Gisele Mayara Farias Cavalcante, Priscila de Paula Motta, Berteson Jorge Leite
Amorim
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A COMPETÊNCIA DO FONOAUDIÓLOGO NO DIAGNÓSTICO DE
ANQUILOGLOSSIA EM NEONATOS
THE COMPETENCE OF THE SPEECH THERAPIST IN THE
DIAGNOSIS OF ANKYLOGLOSSIA IN NEONATES
LA COMPETENCIA DEL TERAPEUTA DEL HABLA EN EL
DIAGNÓSTICO DE LA ANQUILOGLOSIA EN NEONATOS
Gisele Mayara Farias Cavalcante1
Priscila de Paula Motta2
Berteson Jorge Leite Amorim3
DOI: 10.54751/revistafoco.v16n10-078
Recebido em: 15 de Setembro de 2023
Aceito em: 16 de Outubro de 2023
RESUMO
A anquiloglossia é definida como uma anomalia congênita que se caracteriza pela
inserção curta do frênulo lingual e que pode ocasionar postura anormal da língua e
restrição da mobilidade, promovendo deglutição atípica, dificuldade na fonação,
mastigação e na amamentação. Representa 78% de todas as condições bucais que são
detectadas em estudos que envolvem bebês de até 3 meses e a sua ocorrência é de
cerca de 1 indivíduo a cada 300 nascimentos. Tratou-se de um estudo com abordagem
qualitativa do tipo revisão de literatura. Após a aplicação da metodologia proposta,
identificamos 17 estudos que enfatizavam a temática da competência do fonoaudiólogo
na realização de diagnóstico de anquiloglossia em neonatos. O diagnóstico realizado
através da triagem neonatal do frênulo lingual, é um exame simples, indolor, não
invasivo e de baixo custo e que pode ser realizado por diversos profissionais
capacitados, entre eles o fonoaudiólogo.
Palavras-chave: Anquiloglossia; neonatos; diagnóstico; fonoaudiólogo.
ABSTRACT
Ankyloglossia is a congenital anomaly characterized by the short insertion of the lingual
frenulum and which, depending on the situation, can cause abnormal tongue posture
and restricted mobility, promoting atypical swallowing, making phonation, chewing and
breastfeeding difficult. It represents 78% of all oral conditions detected in studies
involving babies up to 3 months old and the occurrence of this anomaly is around 1
1
Graduanda em Fonoaudiologia. Universidade Nilton Lins. Av. Prof. Nilton Lins, 3259, Flores, Manaus - AM,
CEP: 69058-030. E-mail: [Link]@[Link]
2
Especialização em Motricidade Orofacial. Universidade Nilton Lins. Av. Prof. Nilton Lins, 3259, Flores, Manaus - AM,
CEP: 69058-030. E-mail: [Link]@[Link]
3
Especialização em Voz, em Didática do Ensino Superior. Universidade Nilton Lins. Av. Prof. Nilton Lins, 3259, Flores,
Manaus - AM, CEP: 69058-030. E-mail: [Link]@[Link]
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ANQUILOGLOSSIA EM NEONATOS
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individual in every 300 births. It was a descriptive study with a qualitative approach of
the literature review type. After applying the proposed methodology, we identified 17
studies that emphasized the theme of competence of speech therapists in diagnosing
ankyloglossia in neonates. The diagnosis made through neonatal screening of the lingual
frenulum is a simple, painless, non-invasive and low-cost exam that can be performed
by several trained professionals, including speech therapists.
Keywords: Ankyloglossia; neonates; diagnosis; speech therapist.
RESUMEN
La anquiloglosia se define como una anomalía congénita que se caracteriza por la
inserción corta del frenillo lingual y que puede provocar una posición anormal de la
lengua y restricción en la movilidad, lo que promueve una deglución atípica, dificultades
en la fonación, la masticación y la lactancia. Representa el 78% de toda las condiciones
bucales detectadas en estudios que involucran a bebés de hasta 3 meses, y su
ocurrencia es de aproximadamente 1 individuo por cada 300 nacimientos. Se trata de
un estudio cualitativo de revisión de la literatura. Resultados: Después de aplicar la
metodología propuesta, identificamos 17 estudios que enfatizaban la competencia del
logopeda en el diagnóstico de la anquiloglosia en recién nacidos. El diagnóstico
realizado a través del cribado neonatal del frenillo lingual es un examen simple, indoloro,
no invasivo y económico que puede ser realizado por varios profesionales capacitados,
incluidos los logopedas.
Palabras clave: Anquiloglosia; recién nacidos; diagnóstico; logopeda.
