise suicida em um estudante, entretanto
na maioria dos casos são manifestados certos sinais que devem chamar a atenção de quem trabalha
em um ambiente escolar. Portanto, apresentaremos abaixo alguns sinais de alerta que nossos alunos
podem emitir, os quais precisaremos estar atentos e avaliar no momento em que realizarmos o seu
atendimento.

2-Questões a serem avaliadas/identificadas

 O estudante pode emitir FRASES DE ALERTA. Pode parecer óbvio, mas muitas vezes são
ignoradas:

"Vou desaparecer.”
“Vou deixar vocês em paz.”
“Eu queria poder dormir e nunca mais acordar.”
“É inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero me matar.”
“Eu preferia estar morto.”
“Eu não posso fazer nada.”
“Eu não aguento mais.”
“Eu sou um perdedor e um peso pros outros.”
“Os outros vão ser mais felizes sem mim.”

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 Histórico de Transtorno Psiquiátrico;


 Ter realizado tentativas de suicídio prévias;
 Mudança abrupta de humor (depressão, nervosismo, angústia);
 Manifestar irritabilidade e comportamento de autodefesa;
 Mudanças súbitas de comportamento, como por exemplo: falta de interesse nas atividades
habituais, declínio nas notas, más condutas em sala de aula, faltas não explicadas e/ou
repetidas;
 Manifestar comportamentos de isolamento, afastando-se do convívio social;
 Demonstrar indiferença significativa quanto os seus hábitos de sono, alimentação e higiene;
 Histórico de bullying ou cyberbullying, tanto como vítima como quanto agressor;
 Apresentar uso ou abuso de álcool ou outras drogas;
 Problemas financeiros;
 Se o estudante começar a conversar ou tiver ideias acerca do suicídio;
 Publicação em redes sociais de temas ligados a morte, desesperança e desespero;
 Distribuição de bens ou de forma repentina fazer um testamento.
 Após uma avaliação da história do indivíduo e seus comportamentos, conseguiremos
começar a estabelecer o nível do risco e a conduta que devemos ter para reduzi-lo.

Risco baixo: A pessoa teve alguns pensamentos suicidas, mas não fez nenhum plano.

Risco médio: A pessoa tem pensamentos e planos, mas não pretende cometer suicídio
imediatamente.

Risco alto: A pessoa tem um plano definido, tem os meios para fazê-lo e planeja fazê-lo
prontamente. Pode já ter tentado suicídio recentemente e apresenta rigidez quanto a uma
nova tentativa. Pode ter tentado várias vezes em um curto espaço de tempo

3-Procedimento a ser seguido na escuta

 Encontrar um momento apropriado e um lugar calmo para falar com o estudante, onde não
haja interrupções. Deixe-o saber que você está ali para ouvir, ouça-o com a mente aberta e
tranquila, e ofereça seu apoio e o da instituição.

 É necessário que a abordagem com o estudante com ideação suicida seja de forma
responsável, empática, atenciosa e acolhedora, pois para muitas deles falar sobre isso é
muito difícil e delicado. Caso a abordagem traga implicitamente uma rejeição, julgamento,
uma condenação, provavelmente o estudante não conseguirá manifestar o que está
sentindo, a ideação suicida permanecerá, e ele não mais irá contar sobre ela.

 Essa comunicação deve seguir as orientações elencadas no tópico que trata sobre “como se
comunicar” e “como não se comunicar”, disponível no protocolo de adoecimento psíquico.

 Comece perguntando ao estudante como ele está se sentindo, sobre sua vida e procure
estabelecer uma relação empática para posteriormente entrar no conteúdo do suicídio.

