Lina Bo Bardi e o SESC Pompeia: 1977-1986
Tópicos abordados
Lina Bo Bardi e o SESC Pompeia: 1977-1986
Tópicos abordados
São Carlos
2017
RENATA CARNEIRO BECHARA
versão corrigida
Dissertação apresentada ao
programa de pós-graduação em
arquitetura e urbanismo do
Instituto de Arquitetura e
Urbanismo da Universidade de São
Paulo como parte dos requisitos
necessários para obtenção do título
de Mestre.
Área de concentração:
Teoria e História da Arquitetura e
Urbanismo.
Orientador:
Prof. Titular Renato L. S. Anelli
São Carlos
2017
Este trabalho é dedicado à Bila.
com agradecimentos a Mílton, Pedro, João, Gabriel, Renato e a todos que,
mesmo sem saber, ofereceram generosamente suas valiosas contribuições.
“(…) O poeta sonha. A mulher joga a rosa sobre o mundo.”
Lila Ripoll
RESUMO
This research analyzes the performance of the architect Lina Bo Bardi in the history
of the construction of one of the Social Service of Commerce - SESC's units,
Pompeia, in São Paulo. The job searches in Lina´s constructive experience at
Pompeia the realization of elements about her previous speech, prepared in times of
crisis, requesting the architect's resignation artistic authoship concerns, and suggests
working with the man of the people's creativity and connecting to the real technical
conditions in each construction site, considering the context in the seventies where
Brazilian architects sought to think and experience more active professional attitudes
in the face of difficulties created by the military dictatorship, the country's sui
generis industrialization process, and the modern architecture's dilemmas about its
social role. The dissertation tells the story of the construction work from the critical
analysis regarding several records of communication between agents and execution
forms in the works, which shows opportunities, impacts and values concerning the
architect's activity in definition of architectural identity and success its
communicability with users. Lina Bo Bardi worked for nine years in a base office
made inside the construction site of factory building where the SESC had
provisionally installed an Leisure Centre, and there develops its
architectural renovations and expansions design simultaneously the works and
negotiations with suppliers, which puts her in direct contact with engineers,
architects, consultants, workers and customer representatives. This research
exposes the Lina Bo Bardi´s action-architecture at SESC Pompeia, with its close
relationship with popular culture, revealing in interior of the design process /
construction the author architect responsibility in the work for the maintenance
of pure content that creates forms which in Pompeia it was called dignity and
simplicity wabi by the architect.
Capa Capacete de obra usado por Lina no SESC. Objeto da Exposição “Lina Em Casa –
Percursos”, curadoria de Renato Anelli e Anna Carboncini. Casa de Vidro, São Paulo SP,
12/4 a 19/7 de 2015. Foto da autora.
Figura 01: Furgão da Unidade Móvel de Orientação Social – Unimos – criadas em 1966. 35
Figura 02: Anotação e desenhos de Lina Bo Bardi para a criação da logomarca do SESC Pompeia. 40
Figura 06: Desenhos (planta e corte) e foto da fachada da fábrica Michele Ansaldi, Turim, 1906. 46
Figura 08: Fábrica Ibesa Gelomatic – São Paulo – 1938. Rua Clélia esquina com Rua Barão do 50
Bananal.
Figura 09: Fábrica Ibesa Gelomatic – São Paulo – 1938. Estrutura de concreto. 51
Figura 10: Ghirardelli Square. Uma das faces de um quarteirão inteiro de São Francisco. 52
Figura 12: Fachada com pintura em faixas coloridas e placas de sinalização do Centro Cultural e 55
Desportivo "Jessé Pinto Freire", unidade do SESC SP que funcionava à Rua Clélia, 96.
Figura 13: Planta de situação do projeto de Júlio Neves para o SESC Pompeia. 56
Figura 14: Lombadas e folhas de rosto livros-relatórios anuais do SESC de 1971 a 1986. 58
Figura 19: Elementos arquitetônicos antigos e os que foram reproduzidos (condutores de águas 75
pluviais, luminárias).
Figura 20: Tijolo-de-galinheiro sendo colocado no lugar onde havia vitrôs de ferro e vidro. 77
Figura 22: Elevações e planta com legenda para identificação dos ambientes. 80
Figura 23: Tabela com as etapas da obra e incidência de registros fotográficos no tempo. 81
Figura 24: Restauro na alvenaria de tijolos com a caixa d´água elevada já concretada ao fundo. 82
Figura 25: Protótipos da escada-rampa de acesso aos vestiários (em segundo plano). 84
Figura 27: Amostra do mosaico de cacos de cerâmica para o piso dos banheiros. 88
Figura 29: Sistema de refrigeração do teatro aparente e destacado pela pintura colorida. 97
Figura 30: Croquis iniciais de Lina para o SESC no imóvel da Pompeia, sem a presença do marco 104
vertical (caixa d´água/chaminé).
Figura 31: Estudos iniciais de Lina, planta geral e ocupação da área aos fundos do lote. 105
Figura 34: Área que recebe as águas pluviais do bairro no limite com a propriedade do SESC, pós- 112
inaugurações.
Figura 35: Ilustração de livro infantil. A distorção evidencia o deck entre os prédios, sob as passarelas. 112
Figura 38: Croqui demonstrando a cúpula sugerida por Sresnevsky para o galpão do teatro. 125
Figura 39: Foto da piscina sendo usada por muitas pessoas, sugerindo a exposição ao alto nível de 125
ruído.
Figura 40: Gordon Matta-Clark. Conical Intersect. Rua Beaubourg, 27-29, Paris, 1975. 129
Figura 41: Lina Bo Bardi. SESC Pompeia. Rua Clélia, 96, São Paulo, 1977-1986. 129
Figura 42: Inseto em madeira executado pelo pedreiro “Paulista” para a Exposição “Entreato para 133
Crianças”, foto de objeto exposto.
Figura 43: Objetos em madeira para sinalização da choperia do SESC: desenhos de Lina e execução 134
de “Paulista”.
Figura 44: Técnicas pobres aplicadas ao grande boneco da Sucuri na exposição “entreatos para 139
crianças”, de 1985.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO............................................................................................................. 12
Lina Bo Bardi na Itália e no Brasil ....................................................................................... 16
Pompeia: laboratório para uma arquitetura das atitudes ................................................... 27
SESC: breve histórico da instituição ................................................................................... 30
1 LINA BO BARDI E A FABRICA DA POMPEIA ............................................................... 41
1.1 Fábricas em concreto armado pré-moldado: princípios de modernidade ....................... 41
1.2 Fabrica na Pompeia - São Paulo SP ............................................................................... 48
1.3 SESC Pompeia.............................................................................................................. 52
1.4 A contratação de Lina Bo Bardi .................................................................................... 59
1.5 Reforma e construção dos edifícios .............................................................................. 72
2 LINA BO BARDI, PENSAMENTOS E AÇÕES: O ESCRITÓRIO NO CANTEIRO ................... 86
2.1 Forma e valor da atuação do arquiteto......................................................................... 86
2.2 Action-Architecture ..................................................................................................... 91
2.3 A construção do projeto em obra – eventos ................................................................. 99
2.4 A caixa d´água elevada em concreto aparente especial ............................................... 103
2.5 O deck sob as passarelas do bloco bipartido e sobre o córrego da Água Preta. ............ 109
2.6 Consultoria de conforto térmico – Luiz Carlos Chichierchio ........................................ 115
2.7 Consultoria de acústica – Igor Sresnevsky ................................................................... 124
2.8 A direção do gesto operário na obra .......................................................................... 126
2.9 A gênese da forma e a arquitetura “pobre” do SESC Pompeia ..................................... 135
CONCLUSÃO............................................................................................................. 142
REFERÊNCIAS ........................................................................................................... 144
ANEXO A – Imagens no tempo: rua interna .............................................................. 150
ANEXO B – Imagens no tempo: bloco de serviço do restaurante ................................ 151
ANEXO C – Imagens no tempo: galpão de atividades gerais ...................................... 152
ANEXO D – Imagens no tempo: ateliers/paredes ...................................................... 153
ANEXO E – Entrevista Marcelo Ferraz ....................................................................... 154
ANEXO F – Entrevista Luiz Carlos Chichierchio........................................................... 174
ANEXO G – Entrevista M. Suzuki ............................................................................... 182
ANEXO H – Tabela – Relatórios de atividades anuais do SESC-SP .............................. 194
ANEXO I – Lista de trabalhos acadêmicos sobre o tema ............................................ 196
INTRODUÇÃO
1 FERRO, Sérgio “O canteiro e o Desenho”. FERRO, Sérgio. O Canteiro e O Desenho. Ed. Projeto.
1979.
2 GUIMARAES, Andreas; CONTIER, Felipe de Araujo; LOUREIRO, Lívia. “Flávio Império e as
múltiplas facetas de um projeto brasileiro”, por Sérgio Ferro. Entrevista, São Paulo, ano 13, n.
051.01, Vitruvius, jul. 2012 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/11.051/4405>.
3 BENITES, Afonso. “Nova lei das estatais brasileiras abre brechas para escândalos de corrupção”. El
4 FERRAZ, Marcelo. Lina Bardi e a tropicália. Arquitextos, São Paulo, ano 08, n. 093.00, Vitruvius,
fev. 2008 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/08.093/163>Acesso em: 10 ago 2016.
5 Listagem resumida de dados dos trabalhos, em ordem cronológica, em anexo.
6 ANELLI, Renato L.S. Cenografia e procedimento cenográfico no projeto. In: “Interlocuções com a
arquitetura italiana na constituição da arquitetura moderna”. 195 p. Tese de livre docência. Escola de
Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos, 2001. p. 77.
7 OLIVEIRA, Liana P. P. “A capacidade de dizer não”: Lina Bo Bardi e a Fábrica da Pompeia.
Malasartes que foi usada por Oliveira e que naturalmente sugere que a presença de
Lina teria impedido direcionamentos equivocados da obra.
Dos detalhes ampliados da rotina do canteiro, provenientes de uma
história da construção 8 montada a partir de registros fotográficos, desenhos,
documentos escritos oficiais, manuscritos informais e também depoimentos orais de
alguns participantes que testemunharam os processos construtivos e comunicações
entre diversos agentes, será possível ver emergir características da atuação de Lina
Bo Bardi que poderão complementar as interpretações de sua obra.
Não obstante, será de vital importância manter o olhar periférico
fundamentado na teoria da Análise do Discurso, constituída enquanto disciplina nos
anos 1950 e fortemente difundida nos anos 1980, como instrumento de reflexão de
pesquisa que garanta o suporte crítico das análises, possibilitando que a abordagem
linguística dos conceitos clássicos de ideologia e discurso - como em Marx, Ricoeur,
Althusser e Foucault 9 - nos permita averiguar ambiguidades e desarmonias entre
alguns desejos expressos por Lina Bo Bardi em falas e textos e a dinâmica real de
suas relações de trabalho.
Destas averiguações destacam-se a elucidação do local de inserção da
cultura popular e da expressão do homem comum verdadeiramente livre no
processo de projeto/construção e a tensão gerada entre a necessidade da presença
ativa e centralizadora de decisões (para assegurar a comunicabilidade cultural e
fidelidade a um “espírito” – wabi 10 ) e a dinâmica flexível do trabalho em equipe,
sujeito aos limites da realidade social e econômica da obra – action architecture.
Mas para entender a história da construção do lugar que hoje chamamos
de SESC Pompeia - mesmo tendo como interesse principal caracterizar a atuação
de Lina Bo Bardi entre 1977 e 1986 – e as reais possibilidades de que este se
Campinas. 2004.
10
O termo faz parte de um duo de palavras, wabi (quietude simples) e sabi (simplicidade elegante),
que significam o oposto de esplendor e deslumbramento, uma reação à cultura dominante na China
do séc VI. Outros significados relacionados: despojamento, imperfeição, rusticidade, estado mental
da pessoa que é calma e feliz. Apud KARPOUZAS, Helena. “A casa moderna ocidental e o Japão”: a
influência da arquitetura tradicional japonesa na arquitetura das casas modernas ocidentais.
Dissertação de Mestrado, Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
Porto Alegre, 2003.
15
11 SPENCER, J. M. F.; RAVARA, P.B. “A consolidação de uma prática”: do edifício fabril em betão
armado nos EUA aos modelos europeus na modernidade. Tese de Doutorado – Faculdade de
Arquitetura de Lisboa, Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa, 2008.
12 IAMAMOTO, Marilda Vilela; CARVALHO, Raul de. “Relações sociais e serviço social no Brasil”:
esboço de uma interpretação histórico-metodológica. 20ª. São Paulo: Cortez Editora, 2007.
13 ANELLI, Renato L. S. “Interlocuções com a arquitetura italiana na constituição da arquitetura
moderna”. 195p.Tese de livre docência. Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São
Paulo, 2001.
14 ANELLI, Renato L S. Nova Monumentalidade e Integração das Artes no Brasil: do Ministério a
Brasília. In: “Da integração à autonomia”: arte, arquitetura e cultura no Brasil (1950-1980). Seminário
DOCOMOMO Brasil, Rio de Janeiro, 2009.
15 NOSELLA, Paolo. “Mario Alighiero Manacorda”: Um marxista a serviço da liberdade plena e para
16 O que aqui foi denominado de “cultura comunista ideal” manifesta-se em Lina Bo Bardi em suas
atividades ligadas à arte e à educação, fundamentadas no marxismo de Gramsci e diferenciadas das
malsucedidas práticas do socialismo real, muito ligado ao poder político. Aprofundamentos sobre a
distinção entre “cultura comunista ideal” e “prática do socialismo real” podem ser encontrados nas
falas da entrevista que Mario A. Manacorda (1914-2103) cedeu a Paolo Nosella, onde o intelectual
marxista italiano explica porque ainda gostava de se definir comunista. Esta comparação surgiu de
comentários feitos pelo interlocutor Paolo Nosella à autora, após visita à exposição A Arquitetura
política de Lina Bo Bardi, de curadoria de André Vainer e Marcelo Ferraz, no SESC Pompeia, em
outubro/dezembro de 2014. Lina, na ocasião, foi relacionada à “bela cultura comunista da Itália, dos
anos 1950, 1960 e 1970, de Vittorio De Sica, Federico Fellini e Pier Paolo Pasolini”, e esta visão
sintética de alguém não muito familiarizado com a crítica específica de arquitetura, obtida
rapidamente através da visitação da exposição, instigou ainda mais as investigações desta pesquisa,
que estavam em sua fase inicial. NOSELLA, Paolo. Mario Alighiero Manacorda: Um marxista a
serviço da liberdade plena e para todos. Palestra proferida no X Colóquio Nacional e II Colóquio
internacional do Museu Pedagógico da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da
Conquista, 30 de agosto de 2013.
17 Há diversos registros biográficos que demonstram complementaridade e apontam para estas
contradições: Lettera da San Paolo, de 1989, com entrevistas de Lina a Francisco Tentori; Curriculum
Literário, organizado e publicado por Marcelo Ferraz em 1993; as considerações que Carlo Pagani
faz em 1998 a respeito do mesmo Curriculum, contestando-o em sua narrativa demasiado heroica e
sedutora; além de documentos de fonte primária constantes de arquivos na Itália. Eles demonstram
uma tensão de discordância existente entre o resultado interpretativo do Curriculum Literário e a
forma como foram narrados os mesmos fatos alternativamente por Carlo Pagani e Francisco Tentori.
Ficam evidentes, assim, as maneiras divergentes que Lina Bo se posiciona em relação à Faculdade
de Arquitetura de Roma e Marcelo Piacentini, por exemplo, alternando contrariedade e simpatia em
relação ao conservadorismo e às ligações da arquitetura com o fascismo. ANELLI, Renato L.
S. “Interlocuções com a arquitetura italiana na constituição da arquitetura moderna”. 195p.Tese de
livre docência. Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, 2001.
17
18 LIMA, Zeuler. “Lina Bo Bardi entre margens e centros”. Arqtextos 14. Maio/junho 2009. Disponível
emhttps://www.ufrgs.br/propar/publicacoes/ARQtextos/pdfs_revista_14/05_ZL_entre%20margens%20
e%20centro_070210.pdf - Acesso em 09/01/2017.
19 PAGANI, Carlo. Stili di Vietti. Una esemplare casa di Montagna. Lo Stile, n. 9, set/1941,
Ribeiro) têm identificado o popular e o erudito em Lina Bo Bardi como herança milanesa do trabalho
com Carlo Pagani e Gio Ponti sobre a modernização do artesanato italiano. ALBUQUERQUE Jr,
Durval Muniz de. Um povo sem cabeça soltando arte pelas mãos. Artigo escrito por ocasião da
apresentação oral do autor nos seminários "A mão do povo brasileiro", promovidos pelo MASP em
2015. Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2016. Texto enviado gentilmente pelo autor por
18
que ela se sente hipócrita colaborando com ele. Lina teve curta participação em A (síntese de
“Attualità, Architettura, Abitazione, Arte”), que foi uma edição semanal para público não especializado
em arquitetura sugerida por Pagani, tendo Lina Bo e Bruno Zevi como parceiros, com o objetivo de
alargar o debate acerca da reconstrução da Itália. Quando o primeiro número foi publicado, em 1946,
Lina já havia pedido demissão e estava morando em Roma novamente. É dela um desanimado relato
no “Primeiro Encontro Nacional para a Reconstrução Edilícia”, resultado de uma expedição da Domus
pela Itália que fez com Carlo Pagani e um fotógrafo para documentar e avaliar a situação do país
destruído pela guerra. ANELLI, Renato L. S. “Interlocuções com a arquitetura italiana na constituição
da arquitetura moderna”. 195 p. Tese de livre docência. Escola de Engenharia de São Carlos,
Universidade de São Paulo, 2001, p. 45. e 46.
22 ARANTES, Otília B. F. Lúcio Costa e a boa causa da arquitetura moderna. In: ARANTES, Otília B.
F; ARANTES, Paulo E. Sentido da Formação. Três estudos sobre Antônio Cândido, Gilda de Mello e
Souza e Lúcio Costa. São Paulo: Paz e Terra, 1997.
19
23 AMARAL, Aracy. A imagem da cidade moderna: o cenário e seu avesso. In: FABBRIS, Anna
Teresa. Modernidade e modernismo. Campinas: Mercado das Artes, 1994.
24 ANELLI, Renato L S. Nova Monumentalidade e Integração das Artes no Brasil: do Ministério a
Brasília. In: Da integração à autonomia: arte, arquitetura e cultura no Brasil (1950-1980). Seminário
DOCOMOMO Brasil, Rio de Janeiro, 2009.
20
25 A leitura que Lina faz sobre a consciência coletiva a respeito da importância do lugar fica evidente
quando ela conta que, ao passar pelo terreno vazio em frente ao Parque Siqueira Campos, pensou
que aquele seria o único lugar digno para o museu, justamente por sua projeção popular. BARDI,
Lina Bo. O Novo Trianon, 1957/1967. In: GRINOVER, M; RUBINO, S. Lina por escrito. Textos
escolhidos de Lina Bo Bardi. São Paulo: Cosac Naify, 2009.
26 Para construir o sentido do termo “nacional por subtração”, o autor denuncia ilusões a respeito da
ideia de que apenas não reproduzir tendências metropolitanas seria eficaz na busca uma vida
intelectual mais substantiva, ou seja, de um “fundo nacional genuíno, não adulterado”. Sugere que o
dilema das elites a respeito das desigualdades sociais deveria ser resolvido com um forte trabalho
paralelo, no sentido de aperfeiçoar a democracia e transformar a sociedade, uma leitura notadamente
de esquerda, mas o conceito de “nacional por subtração” foi aceito e verbalizado tanto pelos
intelectuais nacionalistas de esquerda como pelos de direita. Antes de 64, esta era a ordem do dia,
porém, durante a ditadura militar, a internacionalização do capital, a mercantilização das relações
sociais e a presença da mídia fizeram com que estas questões perdessem um pouco a
verossimilhança. SCHWARTZ, Roberto. Nacional por subtração. In: SCHWARTZ, Roberto. Que horas
são? São Paulo: Cia das Letras, 1989.
21
27 Em todas as sociedades modernas é comum que uma geração faça propostas inovadoras
estruturadas sobre elementos oriundos de épocas anteriores e de outras áreas de saber. Por isso, o
mal-estar das elites brasileiras diante da imitação não seria falso, equivocado ou mesmo deformado,
conforme sugere Schwarz: a observância destes elos seria essência da formação do novo. GUERRA,
Abílio da Silva N. Lúcio Costa. Modernidade e tradição. Montagem discursiva da Arquitetura Moderna
Brasileira. Tese de doutorado apresentada ao Departamento de História do Instituto de Filosofia e
Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, Campinas, 2002.
28 ARANTES, Otília B. F. Lúcio Costa e a boa causa da arquitetura moderna. In: ARANTES, Otília B.
F; ARANTES, Paulo E. Sentido da Formação. Três estudos sobre Antônio Cândido, Gilda de Mello e
Souza e Lúcio Costa. São Paulo: Paz e Terra, 1997.
29 GUERRA, Abílio da Silva N. Lúcio Costa. Modernidade e tradição. Montagem discursiva da
30 Vale a pena ressaltar que Lina Bo Bardi chega ao Brasil no Rio de Janeiro em 1946, recebida por
Lúcio Costa, Burle Marx, Oscar Niemeyer, Portinari, Oswald de Andrade entre outros e é de 1948 o já
citado debate entre Lucio Costa e Geraldo Ferraz, onde Lucio faz a tradução da modernidade
brasileira na semiologia das suas palavras –, FERRAZ, Marcelo. Lina Bardi e a tropicália. Arquitextos,
São Paulo, ano 08, n. 093.00, Vitruvius, fev. 2008. Disponível em:
<http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/08.093/163>. Acesso em:1 ago.2016.
31 O primeiro texto que Lina Bo Bardi publica no Brasil, na primeira edição da revista Habitat em 1950,
é sobre casas de Artigas. Lina dirigiu a revista Habitat de 1950 a 1952 (edições 1 a 9). GRINOVER,
M. Uma ideia de arquitetura. A escrita de Lina Bo Bardi. Dissertação de Mestrado, FAUUSP,
Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010.
32 O ponto de interrogação no título do período faz parte da narrativa de uma pesquisa recente, sob a
mesma orientação e metodologia que esta, que apresenta a maneira como a Escola Vilanova Artigas
foi introduzida na história da arquitetura brasileira, principalmente através da história do edifício da
FAU-USP e da construção de sua doutrina. Aprofundamentos sobre o tema, consultar CONTIER,
Felipe de Araújo. O edifício da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo na cidade universitária: projeto
e construção da Escola de Vilanova Artigas. Tese de doutorado. IAU-USP, Universidade de São
Paulo, São Carlos, 2015.
23
qual ressalta categorias que seriam persistentemente adotadas pela crítica futura de
sua obra 33.
Dentre estas categorias, nos chamam atenção a “solidariedade humana”,
a mudança de hábitos e a oposição à aparência de modernidade, ou “recorrência de
efeitos forçados”, esta última relevantemente relacionada por Lina à expressão
arquitetônica norte-americana e burguesa, o que para nós demonstra como Lina
evoca em Artigas um moderno antiburguês, principalmente porque, segundo ela, a
sua arquitetura é ativa, provocando um modo de vida diferente, anti-imperialista 34 .
De fato, o pronunciamento anti-imperialista e anti-reacionário de Artigas
ficará explícito em seus textos seguintes, publicados entre 1951 e 1952, na
efervescência da Guerra Fria. Ele chega a escrever que Wright, Le Corbusier,
Gropius e Mies van der Rohe demonstram, com sua arquitetura, a incontestável
expressão da ideologia da classe dominante, apesar das relações com a natureza,
do uso magistral da técnica ou de serem menos ou mais organicistas, maquinistas
ou puristas 35.
No entanto, o que se deseja observar aqui é que, motivado pelo Partido
Comunista, em 1952, Artigas irá acabar deslocando a meta social da arquitetura de
si própria para dirigi-la às práticas politizantes do aprimoramento da democracia. Ele
segue denunciando também o “radicalismo de fachada” do modernismo da Semana
de 22, rejeitando as (então supostas) ligações dos mesmos com os interesses de
classe 36. Esta Arquitetura Moderna, desde seu ponto de vista, seria uma arma de
opressão na luta de classes, uma maneira de evocar a ideologia da burguesia na
dominação do proletariado, e em seu discurso se reconhece um esvaziamento da
discussão estética moderna dominante.
Quando Lina publicou seus comentários sobre a seleta produção das
casas da fase monumentalista moderna de Artigas, no início dos anos 1950 e no
contexto da Guerra Fria, colocou-se a favor das transformações sociais em direção à
Nas diversas fases de Lina e Artigas, é senso comum que para ambos a
arquitetura tem deveres sociais que vão além dos interesses particulares. Mas
antes que Artigas assumisse claramente seu papel na consolidação do postulado da
arquitetura moderna brasileira de origem popular, Lina Bo Bardi aproxima-se deste
tema com o período em que atua no Nordeste do Brasil.
Num período em que estavam visíveis vários matizes do projeto
desenvolvimentista nacional e com o objetivo primeiro de dar conferências na Escola
de Belas Artes da Universidade da Bahia, ainda que sempre tenham sido
consideráveis seus interesses pela dignidade do cidadão comum e do povo
brasileiro 38 , Lina chega ao Nordeste com uma atitude bastante educadora e
comum” poderão ser comparadas mais adiante neste trabalho, quando alguns pormenores do
relacionamento de Lina com os operários da construção do SESC Pompeia forem elucidados. Mas
aqui nos referimos às atuações de Lina no projeto singular da expografia para o MASP, da Rua Sete
de Abril e dos “cavaletes de cristal em um museu sem paredes” da Avenida Paulista. RUBINO,
Silvana. Além das Cidadelas. In: Salão de Ideias da Bienal do Livro de São Paulo, São Paulo, 31 de
25
modernizante, basta ver sua proposta para a escola de desenho industrial para
aquela região. No entanto, ao se envolver com múltiplos projetos de pesquisa
cultural, fica anos em contato com uma perspectiva abeirada da pobreza (e, em sua
leitura, da criatividade) do povo brasileiro, o que lhe dá oportunidade para que se
afirme de forma pouco a pouco mais pronunciada e radical em relação a alguns
ideais socializantes, ainda que diante de determinadas circunstâncias isto fique
restrito ao campo da eloquência.