1. Introdução
O frênulo lingual é uma prega mediana de túnica fibrodensa e conjuntiva,
constituída de tecido conjuntivo e, ocasionalmente, de fibras superiores do
músculo genioglosso, que se estende da face inferior da língua até o assoalho
da boca. Em situações eventuais, pode ocorrer uma falha no processo de
separação da língua do assoalho da boca, na qual o frênulo lingual causa uma
restrição do movimento desse órgão, caracterizando a anquiloglossia
(VILAMARINHO et al., 2022).
A anquiloglossia (língua presa) é definida como uma anomalia congênita
que se caracteriza pela inserção curta do frênulo lingual e que pode ocasionar
postura anormal da língua e restrição da mobilidade, (MACAU-LOPES et al.,
2022).
Na visão de Busso et al. (2022), trata-se de uma anomalia congênita
encontrada em 4% - 5% da população geral. Pode ser herdada como um traço
dominante autossômico ligado ao cromossomo X, ocorrendo, majoritariamente,
em indivíduos do sexo masculino.
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Representando 78% de todas as condições bucais a anquiloglossia tem
sido detectada em bebês de até 3 meses e a sua ocorrência é de cerca de 1
indivíduo a cada 300 nascimentos (MACAU-LOPES et al., 2022).
Vários estudos relatam a influência da anquiloglossia sobre a
amamentação. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o
aleitamento materno exclusivo nos seis primeiros meses de vida da criança.
Nesse sentido, surgiu-nos a seguinte pergunta de pesquisa: qual a competência
do fonoaudiólogo no diagnóstico de anquiloglossia em neonatos (recém-
nascidos)?
O impacto da anquiloglossia sobre a amamentação tem sido
exaustivamente pesquisado, tanto na área da Pediatria Médica quanto na
Odontopediatria e Fonoaudiologia, especialidades que lidam frequentemente
com tal condição. De forma geral, esse assunto é questionável entre as
profissões de saúde e equipes multidisciplinares, principalmente quando se
discute a influência no processo da amamentação (VILARINHO et al., 2022).
O teste da linguinha é um exame padronizado que possibilita diagnosticar
e indicar o tratamento precoce das limitações dos movimentos da língua
causadas pela língua presa que podem comprometer as funções exercidas pela
língua: sugar, engolir, mastigar e falar (MARTINELLI et al. 2014).
Visando contribuir para compreensão e atualização de conhecimentos a
respeito da anquiloglossia, no âmbito da Fonoaudiologia, realizou-se uma
revisão de literatura a partir de produções científicas produzidas nos últimos dez
anos.
A relevância desse estudo está em trazer à luz das discussões
acadêmicas a questão da competência do fonoaudiólogo para o diagnóstico da
anquiloglossia em neonatos, de forma precoce, de forma que este possa ser
tratado precocemente e que se possa evitar problemas com a amamentação,
principalmente. Para tanto, o objetivo desse estudo foi analisar a atuação do
fonoaudiólogo no diagnóstico de anquiloglossia em neonatos.
O presente trabalho está dividido em referencial teórico com uma breve
explanação da temática estudada; em seguida apresenta-se a descrição da
metodologia utilizada para posteriormente apresentarmos os resultados e
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discussão do estudo. As considerações finais estão descritas de forma clara e
concisa buscando responder ao problema de pesquisa.
2. Fisiopatologia da Anquiloglossia
A língua é um órgão formado por tecido muscular de extrema importância
para o desempenho das funções fisiológicas do sistema estomatognático, os
músculos que a constitui são responsáveis por realizar a dinâmica dos
movimentos que contribuem para a fala, deglutição e mastigação (OLIVEIRA et
al., 2019).
O soalho da boca (estrutura inferior da boca) é formado exclusivamente
por tecidos moles, sendo totalmente recoberto por uma mucosa delgada,
vermelha, translúcida e apresentando-se frouxamente fixada aos planos
profundos. A mucosa do soalho da boca continua com a mucosa da língua.
Quando a ponta da língua é levantada em direção ao palato, encontramos uma
prega mucosa mediana que atinge em cima a face inferior da língua, o frênulo
da língua (Figura 1) (MADEIRA et al., 2016). O frênulo é uma pequena prega de
membrana mucosa que a conecta ao assoalho da boca (MACHADO;
RODRIGUES, 2021).
Figura 1 – Anatomia do soalho da boca
1. Face inferior da língua
2. Freio da língua
3. Carúncula sublingual
4. Prega franjada
Fonte: MADEIRA et al. (2016).