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 Quando for questionar o aluno, você deverá fazer as perguntas de maneira gradual.
Iniciando com perguntas mais simples, como por exemplo: “Como está a sua vida? Como
você se sente sobre o futuro? Há algo que está te incomodando?” (MICHEL, 2000).
Dependendo da resposta podem-se fazer perguntas mais diretas: “Você sente-se infeliz ou
sem esperança? Você sente-se desesperado? Você sente-se incapaz de enfrentar os dias?
Você sente que sua vida é um fardo? Você acha que não vale a pena viver? Até que se
pergunte diretamente: Você pensa em cometer suicídio?”. Esta última pergunta deverá ser
feita de forma clara, portanto, abaixo apresentamos algumas maneiras de perguntar
diretamente se o indivíduo tem intenções de se ferir ou de cometer suicídio (OMS, 2000b):

“Tem pensado em fazer-se mal?”


“Tem pensado acabar com a sua vida?”
“Tem estado a pensar em suicídio?”
“Já alguma vez pensou ou está a pensar agora em fazer-se mal?”
“Tem-se sentido tão mal que pensa em infligir-se mal?”

 Em caso de resposta positiva, questione se o estudante possui planos para cometer suicídio:
Tem planos para pôr fim à sua vida? Tem um plano para como vai consegui-lo?

 Trabalhe os sentimentos suicidas manifestados pelo estudante. Quanto mais abertamente


ele fala sobre o que está sentindo, sobre suas perdas, isolamento e desvalorização, menos
confusas suas emoções se tornam. Esse processo de reflexão é importante, ninguém senão
o próprio aluno pode revogar a decisão de tirar a própria vida e tomar a decisão de viver.

 Focalize nos aspectos positivos da pessoa, fazendo-a falar sobre como problemas anteriores
foram resolvidos sem recorrer ao suicídio. É uma forma de motivá-la e ao mesmo tempo
recuperar a confiança em si mesma.

 Explore alternativas ao suicídio. O profissional deve tentar explorar as várias alternativas ao


suicídio, até aquelas que podem não ser soluções ideais, na esperança de que a pessoa vá
considerar ao menos uma delas.

4-Encaminhamentos internos

 Realizar o acolhimento dos estudantes que forem encaminhados ou buscarem o setor por
demanda espontânea apresentando indícios de sofrimento/adoecimento psíquico;

 Estabelecer ações em conjunto com os demais profissionais da CAED/DEPAE, Direção de


Ensino, DAPE e docentes, a fim de garantir a manutenção do processo de aprendizagem
do estudante;

 O profissional fará orientações aos docentes via e-mail ou reunião, com o objetivo de
discutir a situação do estudante e estabelecer em conjunto com demais medidas
necessárias para a realização de atendimento diferenciado, quando necessário;

 Se for verificado fatores institucionais relacionados ao processo de adoecimento psíquico


deverá ser tomadas medidas de cunho pedagógico e/ou administrativa visando minimizar
os danos à saúde do estudante, ao processo de aprendizagem, e se for o caso a apuração
de responsabilidades administrativas;

 No caso de estudante socioeconomicamente vulnerável, que apresente demanda para


atendimento de saúde externo, em caráter de urgência e que não possa ser atendido pelo
SUS, o Programa de Atenção à Saúde e Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (PROSAPEX)
poderá ser utilizado para pagamento de consulta. Neste caso realizar encaminhamento ao
Serviço Social do Campus para providências.

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5-Encaminhamentos externos

 Em qualquer grau de risco (baixo, médio, alto) e independentemente da idade a família do


estudante deverá ser comunicada e orientada, bem como deverão ser formalizados os
encaminhamentos necessários. De acordo com o grau, realizar os seguintes
encaminhamentos:

1. Em grau baixo encaminhar para avaliação e atendimento psicológico e solicitar que o


responsável e/ou familiar providencie a consulta o mais breve possível;
2. Em grau médio encaminhar para avaliação e atendimento psiquiátrico para avaliação e
conduta e solicitar que o responsável e/ou familiar providencie a consulta o mais breve
possível;
3. Em grau alto encaminhar com urgência para o serviço de psiquiatria ou para emergência do
hospitalar. Caso o responsável e/ou familiar, não posso fazer o acompanhamento inicial,
algum servidor da instituição deve fazê-lo até que o estudante esteja sob cuidados médicos
ou familiares.

