CAATINGA
A Caatinga é um bioma exclusivamente brasileiro, com biodiversidade
adaptada às altas temperaturas e à falta de água. Localizado na região Nordeste do
Brasil, esse bioma ocupa uma área de 826.411km2 e apresenta uma flora e fauna rica
em endemismo.
O nome “Caatinga” é de origem Tupi-Guarani e significa “mata branca”,
o que caracteriza bem o aspecto da vegetação na estação seca, quando as folhas
caem e apenas os troncos brancos e brilhosos das árvores e arbustos
permanecem na paisagem seca. A Árvore do Conhecimento do Bioma Caatinga
reúne informações sobre as principais características de solo, clima, flora, fauna,
recursos hídricos, manejo e uso sustentável deste ecossistema, acompanhado de
referências que podem ser consultadas na íntegra. A informação pode ser obtida
pela navegação numa estrutura ramificada em forma de árvore hiperbólica, por
hipertexto ou pelo serviço de busca.
FAUNA
A fauna da Caatinga é representada por grupos diversificados e ricos em
endemismos. Assim, como as plantas, os animais se adaptaram às condições da
região, ao desenvolverem hábitos noturnos, comportamento migratório e processos
fisiológicos, como a estimação, tipo de “hibernação” em ambientes quentes. Há poucos
estudos elaborados com a fauna silvestre da região. Os que já estão realizados, são
voltados para a identificação e quantificação de grupos específicos ou relacionados a
processos ecológicos, como polinização e dispersão.
As aves são as mais representativas, com cerca de 510 espécies de pássaros,
das quais 20 já se encontram na lista das ameaçadas de extinção, entre elas, a
ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) e arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), em
consequência do tráfego de animais [Link] mamíferos estão representados por
cerca de 150 espécies. Porém, se acredita que este número seja bem maior, quando
forem intensificados os estudos com roedores e morcegos. Alguns de seus
representantes já se encontram também na lista de espécies ameaçadas. Os felinos
estão entre os primeiros dessa lista em decorrência da caça que vem diminuindo sua
população e a dos animais que fazem parte de sua dieta alimentar. A herpetofauna é
representada por 47 espécies de anfíbios e 47 de serpentes. Os lagartos, com 44
espécies, se destacam pelo grande número de espécies endêmicas encontradas,
principalmente nas Dunas do rio São Francisco-BA. Alguns apresentam comportamento
interessante, a exemplo dos sapos, que podem ficar enterrados e sem comer durante o
período das secas (estivação). Estudos feitos na região de Ouricuri-PE evidenciaram
casos de povoamentos distintos relacionados com as estações seca e úmida, o que
permitiu estabelecer uma tipologia para cada estação.
FLORA
A vegetação da Caatinga pode ser definida como um tipo de floresta de porte baixo, que
apresenta árvores com ramificação profusa, com formato em pirâmide invertida. A maior
parte das plantas apresenta espinhos, folhas pequenas e finas (microfilia), cutículas
impermeáveis, perda das folhas na estação seca (caducifolia), sistemas de
armazenamento de água em raízes e caules modificados (Figura 1) e mecanismos
fisiológicos adaptados às condições climáticas da região, a exemplo do fechamento dos
estômatos nas horas mais quentes do dia. A suculência é outra característica desse tipo
de vegetação e pode ser registrada principalmente nos cactos e bromélias.
A)
B)
Figura 1: Adaptações das plantas da Caatinga. a- perda das folhas na estação seca
(caducifólia); b- raízes modificadas (xilopódios).
A composição da flora da Caatinga não é uniforme e pode variar de acordo com o volume das
chuvas, dos tipos de solos, da rede hidrográfica e da ação antrópica (Figura 2), o que tem
dificultado sua classificação.
Até o momento, foram registradas 1.511 espécies, das quais, aproximadamente, 380 só ocorrem
nesse tipo de vegetação, com destaque para as leguminosas que apresentam o maior número
de espécies endêmicas.
A)
B)
O estrato herbáceo, presente principalmente na estação chuvosa, apresenta uma diversidade de
espécies que desempenham um importante papel para o desenvolvimento sustentável regional
devido ao seu valor forrageiro, medicinal e apícola. As gramíneas, as malvas, as leguminosas e
as jitiranas se destacam como os grupos mais representativos desse estrato.
Além da importância biológica, a flora da Caatinga apresenta um papel importante para o
desenvolvimento sustentável da região, onde suas plantas, de diferentes potenciais, são
utilizadas pelos moradores como forrageiras, medicinais, frutíferas entre outros e, se
manejadas de forma adequada, podem ser consideradas como uma alternativa para a
região. Assim, aqui apresentamos a flora de acordo com os principais potenciais já
identificados, aspectos ecológicos, uso sustentável e formas de manejo.