O frênulo é similar a um diafragma, suspende a língua e as estruturas do
assoalho da boca para estabilizar a posição da língua, enquanto permite
liberdade de movimento. Com a elevação da língua, a proeminência e a
aparência visual da prega do frênulo da língua variam significantemente entre
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diferentes indivíduos. Em alguns sujeitos, a variação anatômica da morfologia do
frênulo pode criar limitação no movimento da língua, levando a um desequilíbrio
entre estabilidade e mobilidade desta (MARTINELLI; MARCHESAN; FELIX,
2019).
Existem dois tipos de anquiloglossia, a parcial e a total, o tipo mais comum
é o parcial (Figura 2), em que é tratado um frênulo lingual não totalmente fundido
ao pavimento bucal (ARAÚJO et al., 2020).
Figura 2 - Dois exemplos de anquiloglossia: à esquerda, um freio parcial e fino, à direita, um
freio parcial e espesso
Fonte: [Link]
A etiologia dessa alteração ainda é desconhecida. Alguns casos têm um
componente hereditário, mas outros não são explicados pela genética (FRAGA
et al., 2020).
Quando o frênulo não sofre apoptose completa no período intrauterino,
ocorre a anquiloglossia, pois o tecido residual que permanece pode limitar os
movimentos da língua. Essa anomalia congênita pode ocorrer de forma total ou
parcial, podendo interferir nas funções orais, entre elas a sucção devido à
limitação na livre movimentação da língua (KARKOW et al, 2019).
2.1 Efeitos da Anquiloglossia nos Neonatos
A anquiloglossia, quando presente, limita a movimentação normal da
língua e pode prejudicar a amamentação devido o papel determinante da língua
na amamentação. O mamilo é comprimido e achatado pela língua do lactente
contra a papila palatina no momento da amamentação. A criança realiza a
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preensão do mamilo com os lábios e a língua, fazendo um vedamento formado,
por cima, pelo lábio superior e, por baixo, pela ponta da língua e pelo lábio inferior
(SOUZA, 2022).
A anquiloglossia é uma causa reconhecida de dificuldade na
amamentação e, se não tratada, pode causar dor e trauma no mamilo,
alimentação ineficaz e baixo ganho de peso infantil. Em alguns casos, essa
condição pode resultar em uma baixa produção de leite da mãe. O problema,
geralmente, é apresentado na primeira semana após o nascimento, porém seu
efeito na alimentação é difícil de calibrar (ARAÚJO et al., 2020).
Segundo Dutra et al. (2020), a interrupção precoce da amamentação,
comum nos casos de anquiloglossia, pode prejudicar a função imune do recém-
nascido, bem como interferir negativamente no ganho nutricional. Além da
dificuldade em amamentar, pode-se encontrar como consequência, boca
entreaberta, dificuldade nos movimentos realizados pela língua, assim como
postura baixa da mesma na cavidade oral. Como adaptações ou compensações
observa-se ainda aumento da salivação. A amamentação e a fala são as
alterações mais frequentes quando o frênulo da língua se encontra alterado
(SANTOS et al., 2023).
2.2 Atuação do Fonoaudiólogo no Diagnóstico da Anquiloglossia em Neonatos
Existem várias propostas para avaliação do frênulo lingual para bebês. A
maioria dos autores recomenda a elevação da língua para diagnóstico da
anquiloglossia, alguns poucos propõem a protrusão da língua e, apenas um
estudo relata que os sintomas referidos pela mãe e a observação clínica da díade
mãe/bebê, durante a amamentação, podem ser suficientes para diagnosticar a
anquiloglossia, não sendo necessário explorar digitalmente a boca dos bebês
(MARTINELLI; MARCHESAN; FELIX., 2020).
O fonoaudiólogo pode utilizar o Protocolo de Avaliação do Frênulo Lingual
para Bebês, que permite verificar as características anatômicas do frênulo da
língua e as funções de sucção e deglutição em bebês (Figura 3). Esse protocolo
é dividido em História Clínica, Avaliação Anatomofuncional e Avaliação da
Sucção Não Nutritiva e Nutritiva. Tem pontuações independentes e pode ser
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aplicado por partes até o sexto mês de vida (ARAÚJO et al., 2020).
Figura 3 – Avaliação clínica inicial / Avaliação durante sucção não nutritiva
Fonte: NOGUEIRA; GONÇALVES; RODA (2021).
A avaliação do frênulo lingual é obrigatória e faz parte do exame físico do
recém-nascido (Lei nº 13.002/2014). O uso de protocolos clínicos (normativas
clínicas pré-definidas) de avaliação do frênulo lingual é necessário para auxiliar
o profissional a estabelecer o correto diagnóstico e prescrever o respectivo
tratamento (LIMA; DUTRA, 2021).