Observações para casos de Alto Risco:

 Se você percebe que essa pessoa está em perigo imediato que corresponde ao alto risco
de suicídio, não a deixe sozinha. Encaminhe o indivíduo para o serviço de psiquiatria para
avaliação e conduta e, se necessário, para a internação. Providencie uma ambulância ou
veículo institucional e encaminhe a pessoa ao pronto-socorro.

 Se todas as tentativas de convencimento do paciente para uma encaminhamento


voluntário se esgotarem, e se percebe que há um risco de suicídio iminente, peça ajuda da
família, pois uma internação involuntária poderá ser necessária.

 Explique ao profissional que irá recebê-la o resultado da sua avaliação, uma vez que é
indispensável que ele entenda o motivo do encaminhamento. Além do mais, você já
conseguiu obter informações importantes.

 Total cuidado com possíveis meios (por exemplo, pesticidas, armas de fogo, estiletes,
tesouras, facas ou medicamentos) de cometer suicídio que possam estar no próprio espaço
de atendimento e/ou no ambiente escolar, e repassar orientações acerca destes cuidados
aos responsáveis;

 Notificar o Conselho Tutelar caso seja constatado tentativa de suicídio e/ou ato de
automutilação, conforme Art. 6º da Lei nº 13.819, de 26 de abril de 2019. Assim como, notificar
o Ministério Público os casos que podem indicar negligência dos responsáveis ou das
instituições de saúde que não propiciaram a efetivação do atendimento em saúde
encaminhado.

 O profissional caso convoque os responsáveis de estudantes menores de idade e estes não


compareçam fará o registro e notificará o Conselho Tutelar. O primeiro contato deve ser feito
via telefone, desta forma, se os responsáveis não comparecerem sem justificativa prévia,
deverá ser feito por escrito. Somente em caso de negativa das duas primeiras tentativas, o
Conselho Tutelar deverá ser notificado, salvo casos avaliados como alto risco, nos quais
devem ser tomadas medidas em caráter de urgência.

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 O profissional caso convoque os familiares de estudante maior de idade que não esteja
em plenas condições psicológicas e estes não compareçam fará o registro e notificará o
Ministério Público. O primeiro contato deve ser feito via telefone, se os responsáveis não
comparecerem sem justificativa prévia, deverá se feito por escrito. Somente em caso de
negativa das duas primeiras tentativas o Ministério Público será notificado, salvo casos
avaliados como alto risco, nos quais devem ser tomadas medidas em caráter de urgência.

 Realizar encaminhamento para serviços de Assistência Social (CRAS), caso seja constatado
a necessidade de fortalecimento do vínculo familiar, por meio do Serviço Social do
Campus.

6-Acompanhamento/reavaliação da demanda

 O estudante que apresentar comportamento suicida deverá ser acompanhado


regularmente, o profissional definirá de acordo com sua avaliação como ocorrerá a
periodicidade do acompanhamento (ex: semanal, quinzenal...), com o objetivo de verificar
se o estudante está recebendo os atendimentos externos necessários, bem como
acompanhar o processo de escolarização do mesmo, seu desempenho escolar, processo
de interação com colegas e docentes, entre outros.

 Solicitar dos responsáveis que apresentem relatórios e/ou laudos dos profissionais externos
da área da saúde mental, que atendam os estudantes, com objetivo de acompanhar o
estado de saúde deste, bem como manter um registro atualizado da situação.

7-Referências

BRASIL. Lei nº 13.819, 26 de abril de 2019. Institui a Política Nacional de Prevenção da


Automutilação e do Suicídio, a ser implementada pela União, em cooperação com os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios; e altera a Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998. Disponível em:
[Link] Acesso em: 06 ago.
2019.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS). Prevenção do suicídio: Manual para professores e


educadores. Genebra, 2000a.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS). Prevenção do suicídio: Um Manual para médicos


clínicos gerais. Genebra, 2000b.

