0% acharam este documento útil (0 voto)
34 visualizações12 páginas

Anatomia e Fisiologia do Sistema Respiratório

Enviado por

feliphe2131
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
34 visualizações12 páginas

Anatomia e Fisiologia do Sistema Respiratório

Enviado por

feliphe2131
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

MONICK LEBRÃO

1
MED XIV- FASAVIC

APG 15: “FALTOU O AR”


OBJETIVO 1: RELEMBRAR A ANATOMIA E A FISIOLOGIA DA ÁRVORE TRAQUEOBRÔNQUICA.
Os órgãos do sistema respiratório incluem o nariz, a cavidade A cartilagem do septo forma a margem anterior do nariz, chamada
nasal e os seios paranasais; a faringe; a laringe; a traqueia; os dorso do nariz. O ápice (ponta) do nariz é formado pelas
brônquios e seus ramos menores; e os pulmões, que contêm os cartilagens alares maiores, e a margem lateral da narina, a asa, é
sacos de ar terminais, ou alvéolos. formada por tecido conjuntivo denso fibroso. A grande variação
no tamanho e na forma do nariz se deve em grande parte às
Em termos funcionais, essas estruturas respiratórias são diferenças nas cartilagens nasais.
divididas nas partes de condução e de respiração.

ZONA CONDUTORA
A parte de condução inclui as vias de passagem respiratórias que
transportam o ar para os locais de troca gasosa; suas estruturas
também filtram, umidificam e aquecem o ar que passa por elas.
Desse modo, o ar que chega aos pulmões contém muito menos
poeira do que continha quando entrou pelo nariz, sendo
aquecido e eliminado.

ZONA RESPIRATÓRIA
A parte de respiração, o local real da troca gasosa nos pulmões,
é composta pelas vias de passagem respiratórias terminais que
contêm os alvéolos — ou seja, bronquíolos respiratórios, ductos CAVIDADE NASAL
alveolares e sacos alveolares. A cavidade nasal situa-se imediatamente posterior ao nariz
externo. Durante a respiração, o ar entra nessa cavidade,
passando pelas narinas, na base do nariz externo.
A cavidade nasal é dividida nas metades direita e esquerda pelo
septo nasal na linha mediana.
Posteriormente, a cavidade nasal é contínua à parte nasal da
faringe (nasofaringe) por meio de aberturas nasais posteriores,
os cóanos (“funis”), ou narinas internas. O teto da cavidade
nasal é formado pelos ossos etmoide e esfenoide; seu assoalho é
composto pelo palato, que separa as cavidades nasal e bucal e
mantém o alimento fora das vias aéreas. Anteriormente, onde o
palato contém os processos horizontais dos ossos palatinos e os
processos palatinos das maxilas, ele se chama palato duro; a
parte posterior, é o palato mole muscular.
A parte da cavidade nasal situada imediatamente acima das
narinas, no interior das asas do nariz externo, é o vestíbulo do
nariz (“entrada”). Ele é revestido com pele contendo glândulas
NARIZ sebáceas e sudoríferas, além de muitos folículos pilosos. Os pelos
O nariz é a única parte do sistema respiratório visível nasais, ou vibrissas, filtram grandes partículas (até mesmo
externamente. insetos), do ar inspirado.

Suas principais funções são: Posteriormente, a cavidade nasal é revestida com dois tipos de
membrana mucosa:
 Proporciona uma via aérea para a respiração;
 Umidifica e aquece o ar inspirado; (1) a pequena lâmina de mucosa olfatória perto do teto da
 Filtra o ar para limpá-lo das partículas estranhas; cavidade nasal, que abriga os receptores olfatórios e
 Serve como uma câmara de ressonância para a fala; (2) a mucosa respiratória, uma membrana mucosa que reveste a
 Abriga os receptores olfatórios; ampla maioria das vias da parte de condução.
 Detecção de estímulos olfatórios.
As estruturas do nariz são divididas em nariz externo e cavidade
nasal (interna). O esqueleto do nariz externo consiste nos ossos MUCOSA RESPIRATÓRIA
frontal e nasal superiormente (formando a raiz e o dorso,
respectivamente), nas maxilas lateralmente e nas placas flexíveis A mucosa respiratória consiste em epitélio pseudoestratificado
de cartilagem hialina inferiormente (as cartilagens lateral, do septo colunar (prismático) ciliado e uma lâmina própria de tecido
nasal e alar). conjuntivo subjacente. Essa lâmina própria é rica em glândulas
tubuloalveolares compostas que contêm células mucosas e
células serosas. (As células mucosas secretam muco, enquanto
MONICK LEBRÃO
2
MED XIV- FASAVIC

as células serosas nas glândulas secretam um fluido aquoso nasal, são revestidos pela mucosa respiratória e desempenham
contendo enzimas digestórias.) Todos os dias, as glândulas nasais as mesmas funções de processamento do ar realizadas pela
e as células caliciformes epiteliais secretam aproximadamente um cavidade nasal. Seu muco drena para as cavidades nasais, e o
quarto de muco contendo lisozima, uma enzima que digere e efeito de sucção provocado pelo ato de assoar o nariz também
destrói bactérias. ajuda a drená-los.
O muco pegajoso forma uma lâmina que cobre a superfície da
mucosa e aprisiona a poeira inalada, bactérias, pólen, vírus e
outros detritos do ar. Desse modo, uma função importante da
mucosa respiratória é filtrar o ar inalado.
As células ciliadas criam uma corrente suave que move a lâmina de
muco contaminado em direção posterior para a faringe, onde é
deglutida. Assim, as partículas filtradas do ar acabam sendo
destruídas pelos sucos digestivos no estômago. Além disso, a
lâmina de muco é uma película molhada que umidifica o ar
inalado.
A mucosa nasal é ricamente suprida por terminações nervosas
sensitivas do nervo trigêmeo, NCV. Um reflexo de espirro é
estimulado quando partículas irritantes (poeira, pólen etc.) entram
em contato com essa mucosa sensível. O espirro resultante impele
o ar para fora em uma explosão violenta, expelindo as FARINGE
partículas irritantes do nariz.
A faringe é uma passagem em forma de funil que une as cavidades
Quando a temperatura do ar inalado cai, como acontece quando nasal e oral respectivamente com a laringe e o esôfago,
você sai de casa em um dia frio, os plexos vasculares inferiormente. Ela desce da base do crânio até o nível de C VI e
respondem enchendo-se com sangue quente, o que intensifica o serve como via de passagem comum para o alimento e o ar.
processo de aquecimento do ar. Devido à abundância e
localização superficial desses vasos, os sangramentos nasais são No contexto do trato digestório, a faringe costuma ser chamada
comuns e frequentemente profusos. de garganta.
Com base na localização e na função, de superior para inferior
a faringe é dividida em nasal, oral e laríngea.