O Protocolo Bristol foi desenvolvido com base em prática clínica e com
referência à Ferramenta de Avaliação da Função do Frênulo Lingual (ATLFF) de
Hazelbaker. Ele fornece uma medida objetiva e de execução simples da
gravidade da anquiloglossia, auxiliando na seleção dos lactentes que possam se
beneficiar com a intervenção cirúrgica (frenotomia ou frenectomia) e na
monitorização do efeito desse procedimento (BRASIL, 2018).
Vilarinho et al. (2022) destacaram que são quatro elementos avaliados no
Protocolo Bristol: 1) Aparência da ponta da língua: é considerada uma das
principais formas de avaliar a anquiloglossia e é frequentemente percebida pela
família. 2) Fixação da extremidade inferior do frênulo: ajuda a avaliar quando a
ponta da língua não apresenta muita alteração. O local de fixação, em geral,
reflete na aparência da língua com a boca aberta. 3) Elevação da língua com a
boca aberta (durante o choro): é o item mais difícil de avaliar porque requer que
o avaliador tenha conhecimento sobre a elevação normal da língua do bebê. 4)
Protusão da língua (Figura 4).
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Figura 4 – Protocolo de Bristol de avaliação da língua
Fonte: [Link]
3. Metodologia
Tratou-se de um estudo descritivo com abordagem qualitativa do tipo
revisão de literatura, que, segundo Severino (2013), é aquela que se realiza a
partir do registro disponível, decorrente de pesquisas anteriores, em documentos
impressos, como livros, artigos, teses, etc. Utiliza-se de dados ou de categorias
teóricas já trabalhados por outros pesquisadores e devidamente registrados. Os
textos tornam-se fontes dos temas a serem pesquisados. O pesquisador trabalha
a partir das contribuições dos autores dos estudos analíticos constantes dos
textos.
Como critério de inclusão utilizamos artigos científicos de revistas
indexadas disponíveis nas bases de dados on-line como Biblioteca Virtual de
Saúde (BVS), Scientific Eletronic Library Online (Scielo) e Literatura Latino-
Americana em Ciências da Saúde (LILACS), utilizando os descritores
“anquiloglossia”, “neonatos”, “diagnóstico” e “fonoaudiólogos”, estudos
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publicados no Brasil, em idioma português e que compreendiam o período de
2013 a 2023.
Foram excluídos estudos em língua estrangeira, que não estavam
disponíveis em texto completo, publicados anteriormente há 2013. Os artigos
selecionados foram submetidos a uma leitura rigorosa do texto completo e
fichados para identificar os assuntos relacionados a temática sobre o diagnóstico
de anquiloglossia realizado pelo fonoaudiólogo em neonatos, analisando os
artigos científicos de acordo com os seguintes aspectos: título, autor, ano,
procedência/periódico, principais resultados e conclusões.
Com a organização dos dados foi possível analisar e identificar os
principais resultados dos artigos selecionados e com isso descrever sobre a
competência do fonoaudiólogo na realização de diagnóstico de anquiloglossia
em neonatos. A análise se deu através da triangulação dos dados coletados,
com a análise crítica do autor da pesquisa confrontado com os dados coletados
na literatura.
A partir dos artigos selecionados, foi feita uma análise de forma
quantitativa, afim de complementar a pesquisa. Registrou-se as informações e
da produção do objeto do presente estudo, apresentando um levantamento
bibliométrico sobre o montante da pesquisa na esfera regional (cinco regiões),
compondo um panorama geral, a partir de oito estados da federação,
acompanhado de uma análise dessas informações relacionadas ao diagnóstico
de anquiloglossia em neonatos, no Brasil.
4. Resultados
Após a aplicação da metodologia proposta, identificamos 17 estudos
(Tabela 1) que enfatizam a temática da competência do fonoaudiólogo na
realização de diagnóstico de anquiloglossia em neonatos, acompanhada da
pesquisa bibliométrica e a devida análise da produção científica sobre
anquiloglossia no Brasil (tabela 2).
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ANQUILOGLOSSIA EM NEONATOS
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Tabela 1: Ênfase do Estudo
Tipo de
Autor Título Data Resultados
estudo
Efeito da frenotomia lingual Os sinais sugestivos de dificuldade na
na amamentação e na amamentação mudaram sete dias
Estudo
Santos et al atividade elétrica dos 2023 após a cirurgia, com valor de p≤0,002
observacional
músculos masseter e para a observação geral da mãe,
supra-hióideos. posição do bebê, pega e sucção.
Dois estudos retrospectivos
Anquiloglossia se associa
Revisão de concluíram que o frênulo lingual curto
Bussi et al à apneia obstrutiva do 2022
literatura. não tratado ao nascimento está
sono?
associado à apneia obstrutiva do sono.