As diretrizes artísticas e pedagógicas da atuação de Lina são notadas
mais nitidamente no Brasil dos anos 1950, mas é interessante perceber como elas
se modificam com o tempo. Desde a “revolução museográfica” 39 feita nos museus
de São Paulo e Salvador, depois nos editoriais da revista Habitat do início da década
de 1950 e, mais tarde, nas empreitadas construtivas com comunidades católicas do
interior de Minas Gerais, uma vez tendo assumido o Brasil como seu país, Lina vai
remanejando sua posição dentro do universo da inclusão do povo no ciclo produtivo
de cultura e da participação política. Seus primeiros interesses no campo do ensinar
e aprender com o povo – reforçados por certa marginalidade entre os arquitetos
consagrados de São Paulo e Rio de Janeiro – a levam ao Nordeste e à Bahia, numa
atitude não rara dentro da história da modernidade brasileira 40.
Quando Lina voltou da Bahia para São Paulo, para depois de quatro anos
de intenso trabalho inaugurar o MASP na Avenida Paulista, encontrou uma cidade
tensa, onde a burguesia apoiava a oposição udenista ao projeto nacional-popular e
ao trabalhismo varguista. Em São Paulo estava muito claro que havia dois projetos
de país, e que um deles estava desgastado. O projeto cultural articulado em torno do
de expor. Arquitetura expositiva de Lina Bo Bardi. Arquitextos, São Paulo, ano 15, n. 173.03,
Vitruvius, nov. 2014. Disponível em:
<http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/15.173/5335>. Acesso em: 15 dez. 2014.
40 Lina vai ao Nordeste assim como foram Mário de Andrade e tantos outros turistas aprendizes. Esta
observação faz parte de uma contraposição entre as visões de Mário de Andrade e Gilberto Freyre
como o início da dicotomia entre São Paulo e o Nordeste em A invenção do Nordeste e outras falas.
Recife: Editora Massagana, 1999. Apud ALBUQUERQUE JR. Durval Muniz de. Op. cit., p. 25. Sobre
o turista aprendiz (Mário de Andrade - vanguarda paulista), o aprendiz de cicerone (Gilberto Freyre –
regionalismo pernambucano) e o caráter das incursões etnográficas pelo Nordeste na década de
1920, ver também LIRA, José Tavares Correia de. Naufrágio e Galanteio: viagem, cultura e cidades
em Mário de Andrade e Gilberto Freyre. XVII Encontro Anual da Anpocs, GT Pensamento Social no
Brasil do Caxambu-MG, 2003; e ANDRADE, Mário de. O turista aprendiz. São Paulo: Duas Cidades,
1978.
26
minimum interventions. in Condello, Annette; Lehmann, Steffen (ed). Sustainable Lina: Lina Bo Bardi's
Adapitative Reuse Projects. Springer. No prelo.
27
nacionalidade do povo brasileiro que faz uso, com algumas ressalvas e certos
rigores, de uma gramática modernista e do tema geral da dignificação do homem
comum.
45 PEREA, Silvia. Resistencia y Progreso – El Proyecto Político de Lina Bo Bardi (1944-1964). Tese
de Doutorado. Escuela Técnica Superior de Arquitectura de Madrid, Departamento de Proyectos
Arquitectónicos, Madrid, 2013.
46 Sobre a função social da arquitetura, em uma entrevista cedida a Walter Lima Jr. no documentário
47 BARDI, Lina Bo. Planejamento Ambiental: “desenho” no impasse. Malasartes, Rio de Janeiro, n.2,
dez-fev.1976, p.4-7. In: GRINOVER, M; RUBINO, S. Lina por escrito. Textos escolhidos de Lina Bo
Bardi. São Paulo: Cosac Naify, 2009. p. 138.
48 Id. p. 141.
49“A liberdade do artista foi sempre individual, mas a verdadeira liberdade só pode ser coletiva”.
Bardi, Lina Bo. Planejamento Ambiental: “desenho” no impasse. Malasartes. Rio de Janeiro, n.2, dez-
29
fev.1976, pp.4-7. In GRINOVER, M.; RUBINO, S. Lina por escrito. Textos escolhidos de Lina Bo
Bardi. São Paulo: Cosac Naify, 2009, p. 138.
50 Quase que simultaneamente a esta pesquisa sobre a construção do SESC Pompeia, outra
pesquisa com muitas relações de similaridade e complementariedade foi realizada, tendo como
objeto a construção da igreja no interior de Minas Gerais. Ambas exploraram as formas como Lina Bo
Bardi envolveu-se com os projetos e agentes da construção, fazendo parte do mesmo grupo de
pesquisa, sob a mesma orientação, e, desta forma, alimentando-se mutuamente. A dissertação de
mestrado resultante deste trabalho foi defendida e aprovada em 24 de abril de 2015 no Instituto de
Arquitetura e Urbanismo da USP São Carlos, com o título de A Igreja do Espírito Santo do Cerrado e
suas alternativas à arquitetura brasileira, sob a responsabilidade de Ariel Luís Lazzarin.
51 Carta a Edmar de Almeida de 24 de agosto de 1979 LAZARIN, Ariel L. A Igreja do Espírito Santo
do Cerrado e suas alternativas à arquitetura brasileira. Dissertação de Mestrado. IAU USP São
Carlos, São Paulo, 2015, p. 62.
52 GRINOVER, Marina; RUBINO, Silvana (orgs.). Lina por escrito. Textos escolhidos de Lina Bo Bardi
uma reflexão aprofundada pode ser encontrada em CANAS, Adriano Tomitão. MASP - museu
laboratório. Museu e cidade em Pietro Maria Bardi. Arquitextos, São Paulo, ano 13, n. 150.04,
Vitruvius, nov. 2012. Disponível em:
<http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/13.150/4450>. Acesso em:1 ago.2016.
30
54
REQUIXA, Renato A. Q. de Souza. Renato Requixa (depoimento, 2001). Porto Alegre: Centro de
Memória do Esporte; ESEF/UFRGS, 2004.
31
esboço de uma interpretação histórico-metodológica. 20ª. São Paulo: Cortez Editora, 2007.
57 A ideia de que as empresas deviam ter responsabilidade social estava relacionada ao cristianismo
católico e ao medo de uma possível revolução comunista do operariado que poderia estar sendo
estimulada pela vitória da União Soviética na Guerra.
58 Próximos parágrafos, IAMAMOTO, Marilda Vilela; CARVALHO, Raul de. Op.cit., p. 266-289.
32
[...] na linha do social, aqui em São Paulo, o presidente do SESC na época, ele
também começou a insistir que o SESC atuasse numa linha que despertasse os
empregados do comércio para a defesa dos ideais de democracia no Brasil, contra os
ideais socializantes que estavam emergindo com uma força tremenda 59.
59 REQUIXA, Renato A.Q.de Souza. Renato Requixa (depoimento, 2001). Porto Alegre: Centro de
Memória do Esporte - ESEF/UFRGS, 2004.
60 BARROS, Edgard Luiz de. O Brasil de 1945 a 1964. p. 45. Apud MOTA, Carlos Guilherme; LOPEZ,
Adriana. História do Brasil: uma interpretação. São Paulo. Editora SENAC São Paulo, 2008. P. 772.
61 Apud MOTA, Carlos Guilherme e LOPEZ, Adriana. História do Brasil: uma interpretação. São
no SESI: uma década marcada por reencontros, experiências vividas e construção de novos
conhecimentos. Disponível em: <http://coloquio.paulofreire.org.br>. Acesso em: 09 out. 2016.
34
Aprofundamentos sobre o tema, consultar FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três
artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 1992; FREIRE, Paulo. Cartas a Cristina: reflexões
sobre minha vida e minha práxis. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1994. FREIRE, Paulo. Educação e
atualidade Brasileira. São Paulo: Cortez, 2002. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Esperança: um
reencontro com a Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992. FREIRE, Paulo.
Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005. FREIRE, Paulo; BETTO, Frei. Essa
Escola chamada Vida. 5ª ed. São Paulo: Editora Ática, 1987.
63 REQUIXA, Renato A. Q. de Souza. Renato Requixa (depoimento, 2001). Porto Alegre: centro de
Figura 01: Furgão da Unidade Móvel de Orientação Social – Unimos – criadas em 1966.
Fonte: SESC São Paulo. “Uma ideia original”: SESC São Paulo 50 anos. São Paulo, 1997, p. 78.
64 Em 1964, um orientador social subordinado de Requixa lhe pediu licença para estudar Sociologia
do Trabalho na Suécia. De lá, o colaborador, agradecido, enviou ao seu superior no Brasil uma
revista que continha um artigo de Joffre Dumazedier sobre a importância do lazer que muito o
interessou: ”Quando eu li aquilo eu disse, ai meu Deus, era aquilo que a gente estava fazendo [...]
nós fazemos lazer e nem usamos a palavra para explicar as atividades recreativas, esportivas e
culturais”. Renato Requixa, gestor do SESC, formado em Direito, começou a trabalhar no SESC
Bertioga em 1953 como orientador social, exercendo funções ligadas à recreação. Em 1976, durante
a criação da unidade da Pompeia, ele era o diretor regional do SESC São Paulo. REQUIXA, Renato
A. Q. de Souza. Renato Requixa (depoimento, 2001). Porto Alegre: Centro de Memória do Esporte –
ESEF/UFRGS, 2004.
65 Dumazedier foi presidente-fundador da associação Peuple et Culture (conhecida pela inovadora
teoria do “treinamento mental”), juntamente com Bénigno Cacérès, Paul Lengrand e Joseph Rovan.
Atuou em ação educacional popular, educação de adultos, desenvolvimento cultural e sociologia do
lazer, foi professor na Sorbonne, Université René Descartes. GOMES, Cristina Marques. Pesquisa
Científica em Lazer no Brasil – Bases Documentais e Teóricas. Dissertação de Mestrado. Escola de
Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, ECA, Universidade de São Paulo, São Paulo,
2004; MIRANDA, Danilo Santos de. X Seminário Internacional: Tempo Livre na Cidade, uma co-
realização entre a Escola da Cidade e o Sesc São Paulo. Palestra realizada no dia 23 de março de
2015 no Sesc Bom Retiro. Publicada em 1 de jun de 2015. Disponível em: <http://escolada
cidade.org/bau/danilo-santos-de-miranda-sesc-em-sao-paulo/>. Acesso em: 20 mai. 2016.
36
Loisir”, publicado no Traité de Sociologie du Travail, sob a direção de Georges Friedmann e Pierre
Naville, A. Collin, em 1961. A Friedmann, bem como à Associação Peuple et Culture e a seu grupo de
pesquisas, Dumazedier dedica seu livro. DUMAZEDIER, Joffre. Lazer e cultura popular. Tradução:
Maria de Lourdes Santos Machado. São Paulo: Perspectiva. 1973.
68 Le Corbusier. Les Trois Etablissements humains. Paris: Éd. de Minuit, 1959. Apud DUMAZEDIER,
Joffre. Lazer e cultura popular. Tradução de Maria de Lourdes Santos Machado. São Paulo:
Perspectiva, 1973.
37
inspiradores essenciais da encíclica Populorum progressio (em 1967, o Papa Paulo VI critica o
neocolonialismo). LEBRET, L-J. Notre Histoire. Apud SOUZA, Fábio Silva de. O Movimento de
Cultura Popular do Recife (1959-1964). Dissertação de Mestrado. Faculdade de Filosofia Letras e
Ciências Humanas da USP . São Paulo –SP. 2014.
71 SOUZA, Fábio Silva de. “O Movimento de Cultura Popular do Recife (1959-1964)”. Dissertação de
Mestrado. Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP . São Paulo –SP. 2014, p.52. A
igreja católica teve participação fundamental na composição do pensamento que norteou a criação
das 4 instituições (SESI, SENAI, SENAC e SESC), a encíclica Rerum Novarum (1891, Papa Leão XIII
sobre a condição operária) e sua confirmação na encíclica “Quadragesimo Anno” (Papa Pio XI,
1931), citada por Danilo dos Santos Mianda na entrevista já citada. Mais sobre as relações entre
Igreja e Estado no Brasil, ver: IAMAMOTO, Marilda Vilela; CARVALHO, Raul de. Relações sociais e
serviço social no Brasil: esboço de uma interpretação histórico-metodológica. 20ª. São Paulo: Cortez
Editora, 2007; LIMA, Arlette Alves. Serviço Social no Brasil: a ideologia de uma década. 2ª ed. São
Paulo: Cortez, 1983.
38
Este histórico nos permite observar que a tônica que define o programa e
que muitas vezes diferencia o SESC Pompeia das outras unidades contemporâneas
dele – o lazer despojado, esportes recreativos e não competitivos – já está sendo
discutido e posto em prática pelos profissionais da entidade há pelo menos uma
década quando Lina Bo Bardi é convidada a se envolver com o projeto.
No entanto, o entrosamento de Lina Bo Bardi com os gestores do SESC
(Renato Requixa 74 e Glaucia Amaral) foi fundamental e imediato, mais tarde
materializado na poética da reconstrução do marco vertical da fábrica (chaminé de
tijolos demolida). Usando a estrutura cilíndrica para a caixa d’água elevada,
executada em concreto aparente daquela maneira tão singular, Lina elabora os
conceitos de trabalho e lazer na logomarca da unidade – a fábrica de lazer que solta
flores de sua chaminé.
uma apresentação da edição brasileira (parceria entre as Edições Sesc SP e a Editora Perspectiva.
2013) do livro de Joffre Dumazedier, Sociologia empírica do lazer, originalmente publicado pelas
Éditions du Seuil, em 1974. O texto apresenta uma introdução ao que se discute no livro, as relações
entre trabalho, tempo livre e liberdade. Disponível em: <http://www.sescsp.org.br/online/edicoes-
sesc/24_O+QUE+FAZER+COM+O+TEMPO+LIVRE#/tagcloud=lista>. Acesso em: 1 ago.2016.
74 As relações entre esportes, recreação, cultura e lazer passam a fazer parte do repertório
75 Neste documento já havia a logomarca do SESC Fábrica da Pompeia - Centro de Lazer, com a
caixa d’água de concreto soltando flores. Janeiro de 1984 – Acervo do Instituto Lina Bo e P. M. Bardi.
Doc. 01.0057.01.
76 SUZUKI, M. Lina e Lucio. Tese de Doutorado. Departamento de Arquitetura e Urbanismo, Escola
de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos, 2010, p.140.
77 Com base nas informações coletadas nos relatórios anuais de atividades do SESC, cuja tabela de
informações resultantes de consulta aos relatórios originais na íntegra consta dos anexos deste
trabalho, pudemos observar que as denominações para a unidade oscilavam entre Centro Cultural e
Desportivo Jessé Pinto Freire e Centro Cultural e Desportivo – Pompeia, e somente no ano de 1982
houve a mudança em definitivo para Centro de Lazer SESC - Fábrica da Pompeia.
40
Figura 02: Anotação e desenhos de Lina Bo Bardi para a criação da logomarca do SESC
Pompeia.
Fonte: Acervo Instituto Lina Bo e P. M. Bardi. Cod. 094ARQd0304, 094ARQd0521,
094ARQd0527 78.
empírica de malha de arame e concreto para construir reservatórios, lagoas e outros elementos de
paisagismo, como bebedouros, banheiras ou vasos, depois o utilizando também em pequenas
pontes e pequenos edifícios. Como o empreendedor Monier não foi muito bem-sucedido, acabou
transferindo os direitos de uso de suas patentes para os outros, tais como os industriais alemães, o
engenheiro Gustavo Mathias Wayss, Freytag e o engenheiro Koenen, que adquiriram os direitos em
1885 e estudaram cientificamente o novo material para dar-lhe uma formulação racional.
42
81 Os engenheiros Samuel de Mollins (suíço), Porcheddu Giovanni (italiano) e José Eugenio Ribera
(espanhol) foram alguns dos que o ajudaram a expandir as aplicações do sistema original
patenteado.
82 A primeira laje armada com ferros de seção circular (1880) é de Hennebique: Chambre Syndicale,
junto aos apoios, onde se invertem os esforços de tração. SPENCER, J. M. F.; RAVARA, P.B. A
consolidação de uma prática: do edifício fabril em betão armado nos EUA aos modelos europeus na
modernidade. Tese de Doutorado – Faculdade de Arquitetura de Lisboa, Universidade Técnica de
Lisboa, Lisboa, 2008.
84 GIANNECCHINI, A.C. Técnica e estética no concreto armado: um estudo sobre os edifícios do
85 A fotografia de arte jovem emergiu neste momento como uma aliada moderna e eficaz nas
campanhas publicitárias da organização. A partir de 1899, Hennebique começou a publicar sua
própria revista, Le Beton Armé, que se tornou um valioso meio de divulgação dos trabalhos
realizados.
86 Pequenos exemplares eram construídos e entregues às chamas para testar as suas propriedades
armado nos EUA aos modelos europeus na modernidade. Tese de Doutorado – Faculdade de
Arquitetura de Lisboa, Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa, 2008.
88 Disponível em http://hdl.handle.net/10400.5/1441 - acesso - 15/07/2016
44
Figura 05: Fábricas de contadores elétricos – arq. Louis Jallade e Bureau technique de
Hennebique, Brooklyn, Nova Iorque, 1908; da Mavericks Mills, arq. Lockwood, Greene &
Company e bureau technique central de Hennebique, Boston, 1909; de calçados,sem autoria
de arquitetura, projeto de estrutura do gabinete central de Hennebique. Boston, 1911.
Fonte: RAVARA, P.B. Op. cit., p.109-112.
89SPENCER, J. M. F.; RAVARA, P.B. A consolidação de uma prática: do edifício fabril em betão
armado nos EUA aos modelos europeus na modernidade. Tese de Doutorado – Faculdade de
Arquitetura de Lisboa, Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa, 2008, p. 108.
45
91 SPENCER, J. M. F.; RAVARA, P.B. A consolidação de uma prática: do edifício fabril em betão
armado nos EUA aos modelos europeus na modernidade. Tese de Doutorado – Faculdade de
Arquitetura de Lisboa, Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa, 2008,
47
As casas do inglês Norman Shaw, de 1870, com partes em blocos de concreto, são
construídas enquanto Willian E. Ward e Thaddeus Hyatt começam a calcular as
propriedades do concreto e ferro combinados. Mas, de fato, só depois de Monier é
que alemães (Wayss e Koenen, em 1880) preparam o uso da técnica no sentido
moderno, que se pronuncia verdadeiramente com o sucesso de Françoise
Hennebique no final dos 188094.
92 PEVSNER, N. Os pioneiros do Desenho Moderno. De William Morris a Walter Gropius. São Paulo.
Martins Fontes:1994.
93 COLLINS, P. Concrete. Londres: Faber, 1959, p. 27. Apud PEVSNER, N. Op. cit.
94 Observa-se, aqui, que a seleção de Pevsner, na obra já citada, para países envolvidos na gênese
da arquitetura moderna não inclui a Itália. Os países foram: Estados Unidos, França, Alemanha
(juntamente com os seus dois países dependentes, Suíça e Áustria) e a Escandinávia. Além disso, o
caso dos projetos fabris com estruturas hennebiqueanas criados por Matté-Trucco na Itália foi tratado
como atípico (exceção) na citada pesquisa de Spencer e Marrara, de 2008.
48
95 Hennebique morre em 7 de março de 1921, mas a firma Hennebique só é extinta em 1967. A última
revista Le Béton Armé encontrada é de outubro de 1939. SPENCER, J. M. F.; RAVARA, P.B. A
consolidação de uma prática: do edifício fabril em betão armado nos EUA aos modelos europeus na
modernidade. Tese de Doutorado – Faculdade de Arquitetura de Lisboa, Universidade Técnica de
Lisboa, Lisboa, 2008.
96 SACONI, Rose. Como era São Paulo sem SESC Pompeia. Jornal O Estado de São Paulo.
Acervo. Série de reportagens São Paulo sem São Paulo, 2013. Disponível em:
<http://acervo.estadao.com.br/noticias/acervo,como-era-sao-paulo-sem-sesc-pompeia,9353,0.html>.
Acesso em: 20 jun. 2014.
97 Há documentos do acervo do Instituto Bardi onde esta informação consta como relatos de antigos
moradores do bairro.
98 FERRAZ, M. (org); VAINER, A.(org.). Cidadela da Liberdade - Lina Bo Bardi e o SESC Pompéia.
um depósito da empresa dos irmãos Mauser no mesmo local (endereços Rua Clélia,
nº 93, ou na Rua Guaycurus, nº 41, que significam o mesmo imóvel):
“Na madrugada de ontem, um depósito da firma Mauser & Cia Ltda, sita à
rua Guaycurus, 41, manifestou-se um incêndio que destruiu todo o material ali
existente”99.
Durante a Segunda Guerra, entre 1942 e 1943, a família Mauser retornou
à Europa 100 , e o prédio, abandonado, foi a leilão. A Indústria Brasileira de
Embalagens (Ibesa) 101 comprou o imóvel da concorrente alemã em 1945, e se
manteve no mesmo mercado (tambores de óleo, embalagens metálicas para fluidos)
até 1952, quando começou a ser usado como linha de montagem de geladeiras da
extinta marca Gelomatic 102.
Em 1968, a marca Ibesa foi comprada pelas Indústrias Pereira Lopes, que
fabricavam os refrigeradores Clímax no interior de São Paulo, na cidade de São
Carlos. Não se sabe ao certo ainda por qual motivo a fábrica de propriedade da
Pereira Lopes que funcionava na Pompéia foi fechada novamente.
O sistema estrutural em concreto armado utilizado na estrutura dos
galpões da Pompeia foi construído no período conhecido pelo “surto industrial”
(1930), onde projetos fabris com base na tipologia arquitetônica industrial europeia
são características marcantes103. As construções industriais em concreto armado a
partir da década de 1920 significaram uma alternativa nacional, introduzida por
profissionais italianos e empresas francesas e alemãs, às dificuldades na importação
de alguns materiais de construção vividas após a Primeira Guerra Mundial (vidro,
figurarem numa lista negra de alemães vivendo no Brasil durante a guerra e o imóvel ter ido a leilão
para pagar supostas dívidas (de guerra) entre Brasil e Alemanha.
101 Dados reunidos em um blog sem autoria declarada, que cita fontes secundárias da seguinte
forma: “As fotos da fábrica Ibesa foram retiradas do site Vitruvius, a dos produtos foi retirada do site
Mercado Livre e a propaganda de 1952 foi retirada do Blog do Estadão”. Disponível em:
<http://vfcoisasa ntigas.blogspot.com.br/2011/01/marcas-extintas-vi-ibesa.html>. Acesso em: 20 jun.
2014.
102 Em 1952, a Ibesa passou a fabricar refrigeradores a querosene sob a marca Ibesa Gelomatic, com
a ideia principal de serem utilizados nas áreas rurais, mas também para regiões de São Paulo onde
ainda não existia luz elétrica. Nesse período, a Ibesa contava com dois pontos de venda, na Mesbla
da rua 24 de Maio, 141, e na Rádios Assumpção, na rua Libero Badaró, 426.
103 SUZIGAN, Wilson. A industrialização de São Paulo: 1930-1945. Revista Brasileira de Economia, v.
cal, tijolos e areia eram provenientes de fabricantes nacionais, mas o ferro para
estruturas metálicas, em especial, ainda era importado) 104.
Ao lado de outras edificações industriais tais como as Indústrias Reunidas
Matarazzo em São Paulo, a Cia Progresso e a Fábrica de Tecidos Botafogo, no Rio
de Janeiro, a Fábrica de Tambores Irmãos Mauser, é um exemplo de edificação
fabril brasileira criada a partir de tipologias arquitetônicas importadas das
vanguardas modernistas da Europa e dos EUA. Este caráter cedeu à zona oeste
paulistana, onde se localiza o bairro da Pompeia, o apelido popular de “Manchester
Paulistana” 105.
Figura 08: Fábrica Ibesa Gelomatic – São Paulo – 1938. Rua Clélia esquina com Rua Barão do
Bananal. Ao fundo, a chaminé de tijolos original da fábrica, que depois foi demolida. Nota-se
implantação na esquina similar à implantação emblemática das fabricas italianas tratadas em
capítulo anterior deste trabalho.
Fonte: Acervo Instituto Lina Bo e P. M. Bardi., Cod. 094ARQf011. Foto: Hans Gunter Flieg
Figura 09: Fábrica Ibesa Gelomatic – São Paulo – 1938. Estrutura de concreto.
Fonte: Acervo Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, cód. 094ARQf002. Foto: Hans Gunter Flieg.
106 Os registros de atividades administrativas datados, tais como a compra do terreno, estudos,
reformas e projetos, foram encontrados em documentos originais do SESC e constam da Tabela –
Relatórios de atividades anuais do SESC-SP, presente nos anexos deste trabalho. A data do projeto
e identificação do escritório de Júlio Neves – acrescidos de importantes registros encontrados na
transcrição entrevista com o arquiteto. OLIVEIRA, Liana P. P. A capacidade de dizer não: Lina Bo
52
Figura 10: Ghirardelli Square. Uma das faces de um quarteirão inteiro de São Francisco
(construções do sec XIX) comprado para expandir negócios de fabricação de chocolates 108.
Califórnia, e trouxeram de lá a ideia de reaproveitar, adaptando para um novo tipo de uso, um edifício
antigo, inicialmente construído para um tipo de uso diferente, o Ghirardelli Square, cuja adaptação
para mudança de usos data de 1962. OLIVEIRA, Liana P.P. Op. cit., p.7.