MICHEL, K. Suicide prevenjon and primary care. In: Hawton, K., Van Heeringen, K. The Internajonal
Handbook of Suicide and A4empted Suicide. John Wiley & Sons: Chichester, 2000.

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3.2.3 Protocolo institucional para acompanhamento em casos de


estudantes que tiveram ou estão em situação de violação de
direitos
1-Definição

Este protocolo tem por objetivo a padronização dos procedimentos a serem utilizados para o
acompanhamento regular dos casos de estudantes que tiveram ou estão em situação de violação
dos seus direitos.

A violação de direitos consiste em “toda e qualquer situação que ameace ou viole os direitos da
criança ou do adolescente, em decorrência da ação ou omissão dos pais ou responsáveis, da
sociedade ou do Estado, ou até mesmo em face do seu próprio comportamento.” (VARA DA
INFÂNCIA E JUVENTUDE DO DISTRITO FEDERAL, 2013, p. 1).

A violação de direitos contra menores de idade pode ser configurada em casos de “abandono,
negligência, conflitos familiares, convivência com pessoas que fazem uso abusivo de álcool e outras
drogas, além de todas as formas de violência (física, sexual e psicológica)”. (VARA DA INFÂNCIA E
JUVENTUDE DO DISTRITO FEDERAL, 2013. p 1-2).

Após a identificação dos casos supramencionados a notificação por parte da instituição escolar é
obrigatória, caso após a comunicação aos responsáveis, estes não a façam.

2- Executantes

Preferencialmente Psicólogo, Assistente Social e Orientador Escolar.

3- Procedimentos a ser seguido na escuta

 Estabelecer uma relação de confiança com o estudante, de modo que este se sinta à
vontade e acolhido ao revelar o que aconteceu;
 Ter como princípio a “escuta como "direito", e não como "obrigação" (respeito à condição
da criança/adolescente como sujeito de direitos e não mero "objeto" de intervenção estatal
ou "instrumento de produção de prova"); (DIGIÁCOMO, 2019)
 Respeitar o desejo de livre manifestação do atendido. Necessidade de compreender o
"tempo” do estudante, nem sempre este conseguirá fazer todo o relato de uma só vez,
devendo haver flexibilidade no processo de escuta, e caso o estudante concorde, realizar
novo atendimento em data posterior;
 Evitar a revitimização do estudante. O mesmo jamais deve ser "forçado" a relatar o que
sofreu, sendo necessário, ante sua eventual recusa/resistência em revelar os fatos, postergar
ou interromper o atendimento. Tal medida é essencial para evitar trauma/constrangimento.
 A suspeita ou indícios de violação de direitos se configura como suficientes para o
encaminhamento de denúncia;
 Assegurar sua privacidade, respeitando os aspectos legais

4-Questões a serem avaliadas/identificadas

 Se o estudante ainda está vivenciando a suposta violência e se ainda tem contato com o
agressor;
 É importante avaliar o risco imediato de reincidência dos maus-tratos;
 Se a violência for intrafamiliar, identificar quem é o membro agressor e quem são os membros

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5-Encaminhamentos internos

 Estabelecer ações em conjunto com os demais profissionais da CAED/DEPAE, Direção de


Ensino, DAPE e docentes, a fim de garantir a manutenção do processo de aprendizagem do
estudante;
 O profissional fará orientações aos docentes via e-mail ou reunião, com o objetivo de discutir
a situação do estudante e estabelecer em conjunto com demais medidas necessárias para a
realização de atendimento diferenciado, quando necessário;
 Se for identificada situação de violação de direitos no contexto institucional, o profissional
deve relatar o ocorrido imediatamente, através de processo no SEI (classificação restrita), a
sua chefia imediata e chefia geral da unidade.
 Lembra-se que a atenção e a notificação dos casos é responsabilidade da Unidade
também, e não apenas dos profissionais que fizeram o atendimento. A instituição deve estar
atenta à identificação dos casos e comprometida com o acompanhamento dos estudantes.

