Universidade Católica de Moçambique
Instituto de Educação a Distância
Influência da consciência no comportamento ético do homem
Nome: Fábia Fabião Andrade
Código: 708223692
Curso: Ed. Física
Disciplina: Ética Social
Ano de Frequência: 3oAno
Turma: B
1o Trabalho
Docente: Francisco Canhote
Chimoio, Abril de 2024
Índice
CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO, OBJECTIVOS, METODOLOGIA ............................................. 1
1. Introdução................................................................................................................................. 1
1.1. Objectivos ............................................................................................................................. 1
1.1.1. Objectivo Geral ................................................................................................................. 1
1.1.2. Objectivos Específicos ...................................................................................................... 1
1.2. Metodologia .......................................................................................................................... 1
CAPÍTULO II: REFERENCIAL TEÓRICO .................................................................................. 2
2. Conceitos .................................................................................................................................. 2
a) Consciência .............................................................................................................................. 2
b) Ética Social ............................................................................................................................... 2
2.1. Função da consciência .......................................................................................................... 2
CAPÍTULO III: CONCLUSÃO, REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................... 8
3. Conclusão ................................................................................................................................. 8
4. Referências Bibliográficas ....................................................................................................... 9
CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO, OBJECTIVOS, METODOLOGIA
1. Introdução
O presente trabalho aborda em prol da influência da consciência no comportamento ético do
homem. A actividade consciente é em si mesma complexa, pois envolve diversas funções:
Perceber, Saber, Sentir e Agir. Estas funções podem ser estudadas nas neurociências e nas
psicologias, mas a conexão conceitual entre os resultados interdisciplinares requer uma
teorização filosófica. Ou ainda, seria necessário considerar, além do cérebro e da mente, também
as contingências ambientais que condicionam o comportamento. As diversas abordagens da
consciência existentes enfocam, cada uma, preferencialmente, a percepção, a cognição, a emoção
e a acção, procurando integrar todas as funções a partir de determinados critérios escolhidos.
Diversos filósofos da mente têm arguido, com razão, que os processos conscientes só são
directamente acessíveis para o próprio sujeito da experiência. Contudo, ao contrário do que
alguns deles argumentam, este acesso privilegiado não seria um obstáculo intransponível para o
estudo da experiência consciente no contexto das ciências empíricas.
1.1.Objectivos
1.1.1. Objectivo Geral
Compreender a influência da consciência no comportamento ético do homem.
1.1.2. Objectivos Específicos
Conceituar a consciência e a ética social;
Analisar a função da consciência;
Relacionar a consciência e a ética no sentido da consciência influenciar no
comportamento humano dentro do convívio social das pessoas.
1.2.Metodologia
Para a elaboração deste trabalho recorri as diversas fontes das quais consultas bibliográficas,
livros e artigos disponíveis na internet para tornar fácil a recolha de informações que retratam
sobre o tema em estudo. As fontes recorridas para a elaboração do trabalho estão devidamente
organizadas na última página de modo a facilitar o desenvolver da pesquisa com base nelas.
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CAPÍTULO II: REFERENCIAL TEÓRICO
2. Conceitos
a) Consciência
É a capacidade que o homem tem de conhecer de modo imediato, os seus estados, sentimentos,
impressões, intuições. Significa que consciência o acto pelo qual o homem reconhece
pessoalmente o que deve fazer na ordem moral e como procedeu anteriormente nesta mesma
ordem (Hortelano 1970, p.44).
b) Ética Social
Segundo Teles e Henriques (1989), a ética social estuda como os indivíduos agem na sociedade e
propõe normas de conduta. Aborda conceitos como dever moral, liberdade de vontade, dignidade
humana e a relação da ética com outras ciências sociais. A ética social é uma ciência que pertence
à categoria normativa da qual fazer parte também o direito, mesmo que haja, entre as duas
disciplinas, diferença que iremos descobrir ao longo do curso.
2.1.Função da consciência
De acordo com Von Uexkull (1934), a formação da consciência é uma conjuntura de associação
de vários factores tais como o conhecimento, a observação, a aprendizagem e a interacção social.
A capacidade da consciência leva-nos a distinção dos valores éticos Bom e Maus, responsáveis,
actos positivos e negativos no seio duma moldura Humana, independentemente das
circunstâncias criadas.