108 Disponível em http://www.ghirardellisq.com/explore/history/ - e
https://br.pinterest.com/pin/374291419001914444/ - Acesso em 15 jul 2016
53
110 OLIVEIRA, Liana P. P. A capacidade de dizer não: Lina Bo Bardi e a Fábrica da Pompeia.
Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade
Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2007, p. 19.
111 Tabela – Relatórios de atividades anuais do SESC-SP – Anexos deste trabalho.
55
Figura 12: Fachada com pintura em faixas coloridas e placas de sinalização do Centro Cultural
e Desportivo "Jessé Pinto Freire", unidade do SESC SP que funcionava à Rua Clélia, 96.
Fonte: Acervo Instituto Lina Bo e P. M. Bardi. Cód. 094ARQf045. Sem autor. Mar 1977.
56
Figura 13: Planta de situação do projeto de Júlio Neves para o SESC Pompeia. Da esquerda
para a direita: piscinas, quadras poliesportivas, bloco de atividades gerais, rua interna sem
saída (sobre córrego Águas Pretas), administração.
Fonte: OLIVEIRA, Liana P.P. A capacidade de dizer não: Lina Bo Bardi e a fabrica da pompeia.
Dissertação de Mestrado. Universidade Presbiteriana Mackenzie. São Paulo. 2007, p.20.
115 O projeto foi aprovado em 05/12/1975. OLIVEIRA, Liana P. P. A capacidade de dizer não: Lina Bo
Bardi e a Fábrica da Pompeia. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em Arquitetura
e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2007.
116 Tabela – Relatórios de atividades anuais do SESC-SP – Anexos deste trabalho.
58
Figura 14: Lombadas e folhas de rosto livros-relatórios anuais do SESC de 1971 a 1986 117.
Fonte: Acervo SESC Memórias – elaboração e fotos da autora.
117
As imagens referentes às lombadas ou folhas de rosto dos livros de 1972 e 1975 ficaram faltando,
mas os livros foram efetivamente consultados.
59
121 BARDI, Lina Bo. Carta de protesto. Renato Requixa (destinatário). São Paulo (SP), 21 de fevereiro
de 1981. Acervo do ILBPMB. Doc. 01.0013.20.
122 Lina tradicionalmente não tinha escritório, e trabalhou em vários projetos resolvendo problemas à
noite, “[...] quando todo mundo dorme, quando o telefone não toca e tudo é silêncio”, como dizia.
Depois, montou um escritório com engenheiros, técnicos e operários no próprio canteiro de obras, em
nome da colaboração entre os profissionais e do seu acompanhamento fiscalizador das despesas e
eventuais negociatas. Ela dizia considerar desnecessários os custos de se manter um escritório de
arquitetura com secretárias, recepcionistas, etc. RUBINO, Silvana. A escrita de uma arquiteta. In:
GRINOVER, M.; RUBINO, S. (orgs). Lina por escrito. Textos escolhidos de Lina Bo Bardi. São Paulo:
Cosac Naify, 2009.
123 BARDI, Lina Bo. Proposta de Fixação e cobrança de honorários. São Paulo (SP), 12/04/1977.
Figura 15: Croqui de localização dos escritórios durante a obra. Acima, planta reduzida.
Legenda – 1: Primeira ocupação – 2: Segunda ocupação – 3: Terceira ocupação.
Fonte: FERRAZ, Marcelo. Entrevista cedida à Renata Bechara, transcrita na íntegra em anexo.
algum tempo depois trouxe os estagiários para trabalharem com ela ali 125. Quando
se decidiu pela demolição parcial deste galpão para iniciar as obras do bloco
esportivo, a estrutura foi desmontada e eles desocuparam o local, transferindo-se
para outro galpão que já estava quase pronto, com o piso refeito, já revestido de
pedras.
Figura 16: Foto do escritório de obra na segunda ocupação (nov/1980)- área com mesas de
desenho e bancadas para apoio de amostras de material delimitada por uma série de cavaletes
de madeira.
Fonte: Acervo Instituto Lina Bo e P. M. Bardi. 094ARQf0880. Foto: Miguel
125Marcelo Ferraz relata que chegou ao SESC para o trabalho de estagiário no dia 29/08/1977, dia
do seu aniversário, tendo sido indicado por Joaquim Guedes a pedido de Lina. Segundo Ferraz,
Guedes era praticamente o único contato de Lina na FAU USP. Neste dia, conta, eles estavam
arrancando o carpete. FERRAZ, Marcelo. Entrevista cedida à Renata Bechara. São Paulo, 27 nov.
2015. (Transcrição na íntegra em anexo neste trabalho).
64
126 FERRAZ, Marcelo. Entrevista cedida à Renata Bechara. São Paulo, 27 nov. 2015. (Transcrição na
íntegra em anexo neste trabalho).
127 SUZUKI, M. Entrevista cedida à Renata Bechara. São Carlos, 05 e 12 mar. 2016. (Transcrição na
Indústrias e várias faculdades da USP, incluindo a FAU (Artigas), que foi desenvolvido ao mesmo
tempo que o MASP (Lina). O engenheiro José Carlos de Figueiredo Ferraz (1918-1994) foi professor
da Poli e do Mackenzie e prefeito de São Paulo de 1971-1973. Lina já tinha feito para ele o projeto de
uma Casa Figueiredo Ferraz (São Paulo – 1962), que não foi construída. Ferraz não era afiliado a
65
foi cedido pela Figueiredo Ferraz para trabalhar com desenhos, medições e
verificações estruturais no local da obra a pedido de Lina, sob sua orientação, mas
era remunerado pela Figueiredo Ferraz por hora. Em geral, ele levantava os dados
na obra, montava o problema a partir das solicitações de Lina e então mandava ao
escritório-matriz para que fossem feitos eventuais cálculos pelos engenheiros de lá.
nenhum partido político, mas foi nomeado pelo governador do estado Roberto de Abreu Sodré
(ARENA) durante a ditadura militar brasileira. O brigadeiro José Vicente Faria Lima, último prefeito
eleito antes da ditadura militar, começou a implantação do metrô em São Paulo e chamou o então
professor da Politécnica da USP, José Carlos de Figueiredo Ferraz, para estruturar uma companhia
de metrô. O professor Ferraz também tinha sido secretário de obras no governo Jânio Quadros.
BIERREMBACH, A. C. S. As arquiteturas de Lina Bo Bardi: brutalistas, ma non tropo. X Seminário
DOCOMOMO Brasil Arquitetura Moderna e Internacional: conexões brutalistas 1955-75. PUCPR
Curitiba. 15-18-out 2013. Disponível em:
<http://www.docomomo.org.br/seminario%2010%20pdfs/OBR_81.pdf>. Acesso em: 23 fev. 2016;
KOURY, Ana Paula. Grupo Arquitetura Nova. Dissertação de Mestrado. EESC-USP, Universidade de
São Paulo, São Carlos, 1999; e site disponível em:
<http://www.figueiredoferraz.com.br/br/empresa/imprensa/item/235-a-participacao-do-professor-
ferraz-e-da-sua-empresa-nos-primeiros-trabalhos-de-metro-no-brasil>. Acesso em: 01 ago.2016.
129 Imagem gentilmente enviada por e-mail para a autora em 10/12/2015.
130 Disponível em http://casa.abril.com.br/materia/lina-bo-bardi-9-historias-sobre-a-arquiteta-no-ano-
131 ACENPLA – Construções, Engenharia e Planejamentos Ltda, fundada em 1962 pelo engenheiro
Osmar Penteado de Souza e Silva foi responsável pelo desenvolvimento e pela construção de um
conjunto significativo de habitações realizadas pelos protagonistas do modernismo paulista. Estas
obras constituem-se em um significativo acervo de soluções construtivas que foram desenvolvidas
através da interação entre os arquitetos autores dos projetos e o engenheiro construtor, resultando
em verdadeiros exemplos de canteiros de obras experimentais e interdisciplinares. KOURY, A.P.
Novas casas de morar (2): a contribuição da construtora CENPLA. Integração, jan./ fev./mar. 2010,
ano 16, no 60 l 79-83.
132 Osmar Penteado de Souza e Silva é engenheiro formado pelo Mackenzie e teve aulas com o
133 Osmar Pentado de Souza e Silva, em entrevista cedida a Ana Paula Koury com a participação de
Renato Anelli na sede da construtora Cempla, em São Paulo (SP), em 19 de fevereiro de 1999.
KOURY, Ana Paula. Grupo Arquitetura Nova. Dissertação de Mestrado. EESC, Universidade de São
Paulo, São Carlos, 1999. p.220.
134 No exemplo das esquadrias, Osmar Pentado de Souza e Silva explica que em sua construtora
exigiam que o detalhamento de projeto das esquadrias fosse feito utilizando a linguagem da equipe
que tradicionalmente utilizava menor nível de precisão, ou seja, os pedreiros. Para que a esquadria
tivesse "condição de obra", como cita, costumava-se cotá-las em centímetros (que é o nível de
precisão utilizado pelos pedreiros), e não em milímetros (linguagem dos marceneiros ou serralheiros).
KOURY, Ana Paula. Op. cit., p.223.
135 Osmar menciona que as obras do Paulo Mendes da Rocha eram exemplares, pois continham o
mínimo possível de variações de detalhes: “[...] tem um tipo de porta e é aquele, tem um tipo de
caixilho e é aquele, não vem com um calhamaço de detalhes. O projeto não é uma brochura, são
meia dúzia de pranchas”. KOURY, Ana Paula. Op. cit.
136 FERRAZ, Marcelo. Entrevista cedida à Renata Bechara. São Paulo, 27 nov. 2015. (Transcrição na
que se formou na FAU USP, mais especificamente para trabalhar com as exposições. Antes disso,
visitava semanalmente a obra por interesse próprio. SUZUKI, M. Entrevista cedida à Renata Bechara.
São Carlos, 05 e 12 mar. 2016. (Transcrição na íntegra em anexo neste trabalho).
69
140 FERRAZ, Marcelo. Numa velha fábrica de tambores. SESC-Pompeia comemora 25 anos. Minha
Cidade, São Paulo, ano 08, n. 093.01, Vitruvius, abril 2008. Disponível em:
<http://www.vitruvius.com.b r/revistas/read/minhacidade/08.093/1897>. Acesso em: 15 dez. 2014.
141 RUBINO, Silvana. A escrita de uma arquiteta. In: GRINOVER, M.; RUBINO, S. Lina por escrito.
como Bo e Pagani nessa fase. Às vezes Bo, Pagani e Ponti, e às vezes eles três mais o pai dela, a
ponto deles terem uma espécie de pseudônimo chamado Genlica, que é uma montagem das
primeiras silabas de seus nomes”, assinala João Bandeira (FFLCH/Ceuma/USP), um dos curadores
da Mostra Lina Gráfica, realizada no SESC Pompeia em 2014. BANDEIRA, João. Debates sobre
Centenário Lina Bo Bardi. Escola da Cidade, São Paulo, 2014. Disponível em: <http://
http://escoladacidade.org/bau/centenario-lina-bo-bardi/>. Acesso em: 01 ago.2016.
70
Mas não será coincidência que Ives Bruand cite justamente a Rino Levi
no auge de sua reflexão sobre o traço “individualista anárquico” 145 dos arquitetos
brasileiros, que nunca negam a necessidade do trabalho com colaboradores
(especialmente engenheiros), mas “reservam para si o papel decisivo” nas obras de
arquitetura. Apontando para sua visão aristocrática da arte, Bruand destaca o
pensamento de Rino Levi diferenciando arquitetura, arte e sociedade:
[...] a arquitetura não é uma arte social, pois a arte está em permanente
conflito com a sociedade e só pode ser compreendida por uma minoria
sensível a qualquer inovação. A arte é um fenômeno essencialmente
143 Sobre trabalhos que abordam o tema, posteriores à tese de doutoramento de Renato Anelli,
intitulada Arquitetura e Cidade na Obra de Rino Levi (São Paulo, 1995), c.f. ANELLI, R; GUERRA, A;
KON, N. Rino Levi, arquitetura e cidade. São Paulo: Romano Guerra. 2001; VILLELA, Fábio
Fernandes. Rino Levi – Hespéria nos Trópicos: A Racionalização dos Processos de Trabalho em
Escritórios de Arquitetura e a Interação entre Intelectuais, Estado Desenvolvimentista e a
Industrialização em São Paulo. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em
Sociologia, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas,
Campinas, 2003; ARANHA, Maria Beatriz de Camargo. A obra de Rino Levi e a trajetória da
Arquitetura no Brasil. Tese de Doutorado. Faculdade de Arquitetura, Universidade de São Paulo, São
Paulo, 2008.
144 LEVI, Rino. O ensino da arquitetura. Conferência realizada na Universidade Mackenzie a convite
146 LEVI, Rino. Lárchitecture est une art et une Science, Architecture dáujourd´hui, n. 27, dez de 1949,
p. 50-51. Apud Bruand, Yves. Arquitetura Contemporânea no Brasil. Tradução de Ana M. Goldberger.
São Paulo: Perspectiva, 2012, p. 23-24.
147 LEVI, Rino. Técnica hospitalar e arquitetura. Apud ARANHA, Maria Beatriz de Camargo. A obra de
149 Bruand se refere a esta diversidade de referências como “estudos dos grandes edifícios”.
ARANHA, Maria Beatriz de Camargo. “A obra de Rino Levi e a trajetória da Arquitetura no Brasil”.
Tese de Doutorado. FAU USP. 2008, p. 57.
150 ANELLI, R.; GUERRA, A.; KON, N. Rino Levi, arquitetura e cidade. São Paulo: Romano Guerra.
2001
73
fábrica, ao invés de demolir tudo, como previa o projeto anterior. Ela assume
livremente para si a responsabilidade sobre uma intervenção consciente, tendo na
bagagem o restauro do Solar do Unhão (Salvador) (1961-1963), que inclusive foi
usado como argumento de valorização de seu currículo nas negociações anteriores
à decisão do SESC por sua contratação.
As primeiras intervenções para a manutenção do edifício da fábrica são
bastante delicadas e usadas como argumentos positivos para informar o então
prefeito de São Paulo sobre as qualidades do novo projeto, juntamente com a
solicitação de sua legalização, como demonstra o trecho a seguir:
151 GERMANOS, Paulo André. Carta de encaminhamento de documentos. Olavo Egydio Setubal
(destinatário). São Paulo (SP), 26/06/1978. Acervo do ILBPMB. Doc. 01.0015.12.
152 FERRAZ, Marcelo e VAINER, André. Cidadela da Liberdade - Lina Bo Bardi e o Sesc Pompeia.
Bardi (1962), bem como as discussões com os técnicos do SPHAN, encontram-se discutidos em
detalhe em: CERÁVOLO, Ana Lúcia. Interpretações do patrimônio: Arquitetura e urbanismo moderno
na constituição de uma cultura de intervenção no Brasil, anos 1930-60. Tese (Doutorado) – EESC,
Universidade de São Paulo, São Carlos, 2010.
155 “Totalmente não ortodoxa [...] tem coisa que ela fez do zero parecendo antigo [...]. No SESC é
cheio disso, cheio disso, cheio. Aquele tijolo de galinheiro, “tava” lá ou não “tava”?” FERRAZ,
Marcelo. Entrevista cedida à Renata Bechara. Encontra-se a transcrição na íntegra em anexo.
156 FERRAZ, Marcelo; VAINER, André. Cidadela da Liberdade - Lina Bo Bardi e o SESC Pompéia.
No Unhão tem coisa que ela (Lina) fez do zero parecendo antigo. Eu [...]
cada vez mais estou concluindo que é o que a gente faz aqui (na Brasil
Arquitetura). [...]. Às vezes na mesma obra. Você tem que ter uma postura
com relação a um assunto, outra com relação a outro. [...]. E eu descobri
dois grandes apoios: A Lina e o Lúcio Costa. O Lúcio Costa nas Missões ele
dá um baile. Ele brinca com todo mundo sobre posturas em patrimônio
histórico158.
158
FERRAZ, Marcelo. Entrevista cedida à Renata Bechara. Encontra-se a transcrição na íntegra em
anexo.
76
159O Instituto Lina Bo e Pietro Maria Bardi, neste trabalho abreviado a ILBPMB ou Instituto Bardi,
mantém o acervo do casal Bardi e tem sua sede na Casa de Vidro, que foi a residência do casal no
Brasil, projetada por Lina Bo Bardi. Disponível em http://institutobardi.com.br/ - Acesso em: 31 jul.
2016.
77
Figura 20: Tijolo-de-galinheiro sendo colocado no lugar onde havia vitrôs de ferro e vidro.
Fonte: Acervo Instituto Lina Bo e P. M. Bardi. Cód. 094ARQf0048, 094ARQf0065, 094ARQf0232,
094ARQf0246. Sem autor.
78
De fato, alguns documentos 160 e entrevistas 161 atestaram que uma das
primeiras questões de projeto enfrentadas foi em relação ao nível de conforto
térmico dos galpões fabris, que deveriam estar aptos à utilização para o lazer. Para
isto, uma das ações da reforma, que será melhor detalhada mais adiante nesta
dissertação, foi replicar a preexistente solução das faixas de tijolo-de-galinheiro,
encontradas inicialmente apenas no galpão onde hoje funciona o teatro, para
aumentar a ventilação natural.
Figura 21: Tijolo-de-galinheiro. (À esquerda em cima) Em detalhe, foto atual. Na foto aérea,
observa-se a cobertura semi demolida do espaço adjacente ao galpão do teatro, com oitão de
madeira, de onde vem a luz que se vê nas 2 fotos em PB internas abaixo. Este tipo de
assentamento de tijolos só existia, no imóvel antigo, em alguns vãos da estrutura de concreto,
nas laterais do único galpão cujo telhado tinha um lanternin (onde hoje é o teatro).
Fonte: Tijolo-de-galinheiro em detalhe: foto da autora; as demais: acervo Instituto Lina Bo e P. M.
Bardi. Cód. 094ARQf0113 (9/12/1980) , 094ARQf0511 e 094ARQf0510, sem autor.
160 CHICHIERCHIO, Luiz Carlos. Proposta. São Paulo (SP), 03/11/1977. Acervo do ILBPMB. Doc.
01.0041.07 e CHICHIERCHIO, Luiz Carlos. Contrato Esfera Comercial e Construtora Ltda. São Paulo
(SP), 10/03/1978. Doc. 01.0009.05. Parecer Técnico, São Paulo (SP), 25/05/1979. Doc. 01.0009.04-
1.
161 CHICHIERCHIO, L. C.; FERRAZ, Marcelo. Entrevistas cedidas a Renata Bechara, na íntegra nos
...
Figura 22: Elevações e planta com legenda para identificação dos ambientes.
Fonte: FERRAZ, M. (org.). Lina Bo Bardi. São Paulo: Empresa das Artes,1993, p.222.
Legendas da autora.
81
Legendas Datas
atribuídas aos grupos de fotos atribuídas às fotos (1977 a 1983)
77 78 79 80 81 82 83
Início do restauro
Retirada reboco, recuperação tijolos originais
Recuperação da cobertura dos galpões
Galpão dos ateliers - recuperação da alvenaria
Obras externas
Rua interna
Administração
Bloco do refeitório e vestiário dos funcionários
Galp. ativ. gerais – recuper. estrutura/alvenaria
Galp. ativ. gerais - retirada do piso
Galp. ativ. gerais - espelho d´água
Galp. ativ. gerais - salas de leitura sem datas
Galp. ativ. gerais - piso, portas, treliças, cx luz
Galp. restaurante - esgoto
Galp. restaurante - colocação dos azulejos
Galp. restaurante - bancadas
Galp. restaurante - banheiro, piso, exaustores
Galp. restaurante - portão, equipam., móveis
Café
Bloco de serviço do restaurante e frigorífico
Galp. teatro - piso, alvenaria, caixilharia
Galp. teatro - fundações, estruturas
Gap. Teatro - foyer, camarotes, arquibancada
Galp. ateliers - rede de esgoto, piso
Galp. ateliers - paredes
Laboratório fotográfico
Sala de dança - escada de acesso, forro, piso
Galp. almoxarifado
Banheiros
Subestação de energia
Rede hidráulica
Galp. ateliers - elevador
Casa máquinas, torre refrig., tubul., manut.
Bloco vestiários e sala de música
Bloco esportivo - execução das fundações
Caixa d' água
Bloco esportivo
Bloco esportivo - passarelas
Figura 23: Tabela com as etapas da obra e incidência de registros fotográficos no tempo.
Fonte: Elaborada pela autora a partir de fotos do período de obras (acervo do ILBPMB),
selecionadas para esta pesquisa.
82
Figura 24: Restauro na alvenaria de tijolos com a caixa d´água elevada já concretada ao
fundo.
Fonte: Acervo Instituto Lina Bo e P. M. Bardi – Cód. 094ARQf0177.
83
162 SUZUKI, M. Entrevista cedida à Renata Bechara. São Carlos, 05 e 12 mar. 2016. (Transcrição na
íntegra em anexo neste trabalho).
163 Marcelo Ferraz se recorda que em alguns momentos estiveram trabalhando com 200 operários.
FERRAZ, M. Entrevista cedida à Renata Bechara. Transcrição na íntegra em anexo neste trabalho.
164 Também na construção do edifício para a FAU USP, na cidade universitária, os administradores
do Fundo viam vantagens técnicas (e não econômicas) no sistema de administração direta de obras.
CONTIER, Felipe de Araújo. O edifício da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo na cidade
universitária: Projeto e Construção da Escola de Vilanova Artigas. Tese (Doutorado) – IAU,
Universidade de São Paulo, São Carlos, 2015. p. 294.
165 SUZUKI, M. Entrevista cedida à Renata Bechara. São Carlos, 05 e 12 mar. 2016. (Transcrição na
Figura 25: Protótipos da escada-rampa de acesso aos vestiários (em segundo plano).
Fonte: Acervo Instituto Lina Bo e P. M. Bardi – Cód. 094ARQf0323.
Retirada de reboco, recuperação de tijolos: 094ARQf0069(1977), 094ARQf0519, 094ARQf0511, 094ARQf0510(s/d). Lateral demolida: 094ARQf0115(dez80)
Escavação para fundações; escoramentos do telhado existente e formas das estruturas em concreto. Camarotes em concreto
094ARQf0527(s/d), 094ARQf0566, 094ARQf0577(Miguel/dez79), 094ARQf0539(Miguel/s/d), 094ARQf0541(dez79) 094ARQf0578 - 094ARQf0579 (Miguel/dez 1979 )*
166 BARDI, Lina Bo. Manuscrito em bloco de rascunhos – Acervo do ILBPMB. São Paulo (SP),
08/01/1983. Doc. 01-0033-01 e Doc. 01-0033-01-5. Grifos nossos.
167 Lina faz alusão a este termo na citação acima.
168 “O SESC já tinha pagado um projeto executivo para o Julio Neves [...], e jogou tudo no lixo. Aí
falou: - Olha, a gente vai te contratar, mas a gente já gastou um dinheiro [...] e fizeram um contrato
mais camarada com ela, pagando pouco. Dentro deste contrato dela, ela (Lina) pagava a mim e ao
André. Como estagiários, por hora [...]”. FERRAZ, Marcelo. Entrevista cedida à Renata Bechara.
Encontra-se a transcrição na íntegra em anexo.
169 Do ponto de vista do SESC, também se poderia relativizar valores, pois a instituição acaba por
administrar uma obra em condições tão especiais por longos 9 anos, “tolerando” a direção técnica de
Lina Bo Bardi. FERRAZ, Marcelo. Entrevista cedida à Renata Bechara. Encontra-se a transcrição na
íntegra em anexo.
87
170 Lina faz o escopo do que deveria ser redigido no diário de acompanhamento de obras do SESC –
BARDI, Lina Bo. Apontamentos – Planejamento. Sem data. Acevo do ILBPMB. Doc. 01.0053.02 -
(grifos nossos).
171 BARDI, Lina Bo. Carta de pedido de suporte técnico. São Paulo (SP), 02/1980. Acervo do
Figura 27: Amostra do mosaico de cacos de cerâmica para o piso dos banheiros
Fonte: Acervo Instituto Lina Bo e P. M. Bardi. Cód. 094ARQf0732.
Quase tudo, isso era muito engraçado, a Lina tinha este poder assim de
fazer. A Lina achava que arquitetura não é você ficar decidindo acabamento, coisas
superficiais, isso aí decidia-se na obra. E o desenho tinha que ser o desenho geral.
Por isso que teve muito teste de acabamento, então teve amostra 1:1 de
assentamento do mosaico dos pisos dos banheiros, que quando fez o primeiro a Lina
viu e achou que faltou vermelho. Aí, se você entrar no banheiro você vai ver que tem
uns cacos Gail vermelho vivo. E não existia, a Gail mandou fazer. A Lina queria um
lote de X vermelhos que estão lá. Então era tudo, até cor.
172 SUZUKI, M. Entrevista cedida à Renata Bechara. São Carlos, 05 e 12 mar. 2016. (Transcrição
na íntegra em anexo neste trabalho).
89
173 BARDI, Lina Bo. Carta de protesto a Renato Requixa. São Paulo (SP), 21/02/1981. Acervo do
ILBPMB. Doc. 01.0013.20.
174 FERRAZ, Marcelo. Entrevista cedida à Renata Bechara. Encontra-se a transcrição na íntegra em
anexo.
175 MARTINELLI, A. C.; REQUIXA, R. Parecer técnico (aprovação de anteprojeto). Lina Bo Bardi
176 BARDI, Lina Bo. Lembrete. São Paulo (SP), 06/1981, Acervo do ILBPMB. Doc 01.0021.10.
177 Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional (ORTN). Foram criadas em 1964 e vigoraram até
fevereiro de 1986, com o objetivo de se ter remuneração corrigida e evitar a corrosão da inflação.
Com o Plano Cruzado, extinguiu-se as ORTNs, e em substituição foram criadas as OTNs
(Obrigações do Tesouro Nacional), depois BTNs (Bônus do Tesouro Nacional). A partir de 1991,
BTNFs, indexadores de grande parte dos contratos passaram informalmente a ser corrigidos com a
variação da TR (Taxa Referencial). Disponível em: <http://www.portalbrasil.net/>. Acesso em: 06 jul.