6- Encaminhamentos externos

 Convocar o responsável do estudante (se for violência intrafamiliar, convocar membro não
agressor), informar a suspeita de violação de direitos e solicitar que a denúncia seja feita na
Delegacia, de preferência em uma Especializada (Delegacia Especializada de Atendimento
à Mulher (DEAM) e/ou Delegacia Especializada de Atendimento à Criança e ao Adolescente
(DPCA).
 Pedir ao responsável comprovação documental de que a notificação foi realizada nos
órgãos responsáveis.
 Se a família não quiser, não fizer ou não puder assumir a notificação, deverá informar ser
informada que, por força da lei, a Instituição terá que notificar o fato aos órgãos
competentes. Iniciará com a notificação a Delegacia e dependendo do caso a demais
órgãos como Conselho Tutelar e Ministério Público. A notificação (modelo em anexo) deve
ser enviada pela Direção da Unidade o mais rapidamente possível.
 Caso o estudante menor esteja em situação de violência intrafamiliar e em contato com o
agressor, a notificação às Delegacias Especializadas (de acordo com o caso) e ao Conselho
Tutelar deverá ser imediata.
 Especificamente, em casos de relato de violência sexual sofrida por menores de idade, é
importante ressaltar que independente da época em que a suposta violência tenha
ocorrido, o profissional deverá tomar as medidas supracitadas nos parágrafos anteriores.
 É importante orientar os familiares, em linguagem apropriada, as graves consequências da
vivência de violência para o desenvolvimento da criança/adolescente e o importante papel
que eles terão para reverter/minimizar os danos causados.
 Caso necessário, encaminhar a família para serviços de apoio existentes no município,
complementando a rede de suporte (CRAS, CREAS, CAPS, outros).

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7. Acompanhamento/reavaliação da demanda

 Aos estudantes que tiveram violação dos seus direitos, o profissional definirá de acordo
com sua avaliação como ocorrerá o acompanhamento regular (ex: semanal, quinzenal...)
com o objetivo de verificar se está recebendo os atendimentos externos necessários, bem
como realizar o acompanhamento do processo de escolarização do mesmo, seu
desempenho escolar, processo de interação com colegas e docentes, entre outros.

 Solicitar dos responsáveis que apresentem relatórios e/ou laudos dos profissionais externos
quando o estudante estiver em acompanhamento, com objetivo de acompanhar o caso,
bem como manter atualizado o seu registro de atendimento na escola.

8. Referências

VARA DA INFÂNCIA E JUVENTUDE DO DISTRITO FEDERAL. Violação dos Direitos da Criança e


do Adolescente. Brasília, 2013. Disponível em: [Link]
e-juventude/publicacoes-textos-e-artigos/publicacoes/colecao/[Link]. Acesso
em: 05 ago. 2019.

DIGIÁCOMO, Murillo José. Escuta qualificada de crianças e adolescentes vítimas de


violência. Disponível em: [Link] Acesso em: 05
ago. 2019.

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3.2.4 Adaptações pedagógicas para estudantes em situação


de adoecimento psíquico
No ambiente escolar são vivenciadas diversas situações que exigem de toda equipe de
educadores novas medidas e ações, dentre essas, temos os transtornos psíquicos que estão cada
vez mais presentes neste contexto. Neste sentido é relevante destacar que o indivíduo em situação
de adoecimento psíquico pode apresentar alterações cognitivas, isso devido ao uso de
medicamentos, como também provocado pelos próprios sintomas de cada transtorno. Dentre as
alterações cognitivas podemos destacar déficit de atenção e concentração, dificuldade de
memorização, dificuldade de tomar decisões e desmotivação (DALGALARRONDO, 2008).

Especificamente nos casos de estudantes em situação de adoecimento psíquico é de suma


importância pontuar que há necessidade de construir um plano individual de atendimento,
respeitando as especificidades e as particularidades de cada quadro de saúde, objetivando evitar
a sobrecarga do estudante e contribuir para sua melhora. Para esta construção “é preciso que os
conteúdos escolares ensinados e aprendidos sejam recursos que possibilitem ao educando não só
repeti-los, mas sobretudo, servir-se deles para relacionar-se melhor consigo mesmo, com o mundo e
com os outros”. (LUCKESI, 2011, p.101).