CONCHAS NASAIS
Existem três estruturas espiraladas cobertas por mucosa
PARTE NASAL DA FARINGE
medialmente: as conchas nasais superior e média do osso
etmoide e a concha nasal inferior, que é um dos ossos da face. O A parte nasal da faringe é diretamente posterior à cavidade nasal,
sulco inferior a cada concha é um meato nasal. inferior ao osso esfenoide e superior ao palato mole.
As conchas e a mucosa nasal funcionam durante a inspiração Como está acima do nível de entrada do alimento, ela serve
filtrando, aquecendo e umidificando o ar. Durante a expiração, apenas como via de passagem de ar. Durante a deglutição, o
elas recuperam esse calor e umidade. O ar inspirado resfria as palato mole e sua úvula se refletem superiormente, uma ação
conchas e depois, durante a expiração, essas conchas resfriadas que fecha essa parte da faringe e impede a entrada de alimento
precipitam a umidade e extraem calor do ar úmido que flui ao na cavidade nasal.
longo delas. Esse mecanismo de recuperação minimiza a
quantidade de umidade e calor perdidos pelo corpo por meio da Quando uma pessoa ri enquanto bebe, essa ação de vedação
respiração, ajudando as pessoas a sobreviver nos climas secos falha, e os líquidos podem ser aspergidos pelo nariz.
e frios.
A parte nasal da faringe é contínua à cavidade nasal, por meio
dos cóanos (aberturas nasais posteriores), e seu epitélio
pseudoestratificado ciliado assume a função de impelir o muco
SEIOS PARANASAIS onde não existe mais a mucosa nasal, de modo que o muco
empoeirado é impelido inferiormente através da parte nasal da
A cavidade nasal é circundada por um anel de cavidades cheias faringe. Na linha média da sua parte mais superior e posterior
de ar chamadas seios paranasais, situados nos ossos frontal,
esfenoide, etmoide e maxilas. Esses seios se abrem na cavidade
MONICK LEBRÃO
3
MED XIV- FASAVIC

encontra-se a tonsila faríngea, um órgão linfático que destrói os PARTE LARÍNGEA DA FARINGE
patógenos que entram com o ar na nasofaringe.
Assim como a parte oral acima dela, a parte laríngea da faringe
serve como via de passagem comum para o alimento e o ar,
sendo revestida por um epitélio estratificado pavimentoso.
Localizada posteriormente à laringe, que leva o ar para o trato
respiratório, e contínua ao esôfago, que conduz o alimento e os
líquidos para o estômago, e se estende até a margem inferior da
cartilagem cricóidea.

O óstio faríngeo da tuba auditiva, que drena a orelha média,


abre-se em cada parede lateral da parte nasal da faringe. Uma
crista de mucosa faríngea posterior a cada abertura constitui o
toro tubário, cuja mucosa da sua parte posterior contém a tonsila A estrutura da laringe é uma organização intrincada de nove
tubária, que proporciona à orelha média alguma proteção contra cartilagens conectadas por membranas e ligamentos. A grande
infecções que possam se espalhar a partir da faringe. cartilagem tireóidea, em forma de escudo e composta por duas
lâminas cartilagíneas, lembra um livro aberto em pé, com a
“lombada” na linha média anterior do pescoço.
PARTE ORAL DA FARINGE Superiormente nessa “lombada” destaca-se a proeminência
laríngea, em forma de crista e visível sob a pele do pescoço como
A parte oral da faringe situa-se posteriormente à cavidade oral; o “pomo de Adão”.
sua entrada arqueada, diretamente atrás da boca, são as fauces
(“garganta”). Inferior à cartilagem tireóidea encontra-se a cartilagem cricóidea
(“círculo”), a única cartilagem laríngea a formar um anel completo.
A parte oral da faringe estende-se inferiormente a partir do nível Ela está situada no topo da traqueia. Três pares de pequenas
do palato mole até o nível da epiglote (uma aba posterior à cartilagens situam-se imediatamente acima da cartilagem
língua). cricóidea na parte posterior da laringe: as cartilagens
Tanto o alimento deglutido quanto o ar inspirado passam por aritenóideas (parecidas com conchas), as cartilagens corniculadas
ela. À medida que a parte nasal se continua com a parte oral da (“pequenos cornos”) e as cartilagens cuneiformes (“em forma de
faringe, o epitélio que a reveste muda para estratificado cunha”).
pavimentoso (não queratinizado) protetor espesso. Essa As mais importantes entre elas são as cartilagens aritenóideas,
adaptação estrutural reflete um maior atrito e trauma químico que ancoram as pregas vocais. A nona cartilagem da laringe, a
que acompanham a passagem do alimento deglutido pela parte epiglote, em forma de folha, é composta de cartilagem elástica
oral da faringe. (cartilagem epiglótica), sendo quase inteiramente coberta por
Dois tipos de tonsilas estão relacionados com a sua mucosa: o mucosa. Ela se conecta na face posterior da língua.
par de tonsilas palatinas situa do nas paredes laterais das fauces, Durante a deglutição, a laringe inteira é empurrada para cima, e
e a tonsila lingual ímpar, que cobre a superfície posterior da a epiglote inclina -se para baixo, cobrindo e vedando a entrada
língua. (ádito) da laringe. Essa ação mantém o alimento fora das vias
respiratórias inferiores.
A entrada na laringe de qualquer coisa que não seja ar inicia o
reflexo da tosse, que expele a substância e impede que ela
avance para os pulmões.
Embora a posição baixa da laringe nos torne mais suscetíveis aos
engasgos, ela é essencial para a fala humana. Sua localização
inferior nos permite um maior movimento da língua na formação
dos sons e uma faringe excepcionalmente longa, que age como
uma câmara de ressonância dos sons das vogais que
produzimos.
MONICK LEBRÃO
4
MED XIV- FASAVIC

Dentro da laringe, pares de ligamentos vocais seguem INERVAÇÃO DA LARINGE


anteriormente desde as cartilagens aritenóideas até a cartilagem
tireóidea. Esses ligamentos, compostos em grande parte de fibras A laringe recebe sua inervação sensitiva e motora de um ramo
elásticas, formam o núcleo de um par de pregas mucosas laríngeo superior do nervo vago e do nervo laríngeo recorrente,
chamadas pregas vocais (cordas vocais verdadeiras). ramo do vago na região superior do tórax que, em curva
ascendente, dirige-se para o pescoço.
O dano a esses nervos promove perturbações da fala.
A transecção de um nervo laríngeo recorrente imobiliza uma prega
vocal, produzindo um grau de rouquidão. Em tais casos, a outra
prega vocal consegue compensar e a fala continua quase normal.
No entanto, se ambos os nervos laríngeos recorrentes forem
cortados, perde-se completamente a fala (exceto o sussurro).