2016.
178 SZAJMAN, Abram. Proposta. São Paulo (SP), 11/05/1982. Acervo do ILBPMB. Doc. 01.0020.05.
179 SZAJMAN, Abram. Contrato. São Paulo (SP), 03/08/1982. Acervo do ILBPMB. Doc 01.0009.07.
180 MARTINELLI, Antonio Carlos; RIGOBELO, Euclides. Carta de alteração de contrato. Lina Bo Bardi
01.0019.02.
91
Caro Dr. Renato, é tudo muito difícil aqui e anti (o prefixo ‘anti’ estava
rasurado) ‘não-profissional’, um pouco tipo ‘doméstico’ [...]. Tenho dedicado
tempo integral e me ocupado desde a maionese que desandava pelo calor,
até os problemas mais incríveis. Dr. Renato, a Pompeia precisa o mais
rápido possível de seu diretor (Stanislau) e de poucas, muito poucas
pessoas competentes. Precisa sobretudo da atenção do senhor. Somente o
respeito e a amizade que tenho pelo senhor impediram-me de sair de tudo
isto. Sua Lina Bo Bardi184.
2.2 Action-Architecture
186 Antonio Carlos Affonso Martinelli era um dos chefes do Serviço de Engenharia do SESC, com Luiz
Octávio Martini de Carvalho.
187 BARDI, Lina Bo. Carta de esclarecimento. ILBPMB, documento 01.0019.05, São Paulo (SP),
16/08/1978, grifos da autora. Esta carta, selecionada na fase inicial e crucial desta pesquisa, fez parte
da exposição Lina Em Casa Percursos, de curadoria Renato Anelli e Anna Carboncini
Casa de Vidro, São Paulo SP, 12 de abril a 19 de julho de 2015.
188 KALMANN, G.M. The Action-Architecture of a New Generation, Architectural Forum, 1959.
93
189 Kallmann classifica: “rigoristas composicionais” são aqueles que se diferenciam por fazerem uma
arquitetura de difícil compreensão e sofisticada palatabilidade, o que explicaria, talvez, a sua própria e
notória baixa popularidade - a prefeitura de Boston (Boston City Hall), dele, é famosa por ser
considerada muito feia. Já “rigoristas composicionais” são brutalistas que buscam coerência na
construção do espaço - primeiros experimentos de Alvaar Aalto e Hans Scharoun. KALMANN, G. M.
The Action-Architecture of a New Generation, Architectural Forum, 1959.
190 Cita primeiramente Joern Utzon e a ópera de Sidney, e depois Ralph Erskine, JaapBakema e
Georges Candilis, jovens que permitiram que suas obras dessem golpes repentinos no imprevisível,
lembrando-se das corbusianas experiências com o imprevisível (La Tourette, por exemplo).
191 Marcelo Ferraz chama as ocorrências, eventos ou casos de obra, que de alguma forma
Para tanto, o resultado plástico da obra não teria sido negligenciado por
Lina Bo Bardi no SESC Pompeia, como seria precipitado concluir. Os arquitetos que
fizeram parte de sua equipe concordam em concluir que o projeto adquiriu sua forma
ao longo dos nove anos em que eles próprios, Lina Bo Bardi e todos os envolvidos
na construção viveram a rotina das atividades do canteiro de obras do SESC
Pompeia192.
O crescimento de uma determinada estética tão lógica quanto natural,
rude e primitiva, foi garantida pela presença de Lina na obra SESC. As soluções que
porventura fossem julgadas responsivas a falsas necessidades eram
recorrentemente rechaçadas por ela (com sua “capacidade de dizer não”) 193, que
investia esforços em permitir que a complexidade original e fundamental do lugar
aflorasse, muitas vezes chamada por ela mesma de algo “feio” 194.
Desta maneira, podemos considerar que a preconcepção bobardiana da
cena viva dos ambientes ocupados - fundamento de seu processo de projeto - pode
ser reconhecida na menção ao “espírito” do projeto, e não em seu corpo ou sua
forma, que nasce e cresce ao longo do tempo real, de acordo com a sua estrutura
complexa.
Mas como poderíamos interpretar as formulações de Lina que dizem
respeito ao “feio” como resultado desejável? Estaríamos apenas no campo das
provocações semânticas? Kalmann, depois de ter publicado sobre Action
Architecture, será um dos autores de uma obra canônica do concreto aparente
americano, o emblemático Boston City Hall195, alvo de críticas negativas em relação
a sua beleza, que foi questionada durante anos.
Sobre o edifício para a prefeitura de Boston (1962/1968) Kallmann relata,
como um de seus autores, que o concreto aparente e áspero foi utilizado apenas
para contrastar com o que era feito em larga escala por toda a Europa e EUA na
192 FERRAZ, Marcelo. Entrevista cedida à pesquisadora Renata Bechara, que se encontra na íntegra
em anexo deste trabalho.
193 Alusão à expressão de Brecht citada por Lina usada em OLIVEIRA, Liana P.P. A capacidade de
expressões da própria arquiteta e estão presentes na exposição O belo e o direito ao feio, que Lina
organizou ali mesmo no SESC - Fábrica Pompéia, depois de inaugurada a primeira etapa, em 1982, e
em tantas outras declarações suas.
195 Boston City Hall, Massachusetts, construído em 1968 – Kallmann McKinnell & Knowles
época, as elegantes estruturas de aço e vidro, que pareciam ser o desejo da maioria
e que na sua interpretação ficariam abstratas demais e não manteriam relação
nenhuma com o contexto geográfico, podendo existir em qualquer lugar do mundo
sem identificação com o mesmo. Ao contrário, além de explicitarem a comunicação
do método construtivo do edifício com o uso do concreto aparente, Kallmann e seus
parceiros optaram por demonstrar volumétrica e programaticamente o partido
arquitetônico, intimamente ligado à leitura que os autores se encarregaram de fazer
da cena social e política da cidade: através das saliências e fissuras da fachada, o
público poderia, visualmente, tornar-se parte do dia a dia do gabinete do prefeito, e
assim, governantes e governados estariam conectados pelos gradientes de contato
entre esferas publica e privada196.
Para uma confirmação crítica das leituras sobre o Boston City Hall , e um
aumento de possibilidades nas relações entre a arquitetura de Lina no SESC e a
arquitetura do arquiteto autor do manifesto citado por ela, pouca informação foi
encontrada 197. Sobre o Boston City Hall, dentro da literatura clássica da Teoria e
História da Arquitetura Moderna, apenas Jean-Louis Cohen faz uma rápida menção
e o relaciona com o convento de La Tourette (1956-1959) de Le Corbusier, de onde
Kallmann, McKinnell e Knowles teriam reciclado elementos, tendendo para a
adaptação de tipos e soluções existentes, assim como o edifício Albany Mall (ou
Empire State Plaza 1962-1965) teria empregado temas plásticos derivados da
Brasília de Oscar Niemeyer.
196 KROLL, Andrew. AD Classics: Boston City Hall / Kallmann, McKinnell, & Knowles, ArchDaily, 06
mar. 2011. Disponível em: <http://www.archdaily.com/117442/ad-classics-boston-city-hall-kallmann-
mckinn ell-knowles>. Acesso em: 7 jul. 2016.
197 Nada foi encontrado sobre o Boston City Hall e seus arquitetos no livro de referência básica de
b. Couvent Sainte-Marie de la Tourette, c. SESC Pompeia, São Paulo SP, Brasil, 1977/86.
Eveux-sur-l'Arbresle, França, 1953. Fonte: Lina Bo Bardi Fellowship200. Foto: Tapio
Fonte: Fundação Le Corbusier199. Foto: Olivier Snellman
Martin-Gambier 2004
<http://www.fondationlecorbusier.fr/corbuweb/morpheus.aspx?sysId=13&IrisObjectId=4731&sysLangu
age=fr-fr&itemPos=19&itemSort=fr-
fr_sort_string1%20&itemCount=79&sysParentName=&sysParentId=64> Acesso em: 08 ago. 2016.
200 Disponível em
<http://design.britishcouncil.org/media/thumbnails/uploads/projects/120902_together_02-
02497_2.jpg.940x528_q85.jpg> Acesso em: 08 ago. 2016.
97
Figura 29: Sistema de refrigeração do teatro aparente e destacado pela pintura colorida.
Fontes: Acervo Instituto Lina Bo e P. M. Bardi. Cód. 094ARQf0857, 094ARQf0860 (Foto: Serviço de
Engenharia do SESC) 094ARQf0103 sem autor, 094ARQf0854 (foto: Miguel) e fotos atuais da autora.
muito é a possibilidade de fazer uma arte que seja inteiramente do sujeito e não do objeto”. Material
integrante da Mostra 68-86: uma geração 18 anos depois, no Centro Cultural Banco do Brasil. Relato
de Renato Anelli à autora por e-mail após visita à exposição - Rio de Janeiro, 2016.
99
em primeira instância, foi de fato acatada. Há fotos do provável local de referência sendo utilizados
com pessoas sentadas e deitadas ao sol que datam daquela época e de hoje.
100
207 ACERVO DO ILBPMB. Lista de sugestões. Danilo Santos de Miranda (remetente), São Paulo
(SP), 1984, documento n.01.0045.02.
208 BARDI, Lina Bo. Proposta. Sem local. Sem data. Acervo do ILBPMB. Doc. 01.0042.05.
101
209 BARDI, Lina Bo. Subsídios. São Paulo (SP). Acervo do ILBPMB. Doc. 01.0030.02.
210 BARDI, Lina Bo. Carta de esclarecimento. São Paulo (SP), 1985. Acervo do ILBPMB. Doc.
01.0035.03.
211 Significado e ocorrências em relação à ocupação da faixa non aedificandi encontram-se na parte
deste trabalho específica e relativa ao deck de madeira sob as passarelas suspensas do bloco
esportivo.
212 BARDI, Lina Bo. Carta de crítica. Abram Szajman (destinatário). São Paulo (SP), 30/09/1983.
214 Esquemas da administração e da manutenção, feitos à mão por Lina Bo Bardi. Fonte: ILBPM.
215 SUZUKI, M. Entrevista cedida à Renata Bechara. São Carlos, 05 e 12 mar. 2016. (Transcrição na
íntegra em anexo neste trabalho).
216 Lina projetou os móveis em madeira laminada colada (mesas e cadeiras do restaurante do SESC
Pompeia, ente outros), e quem executou foi a Laminarco, uma empresa especializada na produção
industrial de estruturas de madeira, utilizando a tecnologia MLC. Para obter alto desempenho
estrutural com madeira de acesso sustentável, Vinício Walter Callia, o engenheiro fundador da
Laminarco, já havia desenvolvido importantes pesquisas no país desde a década de 1950. Ele foi
pioneiro nos estudos do emprego da MLC, tendo publicado pelo IPT um artigo sobre a técnica de unir
lamelas (camadas) de madeira com um potente adesivo (cola), adaptando-a para uso de espécies de
madeira cultivada no Brasil, como o pinheiro do Paraná. Fundou a empresa Laminarco Madeira
Industrial Ltda em 1960. Dados do artigo histórico muito citado em trabalhos acadêmicos da área:
CALLIA, V. W. Madeira Laminada Colada de Pinho do Paraná: seu emprego nas estruturas. Boletim
n. 47, publicação n. 571, São Paulo, Instituto de Pesquisas Tecnológicas. ICIMOTO, Felipe
Hideyoshi. Dormentes em Madeira Laminada Colada de Pinus oocarpa. Dissertação (Mestrado em
Ciência e Engenharia de Materiais) – Universidade de São Paulo, São Carlos, 2013. Os originais dos
móveis desenvolvidos por Lina Bo Bardi, inclusive utilizando esta técnica e para o SESC Pompeia,
foram reunidos na exposição O Impasse do Design: Mobiliário de Lina Bo Bardi: 1959 – 1992.
ILBPMB. Curadoria de Renato Anelli. Casa de Vidro. 29 de maio a 31 de julho de 2016.
103
217 A palavra foi usada por Marcelo Ferraz na entrevista cedida à autora.
218 Háuma menção sobre um site de comunicação entre os antigos funcionários do SESC Pompeia
em PEREIRA, Cristina Rodrigues SESC Pompeia e Centro Cultural São Paulo: estudo comparativo.
2016. Dissertação (Mestrado em Maestría en Historia y Cultura de la Arquitectura) - Universidad
Torcuato Di Tella . Co-Orientador: Renato Luiz Sobral Anelli.
104
Figura 30: Croquis iniciais de Lina para o SESC no imóvel da Pompeia, sem a presença do
marco vertical (caixa d´água/chaminé)
Fonte: Acervo Instituto Lina Bo e P. M. Bardi. 094ARQd0003 219
Figura 31: Estudos iniciais de Lina, planta geral e ocupação da área aos fundos do lote.
Fonte: Acervo Instituto Lina Bo e P. M. Bardi. Desenho 094ARQd0447 221.
Antonio Homsi e Toshio Ueno. São Paulo - SP, 08/04/1980. Acervo do ILBPMB. Doc.01.0010.05.
106
d’água, alegando ter feito o orçamento do serviço considerando este modo de fazê-
la em específico.
A concretagem com formas metálicas não foi aceita pela arquiteta sob a
alegação de modificação da concepção arquitetônica do projeto. Nem mesmo
soluções alternativas apresentadas na reunião, como a de revestir as formas
metálicas com madeira, foram suficientes para convencer Lina, que se preocupava
com a textura desejada para o concreto depois de desformado e também com os
custos da execução.
Esse impasse demandou da equipe de projeto a criação de um protótipo
para comprovar o baixo custo e o resultado desejado e inovador para aquela que se
tornaria parte da logomarca do SESC Pompeia. A caixa d'água em concreto
aparente, com sua forma inspirada na antiga chaminé de tijolos da fábrica, deveria
ficar “enfeitada com rendas”224 para tornar-se de fato o marco vertical da Pompeia.
A decisão final da forma de execução do concreto, tomada em obra,
alternativa às formas metálicas, aconteceu apenas após terem sido feitos testes dos
protótipos. Foram colocados pedaços de estopa no fundo das formas de madeira,
embaixo das ferragens, para que se ensopassem com a argamassa e escorressem
antes de endurecer, formando “franjas esgarçadas na base de cada anel” 225 . A
concretagem da torre de concreto cilíndrica aconteceu entre julho e setembro de
1980, conforme datas de fotos da obra226.
É interessante observar que a mão de obra contratada pelo SESC para
executar a torre da caixa d’água foi terceirizada, num momento da obra em que não
havia outra grande construtora envolvida (como haverá mais tarde a Método) e a
totalidade dos trabalhos ainda eram realizados pela equipe interna do SESC. A
participação decisiva de Lina Bo Bardi, não aprovando o modo de construir sugerido
pelo fornecedor de mão de obra, orientando o cálculo de projeto das formas da
estrutura e solicitando a execução de protótipos para validar no canteiro o modo de
execução planejado não foi uma prática bem aceita pela empresa terceirizada, que
224 SANTOS, Cecilia Helena Godoy Rodrigues dos. Sesc Fábrica da Pompéia: a cidadela e sua torre.
In: VAINER, A; FERRAZ, M (Orgs.). Cidadela da Liberdade - Lina Bo Bardi e o SESC Pompeia. 1ª ed.
São Paulo: SESC, 2013. p. 144-145.
225 SANTOS, Cecilia Helena Godoy Rodrigues dos. Sesc Fábrica da Pompéia: a cidadela e sua torre.
In: VAINER, A; FERRAZ, M (Orgs.). Cidadela da Liberdade - Lina Bo Bardi e o SESC Pompeia. 1ª ed.
São Paulo: SESC, 2013. p. 144-145.
226 Há uma sequência de documentos fotográficos no acervo do Instituto LBPMB, com números de
tombo entre 094ARQf0979 e 094ARQf0995 cujas datas variam de julho a setembro de 1980.
107
em função disto abre mão da concorrência que havia ganhado. Os testes dos
protótipos para a solução elaborada — bastante inovadora, pelo uso dos tecidos
entre as formas trepantes — permitiram um bom controle dos resultados finais,
garantindo para todos e para a própria Lina Bo Bardi que ao final do processo o
elemento estaria de acordo com o “espírito arquitetônico” do conjunto.
Na figura demonstrada a seguir (Imagens no tempo: caixa d´água)
encontram-se desenhos de Lina e fotos feitas durante a obra dispostos em ordem
cronológica. Algo que se pode observar é a localização da antiga chaminé de tijolos
da fabrica é diferente da escolhida por Lina Bo Bardi para a concretagem do marco
elevado de concreto.
108
Localização da antiga chaminé de tijolos da antiga fábrica de tambores – Gelomatic . 094ARQf0012 e 094ARQf0011 Créditos: Hans Gunter Flieg Primeiros estudos, sem a definição do local para a caixa d´água.
094ARQd0017..
094ARQd0304
Fundações, protótipo, formas e concretagem dos anéis. 094ARQf0980, 094ARQf0984 ,094ARQf0983, 094ARQf0985, 094ARQf1002. Creditos: Miguel Localização da caixa d´água. Wolff, I.“Lessons in ‘spatializing’ heritage”:the
conservation work of Lina Bo Bardi. 2007. Disponível em
http://www.wolffarchitects.co.za/wp-content/uploads/2007/02/fig-15.jpg
1940 1980 1982 Acesso em: 12/08/2016
Figura 32: Imagens no tempo: caixa dágua. Esquema cronológico elaborado pela autora. Fonte fotos e desenhos: Instituto Bardi, exceto anotados. Códigos e créditos das fotos (quando houver): anotados abaixo dos grupos de imagens.,
Acervo de desenhos disponível em <www.institutobardi.com.br> Acesso em: 01 ago.2016.
109
2.5 O deck sob as passarelas do bloco bipartido e sobre o córrego da Água Preta.
determinação da legislação. Neste caso eram 15 metros que atravessavam a propriedade desde a
rua Barão do Bananal até a Av. Pompeia.
110
escritório de Júlio Neves 229, que respeitava a exigência de não se edificar sobre a
galeria, mas previa um aterro que elevava o nível do terreno nesta faixa, o que fazia
com que o piso na parte de dentro dos muros de divisa ficasse aproximadamente 1
metro acima do nível das calçadas e ruas adjacentes.
Os dados de projeto que se referem a este aterro geraram um ofício 230
emitido pela Prefeitura Municipal, assinado pelo prefeito Olavo Egydio Setúbal,
solicitando ao SESC que considerasse o não aterro da denominada “viela sanitária”
(sic)231, para que a mesma ficasse livre para os eventuais escoamentos superficiais
das águas pluviais. Isso significaria deixar a área no nível natural do terreno, onde
havia uma vala como demonstram algumas fotos, além de não utilizar o local para
edificações e possivelmente proibir o acesso dos usuários ao local, ou de alguma
forma protegê-los do desnível e, principalmente, de inundações.
O SESC não contesta a autoridade municipal, que assumia que tinha a
responsabilidade de redimensionar as galerias de águas pluviais existentes em
função do crescimento vertiginoso das áreas impermeabilizadas da cidade, mas que
declarava não ter condições de executar estas obras tão cedo, e encaminha o
problema 232 à arquiteta Lina Bo Bardi, que registra através de croquis seus estudos
para as possibilidades de ocupação área e aconselha que o SESC consulte uma
empresa especializada no assunto. Dois meses depois, o SESC informa à Lina que
o resultado da consulta à empresa de saneamento acionada – Planesan - é que o
aumento da galeria, como a prefeitura havia sugerido, não seria eficaz, pois a vazão
não seria suficiente além de haver um problema de cotas, concluindo que este se
229 O serviço de engenharia do SESC escreve ao diretor do departamento regional, com carimbo da
Assessoria Jurídica do SESC-SENAC, explicando que receberam a intimação da prefeitura para
providencias no sentido de desaterrar e nivelar a área non aedificandi existente no C.C.D. Pompeia.
As intimações se referem ao projeto para construção do C.C.D. Jessé Pinto Freire, elaborado pelo
escritório técnico Júlio Neves e aprovado pela Prefeitura (alvará 50.110/75). Neste documento o setor
de engenharia sugere que a Diretoria avalie com calma a situação antes de atender as exigências da
prefeitura, pois a solução do problema das enchentes recorrentes “no novo projeto de restauração do
CD Pompeia” ainda não estava totalmente definida e que, afinal, esta situação já existia antes mesmo
do SESC adquirir o imóvel. Além disto, informa os dirigentes sobre o orçamento do serviço solicitado
(CR$ 150.000,00 para desaterrar 400 m3, utilizando máquinas próprias), mas pede que se consulte o
departamento jurídico acerca do problema. MARTINELLI, A. C.; REQUIXA, R. Carta de
Encaminhamento a Lina Bo Bardi. Ref.: de Carta de esclarecimento. São Paulo (SP), 10/11/1978
ACERVO DO ILBPMB Doc. 01.0070.04-1.
230 SETÚBAL, Pref. Olavo Egydio. Ofício. São Paulo (SP), Acervo do ILBPMB. Doc. 01.0070-02-2.
231 Foi chamada de viela sanitária no ofício da prefeitura e em outros documentos. Há um croqui de
Lina Bo Bardi onde está anotado “galeria velha - vazão de água - esgotos”. Acervo do ILBPMB.
Desenho 094ARQd0449. Disponível em <www.institutobardi.com.br> Acesso em: 01 ago.2016.
232 GERMANOS, Paulo André Jorge. Carta de encaminhamento de documentos. São Paulo (SP),
233 REQUIXA, Renato. Carta de recomendação técnica. Renato Requixa (signatário da carta de
encaminhamento). Figueiredo Ferraz Consultoria e Engenharia de Projeto Ltda. (remetente). Mário
Romano Lodi (signatário). São Paulo (SP), 16/10/1978. Acervo do ILBPMB. Doc. 01.0015.14.
234 LAEGER, Ruben Jorge. Carta de pedido de providências. São Paulo (SP), 19/10/1978. Acervo do
Doc. 01.0028.06.
112
Figura 34: Área que recebe as águas pluviais do bairro no limite com a propriedade do
SESC, pós-inaugurações: fotos externas, aérea e de detalhe do muro.
Fonte: BARTALINI, Vladimir. Os córregos ocultos e a rede de espaços públicos
urbanos. Arquitextos, São Paulo, ano 09, n. 106.01, Vitruvius, mar. 2009 Fotos: Vladimir Bartalini
236
Figura 35: Ilustração de livro infantil. A distorção evidencia o deck entre os prédios, sob as
passarelas.
Fonte: DELAQUA, V. "A Cidadela: O Sesc Pompeia de Lina Bo Bardi / Baba Vacaro, Daniel
Almeida, Rogério Trentini". Arch Daily. Publicações. 26 Mar 2016 237.
236 Vladimir Bartalini é arquiteto, mestre e doutor pela FAU-USP. Professor dos cursos de graduação
e de pós graduação daquela Faculdade, na área Paisagem e Ambiente. Disponível em
<http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/09.106/64 - acesso em 01/07/2015.
237 Disponível em http://www.archdaily.com.br/br/784279/a-cidadela-o-sesc-pompeia-de-lina-bo-bardi-
238
FERRAZ, Marcelo. Entrevista cedida á Renata Bechara. Encontra-se a transcrição na íntegra em
anexo.
114
Fabrica abandonada 094ARQf0017 094ARQd0448 Estudo de ocupação e fotos da área do córrego. 094ARQd0451, 094ARQf0116(Miguel/out/80), 094ARQf0718, 094ARQf0889(Luis Hossaka).
Antiga entrada de serviço SESC: Rua. Deck de madeira sobre córrego e sob passarelas.
muro aberto p/ águas pluviais 094ARQd0454 Fonte: FERRAZ, M. (org.). Lina Bo Bardi. São Paulo:
094ARQf0050. Empresa das Artes,1993. P .230.
Sem data Concreto,
094ARQd0450 mármore e
pedras
semi-preciosas
094ARQd0457
Sem data
094ARQd0322 094ARQd0453
Estrutura tubular, cabos de aço.094ARQd0458 e 459-1-2
094ARQd0449
~1970 71/75 1978 1980 1982 1983 1984 1985 Casco ferro/cimento, estrutura em vigas de aço.094ARQd0466
Figura 36: Imagens no tempo: deck. Esquema cronológico elaborado pela autora. Fonte fotos e desenhos: Instituto Bardi, exceto anotados. Códigos e créditos das fotos (quando houver): anotados abaixo dos grupos de imagens.,
Acervo de desenhos disponível em <www.institutobardi.com.br> Acesso em: 01 ago.2016.
115
239 A partir de registros escritos das comunicações entre os agentes durante a obra e informações
obtidas oralmente a partir da memória de Marcelo Ferraz e Luiz Carlos Chichierchio, que possuem
certas lacunas e divergências interpretativas se as analisarmos em separado, tentaremos montar um
relato único sobre a participação da Esfera Comercial e Construtora Ltda como empresa de
consultoria em conforto térmico na construção do SESC Pompeia, ou sobre o assunto “climatização”
tal como está catalogado no acervo do ILBPMB.
240 “Lá no SESC, como sempre, e agora mais do que antes, tinha que fazer projeto de tudo que é
Martinelli241. O arquiteto Luiz Carlos Chichierchio tinha começado muito cedo a dar
aulas na FAU USP e a prestar consultorias como autônomo na área, o que fazia
dele um profissional bastante conhecido neste meio. Em 1977, ele já tinha feito
alguns trabalhos para os arquitetos Abrahão Velvu Sanovicz 242 e Jerônimo Bonilha
Esteves243, e era recente a sua entrada na sociedade entre Rubens José Mattos
Cunha Lima e “Odi”, em uma empresa de projetos e construções, a Esfera
Comercial e Construtora Ltda. Quando o SESC o contratou para o trabalho na
Pompeia, o fez através da pessoa jurídica da Esfera.244
Neste momento, já tinham cessado as atividades de lazer e esportes que
vinham acontecendo improvisadamente no local – para que o canteiro de obras
fosse instalado –, e Lina Bo Bardi já estava atuando como responsável pelo projeto
de arquitetura. Ilustrações em perspectiva com estudos preliminares para as obras já
haviam sido elaboradas por ela, bem como os desenhos técnicos da geometria e
medidas das edificações conforme estavam construídas. Os primeiros confrontos
entre a condução da obra desejada por Lina e a forma institucionalizada do
gerenciamento de obras do SESC estavam começando.