Considerando isso é importante estabelecer processos de orientação pedagógica para os


docentes de estudantes em situação de adoecimento psíquico e outras vulnerabilidades e que
apresentam agravamento relacionado às questões didático-metodológicas, métodos avaliativos,
relação professor/aluno, etc.

Na realização do atendimento pedagógico é importante que o docente organize seu tempo para
construir um ambiente de aprendizagem efetivo e eficaz, com intuito de atender o ritmo do
estudante (RIBEIRO & PAULA, 2011). Neste sentido seguem algumas orientações quanto aos
procedimentos para atendimento aos estudantes em situação de adoecimento psíquico.

Orientações para desenvolvimento do Plano Individual de Atendimento de estudantes em situação


de adoecimento psíquico

Os profissionais da CAED/DEPAE que estiverem acompanhando o estudante, respeitando os


princípios éticos referente ao sigilo trabalharão em conjunto com os profissionais da Direção de
Ensino, DAPE e docentes, a fim de garantir a manutenção do processo de aprendizagem do
estudante; farão orientações aos docentes via e-mail, bem como quando necessário solicitará
reunião, com o objetivo de discutir a situação do estudante e propor em conjunto os
encaminhamentos necessários para realização do atendimento diferenciado.

É importante destacar que cada caso exigirá um conjunto de medidas de acordo com sua
especificidade. No entanto segue algumas orientações gerais para a realização do atendimento
individualizado:

 Durante as aulas evitar expor o estudante na frente dos colegas, com perguntas sobre seu
humor e/ou comportamento.

 Construir o atendimento ao estudante baseado no diálogo sobre as suas limitações e


potencialidades.

 Na realização de atividades em grupo o docente deverá montar os grupos de trabalho,


evitando assim a exclusão e isolamento do estudante.

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 Ofertar a possibilidade do estudante realizar nova atividade avaliativa ou atividade


diferenciada, caso apresente comportamento atípico no momento da avaliação.
 Criar um ambiente confortável para o estudante realizar apresentações de seminários
sempre respeitando suas limitações. Caso o estudante não consiga realizar a atividade,
oportunizar outra forma de avaliação ao estudante.
 Realizar adaptações nas atividades avaliativas escritas:

Utilize linguagem clara, objetiva, com termos conhecidos, evitando dupla ou vaga
interpretação;
Elabore enunciados com textos curtos, com linguagem objetiva, direta, com palavras
precisas e inequívocas (sem ‘duplo’ sentido);
Trate de um só assunto em cada questão;
Divida um “grande” texto, do qual decorre uma “grande” questão, em “pequenos” textos
acompanhados de suas respectivas questões;
Evitar prova extensa que possa provocar cansaço e consequentemente mais falhas nas
questões finais.
Se possível permitir consulta em material de apoio ou resumo/esqueleto de estudo para a
avaliação.
Orientações para atendimento de estudantes em situação de adoecimento psíquico e em
atendimento domiciliar