TRAQUEIA
A traqueia é um tubo flexível à laringe e entra no mediastino;
ela termina na parte média do tórax, dividindo-se em dois
brônquios principais (brônquios primários ou de 1a ordem).

O ar expirado dos pulmões faz com que elas vibrem em um


movimento de onda, produzindo os sons básicos da fala.
As pregas vestibulares definem uma cavidade similar a uma fenda
entre si mesmas e as pregas vocais que melhora os sons de alta
frequência, funcionando como o alto-falante de sons agudos
(tweeter) nas caixas de som estéreo.
O epitélio que reveste a parte superior da laringe, uma área
sujeita ao contato dos alimentos, é estratificado pavimentoso
A parede da traqueia contém de 16 a 20 anéis de cartilagem
não queratinizado. Abaixo das pregas vocais, o epitélio é
hialina (as cartilagens traqueiais), em forma de C, unidos uns
pseudoestratificado colunar ciliado e aprisiona a poeira. Nesse
aos outros por membranas intervenientes de tecido conjuntivo
epitélio, a força motriz dos cílios segue na direção da faringe, de
fibroelástico. Consequentemente, a traqueia é suficientemente
modo que o muco que aprisiona o pó é movido continuamente
flexível para permitir o encurvamento e o estiramento, mas os
para cima a partir dos pulmões.
anéis cartilagíneos a impedem de colapsar e mantêm a via aérea
“Limpar a garganta” ajuda a mover esse muco para cima e para aberta, apesar das mudanças de pressão que ocorrem durante a
fora da laringe. respiração.
Como a parede posterior da traqueia não é rígida, o esôfago
consegue se expandir na direção anterior à medida que o alimento
PRODUÇÃO DE VOZ deglutido passa por ele. A contração do músculo traqueal
diminui o diâmetro da traqueia: durante a tosse e o espirro, essa
A fala ocorre por meio da liberação intermitente do ar expirado ação ajuda a expelir partículas irritantes da traqueia acelerando
e da abertura e fechamento da glote. À medida que o o ar expirado a uma velocidade de 165 km/h.
comprimento e a tensão das pregas vocais se modificam, a altura
do som produzido também se altera. Geralmente, quanto mais Uma crista no interior da última cartilagem traqueal, chamada
tensas as pregas vocais, mais rápido o ar expirado as faz vibrar e carina, marca o ponto onde a traqueia se ramifica nos dois
maior é a altura do som. brônquios principais. A mucosa que reveste a carina é altamente
sensível a substâncias irritantes, sendo o local onde costuma
A intensidade da voz depende da força com que o ar passa pelas desencadear-se o reflexo da tosse.
pregas vocais. Quanto maior a força, mais fortes as vibrações e
mais intenso o som. As pregas vocais não se movem quando A estrutura microscópica da parede da traqueia consiste em
sussurramos, mas vibram vigorosamente quando gritamos. várias camadas comuns a muitos órgãos tubulares do corpo:
mucosa, submucosa e adventícia. A mucosa consiste em um
epitélio interno e uma lâmina própria. O epitélio é o mesmo
FUNÇÕES DE ESFÍNCTER DA LARINGE epitélio pseudoestratificado filtrador de ar que ocorre na maior
parte do trato respiratório; seus cílios impelem continuamente as
Em certas condições, as pregas vocais agem como um esfíncter camadas de muco carregado de poeira na direção da faringe.
que impede a passagem do ar. Durante o esforço abdominal, como
acontece quando fazemos força para defecar, os músculos A lâmina própria contém muitas fibras elásticas e é separada da
abdominais contraem e a glote se fecha para impedir a expiração, submucosa por uma lâmina de elastina (não ilustrada). Essa
elevando a pressão intratorácica e intra-abdominal. proteína, que também ocorre em todos os tubos de ar menores,
permite que a traqueia se alongue durante a inspiração e recue
Esses eventos, chamados coletivamente manobra de Valsalva, durante a expiração.
ajudam a evacuar o reto; eles também estabilizam o tronco
quando erguemos uma carga pesada.
MONICK LEBRÃO
5
MED XIV- FASAVIC

A submucosa (“abaixo da mucosa”), outra camada de tecido As cartilagens traqueais são substituídas por peças cartilagíneas
conjuntivo, contém glândulas com células serosas e mucosas, irregulares à medida que os brônquios principais entram nos
chamadas glândulas seromucosas, que ajudam a produzir as pulmões.
camadas de muco dentro da traqueia. As cartilagens traqueais, o
tecido conjuntivo fibroelástico que as conecta, e a parede No nível dos bronquíolos, a cartilagem de sustentação não está
membranácea com o músculo traqueal situam-se no lado externo mais presente nas suas paredes. Por outro lado, a elastina, que
da submucosa e formam a camada fibromusculocartilaginosa da ocorre nas paredes de toda a árvore bronquial, não diminui.
traqueia. A camada externa de tecido conjuntivo é a adventícia.
 O epitélio torna-se delgado à medida que muda de
ÁRVORE BRONQUIAL pseudoestratificado para simples prismático (colunar) e
depois para simples cúbico nos bronquíolos terminais e
BRÔNQUIOS NA PARTE DE CONDUÇÃO respiratórios.

Os brônquios principais direito e esquerdo, também chamados Nem os cílios nem as células produtoras de muco estão presentes
brônquios de primeira ordem, são os maiores tubos da árvore nesses bronquíolos, onde terminam as camadas de muco para a
bronquial, um sistema tubular que se ramifica amplamente no filtragem do ar.
interior dos pulmões.
As partículas de poeira que ultrapassem os bronquíolos não ficam
aprisionadas no muco, mas são removidas por macrófagos nos
alvéolos.

 O músculo liso passa a ser importante.