Os resultados apontaram que houve
Estudo
Análise quantitativa de um aumento substancial no número de
descritivo
frenectomias realizadas no procedimentos cirúrgicos em dois
Macau- analítico,
contexto do SUS após 2022 momentos, em 2014 e em 2017,
Lopes et al retrospectivo,
obrigatoriedade do teste da possivelmente em decorrência da
com dados
linguinha. publicação da Lei nº 13.002/2014 e da
secundários
Nota Técnica (NT) nº 09/2016.
Dos 940 protocolos avaliados, 869
Estudo bebês
Prevalência de
observacional, apresentaram resultado adequado e
Souza anquiloglossia em bebês 2022
transversal e 71 apresentaram alteração do frênulo
no município de Caicó.
retrospectivo lingual, o que resulta em uma
prevalência de anquiloglossia de 7,5%.
Crianças com anquiloglossia tiveram
tempo de amamentação exclusiva
Prevalência de
igual ao de crianças com frênulo da
anquiloglossia e fatores Estudo
Vilarinho et língua normal. Anquiloglossia não
que impactam na 2022 observacional
al apresentou associação com
amamentação exclusiva longitudinal
dificuldade de amamentação ou criou
em neonatos.
fator para não amamentação exclusiva
por 6 meses.
Diagnóstico de
A presença de anquiloglossia foi de
anquiloglossia em recém-
Estudo 4,8%, quando diagnosticada por meio
Fraga et al nascidos: existe diferença 2021
transversal do BTAT, e de 17,0%, quando utilizado
em função do instrumento
o “Teste da Linguinha”.
de avaliação?
A relevância de uma intervenção
Anatomia, diagnóstico e odontológica para com os casos de
Gomes et tratamento de Revisão anquiloglossia pode favorecer um
2021
al anquiloglossia na primeira Bibliográfica melhor desempenho da língua, não
infância. prejudicando as inúmeras funções
desta estrutura.
O trabalho tornou-se relevante por
Impactos da anquiloglossia
Pesquisa destacar a participação do
em bebês: a importância
Machado e bibliográfica fonoaudiólogo no diagnóstico da
da 2021
Rodrigues de natureza anquiloglossia e nas intervenções que
Avaliação e do diagnóstico
qualitativa prevenirão alterações de sucção,
precoce.
deglutição, fala e articulação.
Foram observados ganho de peso dos
Nogueira,
Frenotomia: da avaliação à Relatos de bebês e maior conforto e facilidade das
Gonçalves 2021
intervenção cirúrgica. casos mães durante a amamentação após os
e Roda
procedimentos.
O estudo mostrou que 14 bebês
Avaliação do frênulo Estudo
apresentaram alteração de frênulo
Araújo et al lingual em recém-nascidos 2020 transversal,
lingual, três deles com dificuldade
com dois protocolos e sua descritivo.
durante a sucção, necessitando de
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relação com o aleitamento frenotomia na primeira semana de vida
materno e 11 sem dificuldades durante a
amamentação.
Indicadores de qualidade Na avaliação do frênulo lingual, dos
de triagem auditiva e de Estudo 1.350 avaliados, 123 (9,1%)
Dutra et al 2020
avaliação do frênulo lingual transversal apresentaram anquiloglossia, 85 eram
neonatal. do sexo masculino e 47, feminino.
De acordo com as publicações, bebês
com frênulo lingual alterado mostraram
maiores chances de apresentar
Anquiloglossia versus
Revisão dificuldades na sucção e desmame
Fraga et al amamentação: qual a 2020
integrativa precoce, o que demonstra a
evidência de associação?
importância da triagem neonatal como
rotina nas maternidades para os casos
de anquiloglossia.
Estudo de Houve redução estatisticamente
intervenção de significativa na média de pontuação no
Influência da frenotomia na caráter protocolo de 8,38 (7-12 pontos) para
Lima e amamentação em recém- analítico e 0,86 (0-5 pontos), na etapa de
2020
Dutra nascidos com longitudinal reavaliação, assim como melhora
anquiloglossia. com estatisticamente significante em todas
abordagem as variáveis relacionadas aos sintomas
quantitativa da amamentação.
A análise estatística evidenciou que
Martinelli, Posição da língua para Estudo tanto a ligeira fenda, quanto a forma de
Marchesan avaliação do frênulo 2020 retrospectivo coração na ponta da língua são mais
e Felix lingual. transversal visíveis na posição de elevação do que
na posição de protrusão.