Nos meses finais de 1977, Chichierchio visita o imóvel para medir as
condições dos ambientes existentes e saber as pretensões de Lina Bo Bardi quanto
241 “[Foi o] Martinelli, o chefe da Engenharia. Ele me chamou, disse: tem lá esse galpão na Pompeia
que a gente quer fazer um SESC” CHICHIERCHIO, Luiz Carlos. Entrevista cedida à Renata Bechara.
Encontra-se a transcrição na íntegra em anexo.
242 Um relacionamento futuro entre Abrahão Sanovicz e o SESC/Lina Bo Bardi ficou registrado em
1991 através de um telegrama de cumprimentos que ele assina em conjunto com Edson Elito
(ILBPMB documento 01.0407.01). O arquiteto e urbanista Abrahão Velvu Sanovicz (1933 - 1999)
também era professor da FAU USP. Recém-formado, em 1959, estagiou no escritório do artista
plástico, arquiteto e designer italiano Marcello Nizzoli (1887 - 1969), vivendo seis meses em Milão.
Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa452199/abrahao-sanovicz>. Acesso em:
28 jan. 2016. É de Sanovicz e Elito a autoria do SESC de Araraquara (SP) em 2000.
243 O arquiteto brasileiro Jerônimo Bonilha Esteves (1933) foi chefe do escritório de Jacques Pilon
(1905-1962) em São Paulo, com quem trabalhou no projeto do Liceu Pasteur, obra de clara
reminiscência corbusiana no Brasil. Em parceria com Israel Sancovski, que também trabalhou com
Pilon, foi responsável por obras conhecidas da escola paulista brutalista, tais como a capela da
colônia francesa em São Paulo (1963) e o Edifício Morumbi (1973). Há uma entrevista com Bonilha
no livro O arquiteto e a produção da cidade: Jacques Pilon 1930-1960, de Joana Mello de Carvalho e
Silva, 2012. Disponível em: <http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/02/ 25/obras-de-arquiteto-frances-
ajudam-a-recontar-historia-de-sao-paulo/>. Acesso em: 2 mar. 2016. Bonilha assinou a autoria do
edifício do SESC Vila Mariana, inaugurado em 1997.
244 O contrato com a Esfera data de 10 de março de 1978 (ILBPMB doc. 01.0009.05), porém os
245 SUZUKI, M. Entrevista cedida à Renata Bechara. São Carlos, 05 e 12 mar. 2016. (Transcrição na
íntegra em anexo neste trabalho).
246 Chichierchio atribui algumas características finais do projeto do SESC Pompeia ao resultado da
sua consultoria de conforto térmico. Diz: “[...] era tudo uma paredona, foi demolido e foi construído
assim com essa ventilação” apontando para uma foto onde estão os “tijolos de galinheiro” (tijolos
assentados de forma a manter vazios fixos entre eles - denominados desta forma por FERRAZ,
Marcelo. Entrevista cedida à Renata Bechara). CHICHIERCHIO, L.C. Entrevista cedida à Renata
Bechara. Encontra-se a transcrição na íntegra em anexo.
118
possível afirmar que foi o SESC quem decidiu que os galpões teriam a área restrita
de telhas de vidro que têm até hoje.
Quando eu conversei com a Lina ela mostrou qual era a intenção dela, e a
intenção era tirar todas as telhas de barro e colocar telhas de vidro. Eu falei
que iria fazer o estudo, fiz e cheguei lá dali a umas três semanas dizendo
que não podia ser 100%, que não tinha aberturas suficientes para remover
o calor e mais ainda, a sensação das pessoas aqui (sic) dentro seria
desconfortável. Daí ela não gostou, mas o SESC defendeu a minha
proposta e ela teve que fazer contra a vontade dela. E aumentar a
ventilação, com portas, retirando os vitrôs existentes 247.
247 CHICHIERCHIO, Luiz Carlos. Entrevista cedida à Renata Bechara. Encontra-se a transcrição na
íntegra em anexo.
248 REQUIXA, Renato. Carta de Pedido de esclarecimentos. Ref. Esfera Comercial e Construtora
Ltda. Renato Requixa (signatário), Tadao Doyama (signatário). Serviço Social do Comércio – Lina Bo
Bardi (destinatário). São Paulo (SP), 22/01/1981. ILBPMB -. Acervo do ILBPMB. Doc. 01.0015.09.
119
249BARDI, Lina Bo. Carta de esclarecimento. ILBPMB. Climatização (manuscrito). São Paulo (SP).
1979. Documento 01.0016.12.
250 REQUIXA, Renato. Carta de esclarecimento. Renato Requixa (signatário da carta de
encaminhamento). Esfera Comercial e Construtora Ltda. (remetente). Rubens José Mattos Cunha
Lima (signatário). São Paulo (SP), 22/09/1980. Gerenciamento de obra. Acervo do ILBPMB.
Documento 01.0015.18-1 (grifo nosso).
120
que configurariam uma área isolada para espetáculos teatrais, e nos diz que foi para
este uso que a necessidade de dutos de ventilação foi calculada. Segundo ele, Lina
não concordou com os dutos, e por isso abandonou o projeto de fechar as laterais
dos mezaninos.
No registro formal, a Esfera indica fornecedores de ventiladores para a
cobertura sob protestos, e frisa que a empresa de consultoria não concorda com o
uso dos mesmos, retomando a antiga querela sobre a quantidade de telhas de
vidro251.
Salas de leitura dento do galpão de atividades: execução do concreto armado aparente, formas em madeira, desforma, retirada de cimbramentos.094ARQf0324, 094ARQf0325 (cred. Paquito) , 094ARQf0328, 094ARQf0336, 094ARQf0338.
Guarda-corpos e laje de piso - formas, ferragens, desforma, acabamento. 094ARQf0329, 094ARQf0330, 094ARQf0331, 094ARQf0339, 094ARQf0340.
252 O único bom contato de Lina com a academia era Joaquim Guedes, quem inclusive indicou
Marcelo Ferraz, então aluno da faculdade, para trabalhar como estagiário com Lina no SESC.
FERRAZ, Marcelo. Entrevista cedida à Renata Bechara. Encontra-se a transcrição na íntegra em
anexo.
253 CHICHIERCHIO, Luiz Carlos. Entrevista cedida à Renata Bechara. Encontra-se a transcrição na
íntegra em anexo.
123
254 Não apenas pela posição semienterrada dos vestiários, mas também pelas paredes serem feitas
de concreto, seria praticamente impossível fazer as aberturas para ventilação natural.
CHICHIERCHIO, Luiz Carlos. Entrevista cedida à Renata Bechara. A transcrição encontra-se na
íntegra em anexo.
124
255 O arquiteto Igor Srenewsky (1913-1996) foi posteriormente o responsável pelo projeto de acústica
do MUBE (Museu Brasileiro da Escultura), grandioso edifício em concreto aparente e ambientes
expositivos silenciosos abaixo do nível da rua. O projeto do MUBE é de 1986, (construção 1987-
1995), de Paulo Mendes da Rocha, em São Paulo, com paisagismo assinado por Roberto Burle Marx.
256 RIGOBELO, Euclides. Parecer técnico. Euclides Rigobelo (signatário da carta de
encaminhamento). Igor Sresnewsky (signatário). São Paulo (SP), 14/04/1982. Consultoria. Acervo do
ILBPMB. Doc. 01.0015.17.
257 FERRAZ, Marcelo. Entrevista cedida à Renata Bechara Encontra-se a transcrição na íntegra em
anexo.
125
Figura 38: Croqui demonstrando a cúpula sugerida por Sresnevsky para o galpão do teatro.
Fonte: Marcelo. Entrevista cedida à Renata Bechara, transcrita na íntegra em anexo.
Figura 39: Foto da piscina sendo usada por muitas pessoas, sugerindo a exposição ao alto
nível de ruído.
Fonte: Acervo Instituto Lina Bo e P. M. Bardi. Cód. 094ARQf1463. Foto: Rômulo Fialdini, sem data.
258 A maneira de trabalhar de Igor foi usada como referência de contraponto por Chichierchio quando
este falou sobre um novo jeito de oferecer suas consultorias, justamente apresentando opções
técnicas ao arquiteto autor do projeto sem, no entanto, fazê-las, o que teria resultado na conquista de
certa fatia do mercado de consultorias por parte dele. CHICHIERCHIO, L.C. Entrevista cedida à
Renata Bechara. A transcrição encontra-se na íntegra em anexo.
259 A informação de que Lina e Igor eram amigos e tinham intimidade suficiente para que Lina
pudesse “subir a serra” com ele foi obtida da entrevista com Marcelo Ferraz. Mas na entrevista com
Suzuki acrescentou-se a informação de que, para a solução de um futuro problema com a acústica do
ambiente da piscina, Lina não quis chamar o amigo, por conta do trabalho já desenvolvido no teatro,
que provavelmente tenha lhe causado dissabores. Para a discussão de possíveis soluções para a
piscina foi chamado Ualfrido del Carlo.SUZUKI, M. Entrevista cedida à Renata Bechara. São Carlos,
05 e 12 mar. 2016. (Transcrição na íntegra em anexo neste trabalho).
126
Considerando que não havia uma limitação que poderia ser imposta por
algum tipo de regulamentação que o protegesse de intervenções mais invasivas,
uma vez que o SESC não era, naquela época, um bem tombado como patrimônio
histórico, podemos assumir que os impedimentos encontrados por Igor tenham sido
de fato as recusas de Lina. Como relatou Marcelo Ferraz, “Nós tiramos mais de 50%
do projeto inicial dele. A gente dizia que não faria, e ele recalculava”.
Estes cortes drásticos e sucessivos nas tentativas de intervenção de Igor
teriam resultado em um projeto mais enxuto, eficiente e definido em conjunto, mas a
partir de proposições de materiais e formatos vindas de Lina Bo Bardi e sua equipe:
A gente fez uma bela camada de revestimento por dentro, revestiu tudo, fez
absorção, fez reflexão onde era preciso. No fundo do teatro a gente colocou tijolo
com lã de vidro, atrás aquele tijolo furado. [...]. Colocamos Eraclit só no teto da
galeria. Antes era a galeria inteira revestida com Eraclit, que é aquele material,
aquele macarrãozinho de madeira. Funciona super bem260.
260 FERRAZ, Marcelo. Entrevista cedida à Renata Bechara. São Paulo, 27 nov. 2015. (Transcrição na
íntegra em anexo neste trabalho).
127
261 O texto em que Artigas refere-se diretamente ao desenho como desígnio é de 1967. No entanto,
em 1952, em “Os caminhos da arquitetura moderna”, em concordância com as diretrizes mundiais do
Partido Comunista, ao qual era afiliado, o arquiteto prega que o Estado é quem deve fazer a
revolução social, e não mais a arquitetura, que fica na posição de contrarrevolucionaria. Mais tarde,
Sérgio Ferro irá se apoiar justamente nesta ideia para abandonar a atividade de projeto e assumir a
guerrilha comunista no Brasil. ARTIGAS, J. B. Vilanova. Os caminhos da arquitetura moderna. In:
ARTIGAS, Rosa; LIRA, José Tavares Correia de (Orgs.). Caminhos da arquitetura. Vilanova Artigas.
Coleção Face Norte, volume 08. 4ª edição, São Paulo, Cosac Naify, 2004.
262 Isso terminou por fazer com que a prática do projeto de arquitetura, para ele, ficasse em segundo
plano. Tanto que mais tarde Sérgio Ferro abdica desta prática, ao abraçar a guerrilha comunista
brasileira. O envolvimento de Lina com a guerrilha comunista no Brasil lhe rendeu algumas anotações
em fichas no Departamento Estatal de Ordem Política e Social (DEOPS). Nas anotações da polícia
militar, Lina figura como pertencente à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Ela teve prisão
preventiva decretada e foi tida como fugitiva em 1971. Para a polícia, Sergio Ferro teria informado
que a casa de vidro, de propriedade do casal Bardi, foi local de reunião das cúpulas da VPR e da
Ação Libertadora Nacional (ALN.) cujo líder era Marighela. Uma tese de doutorado na Espanha
aborda com detalhes estes acontecimentos. PEREA, Silvia. Resistencia y Progreso – El Proyecto
Político de Lina Bo Bardi (1944-1964). Tese (Doutorado) - Departamento de
ProyectosArquitectónicos, Escuela Técnica Superior de Arquitectura de Madrid, Madrid, 2013.
263 CARRANZA, Edite Galote Rodrigues. Arquitetura alternativa: 1956-1979. Tese (Doutorado) – FAU,
264 PEDROSA, Mário. Acadêmicos e Modernos. In: ANTARES, Otília (org.). Textos escolhidos 3. São
Paulo: Edusp, 2004.
265 Mário Pedrosa foi considerado o intelectual marxista brasileiro que, ao lado do italiano Antonio
Gramsci, foi o responsável pelas reflexões a respeito do sentido educativo da arte, que Lina comenta
e desenvolve no MASP, por exemplo, com suas iniciativas de reconexão entre objeto de arte e
expectador. GRINOVER, M. Uma ideia de arquitetura: A escrita de Lina Bo Bardi. Dissertação
(Mestrado), Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, 2010.
266 PEDROSA, Mário. Acadêmicos e Modernos. In: ANTARES, Otília (org.). Textos escolhidos 3. São
definidas durante a obra da segunda etapa depois de 1982, quando Lina tinha
acabado de chegar de uma viagem internacional268.
Figura 40: Gordon Matta-Clark. Conical Intersect. Rua Beaubourg, 27-29, Paris, 1975.
Fonte: SMYTH, Ned. Gordon Matta-Clark. Site do mercado internacional de arte Artnet.269
Fotos: David Zwimmer Gallery.
Figura 41: Lina Bo Bardi. SESC Pompeia. Rua Clélia, 96, São Paulo, 1977-1986.
Fonte: Pesquisa web site Google Imagens “SESC Pompeia buracos”. Fotos: Rafael Craice e
Bia Arquiteta270
268
FERRAZ, Marcelo em vídeo entrevista. Itaú Personnalité. Revista Personnalité. Ed. 21. SESC
Pompeia. Minuto 2:16. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=DX-NNx9rV1o – acesso
19/07/2016.
269 Disponível em http://www.artnet.com/Magazine/features/smyth/smyth6-4-5.asp - acesso
25/08/2015
270 Disponível em https://www.flickr.com/photos/craice/2772404974/in/album-72157605912353223/ e
271 GRINOVER, M. Uma ideia de arquitetura: A escrita de Lina Bo Bardi. Dissertação (Mestrado),
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, 2010.
272 FERRAZ, Marcelo. Lina Bo Bardi e a Tropicália. Projeto Design, edição 337, São Paulo, 2008.
273 Glauber Rocha foi assistente de Lina no Museu de Arte Moderna, onde escreveu o roteiro de Deus
e o Diabo na terra do Sol. FERRAZ, Marcelo. Lina Bo Bardi e a Tropicália. Projeto Design, edição
337, São Paulo, 2008.
274 Cf. nota 52, dissertação sobre a Igreja Divino Espírito Santo do Cerrado. Na sequência desta
pesquisa, poderá ser melhor explorado o viés relativo às ascendências políticas de determinadas
parcelas da Igreja Católica relacionadas à “cultura comunista ideal”, e sob esta luz verificar o efetivo
alcance dos gestos de Lina no contexto corporativo de uma construção gerida pelo Serviço Social do
Comércio (SESC), com todas as limitações que isto implica.
275 Lina teria declarado que julgava a tese de Sérgio Ferro uma bobagem e um desserviço quando
Ferraz, enquanto aluno da FAU pertencente à equipe de arquitetura na obra do SESC, mostrou-lhe o
livro O canteiro e o desenho, maravilhado. FERRAZ, Marcelo. Entrevista cedida à Renata Bechara.
São Paulo, 27 nov. 2015. (Transcrição na íntegra em anexo neste trabalho).
131
276 FERRAZ, Marcelo. Entrevista cedida à Renata Bechara. São Paulo, 27 nov. 2015. (Transcrição na
íntegra em anexo neste trabalho).
277 Com folha de bananeira da choperia e com peixes na piscina, os azulejos foram desenhados
originariamente pelo artista plástico Rubens Gerchman, mas combinados “aleatoriamente” pelos
trabalhadores na obra.
278 OLIVEIRA, Liana P. P. A capacidade de dizer não: Lina Bo Bardi e a Fábrica da Pompeia.
2010. p.148.
280 FERRAZ, Marcelo. Entrevista cedida à Renata Bechara. São Paulo, 27 nov. 2015. (Transcrição na
281 BARDI, Lina Bo. 1ª. conferência na EBA. Escritos de Lina Bo Bardi para o Magistério. Salvador, 17
abr. 1958 Apud BIERRENBACH, Ana Carolina de Souza. Como um lagarto sobre as pedras ao sol:
as arquiteturas de Lina Bo Bardi e Antoni Gaudí. Arquitextos, São Paulo, ano 4, n. 044.00, Vitruvius,
jan. 2003. Disponível em: <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/04.044/620>. Acesso
em: 01 ago.2016.
282 FERRAZ, Marcelo. Entrevista cedida à Renata Bechara. São Paulo, 27 nov. 2015. (Transcrição na
ciência) e arte, o que fez com que artistas se inspirassem, sim, nos trabalhos dos artesãos, mas dele
se distanciassem, aproximando-se então dos eruditos, das belas letras e dos filósofos para assim
ascender socialmente. Em italiano a palavra artesão vem de artegiano, e significa aquele que faz
objetos com as mãos visando o uso doméstico. A antiguidade não conheceu a palavra artesanato e
"Arte" era o termo que englobava o conceito que temos hoje por artesanato, pois se referia apenas a
qualquer atividade que implicasse em um aprendizado, observando dadas regras. Nada que
envolvesse inspiração, como por exemplo a poesia, era considerado como "Arte" antes do
Renascimento. Reflexão sobre as leituras de WARBURG, Aby. A renovação da Antiguidade pagã:
contribuições científico-culturais para a história do Renascimento europeu. Rio de Janeiro:
Contraponto, 2013; BURCKHARDT, Jacob. A cultura do Renascimento na Itália. São Paulo:
Companhia das Letras, 1991 Apud ALBUQUERQUE Jr, Durval Muniz de. “Um povo sem cabeça
soltando arte pelas mãos”. Artigo escrito por ocasião da apresentação oral do autor nos seminários "A
mão do povo brasileiro", promovidos pelo MASP em 2015. Universidade Federal do Rio Grande do
Norte. 2016,p.12.
133
perigo. [...]. Humanitário, porque [...] se você destrói, se você tira o tapete do cara
[...]. E ele nunca vai ser o artista que ele acha que ele pode ser, e que ele é” 284.
Ele acrescenta que talvez tenha acontecido isso com um pedreiro em
especial, conhecido como “Paulista” 285 , que executou as peças figurativas em
marcenaria (frutas e legumes para o painel de sinalização da choperia e insetos para
a exposição Entreatos para crianças, de 1985) sob a direção de Lina. É dele
também a execução do painel de comunicação visual do restaurante idealizado por
Lina em homenagem a Torres Garcia286.
Figura 42: Inseto em madeira executado pelo pedreiro “Paulista” para a Exposição “Entreato
para Crianças”, criada por Lina Bo Bardi e realizada no SESC Pompeia em 1985. Foto de
objeto exposto.
Fonte: Exposição “A arquitetura política de Lina Bo Bardi”, curadoria de André Vainer e Marcelo
Ferraz. SESC Pompeia. São Paulo. Out-Dez- 2014. Foto da autora.
284 Marcelo Ferraz reproduzindo na entrevista o que se lembra de ter ouvido Lina dizer a eles.
FERRAZ, Marcelo. Entrevista cedida à Renata Bechara. São Paulo, 27 nov. 2015. (Transcrição na
íntegra em anexo neste trabalho).
285 Há uma entrevista em vídeo onde "Paulista" relata sua experiência no contato com a arquiteta na
Figura 43: Objetos em madeira para sinalização da choperia do SESC: desenhos de Lina e
execução de “Paulista”.
Fontes: Acervo Instituto Lina Bo e P. M. Bardi287. FERRAZ, Marcelo e VAINER, André. Cidadela da
Liberdade - Lina Bo Bardi e o SESC Pompéia. SESC/Instituto Lina Bo e PM Bardi. São Paulo.1999.
Foto atual da autora.
capitalista ditatorial e militarizado dos anos 1970. Desconfiança similar já teria sido
observada no pensamento das vanguardas modernas e de Lúcio Costa algumas
décadas antes, à época do imenso trabalho de persuasão empreendido para suprir a
suposta falta de capacidade do homem comum de equacionar os problemas
urbanos e existenciais da vida moderna.288
Dessa forma, para a obra do SESC Pompeia Lina relaciona o despreparo
da mão de obra com a necessidade de assistência direta do arquiteto na obra, e
declara:
288 O referido trabalho persuasivo das vanguardas fora tutelado pela UNESCO, com a promoção de
filmes e brinquedos educativos para jovens e crianças, conforme comentado em GUERRA, Abílio da
Silva N. Lúcio Costa. Modernidade e Tradição. Montagem discursiva da Arquitetura Moderna
Brasileira. Tese de doutorado apresentada ao Departamento de História do Instituto de Filosofia e
Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2002, p. 22.
289 BARDI, Lina Bo. Carta de pedido de suporte técnico. São Paulo (SP), 02/1980. Acervo do
...
291 Acervo ILBPMB. Manuscrito em papel de rascunho, sem autor, sem data. Em português: Miséria é
liberdade. Miséria é criação. (tradução livre da autora).
292BARDI, Lina Bo. Carta de esclarecimento. São Paulo (SP), 16/08/1978, grifos da autora. Acervo
do ILBPMB, doc. 01.0014.05. Esta carta, selecionada na fase inicial desta pesquisa, fez parte da
exposição Lina Em Casa Percursos, de curadoria Renato Anelli e Anna Carboncini
Casa de Vidro, São Paulo SP, 12 de abril a 19 de julho de 2015.
137
293 BARDI, Lina Bo. Carta de pedido de suporte técnico. São Paulo (SP), 02/1980. Acervo do
ILBPMB. Doc. 01.0014.05.
294 BARDI, Lina Bo. Carta de pedido de suporte técnico. São Paulo (SP), 02/1980. Acervo do ILBPMB.
Doc. 01.0014.05.
295 BARDI, Lina Bo. Carta de pedido de suporte técnico. São Paulo (SP), 02/1980. Acervo do
Em português298
Todos os bichos um pouco diferentes e pintados com cores“terras”
Técnica pobre
Anti-bricolagem
Anti-faça você mesmo -------China – Japão.
296 Protótipo da escada-rampa dos vestiários da piscina. SUZUKI, M. Entrevista cedida à Renata
Bechara. São Carlos, 05 e 12 mar. 2016. (Transcrição na íntegra em anexo neste trabalho).
297 Márcia Benevento é arquiteta e cenógrafa que trabalhou no SESC de 1982 a 1987.
298 Tradução livre da autora com a colaboração de Flávia Galvão.
139
Figura 44: Técnicas pobres aplicadas ao grande boneco da Sucuri na exposição “entreatos
para crianças”, de 1985.
Fonte: GOMEZ, Silvia. Lina Bo Bardi: nove histórias sobre a arquiteta. Artigo do blog casa.com.br.
11-02-2015.299 Foto: Sandro Loria.
299Disponível em http://casa.abril.com.br/materia/lina-bo-bardi-9-historias-sobre-a-arquiteta-no-ano-
de-seu-centenario - acesso em 14-09-2015.
300
GRINOVER, M. Uma ideia de arquitetura: A escrita de Lina Bo Bardi. Dissertação (Mestrado),
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, 2010.
140
301 FERRARA, Lucrécia D´Aléssio. Design em Espaços. São Paulo: Ed. Rosari, 2002. p. 23-25.
(Coleção Textos Design).
302 Nesta investigação, similaridades na representação dos projetos de Rudofsky, Gió Ponti e Lina Bo
Bardi confirmam proximidade e “parentesco” entre eles; no rigor ético político de suas ações, na
defesa do design originado da cultura popular e nos questionamentos à erudição vazia da cultura
abstrata. ANELLI, Renato L.S. Cenografia e procedimento cenográfico no projeto. In: Interlocuções
com a arquitetura italiana na constituição da arquitetura moderna. 195 p. Tese de livre docência.
Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos, 2001. p. 77.
141
seu funcionamento, das suas maneiras de uso. É notório que em atitudes paralelas
e marginais aparentemente complementares à realização da obra, que avançam os
limites dos arranjos formais de seus espaços, se alojam preocupações em provocar
resultados transformadores, sociais e culturais. Um exemplo disto seria o fato de
Lina participar de discussões sobre detalhes do programa (do cardápio da
lanchonete ou do bar da sauna do SESC, por exemplo) 303, argumentando que ao
invés de simplesmente seguir os hábitos da clientela, o projeto do SESC estava
tendo sucesso justamente por sugerir novos tipos de comportamento.
...
Embora haja literatura recente sobre a obra de Lina Bo Bardi que aborda
uma aproximação entre esta, Bruno Zevi e os arquitetos modernistas organicistas304,
bem como reflexões bem articuladas no contexto político, social e regional a respeito
do impacto das tradições vernaculares na obra de arquitetos modernistas italianos
da primeira metade do século XX 305 — que é o caso de Lina Bo Bardi e que se
verifica em seu famoso artigo “Amazonas: o povo arquiteto” 306, onde fica explícito o
significado do vernáculo para a arquiteta italiana —, caberá apenas a outras
proposições de pesquisa, que poderão dar-se na sequência desta, o recorte
abrangente do desenvolvimento destas relações.
de A.; BERGDOLL, Barry. Lina Bo Bardi. London: Yale University Press; New Heavenand, 2013.