Como uma grande parte da actividade cerebral é inconsciente, qualquer teoria neurobiológica da
consciência precisa apresentar critérios para distinguir os mecanismos que são cruciais para os
processos conscientes, daqueles cuja activação produz apenas processos inconscientes. Tais
mecanismos não dizem respeito à estrutura cerebral (isto é, não se trata de critérios anatómicos),
mas sim a tipos de funções cerebrais que suportam processos conscientes (Von Uexkull, 1934).
Uma primeira condição geral para a existência de consciência deriva do trabalho do etólogo
pioneiro Von Uexkull (1934), que usou o termo "ciclo funcional" para caracterizar a relação
sistemática entre percepções e acções de organismos, em um determinado ambiente. O sistema
nervoso dos animais, das células nervosas primitivas distribuídas ao redor do tubo digestivo, até
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amassa cinzenta protegida por um crânio, executa duas funções básicas, a de apreender sinais do
corpo e do ambiente do animal, e controlar acções adaptativas do corpo no ambiente.
Em sistemas nervosos primitivos, as conexões entre células perceptivas e motoras são directas, de
acordo com o modelo do "arco reflexo". Na medida em que o sistema nervoso se torna mais
complexo, ao longo da evolução das espécies, áreas especializadas emergem, inclusive mediando
as células percentuais e motoras. Dois tipos de processos referentes vêm a ocorrer: a percepção
das consequências externas das acções, e por meio de sinais internos que vão do sistema motor
para o sistema percentual (mais tarde chamados de descarga corolária), constituindo o ciclo
funcional (Von Uexkull, 1934).
Em ciclos funcionais recorrentes, os organismos têm percepções que informam suas próximas
acções, que influenciam suas próximas percepções, e assim por diante. Em consequência, se
constrói um "mundo interno (um welt), tornando possível a existência de consciência.
Conforme Savoia (1989), o ciclo funcional define estados presentes de consciência, porém o
processo consciente a julgar pela modalidade de consciência humana - envolve uma duração
temporal. De fato, o feedback entre acção e percepção permite que se estabeleça um processo
coerente de aprendizagem, segundo o princípio (Lei de Hebb) de que as conexões que foram úteis
para comportamentos adequados são reforçadas. Para suportar esse processo de aprendizagem,
novas especializações surgem entre a percepção e a acção, tornando possível um sistema de
memória e também a elaboração sistemática de antecipações das acções.
Ficher (1994), concebeu a dinâmica espaço-temporal do mundo fenoménico como um fluxo de
consciência, no qual a posição singular do “sujeito” das experiências é caracterizada como um
"aqui e agora". O fluxo é constituído pela sucessão de eventos, constituindo as noções de
passado, presente e futuro. Os mecanismos cerebrais subjacentes ao fluxo da consciência são
razoavelmente conhecidos nos mamíferos - em especial nos primatas - mas é possível que em
outras espécies tal fenómeno cognitivo seja suportado por outras estruturas e funções
relativamente mais simples.
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2.2. Relação da consciência e da ética no sentido da consciência influenciar no
comportamento humano dentro do convívio social das pessoas
Conforme Sawaia (2006), a partir do momento em que reconheço o outro, reconheço a mim
mesmo como um ser único particular. Essa diferenciação geralmente ocorre com a mãe, que é o
primeiro “outro” com quem temos contacto. Nesse momento, por meio das relações, começamos
a construir nossa identidade. E, à medida que adquirimos novas experiências ampliando nossas
relações sociais, vamos nos transformando, adquirindo novos papéis.
Segundo Lane (2006), a identidade é algo mutável em permanente transformação. É um processo
que se dá desde o nascimento do ser humano até sua morte. Por isso, podemos dizer que a nossa
identidade está em constante mudança.
Quando formos capazes de encontrar razões históricas da nossa sociedade e do nosso grupo
social que explicam por que agimos hoje da forma como o fazemos é que estaremos
desenvolvendo a consciência de nós mesmos. Isso nos faz entender que a consciência de si pode
alterar a identidade social, na medida em que interrogamos os papéis que desempenhamos e suas
funções históricas. Essa consciência é reconhecer quem sou eu enquanto indivíduo, enquanto
integrante de um grupo social, a partir das relações do meu ser social. Isso só será possível, a
partir do momento em que tenho o “outro” como referência (Lane, 2006, p. 22).
Sawaia (2006) afirma que essa consciência não pode ser consciência “em si”, mas para si e para o
outro.