Uma camada de músculo liso aparece pela primeira vez na
parede posterior da traqueia, o músculo traqueal, e continua
nos grandes brônquios.
Essa camada forma faixas helicoidais que envolvem os
brônquios menores e os bronquíolos, e regulam a quantidade
de ar que entra nos alvéolos.
A musculatura relaxa para alargar os tubos de ar durante a
estimulação simpática, aumentando o fluxo de ar quando
as necessidades respiratórias são grandes, e constringe
esses tubos sob controle parassimpático quando as
necessidades respiratórias são baixas.
Os dois brônquios principais são ramos da traqueia no Fortes contrações dos músculos lisos nos brônquios estreitam os
mediastino. Essa bifurcação ocorre no nível do ângulo do esterno tubos de ar durante as crises de asma.
(T IV) nos cadáveres, mas nos indivíduos vivos ele está tipicamente
em uma posição mais inferior, aproximadamente no nível de T VII. A musculatura lisa é delgada quando chega à extremidade da
árvore de bronquíolos e está ausente em volta dos alvéolos.
Cada brônquio principal segue de modo oblíquo através do
mediastino antes de mergulhar na fenda medial (hilo) do pulmão.
Os brônquios principais são imediatamente posteriores aos PARTE DE RESPIRAÇÃO
grandes vasos pulmonares que suprem os pulmões. Como o
Essa parte é o final da árvore respiratória nos pulmões e consiste
brônquio principal direito é mais largo, mais curto e mais vertical
em estruturas que contêm câmaras de troca de ar chamadas
do que o esquerdo, um objeto inspirado acidentalmente — como
alvéolos.
um botão ou uma bola de gude — tende mais a se alojar no
brônquio principal direito.
À medida que se aproximam e entram nos pulmões, os
brônquios principais se dividem nos brônquios secundários, ou
brônquios lobares (de segunda ordem) — três à direita e dois à
esquerda —, com cada um deles ventilando um lobo pulmonar.
Os brônquios lobares se ramificam nos brônquios segmentares
(de terceira ordem), que por sua vez se dividem repetidamente
em brônquios menores: quarta ordem, quinta ordem etc.
Os tubos menores de 1 mm de diâmetro também são chamados
bronquíolos (“pequenos brônquios”), e os menores que estes, os
bronquíolos terminais, têm menos de 0,5 mm de diâmetro.
Os tecidos que compõem a parede de cada brônquio principal são As primeiras estruturas da parte de respiração, que se ramificam
os mesmos observados na traqueia, mas à medida que os tubos de dos bronquíolos terminais (da parte de condução) são os
condução ficam menores ocorrem as seguintes mudanças: bronquíolos respiratórios.
Eles podem ser reconhecidos pelos alvéolos dispersos que se
 Os tecidos conjuntivos de sustentação mudam.
projetam de suas paredes. Os bronquíolos respiratórios levam
MONICK LEBRÃO
6
MED XIV- FASAVIC

aos ductos alveolares, cujas paredes são formadas quase As substâncias mais comuns são os resíduos gástricos e as
inteiramente por alvéolos. Os ductos alveolares conduzem aos secreções colonizadas contidas na cavidade orofaríngea,
agrupamentos terminais de alvéolos chamados sacos favorecendo a ocorrência de pneumonite aspirativa e/ou
alveolares. pneumonia.
Cerca de 400 milhões de alvéolos cheios de ar se apinham nos
pulmões, contribuindo para a maior par te do volume pulmonar
e proporcionando uma enorme superfície para a troca gasosa. CLASSIFICAÇÃO

A parede de cada alvéolo consiste em uma única camada de A aspiração broncopulmonar pode ser aguda ou crônica.
células epiteliais pavimentosas, chamadas pneumócito tipo I (ou
1. AGUDA
célula alveolar pavimentosa).
Pode ocorrer desde o período neonatal até a adolescência.
As superfícies externas dos alvéolos são densamente cobertas com
uma “teia de aranha” de capilares pulmonares, cada um deles 2. CRÔNICA
circundado por uma luva delgada de tecido conjuntivo frouxo.
Juntas, as paredes dos alvéolos e dos capilares e suas lâminas Podem ocorrer devido a Doença do Refluxo Gastroesofágico
basais fundidas formam a membrana respiratória, onde o (DRGE) com aspiração do conteúdo gástrico e alimentos, em função
oxigênio e o dióxido de carbono são trocados entre os alvéolos de distúrbios da deglutição com predomínio de alimentos, saliva e
e o sangue. secreções brônquicas.

O ar está presente no lado alveolar da membrana e o sangue Está diretamente ligado a disfagia (dificuldade de engolir
flui no lado capilar. Os gases passam facilmente através dessa alimentos e líquidos, a percepção de “arranhar”, ou ficar “presa”
fina membrana: O oxigênio se difunde dos alvéolos para o a comida ou bebida na passagem da garganta).
sangue, e o dióxido de carbono, do sangue para os alvéolos
Doenças neurológicas como o coma e epilepsia, as quais são
cheios de ar. Espalhadas entre os pneumócitos tipo I nas paredes
aspirados saliva e conteúdo gástrico podem ocasionar casos de
alveolares encontram -se as células epiteliais cúbicas chamadas
aspiração crônica.
pneumócitos tipo II, que secretam surfactante, um fluido que cobre
internamente as superfícies alveolares. Esse fluido contém uma Outra causa é a síndrome adeno-tonsilo-sinusal, com aspiração de
substância similar a um detergente, que reduz a tensão superficial secreções infectadas.
dentro dos alvéolos. Sem esse surfactante, as paredes internas
do alvéolo se juntariam durante a expiração. A síndrome de aspiração também pode ser classificada de acordo
com o tipo de material aspirado em: irritativa, infeciosa e
É importante destacar ainda as seguintes características: obstrutiva.
 Os alvéolos são circundados por finas fibras elásticas; 1. IRRITATIVA
 Os alvéolos adjacentes são interconectados por poros
alveolares, que permitem que a pressão do ar seja Encontra pneumonites químicas por ácido, hidrocarbonetos, óleo
equalizada no pulmão inteiro e proporcionam rotas vegetal, mecônio, álcool e gordura animal.
alternativas para o ar alcançar os alvéolos cujos 2. ASPIRAÇÃO INFECCIOSA
brônquios entraram em colapso devido a uma doença.
Ocorre aspiração de saliva e secreções contaminadas.
 As superfícies alveolares internas proporcionam um local
3. ASPIRAÇÃO OBSTRUTIVA
para o movimento livre dos macrófagos alveolares, que
vivem realmente no espaço de ar e removem as São causadas por afogamento e aspiração de corpos estranhos.
partículas inaladas mais finas que não foram
aprisionadas pelo muco. FISIOPATOLOGIA
Os macrófagos cheios de partículas migram superiormente, dos O engasgo acontece porque o alimento entrou no caminho do
alvéolos “sem saída” para os brônquios, onde a ação ciliar os sistema respiratório.
transporta para a faringe para serem deglutidos.
 Isso ocorre por uma falha na epiglote, válvula que está sempre
OBJETIVO 2: EXPLICAR A FISIOPATOLOGIA, aberta para a passagem de ar.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS E COMPLICAÇÕES DA  Essa epiglote pode abrir e fechar, independentemente da
BRONCOASPIRAÇÃO. nossa vontade, por várias vezes ao longo do dia, regulando a
passagem do ar e dos alimentos.
- Contemplar a Manobra de Heimlich em adultos e crianças.