305 SABATINO, Michelangelo. Pride in Modesty. Modernist Architecture and the Vernacular Tradition in
publicações de Lina, c.f. STUCHI, Fabiana T. Revista Habitat: um olhar moderno sobre os anos 50
em São Paulo. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de
São Paulo, São Paulo, 2006.
CONCLUSÃO
307 Bardi, Lina Bo. Planejamento Ambiental: “desenho” no impasse. Malasartes. Rio de Janeiro,
n.2, dez-fev.1976, pp.4-7. In GRINOVER, M.; RUBINO, S. Lina por escrito. Textos escolhidos de Lina
Bo Bardi. São Paulo: Cosac Naify, 2009. p. 138.
143
308Trecho da canção de Caetano Veloso utilizada em trabalho audiovisual e artigo da autora sobre as
exposições do ano do centenário de Lina Bo Bardi, realizado para avaliação de disciplina Projetos e
Leituras do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo – IAU – USP. São Carlos,
2014. VELOSO, Caetano. A tua presença morena. In: VELOSO. Qualquer Coisa, 1975. Faixa 5.
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Renato Anelli. Casa de Vidro. 29 de maio a 31 de julho de 2016.
Acervos consultados
Instituto Lina Bo e P. M. Bardi. Rua General Almério de Moura, 200. Morumbi, São Paulo SP.
Centro de Pesquisa e Formação do SESC SP. R. Dr. Plínio Barreto, 285, 3º Andar - Bela Vista, São
Paulo SP.
150
ANEXO A - IMAGENS NO TEMPO : RUA INTERNA - PISO ANEXO A - IMAGENS NO TEMPO : RUA INTERNA - PISO
094ARQf0158v2 (jul 80 Foto: Miguel) - 094ARQf0820 - (set 80) - 094ARQf0156 - (out 80) - 094ARQf0159 - (out 80)
094ARQf0174
1940 71-75 1980
Esquema cronológico elaborado pela autora. Fonte fotos e desenhos: Instituto Bardi, exceto anotados. Códigos e créditos das fotos (quando houver): anotados abaixo dos grupos de imagens.,
Acervo de desenhos disponível em <www.institutobardi.com.br> Acesso em: 01 ago.2016.
151
ANEXO B - IMAGENS NO TEMPO : BLOCO DE SERVIÇOS DO RESTAURANTE ANEXO B - IMAGENS NO TEMPO : BLOCO DE SERVIÇOS DO RESTAURANTE
Andaimes e tapumes
O bloco visto da rua, no antigo SESC. protegendo o passeio publico Grande demolição e nova estrutura em concreto 094ARQf973* e094ARQf209
094ARQf0045 094ARQf0083 *possível erro de atribuição de local – bloco esportivo.
Escavações para a execução da câmara frigorífica e novo telhado . 094ARQf0205, 094ARQf0203, 94ARQf0481, 094ARQf0489, 094ARQf0495,094ARQf0206
ANEXO C - IMAGENS NO TEMPO : GALPÃO DE ATIVIDADES GERAIS ANEXO C - IMAGENS NO TEMPO : GALPÃO DE ATIVIDADES GERAIS
Retirada completa do piso antigo, execução do espelho d´água. 094ARQf0253, 094ARQf0269, 094ARQf0319
1940 1970 79/80
Esquema cronológico elaborado pela autora. Fonte fotos e desenhos: Instituto Bardi, exceto anotados. Códigos e créditos das fotos (quando houver): anotados abaixo dos grupos de imagens.,
Acervo de desenhos disponível em <www.institutobardi.com.br> Acesso em: 01 ago.2016.
153
Contrapiso de concreto com juntas de dilatação e paredes de bloco de concreto sobre contrapiso. 094ARQf0648, 094ARQf0670, 094ARQf0673 (dez1980), 094ARQf0647 (sem data)
Renata: O Chichierchio também foi meu professor, ele nos levou ao SESC
Pompeia quando éramos seus alunos. A pesquisa nos documentos do Instituto dá a
entender que ele foi uma das primeiras pessoas que Lina chamou para consultorias
em 1977310, quando vocês começaram a trabalhar no SESC. Foi isso?
309 A redação final da transcrição desta entrevista foi aprovada pelo entrevistado após edições de
forma e conteúdo.
310 A Lina argumenta em um documento relativo aos desentendimentos com a Esfera (ao qual eu tive
acesso no ILBPMB),que ela sugeriu o nome do Chichierchio ao SESC em 1977, pois ele era um
profissional muito sério, e que ela não abriria mão dos estudos feitos inicialmente por ele.
155
academia, pode ter sido ele que tenha indicado, não tenho certeza. Quando ela
precisava de alguma coisa ligava para o Guedes, assim quando ela precisou de um
estagiário, ligou pro Guedes e foi aí que eu fui trabalhar com ela, ele que indicou.
Bem, e aí que o Chichierchio na FAU era "o homem" do conforto térmico. Era a
autoridade, querido por todos, trabalhava com todos os arquitetos. E fizeram essa
proposta pro SESC, o SESC contratou, e ele fez um projeto que era uma loucura.
Ele botava duto de ar condicionado em todo aquele galpão, para troca de ar. Na
minha opinião isso era um contra-senso. Num lugar aberto, completamente
escancarado, com portas, ventilação cruzada e telha vã, colocar dutos não fazia
sentido. E a Lina ficou muito brava com esta proposta e recusou o projeto.
Mas durou pouco essa história desse projeto, o Chichierchio teve pouquíssimas
reuniões com a gente lá, umas duas três.
Marcelo: Ficou sem nada (sem os dutos).Não teve. Acabou. Até hoje vive aquela
coisa, 32 anos sobrevivendo, um calorzinho em cima da laje.
Marcelo: De leitura, sim...e... pronto! Ali tinha muita coisa que o SESC queria
fazer que a Lina achava um absurdo. Comunicação visual. O SESC queria contratar
um escritório de comunicação visual prá fazer, e as placas de sinalete, que era não
sei o que e tal. Ela falava "Não, tá tudo aí ! O cara passa, vê que é um restaurante,
vê que ali é um banheiro. Põe o mínimo necessário". E a gente fez lá dentro mesmo.
A comunicação visual do SESC foi toda feita lá. Eu e André desenhamos. Uma
besteirinha. Fazíamos amostras de placas.
Marcelo: Acústica do teatro. É ótimo este caso. Igor Srenevsky. Ela pediu o Igor,
que era amigo dela, tinha feito o MASP brilhantemente e realmente o auditório do
MASP é uma coisa fantástica, né ? Ela desenhou aquelas, quer dizer... Ela não
revestiu nada, deixou concreto, só quebrou o paralelismo do som. E (no SESC)
chamam o Igor. O Igor chegou maravilhado: "Não, vamos fazer isso aqui e isso ali..."
Deu tiros, mediu reverberação. A Lina gostava dele. Ele fez um projeto (fala
enquanto desenha um corte do galpão do teatro...) O Galpão do teatro é uma coisa
assim. E ele fez uma cúpula. Fez uma cúpula, metálica, em cima do teatro. Para
fazer um novo telhado, para isolar de ruído externo, de avião...
156
Renata: Isto porque tinha uma premissa de que não se podia alterar a estrutura
do telhado antigo ? Por isso ele fez a cúpula por cima ?
Marcelo: Não, não tinha premissa porque não era tombado, podia mexer em
tudo.
Renata: Esta não era uma solicitação do SESC ? Nem da Lina ? Nem de
ninguém ?
Marcelo: Nada, nada. A Lina queria que fizesse um isolamento acústico e a parte
toda interna de absorção. Ele pensou na cúpula e a Lina não aprovou. Ele também
revestiu o teatro inteiro de carpete. O piso, no projeto dele, era todo carpete.
Revestiu as paredes com material absorvente. A Lina não gostou e "subiu a serra"
com ele. "Subiu a serra". E ela era amiga dele, tinha intimidade, e ficou furiosa. E
então ele recalculava...e dizia: "Podem tirar a cúpula". Calculava outra vez e dizia:
"Podem tirar o carpete". "Podem tirar..." Nós tiramos mais de 50% do projeto inicial
dele. A gente dizia que não faria, e ele recalculava.
Marcelo: Sim, nós fomos tirando...tirando...tirando como até hoje acontece aqui
no escritório. Os projetos de acústica começam e a gente tira 50%...porque assim
ele já nos atende.Hoje toca uma banda lá fora e você não houve ninguém tocando lá
dentro. A choperia bomba lá com rock e não sei que e não chega nada no
teatro.Não se ouve avião dentro do teatro. A gente fez uma bela camada de
revestimento por dentro, revestiu tudo, fez absorção, fez reflexão onde era
preciso.No fundo do teatro a gente colocou tijolo com lã de vidro, atrás aquele tijolo
furado.
Renata: No entanto, desde o início houve uma conversa mais interessante com a
área das estruturas, não foi isso ? A composição do núcleo de vocês, o escritório na
obra, era você, o André, a Lina...e tinha um desenhista da Figueiredo Ferraz...
Marcelo: Sim, era o Chico. Ficava lá quase que a semana inteira. Quer dizer, ele
ficava no (escritório do) Ferraz e lá. Chico.
Marcelo: Já tinha trabalhado com a Lina. Ele era o querido da Lina, era um
senhor já. O Chicão. Ele trabalhou no MASP.Em várias fotos de obra, da obra de
dentro do MASP, ele está lá. Ele morreu há uns 10 anos. Como a Lina gostava dele,
ele foi prá lá (para a obra do SESC). Ela dava muita bronca nele porque...Ele
desenhava super bem, daqueles projetistas de desenhar a lápis...antigo...de
158
estruturas. E ele fazia essa "ponte". Como a primeira parte da obra foi toda a parte
da fábrica, de tijolo, a parte antiga, muitas vezes tinha que ter um reforço aqui, um
reforço ali...então ele ficava junto com a gente porque a gente ... dizia o que podia e
o que não podia, sabe ?...Teve um monte de "olha, precisa demolir aqui...e aquele
pedaço...".Tinha umas coberturas que a gente demoliu, aliás coisas lindas, que a
gente demoliu. Com dó. A Lina: "Não, vamos demolir !" Sabe ali na entrada onde
tem hoje uma lanchonete, com mesinhas de concreto? Ali tinha uma cobertura linda.
Tinha duas vigas em balanço, tipo asa de avião, onde o caminhão parava. E hoje
essa laje faz falta, depois que a gente fez essa lanchonete fora, eu e o André, (não
tinha no projeto original), vimos que essa laje seria ótima ali.
Marcelo: Um monte de...toldos. Mas então, para cortar essa cobertura então, o
Chico que ía ver se podia cortar, como cortar, ele era o homem da estrutura na obra,
mas sempre se reportando aos engenheiros que faziam os cálculos no escritório. Ele
mandava prá o escritório sede da Figueiredo Ferraz calcular e na obra ele mesmo
desenhava. Ele ficava alguns dias por semana lá.
Marcelo: A Lina que pediu para o Ferraz. Porque ele media a hora. A
remuneração era por hora técnica. O escritório do Ferraz tinha o controle de quantos
engenheiros estavam se dedicando ao projeto, quantos calculistas, etc.
Marcelo: Não.
Marcelo: A Lina teve um primeiro contrato, com o SESC. O SESC já tinha pago
um projeto executivo para o Julio Neves.
Renata: Mas o contrato dela com o SESC também foi por hora, não? Não por
medição, mas um valor calculado a partir de uma estimativa de horas de trabalho
"na obra" ?
Marcelo: Ela teve vários contratos com o SESC. O Primeiro era um pacote, era
um preço fechado. Aí venceu, e aumentou o trabalho, e ela reclamava, e teve mais
um outro contrato por hora, teve vários. Ela sempre estava em desvantagem.
Marcelo: E sempre argumentando mais. Agora o SESC, por um lado, tolerou ela
muito tempo porque ninguém aguentaria pagar uma pessoa nove anos prá fazer um
projeto que não acaba. E também a obra não andava, ficou 3 anos parada lá no
prédio novo. Mas era um jeito de trabalhar muito louco.
Renata: Conforme a necessidade. E a presença dele foi mais no início, depois foi
ficando menos frequente ?
Marcelo: Foi, foi mais no começo. Depois que inaugurou a primeira parte acabou,
não teve mais. Na segunda parte, a gente tinha um escritório lá embaixo, um
barraco de obra. A gente teve três escritórios. O primeiro foi onde é o galpão hoje,
sabe ? (Começa a fazer um croqui em planta ).
Tem a rua central, tem aqui as casinhas, aqui tem o restaurante, aqui aquela
lanchonete, você entra por aqui...O primeiro escritório foi aqui (apontando o local no
desenho). Nesse galpão, no fim. Aqui está o deck. Aqui está o teatro, e aqui está
160
aquele galpão grandão de atividades gerais, o laguinho e tal. Então foi aqui. O
primeiro. Cheguei lá, a Lina já estava lá havia quinze dias. Eu cheguei eles estavam
tirando o carpete. Porque, os caras quiseram fazer um escritório e botaram uma
secretária prá ela, e carpete! Ela dispensou a secretária e o carpete. Eu cheguei dia
29 de agosto, dia do meu aniversário. E ela tinha entrado em julho. E aí, daqui,
quando começaram a fazer obra aqui...este galpão era assim, a gente demoliu isso
aqui dele, prá caber neste lugar o prédio das quadras. E quando esta parte ía ser
demolida a gente teve que sair e montou o escritório neste outro cantinho do Galpão
de atividades, onde tem as exposições. Era só um cercadinho, como um curral. E
depois, para a obra do prédio das quadras, a gente veio para um escritório aqui
assim, que eram dois pavimentos, de madeira, super legal, tipo um...a gente
chamava de "catetinho".
Marcelo: Foi. Era o nosso catetinho, tinha varanda e tal. Tem foto...bem legal.
Esses foram os três escritórios. E o Chico trabalhou no primeiro, lá foi onde ele mais
trabalhou. E a parte da fábrica foi inaugurada em 82, então foram os primeiros anos
neste aqui. Quando a gente foi para o segundo, ainda tinha um pouco a presença do
Chico...mas aqui, no terceiro, já não tinha nada, eles só vinham para reunião, os
engenheiros, o Chico, todos. Porque aqui a gente estava fazendo toda esta parte
esportiva, já funcionava o SESC, toda a parte cultural, exposições.
Renata: As exposições ?
Marcelo: Isso.
Marcelo: É. É legal essa coisa. Os funcionários que vieram trabalhar (no SESC
em atividade), todos vieram do período da obra. O carinha que servia café prá gente
virou patrulheiro, os marceneiros viraram montadores de exposição, todo o elenco
foi tirado da obra. Isto foi muito legal.
Renata: A Lina cobra isso do SESC em determinada ocasião, reclama que não
estava mais acontecendo desta forma, diz que o ideal era que as pessoas da obra
fossem aproveitadas na unidade.
Marcelo: Hoje em dia seria impossível fazer essa obra do SESC Pompeia,
porque tem burocracia...pacote de desenho. Eles precisavam licitar certas coisas.
Ela falava: "O que me interessa pacote de desenho ?" Mas isso só foi possível
também porque o SESC tinha operários próprios. O Serviço de engenharia, quando
161
a gente começou aqui, tinha 200 operários, sei lá, chegamos a ter 350 operários
dentro da obra, do SESC, contratados diretos do SESC. Então o SESC tinha um
corpo de mão de obra. Era impressionante, tinha serviço médico, tinha cantina, tinha
um monte de...era uma obra ...tudo do SESC.
Marcelo: A construtora era o SESC. Isto funcionou assim, então tinha esta
tolerância com a Lina sobre...detalha o projeto ? não detalha ? refaz ? desfaz?
Depois, nessa obra (aponta para os blocos esportivos) começou a ficar mais
complicado porque aí era uma construtora mesmo, era a Método, por exemplo.
Primeiro foi uma outra, depois entrou a Método, e fazia o projeto e mandava. Ela
queria mexer, o pessoal da método dizia: Não, mas o projeto está mudando, não se
que e tal. A gente chegou aqui a ter três engenheiros com a gente, neste escritório.
Um do SESC, dois da Método. Direto, trabalhando juntos. Eles eram do nosso
escritório, junto com a engenharia.
Renata: E tinha uma cobrança sobre vocês, por detalhamentos e prazos, na hora
de fazer os orçamentos? Quando o SESC sinalizava a necessidade de um
orçamento rapidamente era comum o fornecedor usar o argumento de que não
havia projeto de arquitetura detalhado ainda ?
Marcelo: É eles sempre reclamavam, do projeto que não tinha... mas na verdade
estava todo mundo detalhando junto, desenvolvendo as coisas
Tava todo mundo junto.
Renata: Você falou sobre estes casos que comentamos agora no evento no
Uruguai ?
Marcelo: Não, não. Falei da missa, da caixa dágua que é interessante. O caso do
deck, foi incrível porque acho que a gente ficou uns dois anos esperando, ou mais,
esperando solução para aquilo.Teve uma hora que o próprio pessoal do Ferraz fez
um estudo, louco, gigantesco, caríssimo, prá solucionar, e aí tinha outra, outra, outra
(sugestão de solução). Chegou uma hora que a gente falou: "Vamos cavar um
buraco aí", porque como ali enchia de água... Esta foi uma sugestão da Lina.
162
Renata: Ele era da Ferraz, sim, consta que ele teria sugerido fazer dois taludes...
Marcelo: É, um piscinão, na verdade. Pode ter sido...eu lembro dele mas não
lembro exatamente como foi a história, eu sei que a Lina que desenhou, fez o
primeiro croqui...pelo menos você vai encontrar os desenhos dela. Talvez isso tenha
sido junto com ele, essa decisão, pode ter sido sim...Eu não me lembro, mas o
Romano era um que ... Bem, (desenhando) o Canal tá aqui embaixo. O rio, o rio
passa aqui. E ele enchia. A gente pegou várias enchentes lá, trabalhando.
Marcelo: Não, isso aqui já era tudo aterrado. Era tudo cheio de terra. Não tinha a
vala. Lá tem um rio canalizado, quadrado assim. O Córrego das Águas Pretas.
Passa aí.
Marcelo: Já. Só que o terreno vai subindo em direção à rua Clélia. E com as
sondagens, a gente viu que você cavava meio metro e já encontrava água.Aí a
gente falou: "bom, o que a gente vai fazer ? Vamos botar este prédio mais alto". Aí
nós subimos a piscina um metro do nível externo, do que está lá hoje. O nível
externo é o deck e a piscina está a um metro acima. Com isso, a gente ganhava um
pouquinho de altura e a gente viu que a inundação aqui não passava de um metro.
163
Mas inundava. E só que, a gente salvou a piscina, mas não salvou aquele galpão de
baixo, não salvou os ateliers, ali entrava água...a gente pegou enchente lá durante o
nosso trabalho. Enchia tudo, entrava água.
Renata: E aí não tinha solução, durante uns dois anos ficou assim.
Marcelo: Aí foram dois ou três estudos, acho que o Ferraz fez um, não sei quem
fez outro...eu me lembro do...acho que até o Mário Franco andou por lá viu,
estudando isso. 311 Eu tenho impressão. Mas alguém de fora, que não era do
Ferraz...E aí foi que pintou esta ideia. Pode ter sido o engenheiro...como é mesmo o
nome dele ?
Marcelo: Romano, sim. Pode ter sido o Romano, com a Lina. Aí fizemos essa
vala. Ela ficou aberta durante dois anos e durante dois anos a gente viu ela cheinha
d´água, sem vazar nada de água. Era só uma vala. Um barranco.
Marcelo: Não transbordava, ficava toda a água ali. E parou de encher aqui e
aqui. Está dada a solução.
Marcelo: Não...antes.
311Mário Franco é Engenheiro calculista, formado em 1951 pela Politécnica da USP São Paulo, em
1959 fez um curso ministrado pelo prof. J C Figueiredo Ferraz. Informações obtidas no site do
escritório JKMF, do qual é sócio há mais de 50 anos. Disponível em http://www.jkmf.com.br/ - acesso
08/12/2015.
164
Marcelo: A vala enche total. Só que o volume de água que ela retém é suficiente
para não passar o deck. Então nunca mais transbordou. Impressionante. Essa área,
quando a gente começou a projetar, nos primeiros dias com a Lina lá, no primeiros
mês, isso aqui (apontando para o local dos prédios esportivos no desenho) era um
prédio assim, ó. A gente não sabia que era área non aedificandi. Nem a Lina sabia.
O primeiro estudo, não tem duas torres. Tem um prédio todo aberto, fechado só com
tela, que eram as quadras, vestiários e tudo mais. Aí que se falou: Não, nisso aqui
tem 15 metros que não pode construir e tal...e foi aí que começou a trazer um prédio
prá cá e um prédio prá lá.
Renata: Há uma argumentação de Lina dirigida ao SESC na qual ela diz que a
única pessoa que conhece o verdadeiro espírito da obra é o arquiteto autor. Ela
sempre puxa as decisões da obra para si própria, e prá vocês arquitetos. É sempre
ela que sabe onde o sapato aperta, mas a partir da visão do que está de fato
ocorrendo na obra, desses probleminhas todos. Isto é determinante, não é ?
Marcelo: Não.
Marcelo: Cheio.
Renata: Tem uma fala sua também, sobre quando vocês chegaram na fábrica
(onde hoje é o SESC Pompeia), em que você diz “então começaram uma operação
a la Matta-Clark".
Marcelo: É.
165
Marcelo: Não.
Marcelo: Sim. Eram conversadas. Por exemplo quando era prá escolher o azul e
o rosa, (ela dizia) "Vamos procurar o Ives Klein"...
Renata: Isso.
Marcelo: Na verdade, o Barragan de repente foi uma super descoberta, prá ela
também, porque ela sabia do Barragan, mas não existia nenhuma publicação de
obras do Barragan. E o André Vainer ganhou um primeiro catálogo, a primeira
publicação sobre o Barragan, que foi do MoMa, um catálogo de uma exposição feita
pelo Emilio Ambas 312 , ele publicou um livro. A Lina ficou apaixonada, tomou do
André e não devolvia prá ele, ele ficava furioso e ela: "não, vou te devolver, vou te
devolver". A Shelter, eu apareci lá com a revista Shelter, ela pirou e também tomou e
começou a desenhar...Daí compramos prá ela uma revista Shelter...
Marcelo: (Lina dizia) "Não, vamos fazer igual fulano fez lá não sei onde, vamos
fazer igual aquele...Por exemplo o deck, quando resolveu-se que isso era a solução,
era não queria fazer laje. Dizia Não, fazer laje é um absurdo, canalizar rio, isso é o
Maluf que faz...aquela história. E a í, ela apareceu com uma revista que eu encontrei
no instituto outro dia, não sei se é a revista ou uma foto, tá lá, eu até fotografei, falei:
Nossa ! A coisa que eu mais queria mostar !! E mostrei na exposição nossa do
SESC Pompeia, dos 100 anos. Tá lá numa vitrine, um xerox, que é o deck de
Atlantic City.313 Que ela : "Isso é o que nós vamos fazer lá" e chegou e essa revista
ela abria e estava lá aquele monte de madeirinha em Atlantic City, colorida, e
tal...Era a referência prá fazer este deck. Era uma referência que ela trouxe de uma
revista: "Não, vamos fazer a la Atlantic City, vamos fazer não sei o que..."
312 Em 1976, o museu de arte moderna de nova Yourk, MOMA, realiza a primeira exposição sobre
sua obra e publica um livro-catálogo, de Emilio Ambas, que acaba por lançar Barragan à fama
internacional, conforme dados de uma biografia cronológica publicada no site do Instituto
Tecnológico e de Estudos Superiores de Monterrey, México. disponível em
http://sitios.itesm.mx/cluisbarragan/crono.htm - acesso em 07/12/2015
313 Fotos dos anos 1970, do calçadão cujo piso é um deck de madeira, na Orla de Atlantic City ,
Marcelo: Mas a Lina qualquer pessoa que tentasse associar alguma coisa dela
com alguém ela ficava brava e dizia que não tinha nada a ver. E era da boca prá fora
porque eu acho que isto faz parte de um modo, de um comportamento dessa
geração (da Lina), desses modernos.
Marcelo: Não, o Scarpa ela não gostava porque ela tinha uma certa bronca, por
mais que...A gente era apaixonado pelo Scarpa, eu e o André, a gente ficava
comprando as coisas, levava prá ela e ela falava: "Pára ! Pára de ver isso, pára de
ver isso, isso é muita frescura arquitetônica, é coisa de firula, é coisa de ficar em
si"...E tem um lado mesmo do Scarpa que é esse negócio.
Renata: Mas com relação ao Carlo Scarpa e ao patrimônio histórico, essa recusa
dela em relação a ele tem a ver ?
Marcelo: Essa recusa dela em relação a ele ? Não, eu acho que não em relação
ao patrimônio, mas em relação à postura das soluções arquitetônicas mesmo. Ela
achava que era um elogio do detalhe ao extremo, quer dizer, o detalhe pelo detalhe,
sabe ?
Renata: Eu digo isto porque quando ela faz o Solar do Unhão, nem organizada
estava a carta de Veneza, certo ?
Renata: E na obra da Lina, tem lugares que você não sabe se é uma intervenção
nova dela e tal ou se é da edificação antiga, não é ?
167
Marcelo: Muitos. No Unhão tem coisa que ela fez do zero parecendo antigo. Eu
acho isso aí, olha eu, cada vez mais estou concluindo que é o que a gente faz aqui
(na Brasil Arquitetura). Eu descobri dois grandes apoios. Bom, a Lina já tinha um
modo de fazer as coisas um pouco assim. Porque as posturas sempre congelam e
no projeto é impossível você adotar uma postura que sirva prá todos os casos. As
vezes na mesma obra. Você tem que ter uma postura com relação a um assunto,
outra com relação a outro. Isso eu vejo na prática, não é que eu acho em teoria isso.