Myers (2000), reafirma isso, quando diz que o auto-conceito que o indivíduo adquire de si
mesmo decorre das experiências sociais vivenciadas, que influem no papel que ele desempenha
nos julgamentos sobre si e sobre outras pessoas e as diversidades culturais. Nesse sentido,
percebemos que a construção da nossa identidade se da por meio das relações sociais, dos papéis
que desenvolvemos.
Segundo Mayer (2000), a moralidade é que conduz a conduta do homem, se considerarmos a
moralidade como a capacidade ou todo o valor do acto livre do homem sem incluir as acções
livres. Também a moralidade pode ser entendida como a certeza ou erros, os costumes e hábitos
Bons ou Maus dos actos humanos, que podem ser:
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Subjectivos: quando olhamos a pessoa-autor no aspecto subjectivo, naquilo que faz ou
diz, a respeito dele próprio, como faz e como age perante algo;
Objectivo: que é aquele que é avaliado depois da acção que a pessoa anteriormente fez.
Para Sousa (2004), em ética a capacidade reflexiva que nos leva ao agir pressupõe-se a vontade e
a liberdade e outros elementos e, o raciocínio faz parte na determinação do agir, pois este consiste
na determinação do conhecimento lógico. Este raciocínio pode ser dedutivo ou indutivo,
dependentemente da situação. Dizemos que e raciocino do conhecimento:
Raciocínio Indutivo: quando parte do particular para o geral. Ex: Um hábito particular
levar a pensar que é geral ou conhecido por todos, implica que a partir deste hábito nos
agimos pensando que todos estarão de acordo com a nossa reacção;
Raciocínio dedutivo: quando parte do geral apara o particular.
2.2.1. O que pode influenciar a consciência
A ignorância: Esta pode ser invencível, vencível afecta consideravelmente a responsabilidade.
Considera-se:
Ignorância invencível, aquela na qual o individuo faz algo sem ser culpado. Ex: Não
conhecer certa Lei;
Ignorância vencível, aquela que não tira a responsabilidade mas pode ser superada pelo
indivíduo. Ex: Médico que receita medicamentos a um doente sem precaver as
circunstâncias.
A Paixão: é a emoção forte da parte do apetite sensitivo que impede o processo de deliberação do
indivíduo, esta paixão pode ser antecedente e consequente;
É paixão antecedente: aquela que destrói a responsabilidade e, na vida real este tipo de
paixão diminui a responsabilidade;
É paixão consequente: aquela paixão que se procura obter pela existência de algo
desejado.
Medo: é a percepção do mal que nos avizinha e o medo pode diminuir a responsabilidade. É
normal ter medo. O medo pode ser intelectual e emocional.
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A Força: a força externa ou interna pode diminuir a responsabilidade, temos que entender que
qualquer coisa feita a força não é voluntária e é amoral.
O hábito: A maneira constante de agir adquirida pela repetição do mesmo hábito. O hábito pode
ser cultivado e influencia negativamente na responsabilidade devido ao relaxamento.
Existem outros elementos que podem influenciar e enfraquecer a responsabilidade, temos o caso
do Álcool, a Droga, que podem afectar o psíquico e o físico e alterar o estado da consciência do
indivíduo levando a reagir mal ou a destruição mental, consequentemente a falta de
responsabilidade pelos actos (Sousa. 2004).
Segundo Compenhoudt (2003), há um aspecto de pouco relevo que grandemente pode relaciona-
se a ignorância, pode ser do Erro. Analista de responsabilidade social, defendem que o erro é
originado pela falta de preconceitos, conceitos influenciados dentro de grupos sociais, de amigos,
falta de leitura. O erro Influencia negativamente aquilo que deveria ser percebido como verdade e
consequentemente afecta a responsabilidade do individuo. Admite-se que o erro pode ser vencido
através de investigação individual ou colectiva, orientação e outros mecanismos.
2.2.2. Aspectos da natureza do juízo da consciência do Homem
Segundo Savoia (1989), o aspecto da consciência não é posta em dúvida. Há diversas opiniões
em relação a isso.
Alguns Sentimentalista, defendem que a consciência é uma espécie de estado que nos dá a
conhecer o Bem e o Mal e o juízo da consciência está no homem. São criticados pelo simples
factos de serem simplicista e deduzissem o juízo a sensibilidades instintivas, pois os instintos não
podem ser a guia da ética e nem da moral, o instinto é algo cego e o Bem ou Mal depende da
razão do julgamento do homem, apesar da natureza humana ser instintiva (Savoia, 1989).
