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Sombra: Jung, Jekyll e Dorian Gray

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O CONCEITO DE SOMBRA E O AVESSO DA REALIDADE: UMA

ANÁLISE HISTÓRICA E LITERARIA DE SUAS REPRESENTATIVIDADES

Karin Fernanda Ramos (UNICENTRO), César Rey Xavier (Orientador),


email:karinfernandaramos@[Link]
Universidade Estadual do Centro-Oeste/Departamento de Psicologia/Irati,
PR.
Ciências Humanas - Psicologia

Palavras-chave: Sombra, Psicologia Analítica, Literatura.

Resumo:

Este estudo tem por finalidade observar o conceito de Sombra à luz da teoria
de Carl Gustav Jung, demonstrando sua relevância e função na vida
psíquica, e de que modo esse conceito se revela sob outras roupagens
históricas, literárias. Foram analisados fragmentos das obras “O estranho
caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde”, de Robert Louis Stevenson e “O Retrato de
Dorian Gray” de Oscar Wild os quais permitem a análise por essa
perspectiva.

Introdução

Vergonha, orgulho, ódio, culpa, inveja, aquilo que negamos, não


gostamos, entre outras coisas, as quais são incompatíveis com o nosso
padrão social, simplesmente nos remetem a aspectos de nossas vidas que
temos dificuldade em assumir, isto é, o avesso do que normalmente
gostaríamos que aparecesse de nós, nossa sombra. Conceito instituído por
Carl Gustav Jung, qual o mesmo diz ser a Sombra, o centro do Inconsciente
Pessoal (JUNG, 2008). Sendo aquele material que foi reprimido da
consciência, pelo medo do não reconhecimento, aceitação, carinho... de
pessoas significativas do meio. Jung classificou a Sombra como um dos
principais arquétipos do inconsciente pessoal. Por “arquétipos”, entenda-se
um conjunto de estruturas inatas e herdadas do inconsciente coletivo, que
servem para dar sentido à existência (JUNG, 1996). São padrões universais
de comportamento, mas que se manifestam, cada qual, das mais variadas
maneiras dependendo da cultura na qual sejam representados.
Tudo que não for compatível com a “Persona” ou “ego ideal”, será
rejeitado pela consciência. A partir de Jung (2008), o conceito de “persona”
significa a forma pela qual nos apresentamos ao mundo, são nossos papéis

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sociais, é o caráter que assumimos diante dos outros. Assim, quanto mais
nos identificamos com a nossa Persona, mais negaremos outras partes de
nós mesmos. Hoje em dia, entendemos por sombra aquela parte da psique
inconsciente que esta mais próxima da consciência, mesmo que não seja
completamente aceita por ela (ABRAMS; ZWEIG, 1991).

Materiais e métodos

Foi realizada uma análise de fragmentos dos livros o “Retrato de Dorian


Gray” de Oscar Wild, e o´´ O estranho caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde ´´, de
Robert Louis Stevenson, os quais foram escolhidos por apresentarem
questões com o assunto proposto. Pesquisou-se o tema instituído por Carl
Gustav Jung chamado Sombra, devido ao mesmo apresentar questões
referentes ao inconsciente pessoal. A discussão foi desenvolvida com base
em uma revisão bibliográfica sobre o tema escolhido.

Resultados e Discussão

O conceito de Sombra, assim como o do inconsciente, representa


aquele tipo de desejo que se caracteriza por tomar de assalto às
expectativas do ego, sendo que para conseguir a aprovação do outro passa
a se comportar de maneiras distintas, constituindo assim um rosto com um
novo modelo, uma nova máscara. Podemos encontrar essa característica na
história “O estranho caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde”, do autor Robert Louis
Stevenson, ao serem observados fragmentos a Sombra é abordada de uma
maneira muito evidente e clara, quando o respeitável e bondoso doutor
Jekyll, após tomar uma fórmula passa a ter comportamentos estranhos, no
mesmo momento na cidade um sujeito estranho de atitudes erradas passa a
agitar o local, causando estrago e aterrorizando pessoas com suas atitudes
severas e embrutecidas. Esse estranho sujeito é o próprio doutor Jekyll, com
o pseudônimo de senhor Hyde, mas agora com uma outra parte de sua
personalidade, a Sombra.
O fato é que por trás do bondoso doutor Jekyll, existia uma pessoa de
caráter mais duvidoso, o próprio doutor dava característica de sua
personalidade: “prezo e respeito os homens sábios e bons dentre os meus
semelhantes” (STEVENSON, 2008, p.27). Com isso ele sentia o desejo de
ser aprovado pelos outros, assumindo então uma persona agradável e
respeitada perante a sociedade. Jekyll percebia no entanto, uma outra parte
dessa personalidade que estava em desacordo com sua persona: um certo
temperamento frívolo e inquieto, desejos e prazeres que ele achava errado,
em desacordo com sua dignidade, então ele adotava um semblante frívolo
perante as pessoas, com o intuito de esconder esses desejos por vergonha.
Em decorrência disso, Jekyll escreveu: “escondi meus prazeres” e “já estou
comprometido com uma profunda duplicidade de vida” (STEVENSON, 2008,
p.76).
Assim a Sombra traz a tona desejos e vontades a qual é repreendida
pelo ego, é como se ela deixasse os sentimentos morais para o ego e