E eu descobri dois grandes apoios: A Lina e o Lúcio Costa. O Lúcio Costa nas
Missões ele dá um baile. Ele brinca com todo mundo sobre posturas em patrimônio
histórico. O Museu dele, aquele museuzinho dele, ele pega as colunas, restaura as
colunas. Você olha de longe e fala: "aquilo é coluna antiga". Claro, o desenho da
coluna tem capitel, fuste, toda de pedra...A história, história que nem tem isso
comprovado, é que tinha uma coluna lá, caída lá inteira. E ele falou : "Ah, vou fazer
o projeto usando essa coluna". Como lá tinha uns pedreiros que cortavam pedra e
tal, e a pedreira estava lá, e o pessoal sabia fazer...ele falou: "não, vamos fazer as
colunas iguais a essa". E repetiu várias colunas iguais aquela e fez aquela varanda
do museu. E, por fim da história, ninguém sabe se isso é verdade ou mentira porque
parece que nem uma coluna tinha. Era só imagem. E se você vai lá, ninguém sabe
te dizer, nem o Comas, nem ninguém, qual é a coluna antiga, se é verdade isso.
Então, ele fez uma coluna, de desenho antigo, que ele pode ter tirado de alguma
imagem, de pedaços de colunas, num projeto absolutamente moderno, que é
contemporâneo, é 1938 mas é moderníssimo, uma planta que poderia ser do Mies
Van Der Rohe. E aí ? O que é que vale ? Onde está essa história ? E no museu o
acesso é super legal, de longe você acha que é antigo, tanto quanto as ruínas, de
perto você vê uma coisa racional, extremamente racionalista. Então, em arquitetura,
eu questiono isso. Não tem a ver com o seu assunto, mas, no museu do pão, a
gente tinha o moinho e um depósito de sacos sem janelas. No moinho várias
janelinhas. Venezianas, com vidraças, e tal. Tava ruindo. E agente resolveu que no
depósito de sacarias a gente ía fazer a bodega, o bar. Mas a bodega não pode ser
um lugar preto, sem luz, sem nada. Precisava botar janela ali. Aí: "Nossa, mas
vamos fazer umas janelas aqui imitando a antiga ? Faz a antiga ? Faz nova ?" Aí
tem aquela primeira ideia: "Não, bota uma coisa bem diferente, um vidro puro,
blindex, aqui..." e fica aquele negócio horroroso, que grita, igual porta de banco em
casa velha. O pessoal acha que tem que botar um blindex prá dizer: "aqui é
novo"...E olha, a gente apanhou disso aqui...e chegou uma hora que eu me dei
conta. Eu fui ver a obra e todas as janelas do moinho estavam sendo refeitas,
porque estavam todas podres. Um marceneirinho da cidade estava fazendo todas.
Marcelo: Porque não fazer mais umas ? Fizeram mais cinco, botamos cinco aqui
e ficou perfeito. Teve um professor italiano que chegou lá e ficou indignado,
escreveu uma carta prá mim, eu tenho a carta, que é incrível, dizendo que eu tava
aviltando o patrimônio histórico e não sei o que, que eu fiquei com o apelido lá de
"estingua finestre" lá em Pelotas onde ele deu aula...
Marcelo: No SESC é cheio disso, cheio disso, cheio. Aquele tijolo de galinheiro,
tava lá ou não tava ?
Marcelo: Na sala que tem um laguinho, naquele espaço. Sabe, ele (o tijolo de
galinheiro) estava. Só que ele estava só no teatro. As duas laterais do teatro eram
de tijolo de galinheiro. Tem fotos da obra e tal. E ficou esse negócio de ventilar...e a
Lina ...e a gente... "Tá ! Vamos pegar isso aqui e fazer ali". Fizemos lá. Tem, ixe,
tem muitos casos. De falsos... Porque é o seguinte, prá Lina, e eu acho que ela tem
toda a razão, o que importa...(eu sei que prá vocês tem que estudar essas coisas,
tem que procurar lá e tal), mas prá Lina o que importa é o funcionamento final, é o
uso, se vai funcionar bem no uso que se pretende.Isso guia. Acima de tudo é a guia
do projeto.E eu acho que , nos projetos que a gente faz, tem que ser isso.Tem que
funcionar, tem que ser bom.Então se é antigo, mas não funciona, tchau. Se é antigo
e funciona, ótimo. E tem momentos, isso eu falo já num dos artigos do livro, do
Conversável, que eu acho isso mesmo, você tem que escolher o momento que
você...o tom que você entra nas obras. Em cada assunto você tem um ponto, tem
um ponto em que você (como arquiteto) desaparece, tem um ponto em que você
aparece muito. O SESC tem todos esses pontos. Aquela canaleta de água pluvial
podia ser dali da fábrica, mas não é. Mas podia ter ali, umas pontezinhas. E é
chinês? É o que ? Uma referência de ...a gente olhou em revistas chinesas pra
fazer as pontezinhas e tal, elas eram de pedra.
Marcelo: Mas pouco. Olhava, mas ela não deixava que olhasse muito porque
senão ela tinha medo que ficasse muito influenciado.
Renata: Mas tem uma orientação dela prá Marcia Benevento fazer a sucuri.
Marcelo: Sei.
Renata: Que ela queria que fosse de um determinado jeito, ela escreve um
bilhete e ela usa uma setinha assim - china / japão. Tem algumas outras coisas que
você se lembra em relação a isso ?
Marcelo: Olha, lá no SESC essas coisas...a gente mudou porta de lugar, fez o
diabo lá assim, se estivesse tombado pelo patrimônio histórico como está hoje não
ía poder fazer nada.
Renata: Sim, mas eu estou dizendo com relação a ela se remeter a...
Renata: Ela usa também, este termo, prá justificar uma conduta. Sempre
justificando pro SESC como o trabalho dela estava sendo feito de uma forma
consistente e porque que não era apenas e simplesmente fazer uma coisa rústica e
pobre. Não ! Tem um critério !
Marcelo: Claro, claro. Mas você precisa o tempo todo se calçar de argumentos
quando faz um projeto, né ?
Renata: Exatamente.
Renata: E com relação à simplicidade, né ? Essa coisa que você disse, não
importa da onde vem e se ela fez ou não, o que importa é se funciona, se está
adequado para aquele lugar.
Marcelo: Tem um caso que eu conto que veio um arquiteto, até depois posso
tentar descobrir o nome dele, não sei se eu coloquei no livro para o Uruguai o nome
dele, não me lembrava..Mas é um cara que veio visitar o SESC, tinha acabado de
inaugurar a parte aqui da Fábrica, ele tinha trabalhado na recuperação de Varsóvia
depois da guerra, fez grande parte da reconstrução de Varsóvia, estava velhinho já,
e rodou com a gente a obra toda e no final ele falou: Puxa vida parece que vocês
não fizeram nada aqui.E eu fiquei ofendido, e falei prá Lina: pô esse cara...e a Lina:
Não! Porque você é bobo! Porque isso é bom ! Isso é um elogio! A gente tinha tirado
todo o paralelepípedo e refeito, com outra declividade. É o mesmo paralelepípedo,
mas...com outra declividade e com terra e grama, com terrinha. Antes era cimento. A
gente quebrou o piso todo e fez o piso de pedra Goiás.Fez canaleta disso, fez não
sei que...desmontou os prédios e remontou.
Renata: Fizeram tudo isso para que alguém venha ver e diga que parece que
não fizeram nada. Isto me remete a uma declaração que a Lina faz naquele
documentário do Walter Lima Jr, que o arquiteto deve ser humilde suficientemente
para não aparecer a mão do arquiteto na obra e tal...
Marcelo: Isso é o máximo. Mas nas quadras aparece a mão da Lina total. Eu
acho que é isso que eu estou dizendo, que se entra em cada momento diferente,
tem momento que é mais contundente, tem momento que você é quase que um
contra-regra de teatro, você desaparece.
170
Renata: E com relação à participação das pessoas, dos operários por exemplo ?
Tem relatos sobre aqueles dois eventos da obra em que vocês deixam a paginação
dos azulejos do Rubens Gershman por conta dos azulejistas...
Marcelo: Claro, tem que ter direção, tem que ter alguém dirigindo. E se voc~e
solta, vira uma coisa folclórica meio boba e ele repete aquilo achando que está
fazendo arte. E aí fica se recusando a voltar a assentar tijolo. Então, eu me lembro
171
Marcelo: Estava.
Renata: E em que momento você acha que surgiu esse espírito da obra ?
Quando o espírito do SESC Pompeia foi concebido ? Lá no começo ?
Marcelo: O tempo todo, todos os dias. Ela ía buscar uma ideia de um negocio
que ela tinha feito no Unhão, um programa que ela tinha feito pro unhão, que não
deu certo...e falava: Vamos fazer aqui! Vamos trazer o Brizola prá falar de
churrasco, sempre assim, trazer uma pessoa prá falar de uma coisa que não é
metier principal dela...mas o Brizola era gaúcho, ele podia falar de churrasco em vez
de falar de política. Vamos trazer o outro...então essas coisas são coisas que ela
tinha pensado pro Unhão e com isso...então, vamos fazer uma churrasqueira, onde
vai ser ? As coisas aconteciam. Era um trabalho contínuo.
Renata: Bem, o Unhão foi super importante para o SESC ter acontecido.
Marcelo: Tinha um engenheiro que calculou, que a gente discutiu com ele muito,
e o mestre de obras, que levantou a igreja direitinho, fez muita coisa legal mas
também fez muita besteira, fez um ponto do telhado mais baixo, mas...
Renata: Mas ela não estava presente lá como estava aqui no SESC.
Marcelo: Não! Mas de jeito nenhum ! O dia que eu levei esse livrinho lá, eu tava
fascinado ! Eu estava na FAU ! Levamos o livrinho lá e ela (Lina) falou: Isso é
bobagem, isso...o Sérgio foi meu assistente, trabalhou comigo, não sei que...Aí o
Sérgio foi visitar a obra um dia. O Flávio Império levou o Sérgio Ferro, e a gente os
recebeu lá...Flávio ía muito lá. O Flávio levou o Sérgio Ferro um dia na obra do
SESC e...O Sérgio Ferro, muito acanhado, muito humilde , acho que ele foi meio
que se reconciliar com a Lina porque teve uma história que ele foi preso e ele
acabou falando e entregando a Lina...
Marcelo: É. Mas ela dizia: Olha, (sobre O Canteiro e o Desenho), besteira. Ela
achava que aquilo era a maior bobagem. Que ele (Sérgio Ferro) estava prestando
um desserviço.
Marcelo: Não ! Ele só elogiou no dia que foi visitar. Foi uma visita de amigos,
também. Nunca vi ele falando nada do SESC. Mas a Lina dizia que aquilo (de
importante) que ele estava falando (Sérgio Ferro, em seu livro) ela já tinha feito no
Unhão, já tinha feito no MASP. E tinha feito com projeto, com engenheiros, com
arquitetos e não como ele dizia, que era só o canteiro que interessava e que
arquitetura não era obra de arte e todas aquelas coisas. Ela discordava bastante.
Marcelo: Primeiro que ali tinha uma ideia de diferenciar, não fazer a parede de
tijolo para não parecer que era antigo, diferenciar dentro daquilo ali um outro
material. Na intervenção em geral, foi sempre usado o concreto como o novo, no
SESC, mesmo tendo concreto nas estruturas antigas. Então vamos fazer de bloco
de concreto, uma coisa leve, um labirinto, porque ali a gente tinha acabado de ver,
ela tinha acabado de receber o pavilhão do Aldo Van Eick, de esculturas, lá em...um
nome daqueles holandeses que eu não sei. (Sonsbeek park em Arnhem).Tem uma
173
planta onde existem várias paredes e ele põe uma cobertura geral independente
dessas paredes e você entra nesses pavilhões e anda entre paredes de bloco de
concreto. Igual ao SESC. Só que o dele não tem aquela massa babada, e a massa
babada dela, ela dizia que por dentro as pessoas poderiam pendurar nas paredes
tudo que quiserem, por fora a gente não quer que pendure nada. Senão vai virar
uma parede de escola secundária, cheia daquelas besteiradas. Se quiserem expor,
poderão expor nos corredores, como é feito hoje de fato.
Marcelo: É. O babado era para dar uma dificultada prás pessoas. Mas a
homenagem ao Aldo é uma referência a este projeto dele, que é lindo mesmo.
Chichierchio: Engraçado, tem coisas que parece que grudam na gente. Essa
imagem estava aí do teu lado, eu bati o olho nesse objeto e...Esse objeto faz parte
da minha vida desde quando eu tinha oito anos de idade. Isso se chama giramundo.
Que coisa. Eu morava na Mooca e perto tinha uma favela. Eu morava de um lado do
rio Tamanduateí e a favela era do outro lado. Depois acabaram com a favela e
fizeram um conjunto de apartamentos do IAPI. E nessa favela morava uma senhora
que ía uma vez por semana em casa lavar roupas, uma ou duas vezes, fazer faxina
e lavar roupas. E ela morava num barraco de madeira e ela fazia esses objetos,
assim, deste tamanho (mostrando com as mãos). Então no barraco dela tinha um
monte disso aqui...e Uma vez minha mãe foi lá prá tratar, para ela vir tal dia em casa
e eu fui com ela. Quando eu olhei, eu fiquei alucinado...e aí ela deu um de presente
prá mim. No dia que ela foi lá em casa, ela viu que eu gostei, ela levou e eu fiquei
com este objeto anos e anos. Bom, daí acabou a favela e a gente uns anos depois
se mudou de lá e passaram-se 40 anos, quase 50 anos. Um belo dia, eu dava aula
na Anhembi e tinha um professor que dá aula ainda lá que fazia umas palestras
sobre geometria, corpos geométricos, uns poliedros, as decomposições dos
poliedros e ele tinha umas caixonas grandes assim, que ele carregava o material e
um dia, ele ía dar essa aula e ele falou: Você me ajuda ? Eu fui lá para carregar o
caixotão e abriu o caixote. Quando abriu o caixote tinha vários desse objeto. 50 anos
depois, mais, 60 anos depois...Eu falei: Roberto ! Onde você arranjou isso ? Ele
disse: Você conhece ? E eu disse: Eu tive um desses feito pela Dona Conceição...E
ele falou: Como ? Você conheceu a Dona Conceição ? E eu respondi: Sim eu ganhei
um da Dona Conceição, ela fazia faxina em casa... Aí ele falou: A Dona Conceição
foi adotada pelo Flavio Império...Enquanto o Flavio Império foi vivo ela foi
empregada dele e tal e ela que construía isso aqui. Eu falei : Exatamente, eu tive um
!! Aí ele me deu outro. Só que este aqui é gigantesco, né ? Ela recortava os
losangos de papelão e depois revestia de tecido.
Renata: Sim, este desta imagem é da exposição Flávio Império. Mas na verdade
eu deixei esta imagem aberta sobre a mesa porque ela mostra o galpão de
atividades do SESC Pompeia, com as telhas de vidro, em plena atividade. Você teve
participação nesta obra , como foi a sua contratação ?
Chichierchio: Sim, foi em 1977. Bom, eu me formei em 1967 e por uma daquelas
coincidências, quando eu estava no quinto ano, no fim, em setembro, veio uma
portaria da reitoria (a FAU ainda era na Maranhão), dizendo que estava previsto que
dali a um ano, ou um ano e pouco o prédio da cidade universitária estaria pronto e
que portanto a FAU deveria se preparar para se mudar para a cidade universitária e
uma das coisas dessa preparação seria aumentar o número de alunos. No primeiro
ano entravam 40 alunos naquela época. A minha turma foi a última em que entraram
apenas 30. E então veio essa portaria dizendo que a FAU estava autorizada a
175
dobrar o número de vagas de 40 para 80. Eu era aluno de quinto ano. Então os
professores do primeiro ano foram autorizados a contratar auxiliares, na época
chamava-se auxiliar de ensino. E o professor de conforto era novo na escola, estava
substituindo o que tinha sido meu professor que era o Cintra do Prado, que estava
de licença, e este professor não tinha nenhum vínculo nem político nem partidário,
nem nada e queria alguém para ajudá-lo. E saiu procurando, de preferência
arquitetos. Saiu procurando e soube que no Grêmio a gente tinha um curso
preparatório para o vestibular. Aí ele foi lá no curso e perguntou quem que dava aula
de física e eu é que dava aula de física. Então ele me chamou e convidou para ser
auxiliar dele. Eu já estava no quinto ano, ele perguntou se eu ía me formar e se eu
queria trabalhar com ele. Eu falei na hora que não podia responder de imediato
porque eu já era sócio de um escritório desde o terceiro ano da escola, e eu disse
que precisava conversar com os sócios. Ele disse: eu te dou uma semana. E dali a
quatro dias eu fui até ele e disse que sim, que aceitava. Era um escritório de projetos
de arquitetura, já tinha feito já uns 10 ou 20 projetos, eu ía ser um arquiteto comum,
normal, como todos. Aí de repente virei professor na área de conforto. Então eu me
formei, ainda durante uns 6 meses eu continuei no escritório, só que o trabalho na
FAU foi tão envolvente que uma hora eu pedi para sair do escritório e fiquei só na
FAU, daí me arranjaram umas aulas em Mogi, depois me arranjaram umas aulas em
Limeira, no curso de engenharia civil, fui dar aula de desenho técnico e geometria
descritiva. E então os professores começaram a me chamar para fazer consultoria,
então de 68 até 72 eu dava aula na FAU, em Mogi, em Limeira e fazia algumas
consultorias. Aí chegou uma hora que eu tinha que resolver...Aí a FAU tinha um
convênio com um laboratório na França, o CSTB, e eu fui para lá fazer um estágio
de 1 ano.Quando eu voltei eu resolvi que eu não ía mais ser arquiteto, eu ía fazer
consultoria. Isso foi em 1972, 1973, no final de 73. Então, durante uns dois anos eu
fiquei com um terço de um escritório e mais ou menos em 1976, esses amigos que
tinham a Esfera (eles tinham duas empresas, uma construtora e uma firma de
projetos), me chamaram para ser sócio. Eu disse: Não, mas eu faço consultoria...E
eles disseram: Você faz suas consultorias só que você é nosso sócio. Então, neste
tempo (do SESC), quando eu fiz isso (mostrando o livro) eu era sócio da Esfera
Paisagismo e Projetos, chamava-se, e um dos primeiros clientes que eu tive foi o
SESC. O SESC Pompeia não foi o primeiro trabalho, mas foi um dos primeiros. Eu
fiz uma escola, uma escola pro Abrahão Sanovicz, uma outra escola para o Bonilha
e de repente me chamaram para cuidar disso aqui.
Renata: E quando você foi lá pela primeira vez já havia alguma atividade do
SESC no local ?
176
Chichierchio: Acho que sim. E isso era um telhado, era um telhado de telha. Aí a
Dona Lina queria arrancar essas telhas e botar tudo telha de vidro. Aí eu fiz o estudo
e vi que o máximo que daria era prá botar isso aqui (uma faixa), só. Ela ficou furiosa.
Chichierchio: Ela queria tudo. Mas enfim, a gente mandou abrir isso aqui (mostra
os tijolos de galinheiro), era tudo uma paredona, foi demolido e foi construído assim
com essa ventilação.
Renata: Foi você que sugeriu aumentar a área de ventilação com esses tijolos de
galinheiro?
Chichierchio: Quando eu conversei com a Lina ela mostrou qual era a intenção
dela...e a intenção era tirar todas as telhas de barro e colocar telhas de vidro. Eu
falei que iria fazer o estudo, fiz e cheguei lá dali a umas 3 semanas dizendo que não
podia ser 100% , que não tinha aberturas suficientes para remover o calor e mais
ainda, a sensação das pessoas aqui dentro seria desconfortável. Daí ela não gostou,
mas o SESC defendeu a minha proposta e ela teve que fazer contra a vontade dela.
E aumentar a ventilação, com portas, retirando os vitrôs existentes. Enfim,
estudamos isso, depois estudamos o restaurante. O grande desejo deles era fazer
acústica, dar bailes. Lá não teve problema de calor porque era tudo telha opaca. A
gente fez o que precisava e estudamos acústica para eles montarem lá um palco de
sábado, o pessoal comia e dançava.
177
Renata: Mas então depois que foi acatada a sua sugestão de reduzir os vidros e
aumentar a ventilação não foi preciso sugerir mais outro tipo de conduta?
Renata: E não teve que se pensar em outra coisa depois que foram colocadas
aquelas lajes dentro do galpão?
Chichierchio: Não, isso foi o projeto dela. Tinha umas partes que eram pisos,
todo o mobiliário. Olha o Zé Geraldo aqui na foto !? O Zé Geraldo Roelmberg, um
urbanista...Não, não, não é o Zé Geraldo não. Bem, então foi isso, isso não era
comum , nunca ninguém tinha feito, aproveitar uma estrutura assim antiga, de
fábrica e transformar em um salão cultural. Eu fiz muitos SESCs. SESCs e SENACs.
SENACs eram as escolas. E faço ate´hoje. Hoje mesmo assinei um relatório do
SESC São José dos Campos.
Renata: Mas o que eu estou perguntando é sobre uma ventilação mecânica que
foi sugerida, uns tubos.
Renata: Sim, a Lina diz em uma carta que não iria fazer os dutos sugeridos
porque iria seguir os estudos que você tinha feito no começo.
Renata: mas você já não era sócio da Esfera? Não tinha a pessoa jurídica da
Esfera?
Chichierchio: É.
Renata: Então você foi para a Ambiental e a Esfera continuou prestando serviços
ao SESC ?
Chichierchio: Na verdade, sabe...A relação com a Lina não foi uma coisa muito
boa. Porque ela ficou furiosa.
Chichierchio: Porque ela queria o telhado de vidro. E quem não deixou foi o
SESC. O SESC disse: Não, tem este estudo, aqui está provado que se tiver mais do
que isso (de telhas de vidro) vai ficar super quente. Então, impuseram a ela que
tinha que ser conforme o meu estudo. Tanto que aqui foi a última vez que eu falei
com a Lina. Primeira e última. Nós não brigamos, mas eu simplesmente falei: Gente,
assim não dá. Eu quero distância.
179
Chichierchio: É. Tá. Tá bom. Então ela quis que ficasse assim na história.
Renata: Porque ela escreve que está indo contra a nova proposição da Esfera,
mas não com você. Mas enfim, dutos de ventilação no meio do galpão não foi uma
solução proposta por você ?
Chichierchio: Não... É que debaixo daquelas lajes queriam fazer uns pequenos
teatros e coisas do tipo, pequenos auditórios, que acabou não acontecendo. E nessa
situação teria que ter uma ventilação localizada, mecânica.
Chichierchio: Não, não não. Foi porque ali embaixo das lajes não teria ventilação.
Então ela desistiu de fazer esses pequenos auditórios.
Renata: Certo. E até quando durou a prestação de serviços da Esfera ? Foi até
inaugurar a segunda parte também ? Qual foi o envolvimento de uma outra empresa
chamada Termoplan ?
Renata: E teve um outro consultor de acústica também, que tinha feito o MASP.
Chichierchio: Não sei quem fez a acústica do teatro.
Chichierchio: Sim, Pode ser. O Igor, durante muitos anos era o único consultor de
acústica em São Paulo. Tudo era o Igor que fazia. E eu, para arranjar um lugar no
mercado, eu propus um jeito diferente. Porque o Igor, ele só fazia a acústica se lhe
dessem também o projeto de arquitetura interna. Ele não fazia só a acústica. Ele
fazia a decoração.
Renata: Mas isso não foi o que ele fez no teatro do SESC.
Chichierchio: Bom, aqui não tinha muito o que fazer além do mobiliário e do
tratamento acústico. Mas eu propus um jeito diferente para os arquitetos. Propus eu
fazer um relatório técnico e discutir com o arquiteto a aplicação no projeto, mas o
projeto (de arquitetura) continuava sendo do arquiteto e não era um pacote fechado
que ficasse comigo. Que é como eu faço até hoje.
180
Renata: É melhor que haja essa interação na fase de projeto, entre um consultor
ou especialista e o arquiteto autor do projeto, não é ?
Chichierchio: É. Hoje em dia todo mundo faz como eu faço. Mas o Igor não fazia.
O Igor pegava o pacote fechado, poltronas, tapetes, paredes...era projeto dele.
Renata: O jeito dela trabalhar não era o dele, e nem o jeito dele era o dela. Ela
centralizava as decisões.
Renata: Você tem algum material arquivado sobre os estudos que fez para o
SESC ?
Chichierchio: Não, não guardei nada. Eu não imaginava que esta obra iria se
transformar no que se transformou. Eu fiz 3 projetos de consultoria para cidades
novas. Uma foi para a Caraíba, Caraíba metais, no interior da Bahia, para o Joaquim
Guedes, em 1976. Era uma cidade de 12.000 habitantes. Me deram os dados
climáticos e eu fiz diretrizes urbanísticas e construtivas. E foi construída a cidade.Em
1980 me chamaram para fazer a mesma coisa no projeto Carajás, e aí já eram
80.000 habitantes e depois a mesma coisa para Barcarena. Ou seja, Caraíba era
cobre, Carajás ferro e Barcarena alumínio. E eu não tenho nada guardado sobre
estes projetos. É trabalho. Eu trabalhei. Nunca fui de querer fazer um portfolio, ir lá e
tirar fotografias...Não. Não tinha tempo. Dava aula em três escolas.
Renata: Em resumo, a partir do seu relato sobre a decisão a respeito das telhas
de vidro em particular, que constavam dos desenhos em perspectiva coloridos
iniciais da Lina, o que existe hoje lá foi resultado da relação entre o arquiteto e o
consultor especialista.
Chichierchio: Sim mas só que com o cliente de juiz, né ? Com o SESC de juiz.