BRONCOASPIRAÇÃO

INTRODUÇÃO
A broncoaspiração ou aspiração broncopulmonar é a entrada de
conteúdo, endógeno ou exógeno, colonizados por bactérias
residentes, ou não, do tubo digestivo para o trato respiratório
inferior (traqueia, brônquios e pulmões), ocasionando alterações
inflamatórias e crescimento bacteriano.
MONICK LEBRÃO
7
MED XIV- FASAVIC

Às vezes, a laringe falha no fechamento, principalmente quando  Doença Neurológica: Distrofia muscular, tumor de sistema
comemos muito rápido, assim, o alimento que deveria ir para o nervoso central, polineuropatia, acidente vascular
esôfago passa pelo caminho errado, ou seja, ele é desviado para encefálico, traumatismos cranianos, doença de Parkinson;
a laringe.  Alteração do nível de consciência: escala de RASS
(Escala de Agitação e Sedação de Richmond) com
 Nossa laringe existe apenas para receber ar e controlar pontuação diferente de zero;
sons da nossa fala, recebendo alimento ela sofre uma  Intubação Orotraqueal: Permaneceu em IOT (intubação
irritação, que é o engasgo. orotraqueal) mais de 48 horas e foi extubado;
 Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica descompensada:
 Assim que a laringe percebe que não é ar que está ali, em uso de antibioticoterapia, corticoterapia sistêmica e
suas terminações nervosas reagem, provocando a tosse inalatória, broncodilatador e imunomodulados;
para expelir o material que pegou o caminho do  Disfagia mecânica: por doença de cabeça e pescoço,
aparelho respiratório. buco maxilo facial e traumas de face;
 Outros: Gestantes; obesos; íleo adinâmico.
Objetos maiores tendem a impactar-se na via aérea proximal,
podendo ocasionar uma obstrução completa seguida de parada MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
respiratória, enquanto os objetos menores atingem as vias aéreas
mais distais, produzindo uma obstrução total ou parcial do Os principais sintomas de broncoaspiração podem ser:
segmento pulmonar.
 Tosse ou engasgo;
 Quando a obstrução é parcial, eles desencadeiam  Regurgitação;
um mecanismo que permite a entrada de ar no  Dor ou impossibilidade de engolir;
pulmão durante a inspiração, mas não permite toda  Problemas para falar;
a saída durante a expiração, ocasionando um
 Excesso de saliva;
enfisema obstrutivo.
 Engasgo;
Um importante fator protetor que possuímos contra a regurgitação  Pigarro;
é a competência do esfíncter esofágico inferior, o qual pode  Desconforto respiratório durante ou após a alimentação;
suportar uma pressão intragástrica de até 20 cm de H₂O no seu  Presença de resto alimentar orotraqueal;
estado normal. Na falha deste mecanismo, o vômito pode ocorrer  Cianose durante ou após alimentação;
favorecendo a broncoaspiração.  Apneia;
 Em lactentes: presença de leite na boca ou narinas nos
A broncoaspiração também cursa com aumento da intervalos das mamadas;
permeabilidade capilar pulmonar e diminuição da complacência
 Vômitos.
exigindo suporte ventilatório com pressão positiva.
Nesse sentido, a aspiração leva a uma tosse paroxística e apneia COMPLICAÇÕES
em grau variável, com asfixia, levando a morte, dependendo do As principais complicações ocasionadas pela broncoaspiração
material aspirado tais como: volume, capacidade de lesar os incluem: pneumonite, pneumonia e atelectasia.
tecidos e tamanhos das partículas.
Se ficar alojado em laringe ou faringe, os sintomas aparecem em
tempo variável após o incidente, muitas vezes demorando a se PNEUMONITE
manifestar causando dissociação entre causa e efeito, o chamado
“período de silencio”. Refere-se à aspiração das substâncias que são tóxicas para as vias
respiratórias inferiores, independentemente da infecção
Quando o objeto ingerido tem um calibre superior ao dos brônquios bacteriana.
ele pode ficar livre na traqueia, havendo o risco de ele encravar-
se na glote. Nessa situação os sinais de localização não aparecem
e temos tosse, estridores, sibilos e retração simulando um quadro
de laringite.

FATORES DE RISCO
Algumas situações ou condições clínicas comprometem a proteção
fisiológica das vias aéreas inferiores, alterando principalmente o
correto fechamento glótico e o reflexo da tosse, dentre elas:

 Distúrbios de deglutição;
 Doença do Refluxo Gastroesofágico;
 Lesão mecânica na glote ou no esfíncter esofágico
inferior devido à traqueostomia, intubação endotraqueal,
broncoscopia, endoscopia digestiva alta ou alimentação
por sonda nasogástrica;
 Ausência de jejum adequado no processo de anestesia
geral;
 Anestesia utilizando máscara laríngea;
Uma pneumonite química pode instalar-se nos casos em que o pH
for menor do que evoluindo com processo inflamatório 4h após
MONICK LEBRÃO
8
MED XIV- FASAVIC

a aspiração. A presença de atelectasias e broncoespasmo não é A maioria dos pacientes apresenta manifestações comuns de
infrequente. pneumonia, incluindo tosse, febre, expectoração purulenta e
dispnéia, mas o processo se desenvolve ao longo de um período de
Estudos subsequentes mostraram que esta forma de aspiração vários dias ou semanas. Muitos pacientes apresentam
geralmente segue um curso mais fulminante, pois a lesão emagrecimento e anemia como características comuns de um
pulmonar por aspiração de conteúdo gástrico ocorre em processo mais crônico.
segundos, e que pode resultar na síndrome de angústia
respiratória aguda (SARA). Diferentemente da pneumonia comum, a pneumonia por
aspiração é causada por bactérias presentes na flora do TGI,
Nesses casos, a gasometria arterial geralmente mostra que a sendo, portanto, menos virulentas. A maioria dos casos envolvem
pressão parcial de oxigênio é reduzida, acompanhada por uma bactérias anaeróbias e estreptococos aeróbio ou microaerófilos
pressão parcial normal ou baixa de CO2, com alcalose que normalmente residem nas fendas gengivais. Existe uma
respiratória. associação com a doença periodontal, e esta complicação é menos
Dentro de três minutos, ocorre atelectasia, hemorragia comum em pacientes com boa higiene dental e aqueles que não
peribrônquica, edema pulmonar, e a degeneração das células apresentam dentição.
epiteliais brônquicas. Em quatro horas, os espaços alveolares são A microaspiração oriunda de secreção das vias aéreas superiores,
preenchidos por leucócitos polimorfonucleares e fibrina. devido ao vazamento do balonete do tubo endotraqueal, tem sido
Membranas hialinas são vistas dentro de 48 horas. reconhecida como a principal causa de pneumonia pós-intubação.
O pulmão neste momento torna-se edemaciado, com focos
hemorrágicos e com consolidações alveolares. Todos os
resultados acima descritos também foram observados na ATELECTASIA
autópsia de pacientes com pneumonite fatal. O mecanismo
presumido é a liberação de citocinas pró-inflamatórias, fator de É a perda de volume ou ausência de ar no pulmão.
necrose tumoral-alfa (TNF-a) e interleucina (IL) – 8.
As seguintes características clínicas devem levantar a
possibilidade de pneumonite química:

 Início abrupto dos sintomas com dispnéia em destaque;


 Febre, que é geralmente baixa;
 Cianose;
 Crepitantes difusos na ausculta pulmonar; A etiologia com desfecho mais grave é a aspiração de corpo
 Hipoxemia grave e estranho, que é mais comum em crianças.
 Infiltrados na radiografia do tórax nos segmentos
pulmonares envolvidos. Os sintomas são dor torácica, tosse e dispneia.
O diagnóstico é confirmado no raio-x de tórax. Nesse caso, deverá
ser realizada broncoscopia flexível com a finalidade de retirar o
PNEUMONIA POR ASPIRAÇÃO corpo estranho, com brevidade
A pneumonia de aspiração refere-se às consequências MANOBRAS EM ADULTOS
pulmonares resultantes da entrada anormal de líquidos,
substâncias exógenas, partículas, ou secreções endógenas para A conduta para uma vítima de Obstrução das vias aéreas por
as vias aéreas inferiores e aspiração de microorganismos da corpos estranhos (OVACE) vai variar para cada caso. Nos casos
cavidade oral ou da nasofaringe. leves, o socorrista não demanda a realização da manobra de
Heimlich, devendo se ater a 3 pontos:

 Acalmar o paciente.
 Incentivar o estímulo da tosse.
 Monitorar o paciente de forma vigilante, pois o quadro
pode se agravar.
Os casos graves dependem se o paciente se encontra responsivo
ou não. Nos pacientes responsivos, deve ser iniciada a
MANOBRA DE HEIMLICH. Se não obtiver sucesso em expulsar o
corpo estranho e você notar que a vítima está prestes a desmaiar,
coloque-a gentilmente no chão (ela vai perder a consciência e
pode evoluir para parada respiratória). Estenda o pescoço da
vítima, facilitando a passagem do ar, abra a boca e tente
visualizar algo que possa estar causando a obstrução. Se
possível retire o corpo estranho. Se não for possível, iniciar as
manobras de reanimação.

 Apresente-se ao paciente e explique o que será feito.


 Se posicione atrás da vítima, com suas pernas entre as
Cerca de 20-30% dos pacientes que apresentarem episódio de dela.
broncoaspiração irão desenvolver pneumonia.
MONICK LEBRÃO
9
MED XIV- FASAVIC

 Abrace a vítima na altura na crista ilíaca. para que as compressões ocorram em região torácica, de modo
 Posicione uma mão com o punho fechado e polegar a não comprimir o processo xifoide.
voltado para região abaixo do apêndice xifoide e a
outra mão espalmada sobre a primeira cobrindo-a. Nos pacientes sentados, a compressão pode ser feita com o
paciente na cadeira.
 Faça compressões rápidas e firmes, para dentro e para
cima, em movimento que lembre um J. No caso de uma vítima sozinha, ela pode se apoiar a uma
 Repetir manobra até sucesso na desobstrução ou até o superfície, como a de uma cadeira, inclinando-se sobre ela, e
paciente perder a consciência. conduzindo seu punho em direção a si mesmo, simulando as
compressões, para tentar expulsar o corpo estranho. Diante do
insucesso, deve-se fazer o movimento sem o uso das mãos,
sendo diretamente na cadeira.

MANOBRAS EM CRIANÇAS DE 1 ANO ATÉ A PUBERDADE


Obstrução da via aérea nas crianças de 1 ano até a puberdade.
Essa é uma situação frequente, que na maioria das vezes ocorre
durante a alimentação ou quando as crianças estão a brincar
com objetos de pequenas dimensões. Muitas vezes são situações
presenciadas, permitindo que o socorro possa ser iniciado de
imediato, ainda com a vítima consciente.
Aproximadamente 80% dos episódios pediátricos de OVACE
ocorrem em crianças menores de 3 anos, com pico de incidência
entre 1 e 2 anos. A apresentação e o diagnóstico nas 24 horas
seguintes à aspiração ocorrem em aproximadamente 50 a 75%
dos casos.
As crianças que apresentam dificuldade respiratória grave, cianose
Nos casos não responsivos, deve-se solicitar uma ajuda
e estado mental alterado apresentam uma verdadeira emergência
especializada imediatamente, deitar o paciente em decúbito dorsal
médica que exige reconhecimento imediato, suporte à vida e
sob uma superfície rígida, checar os pulsos e caso necessário, iniciar
remoção broncoscópica rígida do corpo estranho.
as MANOBRAS DE RCP.
RECONHECIMENTO E AVALIAÇÃO DE GRAVIDADE
Antes de seguir os passos do SBV, deve analisar o ambiente e
segurança do local. Assim como no adulto, os casos de OVACE devem ser
reconhecidos prontamente e avaliados quanto a sua gravidade.
 Vítimas com o pulso ausente, deve-se iniciar
imediatamente a RCP (30:2), enquanto em crianças é Nos casos leves, a vítima apresenta uma obstrução parcial da via
(15:2) aérea, responde aos comandos do socorrista, tosse, chora e está
 Caso o pulso esteja presente, realizar compressões com a respiração preservada. Já nos quadros mais graves, a
torácicas em região intermamilar, com a parte hipotenar vítima, consciente ou inconsciente, apresenta uma obstrução total da
buscando a remoção do corpo estranho. via aérea, não conseguindo falar, chorar ou tossir, além de
 Checar vias aéreas e realizar inspeção a cada ciclo apresentar ruídos na respiração.
(remover corpo estranho se possível).
Quando um corpo estranho entra na via aérea, a criança começa
 As compressões devem continuar até o sucesso da imediatamente a tossir, na tentativa de expelir. A tosse espontânea
expulsão do corpo estranho e retorno à respiração é provável que seja mais eficaz e mais segura do que qualquer
espontânea ou chegada do suporte avançado de vida. manobra que um reanimador execute. No entanto, se a tosse é
ausente ou ineficaz e o objeto obstruir completamente a via
aérea, a criança vai ficar asfixiada necessitando então de
intervenções ativas para a sua resolução.