Comparadas as produções de fala de
sujeitos com e sem anquiloglossia, a
análise quadro a quadro da produção
Estudo
Estratégias de do flape alveolar mostrou que sujeitos
Martinelli, transversal,
compensação na produção com anquiloglossia apresentaram
Marchesan 2019 observacional,
do flape alveolar em casos variadas estratégias de compensação
e Felix analítico e
de anquiloglossia. para a produção desse fone,
comparativo
mostrando uma diferença
estatisticamente significante (p=0,001)
entre os grupos.
Foi executado um pequeno corte na
Frenotomia lingual em porção mediana do freio lingual e,
bebês diagnosticados com quando necessário, realizada divulsão
Oliveira et Relatos de
anquiloglossia pelo Teste 2019 dos tecidos adjacentes. Ao final, foi
al casos
da Linguinha: série de feita a limpeza do local da cirurgia com
casos clínicos. a confirmação visual da efetiva
liberação da língua.
Apenas 27,27% dos participantes
Teste da linguinha:
avaliam o frênulo lingual em bebês, a
diagnóstico situacional Questionário
Nascimento maioria avalia há menos de um ano. O
sobre a aplicabilidade do 2015 online
et al profissional mais indicado a realizar a
protocolo em neonatos do autoexplicativo
avaliação do frênulo lingual em bebês,
distrito federal.
no Distrito Federal, é o fonoaudiólogo.
Fonte: Organizado pelo autor.
A produção científica sobre anquiloglossia no Brasil apresentou uma
distribuição desigual, de acordo com os dados encontrados. (Tabela 2)
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Tabela 2: Distribuição da Produção Científica no Brasil
ESTADO SIGLA REGIÃO PRODUÇÃO
Amazonas AM Norte 1
Piauí PI Nordeste 1
Ceará CE Nordeste 1
Rio Grande do Norte RN Nordeste 3
Pernambuco PE Nordeste 4
Distrito Federal DF Centro-oeste 2
São Paulo SP Sudeste 4
Rio Grande do sul RS Sul 1
Fonte: Autores, 2023
A região Nordeste, representada pelos estados do Rio Grande do Norte,
Ceará e Piauí, destacou-se com um total de 5 estudos sobre o tema,
demonstrando um interesse significativo nessa região (dados do Rio Grande do
Norte - 3 estudos, Ceará - 1 estudo, Piauí - 1 estudo). Na Região Norte, apenas
o Amazonas contribuiu com um estudo, enquanto o Distrito Federal, na Região
Centro-Oeste, apresentou 2 estudos. A Região Sudeste, apesar de ser a mais
populosa do país, declarou uma produção limitada, com São Paulo liderando
com 4 estudos (dados de São Paulo - 4 estudos). Já na Região Sul, apenas o
Rio Grande do Sul registrou um estudo sobre o assunto (dados do Rio Grande
do Sul - 1 estudo)
É relevante ressaltar que a pesquisa científica é um campo vasto e
sonoro, e nem todas as contribuições acadêmicas são facilmente acessíveis ou
identificáveis em um período específico. Existem diversos fatores que podem
influenciar a não detecção de pesquisas sobre anquiloglossia no Brasil durante
o período de 2015 a 2023. Isso inclui variações nos termos de pesquisa
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utilizados, disponibilidade de recursos para publicação, idiomas de publicação e
até mesmo o acesso a bancos de dados específicos. Além disso, pesquisas mais
recentes podem ainda não ter sido indexadas ou podem ter utilizado terminologia
diferente, o que pode dificultar sua identificação em levantamentos de dados.
Portanto, é plausível que um novo filtro ou método de busca mais abrangente
possa favorecer a descoberta de novos achados e enriquecer a compreensão
do tema.
Uma análise dos tipos de estudos relacionados à anquiloglossia no Brasil
revela uma diversidade de abordagens metodológicas. (Gráfico 1)
Gráfico 1: Tipo de Estudo
Revisão Bibliográfica
Relatos de casos
Online autoexplicativo
Estudo transversal
Estudo observacional
Estudo de intervenção de caráter analítico
0 1 2 3 4 5 6
Fonte: Autores (2023)
Uma análise dos tipos de estudos relacionados à anquiloglossia no Brasil
revela uma diversidade de abordagens metodológicas. Entre as pesquisas
indicadas, foram encontrados estudos de intervenção de caráter analítico,
indicando uma busca para avaliar e comparar estratégias de tratamento. Além
disso, estudos observacionais e transversais, com um total de oito pesquisas,
demonstram um interesse em investigar as características e o impacto da
anquiloglossia em diferentes populações. A presença de relatos de casos
evidencia a atenção dada às experiências clínicas específicas, enquanto as
revisões bibliográficas, em número significativo, apontam para a necessidade de
sintetizar e organizar o conhecimento existente sobre o tema.