Renata: Precisou da intervenção do SESC para decidir neste caso?
Chichierchio: Sim, sim, foi assim porque o SESC falou: Não, segue o estudo de
conforto.
Renata: Boa tarde, Suzuki. Para dar mais dinâmica à nossa conversa, selecionei
algumas sequencias de fotos da obra para vermos juntos agora. A partir de que ano
você integrou a equipe de arquitetos de Lina no SESC?
Renata: Veja, por favor, esta sequencia de fotos dos escritórios montados em
obra. Qual foi a ordem de ocupação desses locais dentro do canteiro?
314 A redação final da transcrição desta entrevista obteve diversas edições de ordem e anotações que
ligavam às falas às imagens (fotos de obra) vistas durante a conversa para melhor situar o leitor. Sua
versão final foi aprovada pelo entrevistado.
315 Na década de 50, o eng. Fernando Lizzi concebeu na Itália uma estaca escavada de pequeno
diâmetro, originalmente utilizada para reforço de fundações, denominada "Pali Radice" ou estaca
raiz.No Brasil, o emprego da estaca raiz tem sido bem difundido, tendo-se adaptado muito bem aos
183
Suzuki: “Casinha”. Tanto é que quando a gente fez aquela que fica lá na casa de
vidro, a gente também chamava de “casinha”. Mas teve uma “casinha” antes, disso,
foi no galpão onde ficam as oficinas, tenho quase certeza que era neste galpão, aqui
embaixo era um cercadinho e o lugar não estava tão arrumado quanto aquele que
foi instalado lá em cima depois, quando já tinha o piso de pedra Goiás e a obra
estava bem mais arrumada. Mas veja que neste grupo de fotos há 2 locais de
madeira diferentes. O nosso local (dos arquitetos) tinha uma escadinha menor, e
tinha uma varandinha (vê-se aos fundos na foto 928). Neste local (885) a gente já
tinha o cartaz da exposição Brinquedos.317 Estas fotos aqui (fotos 881 e 882), com
esta escada maior e esta varanda não reconheço como nosso, este aqui era o da
Engenharia. Agora estou me lembrando que a gente ficou aí um tempinho bem
curto, antes da Lina ter sido mandada embora. No período que a gente desocupou
aquele cercadinho lá de cima e já não tinha mais a casinha lá embaixo. E a gente já
ía montar a exposição do Design318. E então a gente veio provisoriamente para este
aí. Este é o último deles. A sede das montagens das exposições ou era dentro
mesmo do local da exposição, a gente tinha uma mesa de trabalho lá, ou era aqui.
Porque aqui ainda estávamos cuidando da obra do bloco esportivo. Quando
inaugurou os galpões, o bloco esportivo estava subindo.
Renata: Olhando para a foto aérea que mostra o galpão do teatro com a fachada
demolida bem ao centro (094ARQf0115) dá prá falar algo sobre a ordem das
diversas pequenas obras que foram sendo feitas no grande canteiro ?
tipos de solos encontrados no país, sendo utilizado não só como reforço, mas com elemento principal
de fundação de prédios, pontes e viadutos. Disponível em http://www.novageo.com.br/28-conteudo-
engenharia-fundacao-tipo-estaca-raiz - acesso em 14/04/2016.
316
Fundação do tipo parede diafragma é uma solução indicada quando é necessária escavação que
ultrapasse o nível do lençol freático. Ela absorve esforços de empuxo de solo e hidrostático.
Disponível em http://www.aecweb.com.br/cont/m/rev/parede-diafragma-e-alternativa-para-obras-de-
contencoes-profundas_10803_0_1 - acesso em 14/04/2016
317Exposição 'Mil brinquedos para a criança brasileira' SESC Pompeia de 1982-3 - acervo Instituto
Lina Bo Bardi.
318 "Design no Brasil - História e Realidade", 1982.
184
Renata: Veja por favor essas fotos da parede dos três primeiros galpões que são
parte da fachada para a Rua Barão do Bananal. Elas mostram a substituição dos
vitrôs por tijolos de galinheiro a exemplo dos existentes no galpão do Teatro, que
estão nesta outra sequência de fotos.
Suzuki: Confere. Todas essas fotos são do mesmo trecho e inclusive tinha esta
solução de tijolos de galinheiro no vão intermediário do porticado do galpão do
teatro, que eu nem me lembrava. A Foto 094ARQf0065, mostra a remoção do
reboco da fachada da Rua Barão do Bananal. A fachada era toda rebocada e os
tijolos de galinheiros são construção nova, repare na cor dos tijolos. Os tijolos de
galinheiro foram em grande parte feitos novos, nos vãos existentes da estrutura
entre pilares, vergas e contra-vergas.
Renata: A foto 519 mostra uma saída para a Rua Barão do Bananal entre o
Teatro e o Galpão onde foi construído o espelho d´água, certo?
Suzuki: Certo. Veja este predinho em frente, na Rua Barão do Bananal. Este
predinho ainda está lá, pintado de verde.
Renata: Sim, está lá, isto confirma. Ele aparece na foto aérea também. Mas
nestas três fotos aqui, (512, 511,510) vemos 2 corpos separados pelo porticado. São
2 galpões. Um corpo é o teatro, o outro é o foyer, este que tem o oitão de tábuas de
madeira.
185
Suzuki: Nestes dois vãos, não aparece luz vinda do shed. Essa luz que a gente
vê em um lugar externo deve ser a rua interna.
Renata: Sim, e essa parede alta com janelinhas deve ser a do galpão do
restaurante.
Suzuki: Em uma das fotos estamos olhando para a rua interna, onde vemos as
janelinhas do restaurante. Na outra damos as costas para a rua interna e olhamos
em direção à rua Barão do Bananal.
Suzuki: As demolições que foram feitas, como uma limpeza, ela dizia: “tem que
dar uma limpeza aqui que tem coisa que não presta”. Ela determinava em planta e
até onde iria demolir, por exemplo, se era só remover um telhado ela fazia um
croqui. A grande parte do executivo foi croqui da Lina, porque como ela ficava na
obra, era direto com o mestre inclusive, às vezes não passava nem pela engenharia
(setor do SESC). A Engenharia depois vinha, conferia tudo.
Suzuki: Junto. O Chicão. Ele era emprestado da Figueiredo Ferraz que estava
contratada pelo SESC. Ele ficava lá full time. Eu convivi bastante com ele.
319 Marcelo Ferraz também fez menção a esta demolição na entrevista cedida à autora neste
trabalho.
186
estavam desenhadas. A única coisa que eu identifico que perdurou como dúvida foi
se a piscina iria ser a céu aberto ou ela iria para dentro.
Suzuki: Não. Nas fotos antigas (14, 15, 16, 17) aparece. Naquele fundão,
grudado neste galpão do almoxarifado tinha um monte de coisa. Mas tudo meio
bagulho. Inclusive esta era uma área inundável, que pelo que dá prá ver na foto
aérea isso era bem ferrado mesmo. Tinha muita construção aí. Mas dava impressão
que a própria fábrica tinha desistido deste lugar. Nestas fotos da década de 40
aparecem essas telhas na vertical que devem ser sobrepostas aos oitões de
alvenaria, isto era muito comum, para evitar manutenção colocavam telhas
protegendo por fora.
Suzuki: Hummm, ela ficava ali onde hoje estão os “cogumelos” (bases de
concreto elevadas para as máquinas de ar refrigerado). É comum acontecer o que
aconteceu com a chaminé, ela desaprumou e começou a ruir, porque (foi montada)
tijolo por tijolo. A chaminé já tinha ruído quando o SESC fez a primeira ocupação do
imóvel. Tinha até a pilha de tijolos da própria chaminé, entulho. Tanto é que a Lina
quis reconstituir uma imagem de chaminé, a torre da caixa dágua. Nos primeiros
croquis da Lina a chaminé não aparece porque a piscina era para fora, a piscina não
era dentro, eu até tenho uma hipótese de que esta piscina lembra muito a piscina de
um clube público que tem em Milão que se chama Palalido, esta piscina que ela
desenhou aqui fora. A torre não aparece nos primeiros croquis porque nesta região
seria a piscina ao ar livre. Depois surge esta reminiscência da chaminé, de fotos do
Flieg de 1940. A chaminé foi concretada em 1980, foi Toshio Ueno que fez o projeto
de formas320, mas a execução não me lembro quem fez. Eram raras as estruturas
que eram terceirizadas, a maioria era a própria equipe de mão de obra do SESC que
fazia (o que não acontece mais hoje, onde eles terceirizam tudo). O SESC tinha uma
equipe grande inclusive de manutenção, um dos galpões da fábrica era utilizado
para o pessoal da manutenção, que foi onde ficávamos nós (os arquitetos).
A equipe que montava exposições era a mesma que fazia as manutenções.
Ficava todo mundo junto com a gente. Hoje terceirizou tudo. Toda a parte de
reformas da fábrica foi o próprio SESC, a caixa dágua teve uma licitação para definir
quem faria e o restante foi a Método. A caixa dágua teve uma licitação à parte
porque foi feita muito antes.
das novas luminárias de modelo industrial que foram compradas? Houve outros
elementos que tenham sido comprados em modelos similares aos que já existiam?
Como acontecia este tipo de aquisição de equipamento?
Suzuki: Sobre as luminárias, a iluminação iria ter que ser fabril e aí pega-se o
catálogo da Philips, foi um revendedor da Philips lá, este eu me lembro bem, ele se
chamava Rosemblat, era um judeu. Ele foi lá dar consultoria e aí esse era o modelo
industrial efetivo que se vendia para as fábricas todas do Brasil era aquele modelo, e
este modelo parecia com o da antiga fábrica mesmo então era aquela, não tinha
discussão. Mas havia as instalações aparentes, o produto que tinha prá vender para
instalações aparentes eram aqueles tubos de elétrica, do mercado industrial mesmo,
tudo com este caráter assim.
Suzuki: Teve coisa refeita. Por exemplo os condutores de águas pluviais. Existia
aquele original, que se vê nas ruas. Existia, e ele foi reproduzido ipsis litteris, tal e
qual. Alguns são novos, substituindo aqueles que estavam degradados.
Suzuki. Não, todos eles são idênticos ao que existia. Acho que no uso meio
improvisado que o SESC fazia do imóvel muitos estavam amassados. Então eles
foram refeitos.
Suzuki: Ouvia que era para fazer idêntico, falava-se diretamente com o
fornecedor. E eu lembro que a Lina fazia questão que fosse pintado de “verde
turquesa”. Um verde-azul turquesa. Hoje não está mais da cor certa. Mas se você
olhar no livro antigo da inauguração do SESC você vai ver que era este verde
turquesa. Ela fez questão, ela que escolheu a cor, tinha que ser aquela. E brilhante.
Porque ela dizia que os arquitetos modernos tinham ficado muito com essa história
de fosco, e ela citava o Artigas como exemplo. Ela dizia que faltava um pouco de
brilho.
Renata: Sei. Bem, sobre foto da forma de madeira da escada rampa que eu te
enviei, você poderia citar uma lista de outros elementos arquitetônicos cujo
detalhamento executivo de projeto foi definido em obra através de testes de
protótipos ?
Suzuki: Foram todos. Quase tudo, isso era muito engraçado, a Lina tinha este
poder assim de fazer. A Lina achava que arquitetura não é você ficar decidindo
acabamento, coisas superficiais, isso aí decidia-se na obra. E o desenho tinha que
ser o desenho geral. Por isso que teve muito teste de acabamento, então teve
amostra 1:1 de assentamento do mosaico dos pisos dos banheiros, que quando fez
o primeiro a Lina viu e achou que faltou vermelho. Aí, se você entrar no banheiro
188
você vai ver que tem uns cacos Gail vermelho vivo. E não existia, a Gail mandou
fazer. A Lina queria um lote de X vermelhos que estão lá. Então era tudo, até cor.
Renata: Tem certos hábitos que a gente repete, por exemplo, sempre que você
entra numa plateia e pode escolher o lado, sempre escolhe o mesmo.
Suzuki: Dizem que em lojas é assim. Dizem que se você vai projetar uma loja,
deve colocar a porta à esquerda, porque quando as pessoas entrarem elas irão
olhar para a direita.
Renata: E as pessoas que testavam eram quem estava por ali...
Renata: Pois é. E, com relação a esta revisão da lei de licitações que está sendo
discutida, e vai ser votada no congresso nacional, o Haroldo Pinheiro (presidente do
CAU) tem uma frase muito curiosa que está publicada que diz algo como “quem
projeta não constrói, quem constrói não projeta”321. É algo para se refletir muito,
não? Instrumentos jurídicos para frear a corrupção?
Renata: E então como fica esta concepção de que o arquiteto é alguém da obra,
que pode definir as coisas na obra?
Suzuki: É que a Lina era uma exceção, uma exceção mesmo. Ela não tinha
escritório, fazia questão de ficar na obra.
321"No documento “As obras públicas e o direito à cidade”, de fevereiro de 2014, defendemos a
separação rigorosa das responsabilidades. Quem projeta não constrói, e quem constrói não projeta.
Esta divisão é fundamental para a lisura e defesa do interesse público." PINHEIRO, Haroldo. “Um
antídoto para os aditivos das obras publicas”. Revista TCMRJ, n. 59. Dez 2014.
189
Renata: Sim, e o que eu estou fazendo é propor uma reflexão sobre este
exercício, que seria impossível repetir hoje. No próprio SESC não há mais esta
possibilidade, os projetos são definidos por concursos...
Suzuki: O Chichierchio deu uma consultoria para o SESC mas acabou não
sendo feita. O Chichierchio é ótimo. Mas foi construído o espelho d´´agua, o São
Francisco, foi sugestão dele para melhorar o ambiente com alguma umidade, por
conta do aumento da área envidraçada da cobertura, que antes era só os sheds.
Isso foi antes de 80.
Suzuki: Isso, foi logo neste período. Ele sugeriu algo para umedecer, sugeriu
inclusive alguma vegetação, que a Lina não quis. A vegetação foi rejeitada.
Suzuki: O Igor Srenevsky, que propôs muitas coisas para a acústica do teatro
que a Lina foi cortando.
Renata: Porque ?
Suzuki: Porque ela achava que estava bom daquele jeito. Porque confiava nas
pessoas com quem ela tinha tido contato sobre isso, ela também tinha experiência
no assunto e dizia que não precisava de muita frescura. E aí quando começavam
190
com a tal frescura que ela falava ela já queria dar um pulo e ir lá na Globo. Queria
reverter tudo.
A outra questão que nunca deu certo e parece que só agora vai começar a ser
feito e o Marcelo Ferraz é que está querendo cuidar disso, foi o tratamento acústico
na piscina. Porque é um inferno. Fica 5 minutos lá na piscina prá você ver. Os
professores quase morrem doidos. Porque é tudo vivo (os materiais quanto à
acústica).Parede de concreto, piso de concreto, água, extremamente reflexiva, e teto
de concreto. Então não tem quem não morra, o som é infinito lá dentro, fica
brincando de pingue pong o tempo todo. Quem trabalha lá sofre. E hoje em dia tem
ainda esta coisa de aula de hidroginástica, que é pior, que eles colocam som. Você
fica enlouquecido. E o que acontece é que não tem material que quebre
reverberação e que não seja poroso. Prá diminuir reverberação tem que aumentar
absorção, não tem jeito. Isolante já é, isolado já está. Aquele material, polietileno,
usado nos chamados “macarrões” de piscina, se você pendurar no teto ele fica
encharcado, começa a pesar...
Suzuki: Sim, na época foi chamado inclusive o Walfrido del Carlo, que foi meu
professor, professor de acústica da FAU. Ele almoçou com a Lina lá e tal, era uma
figuraça. Ele deu uma sugestão de dependurar placas de algum material rígido com
um material absorvente por cima para o som bate e não voltar. E este material
mesmo encharcado ficaria pendurado. Seria um negócio que ficaria pesado, e teria-
se que fazer uma espécie de dreno.
Renata: Este problema (do som) foi percebido enquanto a Lina ainda estava lá
na obra?
Suzuki: Assim que inaugurou já deu o problema e ela reconhecia, que tinha
ficado ruim. Ela ficou lá um tempão vendo as crianças brincarem e falou: Tem
mesmo. Precisa dar um jeito. E como tinha tido um entrevero com o Srevensky lá no
Teatro, ela não quis o Srenevsky e aí veio o Walfrido del Carlo. E a solução que ele
deu tecnicamente não passava, não deu certo, e a grande questão era essa de que
o material absorvente encharcava. E na mesma época, teve um problema
simultâneo, que foi o tratamento da piscina, totalmente convencional, quantidade de
cloro muito alta. E o cloro, com a piscina aquecida, evapora. A gente sente o cheiro.
E este cloro ía para cima e estava atacando inclusive a estrutura. Teve que fazer um
tratamento na estrutura e mais para frente mudaram o sistema de tratamento de
água para aquele que utiliza ozônio. Hoje isto se equilibrou. E agora há alguns
materiais novos, que são porosos o suficiente para esta absorção acústica mas eles
não encharcam. E é isso que o Ferraz está então cuidando. Mas enfim, teve uma
consultoria que Lina não quis, a do Srevevsky, e teve essa do professor da FAU que
ela quis, mas não era exequível. Teve muito disso. Na cozinha também tinha muita
briga da Lina com um engenheiro chamado Helio Peixoto, um baiano. Ele foi o
consultor da cozinha e tinha coisa que ele queria por e a Lina dizia: não precisa
disso.
Suzuki: Equipamentos.
Suzuki: Com uma moça tomando um “drink”, como ela gostava de dizer.
Renata: Nesta outra sequencia de fotos (351, 253 e 880) aparece o mesmo lugar
em diversas datas, com as mudanças dos pisos.
Renata: Subterrânea?
Suzuki: Porque foram edificadas várias coisas novas neste local, são os
equipamentos, tudo ligado à cozinha. Tem uma saída de serviços lá, da cozinha. A
próxima foto (094ARQf0083) mostra a construção do concreto novo – setor de
serviços, vestiários de funcionários , ligado ao programa da cozinha. E esta
(094ARQf0104) foi tirada a partir da rua Clélia olhando para a esquina da Barão de
Bananal com a Clélia. Aqui, onde não há tapumes, só andaimes e balancim, é a
administração, prédio já existente em dois andares, que foi levemente reformado, o
telhado recuperado.
Suzuki: Tinha que travar em algum lugar, está presa lá na estrutura de madeira
da cobertura.
Suzuki: Sim, aquele cara (de camisa branca na foto 604) era filho de espanhol, o
pai dele era um grande marceneiro. Era um espanhol bravo que xingava ele de burro
o tempo todo, porque ele era daqueles marceneiros artesãos que sabiam fazer tudo.
E o filho, como nunca aprendeu a fazer direito, entrou no SESC para ser um
marceneiro comum. Ele era funcionário do SESC. Ele se chamava Adelino.
Isso aí tudo era coisa da Engenharia do SESC. A carpintaria da obra na verdade
foi usada para fazer os móveis.
Suzuki: Foto 981 – Esta foto deve ser da forma de algum balcão curvo, não é
forma da caixa dágua. A da caixa dágua é cônica, telescópica.
Renata: Então a ideia de colocar a estopa entre as formas foi sugestão dele?
Suzuki: Dela. Ela queria, e o Toshio resolveu como fazer. O know how foi dele.
Ela queria o escorrido, ninguém sabia fazer, foi bater no Toshio Ueno, que fez.
Suzuki: Sobre a foto da missa no galpão de estar. Essa missa foi o seguinte. A
coisa estava encruando, encruando, encruando, principalmente lá embaixo, no bloco
novo. Os operários começaram a chiar e a dizer que tinha uma uruca na obra. E aí
um líder deles foi falar com a Lina, que tinha uruca, que tinha uruca e a Lina falou
então vamos rezar uma missa. E aí os operários toparam. Aí a Lina chamou um
193
amigo dela, o Frei Egydio, que veio rezar a missa. Teve uma missa na obra, mas a
pedido dos operários. Não foi inauguração da obra do bloco esportivo. Foi uma pré-
revolta dos operários.
Na foto em que aparece a Lina, Renato Requixa (no primeiro banco da missa),
está também a Graziela (irmã de Lina). Em outra foto, as aberturas redondas perto
do chão na fachada da Barão do Bananal são tomadas de ar novo para o ar
condicionado. Sobre os operários, Carlinhos, que era socio do Bola numa
Marcenaria e Serralheria na Pompeia mesmo. Não vi fotos deles. Nem do Paulista,
pedreiro. Carpinteiros Manezão e Maninho. Agora não lembro o nome do Mestre.
194
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Lina Bo Bardi's architectural philosophy for SESC Pompeia is centered on community service and practical simplicity, aligning with her belief that architecture should not be about aesthetics but about collective service and poetry . Her work at SESC Pompeia reflects a humanist and libertarian approach, promoting public engagement and cultural enrichment through architectural spaces that foster interaction and creativity . Bardi incorporated elements like open spaces, communal areas, and robust yet flexible structures, intending not just to build, but to create a living cultural organism . Her decision-making process involved adapting and overcoming practical challenges, demonstrating her commitment to a hands-on, responsive architectural practice .
Lina Bo Bardi’s focus on elements like open spaces and communal areas in her SESC Pompeia design was influenced by her commitment to human-centric and socially responsive architecture . Her decision-making was guided by the site’s existing features and practical needs, such as enhancing natural light and ventilation, fostering social interaction, and accommodating flexible use . Bardi’s architectural philosophy revolved around creating spaces that encourage cultural activities and community engagement, which was mirrored in her choice to use open layouts, fostering an inclusive and participatory environment . Her approach was not only pragmatic, considering the physical constraints of the site, but also ideological, reflecting her vision of architecture as a catalyst for social change .
The design and construction of SESC Pompeia were marked by significant collaboration and community participation, which were critical to Lina Bo Bardi’s vision of the complex as a public cultural space . She actively involved a range of stakeholders, including local workers and community members, in the process, which was both a practical and philosophical choice . Bardi’s approach encouraged a sense of ownership and agency among participants, ensuring that the complex met both aesthetic and functional community needs . The resulting architecture reflected a collective effort, integrating public input into its adaptive reuse of space, and ensuring accessibility .
The socio-political climate in Brazil during the 1970s, characterized by military dictatorship, informed Lina Bo Bardi’s work at SESC Pompeia in several ways. It drove her to create spaces that served as cultural safe havens, promoting social inclusion and freedom of expression amidst political repression . Her architecture reflected a counter-cultural stance, opposing authoritarianism and embracing values of democracy and community participation . By designing an accessible and multifunctional public space, Bardi provided a platform for cultural activities that could foster dialogue and resistance to the restrictive sociopolitical environment . Her work thus became an embodiment of resilience and a monumental act of social commentary .
Lina Bo Bardi’s design for SESC Pompeia reflected her critique of modernist architecture by rejecting the impersonal and doctrinaire aspects of modernism in favor of a more contextual, human-centered approach . Her incorporation of existing industrial structures into a vibrant community space subverted the modernist focus on newness and uniformity, emphasizing instead adaptability and the unique character of place . Bardi critiqued the modernist tendency toward rigidity and uniformity through her advocacy for organic, flexible spaces that could evolve with community needs . Her design embodied a return to architectural fundamentals that championed local culture and human engagement over abstract ideals .
Lina Bo Bardi's work at SESC Pompeia challenged traditional architectural norms by embracing a non-conformist approach that prioritized human experience and interaction over conventional aesthetics . Her method involved adaptive reuse of an industrial site, transforming it into a community-oriented cultural center, which was a novel concept at the time . Bardi's architecture at Pompeia defied the professional norm by emphasizing nontraditional materials, open communal spaces, and a participatory construction process that included input from collaborators and the community . Her rejection of rigid architectural paradigms is also evident in her critique of formalism and the integration of art and architecture, which encouraged a broader scope for architectural design beyond traditional boundaries .
Lina Bo Bardi addressed practical challenges at SESC Pompeia through a hands-on, adaptive approach often involving on-the-spot decision-making and iterative design processes . She engaged directly with construction crews, using sketches and models to convey complex ideas quickly, ensuring that modifications could be made in response to emerging site conditions . Bardi prioritized functionality and human experience over predetermined design aesthetics, which allowed her to creatively solve problems related to the site's structural and environmental limitations . Her approach reflected a deep engagement with the material and social context of the project .
Lina Bo Bardi embodied 'Action-Architecture' through her proactive and responsive approach to design, emphasizing functionality and community engagement over mere structural aesthetics . Her work on SESC Pompeia exemplifies this by transforming an industrial site into a vibrant public space that promotes interaction, cultural activities, and community involvement . Bardi’s adaptability to the practical realities and contingencies of construction, where she made real-time decisions and modifications based on site needs, illustrates the dynamic nature of Action-Architecture . Her focus was on creating buildings that support and enhance human activity, challenging the static nature of traditional architecture .
Lina Bo Bardi’s architectural work at SESC Pompeia epitomized her philosophy of architecture as a form of collective service. She viewed the role of an architect as a facilitator for community engagement, providing spaces that spur social and cultural interaction . At Pompeia, her decision to reuse and adapt existing industrial structures into communal spaces was driven by a commitment to social responsibility and designing environments that serve the public good . Bardi’s emphasis on participatory design, involving users and a wide range of stakeholders in the construction process, underscores her belief in an architecture that empowers and reflects the needs of the community rather than imposing top-down aesthetics .
Lina Bo Bardi's experiences in Italy, marked by her exposure to cultural and political ideals, significantly influenced her contributions to Brazilian architecture. Her Italian background brought a distinctive blend of artistic and functional perspectives, with an emphasis on social ideals that are evident in her work in Brazil . Her trajectory in Italy instilled in her a deep appreciation for the integration of artistic elements into architecture, which she effectively applied in projects like the MASP and SESC Pompeia . Her struggles during the wartime in Italy also cultivated a resilience and flexibility, which became pivotal in her Brazilian architectural projects, allowing her to adapt and innovate under varying conditions .