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tentasse viver os abalos proibidos ardentemente, sem nenhuma
preocupação de certo ou errado. Observa-se que Jekyll, tem consciência
dessa maldade a qual domina seu corpo, esse mal o faz realizar coisas não
aceitas pela moral, como por exemplo o assassinato do Dr. Carew, pelo
simples desejo do prazer da destruição. Henry Jekyll, tinha consciência
dessa força oposta dentro de si, tendo a intenção de dominá-la e escondê-la
para sempre para que nunca viesse à tona, vemos na fala de Jekyll ao
declarar a Uteerson: “Juro por Deus, juro por Deus que nunca mais porei os
olhos nele. Juro pela minha honra que acabarei com ele neste mundo. Tudo
está acabado” (STEVENSON, 2008, p.94), referindo-se ao Mr. Hyde.
Pode-se encontrar também o conceito de sombra com outras
roupagens, em outros exemplos, como na obra “Retrato de Dorian Gray” de
Oscar Wild, neste caso a sombra é colocada como conceito de narcisismo.
O livro descreve a vida de seu personagem principal Dorian Gray, sendo um
jovem que passa a viver na Inglaterra no século XIX, após a morte de seu
avô. Ao chegar assume uma grande herança, inicialmente o jovem aparenta
ser tranquilo e com certa inocência, mas a partir de seu envolvimento com
um amigo e a sociedade local, Dorian começa a ter comportamentos
opostos comparados com sua inocência e tranquilidade apresentadas a
princípio. Inicia-se então o aparecimento da sombra de Gray, surgindo um
indivíduo orgulhoso, em relação aos outros, com desejos constantes em
busca do prazer da vida, se contemplando com os vícios do álcool e do
tabaco indo contra o comportamento moral da sociedade da época.
Dorian não tem consciência desse outro lado seu, ele o deixa dominar
totalmente, ao contrário do Dr. Jekyll que consegue observar essas duas
oposições em si e tenta criar um modo para conciliar ambas as faces, Dorian
por sua vez assim como Mr. Hyde por um desejo incontrolável comete
assassinato, mata então seu amigo Basil, realizando e satisfazendo seu
desejo.
Encontra-se aí evidente o conceito de sombra, esses elementos
reprimidos do inconsciente e que agora vieram à tona na vida de Dorian
Gray, após anos satisfazendo seu lado obscuro, ao voltar para a Inglaterra o
“jovem” agora mais velho, reconhece a sombra como sendo algo ruim e
desprezível, que acarretou efeitos marcantes em sua personalidade
consciente, ao reconhecer a mesma, ele fica transtornado e acaba não
conseguindo lidar com esse seu eu interior. O jovem Dorian não consegue
assumir esse outro lado, não consegue lidar com o descobrimento de sua
sombra e acaba perecendo. Por isso viver os impulsos da sombra não é a
melhor saída para o problema sombra, uma vez que se pode ser submergido
pelo mal. Segundo (STEVES,1994, p.51), isso confirma a natureza
arquetípica do mal, porque uma das qualidades do arquétipo é que ela pode
tomar posse do ego - algo como ser devorado pelo arquétipo ou tornar-se
idêntico a ele.
Portanto, a escolha do tema ocorreu pela intenção de compreender e
identificar o conceito de Sombra, observar em outras obras e autores o
aparecimento desse mesmo conceito, mas com a diferenciação de

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roupagens e épocas. Observar que esse mesmo conceito já esteve na
percepção humana e foi identificado anteriormente por autores distintos.

Conclusões

O conceito de Sombra instituído por Jung, já foi abordado em


diferentes épocas e por diferentes autores, porém o aparecimento de tal
conceito se deu com roupagens distintas.
Tal tema já esteve na percepção humana e foi identificado
anteriormente por autores, como exemplo no livro de Robert Louis
Stevenson do século XIX “O estranho caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde”, sendo
a Sombra abordada constantemente em toda a trama do personagem e
também na obra “Retrato de Dorian Gray” de Oscar Wild, também do século
XIX, sendo a mesma abordada como um suposto narcisismo do
personagem.
Pode-se afirmar que a noção e a função do conceito de sombra
estiveram presentes ao longo da história humana, seja na vida privada, seja
na literatura. Assim, como desdobramento desta hipótese, também se afirma
que estas manifestações servem de fatores corroborativos da universalidade
deste arquétipo, ou seja, demonstram que a “sombra”, fazendo jus a
qualquer arquétipo, transcende lugares, épocas ou culturas.

Referências

ABRAMS, Jeremiah; ZWEIG, Connie. Ao Encontro da Sombra: Um poten-


cial escuro da natureza humana. Tradução de Merle Scoss. São Paulo: Cul-
trix, 1994.

DOWNING, Chrstine. As imagens Arquetípicas que Moldam sua vida.


Tradução de Maria Silva Mourão Neto. São Paulo: Cultrix, 1991.

JUNG, C. G. Memórias, Sonhos e Reflexões. Tradução de Dora Ferreira


da Silva, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996

JUNG, C. G. O Eu e o Inconsciente. Tradução de Dora Ferreira Da Silva,


[Link]. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

STEVES, Antunes [et al]. Olhar esse urgente da sombra na história e lite-
ratura: Os Arquétipos: Uma História Natural do Self. São Paulo: Cultrix,
1994.

STERVESON, Robert Louis. O Estranho caso do Doutor Jekyll e Senhor


Hyde. São Paulo: Landmark, 2008.

WILDE, Oscar. O Retrato de Dorian Gray. Tradução de Oscar Mendes.


LOCAL: Editora Abril, 1980.

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