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Surpreendentemente, um estudo com abordagem online autoexplicativa indica
uma possível tendência ao uso de tecnologias para coleta de dados e pesquisa
participativa. Essa variedade de abordagens metodológicas reflete a
complexidade e a importância da anquiloglossia como objeto de estudo em
múltiplas disciplinas e contextos clínicos.
5. Discussão
Nogueira, Gonçalves e Roda (2021) relataram que durante os primeiros
dias de vida do bebê, algumas alterações anatomofuncionais podem interferir no
desenvolvimento craniofacial. Uma dessas alterações é a variação do frênulo
lingual, um fator predisponente pois, atualmente, há uma ampla divulgação da
avaliação do frênulo lingual como prevenção do desmame precoce.
É importante o uso de protocolos clínicos de avaliação da anquiloglossia,
pois estes permitem, por meio da definição de parâmetros, auxiliar o profissional
no estabelecimento de um diagnóstico e correta determinação do plano de
tratamento (LIMA; DUTRA, 2021). O diagnóstico preciso da anquiloglossia
depende de uma avaliação multiprofissional, incluindo odontopediatras, pediatra,
fonoaudiólogo e otorrinolaringologista.
Segundo Macau-Lopes et al. (2022) a Lei nº 13.002, de 20 de junho de
2014, normatizou a obrigatoriedade da aplicação do teste da linguinha em
recém-nascidos em todas as maternidades e hospitais do Brasil. A lei é
fundamentada na justificativa de necessidade da realização da avaliação do
frênulo lingual do RN para o diagnóstico precoce de prováveis alterações e,
assim, haja a possibilidade de prevenção do desmame precoce, a perda de peso
e os prejuízos na fala. Tal protocolo pode ser aplicado por profissionais de saúde
devidamente habilitados e, dentre eles, está presente o fonoaudiólogo.
Gomes et al. (2021) evidenciaram que, com a finalidade de desempenhar
o diagnóstico, manifestações precoces de anquiloglossia em bebês e para uma
melhor denominação do tratamento a ser feito, o teste torna-se imprescindível,
para uma melhor qualidade de vida sendo ela emocional ou funcional para uma
criança e sua mãe.
Oliveira et al. (2019) destacaram a classificação que pode ser realizada
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pelo fonoaudiólogo no diagnóstico de anquiloglossia: tipo 1, quando o freio
lingual é inserido no ápice da língua, geralmente na frente da crista alveolar
no sulco do lábio inferior; tipo 2, que é de 2 mm a 4 mm atrás da ponta
da língua e se prende sobre ou logo atrás da crista alveolar; tipo 3, quando o
freio lingual é anexado à língua média; e tipo 4, no qual o freio está
essencialmente na base da língua e é grosso, brilhante e muito inelástico.
Já Fraga et al. (2020), destacaram que esse diagnóstico precoce mostrou-
se de grande importância para os casos de anquiloglossia uma vez que
proporciona o acompanhamento e/ou o tratamento, diminuindo as chances de
desmame precoce, evitando assim as consequências para a saúde geral da mãe
e bebê, considerando que o desmame precoce é um sério problema de saúde
pública e que anquiloglossia é um fator de risco para a ocorrência do desmame,
o teste da linguinha torna-se uma ferramenta de diagnóstico precoce
absurdamente necessária para a redução do desmame precoce
Dutra et al. (2020) relataram que esse diagnóstico precoce tem caráter
diferencial no crescimento e no desenvolvimento dos recém-nascidos pois, o
objetivo principal é encaminhar os neonatos com mais probabilidade de
apresentar a anquiloglossia para procedimentos diagnósticos mais elaborados,
a fim de obterem tratamento específico precoce com a diminuição ou eliminação
das sequelas associadas a essa doença.
Atuação fonoaudiológica no âmbito da anquiloglossia baseia-se na
averiguação das condições do frênulo da língua com exame visual, observando
a mobilidade da língua e analisando as funcionalidades orofaciais de deglutição,
mastigação e fala. Ou seja, nas primeiras 48 horas de vida, deve ser realizada
avaliação anatomofuncional, consistindo na observação da postura dos lábios
em repouso, posicionamento e forma da língua durante o choro e visualização
do frênulo lingual (GOMES et al., 2021).
Ainda nesse sentido, Martinelli, Marchesan e Felix (2019) ressaltaram que
o ponto de fixação do frênulo na língua e no assoalho da boca não se modifica
ao longo do tempo e sua constituição histológica não permite que se rompa
espontaneamente ou seja alongado por meio de exercícios. Esses fatos
justificam a importância do diagnóstico precoce para anquiloglossia em
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neonatos, através do teste da linguinha.