Conforme Morin (1989), os Evolucionistas, defende que a natureza do juízo da consciência é
adquirida pela experiência, aperfeiçoamento e pela educação. Pela influência social começa o
homem a compreender o que é Bom e Mau. As normas, as leis e maneiras de viver, vão
transformar estas normais de forma extrema para o homem assumir a si mesmo, interiorizar e
tornar consciente. “ a consciência é a voz da liberdade e manifesta-se pela pessoa social. Esta
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visão, também é criticada pelo simples factos de reduzir o homem a própria sociedade adapta-se a
realidade própria da sociedade.
Para Sawaia (2006), os Racionalista, apresenta a sua visão, admitem que a natureza do juízo da
consciência é a razão ou intelecto e que as leis morais e éticas são criação da razão humana.
Existe uma obrigatoriedade sobre o juízo da consciência humano fazer uma distinção entre razão
teórica e prática. Neste caso, a razão teórica entende-se como capacidade natural de distinguir a
verdade e o erro enquanto a razão prática, o movimento originário e espontâneo da razão bem
essencial ou principal.
A razão formula regras de acção e nos leva a seu comportamento impondo a verdade por meio do
imperativo categórico das obrigações dum princípio social.
Quer dizer, boa vontade de agir do homem consiste em conformar-se com as leis e devem ser
cumpridas sem sentimento. As acções do homem se impõem por si só independentemente da
vantagem que esta pode originar. O juízo da consciência do homem é a principal e autónoma
devido ao seu intelecto e não provém duma conduta ou norma superior, nasce do homem e o fim,
é a razão. Conclui-se que é preciso agir sob imperativos porque, a razão humano criada é para
definir o Bem e Verdade, quer dizer, nesta concepção dá-se mais relevo a própria consciência em
relação aos sentimentos (Sawaia, 2006).
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CAPÍTULO III: CONCLUSÃO, REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
3. Conclusão
Dado o fim o trabalho, conclui-se que em ética a capacidade reflexiva que nos leva ao agir
pressupõe-se a vontade e a liberdade e outros elementos e, o raciocínio faz parte na determinação
do agir, pois este consiste na determinação do conhecimento lógico. Este raciocínio pode ser
dedutivo ou indutivo, dependentemente da situação.
Para Searle, não importa ainda se sabemos ou não como o cérebro deve estar estruturado para que
assim surja a consciência. Searle acredita que a causa da consciência é o cérebro, mas isso não
quer dizer que o problema esteja resolvido. Trata-se de entender que os processos neurais causam
a consciência, mas desta própria consciência resultará novas propriedades intrínsecas a ela
mesma, a saber, a qualidade, a subjectividade e a unidade.
Os Evolucionistas, defende que a natureza do juízo da consciência é adquirida pela experiência,
aperfeiçoamento e pela educação. Pela influência social começa o homem a compreender o que é
Bom e Mau. As normas, as leis e maneiras de viver, vão transformar estas normais de forma
extrema para o homem assumir a si mesmo, interiorizar e tornar consciente. “ a consciência é a
voz da liberdade e manifesta-se pela pessoa social. Esta visão, também é criticada pelo simples
factos de reduzir o homem a própria sociedade adapta-se a realidade própria da sociedade.
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4. Referências Bibliográficas
COMPENHOUDT,lucivan, Introdução a analise dos fenomenos sociais, gradiva, Lisboa 2003.
FICHER, Gustave, Psicologia social e do Ambiente, PrespectivaEcologica,Lisboa 1994.
Hortelano,A. Moral responsável, edição Paulista, Lisboa 1970.
LANE, Silvia T. Maurer. O que é psicologia social. 22. ed. São Paulo: Brasiliense, 2006.
MORIN, Edigar, Introdução ao Pensamento ético, edição Paulista, Lisboa, 1989.
MYERS, David G. Psicologia Social. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2000.
SAVOIA, Mariângela Gentil. Psicologia social. São Paulo: McGraw-Hill, 1989.
SAWAIA, Bader (Org.). As artimanhas da Exclusão: análise psicossocial e ética da desigualdade
social. 6. ed. Petrópolis, 2006.
SOUZA, Ricardo Timm. Ética como fundamento: uma introdução à Ética contemporânea. São
Leopoldo, Nova Harmonia, 2004.
Teles e Henriques, Introdução a ética filosofia, Porto Editora, Lisboa, 1989.
VON UEXKULL, J. Os Mundos dos Animais e dos Homens. Tradução Portuguesa. Lisboa:
Enciclopedia LBL, 1934.