CONDUTA
Crianças com casos leves de obstrução apresentam uma
abordagem semelhante ao do adulto.

 Acalmar o paciente.
 Incentivar o estímulo da tosse.
 Monitorar o paciente de forma vigilante, pois o quadro
Algumas situações especiais merecem ser abordadas, como é o pode se agravar.
caso da obstrução em pacientes obesos, gestantes, sentados ou Os casos graves em pacientes responsivos devem ser abordados
sozinhos. através da manobra de Heimlich, buscando expulsar o corpo
A abordagem de paciente obeso ou grávida (último trimestre) estranho, caso a vítima esteja prestes a desmaiar ou não
segue o mesmo padrão, sendo adaptada a manobra de Heimlich, demonstrar melhora do quadro, evoluir para uma parada
respiratória, deve-se iniciar as manobras de reanimação.
MONICK LEBRÃO 1
MED XIV- FASAVIC 0

as escápulas, para, em seguida, virar o bebê e realizar 5


compressões torácicas na região intermamilar com 2 dedos.
Feita as compressões, vira a criança e avalia via aérea buscando
corpo estranho. Caso o corpo estranho não seja facilmente retirável
você deve retorna a manobra. Esse procedimento deve ser
repetido até que o bebê expulse o corpo estranho ou perca a
consciência.
Jamais deve fazer varredura às cegas.

Nos casos não responsivos, deve-se solicitar uma ajuda


especializada imediatamente.

 Deitar o paciente em decúbito dorsal sob uma superfície


rígida;
 Checar os pulsos e caso necessário;
 Iniciar as manobras de RCP.
Lembrando de reavaliar a via aérea após cada ciclo.
As compressões devem continuar até o sucesso da expulsão do Nos casos de obstrução grave com o bebê não responsivo:
corpo estranho e retorno à respiração espontânea ou chegada do
suporte avançado de vida.  A vítima deve ser colocada em decúbito dorsal em uma
superfície rígida, sendo checado o pulso.
MANOBRAS EM BEBÊS  Se a vítima estiver com o pulso ausente, deve-se iniciar a
A OVACE em crianças com menos de 1 ano é frequentemente RCP, porém, se o pulso estiver presente, deve-se realizar
proveniente da ingestão de líquidos, principalmente o leite compressões torácicas com objetivo de remoção do corpo
materno. estranho
Lembrando-se de abrir vias aéreas e realizar inspeção, removendo
QUANDO SUSPEITAR?
o corpo estranho quando possível, caso contrário, e o corpo
A suspeita clínica se faz diante de uma bebê/lactente engasgado estranho não seja localizado, realizar uma insuflação.
que tosse e/ou apresenta sinais de sufocamento, com choro fraco
ou silencioso. Diante do insucesso no momento da insuflação, pode-se posicionar
melhor a cabeça e considerar laringoscopia direta e remoção com
COMO AVALIAR A GRAVIDADE? pinça (pinça de Magill).

Nos casos leves de OVACE, com obstrução parcial da via aérea, Se insucesso no meio extra-hospitalar, manter compressões
encontramos uma vítima capaz de tossir, emitir sons e chorar. Nos torácicas até expulsão do corpo estranho ou caso evolua para PCR,
casos graves, a vítima apresenta uma obstrução total da via aérea, realizar manobras de reanimação cardiopulmonar.
não conseguindo tossir ou chorar.

CONDUTA

Os bebês com casos leves não demandam a realização de nenhuma


intervenção para a desobstrução, apenas pegar o bebê no colo em
pé e permitir que ele tussa.

 Anteriorizar a vítima.
 Permitir a tosse.
 Monitorar o paciente de forma vigilante, pois o quadro
pode se agravar.
Os bebês com quadros graves e responsivos:

 Devem ser apoiados sobre o antebraço do socorrista em OBJETIVO 3: ENTENDER AS ESTRATÉGIAS DIAGNÓSTICAS
decúbito ventral, estando esse apoiado sobre a coxa, DA BRONCOASPIRAÇÃO.
posicionando a mão próxima ao mento, com os dedos
próximos às clavículas e fúrcula. AVALIAÇÃO DE RISCO PARA BRONCOASPIRAÇÃO
O socorrista deve realizar uma inclinação da vítima, de maneira Todos os pacientes internados devem ser avaliados na admissão e
que a cabeça fique em um nível inferior aos membros e diariamente quanto à presença dos seguintes fatores de risco:
posteriormente promover 5 golpes com a região hipotênar entre
MONICK LEBRÃO 1
MED XIV- FASAVIC 1

 Alterações neurológicas associadas à disfagia; EXAME FÍSICO: analisa a ororfaringe, vendo como está a
 Doenças e cirurgias de cabeça e pescoço c. Doenças do movimentação e a deglutição.
refluxo gastroesofágico;
 Pacientes críticos acima de 65 anos e. Primeiras 24h pós EXAMES COMPLEMENTARES
extubação de pacientes que permaneceram > 48h sob RADIOGRAFIA DE TÓRAX
IOT;
 Desconforto respiratório durante ou após a ingestão Tipicamente mostra infiltrado bilateral difuso (aspiração maciça) ou
alimentar; em segmentos pulmonares dependentes (segmentos posteriores do
 Sinais de engasgo e/ou voz molhada; lobo superior, segmentos superiores dos lobos inferiores e
 Reflexo de tosse diminuído i. Rebaixamento do nível de segmentos basais dos lobos inferiores).
consciência; Entretanto, qualquer distribuição do infiltrado radiológico
 Presença sonda naso/oro gástrica/enteral; associado às alterações clínicas sugerem o diagnóstico.
 Sialorréia e /ou acúmulo de resíduo alimentar em
cavidade oral; Presença de corpo estranho radiopaco ou condensação por
 Sensação de bolo parado na garganta; dor ao engolir; atelectasia e/ou pneumonia secundária, além de possível obstrução
parcial que pode originar um enfisema pulmonar.
 Prótese dentária mal adaptada;
 Uso de drogas sedativas. Deve ser feita em mais de uma incidência.
Caso apresente UM ou MAIS fatores de risco, este deve ser
classificado como paciente com ALTO RISCO DE
BRONCOASPIRAÇÃO, sendo identificado o risco na placa a beira RESSONÂNCIA MAGNÉTICA
leito e no censo/passagem de plantão, para a implementação das
Permite a detecção de lesões pulmonares e para caracterização
medidas preventivas recomendadas.
de nódulos, massas e doenças das vias aéreas. No geral, usa-se a
Uma equipe multidisciplinar deve se organizar, uma vez que cada fim de mostrar, com precisão, estruturas que foram lesionadas.
um possuirá suas próprias funções:

 Realizar o registro do risco de broncoaspiração por meio


ENDOSCOPIA
da presença de fatores de risco e/ou sinal clínico de
broncoaspiração na admissão ou reavaliação diária; Utilizado para confirmação de diagnóstico. É um exame capaz de
 Realizar a abertura do Protocolo de Prevenção de analisar a mucosa do esôfago, estômago e duodeno (primeira
Broncoaspiração, contendo minimamente os seguintes parte do intestino delgado). É feita através de um tubo flexível
itens: a solicitação e acionamento da avaliação (conhecido por endoscópio) que possui um chip responsável por
Fonoaudiológica (conforme rotina do hospital) e a capturar as imagens do sistema digestivo através de uma câmera.
modificação para dieta cremosa homogênea e líquidos
espessados na consistência mel, jejum ou dieta enteral
(conforme o quadro clínico do paciente).
GASOMETRIA ARTERIAL
 Realizar reavaliação do paciente a cada 24 horas.
A gasometria arterial é um exame de sangue que é coletado a
partir de uma artéria, com o objetivo de avaliar os gases
presentes no sangue, como o oxigênio o gás carbônico, assim como
sua distribuição, do pH e do equilíbrio acidobásico.
Usa-se a fim de avaliar Hipoxemia e acidose respiratória.
Gradiente de O2 alveolar-arterial apresenta correlação com a
gravidade da pneumonite.

BRONCOSCOPIA

O exame consiste na visualização do aparelho respiratório


(traqueio, brônquios e pulmões) através de um aparelho com uma
microcâmara na parte distal, permitindo a visualização de
eventuais alterações ou lesões.
O exame é realizado com anestesia e monitorização contínua.
95% dos casos e faz presente a tríade: engasgo, sufocação e
tosse.
ANAMNESE E EXAME FÍSICO
Usado principalmente para casos de estenose brônquica.
AVALIAR A HISTÓRIA CLÍNICA: doenças relacionadas ao
pulmão e gastrointestinais em familiares mais próximos;
TÉCNICA DE INSPIRAÇÃO E EXPIRAÇÃO FORÇADA
Se o paciente apresenta quadro clínico de ansiedade;
MONICK LEBRÃO 1
MED XIV- FASAVIC 2

A Técnica de Expiração Forçada (TEF), também chamada de  Procurar um profissional dentista para possíveis tratamentos
“huffing” é uma técnica que consiste de uma inspiração seguida de dentários.
expirações forçadas, com a glote aberta (com sons de “huff”),
acompanhada de tosse – alto volume pulmonar, para
expectoração da secreção e um período de relaxamento com
PREVENÇÃO DA BRONCOASPIRAÇÃO
respiração diafragmática controlada.
 Evitar e aconselhar crianças a não inserirem pequenos objetos
na boca;
TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA  Grupos de risco devem manter sempre elevada, especialmente
durante a alimentação;
Para suspeita de corpos estranhos periféricos.
 Não ingerir líquidos ou medicamentos enquanto estiver
deitado;
 Comer em ritmo lento;
CINTILOGRAFIA DE REFLUXO GASTROESOFÁGICO  Em caso de prótese dentária, se certificar de que a mesma está
firme e adaptada;
É feito para avaliar refluxo esofágico, condição em que parte do  Por fim, evitar distrações na hora de se alimentar.
conteúdo do estômago retorna para o esôfago, causando sintoma
e desconforto. O exame é realizado através de aplicação
intravenosa ou oral de radiofármaco no paciente.
O QUE NÃO FAZER EM CASO DE BRONCOASPIRAÇÃO
É um exame de imagem da medicina nuclear que utiliza doses
mínimas de substâncias radioativas no diagnóstico de diversas  A primeira ação deve ser chamar ajuda!
patologias.  Deitar a pessoa engasgada.
 Não coloque a mão ou o dedo em forma de pinça na boca do
engasgado, na tentativa de retirar o alimento, pois há risco de
VIDEODEGLUTOGRAMA obstruir ainda mais a via aérea.
 Não provoque o vômito, pois a obstrução é da via aérea, não
É um exame de raio-x dinâmico, que permite avaliar a função de da via digestiva.
deglutição e as estruturas anatômicas do trato digestivo, como  Não dê líquidos ao engasgado, ele não conseguirá engolir e
boca, faringe, esôfago. poderá piorar o quadro.

MANOMETRIA ESOFÁGICA ----------REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS----------


É um exame que permite ao médico avaliar e investigar o Pediatria, Sociedade Brasileira D. Tratado de pediatria (volume 1).
funcionamento do esôfago, sua propulsão, sua relação com Disponível em: Minha Biblioteca, (5th edição). Editora Manole,
os esfíncteres superior e inferior, utilizando sensores internos de 2021.
captação de pressão.
Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM). Departamento de
É realizada sob anestesia local, com uma sonda colocada em uma Formação em Emergência Médica (DFEM). Manual de suporte
das narinas sendo esta conectada a um computador, onde básico de vida pediátrico. Versão 3.0. 1. ed. Lisboa: INEM, 2017.
os registros de pressão são convertidos em traçados e imagens
topográficas e colorimétricas (na manometria de alta resolução). Ministério da Saúde (BR). Protocolos de suporte básico de vida –
Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Brasília: Ministério da
Atualmente a manometria esofágica de alta resolução vem Saúde, 2016.
constituindo-se em relevante avanço em comparação à manometria
convencional, com aumento na densidade de sensores de Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Atenção à Saúde.
captação (24 a 36 canais) e menor distanciamento entre Protocolos de Intervenção para o SAMU 192. Serviço de
estes, aumentando a acurácia com menor tempo de duração do Atendimento Móvel de Urgência. Brasília: Ministério da Saúde,
exame por permitir a avaliação simultânea da faringe, esfíncter 2016.
superior e inferior do esôfago e corpo esofágico.

CUIDADOS
Após o diagnóstico, deve-se evitar o uso de laxante por óleo
mineral em idosos. Além disso, apenas ingerir essa substância
quando estiver atento e relaxado. Outras recomendações do
especialista:

 Fazer pequenas refeições;


 Cortar a comida em pequenos pedaços;
 Mastigar bastante os alimentos;
 Evitar falar enquanto estiver comendo e bebendo;
 Não fumar;

Você também pode gostar