Isso porque, segundo Lima e Dutra (2021), a correta protusão lingual, o
selamento da aréola mamária e amplitude oral, são fatores essenciais para uma
amamentação eficiente. A limitação nos movimentos da língua em bebês com
anquiloglossia pode prejudicar as funções de sucção e deglutição, que estão
diretamente relacionadas à amamentação, além de interferir.
Souza (2021) identificou que a utilização de protocolos para avaliação do
frênulo lingual é de grande importância e é fundamental a presença de uma
equipe multidisciplinar na qual o fonoaudiólogo ocupa papel primordial. Pois é o
profissional capaz de identificar, além das características anatômicas, o padrão
funcional adequado e a maneira correta da pega e posicionamento no mamilo -
que deve ser estabelecido durante a amamentação, para não causar traumas
físicos ou emocionais, desestimulando a mãe a prosseguir com a rotina de
amamentação.
Por fim, Araújo et al. (2020), entenderam que o impacto funcional da
“língua presa” sobre a amamentação é um ponto controverso, uma vez que, para
alguns autores existe uma tendência a redução da limitação funcional com o
aumento da idade. Enquanto para outros pesquisadores é necessário identificar
as alterações no frênulo da língua nos primeiros meses de vida, para evitar o
desmame precoce e, posteriormente, as alterações de fala e ainda, redução de
dores nos mamilos; facilidade de deglutição do leite materno, bem como, de
respiração do bebê durante o ato; alimentação eficaz e consequente ganho de
peso.
6. Considerações Finais
A anquiloglossia é uma anomalia bastante ocorrente na população que,
segundo estudos direcionados pode prejudicar a amamentação, acarretando
graves consequências para a saúde da criança, sendo, no entanto, de fácil
diagnóstico e tratamento.
Deve-se considerar que o diagnóstico realizado através da triagem
neonatal do frênulo lingual é um exame simples, indolor, não invasivo e de baixo
custo e que pode ser realizado por diversos profissionais capacitados, entre eles
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o fonoaudiólogo.
Neste estudo, enfatizo que mesmo normatizado, não é estabelecido por
lei qual profissional realizará o diagnóstico da anquiloglossia, porém, dentre os
profissionais capacitados, o fonoaudiólogo é o mais capaz de executar esta
avaliação, por ser quem melhor conhece as estruturas orofaciais, suas funções
e as intervenções que prevenirão alterações de sucção, deglutição, fala e
articulação.
Registro a dificuldade de acesso a várias pesquisas acadêmicas que são
afetadas pela limitação em identificar as novas contribuições. Isso deve-se a
fatores que influenciam a falta de detecção das pesquisas sobre anquiloglossia
no Brasil, especialmente durante o período de 2015 a 2023, quais sejam:
variações nos termos de pesquisa utilizados, (in)disponibilidade de recursos para
publicação, idiomas de publicação e, até mesmo, o acesso a bancos de dados
específicos.
Por fim, reconhecendo que as taxas de prevalência da anquiloglossia
variam de 0,52% a 21% (pode ter sido subestimadas em alguns estudos), impõe
aos pesquisadores e estudiosos do tema a continuidade obstinada, de
promoverem novas prospecções, estudos e desafios na busca para otimizar o
diagnóstico do frênulo alterado. Iluminando com novos conhecimentos o campo
da Fonoaudiologia e potencializando a elevação da competência dos
fonoaudiólogos em diagnóstico de anquiloglossia.
Em última análise, a bibliometria acerca da produção científica sobre
anquiloglossia no Brasil revelou uma distribuição geográfica desigual, com
destaque para a região Nordeste, que demonstrou um notável interesse e
contribuiu com a maioria dos estudos identificados. No entanto, é fundamental
reconhecer que a pesquisa científica é um campo vasto e em constante
evolução, e a ausência de estudos em determinadas regiões ou a predominância
de pesquisas em outras não deve ser interpretada como uma falta de relevância
do tema em nível nacional. Fatores como variações nos termos de pesquisa,
disponibilidade de recursos e acesso a bancos de dados podem influenciar a
detecção de pesquisas. Portanto, é plausível que haja estudos não identificados
ou ainda não indexados que contribuam para um panorama mais completo da
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anquiloglossia no Brasil. Além disso, a diversidade de abordagens
metodológicas observadas nos tipos de estudos reflete a complexidade dessa
condição e a necessidade de uma pesquisa multidisciplinar para compreender
completamente suas implicações clínicas. Essa análise ressalta a importância
de continuar a investigação sobre a anquiloglossia em todo o país, promovendo
a cooperação interregional e adotando abordagens inovadoras para enriquecer
nosso conhecimento sobre o assunto e melhorar o atendimento clínico aos
pacientes afetados.
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