 A elaboração do plano de atendimento domiciliar sempre que possível deverá ser


acompanhado/mediado por um membro do DEPAE/CAED (Orientadora Educacional,
Psicóloga Escolar), por meio de reuniões para planejamento e construção do mesmo.
 O membro do DEPAE/CAED atuará como mediador, verificando junto aos professores as
atividades e o prazo que estes têm para que sejam repassadas ao estudante. De
preferência as atividades deverão ser encaminhadas ao mediador, que ciente das
especificidades do quadro do estudante irá acompanhar e orientar quanto ao tipo de
atividade, quantitativo e prazo de entrega.
 O plano individual de atendimento deverá ser construído de forma interdisciplinar,
objetivando evitar a sobrecarga do estudante.
 Utilizar como estratégia de ensino a gravação de vídeo aulas ou indicação das já
disponíveis na rede, para auxiliar o estudante na compreensão dos conteúdos.
 Durante o processo de atendimento recomenda-se a realização de web conferência, para
sanar dúvidas e realizar explicações de conteúdo e atividade proposta.
 Utilização do ambiente virtual de aprendizagem (AVA) para ministrar/disponibilizar
conteúdos, tarefas, exercícios e atividades afins;
 Quando possível sugerir atividades práticas em ambiente domiciliar (planejamento
acompanhado pelo mediador), pois algumas atividades podem ser terapêuticas.
 A Coordenação de Curso e o DEPAE/CAED deverão sistematizar análises contínuas em
relação à implementação dos planos de atendimento domiciliar e sistemáticas de
avaliação traçadas pelos professores, com sugestão de ajustes e flexibilização, quando
necessário.
 O acompanhamento do atendimento domiciliar deverá ser realizado pela Coordenação
de Curso (mediando contato da família e estudante com docente) e pelo
Departamento/Coordenação de Assistência ao Educando mediando contato do docente
com estudante e família.

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Eixo 3
3.3 Ações complementares

3.3.1 Capacitação

A capacitação de servidores é fundamental para o enfretamento das demandas


apresentadas pela sociedade, que está em constante processo de mudança, exigindo
destes o aprimoramento constante, para aquisição de novas competências e
aprendizagens. Especificamente, para atuação diante do quadro de adoecimento
psíquico de estudantes é primordial:
Promover a capacitação contínua dos profissionais da Assistência ao Educando dos
Campi, para atuação em nível preventivo em Saúde Mental.
Promover a capacitação continuada dos profissionais da Psicologia, para atuação em
nível interventivo e preventivo em Saúde Mental.
Promover a formação continuada dos docentes relacionada aos principais pontos de
convergências de problemáticas entre professores e alunos: avaliação; relação
professor/aluno; (in) disciplina; metodologias ativas (resoluções de problemas), projetos
integradores, temas transversais, entre outros.

3.3.2 Práticas de ensino integradoras e com metodologias ativas

O alto número de disciplinas nos cursos integrados do IFRO e o consequente acúmulo de


atividades avaliativas e extraclasse podem gerar sobrecarga nos estudantes, tal situação
pode potencializar quadros de estresse e ansiedade, bem como prejudicar a autoimagem
dos estudantes que não conseguem atender a contento as exigências do processo de
formação. O desenvolvimento de estratégias de ensino com metodologias ativas e
integradoras são fundamentais para o enfrentamento desta questão.

3.3.3 Atividades artísticas, culturais e de esporte e lazer

O incentivo e disponibilização de práticas de atividades de artísticas/culturais e de esporte


e lazer podem contribuir melhorar a saúde mental dos discentes e devem ser amplamente
disponibilizadas e incentivadas na instituição. Os efeitos psicológicos destas ações,
comumente, estão relacionados à estabilização do humor, redução do estresse, efeito
positivo no autoconceito, desenvolvimento de qualidades sociais, por meio do
estabelecimento de interações sociais.
A adequação do calendário acadêmico para inclusão desses momentos é fundamental,
pois assim, formaliza-se a importância dessa ação na cultura institucional. Os pais e/ou
responsáveis podem ser envolvidos nestas atividades, assim com parceiros externos.

3.3.4 Formação de parcerias externas

Outra ação importante é o estabelecimento de parcerias com órgãos externos para


encaminhamentos de estudantes que demandem ações que extrapolem o escopo de
atuação da instituição, bem como para o desenvolvimento de ações preventivas, dentre
estes podemos citar: Rede Pública de Saúde, Centro e Atendimento Psicossocial- CAPS,

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4. REFERÊNCIAS
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. Disponível em:
[Link]
[Link]. Acesso em: 25 ago. 2019

BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de


1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em:
[Link] Acesso em:
15 mai. 2019.

BRASIL. Ministério da Saúde. Agenda de Ações Estratégicas para a Vigilância e


Prevenção do Suicídio e Promoção da Saúde no Brasil: 2017 a 2020. Brasília: 2017.

BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases


da educação nacional. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF.

BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e


do Adolescente e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa
do Brasil, Brasília, DF, 16 jul. 1990.

CORTELLA, Mário Sérgio. O papel dos pais na educação dos filhos. Disponível em:
[Link] Acesso
em: 13 mai. 2019.

DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais.


Porto Alegre: Artmed, 2008.

ESTANISLAU, Gustavo M.; BRESSAN, Rodrigo Affonseca (Org.). Saúde Mental na


Escola: o que os educadores devem saber. Porto Alegre: Artmed, 2014.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem: componente do ato


pedagógico. São Paulo: Cortez Editora, 2011.

MINTO, Elaine Cristina et al. Ensino de habilidades de vida na escola: uma


experiência com adolescentes. Psicol. estud., Maringá , v. 11, n. 3, p. 561-
568, 2006.

MUTARELLI, Andreia. Estratégias de resistência à medicalização: a experiência


francesa. 2017. 282 folhas. Tese (Doutorado) Universidade de São Paulo, São Paulo.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Prevenção do Suicídio: um imperativo


global. OMS: 2014.

PAR - PLATAFORMA EDUCACIONAL. Competências socioemocionais na BNCC.


Disponível em: [Link]
socioemocionais-na-bncc/?utm_source=site&utm_medium=materiais-educativos,
acesso em: 14 maio. 2019.

RIBEIRO, Karina Rafaela. Atendimento pedagógico domiciliar para enfermos: Uma


maneira diferente de educar. Universidade Estadual de Maringá Educação e
Diversidade . Disponível em: [Link]
cacao/ensino_fundamental/textos_educacao_fundamental/Monografia_Atendim
ento_Alunos_Enfermos_P%C3%[Link]. Acesso em: 05 jun. 2019.

53
PÁGINA 54

SOARES, Darcilene. Qual a importância do planejamento? Por que planejar?.


[Link], 2016. Disponível em:
[Link]
que-planejar. Acesso em: 17 mai. 2019.

SOCIAL STUDIES. Placemat Activity. Disponível em:


[Link] Acesso
em: 14 mai. 2019.

STATI, Kamilla. Psicopedagogia. Disponível em:


[Link] Acesso em: 17 mai. 2019.

VIGOTSKI, Lev Semenovitch. Os métodos de investigação reflexológicos e


psicológicos. In: VIGOTSKI, Lev Semenovitch. Teoria e método em psicologia. São
Paulo: Martins Fontes, 1999, p. 3-5.

World Health Organization (WHO). Life skills education in schools. Geneva: 1997.

54
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Anexo
MINUTA DE OFÍCIO

Porto Velho/RO, 23 de julho de 2019.


À
@local_destinatario@
@nome_contexto_destinatario@
@endereco_destinatario@, @bairro_destinatario@
CEP: @cep_destinatario@ – @cidade_destinatario@/@sigla_uf_destinatario@

Assunto: Notificação de violência, suspeita ou comprovação de maus-tratos contra crianças e


adolescentes.

@vocativo_destinatario@,

Vimos notifica-los da ocorrência/suspeita de violência sofrida pelo o (a) menor abaixo


identificado (a) para providências cabíveis desta respeitosa instituição.

I - IDENTIFICAÇÃO DA CRIANÇA/ADOLESCENTE
Nome:___________________________________________________________
DN: _____/_____/_____ Idade: ____________________ Sexo: __________

Responsável(is) Legal(is):
________________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________

Endereço:
_____________________________________________________________________________________________
Tel. p/contato:
____________________________________________________________________________________________
II – Descrição do ocorrido (Tipo de violência e prováveis agressores)
____________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________

III- IDENTIFICAÇÃO DO ATENDIMENTO


Data do atendimento: _____/_____/_____
Unidade: _________________________________________________________________________
Endereço da unidade:
__________________________________________________________________________________
Telefones.:
__________________________________________________________________________________
Profissionais envolvidos no atendimento (incluir categoria profissional):
________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________

Atenciosamente,

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